Você está na página 1de 44

TMA Capitulo 01 – Propriedade dos Gases

Gás: Pode ser visto como um conjunto de moléculas ou


átomos em movimento permanente e aleatório, com
velocidades que aumentam quando a temperatura se eleva.
- não apresentam volume ou forma definidos
- apresentam baixa densidade
- todos apresentam respostas semelhantes ao efeito
de temperatura e pressão
As variáveis de estado:
volume que ocupa ( V )
quantidade de matéria envolvida (n – número de moles)
pressão ( p )
temperatura ( T )

Equação de estado:

p  f T ,V , n
nRT
Exemplo de equação de estado: p
01
V
TMA Pressão

Definição: A pressão é dada pelo quociente entre a força


exercida por área de atuação. A unidade no SI de pressão é o
Pascal (Pa) – newton por metro quadrado

Unidades:

Nome Símbolo Valor


Pasca 1 Pa 1Nm-2, 1Kgm-1s-2
Bar 1 bar 105 Pa
Atmosfera 1 atm 101325 Pa
Torr 1 torr 101325/760 Pa
Milimetro de mercúrio 1mmHg 133,322 Pa
Libra por polegada2 1 psi 6,894747 kPa

02
TMA Pressão
Exemplificação:

Dois blocos de mesma massa.


O dois blocos exercem a
mesma Força mas em áreas
diferentes.

A pressão em um gás confinado é


o resultado do impacto das
partículas com a fronteira (
parede) que o contem.

Os conceitos associados a pressão atmosférica e sua


variação com a altitude
03
TMA Medida da pressão

Barômetro: Foi inventado no século 17 por um italiano –


Evangelista Torricelli

Descrição: Consiste em um tubo


de vidro vertical, fechado em
uma extremidade, imerso com a
extremidade aberta em um
recipiente contendo um líquido.

Funcionamento: o líquido atinge


uma altura no tubo em que o
peso da coluna de líquido é igual
à pressão exercida (atmosférica)

Equilíbrio Mecânico. Se o liquido


for o mercúrio a coluna deve
subir 760 mm, que corresponde
a pressão atmosférica padrão.

04 P  gh cos 
TMA Medida da pressão

Manômetro: Modificação de um barômetro para medir


pressões de um gás contido em um recipiente

Descrição: Consiste em um tubo


de vidro em U, parcialmente
preenchido com mercúrio, com
uma extremidade conectada no
recipiente e a outra podendo
estar fechada ou aberta.

Funcionamento: Mesmo princípio


de funcionamento do barômetro,
sendo que o equilíbrio é atingido
no balanço do peso da coluna de
mercúrio com a pressão do
recipiente e a pressão na
extremidade oposta

05
TMA Volume

Definição: É simplesmente o espaço ocupado pelas moléculas


do gás que estão livres para se movimentar

Unidades: O valor de volume é dado em centimetro cubico, no


sistema internacional, mas comumente trabalha-se com litro
e mililitro.

06
TMA Temperatura

Definição: É a propriedade que nos informa o sentido do fluxo


de energia na forma de calor. A temperatura aumenta no
sentido de quem recebe o calor (energia)

Equilíbrio

Definição: Existem várias escalas para medida de


temperatura. Estas escalas podem ser determinadas pela
medida do comprimento de uma coluna líquida ou gasosa. Os
limites das escalas são definidos com base no ponto de gelo
e ponto de vapor

07
TMA Medida de Temperatura

Fronteira Diatérmica
08 Fronteira adiabática Sistemas–Fronteiras-temperaura
TMA Medida de Temperatura

Medir a temperatura corretamente é muito importante em todos os ramos da


ciência, seja a física, a química, a biologia, etc. Muitas propriedades físicas
dos materiais dependem da sua temperatura. Por exemplo, a fase do
material, se ele é sólido, líquido ou gasoso, tem relação com sua
temperatura.
A temperatura revela a noção comum do que é quente ou frio. O material ou
substância que está à temperatura superior é dito o “material quente”,

No nível microscópico, a temperatura está associada ao movimento aleatório


dos átomos da substância que compõem o sistema. Quanto mais quente o
sistema, maior é a freqüência de vibração dos átomos.

A temperatura é uma propriedade intensiva de um sistema

A temperatura é a propriedade que governa o processo de transferência de


calor (energia térmica) para e de um sistema.

