Classes Gramaticais
Classes Gramaticais
1 [ 243156 ]. (Enem PPL 2023) Quaresma despiu-se, lavou-se, enfiou a roupa de casa, veio
para a biblioteca, sentou-se a uma cadeira de balanço, descansando. Estava num aposento
vasto, e todo ele era forrado de estantes de ferro. Havia perto de dez, com quatro prateleiras,
fora as pequenas com os livros de maior tomo. Quem examinasse vagarosamente aquela
grande coleção de livros havia de espantar-se ao perceber o espírito que presidia a sua
reunião. Na ficção, havia unicamente autores nacionais ou tidos como tais: o Bento Teixeira, da
Prosopopeia; o Gregório de Matos, o Basílio da Gama, o Santa Rita Durão, o José de Alencar
(todo), o Macedo, o Gonçalves Dias (todo), além de muitos outros.
No texto, o uso do artigo definido anteposto aos nomes próprios dos escritores brasileiros
a) demonstra a familiaridade e o conhecimento que o personagem tem dos autores nacionais e
de suas obras.
b) consiste em um regionalismo que tem a função de caracterizar a fala pitoresca do
personagem principal.
c) é uma marca da linguagem culta cuja função é enfatizar o gosto do personagem pela
literatura brasileira.
d) constitui um recurso estilístico do narrador para mostrar que o personagem vem de uma
classe social inferior.
e) indica o tom depreciativo com o qual o narrador se refere aos autores nacionais, reforçado
pela expressão “tidos como tais”.
Resposta:
[A]
[B] o uso do artigo não assinala regionalismo, até porque a narrativa que tem como
protagonista Policarpo Quaresma decorre em centro urbano.
[C] O uso do artigo pode acontecer em linguagem culta ou informal.
[D] Policarpo Quaresma era major e trabalhava como subsecretário no “Arsenal de Guerra".
[E] A expressão “tidos como tais” refere-se a autores considerados como nacionais, usada sem
intenção de desvalorizar autores ou obras.
Assim, é correta a opção [A], na medida em que o uso do artigo definido anteposto aos nomes
próprios denota a intimidade que Quaresma tinha com os escritores brasileiros e suas obras.
2 [ 198157 ]. (Enem PPL 2020) Seu nome define seu destino. Será?
“O nome próprio da pessoa marca a sua identidade e a sua experiência social e, por
isso, é um dado essencial na sua vida”, diz Francisco Martins, professor do Instituto de
Psicologia da Universidade de Brasília e autor do livro Nome próprio (Editora UnB). “Mas não
dá para dizer que ele conduz a um destino específico. É você quem constrói a sua identidade.
Existe um processo de elaboração, em que você toma posse do nome que lhe foi dado. Então,
ele pesa, mas não é decisivo”. De acordo com Martins, essa apropriação do nome se dá em
várias fases: na infância, quando se desenvolve a identidade sexual; na adolescência, quando
a pessoa começa a assinar o nome; no casamento, quando ela adiciona (ou não) o sobrenome
do marido ao seu. “O importante é a pessoa tomar posse do nome, e não ficar brigando com
ele”.
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Resposta:
[E]
Em [A] e [B] vemos o uso do pronome “seu” e “sua” para se referir à terceira pessoa do
discurso, no caso, representada pelo interlocutor “você”. Em [C], o pronome “que” é utilizado
para retomar o “processo de elaboração”. Em [D], o pronome “lhe” se refere também à terceira
pessoa do discurso representada pelo interlocutor “você”. Por fim, em [E], vemos que o
pronome “ele” retoma a palavra “nome” e podemos reescrever a frase como: não ficar brigando
com o nome.
3 [ 190108 ]. (Enem PPL 2019) As alegres meninas que passam na rua, com suas pastas
escolares, às vezes com seus namorados. As alegres meninas que estão sempre rindo,
comentando o besouro que entrou na classe e pousou no vestido da professora; essas
meninas; essas coisas sem importância.
O uniforme as despersonaliza, mas o riso de cada uma as diferencia. Riem alto, riem musical,
riem desafinado, riem sem motivo; riem.
Hoje de manhã estavam sérias, era como se nunca mais voltassem a rir e falar coisas sem
importância. Faltava uma delas. O jornal dera notícia do crime. O corpo da menina encontrado
naquelas condições, em lugar ermo. A selvageria de um tempo que não deixa mais rir. As
alegres meninas, agora sérias, tornaram-se adultas de uma hora para outra; essas mulheres.
ANDRADE, C. D. Essas meninas. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.
Resposta:
[A]
O emprego do artigo “as” e do pronome “essas”, no último parágrafo, contribui para destacar o
momento em que se verifica a transformação das meninas alegres em mulheres sérias, e
consequentemente, perpassar a ideia de que o amadurecimento resulta do confronto com a
violência e o sofrimento. Assim, é correta a opção [A].
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4 [ 182941 ]. (Enem PPL 2018) Para os chineses da dinastia Ming, talvez as favelas cariocas
fossem lugares nobres e seguros: acreditava-se por lá, assim como em boa parte do Oriente,
que os espíritos malévolos só viajam em linha reta. Em vielas sinuosas, portanto, estaríamos
livres de assombrações malditas. Qualidades sobrenaturais não são as únicas razões para
considerarmos as favelas um modelo urbano viável, merecedor de investimentos
infraestruturais em escala maciça. Lugares com conhecidos e sérios problemas, elas podem
ser também solução para uma série de desafios das cidades hoje. Contanto que não sejam
encaradas com olhar pitoresco ou preconceituoso. As favelas são, afinal, produto direto do
urbanismo moderno e sua história se confunde com a formação do Brasil.
Os enunciados que compõem os textos encadeiam-se por meio de elementos linguísticos que
contribuem para construir diferentes relações de sentido. No trecho “Em vielas sinuosas,
portanto, estaríamos livres de assombrações malditas”, o conector “portanto” estabelece a
mesma relação semântica que ocorre em
a) “[...] talvez as favelas cariocas fossem lugares nobres e seguros [...].”
b) “[...] acreditava-se por lá, assim como em boa parte do Oriente [...].”
c) “[...] elas podem ser também solução para uma série de desafios das cidades hoje.”
d) “Contanto que não sejam encaradas com olhar pitoresco ou preconceituoso.”
e) “As favelas são, afinal, produto direto do urbanismo moderno [...].”
