Ciência Política e
Título da disciplina
Teoria do Estado
-Funcionamento de Algoritmos: Redes de ódio, Dilemas da Rede e Privacidade
Hackeada e o controle arbitrário da exposição.
Fundamentos da
Ciência Política:
Título
Conceitos,
da disciplina
Evolução
e Tendências
Contemporâneas
O que é política?
A política, derivada do termo grego "polis", refere-se à organização,
administração e condução da vida em comunidade.
Aristóteles, ao defini-la como a arte de governar a polis, destacou a
natureza intrínseca do ser humano ao viver coletivamente, necessitando da
interação com outros para a sobrevivência e o bem-estar.
Essencialmente, a política envolve a formulação de regras, objetivos e
decisões que regem a convivência em sociedade, abrangendo tanto a
estrutura e o exercício do poder institucional quanto as ações coletivas e os
movimentos sociais.
Ela é, portanto, o meio pelo qual se estabelecem as normas de convivência
e se definem os padrões de conduta aceitáveis, refletindo a constante
interação entre os indivíduos e o poder em busca do bem comum.
Qual o objeto da Ciência Política?
O objeto da ciência política, é o poder, especialmente na sua manifestação
como poder político.
A ciência política investiga como o poder é formado, dividido e exercido
dentro da sociedade. A associação entre política e poder é fundamental,
apontando para um campo disciplinar focado no estudo científico do
fenômeno do poder dentro de contextos sociais.
Isso envolve a compreensão das estruturas de autoridade e governo, e
como estas influenciam e são influenciadas por indivíduos e grupos. A
ciência política, portanto, abrange o exame das dinâmicas de poder, tanto
em termos de sua teoria quanto de sua prática, dentro da organização da
vida coletiva, e destaca o papel central do poder político, que se distingue
por sua capacidade de recorrer à força e manter o monopólio desta em um
determinado território.
Relação entre Ciência Política e Filosofia Política
A relação entre Ciência Política e Filosofia Política reside na investigação do poder
político, mas elas se diferenciam em abordagem, propósitos e métodos.
• A Filosofia Política se ocupa com questões fundamentais sobre a natureza do
governo e do Estado, explorando a melhor forma de governo, o fundamento do
poder político, e a essência da categoria do político. Ela se concentra em refletir
sobre os princípios normativos e ideais que deveriam orientar a organização
política.
• A Ciência Política se caracteriza por buscar uma compreensão empírica e
sistemática dos fenômenos políticos, guiando-se pelo princípio de verificação ou
falsificação, explicação causal dos fenômenos, e abstenção de juízos de valor.
Enquanto a Filosofia Política se volta para os fundamentos teóricos e éticos, a
Ciência Política foca na análise objetiva e na explicação dos sistemas políticos reais,
utilizando métodos científicos para estudar a dinâmica e a estrutura do poder
político nas sociedades.
Evolução do conceito de Ciência
Ao longo dos séculos, a definição de ciência evoluiu significativamente:
• Aristóteles via a ciência como conhecimento dos princípios e causas, uma visão ampla que abrangia tanto a
investigação natural quanto a especulação filosófica.
• Santo Tomás de Aquino definia ciência de forma mais teológica, como a assimilação do conhecimento da coisa,
uma perspectiva que ainda refletia a integração da filosofia e da teologia.
• Bacon introduziu uma ruptura, enfatizando a experiência e a experimentação como fundamentos do
conhecimento científico, movendo-se em direção a uma separação entre ciência e filosofia.
• Christian Wolff contribuiu para essa evolução ao definir ciência como o hábito de demonstrar assertos, uma
abordagem que valoriza a lógica e a demonstração em detrimento da especulação.
• Kant consolidou a distinção ao definir ciência como conhecimento sistematizado ou coordenado mediante
princípios, separando claramente a ciência da filosofia e colocando ênfase na estrutura e na sistematização.
Esta evolução do conceito de ciência reflete a crescente separação entre as ciências naturais e sociais. Enquanto as
primeiras buscam leis universais e causais através da observação e experimentação, as últimas, incluindo a ciência
política, focam no comportamento humano e nas organizações sociais, requerendo abordagens metodológicas que
considerem a complexidade e a subjetividade dos fenômenos sociais.