09
TMA Medida de Temperatura

Há dois sistemas de unidades em que escalas de temperatura são


especificadas. No Sistema Internacional de Unidades, SI, a unidade básica
de temperatura é o grau Kelvin (K). O grau Kelvin é formalmente definido
como sendo (1/273,16) da temperatura do ponto triplo da água, isto é, a
temperatura na qual a água pode estar, em equilíbrio, nos estados sólido,
líquido e gasoso. A temperatura de 0 K é chamada de zero absoluto,
correspondendo ao ponto no qual moléculas e átomos têm o mínimo de
energia térmica. Nas aplicações correntes do dia-a-dia usa-se a escala
Celsius, na qual o 0 oC é a temperatura de congelamento da água e o 100 oC
é a temperatura de ebulição da água à pressão atmosférica ao nível do mar.
Em ambas as escalas a iferença de temperatura é a mesma, isto é, a
diferença de temperatura de 1 K é igual à
diferença de temperatura de 1 oC, a referência é que muda. A escala Kelvin
foi formalizada em 1954.

10
TMA Medida de Temperatura

Existem muitos métodos de se medir a temperatura. A maioria deles baseia-


se na medição de uma propriedade física de um material, propriedade esta
que varia com a temperatura.

Termometro Liquido orgânico em vidro


1- expansão da
Termometro Mercurio em vidro
substância, provocando
Termometro líquido
alteração de
Termometro Pressão de Vapor
comprimento, volume ou
Termometro bimetálico
pressão.
Termometro dilatométrico
2- alteração da
Termometro resistência
resistência elétrica;
Termometro termistor
3- alteração do potencial
Termopar
elétrico de metais
Pirometro de radiação total
diferentes;
Pirometro fotoelétrico
4- alteração da potência Pirometro por desaparecimento filamento
radiante, e Pirometro de duas cores
5- alteração da
intensidade de carga -200 0 500 1000 1500 2000
Temperatura oC
elétrica em um fotodiodo
11
TMA Medida de Temperatura

Termômetros de Expansão
Charles, em 1787, e Gay-Lussac, em 1802, descobriram que volumes
idênticos de gases reais (tais como oxigênio, nitrogênio, hidrogênio, dióxido
de carbono e ar) expandiam-se da mesma quantidade para um determinado
aumento de temperatura sob condições de pressão constante.

Indice 0 – indica ponto de referencia – fusão


do gelo.
Indice p – indica que o processo ocorre a
pressão constante.

12
TMA Medida de Temperatura

Termômetros Bimetálico
O termômetro bimetálico opera de acordo com o princípio de expansão linear de
metais. Um par de hastes metálicas de materiais distintos (o chamado bimetálico),
soldadas, dilatam-se diferencialmente causando a flexão do conjunto. Esta flexão
aciona um dispositivo indicador da temperatura. A temperatura T está relacionada à
expansão linear L pela relação
 – coeficiente expansão térmica
O termômetro bimetálico é aplicável de -50oC a +500oC,
com uma incerteza típica (menor divisão) de 1% do fundo
de escala. Têm tempo de resposta elevado, entre 15 e 40 s.
Os materiais mais empregados na construção dos
bimetálicos são o invar, o monel, o inconel e o inox 316. São
instrumentos baratos e de baixa manutenção. P.ex.
indicadores de temperatura de cafeteiras.

13
TMA Medida de Temperatura

Termômetros de Bulbo

O termômetro de bulbo é um dos dispositivos mais comuns neste grupo de


termômetros de expansão para a medição de temperatura de líquidos e gases.
Operam a partir da variação volumétrica de um líquido (álcool, fluidos orgânicos
variados e mercúrio) com a temperatura, de acordo com a equação abaixo

 – coeficiente expansão volumétrico


Álcool e mercúrio são os líquidos termométricos mais comumente utilizados. O álcool
tem um coeficiente de expansão volumétrica mais elevado do que o Hg, isto é, tem
maior (du/dt). Sua aplicação está limitada, porém, a uma faixa de medidas inferior,
devido ao seu baixo ponto de ebulição. O mercúrio, por outro lado, não pode ser
utilizado abaixo do seu ponto de fusão (-37,8 C).