Resposta:
[E]
Enquanto que em [A], [B], [C] e [D] os conectores apresentam relação semântica de dúvida,
comparação, inclusão e condição, respectivamente, na frase “As favelas são, afinal, produto
direto do urbanismo moderno”, o conector “afinal” apresenta a mesma noção conclusiva de
“portanto”. Assim, é correta a opção [E].
Linda residência rodeada por maravilhoso jardim com piscina e amplo espaço gourmet.
1 000 m2 construídos em 2 000 m2 de terreno, 6 suítes. R$ 3 200 000. Rua tranquila: David
Pimentel. Cód. 480067 Morumbi Palácio Tel.: 3740-5000
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Resposta:
[B]
É correta a alternativa [B], pois os termos “linda”, “maravilhoso”, “amplo” e “tranquila” para
designar as características da residência, jardim, espaço gourmet e a rua onde está situada a
casa à venda permite deduzir que esse classificado utiliza uma profusão de adjetivos para
revelar as qualidades do produto.
Adaptado de: MOURA NEVES, M.H. Introdução. A gramática do português revelada em textos.
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I. O advérbio banalmente (ref. 15) poderia ser deslocado para imediatamente depois de
Homero (ref. 17).
II. O advérbio hoje (ref. 16) poderia ser deslocado para imediatamente depois de chegam (ref.
18).
III. A expressão com certeza (ref. 19) poderia ser deslocada para imediatamente depois de
que (ref. 20).
Quais alterações poderiam ser efetuadas sem acarretar mudança de sentido na frase original?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.
Resposta:
[B]
As alterações sugeridas em [I] e [III] provocariam mudança de sentido na frase original, pois
[I] a transposição do advérbio “banalmente” para depois de Homero faria com que, ao invés de
caracterizar o modo de comprovação, definiria o modo com que os versos de Homero
chegariam até nós, já que estaria ligado a “chegam”
[III] A colocação da expressão “com certeza” depois de “que” faria com que a expressão
deixasse de estar ligada inicialmente a “cronista”, sujeito da oração, para ficar relacionada
com “tecnologia humana”, sujeito da última oração do parágrafo.
Assim, é correta a opção [B], pois, no excerto “que hoje os versos de Homero nos chegam
somente cravados em folha de papel ou em tela de computador”, o advérbio “hoje” poderia ser
deslocado para depois de “chegam” sem prejuízo do sentido original: “que os versos de
Homero nos chegam, hoje, somente cravados em folha de papel ou em tela de computador”.
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corpo dela. Da unha encravada do dedo mindinho do pé esquerdo... Da verruga que se perdia
no meio da cabeleira crespa e bela... Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe
nos dava quando, deixando por uns momentos o lava-lava, o passa-passa das roupagens
alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas, descobrimos uma bolinha
escondida bem no couro cabeludo dela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e
uma de minhas irmãs aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer, puxou rápido o
bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso engano. A mãe riu tanto das lágrimas
escorrerem. Mas, de que cor eram os olhos dela?
Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe. Ela havia nascido em
um lugar perdido no interior de Minas. 7Ali, as crianças andavam nuas até 8bem grandinhas. As
meninas, assim que os seios começavam a brotar, ganhavam roupas antes dos meninos.
9
__________ vezes, as histórias da infância de minha mãe confundiam-se com 10__________
de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da
panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse, 11ali, apenas o nosso desesperado desejo
de 12alimento. E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava
com as filhas. Nessas ocasiões a brincadeira preferida era aquela em que a mãe era a
Senhora, a Rainha. Ela se assentava em seu trono, um pequeno banquinho de madeira.
Felizes colhíamos flores cultivadas em um pequeno pedaço de terra que circundava o nosso
barraco. Aquelas flores eram depois solenemente distribuídas 13por seus cabelos, braços e
colo. E diante dela fazíamos reverências à Senhora. Postávamos deitadas no chão e batíamos
cabeça para a Rainha. Nós, princesas, em volta dela, cantávamos, dançávamos, sorríamos. A
mãe só ria, de uma maneira triste e com um sorriso molhado... Mas de que cor eram os olhos
de minha mãe? Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esse e outros jogos para
distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraía.
De vez em quando, no final da tarde, antes que a noite tomasse conta do tempo, ela se
assentava na soleira da porta e juntas ficávamos contemplando as artes das nuvens no céu.
Umas viravam carneirinhos; outras, cachorrinhos; algumas, 14gigantes adormecidos, e havia
aquelas que eram só nuvens, algodão doce. Tudo tinha de ser muito 15rápido, antes que a
nuvem derretesse e com ela também se esvaecessem 16os nossos sonhos. Mas, de que cor
eram os olhos de minha mãe?
7 [ 244107 ]. (Ufrgs 2024) Na coluna I, são feitas afirmações sobre o emprego de palavras no
texto; na coluna II, estão listadas palavras retiradas do texto.
COLUNA I
COLUNA II
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Resposta:
[C]
O termo “mero” exerce função de adjetivo (1) por qualificar o substantivo, “rápido” na ref. 5 é
advérbio (2) por designar a forma como decorria a ação expressa no termo verbal “cresci”. O
termo “bem” exerce função morfológica de advérbio (2), por estar ligado ao adjetivo
“grandinhas”. “Gigantes” é palavra usada como substantivo (3). E finalmente “rápido” na ref. 15
é usado como adjetivo, por qualificar o pronome “tudo”.
Adaptado de: OLIVEIRA JR., M. O que é entonação? In: OTHERO, G. A.; FLORES, V. N. O
que sabemos sobre a linguagem? São Paulo: Parábola, 2022.
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8 [ 224406 ]. (Ufrgs 2023) No bloco superior abaixo, estão listadas palavras retiradas do texto;
no inferior, afirmações sobre a classe gramatical dessas palavras. Associe adequadamente o
bloco superior ao inferior.
Resposta:
[A]
No segmento “apontando para a primeira linha de um quadro de letras” o termo linha (ref. 2)
exerce função morfológica de substantivo (2). Em “A frase, escrita como está, não consegue
sozinha”, sozinha (ref. 8) é adjetivo caracterizador de “frase” (1), assim como acontece com
diferenciada (ref. 15) em “Podemos sobrepor uma duração diferenciada”, adjetivo
caracterizador de “duração” (1). Finalmente, em “é possível falar a frase bem baixinho”, o termo
bem (ref. 18) está sendo usado como advérbio de intensidade (3) e baixinho (ref. 19) como
advérbio de modo (3).
