RELATÓRIO
A UTILIZAÇÃO DO NOME PRÓPRIO NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO
1. INTRODUÇÃO
A alfabetização é um processo complexo que ultrapassa o simples
reconhecimento de letras e palavras, envolvendo a construção do sentido
da escrita como prática social. Sob a perspectiva socioconstrutivista, a
aprendizagem da leitura e da escrita deve partir de experiências
significativas, nas quais o aluno seja sujeito ativo na construção do seu
conhecimento. Nessa abordagem, a escola deixa de ser um espaço de
mera transmissão e passa a ser um ambiente de investigação,
experimentação e descoberta.
Entre os recursos pedagógicos mais eficazes nesse contexto,
destaca-se o uso do nome próprio como elemento central nas práticas de
alfabetização. O nome, carregado de valor simbólico, afetivo e social,
representa para a criança uma das primeiras formas de identificação com
a linguagem escrita. Ao reconhecer e escrever seu nome, o aluno
estabelece uma conexão concreta com a função da escrita na vida
cotidiana, desenvolvendo, de forma natural, a consciência fonológica, a
percepção das regularidades do sistema alfabético e o reconhecimento
das letras.
Teóricas como Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1985) revelaram,
por meio de suas pesquisas sobre a psicogênese da língua escrita, que a
criança constrói hipóteses sobre a escrita desde muito cedo, sendo o
nome próprio uma das primeiras referências que utiliza nesse processo.
O presente relatório tem como objetivo apresentar e analisar as
atividades desenvolvidas no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de
Iniciação à Docência (PIBID), na turma do 4º ano da Escola Municipal
Santa Maria, com foco no trabalho com os nomes próprios dos alunos
como estratégia pedagógica para o processo de alfabetização. As
experiências relatadas foram pensadas a partir dos referenciais teóricos
da alfabetização socioconstrutivista, aliando prática docente reflexiva,
ludicidade, afetividade e aprendizagem significativa.
Por meio de atividades como chamadinha, bingo dos nomes, caça-
palavras, jogos de pistas e agrupamentos por letras, buscou-se criar
situações de ensino em
que os alunos pudessem observar, manipular, comparar e refletir sobre os
nomes, promovendo a compreensão do funcionamento da linguagem
escrita em um ambiente colaborativo e acolhedor. Assim, pretende-se
demonstrar como o nome próprio pode ser um instrumento potente de
alfabetização, promovendo o letramento inicial com sentido, autoria e
pertencimento.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O uso do nome próprio como ferramenta de intervenção no
processo de alfabetização e amplamente defendido por teóricos do
campo da educação que estão alinhado com a perspectiva sócio
construtivista, segundo a qual, o processo de alfabetização é uma
construção ativa realizada pelo aprendiz que, ao se deparar com
desafios precisa formular novas hipóteses passando por diferente
níveis de conceitualização.
A pesquisa realizada por Emília Ferreiro e Ana Teberosky na
obra intitulada Psicogêneses da Língua Escrita, tem como objetivo
investigar como as crianças constroem hipóteses sobre a leitura e a
escrita. A partir dos resultados desta pesquisa, elas puderam
demonstrar que o processo de alfabetização necessita de uma
relação ativa, contínua e progressiva da criança em contato com o
sistema alfabético.
Segundo as autoras,“A escrita do próprio nome é, para a criança, um
primeiro modelo funcional e estável de escrita, com sentido e valor social”
(Ferreiro & Teberosky, 1985). Logo, o nome próprio, por ser um dos
primeiros elementos com que a criança estabelece uma relação
significativa, favorece o processo de aprendizagem por diversos
motivos. Por ser usado frequentemente no contexto tanto escolar
quanto familiar permite uma maior facilidade para se trabalhar
dando maior autonomia e significado para as descobertas do aluno.
Além disso,o nome próprio apresenta uma clara e convencional
estrutura que permite à criança a formular hipóteses sobre as
regularidades da escrita.
Barros (2001) afirma que o nome próprio deve ser o primeiro
ponto de referência que o aluno deve ter no processo de
alfabetização. Isso se dá porque, além de ser significativo na
construção da identidade, oferece à criança um modelo estável
concreto pelo qual ela pode refletir sobre a natureza da escrita. A
partir dele, a criança pode compreender a ordem da distribuição
letras e sua não aleatoriedade na escrita das palavras, o modo de
escrita da esquerda para a direita, a existência de regularidades no
sistema alfabético, a correspondência entre sons e grafias, entre
outros.
Logo, a utilização do nome próprio no processo de
alfabetização caracteriza uma prática pedagógica estratégica que
promove a autonomia do aprendiz, favorece a formação de hipóteses
sobre o sistema de escrita e leitura, além de estimular a interação e
o desenvolvimento linguístico.
3. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
1. Chamadinha
(25/03/2025) Objetivo:
● Desenvolver a consciência fonológica por meio do
reconhecimento da letra inicial do próprio nome e de colegas.
● Estimular a percepção de regularidades entre nomes e promover
o contato visual e gráfico com a escrita.
