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Tratados Internacionais - Resumo

Os tratados internacionais são instrumentos fundamentais do Direito Internacional Público, regulando as relações entre Estados e organizações internacionais. A regulamentação dos tratados evoluiu ao longo do tempo, culminando na Convenção de Viena de 1969, que estabelece regras abrangentes sobre sua definição, formação e efeitos. A classificação dos tratados pode ser feita com base em critérios como número de partes, procedimento de conclusão e natureza jurídica, refletindo a complexidade e a importância desses acordos nas relações internacionais.

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Tratados Internacionais - Resumo

Os tratados internacionais são instrumentos fundamentais do Direito Internacional Público, regulando as relações entre Estados e organizações internacionais. A regulamentação dos tratados evoluiu ao longo do tempo, culminando na Convenção de Viena de 1969, que estabelece regras abrangentes sobre sua definição, formação e efeitos. A classificação dos tratados pode ser feita com base em critérios como número de partes, procedimento de conclusão e natureza jurídica, refletindo a complexidade e a importância desses acordos nas relações internacionais.

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Resumo: Carlos Weber

Bacharelado em Direito - 10º Período


TRATADOS INTERNACIONAIS
INTRODUÇÃO AO DIREITO DOS TRATADOS

Os tratados internacionais representam uma das fontes mais importantes do Direito Internacional Público,
constituindo-se como instrumentos fundamentais para a regulamentação das relações entre Estados e organizações
internacionais. Compreender a natureza, o processo de formação e os efeitos jurídicos dos tratados é essencial para
qualquer estudante ou profissional que deseje atuar na área do Direito Internacional.
No contexto das relações internacionais contemporâneas, os tratados assumem papel central na coordenação de
políticas entre nações, na proteção de direitos humanos, na regulação do comércio internacional, na preservação do meio
ambiente e em inúmeras outras áreas de cooperação internacional. Desde acordos bilaterais simples até convenções
multilaterais complexas, os tratados moldam a ordem jurídica internacional e influenciam diretamente o direito interno
dos Estados signatários.
A evolução histórica do direito dos tratados demonstra a progressiva codificação de regras consuetudinárias que,
ao longo dos séculos, foram sendo consolidadas em instrumentos normativos específicos. Esta sistematização culminou
em importantes convenções internacionais que hoje regem a matéria, proporcionando maior segurança jurídica e
previsibilidade nas relações entre os sujeitos de Direito Internacional.
Para compreender adequadamente este instituto jurídico, é necessário iniciar pela análise de sua regulamentação,
evolução histórica e características fundamentais.

REGULAMENTAÇÃO DOS TRATADOS INTERNACIONAIS

A regulamentação dos tratados internacionais passou por um longo processo de desenvolvimento histórico.
Inicialmente, as relações entre Estados eram reguladas apenas pelo direito consuetudinário, ou seja, por práticas
reiteradas e aceitas como obrigatórias pela comunidade internacional. Elas formaram ao longo dos séculos um
conjunto de normas não escritas que orientavam a celebração, a interpretação e a execução dos acordos internacionais.
Com o avanço das relações internacionais e a necessidade de maior segurança jurídica, surgiram as primeiras
convenções destinadas a codificar as regras sobre tratados. A Convenção de Havana sobre Tratados, celebrada em
1929, representou um marco importante nesse processo, sendo o primeiro esforço sistemático de codificação das normas
sobre tratados no continente americano. Embora de âmbito regional, restrita aos países americanos, esta convenção
representou um marco importante ao sistematizar pela primeira vez, de forma escrita, as principais regras aplicáveis aos
tratados internacionais. A iniciativa pan-americana demonstrou a necessidade crescente de estabelecer parâmetros claros
e uniformes para a condução das relações internacionais através de instrumentos convencionais.
Contudo, foi somente com a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, adotada em 1969, que se
alcançou uma codificação verdadeiramente universal e abrangente da matéria. Este instrumento, que entrou em vigor
em 1980, representa hoje a principal fonte normativa sobre o direito dos tratados, sendo considerado um dos pilares do
Direito Internacional contemporâneo. A Convenção de Viena de 1969 estabelece regras detalhadas sobre todos os
aspectos relevantes dos tratados: desde sua definição conceitual, passando pelo processo de conclusão, validade,
interpretação, aplicação, até sua eventual modificação ou extinção e é considerada a "constituição" dos tratados
internacionais. Esta convenção codificou não apenas práticas consuetudinárias, mas também introduziu inovações
significativas.
É importante mencionar ainda a Convenção de 1986 sobre o Direito dos Tratados entre Estados e
Organizações Internacionais. Este instrumento complementar estendeu as regras codificadas em 1969 para abranger
também os acordos celebrados entre Estados e organizações internacionais, ou entre organizações internacionais entre
si, reconhecendo assim o papel crescente dessas entidades como sujeitos de Direito Internacional.

CONCEITO DE TRATADO

A definição de tratado encontra-se consagrada no Art. 2º da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de
1969. Segundo este dispositivo, tratado significa um acordo1 internacional concluído por escrito2 entre Estados3 e
regido pelo Direito Internacional4, quer conste de um instrumento único5, quer de dois ou mais instrumentos
conexos, qualquer que seja sua denominação6 específica.
Esta definição revela diversos elementos essenciais que caracterizam um tratado internacional:
1. Acordo: Trata-se de um encontro de vontades entre sujeitos de Direito Internacional.
2. Por escrito: Embora o Direito Internacional reconheça também a existência de acordos verbais, estes não estão
abrangidos pela Convenção de Viena. A forma escrita confere maior segurança jurídica e facilita a prova da
existência e do conteúdo do acordo.
Resumo: Carlos Weber
Bacharelado em Direito - 10º Período
3. Entre Estados: O acordo deve ser celebrado entre Estados, ressalvando-se que a Convenção de 1986 ampliou
este conceito para incluir também as organizações internacionais.
4. Regido pelo Direito Internacional: O acordo deve ser regido pelo Direito Internacional, distinguindo-se assim
dos contratos comerciais ou outros acordos de natureza privada que possam ser celebrados por Estados mas que
se submetem a ordenamentos jurídicos internos.
5. Instrumento único ou conexos: O tratado pode constar de um instrumento único ou de dois ou mais
instrumentos conexos.
6. Denominação irrelevante: A denominação específica é irrelevante para sua caracterização jurídica. Esta última
observação é particularmente importante, pois na prática internacional encontramos uma grande variedade de
denominações para os acordos internacionais, todas elas tendo, em princípio, o mesmo valor jurídico.

Esta definição estabelece elementos essenciais que caracterizam um tratado: primeiro, trata-se de um acordo
internacional, o que pressupõe o encontro de vontades entre sujeitos de direito internacional; segundo, deve ser
concluído por escrito, embora o direito internacional também reconheça acordos verbais em certas circunstâncias;
terceiro, deve ser celebrado entre Estados, embora as convenções posteriores tenham estendido este conceito; quarto,
deve ser regido pelo Direito Internacional, diferenciando-se assim de contratos comerciais comuns; e quinto, a forma
ou denominação específica é irrelevante para sua caracterização jurídica.

