Brazilian Journal of Development 1528
ISSN: 2525-8761
Esclarecimentos que diferenciam Segurança de Assuntos Internos
(SAI) de contrainteligência e ações de corregedoria no âmbito da
PMPR
Clarifications that differentiates Security and Internal Affairs (SAI)
from counterintelligence and office actions within the scope of PMPR
DOI:10.34117/bjdv10n1-098
Recebimento dos originais: 05/01/2024
Aceitação para publicação: 17/01/2024
Marco Antonio Dos Santos
Graduado em Administração
Instituição: Polícia Militar do Paraná
Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 1401, Rebouças, Curitiba - PR, CEP: 80230-110
E-mail: marcoapmpr@pm.pr.gov.br
Lucas Correa
Graduado em Direito
Instituição: Polícia Militar do Paraná
Endereço: Av. Mal. Floriano Peixoto, 1401, Rebouças, Curitiba - PR, CEP: 80230-110
E-mail: lucas.correa@pm.pr.gov.br
RESUMO
Através desse estudo será apontado os pontos que diferenciam a função de Correição
exercido pela Corregedoria-Geral da PMPR com as ações do ramo da Contrainteligência,
desenvolvidas pelo Sistema de Inteligência da PMPR, esclarecendo a finalidade da
Contrainteligência, mais especificamente no limiar do segmento de Segurança de
Assuntos Internos. De maneira transversal entre o campo teórico e os aspectos da prática
diária, este ensaio ainda ousará indicar um ponto de congruência entre os campos de
atuação, indicando uma abordagem sinérgica de assessoramento, apresentando um
extenso número de conhecimentos e informações que poderão auxiliar o decisor durante
o processo de gestão, fornecendo dados que possam servir de subsídios para as
deliberações que compõem o todo do processo decisório. Apresentará exemplos
hipotéticos de tipos de conhecimentos e informações que poderiam ser úteis as decisões
de nível operacional, tático, estratégico e político, demonstrando que algumas
informações servem para entendimento de contexto e não necessariamente para atuação
correcional do autor da conduta. O juízo central desta obra é refletir quais são as
competências da atividade de contrainteligência e quais são os campos de atuação da
correição, evitando a equivocada percepção que as atividades possuem o mesmo fim,
além de indicar que elas não são apenas alternativas de cunho meramente reativo,
posterior a identificação do desvio de conduta do ativo humano da Corporação, indicando
que a mitigação e o tratamento das vulnerabilidades de uma organização, sendo elas
pontuais ou sistêmicas, tem condições de extrapolar a dimensão disciplinar e criminal,
alcançando um viés prospectivo preventivo no cenário decisório.
Palavras-chave: contrainteligência, segurança de assuntos internos, correição, segurança
pública.
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1529
ISSN: 2525-8761
ABSTRACT
Through this study, the points that differentiate the Correction function carried out by the
General Inspectorate of PMPR with the actions of the Counterintelligence branch,
developed by the PMPR Intelligence System, will be highlighted, clarifying the purpose
of Counterintelligence, more specifically at the threshold of the Security segment. of
Internal Affairs. In a transversal way between the theoretical field and aspects of daily
practice, this essay will also dare to indicate a point of congruence between the fields of
action, indicating a synergistic approach to advice, presenting an extensive amount of
knowledge and information that can assist the decision-maker during the management
process, providing data that can serve as input for the deliberations that make up the entire
decision-making process. It will present hypothetical examples of types of knowledge
and information that could be useful for decisions at an operational, tactical, strategic and
political level, demonstrating that some information serves to understand the context and
not necessarily for corrective action by the perpetrator. The central judgment of this work
is to reflect what the competencies of counterintelligence activities are and what the fields
of action of corrections are, avoiding the mistaken perception that the activities have the
same purpose, in addition to indicating that they are not just alternatives of a merely
reactive nature. , after identifying the misconduct of the Corporation's human assets,
indicating that the mitigation and treatment of an organization's vulnerabilities, whether
specific or systemic, is capable of going beyond the disciplinary and criminal dimension,
achieving a prospective preventive bias in the scenario decision-making.
Keywords: counter-intelligence, home affairs security, correction, public security.
1 INTRODUÇÃO
Abordar a produção de informações acerca dos desvios de conduta dos ativos
humanos de uma Instituição, não é uma tarefa que muitos se predispõem a encarar.
Refletindo diretamente na superficialidade do conhecimento sobre tal temática,
ocasionando deduções e interpretações, muitas vezes, equivocadas de como lidar com o
assunto ao passo que pessoas que buscaram entender melhor a temática, acabaram sendo
tomadas por mais dúvidas do que esclarecimentos. Isso poderia até ser explicado pelo
Efeito Dunning-Kruger1(Galvão, 2023). Com base nesse referencial, seguindo a curva do
gráfico abaixo, o objetivo ao final do trabalho, é deixar o leitor no ponto onde as coisas
começam a fazer sentido.
1
Segundo o psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP, Christian Dunker, o fenômeno
explica dois efeitos diferentes. O primeiro diz respeito aos indivíduos que conhecem pouco uma atividade,
mas tendem a superestimar os seus conhecimentos. Enquanto o segundo apresenta o efeito oposto, sendo
possível observar que sujeitos que apresentam vasto entendimento sobre algumas áreas tendem a acreditar
que não conhecem tanto daquele assunto. (Galvão, 2023)
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1530
ISSN: 2525-8761
Figura 1: Efeito Dunning-Kruger
Fonte: Imagens do Google
As instituições policiais entendem o desvio de conduta numa interpretação que se
aproxima da definição de Lemgruber et al, apud Junior (2011).
Denomina-se desvio de conduta qualquer transgressão do comportamento
formalmente esperado do policial, o que inclui desde a qualidade do
atendimento prestado à população até a prática de crimes comuns, passando
pelo abuso de força ou de autoridade e por faltas disciplinares previstas nos
regulamentos internos das corporações. (Lemgruber et al, apud JUNIOR,
2011)
Se partíssemos para uma coleta amostral, provavelmente, nosso intervalo de
confiança apontaria que a grande maioria dos gestores responderia que o problema de
desvio de conduta dessas Corporações, seria solucionado através de medidas de coerção
e admoestações disciplinares e/ou até mesmo a avaliação sobre a permanência daquele
ativo na Instituição.
Colocado na mesa de discussão as suspeitas de infrações disciplinares, ou até
mesmo criminais, que tenham como possível autor um policial militar, não seria estranho
imaginar que a maioria dos decisores demandariam seus aparatos de inteligência, para
esclarecer a suspeita, visando ter mais segurança para tomada de ações para identificar e
reprimir essa conduta. Os motivos disso acontecer não são difíceis de entender, fazendo
uma regressão para o cenário de criação das polícias militares no Brasil, é possível
enxergar compatibilidades estruturais de um modelo das Forças Armadas, principalmente
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1531
ISSN: 2525-8761
o Exército, consequência de origem histórica das polícias militares, refletindo também,
na execução dos encargos a serem desempenhados pelos serviços de inteligência das
forças policiais.
Dessa raiz é que surge a inteligência praticada nas polícias militares brasileiras,
bebendo não somente do modelo de polícia francês tradicional, prática mais
notável da formatação policial brasileira, mas na própria adequação militar
dessas instituições, profundamente influenciadas pelos modelos
administrativos traduzidos do Exército Brasileiro desde os anos 1960: Até
hoje, o modelo militar de organização profissional tem servido como
inspiração para maior parte das Polícias Militares. Assim como no Exército
Brasileiro, as PMs possuem Estado Maior, Cadeia de comando, Batalhões,
Regimentos, Companhias, Destacamentos, Tropas, etc. (MUNIZ, 2001, p. 180
apud SOARES, 2022).
