TÉCNICA DE REDAÇÃO

O que é preciso saber para bem escrever Lucília Helena do Carmo Garcez

Martins Fontes
São Paulo 2004 /

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Copyright © 2001, Lirraria Mar rins Fontes Editora Ltda., São Paulo, pata a presente edição. l edição abril de 2001 2 edição agosto de 2004 Revisão gráfica Mar ia Luiza Farret Célia Regina Cantargo Produção gráfica Gera/do Ai: es Paginação/Fotolitos Studio 3 Desenvolvimento Editorial Dados beternacionais de Catalogação na Publicação (CW) (Câmara Brasileira do Livro. SP, Brasil) Garcez, Lucília Helena do Carmo Técnica de redação o que é preciso saber para bem escrever / Lucfl/a Helena do Carmo Garcez. — 2 cd. — São Paulo Martins Fontes. 2004. (Ferramentas) Bibliografia. ISBN 85-336-2038-1 1. Redação (L/teratura) 2. Redação técnica!. Título. II. Série. 04-5414 CDD-808.066 Índices para catálogo sistemático: 1. Redação técnica 808.066 2. Textos : Produção: Redação 808.066 Todos os direitos desta edição para a língua portuguesa reservados à Livraria Martinn Fontes Editora Lida,

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Índice
Introdução xiii Capítulo 1 Os mitos que cercam o ato de escrever 1
. —

1. Verdades e mentiras 1 2. Reconsiderando crenças 10 3. Novas atitudes em relação à escrita 11 4. Prática de escrita 11 Capítulo 2— Como escrevemos 13 1. Outras visões acerca do ato de escrever 13 2. A escrita como processo 14 3. Conhecendo melhor o processo de escrita 20 4. Novos procedimentos na escrita 21 5. Prática de escrita 21 Capítulo 3 — A qualidade da leitura 23 l.Oqueéleitura 23 2. Recursos para uma leitura mais produtiva 27 3. Os tipos de leitura e seus objetivos 29 4. Procedimentos estratégicos de leitura 30 5. Conhecendo melhor o processo de leitura 45 6. Prática de leitura 45 Capítulo 4 — Da leitura para a escrita 47 1. O trabalho com a memória 47

2. Resumos, esquemas e paráfrases 49 3. Conservando e reutilizando o que foi lido 59 4. Prática de síntese 59 Capítulo 5 — Decisões preliminares sobre o texto a produzir 61 1. Tomando decisões 61 2. Funções da linguagem 61 3. Decisões em relação às estruturas lingüísticas 72 4. Gênero e tipo de texto 79 5. Decisões orientadoras 84 6. Prática de tomada de decisões 84 Capítulo 6 — A ordem das idéias 87 1. A concepção das idéias 87 2. Das anotações para o texto 94 3. A organização das idéias 97 4. Da concepção à organização das idéias 109 5. Prática de organização 110 Capítulo 7 — O entrelaçamento das idéias 111 1. O tecido aparente do texto lii 2. Mecanismos de coesão textual 112 3. Problemas decorrentes da ausência de coesão 115 4. Entrelaçando as idéias 122 5. Prática de entrelaçamento 123 Capítulo 8 — A reescrita de textos 125 1. A releitura como avaliação para a reescrita 125 2. A impessoalização do texto 127 3. Uso do vocabulário 129 4. Estrutura dos períodos 135 5. A pontuação 136 6. A questão da ortografia 138 7. O uso do sinal indicativo de crase 140 Carta ao leitor 143 Bibliografia comentada de apoio ao aluno 145 Bibliografia para aprofundamento 147

“O escrever n0 tem rim» Scribendi Fedro Fábulas

Para Adriana, Cristina, Fabiana, Gabriel e Ana Flávia. AGRADECIMENTOS A Lígia Cademartori, pela confiança e pelas sugestões; Balthar, pelo estímulo solidário; Maria Luiza Corôa, pela parceria e pelos comentários; e aos professores/alunos, que tanto contribuíram durante estas reflexões.

Introdução
Produzir textos é uma atividade extremamente necessária tanto na vida escolar como na vida profissional e no dia-a-dia. Entretanto, no meu cotidiano docente, tenho encontrado alunos, jovens e adultos já formados, ansiosos, assustados, desencorajados, e, principalmente, desorientados quanto às habilidades e atitudes necessárias ao convívio mais natural e simples com a escrita. Percebi que muitas dessas posições negativas em relação ao ato de escrever haviam sido lentamente construídas ao longo da história escolar de cada um e que provinham de um desconhecimento da natureza, das especificidades e das exigências da escrita. Estimulada por alunos e colegas, decidi organizar as reflexões desenvolvidas ao longo de muitos anos de trabalho. Não quis produzir um tratado acadêmico acerca de redação, nem um livro didático, no sentido usual desse manual escolar, nem também um livro de exercícios impessoais de treinamento (pois há muitos, e bons, no mercado). Parti, então, das observações anotadas durante cursos e conversas com alunos (professores e futuros professores) da universidade, das minhas pesquisas em lingüística, de meu interesse por depoimentos de escritores, e de minhas próprias experiências como pessoa que escreve. Sempre acreditei que para ensinar a escrever era necessário viver intensamente o desafio da minha própria escrita. Adoto a vertente teórica que vê a língua, não apenas como uma herança social, mas como uma forma de ação, um modo de vida social, uma construção coletiva. A interação verbal e as relações coletivas e sociais constitutivas do jogo da linguagem, como elementos fundamentais que se conjugam na construção da língua, exercem sobre mim um fascínio que dá sentido à existência. Assim, não posso focalizar a produção de textos restrita a um conjunto limitado de regras que podem ser repassadas, memorizadas e aplicadas sem a participação e interferência do sujeito. Esse é o agente de uma ação intencional e estratégica sobre o interlocutor ou sobre o mundo, que constrói realidades e interpretações, numa determinada situação cultural. Procurei, neste livro, desmitificar, desconstruir idéias equivocadas, provocar uma mudança de atitude em relação ao ato de escrever e, conseqüentemente, ao de ler. Não proponho tarefas que se esgotam em si mesmas, mas procuro abrir novos horizontes para uma prática contínua e sempre enriquecedora do universo lingüístico, da auto-estima e da atividade intelectual do leitor. Escrevi este livro para quem está pessoalmente interessado em renovar suas próprias práticas de escrita, mas penso que professores que trabalham com o ensino de redação em qualquer nível são interlocutores bem-vindos às reflexões que proponho. A autora XIV
TÉCNICA DE REDAÇÃO

Capítulo 1

Os mitos que cercam o ato de escrever
1. Verdades e mentiras

você é uma exceção.Durante sua vida escolar. principalmente porque exige envolvimento pessoal e revelação de características do sujeito. colegas. Veiga. e muitos passam por etapas semelhantes aos redatores leigos. escrevi outras e outras histórias. Caso a escrita fosse um dom inato. Mesmo assim. Mas é uma batalha curiosa: as derrotas que a gente sofre nela não são derrotas.. bem como alguns professores. um ato espontâneo que não exige empenho. Consertei. levantei até que um dia escrevi uma história que quando li de cabe ça fria. compreender que todas as pessoas podem chegar a produzir bons . 2 TÉCNICA DE REDAÇÃO a) Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas pessoas têm “Eu não tenho o dom da escrita. são esses fatores que vão definir também nossa maturidade e nosso desempenho na produção de textos. todos podem escrever bem. algo desnecessário no mundo moderno. 4 ed. 1988. qual seria o papel da escola? E o que aconteceria com aqueles que. e gostei do resultado. tendo recebido o dom.fazer. coletiva. você deve ter cristalizado alguns mitos a respeito da produção de textos. são lições para o futuro. Voltei a tentar. Quando resolvi experimentar escrever. admitiu que até mesmo o talento. Quais são as falsas crenças. Mas quando a gente joga a toalha. renomado autor brasileiro. caí. com uns consertos aqui e ali. A escrita é uma construção social. uma questão que se resolve com algumas “dicas”. que são os que levam alguém a acreditar que escrever seria um dom que poucas pessoas têm. É preciso.” Essas são algumas das afirmações mais freqüentes entre alunos de cursos de produção de textos. que têm texto péssimo e que não há formas de melhorar o desempenho na produção de textos. pois até mesmo profissionais maduros demonstram insegurança em relação à própria expressão escrita. a vocação ou o dom dependem de muita persistência: Como começou a escrever? Foi um processo demorado. que amadureceu devagar. a intensidade do convívio estabelecido com o texto escrito e a freqüência com que escrevemos. um ato autônomo. pais. E o seu caso? Se não for.” “Não fui escolhido. bloqueados diante da página em branco. antes de tudo. da escrita literária. a revelação desses gênios só acontece depois do processo de aprendizagem e do convívio intenso com a língua escrita. não gostei. e acaba voltando à luta. Ninguém nasce escritor e o processo que transforma alguém em um artista da palavra é ainda um enigma. mas aqui vamos refletir acerca dos mais devastadores. achei que não estava ruim. tanto na história humana como na história de cada indivíduo. os mitos mais freqüentes em relação à escrita? Há muitos. a importância que o texto escrito tem para nós e para nosso grupo social. fossem se configurando e se enraizassem. p. contribuíram para que crenças.” “Não recebi esse talento quando nasci. 8. nessa batalha permanente. Animado. não consegui da primeira OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER vez. aqui. 7. São Paulo: Editora Atica. e desanimei. um ato isolado. vamos usar alguns depoimentos e exemplos de escritores porque neles a luta com as palavras é muito evidente. Vol. Embora seja uma das tarefas mais complexas que as pessoas chegam a executar na vida. nem sempre as mais adequadas. As atividades escolares e os livros didáticos. entrega os pontos num assunto que sente que é capaz de. Eu estava descobrindo que ler é milito mais fácil do que escrever. Poucas pessoas conseguem escapar de um conjunto equivocado de influências e construir uma relação realmente saudável com o ato de escrever. fica infeliz. desvinculado das práticas sociais. O aprendiz precisa das outras pessoas para começar e para continuar escrevendo. nunca foram alfabetizados? José J. Escrevi uma história. apanhei. muitos jovens crescem pensando que nunca serão bons redatores. embora polêmica e questionável. desligado da leitura. poderia ser aplicada a alguns poucos gênios da literatura. Para gostar de ler. ela ficaria apresentável. E claro que não estamos tratando. A noção de dom. Conseqüentemente. Entretanto. Dessa forma. O que vai determinar o nosso grau de familiaridade com a escrita é o modo como aprendemos a escrever.

amor e conflito em relação às palavras é apresentada de maneira extraordinária: OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER O LUTADOR 5 Lutar com palavras é a luta mais vã. leigos. A tarefa pode ir ficando paulatinamente mais fácil para profissionais que escrevem muito. sem a menor dificuldade. Então você fica trabalhando. sem o menor esforço. à língua e suas possibilida 3 4 TÉCNICA DE REDAÇÃO des estilísticas. Entanto lutamos mal rompe a manhã. agora em uma outra entrevista: O senhor é muito conhecido por reescrever incessantemente seus textos. ao gênero adequado. 1999. à situação em que o texto é produzido. harmonizados de forma que o texto seja bem sucedido. principalmente. e que isso não é uma questão de ser “ungido” pelos deuses que escolhem os mais talentosos. Continuemos com o depoimento de José J. Folha Ilustrada. apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. em que essa relação de necessidade. Algumas. Eu desbasto o texto. O que admiramos na literatura é justamente essa especificidade. significados. escrever é incompatível com a preguiça. escrever não é fácil e. mas mesmo esses testemunham que é um trabalho exigente. Faz rigorosas exigências à memória e ao raciocínio. Veiga. p. frustrante. Mas lúcido e frio. não conseguimos traduzir com propriedade. todos os dias. Não é assim. Escrever é uma das atividades mais complexas que o ser humano pode realizar. São muitas. eu pouco. e que é. muitas vezes. 8. para chegar o mais próximo possível. até visualiza. A agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos envolvidos na escrita sejam articulados. E necessário que o redator utilize simultaneamente seus conhecimentos relativos ao assunto que quer tratar. Tiro o bagaço para deixar apenas o que tem peso. insatisfatório. teria poder de encantá-las.textos. Conhecimentos de natureza diversa são acessados para que o texto tome forma. tão substantiva? — É. quando quer pôr aquilo no papel. pensamentos. Vocé imagina as coisas. Aí você descobre que a linguagem é tosca. cansativo. Se o fosse. E necessário também identificar bloqueios porventura construídos ao longo da vida escolar e tentar eliminá-los. essa possibilidade de expandir pela palavra escrita emoções. sensações. Portanto. coordenados. São Paulo. Sempre queremos um texto ainda melhor do que o que chegamos a produzir e poucas vezes conseguimos manter na linguagem escrita todas as sutilezas da percepção original acerca de um fato ou um pensamento. que nós. tão fortes como o javali. — Por isso a linguagem do senhor é tão seca. Não me julgo louco. aos possíveis leitores. tem que usar a linguagem. Para refletir sobre estas questões. de Carlos Drummond de Andrade. Paulo. Deixam-se enlaçar. Por que o senhor reescreve? — Epor conta de uma grande insatisfação. tontas à carícia e súbito fogem e não há ameaça e nem há sevícia . l7jun. considere o poema. Folha deS. mas. Eu me vigio muito para não fazer aquilo que em linguagem popular se diz “encher lingüiça “. a essência. trabalhando. b) Escrever é um ato que exige empenho e trabalho e não um fenômeno espontâneo Muitas pessoas acreditam que aqueles que redigem com desenvoltura executam essa tarefa como quem respira. Não acompanha o que você quer fazer. já clássico.

Quisera possuir-te neste descampado. a luta prossegue nas ruas do sono. é fluido inimigo que me dobra os músculos e ri-se das normas da boa peleja. luto todo o tempo. Busco persuadi-las. Já vejo palavras em coro submisso. não seguro formas. O teu rosto belo. aceito o combate. Cerradas as portas. Insisto. Ser-lhes-ei escravo de rara humildade. perpassam levíssimas e viram-me o rosto. Não têm carne e sangue. iludo-me às vezes. Mas ai! é o instante de entreabrir os olhos: entre beijo e boca. Preferes o amor de uma posse impura e que venha o gozo da maior tontura. Palavra. o sutil queixume. e um sapiente amor me ensina a fruir de cada palavra a essência captada. solerte. sem maior proveito que o da caça ao vento. se me desafias. Sem me ouvir deslizam.que as traga de novo ao centro da praça. outra seu desdém. Não encontro vestes. ó palavra. Na voz. Entretanto. Lutar com palavras Parece sem fruto. tudo se evapora. outra seu ciúme. Guardarei sigilo de nosso comércio. esta me ofertando seu velho calor. sem roteiro de unha ou marca de dente nessa pele clara. nenhum travo de zanga ou desgosto. Luto corpo a corpo. Carlos Drummond de Andrade e) Escrever exige estudo sério e não é uma competência que se forma com algumas “dicas” A idéia de que algumas indicações e truques rápidos de última hora podem solucionar problemas de produção de tex tos tanto para candidatos a concursos como para profissionais . outra sua glória feita de mistério.. palavra (digo exasperado). pressinto que a entrega se consumará. Tarnanha paixão e nenhum pecúlio. esplende na curva da noite que toda me envolve. luto.. O ciclo do dia ora se consuma e o inútil duelo jamais se resolve.

Escrever bem é o resultado de Um percufSo Coflstijdo de muita prática. sem apoio do contexto ou da expressão facial. diplomas. escrever com diversos objetivos escre ver em diversas situações Associadas a muita prática. Portanto este é imprevisível. o vocabulário e a própria organização do discurso. a leitura é um propulsor do desenvolvimento das habilidades cognitivas. O que é a leitura é o nosso assunto do capítulo 3. Seu exercício intenso e constante promove a análise e a reflexão sobre os fenômenos e acontecimentos. atuar e possuir: certidões. artificial em que a voz do autor SC anula para dar lugar a clichês chavões. atestados. temos. comunicados inundam a nossa vida cotidiana. E necessário escrever sempre escrever todos os dias. Por outro lado. tornando a pessoa mais crítica e mais resistente à dominação ideológica. iluminadoras. registros. paradoxalmente. esclarecedoras. cédulas. Uma redação por flês. d) Escrer é um prá lica que se aIic. projetos. declarações. propostas. suas exigências. Quando estão isoladas de uma prática intensa. muita reflexão e muita leitura. Envolve tantos procedimentos intelectuais e exige tantas operações mentais que o bom leitor adquire maior agilidade de raciocínio. É pela leitura que assimilamos as estruturas próprias da língua escrita. Há ainda que se considerar que a leitura é uma das formas mais eficientes de acesso à informação. Essas exigências advêm do fato de estarmos nos comunicando a distância. Tratamos de forma diferente a sintaxe. ser. contratos. e) Escrever é necessário no mundo moderno Observa-se que o cidadão comum. realizamos ou dese 7 ‘ . Hoje. temos a Colaboração do ouvinte Já OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER a comunicação escrita tem suas especificidades. Além de ser imprescindível como instrumento de consolidação dos conhecimentos a respeito da língua e dos tipos de texto. recibos. comprovantes. acreditando que prescrever esse procedimento muitas vezes Suficiente para conseguir desempenho mínimo num concurso. Alguns conseguem mesmo reduzir sua atividade escrita à assinatura de cheques e documentos. Para nos comunicarmos oralmente apoiam0 nos no contexto. frases feitas e pensamentos alheios. tudo está muito automatizado e as relações humanas por intermédio da escrita podem ser reduzidas ao mínimo: o telefone resolve a maior parte dos problemas do cotidiano. Precisamos de documentos escritos para existir.iia com aprálit. escrever sobre assuntos diversos. as “dicas” fornecidas a partir de dificuldades reais vivenciadas na produç0 de textos podem ser úteis.a d !eitur É improvável que um mau leitor chegue a escrever com desenvoltura. E uma ação em que o sujeito se envolve de forma total. certificados. com sua bagagem de conhecimentos e experiências sobre o mundo e sobre a linguagem Não existem esque5 prévios ou roteiros infalíveis que Possam substituir tal envolvimento É a voz do indivíduo que orienta O texto. é o objetivo da escola Fórmulas pré_fabricadas de textos e “dicas” isoladas apenas Contribuem para a montagem de um texto defeituoso truncado. escreve muito pouco. o complexo mundo contemporâneo está cada vez mais exigente em relação à escrita. tem engan0 e enriquej0 muitos donos de escola e de cursinhos Muitos professores oferecem uma espécie de formu1áro mental do que seria um bom texto para que o estudante preencha as lacunas. dependendo do mundo profissional a que pertence. alguns exercícios esporádicos de Produção de pequen05 trechos não formam um bom redator. A autoria vem das escolhas pessoais dentro das POSSjbilid des da língua e do gênero. escrituras.6 TÉCNICA DE REDAÇÃO que precisam mostrar competência escrita em curtíssimo prazo. não ajudam em nada. É pela convivência com textos escritos de diversos gêneros que vamos incorporando às nossas habilidades um efetivo conhecimento da escrita. relatórios. Tudo o que somos.

objetivo. mais do que a população da Argentina. E nossa habilidade de escrever é exigida. Os truques podem ajudaros redatores que já estão em meio ao . p. Seção Cartas dos Leitores. na quinta-feira (dia 5). sempre que nos propomos a integrar os órgãos que conformam o sistema da cidadania urbana. A escrita tem um sentido e uma função. aqui em Brasilia. Para cada situação. sempre que nos submetemos a qualquer processo seletivo. não pode ser considerada escrita. Pelo texto escrito modificamos o nosso contexto e nos modificamos simultaneamente. Assim. Pela escrita estamos atuando no mundo. Veja o exemplo desta carta enviada ao jornal Correio Braziliense por uma leitora: Primeiro de tudo. necessidade temos à nossa disposição um acervo de textos apropriados. Então veio a bomba” sobre nós: 28 milhões de pessoas morrem de fome neste exato momento no Brasil. claro. Nem sempre as “dicas” oferecidas pelos professores e colegas são suficientes para a elaboração de um texto fluente. Todos podem vir a ser bons redatores. Os profissionais que dominam essas habilidades mais complexas e sofisticadas têm mais chances no mercado de trabalho. O que antes se resolvia simplesmente com uma ligação telefônica passou a ser substituído por um texto escrito transmitido via fax ou e-mail. tudo é mediado pela escrita. para. em que momento e de que modo 10 TÉCNICA DE REDAÇÃO deve utilizá-lo. Além disso. Mesmo na informática. Como vimos no item anterior. vale o escrito. podemos agir. L. tentar controlar e acabar com essa catástrofe! M. Essas práticas de comunicação em sociedade se configuram em gêneros de texto específicos a situações determinadas. de uma investigação. Essa carta é um exemplo de como a participação pela escrita confere ao indivíduo um novo canal de relacionamento com o mundo. Reconsiderando crenças Vimos que escrever não é um dom que apenas algumas pessoas têm. a redação escolar. 10 ago. Brasil! O governo não é o único culpado. Brasília. a cada dia mais seletivo. Estava no meu curso de inglês. adequado. Saber escrever é também compartilhar práticas sociais de diversas naturezas que a sociedade vem construindo ao longo de sua história. medida. Correio Braziliense. Navegar ou conversar na Internet exige um convívio especial com a escrita. vamos tomar uma providêneia séria. desejo. Entretanto.8 TÉCNICA DE REDAÇÃO jamos realizar deve estar legitimado pela palavra escrita. E. J) Escrever é um ato vinculado a práticas sociais Todo ato de escrita pertence a uma prática social. como sujeitos de uma voz. Não se escreve por escrever. acredita. O professor citou que sua namorada trabalha nas Nações Unidas. Para nós. exigem-se dos homens as habilidades que lhes são exclusivas. incluindo o Brasil. mas também sabe quando cada um deles é adequado. comunique o que sabe. 2. Vale o escrito. Assim. de uma tarefa profissional. estamos nos relacionando com os outros e nos constituindo como autores. quando começamos a debater a pobreza e a fome nos países. se somos culpados. gostaria de expor a minha opinião sobre um fator que está acabando com o Brasil nestes últimos anos: a fome.é um trabalho duro. 16. toda a nossa civilização ocidental é regulada pela escrita. A escrita não é apenas uma oportunidade para que a pessoa mostre. enquanto o trabalho primário vai sendo atribuído às máquinas. investigada. mas apenas uma forma de demonstração de habilidades gramaticais. A produção de textos é uma forma de reorganização do pensamento e do universo interior da pessoa. por exemplo. escrever não é um ato espontâneo. isolada. gostaria de parabenizar o Jornal que é muito bom. defende e quer compartilhar ou expor ao outro como forma de interação. Isso me deixou muito irritada. como a produção de textos. avaliada. A sociedade também é. mas não serve para contar uma viagem de férias para os amigos. razão por que faço um apelo: por favor. pelo menos. Um relatório é próprio para prestar contas de uma pesquisa científica. e não pôde deixar de nos OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER 9 informar sobre a população que está morrendo de fome no Brasil. 1999. mas também para que descubra o que é. Parabéns! Segundo. desvinculada do que o indivíduo realmente pensa. o produtor de texto não apenas tem conhecimentos sobre as configurações dos diversos gêneros. o que quer. D. Exige muito empenho. o que pensa. em que acredita.

um professor. Prática de escrita a) Para desmontar de vez suas crenças inadequadas a respeito de sua relação com a escrita. pois ela oferece oportunidades de contato intenso com as infinitas possibilidades da língua. porque podem esclarecer alguns pontos duvidosos ou obscuros da escrita e da organização do texto. ACREDITAR QUE VOCÊ PODE ESCREVER BEM. Outras visões acerca do ato de escrever Os pesquisadores já sabem muita coisa sobre a escrita. 4. ESTÁ MELHORANDO E QUE VAI CHEGAR LÁ IMPULSIONA O APERFEIÇOAMENTO. seus professores. neurologistas. escrevem com desenvoltura. LER MELHOR A CADA DIA. b) Transforme essa narrativa em um texto em terceira pessoa. sucessos e fracassos escolares e profissionais. educadores. NÃO SE PODE FICAR SATISFEITO COM “DICAS” ISOLADAS E FRAGMENTADAS. TEXTOS COM SUAS OPINIÕES ACERCA DE ACONTECIMENTOS. Tente formular uma narrativa que explique ou justifique como foi construída a sua ex12 TÉCNICA DE REDAÇÃO penência de escrita até hoje. Novas atitudes em relação à escrita É IMPRESCINDÍVEL: ESCREVER TODOS OS DIAS: ANOTAÇÕES DE AULA.. A escrita é muito necessária no mundo moderno. suas observações acerca do que escreve diariamente. coloquial. Capítulo 2 Como escrevemos 1. QUERER SABER MUITO MAIS. Reveja todo o seu percurso escolar e profissional. com os diversos gêneros e tipos de texto e com as informações e idéias que circulam no nosso universo. para avaliar se as informações estao compreensíveis. BILHETES. CARTAS. mas não funcionam isolados de muito exercício. Esse diário pode oferecer muitas pistas para sua trajetória de crescimento. focalizando principalmente as situações de escrita que ficaram gravadas em sua memória. para um interlocutor imaginário que pode ser um amigo. LER MUITO. sociólogos. sobre como as pessoas chegam a ser realmente ótimas redatoras. OS MITOS QUE CERCAMOATO DE ESCRE VER 11 PARA QUEM GOSTA DE “DICAS” 3. Estudos de várias áreas do conhecimento nos levam a refletir sobre essas questões: lingüistas. DEIXAR A PREGUIÇA DE LADO E SE ESFORÇAR. RESUMOS DE LEITURAS. vivem de escrever.. antropólogos vêem a escrita sob seus diversos aspectos. mas ainda é muito pouco diante do que precisamos descobrir. Um dos caminhos mais interessantes para compreender o ato de escrever é considerar os depoimentos de pessoas que escrevem todos os dias. colocando-se no lugar do leitor. oferecendo-nos um quadro multifacetado de conhecimentos acerca do fenômeno. PROJETOS. em tom de depoimento (talvez no formato de carta). Escreva um texto em primeira pessoa. sobre o que acontece com a mente das pessoas durante o ato de escrever. seus avanços e retrocessos. além de desbloquear a mente e desenferrujar a mão. DIÁRIO. LER DIVERSOS TIPOS DE TEXTO. como vai transformando seus conceitos acerca da escrita. no qual você conta toda a história como se fosse a de uma outra pessoa. expectativas. Lembre-se de quando aprendeu a escrever. uma vez que as práticas sociais que estruturam as nossas organizações contemporâneas são mediadas por textos escritos. CONSIDERAR A ESCRITA COMO UMA HABILIDADE IMPORTANTE PARA O NOSSO SUCESSO PROFISSIONAL. e) Mantenha um caderno de anotações datadas de impressões e reflexões sobre sua relação com o texto escrito. informal. sua escola. empreenda uma viagem na memória. suas experiências. Releia. um analista. Observe o depoimento da escritora Lygia Fagundes . Compreendemos também que a leitura é imprescindível paraque o redator chegue a apresentar um bom desempenho. Dependemos da escrita para existir efetivamente e atuar no mundo.processo de desenvolvimento da própria produção escrita. SER AUTOMOTIVADO. RECONHECER QUE PELA ESCRITA PARTICIPAMOS MAIS DO MUNDO. psicólogos. IR MAIS PROFUNDAMENTE ÀS QUESTÕES.

