Você está na página 1de 49

Vigilância em Saúde

Vigilância em Saúde
Reforma Sanitária

Implantação do SUS

Processo saúde-doença

Novos modelos assistenciais

Saúde como um produto social em um cenário
político, econômico, ideológico e cultural

(Bertolozzi & Fracolli, 2004).


Vigilância em Saúde

 Modelo de atenção à saúde de Integralidade


das ações;
 Mudança do enfoque clínico para um modelo de
atenção que, além de cuidar e da atenção
individual, seja centrado na qualidade de vida
das pessoas e do seu meio ambiente,
bem como na relação da equipe de
saúde com a comunidade.
Neves (2003)
Vigilância em Saúde
Um conjunto de atividades voltadas para a:

 Identificação;
 Análise;
 Monitorização;
 Controle e prevenção dos
problemas de saúde de
uma comunidade.
Vigilância em Saúde

 O Ministério da Saúde (MS) realizou uma


remodelação da sua organização a fim de
avançar rumo à concretização da vigilância em
saúde criando a Secretaria de Vigilância em
Saúde (SVS).
 Com a criação da Secretaria de Vigilância em
Saúde (SVS) – as ações de vigilância,
prevenção e controle das doenças passaram a
estar reunidas numa única estrutura do
Ministério da Saúde.
Secretaria de Vigilância
em Saúde (SVS)

 A criação da SVS eliminou a


fragmentação e superposição existentes
anteriormente, entre ações que eram
realizadas pelo extinto Centro Nacional
de Epidemiologia (Cenepi) da Fundação
Nacional de Saúde (Funasa) e por outras
estruturas do Ministério da Saúde.
Secretaria de Vigilância em Saúde
“Desde 2003 a SVS é
responsável pela coordenação
nacional de todas as ações
executadas pelo Sistema Único
de Saúde (SUS) na área de
Vigilância em Saúde,
responsabilidade que é
compartilhada com os gestores
estaduais e municipais, segundo
as atribuições de cada gestor”.
Vigilância em Saúde:
Gestão Descentralizada
 Tornar as ações mais eficazes e
garantir maior acesso da comunidade
aos serviços de saúde.
 Municípios: assume grande parte das ações de
vigilância em saúde.
 Estados: coordenação e supervisão, além de
execução das ações de caráter suplementar ou
complementar.
 Federal: cabe a normatização e coordenação
nacional.
Programação Pactuada Integrada de
Vigilância em Saúde (PPI)

“Visa auxiliar os municípios no


que tange ao planejamento de
metas e ações para prevenção e
controle de doenças no nível local. Para
sustentar tais ações foi criado um teto
financeiro a partir do perfil
epidemiológico, tamanho da população,
área do território e dificuldades
operacionais para execução das ações”.
Programação Pactuada Integrada de
Vigilância em Saúde (PPI)
 Para acesso a esses recursos financeiros – os
estados e municípios têm que solicitar uma
habilitação específica, demonstrando que tem
capacidade para assumir os papéis
obrigatórios em uma gestão descentralizada.
 Segundo MS – todos as secretarias estaduais
e mais de 90% dos municípios estão
certificados e recebem tal recurso.
Vigilância em Saúde
Na instância local Vigilância:

 Epidemiológica;
 Sanitária;
 Ambiental;
 Saúde do trabalhador.
Vigilância à Saúde-Município São Paulo
26 SUVIS (Supervisão de Vigilância em Saúde)

Cada SUVIS é composta pela


Supervisão de Vigilância:
 Epidemiológica
 Sanitária
 Ambiental
Organograma da Secretaria da Saúde
do Município de São Paulo (2007)

Secretaria Municipal de Saúde

CRS CRS
CRS CRS CRS
Norte Sul
Leste Centro- Oeste Sudeste

6 SUVIS 5 SUVIS
7 SUVIS 3 SUVIS 5 SUVIS

C.Verde/Cach C. Tiradentes
-Butantã C.Limpo/Capão
Ermelino M. Aric/Mooca
Freg. Ó/Bras -Lapa/Pinhe C.Socorro
Guaianases Ipir/Sacomã
Jaçanã/Trem. C.Ademar/SA
Itaim P/Curuçá ,
- Sé/SCecíia Penha
M’boiM/J Angela
Pirituba/Perus Itaquera/C.Líder V.Mariana/Jab
Parelheiros
Santana/Tucur. S. Mateus V.Pru/Sapo
V.Maria/V.Guilh S. Miguel P.
Vigilância Epidemiológica
- Originalmente significava a observação
sistemática e ativa de casos suspeitos ou
confirmados de doenças transmissíveis e de seus
contatos, medidas aplicadas individualmente e não de
forma coletiva.
- Anos 60: conjunto de atividades que permite reunir a
informação indispensável para conhecer, o
comportamento e a história natural das doenças, bem
como detectar ou prever alterações de seus fatores
condicionantes, com a finalidade de recomendar, sobre
bases firmes, as medidas indicadas e eficientes que
levam à prevenção e ao controle de determinadas
doenças.
Vigilância Epidemiológica
 1969 – Início do sistema de
notificação semanal de doenças.

 1975 - V Conferência Nacional de Saúde,


instituído o Sistema Nacional de Vigilância
Epidemiológica (SNVE), formalizado pela Lei
6.259/75 e decreto 78.231, que
regulamentou em 1976, incorporou o conjunto
de doenças transmissíveis de maior
relevância sanitária no país.
Vigilância Epidemiológica
Conceito:
“Conjunto de ações que proporciona a
detecção ou prevenção de qualquer
mudança nos fatores determinantes e
condicionantes de saúde individual ou
coletiva,com a finalidade de recomendar e
adotar as medidas de prevenção e controle das
doenças ou agravos”. Este conceito esta em
consonância com os princípios do SUS, que
prevê a integralidade preventivo-assistencial
das ações de saúde” (LEI 8080 – SUS)
Sistema Nacional de
Vigilância Epidemiológica

“A orientação atual para o


desenvolvimento do SNVE (Sistema Nacional
de Vigilância Epidemiológica) estabelece, como
prioridade, o fortalecimento de sistemas
municipais de vigilância epidemiológica,
dotados de autonomia técnico-gerencial para
enfocar os problemas de saúde próprios de
suas respectivas áreas de abrangência”.
Vigilância Epidemiológica
Propósitos:
“ Fornecer orientação técnico
permanente para os responsáveis
pela decisão e execução de ações de controle
de doenças e agravos. A V.E.é um importante
instrumento para o planejamento, a
organização e a operacionalização dos serviços
de saúde, e também para a normatização de
atividades técnicas correlatas”.
Vigilância Epidemiológica
Funções:
 Coleta de dados
 Processamento dos dados
 Análise e interpretação dos dados coletados
 Recomendação das medidas de controle
apropriadas
 Promoção das ações de controle indicadas
 Avaliação da eficácia e efetividade das
medidas adotadas
 Divulgação de informações pertinentes
Vigilância Epidemiológica
Tipos de dados:

 Dados demográficos, socioeconômicos


e ambientais
 Dados de morbidade
 Dados de mortalidade
 Notificação de surtos
e epidemias
Vigilância Epidemiológica
Notificação:
“É a comunicação da ocorrência
de determinada doença ou
agravo à saúde, feita à
autoridade sanitária por
profissionais de saúde ou qualquer
cidadão, para fins de adoção de
medidas de intervenção
pertinentes”.
Vigilância Epidemiológica
Critérios para notificação de doenças:
 Magnitude – doenças com elevada freqüência,
que afetam grandes contingentes populacionais
 Potencial de disseminação – expressa pela
transmissibilidade da doença
 Vulnerabilidade – disponibilidade de
instrumentos específicos de prevenção e
controle
Vigilância Epidemiológica
Critérios para notificação de doenças:
 Transcendência:
–Severidade: medida pela taxa de
letalidade, hospitalização e seqüelas;
- Relevância social – o valor que a sociedade
imputa à ocorrência do evento, em termos de
medo, indignação e estigmatização;
- Relevância econômica – restrições
comerciais, perdas de vidas, absenteísmo ao
trabalho, custo de diagnóstico e tratamento
Vigilância Epidemiológica
Critérios para notificação de doenças:
- Compromissos Internacionais
OPAS/ OMS para o alcance de
metas continentais ou até mundiais
de controle, eliminação ou erradicação
de algumas doenças
- Regulamento Sanitário Internacional
- Epidemias, surtos e agravos inusitados
Vigilância Sanitária - Histórico
Europa - Séc. XVII e XVIII

Brasil - séc. XVIII e XIX “polícia sanitária”

“Teoria dos miasmas”

Bacteriologia - introdução da terapêutica

Teorias sistêmicas e do planejamento

Sistemas de Vigilância à Saúde

Defesa da cidadania e do direito do consumidor.
Vigilância Sanitária
Lei 8080 de 19/09/90 – artigo 6° parágrafo 1

“Conjunto de ações capazes de


eliminar, diminuir ou prevenir
riscos à saúde e de intervir nos
problemas sanitários decorrentes
do meio ambiente, da produção e
circulação de bens e da prestação
de serviços de interesse
da saúde”
Vigilância Sanitária
Lei 8080 de 19/09/90 – artigo 6° parágrafo 1
I – Controle de bens de consumo, que
direta ou indiretamente, se
relacionem com a saúde,
compreendidas todas as etapas e
processos, da produção ao consumo.
Vigilância Sanitária
Lei 8080 de 19/09/90 – artigo 6° parágrafo 1

II – O controle da prestação de
serviços que se relacionam direta ou
indiretamente com a saúde
Vigilância Sanitária
 A noção meio ambiente, hoje significa mais do
que o conjunto de elementos naturais físico-
biológicos, mas também as relações sociais do
mundo construído pelo homem, abrange o
ambiente de trabalho.
 Parágrafo 3° do artigo 6º– através da VE, e
VS busca-se a promoção e proteção à saúde
dos trabalhadores, bem como sua recuperação
e reabilitação em decorrência dos riscos e
agravos advindos das condições de trabalho.
Vigilância Sanitária
Formas de atuação:
 Fiscalização, observação do fato, no
licenciamento de estabelecimentos, no
julgamento de irregularidades e na aplicação
de penalidades – funções decorrentes do
poder de polícia.
 Sanções penais para os infratores:
advertência, multa, apreensão, inutilização
e/ou interdição de produto, suspensão de
venda ou fabricação do produto, cancelamento
do registro, etc
Vigilância Sanitária
 Suas características normativas e
educativas, representam a evolução do
direito do consumidor e da cidadania;
 Lei 8078/90: Código do consumidor,
reconhece os direitos do consumidor;
 Lei 8080/90: Dever do Estado relativo às
necessidades de defesa e proteção da
saúde individual e coletiva.
Código do consumidor: 8078/90
“Marco jurídico-político e doutrinário do
processo democrático da sociedade brasileira
na construção da cidadania, inserindo a VS na
doutrina de defesa e proteção do consumidor
contra riscos no consumo de serviços e
mercadorias relacionadas com a saúde e,
simultaneamente, confirmam sua
especificidade além da defesa do consumidor”
Campos de Abrangência
Bens de serviços de Saúde:

Tecnologia de alimentos
Locais de produção e comercialização
de alimentos:
“Bares, restaurantes, indústrias,
produtores de laticínios, mercados,
frutarias, açougues, peixarias,
frigorífico, etc.”
Campos de Abrangência
Bens de serviços de Saúde:

Tecnologia de beleza, limpeza e


higiene
“Salão de estética, podologia,
cabeleleira, etc...”
Campos de Abrangência:
Bens de serviços de Saúde

Tecnologia de produção
industrial e agrícola:
Campos de Abrangência:
Bens de serviços de Saúde
Tecnologias médicas:
Hospitais, clínicas, investigação de
reações adversas a medicamentos,
sangue e produtos de uso
hospitalar, além de intoxicação por
produtos químicos e venenos
naturais (de plantas e animais),
etc...
Campos de Abrangência:

Tecnologias de lazer

“Shoppings, cinemas, clubes,


ginásios de esportes, estádios,
piscinas, etc.”
Campos de Abrangência
Tecnologias da educação e convivência

“Escola, creche,
pré-escola, berçário...”
Campos de Abrangência
Meio ambiente

 O meio natural – água, solo


e atmosfera
 O meio construído
 O ambiente de trabalho
IMPORTÂNCIA DA VS

 Sociedade de consumo → mercadorias para


consumir → produção;
 Ideologia de consumo → “novas
necessidades”→consumo indiscriminado;
 Propaganda→hábitos de consumo → efeitos
sobre a saúde humana (tabagismo, álcool...)
Vigilância Ambiental
 Sabendo-se que as alterações no
meio ambiente interferem
diretamente na saúde humana e
contribuem para a elevação dos
custos empregados no tratamento
de doenças previsíveis, em junho de
2003, a SVS absorveu as
atribuições do antigo Centro
Nacional de Epidemiologia (Cenepi)
e, com base no decreto nº 3.450, de
09/05/00,assumiu a gestão do
Sistema Nacional de Vigilância
Epidemiológica e Ambiental em
Saúde.
Vigilância Ambiental

 A Instrução Normativa nº1, de 7


de março de 2005, regulamentou o
Subsistema Nacional de Vigilância
em Saúde Ambiental (SINVSA).
Vigilância Ambiental
Atribuições:
 Coordenação, avaliação, planejamento,
acompanhamento, inspeção e supervisão das
ações de vigilância relacionadas às doenças e
agravos à saúde no que se refere a:
 água para consumo humano;
 contaminações do ar e do solo;
 desastres naturais;
 contaminantes ambientais e substâncias
químicas;
Problemas ambientais de grande magnitude e
sua relação com a saúde da população:
 Poluição de rios internacionais – deteriorização
da qualidade da água
 Chuva ácida – prejuízo no abastecimento de
alimentos
 Depleção da camada de ozônio – aumento da
incidência de câncer de pele.
A epidemiologia ambiental e, conseqüentemente a
vigilância ambiental em saúde, estão voltadas
para a demanda das questões ambientais e suas
repercussões na saúde das populações, estando
inserido na perspectiva do desenvolvimento
sustentável.
Sistema de Vigilância Ambiental
 Vigilância dos efeitos adversos dos poluentes à
saúde
 Vigilância dos poluentes no organismo humano
 Vigilância de poluentes no meio ambiente
 Vigilância dos fatores de risco
“O modelo de atuação da vigilância ambiental em
saúde é fundamentado na análise de causa e
efeito das relações entre saúde e ambiente”
Vigilância Ambiental
Objetivos:
 Normatizar os principais parâmetros,
atribuições e ações relacionadas à vigilância
ambiental em saúde nas diversas instâncias
de competência;
 Identificar os riscos e divulgar as
informações referentes aos fatores
condicionantes e determinantes das
doenças e agravos à saúde relacionados aos
ambientes naturaise artrópicos.
Vigilância Ambiental
Objetivos:
 Intervir, com ações diretas de responsabilidade
do setor ou demandando para outros setores,
com vistas a eliminar os principais fatores
ambientais de risco à saúde humana
 Promover ações junto aos órgãos afins, para
proteção, controle e recuperação da saúde e do
meio ambiente, quando relacionadas aos riscos à
saúde humana;
 Conhecer e estimular a interação entre saúde,
meio ambiente e desenvolvimento visando o
fortalecimento da participação da população na
promoção da saúde e qualidade de vida.
Vigilância à Saúde
 Deve ser realizada mediante a identificação de
problemas e de necessidades de saúde dos
indivíduos, famílias e grupos sociais
considerando suas vulnerabilidades. Esta
sistemática deverá envolver ações de caráter
intersetorial orientadas para um dado território
e dirigidas à promoção, à prevenção e ao
tratamento. Esse “novo” fazer em saúde,
transcende a frieza dos indicadores de saúde
mas incorpora uma forma peculiar de assistência
à saúde na qual o trabalhador de saúde
verdadeiramente cuida dos sujeitos que vivem
em seu território de atuação (Bertolozzi &
Fracolli, 2004).