A ciência política, como campo de estudo, evoluiu para incorporar tanto a análise empírica das estruturas e
comportamentos políticos quanto a reflexão teórica sobre questões normativas e éticas, uma síntese das tradições
aristotélicas e baconianas adaptadas às realidades complexas das sociedades humanas.
O que é a Ciência Política?
A Ciência Política, conforme o desenvolvimento histórico do conceito de
ciência e sua distinção da filosofia, é uma disciplina que se ocupa do estudo
científico do poder político. Esta definição evoluiu significativamente desde
as concepções de Aristóteles, que via a ciência como o estudo dos
princípios e causas, passando por distintas interpretações na Idade Média
com Santo Tomás de Aquino, e avançando para as definições mais
modernas que se consolidaram após Kant.
Kant ampliou a noção de ciência ao definir como o conhecimento
sistematizado coordenado por princípios, uma definição que abriu
caminho para a compreensão da ciência em termos de relações de
identidade, semelhança, diferença, coexistência ou sucessão entre
fenômenos.
Ciência Política - Conceito e Evolução
Definição:
A Ciência Política é o estudo sistemático do poder político, das instituições políticas, dos processos políticos,
e do comportamento político. Envolve a análise de estruturas governamentais, teorias políticas, práticas
políticas e relações de poder.
Objetivos:
• Compreender a organização e funcionamento do poder político.
• Analisar as instituições políticas e seu impacto na sociedade.
• Investigar os processos de formulação de políticas e tomada de decisões.
• Estudar o comportamento político dos cidadãos e atores políticos.
Evolução Histórica:
• Raízes Antigas: Reflexões de filósofos como Aristóteles, que considerava a política como a "ciência
suprema".
• Desenvolvimento Moderno: Influências de pensadores como Maquiavel, que é visto como o fundador da
Ciência Política moderna, focando na natureza e prática do poder.
• Abordagens Contemporâneas: Integração de perspectivas filosóficas, sociológicas e jurídicas, com ênfase
no tridimensionalismo e na importância da moral e ética na política.
Importância:
• Fornece ferramentas para entender as complexidades das sociedades modernas.
• Auxilia na análise crítica de questões políticas contemporâneas.
• Contribui para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes.
Definição da Ciência Política
Ciência Política é o estudo da política — dos sistemas políticos,
das organizações políticas e dos processos políticos. Envolve o
estudo da estrutura (e das mudanças de estrutura) e dos
processos de governo — ou qualquer sistema equivalente de
organização humana que tente assegurar segurança, justiça e
direitos civis.
Os cientistas políticos podem estudar instituições como
corporações (ou empresas, no Brasil), uniões (ou sindicatos, no
Brasil), igrejas, ou outras organizações cujas estruturas e
processos de ação se aproximem de um governo, em
complexidade e interconexão.
Método e abrangência da Ciência Política
A ciência política abrange diversos campos, como a teoria e a
filosofia políticas, os sistemas políticos, ideologia, teoria dos
jogos, economia política, geopolítica, geografia política, análise
de políticas públicas, política comparada, relações
internacionais, análise de relações exteriores, política e direito
internacionais, estudos de administração pública e governo,
processo legislativo, direito público (como o direito
constitucional) e outros;
A ciência política usa métodos e técnicas que podem envolver
tanto fontes primárias (documentos históricos, registros oficiais)
quanto secundárias (artigos acadêmicos, pesquisas, análise
estatística, estudos de caso e construção de modelos).
INTER-RELAÇÕES DA CIÊNCIA POLÍTICA COM OUTRAS ÁREAS DO
CONHECIMENTO
Ciência Política e Direito Constitucional: Existe uma
ligação profunda entre Ciência Política e Direito
Constitucional, especialmente em países com sistemas
políticos e sociais instáveis.
O Direito Constitucional fornece um quadro institucional
para a análise política, mas a Ciência Política vai além,
explorando a realidade política que pode não se alinhar
perfeitamente com as estruturas legais.
INTER-RELAÇÕES DA CIÊNCIA POLÍTICA COM OUTRAS ÁREAS DO
CONHECIMENTO
Ciência Política e Economia: A economia é fundamental
para entender a estrutura social e, por extensão, os
fenômenos políticos.