É sobre essa base de orientação que o produtor do texto vai coordenar o seu próprio trabalho. Todas essas ações estão profundamente articuladas ao contexto em que se originou e em que acontece a produção do texto. sangue. Desliguei o som. comunicar um fato. o que mobiliza o indivíduo a começar a escrever um texto é a motivação. que grau de subjetividade ou de impessoalidade deve ser atingido. às vezes seqüenciais. 1988. Sob essa perspectiva. expressar uma emoção ou sentimento. apresentar COMO ESCREVEMOS 15 uma proposta de trabalho. O produtor já tem imediatamente em mente algumas informações sobre a tarefa: quais os objetivos do texto. Vol. qual é o assunto em linhas gerais. São Paulo: Editora Atica. aplauso? (. alguém sugeriu que lhe atirassem a toalha. O texto somente se constrói e tem sentido dentro de uma prática social. 3 cd.) E de repente me emocionei: na imagem do lutador de boxe via imagem do escritor no corpo-a-corpo com a palavra. Para gostar de ler. Humor. o processo de escrita já está desencadeado. Assim. 16 TÉCNICA DE REDAÇÃO . ficou só a imagem do lutador já cansado (tantas lutas) e reagindo. Outro possível caminho para entender a escrita é observarmos nossos próprios processos enquanto trabalhamos em um texto. é melhor desistir. para explorar melhor e com mais consciência esses procedimentos. E ele ali. quem provavelmente vai ler. A escrita como processo Um caminho mais científico é a analise das contribuições que a lingüística nos trouxe sobre o ato de escrever. relatar uma experiência. o adversário tão ágil. mas tanto soco em vão. 14 TÉCNICA DE REDAÇÃO investindo. é a razão para escrevê-lo: emitir e defender uma opinião. 9. formato. Até a noite. chega! Mas ele ia buscar flirças sabe Deus onde e se levantava de novo. compreende-se que a escrita é uma atividade que envolve várias tarefas. Poeira. quais as condições práticas de produção: tempo. o fervor acendendo a fresta do olho quase encoberto pela pálpebra inchada. Luta que requer paciência. Fiquei vendo a imagem silenciosa do lutador solitário — mas quem podia ajudá-lo? Era a coragem que o sustentava? A vaidade? Simples ambição de riqueza. às vezes simultâneas. vendo na tevê um drama de boxe.. desviando a cara.. E a tarde.. Insistindo mas o que mantinha o lutador em pé? Duas vezes beUou a lona. seja para aperfeiçoá-los ou para transformá-los. Acertava às vezes. mas que lhe toma a manhã. Cada pessoa deve descobrir como procede durante a escrita. fugidio. 2. Me lembro que estava num hotel em Buenos A ires. Há também idas e vindas: começa-se uma tarefa e é preciso voltar a uma etapa anterior ou avançar para um aspecto que seria posterior.Telles: Como você definiria o ato de escrever? Uma luta. monitorando-o para que não fuja da rota e desande em outras direções. como disse o poeta. p. Resistindo. 7. reivindicar um direito. Humildade. narrar uma aventura ou apenas provar que sabe escrever bem para ser aprovado numa seleção. suor. estabelecer um pacto. apresentação. qual o gênero mais adequado aos objetivos. Uma luta que pode ser vã. Voltava a reagir. que nível de linguagem deve ser utilizado. PRÁTICA SOCIAL DE ESCRITA CONTEXTO DA PRODUÇÃO DE TEXTO ASSUNTO TEXTO EM PROCESSO DE PRODUÇÃO MOTIVAÇÃO OUJA PRODUZIDO NECESSIDADE ___________________ ________________ IDÉIA DE LEITOR PROCESSAMENTO ESCRITA REESCRITA MEMÓRIA GERAÇÃO VERSÕES RELEITURAS ASSUNTO ORGANIZAÇÃO REVISÕES LÍNGUA GÊNEROS MONITORAÇÃO AVALIAÇÃO CONSTANTE DO PROCESSO Estabelecida a necessidade de escrever. regular normas.

o lingüista mais COMO ESCREVEMOS 17 popular e prestativo da Colômbia. Rio de Janeiro: Record. podemos considerar que o texto já está sendo produzido. Nela estão armazenados os conhecimentos sobre a língua matéria. Com Francisco Pividal mantive em Havana as vagarosas conversas preliminares que me permitiram formar uma idéia clara sobre o livro que pretendia escrever. fizeram o inventá rio das noites de lua cheia nos primeiros trinta anos do século passado. escrever a idéia principal e as secundárias em frases isoladas para depois interligá-las. Caso você utilize mais de um procedimento para iniciar seu texto. temos que procurar a informação o conhecimento para enriquecêl Gabriel Garcia Márquez. foi um guia obstinado na intrincada e vasta bibliografia bolivariana O ex-presidente Bel isarjo Betancur me esclareceu dúvidas esparsas durante todo um ano de consultas telefônicas. de Bogotá. — em especial seu linguajar grosso — e sobre o caráter e o destino de seu sé quito. escrevê-lo e reestruturá-lo várias vezes. O importante é começar a ter mais consciência de suas próprias estratégias. O general em seu labirinto. Procuramos então relê-lo com olhos não mais de autor. já está em processamento. ou tenha um processo pessoal diferente dos que fo L 18 TÉCNICA DE REDAÇÃO ram enumerados acima. não se satisfez com sua própria memória e contou com diversos colaboradores. além de uma revisão implacável de dados históricos na versão final A ele devo a advertência providencial de que Bolívar não podia ‘chupar mangas com deleite infantil”. sobretudo as relacionadas com as idéias políticas da época. O historiador colombiano Gustavo Vargas. pela simples razão de que faltavam vários anos para a manga chegar às Américas. quais são os pontos obscuros. Nesse momento. confusos. e estabeleceu para mim que os versos citados de memória por Bolívar eram do poeta equatoriano José Joaquín Olmedo. da Academía de Ciências de Cuba. se manteve ao alcance do meu telefone para me esclarecer dúvidas maiores e menores. a reflexão. podemos: enfatizar as idéias principais. desordenadamente. a análise. professor da Univers idade Nacional Autônoma do México. quando escreveu o romance histórico O general em seu labirinto. elaborar inicialmente uma espécie de sumário ou esquema geral do texto. A pedido meu. me fez o favor de pesquisar o sentido e a idade de alguns localismos. Utilizamos a memória durante todo o processo de produção do texto e. 1989.prima do texto os conhecimentos sobre organização dos diversos tipos de texto. construir um primeiro parágrafo para desbloquear e depois ir desenvolvendo as idéias ali expostas. ambíguos que merecem reestruturação. Quando há tempo e paciência estendemos essa tarefa ao infinito. A primeira versão de um texto ainda é muito insatisfatória. Observe algumas dessas preferências (na hipótese de produção de um texto informativo) e veja em qual delas você se enquadra: fazer anotações soltas. Jorge Eduardo Ritter. pp. dominá-las. fez vários vôos urgentes só para me trazer alguns dos seus livros inencontráveis Dom Francisco de Abrisqueta. quando ela não tem estoque suficiente para o que desejamos. exemplos. Tomadas essas primeiras decisões e providências. reordenar as informações. elaborar um resumo das idéias para depois acrescentar detalhes. 268-9. Observe quantas pessoas o escritor consultou sobre detalhes importantes para a sua narrativa. fazer uma lista de palavras-chave. e ainda os conhecimentos sobre os assuntos e informações que serão tratados no texto. Você verá nos capítulos 3 e 4 alguns procedimentos para ativar e enriquecer a memória. O historiador bolivarjano Vjnjcio Romero Martínez me ajudou de Caracas com achados que me pareciam impossíveis sobre os coslumes particulares de Bolíva. Memória vazia produz texto fraco. Nos agradecimen0 ele esclarece: —. sobre Simon Bolívar. mas de leitor. para depois cortar e ordenar. Gabriel García Márquez. E nessa fase de pesquisa que entram a leitura.. Tentamos descobrir o que nosso leitor compreenderia do texto. a observação. . não se preocupe. o geógrafo Gladstone Oliva e o astrônomo Jorge Pérez Doval. embaixador do Panamá na Colômbia e mais tarde chanceler de seu país. Para que o autor fique satisfeito com o seu próprio texto. sem substância informativa ou lingüística. organizar mentalmente os grandes blocos do texto. o raciocínio: para preencher os vazios da memória. Roberto Cadavid (Argos). anotar tudo o que vem à mente. conhecê-las. independentes. esse trabalho de ajuste é imprescindível.A memória do redator já está acessada em várias vertentes e é um fator importantíssimo na construção do texto. idéias secundárias. Nesta etapa as pessoas têm procedimentos diferentes.

geralmente. já estamos em plena escrita e. 3. São Paulo: Editora Ática. acrescentar transições entre os parágrafos. pontuação. e um almoço íntimo de Bolívar e Sucre em Bogotá. conceitos. quando planejamos. 20 TÉCNICA DE REDAÇÃO E Paulo Mendes Campos admirável poeta e cronista da mesma geração de Ferndo Sabino afirmou: Quando escrevo sob encomenda não há milito tempo para corrigir Quando escrevo para mim mesmo costumo ficar corrigindo dias e dls — uma curtição Escrever é estar vivo. Vol. inconseqüéncias. Conhecendo melhor o processo de escrita Vimos como a escrita representa trabalho e exige esforço.. Se o redator foi muito reprimido no processo escolar. feitos alguns rascunhos. substituir palavras ou frases. eliminar palavras ou frases. quando um deles se encontrava em Caracas e outro em Quito. consideramos que o texto está pronto. Quando o produtor do texto tem mais consciência de seus procedimentos mentais tem mais controle sobre eles epode dirigiq05 deforma mais produtiva 3. Nesse caso. mais obsessivos ainda. Escritores famosos submetem os originais à leitura prévia de amigos. transformar períodos. especialistas e vão ao extremo de reescrever seus livros mais de dez vezes antes de liberá-los para publicação. Nosso conhecido escritor Fernando Sabino também trabalha assim: Para mim.) teve a bondade de rever comigo os originais. Rio de Janeiro: Record. e de prejudicar a fluência. COMO ESCREVEMOS 19 concordância. tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. 1989.substituir idéias inadequadas. que escrevi 1100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300. corrigir problemas gramaticais. Eles podem ter passado despercebidos. voltamos ao planejamento para reajustájo ou para reajustar o texto ao objetivo inicial O processo é recursivo. p. é preciso: acrescentar palavras ou frases. Para isso. quando escrevemos revisamos simuJtaneent parcelas do texto. estabelecer hierarquia entre as idéias. Gabriel Garcia Márquez. p. O general em seu labirinto.7S.. até esgotar sete versões. regência). 270. o ato de escrever é muito dficil e penoso. voltam a reestruturálos. Mas é preciso. Basta dizer. Compreender todo esse mecanismo não é importante 5nzen. como exemplo. te para especialistas. numa caçada milimétrica de contrasensos. criar vínculos entre uma idéia e outra. — PP. citações.. Crônicas. Não devemos pensar numa ordem seqÜenjj rígida como: PLANEJAMENTO> ESCRITA > REVISÃO Pois. disciplina atenção paciência O texto não . uma viúva que foi para a Europa com seu amado esposo. fazendo ajustes e reajustes em cada aspecto. erros e erratas. quando preparam uma nova edição de textos já publicados. Outros. no sentido de que vanlos e voltamos. Nunca consideram o texto pronto. acrescentar exemplos. reagrupando-os de forma diferente. argumentos. e num escrutínio encarniçado da linguagem e da ortografia. eliminar idéias desnecessárias. ainda. Para gostar de ler. a direção do raciocínio. a continuidade do texto. muito exigente consigo mesmo desde o início do texto. repetições. eliminar incoerências. 1987. Assim aconteceu surpreendermos com a mão na massa um militar que ganhava batalhas antes de nascer. pode ter se tornado excessivamente autocrítico. mudar elementos de lugar. Depois de algumas tentativas. unindo-os por meio de conectivos ou separando-os por meio de pontuação. intelectuais. quando o redator focalizava a estruturação das idéias. 7 ed. alcançar maior exatidão para as idéias. Quando revisa mos. 7. Observe o que Gabriel García Márquez relata ao agradecer uma colaboração: Antonio Bolívar Goyanes (. acentuação. uma última leitura para rastrear problemas em relação à norma culta na superficie do texto (ortografia. ele pára a todo instante para resolver questões gramaticais e corre o risco de perder o fio da meada.

Quando terminar o texto ouça o que gravou. Grave tudo o que acontece em sua atividade mental consciente. muitas dec sões e procedimentos vão se automatizdo Em situações de con COMO ESCREVEMOS 21 curso. 5. Capítulo 3 A qualidade da leitura 1. Cada indivíduo deve conhecer suas próprias trajetórias e tentar aprimorá-las continuamente. a escrita não pode ser considerada desvinculada da leitura. a leitura é a forma primordial de enriquecimento da memória. Prática de escrita a) Escolha um tema para produzir um texto. Ou imagine que está respondendo em uma entrevista à questão: Qual é a sua história pessoal com o ato de escrever? Use um gravador de áudio enquanto estiver planejando e escrevendo. b) Periodicamente. E preciso reler identificar problemas e reestruturar muitas vezes até que o texto chegue a corresponder aos objetivos iniciais e Possa cumprir sua função de forma adequada Naturalmente medida que o redator vai melhordo seu desempepj0 esse processo vai ficando mais rápido.é simplesmente resultado de uma inspiração divina. Não há um modelo único mais correto. MOSTRAR PARA OUTRA PESSOA E ACEITAR SUGESTÕES. faça novo diagnóstico. Reconheça quais são os passos que utilizou. Ninguém escreve a sua primeira versão e se dá por satisfeito. o candidato deve abreviar e acelerar as ações. CULTIVAR A PACIÊNCIA. AFASTAR O DESÂNIMO SE A PRIMEIRA VERSÃO DO TEXTO NÃO FOR SATISFATÓRIA. Pela leitura vamos construindo uma intimidade muito grande com a língua escrita. A leitura é um processo complexo e abrangente de decodflcação de signos e de compreensão e intelecção do . COMPREENDER QUE VÁRIAS RELEITURAS GARANTEM O APERFEIÇOAMENTO DO TEXTO. Registre com as datas as transformações no seu caderno de anotações pessoais. Nossa forma de ler e nossas experiências com textos de outros redatores influenciam de várias maneiras nossos procedimentos de escrita. RECONHECER QUE REESCREVER É O PROCESSO NATURAL DE CONSTRUÇÃO DE UM BOM TEXTO. 4. E preciso conhecer os procedimentos mentais e as habilidades necessárias para a escrita para conseguir aperfeiçoá-las. POIS É UMA PRÁTICA MUITO PRODUTIVA. O que é leitura Como vimos. Novos procedimentos na escrita É NECESSÁRIO: TENTAR CONHECER E ANALISAR O SEU PRÓPRIO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE TEXTO. aplicável a todas as pessoas. vamos internalizando as suas estruturas e as suas infinitas possibilidades estilísticas. uma tarefa profissional ou uma atividade livre como uma carta ou um requerimento. Nosso convívio com a leitura de textos diversos consolida também a compreensão do funcionamento de cada gênero em cada situação. mas não pode eliminá-las ou desprezá-las. não vem pronto do além para que o redator apenas o transfira para o papel. Reflita acerca de seus procedimentos: Planeja antes de escrever ou durante a escrita? Tem bloqueio ao começar? Relê cada frase antes de continuar ou vai escrevendo para depois reler tudo? Que decisões toma? 22 TÉCNICA DE REDAÇÃO Falta assunto? Tem dificuldade de encontrar palavras adequadas? Tem dificuldade em organizar os períodos? Sabe onde pontuar? Pensa no leitor? Como avalia o texto? Trabalha na revisão? O que pensa que precisa acelerar ou desacelerar? Esse exercício vai ajudá-lo a construir um controle maior sobre seus processos cognitivos. Além disso. Analise seu próprio processo. Pode ser um exercício escolar. em que o tempo é limitado. Tente pensar em voz alta. do senso crítico e do conhecimento sobre os diversos assuntos acerca dos quais se pode escrever.

no seu quintal! Todas as emoções que um filho de rico só tem em video game o filho de pobre tem ao vivo. Com toda as suas privações. Trata-se de nosso conhecimento prévio sobre: a língua os gêneros e os tipos de texto o assunto Eles são muito importantes para a compreensão de um texto. e ainda podendo assistir a uma visita teatral do Ministro da Saúde ao hospital. Esse é o jogo que torna a leitura produtiva. identificar o tipo de texto e o gênero. da sua autoria. cronista críti c que se opõe ao governo em questão). ativar as informações antigas e novas sobre o assunto. o que é sempre divertido em vez de se chateando daquela maneira. 1998.mundo que faz rigorosas exigências ao cérebro. rico ainda sabe que vai viver muito mais do que pobre. e que isso não é tão ruim assim. numa 1 alegre promiscuidade que rico só pode invejar. além de outros. lutando para manter seu lugar. quase em estado natural. Como exemplo. Lida com a capacidade simbólica e com a habilidade de interação mediada pela palavra. 24 TÉCNICA DE REDAÇÃO Os procedimentos de leitura podem variar de indivíduo para indivíduo e de objetivo para objetivo. ainda mais neste modelo. xingando o funcionário que vem avisar que as senhas acabaram e que é preciso voltar amanhã. muito do nosso conhecimento prévio é exigido para que haja uma compreensão mais exata do texto. os outros textos de Luís Fernando Veríssimo (sempre de humor e ironia). as relações estabelecidas com o nosso mundo real. vamos analisar uma crônica de Luís Fernando Veríssimo. Envolve especficamente elementos da linguagem. Efe Agá tem razão. sentenças. É um trabalho que envolve signos. exercer sua criatividade e morar num lugar que pode A QUALIDADE DA LEITURA 25 chamar de realmente seu. Para compreender adequadamente esse texto. No caso. Brasília. Quando é que um rico terá a mesma oportunidade de mexer assim com o barro da vida. Mais de um rico obrigado a esperar dez minutos para ser atendido por um especialista. argumentos. 2 dez. conversando animadamente com todos à sua volta. E eu concordo com o presidente. o procedimento de leitura é bem espontâneo. como são. Ele estava falando para pobres e preocupado em prepará-los para o fato de que não vão ficar menos pobres e podem até ficar mais. ações e motivações. Não precisamos fazer muito esforço para manter a atenção ou para gravar na memória algum item. perceber os implícitos. objetivos. frases. Quando lemos apenas para nos divertir. uma frase do presidente para criticar. à memória e à emoção. qual é a sua posição no jornalismo de sua época (é um dos mais conceituados e respeitados . É preciso compreender simultaneamente o vocabulário e a organização das frases. não de brinquedo. aqui ou no exterior. as ironias. provas formais e informais. E pior. Pobre vive amontoado em favelas. em geral. deve ter suspirado e pensado que. O PRESIDENTE TEM RAZÃO Mais uma vez os adversários pinçam.folheando uma National Geographic de 1950. ali. só precisando cuidar para não levar bala. a sua observação de que é chato ser rico. intenções. Ele estaria numa fila de hospital público desde a madrugada. Correio Braziliense. com papelão e caixotes. e que seu tédio não terá fim. levamos em consideração. se fosse pobre. maliciosamente. os seguintes conhecimentos prévios: quem é Veríssimo (um escritor de humor. olhando pela janela. Pois eu entendi a intenção do presidente. Muitas vezes o pobre constrói sua própria casa. aquilo não estaria acontecendo com ele. no seu governo. Mas. mas também os da experiência de vida dos indivíduos. em todas as formas de leitura. é um inferno. Ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. pelo menos até ser despejado? Que filho de rico verá um dia sua casa ser arrasada por um trator? Um maravilhoso trator de verdade.

controle de velocidade. Como a leitura faz inúmeras solicitações símuitâneas ao cérebro. explora-lhe as possibilidades e prolonga-lhe o funcionamento além do contato com o texto propriamente dito. Contraste fortu ito que parece um escárnio. penetramos no mundo da ironia.f 1. elaboração de hipóteses. ironia] S. Recursos para uma leitura mais produtiva Um leitor ativo considera os recursos técnicos e cognitivos que podem ser desenvolvidos para uma leitura produtiva. reorientação dos próprios procedimentos mentais. interpretação de itens lexicais e gramatjcj5 agrupa0 de palavras em blocos conceituais. Expande-se por todo o processo de compreensão que antecede o texto.cronistas de costumes e de política. focalização da atenção. avaliação do processo realizado. 2. seleção e hierarquização de idéias. zombaria Nessa experiência podemos constatar que a leitura não é um procedimento simples. é uma atividade extremamente complexa pois flo Podemos Coflsjder apenas o que está escrito. seus textos são publicados em espaços nobres dos principais jornais e revistas brasileiros).’ eu entendi opresiden te. antecipação de informações. associação com informações anteriores. 1998). pois suas idéias são contrárias ao que está escrito. Vamos analisar algumas dessas habilidades. 1 L. a que fala do presidente ele se refere (a comparação que estabeleceu entre a vida do pobre e do rico). Entre1açafl0 essas informações e a forma como o texto foi escrito. Há procedimentos espec(ficos de seleção e hierarquização da informação como: observar títulos e subtítulos. quem é o presidente a que ele se refere (o presidente da República no ano de publicação. que no Dicionário Auréjio Eletrônico é definida como: [Do grego eiróneia Interrogação. compreensão de pressupostos. é necessário desenvolver consolidar e automatizar habilidades muito sofisticadas para pertec ao mundo dos que lêem com naturalidade e rapidez Tratase de um longo e acidentado percurso para a compreensão efetiva e responsiva que envolve: decodificação de signos. 26 TÉCNICA DE REDAçJ0 qual é a situação social do Brasil em nossa época e como é realmente a vida nas classes menos favorecidas. 3. . para compreender as intenções e Posições do autor lemos muito mais o que não está escrito. Ao contrário. pelo latim. Modo de exprimirse que Consiste cai dizer o contrário daquilo que se está pensando ou sentindo ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem. eu concordo com o presidente Quando comparamos as descrições da forma de vida dos pobres e dos ricos e a afirmação de que ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. No texto analisado por exemplo. vamos reconsiderar o título e as idéias que se repetem pelo texto: o presidente tem razão. construção de inferências. produzindo efeitos na vida e no convívio com as outras pessoas. Sarcasmo. A QUALIDADE DA LEITURA 27 identificação de palavras-chave. 2. analisar ilustrações. A leitura não se esgota no momento em que se lê.

quadros. como já foi explicado anteriormente. 30 TÉCNICA DE REDAÇÃO No primeiro tipo somos superficiais. Como são interiorizados e automatizados pelo uso consciente e freqüente. para comunicar um texto a um auditório. legendas etc. e quando o encontramos fazemos um outro tipo de leitura: do particular para o geral (ascendente). substituir itens lexicais complexos por sinônimos familiares. Há ainda aqueles que são concomitantes a outros. objetivos e intenções do leitor. fixamos alguns parágrafos iniciais. em busca de diversão. analisá-las e escrever um texto relativo ao tema. em busca de atualização. tomar notas sintéticas de acordo com os objetivos. detectar erros no processo de decodificação e interpretação. controlar o trajeto. identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos significativos. Os tipos de leitura e seus objetivos O objetivo da leitura. 3. Se lemos um jornal. elaboramos rápidas hipóteses que não testamos. aceitar e tolerar temporariamente uma compreensão desfocada até que a própria leitura desfaça a sensação de desconforto. para estudar. E guiada tanto pela construção do próprio texto como pelos interesses. ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema. por exemplo. esclarecimentos. No segundo tipo de leitura somos mais detalhistas. reconhecer relações lexicais! morfológicas! sintáticas. enumerações. fazemos algumas adivinhações. Vamos aprofundar nosso conhecimento acerca de alguns desses procedimentos. passamos os olhos pela página. sempre que possível. empreendemos uma leitura do geral para o particular (descendente): olhamos as manchetes. associar as unidades menores de significado a unidades maiores. esses fragmentos a outros. apenas para saber se há alguma novidade interessante. A QUALIDADE DA LEITURA 29 Alguns desses procedimentos são utilizados pelo leitor na primeira leitura. para obter informações precisas e exatas. procedinientos de controle e monitoramento da cognição: planejar objetivos pessoais significativos para a leitura: controlar a atenção voluntária sobre o objetivo. segmentar as unidades de significado. auto-avaliar continuamente o desempenho da atividade. determina de que forma lemos um texto. procurando um ponto de atração. para seguir instruções. relacionar e integrar. desenvolver o intelecto. 28 TÉCNICA DE REDAÇÃO decidir se deve consultar o glossário ou o dicionário ou adiar temporariamente a dúvida para esclarecimento no contexto. em busca de qualificação profissional. constituindo uma atividade cognitiva complexa que não obedece a uma seqüência rígida de passos. pragmáticos e da estrutura do gênero. queremos . para revisar um texto etc. usar conhecimentos prévios extratextuais. sublinhados. nem sempre esses procedimentos estão muito claros ou conscientes para quem os utiliza na leitura cotidiana. controlar a consciência constante sobre a atividade mental. deslocamentos. o ritmo e a velocidade de leitura de acordo com os objetivos estabelecidos.reconhecer elementos paratextuais importantes (parágrafos.). Lemos: por prazer. Um leitor maduro usa também. para obter informações gerais. Há também procedimentos de clarficação e simplificação das idéias do texto como: construir paráfrases mentais ou orais de fragmentos complexos. e são apenas meios e não fins em si mesmos. reconhecer e sublinhar palavras-chave. tais como: identificar o gênero ou a macro-estrutura do texto. de emoção estética ou de evasão. freqüentemente. outros na releitura. negritos. Utilizamos ainda procedimentos de detecção de coerência textual. velozes.

De uma ou outra forma. Procedimentos estratégicos de leitura Um texto para estudo. pois cada um imprime sua visão ao que lê. A partir dos três ou quatro anos. No Brasil. Mas porque é obrigada. Normalmente são os substantivos. detalhada. Prova disso é que só as pobres entram precocemente no mercado de trabalho. exige do leitor uma grande concentração. encontram-se cerca de cinqüenta mil em situação desumana e degradante. verbos e certos adjetivos. O Dicionário Aurélio Eletrônico registra: Verbete: palavra-chave s. minuciosa. f 1. procuramos garantir a compreensão precisa. os menores acompanham os pais aos aterros sanitários para catar a sobrevivência. outros pode incorporar ao seu acervo de habilidades. desacelerada (ascendente). 4. hierarquizar as informações. Palavra que encerra o signflcado global de um contexto. Palavra que serve para identificar num catálogo de livros ou de artigos. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. . a) Estabelecer um objetivo claro Sempre que temos um objetivo claro para a leitura vamos mais atentos para o texto. Estabelecer previamente um objetivo nos ajuda a escolher e a controlar o tipo de leitura necessário: ascendente ou descendente. ou que o explica e identfica: A palavra-chave deste romance é angústia. uma atenção voluntária e controlada. Não são palavras gramaticais: artigos. muitas vezes. temos mais dificuldade em identificar aspectos importantes. conectivos. ratos e urubus o que os outros jogam fora. lenta. por exemplo: Qual é a opinião do autor? Quais são as informações novas que o texto veicula? A QUALIDADE DA LEITURA 31 O que este autor pensa desse assunto? Em que discorda dos que já conheço’? O que acrescenta à discussão? Qual é o conceito. como. Outros tiveram que abandonar os livros antes do tempo. Elas podem apresentar uma pequena variação de leitura para leitura. Há muitos recursos e procedimentos para uma leitura mais produtiva. minuciosa. elaborar um esquema ou síntese. b) Identificar e sublinhar com lápis as palavras-chave As palavras que sustentam a maior carga de significado em um texto são chamadas de palavras-chave. a definição desse fenômeno? Como ocorreu esse fato? Onde? Quando? Quais são suas causas? Quais são suas conseqüências? Quem estava envolvido? Quais são os dados quantitativos citados? O que é mais importante nesse texto? O que eu devo anotar para utilizar depois no meu trabalho? Quando começamos uma leitura sem nenhuma pergunta prévia. há momentos em que você pode dispensar certos textos. o dajàmília. em geral. mesmo quando está trabalhando ou estudando. Por meio delas podemos reconstituir o sentido de um texto. Não terá direito ao futuro. numa listagem ou na memória de um computador. São os catadores de lixo. Alguns você já usa naturalmente. É importante construir previamente algumas perguntas que ajudam a controlar o objetivo e a atenção. que já são conhecidos. distinguir partes do texto. ou rápida e superficial. preposições ou advérbios.saber tudo. vamos identificar as palavras-chave: Nenhuma criança trabalha porque quer. três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e. Alguns nunca entraram numa escola. está condenada. 32 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nos dois parágrafos seguintes. Eles disputam com cães. mesmo quando estuda. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres. Um leitor maduro distingue qual é o momento de fazer uma leitura superficial e rápida (descendente) daquele em que é necessária uma leitura detalhada. 2. Pois. de leitor para leitor. Já sabemos o que queremos e ficamos mais atentos às partes mais importantes em relação ao nosso objetivo. os elementos que têm entre si um certo parentesco ou que pertencem a um certo grupo. Sem elas o texto perde totalmente o sentido. a maioria tem o destino traçado. que um estudante precisa desenvolver é o que vamos focalizar aqui. Esse tipo de leitura detalhada. pronomes. exata. ou partes de textos. porcos. Entre a multidão de trabalhadores mirins. Rende de um a seis reais.