9 [ 224407 ]. (Ufrgs 2023) Assinale a alternativa em que, de acordo com o texto, o primeiro
elemento está corretamente relacionado ao segundo.
a) que (ref. 4) – o paciente (ref. 3).
b) Elipse antes de pode (ref. 6) – combinação de sons (ref. 5).
c) ela (ref. 10) – A frase (ref. 7).
d) que (ref. 12) – propriedades da fala (ref. 9).
e) dele (ref. 14) – num nível (ref. 13).
Resposta:
[C]
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Adaptado de LOBATO, Monteiro. A onda verde. São Paulo: Globo, 2008. p. 119-120.
I. O pronome possessivo seus (ref. 2) expressa uma relação entre fundamentos (ref. 3) e
natureza humana (ref. 4).
II. O pronome possessivo seu (ref. 17) expressa uma relação entre campeão (ref. 15) e
mestre Pitágoras (ref. 18).
III. O pronome possessivo suas (ref. 25) expressa uma relação entre um campeão de boxe
(ref. 23) e mãos (ref. 26).
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Resposta:
[C]
Adaptado de: DA MATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil?. Rio de Janeiro: Rocco, 1984. p.
97-99.
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a) V – F – F – V.
b) V – F – V – F.
c) F – V – F – V.
d) V – V – V – F.
e) F – V – F – F.
Resposta:
[B]
meu 13espanto quando vi, pela primeira vez, um motor a petróleo, da 14força de um cavalo,
muito compacto, e leve, em comparação aos que eu conhecia, e... funcionando! 15Parei diante
dele como que pregado pelo destino. Estava completamente fascinado. Meu pai, 16distraído,
continuou a andar até que, depois de alguns passos, dando pela 17minha falta, voltou,
perguntando-18me o que havia. 19Contei-20lhe a minha admiração de ver funcionar aquele motor,
e ele me respondeu: “Por hoje 21basta”. Aproveitando-me dessas palavras, pedi-lhe licença
para fazer meus estudos em Paris. Continuamos o passeio, e meu pai, como distraído, não me
respondeu. Nessa 22mesma noite, no jantar de despedida, reunida a família, meu pai anunciou
que pretendia fazer-me voltar a Paris para acabar meus estudos. 23Nessa mesma noite corri
vários livreiros; comprei todos os livros que encontrei sobre balões e viagens aéreas.
24
Diante do motor a petróleo, tinha 25sentido a possibilidade de tornar reais as
26
fantasias de Júlio Verne. Ao motor a petróleo devi, 27mais tarde, todo o meu êxito. Tive a
felicidade de ser o primeiro a empregá-lo nos ares.
Uma manhã, em São Paulo, com grande surpresa minha, convidou-28me meu pai a ir à
cidade e, dirigindo-se a um cartório de tabelião, mandou lavrar escritura de minha
emancipação. Tinha 29eu dezoito anos. 30De volta à casa, chamou-me ao escritório e disse-me:
“Já lhe dei 31hoje a liberdade; 32aqui está mais este capital”, e entregou-me títulos no valor de
muitas centenas de contos. “33Tenho ainda alguns anos de vida; quero ver como você se
conduz; vai para Paris, o lugar mais perigoso para um rapaz. Vamos ver se você se faz um
adulto; prefiro que não se 34faça doutor; em Paris, você procurará um especialista em física,
química, mecânica, eletricidade, etc., estude essas matérias e não 35esqueça que o futuro do
mundo está na mecânica”.
Adaptado de DUMONT, Santos. O que eu vi, o que nós veremos. Rio de Janeiro: Hedra, 2016.
Organização de Marcos Villares.
12 [ 192303 ]. (Ufrgs 2020) Assinale a alternativa que apresenta palavras de mesma classe
gramatical.
a) quando (ref. 2) – primeira (ref. 3) – uma (ref. 11) – mais (ref. 27)
b) interesse (ref. 5) – vidente (ref. 8) – espanto (ref. 13) – fantasias (ref. 26)
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c) desse (ref. 6) – eu (ref. 10) – minha (ref. 17) – mesma (ref. 22)
d) submarina (ref. 9) – desaparecido (ref. 12) – distraído (ref. 16) – sentido (ref. 25)
e) força (ref. 14) – basta (ref. 21) – faça (ref. 34) – esqueça (ref. 35)
Resposta:
[B]
Apenas a opção [B] apresenta termos da mesma classe gramatical, substantivos: interesse (ref.
5), vidente (ref. 8), espanto (ref. 13) e fantasias (ref. 26). Respectivamente, em [A], as palavras
exercem função morfológica de conjunção, numeral, artigo e advérbio, em [C], preposição +
pronome, pronome, pronome, pronome, em [D], adjetivo, adjetivo, adjetivo, verbo e em [E],
substantivo, verbo, verbo, verbo.
Adaptado de: VAN STEEN, Edla. Intimidade. In: MORICONI, Italo (org.) Os cem melhores
contos brasileiros do século. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 440-441.
13 [ 184622 ]. (Ufrgs 2019) O texto apresenta sentimentos de admiração de Ema por sua
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Resposta:
[B]
As opções [A], [C], [D] apresentam, apenas, adjetivos: “experiente”, ”privilegiado” e “soltos”,
respectivamente. Também em [E] é transcrito somente um advérbio: “novamente”. A alternativa
[B] é a única com presença de advérbios e adjetivo que expressam sentido de admiração de
Ema por sua amiga: advérbios de intensidade “muito” e “mais”, e um adjetivo: “sábia”.
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análise elementos que parecem não estar 23na frase, mas que atuam como se 24lá estivessem.
Adaptado de: POSSENTI, Sírio. Malcomportadas línguas. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
p. 85-86.
14 [ 184628 ]. (Ufrgs 2019) Considere os usos de advérbios no texto e assinale com 1 aqueles
em que o advérbio modifica o sentido de apenas uma palavra e com 2 aqueles em que
modifica o sentido de segmentos textuais.
( ) Certamente (ref. 4)
( ) menos (ref. 6)
( ) mais (ref. 12)
( ) talvez (ref. 13)
Resposta:
[C]
Nada mais importante para chamar a atenção sobre 1uma verdade do que exagerá-la.