14
TMA Medida de Temperatura

Termômetros de Resistência
São chamados de termômetros de resistência aqueles em que os sensores de
temperatura são resistências elétricas. Estas resistências elétricas variam com a
temperatura do meio onde estão inseridas e um circuito elétrico (eletrônico) registra
esta variação. Os diversos tipos de sensores utilizados são apresentados a seguir.
Termometro de Resistência elétrica RTD (Resistance Temperature Detector): estes
sensores de termômetros de resistência são elementos que apresentam variação
direta da resistência com a temperatura. Atualmente o termômetro mais preciso
utilizado para medidas referenciais é um RTD. A resposta de um RTD é indicada pelo
coeficiente de temperatura linear da resistência, .

Indice 0 – condição de referência

Os valores de referência, Ro e To, especificam os


sensores, por exemplo PT100 é um sensor de platina (pt)
15 que tem resistência Ro = 100 W à temperatura To = 0 ºC.
TMA Medida de Temperatura

Termômetros de Termistores

O material dos termistores é um semicondutor que, no intervalo fundamental (0oC a


100oC), pode apresentar variação da resistividade de 10 kohm a 0ºC até 200 ohm a
100ºC, como mostra a figura seguinte. Curvas como esta, definem um termistor. Por
isso, um termistor é um NTC (negative temperature coefficient device)

RTD Termistor

16
TMA Medida de Temperatura

Termopar

Um termopar é formado por dois condutores elétricos diferente. Os condutores são


conectados nas duas extremidades formando um circuito elétrico. Quando as duas
extremidades conectadas são submetidas a temperaturas diferentes, uma força
eletromotriz é gerada. Este é o conhecido efeito Seebeck, que o descobriu em 1821.

17
TMA Medida de Temperatura

Termopar

18
TMA A lei dos Gases Ideais
nRT
p
V

As leis empíricas dos Gases:

Robert Boyle em 1661 – massa constante e temperatura


constante
pV  cte
Lei de Boyle – a temperatura constante, a pressão de uma
amostra de gás é inversamente proporcional ao seu volume e
o volume da amostra é inversamente proporcional à pressão:

1 1
p e V
V p
19
TMA Representação gráfica da lei de Boyle

Isoterma

Isotérma – curva que representa o comportamento de uma


propriedade a temperatura constante
20
TMA As leis empíricas dos Gases Ideais

Jacques Charles – massa constante e pressão constantes

V  k x T  273
Lei de Charles – pode ser escrita na seguinte forma:
p  cte x T (a volume constante)
V  cte x T (a pressão constante)

Gay-Lussac – volume varia linearmente com a temperatura

V  a  bT  V 
V  Vo    T
V  T  p
1  V 
0   
V0  T  p
V0
 1 
t V  Vo 1   0T   Vo 0   T 
21  0 
TMA Representação gráfica da lei de Charles

Isobara

Isobara (isobárica) – curva que representa o comportamento


22 de uma propriedade a pressão constante
TMA A lei dos Gases Ideais – efeito da massa

Princípio de Avogadro – Volumes iguais de gases, nas mesmas


condições de temperatura e pressão, contêm o mesmo
número de moléculas
V
Vm   independe do gás (em uma certa P e T)
n
Corresponde a dizer que o volume é proporcional ao número
de moles presentes e que a constante de proporcionalidade
independe da identidade do gás

pV  cte x nT cte  R
R
8,31451 JK-1mol –1 8,31451 Pa m3 K-1mol –1
8,20578 x 10-2 L atm K-1mol –1 8,31451 x 10-2 L bar K-1mol –1
62,364 L torr K-1mol –1 1,98722 cal K-1mol –1
23
TMA Representação gráfica da lei de gás ideal

24
TMA Mistura de Gases

Lei de Dalton – A pressão exercida por uma mistura de gases


ideias é a soma das pressões parciais dos gases

Para uma mistura de gases pV  nt RT


ni RT
Para cada componente da mistura p 
i
V
A mistura em termos de pressão parcial p   pi

Volume parcial molar

Para uma mistura de gases pV  nt RT


ni RT
Para cada componente da mistura Vi 
P
25
A mistura em termos de pressão parcial V 
Vi
TMA Pressão Parcial

pi  Xi p

p  pA  pB

X  XA  XB

n  nA  nB

26
TMA Os Gases Reais

Comportamento: Os gases reais tem seu comportamento


diferenciado dos ideais e este desvio é explicado pelas
interações moleculares

Tipos de interação:
Forças atrativas contribuem
para a compressão
Forças repulsivas contribuem
para a expansão

