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Livro Técnica de Redação. O Que É Preciso Saber Para Bem Escrever - Lucília Helena do Carmo Garcez

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TÉCNICA DE REDAÇÃO

O que é preciso saber para bem escrever Lucília Helena do Carmo Garcez

Martins Fontes
São Paulo 2004 /

/
Copyright © 2001, Lirraria Mar rins Fontes Editora Ltda., São Paulo, pata a presente edição. l edição abril de 2001 2 edição agosto de 2004 Revisão gráfica Mar ia Luiza Farret Célia Regina Cantargo Produção gráfica Gera/do Ai: es Paginação/Fotolitos Studio 3 Desenvolvimento Editorial Dados beternacionais de Catalogação na Publicação (CW) (Câmara Brasileira do Livro. SP, Brasil) Garcez, Lucília Helena do Carmo Técnica de redação o que é preciso saber para bem escrever / Lucfl/a Helena do Carmo Garcez. — 2 cd. — São Paulo Martins Fontes. 2004. (Ferramentas) Bibliografia. ISBN 85-336-2038-1 1. Redação (L/teratura) 2. Redação técnica!. Título. II. Série. 04-5414 CDD-808.066 Índices para catálogo sistemático: 1. Redação técnica 808.066 2. Textos : Produção: Redação 808.066 Todos os direitos desta edição para a língua portuguesa reservados à Livraria Martinn Fontes Editora Lida,

Rua Conselheiro Ramalho, 330 01325-000 São Paulo SP Brasil Tel. (11)3241.3677 Fax (11)3105.6867 e-mail: info@marrinsfontes.com.br http.’//www.tétartinsfontes.com.br

Índice
Introdução xiii Capítulo 1 Os mitos que cercam o ato de escrever 1
. —

1. Verdades e mentiras 1 2. Reconsiderando crenças 10 3. Novas atitudes em relação à escrita 11 4. Prática de escrita 11 Capítulo 2— Como escrevemos 13 1. Outras visões acerca do ato de escrever 13 2. A escrita como processo 14 3. Conhecendo melhor o processo de escrita 20 4. Novos procedimentos na escrita 21 5. Prática de escrita 21 Capítulo 3 — A qualidade da leitura 23 l.Oqueéleitura 23 2. Recursos para uma leitura mais produtiva 27 3. Os tipos de leitura e seus objetivos 29 4. Procedimentos estratégicos de leitura 30 5. Conhecendo melhor o processo de leitura 45 6. Prática de leitura 45 Capítulo 4 — Da leitura para a escrita 47 1. O trabalho com a memória 47

2. Resumos, esquemas e paráfrases 49 3. Conservando e reutilizando o que foi lido 59 4. Prática de síntese 59 Capítulo 5 — Decisões preliminares sobre o texto a produzir 61 1. Tomando decisões 61 2. Funções da linguagem 61 3. Decisões em relação às estruturas lingüísticas 72 4. Gênero e tipo de texto 79 5. Decisões orientadoras 84 6. Prática de tomada de decisões 84 Capítulo 6 — A ordem das idéias 87 1. A concepção das idéias 87 2. Das anotações para o texto 94 3. A organização das idéias 97 4. Da concepção à organização das idéias 109 5. Prática de organização 110 Capítulo 7 — O entrelaçamento das idéias 111 1. O tecido aparente do texto lii 2. Mecanismos de coesão textual 112 3. Problemas decorrentes da ausência de coesão 115 4. Entrelaçando as idéias 122 5. Prática de entrelaçamento 123 Capítulo 8 — A reescrita de textos 125 1. A releitura como avaliação para a reescrita 125 2. A impessoalização do texto 127 3. Uso do vocabulário 129 4. Estrutura dos períodos 135 5. A pontuação 136 6. A questão da ortografia 138 7. O uso do sinal indicativo de crase 140 Carta ao leitor 143 Bibliografia comentada de apoio ao aluno 145 Bibliografia para aprofundamento 147

“O escrever n0 tem rim» Scribendi Fedro Fábulas

Para Adriana, Cristina, Fabiana, Gabriel e Ana Flávia. AGRADECIMENTOS A Lígia Cademartori, pela confiança e pelas sugestões; Balthar, pelo estímulo solidário; Maria Luiza Corôa, pela parceria e pelos comentários; e aos professores/alunos, que tanto contribuíram durante estas reflexões.

Introdução
Produzir textos é uma atividade extremamente necessária tanto na vida escolar como na vida profissional e no dia-a-dia. Entretanto, no meu cotidiano docente, tenho encontrado alunos, jovens e adultos já formados, ansiosos, assustados, desencorajados, e, principalmente, desorientados quanto às habilidades e atitudes necessárias ao convívio mais natural e simples com a escrita. Percebi que muitas dessas posições negativas em relação ao ato de escrever haviam sido lentamente construídas ao longo da história escolar de cada um e que provinham de um desconhecimento da natureza, das especificidades e das exigências da escrita. Estimulada por alunos e colegas, decidi organizar as reflexões desenvolvidas ao longo de muitos anos de trabalho. Não quis produzir um tratado acadêmico acerca de redação, nem um livro didático, no sentido usual desse manual escolar, nem também um livro de exercícios impessoais de treinamento (pois há muitos, e bons, no mercado). Parti, então, das observações anotadas durante cursos e conversas com alunos (professores e futuros professores) da universidade, das minhas pesquisas em lingüística, de meu interesse por depoimentos de escritores, e de minhas próprias experiências como pessoa que escreve. Sempre acreditei que para ensinar a escrever era necessário viver intensamente o desafio da minha própria escrita. Adoto a vertente teórica que vê a língua, não apenas como uma herança social, mas como uma forma de ação, um modo de vida social, uma construção coletiva. A interação verbal e as relações coletivas e sociais constitutivas do jogo da linguagem, como elementos fundamentais que se conjugam na construção da língua, exercem sobre mim um fascínio que dá sentido à existência. Assim, não posso focalizar a produção de textos restrita a um conjunto limitado de regras que podem ser repassadas, memorizadas e aplicadas sem a participação e interferência do sujeito. Esse é o agente de uma ação intencional e estratégica sobre o interlocutor ou sobre o mundo, que constrói realidades e interpretações, numa determinada situação cultural. Procurei, neste livro, desmitificar, desconstruir idéias equivocadas, provocar uma mudança de atitude em relação ao ato de escrever e, conseqüentemente, ao de ler. Não proponho tarefas que se esgotam em si mesmas, mas procuro abrir novos horizontes para uma prática contínua e sempre enriquecedora do universo lingüístico, da auto-estima e da atividade intelectual do leitor. Escrevi este livro para quem está pessoalmente interessado em renovar suas próprias práticas de escrita, mas penso que professores que trabalham com o ensino de redação em qualquer nível são interlocutores bem-vindos às reflexões que proponho. A autora XIV
TÉCNICA DE REDAÇÃO

Capítulo 1

Os mitos que cercam o ato de escrever
1. Verdades e mentiras

qual seria o papel da escola? E o que aconteceria com aqueles que. Animado. A escrita é uma construção social. fossem se configurando e se enraizassem. aqui. que são os que levam alguém a acreditar que escrever seria um dom que poucas pessoas têm. não consegui da primeira OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER vez. desligado da leitura. O aprendiz precisa das outras pessoas para começar e para continuar escrevendo. levantei até que um dia escrevi uma história que quando li de cabe ça fria. Entretanto. a intensidade do convívio estabelecido com o texto escrito e a freqüência com que escrevemos. nunca foram alfabetizados? José J. todos podem escrever bem. uma questão que se resolve com algumas “dicas”. Veiga. 4 ed. um ato autônomo.fazer. nem sempre as mais adequadas. são esses fatores que vão definir também nossa maturidade e nosso desempenho na produção de textos. um ato espontâneo que não exige empenho. Quando resolvi experimentar escrever. apanhei. vamos usar alguns depoimentos e exemplos de escritores porque neles a luta com as palavras é muito evidente. E o seu caso? Se não for. a importância que o texto escrito tem para nós e para nosso grupo social. achei que não estava ruim. tendo recebido o dom. Caso a escrita fosse um dom inato. poderia ser aplicada a alguns poucos gênios da literatura. 8. Dessa forma. admitiu que até mesmo o talento. É preciso. coletiva. Mas quando a gente joga a toalha. Embora seja uma das tarefas mais complexas que as pessoas chegam a executar na vida.Durante sua vida escolar. fica infeliz.” Essas são algumas das afirmações mais freqüentes entre alunos de cursos de produção de textos. 1988.. a revelação desses gênios só acontece depois do processo de aprendizagem e do convívio intenso com a língua escrita. os mitos mais freqüentes em relação à escrita? Há muitos. A noção de dom. Conseqüentemente. escrevi outras e outras histórias. Voltei a tentar. Eu estava descobrindo que ler é milito mais fácil do que escrever. e desanimei. compreender que todas as pessoas podem chegar a produzir bons . nessa batalha permanente. algo desnecessário no mundo moderno. são lições para o futuro. São Paulo: Editora Atica. p. 2 TÉCNICA DE REDAÇÃO a) Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas pessoas têm “Eu não tenho o dom da escrita.” “Não fui escolhido. e acaba voltando à luta. que amadureceu devagar. Consertei. e muitos passam por etapas semelhantes aos redatores leigos. e gostei do resultado. pois até mesmo profissionais maduros demonstram insegurança em relação à própria expressão escrita. Para gostar de ler. antes de tudo. tanto na história humana como na história de cada indivíduo. Poucas pessoas conseguem escapar de um conjunto equivocado de influências e construir uma relação realmente saudável com o ato de escrever. a vocação ou o dom dependem de muita persistência: Como começou a escrever? Foi um processo demorado. entrega os pontos num assunto que sente que é capaz de. As atividades escolares e os livros didáticos. colegas. muitos jovens crescem pensando que nunca serão bons redatores. ela ficaria apresentável. bem como alguns professores. 7. não gostei. Vol. Mesmo assim. E claro que não estamos tratando. com uns consertos aqui e ali. renomado autor brasileiro. desvinculado das práticas sociais.” “Não recebi esse talento quando nasci. bloqueados diante da página em branco. embora polêmica e questionável. Mas é uma batalha curiosa: as derrotas que a gente sofre nela não são derrotas. O que vai determinar o nosso grau de familiaridade com a escrita é o modo como aprendemos a escrever. da escrita literária. principalmente porque exige envolvimento pessoal e revelação de características do sujeito. Escrevi uma história. Quais são as falsas crenças. Ninguém nasce escritor e o processo que transforma alguém em um artista da palavra é ainda um enigma. mas aqui vamos refletir acerca dos mais devastadores. caí. você é uma exceção. pais. um ato isolado. contribuíram para que crenças. que têm texto péssimo e que não há formas de melhorar o desempenho na produção de textos. você deve ter cristalizado alguns mitos a respeito da produção de textos.

teria poder de encantá-las. agora em uma outra entrevista: O senhor é muito conhecido por reescrever incessantemente seus textos. ao gênero adequado. frustrante. e que isso não é uma questão de ser “ungido” pelos deuses que escolhem os mais talentosos. Se o fosse. escrever é incompatível com a preguiça. considere o poema. leigos. l7jun.textos. coordenados. de Carlos Drummond de Andrade. não conseguimos traduzir com propriedade. 8. sensações. Conhecimentos de natureza diversa são acessados para que o texto tome forma. O que admiramos na literatura é justamente essa especificidade. Algumas. tem que usar a linguagem. em que essa relação de necessidade. Não acompanha o que você quer fazer. muitas vezes. sem a menor dificuldade. São Paulo. que nós. Mas lúcido e frio. para chegar o mais próximo possível. tão fortes como o javali. Entanto lutamos mal rompe a manhã. Tiro o bagaço para deixar apenas o que tem peso. mas. sem o menor esforço. tão substantiva? — É. Continuemos com o depoimento de José J. Eu desbasto o texto. Eu me vigio muito para não fazer aquilo que em linguagem popular se diz “encher lingüiça “. mas mesmo esses testemunham que é um trabalho exigente. pensamentos. Por que o senhor reescreve? — Epor conta de uma grande insatisfação. aos possíveis leitores. Aí você descobre que a linguagem é tosca. Veiga. já clássico. a essência. São muitas. quando quer pôr aquilo no papel. trabalhando. Folha Ilustrada. E necessário que o redator utilize simultaneamente seus conhecimentos relativos ao assunto que quer tratar. insatisfatório. Folha deS. eu pouco. todos os dias. à língua e suas possibilida 3 4 TÉCNICA DE REDAÇÃO des estilísticas. Portanto. amor e conflito em relação às palavras é apresentada de maneira extraordinária: OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER O LUTADOR 5 Lutar com palavras é a luta mais vã. Não me julgo louco. Para refletir sobre estas questões. A agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos envolvidos na escrita sejam articulados. Não é assim. Sempre queremos um texto ainda melhor do que o que chegamos a produzir e poucas vezes conseguimos manter na linguagem escrita todas as sutilezas da percepção original acerca de um fato ou um pensamento. harmonizados de forma que o texto seja bem sucedido. Deixam-se enlaçar. à situação em que o texto é produzido. Paulo. Escrever é uma das atividades mais complexas que o ser humano pode realizar. p. 1999. essa possibilidade de expandir pela palavra escrita emoções. b) Escrever é um ato que exige empenho e trabalho e não um fenômeno espontâneo Muitas pessoas acreditam que aqueles que redigem com desenvoltura executam essa tarefa como quem respira. e que é. principalmente. — Por isso a linguagem do senhor é tão seca. significados. E necessário também identificar bloqueios porventura construídos ao longo da vida escolar e tentar eliminá-los. tontas à carícia e súbito fogem e não há ameaça e nem há sevícia . escrever não é fácil e. Então você fica trabalhando. cansativo. A tarefa pode ir ficando paulatinamente mais fácil para profissionais que escrevem muito. Vocé imagina as coisas. até visualiza. apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. Faz rigorosas exigências à memória e ao raciocínio.

perpassam levíssimas e viram-me o rosto. pressinto que a entrega se consumará. a luta prossegue nas ruas do sono. outra seu ciúme. Não têm carne e sangue. Sem me ouvir deslizam. Carlos Drummond de Andrade e) Escrever exige estudo sério e não é uma competência que se forma com algumas “dicas” A idéia de que algumas indicações e truques rápidos de última hora podem solucionar problemas de produção de tex tos tanto para candidatos a concursos como para profissionais . Tarnanha paixão e nenhum pecúlio. luto todo o tempo. O teu rosto belo. palavra (digo exasperado). não seguro formas. O ciclo do dia ora se consuma e o inútil duelo jamais se resolve. Cerradas as portas. Entretanto.. esplende na curva da noite que toda me envolve. Mas ai! é o instante de entreabrir os olhos: entre beijo e boca. Não encontro vestes. iludo-me às vezes. outra sua glória feita de mistério. Luto corpo a corpo. outra seu desdém. aceito o combate. Insisto. nenhum travo de zanga ou desgosto.que as traga de novo ao centro da praça. Preferes o amor de uma posse impura e que venha o gozo da maior tontura. e um sapiente amor me ensina a fruir de cada palavra a essência captada. Ser-lhes-ei escravo de rara humildade. ó palavra. luto. Quisera possuir-te neste descampado. Palavra. esta me ofertando seu velho calor. Já vejo palavras em coro submisso. Na voz. o sutil queixume. é fluido inimigo que me dobra os músculos e ri-se das normas da boa peleja. Busco persuadi-las. se me desafias. solerte. tudo se evapora. sem roteiro de unha ou marca de dente nessa pele clara. Guardarei sigilo de nosso comércio.. Lutar com palavras Parece sem fruto. sem maior proveito que o da caça ao vento.

registros. tem engan0 e enriquej0 muitos donos de escola e de cursinhos Muitos professores oferecem uma espécie de formu1áro mental do que seria um bom texto para que o estudante preencha as lacunas. d) Escrer é um prá lica que se aIic. tudo está muito automatizado e as relações humanas por intermédio da escrita podem ser reduzidas ao mínimo: o telefone resolve a maior parte dos problemas do cotidiano. Por outro lado. Precisamos de documentos escritos para existir. O que é a leitura é o nosso assunto do capítulo 3. É pela convivência com textos escritos de diversos gêneros que vamos incorporando às nossas habilidades um efetivo conhecimento da escrita. Para nos comunicarmos oralmente apoiam0 nos no contexto. Há ainda que se considerar que a leitura é uma das formas mais eficientes de acesso à informação. Envolve tantos procedimentos intelectuais e exige tantas operações mentais que o bom leitor adquire maior agilidade de raciocínio. Tudo o que somos. Uma redação por flês. realizamos ou dese 7 ‘ . recibos. o vocabulário e a própria organização do discurso. atestados. com sua bagagem de conhecimentos e experiências sobre o mundo e sobre a linguagem Não existem esque5 prévios ou roteiros infalíveis que Possam substituir tal envolvimento É a voz do indivíduo que orienta O texto. ser. Quando estão isoladas de uma prática intensa. alguns exercícios esporádicos de Produção de pequen05 trechos não formam um bom redator. diplomas. Essas exigências advêm do fato de estarmos nos comunicando a distância.iia com aprálit. o complexo mundo contemporâneo está cada vez mais exigente em relação à escrita. escrever com diversos objetivos escre ver em diversas situações Associadas a muita prática. frases feitas e pensamentos alheios. É pela leitura que assimilamos as estruturas próprias da língua escrita. artificial em que a voz do autor SC anula para dar lugar a clichês chavões. dependendo do mundo profissional a que pertence. escrever sobre assuntos diversos. não ajudam em nada. muita reflexão e muita leitura. Escrever bem é o resultado de Um percufSo Coflstijdo de muita prática. acreditando que prescrever esse procedimento muitas vezes Suficiente para conseguir desempenho mínimo num concurso. Tratamos de forma diferente a sintaxe. declarações. a leitura é um propulsor do desenvolvimento das habilidades cognitivas. paradoxalmente. iluminadoras. temos. Alguns conseguem mesmo reduzir sua atividade escrita à assinatura de cheques e documentos. tornando a pessoa mais crítica e mais resistente à dominação ideológica. E uma ação em que o sujeito se envolve de forma total. relatórios. cédulas. propostas.6 TÉCNICA DE REDAÇÃO que precisam mostrar competência escrita em curtíssimo prazo. comunicados inundam a nossa vida cotidiana. Além de ser imprescindível como instrumento de consolidação dos conhecimentos a respeito da língua e dos tipos de texto.a d !eitur É improvável que um mau leitor chegue a escrever com desenvoltura. Portanto este é imprevisível. contratos. é o objetivo da escola Fórmulas pré_fabricadas de textos e “dicas” isoladas apenas Contribuem para a montagem de um texto defeituoso truncado. suas exigências. Hoje. sem apoio do contexto ou da expressão facial. comprovantes. esclarecedoras. Seu exercício intenso e constante promove a análise e a reflexão sobre os fenômenos e acontecimentos. e) Escrever é necessário no mundo moderno Observa-se que o cidadão comum. temos a Colaboração do ouvinte Já OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER a comunicação escrita tem suas especificidades. projetos. certificados. escrituras. as “dicas” fornecidas a partir de dificuldades reais vivenciadas na produç0 de textos podem ser úteis. atuar e possuir: certidões. E necessário escrever sempre escrever todos os dias. A autoria vem das escolhas pessoais dentro das POSSjbilid des da língua e do gênero. escreve muito pouco.

p. aqui em Brasilia. Essas práticas de comunicação em sociedade se configuram em gêneros de texto específicos a situações determinadas. objetivo. quando começamos a debater a pobreza e a fome nos países. se somos culpados. o que pensa. vamos tomar uma providêneia séria. claro. sempre que nos submetemos a qualquer processo seletivo. e não pôde deixar de nos OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER 9 informar sobre a população que está morrendo de fome no Brasil. toda a nossa civilização ocidental é regulada pela escrita. mas não serve para contar uma viagem de férias para os amigos. A escrita tem um sentido e uma função. L. mas também sabe quando cada um deles é adequado. avaliada. acredita. E. em que acredita. Um relatório é próprio para prestar contas de uma pesquisa científica. escrever não é um ato espontâneo. Estava no meu curso de inglês. o que quer. mas também para que descubra o que é. de uma investigação. J) Escrever é um ato vinculado a práticas sociais Todo ato de escrita pertence a uma prática social. Exige muito empenho. investigada. tentar controlar e acabar com essa catástrofe! M. Pela escrita estamos atuando no mundo. por exemplo. a redação escolar. A escrita não é apenas uma oportunidade para que a pessoa mostre. exigem-se dos homens as habilidades que lhes são exclusivas. Reconsiderando crenças Vimos que escrever não é um dom que apenas algumas pessoas têm. Vale o escrito. enquanto o trabalho primário vai sendo atribuído às máquinas. estamos nos relacionando com os outros e nos constituindo como autores. Então veio a bomba” sobre nós: 28 milhões de pessoas morrem de fome neste exato momento no Brasil. Os profissionais que dominam essas habilidades mais complexas e sofisticadas têm mais chances no mercado de trabalho. Não se escreve por escrever. gostaria de expor a minha opinião sobre um fator que está acabando com o Brasil nestes últimos anos: a fome. Como vimos no item anterior. Assim. Brasília. como a produção de textos. a cada dia mais seletivo.é um trabalho duro. Além disso. o produtor de texto não apenas tem conhecimentos sobre as configurações dos diversos gêneros. mas apenas uma forma de demonstração de habilidades gramaticais. D. Para cada situação. 10 ago. necessidade temos à nossa disposição um acervo de textos apropriados. E nossa habilidade de escrever é exigida. Pelo texto escrito modificamos o nosso contexto e nos modificamos simultaneamente. sempre que nos propomos a integrar os órgãos que conformam o sistema da cidadania urbana. medida. Assim. 1999. Todos podem vir a ser bons redatores. tudo é mediado pela escrita. na quinta-feira (dia 5). podemos agir. 2. para. Seção Cartas dos Leitores. Isso me deixou muito irritada. Brasil! O governo não é o único culpado. de uma tarefa profissional. Entretanto. vale o escrito. em que momento e de que modo 10 TÉCNICA DE REDAÇÃO deve utilizá-lo. A produção de textos é uma forma de reorganização do pensamento e do universo interior da pessoa. mais do que a população da Argentina. A sociedade também é. Parabéns! Segundo. defende e quer compartilhar ou expor ao outro como forma de interação. Navegar ou conversar na Internet exige um convívio especial com a escrita. não pode ser considerada escrita. O que antes se resolvia simplesmente com uma ligação telefônica passou a ser substituído por um texto escrito transmitido via fax ou e-mail. gostaria de parabenizar o Jornal que é muito bom. Nem sempre as “dicas” oferecidas pelos professores e colegas são suficientes para a elaboração de um texto fluente. incluindo o Brasil. Veja o exemplo desta carta enviada ao jornal Correio Braziliense por uma leitora: Primeiro de tudo. Os truques podem ajudaros redatores que já estão em meio ao . Correio Braziliense. 16. isolada. razão por que faço um apelo: por favor. Saber escrever é também compartilhar práticas sociais de diversas naturezas que a sociedade vem construindo ao longo de sua história. Para nós. comunique o que sabe. Essa carta é um exemplo de como a participação pela escrita confere ao indivíduo um novo canal de relacionamento com o mundo. O professor citou que sua namorada trabalha nas Nações Unidas.8 TÉCNICA DE REDAÇÃO jamos realizar deve estar legitimado pela palavra escrita. como sujeitos de uma voz. pelo menos. desejo. Mesmo na informática. adequado. desvinculada do que o indivíduo realmente pensa.

TEXTOS COM SUAS OPINIÕES ACERCA DE ACONTECIMENTOS. para avaliar se as informações estao compreensíveis. coloquial. e) Mantenha um caderno de anotações datadas de impressões e reflexões sobre sua relação com o texto escrito.. Outras visões acerca do ato de escrever Os pesquisadores já sabem muita coisa sobre a escrita. colocando-se no lugar do leitor. em tom de depoimento (talvez no formato de carta). A escrita é muito necessária no mundo moderno. Estudos de várias áreas do conhecimento nos levam a refletir sobre essas questões: lingüistas. um professor. Reveja todo o seu percurso escolar e profissional. Escreva um texto em primeira pessoa. b) Transforme essa narrativa em um texto em terceira pessoa. sua escola. LER DIVERSOS TIPOS DE TEXTO. informal. seus professores. educadores. CONSIDERAR A ESCRITA COMO UMA HABILIDADE IMPORTANTE PARA O NOSSO SUCESSO PROFISSIONAL. mas ainda é muito pouco diante do que precisamos descobrir. Dependemos da escrita para existir efetivamente e atuar no mundo. como vai transformando seus conceitos acerca da escrita. Esse diário pode oferecer muitas pistas para sua trajetória de crescimento. além de desbloquear a mente e desenferrujar a mão. sobre como as pessoas chegam a ser realmente ótimas redatoras. BILHETES. IR MAIS PROFUNDAMENTE ÀS QUESTÕES. antropólogos vêem a escrita sob seus diversos aspectos. RESUMOS DE LEITURAS. ACREDITAR QUE VOCÊ PODE ESCREVER BEM. LER MUITO. sociólogos. uma vez que as práticas sociais que estruturam as nossas organizações contemporâneas são mediadas por textos escritos. QUERER SABER MUITO MAIS. oferecendo-nos um quadro multifacetado de conhecimentos acerca do fenômeno. um analista. Tente formular uma narrativa que explique ou justifique como foi construída a sua ex12 TÉCNICA DE REDAÇÃO penência de escrita até hoje. CARTAS. OS MITOS QUE CERCAMOATO DE ESCRE VER 11 PARA QUEM GOSTA DE “DICAS” 3. DIÁRIO. Novas atitudes em relação à escrita É IMPRESCINDÍVEL: ESCREVER TODOS OS DIAS: ANOTAÇÕES DE AULA. escrevem com desenvoltura. sucessos e fracassos escolares e profissionais. Capítulo 2 Como escrevemos 1. expectativas. Lembre-se de quando aprendeu a escrever. Releia. Um dos caminhos mais interessantes para compreender o ato de escrever é considerar os depoimentos de pessoas que escrevem todos os dias. empreenda uma viagem na memória. vivem de escrever. mas não funcionam isolados de muito exercício. NÃO SE PODE FICAR SATISFEITO COM “DICAS” ISOLADAS E FRAGMENTADAS. Compreendemos também que a leitura é imprescindível paraque o redator chegue a apresentar um bom desempenho. suas experiências. pois ela oferece oportunidades de contato intenso com as infinitas possibilidades da língua. com os diversos gêneros e tipos de texto e com as informações e idéias que circulam no nosso universo. Observe o depoimento da escritora Lygia Fagundes .processo de desenvolvimento da própria produção escrita. sobre o que acontece com a mente das pessoas durante o ato de escrever. DEIXAR A PREGUIÇA DE LADO E SE ESFORÇAR. LER MELHOR A CADA DIA. para um interlocutor imaginário que pode ser um amigo. focalizando principalmente as situações de escrita que ficaram gravadas em sua memória. RECONHECER QUE PELA ESCRITA PARTICIPAMOS MAIS DO MUNDO. ESTÁ MELHORANDO E QUE VAI CHEGAR LÁ IMPULSIONA O APERFEIÇOAMENTO. psicólogos. seus avanços e retrocessos. Prática de escrita a) Para desmontar de vez suas crenças inadequadas a respeito de sua relação com a escrita.. no qual você conta toda a história como se fosse a de uma outra pessoa. porque podem esclarecer alguns pontos duvidosos ou obscuros da escrita e da organização do texto. PROJETOS. 4. SER AUTOMOTIVADO. suas observações acerca do que escreve diariamente. neurologistas.

