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Anatomia Topográfica do Casco Equino

Anatomia Topográfica do Casco Equino

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Publicado porAlexandro Silva
Uma abordagem sobre cascos equinos.
Uma abordagem sobre cascos equinos.

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Published by: Alexandro Silva on Sep 22, 2012
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1.

Introdução

Durante milhares de anos as espécies que deram origem ao cavalo moderno (Equus cabalus) sofreram inúmeras mudanças, dentre elas a adaptação para corrida em velocidade a partir da simplificação da porção distal dos membros a um só dígito. Além disso, estruturas tendíneas fortes, inúmeros ligamentos e potentes músculos (flexores e extensores) tornaram o cavalo um exímio velocista. Dentre todas as adaptações, o surgimento do único dígito a partir da falange distal, juntamente com o casco que a reveste foram das mais relevantes. O casco, grosso modo é uma estrutura queratinizada que recobre a falange distal como uma capa e tem formato de cunha. Esse estojo córneo também chamado “parede do pé”, possui todo um complexo aparato anatômico que confere função protetora e meio de defesa ao animal. O completo diagnóstico e exame dos cascos é bastante relevante, o veterinário deve ter um leque de conhecimentos anatômicos e fisiológicos, tendo em vista que as causas mais comuns de claudicação decorrem de problemas no casco.

Anatomia e Morfologia do Casco

2. O Casco: Tegumento e Função

A falange distal do membro eqüino é recoberta pelo casco, que é uma espécie de queratinização especial sobre o epitélio normal em forma de cunha. Sendo assim, o tegumento comum do casco é formado de três partes:

e o estrato córneo que é uma região insensível e forma a parede da muralha. out. A partir de suas adaptações. além disso. 3. o casco pode ser divido em: Parede. A parede é mais espessa na ponta e mais delgada nas barras. De modo geral. 2006 FIGURA 1. essa parte do casco cresce de cima para abaixo aproximadamente um cm por mês. Além disso. bem como sua defesa a partir do coice complementam a funcionalidade dessa estrutura. Divisão do Casco. sola e ranilha. derme e hipoderme. n. 389-398.Epiderme. medindo de 0. N: osso navicular (sesamóide distal). perioplo.2 a 0. Imagem : Ciência Animal Brasileira .1 Parede também chamada de muralha. a muralha é mais alta na porção dorsal e decresce dos lados até formar os talões na . I: primeira falange. A epiderme subdivide-se em: estrato germinativo./dez. 7. Casco do eqüino e sua relação anatômica com as estruturas ósseas da região distal do membro. a parede é a região visível do casco no animal parado. p.5cm. II: segundafalange. 4. entre elas o único dígito recoberto por um casco. 3. os queratinócitos. a função amortecedora e de concussão junto com a falange distal e ossos sesamóides. que é a zona de crescimento formada por células especiais. III: terceira falange. v. o cavalo desenvolveu mecanismos evolutivos que o garantiu alcançar grandes velocidades para fugir de seus predadores naturais.

3. amortecendo forças mecânicas. C.O. Tratado de Anatomia Veterinária. Na camada interna o casco é formado de inúmeras lâminas que se interdigitam. WENSING. K..J. A fusão da sola e da parede é conhecida como linha branca. tendo em vista que é constituída de 33% a mais de água do que a muralha. P.O. as lâminas primárias e secundárias. situando-se dessa forma no meio da barra do casco.. A ranilha é separada das barras e da sola por sulcos profundos (paracuneais). 2004.2 Perioplo é a região de crescimento do casco eqüino que cresce a partir do tecido epitelial na subdivisão da derme. 3. . 1986). P. embora mais macia que a da parede. Sua função não está relacionada à sustentação do peso. a ranilha ajuda na irrigação do casco eqüino.G. (DYCE. Tratado de Anatomia Veterinária. na qual (que também é chamada de Alba) são posicionados os cravos da ferradura. SACK. 3 ed. WENSING.J. O posicionamento da sola deriva do osso da terceira falange e do tendão flexor profundo. 3. além de possibilitar a expansão do casco. Os talões são as continuações traseiras das barras do casco.4 Ranilha ou Cunha é uma estrutura elástica e cuneiforme que se projeta na sola. Os sulcos são convenientes para aplicação de testadores de casco (grandes “pinças” usadas para detectar pontos sensíveis em estruturas profundas).3 Sola é a região inferior do casco. Além de atuar como elemento de concussão. Possui formato côncavo e preenche a região entre a parede e a ranilha.região posterior. que acentuam suas bordas medial e lateral.G.M. o ângulo das barras do casco aumenta expandindo o casco e prevenindo a contração dos talões (ANDRADE. Essa estrutura é uma camada brilhante de tecido córneo próximo à coroa e que se expande até a face palmar/plantar onde reveste os talões. A cada momento que a ranilha suporta peso. tende a tornar-se esponjosa e a descamar em animais solicitados a pisotear terrenos para plantação (DYCE. 2004. sendo uma estrutura menos resistente e densa. 574). W. C.M.. SACK. W. também consiste em uma mistura de córneo tubular e intertubular. As barras aplicam força nos talões e permitem que o casco resista ao impacto do peso do eqüino quando o casco apóia-se no solo.. K. São Paulo: Elsevier. São Paulo: Elsevier. 3 ed. 574). A sola córnea.