Nesse contexto, consolidou-se, uma tarefa vinculada às 2ª seções do Estado-Maior
das unidades policiais. Essas seções, chamadas de serviço de informações, ficou com os
encargos de acompanhar e produzir informações a respeito dos desvios de conduta dos
integrantes da Corporação, principalmente no tocante à identificação de infrações,
comuns naquele recorte social, como faltas injustificadas, desrespeito a ordens emanadas
pelos superiores hierárquicos, comportamentos inadequados fora do horário de serviço,
como brigas em bares, o não cumprimento de compromissos financeiros, entre outros.
Construída à imagem e semelhança dos modelos de estado-maior das Forças
Armadas, a 2ª Seção do Estado-Maior da PMPR ou PM2 – estrutura replicada
nas unidades operacionais como P2 – é, então, o órgão encarregado de
centralizar a produção do que se chamava, à época, de informações. (SOARES,
2022)
Entretanto, com a evolução das relações sociais, acompanhada pelo
desenvolvimento das estruturas Corporativas, ocorreu uma injeção de complexidade e
gravidade nos desvios de conduta cometido pelos agentes policiais.
Verifica-se, a partir dos anos 90 até a atualidade, que houve um acréscimo
considerável de práticas delituosas por parte de um ínfimo efetivo de policiais
militares nos diversos ramos delituosos. Ao mesmo tempo, também cresce a
sensação de insegurança por uma parcela da sociedade, em virtude do aumento
dos indicativos de violência, ao surgimento de grupos milicianos e/ou
paramilitares, grupos de extermínios, dentre outros, que, por sua vez, assumem
o papel do Estado em alguns locais em que este deveria suprir as necessidades
e anseios básicos esperados pela sociedade. Esses policiais militares passam,
então, a praticar atos diversos dos pretendidos para incorporar os quadros do
efetivo da força policial do Estado. Com isso, tal prática adversa em que o
policial militar passa a se comportar é entendida como prática desviante,
também recepcionada por autores como “desvio de conduta”. (MOREIRA,
2010, p. 15).
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1532
ISSN: 2525-8761
Como resposta a essa evolução, no ano de 2010, ocorreu uma readequação das
atribuições, no tocante aos desvios de conduta no âmbito da Polícia Militar do Paraná,
com a criação, de uma Corregedoria-Geral2 (COGER). Entretanto, mesmo a partir da
criação da COGER, não se pode afirmar que a Atividade de Inteligência deixou de atuar
nessa temática, tão cara a Instituição, presente inclusive, como uma das fraquezas da
Corporação, postadas no seu Planejamento Estratégico3.
A Matriz SWOT utilizada para este Planejamento Estratégico foi inserida no
questionário aplicado aos principais gestores da PMPR, os resultados obtidos
serviram como base para realizar análise ambiental da Corporação. O resultado
da pesquisa apresentou os seguintes dados:
FRAQUEZAS:
29. Deficiência de um sistema de correição eficiente que integre as ações de
Corregedoria e Inteligência no enfrentamento da corrupção e do desvio de
conduta; (PMPR, 2022)
Junto com isso, advém uma conurbação de práticas das duas atividades, gerando
dúvidas, que ainda não foram totalmente esclarecidas, sobre quais seriam os desvios de
condutas que devem ser trabalhados pela Atividade de Inteligência, bem como, quais
seriam as irregularidades que mereceriam especial atenção da Corregedoria-Geral.
Através desse estudo buscamos apresentar reflexões que possam auxiliar na dissipação
dessa cortina de fumaça que pode além de ocasionar perda de conhecimentos e
informações importantes ao processo decisório, resultar em retrabalhos, bem como, uma
competição pela atuação em casos específicos, em detrimento a outros não tão notórios,
mas principalmente, na ineficiência da aplicação de uma resposta rápida e adequada às
ações nocivas aos ativos institucionais4, tangíveis ou intangíveis5.
Para aclararmos isso, primeiro vamos destrinchar alguns conceitos que sustentam
a Atividade de Inteligência, principalmente o ramo da Contrainteligência no qual está
inserido um segmento em que o objeto de estudo é o comportamento do ativo humano;
2
Decreto Estadual do Estado do Paraná nº 9.040, de 15 de dezembro de 2010.
3
Portaria do Comando-Geral da PMPR nº 273 de 8 de março de 2022.
4
Ativos institucionais representam tudo aquilo que a Instituição possui e controla, sejam estes bens, créditos
ou direitos, recursos humanos, imagem, credibilidade, tangíveis ou intangíveis, resultados de gestões e
resoluções passadas, que podem ser convertidos em ganhos e/ou gerar benefícios econômicos no futuro.
Representa aquilo que é fundamental para a estabilidade da Instituição. (TORRES, 2022)
5
Consideram-se bens tangíveis todos os objetos fisicamente existentes em nosso mundo, que são
perceptíveis ao nosso tato e que constituem patrimônio das instituições, como máquinas da linha de
produção, computadores, veículos, celulares, câmeras digitais, binóculos, e assim por diante. Bens
intangíveis é tudo que existe no mundo abstrato, identificável e apto a gerar benefícios para a instituição,
também conhecido como reserva de conhecimento, a exemplo da propriedade intelectual que se materializa
por meio da produção de tecnologias, ideias criativas, estratégias empresariais, informações etc.
(NAGATA, 2020)
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1533
ISSN: 2525-8761
analisar as atribuições legais da Corregedoria-Geral da PMPR, com foco especial nas
ações de controle de público interno; comparar os pontos de congruências e de
divergências das atividades, buscando entender a diferença de suas finalidades e modo de
atuação.
No final, será entregue ao leitor, maneiras de interagir as duas atividades, sem que
uma acarrete prejuízos para a outra, evidenciando que ambas podem fornecer ao decisor
produtos, que por mais que possuam algumas semelhanças, atuam em camadas distintas
do desvio de conduta e possuem finalidades e efeitos completamente distintos.
2 METODOLOGIA
A metodologia de pesquisa escolhida, para este trabalho, foi a pesquisa
exploratória, através da revisão bibliográfica, visto que o assunto do estudo, não é
suficientemente explorado pela literatura acadêmica brasileira. Como o objetivo deste
artigo é comparar e incentivar reflexões sobre a doutrina e atribuições da Segurança de
Assuntos Internos de Contrainteligência e das competências e finalidade da Corregedoria-
Geral da PMPR.
Segundo Gil (2002), a pesquisa exploratória consiste em:
Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o
problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Pode-
se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de
idéias ou a descoberta de intuições. Seu planejamento é, portanto, bastante
flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos
relativos ao fato estudado. Na maioria dos casos, essas pesquisas envolvem:
(a) levantamento bibliográfico; (GIL, 2002, p. 41).
Ressalta-se que, esse conteúdo é muito específico, sendo poucos os exemplares
de estudos sobre a Segurança de Assuntos Internos enquanto face de Contrainteligência
em organismos policiais de segurança pública, ainda mais se comparado com atribuições
de organismos correcionais, somado a sensibilidade e sigilo que o conteúdo é tratado,
dificultando a citação de fontes e até mesmos situações que possam melhor exemplificar
os argumentos. Por esses motivos, além da revisão bibliográfica, optou-se também pelo
relato de experiência dos autores, a fim de proporcionar maior enriquecimento ao leitor
sobre a temática abordada.
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1534
ISSN: 2525-8761
O relato de experiência é um texto que descreve precisamente uma dada
experiência que possa contribuir de forma relevante para sua área de atuação.
É a descrição que um autor ou uma equipe fazem de uma vivência profissional
tida como exitosa ou não, mas que contribua com a discussão, a troca e a
proposição de ideias. (2017)
Com isso, este estudo procura preencher algumas das lacunas conceituais no
âmbito da Segurança de Assuntos Internos e sua distinção da atividade de correição no
contexto de organismos policiais, especialmente no âmbito da PMPR.