quais as condições práticas de produção: tempo. apresentação. PRÁTICA SOCIAL DE ESCRITA CONTEXTO DA PRODUÇÃO DE TEXTO ASSUNTO TEXTO EM PROCESSO DE PRODUÇÃO MOTIVAÇÃO OUJA PRODUZIDO NECESSIDADE ___________________ ________________ IDÉIA DE LEITOR PROCESSAMENTO ESCRITA REESCRITA MEMÓRIA GERAÇÃO VERSÕES RELEITURAS ASSUNTO ORGANIZAÇÃO REVISÕES LÍNGUA GÊNEROS MONITORAÇÃO AVALIAÇÃO CONSTANTE DO PROCESSO Estabelecida a necessidade de escrever. Insistindo mas o que mantinha o lutador em pé? Duas vezes beUou a lona. ficou só a imagem do lutador já cansado (tantas lutas) e reagindo. narrar uma aventura ou apenas provar que sabe escrever bem para ser aprovado numa seleção. alguém sugeriu que lhe atirassem a toalha. fugidio. Humildade. que grau de subjetividade ou de impessoalidade deve ser atingido. Fiquei vendo a imagem silenciosa do lutador solitário — mas quem podia ajudá-lo? Era a coragem que o sustentava? A vaidade? Simples ambição de riqueza. 14 TÉCNICA DE REDAÇÃO investindo. p.. quem provavelmente vai ler. desviando a cara. Me lembro que estava num hotel em Buenos A ires. estabelecer um pacto. Todas essas ações estão profundamente articuladas ao contexto em que se originou e em que acontece a produção do texto. Assim. Para gostar de ler.. que nível de linguagem deve ser utilizado. como disse o poeta. A escrita como processo Um caminho mais científico é a analise das contribuições que a lingüística nos trouxe sobre o ato de escrever. Cada pessoa deve descobrir como procede durante a escrita. compreende-se que a escrita é uma atividade que envolve várias tarefas.Telles: Como você definiria o ato de escrever? Uma luta. O produtor já tem imediatamente em mente algumas informações sobre a tarefa: quais os objetivos do texto. regular normas. vendo na tevê um drama de boxe. reivindicar um direito. E ele ali.. é a razão para escrevê-lo: emitir e defender uma opinião. Luta que requer paciência. 1988.) E de repente me emocionei: na imagem do lutador de boxe via imagem do escritor no corpo-a-corpo com a palavra. o adversário tão ágil. às vezes seqüenciais. mas tanto soco em vão. São Paulo: Editora Atica. O texto somente se constrói e tem sentido dentro de uma prática social. é melhor desistir. 2. Vol. 16 TÉCNICA DE REDAÇÃO . Outro possível caminho para entender a escrita é observarmos nossos próprios processos enquanto trabalhamos em um texto. Uma luta que pode ser vã. seja para aperfeiçoá-los ou para transformá-los. E a tarde. às vezes simultâneas. Poeira. Desliguei o som. Humor. 3 cd. apresentar COMO ESCREVEMOS 15 uma proposta de trabalho. formato. 9. 7. relatar uma experiência. qual o gênero mais adequado aos objetivos. o que mobiliza o indivíduo a começar a escrever um texto é a motivação. qual é o assunto em linhas gerais. Acertava às vezes. expressar uma emoção ou sentimento. chega! Mas ele ia buscar flirças sabe Deus onde e se levantava de novo. Há também idas e vindas: começa-se uma tarefa e é preciso voltar a uma etapa anterior ou avançar para um aspecto que seria posterior. sangue. para explorar melhor e com mais consciência esses procedimentos. Até a noite. Voltava a reagir. Resistindo. o fervor acendendo a fresta do olho quase encoberto pela pálpebra inchada. aplauso? (. mas que lhe toma a manhã. Sob essa perspectiva. o processo de escrita já está desencadeado. comunicar um fato. monitorando-o para que não fuja da rota e desande em outras direções. É sobre essa base de orientação que o produtor do texto vai coordenar o seu próprio trabalho. suor.

quais são os pontos obscuros. A pedido meu. 1989. anotar tudo o que vem à mente. Rio de Janeiro: Record. foi um guia obstinado na intrincada e vasta bibliografia bolivariana O ex-presidente Bel isarjo Betancur me esclareceu dúvidas esparsas durante todo um ano de consultas telefônicas. E nessa fase de pesquisa que entram a leitura. para depois cortar e ordenar.A memória do redator já está acessada em várias vertentes e é um fator importantíssimo na construção do texto. O historiador colombiano Gustavo Vargas. sem substância informativa ou lingüística. pela simples razão de que faltavam vários anos para a manga chegar às Américas. Observe quantas pessoas o escritor consultou sobre detalhes importantes para a sua narrativa. Observe algumas dessas preferências (na hipótese de produção de um texto informativo) e veja em qual delas você se enquadra: fazer anotações soltas. O historiador bolivarjano Vjnjcio Romero Martínez me ajudou de Caracas com achados que me pareciam impossíveis sobre os coslumes particulares de Bolíva. construir um primeiro parágrafo para desbloquear e depois ir desenvolvendo as idéias ali expostas. A primeira versão de um texto ainda é muito insatisfatória. além de uma revisão implacável de dados históricos na versão final A ele devo a advertência providencial de que Bolívar não podia ‘chupar mangas com deleite infantil”. se manteve ao alcance do meu telefone para me esclarecer dúvidas maiores e menores. sobre Simon Bolívar. Nesta etapa as pessoas têm procedimentos diferentes. Nesse momento. me fez o favor de pesquisar o sentido e a idade de alguns localismos. escrever a idéia principal e as secundárias em frases isoladas para depois interligá-las. Memória vazia produz texto fraco. não se satisfez com sua própria memória e contou com diversos colaboradores. quando ela não tem estoque suficiente para o que desejamos. sobretudo as relacionadas com as idéias políticas da época. a análise. de Bogotá. desordenadamente. organizar mentalmente os grandes blocos do texto. Nos agradecimen0 ele esclarece: —. da Academía de Ciências de Cuba. Tentamos descobrir o que nosso leitor compreenderia do texto. e estabeleceu para mim que os versos citados de memória por Bolívar eram do poeta equatoriano José Joaquín Olmedo. — em especial seu linguajar grosso — e sobre o caráter e o destino de seu sé quito. Roberto Cadavid (Argos). dominá-las. Quando há tempo e paciência estendemos essa tarefa ao infinito. elaborar inicialmente uma espécie de sumário ou esquema geral do texto. Para que o autor fique satisfeito com o seu próprio texto. . exemplos. independentes. mas de leitor. ambíguos que merecem reestruturação. Utilizamos a memória durante todo o processo de produção do texto e. confusos.prima do texto os conhecimentos sobre organização dos diversos tipos de texto. conhecê-las. Tomadas essas primeiras decisões e providências. O general em seu labirinto. a observação. esse trabalho de ajuste é imprescindível. embaixador do Panamá na Colômbia e mais tarde chanceler de seu país. o lingüista mais COMO ESCREVEMOS 17 popular e prestativo da Colômbia. Com Francisco Pividal mantive em Havana as vagarosas conversas preliminares que me permitiram formar uma idéia clara sobre o livro que pretendia escrever. reordenar as informações. Você verá nos capítulos 3 e 4 alguns procedimentos para ativar e enriquecer a memória.. Nela estão armazenados os conhecimentos sobre a língua matéria. podemos: enfatizar as idéias principais. a reflexão. o geógrafo Gladstone Oliva e o astrônomo Jorge Pérez Doval. Caso você utilize mais de um procedimento para iniciar seu texto. idéias secundárias. fizeram o inventá rio das noites de lua cheia nos primeiros trinta anos do século passado. Procuramos então relê-lo com olhos não mais de autor. fez vários vôos urgentes só para me trazer alguns dos seus livros inencontráveis Dom Francisco de Abrisqueta. fazer uma lista de palavras-chave. 268-9. quando escreveu o romance histórico O general em seu labirinto. Jorge Eduardo Ritter. podemos considerar que o texto já está sendo produzido. temos que procurar a informação o conhecimento para enriquecêl Gabriel Garcia Márquez. não se preocupe. o raciocínio: para preencher os vazios da memória. Gabriel García Márquez. escrevê-lo e reestruturá-lo várias vezes. ou tenha um processo pessoal diferente dos que fo L 18 TÉCNICA DE REDAÇÃO ram enumerados acima. elaborar um resumo das idéias para depois acrescentar detalhes. O importante é começar a ter mais consciência de suas próprias estratégias. professor da Univers idade Nacional Autônoma do México. pp. e ainda os conhecimentos sobre os assuntos e informações que serão tratados no texto. já está em processamento.

270. uma viúva que foi para a Europa com seu amado esposo. muito exigente consigo mesmo desde o início do texto. Depois de algumas tentativas. até esgotar sete versões. p. Outros. unindo-os por meio de conectivos ou separando-os por meio de pontuação. Vol. acrescentar exemplos. — PP. 1987. Mas é preciso. Quando o produtor do texto tem mais consciência de seus procedimentos mentais tem mais controle sobre eles epode dirigiq05 deforma mais produtiva 3. Rio de Janeiro: Record. quando um deles se encontrava em Caracas e outro em Quito. 7 ed. substituir palavras ou frases. 20 TÉCNICA DE REDAÇÃO E Paulo Mendes Campos admirável poeta e cronista da mesma geração de Ferndo Sabino afirmou: Quando escrevo sob encomenda não há milito tempo para corrigir Quando escrevo para mim mesmo costumo ficar corrigindo dias e dls — uma curtição Escrever é estar vivo.. ele pára a todo instante para resolver questões gramaticais e corre o risco de perder o fio da meada.substituir idéias inadequadas. acrescentar transições entre os parágrafos. a continuidade do texto. especialistas e vão ao extremo de reescrever seus livros mais de dez vezes antes de liberá-los para publicação. quando preparam uma nova edição de textos já publicados. acentuação. Eles podem ter passado despercebidos. 1989.) teve a bondade de rever comigo os originais. erros e erratas. argumentos. mudar elementos de lugar. Para gostar de ler. Se o redator foi muito reprimido no processo escolar. corrigir problemas gramaticais. o ato de escrever é muito dficil e penoso. alcançar maior exatidão para as idéias. quando escrevemos revisamos simuJtaneent parcelas do texto. uma última leitura para rastrear problemas em relação à norma culta na superficie do texto (ortografia. Para isso. pode ter se tornado excessivamente autocrítico. já estamos em plena escrita e. disciplina atenção paciência O texto não . e de prejudicar a fluência. geralmente. O general em seu labirinto. eliminar idéias desnecessárias. feitos alguns rascunhos. Assim aconteceu surpreendermos com a mão na massa um militar que ganhava batalhas antes de nascer. Conhecendo melhor o processo de escrita Vimos como a escrita representa trabalho e exige esforço. inconseqüéncias. 3. quando o redator focalizava a estruturação das idéias. Escritores famosos submetem os originais à leitura prévia de amigos. Observe o que Gabriel García Márquez relata ao agradecer uma colaboração: Antonio Bolívar Goyanes (. voltam a reestruturálos. São Paulo: Editora Ática. Gabriel Garcia Márquez. Não devemos pensar numa ordem seqÜenjj rígida como: PLANEJAMENTO> ESCRITA > REVISÃO Pois. 7.. mais obsessivos ainda. te para especialistas. consideramos que o texto está pronto. Nunca consideram o texto pronto. Compreender todo esse mecanismo não é importante 5nzen. a direção do raciocínio. p. Quando revisa mos. tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. ainda. e num escrutínio encarniçado da linguagem e da ortografia. estabelecer hierarquia entre as idéias. Nesse caso. criar vínculos entre uma idéia e outra. pontuação. eliminar palavras ou frases. como exemplo. voltamos ao planejamento para reajustájo ou para reajustar o texto ao objetivo inicial O processo é recursivo.7S. repetições. conceitos. numa caçada milimétrica de contrasensos. Nosso conhecido escritor Fernando Sabino também trabalha assim: Para mim. intelectuais. que escrevi 1100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300. reagrupando-os de forma diferente. no sentido de que vanlos e voltamos. regência). fazendo ajustes e reajustes em cada aspecto. é preciso: acrescentar palavras ou frases. e um almoço íntimo de Bolívar e Sucre em Bogotá. quando planejamos. citações. Basta dizer. COMO ESCREVEMOS 19 concordância. eliminar incoerências. transformar períodos.. Crônicas.

Não há um modelo único mais correto. Pela leitura vamos construindo uma intimidade muito grande com a língua escrita. CULTIVAR A PACIÊNCIA. Ninguém escreve a sua primeira versão e se dá por satisfeito. b) Periodicamente. Nosso convívio com a leitura de textos diversos consolida também a compreensão do funcionamento de cada gênero em cada situação. muitas dec sões e procedimentos vão se automatizdo Em situações de con COMO ESCREVEMOS 21 curso. Nossa forma de ler e nossas experiências com textos de outros redatores influenciam de várias maneiras nossos procedimentos de escrita. MOSTRAR PARA OUTRA PESSOA E ACEITAR SUGESTÕES. aplicável a todas as pessoas. Grave tudo o que acontece em sua atividade mental consciente. A leitura é um processo complexo e abrangente de decodflcação de signos e de compreensão e intelecção do . COMPREENDER QUE VÁRIAS RELEITURAS GARANTEM O APERFEIÇOAMENTO DO TEXTO. mas não pode eliminá-las ou desprezá-las. a leitura é a forma primordial de enriquecimento da memória. Capítulo 3 A qualidade da leitura 1. Ou imagine que está respondendo em uma entrevista à questão: Qual é a sua história pessoal com o ato de escrever? Use um gravador de áudio enquanto estiver planejando e escrevendo. Analise seu próprio processo. Registre com as datas as transformações no seu caderno de anotações pessoais. uma tarefa profissional ou uma atividade livre como uma carta ou um requerimento. Reflita acerca de seus procedimentos: Planeja antes de escrever ou durante a escrita? Tem bloqueio ao começar? Relê cada frase antes de continuar ou vai escrevendo para depois reler tudo? Que decisões toma? 22 TÉCNICA DE REDAÇÃO Falta assunto? Tem dificuldade de encontrar palavras adequadas? Tem dificuldade em organizar os períodos? Sabe onde pontuar? Pensa no leitor? Como avalia o texto? Trabalha na revisão? O que pensa que precisa acelerar ou desacelerar? Esse exercício vai ajudá-lo a construir um controle maior sobre seus processos cognitivos. Novos procedimentos na escrita É NECESSÁRIO: TENTAR CONHECER E ANALISAR O SEU PRÓPRIO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE TEXTO. 4. Além disso. vamos internalizando as suas estruturas e as suas infinitas possibilidades estilísticas. O que é leitura Como vimos. Prática de escrita a) Escolha um tema para produzir um texto. 5. faça novo diagnóstico. RECONHECER QUE REESCREVER É O PROCESSO NATURAL DE CONSTRUÇÃO DE UM BOM TEXTO. Reconheça quais são os passos que utilizou. o candidato deve abreviar e acelerar as ações. POIS É UMA PRÁTICA MUITO PRODUTIVA.é simplesmente resultado de uma inspiração divina. E preciso conhecer os procedimentos mentais e as habilidades necessárias para a escrita para conseguir aperfeiçoá-las. Quando terminar o texto ouça o que gravou. E preciso reler identificar problemas e reestruturar muitas vezes até que o texto chegue a corresponder aos objetivos iniciais e Possa cumprir sua função de forma adequada Naturalmente medida que o redator vai melhordo seu desempepj0 esse processo vai ficando mais rápido. não vem pronto do além para que o redator apenas o transfira para o papel. Cada indivíduo deve conhecer suas próprias trajetórias e tentar aprimorá-las continuamente. Pode ser um exercício escolar. do senso crítico e do conhecimento sobre os diversos assuntos acerca dos quais se pode escrever. a escrita não pode ser considerada desvinculada da leitura. em que o tempo é limitado. Tente pensar em voz alta. AFASTAR O DESÂNIMO SE A PRIMEIRA VERSÃO DO TEXTO NÃO FOR SATISFATÓRIA.

Correio Braziliense. No caso. as relações estabelecidas com o nosso mundo real. provas formais e informais. à memória e à emoção. objetivos. não de brinquedo. os seguintes conhecimentos prévios: quem é Veríssimo (um escritor de humor. uma frase do presidente para criticar. o que é sempre divertido em vez de se chateando daquela maneira. frases. com papelão e caixotes. os outros textos de Luís Fernando Veríssimo (sempre de humor e ironia). em geral. Não precisamos fazer muito esforço para manter a atenção ou para gravar na memória algum item. conversando animadamente com todos à sua volta. no seu governo. E eu concordo com o presidente. rico ainda sabe que vai viver muito mais do que pobre. numa 1 alegre promiscuidade que rico só pode invejar. Ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. levamos em consideração. Quando lemos apenas para nos divertir. sentenças. maliciosamente. argumentos. Com toda as suas privações. quase em estado natural. 24 TÉCNICA DE REDAÇÃO Os procedimentos de leitura podem variar de indivíduo para indivíduo e de objetivo para objetivo. se fosse pobre. é um inferno. no seu quintal! Todas as emoções que um filho de rico só tem em video game o filho de pobre tem ao vivo. cronista críti c que se opõe ao governo em questão). deve ter suspirado e pensado que. qual é a sua posição no jornalismo de sua época (é um dos mais conceituados e respeitados . Envolve especficamente elementos da linguagem. as ironias. Ele estaria numa fila de hospital público desde a madrugada. em todas as formas de leitura. Trata-se de nosso conhecimento prévio sobre: a língua os gêneros e os tipos de texto o assunto Eles são muito importantes para a compreensão de um texto. lutando para manter seu lugar. intenções. a sua observação de que é chato ser rico. Para compreender adequadamente esse texto. É preciso compreender simultaneamente o vocabulário e a organização das frases. Brasília. Efe Agá tem razão. O PRESIDENTE TEM RAZÃO Mais uma vez os adversários pinçam. Pois eu entendi a intenção do presidente. ativar as informações antigas e novas sobre o assunto. aquilo não estaria acontecendo com ele. Lida com a capacidade simbólica e com a habilidade de interação mediada pela palavra. exercer sua criatividade e morar num lugar que pode A QUALIDADE DA LEITURA 25 chamar de realmente seu. Esse é o jogo que torna a leitura produtiva. muito do nosso conhecimento prévio é exigido para que haja uma compreensão mais exata do texto. Ele estava falando para pobres e preocupado em prepará-los para o fato de que não vão ficar menos pobres e podem até ficar mais. identificar o tipo de texto e o gênero. olhando pela janela. Pobre vive amontoado em favelas. pelo menos até ser despejado? Que filho de rico verá um dia sua casa ser arrasada por um trator? Um maravilhoso trator de verdade. só precisando cuidar para não levar bala. Quando é que um rico terá a mesma oportunidade de mexer assim com o barro da vida. Mas. aqui ou no exterior. É um trabalho que envolve signos. da sua autoria. e que seu tédio não terá fim. xingando o funcionário que vem avisar que as senhas acabaram e que é preciso voltar amanhã. vamos analisar uma crônica de Luís Fernando Veríssimo. ações e motivações. mas também os da experiência de vida dos indivíduos. perceber os implícitos. Muitas vezes o pobre constrói sua própria casa. E pior. 2 dez. Como exemplo.folheando uma National Geographic de 1950.mundo que faz rigorosas exigências ao cérebro. como são. ali. e ainda podendo assistir a uma visita teatral do Ministro da Saúde ao hospital. 1998. o procedimento de leitura é bem espontâneo. Mais de um rico obrigado a esperar dez minutos para ser atendido por um especialista. e que isso não é tão ruim assim. ainda mais neste modelo. além de outros.

zombaria Nessa experiência podemos constatar que a leitura não é um procedimento simples. Vamos analisar algumas dessas habilidades. 1998). Como a leitura faz inúmeras solicitações símuitâneas ao cérebro. avaliação do processo realizado. seus textos são publicados em espaços nobres dos principais jornais e revistas brasileiros). pois suas idéias são contrárias ao que está escrito. A QUALIDADE DA LEITURA 27 identificação de palavras-chave. seleção e hierarquização de idéias. que no Dicionário Auréjio Eletrônico é definida como: [Do grego eiróneia Interrogação. Contraste fortu ito que parece um escárnio.f 1. é necessário desenvolver consolidar e automatizar habilidades muito sofisticadas para pertec ao mundo dos que lêem com naturalidade e rapidez Tratase de um longo e acidentado percurso para a compreensão efetiva e responsiva que envolve: decodificação de signos.cronistas de costumes e de política. pelo latim. A leitura não se esgota no momento em que se lê. reorientação dos próprios procedimentos mentais. controle de velocidade. Entre1açafl0 essas informações e a forma como o texto foi escrito. a que fala do presidente ele se refere (a comparação que estabeleceu entre a vida do pobre e do rico). compreensão de pressupostos. 2. antecipação de informações. explora-lhe as possibilidades e prolonga-lhe o funcionamento além do contato com o texto propriamente dito. Há procedimentos espec(ficos de seleção e hierarquização da informação como: observar títulos e subtítulos. No texto analisado por exemplo. é uma atividade extremamente complexa pois flo Podemos Coflsjder apenas o que está escrito. 3. produzindo efeitos na vida e no convívio com as outras pessoas. quem é o presidente a que ele se refere (o presidente da República no ano de publicação. 1 L. 26 TÉCNICA DE REDAçJ0 qual é a situação social do Brasil em nossa época e como é realmente a vida nas classes menos favorecidas. associação com informações anteriores. Modo de exprimirse que Consiste cai dizer o contrário daquilo que se está pensando ou sentindo ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem. analisar ilustrações.’ eu entendi opresiden te. eu concordo com o presidente Quando comparamos as descrições da forma de vida dos pobres e dos ricos e a afirmação de que ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. penetramos no mundo da ironia. Sarcasmo. Ao contrário. interpretação de itens lexicais e gramatjcj5 agrupa0 de palavras em blocos conceituais. 2. ironia] S. elaboração de hipóteses. para compreender as intenções e Posições do autor lemos muito mais o que não está escrito. construção de inferências. focalização da atenção. Recursos para uma leitura mais produtiva Um leitor ativo considera os recursos técnicos e cognitivos que podem ser desenvolvidos para uma leitura produtiva. vamos reconsiderar o título e as idéias que se repetem pelo texto: o presidente tem razão. . Expande-se por todo o processo de compreensão que antecede o texto.

em busca de atualização.reconhecer elementos paratextuais importantes (parágrafos. procedinientos de controle e monitoramento da cognição: planejar objetivos pessoais significativos para a leitura: controlar a atenção voluntária sobre o objetivo. nem sempre esses procedimentos estão muito claros ou conscientes para quem os utiliza na leitura cotidiana. e são apenas meios e não fins em si mesmos. Lemos: por prazer. objetivos e intenções do leitor. por exemplo. para obter informações gerais. freqüentemente. auto-avaliar continuamente o desempenho da atividade. constituindo uma atividade cognitiva complexa que não obedece a uma seqüência rígida de passos. controlar o trajeto. Utilizamos ainda procedimentos de detecção de coerência textual. velozes. para comunicar um texto a um auditório.). fixamos alguns parágrafos iniciais. legendas etc. procurando um ponto de atração. Um leitor maduro usa também. usar conhecimentos prévios extratextuais. empreendemos uma leitura do geral para o particular (descendente): olhamos as manchetes. deslocamentos. determina de que forma lemos um texto. apenas para saber se há alguma novidade interessante. controlar a consciência constante sobre a atividade mental. E guiada tanto pela construção do próprio texto como pelos interesses. analisá-las e escrever um texto relativo ao tema. Como são interiorizados e automatizados pelo uso consciente e freqüente. elaboramos rápidas hipóteses que não testamos. relacionar e integrar. esses fragmentos a outros. negritos. Os tipos de leitura e seus objetivos O objetivo da leitura. segmentar as unidades de significado. substituir itens lexicais complexos por sinônimos familiares. 28 TÉCNICA DE REDAÇÃO decidir se deve consultar o glossário ou o dicionário ou adiar temporariamente a dúvida para esclarecimento no contexto. queremos . sempre que possível. associar as unidades menores de significado a unidades maiores. e quando o encontramos fazemos um outro tipo de leitura: do particular para o geral (ascendente). 3. para estudar. aceitar e tolerar temporariamente uma compreensão desfocada até que a própria leitura desfaça a sensação de desconforto. tais como: identificar o gênero ou a macro-estrutura do texto. o ritmo e a velocidade de leitura de acordo com os objetivos estabelecidos. detectar erros no processo de decodificação e interpretação. identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos significativos. esclarecimentos. de emoção estética ou de evasão. 30 TÉCNICA DE REDAÇÃO No primeiro tipo somos superficiais. para revisar um texto etc. para obter informações precisas e exatas. Se lemos um jornal. Vamos aprofundar nosso conhecimento acerca de alguns desses procedimentos. desenvolver o intelecto. reconhecer relações lexicais! morfológicas! sintáticas. Há ainda aqueles que são concomitantes a outros. pragmáticos e da estrutura do gênero. outros na releitura. A QUALIDADE DA LEITURA 29 Alguns desses procedimentos são utilizados pelo leitor na primeira leitura. No segundo tipo de leitura somos mais detalhistas. como já foi explicado anteriormente. em busca de diversão. em busca de qualificação profissional. enumerações. reconhecer e sublinhar palavras-chave. fazemos algumas adivinhações. quadros. ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema. tomar notas sintéticas de acordo com os objetivos. para seguir instruções. passamos os olhos pela página. sublinhados. Há também procedimentos de clarficação e simplificação das idéias do texto como: construir paráfrases mentais ou orais de fragmentos complexos.

hierarquizar as informações. b) Identificar e sublinhar com lápis as palavras-chave As palavras que sustentam a maior carga de significado em um texto são chamadas de palavras-chave. exige do leitor uma grande concentração. Por meio delas podemos reconstituir o sentido de um texto. porcos. elaborar um esquema ou síntese. Elas podem apresentar uma pequena variação de leitura para leitura. Alguns nunca entraram numa escola. mesmo quando está trabalhando ou estudando. Outros tiveram que abandonar os livros antes do tempo. mesmo quando estuda. O Dicionário Aurélio Eletrônico registra: Verbete: palavra-chave s. numa listagem ou na memória de um computador. Mas porque é obrigada. No Brasil. Palavra que serve para identificar num catálogo de livros ou de artigos. ou que o explica e identfica: A palavra-chave deste romance é angústia. três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e. 2. pronomes. uma atenção voluntária e controlada. o dajàmília. encontram-se cerca de cinqüenta mil em situação desumana e degradante. detalhada. que um estudante precisa desenvolver é o que vamos focalizar aqui. está condenada. a maioria tem o destino traçado. os elementos que têm entre si um certo parentesco ou que pertencem a um certo grupo. Eles disputam com cães. Rende de um a seis reais. a) Estabelecer um objetivo claro Sempre que temos um objetivo claro para a leitura vamos mais atentos para o texto. como. em geral. outros pode incorporar ao seu acervo de habilidades. Um leitor maduro distingue qual é o momento de fazer uma leitura superficial e rápida (descendente) daquele em que é necessária uma leitura detalhada. a definição desse fenômeno? Como ocorreu esse fato? Onde? Quando? Quais são suas causas? Quais são suas conseqüências? Quem estava envolvido? Quais são os dados quantitativos citados? O que é mais importante nesse texto? O que eu devo anotar para utilizar depois no meu trabalho? Quando começamos uma leitura sem nenhuma pergunta prévia. ou partes de textos. Prova disso é que só as pobres entram precocemente no mercado de trabalho. . verbos e certos adjetivos. muitas vezes. Procedimentos estratégicos de leitura Um texto para estudo. lenta. É importante construir previamente algumas perguntas que ajudam a controlar o objetivo e a atenção. minuciosa. que já são conhecidos. Sem elas o texto perde totalmente o sentido. f 1. Não terá direito ao futuro. Já sabemos o que queremos e ficamos mais atentos às partes mais importantes em relação ao nosso objetivo. por exemplo: Qual é a opinião do autor? Quais são as informações novas que o texto veicula? A QUALIDADE DA LEITURA 31 O que este autor pensa desse assunto? Em que discorda dos que já conheço’? O que acrescenta à discussão? Qual é o conceito. São os catadores de lixo. Entre a multidão de trabalhadores mirins. Normalmente são os substantivos. 4. Há muitos recursos e procedimentos para uma leitura mais produtiva. preposições ou advérbios. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. Pois. procuramos garantir a compreensão precisa. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres. Estabelecer previamente um objetivo nos ajuda a escolher e a controlar o tipo de leitura necessário: ascendente ou descendente. minuciosa. conectivos. ratos e urubus o que os outros jogam fora. temos mais dificuldade em identificar aspectos importantes. vamos identificar as palavras-chave: Nenhuma criança trabalha porque quer. ou rápida e superficial. os menores acompanham os pais aos aterros sanitários para catar a sobrevivência. há momentos em que você pode dispensar certos textos. De uma ou outra forma.saber tudo. exata. 32 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nos dois parágrafos seguintes. Não são palavras gramaticais: artigos. de leitor para leitor. Alguns você já usa naturalmente. A partir dos três ou quatro anos. Esse tipo de leitura detalhada. pois cada um imprime sua visão ao que lê. distinguir partes do texto. Palavra que encerra o signflcado global de um contexto. desacelerada (ascendente).