Correio Braziliense. Brasília, l9jun. 1999. Editorial.
A partir das palavras destacadas (você poderia sugerir outras) podemos compreender e reconstituir o assunto principal do texto, O reconhecimento das relações lexicais, morfológicas e sintáticas estabelecidas na configuração da superficie do texto é um pressuposto necessário para que leitor possa tomar decisões. E importante aprender a selecionar e hierarquizar as idéias para identificar as palavras principais. Há muitos detalhes que são usados em um texto para esclarecer ou enriquecer a informação já

dada. Não fazem falta a não ser estilisticamente. Veja, por exemplo, a frase: Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os outros jogam fora. O teor de informação nova agregado ao que já tinha sido dito é muito pequeno. E apenas uma ilustração explicativa contundente. Observe a continuação desse texto e exercite sua capacidade de selecionar palavras importantes, destacando-as:

A QUALIDADE DA LEITURA 33 Na tentativa depôrfim a esse quadro dramático, o Fund das Nações Unidas para a Infância (UniceJ), em conjunto com o Ministé rio do Meio Ambiente e a Secretaria do Desenvolvimento Urbano, lançou a campanha Criança no Lixo Nunca Mais. A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais e não governamentais já rnecerão orientações a prefeituras de 5.507 municípios sobre elaboração de projetos e formas de buscar recursos para implementá -los. A meta é ambiciosa. Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, envolver a União, os estados, os municípios, além de parcerias com a iniciativa privada e a população em geral. Acima de tudo, exige vontade política. O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não Jár assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar empregos dignos. Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicef prospere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perspectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a sobrevivência no lixo constitui mau presságio. Sugere que poderá não haver nenhum futuro. É indispensável e urgente modflcar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.
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34 TÉCNICA DE REDAÇÃO Observe como as palavras destacadas por você carregam o significado mais importante da mensagem e permitem que as idéias principais sejam recuperadas. É preciso observar e compreender para hierarquizar e selecionar. Tudo depende de treino, experiência. Ou seja, uma boa leitura depende de muita leitura anterior. c) Tomar notas Uma ajuda técnica imprescindível, principalmente para quem lê com o objetivo de estudar, é tomar notas. A partir das palavras-chave, o leitor pode ir destacando e anotando pequenas frases que resumem o pensamento principal dos períodos, dos parágrafos e do texto. Pode também marcar com lápis nas margens para identificar por meio de títulos pessoais as partes mais importantes, os objetivos, as enumerações, as conclusões, as definições, os conceitos, os pequenos resumos que o próprio autor elabora no decorrer do texto e tudo o mais que estiver de acordo com o objetivo principal da leitura (algumas edições já trazem esse destaque na margem para facilitar a leitura). Essas notas podem gerar um esquema, um resumo ou uma paráfrase. Trabalho Nenhuma criança trabalha porque quer. Mas infan til no porque é obrigada. Prova disso é que só as pobres Brasil entram precocemente no mercado de trabalho. No Brasil, três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e, muitas vezes, o da família. Alguns nunca entraram numa escola. Outros tiveram que aban dona os livros antes do tempo. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres, a maioria tem o destino traçado. De uma ou outra forma, está condenada. Não terá direito ao futuro. Entre a multidão de trabalhadores mirins, en contram-s cerca de cinqüenta mil em situação de-

A QUALIDADE DA LEITURA 35 sumana e degradante. São os catadores de lixo. Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os Catadores outros jogam fora. A partir dos três ou quatro anos, de lixo/ os menores acompanham os pais aos aterros sanitá 50.000 rios para catar a sobrevivência. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. Rende de um a seis reais. Unicef Na tentativa de pôr fim a esse quadro dramáti MMA-SD co, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Uni Campanh cef), em conjunto com o Ministério do Meio Am Crianç no biente e a Secretaria do

Desenvolvimento Urbano, Lixo Nunca lançou a Campanha Criança no Lixo Nunca Mais. Mais A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até Meta/2002 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais Projetos e e não governamentais fornecerão orientações a pre forma de feituras de 5.507 municípios sobre elaboração de pro busca jetos eformas de buscar recursos para implementá recurso los. A meta é ambiciosa.
Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, en volve a União, os estados, os municípios, além de

parcerias com a iniciativa privada e a população
em geral. Acima de tudo, exige vontade política.

Caminhos
O governo está convocado a estabelecer políti Soluçõe cas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa Renda de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos mínima e nesse sentido. Um deles é a garantia de renda míni educaçã ma para as famílias em estado de pobreza absoluta, para o incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, trabalho mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o me no do labor diário dará resultado se não for asse gurad o sustento do núcleo em que ele vive. Outro Importante caminho é a reciclagem educacional dos pais para para o que possam comparecer ao mercado de trabalho em futuro do condições de disputar empregos dignos. país Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicefpros TÉCNICA DE REDAÇÃO pere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perrpectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a

sobrevivência no lixo constitui mau presságio., Sugere que poderá não haver nenhum futuro. E indispensável e urgente modficar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.

d) Estudar o vocabulário
Durante a leitura de um texto, temos que decidir a cada palavra nova que surge se é melhor consultar o dicionário, o glossário, ou se podemos adiar essa consulta, aceitando nossa interpretação temporária da palavra a partir do contexto. Observe o seguinte período do texto: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios — a disputa de alimentos com os abutres. A palavra abjeto pode gerar dúvidas no leitor, mas podemos perceber que ela não é essencial ao texto. Quando retirada, o período preserva significado. Talvez não seja tão necessário nesse caso consultar o dicionáno,já que o contexto esclarece que se trata de uma idéia negativa que intensifica (junto com o advérbio mais) a negatividade que está em infortúnios. Poderíamos tentar substituí-la por outras mais conhecidas.’ indigno, horrível, desprezível, e a frase continuaria apresentando idéia lógica. Esses procedimentos de inferência e compreensão lexical são realizados com muita velocidade pelo leitor. Quando a continuidade da leitura se torna prejudicada, o melhor mesmo é parar e ir ao dicionário.
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.4 QUALIDADE DA LEITURA 37

e) Destacar divisões no texto para agrupá-las posteriormente

É importante compreender essas divisões para estabelecer mentalmente um esquema do texto.
Muitas vezes o autor não insere gráficos, esquemas, nem explícita por meio de enumerações as divisões que faz das idéias. Preste bem atenção quando o texto apresenta estruturas assim:
Em primeiro lugar.. em seguida... em terceiro lugar.. Inicia/mente.., a seguir... finalmente... Primeiramente.., em prosseguimento... por último... Por um lado... por outro lado... Num primeiro momento... num segundo momento... A primeira questão é... A segunda... A terceira...

Por meio da identificação dessas estruturas é possível reconstruir o raciocínio do autor e torna-se mais fácil elaborar esquemas e resumos. No texto que estamos analisando há um exemplo interessante: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse
sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esfárço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não for assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar emgos dignos.

A identificação dessas estruturas textuais na leitura facilita a compreensão das idéias e cria uma matriz mental para organização e hierarquização das informações.
38 TÉCNICA DE REDAÇÃO

fi Simplificação
Um dos recursos mais produtivos durante a leitura de textos complexos é fazer constantemente paráfrases mentais mais simples daquilo que está no texto, ou seja, fazer traduções em palavras próprias, dizer mentalmente com suas próprias palavras o que entendeu do texto. Uma brincadeira que o jornalista Elio Gaspari gosta de fazer é com a simplificação de linguagem exageradamente complexa. Observe o exemplo: CURSO MADAME NATASHA DE PIANO E PORTUGUÊS Madame Natasha tem horror a música. Ela socorre os desconectados do vernáculo. Decidiu conceder uma de suas bolsas de estudo á professora M.B. G.S., presidente da Comissão Esta- dual para elaboração do Projeto de Informática na Educação. No relatório que essa comissão produziu, Natasha encontrou o seguinte adereço: O ambiente informatizado oportuniza a possibilidade de ruptura de estruturas estáticas. Toda experiência de aprendizagem pode ser simulada, mas a simulação, que é uma expressão simbólica, no ambiente digital passa a ser também real, passível de experiência sensorial. Madame acreditaniza que quiseram dizerinizar o seguinte: — O computador é um instrumento pedagógico versátil. Elio Gaspari. Jornal de Brasília. Brasília, 22 fev. 1998. O procedimento de tradução mental simplificadora é muito útil para conferir se entendemos mesmo o texto ou não.

g) Identificação da coerência textual
Diante de cada novo texto temos de identificar as estruturas básicas para compreender seu funcionamento. Assim, iden
A QUALIDADE DA LEITURA 39

tificamos imediatamente o que é um poema, o que é uma fábula, o que é um texto dissertativo. Como a escrita é para ser lida e compreendida a distância, sem interferência do autor no momento da leitura, sua elaboração exige uma estrutura exata, precisa, clara, que assegure ao leitor uma decodificação correta e adequada. Para tanto o autor usa estruturas sintáticas complexas, estabelecendo minuciosamente as relações entre as idéias, já que não pode contar com o apoio do contexto, das expressões faciais, do conhecimento comum. Isso acontece principalmente nos textos de natureza informativa: dissertações, argumentações, reportagens e ensaios, os quais privilegiamos neste livro. Quanto menos compromisso o texto tem com a informação exata, mais espaço deixa para os acréscimos e interpretações do leitor, como é o

Além dessas. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Estrutura textual. Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Posicionamento explicitado. de redundância. na proporção em que partilhe conhecimentos com o autor. Para isso fazemos perguntas elementares: Quem escreve? Autor Que tipo de texto é? Género. Um texto bem escrito apresenta sempre uma certa dose de repetição. Com que argumentos as idéias são defendidas? Provas. desacelerada. essa interação entre leitor e texto exige a ativação de conhecimentos que extrapolam a simples decodificação dos elementos constitutivos do texto. dados. A quem se destina? Público. Isso significa que a leitura para apreensão de informações deve ser uma leitura pausada. Com que autoridade? Papel social do autor O que eu já sei sobre o tema? Conhecimentos prévios do leitor Quais são os outros textos que estão sendo citados? Intertextualidade. Uma decifração que procura percorrer o mesmo raciocínio do autor do texto. da poesia e dos textos literários em geral. mais estruturado. Quais são as idéias principais? Informações. em que a estrutura do texto inicial é utilizada como base para o novo texto. um objetivo claro para a leitura. Essa associação é prevista pelo autor e deve ser feita pelo leitor de forma espontânea. discutir. Onde é veiculado? Suporte editorial. naturalmente será produzido um texto mais denso. Quais são os testemunhos utilizados? Depoimentos. um empenho constante para fazer os relacionamentos adequados tanto entre as idéias interiores ao próprio texto. A esse fenômeno chamamos intertextualidade. podemos incorrer em equívoco. Terá por base um planejamento lógico. que vai do particular para o geral e volta do geral para o particular constantemente. Quais são as partes do texto que apresentam objetivos. Como são tratadas as idéias contrárias? Rebatimento ou antecipação de oposições. há muitas outras perguntas que o leitor vai propondo à medida que lê e de acordo com os seus objetivos. concordar ou se opor a essas idéias. Quais são os exemplos citados? Fatos. nos quais a polissemia (convívio de uma multiplicidade de significações sobre uma mesma base) predomina. Esse diálogo. para auxiliar o leitor a chegar às conclusões desejadas pelo autor. superficial e rápida. Esses textos não são fáceis e não são compreendidos à primeira leitura. Caso essas perguntas não sejam respondidas de maneira adequada. definições. em que as seqüências tenham uma articulação necessária entre si mesmas. Essa ligação entre textos pode ir de uma simples citação explícita a uma leve alusão. É preciso um rígido controle da atenção. ou até mesmo a uma paródia completa. Quais são as outras vozes que perpassam o texto? Distribuição da responsabilidade pelas idéias.caso da publicidade. Qual o objetivo? Intenções. interpretando mal os objetivos e conseqüentemente as informações e os significados. explícitas ou implícitas. para apreender. Essas informações pragmáticas vêm iluminar e esclarecer os significados e estabelecer a coerência textual do que é lido. Quando o interesse for assegurar uma compreensão predeterminada. conceitos. Vamos analisar um exemplo bem simples de intertextualidade: CONTRAFÁBULA DA CIGARRA E DA FORMIGA . fazendo perguntas ao texto. Em textos mais complexos. 40 TÉCNICA DE REDAÇÃO Durante a leitura é preciso conferir as interpretações. A QUALIDADE DA LEITURA h) Percepção da intertextualidade Um texto traz em si marcas de outros textos. precisa. como entre o texto e os conhecimentos prévios do leitor e suas experiências vividas. refazendo o trajeto do seu pensamento original. a intensidade do esforço para compreender a intertextualidade pode variar e sempre depende de conhecimentos prévios comuns ao autor e ao leitor. exata.

incutindo nos filhos hábi 41 42 TÉCNICA DE REDAÇÃO los de poupança. procure lá um tal La Fontaine. metida em shows e boates. depois Londres. chegoua minha vez!” Mas a cigarra aproximou-se só querendo saber como estava ela e como estavam todos no formigueiro. pensou ajórmiga. Fechava contratos em Londres já com um pé no Boeing para Frankfurt ou Genebra. consultando advogados e tomando vasodilatadores. Os meus discos não saem das paradas. — A senhora vai ganhar duzentos mil dólares no inverno? — Não. e a mensagem original. mas a alusão à fábula original (na última fala da formiga) cria a intertextualjdade explícita. E diga-lhe que eu quero que ele vá para o raio que o parta! Trata-se de uma fábula. cantarolando como de costume. ou seja... na sua vida terrivelmente cansativa e nas suas ameaças de enfarte. O próprio título anuncia a intenção. Utilizando uma situação similar à fábula original. ah. E acabei de fechar um contrato com o Olympia de Paris por duzentos mil dólares. contrária ao prazer. tem a excursão a Nova York. — E pode me fazer um favor? Quando chegar a Paris. depois Amsterdam.. voltava a formiga a tesourar e entesourar investimentos e lucros. vendendo na alta e comprando na baixa. para verificar os dividendos de suas contas numeradas. aumentando o rendimento da sua capita e dizendo que estava contribuindo para o crescimento do Produto Nacional Bruto.Adaptação feita por 1edro Bandeira do texto do escritor português Antônio A. não é? — Não faz mal. Lá vem ela dar a sua facada. — Tenho um programa semanal. . Batista A formiga passava a vida naquela Jármiga ção. ‘Ah. Um dia. A formiga. enquanto aquela inútil da cigarra ganhava tanto cantando e se divertindo! E perguntou: — Quando a senhora embarca para Paris? Na semana que vem. Na trabalheira do investimento. A história em si é engraçada. Depois. Segundo sua posição crítica.. não estaria mais funcionando. hoje em dia. com quem estudara no ginásio. O quê?! exclamou aformiga. destinada a ilustrar um preceito. sempre acompanhada de clientes libidinosos do Mercado Comum. encontrou a cigarra no shopping Iguatemi. uma historieta de ficção. você há de aparecer por aqui a mendigar o que não poupou no verão! E vai cair dura com a resposta que tenho preparada para você! Ruminando sua terrível vingança. os artistas podem chegar a ser milionários com mais rapidez e facilidade do que quem trabalha incansavelmente pensando exclusivamente no dinheiro. Agora no inverno é que vai ser mau continuou aformiga com toda maldade na voz. não foi. quando voltava de uni almoço no La Tambouille com os japoneses da informática. remordida. E vivia ajármiga a dizer por dentro: Ah. uma sabedoria. preparando o terreno para sua vingança.. ah! No inverno. E também um juízo a favor da arte em oposição à especulação financeira. dona Cigarra? — E claro! — disse a cigarra. O autor parte do pressuposto de que seus leitores conhecem a fábula da Cigarra e da Formiga do autor francês La Fon A QUALIDADE DA LEITUK4 taine e que reconhecerão imediatamente a sua paródia. comentou: A senhora andou cantando na tevê todo este verão.. Isso é só em Paris. atualiza suas circunstâncias e modifica seu final (intertextualidade implícita na estrutura). Aí a formiga pensou no seu trabalho. sempre consultando as cotações da Bolsa. nas suas azias. já que remete à lição de moral tradicional e multiplica o humor do texto. no mundo dominado pelos meios de comunicação e pelo hedonismo. Mas vivia também roendo-se por dentro ao ver a cigarra. sempre atenta aos rateios e às subscrições. de cunho popular e de caráter alegórico. — A senhora não depositou nada no banco.

a leitura ajuda a escrever melhor. e também para que a leitura se transforme. Pela leitura interiorizamos as estruturas da língua. mais fácil e as dificuldades preliminares Vão se resolvendo. de simplificação e de monitoração das atividades mentais de forma que possamos otimizar nosso esforço. Algumas vezes pode merecer reorientação. 6. E importante desenvolver adequadamente essas estratégias de apoio técnico. em um exercício mais prazeroso. Fidelidade ao planejamento: antes de começar a ler um texto sempre estabelecemos. Em qualquer situação de leitura utilizamos procedimentos que nos auxiliam a compreender e interpretar o texto. para isso. o leitor deve controlar a veloci dade de leitura de acordo com as dificuldades que o texto oferece e com os objetivos da leitura Às vezes. disciplinando-as e submetendo-as aos nossos interesses. conforme nossos objetivos. a leitura se toma. Prática de leitura a) Escolha um artigo assinado do jornal de sua preferência. Esse controle é essencial para que a leitura seja produtiva. então para conferir a decodifica ção das palavras e a interpretação Essa capacidade de avaliar constantemente a própria leitura precisa ser deSenvol Vida Ajuste de velocidade. pois é natural que o começo da compreensão seja ainda uma idéia desfocada A primeira leitura. podemos ler mais rapidamente: quando o assunto é conhecj do. quando percebemos a distração temos que Voltar e reler aquele trecho Esse é um exemplo de como controlamos naturalmente os nos505 erros de leitura Outras vezes. conseguir o melhor resultado da maneira mais prática e simples. Por isso é necessário prestar bem atenção no que fazemos enquanto lemos para termos mais domínio sobre as nossas próprias habilidades de leitura. temos que ler desaceleradament quando estudamos assuntos desconhecidos quando o texto é denso e complexo ou quando contém muitos implícitos Para garantir esse contro le é necessário ter uma consciência contínua dos procedimentos que estão sendo utilizados além de uma disPosição para avaliar a qualidade da própria leitura Tolerância e paciência: muitas vezes. a leitura é fundamental. ou seja. a cada dia. os recursos estilísticos com mais eficácia que pelas aulas e exercícios gramaticais. Pouco a Pouco. desistimos da leitura de um texto no primeiro parágrafo Esse procedi mento é precipitado E preciso merguJ proftmndamente no texto para dar-lhe uma chance de ser bem Sucedido Na maioria das vezes. Assim. geralmente é necessário voltar ao texto algumas vezes. a escrita depende de nosso conhecimento do assunto. naturalmente. da língua e dos modelos de texto. Uma única leitura nem sempre é suficiente. E um processo complexo que exige do leitor uma série de habilidades cognitivas muito sofisticadas. Conhecendo melhor o processo de leitura Como vimos. Ele não é espontâneo e depende de treino e concentração. Leia uma vez. Releia e responda mentalmente às perguntas: Quem escreve? Que tipo de texto é? A quem se destina? Onde é veiculado? Qual o objetivo? Com que . A QUALIDADE DA LEITURA 45 5. quando o trecho é fácil ou quando a leitura tem por objetiv0 a simples distração Outras vezes. uma espécie de roteiro: como vamos ler? para que vamos ler? Esse roteiro deve ser controlado e reavaliado durante a leitura. Esse desconforto no iflÍcjo de um texto é muito comum. Estou mesmo perseguindo meu objetivo? Já me distraí? Mudei o meu trajeto de leitura? Criei outro objetivo no percurso? Detecção de erros no processo de leitura: algumas vezes lemos muito rapidamente enquanto pensamos em ou43 44 TÉCNICA DE REDAÇÃO tra coisa e. interpretamos mal uma passagem e no decorrer da leitura percebemos que as idéias estão contraditórjas Voltamos. Habilidades que agilizem os procedimentos contribuem para que não haja desperdício de energia e de tempo. consciente ou inconscientemente. com freqüênc não é satisfatóa e é preciso empreender uma segundaj com alguma informação sobre o texto e com mais atenção e concentração. E são os objetivos que vão direcionar o tipo de leitura que vai ser realizado. os tipos de texto. os gêneros.1) Monitoramento e concentração Durante a leitura podemos exercer um relativo controle consciente sobre as nossas atividades mentais.

de pessoas. Um professor. chegamos a memorizálo. reelaborada em nossa mente por meio de novas associações e novas divisões. Então. definições. É importante considerar também outros aspectos da aprendizagem. forem muito usadas. Capítulo 4 Da leitura para a escrita 1. tudo aquilo que nos deu tanto trabalho para memorizar à força é esquecido imediatamente após a prova. pode ajudar a compreender e controlar seu funcionamento. Quando decoramos mecanicamente regras e conceitos. Leia. As informações novas ficam algum tempo na memória de curto prazo. d) Escolha um texto de estudo e aplique as estratégias de leitura apresentadas neste capítulo. que dá aulas sobre uma mesma matéria para várias turmas. Se não são utilizados. permanece na nossa memória de longo prazo. de filmes. importante na nossa vida diária. Como exemplo. Nossa memória é muito seletiva. de livros. Isso acontece com nomes de lugares. durante muito tempo. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Com que argumentos as idéias são defendidas? Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Quais são as outras vozes que perpassam o texto’? Quais são os testemunhos utilizados? 46 TÉCNICA DE REDAÇÃO Quais são os exemplos citados? Como são tratadas as idéias contrárias? c) Escolha um texto dissertativo que ofereça alguma dificuldade de leitura para você. O mesmo acontece quando estudamos a gramática pela gramática. a memória vai descartá-lo por falta de uso. impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. esquecemos tudo com facilidade. O trabalho com a memória Precisamos usar muitas informações contidas em textos que já lemos. Ela não guarda tudo o que gostaríamos a partir de uma primeira leitura. . guardamos informações novas. pois é duradoura. Mas. conceitos. apreendemos uma pequena parcela do que ouvimos. para que uma informação fique consolidada na memória de longo prazo é preciso que seja: útil na vida prática ou para nossas reflexões abstratas: utilizada com certa freqüência. Se não forem úteis por longo período. E acontece também com conceitos e definições. Mas nem sempre isso é possível. Na memória de longo prazo guardamos nossos conhecimentos consolidados. em um período de teste. Grave em fita de áudio tudo o que pensa enquanto lê. Não o esquecemos tão facilmente.autoridade? O que eujá sei sobre o tema? Quais são os outros textos que estão sendo citados? Quais são as idéias principais? Quais são as partes do texto que apresentam: objetivos. por exemplo. estabelecem laços com outras informações preexistentes. Já um número usado todos os dias. que é seletiva e rotativa. temos um pouco mais ainda de possibilidade de gravar na memória. dizendo em voz alta seus pensamentos para controlar a leitura. Se. Temos dois tipos de memória: a de longo prazo e a de curto prazo. encontram pontos de apoio que as sustentam por mais tempo e se tornam mais duradouras. caem no esquecimento. Quando vemos. como se estivessem temporariamente à disposi 48 TÉCNICA DE REDAÇÃO çào. nesse período. Analise os procedimentos de leitura sugeridos neste capítulo que você já utiliza. Na de curto prazo. sem aplicação direta na produção de textos. Memorizamos aquilo que é significativo para nossos interesses intelectuais ou para nossa vida pessoal. Um outro. tem que estudá-lo para reavivar a memória quando precisa expor novamente o assunto. apreendemos um pouco mais. enquanto elas nos são úteis e estão sendo realmente utilizadas. que apenas esporadicamente fala sobre um tema. Se memorizamos alguns itens sem transferi-los gradualmente para a prática. se nos dias subseqüentes não precisarmos mais desse número. Algum esclarecimento acerca da memória. Quando podemos ler uma vez a informação. Já sabemos que as informações que vêm apenas por via auditiva são menos duradouras. essa faculdade de reter as idéias. podemos pensar na seguinte situação: se estamos tentando comunicação por vezes repetidas com um número de telefone. associada e relacionada a outros conhecimentos prévios existentes em nossa memória. por um período breve. como se faz freqüentemente nos cursos preparatórios para concursos. acaba por dominar naturalmente o assunto. serão descartadas.

conseguimos maior índice de memorização e de aprendizagem. visa fundamentar a idéia inicial. Resumos. Assim. DA LEITURA PARA A ESCRITA O leitor que tenta reconstruir o percurso do autor não pode acrescentar idéias novas ao resumo do que lê. comparações. atuar. aprender exige trabalho sobre o conhecimento. prestando atenção nos títulos e subtítulos. utilizar. no resumo. mas deixá-la implícita. É uma leitura de reconhecimento prévio do material a ser estudado. 2. mas podemos estabelecer um roteiro básico como sugestão: 50 TÉCNICA DE REDAÇÃO 1? — Empreender uma primeira leitura descendente. parágrafo por parágrafo. O processo de debate pressupõe a intelecção. Em um resumo recorre-se a poucos efeitos retóricos. pois trata-se de uma síntese. 4? — Organizar um esquema das idéias. do geral para o particular. O desenvolvimento. ela pode ser: uma afirmação. oposições. pois a linguagem deve ser objetiva e clara. uma pergunta. o autor prefere colocar a idéia principal no fim do parágrafo. Não se trata de uma simples transferência. elaboramos a paráfrase. 3? — Reagrupar as informações de acordo com unidades menores. Assim. na organização geral do texto. mantendo as relações entre essas unidades. a ciência já constatou que o cérebro e a memória precisam de exercícios. 2? Fazer uma segunda leitura. e não uma crítica. Quanto mais aprendemos. como veremos no capítulo 6. A leitura com esse fim é muito detalhada. Muitas vezes. E preciso que a pessoa trabalhe bastante para que o conhecimento passe realmente a ser propriedade sua. podemos produzir esquemas. esquemas e paráfrases A partir do esquema podemos facilmente reconstituir as ligações do texto original elaborando um novo texto. e que a inteligência precisa ser constantemente estimulada para não se atrofiar. ver e experimentar. A leitura pode levar à produção de textos de natureza diferente do texto original e com finalidades também diferentes. precisamos utilizar estratégias de desaceleração para apreendermos melhor um texto. quadros. Se nosso objetivo é repetir as mesmas informações integralmente. que também é uma forma de retomada das informações. 6? — Redigir o resumo seguindo o roteiro estabelecido pelo esquema. resumos e paráfrases. Normalmente. para que o leitor chegue mentalmente à conclusão a partir das evidências colocadas no texto. Pode até mesmo não explicitá-la claramente. ou então sintetizar as informações para revê-las ou repassá-las a outros. em que o professor ou o texto doam ao aluno a informação nova. a compreensão das idéias expostas pelo outro. como conclusão. mais curto que o original um resumo em que as informações essenciais são rearticuladas em uma nova organização. divisão de idéias. rápida. dispensando exempios e ilustrações. ou seja. uma negação. prender-se às expressões utilizadas pelo próprio . lemos e tentamos memorizar o que lemos. Organizar um esquema é uma maneira preparatória para o resumo e a paráfrase. uma resenha ou um comentário que permitem ampliação e discussão. subdividindo-o de acordo com as relações sintáticas. quando ainda na fase do esquema. identificando palavraschave e anotando idéia por idéia. os parágrafos dissertativos/argumentativos têm uma estrutura organizada logicamente: Primeiros períodos = idéia principal Períodos seguintes = desenvolvimento Último período = conclusão Quando a idéia principal surge no início do parágrafo. mais temos possibilidade de aprender. e pode trazer explicações. Muitas vezes. ler. uma compactação. 5? — Voltar ao texto e conferir a correspondência com as idéias principais. Hoje em dia. um conceito. Por isso é bom. embora existam variações infinitas. conforme vimos no capítulo anterior. O leitor deve criar o seu próprio método. pois os conhecimentos que adquirimos formam uma base em que novos conhecimentos vêm se instalar de forma mais duradoura. desenvolver uma ação (concreta ou mental) sobre certa informação de forma pessoal. Como a primeira leitura é sempre muito breve e superficial.DA LEITURA PARA A ESCRITA 49 Mas se podemos ouvir.

