GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE

Patrimônio da Reserva
Serra de Paranapiacaba
A ANTIGA ESTAÇÃO BIOLÓGICA DO ALTO DA SERRA
Organizadoras

Biológica do Alto da

Márcia Inês Martin Silveira Lopes Mizué Kirizawa Maria Margarida da Rocha Fiuza de Melo

Instituto de Botânica São Paulo 2009

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Editoras Responsáveis Márcia Inês Martin Silveira Lopes Mizué Kirizawa Maria Margarida da Rocha Fiuza de Melo Editora Assistente Maria Tereza Grombone Guaratini Assistentes de Editoração Andressa Ribeiro dos Santos Yukio Hayashi da Silva Pré-composição Gráfica Editora Neotropica Diagramação Marli Santos de Jesus Tratamento de Imagens Leonidio Gomes Capa Robson Minghini Fotos da Capa Armando Reis Tavares Cezar Kirizawa Ingrid Yasbec Assad Ludwigs Marcelo Pinto Marcelli Marlies Sazima Mizué Kirizawa Olga Yano Otavio Augusto Vuolo Marques Rafael Prezzi Indicatti Rosangela Simão Bianchini Sergio Sakagawa Thomas Püttker Fotos da Dedicatória (pág. 11) Museu Paulista Instituto de Botânica Editoração, CTP, Impressão e Acabamento Imprensa Oficial do Estado de São Paulo Tiragem 1.000 exemplares

Revisores Científicos Adriana Fidalgo (IBt) Adriana Maria de Aquino (EMBRAPA-CNPA) Carlos Eduardo de Mattos Bicudo (IBt) Denise Pinheiro da Costa (IPJBRJ) Elaine Malosso (UFPE) Eduardo Pereira Cabral Gomes (IBt) Elisabete Aparecida Lopes (IBt)

Amélia Vera Guimarães de Sousa (UPM-São Paulo)

Ermelinda Maria De Lamonica Freire (UNIVAG)

Francisco Langeani Neto (UNESP-São José do Rio Preto) Glauco Machado (UNICAMP-Campinas) Inês Cordeiro (IBt) Isabel Fernandes de Aguiar Mattos (IF) Ivan Sazima (UNICAMP-Campinas) Jaime Bertoluci (USP-ESALQ) Jose Bueno Conti (USP-São Paulo) Lana da Silva Sylvestre (UFRRJ) Lena Geise (UERJ) Lucia Rossi (IBt)

Gladys Flavia Albuquerque Melo de Pinna (USP-São Paulo)

Luiz Pedreira Gonzaga (UFRJ)

Márcia Balistiero Figliolia (IF) Marcio Rossi (IF)

Márcia Inês Martin Silveira Lopes (IBt) Maria Amélia Vitorino Cruz Barros (IBt) Maria Tereza Grambone Guaratini (IBt) Massanori Takaki (UNESP-Rio Claro) Maurício Sedrez dos Reis (UFSC) Mizué Kirizawa (IBt) Pedro Gnaspini (USP-São Paulo) Regina Maria de Moraes (IBt) Ricardo Pinto da Rocha (USP-São Paulo) Ronaldo B. Francini (UNISANTOS) Rui Marconi Pfeifer (IF) Sandra Farto Botelho Trufem (IBt)

Maria Margarida Rocha Fiuza de Melo (IBt)

Sergio Luiz Pompéia (Consultoria Paulista de Estudos Ambientais) Viviane Stern da Fonseca-Kruel (IPJBRJ)

Ficha catalográfica elaborada pela Seção de Biblioteca do Instituto de Botânica Lopes, Márcia I.M.S.; Kirizawa, M.; Melo, Maria M. da R.F. de, orgs. Patrimônio da Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba: a antiga Estação Biológica do Alto da Serra / Márcia Inês Martin Silveira Lopes, Mizué Kirizawa, Maria Margarida da Rocha Fiuza de Melo –– São Paulo: Instituto de Botânica, 2009. 720 p.: il. ISBN 978-85-7523-029-9 1. Mata Atlântica. 2. Ambiente físico. 3. Flora e fauna. 4. Ecologia. I. Título

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30 Anfíbios anuros da região da Estação Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba Vanessa Kruth Verdade Miguel Trefaut Rodrigues Dante Pavan CAPÍTULO PARTE V FAUNA 31225001 cap26 ao 36.indd 579 23/10/2009 16:35:41 .

2mturodri@usp. 3dtpavan@usp. Caixa Postal 11.br. CEP 05422-970. São Paulo.461.br 31225001 cap26 ao 36.indd 580 23/10/2009 16:35:41 .br. Instituto de Biociências.Vanessa Kruth Verdade1 Miguel Trefaut Rodrigues2 Dante Pavan3 Universidade de São Paulo. SP 1 vverdade@usp.

67 citadas a partir de informações da literatura e de coleções zoológicas. pollution still reaches the Reserva Biológica de Paranapiacaba causing acidification of soil and drainage. Mata Atlântica 31225001 cap26 ao 36. é apresentada com comentários sobre sua biologia. que apresenta padrões de declínio semelhantes e localiza-se ao norte. e dois novos registros para a área. Uma lista de 69 espécies. one of the most diverse and threatened ecosystems in Brazil. 67 rescued from museum collections and literature and two new records registered during visits to this station is presented with comments on their biology. um dos mais diversificados e ameaçados biomas brasileiros. Palavras-chave: Anura. anteriormente à tragédia causada pela poluição oriunda de Cubatão no final da década de 1970. Embora em níveis menores. population decline RESUMO AnfíbioS AnuroS dA região dA eSTAção biológicA do AlTo dA SerrA de pArAnApiAcAbA A Reserva Biológica de Paranapiacaba situa-se na Serra do Mar. Although in lower levels. A acidificação do solo e ambiente aquático também pode ser uma possível causa de degradação na Estação Biológica de Boracéia. Atlantic Forest. provocando acidificação do solo e de nascentes. em área de Mata Atlântica. Key words: Anura. A list of 69 species. declínio populacional. Apresentamos aqui uma lista do que deve ter sido a fauna de anuros da região. bioindicators. a poluição ainda atinge a Reserva. a reserve located northward at the Atlantic Plateau.Anfíbios anuros da região da Estação Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba ABSTRACT AnurAnS from de region of The eSTAção biológicA do AlTo dA SerrA de pArAnApiAcAbA The Reserva Biológica de Paranapiacaba is located in the Atlantic forest of Serra do Mar.indd 581 23/10/2009 16:35:41 . The low frog abundance and diversity and the low values of pH measured at the Reserva water bodies are tentatively pointed as the cause of declines at Paranapiacaba as well as in the area of the Estação Biológica de Boracéia. no Planalto Atlântico. bioindicadores. Encontramos baixa diversidade e abundância de anuros na Reserva de Paranapiacaba e os baixos valores de pH medidos nos corpos d’água amostrados são apresentados como possíveis causas dos declínios observados. We present herein what should have been the anurofauna of the area before the tragedy caused by the pollution of Cubatão at the late 1970’s. resultantes de visitas à Reserva.

que se tornou mais lamentável quando. Ariovaldo Giaretta. o despertar para o problema poderia ter sido catalisado. e. a região da Reserva Biológica de Paranapiacaba destaca-se por ter sido uma das primeiras áreas estudadas quanto a sua fauna de anfíbios. Bertha Lutz. Sem a lista e sem a informação comparativa que os registros temporais e geográficos permitiriam. É. Adolpho Lutz. É apenas procurando amenizar essa falha e subsidiar 31225001 cap26 ao 36. Paulo E. muitos naturalistas visitaram a área com o intuito de amostrar anuros.B. face a ela. sujeitas à condensação das massas de ar que ascendem pelas encostas. considerando-se a importância dos anuros como indicadores da qualidade ambiental. confirmamos o empobrecimento que hoje caracteriza a fauna da área. 2000. é possível que.582 Vanessa Kruth Verdade. Coleções foram sendo acumuladas ao longo do tempo em vários museus. Os anfíbios têm se mostrado muito sensíveis às perturbações ambientais. que se seguiu à implantação do polo petroquímico de Cubatão. cerca de 500 espécies (Frost 2008) e que atualmente está reduzido à cerca de 8% de sua cobertura vegetal original. Adão J. As populações de anfíbios dessa região ainda não foram intensamente estudadas e encontram-se extremamente ameaçadas. onde apresentam maior diversidade e endemismo. estando ausentes somente nas regiões polares e em algumas ilhas oceânicas. Joaquim Venâncio. seja por declínios provocados por causas ainda em grande parte desconhecidas. a questão do declínio de anfíbios ainda não estava suficientemente amadurecida na comunidade herpetológica. como também o ponto de partida para estudos de monitoramento de longa duração. Bokermann. o papel que estes poderiam desempenhar em estudos de monitoramento da degradação das florestas. não temos como preencher essa lacuna. diante dos declínios que vêm atingindo populações de anfíbios ao redor do globo. seja pela pressão antrópica. nas florestas tropicais úmidas. Célio F. se dispuséssemos de uma lista faunística para a Reserva. Essa é uma lacuna muito séria. Conhecer a fauna da Reserva é o primeiro passo para verificar possíveis alterações na anurofauna da área causadas pela poluição atmosférica de Cubatão.G. Gilda Andrade e Paulo Garcia. Apesar da área ter sido foco de interesse por parte de tantos pesquisadores. Destacamse.. Cardoso. Desde a fundação da Reserva em 1909. Werner C. por outro. Cruz. até praticamente o final do século passado. Se. em área de Mata Atlântica. e de terse tornado símbolo da luta pela preservação ambiental no final dos anos 1970. Haddad.indd 582 23/10/2009 16:35:41 . quando os efeitos deletérios da poluição de Cubatão começaram a ser percebidos. José Pombal Jr. provavelmente relacionados a barreiras ao fluxo gênico mantidas pela complexidade do relevo que atuaram ao longo da história da área (Joly & Bicudo 1998. por um lado. As serras do Mar e da Mantiqueira. Ivan Sazima. e mais recentemente. Pombal & Gordo 2004). perdemos a oportunidade de tirar lições importantes sobre algumas das causas que podem ter provocado e ainda estar provocando o declínio dos anuros em uma região que se tornou exemplo dos problemas causados à natureza pela industrialização. Vanzolini. Peixoto. monitoramentos de áreas afetadas por fatores conhecidos são estratégicos para esclarecer suas causas. sendo o primeiro grupo a reagir às alterações no ambiente. Hoje. sendo portanto.A. Izecksohn & Carvalho-e-Silva 2001. contudo. entre eles. A Reserva Biológica de Paranapiacaba situase na Serra do Mar no Estado de São Paulo. Infelizmente. Oswaldo L. considerados ótimos bioindicadores (Gardner 2001). apresentam os maiores índices de diversidade e endemismo da Mata Atlântica. em visitas recentes à Reserva. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan Anfíbios anuros ocorrem em quase todos os hábitats terrestres do globo. e particularmente naquelas situadas em áreas montanhosas. mas ainda não contamos sequer com uma lista de anuros da região. Carlos A. bioma que apresenta uma das mais ricas anurofaunas do globo. Comparada às demais áreas do sudeste brasileiro. na região sudeste. nenhuma sistematização desse conhecimento foi até agora realizada. Myers et al. quando a tragédia causada pela poluição de Cubatão abateu-se sobre a Reserva.