Correio Braziliense. Brasília, l9jun. 1999. Editorial.
A partir das palavras destacadas (você poderia sugerir outras) podemos compreender e reconstituir o assunto principal do texto, O reconhecimento das relações lexicais, morfológicas e sintáticas estabelecidas na configuração da superficie do texto é um pressuposto necessário para que leitor possa tomar decisões. E importante aprender a selecionar e hierarquizar as idéias para identificar as palavras principais. Há muitos detalhes que são usados em um texto para esclarecer ou enriquecer a informação já

dada. Não fazem falta a não ser estilisticamente. Veja, por exemplo, a frase: Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os outros jogam fora. O teor de informação nova agregado ao que já tinha sido dito é muito pequeno. E apenas uma ilustração explicativa contundente. Observe a continuação desse texto e exercite sua capacidade de selecionar palavras importantes, destacando-as:

A QUALIDADE DA LEITURA 33 Na tentativa depôrfim a esse quadro dramático, o Fund das Nações Unidas para a Infância (UniceJ), em conjunto com o Ministé rio do Meio Ambiente e a Secretaria do Desenvolvimento Urbano, lançou a campanha Criança no Lixo Nunca Mais. A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais e não governamentais já rnecerão orientações a prefeituras de 5.507 municípios sobre elaboração de projetos e formas de buscar recursos para implementá -los. A meta é ambiciosa. Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, envolver a União, os estados, os municípios, além de parcerias com a iniciativa privada e a população em geral. Acima de tudo, exige vontade política. O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não Jár assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar empregos dignos. Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicef prospere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perspectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a sobrevivência no lixo constitui mau presságio. Sugere que poderá não haver nenhum futuro. É indispensável e urgente modflcar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.
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34 TÉCNICA DE REDAÇÃO Observe como as palavras destacadas por você carregam o significado mais importante da mensagem e permitem que as idéias principais sejam recuperadas. É preciso observar e compreender para hierarquizar e selecionar. Tudo depende de treino, experiência. Ou seja, uma boa leitura depende de muita leitura anterior. c) Tomar notas Uma ajuda técnica imprescindível, principalmente para quem lê com o objetivo de estudar, é tomar notas. A partir das palavras-chave, o leitor pode ir destacando e anotando pequenas frases que resumem o pensamento principal dos períodos, dos parágrafos e do texto. Pode também marcar com lápis nas margens para identificar por meio de títulos pessoais as partes mais importantes, os objetivos, as enumerações, as conclusões, as definições, os conceitos, os pequenos resumos que o próprio autor elabora no decorrer do texto e tudo o mais que estiver de acordo com o objetivo principal da leitura (algumas edições já trazem esse destaque na margem para facilitar a leitura). Essas notas podem gerar um esquema, um resumo ou uma paráfrase. Trabalho Nenhuma criança trabalha porque quer. Mas infan til no porque é obrigada. Prova disso é que só as pobres Brasil entram precocemente no mercado de trabalho. No Brasil, três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e, muitas vezes, o da família. Alguns nunca entraram numa escola. Outros tiveram que aban dona os livros antes do tempo. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres, a maioria tem o destino traçado. De uma ou outra forma, está condenada. Não terá direito ao futuro. Entre a multidão de trabalhadores mirins, en contram-s cerca de cinqüenta mil em situação de-

A QUALIDADE DA LEITURA 35 sumana e degradante. São os catadores de lixo. Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os Catadores outros jogam fora. A partir dos três ou quatro anos, de lixo/ os menores acompanham os pais aos aterros sanitá 50.000 rios para catar a sobrevivência. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. Rende de um a seis reais. Unicef Na tentativa de pôr fim a esse quadro dramáti MMA-SD co, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Uni Campanh cef), em conjunto com o Ministério do Meio Am Crianç no biente e a Secretaria do

Desenvolvimento Urbano, Lixo Nunca lançou a Campanha Criança no Lixo Nunca Mais. Mais A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até Meta/2002 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais Projetos e e não governamentais fornecerão orientações a pre forma de feituras de 5.507 municípios sobre elaboração de pro busca jetos eformas de buscar recursos para implementá recurso los. A meta é ambiciosa.
Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, en volve a União, os estados, os municípios, além de

parcerias com a iniciativa privada e a população
em geral. Acima de tudo, exige vontade política.

Caminhos
O governo está convocado a estabelecer políti Soluçõe cas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa Renda de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos mínima e nesse sentido. Um deles é a garantia de renda míni educaçã ma para as famílias em estado de pobreza absoluta, para o incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, trabalho mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o me no do labor diário dará resultado se não for asse gurad o sustento do núcleo em que ele vive. Outro Importante caminho é a reciclagem educacional dos pais para para o que possam comparecer ao mercado de trabalho em futuro do condições de disputar empregos dignos. país Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicefpros TÉCNICA DE REDAÇÃO pere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perrpectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a

sobrevivência no lixo constitui mau presságio., Sugere que poderá não haver nenhum futuro. E indispensável e urgente modficar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.

d) Estudar o vocabulário
Durante a leitura de um texto, temos que decidir a cada palavra nova que surge se é melhor consultar o dicionário, o glossário, ou se podemos adiar essa consulta, aceitando nossa interpretação temporária da palavra a partir do contexto. Observe o seguinte período do texto: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios — a disputa de alimentos com os abutres. A palavra abjeto pode gerar dúvidas no leitor, mas podemos perceber que ela não é essencial ao texto. Quando retirada, o período preserva significado. Talvez não seja tão necessário nesse caso consultar o dicionáno,já que o contexto esclarece que se trata de uma idéia negativa que intensifica (junto com o advérbio mais) a negatividade que está em infortúnios. Poderíamos tentar substituí-la por outras mais conhecidas.’ indigno, horrível, desprezível, e a frase continuaria apresentando idéia lógica. Esses procedimentos de inferência e compreensão lexical são realizados com muita velocidade pelo leitor. Quando a continuidade da leitura se torna prejudicada, o melhor mesmo é parar e ir ao dicionário.
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e) Destacar divisões no texto para agrupá-las posteriormente

É importante compreender essas divisões para estabelecer mentalmente um esquema do texto.
Muitas vezes o autor não insere gráficos, esquemas, nem explícita por meio de enumerações as divisões que faz das idéias. Preste bem atenção quando o texto apresenta estruturas assim:
Em primeiro lugar.. em seguida... em terceiro lugar.. Inicia/mente.., a seguir... finalmente... Primeiramente.., em prosseguimento... por último... Por um lado... por outro lado... Num primeiro momento... num segundo momento... A primeira questão é... A segunda... A terceira...

Por meio da identificação dessas estruturas é possível reconstruir o raciocínio do autor e torna-se mais fácil elaborar esquemas e resumos. No texto que estamos analisando há um exemplo interessante: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse
sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esfárço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não for assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar emgos dignos.

A identificação dessas estruturas textuais na leitura facilita a compreensão das idéias e cria uma matriz mental para organização e hierarquização das informações.
38 TÉCNICA DE REDAÇÃO

fi Simplificação
Um dos recursos mais produtivos durante a leitura de textos complexos é fazer constantemente paráfrases mentais mais simples daquilo que está no texto, ou seja, fazer traduções em palavras próprias, dizer mentalmente com suas próprias palavras o que entendeu do texto. Uma brincadeira que o jornalista Elio Gaspari gosta de fazer é com a simplificação de linguagem exageradamente complexa. Observe o exemplo: CURSO MADAME NATASHA DE PIANO E PORTUGUÊS Madame Natasha tem horror a música. Ela socorre os desconectados do vernáculo. Decidiu conceder uma de suas bolsas de estudo á professora M.B. G.S., presidente da Comissão Esta- dual para elaboração do Projeto de Informática na Educação. No relatório que essa comissão produziu, Natasha encontrou o seguinte adereço: O ambiente informatizado oportuniza a possibilidade de ruptura de estruturas estáticas. Toda experiência de aprendizagem pode ser simulada, mas a simulação, que é uma expressão simbólica, no ambiente digital passa a ser também real, passível de experiência sensorial. Madame acreditaniza que quiseram dizerinizar o seguinte: — O computador é um instrumento pedagógico versátil. Elio Gaspari. Jornal de Brasília. Brasília, 22 fev. 1998. O procedimento de tradução mental simplificadora é muito útil para conferir se entendemos mesmo o texto ou não.

g) Identificação da coerência textual
Diante de cada novo texto temos de identificar as estruturas básicas para compreender seu funcionamento. Assim, iden
A QUALIDADE DA LEITURA 39

tificamos imediatamente o que é um poema, o que é uma fábula, o que é um texto dissertativo. Como a escrita é para ser lida e compreendida a distância, sem interferência do autor no momento da leitura, sua elaboração exige uma estrutura exata, precisa, clara, que assegure ao leitor uma decodificação correta e adequada. Para tanto o autor usa estruturas sintáticas complexas, estabelecendo minuciosamente as relações entre as idéias, já que não pode contar com o apoio do contexto, das expressões faciais, do conhecimento comum. Isso acontece principalmente nos textos de natureza informativa: dissertações, argumentações, reportagens e ensaios, os quais privilegiamos neste livro. Quanto menos compromisso o texto tem com a informação exata, mais espaço deixa para os acréscimos e interpretações do leitor, como é o

que vai do particular para o geral e volta do geral para o particular constantemente. ou até mesmo a uma paródia completa. 40 TÉCNICA DE REDAÇÃO Durante a leitura é preciso conferir as interpretações. essa interação entre leitor e texto exige a ativação de conhecimentos que extrapolam a simples decodificação dos elementos constitutivos do texto. Quais são os exemplos citados? Fatos. Esse diálogo. desacelerada. dados. interpretando mal os objetivos e conseqüentemente as informações e os significados. definições. concordar ou se opor a essas idéias. nos quais a polissemia (convívio de uma multiplicidade de significações sobre uma mesma base) predomina. Com que autoridade? Papel social do autor O que eu já sei sobre o tema? Conhecimentos prévios do leitor Quais são os outros textos que estão sendo citados? Intertextualidade. para apreender. É preciso um rígido controle da atenção. Essa associação é prevista pelo autor e deve ser feita pelo leitor de forma espontânea. Essa ligação entre textos pode ir de uma simples citação explícita a uma leve alusão. Para isso fazemos perguntas elementares: Quem escreve? Autor Que tipo de texto é? Género. a intensidade do esforço para compreender a intertextualidade pode variar e sempre depende de conhecimentos prévios comuns ao autor e ao leitor. mais estruturado. um objetivo claro para a leitura. Uma decifração que procura percorrer o mesmo raciocínio do autor do texto. A quem se destina? Público. Quais são as idéias principais? Informações. Isso significa que a leitura para apreensão de informações deve ser uma leitura pausada. Terá por base um planejamento lógico. Em textos mais complexos. Além dessas. Quais são os testemunhos utilizados? Depoimentos. A QUALIDADE DA LEITURA h) Percepção da intertextualidade Um texto traz em si marcas de outros textos. refazendo o trajeto do seu pensamento original. de redundância. como entre o texto e os conhecimentos prévios do leitor e suas experiências vividas.caso da publicidade. Quais são as outras vozes que perpassam o texto? Distribuição da responsabilidade pelas idéias. para auxiliar o leitor a chegar às conclusões desejadas pelo autor. Um texto bem escrito apresenta sempre uma certa dose de repetição. Qual o objetivo? Intenções. na proporção em que partilhe conhecimentos com o autor. naturalmente será produzido um texto mais denso. Esses textos não são fáceis e não são compreendidos à primeira leitura. Vamos analisar um exemplo bem simples de intertextualidade: CONTRAFÁBULA DA CIGARRA E DA FORMIGA . precisa. exata. Essas informações pragmáticas vêm iluminar e esclarecer os significados e estabelecer a coerência textual do que é lido. em que as seqüências tenham uma articulação necessária entre si mesmas. Quais são as partes do texto que apresentam objetivos. fazendo perguntas ao texto. Onde é veiculado? Suporte editorial. Caso essas perguntas não sejam respondidas de maneira adequada. superficial e rápida. Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Posicionamento explicitado. um empenho constante para fazer os relacionamentos adequados tanto entre as idéias interiores ao próprio texto. podemos incorrer em equívoco. Com que argumentos as idéias são defendidas? Provas. Quando o interesse for assegurar uma compreensão predeterminada. A esse fenômeno chamamos intertextualidade. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Estrutura textual. explícitas ou implícitas. em que a estrutura do texto inicial é utilizada como base para o novo texto. conceitos. discutir. há muitas outras perguntas que o leitor vai propondo à medida que lê e de acordo com os seus objetivos. da poesia e dos textos literários em geral. Como são tratadas as idéias contrárias? Rebatimento ou antecipação de oposições.

na sua vida terrivelmente cansativa e nas suas ameaças de enfarte. contrária ao prazer. O autor parte do pressuposto de que seus leitores conhecem a fábula da Cigarra e da Formiga do autor francês La Fon A QUALIDADE DA LEITUK4 taine e que reconhecerão imediatamente a sua paródia. não é? — Não faz mal. já que remete à lição de moral tradicional e multiplica o humor do texto. — Tenho um programa semanal. dona Cigarra? — E claro! — disse a cigarra. pensou ajórmiga. no mundo dominado pelos meios de comunicação e pelo hedonismo. você há de aparecer por aqui a mendigar o que não poupou no verão! E vai cair dura com a resposta que tenho preparada para você! Ruminando sua terrível vingança. Na trabalheira do investimento. para verificar os dividendos de suas contas numeradas. Batista A formiga passava a vida naquela Jármiga ção. Utilizando uma situação similar à fábula original. E diga-lhe que eu quero que ele vá para o raio que o parta! Trata-se de uma fábula. ah! No inverno. Lá vem ela dar a sua facada. Os meus discos não saem das paradas. atualiza suas circunstâncias e modifica seu final (intertextualidade implícita na estrutura). hoje em dia. ou seja. Isso é só em Paris.. A formiga. Agora no inverno é que vai ser mau continuou aformiga com toda maldade na voz.. mas a alusão à fábula original (na última fala da formiga) cria a intertextualjdade explícita. O quê?! exclamou aformiga.Adaptação feita por 1edro Bandeira do texto do escritor português Antônio A. A história em si é engraçada. E vivia ajármiga a dizer por dentro: Ah. remordida. preparando o terreno para sua vingança. consultando advogados e tomando vasodilatadores. vendendo na alta e comprando na baixa. e a mensagem original. de cunho popular e de caráter alegórico. uma historieta de ficção.. voltava a formiga a tesourar e entesourar investimentos e lucros. quando voltava de uni almoço no La Tambouille com os japoneses da informática. cantarolando como de costume. encontrou a cigarra no shopping Iguatemi. O próprio título anuncia a intenção. incutindo nos filhos hábi 41 42 TÉCNICA DE REDAÇÃO los de poupança. sempre atenta aos rateios e às subscrições. — A senhora vai ganhar duzentos mil dólares no inverno? — Não. não foi. Aí a formiga pensou no seu trabalho. — A senhora não depositou nada no banco. Fechava contratos em Londres já com um pé no Boeing para Frankfurt ou Genebra. E também um juízo a favor da arte em oposição à especulação financeira. aumentando o rendimento da sua capita e dizendo que estava contribuindo para o crescimento do Produto Nacional Bruto. enquanto aquela inútil da cigarra ganhava tanto cantando e se divertindo! E perguntou: — Quando a senhora embarca para Paris? Na semana que vem. Segundo sua posição crítica. sempre acompanhada de clientes libidinosos do Mercado Comum. — E pode me fazer um favor? Quando chegar a Paris. Um dia. depois Londres. comentou: A senhora andou cantando na tevê todo este verão. . metida em shows e boates. Depois. não estaria mais funcionando. chegoua minha vez!” Mas a cigarra aproximou-se só querendo saber como estava ela e como estavam todos no formigueiro. depois Amsterdam. ‘Ah.. procure lá um tal La Fontaine. destinada a ilustrar um preceito. os artistas podem chegar a ser milionários com mais rapidez e facilidade do que quem trabalha incansavelmente pensando exclusivamente no dinheiro. tem a excursão a Nova York. nas suas azias.. ah. Mas vivia também roendo-se por dentro ao ver a cigarra. sempre consultando as cotações da Bolsa.. uma sabedoria. E acabei de fechar um contrato com o Olympia de Paris por duzentos mil dólares. com quem estudara no ginásio.

em um exercício mais prazeroso. Fidelidade ao planejamento: antes de começar a ler um texto sempre estabelecemos. a escrita depende de nosso conhecimento do assunto. mais fácil e as dificuldades preliminares Vão se resolvendo. Assim. podemos ler mais rapidamente: quando o assunto é conhecj do. Pela leitura interiorizamos as estruturas da língua. pois é natural que o começo da compreensão seja ainda uma idéia desfocada A primeira leitura. os gêneros. Em qualquer situação de leitura utilizamos procedimentos que nos auxiliam a compreender e interpretar o texto. E um processo complexo que exige do leitor uma série de habilidades cognitivas muito sofisticadas. Leia uma vez. conseguir o melhor resultado da maneira mais prática e simples. então para conferir a decodifica ção das palavras e a interpretação Essa capacidade de avaliar constantemente a própria leitura precisa ser deSenvol Vida Ajuste de velocidade. consciente ou inconscientemente. disciplinando-as e submetendo-as aos nossos interesses. naturalmente. Esse desconforto no iflÍcjo de um texto é muito comum. conforme nossos objetivos. quando o trecho é fácil ou quando a leitura tem por objetiv0 a simples distração Outras vezes. a leitura ajuda a escrever melhor.1) Monitoramento e concentração Durante a leitura podemos exercer um relativo controle consciente sobre as nossas atividades mentais. 6. para isso. a cada dia. desistimos da leitura de um texto no primeiro parágrafo Esse procedi mento é precipitado E preciso merguJ proftmndamente no texto para dar-lhe uma chance de ser bem Sucedido Na maioria das vezes. Habilidades que agilizem os procedimentos contribuem para que não haja desperdício de energia e de tempo. interpretamos mal uma passagem e no decorrer da leitura percebemos que as idéias estão contraditórjas Voltamos. de simplificação e de monitoração das atividades mentais de forma que possamos otimizar nosso esforço. a leitura se toma. Pouco a Pouco. e também para que a leitura se transforme. Estou mesmo perseguindo meu objetivo? Já me distraí? Mudei o meu trajeto de leitura? Criei outro objetivo no percurso? Detecção de erros no processo de leitura: algumas vezes lemos muito rapidamente enquanto pensamos em ou43 44 TÉCNICA DE REDAÇÃO tra coisa e. com freqüênc não é satisfatóa e é preciso empreender uma segundaj com alguma informação sobre o texto e com mais atenção e concentração. Por isso é necessário prestar bem atenção no que fazemos enquanto lemos para termos mais domínio sobre as nossas próprias habilidades de leitura. temos que ler desaceleradament quando estudamos assuntos desconhecidos quando o texto é denso e complexo ou quando contém muitos implícitos Para garantir esse contro le é necessário ter uma consciência contínua dos procedimentos que estão sendo utilizados além de uma disPosição para avaliar a qualidade da própria leitura Tolerância e paciência: muitas vezes. o leitor deve controlar a veloci dade de leitura de acordo com as dificuldades que o texto oferece e com os objetivos da leitura Às vezes. uma espécie de roteiro: como vamos ler? para que vamos ler? Esse roteiro deve ser controlado e reavaliado durante a leitura. os tipos de texto. Algumas vezes pode merecer reorientação. geralmente é necessário voltar ao texto algumas vezes. os recursos estilísticos com mais eficácia que pelas aulas e exercícios gramaticais. Ele não é espontâneo e depende de treino e concentração. Prática de leitura a) Escolha um artigo assinado do jornal de sua preferência. Releia e responda mentalmente às perguntas: Quem escreve? Que tipo de texto é? A quem se destina? Onde é veiculado? Qual o objetivo? Com que . Uma única leitura nem sempre é suficiente. da língua e dos modelos de texto. Esse controle é essencial para que a leitura seja produtiva. quando percebemos a distração temos que Voltar e reler aquele trecho Esse é um exemplo de como controlamos naturalmente os nos505 erros de leitura Outras vezes. A QUALIDADE DA LEITURA 45 5. ou seja. E são os objetivos que vão direcionar o tipo de leitura que vai ser realizado. E importante desenvolver adequadamente essas estratégias de apoio técnico. a leitura é fundamental. Conhecendo melhor o processo de leitura Como vimos.

Se memorizamos alguns itens sem transferi-los gradualmente para a prática. definições. encontram pontos de apoio que as sustentam por mais tempo e se tornam mais duradouras. Como exemplo. Mas nem sempre isso é possível. que apenas esporadicamente fala sobre um tema. Capítulo 4 Da leitura para a escrita 1. Se. caem no esquecimento. Leia. Algum esclarecimento acerca da memória. Nossa memória é muito seletiva. pois é duradoura. acaba por dominar naturalmente o assunto. sem aplicação direta na produção de textos. serão descartadas. Mas. que dá aulas sobre uma mesma matéria para várias turmas. impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. Quando decoramos mecanicamente regras e conceitos. Quando podemos ler uma vez a informação. As informações novas ficam algum tempo na memória de curto prazo. se nos dias subseqüentes não precisarmos mais desse número. chegamos a memorizálo. Já um número usado todos os dias. a memória vai descartá-lo por falta de uso. Memorizamos aquilo que é significativo para nossos interesses intelectuais ou para nossa vida pessoal. durante muito tempo. esquecemos tudo com facilidade. d) Escolha um texto de estudo e aplique as estratégias de leitura apresentadas neste capítulo. para que uma informação fique consolidada na memória de longo prazo é preciso que seja: útil na vida prática ou para nossas reflexões abstratas: utilizada com certa freqüência. como se faz freqüentemente nos cursos preparatórios para concursos. Não o esquecemos tão facilmente. por um período breve. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Com que argumentos as idéias são defendidas? Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Quais são as outras vozes que perpassam o texto’? Quais são os testemunhos utilizados? 46 TÉCNICA DE REDAÇÃO Quais são os exemplos citados? Como são tratadas as idéias contrárias? c) Escolha um texto dissertativo que ofereça alguma dificuldade de leitura para você. de livros. estabelecem laços com outras informações preexistentes. Quando vemos. apreendemos um pouco mais. conceitos. Grave em fita de áudio tudo o que pensa enquanto lê. associada e relacionada a outros conhecimentos prévios existentes em nossa memória. Se não forem úteis por longo período. Se não são utilizados. em um período de teste. Isso acontece com nomes de lugares. pode ajudar a compreender e controlar seu funcionamento. Ela não guarda tudo o que gostaríamos a partir de uma primeira leitura. dizendo em voz alta seus pensamentos para controlar a leitura. Na memória de longo prazo guardamos nossos conhecimentos consolidados. temos um pouco mais ainda de possibilidade de gravar na memória. Já sabemos que as informações que vêm apenas por via auditiva são menos duradouras. Então. como se estivessem temporariamente à disposi 48 TÉCNICA DE REDAÇÃO çào. essa faculdade de reter as idéias. importante na nossa vida diária. nesse período. de pessoas. apreendemos uma pequena parcela do que ouvimos. enquanto elas nos são úteis e estão sendo realmente utilizadas. Analise os procedimentos de leitura sugeridos neste capítulo que você já utiliza. tem que estudá-lo para reavivar a memória quando precisa expor novamente o assunto. Temos dois tipos de memória: a de longo prazo e a de curto prazo. guardamos informações novas. por exemplo. permanece na nossa memória de longo prazo. O trabalho com a memória Precisamos usar muitas informações contidas em textos que já lemos. tudo aquilo que nos deu tanto trabalho para memorizar à força é esquecido imediatamente após a prova. É importante considerar também outros aspectos da aprendizagem. Na de curto prazo. O mesmo acontece quando estudamos a gramática pela gramática. que é seletiva e rotativa. Um professor. E acontece também com conceitos e definições. podemos pensar na seguinte situação: se estamos tentando comunicação por vezes repetidas com um número de telefone. Um outro. reelaborada em nossa mente por meio de novas associações e novas divisões.autoridade? O que eujá sei sobre o tema? Quais são os outros textos que estão sendo citados? Quais são as idéias principais? Quais são as partes do texto que apresentam: objetivos. . de filmes. forem muito usadas.

