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Crianças e adolescentes sob a tutela do Estado enfrentam falta de vagas em abrigos

Com 15 anos, Alexandre (nome fictício) ficou de março até novembro na Casa de Passagem da

prefeitura de Florianópolis, sem estudar ou fazer cursos profissionalizantes. Isso porque faltam vagas nos abrigos para crianças e adolescentes, onde existe estrutura para atender os jovens.

A Casa de Passagem, localizada no bairro Agronômica, tem a finalidade de receber crianças e

adolescentes acolhidas pelo conselho tutelar, Justiça ou Promotoria de Infância em decorrência de

negligência, violência e abuso sexual por parte dos familiares. O prazo de estadia na casa é de cinco dias, período em que a Justiça deve decidir sobre o encaminhamento dos jovens.

O lugar tem 25 vagas, mas a média de atendimento mensal é de 27, de acordo com dados de

janeiro a junho deste ano do relatório Sinais Vitais. Alexandre conseguiu uma vaga em um abrigo,

com o apoio da psicóloga Cristina Casér. Ela já o conhecia porque a mãe dela adotou o irmão de 13 anos de Alexandre. Atualmente o jovem estuda inglês, está inscrito em um curso profissionalizante e, no próximo ano, vai para a escola. Se o adolescente conseguiu um lugar para se desenvolver com todos os direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), outros ainda não tiveram a mesma sorte. De acordo com o promotor da Infância e Juventude, Marcílio de Novaes Costa, é comum as crianças ficarem mais do que cinco dias na Casa de Passagem por falta de vaga em abrigos. Costa destacou que uma menina está lá desde setembro. Se as famílias perderam a tutela, de quem é a responsabilidade por essas crianças?. Ministério

Público e prefeitura divergem na resposta. O promotor afirma que o ECA prevê que a prefeitura é

a responsável, por ser uma medida de proteção especial de alta complexidade. A prefeitura

contesta. Segundo a coordenadora do Centro de Referência Especializada de Assistência Social

(Creas), Beatriz Moratelli, a Casa de Passagem foi criada para ajudar no atendimento de crianças em risco, pois a responsabilidade seria do Ministério Público e conselho tutelar. Beatriz citou que tal exigência consta no artigo 4º do ECA. Mas a informação não confere. O que

o artigo determina é a “destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a

proteção à infância e à juventude”. O conselho tutelar disse que irá se pronunciar após a reunião que ocorre na terça-feira com os 15 conselheiros.

Abandonado em casa Alexandre foi para o primeiro abrigo quando tinha cinco anos. O irmão de três anos foi para o mesmo local. Uma irmã mais nova, com HIV, foi adotada por uma família paulista. O conselho tutelar retirou eles dos pais, depois de ficarem abandonados em casa por três dias. Foi lá que Alexandre conheceu Cristina. A mãe dela adotou o irmão dele, e a moça passou a

acompanhar a vida do mais velho. De lá para cá, o jovem passou por três abrigos. Com 11 anos, morou com uma família que teve sua guarda provisória, mas o devolveu em seguida. Começou a usar maconha ao voltar para um abrigo e foi mandado para uma comunidade terapêutica. Fugiu. Procurou pelos pais, que tinham mudado de cidade. Acabou na casa de Cristina, que o levou para a Casa de Passagem em março.

O rapaz conta que fumava maconha dentro da instituição. Neste caso, era registrado boletim de

ocorrência ao invés de ser feito um trabalho de conscientização. — Ele é menor de idade. Quando estão com a família, os pais respondem junto. Mas quando a

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guarda é do município, por que a responsabilidade é só da criança? — dispara. Cristina reclama da falta de estrutura. Com capacidade para 25 crianças, além dos quartos, a Casa de Passagem tem uma sala com televisão e um sofá de dois lugares. A coordenadora do Creas, Beatriz Moratelli, confirmou os BOs, mas disse que o menino fugia para fumar maconha.

— Chamávamos o conselho tutelar. Ele é que tem de resolver. Não nós.

Beatriz falou que a casa não precisa de maior infraestrutura, porque é um local provisório. A direção não deixou o DC entrar na casa.

Repasse defasado em R$ 800

O relatório Sinais Vitais, que apresenta um diagnóstico sobre a realidade de crianças e

adolescentes em Florianópolis, aponta que o investimento público para a manutenção das casas de acolhimento é muito abaixo do necessário. A pesquisa elaborada pelo Instituto Comunitário de Florianópolis (Icom) será divulgado às 16h desta segunda-feira, no auditório da Universidade do

Sul de Santa Catarina (Unisul), no Centro da cidade.

Os serviços de acolhimento são oferecidos por sete organizações não governamentais que mantêm

as casas com convênios do poder público e doações. Segundo o relatório, a prefeitura repassa R$ 206 por criança, enquanto o custo estimado para atender cada criança é de R$ 1.088.

— As ONGs estão assumindo o papel do Estado — salienta a coordenadora do Icom, Lúcia

Dellagnelo. Além de confirmar o abuso do período na Casa de Passagem, o diagnóstico afirma que as crianças ficam mais tempo do que deveriam também nos abrigos. O ECA considera as casas de

acolhimento como medida de proteção provisória e excepcional. Orienta que deve-se restituir as crianças aos pais, após a situação resolvida, ou encaminhar para famílias substitutas.

O estudo cita um mapa da Fundação Abrinq pelos Direitos das Crianças, de 2008, quando haviam

226 internos em abrigos de Florianópolis. Deste total, 21% das crianças e 84% dos adolescentes

estavam há mais de dois anos em abrigos.

Para Lúcia, a maioria dos casos não tem solução. Existem poucos programas para a recuperação dos pais com dependências em drogas e outros problemas, o que seria necessário para as crianças retornarem à família. Os adolescentes têm poucas chances de adoção, pois a maioria dos interessados procura bebês.

O promotor Marcílio de Novaes Costa afirma que existe uma fila de espera para abrigos na Vara

da Infância e Juventude. Costa diz que vai propor a assinatura de termos de ajustamento de

conduta com a prefeitura para resolver o problema.

O promotor também espera a aprovação do projeto de lei do vereador João Amin (PP) que cria as

famílias acolhedoras. O parlamentar explica que o intuito da proposta é ter o apoio de famílias que

se disponibilizam a acolher temporariamente crianças em situação de risco. O texto está na Comissão de Constituição e Justiça, sendo analisado pela Procuradoria do Legislativo.

Fonte: Diário Catarinense, 06/12/2010

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Esse post foi publicado de segunda-feira, 6 de dezembro de 2010 às 11:16, e arquivado em Imprensa. Você pode acompanhar os comentários desse post através do feed RSS 2.0. Você pode comentar ou mandar um trackback do seu site pra cá.

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