3 ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA: ENCURTANDO O CAMINHO TEÓRICO
ATÉ O CONCEITO DE SEGURANÇA DE ASSUNTOS INTERNOS
Explorar os conceitos que cercam a Atividade de Inteligência, pode parecer uma
tarefa simples, mediante a longevidade de sua existência e atuação. Contudo, partirmos
para uma análise minuciosa de cada palavra que compõem os seus pressupostos, o estudo
ingressará em um labirinto teórico e doutrinário, cujo qual, para atendermos a finalidade
desse artigo, iremos corajosamente fugir, apegando-nos diretamente, no conceito de
segurança de assuntos internos.
Antes de saltarmos e avançarmos algumas casas no tabuleiro doutrinário que
integram a Atividade de Inteligência é necessário um prelúdio sobre os conceitos dela,
para afastarmos interpretações equivocadas sobre a finalidade da atividade, pontuando
esclarecimentos que se não forem feitos agora, terão um negativo impacto no objeto desse
estudo, sendo que as conclusões que buscamos apresentar poderiam ser influenciadas pelo
senso comum.
Para iniciarmos nossa expedição teórica, vamos conceituar a atividade de
inteligência, que segundo Antunes (2002), pode ser entendida como:
O senso comum normalmente associa a atividade de inteligência a espionagem,
trapaças e chantagens, imagem amplamente incentivada pela literatura
ficcional e pela mídia. Não obstante o termo intelligence ser um eufemismo
anglo-saxão para a espionagem, esta é apenas uma parte do processo de
inteligência, que é muito mais amplo [...]. Portanto, a atividade de
inteligência refere-se a certos tipos de informações, relacionadas à
segurança do Estado, às atividades desempenhadas no sentido de obtê-las
ou impedir que outros países a obtenham e às organizações responsáveis
pela realização e coordenação da atividade na esfera estatal. Trata-se de
uma definição mais precisa sobre o escopo da atividade de inteligência, que
permite iluminar certas incompreensões que vêm sendo percebidas no debate
brasileiro. (ANTUNES, 2002)
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1535
ISSN: 2525-8761
No próximo quadradinho do tabuleiro, entramos no conceito de Atividade de
Inteligência de Segurança Pública, isto é, um subconjunto que compõe a Atividade de
Inteligência, e que tem como sua frente de batalha a produção de conhecimentos do
cenário de Segurança Pública do país.
A atividade de Inteligência de Segurança Pública (ISP) é o exercício
permanente e sistemático de ações especializadas para identificar, avaliar e
acompanhar ameaças reais ou potenciais na esfera de Segurança Pública,
basicamente orientadas para produção e salvaguarda de conhecimentos
necessários para subsidiar os tomadores de decisão, para o planejamento e
execução de uma política de Segurança Pública e das ações para prever,
prevenir, neutralizar e reprimir atos criminosos de qualquer natureza que
atentem à ordem pública, à incolumidade das pessoas e do patrimônio
(BRASIL, apud MOREIRA, 2022)
Apesar de caminharmos para um afunilamento teórico, por mais estranho que isso
possa parecer, as dificuldades e complexidades conceituais estão aumentando, mas não
se preocupe, já estamos quase na nossa linha de chegada, dessa maratona conceitual.
Observe que o conceito de Contrainteligência de Segurança Pública, ramo da
Atividade de Inteligência de Segurança Pública que se responsabiliza pela salvaguarda da
Instituição e dos conhecimentos6 que ela detém, dedicando-se a produção de
conhecimento, mas também no desenvolvimento de ações resposta que visam prevenir,
detectar, obstruir e neutralizar as ações hostis contra os ativos da Atividade de Inteligência
de Segurança Pública e da Corporação que ela compõe.
b) atividade de contrainteligência de segurança pública: objetiva prevenir,
detectar, obstruir e neutralizar ações que constituam ameaça à atividade de
inteligência de segurança pública e à instituição a qual pertence e salvaguardar
dados e conhecimentos sensíveis. (BRASIL, 2021)
Nossa última apresentação conceitual desse capítulo, vai evidenciar a definição de
um dos três segmentos que formam o ramo da Contrainteligência de Segurança Pública,
trata-se do segmento de Segurança de Assuntos Internos. Preconizada pela última edição
da Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (DNISP) no ano de 2014, a
segurança de assuntos internos destina-se a produção de conhecimentos com enfoque nas
condutas lesivas do público interno, servindo de meio para a correição. Conforme Pereira
6
Conhecimentos = conhecimentos de inteligência, isto é, são aqueles que utilizam uma metodologia
baseada nas regras cartesianas e esse conhecimento deve ser verdadeiro ou provável, fundamentando suas
conclusões em evidências contidas nas frações significativas destacadas nos fatos e situações em produção.
O profissional de inteligência, usando a metodologia adotada, formula uma imagem imparcial e objetiva
em sua mente que deverá corresponder totalmente ao objeto (fato ou situação) (PINTO, 2018)
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1536
ISSN: 2525-8761
(2009) Segurança de Assuntos Internos “é conjunto de medidas destinadas à produção de
conhecimentos que visam assessorar ações de correição das instituições.”
Entretanto, essa formatação dificulta-nos diferenciar a finalidade do segmento
com as atribuições típicas de um órgão correcional. Inclusive conforme Melo (2018) esse
emaranhado normativo proporciona um entrelace funcional que impede a atuação do
segmento na sua verdadeira essência.
Todavia, devido ao seu trabalho por vezes se confundir com a correção dos
desvios de conduta, é rotulada forte carga negativa, é daí que surge a noção
equivocada de que Inteligência é para investigar a própria Polícia. Evidente
que a falta de conhecimento é um mecanismo que faz perdurar tal paradigma.
(MELO, 2018)
Para termos uma clarificação panorâmica desse entrelace funcional, devemos
entender quais são as atribuições de um órgão correcional, para isso utilizaremos por base
as normas que fundamentam as funções da Corregedoria-Geral da PMPR.
4 ATRIBUIÇÕES DA CORREGEDORIA-GERAL DA PMPR
Criada no ano de 2010, a Corregedoria-Geral da PMPR (COGER), veio para ser
a substituta Seção de Justiça e Disciplina da Diretoria de Pessoal, tem suas atribuições
definidas na Lei de Organização Básica da PMPR7 (LOB):
Subordinado ao Comandante-Geral, com atuação em todo o Estado, cuja
finalidade é assegurar a correta aplicação da lei, padronizar os procedimentos
de Polícia Judiciária Militar e de processos e procedimentos administrativos,
realizar correições, fiscalizações e garantir a preservação dos princípios da
hierarquia e disciplina na Corporação. (PARANÁ, 2010)
Especificamente sobre os fatos que envolvem os desvios de conduta a LOB prevê,
em seu artigo 13, as seguintes atribuições para a Corregedoria-Geral:
I – realizar correições, inspeções e fiscalizações nas diversas Unidades da
Corporação;
II – manter permanente acompanhamento do público interno, visando a
prevenir e a reprimir a prática de atos de improbidade administrativa,
crimes em geral e violações da disciplina e hierarquia militares, bem como
produzir o suporte probatório necessário à instauração dos respectivos
processos e procedimentos administrativos, quando de sua ocorrência;
III – acompanhar, controlar e fiscalizar os autos dos procedimentos de Polícia
Judiciária Militar no âmbito da Corporação, sanear e preparar os atos de
competência do Comandante-Geral e informar outros documentos quando
solicitado;
7
Lei de Organização Básica – LOB- Lei Estadual/PR nº 16.575 de 28 de setembro de 2010
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1537
ISSN: 2525-8761
IV – expedir orientações sobre a aplicação da legislação relativa à apuração
das infrações criminais e disciplinares, inclusive promover a interpretação de
jurisprudências e outras matérias atinentes aos serviços da Corregedoria;
V – apurar crimes militares, fatos de cunho administrativo e faltas
disciplinares, realizando os procedimentos legais, quando forem avocados,
instaurados ou determinados pelo Comandante-Geral;
VI – requisitar o comparecimento de militares estaduais e civis vinculados de
qualquer forma à Corporação;
VII – receber reclamações contra ações ou omissões perpetradas por militares
estaduais, tomando as medidas legais cabíveis ou as encaminhando à
autoridade competente;
VIII – prover apoio aos Comandantes de Unidades e a quaisquer órgãos,
quando solicitado, prestando auxílio técnico especializado, procedendo a
diligências e exarando informações e pareceres;
IX – acompanhar procedimentos investigatórios a que tenham sido submetidos
militares estaduais em repartições policiais, organizações militares e outras;
X – manter atualizados os arquivos de identificação por todos os meios
disponíveis e o registro dos antecedentes dos integrantes da Corporação;
XI – cumprir, prioritariamente, os mandados de prisão e alvarás de soltura que
envolvam integrantes da Corporação; (PARANÁ, 2010)
Note, que o inciso II do artigo 13 da LOB, é o que expõe uma competência que
mais se aproximaria e se misturaria com as funções de Segurança de Assuntos Internos,
pois apresenta na primeira parte “manter permanente acompanhamento do público
interno, visando a prevenir e a reprimir a prática de atos de improbidade administrativa,
crimes em geral e violações da disciplina e hierarquia militares” (PARANÁ, 2010).
