TÉCNICA DE REDAÇÃO

O que é preciso saber para bem escrever Lucília Helena do Carmo Garcez

Martins Fontes
São Paulo 2004 /

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Copyright © 2001, Lirraria Mar rins Fontes Editora Ltda., São Paulo, pata a presente edição. l edição abril de 2001 2 edição agosto de 2004 Revisão gráfica Mar ia Luiza Farret Célia Regina Cantargo Produção gráfica Gera/do Ai: es Paginação/Fotolitos Studio 3 Desenvolvimento Editorial Dados beternacionais de Catalogação na Publicação (CW) (Câmara Brasileira do Livro. SP, Brasil) Garcez, Lucília Helena do Carmo Técnica de redação o que é preciso saber para bem escrever / Lucfl/a Helena do Carmo Garcez. — 2 cd. — São Paulo Martins Fontes. 2004. (Ferramentas) Bibliografia. ISBN 85-336-2038-1 1. Redação (L/teratura) 2. Redação técnica!. Título. II. Série. 04-5414 CDD-808.066 Índices para catálogo sistemático: 1. Redação técnica 808.066 2. Textos : Produção: Redação 808.066 Todos os direitos desta edição para a língua portuguesa reservados à Livraria Martinn Fontes Editora Lida,

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Índice
Introdução xiii Capítulo 1 Os mitos que cercam o ato de escrever 1
. —

1. Verdades e mentiras 1 2. Reconsiderando crenças 10 3. Novas atitudes em relação à escrita 11 4. Prática de escrita 11 Capítulo 2— Como escrevemos 13 1. Outras visões acerca do ato de escrever 13 2. A escrita como processo 14 3. Conhecendo melhor o processo de escrita 20 4. Novos procedimentos na escrita 21 5. Prática de escrita 21 Capítulo 3 — A qualidade da leitura 23 l.Oqueéleitura 23 2. Recursos para uma leitura mais produtiva 27 3. Os tipos de leitura e seus objetivos 29 4. Procedimentos estratégicos de leitura 30 5. Conhecendo melhor o processo de leitura 45 6. Prática de leitura 45 Capítulo 4 — Da leitura para a escrita 47 1. O trabalho com a memória 47

2. Resumos, esquemas e paráfrases 49 3. Conservando e reutilizando o que foi lido 59 4. Prática de síntese 59 Capítulo 5 — Decisões preliminares sobre o texto a produzir 61 1. Tomando decisões 61 2. Funções da linguagem 61 3. Decisões em relação às estruturas lingüísticas 72 4. Gênero e tipo de texto 79 5. Decisões orientadoras 84 6. Prática de tomada de decisões 84 Capítulo 6 — A ordem das idéias 87 1. A concepção das idéias 87 2. Das anotações para o texto 94 3. A organização das idéias 97 4. Da concepção à organização das idéias 109 5. Prática de organização 110 Capítulo 7 — O entrelaçamento das idéias 111 1. O tecido aparente do texto lii 2. Mecanismos de coesão textual 112 3. Problemas decorrentes da ausência de coesão 115 4. Entrelaçando as idéias 122 5. Prática de entrelaçamento 123 Capítulo 8 — A reescrita de textos 125 1. A releitura como avaliação para a reescrita 125 2. A impessoalização do texto 127 3. Uso do vocabulário 129 4. Estrutura dos períodos 135 5. A pontuação 136 6. A questão da ortografia 138 7. O uso do sinal indicativo de crase 140 Carta ao leitor 143 Bibliografia comentada de apoio ao aluno 145 Bibliografia para aprofundamento 147

“O escrever n0 tem rim» Scribendi Fedro Fábulas

Para Adriana, Cristina, Fabiana, Gabriel e Ana Flávia. AGRADECIMENTOS A Lígia Cademartori, pela confiança e pelas sugestões; Balthar, pelo estímulo solidário; Maria Luiza Corôa, pela parceria e pelos comentários; e aos professores/alunos, que tanto contribuíram durante estas reflexões.

Introdução
Produzir textos é uma atividade extremamente necessária tanto na vida escolar como na vida profissional e no dia-a-dia. Entretanto, no meu cotidiano docente, tenho encontrado alunos, jovens e adultos já formados, ansiosos, assustados, desencorajados, e, principalmente, desorientados quanto às habilidades e atitudes necessárias ao convívio mais natural e simples com a escrita. Percebi que muitas dessas posições negativas em relação ao ato de escrever haviam sido lentamente construídas ao longo da história escolar de cada um e que provinham de um desconhecimento da natureza, das especificidades e das exigências da escrita. Estimulada por alunos e colegas, decidi organizar as reflexões desenvolvidas ao longo de muitos anos de trabalho. Não quis produzir um tratado acadêmico acerca de redação, nem um livro didático, no sentido usual desse manual escolar, nem também um livro de exercícios impessoais de treinamento (pois há muitos, e bons, no mercado). Parti, então, das observações anotadas durante cursos e conversas com alunos (professores e futuros professores) da universidade, das minhas pesquisas em lingüística, de meu interesse por depoimentos de escritores, e de minhas próprias experiências como pessoa que escreve. Sempre acreditei que para ensinar a escrever era necessário viver intensamente o desafio da minha própria escrita. Adoto a vertente teórica que vê a língua, não apenas como uma herança social, mas como uma forma de ação, um modo de vida social, uma construção coletiva. A interação verbal e as relações coletivas e sociais constitutivas do jogo da linguagem, como elementos fundamentais que se conjugam na construção da língua, exercem sobre mim um fascínio que dá sentido à existência. Assim, não posso focalizar a produção de textos restrita a um conjunto limitado de regras que podem ser repassadas, memorizadas e aplicadas sem a participação e interferência do sujeito. Esse é o agente de uma ação intencional e estratégica sobre o interlocutor ou sobre o mundo, que constrói realidades e interpretações, numa determinada situação cultural. Procurei, neste livro, desmitificar, desconstruir idéias equivocadas, provocar uma mudança de atitude em relação ao ato de escrever e, conseqüentemente, ao de ler. Não proponho tarefas que se esgotam em si mesmas, mas procuro abrir novos horizontes para uma prática contínua e sempre enriquecedora do universo lingüístico, da auto-estima e da atividade intelectual do leitor. Escrevi este livro para quem está pessoalmente interessado em renovar suas próprias práticas de escrita, mas penso que professores que trabalham com o ensino de redação em qualquer nível são interlocutores bem-vindos às reflexões que proponho. A autora XIV
TÉCNICA DE REDAÇÃO

Capítulo 1

Os mitos que cercam o ato de escrever
1. Verdades e mentiras

É preciso. um ato espontâneo que não exige empenho. entrega os pontos num assunto que sente que é capaz de. você deve ter cristalizado alguns mitos a respeito da produção de textos. tanto na história humana como na história de cada indivíduo. apanhei. e muitos passam por etapas semelhantes aos redatores leigos. uma questão que se resolve com algumas “dicas”. Para gostar de ler. Mas quando a gente joga a toalha.Durante sua vida escolar. Ninguém nasce escritor e o processo que transforma alguém em um artista da palavra é ainda um enigma. Escrevi uma história. com uns consertos aqui e ali. Consertei. fica infeliz. 2 TÉCNICA DE REDAÇÃO a) Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas pessoas têm “Eu não tenho o dom da escrita. a importância que o texto escrito tem para nós e para nosso grupo social. levantei até que um dia escrevi uma história que quando li de cabe ça fria. As atividades escolares e os livros didáticos. O que vai determinar o nosso grau de familiaridade com a escrita é o modo como aprendemos a escrever. Eu estava descobrindo que ler é milito mais fácil do que escrever. Voltei a tentar. qual seria o papel da escola? E o que aconteceria com aqueles que. Caso a escrita fosse um dom inato. Conseqüentemente. que são os que levam alguém a acreditar que escrever seria um dom que poucas pessoas têm. coletiva. todos podem escrever bem. a intensidade do convívio estabelecido com o texto escrito e a freqüência com que escrevemos. admitiu que até mesmo o talento. não consegui da primeira OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER vez. A noção de dom. Mesmo assim. antes de tudo. e desanimei. renomado autor brasileiro. E o seu caso? Se não for. vamos usar alguns depoimentos e exemplos de escritores porque neles a luta com as palavras é muito evidente.” “Não recebi esse talento quando nasci. bem como alguns professores. mas aqui vamos refletir acerca dos mais devastadores. nem sempre as mais adequadas. pais. um ato autônomo. Vol. p. contribuíram para que crenças. fossem se configurando e se enraizassem.” “Não fui escolhido. embora polêmica e questionável. 4 ed. a revelação desses gênios só acontece depois do processo de aprendizagem e do convívio intenso com a língua escrita. os mitos mais freqüentes em relação à escrita? Há muitos. Poucas pessoas conseguem escapar de um conjunto equivocado de influências e construir uma relação realmente saudável com o ato de escrever. você é uma exceção. Veiga. aqui. desligado da leitura. achei que não estava ruim. A escrita é uma construção social. e acaba voltando à luta. Quando resolvi experimentar escrever. que amadureceu devagar. são lições para o futuro. poderia ser aplicada a alguns poucos gênios da literatura. Dessa forma. muitos jovens crescem pensando que nunca serão bons redatores. que têm texto péssimo e que não há formas de melhorar o desempenho na produção de textos.fazer. nessa batalha permanente.” Essas são algumas das afirmações mais freqüentes entre alunos de cursos de produção de textos. colegas. Entretanto. e gostei do resultado. bloqueados diante da página em branco. desvinculado das práticas sociais. a vocação ou o dom dependem de muita persistência: Como começou a escrever? Foi um processo demorado. Mas é uma batalha curiosa: as derrotas que a gente sofre nela não são derrotas. 1988. são esses fatores que vão definir também nossa maturidade e nosso desempenho na produção de textos. pois até mesmo profissionais maduros demonstram insegurança em relação à própria expressão escrita. algo desnecessário no mundo moderno. caí. um ato isolado. O aprendiz precisa das outras pessoas para começar e para continuar escrevendo. Animado.. Embora seja uma das tarefas mais complexas que as pessoas chegam a executar na vida. da escrita literária. 8. nunca foram alfabetizados? José J. 7. compreender que todas as pessoas podem chegar a produzir bons . ela ficaria apresentável. escrevi outras e outras histórias. principalmente porque exige envolvimento pessoal e revelação de características do sujeito. Quais são as falsas crenças. São Paulo: Editora Atica. tendo recebido o dom. E claro que não estamos tratando. não gostei.

à língua e suas possibilida 3 4 TÉCNICA DE REDAÇÃO des estilísticas. Eu desbasto o texto. E necessário também identificar bloqueios porventura construídos ao longo da vida escolar e tentar eliminá-los. sem o menor esforço. muitas vezes. eu pouco. amor e conflito em relação às palavras é apresentada de maneira extraordinária: OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER O LUTADOR 5 Lutar com palavras é a luta mais vã. Mas lúcido e frio. que nós. sem a menor dificuldade. E necessário que o redator utilize simultaneamente seus conhecimentos relativos ao assunto que quer tratar. escrever não é fácil e. Não me julgo louco. Aí você descobre que a linguagem é tosca. Portanto. 8. quando quer pôr aquilo no papel. Por que o senhor reescreve? — Epor conta de uma grande insatisfação. Veiga. ao gênero adequado. Folha deS. A agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos envolvidos na escrita sejam articulados. insatisfatório. até visualiza. Escrever é uma das atividades mais complexas que o ser humano pode realizar. mas mesmo esses testemunham que é um trabalho exigente. Não acompanha o que você quer fazer. Não é assim. e que é. Deixam-se enlaçar. Eu me vigio muito para não fazer aquilo que em linguagem popular se diz “encher lingüiça “. de Carlos Drummond de Andrade. escrever é incompatível com a preguiça. principalmente. Sempre queremos um texto ainda melhor do que o que chegamos a produzir e poucas vezes conseguimos manter na linguagem escrita todas as sutilezas da percepção original acerca de um fato ou um pensamento. trabalhando. harmonizados de forma que o texto seja bem sucedido. Entanto lutamos mal rompe a manhã. Paulo. O que admiramos na literatura é justamente essa especificidade. São muitas. significados. l7jun. aos possíveis leitores. 1999. sensações. já clássico. b) Escrever é um ato que exige empenho e trabalho e não um fenômeno espontâneo Muitas pessoas acreditam que aqueles que redigem com desenvoltura executam essa tarefa como quem respira. São Paulo. frustrante. à situação em que o texto é produzido. em que essa relação de necessidade. Continuemos com o depoimento de José J. Vocé imagina as coisas. tão substantiva? — É. agora em uma outra entrevista: O senhor é muito conhecido por reescrever incessantemente seus textos. apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. Então você fica trabalhando. A tarefa pode ir ficando paulatinamente mais fácil para profissionais que escrevem muito. Conhecimentos de natureza diversa são acessados para que o texto tome forma. coordenados. não conseguimos traduzir com propriedade. tem que usar a linguagem. a essência. Tiro o bagaço para deixar apenas o que tem peso. p. — Por isso a linguagem do senhor é tão seca. Algumas. leigos. considere o poema. Se o fosse. essa possibilidade de expandir pela palavra escrita emoções. Faz rigorosas exigências à memória e ao raciocínio. tão fortes como o javali.textos. cansativo. tontas à carícia e súbito fogem e não há ameaça e nem há sevícia . Para refletir sobre estas questões. mas. todos os dias. teria poder de encantá-las. para chegar o mais próximo possível. Folha Ilustrada. e que isso não é uma questão de ser “ungido” pelos deuses que escolhem os mais talentosos. pensamentos.

que as traga de novo ao centro da praça. palavra (digo exasperado). Não encontro vestes. é fluido inimigo que me dobra os músculos e ri-se das normas da boa peleja. luto. outra sua glória feita de mistério.. Não têm carne e sangue. Carlos Drummond de Andrade e) Escrever exige estudo sério e não é uma competência que se forma com algumas “dicas” A idéia de que algumas indicações e truques rápidos de última hora podem solucionar problemas de produção de tex tos tanto para candidatos a concursos como para profissionais . não seguro formas. e um sapiente amor me ensina a fruir de cada palavra a essência captada. outra seu desdém. Busco persuadi-las. Na voz. o sutil queixume. Ser-lhes-ei escravo de rara humildade. Mas ai! é o instante de entreabrir os olhos: entre beijo e boca. O teu rosto belo. solerte. aceito o combate. Palavra. sem maior proveito que o da caça ao vento. Tarnanha paixão e nenhum pecúlio. Insisto. Já vejo palavras em coro submisso. outra seu ciúme. O ciclo do dia ora se consuma e o inútil duelo jamais se resolve. esta me ofertando seu velho calor. iludo-me às vezes. se me desafias. ó palavra. Entretanto. perpassam levíssimas e viram-me o rosto. tudo se evapora. Luto corpo a corpo. Cerradas as portas. Preferes o amor de uma posse impura e que venha o gozo da maior tontura. Guardarei sigilo de nosso comércio. a luta prossegue nas ruas do sono. sem roteiro de unha ou marca de dente nessa pele clara. pressinto que a entrega se consumará.. esplende na curva da noite que toda me envolve. nenhum travo de zanga ou desgosto. Lutar com palavras Parece sem fruto. Quisera possuir-te neste descampado. Sem me ouvir deslizam. luto todo o tempo.

E uma ação em que o sujeito se envolve de forma total. Além de ser imprescindível como instrumento de consolidação dos conhecimentos a respeito da língua e dos tipos de texto. o vocabulário e a própria organização do discurso. E necessário escrever sempre escrever todos os dias. Essas exigências advêm do fato de estarmos nos comunicando a distância. O que é a leitura é o nosso assunto do capítulo 3. certificados. não ajudam em nada.6 TÉCNICA DE REDAÇÃO que precisam mostrar competência escrita em curtíssimo prazo. Uma redação por flês. a leitura é um propulsor do desenvolvimento das habilidades cognitivas. frases feitas e pensamentos alheios. comunicados inundam a nossa vida cotidiana. escrever com diversos objetivos escre ver em diversas situações Associadas a muita prática. é o objetivo da escola Fórmulas pré_fabricadas de textos e “dicas” isoladas apenas Contribuem para a montagem de um texto defeituoso truncado. e) Escrever é necessário no mundo moderno Observa-se que o cidadão comum. Precisamos de documentos escritos para existir.iia com aprálit. temos. tudo está muito automatizado e as relações humanas por intermédio da escrita podem ser reduzidas ao mínimo: o telefone resolve a maior parte dos problemas do cotidiano. d) Escrer é um prá lica que se aIic. tornando a pessoa mais crítica e mais resistente à dominação ideológica. muita reflexão e muita leitura. iluminadoras. artificial em que a voz do autor SC anula para dar lugar a clichês chavões. temos a Colaboração do ouvinte Já OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER a comunicação escrita tem suas especificidades. esclarecedoras. com sua bagagem de conhecimentos e experiências sobre o mundo e sobre a linguagem Não existem esque5 prévios ou roteiros infalíveis que Possam substituir tal envolvimento É a voz do indivíduo que orienta O texto. cédulas. o complexo mundo contemporâneo está cada vez mais exigente em relação à escrita. escreve muito pouco. projetos. Para nos comunicarmos oralmente apoiam0 nos no contexto. acreditando que prescrever esse procedimento muitas vezes Suficiente para conseguir desempenho mínimo num concurso. propostas. atuar e possuir: certidões. Alguns conseguem mesmo reduzir sua atividade escrita à assinatura de cheques e documentos. Tudo o que somos. Envolve tantos procedimentos intelectuais e exige tantas operações mentais que o bom leitor adquire maior agilidade de raciocínio. dependendo do mundo profissional a que pertence. A autoria vem das escolhas pessoais dentro das POSSjbilid des da língua e do gênero. Seu exercício intenso e constante promove a análise e a reflexão sobre os fenômenos e acontecimentos. Há ainda que se considerar que a leitura é uma das formas mais eficientes de acesso à informação. Por outro lado. Escrever bem é o resultado de Um percufSo Coflstijdo de muita prática. contratos. sem apoio do contexto ou da expressão facial. alguns exercícios esporádicos de Produção de pequen05 trechos não formam um bom redator.a d !eitur É improvável que um mau leitor chegue a escrever com desenvoltura. declarações. diplomas. É pela leitura que assimilamos as estruturas próprias da língua escrita. recibos. tem engan0 e enriquej0 muitos donos de escola e de cursinhos Muitos professores oferecem uma espécie de formu1áro mental do que seria um bom texto para que o estudante preencha as lacunas. ser. suas exigências. comprovantes. paradoxalmente. escrituras. Tratamos de forma diferente a sintaxe. Hoje. as “dicas” fornecidas a partir de dificuldades reais vivenciadas na produç0 de textos podem ser úteis. escrever sobre assuntos diversos. É pela convivência com textos escritos de diversos gêneros que vamos incorporando às nossas habilidades um efetivo conhecimento da escrita. Portanto este é imprevisível. registros. Quando estão isoladas de uma prática intensa. realizamos ou dese 7 ‘ . relatórios. atestados.

e não pôde deixar de nos OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER 9 informar sobre a população que está morrendo de fome no Brasil. necessidade temos à nossa disposição um acervo de textos apropriados. Navegar ou conversar na Internet exige um convívio especial com a escrita. Pela escrita estamos atuando no mundo. Não se escreve por escrever. Pelo texto escrito modificamos o nosso contexto e nos modificamos simultaneamente. Além disso. quando começamos a debater a pobreza e a fome nos países. Isso me deixou muito irritada. claro. Para cada situação. mas também para que descubra o que é. como a produção de textos. aqui em Brasilia. enquanto o trabalho primário vai sendo atribuído às máquinas. O que antes se resolvia simplesmente com uma ligação telefônica passou a ser substituído por um texto escrito transmitido via fax ou e-mail. Brasília. se somos culpados. pelo menos. sempre que nos propomos a integrar os órgãos que conformam o sistema da cidadania urbana. Vale o escrito. estamos nos relacionando com os outros e nos constituindo como autores. Essa carta é um exemplo de como a participação pela escrita confere ao indivíduo um novo canal de relacionamento com o mundo. 1999. em que momento e de que modo 10 TÉCNICA DE REDAÇÃO deve utilizá-lo. O professor citou que sua namorada trabalha nas Nações Unidas. Os profissionais que dominam essas habilidades mais complexas e sofisticadas têm mais chances no mercado de trabalho. vamos tomar uma providêneia séria. escrever não é um ato espontâneo. Todos podem vir a ser bons redatores. Brasil! O governo não é o único culpado. p. avaliada. como sujeitos de uma voz. desvinculada do que o indivíduo realmente pensa. Mesmo na informática. comunique o que sabe. Saber escrever é também compartilhar práticas sociais de diversas naturezas que a sociedade vem construindo ao longo de sua história. o que quer. Assim. acredita. podemos agir. Como vimos no item anterior. incluindo o Brasil. L. Parabéns! Segundo. exigem-se dos homens as habilidades que lhes são exclusivas. a cada dia mais seletivo. Seção Cartas dos Leitores. A escrita não é apenas uma oportunidade para que a pessoa mostre. adequado. Reconsiderando crenças Vimos que escrever não é um dom que apenas algumas pessoas têm. mas apenas uma forma de demonstração de habilidades gramaticais. Então veio a bomba” sobre nós: 28 milhões de pessoas morrem de fome neste exato momento no Brasil. a redação escolar. 2. Estava no meu curso de inglês. para. Um relatório é próprio para prestar contas de uma pesquisa científica. D. Nem sempre as “dicas” oferecidas pelos professores e colegas são suficientes para a elaboração de um texto fluente. mais do que a população da Argentina. gostaria de expor a minha opinião sobre um fator que está acabando com o Brasil nestes últimos anos: a fome. Para nós. mas também sabe quando cada um deles é adequado. E nossa habilidade de escrever é exigida. de uma tarefa profissional. isolada. de uma investigação. Exige muito empenho. medida. investigada. por exemplo. desejo. razão por que faço um apelo: por favor. o produtor de texto não apenas tem conhecimentos sobre as configurações dos diversos gêneros. Entretanto. objetivo. na quinta-feira (dia 5). gostaria de parabenizar o Jornal que é muito bom. defende e quer compartilhar ou expor ao outro como forma de interação. 16. o que pensa. Veja o exemplo desta carta enviada ao jornal Correio Braziliense por uma leitora: Primeiro de tudo. sempre que nos submetemos a qualquer processo seletivo. vale o escrito. J) Escrever é um ato vinculado a práticas sociais Todo ato de escrita pertence a uma prática social.é um trabalho duro. tentar controlar e acabar com essa catástrofe! M. Correio Braziliense. A escrita tem um sentido e uma função. em que acredita. Essas práticas de comunicação em sociedade se configuram em gêneros de texto específicos a situações determinadas. A produção de textos é uma forma de reorganização do pensamento e do universo interior da pessoa. não pode ser considerada escrita. Os truques podem ajudaros redatores que já estão em meio ao . toda a nossa civilização ocidental é regulada pela escrita.8 TÉCNICA DE REDAÇÃO jamos realizar deve estar legitimado pela palavra escrita. A sociedade também é. E. tudo é mediado pela escrita. Assim. 10 ago. mas não serve para contar uma viagem de férias para os amigos.

Um dos caminhos mais interessantes para compreender o ato de escrever é considerar os depoimentos de pessoas que escrevem todos os dias. Lembre-se de quando aprendeu a escrever. sucessos e fracassos escolares e profissionais. vivem de escrever. coloquial. seus avanços e retrocessos. mas ainda é muito pouco diante do que precisamos descobrir. colocando-se no lugar do leitor. porque podem esclarecer alguns pontos duvidosos ou obscuros da escrita e da organização do texto. CONSIDERAR A ESCRITA COMO UMA HABILIDADE IMPORTANTE PARA O NOSSO SUCESSO PROFISSIONAL. A escrita é muito necessária no mundo moderno. além de desbloquear a mente e desenferrujar a mão. e) Mantenha um caderno de anotações datadas de impressões e reflexões sobre sua relação com o texto escrito. antropólogos vêem a escrita sob seus diversos aspectos. como vai transformando seus conceitos acerca da escrita. um professor. Prática de escrita a) Para desmontar de vez suas crenças inadequadas a respeito de sua relação com a escrita. Releia. um analista. sociólogos. ESTÁ MELHORANDO E QUE VAI CHEGAR LÁ IMPULSIONA O APERFEIÇOAMENTO. 4. PROJETOS. sobre como as pessoas chegam a ser realmente ótimas redatoras. Dependemos da escrita para existir efetivamente e atuar no mundo. empreenda uma viagem na memória. b) Transforme essa narrativa em um texto em terceira pessoa. RESUMOS DE LEITURAS. oferecendo-nos um quadro multifacetado de conhecimentos acerca do fenômeno. BILHETES. CARTAS. SER AUTOMOTIVADO. neurologistas. suas experiências. RECONHECER QUE PELA ESCRITA PARTICIPAMOS MAIS DO MUNDO. uma vez que as práticas sociais que estruturam as nossas organizações contemporâneas são mediadas por textos escritos. psicólogos. DIÁRIO. OS MITOS QUE CERCAMOATO DE ESCRE VER 11 PARA QUEM GOSTA DE “DICAS” 3. IR MAIS PROFUNDAMENTE ÀS QUESTÕES. TEXTOS COM SUAS OPINIÕES ACERCA DE ACONTECIMENTOS. escrevem com desenvoltura. LER MUITO. pois ela oferece oportunidades de contato intenso com as infinitas possibilidades da língua. para avaliar se as informações estao compreensíveis.. ACREDITAR QUE VOCÊ PODE ESCREVER BEM.. educadores. mas não funcionam isolados de muito exercício. sua escola. suas observações acerca do que escreve diariamente. Outras visões acerca do ato de escrever Os pesquisadores já sabem muita coisa sobre a escrita. Esse diário pode oferecer muitas pistas para sua trajetória de crescimento. Compreendemos também que a leitura é imprescindível paraque o redator chegue a apresentar um bom desempenho. LER MELHOR A CADA DIA. Capítulo 2 Como escrevemos 1. NÃO SE PODE FICAR SATISFEITO COM “DICAS” ISOLADAS E FRAGMENTADAS. informal. Observe o depoimento da escritora Lygia Fagundes . Reveja todo o seu percurso escolar e profissional. expectativas. Tente formular uma narrativa que explique ou justifique como foi construída a sua ex12 TÉCNICA DE REDAÇÃO penência de escrita até hoje. Novas atitudes em relação à escrita É IMPRESCINDÍVEL: ESCREVER TODOS OS DIAS: ANOTAÇÕES DE AULA.processo de desenvolvimento da própria produção escrita. LER DIVERSOS TIPOS DE TEXTO. focalizando principalmente as situações de escrita que ficaram gravadas em sua memória. DEIXAR A PREGUIÇA DE LADO E SE ESFORÇAR. QUERER SABER MUITO MAIS. Estudos de várias áreas do conhecimento nos levam a refletir sobre essas questões: lingüistas. seus professores. com os diversos gêneros e tipos de texto e com as informações e idéias que circulam no nosso universo. para um interlocutor imaginário que pode ser um amigo. em tom de depoimento (talvez no formato de carta). sobre o que acontece com a mente das pessoas durante o ato de escrever. no qual você conta toda a história como se fosse a de uma outra pessoa. Escreva um texto em primeira pessoa.

