Funções e Estrutura da Administração Pública
Funções e Estrutura da Administração Pública
9
AAdministração Pública
CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO
25
C U R S OD E D I U
às empresas
comoà
10 Cstrangeiro,
c s t r a n g e i r o ,
bcm como
bem
porti
no
acional, éé cconcedida pelos
servicos
r e s i d e n t e s nacional,
territó
nacionais
fora
do
a c t u a m
cmigração.
do registo predial:
património
civil, do
registo
comercial e
stradas, das
constru
das 1pontese via«
do registo
manutenção
das
cstradas c
uto-cstradas,
s a o o b t i d a s pelos
servi iadutos,
ção c
acroportos
nacionais,
26
execução dos orçani
INTRODUÇAO
Sobobre os fins do Estado, ver a CRP, arts. 2. e 9., e MARCELLO CAETANO, Manual de
encia Politica e Direito
Constitucional, I, 6. ed., Coimbra, 1970, pp. 143-148.
27
na sua m a i o r parte, a necas
Fica excluída do àmbito
administrativo,
das
ces-
(isto é, a aplicação norn-
sidade colectiva da realização da justiça
com força de caso julpad.
jurídicas aos casos concretos por sentenças do
Esta função, desempenhada por
estes órpa
emitidas por tribunais).
necessidade colectiva, mas acha-se col -
satisfaz inegavelmente uma
lei constitucional (CRP, art. 202.?) fora da
pela d
cada pela tradição
e
No
segundo caso, utiliza-se a expressão no sentido de
administração pública aparece então como sinónimo de actividade
administrativa. E a administração actividade
também se pública em sentido material- ou, comn
diz,
em sentido objectivo.
2V
V. MARCELLO CAETANo, Manual
de
de
necessidades colectivas e dos Direito Administrativo, I, p. 1ee ss. O estudo
estudo dada noça
tem sido feito sobretudo modos da sua
satisfação pela
oyblica
NOCO E pelos
SOUSA, Tratado de Sciênciacultores da Ciência das Administração u
RIBEIRO, Lições de Finanças: v., a proposi,
das Finanças, Coimbra, vol.
MAR-
alle nos referimos, e que existe e funciona para satisfação das neces-
idades colectivas, não é mais do que um sistema de serviços e enti-
dades administração püblica em sentido orgânico ou subjectivo
ale actuam por forma regular e contínua para cabal satisfação das
necessidades colectivas administração pública em sentido material
-
ou objectivo.
Ao longo do nosso estudo falaremos muitas vezes de «administra-
cão pública» em ambos os sentidos. Do contexto em que utilizarmos
tal expressão resultara quase sempre de forma clara qual deles temos
em mente. Contudo, a fim de atastar grandes dúvidas, passaremos
escrever Administração Püblica com iniciais maiúsculas quando nos
material ou objectivo.
De um ponto de vista técnico-jurídico, ainda é possível descobrir
um terceiro sentido - administração pública em sentidoformal-que
tem a ver com o modo próprio de agir que caracteriza a administração
em determinado tipo de sistemas de administração. Mas só
pública
nos ocuparemos do assunto mais adiantes.
Por agora, convém explanar um pouco melhor o conteúdo dos dois
sentidos principais acima indicados.
regiões autónomas,
nos distritos, nos concelhos-onde desenvolvem porforma desconcen-
trada funções de interesse geral
ajustadas às realidades locais: so os
governos civis, os serviços concelhios de finanças, as direcções regio-
nais de educação, as comissões de
protecção de criançase jovens, etc.
Enfim, a Administração Pública não se limita ao Estado:
mas
inclui-o,
comporta muitas outras entidades e organismos. Por isso tam-
bém, nem toda a actividade administrativa é uma actividade
estadual:
a
administração pública não é uma actividade exclusiva do
Estado.
Ao lado do Estado ou sob a sua
égide, há muitas outras instituições
desenvolvendo actividades administrativas
com ele: têm
que não se confundem
personalidade própria, e constituem por isso entidades
política, jurídica e sociologicamente distintas. E o caso dos
pios, das freguesias, das regiões munici-
institutos públicos, das autónomas, das universidades, dos
das pessoas colectivas deempresas públicas, das associações públicas,e
utilidade pública, entre outras.