Contudo na sequência do mesmo inciso, é apresentada a seguinte redação: “bem como,
produzir o suporte probatório necessário à instauração dos respectivos processos e
procedimentos administrativos, quando de sua ocorrência.” (PARANÁ, 2010).
Em que pese seja utilizado um conectivo8 gramatical “bem como”, que poderia
instigar que o inciso apresenta duas tarefas distintas. Entretanto, entende-se que a escolha
da expressão foi apenas uma opção redativa, para o desenvolvimento da redação do
inciso, atribuindo-lhe coesão textual.
A própria apresentação das funções da COGER, voltada ao público-geral,
disponível no endereço eletrônico da PMPR, reforça que as providências que a Instituição
espera do órgão de correição, são aquelas que desdobrem em processos e procedimentos,
sejam administrativos ou criminais, que possibilitem a estrita aplicação das normas e da
lei.
8
Conectivos são palavras ou expressões que interligam as frases, períodos, orações, parágrafos, permitindo
a sequência de ideias. (DIANA, s.d.)
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1538
ISSN: 2525-8761
A Corregedoria-Geral foi criada por meio do Decreto Estadual nº 9.040 -
15/12/2010, com a finalidade de assegurar a correta aplicação da
lei; padronizar os procedimentos de Polícia Judiciária
Militar; padronizar os processos e procedimentos
administrativos; realizar correições, fiscalizações; garantir a preservação dos
princípios da hierarquia e disciplina na Corporação; assegurar a fiel
observância da lei e o perfeito cumprimento das ordens emanadas das
autoridades constituídas; atender aos princípios norteadores dos direitos
humanos; garantir a adequada execução da atividade policial; e aperfeiçoar o
sistema de controle do público interno. (PMPR, s.d.)
Nessa perspectiva, não há que se falar em sistemático acompanhamento de público
interno, como função precípua da COGER PMPR, se esse acompanhamento não tiver
lastro com um suporte probatório, que possa sustentar, minimamente, a instauração de
procedimentos e processos administrativos e criminais, em desfavor de policiais militares
que porventura adotaram condutas que caracterizam infrações disciplinares ou até mesmo
crimes.
Apesar disso, e analisando os pressupostos legais que definem a atuação da
COGER, e o compartilhado objeto de estudo que possui com a Segurança de Assuntos
Internos, é habitual ocorrer uma fusão entre as demandas de inteligência e correição,
inclusive, ocasionando a equivocada inferência que as atividades são entrelaçadas e que
as agências de inteligência, distribuídas pela circunscrição territorial da Instituição, são
extensões operacionais do órgão de correição, assim como as seções de justiça e disciplina
seriam também um prolongamento da estrutura correcional da Instituição e que é gerido
pela Corregedoria-Geral.
5 DESENTRELAÇANDO AS DUAS ATIVIDADES
É evidente que atividades que possuam o mesmo objeto de estudo, terão
semelhanças funcionais que podem gerar confusão de compreensão, principalmente no
que se refere a divisão de atribuições e formas de atuação. Ao observar a atividade de
inteligência com enfoque na segurança de assuntos internos, comparando-a, com a
previsão funcional da Corregedoria-Geral, notadamente, temos a impressão de que
estamos diante de órgãos siameses9. Mas, devemos ser cautelosos nessa análise, de fato,
considerando um específico campo de atuação, poderíamos até dizer que estamos perante
órgãos irmãos, mas vale lembrar que mesmo tendo os mesmos pais, tenham sido criados
9
A palavra "siamês" para nos referirmos àqueles gêmeos cujos corpos permanecem unidos após o
nascimento. (DE LA NUEZ, 2019)
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1539
ISSN: 2525-8761
na mesma casa, até com traços semelhantes de aparência, irmãos serão dotados de
personalidade, gostos e vontades totalmente diferentes.
A partir dos desvios de conduta dos integrantes da Corporação, precisamos
compreender, através de um olhar panorâmico, que as duas atividades (correição e
inteligência) terão estratégias de ação e finalidades distintas.
5.1 A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO DE CONTRAINTELIGÊNCIA
Aprofundando-nos nessa dicotomia laboral, precisamos entender como funciono
a produção de conhecimento de contrainteligência, e conforme nos explica Nagata (2020)
esse ramo, onde está inserida a Segurança de Assuntos Internos, se divide em duas fases,
a fase defensiva e a fase ofensiva.
Essas fases compõem, as ações de resposta da instituição perante uma ação hostil,
seja ela abstrata, quando o produto será, uma prospecção daquilo que pode vir a acontecer,
seja ela concreta, de posse de elementos que apontam autoria, objetivos da ação hostis,
bem como os meios de execução.
Na fase defensiva da Contrainteligência, iremos identificar majoritariamente
ações de prevenção, através das quais, poder-se-á produzir conhecimentos que vão
auxiliar a identificar, obstruir e se preparar a Instituição, para o enfrentamento de ações
hostis contra os ativos institucionais, sejam eles bens tangíveis ou aqueles ativos
intangíveis.
As ações ofensivas de Contrainteligência, dedicam-se às ameaças ou ataques que
necessitam de ação de resposta, seja de neutralização de uma ameaça ou ação hostil que
já foi detectada, seja de uma que está em curso de funcionamento, mesmo que seus autores
ainda não tenham sido identificados ou que não foram compreendidos os seus objetivos
com aquela ação. Ela proporcionará, através dos seus segmentos, ações institucionais
antes de uma ameaça se concretizar, tentando obstruir seu acontecimento e/ou prevenir
os efeitos daquela ação, bem como aquelas respostas que vão ocorrer depois da
manifestação da ameaça, ou assim que ela for identificada, buscando neutralizar e mitigar
seus efeitos lesivos ao ativo institucional. Neste cenário surge uma zona cinzenta de
atuação, ocasionada pelas ações hostis contra a Corporação, planejadas e/ou executadas
pelos seus próprios integrantes.
É nessa zona cinzenta que atua o segmento de segurança de assuntos internos da
Contrainteligência, entretanto, ressalta-se que quando cita-se ações hostis desempenhadas
pelos próprios integrantes da instituição, conceitualmente, refere-se a profissionais de
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1540
ISSN: 2525-8761
inteligência, isto é, aquela pessoa que ingressa no sistema de inteligência com intenções
nocivas ou que durante sua estadia na agência é cooptado por um agente de ameaças (por
exemplo, um organização criminosa) com a intenção de fornecer acesso a estruturas ou
informações sigilosas, geralmente, em troca de uma compensação financeira, essa figura
é popularmente chamado de espião.
