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Classes Gramaticais

O documento analisa trechos de obras literárias e questões do ENEM, abordando a relação entre linguagem, identidade e cultura. Destaca a importância da palavra escrita e falada na formação da identidade e na construção social. As respostas às questões enfatizam a interpretação e a análise crítica dos textos apresentados.

Enviado por

Juliana Pauletto
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Classes Gramaticais

O documento analisa trechos de obras literárias e questões do ENEM, abordando a relação entre linguagem, identidade e cultura. Destaca a importância da palavra escrita e falada na formação da identidade e na construção social. As respostas às questões enfatizam a interpretação e a análise crítica dos textos apresentados.

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Super Professor

1 [ 243156 ]. (Enem PPL 2023) Quaresma despiu-se, lavou-se, enfiou a roupa de casa, veio
para a biblioteca, sentou-se a uma cadeira de balanço, descansando. Estava num aposento
vasto, e todo ele era forrado de estantes de ferro. Havia perto de dez, com quatro prateleiras,
fora as pequenas com os livros de maior tomo. Quem examinasse vagarosamente aquela
grande coleção de livros havia de espantar-se ao perceber o espírito que presidia a sua
reunião. Na ficção, havia unicamente autores nacionais ou tidos como tais: o Bento Teixeira, da
Prosopopeia; o Gregório de Matos, o Basílio da Gama, o Santa Rita Durão, o José de Alencar
(todo), o Macedo, o Gonçalves Dias (todo), além de muitos outros.

BARRETO, L. Triste fim de Policarpo Quaresma. Rio de Janeiro: Mediafashion, 2008.

No texto, o uso do artigo definido anteposto aos nomes próprios dos escritores brasileiros
a) demonstra a familiaridade e o conhecimento que o personagem tem dos autores nacionais e
de suas obras.
b) consiste em um regionalismo que tem a função de caracterizar a fala pitoresca do
personagem principal.
c) é uma marca da linguagem culta cuja função é enfatizar o gosto do personagem pela
literatura brasileira.
d) constitui um recurso estilístico do narrador para mostrar que o personagem vem de uma
classe social inferior.
e) indica o tom depreciativo com o qual o narrador se refere aos autores nacionais, reforçado
pela expressão “tidos como tais”.

Resposta:

[A]

As opções [B], [C], [D] e [E] são incorretas, pois

[B] o uso do artigo não assinala regionalismo, até porque a narrativa que tem como
protagonista Policarpo Quaresma decorre em centro urbano.
[C] O uso do artigo pode acontecer em linguagem culta ou informal.
[D] Policarpo Quaresma era major e trabalhava como subsecretário no “Arsenal de Guerra".
[E] A expressão “tidos como tais” refere-se a autores considerados como nacionais, usada sem
intenção de desvalorizar autores ou obras.

Assim, é correta a opção [A], na medida em que o uso do artigo definido anteposto aos nomes
próprios denota a intimidade que Quaresma tinha com os escritores brasileiros e suas obras.

2 [ 198157 ]. (Enem PPL 2020) Seu nome define seu destino. Será?

“O nome próprio da pessoa marca a sua identidade e a sua experiência social e, por
isso, é um dado essencial na sua vida”, diz Francisco Martins, professor do Instituto de
Psicologia da Universidade de Brasília e autor do livro Nome próprio (Editora UnB). “Mas não
dá para dizer que ele conduz a um destino específico. É você quem constrói a sua identidade.
Existe um processo de elaboração, em que você toma posse do nome que lhe foi dado. Então,
ele pesa, mas não é decisivo”. De acordo com Martins, essa apropriação do nome se dá em
várias fases: na infância, quando se desenvolve a identidade sexual; na adolescência, quando
a pessoa começa a assinar o nome; no casamento, quando ela adiciona (ou não) o sobrenome
do marido ao seu. “O importante é a pessoa tomar posse do nome, e não ficar brigando com
ele”.

CHAMARY, J. V.; GIL, M. A. Knowledge, jul. 2010.

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Super Professor

Pronomes funcionam nos textos como elementos de coesão referencial, auxiliando a


manutenção do tema abordado. No trecho da reportagem, o vocábulo “nome” é retomado pelo
pronome destacado em
a) “Seu nome define seu destino”.
b) “É você quem constrói a sua identidade”.
c) “Existe um processo de elaboração, em que você toma posse do nome [...]”.
d) “[...] você toma posse do nome que lhe foi dado”.
e) “[...] não ficar brigando com ele”.

Resposta:

[E]

Em [A] e [B] vemos o uso do pronome “seu” e “sua” para se referir à terceira pessoa do
discurso, no caso, representada pelo interlocutor “você”. Em [C], o pronome “que” é utilizado
para retomar o “processo de elaboração”. Em [D], o pronome “lhe” se refere também à terceira
pessoa do discurso representada pelo interlocutor “você”. Por fim, em [E], vemos que o
pronome “ele” retoma a palavra “nome” e podemos reescrever a frase como: não ficar brigando
com o nome.

3 [ 190108 ]. (Enem PPL 2019) As alegres meninas que passam na rua, com suas pastas
escolares, às vezes com seus namorados. As alegres meninas que estão sempre rindo,
comentando o besouro que entrou na classe e pousou no vestido da professora; essas
meninas; essas coisas sem importância.
O uniforme as despersonaliza, mas o riso de cada uma as diferencia. Riem alto, riem musical,
riem desafinado, riem sem motivo; riem.
Hoje de manhã estavam sérias, era como se nunca mais voltassem a rir e falar coisas sem
importância. Faltava uma delas. O jornal dera notícia do crime. O corpo da menina encontrado
naquelas condições, em lugar ermo. A selvageria de um tempo que não deixa mais rir. As
alegres meninas, agora sérias, tornaram-se adultas de uma hora para outra; essas mulheres.

ANDRADE, C. D. Essas meninas. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.

No texto, há recorrência do emprego do artigo “as” e do pronome “essas”. No último parágrafo,


esse recurso linguístico contribui para
a) intensificar a ideia do súbito amadurecimento.
b) indicar a falta de identidade típica da adolescência.
c) organizar a sequência temporal dos fatos narrados.
d) complementar a descrição do acontecimento trágico.
e) expressar a banalidade dos assuntos tratados na escola.

Resposta:

[A]

O emprego do artigo “as” e do pronome “essas”, no último parágrafo, contribui para destacar o
momento em que se verifica a transformação das meninas alegres em mulheres sérias, e
consequentemente, perpassar a ideia de que o amadurecimento resulta do confronto com a
violência e o sofrimento. Assim, é correta a opção [A].

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Super Professor

4 [ 182941 ]. (Enem PPL 2018) Para os chineses da dinastia Ming, talvez as favelas cariocas
fossem lugares nobres e seguros: acreditava-se por lá, assim como em boa parte do Oriente,
que os espíritos malévolos só viajam em linha reta. Em vielas sinuosas, portanto, estaríamos
livres de assombrações malditas. Qualidades sobrenaturais não são as únicas razões para
considerarmos as favelas um modelo urbano viável, merecedor de investimentos
infraestruturais em escala maciça. Lugares com conhecidos e sérios problemas, elas podem
ser também solução para uma série de desafios das cidades hoje. Contanto que não sejam
encaradas com olhar pitoresco ou preconceituoso. As favelas são, afinal, produto direto do
urbanismo moderno e sua história se confunde com a formação do Brasil.

CARVALHO, B. A favela e sua hora. Piauí, n. 67, abr. 2012.

Os enunciados que compõem os textos encadeiam-se por meio de elementos linguísticos que
contribuem para construir diferentes relações de sentido. No trecho “Em vielas sinuosas,
portanto, estaríamos livres de assombrações malditas”, o conector “portanto” estabelece a
mesma relação semântica que ocorre em
a) “[...] talvez as favelas cariocas fossem lugares nobres e seguros [...].”
b) “[...] acreditava-se por lá, assim como em boa parte do Oriente [...].”
c) “[...] elas podem ser também solução para uma série de desafios das cidades hoje.”
d) “Contanto que não sejam encaradas com olhar pitoresco ou preconceituoso.”
e) “As favelas são, afinal, produto direto do urbanismo moderno [...].”

Resposta:

[E]

Enquanto que em [A], [B], [C] e [D] os conectores apresentam relação semântica de dúvida,
comparação, inclusão e condição, respectivamente, na frase “As favelas são, afinal, produto
direto do urbanismo moderno”, o conector “afinal” apresenta a mesma noção conclusiva de
“portanto”. Assim, é correta a opção [E].

5 [ 127098 ]. (Enem PPL 2012) MORUMBI PRÓXIMA AO COL. PIO XII

Linda residência rodeada por maravilhoso jardim com piscina e amplo espaço gourmet.
1 000 m2 construídos em 2 000 m2 de terreno, 6 suítes. R$ 3 200 000. Rua tranquila: David
Pimentel. Cód. 480067 Morumbi Palácio Tel.: 3740-5000

Folha de São Paulo. Classificados, 27 fev. 2012 (adaptado).

Os gêneros textuais nascem emparelhados a necessidades e atividades da vida sociocultural.


Por isso, caracterizam-se por uma função social específica, um contexto de uso, um objetivo
comunicativo e por peculiaridades linguísticas e estruturais que lhes conferem determinado
formato. Esse classificado procura convencer o leitor a comprar um imóvel e, para isso, utiliza-
se
a) da predominância das formas imperativas dos verbos e de abundância de substantivos.
b) de uma riqueza de adjetivos que modificam os substantivos, revelando as qualidades do
produto.
c) de uma enumeração de vocábulos, que visam conferir ao texto um efeito de certeza.
d) do emprego de numerais, quantificando as características e aspectos positivos do produto.
e) da exposição de opiniões de corretores de imóveis no que se refere à qualidade do produto.

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Super Professor

Resposta:

[B]

É correta a alternativa [B], pois os termos “linda”, “maravilhoso”, “amplo” e “tranquila” para
designar as características da residência, jardim, espaço gourmet e a rua onde está situada a
casa à venda permite deduzir que esse classificado utiliza uma profusão de adjetivos para
revelar as qualidades do produto.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


No momento em que abrimos um livro nos pomos no reino da palavra escrita, compartilhando
desse 1sortilégio 2__________ fala Verissimo no texto Sinais mortíferos, dessa mágica de
sinais gravados 3__________ une as mentes das quais saíram sinais, e outros sinais, e outros
sinais...
Ninguém duvida de que a manifestação falada é a linguagem primeira, é a linguagem natural,
que prescinde das tábuas e dos sulcos que um dia os homens inventaram para cumprir
4
desígnios que foram sendo estabelecidos, para o bem e para o mal.
Nas sagas que cantou, Homero distinguia heróis da palavra, heróis que eram os homens de
fala forte, de fala efetiva, de fala eficiente. 5Assim como havia heróis excelentes na ação, havia
aqueles excelentes na palavra 6(porque, para o épico, excelente em tudo só Zeus!). E entre
eles Homero 7ressalta muito significativamente a figura do velho conselheiro
Nestor, sempre à parte dos combates, mas dono de palavras sábias que dirigiam rumos das
ações. Ele ressalta, entre todos 8– no foco da epopeia 9–, a figura de Odisseu/Ulisses, que
nunca foi cantado como herói de combate renhido, mas que foi o senhor das palavras astutas
que construíram a Odisseia.
Hoje a força da palavra falada é a mesma, nada mudou, na história da humanidade, quanto ao
exercício natural da capacidade que o humano tem de falar e quanto à destinação natural
desse exercício. Mas, que diferença!!
10
E vem agora o lado prático dessa conversa inicial: sem discussão, pode-se dizer que a
palavra escrita é sustentáculo da cultura, embora não ouse supor que as sociedades 11ágrafas
sejam excluídas da noção de “cultura”, e que os textos de Homero12, que então eram apenas
cantados13, não tenham sido sustentáculo de cultura no mundo grego, exatamente por onde
chegaram ao registro escrito.
Diz Verissimo que a palavra escrita 14“dá permanência à linguagem”, e isso se comprovaria,
15
banalmente, no fato de que 16hoje os versos de 17Homero nos 18chegam somente cravados
em folha de papel ou em tela de computador. Mas 19com certeza o cronista, que não esqueceu
a permanência do texto oral de Homero, também não terá esquecido que, já há algum tempo,
gravam-se falas, e 20que, 21portanto, a tecnologia humana já soube dar registro permanente
também à palavra falada.
Ocorre que a permanência de que fala Verissimo é outra: acima do fato de que a escrita
representa um registro concreto permanente, está o fato de que ela leva a palavra a “outro
domínio”. A palavra falada povoa um domínio que, já por funcionar automaticamente segundo o
software que trouxemos à vida com a vida, não desvenda todos os sortilégios nos quais
entramos quando complicamos o viver. Que digam os 22versos dos poetas que no geral se
produzem no suporte gráfico e assim nos chegam (no papel ou em tela do monitor, insisto),
mas vêm carregados da melodia que lhes dá sentido, e por aí nos transportam a um mundo
particularmente mágico a que passamos a pertencer com a leitura!!!
Este é, por si, o mundo da palavra mágica!!
E chegamos à função da escola nesse mundo da mágica da linguagem. 23Se, como diz
Verissimo, a escrita traz o preço de “roubar a palavra à sua vulgaridade democrática”, cabe aos
professores, que são aqueles 24__________ é dado levar às gerações a força da linguagem e a
força da cultura reverter o processo e reverter o argumento: cabe-lhes valorizar a democrática
palavra falada, sim, mas sua missão muito particular é vulgarizar democraticamente a palavra
(escrita) dos livros sem tirar-lhes o sortilégio: acreditemos ou não em sortilégios...

