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Geografia Humana de Portugal

As migrações: um fenómeno do
passado bem no presente
Fernando Jorge Oliveira da Silva
Luís Tiago Moura Pereira
Francisco Rodrigues Antas
Rufino António Cardoso Teixeira
Tiago Daniel Ribeiro Ferreira
Portugal é desde há séculos um país de emigrantes. Os portugueses
encontram-se espalhado por uma boa parte do mundo desde há séculos...

No final do século XX e início deste século, Portugal recebeu muitos


milhares de imigrantes...

Esta nova crise económica, está a gerar uma nova vaga de emigração só
comparável aos anos 60 do século passado, com uma média de 100 000 pessoas
a abandonar o país por ano...
A emigração portuguesa antes do século XX
Principais rotas da emigração portuguesa: local de destino

1. O primeiro grande fluxo aconteceu


com os Descobrimentos e o
povoamento dos espaços recém-
descobertos das ilhas atlânticas, da
África, da Ásia e do Brasil.

Foto:
2. No século XIX, assistiu-se a um
enorme êxodo de população
portuguesa para o Brasil, fluxo que
se manteve até aos anos 50 do
século xx, cujas causas principais
foram a pressão demográfica e a
procura da melhoria do nível de vida.

Fonte: Geodinâmica, Porto Editora


Portugal é por tradição um país de migrações, dado que apesar do
incremento da imigração, os portugueses continuam a emigrar...

CAUSAS DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA

A motivação económica, que se traduz pela procura


de emprego, de melhores salários e de melhores
condições de vida, está na origem da saída de
portugueses do país, que vêem noutros destinos a
esperança num futuro melhor.
Como é que a mobilidade se refletiu na evolução da população portuguesa neste
período?

Ao longo dos anos, os movimentos migratórios, quer internos, quer externos, têm
influenciado as características demográficas e sociais do país, refletindo-se diretamente no
comportamento da população portuguesa no tempo e no espaço.

Podemos, então, apontar três fases distintas a partir do início do século XX:

Saldo migratório Espaço Tempo


Negativo Intercontinentais Definitivas
FASE I
Aumento da população
Finais séc. XIX –
atenuado pela Grande
meados séc. XX Guerra e emigração.

Negativo Intracontinentais Incremento temporárias


FASE II
Diminuição da população
1960-1973

FASE III Positivo Intracontinentais e Aumento temporárias


Aumento da população intercontinentais
Após 1973
Fases da emigração
1.ªFASE portuguesa
Outros Argentina Estados Unidos Brasil
Principais destinos da emigração
9%
3%
Vaga migratória transoceânica
18%

Destinos: sobretudo Brasil e EUA


70%
Migrações nacionais: finais do século XIX e primeira
metade do século XX

“De 1830 a 1930, a emigração portuguesa manteve-se constante, à volta dos 20


000 migrantes por ano (números oficiais), apesar das variações provocadas por
mudanças na política interna, por decisões da política migratória dos países
estrangeiros e pela crise da economia mundial, que afetou o fluxo de migrantes
para a América do Norte. A migração para outros países que não as colónias,
mostra uma baixa taxa unicamente em 1930-50, por causa da guerra e da
recessão, mas, em 1950, a antiga taxa voltou imediatamente, embora com a
Venezuela e o Canadá a substituírem em importância os Estados Unidos e o
Brasil."

Patrícia Goldey, ‘Migração e relações de produção: a terra e o trabalho numa aldeia do Minho:
1876-1976’, A vida Social. (com adaptações)
FATORES EXPLICATIVOS:

- Portugal atravessa no 1.º quarto do século XX uma crise económica profunda que durava
desde o século XIX.

- Instabilidade política e social que é uma constante durante a 1.ª república.

- Taxa de desemprego muito elevada;

- Primeira Guerra Mundial desvia os emigrantes de destinos europeus;

- Avolição da escravatura no Brasil


Fases da emigração
2.ªFASE portuguesa
França Outros Venezuela
Brasil Canadá Estados Unidos
Principais destinos da emigração
Alemanha
10%
Maior período de emigração da
8% população portuguesa
7%
Emigração sobretudo para França
5%
61%
9%
Emigração clandestina
FATORES EXPLICATIVOS:

- Morosidade na organização dos processos.

- Restrições impostas pelos países recetores.

- Degradação acelerada das condições de vida em Portugal.

- Guerra colonial em África.

- Intensificação das perseguições políticas em Portugal.

- Falta de recursos e de emprego.

- Baixo nível de vida e baixos salários.

- Falta de estruturas de apoio às famílias e às atividades socioculturais.


MAS O QUE LEVOU A QUE AS PESSOAS FOSSEM PARA ESSES
PAÍSES?