TERMINOLOGIA DOS TRATADOS

A prática internacional consagrou uma ampla variedade de denominações para os acordos internacionais,
refletindo tanto tradições históricas quanto especificidades relacionadas ao objeto, à solenidade ou ao procedimento de
conclusão. Embora a Convenção de Viena de 1969 tenha estabelecido que a denominação é juridicamente irrelevante,
compreender as nuances terminológicas é importante para a adequada interpretação e aplicação dos instrumentos
internacionais.
O termo "tratado" é utilizado genericamente para designar qualquer acordo internacional, mas também é
empregado em sentido estrito para acordos solenes e de grande importância política. As "convenções" geralmente são
tratados multilaterais que estabelecem normas gerais sobre determinado tema, especialmente quando celebradas sob os
auspícios de organizações internacionais. As "cartas" normalmente designam tratados constitutivos de organizações
internacionais, como a Carta das Nações Unidas. Os "protocolos" podem ser tanto tratados independentes quanto
instrumentos complementares a tratados já existentes, frequentemente estabelecendo procedimentos ou modificações.
Os "pactos" historicamente designavam tratados de grande solenidade, embora hoje sejam menos utilizados. Os
"acordos" podem ser tanto tratados em sentido amplo quanto acordos de caráter menos formal ou sobre matérias
específicas. Os "acordos por troca de notas" representam uma forma simplificada em que as partes trocam documentos
diplomáticos expressando consentimento. Os "acordos em forma simplificada" ou "acordos executivos" são aqueles que
não requerem o procedimento completo de conclusão, especialmente a ratificação parlamentar. O "modus vivendi"
caracteriza-se por ser um acordo temporário ou provisório, frequentemente utilizado enquanto se negocia um acordo
definitivo. A "concordata" é um acordo específico celebrado entre a Santa Sé e um Estado sobre matérias religiosas. As
"reversais" ou "notas reversais" são trocas de documentos entre partes contratantes confirmando acordos ou
interpretações.

RESUMO – Classificação

TRATADO: Termo genérico para qualquer acordo internacional, mas ACORDO POR TROCA DE NOTAS: Forma específica de conclusão de
também pode ser empregado de modo específico para referir-se a tratados, caracterizada pela informalidade e simplicidade do procedimento.
instrumentos de particular importância ou solenidade, geralmente Dois Estados trocam correspondências diplomáticas manifestando suas
multilaterais e que versam sobre matérias de grande relevância política ou vontades concordantes sobre determinada matéria, constituindo-se assim um
jurídica. acordo vinculante.
CONVENÇÃO: Amplamente utilizada, especialmente para designar ACORDO EM FORMA SIMPLIFICADA ou ACORDO DO
acordos multilaterais que estabelecem normas gerais sobre determinada EXECUTIVO: Não requerem aprovação parlamentar ou ratificação formal,
matéria, como a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados ou as entrando em vigor diretamente após a assinatura ou troca de instrumentos.
Convenções de Genebra sobre Direito Humanitário. Esta categoria tem ganhado importância crescente nas relações internacionais
CARTA: Comumente empregada para instrumentos constitutivos de modernas, pela flexibilidade e rapidez que proporciona.
organizações internacionais, como a Carta das Nações Unidas ou a Carta da MODUS VIVENDI: Refere-se tradicionalmente a acordos provisórios ou de
Organização dos Estados Americanos. caráter transitório, destinados a regular temporariamente uma situação até
PROTOCOLO: Designa frequentemente um acordo complementar ou que se alcance uma solução definitiva.
adicional a um tratado anterior, embora também possa referir-se a acordos CONCORDATA: Denominação específica para tratados celebrados entre a
independentes, especialmente em matéria diplomática. Santa Sé e Estados, versando sobre matérias de interesse da Igreja Católica.
PACTO: Termo menos frequente na prática contemporânea, mas muito REVERSAIS ou NOTAS REVERSAIS: Designam declarações escritas
utilizado no período entre guerras. Exemplo: Pacto Internacional sobre mediante as quais um Estado se compromete a adotar determinado
Direitos Civis e Políticos. comportamento ou a reconhecer certa situação jurídica.
ACORDO: Denominação bastante genérica e flexível, podendo designar
tanto instrumentos formais quanto arranjos de menor solenidade.
Resumo: Carlos Weber
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ESTRUTURA DOS TRATADOS

Os tratados internacionais apresentam, em geral, uma estrutura formal relativamente padronizada, isto porque,
embora não seja rigorosamente uniforme, geralmente segue certos padrões estabelecidos pela prática diplomática, com
variações dependendo da complexidade do instrumento e das tradições jurídicas envolvidas.
O título identifica o tratado e frequentemente indica seu objeto principal e as partes contratantes. O preâmbulo
constitui a parte introdutória que identifica as partes contratantes, seus representantes e os plenos poderes que os
habilitam. Os considerandos enunciam os motivos, objetivos e princípios que inspiraram a celebração do tratado,
servindo como importante elemento interpretativo. O articulado ou cláusulas constitui o corpo normativo propriamente
dito, contendo as obrigações, direitos e disposições substantivas do acordo. O fecho é a fórmula final que precede as
assinaturas, atestando que os representantes firmam em nome de seus Estados. A assinatura dos plenipotenciários
autentica o texto e, dependendo do tipo de tratado, pode expressar o consentimento definitivo ou apenas a autenticação
do texto negociado. O selo de lacre, embora menos comum atualmente, tradicionalmente acompanhava a assinatura
como elemento de autenticação adicional. Os anexos contêm material complementar, como listas, mapas, especificações
técnicas ou disposições detalhadas que, embora parte integrante do tratado, são separados do texto principal por razões
de clareza ou organização.

RESUMO – Elementos estruturais

TÍTULO: Primeiro elemento identificador do tratado, devendo FECHO: Parte final do tratado que antecede as assinaturas,
indicar de forma clara e sintética o objeto principal do acordo e, geralmente contendo fórmula protocolar que confirma a adoção do
frequentemente, as partes envolvidas. texto pelas partes.
PREÂMBULO: Embora não contenha disposições normativas ASSINATURA: Dos representantes plenipotenciários autenticam o
propriamente ditas, desempenha papel importante ao contextualizar texto do tratado, embora, dependendo do procedimento adotado,
o tratado e explicitar as motivações e objetivos das partes possam não representar ainda o consentimento definitivo em
contratantes. É no preâmbulo que geralmente se identificam os obrigar-se.
Estados ou organizações signatários, através da menção aos seus SELO DE LACRE: Tradicionalmente, os tratados eram
representantes devidamente credenciados. acompanhados de selo de lacre, elemento que conferia solenidade e
CONSIDERANDOS: Podem integrar o preâmbulo ou constituir autenticidade ao documento. Embora menos comum na prática
seção autônoma, enumeram as razões e circunstâncias que levaram contemporânea, o selo ainda é utilizado em instrumentos de
à celebração do tratado. Embora não tenham força normativa direta, particular importância.
são extremamente relevantes para a interpretação do tratado, pois ANEXOS: Elementos complementares ao tratado que contêm
revelam a intenção das partes e os objetivos que buscavam alcançar. informações técnicas, listas, especificações ou regulamentos
ARTICULADO ou CLÁUSULAS: Constitui o corpo normativo do detalhados que, por sua extensão ou natureza, não são
tratado, contendo as disposições substantivas e procedimentais que adequadamente incluídos no articulado principal. Os anexos têm, em
efetivamente vinculam as partes. As cláusulas devem ser redigidas princípio, o mesmo valor jurídico que o corpo do tratado, salvo
de forma clara, precisa e sistemática, organizadas logicamente em disposição expressa em contrário.
artigos, parágrafos e incisos quando necessário.