Fiquei vendo a imagem silenciosa do lutador solitário — mas quem podia ajudá-lo? Era a coragem que o sustentava? A vaidade? Simples ambição de riqueza. chega! Mas ele ia buscar flirças sabe Deus onde e se levantava de novo. qual o gênero mais adequado aos objetivos. Poeira. mas que lhe toma a manhã. Para gostar de ler. Outro possível caminho para entender a escrita é observarmos nossos próprios processos enquanto trabalhamos em um texto. Há também idas e vindas: começa-se uma tarefa e é preciso voltar a uma etapa anterior ou avançar para um aspecto que seria posterior. Todas essas ações estão profundamente articuladas ao contexto em que se originou e em que acontece a produção do texto. formato. alguém sugeriu que lhe atirassem a toalha. E a tarde. mas tanto soco em vão. é melhor desistir. Acertava às vezes. seja para aperfeiçoá-los ou para transformá-los. 9. qual é o assunto em linhas gerais. regular normas. fugidio. que grau de subjetividade ou de impessoalidade deve ser atingido. 7. para explorar melhor e com mais consciência esses procedimentos. apresentar COMO ESCREVEMOS 15 uma proposta de trabalho. Voltava a reagir. às vezes simultâneas. quais as condições práticas de produção: tempo. Assim. Vol. 14 TÉCNICA DE REDAÇÃO investindo. aplauso? (. desviando a cara. Uma luta que pode ser vã. PRÁTICA SOCIAL DE ESCRITA CONTEXTO DA PRODUÇÃO DE TEXTO ASSUNTO TEXTO EM PROCESSO DE PRODUÇÃO MOTIVAÇÃO OUJA PRODUZIDO NECESSIDADE ___________________ ________________ IDÉIA DE LEITOR PROCESSAMENTO ESCRITA REESCRITA MEMÓRIA GERAÇÃO VERSÕES RELEITURAS ASSUNTO ORGANIZAÇÃO REVISÕES LÍNGUA GÊNEROS MONITORAÇÃO AVALIAÇÃO CONSTANTE DO PROCESSO Estabelecida a necessidade de escrever. às vezes seqüenciais. São Paulo: Editora Atica. Sob essa perspectiva. o adversário tão ágil. é a razão para escrevê-lo: emitir e defender uma opinião.. 3 cd. o que mobiliza o indivíduo a começar a escrever um texto é a motivação. Desliguei o som. Insistindo mas o que mantinha o lutador em pé? Duas vezes beUou a lona. 2. o fervor acendendo a fresta do olho quase encoberto pela pálpebra inchada. Até a noite.. O texto somente se constrói e tem sentido dentro de uma prática social. apresentação. sangue. suor. O produtor já tem imediatamente em mente algumas informações sobre a tarefa: quais os objetivos do texto. ficou só a imagem do lutador já cansado (tantas lutas) e reagindo. relatar uma experiência. A escrita como processo Um caminho mais científico é a analise das contribuições que a lingüística nos trouxe sobre o ato de escrever. como disse o poeta. Resistindo.. quem provavelmente vai ler. vendo na tevê um drama de boxe. Cada pessoa deve descobrir como procede durante a escrita. Luta que requer paciência. expressar uma emoção ou sentimento. compreende-se que a escrita é uma atividade que envolve várias tarefas. p. 16 TÉCNICA DE REDAÇÃO . É sobre essa base de orientação que o produtor do texto vai coordenar o seu próprio trabalho. que nível de linguagem deve ser utilizado. narrar uma aventura ou apenas provar que sabe escrever bem para ser aprovado numa seleção. estabelecer um pacto. monitorando-o para que não fuja da rota e desande em outras direções. 1988. E ele ali. comunicar um fato. Me lembro que estava num hotel em Buenos A ires. Humildade.) E de repente me emocionei: na imagem do lutador de boxe via imagem do escritor no corpo-a-corpo com a palavra.Telles: Como você definiria o ato de escrever? Uma luta. Humor. o processo de escrita já está desencadeado. reivindicar um direito.

Quando há tempo e paciência estendemos essa tarefa ao infinito. quais são os pontos obscuros. — em especial seu linguajar grosso — e sobre o caráter e o destino de seu sé quito. Procuramos então relê-lo com olhos não mais de autor. além de uma revisão implacável de dados históricos na versão final A ele devo a advertência providencial de que Bolívar não podia ‘chupar mangas com deleite infantil”. Rio de Janeiro: Record. pp. independentes. Nesse momento. o geógrafo Gladstone Oliva e o astrônomo Jorge Pérez Doval. para depois cortar e ordenar. fazer uma lista de palavras-chave. dominá-las.A memória do redator já está acessada em várias vertentes e é um fator importantíssimo na construção do texto. sem substância informativa ou lingüística. desordenadamente. idéias secundárias. quando ela não tem estoque suficiente para o que desejamos. organizar mentalmente os grandes blocos do texto. Jorge Eduardo Ritter. e estabeleceu para mim que os versos citados de memória por Bolívar eram do poeta equatoriano José Joaquín Olmedo. Roberto Cadavid (Argos). o lingüista mais COMO ESCREVEMOS 17 popular e prestativo da Colômbia.prima do texto os conhecimentos sobre organização dos diversos tipos de texto. . Caso você utilize mais de um procedimento para iniciar seu texto. fizeram o inventá rio das noites de lua cheia nos primeiros trinta anos do século passado. Observe quantas pessoas o escritor consultou sobre detalhes importantes para a sua narrativa. 268-9. a observação. professor da Univers idade Nacional Autônoma do México. não se satisfez com sua própria memória e contou com diversos colaboradores. ou tenha um processo pessoal diferente dos que fo L 18 TÉCNICA DE REDAÇÃO ram enumerados acima. a reflexão. Nos agradecimen0 ele esclarece: —. Nela estão armazenados os conhecimentos sobre a língua matéria.. temos que procurar a informação o conhecimento para enriquecêl Gabriel Garcia Márquez. Utilizamos a memória durante todo o processo de produção do texto e. embaixador do Panamá na Colômbia e mais tarde chanceler de seu país. E nessa fase de pesquisa que entram a leitura. da Academía de Ciências de Cuba. O general em seu labirinto. Tentamos descobrir o que nosso leitor compreenderia do texto. elaborar inicialmente uma espécie de sumário ou esquema geral do texto. anotar tudo o que vem à mente. Memória vazia produz texto fraco. reordenar as informações. Nesta etapa as pessoas têm procedimentos diferentes. mas de leitor. quando escreveu o romance histórico O general em seu labirinto. O importante é começar a ter mais consciência de suas próprias estratégias. sobretudo as relacionadas com as idéias políticas da época. podemos: enfatizar as idéias principais. fez vários vôos urgentes só para me trazer alguns dos seus livros inencontráveis Dom Francisco de Abrisqueta. de Bogotá. sobre Simon Bolívar. pela simples razão de que faltavam vários anos para a manga chegar às Américas. O historiador bolivarjano Vjnjcio Romero Martínez me ajudou de Caracas com achados que me pareciam impossíveis sobre os coslumes particulares de Bolíva. o raciocínio: para preencher os vazios da memória. escrevê-lo e reestruturá-lo várias vezes. A pedido meu. Com Francisco Pividal mantive em Havana as vagarosas conversas preliminares que me permitiram formar uma idéia clara sobre o livro que pretendia escrever. Gabriel García Márquez. a análise. A primeira versão de um texto ainda é muito insatisfatória. foi um guia obstinado na intrincada e vasta bibliografia bolivariana O ex-presidente Bel isarjo Betancur me esclareceu dúvidas esparsas durante todo um ano de consultas telefônicas. conhecê-las. me fez o favor de pesquisar o sentido e a idade de alguns localismos. O historiador colombiano Gustavo Vargas. e ainda os conhecimentos sobre os assuntos e informações que serão tratados no texto. 1989. ambíguos que merecem reestruturação. Observe algumas dessas preferências (na hipótese de produção de um texto informativo) e veja em qual delas você se enquadra: fazer anotações soltas. escrever a idéia principal e as secundárias em frases isoladas para depois interligá-las. exemplos. não se preocupe. confusos. elaborar um resumo das idéias para depois acrescentar detalhes. já está em processamento. se manteve ao alcance do meu telefone para me esclarecer dúvidas maiores e menores. esse trabalho de ajuste é imprescindível. construir um primeiro parágrafo para desbloquear e depois ir desenvolvendo as idéias ali expostas. podemos considerar que o texto já está sendo produzido. Você verá nos capítulos 3 e 4 alguns procedimentos para ativar e enriquecer a memória. Tomadas essas primeiras decisões e providências. Para que o autor fique satisfeito com o seu próprio texto.

7S. Se o redator foi muito reprimido no processo escolar. especialistas e vão ao extremo de reescrever seus livros mais de dez vezes antes de liberá-los para publicação. te para especialistas. ele pára a todo instante para resolver questões gramaticais e corre o risco de perder o fio da meada. 270. Conhecendo melhor o processo de escrita Vimos como a escrita representa trabalho e exige esforço.. uma última leitura para rastrear problemas em relação à norma culta na superficie do texto (ortografia. numa caçada milimétrica de contrasensos. regência). quando preparam uma nova edição de textos já publicados. quando planejamos. p. ainda. pode ter se tornado excessivamente autocrítico. Para isso. substituir palavras ou frases. — PP. feitos alguns rascunhos. quando um deles se encontrava em Caracas e outro em Quito. é preciso: acrescentar palavras ou frases. até esgotar sete versões. tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. que escrevi 1100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300. Gabriel Garcia Márquez.. 7 ed. Eles podem ter passado despercebidos. pontuação. o ato de escrever é muito dficil e penoso. muito exigente consigo mesmo desde o início do texto. consideramos que o texto está pronto. já estamos em plena escrita e. no sentido de que vanlos e voltamos. e de prejudicar a fluência. a direção do raciocínio. mudar elementos de lugar. 1987. quando o redator focalizava a estruturação das idéias. e um almoço íntimo de Bolívar e Sucre em Bogotá.substituir idéias inadequadas. estabelecer hierarquia entre as idéias. São Paulo: Editora Ática. Não devemos pensar numa ordem seqÜenjj rígida como: PLANEJAMENTO> ESCRITA > REVISÃO Pois. Para gostar de ler. transformar períodos. Basta dizer. inconseqüéncias.. conceitos. Compreender todo esse mecanismo não é importante 5nzen. eliminar incoerências. eliminar palavras ou frases. corrigir problemas gramaticais. uma viúva que foi para a Europa com seu amado esposo. Crônicas. Depois de algumas tentativas. acrescentar transições entre os parágrafos. fazendo ajustes e reajustes em cada aspecto. Assim aconteceu surpreendermos com a mão na massa um militar que ganhava batalhas antes de nascer. reagrupando-os de forma diferente. 7. citações. a continuidade do texto. argumentos. intelectuais. Rio de Janeiro: Record. voltamos ao planejamento para reajustájo ou para reajustar o texto ao objetivo inicial O processo é recursivo. p. geralmente. eliminar idéias desnecessárias. Vol. acrescentar exemplos. Quando revisa mos. repetições. Nesse caso. Escritores famosos submetem os originais à leitura prévia de amigos. unindo-os por meio de conectivos ou separando-os por meio de pontuação. como exemplo. Nunca consideram o texto pronto. Observe o que Gabriel García Márquez relata ao agradecer uma colaboração: Antonio Bolívar Goyanes (. mais obsessivos ainda.) teve a bondade de rever comigo os originais. e num escrutínio encarniçado da linguagem e da ortografia. 20 TÉCNICA DE REDAÇÃO E Paulo Mendes Campos admirável poeta e cronista da mesma geração de Ferndo Sabino afirmou: Quando escrevo sob encomenda não há milito tempo para corrigir Quando escrevo para mim mesmo costumo ficar corrigindo dias e dls — uma curtição Escrever é estar vivo. Outros. erros e erratas. Quando o produtor do texto tem mais consciência de seus procedimentos mentais tem mais controle sobre eles epode dirigiq05 deforma mais produtiva 3. Mas é preciso. criar vínculos entre uma idéia e outra. quando escrevemos revisamos simuJtaneent parcelas do texto. voltam a reestruturálos. 1989. acentuação. disciplina atenção paciência O texto não . COMO ESCREVEMOS 19 concordância. O general em seu labirinto. Nosso conhecido escritor Fernando Sabino também trabalha assim: Para mim. alcançar maior exatidão para as idéias. 3.

Registre com as datas as transformações no seu caderno de anotações pessoais. Pode ser um exercício escolar. a leitura é a forma primordial de enriquecimento da memória. faça novo diagnóstico. COMPREENDER QUE VÁRIAS RELEITURAS GARANTEM O APERFEIÇOAMENTO DO TEXTO. Novos procedimentos na escrita É NECESSÁRIO: TENTAR CONHECER E ANALISAR O SEU PRÓPRIO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE TEXTO. Nossa forma de ler e nossas experiências com textos de outros redatores influenciam de várias maneiras nossos procedimentos de escrita. MOSTRAR PARA OUTRA PESSOA E ACEITAR SUGESTÕES. Reflita acerca de seus procedimentos: Planeja antes de escrever ou durante a escrita? Tem bloqueio ao começar? Relê cada frase antes de continuar ou vai escrevendo para depois reler tudo? Que decisões toma? 22 TÉCNICA DE REDAÇÃO Falta assunto? Tem dificuldade de encontrar palavras adequadas? Tem dificuldade em organizar os períodos? Sabe onde pontuar? Pensa no leitor? Como avalia o texto? Trabalha na revisão? O que pensa que precisa acelerar ou desacelerar? Esse exercício vai ajudá-lo a construir um controle maior sobre seus processos cognitivos. o candidato deve abreviar e acelerar as ações. vamos internalizando as suas estruturas e as suas infinitas possibilidades estilísticas. Não há um modelo único mais correto. do senso crítico e do conhecimento sobre os diversos assuntos acerca dos quais se pode escrever. E preciso conhecer os procedimentos mentais e as habilidades necessárias para a escrita para conseguir aperfeiçoá-las. a escrita não pode ser considerada desvinculada da leitura. A leitura é um processo complexo e abrangente de decodflcação de signos e de compreensão e intelecção do . POIS É UMA PRÁTICA MUITO PRODUTIVA. Analise seu próprio processo. Ninguém escreve a sua primeira versão e se dá por satisfeito. não vem pronto do além para que o redator apenas o transfira para o papel. Tente pensar em voz alta. muitas dec sões e procedimentos vão se automatizdo Em situações de con COMO ESCREVEMOS 21 curso. Reconheça quais são os passos que utilizou. Quando terminar o texto ouça o que gravou. 4. aplicável a todas as pessoas. O que é leitura Como vimos. 5. b) Periodicamente. Pela leitura vamos construindo uma intimidade muito grande com a língua escrita. AFASTAR O DESÂNIMO SE A PRIMEIRA VERSÃO DO TEXTO NÃO FOR SATISFATÓRIA. Capítulo 3 A qualidade da leitura 1. mas não pode eliminá-las ou desprezá-las. Grave tudo o que acontece em sua atividade mental consciente. Cada indivíduo deve conhecer suas próprias trajetórias e tentar aprimorá-las continuamente. em que o tempo é limitado.é simplesmente resultado de uma inspiração divina. E preciso reler identificar problemas e reestruturar muitas vezes até que o texto chegue a corresponder aos objetivos iniciais e Possa cumprir sua função de forma adequada Naturalmente medida que o redator vai melhordo seu desempepj0 esse processo vai ficando mais rápido. CULTIVAR A PACIÊNCIA. Ou imagine que está respondendo em uma entrevista à questão: Qual é a sua história pessoal com o ato de escrever? Use um gravador de áudio enquanto estiver planejando e escrevendo. Nosso convívio com a leitura de textos diversos consolida também a compreensão do funcionamento de cada gênero em cada situação. Prática de escrita a) Escolha um tema para produzir um texto. Além disso. uma tarefa profissional ou uma atividade livre como uma carta ou um requerimento. RECONHECER QUE REESCREVER É O PROCESSO NATURAL DE CONSTRUÇÃO DE UM BOM TEXTO.

Brasília. sentenças. Correio Braziliense. no seu governo. em todas as formas de leitura. frases. quase em estado natural. Mas. os outros textos de Luís Fernando Veríssimo (sempre de humor e ironia). provas formais e informais. exercer sua criatividade e morar num lugar que pode A QUALIDADE DA LEITURA 25 chamar de realmente seu. Não precisamos fazer muito esforço para manter a atenção ou para gravar na memória algum item. só precisando cuidar para não levar bala.folheando uma National Geographic de 1950. em geral. Envolve especficamente elementos da linguagem. no seu quintal! Todas as emoções que um filho de rico só tem em video game o filho de pobre tem ao vivo. e ainda podendo assistir a uma visita teatral do Ministro da Saúde ao hospital. Esse é o jogo que torna a leitura produtiva. Ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. Ele estaria numa fila de hospital público desde a madrugada. aquilo não estaria acontecendo com ele. É um trabalho que envolve signos. mas também os da experiência de vida dos indivíduos. e que seu tédio não terá fim. as relações estabelecidas com o nosso mundo real. Trata-se de nosso conhecimento prévio sobre: a língua os gêneros e os tipos de texto o assunto Eles são muito importantes para a compreensão de um texto. ali. o que é sempre divertido em vez de se chateando daquela maneira. os seguintes conhecimentos prévios: quem é Veríssimo (um escritor de humor. Como exemplo. E eu concordo com o presidente. intenções. é um inferno. Ele estava falando para pobres e preocupado em prepará-los para o fato de que não vão ficar menos pobres e podem até ficar mais. Muitas vezes o pobre constrói sua própria casa. pelo menos até ser despejado? Que filho de rico verá um dia sua casa ser arrasada por um trator? Um maravilhoso trator de verdade. E pior. Mais de um rico obrigado a esperar dez minutos para ser atendido por um especialista. 1998. No caso. objetivos. 24 TÉCNICA DE REDAÇÃO Os procedimentos de leitura podem variar de indivíduo para indivíduo e de objetivo para objetivo. argumentos. Pobre vive amontoado em favelas. Para compreender adequadamente esse texto. Quando lemos apenas para nos divertir. muito do nosso conhecimento prévio é exigido para que haja uma compreensão mais exata do texto. além de outros. e que isso não é tão ruim assim. deve ter suspirado e pensado que. É preciso compreender simultaneamente o vocabulário e a organização das frases. cronista críti c que se opõe ao governo em questão). 2 dez. a sua observação de que é chato ser rico. o procedimento de leitura é bem espontâneo.mundo que faz rigorosas exigências ao cérebro. uma frase do presidente para criticar. conversando animadamente com todos à sua volta. levamos em consideração. numa 1 alegre promiscuidade que rico só pode invejar. ações e motivações. se fosse pobre. Com toda as suas privações. olhando pela janela. O PRESIDENTE TEM RAZÃO Mais uma vez os adversários pinçam. ativar as informações antigas e novas sobre o assunto. perceber os implícitos. qual é a sua posição no jornalismo de sua época (é um dos mais conceituados e respeitados . identificar o tipo de texto e o gênero. vamos analisar uma crônica de Luís Fernando Veríssimo. como são. Efe Agá tem razão. lutando para manter seu lugar. da sua autoria. rico ainda sabe que vai viver muito mais do que pobre. aqui ou no exterior. ainda mais neste modelo. Quando é que um rico terá a mesma oportunidade de mexer assim com o barro da vida. com papelão e caixotes. Pois eu entendi a intenção do presidente. as ironias. à memória e à emoção. maliciosamente. Lida com a capacidade simbólica e com a habilidade de interação mediada pela palavra. não de brinquedo. xingando o funcionário que vem avisar que as senhas acabaram e que é preciso voltar amanhã.

seleção e hierarquização de idéias. focalização da atenção. pois suas idéias são contrárias ao que está escrito. interpretação de itens lexicais e gramatjcj5 agrupa0 de palavras em blocos conceituais. eu concordo com o presidente Quando comparamos as descrições da forma de vida dos pobres e dos ricos e a afirmação de que ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. construção de inferências. ironia] S. reorientação dos próprios procedimentos mentais. a que fala do presidente ele se refere (a comparação que estabeleceu entre a vida do pobre e do rico). Ao contrário. antecipação de informações. controle de velocidade. é uma atividade extremamente complexa pois flo Podemos Coflsjder apenas o que está escrito. Sarcasmo. penetramos no mundo da ironia. explora-lhe as possibilidades e prolonga-lhe o funcionamento além do contato com o texto propriamente dito. No texto analisado por exemplo. 2. Entre1açafl0 essas informações e a forma como o texto foi escrito.cronistas de costumes e de política. que no Dicionário Auréjio Eletrônico é definida como: [Do grego eiróneia Interrogação. compreensão de pressupostos. Modo de exprimirse que Consiste cai dizer o contrário daquilo que se está pensando ou sentindo ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem. pelo latim. Vamos analisar algumas dessas habilidades. zombaria Nessa experiência podemos constatar que a leitura não é um procedimento simples. Como a leitura faz inúmeras solicitações símuitâneas ao cérebro.’ eu entendi opresiden te. 3. . A QUALIDADE DA LEITURA 27 identificação de palavras-chave. 1998). Recursos para uma leitura mais produtiva Um leitor ativo considera os recursos técnicos e cognitivos que podem ser desenvolvidos para uma leitura produtiva. vamos reconsiderar o título e as idéias que se repetem pelo texto: o presidente tem razão. analisar ilustrações. 1 L.f 1. produzindo efeitos na vida e no convívio com as outras pessoas. elaboração de hipóteses. quem é o presidente a que ele se refere (o presidente da República no ano de publicação. 26 TÉCNICA DE REDAçJ0 qual é a situação social do Brasil em nossa época e como é realmente a vida nas classes menos favorecidas. associação com informações anteriores. seus textos são publicados em espaços nobres dos principais jornais e revistas brasileiros). A leitura não se esgota no momento em que se lê. Contraste fortu ito que parece um escárnio. para compreender as intenções e Posições do autor lemos muito mais o que não está escrito. avaliação do processo realizado. 2. é necessário desenvolver consolidar e automatizar habilidades muito sofisticadas para pertec ao mundo dos que lêem com naturalidade e rapidez Tratase de um longo e acidentado percurso para a compreensão efetiva e responsiva que envolve: decodificação de signos. Há procedimentos espec(ficos de seleção e hierarquização da informação como: observar títulos e subtítulos. Expande-se por todo o processo de compreensão que antecede o texto.

por exemplo. determina de que forma lemos um texto. desenvolver o intelecto. Utilizamos ainda procedimentos de detecção de coerência textual. tomar notas sintéticas de acordo com os objetivos. Um leitor maduro usa também. detectar erros no processo de decodificação e interpretação. em busca de qualificação profissional. velozes. para comunicar um texto a um auditório. Vamos aprofundar nosso conhecimento acerca de alguns desses procedimentos. pragmáticos e da estrutura do gênero. 28 TÉCNICA DE REDAÇÃO decidir se deve consultar o glossário ou o dicionário ou adiar temporariamente a dúvida para esclarecimento no contexto. em busca de diversão. elaboramos rápidas hipóteses que não testamos. e quando o encontramos fazemos um outro tipo de leitura: do particular para o geral (ascendente). Como são interiorizados e automatizados pelo uso consciente e freqüente. Lemos: por prazer. quadros. constituindo uma atividade cognitiva complexa que não obedece a uma seqüência rígida de passos. Há também procedimentos de clarficação e simplificação das idéias do texto como: construir paráfrases mentais ou orais de fragmentos complexos. E guiada tanto pela construção do próprio texto como pelos interesses. passamos os olhos pela página. deslocamentos. esses fragmentos a outros. auto-avaliar continuamente o desempenho da atividade. Os tipos de leitura e seus objetivos O objetivo da leitura. empreendemos uma leitura do geral para o particular (descendente): olhamos as manchetes. reconhecer relações lexicais! morfológicas! sintáticas. em busca de atualização. associar as unidades menores de significado a unidades maiores. controlar a consciência constante sobre a atividade mental. esclarecimentos. relacionar e integrar. procurando um ponto de atração. Há ainda aqueles que são concomitantes a outros. para obter informações precisas e exatas. como já foi explicado anteriormente. legendas etc. substituir itens lexicais complexos por sinônimos familiares. reconhecer e sublinhar palavras-chave. 3. sublinhados. o ritmo e a velocidade de leitura de acordo com os objetivos estabelecidos. e são apenas meios e não fins em si mesmos. enumerações. analisá-las e escrever um texto relativo ao tema. identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos significativos. queremos . segmentar as unidades de significado.). freqüentemente. apenas para saber se há alguma novidade interessante. No segundo tipo de leitura somos mais detalhistas. fixamos alguns parágrafos iniciais. para estudar. tais como: identificar o gênero ou a macro-estrutura do texto. aceitar e tolerar temporariamente uma compreensão desfocada até que a própria leitura desfaça a sensação de desconforto. usar conhecimentos prévios extratextuais. para obter informações gerais. nem sempre esses procedimentos estão muito claros ou conscientes para quem os utiliza na leitura cotidiana. de emoção estética ou de evasão. para revisar um texto etc. 30 TÉCNICA DE REDAÇÃO No primeiro tipo somos superficiais. sempre que possível. objetivos e intenções do leitor. Se lemos um jornal. fazemos algumas adivinhações. controlar o trajeto.reconhecer elementos paratextuais importantes (parágrafos. negritos. ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema. A QUALIDADE DA LEITURA 29 Alguns desses procedimentos são utilizados pelo leitor na primeira leitura. outros na releitura. procedinientos de controle e monitoramento da cognição: planejar objetivos pessoais significativos para a leitura: controlar a atenção voluntária sobre o objetivo. para seguir instruções.

detalhada. ou que o explica e identfica: A palavra-chave deste romance é angústia. Normalmente são os substantivos. Sem elas o texto perde totalmente o sentido. outros pode incorporar ao seu acervo de habilidades. preposições ou advérbios. Alguns nunca entraram numa escola. 4. a maioria tem o destino traçado. porcos. Prova disso é que só as pobres entram precocemente no mercado de trabalho. como. lenta. vamos identificar as palavras-chave: Nenhuma criança trabalha porque quer. Palavra que encerra o signflcado global de um contexto. pois cada um imprime sua visão ao que lê. verbos e certos adjetivos. A partir dos três ou quatro anos. exige do leitor uma grande concentração. há momentos em que você pode dispensar certos textos. elaborar um esquema ou síntese. Entre a multidão de trabalhadores mirins. minuciosa. ou rápida e superficial. Não terá direito ao futuro. É importante construir previamente algumas perguntas que ajudam a controlar o objetivo e a atenção. os menores acompanham os pais aos aterros sanitários para catar a sobrevivência. São os catadores de lixo. Por meio delas podemos reconstituir o sentido de um texto. distinguir partes do texto. procuramos garantir a compreensão precisa. ratos e urubus o que os outros jogam fora. Eles disputam com cães. por exemplo: Qual é a opinião do autor? Quais são as informações novas que o texto veicula? A QUALIDADE DA LEITURA 31 O que este autor pensa desse assunto? Em que discorda dos que já conheço’? O que acrescenta à discussão? Qual é o conceito. Pois. 2. f 1. hierarquizar as informações. Elas podem apresentar uma pequena variação de leitura para leitura. Há muitos recursos e procedimentos para uma leitura mais produtiva. Procedimentos estratégicos de leitura Um texto para estudo. Já sabemos o que queremos e ficamos mais atentos às partes mais importantes em relação ao nosso objetivo. encontram-se cerca de cinqüenta mil em situação desumana e degradante. uma atenção voluntária e controlada. O Dicionário Aurélio Eletrônico registra: Verbete: palavra-chave s. Não são palavras gramaticais: artigos. b) Identificar e sublinhar com lápis as palavras-chave As palavras que sustentam a maior carga de significado em um texto são chamadas de palavras-chave. pronomes. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. desacelerada (ascendente). que um estudante precisa desenvolver é o que vamos focalizar aqui. Outros tiveram que abandonar os livros antes do tempo. Mas porque é obrigada. a definição desse fenômeno? Como ocorreu esse fato? Onde? Quando? Quais são suas causas? Quais são suas conseqüências? Quem estava envolvido? Quais são os dados quantitativos citados? O que é mais importante nesse texto? O que eu devo anotar para utilizar depois no meu trabalho? Quando começamos uma leitura sem nenhuma pergunta prévia. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres. numa listagem ou na memória de um computador. ou partes de textos. os elementos que têm entre si um certo parentesco ou que pertencem a um certo grupo. em geral. Rende de um a seis reais. de leitor para leitor. mesmo quando estuda. Estabelecer previamente um objetivo nos ajuda a escolher e a controlar o tipo de leitura necessário: ascendente ou descendente. minuciosa. exata. Um leitor maduro distingue qual é o momento de fazer uma leitura superficial e rápida (descendente) daquele em que é necessária uma leitura detalhada. Esse tipo de leitura detalhada. que já são conhecidos. está condenada. o dajàmília. temos mais dificuldade em identificar aspectos importantes. conectivos. Palavra que serve para identificar num catálogo de livros ou de artigos. No Brasil. três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e. . De uma ou outra forma.saber tudo. mesmo quando está trabalhando ou estudando. muitas vezes. 32 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nos dois parágrafos seguintes. Alguns você já usa naturalmente. a) Estabelecer um objetivo claro Sempre que temos um objetivo claro para a leitura vamos mais atentos para o texto.