Procedimentos:
● Os alunos receberam cartões com seus nomes.
● Foram convidados a identificar a primeira letra, destacando-a
com lápis de cor ou tinta.
● Em duplas, compararam seus nomes com os dos colegas que
tinham letras iniciais iguais ou semelhantes.
● Os nomes foram organizados no mural da chamadinha em ordem
alfabética.
Impacto:
A atividade criou um ambiente afetivo e colaborativo. As crianças
perceberam que
os nomes têm estrutura e organização, favorecendo a reflexão sobre a
função das letras e a formação das palavras
2. Caça-palavras com os Nomes dos Colegas
(01/04/2025) Objetivo:
● Reforçar o reconhecimento visual dos nomes próprios.
● Estimular a atenção e concentração em uma atividade lúdica.
● Promover o respeito e a valorização da identidade do outro.
Procedimentos:
● Foi entregue um caça-palavras com os nomes da turma.
● Os alunos buscaram e grifaram os nomes.
● Após encontrar os nomes, escreveram três deles em seus
cadernos e compartilharam algo positivo sobre cada colega.
Impacto:
A atividade reforçou o vínculo entre alunos, desenvolveu a memória
visual e consolidou a escrita correta dos nomes. As interações
promoveram a socialização e a empatia, conectando linguagem,
identidade e convivência.
3. Bingo dos Nomes
(07/04/2025) Objetivo:
● Estimular o reconhecimento auditivo e visual dos nomes próprios.
● Desenvolver atenção auditiva, foco e raciocínio lógico.
● Utilizar o jogo como estratégia de aprendizagem significativa.
Procedimentos:
● Cada aluno recebeu uma cartela com nomes de colegas.
● Os nomes foram sorteados e lidos em voz alta.
● Ao completar a cartela, o aluno gritava “Bingo” e recebia uma
pequena recompensa.
Impacto:
O uso do jogo promoveu engajamento emocional, uma das bases do
aprendizado significativo. A familiaridade com os nomes favoreceu o
desenvolvimento da consciência fonêmica e visual da escrita.
4. Detetive dos Nomes
(27/05/2025) Objetivo:
● Explorar a estrutura dos nomes próprios através de pistas.
● Desenvolver a oralidade, dedução lógica e a análise das letras e
sons.
● Trabalhar com hipóteses sobre a grafia e fonética dos nomes.
Procedimentos:
● A turma foi dividida em grupos. Um aluno (o detetive) deveria
adivinhar o nome de um colega com base em dicas dadas pelos
outros (ex.: “começa com a letra M”, “tem 5 letras”, “é nome
composto”).
● As pistas envolviam sons iniciais, número de letras, forma
gráfica e semelhanças com outros nomes.
Impacto:
A atividade proporcionou um ambiente cooperativo e investigativo. Ao dar
e receber pistas, as crianças desenvolveram habilidades metalinguísticas
e fortaleceram o vínculo entre fala e escrita.
5. Outras Estratégias Complementares
Além das atividades principais, foram realizadas ações cotidianas como:
● Identificação dos nomes nas mesas e materiais escolares;
● Listas de chamada com participação ativa dos alunos;
● Mural interativo com os nomes, fotos e letras do alfabeto;
● Agrupamentos por letras iniciais, promovendo categorização visual e
sonora.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho utilizando o nome revelou se uma estratégia
fundamental no processo de alfabetização baseada nos princípios
da teoria socioconstrutivista. As vivências observadas nas
atividades desenvolvidas no do PIBID demonstram que o nome, por
sua natureza simbólica e afetiva, proporciona um forte ponto de
partida para que os alunos começam a formular suas primeiras
hipóteses sobre o funcionamento da escrita, estabelecendo relações
entre sons, letras e significados.
Durante a realização de atividades como a chamadinha, o
bingo dos nomes, o caça palavras e o jogo do detetive, foi possível
observar que o uso do nome próprio é uma ferramenta que estimula
a curiosidade, o envolvimento na atividade e a participação ativa
dos aluno. Essas experiencias possibilitaram momentos de
aprendizagem de forma lúdica e significativa sobre os elementos
fundamentais do sistema alfabético.
Além disso, esse elemento fornece um modelo estável de
escrita que favorece o desenvolvimento da consciência fonológica
pelo educando, a percepção visual e auditiva e a compreensão do
uso social da linguagem. As práticas relatadas também reafirmam a
importância da educação como um processo de diálogo, e que seja
significativo e contextualizado, reconhecendo o aluno como sujeito
ativo.
Conclui- se, portanto, que a utilização do nome próprio não
deve ocorre de forma pontual ou meramente ilustrativa, mas sim
como uma ferramenta estruturante que integra o desenvolvimento
da linguagem, da identidade e das competências cognitivas iniciais
de leitura e escrita. Ao promover situações de aprendizagem que
partem da realidade dos alunos e
dialoguem com suas vivências, o educador contribui para uma
aprendizagem mais humana, crítica e transformadora.