CLASSIFICAÇÃO DOS TRATADOS

A classificação dos tratados pode ser realizada segundo diversos critérios, cada um revelando aspectos
importantes de sua natureza e regime jurídico. Quanto ao número de partes, os tratados dividem-se em bilaterais, quando
celebrados entre dois sujeitos de direito internacional, e multilaterais, quando envolvem três ou mais partes. Os tratados
multilaterais podem ainda ser classificados como "umbrella treaty", que são tratados-quadro estabelecendo princípios
gerais que serão detalhados por acordos posteriores, ou como convenções-quadro, que estabelecem uma estrutura
normativa básica complementada por protocolos específicos. Esta distinção é importante pois os tratados bilaterais
geralmente estabelecem relações jurídicas recíprocas e específicas entre duas partes, enquanto os multilaterais criam
regimes jurídicos objetivos aplicáveis à comunidade de Estados-partes ou até mesmo à comunidade internacional como
um todo.
Quanto ao procedimento de conclusão, os tratados classificam-se em tratados stricto sensu e tratados de forma
simplificada. Os tratados stricto sensu seguem o procedimento completo de conclusão, incluindo negociação, assinatura,
referendo parlamentar, ratificação e troca ou depósito dos instrumentos de ratificação. Já os tratados de forma
simplificada dispensam alguma dessas formalidades, especialmente o referendo parlamentar e a ratificação, entrando
em vigor com a simples assinatura ou mediante procedimento abreviado. Esta modalidade simplificada tem sido cada
vez mais utilizada na prática internacional contemporânea, especialmente para acordos técnicos, administrativos ou de
execução de tratados anteriores.
Resumo: Carlos Weber
Bacharelado em Direito - 10º Período
Relativamente à execução no tempo, os tratados podem ser transitórios ou permanentes. Os tratados transitórios
são aqueles cujo objeto se esgota com sua execução, como tratados de cessão territorial ou de paz. Os tratados
permanentes estabelecem relações jurídicas duradouras, não se extinguindo com sua execução, mas mantendo-se em
vigor por tempo determinado ou indeterminado. Ainda quanto a este aspecto temporal, os tratados classificam-se em
mutalizáveis e não-mutalizáveis. Os tratados mutalizáveis são aqueles cujas disposições admitem adaptação às
mudanças de circunstâncias por meio de interpretação evolutiva, enquanto os não-mutalizáveis estabelecem disposições
rígidas que não comportam tal flexibilização interpretativa.
Quanto à natureza jurídica, tradicionalmente distinguem-se os tratados-normativos ou tratados-lei dos tratados-
contrato. Os tratados-normativos ou tratados-lei estabelecem normas gerais de conduta, criando direito objetivo
aplicável aos Estados-partes e, em alguns casos, à comunidade internacional. Exemplos incluem convenções sobre
direitos humanos, direito humanitário e direito do mar. Já os tratados-contrato criam obrigações específicas e recíprocas
entre as partes, assemelhando-se funcionalmente a contratos de direito privado, embora regidos pelo direito
internacional. Exemplos incluem tratados comerciais bilaterais, acordos de fronteira e tratados de aliança. Contudo, essa
distinção é objeto de críticas na doutrina contemporânea, pois muitos tratados apresentam características mistas.
Quanto à possibilidade de adesão, os tratados classificam-se em abertos e fechados. Os tratados abertos permitem
a adesão de Estados que não participaram originalmente de sua negociação e celebração, podendo ser limitados, quando
a adesão depende de convite ou aprovação dos Estados originários, ou ilimitados, quando qualquer Estado pode aderir
mediante procedimento previsto no próprio tratado. Os tratados fechados, por sua vez, não admitem novos participantes
além dos signatários originais, criando um regime jurídico exclusivo entre as partes contratantes.

RESUMO – Classificação dos tratados

1. QUANTO AO NÚMERO DE PARTES: 3. QUANTO À EXECUÇÃO NO TEMPO:


1.1. BILATERAIS: Celebrados entre dois Estados ou sujeitos de 3.1. TRANSITÓRIOS: Têm objeto que se esgota com sua
Direito Internacional, regulando relações específicas entre execução, como um tratado de cessão territorial ou de compra
eles. Caracterizam-se pela maior facilidade de negociação e e venda. Uma vez cumpridas as prestações previstas, o tratado
pela tendência a conter disposições mais detalhadas e extingue-se automaticamente.
adaptadas às particularidades das partes envolvidas. 3.2. PERMANENTES: Estabelecem relações jurídicas
Exemplos: tratados de comércio, acordos de cooperação duradouras, sem término predeterminado, embora possam
técnica, tratados de extradição. prever procedimentos para denúncia ou retirada.
1.2. MULTILATERAIS: Envolvem três ou mais partes e 3.3. MUTALIZÁVEIS: Admitem alteração por costume
destinam-se frequentemente a estabelecer normas gerais ou internacional superveniente ou por prática subsequente das
regimes jurídicos de interesse comum. Subdividem-se em: partes que modifique a interpretação originalmente dada às
1. Multilaterais restritos (número limitado de Estados) suas disposições.
2. Multilaterais gerais ou universais (abertos a todos os 3.4. NÃO-MUTALIZÁVEIS: Por sua natureza ou por disposição
Estados) expressa, requerem procedimento formal de emenda para
1.3. UMBRELLA TREATIES ou TRATADOS-QUADRO: qualquer modificação de seu conteúdo.
Estabelecem princípios gerais e estruturas institucionais,
deixando para acordos posteriores mais específicos a 4. QUANTO À NATUREZA JURÍDICA:
regulamentação detalhada de aspectos particulares. 4.1. TRATADOS-NORMATIVOS ou TRATADOS-LEI:
1.4. CONVENÇÕES-QUADRO: Particularmente comuns em Estabelecem normas gerais e abstratas, assemelhando-se
matéria ambiental, como a Convenção-Quadro das Nações funcionalmente à legislação, sendo típicos dos grandes
Unidas sobre Mudança do Clima. tratados multilaterais que codificam o Direito Internacional ou
criam regimes jurídicos universais.
2. QUANTO AO PROCEDIMENTO DE CONCLUSÃO: 4.2. TRATADOS-CONTRATO: Regulam interesses específicos
2.1. TRATADOS STRICTO SENSU: Seguem o procedimento e recíprocos das partes, assemelhando-se aos contratos do
completo tradicional, que inclui negociação, assinatura, direito privado.
aprovação parlamentar, ratificação e troca ou depósito dos Observação: Esta distinção, embora ainda mencionada na doutrina,
instrumentos de ratificação. Este procedimento, embora mais perdeu muito de sua relevância prática, pois todos os tratados têm
complexo e demorado, confere maior legitimidade força normativa vinculante.
democrática e solenidade ao compromisso internacional.
2.2. TRATADOS DE FORMA SIMPLIFICADA: Dispensam 5. 5. QUANTO À POSSIBILIDADE DE ADESÃO:
algumas dessas formalidades, particularmente a aprovação 5.1. TRATADOS ABERTOS: Permitem a adesão de Estados que
parlamentar e a ratificação, entrando em vigor imediatamente não participaram das negociações originais, podendo ser:
após a assinatura ou mediante procedimento abreviado. Esta 3. Limitados: estabelecem requisitos para adesão
modalidade ganhou importância crescente nas relações 4. Ilimitados: universalmente abertos
internacionais modernas, especialmente para acordos técnicos, 5.2. TRATADOS FECHADOS: Não admitem novas adesões
administrativos ou de implementação. além das partes originárias, salvo acordo expresso de todos os
signatários.
Resumo: Carlos Weber
Bacharelado em Direito - 10º Período
PROCESSO DE FORMAÇÃO DOS TRATADOS