Correio Braziliense. Brasília, l9jun. 1999. Editorial.
A partir das palavras destacadas (você poderia sugerir outras) podemos compreender e reconstituir o assunto principal do texto, O reconhecimento das relações lexicais, morfológicas e sintáticas estabelecidas na configuração da superficie do texto é um pressuposto necessário para que leitor possa tomar decisões. E importante aprender a selecionar e hierarquizar as idéias para identificar as palavras principais. Há muitos detalhes que são usados em um texto para esclarecer ou enriquecer a informação já

dada. Não fazem falta a não ser estilisticamente. Veja, por exemplo, a frase: Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os outros jogam fora. O teor de informação nova agregado ao que já tinha sido dito é muito pequeno. E apenas uma ilustração explicativa contundente. Observe a continuação desse texto e exercite sua capacidade de selecionar palavras importantes, destacando-as:

A QUALIDADE DA LEITURA 33 Na tentativa depôrfim a esse quadro dramático, o Fund das Nações Unidas para a Infância (UniceJ), em conjunto com o Ministé rio do Meio Ambiente e a Secretaria do Desenvolvimento Urbano, lançou a campanha Criança no Lixo Nunca Mais. A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais e não governamentais já rnecerão orientações a prefeituras de 5.507 municípios sobre elaboração de projetos e formas de buscar recursos para implementá -los. A meta é ambiciosa. Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, envolver a União, os estados, os municípios, além de parcerias com a iniciativa privada e a população em geral. Acima de tudo, exige vontade política. O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não Jár assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar empregos dignos. Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicef prospere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perspectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a sobrevivência no lixo constitui mau presságio. Sugere que poderá não haver nenhum futuro. É indispensável e urgente modflcar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.
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34 TÉCNICA DE REDAÇÃO Observe como as palavras destacadas por você carregam o significado mais importante da mensagem e permitem que as idéias principais sejam recuperadas. É preciso observar e compreender para hierarquizar e selecionar. Tudo depende de treino, experiência. Ou seja, uma boa leitura depende de muita leitura anterior. c) Tomar notas Uma ajuda técnica imprescindível, principalmente para quem lê com o objetivo de estudar, é tomar notas. A partir das palavras-chave, o leitor pode ir destacando e anotando pequenas frases que resumem o pensamento principal dos períodos, dos parágrafos e do texto. Pode também marcar com lápis nas margens para identificar por meio de títulos pessoais as partes mais importantes, os objetivos, as enumerações, as conclusões, as definições, os conceitos, os pequenos resumos que o próprio autor elabora no decorrer do texto e tudo o mais que estiver de acordo com o objetivo principal da leitura (algumas edições já trazem esse destaque na margem para facilitar a leitura). Essas notas podem gerar um esquema, um resumo ou uma paráfrase. Trabalho Nenhuma criança trabalha porque quer. Mas infan til no porque é obrigada. Prova disso é que só as pobres Brasil entram precocemente no mercado de trabalho. No Brasil, três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e, muitas vezes, o da família. Alguns nunca entraram numa escola. Outros tiveram que aban dona os livros antes do tempo. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres, a maioria tem o destino traçado. De uma ou outra forma, está condenada. Não terá direito ao futuro. Entre a multidão de trabalhadores mirins, en contram-s cerca de cinqüenta mil em situação de-

A QUALIDADE DA LEITURA 35 sumana e degradante. São os catadores de lixo. Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os Catadores outros jogam fora. A partir dos três ou quatro anos, de lixo/ os menores acompanham os pais aos aterros sanitá 50.000 rios para catar a sobrevivência. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. Rende de um a seis reais. Unicef Na tentativa de pôr fim a esse quadro dramáti MMA-SD co, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Uni Campanh cef), em conjunto com o Ministério do Meio Am Crianç no biente e a Secretaria do

Desenvolvimento Urbano, Lixo Nunca lançou a Campanha Criança no Lixo Nunca Mais. Mais A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até Meta/2002 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais Projetos e e não governamentais fornecerão orientações a pre forma de feituras de 5.507 municípios sobre elaboração de pro busca jetos eformas de buscar recursos para implementá recurso los. A meta é ambiciosa.
Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, en volve a União, os estados, os municípios, além de

parcerias com a iniciativa privada e a população
em geral. Acima de tudo, exige vontade política.

Caminhos
O governo está convocado a estabelecer políti Soluçõe cas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa Renda de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos mínima e nesse sentido. Um deles é a garantia de renda míni educaçã ma para as famílias em estado de pobreza absoluta, para o incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, trabalho mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o me no do labor diário dará resultado se não for asse gurad o sustento do núcleo em que ele vive. Outro Importante caminho é a reciclagem educacional dos pais para para o que possam comparecer ao mercado de trabalho em futuro do condições de disputar empregos dignos. país Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicefpros TÉCNICA DE REDAÇÃO pere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perrpectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a

sobrevivência no lixo constitui mau presságio., Sugere que poderá não haver nenhum futuro. E indispensável e urgente modficar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.

d) Estudar o vocabulário
Durante a leitura de um texto, temos que decidir a cada palavra nova que surge se é melhor consultar o dicionário, o glossário, ou se podemos adiar essa consulta, aceitando nossa interpretação temporária da palavra a partir do contexto. Observe o seguinte período do texto: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios — a disputa de alimentos com os abutres. A palavra abjeto pode gerar dúvidas no leitor, mas podemos perceber que ela não é essencial ao texto. Quando retirada, o período preserva significado. Talvez não seja tão necessário nesse caso consultar o dicionáno,já que o contexto esclarece que se trata de uma idéia negativa que intensifica (junto com o advérbio mais) a negatividade que está em infortúnios. Poderíamos tentar substituí-la por outras mais conhecidas.’ indigno, horrível, desprezível, e a frase continuaria apresentando idéia lógica. Esses procedimentos de inferência e compreensão lexical são realizados com muita velocidade pelo leitor. Quando a continuidade da leitura se torna prejudicada, o melhor mesmo é parar e ir ao dicionário.
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.4 QUALIDADE DA LEITURA 37

e) Destacar divisões no texto para agrupá-las posteriormente

É importante compreender essas divisões para estabelecer mentalmente um esquema do texto.
Muitas vezes o autor não insere gráficos, esquemas, nem explícita por meio de enumerações as divisões que faz das idéias. Preste bem atenção quando o texto apresenta estruturas assim:
Em primeiro lugar.. em seguida... em terceiro lugar.. Inicia/mente.., a seguir... finalmente... Primeiramente.., em prosseguimento... por último... Por um lado... por outro lado... Num primeiro momento... num segundo momento... A primeira questão é... A segunda... A terceira...

Por meio da identificação dessas estruturas é possível reconstruir o raciocínio do autor e torna-se mais fácil elaborar esquemas e resumos. No texto que estamos analisando há um exemplo interessante: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse
sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esfárço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não for assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar emgos dignos.

A identificação dessas estruturas textuais na leitura facilita a compreensão das idéias e cria uma matriz mental para organização e hierarquização das informações.
38 TÉCNICA DE REDAÇÃO

fi Simplificação
Um dos recursos mais produtivos durante a leitura de textos complexos é fazer constantemente paráfrases mentais mais simples daquilo que está no texto, ou seja, fazer traduções em palavras próprias, dizer mentalmente com suas próprias palavras o que entendeu do texto. Uma brincadeira que o jornalista Elio Gaspari gosta de fazer é com a simplificação de linguagem exageradamente complexa. Observe o exemplo: CURSO MADAME NATASHA DE PIANO E PORTUGUÊS Madame Natasha tem horror a música. Ela socorre os desconectados do vernáculo. Decidiu conceder uma de suas bolsas de estudo á professora M.B. G.S., presidente da Comissão Esta- dual para elaboração do Projeto de Informática na Educação. No relatório que essa comissão produziu, Natasha encontrou o seguinte adereço: O ambiente informatizado oportuniza a possibilidade de ruptura de estruturas estáticas. Toda experiência de aprendizagem pode ser simulada, mas a simulação, que é uma expressão simbólica, no ambiente digital passa a ser também real, passível de experiência sensorial. Madame acreditaniza que quiseram dizerinizar o seguinte: — O computador é um instrumento pedagógico versátil. Elio Gaspari. Jornal de Brasília. Brasília, 22 fev. 1998. O procedimento de tradução mental simplificadora é muito útil para conferir se entendemos mesmo o texto ou não.

g) Identificação da coerência textual
Diante de cada novo texto temos de identificar as estruturas básicas para compreender seu funcionamento. Assim, iden
A QUALIDADE DA LEITURA 39

tificamos imediatamente o que é um poema, o que é uma fábula, o que é um texto dissertativo. Como a escrita é para ser lida e compreendida a distância, sem interferência do autor no momento da leitura, sua elaboração exige uma estrutura exata, precisa, clara, que assegure ao leitor uma decodificação correta e adequada. Para tanto o autor usa estruturas sintáticas complexas, estabelecendo minuciosamente as relações entre as idéias, já que não pode contar com o apoio do contexto, das expressões faciais, do conhecimento comum. Isso acontece principalmente nos textos de natureza informativa: dissertações, argumentações, reportagens e ensaios, os quais privilegiamos neste livro. Quanto menos compromisso o texto tem com a informação exata, mais espaço deixa para os acréscimos e interpretações do leitor, como é o

Com que autoridade? Papel social do autor O que eu já sei sobre o tema? Conhecimentos prévios do leitor Quais são os outros textos que estão sendo citados? Intertextualidade. para auxiliar o leitor a chegar às conclusões desejadas pelo autor. discutir. Quais são as outras vozes que perpassam o texto? Distribuição da responsabilidade pelas idéias. Como são tratadas as idéias contrárias? Rebatimento ou antecipação de oposições. Isso significa que a leitura para apreensão de informações deve ser uma leitura pausada. mais estruturado. A quem se destina? Público. concordar ou se opor a essas idéias. Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Posicionamento explicitado. refazendo o trajeto do seu pensamento original. Vamos analisar um exemplo bem simples de intertextualidade: CONTRAFÁBULA DA CIGARRA E DA FORMIGA . 40 TÉCNICA DE REDAÇÃO Durante a leitura é preciso conferir as interpretações. Terá por base um planejamento lógico. Esses textos não são fáceis e não são compreendidos à primeira leitura. fazendo perguntas ao texto. Essas informações pragmáticas vêm iluminar e esclarecer os significados e estabelecer a coerência textual do que é lido. Onde é veiculado? Suporte editorial. dados. exata. Quais são as idéias principais? Informações. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Estrutura textual. Quais são os exemplos citados? Fatos. de redundância. Quando o interesse for assegurar uma compreensão predeterminada. Além dessas. como entre o texto e os conhecimentos prévios do leitor e suas experiências vividas. Uma decifração que procura percorrer o mesmo raciocínio do autor do texto. ou até mesmo a uma paródia completa. em que a estrutura do texto inicial é utilizada como base para o novo texto. em que as seqüências tenham uma articulação necessária entre si mesmas. Esse diálogo. superficial e rápida. Para isso fazemos perguntas elementares: Quem escreve? Autor Que tipo de texto é? Género. a intensidade do esforço para compreender a intertextualidade pode variar e sempre depende de conhecimentos prévios comuns ao autor e ao leitor. Essa associação é prevista pelo autor e deve ser feita pelo leitor de forma espontânea.caso da publicidade. na proporção em que partilhe conhecimentos com o autor. podemos incorrer em equívoco. essa interação entre leitor e texto exige a ativação de conhecimentos que extrapolam a simples decodificação dos elementos constitutivos do texto. Em textos mais complexos. um objetivo claro para a leitura. definições. Quais são os testemunhos utilizados? Depoimentos. Essa ligação entre textos pode ir de uma simples citação explícita a uma leve alusão. que vai do particular para o geral e volta do geral para o particular constantemente. Qual o objetivo? Intenções. conceitos. precisa. A QUALIDADE DA LEITURA h) Percepção da intertextualidade Um texto traz em si marcas de outros textos. naturalmente será produzido um texto mais denso. Com que argumentos as idéias são defendidas? Provas. um empenho constante para fazer os relacionamentos adequados tanto entre as idéias interiores ao próprio texto. para apreender. nos quais a polissemia (convívio de uma multiplicidade de significações sobre uma mesma base) predomina. da poesia e dos textos literários em geral. Caso essas perguntas não sejam respondidas de maneira adequada. interpretando mal os objetivos e conseqüentemente as informações e os significados. Quais são as partes do texto que apresentam objetivos. É preciso um rígido controle da atenção. Um texto bem escrito apresenta sempre uma certa dose de repetição. há muitas outras perguntas que o leitor vai propondo à medida que lê e de acordo com os seus objetivos. A esse fenômeno chamamos intertextualidade. desacelerada. explícitas ou implícitas.

vendendo na alta e comprando na baixa. Aí a formiga pensou no seu trabalho. Na trabalheira do investimento. incutindo nos filhos hábi 41 42 TÉCNICA DE REDAÇÃO los de poupança. E diga-lhe que eu quero que ele vá para o raio que o parta! Trata-se de uma fábula. no mundo dominado pelos meios de comunicação e pelo hedonismo. A formiga. não foi. O quê?! exclamou aformiga. e a mensagem original. . atualiza suas circunstâncias e modifica seu final (intertextualidade implícita na estrutura). E também um juízo a favor da arte em oposição à especulação financeira. ah. — Tenho um programa semanal. os artistas podem chegar a ser milionários com mais rapidez e facilidade do que quem trabalha incansavelmente pensando exclusivamente no dinheiro. com quem estudara no ginásio. comentou: A senhora andou cantando na tevê todo este verão.. tem a excursão a Nova York. Fechava contratos em Londres já com um pé no Boeing para Frankfurt ou Genebra. ‘Ah. Batista A formiga passava a vida naquela Jármiga ção. encontrou a cigarra no shopping Iguatemi. procure lá um tal La Fontaine. aumentando o rendimento da sua capita e dizendo que estava contribuindo para o crescimento do Produto Nacional Bruto. não é? — Não faz mal. Os meus discos não saem das paradas. preparando o terreno para sua vingança. remordida. chegoua minha vez!” Mas a cigarra aproximou-se só querendo saber como estava ela e como estavam todos no formigueiro... você há de aparecer por aqui a mendigar o que não poupou no verão! E vai cair dura com a resposta que tenho preparada para você! Ruminando sua terrível vingança.. Lá vem ela dar a sua facada. sempre atenta aos rateios e às subscrições. Mas vivia também roendo-se por dentro ao ver a cigarra. enquanto aquela inútil da cigarra ganhava tanto cantando e se divertindo! E perguntou: — Quando a senhora embarca para Paris? Na semana que vem. — E pode me fazer um favor? Quando chegar a Paris. O autor parte do pressuposto de que seus leitores conhecem a fábula da Cigarra e da Formiga do autor francês La Fon A QUALIDADE DA LEITUK4 taine e que reconhecerão imediatamente a sua paródia.. uma historieta de ficção. destinada a ilustrar um preceito. depois Londres. Um dia. contrária ao prazer. não estaria mais funcionando. E acabei de fechar um contrato com o Olympia de Paris por duzentos mil dólares. quando voltava de uni almoço no La Tambouille com os japoneses da informática. — A senhora não depositou nada no banco. cantarolando como de costume. Agora no inverno é que vai ser mau continuou aformiga com toda maldade na voz. E vivia ajármiga a dizer por dentro: Ah.. hoje em dia.Adaptação feita por 1edro Bandeira do texto do escritor português Antônio A. metida em shows e boates. consultando advogados e tomando vasodilatadores. sempre acompanhada de clientes libidinosos do Mercado Comum. mas a alusão à fábula original (na última fala da formiga) cria a intertextualjdade explícita. Utilizando uma situação similar à fábula original. já que remete à lição de moral tradicional e multiplica o humor do texto. Segundo sua posição crítica. nas suas azias. pensou ajórmiga. uma sabedoria. Depois. para verificar os dividendos de suas contas numeradas. — A senhora vai ganhar duzentos mil dólares no inverno? — Não. ah! No inverno. ou seja. na sua vida terrivelmente cansativa e nas suas ameaças de enfarte. depois Amsterdam. de cunho popular e de caráter alegórico. dona Cigarra? — E claro! — disse a cigarra. Isso é só em Paris. A história em si é engraçada. O próprio título anuncia a intenção. voltava a formiga a tesourar e entesourar investimentos e lucros. sempre consultando as cotações da Bolsa.

os recursos estilísticos com mais eficácia que pelas aulas e exercícios gramaticais. Pouco a Pouco. Conhecendo melhor o processo de leitura Como vimos. temos que ler desaceleradament quando estudamos assuntos desconhecidos quando o texto é denso e complexo ou quando contém muitos implícitos Para garantir esse contro le é necessário ter uma consciência contínua dos procedimentos que estão sendo utilizados além de uma disPosição para avaliar a qualidade da própria leitura Tolerância e paciência: muitas vezes.1) Monitoramento e concentração Durante a leitura podemos exercer um relativo controle consciente sobre as nossas atividades mentais. uma espécie de roteiro: como vamos ler? para que vamos ler? Esse roteiro deve ser controlado e reavaliado durante a leitura. Ele não é espontâneo e depende de treino e concentração. de simplificação e de monitoração das atividades mentais de forma que possamos otimizar nosso esforço. disciplinando-as e submetendo-as aos nossos interesses. Por isso é necessário prestar bem atenção no que fazemos enquanto lemos para termos mais domínio sobre as nossas próprias habilidades de leitura. a cada dia. conseguir o melhor resultado da maneira mais prática e simples. os tipos de texto. consciente ou inconscientemente. Releia e responda mentalmente às perguntas: Quem escreve? Que tipo de texto é? A quem se destina? Onde é veiculado? Qual o objetivo? Com que . naturalmente. Esse desconforto no iflÍcjo de um texto é muito comum. Em qualquer situação de leitura utilizamos procedimentos que nos auxiliam a compreender e interpretar o texto. E são os objetivos que vão direcionar o tipo de leitura que vai ser realizado. quando o trecho é fácil ou quando a leitura tem por objetiv0 a simples distração Outras vezes. Algumas vezes pode merecer reorientação. a leitura se toma. para isso. 6. a leitura é fundamental. A QUALIDADE DA LEITURA 45 5. em um exercício mais prazeroso. podemos ler mais rapidamente: quando o assunto é conhecj do. a escrita depende de nosso conhecimento do assunto. Esse controle é essencial para que a leitura seja produtiva. Assim. Leia uma vez. então para conferir a decodifica ção das palavras e a interpretação Essa capacidade de avaliar constantemente a própria leitura precisa ser deSenvol Vida Ajuste de velocidade. e também para que a leitura se transforme. ou seja. geralmente é necessário voltar ao texto algumas vezes. Uma única leitura nem sempre é suficiente. o leitor deve controlar a veloci dade de leitura de acordo com as dificuldades que o texto oferece e com os objetivos da leitura Às vezes. desistimos da leitura de um texto no primeiro parágrafo Esse procedi mento é precipitado E preciso merguJ proftmndamente no texto para dar-lhe uma chance de ser bem Sucedido Na maioria das vezes. quando percebemos a distração temos que Voltar e reler aquele trecho Esse é um exemplo de como controlamos naturalmente os nos505 erros de leitura Outras vezes. conforme nossos objetivos. pois é natural que o começo da compreensão seja ainda uma idéia desfocada A primeira leitura. E um processo complexo que exige do leitor uma série de habilidades cognitivas muito sofisticadas. com freqüênc não é satisfatóa e é preciso empreender uma segundaj com alguma informação sobre o texto e com mais atenção e concentração. os gêneros. Habilidades que agilizem os procedimentos contribuem para que não haja desperdício de energia e de tempo. Prática de leitura a) Escolha um artigo assinado do jornal de sua preferência. E importante desenvolver adequadamente essas estratégias de apoio técnico. Estou mesmo perseguindo meu objetivo? Já me distraí? Mudei o meu trajeto de leitura? Criei outro objetivo no percurso? Detecção de erros no processo de leitura: algumas vezes lemos muito rapidamente enquanto pensamos em ou43 44 TÉCNICA DE REDAÇÃO tra coisa e. interpretamos mal uma passagem e no decorrer da leitura percebemos que as idéias estão contraditórjas Voltamos. da língua e dos modelos de texto. a leitura ajuda a escrever melhor. Fidelidade ao planejamento: antes de começar a ler um texto sempre estabelecemos. mais fácil e as dificuldades preliminares Vão se resolvendo. Pela leitura interiorizamos as estruturas da língua.

que é seletiva e rotativa. pois é duradoura. de filmes. O trabalho com a memória Precisamos usar muitas informações contidas em textos que já lemos. esquecemos tudo com facilidade. enquanto elas nos são úteis e estão sendo realmente utilizadas. Mas. O mesmo acontece quando estudamos a gramática pela gramática. associada e relacionada a outros conhecimentos prévios existentes em nossa memória. sem aplicação direta na produção de textos. As informações novas ficam algum tempo na memória de curto prazo. por um período breve. se nos dias subseqüentes não precisarmos mais desse número. . Se não forem úteis por longo período. Mas nem sempre isso é possível. como se estivessem temporariamente à disposi 48 TÉCNICA DE REDAÇÃO çào. acaba por dominar naturalmente o assunto. impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. Se. Como exemplo. reelaborada em nossa mente por meio de novas associações e novas divisões. Um outro. Já um número usado todos os dias. Isso acontece com nomes de lugares. como se faz freqüentemente nos cursos preparatórios para concursos. apreendemos um pouco mais. Leia. de livros. Algum esclarecimento acerca da memória. nesse período. caem no esquecimento. para que uma informação fique consolidada na memória de longo prazo é preciso que seja: útil na vida prática ou para nossas reflexões abstratas: utilizada com certa freqüência. Capítulo 4 Da leitura para a escrita 1. chegamos a memorizálo. que dá aulas sobre uma mesma matéria para várias turmas. tudo aquilo que nos deu tanto trabalho para memorizar à força é esquecido imediatamente após a prova. d) Escolha um texto de estudo e aplique as estratégias de leitura apresentadas neste capítulo. em um período de teste. Então. pode ajudar a compreender e controlar seu funcionamento. de pessoas. Um professor. Ela não guarda tudo o que gostaríamos a partir de uma primeira leitura. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Com que argumentos as idéias são defendidas? Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Quais são as outras vozes que perpassam o texto’? Quais são os testemunhos utilizados? 46 TÉCNICA DE REDAÇÃO Quais são os exemplos citados? Como são tratadas as idéias contrárias? c) Escolha um texto dissertativo que ofereça alguma dificuldade de leitura para você. Analise os procedimentos de leitura sugeridos neste capítulo que você já utiliza. É importante considerar também outros aspectos da aprendizagem. Quando podemos ler uma vez a informação. podemos pensar na seguinte situação: se estamos tentando comunicação por vezes repetidas com um número de telefone. permanece na nossa memória de longo prazo.autoridade? O que eujá sei sobre o tema? Quais são os outros textos que estão sendo citados? Quais são as idéias principais? Quais são as partes do texto que apresentam: objetivos. forem muito usadas. apreendemos uma pequena parcela do que ouvimos. Se memorizamos alguns itens sem transferi-los gradualmente para a prática. dizendo em voz alta seus pensamentos para controlar a leitura. a memória vai descartá-lo por falta de uso. durante muito tempo. guardamos informações novas. estabelecem laços com outras informações preexistentes. Nossa memória é muito seletiva. Temos dois tipos de memória: a de longo prazo e a de curto prazo. Quando decoramos mecanicamente regras e conceitos. que apenas esporadicamente fala sobre um tema. Na de curto prazo. Na memória de longo prazo guardamos nossos conhecimentos consolidados. encontram pontos de apoio que as sustentam por mais tempo e se tornam mais duradouras. Não o esquecemos tão facilmente. essa faculdade de reter as idéias. Grave em fita de áudio tudo o que pensa enquanto lê. conceitos. Já sabemos que as informações que vêm apenas por via auditiva são menos duradouras. Se não são utilizados. Quando vemos. por exemplo. E acontece também com conceitos e definições. serão descartadas. definições. Memorizamos aquilo que é significativo para nossos interesses intelectuais ou para nossa vida pessoal. tem que estudá-lo para reavivar a memória quando precisa expor novamente o assunto. importante na nossa vida diária. temos um pouco mais ainda de possibilidade de gravar na memória.

lemos e tentamos memorizar o que lemos. e pode trazer explicações. Muitas vezes. na organização geral do texto. O desenvolvimento. podemos produzir esquemas. A leitura pode levar à produção de textos de natureza diferente do texto original e com finalidades também diferentes. 3? — Reagrupar as informações de acordo com unidades menores. um conceito. Quanto mais aprendemos. prender-se às expressões utilizadas pelo próprio . conforme vimos no capítulo anterior. Resumos. esquemas e paráfrases A partir do esquema podemos facilmente reconstituir as ligações do texto original elaborando um novo texto. A leitura com esse fim é muito detalhada. É uma leitura de reconhecimento prévio do material a ser estudado. utilizar. DA LEITURA PARA A ESCRITA O leitor que tenta reconstruir o percurso do autor não pode acrescentar idéias novas ao resumo do que lê. uma pergunta. que também é uma forma de retomada das informações. elaboramos a paráfrase. 4? — Organizar um esquema das idéias. mas deixá-la implícita. ela pode ser: uma afirmação. ou seja. 6? — Redigir o resumo seguindo o roteiro estabelecido pelo esquema. subdividindo-o de acordo com as relações sintáticas. prestando atenção nos títulos e subtítulos. Muitas vezes. a compreensão das idéias expostas pelo outro. uma resenha ou um comentário que permitem ampliação e discussão. ler. uma negação.DA LEITURA PARA A ESCRITA 49 Mas se podemos ouvir. oposições. 2. uma compactação. visa fundamentar a idéia inicial. E preciso que a pessoa trabalhe bastante para que o conhecimento passe realmente a ser propriedade sua. aprender exige trabalho sobre o conhecimento. identificando palavraschave e anotando idéia por idéia. como conclusão. 5? — Voltar ao texto e conferir a correspondência com as idéias principais. atuar. desenvolver uma ação (concreta ou mental) sobre certa informação de forma pessoal. conseguimos maior índice de memorização e de aprendizagem. Não se trata de uma simples transferência. ou então sintetizar as informações para revê-las ou repassá-las a outros. Assim. Organizar um esquema é uma maneira preparatória para o resumo e a paráfrase. parágrafo por parágrafo. divisão de idéias. dispensando exempios e ilustrações. mais curto que o original um resumo em que as informações essenciais são rearticuladas em uma nova organização. Em um resumo recorre-se a poucos efeitos retóricos. o autor prefere colocar a idéia principal no fim do parágrafo. e que a inteligência precisa ser constantemente estimulada para não se atrofiar. para que o leitor chegue mentalmente à conclusão a partir das evidências colocadas no texto. e não uma crítica. mais temos possibilidade de aprender. Hoje em dia. embora existam variações infinitas. pois a linguagem deve ser objetiva e clara. a ciência já constatou que o cérebro e a memória precisam de exercícios. precisamos utilizar estratégias de desaceleração para apreendermos melhor um texto. em que o professor ou o texto doam ao aluno a informação nova. rápida. comparações. ver e experimentar. os parágrafos dissertativos/argumentativos têm uma estrutura organizada logicamente: Primeiros períodos = idéia principal Períodos seguintes = desenvolvimento Último período = conclusão Quando a idéia principal surge no início do parágrafo. quadros. pois os conhecimentos que adquirimos formam uma base em que novos conhecimentos vêm se instalar de forma mais duradoura. do geral para o particular. como veremos no capítulo 6. no resumo. mas podemos estabelecer um roteiro básico como sugestão: 50 TÉCNICA DE REDAÇÃO 1? — Empreender uma primeira leitura descendente. O leitor deve criar o seu próprio método. Como a primeira leitura é sempre muito breve e superficial. quando ainda na fase do esquema. Normalmente. O processo de debate pressupõe a intelecção. Se nosso objetivo é repetir as mesmas informações integralmente. mantendo as relações entre essas unidades. 2? Fazer uma segunda leitura. pois trata-se de uma síntese. Por isso é bom. Assim. resumos e paráfrases. Pode até mesmo não explicitá-la claramente.

finalmente........ um outro aspecto é. em seguida. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o uso das frases de transição. TÉCNICA DE REDAÇÃO Essas frases exigem muita atenção do leitor.. gênero e tipo de texto.autor do texto..... é o que ocorre no caso em que Indicam inserção de citações: Segundo o especialista X De acordo com o que afirma X Xjá afirmou que Conforme X.. estruturas sintáticas... vocabulário.. por último. Indicam conclusão parcial ou final: Em vista disso podemos concluir Diante do que foi dito Em suma Em resumo Concluindo Portanto Assim 51 fr ... em segundo. Primeiramente...-. mas você pode encontrar infinitas variações nos textos que lê. por outro lado.. São elas que o levam a decidir quais são as . pois é necessário trabalhar com precisão sobre: significados. Elas conduzem o raciocínio do leitor de acordo com o planejamento do autor e podem exercer várias funções.... pode-se observar Assim.. Indicam objetivo: O que desejamos neste trabalho O objetivo desta investigação Pretendemos demonstrar Procuramos comprovar Estamos tentando provar Indicam inserção de exemplo: Para exemplificar. Por um lado.. podemos ob servar Para comprovar o que foi dito Exemplo disso é Como exemplo. em sua obra Y Indicam divisão de idéias: Em primeiro lugar.. Colocaremos aqui alguns exemplos.. depois. O primeiro aspecto é.. O resumo é um trabalho sobre a linguagem muito complexo.

oferecendo-lhes produtos culturais “médios”. em vez de garantir o mesmo direito de todos á totalidade da produção cultural. A arte possui intrinsecamente valor de exposição ou exponibilidade. INDÚSTRIA CULTURAL E CULTURA DE MASSA A partir da segunda revolução industrial no século XIX e prosseguindo no que se denomina agora sociedade pós-industrial ou pós-moderna (iniciada nos anos 70 do século Xv). 2. No entanto. certos conhecimentos “médios” e certos gostos “médios “. a arte se transforma em seu oposto: é um evento para tornar invisível a realidade e o próprio trabalho criador das obras. A indústria cultural acarreta resultado oposto. baseada na idéia e na prática do consumo de produtos culturais”fabricados em série. tornarem. formando uma elite cultural.informações essenciais e as que podem ser dispensadas no resumo. as artes foram submetidas a uma nova servidão: as regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural.se consagração do consagrado pela moda e pelo consumo. de trabalho da criação. A “média” é o senso comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova. sinal de status social. No entanto. tornarem-se eventos para consumo. já fez. de modo que tudo o que nas 53 54 TÉCNICA DE REDAÇÃO obras de arte e de pensamento significa trabalho da sensibilidade. mas deve devolver-lhe com nova aparência o que ele já sabe. É algo para ser consumido e não para ser conhecido. Sob os efeitos da massflcação da indústria e consumo culturais. da reflexão . através dos preços. criticá-las. não pode chocá-lo. 3. pois todos poderiam. E essencialmente espetáculo. Em segundo lugar. as empresas de divulgação cultural já selecionaram de antemão o que cada grupo social pode e deve ouvir. isto é. porque inventa uma figura chamada “espectador médio ‘ “ouvinte médio” e “leitor médio ‘ aos quais são atribuídas certas capacidades mentais “médias “. fazê-lo ter informações novas que o perturbem. O que é a massa? É um agregado sem forma e sem rosto. a arte não se democratizou. as artes correm o risco de perder três de suas principais características: 1. em princípio. Em terceiro lugar. incorporá-las em suas vidas. provocá-lo. destinadas à massa. Por quê? Em primeiro lugar. tornarem-se reprodutivas e repetitivas. Para seduzi-lo e agradá-lo. A democratização da cultura tem como precondição a idéia de que os bens culturais (no sentido restrito de obras de arte e de pensamento e não no sentido antropológico amplo) são direito de todos e não privilégio de alguns. cada um escolhendo livremente o que deseja. transformando-se em propaganda e publicidade. de expressivas. e os artistas epensadores 4 DA LEITURA PARA A ESCRITA poderiam superá-las em outras. de experimentação do novo. Assim. basta darmos atenção aos horários dos programas de rádio e televisão ou ao que é vendido nas bancas de jornais e revistas para vermos que. diversão e distração. direito à informação e àforniação culturais. sob controle económico e ideológico das empresas de comunicação artística. ter acesso a elas. como o consumidor num supermercado. novas. já viu. existe para ser contemplada efruída. direito à produção cultural. Vamos analisar um texto e compreender o processo de resumo. massificou-se para consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de massa. fruído e superado por novas obras. porque separa os bens culturais pelo seu suposto valor de mercado: há obras caras” e “raras “. conhecê-las. e há obras “baratas” e “comuns “. Perdida a aura. da inteligência. da imaginação. palavra que vem do latim e sign fica: dado à visibilidade. ver ou ler. As obras de arte e de pensamento poderiam democratizar-se com os novos meios de comunicação. Democracia cultural significa direito de acesso e de fruição das obras culturais. fazê-lo pensar. porque cria a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais. como tudo que existe no capitalismo. porque define a Cultura como lazer e entretenimento. destinadas aos privilegiados que podem pagar por elas. Para vendê-la. As obras de arte são mercadorias. deve seduzir e agradar o consumidor. O que significa isso? A indústria cultural vende Cultura. a indústria cultural introduz a divisão social entre elite “cultural” e massa “inculta “. sem identidade e sem pleno direito à Cultura. Em quarto lugar. prestígio político e controle cultural. ao massifiLar a Cultura.