visitamos também o Parque Natural Municipal. Alto da Serra. Fizemos incursões ao campo durante o dia e a noite e. pois a distribuição conhecida da espécie inclui a porção sul do país. sobretudo. procurando reconstruir o que pode ter sido a anurofauna da Reserva Biológica de Paranapiacaba antes do advento do polo petroquímico de Cubatão. Cochran (1955) citou Rhinella dorbignyi (Duméril & Bibron 1841) para o Alto da Serra de Paranapiacaba. por material-testemunho depositado nas coleções do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. como canto e coloração. Com o intuito de manter a listagem o mais precisa possível. consideradas sinônimas de outras espécies (com dois asteriscos na Tabela 1). e instaladas nove estações de armadilhas de interceptação e queda. Como não poderia deixar de ser. a lista é composta por observações que fizemos no campo. incluímos na lista aquelas registradas para as localidades de Paranapiacaba. que serve como testemunho dessas espécies. Alto da Serra de Cubatão e Campo Grande da Serra (Bokermann 1966). as populações presentes na Reserva são fontes de topótipos vivos. a preservação da Reserva e de sua anurofauna tem papel fundamental na taxonomia de anuros no Brasil. Alto de Cubatão ou Paranapiacaba. o Uruguai e a Argentina e não existem registros de espécies de Rhinella do grupo granulosa para o Estado de São Paulo. 27 espécies válidas ou atualmente sinonimizadas a outras foram descritas para a área. Além das espécies apresentadas na Ta be la 1. junho e agosto de 2004. supostamente não atingido pela poluição proveniente de Cubatão. e do Museu de História Natural da Universidade Estadual de Campinas. distribuídas em três linhas (coordenadas em UTM: L123K0366437. permitindo a observação de caracteres taxonômicos de grande importância. apesar de Chismocleis leucosticta e Myersiella microps serem duas espécies da família que provavelmente ocorrem na região. Esse registro não foi incluído por ser duvidoso. tendo sido observadas nas viagens realizadas em 2004. Assim.Anfíbios anuros 583 estudos futuros que aqui nos aventuramos a apresentar uma lista preliminar. para efeito comparativo. certamente em decorrência das visitas constantes que a Reserva recebia de grandes nomes da pesquisa brasileira.23K0366350. Além do material-tipo depositado em coleções. É importante ressaltar que.indd 583 23/10/2009 16:35:41 . hoje incluindo a coleção Werner Bokermann. O esforço total aplicado na captura com armadilhas foi de 360 baldes por noite e na procura ativa foi de 70 horas por pesquisador na Reserva e 4. por registros da literatura e. a Reserva Biológica é a localidade-tipo de 21 espécies reconhecidas atualmente (assinaladas com um asterisco na Tabela 1) e de seis outras. Pode-se dizer o mesmo do centrolenídeo Hyalinobatrachium eurygnathum e dos 31225001 cap26 ao 36. A associação dessa espécie à região da Reserva Biológica pode ter sido um erro no registro da localidade ou na identificação dos exemplares. L2. em março. que confirmassem a presença das espécies dentro da Reserva. A riqueza de espécies da Reserva Biológica de Paranapiacaba (69 spp. Bertoluci 1997). Face à escassez de dados georeferenciados. Brachycephalus hermogenesi e Cycloramphus acangatan são novos registros para a Reserva.) é comparável à da Estação Biológica de Boracéia (67 spp. Espécies ainda não descritas ou identificadas a nível genérico não foram incluídas na lista (Tabela 1). L3. 7369614. a lista da Tabela 1 está certamente subestimada. 1990. a inclusão desse registro fica adiada até que os exemplares examinados por Cochran possam ser verificados. Foram realizadas três viagens à Reserva. com quatro baldes cada uma.5 horas por pesquisador no Parque Municipal.23K0366591. 7369577. localizada mais ao norte no Planalto Atlântico e considerada até então a área de Mata Atlântica com maior diversidade de anuros (Heyer et al. Apesar de relacionar grande parte da diversidade real da área. 7369895). que não se conservam no material depositado em museu.). Microhilídeos não aparecem. A classificação utilizada segue aquela sumarizada em Frost (2008). Citada na literatura como Alto da Serra.

Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan Tabela 1. sapo-de-chifre rã-da-pedra. rã-carneiro X X X X X X Hyalinobatrachium uranoscopum X X CRAUGASTORIDAE Haddadus binotatus CYCLORAMPHIDAE Cycloramphus acangatan Cycloramphus dubius* Cycloramphus eleutherodactylus* Cycloramphus semipalmatus* Proceratophrys melanopogon* Thoropa taophora* HYLIDAE Aplastodiscus albosignatus* Aplastodiscus leucopygius Bokermannohyla astartea* Bokermannohyla circumdata Bokermannohyla hylax Dendropsophus berthalutzae* Dendropsophus microps Dendropsophus minutus Dendropsophus sanborni Hypsiboas albomarginatus Hypsiboas albopunctatus Hypsiboas bischoffi** Hypsiboas cymbalum* Hypsiboas faber Hypsiboas pardalis Hypsiboas polytaenius Hypsiboas prasinus Phrynomedusa fimbriata* Phyllomedusa burmeisteri Scinax alter Scinax berthae Scinax brieni* X X X X X X X X X X X X X X X perereca-verde perereca-verde perereca-da-mata perereca-da-mata perereca-da-mata pererequinha pererequinha pererequinha. cururuzão CGS PAR X X X X X X X X X X X X X X 2004 X X X X sapo-cururu-pequeno. Família e espécie AMPHIGNATHODONTIDAE Flectonotus fissilis Flectonotus ohausi Gastrotheca microdisca** BRACHYCEPHALIDAE Brachycephalus ephippium Brachycephalus hermogenesi Ischnocnema gehrti* Ischnocnema guentheri Ischnocnema hoehnei* Ischnocnema juipoca Ischnocnema nigriventris* Ischnocnema parva BUFONIDAE Dendrophryniscus brevipollicatus** Rhinella hoogmoedi Rhinella icterica Rhinella ornata CENTROLENIDAE Nome popular perereca-de-pulseira perereca-de-bambu rã-marsupial pingo-de-ouro sapo-pulga rã-da-mata rã-da-mata rã-da-mata rã-da-mata rã-da-mata rã-da-mata sapinho-da-bromélia sapo-folha sapo-cururu. 2004: registros obtidos nas viagens realizadas à Reserva em 2004.584 Vanessa Kruth Verdade.indd 584 23/10/2009 16:35:41 . sapo-da-mata rã-de-vidro rã-da-mata rã-cabeçuda rã-mordedora rã-da mata rã-mordedora intanha-pequena. * Reserva Biológica de Paranapiacaba é a localidade–tipo da espécie assinalada. ** Reserva é a localidade–tipo de espécie que foi sinonimizada à espécie indicada. CGS: Campo Grande da Serra. Lista das espécies de anfíbios anuros da Reserva Biológica de Paranapiacaba e entorno. perereca-ampulheta pererequinha perereca-verde perereca-marrom perereca perereca sapo-ferreiro. sapo-paneleiro perereca-franjada perereca-de-pijama perereca sapo-folha sapo-folha perereca perereca perereca X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X continua 31225001 cap26 ao 36. rã-martelo. PAR: Vila de Paranapiacaba e Reserva Biológica de Paranapiacaba.

Scinax flavoguttatus.Anfíbios anuros Tabela 1.indd 585 23/10/2009 16:35:41 . Como tipicamente observado para anuros de áreas de Mata Atlântica de encosta. Phrynomedusa fimbriata e Ischnocnema gehrti são conhecidas somente da Reserva Biológica de Paranapiacaba. assim como outras mais raras. ultra passando os limites do bioma. com altos índices de pluviosidade e onde a umidade se mantém em níveis elevados ao longo de todo o ano. Esses acréscimos elevariam o número de espécies de anuros da região de 69 para 83. Algumas das espécies estão associadas a áreas abertas. verifica-se grande variedade de modos reprodutivos especializados entre as 31225001 cap26 ao 36. Phasmahyla cochranae. Leptodactylus furnarius e L. Hypsiboas cymbalum. Em relação às outras famílias. mais comuns em áreas da baixada litorânea. rã-mirim. As exceções são Hypsiboas albomarginatus e Scinax alter. Ischnocnema spanios. é endêmica de áreas de Mata Atlântica. rã-cachorro rã rã rã rã rã rã rã rãzinha-piadeira rã-manteiga. Três espécies. cerca de 30% tem distribuição restrita. ultrapassando os limites políticos de pelo menos um Estado. jolyi. como Ceratophrys aurita. contra cerca de 25% que apresentam distribuição ampla. praticamente todas encontram-se associadas a áreas serranas de relevo acidentado. perereca e Sphaenorhyncus orophilus. Dentre as espécies endêmicas. Continuação Família e espécie Scinax crospedospilus Scinax Scinax Scinax Scinax fuscomarginatus fuscovarius hayii perpusillus Nome popular perereca perereca raspa-cuia raspa-cuia pererequinha-da-bromélia perereca-risonha CGS X PAR X X X X X 585 2004 X X Scinax rizibilis* X X HYLODIDAE Crossodactylus dispar** Crossodactylus gaudichaudii Hylodes asper Hylodes phyllodes Megaelosia massarti* LEIUPERIDAE Physalaemus Physalaemus Physalaemus Physalaemus bokermanni* cuvieri maculiventris* moreirae rãzinha-do-riacho rãzinha-do-riacho rã-do-riacho rã-do-riacho rã sapinho rã-chorona. registradas para o bairro Campo Grande da Serra. Dendropsophus seniculus. como Scinax fuscomarginatus. espécies comuns como Proceratophrys boiei ainda não integram a lista. A lista também nos mostra que cerca de 70% das espécies apresenta distribuição ampla no bioma. S. Holoaden luderwaldti e Macrogenioglottus alipioi. A maior parte das espécies listadas para a Reserva. cerca de 75%. provavelmente nos campos naturais presentes na Reserva. rã-paulistinha sapinho sapinho X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Physalaemus olfersii LEPTODACTYLIDAE Leptodactylus flavopictus Leptodactylus furnarius* Leptodactylus gracilis Leptodactylus jolyi* Leptodactylus marmoratus** Leptodactylus ocellatus Paratelmatobius cardosoi* X X Paratelmatobius poecylogaster* hilídeos Aplastodiscus arildae.