Para blindar toda a Atividade de Inteligência, inclusive o usuário do
conhecimento, das ações nocivas de um integrante cooptado, a Segurança de Assuntos
Internos atuará produzindo ações de respostas que possuem atributos das duas fases da
Contrainteligência. Desempenha ações rotineiras de detecção de condutas que possam
indicar irregularidades dos profissionais que integram o sistema de inteligência, além de
monitorar suas vulnerabilidades e fraquezas, também executando trabalhos da fase de
resposta ofensiva, atuando delicadamente para neutralizar ações em curso de profissionais
cooptados, não gerando alarde, enquanto a rotina da agência permanece, aparentemente,
normal. A manutenção da normalidade, se deve pelo fato de que as suspeições podem não
se concretizar, sendo que o profissional sobre o qual recaia a suspeita, manter-se-á, de
maneira justa, desempenhando suas atividades, mas se um boato superficial se espalhar
pelos demais profissionais da agência, indicando que há suspeita sobre um profissional
de inteligência, e que este está sendo monitorado, mesmo que a informação não seja
validada, será praticamente insustentável a permanecia dele na agência, perante a
instabilidade, que será gerada, no clima organizacional da agência.
A Segurança de Assuntos Internos, além de prover conhecimento, para a decisão
da retirada ou não de profissionais da Atividade de Inteligência, de acompanhar as ações
de um profissional que esta cooptado a fim de entender quais são seus objetivos e quem
são os interessados na sua ação, inclusive, buscando identificar a existência de cumplices
dessa atuação, e ainda vigiar comportamentos inadequados, infrações administrativas
e/ou criminais de profissionais de inteligência que possam prejudicar os ativos da
Atividade, a Segurança de Assuntos Internos, produzirá conhecimentos para validar ou
descartar informações/denúncias, relativos a desvios de condutas de um o profissional de
inteligência, seja durante a execução de suas atividades, seja no seu período de folga.
Dessa forma, assessora o decisor perante comportamentos inadequados do público
interno da Inteligência, mas também, evita que simples ilações sejam tidas como verdade,
e o profissional seja, injustamente, rechaçado da atividade, uma pena de caráter
praticamente perpétuo e irrecorrível.
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1541
ISSN: 2525-8761
Para atingir o seu objetivo, a Segurança de Assuntos Internos precisa manter
sistemático o acompanhamento dos dados que estão vinculados aos profissionais de
inteligência, minerando os dados que possam indicar traços de desvio de conduta, isso
por si só já seria uma especializada e árdua tarefa.
Facilitando a organização sistemática desse oceano de hiperdados10, interligados
aos profissionais de inteligência, a Segurança de Assuntos Internos poderá direcionar seus
“sonares” para duas espécies de dados, os relacionados a conduta
administrativo/disciplinar e os de dimensão criminal:
No ordenamento jurídico, eventuais desvios comportamentais podem ser
classificados de acordo com o ramo do direito infringido: ilícitos civis, ilícitos
tributários, ilícitos administrativos, ilícitos disciplinares, ilícitos trabalhistas,
ilícitos penais, ilícitos processuais. Para o presente trabalho, interessa a análise
de desvios correlacionados ao serviço policial militar, e, dentro destes, os
desvios dos militares que impactariam, direta ou indiretamente, na segurança
pública. Para tanto, os desvios a serem estudados englobam os de natureza
administrativo/disciplinares e os de natureza penal comum e militar.
(FERREIRA, 2014)
O trabalho de detecção, formado por processos sistemáticos de incessante
mineração, depuração e análise de dados, exige do segmento, um extenso rol de fontes de
informações e acesso a diversos sistemas e banco de dados, além do monitoramento de
fontes abertas. Seguindo essa rotina, o segmento naturalmente se deparará, com autores
de ações hostis que não visão diretamente a Atividade de Inteligência, mas sim a
Corporação que ela integra, e desenvolvidas por profissionais que não compõem o quadro
dos profissionais de inteligência. Com os dados em mãos, será produzido conhecimento
a ser difundido para decisores, conforme seu nível de atuação (estratégico, táctico e ou
operacional), transformando, extraordinariamente, a Segurança de Assuntos Internos,
fonte de conhecimentos de desvios de condutas de integrantes que não compõem o quadro
dos profissionais de inteligência.
Motivo pelo qual, ordinariamente, as instituições de segurança pública, estendem
foco de atuação da Segurança de Assuntos Internos da Contrainteligência, interpretando
que o “público interno”, englobaria todo o universo de condutas em que se envolvem
qualquer um dos integrantes da Corporação. Essa problemática, tornou-se tão corriqueira,
que acabou invertendo o fluxo da informação, sendo que diversos decisores, começaram
10
É um conjunto de dados maior e mais complexo, especialmente de novas fontes de dados. Esses conjuntos
de dados são tão volumosos que o software tradicional de processamento de dados simplesmente não
consegue gerenciá-los, porém eles poderão trazer perspectivas que permitam novas soluções. (FORLAN,
2018)
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1542
ISSN: 2525-8761
a demandar a Segurança de Assuntos Internos para a produção de conhecimentos do
público geral da Corporação, para o suporte de instaurações de processos e procedimentos
administrativos e criminais.
Emergindo assim a pergunta: qual deve ser a prioridade da Segurança de
Assuntos Internos, os profissionais da inteligência ou o público geral da
Corporação? além da questão se os conhecimentos produzidos pela Segurança de
Assuntos Internos são adequados para o suporte probatório de desvios de condutas?
Para solucionar o primeiro problema, a Segurança de Assuntos Internos produzirá
conhecimentos em duas camadas. Uma camada que observa e acompanha aqueles
elementos externos ao sistema de inteligência, bem como uma segunda camada, mais
profunda, que se preocupa com as ações internas daqueles integrantes que compõem a
atividade de inteligência.
Figura 2: Camadas de atuação do segmento de Segurança de Assuntos Internos
Fonte: desenvolvido pelos autores
Quando um profissional de inteligência visa atingir, de maneira nociva, algum
ativo institucional, a Segurança de Assuntos Internos vai desempenhar ações que
vislumbrem a prevenção, obstrução e neutralizações dessas ações predatórias. Pode
ocorrer que essas ações defensivas sequer sejam percebidas ou reveladas ao espião, a fim
de proteger a fonte ou para não demonstrar, indiretamente, qual foi a falha de
planejamento da ação hostis que permitiu a sua detecção. Mas há cenários situacionais
em que de fato ocorrerá a resposta ofensiva contra as ações hostis, ficando evidente para
o autor que ele foi detectado e identificado. Porém essas ações são de segunda camada,
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1543
ISSN: 2525-8761
acima dela e com uma quantidade mais massiva de dados estão os dados relativos ao
público interno em geral.
Além da constante mineração dos dados que estão sendo extraídos das fontes
disponíveis, o segmento de Segurança de Assuntos Internos é o ponto focal, de todas as
informações sobre o público interno geral do sistema de inteligência, e da comunidade de
inteligência.11 Essa concentração de informações visa fornecer subsídios para a produção
de conhecimentos de prospecção e estimativas de cenários relacionados ao
comportamento dos seus integrantes, além de acessibilizar, aos mais altos níveis do
escalonamento hierárquico da Corporação, informações sobre os desvios de condutas,
detectados no nível operacional da Instituição.