Há um reconhecimento de que os aspectos econômicos
influenciam significativamente a politização da
sociedade, com a Ciência Política necessitando da
Economia Política para compreender plenamente as bases
sobre as quais a sociedade se governa.
INTER-RELAÇÕES DA CIÊNCIA POLÍTICA COM OUTRAS ÁREAS DO
CONHECIMENTO
Ciência Política e História: A História fornece um contexto
crítico para a Ciência Política, ajudando a compreender a
evolução das ideias, sistemas e doutrinas políticas.
Enquanto o foco histórico foi criticado por alguns por sua
potencial unilateralidade, reconhece-se que uma
compreensão profunda dos fenômenos políticos requer
um conhecimento da sua evolução ao longo do tempo.
INTER-RELAÇÕES DA CIÊNCIA POLÍTICA COM OUTRAS ÁREAS DO
CONHECIMENTO
Ciência Política e Psicologia: A Psicologia contribui
para a Ciência Política ao enfocar nas motivações e
comportamentos humanos que fundamentam o
poder e a obediência.
Essa intersecção é particularmente valiosa para
entender o irracionalismo observado em algumas
decisões governamentais e relações entre estados.
INTER-RELAÇÕES DA CIÊNCIA POLÍTICA COM OUTRAS ÁREAS DO
CONHECIMENTO
Sociologia Política: Embora a Sociologia Política
compartilhe muitos temas com a Ciência Política,
discute-se a autonomia da última frente a uma
potencial absorção pela primeira.
A Ciência Política, argumenta-se, tem um escopo
mais amplo que inclui, mas não se limita à, análise
sociológica do poder e do comportamento político.
Aristóteles, Platão e a Democracia Grega
►Na Grécia Antiga, para Aristóteles a política deveria estudar a pólis e as
suas estruturas e instituições (a sua constituição e conduta). É considerado
o pai da Ciência Política, porque considerou a política a ciência “maior”, ou
mais importante do seu tempo. Criou, ainda, um método de observação
que permitiu uma sistematização e explicação dos fenómenos sociais.
Preocupava-se com um governo capaz de garantir o bem-estar geral (o bom
governo);
►Antes de Aristóteles, seu mestre, Platão, relata a teoria política de
Sócrates no livro A República, em que se posiciona criticamente frente à
democracia direta grega, e propõe um regime no qual “os reis fossem sábios
e os sábios fossem reis”.
Título Atividade
da disciplina
A POLÍTICA DE ARISTÓTELES
Preparação do Handout
Identificação e Estrutura
Livro Primeiro da república de Aristóteles
• Introdução à natureza da cidade e da
associação política.
• Exploração das relações fundamentais dentro
da família e da comunidade.
A POLÍTICA DE ARISTÓTELES
Leitura Averiguativa
Visão Geral Inicial
• Aristóteles inicia discutindo a natureza da cidade (polis)
como uma forma de associação que visa um bem maior.
• Diferenciação entre tipos de governança e a importância da
análise analítica na compreensão da cidade.
Palavras-Chave e Conceitos
• Cidade, Associação, Bem, Governo Político, Família,
Natureza, Escravidão.
A POLÍTICA DE ARISTÓTELES
Leitura Detalhada e Estrutural
Análise Argumentativa
• Cada seção discute um aspecto diferente da formação e estrutura da sociedade,
desde a unidade básica da família até a cidade inteira.
• A relação entre homem e mulher, senhor e escravo, e a natureza da propriedade e
aquisição de riqueza.
Contextualização
• Contexto histórico de Aristóteles e sua influência na filosofia política.
• Comparação com outras teorias políticas da época.
Exemplos e Ilustrações
• Utilização de exemplos históricos e mitológicos para ilustrar pontos, como a
referência a Hesíodo.
A POLÍTICA DE ARISTÓTELES
Síntese e Reflexão Crítica
Síntese dos Argumentos
• Aristóteles argumenta que a cidade é a associação mais elevada,
destinada a alcançar o bem supremo.
• A análise da natureza humana e das relações sociais fundamentais
revela a essência da organização política.
Reflexão Crítica
• Consideração da relevância das ideias de Aristóteles na sociedade
contemporânea.
• Análise crítica das visões de Aristóteles sobre escravidão e a distinção
natural entre governantes e governados.