586 Vanessa Kruth Verdade. Dezessete delas apresentam reprodução associada a riachos. Fornecemos a seguir algumas informações sobre a biologia reprodutiva e distribuição geográfica das espécies presentes na Reserva Biológica de Paranapiacaba e entorno. Além da vocalização. sobre folhas pendentes. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan espécies da área (Duellman & Trueb 1994. Gastrotheca microdisca (Andersson 1910) é uma perereca de tamanho mediano. privilegiando-se revisões de grupos de espécies e estudos de comunidades de anuros. recebe o nome de pingo-de-ouro. com amplas expansões digitais que vive sobre a vegetação da Mata Atlântica. Distribui-se por áreas serranas dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo (Duellman & Gray 1983). completa-se o desenvolvimento (Bertoluci 2001. Família Brachycephalidae Brachycephalus ephippium (Spix 1824) é um pequeno sapo alaranjado de comprimento rostro-cloacal inferior a 2 cm que. que vive em bromeliáceas. A fêmea carrega de seis a 16 ovos no dorso. onde deposita seus ovos. Os trabalhos citados representam uma pequena parte do que é encontrado na literatura. A fêmea apresenta uma bolsa dorsal onde o macho insere poucos ovos. grandes e ricos em vitelo. Os indivíduos dessa espécie são quase sempre encontrados associados a bambus. fissilis. Nesse “marsúpio” ou bolsa. É diurno e vive no folhedo. cerca de 3 cm. que se desenvolvem diretamente sem apresentar fase larval de vida livre. É uma espécie rara em coleções. as medidas apresentadas representam valores do comprimento rostro-cloacal dos exemplares. As fêmeas carregam os ovos no dorso como ocorre em F.indd 586 23/10/2009 16:35:41 . Doze espécies apresentam reprodução terrestre. de coloração marrom. em remansos. Paraná e Santa Catarina (Caramaschi & Rodrigues 2007). com coloração acobreada e um padrão dorsal que consiste de uma mancha escura triangular na região interorbital e duas faixas escuras divergentes. de onde eclodem anuros jovens ou girinos que terminam seu desenvolvimento no ninho. protegidos por uma extensão lateral de pele. Haddad & Prado 2005). sob troncos ou em meio às folhas da serapilheira. Izecksohn & Carvalho- Família Amphignathodontidae Flectonotus fissilis (Miranda-Ribeiro 1920) é uma espécie de perereca de pequeno porte. Nosso objetivo é apresentar sucintamente aspectos da biologia dessas espécies que julgamos relevantes para a caracterização da fauna local e para os comentários sobre declínios populacionais e preservação que virão a seguir. medido da ponta do focinho à cloaca do animal. Três espécies apresentam reprodução associada a bromeliáceas e três carregam os ovos no dorso durante parte ou todo o seu desenvolvimento. faixa escura ao redor do pulso. ou em ninhos construídos no leito ou sobre rochas emergentes no riacho. com ovos depositados em tocas. no entanto. cerca de 6 cm. em 13 delas os ovos são depositados em ninhos onde os girinos se desenvolvem até alcançar ou gotejar sobre o corpo d’água principal. apresenta um sistema de sinalização visual complexo que deve atuar na corte e na defesa territorial (Haddad & Sazima 1992. com ovos depositados em tocas nas margens. Trinta e quatro das espécies listadas apresentam reprodução que envolve postura e desenvolvimento larval em ambientes lênticos. A maioria das espécies (35). Informações adicionais podem ser encontradas em Haddad e colaboradores (2008). Sempre que nos referirmos ao porte das espécies. com uma 31225001 cap26 ao 36. São Paulo. cerca de 3 cm. devido ao seu tamanho e coloração. A espécie é conhecida para áreas florestadas dos Estados de Minas Gerais. A espécie ocorre em florestas úmidas do sudeste do Brasil (Duellman & Gray 1983). Os girinos eclodem no dorso da fêmea e são liberados na água acumulada na base das folhas das bromeliáceas. mas utilizam a água acumulada em ocos de bambu para liberar os girinos. Flectonotus ohausi (Wandolleck 1907) é uma espécie de tamanho pequeno. apresenta modos reprodutivos que não dependem desse tipo de ambiente. Bertoluci & Rodrigues 2002a).

como para as outras espécies do gênero. pela lateral da cabeça e corpo. A reprodução também é terrestre. a fêmea deposita um ovo por vez. Ischnocnema hoehnei Lutz 1958 é uma espécie de tamanho pequeno. base das coxas e parte inferior dos discos digitais de coloração mais clara. Os machos vocalizam sobre a vegetação baixa. do Estado do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul (Heyer 1984). Rio de Janeiro. mas as pernas são proporcionalmente muito mais longas que as da espécie anterior. todos os artelhos apresentam discos bem desenvolvidos. Na viagem realizada em março. Espírito Santo. A parte externa da tíbia apresenta quase sempre uma faixa negra que pode ser contínua ou segmentada. Nos pés. que mistura branco. A dis tribuição conhecida da espécie inclui os Estados da Bahia. não atingindo 1 cm de comprimento rostro-cloacal. utilizando o estrato vertical da mata até cerca de 2 m. com região inguinal. Provavelmente. podendo ser encontrada nos Estados de Minas Gerais. em geral no final da tarde e início da noite. Na viagem realizada em junho. Nada se conhece da biologia da espécie. B. Foi descrito no gênero Psyllophryne. tons de verde. enquanto mais de 20 indivíduos vocalizavam nas áreas visitadas no Parque Municipal. SP) (Giaretta & Sawaya 1998). Vive na camada superficial do folhedo. no animal vivo. Deposita os ovos em tocas no solo e o desenvolvimento é direto. A reprodução é supostamente direta. Ischnocnema guentheri (Steindachner 1864) é uma espécie de porte médio. A distribuição conhecida da espécie inclui somente a região do entorno de Paranapiacaba e Boracéia (Heyer et al. Ischnocnema gehrti (Miranda-Ribeiro 1926) é uma espécie conhecida somente de um exemplar. Vive em capoeiras e áreas de borda de mata. e termina atrás dos braços. os outros três apresentam discos bem desenvolvidos. Apresenta tamanho pequeno. cerca de 3 cm.Anfíbios anuros 587 e-Silva 2001). Vive no folhedo em áreas florestadas e pode escalar troncos. O primeiro e segundo dedos apresentam tamanho similar. Deposita seus ovos entre gramíneas e o desenvolvimento é direto (Haddad & Sazima 1992). Ischnocnema nigriventris (Lutz 1925) é uma espécie pequena. 2008). São Paulo e Goiás (Frost 2008). Um único indivíduo dessa espécie foi coletado durante a visita ao Parque Municipal. por isso tanto a descrição da espécie como seu registro para o Planalto Atlântico são recentes (Verdade et al. dentro da Reserva. de coloração complexa. ephippium não é o nome que será aplicado à população da região da Serra de Paranapiacaba. e coloração geral escura. um único exemplar foi ouvido vocalizando dentro dos limites da estação. Sua visualização é extremamente difícil. que apresenta as regiões ocultas da cintura e coxa amarelas. cerca de cinco exemplares estavam vocalizando próximo à linha 3. a Reserva de Paranapiacaba. cerca de 2 cm. cerca de 4 cm. É diur no. cerca de 3 cm. de coloração castanho-escura com uma marca dorsal em forma de X. em dias nublados ou chuvosos. que se desenvolve diretamente. como para os outros membros do gênero. supõe-se que a desova seja colocada em ambiente terrestre e o desenvolvimento seja direto. São Paulo e Paraná. que significa sapo-pulga. Ischnocnema juipoca Sazima & Cardoso 1978 é uma espécie de pequeno porte. Vocaliza principalmente ao entardecer e durante o dia. As expansões digitais são quase imperceptíveis. Sabe-se que atualmente o gênero está sendo revisado e será dividido em várias espécies. e padrão de coloração bastante variável. a cerca de 15 cm do solo. É conhecida somente da localidade-tipo. marrom e vermelho. É uma espécie que se encontra amplamente distribuída em áreas florestadas no sudeste e sul do Brasil. cerca de 3 cm. Registros da espécie na literatu ra res tringem-se às proximidades da localidade-tipo (Picinguaba. Não apresenta expansão digital no primeiro dedo. de dorso escuro. de onde vocaliza. Apresenta ampla distribuição. 1990). que se estende da ponta do focinho. Vive 31225001 cap26 ao 36.indd 587 23/10/2009 16:35:41 . Brachycephalus hermogenesi (Giaretta & Sawaya 1998) é um dos menores anuros conhecidos. apresentando uma máscara escura característica.

que possui coloração bege ou cinzenta. Após a eclosão. Sua biologia reprodutiva assemelha-se à da espécie anterior. Pode ser encontrada nos Estados do sudeste e sul do país. cerca de 8 cm. embora existam algumas diferenças morfológicas entre essas populações que podem indicar tratar-se de espécies diferentes. juntamente com a coloração marrom dos indivíduos. Reproduz-se explosivamente em corpos de água parada ou com pouca correnteza. que.588 Vanessa Kruth Verdade. Rhinella ornata Spix 1824 é um sapo de tamanho médio. A espécie foi descrita de Paranapiacaba e é conhecida atualmente para Paranapiacaba e Boracéia. 1998). Deposita seus ovos de cor branca amarelada sob folhas acima da água. especialmente próximo às margens de rios. Apenas um exemplar foi coletado sobre um samambaiaçu no interior da mata. A desova consiste em extensos cordões gelatinosos que alojam pequenos ovos negros. geralmente na borda ou em espaços abertos na mata. nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Vive na vegetação próxima aos riachos encachoeirados. na viagem realizada em junho de 2004 à Reserva. Cerca de cinco indivíduos foram encontrados nas excursões realizadas. Apresenta uma mancha negra muito característica na região posterior do corpo.indd 588 23/10/2009 16:35:41 . Vivem no folhedo esubosque de áreas florestadas e reproduzem-se em poças temporárias do interior da mata. permanentes ou temporários. Pode ser encontrado em áreas florestadas do sudeste do Brasil. Os girinos são negros. interiorizando-se no sudeste (Guix et al. por isso conhecida como rã-de-vidro. É uma espécie de distribuição relativamente ampla em áreas da costa do Brasil.5 cm de comprimento. como ocorre para as outras espécies do gênero. cerca de 4 cm. vocalizando no lago próximo à linha 2. Depende da água acumulada no interior de bromeliáceas terrícolas para a reprodução. que são muito mais desenvolvidas. Rhinella hoogmoedi Caramaschi & Pombal 2006 apresenta tamanho médio. Tem distribuição ampla no sudeste do Brasil. que não ultrapassa 2. e focinho afilado. até Misiones na Argentina (Heyer 1985a). diurna ou noturna. e cristas ósseas na região da cabeça. pequenos e formam cardumes (Guix et al. Rhinella icterica Spix 1824 é maior do que seus congêneres. em torno da cloaca. Ischnocnema parva (Girard 1853) é uma espécie de pequeno porte. arborícola. 31225001 cap26 ao 36. Apresenta distribuição ampla nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. é terrestre e noturno. cerca de 2 cm. ultrapassando 20 cm. 2004). É abundante no folhedo de matas úmidas e o desenvolvimento é direto (Heyer et al. bromeliáceas ou vegetação arbustiva na Mata Atlântica. no sudeste do Brasil. Cerca de seis indivíduos dessa espécie foram encontrados no folhiço durante as visitas à Reserva. pois é ali que vocaliza. os girinos gotejam na água do riacho onde terminam seu desenvolvimento (Izecksohn & Carvalho-e-Silva 2001). Um indivíduo dessa espécie foi capturado enquanto vocalizava às margens do riacho próximo à linha 3. lhes confere um aspecto de folha seca. 1998). Entre outros caracteres. 1990). deposita seus ovos e crescem os girinos (Cochran 1955. Família Centrolenidae Hyalinobatrachium uranoscopum (Muller 1924) (Figura 1) é uma perereca esverdeada. onde vocaliza. diferencia-se de Rhinella ornata por apresentar pele mais granulosa e pela forma das glândulas parotóides (protuberâncias localizadas atrás dos olhos). terrestre e noturno. cerca de 2 cm. Pombal & Gordo 2004). geralmente encontrada junto ao folhedo. O desenvolvimento é supostamente direto. Família Bufonidae Dendrophryniscus brevipollicatus Jimenez de la Espada 1871 é uma espécie de bufonídeo de pequeno porte. com ventre transparente. preferindo os ambientes florestados (Baldissera et al. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan em áreas florestadas e pode ser encontrada em vocalização sobre a vegetação a cerca de 2 metros do chão.

