A Epopeia de Gilgamesh – Resumo
Gilgamesh era rei da cidade de Uruk, sendo referido na epopeia como
um ser 2/3 deus e 1/3 humano, e por conta do lado divino ele é
extremamente grande e poderoso. Por um lado, isso é bom para o seu povo
por terem um rei forte, mas Gilgamesh se entediava facilmente por não um
desfio a altura de sua força. Para se entreter, ele atormenta a população de
Uruk, procurando brigas com jovens na rua e exigindo a primeira noite com
as mulheres virgens após seu casamento (antes dos maridos).
O povo, cansados desses abusos, começam a clamar os deuses para
que intervissem em Gilgamesh, e foram respondidos. A deusa Arúru (que
criou a humanidade no início dos tempos), cria o Enkidu – ser selvagem,
meio animal, coberto de pelos e força proporcional a de Gilgamesh - a partir
do barro. O enkidu é enviado para as florestas aos arredores de Uruk, onde
começa a viver com os animais, e destruindo diversas armadilhas de
caçadores, o que os irrita bastante. Um desses caçadores reza ao deus
Shamash, pedindo sua intervenção, o que ele faz. Shamash, então, envia
uma de suas sacerdotisas prostitutas para atrair Enkidu. Ele se interessa por
ela, que se unem em 7 dias e 7 noites de prazer. Ele deixa de ser selvagem,
perde sua conexão com a natureza, é expulso das florestas e os animais
passam inclusive a fugir dele. Aqui, ele deixa de ser puro, mas possui
conhecimento e amplidão de saber (semelhante ao fruto proibido que Adão
comeu).
Enkidu foge enfraquecido e solitário, e é acolhido por uma mulher que
o leva até a casa de um pastor para ser civilizado, onde ele corta seus
pelos, aprende a comer como seres humanos e a beber cerveja.
Simultaneamente, Gilgamesh está muito preocupado, pois anda sonhando
com a chegada de um companheiro que ele vai amar muito, e pede sua
mãe deusa Ninsun para ajudá-lo a entender esses sonhos. Após um tempo
vivendo com o pastor, Enkidu fica sabendo de todas as atrocidades
cometidas por Gilgamesh contra o seu povo, especialmente chocado com os
relatos dele atacando as mulheres de Uruk. Enkidu então decide ir à cidade
para intervir em casamento que Gilgamesh provavelmente iria atrapalhar.
Lá se inicia uma batalha intensa e duradoura entre os dois, que acaba com
Enkidu derrotado e reconhecendo Gilgamesh como superior. Após achar
alguém em seu nível, Gilgamesh cria uma conexão muito forte com Enkidu,
se tornando inseparável dele.
Depois de um tempo, Gilgamesh chama Enkidu para uma missão,
buscando poder e glória, que consistia em caçar a criatura deus e guardião
da natureza Humbaba na floresta de cedro. Enkidu e os anciões de Uruk não
concordam com a missão, mas como Gilgamesh é orgulhoso, ele vai de
qualquer forma. Antes de ir, ele pede benção e proteção à sua mãe, que
aqui já reconhece Enkidu como um novo filho. Chegando no local, eles
travam uma batalha com Humbaba, que despreza Enkidu por ter
abandonado a natureza e promete desmembrar Gilgamesh e dar de comer
aos pássaros. Graças as bençãos de Shamash, 13 ventos prendem
Humbaba, que perde a batalha. Ele suplica a seus oponentes, se oferecendo
como escravo de Gilgamesh caso eles o deixem viver, mas Enkidu
recomenda matar Humbaba para selar o poder dos amigos como os mais
poderosos para todo o sempre.
Ao ver a batalha, a deusa do amor e da violência Ishtar se encanta
com Gilgamesh e almeja casar-se com ele. Porém a deusa matou o seu
último amante, o que leva Gilgamesh a rejeitá-la. Furiosa, Ishtar procura seu
pai, o deus Anu, pedindo para que ele envie o seu touro dos céus, criatura
mística poderosa, para destruir Uruk e Gilgamesh. Anu não aceita, então
Ishtar o chantageia, dizendo que caso ele se recuse ela irá abrir os portões
do submundo e marchar com um exército de mortos até que eles superem
os números dos vivos, além de gritar tão alto que todos os céus e a terra
escutaram. Para evitar que isso aconteça, Anu cede, mas traz um outro
ponto: o touro não ia só matar Gilgamesh, mas levar Uruk a 7 anos de fome
e sofrimento. Ishtar então diz que irá prover recursos que durarão estes 7
anos.
O touro além de enorme, era insaciável. Além de destruir tudo pelo
caminho, ele bebeu praticamente toda a água do rio. Sem nenhuma ajuda
divina, Gilgamesh e Enkidu derrotam o touro e arrancam o seu coração, que
o oferecessem para Shamash. Essa vitória irrita muito os deuses, pois o
touro era uma criatura divina, para eles os heróis devem pagar. Após uma
discussão, eles decidem que o Enkidu deve pagar com a vida, pois ele deu o
golpe final na criatura.