A POLÍTICA DE ARISTÓTELES
Revisão e Aprofundamento
Revisão Contínua
• Encorajamento à leitura crítica contínua e revisão das
ideias de Aristóteles à luz de novos conhecimentos e
contextos.
Integração de Novas Perspectivas
• Comparação com teorias políticas modernas e
debates contemporâneos sobre democracia, direitos
e justiça social.
1. Aristóteles define a cidade (polis) como:
A. Uma associação que visa exclusivamente à felicidade individual.
B. Uma associação formada apenas por homens livres e iguais.
C. Uma forma de associação que visa um bem maior, envolvendo todas as demais
associações.
D. Uma comunidade que existe somente para satisfazer as necessidades básicas da
vida.
E. Um agrupamento de famílias governadas por um interesse comum em guerra.
Resposta: C. Aristóteles define a cidade (polis) como uma forma de associação que visa
um bem maior, enfatizando a ideia de que a cidade é a realização mais completa e
autossuficiente de várias formas de associações humanas, buscando o bem comum.
2. Segundo Aristóteles, a diferenciação entre tipos de
governança é importante porque:
A. Todas as formas de governança são fundamentalmente idênticas.
B. A quantidade de indivíduos governados é o único critério relevante.
C. Cada tipo de governança difere na essência, não apenas no número de
indivíduos.
D. A governança é irrelevante na análise da estrutura da cidade.
E. Apenas a monarquia é considerada uma forma legítima de governança.
Resposta: C. A diferenciação entre tipos de governança é essencial para entender a
organização da cidade, pois Aristóteles argumenta que cada forma de governo tem suas
peculiaridades que devem ser analisadas para compreender a justiça e a eficácia
política.
3. A relação entre homem e mulher, e senhor e escravo,
dentro da família, é vista por Aristóteles como:
A. Baseada na igualdade absoluta e na liberdade individual.
B. Fundamentada na natureza, com papéis distintos para cada um.
C. Irrelevante para a estrutura e função da família.
D. Determinada exclusivamente pelas leis da cidade.
E. Flexível e adaptável às necessidades da cidade.
Resposta: B. A relação entre homem e mulher, e senhor e escravo, é
fundamentada na natureza, segundo Aristóteles. Ele vê essas relações como
naturais e necessárias para a organização da família, que é a unidade básica
da sociedade.
4. Aristóteles argumenta que a cidade é a mais elevada forma
de associação porque:
A. Ela é formada exclusivamente por indivíduos que buscam o prazer
pessoal.
B. Ela visa alcançar o bem supremo, revelando a essência da
organização política.
C. Ela é uma associação temporária formada para propósitos
econômicos.
D. Ela é uma extensão direta da família, sem objetivos próprios.
E. Ela é governada por reis, o que garante sua superioridade.
Resposta: B. Aristóteles argumenta que a cidade é a mais elevada forma de
associação porque ela visa alcançar o bem supremo, demonstrando que a
organização política é essencial para alcançar uma vida boa e virtuosa.
5. A análise crítica das visões de Aristóteles sobre a
escravidão e a distinção natural entre governantes e governados:
A. Revela uma aceitação incondicional das normas sociais de sua época.
B. Indica que Aristóteles considerava todas as pessoas igualmente capazes de
governar.
C. Mostra que Aristóteles via a escravidão como benéfica tanto para senhores
quanto para escravos, quando natural.
D. Sugerem que Aristóteles era totalmente contra qualquer forma de escravidão.
E. Indica que Aristóteles acreditava na democracia como a única forma legítima de
governança.
Resposta: C. A análise crítica das visões de Aristóteles sobre a escravidão e a distinção
entre governantes e governados revela que ele via a escravidão como uma instituição
natural e benéfica quando natural, refletindo as normas de sua época e a crença na
existência de pessoas naturalmente destinadas a governar e outras a serem governadas.
A Formação do Estado-nação
Pensamento político
1 moderno
Ao final deste módulo você será capaz de identificar como o
“Estado” tornou-se a questão fundamental para os tratados
filosóficos que fundaram o pensamento político moderno
O conceito de Estado
• Origem do Estado na Europa: O Estado, como conhecido hoje, emergiu na
Europa no século XV, marcado pela centralização do poder administrativo e
militar sobre um território específico.