O processo de formação dos tratados compreende fases distintas que podem ser agrupadas em fase internacional
e fase interna. A fase internacional inicia-se com a negociação, na qual os representantes dos Estados discutem o
conteúdo do futuro tratado. Esta fase pode ser precedida por negociações exploratórias e pode envolver conferências
diplomáticas, especialmente no caso de tratados multilaterais. Assim, as negociações podem ocorrer através de canais
diplomáticos normais, como no caso das conferências internacionais especialmente convocadas, ou no âmbito de
organizações internacionais. A conclusão representa o momento em que os negociadores chegam a um acordo sobre o
texto definitivo. A assinatura autentica o texto acordado e, em alguns casos, expressa o consentimento definitivo
do Estado em obrigar-se pelo tratado, enquanto em outros casos é apenas uma autenticação do texto, dependendo
ainda de posterior ratificação.
A fase interna, por sua vez, compreende o referendo parlamentar e os atos subsequentes de internalização do
tratado. O referendo parlamentar é o procedimento pelo qual o órgão legislativo aprova ou rejeita o tratado negociado
pelo Executivo, manifestando o consentimento do Estado sob a perspectiva de sua ordem constitucional interna. Este
procedimento varia conforme o sistema constitucional de cada Estado, podendo envolver aprovação por maioria simples,
qualificada ou até mesmo unanimidade, dependendo da matéria tratada. Após a aprovação parlamentar, segue-se a
ratificação, que é o ato pelo qual o Chefe de Estado ou de Governo confirma definitivamente o consentimento do Estado
em obrigar-se pelo tratado. A ratificação é geralmente formalizada por meio de um instrumento escrito que é trocado
entre as partes, nos tratados bilaterais, ou depositado junto a um depositário, nos tratados multilaterais. Finalmente, a
promulgação e publicação constituem os atos finais pelos quais o tratado é tornado público internamente e incorporado
à ordem jurídica nacional, tornando-se exigível.

REQUISITOS DE VALIDADE DOS TRATADOS

Os requisitos de validade dos tratados são condições essenciais para que o acordo internacional produza efeitos
jurídicos regulares. O primeiro requisito é a capacidade das partes contratantes, que pode ser originária ou derivada. A
capacidade originária pertence aos Estados soberanos, que são os sujeitos primários do direito internacional. A
capacidade derivada é aquela conferida por norma de direito internacional a outros entes, como organizações
internacionais, que podem celebrar tratados dentro dos limites de suas competências funcionais. Estados federados e
outras entidades subnacionais geralmente não possuem capacidade para celebrar tratados internacionais, salvo quando
expressamente autorizado pela Constituição do Estado federal.
A habilitação dos representantes constitui outro requisito fundamental. Os representantes dos Estados devem estar
devidamente autorizados a negociar e concluir tratados em nome de seus governos. Esta autorização é formalizada
mediante plenos poderes, documento expedido pela autoridade competente. Certos representantes, por sua função,
dispensam plenos poderes, como Chefes de Estado, Chefes de Governo e Ministros das Relações Exteriores para todos
os atos relativos à conclusão de tratados, e chefes de missão diplomática para a adoção do texto de tratados entre o
Estado acreditante e o Estado acreditado.
O mútuo consentimento representa a convergência de vontades das partes contratantes, livre de vícios que possam
comprometer sua validade. O consentimento deve ser manifestado de forma clara e inequívoca, podendo ser expresso
através da assinatura, ratificação, adesão ou qualquer outro meio acordado. Os vícios de consentimento, como erro
essencial, dolo, corrupção do representante do Estado ou coação, podem afetar a validade do tratado, tornando-o
anulável.
O objeto lícito e possível constitui requisito material de validade. O tratado não pode ter objeto contrário a uma
norma imperativa de direito internacional geral (jus cogens), sendo nulo de pleno direito se o tiver. Exemplos de normas
imperativas incluem a proibição do uso da força, da escravidão, do genocídio e outras normas fundamentais da
comunidade internacional. O objeto deve também ser possível, tanto física quanto juridicamente, não podendo referir-
se a prestações impossíveis de serem cumpridas.
Outros atos referentes aos tratados complementam o regime jurídico desses instrumentos. A adesão é o ato pelo
qual um Estado que não participou da negociação e assinatura original de um tratado manifesta seu consentimento em
obrigar-se por ele, desde que o tratado seja aberto à adesão. A adesão produz os mesmos efeitos jurídicos que a
ratificação, tornando o Estado aderente parte plena do tratado.
A reserva constitui declaração unilateral feita por um Estado ao assinar, ratificar, aceitar, aprovar ou aderir a um
tratado, pela qual objetiva excluir ou modificar o efeito jurídico de certas disposições do tratado em sua aplicação a esse
Estado. As reservas são importantes instrumentos de flexibilização que permitem a participação mais ampla em tratados
multilaterais, mesmo quando um Estado não pode aceitar integralmente todas as suas disposições. Contudo, as reservas
sofrem limitações: podem ser vedadas expressamente pelo próprio tratado; podem ser restritas a determinadas
disposições; ou podem ser consideradas incompatíveis com o objeto e finalidade do tratado, caso em que serão inválidas.
Resumo: Carlos Weber
Bacharelado em Direito - 10º Período
A formulação de uma reserva gera consequências complexas nas relações entre o Estado reservante e os demais Estados-
partes, que podem aceitar ou objetar a reserva.
A emenda é o procedimento pelo qual as partes de um tratado modificam suas disposições. As regras para emenda
variam conforme o tratado, mas geralmente exigem negociação, acordo e consentimento dos Estados-partes. Em tratados
multilaterais, as emendas frequentemente vinculam apenas os Estados que as aceitarem, permanecendo o texto original
em vigor para os demais.