Enkidu é assolado por uma doença, que o faz sofrer por 12 dias antes
de matá-lo. Gilgamesh esteve em seu lado o tempo todo, sofrendo junto do
amigo, e quando Enkidu falece, Gilgamesh não aceita. Ele fica junto do
corpo de Enkidu por 7 dias, acreditando que ele ainda estava vivo, e só
aceita a morte do amigo quando uma larva caí do nariz de Enkidu.
Gilgamesh ordena que os cidadãos de Uruk lamentem a morte de seu
companheiro, ergue uma estatua em sua homenagem e doa riquezas para
seu enterro, para que Enkidu chegue com segurança ao submundo. Com
isso, Gilgamesh não lamenta apenas a morte de seu parceiro, mas também,
pela primeira vez, ele encara o fato de que sua própria vida é finita.
Tomado pelo medo da morte, Gilgamesh decide ir em busca da
imortalidade, saindo a procura de Utnapistim, que foi abençoado pelos
deuses com a imortalidade. O problema é que Utnapistim vive no mundo
dos mortos, na margem do rio das mortes. Para chegar ao mundo dos
mortos, Gilgamesh deve escalar a montanha de Shamash, o deus sol, e
encontrar o homem escorpião, que guarda a entrada para o submundo. Ele
recebe permissão de adentrar, e no limiar entre o mundo dos vivos e mundo
dos mortos ele para em uma taberna, onde a taberneira tenta convencê-lo a
voltar, aproveitar sua vida, e que seu lugar ainda não era ali. Após muita
insistência de Gilgamesh, ela acaba cedendo e conta para ele como
atravessar o próximo obstáculo: as águas da morte. Para isso ele deve
encontrar o barqueiro do homem imortal, para chegar à morada de
Utnapistim.
Ao chegar, Gilgamesh pergunta a Utnapistim qual o segredo de sua
imortalidade, porém a resposta não é nada satisfatória. Acontece que
Utnapistim foi avisado pelo deus Enki sobre um dilúvio mandado pelos
deuses que destruiria toda humanidade. Ele construiu uma arca a pedido de
Enki e levou sua família e 1 casal de cada animal (semente de tudo o que
vive). Como agradecimento e pedido de desculpas pela tamanha destruição,
os deuses tornaram Utnapistim e sua esposa em imortais, e foram
obrigados a viver longe dos outros humanos, nas margens do rio da morte.
Logo, essa história não serve para Gilgamesh, visto que a imortalidade de
Utnapistim não foi resultado de méritos próprios ou um segredo que poderia
ser replicado. Gilgamesh se chateia, mas Utnapistim diz que ele pode tentar
mostrar sua vontade para os deuses ficando 6 dias sem dormir, porém, ele
falha no segundo dia.
Já sem esperanças, ele parte de volta, mas na saída a esposa de
Utnapistim revela que há um segredo para manter sua juventude, uma
planta que crescia no fundo das águas da morte. Assim ele parte em
procura dessa planta, amarra pedras em seus pés e caminha no fundo do
rio, onde acha a planta. No caminho de volta a Uruk, Gilgamesh decide se
banhar, deixa a planta de lado e uma cobra a pega e foge. Agora, todas as
esperanças dele quanto a imortalidade, acabam. Frustrado, Gilgamesh
chega ao seu reino, contempla sua imensidão, sua beleza e tudo o que ele
construiu e conquistou. Maravilhado, Gilgamesh percebe que apesar de não
ter conseguido a imortalidade física, o seu reino ainda sobreviveria e
continuaria, seu povo e seu legado ainda serão imortais.
Achadas em diversas tábuas de argila na biblioteca de Ninive
(de domínio Babilônico), data de 2500 a.C. Foi escrita em letra
cuneiforme e estava quase completa, algo raro devido a sua
idade.
Encontradas no século XIX, entre 1846 e 1876.
Toma palco nos rios Tigre e Eufrates na Mesopotâmia.
Ficou a cargo dos historiadores escreverem a epopeia em uma
sequência lógica.
A tradução durou entre 1853 e 1928.
As tábuas estavam distribuídas em Ninive, Nipur e Uruk. Ao
todo são 50 mil.
Panteão Mesopotâmico
Anu: Pai maior dos deuses.
Ki: Esposa de Anu, terra.
Enlil: Deus Ar, filho de Anu e Ki.
Enki: Deus da sabedoria, filho de Anu.
Nana/Si: Deusa Lua.
Shamash/Utu: Deus Sol.
Innana/Ishtar: Deusa da fertilidade, amor e guerra.