• Maquiavel e a Ciência Política: Nicolau Maquiavel, considerado o pai da
Ciência Política, valorizava a virtude da República, inspirando-se nas repúblicas
da Grécia Clássica.
• Racionalidade e Formação do Estado: Para Maquiavel, o Estado surge da
decisão racional de grupos humanos que se organizam em busca de
estabilidade e bem-estar comum.
• Papel do Governante: Maquiavel enfatizava que o governante deve saber
manejar tanto ações consideradas boas quanto más para manter a República
e ganhar o apoio popular, fundamentando-se na noção de "razão de Estado",
que supõe uma moralidade política específica.
O conceito de Estado
Estado e contrato social
• O contratualismo, desenvolvido por Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau, entende o Estado como
resultado de um contrato social, onde a maioria decide que viver em comunidade é melhor do que viver
isoladamente.
• Hobbes acredita que o estado natural é violento e caótico, onde os seres humanos são naturalmente
maus e egoístas, e o Estado surge para garantir a sobrevivência coletiva e conter a natureza humana
destrutiva.
• Rousseau, por outro lado, vê o estado de natureza como pacífico e harmonioso, onde os seres humanos
são naturalmente bons. Para ele, a introdução da propriedade privada levou ao surgimento do Estado, e
a sociedade civil tem o direito de romper o contrato social se o Estado não cumprir seu papel.
O conceito de Estado
Estado e contrato social
• Hobbes e o Estado como Garantidor da Ordem: Hobbes via o estado de natureza como um
cenário de anarquia e violência, caracterizado pela máxima "guerra de todos contra todos".
Para ele, os seres humanos, movidos por interesses egoístas e numa busca incessante pela
sobrevivência, concordam em estabelecer um Estado poderoso que possa impor a ordem e
garantir a segurança coletiva, sacrificando parte de sua liberdade em favor da proteção.
• Rousseau e o Contrato Social como Fundamento da Legitimidade Estatal: Diferentemente de
Hobbes, Rousseau apresenta uma visão mais otimista da natureza humana, considerando que
os indivíduos em seu estado natural vivem em uma condição de paz e igualdade. Para
Rousseau, o contrato social surge quando a propriedade privada introduz desigualdades,
corrompendo a bondade natural do homem e levando à formação do Estado. Este Estado
deve garantir a liberdade e a igualdade dos cidadãos, sendo legítimo apenas enquanto
atender ao bem comum. Se o Estado falha em sua missão, os cidadãos têm o direito de
dissolver o contrato.
O conceito de Estado
Estado e liberdade
O liberalismo político, uma corrente de pensamento que surgiu no
contexto das transformações históricas e filosóficas da Europa, enfatiza a
limitação do poder estatal e a salvaguarda dos direitos individuais. John
Legenda da imagem
Locke e Benjamin Constant são figuras centrais desta tradição, cada um
contribuindo com perspectivas fundamentais sobre a relação entre o
Estado e a liberdade individual.
John Locke (1632-1704)
O conceito de Estado
Estado e liberdade
Locke, considerado um dos pais do liberalismo, argumentou que o
governo deve derivar seu consentimento da sociedade para
proteger a vida, a PROPRIEDADE e responder às necessidades Legenda da imagem
coletivas. Ele sustentou que a lei moral ou filosófica, entendida
como a opinião pública, deve guiar o poder político, que por sua
vez deve elaborar a LEI CIVIL para regular a vida em comunidade.
Isso reflete uma transferência de soberania do Estado para a
sociedade civil, composta por indivíduos livres, estabelecendo os
fundamentos do Estado Liberal.
John Locke (1632-1704)
O conceito de Estado
Estado e liberdade
Benjamin Constant diferenciou a liberdade dos antigos da
liberdade dos modernos, destacando a importância da
representação política e da participação indireta do povo nas
sociedades modernas, mais extensas e populosas do que as
repúblicas antigas.
Para Constant, a liberdade moderna consiste na capacidade de
influenciar a administração do governo, seja pela nomeação de
funcionários, seja por meio de representações e reivindicações,
assegurando direitos políticos às populações numerosas através
de uma democracia representativa.
Benjamin Constant (1767-1830)
O conceito de Estado
• O Constitucionalismo, representado por Montesquieu, buscou estabelecer limites institucionais ao
poder do Estado.
