Coletânea de Apoio Ciência Política

Ciência política é o estudo da política — dos sistemas políticos, das organizações e dos processos políticos. Envolve o estudo da estrutura (e das mudanças de estrutura) e dos processos de governo — ou qualquer sistema equivalente de organização humana que tente assegurar segurança, justiça e direitos civis. Os cientistas políticos podem estudar instituições como empresas, sindicatos, igrejas, ou outras organizações cujas estruturas e processos de ação se aproximem de um governo, em complexidade e interconexão. Existe no interior da ciência política uma discussão acerca do objeto de estudo desta ciência, que, para alguns, é o Estado e, para outros, o poder. A primeira posição restringe o objeto de estudo da ciência política; a segunda amplia. A posição da maioria dos cientistas políticos, segundo Maurice Duverger, é essa visão mais abrangente de que o objeto de estudo da ciência política é o poder. O termo "ciência política" foi cunhado em 1880 por Herbert Baxter Adams, professor de História da Universidade Johns Hopkins. A ciência política é a teoria e prática da política e a descrição e análise dos sistemas políticos e do comportamento político. A ciência política abrange diversos campos, como a teoria e a filosofia políticas, os sistemas políticos, ideologia, teoria dos jogos, economia política, geopolítica, geografia política, análise de políticas públicas, política comparada, relações internacionais, análise de relações exteriores, política e direito internacionais, estudos de administração pública e governo, processo legislativo, direito público (como o direito constitucional) e outros. A ciência política emprega diversos tipos de metodologia. As abordagens da disciplina incluem a filosofia política clássica, interpretacionismo, estruturalismo, behaviorismo, racionalismo, realismo, pluralismo e institucionalismo. Na qualidade de uma das ciências sociais, a ciência política usa métodos e técnicas que podem envolver tanto fontes primárias (documentos históricos, registros oficiais) quanto secundárias (artigos acadêmicos, pesquisas, análise estatística, estudos de caso e construção de modelos).

Histórico Ainda que o estudo de política tenha sido constatado na tradição ocidental desde a Grécia antiga, a ciência política propriamente dita constituiu-se tardiamente. Esta ciência, no entanto, tem uma nítida matriz disciplinar que a antecede como a filosofia moral, filosofia política, política econômica e história, entre outros campos do conhecimento cujo objeto seriam as determinações normativas do que deveria ser o estado, além da dedução de suas características e funções. Muitos pesquisadores colocam que a ciência política difere da filosofia política e seu surgimento ocorreria, de forma embrionária, no século dezenove, época do surgimento das ciências humanas, tal como a sociologia, a antropologia, a historiografia, entre outras.

O que os cientistas políticos fazem Cientistas políticos estudam a distribuição e transferência de poder em processos de tomada de decisão. Por causa da frequente e complexa mistura de interesses contraditórios, a ciência política é freqüentemente um exemplo aplicado da Teoria dos jogos. Sob esta óptica teórica, os cientistas políticos olham os ganhos - como o lucro privado de pessoas ou das empresas ou da sociedade (o

desenvolvimento econômico- e as perdas - como o empobrecimento de pessoas ou da sociedade (veja Corrupção política) - como resultados de uma luta ou de um jogo em que existem regras não explícitas que a pesquisa deve explicitar. A ciência política busca desenvolver tanto teses positivas, analisando as políticas, quanto teses normativas, fazendo recomendações específicas. Cientistas políticos medem o sucesso de um governo e de políticas específicas examinando muitos fatores, inclusive estabilidade, justiça, riqueza material, e paz. Enquanto os historiadores olham para trás, buscando explicar o passado, os cientistas políticos tentam iluminar as políticas do presente e predizer e sugerir políticas para o futuro. O estudo de ciência política é complicado pelo envolvimento freqüente de cientistas políticos no processo político, uma vez que suas teorias frequentemente servem de base para ação, opção e prática de outros profissionais, como jornalistas, grupos de interesse especiais, políticos, e o eleitorado. Cientistas políticos podem trabalhar como assessores de políticos, ou até mesmo se candidatarem a cargos políticos eles próprios.

Campos da ciência política A ciência política faz parte das ciências humanas, por isso é uma ciência bastante complexa, pois analisa o Estado, a soberania, a hegemonia, os regimes políticos, os governos, as linhas históricas destas partes da política nos países desde a antiguidade até hoje e a influência que têm sobre a sociedade incluindo as Relações internacionais. Existem três formas de se abordar os objetos de estudo desta ciência: • Política descritiva, ou empírica: nesta linha os pesquisadores optam por análises meramente empíricas da realidade política. Sendo uma ciência muito controversa, esta fase, ou opção da análise política é de fundamental importância na coleta de dados fiéis à realidade, distinguindose assim das teorias normativas. • Teoria política: nesta abordagem os pesquisadores, partindo dos dados empíricos articulam-nos à teoria política propriamente dita para compreender e explicar a realidade considerando insuficiente a mera descrição da realidade tal como é. • Política comparada: fundamental na ciência política, esta abordagem da pesquisa busca, através de comparações entre diversas realidades sócio-históricas, elementos mais gerais da realidade política das sociedades. Também aqui é necessária a mediação do dado empírico com a teoria, mas desta vez, através da comparação, tenta-se chegar a elementos generalizáveis da realidade política e questionar hipóteses ou teorias feitas a respeito de uma única realidade delimitada. Para que este estudo seja feito de maneira precisa, a ciência política é dividida em alguns ramos específicos de assunto a ser tratado em questões políticas, tais como: • • • • • Política financeira Política econômica História da ciência política Geografia política Política jurídica

Conceitos A ciência política constitui um conceito operacional e possível, difícil de definir, porque existem várias definições para ela. A onipresença virtual da política nos fato ou a sua politização pode depender da correlação entre as forças políticas e ainda de acontecimentos que tenham maior ou menor impacto na

opinião pública. Também o contexto internacional pode contribuir para a politização de um determinado fato. Conceito operacional Disciplina social e autônoma que engloba atividades de observação, de análise, de descrição, comparação, de sistematização e de explicação dos fenômenos políticos. Teses sobre o objeto de estudo da Ciência Política: Como ciência do Estado Já desde a Antiga Grécia que a ação política desenvolvida na pólis (cidade) se encontrava estreitamente ligada ao Estado. Mais tarde, também Prélot veio reafirmar esta ideia clássica de que a ciência política estava ligada e que se centrava no Estado. Esta posição assumida por Prélot foi criticada pelos seus colegas por considerarem o Estado uma parcela redutora de tudo aquilo que a ciência política estuda. No entanto, e em sua defesa, Prélot defende que o Estado tem de ser visto de uma forma mais profunda, daí que chamasse a atenção para os fenômenos que dele decorriam (inter-estatais; supra-estatais; infraestatais; e para-estatais). A crítica, no entanto, manteve-se, por considerarem que era uma ideia desatualizada, uma vez que apenas considera o Estado enquanto Soberano. Como ciência do poder As modalidades de exercício do poder, a concentração de poder, interessam à ciência política desde que sejam fonte de poder. A manifestação de poder define-se pela capacidade de obrigar outros a aceitar ou adotar um determinado comportamento. Como ciência do poder político Estuda o poder gerado numa sociedade politicamente organizada e estruturada, quando exercido como coação. Como ciência dos sistemas políticos Estuda o conjunto de interações através da qual se processa a distribuição autoritária de recursos numa determinada sociedade (concepção originada por David Easton). Surge, então, como o estudo das estruturas e processos pelos quais o sistema político de uma sociedade persegue sua permanência, ao mesmo tempo que procede à distribuição imperativa dos recursos de que tal sociedade se vale, em seu funcionamento. Objeto de estudo da ciência política A ciência política estuda o Estado e as suas relações com os grupos humanos. Estuda, ainda, os agentes políticos internos que lutam pela conquista, aquisição e pelo exercício do poder, ou pelo menos de influenciá-lo, visando a satisfação dos seus interesses. Estuda, também, os agentes políticos internacionais que influenciam ou tentam influenciar o comportamento dos órgãos que no quadro de uma sociedade nacional exercem o poder político máximo. Utilidade da ciência política A utilidade da ciência política baseia-se na existência de uma disciplina que consiga sistematizar os processos, movimentos e instituições políticas, isto é, os fenômenos políticos. Ajuda através dos seus instrumentos analíticos e teorias a uma melhor compreensão dos sistemas políticos, o que vai proporcionar um melhor conhecimento e aperfeiçoamento dos sistemas políticos, e que vai permitir aos

ou seja. o poder pertence a um indivíduo. monarquia e despotismo. No século XVIII. ainda. A sua preocupação era a criação de um governo eficaz que unificasse e secularizasse a Itália. A. Divide. afirmando que este último deveria ser erradicado e afastado. na república o poder pertence ao povo ou a uma parte esclarecida deste. A política. era assim a arte de governar. obra que era também uma sistematização e explicação dos fenômenos políticos. Resolvia-se então o perigo do despotismo com a institucionalização da separação de poderes. portanto. o fenômeno político é uma consequência das relações de produção.cidadãos mais esclarecidos intervir na legitimação do poder e participar de forma ativa na vida política dos Estados. Esta surge. e o regime político era o reflexo da organização . Montesquieu em pleno iluminismo. porque considerou a política a ciência “maior”. se este for superior nestas duas dimensões. Dá também grande relevância à ideia de soberania do Estado. o direito e a economia. Introduz o método comparativo de base geográfica. difunde idéias políticas que têm por base a ação humana. Procurou explicar a natureza das coisas pelas suas idiossincrasias. um dirigente que não olha a sensibilidades para atingir os seus fins. ainda. de forma que o poder seja descentralizado das mãos de uma só pessoa para que não o use em proveito próprio. é com base nesta teoria de soberania do Estado que Bodin cria o conceito de soberania (segundo o qual. assim. Defende um príncipe ou dirigente de governo sem preocupações morais ou éticas. Introduziu. Preocupava-se com um governo capaz de garantir o bem-estar geral (o bom governo). também. não visa a realização geral mas sim pessoal. fazendo comparação entre dirigentes da sua época e de épocas anteriores através de exemplos. o poder não tem igual na ordem interna e nem superior na ordem externa). fazendo um quadro onde apresentava detalhadamente o sistema político norte-americano como se de uma fotografia se tratasse). no despotismo. Para erradicar o despotismo. e reforçou a importância do Estado e da Instituição Estatal. o que lhe permitiu uma comparação entre estas e irradiar erros ou alguma falha possível. uma vez que faz uma análise do ponto de vista econômico e social. um método de observação que permitiu uma sistematização e explicação dos fenômenos sociais. para Aristóteles a política deveria estudar a pólis e as suas estruturas e instituições (a sua constituição e conduta). Faz a distinção entre república. o Estado em ordem interna e ordem externa e apenas considera um Estado soberano. o déspota que governa sem honra e que utiliza o terror e a violência como forma de governação. É considerado o pai da ciência política. um método comparativo-histórico. Introduziu. Relevância acadêmica Na Grécia Antiga. Karl Marx (introduz uma nova perspectiva de abordagem dos fenômenos políticos e de poder. A partir da segunda metade do século XVIII. Jean Bodin escreve “República”. Comte (alertou para a necessidade de analisar com objetividade os fenômenos ou fato políticos). como alternativa às ideias de Aristóteles. na monarquia o poder pertence ao monarca. A prová-lo está o contributo dado por três autores e pensadores do século XIX. Foi com Montesquieu que a geografia dos Estados ou a geopolítica se tornou um elemento importante na análise política. No século XVI. Embora a ciência política não tenha desaparecido. Criou. uma técnica que permitisse ao dirigente ou governante alcançar os fins independentemente dos meios. Alexis de Tocqueville (chama a atenção para o estudo do sistema político norte-americano. Montesquieu apresenta a teoria da separação de poderes. chamando a atenção para a “natureza das coisas”. na sua análise introduziu um conjunto de entrevistas. Maquiavel e a sua obra dão origem à modernidade política. ou mais importante do seu tempo. a investigação dos fenômenos políticos começaram a perder terreno e a dar lugar a ciências como a sociologia. Na segunda metade do século XVI.

