UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
CENTRO DE EDUCAÇÃO
CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA
SABERES E DIDÁTICA DO ENSINO DE GEOGRAFIA 2
PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO
MACEIÓ - AL
2025
CAMILA DE LIMA BARRETO
LAÍSE GABRIELLE A. DE S. BARBOSA
LUIZA BEATRIZ ALVES DOS SANTOS
NATHALIA DA CONCEIÇÃO SILVA
RAYSSA JULIA MIQUELINO DA SILVA
PRISCILA MACEDO DE MIRANDA
PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO
Produção de material didático/proposta educativa,
apresentado ao Curso de Licenciatura em
Pedagogia, da Universidade Federal de Alagoas,
como parte dos requisitos necessários para obtenção
de nota.
Orientadora: Érica Renata Vilela de Morais.
MACEIÓ - AL
2025
Guia de Projeto Pedagógico: Explorando a Nossa Localidade
(Proposta Educativa para o Ensino de Geografia nas Séries Iniciais)
O presente guia pedagógico tem como objetivo propor um projeto educativo
interdisciplinar voltado para professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental, com a
finalidade de aproximar os alunos do estudo da Geografia a partir da localidade onde vivem.
A proposta nomeada como “Mapeando e Transformando” busca desenvolver um olhar
crítico e investigativo sobre o espaço vivido, promovendo a relação entre o conhecimento
escolar e a realidade dos estudantes. Por meio de atividades práticas, pesquisas de campo,
registros e sistematizações, os alunos serão incentivados a observar, analisar e compreender o
bairro, a comunidade e a cidade, reconhecendo as dinâmicas sociais, culturais, econômicas e
ambientais que os compõem.
Neste contexto, a alfabetização cartográfica funciona como um recurso pedagógico de
grande valia para ampliar a percepção espacial dos estudantes, permitindo que eles
compreendam o lugar onde vivem de uma maneira mais estruturada. Ao trabalharmos com a
representação através de mapas, que são familiares a eles, e outras linguagens cartográficas
desde os anos iniciais, os alunos podem desenvolver suas habilidades de orientação e análise
crítica dos espaços em que convivem. Práticas como esta aprofundam a relação com o lugar,
estimulam o protagonismo do investigativo e contribuem para que os estudantes reconheçam
o seu papel transformador naquele ambiente.
Acreditamos que compreender o espaço onde se vive é essencial para a formação
cidadã, possibilitando que as crianças se percebam como sujeitos ativos e responsáveis pelo
ambiente e pela comunidade em que estão inseridas. Assim, o projeto visa não apenas
ampliar os conhecimentos geográficos, mas também estimular a participação social e a
construção de uma identidade coletiva, favorecendo a reflexão sobre o papel dos estudantes
na transformação do espaço em que vivem.
Objetivos
Objetivo geral:
Promover o ensino da Geografia de forma contextualizada, aproximando os conteúdos do
espaço vivido pelos alunos, para que desenvolvam o senso crítico e a compreensão sobre a
relação entre sociedade e espaço geográfico.
Objetivos específicos:
● Reconhecer e valorizar a localidade dos estudantes como ponto de partida para o
ensino da Geografia.
● Desenvolver a observação, a análise e o registro de informações sobre o bairro e a
cidade.
● Promover a construção coletiva de saberes por meio de atividades práticas, visitas e
pesquisas.
● Estimular a participação ativa dos alunos como sujeitos transformadores de seu
espaço.
Referencial teórico
O estudo da localidade, na Geografia escolar, faz parte da categoria espaço geográfico,
entendido como o espaço produzido pelas relações entre sociedade e natureza (SANTOS,
2002). Nos anos iniciais, esse espaço deve ser abordado a partir do lugar, categoria
fundamental para aproximar os conteúdos da realidade da criança. O lugar é o espaço vivido,
onde os alunos estabelecem vínculos afetivos, sociais e culturais (CALLAI, 2005).
Trabalhar a “nossa localidade” significa desenvolver uma compreensão inicial de que
os espaços em que vivem (rua, bairro, escola, praça, feira, mercado) não são apenas cenários,
mas construções sociais em constante transformação.
Contudo, essa perspectiva ainda é pouco explorada nas práticas pedagógicas cotidianas.
Conforme aponta Teixeira et al. (2013), o ensino de Geografia nos anos iniciais ainda
permanece preso aos métodos tradicionais, desconsiderando as particularidades dos alunos.
Práticas como essa podem gerar um sentimento de "não pertencimento" entre o conteúdo
trabalhado em sala de aula e o ambiente em que vivem, comprometendo o engajamento e o
interesse dos estudantes, além de dificultar a assimilação dos temas abordados.
Rigonatto (2013) defende em seus estudos que:
“A alfabetização cartográfica consiste na construção de conhecimentos, signos
e representações, referentes à compreensão e leitura de legenda, cartogramas, tabelas,
gráfico, mapas, cartas e imagens (fotografias e imagens de satélites). Como se pode
observar, o ensino de Geografia precisa cultuar de forma mais significativa esse
recurso desde as séries iniciais na perspectiva de ampliar e possibilitar uma leitura
mais completa da realidade espacial do mundo contemporâneo.” (RIGONATTO,
2013 p. 3)
De maneira articulada a BNCC (2018) estabelece como habilidade essencial a exploração de
mapas e legendas desde os anos iniciais, fortalecendo a leitura crítica dos espaços vividos.
Quando o potencial educativo da rua, do bairro e da escola é ignorado, o ensino perde a
oportunidade de tornar-se significativo. Sendo assim, faz-se necessário repensar as práticas
docentes, de modo que tragam propostas e significados que valorizem o cotidiano dos alunos
como ponto de partida para compreender os demais espaços que os cercam.