Adaptado de: MOURA NEVES, M.H. Introdução. A gramática do português revelada em textos.

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São Paulo: Editora da Unesp, 2018.

6 [ 244101 ]. (Ufrgs 2024) Considere as afirmações abaixo, sobre alternativas de reescrita de


algumas frases do texto, fazendo os ajustes necessários dos sinais de pontuação em cada
caso.

I. O advérbio banalmente (ref. 15) poderia ser deslocado para imediatamente depois de
Homero (ref. 17).
II. O advérbio hoje (ref. 16) poderia ser deslocado para imediatamente depois de chegam (ref.
18).
III. A expressão com certeza (ref. 19) poderia ser deslocada para imediatamente depois de
que (ref. 20).

Quais alterações poderiam ser efetuadas sem acarretar mudança de sentido na frase original?
a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

Resposta:

[B]

As alterações sugeridas em [I] e [III] provocariam mudança de sentido na frase original, pois

[I] a transposição do advérbio “banalmente” para depois de Homero faria com que, ao invés de
caracterizar o modo de comprovação, definiria o modo com que os versos de Homero
chegariam até nós, já que estaria ligado a “chegam”
[III] A colocação da expressão “com certeza” depois de “que” faria com que a expressão
deixasse de estar ligada inicialmente a “cronista”, sujeito da oração, para ficar relacionada
com “tecnologia humana”, sujeito da última oração do parágrafo.

Assim, é correta a opção [B], pois, no excerto “que hoje os versos de Homero nos chegam
somente cravados em folha de papel ou em tela de computador”, o advérbio “hoje” poderia ser
deslocado para depois de “chegam” sem prejuízo do sentido original: “que os versos de
Homero nos chegam, hoje, somente cravados em folha de papel ou em tela de computador”.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha boca.
De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada, custei reconhecer o quarto da nova
casa em que estava morando e não conseguia me lembrar como havia chegado até 1ali. E a
insistente pergunta, 2martelando, martelando... De que cor eram os olhos de minha mãe?
Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso dizer. Entre um afazer e outro, eu
me pegava pensando de que cor seriam os olhos de minha mãe. E o que a princípio tinha sido
um 3mero pensamento interrogativo, naquela noite se transformou em uma dolorosa pergunta
carregada de um tom acusatório. Então, eu não sabia de que cor eram os olhos de minha
mãe?
Sendo 4__________ primeira de sete filhas, desde cedo, busquei dar conta de minhas próprias
dificuldades, cresci 5rápido, passando por uma breve adolescência. Sempre ao lado de minha
mãe aprendi 6__________ conhecê-la. Decifrava o seu silêncio nas horas de dificuldades,
como também sabia reconhecer em seus gestos, prenúncios de possíveis alegrias. Naquele
momento, entretanto, me descobria cheia de culpa, por não recordar de que cor seriam os seus
olhos. Eu achava tudo muito estranho, pois me lembrava nitidamente de vários detalhes do

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Super Professor

corpo dela. Da unha encravada do dedo mindinho do pé esquerdo... Da verruga que se perdia
no meio da cabeleira crespa e bela... Um dia, brincando de pentear boneca, alegria que a mãe
nos dava quando, deixando por uns momentos o lava-lava, o passa-passa das roupagens
alheias, se tornava uma grande boneca negra para as filhas, descobrimos uma bolinha
escondida bem no couro cabeludo dela. Pensamos que fosse carrapato. A mãe cochilava e
uma de minhas irmãs aflita, querendo livrar a boneca-mãe daquele padecer, puxou rápido o
bichinho. A mãe e nós rimos e rimos e rimos de nosso engano. A mãe riu tanto das lágrimas
escorrerem. Mas, de que cor eram os olhos dela?
Eu me lembrava também de algumas histórias da infância de minha mãe. Ela havia nascido em
um lugar perdido no interior de Minas. 7Ali, as crianças andavam nuas até 8bem grandinhas. As
meninas, assim que os seios começavam a brotar, ganhavam roupas antes dos meninos.
9
__________ vezes, as histórias da infância de minha mãe confundiam-se com 10__________
de minha própria infância. Lembro-me de que muitas vezes, quando a mãe cozinhava, da
panela subia cheiro algum. Era como se cozinhasse, 11ali, apenas o nosso desesperado desejo
de 12alimento. E era justamente nos dias de parco ou nenhum alimento que ela mais brincava
com as filhas. Nessas ocasiões a brincadeira preferida era aquela em que a mãe era a
Senhora, a Rainha. Ela se assentava em seu trono, um pequeno banquinho de madeira.
Felizes colhíamos flores cultivadas em um pequeno pedaço de terra que circundava o nosso
barraco. Aquelas flores eram depois solenemente distribuídas 13por seus cabelos, braços e
colo. E diante dela fazíamos reverências à Senhora. Postávamos deitadas no chão e batíamos
cabeça para a Rainha. Nós, princesas, em volta dela, cantávamos, dançávamos, sorríamos. A
mãe só ria, de uma maneira triste e com um sorriso molhado... Mas de que cor eram os olhos
de minha mãe? Eu sabia, desde aquela época, que a mãe inventava esse e outros jogos para
distrair a nossa fome. E a nossa fome se distraía.
De vez em quando, no final da tarde, antes que a noite tomasse conta do tempo, ela se
assentava na soleira da porta e juntas ficávamos contemplando as artes das nuvens no céu.
Umas viravam carneirinhos; outras, cachorrinhos; algumas, 14gigantes adormecidos, e havia
aquelas que eram só nuvens, algodão doce. Tudo tinha de ser muito 15rápido, antes que a
nuvem derretesse e com ela também se esvaecessem 16os nossos sonhos. Mas, de que cor
eram os olhos de minha mãe?

Adaptado de: EVARISTO, C. Olhos d´água. Rio de Janeiro: Pallas, 2016.

7 [ 244107 ]. (Ufrgs 2024) Na coluna I, são feitas afirmações sobre o emprego de palavras no
texto; na coluna II, estão listadas palavras retiradas do texto.

Associe adequadamente as colunas.

COLUNA I

1. Palavra empregada como adjetivo.


2. Palavra empregada como advérbio.
3. Palavra empregada como substantivo.

COLUNA II

( ) mero (ref. 3).


( ) rápido (ref. 5).
( ) bem (ref. 8).
( ) gigantes (ref. 14).
( ) rápido (ref. 15).

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é


a) 3 – 1 – 3 – 1 – 1.
b) 2 – 2 – 1 – 3 – 2.
c) 1 – 2 – 2 – 3 – 1.
d) 1 – 1 – 2 – 3 – 2.
e) 3 – 1 – 3 – 1 – 2.

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Resposta:

[C]

O termo “mero” exerce função de adjetivo (1) por qualificar o substantivo, “rápido” na ref. 5 é
advérbio (2) por designar a forma como decorria a ação expressa no termo verbal “cresci”. O
termo “bem” exerce função morfológica de advérbio (2), por estar ligado ao adjetivo
“grandinhas”. “Gigantes” é palavra usada como substantivo (3). E finalmente “rápido” na ref. 15
é usado como adjetivo, por qualificar o pronome “tudo”.

Assim, é correta a opção [C]: 1 – 2 – 2 – 3 – 1.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:


1
Leia isto. A depender da maneira como a frase acima for falada, ela será entendida
como um pedido, uma ordem ou uma sugestão. Suponha, por exemplo, que ela seja falada por
alguém que acabou de chegar do consultório médico e não consegue decifrar o que está
escrito na receita. Suponha agora que seja falada por um oftalmologista, apontando para a
primeira 2linha de um quadro de letras, durante uma avaliação oftalmológica. Suponha ainda
que seja falada por um amigo, numa livraria, segurando o novo livro de Daniel Galera. Agora
suponha que a pessoa com a receita quer, na verdade, ironizar porque sabe que ninguém vai
entender os rabiscos do médico e que o amigo, fã de Daniel Galera, denuncia com a sugestão
o entusiasmo pelo novo livro. Suponha, por fim, que 3o paciente examinado comece a ler a
segunda linha do quadro e seja interrompido pelo oftalmologista, 4que aponta para a primeira
linha e fala. "Leia ISTO".
Como uma mesma 5combinação de sons consegue expressar sentidos diversos?
Como vimos, a frase que inicia este texto 6pode ser utilizada para realizar diferentes ações (um
pedido ou uma ordem, por exemplo), pode indicar uma atitude (ironia, por exemplo) ou uma
emoção (alegria, entusiasmo, euforia etc.). Também é possível destacar uma das palavras da
frase, de maneira a indicar um contraste (no exemplo, o oftalmologista apontou para o que
estava escrito na primeira linha do quadro, em oposição ao que estava escrito na segunda
linha). 7A frase, escrita como está, não consegue 8sozinha, sem a ajuda de um contexto,
expressar nenhum desses sentidos. Quando falada, sim. Mas que 9propriedades da fala são
responsáveis pela diversidade de sentidos que 10ela é capaz de expressar? Não são
certamente as 11propriedades de cada segmento sonoro individual que formam, em
combinação, as palavras. São propriedades 12que não estão no nível do segmento, mas 13num
nível acima 14dele.
Uma frase como a de nosso exemplo pode ser enunciada mais lenta ou mais
rapidamente. Podemos sobrepor uma duração 15diferenciada a um mesmo grupo de sons.
16
Também é 17possível falar a frase 18bem 19baixinho ou até mesmo gritá-la. É possível então
regular a intensidade de enunciação de um mesmo conjunto de sons. Por fim, também
podemos usar um tom mais grave (grosso) ou mais agudo (fino) para falar uma mesma frase.
Por sua vez, a escrita tenta capturar a entonação de diversas. maneiras. Assim, por
exemplo, temos os sinais de 20pontuação; eles servem para indicar se determinada frase é uma
pergunta ou uma afirmação e também para indicar quando uma frase termina e outra começa
ou quando ela não terminou por completo e ainda há mais por dizer. Na escrita, utilizamos
marcas para explicitar que vamos iniciar uma nova porção do discurso, utilizamos maiúsculas
ou itálicos para indicar ênfase e assim por diante. No entanto, a escrita não consegue
expressar muito do que é possível com a entonação. Comumente temos de indicar
21
expressamente que estamos 22sendo irônicos ou gentis, 23por exemplo, para evitar mal-
entendidos na escrita, O que, mesmo de maneira restrita, indica o modo como um texto deve
ser lido ou compreendido.

Adaptado de: OLIVEIRA JR., M. O que é entonação? In: OTHERO, G. A.; FLORES, V. N. O
que sabemos sobre a linguagem? São Paulo: Parábola, 2022.

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8 [ 224406 ]. (Ufrgs 2023) No bloco superior abaixo, estão listadas palavras retiradas do texto;
no inferior, afirmações sobre a classe gramatical dessas palavras. Associe adequadamente o
bloco superior ao inferior.