A: Visão Lateral. 4. A porção distal do membro eqüino é formada pelas falanges e ossos sesamóides. out. 389-398. tendões e ligamentos). 2006 FIGURA 2. n. ela é pontiaguda e possui inúmeros sulcos e forames para passagem e entrada de ramos das artérias digitais e nervos. 2. Talão. Sulco Lateral da Ranilha 4. III. p. Na superfície flexora tem-se a borda flexora da falange distal. Barra. A falange distal ou falange III também chamada “osso do casco”. ou forma de cunha. por onde corre o tendão flexor digital profundo que vai se inserir na borda flexora da falange digital. Faixa Coronária. articula-se com a falange média formando a articulação interfalangeana distal. B: Visão Plantar. I. O osso sesamóide aumenta a superfície articular distal da falange eqüina. Na parte dorsal da falange distal tem-se uma borda afunilada chamada de processo extensor da falange distal. 1. Pinça. Sulco Central da Ranilha. O ligamento anular distal representa um gancho que se funde com a superfície palmar do tendão profundo . Quarto. essa borda é muitas vezes chamada de crista semilunar. A FIII tem o mesmo formato do casco.Imagem : Ciência Animal Brasileira . média e distal) articulam-se entre si através das articulações interfalangeanas e com os ossos sesamóides distais e proximais. II. 3. 4.1 Falange distal (ossos. onde se insere o tendão flexor digital profundo. O ligamento anular mantém os tendões flexores no lugar. 7. onde se insere o tendão extensor digital comum./dez. As três falanges (proximal. Divisão do casco Eqüino. v. Osso Sesamóide Distal ou navicular é um osso em forma de navio e tem a função de servir como alavanca. .

P. Sci. respectivamente. anim...J.(DYCE. 45. v. São Paulo: Elsevier. 2008 FIGURA 3: Corte sagital da região distal Do membro torácico de um assinino. A complexa rede de vasos sanguíneos é auxiliada por movimentos de extensão e contração dos cascos. movimento dos talões auxiliam no retorno venoso que durante a locomoção ajuda a circulação venosa. Imagem : Braz.evidenciando O ponto de inserção do tendão flexor digital Profundo(seta) e bolsa podotroclear(círculo). Res. SACK.. Tratado de Anatomia Veterinária. WENSING.2 Irrigação e Drenagem A irrigação e drenagem sanguínea do casco são feitas pela artéria e veia digital comum. 2004. dessa forma. 3 ed.M. A artéria digital comum é originária da artéria palmar medial. C. 2. 4. vet.continuando até a inserção na FIII dentro do casco. J. 101-108. p. n.O. e separa o tendão do coxim digital. W. 569).G. São Paulo. Referências Bibliográficas . K.

P.. FRANDSON. 101-108.J. p. C. W. Rio de Janeiro. 1981. R. 7.J.D. 1996 . L. WILKE.G. A. K. out. R. 11ª ed. W. Barueri.201.635-637. Atlas de anatomia topográfica dos animais domésticos. SWENSON.. Cap.1. 45. Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science. 1ª ed. Editora: Guanabara Koogan./dez.O. São Paulo. São Paulo: Manole. p.. 2. 1985.M. Ciência Animal Brasileira .ed. POPESKO. 2006 DYCE. SACK. 3 v. p. Editora: Guanabara Koogan. REECE. v.ANDRADE. WENSING... 2005 GETTY. n. 5. Dukes Fisiologia dos Animais Domésticos. São Paulo: Elsevier. S. SP. 2008. v. 389-398.L. Recife: Equicenter.D. FAILS. Anatomia dos Animais Domésticos. 2004.38. W. p. Tratado de Anatomia Veterinária. Sisson/Grossman. Rio de Janeiro: Interamericana.... O condicionamento do eqüino no Brasil. Anatomia e Fisiologia dos Animais da Fazenda. v. RJ. 3 ed.O. M. n. 1986. 4.

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