Marilena Chaui. > à produção cultural. experimentação ‘. ou leitor médio”. capacidades mentais. Massifica = banaliza / vulgariza a expressão artística e intelectual. Sabemos que Marilena Chaui é uma filósofa e que se trata de um texto dissertativo. criação > consumo. Em lugar de difundir e divulgar a Cultura. rearticulando-as em novas orações e períodos. independentes do texto original. voltando ao texto. podemos observar que algumas informações foram eliminadas e outras podem ser reagrupadas. são dispensados e o resumo vai reconstruir diretamente as afirmações. como o esquema que serve . ou seja. São Paulo: Ed. Ática. Indústria cultural resultado oposto = introduz a divisão social ao massificar a Cultura. despertando interesse por ela. massa inculta. inventa uma média “espectador. 56 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nesse esquema. ouvinte. inteligência. conclusões e respostas. se transforma em seu oposto = mercadoria quando > Fabricação em série > Propaganda e publicidade > Sinal de status > Prestígio político > Controle cultural não se democratizou massificou-se Arte corre risco Valor de: pode se transformar em: 1. 1997. 329-30. teórico. as 700 palavras do texto original foram reduzidas a apenas 198. não pode mais depender do original. redundância e as perguntas retóricas. Os efeitos de repetição. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos. 2. 3. reflexão e crítica não têm interesse. 4. define a Cultura como lazer e entretenimento. reagrupa as idéias. Ao analisar as escolhas feitas. O texto começa com uma informação que será explicitada nos parágrafos seguintes. elite culta. 2. pp. separa “caras’ e “raras”. não vende. DA LEITURA PARA A ESCRITA 55 Indústria cultural e cultura de massa Artes submetidas (2 revolução industrial séc. do texto já nos diz que a idéia principal é a distinção entre o que é realmente arte e o que a indústria cultural produz para a massa no capitalismo. sobre conceitos bastante abstratos. numa redação própria da pessoa que resume. Deve funcionar como um texto autônomo. Já é possível retirar do texto a sua estrutura básica e reorganizá-la em blocos. porque 1. podemos aproflindar mais a compreensão das causas e conseqüências dessa distinção. banalizar a expressão artística e intelectual. conhecimentos e gostos “médios” = produtos culturais “médios” = o que o consumidor já sabe = senso comum. O resumo. assim. não “vende”.e da crítica não tem interesse. cria a ilusão de acesso através dos preços seleciona grupo social. diversão e distração. Os parágrafos seguintes desenvolvem e aprofundam essa idéia. > à informação e à formação. superficial e rápida. Uma primeira leitura. 8 ed. > “baratas” e “comuns”. expressidade > repetição. no primeiro parágrafo já se anuncia a idéia principal: de que a arte foi transformada numa mercadoria e que por isso foi desvirtuada pela indústria cultural.consagração do consagrado pelo consumo. sensibilidade. toma invisível a realidade e o próprio trabalho criador Democracia cultural (poderia acontecer pelos meios de comunicação) Todos têm direito > ao acesso e à fruição. já com essas idéias. XIX) > mercado capitalista > ideologia da indústria cultural Obra de arte tem valor de exposição / deve ser contemplada e fruída. identificando as palavras-chave e as idéias secundánas distribuídas pelos parágrafos. que têm a função de prender a atenção do leitor. a partir do esquema. Convite à Filosofia. os privilegiados. sem provocações.. imaginação. Na segunda leitura. ao ativar nossos conhecimentos anteriores sobre o assunto. Massifi cor é. 3.

tem a mesma função. inventa um consumidor médio. dissertação e tese). A elaboração interior é feita por meio de paráfrase: para saber se estou compreendendo bem uma idéia é preciso que eu saiba pensá-la. foi substituída pela massflcação. artigo. não foi democratizada. deixar a expressividade pela repetição. prestígio político e controle cultural. no processo de estudo e de aprendizagem. sem novida DA LEITURA PARA A ESCRITA 57 des. vendáveis. Crítico (também chamado de resenha) — apresenta a posição do leitor. a quantidade de palavras em relação ao esquema é maior: 267. informação eformação. E essencial compreender que também na produção de textosusamos freqüentemente a paráfrase. apropria-se dele. o assunto. pela reprodução das idéias com minhas próprias palavras. quando sobre uma mesma melodia criamos letra diferente. deve conter dados essenciais que ajudem o leitor a decidir sobre a necessidade de ler ou não um texto todo. O aprendiz incorpora o conhecimento novo. Ou seja. os pontos de vista. o trabalho da sensibilidade. para escrever um trabalho ou um artigo. da inteligência. mas pelo preço define os grupos que podem usufruir de cada bem. vê a cultura como lazer. dizemos que é uma paródia. tenho consciência de que domino a nova informação. entendida como o direito de acesso efruição. A indústria cultural não democratiza. massficou-se e transformou-se em seu oposto: mercadoria.3. já que um texto é feito de outros textos. e ainda produção cultural. no resumo que apresentamos a seguir. em caso de trabalhos científicos. Quando a organização é semelhante. A obra de arte tem um valor de exposição. produtos culturais fabricados em série. no século XIX. fundados no senso comum. comparações com outros trabalhos e pode trazer uma avaliação geral. Assim. com capacidades. 2. mas apresenta uma forma de organização diferente. utilizamos a paráfrase mentalmente. além de tornar a realidade e o trabalho criador invisíveis. a indústria cultural produz uma massficação. uma intemalização ou assimilação. Assim. para o qual produz bens médios. e. Essa assimilação requer uma elaboração interna. A democratização da cultura. as tes foram submetidas às regras do mercado capitalista e à ideologia da indústria cultural. mas as informações são diferentes. Essas informações lidas passam a fazer parte de nosso . isto é. a representação condensada do conteúdo de um documento (é obrigatório. porque ao massficar reintroduz a divisão social e:]. a criação pelo consumo e a experimentação pelo consagrado. conhecimentos e gosto médios. porque não vende. Ocor 1 58 TÉCNICA DEREDAÇÀO re. que é banaliza ção e vulgarização da arte e do conhecimento. além de nossa experiência de vida. Assim. os métodos e conclusões. Informativo (até 350 palavras) representa o conteúdo. Desde a segunda revolução industrial. pois não se trata apenas de transposição ou transferência. Pode ser: Indicativo (de 10 a 50 palavras) — geral e sintético. entretenimento. Como já vimos no capítulo anterior. por técnicos em editoração e por cientistas. Entretanto. a arte corre o risco de perder suas características. ele é considerado. Mas esse efeito é artístico e criativo. É utilizado em revistas científicas.apenas para retomar as idéias principais. às vezes cômica ou irônica. cria a ilusão do acesso igual para todos. da imaginação. sinal de status. estamos parodiando. Sob controle econômico. da reflexão e da crítica. antecedendo trabalho científico. fruída e revelar a realidade. Pela paráfrase mental. Um texto é paráfrase do outro quando traz as mesmas informações por meio de outras palavras. como uma estratégia para ler e estudar. utilizamos informações lidas. Observe que a terceira pessoa que garante a impessoalidade própria da estrutura dissertativa foi mantida. que poderia ser alcançada pelos meios de comunicação social. é frita para ser contemplada. em lugar de democratizar a Cultura. separa os bens culturais pagos e raros para uma elite culta e os bens baratos e comuns para a massa inculta. Além dos usos pessoais do resumo. 4. diversão e distração deforma que não tem interesse. reproduzi-la ou dizê-la com minhas próprias palavras. Há diferenças entre o resumo e a paráfrase que é necessário esclarecer.

Ática. DA LEITURA PARA A ESCRITA 59 ou paráfrase: Marilena Chaui afirma em seu texto que a indústria cultural vulgariza as artes e os conhecimentos em vez de d(fundir. Além disso. Por isso. podemos sempre utilizar idéias de outros autores fazendo: citação literal: Marilena Chaui afirma em seu texto que. Neste livro. reutilizá-las. fazendo anotações. são úteis também como textos autônomos. A paráfrase.acervo pessoal de conhecimentos pela internalização. A Associação Brasileira de Normas Técnicas normatiza as regras para publicações. 1997. frases e períodos podem ser simplificados. elabore uma paráfrase em tom mais coloquial. pp. consultá-las. As informações têm de ser fiéis às idéias do texto original. Nossos textos são compostos. Paráfrases mal feitas podem constituir mal-entendidos prejudiciais à comunicação e. 3. Por isso a paráfrase é tão útil. Quando falamos para nós mesmos. muitas vezes.. divulgar e despertar interesse pela Cultura. Assim. Elabore um resumo reduzindo-o a 50% do original. podem ser consideradas plágio. reestruturá-las e reordená-las em outro formato exige uma grande atividade mental que contribui para que a assimilação seja mais consistente. Assim. para identificação. em grande parte. Após a leitura. mas guardam um vínculo com o texto original do qual provêm. mas nossa leitura não retém na memória tudo que é necessário. EDIÇÃO. Prática de síntese a) Escolha um texto de estudo ou relativo ao seu trabalho que precise conhecer bem. que exercem funções próprias como: resumo para apresentação oral e escrita de trabalhos. pois não se pode citar a fonte.outras basta fazer uma alusão ao dono das idéias e. com vários retornos ao texto. agregados ou transformados estilisticamente. . “em lugar de dfundir e divulgar a Cultura. 329-30. Marilena Chaui. registrando. CIDADE: EDITORA. obra. se não houver uma citação clara do autor das idéias. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos “. 8 ed. com nossas próprias palavras. fazemos pequenas paráfrases. mais úteis poderão se tornar quando da produção de um novo texto. Quanto mais organizadas forem essas anotações. sintetizando a idéia principal. esquema para orientar aula ou palestra etc. 4. não perca suas leituras por falta de anotações. transformações conceituais ou reduções. data). seleção e hierarquização de idéias. TÍTULO. Faça um 60 TÉCNICA DE REDAÇÃO esquema das idéias. elabore um pequeno parágrafo. vale repetir. As vezes é preciso citar explicitamente sua origem (nome. é preciso dar-lhe um apoio anotando. junto aos textos transcritos. E preciso uma leitura refinada. PÁGINA. podemos incorporá-las ao nosso texto de maneira parafraseada. interpretando o que foi lido. Leia uma primeira vez para se familiarizar com as idéias. ao fim de cada capítulo ou parte de texto. O importante é que o documento possa ser recuperado pelo leitor a partir de informações básicas. Palavras complexas podem ser substituidas por expressões mais simples e familiares ou pode ocorrer o contrário. ANO. Sempre que fizer esses exercícios de síntese. As técnicas de registro de bibliografia podem variar. dependendo do objetivo da paráfrase. O próprio esforço de reelaborar as idéias. sem acréscimos. Convite à Filosofia. que são muito úteis na ampliação das habilidades cognitivas. adotamos o seguinte modelo simplicado: NOME DO AUTOR. Na paráfrase. despertando interesse por ela. depois de algum tempo. anote a bibliografia referente. Releia. não se saber mais de onde foram retiradas aquelas idéias. resumindo ou esquematizando. Conservando e reutilizando o que foi lido Neste capítulo vimos como podemos registrar as informações lidas de forma que se torne mais fácil voltar a elas. c) De todas as suas leituras para estudo ou trabalho. a partir de informações que colhemos em outros textos. São Paulo: Ed. mas as editoras optam por algumas variações. E muito comum. não é um resumo. E isto é o mesmo que não ter lido. b) Escolha um parágrafo longo de um texto dissertativo.

Clark Gable. no leitor. bilhetes. Clark Gable disfarçando com grande charme a sua velhice. A voz que assume a “fala” nesse tipo de texto é a própria voz do autor. Poesia Completa e Prosa. Podemos traduzir algumas das decisões preliminares nas seguintes perguntas: Quais os objetivos do texto que vou produzir? Que informações quero transmitir? Qual o gênero de texto mais adequado aos meus objetivos? Que estruturas de linguagem devo usar? Vamos refletir. Vamos detalhar aqui como essas funções se realizam no texto escrito. Flauta de Papel. e por isso a primeira pessoa do singular é utilizada com muita freqüência. Manuel Bandeira... tivemos sessão de cinema. sobre essas decisões. São questões de várias ordens: textuais.. a língua escrita é usada com diferentes funções e com os mais diversos objetivos. Há algumas funções consideradas básicas e que estão presentes nos textos de forma especial. mas sempre TÉCNICA DE REDAÇÃO transparece uma função preponderante. Para a expressão de nossos pensamentos. Nos três últimos períodos. 1967. Tenho vontade de rever é . interpessoais. Tomando decisões Para escrever um texto. Audrey Hepburn. Focalizaremos. A história do filme se passava na A’frica.. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 63 Ava Gardner e Grace Kelly. que a função da linguagem está centrada no EU. As feras representando muito bem. ou na informação. podemos escrever textos de gêneros mui t diferentes como: diários. cartas. à noite. na linguagem e no seu funcionamento.1 Capítulo 5 Decisões preliminares sobre o texto a produzir 1. Essas decisões estão relacionadas àqueles mesmos aspectos que tentamos descobrir quando estamos lendo textos de outras pessoas. muitas vezes. Dizemos. informacionais. o autor registra suas impressões a respeito de um filme e dos atores. Um exemplo desses textos é o diário pessoal. na função expressiva. Vejamos um pequeno texto de Manuel Bandeira: Diário de Bordo 22 de julho Ontem. agora. tomamos muitas decisões antes e durante o trabalho. com muita fera. lingüísticas. a) A linguagem como expressão individual Objetivos centrados no EU — Muitos textos têm uma natureza essencialmente subjetiva. Rio de Janeiro: Editora Aguilar. o veículo em que vai circular. cinco funções primordiais da linguagem. a seguir. Avo Gardner e Grace Kelly eu só conhecia defotos nas revistas e jornais. conforme seus objetivos estejam centrados: no EU. Funções da linguagem Como podemos perceber. ar tigos poemas. então. a função expressiva é mais evidente: a experiência pessoal e as emoções são ressaltadas e as informações . As diversas funções coexistem e duas ou três aparecem simultaneamente num mesmo texto. Bonitas. 2. mas não me dão vontade de revê-las. na estruturação do texto e na sua estética. pois o objetivo principal do texto é transmitir ou registrar os sentimentos. muito negro. estão voltados para a expressão individual. Cada um dos objetivos vai determinar o formato que o texto vai tomar e. pensamentos e emo çõe de uma pessoa. depoimentos. Nesse trecho.

assumem o tom de confissão. às vezes. já que não se pode confiar totalmente nela. acontecimentos. uma orientação. Para que estas vantagens cheguem até você. é preciso considerar que esse autor estará exercendo o papel de leitor num segundo momento e. entre em contato com nossa Central de Atendimento ao Cliente por meio do telefone XØ(X\9( Obrigado por ter escolhido nossa empresa para chegar mais perto de sua família. circunstâncias. é um instrumento primordial para o exercício da cidadania. José da Silva. pessoas. com a alta qualidade e a avançada tecnologia da empresa que está pronta para o século 21. alterando o seu comportamento. Atenciosamente. Prezado José da Silva. por mais secreta e enigmática que seja. à neutralidade. escrevemos bilhetes para nós mesmos no intuito de não esquecer algum compromisso ou informação e. está presente em textos cujo objetivo é influenciar a atitude de quem lê. a predominância da função expressiva. deve estar bem elaborada para que possa ser compreendida em outras circunstâncias. você é muito especial para nós. Beltrano Diretor de Serviços 64 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Função centrada no leitor ou apelativa Uma outra função da linguagem é aquela centrada no leitor. Se houver alguma alteração. sempre causam um pouco de dúvida se não estiverem acompanhados de alguma referência mais específica. E por isso sempre estaremos oferecendo-lhe descontos e promoções em nossos serviços. por isso. Temos certeza de que cada vez mais atenderemos às suas necessidades de telecomunicações. Geralmente é uma instrução de procedimentos. à discussão teórica e abstrata em que o eu não se expõe com tanta evidência. A função expressiva da linguagem é essencial à nossa vida. não entendemos o que queríamos dizer. já que o autor fala consigo mesmo. a expressão subjetiva explícita. E por intermédio da função expressiva que nos tomamos senhores de nossa própria história. sempre que escrevemos um diário. precisa de mais de um ponto de apoio. é geralmente considerada inadequada e dá lugar à impessoalidade. Vamos analisar esta carta comercial/publicitária: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 65 . Trata-se de dar ajuda à memória. nas teses e dissertações. pode ser esclarecedor. No entanto. José da Silva. ou seja. ou seja. Muitas vezes. A nossa memória. Pedimos que você verifique a correção dos dados pessoais e do telefone exibidos na conta. uma súplica. Continue preferindo nossa operadora. A conquista da expressão dos próprios pensamentos e opiniões. dos amigos e dos negócios. Um conhecimento ou uma informação preexistentes ajudam a sustentar conhecimentos novos na memória por mais tempo. nos vestibulares e concursos. quando lemos essas anotações. uma ordem. assimilá-los criticamente e assumir a própria voz é essencial. Embora nosso exemplo pertença ao universo literário. a mensagem. um leitor que é a nossa própria pessoa em outro momento. mas reconstruí-los. E quase um monólogo. Palavras soltas são dificeis de ser associadas a fatos. é por meio dela que nos construímos como sujeitos atuantes na sociedade e no mundo. José da Silva. Porém. uma sugestão. é necessário que mantenha seu cadastro atualizado. por favor. Repetir 4 pensamentos de outros é. por exemplo. escrevemos para. pois. Nomes e telefones de novos conhecidos. muito importante. como já vimos.

mais percebem quando estão sendo persuadidos contra a própria vontade e mais resistem aos processos de tirania e arbítrio. tornou-se uma das mais terríveis muletas lingüísticas da atualidade.: cinemat(o)-: cinemática. Por isso é preciso ler com muita atenção e procurar as segundas e terceiras intenções em tudo o que nos chega às mãos. se constitui objeto de descrição. Função metalingüística é a função da linguagem na qual predominam os enunciados em que o código. Aquele em que a projeção não vem acompanhada de som: cena muda. 1. é como se ele estivesse ausente do texto. kínema. c) A linguagem que explica a língua —função meta!ingüística A linguagem pode falar acerca de si mesma.] S. Aquele em que a projeção é acompanhada de uma faixa sonora. 4. colocando as ações do leitor em evidência. Embora possamos perceber que um autor elaborou o pensamento sobre o item analisado. 2.] S.Observe como o propósito da carta influenciou a sua forma. 1.] Verbete: cinernateca [De cinema. É importante perceber os mecanismos de convencimento que estão implícitos em determinados textos que manipulam o pensamento das pessoas. 3. /Çf sinema. Podemos dizer que a função preponderante é centrada no leitor. I”K 1 cinem [Do gr. Eduardo Martins. Manual de Redação e Estilo — O Estado de S. E a língua falando sobre a própria língua.] El comp. Observe os verbetes a seguir: Verbete: cinema [De cinematógrafo. A locução a nível de. Arte de compor e realizar filmes cinematográficos. DECiSÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR [Equiv. São Paulo: Editora Moderna. /Decisão a nível de governo (decisão governamental)./ O salário será a nível de 5 mil reais (em torno de). explicar-se. 2. no seu comportamento. na sua escolha futura. A empresa quer continuar sendo escolhida pelo leitor como sua operadora de serviços de telecomunicações. Os exemplos mais claros são os textos da gramática.] Cinema falado. Projeção cinematográfica. que criam necessidades de consumo e transformam as pessoas em máquinas desejantes. Por meio desse tipo de texto a sociedade pode ser controlada e submetida à dominação política e cultural. ou parte dele. dos livros didáticos de língua portuguesa e do dicionário. = movimento’: cinemascópio. / Reunião a nível internacional (reunião internacional). 1. 1. p. Em um dicionário. Sala de espetáculos. Cinema mudo. atos. Veja alguns casos em que a locução aparece e como evitá-la: Decisão a nível de diretoria (decisão da diretoria). Muito menos eficaz para o objetivo da empresa seria a simples comunicação por telegrama: Atualize cadastro pelo telefone XXX XXX Agradecemos preferência. é ainda mais evidente essa ausência de um autor explicitamente identificável no texto. Paulo.+ -teca. Assim as informações estão todas organizadas de forma a atingir essa meta. f . / Contratações a nível de futuro (contratações para ofuturo). Mas a sociedade de consumo é fundamentada em textos apelativos. ansiosas por adquirir mais e mais. 3. Em determinados casos podem ser usadas as locuções no plano de e em termos de. Cinematografia. Quanto mais esclarecidos são os cidadãos. m. na sua reação. 190 (com adaptações). modismo desnecessário e condenável. Observe este exemplo: 66 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nível 1. Existe ainda ao nível de. em substituição a praticamente tudo que se queira. cinematógrafo. mas apenas com o sign ficado de à mesma altura: ao nível do mar. onde se projetam filmes cinematográficos.

Verbete: cinematográfico Adj. Dizemos. fora-de-moda Cinema Odeon. e até aplaudi-las. A matinê . Respeitante à cinematografia. que lembra o que se vê no cinema: “Rilhava os dentes. truncamentos. 100 Contos Escolhidos. II. Não amadureci ainda bastante para aceitar a morte das coisas que minhas coisas são. p. em especial os considerados de valor cultural ou artístico. que o texto é opaco. pouco antes de partir o avião. dispõe de uma excelente ferramenta social para exercer suas tarefas na sociedade. então. (Nélson Rodrigues. chama a atenção para a organização e estruturação do texto. o apelo ou a confissão. para sua elaboração especial e intencional. Que. por sua beleza e/ou por outra(s) qualidade(s). jogar com as potencialidades latentes nas palavras e criar combinações novas e originais. proporciona ao leitor o caminho para compreender os significados. a morfologia. paisagem cinematográfica. (Amadurecerei um dia?) Não aceito. A língua é um dos instrumentos mais importantes na conquista da própria identidade e da cidadania. o cinema Glória. maior. mais isso-e-aquilo.) Dicionário Aurélio Eletrônico Há um conjunto de recursos que dispensa a voz do dicionarista. É por meio desses textos que ampliamos o nosso universo lingüístico. em oposição à transparência do texto informativo. pois chama a atenção para si mesmo. minha mocidade fecha com ele um pouco. vai se lembrar do sofrimento de Fabiano por não dominar as palavras. de estranhamento agradável. Mas quando sua linguagem apresenta problemas. ou seja. 67 68 TÉCNICA DE REDAÇÃO d) A arte literária —função poética Encontramos a função poética da linguagem quando a intenção do autor de um texto é extrair da linguagem as suas mais altas possibilidades expressivas. titubeios na fala e falhas e inadequações na escrita. Se você já leu Vidas Secas. Quando uma pessoa tem um bom vocabulário e sabe combinar adequadamente as palavras. 3. os possíveis usos e as relações entre as palavras. percebemos que alguma coisa não funciona bem: pausas. Cada verbete. Não é possível. Local onde se conservam os filmes cinematográficos. Próprio de cinema. temos a arte que utiliza a linguagem verbal. pela forma como está organizado.1. Fechado para sempre.’. de Graciliano Ramos. A Vida como Ela E. 2. mais americano. seja na sua combinação. Quero é o derrotado Cinema Odeon. é digno de ser cinematografado: uma jovem cinematográfica. quando for o caso. 1. A espera na sala de espera. o miúdo. seja no acervo e escolha de palavras. evocando o beUo cinematográfico que dera no aeroporto. Essa elaboração provoca no leitor uma espécie de experiência estética prazerosa. 42. a palavra. por enquanto. Nesses casos. como material de criação: a literatura. O FiM DAS COISAS FECHADO O CINEMA ODEON. mais que para a informação. sendo de outrem. na rua da Bahia.

o Conto.. A prosa e o verso se desdobram em outras espécies literárias. Hart. No exemplo. a elaboração original e única para a expressão de uma interpretação sobre os fenômenos do mundo. análise psicológica. expressão do EU e informação sobre fatos e acontecimentos. Nosso objetivo principal neste livro não é o estudo da literatura. o jogo de palavras é intencional e não pode ser modificado sem que se modifique o efeito dessa escolha sobre a interpretação do poema como um todo. já que permite várias formas de leitura. tramas. A estruturação do texto é tão importante que qualquer substituição constituiria uma agressão à autoria do poeta. você pode observar muitas das características da literatura que constituem meios para a elaboração especial da linguagem: 69 . por exemplo. mesmo não divina. tiros. As meninas-de-família na platéia. Exijo em nome da lei ou fora da lei que se reabram as portas e volte o passado musical. o poema é plurissignificativo. sublime agora que para sempre subm erge em funeral de sombras neste primeiro lutulento de janeiro de 1928. O poema é prioritariamente uma elaboração especial da linguagem. a escolha das palavras. Quando citamos um poema não podemos resumi-lo. A primeira sessão e a segunda sessão da noite. policial. o COflvÍvjo com a literatura Constitui um exercício privilegiado de habilidades cognitivas .7 70 TÉCNICA DE REDAÇÃO Ritmo Repetição de palavras Repetição de sons Repetição de idéias Jogos de palavras Ironias. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR A impossível (sonhada) bolina ção.”. humor Criação de novos vocábulos (neologismos) Frases nominais Estrutura sintátjca predomjnantemerite justaposta Uso da primeira pessoa do singular A literatura assume. crítica da cultura. o romance pode ser: histórico. waldemarpissilândico. porque a obra de arte oferece interpretações do mundo que estimulam a reflexão e o conhecimento Além de proporcionar experiência estética. crítica social. de humor. de costumes. de guerra. são simultâneas. O relato da experiência pessoal. de amor. apresentado como uma narrativa no poema. entretanto o conhecimento da natureza do texto artístico é imprescindível para que se compreenda como funcionam os textos não-literários A leitura freqüente de textos literários é também muito importante na formação de uma pessoa.. polissêmico. diversas formas e diferentes objetivos. mas é também. O jornal da Fox. tombos. alterá-lo ou transformá-lo.. A divina orquestra. pobre sátiro em potencial. por sua vez. na rua da Bahia. Carlos Drummond de Andrade Boitempo O poema de Drummond exemplifica essa opção pela escrita de forma especial: a disposição das frases no papel. Nos versos “FECHADO O CINEMA ODEON. de terror. demonstra como as funções se sobrepõem. depoimento social de costumes de uma época. costumeira./Fechado para sempre. a poesia narrativa épica são feições diferentes para um mesmo fenômeno: a arte da palavra. duplo sentido. e abre caminho para que os leitores empreendam uma reflexão que pode desdobrar-se em várias camadas: lírica. William S. Por exemplo. a associação entre as idéias. critica política. ao mesmo tempo. E cada uma dessas formas tem subgêneros.. Assim.com BuckJones. O romance. como fazemos com um texto de jornal. o teatro.