Seu canto e girino são conhecidos mas não estão descritos. cerca de 4 cm. 1995). cerca de 6 cm. os girinos eclodem em estágio avançado e sustentam-se exclusivamente da reserva de vitelo do ovo (Verdade et al.indd 589 23/10/2009 16:35:41 . Rio de Janeiro. É a espécie de distribuição mais ampla do gênero. A reprodução dessa espécie ainda não é conhecida. Família Cycloramphidae Cycloramphus acangatan Verdade & Rodrigues 2003 (Figura 2) é uma espécie de médio porte. dados não publicados). e quase sempre apresenta um par de manchas negras no meio do dorso. nas vertentes voltadas para o Planalto Atlântico (Izecksohn et al. Cycloramphus semipalmatus (MirandaRibeiro 1920) é uma espécie de porte médio.. de pele granulosa e coloração escura. 31225001 cap26 ao 36. atinge 6 cm. Ocorre em áreas florestadas do Planalto Atlântico de São Paulo. na região da Serra de Paranapiacaba (Verdade & Rodrigues 2003). sob troncos caídos (Heyer et al. Está associada a riachos com corredeira de áreas de encosta e paredões rochosos. que se assemelham a chifres. Vive no chão da mata. São Paulo e Paraná (Heyer 1983).Anfíbios anuros 589 Família Craugastoridae Haddadus binotatus (Spix 1824) é uma espécie de grande porte para o gênero. que se desenvolvem diretamente em pequenos jovens. de coloração marrom-avermelhada com pontos amarelos. Pode ser encontrada na Serra do Mar da porção sul do Estado de São Paulo (Heyer 1983). com musculatura da cabeça extremamente desenvolvida e membros curtos. de onde eclodem larvas que se desenvolvem fora da água. não possui dilatações na extremidade dos dedos e artelhos. A coloração geral juntamente com os apêndices dérmicos e o comportamento da espécie tornam os indivíduos praticamente invisíveis em meio às folhas mortas. principalmente na região lateral do corpo. Os ovos e girinos desenvolvem-se sobre rochas úmidas emergentes nos riachos. 1990). Apresenta ampla distribuição no sudeste do Brasil. Cycloramphus dubius (Miranda-Ribeiro 1920) é uma espécie de tamanho mediano. Apresenta pés com membranas interdigitais desenvolvidas. podendo ser encontrada no sudeste do Brasil. 1998). É uma espécie que está associada a riachos de corredeira de áreas de encosta. Está presente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. cerca de 5 cm. que apresenta expansões dérmicas na ponta do focinho e nas pálpebras. Cycloramphus eleutherodactylus (Miranda-Ribeiro 1920) é uma espécie de tamanho médio. entre a serrapilheira e deposita seus ovos. Os girinos apresentam desenvolvimento semi-aéreo e vivem sobre as rochas úmidas. nos Estados de Minas Gerais. Apresenta coloração castanhoavermelhada ou escura com pontuações brancas. Heyer et al. É facilmente diagnosticada na Mata Atlântica por apresentar o polegar muito mais longo que o segundo dedo. É uma espécie associada a áreas florestadas. Ocorre exclusivamente em ambientes florestais. Os machos vocalizam do chão. cerca de 5 cm. Proceratophrys melanopogon (MirandaRibeiro 1926) é uma rã de tamanho médio. sobre as rochas úmidas. A espécie é conhecida somente para a Serra do Mar no norte do Estado de São Paulo (Heyer 1983. na linha 1. em florestas de encosta. Os ovos são depositados fora da água. como ocorre em outras espécies do gênero associadas a esses ambientes (Giaretta e Cardoso. próximos a poças no interior da mata. Um indivíduo dessa espécie foi encontrado na linha 3 dentro da Reserva e outro durante a visita ao Parque Municipal. encontrada sobre o folhedo. que lhe conferem um aspecto muito peculiar. supõe-se que coloque seus ovos no folhedo. 1990). cerca de 5 cm. Um indivíduo dessa espécie foi capturado em agosto em armadilha de interceptação e queda. alimentando-se do material vegetal que aí cresce. A desova é depositada em pequenas tocas em barrancos. Apresenta uma mancha escura no dorso em forma de M muito característica. com pele granular. coloração marrom e com membranas interdigitais nos pés. principalmente na lateral do corpo.

5 cm. circumdata e de B. As diferenças morfológicas entre essas espécies encontramse principalmente na ornamentação da região no entorno da cloaca e no desenvolvimento dos apêndices calcâneos. São Paulo. completando ali seu desenvolvimento (Izecksohn & Carvalho-e-Silva 2001). Os girinos apresentam corpo alongado e cauda musculosa e desenvolvem-se sobre as rochas úmidas (Heyer et al. 2000). astartea. Guix et al. Pode ser encontrada no leste do Estado de São Paulo (Feio et al. hylax. Pombal & Gordo 2004). Paraná e Santa Catarina (Cruz & Peixoto 1984. leucopygius apresenta uma dobra de pele superior à cloaca. Ocorre na Serra do Mar e planalto atlântico dos Estados de São Paulo. Os ovos despigmentados são depositados em pequenas tocas construídas pelos machos na margem dos riachos. albosignatus quanto ao aspecto. de coloração geralmente marrom. O canto assemelha-se ao de uma nota emitida por uma gaita. É encontrada em áreas de Mata Atlântica dos Estados de São Paulo. com manchas mais escuras espalhadas pelo dorso. Um indivíduo dessa espécie foi coletado enquanto vocalizava próximo à trilha que leva à linha 3. e tons castanho-amarelados muito próxima de B. dos Estados do Rio de Janeiro. Paraná e Santa Catarina. Família Hylidae Aplastodiscus albosignatus Lutz & Lutz 1938 é uma perereca verde com tons azulados que atinge cerca de 4 cm. A. Aplastodiscus leucopygius Cruz & Peixoto 1984 (Figura 3) é uma perereca de coloração verde e borda externa da íris vermelho-alaranjada. que atinge cerca de 4 cm. O comportamento reprodutivo da espécie foi descrito por Haddad & Sawaya (2000). e apêndices calcâneos maiores. Os machos cantam à noite a alturas variáveis sobre a vegetação que margeia os riachos na floresta. nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. similar a um balido. cerca de 9 cm. Bokermannohyla astartea Bokermann 1967 é uma perereca noturna com tons castanhoamarelados que atinge cerca de 4. a desova é depositada em tocas construídas pelos machos à margem de riachos em áreas florestadas. da qual se diferencia por apresentar tímpano maior e por não apresentar coloração púrpura na face posterior da coxa (Heyer 1985b). 2006). A região inguinal e a face ventral da coxa apresentam colorido púrpura característico (Heyer 1985b). A distribuição conhecida da espécie inclui somente as localidades de Paranapiacaba e Estação Biológica de Boracéia.indd 590 23/10/2009 16:35:41 . inclusive em costões ao nível do mar. dados não publicados). Bokermannohyla hylax Heyer 1985 é uma perereca de tamanho médio. Minas Gerais. onde vocaliza nos meses mais quentes e chuvosos do ano (Bertoluci & Rodrigues 2002b). Os ovos são depositados nas fendas entre as rochas. Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Seus sítios de vocalização preferidos são bromeliáceas de tamanho médio localizadas entre o chão e 3 metros. geralmente próximas a riachos. cerca de 5 cm.590 Vanessa Kruth Verdade. Seu nome popular faz alusão à sua vocalização. para onde os girinos vão após a eclosão. vocalização e ecologia. 1990). Bokermannohyla circumdata (Cope 1871) é uma perereca de porte médio. Os ovos são depositados em pequenas cavidades nas proximidades dos riachos para onde se deslocam os girinos. Deposita uma massa de ovos gelatinosa em cavidades na margem dos riachos. Também vive nas proximidades dos riachos onde vocaliza a alturas variáveis. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan Thoropa taophora (Miranda-Ribeiro 1923) é uma espécie de tamanho grande. onde deposita seus ovos sob forma de uma massa globosa e os girinos se desenvolvem (Pavan e colaboradores. para onde passam os girinos após o nascimento (Bertoluci 2002. A espécie é muito semelhante a B. Pode ser encontrada em áreas de Mata Atlântica do planalto e serras do Mar e da Mantiqueira. Paraná. Pode ser encontrada em áreas florestadas serranas e do planalto atlântico. Assemelha-se a A. ausente em A. cerca de 6 cm. Quatro indivíduos dessa 31225001 cap26 ao 36. Prefere áreas florestadas ou áreas perturbadas à beira da mata. albosignatus. Vive em riachos de fundo pedregoso e paredões rochosos. de colorido castanho claro que vive nas imediações de riachos florestados de onde vocaliza a alturas variáveis.