RESUMO – Requisitos de validade dos tratados

1. CAPACIDADE: • ERRO: Deve ser substancial, relacionado a fato ou situação


1.1 CAPACIDADE ORIGINÁRIA: Pertence aos Estados que o Estado supunha existente ao celebrar o tratado e que
soberanos, que possuem aptidão plena para celebrar tratados constituía base essencial de seu consentimento.
sobre qualquer matéria de interesse internacional. Esta • DOLO: Ocorre quando um Estado é induzido a celebrar o
capacidade decorre da própria soberania estatal e não depende tratado mediante conduta fraudulenta de outro Estado
de reconhecimento ou concessão por terceiros. negociador.
1.2 CAPACIDADE DERIVADA: Atribuída por norma de Direito
• CORRUPÇÃO DO REPRESENTANTE: Através de atos
Internacional a entidades que não são Estados soberanos, como
dirigidos direta ou indiretamente a ele por outro Estado
as organizações internacionais. Estas possuem capacidade
negociador, vicia o consentimento e permite a anulação do
limitada para celebrar tratados, restrita às matérias relacionadas
tratado.
com suas finalidades estatutárias e nos termos estabelecidos por
seus atos constitutivos. • COAÇÃO SOBRE O REPRESENTANTE: Mediante
atos ou ameaças contra ele dirigidos, invalida o tratado por
2. HABILITAÇÃO DOS REPRESENTANTES: tornar o consentimento não livre.
Quem negocia e assina um tratado em nome do Estado deve estar • COAÇÃO SOBRE O ESTADO: Mediante ameaça ou uso
devidamente autorizado para tanto. Esta autorização pode decorrer: da força em violação dos princípios da Carta da ONU. A
2.1 AUTOMATICAMENTE DA FUNÇÃO EXERCIDA: Convenção de Viena estabelece que é nulo o tratado cuja
Chefes de Estado, Chefes de Governo e Ministros das Relações conclusão foi obtida mediante ameaça ou uso da força. Esta
Exteriores são considerados representantes natos de seus disposição representa uma evolução fundamental em relação
Estados. ao direito clássico, que admitia a validade de tratados
2.2 PLENOS PODERES: Para demais representantes, exige-se a impostos pela força.
apresentação de plenos poderes, documento formal expedido
pela autoridade competente que credencia o representante a 4. OBJETO LÍCITO E POSSÍVEL:
negociar e concluir tratados. O objeto do tratado deve ser:
• Conforme ao Direito Internacional
3. MÚTUO CONSENTIMENTO: • Não pode violar normas imperativas (jus cogens)
O consentimento constitui a base de toda obrigação • Não pode contrariar obrigações assumidas perante terceiros
convencional. Os tratados são acordos de vontades e, portanto, Estados
requerem o consentimento livre e esclarecido de todas as partes
• Deve ser física e juridicamente possível (realizável no
contratantes. mundo dos fatos e compatível com o ordenamento jurídico
2.3 Vícios de consentimento que podem invalidar o tratado: internacional)

INTERPRETAÇÃO DOS TRATADOS

A interpretação dos tratados é atividade fundamental para determinar o sentido e alcance de suas disposições. A
Convenção de Viena estabelece regras gerais de interpretação que devem ser aplicadas harmonicamente. O princípio
fundamental é a boa-fé, segundo o qual os tratados devem ser interpretados segundo o sentido comum atribuível aos
termos do tratado em seu contexto e à luz de seu objeto e finalidade. O contexto compreende o texto do tratado, incluindo
seu preâmbulo e anexos, bem como qualquer acordo ou instrumento conexo. A interpretação deve considerar os
objetivos e finalidades que as partes pretenderam alcançar com o tratado, evitando interpretações que frustrem seu
propósito essencial.
Além desses elementos principais, existem meios suplementares de interpretação que podem ser utilizados para
confirmar o sentido resultante da aplicação das regras gerais ou para determinar o sentido quando a interpretação
segundo as regras gerais deixa o significado ambíguo ou obscuro, ou conduz a resultado manifestamente absurdo ou
desarrazoado. Entre os meios suplementares destacam-se os trabalhos preparatórios, que incluem atas de negociações,
projetos preliminares e outros documentos do processo de elaboração do tratado, e as circunstâncias da conclusão, que
permitem compreender o contexto histórico, político e social em que o tratado foi celebrado.
Resumo: Carlos Weber
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RESUMO – Princípios e métodos


1. BOA-FÉ: Constitui o fundamento de toda interpretação de 4. OBJETIVOS E FINALIDADES: Quando o texto apresenta
tratados. Os tratados devem ser interpretados de boa-fé, ou seja, ambiguidades ou possibilita múltiplas interpretações, deve-se
com honestidade intelectual e sem o propósito de contornar preferir aquela que melhor realiza os propósitos que as partes
obrigações assumidas. A boa-fé exige que o intérprete busque o buscavam alcançar ao celebrar o tratado. O preâmbulo e os
sentido que as partes razoavelmente atribuíram ao texto. considerandos frequentemente fornecem indicações valiosas
2. SENTIDO COMUM DOS TERMOS: Ponto de partida da sobre estes objetivos.
interpretação. As palavras e expressões utilizadas no tratado 5. MEIOS SUPLEMENTARES: Particularmente os trabalhos
devem ser entendidas conforme seu significado ordinário, salvo preparatórios e as circunstâncias da conclusão do tratado, podem
se as partes atribuíram sentido especial a determinado termo. ser utilizados para:
Esta regra privilegia a clareza e a objetividade. • Confirmar o sentido resultante da aplicação das regras
3. CONTEXTO: Compreende, além do texto do tratado incluindo anteriores
preâmbulo e anexos, qualquer acordo relativo ao tratado feito • Quando essa aplicação deixa o sentido ambíguo ou obscuro
entre todas as partes por ocasião de sua conclusão, e qualquer
• Quando conduz a resultado manifestamente absurdo ou
instrumento estabelecido por uma ou mais partes por ocasião da
desarrazoado
conclusão do tratado e aceito pelas outras. A interpretação
Os trabalhos preparatórios incluem os projetos, as atas de reuniões e
contextual assegura coerência e harmonia entre as diferentes
conferências, os debates e as justificativas apresentadas durante a
partes do tratado.
negociação.