Este tipo de texto. com distintos objetivos. repetições. considero. dizemos que se evidencia a função referencial. não podemos resolver dúvidas imediatamente. Considere o seu próprio uso da linguagem e observe que a língua escrita não dispõe dos recursos contextuais. O que ganha evidência é a informação. na fala. não trata da linguagem como fenômeno nem busca proporcionar experiência estética especial. É como se a realidade falasse por si própria. de certa forma. concejtuar. dos gestos. Decisões em relação às estruturas Iingüísticas O falante de uma língua é.) são evitados. conceituar. como penso. é muito comum surgirem na fala truncamentos. são sistematicamente evitados. é o mais valorizado nos meios científicos. interpreto. Quem fala. Dizemos. universitários e acadêmicos. . Almanaque Abril 1996 Como você pode observar. Descrever. cortes. Geralmente. conjunções facilmente compreendidas. usamos expressões dialetais com mais freqüência. definir. titubeios e problemas de concordância. definir são formas de linguagem que evidenciam a função referencial. 74 TÉCNICA DE REDAÇÃO Na escrita planejamos cuidadosamente o nosso texto para assegurar que o leitor compreenda nossas idéias sem precisar de mais explicações. sinto. não planejamos com antecedência o que vamos falar. informar. O exemplo a seguir é um caso em que a função referencial é preponderante: 72 TÉCNICA DE REDAÇÃO os primeiros grandes diretores: Mário Peixoto (1911-1993). a maneira como fala. a não ser em situações muito formais ou delicadas. sem a interferência das impressões do autor. pois se refere primordjalmente a uma noção ou fenômeno. inversões. não se trata de um texto expressivo (centrado no EU). das modulações da voz. o autor se distancia ou desaparece quase completamente para tornar a informação bastante neutra. quem lê e a linguagem em si são questões deixadas em segundo plano. percebo. a cada momento. eliminação de elementos sintáticos etc. autor do consagrado Limite (1929-1930). em diferentes níveis. O objetivo é transmitir informações a respeito de uma realidade. expressões faciais. um pouco atrapalhada. autor de Brasa Dormida (1928) e de Ganga Bruta (1933). relatar. Podemos esquematizar nossos procedimentos: Na fala somos mais espontâneos. das expressões faciais. das pausas. acho. Ao escrever. porque o nosso interlocutor está distante e é necessário garantir a compreensão.1983). imparcial. clara e objetiva. como as que se dão entre: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 73 modalidade oral e escrita registro formal e informal variedade padrão e não-padrão a) Distinções entre as modalidades oral e escrita Freqüentemente confundimos as modalidades da língua oral e escrita. expor. e Humberto Mauro (18 77. como expressões faciais. 3. ou seja. então. voz. e) Funçdo referencial Quando a língua é usada para descrever. podemos resolver dúvidas do ouvinte. explicar algum item mal compreendido. corrigir e explicar melhor. Ele fala e usa a língua em diversas situações. Pensamos muito rapidamente e a expressão das nossas idéias pode ser. pois não temos o apoio do contexto. usamos frases mais simples. que enriquecem a oral. não dispomos de recursos como gestos. Não quer provocar algum comportamento no leitor. pois podemos. das referências ao ambiente. precisamos seguir mais rigorosamente as exigências da língua padrão. do contexto. Embora pertençam ao mesmo sistema. pois não atrai a observação do leitor sobre a forma como é organizado. Os recursos explorados pela literatura para chamar a atenção para a estrutura da linguagem (repetições. revisamos para avaliar o funcionamento do texto e evitar repetições desnecessárias de palavras. do conhecimento do interlocutor. essas duas manifestações são apenas parcialmente semelhantes. que o texto é transparente. um poliglota.e de familiaridade com as estruturas e Possibilidades da língua escrita. no qual os verbos que indicam subjetividade. temos apoio da situação fisica. entonação. Há distinções fundamentais nesses usos que é preciso considerar. podemos repetir informações. na primeira pessoa do singular. gestos.

e decidir como usar as infinitas possibilidades da língua da forma mais adequada e aceitável. Sinais utilizados na fala para orientar a atenção do ouvinte: bem. que permeia a escrita informal. peraí (espere aí). Outra vez. a escrita não é a simples transcrição da fala. chamamos atenção para o seu próprio uso da linguagem e para a necessidade de que você reflita acerca de seu desempenho. procuramos utilizar um vocabulário mais exato e preciso. regência. Boa tarde! e da escrita mais informal Tô chegando aí Deiva o parabéns pra mais tarde! à mais formal Chegaremos ao local da cerimônia com uni pequeno atraso em relação à programação anteriormente estabelecida. ortografia. utilizamos sintaxe mais complexa. Um dos problemas mais freqüentes na produção de textos de jovens redatores é a confusão entre a modalidade oral. pois temos tempo de procurar a palavra adequada. e a modalidade escrita formal. o vocabulário e as formas de combinação das palavras em frases e textos. colocação pronominal. Para isso é imprescindível ampliar continuamente o acervo de opções. pontuação. sabe? Verbos de sentido muito geral no lugar de verbos de sentido mais exato: dar ficar dizer tei fazei achar ser. Portanto. né (não é). entendeu?. ou seja. o contexto. tá (está). pra (para). daí aí. Ausência de apoio contextual DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 75 b) Formalidade e informalidade Tanto a fala como a escrita podem variar quanto ao grau de formalidade. Cabe ao falante ou redator analisar a situação. certo?. veja bem.truncamentos. viu?. tá tudo bem? à fala mais formal. . Para que você tenha ferramentas para analisar essa questão. e. que podem aparecer em textos informais. as orações subordinadas são mais freqüentes na escrita que na fala. Podemos sintetizar as diferenças no seguinte quadro: FALA ESCRITA Espontânea Planejada Evanescente Duradoura Repetições / redundâncias/ Controle da sintaxe / das repetições / truncamentos / desvios da redundância Predomínio de orações Predomínio de orações coordenadas subordinadas Gran de apoio contextual Face a face Interlocutor distante . Tem características próprias e exigências diferentes. Há uma gradação que vai da fala mais descontraída 01. assim. cê (você). que. problemas de concordância. que permite a exatidão e a clareza do pensamento. 76 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Palavras de articulação entre idéias (repetidas em excesso) que substituem conjunções mais exatas: então. de acordo? não sabe?. observe alguns itens que merecem atenção. taí (está aí). segundo os objetivos do momento. porque representam estruturas próprias da fala. mas muitas vezes são utilizadas indevidamente na escrita formal: Formas reduzidas ou contraídas. principalmente quando o texto é formal. Solicitamos que as atividades sejam adiadas por alguns minutos. evitamos gíria e expressões coloquiais. tô (estou). planejada e mais próxima da escrita Caros ouvintes. bom.

Atualmente. E muito dificil definir o que seja o padrão culto de uma língua. nós. um texto expositivo contemporâneo: Em 8 de julho de 1886. como neste texto de uma propaganda de adoçante dietético: Você diz pra gente que a vida corre mansa. em textos que não as admitem. vai la’. Esses elementos são próprios da fala espontânea. sujeito a uma infinidade de influências e transformações. Entretanto. como se fazia a respeito dos textos do fim do século dezenove. O que define a norma ou padrão culto é o uso. dizendo que a norma culta está na literatura. Operíodo de 1908 a 1912 é considerado a beile époque do cinema brasileiro. Eles são os exemplos mais citados em nossas gramáticas descritivas e normativas. Observe. pega leve. comédias e filmes com atores interpretando a voz atrás da tela. Constituem recursos inadequados para o texto formal escrito. dos textos informativos. com ele. Um uísquinho de vez em quando. Inconsistência no uso de pronomes: te. esse papo às vezes enche! Mas te vendo cansado e fazendo tudo pra agradar. com cenas da baía de Guanabara. sempre em evolução. Mas o que té rolando é papo de amigo. Aparecem na escrita de forma eficiente quando se deseja dar ao texto um tom coloquial. a produção cai . vestígios de coloquialismo. E quando é que você vai se tocar disso? Hoje não tem presente. Surge um centro de produção no Rio. E Afonso Segreto quem roda o primeiro filme brasileiro. No ano seguinte Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles abrem a prim eira sala exclusiva de cinema na rua do Ouvidor. sem o qual a vida profissional pode ficar prejudicada. se toca. Devem ser considerados os primeiros elementos a eliminar ou substituir quando se deseja transformar um discurso oral informal. nas leis. língua culta ou padrão. Isso diz respeito tanto à fala quanto à escrita. uma vez que essa norma se sobrepõe às variedades regionais e 78 TÉCNICA DE REDAÇÃO individuais. manera. a gente. em 1898.. 6.Gírias e coloquialismos: papo. a seguir. por exemplo) que constituem desvios. econômico e social daqueles que o definem e o codificam nas gramáticas escolares e o consagram na escrita formal. Rui Barbosa e Euclides da Cunha.. mas os dialetos regionais e as particularidades estilísticas pessoais têm seu espaço na vida social. Só que eu também penso no seu. sem planejamento. o Rio de Janeiro assiste à primeira sessão de cinema no Brasil. apenas sete meses depois da projeção inaugural dos filmes dos irmãos Lumière em Paris. nos livros de qualidade. É exigida em determinadas circunstâncias. Assim. informal. Você vive dizendo que pensa no meu futuro. não há por que se portar perante a língua de modo submisso a um poder autoritário. Nos anos seguintes. libertando-a para novas experiências. em um texto escrito formal. pega leve nas frituras. Assim. a norma culta deve distinguir os usos literários dos não-literários. que no seu tempo era diferente Sabe. democraticamente. diminui o açucar. sem essa de dinheiro. é que a gente sente o quanto te ama. vocé seu. a língua padrão é o consenso do que está nos documentos oficiais. A escola deve respeitar as diferenças. encontramos algumas dessas formas impróprias. enche. nos jornais e revistas tradicionais de grande circulação. a norma estava nos textos literários de autores como Machado de Assis.Vel se consegue mudar um pouco sua alimentação. E muitas vezes o caso do texto publicitário. Faz como a mamãe que se amarra num diet. entretanto. velho. O modernismo constituiu uma forma de revolução na linguagem literária. Portanto. ou seja. pois estamos lidando com um fenômeno vivo. O texto formal utiliza o que chamamos de norma.. o padrão depende do poder político. transgressões às formas aceitas até então na escrita culta formal. histórias policiais. Várias salas de exibição são abertas no Rio de Janeiro e em São Paulo no início do século XX. Você fala pra tomar Cuidado corri os eXcessos. sua. não se deve mais generalizar. sem essa. Historicamente. amarra. mas que são inadequados em documentos oficiais ou em textos formais. Pai. e. No início do século.. Muitas DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 77 vezes. os grandes escritores modernistas trouxeram para a literatura a fala do povo e novas criações de efeito estilístico (Guimarães Rosa. oferecendo oportunidade de acesso ao domínio da norma culta. a sua saude é superimpoante pra gente. espontâneo. rolando um papo. um efeito de intimidade que simula a oralidade ou o diálogo. Há recursos da fala e da escrita informal que funcionam muito bem em determinados contextos. consensualmente aceito e consagrado como correto pelos falantes que têm alto grau de escolaridade. A norma padrão assegura a unidade lingüística do país. Por isso velho. sem eliminá-las. manera.

distanciada? Essa decisão vai influir: na estrutura da frase.Ç DECISÕES PRELIMÍNARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 79 Todas essas características contribuem para acentuar o caráter informativo do texto. você tem de decidir se vai contar acontecimentos (narrar). uma boa música. os períodos estão organizados em blocos de idéias bem distintos... Essas decisões estão relacionadas ao objetivo da comunicação e.. p. como já vi mos. diz respeito ao nível de linguagem. as frases são curtas. não há texto totalmente neutro. Mas. em um romance encontramos partes dialogadas. portanto. um bom espetáculo teatral). Antes de começar a escrever. você observa que: a linguagem procura ser clara e objetiva. há uma deliberada neutralidade. que se sucedem compondo o enredo. Você quer um texto mais subjetivo. Todos os gêneros nos interessam como leitores e como redatores. Gênero e tipo de texto Vamos imaginar que você queira escrever um texto sobre uma experiência estética que viveu (um bom filme. tem a oportunidade de. como narrar um acontecimento. Quem vai assistir ao espetáculo. ao gênero de texto que se quer produzir.. Ou prefere se distanciar? Exemplo: Ir ao teatro é uma ex periênci surpreendente. pois a própria escolha das informações que serão utilizadas e das que serão omitidas já pressupõe uma posição diante da realidade. w9k . Exemplo: Ir ao teatro e viver a experiência estética proporcionada pela peça. ou quer utili za uma linguagem formal. de fato. Exemplo: Ontem eu fui ao teatro e via peça. Ao trabalhar com um determinado gênero utilizamos tipologia variada de texto.. as diversas possibilidades de participação em uma conversa. não há intenção de mostrar um estilo muito elaborado. coloquial. a neutralidade com que se tenta convencer o leitor da seriedade e da confiabilidade das informações. Outra decisão correlacionada às anteriores. 294 (com adaptações). quase naturalmente. Para produzir cada tipo de texto algumas habilidades de linguagem são necessárias.por causa da concorrência dos filmes norte-americanos. objetiva. a ordem é predominantemente direta. Sempre que produzimos uma forma qualquer de comunicação estamos utilizando um dos gêneros disponíveis na nossa cultura. Exemplo: É imperdível o espetáculo apresentado pelo grupo de teatro. Cada gênero já traz em si escolhas prévias em relação a estruturas básicas de linguagem que são automaticamente utilizadas pelo redator. apresentar uma reflexão teórica sobre o fato (dissertar). 4. Entretanto. no qual são delineadas e discutidas idéias.. qual é a forma de uma carta. convencer o seu leitor de seu ponto de vista (argumentar e persuadir). o texto é impessoal. e são . Assim. estamos focalizando neste livro os gêneros que dizem respeito ao domínio da comunicação. Simultaneamente a essa decisão preliminar... na escolha do vocabulário. citando-o ou não no texto. Todos nós.. Nós fomos. Quanto aos aspectos da língua verbal propriamente. mais simples ou mais complexa.. que obedecem a uma ordem lógica (cronológica). quais são as maneiras de começar uma ata. argumentativas e narrativas. não há manifestação clara da opinião do autor..... Nós assimilamos esses formatos porque convivemos com eles nas nossas práticas sociais. informal e facilitado.. com figuras de linguagem ou inversões sintáticas. a melhor maneira de contar uma anedota. Almanaque Abril 2000. você tem de decidir também que ponto de vista adotar: você quer se colo ca de alguma forma no texto? Exemplo: Eu fui. expositivas. Sabemos.. Analise as escolhas feitas pelo redator. 80 TÉCNICA DE REDAÇÃO na forma como você se dirige ao leitor.

cenários. tempo. é necessário saber expor. Representação pelo discurso de experiências vividas. refutação e negociação . de forma verossímil. Para transitar nesse domínio. situadas no tempo GÊNEROS ORAIS OU ESCRITOS Poesia conto maravilhoso conto de fadas fábula lenda narrativa de aventura narrativa de ficção científica narrativa de enigma narrativa mítica anedota biografia romanceada romance romance histórico novela fantástica conto paródia adivinha piada relatos de experiências vividas relatos de viagem diário íntimo testemunho autobiografia curriculum vitae DOCUMENTAÇÃO E MEMORIZAÇÃO DE AÇÕES LEVANTAMENTO E DISCUSSÃO DE PROBLEMAS DISCUSSÃO DE PROBLEMAS SOCIAIS CONTROVERSOS ARGUMENTAÇÃO Sustentação. argumentar. persuadir de maneira formal e impessoal. SITUAÇÕES DISCURSIVAS LITERATURA POÉTICA LITERATURA FICCIONAL TIPOLOGIA TEXTUAL PREDOMINANTE EXPRESSÃO POÉTICA VERSO NARRAÇÃO RELATO HABILIDADES DE LINGUAGEM DOMINANTES Elaboração da linguagem como forma de expressão da interpretação pessoal do mundo Imitação da ação pela criação de enredo. personagens. Observe os quadros nas páginas a seguir.apresentados e transmitidos os saberes. em que estão listados alguns dos gêneros mais conhecidos. situações.

ao seu funcionamento na situação. 6. temos que tomar decisões importantes em relação ao texto que vamos produzir. as quais vão servir de pauta para o desenvolvimento da escrita propriamente dita. a função será poética. Essas decisões nos situam em relação aos objetivos do texto. antes mesmo de começar a escrever. ao leitor. Decisões orientadoras Conforme enfatizamos neste capítulo. decidimos se vamos utilizar um registro de linguagem mais formal ou mais coloquial. se falamos da própria linguagem. o objetivo nos propõe qual será a função da linguagem preponderante no texto. a função será persuasiva. EXPOSIÇÃO Apresentação textual de fatos e saberes contratos CONSTRUÇAO E da realidade declarações TRANSMISSÃO DE documentos de registro REALIDADES E SABERES pessoal atestados certidões estatutos regimentos códigos TRANSMISSÃO E EXPOSIÇÃO Apresentação textual de diferentes texto expositivo CONSTRUÇÃO DE formas dos saberes conferência SABERES artigo enciclopédico entrevista texto explicativo tomada de notas resumos resenhas relatório científico relato de experiências científicas INSTRUÇÕES E DESCRIÇÃO DE AÇÕES Orientação de comportamentos instruções de uso PRESCRIÇÕES instruções de montagem bula manual de procedimentos receita regulamento — lei regras de jogo placas de orientação 84 TÉCNICA DE REDAÇÃO 5. com suas diretrizes fundamentais. ao gênero. Assim. O gênero de texto é sugerido pela própria situação de comunicação. se vamos utilizar a língua padrão ou podemos lançar mão de variações. ao nível de linguagem. Há em nossa cultura um acervo de modelos de texto entre os quais escolhemos o que vamos utilizar em cada contexto comunicativo. a função será referencial. Formulamos uma espécie de projeto de texto. se podemos incorporar elementos próprios da oralidade. Se escrevemos sobre nós mesmos. refutação e negociação de tomada de posição ESTABELECIMENTO. a função será metalingüística. Prática de tomada de decisões . se falamos de alguma coisa. A partir da função. a função será expressiva. se tentamos influenciar nosso leitor. E o próprio gênero oferece parâmetros básicos que nos guiam na formulação do texto. se fazemos arte das palavras.PERSUASIVA de tomada de posição ata notícia reportagem crônica social crônica esportiva história relato histórico perfil biográfico aviso convite sinais de orientação texto publicitário comercial texto publicitário institucional cartazes siogans campanhas —folders cartilhas — folhetos textos de opinião diálogo argumentativo carta ao leitor carta de reclamação carta de solicitação deliberação informal debate regrado editorial discurso de defesa requerimento ensaio resenha crítica ARGUMENTAÇÃO Sustentação.

Vão constituindo um conjunto de aproximações um pouco desordenado. Naturalmente. simulando as possibilidades de criação de um texto referente à música popular brasileira.me a carta. pedante. De pos- . e essas tarefas já podem ser consideradas parte integrante da escrita. Há muitas possibilidades. procuramos dar ordem às nossas idéias. pois ela pode conduzir a outros problemas como a linguagem artificial. posições. como vimos no capítulo 2. Embora você possa escolher um telegrama. São decisões relativas às informações que serão utilizadas e às posições que assumimos em relação a essas informações. 85 1. Temos fama de ca ——4 ft 1 DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR çadores de erros. todo o mundo fica constrangido ao escrever para um professor de português. data. ou à hipercorreção. um cartão-postal. antes mesmo de começar a escrever um texto há muitas etapas. Produza o texto e envie como colaboração ao periódico. não é? Afinal. envie. Quando já estamos nessa fase. Quando se decide por um gênero. você vai optar pelo português padrão. um bilhete. à medida que vamos fazendo leituras e reflexões acerca do tema. vocativo.a) Prepare-se para se comunicar com a autora deste livro. Vamos explicar como é o funcionamento de cada um desses processos. ter idéias. Capítulo 6 A ordem das idéias 1. A concepção das idéias Como vimos. que é o erro pela vontade extrema de acertar. b) Escolha um gênero expositivo e trace um planejamento como se fosse publicar o texto em um periódico que você tem o costume de ler. Surgem em momentos diferentes e devem ser anotadas logo que se formam para não se perderem no esquecimento. imediatamente você já tem alguns parâmetros para a produção. Mas tente não cair nessa armadilha. prefiro que opte por uma carta. Agora você pode decidir o registro de linguagem: formal ou informal? Que função prefere dar à carta? Quer expressar suas opiniões sobre o livro? quer fazer algumas perguntas? quer me convencer de alguma coisa? quer me passar informações acerca de outros livros da área? quer falar da dificuldade de produção da própria carta? ou quer colocar um pouco de cada uma dessas funções no mesmo texto? Escreva a carta e ao relê-la veja se ficou coerente com suas escolhas preliminares. e é preciso também tomar decisões a respeito da linguagem e do gênero de texto. Se você quiser. introdução etc. a) Fazer anotações independentes As idéias surgem sem muita organização. O formato é tradicional: cidade. Cada pessoa constrói sua própria técnica de organização inicial das idéias. E preciso conhecer o assunto.

sozinha com sua tesoura. índios lunu / ritos ritos trib crs religiosos /m0inhas e” 12’99 — Chiquirih Gonzsg ôreIs 1 marcha e crnsvsl / 1917— Dongs Pelo telefone —1? samba 50— smb-cnço — boss-nov es-e7 — festivsis . como as peças de um puzzle. que ela pacientemente dividiu em dezenas de envelopes. Mais uma vez a literatura fornece exemplos. Observe o que conta José Casteilo a respeito do processo criativo de Clarice Lispector. vamos montando blocos de idéias maiores e uma rede entre eles que vai formar o texto. mas acontece a partir do momento em que o redator toma conhecimento do tema. é reduzido e rápido. uma posição a respeito de uma idéia vai se construindo pouco a pouco. Rio de Janeiro: Record. Esse percurso. Mesmo quando não se trata de literatura. a partir de pequenas aproximações e conclusões. Observe como podem se configurar anotações registradas durante a leitura de diversos textos acerca da música popular brasileira: ? ‘ /flfr z A ORDEM DAS IDÉIAS Pcdas le 2OIOI4O rádios — grvors 5io Luiz Gonzg e HumL’ert. bulas de remédio. fratava de abrir um caminho. Quando Clarice não podia mais ordenar o que escrevia. Clarice leva sua estética do fragmento ao paroxismo. ao escândalo. anotadas em momentos diferentes.88 TÉCNICA DE REDAÇJO se de muitas anotações.. no período de vida em que foi apoiada pela amiga Olga Borelli: Em Água Viva.o íeixeir Sos idi resistnci vem s feIic1e e cls riuez t55 origens 89 AFOPULA5ASILEIRA Portugueses. foram concatenadas umas às outras em busca de uma ordenação preliminar lógica. em que há limite rigoroso de tempo. “montou “ o caos que Clarice anotou em guardanapos. estabelecendo a hierarquia e a combinação entre eles para formar o texto preliminar. E. 1999. sem se intrometer no que lia. A partir dessas pequenas peças. DJficil dizer o que lemos — e é impressionante pensar que uma outra pessoa. que na vida profissional é mais flexível e largo. lenços de papel. José Casteilo. Olga a escoltava. Inventário das sombras. pp. Olga Borelli.) Clarice lhe entregou uma pilha de fragmentos. num concurso. jorna is. uma direção para a tempestade escoar. o redator relê e analisa esses registros. Assim pode trabalhar sobre um rascunho em que várias idéias. 30-1. escravos. (. e depois foi encaixando-os.

desenvolvido ou reduzido posteriormente. Se conseguimos captar esse fluxo e registrálo. depois. A palavra-chave é um núcleo significativo que sintetiza uma idéia maior. Quando falamos. não temos como discipliná-las. e. desen volver as idéias ali expostas — Muitas pessoas têm dificuldade até começar a escrever. para depois. os brasileiros continuam preferindo nossa Mj9’ poroLue ela reflete a nossa alma e é muito rica. E um recurso muito produtivo para provocar a criação e apreensão de idéias essenciais.—jovem-gurs Se’ —tropicalismo 70 — revlorizço tio sa m jazz + instrumental rock brssileiro 50 — rock LrsiIeiro 90 — releitura tis MP5 — reciclagens pgocle. nisngue-L7et 90 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Escrever tudo o que vem à mente. de acordo com o fluxo do pensamento. A releitura fornece evidências que devem ser consideradas para as transformações. Embora haja uma forte indústria cultural estrangeira ue quer dominar o mercado no brasil. Mas h muitos outros ritmos e estilos cue convivem e se influenciam mutuamente. cortar e ordenar A música popular brasileira é muito rica. as idéias vão surgindo rapidamente. Hoje os jovens retomam os ritmos primitivos e revalorizam as origens de nossa música. então. muitas vezes. Os colonizadores brancos tinham na bagagem misicas sacras. um tom informal. nesse tipo de texto. marchas oficiais e modinhas. DESENVOLVER A IDÉIA DE FUSÃO DA RiCA SONORiDADE DAS TRÊS ETNIAS e) Escrever a idéia principal e as secundá rias em frases isoladas para depois interligá-las. existirem idéias incompletas ou detalhes dispensáveis. índios e portugueses. negros e portugueses. Mesmo que esse parágrafo seja ainda muito preliminar ou inadequado. A linguagem apresenta. ou elaborar uma espécie de esquema geral do texto 92 TÉCNICA DE REDA ÇÃO . c) Fazer uma lista de palavras-chave e reordená-las. apreendemos um esboço que poderá ser reformulado. O samba nasceu da fuso de ritmo5 das três raças. Os nativos possuíam uma rica sonoridade para acompanhar seus ritos tribais. sx& sertsnejo. o procedimento ajuda a gerar novos pensamentos sobre o assunto. ainda formulada apenas na mente do redator. Os africanos trouxeram junto com os ritos e cerimônias religiosas uma musicalidade especial. Veja como se podem gerar novas idéias a partir de um parágrafo: A mLsic brasileira o resuIt&o da fusao dos ritmos trazidos pelas três etnias ue formaram o nosso povo: íridios. hierarquizando-as Quando o redator tem bastante capacidade de síntese e habilidade mental de centralizar um pensamento numa única palavra. A ORDEM DAS IDÉIAS 91 Observe o registro preliminar de palavras-chave acerca da música popular brasileira: ORiGEM 3 ETNIAS FUSÃO SAMEA NOVOS ESTILOS ALMA 5RASILEIA ESISTNCIA E’EFERNCIA DA JUVENTUDE d) Construir um parágrafo para desbloquear e. diversa e tem suas origens em diversas fontes cue vm dos negros. Enquanto estão trabalhando apenas mentalmente ainda se sentem inseguras e não conseguem avançar muito. H música para todos os gostos. Nesse caso. escrever logo um parágrafo para pensar em outras idéias depois de relê-lo é o caminho mais indicado. mesmo que de maneira ainda rudimentar. esse é um procedimento muito rápido para captar as idéias. não haver pontuação nenhuma. conseqüentemente. É muito freqüente. sem planejamento. Esse processo se aproxima muito da fala.