etc. A Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) só foi fundada em 1986 e só passou a atuar efetivamente a partir de 1996. do IUPERJ.unb. da UFMG. Em 2009.das forças produtivas). As quatro publicações possuem versão on-line. dos mass media. com Luis Felipe Miguel. associação onde cientistas políticos discutiam as suas posições e que deu origem a outras organizações sobre a mesma temática) A ciência política no Brasil A ciência política brasileira institucionalizou-se há relativamente pouco tempo. inspirado pela teoria crítica habermasiana.) Nos finais do século XIX a ciência política é reconhecida nos EUA nas universidades. que adota uma postura radical democrática pós-marxista. na Revista de Sociologia e Política. que estilizam fortemente a ação política.br. seu principal veículo era a Revista Brasileira de Estudos Políticos. ou. Até recentemente. de organizações internacionais. que é apenas eletrônica. com Leonardo Avritzer. resumindo-os a "candidatos" e "eleitorado" ou a "executivo" e "legislativo"). Estes fato levaram ao aumento de estudos sobre estes assuntos. É também nesta altura que surgem as ciências políticas especializadas em determinados fenômenos (economia política. Cabe notar que esta definição é válida mesmo que o governo seja considerado ilegítimo. dos partidos políticos. não havia uma publicação institucional da Ciência Política brasileira. geografia política. ainda está longe de se constituir em referência na disciplina. sob influência das matrizes norte-americanas. Só após a Segunda Guerra Mundial.br. Em março de 2007. e do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB). Os encontros da ABCP são realizados a cada dois anos e reúnem os principais cientistas políticos do país. Os dois nomes fundadores centrais da ciência política no Brasil são Fábio Wanderley Reis. e também do comportamento do eleitorado. seja eliminando a discussão sobre a formação de suas preferências. dizem respeito mais a si mesmos do que ao mundo real externo. tal como a American Political Science Review nos Estados Unidos. a publicação. do Núcleo de Pesquisa em Sociologia Política Brasileira.scielo. a ciência política volta a ganhar relevo e a tornar-se também uma disciplina autônoma nos quadros das universidades européias. chama-se forma de governo (ou sistema político) o conjunto de instituições políticas por meio das quais um Estado se organiza a fim de exercer o seu poder sobre a sociedade. na Revista Brasileira de Ciências Sociais. a maior parte da disciplina opera com modelos neoinstitucionalistas e de "escolha racional". de São Paulo. Ainda em meados dos anos 1950. os principais artigos brasileiros da área são publicados nas revistas Dados. disponível em http://www. editada por Luis Felipe Miguel e Flávia Biroli. No entanto. Entre as exceções destacam-se grupos do Departamento de Ciência Política da UFMG. Lua Nova. como forma de combater o caciquismo no poder local e a corrupção nos partidos políticos. Hoje. direito político. Atualmente. assim. Em ciência política. do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). etc. o Instituto de Ciência Política da UnB iniciou a publicação da Revista Brasileira de Ciência Política. . pelo próprio sistema internacional. e Wanderley Guilherme dos Santos. a Associação Brasileira de Ciência Política publicou o primeiro número da Brazilian Political Science Review. então. da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS). Além disso ganha força a análise de sistemas eleitorais. no entanto editada pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A publicação está disponível on-line em http://www. do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea. o que suscitou também uma maior proliferação da ciência política (criação da IPSA. Os modelos.rbcp. seja reduzindo o número de atores envolvidos (tipicamente. da UFPR. Os fenômenos que contribuíram para o reforço da ciência política foram a proliferação dos sistemas democráticos.

Cada Estado pode adotar elementos de mais de um sistema. Formas de governo Tendo em mente a dificuldade em classificar-se as formas de governo. não pode ser considerada autocracia)  o   o • Tirania Monarquia absoluta (historicamente. parlamentarismo. A forma de governo adotada por um Estado não deve ser confundida com a forma de Estado (unitária ou federal) nem com seu sistema de governo (presidencialismo. Assim. o mesmo que absolutismo) Nacional-Socialismo (nazismo) Fascismo (o único a realmente se definir como totalitarista) Totalitarismo Democracia o o o Democracia direta Democracia semidireta Democracia orgânica (podendo ser semidireta em alguns países. ausência de governo) Outras formas de exercício do poder Esta seção combina formas de governo. Cada sociedade é única em muitos aspectos e funciona segundo estruturas de poder e sociais específicas.Tais instituições têm por objetivo regular a disputa pelo poder político e o seu respectivo exercício. alguns estudiosos afirmam que existem tantas formas de governo quanto há sociedades. sistemas de governo e conceitos afins. inclusive o relacionamento entre aqueles que o detêm (a autoridade) com os demais membros da sociedade (os administrados). estas são tradicionalmente categorizadas em: • • • Monarquia República Anarquia (a rigor. • Autocracia o o o o o Autoritarismo   Fascismo Despotismo esclarecido Absolutismo Despotismo Ditadura  Ditadura militar Monarquia (uma variante. mas sempre com corporativismo)  Corporativismo . a monarquia constitucional. Outra medida de cautela a ser observada ao estudar-se o assunto é ter presente o fato de que é complicado categorizar as formas de governo. dentre outros).

contrario sensu. toda forma de agrupamento humano chama-se Estado. pelos homens nascidos no solo da Cidade. estudou a polis grega (Polis é a Cidade. entendida como a comunidade organizada. é anarquismo com limites:  Tríplice Aspecto Antigamente era limitado ao status (posição).população. livres e iguais). Cód. precursor. ele se preocupou com a concepção. . que rege o povo. “faz andar a máquina pública”. direito positivo é o posto. é o maior. e D. Formal – poder político e ordem jurídica (lei). o Estado. limitado a determinados indivíduos. obrigatório. formada pelos cidadãos. isto é. Cód. Privado. sob dois aspectos: • • Material – população (humanos) e território.o Democracia representativa    Parlamentarismo Presidencialismo Semi-presidencialismo • Oligarquia o o o o o o Aristocracia Cleptocracia Gerontocracia Meritocracia Plutocracia Tecnocracia • Teocracia CIÊNCIA POLÍTICA E DIREITO Ricardo Macellaro Veiga * O nosso objeto de estudo é o Estado.) Noções sobre o Estado – Métodos de estudo Histórico • Aristóteles. em grego politikos. Público. Civil. uma sociedade política. • Social . conjunto de normas escritas – está dividido em D. Comercial etc.g. que diz respeito ao povo. juridicamente organizada.. em sua obra “O Príncipe”. v. fundador do Estado. às relações intersubjetivas. (Acrescenta uma visão do Direito – IED: direito natural é aquele que vem com o ser humano. • Nicolau Maquiavel.

Direitos que. escola. Jean Jacques Rousseau e John Locke. Leon Duguit. Organização – normatividade. reprodução. canônico. educação. regulamento interno de empresas – etc. Político – poder (representado pelo povo). Há autonomia do Direito e também do Estado. afirmaram em suas teorias Thomas Hobbes. CF). v. Religiosa. evolução e sobrevivência. Em derradeiro. Noção sobre a sociedade Origem • Organicista (naturalista) – o homem procura apoio comum. Hans Kelsen. pari passu. existe Direito e Estado. consuetudinário. Dualística (pluralística). • “poderes paralelos” que. trabalho social. cultural etc.g.. Formais – poder político. Elementos formadores • • • Materiais – povo. pessoas jurídicas em geral). Direito e Estado caminham concomitantemente e são autônomos entre si.    Humanos – pessoas. Classificação • Sociedade necessária   • Família (universal. na conformidade das normas vigorantes. caput. 226. Paralelismo (eclético). regulam a sociedade. não existe um homem singular. há a celebração de um contrato social – relações recíprocas -. Conceitos • Estricto sensu – contratualista. além do estatal. a razão terminológica do Estafo é atendê-los. Estado e direito são uma coisa só. população. Giorgio Del Vecchio. recíprocos – contratos. acreditar em outro plano. direito natural. parte dessa corrente (relações recíprocas).• • Jurídico – normas. “O Estado é fruto de um contrato”. independentemente do credo religioso. todavia o Direito vem antes do Estado. O Direito (IED) e o ESTADO (TGE) Existem três doutrinas filosóficas: • • Monística (estatismo jurídico). Circunstâncias (criadas pelo homem) . Finais – interesse público.” • Mecanicista (contratualista) – contrato hipotético (fundado em hipótese) celebrado entre homens. o dever de um é o direito do outro. senão torna-se arbitrário. vigem. moral e ética – art. Aristóteles: “o homem necessita dessa para seu bem. Finalidade – inúmeras (igreja.

 Bem comum (fins do Estado) O Estado existe para realizar o bem comum. o homem sem o Estado não o realiza. o bem comum. há limites. que é diferente de legitimidade. a priori. Todo poder emana de um povo. quem o faz.  Governo legítimo – estabelecido pelo consentimento popular. como o conceituou o Papa João XXIII. quando o governo assumido tiranicamente é reconhecido a posteriori. juridicamente organizada para atender o bem comum (entendido esse. se posta com auxílio de um grupo antagônico (oposto). conjunto de órgãos que exercem a soberania – é o poder absoluto e perpétuo de uma república. distribuição de justiça no campo social com legislação adequada. D. filantropia (humanitarismo). que elege um representante.e vice-versa. Soberania. Bem comum é a felicidade. Governo de direito – Constituição (se promulgada vem do povo. poder político Nessa vereda. Positivo é infraconstitucional. Governo. toda soberania. com eleição antes. após a investidura. ou seja. é um consentimento popular. são inúmeras. porém. usada tanto para os particulares quanto aos que a manipulam (norma fundamental rege todo ordenamento. . Governo legal – implantado nas conformidades do direito positivo (a Constituição não o estabeleceu. legitimação ocorre. acaba quando outra começa (a de outro país). em Teoria Geral do Estado. se outorgada vem imposta). inclusive). Economia. legitimidade. por sua vez. governo. Governo. o que é legal é constitucional . mata se houver necessidade. o homem as cria para uma correta e justa administração da sociedade. em outras palavras. Explanação dada por Dalmo de Abreu Dallari.KELSEN . fora instituído infra constitucionalmente). portanto. nesse governo (tirânico) pode ocorrer a legitimação. pois. território. é uma qualidade do poder do Estado (o povo a concede). o conjunto de todas as condições de vida social que consintam e favoreçam o desenvolvimento integral da personalidade humana". o Estado é uma sociedade política. População (elemento constitutivo). Governo despótico (tirânico) – não leva em conta os anseios dos governados (povo). • Tipologia (espécie) do poder:    Governo de fato – sem consentimento popular.

trabalho. • Estado de direito – decorrer da lei. com fim no homem e não em si): • • • • Realizar justiça. • Podemos denominar o Estado liberal como: • • Estado liberal – liberdade e igualdade. Os homens têm o direito de procurarem felicidade. a lei é a norma agendi.Estado de justiça. educação. prever direitos elementares.). Decadência do Liberalismo O Estado liberal era muito bom. a fim de igualá-los. com uma teoria ótima. na conformidade da lei. Desenvolvimento econômico. Manter (garantir) a ordem jurídica.povo. tripartir os poderes para a correta administração – Constituição é o que corresponde aos princípios fundamentais. Sua decadência deu-se. No plano social – bem-estar geral do povo (art.Bem comum. Tutelar os direitos fundamentais. não há que se olvidar. transporte etc. O Estado os deve proporcionar (deveres do estado segundo sua constituição. ele é um instrumento (meio) necessário para que os indivíduos evoluam (nessa vereda. equilibrar os desiguais tratando-os desigualmente. No plano jurídico . grosso modo. “não é autônomo em seus desejos”. moradia. para nossa postura física e mental Esse Estado (do bem-estar) é um Estado reformista (repudia a violência como forma de ação política). na prática. porém.segurança interna e externa. porque o Estado liberal não era titulado a cuidar da . Em nível político: • • • Preservar segurança interna da população. razão teleológica (teoria dos fins. Cuidar (providenciar. se não houver um Estado o controlando e mantendo tais relações “limitadas” ele [o homem] tende a agrupar-se). 6º. que o ser humano é frágil. Bem comum e funções sociais O Estado do bem-estar (além das funções políticas e jurídicas) Plano social: alimentação. saúde. cultura. o Estado não constitui um fim em si mesmo. da C. para atingir o bem comum: • • No plano político . 7º e 78. criada pelo poder constituído – representantes dos constituidores . não mais prestou para a população. inclusive) da educação e saúde. Segurança externa do país. obrigatória. higiene. princípio da legalidade.. Estado constitucional – assegurar-se contra arbitrarismo. finalidades) finalística.F.

e no século XIX temos o Estado Liberal-Social. voltou ao status quo ante (estado anterior à questão tratada). o poder é único (do Estado). destinadas a submeter os recursos públicos. não mais bem administrava. . ele representa os órgãos (PJ. com tributos legais. 1988) – a lei não prejudicará direito adquirido. PL e PE).). v. nasce com o homem).. raríssima em uso. ato jurídico perfeito e coisa julgada. o Papa Leão XXIII publicou uma encíclica. XXXIV. CF. Estado Democrático de Direito Sua origem dá-se no século XVIII – o Estado de Direito não era democrático-. os cidadãos não delegam o seu poder de decisão. em seu artigo 14. • • • • Garantia de direitos individuais. A democracia direta também é denominada democracia participativa. a Rerum Novarum. pelo povo e para o povo (governo da maioria. de fato. Estado Democrático de Direito Democracia teve origem na Grécia com Aristóteles. Neste caso. Princípio da legalidade (art. igualmente aplicada a todos. também se tem o referendo. mas. Seus pressupostos (da democracia) são liberdade e igualdade (“meu direito termina onde o seu começa e vice-versa”). LIV e LV. 5º. a iniciativa popular. não há que se confundir com “poderes”. 1988). a priori (consulta o povo antes da decisão. Rerum Novarum Tratar a pessoa humana com dignidade. O Estado liberal revelou-se absolutista. nem era equitativo (redistribuição – tirar de quem tem mais [rico. 5º.Divisão das funções em órgãos: PJ. 1988). com o princípio da isonomia. o . Princípio da segurança jurídica (art. CF. medida. Conceito de democracia é: governo do povo. mas prevista pela CF. ato etc. II. 5º. inclusive) – tem-se o plebiscito. descanso semanal. na qual as reuniões comunitárias. trabalho compatível com o ser humano. que haja necessidade fundamental). Posto isso. opulento]. férias. o exercem. I. por exemplo. ficou insuficiente. Modalidades da democracia: o Direta (inviável a nós) . tem como características (princípios básicos): • Submissão à imperatividade da lei (CF) – a lei é heterônoma. na qual o Povo se reunia nas praças e ali tomava decisões políticas. que vigora no Brasil. o Indireta – exercida por um representante que tem como incumbência levar em contas os anseios dos representados. e aplicar em setores carente.As primeiras democracias foram diretas. o Mista (a habitual. as funções são divididas.sociedade. voltado ao bem comum – conceito natural. como a de Atenas. Um exemplo atual dessa forma de organização política é o Orçamento Participativo. Princípio da igualdade (art.g. caracterizado como a posteriori. à maternidade. em derradeiro. são abertas aos cidadãos. PL e PE. amparo à velhice. CF. no qual há a consulta ao povo após a medida. etc.