( ) linha (ref. 2).


( ) sozinha (ref. 8).
( ) diferenciada (ref. 15).
( ) bem (ref. 18).
( ) baixinho (ref. 19).

1. Palavras que estão sendo empregadas como adjetivos.


2. Palavras que estão sendo empregadas como substantivos.
3. Palavras que estão sendo empregadas como advérbios.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é


a) 2 – 1 – 1 – 3 – 3.
b) 1 – 3 – 3 – 2 – 1.
c) 2 – 3 – 1 – 1 – 2.
d) 1 – 1 – 3 – 3 – 3.
e) 2 – 1 – 3 – 1 – 3.

Resposta:

[A]

No segmento “apontando para a primeira linha de um quadro de letras” o termo linha (ref. 2)
exerce função morfológica de substantivo (2). Em “A frase, escrita como está, não consegue
sozinha”, sozinha (ref. 8) é adjetivo caracterizador de “frase” (1), assim como acontece com
diferenciada (ref. 15) em “Podemos sobrepor uma duração diferenciada”, adjetivo
caracterizador de “duração” (1). Finalmente, em “é possível falar a frase bem baixinho”, o termo
bem (ref. 18) está sendo usado como advérbio de intensidade (3) e baixinho (ref. 19) como
advérbio de modo (3).

Assim, é correta a opção [A]: 2 – 1 – 1 – 3 – 3.

9 [ 224407 ]. (Ufrgs 2023) Assinale a alternativa em que, de acordo com o texto, o primeiro
elemento está corretamente relacionado ao segundo.
a) que (ref. 4) – o paciente (ref. 3).
b) Elipse antes de pode (ref. 6) – combinação de sons (ref. 5).
c) ela (ref. 10) – A frase (ref. 7).
d) que (ref. 12) – propriedades da fala (ref. 9).
e) dele (ref. 14) – num nível (ref. 13).

Resposta:

[C]

As opções [A], [B], [D] e [E] são incorretas, pois

[A] O pronome relativo que (ref. 4) tem como referente “oftalmologista”.


[B] Não existe elipse antes de pode (ref. 6), termo verbal ligado sintaticamente a “frase que

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inicia este texto”.


[D] O pronome relativo que (ref. 12) tem como referente “propriedades”.
[E] dele tem como referente “segmento”.

Assim, é correta apenas [C].

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


Esse delírio que por aí vai pelo futebol 1__________ 2seus 3fundamentos na própria
4
natureza humana. O espetáculo da luta sempre foi o maior encanto do homem; e o prazer da
vitória, pessoal ou do partido, 5foi, 6é e 7será 8a ambrosia dos deuses manipulada na Terra.
Admiramos 9hoje os grandes filósofos gregos, Platão, Sócrates, Aristóteles; 10seus 11coevos,
12
porém, 13admiravam muito mais os atletas que 14venciam no estádio. Milon de Crotona,
15
campeão na arte de torcer pescoços de touros, só para nós tem 16menos importância que
17
seu 18mestre Pitágoras. Para os gregos, para a massa popular grega, seria inconcebível 19a
ideia de que o filósofo pudesse no futuro ofuscar a 20glória do lutador.
Na França, o homem 21hoje mais popular é George Carpentier, mestre em socos de
primeira classe; e, se derem nas massas um balanço sincero, verão que ele sobrepuja em
prestígio aos próprios chefes supremos vencedores da guerra.
Nos Estados Unidos, há 22sempre 23um campeão de 24boxe tão entranhado na idolatria
do povo que está em 25suas 26mãos subverter o 27regime político.
E os delírios 28coletivos provocados pelo combate de dois campeões 29em campo?
30
Impossível assistir-se a espetáculo mais revelador da alma humana que os jogos de futebol.
31
Não é mais esporte, é guerra. Não se batem 32duas equipes, mas dois povos, duas
nações. Durante o tempo da luta, de quarenta a cinquenta mil pessoas deliram em transe,
estáticas, na ponta dos pés, coração aos pulos e nervos tensos como cordas de viola.
33
Conforme corre o jogo, 34__________ pausas de silêncio absoluto na multidão suspensa, ou
deflagrações violentíssimas de entusiasmo, que só a palavra delírio 35classifica. E gente
pacífica, bondosa, incapaz de sentimentos 36exaltados, sai fora de si, torna-se capaz de
cometer os mais 37horrorosos desatinos.
A luta de vinte e duas feras no campo transforma em feras 38os cinquenta mil
espectadores, possibilitando um enfraquecimento mútuo, num conflito horrendo, caso um
incidente qualquer funda em corisco, 39__________ eletricidades psíquicas acumuladas em
cada indivíduo.
O jogo de futebol teve a honra de despertar o nosso povo do marasmo de nervos em
que vivia.

Adaptado de LOBATO, Monteiro. A onda verde. São Paulo: Globo, 2008. p. 119-120.

10 [ 206615 ]. (Ufrgs 2022) Considere as seguintes afirmações.

I. O pronome possessivo seus (ref. 2) expressa uma relação entre fundamentos (ref. 3) e
natureza humana (ref. 4).
II. O pronome possessivo seu (ref. 17) expressa uma relação entre campeão (ref. 15) e
mestre Pitágoras (ref. 18).
III. O pronome possessivo suas (ref. 25) expressa uma relação entre um campeão de boxe
(ref. 23) e mãos (ref. 26).

Quais estão corretas?


a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

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Resposta:

[C]

As proposições [I] e [II] são falsas, pois


[I] o pronome possessivo seus (ref. 2) expressa uma relação entre fundamentos (ref. 3) e
delírio (que por aí vai pelo futebol);
[II] o pronome possessivo seu (ref. 17) expressa uma relação entre campeão (ref. 15) e Milon
de Crotona (ref. 11).

Como [III] é verdadeira, é correta a opção [C].

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


Entre a desordem carnavalesca, que permite e estimula o excesso, e a ordem, que
requer a continência e a disciplina pela obediência estrita às leis, como é que nós, brasileiros,
ficamos? Qual a nossa relação e a nossa atitude para com e diante de uma lei universal que
teoricamente deve valer para todos? Como procedemos diante da norma geral, 1se fomos
criados numa casa onde, desde a mais tenra idade, aprendemos que há sempre 2um modo de
satisfazer nossas vontades e desejos, mesmo que 3isso vá de encontro às normas do bom
senso e da coletividade em geral?
Num livro que escrevi – Carnavais, malandros e heróis –, lancei a tese de que o dilema
brasileiro residia numa 4trágica oscilação entre um esqueleto nacional feito de leis universais
5
cujo 6sujeito era o indivíduo e situações onde 7cada qual se salvava e se despachava como
podia, utilizando para 8isso o seu sistema de relações pessoais. Haveria, 9assim, nessa
colocação, um verdadeiro combate entre as leis que devem valer para todos e as 10relações
que evidentemente só podem funcionar para quem as tem. O resultado é um sistema social
dividido e até mesmo equilibrado entre duas unidades sociais básicas11: o indivíduo (o sujeito
das leis universais que modernizam a sociedade) e a pessoa (o sujeito das relações pessoais,
que conduz ao polo tradicional do sistema). Entre os dois, o coração dos brasileiros balança. E
no meio dos dois, a malandragem, o “jeitinho” e o famoso e antipático “sabe com quem está
falando?” seriam modos de enfrentar essas contradições e paradoxos de modo tipicamente
brasileiro. Ou seja12: fazendo 13uma mediação também pessoal entre a lei, a situação onde 14ela
deveria aplicar-se e as pessoas nela implicadas, de tal sorte que nada se modifique, apenas
ficando a lei um pouco desmoralizada, mas, como ela é insensível e não é gente como nós,
todo mundo fica, como se 15diz, numa boa, e a vida retorna ao seu normal...
16
De fato, como é que reagimos diante de um “proibido estacionar”, “proibido fumar”, ou
diante de uma fila quilométrica? Como é que se faz diante de um requerimento que está
sempre errado? Ou diante de um prazo que já se esgotou e conduz a uma multa automática
que não foi divulgada de modo apropriado pela autoridade pública? Ou de uma taxação injusta
e abusiva?

Adaptado de: DA MATTA, Roberto. O que faz o brasil, Brasil?. Rio de Janeiro: Rocco, 1984. p.
97-99.

11 [ 206625 ]. (Ufrgs 2022) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir.

( ) O pronome isso (ref. 3) se refere ao trecho um modo de satisfazer nossas vontades e


desejos (ref. 2).
( ) O pronome cujo (ref. 5) expressa uma relação de posse entre trágica oscilação (ref. 4) e
sujeito (ref. 6).
( ) O pronome isso (ref. 8) se refere à ideia de cada um se salvar e se despachar como
pode, expressa a partir da referência 7.
( ) O pronome ela (ref. 14) se refere à expressão uma mediação (ref. 13).

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

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a) V – F – F – V.
b) V – F – V – F.
c) F – V – F – V.
d) V – V – V – F.
e) F – V – F – F.

Resposta:

[B]

A segunda e quarta afirmações são falsas, pois


2ª o pronome cujo (ref. 5) expressa uma relação de posse entre um esqueleto nacional feito
de leis universais e sujeito (ref. 6).
4ª O pronome ela (ref. 14) se refere a lei.

Como as demais são verdadeiras, é correta a opção [B].

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


1
As primeiras lições que recebi de aeronáutica foram-me dadas por um grande
visionário: Júlio Verne. De 1888, mais ou menos, a 1891, 2quando parti pela 3primeira vez para
a Europa, li, com 4grande 5interesse, todos os livros 6desse 7grande 8vidente da locomoção
aérea e 9submarina.
Estava 10eu em Paris quando, na véspera de partir para o Brasil, fui, com meu pai,
visitar uma exposição de máquinas no 12desaparecido Palácio da Indústria. Qual não foi o
11

meu 13espanto quando vi, pela primeira vez, um motor a petróleo, da 14força de um cavalo,
muito compacto, e leve, em comparação aos que eu conhecia, e... funcionando! 15Parei diante
dele como que pregado pelo destino. Estava completamente fascinado. Meu pai, 16distraído,
continuou a andar até que, depois de alguns passos, dando pela 17minha falta, voltou,
perguntando-18me o que havia. 19Contei-20lhe a minha admiração de ver funcionar aquele motor,
e ele me respondeu: “Por hoje 21basta”. Aproveitando-me dessas palavras, pedi-lhe licença
para fazer meus estudos em Paris. Continuamos o passeio, e meu pai, como distraído, não me
respondeu. Nessa 22mesma noite, no jantar de despedida, reunida a família, meu pai anunciou
que pretendia fazer-me voltar a Paris para acabar meus estudos. 23Nessa mesma noite corri
vários livreiros; comprei todos os livros que encontrei sobre balões e viagens aéreas.
24
Diante do motor a petróleo, tinha 25sentido a possibilidade de tornar reais as
26
fantasias de Júlio Verne. Ao motor a petróleo devi, 27mais tarde, todo o meu êxito. Tive a
felicidade de ser o primeiro a empregá-lo nos ares.
Uma manhã, em São Paulo, com grande surpresa minha, convidou-28me meu pai a ir à
cidade e, dirigindo-se a um cartório de tabelião, mandou lavrar escritura de minha
emancipação. Tinha 29eu dezoito anos. 30De volta à casa, chamou-me ao escritório e disse-me:
“Já lhe dei 31hoje a liberdade; 32aqui está mais este capital”, e entregou-me títulos no valor de
muitas centenas de contos. “33Tenho ainda alguns anos de vida; quero ver como você se
conduz; vai para Paris, o lugar mais perigoso para um rapaz. Vamos ver se você se faz um
adulto; prefiro que não se 34faça doutor; em Paris, você procurará um especialista em física,
química, mecânica, eletricidade, etc., estude essas matérias e não 35esqueça que o futuro do
mundo está na mecânica”.

Adaptado de DUMONT, Santos. O que eu vi, o que nós veremos. Rio de Janeiro: Hedra, 2016.
Organização de Marcos Villares.