Muitas vezes. No texto dissertativo. absorve novas contribuições. de nossas posições em relação ao assunto. a música popular brasileira incorpora. é um texto denso e bem estruturado. ainda não muito delineada. há procedimentos comuns: geração. para nós mesmos. Vamos especificando e detalhando nosso ponto de vista em relação à idéia preliminar pelo aprofundamento da nossa reflexão. escolhemos o que vamos dizer e o que não vamos dizer.RITOS TRIBAIS BRANCOS . do que queremos apresentar. índios e portugueses. que têm muita experiência e conseguem montar o texto na memória. A partir desse pequeno texto inicial como fio condutor. F’ela fusão e mútua influência entre os vários estilos nasce o samba. E. Embora sofrendo influencia constante da produçõo estrangeira. voltada para suas raízes. Essa elaboração demanda paciência para que o redator faça várias tentativas e reformulações em busca de maior exatidão para seu pensamento. Em todos esses processos. e se consolida nas primeiras décadas do sáculo. um método bastante produtivo é elaborar da forma mais clara e completa a idéia principal que será desenvolvida no texto.MÚSICA SACRA / MARCHAS /MODINHAS FUSÃO DOS RITMOS ORIGINA IS lundu. Mas a matriz inicial é que fornece subsídios para esses aperfeiçoamentos.RITOS RELIGIOSOS (raízes fortes) ÍNDIOS . como já vimos. Analise este resumo e observe como ele tem muitas idéias articuladas entre si. Observe um esquema já estruturado para desenvolvimento de um texto: A música popular brasileira resiste à dominação cultural ORIGENS 3 ETNIAS NEGROS . maxixe. o esquema inicial vai sendo reformulado durante o desenvolvimento do trabalho e chega a ser completamente transformado. inserções. seleção. Cada texto determina as articulações que lhe são próprias. que podem ser ampliadas: A música popular brasileira nasce sob o signo da ritegraç o de diversas formas e estilos musicais provenientes das três etnias otue formam o brasil: negros. Na hierarquização. uma rede de relações lógicas entre 94 TÉCNICA DE REDAÇÃO as idéias do texto. ou seja. uma matriz semântica. explicações. idéias secundárias Um resumo. recicla. exemplos. também. original e soberana. A elaboração de um esquema prévio pode onentar o redator quanto ao percurso mais . hierarquização e ordenação das idéias. Na seleção. Na ordenação. expositivo ou argumentativo. começamos a tomar decisões a respeito dessa rede de sentidos com uma noção ampla. mas resiste. sempre criativa e viva. Entre todos os procedimentos apresentados. A releitura do resumo indica os pontos que podem servir de alavanca para novos desenvolvimentos. depois de transcrito. modinha NOVOS ESTILOS samba (Pelo telefone — Donga) Fatores favoráveis rádios e gravadoras OUTROS ESTILOS enriquecimento efortalecimento fidelidade às origens alma brasileira RESISTÊNCIA À DOMIA4ÇÃO gosto popular música estrangeira é secundária jovens preferem música brasileira ORDEM DAS IDÉIAS 93 fi Elaborar um resumo das idéias principais e depois acresLentar detalhes. ampliações. quando se trata de escrever um texto não-literário. O importante aqui é criar um mapa inicial de sentidos. pelo esclarecimento. estabelecemos como organizar a articulação entre as idéias. g) Organizar mentalmente grandes blocos de texto. passa por pequenas alterações e ajustes ditados pela releitura cuidadosa. escrevêlos e reestruturá-los após a releitura Esse é um procedimento próprio de redatores maduros. de uma maneira geral. Não há um modelo universal que atenda a todas as variações. em 1917. decidimos a ênfase a ser dada a cada idéia e a submissão de uma idéia à outra. o desenvolvimento pode seguir as vertentes sugeridas pelo próprio assunto. Esse texto.

Dessa identidade entre a produção musical e o gosto popular. pois é a era do rádio. o chorinho. que é sempre uma revaloriza ção das raízes brasileiras. A ORDEM DASIDÉJAS 95 Para que as ligações se realizem de forma adequada e correta nas frases e períodos construídos no texto. da idéia que forma de seu leitor. Conclusão: aforça que sustenta a resisténcia cultural vem dos alicerces. a música nacional não se reduz ao samba. resistente à invasão e à dominação estrangeira. comprova que os alicerces da músibrasileira estão plantados em raízes inabaláveis. mantêm. de Donga. Todas as idéias e informações colocadas em um texto se justificam em vista dessas relações. Todas as escolhas dependem da intenção do autor. 2. ligam os parágrafos entre si. Sobre essa matriz rítmica multirracial. rap e mangue-beat se sucedem e convivem. da riqueza e da afinidade com o povo. a modinha. as marchinhas de carnaval.. jovem guarda. utilizamos diversas formas de combinação e de articulação entre as informações. pagode. Introdução da idéia de consolidação. Desenvolvimento da idéia de novos estilos — detalhamento. num enriquecimento efortalecimento da base. axé. em 1917. o maxixe. No processo de consolidação do samba. Entretanto. A certidão de idade oficial dessa criação tipicamente brasileira é Pelo Telefone. exeinplificação. da situação e de muitos outros fatores que ultrapassam os limites do papel. Das anotações para o texto Para estabelecer a rede e desenvolver a idéia principal. Nessa base estão o lundu. Baião. . em suas múltiplas configurações. que ofereceram um terreno fértil onde nasceu o samba. dessa sintonia extremamente qfinada e bem construída. O segundo parágrafo está ligado ao primeiro pelos processos de expansão. o negro trouxe a sonoridade de seus ritos religiosos e o branco português a melodia de sua música sacra. mas se multiplica em inúmeras vertentes. nasce uma força indestrutível que representa uma resisténcia à invasão e à dominação que outras culturas tentam impor por meio de suas avançadas indústrias culturais. tropicalismo. ou seja. O índio forneceu seu ritmo de ritos tribais. No parágrafo de apresentação. os recursos sintáticos da gramática da língua são imprescindíveis (como veremos no capítulo 7). houve influência mútua de outros ritmos e o Jávorecimento do progresso técnico. pois nada é casual. . das gravadoras e da profissionalização dos músicos.adequado. simultaneamente. Três etnias contribuíram com seus ritmos para que chegássemos a constituir o talento que hoje encanta o mundo em termos de musicalidade. A música estrangeira nunca deixou de ser um acessório secundário no nosso universo cultural. detalhamento e . mas que tem sua própria “gramática”. Oposição à idéia de ritmo único — ampliação da idéia de novos estilos e manutenção da idéia de consolidação das raízes. relação de continuidade temática com a idéia principal e com a conclusão do texto. introdução da idéia de gosto popular. Essa trama mais global se constitui a partir de procedimentos lógicos que constituem a seqüência e a progressão do texto. a 96 TÉCNICA DE REDAÇÃO nova. Vamos observar um texto produzido a partir das idéias registradas nos exemplos das páginas anteriores: Título: resumo da idéia principal O caráter de resistência da música popular brasileira Idéia principal — origem — resistência A música popular brasileira nasceu sob o signo da miscigenação. resistente à invasão e à dominação estrangeira. Os diversos processos de fusão e reciclagem das nossas origens musicais tecem uma trama de ritmos e harmonias que reflete a alma do povo e por isso tem sua adesão incondicional. Esses procedimentos relacionam cada parte do texto à parte que a antecede e à que a sucede imediatamente. bossa4. samba-canção. de suas marchas oficiais e de suas modinhas populares. A idéia principal está no título e percorre todos os parágrafos de diversas maneiras. Além disso. sertanejo. tornando-o coeso. constituindo assim uma estrutura temática que transcende as frases e períodos. foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. observamos a frase núcleo do texto: Sobre uma matriz rítmica multirracial foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. E a adesão das novas gerações ao que é genuinamente nacional. compositores e intérpretes.

E a ação de formular um esclarecimento e. opinião. Embora apresentem uma característica predominante. há uma certa carga de redundância. introduz a noção de diversidade e reforça a idéia de fidelidade às raízes e de reflexo da alma popular. ou seja. p. Mas não devemos nos restringir a essa noção. opera com conceitos ou idéias obtidos por procedimentos de demonstração e prova. por isso. busca encadeamentos lógicos entre enunciados. como os resumos e os editoriais. Observe o exemplo em que a autora inicia o texto negando a validade do senso comum em relação à Filosofia: As indagaçoes fundamentais nao se realizam ao acaso. então. A organização das idéias Vamos analisar mais detalhadamente algumas dessas formas de articulação entre as idéias. segundo preferências e opiniões de cada um de nós. pode-se apresentar como noção paticular. Ou seja. entre outros. O parágrafo conclusivo retoma a idéia de que a força e a resistência à dominação vêm da sintonia com a alma popular e da fidelidade às raízes. O terceiro se opõe à inferência possível de que só o samba é importante. Aqui temos um exemplo de conceituação objetiva. Não é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. de recursos como: Afirmação. exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. concepção pessoal. a) Apresentação Em períodos introdutórios. mas não obrigatoriamente. Marilena Chaui. essas articulações não surgem de maneira exclusiva.exemplificação do que foi anunciado no primeiro. apreciação. 8 ed. Observe estes dois exemplos de apresentação da idéia principal por meio de períodos afirmativos: A música popular brasileira resiste permanentemente à invasão e à dominação de ritmos estrangeiros que a indústria cultural dos países mais desenvolvidos tenta impor. a estrutura com o verbo ser (X é YYY) é a mais freqüente nesse caso. Não é pesquisa de mercado para conhecer prefe réncias dos consumidores e montar uma propaganda. 1997. negar essa possibilidade logo de início. As indaga çõesfilosófi cas se realizam de modo sistemático. 15. trabalhamos com a apresentação de “verdades” que são defendidas (texto argumentativo) ou apenas expostas (texto expositivo). de acordo com o objetivo do trecho. São Paulo: Ed. 3. Assim. declaração ou asserção. Atica. ldeZj Definição ou conceito Conceito é a representação de um objeto pelo pensamento. avaliação. Convite à Filosofia. apresentamos uma idéia principal por meio. Pretendese. 98 TÉCNICA DE REDAÇÃO A filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos. Marilena Chaui.. o período afirmativo é muito freqüente. em que a posição do redator não sobressai: . O novo estilo por excelência é o samba. Nas dissertações. parte do princípio de que o leitor pode estar pensando de maneira equivocada. / A ORDEM DAS IDÉIAS 97 Como vimos. e existem em textos que não apresentam parágrafos. de repetição da mesma idéia. Em geral. pois ele já traz em si as vertentes que devem ser ampliadas no desenvolvimento do texto. julgamento. Negação O recurso de apresentar uma idéia negando outra trabalha com o pressuposto de que há uma idéia oposta já conhecida. mas se combinam e podem ser encaixadas em várias classificações simultaneamente. por meio de suas características gerais. necessária para que se mantenha a unidade temática. são estratégias de delimitação e construção de parágrafos. Quando é uma posição subjetiva. A filosofia não é um “eu acho que “ou um “eu gosto de “. pois servem para unir idéias dentro de um mesmo parágrafo.

Nela. Resumos do Simpósio 500 anos de descobertas literá rias. um conhecimento específico ou uma avaliação anterior. Essa posição pode ser definida por meio de figuras de linguagem como a comparação. 7. decidido a exercer sua função crítica e a informar seus leitores acima de qualquer obstáculo. Interrogação Construir uma pergunta de efeito retórico. essas formas não são bem aceitas em textos objetivos.. detalhes. jovens armados de pás e picaretas arremetiam. testemunham as virtudes e percalços do jornalismo praticado pela Folha. 1991. esse comentário pressupõe uma posição do redator em relação ao que vai apresentar. focalizando as impressões do redator: A ORDEM DAS IDÉIAS 101 O cenário parecia extraído de algum livro maluco de ficção. São Paulo. estimulados por gritos. 1999. Folha de S. em Berlim. a metáfora. Eu acho que. tais como: o que desejamos nesse trabalho. no exemplo a seguir. Frases que orientam o leitor e indicam o objetivo são freqüentemente utilizadas. Da relativa ingenuidade dos textos que compõem a cobertura do incêndio no edifício Joelma. propósitos e limites da obra. pretendemos demonstrar. o que se abre ao leitor é um jornal em permanente movimento. 7. a resposta à questão formulada. procuramos comprovar. Folha de S. ás vezes histéricos. estamos tentando provar. furiosos. Pode também trazer descrições ilustrativas e outros recursos de ênfase e valorização dos aspectos que merecem a atenção do leitor. ao tom vigilante das coberturas sobre o mau uso do dinheiro público.. a partir do levantamento de informações sobre as instituições atuantes e seu papel na produção e na difusão da literatura na sociedade. 63. promete a resposta.. p. Observe o exemplo: Este trabalho propõe-se a refletir sobre a produção feminina sul-rio-grandense. 20 textos que fizeram História. em 1984. 20 textos que fizeram História. como: Acredito que a intuição é. em São Paulo. Observe o exemplo a seguir. Departamento de Teoria Literária e Literaturas. Marilena Chaui. Explicitação do objetivo do texto Nos trabalhos científicos e acadêmicos é costume iniciar o texto pelo objetivo da pesquisa. Paulo. p. acadêmicos ou científicos. as afirmações envolvem julgamentos e tomada de posição acerca do objeto. em que a narração descritiva da queda do muro de Berlim é formulada com base na adjetivação e nas comparações. o feito era comemorado como se tratasse de um ritual bárbaro de luta e conquista. E um ato intelectual de discernimento e compreensão. 100 TÉCNICA DE REDAÇÃO Julgamento ou avaliação Quando uma apresentação pressupõe uma análise prévia. pois não é para ser efetivamente respondida pelo leitor. Veja um exemplo: .A ORDEM DAS IDÉIAS 99 A intuição é uma compreensão global e instantânea de uma verdade. Minha concepção de intuição é .. Idem. Essa resposta exige ampliações. então.. Veja. de dezenas de milhares de pessoas. de uma só vez. Uma definição subjetiva apresenta outras formulações. assim como nos prefácios e introduções de livros é comum um esclarecimento sobre as intenções.. explicações. de um objeto. São Paulo. que podem ocupar o parágrafo. resgatada dentro de uma investigação mais ampla sobre a vida literária do Rio Grande do Sul de 1870 a 1930.. ao mesmo tempo. O desenvolvimento do texto será.. a personificação. Quem pergunta. a apresentação de um livro estruturada por meio de um juízo positivo de valor: Os capítulos que compõem este “20 Textos que fizeram História” refletem a vida recente do país e. passando pelo engajamento na defesa das eleições diretas. Toda vez que uma laje do muro caía.. Vera Teixeira Aguiar.. contra o muro de cimento... Paulo. o capítulo ou o livro todo. Entretanto. Comentário de uma citação ou de um fato Assim como no item anterior. Segundo meu ponto de vista. Penso que a intuição é.. a razão capta todas as relações que constituem a realidade e a verdade da coisa intuída. é uma das formas mais simples de apresentação de uma idéia. Universidade de Brasília. p.. o objetivo dessa investigação. 1991. de um fato.

l3j b) Ampliação e explicação Tanto a idéia principal. estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade. A exemplificação é um recurso muito útil tanto nos textos didáticos como nos textos argumentativos.. música. uma expansão de elementos J apresentados no texto. para comprovar o que foi dito. como no seguinte fragmento: Um exemplo de luta social para interferir nas decisões sobre as pesquisas e seus usos encontra-se nos movimentos ecológicos e em muitos movimentos sociais ligados a reivindica ções de direitos. Esse recurso se constitui como: Esclarecimento do significado das expressões. com três finalidades 1. instrumentos musicais. Idem. corno nos exemplos: A palavra método vem do grego.. e de hodos. 157. p. p. o pensamento a ação. as técnicas.1997.. então. Marilena Chaui. para que Filosofia? É uma pergunta interessante. Os exemplos podem tornar o texto menos abstrato e facilitar a compreensão do leitor. nas regiões onde ela se implantou. são necessários: A ORDEM DAS IDÉJAS Os estudos recentes mostraram que mitos. em geral apresentada no início do texto. como as secundárias passam por processos de expansão que envolvem detalhamento e aprofundamento. dança. 27.. o que quer dizer essa expressão signfica. Marilena Chaui. p. c ou sinais de itens). cultos religiosos. caminho Usar um método é seguir regular e ordenadameizie um caminho através do qual uma certa finalidade ou um certo objetivo é alcançado Marilena Chauj. conduzir á descoberta de uma verdade até então desconhecida. as evidências vêm reforçar a idéia que é defendida pelo autor. Idem. assim é o que ocorre no caso em que. p. Idem. Idem. Quando se diz que a filosofia é um frito grego. 8 ed. permitir a demonstra ção e a prova de uma verdade já conhecida 3. 28J Um texto não existe sozinho. Não ouvimos ninguém perguntar: para que matemática oufisica? Marilena Chaui. São Paulo: Ed. os testemunhos. p. 2. Enumeração de fatores constitutivos ou acumulação de elementos que complementam a idéia inicial. Marilena Chaui. o que se quer dizer é que ela possui certas características apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos. as estatísticas. formas de habitação. exemplo disso é. via. por meio de. palavras ou conceitos utilizados. Observe um exemplo em que a enumeração é assinalada por números: No caso do conhecimento método éo caminho ordenado que o pensamento segue por meio de um conjunto de regras e procedimentos racionais. b. Convite à Filosofia.Muitos fazem essa pergunta: afinal. aparecem com freqüên 102 TÉCNiCA DE REDAÇÃO cia nessas situações Há. ou seja. nos quais os dados. 20. Expressões como: isto é. Algumas expressões indicam de forma explícita que há uma inserção de exemplo: para exemplificar podemos observat por exemplo. como exemplo pode-se observar. Ele traz o eco de vários outros textos com os quais se relaciona e . Ática. poesia. methodos composta de meta através de. que são completamente diferentes das características desenvolvidas por outros povos epor outras culturas. permitir a verca ção de conhecimentos para averiguar se são ou não verdadeiros enaChauiIdem 157 Nem sempre recursos de numeração. utensílios domésticos e de trabalho. formas de parentesco e formas de organização tribal dos gregosforani resultado de contatos profundos com as culturas mais avançadas do oriente e com a herança deixada pelas culturas que antecederam a grega. ou Outros que indiquem a divisão (como a.

Observe o exemplo de narração ilustrativa a seguir: Consta que. da origem e das causas das ações humanas e do próprio pensamento “. que são citações apenas sugeridas e há citações explícitas. indicar. aprofundada ou esclarecida por meio de histórias que lhe sirvam de ilustração. na primeira. aquilo que nos esmaga ou nos liberta. há uma adega (para onde descemos) e um sótão (para onde subimos). Se uso as próprias palavras do autor citado. explicar enunciar. p. informar discorrer acentuar ponderar. 266. Aos que jamais sobem ao sótão ou descem à adega falta uma dimensão humana relevante.. mesmo sem marcas evidentes. perguntou o entrevistador. além da zona habitável. A escolha vai depender das intenções do autor e do tipo de texto. A resposta de Bachelard foi: “a diferença entre uma casa e um apartamento é que. Se faço uma paráfrase. “O que o senhor quer dizer com isso? “. ser humano por vezes significa subir ao sótão. considerar. viver uma busca das significa ções da existência através dos simbolos filosóficos. comunicar. discursar. declaração. heróicas. perguntar. declamar. Dependendo do tipo de texto. testem unha. vale dizer.” Hilton Jupiassu. Podem agregar algum significado adicional ao simples ato de dizer impregnando-o de interpretação. históricas. Observe alguns desses verbos e analise o sentido que acrescentam à idéia de dizer: falar.do autor citado. Há expressões que indicam claramente inserção de citações: segundo o especialista X. replicar. esclarecer. discutir questionar. Mas os que só vivem ou no sótão ou na adega são pouco equilibrados. expor mencionar. a voz do outro pode vir entre aspas. usamos verbos especiais. denunciar. Um desafio á Educaçào. tenho que marcálas com aspas a partir do ponto em que começo a transcrição: De acordo com Marilena Chaui (1997.zer. as aspas são dispensadas: Segundo Marilena Chaui. Nessas. referir. . ordenar. de acordo com o que afirma X. engraçadas. já estou informando que a posição de quem fala é de reflexão. Uma idéia pode ser ampliada. Como já vimos anteriormente. bradar pronunciar. a Filosofia pode ser ‘entendida como aspiração ao conhecimento racional. em certa ocasião. alegar. e pode vir em forma de paráfrase das 103 104 TÉCNICA DE REDAÇÃO palavras. declarar. Quer dizer: não podemos viver limitados apenas ao nível do código restrito da ciência. narrar.. há citações implícitas.. que um leitor experiente reconhece. expressar.. registrar. religiosos etc.que constituem um contexto amplo em que se situa. aconselhar comprovar corrobo A ORDEMDASIDÉIAS 105 rar ratificat confirmar demonstrar refutar argumentat justificar. contestar contradizer. São Paulo: Letras e Letras. conJàrme X. A escolha de um desses verbos indica um comentário ao ato de falar do outro.. Ao inserir voz. 1999. Questões como o que é o amor? e o que é a amizade? são muito importantes. a filosofia é uma importante forma de conhecimento do mundo. 20). lógico e sistemótico da realidade natural e humana. poéticos. negar. Se prefiro o verbo ponderar ao verbo di. XJá afirmou que. que são chamados dicendi. p. afirmar. em sua obra } para X a questão é. E descer à adegapor vezes significa olhar o que se passa nos subterráneos e nos fundamentos psicológicos ou sociais de nossa existéncia afim de aí discernir nossos condicionamentos. Bachelard interrompeu um jornalista que o entrevistava dizendo-lhe: ‘parece que você vive num apartamento e não numa casa “. Por isso. as histórias podem ser cômicas. Tanto no discurso direto (que transcreve literalmente as palavras do outro após um travessão) como no discurso indireto (em que a fala do outro está parafraseada pelo redator sem travessão) esses verbos são utilizados com freqüência. da origem e das causas do mundo e das suas transformações. artísticos. (adaptado) 106 TÉCNiCA DE REDAÇÃO . citar. pitorescas. opinião ou testemunho de outra pessoa. concluir. por exemplo. proferir exclamar. Há alusões. asseverar. repetindo fielmente as palavras do texto original. descrever preceituar.

um outro aspecto é por um lado.. ora se explicam. facilitam a organização do texto e a compreensão do leitor: em primeiro lugar. as igualdades.Utilizar narrações ilustrativas interessantes depende de muita informação. não de oposição.. mas agora a posição é de equilíbrio. a sociedade e a cultura. vivendo seu período de esplendor conhecido como o . experiência e leitura. por último. Observe um exemplo em que o texto está organizado pela divisão da idéia: Uma escola alemã de Filosojiu. Marilena Chaui. políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científico sobre a natureza. Marilena Chaui. 50. enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais. o primeiro aspecto é. que no segundo parágrafo apresenta uma oposição. do comércio. do artesanato e das artes militares. Cada aspecto exige desdobramentos e explanações que representam progressão das informações.. utilizamos uma enumeração para antecipar as linhas em que o assunto vai se desenvolver. medo.. fatos e fenômenos. uma acerca de Clarice Lispector e outra acerca de Guimarães Rosa: As experiências radicais tanto de Clarice Lispector como de Guimarães Rosa forçam os limites do gênero romance e tocam a poesia e a tragédia... primeiramente. O herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafisica da realidade. duas ou mais idéias são apresentadas. ou imagens das coisas.... 1989.... é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão. mas um meio de intimidação.. como fonte de erro. a razão crítica é aquela que analisa e interpreta os limites e os perigos do pensamento instrumental e afirma que as mudanças sociais. Ao contrário. p. as informações esclarecem o ambiente em que floresce a democracia. Alfredo Bosi. formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade. e) Comparação ou analogia Como no caso anterior. combinadas entre si.. Além do exemplo do item anterior. Geralmente. de outro. ora convergem. Como já foi dito. depois. e são focalizadas as semelhanças. elaborou uma concepção conhecida como Teoria Crítica. que é a idéia a ser desenvolvida posteriormente no texto: Com o desenvolvimento das cidades. Mais um motivo para procurar um bom convívio com textos de diversas naturezas. mentira efalsidade. (adaptado) 108 TÉCNICA DE REDAÇÃO j9 Situação no tempo e no espaço Algumas informações são colocadas no texto com o objetivo de contextualizar de forma explícita as idéias. p. na qual distin gue duas formas da razão: a razão instrumental e a razão crítica. e Sócrates e Platão. em seguida. que faz das ciéncias e das técnicas não um meio de libertação dos seres humanos. Idem... na divisão. Observe no exemplo a seguir como o desdobramento da idéia sugere duas linhas informativas para desenvolvimento do texto.. Idem. Têm relação com a cronologia e com o lugar. Quando é esse o caso. 442.. História Concisa da Literatura Brasileira. indicam divisão de idéias. A razão instrumental é a razão técnico-cientjfica. por outro lado. c) Divisão A divisão de uma idéia em subtópicos abre novas vertentes de desenvolvimento do raciocínio. A ORDEM DASIDÉJAS 107 d) Oposição Muitas vezes a idéia ou informação deve ser apresentada e discutida em confronto com outra posição ou forma de pensamento. observe o texto a seguir: A diferença entre os sofistas. No exemplo a seguir. terror e desespero. p. em segundo.. São Paulo: Cultrix. a escola de Frank/urt. de um lado. Atenas tornou-se o centro da vida social e política e cultural da Grécia. normalmente o texto estabelece duas (ou mais) linhas de desenvolvimento paralelas que ora se opõem. finalmente.. há expressões que. focalizando diferenças. 40.

reler e reescrever até se sentir satisfeito com o resultado. Filosofia é um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especflcamente com os gregos e que. Manlena Chaui. ao contrário. Para gerar. pelo mesmo motivo. Da concepção à organização das idéias De acordo com o que apresentamos. diante desse quadro. que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos. Fa-ça anotações. encerramento de um raciocínio. Quando o redator tem clareza sobre essas especificidades de cada trecho do texto. Leia alguns artigos que tratem do tema. tornou-se. em outras palavras. além da verdade poder ser conhecida por todos. por motivo de economia de espaço nos jornais esses artigos têm aproximadamente duas páginas de 30 linhas. em suma. construir logo um Primeiro parágrafo. Oposição. conforme predomine o mythos ou o logos. ser ensinada ou transmitida a todos. 23. podia ser conhecida por todos. analise as partes do texto e identifi . situando-o melhor em relação à estrutura textual. listar palavraschave. Marilena Chaui. 160. a filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso. Situação no tempo ou no espaço. selecionar e hierarquizar as idéias você pode: fazer 110 TÉCNiCA DE REDAÇÃO anotações independentes à medida que as idéias forem surgin do.nos a duas modalidades do pensamento. podemos referir. Observe o exemplo a seguir: No capítulo anterior vimos que a língua grega possuía duas palavras para referir-se à linguagem: mythos e logos. Por isso. partir de uma idéia Principal e elaborar uni esquema. partir de um pequeno resumo ou escrever blocos de texto independentes. ampliação ou explicação. articulando as idéias entre si. por razões históricas e políticas. concluindo. conclusão. para oferecer ao jornal de sua cidade como colaboração Em geral. Depois de escrever. São expressões e parágrafos que conduzem e facilitam os procedimentos e a interpretação do leitor. 4. g) Conclusão Em textos dissertativos. que falar e pensar são inseparáveis. Por isso mesmo. depois. Marilena Chaui. tais como: em vista disso podemos concluir. diante do que foi dito. Idem. Observe os exemplos: Em outras palavras. p. comparação ou analogia. Ao hierarquizar as idéias de um texto observaiiios que elas apresentam caracte rísticas e funções distintas: apresentação. 5. escrever tudo que vem à mente. Vimos também. é freqüente o uso de palavras e expressões que indicam resumo de idéias anteriores. p. entre outras que não foram relacionadas aqui neste livro. Qualquer uma dessas técnicas. 21. Idem. É a época de maior florescimento da democracia. Esclarecem objetivos. Citam o próprio texto. as Possibilidades de Construção tornam-se mais nítidas e o trabalho alcança um melhor resultado. pode funcionar como o início da escrita propriamente dita. Idem. antecipam idéias de forma resumida. p. registro e organização inicial das idéias. é importante assinalar claramente para o leitor que as idéias são conclusivas. nós também participamos.. li) Organização textual Os parágrafos organizadores explicam como o texto está estruturado. e ainda outras que você pode criar. Depende de cada indjvj duo e de seu processo de atividade intelectual. divisão. concluem pensamentos. tanto no estudo da linguagem quanto no da inteligência. resumindo o que já foi dito. portanto. seus capítulos e subdivisões. há muitas possibilidades de captação. A ORDEM DAS IDÉIAS 109 Em suma. assim. p. quando se descobriu que tal conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que. Prática de organizaç0 a) Escrever uni artigo opinativo acerca do tema que está em maior evidência hoje. mas que. 36.. em decorrência da colonização portuguesa do Brasil. Idem. conclusão parcial ou final. o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada cultura européia ocidental da qual. organizaç0 textual. podia. Marilena Chaiji.Século de Péricles.