2
Mas também, nada mais perigoso, _________ um dia vem 3a 4reação indispensável e 5a
relega injustamente para a categoria do erro, até que se efetue a operação difícil de 6chegar a
um ponto de vista objetivo, sem desfigurá-7la de um lado nem de outro. 8É o que tem ocorrido
com o estudo da relação entre a obra e o seu condicionamento social, que a certa altura
chegou a ser vista como 9chave para compreendê-la, depois foi 10rebaixada como falha de
visão, — e talvez só agora comece a ser proposta nos devidos termos.
11
De fato, antes se procurava mostrar que o valor e o significado de uma obra
dependiam de ela 12exprimir ou não certo aspecto da realidade, e que este aspecto constituía o
que ela tinha de essencial. Depois, chegou-se à posição oposta, procurando-se mostrar que a
matéria de uma obra é secundária, e que a sua importância deriva das operações formais
postas em jogo, conferindo-lhe uma peculiaridade que a torna de fato independente de
13
quaisquer condicionamentos, sobretudo social, considerado inoperante como elemento de
compreensão. 14Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar 15nenhuma
dessas visões _________; e que só a podemos entender fundindo texto e contexto numa
interpretação 16dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que 17explicava
pelos fatores 18externos, quanto o outro, norteado pela 19convicção de que a estrutura é
virtualmente independente, se combinam como momentos 20necessários do processo
interpretativo. Sabemos, ainda, que o 21externo (no caso, o social) importa, não como causa,
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nem como significado, mas como elemento que desempenha certo papel na constituição da
estrutura, tornando-22se, 23portanto, interno.
Neste caso, saímos dos aspectos periféricos da sociologia, ou da história
sociologicamente orientada, para chegar a uma interpretação estética que assimilou a
dimensão social como fator de arte. Quando isto se dá, ocorre o 24paradoxo assinalado
inicialmente: o externo se torna interno e a crítica deixa de ser sociológica, para ser apenas
crítica. Segundo esta ordem de ideias, o ângulo sociológico adquire uma validade maior do que
tinha. Em __________, não pode mais ser imposto como critério único, ou mesmo preferencial,
25
pois a importância de cada fator depende do caso a ser analisado. Uma crítica que se queira
integral deve 26deixar de ser unilateralmente sociológica, psicológica ou 27linguística, para
utilizar livremente os elementos capazes de conduzirem a uma interpretação coerente.
Resposta:
[D]
[I] Incorreta. O pronome faz referência ao termo “verdade”, a qual seria “relegada (...) a erro”.
[II] Correta. O pronome faz referência à expressão “uma verdade”, a qual não seria
“desfigurada”.
[III] Correta. O pronome se faz referência a “o externo”, o qual tornaria “a si próprio interno”.
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parte do problema geral de o que é que uma pessoa tem em sua mente e que _____3_____
permite usar a língua, falando e entendendo.
8
Antes de mais nada, porém, o que é 9uma palavra? 10Ora, 11alguém vai dizer, 12“todo
mundo sabe o que é uma palavra”. Mas não é bem assim. Considere a palavra olho. É muito
claro que isso aí é uma palavra – mas será que olhos é a mesma palavra (só que no plural)?
Ou será outra palavra?
13
Bom, há razões para responder das duas maneiras: é a mesma palavra, porque
significa a mesma coisa (mas com a ideia de plural); e é outra palavra, porque se pronuncia
diferentemente (olhos tem um “s” final que olho não tem, além da 14diferença de timbre das
vogais tônicas). 15Entretanto, a razão 16principal por que 17julgamos que olho e olhos sejam a
mesma palavra é que a relação entre elas é extremamente regular; ou seja, vale não apenas
para esse par, mas para milhares de outros pares de elementos da língua: olho/olhos,
orelha/orelhas, gato/gatos, etc. E, semanticamente, a relação é a mesma em todos os pares: a
forma sem “s” denota um objeto só, a forma com “s” denota mais de um objeto. 18Daí se tira
uma consequência importante: não é preciso aprender e guardar permanentemente na
memória cada caso individual; aprendemos uma regra geral (“19faz-se o plural acrescentando
um “s” ao singular”), e estamos prontos.
Adaptado de: PERINI, Mário A. Semântica lexical. ReVEL, v. 11, n. 20, 2013.
Resposta:
[B]
O locução adverbial de frequência “Às vezes” é grafada com acento indicativo de crase; o
verbo ter, conjugado no plural, apresenta acento diferencial; finalmente, o pronome “lhe” é
objeto indireto do verbo “permitir”.
É preciso estabelecer uma distinção radical entre um “brasil” escrito com letra
minúscula, nome de um tipo de madeira de lei 1ou de uma feitoria interessada em explorar uma
terra como outra qualquer2, 3e o Brasil que designa um povo, uma 4nação, um conjunto de
valores, escolhas e ideais de vida. O “brasil” com b minúsculo é apenas um objeto sem vida5,
pedaço de coisa que morre e não tem a menor condição de 6se reproduzir como sistema. 7Mas
o Brasil com B maiúsculo é algo muito mais complexo.
Estamos interessados em responder esta pergunta: afinal de contas, o que faz o brasil,
BRASIL? Note-se que se trata de uma pergunta relacional que, tal como faz a própria
sociedade brasileira, quer juntar e não dividir. Queremos, 8isto sim, descobrir como é que eles
se ligam entre 9si10; como é que cada um depende do outro; e 11como os dois formam uma
realidade única que existe concretamente naquilo que chamamos de “12pátria”.
13
Se a condição humana determina que todos os homens devem comer, dormir,
trabalhar, reproduzir-se e rezar, essa determinação não chega ao ponto de especificar também
qual comida ingerir, de que modo produzir e para quantos deuses 14ou espíritos rezar. É
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precisamente aqui, nessa espécie de zona indeterminada, mas necessária, que nascem as
diferenças e, nelas, os estilos, os modos de ser e estar; os “15jeitos” de cada grupo humano.
16
Trata-se, sempre, da questão de identidade.
Como se constrói uma identidade social? Como um povo se transforma em Brasil? 17A
pergunta, 18na sua discreta singeleza, permite descobrir algo muito importante. É que, no meio
de uma multidão de experiências dadas a todos os homens e sociedades, algumas necessárias
à própria sobrevivência – como comer, dormir, morrer, reproduzir-se etc. – outras acidentais ou
históricas –, 19o Brasil ter sido descoberto por portugueses e não por chineses, a geografia do
Brasil ter certas características, falarmos 20português e não 21francês, a família real ter se
transferido para o Brasil no início do século XIX etc. –, cada sociedade (e cada ser humano)
apenas se utiliza de um número limitado de “22coisas” (e de experiências) 23para se construir
como algo único.