- O grande desenvolvimento económico assistido na Europa Ocidental logo após a 2.ª


Grande Guerra;

- Necessidade de reconstrução de estruturas - que permitiu, principalmente a contratação


em massa na construção civil - de mão de obra barata e fácil (baixas qualificações).
E EM PORTUGAL, QUE CONSEQUÊNCIAS SURGIRAM?

- Diminuição da população ativa, que levou, nas áreas rurais, ao abandono dos campos e
ao esforço de mecanização dos campos agrícolas;

- Aumento da taxa de analfabetismo (que era inferior na população que emigrou, cerca de
17%, contra 30% na população do país;

- Subida dos salários e o investimento em nova tecnologia na indústria, sobretudo a de


capital estrangeiro;

- Envelhecimento demográfico;

- Entrada de divisas (dinheiro enviado pelos emigrantes) estrangeiras.


Fases da emigração
3.ªFASE portuguesa
Após 1973, a população portuguesa aumentou, o saldo migratório passou a ser positivo, apesar de
decrescer na década de 1980 e de registar um abrandamento nos últimos anos.

FORTE DIMINUIÇÃO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA


1973 – Crise Petrolífera (subida vertiginosa dos preços do petróleo que levou a graves consequências económicas).

Grande AUMENTO DO DESEMPREGO nos países da Europa Ocidental

- Os países da Europa ocidental impuseram restrições à imigração, com o objetivo de diminuir o desemprego da sua
população.
- Incentivaram o regresso de alguns imigrantes aos seus países de origem, dando indemnizações.
CRISE ECONÓMICA INTERNACIONAL DE 1973

25 de Abril de 1974 - Melhoria da situação


económica portuguesa:
- Fim da Guerra Colonial;
- Decréscimo da emigração
- Democratização da sociedade portuguesa; portuguesa
- Entrada de Portugal na CEE (actual UE) em
1986; - Regresso de muitos
- Melhoria do nível de vida da população; emigrantes a Portugal
- Melhoria da qualidade de vida.
ANOS 70
Nesta década, temos um aumento da imigração em Portugal, em resultado...

- Do regresso dos
- Da descolonização e emigrantes, sobretudo os
do retorno dos que se encontravam numa
portugueses da ex- situação de impedimento,
colónias; antes do 25 de abril, de
voltarem a Portugal.
ANOS 80
Nesta década, assistimos a um aumento da emigração, um incremento e predomínio da emigração
temporária, em consequência, por exemplo:

Da assinatura dos acordos de Schengen, que Do fim dos condicionalismos


estabelecem a livre circulação de pessoas nos Da globalização da administrativos que restringiam a
países signatários; economia. saída do país;

Do fim dos condicionalismos administrativos que restringiam a saída do país;

Do fim dos condicionalismos administrativos que Do desenvolvimento das infraestruturas e dos


restringiam a saída do país; meios de transporte;

um incremento da imigração, originária dos países africanos


um aumento do regresso da população de expressão portuguesa (PALOP), especialmente de Cabo
emigrante a Portugal devido à melhoria do Verde;
nível de vida em Portugal.
ANOS 90

A partir desta década, Portugal passa também a ser um país de imigrantes, que representam já 3,7% do
total da população em 2011.

Os imigrantes não são só de países de língua e expressão portuguesa, mas


também:

• Da Europa de Leste (Ucrânia, Roménia)


• Da Europa Ocidental (como o Reino Unido)
• Da Ásia (como a China).
Origem da população estrangeira residente em Portugal (2001 e 2011)
Apesar de desde esta altura, também sermos um país de imigrantes,
Portugal continua a ser um país de emigrantes mas com destinos e um perfil
diferenciados dos encontrados na década de sessenta:

A par da emigração intracontinental, os destinos intercontinentais regressam, como Angola, Moçambique


e Brasil;

A emigração temporária predomina;

Surge o aumento da emigração de jovens qualificados;

A emigração de caráter individual substitui a familiar;

A emigração feminina aumenta, apesar de predominar a masculina;


O aumento da população em 2% entre 2001 e 2011 foi Com a taxa de fecundidade dos portugueses a diminuir, a
consequência da imigração compensando o decréscimo da substituição das gerações em Portugal teve o contributo dos
natalidade. imigrantes.

As migrações e a evolução da população


portuguesa

Num futuro próximo, perspetiva-se uma baixa mais acentuada da A nova vaga emigratória de portugueses recupera antigos destinos
Taxa de Crescimento Efetivo, já que o saldo migratório será dentro da Europa e países de expressão portuguesa.
negativo.
Conclusões
A emigração dos anos 60 era essencialmente de perfil indiferenciado (baixas
qualificações);

A “nova emigração” é qualificada e, em alguns casos, procura melhores condições


noutros lugares;

Os imigrantes recebidos nos anos 90 (sobretudo de leste) não foram aproveitados;

A “migração por melhoria” deu lugar a uma ”corrida pelo talento”;

Desintegração das migrações com a cidadania.

Estado não fornece políticas eficazes na captação de imigrantes qualificados;