Esse fluxo, visa propiciar subsídios uteis para o assessoramento de gestão e do
processo decisório, no que tange a definição de políticas institucionais que possam coibir
e dificultar os desvios de conduta e a depreciação dos ativos institucionais. Exemplos da
aplicação desse tipo de assessoramento, podem ser da simples escolha de profissionais
que integrarão seções sensíveis, ou até mesmo sobre a temeridade de classificar
profissionais, em período de formação ou recém-formados, em ambientes com longo
histórico de corrupção, e que não tenham meios para a fiscalização dessas condutas,
podendo propiciar um fértil cenário para que esses novos profissionais, também sejam
absorvidos pelas práticas lesivas. Perceba, o assessoramento visa apontar convicções
fundamentadas sobre fatores de risco da distribuição desses novos integrantes no
ambiente, estimando os impactos que essa aplicação possa ter para a Corporação, e
possíveis alternativas de lotação mais adequada.
O assessoramento de segurança de assuntos internos, via de regra, não propiciará
elementos probatórios, que possibilitem a personificação de uma conduta irregular a uma
pessoa natural, e que sejam completamente aplicáveis para a repressão administrativa ou
criminal, até porque, muitos deles, tratar-se-ão de estimativas e convicções
fundamentadas oriundas da produção de conhecimento de inteligência e que tiveram
como gênese da análise a compreensão do ambiente inóspito.
11
Comunidade de Inteligência é o conglomerado de agências e pessoas que compartilham, de maneira
colaborativa, informações e conhecimentos.
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1544
ISSN: 2525-8761
5.2 A APURAÇÃO DOS DESVIOS DE CONDUTA
Caso o decisor queira além de conhecimentos que iluminem o caminho que sua
gestão possa seguir, elementos que permitam respostas reativas e coercitivas ao desvio de
conduta, ele deverá acionar uma outra ferramenta institucional, a correição.
Enquanto na investigação criminal busca-se a autoria e a materialidade do fato,
a inteligência policial a subsidia mediante ferramentas tecnológicas, como
análise de vínculos e recursos operacionais, como vigilância e interceptações
telefônicas e ambientais. Além disso, a missão da inteligência policial é de
assessoramento, visando à produção de conhecimento e sua salvaguarda,
enquanto a missão da investigação criminal é de execução, visando à produção
de provas (MOREIRA, 2013).
A investigação exercida pelos órgãos correcionais, irá guiar-se por um caminho
de coleta e produção de provas técnicas e testemunhais que comprovem materialmente as
condutas, individualizando-as à um ou um grupo de profissionais, e que irão ser
submetidos ao processo em que ocorrerá o contraditório e ampla defesa, sendo que
conforme os elementos que forem juntados no processo ou procedimento, fugirá do
escopo de atribuições do usuário, a decisão sobre a conduta. Via de regra, essa análise
focar-se-á naquilo que já aconteceu, isto é, terá seus olhos voltados para o passado,
divergindo do assessoramento de segurança de assuntos internos, que focará na
compreensão de cenários para a predição de fatos futuros.
Ressalta-se ainda que recai sobre órgão correcional o poder-dever de apurar
desvios de conduta de integrantes da Corporação, e que através de suas sanções irá
cumprir seu papel de manutenção da hierarquia e disciplina militares, através da função
educadora da responsabilização, além da extensão do caráter exemplar da repressão da
conduta irregular, que poderá resultar em prevenção de novas infrações.
2.4.3. Poder hierárquico
O poder hierárquico decorre da hierarquia administrativa. Constituem
faculdades ou desdobramentos deste poder: a) dar ordens, b) controlar as
atividades dos subalternos, aferindo sua legalidade e o fiel cumprimento de
obrigações; c) anular, de oficio ou por provocação dos interessados, atos
eivados de ilegalidade, ou revogá-los, se inconvenientes ou inoportunos, d)
avocar e delegar funções, desde que não sejam, respectivamente, de
competência exclusiva do inferior e do superior; e) editar atos normativos de
efeito interno, para regulamentar a atuação dos órgãos subordinados
Resumindo, por força do poder hierárquico, incumbe ao superior dar ordens e
aos subordinados, o dever de obediência, cumprindo-as fielmente.
2.4.4. Poder disciplinar
O poder disciplinar deriva do poder hierárquico. Todavia, com ele não se
confunde. Consiste, em suma, no poder de apurar infrações disciplinares e de
aplicar punições aos servidores e às demais pessoas sujeitas à disciplina
administrativa. (ABREU, 2010)
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1545
ISSN: 2525-8761
A Segurança de Assuntos Internos e a Correição, apesar do mesmo objeto de
estudo, terão alcances e focos distintos, sendo que a atividade de correição deverá reunir
elementos de prova com foco na reação coercitiva da conduta irregular, sabendo que o
caminho do seu produto, sairá daquele cenário, e seguirá até outras esferas de decisão,
focando assim, naquilo que é mais consistente e que perdurará intacto, nesse longo
caminho.
É nítido que haverá um ponto de entrelace desses olhares, o que não significa que
partem e findam no mesmo produto ou utilizam das mesmas ferramentas. O produto de
ações de inteligência de segurança de assuntos internos, é baseado na produção de
conhecimento, oferecendo ao gestor, alternativas que possam prevenir, mitigar e
neutralizar ações nocivas cometidas pelos próprios integrantes da Corporação, seja em
nível operacional, tático, estratégico ou político. Existe uma retroalimentação constante
no fluxo assessoramento/decisão.
Por mais que, as informações de inteligência possam servir como uma lupa para
diminuir a amplitude e guiar até o local onde a produção de provas será mais efetiva, uma
vez que a ação nociva já está detectada, a Corregedoria iniciará um novo processo de
análise, focado naqueles elementos que poderão, ser “retirados” daquele ambiente e
utilizados, sem perder seu formato e características, além disso, que tenham capacidade
de perpetuar-se, mesmo quando colocados de maneira fria em um documento que será
analisado na esfera judicial, por exemplo, cronologicamente, distante da ocorrência do
fato.
Esse foco de reunião de elementos úteis ao processo, para que o autor da ação
hostil, receba a repressão e a coerção, pelo ato que lesou o ativo institucional, desentrelaça
o produto da correição com o produto da inteligência. No mais, diferentemente do
conhecimento de inteligência, o dado investigatório não poderá ser utilizado para a
construção de um panorama sistêmico, sendo que para cada autor ou ato da ação hostil,
deve-se reiniciar de coleta de dados.
6 COMO QUE O DECISOR PODE UTILIZAR AS DUAS FERRAMENTAS EM
CONJUNTO
Primeiramente é necessário descontruir o pensamento de que a inteligência
apresentará ao decisor, alguns envelopes com possibilidade de escolha, ainda mais
quando se trata de identificação de vulnerabilidades institucionais. Na verdade, a
segurança de assuntos internos da inteligência estará firmemente ao lado do decisor,
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1546
ISSN: 2525-8761
apresentando atualizações sobre fatores, comportamentos, registros, ocorrências, e outras
circunstâncias, envolvendo os ativos humanos da instituição, iluminando alguns
caminhos que podem ser trilhados pelo decisor, sendo que a cada novo passo do decisor
haverá a necessidade de acender uma “nova luminária” para prosseguir no caminho
escolhido. As decisões oriundas desse processo, provavelmente servirão apenas como
ações de resposta para prevenção, obstrução ou neutralização do efeito daquele
comportamento nocivo, até porque, possuem caráter mais imediato, sem pensar,
necessariamente na reprimenda ao autor da ação, e sim na proteção do ativo institucional.
À inteligência compete, assim, analisar os problemas e sobre eles produzir
conhecimento, desse conhecimento, que lida com tendências de
acontecimentos, predição de eventos e até mesmo a produção de estimativas é
que advém a prevenção. O exemplo crasso vem de campos como a demografia,
em que estudos detalhados de cada destacaram o papel fundamental da
prevenção, salientando correlações entre elementos que podem ser tratados,
por exemplo, pela inteligência policial-militar. A reação está associada,
primordialmente, ao trabalho investigativo, que busca elucidar a ocorrência de
um crime a obtenção de autoria e materialidade. (SOARES, 2022)
Após, ou até mesmo durante, esse processo decisório, identificada e mitigadas
e/ou neutralizadas as ações que estão lesando o ativo institucional, poderão ser indicados
os locais onde serão encontrados os fatos que podem gerar suporte probatórios para o
início das ações de correição.
