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Projeto Ser Humano

Mediunidade Relacionamento com Espíritos

Isto pode parecer algo essencialmente religioso. A religião Espírita. Mas, não é. Como vamos ver. É caminho para a espiritualização do ser humano.

“Enfatizar a relação com Espíritos, os viventes do mundo Espiritual, exige que tenhamos informação sobre como é a vida fora do corpo.”

Introdução

Ser e não sermos felizes. Essa concepção de vida, que se alimenta de nossas sensações físicas, passa, realmente, pela noção de bem-estar físico.

As impressões que recebemos, as sensações que processamos, alimentam as idéias que correm em nosso pensamento, e nos subsidiam na formulação dos conceitos de alegria, tristeza,sofrimento e felicidade. Agimos em nome das coisas e dos modos como pensamos.

Dentro do corpo, a sensação física é o carro chefe para a formulação das impressões do bem-estar. Fora dele, livre dos órgãos dos sentidos, liga-nos às impressões processadas os nossos princípios de vida, aquelas idéias que alimentamos no pensamento.

É, portanto, aceitável e inteligível que a concepção de bem-estar varia com a mudança de nossa condição física: encarnados, as alegrias são resultantes das impressões que nos chegam dos sentidos; em Espírito, na vida espiritual, nos alimentamos do bem e do mal-

estar conforme as formulações de idéias no pensamento. As impressões se registram como lembranças físicas no sistema nervoso vivo e material; e como memórias quando nos encontramos desencarnados. Os valores que à essas impressões atribuímos as fazem mais ou menos presentes em nossos hábitos, em nosso jeito de ser e de manifestar ostensivamente nosso bem-estar.

Em Espírito, desenvolvemos algum tipo diferente de sentidos, pois que as percepções se processam de outra maneira. Como Espíritos errantes, ainda nossa dependência é muito grande das lembranças que ruminamos, desde quando vivíamos na Terra.

Com a evolução, com o progressivo domínio das Leis e das Forças, o sentido da razão, se assim podemos dizer, um sentido novo para o Espírito que progride, e que ele aprende a usar para alçar vida livre do corpo, deve ser o seu guia coletor preferido para os aspectos do mundo exterior.

É ainda aí, dessa forma, que podemos dizer, que no uso da razão, no domínio do entendimento, nos desobrigamos das exigências de satisfação da matéria. Abandonamos essa prisão sensorial.

Projeto Ser Humano

Sobre o Espiritismo – Tema 16

O mundo espiritual e a vida dos Espíritos

in questões de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec

“400. É como se perguntasse se o prisioneiro está satisfeito sob as chaves. O Espírito encarnado aspira incessantemente à libertação, e quanto mais grosseiro é o envoltório, mais ele deseja ver-se desembaraçado.

A vida espírita

Formação Espírita de médiuns Textos da Filosofia Espírita interessantes ao trato da mediunidade

Em negrito os trechos interessantes para discussão.

PERCEPÇÕES, SENSAÇÕES E SOFRIMENTOS DOS ESPÍRITOS

No mundo dos Espíritos a alma tem percepções que tinha quando encarnada, e outras que não possuía, porque o seu corpo era como um véu que a obscurecia. A inteligência é um atributo do Espírito, mas se manifesta mais livremente quando não tem entraves. (237)

- Os Espíritos não sabem todas as coisas: quanto mais se aproximam da perfeição mais sabem; se são superiores, sabem muito; os Espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes em todos os assuntos. (238) Os Espíritos inferiores não sabem mais do que os homens. (239)

- Os Espíritos vivem fora do tempo, tal como o compreendemos; a duração, para eles, praticamente não existe, e os séculos, tão longos para nós, não são aos seus olhos mais do que instantes que desaparecem na eternidade, da mesma maneira que as desigualdades do solo se apagam e desaparecem para aquele que se eleva no espaço.(240)

- A idéia que os Espíritos fazem do presente é mais ou menos como aquele que vê claramente tem uma idéia mais justa das coisas, do que o cego. Os Espíritos vêem o que não vêdes, e julgam, portanto, diferente de vós. Mas ainda uma vez: isso depende da sua elevação. (241)

- O passado quando deles nos ocupamos, é um presente, precisamente como

te lembras de uma coisa que te impressionou durante o teu exílio. Somente, como não temos mais o véu material que obscurece a tua inteligência, lembramo-nos das coisas que desapareceram para ti. Mas nem tudo os Espíritos conhecem, a começar pela sua própria criação. (242)

- Conhecer o futuro, ainda depende da perfeição do Espírito; quase sempre, nada

mais fazem do que entrevê-lo, mas nem sempre têm a permissão de o revelar; quando o vêem, ele lhes parece presente. O Espirito vê o futuro mais claramente à medida que se aproxima de Deus. Depois da morte, a alma vê e abarca de relance as suas migrações passadas, mas não pode ver o que Deus lhe prepara; para isso é necessário que esteja integrado nele, depois de muitas existências. (243)