Indicam objetivo: O que desejamos neste trabalho O objetivo desta investigação Pretendemos demonstrar Procuramos comprovar Estamos tentando provar Indicam inserção de exemplo: Para exemplificar.. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o uso das frases de transição.... em segundo. em sua obra Y Indicam divisão de idéias: Em primeiro lugar.autor do texto.. depois. São elas que o levam a decidir quais são as . finalmente.. Indicam conclusão parcial ou final: Em vista disso podemos concluir Diante do que foi dito Em suma Em resumo Concluindo Portanto Assim 51 fr . é o que ocorre no caso em que Indicam inserção de citações: Segundo o especialista X De acordo com o que afirma X Xjá afirmou que Conforme X.. um outro aspecto é... O primeiro aspecto é........-.. Por um lado.... Colocaremos aqui alguns exemplos.. gênero e tipo de texto. vocabulário..... mas você pode encontrar infinitas variações nos textos que lê. pode-se observar Assim. pois é necessário trabalhar com precisão sobre: significados. Elas conduzem o raciocínio do leitor de acordo com o planejamento do autor e podem exercer várias funções.. por outro lado. por último. em seguida. Primeiramente.. estruturas sintáticas. O resumo é um trabalho sobre a linguagem muito complexo. TÉCNICA DE REDAÇÃO Essas frases exigem muita atenção do leitor.. podemos ob servar Para comprovar o que foi dito Exemplo disso é Como exemplo..

fruído e superado por novas obras. de experimentação do novo. a arte se transforma em seu oposto: é um evento para tornar invisível a realidade e o próprio trabalho criador das obras. baseada na idéia e na prática do consumo de produtos culturais”fabricados em série. O que significa isso? A indústria cultural vende Cultura. No entanto. E essencialmente espetáculo. prestígio político e controle cultural. a indústria cultural introduz a divisão social entre elite “cultural” e massa “inculta “. Democracia cultural significa direito de acesso e de fruição das obras culturais. da reflexão . direito à produção cultural. diversão e distração. tornarem-se eventos para consumo. Assim. direito à informação e àforniação culturais. Em segundo lugar. palavra que vem do latim e sign fica: dado à visibilidade. 2. porque inventa uma figura chamada “espectador médio ‘ “ouvinte médio” e “leitor médio ‘ aos quais são atribuídas certas capacidades mentais “médias “. fazê-lo pensar. em vez de garantir o mesmo direito de todos á totalidade da produção cultural. isto é. fazê-lo ter informações novas que o perturbem. Perdida a aura. de expressivas. massificou-se para consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de massa. As obras de arte são mercadorias. Para seduzi-lo e agradá-lo. deve seduzir e agradar o consumidor. oferecendo-lhes produtos culturais “médios”. já viu. É algo para ser consumido e não para ser conhecido. a arte não se democratizou. não pode chocá-lo. A “média” é o senso comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova. sob controle económico e ideológico das empresas de comunicação artística. conhecê-las. as empresas de divulgação cultural já selecionaram de antemão o que cada grupo social pode e deve ouvir. tornarem. O que é a massa? É um agregado sem forma e sem rosto. porque define a Cultura como lazer e entretenimento. formando uma elite cultural. ao massifiLar a Cultura. como tudo que existe no capitalismo. novas. de modo que tudo o que nas 53 54 TÉCNICA DE REDAÇÃO obras de arte e de pensamento significa trabalho da sensibilidade. da imaginação. A indústria cultural acarreta resultado oposto. certos conhecimentos “médios” e certos gostos “médios “. pois todos poderiam. destinadas aos privilegiados que podem pagar por elas. transformando-se em propaganda e publicidade. sem identidade e sem pleno direito à Cultura. criticá-las. as artes correm o risco de perder três de suas principais características: 1. Por quê? Em primeiro lugar. As obras de arte e de pensamento poderiam democratizar-se com os novos meios de comunicação. Sob os efeitos da massflcação da indústria e consumo culturais. cada um escolhendo livremente o que deseja. A democratização da cultura tem como precondição a idéia de que os bens culturais (no sentido restrito de obras de arte e de pensamento e não no sentido antropológico amplo) são direito de todos e não privilégio de alguns. Para vendê-la. destinadas à massa. provocá-lo. 3. Vamos analisar um texto e compreender o processo de resumo. as artes foram submetidas a uma nova servidão: as regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural. No entanto. como o consumidor num supermercado. basta darmos atenção aos horários dos programas de rádio e televisão ou ao que é vendido nas bancas de jornais e revistas para vermos que. INDÚSTRIA CULTURAL E CULTURA DE MASSA A partir da segunda revolução industrial no século XIX e prosseguindo no que se denomina agora sociedade pós-industrial ou pós-moderna (iniciada nos anos 70 do século Xv). Em quarto lugar. A arte possui intrinsecamente valor de exposição ou exponibilidade. existe para ser contemplada efruída. através dos preços. porque separa os bens culturais pelo seu suposto valor de mercado: há obras caras” e “raras “. e há obras “baratas” e “comuns “. ver ou ler. da inteligência. ter acesso a elas. de trabalho da criação. mas deve devolver-lhe com nova aparência o que ele já sabe. tornarem-se reprodutivas e repetitivas. Em terceiro lugar. e os artistas epensadores 4 DA LEITURA PARA A ESCRITA poderiam superá-las em outras. porque cria a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais. incorporá-las em suas vidas. já fez. sinal de status social. em princípio.se consagração do consagrado pela moda e pelo consumo.informações essenciais e as que podem ser dispensadas no resumo.

Marilena Chaui. numa redação própria da pessoa que resume. 3. O resumo. não pode mais depender do original. Na segunda leitura. podemos observar que algumas informações foram eliminadas e outras podem ser reagrupadas. capacidades mentais. Sabemos que Marilena Chaui é uma filósofa e que se trata de um texto dissertativo. não vende. no primeiro parágrafo já se anuncia a idéia principal: de que a arte foi transformada numa mercadoria e que por isso foi desvirtuada pela indústria cultural. XIX) > mercado capitalista > ideologia da indústria cultural Obra de arte tem valor de exposição / deve ser contemplada e fruída. 8 ed. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos. Os parágrafos seguintes desenvolvem e aprofundam essa idéia. reagrupa as idéias. DA LEITURA PARA A ESCRITA 55 Indústria cultural e cultura de massa Artes submetidas (2 revolução industrial séc. toma invisível a realidade e o próprio trabalho criador Democracia cultural (poderia acontecer pelos meios de comunicação) Todos têm direito > ao acesso e à fruição. Convite à Filosofia. como o esquema que serve . teórico. São Paulo: Ed. as 700 palavras do texto original foram reduzidas a apenas 198. 56 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nesse esquema. rearticulando-as em novas orações e períodos. 2. inteligência. > à informação e à formação. elite culta. independentes do texto original. conhecimentos e gostos “médios” = produtos culturais “médios” = o que o consumidor já sabe = senso comum. experimentação ‘. que têm a função de prender a atenção do leitor. superficial e rápida. expressidade > repetição. cria a ilusão de acesso através dos preços seleciona grupo social. banalizar a expressão artística e intelectual. podemos aproflindar mais a compreensão das causas e conseqüências dessa distinção. inventa uma média “espectador. Deve funcionar como um texto autônomo. 329-30. sem provocações. define a Cultura como lazer e entretenimento. já com essas idéias. 4. sobre conceitos bastante abstratos. Indústria cultural resultado oposto = introduz a divisão social ao massificar a Cultura. são dispensados e o resumo vai reconstruir diretamente as afirmações. Uma primeira leitura. Massifi cor é. criação > consumo. ao ativar nossos conhecimentos anteriores sobre o assunto.consagração do consagrado pelo consumo. pp. voltando ao texto. não “vende”. reflexão e crítica não têm interesse.. 3.e da crítica não tem interesse. assim. O texto começa com uma informação que será explicitada nos parágrafos seguintes. Ao analisar as escolhas feitas. redundância e as perguntas retóricas. sensibilidade. diversão e distração. despertando interesse por ela. os privilegiados. ouvinte. do texto já nos diz que a idéia principal é a distinção entre o que é realmente arte e o que a indústria cultural produz para a massa no capitalismo. separa “caras’ e “raras”. massa inculta. a partir do esquema. Já é possível retirar do texto a sua estrutura básica e reorganizá-la em blocos. ou leitor médio”. Os efeitos de repetição. > “baratas” e “comuns”. > à produção cultural. Ática. identificando as palavras-chave e as idéias secundánas distribuídas pelos parágrafos. porque 1. se transforma em seu oposto = mercadoria quando > Fabricação em série > Propaganda e publicidade > Sinal de status > Prestígio político > Controle cultural não se democratizou massificou-se Arte corre risco Valor de: pode se transformar em: 1. 1997. imaginação. Em lugar de difundir e divulgar a Cultura. conclusões e respostas. ou seja. Massifica = banaliza / vulgariza a expressão artística e intelectual. 2.

Observe que a terceira pessoa que garante a impessoalidade própria da estrutura dissertativa foi mantida. fundados no senso comum. utilizamos informações lidas. E essencial compreender que também na produção de textosusamos freqüentemente a paráfrase. e. no processo de estudo e de aprendizagem. para escrever um trabalho ou um artigo. a indústria cultural produz uma massficação. Um texto é paráfrase do outro quando traz as mesmas informações por meio de outras palavras. Assim. É utilizado em revistas científicas. Quando a organização é semelhante. ele é considerado. para o qual produz bens médios. com capacidades. os métodos e conclusões. diversão e distração deforma que não tem interesse. tem a mesma função. a representação condensada do conteúdo de um documento (é obrigatório. as tes foram submetidas às regras do mercado capitalista e à ideologia da indústria cultural. separa os bens culturais pagos e raros para uma elite culta e os bens baratos e comuns para a massa inculta. e ainda produção cultural. Assim. da reflexão e da crítica. pois não se trata apenas de transposição ou transferência. em caso de trabalhos científicos. dissertação e tese). cria a ilusão do acesso igual para todos. mas apresenta uma forma de organização diferente. apropria-se dele. Há diferenças entre o resumo e a paráfrase que é necessário esclarecer. antecedendo trabalho científico. a arte corre o risco de perder suas características. estamos parodiando. A obra de arte tem um valor de exposição. Além dos usos pessoais do resumo. sinal de status. entendida como o direito de acesso efruição. porque não vende. além de nossa experiência de vida. é frita para ser contemplada. mas pelo preço define os grupos que podem usufruir de cada bem. em lugar de democratizar a Cultura. massficou-se e transformou-se em seu oposto: mercadoria.3. o assunto. mas as informações são diferentes. que poderia ser alcançada pelos meios de comunicação social. 4. os pontos de vista. não foi democratizada. da imaginação. fruída e revelar a realidade. porque ao massficar reintroduz a divisão social e:]. a quantidade de palavras em relação ao esquema é maior: 267. entretenimento. A democratização da cultura. Pela paráfrase mental. informação eformação. 2. Entretanto. deve conter dados essenciais que ajudem o leitor a decidir sobre a necessidade de ler ou não um texto todo. A elaboração interior é feita por meio de paráfrase: para saber se estou compreendendo bem uma idéia é preciso que eu saiba pensá-la. Mas esse efeito é artístico e criativo. às vezes cômica ou irônica. Crítico (também chamado de resenha) — apresenta a posição do leitor. Pode ser: Indicativo (de 10 a 50 palavras) — geral e sintético. da inteligência. Como já vimos no capítulo anterior. reproduzi-la ou dizê-la com minhas próprias palavras. foi substituída pela massflcação. dizemos que é uma paródia. Informativo (até 350 palavras) representa o conteúdo. a criação pelo consumo e a experimentação pelo consagrado. no resumo que apresentamos a seguir. utilizamos a paráfrase mentalmente. que é banaliza ção e vulgarização da arte e do conhecimento. comparações com outros trabalhos e pode trazer uma avaliação geral. artigo. Sob controle econômico. já que um texto é feito de outros textos. no século XIX. sem novida DA LEITURA PARA A ESCRITA 57 des. Desde a segunda revolução industrial. isto é. por técnicos em editoração e por cientistas. prestígio político e controle cultural. uma intemalização ou assimilação. quando sobre uma mesma melodia criamos letra diferente. Ou seja. inventa um consumidor médio. como uma estratégia para ler e estudar. vendáveis. O aprendiz incorpora o conhecimento novo. Essa assimilação requer uma elaboração interna.apenas para retomar as idéias principais. o trabalho da sensibilidade. Assim. Ocor 1 58 TÉCNICA DEREDAÇÀO re. conhecimentos e gosto médios. vê a cultura como lazer. produtos culturais fabricados em série. Essas informações lidas passam a fazer parte de nosso . além de tornar a realidade e o trabalho criador invisíveis. pela reprodução das idéias com minhas próprias palavras. tenho consciência de que domino a nova informação. A indústria cultural não democratiza. deixar a expressividade pela repetição.

pp. Paráfrases mal feitas podem constituir mal-entendidos prejudiciais à comunicação e. 8 ed. E isto é o mesmo que não ter lido. EDIÇÃO. junto aos textos transcritos. ANO. Prática de síntese a) Escolha um texto de estudo ou relativo ao seu trabalho que precise conhecer bem. 1997. Além disso. depois de algum tempo. muitas vezes. Ática. Na paráfrase. reutilizá-las. Elabore um resumo reduzindo-o a 50% do original. frases e períodos podem ser simplificados. 329-30. Nossos textos são compostos. Por isso. . Neste livro. CIDADE: EDITORA. elabore um pequeno parágrafo. 4. obra. pois não se pode citar a fonte. “em lugar de dfundir e divulgar a Cultura. mais úteis poderão se tornar quando da produção de um novo texto. não se saber mais de onde foram retiradas aquelas idéias. Releia. Assim. com nossas próprias palavras. a partir de informações que colhemos em outros textos. Faça um 60 TÉCNICA DE REDAÇÃO esquema das idéias. interpretando o que foi lido. se não houver uma citação clara do autor das idéias. As informações têm de ser fiéis às idéias do texto original. 3. é preciso dar-lhe um apoio anotando. E preciso uma leitura refinada. que são muito úteis na ampliação das habilidades cognitivas. mas nossa leitura não retém na memória tudo que é necessário. fazendo anotações. em grande parte.acervo pessoal de conhecimentos pela internalização. DA LEITURA PARA A ESCRITA 59 ou paráfrase: Marilena Chaui afirma em seu texto que a indústria cultural vulgariza as artes e os conhecimentos em vez de d(fundir. ao fim de cada capítulo ou parte de texto. despertando interesse por ela. A Associação Brasileira de Normas Técnicas normatiza as regras para publicações. vale repetir. esquema para orientar aula ou palestra etc. para identificação. Convite à Filosofia. PÁGINA. O próprio esforço de reelaborar as idéias. são úteis também como textos autônomos.. registrando. Quando falamos para nós mesmos. anote a bibliografia referente. São Paulo: Ed. Palavras complexas podem ser substituidas por expressões mais simples e familiares ou pode ocorrer o contrário. O importante é que o documento possa ser recuperado pelo leitor a partir de informações básicas. agregados ou transformados estilisticamente. divulgar e despertar interesse pela Cultura. Após a leitura. não é um resumo. sem acréscimos. Conservando e reutilizando o que foi lido Neste capítulo vimos como podemos registrar as informações lidas de forma que se torne mais fácil voltar a elas. que exercem funções próprias como: resumo para apresentação oral e escrita de trabalhos. transformações conceituais ou reduções. Sempre que fizer esses exercícios de síntese. podemos incorporá-las ao nosso texto de maneira parafraseada. reestruturá-las e reordená-las em outro formato exige uma grande atividade mental que contribui para que a assimilação seja mais consistente. Por isso a paráfrase é tão útil. podemos sempre utilizar idéias de outros autores fazendo: citação literal: Marilena Chaui afirma em seu texto que. As técnicas de registro de bibliografia podem variar. mas as editoras optam por algumas variações. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos “. fazemos pequenas paráfrases. Leia uma primeira vez para se familiarizar com as idéias. As vezes é preciso citar explicitamente sua origem (nome. seleção e hierarquização de idéias. Quanto mais organizadas forem essas anotações. c) De todas as suas leituras para estudo ou trabalho. Marilena Chaui. não perca suas leituras por falta de anotações. data). TÍTULO. mas guardam um vínculo com o texto original do qual provêm. com vários retornos ao texto. consultá-las. Assim. resumindo ou esquematizando. podem ser consideradas plágio. A paráfrase.outras basta fazer uma alusão ao dono das idéias e. E muito comum. sintetizando a idéia principal. b) Escolha um parágrafo longo de um texto dissertativo. elabore uma paráfrase em tom mais coloquial. adotamos o seguinte modelo simplicado: NOME DO AUTOR. dependendo do objetivo da paráfrase.

DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 63 Ava Gardner e Grace Kelly. Clark Gable disfarçando com grande charme a sua velhice. sobre essas decisões. Um exemplo desses textos é o diário pessoal. As feras representando muito bem. na função expressiva. Tomando decisões Para escrever um texto.1 Capítulo 5 Decisões preliminares sobre o texto a produzir 1. muito negro. estão voltados para a expressão individual.. e por isso a primeira pessoa do singular é utilizada com muita freqüência. Há algumas funções consideradas básicas e que estão presentes nos textos de forma especial. então.. podemos escrever textos de gêneros mui t diferentes como: diários. Nesse trecho. A voz que assume a “fala” nesse tipo de texto é a própria voz do autor. no leitor. que a função da linguagem está centrada no EU. Rio de Janeiro: Editora Aguilar. Focalizaremos. cinco funções primordiais da linguagem. Para a expressão de nossos pensamentos. A história do filme se passava na A’frica. a função expressiva é mais evidente: a experiência pessoal e as emoções são ressaltadas e as informações . Cada um dos objetivos vai determinar o formato que o texto vai tomar e. mas não me dão vontade de revê-las. tivemos sessão de cinema. a) A linguagem como expressão individual Objetivos centrados no EU — Muitos textos têm uma natureza essencialmente subjetiva. Audrey Hepburn. pensamentos e emo çõe de uma pessoa. Nos três últimos períodos. a seguir. mas sempre TÉCNICA DE REDAÇÃO transparece uma função preponderante. cartas. Avo Gardner e Grace Kelly eu só conhecia defotos nas revistas e jornais. conforme seus objetivos estejam centrados: no EU. Clark Gable. ar tigos poemas. bilhetes. Bonitas. tomamos muitas decisões antes e durante o trabalho. agora. o autor registra suas impressões a respeito de um filme e dos atores. informacionais. depoimentos. Flauta de Papel. a língua escrita é usada com diferentes funções e com os mais diversos objetivos. São questões de várias ordens: textuais. à noite. Essas decisões estão relacionadas àqueles mesmos aspectos que tentamos descobrir quando estamos lendo textos de outras pessoas. com muita fera. pois o objetivo principal do texto é transmitir ou registrar os sentimentos. muitas vezes. Tenho vontade de rever é . na estruturação do texto e na sua estética. Vejamos um pequeno texto de Manuel Bandeira: Diário de Bordo 22 de julho Ontem. 2. Funções da linguagem Como podemos perceber. 1967. o veículo em que vai circular. Poesia Completa e Prosa. Dizemos. Manuel Bandeira. na linguagem e no seu funcionamento. Podemos traduzir algumas das decisões preliminares nas seguintes perguntas: Quais os objetivos do texto que vou produzir? Que informações quero transmitir? Qual o gênero de texto mais adequado aos meus objetivos? Que estruturas de linguagem devo usar? Vamos refletir. lingüísticas. As diversas funções coexistem e duas ou três aparecem simultaneamente num mesmo texto.. ou na informação. Vamos detalhar aqui como essas funções se realizam no texto escrito.. interpessoais.

é geralmente considerada inadequada e dá lugar à impessoalidade. deve estar bem elaborada para que possa ser compreendida em outras circunstâncias. Temos certeza de que cada vez mais atenderemos às suas necessidades de telecomunicações. Pedimos que você verifique a correção dos dados pessoais e do telefone exibidos na conta. já que o autor fala consigo mesmo. como já vimos. assimilá-los criticamente e assumir a própria voz é essencial. está presente em textos cujo objetivo é influenciar a atitude de quem lê. pois. com a alta qualidade e a avançada tecnologia da empresa que está pronta para o século 21. Trata-se de dar ajuda à memória. sempre que escrevemos um diário. à neutralidade. E por isso sempre estaremos oferecendo-lhe descontos e promoções em nossos serviços. não entendemos o que queríamos dizer. No entanto. às vezes. E por intermédio da função expressiva que nos tomamos senhores de nossa própria história. A nossa memória. Porém.assumem o tom de confissão. alterando o seu comportamento. mas reconstruí-los. a mensagem. precisa de mais de um ponto de apoio. quando lemos essas anotações. Nomes e telefones de novos conhecidos. uma sugestão. a predominância da função expressiva. por isso. Muitas vezes. por mais secreta e enigmática que seja. Se houver alguma alteração. por favor. Beltrano Diretor de Serviços 64 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Função centrada no leitor ou apelativa Uma outra função da linguagem é aquela centrada no leitor. pode ser esclarecedor. escrevemos bilhetes para nós mesmos no intuito de não esquecer algum compromisso ou informação e. Repetir 4 pensamentos de outros é. circunstâncias. você é muito especial para nós. nos vestibulares e concursos. escrevemos para. nas teses e dissertações. uma súplica. Continue preferindo nossa operadora. sempre causam um pouco de dúvida se não estiverem acompanhados de alguma referência mais específica. à discussão teórica e abstrata em que o eu não se expõe com tanta evidência. Geralmente é uma instrução de procedimentos. Embora nosso exemplo pertença ao universo literário. muito importante. uma orientação. Prezado José da Silva. já que não se pode confiar totalmente nela. ou seja. acontecimentos. Para que estas vantagens cheguem até você. a expressão subjetiva explícita. um leitor que é a nossa própria pessoa em outro momento. Atenciosamente. Palavras soltas são dificeis de ser associadas a fatos. José da Silva. José da Silva. é um instrumento primordial para o exercício da cidadania. José da Silva. Um conhecimento ou uma informação preexistentes ajudam a sustentar conhecimentos novos na memória por mais tempo. Vamos analisar esta carta comercial/publicitária: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 65 . pessoas. por exemplo. uma ordem. A conquista da expressão dos próprios pensamentos e opiniões. entre em contato com nossa Central de Atendimento ao Cliente por meio do telefone XØ(X\9( Obrigado por ter escolhido nossa empresa para chegar mais perto de sua família. A função expressiva da linguagem é essencial à nossa vida. é necessário que mantenha seu cadastro atualizado. E quase um monólogo. é preciso considerar que esse autor estará exercendo o papel de leitor num segundo momento e. é por meio dela que nos construímos como sujeitos atuantes na sociedade e no mundo. ou seja. dos amigos e dos negócios.

Arte de compor e realizar filmes cinematográficos. colocando as ações do leitor em evidência. kínema. é ainda mais evidente essa ausência de um autor explicitamente identificável no texto. 2. atos. São Paulo: Editora Moderna. Em um dicionário. /Decisão a nível de governo (decisão governamental). cinematógrafo.] El comp. E a língua falando sobre a própria língua. Observe este exemplo: 66 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nível 1. Observe os verbetes a seguir: Verbete: cinema [De cinematógrafo. Mas a sociedade de consumo é fundamentada em textos apelativos. 1. Paulo.] S. onde se projetam filmes cinematográficos. Quanto mais esclarecidos são os cidadãos. Existe ainda ao nível de. Aquele em que a projeção não vem acompanhada de som: cena muda. em substituição a praticamente tudo que se queira. / Reunião a nível internacional (reunião internacional). = movimento’: cinemascópio. Podemos dizer que a função preponderante é centrada no leitor. Muito menos eficaz para o objetivo da empresa seria a simples comunicação por telegrama: Atualize cadastro pelo telefone XXX XXX Agradecemos preferência. é como se ele estivesse ausente do texto. / Contratações a nível de futuro (contratações para ofuturo). 3. 1. modismo desnecessário e condenável. Manual de Redação e Estilo — O Estado de S. 1.] Verbete: cinernateca [De cinema. Cinematografia.: cinemat(o)-: cinemática. dos livros didáticos de língua portuguesa e do dicionário. f . ou parte dele. 1. Por isso é preciso ler com muita atenção e procurar as segundas e terceiras intenções em tudo o que nos chega às mãos. Sala de espetáculos. 3.] S. que criam necessidades de consumo e transformam as pessoas em máquinas desejantes. Eduardo Martins. ansiosas por adquirir mais e mais. Assim as informações estão todas organizadas de forma a atingir essa meta. se constitui objeto de descrição. 4. A locução a nível de.+ -teca.Observe como o propósito da carta influenciou a sua forma. Veja alguns casos em que a locução aparece e como evitá-la: Decisão a nível de diretoria (decisão da diretoria). Os exemplos mais claros são os textos da gramática. c) A linguagem que explica a língua —função meta!ingüística A linguagem pode falar acerca de si mesma. Função metalingüística é a função da linguagem na qual predominam os enunciados em que o código. DECiSÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR [Equiv. m./ O salário será a nível de 5 mil reais (em torno de). Projeção cinematográfica. 2. Embora possamos perceber que um autor elaborou o pensamento sobre o item analisado. mas apenas com o sign ficado de à mesma altura: ao nível do mar. Cinema mudo.] Cinema falado. no seu comportamento. /Çf sinema. I”K 1 cinem [Do gr. na sua escolha futura. mais percebem quando estão sendo persuadidos contra a própria vontade e mais resistem aos processos de tirania e arbítrio. Aquele em que a projeção é acompanhada de uma faixa sonora. Por meio desse tipo de texto a sociedade pode ser controlada e submetida à dominação política e cultural. A empresa quer continuar sendo escolhida pelo leitor como sua operadora de serviços de telecomunicações. p. É importante perceber os mecanismos de convencimento que estão implícitos em determinados textos que manipulam o pensamento das pessoas. Em determinados casos podem ser usadas as locuções no plano de e em termos de. explicar-se. tornou-se uma das mais terríveis muletas lingüísticas da atualidade. na sua reação. 190 (com adaptações).

percebemos que alguma coisa não funciona bem: pausas. que lembra o que se vê no cinema: “Rilhava os dentes. Fechado para sempre. quando for o caso. temos a arte que utiliza a linguagem verbal. os possíveis usos e as relações entre as palavras. como material de criação: a literatura. 1. pouco antes de partir o avião.’. p. por sua beleza e/ou por outra(s) qualidade(s). proporciona ao leitor o caminho para compreender os significados. Que. mais que para a informação. Não é possível. A Vida como Ela E. 3. seja no acervo e escolha de palavras. minha mocidade fecha com ele um pouco. Quero é o derrotado Cinema Odeon. vai se lembrar do sofrimento de Fabiano por não dominar as palavras. Próprio de cinema. a morfologia. para sua elaboração especial e intencional. de Graciliano Ramos.) Dicionário Aurélio Eletrônico Há um conjunto de recursos que dispensa a voz do dicionarista. A espera na sala de espera. chama a atenção para a organização e estruturação do texto. maior. Se você já leu Vidas Secas. mais isso-e-aquilo. ou seja. evocando o beUo cinematográfico que dera no aeroporto. fora-de-moda Cinema Odeon. O FiM DAS COISAS FECHADO O CINEMA ODEON. dispõe de uma excelente ferramenta social para exercer suas tarefas na sociedade. 2. (Nélson Rodrigues. a palavra.1. Dizemos. 42. na rua da Bahia. jogar com as potencialidades latentes nas palavras e criar combinações novas e originais. por enquanto. 100 Contos Escolhidos. Respeitante à cinematografia. pela forma como está organizado. 67 68 TÉCNICA DE REDAÇÃO d) A arte literária —função poética Encontramos a função poética da linguagem quando a intenção do autor de um texto é extrair da linguagem as suas mais altas possibilidades expressivas. paisagem cinematográfica. Verbete: cinematográfico Adj. Mas quando sua linguagem apresenta problemas. o miúdo. Local onde se conservam os filmes cinematográficos. seja na sua combinação. sendo de outrem. então. A matinê . Cada verbete. pois chama a atenção para si mesmo. truncamentos. (Amadurecerei um dia?) Não aceito. Quando uma pessoa tem um bom vocabulário e sabe combinar adequadamente as palavras. em oposição à transparência do texto informativo. A língua é um dos instrumentos mais importantes na conquista da própria identidade e da cidadania. titubeios na fala e falhas e inadequações na escrita. e até aplaudi-las. Não amadureci ainda bastante para aceitar a morte das coisas que minhas coisas são. que o texto é opaco. II. É por meio desses textos que ampliamos o nosso universo lingüístico. mais americano. o apelo ou a confissão. em especial os considerados de valor cultural ou artístico. de estranhamento agradável. Nesses casos. Essa elaboração provoca no leitor uma espécie de experiência estética prazerosa. é digno de ser cinematografado: uma jovem cinematográfica. o cinema Glória.