Abastecer o decisor com conhecimentos organizados e processados, sugerindo
ações e medidas de prevenção ou correção das possíveis falhas detectadas em um
determinado processo, ofertará ferramentas que possibilitaram maior qualidade a tomada
de decisão. O conhecimento de Segurança de Assuntos Internos, na medida em que possui
particularidades e especificidades que a diferem, na sua essência, das demais, trará ao
decisor um diagnóstico da unidade que exercerá a gestão, apontado zonas críticas de
atuação devido ao envolvimento policial, apresentando um contexto histórico de fatos
que envolvem o público interno da unidade, que já foram registados nos bancos de dados
da inteligência, assegurando ao decisor clareza de cenários para a mais adequada e segura
decisão. Desse modo, antecipar-se-á o processo decisório, sobre os fatores críticos ao
sucesso ao atingimento das metas da gestão, diretamente ligados ao público interno da
instituição.
Com o celeiro de informações de inteligência que este o decisor terá disponível,
poderá guiar políticas de coação e coerção de condutas específicas e de agentes
específicos, a fim de gerar a reprimenda ao comportamento inadequado. Se caminharmos
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1547
ISSN: 2525-8761
para uma analogia com a área de saúde, poderia afirmar-se que a segurança de assuntos
internos, apresentaria recomendações de bons hábitos considerando a rotina do cenário,
ao mesmo tempo que seria um scanner diagnóstico, que apontaria ao paciente, em que
parte do corpo está o problema, e quais outras partes do corpo serão afetadas, caso o
tratamento não inicie ou seja inadequado. Através dos resultados do exame diagnóstico,
poderá definir com a melhor maneira de fazer o tratamento da moléstia, escolhendo qual
tratamento surtirá maior efeito, sem prejudicar o corpo como um todo.
Finalizado o tratamento, naturalmente, serão realizados exames periódicos a fim
de identificar se a doença não retornou, ou se há alguma outra moléstia, afetando uma
outra parte do corpo, por mais que seus efeitos não sejam visíveis.
Na prática, os decisores que tenham acesso as duas ferramentas, poderão
demandar que a segurança de assuntos internos mantenha sistemático e periódico
diagnóstico da unidade a fim prever e localizar condutas irregulares dos integrantes da
unidade, monitorando ainda se condutas já identificadas e submetidas a força de
correição, foram de fato cessadas ou só transferidas ou readequadas pelos agentes
causadores, a fim de esconder-se do radar da correição.
Enquanto acionará a força correcional, para atuação em casos específicos,
compartilhando os conhecimentos que indicam os locais de procura, onde a possibilidade
de reunião dos elementos de prova efetivos será maior, focando agora, em materializar a
conduta e vinculá-la ao seu autor, possibilitando a reprimenda adequada perante a
conduta, além da manutenção da hierarquia e disciplina.
Figura 3: Prismas de observação do gestor sobre os desvios de conduta no ambiente
Fonte: desenvolvido pelos autores
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1548
ISSN: 2525-8761
Contudo, há necessidade de alertar o decisor que este não poderá precipitar-se e
buscar aproveitar os dados obtidos durante o processo de produção de conhecimento para
a resposta correcional, pois a produção não tem como característica, até pela maior
rapidez de sua resposta, o objetivo comprovar a conduta ou acoplá-la ao autor, mas sim,
entender o cenário e identificar a ação nociva com foco na proteção dos ativos
institucionais.
O conhecimento é uma capacidade disponível em nós, seres humanos, para que
processemos de forma mais adequada a nossa vida, com menos riscos e menos
perigos. O conhecimento tem o poder de transformar a opacidade da realidade
em caminhos “iluminados”, de tal forma que nos permite agir com certeza,
segurança e previsão (LUCKESI, 1985 p. 51).
Caso o decisor tente reaproveitar formalmente as informações de inteligência no
processo coercitivo, sem que haja uma profilaxia dessas informações pela agência, isso é
a preparação de um relatório técnico com a clara definição de quem será o destinatário da
informação e qual é a finalidade que se pretende com esse conteúdo, poderá incorrer em
um vício que além de impossibilitar a aplicação da medida corretiva, desperdiçando o
trabalho realizado pelo encarregado do procedimento/processo, além de expor as fontes,
métodos e conhecimentos que a inteligência possui sobre o caso específico.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar das semelhanças das estruturas organizacionais que tem como objeto de
estudo o desvio de conduta dos profissionais que integram a própria Instituição, nota-se
que seus produtos são totalmente distintos.
Atribuir ao segmento de Segurança de Assuntos Internos da Contrainteligência,
ou de maneira subsidiária, às agências que compõem o sistema de inteligência, a
responsabilidade de desempenhar ações e respostas correcionais às condutas irregulares
que acontecem na circunscrição de responsabilidade do gestor, seria o mesmo que delegar
à uma seção de gestão de recursos humanos às funções de gestão logística e financeira de
uma unidade. Ao final, é possível, que de fato as demandas logísticas tenham recebido
uma resposta mitigatória, entretanto como consequência, haverá uma infinidade de
problemas relacionados à gestão de pessoal que não serão tratados, e provavelmente serão
ignorados, por terem sido abocanhados por questões, que originalmente não são
atribuições daquela seção, cuja ferramentas, métodos e doutrinas, não são adequados para
a solução efetiva do problema.
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1549
ISSN: 2525-8761
Mesmo se deparando com algumas coincidências estruturais entre
Contrainteligência e Correição, bem como, semelhanças de formato de trabalho e o
compartilhamento de técnicas e ferramentas, essas não devem resultar na mistura
automática das atividades.
Entrelaçar as atividades de inteligência e de correição, como se ambas fossem o
meio e o produto uma da outra, resultará na perda das características e funcionalidades
do conhecimento de inteligência, resultando apenas em respostas reativas, a
acontecimentos já exauridos, não efetivando a proteção as ativos institucionais. Dessa
maneira, apenas será providenciada uma resposta repressiva ao autor da lesão, perdendo
o enfoque na proteção dos ativos institucionais.
Enquanto os recursos de inteligência seguirem o caminho da inteligência
reativa, que alimenta um trabalho policial voltado à repressão da
criminalidade, a prevenção seguirá em segundo plano. (SOARES, 2022)
Ao passo que utilizar as convicções fundamentadas da inteligência num processo
administrativo ou criminal, de maneira indiscriminada, poderá ocasionar um desperdício
laboral, uma vez que, os elementos não estarão preparados para prestar o devido suporte
das demandas processuais, além de expor as fontes de informação e técnicas da
Contrainteligência, propiciando a sensação de que o que foi produzido não serviu para
nada, pois, por não ser um conhecimento adequado para o ambiente processual, sua
aplicação será praticamente inócua. Mas se mesmo assim, o decisor queria aplicar a
atividade de inteligência para a coleta de elementos com suporte probatório, ele perderá
a possibilidade de observação de panoramas gerais, podendo ainda não receber elementos
que retratem totalmente a realizada e sem a efetividade processual que ele desejava.
Bem como, demandar para a Corregedoria, a produção de conhecimentos sobre o
desvio de conduta, ocasionaria uma limitação de observação, uma vez que a natureza do
órgão, está naqueles elementos que possuíram suporte probatório sólido a ponto de resistir
as nuances de um processo criminal.
