JOR6428 – Estética e Cultura da Mídia – Semestre 2024.
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2º trabalho: peso 2,0
Nome(s): Gabriel Christen
(Pode ser feito em dupla ou em até três pessoas. As respostas devem se basear nos textos de Susan
Sontag, Jean-Luc Nancy, Byung-Chul Han e Umberto Eco, listados na bibliografia da disciplina e
disponíveis no Moddle. Cada questão vale 2,5.)
Entrega: até 11/7 pelo e-mail [Link]@[Link]
1. Observe essa imagem:
The Old Cemetery Tower In Nuenen
Vincent Van Gogh, 1884
O que você vê nessa pintura? Quais são as impressões de luz que você percebe nela? Em que hora
do dia você acha que ocorre a cena pintada? Você considera essa pintura bela? Ou interessante?
Como as reflexões de Susan Sontag sobre a beleza poderiam ser acionadas para falar desse pintura?
(responda em até 15 linhas)
R: Nesta pintura de Van Gogh podemos vizualizar aparentemente uma mulher caminhando por um
caminho cercado de vegetação alta que assemelha a trigo, ao fundo se nota o que parece ser uma
antiga igreja, o forte tom de laranja, amarelo e marrom denotam um um certo peso para a imagem
fazendo me acreditar que a pintura se passa no crepúsculo do dia.
A pintura se torna bela por conseguir trabalhar muito bem com a questão do monocromático, além
de transmitir uma cena serena de uma mulher caminhando por um campo.
Susan Sontag trás uma reflexão sobre a beleza, subvertendo os conceitos de belo e feio em
“interessante” e “desinteressante” argumentando que o belo seria o “interessante” e o feio o
”desinteressante” carregando uma certa visão capitalista sobre o tema pois o desinteressante não dá
lucro e que o interessante (não necessariamente belo) traz lucro, para esta reflexão Susan pede para
que imaginemos como que soaria dizer “um por do sol é interessante” o que soaria bastante
estranho pois o por do sol não se resume só ao interesse por tanto acionando os conceitos de susan
podemos chegar a conclusão que a obra não é só interessante mas também bela
2. A pintura mostrada a seguir é mencionada por Jean-Luc Nancy em sua conferência sobre a
beleza. Trata-se de Narciso, tela pintada por Caravaggio por volta de 1597 e 1599. O que você vê
nessa pintura? O que lhe chama atenção nela? Que interpretação nova – voltada para o desejo que
advém da beleza – Nancy propõe para a relação dessa pintura com o mito de Narciso? (15 linhas)
R: Na pintura caravaggio retrata um jovem que aparenta ser um camponês se debruçando as
margens de um corpo d’água, olhando fixamente para a sua imagem refletida na água. Com um
fundo escuro que ajuda a destacar a figura do jovem e seu reflexo na água.
O que chama a atenção na imagem é a simetria entre a imagem de narciso e seu reflexo e o olhar
fixo dele no reflexo nos passando a idéia que o personagem está preso admirando a sua própria
beleza.
Nancy define a beleza como algo que provoca uma conexão com quem a contempla, assim gerando
um desejo de posse, no entanto ao se aproximar do reflexo e perceber que não pode possuí-la,
Narciso acaba por se perder e se afogar no lago como é relatado no mito grego.
3. Observe a fotografia abaixo, reprodução de um Ballon Dog, escultura de Jeff Coons, exposta no
topo do Metropolitan Museum of Art. Você considera essa
escultura bela? Como ela atrai o seu olhar? Como o filósofo
Byung-Chul Han desenvolve, a partir dessa escultura, sua
crítica à estética do liso? (até 15 linhas)
R: Na minha visão a escultura de Jeff Coons não é o que
podemos definir por beleza clássica com uma obra
renascentista porém carrega uma certa beleza ao retratar algo
muito popular e familiar que é o “cachorrinho de bexiga”
carregando uma certa nostalgia da infância além da própria
beleza de sua pintura dourada reflexiva.
Byung-Chul Han crítica a estética do liso argumentando que
é algo simples, sem profundidade e serve apenas para suprir
interesses comerciais.
4. Reproduzo, abaixo, uma cena da performance Thomas Lips, em que a artista Marina Abramovic
mutila sua barriga com uma lâmina de barbear. Essa imagem atrai o seu olhar? Por quê? Com base
no texto sobre “O feio hoje”, de Umberto Eco, como você relaciona as manifestações de beleza e
feiura nessa performance? O que o feio pode nos dizer do mundo a nossa volta? (15 linhas)
R: A performance da artista nos trás uma certa repulsa
natural que temos ao nos deparar com sangue e
ferimentos, no entanto o objetivo dela de nos fazer
refletir sobre o sofrimento do povo judeu, acaba por
instigar o interesse pelo choque.
Para Eco esta performance explora o limite entre o
belo e o feio, a beleza sendo o ato radical de alto
mutilação da artista e o choque que isto causa nos
levando a reflexões sobre o sofrimento ao mesmo
tempo que carrega a feiura do sangue e dos cortes
expostos.