análise psicológica. tiros. entretanto o conhecimento da natureza do texto artístico é imprescindível para que se compreenda como funcionam os textos não-literários A leitura freqüente de textos literários é também muito importante na formação de uma pessoa. E cada uma dessas formas tem subgêneros. No exemplo. o poema é plurissignificativo. depoimento social de costumes de uma época. O poema é prioritariamente uma elaboração especial da linguagem. a escolha das palavras. de amor. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR A impossível (sonhada) bolina ção..com BuckJones. costumeira. critica política. Hart. mesmo não divina. a associação entre as idéias. sublime agora que para sempre subm erge em funeral de sombras neste primeiro lutulento de janeiro de 1928. como fazemos com um texto de jornal. você pode observar muitas das características da literatura que constituem meios para a elaboração especial da linguagem: 69 . Nos versos “FECHADO O CINEMA ODEON.. polissêmico. a elaboração original e única para a expressão de uma interpretação sobre os fenômenos do mundo. William S. Carlos Drummond de Andrade Boitempo O poema de Drummond exemplifica essa opção pela escrita de forma especial: a disposição das frases no papel. Por exemplo. e abre caminho para que os leitores empreendam uma reflexão que pode desdobrar-se em várias camadas: lírica. waldemarpissilândico. já que permite várias formas de leitura. O jornal da Fox. As meninas-de-família na platéia. A estruturação do texto é tão importante que qualquer substituição constituiria uma agressão à autoria do poeta. diversas formas e diferentes objetivos. pobre sátiro em potencial. Assim. porque a obra de arte oferece interpretações do mundo que estimulam a reflexão e o conhecimento Além de proporcionar experiência estética. de humor. a poesia narrativa épica são feições diferentes para um mesmo fenômeno: a arte da palavra. expressão do EU e informação sobre fatos e acontecimentos. alterá-lo ou transformá-lo. por exemplo. são simultâneas. de costumes.7 70 TÉCNICA DE REDAÇÃO Ritmo Repetição de palavras Repetição de sons Repetição de idéias Jogos de palavras Ironias. por sua vez. Nosso objetivo principal neste livro não é o estudo da literatura. de guerra. Quando citamos um poema não podemos resumi-lo. apresentado como uma narrativa no poema. mas é também. crítica social. o jogo de palavras é intencional e não pode ser modificado sem que se modifique o efeito dessa escolha sobre a interpretação do poema como um todo. A prosa e o verso se desdobram em outras espécies literárias. o COflvÍvjo com a literatura Constitui um exercício privilegiado de habilidades cognitivas . O relato da experiência pessoal.”. tombos. o teatro. humor Criação de novos vocábulos (neologismos) Frases nominais Estrutura sintátjca predomjnantemerite justaposta Uso da primeira pessoa do singular A literatura assume. crítica da cultura. A divina orquestra. Exijo em nome da lei ou fora da lei que se reabram as portas e volte o passado musical... na rua da Bahia. o romance pode ser: histórico. de terror./Fechado para sempre. demonstra como as funções se sobrepõem. policial. tramas. ao mesmo tempo. o Conto. A primeira sessão e a segunda sessão da noite. duplo sentido. O romance.

pois se refere primordjalmente a uma noção ou fenômeno. porque o nosso interlocutor está distante e é necessário garantir a compreensão. relatar.1983). considero. podemos resolver dúvidas do ouvinte. das expressões faciais. do contexto. eliminação de elementos sintáticos etc. é muito comum surgirem na fala truncamentos. não planejamos com antecedência o que vamos falar. conceituar. na primeira pessoa do singular. são sistematicamente evitados. Considere o seu próprio uso da linguagem e observe que a língua escrita não dispõe dos recursos contextuais. cortes. 3. definir são formas de linguagem que evidenciam a função referencial. não trata da linguagem como fenômeno nem busca proporcionar experiência estética especial. revisamos para avaliar o funcionamento do texto e evitar repetições desnecessárias de palavras. como as que se dão entre: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 73 modalidade oral e escrita registro formal e informal variedade padrão e não-padrão a) Distinções entre as modalidades oral e escrita Freqüentemente confundimos as modalidades da língua oral e escrita. de certa forma. um pouco atrapalhada. das modulações da voz. Os recursos explorados pela literatura para chamar a atenção para a estrutura da linguagem (repetições. Quem fala. que enriquecem a oral. informar. pois não temos o apoio do contexto. então. podemos repetir informações. a não ser em situações muito formais ou delicadas. 74 TÉCNICA DE REDAÇÃO Na escrita planejamos cuidadosamente o nosso texto para assegurar que o leitor compreenda nossas idéias sem precisar de mais explicações. quem lê e a linguagem em si são questões deixadas em segundo plano. universitários e acadêmicos. entonação. Ao escrever. em diferentes níveis. Geralmente. imparcial. a cada momento. do conhecimento do interlocutor. inversões. autor de Brasa Dormida (1928) e de Ganga Bruta (1933). Descrever. é o mais valorizado nos meios científicos. O que ganha evidência é a informação. não podemos resolver dúvidas imediatamente. acho. temos apoio da situação fisica. pois podemos. autor do consagrado Limite (1929-1930). como expressões faciais. O objetivo é transmitir informações a respeito de uma realidade. precisamos seguir mais rigorosamente as exigências da língua padrão. Há distinções fundamentais nesses usos que é preciso considerar. corrigir e explicar melhor. titubeios e problemas de concordância. como penso. não dispomos de recursos como gestos. das pausas. percebo. definir. É como se a realidade falasse por si própria. Almanaque Abril 1996 Como você pode observar. concejtuar. gestos. . clara e objetiva. Dizemos. Decisões em relação às estruturas Iingüísticas O falante de uma língua é. a maneira como fala. expressões faciais. dos gestos. essas duas manifestações são apenas parcialmente semelhantes. conjunções facilmente compreendidas. sem a interferência das impressões do autor. explicar algum item mal compreendido. um poliglota. Não quer provocar algum comportamento no leitor. com distintos objetivos.e de familiaridade com as estruturas e Possibilidades da língua escrita. não se trata de um texto expressivo (centrado no EU). sinto. expor. usamos expressões dialetais com mais freqüência. na fala. interpreto. repetições. Pensamos muito rapidamente e a expressão das nossas idéias pode ser. Embora pertençam ao mesmo sistema. voz. ou seja. Podemos esquematizar nossos procedimentos: Na fala somos mais espontâneos. pois não atrai a observação do leitor sobre a forma como é organizado. e Humberto Mauro (18 77. dizemos que se evidencia a função referencial. das referências ao ambiente. usamos frases mais simples. no qual os verbos que indicam subjetividade.) são evitados. Este tipo de texto. O exemplo a seguir é um caso em que a função referencial é preponderante: 72 TÉCNICA DE REDAÇÃO os primeiros grandes diretores: Mário Peixoto (1911-1993). o autor se distancia ou desaparece quase completamente para tornar a informação bastante neutra. que o texto é transparente. e) Funçdo referencial Quando a língua é usada para descrever. Ele fala e usa a língua em diversas situações.

porque representam estruturas próprias da fala. sabe? Verbos de sentido muito geral no lugar de verbos de sentido mais exato: dar ficar dizer tei fazei achar ser. Ausência de apoio contextual DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 75 b) Formalidade e informalidade Tanto a fala como a escrita podem variar quanto ao grau de formalidade. Sinais utilizados na fala para orientar a atenção do ouvinte: bem. que. chamamos atenção para o seu próprio uso da linguagem e para a necessidade de que você reflita acerca de seu desempenho. Tem características próprias e exigências diferentes. ortografia. o vocabulário e as formas de combinação das palavras em frases e textos. pontuação. né (não é). entendeu?. veja bem. Podemos sintetizar as diferenças no seguinte quadro: FALA ESCRITA Espontânea Planejada Evanescente Duradoura Repetições / redundâncias/ Controle da sintaxe / das repetições / truncamentos / desvios da redundância Predomínio de orações Predomínio de orações coordenadas subordinadas Gran de apoio contextual Face a face Interlocutor distante . Boa tarde! e da escrita mais informal Tô chegando aí Deiva o parabéns pra mais tarde! à mais formal Chegaremos ao local da cerimônia com uni pequeno atraso em relação à programação anteriormente estabelecida. que permite a exatidão e a clareza do pensamento. que permeia a escrita informal. daí aí. Outra vez. mas muitas vezes são utilizadas indevidamente na escrita formal: Formas reduzidas ou contraídas. procuramos utilizar um vocabulário mais exato e preciso. colocação pronominal. certo?. principalmente quando o texto é formal. utilizamos sintaxe mais complexa. tá tudo bem? à fala mais formal. o contexto. 76 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Palavras de articulação entre idéias (repetidas em excesso) que substituem conjunções mais exatas: então. Para que você tenha ferramentas para analisar essa questão. e. e decidir como usar as infinitas possibilidades da língua da forma mais adequada e aceitável. planejada e mais próxima da escrita Caros ouvintes. pra (para). tá (está). bom. Um dos problemas mais freqüentes na produção de textos de jovens redatores é a confusão entre a modalidade oral. as orações subordinadas são mais freqüentes na escrita que na fala. segundo os objetivos do momento. Portanto. e a modalidade escrita formal.truncamentos. tô (estou). problemas de concordância. Cabe ao falante ou redator analisar a situação. viu?. taí (está aí). peraí (espere aí). ou seja. assim. de acordo? não sabe?. observe alguns itens que merecem atenção. Há uma gradação que vai da fala mais descontraída 01. a escrita não é a simples transcrição da fala. . pois temos tempo de procurar a palavra adequada. evitamos gíria e expressões coloquiais. regência. Para isso é imprescindível ampliar continuamente o acervo de opções. cê (você). que podem aparecer em textos informais. Solicitamos que as atividades sejam adiadas por alguns minutos.

A norma padrão assegura a unidade lingüística do país. pega leve nas frituras. a gente. Só que eu também penso no seu. em 1898. dizendo que a norma culta está na literatura. língua culta ou padrão. a norma estava nos textos literários de autores como Machado de Assis. uma vez que essa norma se sobrepõe às variedades regionais e 78 TÉCNICA DE REDAÇÃO individuais. um efeito de intimidade que simula a oralidade ou o diálogo. esse papo às vezes enche! Mas te vendo cansado e fazendo tudo pra agradar. Atualmente. 6. A escola deve respeitar as diferenças. é que a gente sente o quanto te ama. mas os dialetos regionais e as particularidades estilísticas pessoais têm seu espaço na vida social. Várias salas de exibição são abertas no Rio de Janeiro e em São Paulo no início do século XX. pega leve. rolando um papo. em um texto escrito formal. Isso diz respeito tanto à fala quanto à escrita. sem planejamento. sem essa. Faz como a mamãe que se amarra num diet.. manera. E Afonso Segreto quem roda o primeiro filme brasileiro. e. vai la’. Entretanto. sua. com cenas da baía de Guanabara. O que define a norma ou padrão culto é o uso. nos jornais e revistas tradicionais de grande circulação. a produção cai . manera. um texto expositivo contemporâneo: Em 8 de julho de 1886. Você fala pra tomar Cuidado corri os eXcessos. a seguir. mas que são inadequados em documentos oficiais ou em textos formais. ou seja. nas leis. Historicamente. consensualmente aceito e consagrado como correto pelos falantes que têm alto grau de escolaridade. Você vive dizendo que pensa no meu futuro. não há por que se portar perante a língua de modo submisso a um poder autoritário. Assim.. transgressões às formas aceitas até então na escrita culta formal. No ano seguinte Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles abrem a prim eira sala exclusiva de cinema na rua do Ouvidor. E quando é que você vai se tocar disso? Hoje não tem presente. sem eliminá-las. Aparecem na escrita de forma eficiente quando se deseja dar ao texto um tom coloquial. velho. Assim. a sua saude é superimpoante pra gente. vocé seu. Surge um centro de produção no Rio. que no seu tempo era diferente Sabe. Inconsistência no uso de pronomes: te. No início do século.. Há recursos da fala e da escrita informal que funcionam muito bem em determinados contextos. Operíodo de 1908 a 1912 é considerado a beile époque do cinema brasileiro. Nos anos seguintes. a língua padrão é o consenso do que está nos documentos oficiais. encontramos algumas dessas formas impróprias. Rui Barbosa e Euclides da Cunha. a norma culta deve distinguir os usos literários dos não-literários. Pai. O texto formal utiliza o que chamamos de norma. econômico e social daqueles que o definem e o codificam nas gramáticas escolares e o consagram na escrita formal. sujeito a uma infinidade de influências e transformações. democraticamente. Portanto. sem essa de dinheiro. nos livros de qualidade. com ele. não se deve mais generalizar. O modernismo constituiu uma forma de revolução na linguagem literária. os grandes escritores modernistas trouxeram para a literatura a fala do povo e novas criações de efeito estilístico (Guimarães Rosa. pois estamos lidando com um fenômeno vivo. diminui o açucar. como se fazia a respeito dos textos do fim do século dezenove.. espontâneo. Um uísquinho de vez em quando. Mas o que té rolando é papo de amigo. Constituem recursos inadequados para o texto formal escrito. amarra.Vel se consegue mudar um pouco sua alimentação. entretanto. Por isso velho. nós. por exemplo) que constituem desvios. se toca. como neste texto de uma propaganda de adoçante dietético: Você diz pra gente que a vida corre mansa. o Rio de Janeiro assiste à primeira sessão de cinema no Brasil. Muitas DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 77 vezes. E muitas vezes o caso do texto publicitário. em textos que não as admitem. oferecendo oportunidade de acesso ao domínio da norma culta. dos textos informativos. Esses elementos são próprios da fala espontânea. É exigida em determinadas circunstâncias.Gírias e coloquialismos: papo. histórias policiais. apenas sete meses depois da projeção inaugural dos filmes dos irmãos Lumière em Paris. libertando-a para novas experiências. Devem ser considerados os primeiros elementos a eliminar ou substituir quando se deseja transformar um discurso oral informal. enche. E muito dificil definir o que seja o padrão culto de uma língua. vestígios de coloquialismo. sem o qual a vida profissional pode ficar prejudicada. sempre em evolução. comédias e filmes com atores interpretando a voz atrás da tela. Observe. o padrão depende do poder político. Eles são os exemplos mais citados em nossas gramáticas descritivas e normativas. informal.

de fato. 80 TÉCNICA DE REDAÇÃO na forma como você se dirige ao leitor. Exemplo: Ir ao teatro e viver a experiência estética proporcionada pela peça. Sempre que produzimos uma forma qualquer de comunicação estamos utilizando um dos gêneros disponíveis na nossa cultura. com figuras de linguagem ou inversões sintáticas. Simultaneamente a essa decisão preliminar. estamos focalizando neste livro os gêneros que dizem respeito ao domínio da comunicação. argumentativas e narrativas.. Nós assimilamos esses formatos porque convivemos com eles nas nossas práticas sociais.. você observa que: a linguagem procura ser clara e objetiva. Entretanto. Ou prefere se distanciar? Exemplo: Ir ao teatro é uma ex periênci surpreendente. não há texto totalmente neutro. Outra decisão correlacionada às anteriores... coloquial. a neutralidade com que se tenta convencer o leitor da seriedade e da confiabilidade das informações... um bom espetáculo teatral). há uma deliberada neutralidade. que obedecem a uma ordem lógica (cronológica). não há intenção de mostrar um estilo muito elaborado.Ç DECISÕES PRELIMÍNARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 79 Todas essas características contribuem para acentuar o caráter informativo do texto. qual é a forma de uma carta. os períodos estão organizados em blocos de idéias bem distintos. não há manifestação clara da opinião do autor. informal e facilitado.. Cada gênero já traz em si escolhas prévias em relação a estruturas básicas de linguagem que são automaticamente utilizadas pelo redator. Nós fomos. e são . citando-o ou não no texto. w9k . Assim. as diversas possibilidades de participação em uma conversa. no qual são delineadas e discutidas idéias. Sabemos. pois a própria escolha das informações que serão utilizadas e das que serão omitidas já pressupõe uma posição diante da realidade. Todos os gêneros nos interessam como leitores e como redatores. Analise as escolhas feitas pelo redator. convencer o seu leitor de seu ponto de vista (argumentar e persuadir). Ao trabalhar com um determinado gênero utilizamos tipologia variada de texto. Essas decisões estão relacionadas ao objetivo da comunicação e. expositivas. quase naturalmente. tem a oportunidade de. Almanaque Abril 2000. diz respeito ao nível de linguagem. você tem de decidir também que ponto de vista adotar: você quer se colo ca de alguma forma no texto? Exemplo: Eu fui. distanciada? Essa decisão vai influir: na estrutura da frase. mais simples ou mais complexa. Exemplo: É imperdível o espetáculo apresentado pelo grupo de teatro. ou quer utili za uma linguagem formal.. o texto é impessoal. quais são as maneiras de começar uma ata. Gênero e tipo de texto Vamos imaginar que você queira escrever um texto sobre uma experiência estética que viveu (um bom filme.. apresentar uma reflexão teórica sobre o fato (dissertar). objetiva.. portanto. ao gênero de texto que se quer produzir. uma boa música.. Antes de começar a escrever.. Mas.. Quem vai assistir ao espetáculo. p. como já vi mos. que se sucedem compondo o enredo. como narrar um acontecimento.. na escolha do vocabulário.por causa da concorrência dos filmes norte-americanos. Todos nós. 4. em um romance encontramos partes dialogadas.. você tem de decidir se vai contar acontecimentos (narrar). Você quer um texto mais subjetivo. a melhor maneira de contar uma anedota. Exemplo: Ontem eu fui ao teatro e via peça. 294 (com adaptações).. a ordem é predominantemente direta. Para produzir cada tipo de texto algumas habilidades de linguagem são necessárias. Quanto aos aspectos da língua verbal propriamente. as frases são curtas.

argumentar. Observe os quadros nas páginas a seguir. em que estão listados alguns dos gêneros mais conhecidos. persuadir de maneira formal e impessoal. Para transitar nesse domínio.apresentados e transmitidos os saberes. personagens. SITUAÇÕES DISCURSIVAS LITERATURA POÉTICA LITERATURA FICCIONAL TIPOLOGIA TEXTUAL PREDOMINANTE EXPRESSÃO POÉTICA VERSO NARRAÇÃO RELATO HABILIDADES DE LINGUAGEM DOMINANTES Elaboração da linguagem como forma de expressão da interpretação pessoal do mundo Imitação da ação pela criação de enredo. Representação pelo discurso de experiências vividas. de forma verossímil. situações. tempo. refutação e negociação . situadas no tempo GÊNEROS ORAIS OU ESCRITOS Poesia conto maravilhoso conto de fadas fábula lenda narrativa de aventura narrativa de ficção científica narrativa de enigma narrativa mítica anedota biografia romanceada romance romance histórico novela fantástica conto paródia adivinha piada relatos de experiências vividas relatos de viagem diário íntimo testemunho autobiografia curriculum vitae DOCUMENTAÇÃO E MEMORIZAÇÃO DE AÇÕES LEVANTAMENTO E DISCUSSÃO DE PROBLEMAS DISCUSSÃO DE PROBLEMAS SOCIAIS CONTROVERSOS ARGUMENTAÇÃO Sustentação. cenários. é necessário saber expor.

ao gênero. a função será persuasiva. Se escrevemos sobre nós mesmos. Há em nossa cultura um acervo de modelos de texto entre os quais escolhemos o que vamos utilizar em cada contexto comunicativo. decidimos se vamos utilizar um registro de linguagem mais formal ou mais coloquial. EXPOSIÇÃO Apresentação textual de fatos e saberes contratos CONSTRUÇAO E da realidade declarações TRANSMISSÃO DE documentos de registro REALIDADES E SABERES pessoal atestados certidões estatutos regimentos códigos TRANSMISSÃO E EXPOSIÇÃO Apresentação textual de diferentes texto expositivo CONSTRUÇÃO DE formas dos saberes conferência SABERES artigo enciclopédico entrevista texto explicativo tomada de notas resumos resenhas relatório científico relato de experiências científicas INSTRUÇÕES E DESCRIÇÃO DE AÇÕES Orientação de comportamentos instruções de uso PRESCRIÇÕES instruções de montagem bula manual de procedimentos receita regulamento — lei regras de jogo placas de orientação 84 TÉCNICA DE REDAÇÃO 5. ao nível de linguagem. com suas diretrizes fundamentais.PERSUASIVA de tomada de posição ata notícia reportagem crônica social crônica esportiva história relato histórico perfil biográfico aviso convite sinais de orientação texto publicitário comercial texto publicitário institucional cartazes siogans campanhas —folders cartilhas — folhetos textos de opinião diálogo argumentativo carta ao leitor carta de reclamação carta de solicitação deliberação informal debate regrado editorial discurso de defesa requerimento ensaio resenha crítica ARGUMENTAÇÃO Sustentação. A partir da função. 6. ao leitor. se fazemos arte das palavras. a função será poética. se tentamos influenciar nosso leitor. Decisões orientadoras Conforme enfatizamos neste capítulo. refutação e negociação de tomada de posição ESTABELECIMENTO. E o próprio gênero oferece parâmetros básicos que nos guiam na formulação do texto. as quais vão servir de pauta para o desenvolvimento da escrita propriamente dita. Assim. se vamos utilizar a língua padrão ou podemos lançar mão de variações. O gênero de texto é sugerido pela própria situação de comunicação. a função será referencial. ao seu funcionamento na situação. Formulamos uma espécie de projeto de texto. se falamos da própria linguagem. a função será metalingüística. o objetivo nos propõe qual será a função da linguagem preponderante no texto. antes mesmo de começar a escrever. Prática de tomada de decisões . Essas decisões nos situam em relação aos objetivos do texto. se falamos de alguma coisa. temos que tomar decisões importantes em relação ao texto que vamos produzir. a função será expressiva. se podemos incorporar elementos próprios da oralidade.

Vamos explicar como é o funcionamento de cada um desses processos. envie. que é o erro pela vontade extrema de acertar. De pos- . Cada pessoa constrói sua própria técnica de organização inicial das idéias. Vão constituindo um conjunto de aproximações um pouco desordenado. Agora você pode decidir o registro de linguagem: formal ou informal? Que função prefere dar à carta? Quer expressar suas opiniões sobre o livro? quer fazer algumas perguntas? quer me convencer de alguma coisa? quer me passar informações acerca de outros livros da área? quer falar da dificuldade de produção da própria carta? ou quer colocar um pouco de cada uma dessas funções no mesmo texto? Escreva a carta e ao relê-la veja se ficou coerente com suas escolhas preliminares. pois ela pode conduzir a outros problemas como a linguagem artificial. não é? Afinal.me a carta. um bilhete.a) Prepare-se para se comunicar com a autora deste livro. São decisões relativas às informações que serão utilizadas e às posições que assumimos em relação a essas informações. introdução etc. ter idéias. imediatamente você já tem alguns parâmetros para a produção. E preciso conhecer o assunto. ou à hipercorreção. 85 1. pedante. Há muitas possibilidades. antes mesmo de começar a escrever um texto há muitas etapas. O formato é tradicional: cidade. simulando as possibilidades de criação de um texto referente à música popular brasileira. Quando já estamos nessa fase. Mas tente não cair nessa armadilha. Produza o texto e envie como colaboração ao periódico. um cartão-postal. Embora você possa escolher um telegrama. prefiro que opte por uma carta. posições. vocativo. e essas tarefas já podem ser consideradas parte integrante da escrita. b) Escolha um gênero expositivo e trace um planejamento como se fosse publicar o texto em um periódico que você tem o costume de ler. à medida que vamos fazendo leituras e reflexões acerca do tema. A concepção das idéias Como vimos. Temos fama de ca ——4 ft 1 DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR çadores de erros. e é preciso também tomar decisões a respeito da linguagem e do gênero de texto. Se você quiser. Surgem em momentos diferentes e devem ser anotadas logo que se formam para não se perderem no esquecimento. como vimos no capítulo 2. a) Fazer anotações independentes As idéias surgem sem muita organização. Capítulo 6 A ordem das idéias 1. você vai optar pelo português padrão. procuramos dar ordem às nossas idéias. Naturalmente. data. todo o mundo fica constrangido ao escrever para um professor de português. Quando se decide por um gênero.

sem se intrometer no que lia. bulas de remédio. uma posição a respeito de uma idéia vai se construindo pouco a pouco. escravos. Olga Borelli. índios lunu / ritos ritos trib crs religiosos /m0inhas e” 12’99 — Chiquirih Gonzsg ôreIs 1 marcha e crnsvsl / 1917— Dongs Pelo telefone —1? samba 50— smb-cnço — boss-nov es-e7 — festivsis . que ela pacientemente dividiu em dezenas de envelopes. 1999. DJficil dizer o que lemos — e é impressionante pensar que uma outra pessoa. e depois foi encaixando-os. uma direção para a tempestade escoar. o redator relê e analisa esses registros. Observe como podem se configurar anotações registradas durante a leitura de diversos textos acerca da música popular brasileira: ? ‘ /flfr z A ORDEM DAS IDÉIAS Pcdas le 2OIOI4O rádios — grvors 5io Luiz Gonzg e HumL’ert.. vamos montando blocos de idéias maiores e uma rede entre eles que vai formar o texto. no período de vida em que foi apoiada pela amiga Olga Borelli: Em Água Viva.88 TÉCNICA DE REDAÇJO se de muitas anotações. num concurso. é reduzido e rápido. sozinha com sua tesoura. Quando Clarice não podia mais ordenar o que escrevia. lenços de papel. foram concatenadas umas às outras em busca de uma ordenação preliminar lógica. Inventário das sombras. a partir de pequenas aproximações e conclusões. mas acontece a partir do momento em que o redator toma conhecimento do tema. pp. Assim pode trabalhar sobre um rascunho em que várias idéias. estabelecendo a hierarquia e a combinação entre eles para formar o texto preliminar. (. Rio de Janeiro: Record. Mesmo quando não se trata de literatura. que na vida profissional é mais flexível e largo. em que há limite rigoroso de tempo. ao escândalo. Olga a escoltava. Mais uma vez a literatura fornece exemplos. A partir dessas pequenas peças. fratava de abrir um caminho. José Casteilo. Observe o que conta José Casteilo a respeito do processo criativo de Clarice Lispector. Esse percurso. E. jorna is.o íeixeir Sos idi resistnci vem s feIic1e e cls riuez t55 origens 89 AFOPULA5ASILEIRA Portugueses.) Clarice lhe entregou uma pilha de fragmentos. 30-1. como as peças de um puzzle. “montou “ o caos que Clarice anotou em guardanapos. anotadas em momentos diferentes. Clarice leva sua estética do fragmento ao paroxismo.

para depois. Se conseguimos captar esse fluxo e registrálo. de acordo com o fluxo do pensamento. e. DESENVOLVER A IDÉIA DE FUSÃO DA RiCA SONORiDADE DAS TRÊS ETNIAS e) Escrever a idéia principal e as secundá rias em frases isoladas para depois interligá-las. sx& sertsnejo. um tom informal. o procedimento ajuda a gerar novos pensamentos sobre o assunto. diversa e tem suas origens em diversas fontes cue vm dos negros. muitas vezes. A palavra-chave é um núcleo significativo que sintetiza uma idéia maior. negros e portugueses. as idéias vão surgindo rapidamente. Enquanto estão trabalhando apenas mentalmente ainda se sentem inseguras e não conseguem avançar muito. Mas h muitos outros ritmos e estilos cue convivem e se influenciam mutuamente. A linguagem apresenta. cortar e ordenar A música popular brasileira é muito rica. E um recurso muito produtivo para provocar a criação e apreensão de idéias essenciais. nesse tipo de texto. não temos como discipliná-las. esse é um procedimento muito rápido para captar as idéias. A releitura fornece evidências que devem ser consideradas para as transformações. c) Fazer uma lista de palavras-chave e reordená-las. escrever logo um parágrafo para pensar em outras idéias depois de relê-lo é o caminho mais indicado. os brasileiros continuam preferindo nossa Mj9’ poroLue ela reflete a nossa alma e é muito rica. então. Embora haja uma forte indústria cultural estrangeira ue quer dominar o mercado no brasil. O samba nasceu da fuso de ritmo5 das três raças. Esse processo se aproxima muito da fala. ou elaborar uma espécie de esquema geral do texto 92 TÉCNICA DE REDA ÇÃO . conseqüentemente. mesmo que de maneira ainda rudimentar. Os nativos possuíam uma rica sonoridade para acompanhar seus ritos tribais. Quando falamos. desenvolvido ou reduzido posteriormente. depois. hierarquizando-as Quando o redator tem bastante capacidade de síntese e habilidade mental de centralizar um pensamento numa única palavra. índios e portugueses. Nesse caso. É muito freqüente. sem planejamento. A ORDEM DAS IDÉIAS 91 Observe o registro preliminar de palavras-chave acerca da música popular brasileira: ORiGEM 3 ETNIAS FUSÃO SAMEA NOVOS ESTILOS ALMA 5RASILEIA ESISTNCIA E’EFERNCIA DA JUVENTUDE d) Construir um parágrafo para desbloquear e. ainda formulada apenas na mente do redator. Veja como se podem gerar novas idéias a partir de um parágrafo: A mLsic brasileira o resuIt&o da fusao dos ritmos trazidos pelas três etnias ue formaram o nosso povo: íridios. nisngue-L7et 90 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Escrever tudo o que vem à mente. existirem idéias incompletas ou detalhes dispensáveis. apreendemos um esboço que poderá ser reformulado. Hoje os jovens retomam os ritmos primitivos e revalorizam as origens de nossa música. desen volver as idéias ali expostas — Muitas pessoas têm dificuldade até começar a escrever. Os colonizadores brancos tinham na bagagem misicas sacras.—jovem-gurs Se’ —tropicalismo 70 — revlorizço tio sa m jazz + instrumental rock brssileiro 50 — rock LrsiIeiro 90 — releitura tis MP5 — reciclagens pgocle. marchas oficiais e modinhas. não haver pontuação nenhuma. Os africanos trouxeram junto com os ritos e cerimônias religiosas uma musicalidade especial. Mesmo que esse parágrafo seja ainda muito preliminar ou inadequado. H música para todos os gostos.

em 1917. e se consolida nas primeiras décadas do sáculo.MÚSICA SACRA / MARCHAS /MODINHAS FUSÃO DOS RITMOS ORIGINA IS lundu. original e soberana. ampliações. uma matriz semântica. explicações. um método bastante produtivo é elaborar da forma mais clara e completa a idéia principal que será desenvolvida no texto. a música popular brasileira incorpora. Embora sofrendo influencia constante da produçõo estrangeira. seleção. recicla. o desenvolvimento pode seguir as vertentes sugeridas pelo próprio assunto. do que queremos apresentar. sempre criativa e viva. Não há um modelo universal que atenda a todas as variações.RITOS TRIBAIS BRANCOS . Cada texto determina as articulações que lhe são próprias. Observe um esquema já estruturado para desenvolvimento de um texto: A música popular brasileira resiste à dominação cultural ORIGENS 3 ETNIAS NEGROS . Analise este resumo e observe como ele tem muitas idéias articuladas entre si. Mas a matriz inicial é que fornece subsídios para esses aperfeiçoamentos. idéias secundárias Um resumo. ainda não muito delineada. O importante aqui é criar um mapa inicial de sentidos. uma rede de relações lógicas entre 94 TÉCNICA DE REDAÇÃO as idéias do texto. há procedimentos comuns: geração. Na hierarquização. Vamos especificando e detalhando nosso ponto de vista em relação à idéia preliminar pelo aprofundamento da nossa reflexão. E. quando se trata de escrever um texto não-literário. hierarquização e ordenação das idéias.Muitas vezes. passa por pequenas alterações e ajustes ditados pela releitura cuidadosa. pelo esclarecimento. é um texto denso e bem estruturado. Essa elaboração demanda paciência para que o redator faça várias tentativas e reformulações em busca de maior exatidão para seu pensamento. F’ela fusão e mútua influência entre os vários estilos nasce o samba. g) Organizar mentalmente grandes blocos de texto. voltada para suas raízes. índios e portugueses. inserções. absorve novas contribuições. que podem ser ampliadas: A música popular brasileira nasce sob o signo da ritegraç o de diversas formas e estilos musicais provenientes das três etnias otue formam o brasil: negros. como já vimos. mas resiste. Esse texto. começamos a tomar decisões a respeito dessa rede de sentidos com uma noção ampla. decidimos a ênfase a ser dada a cada idéia e a submissão de uma idéia à outra. expositivo ou argumentativo. estabelecemos como organizar a articulação entre as idéias. No texto dissertativo. Na seleção. de nossas posições em relação ao assunto. de uma maneira geral. o esquema inicial vai sendo reformulado durante o desenvolvimento do trabalho e chega a ser completamente transformado. escolhemos o que vamos dizer e o que não vamos dizer. também. A elaboração de um esquema prévio pode onentar o redator quanto ao percurso mais . escrevêlos e reestruturá-los após a releitura Esse é um procedimento próprio de redatores maduros. A partir desse pequeno texto inicial como fio condutor.RITOS RELIGIOSOS (raízes fortes) ÍNDIOS . para nós mesmos. Na ordenação. que têm muita experiência e conseguem montar o texto na memória. A releitura do resumo indica os pontos que podem servir de alavanca para novos desenvolvimentos. Em todos esses processos. maxixe. depois de transcrito. ou seja. Entre todos os procedimentos apresentados. modinha NOVOS ESTILOS samba (Pelo telefone — Donga) Fatores favoráveis rádios e gravadoras OUTROS ESTILOS enriquecimento efortalecimento fidelidade às origens alma brasileira RESISTÊNCIA À DOMIA4ÇÃO gosto popular música estrangeira é secundária jovens preferem música brasileira ORDEM DAS IDÉIAS 93 fi Elaborar um resumo das idéias principais e depois acresLentar detalhes. exemplos.