• Montesquieu propôs o sistema de "freios e contrapesos", dividindo o poder estatal em três partes
independentes para evitar concentração excessiva de poder. Veja:
Poder Legislativo Poder Executivo Poder Judiciário
O conceito de Estado
Estado e a produção de riqueza
A teoria política marxista, desenvolvida por Karl Marx e
Friedrich Engels no século XIX, centra-se na análise das relações
de poder e conflito entre as classes sociais. Esta teoria propõe a
libertação das classes oprimidas através da superação das
condições capitalistas de produção e a eventual abolição das
classes sociais.
O conceito de Estado
O que diz Marx?
Divisão de Classe: Segundo Marx, a sociedade está dividida em classes
antagônicas, a burguesia (classe dominante) e o proletariado (classe
oprimida).
Exemplo: A disparidade econômica entre CEOs e trabalhadores
em empresas multinacionais reflete esta divisão.
Manifesto Comunista: Afirma que o Estado é um instrumento de
controle nas mãos da classe dominante, criado para manter as
condições de sua dominação.
Exemplo: Políticas fiscais favoráveis aos ricos em muitas
sociedades capitalistas modernas exemplificam esta dinâmica.
Função do Estado: No marxismo, o Estado serve aos interesses da
burguesia, facilitando a exploração do proletariado e a acumulação de
capital.
Exemplo: A legislação trabalhista que limita direitos sindicais em
alguns países protege os interesses corporativos sobre os dos
trabalhadores.
O conceito de Estado
O que diz Marx?
Dominação de Classe: O Estado não é neutro; é uma ferramenta para
a classe dominante impor sua vontade.
Exemplo: A influência do dinheiro na política, onde grandes
corporações e indivíduos ricos têm mais poder sobre as decisões
políticas.
Sociedade Comunista: Uma sociedade sem classes, onde os meios de
produção são de propriedade comum e cada indivíduo contribui e
recebe de acordo com suas capacidades e necessidades.
Exemplo: Projetos de economia solidária e cooperativas que
buscam distribuir mais equitativamente os recursos e o trabalho.
Instrumento de Dominação: O Estado age repressivamente contra
movimentos sociais e trabalhistas que ameaçam a ordem capitalista.
Exemplo: A repressão de protestos trabalhistas e movimentos por
direitos sociais em várias partes do mundo.
O conceito de Estado
O que diz Marx?
Superar o Capitalismo: A passagem para o comunismo requer uma
revolução que reestruture radicalmente a sociedade, abolindo a
propriedade privada dos meios de produção.
Exemplo: Movimentos revolucionários do século XX que buscaram,
em diferentes graus, implementar princípios marxistas.
Comunismo como Meta: A visão de uma sociedade comunista é a de
um mundo sem opressão, exploração ou divisão de classes.
Exemplo: Iniciativas comunitárias que promovem a autogestão e a
igualdade econômica.
Crítica ao Estado Capitalista: Marx critica o Estado por perpetuar as
condições de exploração e injustiça social inerentes ao capitalismo.
Exemplo: A crise financeira de 2008 evidenciou como o Estado
pode socorrer instituições capitalistas em detrimento do bem-estar
público.
Relações de Produção: A base da divisão de classes está nas relações de
produção capitalistas, onde o trabalho é uma mercadoria.
Exemplo: Um gig, onde o trabalho é fragmentado e precarizado,
exemplifica a mercantilização do trabalho.
O conceito de Estado
O que diz Marx?
Ideologia Dominante: O Estado também opera através da disseminação
de ideologias que justificam o status quo capitalista.
Exemplo: A promoção do "sonho americano" como justificativa
para a desigualdade socioeconômica.
Revolução Proletária: A superação do capitalismo requer a tomada de
consciência de classe pelo proletariado e a consequente ação
revolucionária.
Exemplo: Movimentos sociais que lutam por direitos trabalhistas e
contra a desigualdade global.
Desaparecimento do Estado: Num contexto comunista, funções
administrativas existem, mas sem o caráter de dominação de classe.
Exemplo: Organizações baseadas em princípios de autogestão e
democracia direta.
Libertação das Classes Oprimidas: A meta final do marxismo é a criação
de uma sociedade onde todos são livres da opressão econômica e
social.
Exemplo: Movimentos por justiça social e econômica que buscam
redistribuir o poder e os recursos.