Pode até mesmo não explicitá-la claramente. Muitas vezes. A leitura pode levar à produção de textos de natureza diferente do texto original e com finalidades também diferentes. É uma leitura de reconhecimento prévio do material a ser estudado. DA LEITURA PARA A ESCRITA O leitor que tenta reconstruir o percurso do autor não pode acrescentar idéias novas ao resumo do que lê. em que o professor ou o texto doam ao aluno a informação nova. quando ainda na fase do esquema. 2. O processo de debate pressupõe a intelecção. e que a inteligência precisa ser constantemente estimulada para não se atrofiar. mais curto que o original um resumo em que as informações essenciais são rearticuladas em uma nova organização. Se nosso objetivo é repetir as mesmas informações integralmente. oposições. como veremos no capítulo 6. Como a primeira leitura é sempre muito breve e superficial. mas deixá-la implícita. na organização geral do texto. esquemas e paráfrases A partir do esquema podemos facilmente reconstituir as ligações do texto original elaborando um novo texto. uma negação. um conceito. dispensando exempios e ilustrações. aprender exige trabalho sobre o conhecimento. Resumos. do geral para o particular. parágrafo por parágrafo. elaboramos a paráfrase. pois trata-se de uma síntese. e não uma crítica. E preciso que a pessoa trabalhe bastante para que o conhecimento passe realmente a ser propriedade sua. comparações. Quanto mais aprendemos. 5? — Voltar ao texto e conferir a correspondência com as idéias principais. divisão de idéias. visa fundamentar a idéia inicial. subdividindo-o de acordo com as relações sintáticas. os parágrafos dissertativos/argumentativos têm uma estrutura organizada logicamente: Primeiros períodos = idéia principal Períodos seguintes = desenvolvimento Último período = conclusão Quando a idéia principal surge no início do parágrafo. Hoje em dia. conseguimos maior índice de memorização e de aprendizagem. desenvolver uma ação (concreta ou mental) sobre certa informação de forma pessoal. atuar. Não se trata de uma simples transferência. quadros. precisamos utilizar estratégias de desaceleração para apreendermos melhor um texto. o autor prefere colocar a idéia principal no fim do parágrafo. rápida. uma pergunta. como conclusão. podemos produzir esquemas. A leitura com esse fim é muito detalhada. a ciência já constatou que o cérebro e a memória precisam de exercícios. ver e experimentar. Normalmente. uma compactação. identificando palavraschave e anotando idéia por idéia. O leitor deve criar o seu próprio método. ou seja. pois a linguagem deve ser objetiva e clara. mas podemos estabelecer um roteiro básico como sugestão: 50 TÉCNICA DE REDAÇÃO 1? — Empreender uma primeira leitura descendente. Em um resumo recorre-se a poucos efeitos retóricos. prestando atenção nos títulos e subtítulos. pois os conhecimentos que adquirimos formam uma base em que novos conhecimentos vêm se instalar de forma mais duradoura.DA LEITURA PARA A ESCRITA 49 Mas se podemos ouvir. O desenvolvimento. mantendo as relações entre essas unidades. 4? — Organizar um esquema das idéias. prender-se às expressões utilizadas pelo próprio . a compreensão das idéias expostas pelo outro. Assim. uma resenha ou um comentário que permitem ampliação e discussão. ela pode ser: uma afirmação. resumos e paráfrases. 3? — Reagrupar as informações de acordo com unidades menores. conforme vimos no capítulo anterior. no resumo. ou então sintetizar as informações para revê-las ou repassá-las a outros. utilizar. Assim. embora existam variações infinitas. 6? — Redigir o resumo seguindo o roteiro estabelecido pelo esquema. 2? Fazer uma segunda leitura. e pode trazer explicações. Muitas vezes. mais temos possibilidade de aprender. lemos e tentamos memorizar o que lemos. Organizar um esquema é uma maneira preparatória para o resumo e a paráfrase. que também é uma forma de retomada das informações. para que o leitor chegue mentalmente à conclusão a partir das evidências colocadas no texto. ler. Por isso é bom.

Indicam conclusão parcial ou final: Em vista disso podemos concluir Diante do que foi dito Em suma Em resumo Concluindo Portanto Assim 51 fr . pois é necessário trabalhar com precisão sobre: significados. O resumo é um trabalho sobre a linguagem muito complexo. gênero e tipo de texto...... em segundo..autor do texto... um outro aspecto é. podemos ob servar Para comprovar o que foi dito Exemplo disso é Como exemplo. Primeiramente. vocabulário. em sua obra Y Indicam divisão de idéias: Em primeiro lugar. é o que ocorre no caso em que Indicam inserção de citações: Segundo o especialista X De acordo com o que afirma X Xjá afirmou que Conforme X.... por último. São elas que o levam a decidir quais são as .. Elas conduzem o raciocínio do leitor de acordo com o planejamento do autor e podem exercer várias funções.. Indicam objetivo: O que desejamos neste trabalho O objetivo desta investigação Pretendemos demonstrar Procuramos comprovar Estamos tentando provar Indicam inserção de exemplo: Para exemplificar.. por outro lado. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o uso das frases de transição. TÉCNICA DE REDAÇÃO Essas frases exigem muita atenção do leitor...-. estruturas sintáticas. Colocaremos aqui alguns exemplos.. depois. pode-se observar Assim.... finalmente. mas você pode encontrar infinitas variações nos textos que lê. em seguida.. Por um lado...... O primeiro aspecto é....

As obras de arte são mercadorias. As obras de arte e de pensamento poderiam democratizar-se com os novos meios de comunicação. prestígio político e controle cultural. Em terceiro lugar. através dos preços. A democratização da cultura tem como precondição a idéia de que os bens culturais (no sentido restrito de obras de arte e de pensamento e não no sentido antropológico amplo) são direito de todos e não privilégio de alguns. tornarem. mas deve devolver-lhe com nova aparência o que ele já sabe. Democracia cultural significa direito de acesso e de fruição das obras culturais. O que significa isso? A indústria cultural vende Cultura. 2. A “média” é o senso comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova. palavra que vem do latim e sign fica: dado à visibilidade. direito à informação e àforniação culturais.se consagração do consagrado pela moda e pelo consumo. É algo para ser consumido e não para ser conhecido. direito à produção cultural. da reflexão . incorporá-las em suas vidas. A indústria cultural acarreta resultado oposto. as empresas de divulgação cultural já selecionaram de antemão o que cada grupo social pode e deve ouvir.informações essenciais e as que podem ser dispensadas no resumo. ter acesso a elas. E essencialmente espetáculo. O que é a massa? É um agregado sem forma e sem rosto. Em segundo lugar. certos conhecimentos “médios” e certos gostos “médios “. criticá-las. de experimentação do novo. fazê-lo ter informações novas que o perturbem. ver ou ler. as artes foram submetidas a uma nova servidão: as regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural. baseada na idéia e na prática do consumo de produtos culturais”fabricados em série. Para seduzi-lo e agradá-lo. porque inventa uma figura chamada “espectador médio ‘ “ouvinte médio” e “leitor médio ‘ aos quais são atribuídas certas capacidades mentais “médias “. Para vendê-la. formando uma elite cultural. Assim. já viu. oferecendo-lhes produtos culturais “médios”. destinadas à massa. sob controle económico e ideológico das empresas de comunicação artística. A arte possui intrinsecamente valor de exposição ou exponibilidade. 3. diversão e distração. Perdida a aura. conhecê-las. como o consumidor num supermercado. de expressivas. em vez de garantir o mesmo direito de todos á totalidade da produção cultural. Sob os efeitos da massflcação da indústria e consumo culturais. de trabalho da criação. destinadas aos privilegiados que podem pagar por elas. em princípio. Em quarto lugar. porque separa os bens culturais pelo seu suposto valor de mercado: há obras caras” e “raras “. de modo que tudo o que nas 53 54 TÉCNICA DE REDAÇÃO obras de arte e de pensamento significa trabalho da sensibilidade. deve seduzir e agradar o consumidor. fazê-lo pensar. tornarem-se eventos para consumo. da imaginação. a arte não se democratizou. a arte se transforma em seu oposto: é um evento para tornar invisível a realidade e o próprio trabalho criador das obras. No entanto. e há obras “baratas” e “comuns “. porque cria a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais. fruído e superado por novas obras. massificou-se para consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de massa. ao massifiLar a Cultura. como tudo que existe no capitalismo. não pode chocá-lo. novas. INDÚSTRIA CULTURAL E CULTURA DE MASSA A partir da segunda revolução industrial no século XIX e prosseguindo no que se denomina agora sociedade pós-industrial ou pós-moderna (iniciada nos anos 70 do século Xv). provocá-lo. a indústria cultural introduz a divisão social entre elite “cultural” e massa “inculta “. sem identidade e sem pleno direito à Cultura. cada um escolhendo livremente o que deseja. basta darmos atenção aos horários dos programas de rádio e televisão ou ao que é vendido nas bancas de jornais e revistas para vermos que. pois todos poderiam. No entanto. tornarem-se reprodutivas e repetitivas. transformando-se em propaganda e publicidade. as artes correm o risco de perder três de suas principais características: 1. existe para ser contemplada efruída. e os artistas epensadores 4 DA LEITURA PARA A ESCRITA poderiam superá-las em outras. porque define a Cultura como lazer e entretenimento. sinal de status social. da inteligência. já fez. isto é. Vamos analisar um texto e compreender o processo de resumo. Por quê? Em primeiro lugar.

ao ativar nossos conhecimentos anteriores sobre o assunto. Os efeitos de repetição. independentes do texto original. 4. inteligência. ou leitor médio”. pp. que têm a função de prender a atenção do leitor. Os parágrafos seguintes desenvolvem e aprofundam essa idéia. sem provocações.. teórico. a partir do esquema. São Paulo: Ed. separa “caras’ e “raras”. experimentação ‘. reflexão e crítica não têm interesse. > “baratas” e “comuns”. 56 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nesse esquema. Na segunda leitura. identificando as palavras-chave e as idéias secundánas distribuídas pelos parágrafos. XIX) > mercado capitalista > ideologia da indústria cultural Obra de arte tem valor de exposição / deve ser contemplada e fruída. podemos observar que algumas informações foram eliminadas e outras podem ser reagrupadas. criação > consumo. são dispensados e o resumo vai reconstruir diretamente as afirmações. Ao analisar as escolhas feitas. não pode mais depender do original. expressidade > repetição. > à informação e à formação. não vende. 2. as 700 palavras do texto original foram reduzidas a apenas 198. Convite à Filosofia. Em lugar de difundir e divulgar a Cultura. numa redação própria da pessoa que resume. ou seja. Indústria cultural resultado oposto = introduz a divisão social ao massificar a Cultura. ouvinte. 329-30. como o esquema que serve . DA LEITURA PARA A ESCRITA 55 Indústria cultural e cultura de massa Artes submetidas (2 revolução industrial séc. cria a ilusão de acesso através dos preços seleciona grupo social. capacidades mentais. 3. os privilegiados. do texto já nos diz que a idéia principal é a distinção entre o que é realmente arte e o que a indústria cultural produz para a massa no capitalismo. O texto começa com uma informação que será explicitada nos parágrafos seguintes. Sabemos que Marilena Chaui é uma filósofa e que se trata de um texto dissertativo. se transforma em seu oposto = mercadoria quando > Fabricação em série > Propaganda e publicidade > Sinal de status > Prestígio político > Controle cultural não se democratizou massificou-se Arte corre risco Valor de: pode se transformar em: 1. > à produção cultural. assim. não “vende”.consagração do consagrado pelo consumo. sensibilidade. Massifica = banaliza / vulgariza a expressão artística e intelectual. toma invisível a realidade e o próprio trabalho criador Democracia cultural (poderia acontecer pelos meios de comunicação) Todos têm direito > ao acesso e à fruição. Deve funcionar como um texto autônomo. redundância e as perguntas retóricas. superficial e rápida. Uma primeira leitura. sobre conceitos bastante abstratos. Já é possível retirar do texto a sua estrutura básica e reorganizá-la em blocos.e da crítica não tem interesse. rearticulando-as em novas orações e períodos. massa inculta. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos. porque 1. 8 ed. conclusões e respostas. banalizar a expressão artística e intelectual. Marilena Chaui. Ática. elite culta. reagrupa as idéias. diversão e distração. podemos aproflindar mais a compreensão das causas e conseqüências dessa distinção. 3. inventa uma média “espectador. já com essas idéias. voltando ao texto. no primeiro parágrafo já se anuncia a idéia principal: de que a arte foi transformada numa mercadoria e que por isso foi desvirtuada pela indústria cultural. 2. 1997. imaginação. despertando interesse por ela. conhecimentos e gostos “médios” = produtos culturais “médios” = o que o consumidor já sabe = senso comum. Massifi cor é. O resumo. define a Cultura como lazer e entretenimento.

O aprendiz incorpora o conhecimento novo. tenho consciência de que domino a nova informação. porque não vende. Desde a segunda revolução industrial. por técnicos em editoração e por cientistas. para o qual produz bens médios. prestígio político e controle cultural. diversão e distração deforma que não tem interesse. massficou-se e transformou-se em seu oposto: mercadoria. ele é considerado. a representação condensada do conteúdo de um documento (é obrigatório. Um texto é paráfrase do outro quando traz as mesmas informações por meio de outras palavras. Crítico (também chamado de resenha) — apresenta a posição do leitor. os métodos e conclusões. reproduzi-la ou dizê-la com minhas próprias palavras. A indústria cultural não democratiza. Assim. pois não se trata apenas de transposição ou transferência. fundados no senso comum. da reflexão e da crítica. apropria-se dele. no século XIX. fruída e revelar a realidade. estamos parodiando. utilizamos a paráfrase mentalmente. e ainda produção cultural. Essa assimilação requer uma elaboração interna. quando sobre uma mesma melodia criamos letra diferente. entendida como o direito de acesso efruição. Quando a organização é semelhante. como uma estratégia para ler e estudar. foi substituída pela massflcação. as tes foram submetidas às regras do mercado capitalista e à ideologia da indústria cultural.3. Entretanto. isto é. entretenimento. antecedendo trabalho científico. dizemos que é uma paródia. Sob controle econômico. com capacidades. mas apresenta uma forma de organização diferente. Essas informações lidas passam a fazer parte de nosso . mas pelo preço define os grupos que podem usufruir de cada bem. Além dos usos pessoais do resumo. conhecimentos e gosto médios. artigo. uma intemalização ou assimilação. Pode ser: Indicativo (de 10 a 50 palavras) — geral e sintético. não foi democratizada. Há diferenças entre o resumo e a paráfrase que é necessário esclarecer. informação eformação. no resumo que apresentamos a seguir. em caso de trabalhos científicos. para escrever um trabalho ou um artigo. é frita para ser contemplada. Pela paráfrase mental. Informativo (até 350 palavras) representa o conteúdo. É utilizado em revistas científicas. mas as informações são diferentes. a indústria cultural produz uma massficação. tem a mesma função. da inteligência. vendáveis. a quantidade de palavras em relação ao esquema é maior: 267.apenas para retomar as idéias principais. Assim. que poderia ser alcançada pelos meios de comunicação social. deve conter dados essenciais que ajudem o leitor a decidir sobre a necessidade de ler ou não um texto todo. Como já vimos no capítulo anterior. Assim. já que um texto é feito de outros textos. a criação pelo consumo e a experimentação pelo consagrado. A elaboração interior é feita por meio de paráfrase: para saber se estou compreendendo bem uma idéia é preciso que eu saiba pensá-la. além de tornar a realidade e o trabalho criador invisíveis. e. 2. inventa um consumidor médio. dissertação e tese). produtos culturais fabricados em série. sem novida DA LEITURA PARA A ESCRITA 57 des. Mas esse efeito é artístico e criativo. a arte corre o risco de perder suas características. às vezes cômica ou irônica. Ocor 1 58 TÉCNICA DEREDAÇÀO re. E essencial compreender que também na produção de textosusamos freqüentemente a paráfrase. separa os bens culturais pagos e raros para uma elite culta e os bens baratos e comuns para a massa inculta. o assunto. 4. A obra de arte tem um valor de exposição. que é banaliza ção e vulgarização da arte e do conhecimento. os pontos de vista. comparações com outros trabalhos e pode trazer uma avaliação geral. deixar a expressividade pela repetição. o trabalho da sensibilidade. em lugar de democratizar a Cultura. sinal de status. utilizamos informações lidas. da imaginação. além de nossa experiência de vida. Observe que a terceira pessoa que garante a impessoalidade própria da estrutura dissertativa foi mantida. cria a ilusão do acesso igual para todos. A democratização da cultura. Ou seja. pela reprodução das idéias com minhas próprias palavras. vê a cultura como lazer. no processo de estudo e de aprendizagem. porque ao massficar reintroduz a divisão social e:].

“em lugar de dfundir e divulgar a Cultura. ANO. DA LEITURA PARA A ESCRITA 59 ou paráfrase: Marilena Chaui afirma em seu texto que a indústria cultural vulgariza as artes e os conhecimentos em vez de d(fundir. TÍTULO. fazemos pequenas paráfrases. pp. mais úteis poderão se tornar quando da produção de um novo texto. mas as editoras optam por algumas variações. Assim. Na paráfrase. com nossas próprias palavras. consultá-las. que exercem funções próprias como: resumo para apresentação oral e escrita de trabalhos. adotamos o seguinte modelo simplicado: NOME DO AUTOR. ao fim de cada capítulo ou parte de texto. elabore um pequeno parágrafo. Por isso a paráfrase é tão útil. Conservando e reutilizando o que foi lido Neste capítulo vimos como podemos registrar as informações lidas de forma que se torne mais fácil voltar a elas. interpretando o que foi lido. transformações conceituais ou reduções. 1997. se não houver uma citação clara do autor das idéias. As vezes é preciso citar explicitamente sua origem (nome. não se saber mais de onde foram retiradas aquelas idéias. 8 ed. Neste livro. para identificação. Leia uma primeira vez para se familiarizar com as idéias. mas nossa leitura não retém na memória tudo que é necessário. em grande parte. E muito comum. elabore uma paráfrase em tom mais coloquial. CIDADE: EDITORA. Convite à Filosofia. A Associação Brasileira de Normas Técnicas normatiza as regras para publicações. registrando. vale repetir. EDIÇÃO. dependendo do objetivo da paráfrase. Quanto mais organizadas forem essas anotações.. 329-30. despertando interesse por ela. E preciso uma leitura refinada. mas guardam um vínculo com o texto original do qual provêm. podem ser consideradas plágio. A paráfrase. Palavras complexas podem ser substituidas por expressões mais simples e familiares ou pode ocorrer o contrário. frases e períodos podem ser simplificados. Ática. anote a bibliografia referente. são úteis também como textos autônomos. PÁGINA. fazendo anotações. depois de algum tempo. sem acréscimos. reestruturá-las e reordená-las em outro formato exige uma grande atividade mental que contribui para que a assimilação seja mais consistente. As informações têm de ser fiéis às idéias do texto original. Nossos textos são compostos. O importante é que o documento possa ser recuperado pelo leitor a partir de informações básicas. muitas vezes. 4.outras basta fazer uma alusão ao dono das idéias e. não perca suas leituras por falta de anotações. podemos sempre utilizar idéias de outros autores fazendo: citação literal: Marilena Chaui afirma em seu texto que. O próprio esforço de reelaborar as idéias. data). Releia. podemos incorporá-las ao nosso texto de maneira parafraseada. Quando falamos para nós mesmos. pois não se pode citar a fonte. obra. sintetizando a idéia principal. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos “. As técnicas de registro de bibliografia podem variar. resumindo ou esquematizando. Além disso. Faça um 60 TÉCNICA DE REDAÇÃO esquema das idéias. Prática de síntese a) Escolha um texto de estudo ou relativo ao seu trabalho que precise conhecer bem. Assim. Elabore um resumo reduzindo-o a 50% do original. divulgar e despertar interesse pela Cultura. 3. Marilena Chaui. não é um resumo. junto aos textos transcritos. reutilizá-las. Sempre que fizer esses exercícios de síntese. São Paulo: Ed. agregados ou transformados estilisticamente. que são muito úteis na ampliação das habilidades cognitivas. c) De todas as suas leituras para estudo ou trabalho. b) Escolha um parágrafo longo de um texto dissertativo. Por isso. Após a leitura. com vários retornos ao texto. a partir de informações que colhemos em outros textos. E isto é o mesmo que não ter lido. seleção e hierarquização de idéias.acervo pessoal de conhecimentos pela internalização. Paráfrases mal feitas podem constituir mal-entendidos prejudiciais à comunicação e. . esquema para orientar aula ou palestra etc. é preciso dar-lhe um apoio anotando.

Tomando decisões Para escrever um texto. Um exemplo desses textos é o diário pessoal. Bonitas. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 63 Ava Gardner e Grace Kelly. Poesia Completa e Prosa. A história do filme se passava na A’frica. ou na informação. Podemos traduzir algumas das decisões preliminares nas seguintes perguntas: Quais os objetivos do texto que vou produzir? Que informações quero transmitir? Qual o gênero de texto mais adequado aos meus objetivos? Que estruturas de linguagem devo usar? Vamos refletir. Para a expressão de nossos pensamentos. no leitor. a) A linguagem como expressão individual Objetivos centrados no EU — Muitos textos têm uma natureza essencialmente subjetiva. cinco funções primordiais da linguagem. Essas decisões estão relacionadas àqueles mesmos aspectos que tentamos descobrir quando estamos lendo textos de outras pessoas. o autor registra suas impressões a respeito de um filme e dos atores. à noite. Nesse trecho. A voz que assume a “fala” nesse tipo de texto é a própria voz do autor. Dizemos. tivemos sessão de cinema. Manuel Bandeira. na linguagem e no seu funcionamento. Clark Gable.. a língua escrita é usada com diferentes funções e com os mais diversos objetivos. pensamentos e emo çõe de uma pessoa. Cada um dos objetivos vai determinar o formato que o texto vai tomar e. estão voltados para a expressão individual. Funções da linguagem Como podemos perceber. na função expressiva. Nos três últimos períodos. ar tigos poemas. Tenho vontade de rever é . o veículo em que vai circular. mas não me dão vontade de revê-las. Vejamos um pequeno texto de Manuel Bandeira: Diário de Bordo 22 de julho Ontem. São questões de várias ordens: textuais. lingüísticas. Há algumas funções consideradas básicas e que estão presentes nos textos de forma especial. pois o objetivo principal do texto é transmitir ou registrar os sentimentos. informacionais. depoimentos. Audrey Hepburn. mas sempre TÉCNICA DE REDAÇÃO transparece uma função preponderante. cartas. a seguir. então. As diversas funções coexistem e duas ou três aparecem simultaneamente num mesmo texto. na estruturação do texto e na sua estética.. 2. com muita fera. agora. muito negro. conforme seus objetivos estejam centrados: no EU. interpessoais. Rio de Janeiro: Editora Aguilar. Vamos detalhar aqui como essas funções se realizam no texto escrito.1 Capítulo 5 Decisões preliminares sobre o texto a produzir 1.. Clark Gable disfarçando com grande charme a sua velhice. podemos escrever textos de gêneros mui t diferentes como: diários. Avo Gardner e Grace Kelly eu só conhecia defotos nas revistas e jornais. sobre essas decisões. 1967. Focalizaremos. e por isso a primeira pessoa do singular é utilizada com muita freqüência. que a função da linguagem está centrada no EU. tomamos muitas decisões antes e durante o trabalho. a função expressiva é mais evidente: a experiência pessoal e as emoções são ressaltadas e as informações . bilhetes. muitas vezes.. Flauta de Papel. As feras representando muito bem.

ou seja. dos amigos e dos negócios. por favor. A conquista da expressão dos próprios pensamentos e opiniões. No entanto. não entendemos o que queríamos dizer. nas teses e dissertações. à neutralidade. como já vimos. Pedimos que você verifique a correção dos dados pessoais e do telefone exibidos na conta. é geralmente considerada inadequada e dá lugar à impessoalidade. ou seja. pessoas. a mensagem. Embora nosso exemplo pertença ao universo literário. quando lemos essas anotações. pode ser esclarecedor. precisa de mais de um ponto de apoio. Palavras soltas são dificeis de ser associadas a fatos. Muitas vezes. sempre causam um pouco de dúvida se não estiverem acompanhados de alguma referência mais específica. Se houver alguma alteração. por mais secreta e enigmática que seja. um leitor que é a nossa própria pessoa em outro momento. uma sugestão. é por meio dela que nos construímos como sujeitos atuantes na sociedade e no mundo. muito importante. uma ordem. é necessário que mantenha seu cadastro atualizado. a expressão subjetiva explícita. Para que estas vantagens cheguem até você. nos vestibulares e concursos. é preciso considerar que esse autor estará exercendo o papel de leitor num segundo momento e. com a alta qualidade e a avançada tecnologia da empresa que está pronta para o século 21. Nomes e telefones de novos conhecidos. Geralmente é uma instrução de procedimentos. E quase um monólogo. sempre que escrevemos um diário. Temos certeza de que cada vez mais atenderemos às suas necessidades de telecomunicações. está presente em textos cujo objetivo é influenciar a atitude de quem lê. você é muito especial para nós. Continue preferindo nossa operadora. A nossa memória. por isso. Atenciosamente. Porém. Trata-se de dar ajuda à memória. à discussão teórica e abstrata em que o eu não se expõe com tanta evidência. assimilá-los criticamente e assumir a própria voz é essencial. pois. já que o autor fala consigo mesmo. escrevemos para. José da Silva. mas reconstruí-los. deve estar bem elaborada para que possa ser compreendida em outras circunstâncias. a predominância da função expressiva. Prezado José da Silva. entre em contato com nossa Central de Atendimento ao Cliente por meio do telefone XØ(X\9( Obrigado por ter escolhido nossa empresa para chegar mais perto de sua família. alterando o seu comportamento. A função expressiva da linguagem é essencial à nossa vida. circunstâncias. E por intermédio da função expressiva que nos tomamos senhores de nossa própria história. José da Silva. E por isso sempre estaremos oferecendo-lhe descontos e promoções em nossos serviços. Um conhecimento ou uma informação preexistentes ajudam a sustentar conhecimentos novos na memória por mais tempo. uma súplica. Vamos analisar esta carta comercial/publicitária: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 65 .assumem o tom de confissão. uma orientação. já que não se pode confiar totalmente nela. acontecimentos. às vezes. Repetir 4 pensamentos de outros é. escrevemos bilhetes para nós mesmos no intuito de não esquecer algum compromisso ou informação e. José da Silva. é um instrumento primordial para o exercício da cidadania. por exemplo. Beltrano Diretor de Serviços 64 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Função centrada no leitor ou apelativa Uma outra função da linguagem é aquela centrada no leitor.

ou parte dele. A empresa quer continuar sendo escolhida pelo leitor como sua operadora de serviços de telecomunicações. 3. Aquele em que a projeção não vem acompanhada de som: cena muda. É importante perceber os mecanismos de convencimento que estão implícitos em determinados textos que manipulam o pensamento das pessoas.Observe como o propósito da carta influenciou a sua forma. Projeção cinematográfica. Podemos dizer que a função preponderante é centrada no leitor. ansiosas por adquirir mais e mais. é como se ele estivesse ausente do texto./ O salário será a nível de 5 mil reais (em torno de). Cinema mudo. p. f . Muito menos eficaz para o objetivo da empresa seria a simples comunicação por telegrama: Atualize cadastro pelo telefone XXX XXX Agradecemos preferência. mais percebem quando estão sendo persuadidos contra a própria vontade e mais resistem aos processos de tirania e arbítrio. Cinematografia. A locução a nível de. 190 (com adaptações). 1. Função metalingüística é a função da linguagem na qual predominam os enunciados em que o código. colocando as ações do leitor em evidência. é ainda mais evidente essa ausência de um autor explicitamente identificável no texto. kínema. E a língua falando sobre a própria língua. Em determinados casos podem ser usadas as locuções no plano de e em termos de. dos livros didáticos de língua portuguesa e do dicionário. Existe ainda ao nível de. modismo desnecessário e condenável. São Paulo: Editora Moderna. Observe este exemplo: 66 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nível 1.] S. c) A linguagem que explica a língua —função meta!ingüística A linguagem pode falar acerca de si mesma. na sua reação. DECiSÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR [Equiv. Embora possamos perceber que um autor elaborou o pensamento sobre o item analisado. /Decisão a nível de governo (decisão governamental). em substituição a praticamente tudo que se queira. atos. Veja alguns casos em que a locução aparece e como evitá-la: Decisão a nível de diretoria (decisão da diretoria). Arte de compor e realizar filmes cinematográficos.] S. /Çf sinema. 2. Os exemplos mais claros são os textos da gramática. Em um dicionário.+ -teca. Eduardo Martins. explicar-se. tornou-se uma das mais terríveis muletas lingüísticas da atualidade. Aquele em que a projeção é acompanhada de uma faixa sonora. 1. Sala de espetáculos.] Verbete: cinernateca [De cinema.] El comp. na sua escolha futura. 3. = movimento’: cinemascópio. no seu comportamento.] Cinema falado. Por isso é preciso ler com muita atenção e procurar as segundas e terceiras intenções em tudo o que nos chega às mãos. 2. I”K 1 cinem [Do gr. que criam necessidades de consumo e transformam as pessoas em máquinas desejantes. cinematógrafo. 4. / Reunião a nível internacional (reunião internacional). 1. m. Mas a sociedade de consumo é fundamentada em textos apelativos. / Contratações a nível de futuro (contratações para ofuturo).: cinemat(o)-: cinemática. Observe os verbetes a seguir: Verbete: cinema [De cinematógrafo. onde se projetam filmes cinematográficos. Quanto mais esclarecidos são os cidadãos. Manual de Redação e Estilo — O Estado de S. mas apenas com o sign ficado de à mesma altura: ao nível do mar. Assim as informações estão todas organizadas de forma a atingir essa meta. 1. se constitui objeto de descrição. Por meio desse tipo de texto a sociedade pode ser controlada e submetida à dominação política e cultural. Paulo.