A música estrangeira nunca deixou de ser um acessório secundário no nosso universo cultural. nasce uma força indestrutível que representa uma resisténcia à invasão e à dominação que outras culturas tentam impor por meio de suas avançadas indústrias culturais. que ofereceram um terreno fértil onde nasceu o samba. relação de continuidade temática com a idéia principal e com a conclusão do texto. rap e mangue-beat se sucedem e convivem. comprova que os alicerces da músibrasileira estão plantados em raízes inabaláveis. Sobre essa matriz rítmica multirracial. Conclusão: aforça que sustenta a resisténcia cultural vem dos alicerces. de Donga. o chorinho. Baião. mas que tem sua própria “gramática”. Três etnias contribuíram com seus ritmos para que chegássemos a constituir o talento que hoje encanta o mundo em termos de musicalidade. Nessa base estão o lundu. em suas múltiplas configurações. bossa4. Esses procedimentos relacionam cada parte do texto à parte que a antecede e à que a sucede imediatamente. Vamos observar um texto produzido a partir das idéias registradas nos exemplos das páginas anteriores: Título: resumo da idéia principal O caráter de resistência da música popular brasileira Idéia principal — origem — resistência A música popular brasileira nasceu sob o signo da miscigenação.. Oposição à idéia de ritmo único — ampliação da idéia de novos estilos e manutenção da idéia de consolidação das raízes. as marchinhas de carnaval. pois nada é casual. que é sempre uma revaloriza ção das raízes brasileiras. detalhamento e . introdução da idéia de gosto popular. compositores e intérpretes. E a adesão das novas gerações ao que é genuinamente nacional. . mas se multiplica em inúmeras vertentes. Essa trama mais global se constitui a partir de procedimentos lógicos que constituem a seqüência e a progressão do texto.adequado. No processo de consolidação do samba. ligam os parágrafos entre si. resistente à invasão e à dominação estrangeira. utilizamos diversas formas de combinação e de articulação entre as informações. das gravadoras e da profissionalização dos músicos. num enriquecimento efortalecimento da base. Além disso. 2. samba-canção. o maxixe. Desenvolvimento da idéia de novos estilos — detalhamento. tornando-o coeso. A ORDEM DASIDÉJAS 95 Para que as ligações se realizem de forma adequada e correta nas frases e períodos construídos no texto. a 96 TÉCNICA DE REDAÇÃO nova. constituindo assim uma estrutura temática que transcende as frases e períodos. de suas marchas oficiais e de suas modinhas populares. ou seja. pois é a era do rádio. o negro trouxe a sonoridade de seus ritos religiosos e o branco português a melodia de sua música sacra. Entretanto. em 1917. houve influência mútua de outros ritmos e o Jávorecimento do progresso técnico. Introdução da idéia de consolidação. pagode. da riqueza e da afinidade com o povo. Os diversos processos de fusão e reciclagem das nossas origens musicais tecem uma trama de ritmos e harmonias que reflete a alma do povo e por isso tem sua adesão incondicional. Dessa identidade entre a produção musical e o gosto popular. A idéia principal está no título e percorre todos os parágrafos de diversas maneiras. resistente à invasão e à dominação estrangeira. A certidão de idade oficial dessa criação tipicamente brasileira é Pelo Telefone. axé. tropicalismo. a modinha. sertanejo. a música nacional não se reduz ao samba. simultaneamente. jovem guarda. O segundo parágrafo está ligado ao primeiro pelos processos de expansão. observamos a frase núcleo do texto: Sobre uma matriz rítmica multirracial foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. mantêm. Das anotações para o texto Para estabelecer a rede e desenvolver a idéia principal. Todas as escolhas dependem da intenção do autor. No parágrafo de apresentação. os recursos sintáticos da gramática da língua são imprescindíveis (como veremos no capítulo 7). da idéia que forma de seu leitor. . O índio forneceu seu ritmo de ritos tribais. da situação e de muitos outros fatores que ultrapassam os limites do papel. exeinplificação. dessa sintonia extremamente qfinada e bem construída. Todas as idéias e informações colocadas em um texto se justificam em vista dessas relações.

exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. introduz a noção de diversidade e reforça a idéia de fidelidade às raízes e de reflexo da alma popular.. julgamento. Observe o exemplo em que a autora inicia o texto negando a validade do senso comum em relação à Filosofia: As indagaçoes fundamentais nao se realizam ao acaso. e existem em textos que não apresentam parágrafos. ldeZj Definição ou conceito Conceito é a representação de um objeto pelo pensamento. a estrutura com o verbo ser (X é YYY) é a mais freqüente nesse caso. concepção pessoal. como os resumos e os editoriais. pois ele já traz em si as vertentes que devem ser ampliadas no desenvolvimento do texto. 3. O parágrafo conclusivo retoma a idéia de que a força e a resistência à dominação vêm da sintonia com a alma popular e da fidelidade às raízes. Ou seja. Em geral. Quando é uma posição subjetiva. 98 TÉCNICA DE REDAÇÃO A filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos. O terceiro se opõe à inferência possível de que só o samba é importante. de repetição da mesma idéia. São Paulo: Ed. a) Apresentação Em períodos introdutórios. negar essa possibilidade logo de início. As indaga çõesfilosófi cas se realizam de modo sistemático. O novo estilo por excelência é o samba. opinião. Aqui temos um exemplo de conceituação objetiva. 1997. A organização das idéias Vamos analisar mais detalhadamente algumas dessas formas de articulação entre as idéias. 15. de recursos como: Afirmação. por isso. trabalhamos com a apresentação de “verdades” que são defendidas (texto argumentativo) ou apenas expostas (texto expositivo). mas não obrigatoriamente. então. busca encadeamentos lógicos entre enunciados. Marilena Chaui. Mas não devemos nos restringir a essa noção. opera com conceitos ou idéias obtidos por procedimentos de demonstração e prova. pois servem para unir idéias dentro de um mesmo parágrafo. Assim. Pretendese. mas se combinam e podem ser encaixadas em várias classificações simultaneamente. por meio de suas características gerais. A filosofia não é um “eu acho que “ou um “eu gosto de “. declaração ou asserção. / A ORDEM DAS IDÉIAS 97 Como vimos. necessária para que se mantenha a unidade temática. entre outros. avaliação. segundo preferências e opiniões de cada um de nós. Marilena Chaui. Não é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. Nas dissertações. apresentamos uma idéia principal por meio. são estratégias de delimitação e construção de parágrafos. ou seja. pode-se apresentar como noção paticular. há uma certa carga de redundância. apreciação. p. Observe estes dois exemplos de apresentação da idéia principal por meio de períodos afirmativos: A música popular brasileira resiste permanentemente à invasão e à dominação de ritmos estrangeiros que a indústria cultural dos países mais desenvolvidos tenta impor. de acordo com o objetivo do trecho. essas articulações não surgem de maneira exclusiva. E a ação de formular um esclarecimento e. Convite à Filosofia. parte do princípio de que o leitor pode estar pensando de maneira equivocada. 8 ed. o período afirmativo é muito freqüente. em que a posição do redator não sobressai: . Atica. Negação O recurso de apresentar uma idéia negando outra trabalha com o pressuposto de que há uma idéia oposta já conhecida. Não é pesquisa de mercado para conhecer prefe réncias dos consumidores e montar uma propaganda. Embora apresentem uma característica predominante.exemplificação do que foi anunciado no primeiro.

a razão capta todas as relações que constituem a realidade e a verdade da coisa intuída. a resposta à questão formulada. as afirmações envolvem julgamentos e tomada de posição acerca do objeto. ao mesmo tempo. Folha de S. p. Penso que a intuição é. o capítulo ou o livro todo. Paulo. 7. Observe o exemplo a seguir. Minha concepção de intuição é . no exemplo a seguir. a partir do levantamento de informações sobre as instituições atuantes e seu papel na produção e na difusão da literatura na sociedade. em São Paulo. Segundo meu ponto de vista. Nela. decidido a exercer sua função crítica e a informar seus leitores acima de qualquer obstáculo. 1991. Toda vez que uma laje do muro caía. 1999. propósitos e limites da obra. Veja um exemplo: . um conhecimento específico ou uma avaliação anterior. ás vezes histéricos. como: Acredito que a intuição é. pois não é para ser efetivamente respondida pelo leitor. a apresentação de um livro estruturada por meio de um juízo positivo de valor: Os capítulos que compõem este “20 Textos que fizeram História” refletem a vida recente do país e.. que podem ocupar o parágrafo. Resumos do Simpósio 500 anos de descobertas literá rias. Veja.. Universidade de Brasília. Idem. promete a resposta. Paulo. focalizando as impressões do redator: A ORDEM DAS IDÉIAS 101 O cenário parecia extraído de algum livro maluco de ficção. a personificação. Explicitação do objetivo do texto Nos trabalhos científicos e acadêmicos é costume iniciar o texto pelo objetivo da pesquisa. Interrogação Construir uma pergunta de efeito retórico. 63. Essa resposta exige ampliações.. de um objeto. São Paulo. acadêmicos ou científicos. o objetivo dessa investigação. é uma das formas mais simples de apresentação de uma idéia..A ORDEM DAS IDÉIAS 99 A intuição é uma compreensão global e instantânea de uma verdade. essas formas não são bem aceitas em textos objetivos.. contra o muro de cimento. assim como nos prefácios e introduções de livros é comum um esclarecimento sobre as intenções. explicações. São Paulo. Da relativa ingenuidade dos textos que compõem a cobertura do incêndio no edifício Joelma. passando pelo engajamento na defesa das eleições diretas. o feito era comemorado como se tratasse de um ritual bárbaro de luta e conquista... Observe o exemplo: Este trabalho propõe-se a refletir sobre a produção feminina sul-rio-grandense. 100 TÉCNICA DE REDAÇÃO Julgamento ou avaliação Quando uma apresentação pressupõe uma análise prévia. E um ato intelectual de discernimento e compreensão.. estamos tentando provar. Comentário de uma citação ou de um fato Assim como no item anterior. estimulados por gritos. em Berlim. Essa posição pode ser definida por meio de figuras de linguagem como a comparação. Vera Teixeira Aguiar.. O desenvolvimento do texto será. pretendemos demonstrar.. 20 textos que fizeram História. 1991. resgatada dentro de uma investigação mais ampla sobre a vida literária do Rio Grande do Sul de 1870 a 1930. Folha de S. esse comentário pressupõe uma posição do redator em relação ao que vai apresentar. 7. Entretanto. Quem pergunta. jovens armados de pás e picaretas arremetiam. Eu acho que.. tais como: o que desejamos nesse trabalho. furiosos. 20 textos que fizeram História. testemunham as virtudes e percalços do jornalismo praticado pela Folha. em 1984. em que a narração descritiva da queda do muro de Berlim é formulada com base na adjetivação e nas comparações.. procuramos comprovar. Frases que orientam o leitor e indicam o objetivo são freqüentemente utilizadas. o que se abre ao leitor é um jornal em permanente movimento. de um fato. Uma definição subjetiva apresenta outras formulações.. p. Departamento de Teoria Literária e Literaturas. de dezenas de milhares de pessoas. p. detalhes.. ao tom vigilante das coberturas sobre o mau uso do dinheiro público. de uma só vez. a metáfora. Pode também trazer descrições ilustrativas e outros recursos de ênfase e valorização dos aspectos que merecem a atenção do leitor. Marilena Chaui. então.

p. l3j b) Ampliação e explicação Tanto a idéia principal. Observe um exemplo em que a enumeração é assinalada por números: No caso do conhecimento método éo caminho ordenado que o pensamento segue por meio de um conjunto de regras e procedimentos racionais.. ou seja. utensílios domésticos e de trabalho. como no seguinte fragmento: Um exemplo de luta social para interferir nas decisões sobre as pesquisas e seus usos encontra-se nos movimentos ecológicos e em muitos movimentos sociais ligados a reivindica ções de direitos. p. Convite à Filosofia. Marilena Chaui.1997. o que se quer dizer é que ela possui certas características apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos. Algumas expressões indicam de forma explícita que há uma inserção de exemplo: para exemplificar podemos observat por exemplo. formas de habitação. p. cultos religiosos. em geral apresentada no início do texto. palavras ou conceitos utilizados. Os exemplos podem tornar o texto menos abstrato e facilitar a compreensão do leitor. o que quer dizer essa expressão signfica.Muitos fazem essa pergunta: afinal. 28J Um texto não existe sozinho. o pensamento a ação. Ele traz o eco de vários outros textos com os quais se relaciona e . Idem. poesia. São Paulo: Ed. as evidências vêm reforçar a idéia que é defendida pelo autor. que são completamente diferentes das características desenvolvidas por outros povos epor outras culturas. nas regiões onde ela se implantou. c ou sinais de itens). música. 157. e de hodos. dança. ou Outros que indiquem a divisão (como a. assim é o que ocorre no caso em que. as técnicas. p. Esse recurso se constitui como: Esclarecimento do significado das expressões. caminho Usar um método é seguir regular e ordenadameizie um caminho através do qual uma certa finalidade ou um certo objetivo é alcançado Marilena Chauj. Marilena Chaui. Enumeração de fatores constitutivos ou acumulação de elementos que complementam a idéia inicial. nos quais os dados. aparecem com freqüên 102 TÉCNiCA DE REDAÇÃO cia nessas situações Há. Não ouvimos ninguém perguntar: para que matemática oufisica? Marilena Chaui. permitir a demonstra ção e a prova de uma verdade já conhecida 3. Idem. Quando se diz que a filosofia é um frito grego.. 20. Marilena Chaui. exemplo disso é.. 2. para que Filosofia? É uma pergunta interessante. Idem. Ática. 8 ed. formas de parentesco e formas de organização tribal dos gregosforani resultado de contatos profundos com as culturas mais avançadas do oriente e com a herança deixada pelas culturas que antecederam a grega. Expressões como: isto é. com três finalidades 1. 27.. instrumentos musicais. por meio de. via. methodos composta de meta através de. como exemplo pode-se observar. como as secundárias passam por processos de expansão que envolvem detalhamento e aprofundamento. uma expansão de elementos J apresentados no texto. para comprovar o que foi dito. b. são necessários: A ORDEM DAS IDÉJAS Os estudos recentes mostraram que mitos. Idem. estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade. então. as estatísticas. corno nos exemplos: A palavra método vem do grego. conduzir á descoberta de uma verdade até então desconhecida. permitir a verca ção de conhecimentos para averiguar se são ou não verdadeiros enaChauiIdem 157 Nem sempre recursos de numeração. A exemplificação é um recurso muito útil tanto nos textos didáticos como nos textos argumentativos. os testemunhos. p.

zer. Questões como o que é o amor? e o que é a amizade? são muito importantes. Uma idéia pode ser ampliada. por exemplo. Um desafio á Educaçào.. p. Aos que jamais sobem ao sótão ou descem à adega falta uma dimensão humana relevante. A resposta de Bachelard foi: “a diferença entre uma casa e um apartamento é que. declarar. em sua obra } para X a questão é. lógico e sistemótico da realidade natural e humana. Se uso as próprias palavras do autor citado. Podem agregar algum significado adicional ao simples ato de dizer impregnando-o de interpretação. Há expressões que indicam claramente inserção de citações: segundo o especialista X. 266.. (adaptado) 106 TÉCNiCA DE REDAÇÃO . da origem e das causas do mundo e das suas transformações.” Hilton Jupiassu. de acordo com o que afirma X. afirmar. referir. Dependendo do tipo de texto. vale dizer. há uma adega (para onde descemos) e um sótão (para onde subimos). na primeira. Como já vimos anteriormente.. Ao inserir voz. históricas. e pode vir em forma de paráfrase das 103 104 TÉCNICA DE REDAÇÃO palavras. Há alusões.que constituem um contexto amplo em que se situa. opinião ou testemunho de outra pessoa. Por isso.. religiosos etc. Se faço uma paráfrase. conJàrme X. descrever preceituar. que um leitor experiente reconhece. expressar. aprofundada ou esclarecida por meio de histórias que lhe sirvam de ilustração. repetindo fielmente as palavras do texto original. que são citações apenas sugeridas e há citações explícitas. heróicas. narrar. ordenar.. perguntou o entrevistador. Observe alguns desses verbos e analise o sentido que acrescentam à idéia de dizer: falar.do autor citado. Mas os que só vivem ou no sótão ou na adega são pouco equilibrados. Se prefiro o verbo ponderar ao verbo di. as histórias podem ser cômicas. Bachelard interrompeu um jornalista que o entrevistava dizendo-lhe: ‘parece que você vive num apartamento e não numa casa “. 1999. p. citar. a Filosofia pode ser ‘entendida como aspiração ao conhecimento racional. as aspas são dispensadas: Segundo Marilena Chaui. indicar. engraçadas. aquilo que nos esmaga ou nos liberta. XJá afirmou que. E descer à adegapor vezes significa olhar o que se passa nos subterráneos e nos fundamentos psicológicos ou sociais de nossa existéncia afim de aí discernir nossos condicionamentos. ser humano por vezes significa subir ao sótão. Quer dizer: não podemos viver limitados apenas ao nível do código restrito da ciência. Tanto no discurso direto (que transcreve literalmente as palavras do outro após um travessão) como no discurso indireto (em que a fala do outro está parafraseada pelo redator sem travessão) esses verbos são utilizados com freqüência. denunciar. há citações implícitas. poéticos. tenho que marcálas com aspas a partir do ponto em que começo a transcrição: De acordo com Marilena Chaui (1997. 20). testem unha. alegar. Observe o exemplo de narração ilustrativa a seguir: Consta que. declaração. artísticos. Nessas. a voz do outro pode vir entre aspas. além da zona habitável. perguntar. pitorescas. negar. da origem e das causas das ações humanas e do próprio pensamento “. asseverar. São Paulo: Letras e Letras. esclarecer. discursar. explicar enunciar. em certa ocasião. concluir. proferir exclamar. mesmo sem marcas evidentes. . A escolha de um desses verbos indica um comentário ao ato de falar do outro. já estou informando que a posição de quem fala é de reflexão. replicar. discutir questionar. registrar. declamar. “O que o senhor quer dizer com isso? “. considerar. a filosofia é uma importante forma de conhecimento do mundo. viver uma busca das significa ções da existência através dos simbolos filosóficos. bradar pronunciar. A escolha vai depender das intenções do autor e do tipo de texto. aconselhar comprovar corrobo A ORDEMDASIDÉIAS 105 rar ratificat confirmar demonstrar refutar argumentat justificar. contestar contradizer. expor mencionar. comunicar. que são chamados dicendi. usamos verbos especiais. informar discorrer acentuar ponderar.

. Como já foi dito. como fonte de erro. terror e desespero. focalizando diferenças. observe o texto a seguir: A diferença entre os sofistas. p. Quando é esse o caso.. Têm relação com a cronologia e com o lugar. primeiramente. em segundo. que é a idéia a ser desenvolvida posteriormente no texto: Com o desenvolvimento das cidades. vivendo seu período de esplendor conhecido como o . uma acerca de Clarice Lispector e outra acerca de Guimarães Rosa: As experiências radicais tanto de Clarice Lispector como de Guimarães Rosa forçam os limites do gênero romance e tocam a poesia e a tragédia.. medo. na divisão..Utilizar narrações ilustrativas interessantes depende de muita informação. c) Divisão A divisão de uma idéia em subtópicos abre novas vertentes de desenvolvimento do raciocínio... A razão instrumental é a razão técnico-cientjfica. do artesanato e das artes militares. do comércio.. por último.. ora convergem. não de oposição.. e) Comparação ou analogia Como no caso anterior. na qual distin gue duas formas da razão: a razão instrumental e a razão crítica. e são focalizadas as semelhanças. as informações esclarecem o ambiente em que floresce a democracia.. utilizamos uma enumeração para antecipar as linhas em que o assunto vai se desenvolver.. A ORDEM DASIDÉJAS 107 d) Oposição Muitas vezes a idéia ou informação deve ser apresentada e discutida em confronto com outra posição ou forma de pensamento. duas ou mais idéias são apresentadas. experiência e leitura. e Sócrates e Platão. a razão crítica é aquela que analisa e interpreta os limites e os perigos do pensamento instrumental e afirma que as mudanças sociais.. ora se explicam... ou imagens das coisas. a sociedade e a cultura. as igualdades. O herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafisica da realidade. Idem. Além do exemplo do item anterior. Mais um motivo para procurar um bom convívio com textos de diversas naturezas. Idem.. que no segundo parágrafo apresenta uma oposição. indicam divisão de idéias. 442... em seguida. o primeiro aspecto é. um outro aspecto é por um lado. 40. finalmente. p. Marilena Chaui. mentira efalsidade. fatos e fenômenos. que faz das ciéncias e das técnicas não um meio de libertação dos seres humanos. mas um meio de intimidação. (adaptado) 108 TÉCNICA DE REDAÇÃO j9 Situação no tempo e no espaço Algumas informações são colocadas no texto com o objetivo de contextualizar de forma explícita as idéias. de um lado. p. enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais. São Paulo: Cultrix. formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade.. depois. por outro lado. História Concisa da Literatura Brasileira. é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão. Observe um exemplo em que o texto está organizado pela divisão da idéia: Uma escola alemã de Filosojiu. de outro. elaborou uma concepção conhecida como Teoria Crítica. Marilena Chaui. políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científico sobre a natureza. combinadas entre si. No exemplo a seguir. Geralmente. mas agora a posição é de equilíbrio. 1989. Cada aspecto exige desdobramentos e explanações que representam progressão das informações.. facilitam a organização do texto e a compreensão do leitor: em primeiro lugar. 50. Ao contrário. Atenas tornou-se o centro da vida social e política e cultural da Grécia. a escola de Frank/urt. Observe no exemplo a seguir como o desdobramento da idéia sugere duas linhas informativas para desenvolvimento do texto. há expressões que. normalmente o texto estabelece duas (ou mais) linhas de desenvolvimento paralelas que ora se opõem.. Alfredo Bosi.