EXTINÇÃO DOS TRATADOS

A extinção dos tratados pode ocorrer por diversas causas, que podem ser classificadas em normais e anormais.
Entre as causas normais de extinção, encontra-se a ab-rogação, que é a revogação do tratado por acordo entre todas as
partes, podendo ser expressa, quando formalizada em novo tratado ou protocolo, ou tácita, quando resulta da celebração
de tratado posterior incompatível. A expiração do termo pactuado extingue automaticamente os tratados celebrados por
prazo determinado, sem necessidade de qualquer ato adicional. A execução integral do objeto aplica-se aos tratados
transitórios, que se extinguem quando cumprida a prestação que constituía seu objeto. A celebração de tratado posterior
sobre a mesma matéria pode extinguir o tratado anterior por incompatibilidade ou por vontade expressa das partes. A
verificação de condição resolutiva, quando prevista no tratado, determina sua extinção automática.
A suspensão da execução constitui interrupção temporária da vigência do tratado, podendo decorrer de acordo
entre as partes ou de circunstâncias previstas no próprio tratado ou na Convenção de Viena. Durante a suspensão, as
partes ficam desobrigadas de cumprir as disposições do tratado em suas relações mútuas, mas o vínculo jurídico
permanece, podendo a execução ser retomada. A denúncia é o ato unilateral pelo qual uma parte manifesta sua vontade
de deixar de ser vinculada pelo tratado. A possibilidade e as condições para denúncia dependem das disposições do
próprio tratado. Tratados celebrados por prazo indeterminado geralmente admitem denúncia, enquanto tratados por
prazo determinado normalmente não a permitem antes do término do prazo, salvo disposição expressa.
Entre as causas anormais de extinção, a impossibilidade superveniente de execução verifica-se quando desaparece
ou é destruído definitivamente objeto indispensável à execução do tratado. Esta impossibilidade deve ser permanente,
objetiva e não imputável à parte que a invoca. A mudança fundamental das circunstâncias, também conhecida pela
expressão latina "rebus sic stantibus", permite a extinção ou suspensão do tratado quando ocorre mudança fundamental
nas circunstâncias existentes ao tempo da conclusão, desde que: a existência dessas circunstâncias constituiu base
essencial do consentimento das partes; a mudança tenha o efeito de transformar radicalmente o alcance das obrigações;
e a mudança não tenha sido prevista pelas partes. Esta cláusula é aplicada restritivamente pelos tribunais internacionais
para evitar que seja utilizada como pretexto para o descumprimento de tratados.
O rompimento das relações diplomáticas e consulares não afeta, por si só, as relações jurídicas estabelecidas por
tratados entre as partes, salvo na medida em que a existência de relações diplomáticas ou consulares seja indispensável
à aplicação do tratado. A violação substancial do tratado por uma das partes pode autorizar a outra parte a invocá-la
como causa de extinção ou suspensão do tratado, mas esta faculdade não é absoluta e está sujeita a limitações,
especialmente em tratados multilaterais e tratados estabelecendo regimes objetivos. O estado de guerra tradicionalmente
suspendia ou extinguia tratados entre os beligerantes, mas esta regra foi modificada pelo direito internacional
contemporâneo, que estabelece distinções segundo a natureza do tratado, mantendo em vigor durante os conflitos
armados os tratados humanitários e outros considerados essenciais.
Resumo: Carlos Weber
Bacharelado em Direito - 10º Período
CAPÍTULO DE RESUMO PARA ESTUDO

1. Regulamentação dos Tratados • Tratados-contrato (obrigações recíprocas


• Direito consuetudinário: prática reiterada e aceita específicas)
como obrigatória Quanto à possibilidade de adesão:
• Convenção de Havana (1929): primeiro esforço de • Abertos (limitados ou ilimitados)
codificação nas Américas • Fechados (apenas signatários originais)
• Convenção de Viena (1969): principal instrumento
normativo sobre tratados 6. Processo de Formação
• Convenção de 1986: tratados entre Estados e Fase Internacional:
organizações internacionais • Negociação
• Conclusão
2. Conceito de Tratado (Art. 2º Convenção de Viena) • Assinatura
• Acordo internacional concluído por escrito Fase Interna:
• Entre Estados (sujeitos de DI) • Referendo parlamentar
• Regido pelo Direito Internacional • Ratificação
• Independe da denominação específica • Promulgação e publicação
• Pode constar em um ou mais instrumentos
7. Requisitos de Validade
3. Terminologia dos Tratados • Capacidade: originária (Estados) ou derivada
• Tratado: termo genérico ou acordos solenes (organizações internacionais)
• Convenção: tratados multilaterais normativos • Habilitação dos representantes: plenos poderes
• Carta: tratados constitutivos de organizações • Mútuo consentimento: livre de vícios
• Protocolo: complementar ou independente • Objeto lícito e possível: não contrário ao jus cogens
• Pacto: grande solenidade
• Acordo: geral ou específico 8. Outros Atos Referentes aos Tratados
• Acordo por troca de notas: forma simplificada • Adesão: Estado não signatário torna-se parte
• Modus vivendi: acordo temporário/provisório • Reserva: excluir ou modificar efeitos de disposições
• Concordata: acordo com a Santa Sé o Pode ser vedada, restrita ou incompatível
• Reversais: confirmação de acordos • Emenda: modificação das disposições