é digno de ser cinematografado: uma jovem cinematográfica. a morfologia. proporciona ao leitor o caminho para compreender os significados. evocando o beUo cinematográfico que dera no aeroporto. 3. (Nélson Rodrigues. por enquanto.) Dicionário Aurélio Eletrônico Há um conjunto de recursos que dispensa a voz do dicionarista. A espera na sala de espera. Nesses casos. truncamentos. Fechado para sempre. Próprio de cinema. A língua é um dos instrumentos mais importantes na conquista da própria identidade e da cidadania. 67 68 TÉCNICA DE REDAÇÃO d) A arte literária —função poética Encontramos a função poética da linguagem quando a intenção do autor de um texto é extrair da linguagem as suas mais altas possibilidades expressivas. em especial os considerados de valor cultural ou artístico. Não é possível. sendo de outrem. 100 Contos Escolhidos. na rua da Bahia. pela forma como está organizado. Respeitante à cinematografia. Quando uma pessoa tem um bom vocabulário e sabe combinar adequadamente as palavras. vai se lembrar do sofrimento de Fabiano por não dominar as palavras. por sua beleza e/ou por outra(s) qualidade(s). pois chama a atenção para si mesmo. paisagem cinematográfica. que lembra o que se vê no cinema: “Rilhava os dentes. A Vida como Ela E. chama a atenção para a organização e estruturação do texto. 42. minha mocidade fecha com ele um pouco. percebemos que alguma coisa não funciona bem: pausas. de estranhamento agradável. mais isso-e-aquilo. como material de criação: a literatura. Cada verbete. o miúdo. Se você já leu Vidas Secas. fora-de-moda Cinema Odeon. mais americano. Verbete: cinematográfico Adj. seja no acervo e escolha de palavras. 1. Essa elaboração provoca no leitor uma espécie de experiência estética prazerosa.1. para sua elaboração especial e intencional. A matinê . dispõe de uma excelente ferramenta social para exercer suas tarefas na sociedade. Que. maior. pouco antes de partir o avião. ou seja. Local onde se conservam os filmes cinematográficos. seja na sua combinação. (Amadurecerei um dia?) Não aceito. em oposição à transparência do texto informativo. 2. então. os possíveis usos e as relações entre as palavras. Quero é o derrotado Cinema Odeon. titubeios na fala e falhas e inadequações na escrita. O FiM DAS COISAS FECHADO O CINEMA ODEON. o apelo ou a confissão. a palavra. e até aplaudi-las. Mas quando sua linguagem apresenta problemas. que o texto é opaco. o cinema Glória. Dizemos. temos a arte que utiliza a linguagem verbal. É por meio desses textos que ampliamos o nosso universo lingüístico. jogar com as potencialidades latentes nas palavras e criar combinações novas e originais. de Graciliano Ramos. Não amadureci ainda bastante para aceitar a morte das coisas que minhas coisas são. quando for o caso.’. mais que para a informação. II. p.

já que permite várias formas de leitura. E cada uma dessas formas tem subgêneros. de humor. depoimento social de costumes de uma época. o romance pode ser: histórico.7 70 TÉCNICA DE REDAÇÃO Ritmo Repetição de palavras Repetição de sons Repetição de idéias Jogos de palavras Ironias. Quando citamos um poema não podemos resumi-lo. você pode observar muitas das características da literatura que constituem meios para a elaboração especial da linguagem: 69 . tramas. porque a obra de arte oferece interpretações do mundo que estimulam a reflexão e o conhecimento Além de proporcionar experiência estética. por sua vez... o jogo de palavras é intencional e não pode ser modificado sem que se modifique o efeito dessa escolha sobre a interpretação do poema como um todo. ao mesmo tempo. mas é também. mesmo não divina. crítica social.com BuckJones. tombos. O jornal da Fox. de amor. apresentado como uma narrativa no poema. crítica da cultura. como fazemos com um texto de jornal. pobre sátiro em potencial. Assim. a elaboração original e única para a expressão de uma interpretação sobre os fenômenos do mundo. O relato da experiência pessoal. critica política. Por exemplo. análise psicológica. humor Criação de novos vocábulos (neologismos) Frases nominais Estrutura sintátjca predomjnantemerite justaposta Uso da primeira pessoa do singular A literatura assume. expressão do EU e informação sobre fatos e acontecimentos. sublime agora que para sempre subm erge em funeral de sombras neste primeiro lutulento de janeiro de 1928. A estruturação do texto é tão importante que qualquer substituição constituiria uma agressão à autoria do poeta. diversas formas e diferentes objetivos. As meninas-de-família na platéia. o Conto. duplo sentido. são simultâneas. entretanto o conhecimento da natureza do texto artístico é imprescindível para que se compreenda como funcionam os textos não-literários A leitura freqüente de textos literários é também muito importante na formação de uma pessoa. o teatro. A divina orquestra. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR A impossível (sonhada) bolina ção. O romance. demonstra como as funções se sobrepõem. A primeira sessão e a segunda sessão da noite.”. a associação entre as idéias. alterá-lo ou transformá-lo. waldemarpissilândico. o poema é plurissignificativo. Exijo em nome da lei ou fora da lei que se reabram as portas e volte o passado musical. Hart. Nosso objetivo principal neste livro não é o estudo da literatura. policial./Fechado para sempre. tiros. na rua da Bahia. o COflvÍvjo com a literatura Constitui um exercício privilegiado de habilidades cognitivas . No exemplo. A prosa e o verso se desdobram em outras espécies literárias. William S.. de costumes. a poesia narrativa épica são feições diferentes para um mesmo fenômeno: a arte da palavra. por exemplo. Nos versos “FECHADO O CINEMA ODEON. a escolha das palavras. costumeira.. O poema é prioritariamente uma elaboração especial da linguagem. de terror. polissêmico. Carlos Drummond de Andrade Boitempo O poema de Drummond exemplifica essa opção pela escrita de forma especial: a disposição das frases no papel. e abre caminho para que os leitores empreendam uma reflexão que pode desdobrar-se em várias camadas: lírica. de guerra.

interpreto. Podemos esquematizar nossos procedimentos: Na fala somos mais espontâneos. repetições. imparcial. em diferentes níveis. universitários e acadêmicos. Dizemos. clara e objetiva. gestos. temos apoio da situação fisica. podemos repetir informações. expor. Este tipo de texto. a maneira como fala. porque o nosso interlocutor está distante e é necessário garantir a compreensão. autor do consagrado Limite (1929-1930). não planejamos com antecedência o que vamos falar. Almanaque Abril 1996 Como você pode observar. 3. Descrever. autor de Brasa Dormida (1928) e de Ganga Bruta (1933). são sistematicamente evitados. podemos resolver dúvidas do ouvinte. então. sinto. precisamos seguir mais rigorosamente as exigências da língua padrão. como penso.e de familiaridade com as estruturas e Possibilidades da língua escrita. que o texto é transparente. Ele fala e usa a língua em diversas situações. um poliglota. usamos expressões dialetais com mais freqüência. a cada momento. do conhecimento do interlocutor. O objetivo é transmitir informações a respeito de uma realidade. de certa forma. não se trata de um texto expressivo (centrado no EU). definir. relatar. considero. O que ganha evidência é a informação. usamos frases mais simples. definir são formas de linguagem que evidenciam a função referencial. e Humberto Mauro (18 77. ou seja. eliminação de elementos sintáticos etc. não dispomos de recursos como gestos. dos gestos. inversões. O exemplo a seguir é um caso em que a função referencial é preponderante: 72 TÉCNICA DE REDAÇÃO os primeiros grandes diretores: Mário Peixoto (1911-1993). Geralmente. na fala. que enriquecem a oral. corrigir e explicar melhor. percebo. Há distinções fundamentais nesses usos que é preciso considerar. não trata da linguagem como fenômeno nem busca proporcionar experiência estética especial. . é muito comum surgirem na fala truncamentos. quem lê e a linguagem em si são questões deixadas em segundo plano. e) Funçdo referencial Quando a língua é usada para descrever. como expressões faciais. pois não temos o apoio do contexto. o autor se distancia ou desaparece quase completamente para tornar a informação bastante neutra. sem a interferência das impressões do autor. acho. essas duas manifestações são apenas parcialmente semelhantes. das pausas. titubeios e problemas de concordância. Considere o seu próprio uso da linguagem e observe que a língua escrita não dispõe dos recursos contextuais. pois não atrai a observação do leitor sobre a forma como é organizado. um pouco atrapalhada. das modulações da voz. cortes. Ao escrever. 74 TÉCNICA DE REDAÇÃO Na escrita planejamos cuidadosamente o nosso texto para assegurar que o leitor compreenda nossas idéias sem precisar de mais explicações. do contexto. Os recursos explorados pela literatura para chamar a atenção para a estrutura da linguagem (repetições. Quem fala. entonação. Pensamos muito rapidamente e a expressão das nossas idéias pode ser. É como se a realidade falasse por si própria.) são evitados. das referências ao ambiente. dizemos que se evidencia a função referencial. na primeira pessoa do singular. conceituar. Não quer provocar algum comportamento no leitor. conjunções facilmente compreendidas. explicar algum item mal compreendido. voz. expressões faciais. Decisões em relação às estruturas Iingüísticas O falante de uma língua é. pois podemos. a não ser em situações muito formais ou delicadas. concejtuar.1983). como as que se dão entre: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 73 modalidade oral e escrita registro formal e informal variedade padrão e não-padrão a) Distinções entre as modalidades oral e escrita Freqüentemente confundimos as modalidades da língua oral e escrita. das expressões faciais. pois se refere primordjalmente a uma noção ou fenômeno. com distintos objetivos. revisamos para avaliar o funcionamento do texto e evitar repetições desnecessárias de palavras. informar. no qual os verbos que indicam subjetividade. não podemos resolver dúvidas imediatamente. Embora pertençam ao mesmo sistema. é o mais valorizado nos meios científicos.

evitamos gíria e expressões coloquiais. Boa tarde! e da escrita mais informal Tô chegando aí Deiva o parabéns pra mais tarde! à mais formal Chegaremos ao local da cerimônia com uni pequeno atraso em relação à programação anteriormente estabelecida. Solicitamos que as atividades sejam adiadas por alguns minutos. Sinais utilizados na fala para orientar a atenção do ouvinte: bem. planejada e mais próxima da escrita Caros ouvintes. Portanto. segundo os objetivos do momento. mas muitas vezes são utilizadas indevidamente na escrita formal: Formas reduzidas ou contraídas. Outra vez. utilizamos sintaxe mais complexa. daí aí. e. Um dos problemas mais freqüentes na produção de textos de jovens redatores é a confusão entre a modalidade oral. que permite a exatidão e a clareza do pensamento. Tem características próprias e exigências diferentes. ortografia. entendeu?. tá tudo bem? à fala mais formal. porque representam estruturas próprias da fala. 76 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Palavras de articulação entre idéias (repetidas em excesso) que substituem conjunções mais exatas: então. Podemos sintetizar as diferenças no seguinte quadro: FALA ESCRITA Espontânea Planejada Evanescente Duradoura Repetições / redundâncias/ Controle da sintaxe / das repetições / truncamentos / desvios da redundância Predomínio de orações Predomínio de orações coordenadas subordinadas Gran de apoio contextual Face a face Interlocutor distante . Há uma gradação que vai da fala mais descontraída 01. que permeia a escrita informal. tá (está). o contexto. e decidir como usar as infinitas possibilidades da língua da forma mais adequada e aceitável. pra (para).truncamentos. a escrita não é a simples transcrição da fala. taí (está aí). . que. ou seja. as orações subordinadas são mais freqüentes na escrita que na fala. sabe? Verbos de sentido muito geral no lugar de verbos de sentido mais exato: dar ficar dizer tei fazei achar ser. Para que você tenha ferramentas para analisar essa questão. né (não é). de acordo? não sabe?. peraí (espere aí). pois temos tempo de procurar a palavra adequada. tô (estou). procuramos utilizar um vocabulário mais exato e preciso. que podem aparecer em textos informais. veja bem. assim. Ausência de apoio contextual DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 75 b) Formalidade e informalidade Tanto a fala como a escrita podem variar quanto ao grau de formalidade. regência. observe alguns itens que merecem atenção. pontuação. problemas de concordância. cê (você). e a modalidade escrita formal. colocação pronominal. chamamos atenção para o seu próprio uso da linguagem e para a necessidade de que você reflita acerca de seu desempenho. principalmente quando o texto é formal. Cabe ao falante ou redator analisar a situação. viu?. certo?. Para isso é imprescindível ampliar continuamente o acervo de opções. o vocabulário e as formas de combinação das palavras em frases e textos. bom.

a língua padrão é o consenso do que está nos documentos oficiais.Gírias e coloquialismos: papo. Você fala pra tomar Cuidado corri os eXcessos. E muitas vezes o caso do texto publicitário. o Rio de Janeiro assiste à primeira sessão de cinema no Brasil. Você vive dizendo que pensa no meu futuro. nos jornais e revistas tradicionais de grande circulação. O que define a norma ou padrão culto é o uso. a gente. Só que eu também penso no seu. sem essa.. O modernismo constituiu uma forma de revolução na linguagem literária. como neste texto de uma propaganda de adoçante dietético: Você diz pra gente que a vida corre mansa. é que a gente sente o quanto te ama. amarra. pega leve. enche. Isso diz respeito tanto à fala quanto à escrita. Constituem recursos inadequados para o texto formal escrito. Pai. Por isso velho. espontâneo. Atualmente. pois estamos lidando com um fenômeno vivo. se toca. velho.Vel se consegue mudar um pouco sua alimentação. não se deve mais generalizar. vocé seu. Portanto. e. rolando um papo. O texto formal utiliza o que chamamos de norma. econômico e social daqueles que o definem e o codificam nas gramáticas escolares e o consagram na escrita formal. A escola deve respeitar as diferenças. Devem ser considerados os primeiros elementos a eliminar ou substituir quando se deseja transformar um discurso oral informal. esse papo às vezes enche! Mas te vendo cansado e fazendo tudo pra agradar. sem planejamento. o padrão depende do poder político. sua. Aparecem na escrita de forma eficiente quando se deseja dar ao texto um tom coloquial. manera. nós. a norma culta deve distinguir os usos literários dos não-literários. Faz como a mamãe que se amarra num diet. Assim. democraticamente. mas os dialetos regionais e as particularidades estilísticas pessoais têm seu espaço na vida social. dos textos informativos. pega leve nas frituras. Eles são os exemplos mais citados em nossas gramáticas descritivas e normativas. Operíodo de 1908 a 1912 é considerado a beile époque do cinema brasileiro. Entretanto. manera. em um texto escrito formal.. diminui o açucar. Historicamente. sempre em evolução. como se fazia a respeito dos textos do fim do século dezenove. libertando-a para novas experiências. No início do século. não há por que se portar perante a língua de modo submisso a um poder autoritário. uma vez que essa norma se sobrepõe às variedades regionais e 78 TÉCNICA DE REDAÇÃO individuais.. a sua saude é superimpoante pra gente. dizendo que a norma culta está na literatura. nos livros de qualidade. sem o qual a vida profissional pode ficar prejudicada. histórias policiais. vestígios de coloquialismo. Assim. em textos que não as admitem. E quando é que você vai se tocar disso? Hoje não tem presente. Muitas DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 77 vezes. os grandes escritores modernistas trouxeram para a literatura a fala do povo e novas criações de efeito estilístico (Guimarães Rosa. sem essa de dinheiro. Nos anos seguintes. nas leis. Observe. 6. E muito dificil definir o que seja o padrão culto de uma língua. língua culta ou padrão. a seguir. transgressões às formas aceitas até então na escrita culta formal. um efeito de intimidade que simula a oralidade ou o diálogo. um texto expositivo contemporâneo: Em 8 de julho de 1886. E Afonso Segreto quem roda o primeiro filme brasileiro. a produção cai . em 1898. mas que são inadequados em documentos oficiais ou em textos formais. comédias e filmes com atores interpretando a voz atrás da tela. Inconsistência no uso de pronomes: te. Mas o que té rolando é papo de amigo. informal. consensualmente aceito e consagrado como correto pelos falantes que têm alto grau de escolaridade. Várias salas de exibição são abertas no Rio de Janeiro e em São Paulo no início do século XX. a norma estava nos textos literários de autores como Machado de Assis. Rui Barbosa e Euclides da Cunha. Há recursos da fala e da escrita informal que funcionam muito bem em determinados contextos.. sem eliminá-las. Esses elementos são próprios da fala espontânea. sujeito a uma infinidade de influências e transformações. Surge um centro de produção no Rio. por exemplo) que constituem desvios. com ele. ou seja. Um uísquinho de vez em quando. entretanto. oferecendo oportunidade de acesso ao domínio da norma culta. vai la’. A norma padrão assegura a unidade lingüística do país. que no seu tempo era diferente Sabe. É exigida em determinadas circunstâncias. No ano seguinte Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles abrem a prim eira sala exclusiva de cinema na rua do Ouvidor. com cenas da baía de Guanabara. encontramos algumas dessas formas impróprias. apenas sete meses depois da projeção inaugural dos filmes dos irmãos Lumière em Paris.

quase naturalmente. Sabemos. a neutralidade com que se tenta convencer o leitor da seriedade e da confiabilidade das informações. Quem vai assistir ao espetáculo. argumentativas e narrativas.. Mas.. a ordem é predominantemente direta. Todos os gêneros nos interessam como leitores e como redatores... informal e facilitado. de fato. os períodos estão organizados em blocos de idéias bem distintos. um bom espetáculo teatral)... Simultaneamente a essa decisão preliminar. objetiva. não há manifestação clara da opinião do autor. na escolha do vocabulário. Todos nós.. estamos focalizando neste livro os gêneros que dizem respeito ao domínio da comunicação. como já vi mos. a melhor maneira de contar uma anedota. citando-o ou não no texto. 80 TÉCNICA DE REDAÇÃO na forma como você se dirige ao leitor. ao gênero de texto que se quer produzir. como narrar um acontecimento. com figuras de linguagem ou inversões sintáticas. Entretanto. o texto é impessoal. você tem de decidir também que ponto de vista adotar: você quer se colo ca de alguma forma no texto? Exemplo: Eu fui. Exemplo: Ontem eu fui ao teatro e via peça. distanciada? Essa decisão vai influir: na estrutura da frase. você tem de decidir se vai contar acontecimentos (narrar).Ç DECISÕES PRELIMÍNARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 79 Todas essas características contribuem para acentuar o caráter informativo do texto.. convencer o seu leitor de seu ponto de vista (argumentar e persuadir). 294 (com adaptações). Assim. tem a oportunidade de. Essas decisões estão relacionadas ao objetivo da comunicação e. expositivas. Você quer um texto mais subjetivo... Cada gênero já traz em si escolhas prévias em relação a estruturas básicas de linguagem que são automaticamente utilizadas pelo redator. que se sucedem compondo o enredo. que obedecem a uma ordem lógica (cronológica).. não há intenção de mostrar um estilo muito elaborado. Antes de começar a escrever. no qual são delineadas e discutidas idéias. qual é a forma de uma carta. não há texto totalmente neutro. coloquial. Sempre que produzimos uma forma qualquer de comunicação estamos utilizando um dos gêneros disponíveis na nossa cultura. Para produzir cada tipo de texto algumas habilidades de linguagem são necessárias. quais são as maneiras de começar uma ata. Analise as escolhas feitas pelo redator. você observa que: a linguagem procura ser clara e objetiva. w9k . mais simples ou mais complexa.. Exemplo: É imperdível o espetáculo apresentado pelo grupo de teatro. pois a própria escolha das informações que serão utilizadas e das que serão omitidas já pressupõe uma posição diante da realidade. Quanto aos aspectos da língua verbal propriamente. em um romance encontramos partes dialogadas.por causa da concorrência dos filmes norte-americanos. p. Almanaque Abril 2000. Exemplo: Ir ao teatro e viver a experiência estética proporcionada pela peça.. Nós assimilamos esses formatos porque convivemos com eles nas nossas práticas sociais... e são . Gênero e tipo de texto Vamos imaginar que você queira escrever um texto sobre uma experiência estética que viveu (um bom filme. 4.. ou quer utili za uma linguagem formal. diz respeito ao nível de linguagem. apresentar uma reflexão teórica sobre o fato (dissertar). as frases são curtas. Ou prefere se distanciar? Exemplo: Ir ao teatro é uma ex periênci surpreendente. portanto. as diversas possibilidades de participação em uma conversa. Ao trabalhar com um determinado gênero utilizamos tipologia variada de texto. Nós fomos. Outra decisão correlacionada às anteriores. há uma deliberada neutralidade. uma boa música.

argumentar. é necessário saber expor. de forma verossímil. cenários. persuadir de maneira formal e impessoal. Para transitar nesse domínio. refutação e negociação . em que estão listados alguns dos gêneros mais conhecidos. situações. personagens.apresentados e transmitidos os saberes. Representação pelo discurso de experiências vividas. Observe os quadros nas páginas a seguir. SITUAÇÕES DISCURSIVAS LITERATURA POÉTICA LITERATURA FICCIONAL TIPOLOGIA TEXTUAL PREDOMINANTE EXPRESSÃO POÉTICA VERSO NARRAÇÃO RELATO HABILIDADES DE LINGUAGEM DOMINANTES Elaboração da linguagem como forma de expressão da interpretação pessoal do mundo Imitação da ação pela criação de enredo. tempo. situadas no tempo GÊNEROS ORAIS OU ESCRITOS Poesia conto maravilhoso conto de fadas fábula lenda narrativa de aventura narrativa de ficção científica narrativa de enigma narrativa mítica anedota biografia romanceada romance romance histórico novela fantástica conto paródia adivinha piada relatos de experiências vividas relatos de viagem diário íntimo testemunho autobiografia curriculum vitae DOCUMENTAÇÃO E MEMORIZAÇÃO DE AÇÕES LEVANTAMENTO E DISCUSSÃO DE PROBLEMAS DISCUSSÃO DE PROBLEMAS SOCIAIS CONTROVERSOS ARGUMENTAÇÃO Sustentação.

E o próprio gênero oferece parâmetros básicos que nos guiam na formulação do texto. Essas decisões nos situam em relação aos objetivos do texto. a função será poética. 6. com suas diretrizes fundamentais. o objetivo nos propõe qual será a função da linguagem preponderante no texto. Decisões orientadoras Conforme enfatizamos neste capítulo. a função será metalingüística. se podemos incorporar elementos próprios da oralidade. A partir da função. as quais vão servir de pauta para o desenvolvimento da escrita propriamente dita. ao gênero. se tentamos influenciar nosso leitor. se vamos utilizar a língua padrão ou podemos lançar mão de variações. O gênero de texto é sugerido pela própria situação de comunicação. Há em nossa cultura um acervo de modelos de texto entre os quais escolhemos o que vamos utilizar em cada contexto comunicativo. refutação e negociação de tomada de posição ESTABELECIMENTO. ao seu funcionamento na situação. antes mesmo de começar a escrever. se falamos da própria linguagem. EXPOSIÇÃO Apresentação textual de fatos e saberes contratos CONSTRUÇAO E da realidade declarações TRANSMISSÃO DE documentos de registro REALIDADES E SABERES pessoal atestados certidões estatutos regimentos códigos TRANSMISSÃO E EXPOSIÇÃO Apresentação textual de diferentes texto expositivo CONSTRUÇÃO DE formas dos saberes conferência SABERES artigo enciclopédico entrevista texto explicativo tomada de notas resumos resenhas relatório científico relato de experiências científicas INSTRUÇÕES E DESCRIÇÃO DE AÇÕES Orientação de comportamentos instruções de uso PRESCRIÇÕES instruções de montagem bula manual de procedimentos receita regulamento — lei regras de jogo placas de orientação 84 TÉCNICA DE REDAÇÃO 5. Se escrevemos sobre nós mesmos. Formulamos uma espécie de projeto de texto.PERSUASIVA de tomada de posição ata notícia reportagem crônica social crônica esportiva história relato histórico perfil biográfico aviso convite sinais de orientação texto publicitário comercial texto publicitário institucional cartazes siogans campanhas —folders cartilhas — folhetos textos de opinião diálogo argumentativo carta ao leitor carta de reclamação carta de solicitação deliberação informal debate regrado editorial discurso de defesa requerimento ensaio resenha crítica ARGUMENTAÇÃO Sustentação. Prática de tomada de decisões . decidimos se vamos utilizar um registro de linguagem mais formal ou mais coloquial. ao nível de linguagem. a função será persuasiva. Assim. a função será referencial. ao leitor. temos que tomar decisões importantes em relação ao texto que vamos produzir. se fazemos arte das palavras. se falamos de alguma coisa. a função será expressiva.