24
Nessa perspectiva, a chave para entender a 25sociedade brasileira é uma 26chave
dupla. E, 28para mim, a capacidade relacional — do antigo com o moderno – tipifica e
27
singulariza a sociedade brasileira. Será preciso, 29portanto, discutir o Brasil como uma 30moeda.
Como algo que tem dois lados. 31E mais: como uma realidade que nos tem 32iludido,
precisamente porque 33nunca lhe propusemos esta questão relacional e reveladora: afinal de
contas, como se ligam as duas faces de uma mesma moeda? O que faz o 34brasil, 35Brasil?
Resposta:
[C]
Não faz muito que 1temos esta nova TV com controle remoto, 2mas devo dizer que se
trata agora de um instrumento sem 3o qual eu não saberia viver. Passo os dias sentado na
velha poltrona, mudando de um canal para o outro – uma tarefa que antes exigia certa
movimentação, 4mas que agora ficou muito fácil. Estou num canal, não gosto – 5zap, mudo
para outro. 6Eu 7gostaria de ganhar em dólar num mês o número de vezes que você troca de
canal em uma hora, diz minha mãe. 8Trata-se de uma pretensão fantasiosa, 9mas pelo menos
10
indica 11disposição para o humor, admirável nessa mulher.
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12
Sofre minha mãe. Sempre 13sofreu14: infância carente, pai cruel, etc. Mas o seu
sofrimento aumentou muito quando meu pai a deixou. Já faz tempo; foi logo depois que eu
nasci, e estou agora com treze anos. Uma idade em que se vê muita televisão, e em que se
muda de canal constantemente, ainda que minha mãe ache 15isso um absurdo. Da tela, uma
moça sorridente pergunta se o caro telespectador já conhece certo novo sabão em pó. 16Não
conheço nem quero conhecer, de modo que – 17zap – mudo de canal. “Não me abandone,
Mariana, não me abandone18!”. Abandono, sim. Não tenho o menor 19remorso, e agora é um
desenho, que eu já vi duzentas vezes, e – 20zap – um homem 21falando. Um homem, abraçado
_____1_____ guitarra elétrica, fala _____2_____ uma entrevistadora. É um roqueiro. É meio
velho, tem cabelos grisalhos, rugas, falta-lhe um dente. É o meu pai.
É sobre mim que 22ele fala. Você tem um filho, não tem?, pergunta a apresentadora, e
ele, meio 23constrangido – situação pouco admissível para um roqueiro de verdade –, diz que
sim, que tem um filho só que não vê há muito tempo. Hesita um pouco e acrescenta: você
sabe, eu tinha que fazer uma opção, era a família ou o rock. A entrevistadora, porém, insiste
(24é chata, ela): mas o seu filho gosta de rock25? Que você saiba, seu filho gosta de rock26?
Ele se mexe na cadeira; o microfone, preso _____3_____ desbotada camisa, roça-27lhe
o peito, produzindo um desagradável e bem audível rascar. Sua angústia é compreensível; aí
está, num programa local e de baixíssima audiência – e ainda tem de passar pelo vexame de
uma pergunta que o embaraça e à qual não sabe responder. E então ele me olha. 28Vocês
dirão que não, que é para a câmera que ele olha; aparentemente é isso; mas na realidade é a
mim que ele olha, sabe que, em algum lugar, diante de uma tevê, estou a fitar seu rosto
atormentado, as lágrimas me correndo pelo rosto; e no meu olhar ele procura a resposta
_____4_____ pergunta da apresentadora: você gosta de rock? Você gosta de mim? Você me
perdoa? – mas aí comete um engano mortal29: insensivelmente, automaticamente, seus dedos
começam a dedilhar as cordas da guitarra, é o vício do velho roqueiro. Seu rosto se ilumina e
30
ele vai dizer que sim, que seu filho ama o rock tanto quanto ele, mas nesse momento – 31zap
– aciono o controle remoto e ele some. 32Em seu lugar, uma bela e sorridente jovem que está –
à exceção do pequeno relógio que usa no pulso – nua, completamente nua.
Adaptado de: SCLIAR, M. Zap. In: MORICONI, Í. (Org.) Os cem melhores contos brasileiros.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 547-548.
18 [ 169396 ]. (Ufrgs 2017) Assinale a alternativa que estabelece uma relação correta entre um
pronome ou expressão e aquilo a que se refere no texto.
a) o qual (ref. 3) – um instrumento
b) isso (ref. 15) – sofrimento da mãe do personagem
c) ele (ref. 22) – velho
d) lhe (ref. 27) – camisa
e) seu lugar (ref. 32) – lugar do rock
Resposta:
[A]
[A] Correto. Em “se trata agora de um instrumento sem o qual eu não saberia viver”, o pronome
“o qual” retoma “um instrumento”.
[B] Incorreto. Em “Uma idade em que se vê muita televisão, e em que se muda de canal
constantemente, ainda que minha mãe ache isso um absurdo”, o pronome demonstrativo
“isso” retoma as ações de ver televisão e mudar de canal.
[C] Incorreto. Em “É sobre mim que ele fala”, o pronome pessoal do caso reto “ele” retoma “É o
meu pai”.
[D] Incorreto. Em “roça-lhe o peito”, o pronome pessoal do caso oblíquo “lhe” tem valor de
pronome possessivo, o qual pode ser substituído, mantendo-se o sentido e a correção da
oração”, por “seu”.
[E] Incorreto. Em “Em seu lugar, uma bela e sorridente jovem que está – à exceção do pequeno
relógio que usa no pulso – nua, completamente nua”, o pronome possessivo “seu” faz
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Resposta:
[B]
[I] Falso. A referência 2 indica oposição entre o curto tempo em que a família possui televisão e
a necessidade que se criou pelo controle remoto; a referência 4 indica oposição entre a
movimentação para mudar canal da televisão e a atual facilidade; finalmente, a referência 9
indica oposição entre a pretensão fantasiosa e a disposição para o humor.
[II] Verdadeiro. “Zap” é uma onomatopeia que remete ao som relacionado à mudança de canal
da televisão.
[III] Falso. A afirmação é feita pelo narrador, não pelo pai do garoto.