0 acumulativo falível. Desenvolva o texto acompanhando esse roteiro e o esquema das idéias. então. A manutenção do tema é um desses recursos. Um exemplo disso é a Concordância Sempre que respeitamos a concordân eia. procure identificar. o filosófico e o religioso Em sua esséncia o conhecimento cient (fico é real. Mecanismos de coesão textual Pode-se Construir a coesão do texto por meio de vários recursos. O tecido aparente do texto Como vimos nos capítulos anteriores.que as formas de organização que Utilizou. Observe o texto a seguir: — De qualquer forma o conhecimento ou saber cient(fico distingue se dos demais tos: o popular. de modo que as principais sejam enfatizadas. estamos reforçan0 a coesão. os conectivos funcionam também como elos coesivos Cada um desses elementos gramaticais estabelece conexões. 112 TÉCNICA DE REDAÇÃO Assim. Qual é nossa idéia central? Como podemos defendê-la? Que exemplos são mais interessantes? Quem devemos citar? Que palavras escolher? Como devemos nos dirigir ao leitor? Em que medida devemos explicitar todas as idéias ou deixá-las implícitas? São questões que respondemos inicialmente. preditivo aberto e útil. Ou seja. uma após a outra. A preocupação já não é apenas com nossas próprias idéias. os três elementos citados Concordam com tijoo de conhecimento e por isso estão no masculino. voltamo-nos para a sua superficie e procuramos refazê-lo. preciso. Faça anotações ou esquema. a estrutura gramatj das frases trata de criar coesão entre os Constituintes de um texto. Além dessas formas gramaticaj5 sistemáticas de ligação entre palavras. Nas linhas grifadas. as marcas de gênero e de número. Estabeleça. para que o leitor acomp1e a seqüêncj reconheça a progressão das informações e identifique as referências no texto. Na segunda linha. Capítulo 7 O entrelaçamento das idéias 1. mas principalmente com a maneira como essas idéias serão apreendidas pelo leitor. em cada trecho. as preposições os pronomes pessoais. Ao escrever. c) Sempre que estiver lendo um texto. revisando várias vezes a linguagem e as estruturas gramaticais propriamente ditas. que dependem das escolhas estilísticas do redator: O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS referencial lexical . os tempos verbais. João Salvador Furtado Expansão da itformaçjo científica in: Anais do Seminárj0 de Publicações Periódjc da A’rea da Educação. analítico. 2. racional objetj vo. Brasília. nossa preocupação inicial é captar as idéias e ordená-las com uma determinada hierarquia.. a partir da terceira todas as palavras estão sendo utilizadas em concordância com conhecimento científico. de assegurar a compreensão exata daquilo que estamos escrevendo. MEC. transcendente aos fatos. ao escrever as primeiras versões de um texto. que está distante de nós. geral. um texto não é uma simples justaposição de frases corretas. mas não é suficiente em textos dissertativos A ordem das palavras no período. explicativo. Após essa etapa. e para o qual não teremos chance de explicar melhor ou retificar oralmente algum item mal expresso. Exige um entrelaçamento rigoroso das idéias que estão sendo expostas para que o leitor não se perca e consiga interpretá-lo corretamente. claro. existem quatro outras estratégias de coesão. articulações ligações concatenan do as idéias. ver ificóve! dependente de investigação metódica. primeiramente a partir das suas anotações a natureza de relação entre as idéias de cada trecho. sistemáti. estão no masculjjo singular. 1983. qual a natureza da relação entre as idéias. b) Escolha outro tema e faça outro percurso Leia alguns artigos que tratem do tema. Vamos cuidar.njcá. portanto. é muito importante que a coesào textual esteja bem tecida. para o estudo ou trabalho. i’el. INEP. comj.

por antecipação. como no exemplo: A explosão da informação é uma das causas do stress do homem moderno. com segurança e economia. busca de soluções. se referir a elementos já citados no texto ou que são facilmente identificáveis pelo leitor. Essa corrente é formada pela reutilização intencional de palavras. o sujeito do verbo implica é a metodologia cientfica. Diante desse quadro. e) Coesão por elipse A estrutura gramatical dos periodos na lingua portuguesa permite a omissão de elementos facilmente identificáveis ou que já foram citados anteriormente. Agora esse estudioso quer contribuir para a democratização do saber. Não precisa ser explicitado. ainda. ou ainda pelo emprego de expressões equivalentes para substituir elementos que já são conhecidos do leitor. racionais. Esse recurso tem o nome de elipse. anteriormente. Podem. nomes e frases inteiras podem estar implícitos. No texto acima. análise. demonstrativos ou expressões adverbiais que indicam localização (a seguir acima. estabelecemos uma corrente de significados retomando as mesmas idéias e partes de idéias. d) Coesão por substituição Pode-se substituir substantivos. essa omissão é marcada por uma vírgula. pelo uso de sinônimos. O cientista entrevistado reconhece que a partir do 113 114 TÉCNICA DE REDAÇÃO emprego dos conhecimentos cientijicos foi possível racionalizar os sistemas de produção. a coesão referencial se realiza pela citação de elementos do próprio texto. Esse quadro. Para efetivar essas citações são utilizados pronomes pessoais. Em vista disso. permite que os objetivos sejam atingidos. identficação de instrumentos.. verbos. Assim. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS . onde). Pronomes. proposição de uma teoria. pois é facilmente identificado pelo leitor. Algumas vezes. aqui. a elementos que serão citados na seqüência do texto. verbos. Veja um exemplo de omissão de sujeito da oração: A metodologia cient(fica é um conjunto de atividades sistematizadas. abaixo. possessivos. Ela pode pro vocar diversas formas de ansiedade. Esses recursos podem se referir. comprovação. Implica a concepção das idéias quanto à delimitação do problema dentro do assunto. Alguns exemplos de expressões que servem a esse objetivo são: Diante do que foi exposto.. a) Coesão referencial Na elaboração de um texto.por elipse por substituição Vejamos como funcionam essas formas de entrelaçamento dos elementos que constituem um texto. que. Tudo o que foi dito. como no seguinte exemplo: O Doutor Fulano de Tal falou ao nosso repórter no intervalo do congresso. A partir dessas considerações. b) Coesão lexical A manutenção da unidade temática de um texto exige uma certa carga de redundância. períodos ou largas parcelas de texto por conectivos ou expressões que resumem e retomam o que já foi dito.

foi uma época de muitas repressões e restrições. Não há concatenação entre as informações.3. elas mostram perfeitamente a repressão da época da ditadura militar no brasil. então. felizmente o homem a está usando por um bem. A década de SO. No 5rasil podem-se citar as músicas feitas na década de 50. Existe niisica para todos os gost. de política ou simplesmente retratar a realidade. Problemas decorrentes da ausência de coesão Quando os mecanismos de coesão textual não são bem utilizados. o impoante é a tranqüilidade que ela nos passa As pessoas encontram msíca em tudo. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. pois não podemos distinguir imediatamente qual seria a idéia principal e não percebemos a relação imediata entre as idéias que estão justapost5 Relendo os parágrafos. No texto em questão. A história nos mostra o poder curativo das canções.os e todas as ocases. de forma que o texto apresente uma seqüéncj Qualquer período parece poder estar em qualquer Posição. Hó pessoas que gostam de escutar canções calmas. seja dentro do período. sem hierarquia ou progressão que Conduza a uma conclusão. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. As conseqüências podem ser: ausência de ênfase nas idéias principais. A ausência de coesão é um dos principais problemas da construção de textos. nõo que ela seja um remédio milagroso. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. ou uma poderosa arma. pois revela desordem nas idéias e dificulta a compreensão do leitor. porque o tema que perpassa todo o texto é a música. falta de hierarquia entre idéias principais e secundárias. Vejamos um texto de aluno de segundo grau. 115 116 TÉCNiCA DE REDAÇÃO A musica pode ser um excelente remédio. estilo infantil ou elementar. Algumas doenças podem ser curadas pela música. essa unidade não é suficiente. indefinição das relações entre as idéias. o autor apresentou três grupos de idéias: música e prazer. entre outras. encontramos idéias colocadas lado a lado. Entretanto. ela pode levar a cura. por causa das letras das músicas. outras que preferem as mais agitadas. que falam claramente do desejo da populaçõo brasileira. No impoa o tipo ou a hora ue se ouve a musica. As canções podem falar de amor. seja entre os períodos ou parágrafos. individual ou coletivo. As canções podem ter um caróter ilustrativo. 1? Agrupar idéias relacionadas entre si. sem especificar OU defender nenhum deles particularmente Para que o texto passe a apresentar coesão e reflita essa idéia. que a idéia principal seja expositiva: a grande abrangêneja da música na vida contemporânea o redator teria por objetivo expor os diversos campos em que a música está presente na vida humana. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 117 . mas para algumas doenças. Ou seja. a progressão da informação e a articulação entre as idéias não foram devidamente elaboradas. Algumas pessoas gostam de músicas s6 com os instrumentos e outras com um cantor. ambigüidade. do assio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento Uma primeira leitura nos mostra que há unidade semântj ca. truncamentos semânticos. alguns escrevem falando sobre o amor. outros relatam o que estó acontecendo com o brasil. ou seja. estabelecer por suposição. as canções dessa década mostram perfeftamente isso. o texto se prejudica. música e Saúde MUSICA E POLÍTICA 2? Reorganiz o texto. enfatizando uma idéia principal para a introdução e para a Conclusão e estabelecendo as formas de articular as idéias secundárias 3? Estabelecer nexo entre as diversas idéias por meio de frases de transição e de recursos coesivos’ reescrever eliminando e acrescentando elementos. 4? Revisar. demonstrar uma situaçõo ou um fato ocorrido. em que os problemas de ausência de estabelecimento da coesão estão bem nítidos. Vamos. confusão e obscuridade nas referências. o que não modificaria o resultado. muitos Compositores foram expulsos do brasil. no rasil. é necessário empreender algumas transformações. como a música.

AS CANÇÕES DESSA DÉCADA MOSTRAM PERFEITAMENTE ISSO. Conseqüentemente. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. a coesão evidencia. As canções podem lidar de amor. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. Algumas doenças podem ser curadas pela música. pois pode-se encontrar música em tudo. em conseqüência da ditadura militar. outras que preferem as mais agitadas. As pessoas encontram música em tudo. E fato notório que as violações aos direitos humanos se sucedem no país com freqüência indesejável. Não importa o tipo ou a hora que se ouve a música. Vejamos uma das possibilidades de aperfeiçoamento do texto. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. para o seu próprio bem. demonstrar uma situação ou um fato ocorrido. Vejamos como os laços coesivos se realizam em um exemplo de texto editorial jornalístico: — O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 119 DESRESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS A denúncia da Anistia Internacional sobre a prática no Brasil de torturas e execuções por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. NO BRASIL. como a música. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. Então. não que ela seja um remédio milagroso. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. A história nos mostra o poder curativo das canç6es. Não importa o tipo ou a hora em que se ouve a música. que fala claramente dos desejos da população. apresenta problemas de coesão. FOI UMA ÉPOCA DE MUITAS REPRESSÕES E RESTRIÇÕES. algumas pessoas gostam de música instrumental e outras de música cantada. As canções podem ter um caráter ilustrativo. o homem está sempre em contato com a música. As canções da década de 60. Essa vertente de músicas voltadas para a questão social não é nova. Um texto desorganizado.Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. Muitos compositores frram até mesmo expulsos do Brasil. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. promover a cura de doenças. o importante é a tranqüilidade que ela nos passa. ELAS MOSTRAM PERFEITAMENTE A REPRESSÃO DA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR NO BRASIL. na superfi ci do texto. por causa das letras de suas músicas. uma forma de conscientização e de denúncia social ou um excelente remédio. que a música pode ser uma fonte de alegria e prazer. Não que sejam um remédio milagroso. MUITOS COMPOSITORES FORAM EXPULSOS DO BRASIL. Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. alguns escrevem falando sobre o amor. como o gosto do público é diversificado. A DÉCADA DE 60. As canções podem falar de amor. Como podemos observar. de política ou simplesmente retratar a realidade. geralmente. frlizmente o homem a está usando por um bem. mostram perftitamente como essa foi uma época de muitas repressões e restrições. 118 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. a história nos mostra o poder curativo das canções. No BRASIL PODEM SE CITAR AS MÚSICAS FEITAS NA DÉCADA DE 60. retratar a realidade e. ou seja. os compositores podem escrever as letras das músicas daJirma que lhes convier. o importante é a tranqüilidade e a alegria que ela transmite. individual ou coletivo. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. é preciso trabalhar em dois níveis: 1? organizar as idéias numa rede de significados e 2? entrelaçar gramaticalmente as frases e os períodos. aproveitando a maior parte das estruturas construídas originalmente pelo autor: Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. de política. outras que preferem as mais agitadas. as articulações que estabelecem relações das idéias. Assim. no Brasil. ou uma poderosa arma. Algumas pessoas gostam de músicas só com os instrumentos e outras com um cantor. mas podem levar a cura para algumas doenças. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais . ela pode levar a cura. Podemos compreender. POR CAUSA DAS LETRAS DAS MÚSICAS. que falam claramente do desejo da população brasileira. até mesmo. Além das funções de proporcionar prazer estético e de denunciar problemas sociais. como a música “Comida “. mas para algumas doenças. A música pode ser um excelente remédio. então. Alguns escrevem jLilando de amor.

A Suécia chega ao índex internacional por devolver asilado. o desrespeito aos direitos humanos tem diminuído. E um morticínio bem maior do que as baixas na guerra do Kosovo. E fundamental. onde cada qual ocupa menos de um metro quadrado de espaço. O texto. nenhuma providência era tomada. temos exemplos de coesão por substituição lexical. Observamos que a expressão chave do texto é desrespeito aos direitos humanos. Teria uma estrutura repetitiva. atentados contra a dignidade e incolumidade fisica das pessoas (linhas 8 e 9). até mesmo para punir crimes cometidos por menores. o governo costumava qualificar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre o desrespeito aos direitos humanos. denunciava a existência nos EUA de mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. Durante os anos sombrios do regime militar. O primeiro exemplo disso veio na Constituição de 1988. Correio Braziliense.se outro comportamento. como está no titulo. há mais de três anos. Leis espeq’ficas e ações concretas têm sido adotadas para prevenir e punir os desrespeitos às prerrogativas humanas da pessoa. nem mesmo a elementar cautela de investigar a procedência dos fatos denunciados. A construção da coesão textual tem prosseguimento pela substituição da idéia de desrespeito aos direitos humanos por informações mais específicas. o governo costumava quaflficar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre violência às pessoas. O relatório anual da Anistia critica o Brasil e outras 141 nações. há mais de três anos.nissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça.s políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem. outra prestigiada entidade internacional. os atentados contra a dignidade e incolumidade física das pessoas têm diminuído. que as denúncias da Anistia inspirem reações mais efetivas em favor da proteção aos direitos humanos. 1999. Essa expressão é substituída. Brasília. estão no mesmo campo semântico e formam um paradigma. Com o restabelecimento da legalidade democrática. ficaria com a coesão prejudicada se em todas essas posições o autor usasse a mesma expressão: desrespeito aos direitos humanos. crianças e adolescentes em prisões de adultos (linha 30). Pior. abusos do gênero (linha 20). Qualquer leitor percebe o problema. ou seja. . E. Editorial. problema (linha 19).encarregados de reprimi-las. violações aos direitos humanos (linha 4). As instituições norte-americanas são apontadas à censura mundial porque praticam a pena de morte. diante do que Jbi exposto. promíscuo e violento. Os inquéritos de organizações internacionais em torno do problema passaram a servir de impulso ao sistema de garantias contra abusos do gênero. excluídos de qualquer programa de recuperação social. 20 jun. como os Estados Unidos e a Suécia. os homicídios rondam a casa dos quinhentos ao mês. violências às pessoas (linha 12). no texto. Desde a criação da Co. embora compreensível. elementar demais para o desenvolvimento que se espera nesse nível profissional de produção de editoriais. Rio de Janeiro. que é decorrente da pobreza de vocabulário. Os mais de 175 mil presos nas penh- 120 TÉCNICA DE REDAÇÃO tenciárias do país coabitam ambiente vil. que declarou a tortura crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. Durante os anos sombrios do regime militar. que exemplificam essa idéia: a tortura (linha 21). A avaliação rigorosa da organização é atestada por incluir países normalmente a salvo de suspeitas. homicídios (linha 36). em grande parte praticados por esquadrões da morte. instalou. Mas a incriminação do Brasil ao lado de sociedades tidas como padrão de cultura humanística em nada o isenta de culpa. E fato notório que o des O ENTRELA ÇAMENTO DAS IDÉIAS 121 respeito aos direitos hunianos se sucede no país con freqüência indesejável. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais encarregados de reprimir o desrespeito aos direitos humanos. desrespeito às prerrogativas humanas da pessoa (linhas 17 e 18). como: prática no Brasil de torturas e execuções (linhas 1 e 2). por várias outras que têm o mesmo significado. Só na Baixada Fluminense. Veja como o texto ficaria no trecho a seguir: A denúncia da Anistia Internacional sobre o desrespeito aos direitos humanos por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. Em dezembro de 1998. assim. Desde a criação da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. a Human Rigths Watch. Assim. pena de morte (linha 27). devolver exilados políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem (linhas 32 e 33). primária.

unia rede bem urdida de relações gramaticais e de significado. Essas ligações observáveis na superficie do texto realizam de forma concreta as articulações necessárias para assegurar a coerência entre as idéias formuladas pelo redator. há O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 123 possibilidade de criar laços mais largos por meio de referências. Há coesão por substituição lexical também nas expressões: acusações de agências humanitárias (linha 12) porfatos denunciados (linha 14) anistia (linha 22) por organização (linhas 23 e 24) países normalmente a salvo de suspeitas (linhas 24 e 25) por sociedades tidas como padrão de cultura humanística (linhas 34 e 34) Sempre que escolhemos uma expressão equivalente para substituir outra. elogios. elipses e substituições de partes do texto por expressões sintetizadoras. A expressão as violações aos direitos humanos é representada por um pronome enclítico em reprimi-las (linha 6). para que a coesão textual garanta a fidelidade às idéias que quer apresentar. 4. censuras podem vir explícitos ou implí 122 TÉCNICA DE REDA ÇÃO citos nos termos que escolhemos para constituir a coesão lexical. Assim. é importante que na revisão do texto você procure focalizar sua atenção sobre esses itens concatenadores. É a coesão textual. A referência está clara. e o leitor só pode interpretar o pronome -las como relativo à expressão anterior as violações aos direitos humanos. A releitura como avaliação para a reescrita O texto exige diversas releituras para reescritura e revisão antes de ser considerado satisfatório. para estudo ou trabalho. Observe que esse detalhamento ilustra e especifica o que se entende no texto por desrespeito aos direitos humanos. Na linha 20. Prática de entrelaçamento a) Releia os textos que você produziu anteriormente e identifique os recursos de coesão que utilizou em cada um deles. E preciso analisar: as opções adotadas estão funcionando no texto como um todo? As decisões se mantêm . de modo que o nome próprio não seja utilizado mais de uma vez. após a apresentação. como concordância e tempos verbais. Como também na linha 35. Capitulo 8 A reescrita de textos 1. Ao revisar o texto produzido você terá a oportunidade de reconsiderar uma série de decisões tomadas no início da produção. reveladas nessas expressões. a vírgula indica que se subentende o sujeito de excluídos como a expressão do período anterior mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. e o pronome relativo onde se refere a penitenciárias do país. Entrelaçando as idéias Como vimos neste capítulo e nessa rápida análise final. 5. podemos agregar alguma informação adicional. Há no texto um exemplo de substituição de idéias por expressão sintetizadora: diante do que foi exposto (linhas 41 e 42) resume toda a argumentação e justifica a conclusão que encerra o texto.presos coabitam ambiente vil. na linha anterior. e) Sempre que estiver lendo um texto. mesmo em textos tidos como objetivos. A expressão cada qual (linha 40) se refere a presos na linha anterior. Além das ligações temáticas e das estabelecidas pelo sistema gramatical. na elaboração de um texto criam-se laços de citações entre seus próprios elementos constituintes. Nosso julgamento e nossa posição diante da informação vêm. como temos mostrado no desenvolvimento deste livro. de maneira que se forme um tecido harmonioso. onde o pronome demonstrativo disso está se referindo a tudo que se afirma no período anterior a ele. E interessante observar que no texto há exemplos de coesão referencial. b) Escreva um texto expositivo acerca de um autor de sua preferência. o pronome o se refere a Brasil. diversidade lexical. Criticas. Um período está ligado ao seguinte ou ao que o antecede por meio de recursos coesivos. promíscuo e violento (linhas 39 e 40). Identifique outras formas de se referir a ele. há coesão referencial. Há um exemplo de coesão por elipse na linha 31: após a palavra pior. identifique as formas de coesão utilizadas pelo autor.

outras são mais sintéticas e precisam ampliar o texto na reescritura. O formato é adequado à situação? As exigências referentes ao gênero foram respeitadas ou há ambigüidades e inconsistências? às informações: o que informar e o que considerar pressuposto. acentuação. Falando. construção do período. irmãos ou Companheiros É importante que um leitor dê sua opinião sobre o texto. Durante a reescrita. como se você não fosse o redator. no texto. Muitas vezes não há erro. articulada Muitas vezes. “gorduras” enfim. se você quer uma pista acerca dos pontos em que deve prestar mais atenção. sem relação com o núcleo do texto. divagações ou digres A REESCRITA DE TEXTOS sões. As vezes. exigindo muito do leitor? A introdução de informações novas é bem realizada? Há informações irrelevantes que podem ser dispensadas? - 126 TÉCNICA DE REDAçÃO Há excesso de informação? Há informações incompletas ou confusas? As informações factuajs estão corres’ à linguagem. mas ás vezes pode ser útil envolver colegas. suprimir palavras. tentando tomar o lugar do leitor. na primeira versão de um texto costuma mos prestar mais atenção à criaçãO das idéias. Estamos preocupados em captar o fluxo do pensamento e registr0 da maneira mais completa Possível. excesso de adjetivos expressões coloqujais inadequadas jargão profissional? às estruturas Sintáticas e gramatjcj5 O texto está correto quanto às exigêncj5 da língua padrão? As transições entre as idéias estão corretas e claras? Os conectivos são adequados às relações entre as idéias? A divisão de parágrafos corresponde às unidades de idéias? ao objetivo e à situação. de forma mais distanciada. Com isso. os detalhes da superficie do texto. Como alguns trechos devem ser riscados ou refeitos. mas é preciso acrescentar elementos para criar ligações mais claras entre as diversas idéias do texto. professores pais. formal ou informal A linguagem está adequada à situação? A opção escolhida tornou o texto harmonho 50 ou há oscilações súbitas e inadequadas à impesso dade ou subjetividade O posicionamento adotado corno predominante mantémse ou essa opção não ficou consistente flO texto? ao vocabulário As escolhas estão adequadas ou há repetições enfadonhas e pobreza vocabular? Algum termo pode ser substituído por expressão mais exata? Há clichês. A opção escolhida foi mantida durante todo o texto? O leitor que você tem em mente é atendido durante todo o texto? ao gênero de texto: que plano de escrita utilizar para a situação. Algumas pessoas escrevem muito nos rascunhos. Não se escreve como se fala. torna-se mais legível e de acordo com as exigências da língua padrão. Está de acordo com o objetivo estabelecido inicialmente? As idéias principais estão evidentes? Como já vimos. trata-se de cortar e simplificar frases longas demais ou truncadas. As informações fornecidas são suficientes ou o texto ficou muito denso. Tentamos gerar idéias e organjz5 de forma coerente. nesse momento estamos também reestruturando a forma. frases feitas. pronomes. embora a fala possa servir de base para o início da escrita. clara.ou há incoerências e descontinuidades? Consegue-se essa avaliação ao reler várias vezes o texto. Portanto. estabelecimento da coesão e vocabulário. quanto: ao leitor: inseri-lo no texto ou tratá-lo de forma neutra e distanciada. . comece por esses. ou seja. adjetivos ou advérbios que pouco ou nada acrescentam ao texto. Analise as decisões e a realização. a atenção se desloca para a forma mais adequada e para a melhor organizaç0 final dessas idéias A revisão normalmente feita pelo próprio autor do texto. nesse primeiro momento desprezamos a forma. As primeiras versões costumam trazer passagens distoan tes. As pesquisas que analisam textos de exames vestibulares e provas discursivas de concursos públicos mostram que a maior freqüência de erros ocorre nesta ordem: pontuação.

Ela é muito útil quando queremos inserir uma informação da qual não sabemos a procedência exata. Assim. Veja o exemplo: . universal. atenuando a dialogia e Ocultando o agente das ações. aparen temente neutra.. na voz passiva esse agente pode estar oculto. Reconheço Minhas conclusões. usar a passiva sem esclarecer seu agente é um recurso gramatical para impessoalizar a informação. então. Os textos dissertatjvos informativos.. é imprescindível são Utilizadas para ocultar o agente. Quem precisa? Quem necessita? Para quem é Urgente? Para quem é imprescindível? No podemos definir com clareza Tornase uma realidade geral.. A diretoria ordenou. objetiva.. O nosso interlocutor está longe e. essa característica de ocultar o agente. Devemos. Nossas conclusões. científicos apresentam..aro sujeito. os adjetivos e pronomes supérfluos. um fenômeno. a) Generali. por isso. Um texto é pessoal e subjetivo quando pronomes pessoais e possessivos. colocandoo no plural Uma forma elegante de se distanciar relativamente da subjetividade é io agente. 19 Ocultar o agente A expressão é precisO serve a esse propósito de neutralidade. evidente. d) Uso gramatical do sujeito indeterminado Como a própria nomenclatura indica. Fala-se muito em renovação dos quadros funcionais. É um recurso muito utilizado na administração pública e na política. e sempre que o nosso interlocutor quiser. A impessoalização do texto 128 TÉCNICA DE ftEDAÇÀO Nem sempre temos interesse em deixar expljcjtas a nossa voz e as diversas vozes que São trazidas para compor um texto. uma instituição ou uma organizaç0 Quando escrevo frases como O Mjnjsí rio decidiu. Assim também expressões como: é necessário é urgente.. verbos conjugados em primeira e em terceira pessoa contribuem para que o diálogo se estabeleça entre autor e leitor de forma explícita.. a repetição desnecessária. eliminar os rodeios. neutra. os jogos de palavras. Vejamos algumas delas. Os pesquisado reconhecem. Muitas vezes queremos adotar uma posição impessoal. e) O USO da voz passiva Enquanto na voz ativa temos um agente explícito. acrescentar informações e corrigir outras. A releitura é imprescindível para o aperfeiçoamento do texto.todos nós podemos a qualquer momento. expositivos. Na escrita não dispomos disso.. muitas vezes. 127 2. Vamos focalizar a seguir alguns aspectos que merecem atenção e que podem ser aperfeiçoados na reescrita. Vive-se esperando o aumento de preços. Gramaticalmente há muitas maneiras de conseguir esse objetivo. são menos subjetivas que Procurei demonstrar.. O uso da primeira e da terceira pessoa do plural é a estratégia recomendada quando a intenção é atenuar a subjetividade da primeira pessoa sem adotar a neutralidade absoluta Frases como Procuramos demonstrar . Por meio dela podemos avaliar o funcionamento do texto e propor reformulações. Acreditava-se em uma diminuição dos impostos. Tudo é dito como se fosse uma realidade que se apresenta sem intermediários e) Colocaram agente inanimado Uma outra maneira de impessoajizar o texto é colocar como agente um ser inanimado.. O governo protelou a responsabilidade em relação à ação está diluída e não se pode identificar claramente de onde ou de quem emanou a iniciati A REESCRITA DE TEXTOS 129 va.. não se pode determinar com precisão quem realizou uma ação quando usamos a estrutura de sujeito indeterminado.. precisamos alcançar a maior exatidão possível.

mandioqueiro. mandi ou mandim. campesinho. (detinha) 5. caapora. tinha um belo terno. deu prova de. a questão lexical. ou seja. (manter. beiradeiro. sustinha. conseguiu. Tinha grande poder. complexo e poderoso do que antes se imaginava. catatuá. mixuango ou muxuango. (padece de. saquarema. capuava. capicongo. pois quase sempre é a mais pobre. em oposição à de civilizado. Tivemos em nossa casa um ilustre hóspede. possui) 2. é necessário procurar outras opções. Tem bom aspecto. abrigamos. vestia. botocudo. rústico. Ainda tem recursos para a viagem. biriba ou biriva. conseguia. Quem realizou? Quem está revelando? A voz passiva oculta o agente. bruaqueiro. outros têm um sentido pejorativo associado à idéia de primitivo. Não se pode ficar satisfeito com a primeira possibilidade que vem à A REESCRITA DE TEXTOS 131 mente. catrumano. agreste. Uma seleção inadequada pode prejudicar o funcionamento do texto e causar efeito inverso ao que se deseja. baba quara. caboclo. para o campo semântico do verbo ter. Alguns termos enfatizam o trabalho ou a origem da pessoa. desfrutar. Não conseguia ter o poder por muito tempo. piraguara. exerceu. cariazal. encerrava. capa-bode. campino. recebemos) 14. casca-grossa. Tinha a admiração de todos. O segredo do uso adequado do vocabulário é selecionar e combinar cuidadosamente. viveu) 12. pé-no-chão. (usufruir. cafumango. que é mais exata para a idéia que se quer transmitir. (continha. casaca. trazia) 3. capiau. provocava) 9. morador. Na cerimônia. camisão. demonstrou) . sertanejo. Tem muitos bens. conservar) 7. despertava. maratimba. (ocupou.Novas descobertas foram realizadas em centros de estudo e laboratórios ao redor do mundo. O documento tinha muitos argumentos. apresentava. usava. caburé. mucufo. 3. Está sendo revelado ao mundo que o cérebro é um órgão mais fascinante. rurícola. curau. pira quara. catimbó. como: lavrador camponês. A escolha vai depender da análise dos objetivos do texto. gozar) 4. Ele tem uma doença contagiosa. carregava. experimentou. sitiano. Teve um cargo de chefia. é a escolha cuidadosa do vocabulário. baiano. Dessa lista ou paradigma é fácil eleger a palavra que mais combina com o contexto. bóia-fria. mixanga. trazia) 15. Ele teve muita iniciativa. tabaréu. brocoió. (obtinha. em cada uma de suas acepções. canguaí. arrolava) 10. (segurava. (dispõe de) 6. baiquara. Na seleção dos verbos. Para não repetir essa mesma expressão. matuto. Teve uma forte emoção. Como vimos. mano-juca. (sentiu. (apresenta. jeca. beira-corgo. roceiro. urumbeba ou urumbeva (Dicionário Aurélio Eletrônico). conquistou) 8. capurreiro. guasca. Não se satisfaça com a primeira opção que vem à cabeça. campeiro. babeco. (É dono de. há diversas maneiras de tornar o texto impessoal. Uso do vocabulário Um dos pontos importantes para um texto bem estruturado. Tinha as pastas de documentos nos braços. Algumas 130 TÉCNICA DE REDAÇÃO pessoas têm dificuldade na seleção da palavra certa. ostenta) 13. (trajava. há uma série de outras opções. pioca. o processo é semelhante. é portador de) li. vaqueiro. e todas elas utilizam recursos e possibilidades presentes no sistema gramatical da língua. revelou. sitiante. caiçara. moqueta. tapiocano. (acolhemos. alcançou. mocorongo. mateiro. Assim. casacudo. canguçu. conquistava. semterra. adequado à situação e aos objetivos do redator. atraía. pé-duro. campesino. Se você for ao dicionário ainda vai encontrar inúmeras expressões regionais como: araruama. talvez mais ricas e mais exatas: 1. (mostrou. Você é um desses casos? A solução é ter paciência e esperar um pouco até que o “arquivo” mental processe o pedido e devolva uma série de possibilidades. macaqueiro. chapadeiro. sofre de. groteiro. Os funcionários esperam ter férias em julho. restingueiro. obteve. agricultor campestre. peão. cambembe. Imaginemos que você vai escrever um texto sobre trabalhadores rurais brasileiros de diversas regiões. curumba. caipira. mostra. mambira. queijeiro.