- No Espírito a vista é uma faculdade geral, não é circunscrita. (245) O Espírito tem luz própria para ver, sem necessidade de luz externa; para ele não há trevas a não ser aquelas em que podem encontrar-se por expiação. (246) O Espírito vê mais distintamente do que vós, porque a sua vista penetra o que a vossa não pode penetrar; nada a obscurece. (248)

- A faculdade de ouvir, como a de ver, não está localizada. Todas as percepções são atributos do Espírito e fazem parte do seu ser; quando ele se reveste de um corpo material, elas não se manifestam senão pelos meios orgânicos. (249-a) O Espírito não vê e não ouve senão o que ele quiser. Isto de uma maneira geral, e sobretudo para os Espíritos elevados, porque os imperfeitos ouvem e vêem frequentemente, queiram ou não, aquilo que pode ser útil ao seu melhoramento. (250)

- Os Espíritos conhecem nossas necessidades e nossos sofrimentos físicos,

porque os sofreram, mas não os experimentam materialmente como vós, porque

são Espíritos. (253)

- Os Espíritos não podem sentir a fadiga como a entendeis, e portanto não necessitam do repouso corporal, pois não possuem órgãos em que as forças tenham de ser restauradas; mas o Espírito repousa no sentido de não permanecer numa atividade constante. Ele não age de maneira material, porque a sua ação é toda intelectual e o seu repouso é todo moral, ou seja, há momentos em que ou seu pensamento diminui de atividade e não se dirige a um objeto determinado; este é um verdadeiro repouso, mas que não se pode comparar ao do corpo. A espécie de fadiga que os Espíritos podem provar está na razão da sua inferioridade, pois quanto mais eles são elevados, de menos repouso necessitam. (254)

- Os sofrimentos dos Espíritos são de natureza moral, são angústias morais que os torturam mais dolorosamente que os sofrimentos físicos. (256)

Comentário Livre

Comentários sobre percepção, sensações e sofrimentos dos Espíritos

O interessante é que o entendimento pode nos levar a reconsiderar muitas de nossas atitudes em relação à vida espiritual; e por isso, a reconsiderar como temos nos relacionado com os Espíritos e conosco mesmos. A coisa mais essencial é a busca de nos considerarmos, didaticamente, na ausência do corpo, em liberdade em relação aos limites dos sentidos; somos a isso reduzidos como resultado do efetivo aprisionamento físico, a que somos submetidos durante a encarnação.

Como vemos, mesmo que livres, na erraticidade, ainda permanecemos em situação em que nosso pensamento fica na dependência de memórias das impressões físicas, que persistem em nossa vida espiritual como lembranças ativas, como sensações persistentes, de quando estamos encarnados. Mesmo que nossos sentidos não fiquem mais canalizados por certos órgãos físicos, como visão, audição, tato, mesmo que na vida espiritual, continuamos a processar essas impressões físicas, como a dor, o sofrimento, os gozos. E essa forma de escolher impressões nos leva, em Espirito, a nos envolver nas lidas dos encarnados e a nos utilizar de suas impressões físicas, a compartilhá-las com os encarnados.

E como o mundo físico é o centro ainda de nossas agitações intelectuais, afetivas e éticas, nosso conhecimento também fica concentrado por muito tempo nas cenas do cotidiano, como ocorre com qualquer de nós encarnados. O mundo onde nos movemos, por seleção natural de nosso pensamento e de nossa vontade é o mundo onde desenvolvemos nosso conhecimento, é onde aplicamos nossos interesses. Nos movemos nas regiões, nos ocupamos de compromissos, e pensamos temas indicados pela nossa vontade, por nossos interesses afetivos.

Se nos reduzimos ao mundo dos encarnados, as leis físicas e as forças do mundo material, são aquelas com que contamos em nossa ação contínua. Daí afirmar a Doutrina Espírita, que quanto mais desmaterializado o Espírito, mais entende a respeito da vida espiritual. Portanto, quanto mais vermos o Espírito que se comunica conosco via mediúnica envolvido com os acontecimentos da vida material, mais podemos afirmar que ele sabe e entende tanto quanto nós mesmos a respeito de leis físicas, e que precisa se aperfeiçoar e se distanciar dos interesses físicos, para assim, poder abranger conhecimentos mais amplos sobre a vida espiritual. Avaliar as vivências terrenas também, usando as possibilidade de visão mais clara da vida, exige que o Espírito esteja livre da opacidade da matéria. Com mais discernimento e poder podem nos orientar e nos informar melhor.

De nada adianta ao observador, elevar-se nos degraus da torre de observação, se continuar olhando para os próprios pés. Vai continuar com a visão restrita. À ele é preciso perder o medo da elevação, elevar o ponto de vista, e abranger com melhor visão e consciência o horizonte, para nos poder informar dos acontecimentos que nos rodeiam, com maior autoridade.

Tempo e espaço mudam, se diferenciam entre encarnados e os Espíritos na erraticidade. Assim como muda a noção de acontecimentos entre aqueles que estão no chão e aquele que se eleva como numa torre de observação, livre da matéria, e pode assim abranger visão mais ampla.