Muita gente que ouve a expressão “políticas linguísticas” pela primeira vez pensa em
algo 1solene, formal, oficial, em leis e portarias, em autoridades oficiais, e pode ficar se
perguntando o que seriam leis sobre línguas. De fato, há leis sobre línguas, mas as 2políticas
linguísticas também podem ser menos 3formais – e nem passar por leis propriamente ditas. Em
quase todos os casos, figuram no cotidiano, 4pois envolvem não só a gestão da linguagem,
mas também as práticas de linguagem, e as crenças e valores que circulam a respeito 5delas.
Tome, por exemplo, a situação do 6cidadão das classes confortáveis brasileiras, que quer que a
escola ensine a norma culta da língua portuguesa. 7Ele folga em saber que se vai exigir isso
dos candidatos às vagas para o ensino superior, mas nem sempre observa ou exige o mesmo
padrão culto, por exemplo, na ata de condomínio, que ele aprova como está, 8desapegada da
ortografia e das regras de concordância verbais e nominais 9preconizadas pela gramática
normativa. Ele acha ótimo que a escola dos filhos faça 10baterias de exercícios para fixar as
normas ortográficas, mas pouco se incomoda com os problemas de redação nos enunciados
das tarefas dirigidas às crianças ou nos textos de comunicação da escola dirigidos à
comunidade escolar. Essas são políticas linguísticas. 11Afinal, onde há gente, há grupos de
pessoas que falam línguas. Em cada um desses grupos, há decisões, 12tácitas ou explícitas,
sobre como proceder, sobre o que é aceitável ou não, e por aí afora. Vamos chamar essas
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escolhas – 13assim como 14as discussões que levam até 15elas e as ações que delas resultam –
de políticas. Esses grupos, pequenos ou grandes, de pessoas tratam com outros grupos, que
por sua vez usam línguas e têm as suas políticas internas. Vivendo imersos em linguagem e
tendo constantemente que lidar com outros indivíduos e outros grupos mediante o uso da
linguagem, não surpreende que os recursos de linguagem lá pelas tantas se tornem, eles
próprios, tema de política e objetos de políticas explícitas. Como 16esses recursos podem ou
devem se apresentar? Que funções eles podem ou devem ter? Quem pode ou deve ter acesso
a 17eles? Muito do que fazemos, 18portanto, diz respeito às políticas linguísticas.
Resposta:
[A]
Falsa. Em “Em quase todos os casos, figuram no cotidiano, pois envolvem não só a gestão da
linguagem, mas também as práticas de linguagem, e as crenças e valores que circulam a
respeito delas”, “delas” faz referência a “práticas de linguagem”, e não “políticas linguísticas”.
Verdadeira. Em “Tome, por exemplo, a situação do cidadão das classes confortáveis
brasileiras, que quer que a escola ensine a norma culta da língua portuguesa. Ele folga em
saber que se vai exigir isso dos candidatos às vagas para o ensino superior, mas nem sempre
observa ou exige o mesmo padrão culto (...), o pronome “ele” retoma “cidadão das classes
confortáveis brasileiras”.
Falsa. Em “Vamos chamar essas escolhas – assim como as discussões que levam até elas e
as ações que delas resultam – de políticas”, o pronome “elas” retoma “essas escolhas”.
Verdadeira. Em “Como esses recursos podem ou devem se apresentar? Que funções eles
podem ou devem ter? Quem pode ou deve ter acesso a eles?”, o pronome “eles” retoma a
expressão “esses recursos”.
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Adaptado de: PIKETTY, T. O Capital no Século XXI. Trad. de M. B. de Bolle. Rio de Janeiro:
Intrínseca, 2014. p.11-13.
Resposta:
[B]
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4
À porta do Grande Hotel, pelas duas da tarde, 14Chagas e Silva 6postava-se de palito à
boca, como 19se tivesse descido do restaurante lá de cima. Poderia parecer, pela estampa, que
somente ali se comesse bem em Porto Alegre. 8Longe 21disso! A Rua da Praia que 23o diga, ou
22
melhor, que o dissesse. 24O faz de conta do 7inefável personagem 5ligava-se mais à
25
importância, à moldura que aquele portal lhe conferia. 15Ele, que tanto marcou a rua, tinha
27
franco acesso às poltronas do saguão em que se refestelavam os importantes. Andava
28
dentro de um velho fraque, usava gravata, chapéu, bengala sob o braço, barba curta, polainas
e 10uns olhinhos apertados na 1_________ bronzeada. O charuto apagado na boca, para durar
bastante, 29era o 9toque final dessa composição de pardavasco vindo das Alagoas.
Chagas e Silva chegou a Porto Alegre em 1928. 16Fixou-20se na Rua da Praia, que
percorria com passos lentos, carregando um ar de 12indecifrável importância, tão ao jeito dos
grandes de então. 17Os estudantes tomaram conta dele. Improvisaram comícios na praça,
carregando-o nos braços e 11fazendo-o discursar. Dava discretas mordidas 33e consentia em
que lhe pagassem o cafezinho. Mandava imprimir sonetos, que "trocava" por dinheiro.
Não era de meu propósito 31ocupar-me do "doutor" Chagas 34e, sim, de como se comia
bem na Rua da Praia de antigamente. Mas ele como que me puxou pela manga e levou-me a
visitar casas por onde sua imaginação de longe esvoaçava.
Porto Alegre, sortida por tradicionais armazéns de especialidades, 30dispunha da
melhor matéria-prima para as casas de pasto. 18Essas casas punham ao alcance dos gourmets
virtuosíssimos "secos e molhados" vindos de Portugal, da Itália, da França e da Alemanha. Daí
um longo e 2________ período de boa comida, para regalo dos homens de espírito e dos que
eram mais estômago que outra coisa.
Na arte de comer bem, talvez a 26dificuldade fosse a da escolha. Para qualquer lado
que o passante se virasse, encontraria salões ornamentados 3_________ maiores ou menores,
tabernas 35ou simples tascas. A Cidade 32divertia-se também 13pela barriga.
Adaptado de: RUSCHEl, Nilo. Rua da Praia. Porto Alegre: Editora da Cidade, 2009. p. 110-111.
22 [ 137979 ]. (Ufrgs 2015) Assinale, entre as alternativas a seguir, a que apresenta palavras
pertencentes à mesma classe gramatical.
a) se (ref. 19) e se (ref. 20)
b) disso (ref. 21) e melhor (ref. 22)
c) o (ref. 23) e 0 (ref. 24)
d) importânda (ref. 25) e dificuldade (ref. 26)
e) franco (ref. 27) e dentro (ref. 28)
Resposta:
[D]
[A] Incorreta. Na referência 19 (“como 19se tivesse descido do restaurante lá de cima”), “se” é
conjunção condicional; na 20 (“Fixou-20se na Rua da Praia”), “se” é pronome reflexivo.