27
TMA Os Gases Reais

Interações
Intermoleculares

28
TMA Fator de compressibilidade

Definição: relação entre volume do gas real pelo volume do


gás com comportamento ideal

pVm
Z
RT
29
TMA Volume molar de gases
Nas condições padrões

Gás Vm (dm3mol-1)

Gás ideal 24,7896*


Amônia 24,8
Argônio 24,4
Dióxido de Carbono 24,6
Nitrogênio 24,8
Oxigênio 24,8
Hidrogênio 24,8
Hélio 24,8

*A STP (ooC, 1 atm) Vm= 24,4140

30
TMA Z – Representação Gráfica

pVm
Z
RT
Para um gás ideal Z = 1
Para pressões muito baixas Z = 1
para todos os gases
Para pressões elevadas Z > 1 (mais
difícil comprimir)
Para pressões intermediárias Z < 1
(mais fácil comprimir)

31
TMA Gás Ideal x Gás Real

32
TMA Gás Ideal x Gás Real
Gás Ideal Gás Real

33
TMA Gás Ideal x Gás Real

A velocidade da bola verde ao


colidir com a parede é
diminuída pelas forças
atrativas com as bolas
vermelhas.

a pressão de um gás real é


menor quanto maior for a
atração entre suas partículas.

A partícula do gás real tem volume real

34
TMA Novas equações

Uma modificação da lei geral dos gases foi


proposta por Johannes Van der Waals em
1873, levando em conta o tamanho das
partículas e as interações intermoleculares.
Esta é conhecida como a Equação de Estado
de van der Waals.

RT a
p  2
Vm  b  Vm
Na Equação de Estado de van
der Waals, o parâmetro a
corrige a pressão ideal para a
pressão real e está
relacionado às forças atrativas
entre as partículas do gás. O
parâmetro b corrige o volume
molar e relaciona-se com o
38
tamanho destas partículas.
TMA Temperatura de Boyle

Definição: Na temperatura de Boyle as propriedades do gás


real coincidem com as do gás perfeito nas pressões baixas.

Existe uma temperatura


TB onde o gás se
comporta como um gás
perfeito por uma ampla
faixa de pressão

35
TMA Comportamento Real/Coordenada Crítica

36
TMA Princípio do estado correspondente

p V T
pr  Vr  Tr 
pc Vc Tc

37
TMA Novas equações

39
TMA Novas equações

40
TMA Equações de estado

Equação Forma Reduzida Pc Vc Tc

RT
Gás perfeito p
Vm
RT a 8Tr 3 a 8a
Van der Waals p   2 Pr   2
Vm  b  Vm 3Vr  1 Vr 27 b 2
3b
27 bR

12 12
RT a 8Tr 3 1  2aR  2  2a 
Berthelot p  Pr    3  3b  
Vm  b  TVm2 3Vr  1 TVr2 12  3b  3  3bR 

RTe  a RTV m  e 2Tr e  2 / Tr Vr 


Dieterici p Pr  a a
Vm  b  2Vr  1 4e 2 b 2
2b
4bR

Beattle-Bridgman p
1   RT Vm     
com   a 0 1 
a 

 Vm 
Vm2
 b 
  a 0 1  
 Vm 
 C 
RT  BT  CT      0 3 
Virial p 1    .....  Vm T 
41 Vm  Vm Vm2 
TMA Equações de estado

42
TMA Exercício

A densidade do vapor de água a 327,6 atm e 503,25 ºC é


1,332x102 g/L. Sabendo-se que:
Tc=374,25 ºC,
Pc = 218,3 atm,
a=5,464 L2atm/mol2,
b=0,0305 Lmol-1,
M=18,02 g/mol.
Determine:

(a) o volume molar usando os dados disponíveis, sem fazer


considerações sobre o comportamento do material;
(b) o volume molar considerando o comportamento de um gás
ideal;
(c) o volume molar considerando o comportamento de um gás
real, utilizando como ferramenta o fator de compressibilidade
obtido do diagrama de relação de compressibilidade;
(d) o volume molar considerando o comportamento de um gás de
Van der Walls;

com base nos resultados obtidos, qual é o tipo de força de


interação predominante entre as moléculas neste caso.
43
TMA Exercício

37