Surgem em momentos diferentes e devem ser anotadas logo que se formam para não se perderem no esquecimento.a) Prepare-se para se comunicar com a autora deste livro. b) Escolha um gênero expositivo e trace um planejamento como se fosse publicar o texto em um periódico que você tem o costume de ler. vocativo. Há muitas possibilidades. pedante. 85 1. Agora você pode decidir o registro de linguagem: formal ou informal? Que função prefere dar à carta? Quer expressar suas opiniões sobre o livro? quer fazer algumas perguntas? quer me convencer de alguma coisa? quer me passar informações acerca de outros livros da área? quer falar da dificuldade de produção da própria carta? ou quer colocar um pouco de cada uma dessas funções no mesmo texto? Escreva a carta e ao relê-la veja se ficou coerente com suas escolhas preliminares. Mas tente não cair nessa armadilha. que é o erro pela vontade extrema de acertar. imediatamente você já tem alguns parâmetros para a produção. um bilhete. Temos fama de ca ——4 ft 1 DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR çadores de erros. A concepção das idéias Como vimos. E preciso conhecer o assunto. data. Naturalmente. De pos- . Quando já estamos nessa fase. ter idéias. Quando se decide por um gênero. simulando as possibilidades de criação de um texto referente à música popular brasileira. envie. não é? Afinal. Vamos explicar como é o funcionamento de cada um desses processos. São decisões relativas às informações que serão utilizadas e às posições que assumimos em relação a essas informações.me a carta. todo o mundo fica constrangido ao escrever para um professor de português. ou à hipercorreção. Embora você possa escolher um telegrama. Cada pessoa constrói sua própria técnica de organização inicial das idéias. prefiro que opte por uma carta. pois ela pode conduzir a outros problemas como a linguagem artificial. Capítulo 6 A ordem das idéias 1. O formato é tradicional: cidade. você vai optar pelo português padrão. introdução etc. e essas tarefas já podem ser consideradas parte integrante da escrita. Vão constituindo um conjunto de aproximações um pouco desordenado. Se você quiser. um cartão-postal. antes mesmo de começar a escrever um texto há muitas etapas. posições. como vimos no capítulo 2. à medida que vamos fazendo leituras e reflexões acerca do tema. procuramos dar ordem às nossas idéias. e é preciso também tomar decisões a respeito da linguagem e do gênero de texto. a) Fazer anotações independentes As idéias surgem sem muita organização. Produza o texto e envie como colaboração ao periódico.

uma direção para a tempestade escoar. bulas de remédio. 1999. foram concatenadas umas às outras em busca de uma ordenação preliminar lógica. a partir de pequenas aproximações e conclusões. lenços de papel.o íeixeir Sos idi resistnci vem s feIic1e e cls riuez t55 origens 89 AFOPULA5ASILEIRA Portugueses. E. DJficil dizer o que lemos — e é impressionante pensar que uma outra pessoa. mas acontece a partir do momento em que o redator toma conhecimento do tema.) Clarice lhe entregou uma pilha de fragmentos. jorna is. 30-1. Clarice leva sua estética do fragmento ao paroxismo. em que há limite rigoroso de tempo. uma posição a respeito de uma idéia vai se construindo pouco a pouco. vamos montando blocos de idéias maiores e uma rede entre eles que vai formar o texto. Mais uma vez a literatura fornece exemplos. Esse percurso. Olga a escoltava. ao escândalo. A partir dessas pequenas peças. que na vida profissional é mais flexível e largo. Rio de Janeiro: Record. num concurso. Quando Clarice não podia mais ordenar o que escrevia. sem se intrometer no que lia. o redator relê e analisa esses registros. Observe como podem se configurar anotações registradas durante a leitura de diversos textos acerca da música popular brasileira: ? ‘ /flfr z A ORDEM DAS IDÉIAS Pcdas le 2OIOI4O rádios — grvors 5io Luiz Gonzg e HumL’ert. Mesmo quando não se trata de literatura. Assim pode trabalhar sobre um rascunho em que várias idéias. pp. escravos. como as peças de um puzzle. anotadas em momentos diferentes. índios lunu / ritos ritos trib crs religiosos /m0inhas e” 12’99 — Chiquirih Gonzsg ôreIs 1 marcha e crnsvsl / 1917— Dongs Pelo telefone —1? samba 50— smb-cnço — boss-nov es-e7 — festivsis . fratava de abrir um caminho. sozinha com sua tesoura.88 TÉCNICA DE REDAÇJO se de muitas anotações. (. “montou “ o caos que Clarice anotou em guardanapos. no período de vida em que foi apoiada pela amiga Olga Borelli: Em Água Viva. Inventário das sombras. é reduzido e rápido. Olga Borelli. e depois foi encaixando-os. José Casteilo. que ela pacientemente dividiu em dezenas de envelopes. estabelecendo a hierarquia e a combinação entre eles para formar o texto preliminar. Observe o que conta José Casteilo a respeito do processo criativo de Clarice Lispector..

de acordo com o fluxo do pensamento. ou elaborar uma espécie de esquema geral do texto 92 TÉCNICA DE REDA ÇÃO . A ORDEM DAS IDÉIAS 91 Observe o registro preliminar de palavras-chave acerca da música popular brasileira: ORiGEM 3 ETNIAS FUSÃO SAMEA NOVOS ESTILOS ALMA 5RASILEIA ESISTNCIA E’EFERNCIA DA JUVENTUDE d) Construir um parágrafo para desbloquear e. Mas h muitos outros ritmos e estilos cue convivem e se influenciam mutuamente. DESENVOLVER A IDÉIA DE FUSÃO DA RiCA SONORiDADE DAS TRÊS ETNIAS e) Escrever a idéia principal e as secundá rias em frases isoladas para depois interligá-las. cortar e ordenar A música popular brasileira é muito rica. Se conseguimos captar esse fluxo e registrálo. O samba nasceu da fuso de ritmo5 das três raças. depois. Enquanto estão trabalhando apenas mentalmente ainda se sentem inseguras e não conseguem avançar muito. sem planejamento. não haver pontuação nenhuma. desen volver as idéias ali expostas — Muitas pessoas têm dificuldade até começar a escrever. É muito freqüente. esse é um procedimento muito rápido para captar as idéias. e. escrever logo um parágrafo para pensar em outras idéias depois de relê-lo é o caminho mais indicado. Mesmo que esse parágrafo seja ainda muito preliminar ou inadequado. marchas oficiais e modinhas. apreendemos um esboço que poderá ser reformulado. mesmo que de maneira ainda rudimentar. ainda formulada apenas na mente do redator. A releitura fornece evidências que devem ser consideradas para as transformações. H música para todos os gostos. Os africanos trouxeram junto com os ritos e cerimônias religiosas uma musicalidade especial. existirem idéias incompletas ou detalhes dispensáveis. Os nativos possuíam uma rica sonoridade para acompanhar seus ritos tribais. A linguagem apresenta. um tom informal. Embora haja uma forte indústria cultural estrangeira ue quer dominar o mercado no brasil. índios e portugueses. c) Fazer uma lista de palavras-chave e reordená-las. E um recurso muito produtivo para provocar a criação e apreensão de idéias essenciais. Nesse caso. muitas vezes. diversa e tem suas origens em diversas fontes cue vm dos negros. as idéias vão surgindo rapidamente. Hoje os jovens retomam os ritmos primitivos e revalorizam as origens de nossa música. hierarquizando-as Quando o redator tem bastante capacidade de síntese e habilidade mental de centralizar um pensamento numa única palavra. os brasileiros continuam preferindo nossa Mj9’ poroLue ela reflete a nossa alma e é muito rica. não temos como discipliná-las. nesse tipo de texto. nisngue-L7et 90 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Escrever tudo o que vem à mente. Veja como se podem gerar novas idéias a partir de um parágrafo: A mLsic brasileira o resuIt&o da fusao dos ritmos trazidos pelas três etnias ue formaram o nosso povo: íridios. para depois. conseqüentemente. o procedimento ajuda a gerar novos pensamentos sobre o assunto. Esse processo se aproxima muito da fala. então.—jovem-gurs Se’ —tropicalismo 70 — revlorizço tio sa m jazz + instrumental rock brssileiro 50 — rock LrsiIeiro 90 — releitura tis MP5 — reciclagens pgocle. negros e portugueses. desenvolvido ou reduzido posteriormente. A palavra-chave é um núcleo significativo que sintetiza uma idéia maior. Quando falamos. sx& sertsnejo. Os colonizadores brancos tinham na bagagem misicas sacras.

e se consolida nas primeiras décadas do sáculo. há procedimentos comuns: geração. absorve novas contribuições. seleção.Muitas vezes. O importante aqui é criar um mapa inicial de sentidos. de uma maneira geral. A releitura do resumo indica os pontos que podem servir de alavanca para novos desenvolvimentos. também. explicações. depois de transcrito. como já vimos. ainda não muito delineada. Entre todos os procedimentos apresentados. inserções. hierarquização e ordenação das idéias. uma matriz semântica. expositivo ou argumentativo. A elaboração de um esquema prévio pode onentar o redator quanto ao percurso mais . No texto dissertativo. Essa elaboração demanda paciência para que o redator faça várias tentativas e reformulações em busca de maior exatidão para seu pensamento. g) Organizar mentalmente grandes blocos de texto. escrevêlos e reestruturá-los após a releitura Esse é um procedimento próprio de redatores maduros. decidimos a ênfase a ser dada a cada idéia e a submissão de uma idéia à outra. Embora sofrendo influencia constante da produçõo estrangeira.RITOS TRIBAIS BRANCOS . em 1917. do que queremos apresentar. Na ordenação. começamos a tomar decisões a respeito dessa rede de sentidos com uma noção ampla. voltada para suas raízes. pelo esclarecimento. exemplos. de nossas posições em relação ao assunto. passa por pequenas alterações e ajustes ditados pela releitura cuidadosa. A partir desse pequeno texto inicial como fio condutor. idéias secundárias Um resumo.MÚSICA SACRA / MARCHAS /MODINHAS FUSÃO DOS RITMOS ORIGINA IS lundu. Observe um esquema já estruturado para desenvolvimento de um texto: A música popular brasileira resiste à dominação cultural ORIGENS 3 ETNIAS NEGROS . ou seja. Na seleção. que têm muita experiência e conseguem montar o texto na memória. a música popular brasileira incorpora. quando se trata de escrever um texto não-literário. E. escolhemos o que vamos dizer e o que não vamos dizer. o desenvolvimento pode seguir as vertentes sugeridas pelo próprio assunto. F’ela fusão e mútua influência entre os vários estilos nasce o samba. Em todos esses processos. para nós mesmos. uma rede de relações lógicas entre 94 TÉCNICA DE REDAÇÃO as idéias do texto. mas resiste. estabelecemos como organizar a articulação entre as idéias.RITOS RELIGIOSOS (raízes fortes) ÍNDIOS . sempre criativa e viva. é um texto denso e bem estruturado. recicla. maxixe. o esquema inicial vai sendo reformulado durante o desenvolvimento do trabalho e chega a ser completamente transformado. original e soberana. Vamos especificando e detalhando nosso ponto de vista em relação à idéia preliminar pelo aprofundamento da nossa reflexão. Na hierarquização. ampliações. Analise este resumo e observe como ele tem muitas idéias articuladas entre si. Cada texto determina as articulações que lhe são próprias. índios e portugueses. Não há um modelo universal que atenda a todas as variações. modinha NOVOS ESTILOS samba (Pelo telefone — Donga) Fatores favoráveis rádios e gravadoras OUTROS ESTILOS enriquecimento efortalecimento fidelidade às origens alma brasileira RESISTÊNCIA À DOMIA4ÇÃO gosto popular música estrangeira é secundária jovens preferem música brasileira ORDEM DAS IDÉIAS 93 fi Elaborar um resumo das idéias principais e depois acresLentar detalhes. Esse texto. que podem ser ampliadas: A música popular brasileira nasce sob o signo da ritegraç o de diversas formas e estilos musicais provenientes das três etnias otue formam o brasil: negros. um método bastante produtivo é elaborar da forma mais clara e completa a idéia principal que será desenvolvida no texto. Mas a matriz inicial é que fornece subsídios para esses aperfeiçoamentos.

resistente à invasão e à dominação estrangeira.adequado. Desenvolvimento da idéia de novos estilos — detalhamento. num enriquecimento efortalecimento da base. A idéia principal está no título e percorre todos os parágrafos de diversas maneiras. A música estrangeira nunca deixou de ser um acessório secundário no nosso universo cultural. simultaneamente. Dessa identidade entre a produção musical e o gosto popular. nasce uma força indestrutível que representa uma resisténcia à invasão e à dominação que outras culturas tentam impor por meio de suas avançadas indústrias culturais. em 1917. que é sempre uma revaloriza ção das raízes brasileiras. Três etnias contribuíram com seus ritmos para que chegássemos a constituir o talento que hoje encanta o mundo em termos de musicalidade. Sobre essa matriz rítmica multirracial. o maxixe. as marchinhas de carnaval. constituindo assim uma estrutura temática que transcende as frases e períodos. o chorinho. 2. Nessa base estão o lundu. Essa trama mais global se constitui a partir de procedimentos lógicos que constituem a seqüência e a progressão do texto. Conclusão: aforça que sustenta a resisténcia cultural vem dos alicerces. Todas as idéias e informações colocadas em um texto se justificam em vista dessas relações. Esses procedimentos relacionam cada parte do texto à parte que a antecede e à que a sucede imediatamente.. Entretanto. tropicalismo. . de suas marchas oficiais e de suas modinhas populares. jovem guarda. Além disso. sertanejo. tornando-o coeso. No processo de consolidação do samba. . comprova que os alicerces da músibrasileira estão plantados em raízes inabaláveis. Das anotações para o texto Para estabelecer a rede e desenvolver a idéia principal. em suas múltiplas configurações. pois nada é casual. A ORDEM DASIDÉJAS 95 Para que as ligações se realizem de forma adequada e correta nas frases e períodos construídos no texto. O índio forneceu seu ritmo de ritos tribais. samba-canção. Oposição à idéia de ritmo único — ampliação da idéia de novos estilos e manutenção da idéia de consolidação das raízes. compositores e intérpretes. A certidão de idade oficial dessa criação tipicamente brasileira é Pelo Telefone. No parágrafo de apresentação. resistente à invasão e à dominação estrangeira. que ofereceram um terreno fértil onde nasceu o samba. relação de continuidade temática com a idéia principal e com a conclusão do texto. introdução da idéia de gosto popular. mantêm. observamos a frase núcleo do texto: Sobre uma matriz rítmica multirracial foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. Introdução da idéia de consolidação. utilizamos diversas formas de combinação e de articulação entre as informações. os recursos sintáticos da gramática da língua são imprescindíveis (como veremos no capítulo 7). da situação e de muitos outros fatores que ultrapassam os limites do papel. bossa4. O segundo parágrafo está ligado ao primeiro pelos processos de expansão. pagode. mas que tem sua própria “gramática”. Todas as escolhas dependem da intenção do autor. rap e mangue-beat se sucedem e convivem. Baião. dessa sintonia extremamente qfinada e bem construída. E a adesão das novas gerações ao que é genuinamente nacional. ou seja. de Donga. axé. detalhamento e . da idéia que forma de seu leitor. houve influência mútua de outros ritmos e o Jávorecimento do progresso técnico. Vamos observar um texto produzido a partir das idéias registradas nos exemplos das páginas anteriores: Título: resumo da idéia principal O caráter de resistência da música popular brasileira Idéia principal — origem — resistência A música popular brasileira nasceu sob o signo da miscigenação. das gravadoras e da profissionalização dos músicos. a música nacional não se reduz ao samba. pois é a era do rádio. da riqueza e da afinidade com o povo. a modinha. o negro trouxe a sonoridade de seus ritos religiosos e o branco português a melodia de sua música sacra. a 96 TÉCNICA DE REDAÇÃO nova. exeinplificação. Os diversos processos de fusão e reciclagem das nossas origens musicais tecem uma trama de ritmos e harmonias que reflete a alma do povo e por isso tem sua adesão incondicional. ligam os parágrafos entre si. mas se multiplica em inúmeras vertentes. foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira.

necessária para que se mantenha a unidade temática. 3. apresentamos uma idéia principal por meio. de repetição da mesma idéia. avaliação. em que a posição do redator não sobressai: . a) Apresentação Em períodos introdutórios. por meio de suas características gerais. o período afirmativo é muito freqüente. há uma certa carga de redundância. exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. trabalhamos com a apresentação de “verdades” que são defendidas (texto argumentativo) ou apenas expostas (texto expositivo). por isso. Observe o exemplo em que a autora inicia o texto negando a validade do senso comum em relação à Filosofia: As indagaçoes fundamentais nao se realizam ao acaso. parte do princípio de que o leitor pode estar pensando de maneira equivocada. de acordo com o objetivo do trecho. de recursos como: Afirmação. pois servem para unir idéias dentro de um mesmo parágrafo. 1997. declaração ou asserção. O parágrafo conclusivo retoma a idéia de que a força e a resistência à dominação vêm da sintonia com a alma popular e da fidelidade às raízes. O novo estilo por excelência é o samba. julgamento. As indaga çõesfilosófi cas se realizam de modo sistemático. 8 ed. Nas dissertações. Não é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. negar essa possibilidade logo de início. segundo preferências e opiniões de cada um de nós. pode-se apresentar como noção paticular. ou seja. São Paulo: Ed. opinião. A filosofia não é um “eu acho que “ou um “eu gosto de “.exemplificação do que foi anunciado no primeiro. ldeZj Definição ou conceito Conceito é a representação de um objeto pelo pensamento. Mas não devemos nos restringir a essa noção. Pretendese. entre outros. / A ORDEM DAS IDÉIAS 97 Como vimos. Aqui temos um exemplo de conceituação objetiva. Convite à Filosofia. Assim. A organização das idéias Vamos analisar mais detalhadamente algumas dessas formas de articulação entre as idéias. mas se combinam e podem ser encaixadas em várias classificações simultaneamente. são estratégias de delimitação e construção de parágrafos. introduz a noção de diversidade e reforça a idéia de fidelidade às raízes e de reflexo da alma popular. busca encadeamentos lógicos entre enunciados. Negação O recurso de apresentar uma idéia negando outra trabalha com o pressuposto de que há uma idéia oposta já conhecida. Em geral. então. E a ação de formular um esclarecimento e. pois ele já traz em si as vertentes que devem ser ampliadas no desenvolvimento do texto. Observe estes dois exemplos de apresentação da idéia principal por meio de períodos afirmativos: A música popular brasileira resiste permanentemente à invasão e à dominação de ritmos estrangeiros que a indústria cultural dos países mais desenvolvidos tenta impor. Não é pesquisa de mercado para conhecer prefe réncias dos consumidores e montar uma propaganda. O terceiro se opõe à inferência possível de que só o samba é importante. mas não obrigatoriamente. Ou seja. 98 TÉCNICA DE REDAÇÃO A filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos. Atica. como os resumos e os editoriais. 15. Embora apresentem uma característica predominante. p. concepção pessoal.. apreciação. Marilena Chaui. Quando é uma posição subjetiva. essas articulações não surgem de maneira exclusiva. e existem em textos que não apresentam parágrafos. opera com conceitos ou idéias obtidos por procedimentos de demonstração e prova. a estrutura com o verbo ser (X é YYY) é a mais freqüente nesse caso. Marilena Chaui.

Penso que a intuição é. assim como nos prefácios e introduções de livros é comum um esclarecimento sobre as intenções. explicações. Resumos do Simpósio 500 anos de descobertas literá rias. o feito era comemorado como se tratasse de um ritual bárbaro de luta e conquista.A ORDEM DAS IDÉIAS 99 A intuição é uma compreensão global e instantânea de uma verdade. as afirmações envolvem julgamentos e tomada de posição acerca do objeto. Minha concepção de intuição é . procuramos comprovar. ao mesmo tempo. essas formas não são bem aceitas em textos objetivos. um conhecimento específico ou uma avaliação anterior. o capítulo ou o livro todo. Frases que orientam o leitor e indicam o objetivo são freqüentemente utilizadas. focalizando as impressões do redator: A ORDEM DAS IDÉIAS 101 O cenário parecia extraído de algum livro maluco de ficção. Departamento de Teoria Literária e Literaturas. Veja. p. estamos tentando provar. resgatada dentro de uma investigação mais ampla sobre a vida literária do Rio Grande do Sul de 1870 a 1930. Segundo meu ponto de vista. Uma definição subjetiva apresenta outras formulações. a razão capta todas as relações que constituem a realidade e a verdade da coisa intuída. como: Acredito que a intuição é. estimulados por gritos. em que a narração descritiva da queda do muro de Berlim é formulada com base na adjetivação e nas comparações.. p. Veja um exemplo: . Comentário de uma citação ou de um fato Assim como no item anterior. de um objeto. o objetivo dessa investigação. 63. Quem pergunta. São Paulo. Folha de S. Interrogação Construir uma pergunta de efeito retórico. Observe o exemplo a seguir. Essa resposta exige ampliações. O desenvolvimento do texto será. E um ato intelectual de discernimento e compreensão. Essa posição pode ser definida por meio de figuras de linguagem como a comparação. furiosos. 1991. em Berlim. Observe o exemplo: Este trabalho propõe-se a refletir sobre a produção feminina sul-rio-grandense.. 20 textos que fizeram História. então. Paulo. 100 TÉCNICA DE REDAÇÃO Julgamento ou avaliação Quando uma apresentação pressupõe uma análise prévia. 7. jovens armados de pás e picaretas arremetiam. Folha de S. de uma só vez. Paulo. p.... 1999. em São Paulo. testemunham as virtudes e percalços do jornalismo praticado pela Folha. São Paulo. Universidade de Brasília. de dezenas de milhares de pessoas. propósitos e limites da obra. Eu acho que. 20 textos que fizeram História.. Toda vez que uma laje do muro caía. decidido a exercer sua função crítica e a informar seus leitores acima de qualquer obstáculo. passando pelo engajamento na defesa das eleições diretas. em 1984.. a metáfora. esse comentário pressupõe uma posição do redator em relação ao que vai apresentar. Marilena Chaui. ao tom vigilante das coberturas sobre o mau uso do dinheiro público. Vera Teixeira Aguiar. ás vezes histéricos. 1991. a personificação. a partir do levantamento de informações sobre as instituições atuantes e seu papel na produção e na difusão da literatura na sociedade... contra o muro de cimento. detalhes. Pode também trazer descrições ilustrativas e outros recursos de ênfase e valorização dos aspectos que merecem a atenção do leitor. promete a resposta. a resposta à questão formulada. Explicitação do objetivo do texto Nos trabalhos científicos e acadêmicos é costume iniciar o texto pelo objetivo da pesquisa. no exemplo a seguir.. o que se abre ao leitor é um jornal em permanente movimento.. tais como: o que desejamos nesse trabalho. 7. pois não é para ser efetivamente respondida pelo leitor. Idem. Nela. acadêmicos ou científicos. pretendemos demonstrar.. é uma das formas mais simples de apresentação de uma idéia.. Da relativa ingenuidade dos textos que compõem a cobertura do incêndio no edifício Joelma.. Entretanto. de um fato. que podem ocupar o parágrafo. a apresentação de um livro estruturada por meio de um juízo positivo de valor: Os capítulos que compõem este “20 Textos que fizeram História” refletem a vida recente do país e.

São Paulo: Ed. o pensamento a ação. o que se quer dizer é que ela possui certas características apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos. p. formas de habitação. 2. então. c ou sinais de itens). cultos religiosos. Os exemplos podem tornar o texto menos abstrato e facilitar a compreensão do leitor. p. nos quais os dados. conduzir á descoberta de uma verdade até então desconhecida. como exemplo pode-se observar. uma expansão de elementos J apresentados no texto. com três finalidades 1. Enumeração de fatores constitutivos ou acumulação de elementos que complementam a idéia inicial. aparecem com freqüên 102 TÉCNiCA DE REDAÇÃO cia nessas situações Há. Esse recurso se constitui como: Esclarecimento do significado das expressões. corno nos exemplos: A palavra método vem do grego. ou seja.. 157. que são completamente diferentes das características desenvolvidas por outros povos epor outras culturas. Marilena Chaui. Idem. methodos composta de meta através de. Convite à Filosofia.. formas de parentesco e formas de organização tribal dos gregosforani resultado de contatos profundos com as culturas mais avançadas do oriente e com a herança deixada pelas culturas que antecederam a grega. via. Marilena Chaui. p. as estatísticas. o que quer dizer essa expressão signfica. caminho Usar um método é seguir regular e ordenadameizie um caminho através do qual uma certa finalidade ou um certo objetivo é alcançado Marilena Chauj.. 8 ed. p. utensílios domésticos e de trabalho. os testemunhos. permitir a verca ção de conhecimentos para averiguar se são ou não verdadeiros enaChauiIdem 157 Nem sempre recursos de numeração. b. 28J Um texto não existe sozinho. Idem. como no seguinte fragmento: Um exemplo de luta social para interferir nas decisões sobre as pesquisas e seus usos encontra-se nos movimentos ecológicos e em muitos movimentos sociais ligados a reivindica ções de direitos. em geral apresentada no início do texto. permitir a demonstra ção e a prova de uma verdade já conhecida 3. são necessários: A ORDEM DAS IDÉJAS Os estudos recentes mostraram que mitos. poesia. por meio de. as técnicas. Expressões como: isto é. l3j b) Ampliação e explicação Tanto a idéia principal.1997. e de hodos. dança. as evidências vêm reforçar a idéia que é defendida pelo autor. nas regiões onde ela se implantou. Idem. 27. Observe um exemplo em que a enumeração é assinalada por números: No caso do conhecimento método éo caminho ordenado que o pensamento segue por meio de um conjunto de regras e procedimentos racionais. estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade. instrumentos musicais. Ele traz o eco de vários outros textos com os quais se relaciona e . ou Outros que indiquem a divisão (como a. Idem. exemplo disso é. Quando se diz que a filosofia é um frito grego. Algumas expressões indicam de forma explícita que há uma inserção de exemplo: para exemplificar podemos observat por exemplo. para que Filosofia? É uma pergunta interessante.. Marilena Chaui. como as secundárias passam por processos de expansão que envolvem detalhamento e aprofundamento. música. p. 20. Não ouvimos ninguém perguntar: para que matemática oufisica? Marilena Chaui. assim é o que ocorre no caso em que. A exemplificação é um recurso muito útil tanto nos textos didáticos como nos textos argumentativos. Ática. palavras ou conceitos utilizados.Muitos fazem essa pergunta: afinal. para comprovar o que foi dito.

E descer à adegapor vezes significa olhar o que se passa nos subterráneos e nos fundamentos psicológicos ou sociais de nossa existéncia afim de aí discernir nossos condicionamentos. bradar pronunciar. aprofundada ou esclarecida por meio de histórias que lhe sirvam de ilustração. que um leitor experiente reconhece. Uma idéia pode ser ampliada. Bachelard interrompeu um jornalista que o entrevistava dizendo-lhe: ‘parece que você vive num apartamento e não numa casa “. usamos verbos especiais. Observe o exemplo de narração ilustrativa a seguir: Consta que. a filosofia é uma importante forma de conhecimento do mundo. A escolha de um desses verbos indica um comentário ao ato de falar do outro.que constituem um contexto amplo em que se situa. A resposta de Bachelard foi: “a diferença entre uma casa e um apartamento é que. considerar. Mas os que só vivem ou no sótão ou na adega são pouco equilibrados. ordenar. e pode vir em forma de paráfrase das 103 104 TÉCNICA DE REDAÇÃO palavras. p. 266. discutir questionar. São Paulo: Letras e Letras.. declarar. mesmo sem marcas evidentes. denunciar. aquilo que nos esmaga ou nos liberta. as aspas são dispensadas: Segundo Marilena Chaui.. Aos que jamais sobem ao sótão ou descem à adega falta uma dimensão humana relevante. heróicas. Quer dizer: não podemos viver limitados apenas ao nível do código restrito da ciência. conJàrme X. expressar. alegar. Nessas. Tanto no discurso direto (que transcreve literalmente as palavras do outro após um travessão) como no discurso indireto (em que a fala do outro está parafraseada pelo redator sem travessão) esses verbos são utilizados com freqüência. declaração. Observe alguns desses verbos e analise o sentido que acrescentam à idéia de dizer: falar.. já estou informando que a posição de quem fala é de reflexão. contestar contradizer. da origem e das causas das ações humanas e do próprio pensamento “. ser humano por vezes significa subir ao sótão. lógico e sistemótico da realidade natural e humana. Por isso. históricas. Como já vimos anteriormente.” Hilton Jupiassu. religiosos etc. narrar. Se uso as próprias palavras do autor citado. Há expressões que indicam claramente inserção de citações: segundo o especialista X. concluir. discursar. asseverar. Se prefiro o verbo ponderar ao verbo di. indicar. explicar enunciar. 20). afirmar. Dependendo do tipo de texto. XJá afirmou que. negar. a Filosofia pode ser ‘entendida como aspiração ao conhecimento racional. viver uma busca das significa ções da existência através dos simbolos filosóficos. tenho que marcálas com aspas a partir do ponto em que começo a transcrição: De acordo com Marilena Chaui (1997. Ao inserir voz. “O que o senhor quer dizer com isso? “. poéticos. repetindo fielmente as palavras do texto original.zer. artísticos. perguntou o entrevistador. em certa ocasião. por exemplo. replicar. engraçadas. p.do autor citado. expor mencionar. Podem agregar algum significado adicional ao simples ato de dizer impregnando-o de interpretação. Questões como o que é o amor? e o que é a amizade? são muito importantes. de acordo com o que afirma X. as histórias podem ser cômicas. 1999. que são citações apenas sugeridas e há citações explícitas. opinião ou testemunho de outra pessoa. informar discorrer acentuar ponderar. citar. a voz do outro pode vir entre aspas. referir. que são chamados dicendi.. declamar. há uma adega (para onde descemos) e um sótão (para onde subimos). Um desafio á Educaçào. em sua obra } para X a questão é. aconselhar comprovar corrobo A ORDEMDASIDÉIAS 105 rar ratificat confirmar demonstrar refutar argumentat justificar. proferir exclamar. da origem e das causas do mundo e das suas transformações. comunicar. pitorescas. . Há alusões. perguntar. vale dizer. testem unha. esclarecer. Se faço uma paráfrase. descrever preceituar. além da zona habitável. há citações implícitas. registrar.. na primeira. A escolha vai depender das intenções do autor e do tipo de texto. (adaptado) 106 TÉCNiCA DE REDAÇÃO .

em seguida. duas ou mais idéias são apresentadas. é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão. Como já foi dito. Cada aspecto exige desdobramentos e explanações que representam progressão das informações. formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade. que é a idéia a ser desenvolvida posteriormente no texto: Com o desenvolvimento das cidades. combinadas entre si.. ora convergem. 442. as informações esclarecem o ambiente em que floresce a democracia. e) Comparação ou analogia Como no caso anterior.. p. utilizamos uma enumeração para antecipar as linhas em que o assunto vai se desenvolver.. Ao contrário. p.. normalmente o texto estabelece duas (ou mais) linhas de desenvolvimento paralelas que ora se opõem. fatos e fenômenos. No exemplo a seguir. enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais.Utilizar narrações ilustrativas interessantes depende de muita informação. (adaptado) 108 TÉCNICA DE REDAÇÃO j9 Situação no tempo e no espaço Algumas informações são colocadas no texto com o objetivo de contextualizar de forma explícita as idéias. em segundo. Além do exemplo do item anterior. finalmente. que no segundo parágrafo apresenta uma oposição. Idem. A razão instrumental é a razão técnico-cientjfica. de outro. na divisão. Têm relação com a cronologia e com o lugar. não de oposição. mas um meio de intimidação. como fonte de erro. observe o texto a seguir: A diferença entre os sofistas. Observe no exemplo a seguir como o desdobramento da idéia sugere duas linhas informativas para desenvolvimento do texto.. focalizando diferenças. Alfredo Bosi. vivendo seu período de esplendor conhecido como o ... indicam divisão de idéias. por outro lado. terror e desespero.. Idem. e Sócrates e Platão. a escola de Frank/urt. Mais um motivo para procurar um bom convívio com textos de diversas naturezas. elaborou uma concepção conhecida como Teoria Crítica. uma acerca de Clarice Lispector e outra acerca de Guimarães Rosa: As experiências radicais tanto de Clarice Lispector como de Guimarães Rosa forçam os limites do gênero romance e tocam a poesia e a tragédia. Observe um exemplo em que o texto está organizado pela divisão da idéia: Uma escola alemã de Filosojiu. do comércio... 50.. medo. c) Divisão A divisão de uma idéia em subtópicos abre novas vertentes de desenvolvimento do raciocínio. Marilena Chaui. políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científico sobre a natureza. primeiramente.. a razão crítica é aquela que analisa e interpreta os limites e os perigos do pensamento instrumental e afirma que as mudanças sociais. o primeiro aspecto é.. O herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafisica da realidade.. 1989. Atenas tornou-se o centro da vida social e política e cultural da Grécia. do artesanato e das artes militares. ou imagens das coisas.. Quando é esse o caso. A ORDEM DASIDÉJAS 107 d) Oposição Muitas vezes a idéia ou informação deve ser apresentada e discutida em confronto com outra posição ou forma de pensamento. depois. experiência e leitura.. as igualdades. São Paulo: Cultrix. ora se explicam.. Marilena Chaui. na qual distin gue duas formas da razão: a razão instrumental e a razão crítica. que faz das ciéncias e das técnicas não um meio de libertação dos seres humanos. um outro aspecto é por um lado.. por último.. mentira efalsidade. História Concisa da Literatura Brasileira. a sociedade e a cultura. há expressões que. p. Geralmente. mas agora a posição é de equilíbrio. facilitam a organização do texto e a compreensão do leitor: em primeiro lugar. de um lado. e são focalizadas as semelhanças.. 40.