[B] Incorreta. Na referência 21 (“Longe 21disso!”), “disso” é uma contração entre preposição e
pronome demonstrativo; na 22 (“ou 22melhor”), “melhor” é adjetivo.
[C] Incorreta. Na referência 23 (“A Rua da Praia que 23o diga”), “o” é um pronome pessoal do
caso oblíquo, retomando a expressão “Longe disso!”; na referência 24, (“24O faz de conta do
inefável personagem”), “o” é um artigo definido.
[D] Correta. Tanto na referência 25 (“O faz de conta do inefável personagem ligava-se mais à
25
importância”) quanto na 26 (“talvez a 26dificuldade fosse a da escolha”), as palavras
destacadas, respectivamente importância e dificuldade, são substantivos, sendo a primeira
núcleo do objeto indireto e a segunda, núcleo do sujeito.
[E] Incorreta. Na referência 27 (“tinha 27franco acesso”), “franco” é um adjetivo; na referência 28
(“Andava 28dentro de um velho fraque”), “dentro” é um advérbio de lugar.
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Adaptado de: MORIN, Edgar. A inclusão: verdade da literatura. In: RÕSING, Tânia et ai. Edgar
Morin: religando fronteiras. Passo Fundo: UPF, 2004. p.13-18
Resposta:
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Super Professor
[D]
[I] Falso. O emprego de primeira pessoa do plural (por exemplo, “Assim, podemos ver o
primeiro modo de inclusão da literatura: a inclusão da 15complexidade humana”.) não é uma
referência exclusiva ao autor, mas sim aos seres humanos.
[II] Verdadeiro. O dêitico “Hoje”, em “1Hoje os conhecimentos se estruturam de modo
fragmentado, separado, compartimentado nas disciplinas.”, sinaliza a contemporaneidade
da afirmação.
[III] Verdadeiro. Ao ler o texto, percebe-se a preocupação do autor em articular seus
argumentos: a necessária inclusão da complexidade humana, posto termos contato com o
conhecimento de modo fragmentado; o fato de a literatura cumprir tal tarefa, posto permitir
que o insuportável ao ser humano se torne suportável; e, finalmente, o último argumento,
marcado pelo advérbio “agora”: “a inclusão do outro para a compreensão humana”.
24 [ 137986 ]. (Ufrgs 2015) Assinale a alternativa em que se estabelece uma relação correta
entre uma expressão e aquilo a que se refere.
a) Essa situação (ref. 8) - a existência das disciplinas.
b) seu campo (ref. 9) - o campo das disciplinas.
c) lhe (ref. 10) - nada.
d) Essa visão (ref. 11) - a complexidade humana.
e) que (ref. 12) - mutilada.
Resposta:
[B]
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Adaptado de: DARNTON, Robert. O beijo de Lamourette. In: ____. O beijo de Lamourette:
mídia, cultura e revolução. São Paulo: Cia. das Letras, 2010. p. 30-39.
Resposta:
[A]
Apenas na expressão “o agente de Deus na terra”, referida na alternativa [A], poderia ocorrer a
omissão do artigo sem prejuízo de sentido. Na expressão “Durante todo o século XVIII”,
ocorreria mudança de significado (de inteiro para qualquer) e, em “se pudéssemos associar a
Revolução exclusivamente à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, conferiria um
caráter genérico à afirmação e não especificamente a Revolução Francesa.
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Super Professor
O menino sentado à minha frente é meu irmão, assim me disseram; e bem pode ser
verdade, ele regula pelos dezessete anos, justamente o tempo em que estive solto no mundo,
sem contato 5nem notícia.
A princípio quero tratá-lo como intruso, mostrar-lhe 1__________ minha hostilidade,
não abertamente para não chocá-lo, 11mas de maneira a não lhe deixar dúvida, como se lhe
6
perguntasse com todas as letras 18: que direito tem você de estar aqui na intimidade de minha
família, entrando nos nossos segredos mais íntimos, dormindo na cama onde eu dormi, lendo
meus velhos livros, talvez sorrindo das minhas anotações à margem, tratando meu pai com
intimidade, talvez discutindo a minha conduta, talvez até criticando-a? 12Mas depois vou
notando que ele não é totalmente estranho. De repente fere-me 2__________ ideia de que o
intruso talvez 7seja eu, que ele 8tenha mais direito de hostilizar-me do que eu a ele 19, que vive
nesta casa há dezessete anos. O intruso sou eu, não ele.
Ao pensar nisso vem-me o desejo urgente de entendê-lo e de ficar amigo. Faço-lhe
21
perguntas e noto a sua avidez em respondê-las, 13mas logo vejo a inutilidade de prosseguir
nesse caminho, 22as perguntas parecem-me formais e 23as respostas forçadas e complacentes.
Tenho tanta coisa a dizer, mas não sei como começar, até a minha voz parece ter
perdido a naturalidade. Ele me olha 20, e vejo que está me examinando, procurando decidir se
devo ser tratado como irmão ou como estranho, e imagino que as suas dificuldades não devem
ser menores do que as minhas. 24Ele me pergunta se eu moro em uma casa grande, com
muitos quartos, e antes de responder procuro descobrir o motivo da pergunta. 25Por que falar
em casa? 14E qual a importância de 9muitos quartos? Causarei inveja nele se responder que
sim? 26Não, não tenho casa, há 10muitos anos que tenho morado em hotel. Ele me olha, parece
que fascinado, diz que deve ser bom viver em hotel, 15e conta que, toda vez que faz reparos
3
__________ comida, mamãe diz que ele deve ir para um hotel, onde pode reclamar e exigir.
De repente o fascínio se transforma em alarme, 16e ele observa que se eu vivo em hotel não
posso ter um cão em minha companhia, o jornal disse uma vez que um homem foi processado
por ter um cão em um quarto de hotel. Confirmo 4__________ proibição. Ele suspira 17e diz que
então não viveria em um hotel nem de graça.
Adaptado de: VEIGA, José J. Entre irmãos. In: MORICONI, Ítalo M. Os Cem Melhores Contos
Brasileiros do Século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 186-189.