Aspectos da metodologia
A proposta metodológica está fundamentada na abordagem construtivista e
investigativa do ensino de Geografia, que parte da realidade do aluno para levá-lo a
compreender conceitos mais amplos. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017)
orienta que, nos anos iniciais, o ensino deve valorizar experiências de observação, exploração
e registro.
Metodologicamente, utilizam-se:
● Aulas de campo (exploração da escola, arredores, praças, ruas próximas).
● Mapeamento coletivo (desenho da sala, da escola e do bairro).
● Narrativas e relatos (através de entrevistas com a comunidade e relatos pessoais, os
alunos contam como a localidade é vivenciada).
● Atividades lúdicas (jogos, maquetes, dramatizações).
● Material didático na forma de livreto com propostas de conteúdos que serão
abordados ao longo do projeto.
SEQUÊNCIA DIDÁTICA
- Atividade inicial: Roda de conversa
sobre espaços que fazem parte da
vida cotidiana (praça, mercado,
escola, rua).
Etapa 1 - Sensibilização e exploração
(Semana 1) - Registro: Os alunos desenham seu
“lugar preferido” no bairro.
- Discussão: O professor organiza um
painel coletivo com os desenhos e
introduz o conceito de lugar.
- Saída de campo: Caminhada nos
arredores da escola.
- Observação dirigida: Anotações,
registros fotográficos e desenhos dos
Etapa 2 - Investigação e análise elementos encontrados (árvores,
(Semana 2) casas, comércio, ruas, lixo, serviços
públicos).
- Roda de conversa: “O que chama
mais atenção na paisagem? O que
poderia melhorar?”
- Atividade prática: Construção de
um mapa coletivo no papel pardo,
colando figuras (praça, padaria,
escola, etc.).
Etapa 3 - Mapeamento (Semana 3) - Complemento: Elaboração de uma
maquete da rua da escola com
material reciclável.
- Conceito trabalhado: Paisagem,
espaço construído, transformações.
- Atividade prévia: Elaboração
coletiva de perguntas dirigidas à
entrevista.
Etapa 4 - Identificação dos pontos - Atividade prática: Entrevistas com
positivos e dos pontos a melhorar. moradores, funcionários da escola
(Semana 4 e 5) ou comerciantes próximos.
- Complemento: Adicionar ao mapa
coletivo e à maquete (elaborados na
etapa anterior) destaques com os
pontos positivos e pontos a melhorar
dos arredores da escola, coletados
nas entrevistas e observações.
- Atividade prévia: Escolha coletiva
de uma área do bairro que desejam
fazer intervenção (ex.: praça).
- Atividade prática: Organização de
mutirão para:
Etapa 5 - Ação Transformadora (Semana - Limpeza (coleta seletiva);
6, 7, 8 e 9) - Decoração (enfeites, vasos ou
placas informativas usando materiais
reciclados);
- Movimentos estudantis no bairro
(roda de leitura, contação de
histórias ou apresentações musicais
numa praça, por exemplo).
- Atividade prévia: Introdução da
ideia da revista digital, que será
construída coletivamente sob a visão
das crianças, portanto, os desenhos,
mapas e registros fotográficos serão
anexados.
Etapa 6 - Produção da revista digital - A revista será dividida em seções
(Semana 10, 11 e 12) como “Conhecendo Nosso Bairro”,
“Olhar de Repórter”, “Guia do
Nosso Bairro”, “O Que Podemos
Melhorar”, “Ação em Movimento”,
“Nossas Criações”.
- Atividade prática: Organização dos
textos, desenhos, fotos e entrevistas
em formato de revista.
- Exposição para entrega da revista à
comunidade escolar e moradores
próximos.
Etapa 7 - Culminância do projeto
(Semana 13)
Recursos usados - Papel pardo, cartolina, lápis de cor,
cola, revistas para recorte.
- Materiais recicláveis para maquete
(caixinhas, rolinhos de papel,
tampinhas).
- Câmera ou celular para registro
fotográfico (quando possível).
Estratégias de avaliação - Formativa: Observação da
participação nas atividades, nos
registros e nas discussões.
- Produções finais: Análise dos
desenhos, mapas e da revista.
- Autoavaliação: Os alunos
comentam o que aprenderam e como
percebem seu bairro após o trabalho.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a Base
CALLAI, Helena Copetti. A Geografia e a escola: muda a geografia? Muda o ensino?. Terra
Livre, n. 16, p. 133-152, 2001.
CALLAI, Helena C. Estudar o lugar para compreender o mundo. In: CASTROGIOVANNI,
Antonio Carlos et al. Geografia em sala de aula. Porto Alegre: Mediação, 2005.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço. São Paulo: Edusp, 2002.
RIGONATO, Valney D. O ensino de Geografia nas séries iniciais: uma proposta e os seus
desafios. VI Encontro Nacional de Ensino de Geografia: Fala professor. Uberlândia/MG
de, v. 23, 2007.
TEIXEIRA, Luciene Coelho de Moraes; SILVA, Nilsinéia Moreira da; SALOMÃO,
Kharen Priscilla de Oliveira Silva; FRAGOSO, Débora Ferreira Melo. O ensino
contextualizado da Geografia nas séries iniciais do Ensino Fundamental. In: Congresso de
Iniciação Científica da Universidade do Vale do Paraíba – INIC, 2013. Anais... São José
dos Campos: Univap, 2013. Disponível em: www.inicepg.univap.br. Acesso em: 29 ago.
2025.