Os gestores têm a disposição de ambas as ferramentas, só necessitando ajustar a
maneira de demandar os produtos, devendo ser distinta e específica, adequada para cada
uma das estruturas. Não perdendo a perspicácia de interligar peças comuns dos quebra-
cabeças, que forneceram as decisor duas imagens da mesma cena, propiciando mais
clareza para o correto entendimento do cenário.
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1550
ISSN: 2525-8761
Fica o convite para desenvolvermos, cada vez mais, a habilidade institucional de
manuseio da temática, que é tão preciosa à instituição, apresentada inclusive como uma
fraqueza que impede o atingimento dos objetivos do Planejamento Estratégico da
Corporação.
A cautela necessária no manejo de um tema tão complexo, não pode diminuir o
anseio de estudá-lo, e muito menos, impactar na perseverança na mudança do cenário dos
desvios de conduta na Corporação, pois esses são os passos que guiarão o seu
desenvolvimento e evolução. As sábias palavras de Cleverson Rodrigues Machado (2023)
motivam aqueles que labutam na espera da mudança, pois conforme o autor “quando
pessoas boas se dispõem a fazer o bem, existe uma grande possibilidade daquele ambiente
melhorar, mesmo com diversas mazelas e dificuldades instaladas ali.”
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1551
ISSN: 2525-8761
REFERÊNCIAS
ABREU, Jorge Luiz Nogueira, Direito Administrativo Disciplinar. Rio de Janeiro: Ed.
Método, 2010.
ANTUNES, Priscila Carlos Brandão. SNI & ABIN: uma leitura da atuação dos serviços
secretos brasileiros ao longo do século XX. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2002.
BRASIL, Decreto nº 10.778, de 24 de agosto de 2021 – Estratégia de Inteligência de
Segurança Pública. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 25
ago. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br. Acesso em: 19 ago. 2023.
BRASIL. Decreto nº 4.376, de 13 de setembro de 2002. Dispõe sobre a organização e o
funcionamento do sistema Brasileiro de Inteligência, instituído pela lei nº 9.883, de 7 de
dezembro de 1999, e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do
Brasil, Brasília, DF, 13 set. 2002. Disponível em: https://www.gov.br/planalto/pt-br.
Acesso em: 21 ago. 2023.
BRASIL, Lei nº 9.883, de 7 de dezembro de 1999. Institui o Sistema Brasileiro de
Inteligência, cria a Agência Brasileira de Inteligência – ABIN e dá outras providências.
Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 8 dez 1999. Disponível
em: <www.planalto.gov.br>. Acesso em: 7 ago. 2023.
DE LA NUEZ, Julia Tena. A fascinante história de Chang e Eng, os irmãos siameses que
tiveram 21 filhos. Publicado em: 4 de março de 2019. BBC. Disponível em:
<https://www.bbc.com/portuguese/geral-47436679>. Acesso em: 30 de setembro de
2023.
DIANA, Daniela. Conectivos para redação: lista e tipos. Publicado em: sem data. Toda
matéria Disponível em: < https://www.todamateria.com.br/conectivos>. Acesso em 5 de
setembro de 2023.
Escrita Acadêmica. O relato de experiência. Disponível em:
<https://www.escritaacademica.com/topicos/generos-academicos/o-relato-de-
experiencia/>. Acesso em 17 de setembro de 2023.
FERREIRA, Gustavo de Castro. Inteligência na Polícia Militar de Minas Gerais: Desvio
de Conduta como objeto da Inteligência de Segurança Pública. Monografia apresentada
ao Curso de Especialização em Segurança Pública. Centro de Pesquisa e Pós-graduação
da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2016. p. 71.
FORLAN, Pablo. Você sabe o que é Big Data? Aposto que sim!. Publicado em: Linkedin.
3 de abril de 2018. Disponível em: < https://pt.linkedin.com/pulse/voc%C3%AA-sabe-o-
que-%C3%A9-big-data-aposto-sim-pablo-martins>. Acesso em: 23 de outubro de 2023.
GALVÃO, Juliana publicado em Jornal da USP. São Paulo.14 de junho de 2023. Acesso
em: 8 de setembro de 2023. Disponível em: <https://jornal.usp.br/radio-usp/o-que-e-o-
efeito-dunning-kruger/>.
GIL, A. C (2002) Como elaborar projeto de pesquisa. 4ª Ed. São Paulo. Atlas S/A.
JUNIOR, Edmilson Antonio Pereira. Controle da Polícia: A Atuação da Ouvidoria na
Atividade Correcional. Dissertação de Mestrado. UFMG. Belo Horizonte, 2011. p. 94.
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024
Brazilian Journal of Development 1552
ISSN: 2525-8761
LUCKESI, C. C. Fazer universidade: uma proposta metodológica. São Paulo: Cortez,
1985.
MELO, Felipe Pereira de. A Contrainteligência Como Instrumento De Proteção Das
Instituições Policiais Judiciárias. Maringá: Revista da Escola Superior da Polícia Civil.
2017.
MOREIRA, Jussara Carla Bastos. Inteligência Policial como Meio de Prova:
considerações sobre sua utilização. Segurança Pública & Cidadania, v. 6, n. 1, 2013.
MOREIRA, Renato Pires. A Atividade de Inteligência na Corregedoria da Polícia Militar
do Estado de Minas Gerais. 2010. 170 p. Monografia (Especialização em Inteligência de
Estado e Inteligência de Segurança Pública) – Escola Superior do Ministério Público em
parceria com o Centro Universitário Newton Paiva, Belo Horizonte, 2010.
MOREIRA, Renato Pires. A Relevância da Inteligência Policial Penal na Segurança
Pública Brasileira. Revista Brasileira de Estudos Policiais. Brasília. 2022.
NAGATA, Bruno Ryuiti. Gestão de Conhecimento Inteligência e Contrainteligência.
Curitiba: IESDE BRASIL, 2020
PARANÁ. Decreto Estadual do Estado do Paraná nº 9.040, de 15 de dezembro de 2010.
PARANÁ, Lei Estadual nº 16.575 – Organização Básica da PMPR, 28 de setembro de
2010.
PEREIRA, Claudia Vieira. A Atividade de Inteligência como instrumento de eficiência
no exercício no controle externo pelo tribunal de contas da União. 2009. 91 f. Monografia
(Especialização em Inteligência de Estado e Inteligência de Segurança Pública com
Inteligência Competitiva) – Escola Superior do Ministério Público de Minas Gerais em
parceria com o Centro Universitário Newton Paiva, Belo Horizonte, 2009.
PINTO, Marcel Moreira. Estruturação da Atividade de Inteligência no Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento. ENAP. Brasília. 2018
PMPR. Apresentação Corregedoria. pmpr.pr.gov.br, s.d. Disponível em:
https://www.pmpr.pr.gov.br/Pagina/Apresentacao. Acesso em: 3 agosto de 2023.
PMPR. Portaria do Comando-Geral nº 273 de 3 de março de 2022 – Planejamento
Estratégico da Corporação 2022/2035.
RODRIGUES, Cleverson Machado. Da Importância das Operações Integradas de
Inteligência e de um Protocolo de Atuação Conjunta entre a Polícia Militar do Paraná e o
Ministério Público. Revista Científica Multidisciplinar. Curitiba. 2023.
SOARES, Lucas Fernando Marquetti, Fundamentos Históricos de uma Inteligência
Reativa: Reflexões Sobre as Perspectivas de Transição para um Modelo de Inteligência
Focado na Prevenção da Criminalidade. Revista de Ciências Policiais. Curitiba, 2022.
TORRES, Vitor. O que é Ativo? Contabilidade, bens e direitos nas empresas. Publicado
em: Contabilizei.blog. 11 de out. 2022. Acesso em: 16 de outubro 2023. Disponível em:
<https://www.contabilizei.com.br/contabilidade-online/o-que-e-ativo-contabil/>.
Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.10, n.1, p. 1528-1552, jan., 2024