12 [ 192303 ]. (Ufrgs 2020) Assinale a alternativa que apresenta palavras de mesma classe
gramatical.
a) quando (ref. 2) – primeira (ref. 3) – uma (ref. 11) – mais (ref. 27)
b) interesse (ref. 5) – vidente (ref. 8) – espanto (ref. 13) – fantasias (ref. 26)

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c) desse (ref. 6) – eu (ref. 10) – minha (ref. 17) – mesma (ref. 22)
d) submarina (ref. 9) – desaparecido (ref. 12) – distraído (ref. 16) – sentido (ref. 25)
e) força (ref. 14) – basta (ref. 21) – faça (ref. 34) – esqueça (ref. 35)

Resposta:

[B]

Apenas a opção [B] apresenta termos da mesma classe gramatical, substantivos: interesse (ref.
5), vidente (ref. 8), espanto (ref. 13) e fantasias (ref. 26). Respectivamente, em [A], as palavras
exercem função morfológica de conjunção, numeral, artigo e advérbio, em [C], preposição +
pronome, pronome, pronome, pronome, em [D], adjetivo, adjetivo, adjetivo, verbo e em [E],
substantivo, verbo, verbo, verbo.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionadas ao texto abaixo.
1
– Para mim esta é a melhor hora do dia – Ema disse, voltando do quarto dos meninos.
– Com as crianças na cama, a casa fica tão sossegada.
– Só que já é noite – a amiga corrigiu, sem tirar os olhos da revista. Ema agachou-se
para recolher o quebra-cabeça esparramado pelo chão.
– É força de expressão, sua boba. O dia acaba quando eu vou dormir, isto é, o dia tem
vinte quatro horas e a semana tem sete dias, não está certo? – Descobriu um sapato sob a
poltrona. Pegou-o e, quase deitada no tapete, procurou, 2depois, o par _____1_____ dos
outros móveis.
Era bom 3ter uma 4amiga 5experiente. Nem precisa ser da mesma idade – deixou-se
cair no sofá – Bárbara, 6muito mais sábia. Examinou-a a ler: uma linha de luz dourada
7
valorizava o perfil privilegiado. As duas eram tão inseparáveis quanto seus maridos, colegas
de escritório. Até ter filhos juntas conseguiram, 8acreditasse quem quisesse. Tão gostoso,
ambas no hospital. A semelhança física teria 9contribuído para o perfeito entendimento?
“Imaginava que fossem irmãs”, muitos diziam, o que sempre causava satisfação.
10
– O que está se passando nessa cabecinha? – Bárbara estranhou a amiga, só doente
11
pararia quieta. Admirou-a: os 12cabelos soltos, caídos no rosto, escondiam os olhos
_____2_____, azuis ou verdes, conforme o reflexo da roupa. De que cor estariam hoje 13seus
olhos?
Ema aprumou o corpo.
– Pensava que se nós morássemos numa casa grande, vocês e nós...
Bárbara sorriu. Também ela uma vez tivera a 14ideia. – As crianças brigariam o tempo
todo.
15
Novamente a amiga tinha razão. 16Os filhos não se suportavam, discutiam por
qualquer motivo, ciúme doentio de tudo. 17O que sombreava o relacionamento dos casais.
– Pelo menos podíamos morar mais perto, então.
Se o marido estivesse em casa, 18seria obrigada a assistir à televisão, _____3_____,
ele mal chegava, ia ligando o aparelho, ainda que soubesse que ela detestava sentar que nem
múmia diante do aparelho – levantou-se, repelindo a lembrança. Preparou uma jarra de
limonada. _____4_____ todo aquele interesse de Bárbara na revista? Reformulou a pergunta
em voz alta.
– Nada em especial. Uma pesquisa sobre o comportamento das crianças na escola, de
como se modificam 19as personalidades longe dos pais.

Adaptado de: VAN STEEN, Edla. Intimidade. In: MORICONI, Italo (org.) Os cem melhores
contos brasileiros do século. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 440-441.

13 [ 184622 ]. (Ufrgs 2019) O texto apresenta sentimentos de admiração de Ema por sua

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amiga Bárbara. Esses sentimentos transparecem na relação entre palavras.

Assinale a alternativa em que a reunião de advérbios e adjetivo expressa esse sentido de


admiração de Ema por sua amiga.
a) amiga experiente (ref. 4).
b) muito mais sábia (ref. 6).
c) valorizava o perfil privilegiado (ref. 7).
d) cabelos soltos (ref. 12).
e) Novamente [...] tinha razão (ref. 15).

Resposta:

[B]

As opções [A], [C], [D] apresentam, apenas, adjetivos: “experiente”, ”privilegiado” e “soltos”,
respectivamente. Também em [E] é transcrito somente um advérbio: “novamente”. A alternativa
[B] é a única com presença de advérbios e adjetivo que expressam sentido de admiração de
Ema por sua amiga: advérbios de intensidade “muito” e “mais”, e um adjetivo: “sábia”.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionada(s) ao texto abaixo.
1
Recebi consulta de um amigo que tenta 2deslindar segredos da língua para
estrangeiros que querem aprender português. 3Seu problema: “se digo em uma sala de aula:
‘Pessoal, leiam o livro X’, como explicar a concordância? 4Certamente, não se diz 5‘Pessoal,
leia o livro X’".
Pela pergunta, vê-se que não se trata de fornecer regras para corrigir eventuais
problemas de padrão. Trata-se de entender um dado que ocorre regularmente, mas que parece
oferecer alguma dificuldade de análise.
Em primeiro lugar, é óbvio que se trata de um pedido (ou de uma ordem) mais ou
6
menos informal. Caso contrário, não se usaria a expressão “pessoal”, mas talvez “Senhores”
ou “Senhores alunos”.
Em segundo lugar, não se trata da tal concordância ideológica, nem de silepse
(hipóteses previstas pela gramática para explicar concordâncias mais ou menos excepcionais,
que se devem menos a fatores sintáticos e mais aos semânticos; 7exemplos correntes do tipo
“A gente fomos” e “o pessoal gostaram” se explicam por esse critério). Como se pode saber
que não se trata de concordância ideológica ou de silepse? A resposta é que, 8nesses casos, o
verbo se liga ao sujeito em estrutura sem vocativo, diferentemente do que acontece 9aqui. E em
casos como “Pedro, venha cá”, “venha” não se liga a “Pedro”, 10mesmo que pareça que sim,
porque Pedro não é o sujeito.
11
Para tentar formular uma hipótese 12mais clara para o problema apresentado, 13talvez
14
se deva admitir que o sujeito de um verbo pode estar apagado e, mesmo assim, produzir
concordância. O ideal é que se mostre que o fenômeno não ocorre só com ordens ou pedidos,
e nem só quando há vocativo. Vamos por partes: a) 15é normal, em português, haver orações
sem sujeito expresso e, mesmo assim, haver flexão verbal. 16Exemplos 17correntes são frases
como “chegaram e saíram em seguida”, que todos conhecemos das gramáticas; b) sempre que
há um vocativo, em princípio, o sujeito pode não aparecer na frase. É o que ocorre em
“meninos, saiam daqui”; mas o sujeito pode aparecer, pois 18não seria estranha a sequência
“meninos, vocês se comportem”; c) 19se 20forem aceitas as hipóteses a) e b) (diria que são
fatos), não 21seria estranho que a frase “Pessoal, leiam o livro X” pudesse ser tratada como se
sua estrutura fosse “Pessoal, vocês leiam o livro x”. Se a palavra “vocês” não estivesse
apagada, a concordância se explicaria normalmente; d) assim, o problema 22real não é a
concordância entre “pessoal” e “leiam”, mas a passagem de “pessoal” a “vocês”, que não
aparece na superfície da frase.
Este caso é apenas um, dentre tantos outros, que nos obrigariam a considerar na

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análise elementos que parecem não estar 23na frase, mas que atuam como se 24lá estivessem.

Adaptado de: POSSENTI, Sírio. Malcomportadas línguas. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.
p. 85-86.

14 [ 184628 ]. (Ufrgs 2019) Considere os usos de advérbios no texto e assinale com 1 aqueles
em que o advérbio modifica o sentido de apenas uma palavra e com 2 aqueles em que
modifica o sentido de segmentos textuais.

( ) Certamente (ref. 4)
( ) menos (ref. 6)
( ) mais (ref. 12)
( ) talvez (ref. 13)

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é


a) 2 – 1 – 2 – 1.
b) 1 – 1 – 1 – 2.
c) 2 – 1 – 1 – 2.
d) 2 – 2 – 2 – 1.
e) 1 – 2 – 2 – 2.

Resposta:

[C]

Os advérbios “Certamente” (ref. 4) e “talvez” (ref. 13) modificam as orações posteriores:


“Certamente, não se diz e “talvez se deva admitir “. Os advérbios “menos” (ref. 6) e “mais” (ref.
12) modificam apenas uma palavra cada, “informal” e “clara”, respectivamente. Assim, é correta
a opção [C]: 2 – 1 – 1 – 2.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionada(s) ao texto abaixo.

Nada mais importante para chamar a atenção sobre 1uma verdade do que exagerá-la.
2
Mas também, nada mais perigoso, _________ um dia vem 3a 4reação indispensável e 5a
relega injustamente para a categoria do erro, até que se efetue a operação difícil de 6chegar a
um ponto de vista objetivo, sem desfigurá-7la de um lado nem de outro. 8É o que tem ocorrido
com o estudo da relação entre a obra e o seu condicionamento social, que a certa altura
chegou a ser vista como 9chave para compreendê-la, depois foi 10rebaixada como falha de
visão, — e talvez só agora comece a ser proposta nos devidos termos.
11
De fato, antes se procurava mostrar que o valor e o significado de uma obra
dependiam de ela 12exprimir ou não certo aspecto da realidade, e que este aspecto constituía o
que ela tinha de essencial. Depois, chegou-se à posição oposta, procurando-se mostrar que a
matéria de uma obra é secundária, e que a sua importância deriva das operações formais
postas em jogo, conferindo-lhe uma peculiaridade que a torna de fato independente de
13
quaisquer condicionamentos, sobretudo social, considerado inoperante como elemento de
compreensão. 14Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar 15nenhuma
dessas visões _________; e que só a podemos entender fundindo texto e contexto numa
interpretação 16dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que 17explicava
pelos fatores 18externos, quanto o outro, norteado pela 19convicção de que a estrutura é
virtualmente independente, se combinam como momentos 20necessários do processo
interpretativo. Sabemos, ainda, que o 21externo (no caso, o social) importa, não como causa,

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nem como significado, mas como elemento que desempenha certo papel na constituição da
estrutura, tornando-22se, 23portanto, interno.
Neste caso, saímos dos aspectos periféricos da sociologia, ou da história
sociologicamente orientada, para chegar a uma interpretação estética que assimilou a
dimensão social como fator de arte. Quando isto se dá, ocorre o 24paradoxo assinalado
inicialmente: o externo se torna interno e a crítica deixa de ser sociológica, para ser apenas
crítica. Segundo esta ordem de ideias, o ângulo sociológico adquire uma validade maior do que
tinha. Em __________, não pode mais ser imposto como critério único, ou mesmo preferencial,
25
pois a importância de cada fator depende do caso a ser analisado. Uma crítica que se queira
integral deve 26deixar de ser unilateralmente sociológica, psicológica ou 27linguística, para
utilizar livremente os elementos capazes de conduzirem a uma interpretação coerente.

Adaptado de: CANDIDO, Antônio. Literatura e sociedade. 9. ed.


Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006.

15 [ 178395 ]. (Ufrgs 2018) Considere as seguintes afirmações sobre o uso de pronomes no


texto.

I. O pronome a (ref. 5) faz referência à expressão a reação indispensável (ref. 3).


II. A forma pronominal la (ref. 7) faz referência à expressão uma verdade (ref. 1).
III. O pronome se (ref. 22) faz referência à expressão o externo (ref. 21).

Quais das afirmações acima estão corretas?


a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

Resposta:

[D]

[I] Incorreta. O pronome faz referência ao termo “verdade”, a qual seria “relegada (...) a erro”.
[II] Correta. O pronome faz referência à expressão “uma verdade”, a qual não seria
“desfigurada”.
[III] Correta. O pronome se faz referência a “o externo”, o qual tornaria “a si próprio interno”.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


A(s) questão(ões) está(ão) relacionada(s) ao texto abaixo.