minutus apresenta um desenho semelhante a uma ampulheta no dorso e D. Reproduz-se à beira de ambientes lênticos na borda de mata. Bertoluci & Rodrigues 2002b). e é bastante comum em brejos situados na borda das florestas. Apresenta ampla distribuição na Mata Atlântica. especialmente aqueles com taboas (Typha spp. A desova dessas espécies consiste em uma massa gelatinosa de ovos que são depositados na água ou na vegetação encharcada. cerca de 6 cm. nos Estados do Espírito Santo ao Paraná. de cerca de 5 cm. incluindo também Estados da região centro-oeste e sul.). 31225001 cap26 ao 36. Os girinos desenvolvem-se no corpo principal da poça. sobre a vegetação próxima à superfície da água. Hypsiboas albopunctatus Spix 1824 é uma perereca de tamanho médio. bischoffi por Cochran (1955). posteriormente considerada subespécie de H. Apresenta ampla distribuição no sudeste do Brasil. D. focinho algo afilado e coloração marrom clara no dorso com pontuação amarela característica na face posterior da coxa. Santa Catarina. estando presente. Três indivíduos dessa espécie foram capturados no lago próximo à linha 2. Apresenta porte médio. apresenta faixas castanhas no dorso e na lateral do corpo. nas restingas da costa do Rio Grande do Norte até Santa Catarina (Cruz & Peixoto 1984). cerca de 5 cm. Os ovos são depositados fora da água. com cerca de 2 cm. onde cantam sobre a vegetação emergente. quando forma grandes coros. Os girinos nadam bem e exploram a coluna d’água (Lutz 1973). Vive em corpos de água lênticos onde vocaliza próximo à água em áreas abertas. com região inguinal e parte posterior das coxas com um reticulado branco com manchas negras. encontrados vocalizando na beira de um pequeno riacho no interior da mata. estando presente nas áreas de serra e baixadas do sudeste e sul do Brasil. de cor verde escura. com tons alaranjados nas palmas e na face oculta das coxas. Hypsiboas bischoffi Boulenger 1887 (Figura 5) é uma perereca de porte médio. A população da Reserva Biológica de Paranapiacaba foi descrita como Hyla multilineata Lutz & Lutz 1939. Hypsiboas cymbalum Bokermann 1963 é uma espécie de porte médio. no sudeste do Brasil. Bertoluci 2001).indd 591 23/10/2009 16:35:41 . São noturnas e vocalizam formando coros de algumas dezenas de indivíduos. A parte posterior da coxa apresenta desenhos de coloração azul púrpura e a face externa da tíbia coloração esverdeada. Vocaliza geralmente entre o verão e o outono. Pode ser encontrada em Minas Gerais. Apresenta distribuição ampla no sudeste e sul do país. A distribuição se restringe à localidadetipo. cerca de 7 cm. microps apresenta coloração alaranjada nas superfícies escondidas dos braços e pernas. especialmente. Dendropsophus sanborni Schmidt 1944 é uma pequena perereca. Dendropsophus berthalutzae Bokermann 1962 (Figura 4) é uma perereca pequena. microps apresenta distribuição mais restrita. Rio Grande do Sul e Paraguai (Barrio 1962). A espécie é conhecida de três exemplares. São Paulo. D. Vocaliza na vegetação emergente em corpos de água parada ou com pouca correnteza. Campo Grande da Serra. A espécie pode ser encontrada em áreas de Mata Atlântica do planalto.Anfíbios anuros 591 espécie foram coletados e cerca de seis ouvidos nas proximidades da trilha que leva à linha 3. geralmente muito comuns e associadas a corpos de água parada ou de pouca correnteza. de tons oliváceos que vocaliza sobre a vegetação emergente na margem de ambientes lênticos. cerca de 2 cm. Dendropsophus microps Peters 1872 e Dendropsophus minutus Peters 1872 são pererecas com comprimento rostro-cloacal inferior a 3 cm. Forma grandes coros durante a época reprodutiva. Cerca de seis indivíduos foram encontrados no lago próximo à linha 2. Hypsiboas albomarginatus Spix 1824 é uma perereca esverdeada. de onde eclodem os girinos. de corpo alongado e pálpebras transparentes. Paraná. onde deposita seus ovos e os girinos se desenvolvem (Lutz 1973. geralmente na borda da mata. D. minutus apresenta ampla distribuição na América do Sul a leste dos Andes. Ambas espécies formam grandes coros na época reprodutiva (Lutz 1973. Desovam na água sob forma de uma massa gelatinosa globosa.

sudeste do Paraguai e em Misiones. Phrynomedusa fimbriata MirandaRibeiro 1923 é uma espécie de tamanho médio. coloração predominante verde. cerca de 3 cm. nos Estados de Goiás. Os girinos são característicos por adotar posição oblíqua em relação à superfície da água. nos Estados de São Paulo. variando do róseo ao avermelhado claro. A região inguinal apresenta um padrão escuro reticulado em um fundo amarelo. como é popularmente conhecida. Hypsiboas prasinus Burmeister 1856 é uma perereca de tamanho médio. Minas Gerais. atingindo cerca de 10 cm. pupila vertical. como se estivesse morta (Haddad & Sazima 1992). de coloração esverdeada ou marrom. Os machos são territoriais e constroem ninhos no chão que permanecem isolados do corpo principal da poça. O sapo-ferreiro. A espécie vocaliza da primavera ao outono sobre a vegetação ao redor de corpos de água lênticos na mata ou borda da mata (Bertoluci & Rodrigues 2002b). canta na vegetação situada ao redor de corpos de água lênticos na borda da mata. construídos pelos machos que. e um apêndice bem desenvolvido na articulação entre a tíbia e o tarso. talvez deposite os ovos em folhas sobre corpos d’água em borda de mata. faber. Ocorre no leste e sul do Brasil. Hypsiboas pardalis Spix 1824 é uma perereca de grande porte. cerca de 4 cm. cerca de 5 cm. São Paulo. É conhecida somente da localidade-tipo. cerca de 7 cm. Segundo Cruz & Caramaschi (1998). Ocorre em áreas planálticas do sudeste do Brasil. e possui a face posterior da coxa com coloração uniforme. um comportamento de defesa que consiste em permanecer imóvel e encolhida. Apresenta ampla distribuição na Mata Atlântica. com manchas amarelas e azuis nas coxas e flancos. Estas “bacias” de barro com cerca de 20 cm de diâmetro e paredes elevadas recebem a desova. aí desenvolvem-se os girinos nos primeiros dias. de coloração esverdeada. Os indivíduos dessa espécie desovam em uma folha pendente sobre água empoçada. A folha é enrolada pelo casal em reprodução. que apresenta franjas dérmicas nas laterais externas dos antebraços e pés. Phyllomedusa burmeisteri Boulenger 1882 é uma perereca de porte grande. mas é menor. polytaenia no Estado de São Paulo pertenceriam a uma espécie ainda não descrita. estes passam a viver no corpo d’água principal (Martins & Haddad 1988. Hypsiboas polytaenius Cope 1869 apresenta. Rio de Janeiro e Minas Gerais. 1990).592 Vanessa Kruth Verdade. como naquela espécie são bastante territoriais. Bertoluci & Rodrigues 2002a). A desova e os girinos aí se desenvolvem (Heyer et al. como H. na Argentina. bischoffi. com uma faixa escura na linha vertebral e parte ventral dos braços e região cloacal. formando um canudo dentro do qual a desova permanece protegida até que os girinos caiam na água após a eclosão. a espécie pode entrar em tanatose. cerca de 4 cm. Vocaliza da vegetação emergente em corpos de água parada situados em áreas abertas ou na periferia da mata. 2005). a Reserva Biológica de Paranapiacaba. Rio de Janeiro e Espírito Santo (Lutz 1973). ou após a destruição ou inundação do ninho por chuvas mais fortes.indd 592 23/10/2009 16:35:41 . está restrita aos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Terminada essa fase. por ser próxima do gênero Phyllomedusa. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan Hypsiboas faber Wied-Neuwied 1821 (Figura 6) é a maior perereca da Mata Atlântica. e coloração branca esverdeada com padrão liquenoso que se reproduz em poças. um padrão de coloração dorsal com linhas longitudinais. cerca de 7 cm. Os machos cantam geralmente do chão em pequenas depressões do terreno que retêm água após fortes chuvas ou em ninhos semelhantes às bacias de H. lagos ou charcos situados dentro ou na borda de mata. de coloração 31225001 cap26 ao 36. Nada se conhece sobre a biologia da espécie. Pode ser encontrada no centro-oeste e leste do Brasil. Scinax alter (Lutz 1973) é uma espécie de pequeno porte. Aqueles indivíduos até então identificados como H. Três indivíduos dessa espécie foram encontrados no lago próximo à linha 2. Apresenta coloração marrom. Quando capturada. presente do nordeste ao sudeste do Brasil (Bertoluci et al.

sendo conhecida dos Estados de Pernambuco a Santa Catarina (Lutz 1973. Os machos cantam a uma altura de cerca de 50 cm entre a vegetação herbácea. Scinax berthae (Barrio 1962) é uma espécie de perereca de pequeno porte. Uruguai e sudeste e sul do Brasil (Barrio 1962). de coloração acinzentada com duas faixas mais escuras na lateral do dorso. com uma mancha interocular escura. Os girinos dessa espécie ainda não foram formalmente descritos. em poças temporárias e depositam os ovos em sua porção submersa. Pode ser encontrada na Serra do Mar entre o Espírito Santo e Santa Catarina. Cerca de três indivíduos dessa espécie foram ouvidos durante as visitas à Reserva. Deposita os ovos na água. de onde vocalizam. de coloração amarelo-esverdeada. podendo ser encontrada no sul e sudeste do Brasil. cerca de 6 cm. Paraguai. Sua reprodução ocorre em ambientes de água empoçada. Bertoluci & Rodrigues 2002b). Bertoluci 2001).5 cm. semelhante a uma risada. Apenas um indivíduo dessa espécie foi encontrado em vocalização no lago próximo à linha 2. com coloração amarelada uniforme. Vive na vegetação próxima a áreas brejosas. Scinax hayii (Barbour 1909) (Figura 7) é uma perereca de médio porte. apresenta no dorso séries de pares de manchas escuras com bordas mais claras. Os machos vocalizam em meio a gramíneas.indd 593 23/10/2009 16:35:41 . norte da Argentina. cerca de 2 cm. nos Estados de Minas Gerais. podendo ser encontrada no centro. ao redor de ambientes lênticos em áreas abertas (Heyer et al. Os machos vocalizam sobre a vegetação. Scinax rizibilis (Bokermann 1964) é uma espécie de perereca de pequeno porte. leste e sul do Brasil. Os ovos 31225001 cap26 ao 36. e na Serra da Mantiqueira (Haddad & Sazima 1992. onde os machos vocalizam durante a noite empoleirados na vegetação marginal. sul do Paraguai. Os machos são territoriais e escolhem uma bromélia. inundadas após chuvas fortes. cerca de 2. Scinax perpusillus (Lutz & Lutz 1939) é uma espécie de tamanho pequeno. de coloração acinzentada que apresenta manchas retas mais escuras no dorso. na trilha que leva à linha 3 de armadilhas. onde os girinos se desenvolvem. cerca de 5 cm. cerca de 3 cm. A espécie tem reprodução explosiva e costuma invadir ambientes alterados (Lutz 1973. Possui distribuição ampla. em áreas abertas (Lutz 1973). Scinax fuscovarius (Lutz 1925) é uma perereca de porte médio. A espécie ocorre em áreas florestadas da Serra do Mar no Estado de São Paulo. Apresenta distribuição ampla no litoral. Está associada basicamente a bromélias terrestres. Os machos vocalizam empoleirados sobre troncos e folhagem ao redor de poças temporárias em áreas abertas na borda da mata. com tubérculos esparsos pelo dorso. de coloração acinzentada. Seu nome científico faz alusão à sua vocalização. Reproduz-se em lagoas ou remansos de riachos no interior da mata. Scinax fuscomarginatus (Lutz 1925) é uma perereca de pequeno porte. Bolívia e noroeste da Argentina. cerca de 2 cm. Pode ser encontrada no planalto. Rio de Janeiro e São Paulo (Peixoto 1987). Pombal & Gordo 2004). cerca de 2 cm. Apresenta distribuição bastante ampla. sombreado (Heyer et al. Vive sobre a vegetação de pequeno porte. Scinax crospedospilus (Lutz 1925) é uma espécie de perereca de pequeno porte. desenvolvem-se em ambiente lêntico. sobre rochas e muito freqüentemente dentro de habitações. de coloração amarelada nos flancos. Rio de Janeiro e São Paulo. Scinax brieni (De Witte 1930) é uma espécie de pequeno porte. cerca de 4 cm. Paraguai e leste da Bolívia. Está presente em regiões serranas do sudeste do Brasil. Ocorre no nordeste da Argentina. 1990). com um padrão dorsal complexo de manchas escuras e claras. Reproduz em ambientes lênticos. Indivíduos dessa espécie podem ser encontrados em clareiras no interior da mata. Os ovos são depositados na água acumulada na base das folhas das bromélias. 1990). em áreas abertas. onde os girinos se desenvolvem. na bifurcação de troncos ou sobre folhas.Anfíbios anuros 593 acinzentada com duas faixas mais escuras e quase paralelas no dorso. serras e baixada litorânea dos Estados do Espírito Santo.