4. Estrutura dos Tratados 9. Interpretação dos Tratados


• Título: identificação e objeto • Boa-fé: princípio fundamental
• Preâmbulo: partes e representantes • Sentido comum: dos termos
• Considerandos: motivos e objetivos • Contexto: texto, preâmbulo, anexos
• Articulado: disposições normativas • Objetivos e finalidades: propósito do tratado
• Fecho: fórmula final • Meios suplementares: trabalhos preparatórios,
• Assinatura: autenticação/consentimento circunstâncias da conclusão
• Anexos: material complementar
10. Extinção dos Tratados
5. Classificações dos Tratados Causas normais:
Quanto ao número de partes: • Ab-rogação (acordo entre partes)
• Bilaterais (dois sujeitos) • Expiração do prazo
• Multilaterais (três ou mais) • Execução integral do objeto
• Umbrella treaty (tratado-quadro) • Tratado posterior incompatível
• Convenção-quadro • Condição resolutiva
Quanto ao procedimento: • Suspensão da execução
• Stricto sensu (procedimento completo) • Denúncia
• Forma simplificada (procedimento abreviado) Causas anormais:
Quanto à execução no tempo: • Impossibilidade superveniente
• Transitórios (objeto se esgota) • Mudança fundamental das circunstâncias (rebus sic
• Permanentes (relações duradouras) stantibus)
• Mutalizáveis (admitem adaptação) • Rompimento de relações diplomáticas (em casos
• Não-mutalizáveis (disposições rígidas) específicos)
Quanto à natureza jurídica: • Violação substancial do tratado
• Tratados-normativos/tratados-lei (normas gerais) • Estado de guerra (com exceções)
Resumo: Carlos Weber
Bacharelado em Direito - 10º Período
SIMULADO
QUESTÃO 1 A Convenção de Viena sobre o Direito dos Estados invoca a cláusula "rebus sic stantibus" para extinguir
Tratados de 1969 estabelece regras precisas sobre a o tratado. Considerando a disciplina da Convenção de Viena
interpretação dos tratados internacionais. Um Estado-parte em sobre mudança fundamental das circunstâncias, é correto
um tratado multilateral sobre proteção ambiental alega que afirmar que:
determinada disposição deve ser interpretada considerando a) A extinção do tratado por mudança de circunstâncias só
exclusivamente os trabalhos preparatórios, uma vez que estes é possível se: a existência das circunstâncias originais
revelam com clareza a intenção original dos negociadores. constituiu base essencial do consentimento, a mudança
Considerando as regras de interpretação estabelecidas pela transforma radicalmente as obrigações, e não foi prevista
Convenção de Viena, é correto afirmar que: pelas partes, sendo interpretada restritivamente.
a) Os trabalhos preparatórios constituem meio principal de b) A simples mudança econômica desfavorável autoriza
interpretação e devem prevalecer sobre o sentido comum automaticamente a extinção unilateral do tratado, pois
dos termos do tratado quando houver divergência. configura mudança fundamental de circunstâncias.
b) Os trabalhos preparatórios são vinculantes para todos os c) Tratados bilaterais não podem ser extintos por mudança
Estados-partes e determinam exclusivamente o sentido de circunstâncias, aplicando-se esta regra
das disposições ambíguas do tratado. exclusivamente a tratados multilaterais.
c) A interpretação deve priorizar o sentido comum dos d) A mudança de circunstâncias econômicas jamais pode
termos em seu contexto e à luz do objeto e finalidade do fundamentar a extinção de tratados, pois os riscos
tratado, podendo os trabalhos preparatórios ser utilizados econômicos são inerentes às relações internacionais e
apenas como meio suplementar. devem ser suportados pelos Estados.
d) A Convenção de Viena estabelece que a interpretação e) Basta que um dos Estados demonstre prejuízo econômico
deve ser feita exclusivamente pelos órgãos jurisdicionais decorrente de mudanças de mercado para que o tratado
internacionais, não cabendo aos Estados invocar seja considerado extinto, independentemente de outros
trabalhos preparatórios. requisitos.
e) Os trabalhos preparatórios devem ser desconsiderados na
interpretação de tratados multilaterais, aplicando-se QUESTÃO 4 Um tratado multilateral sobre desarmamento
apenas a tratados bilaterais onde há identidade de nuclear estabelece disposições sobre inspeção de instalações
vontades. militares que, segundo alguns Estados, contrariam sua
soberania. O tratado não contém cláusula expressa proibindo
QUESTÃO 2 Um Estado soberano formula reserva a reservas, mas seu objeto é claramente a criação de um regime
determinadas disposições de uma convenção multilateral uniforme de verificação. Três Estados formulam reservas às
sobre direitos humanos no momento de sua ratificação. Outros disposições sobre inspeção ao ratificar o tratado. Analisando
três Estados-partes objetam formalmente a reserva, alegando esta situação à luz do direito dos tratados, qual alternativa
sua incompatibilidade com o objeto e finalidade da convenção, apresenta a solução juridicamente mais adequada?
enquanto os demais Estados permanecem silentes. Segundo o a) As reservas são válidas porque o tratado não as proíbe
regime jurídico das reservas estabelecido pela Convenção de expressamente, devendo ser aceitas por todos os Estados-
Viena de 1969, qual seria a consequência jurídica mais partes como decorrência da soberania estatal.
adequada desta situação? b) As reservas devem ser consideradas incompatíveis com
a) A reserva é automaticamente nula por ter sido objetada, o objeto e finalidade do tratado, pois comprometem o
impedindo o Estado reservante de tornar-se parte da regime uniforme de verificação que constitui sua
convenção. essência, podendo ser rejeitadas pelos demais Estados.
b) A reserva prevalece em relação a todos os Estados- c) Reservas a tratados de desarmamento são sempre
partes, pois a soberania estatal permite a modificação proibidas pelo direito internacional geral,
unilateral de disposições convencionais. independentemente de disposição expressa no tratado.
c) O Estado reservante torna-se parte da convenção, mas d) Os Estados que formularam reservas tornam-se partes do
não terá relações jurídicas decorrentes do tratado com os tratado com plenos direitos, mas ficam dispensados de
Estados que objetaram a reserva, mantendo-as com os todas as obrigações de verificação.
que aceitaram expressa ou tacitamente. e) As reservas devem ser submetidas a referendo popular
d) O silêncio dos demais Estados equivale à rejeição tácita nos Estados que as objetarem, sob pena de aceitação
da reserva, tornando-a ineficaz perante toda a tácita.
comunidade de Estados-partes.
e) A questão deve ser obrigatoriamente submetida à Corte QUESTÃO 5 Um tratado bilateral sobre cooperação em
Internacional de Justiça para que determine a matéria de extradição foi concluído em 1995 por procedimento
compatibilidade da reserva com o objeto e finalidade da completo incluindo ratificação parlamentar. Em 2023, os
convenção. Ministros das Relações Exteriores dos dois Estados assinam
protocolo modificando substancialmente alguns
QUESTÃO 3 Dois Estados celebram um tratado bilateral em procedimentos de extradição, sem submeter o protocolo ao
2020 estabelecendo regime específico de cooperação referendo parlamentar. Cidadãos dos dois países questionam
econômica baseado em determinadas condições de mercado judicialmente a validade do protocolo. Considerando a teoria
então existentes. Em 2024, ocorrem mudanças econômicas geral dos tratados e suas formas de conclusão, é correto
globais profundas e imprevisíveis que alteram radicalmente o afirmar que:
equilíbrio de vantagens estabelecido no tratado. Um dos
Resumo: Carlos Weber
Bacharelado em Direito - 10º Período
a) O protocolo é nulo porque toda modificação de tratado d) O Estado prejudicado pode invocar a corrupção de seu
ratificado exige obrigatoriamente novo referendo representante como vício do consentimento para anular o
parlamentar, não podendo ser feita por acordo executivo. tratado, mas deve fazê-lo mediante procedimento
b) O protocolo pode ser válido se constituir acordo em específico e dentro de prazo razoável após descobrir o
forma simplificada sobre matéria de competência do vício.
Executivo, dependendo do direito constitucional de cada e) Apenas a Corte Internacional de Justiça pode declarar a
Estado e da natureza das modificações. nulidade do tratado por corrupção, não sendo permitida
c) Ministros das Relações Exteriores nunca têm ao Estado prejudicado a denúncia unilateral.
competência para modificar tratados, sendo necessária
sempre a participação direta dos Chefes de Estado. QUESTÃO 8 Uma convenção multilateral sobre mudanças
d) O protocolo é automaticamente válido porque foi climáticas estabelece metas progressivas de redução de
assinado por autoridades com plenos poderes implícitos, emissões. O tratado prevê que protocolos adicionais
independentemente de aprovação parlamentar. especificarão as metas para cada período. Um protocolo é
e) Protocolos modificativos jamais requerem procedimento adotado por maioria dos Estados-partes, mas alguns Estados
de conclusão, sendo suficiente a manifestação de vontade objetam suas disposições e não o ratificam. Esses Estados não
das partes por qualquer meio. ratificantes alegam que permanecem vinculados apenas à
convenção-quadro original. Analisando a relação entre
QUESTÃO 6 Um Estado federal ratifica convenção tratados-quadro e protocolos adicionais, é juridicamente
multilateral sobre proteção de minorias. Posteriormente, um de correto afirmar que:
seus estados-membros edita legislação contrária às a) Os protocolos constituem tratados autônomos que
disposições da convenção, alegando competência legislativa exigem consentimento específico dos Estados,
concorrente na matéria. O Estado federal é demandado vinculando apenas aqueles que os ratificarem, sem
internacionalmente pelo descumprimento da convenção. prejuízo da vigência da convenção-quadro para os não
Considerando os princípios de direito internacional sobre ratificantes.
responsabilidade estatal e tratados, qual alternativa está b) Os protocolos vinculam automaticamente todos os
correta? Estados-partes da convenção-quadro,
a) O Estado federal não pode ser responsabilizado porque a independentemente de ratificação específica, pois
legislação foi editada pelo estado-membro, que possui constituem execução de obrigações já assumidas.
autonomia legislativa reconhecida pelo direito interno. c) A não ratificação de protocolos implica automaticamente
b) A responsabilidade é exclusiva do estado-membro que denúncia da convenção-quadro, pois demonstra
editou a legislação contrária ao tratado, devendo as desinteresse do Estado no regime jurídico estabelecido.
demandas serem dirigidas diretamente a ele na esfera d) Estados que não ratificam protocolos perdem a qualidade
internacional. de parte da convenção-quadro, devendo ser excluídos de
c) O tratado é automaticamente inválido em relação àquele todos os órgãos e procedimentos estabelecidos pelo
Estado federal porque foi ratificado sem observância da tratado.
repartição interna de competências. e) Protocolos adicionais não têm natureza jurídica de
d) O Estado federal é internacionalmente responsável pelo tratados, constituindo apenas recomendações políticas
descumprimento do tratado, pois o direito internacional sem força vinculante para qualquer Estado.
não admite que um Estado invoque disposições de seu
direito interno para justificar o inadimplemento de QUESTÃO 9 Um tratado multilateral de 1980 sobre
obrigações convencionais. cooperação em matéria de aviação civil contém disposições
e) O Estado federal pode denunciar parcialmente o tratado técnicas baseadas na tecnologia então disponível. Em 2024,
em relação ao estado-membro descumpridor, mantendo- desenvolvimentos tecnológicos tornaram algumas disposições
o em vigor para os demais entes federados. obsoletas e impraticáveis. Não há previsão no tratado sobre
emendas ou adaptação. Alguns Estados propõem interpretação
QUESTÃO 7 Durante negociação de tratado comercial evolutiva das disposições técnicas, enquanto outros defendem
bilateral, o representante de um dos Estados, mediante a necessidade de emenda formal. Considerando os princípios
corrupção praticada por agentes do outro Estado, consente de interpretação e modificação de tratados, qual solução seria
com disposições manifestamente desvantajosas para o Estado mais adequada?
que representa. O tratado é ratificado e entra em vigor. Cinco a) A interpretação evolutiva não é admitida em tratados
anos depois, descoberta a corrupção, o Estado prejudicado multilaterais técnicos, exigindo-se sempre emenda
pretende anular o tratado. Segundo a Convenção de Viena, formal para qualquer adaptação a novas circunstâncias.
qual procedimento e consequência jurídica aplicam-se a este b) Qualquer mudança tecnológica autoriza interpretação
caso? completamente livre do tratado pelos Estados-partes,
a) O tratado é nulo de pleno direito desde sua conclusão, independentemente do texto original.
independentemente de manifestação expressa do Estado c) Tratados anteriores a 1990 são automaticamente extintos
prejudicado, produzindo efeitos retroativos automáticos. quando suas disposições técnicas se tornam obsoletas,
b) A corrupção do representante não afeta a validade do não sendo possível nem interpretação evolutiva nem
tratado porque este passou pelo referendo parlamentar, emenda.
que ratifica ou rejeita autonomamente o texto negociado. d) A obsolescência técnica configura impossibilidade
c) O tratado permanece válido porque a Convenção de superveniente de execução, extinguindo
Viena não admite anulação por vícios de consentimento automaticamente o tratado sem necessidade de denúncia
após a entrada em vigor do tratado. ou emenda.
Resumo: Carlos Weber
Bacharelado em Direito - 10º Período
e) Disposições técnicas podem ser objeto de interpretação
evolutiva quando o tratado comporta tal flexibilização e
quando necessário para realizar seu objeto e finalidade,
sem contrariar seus termos expressos, mas modificações
substanciais exigem emenda formal.