_____1_____ me perguntam: quantas palavras uma pessoa sabe? Essa 1é uma


pergunta importante, 2principalmente para quem ensina línguas estrangeiras. Seria muito útil
para quem planeja um curso de francês ou japonês ter uma 3estimativa de quantas palavras um
nativo conhece; e quantas os alunos precisam aprender para usar a língua com certa
facilidade. 4Essas informações seriam preciosas para quem está preparando um manual que
inclua, 5entre outras coisas, um planejamento cuidadoso da introdução 6gradual de vocabulário.
À parte isso, a pergunta tem seu interesse próprio. Uma língua não é apenas composta
de palavras: ela inclui também regras gramaticais e um mundo de outros elementos que
também precisam ser dominados. Mas as palavras são particularmente numerosas, e é notável
como qualquer pessoa, instruída ou não, _____2_____ acesso a esse 7acervo imenso de
informação com facilidade e rapidez. Assim, perguntar quantas palavras uma pessoa sabe é

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parte do problema geral de o que é que uma pessoa tem em sua mente e que _____3_____
permite usar a língua, falando e entendendo.
8
Antes de mais nada, porém, o que é 9uma palavra? 10Ora, 11alguém vai dizer, 12“todo
mundo sabe o que é uma palavra”. Mas não é bem assim. Considere a palavra olho. É muito
claro que isso aí é uma palavra – mas será que olhos é a mesma palavra (só que no plural)?
Ou será outra palavra?
13
Bom, há razões para responder das duas maneiras: é a mesma palavra, porque
significa a mesma coisa (mas com a ideia de plural); e é outra palavra, porque se pronuncia
diferentemente (olhos tem um “s” final que olho não tem, além da 14diferença de timbre das
vogais tônicas). 15Entretanto, a razão 16principal por que 17julgamos que olho e olhos sejam a
mesma palavra é que a relação entre elas é extremamente regular; ou seja, vale não apenas
para esse par, mas para milhares de outros pares de elementos da língua: olho/olhos,
orelha/orelhas, gato/gatos, etc. E, semanticamente, a relação é a mesma em todos os pares: a
forma sem “s” denota um objeto só, a forma com “s” denota mais de um objeto. 18Daí se tira
uma consequência importante: não é preciso aprender e guardar permanentemente na
memória cada caso individual; aprendemos uma regra geral (“19faz-se o plural acrescentando
um “s” ao singular”), e estamos prontos.

Adaptado de: PERINI, Mário A. Semântica lexical. ReVEL, v. 11, n. 20, 2013.

16 [ 178407 ]. (Ufrgs 2018) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas 1, 2 e


3, nessa ordem.
a) Às vezes – têm – lhe
b) Às vezes – tem – lhe
c) As vezes – têm – o
d) Às vezes – tem – o
e) As vezes – têm – lhe

Resposta:

[B]

O locução adverbial de frequência “Às vezes” é grafada com acento indicativo de crase; o
verbo ter, conjugado no plural, apresenta acento diferencial; finalmente, o pronome “lhe” é
objeto indireto do verbo “permitir”.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


A(s) questão(ões) a seguir está(ao) relacionada(s) ao texto abaixo.

É preciso estabelecer uma distinção radical entre um “brasil” escrito com letra
minúscula, nome de um tipo de madeira de lei 1ou de uma feitoria interessada em explorar uma
terra como outra qualquer2, 3e o Brasil que designa um povo, uma 4nação, um conjunto de
valores, escolhas e ideais de vida. O “brasil” com b minúsculo é apenas um objeto sem vida5,
pedaço de coisa que morre e não tem a menor condição de 6se reproduzir como sistema. 7Mas
o Brasil com B maiúsculo é algo muito mais complexo.
Estamos interessados em responder esta pergunta: afinal de contas, o que faz o brasil,
BRASIL? Note-se que se trata de uma pergunta relacional que, tal como faz a própria
sociedade brasileira, quer juntar e não dividir. Queremos, 8isto sim, descobrir como é que eles
se ligam entre 9si10; como é que cada um depende do outro; e 11como os dois formam uma
realidade única que existe concretamente naquilo que chamamos de “12pátria”.
13
Se a condição humana determina que todos os homens devem comer, dormir,
trabalhar, reproduzir-se e rezar, essa determinação não chega ao ponto de especificar também
qual comida ingerir, de que modo produzir e para quantos deuses 14ou espíritos rezar. É

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precisamente aqui, nessa espécie de zona indeterminada, mas necessária, que nascem as
diferenças e, nelas, os estilos, os modos de ser e estar; os “15jeitos” de cada grupo humano.
16
Trata-se, sempre, da questão de identidade.
Como se constrói uma identidade social? Como um povo se transforma em Brasil? 17A
pergunta, 18na sua discreta singeleza, permite descobrir algo muito importante. É que, no meio
de uma multidão de experiências dadas a todos os homens e sociedades, algumas necessárias
à própria sobrevivência – como comer, dormir, morrer, reproduzir-se etc. – outras acidentais ou
históricas –, 19o Brasil ter sido descoberto por portugueses e não por chineses, a geografia do
Brasil ter certas características, falarmos 20português e não 21francês, a família real ter se
transferido para o Brasil no início do século XIX etc. –, cada sociedade (e cada ser humano)
apenas se utiliza de um número limitado de “22coisas” (e de experiências) 23para se construir
como algo único.
24
Nessa perspectiva, a chave para entender a 25sociedade brasileira é uma 26chave
dupla. E, 28para mim, a capacidade relacional — do antigo com o moderno – tipifica e
27

singulariza a sociedade brasileira. Será preciso, 29portanto, discutir o Brasil como uma 30moeda.
Como algo que tem dois lados. 31E mais: como uma realidade que nos tem 32iludido,
precisamente porque 33nunca lhe propusemos esta questão relacional e reveladora: afinal de
contas, como se ligam as duas faces de uma mesma moeda? O que faz o 34brasil, 35Brasil?

Adaptado de: DAMATTA, R. O que faz o brasil, Brasil? A questão da identidade.


In:_____. O que faz o brasil, Brasil? Rio de Janeiro: Rocco, 1986. p. 9-17.

17 [ 169388 ]. (Ufrgs 2017) Considere os seguintes pares de elementos do texto.

I. e (ref.3) e E (ref. 27).


II. ou (ref. 1) e ou (ref. 14).
III. se (ref. 6) e Se (ref. 13).

Em quais pares os dois elementos pertencem à mesma classe gramatical?


a) Apenas I.
b) Apenas III.
c) Apenas I e II.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

Resposta:

[C]

[I] Verdadeiro. Ambas ocorrências indicam conjunção coordenativa aditiva.


[II] Verdadeiro. Ambas ocorrências indicam conjunção coordenativa alternativa.
[III] Falso. A referência 6 é um pronome reflexivo; a 13 é uma conjunção subordinativa
condicional.

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:


A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionadas ao texto abaixo.

Não faz muito que 1temos esta nova TV com controle remoto, 2mas devo dizer que se
trata agora de um instrumento sem 3o qual eu não saberia viver. Passo os dias sentado na
velha poltrona, mudando de um canal para o outro – uma tarefa que antes exigia certa
movimentação, 4mas que agora ficou muito fácil. Estou num canal, não gosto – 5zap, mudo
para outro. 6Eu 7gostaria de ganhar em dólar num mês o número de vezes que você troca de
canal em uma hora, diz minha mãe. 8Trata-se de uma pretensão fantasiosa, 9mas pelo menos
10
indica 11disposição para o humor, admirável nessa mulher.

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Super Professor

12
Sofre minha mãe. Sempre 13sofreu14: infância carente, pai cruel, etc. Mas o seu
sofrimento aumentou muito quando meu pai a deixou. Já faz tempo; foi logo depois que eu
nasci, e estou agora com treze anos. Uma idade em que se vê muita televisão, e em que se
muda de canal constantemente, ainda que minha mãe ache 15isso um absurdo. Da tela, uma
moça sorridente pergunta se o caro telespectador já conhece certo novo sabão em pó. 16Não
conheço nem quero conhecer, de modo que – 17zap – mudo de canal. “Não me abandone,
Mariana, não me abandone18!”. Abandono, sim. Não tenho o menor 19remorso, e agora é um
desenho, que eu já vi duzentas vezes, e – 20zap – um homem 21falando. Um homem, abraçado
_____1_____ guitarra elétrica, fala _____2_____ uma entrevistadora. É um roqueiro. É meio
velho, tem cabelos grisalhos, rugas, falta-lhe um dente. É o meu pai.
É sobre mim que 22ele fala. Você tem um filho, não tem?, pergunta a apresentadora, e
ele, meio 23constrangido – situação pouco admissível para um roqueiro de verdade –, diz que
sim, que tem um filho só que não vê há muito tempo. Hesita um pouco e acrescenta: você
sabe, eu tinha que fazer uma opção, era a família ou o rock. A entrevistadora, porém, insiste
(24é chata, ela): mas o seu filho gosta de rock25? Que você saiba, seu filho gosta de rock26?
Ele se mexe na cadeira; o microfone, preso _____3_____ desbotada camisa, roça-27lhe
o peito, produzindo um desagradável e bem audível rascar. Sua angústia é compreensível; aí
está, num programa local e de baixíssima audiência – e ainda tem de passar pelo vexame de
uma pergunta que o embaraça e à qual não sabe responder. E então ele me olha. 28Vocês
dirão que não, que é para a câmera que ele olha; aparentemente é isso; mas na realidade é a
mim que ele olha, sabe que, em algum lugar, diante de uma tevê, estou a fitar seu rosto
atormentado, as lágrimas me correndo pelo rosto; e no meu olhar ele procura a resposta
_____4_____ pergunta da apresentadora: você gosta de rock? Você gosta de mim? Você me
perdoa? – mas aí comete um engano mortal29: insensivelmente, automaticamente, seus dedos
começam a dedilhar as cordas da guitarra, é o vício do velho roqueiro. Seu rosto se ilumina e
30
ele vai dizer que sim, que seu filho ama o rock tanto quanto ele, mas nesse momento – 31zap
– aciono o controle remoto e ele some. 32Em seu lugar, uma bela e sorridente jovem que está –
à exceção do pequeno relógio que usa no pulso – nua, completamente nua.

Adaptado de: SCLIAR, M. Zap. In: MORICONI, Í. (Org.) Os cem melhores contos brasileiros.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 547-548.

18 [ 169396 ]. (Ufrgs 2017) Assinale a alternativa que estabelece uma relação correta entre um
pronome ou expressão e aquilo a que se refere no texto.
a) o qual (ref. 3) – um instrumento
b) isso (ref. 15) – sofrimento da mãe do personagem
c) ele (ref. 22) – velho
d) lhe (ref. 27) – camisa
e) seu lugar (ref. 32) – lugar do rock

Resposta:

[A]

[A] Correto. Em “se trata agora de um instrumento sem o qual eu não saberia viver”, o pronome
“o qual” retoma “um instrumento”.
[B] Incorreto. Em “Uma idade em que se vê muita televisão, e em que se muda de canal
constantemente, ainda que minha mãe ache isso um absurdo”, o pronome demonstrativo
“isso” retoma as ações de ver televisão e mudar de canal.
[C] Incorreto. Em “É sobre mim que ele fala”, o pronome pessoal do caso reto “ele” retoma “É o
meu pai”.
[D] Incorreto. Em “roça-lhe o peito”, o pronome pessoal do caso oblíquo “lhe” tem valor de
pronome possessivo, o qual pode ser substituído, mantendo-se o sentido e a correção da
oração”, por “seu”.
[E] Incorreto. Em “Em seu lugar, uma bela e sorridente jovem que está – à exceção do pequeno
relógio que usa no pulso – nua, completamente nua”, o pronome possessivo “seu” faz

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referência ao pai do narrador.

19 [ 169397 ]. (Ufrgs 2017) Considere as seguintes afirmações sobre o sentido de passagens


no texto.

I. Os usos de mas (ref. 2, 4 e 9) assinalam as dúvidas do narrador-personagem,


respectivamente, sobre o uso da televisão, sobre as mudanças de canais e sobre as opiniões
de sua mãe.
II. A forma zap (ref. 5, 17, 20 e 31) remete ao movimento de troca de canal com controle
remoto.
III. A passagem é chata, ela entre parênteses, na referência 24, revela o fato de o pai do
narrador-personagem considerar a entrevistadora insistente.