Como na espécie anterior. phyllodes. em cavidades naturais no solo. os exemplares apresentam uma coloração alaranjada ou avermelhada na região inguinal. ancorados à vegetação (Haddad & Sazima 1992). associada a riachos. 1990). A sistemática do grupo é complexa e até mesmo caracteres diagnósticos de grupos dentro do gênero são confusos. atingindo cerca de 3 cm. Família Leiuperidae Physalaemus bokermanni Cardoso & Haddad 1985 é uma espécie de pequeno porte. os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Família Hylodidae Crossodactylus dispar Lutz 1925 e Crossodactylus gaudichaudii Duméril & Bibron 1841 são espécies de tamanho pequeno. no município de Santo André. São Paulo e Paraná. de cor acinzentada com uma mancha central em forma de ômega e dorso acinzentado com cordões longitudinais escuros. Apresenta coloração castanha e uma faixa clara dorsolateral.indd 594 23/10/2009 16:35:41 . Na região de Paranapiacaba. Estão associadas a riachos de áreas florestadas e representam algumas das poucas espécies de anuros diurnas. Os machos estabelecem territórios ao longo dos riachos. espécies das quais também se alimenta. Os machos vocalizam flutuando em corpos de água lênticos em áreas abertas. Os ovos são depositados e os girinos desenvolvem-se nesses ambientes (Heyer et al. ao redor de pequenas poças temporárias. no Estado de São Paulo (Giaretta et al. É uma espécie bastante comum encontrada. mas utiliza ambientes mais sombreados e corpos d’água de menor porte. 1990). que apresentam espinhos cornificados no primeiro dedo. de coloração escura com pontuações amareladas e dorso levemente granular. Ocorre na Serra do Mar dos Estados do Rio de Janeiro. A distribuição de C. 1993). Em vida. Sua vocalização não é conhecida. inclusive. Apresenta grande variedade de padrões de coloração e textura do dorso. os ovos são depositados em ninhos no leito do riacho. Pode ser encontrada na Serra do Mar do Estado de São Paulo. e em Misiones e Entre Rios na Argentina e no leste do Paraguai (Frost 2008). Hylodes asper (Müller 1924) é uma espécie de coloração acinzentada e pele granular que lembra a superfície de uma rocha e atinge cerca de 4 cm. de onde vocalizam para atrair as fêmeas. São Paulo e Santa Catarina. de onde vocalizam. em áreas antropizadas. É conhecida para a Mata Atlântica do sul do Estado de São Paulo. Está ativa durante o dia e associada a riachos em áreas de mata. Physalaemus cuvieri Fitzinger 1826 é uma espécie de tamanho pequeno. A distribuição conhecida da espécie limita-se à localidade-tipo.594 Vanessa Kruth Verdade. dispar inclui os Estados de Minas Gerais. sudeste e sul do Brasil. asper. Os machos são territoriais e escolhem uma rocha emergente no riacho. Hylodes phyllodes Heyer & Cocroft 1986 é menor que H. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan são depositados na água. em ninhos de espuma incipientes (Bokermann 1964). Também é uma espécie diurna. Megaelosia massarti (De Witte 1930) é uma espécie de grande porte. formadas entre as raízes da vegetação (Cardoso & Haddad 1985). Os ventres de machos e fêmeas são avermelhados. desenho dorsal composto por uma flecha marrom. São depositados cerca de 50 ovos envoltos por espuma. vive nos mesmos riachos que Hylodes asper e H. na região posterior da coxa e próximo às axilas. Os ovos são depositados em ninhos de espuma flutuantes. 1990). e a de C. Rio de Janeiro. centro-oeste. cerca de 3 cm. A distribuição conhecida da espécie inclui as localidades de Paranapiacaba e Estação Biológica de Boracéia. Os ovos são depositados em ninhos no leito do riacho. cerca de 3 cm. cerca de 2 cm. 31225001 cap26 ao 36. Os machos vocalizam no chão de capoeiras. cerca de 11 cm. onde se desenvolvem os girinos (Heyer et al. Possui distribuição geográfica bastante ampla. ocorrendo no nordeste. Os dois padrões mais comuns são aqueles em que o dorso é liso. gaudichaudii. onde se desenvolvem os girinos (Heyer et al. os girinos são bastante grandes e desenvolvem-se na água corrente. É diurna e está associada a riachos ou pequenos rios de fundo rochoso.

Scinax hayii. Aplastodiscus leucopygius. 6. Rodrigues). 8. 7. Cycloramphus acangatan. Anfíbios anuros da Reserva Biológica de Paranapiacaba. 5. Dendropsophus berthalutzae. Hyalinobatrachium uranoscopum. Hypsiboas bischoffi. 4. 3. 1. Hypsiboas faber. (Fotos: Miguel T. Paratelmatobius cardosoi. 31225001 cap26 ao 36. 2.indd 595 23/10/2009 16:35:49 .Anfíbios anuros 595 1 2 3 4 5 6 7 8 Figuras 1-8.

O dorso apresenta dobras dérmicas longitudinais. em ambientes aquáticos lênticos. Leptodactylus furnarius Sazima & Bokermann 1978 é uma espécie de médio porte. É conhecida para áreas florestadas dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Os machos vocalizam no chão. Os machos vocalizam durante o dia e a noite. 1990). Família Leptodactylidae Leptodactylus flavopictus Lutz 1926 é uma espécie de grande porte. Apresenta coloração castanha com manchas mais escuras distribuídas pelo dorso. Physalaemus olfersii (Lichtenstein & Martens 1856) é uma rã de pequeno porte. Também se reproduz em áreas brejosas. Leptodactylus gracilis (Duméril & Bibron 1841) é uma rã de médio porte. sendo observados machos das duas espécies em coro. que do Planalto Atlântico (Heyer 1979. A vocalização é bem característica. Os girinos dessa espécie ainda não foram formalmente descritos (Heyer et al. cerca de 3 cm. Os girinos aí se desenvolvem até que as chuvas elevem o nível da água e conectem a toca ao corpo d’água principal. cerca de 4 cm. Os machos vocalizam em áreas alagadiças próximas a poças maiores. A reprodução ocorre em área aberta e em borda de mata. 1990). onde se reproduz. Os girinos desenvolvem-se até que as chuvas façam o nível da água da poça subir o suficiente para invadir a toca e permitir que os girinos alcancem a poça maior. deposita seus ovos em partes represadas de riachos e poças no interior da mata. onde completam seu desenvolvimento. de coloração acinzentada. furnarius. A espécie encontra-se distribuída na Serra do Mar do Estado de São Paulo. É uma espécie considerada rara e conhecida para áreas de Mata Atlântica do leste do Brasil e é mais abundante em áreas da costa. Vive em áreas de mata próxima a riachos. Os ovos são depositados entre gramíneas ou no interior de tocas de barro que os machos constroem. de coloração castanha. que apresenta quatro dobras dérmicas dorsolaterais. margeada por uma linha branca. do olho até a axila. semelhante ao canto de uma cigarra. Uruguai e Argentina (Heyer 1978). cerca de 2 cm. 1990). no solo encharcado. Pode ser encontrada nas serras do centro e sudeste do Brasil (Eterovick & Sazima 2004). Vive na vegetação aberta próxima a brejos. A desova é depositada nessas tocas sobre uma pequena quantidade de água. A espécie é encontrada no centro. Apresenta uma faixa lateral escura que se estende do olho até a região inguinal. Physalaemus moreirae (Miranda-Ribeiro 1937) é uma espécie de tamanho pequeno. que apresenta uma mancha mais escura em forma de seta no centro do dorso e dois pontos negros na região inguinal. de dorso com fundo castanho. dentro de pequenas tocas escavadas na lama. de pernas e focinho longos. Os machos vocalizam sobre ou sob folhas mortas próximas a poças no interior da mata. Leptodactylus jolyi Sazima & Bokermann 1978 atinge cerca de 4 cm. escondidos entre o capim de áreas mais secas dentro do brejo. e ventre claro com manchas pretas centrais. cerca de 13 cm. nos mesmos sítios reprodutivos (Heyer et al. sudeste e sul do Brasil e no Uruguai (Heyer 1978). Bertoluci & Rodrigues 2002a). que apresenta listras escuras no dorso e estrias esbranquiçadas nas coxas e tíbias. cerca de 5 cm. onde as fêmeas depositam seus ovos e os girinos se desenvolvem (Heyer et al. sudeste e sul do Brasil.indd 596 23/10/2009 16:35:49 . é superficialmente similar a L. algumas vezes marcadas de branco. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan Physalaemus maculiventris (Lutz 1925) é uma espécie de tamanho pequeno. Os machos cantam fora da água. O canto lembra uma gota caindo em uma bacia cheia de água. de pequeno 31225001 cap26 ao 36.596 Vanessa Kruth Verdade. A espécie pode ser encontrada na Bolívia. Leptodactylus marmoratus Fitzinger 1867 é uma espécie terrestre. A biologia é similar à da espécie anterior. escondidos entre a vegetação. A desova é depositada em espuma em um túnel construído pelo macho. apresentando um padrão de manchas escuras bordeadas por uma linha branca. mas apresenta corpo mais robusto. A espécie pode ser encontrada em áreas de Mata Atlântica do sudeste e sul do Brasil (Frost 2008). cerca de 6 cm.