Idem. 36. reler e reescrever até se sentir satisfeito com o resultado.nos a duas modalidades do pensamento. entre outras que não foram relacionadas aqui neste livro. que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos. Marilena Chaui. antecipam idéias de forma resumida. mas que. depois. podia. escrever tudo que vem à mente. São expressões e parágrafos que conduzem e facilitam os procedimentos e a interpretação do leitor. construir logo um Primeiro parágrafo. Idem. partir de um pequeno resumo ou escrever blocos de texto independentes. A ORDEM DAS IDÉIAS 109 Em suma. conclusão parcial ou final. em outras palavras. há muitas possibilidades de captação. Ao hierarquizar as idéias de um texto observaiiios que elas apresentam caracte rísticas e funções distintas: apresentação.. g) Conclusão Em textos dissertativos. conclusão. diante do que foi dito. p. e ainda outras que você pode criar.. as Possibilidades de Construção tornam-se mais nítidas e o trabalho alcança um melhor resultado. diante desse quadro. Marilena Chaiji. que falar e pensar são inseparáveis. Idem. Por isso mesmo. Quando o redator tem clareza sobre essas especificidades de cada trecho do texto. concluem pensamentos. situando-o melhor em relação à estrutura textual. É a época de maior florescimento da democracia. 160. 4. Oposição. Para gerar. Manlena Chaui. podemos referir. p. partir de uma idéia Principal e elaborar uni esquema. resumindo o que já foi dito. organizaç0 textual. Depende de cada indjvj duo e de seu processo de atividade intelectual. Observe os exemplos: Em outras palavras. registro e organização inicial das idéias. 23. ser ensinada ou transmitida a todos. para oferecer ao jornal de sua cidade como colaboração Em geral. Vimos também. 5. Leia alguns artigos que tratem do tema. a filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso. Marilena Chaui. tanto no estudo da linguagem quanto no da inteligência. pelo mesmo motivo. p.Século de Péricles. ampliação ou explicação. Prática de organizaç0 a) Escrever uni artigo opinativo acerca do tema que está em maior evidência hoje. é importante assinalar claramente para o leitor que as idéias são conclusivas. selecionar e hierarquizar as idéias você pode: fazer 110 TÉCNiCA DE REDAÇÃO anotações independentes à medida que as idéias forem surgin do. em decorrência da colonização portuguesa do Brasil. por motivo de economia de espaço nos jornais esses artigos têm aproximadamente duas páginas de 30 linhas. tornou-se. 21. Situação no tempo ou no espaço. Por isso. Observe o exemplo a seguir: No capítulo anterior vimos que a língua grega possuía duas palavras para referir-se à linguagem: mythos e logos. em suma. Filosofia é um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especflcamente com os gregos e que. assim. ao contrário. Da concepção à organização das idéias De acordo com o que apresentamos. portanto. comparação ou analogia. podia ser conhecida por todos. Fa-ça anotações. Depois de escrever. divisão. p. além da verdade poder ser conhecida por todos. Idem. articulando as idéias entre si. Citam o próprio texto. é freqüente o uso de palavras e expressões que indicam resumo de idéias anteriores. por razões históricas e políticas. li) Organização textual Os parágrafos organizadores explicam como o texto está estruturado. Qualquer uma dessas técnicas. seus capítulos e subdivisões. o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada cultura européia ocidental da qual. listar palavraschave. pode funcionar como o início da escrita propriamente dita. analise as partes do texto e identifi . encerramento de um raciocínio. Esclarecem objetivos. nós também participamos. conforme predomine o mythos ou o logos. tais como: em vista disso podemos concluir. quando se descobriu que tal conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que. concluindo.

c) Sempre que estiver lendo um texto. os três elementos citados Concordam com tijoo de conhecimento e por isso estão no masculino. Brasília. de assegurar a compreensão exata daquilo que estamos escrevendo. mas principalmente com a maneira como essas idéias serão apreendidas pelo leitor.que as formas de organização que Utilizou. portanto. Um exemplo disso é a Concordância Sempre que respeitamos a concordân eia. revisando várias vezes a linguagem e as estruturas gramaticais propriamente ditas. Ou seja. 1983. sistemáti. a partir da terceira todas as palavras estão sendo utilizadas em concordância com conhecimento científico. primeiramente a partir das suas anotações a natureza de relação entre as idéias de cada trecho. O tecido aparente do texto Como vimos nos capítulos anteriores. MEC. qual a natureza da relação entre as idéias. então. Ao escrever. voltamo-nos para a sua superficie e procuramos refazê-lo. Mecanismos de coesão textual Pode-se Construir a coesão do texto por meio de vários recursos. Além dessas formas gramaticaj5 sistemáticas de ligação entre palavras. as preposições os pronomes pessoais. i’el. Na segunda linha. 2. geral.njcá. racional objetj vo. uma após a outra. procure identificar.0 acumulativo falível. nossa preocupação inicial é captar as idéias e ordená-las com uma determinada hierarquia. comj. Observe o texto a seguir: — De qualquer forma o conhecimento ou saber cient(fico distingue se dos demais tos: o popular. explicativo. articulações ligações concatenan do as idéias. que está distante de nós. INEP. é muito importante que a coesào textual esteja bem tecida. que dependem das escolhas estilísticas do redator: O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS referencial lexical . 112 TÉCNICA DE REDAÇÃO Assim. mas não é suficiente em textos dissertativos A ordem das palavras no período. estão no masculjjo singular. b) Escolha outro tema e faça outro percurso Leia alguns artigos que tratem do tema. as marcas de gênero e de número. Estabeleça. para o estudo ou trabalho. A preocupação já não é apenas com nossas próprias idéias. a estrutura gramatj das frases trata de criar coesão entre os Constituintes de um texto. ver ificóve! dependente de investigação metódica. Capítulo 7 O entrelaçamento das idéias 1. estamos reforçan0 a coesão. os conectivos funcionam também como elos coesivos Cada um desses elementos gramaticais estabelece conexões. Desenvolva o texto acompanhando esse roteiro e o esquema das idéias.. os tempos verbais. preditivo aberto e útil. João Salvador Furtado Expansão da itformaçjo científica in: Anais do Seminárj0 de Publicações Periódjc da A’rea da Educação. o filosófico e o religioso Em sua esséncia o conhecimento cient (fico é real. transcendente aos fatos. Faça anotações ou esquema. de modo que as principais sejam enfatizadas. preciso. Qual é nossa idéia central? Como podemos defendê-la? Que exemplos são mais interessantes? Quem devemos citar? Que palavras escolher? Como devemos nos dirigir ao leitor? Em que medida devemos explicitar todas as idéias ou deixá-las implícitas? São questões que respondemos inicialmente. analítico. existem quatro outras estratégias de coesão. Nas linhas grifadas. e para o qual não teremos chance de explicar melhor ou retificar oralmente algum item mal expresso. A manutenção do tema é um desses recursos. em cada trecho. um texto não é uma simples justaposição de frases corretas. ao escrever as primeiras versões de um texto. para que o leitor acomp1e a seqüêncj reconheça a progressão das informações e identifique as referências no texto. Exige um entrelaçamento rigoroso das idéias que estão sendo expostas para que o leitor não se perca e consiga interpretá-lo corretamente. claro. Vamos cuidar. Após essa etapa.

. possessivos. proposição de uma teoria. a) Coesão referencial Na elaboração de um texto. Tudo o que foi dito..por elipse por substituição Vejamos como funcionam essas formas de entrelaçamento dos elementos que constituem um texto. Em vista disso. aqui. estabelecemos uma corrente de significados retomando as mesmas idéias e partes de idéias. Alguns exemplos de expressões que servem a esse objetivo são: Diante do que foi exposto. Implica a concepção das idéias quanto à delimitação do problema dentro do assunto. Pronomes. ou ainda pelo emprego de expressões equivalentes para substituir elementos que já são conhecidos do leitor. O cientista entrevistado reconhece que a partir do 113 114 TÉCNICA DE REDAÇÃO emprego dos conhecimentos cientijicos foi possível racionalizar os sistemas de produção. Esses recursos podem se referir. como no exemplo: A explosão da informação é uma das causas do stress do homem moderno. Podem. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS . por antecipação. ainda. verbos. pois é facilmente identificado pelo leitor. essa omissão é marcada por uma vírgula. Agora esse estudioso quer contribuir para a democratização do saber. Esse recurso tem o nome de elipse. Para efetivar essas citações são utilizados pronomes pessoais. Não precisa ser explicitado. análise. períodos ou largas parcelas de texto por conectivos ou expressões que resumem e retomam o que já foi dito. anteriormente. pelo uso de sinônimos. nomes e frases inteiras podem estar implícitos. Diante desse quadro. a coesão referencial se realiza pela citação de elementos do próprio texto. identficação de instrumentos. comprovação. Esse quadro. como no seguinte exemplo: O Doutor Fulano de Tal falou ao nosso repórter no intervalo do congresso. com segurança e economia. b) Coesão lexical A manutenção da unidade temática de um texto exige uma certa carga de redundância. Veja um exemplo de omissão de sujeito da oração: A metodologia cient(fica é um conjunto de atividades sistematizadas. onde). Essa corrente é formada pela reutilização intencional de palavras. d) Coesão por substituição Pode-se substituir substantivos. Assim. a elementos que serão citados na seqüência do texto. No texto acima. Algumas vezes. o sujeito do verbo implica é a metodologia cientfica. racionais. Ela pode pro vocar diversas formas de ansiedade. verbos. abaixo. permite que os objetivos sejam atingidos. demonstrativos ou expressões adverbiais que indicam localização (a seguir acima. se referir a elementos já citados no texto ou que são facilmente identificáveis pelo leitor. busca de soluções. e) Coesão por elipse A estrutura gramatical dos periodos na lingua portuguesa permite a omissão de elementos facilmente identificáveis ou que já foram citados anteriormente. que. A partir dessas considerações.

muitos Compositores foram expulsos do brasil. o autor apresentou três grupos de idéias: música e prazer. A história nos mostra o poder curativo das canções. é necessário empreender algumas transformações. 115 116 TÉCNiCA DE REDAÇÃO A musica pode ser um excelente remédio. ambigüidade. encontramos idéias colocadas lado a lado. demonstrar uma situaçõo ou um fato ocorrido. Hó pessoas que gostam de escutar canções calmas.os e todas as ocases. felizmente o homem a está usando por um bem. música e Saúde MUSICA E POLÍTICA 2? Reorganiz o texto. ou uma poderosa arma. mas para algumas doenças. o impoante é a tranqüilidade que ela nos passa As pessoas encontram msíca em tudo. o que não modificaria o resultado. que falam claramente do desejo da populaçõo brasileira. ou seja. falta de hierarquia entre idéias principais e secundárias. do assio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento Uma primeira leitura nos mostra que há unidade semântj ca. individual ou coletivo. em que os problemas de ausência de estabelecimento da coesão estão bem nítidos. de política ou simplesmente retratar a realidade. elas mostram perfeitamente a repressão da época da ditadura militar no brasil. A ausência de coesão é um dos principais problemas da construção de textos. seja entre os períodos ou parágrafos. 4? Revisar. seja dentro do período. Algumas doenças podem ser curadas pela música. que a idéia principal seja expositiva: a grande abrangêneja da música na vida contemporânea o redator teria por objetivo expor os diversos campos em que a música está presente na vida humana. outras que preferem as mais agitadas. Vejamos um texto de aluno de segundo grau. confusão e obscuridade nas referências. como a música. A década de SO. a progressão da informação e a articulação entre as idéias não foram devidamente elaboradas. 1? Agrupar idéias relacionadas entre si. enfatizando uma idéia principal para a introdução e para a Conclusão e estabelecendo as formas de articular as idéias secundárias 3? Estabelecer nexo entre as diversas idéias por meio de frases de transição e de recursos coesivos’ reescrever eliminando e acrescentando elementos. sem hierarquia ou progressão que Conduza a uma conclusão. outros relatam o que estó acontecendo com o brasil. Ou seja. Vamos. entre outras. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. essa unidade não é suficiente. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer.3. as canções dessa década mostram perfeftamente isso. Existe niisica para todos os gost. por causa das letras das músicas. nõo que ela seja um remédio milagroso. ela pode levar a cura. sem especificar OU defender nenhum deles particularmente Para que o texto passe a apresentar coesão e reflita essa idéia. No 5rasil podem-se citar as músicas feitas na década de 50. estabelecer por suposição. As conseqüências podem ser: ausência de ênfase nas idéias principais. Não há concatenação entre as informações. então. No texto em questão. no rasil. estilo infantil ou elementar. pois não podemos distinguir imediatamente qual seria a idéia principal e não percebemos a relação imediata entre as idéias que estão justapost5 Relendo os parágrafos. pois revela desordem nas idéias e dificulta a compreensão do leitor. Problemas decorrentes da ausência de coesão Quando os mecanismos de coesão textual não são bem utilizados. indefinição das relações entre as idéias. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. alguns escrevem falando sobre o amor. As canções podem ter um caróter ilustrativo. Algumas pessoas gostam de músicas s6 com os instrumentos e outras com um cantor. de forma que o texto apresente uma seqüéncj Qualquer período parece poder estar em qualquer Posição. Entretanto. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 117 . porque o tema que perpassa todo o texto é a música. truncamentos semânticos. foi uma época de muitas repressões e restrições. As canções podem falar de amor. No impoa o tipo ou a hora ue se ouve a musica. o texto se prejudica.

que falam claramente do desejo da população brasileira. Alguns escrevem jLilando de amor. Assim. Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. Vejamos uma das possibilidades de aperfeiçoamento do texto. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. aproveitando a maior parte das estruturas construídas originalmente pelo autor: Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. como o gosto do público é diversificado. a história nos mostra o poder curativo das canções. As canções podem lidar de amor. que a música pode ser uma fonte de alegria e prazer. Como podemos observar. ou seja. Não que sejam um remédio milagroso. As canções podem ter um caráter ilustrativo. para o seu próprio bem. o importante é a tranqüilidade e a alegria que ela transmite. POR CAUSA DAS LETRAS DAS MÚSICAS. como a música. Algumas pessoas gostam de músicas só com os instrumentos e outras com um cantor. demonstrar uma situação ou um fato ocorrido. NO BRASIL. na superfi ci do texto. Conseqüentemente. mostram perftitamente como essa foi uma época de muitas repressões e restrições. de política ou simplesmente retratar a realidade. algumas pessoas gostam de música instrumental e outras de música cantada. que fala claramente dos desejos da população. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. os compositores podem escrever as letras das músicas daJirma que lhes convier. então. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais .Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. Não importa o tipo ou a hora em que se ouve a música. Essa vertente de músicas voltadas para a questão social não é nova. mas para algumas doenças. de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. ou uma poderosa arma. uma forma de conscientização e de denúncia social ou um excelente remédio. MUITOS COMPOSITORES FORAM EXPULSOS DO BRASIL. mas podem levar a cura para algumas doenças. até mesmo. retratar a realidade e. apresenta problemas de coesão. no Brasil. pois pode-se encontrar música em tudo. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. 118 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. o importante é a tranqüilidade que ela nos passa. não que ela seja um remédio milagroso. As canções podem falar de amor. Além das funções de proporcionar prazer estético e de denunciar problemas sociais. a coesão evidencia. em conseqüência da ditadura militar. E fato notório que as violações aos direitos humanos se sucedem no país com freqüência indesejável. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. as articulações que estabelecem relações das idéias. Muitos compositores frram até mesmo expulsos do Brasil. promover a cura de doenças. A música pode ser um excelente remédio. Um texto desorganizado. alguns escrevem falando sobre o amor. de política. AS CANÇÕES DESSA DÉCADA MOSTRAM PERFEITAMENTE ISSO. A história nos mostra o poder curativo das canç6es. Algumas doenças podem ser curadas pela música. outras que preferem as mais agitadas. Podemos compreender. individual ou coletivo. é preciso trabalhar em dois níveis: 1? organizar as idéias numa rede de significados e 2? entrelaçar gramaticalmente as frases e os períodos. frlizmente o homem a está usando por um bem. ela pode levar a cura. A DÉCADA DE 60. Então. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. Vejamos como os laços coesivos se realizam em um exemplo de texto editorial jornalístico: — O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 119 DESRESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS A denúncia da Anistia Internacional sobre a prática no Brasil de torturas e execuções por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. outras que preferem as mais agitadas. por causa das letras de suas músicas. FOI UMA ÉPOCA DE MUITAS REPRESSÕES E RESTRIÇÕES. ELAS MOSTRAM PERFEITAMENTE A REPRESSÃO DA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR NO BRASIL. As pessoas encontram música em tudo. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. geralmente. No BRASIL PODEM SE CITAR AS MÚSICAS FEITAS NA DÉCADA DE 60. Não importa o tipo ou a hora que se ouve a música. As canções da década de 60. como a música “Comida “. o homem está sempre em contato com a música.

elementar demais para o desenvolvimento que se espera nesse nível profissional de produção de editoriais. Desde a criação da Co. Qualquer leitor percebe o problema. problema (linha 19).encarregados de reprimi-las. como: prática no Brasil de torturas e execuções (linhas 1 e 2).s políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem. nem mesmo a elementar cautela de investigar a procedência dos fatos denunciados. E um morticínio bem maior do que as baixas na guerra do Kosovo. 20 jun. Durante os anos sombrios do regime militar. Essa expressão é substituída. O texto. em grande parte praticados por esquadrões da morte. violações aos direitos humanos (linha 4). Durante os anos sombrios do regime militar. O relatório anual da Anistia critica o Brasil e outras 141 nações. embora compreensível. Editorial. assim. A avaliação rigorosa da organização é atestada por incluir países normalmente a salvo de suspeitas. diante do que Jbi exposto. por várias outras que têm o mesmo significado. As instituições norte-americanas são apontadas à censura mundial porque praticam a pena de morte. A construção da coesão textual tem prosseguimento pela substituição da idéia de desrespeito aos direitos humanos por informações mais específicas. denunciava a existência nos EUA de mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. O primeiro exemplo disso veio na Constituição de 1988. no texto. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais encarregados de reprimir o desrespeito aos direitos humanos. pena de morte (linha 27). atentados contra a dignidade e incolumidade fisica das pessoas (linhas 8 e 9). devolver exilados políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem (linhas 32 e 33). E fundamental. Correio Braziliense. há mais de três anos. Os inquéritos de organizações internacionais em torno do problema passaram a servir de impulso ao sistema de garantias contra abusos do gênero. temos exemplos de coesão por substituição lexical. Assim. ou seja. Só na Baixada Fluminense.nissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. Brasília. como está no titulo. onde cada qual ocupa menos de um metro quadrado de espaço. o desrespeito aos direitos humanos tem diminuído. violências às pessoas (linha 12). homicídios (linha 36).se outro comportamento. crianças e adolescentes em prisões de adultos (linha 30). o governo costumava quaflficar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre violência às pessoas. como os Estados Unidos e a Suécia. Pior. outra prestigiada entidade internacional. abusos do gênero (linha 20). a Human Rigths Watch. A Suécia chega ao índex internacional por devolver asilado. nenhuma providência era tomada. os homicídios rondam a casa dos quinhentos ao mês. promíscuo e violento. ficaria com a coesão prejudicada se em todas essas posições o autor usasse a mesma expressão: desrespeito aos direitos humanos. Os mais de 175 mil presos nas penh- 120 TÉCNICA DE REDAÇÃO tenciárias do país coabitam ambiente vil. que declarou a tortura crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. . até mesmo para punir crimes cometidos por menores. desrespeito às prerrogativas humanas da pessoa (linhas 17 e 18). Mas a incriminação do Brasil ao lado de sociedades tidas como padrão de cultura humanística em nada o isenta de culpa. Observamos que a expressão chave do texto é desrespeito aos direitos humanos. os atentados contra a dignidade e incolumidade física das pessoas têm diminuído. primária. o governo costumava qualificar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre o desrespeito aos direitos humanos. Desde a criação da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. Leis espeq’ficas e ações concretas têm sido adotadas para prevenir e punir os desrespeitos às prerrogativas humanas da pessoa. Rio de Janeiro. que exemplificam essa idéia: a tortura (linha 21). 1999. E fato notório que o des O ENTRELA ÇAMENTO DAS IDÉIAS 121 respeito aos direitos hunianos se sucede no país con freqüência indesejável. excluídos de qualquer programa de recuperação social. estão no mesmo campo semântico e formam um paradigma. há mais de três anos. que é decorrente da pobreza de vocabulário. que as denúncias da Anistia inspirem reações mais efetivas em favor da proteção aos direitos humanos. E. Em dezembro de 1998. Teria uma estrutura repetitiva. Com o restabelecimento da legalidade democrática. Veja como o texto ficaria no trecho a seguir: A denúncia da Anistia Internacional sobre o desrespeito aos direitos humanos por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. instalou.