I. Nas referências 11, 12 e 13, a conjunção mas tem o papel de mostrar, por meio de oposições
de sentido, os conflitos do narrador-personagem.
II. Na referência 14, a conjunção E funciona como um articulador das dúvidas do irmão do
narrador-personagem sobre o motivo da pergunta.
III. Nas referências 15, 16 e 17, a conjunção e, além de estabelecer relação aditiva entre
orações de idêntica função, também sinaliza a mudança de ações na narrativa.
Resposta:
[C]
É incorreta a afirmação do item [II], pois o trecho “E qual a importância de muitos quartos?
Causarei inveja nele se responder que sim?” revela ao leitor as dúvidas do próprio narrador-
personagem e não as do seu irmão. Todas as demais são corretas: [C].
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Super Professor
Adaptado de: ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português como língua de emigrantes. In:___.
O português da gente: a língua que estudamos a língua que falamos. São Paulo: Contexto,
2006. p. 42-43.
27 [ 132647 ]. (Ufrgs 2014) Assinale a alternativa em que se estabelece uma relação correta
entre uma expressão e aquilo a que se refere.
a) aquela (ref. 4) – língua
b) aqui (ref. 5) – Brasil
c) o qual (ref. 6) – Brasil
d) que (ref. 7) – cidade de Lisboa
e) sua presença (ref. 8) – presença dos imigrantes
Resposta:
[E]
Assim, é correta apenas [E], pois a expressão “sua presença” estabelece relação com
“presença dos imigrantes”.
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Rubem Braga
De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que
resplende ao sol. O vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas,
pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e
humildes; perto da terra a onda é verde.
Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma
certa distância da praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e
as pequenas espumas que nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo:
espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e vento e luz, e o
homem tem sua carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo a transportar na água.
Ele usa os músculos com uma calma energia; avança. Certamente não suspeita que um
desconhecido o vê e o admira porque ele está nadando em uma praia deserta. Não sei de onde
vem essa admiração, mas encontro nesse homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com
ele, acompanho o seu esforço solitário como se ele estivesse cumprindo uma bela missão. Já
nadou em minha presença uns trezentos metros; antes, não sei, duas vezes o perdi de vista,
quando ele passou atrás das árvores, mas esperei com toda confiança que reaparecesse sua
cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais uns cinquenta metros, e o perderei de
vista, pois um telhado o esconderá. Que ele nade bem esses cinquenta ou sessenta metros,
isto me parece importante, é preciso que conserve a mesma batida de sua braçada, que eu o
veja desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento,
sereno. Será perfeito; a imagem desse homem me faz bem.
É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os
traços de sua cara. Estou solitário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele atinja o
telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranquilo, pensando
– “vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o
com atenção durante todo o tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e
correção; esperei que ele atingisse um telhado vermelho, e ele atingiu”. Agora não sou mais
responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o.
Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo
nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo algo útil; mas certamente fazia uma coisa
bela, e a fazia de um modo puro e viril.
Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar mão; mas dou meu silencioso apoio, minha
atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse
correto irmão.
(Fonte: BRAGA, Rubem. O verão e as mulheres. 10 ed. Rio de Janeiro: Record, 2008. Texto
adaptado.)
Resposta:
[C]
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A palavra “calma” é um adjetivo que caracteriza o substantivo “energia”, assim como “mesma”
é um adjetivo que caracteriza o substantivo “batida”.
29 [ 252468 ]. (Efomm 2025) No sexto parágrafo, lê-se: “Não desço para ir esperá-lo na praia e
lhe apertar mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse
desconhecido […]”. Sem prejuízo à correção gramatical, nem ao sentido original, o trecho
destacado poderia ser reescrito da seguinte maneira:
a) Porém dou meu silêncio apoiado, minha atenção e minha estima a esse desconhecido.
b) Contudo meu silêncio e apoio são dados, juntamente com minha atenção e minha estima, a
esse desconhecido.
c) Não obstante o silencioso apoio é dado, juntamente com minha atenção e minha estima, a
esse desconhecido.
d) Entretanto meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima são dados por mim a esse
desconhecido.
e) Conquanto dou meu silencioso apoio e minha atenta estima a esse desconhecido.
Resposta:
[D]
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Legenda:
Q/Prova = número da questão na prova
Q/DB = número da questão no banco de dados do SuperPro®
6.............244101.....Média.............Português......Ufrgs/2024............................Múltipla escolha
7.............244107.....Média.............Português......Ufrgs/2024............................Múltipla escolha
8.............224406.....Baixa.............Português......Ufrgs/2023............................Múltipla escolha
9.............224407.....Elevada.........Português......Ufrgs/2023............................Múltipla escolha
10...........206615.....Média.............Português......Ufrgs/2022............................Múltipla escolha
11...........206625.....Média.............Português......Ufrgs/2022............................Múltipla escolha
12...........192303.....Baixa.............Português......Ufrgs/2020............................Múltipla escolha
13...........184622.....Baixa.............Português......Ufrgs/2019............................Múltipla escolha
14...........184628.....Média.............Português......Ufrgs/2019............................Múltipla escolha
15...........178395.....Média.............Português......Ufrgs/2018............................Múltipla escolha
16...........178407.....Média.............Português......Ufrgs/2018............................Múltipla escolha
17...........169388.....Elevada.........Português......Ufrgs/2017............................Múltipla escolha
18...........169396.....Média.............Português......Ufrgs/2017............................Múltipla escolha
19...........169397.....Média.............Português......Ufrgs/2017............................Múltipla escolha
20...........169406.....Média.............Português......Ufrgs/2017............................Múltipla escolha
21...........156350.....Baixa.............Português......Ufrgs/2016............................Múltipla escolha
22...........137979.....Média.............Português......Ufrgs/2015............................Múltipla escolha
23...........137984.....Média.............Português......Ufrgs/2015............................Múltipla escolha
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Super Professor
24...........137986.....Média.............Português......Ufrgs/2015............................Múltipla escolha
25...........132615.....Média.............Português......Ufrgs/2014............................Múltipla escolha
26...........132641.....Média.............Português......Ufrgs/2014............................Múltipla escolha
27...........132647.....Média.............Português......Ufrgs/2014............................Múltipla escolha
28...........252471.....Elevada.........Português......Efomm/2025.........................Múltipla escolha
29...........252468.....Média.............Português......Efomm/2025.........................Múltipla escolha
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