Quais estão corretas?


a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

Resposta:

[B]

[I] Falso. A referência 2 indica oposição entre o curto tempo em que a família possui televisão e
a necessidade que se criou pelo controle remoto; a referência 4 indica oposição entre a
movimentação para mudar canal da televisão e a atual facilidade; finalmente, a referência 9
indica oposição entre a pretensão fantasiosa e a disposição para o humor.
[II] Verdadeiro. “Zap” é uma onomatopeia que remete ao som relacionado à mudança de canal
da televisão.
[III] Falso. A afirmação é feita pelo narrador, não pelo pai do garoto.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionada(s) ao texto abaixo.

Muita gente que ouve a expressão “políticas linguísticas” pela primeira vez pensa em
algo 1solene, formal, oficial, em leis e portarias, em autoridades oficiais, e pode ficar se
perguntando o que seriam leis sobre línguas. De fato, há leis sobre línguas, mas as 2políticas
linguísticas também podem ser menos 3formais – e nem passar por leis propriamente ditas. Em
quase todos os casos, figuram no cotidiano, 4pois envolvem não só a gestão da linguagem,
mas também as práticas de linguagem, e as crenças e valores que circulam a respeito 5delas.
Tome, por exemplo, a situação do 6cidadão das classes confortáveis brasileiras, que quer que a
escola ensine a norma culta da língua portuguesa. 7Ele folga em saber que se vai exigir isso
dos candidatos às vagas para o ensino superior, mas nem sempre observa ou exige o mesmo
padrão culto, por exemplo, na ata de condomínio, que ele aprova como está, 8desapegada da
ortografia e das regras de concordância verbais e nominais 9preconizadas pela gramática
normativa. Ele acha ótimo que a escola dos filhos faça 10baterias de exercícios para fixar as
normas ortográficas, mas pouco se incomoda com os problemas de redação nos enunciados
das tarefas dirigidas às crianças ou nos textos de comunicação da escola dirigidos à
comunidade escolar. Essas são políticas linguísticas. 11Afinal, onde há gente, há grupos de
pessoas que falam línguas. Em cada um desses grupos, há decisões, 12tácitas ou explícitas,
sobre como proceder, sobre o que é aceitável ou não, e por aí afora. Vamos chamar essas

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escolhas – 13assim como 14as discussões que levam até 15elas e as ações que delas resultam –
de políticas. Esses grupos, pequenos ou grandes, de pessoas tratam com outros grupos, que
por sua vez usam línguas e têm as suas políticas internas. Vivendo imersos em linguagem e
tendo constantemente que lidar com outros indivíduos e outros grupos mediante o uso da
linguagem, não surpreende que os recursos de linguagem lá pelas tantas se tornem, eles
próprios, tema de política e objetos de políticas explícitas. Como 16esses recursos podem ou
devem se apresentar? Que funções eles podem ou devem ter? Quem pode ou deve ter acesso
a 17eles? Muito do que fazemos, 18portanto, diz respeito às políticas linguísticas.

Adaptado de: GARCEZ, P. M.; SCHULZ, L. Do que tratam as políticas linguísticas.


ReVEL, v. 14, n. 26, 2016.

20 [ 169406 ]. (Ufrgs 2017) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo,


acerca das relações referenciais no texto.

( ) delas (ref. 5) retoma políticas linguísticas (ref. 2).


( ) Ele (ref. 7) retoma cidadão das classes confortáveis brasileiras (ref. 6).
( ) elas (ref.15) retoma as discussões (ref. 14).
( ) eles (ref. 17) retoma esses recursos (ref. 16).

A alternativa que preenche corretamente os parênteses, de cima para baixo, é


a) F – V – F – V.
b) F – V – F – F.
c) F – F – V – V.
d) V – F – V – F.
e) V – V – F – V.

Resposta:

[A]

Falsa. Em “Em quase todos os casos, figuram no cotidiano, pois envolvem não só a gestão da
linguagem, mas também as práticas de linguagem, e as crenças e valores que circulam a
respeito delas”, “delas” faz referência a “práticas de linguagem”, e não “políticas linguísticas”.
Verdadeira. Em “Tome, por exemplo, a situação do cidadão das classes confortáveis
brasileiras, que quer que a escola ensine a norma culta da língua portuguesa. Ele folga em
saber que se vai exigir isso dos candidatos às vagas para o ensino superior, mas nem sempre
observa ou exige o mesmo padrão culto (...), o pronome “ele” retoma “cidadão das classes
confortáveis brasileiras”.
Falsa. Em “Vamos chamar essas escolhas – assim como as discussões que levam até elas e
as ações que delas resultam – de políticas”, o pronome “elas” retoma “essas escolhas”.
Verdadeira. Em “Como esses recursos podem ou devem se apresentar? Que funções eles
podem ou devem ter? Quem pode ou deve ter acesso a eles?”, o pronome “eles” retoma a
expressão “esses recursos”.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


A(s) questão(ões) a seguir estão relacionadas ao texto abaixo.

Quando a 1economia 2política clássica nasceu, no Reino Unido e na França, ao final do


século XVIII e início do século XIX, a questão da distribuição da renda já se encontrava no
centro de todas as análises. Estava claro que 3transformações radicais entraram em curso,
propelidas pelo crescimento 4demográfico sustentado – inédito até então – e pelo início do

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êxodo rural e da Revolução Industrial. Quais seriam as consequências sociais dessas


mudanças?
Para Thomas Malthus, que 5publicou em 1798 seu Ensaio sobre o princípio da
população, não restava dúvida: a superpopulação era uma ameaça. Preocupava-se
especialmente com a situação dos franceses vésperas da Revolução de 1789,
quando havia miséria generalizada no campo. 6Na época, a França era 7de longe o país mais
populoso da Europa: por volta de 1700, já contava com mais de 20 milhões de habitantes,
enquanto o Reino Unido tinha pouco mais de 8 milhões de pessoas. A 8população francesa se
expandiu em ritmo crescente ao longo do século XVIII, aproximando-se dos 30 milhões. Tudo
leva a crer que esse 9dinamismo demográfico, desconhecido nos séculos anteriores, contribuiu
para a 10estagnação dos salários no campo e para o aumento dos rendimentos associados à
11
propriedade da terra, sendo, portanto, um dos fatores que levaram Revolução
Francesa. 12Para evitar que torvelinho 13similar vitimasse o Reino Unido, Malthus argumentou
que 14toda assistência aos 15pobres deveria ser suspensa de imediato e a taxa de natalidade
deveria ser severamente controlada.
Já David Ricardo, que publicou em 1817 os seus Princípios de economia política e
tributação, preocupava-se com a 16evolução do preço da terra. Se o crescimento da população
e, 17consequentemente, da produção agrícola se prolongasse, a terra tenderia a se 18tornar
escassa. De acordo com a lei da oferta e da procura, o preço do bem escasso – a terra –
deveria subir de modo contínuo. No limite, 19os donos da terra receberiam uma parte cada vez
mais significativa da renda nacional, e o 20restante da população, uma parte cada vez mais
reduzida, 21destruindo o equilíbrio social. De fato, 22o valor da terra permaneceu alto por algum
tempo, mas, ao longo de século XIX, caiu em relação outras formas de riqueza, à
medida que diminuía o peso da agricultura na renda das nações. 23Escrevendo nos anos de
1810, Ricardo não poderia antever a importância que o progresso tecnológico e o crescimento
industrial teriam ao longo das décadas seguintes para a evolução da distribuição da renda.

Adaptado de: PIKETTY, T. O Capital no Século XXI. Trad. de M. B. de Bolle. Rio de Janeiro:
Intrínseca, 2014. p.11-13.

21 [ 156350 ]. (Ufrgs 2016) Geralmente, substantivos denotam seres ou coisas. Às vezes, no


entanto, podem denotar ação ou processo. Assinale a alternativa que contém um substantivo
que, no texto, denota processo.
a) economia (ref. 1)
b) estagnação (ref.10)
c) similar (ref. 13)
d) tornar (ref. 18)
e) restante (ref. 20)

Resposta:

[B]

Na alternativa [A], o substantivo “economia” refere-se a um ramo da ciência e não a um


processo.
A alternativa [C] está incorreta, porque “similar” é utilizado como adjetivo de “torvelinho”.
Também está incorreta a alternativa [D], pois “tornar” é um verbo.
E é falsa a alternativa [E], já que “restante” nesse caso é aplicado à “população”, portanto, não
se refere a um processo.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


A(s) questão(ões) a seguir estão relacionada(s) ao texto abaixo.

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Super Professor

4
À porta do Grande Hotel, pelas duas da tarde, 14Chagas e Silva 6postava-se de palito à
boca, como 19se tivesse descido do restaurante lá de cima. Poderia parecer, pela estampa, que
somente ali se comesse bem em Porto Alegre. 8Longe 21disso! A Rua da Praia que 23o diga, ou
22
melhor, que o dissesse. 24O faz de conta do 7inefável personagem 5ligava-se mais à
25
importância, à moldura que aquele portal lhe conferia. 15Ele, que tanto marcou a rua, tinha
27
franco acesso às poltronas do saguão em que se refestelavam os importantes. Andava
28
dentro de um velho fraque, usava gravata, chapéu, bengala sob o braço, barba curta, polainas
e 10uns olhinhos apertados na 1_________ bronzeada. O charuto apagado na boca, para durar
bastante, 29era o 9toque final dessa composição de pardavasco vindo das Alagoas.
Chagas e Silva chegou a Porto Alegre em 1928. 16Fixou-20se na Rua da Praia, que
percorria com passos lentos, carregando um ar de 12indecifrável importância, tão ao jeito dos
grandes de então. 17Os estudantes tomaram conta dele. Improvisaram comícios na praça,
carregando-o nos braços e 11fazendo-o discursar. Dava discretas mordidas 33e consentia em
que lhe pagassem o cafezinho. Mandava imprimir sonetos, que "trocava" por dinheiro.
Não era de meu propósito 31ocupar-me do "doutor" Chagas 34e, sim, de como se comia
bem na Rua da Praia de antigamente. Mas ele como que me puxou pela manga e levou-me a
visitar casas por onde sua imaginação de longe esvoaçava.
Porto Alegre, sortida por tradicionais armazéns de especialidades, 30dispunha da
melhor matéria-prima para as casas de pasto. 18Essas casas punham ao alcance dos gourmets
virtuosíssimos "secos e molhados" vindos de Portugal, da Itália, da França e da Alemanha. Daí
um longo e 2________ período de boa comida, para regalo dos homens de espírito e dos que
eram mais estômago que outra coisa.
Na arte de comer bem, talvez a 26dificuldade fosse a da escolha. Para qualquer lado
que o passante se virasse, encontraria salões ornamentados 3_________ maiores ou menores,
tabernas 35ou simples tascas. A Cidade 32divertia-se também 13pela barriga.

Adaptado de: RUSCHEl, Nilo. Rua da Praia. Porto Alegre: Editora da Cidade, 2009. p. 110-111.

22 [ 137979 ]. (Ufrgs 2015) Assinale, entre as alternativas a seguir, a que apresenta palavras
pertencentes à mesma classe gramatical.
a) se (ref. 19) e se (ref. 20)
b) disso (ref. 21) e melhor (ref. 22)
c) o (ref. 23) e 0 (ref. 24)
d) importânda (ref. 25) e dificuldade (ref. 26)
e) franco (ref. 27) e dentro (ref. 28)

Resposta:

[D]

[A] Incorreta. Na referência 19 (“como 19se tivesse descido do restaurante lá de cima”), “se” é
conjunção condicional; na 20 (“Fixou-20se na Rua da Praia”), “se” é pronome reflexivo.
[B] Incorreta. Na referência 21 (“Longe 21disso!”), “disso” é uma contração entre preposição e
pronome demonstrativo; na 22 (“ou 22melhor”), “melhor” é adjetivo.
[C] Incorreta. Na referência 23 (“A Rua da Praia que 23o diga”), “o” é um pronome pessoal do
caso oblíquo, retomando a expressão “Longe disso!”; na referência 24, (“24O faz de conta do
inefável personagem”), “o” é um artigo definido.
[D] Correta. Tanto na referência 25 (“O faz de conta do inefável personagem ligava-se mais à
25
importância”) quanto na 26 (“talvez a 26dificuldade fosse a da escolha”), as palavras
destacadas, respectivamente importância e dificuldade, são substantivos, sendo a primeira
núcleo do objeto indireto e a segunda, núcleo do sujeito.
[E] Incorreta. Na referência 27 (“tinha 27franco acesso”), “franco” é um adjetivo; na referência 28
(“Andava 28dentro de um velho fraque”), “dentro” é um advérbio de lugar.