No século
XIX, em pleno liberalismo, a
era sobretudo
uma
organização de àmbito
Administração Pública
central
ocupavam-se da politica, da municipal: o Rei e opoder
da moeda, do diplomacia, guerra, da justiç*
da
vezes com
imposto, mas eram os
municípios que tratavam- Po
grande autonomia da generalidade
-
soas colectivas
órgãos, serviços e do
agentes Estado, bem como das demais pes-
públicas, e de algumas entidades privadas, que
nome da colectividade asseguram em
vas de
a
satisfação regular e contínua das necessidades colecti-
segurança, cultura e bem-estar.
A terminar,
acrescente-se que a
Administração Pública, tal como a
definimos, é nos dias de hoje um vasto
conjunto de entidades e orga
[Link], Cap. II, ^ 1.9, I.
Sobre a
TANO,
Administração Pública em sentido orgânico
Mamual, I, pp. 6-7 e
13-15; Aronso ver, entre nós, MARCELLO
Coimbra, 1968, p. 73; MArQUES QUEIRó, Estudos de Direito Administrativo, LA
P.9, RoGÉRIO E. SOARES, GUEDES, Estudos de Direito l
Administrativo, Lisboa,
«Administração Pública», in Polis, I, col. 136, e PEDRO 196>
ÇALVES, Entidades Privadas com
Poderes Públicos,
todos, ZANOBINI,
«Amministrazione Publica», Coimbra, 2005, p. 282 e ss.; e lá fora,GON
in EdD, II,
p. 233.
Po
32
INTRODUÇÃO
nismos, departamentos e serviços, agentes e funcionários, que não é
fácil conhecer de forma rigorosa.
Uma estimativa grosseira - que a precaridade dos estudos de Ciên-
além
Quanto ao número global de pessoas colectivas públicas, tenha-se presente que
-
freguesias, o que soma 3160 pessoas colectivas públicas. Há ainda a acrescentar a este
número as autarquias locais das regiões autónomas (239), as associações públicas
(+/-50), os institutos públicos (+/- 170), as entidades reguladoras independentes (1)
e as entidades públicas empresariais (+/- 70): cft. os dados constantes do Portal da
Saúde ([Link] das páginas electrónicas da Direcção-Geral
das Autarquias Locais ([Link] e da Direcção-Geral da Admi-
nistração e do Emprego Público ([Link] assim como o Relatório
Final de Avaliação das Fundações (2013), publicado na página do Governo (http:/
[Link]/media/885679/20130308_Relatorio_Avaliacao_Final_Funda
[Link]).
A estimativa dos serviços paiblicos, decerto a mais grosseira, baseia-se na hipótese de 10
Serviços por cada pessoa colectiva pública.
Cerca de 80% dos trabalhadores da Administração Pública estão afectos à Adminis-
tração Central. As expectativas associadas à transição para o regime democrático e à
proclamada descentralização resultaram, neste aspecto, frustradas, pois até 2005 o peso
relativo do pessoal da Administração Central foi sempre aumentando, invertendo-se
apenas nos últimos anos. V., na página da Direcção-Geral da Administração e do Em
Prego Püblico, as sínteses estatísticas do emprego público e o estudo Anälise da evolu
[Link]).
33
ADMINISTRATIVOo
DIREITO
DE
f.
CURSO
tro, os
por outro,
os fun
publicos;
serviços
e os
colectivas
públicas
de pers
cionáriose
pessoas
agentes administrativos.
umas
dotadas
rSO-
organizações,
é
constituída por
publicas),
outras em
não
regra n a .
A primeira colectivas
nalidade jurídica
(as pessoas
públicos). inteligência a
ea
.
serviços a sua
personificadas (os que põem
segundaéformada porindivíduos, a d m i n i s t r a t i v a s
para as quai.
juai_
A organizações
vontade ao serviço das
sua
ao conjunto dhe
trabalham. oufunçãopublica,
burocracia, servico
Chama-se vulgarmente especializados ao
trabalham c o m o profissionais
individuos que reserve essa palavra para
Mas também há quem inthuência indevida
da Administração0. ou para a
da Administração,
método de actuação adiante, n.° 6).
exercida pelos funcionários sobre o poder político (v.
referimos
-
constituido por orga-
O enorme e denso aparelho que
indivíduos -
material
4. A administração pública em sentido
Em sentido material, pois, a administração pública é
uma actividade.