QUESTÃO 10 Um Estado assina tratado multilateral sobre


proteção de patrimônio cultural, formula reserva a
determinado artigo, ratifica o tratado e deposita o instrumento
de ratificação junto ao depositário. Dois anos depois,
percebendo que a reserva foi mal formulada e não expressa
adequadamente sua posição, pretende modificá-la. Outros
Estados já aceitaram ou objetaram a reserva original. Segundo
o regime jurídico das reservas, qual procedimento é
juridicamente adequado?
a) O Estado pode modificar livremente sua reserva a
qualquer tempo, pois trata-se de declaração unilateral que
expressa sua soberania.
b) Reservas não podem ser modificadas nem retiradas após
o depósito do instrumento de ratificação, tornando-se
definitivas e irreversíveis.
c) A modificação de reserva exige aprovação unânime de
todos os Estados-partes do tratado, sob pena de nulidade.
d) O Estado deve denunciar o tratado e aderir novamente
com nova reserva, pois não há previsão legal para
modificação de reservas já formuladas.
e) O Estado pode retirar a reserva a qualquer tempo sem
necessitar de consentimento dos demais Estados, mas a
modificação que amplie seu alcance equivale a nova
reserva, sujeitando-se ao regime de aceitação e objeção.

GABARITO E JUSTIFICATIVAS
1. C - A Convenção de Viena estabelece que a interpretação deve seguir a boa-fé,
sentido comum, contexto e objeto/finalidade como regras principais (art. 31),
sendo os trabalhos preparatórios meios suplementares (art. 32).
2. C- O regime das reservas estabelece que o Estado reservante torna-se parte,
mas as disposições reservadas não se aplicam nas relações com Estados que
objetaram, mantendo-se com os que aceitaram expressa ou tacitamente (art. 20-
21 CVDT).
3. A - A mudança fundamental de circunstâncias (art. 62 CVDT) é excepção ao
pacta sunt servanda, exigindo condições rigorosas e interpretação restritiva, não
sendo qualquer mudança econômica suficiente.
4. B - Reservas incompatíveis com objeto e finalidade do tratado devem ser
rejeitadas (art. 19 CVDT), especialmente quando comprometem a essência do
regime estabelecido.
5. B - Acordos em forma simplificada são válidos conforme o direito
constitucional de cada Estado e a natureza da matéria, podendo dispensar
referendo parlamentar em certas circunstâncias.
6. D - O art. 27 da CVDT estabelece que um Estado não pode invocar seu direito
interno para justificar descumprimento de tratado, sendo responsável
internacionalmente pelos atos de todas suas entidades.
7. D - A corrupção do representante é vício de consentimento (art. 50 CVDT) que
permite anulação, mas exige procedimento específico e prazo razoável.
8. A - Protocolos são tratados autônomos que exigem consentimento específico,
vinculando apenas ratificantes, sem afetar a vigência da convenção-quadro para
não ratificantes.
9. E - A interpretação evolutiva é admitida quando o tratado comporta
flexibilização e é necessária para realizar seu objeto, mas modificações
substanciais exigem emenda formal.
10. E - A retirada de reserva pode ser feita a qualquer tempo (art. 22 CVDT), mas
modificação que amplie o alcance equivale a nova reserva, sujeitando-se ao
regime de aceitação/objeção.

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