Fuja das expressões gastas. devotam. ao reescrever COflVfl1 eliminar palavras muito tCnicas. (obteve. cheia de efeitos e palavras da moda. (recebeu. cismar Sentir acontecer ou Outros Nosso léxico é muito rico e no devemos nos contentar com o mínimo Vale a pena investir na amp1iaç0 do fosso acervo individual para produzir textos melhores Entretanto. passa adiante o tratado do bláblá-bl .2te ter voca çào. mas desta vez. apenas impressionar o leitor. Trata-se do Guia de Discurso para Tecnocro tas Principiantes Sua versão original teria sido publicada numa revista polonesa Fontoura teve acesso a uma tradução de autor desconhecido que vai publicada adiante. recebeu) 19. conta) 21. na revista Time. 133 Madame Natasha tem horror a música Ela con fund bola de Taffarel com bolero de Ravel.. aceito) 17. E uma versão melhorada de uma compilaçào surgida pela primeira vez há mais de 20 anos. E necessário equiljj0 para assegur a clareza e a comuni cação Por iss0. preciso. mas inconsistente em termos de informação objetiva A REES’JJ. dedicam.. Tenho de falar. para todos.. necessito) 132 TÉCNicA DE REDAÇÃO O verb0 da. Cidadãos conscientes têm amor á história. 4 nível de filosofia é importante. Talvez não seja coisa muito nova. e dispensar palavras e expressões supérfluas evitando redundâncias ou expressões vazias que procuram Clichés. resultar ceder Conceder apresentar mani festa. dos O sol nascei. graças ao jornalista Walier Fontoura...ar render propor trazer Conte. tributam) 20. ofertar oferecer produ/. qualquer exagero pode levar ao lado Oposto.. que também é um verbo genérj0 depen dendo do contexto Pode ser substituído por: doa. Ele já tem 90 anos.. revelar cometer causar Soltar emitir publicar di/ gar realizar vender administrar aplicar ministrar proferi dedicar Consagrar Provocar rese. Habitualmeitie a senhora distribui bolsas de estudo aos sábios da parolagem. mas certamente é divertida (para amigos do idioma) e útil (para os inimigos). (adoto. Teve resposta positiva. Evite esse tipo de linguagem complexa rebuscada. acato. Desde tempos i/nemo. que fazem parte do jargão de uma determinada profissão.16. Nós enqua0 brasileiros 4 quest5.. (completou. sigo. (devo.j5 Observe os quadro5 a seguir que ironizam a Iinguage Pedante da tecnocracia Você pode escolher aleatoriament um fragme0 de cada coluna e consegj formar uma frase gramaticalmente aceitável..DE TEXTOS Quadro 1: Elio Gaspari. O leitor pode combi na qualquer expressão . Tenho a mesma opinião. sofreu) 18. nClujr registr Consignar atribuir encon/. (consagram.. inCI dir divisar avistar perceber bastar ser Suficie. Teve a punição merecida. mas sem conteúdo definido ou consistente. C?fl5 algumas adaptações.

O cntério metodológico reconduz a sínteses a pontual correspondência entre objetivos e recursos com critérios nãodirigísticos. não assumido nunca como implícito. A necessidade se caracteriza por uma correta relação no interesse substanciando e numa ótica a transparência de emergente entre estrutura e primário da vitalizando. ativando e implementando. A utilização privilegia uma coligação segundo um módulo recuperando. 2. O quadro normativo prefigura a superação de cada obstáculo e/ou resistência passiva sem prejudicar o atual nível das contribuições. o aplainamento de discrepmncias e discrasias existentes. não omitindo ou calando. uma vez que das informações formação de quadros. 6. a adoçào de uma metodologia diferenciada. na medida em que isso seja factível. 3 e 4. evidenciando e explicitando. 3. na ordem 1. indispensável e flexibilidade das interdisciplinar horizontal. estruturas. das demais.a da auxilia a preparação das atitudes e das esquecer que organização e a estruturação atribuições da diretoria Do mesmo modo. ou como sua premissa uma congruente potencial orgânica de interdependência antes revalorizando.lisiada na primeira coluna i com outras. tecnologico. 5. a cavaleiro da situação contingente. O novo tema social propicia o incorporamento das funções e a descentralização decisional numa visão orgânica e não totalizante. i MANUAL DE TECNOMISIIFÍCAÇAU i estudos efetuados essencial na financeiras e formulação adnijmst ivas Assim mesmo. superestrutura população. 7. no contexto de um sistema integrado. 4. A e5periôncia a consolidação das prejudica a pereepçào das condições mosa que estmiaras da impocia apropfia para os negócios. com as devidas e imprescindíveis enfatizações. É fldansenfal a amimar dos divemos oferece uma boa dos nidice pretendidos ressaltar que resultados oportunidade de venfleação O incentivo ao avanço o início do prograin acan-era um processo das formas de ação. O modelo de desenvolvimento incrementa o redirecionamento das linhas de tendência em ato para além das contradições e dificuldades iniciais. a expansão de nossa exige a precisão e a dos conceitos de atividade definição Participação geral. Quadro 2 COLUNA A COLUNA B COLUNAC COLUNA D COLUNA E — COLUNA F COLUNA G 1. 2. Não podemos a atual estnjs. condicionante. para uma práxis de trabalho dr grupo. Estrutura dos períodos . um indispensável salto de qualidade. o coenvolvimento ativo de operadores e utentes. A REESCRITA DE TEXTOS 135 4. 1998. assim de fomiação de de reformulaçào corno atitudes Jornal de Brasfl0 28. sem dizer coisa nenhuma. potenciando e incrementando. a redefinição de uma nova figura profissional. em termos de eficácia e eficiência. preventiva e não cada ato decisional. mas antes particularizando.jun. mais curativa. permite ao empulhador que fale ininterruptamente por mais de 40 horas. Segundo os autore5. o novo modelo coninbui para das novas proposições estruniral aqui a correta preconi0 determinação A prática mostra que o desenvolvimento assume importantes das opções básicas para de formas distintas posiçõesun definição o sucesso do prograrun de atuação Nunca é demais a consiante divulgação facilita5 definição do nosso sistema de insistir. As variações possíveis sO cerca de 10 mil. O método participativo propõe-se a o reconhecimento da demanda não satisfeita mediante mecanismos da participação.

b) Separar o aposto explicativo: Pedro. Este é o grande defeito do ensino escolar: desvincular a análise sintática da produção de textos. d) Expressões intercaladas: isto é. oficios. convém evitar orações intercaladas muito longas. Esqueça aquele desespero ao decorar classificações para preencher exercícios ou testes e procure entender o funcionamento lógico da frase e seus efeitos de sentido junto ao leitor. nem entre o predicado e seus complementos. ágeis. Em textos expositivos. pareceres. a não ser que esteja em posição invertida. Quanto mais extenso for o período. adverbiais: Quando chegar o dia do exame. mas apenas provocar algumas reflexões. e) Separar enumerações: Escrevi cartas. aliás. Cada uma das possibilidades sintáticas constitui uma maneira diferente de transmitir uma posição. o aluno mais estudioso. 5. Observe este exemplo retirado de um rascunho de documento pedagógico: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste em tomar a linguagem como atividade discursiva. ou seja. esperamos que tenham uma boa I. Sempre que estiver reescrevendo seu texto. acumula informações de forma densa e complexa. coordenadas sem conjunção — O livro. de dar ênfase a um tópico. está caro. procure analisar 136 TÉCNICA DE REDAÇÃO as possibilidades da língua. por exemplo. .’iagem. memorandos. adjetivas explicativas: O livro. A pontuação A vírgula é a principal dúvida de todos os redatores. de provocar uma interpretação. ou melhor etc. o . com o objetivo de construir períodos melhores em seus textos. É preciso memorizar que não se usa vírgula entre o sujeito e o predicado. disseram os alunos.Aspecto decisivo para a reescrita de textos é a avaliação da construção dos períodos. Quando o redator não consegue dividir adequadamente as idéias em períodos distintos. os recursos disponíveis. E geralmente preferível a ordem direta: sujeito + predicado + complementos Na construção dos períodos. dissertativos ou argumentativos. Se você aceitar a sugestão e voltar às gramáticas ou aos livros didáticos para uma revisão de sintaxe. E necessário observar cuidadosamente a sintaxe da oração: Sujeito Predicado e complementos Com o qual o erbo concorda Paulo entregou o texto a Joana ontem na sala subitamente. que é uma fonte imprescindível de informações. relatórios e monografias. as frases devem ser curtas. ou seja. dificultando a interpretação do leitor. como se acredita no senso comum. Como nosso objetivo aqui não é oferecer uma revisão gramatical. é bom. fora da ordem direta. e) Separar orações intercaladas ou não. maior será a possibilidade de se perder o controle da sua elaboração e cometer impropriedades estruturais. A ausência de ponto final também constitui um problema de sintaxe. já que une e separa elementos de uma oração. sugerimos que você volte aos seus livros de língua portuguesa e tente se aproximar dos capítulos de sintaxe com outros olhos. A pontuação é um dos principais problemas dos textos e ela depende de um conhecimento mínimo de análise sintática. procure identificar as relações sintáticas para observar se há concordância entre os termos das orações e se a pontuação está correta.4 REESCRITA DE TEXTOS 137 Observação: as adjetivas restritivas não aceitam vírgula: O livro que o professor sugeriu é bom.foi aprovado no concurso público. É correto utilizar a vírgula para: a) Separar o vocativo: Senhoras e senhores. que dificultam a compreensão do leitor. ordenando-os de forma lógica. E principalmente um fator sintático. Ela não serve apenas para marcar pausas ou momentos de respiração. as diversas formas de elaborar uma idéia. estarei pronto. objeto direto + objeto indireto + Quando? Onde? Por quê? Como? Com quê? Nenhum desses elementos pode estar separado do outro por vírgula.

e por meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. baixeza. Entretanto. muitas vezes. ortografia. Podemos dizer que há problemas de sintaxe e de estilo. analisar. NAMORE AS PALAVRAS. uma grande parcela dessas dificuldades se resolve pelo uso do computador. A língua portuguesa oferece muitas dificuldades ortográficas. Observe que não há problemas de concordância. Identifique quais são os seus problemas mais freqüentes e concentre seu esforço e sua atenção sobre esses casos. O melhor e mais seguro é consultar o dicionário muitas vezes até memorizar a ortografia da palavra. falar. vazio. Alguns procedimentos podem ajudá-lo a melhorar seu desempenho em relação à ortografia: A REESCRITA DE TEXTOS 139 LEIA MUITO. o melhor é criar familiaridade com as palavras. por 138 TÉCNICA DE REDAÇÃO meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos ora is. PEÇA A ALGUM PROFESSOR PARA DIAGNOSTICAR SUAS DIFICULDADES. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. 6. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. epor meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. açúcar. máximo. Tal procedimento permite. incorreções e palavras inexistentes. exceção. Portanto. Hoje. a aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos. que podem ser solucionados pela divisão em períodos menores e uma adequada colocação de pontos finais. FAÇA PALAVRAS CRUZADAS NAS HORAS VAGAS. flanela. Vejamos: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste etn tomar a linguagem como atividade discursiva. pesquisadores. DUVIDE SEMPRE DA GRAFIA DE SÍLABAS COMPLEXAS. Não podemos individualmente modificar a ortografia conforme nossa preferência. nem sempre podemos usar o computador. instituições de ensino. ensaio.texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas á coerência e à coesão textual. o texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas à coerência e à coesão textual. Entretanto. RS: perspectiva. nascer. A questão da ortografia A ortografia das palavras é uma convenção que envolve decisões coletivas e históricas. À medida que se escreve. visor. por meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos orais. PRI BL/CL/FL/DR: problema. o texto oferece dificuldade de leitura por prolongar-se excessivamente. oficializadas por segmentos como Academias de Letras. É impossível ter certeza . permitindo. A dúvida é natural mesmo para quem escreve todos os dias e vive de escrever. SEPARE AS SÍLABAS DE PALAVRAS NOVAS. SOLETRE. Esses conhecimentos possibilitam a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. como nos concursos. X/CH: ficha. interstício. acento. fecho. atraso. acentuação. deslizar. puxar. Essas ocorrências exigem maior atenção. o programa aponta dúvidas. sem. as necessárias adaptações sintáticas e a pontuação transformaram o texto de forma a facilitar a leitura. alterar o sentido original. escrevemos de forma manuscrita e sem possibilidade de consulta ao dicionário. ler e escrever. LEIA PRESTANDO ATENÇÃO NA GRAFIA. E. leia-a várias vezes em voz alta para gravar o som. As principais dificuldades de grafia das palavras em português são decorrentes das muitas representações gráficas para um mesmo som ou dos encontros de consoantes: SS/C/S/Ç/SCIX: assunto. J/G: viajem (verbo). A divisão em períodos menores. mas a decisão final é ainda do redator. crescer. contudo. FOCALIZE SUA ATENÇÃO NOS PONTOS EM QUE AINDA TEM PROBLEMA. superstição. análise. publicações e leis. viagem. da aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos que possibilitem a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. escreva sem olhar para o texto original e depois confira. proclama. CONSULTE O DICIONÁRIO SEMPRE QUE TIVER DÚVIDA. SIZ: riqueza. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. falar. ler e escrever de maneira crítica e autónoma. flandre. de maneira crítica e autônoma. estender. Sempre que encontrar uma palavra dificil ou nova para você.

mas essa é facilmente resolvida com o treino. 142 TÉCNiCA DE REDAÇÃO ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NO APERFE1ÇOA0 DO TEXTO ASPECTOS TEXTUAiS S Sintaxe de Construção Reescrever obsersando. A memorização vem com o uso. quando em seguida a esses verbos há uma palavra feminina que admite artigo feminino a. os dois as se encontram e acontece a crase: José entregou o livro a > a professora recebeu o livro. Mas é relativamente simples Alguns verbos transitivos indiretos exigem o uso de uma preposição a. pronomes pessoais: ela. O uso do sinal indicativo de crase Muitas Pessoas acreditam que é impossível compreender o funcionamento da crase. Não se usa crase também em expressões como: cara a cara de alto a baixo de baixo a cima de fora a fora dia a dia face a face frente a frente gota a gota Muitas expressões exigem sinal indicativo de crase. Deveríamos chamar o dicjonáijo de “pai dos sábios”. e até escritores prestigiados têm dúvidas e vão ao dicionário a todo momento Quem tem vergonha de demonstrar dúvida e de dicionário.absoluta da grafia correta de todas as palavras da língua. A acentuação gráfica também merece atenção especial. mim. José entregou o livro à professo. Saiba que revisores profissionais têm ao alcance da mão muitos livros de 140 TÉCNiCA DE REDAÇÃO consulta. adequação dos co- . pois quem o consulta com freqüênj tem realmente mais familiaridade com os fatos da língua. quem. como: à altura à escolha à margem de à bala à espera à medida que à base de à esquerda à página 10 à beça à força à parte à beira de à francesa à primeira vista à caça à luz à procura à direita à maneira de à proporção que à disposição à mão (escrever) à razão de à entrada à mão (estar) à tinta à época à máquina (escrever) Acostume-se a tirar dúvidas sempre que elas aparecem. alguém. porque essas palavras nunca são antecedidas por artigo feminino. José entregou o livro a ela.a Não se usa sinal indicativo de crase antes de verbo palavra masculina. apelidado indevjdainen te de “pai dos burros”. pronomes indefinidos. corre muito mais risco de errar. Assim. Em todos estes exemplos a é preposição José entregou o livro ao amigo. você consolida sua intimidade com a língua escrita e as infinitas possibilidades de expressão. 7. Observe uma tabela de avaliação de textos que sintetiza as questões referentes à qualidade textual e pode servir de roteiro para sua própria releitura. este. José entregou o livro a quem pediu. Sugerimo5 que o redator tenha à mão um cartão plastificado com o resumo das regras para Consulta diária.. A REESCRITA DE TEXTOS 141 José entregou o livro a correr José entregou o livro a esse homem. a consulta constante às regras e a atenção na hora de escrever e de revisar. pronomes demonstrativos: esse.

Evitar mudanças ifljustificgv5 de nível. Obra teórico-prática muito agradável que. Papirus. Procurei traduzir conceitos muito sofisticados em linguagem quase informal. E é preciso lembrar que o trabalho com a leitura e a escrita é ininterrupto. Antônio Suárez. mesmo sendo uma tarefa complexa e prolongada. Pioneira. pelo menos para as necessidades práticas. David W. Severino Antônio & AMARAL. gratficantes e. é o resultado de muito trabalho com a linguagem. ou seja. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. O interesse pela linguagem. Entretanto. leve. pois. Se é que não começou pelo final. evi ta acúmulo de idéias num mesmo período. por meio de explicações e exercícios. Não se contente em usufruir apenas o que a distribuição perversa do capital simbólico na nossa sociedade nos concede. Observar estruturas peculiares ASPECTOS GRA1ATICAIS E FORMAIS /iadei:s parágrafo Evidenciar maiúsculas O Corrigir conforme dicionário Corrigir conforme as regras. Campinas. São Paulo. O objeto desse jogo é a língua. Como vimos. mas não tenho muita segurança se consegui isso. São Paulo. Curso rápido de redação e revisão gramatical.1 nectis e palavras de relação. na qual estamos totalmente imersos. pode ser utilizado sem ajuda. súbita. Mas relaxe. Escrever ler e compreender os infinitos matizes da linguagem são formas muito especiais de felicidade que nossa cultura nos proporciona. O que leva tempo e exige paciência. Curso rápido e completo de redação. De qualquer forma. tenham desvelado novos horizontes para você. Cxpressões Coloquiaiç clichê5. Indicado para quem quer avançar rapidamente nas reflexões e na prática sobre a produção de textos. Emilia. LE Concordância Corrigir conforme justificativa gramatic catíticaI/ Caso VOC Seja professor pode usar as letras da primeira coluna como indicações nas margens dos textos de seus alunos. espero que a leitura e os exercícios propostos tenham sido estimulantes. na escrita. BARBOSA. houve muito crescimento. março de 2000. Lucília -. é acessível a todos. (1993) Curso de redação. distinguir a idéia central. P Paragrafo Agrupar ideias complementares ou depen dentes Distribuir idéias por parágrafos di ferentes Escrever transição entre parágrafos G Gênero Nlanter o fom conforme o gênero. leva o leitor a se tornar mais crítico e . uma aventura lúdica.it0 Coesão e coerência Reescrever obsers ando. como eu gosto de fazer algumas vezes. CARRAHER. tem a respostapara minha dúvida. de frases e períodos construir Paralelism. Atica. corrigir / fragnient5ç0 e truncamento de idéias. não é uma iluminação divina. Meu amigo leitor Suponho que você esteja realmente interessado em aperfeiçoar sua habilidade em produzir textos. pode se transformar em um jogo. escrever bem. Afinal. Quem buscava uma fórmula infalível e definitiva pode estar se sentindo frustrado ou atordoado. Queira sempre mais. especificar generaIijaç5 articular as relações lógicas entre as idéias por meio de conectjso5 utilizar argumen_ los adequados. Pt Pontuação Retirar acrescentar OU modificar. leitor. se você se empenhou verdadeiramente. vai continuar pela vida afora. enriquecedora e prazerosa. Fácil. e no grau que desejava. pois chegou até aqui. sobretudo. O que signfica que você continuará crescendo sempre. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia às ciências humanas. si. Pode ser utilizado sem ajuda presencial. e somente você. A REESCRITA DE TEXTOS 143 CARTA AO LEITOR Brasília. desfa ze ambigüi55 V Vocabulário Eliminar ou substituir palavras repetida5 Utilizar paIara mais adequada Eliminar gíria. eliminar idéias incompatível5 sem importância para o desenvolvimeni da idéia central. Bibliografia comentada de apoio ao aluno ABREU. há sempre uma margem de incerteza. além de fortalecer seu equipamento essencial de participação na sociedade. eliminar repetições. que vai dos processos de desenvolvimento da criatividade ao aperfeiçoamento da apresentação do pensamento lógico.

M. (1989) Como escrever textos São Paulo. São Paulo. Emília. Pau/o Jllanjja/de redaç o e estilo São Paulo. CO5. Antônio Suárez. C. Queiroz. Mattoso. Celso & CENTRA. São Paulo. J. (1989) A arte de ensinar a escrever. Pode ser útil para trabalhos escritos disseativos VIANA. . à qual todas as Outras produzidas no Drasil se repoam no que diz respeito à produção de textos Embora não utilize conceitos modernos da lingüjstj textual. BASTOS. como pode ser um manual de curso SERAFINI Mafla Teresa. São Paulo. (1930) Estética da criação verbal. ALMEIDA. Robert. Atica. Lindley L. PLATAO F. FARACO. T. Martins Fontes. (1989) Curso de redação. CUNHA. Ática Excelente coletânea de textos comentados e analisados segundo os princípios mais atuais da lingüístj Fácil in(eres5te e pode ser utilizado individualmente. Pode ser utilizado como manual de curso ou como roteiro indiyi dual de trabalho. Globo. David W.. Martins Fontes. Vozes. A. 148 TÉCNICA DE REDAÇÃO CASTELLO. Imprensa Nacional. Ótimo curso completo de produção de texto para estudantes universi tários e outros interessados.) e outros (1998) Roteiro de redação Lendo e argwnenta 00 São Paulo Scipione Curso de redação completo com muitos textos para leitura e exercí. BARRAS. sor. Opressão? Liberdade? São Paulo. São Paulo. Trata-se de uma gramática moderna. CARRAHER. o capítulo a respeito da organizaç0 das idéias é muito interes sante. L. (1995) Nova gramática do português contemporáneo. (org. que não pretende estabelecer normas rígidas. Izidoro. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia ás ciências humanas. São Paulo. 1981.reflexivo em relação às informações disponíveis na sociedade. K. Petrópolis. Pode ser usado como manual para cursos de redação ou individualmente. José. descrever os usos reais e atuais da língua nas diversas circunstâncias. Artes Médicas. Martins Fontes. Porto Alegre. deve estar sempre á mão do redator. Pioneira. de (1998) Dicionário de questões vernáculas. (1986) Co0j ão enj prosa ‘noderna Rio de Janeiro. Record. Cristóvão. o Estado de S. (1999) Inventário das sombras. Ática. 1992. Brasília. Apresenta excelente reflexão sobre questões lingüísticas e muitos exercícios práticos de leitura e produção de textos. Petrópolis. Napoleão M. textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. CAMARA Jr. (1995) Técnicas de comunicação escrita. Campinas. (1983) Manual de expressão oral e escrita. (1986) Os cientistas precisam escrever. (1991) Manual de redação da Presidência da República. (1986) A produção escrita e a gramática. São Paulo. Evanildo. BRONCKART. São Paulo. Vozes. (1992)Prática de texto: língua portuguesa para nossos estudantes. F. Papirus. Jean-Paul. São Paulo. CAVALCANTI. Paulo/Moderna Manual de Consulta rápida para solucionar dúvidas de escrita da língua Pougues padrão Muito útil e fácil de usar sem ajuda do profes. M. Educ. Atica. L. Campinas. já os antecipava por meio de uma observação aguda do funcionamento dos textos literários Indispensável para todos que querem se aprofdar nas questõe5 da escrita em língua POrtugue MARTINS Eduardo (org) (1997) O Estado de S. BRASIL. (1985) Ensino da gramática. (1997) Lições de texto: leitura e redação São Paulo. & FIORIN J. Não é de fácil consulta para iniciantes que querem tirar dúvidas práticas de gramática. Unicamp. BAKHTIN. ______ & MATTOS. (1989) Interação leitor-texto: aspectos de interpretação pragmática. São Paulo. Rio de Janeiro. Severino Antônio & AMARAL. Fundação Getá lio Vargas. (1999) Atividade de linguagem. pois é organ1a0 a pair de verbetes em ordem alfabética Assim como um bom dicionário. 146 TÉCNiCA DE REDAÇÃO GÁRCIÁ Otlio0 M. BECHARA. BLINKSTEIN. C. BARBOSA. Carlos Alberto & TEZZA. M. L. Curso de redação em duas panes uma para o aluno e outra para o professor. São Paulo. sem ajuda presencial de um professor. (1994) Coesão e coerência em narrativas escolares. Bibliografia para aprofundamento ABREU. sim. Nova Fronteira. Hucitec. M. A. A. mas. (1930) Marxismo e filosofia da linguagem. Obra Clássica. São Paulo. Atica. CALKINS.

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David R. São Paulo. 5. São Paulo. (1998) Roteiro de redação Lendo e argument 0 São Paulo. Mercado Aberto MPfES40 e (ANC-P 42MENJO . (1993)4 dinámíca discursiva do ato de escreler. (1979) Argumentç0 e discurso po1íti0 São Paulo. B. ZILBERMAN Regina. (org. Provas de argume ração. (1981) Crise na linguagem. Martins Fontes. L. (1987)Deshurocratizaçãolingüística como simplificar textos administrativos. (1990) Estratégias de leitura: como decodcar sentidos flão-literais na linguagem verbal Porto Alegre. Martins Fontes. Kajrós PECORA Alcir (1983) Problemas de redação São Paulo.-ita São Paulo. Rio de Janeiro. T. “ 150 TÉCNICA DE REDAÇÃO ORLANDI Enj PuJcjnellj (1988) Discurso e leitura São Pau1o/Camp nas. Uso5 da linguagem. Martins Fontes. Pioneira. (1991) Redação cientifica. (1997) O mundo no papel as implicações conceituais e cognitivas da leitura e da escrita. Ricardo (1994) O laboratório do escritor São Paulo Ilumjnuras POS SENTI Sírio. Whjtaker (1986) A técnica da con humana São Paulo. Globo SOARES Magda & CAMPOS. MENDONÇA.) A linguagem e o outro no espaço escolar: Vygots e a construção do conhecimento. Cadernos de Pesquisa número 23. problemas e técnicas na produção oral e esc. J. Sagra. Atica. São Paulo Funda ção Carlos Chagas. Martins Fontes (1997) Por que (não) ensinar gramátjc na escola Campinas Mercado Aberto/ALB ROCCO M. estilo e subjetividade So Paulo.) e outros. A. 1978 (1930) Pensamento e linguagem São Paulo. (1982) Leitura em crise na escola: alternativas doprofrssor Porto Alegre. 5. C. Maria da Graça Costa (1991) Redação e textualidade São Paulo. Martins Fontes. São Paulo. Mestre Jou. B. Atlas. Globo. Smolka e Outros (orgs. Manjns Fontes PENTEADO J. R.MEDEIROS.AF 6J9?78a . Pioneira. VAL. (1978) Técnica de redação Rio de Janeiro. . a redação no vestibular. São Paulo. E. OLSON. ZANDWAIS Ana. Neide R. relação ora/idade escritura In: A. F. Scjpion VIGOTSy L. VANOYE Francis (1982). (1930) A formação social da mente São Paulo. (1988) Discurso. L. PIGLIA. SALOMON Délci0 Vieira (1991) Conzo fazer uma monografia São Paulo. VIANA. Campinas Papirus TRIGO Luciano (org) (1994) O Globo: grande5 entrevistas os escri tores. 1987. Martins Fontes. SERAFINJ Maria Teresa (1974) Como escrever textos Rio de Janeiro. Cortez Editores/Unicamp OSABE Hakjra (1977) Redações no vestibular. Ao Livro Técnico SMOL A.

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