5. A ORDEM DAS IDÉIAS 109 Em suma. partir de um pequeno resumo ou escrever blocos de texto independentes. pelo mesmo motivo. Oposição. ser ensinada ou transmitida a todos. Prática de organizaç0 a) Escrever uni artigo opinativo acerca do tema que está em maior evidência hoje. Depende de cada indjvj duo e de seu processo de atividade intelectual. construir logo um Primeiro parágrafo. organizaç0 textual. por razões históricas e políticas. São expressões e parágrafos que conduzem e facilitam os procedimentos e a interpretação do leitor. conclusão. podia ser conhecida por todos. há muitas possibilidades de captação. articulando as idéias entre si. podia. as Possibilidades de Construção tornam-se mais nítidas e o trabalho alcança um melhor resultado.Século de Péricles. diante desse quadro. Idem. conclusão parcial ou final. pode funcionar como o início da escrita propriamente dita. p. Filosofia é um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especflcamente com os gregos e que. Observe os exemplos: Em outras palavras. 160. 21. comparação ou analogia. concluindo. conforme predomine o mythos ou o logos. Idem. Esclarecem objetivos. resumindo o que já foi dito. mas que... 23. registro e organização inicial das idéias. ao contrário. Por isso mesmo. Manlena Chaui. Leia alguns artigos que tratem do tema. o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada cultura européia ocidental da qual. para oferecer ao jornal de sua cidade como colaboração Em geral. quando se descobriu que tal conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que. p. Quando o redator tem clareza sobre essas especificidades de cada trecho do texto. Fa-ça anotações. escrever tudo que vem à mente. Ao hierarquizar as idéias de um texto observaiiios que elas apresentam caracte rísticas e funções distintas: apresentação. concluem pensamentos. ampliação ou explicação. assim. Marilena Chaui. 36. reler e reescrever até se sentir satisfeito com o resultado. podemos referir. Para gerar. Marilena Chaiji. Da concepção à organização das idéias De acordo com o que apresentamos. Observe o exemplo a seguir: No capítulo anterior vimos que a língua grega possuía duas palavras para referir-se à linguagem: mythos e logos. depois. tais como: em vista disso podemos concluir. Vimos também. Idem. tanto no estudo da linguagem quanto no da inteligência. portanto. 4. entre outras que não foram relacionadas aqui neste livro. em suma. além da verdade poder ser conhecida por todos. por motivo de economia de espaço nos jornais esses artigos têm aproximadamente duas páginas de 30 linhas. é freqüente o uso de palavras e expressões que indicam resumo de idéias anteriores. p. Depois de escrever. a filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso. Citam o próprio texto. selecionar e hierarquizar as idéias você pode: fazer 110 TÉCNiCA DE REDAÇÃO anotações independentes à medida que as idéias forem surgin do. p. partir de uma idéia Principal e elaborar uni esquema. listar palavraschave. É a época de maior florescimento da democracia. em decorrência da colonização portuguesa do Brasil. situando-o melhor em relação à estrutura textual. li) Organização textual Os parágrafos organizadores explicam como o texto está estruturado. Marilena Chaui. em outras palavras. que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos. g) Conclusão Em textos dissertativos. encerramento de um raciocínio. Por isso. tornou-se. Qualquer uma dessas técnicas. diante do que foi dito. seus capítulos e subdivisões. que falar e pensar são inseparáveis. é importante assinalar claramente para o leitor que as idéias são conclusivas. Situação no tempo ou no espaço. antecipam idéias de forma resumida. nós também participamos.nos a duas modalidades do pensamento. e ainda outras que você pode criar. analise as partes do texto e identifi . Idem. divisão.

preciso. Ao escrever. c) Sempre que estiver lendo um texto. explicativo. Ou seja. mas não é suficiente em textos dissertativos A ordem das palavras no período. analítico. 112 TÉCNICA DE REDAÇÃO Assim. Qual é nossa idéia central? Como podemos defendê-la? Que exemplos são mais interessantes? Quem devemos citar? Que palavras escolher? Como devemos nos dirigir ao leitor? Em que medida devemos explicitar todas as idéias ou deixá-las implícitas? São questões que respondemos inicialmente. e para o qual não teremos chance de explicar melhor ou retificar oralmente algum item mal expresso. Nas linhas grifadas. as marcas de gênero e de número. MEC. preditivo aberto e útil.. A manutenção do tema é um desses recursos. de assegurar a compreensão exata daquilo que estamos escrevendo. a estrutura gramatj das frases trata de criar coesão entre os Constituintes de um texto. para que o leitor acomp1e a seqüêncj reconheça a progressão das informações e identifique as referências no texto. portanto. b) Escolha outro tema e faça outro percurso Leia alguns artigos que tratem do tema. estão no masculjjo singular. o filosófico e o religioso Em sua esséncia o conhecimento cient (fico é real. Brasília. mas principalmente com a maneira como essas idéias serão apreendidas pelo leitor. O tecido aparente do texto Como vimos nos capítulos anteriores. sistemáti. transcendente aos fatos. os conectivos funcionam também como elos coesivos Cada um desses elementos gramaticais estabelece conexões. um texto não é uma simples justaposição de frases corretas. racional objetj vo. 2. existem quatro outras estratégias de coesão. qual a natureza da relação entre as idéias. uma após a outra. Após essa etapa. revisando várias vezes a linguagem e as estruturas gramaticais propriamente ditas. a partir da terceira todas as palavras estão sendo utilizadas em concordância com conhecimento científico. Além dessas formas gramaticaj5 sistemáticas de ligação entre palavras. claro. Vamos cuidar. Faça anotações ou esquema. ao escrever as primeiras versões de um texto. ver ificóve! dependente de investigação metódica. então. para o estudo ou trabalho. nossa preocupação inicial é captar as idéias e ordená-las com uma determinada hierarquia. Capítulo 7 O entrelaçamento das idéias 1. A preocupação já não é apenas com nossas próprias idéias. Observe o texto a seguir: — De qualquer forma o conhecimento ou saber cient(fico distingue se dos demais tos: o popular. que dependem das escolhas estilísticas do redator: O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS referencial lexical .que as formas de organização que Utilizou. INEP. é muito importante que a coesào textual esteja bem tecida. em cada trecho. articulações ligações concatenan do as idéias. João Salvador Furtado Expansão da itformaçjo científica in: Anais do Seminárj0 de Publicações Periódjc da A’rea da Educação. Exige um entrelaçamento rigoroso das idéias que estão sendo expostas para que o leitor não se perca e consiga interpretá-lo corretamente. geral. que está distante de nós. os três elementos citados Concordam com tijoo de conhecimento e por isso estão no masculino. primeiramente a partir das suas anotações a natureza de relação entre as idéias de cada trecho. procure identificar.njcá. as preposições os pronomes pessoais. Desenvolva o texto acompanhando esse roteiro e o esquema das idéias. os tempos verbais. Estabeleça. estamos reforçan0 a coesão.0 acumulativo falível. 1983. de modo que as principais sejam enfatizadas. Na segunda linha. Um exemplo disso é a Concordância Sempre que respeitamos a concordân eia. comj. i’el. Mecanismos de coesão textual Pode-se Construir a coesão do texto por meio de vários recursos. voltamo-nos para a sua superficie e procuramos refazê-lo.

por elipse por substituição Vejamos como funcionam essas formas de entrelaçamento dos elementos que constituem um texto. Veja um exemplo de omissão de sujeito da oração: A metodologia cient(fica é um conjunto de atividades sistematizadas. A partir dessas considerações. Esses recursos podem se referir. Algumas vezes. Essa corrente é formada pela reutilização intencional de palavras. b) Coesão lexical A manutenção da unidade temática de um texto exige uma certa carga de redundância. análise. No texto acima. Alguns exemplos de expressões que servem a esse objetivo são: Diante do que foi exposto. Para efetivar essas citações são utilizados pronomes pessoais. a) Coesão referencial Na elaboração de um texto. se referir a elementos já citados no texto ou que são facilmente identificáveis pelo leitor. pois é facilmente identificado pelo leitor. períodos ou largas parcelas de texto por conectivos ou expressões que resumem e retomam o que já foi dito. busca de soluções. essa omissão é marcada por uma vírgula. Implica a concepção das idéias quanto à delimitação do problema dentro do assunto. Esse quadro. abaixo. permite que os objetivos sejam atingidos... Agora esse estudioso quer contribuir para a democratização do saber. ou ainda pelo emprego de expressões equivalentes para substituir elementos que já são conhecidos do leitor. como no seguinte exemplo: O Doutor Fulano de Tal falou ao nosso repórter no intervalo do congresso. verbos. nomes e frases inteiras podem estar implícitos. Pronomes. possessivos. estabelecemos uma corrente de significados retomando as mesmas idéias e partes de idéias. verbos. anteriormente. Ela pode pro vocar diversas formas de ansiedade. pelo uso de sinônimos. com segurança e economia. ainda. aqui. identficação de instrumentos. a coesão referencial se realiza pela citação de elementos do próprio texto. Esse recurso tem o nome de elipse. demonstrativos ou expressões adverbiais que indicam localização (a seguir acima. a elementos que serão citados na seqüência do texto. como no exemplo: A explosão da informação é uma das causas do stress do homem moderno. que. Tudo o que foi dito. O cientista entrevistado reconhece que a partir do 113 114 TÉCNICA DE REDAÇÃO emprego dos conhecimentos cientijicos foi possível racionalizar os sistemas de produção. comprovação. Assim. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS . racionais. Não precisa ser explicitado. proposição de uma teoria. d) Coesão por substituição Pode-se substituir substantivos. e) Coesão por elipse A estrutura gramatical dos periodos na lingua portuguesa permite a omissão de elementos facilmente identificáveis ou que já foram citados anteriormente. por antecipação. o sujeito do verbo implica é a metodologia cientfica. onde). Diante desse quadro. Podem. Em vista disso.

demonstrar uma situaçõo ou um fato ocorrido. Não há concatenação entre as informações. do assio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento Uma primeira leitura nos mostra que há unidade semântj ca. seja dentro do período. No impoa o tipo ou a hora ue se ouve a musica. o impoante é a tranqüilidade que ela nos passa As pessoas encontram msíca em tudo. de política ou simplesmente retratar a realidade. felizmente o homem a está usando por um bem. confusão e obscuridade nas referências. pois revela desordem nas idéias e dificulta a compreensão do leitor. essa unidade não é suficiente. pois não podemos distinguir imediatamente qual seria a idéia principal e não percebemos a relação imediata entre as idéias que estão justapost5 Relendo os parágrafos. A década de SO. A ausência de coesão é um dos principais problemas da construção de textos. Entretanto. truncamentos semânticos. muitos Compositores foram expulsos do brasil. Problemas decorrentes da ausência de coesão Quando os mecanismos de coesão textual não são bem utilizados. As canções podem ter um caróter ilustrativo. Existe niisica para todos os gost. falta de hierarquia entre idéias principais e secundárias. é necessário empreender algumas transformações. 115 116 TÉCNiCA DE REDAÇÃO A musica pode ser um excelente remédio. por causa das letras das músicas. que falam claramente do desejo da populaçõo brasileira. Algumas doenças podem ser curadas pela música. No texto em questão. então. de forma que o texto apresente uma seqüéncj Qualquer período parece poder estar em qualquer Posição. elas mostram perfeitamente a repressão da época da ditadura militar no brasil. 4? Revisar. Vamos. No 5rasil podem-se citar as músicas feitas na década de 50. Ou seja. enfatizando uma idéia principal para a introdução e para a Conclusão e estabelecendo as formas de articular as idéias secundárias 3? Estabelecer nexo entre as diversas idéias por meio de frases de transição e de recursos coesivos’ reescrever eliminando e acrescentando elementos. seja entre os períodos ou parágrafos. música e Saúde MUSICA E POLÍTICA 2? Reorganiz o texto. Hó pessoas que gostam de escutar canções calmas. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 117 .3. Vejamos um texto de aluno de segundo grau. o que não modificaria o resultado. ou uma poderosa arma. as canções dessa década mostram perfeftamente isso. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. 1? Agrupar idéias relacionadas entre si. Algumas pessoas gostam de músicas s6 com os instrumentos e outras com um cantor. no rasil. a progressão da informação e a articulação entre as idéias não foram devidamente elaboradas. mas para algumas doenças. A história nos mostra o poder curativo das canções.os e todas as ocases. sem especificar OU defender nenhum deles particularmente Para que o texto passe a apresentar coesão e reflita essa idéia. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. estabelecer por suposição. alguns escrevem falando sobre o amor. estilo infantil ou elementar. indefinição das relações entre as idéias. o autor apresentou três grupos de idéias: música e prazer. entre outras. como a música. em que os problemas de ausência de estabelecimento da coesão estão bem nítidos. ou seja. sem hierarquia ou progressão que Conduza a uma conclusão. porque o tema que perpassa todo o texto é a música. As conseqüências podem ser: ausência de ênfase nas idéias principais. individual ou coletivo. encontramos idéias colocadas lado a lado. foi uma época de muitas repressões e restrições. o texto se prejudica. As canções podem falar de amor. ambigüidade. nõo que ela seja um remédio milagroso. outros relatam o que estó acontecendo com o brasil. ela pode levar a cura. outras que preferem as mais agitadas. que a idéia principal seja expositiva: a grande abrangêneja da música na vida contemporânea o redator teria por objetivo expor os diversos campos em que a música está presente na vida humana.

Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. como a música. 118 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. Podemos compreender. retratar a realidade e. As pessoas encontram música em tudo. mostram perftitamente como essa foi uma época de muitas repressões e restrições. geralmente. mas para algumas doenças. o homem está sempre em contato com a música. algumas pessoas gostam de música instrumental e outras de música cantada.Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. Algumas pessoas gostam de músicas só com os instrumentos e outras com um cantor. No BRASIL PODEM SE CITAR AS MÚSICAS FEITAS NA DÉCADA DE 60. ELAS MOSTRAM PERFEITAMENTE A REPRESSÃO DA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR NO BRASIL. MUITOS COMPOSITORES FORAM EXPULSOS DO BRASIL. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. mas podem levar a cura para algumas doenças. outras que preferem as mais agitadas. de política. A música pode ser um excelente remédio. para o seu próprio bem. que fala claramente dos desejos da população. em conseqüência da ditadura militar. frlizmente o homem a está usando por um bem. o importante é a tranqüilidade e a alegria que ela transmite. é preciso trabalhar em dois níveis: 1? organizar as idéias numa rede de significados e 2? entrelaçar gramaticalmente as frases e os períodos. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. apresenta problemas de coesão. que falam claramente do desejo da população brasileira. que a música pode ser uma fonte de alegria e prazer. na superfi ci do texto. outras que preferem as mais agitadas. promover a cura de doenças. pois pode-se encontrar música em tudo. demonstrar uma situação ou um fato ocorrido. os compositores podem escrever as letras das músicas daJirma que lhes convier. como a música “Comida “. ela pode levar a cura. Não importa o tipo ou a hora que se ouve a música. A história nos mostra o poder curativo das canç6es. ou seja. então. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. Conseqüentemente. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. As canções podem falar de amor. A DÉCADA DE 60. aproveitando a maior parte das estruturas construídas originalmente pelo autor: Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. Vejamos uma das possibilidades de aperfeiçoamento do texto. no Brasil. Alguns escrevem jLilando de amor. Então. por causa das letras de suas músicas. até mesmo. Não que sejam um remédio milagroso. E fato notório que as violações aos direitos humanos se sucedem no país com freqüência indesejável. as articulações que estabelecem relações das idéias. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. As canções podem ter um caráter ilustrativo. NO BRASIL. Não importa o tipo ou a hora em que se ouve a música. ou uma poderosa arma. a história nos mostra o poder curativo das canções. Assim. POR CAUSA DAS LETRAS DAS MÚSICAS. FOI UMA ÉPOCA DE MUITAS REPRESSÕES E RESTRIÇÕES. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais . Muitos compositores frram até mesmo expulsos do Brasil. Além das funções de proporcionar prazer estético e de denunciar problemas sociais. a coesão evidencia. individual ou coletivo. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. Como podemos observar. AS CANÇÕES DESSA DÉCADA MOSTRAM PERFEITAMENTE ISSO. Algumas doenças podem ser curadas pela música. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. As canções podem lidar de amor. o importante é a tranqüilidade que ela nos passa. como o gosto do público é diversificado. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. Vejamos como os laços coesivos se realizam em um exemplo de texto editorial jornalístico: — O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 119 DESRESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS A denúncia da Anistia Internacional sobre a prática no Brasil de torturas e execuções por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. de política ou simplesmente retratar a realidade. alguns escrevem falando sobre o amor. não que ela seja um remédio milagroso. uma forma de conscientização e de denúncia social ou um excelente remédio. Um texto desorganizado. As canções da década de 60. Essa vertente de músicas voltadas para a questão social não é nova.

que as denúncias da Anistia inspirem reações mais efetivas em favor da proteção aos direitos humanos. por várias outras que têm o mesmo significado. há mais de três anos. como está no titulo. Pior. atentados contra a dignidade e incolumidade fisica das pessoas (linhas 8 e 9). estão no mesmo campo semântico e formam um paradigma. Brasília. nenhuma providência era tomada. desrespeito às prerrogativas humanas da pessoa (linhas 17 e 18). instalou. ou seja. Veja como o texto ficaria no trecho a seguir: A denúncia da Anistia Internacional sobre o desrespeito aos direitos humanos por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. Com o restabelecimento da legalidade democrática. A construção da coesão textual tem prosseguimento pela substituição da idéia de desrespeito aos direitos humanos por informações mais específicas.se outro comportamento. assim. violações aos direitos humanos (linha 4). 20 jun. pena de morte (linha 27). O primeiro exemplo disso veio na Constituição de 1988. Essa expressão é substituída. Assim. Qualquer leitor percebe o problema. elementar demais para o desenvolvimento que se espera nesse nível profissional de produção de editoriais. Correio Braziliense. E um morticínio bem maior do que as baixas na guerra do Kosovo. Durante os anos sombrios do regime militar.encarregados de reprimi-las. homicídios (linha 36). primária. A Suécia chega ao índex internacional por devolver asilado. devolver exilados políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem (linhas 32 e 33). Teria uma estrutura repetitiva. nem mesmo a elementar cautela de investigar a procedência dos fatos denunciados. As instituições norte-americanas são apontadas à censura mundial porque praticam a pena de morte. Durante os anos sombrios do regime militar. onde cada qual ocupa menos de um metro quadrado de espaço. O relatório anual da Anistia critica o Brasil e outras 141 nações. o desrespeito aos direitos humanos tem diminuído. ficaria com a coesão prejudicada se em todas essas posições o autor usasse a mesma expressão: desrespeito aos direitos humanos. até mesmo para punir crimes cometidos por menores. que declarou a tortura crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais encarregados de reprimir o desrespeito aos direitos humanos. Só na Baixada Fluminense. a Human Rigths Watch. . E fato notório que o des O ENTRELA ÇAMENTO DAS IDÉIAS 121 respeito aos direitos hunianos se sucede no país con freqüência indesejável. os homicídios rondam a casa dos quinhentos ao mês. Os mais de 175 mil presos nas penh- 120 TÉCNICA DE REDAÇÃO tenciárias do país coabitam ambiente vil. em grande parte praticados por esquadrões da morte. problema (linha 19). denunciava a existência nos EUA de mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. Rio de Janeiro. excluídos de qualquer programa de recuperação social. o governo costumava qualificar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre o desrespeito aos direitos humanos. E fundamental. outra prestigiada entidade internacional. como: prática no Brasil de torturas e execuções (linhas 1 e 2). promíscuo e violento. os atentados contra a dignidade e incolumidade física das pessoas têm diminuído. Em dezembro de 1998. embora compreensível. diante do que Jbi exposto. Desde a criação da Co. O texto. Leis espeq’ficas e ações concretas têm sido adotadas para prevenir e punir os desrespeitos às prerrogativas humanas da pessoa. Os inquéritos de organizações internacionais em torno do problema passaram a servir de impulso ao sistema de garantias contra abusos do gênero. o governo costumava quaflficar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre violência às pessoas. como os Estados Unidos e a Suécia. Editorial. crianças e adolescentes em prisões de adultos (linha 30). que é decorrente da pobreza de vocabulário.nissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. violências às pessoas (linha 12). abusos do gênero (linha 20). temos exemplos de coesão por substituição lexical. 1999. Mas a incriminação do Brasil ao lado de sociedades tidas como padrão de cultura humanística em nada o isenta de culpa. no texto. Observamos que a expressão chave do texto é desrespeito aos direitos humanos. há mais de três anos.s políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem. E. que exemplificam essa idéia: a tortura (linha 21). A avaliação rigorosa da organização é atestada por incluir países normalmente a salvo de suspeitas. Desde a criação da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça.

4. E interessante observar que no texto há exemplos de coesão referencial. e o leitor só pode interpretar o pronome -las como relativo à expressão anterior as violações aos direitos humanos. A referência está clara. reveladas nessas expressões.presos coabitam ambiente vil. elogios. e o pronome relativo onde se refere a penitenciárias do país. Há coesão por substituição lexical também nas expressões: acusações de agências humanitárias (linha 12) porfatos denunciados (linha 14) anistia (linha 22) por organização (linhas 23 e 24) países normalmente a salvo de suspeitas (linhas 24 e 25) por sociedades tidas como padrão de cultura humanística (linhas 34 e 34) Sempre que escolhemos uma expressão equivalente para substituir outra. Entrelaçando as idéias Como vimos neste capítulo e nessa rápida análise final. A expressão cada qual (linha 40) se refere a presos na linha anterior. na elaboração de um texto criam-se laços de citações entre seus próprios elementos constituintes. É a coesão textual. é importante que na revisão do texto você procure focalizar sua atenção sobre esses itens concatenadores. Além das ligações temáticas e das estabelecidas pelo sistema gramatical. Prática de entrelaçamento a) Releia os textos que você produziu anteriormente e identifique os recursos de coesão que utilizou em cada um deles. Criticas. diversidade lexical. na linha anterior. há coesão referencial. Observe que esse detalhamento ilustra e especifica o que se entende no texto por desrespeito aos direitos humanos. há O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 123 possibilidade de criar laços mais largos por meio de referências. a vírgula indica que se subentende o sujeito de excluídos como a expressão do período anterior mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. A expressão as violações aos direitos humanos é representada por um pronome enclítico em reprimi-las (linha 6). Na linha 20. mesmo em textos tidos como objetivos. identifique as formas de coesão utilizadas pelo autor. elipses e substituições de partes do texto por expressões sintetizadoras. como concordância e tempos verbais. após a apresentação. Há um exemplo de coesão por elipse na linha 31: após a palavra pior. 5. Há no texto um exemplo de substituição de idéias por expressão sintetizadora: diante do que foi exposto (linhas 41 e 42) resume toda a argumentação e justifica a conclusão que encerra o texto. Um período está ligado ao seguinte ou ao que o antecede por meio de recursos coesivos. Essas ligações observáveis na superficie do texto realizam de forma concreta as articulações necessárias para assegurar a coerência entre as idéias formuladas pelo redator. Identifique outras formas de se referir a ele. Nosso julgamento e nossa posição diante da informação vêm. promíscuo e violento (linhas 39 e 40). E preciso analisar: as opções adotadas estão funcionando no texto como um todo? As decisões se mantêm . b) Escreva um texto expositivo acerca de um autor de sua preferência. censuras podem vir explícitos ou implí 122 TÉCNICA DE REDA ÇÃO citos nos termos que escolhemos para constituir a coesão lexical. de modo que o nome próprio não seja utilizado mais de uma vez. Como também na linha 35. unia rede bem urdida de relações gramaticais e de significado. e) Sempre que estiver lendo um texto. como temos mostrado no desenvolvimento deste livro. para que a coesão textual garanta a fidelidade às idéias que quer apresentar. Capitulo 8 A reescrita de textos 1. onde o pronome demonstrativo disso está se referindo a tudo que se afirma no período anterior a ele. o pronome o se refere a Brasil. de maneira que se forme um tecido harmonioso. Assim. para estudo ou trabalho. podemos agregar alguma informação adicional. Ao revisar o texto produzido você terá a oportunidade de reconsiderar uma série de decisões tomadas no início da produção. A releitura como avaliação para a reescrita O texto exige diversas releituras para reescritura e revisão antes de ser considerado satisfatório.

articulada Muitas vezes. sem relação com o núcleo do texto. Não se escreve como se fala. nesse primeiro momento desprezamos a forma. Está de acordo com o objetivo estabelecido inicialmente? As idéias principais estão evidentes? Como já vimos. torna-se mais legível e de acordo com as exigências da língua padrão. de forma mais distanciada. a atenção se desloca para a forma mais adequada e para a melhor organizaç0 final dessas idéias A revisão normalmente feita pelo próprio autor do texto. construção do período. Portanto. As informações fornecidas são suficientes ou o texto ficou muito denso. trata-se de cortar e simplificar frases longas demais ou truncadas. adjetivos ou advérbios que pouco ou nada acrescentam ao texto. irmãos ou Companheiros É importante que um leitor dê sua opinião sobre o texto. Muitas vezes não há erro. os detalhes da superficie do texto. pronomes. “gorduras” enfim. Tentamos gerar idéias e organjz5 de forma coerente. divagações ou digres A REESCRITA DE TEXTOS sões. como se você não fosse o redator. formal ou informal A linguagem está adequada à situação? A opção escolhida tornou o texto harmonho 50 ou há oscilações súbitas e inadequadas à impesso dade ou subjetividade O posicionamento adotado corno predominante mantémse ou essa opção não ficou consistente flO texto? ao vocabulário As escolhas estão adequadas ou há repetições enfadonhas e pobreza vocabular? Algum termo pode ser substituído por expressão mais exata? Há clichês. Analise as decisões e a realização. quanto: ao leitor: inseri-lo no texto ou tratá-lo de forma neutra e distanciada. As vezes. A opção escolhida foi mantida durante todo o texto? O leitor que você tem em mente é atendido durante todo o texto? ao gênero de texto: que plano de escrita utilizar para a situação. mas ás vezes pode ser útil envolver colegas. tentando tomar o lugar do leitor. ou seja. Com isso. Algumas pessoas escrevem muito nos rascunhos. As pesquisas que analisam textos de exames vestibulares e provas discursivas de concursos públicos mostram que a maior freqüência de erros ocorre nesta ordem: pontuação. suprimir palavras. Falando. outras são mais sintéticas e precisam ampliar o texto na reescritura. Durante a reescrita. estabelecimento da coesão e vocabulário.ou há incoerências e descontinuidades? Consegue-se essa avaliação ao reler várias vezes o texto. embora a fala possa servir de base para o início da escrita. O formato é adequado à situação? As exigências referentes ao gênero foram respeitadas ou há ambigüidades e inconsistências? às informações: o que informar e o que considerar pressuposto. exigindo muito do leitor? A introdução de informações novas é bem realizada? Há informações irrelevantes que podem ser dispensadas? - 126 TÉCNICA DE REDAçÃO Há excesso de informação? Há informações incompletas ou confusas? As informações factuajs estão corres’ à linguagem. excesso de adjetivos expressões coloqujais inadequadas jargão profissional? às estruturas Sintáticas e gramatjcj5 O texto está correto quanto às exigêncj5 da língua padrão? As transições entre as idéias estão corretas e claras? Os conectivos são adequados às relações entre as idéias? A divisão de parágrafos corresponde às unidades de idéias? ao objetivo e à situação. Como alguns trechos devem ser riscados ou refeitos. comece por esses. professores pais. Estamos preocupados em captar o fluxo do pensamento e registr0 da maneira mais completa Possível. mas é preciso acrescentar elementos para criar ligações mais claras entre as diversas idéias do texto. no texto. acentuação. na primeira versão de um texto costuma mos prestar mais atenção à criaçãO das idéias. se você quer uma pista acerca dos pontos em que deve prestar mais atenção. As primeiras versões costumam trazer passagens distoan tes. nesse momento estamos também reestruturando a forma. frases feitas. . clara.