• • • • • União – P. Regimes Políticos Formas de Estado (não é democrático. com uma legislação única. Estado Membro Município Unitário – um poder só. Tem Constituição (não Tratado). • Formas de Governo: • • Monarquia – rei – o Estado é unitário.não democrático: • . sem essas não há progresso”.o Poder Executivo é realçado . Quando o povo concede a outrem. Em epítome. neste sistema de governo. o governo central detém o direito principal. República – criada por Maquiavel Sistemas ou Regimes políticos: • Parlamentarismo . contrario sensu do que ocorre no presidencialismo. “liberdade e igualdade. o acusado tem direito a defesa. Distrito Federal – capital da União. o poder é só do rei. governado constitucionalmente. igualando-os no plano jurídico constitucional. uma separação nítida entre os poderes Executivo e Legislativo. sobretudo a preservação da independência. 5º. ação conjunta visando. Autocrático . Não há. o poder é um Regime Democrático. surge no séc. Quanto às suas classificações: • Democrático – Estado moderno – participação do povo. XVIII – aliança entre Estados. Regimes Políticos Todo Estado deve ter um regime político. o poder é compartilhado pela União e pelas unidades federadas. Federativo.• Distribuição de justiça (art. • Presidencialismo – o chefe de governo é o Presidente. Jurídica de Direito Público interno. LIV e LV.O sistema parlamentarista ou parlamentarismo é um sistema de governo no qual o poder Executivo depende do apoio direto ou indireto do parlamento para ser constituído e para governar. CF) – direitos salvaguardados em lei. é federativo. cabe ao Estado democrático de direito levar em conta as desigualdades humanas e sociais – tratar desigualmente os desiguais. essa representa sua forma na ordem jurídica): • Unitário – Estado unitário. Este apoio costuma ser expresso por meio de um voto de confiança.

* Integrante do corpo discente da Universidade Presbiteriana Mackenzie. dum grupo. liberdade e igualdade. o qual não leva em conta anseios populares. o povo reúne-se para esse fim. sem limite algum. Tripartição do poder do Estado. Garantir os direitos humanos. Semidireta (mista. que buscava liberdade e igualdade. também denominado Estado Moderno. consulta-se a sociedade. Referendo – depois de tomada a medida. para não se tornar arbitrário. Verdadeira democracia. Democracia como regime político • • • Direta – é pesquisada a decisão. em suas funções: PJ.Pensamentos sobre a Causa do Actual Descontentamento (Thoughts on the Cause of the Present Discontents) . Indireta (representativa) – confere o poder. Escolhido em 1765 para secretário privado de um dos dirigentes do partido Whig no Parlamento britânico. ou duma classe.o o o o Absolutista .forma de governo em que todos os poderes se enfeixam nas mãos dum indivíduo. O PENSAMENTO POLÍTICO DE BURKE Edmund Burke (1729–1797) Famoso político inglês do século XVIII. que conteria os seguintes predicados: • • • Limitação do administrador (Presidente). Iniciativa popular – a comunidade apresenta o projeto (raríssima). Tirânico – sistema de governo opressor e cruel. PL e PE.sistema de governo em que o governante se investe de poderes absolutos.em que defendia que a intervenção cada vez mais . Déspota . a alguém. tinha por objetivo uma Constituição. que leva as reivindicações. Ditadura . exercendo de fato e de direito os atributos da soberania. Burke já era bem conhecido quando escreveu as suas Reflexões sobre a Revolução em França. publicadas em Novembro de 1790. em derradeiro. escreveu em 1770 um panfleto .sistema de governo que se funda no poder de dominação sem freios. “moderno” porque contrapõe-se ao antigo. visava derrubar o absolutismo. duma assembléia.): • • • Plebiscito – antes da medida tomada. O Liberalismo e sua decadência Eis a sequência cronológica: Liberalismo  Sua decadência  Encíclica Rerum Novarum No século XVIII cria-se o Estado Liberal. dum partido.

com preposições simples. coisas que o olhar racional é incapaz de vislumbrar. preconceitos. para remodelar a sociedade de acordo com um plano inteligível e racionalmente justificado.que tinha provocado uma mudança dinástica e constitucional ponderada e limitada . Burke defende assim a ideia da limitação da Razão em face da complexidade das coisas. e por isso não podia ser associado à Revolução Inglesa de 1688 . Para Burke. Isto é. não só deve ser considerado como a parte mais importante da existência de uma sociedade. não devem ser resolvidas com base em experiências e invenções. para Burke. virando-se para a ordem social só pode ser subversivo. após séculos de «Escuridão». Mas o mais importante. Do ponto de vista da sociedade. Mais tarde. perante a fragilidade da razão humana. e que levavam a pôr de parte tradições e costumes sociais de séculos. Mas a sua posição custou-lhe o apoio dos seus amigos Whigs. a Revolução francesa baseava-se numa teoria. a humanidade deve proceder com respeito para com a obra dos seus antecessores. claras e indiscutíveis. já que a vida desorganizada da sociedade. É que uma teoria assim aplicada. se as decisões do Parlamento de Londres eram de facto pautadas pela legalidade. Assim. incentivando os seus dirigentes a resistir à Revolução Francesa. apelando por isso à «moderação legislativa». vinham defendendo. sendo permanentemente testadas e amplamente divulgadas. a sociedade humana desenvolve-se não tanto por intermédio da actividade racional do homem. Mas a ideia de que a «Luz» apareceu de repente. com o seu padrão de comportamento incompreensível. É que.activa do rei Jorge III nos assuntos governativos. e que pode servir a sociedade melhor do que uma elaborada intelectualização. as tradições. a Revolução em França era um fenómeno de um tipo completamente novo.como alguns pensadores ingleses. Opondo-se desde cedo à doutrina dos direitos naturais. as Reflexões sobre a Revolução em França foram lidas por toda a Europa. cria um imenso . provocatoriamente. que se torna fanática na aplicação da sua teoria. como também é. a teoria dos Direitos Humanos. a sociedade humana era demasiadamente complexa para ser susceptível de uma compreensão racional simplista. o legalismo estrito do Parlamento devia ter mais respeito e preocupação pela opinião dos colonos. Burke chama-lhes. que se justificavam a si próprias. sendo legal ia contra o espírito da constituição britânica. universais e dogmáticas. hábitos. sobretudo o de Charles James Fox. numa posição que está hoje muito na ordem do dia. racional. Para Burke. Burke nunca sistematizou o seu pensamento político. não olhando a meios para conseguir os seus objectivos. é para Burke de um egoísmo suicida. em que defendia que. convenções e tradições. A sua principal obra. à sua maneira. este racionalismo militante estava totalmente fora de lugar na actividade política. Um racionalismo impaciente e agressivo. não podiam deixar de ter em conta que as «circunstâncias. mas sobretudo por meio de sentimentos. é que de facto é um tipo de racionalismo incompleto. deviam ser considerados. necessárias. discursou no Parlamento sobre a Guerra de Independência da América britânica. para Burke. que fazia apelo às leis da razão. com os estudos de António Damásio. tendo-se desenvolvido paulatinamente. são um tipo de bom senso que está acessível a toda a gente. assim como os precedentes». o que é impossível é regenerar por imposição de uma doutrina utópica. quando a razão o engana ou abandona. emoções. Ora. na sua relação com as colónias. para Burke. em 1774 e em 1775. e muito menos de uma alteração completa. sendo que os sentimentos são o acompanhamento emocional necessário a uma opinião sólida e amadurecida. sobretudo Whigs. aceitava contudo o conceito de contrato social a que lhe juntava a ideia da sanção divina. propondo que. mas sim de acordo com princípios inerentes à própria sociedade. Não quer dizer isto que a continuidade histórica de uma determinada comunidade não imponha mudanças. ou mesmo de uma interferência contínua. Ora. os instintos e sentimentos humanos podem levar o homem a actuar correctamente. só assim conseguindo trabalhar em conjunto em prol do desenvolvimento social. sem as quais ela desaparece. mas estas mudanças. a utilidade e os princípios morais. que só pode ser conhecido pela leitura dos seus textos e discursos. atacando tanto as más como as boas instituições.

que desaparecera a harmonia que havia outrora entre eles e os animais. e por último: 3 . é um bem. fechados em regimes políticos. o pastoreio. o que lhe parece um grave equívoco.. mas o que for mais praticável. o político deve desenvolver habilidades tais como saber cardar e fiar. mas pelos mais sábios. a tecelagem. assemelha-se à da tecelagem. obrigando os homens a se organizarem em grandes grupos. das peças que devem ser costuradas à mão. para poderem sobreviver à crescente selvageria dos tempos de Zeus. pois seu objetivo maior é dar segurança e abrigo. quando eles perceberam que os tempos eram outros. a sustentar que o estado deve ser governado não pelos mais ricos. pois ela resulta de uma arte muito especial. mas uma filosofia política que tem uma visão positiva da função do estado e dos objectivos últimos da sociedade humana. os mais ambiciosos ou os mais astutos. que os bichos não só perderam a fala. e da armação final. Nada mais é do que a arte da vestimenta." Percy Shelley Apelando para o mito da destruição e reconstrução do cosmo. o comércio. que seria a política propriamente dita. o primeiro e fundamental problema da política é que todos os homens acreditam-se capacitados para exercê-la. Assim.. encontrar o equilíbrio entre os fortes e poderosos e os mais fracos e indefesos).). que não é um conservadorismo do medo. superior a todas as outras. do pecado original. 2 . o objectivo não deve ser um fim perfeito e final de uma sociedade. o grande ideal revolucionário. Todos se consideram aptos Para Platão.). o tempo. . do pessimismo. tratou dos humanos nascidos neste novo período pós-Paraíso. a ordem e a paz. o que implica na escolha do tecido. e são indispensáveis à existência prática da liberdade. o seu filho (quando a Idade de Ouro dos homens esfumara-se nos pretéritos). Mas a justiça. num primeiro momento.em seguida vem as artes produtoras (o plantio. Platão descreveu no seu diálogo "Político". Para Burke a Liberdade. de uma maneira que fará escola nos constitucionalistas românticos. e sua transição para a Era de Zeus. Não contente com o progresso empírico. A seguir.aquelas que ele chama de auxiliares (que podemos classificar como as de ordem técnica. recorre a uma comparação: a atividade do político. porque um dos seus afazeres maiores é conseguir misturar o tecido maior e melhor com o menor e o pior (isto é. a marinhagem. Texto em O Portal da História Platão e a Ciência Política "Ele foi o primeiro e talvez o último. acaba por exigir uma felicidade totalmente nova. da mesma forma que um trajo protege das intempéries e assegura os pudores. A Política é Tecelagem Para melhor ilustrar o seu ponto de vista. como tornaram-se hostis e ferozes. etc.. Por isso. Distingue então três tipos de artes: 1 .a arte de saber conduzir os homens. como o artesanato. a Era de Cronos. Burke deu origem ao Conservadorismo moderno. também o são.fosso entre um que «é» de facto e o que «devia» ser. afirmando que se baseava. disse ele. etc. na descrição fiel dos princípios tradicionais da vida política britânica. e de acordo com o Espírito das Leis de Montesquieu.