Prática de entrelaçamento a) Releia os textos que você produziu anteriormente e identifique os recursos de coesão que utilizou em cada um deles. A referência está clara. onde o pronome demonstrativo disso está se referindo a tudo que se afirma no período anterior a ele. promíscuo e violento (linhas 39 e 40). na elaboração de um texto criam-se laços de citações entre seus próprios elementos constituintes. Há coesão por substituição lexical também nas expressões: acusações de agências humanitárias (linha 12) porfatos denunciados (linha 14) anistia (linha 22) por organização (linhas 23 e 24) países normalmente a salvo de suspeitas (linhas 24 e 25) por sociedades tidas como padrão de cultura humanística (linhas 34 e 34) Sempre que escolhemos uma expressão equivalente para substituir outra. Capitulo 8 A reescrita de textos 1. e) Sempre que estiver lendo um texto. Ao revisar o texto produzido você terá a oportunidade de reconsiderar uma série de decisões tomadas no início da produção. de maneira que se forme um tecido harmonioso. Assim. elipses e substituições de partes do texto por expressões sintetizadoras. e o pronome relativo onde se refere a penitenciárias do país. A expressão as violações aos direitos humanos é representada por um pronome enclítico em reprimi-las (linha 6). Observe que esse detalhamento ilustra e especifica o que se entende no texto por desrespeito aos direitos humanos. Além das ligações temáticas e das estabelecidas pelo sistema gramatical. E interessante observar que no texto há exemplos de coesão referencial. após a apresentação. Na linha 20. 4. mesmo em textos tidos como objetivos. reveladas nessas expressões. é importante que na revisão do texto você procure focalizar sua atenção sobre esses itens concatenadores. Um período está ligado ao seguinte ou ao que o antecede por meio de recursos coesivos. É a coesão textual. 5. Como também na linha 35. A releitura como avaliação para a reescrita O texto exige diversas releituras para reescritura e revisão antes de ser considerado satisfatório. e o leitor só pode interpretar o pronome -las como relativo à expressão anterior as violações aos direitos humanos. identifique as formas de coesão utilizadas pelo autor. como temos mostrado no desenvolvimento deste livro. diversidade lexical. E preciso analisar: as opções adotadas estão funcionando no texto como um todo? As decisões se mantêm . para estudo ou trabalho. Nosso julgamento e nossa posição diante da informação vêm. elogios. na linha anterior. Criticas. para que a coesão textual garanta a fidelidade às idéias que quer apresentar. a vírgula indica que se subentende o sujeito de excluídos como a expressão do período anterior mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. o pronome o se refere a Brasil. Essas ligações observáveis na superficie do texto realizam de forma concreta as articulações necessárias para assegurar a coerência entre as idéias formuladas pelo redator. A expressão cada qual (linha 40) se refere a presos na linha anterior. podemos agregar alguma informação adicional. como concordância e tempos verbais. b) Escreva um texto expositivo acerca de um autor de sua preferência. Há no texto um exemplo de substituição de idéias por expressão sintetizadora: diante do que foi exposto (linhas 41 e 42) resume toda a argumentação e justifica a conclusão que encerra o texto. há O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 123 possibilidade de criar laços mais largos por meio de referências. de modo que o nome próprio não seja utilizado mais de uma vez. Identifique outras formas de se referir a ele. Entrelaçando as idéias Como vimos neste capítulo e nessa rápida análise final. Há um exemplo de coesão por elipse na linha 31: após a palavra pior. censuras podem vir explícitos ou implí 122 TÉCNICA DE REDA ÇÃO citos nos termos que escolhemos para constituir a coesão lexical. há coesão referencial. unia rede bem urdida de relações gramaticais e de significado.presos coabitam ambiente vil.

se você quer uma pista acerca dos pontos em que deve prestar mais atenção. Com isso. mas ás vezes pode ser útil envolver colegas. trata-se de cortar e simplificar frases longas demais ou truncadas. As informações fornecidas são suficientes ou o texto ficou muito denso. Durante a reescrita. mas é preciso acrescentar elementos para criar ligações mais claras entre as diversas idéias do texto. embora a fala possa servir de base para o início da escrita. outras são mais sintéticas e precisam ampliar o texto na reescritura. A opção escolhida foi mantida durante todo o texto? O leitor que você tem em mente é atendido durante todo o texto? ao gênero de texto: que plano de escrita utilizar para a situação. Portanto. pronomes. professores pais. Não se escreve como se fala. de forma mais distanciada. As pesquisas que analisam textos de exames vestibulares e provas discursivas de concursos públicos mostram que a maior freqüência de erros ocorre nesta ordem: pontuação. Estamos preocupados em captar o fluxo do pensamento e registr0 da maneira mais completa Possível. Está de acordo com o objetivo estabelecido inicialmente? As idéias principais estão evidentes? Como já vimos.ou há incoerências e descontinuidades? Consegue-se essa avaliação ao reler várias vezes o texto. Analise as decisões e a realização. Como alguns trechos devem ser riscados ou refeitos. clara. suprimir palavras. Falando. As primeiras versões costumam trazer passagens distoan tes. quanto: ao leitor: inseri-lo no texto ou tratá-lo de forma neutra e distanciada. ou seja. estabelecimento da coesão e vocabulário. “gorduras” enfim. a atenção se desloca para a forma mais adequada e para a melhor organizaç0 final dessas idéias A revisão normalmente feita pelo próprio autor do texto. tentando tomar o lugar do leitor. irmãos ou Companheiros É importante que um leitor dê sua opinião sobre o texto. nesse momento estamos também reestruturando a forma. exigindo muito do leitor? A introdução de informações novas é bem realizada? Há informações irrelevantes que podem ser dispensadas? - 126 TÉCNICA DE REDAçÃO Há excesso de informação? Há informações incompletas ou confusas? As informações factuajs estão corres’ à linguagem. na primeira versão de um texto costuma mos prestar mais atenção à criaçãO das idéias. As vezes. . formal ou informal A linguagem está adequada à situação? A opção escolhida tornou o texto harmonho 50 ou há oscilações súbitas e inadequadas à impesso dade ou subjetividade O posicionamento adotado corno predominante mantémse ou essa opção não ficou consistente flO texto? ao vocabulário As escolhas estão adequadas ou há repetições enfadonhas e pobreza vocabular? Algum termo pode ser substituído por expressão mais exata? Há clichês. articulada Muitas vezes. no texto. excesso de adjetivos expressões coloqujais inadequadas jargão profissional? às estruturas Sintáticas e gramatjcj5 O texto está correto quanto às exigêncj5 da língua padrão? As transições entre as idéias estão corretas e claras? Os conectivos são adequados às relações entre as idéias? A divisão de parágrafos corresponde às unidades de idéias? ao objetivo e à situação. Tentamos gerar idéias e organjz5 de forma coerente. sem relação com o núcleo do texto. Muitas vezes não há erro. nesse primeiro momento desprezamos a forma. acentuação. frases feitas. O formato é adequado à situação? As exigências referentes ao gênero foram respeitadas ou há ambigüidades e inconsistências? às informações: o que informar e o que considerar pressuposto. como se você não fosse o redator. torna-se mais legível e de acordo com as exigências da língua padrão. adjetivos ou advérbios que pouco ou nada acrescentam ao texto. comece por esses. divagações ou digres A REESCRITA DE TEXTOS sões. construção do período. Algumas pessoas escrevem muito nos rascunhos. os detalhes da superficie do texto.

uma instituição ou uma organizaç0 Quando escrevo frases como O Mjnjsí rio decidiu. Um texto é pessoal e subjetivo quando pronomes pessoais e possessivos. Assim também expressões como: é necessário é urgente. e sempre que o nosso interlocutor quiser.. neutra. Vejamos algumas delas. Na escrita não dispomos disso. Nossas conclusões.todos nós podemos a qualquer momento. não se pode determinar com precisão quem realizou uma ação quando usamos a estrutura de sujeito indeterminado. Devemos. A releitura é imprescindível para o aperfeiçoamento do texto. 127 2. O governo protelou a responsabilidade em relação à ação está diluída e não se pode identificar claramente de onde ou de quem emanou a iniciati A REESCRITA DE TEXTOS 129 va. essa característica de ocultar o agente. verbos conjugados em primeira e em terceira pessoa contribuem para que o diálogo se estabeleça entre autor e leitor de forma explícita.. a) Generali. por isso. d) Uso gramatical do sujeito indeterminado Como a própria nomenclatura indica. Assim. O nosso interlocutor está longe e. os adjetivos e pronomes supérfluos. então. universal. Acreditava-se em uma diminuição dos impostos. O uso da primeira e da terceira pessoa do plural é a estratégia recomendada quando a intenção é atenuar a subjetividade da primeira pessoa sem adotar a neutralidade absoluta Frases como Procuramos demonstrar . evidente. É um recurso muito utilizado na administração pública e na política.. muitas vezes. na voz passiva esse agente pode estar oculto.aro sujeito. expositivos.. A impessoalização do texto 128 TÉCNICA DE ftEDAÇÀO Nem sempre temos interesse em deixar expljcjtas a nossa voz e as diversas vozes que São trazidas para compor um texto. usar a passiva sem esclarecer seu agente é um recurso gramatical para impessoalizar a informação.. atenuando a dialogia e Ocultando o agente das ações.. Ela é muito útil quando queremos inserir uma informação da qual não sabemos a procedência exata.. é imprescindível são Utilizadas para ocultar o agente.. científicos apresentam. 19 Ocultar o agente A expressão é precisO serve a esse propósito de neutralidade.. precisamos alcançar a maior exatidão possível. Fala-se muito em renovação dos quadros funcionais. a repetição desnecessária. eliminar os rodeios. A diretoria ordenou.. objetiva. Reconheço Minhas conclusões. Veja o exemplo: . Os textos dissertatjvos informativos. Vive-se esperando o aumento de preços.. aparen temente neutra. Os pesquisado reconhecem. e) O USO da voz passiva Enquanto na voz ativa temos um agente explícito. colocandoo no plural Uma forma elegante de se distanciar relativamente da subjetividade é io agente. Quem precisa? Quem necessita? Para quem é Urgente? Para quem é imprescindível? No podemos definir com clareza Tornase uma realidade geral. Tudo é dito como se fosse uma realidade que se apresenta sem intermediários e) Colocaram agente inanimado Uma outra maneira de impessoajizar o texto é colocar como agente um ser inanimado. são menos subjetivas que Procurei demonstrar. Muitas vezes queremos adotar uma posição impessoal. Gramaticalmente há muitas maneiras de conseguir esse objetivo. Vamos focalizar a seguir alguns aspectos que merecem atenção e que podem ser aperfeiçoados na reescrita. um fenômeno. acrescentar informações e corrigir outras. os jogos de palavras. Por meio dela podemos avaliar o funcionamento do texto e propor reformulações..

(acolhemos. O segredo do uso adequado do vocabulário é selecionar e combinar cuidadosamente. apresentava. beiradeiro. Não conseguia ter o poder por muito tempo. caipira. sitiano. cambembe. conquistou) 8.Novas descobertas foram realizadas em centros de estudo e laboratórios ao redor do mundo. baiano. é a escolha cuidadosa do vocabulário. usava. Algumas 130 TÉCNICA DE REDAÇÃO pessoas têm dificuldade na seleção da palavra certa. há uma série de outras opções. em oposição à de civilizado. (detinha) 5. ou seja. tinha um belo terno. tapiocano. outros têm um sentido pejorativo associado à idéia de primitivo. (obtinha. (manter. baiquara. capuava. Quem realizou? Quem está revelando? A voz passiva oculta o agente. recebemos) 14. guasca. groteiro. cariazal. Os funcionários esperam ter férias em julho. demonstrou) . conseguia. Ele tem uma doença contagiosa. deu prova de. sertanejo. queijeiro. obteve. mixuango ou muxuango. maratimba. sitiante. catatuá. morador. agricultor campestre. atraía. casaca. é necessário procurar outras opções. e todas elas utilizam recursos e possibilidades presentes no sistema gramatical da língua. tabaréu. brocoió. Não se satisfaça com a primeira opção que vem à cabeça. saquarema. desfrutar. Teve um cargo de chefia. catrumano. mandi ou mandim. capurreiro. sofre de. piraguara. O documento tinha muitos argumentos. mano-juca. Tinha grande poder. vaqueiro. urumbeba ou urumbeva (Dicionário Aurélio Eletrônico). Está sendo revelado ao mundo que o cérebro é um órgão mais fascinante. (apresenta. viveu) 12. campeiro. Ele teve muita iniciativa. biriba ou biriva. macaqueiro. botocudo. encerrava. casacudo. (padece de. agreste. canguçu. campesino. revelou. vestia. (mostrou. Tem bom aspecto. Uma seleção inadequada pode prejudicar o funcionamento do texto e causar efeito inverso ao que se deseja. para o campo semântico do verbo ter. (ocupou. baba quara. cafumango. casca-grossa. como: lavrador camponês. Assim. talvez mais ricas e mais exatas: 1. trazia) 3. trazia) 15. mocorongo. (É dono de. caboclo. jeca. conquistava. canguaí. Tinha as pastas de documentos nos braços. pira quara. Na seleção dos verbos. caburé. gozar) 4. adequado à situação e aos objetivos do redator. capa-bode. (usufruir. Como vimos. a questão lexical. abrigamos. Tem muitos bens. peão. A escolha vai depender da análise dos objetivos do texto. 3. capicongo. conseguiu. babeco. mandioqueiro. conservar) 7. Na cerimônia. mucufo. alcançou. pé-no-chão. (dispõe de) 6. restingueiro. chapadeiro. ostenta) 13. pois quase sempre é a mais pobre. caiçara. (trajava. curumba. bóia-fria. rurícola. (segurava. provocava) 9. Imaginemos que você vai escrever um texto sobre trabalhadores rurais brasileiros de diversas regiões. carregava. pé-duro. caapora. é portador de) li. Ainda tem recursos para a viagem. há diversas maneiras de tornar o texto impessoal. Para não repetir essa mesma expressão. bruaqueiro. em cada uma de suas acepções. Você é um desses casos? A solução é ter paciência e esperar um pouco até que o “arquivo” mental processe o pedido e devolva uma série de possibilidades. (continha. despertava. campesinho. exerceu. mostra. moqueta. mambira. Tivemos em nossa casa um ilustre hóspede. Alguns termos enfatizam o trabalho ou a origem da pessoa. rústico. (sentiu. Teve uma forte emoção. experimentou. complexo e poderoso do que antes se imaginava. mateiro. Não se pode ficar satisfeito com a primeira possibilidade que vem à A REESCRITA DE TEXTOS 131 mente. pioca. Dessa lista ou paradigma é fácil eleger a palavra que mais combina com o contexto. que é mais exata para a idéia que se quer transmitir. sustinha. camisão. Uso do vocabulário Um dos pontos importantes para um texto bem estruturado. campino. semterra. matuto. curau. capiau. possui) 2. mixanga. Tinha a admiração de todos. roceiro. beira-corgo. o processo é semelhante. arrolava) 10. catimbó. Se você for ao dicionário ainda vai encontrar inúmeras expressões regionais como: araruama.

inCI dir divisar avistar perceber bastar ser Suficie. conta) 21.2te ter voca çào.ar render propor trazer Conte. cheia de efeitos e palavras da moda. devotam. Cidadãos conscientes têm amor á história. (devo. 4 nível de filosofia é importante. passa adiante o tratado do bláblá-bl .. para todos.. E necessário equiljj0 para assegur a clareza e a comuni cação Por iss0. preciso. ao reescrever COflVfl1 eliminar palavras muito tCnicas..j5 Observe os quadro5 a seguir que ironizam a Iinguage Pedante da tecnocracia Você pode escolher aleatoriament um fragme0 de cada coluna e consegj formar uma frase gramaticalmente aceitável. nClujr registr Consignar atribuir encon/. resultar ceder Conceder apresentar mani festa. C?fl5 algumas adaptações. dedicam. mas sem conteúdo definido ou consistente.. Desde tempos i/nemo. revelar cometer causar Soltar emitir publicar di/ gar realizar vender administrar aplicar ministrar proferi dedicar Consagrar Provocar rese. 133 Madame Natasha tem horror a música Ela con fund bola de Taffarel com bolero de Ravel. sigo. acato. mas desta vez. recebeu) 19.. Talvez não seja coisa muito nova. (completou. na revista Time. Teve a punição merecida. (recebeu.. Tenho de falar.. ofertar oferecer produ/. aceito) 17. (obteve.16. e dispensar palavras e expressões supérfluas evitando redundâncias ou expressões vazias que procuram Clichés. graças ao jornalista Walier Fontoura.. Fuja das expressões gastas. tributam) 20.. necessito) 132 TÉCNicA DE REDAÇÃO O verb0 da. sofreu) 18. E uma versão melhorada de uma compilaçào surgida pela primeira vez há mais de 20 anos. dos O sol nascei. (consagram. mas certamente é divertida (para amigos do idioma) e útil (para os inimigos). apenas impressionar o leitor. Ele já tem 90 anos.. mas inconsistente em termos de informação objetiva A REES’JJ.DE TEXTOS Quadro 1: Elio Gaspari. O leitor pode combi na qualquer expressão . Nós enqua0 brasileiros 4 quest5. Habitualmeitie a senhora distribui bolsas de estudo aos sábios da parolagem. Trata-se do Guia de Discurso para Tecnocro tas Principiantes Sua versão original teria sido publicada numa revista polonesa Fontoura teve acesso a uma tradução de autor desconhecido que vai publicada adiante. Teve resposta positiva. (adoto. Evite esse tipo de linguagem complexa rebuscada. que também é um verbo genérj0 depen dendo do contexto Pode ser substituído por: doa. cismar Sentir acontecer ou Outros Nosso léxico é muito rico e no devemos nos contentar com o mínimo Vale a pena investir na amp1iaç0 do fosso acervo individual para produzir textos melhores Entretanto. qualquer exagero pode levar ao lado Oposto. Tenho a mesma opinião. que fazem parte do jargão de uma determinada profissão.

assim de fomiação de de reformulaçào corno atitudes Jornal de Brasfl0 28. em termos de eficácia e eficiência. 3. não assumido nunca como implícito. O cntério metodológico reconduz a sínteses a pontual correspondência entre objetivos e recursos com critérios nãodirigísticos. Quadro 2 COLUNA A COLUNA B COLUNAC COLUNA D COLUNA E — COLUNA F COLUNA G 1. O método participativo propõe-se a o reconhecimento da demanda não satisfeita mediante mecanismos da participação. 7. com as devidas e imprescindíveis enfatizações. mais curativa. preventiva e não cada ato decisional. As variações possíveis sO cerca de 10 mil. 4. O modelo de desenvolvimento incrementa o redirecionamento das linhas de tendência em ato para além das contradições e dificuldades iniciais. A REESCRITA DE TEXTOS 135 4. um indispensável salto de qualidade. o novo modelo coninbui para das novas proposições estruniral aqui a correta preconi0 determinação A prática mostra que o desenvolvimento assume importantes das opções básicas para de formas distintas posiçõesun definição o sucesso do prograrun de atuação Nunca é demais a consiante divulgação facilita5 definição do nosso sistema de insistir. A necessidade se caracteriza por uma correta relação no interesse substanciando e numa ótica a transparência de emergente entre estrutura e primário da vitalizando. A e5periôncia a consolidação das prejudica a pereepçào das condições mosa que estmiaras da impocia apropfia para os negócios. ativando e implementando. na medida em que isso seja factível. no contexto de um sistema integrado. o coenvolvimento ativo de operadores e utentes. 2. das demais. É fldansenfal a amimar dos divemos oferece uma boa dos nidice pretendidos ressaltar que resultados oportunidade de venfleação O incentivo ao avanço o início do prograin acan-era um processo das formas de ação. O quadro normativo prefigura a superação de cada obstáculo e/ou resistência passiva sem prejudicar o atual nível das contribuições.jun. 2. a redefinição de uma nova figura profissional. sem dizer coisa nenhuma. i MANUAL DE TECNOMISIIFÍCAÇAU i estudos efetuados essencial na financeiras e formulação adnijmst ivas Assim mesmo. 1998. ou como sua premissa uma congruente potencial orgânica de interdependência antes revalorizando. o aplainamento de discrepmncias e discrasias existentes. 6. condicionante. não omitindo ou calando.a da auxilia a preparação das atitudes e das esquecer que organização e a estruturação atribuições da diretoria Do mesmo modo. potenciando e incrementando. Estrutura dos períodos . A utilização privilegia uma coligação segundo um módulo recuperando. a expansão de nossa exige a precisão e a dos conceitos de atividade definição Participação geral. mas antes particularizando. Não podemos a atual estnjs. a cavaleiro da situação contingente. tecnologico. uma vez que das informações formação de quadros. 5.lisiada na primeira coluna i com outras. Segundo os autore5. permite ao empulhador que fale ininterruptamente por mais de 40 horas. O novo tema social propicia o incorporamento das funções e a descentralização decisional numa visão orgânica e não totalizante. para uma práxis de trabalho dr grupo. na ordem 1. 3 e 4. superestrutura população. indispensável e flexibilidade das interdisciplinar horizontal. a adoçào de uma metodologia diferenciada. evidenciando e explicitando. estruturas.

mas apenas provocar algumas reflexões. os recursos disponíveis. por exemplo. sugerimos que você volte aos seus livros de língua portuguesa e tente se aproximar dos capítulos de sintaxe com outros olhos. E necessário observar cuidadosamente a sintaxe da oração: Sujeito Predicado e complementos Com o qual o erbo concorda Paulo entregou o texto a Joana ontem na sala subitamente. adverbiais: Quando chegar o dia do exame. ou seja. ordenando-os de forma lógica. 5. as frases devem ser curtas. ágeis. já que une e separa elementos de uma oração.4 REESCRITA DE TEXTOS 137 Observação: as adjetivas restritivas não aceitam vírgula: O livro que o professor sugeriu é bom. com o objetivo de construir períodos melhores em seus textos. que dificultam a compreensão do leitor. E geralmente preferível a ordem direta: sujeito + predicado + complementos Na construção dos períodos. Esqueça aquele desespero ao decorar classificações para preencher exercícios ou testes e procure entender o funcionamento lógico da frase e seus efeitos de sentido junto ao leitor. Como nosso objetivo aqui não é oferecer uma revisão gramatical. adjetivas explicativas: O livro. e) Separar enumerações: Escrevi cartas. aliás. disseram os alunos. É preciso memorizar que não se usa vírgula entre o sujeito e o predicado. procure analisar 136 TÉCNICA DE REDAÇÃO as possibilidades da língua. Sempre que estiver reescrevendo seu texto. ou melhor etc. fora da ordem direta. Este é o grande defeito do ensino escolar: desvincular a análise sintática da produção de textos. É correto utilizar a vírgula para: a) Separar o vocativo: Senhoras e senhores. de dar ênfase a um tópico. procure identificar as relações sintáticas para observar se há concordância entre os termos das orações e se a pontuação está correta. Cada uma das possibilidades sintáticas constitui uma maneira diferente de transmitir uma posição. coordenadas sem conjunção — O livro. b) Separar o aposto explicativo: Pedro. d) Expressões intercaladas: isto é. esperamos que tenham uma boa I. oficios. dissertativos ou argumentativos. está caro. objeto direto + objeto indireto + Quando? Onde? Por quê? Como? Com quê? Nenhum desses elementos pode estar separado do outro por vírgula. memorandos. estarei pronto. A pontuação A vírgula é a principal dúvida de todos os redatores. maior será a possibilidade de se perder o controle da sua elaboração e cometer impropriedades estruturais. é bom. o . de provocar uma interpretação. e) Separar orações intercaladas ou não. como se acredita no senso comum. E principalmente um fator sintático. que é uma fonte imprescindível de informações. . Observe este exemplo retirado de um rascunho de documento pedagógico: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste em tomar a linguagem como atividade discursiva. A pontuação é um dos principais problemas dos textos e ela depende de um conhecimento mínimo de análise sintática. pareceres. o aluno mais estudioso. acumula informações de forma densa e complexa. Em textos expositivos.foi aprovado no concurso público. ou seja. Quando o redator não consegue dividir adequadamente as idéias em períodos distintos. relatórios e monografias. nem entre o predicado e seus complementos. dificultando a interpretação do leitor. Quanto mais extenso for o período.’iagem. Se você aceitar a sugestão e voltar às gramáticas ou aos livros didáticos para uma revisão de sintaxe. A ausência de ponto final também constitui um problema de sintaxe. as diversas formas de elaborar uma idéia. convém evitar orações intercaladas muito longas. Ela não serve apenas para marcar pausas ou momentos de respiração. a não ser que esteja em posição invertida.Aspecto decisivo para a reescrita de textos é a avaliação da construção dos períodos.

incorreções e palavras inexistentes. as necessárias adaptações sintáticas e a pontuação transformaram o texto de forma a facilitar a leitura. uma grande parcela dessas dificuldades se resolve pelo uso do computador. O melhor e mais seguro é consultar o dicionário muitas vezes até memorizar a ortografia da palavra. instituições de ensino. por 138 TÉCNICA DE REDAÇÃO meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos ora is. que podem ser solucionados pela divisão em períodos menores e uma adequada colocação de pontos finais. Essas ocorrências exigem maior atenção. falar. RS: perspectiva. o texto oferece dificuldade de leitura por prolongar-se excessivamente. A questão da ortografia A ortografia das palavras é uma convenção que envolve decisões coletivas e históricas. oficializadas por segmentos como Academias de Letras. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. Entretanto. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. A divisão em períodos menores. A língua portuguesa oferece muitas dificuldades ortográficas. ortografia. flandre. Podemos dizer que há problemas de sintaxe e de estilo. Tal procedimento permite. o texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas à coerência e à coesão textual. publicações e leis.texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas á coerência e à coesão textual. análise. Portanto. É impossível ter certeza . DUVIDE SEMPRE DA GRAFIA DE SÍLABAS COMPLEXAS. viagem. vazio. Esses conhecimentos possibilitam a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. ler e escrever. Não podemos individualmente modificar a ortografia conforme nossa preferência. máximo. CONSULTE O DICIONÁRIO SEMPRE QUE TIVER DÚVIDA. e por meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. contudo. proclama. escreva sem olhar para o texto original e depois confira. Identifique quais são os seus problemas mais freqüentes e concentre seu esforço e sua atenção sobre esses casos. NAMORE AS PALAVRAS. crescer. alterar o sentido original. acento. interstício. estender. muitas vezes. baixeza. fecho. E. Hoje. flanela. 6. PEÇA A ALGUM PROFESSOR PARA DIAGNOSTICAR SUAS DIFICULDADES. ler e escrever de maneira crítica e autónoma. À medida que se escreve. nem sempre podemos usar o computador. FAÇA PALAVRAS CRUZADAS NAS HORAS VAGAS. acentuação. mas a decisão final é ainda do redator. falar. FOCALIZE SUA ATENÇÃO NOS PONTOS EM QUE AINDA TEM PROBLEMA. SEPARE AS SÍLABAS DE PALAVRAS NOVAS. por meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos orais. X/CH: ficha. A dúvida é natural mesmo para quem escreve todos os dias e vive de escrever. ensaio. açúcar. Observe que não há problemas de concordância. o melhor é criar familiaridade com as palavras. Vejamos: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste etn tomar a linguagem como atividade discursiva. de maneira crítica e autônoma. PRI BL/CL/FL/DR: problema. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. nascer. visor. sem. leia-a várias vezes em voz alta para gravar o som. exceção. SOLETRE. da aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos que possibilitem a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. o programa aponta dúvidas. pesquisadores. Alguns procedimentos podem ajudá-lo a melhorar seu desempenho em relação à ortografia: A REESCRITA DE TEXTOS 139 LEIA MUITO. Entretanto. LEIA PRESTANDO ATENÇÃO NA GRAFIA. atraso. As principais dificuldades de grafia das palavras em português são decorrentes das muitas representações gráficas para um mesmo som ou dos encontros de consoantes: SS/C/S/Ç/SCIX: assunto. analisar. epor meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. J/G: viajem (verbo). permitindo. como nos concursos. superstição. a aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos. Sempre que encontrar uma palavra dificil ou nova para você. deslizar. SIZ: riqueza. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. escrevemos de forma manuscrita e sem possibilidade de consulta ao dicionário. puxar.

apelidado indevjdainen te de “pai dos burros”.absoluta da grafia correta de todas as palavras da língua. A acentuação gráfica também merece atenção especial. você consolida sua intimidade com a língua escrita e as infinitas possibilidades de expressão. A memorização vem com o uso. e até escritores prestigiados têm dúvidas e vão ao dicionário a todo momento Quem tem vergonha de demonstrar dúvida e de dicionário. pronomes indefinidos. quando em seguida a esses verbos há uma palavra feminina que admite artigo feminino a. alguém. Observe uma tabela de avaliação de textos que sintetiza as questões referentes à qualidade textual e pode servir de roteiro para sua própria releitura. este. corre muito mais risco de errar. Assim. como: à altura à escolha à margem de à bala à espera à medida que à base de à esquerda à página 10 à beça à força à parte à beira de à francesa à primeira vista à caça à luz à procura à direita à maneira de à proporção que à disposição à mão (escrever) à razão de à entrada à mão (estar) à tinta à época à máquina (escrever) Acostume-se a tirar dúvidas sempre que elas aparecem.a Não se usa sinal indicativo de crase antes de verbo palavra masculina. quem. adequação dos co- . O uso do sinal indicativo de crase Muitas Pessoas acreditam que é impossível compreender o funcionamento da crase. Sugerimo5 que o redator tenha à mão um cartão plastificado com o resumo das regras para Consulta diária. José entregou o livro a ela. Mas é relativamente simples Alguns verbos transitivos indiretos exigem o uso de uma preposição a. a consulta constante às regras e a atenção na hora de escrever e de revisar. A REESCRITA DE TEXTOS 141 José entregou o livro a correr José entregou o livro a esse homem. 142 TÉCNiCA DE REDAÇÃO ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NO APERFE1ÇOA0 DO TEXTO ASPECTOS TEXTUAiS S Sintaxe de Construção Reescrever obsersando. Deveríamos chamar o dicjonáijo de “pai dos sábios”. mim.. Saiba que revisores profissionais têm ao alcance da mão muitos livros de 140 TÉCNiCA DE REDAÇÃO consulta. José entregou o livro a quem pediu. pronomes pessoais: ela. pronomes demonstrativos: esse. Não se usa crase também em expressões como: cara a cara de alto a baixo de baixo a cima de fora a fora dia a dia face a face frente a frente gota a gota Muitas expressões exigem sinal indicativo de crase. 7. pois quem o consulta com freqüênj tem realmente mais familiaridade com os fatos da língua. mas essa é facilmente resolvida com o treino. Em todos estes exemplos a é preposição José entregou o livro ao amigo. José entregou o livro à professo. os dois as se encontram e acontece a crase: José entregou o livro a > a professora recebeu o livro. porque essas palavras nunca são antecedidas por artigo feminino.

uma aventura lúdica. houve muito crescimento. Evitar mudanças ifljustificgv5 de nível. leve. