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SEQUÊNCIA DE REVISÃO

Sociologia
Tempos Modernos
Tempos de Sociologia

Capítulos 21 e 22
Material desenvolvido pela Editora do Brasil, não avaliado pelo MEC.

Início Sair
Capítulo
O que os brasileiros
21 consomem?

Padrões de consumo
• No Brasil, como na maioria das nações regidas por uma economia de mercado, o consumo
relaciona-se diretamente à estratificação social: consumir certos produtos revela algo
importante sobre o status de quem consome.
• Não por acaso, os que se veem excluídos da possibilidade de consumir bens associados ao
prestígio e ao status muitas vezes acionam estratégias violentas para sua obtenção.
• Para dar conta de questões tão complicadas, os cientistas sociais empregam diferentes
metodologias de pesquisa.

O consumo de bens culturais


• Os pesquisadores do Ipea Frederico Barbosa da Silva e Herton Ellery Araújo apresentaram
um estudo sobre o consumo cultural das famílias brasileiras.
• A pesquisa mostra que nenhuma classe social vê os bens culturais como algo supérfluo.
• O consumo de bens culturais tem relação direta com a escolaridade e com a renda. Quanto
maior a escolarização do provedor da casa, maior a renda e maior o consumo cultural da
família.
• Os autores chamam a atenção para o fato de que as tecnologias multimídia vieram alterar o
acesso aos bens culturais no Brasil. Início Sair
O que vai à mesa?
• Outro estudo, coordenado pela antropóloga Lívia

G. Evangelista/Opção Brasil Imagens


Barbosa, examina os hábitos alimentares dos brasileiros.
• Na pesquisa, foram reveladas regularidades
significativas nos padrões alimentares, que permitem
pensar em outras dimensões da vida social brasileira.
• No Brasil, pelo menos nos grandes centros urbanos, os
habitantes têm na prática uma média de três refeições
diárias.
• Segundo Lívia Barbosa, essas refeições se dividem em
Mesa com pratos típicos de Festas
subsistemas: o sistema de refeições semanal, o de fim Juninas. João Pessoa (PB), 2014.

de semana e o ritual.
• A autora identifica especificidades na maneira de comer do brasileiro.
• Em primeiro lugar, misturamos vários estilos culinários numa refeição.
• A informalidade à mesa e o descuido com a apresentação da comida são
apontados como característica de nossos hábitos alimentares.
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• Por todo o país, costuma-se ingerir cardápios muito semelhantes, com reduzida
presença de itens considerados “regionais”.
• Os trios “feijão, arroz e carne”, no almoço e jantar, e “café, leite e pão” no café
da manhã são os campeões na maioria dos lares brasileiros.

Públicos consumidores e campanhas publicitárias


• Outra fonte para a investigação dos padrões de

João Prudente/Pulsar Imagens


consumo são as campanhas publicitárias.
• Guita Grin Debert, da Unicamp, publicou em 2003
os resultados da pesquisa O velho na propaganda.
• Por meio da análise de dez comerciais, a autora
identifica três grupos presentes no tratamento dado
a esse segmento nos anúncios:
• em quatro dos anúncios, a velhice representa perda Idosos exercitam-se na academia ao ar livre,
no Centro de Esportes e Lazer Dirceu Graeser,
das habilidades, dependência, passividade ou Praça Oswaldo Cruz, em Curitiba (PR), 2015.
arrogância;
• em três, poder, beleza, riqueza e prestígio;
• e em outros três a subversão de padrões tradicionais encontrava expressão no
personagem idoso.
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Pontos principais
• Além de traçar as particularidades individuais, os padrões de consumo mantêm relações
diretas com a cidadania, com o acesso a bens e serviços coletivos.
• Os resultados de quatro pesquisas feitas no Brasil demonstram facetas da sociedade
brasileira: a primeira aborda o consumo de bens culturais; a segunda, o consumo de
alimentos; a terceira, a imagem dos idosos nas campanhas publicitárias; e a quarta, o
recente fenômeno da emergência de uma nova classe média.
• No Brasil, nenhuma classe social toma os bens culturais como algo supérfluo.
• As camadas de baixa renda investem em bens culturais que podem ser usados em casa:
televisão, vídeo ou DVD, CDs de música e livros.
• As propagandas de produtos e serviços revelam aspectos que se mantêm e que estão em
transformação na sociedade em termos de consumo e de mentalidade.
• Nas campanhas publicitárias, encontramos valores, sugestões de atitudes e
comportamentos direcionados a grupos étnicos (brancos, negros, orientais, indígenas etc.),
segmentos sociais (populares, camadas médias e elites), faixas etárias (crianças, jovens,
adultos e idosos), categorias profissionais etc.
• Essas campanhas estimulam o público-alvo a consumir o produto anunciado.

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Destaque final
No Brasil, como na maioria das nações regidas por uma economia de mercado, o consumo relaciona-
-se diretamente à estratificação social: consumir certos produtos revela algo importante sobre o
status de quem consome, sobre o lugar que ocupa ou gostaria de ocupar na hierarquia social. Ao
associarmos certas marcas e produtos a determinados grupos sociais, fazemos aquilo que o
sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002) chama de “distinção pelo consumo”: classificamos as
pessoas pelos bens que elas portam

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Capítulo

Interpretando o Brasil
22
Galeria Jacques Ardies, São Paulo
Civilizados ou cordiais?

Constância
Nery. Boa
convivência,
2009. Óleo
sobre tela,
64 cm × 88 cm.

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• Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, desenvolve uma ideia em que
constrói sua interpretação sociológica: a do “homem cordial”. Este seria o
brasileiro típico, fruto da colonização portuguesa.
• A cordialidade, como entendida por Sérgio Buarque, sugere aversão à
impessoalidade. Nós, brasileiros, estaríamos sempre buscando estabelecer
intimidade, pondo os sentimentos como intermediários de nossas relações.
• Podemos concluir, assim, que o homem cordial caracteriza-se pela rejeição da
distância e do formalismo nas relações sociais.
• Mas o caso brasileiro tem outra característica: as atitudes e princípios vigentes
no universo íntimo da família acabaram por transbordar para a esfera pública.

O Brasil e seus dilemas


Roberto DaMatta há muito vem refletindo sobre “o que faz o Brasil, Brasil”. Com base em
temas como Carnaval, jogo do bicho, piadas, músicas populares, futebol e trânsito, o
antropólogo apresenta um retrato do rosto brasileiro em suas muitas faces.
• Em Carnavais, malandros e heróis, publicado em 1979 e inspirado em sua vivência nos
Estados Unidos, Roberto DaMatta discute os paradoxos e tensões que constituem nossa
maneira de ser – ou, como ele próprio diz, nossos “dilemas”.
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Roberto DaMatta, 2000.
• Queremos ser uma sociedade legal, regida pela Constituição, diz o
antropólogo. Ao mesmo tempo, porém, não queremos abrir mão das
práticas sociais hierárquicas, aquelas que estabelecem os lugares
diferentemente destinados a cada um segundo as escalas de prestígio,
poder ou condição econômica, que ignoram o pacto democrático.
• Vemos que, assim como Sérgio Buarque de Holanda, Roberto DaMatta
está problematizando a relação entre o público e o privado na sociedade
brasileira.
Roberto DaMatta,
2000
Missão (quase) impossível
• O Brasil é um país diverso social e culturalmente. Um país plural do ponto de vista de
seus rituais e costumes, de uma pluralidade que vai além das diversidades regionais.
• Foi diante desse “tudo” tão plural que se colocaram nossos intérpretes. Longe de ignorar
as peculiaridades regionais, as diferenças entre “litoral” e “sertão”, os estilos de vida dos
vários segmentos sociais, esses intelectuais buscaram fazer dessas diferenças tema de
reflexão.
• Arriscaram interpretações capazes de traçar linhas comuns em que nós, brasileiros de
diferentes etnias e classes sociais, pudéssemos nos reconhecer.
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Pontos principais
• As maneiras de se comportar ou os hábitos mais comuns dos indivíduos ajudam a entender
como uma sociedade concebe a si mesma e como é percebida por integrantes de outras
sociedades.
• Sérgio Buarque de Holanda, autor de Raízes do Brasil, partiu da noção de homem cordial –
aquele que age com o coração, movido pela emoção – para mostrar que a identidade
brasileira não é fundamentada na formalidade ou no respeito a leis universais.
• Com base na comparação entre a sociedade brasileira e a norte-americana, Roberto
DaMatta também se preocupou em entender como os brasileiros lidam com as esferas
pública e privada. As marcas da identidade brasileira analisadas foram o “jeitinho brasileiro”,
o “você sabe com quem está falando?” e os sentidos de “casa” e “rua” para nós.
• Há muitos outros autores que podem ajudar a compreender a diversidade social e cultural
brasileira, que vai muito além dos regionalismos ou das tradições locais.

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Destaque final
O conceito de homem cordial se presta à compreensão de uma sociedade marcada por uma
confusão, por uma diferenciação precária entre o que é público e o que é privado. O homem
cordial, tipo ideal do brasileiro e produto sociológico de nossa história, é o símbolo dessa confusão
entre o público e o privado, o representante de uma sociedade baseada no personalismo e no
patrimonialismo.

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