e. O Rei Competente assemelha-se para ele ao médico que. personagem principal do diálogo. adotando a conhecida classificação numeral: o regime de um homem só (que se subdivide em monarquia. Pois é esta ciência (a que determina o que realmente é importante para a política).ganhando tempo para que ele pudesse voltar e reassumir o trono. por meio do Estrangeiro. serão sempre chamados de médicos. "a mais difícil e maior de todas as ciências possíveis de se adquirir". a violência e a liberdade.Os Pretendentes à Política Quem. ameaçando toda hora quer dele participar ativamente (o que nos leva a interpretar tal grupo bizarro como uma metáfora dos elementos irracionais que pululam na sociedade tentando dominá-la). pode se habilitar a esta arte. Entre os que realmente ambicionam dominar a arte da política. auxilia a persuadir os vocacionados a ingressarem na política. de ter o titulo de rei. aos comerciantes e aos marinheiros. por fim. Qual dentre eles afigura-se como o melhor? O Rei Competente Platão minimiza a importância das formas que os regimes políticos assumem. dedica-se a descrever as formas em que os regimes político se constituem. O Rei Competente como Médico Para o pensador é o Rei Competente quem merece ser o arcon. a tirania. o regime de alguns (o governo de um grupo que se subdivide em oligarquia e aristocracia). Ocupando um lugar especial entre esses que querem ter voz ativa na política. o homem sábio. e na tirania.o Rei Competente . estando no poder ou não. onde um rei obedece a lei e a tradição). como o único habilitado a tal. independentemente da forma do regime político. De certo modo. sátiros e outros animais fantásticos. só os que possuem a ciência de saber governar os homens é que devem realmente exercer o poder. a de dedicar-se à ciência do tecer? O pensador então estabelece uma espécie de escala da qual. os sacerdotes e os magistrados. a aristocracia ou a democracia. fazendo a seguir restrições também a maioria dos homens livres em geral (aos camponeses. afiguram-lhe ser de menor interesse perante o fato maior de saber-se dominar a ciência da política. detém a arte da medicina. era uma versão mítica do que o filósofo pretendeu dizer. a lendária atitude de Penélope. seja monarquia. porém. ele aponta os pertencentes aos setores intelectualizados da sociedade: os arautos (os mensageiros). oligarquia ou democracia. que rondam por assim dizer o mundo da política. a obediência às leis escritas ou a ausência de leis. aos artesãos. As formas da política A seguir. (o governo discricionário). ele identifica um estranho grupo que diz ser composto por centauros. Neste momento da sua exposição. a riqueza e a pobreza. a mulher de Ulisses que ficava noite e dia fiando e desfiando. ao mesmo tempo que nos permite dissuadir os pretendentes equivocados. afastando com isso os pretendentes à coroa de Ítaca. o governo dos muitos (a democracia). desqualificando-os para o exercício de tal arte). Assim. a arte de saber governar os homens. a princípio. esperando a volta do marido . a oligarquia. entre eles. à capacidade de urdirem os delicados fios que enlaçam e fortalecem a vestimenta protetora. Platão ainda não menciona aqui (o fará com maiores detalhes no diálogo "A República") que seu intuito é promover o filósofo. os advinhos. a monarquia. Ela é um instrumento de seleção que. Poucos são os que sobram Em nenhum deles Platão vê qualidades que os habilitem à arte da tecelagem. Neles opõem-se nos mais diversos graus. são eliminados os escravos. pois somente ele detêm o conhecimento da ciência política. . é que nos possibilita a ajudar a afastar os rivais do Rei Competente (isto é. o governante ideal). curando ou não seus pacientes.

Ao repelirem a evidência de que o único bom governo viria do Rei Competente. porque isto não ocorre? Para Platão todos os regimes conhecidos (monarquia oligarquia. as pedras. Do mesmo modo como um minerador com sua peneira afasta a terra. ele não via nenhuma possibilidade das massas conseguirem algum dia apropriarem-se da ciência da política. com imparcialidade. Logo. É desta passagem de Platão. pela letra escrita aprovada em assembléia e não pela arte da política. se tornaria insuportável. com justiça e eqüidade. . em nome do bem público. que possa. no Renascimento. tal como o Rei Competente. governar com virtude e ciência. uma multidão reunida em assembléia. sem precisar injuriar ninguém. mandar executar. dos regimes assinalados. a lei escrita e o costume. a ser um intrometido nas regras da navegação ou da medicina. devem ser repelidos por serem uns falsos. os minerais vis e muitas outras impurezas que se avolumam em torno do precioso metal. restando apenas a escolha da que for menos desagradável. Formada por gente cabeça dura. No entanto. o único bom governo possível é o do "único competente". regular para sempre a arte da navegação ou estabelecer o tratamento a ser dado aos enfermos? Tais regulamentos caberiam ser fixados por gente do povo ou mesmo pelos ricos? Na verdade quem se atrevesse a tal. e suas variáveis) nada mais são do que a expressão juridicamente organizada da rejeição aberta ou velada que os homens têm ao único eficaz. De uma máscara que tenta ocultar o seu fracasso. como é sabido. que é superior a tudo. que Maquiavel. extraiu os argumentos que sustentaram a sua teoria do domínio absoluto do Príncipe. torna-se indiferente. não era um simpatizante da democracia. Portanto. todo o regime político conhecido não passa de uma ilusão pois ele sempre resulta dessa aversão à boa razão. é preciso lançar-se mão de recursos especiais para alcançar a sua identificação. Este deve ser também o proceder da ciência política. bem mais tarde. a vida. Pode ele exilar. são incapazes de administrar com inteligência uma cidade. Quanto aos politicos que resultam delas. sob o ponto de vista moral. Se estas artes fossem conduzidas pela sorte (Platão aqui critica abertamente o sistema eleitoral por sorteio adotado pela democracia grega). nesta rara habilidade de saber conduzir os homens. A Massa e a Elite Platão. o sentido que dará a sua ação.Ele pode tudo A partir do momento que o Rei Competente galga o poder. ele também aparta do ouro o cobre e o diamante. com autoridade. Até mesmo poderá governar sem leis ou a revelia delas. assegurou ele. Em busca do Rei Competente Como afinal encontrar em meio a tantos pretendentes da política o Rei Competente? Visto que ele não nasce marcado como nas colméias. criadores das piores ilusões. todas as constituições são imperfeitas. democracia. Portanto. com o auxílio do fogo. fazer o que lhe convier. não se inspira nas leis escritas mas sim na arte com que é dotado. Somente um pequeno grupo ou um só indivíduo terá o domínio desta constituição verdadeira. O Verdadeiro Político Quem realmente domina a ciência da política. seria chamado de visionário ou de fraseador sofista. porque seu fim último é a justiça. pois muitas vezes o bom governante pode dispensar. pergunta ele justificando-se. a sociedade nega-se a aceitar que haja alguém. que tudo estará justificado pela ciência que ele tem das coisas do governo. Socorro estes que são similares aos que adotamos para lavrar e limpar o ouro. Elas. onde todos logo sabem quem é a rainha-abelha. Também parte dela a atitude da maioria dos iluministas do século XVIII que justificaram o seu apoio ao Déspota Esclarecido. Poderia. por sua própria natureza. deslocar gente a sua revelia.

mas Subordinadas à Política Estratégia Jurídica Arte de fazer a guerra Arte de aplicar a justiça Subordina-se à decisão superior de fazer-se ou não a guerra Subordina-se a existência das leis que são aprovadas em outras instâncias. em caso de fracasso. porém. muito menos a retórica. O que ela consegue é graças a harmonia das leis que elabora. portanto estimulada e condicionada pela momento. totalmente subordinada. porém os bons e úteis para então "fundi-los numa obra perfeitamente una por suas propriedades e estruturas". a magistratura (arte de praticar a justiça) e a retórica (arte de discursar). são as que estão mais próximas à essência da política. Artes que se equivalem tal como o cobre e o diamante aprecem em relação ao ouro. reina sobre os demais. A Política é a Ciência Soberana Se nem a estratégia.A Arte de Peneirar A função primeira dela é afastar tudo o que for hostil e estranho a ela. Platão observa porém que elas também são artes subordinadas: Artes Próximas. só resta a política como a verdadeira e única arte superior. O momento seguinte. são artes independentes. conservando apenas aquelas artes que lhe são mais próximas. . deve-se submetê-los a uma prova de fogo. a magistratura e a oratória. conservando. que sofram "por sentença de morte". Presa às situação determinada pelo arcon ( o governante) ou pela Retórica Arte da Oratória circunstâncias. unindo a sociedade num só tecido perfeito. nem a justiça. tais como a estratégia (a arte militar). É ela a ciência real. assembléia. O Destino dos Maus Elementos O que fazer. com os maus elementos? Para Platão. confiando-os aos educadores competentes para instruí-los ou. Ainda que não possuindo obrigações práticas. O objetivo de toda a ciência política é eliminar ao máximo os maus elementos. considerando-se que a estratégia.

provavelmente. O discurso político é. que. quer para que a sua opinião se imponha. quer para que os outros o admirem. vida em sociedade). Para isso. Em períodos eleitorais. Está inserido numa dinâmica social que constantemente o altera e ajusta a novas circunstâncias. Frequentemente apresentase como uma fala coletiva que procura sobrepor-se em nome de interesses da comunidade e constituir norma de futuro. necessita da argumentação. em nome do bem comum. fortemente persuasivo. . a sua maleabilidade permite sempre uma resposta que oscila entre a satisfação individual e os grandes objetivos sociais da resolução das necessidades elementares dos outros. que procura seduzir recorrendo a afetos e sentimentos. tão antigo quanto a vida do ser humano em sociedade. políticos. religiosos e outros. e por informações compartilhadas que traduzem valores sociais. Hannah Arendt (em The Human Condition) afirma que o discurso político tem por finalidade a persuasão do outro. alicerçado por pontos de vista do emissor ou de enunciadores que representa. o político era o cidadão da "pólis" (cidade. que envolve o raciocínio. decidia tudo em diálogo na "agora" (praça onde se realizavam as assembleias dos cidadãos). e da eloquência da oratória. Na Grécia antiga.ANEXO 1 Discurso Político O discurso político é um texto argumentativo. responsável pelos negócios públicos.

orientado para convencer o povo. O discurso político implica um espaço de visibilidade para o cidadão. instaurando um processo de sedução. metáforas. através de recursos estéticos como certas construções. que procura impor as suas ideias.mediante palavras persuasivas. baseado na retórica e na oratória. imagens e jogos linguísticos. os seus valores e projetos. Valendo-se da persuasão e da eloquência. Daí o aparecimento do discurso político. . recorrendo à força persuasiva da palavra. fundamenta-se em decisões sobre o futuro. prometendo o que pode ser feito.

esclarece: “Não se creia. quando afirma que a Teoria Geral do Estado tem por objeto o estudo da idéia que convém fazer-se do Estado. no . Conceito Os tratadistas franceses consideram a Teoria Geral do Estado ou como o complemento teórico do Direito Constitucional ou como sua parte geral.Teoria Geral do Estado 1. Assim Carré de Malberg.1. Teoria Geral do Estado 1.

MIGUEL REALE assim se exprime: “Embora o termo Política seja o mais próprio aos povos latinos. sociológico e histórico. Para alguns. é uma ciência que estuda os fenômenos políticos em seu tríplice aspectos . PINTO FERREIRA define Direito Constitucional como a "ciência positiva das Constituições". o ponto de partida ou a condição preliminar do sistema do Direito Público ou do Direito Constitucional. e Teoria Geral do Estado como a “ciência positiva do Estado” . e de todos os outros fatos políticos. unifica esse tríplice aspecto e elabora uma síntese que lhe é peculiar.2.entanto. MACHADO PAUPÉRIO considera a Teoria Geral do Estado como a estrutura teórica do Direito Constitucional e Política sua aplicação prática. para estudá-lo e explicá-lo na origem. a priori. por influência germânica.jurídico.a conseqüência. sob os aspectos jurídico.” Alguns autores brasileiros oferecem contribuição direta à conceituação da Teoria Geral do Estado principalmente depois que ela se erigiu em disciplina fundamental nas Faculdades de Filosofia. 3. QUEIRÓS LIMA considerava-a parte teórica do Direito Constitucional. ou seja. ela é . a . 1. mas decorrer dos dados fornecidos pelo Direito Público positivo. a ciência prática dos fins do Estado e a arte de alcançar esses fins. A palavra Política é conservada em sua acepção restrita para indicar uma parte da Teoria Geral. SOUSA SAMPAIO diz que. na evolução e nos fundamentos de sua existência".” ORLANDO CARVALHO. A idéia de Estado não deve ser uma concepção racional. em sua acepção ampla.pelo menos enquanto teoria jurídica . PEDRO CALMON conceitua Teoria geral do Estado como estudo da estrutura do Estado. O método da Teoria Geral do Estado A Teoria Geral do Estado tem sido tratada e ensinada sob dois pontos de vista distintos. Objetivo A Teoria Geral do Estado ou a Ciência Política tem por objetivo o estudo do fato político supremo. propõe: "a Teoria Geral do Estado é a ciência geral que. a political science dos autores de língua inglesa. depois de acentuar as divergência terminológicas. Ao contrário. a conclusão. o coroamento do Direito Constitucional. que é o Estado. sociológico e filosófico . é inegável que.e que melhor lhe caberia a designação de Ciência Política. 1. sintetiza seu esplêndido trabalho: "A Teoria Geral do Estado tem por objeto o estudo sistemático do Estado". já está universalizado o uso das expressões Teoria Geral do Estado e Doutrina Geral do Estado para designar o conhecimento unitário e total do Estado. jurídicos e políticos do Estado. na análise dos fatos sociais. ADERSON DE MENEZES. mais fiéis às concepções clássicas. que a Teoria Geral do Estado seja a base inicial. GALVÃO DE SOUSA inclina-se para encarar a Teoria Geral do Estado como a parte teórica do Direito Constitucional.