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Super Professor

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:


A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionada(s) ao texto abaixo.
1
Hoje os conhecimentos se estruturam de modo 3fragmentado, 4separado,
5
compartimentado nas disciplinas. 8Essa situação impede uma visão global, uma visão
fundamental e uma visão complexa. 13"Complexidade" vem da palavra latina complexus, que
significa a compreensão dos elementos no seu conjunto.
As disciplinas costumam excluir tudo o que se encontra fora do 9seu campo de
especialização. A literatura, no entanto, é uma área que se situa na inclusão de todas as
dimensões humanas. Nada do humano 10lhe é estranho, 6estrangeiro.
A literatura e o teatro são desenvolvidos como meios de expressão, meios de
conhecimento, meios de compreensão da 14complexidade humana. Assim, podemos ver o
primeiro modo de inclusão da literatura: a inclusão da 15complexidade humana. E vamos ver
ainda outras inclusões: a inclusão da personalidade humana, a inclusão da subjetividade
humana, e, também, muito importante, a inclusão; do estrangeiro, do marginalizado, do infeliz,
de todos que ignoramos e desprezamos na vida cotidiana.
A inclusão da 16complexidade humana é necessária porque recebemos uma visão
mutilada do humano. 11Essa visão, a de homo sapiens, é uma 17definição do homem pela
razão; de homo faber20, do homem como trabalhador; de homo economicus21, movido por
lucros econômicos. Em resumo, trata-se de uma visão prosaica, mutilada, 12que esquece o
principal22: a relação do sapiens/demens, da razão com a demência, com a loucura.
Na literatura, encontra-se a inclusão dos problemas humanos mais terríveis, coisas
18
insuportáveis que nela se tornam suportáveis. Harold Bloom escreve: 24"Todas as 25grandes
obras revelam a universalidade humana através de destinos singulares, de situações
singulares, de épocas singulares". É essa a razão por que as 19obras-primas atravessam
7
séculos, sociedades e nações.
2
Agora chegamos à parte mais humana da inclusão: a inclusão do outro para a
compreensão humana. A compreensão nos torna mais generosos com relação ao outro23, e o
criminoso não é unicamente mais visto como criminoso, 26como o Raskolnikov de Dostoiévsky,
como o Padrinho de Copolla.
A literatura, o teatro e o cinema são os melhores meios de compreensão e de inclusão
do outro. Mas a compreensão se torna provisória, esquecemo-nos depois da leitura, da peça e
do filme. Então essa compreensão é que deveria ser introduzida e desenvolvida em nossa vida
pessoal e social, porque serviria para melhorar as relações humanas, para melhorar a vida
social.

Adaptado de: MORIN, Edgar. A inclusão: verdade da literatura. In: RÕSING, Tânia et ai. Edgar
Morin: religando fronteiras. Passo Fundo: UPF, 2004. p.13-18

23 [ 137984 ]. (Ufrgs 2015) Considere as seguintes afirmações referentes às marcas de


pessoa e de tempo no texto.

I. O emprego de primeira pessoa do plural, em referência exclusiva ao autor, produz um efeito


de neutralidade.
II. O emprego do advérbio Hoje (ref. 1) permite inferir que a argumentação proposta não é
válida para todo e qualquer tempo.
III. O advérbio Agora (ref. 2) sinaliza a progressão dos argumentos apresentados no texto.

Quais estão corretas?


a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e II.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

Resposta:

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Super Professor

[D]

[I] Falso. O emprego de primeira pessoa do plural (por exemplo, “Assim, podemos ver o
primeiro modo de inclusão da literatura: a inclusão da 15complexidade humana”.) não é uma
referência exclusiva ao autor, mas sim aos seres humanos.
[II] Verdadeiro. O dêitico “Hoje”, em “1Hoje os conhecimentos se estruturam de modo
fragmentado, separado, compartimentado nas disciplinas.”, sinaliza a contemporaneidade
da afirmação.
[III] Verdadeiro. Ao ler o texto, percebe-se a preocupação do autor em articular seus
argumentos: a necessária inclusão da complexidade humana, posto termos contato com o
conhecimento de modo fragmentado; o fato de a literatura cumprir tal tarefa, posto permitir
que o insuportável ao ser humano se torne suportável; e, finalmente, o último argumento,
marcado pelo advérbio “agora”: “a inclusão do outro para a compreensão humana”.

24 [ 137986 ]. (Ufrgs 2015) Assinale a alternativa em que se estabelece uma relação correta
entre uma expressão e aquilo a que se refere.
a) Essa situação (ref. 8) - a existência das disciplinas.
b) seu campo (ref. 9) - o campo das disciplinas.
c) lhe (ref. 10) - nada.
d) Essa visão (ref. 11) - a complexidade humana.
e) que (ref. 12) - mutilada.

Resposta:

[B]

[A] Incorreta. “Essa situação” refere-se ao período anterior, “Hoje os conhecimentos se


estruturam de modo fragmentado, separado, compartimentado nas disciplinas”.
[B] Correta. “Seu campo” retoma o início do período (“As disciplinas costumam excluir tudo o
que se encontra fora do 9seu campo de especialização”), portanto se refere ao campo das
disciplinas.
[C] Incorreta. O pronome “lhe” refere-se ao período anterior, em específico “à literatura”: “A
literatura, no entanto, é uma área que se situa na inclusão de todas as dimensões humanas.
Nada do humano lhe é estranho, estrangeiro”.
[D] Incorreta. “Essa visão” refere-se ao trecho subsequente, explicitada pelo aposto “a de homo
sapiens”, como é possível verificar em “Essa visão, a de homo sapiens, é uma definição do
homem pela razão”.
[E] Incorreta. O pronome relativo “que” faz referência ao termo “visão” e não ao adjetivo
“mutilada”, como se percebe em “Em resumo, trata-se de uma visão prosaica, mutilada, que
esquece o principal”.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


O que havia de tão revolucionário na Revolução Francesa? Soberania popular,
liberdade civil, igualdade perante a lei – 1as palavras hoje são ditas com tanta facilidade que
somos incapazes de imaginar seu caráter explosivo em 1789. Para os franceses do Antigo
Regime, 6os homens eram 8desiguais, e a desigualdade era uma boa coisa, adequada à ordem
hierárquica que 2fora posta na natureza pela própria obra de Deus. A liberdade significava
privilégio – isto é, literalmente, 12“lei privada”, uma prerrogativa 13especial para fazer algo
negado a outras pessoas. O rei, como fonte de toda a lei, distribuía privilégios, 3pois havia sido
19
ungido como 16o agente de Deus na terra.

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Super Professor

Durante todo 17o século XVIII, os filósofos do Iluminismo questionaram esses


9
pressupostos, e os panfletistas profissionais conseguiram 14empanar 20a aura sagrada da
coroa. Contudo, a desmontagem do quadro mental do Antigo Regime demandou violência
iconoclasta, destruidora do mundo, revolucionária.
7
Seria ótimo se pudéssemos associar 18a Revolução exclusivamente à Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão, mas ela nasceu na violência e imprimiu seus princípios em
um mundo violento. Os conquistadores da Bastilha 24não se limitaram a destruir 21um símbolo
do despotismo real. 4Entre eles, 150 foram mortos ou feridos no assalto à prisão e, quando os
sobreviventes apanharam o diretor, cortaram sua cabeça e desfilaram-na por 25Paris 22na ponta
de uma lança.
Como podemos captar esses momentos de loucura, quando tudo parecia possível e o
mundo se afigurava como uma tábula rasa, apagada por uma onda de comoção popular e
pronta para ser redesenhada? Parece incrível que um povo inteiro fosse capaz de se levantar e
transformar as condições da vida cotidiana. Duzentos anos de experiências com admiráveis
mundos 26novos tornaram-nos 15céticos quanto ao 10planejamento social. 27Retrospectivamente,
a Revolução pode parecer um 23prelúdio ao 11totalitarismo.
Pode ser. Mas um excesso de visão 28histórica retrospectiva pode distorcer o
panorama de 1789. Os revolucionários franceses não eram nossos contemporâneos. E eram
um conjunto de pessoas não excepcionais em circunstâncias excepcionais. Quando as coisas
se 29desintegraram, eles reagiram a uma necessidade imperiosa de dar-lhes sentido,
ordenando a sociedade segundo novos princípios. Esses princípios ainda permanecem como
uma denúncia da tirania e da injustiça. 5Afinal, em que estava empenhada a Revolução
Francesa? Liberdade, igualdade, fraternidade.

Adaptado de: DARNTON, Robert. O beijo de Lamourette. In: ____. O beijo de Lamourette:
mídia, cultura e revolução. São Paulo: Cia. das Letras, 2010. p. 30-39.

25 [ 132615 ]. (Ufrgs 2014) Considere as seguintes ocorrências de artigo no texto.

I. O artigo definido na referência 16.


II. O artigo definido singular na referência 17.
III. O artigo definido na referência 18.

Quais poderiam ser omitidos, preservando a correção de seus contextos?


a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas III.
d) Apenas I e II.
e) I, II e III.

Resposta:

[A]

Apenas na expressão “o agente de Deus na terra”, referida na alternativa [A], poderia ocorrer a
omissão do artigo sem prejuízo de sentido. Na expressão “Durante todo o século XVIII”,
ocorreria mudança de significado (de inteiro para qualquer) e, em “se pudéssemos associar a
Revolução exclusivamente à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, conferiria um
caráter genérico à afirmação e não especificamente a Revolução Francesa.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

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Super Professor

O menino sentado à minha frente é meu irmão, assim me disseram; e bem pode ser
verdade, ele regula pelos dezessete anos, justamente o tempo em que estive solto no mundo,
sem contato 5nem notícia.
A princípio quero tratá-lo como intruso, mostrar-lhe 1__________ minha hostilidade,
não abertamente para não chocá-lo, 11mas de maneira a não lhe deixar dúvida, como se lhe
6
perguntasse com todas as letras 18: que direito tem você de estar aqui na intimidade de minha
família, entrando nos nossos segredos mais íntimos, dormindo na cama onde eu dormi, lendo
meus velhos livros, talvez sorrindo das minhas anotações à margem, tratando meu pai com
intimidade, talvez discutindo a minha conduta, talvez até criticando-a? 12Mas depois vou
notando que ele não é totalmente estranho. De repente fere-me 2__________ ideia de que o
intruso talvez 7seja eu, que ele 8tenha mais direito de hostilizar-me do que eu a ele 19, que vive
nesta casa há dezessete anos. O intruso sou eu, não ele.
Ao pensar nisso vem-me o desejo urgente de entendê-lo e de ficar amigo. Faço-lhe
21
perguntas e noto a sua avidez em respondê-las, 13mas logo vejo a inutilidade de prosseguir
nesse caminho, 22as perguntas parecem-me formais e 23as respostas forçadas e complacentes.
Tenho tanta coisa a dizer, mas não sei como começar, até a minha voz parece ter
perdido a naturalidade. Ele me olha 20, e vejo que está me examinando, procurando decidir se
devo ser tratado como irmão ou como estranho, e imagino que as suas dificuldades não devem
ser menores do que as minhas. 24Ele me pergunta se eu moro em uma casa grande, com
muitos quartos, e antes de responder procuro descobrir o motivo da pergunta. 25Por que falar
em casa? 14E qual a importância de 9muitos quartos? Causarei inveja nele se responder que
sim? 26Não, não tenho casa, há 10muitos anos que tenho morado em hotel. Ele me olha, parece
que fascinado, diz que deve ser bom viver em hotel, 15e conta que, toda vez que faz reparos
3
__________ comida, mamãe diz que ele deve ir para um hotel, onde pode reclamar e exigir.
De repente o fascínio se transforma em alarme, 16e ele observa que se eu vivo em hotel não
posso ter um cão em minha companhia, o jornal disse uma vez que um homem foi processado
por ter um cão em um quarto de hotel. Confirmo 4__________ proibição. Ele suspira 17e diz que
então não viveria em um hotel nem de graça.