E a actividade de administrar.
E o que é administrar? Administrar é, em geral, tomar decisões
e efectuar operações com vista à satisfação regular de determinadas
necessidades, obtendo para o efeito os recursos mais adequados e uti-
lizando as formas mais convenientes.
Daí que a
«administração pública» em sentido material possa ser
definida como a actividade típica dos
serviços públicos e agentes adminis-
trativos desenvolvida no
interessegeral da colectividade, com vista à satisfaç0
regular e contínua das necessidades colectivas de
segurança, cultura e bem-estar,
obtendo para o
efetto os recursos mais adequados e utilizando as
Convenientes. formas mas
0Cfr. M.
AMENDOLA, «Burocrazia», in EdD, V, p. 712; J. F. NUNEs
cia, in DJAP, I, p. 752; MAx BaRATA, «Buroe
WEBER, The theory of
1947; e M. BAENA DEL social
ALCÁZAR, Curso de Ciência de la
and economic
organisation, o
e SS.
como dis-
outros órgos
o OS adnministrativoS: cabe ao poder e
agentes que
aos juízes.
judicial, isto é, aos tribunais e
Mas se os fins do Estado, como colectividade
politica suprema, são
aiustiça, a segurança, a cultura e o bem-estar, então todos os fins do
Estado (para além da justiça) se realizam através da
administração
nública- e, portanto, os fins da Administração Pública são
Pú
a
a cultura, co bem-estar económico e social. segurança,
Qual o conteúdo material da actividade administrativa?
Durante muito tempo não se julgou necessário fazer essa
rigorosa: como tradicionalmente o Rei exercia e dirigia as activida-
definição
des politica, legislativa, administrativa e jurisdicional (concentração de
poderes), não era particularmente importante saber distinguir, de um
ponto de vista material, a função administrativa das restantes.
Mas com a Revolução Francesa vingou o princípio da separação dos
poderes: o Rei perdeu as funções legislativa e jurisdicional, conservando
apenas a função política e a função administrativa.
A função administrativa foi inicialmente concebida como activi-
dade meramente executiva: ao Governo cabia assegurar a boa execução
das leis, segundo a fórmula tradicional entre nós, de que ainda se fazia
eco
aConstituição de 1933 (art. 109.9, n.°3).
Mas na segunda metade do século XX compreendeu-se que à Admi-
nistração Pública não compete apenas promover a execução das leis:
cumpre-Ihe também, por um lado, executar as directrizes e opções
Fundamentais traçadas pelo poder politico - caso em que a função
DIREITO
CURSO DE
2
Sobre o problema v. SÉRvULo
Direito Administrativo,
CorRElA, Noções, I, pp. 17-30; ESTEveS DE OLIVEIRA
pp. 30-43; e, já à face da
TANO, Manual de Ciéncia Política, I, Constituição de 1933, MARCELLO CAE
p. 157 e ss. Mais desenvolvidamente, cfr. AFONS
QUEIRÓ,
13
Lições de Direito Administrativo, I,
1976, pp. 7-113.
V. adiante a matéria relativa
ao
princípio da legalidade (Parte II, Cap. I).
36
INTRODUÇÃO
A administraço públicaea administração privada
Embora tenham de comum serem o
ambas
nistração pública e a administração, admi- a
administração privada distinguem-se todavia
pnelo objecto sobre que incidenm,
pelo fim que visam
meios que utilizam. prosseguir, pelos
e
e, como
ADMINISTRATIVo
D I R B I T O
DE
administ
adminis
stracão
CURSO
dessa
o hm
fim
não significa
que fim prinao
im principal
geral: o
ar, aainda
interesse
desejável do
e directa particular
tal, legitimo prossecução um
interesse
de
privada
seja a prossecução público.