sobre essa construção há um tempo delicada e poderosa que é o Estado. ibi jus). como nascem e evoluem as diversas instituições. a indução e a generalização. terá de usar também os peculiares à Sociologia: a observação. Quando as sociedades primitivas. cidade.preocupação do aspecto jurídico predomina. Por isso também política. em silogismo que levam aos sofismas. A vida sedentária determina a exploração sistemática da terra. fixaram-se num território determinado. que surgiram sucessivamente e não concomitantemente. população e governo. Só um fato é permanente e dele promanam outros fatos permanentes: o homem sempre viveu em sociedade (Ubi societas. passaram a constituir um Estado. o aparecimento de atividades econômicas mais complexas. Miguel Reale define política como: “A Ciência Prática dos fins do Estado e a arte de alcançar esses fins”. Ao lado dos processo lógicos empregados pela ciência jurídica. não é menos necessário conhecer o aspecto social e político. que eram nômades. Os modos de surgimento do Estado 2. possuindo uma autoridade própria que as dirigia. a ciência do Estado. através da história. prevalece a orientação sociológica e política. Aceitamos a noção de Estado segundo a qual ele se forma de três elementos: território. Este nasce com o estabelecimento de relações permanentes e orgânicas entre os três elementos: a população. pelo menos na maioria das sociedades primitivas. qual a influência das idéias e sentimentos. A sociedade só sobrevive pela organização. a autoridade (ou poder político) e o território. o surgimento das primeiras cidades. para outros. Sem exageros. Se a análise jurídica da organização do Estado é necessária. O método da Teoria Geral do Estado tem de ser complexo. A vida urbana marca o início da história e da civilização. Formação natural do Estado Estado e poder são fatos diversos.1. que supõe a autoridade e a . compostas já de inúmeras famílias. tem a sua raiz em polis. termo cuja raiz é civitas.

Origens do Estado (Teorias a respeito) 2. de outros Estados (Ex. Formação histórica do Estado São três os modos pelos quais historicamente se formam os Estados: a) Modos originários. aplicar o mesmo raciocínio ao Estado. No entanto. quando a formação se produz por influência exteriores. se emancipa da família. Teoria da Origem contratual do Estado . c) Modos derivados. o Estado existe. e vivendo em sociedade. Exatamente quando o homem.4. porém. desde o momento em que a coletividade estatal se organiza e possui órgãos que querem e agem por ela. e do ponto de vista lógico. Finalmente.liberdade como elementos essenciais. é sempre a reunião de inúmeras famílias. os dois pontos de vista são úteis e não se contradizem. Esta tem fins mais amplos do que a família e nos Estados modernos a autoridade política não tem sequer analogia com a autoridade do chefe de família.3. França). deriva necessariamente da família. o homem precisaria estar abaixo dos homens ou acima dos deuses. 2. o gênero humano. quando vários Estados se unem para formar um novo Estado. ou quando um se fraciona para formar outros (Ex. em que a formação é inteiramente nova. radica no equívoco a que aludimos: confunde-se a origem da humanidade com a origem do Estado. O Estado. sem derivar de outro Estado preexistente (Ex. é fora de toda dúvida e por isso se diz com razão que a família é a célula da sociedade. o que é matéria de Direito Internacional. EUA).5. como disse Aristóteles. pela maioridade. é que de modo consciente e efetivo passa a intervir na sociedade política. Teoria da origem familiar do Estado As mais antigas teorias sobre a origem do Estado vêem nele o desenvolvimento e a ampliação da família. b) Modos secundários. Sociedade humana e sociedade política não são termos sinônimos. Outros preferem considerar como nascimento jurídico do Estado o momento em que ele é reconhecido pelas demais potências. Formação jurídica do Estado Segundo Carré de Malberg. a sociedade que atinge determinado grau de evolução. Não se pode. não tem confirmação alguma na experiência. a teoria patriarcal é puramente conjectural. nasce diretamente da população e do país. passa a constituir um Estado. Não influem sobre a sua existência as transformações posteriores de Constituição e forma de governo: o Estado nasce e permanece através de todas as mudanças. 2. 2. Israel). além disso. A sociedade em geral.2. ele natural e necessariamente cria a autoridade e o Estado. Para viver fora da sociedade.

e isso seria a porta aberta à dissolução social e à anarquia. discípulo de Francis Bacon. E como toda guerra termina com a vitória dos mais fortes. sendo uma organização do grupo dominante para manter o poder de domínio sobre os vencidos. concluindo que foram elas resultantes das lutas travadas entre os indivíduos. eram inimigos uns dos outros viviam em guerra permanente . a sociedade política. e o Estado fosse uma associação voluntária dos homens. Franz Oppenheimer. Quase todos os sociólogos. vêem na sociedade política o produto da luta pela vida. ou da "violência dos mais fortes". foi o principal sistematizador dessa doutrina no começo dos tempo modernos. O darwinismo político seria a expressão científica do maquiavelismo. mesmo aqueles direitos que Rousseau considera invioláveis. Glumplowicz e Oppenheimer desenvolveram amplos estudos a respeito das primitivas organizações sociais. segundo o seu pitoresco raciocínio. Se a vontade geral. destinada a manter esse domínio internamente e a proteger-se contra ataques exteriores". o Estado surgiu como resultado dessa vitória. Rousseau entende que o contrato deve ter sido geral. Dizia Bodin que o que dá origem ao Estado é a violência dos mais fortes. Afirma este autor que os homens.6. o velho jurista filósofo. quanto à sua origem. fosse ilimitada. cada um teria sempre o direito de sair dela. pois insensivelmente inclui no conceito de força não só violência mas também a astúcia. Thomas Hobbes. não obedeça no entanto senão a si mesmo e permaneça tão livre como antes. afirma que a organização política resultou do poder de dominação dos mais fortes sobre os mais fracos. o que discorda da maioria se engana e ilude. nos governantes a sobrevivência dos mais aptos. se originou de urna convenção entre os membros da sociedade humana. . admitia que o Estado ou nasce da convenção. Rousseau funda o Direito e o Estado exclusivamente na igualdade dos homem. unânime e baseado na igualdade dos homens. criada pelo contrato. sem admitir nenhum princípio ou norma permanente que limitasse a vontade geral. e quase inteiramente. unindo-se a todos. inspirados nas idéias de Darwin. escreveu textualmente: "o Estado é inteiramente.bellum omnium contra onnes. Teoria da origem violenta do Estado Jean Bodin. O problema para ele é: "Encontrar uma forma de associação que defenda e proteja com toda a força comum a pessoa e os bens de cada associado e pela qual cada um. no estado de natureza. ou melhor. sendo o poder público uma instituição que surgiu com a finalidade de regulamentar a dominação dos vencedores e a submissão dos vencidos. e só é livre quando obedece à vontade geral. na estrutura jurídica dos Estados a organização da concorrência. 2. É uma pura fantasia.O Estado. uma organização social imposta por um grupo vencedor a um grupo vencido. filósofo e professor de ciência política em Frankfurt." A origem contratual do Estado tem ainda menos consistência que as anteriores. quanto à sua natureza durante os primeiros tempos da sua existência. médico. pois. das maiorias. cuja opinião e decisão poderia arbitrariamente violentar os indivíduos. também chamada da origem violenta do Estado. não constitui sequer uma lenda ou mito das sociedades antigas. seria criar o despotismo do Estado. Origem dos Estados Teoria da força A teoria da força.

necessariamente. A força bruta não poderia estabelecê-las.” Passaremos. Entre a violência e as vãs utopias. por si só. enquanto o Estado racional provém da razão. inicialmente.Note-se que Hobbes distinguiu duas categorias de Estados: real e racional. a princípio. Essa teoria da força. são levadas a crer ora que eles são resultantes exclusivamente da força e da violência. em geral.modos secundários: URSS . as regras da razão são impotentes para criá-las. segundo a fórmula contratualista. Para refrear a tirania das inclinações individuais e conter as pretensões opostas recorreu-se. na região média em que fazem as instituições é que decidem sobre a maneira pela qual uma comunidade se organiza politicamente. Todos os poderes. Ademais. disse Jellinek. sem força protetora e atuante. muitas sociedades não teriam podido organizar-se em Estado. o conceito de força como origem da autoridade é insuficiente para dar a justificação. “apóia-se aparentemente nos fatos históricos: no processo da formação originária dos Estados quase sempre houve luta. O Estado que se forma por imposição da força é o Estado real. sem outra finalidade que não fosse a de dominação. sim a força que promove a unidade. É um duplo erro: a origem das instituições sociais não deve ser procurada tão alto nem tão baixo. à criação de um poder coercitivo. ao estudo das teorias que justificam o Estado. ora que são uma criação da razão. E tal poder teria sido o primeiro esboço do Estado. Ressalta à evidência que. Neste sentido é magnífica a lição de Fustel de Coulanges: “as gerações modernas. religioso. o princípio criador dos povos”. em suas idéias sobre a formação dos governos.modos derivados: Israel .modos originários: Brasil . porém. as quais envolvem e englobam mesmo. patriarcal ou guerreiro. mas. foram protetores. Entretanto. estabelece o direito e realiza a justiça. a força que dá origem ao Estado não poderia ser a força bruta. a base de legitimidade e a explicação jurídica dos fenômenos que constituem o Estado. o problema da origem. Segundo um entendimento mais racional. uma organização de força e dominação. a guerra foi. essa doutrina parece encontrar confirmação no fato incontestável de que todo Estado representa. a seguir. Modo de surgimento dos estados · Formação natural do estado · Formação histórica do estado . por sua natureza. como afirma Queiroz Lima.

" Filósofos e suas teorias: 1o) Thomas Hobbes . os homens abdicaram em proveito de um homem ou de uma assembléia os seus direitos ilimitados.geral. submetendo-se à onipotência da tirania que eles próprios criaram. mas que permaneça obedecendo senão a si mesma." Conclusão: Teoria Contratual Ü Teoria sem consistência devido ao estado de natureza ser uma hipótese falsa.· Formação jurídica do estado Origens do estado (teorias) 1a) teoria: teoria da origem familiar do estado 2a) teoria: teoria da origem contratual do estado 3a) teoria: teoria da origem violenta do estado Origem contratual do estado ou Origem convencional do estado ou Origem pactual do estado "O Estado origina-se num acordo entre os homens. devido a que se o Estado fosse uma associação voluntária. dando nascimento à Sociedade Política. unânime e baseado na igualdade dos homens. justificando-se seu poder com base no mútuo consentimento de seus participantes. Bodin." . continuando tão livre como antes. cada um teria direito de sair dela Ü Dissolução social e anarquia.Sociedade Política "Baseado no consentimento de todos a aceitar o principio majoritário." 3') Jean Jacques Rousseau . velho jurista filósofo. As teorias da violência As teorias que consideram o Estado nascido da violência e da força são quase contemporâneas das teorias contratuais.Geração do Estado "Ante a tremenda e sangrenta anarquia do estado de natureza. cuja função seria defender com toda a força comum a pessoa e seus bens.Pacto Social "Contrato ou Pacto Social deve ter sido ." 2') John Locke . admitia que o Estado ou nasce da convenção ou da " VIOLÊNCIA DOS MAIS FORTES.

Daí a simples definição de Estado como a organização da soberania. LESTER WARD e CORNEJO. e no Darwinismo político. a expressão científica do maquiavelismo. O próprio qualificativo de membro afasta a . finalista. Introdução A exata compreensão do conceito de soberania é necessário para o entendimento do fenômeno estatal. orgânica ou organicista) "O Estado é a nação politicamente organizada" "O Estado é o conjunto de serviços públicos coordenados e hierarquizados" População: povos + estrangeiros residentes em caráter permanentes Povo = conjunto de indivíduos ligados ao um Estado pelo vínculo político-jurídico da nacionalidade Soberania 1. vêem na sociedade política o produto da luta pela vida nos governantes a sobrevivência dos mais aptos. Estado não soberano ou semi-soberano não é Estado. Não são soberanos os Estados membros de uma federação. A soberania é uma autoridade superior que não pode ser limitada por nenhum outro poder. inspirados nas idéias de Darwin. estes sociólogos vêem na sociedade política o produto da luta pela vida. OPPENHEIMEII. Os sociológos GUMPLOWICZ. visto que não há Estado perfeito sem soberania.Quase todos os sociólogos. A soberania se compreende no exato conceito de Estado. jurídico. ordem sociológica. Os elementos constitutivos do Estado Definições de acordo com a concepção do autor ou enfoque que deseje dar (fenômeno de força. inclui insensivelmente no conceito de força não só violência como também a astúcia. e nos governantes a sobrevivência dos mais aptos e na estrutura jurídica dos Estados a organização da concorrência.

Etimologicamente. Aliás. integral e universal. é mais apropriada a denominação de Província. "o poder absoluto e perpétuo de uma República". Não pode sofrer restrições de qualquer tipo. e segundo os preceitos de direito. no tempo e no espaço. a energia coativa do agregado nacional. Era o poder supremo do Estado na ordem política e administrativa. Para as correntes de fundo democrático.idéia de soberania. "A soberania é uma espécie de fenômeno genérico do poder. emanado da vontade geral da nação. No Estado grego antigo. significando um poder moral e econômico. onde se instituiu o regime federalista. Finalmente. Historicamente. é bastante variável a formulação do conceito de soberania. Denominava-se o poder de soberania. no Estado Moderno. a partir da Revolução Francesa. A soberania é una. . Nas monarquias medievais era o poder de suserania de fundamento carismático e intocável. salvo. em última instância. Fonte do poder soberano Para as teorias carismáticas do direito divino (sobrenatural ou providencial) dos reis. ou super omnia. No absolutismo monárquico. de auto-suficiência do Estado. supremias. para as unidades federadas." (Miguel Reale) "A soberania é a capacidade de impor a vontade própria. que expressava. Foi convencionado na Constituinte de Filadélfia. que sintetiza. firmou-se o conceito de poder político e jurídico. Já entre os romanos." (Clóvis Beviláqua) 2. as que decorrem dos imperativos de convivência pacífica das nações soberanas no plano do Direito Internacional. com autonomia de direito público interno. naturalmente." (Pinto Ferreira) "Por soberania nacional entendemos a autoridade superior. o poder vem de Deus e se concentra na pessoa sagrada do soberano. que as unidades estatais integrantes da União se denominariam Estados-Membros. passaram a denominá-lo poder de imperium. que teve o seu clímax em Luiz XIV. Uma forma histórica do poder que apresenta configurações especialíssimas que se não encontram senão em esboços nos corpos políticos antigos e medievos. sob a crença generalizada da origem divina do poder de Estado. sendo privativo da União o poder de soberania interna e internacional. entre os romanos. o termo soberania provém de superanus. falava-se em autarquia. suprema potestas. com amplitude internacional. a soberania passou a ser o poder pessoal exclusivo dos monarcas. a soberania provém da vontade do povo (teoria da soberania popular) ou da nação propriamente dita (teoria da soberania nacional). Deve ser posta em termos de autonomia. Soberania relativa ou condicionada por um poder normativo dominante não é soberania. configurandose definitivamente através da formação francesa souveraineté. politicamente. para a realização do direito justo. O poder supremo é investido no órgão federal. o poder de imperium era um poder político transcendente que se refletia na majestade imperial incontrastável. no conceito de Bodin. como se nota na obra de Aristóteles. Posteriormente.

Sustentou Suarez a limitação da autoridade e o direito de resistência do povo. ilimitada. como entidade jurídica dotada de vontade própria (teoria da soberania estatal).2. a soberania provém do Estado. Reformulando a doutrina do direito divino sobrenatural. perpétua e irresponsável em face de qualquer outro poder temporal ou espiritual”. Teoria da soberania nacional Ganhou corpo com as idéias político-filosóficas que fomentaram o liberalismo e inspiraram a Revolução Francesa: ao símbolo da Coroa opuseram os revolucionários liberais o símbolo da Nação. 3. Sustentaram que a nação é a fonte única do poder de soberania. Mas os reis não recebem o poder por ato de manifestação sobrenatural da vontade de Deus. Este é um princípio. ressaltou a existência de um poder maior. de que o Rei é depositário. que infunde a inclusão social do homem e a conseqüente necessidade de governo na ordem temporal. no sentido estrito de população nacional (ou povo nacional). não proprietário. Desdobram-se estes troncos doutrinários em várias ramificações. O poder de soberania era o poder do rei e não admitia limitações. As principais correntes 3. 3. identificando na pessoa sagrada do rei o próprio Estado. o Rei é que pertence à Coroa.Para as escolas alemãs e vienense. criaram eles o que denominaram teoria do direito divino providencial: o poder público vem de Deus. no século XVI. tendo como um dos seus mais destacados teóricos Jean Bodin. Teoria da soberania popular Teve como precursores Altuzio.omnis potestas a Deo per populum libere consentientem. Exercem os direitos de soberania . fundamentos do ideal democrático. 3. Teoria da soberania absoluta do rei Começou a ser sistematizada na França. Os monarcas da França. Molina. Pertence a Teoria da Soberania Nacional à Escola Clássica Francesa. Firmou-se esta doutrina da soberania absoluta do rei nas monarquias medievais. Soto. é uma tradição. sua causa eficiente. Mariana. absoluta. que sustentava: “a soberania do rei é originária. aliás. que denominou soberania constituinte. mas promana da vontade popular . se deveu a convivência entre a Coroa e o Parlamento. Francisco de Vitoria. E Molina. da qual foi Rousseau o mais destacado expoente. Suarez e outros teólogos e canonistas da chamada Escola Espanhola. formando uma variedade imensa de escolas e doutrinas. O órgão governamental só o exerce legitimamente mediante o consentimento nacional. levaram o absolutismo às suas últimas conseqüências. e na sua pessoa se concentravam todos os poderes.Esta teoria é de fundamento histórico e lança suas raízes nas monarquias antigas fundadas pelo direito divino dos reis. a soberania e a lei. O poder civil corresponde com a vontade de Deus. Marsilio de Padua. em alguns Estados liberais. embora reconhecendo o poder real como soberania constituída. a Coroa não pertence ao Rei.A este entendimento. senão por uma determinação providencial da onipotência divina. Fénelon. exercido pelo povo. consolidando-se nas monarquias absolutistas e alcançando a sua culminância na doutrina de Maquiavel. Como frisou Renard. Esta teoria é radicalmente nacionalista: a soberania é originária da nação. Eram os monarcas acreditados como representantes de Deus na ordem temporal.3. Bossuet e outros. não do povo em sentido amplo. 1. apoiados na doutrinação de Richelieu.

Só existe o direito estatal. Portanto. A vontade é personalíssima: não se aliena.4. INALIENÁVEL e IMPRESCRITÍVEL. se a soberania é um poder de direito e todo direito provém do Estado. por tempo determinado. Teoria da soberania do Estado Pertence às escolas alemã e austríaca. isto é. as quais divergem fundamentalmente da Escola Clássica Francesa. por Jellinek e Kelsen. ou seja. Seu expoente máximo. que sustentam a estatalidade integral do Direito. A soberania. Escolas Alemã e Austríaca Para estas Escolas. elaborado e promulgado pelo Estado. Em face do princípio de estatalidade do direito. Uma nação. respectivamente. no sentido de que não pode sofrer limitação no tempo. que serviram de fomento doutrinário aos Estados totalitários do após Guerra. IMPRESCRITÍVEL. Jellinek. é um direito do Estado e é de caráter absoluto. o tecnicismo jurídico alemão e o normativismo kelseniano levam à conclusão lógica de que o poder de soberania é ilimitado e absoluto. 3. INDIVISÍVEL. no conceito da Escola Clássica. lideradas. porque tende a realizar o direito como expressão da vontade soberana do Estado. não se transfere a outrem. A soberania é uma qualidade do poder do Estado. o faz em caráter definitivo e eterno. ou seja. Logo. já que a vida do direito está na força coativa que lhe empresta o Estado.5. é UNA. ao se organizar em Estado soberano. Não há que confundir a "teoria da soberania popular". por sua própria natureza. uma qualidade do Estado perfeito. no gozo dos direitos de cidadania. nem mesmo do direito natural cuja existência é negada. É certo que Jellinek chegou a esboçar a doutrina da auto-limitação do poder . princípio Pan-Estadístico. Negam a existência do direito natural e de toda e qualquer normatividade jurídica destituída da força de coação que só o poder público pode dar. Não se concede soberania temporária. e não há que falar em direito sem sanção estatal. sem limitação de qualquer espécie. UNA porque não pode existir mais de uma autoridade soberana em um mesmo território. 3. INDIVISÍVEL. que amplia o exercício do poder soberano aos alienígenas residentes no país. na forma da lei. parte do princípio de que a soberania é a capacidade de autodeterminação do Estado por direito próprio e exclusivo. toda forma de coação estatal é legítima. seguindo a mesma linha de raciocínio que justifica a sua unidade. INALIENÁVEL. Dentro dessa linha de pensamento se desenvolveram as inúmeras teorias estadísticas. não se concede limitação alguma ao poder do Estado. a soberania é de natureza estritamente jurídica.apenas os nacionais ou nacionalizados.

juridicamente. nação. Se é certo que Nação e Estado são realidades distintas. Fora da teoria anarquista. Como acentua Pontes de Miranda. senão como vontade do Estado. inclusive na própria França. do Estado (quanto ao seu exercício). malgrado o seu caráter absolutista e totalitário. em última análise. As teorias da soberania absoluta do Estado.estatal. “o Estado é apenas um meio perfectível. A lei que dele emana há de corporificar o direito justo como condição de legitimidade. Justificaram os Estados nazistas. que é apenas uma categoria do direito no seu sentido amplo. e foi formulada por Leon Duguit que desenvolveu o pensamento de Ludwig Gumplowics.7. o direito escrito. O Prof. que conflagraram o mundo por duas vezes. O conceito de soberania lança raízes na filosofia aristotélico-tomista: soberania. em determinada esfera. E neste campo não se projeta a soberania como vontade do povo. que preside e limita o direito estatal. certo também é que ambas compõem uma só personalidade no campo do Direito Público Internacional. a qualidade de supremacia que. . que é a Nação politicamente organizada. Teoria negativista da soberania É da mesma natureza absolutista. segundo a Escola Clássica Francesa. O que existe é apenas a crença na soberania. Estado. não exclusivo. Ao conceito metafísico de soberania. tiveram ampla repercussão no pensamento político universal. porém. 3. e esta encontra sua legitimidade no direito natural. fascistas e todos os totalitarismos. ele cria a lei. a qualidade desse poder. mas. ressalta a evidência de que a limitação do poder estatal por regras que dele próprio derivam não passa de mera ficção. Não existe concretamente. Não há direito natural nem qualquer outra fonte de normatividade jurídica que não seja o próprio Estado. E este conceitua-se como organização da força a serviço do direito. sim. direito e governo são uma só e única realidade. A soberania é originária da Nação. se todo direito emana do Estado e este se coloca acima do direito. Vale lembrar as palavras com que os constituintes argentinos de 1853 encerraram seus trabalhos: “os homens se dignificam perante a lei. sem nenhuma significação prática. recebendo através deste o seu ordenamento jurídico-formal dinâmico. cabe a qualquer poder". O Estado não pode criar arbitrariamente o direito. mas. A soberania é uma idéia abstrata. uma sociológica e outra jurídica. mas foram contidos pela força superior do humanismo liberal. mas só adquire expressão concreta e objetiva quando se institucionaliza no órgão estatal. porque assim se livram de ajoelhar-se perante tiranos. Teoria realista ou institucionalista Essa teoria vem se destacando bastante em faces das novas realidades mundiais. de revelação das normas jurídicas”. Para Duguit a soberania resume-se em mera noção de serviço público.” 3. A soberania é originariamente da Nação (quanto à fonte do poder). o Estado é sempre a racionalização do poder supremo na ordem temporal. Com efeito.6. é a lei. Machado Paupério tira a conclusão de que "soberania não é propriamente um poder.

bem como pelos imperativos da coexistência pacífica dos povos na órbita internacional. de imediato. o município ou a comuna e a igreja são grupos intermediários entre o indivíduo e o Estado.1. proclamou Jefferson. todos eles com sua finalidade própria e um direito natural à existência e aos meios necessários para a realização dos seus fins.Embora seja poder essencialmente nacional. Teoria Geral do Estado . aos impactos e arremetidas das forças dissolventes que tentem subverter a paz e a segurança da vida social. que do Estado emana. espirituais. não a expressão da soberania nacional. a escola. e porque o direito positivo. Limitam a soberania os princípios do Direito Natural. autoridade. Isso conduz à conceituação da soberania como poder relatvo. porque sendo o fim do Estado a segurança do bem comum. unidade e rapidez de ação. 4. Limita a soberania o Direito Grupal. O Estado. simplesmente. pelos direitos dos grupos particulares que compõem o Estado (grupos biológicos. concretizase a soberania no Estado. porque o Estado é apenas instrumento de coordenarão do direito. alguns anteriores ao Estado. a corporação econômica ou sindicato profissional. a soberania é limitada pelos imperativos da coexistência de Estados soberanos. Notadamente no plano internacional. pedagógicos. quanto à sua origem. para fazer face. isto é. sujeito a limitações. que passa a exercê-la em nome e no interesse da NAÇÃO. só encontra legitimidade quando se conforma as leis eternas e imutáveis da natureza. políticos. sua expressão concreta e funcional resulta da sua institucionalização no órgão estatal. tanto no domínio interno quanto no internacional. Passando o momento genético da sua manifestação na organização da ordem constitucional. A autoridade do direito é maior do que a autoridade do Estado (Krabbe). O poder da soberania exercido pelo Estado encontra fronteiras não só nos direitos da pessoa humana como também nos direitos dos grupos e associações. Limitações da soberania A soberania é limitada pelos princípios de direito natural. pelo direito grupal. compete-lhe coordenar a atividade e respeitar a natureza de cada um dos grupos menores que integram a sociedade civil. existe para servir ao povo e não o povo para servir ao Estado. etc). As leis definem e limitam o poder. A família. como é a família.armado de força coativa irredutível. O Governo há de ser um governo de leis.

como o fato dos homens serem teleológicos. Governo. Lenio Luiz. Porto Alegre: Livraria do Advogado. no qual os servos trabalhavam para seus senhores. Ciência política e teoria geral do estado. O sistema feudal era baseado na situação patrimonial e em relações de dependência.Morais. Streck Guilherme Ricken* STRECK. 183 p. 17-19) Para estudar o Estado. É ela que se encarregará da análise de Democracia. entre outras instituições. José Luis Bolzan de. havia instabilidade social. Assim. a economia. Quando esse sistema começou a decair. política e econômica e o sistema legal era consuetudinário. (págs. a ética. PARTE I – Elementos que caracterizam o Estado: a importância da Ciência Política 1 – A aptidão da Ciência Política para a compreensão do nascimento do Estado Moderno Não é possível fazer um estudo de qualidade sobre o Estado sem utilizar a Ciência Política. 20-24) . simbólicos e ideológicos. (págs. se expandiu pela Europa. e passou tanto pela fase de república quanto de ditadura. MORAIS. O modo de produção feudal. a religião e a família. deu-se o surgimento do capitalismo. foram formados os feudos.ANEXO 2 Ciência política e teoria geral do estado . é preciso conhecer as formas nas quais ele se manifestou ao longo dos séculos. a Ciência Política se relaciona com todas as demais ciências. No Estado Grego destacavam-se os territórios independentes denominados Cidades-Estado. 19-20) O Estado Antigo localizava-se no Oriente e no Mediterrâneo. 19-20) Com a fragmentação do Império Romano após as invasões bárbaras. (págs. uma forma estatal medieval. (págs. que foi fundamental para a formação do Estado Moderno. Já o Estado Romano era governado por magistrados. O poder era fragmentado. Devido a isso. 2000. Por ser uma ciência humana ela possui dificuldades características. dentro dela está presente a Teoria Geral do Estado. e tinha por característica principal o emaranhado formado pelo Direito.

o consentimento individual. 31-33) No modelo contratualista – também chamado de “visão positiva sobre o Estado” –. que marcou o início da Idade Contemporânea. (págs. e foi sucedido pelo Estado Absolutista. a soberania popular e o constitucionalismo. (págs. 30) A teoria economicista – ou marxista – é conhecida como a “visão negativa sobre o Estado”. que consiste na transferência dos interesses individuais. O núcleo político contém os direitos políticos dos indivíduos. liberdade. acumulando este as responsabilidades por toda uma comunidade. as psicanalíticas. e. uma ideologia de princípios individualistas. liberdade e dignidade. Por meio destes conflitos haverá uma rotatividade no poder. Elas concordam com uma afirmação: o Estado é uma forma de dominação. conforme Locke. 34-35) O Estado Natural é um estágio pré-político do homem. dáse a passagem do Estado de Natureza para o Estado Civil. o que garantia segurança jurídica àqueles que não pertenciam à nobreza ou ao clero. Como o liberalismo prega a não-interferência do Estado. (págs. para derrubar o Rei e poder participar das decisões políticas. 44-49) O liberalismo pode ser dividido em três núcleos: moral. que atende as classes hegemônicas. direitos humanos. O contratualismo foi essencial para os revoltosos. o Estado é baseado em um consenso. no povo (direitos e deveres uniformes) e no território definido. (págs. portanto. que são a representação. a alguns membros do clero e da nobreza. O divisor de águas entre eles e as formas medievais de Estado foi a dicotomia público-privado. Com o advento do contrato. mobilidade social e. principalmente. Devido a isso. Pelo contrato. mas não o político. pois eles visavam a criação de uma Constituição (contrato social) para a França. um acordo firmado entre a maioria ou a totalidade dos indivíduos que querem atingir determinadas demandas. que preconizava garantias contra os poderes arbitrários. ele é uma criação artificial. o que culminará com a extinção das classes sociais e do Estado. Na sociedade civil. (pág. (págs. Da luta contra o absolutismo surgiu o liberalismo. a economicista e a contratualista. com exceção da vida. para um soberano. em 1789. Isso foi uma novidade. na Revolução Francesa. a limitação da área de ingerência do Estado. visto que eles são inerentes à pessoa humana. Entre elas destacam-se a teoria da força. posteriormente. entre outras idéias. ou uma sociedade de relações pacíficas. a competição e a propriedade privada. Ela detinha o poder econômico. 35-43) 3 – A segunda versão do Estado Moderno: o modelo liberal e o triunfo da burguesia Durante o período no qual duraram os Estados Absolutistas. o primeiro dentre os Modernos. ele também é entendido como uma ideologia antiestado. (págs.O Estado Moderno baseia-se na autoridade (poder centralizado). de ideais iluministas. principalmente pelo fato do poder carismático dos senhores feudais ter sido substituído pelo poder estatutário de um chefe. Para os contratualistas. sendo este privilégio dos aristocratas. como afirmou John Locke. a não ser em algumas poucas atividades. como vida. O primeiro Estado centralizado era estamental. ela se uniu ao povo e. 49-54) . há uma série de teorias que tentam explicá-la. o Estado é um poder que mantém o conflito de classes nos limites ordeiros. na França. O núcleo econômico traz os pilares capitalistas: economia de mercado livre. 24-29) 2 – O Estado na Teoria Política Moderna A gênese do Estado não é certa. segundo Thomas Hobbes. Para os adeptos desta teoria. político e econômico. Daí surgiu o Estado Civil. O núcleo moral afirma os direitos básicos do ser humano. o homem traz direitos que estavam presentes já no Estado de Natureza. os homens autorizaram a um único ou a um grupo deles o direito de governar e decidir pelos demais. Nele haveria uma permanente situação de tensão. Isso culminou. a burguesia havia sido relegada a um segundo plano.

55-57) 4 – O Welfare State e a transformação do liberalismo A não-intervenção do Estado na sociedade nunca foi alcançada. e pelas duas guerras mundiais – é possível mencionar a valorização do indivíduo. eles lucraram com a concessão de serviços e obras públicas. chegou-se à conclusão de que havia necessidade do Estado controlar a economia. 68-70) No Brasil. Essa justiça consistia em uma ajuda do Estado àqueles indivíduos de baixa autoconfiança e de fraca iniciativa. e foi fortalecido pelo New Deal e pelas duas guerras mundiais. mesmo com o Estado tendo adotado o modelo intervencionista.5 milhões de agricultores não possuem terra para trabalhar. assim como no restante da América Latina. 58) Dentre as muitas conseqüências do plano liberal – causadas principalmente pela Revolução Industrial. entre elas as dicotomias público-privadas e político-econômicas. (pág. o progresso econômico e a criação do proletariado. de que fosse criada uma infra-estrutura com dinheiro público para a concretização de sua prosperidade econômica. que é a mais-valia. 89% não cursaram além da 8ª série e 4. 59% da população é considerada socialmente excluída. 72-76) As desigualdades sociais brasileiras são tão gritantes que o país é o último colocado mundialmente em distribuição de renda. devido à necessidade da produção de armas e da guarda de suprimentos. Assim. Essa interferência teve seu ápice no New Deal de Roosevelt. Cabe lembrar que após a I Guerra Mundial. Nas . é atribuída ao Estado uma função social. justamente quando ele se faz mais necessário para reduzir as desigualdades sociais. que se baseia na promoção de ações que garantam condições de vida e dignidade aos habitantes. Nesta parte do continente. (págs. Ele foi consolidado graças às lutas pelos direitos individuais que garantissem uma vida decente e pela transfiguração do modelo econômico agrário para o formato industrial. 59-61) Outros fatores também contribuíram para a desagregação liberal. Esse Estado forte. (págs. (págs. mesmo que em baixo grau. A partir daí surgiu o Welfare State (Estado de bem-estar social). a base do sistema liberal. ele já significa interferência. abatidos pelo mercado. 66-67) 5 – A idéia do Estado de Bem-Estar e a questão brasileira O Estado de Bem-Estar Social surgiu formalmente no México em 1917. (págs. E foi durante a depressão norte-americana que a máquina pública e a iniciativa privada se reconciliaram. Apenas por sua existência. (pág. as crises de desemprego e a adoção do modelo planificado de economia em países antes capitalistas.No fim do século XIX. sem. continuou. o Estado de Bem-Estar Social não está constituído e nem o estará tão breve. 72) E é o neoliberalismo que vem sendo aplicado no Brasil. Com isso. moderno. é claro. intervencionista e regulador – existem políticos que defendem o desmonte do Estado. (pág. esquecer do Executivo e do Legislativo. (págs. como a formação de monopólios. Ao contrário do que estabelece a Constituição – um Estado forte. abrandando a indignação das pessoas. 70-71) A globalização e o neoliberalismo vêm enfraquecendo as diferenciações entre o Estado Moderno e o regime feudal. 65) O início da intromissão estatal pode ser explicado por duas razões básicas: o receio dos burgueses das tensões sociais geradas pelo liberalismo e a necessidade. por parte destes burgueses. o intervencionismo estatal serviu apenas para concentrar a renda em uma minoria de pessoas. (págs. que foi chamado de justiça social. com a infra-estrutura custeada pelo povo e com a suavização do sistema liberal. deve ser implantado com a ajuda do Direito. (págs. o ideário liberal concebeu um novo projeto. 62-64) Entretanto.

que se pauta basicamente na premissa do presidente eleito governar como melhor lhe convém. Ele também se diferencia do Estado Legal e do Estado Polícia. Entretanto. alcançar este regime não é algo simples. Portanto. eleições fraudulentas e escandalosas alterações constitucionais. 98% dos encarcerados não possuem condições de contratar um advogado. Nele.cadeias. Em uma determinada visão de mundo. (pág. visando uma situação de bem-estar que garanta dignidade para toda a população. (págs. o que evidencia o fato de as leis serem feitas para favorecer as camadas mais abastadas da nação. Além disso. hierárquica ou material. os direitos fundamentais coletivos e individuais. o Direito se faz necessário. (págs. 105-107) . 77-82) 6 – O Estado de Direito Para que o conjunto de itens que forma o Estado funcione. 97-98) Um modelo democrático concebido recentemente é a democracia delegativa. na qual novos direitos são criados e a definição de justiça é uma incógnita. (págs. 86-88) Já o Estado Social de Direito recusa a premissa da não-interferência pública. a constitucionalidade. embora isso seja uma mera alteração da ordem pré-estabelecida. 89-96) 7 – A Democracia no Estado Democrático de Direito O conceito de democracia é muito amplo. Ele pode ser visto de maneira formal. o Estado Democrático de Direito é baseado na transformação da realidade. (págs. (págs. Ele consiste em um Congresso Nacional heterogêneo. (págs. a segurança jurídica e a justiça social. Para realizá-la. na metade final do século XIX. ele tem como preceitos a organização democrática da sociedade. a afirmação das liberdades individuais e a redução das funções estatais. 83) O Estado de Direito nasceu na Alemanha. 98-105) Contrapondo-se ao caráter delegativo existe o representativo. mas sim um conjunto de idéias sobre liberdade e democracia. (págs. ele não é apenas uma ferramenta para conter o poder do monarca. as leis deixam de ser uma ordem meramente abstrata e passam a ser instrumentos de ação. mesmo se para isso precise ignorar suas promessas eleitorais e as instituições públicas e privadas. Para isso. Nesta parte do continente americano foi preciso conviver com ditaduras. ela é um agrupamento de normas que definem quem está apto a apresentar resoluções coletivas. 83-85) O Estado Liberal de Direito tem por características a cisão entre Estado e sociedade civil. Sua conquista ocorreu mediante lutas. ele pode ser tanto liberal quando social ou democrático. para que o governante eleito seja legitimado pela maior parte do eleitorado. para que as diversas camadas da população tenham participação nos debates. Esse modelo floresce especialmente durante crises econômicas e sociais. Esse modelo encontra dificuldades no Brasil. aplicada por meio de sanções. (págs. é possível afirmar que Estado e Direito são interdependentes e complementares. Nesse caso a lei é uma ordem geral e abstrata que possui como principal instrumento a coerção. inclusive na América Latina. Ela é uma invenção constante. esta última visando retificar as desigualdades sociais. Também é costumeiramente utilizado o instrumento da eleição em dois turnos. (pág. visto que vários segmentos sociais não encontram representação no Parlamento e algumas unidades da federação possuem proporcionalmente mais deputados federais do que outras. 97) O regime democrático difere-se dos demais por entender o conflito como algo legítimo e também por ser passível de renovações e transformações. 88-89) Superior aos dois anteriores.

o Estado legisla e aplica normas dentro de um determinado território. indivisível e una. Outro fator obscuro é a invisibilidade das decisões. 120-121) 8 – A crise do Estado O Estado Moderno. Destacam-se nesse quesito as questões de soberania e direitos humanos. Desta maneira. a soberania estatal vem se esvaindo devido a organismo supranacionais. (págs. Além disso. as alianças militares e a emissão de uma única moeda em países vizinhos limitam a indivisibilidade do poder. Essas propostas acabaram por sobrecarregar o Estado. é possível afirmar que o poder está pulverizado e. As associações de nações visando o livre-comércio. Posteriormente. Ela era primeiramente concentrada na pessoa do monarca.J. sua caracterização. mas ela não pode significar o fim da renovação das regras. O primeiro é o nebuloso fato de que grupos de interesse dominam o atual sistema político. 107108) A história da democracia transcorreu de maneira tortuosa. J. sofre atualmente uma crise de identidade.A democracia liberal pode ser caracterizada tanto como o sistema político de um Estado capitalista como uma sociedade na qual os indivíduos são livres na busca pela felicidade. (pág. A estabilidade jurídica é imprescindível. que ignoram o poder constituído pelos países em nome dos interesses da maioria. o que é mais significativo. fundado por volta do século XVI. seja com o lucro ou com o bem-estar de alguma classe de indivíduos. As duas principais questões são a soberania. (págs. pois é o único centro de poder. inalienável. tanto conceitual como estruturalmente. que cada vez mais vai de encontro aos interesses de corporações multinacionais. atrofiando-o. mas sim uma tentativa de reflexão sobre a continuidade da espécie humana. (pág. pois isso se encaminharia para um totalitarismo. 112-119) O Estado totalitário é aquele que controla completamente a sociedade. pois a transgressão dos direitos humanos afeta todos os habitantes do planeta. Atualmente é a pessoa jurídica estatal quem a detém. nas mãos de elites concorrentes. 111-112) Por estar intimamente comprometida com a liberdade. e do processo de democratização da sociedade. e o Estado de Bem-Estar Social. também determinadas Organizações Não-Governamentais e sindicais e aglomerados empresariais colaboram para o enfraquecimento do Estado. Para isso o governante faz uso de força e de aparelhos ideológicos. a democracia não pode adotar a perenização de seus princípios. Com ela. (págs. visto que possuem preocupações internacionalizadas. ele e seu partido tornam-se os únicos capazes de decidir em quais verdades o povo acreditará. é preciso agir de maneira global. 125-127) Outra questão diz respeito aos direitos humanos. tanto no campo político quanto no que condiz aos rumos da economia. Desta maneira. pois não há transparência nas votações para que a população possa controlar as atitudes de seus eleitos. e por isso alguns contrapontos devem ser explicitados. (págs. (págs. Rousseau transfere a titularidade dela para o povo. 122-123) O conceito de soberania surge no século XVI. (págs. que é quem legitima o poder do soberano. 108-110) Essas contradições do modelo democrático de governo resultaram principalmente da complexificação da sociedade. 123) A soberania caracteriza-se por ser imprescritível. (págs. Eles também colaboram para a progressiva diminuição da soberania estatal porque não mais possuem como objetivo prioritário a defesa contra os atos do Estado. 122) A crise conceitual refere-se às bases do Estado. (pág. devido à passagem da economia de subsistência para uma economia capitalista. característica fundamental de um Estado soberano. 128-130) . em detrimento dos indivíduos. que acabou bombardeando o Estado com proposições cada vez mais complexas de participação do povo. 124) Contudo. e seu primeiro ideólogo foi Jean Bodin. (págs. Além disso.

indivisível. de subsolo. o fato de ser una. além do solo no qual a população vive e produz. (págs. inalienável e imprescritível. É nessa delimitação que será exercido o poder estatal. A burocracia é elevada e não há autonomia dos componentes inferiores para com o poder central. (págs. 131) Esse tipo de Estado molda-se no intervencionismo. Para que as despesas sejam devidamente sanadas. ele tenta evitar um retorno ao absolutismo. (págs. Aos entes federados não é permitida a secessão da União. (págs. 149-150) 11 – As funções do Estado No momento em que o Estado divide suas funções com determinados órgãos. (págs. (págs. o povo. sendo esta última uma tentativa de se colocar entre as anteriores. não possui prazo de validade.No tocante à crise estrutural. Isso o leva para perto da população. (págs. 141-143) A soberania significa o poder que o Estado possui para fazer valer as normas constituídas dentro de seu território. No caso do Estado Moderno. e. Ela pertence ao povo. seus pilares são o território. assim como os ganhos. contanto que suas resoluções não se contraponham à Constituição Federal. Eles são cidadãos. 143-145) 10 – Formas de Estado O Estado Moderno pode se apresentar tanto da forma federada quanto unitária. dentre toda a população. contrariando as premissas liberais antes vigentes. ou até mesmo regionalizada. No Unitário o poder é concentrado. que é o modelo adotado atualmente pelo Brasil. que a usa para legitimar um governante. Ela tem por características. (págs. possuem direitos políticos e legitimam a soberania do governante. (pág. como citado anteriormente. de espaço aéreo e de uma estipulada extensão marítima. Ela é o poder maior dentro da jurisdição do Estado. Ele não se baseia no assistencialismo. 139) O território de um Estado é composto. (pág. 146) O Estado Federado. as perdas também serão distribuídas para os cidadãos. Caso contrário. Ele beneficiou tantos as classes trabalhadores quanto os demais setores da sociedade. pois esteve atento às demandas que provinham da sociedade e fez maciços investimentos em infraestrutura. 133-135) PARTE II – Elementos que caracterizam o Estado: a importância da Teoria Geral do Estado 9 – Elementos constitutivos do Estado Todo Estado fundamenta-se em algo. o que resulta numa diminuição dos direitos democráticos. é necessário que se faça um aumento na carga tributária ou uma diminuição no aparato governamental. 151-152) . o que engrandece a democracia. 140-141) Os membros do povo são aqueles. caracteriza-se pela fragmentação do poder político. na qualidade de imprescritível. sendo que a atividade jurídica e o desenvolvimento de normas são as mesmas em todo o território nacional. mas eles possuem competência para legislar sobre uma grande gama de assuntos. 147-148) O Estado Unitário é o antônimo do Federado. mas em conceder aos cidadãos condições para o exercício de uma vida digna por meio de direitos consagrados. 131-132) A principal dificuldade desse modelo de Estado é o custeio das benesses legais. (pág. ligados ao poder estatal. ela é movida pelos problemas no Estado de Bem-Estar Social. o governo e a soberania.

eleito pelo povo para um mandado que possui um tempo previamente estabelecido. Judiciário e Executivo e o constitucionalismo. 161) Os partidos políticos são entidades que agem como intermediários entre os cidadãos e o poder público. 158-159. inclusive. (págs. (pág. (págs. (págs. (págs. (págs. que por sua vez foram eleitos pelos cidadãos.As principais maneiras de cindir o poder estatal são sua tripartição em Legislativo. O chefe de Estado e o chefe de governo são o mesmo indivíduo. cada um dos poderes constituídos passa a fiscalizar os demais. não importando a vantagem sobre o segundo colocado. Seus traços precípuos são a vitaliciedade e a hereditariedade. Um partido político pode ser caracterizado como um grupo de pessoas de mesma ideologia. 157-158. (págs. que possuem vontade de participar do jogo político com a intenção de concretizarem seus ideais. (pág. psicológico ou político e. O primeiro pode ser um membro da família real ou um presidente eleito. quando de sua independência da coroa britânica. é necessário um exame acerca dos partidos políticos e dos sistemas eleitorais. que autentica um chefe de governo por um período de tempo pré-estipulado. O presidente possui. 154) A república tem por principal aspecto o compromisso com a democracia. Nela o povo é soberano. normalmente. 154-155) A forma monárquica é aquela presente nos primórdios dos Estados. (pág. os sistemas de governo também se apresentam de maneira dual. No Brasil esse sistema é utilizado para a escolha de senadores e dos ocupantes de cargos executivos. Desta forma. (págs. (pág. Eles têm sua origem moderna na Revolução Francesa. Ele proporciona ao vencedor uma grande responsabilidade. e foi radicalmente modificada com as revoluções liberais. pois podem ser parlamentaristas ou presidencialistas. 160) O sistema presidencialista teve início nos Estados Unidos da América. 161-166) Para fiscalizar e garantir a alternância do poder nos regimes democráticos surgiram três tipos de sistema eleitoral: o majoritário. pois expressa a vontade da maioria dos votantes. 166) No sistema majoritário vence o candidato que receber o maior número de sufrágios. 152-153) 12 – Formas de Governo Os Estados Contemporâneos possuem duas formas de governo. que elegem seus candidatos conforme o coeficiente eleitoral necessário para a ocupação das vagas. no embate entre girondinos e jacobinos. 167-168) . 155-156) 13 – Sistemas de governo Assim como as formas. Os partidos podem ter caráter sociológico. O segundo recebe o cargo de primeiro-ministro. 160) 14 – A democracia representativa: partidos políticos e sistemas eleitorais Para que seja possível a compreensão do conceito de democracia representativa. e é eleito pelos parlamentares. Nesse sistema coexistem as figuras do chefe de Estado e do chefe de governo. pois eles podem ser repúblicas ou monarquias. jurídico. são classificados como direitistas. o que significa que há uma colaboração mútua. e surgiram no Brasil durante o período imperial. Ela passou a perder força durante o início do capitalismo. Por meio dele os votos são recebidos pelas agremiações. 166-168) O sistema proporcional é utilizado em nosso país para a escolha de deputados e vereadores. 157) As origens do parlamentarismo remontam à Inglaterra do século XII. E esse chefe tem por obrigação explicar à população as políticas escolhidas para definir o rumo do país. esquerdistas ou centristas. poder de veto às decisões do parlamento. (págs. o proporcional e o distrital. e desde então ele vem se desenvolvendo.

(págs. Mas para que tais atitudes sejam tomadas. em oposição ao sigilo que anteriormente regia as decisões. e os eleitores votam apenas nos candidatos registrados em seu distrito. 171-174) .No sistema distrital. (pág. 168) 15 – A opinião pública A opinião pública é um mecanismo para que seja feito um controle parcial sobre a classe política. não devemos ignorar o fato de que a opinião pública também é influenciada pelas ideologias. um falso pensamento. (págs. a publicidade das decisões dos representantes do povo reflete um ideal democrático. Ela é um projeto de poder. 169-170) No que tange à função comunicacional. a ideologia também possui fundamental importância. Todavia. (pág. é necessário que os meios de comunicação dêem visibilidade aos acontecimentos da esfera estatal. 169) De origem iluminista. O vencedor é escolhido de forma majoritária. O problema acontece quando o número de informações torna-se imenso e impossibilita o receptor de emitir um parecer crítico sobre elas. por meio de protestos ou consentimentos. que pode tanto ser puro quanto misto. diminuindo assim sua autonomia e tomando ares de institucionalização. tomando como verdade tudo o que toma conhecimento. os colégios eleitorais são divididos em distritos eleitorais. Por meio dela conseguimos averiguar as divergências da sociedade e quais os interesses do povo.

em Montesquieu. Como se caracteriza a relação entre os poderes executivo e legislativo no atual presidencialismo brasileiro (Const. entre liberdade e separação dos poderes? Em que sentido a teoria de Montesquieu pode ser dita uma teoria “liberal”? De que maneira os diferentes poderes exercem “controle” uns sobre os outros na teoria de Montesquieu? Explicite duas diferenças fundamentais entre o sistema de separação dos poderes de Montesquieu e o atual sistema de separação dos poderes (presidencialismo) no Brasil. Exponha as três formas de configuração do gabinete no parlamentarismo. Fed. Esclareça a relação. . Diferencie o Estado liberal “forte” do Estado liberal “fraco”. O que significou o humanismo-renascentista? Quais fatores contribuíram para o fim do feudalismo? O que caracteriza um sistema político? Como se caracteriza a democracia brasileira? Comente a afirmação: “Tudo o que é sólido se desmancha no ar. caracterize o Estado liberal. Fale sobre a naturalização das classes sociais.” Por que é necessário separar a moral pública da moral privada? Qual a diferença entre classe operária e trabalhadora? O que é política? O que podemos chamar de bem comum? O regime político no Irã é democrático? Qual o alinhamento político de Chávez? Justifique citando um exemplo. O que é mandato imperativo e mandato livre? Qual deles está mais próximo da idéia de democracia direta? De que forma elementos de democracia direta estão presentes na Constituição Federal de 1988? Explicite as diferença entre parlamentarismo e presidencialismo. de 1988)? O que significa o “poder de agenda” do executivo? Por que o presidencialismo brasileiro pode ser chamado de “presidencialismo de coalizão”? O que é república? E principado? O que é ideologia? Comente sobre a ideologia religiosa e a capitalista. Compare as teorias de Rousseau e de Sieyès.Exercícios O que é liberdade negativa? Em que sentido ela pode ser dita a “liberdade dos modernos”? De acordo com o texto de Bobbio. Diferencie democracia direta e democracia representativa.

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