Adaptado de: VEIGA, José J. Entre irmãos. In: MORICONI, Ítalo M. Os Cem Melhores Contos
Brasileiros do Século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 186-189.

26 [ 132641 ]. (Ufrgs 2014) Considere as afirmações abaixo, sobre os usos de e e mas no


texto.

I. Nas referências 11, 12 e 13, a conjunção mas tem o papel de mostrar, por meio de oposições
de sentido, os conflitos do narrador-personagem.
II. Na referência 14, a conjunção E funciona como um articulador das dúvidas do irmão do
narrador-personagem sobre o motivo da pergunta.
III. Nas referências 15, 16 e 17, a conjunção e, além de estabelecer relação aditiva entre
orações de idêntica função, também sinaliza a mudança de ações na narrativa.

Quais estão corretas?


a) Apenas I.
b) Apenas II.
c) Apenas I e III.
d) Apenas II e III.
e) I, II e III.

Resposta:

[C]

É incorreta a afirmação do item [II], pois o trecho “E qual a importância de muitos quartos?
Causarei inveja nele se responder que sim?” revela ao leitor as dúvidas do próprio narrador-
personagem e não as do seu irmão. Todas as demais são corretas: [C].

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Super Professor

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:


Entre as situações linguísticas que o português já viveu em seu contato com outras
línguas, cabe considerar uma situação que se realiza em nossos dias: 4aquela em que ele é
uma língua de emigrantes. 9Para o leitor brasileiro, 18soará talvez estranho que falemos 5aqui
do português como uma língua de EMIGRANTES, pois o Brasil foi antes de mais nada um país
para 6o qual se dirigiam em massa, durante mais de dois séculos, pessoas nascidas em vários
países europeus e asiáticos; assim, para a maioria dos brasileiros, a 19representação mais
natural é a da convivência no Brasil com IMIGRANTES vindos de outros países. Sabemos,
10
entretanto, que, nos últimos cem anos, muitos falantes do português foram buscar melhores
condições de vida, 11partindo não só de Portugal para o Brasil, mas 12também desses dois
países para a América do Norte 13e para vários países da Europa: em certo momento, na
década de 1970, viviam na região parisiense mais de um milhão de portugueses – uma
população superior 21à 7que tinha então a cidade de Lisboa. Do Brasil, têm 1__________ nas
últimas décadas muitos jovens e trabalhadores, 20dirigindo-se aos quatro cantos do mundo.
A existência de comunidades de imigrantes é sempre uma situação delicada 22para os
próprios imigrantes e 23para o país que os recebeu: 14normalmente, os imigrantes vão a países
que têm interesse em 15usar sua força de trabalho, mas qualquer oscilação na economia faz
24
com que os nativos 2__________ 8sua presença como indesejável; as diferenças na cultura e
na fala podem alimentar preconceitos e desencadear problemas reais de diferentes ordens.
16
Em geral, proteger a cultura e a língua do imigrante não 17é um objetivo prioritário dos
países hospedeiros, mas no caso do português tem havido 3__________. Em certo momento, o
português foi uma das línguas estrangeiras mais estudadas na França; e, em algumas cidades
do Canadá e dos Estados Unidos, um mínimo de vida associativa tem garantido a
sobrevivência de jornais editados em português, mantidos pelas próprias comunidades de
origem portuguesa e brasileira.

Adaptado de: ILARI, Rodolfo; BASSO, Renato. O português como língua de emigrantes. In:___.
O português da gente: a língua que estudamos a língua que falamos. São Paulo: Contexto,
2006. p. 42-43.

27 [ 132647 ]. (Ufrgs 2014) Assinale a alternativa em que se estabelece uma relação correta
entre uma expressão e aquilo a que se refere.
a) aquela (ref. 4) – língua
b) aqui (ref. 5) – Brasil
c) o qual (ref. 6) – Brasil
d) que (ref. 7) – cidade de Lisboa
e) sua presença (ref. 8) – presença dos imigrantes

Resposta:

[E]

As alternativas [A], [B], [C] e [D] são incorretas, pois em


[A] a expressão “aquela” refere-se a “situação linguística”;
[B] o advérbio “aqui” refere-se ao espaço do próprio texto;
[C] “o qual” refere-se a “país”;
[D] o pronome relativo “que” tem como referente o termo “à” (fusão da preposição “a” com o
pronome demonstrativo “a”) e que, por sua vez, está associado ao termo “população”.

Assim, é correta apenas [E], pois a expressão “sua presença” estabelece relação com
“presença dos imigrantes”.

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Super Professor

TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES:


Homem no Mar

Rubem Braga

De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que
resplende ao sol. O vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas,
pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e
humildes; perto da terra a onda é verde.
Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma
certa distância da praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e
as pequenas espumas que nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo:
espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e vento e luz, e o
homem tem sua carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo a transportar na água.
Ele usa os músculos com uma calma energia; avança. Certamente não suspeita que um
desconhecido o vê e o admira porque ele está nadando em uma praia deserta. Não sei de onde
vem essa admiração, mas encontro nesse homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com
ele, acompanho o seu esforço solitário como se ele estivesse cumprindo uma bela missão. Já
nadou em minha presença uns trezentos metros; antes, não sei, duas vezes o perdi de vista,
quando ele passou atrás das árvores, mas esperei com toda confiança que reaparecesse sua
cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais uns cinquenta metros, e o perderei de
vista, pois um telhado o esconderá. Que ele nade bem esses cinquenta ou sessenta metros,
isto me parece importante, é preciso que conserve a mesma batida de sua braçada, que eu o
veja desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento,
sereno. Será perfeito; a imagem desse homem me faz bem.
É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os
traços de sua cara. Estou solitário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele atinja o
telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranquilo, pensando
– “vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o
com atenção durante todo o tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e
correção; esperei que ele atingisse um telhado vermelho, e ele atingiu”. Agora não sou mais
responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o.
Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo
nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo algo útil; mas certamente fazia uma coisa
bela, e a fazia de um modo puro e viril.
Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar mão; mas dou meu silencioso apoio, minha
atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse
correto irmão.

(Fonte: BRAGA, Rubem. O verão e as mulheres. 10 ed. Rio de Janeiro: Record, 2008. Texto
adaptado.)

28 [ 252471 ]. (Efomm 2025) Em qual das passagens a seguir o termo ou a expressão em


destaque pertence à mesma classe gramatical da palavra destacada em “Ele usa os músculos
com uma calma energia; avança.” (3º§)?
a) “Já nadou em minha presença uns trezentos metros [...]” (3º§)
b) “Que ele nade bem esses cinquenta ou sessenta metros […]” (3º§)
c) “[…] é preciso que conserve a mesma batida de sua braçada […]” (3º§)
d) “[…] e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção [...]” (4º§)
e) “Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa [...]” (5º§)

Resposta:

[C]

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Super Professor

A palavra “calma” é um adjetivo que caracteriza o substantivo “energia”, assim como “mesma”
é um adjetivo que caracteriza o substantivo “batida”.

Análise das alternativas incorretas:


Em [A], “trezentos” é numeral.
Em [B], “bem” é um advérbio.
Em [D] e [E], “firmeza” e “grandeza” são substantivos.

29 [ 252468 ]. (Efomm 2025) No sexto parágrafo, lê-se: “Não desço para ir esperá-lo na praia e
lhe apertar mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse
desconhecido […]”. Sem prejuízo à correção gramatical, nem ao sentido original, o trecho
destacado poderia ser reescrito da seguinte maneira:
a) Porém dou meu silêncio apoiado, minha atenção e minha estima a esse desconhecido.
b) Contudo meu silêncio e apoio são dados, juntamente com minha atenção e minha estima, a
esse desconhecido.
c) Não obstante o silencioso apoio é dado, juntamente com minha atenção e minha estima, a
esse desconhecido.
d) Entretanto meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima são dados por mim a esse
desconhecido.
e) Conquanto dou meu silencioso apoio e minha atenta estima a esse desconhecido.

Resposta:

[D]

Análise das alternativas incorretas:


Em [C] e [E], temos conjunções concessivas, o que faz com que o sentido original da
conjunção adversativa já seja alterado.
Em [A] e [B], a relação entre o substantivo “apoio” e o adjetivo “silencioso” é alterada. Em [A],
temos a expressão “silêncio apoiado”, em que “silêncio” passa a ser substantivo caracterizado
pelo adjetivo “apoiado”. Em [B], temos dois substantivos, “silêncio” e “apoio”, eliminando a
relação estabelecida no enunciado original. Essas novas relações alteram o sentido original.

Análise da alternativa correta:


Em [D], observa-se a substituição da conjunção adversativa “mas” por outra de sentido
equivalente: “entretanto”. A relação entre os termos da oração também é preservada, uma vez
que a oração é transposta para a voz passiva: o sujeito oculto “eu” passa a ser agente da
passiva “por mim” e o objeto direto passa a ser sujeito paciente, mantendo a relação semântica
observada no enunciado original.

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Super Professor

Resumo das questões selecionadas nesta atividade

Data de elaboração: 20/09/2025 às 21:30


Nome do arquivo: Classes gramaticais

Legenda:
Q/Prova = número da questão na prova
Q/DB = número da questão no banco de dados do SuperPro®

Q/prova Q/DB Grau/Dif. Matéria Fonte Tipo

1.............243156.....Média.............Português......Enem PPL/2023...................Múltipla escolha

2.............198157.....Média.............Português......Enem PPL/2020...................Múltipla escolha

3.............190108.....Média.............Português......Enem PPL/2019...................Múltipla escolha

4.............182941.....Média.............Português......Enem PPL/2018...................Múltipla escolha

5.............127098.....Baixa.............Português......Enem PPL/2012...................Múltipla escolha

6.............244101.....Média.............Português......Ufrgs/2024............................Múltipla escolha

7.............244107.....Média.............Português......Ufrgs/2024............................Múltipla escolha

8.............224406.....Baixa.............Português......Ufrgs/2023............................Múltipla escolha

9.............224407.....Elevada.........Português......Ufrgs/2023............................Múltipla escolha

10...........206615.....Média.............Português......Ufrgs/2022............................Múltipla escolha

11...........206625.....Média.............Português......Ufrgs/2022............................Múltipla escolha

12...........192303.....Baixa.............Português......Ufrgs/2020............................Múltipla escolha

13...........184622.....Baixa.............Português......Ufrgs/2019............................Múltipla escolha

14...........184628.....Média.............Português......Ufrgs/2019............................Múltipla escolha

15...........178395.....Média.............Português......Ufrgs/2018............................Múltipla escolha

16...........178407.....Média.............Português......Ufrgs/2018............................Múltipla escolha

17...........169388.....Elevada.........Português......Ufrgs/2017............................Múltipla escolha

18...........169396.....Média.............Português......Ufrgs/2017............................Múltipla escolha

19...........169397.....Média.............Português......Ufrgs/2017............................Múltipla escolha

20...........169406.....Média.............Português......Ufrgs/2017............................Múltipla escolha

21...........156350.....Baixa.............Português......Ufrgs/2016............................Múltipla escolha

22...........137979.....Média.............Português......Ufrgs/2015............................Múltipla escolha

23...........137984.....Média.............Português......Ufrgs/2015............................Múltipla escolha

Página 30 de 31
Super Professor

24...........137986.....Média.............Português......Ufrgs/2015............................Múltipla escolha

25...........132615.....Média.............Português......Ufrgs/2014............................Múltipla escolha

26...........132641.....Média.............Português......Ufrgs/2014............................Múltipla escolha

27...........132647.....Média.............Português......Ufrgs/2014............................Múltipla escolha

28...........252471.....Elevada.........Português......Efomm/2025.........................Múltipla escolha

29...........252468.....Média.............Português......Efomm/2025.........................Múltipla escolha

Página 31 de 31

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