a interesse
o
de alim
d i t e r e n t e m e n t e ,
com
não é o fim
éai, tendencialmente
c o i n c i d e n t e
da padaria, imen-
que voltar a o
excmplo
padeiro,
mas antes oo .fim
Assim, e para a actuação do fabricand
dectermina
s u a vida ido e a
população que de ganhar
tara perfeitamente
legítimo) o exemplo históri órico
apontar
(de resto
se pudesse rel
ainda que corporação
pão. E
uma
vendendo
fins
altruístas por
com
ai apareceria à luz d.
do
de uma padaria gerida tem fome»),
ainda
(«dar de
c o m e r a quem
finalidade particular de ordem
lem
giosa entre u m a
diferença que
existe
critérios limitativos
de natu.
dia a subordinada a
ou deixar
de existir por perda
reza religiosa,
obrigatoriamente
prosseguida por conta e
geral de
interesse público, issO mesmo não pode
por
de toda a colectividade, que
e
no interesse
deixar de ser aberta a todos em
n e m pode
deixar de ser desenvolvida,
condições de igualdade. dos
também diferem os da administração pública
Quanto aos meios,
os meios jurídi-
privada. Com efeito, nesta última,
da administração
utiliza para actuar
caracterizam-se pela igualdade
cos que cada pessoa entre si e, em
entre as partes: os particulares
são juridicamente iguais
prpria vontade, salvo se
podem inmpor uns aos outros a sua
regra, no
contrato é, assim,
isso decorrer de um acordo livremente celebrado. O
o instrumento jurídico típico do mundo das relações privadas.
Pelo contrário, a administração pública, porque se traduz na satis-
fação de necessidades colectivas que a colectividade decidiu chamar
a si, e
porque tem de realizar em todas as circunstàncias o interese
público definido pela lei geral, näão pode normalmente utilizar, tace
aos particulares, os mesmos meios que estes empregam uns para on
os outros. Se na administração pública só pudesse proceder-Se P
contrato, a tendência natural da generalidade dos cidadãos seria pro
vavelmente no sentido de não dar o seu acordo a tudo lesse
quanto puao
prejudicar, pör em causa, ou não acautelar suficientemente, os Seus
interessespessoais. Ora, como bem se compreende, a administraça
pública não pode ser paralisada pelas resistências Se
Ihe
deparem, de cada vez que o interesse colectivo individuais qu tici-
exigir uma pa
38
INTRODUÇÃO
acão, um contributo ou um
sacrifício individual a bem da colectivi-
Aade. A administração pkblica tem de poder desenvolver-se
as
segundo
exigéncias próprias do bem comum. Por isso a lei permite a utili-
7acão de determinados meios de autoridade, que possibilitam às enti-
dades e serviços püblicos impor-se aos particulares sem ter de aguar-
dar o seu consentimento ou, mesmo, fazé-lo contra a sua vontade.
O contrato não pode, por conseguinte, constituir o instrumento
tipico da administraçao publica. Ha casos,
por certo, cm que esta pode
vercer-se por via de acordo bilateral (contrato administrativo). Mas o
nracesso característico da administração pública, no que esta tem de
diferente e de cspecifico, antes o comando unilateral, quer sob a forma
de acto normativo (e temos então o regulamento administrativo), quer
sob a forma de decisão concreta e individual (e estamos perante o acto
administrativo). Adiante voltaremos a estas figuras mais desenvolvi-
damente.
Acrescente-se, ainda, que assim como a administração pública
envolve, pelas razões apontadas, o exercício de poderes de autori-
dade face aos particulares, que estes não são autorizados a utilizar uns
para com os outros, assim também, inversamente, a Administração
Pública se encontra limitada nas suas possibilidades de actuaço por
restrições, encargose deveres especiais, de natureza jurídica, moral e
financeira - que a lei estabelece para acautelare defender o interesse
público, e a que não estão em regra sujeitos os particulares na prosse-
actividades de administraço E outra privada.
cução normal das suas
habitualmente
diferença, entre administração pública e privada, que
nao é posta em relevo, mas que reveste a maior importância.
Sobre esta matéria, v. RivERO, Drolt Administratif, 10." ed., Pp. 10-11.
TO ponto é acentu: e bem, por RiveRO, ob. cit., pp. 35-36.
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