permanecendo dentro da água ao lado de sua desova ou de seus girinos que formam cardumes compactos. A fêmea deposita aproximadamente 20 ovos em grupos no fundo dessas poças. mais afastada e aparentemente não afetada pelos 31225001 cap26 ao 36. Paraná e Santa Catarina (Heyer 1973). estando ausentes as grandes touceiras. É evidente a diferença de aspecto da mata situada den tro dos limites da Reserva Biológica e a mata do Parque Municipal. Cerca de cinco indivíduos encontravam-se em vocalização próximos às trilhas que levam às linhas de armadilhas. nas localidades de Paranapiacaba e Boracéia. Aplastodiscus leucopygius e Scinax perpusillus. Um indivíduo dessa espécie foi encontrado no lago próximo à linha 2. Os girinos permanecem nessa toca após a eclosão até a metamorfose. e na localização de outras 16. Paratelmatobius poecylogaster Giaretta e Castanho 1990 é uma espécie de pequeno porte. Os machos vocalizam na água. Espécies muito comuns em áreas similares como Leptodactylus marmoratus. resultaram em uma riqueza de 29 e 26 espécies de anfíbios. de corpo marrom esverdeado com manchas escuras por todo o dorso e uma mancha triangular entre os olhos. Paratelmatobius cardosoi Pombal & Haddad 1999 (Figura 8) é uma rã de pequeno porte. Os machos vocalizam à noite ou durante o dia. cerca de 10 cm. que podem variar de dois a 10 ovos. uma faixa larga dorsolateral de coloração alaranjada. nossa experiência de campo indica uma fauna depauperada. Apesar das visitas terem sido realizadas em períodos desfavoráveis do ano e em número reduzido. A distribuição conhecida da espécie inclui somente as localidades de Boracéia e Paranapiacaba. e em maio a Juquitiba. de coloração marrom com pontos esverdeados no dorso. Na primeira. nas proximidades de poças e lagos no interior da mata. abrigados na vegetação. cerca de 3 cm. As desovas são depositadas em um ninho de espuma flutuante e a fêmea costuma cuidar de sua prole. Para efeito comparativo. cerca de 2 cm. com manchas cor de laranja. Na segunda. O ventre apresenta fundo negro. em abundância. parva. alimentando-se das reservas de vitelo do ovo. estiveram representadas por poucos indivíduos. A espécie é conhecida somente da Mata Atlântica. restam apenas vestígios das grandes árvores que compunham a mata original. nos Estados do Rio de Janeiro. Sua distribuição geográfica é bastante ampla. É encontrada nas proximidades de riachos temporários no interior da mata e se reproduz na água acumulada em meio a aglomerados de rochas. de barriga negra com manchas alaranjadas. São Paulo. se não em riqueza. É encontrada na proximidade de ambientes aquáticos diversos. Pode ser encontrada em áreas florestais. em alguns indivíduos. apesar de registradas. no Estado de São Paulo (Pombal & Haddad 1999). cerca de 2 cm. Ocorre do nível do mar a 850 metros de altitude na região de Mata Atlântica do Sul e Sudeste do Brasil. das 67 anteriormente conhecidas para a área. associada a áreas de vegetação aberta do norte ao sul do Brasil e Argentina (Haddad & Sazima 1992). os machos cantam no chão durante a estação chuvosa. Dois indivíduos dessa espécie foram coletados em armadilha de interceptação e queda na linha 3. É difícil de ser coletada. Apresenta coloração amarronzada com faixas mais escuras e. As visitas realizadas à Reserva resultaram no acréscimo de duas espécies à lista de exemplares depositados em coleções e citados na literatura. no Estado de São Paulo. Ischnocnema guentheri. viagens realizadas em outubro a São Bernardo do Campo. A reprodução é terrestre. sob a influência direta da poluição vinda de Cubatão.indd 597 23/10/2009 16:35:49 . os ovos são depositados em um ninho de espuma em uma toca no solo. e as bromélias são escassas. no Estado de São Paulo (Pombal & Haddad 1999). Leptodactylus ocellatus (Linnaeus 1758) é uma espécie de grande porte. Haddadus binotatus. em dias nublados ou chuvosos (Bertoluci & Rodrigues 2002b). respectivamente. I. bordeadas por uma faixa vermelha e uma branca.Anfíbios anuros 597 porte. borda de mata e em alguns casos até em áreas abertas. A própria fisionomia da paisagem mostra fortes indícios de alteração da área.

indd 598 23/10/2009 16:35:49 . que. na Reserva Biológica. Mais ainda. apenas duas das espécies registradas para a área encontramse na lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção publicada no site do IBAMA em 2003 . Weygoldt 1989). Minas Gerais (Machado et al. Cycloramphus e Hylodes. ainda que frouxamente. Hypsiboas cymbalum. Relatos posteriores. Werner Bokermann. Outra fonte atual importante de informações sobre distribuição e atribuição de categorias de ameaça a espécies do mundo todo encontra-se disponível no site da International Union for Conservation of Nature (IUCN) disponibilizado em 2004. A principal ameaça a essas espécies é certamente a destruição de hábitats.5 horas/pesquisador no Parque Municipal. Informações importantes sobre as populações de algumas das espécies da área também podem. registrado na Reserva por apenas um indivíduo em vocalização na primeira viagem e cerca de cinco indivíduos na segunda. e as duas últimas. resultou no encontro de apenas 18 espécies. nos anos de 1980 e 1990. podem estar perdidas. de cerca de cinco indivíduos. fimbriata apresentam distribuição restrita à Reserva Biológica de Paranapiacaba e Megaelosia massarti distribuição restrita à Reserva e à Estação Biológica de Boracéia. Embora algumas populações de anuros endêmicos possam potencialmente apresentar densidades muito elevadas. No mesmo período. Espécies dos gêneros Crossodactylus. foram regularmente coletadas no interior da Reserva até o início da década de 1970. 2000). um esforço de 4. fez coletas anuais de 1951 até 1969 na Reserva de Paranapiacaba. Dentre essas espécies. por exemplo. Nenhuma delas encontra-se nas listas oficiais de espécies ameaçadas dos Estados do Rio de Janeiro (Bergalo et al. Apesar desse quadro. 1988. embora situada na região de Paranapiacaba. É inquietante perceber que muitas das espécies comumente encontradas em áreas de mata do sudeste. assim como são muito abundantes as grandes touceiras de bromeliáceas. durante o dia.Hypsiboas cymbalum e Phrynomedusa fimbriata. bastante conspícuas e associadas a declínios populacionais na região sudeste do Brasil (Heyer et al. está localizada fora da Reserva. 31225001 cap26 ao 36. Quantidades similares de exemplares das mesmas espécies foram coletadas ao longo dos anos. As diferenças na fisionomia da mata refletem também diferenças na composição da anurofauna. podem estar seriamente ameaçadas. decorrente da proximidade de sua área de ocorrência a grandes centros urbanos do sudeste do país. a lista de espécies ameaçadas. sempre em amostras pequenas. Cycloramphus dubius e Megaelosia massarti passaram a integrar. 1998) ou Paraná (Mikich & Bernils 2004). Brachycephalus hermogenesi. onde constituía o ruído de fundo nas áreas de mata. Crossodactylus dispar. este fato não assegura sua conservação. saber que informações preciosas sobre espécies de distribuição restrita e raras. a lista de espécies quase ameaçadas do Estado de São Paulo após a revisão realizada em 2008. Um esforço de 360 baldes/noite e 70 horas/pesquisador durante o dia e a noite. cuja biologia é completamente desconhecida. referem-se apenas à Cachoeira da Pedra Lisa. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan ventos oriundos de Cubatão.598 Vanessa Kruth Verdade. Hyalinobatrachium uranoscopum e Cycloramphus eleutherodactylus estão também na lista de espécies provavelmente ameaçadas do Estado do Rio de Janeiro. no entanto. na vertente do morro não influenciada diretamente pela poluição proveniente do polo petroquímico de Cubatão. Phrynomedusa fimbriata. mostrou-se muito mais abundante no Parque Municipal. cymbalum e P. as árvores de grande porte são comuns. apesar de ocorrerem dentro de uma unidade de preservação. as três primeiras. a despeito de sua pequena área de ocorrência. Os registros provenientes dessas coletas não pare cem indicar qualquer tipo de problema relacionado à densidade de indivíduos. H. As observações na Reserva de Paranapiacaba indicam que fatores externos podem afetar a área fazendo com que a conservação da espécie não esteja garantida mesmo em uma unidade de conservação. ser resgatadas das visitas regulares realizadas por pesquisadores à Reserva. resultou no registro de três espécies.

1990). Ischnocnema guentheri e I. como por exemplo. indignação. bem como a concordância entre as supostas datas de ocorrência desses declínios (19791980). na Estação Biológica de Boracéia. os resultados são também similares: espécies que não sofreram declínios populacionais em Boracéia continuam também sendo encontradas na Reserva Biológica de Paranapiacaba. são aparentadas a espécies que também desapareceram da Estação Biológica de Boracéia. H. boraceiensis. e que integram a lista da Reserva Biológica de Paranapiacaba. localidade intensamente estudada e situada em área de proteção. taophora desapareceram das áreas altas. ou associadas a riachos (Crossodactylus dispar. Cycloramphus dubius e C. mas ainda são abundantes nas áreas baixas da Serra do Mar próximas a essas localidades. somente populações de áreas montanhosas são afetadas. Nenhuma das espécies associadas a riachos que mostraram declínio acentuado ou desapareceram de Boracéia. no Estado de São Paulo. Cycloramphus boraceiensis. Os efeitos da poluição proveniente do polo petroquímico de Cubatão na área da Reserva ainda são evidentes. Quando comparamos as duas áreas sob a ótica das evidências negativas. incluindo alterações climáticas globais. phyllodes. Um dos primeiros relatos sobre declínios ocorreu no Brasil. phyllodes e T. Atualmente existem na literatura inúmeros trabalhos que tratam de declínios de populações de anfíbios com causas desconhecidas. Cycloramphus boraceiensis. Existem semelhanças claras entre os declínios observados em florestas de neblina da América Central e aqueles verificados na Estação Biológica de Boracéia e na Reserva Biológica de Paranapiacaba. pode ser um indício de que o mesmo fator tenha atuado nas duas localidades. Hylodes asper. ao passo que aquelas que se reproduzem em ambientes aquáticos lênticos. aumento na incidência de radiação ultravioleta. apresentaram-se muito raras. são as menos afetadas (Lips et al. H. H. enquanto populações de terras baixas mantêm flutuações de abundância consideradas normais. Os relatos registrados no Livro de Visitantes da Reserva no final da década de 1970 e início de 1980. apesar de terem sido observadas. semipalmatus. asper. C. Aparentemente. As alterações sobre a paisagem foram drásticas e assim devem ter sido para a fauna. São muitas as possíveis causas levantadas para explicar esse fenômeno. Atribui-se a uma geada muito forte ocorrida em 1979 a causa provável dos declínios populacionais observados na área. Hyalinobatrachium eurygnathum e Thoropa taophora) (Heyer et al. 1988). foi coletada recentemente. Esses declínios têm sido verificados em todos os continentes e parecem ser mais comuns em florestas tropicais úmidas de áreas montanhosas (Young et al. observase que as espécies de uma mesma localidade afetadas por declínios não respondem da mesma maneira. associadas a bromélias (Dendrophryniscus brevipollicatus e Scinax perpusillus). As espécies mais afetadas pelos declínios em Boracéia foram aquelas que apresentam reprodução terrestre (Leptodactylys marmoratus. algumas das espécies que desapareceram na Reserva de Paranapiacaba. gaudichaudii. Além disso. As medidas legais tomadas no início da década de 1980 parecem ter controlado os altos índices de poluição que atingiram 31225001 cap26 ao 36. As demais. mostram.Anfíbios anuros 599 Também são tão ou mais preocupantes as ameaças “invisíveis” que pairam sobre elas. 2003). no mínimo. A concordância no que diz respeito aos aspectos da biologia entre espécies ou grupos de espécies que sofreram declínio em Boracéia a partir de causas não identificadas.indd 599 23/10/2009 16:35:49 . Adicionalmente. Isto sugere que as florestas de encosta sejam afetadas de forma diferente das florestas de áreas baixas. e aquelas que apresentaram declínio na Reserva de Paranapiacaba em conseqüência da poluição. parva). Em estudos realizados principalmente na América Central. Em algumas espécies. doenças causadas por fungos e bactérias e sinergismo desses fatores. 2001). C. 1988. espécies cuja distribuição engloba a encosta e a baixada litorânea tiveram populações afetadas diferentemente. espécies associadas a riachos são as mais suscetíveis a declínios populacionais. onde os ambientes estão aparentemente bem preservados (Heyer et al.