Os textos dissertatjvos informativos... Muitas vezes queremos adotar uma posição impessoal. Acreditava-se em uma diminuição dos impostos. científicos apresentam. Assim também expressões como: é necessário é urgente. aparen temente neutra.. Ela é muito útil quando queremos inserir uma informação da qual não sabemos a procedência exata. precisamos alcançar a maior exatidão possível. Vive-se esperando o aumento de preços. 19 Ocultar o agente A expressão é precisO serve a esse propósito de neutralidade.. 127 2.. por isso. Vejamos algumas delas. universal. a repetição desnecessária. objetiva.. Reconheço Minhas conclusões. A diretoria ordenou.. Fala-se muito em renovação dos quadros funcionais. a) Generali. é imprescindível são Utilizadas para ocultar o agente. Gramaticalmente há muitas maneiras de conseguir esse objetivo. um fenômeno. não se pode determinar com precisão quem realizou uma ação quando usamos a estrutura de sujeito indeterminado.. neutra.. É um recurso muito utilizado na administração pública e na política. acrescentar informações e corrigir outras.aro sujeito.. A releitura é imprescindível para o aperfeiçoamento do texto. os adjetivos e pronomes supérfluos. O nosso interlocutor está longe e. Vamos focalizar a seguir alguns aspectos que merecem atenção e que podem ser aperfeiçoados na reescrita. Nossas conclusões. os jogos de palavras. usar a passiva sem esclarecer seu agente é um recurso gramatical para impessoalizar a informação. Quem precisa? Quem necessita? Para quem é Urgente? Para quem é imprescindível? No podemos definir com clareza Tornase uma realidade geral. Tudo é dito como se fosse uma realidade que se apresenta sem intermediários e) Colocaram agente inanimado Uma outra maneira de impessoajizar o texto é colocar como agente um ser inanimado.. verbos conjugados em primeira e em terceira pessoa contribuem para que o diálogo se estabeleça entre autor e leitor de forma explícita. atenuando a dialogia e Ocultando o agente das ações. muitas vezes. d) Uso gramatical do sujeito indeterminado Como a própria nomenclatura indica. Na escrita não dispomos disso. na voz passiva esse agente pode estar oculto. evidente. Devemos..todos nós podemos a qualquer momento. e sempre que o nosso interlocutor quiser. uma instituição ou uma organizaç0 Quando escrevo frases como O Mjnjsí rio decidiu. Por meio dela podemos avaliar o funcionamento do texto e propor reformulações. colocandoo no plural Uma forma elegante de se distanciar relativamente da subjetividade é io agente. O governo protelou a responsabilidade em relação à ação está diluída e não se pode identificar claramente de onde ou de quem emanou a iniciati A REESCRITA DE TEXTOS 129 va. então. são menos subjetivas que Procurei demonstrar. O uso da primeira e da terceira pessoa do plural é a estratégia recomendada quando a intenção é atenuar a subjetividade da primeira pessoa sem adotar a neutralidade absoluta Frases como Procuramos demonstrar . Assim. expositivos. Os pesquisado reconhecem. eliminar os rodeios. A impessoalização do texto 128 TÉCNICA DE ftEDAÇÀO Nem sempre temos interesse em deixar expljcjtas a nossa voz e as diversas vozes que São trazidas para compor um texto. Veja o exemplo: . essa característica de ocultar o agente. e) O USO da voz passiva Enquanto na voz ativa temos um agente explícito. Um texto é pessoal e subjetivo quando pronomes pessoais e possessivos.

capiau. recebemos) 14. ostenta) 13. cafumango. jeca. canguaí. babeco. cambembe. Está sendo revelado ao mundo que o cérebro é um órgão mais fascinante. sustinha. bóia-fria. morador. sertanejo. (sentiu. baba quara. (É dono de. Tem muitos bens. obteve. capuava. tapiocano. (continha. pé-no-chão. catrumano. outros têm um sentido pejorativo associado à idéia de primitivo. capurreiro. sofre de. botocudo. (manter. matuto. capa-bode. trazia) 3. conseguiu. rústico. revelou. caipira. sitiano. Na cerimônia. curumba. (usufruir. conseguia. mandioqueiro. Teve uma forte emoção. caburé. conservar) 7. Quem realizou? Quem está revelando? A voz passiva oculta o agente. trazia) 15. desfrutar. abrigamos. arrolava) 10. deu prova de. vestia. Para não repetir essa mesma expressão. curau. (segurava. é necessário procurar outras opções. demonstrou) . restingueiro. capicongo. biriba ou biriva. caiçara. conquistou) 8. caboclo. e todas elas utilizam recursos e possibilidades presentes no sistema gramatical da língua. Você é um desses casos? A solução é ter paciência e esperar um pouco até que o “arquivo” mental processe o pedido e devolva uma série de possibilidades. mateiro. encerrava. (obtinha. agricultor campestre. cariazal. (dispõe de) 6. Não se satisfaça com a primeira opção que vem à cabeça. Algumas 130 TÉCNICA DE REDAÇÃO pessoas têm dificuldade na seleção da palavra certa. Ele tem uma doença contagiosa. casaca. (mostrou. (acolhemos. baiquara. Alguns termos enfatizam o trabalho ou a origem da pessoa. urumbeba ou urumbeva (Dicionário Aurélio Eletrônico). alcançou. bruaqueiro. para o campo semântico do verbo ter. chapadeiro. semterra. complexo e poderoso do que antes se imaginava. despertava. Imaginemos que você vai escrever um texto sobre trabalhadores rurais brasileiros de diversas regiões. Ainda tem recursos para a viagem. apresentava. agreste. maratimba. A escolha vai depender da análise dos objetivos do texto. 3. (trajava. (padece de. gozar) 4. é portador de) li. a questão lexical. Dessa lista ou paradigma é fácil eleger a palavra que mais combina com o contexto. (apresenta. tinha um belo terno. possui) 2. caapora. mixanga. campino. usava. adequado à situação e aos objetivos do redator. queijeiro. beira-corgo. ou seja. mocorongo. mano-juca. brocoió. Na seleção dos verbos. Não conseguia ter o poder por muito tempo. Não se pode ficar satisfeito com a primeira possibilidade que vem à A REESCRITA DE TEXTOS 131 mente. mostra. catatuá. Tem bom aspecto. que é mais exata para a idéia que se quer transmitir. guasca. beiradeiro. experimentou. talvez mais ricas e mais exatas: 1. é a escolha cuidadosa do vocabulário. em cada uma de suas acepções.Novas descobertas foram realizadas em centros de estudo e laboratórios ao redor do mundo. carregava. atraía. viveu) 12. Se você for ao dicionário ainda vai encontrar inúmeras expressões regionais como: araruama. Como vimos. pioca. rurícola. pois quase sempre é a mais pobre. mandi ou mandim. catimbó. provocava) 9. campesino. roceiro. sitiante. piraguara. Assim. pé-duro. groteiro. Tinha grande poder. baiano. em oposição à de civilizado. O documento tinha muitos argumentos. (ocupou. mucufo. pira quara. Tivemos em nossa casa um ilustre hóspede. conquistava. canguçu. o processo é semelhante. como: lavrador camponês. Teve um cargo de chefia. Tinha a admiração de todos. tabaréu. Uma seleção inadequada pode prejudicar o funcionamento do texto e causar efeito inverso ao que se deseja. Ele teve muita iniciativa. casacudo. há uma série de outras opções. mambira. Os funcionários esperam ter férias em julho. campesinho. casca-grossa. peão. saquarema. mixuango ou muxuango. há diversas maneiras de tornar o texto impessoal. exerceu. (detinha) 5. campeiro. vaqueiro. macaqueiro. Tinha as pastas de documentos nos braços. Uso do vocabulário Um dos pontos importantes para um texto bem estruturado. moqueta. camisão. O segredo do uso adequado do vocabulário é selecionar e combinar cuidadosamente.

DE TEXTOS Quadro 1: Elio Gaspari.. Evite esse tipo de linguagem complexa rebuscada. que fazem parte do jargão de uma determinada profissão.. Cidadãos conscientes têm amor á história. E necessário equiljj0 para assegur a clareza e a comuni cação Por iss0.. cheia de efeitos e palavras da moda. (devo. nClujr registr Consignar atribuir encon/. (recebeu. Fuja das expressões gastas. mas sem conteúdo definido ou consistente. que também é um verbo genérj0 depen dendo do contexto Pode ser substituído por: doa. Teve resposta positiva. tributam) 20. revelar cometer causar Soltar emitir publicar di/ gar realizar vender administrar aplicar ministrar proferi dedicar Consagrar Provocar rese. conta) 21. necessito) 132 TÉCNicA DE REDAÇÃO O verb0 da.. qualquer exagero pode levar ao lado Oposto.16. graças ao jornalista Walier Fontoura. ao reescrever COflVfl1 eliminar palavras muito tCnicas. Tenho a mesma opinião. cismar Sentir acontecer ou Outros Nosso léxico é muito rico e no devemos nos contentar com o mínimo Vale a pena investir na amp1iaç0 do fosso acervo individual para produzir textos melhores Entretanto. apenas impressionar o leitor. E uma versão melhorada de uma compilaçào surgida pela primeira vez há mais de 20 anos. recebeu) 19. (completou. mas certamente é divertida (para amigos do idioma) e útil (para os inimigos).. sigo.. (obteve. sofreu) 18. mas desta vez. inCI dir divisar avistar perceber bastar ser Suficie. dedicam. C?fl5 algumas adaptações.. Habitualmeitie a senhora distribui bolsas de estudo aos sábios da parolagem. Trata-se do Guia de Discurso para Tecnocro tas Principiantes Sua versão original teria sido publicada numa revista polonesa Fontoura teve acesso a uma tradução de autor desconhecido que vai publicada adiante. ofertar oferecer produ/. resultar ceder Conceder apresentar mani festa.. Teve a punição merecida. acato. Ele já tem 90 anos.. para todos.j5 Observe os quadro5 a seguir que ironizam a Iinguage Pedante da tecnocracia Você pode escolher aleatoriament um fragme0 de cada coluna e consegj formar uma frase gramaticalmente aceitável. aceito) 17. Nós enqua0 brasileiros 4 quest5.2te ter voca çào.ar render propor trazer Conte.. Talvez não seja coisa muito nova. e dispensar palavras e expressões supérfluas evitando redundâncias ou expressões vazias que procuram Clichés. preciso. devotam. Desde tempos i/nemo. 133 Madame Natasha tem horror a música Ela con fund bola de Taffarel com bolero de Ravel. O leitor pode combi na qualquer expressão . mas inconsistente em termos de informação objetiva A REES’JJ. (consagram. passa adiante o tratado do bláblá-bl . 4 nível de filosofia é importante. na revista Time. Tenho de falar. dos O sol nascei. (adoto.

um indispensável salto de qualidade. A utilização privilegia uma coligação segundo um módulo recuperando. assim de fomiação de de reformulaçào corno atitudes Jornal de Brasfl0 28. na medida em que isso seja factível. preventiva e não cada ato decisional. É fldansenfal a amimar dos divemos oferece uma boa dos nidice pretendidos ressaltar que resultados oportunidade de venfleação O incentivo ao avanço o início do prograin acan-era um processo das formas de ação. o novo modelo coninbui para das novas proposições estruniral aqui a correta preconi0 determinação A prática mostra que o desenvolvimento assume importantes das opções básicas para de formas distintas posiçõesun definição o sucesso do prograrun de atuação Nunca é demais a consiante divulgação facilita5 definição do nosso sistema de insistir. não omitindo ou calando. Segundo os autore5. 3. não assumido nunca como implícito. A necessidade se caracteriza por uma correta relação no interesse substanciando e numa ótica a transparência de emergente entre estrutura e primário da vitalizando. Estrutura dos períodos . O modelo de desenvolvimento incrementa o redirecionamento das linhas de tendência em ato para além das contradições e dificuldades iniciais. O novo tema social propicia o incorporamento das funções e a descentralização decisional numa visão orgânica e não totalizante. a cavaleiro da situação contingente. sem dizer coisa nenhuma. A REESCRITA DE TEXTOS 135 4. mas antes particularizando. 2. O método participativo propõe-se a o reconhecimento da demanda não satisfeita mediante mecanismos da participação. 6. a adoçào de uma metodologia diferenciada. ativando e implementando. condicionante. A e5periôncia a consolidação das prejudica a pereepçào das condições mosa que estmiaras da impocia apropfia para os negócios. a expansão de nossa exige a precisão e a dos conceitos de atividade definição Participação geral. i MANUAL DE TECNOMISIIFÍCAÇAU i estudos efetuados essencial na financeiras e formulação adnijmst ivas Assim mesmo. em termos de eficácia e eficiência. As variações possíveis sO cerca de 10 mil. 5. para uma práxis de trabalho dr grupo. ou como sua premissa uma congruente potencial orgânica de interdependência antes revalorizando. 3 e 4. com as devidas e imprescindíveis enfatizações. no contexto de um sistema integrado. 1998. 4. uma vez que das informações formação de quadros. na ordem 1. Quadro 2 COLUNA A COLUNA B COLUNAC COLUNA D COLUNA E — COLUNA F COLUNA G 1. tecnologico.a da auxilia a preparação das atitudes e das esquecer que organização e a estruturação atribuições da diretoria Do mesmo modo. das demais. O cntério metodológico reconduz a sínteses a pontual correspondência entre objetivos e recursos com critérios nãodirigísticos. potenciando e incrementando. evidenciando e explicitando. o aplainamento de discrepmncias e discrasias existentes. Não podemos a atual estnjs. mais curativa.lisiada na primeira coluna i com outras. permite ao empulhador que fale ininterruptamente por mais de 40 horas. indispensável e flexibilidade das interdisciplinar horizontal. superestrutura população. estruturas. 7. a redefinição de uma nova figura profissional.jun. o coenvolvimento ativo de operadores e utentes. O quadro normativo prefigura a superação de cada obstáculo e/ou resistência passiva sem prejudicar o atual nível das contribuições. 2.

Ela não serve apenas para marcar pausas ou momentos de respiração. de dar ênfase a um tópico. mas apenas provocar algumas reflexões. fora da ordem direta.’iagem. procure identificar as relações sintáticas para observar se há concordância entre os termos das orações e se a pontuação está correta. Se você aceitar a sugestão e voltar às gramáticas ou aos livros didáticos para uma revisão de sintaxe. E geralmente preferível a ordem direta: sujeito + predicado + complementos Na construção dos períodos. coordenadas sem conjunção — O livro. adverbiais: Quando chegar o dia do exame. as diversas formas de elaborar uma idéia. ordenando-os de forma lógica. o . estarei pronto. disseram os alunos. É preciso memorizar que não se usa vírgula entre o sujeito e o predicado. ou seja. é bom. está caro. E principalmente um fator sintático. ou seja. A pontuação é um dos principais problemas dos textos e ela depende de um conhecimento mínimo de análise sintática. Como nosso objetivo aqui não é oferecer uma revisão gramatical. e) Separar enumerações: Escrevi cartas. por exemplo. Observe este exemplo retirado de um rascunho de documento pedagógico: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste em tomar a linguagem como atividade discursiva. Em textos expositivos. Quanto mais extenso for o período. que dificultam a compreensão do leitor. Quando o redator não consegue dividir adequadamente as idéias em períodos distintos. como se acredita no senso comum. já que une e separa elementos de uma oração. Sempre que estiver reescrevendo seu texto.Aspecto decisivo para a reescrita de textos é a avaliação da construção dos períodos. dissertativos ou argumentativos. convém evitar orações intercaladas muito longas. que é uma fonte imprescindível de informações. ágeis. aliás. pareceres. acumula informações de forma densa e complexa.foi aprovado no concurso público. maior será a possibilidade de se perder o controle da sua elaboração e cometer impropriedades estruturais. dificultando a interpretação do leitor. relatórios e monografias. d) Expressões intercaladas: isto é. o aluno mais estudioso. oficios.4 REESCRITA DE TEXTOS 137 Observação: as adjetivas restritivas não aceitam vírgula: O livro que o professor sugeriu é bom. de provocar uma interpretação. Este é o grande defeito do ensino escolar: desvincular a análise sintática da produção de textos. esperamos que tenham uma boa I. A ausência de ponto final também constitui um problema de sintaxe. E necessário observar cuidadosamente a sintaxe da oração: Sujeito Predicado e complementos Com o qual o erbo concorda Paulo entregou o texto a Joana ontem na sala subitamente. ou melhor etc. objeto direto + objeto indireto + Quando? Onde? Por quê? Como? Com quê? Nenhum desses elementos pode estar separado do outro por vírgula. Esqueça aquele desespero ao decorar classificações para preencher exercícios ou testes e procure entender o funcionamento lógico da frase e seus efeitos de sentido junto ao leitor. sugerimos que você volte aos seus livros de língua portuguesa e tente se aproximar dos capítulos de sintaxe com outros olhos. 5. É correto utilizar a vírgula para: a) Separar o vocativo: Senhoras e senhores. e) Separar orações intercaladas ou não. a não ser que esteja em posição invertida. nem entre o predicado e seus complementos. Cada uma das possibilidades sintáticas constitui uma maneira diferente de transmitir uma posição. . memorandos. A pontuação A vírgula é a principal dúvida de todos os redatores. b) Separar o aposto explicativo: Pedro. com o objetivo de construir períodos melhores em seus textos. procure analisar 136 TÉCNICA DE REDAÇÃO as possibilidades da língua. adjetivas explicativas: O livro. os recursos disponíveis. as frases devem ser curtas.

NAMORE AS PALAVRAS. DUVIDE SEMPRE DA GRAFIA DE SÍLABAS COMPLEXAS. acento. nascer. de maneira crítica e autônoma. deslizar. FOCALIZE SUA ATENÇÃO NOS PONTOS EM QUE AINDA TEM PROBLEMA. epor meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. RS: perspectiva.texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas á coerência e à coesão textual. SEPARE AS SÍLABAS DE PALAVRAS NOVAS. 6. como nos concursos. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. viagem. mas a decisão final é ainda do redator. E. oficializadas por segmentos como Academias de Letras. Observe que não há problemas de concordância. vazio. FAÇA PALAVRAS CRUZADAS NAS HORAS VAGAS. superstição. escreva sem olhar para o texto original e depois confira. ensaio. flanela. SIZ: riqueza. proclama. Não podemos individualmente modificar a ortografia conforme nossa preferência. crescer. flandre. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. analisar. e por meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. da aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos que possibilitem a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. a aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos. o texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas à coerência e à coesão textual. acentuação. A questão da ortografia A ortografia das palavras é uma convenção que envolve decisões coletivas e históricas. açúcar. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. que podem ser solucionados pela divisão em períodos menores e uma adequada colocação de pontos finais. PRI BL/CL/FL/DR: problema. Portanto. Hoje. Alguns procedimentos podem ajudá-lo a melhorar seu desempenho em relação à ortografia: A REESCRITA DE TEXTOS 139 LEIA MUITO. falar. Sempre que encontrar uma palavra dificil ou nova para você. Entretanto. As principais dificuldades de grafia das palavras em português são decorrentes das muitas representações gráficas para um mesmo som ou dos encontros de consoantes: SS/C/S/Ç/SCIX: assunto. alterar o sentido original. baixeza. sem. J/G: viajem (verbo). Identifique quais são os seus problemas mais freqüentes e concentre seu esforço e sua atenção sobre esses casos. CONSULTE O DICIONÁRIO SEMPRE QUE TIVER DÚVIDA. instituições de ensino. contudo. À medida que se escreve. A divisão em períodos menores. Essas ocorrências exigem maior atenção. Esses conhecimentos possibilitam a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. visor. A língua portuguesa oferece muitas dificuldades ortográficas. Entretanto. SOLETRE. pesquisadores. A dúvida é natural mesmo para quem escreve todos os dias e vive de escrever. permitindo. o texto oferece dificuldade de leitura por prolongar-se excessivamente. É impossível ter certeza . incorreções e palavras inexistentes. X/CH: ficha. O melhor e mais seguro é consultar o dicionário muitas vezes até memorizar a ortografia da palavra. fecho. exceção. ortografia. nem sempre podemos usar o computador. Podemos dizer que há problemas de sintaxe e de estilo. interstício. escrevemos de forma manuscrita e sem possibilidade de consulta ao dicionário. Tal procedimento permite. PEÇA A ALGUM PROFESSOR PARA DIAGNOSTICAR SUAS DIFICULDADES. ler e escrever. muitas vezes. leia-a várias vezes em voz alta para gravar o som. falar. as necessárias adaptações sintáticas e a pontuação transformaram o texto de forma a facilitar a leitura. uma grande parcela dessas dificuldades se resolve pelo uso do computador. puxar. máximo. ler e escrever de maneira crítica e autónoma. análise. o programa aponta dúvidas. Vejamos: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste etn tomar a linguagem como atividade discursiva. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. por meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos orais. por 138 TÉCNICA DE REDAÇÃO meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos ora is. publicações e leis. o melhor é criar familiaridade com as palavras. estender. atraso. LEIA PRESTANDO ATENÇÃO NA GRAFIA.

José entregou o livro a ela.absoluta da grafia correta de todas as palavras da língua. quando em seguida a esses verbos há uma palavra feminina que admite artigo feminino a. 142 TÉCNiCA DE REDAÇÃO ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NO APERFE1ÇOA0 DO TEXTO ASPECTOS TEXTUAiS S Sintaxe de Construção Reescrever obsersando. como: à altura à escolha à margem de à bala à espera à medida que à base de à esquerda à página 10 à beça à força à parte à beira de à francesa à primeira vista à caça à luz à procura à direita à maneira de à proporção que à disposição à mão (escrever) à razão de à entrada à mão (estar) à tinta à época à máquina (escrever) Acostume-se a tirar dúvidas sempre que elas aparecem. Em todos estes exemplos a é preposição José entregou o livro ao amigo. mim. O uso do sinal indicativo de crase Muitas Pessoas acreditam que é impossível compreender o funcionamento da crase. e até escritores prestigiados têm dúvidas e vão ao dicionário a todo momento Quem tem vergonha de demonstrar dúvida e de dicionário. José entregou o livro a quem pediu. Observe uma tabela de avaliação de textos que sintetiza as questões referentes à qualidade textual e pode servir de roteiro para sua própria releitura. pronomes pessoais: ela. adequação dos co- . José entregou o livro à professo.a Não se usa sinal indicativo de crase antes de verbo palavra masculina. 7.. este. A acentuação gráfica também merece atenção especial. você consolida sua intimidade com a língua escrita e as infinitas possibilidades de expressão. Não se usa crase também em expressões como: cara a cara de alto a baixo de baixo a cima de fora a fora dia a dia face a face frente a frente gota a gota Muitas expressões exigem sinal indicativo de crase. porque essas palavras nunca são antecedidas por artigo feminino. corre muito mais risco de errar. Mas é relativamente simples Alguns verbos transitivos indiretos exigem o uso de uma preposição a. pronomes indefinidos. alguém. Sugerimo5 que o redator tenha à mão um cartão plastificado com o resumo das regras para Consulta diária. A REESCRITA DE TEXTOS 141 José entregou o livro a correr José entregou o livro a esse homem. mas essa é facilmente resolvida com o treino. pois quem o consulta com freqüênj tem realmente mais familiaridade com os fatos da língua. Saiba que revisores profissionais têm ao alcance da mão muitos livros de 140 TÉCNiCA DE REDAÇÃO consulta. quem. Assim. pronomes demonstrativos: esse. A memorização vem com o uso. os dois as se encontram e acontece a crase: José entregou o livro a > a professora recebeu o livro. apelidado indevjdainen te de “pai dos burros”. a consulta constante às regras e a atenção na hora de escrever e de revisar. Deveríamos chamar o dicjonáijo de “pai dos sábios”.

Curso rápido de redação e revisão gramatical. pois chegou até aqui. tenham desvelado novos horizontes para você. De qualquer forma. Papirus. Como vimos. BARBOSA. Entretanto. (1993) Curso de redação. Indicado para quem quer avançar rapidamente nas reflexões e na prática sobre a produção de textos. Cxpressões Coloquiaiç clichê5. uma aventura lúdica. O objeto desse jogo é a língua. Fácil. Procurei traduzir conceitos muito sofisticados em linguagem quase informal. Pode ser utilizado sem ajuda presencial. pode se transformar em um jogo. O interesse pela linguagem. há sempre uma margem de incerteza. enriquecedora e prazerosa. Queira sempre mais. A REESCRITA DE TEXTOS 143 CARTA AO LEITOR Brasília. e no grau que desejava. corrigir / fragnient5ç0 e truncamento de idéias.it0 Coesão e coerência Reescrever obsers ando. vai continuar pela vida afora.1 nectis e palavras de relação. especificar generaIijaç5 articular as relações lógicas entre as idéias por meio de conectjso5 utilizar argumen_ los adequados. Quem buscava uma fórmula infalível e definitiva pode estar se sentindo frustrado ou atordoado. Afinal. Meu amigo leitor Suponho que você esteja realmente interessado em aperfeiçoar sua habilidade em produzir textos. gratficantes e. é o resultado de muito trabalho com a linguagem. distinguir a idéia central. houve muito crescimento. Severino Antônio & AMARAL. escrever bem. eliminar repetições. David W. evi ta acúmulo de idéias num mesmo período. São Paulo. Obra teórico-prática muito agradável que. Atica. Campinas. não é uma iluminação divina. Mas relaxe. sobretudo. Antônio Suárez. Observar estruturas peculiares ASPECTOS GRA1ATICAIS E FORMAIS /iadei:s parágrafo Evidenciar maiúsculas O Corrigir conforme dicionário Corrigir conforme as regras. na qual estamos totalmente imersos. Escrever ler e compreender os infinitos matizes da linguagem são formas muito especiais de felicidade que nossa cultura nos proporciona. que vai dos processos de desenvolvimento da criatividade ao aperfeiçoamento da apresentação do pensamento lógico. eliminar idéias incompatível5 sem importância para o desenvolvimeni da idéia central. P Paragrafo Agrupar ideias complementares ou depen dentes Distribuir idéias por parágrafos di ferentes Escrever transição entre parágrafos G Gênero Nlanter o fom conforme o gênero. pelo menos para as necessidades práticas. pois. súbita. e somente você. Emilia. São Paulo. leva o leitor a se tornar mais crítico e . si. de frases e períodos construir Paralelism. desfa ze ambigüi55 V Vocabulário Eliminar ou substituir palavras repetida5 Utilizar paIara mais adequada Eliminar gíria. Evitar mudanças ifljustificgv5 de nível. Se é que não começou pelo final. Lucília -. é acessível a todos. Pt Pontuação Retirar acrescentar OU modificar. tem a respostapara minha dúvida. por meio de explicações e exercícios. como eu gosto de fazer algumas vezes. leve. E é preciso lembrar que o trabalho com a leitura e a escrita é ininterrupto. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia às ciências humanas. Bibliografia comentada de apoio ao aluno ABREU. Curso rápido e completo de redação. além de fortalecer seu equipamento essencial de participação na sociedade. Pioneira. na escrita. pode ser utilizado sem ajuda. março de 2000. O que signfica que você continuará crescendo sempre. ou seja. leitor. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. O que leva tempo e exige paciência. LE Concordância Corrigir conforme justificativa gramatic catíticaI/ Caso VOC Seja professor pode usar as letras da primeira coluna como indicações nas margens dos textos de seus alunos. mesmo sendo uma tarefa complexa e prolongada. espero que a leitura e os exercícios propostos tenham sido estimulantes. mas não tenho muita segurança se consegui isso. Não se contente em usufruir apenas o que a distribuição perversa do capital simbólico na nossa sociedade nos concede. se você se empenhou verdadeiramente. CARRAHER.

Napoleão M. São Paulo. Pode ser usado como manual para cursos de redação ou individualmente. (1991) Manual de redação da Presidência da República. BECHARA. (1994) Coesão e coerência em narrativas escolares. CAVALCANTI. (1983) Manual de expressão oral e escrita. (1999) Atividade de linguagem. São Paulo. São Paulo.. Bibliografia para aprofundamento ABREU. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. (1999) Inventário das sombras. à qual todas as Outras produzidas no Drasil se repoam no que diz respeito à produção de textos Embora não utilize conceitos modernos da lingüjstj textual. sem ajuda presencial de um professor. C. Ótimo curso completo de produção de texto para estudantes universi tários e outros interessados. Porto Alegre. Evanildo. M. BRONCKART. Robert. Lindley L. K. BLINKSTEIN. . sim. Apresenta excelente reflexão sobre questões lingüísticas e muitos exercícios práticos de leitura e produção de textos. A. Atica. C. Pode ser útil para trabalhos escritos disseativos VIANA. BARBOSA. M. descrever os usos reais e atuais da língua nas diversas circunstâncias. 146 TÉCNiCA DE REDAÇÃO GÁRCIÁ Otlio0 M. Imprensa Nacional. L. Martins Fontes. Mattoso. Não é de fácil consulta para iniciantes que querem tirar dúvidas práticas de gramática. BASTOS. Record. Martins Fontes. que não pretende estabelecer normas rígidas. (1930) Estética da criação verbal. 1992. A. (1992)Prática de texto: língua portuguesa para nossos estudantes. 1981. pois é organ1a0 a pair de verbetes em ordem alfabética Assim como um bom dicionário. São Paulo. Nova Fronteira. L. (1986) Os cientistas precisam escrever. Cristóvão. Severino Antônio & AMARAL. Globo. Vozes. David W. sor. mas. Jean-Paul. CUNHA. L. já os antecipava por meio de uma observação aguda do funcionamento dos textos literários Indispensável para todos que querem se aprofdar nas questõe5 da escrita em língua POrtugue MARTINS Eduardo (org) (1997) O Estado de S. FARACO. Opressão? Liberdade? São Paulo. Pau/o Jllanjja/de redaç o e estilo São Paulo. T. (1995) Nova gramática do português contemporáneo. Paulo/Moderna Manual de Consulta rápida para solucionar dúvidas de escrita da língua Pougues padrão Muito útil e fácil de usar sem ajuda do profes. Curso de redação em duas panes uma para o aluno e outra para o professor. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia ás ciências humanas.) e outros (1998) Roteiro de redação Lendo e argwnenta 00 São Paulo Scipione Curso de redação completo com muitos textos para leitura e exercí. Queiroz. ______ & MATTOS. (1985) Ensino da gramática. Pode ser utilizado como manual de curso ou como roteiro indiyi dual de trabalho. São Paulo. Atica. Ática Excelente coletânea de textos comentados e analisados segundo os princípios mais atuais da lingüístj Fácil in(eres5te e pode ser utilizado individualmente. Vozes. Pioneira. (1986) Co0j ão enj prosa ‘noderna Rio de Janeiro. textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. BAKHTIN. São Paulo. Papirus. Petrópolis. M. CO5. CALKINS. Trata-se de uma gramática moderna. (org. Fundação Getá lio Vargas. Atica. Carlos Alberto & TEZZA. São Paulo. o capítulo a respeito da organizaç0 das idéias é muito interes sante. Artes Médicas. (1986) A produção escrita e a gramática. Unicamp. CAMARA Jr. Celso & CENTRA. (1989) A arte de ensinar a escrever. Hucitec. BARRAS. ALMEIDA. Educ. de (1998) Dicionário de questões vernáculas. (1930) Marxismo e filosofia da linguagem. deve estar sempre á mão do redator. (1989) Curso de redação. PLATAO F. Izidoro. São Paulo.reflexivo em relação às informações disponíveis na sociedade. como pode ser um manual de curso SERAFINI Mafla Teresa. Martins Fontes. (1989) Como escrever textos São Paulo. São Paulo. São Paulo. Campinas. Campinas. Obra Clássica. o Estado de S. J. CARRAHER. Emília. Petrópolis. Ática. (1989) Interação leitor-texto: aspectos de interpretação pragmática. BRASIL. 148 TÉCNICA DE REDAÇÃO CASTELLO. & FIORIN J. José. Rio de Janeiro. Antônio Suárez. Brasília. São Paulo. (1995) Técnicas de comunicação escrita. F. M. A. (1997) Lições de texto: leitura e redação São Paulo.

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