Ao Espírito que se desprende da matéria pela morte física é preciso o aprendizado de lidar com esse espaço oferecido pela Natureza. São os recreios onde cada um mostra o próprio discernimento, a própria aplicação, valorizando livremente as descobertas que descortinam a realidade da vida espiritual, e as ilusões da vida terrena que pululam no pensamento de quem se envolve apenas com as impressões físicas.

Espírito é Espírito em qualquer condição em que se encontre: encarnados como estamos nós; inteligências impressionáveis, quando estão acoplados à mediunidade. Em qualquer situação dialogamos e disputamos idéias e pontos de vista. Acima de qualquer outra coisa, é preciso que valorizemos a verdade, e que a perfeição da vida seja nosso objetivo supremo.

Orientações Práticas

Utilizando os conceitos, como conceitos de vida. Comentários aplicados.

Os sentidos humanos e o entendimento

Espírito encarnado é Espírito cego, por natureza, isto é, a visão do Espírito se anula por causa dos sentidos físicos?

Absolutamente.

Duas coisas, duas providências Deus abriu prá que isso não seja verdadeiro: a possibilidade de ampliarmos horizontes aos sentidos, como resultado do conhecimento e do entendimento; e a mediunidade, sensibilidade através da qual furamos o bloqueio da carne, vemos o mundo espiritual e com seus habitantes naturais dialogamos.

Podemos contar com este conhecimento, via percepção intelectual própria e via informação de terceiros, para administrar nossos acontecimentos de vida?

Absolutamente sim.

Por isso somos considerados seres racionais. Como racionais, diferentemente dos demais, vemos nossa prisão se reduzir aos limites de nossas conquistas evolutivas. Quanto mais entendermos leis e forças da vida, mais poderemos realizar, com ampla liberdade de trabalho; quanto mais amarmos o semelhante mais poderemos ampliar nossa família espiritual e por isso, viver em amplas comunidades de Espíritos simpáticos e afins com nossos projetos bondosos de vida.

Modular atitudes, verificar o que pode atritar, entreter, e desviar nossa projeção na direção da perfeição espiritual, são tarefas diuturnas, e por isso metas de vida também para quando praticamos a relação mediúnica. Melhorar atitudes é meta digna comum para aquele que aqui permanece encarnado e para aquele que se aproxima de nós para o diálogo mediúnico.

Os sentidos terrenos filtram os estímulos que chamam nossa atenção, aos quais precisamos atender e satisfazer de alguma forma em nosso propósito vivencial terreno.

Lidemos com os acontecimentos terrenos, mas não nos esqueçamos de que aquilo que com eles fizermos nos trará respostas evolutivas, à vida espiritual que trilhamos. Ao entrarmos em trabalho de sensibilização mediúnica, imaginemos que nos sentamos à uma mesa de trabalho, cada um com um histórico de vida, e cada um com uma condição física para o trabalho. A todoss pesa a questão da maturidade mental, assim como na terra é importante a maturidade física ou a idade de cada um dos trabalhadores. A outros, pertencer ao mundo físico ou estarem desencarnados também se torna característica muito importante; porque, uns se acham adormecidos nos sentidos da matéria, os outros se encontram sem o corpo, mas com o qual conta viver, do qual o pensamento está cheio de preocupações.

Há elementos que já atingiram certo distanciamento da vida física – mesmo encarnados, e para estes, acontecimentos que prá nós se tornam radicais e rudes, são coisas de transição e têm seu papel estratégico na evolução dos encarnados; as considerações mútuas serão por isso, feitas com a mistura de perspectivas bem diferentes, e as atitudes relacionais com a vida também vão modular modos distintos de ver e de se desafiar decisões e escolhas.

Mas vamos ao trabalho, vamos reunir informações e afinidades, como se estivéssemos ao redor de uma grande mesa de trabalho. Vamos produzir no bem. O bem, bem feito é tudo o que nos convém nesta vida.

José Fernando Vital vital.pai.family@gmail.com

Lembrete evangélico. De O Evangelho, segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Cap. VI, “O Cristo Consolador”:

1. Vinde a mim, todos os que andais em sofrimento e vos achais carregados e eu vos

aliviarei. Tomai sobre vós meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jogo é suave e o meu fardo é leve. (Mateus, XI: 28-30).

2. Todos os sofrimentos, misérias, decepções, dores físicas, perdas de seres queridos,

encontram sua consolação na fé no futuro, e na confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Sobre aquele que, pelo contrário, nada espera após esta vida, ou que simplesmente duvida, as aflições pesam com todo o seu peso, e nenhuma esperança vem abrandar sua amargura. Eis o que levou Jesus a dizer: “Vinde a mim, vós todos que estais fatigados, e eu vos aliviarei”.

Jesus, entretanto, impõe uma condição para a sua assistência e para a felicidade que promete aos aflitos. Essa condição é a da própria lei que ele ensina: seu jogo é a observação dessa lei. Mas esse jugo é leve a essa lei é suave, pois que impõem como dever o amor e a caridade.