indd 600 23/10/2009 16:35:49 . lagoas (pH 4. Florestas úmidas de encosta em áreas de Mata Atlântica seriam. A associação direta dos declínios observados na Reserva Biológica de Paranapiacaba à acidificação do sistema ainda precisa ser mais investigada. Sabe-se que poluentes podem ser transportados pelo vento e pela chuva a quilômetros de seu ponto de origem e que a intensidade de seus efeitos pode não estar diretamente relacionada apenas com a proximidade da fonte poluidora (Davidson et al.7). Estudos realizados na Reserva de Paranapiacaba. Além disso. Tanto a Estação Biológica de Boracéia como a Reserva Biológica de Paranapiacaba localizam-se no planalto próximo da escarpa da Serra do Mar e têm em comum altos índices de pluviosidade e incidência freqüente de neblina. Essa Unidade de Conservação é referência histórica de dados e localidade-tipo de muitas 31225001 cap26 ao 36. na área mais densamente povoada do país e. Essa diferença pode estar associada ao transporte diferencial de poluentes pelas massas de ar úmidas que sobem a encosta e ali precipitam. Durante uma das visitas à Reserva. sujeita a níveis elevados de pressão antrópica. Sintomas como esses e também a morte súbita após captura são citados como indícios da presença de compostos químicos na água. Esse efeito diferencial poderia explicar o desaparecimento de populações de espécies na Reserva de Paranapiacaba e na Estação Biológica de Boracéia que continuam abundantes nas áreas mais baixas da Serra do Mar. portanto. Os ambientes aquáticos sob influência dos poluentes estariam.4).0). mais suscetíveis aos efeitos deletérios da poluição que aquelas localizadas no interior do planalto ou na baixada litorânea. Mas. conforme indicam também outras evidências. espécies como Hylodes phyllodes ainda se encontram em densidades muito baixas na Estação (Bertoluci 1997). Esses valores alarmantes merecem ainda mais atenção se considerarmos que os valores mínimos para sobrevivência de ovos e larvas de espécies de anfíbios encontram-se ao redor de 4.0 (Pierce 1985. Mata Atlântica. 2001). como em bromeliáceas (pH 4. tanto na água das chuvas (pH 4. Apesar de não terem sido encontradas espécies associadas a riachos no Parque Municipal. A estabilização dessas populações em densidades abaixo dos valores normalmente observados e a ausência de recolonizações podem ser indícios de que os fatores que causaram os declínios populacionais em Boracéia ainda estejam atuando. como também daquelas estocadas no lençol. decorrentes do processo de nitrificação da amônia (Lopes 2001). indicam que a acidez do solo e de água de nascentes localizadas a 800 m de altitude é maior do que aquela registrada a 100 m. portanto. um exemplar de Hypsiboas faber e outro de Leptodactylus ocellatus capturados no riacho represado em borda de mata pareceram apáticos à aproximação dos pesquisadores e lentos na resposta à tentativa de captura. principalmente nitratos. a poluição que atinge a Reserva ainda é preocupante.9). Novos dados provenientes de estudos realizados na Estação Biológica de Boracéia têm demonstrado a existência de populações de anfíbios anuros que desapareceram das proximidades da sede de pesquisa em bacias próximas. McDiarmid & Altig 1999). apesar de controlada.3) e riachos (pH 3. o pH dos corpos d’água visitados revelou-se consideravelmente mais alto que aqueles medidos na Reserva (pH 5. A Reserva Biológica de Paranapiacaba está localizada em um dos cinco biomas mais ameaçados do globo. Miguel Trefaut Rodrigues e Dante Pavan a área e a paisagem está aparentemente se recuperando. apesar da maior incidência de poluentes no último caso (Lopes 2001). Esse problema é especialmente importante para a qualidade dos riachos e merece ainda mais destaque se considerarmos que 16 das espécies de anuros registradas para a área reproduzem-se nesse ambiente. portanto. Estudos sobre o ciclo da água na região indicaram acidificação generalizada do solo e das águas das nascentes. por exemplo.600 Vanessa Kruth Verdade. A acidificação das nascentes indica que a poluição atravessou o solo e atingiu o lençol freático. sujeitos não somente à ação das substâncias trazidas pelas chuvas. Medidas de pH realizadas durante nossas viagens à Reserva revelaram valores médios muito baixos.

G. Noraly Liou.A. C. Fenologia e seleção de hábitat em girinos da Mata Atlântica em Boracéia. Referências bibliográficas Baldissera. a acidificação silenciosa das águas e do solo que hoje afeta a Reserva parece incompatível com a manutenção da rica fauna de anuros que ali vivia.Jr. abrigando grande diversidade e endemismo. Arquivos do Museu Nacional. C.). ainda que incompleto. tão bem descrita por Bertha Lutz no registro que deixou no caderno de visitas da Reserva em 01 de novembro de 1940: “Uma Estação como esta representa um poderoso estímulo ao progresso da sciência e uma colaboração valiosa ao trabalho dos naturalistas. Hylidae) at Boracéia.. Phyllomedusa 1(2): 93-95. Aqui tornamos a encontrá-las. pp. Rio de Janeiro. Instituto de Biociências.F. ou conhecidas somente das Reservas de Paranapiacaba e da Estação Biológica de Boracéia.V.S.Anfíbios anuros 601 espécies de anuros. J. with descriptions of two new related species (Amphibia. Fundação Florestal. São Paulo.F. Provincia de Buenos Aires.D. Caramaschi. Não há como escapar da idéia de que o quadro atual da situação exige que sejam tomadas medidas preventivas. como exemplo ao Brasil. Universidade de São Paulo. U. a catástrofe que se abateu sobre a área nos anos de 1980 e a ameaça de destruição que ainda paira sobre ela. 2002. Dial activity of the tadpoles of Hyla hylax (Anura. Esperamos que esse esforço. Fundação para a conservação e a produção florestal do Estado de São Paulo. Apesar de apenas duas espécies da área integrarem a lista oficial de espécies ameaçadas do IBAMA (site oficial). Bertoluci. J. Anura. Intervales. Encarregada da Reserva Biológica de Paranapiacaba. 166p. M. A. destinando-as às coleções de estudo e comemorativas do grande naturalista. um santuário refúgio da fauna da região. M. Agradecimentos Este trabalho contou com o apoio irrestrit o da Pesquisadora Rosangela Simão Bianchini. Hussam Zaher e Carolina CastroMello facultaram-nos o acesso à coleção do MZUSP. A fauna ameaçada de extinção do Estado do Rio de Janeiro. 31225001 cap26 ao 36. são muito graves. Embora fisionomicamente o aspecto das matas da Reserva tenha melhorado nos últimos anos. (org. & Sluys. 1997. Review of the Bufo crucifer species group. F. 123p. englobando uma área coberta por florestas úmidas de encosta. Ainda que essa distribuição seja reflexo de deficiência de amostragem. sirva de alerta e de base para estudos que venham a monitorar o destino das populações de anfíbios da Reserva Biológica de Paranapiacaba.. onde as árvores gigantes se elevam rectilíneas como elle viveu (…)”. Bem haja quem idealizou.A. Bergallo. Agradecemos ainda ao CNPQ. & Haddad. Mais ainda. Bertoluci. southeastern Brazil. 2004. Rio de Janeiro.indd 601 23/10/2009 16:35:49 . H. Tese de Doutorado. 159-167. Daqui partiram várias das novas espécies descriptas por Adolpho Lutz. 2001. Los Hylidae de Punta Lara. quem a mantém. Antonio Victor da Costa e Antonio Dorival de Souza. Alves. Renata Pardini. São Paulo (Amphibia. Srs. Bufonidae).A. C. somada aos declínios populacionais relatados para o sudeste. Anura). Luis Fábio Silveira e Daniel Munari foram nossos companheiros de campo. Anfíbios Anuros. FAPESP e CAPES pelas bolsas e o apoio concedidos que permitiram a realização deste estudo e ao IBAMA pelas licenças de coleta. de planalto e campos montanos. J. Bertoluci. São Paulo. possamos recuperar a rica anurofauna e a majestade da floresta primária que existia na área. Foi com um sentimento de paz e reverência que percorri a picada Adolpho Lutz.A. Rocha. a eles nossos sinceros agradecimentos. Esperamos também que esses estudos contribuam para que. e Fátima Maria de Souza e Elizabeth Ribas Bilo à do ZUEC. Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. ocorrem na Reserva outras espécies restritas à região.A. 1962. e não teria sido possível sem a atenção e dedicação dos guardas da Reserva. em um futuro próximo. 2000. 62(3): 255-282. quem criou. Physis XXII 65: 129-142.B.. In: Leonel. Barrio. Trabalhos comparando a importância relativa de fatores bióticos e abióticos em localidades próximas e afetadas diferencialmente pela poluição podem trazer informações importantes e de alcance mundial para melhor compreendermos as razões do desaparecimento de algumas espécies desse sensível e diversificado grupo de vertebrados.

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indd 604 23/10/2009 16:35:49 .31225001 cap26 ao 36.

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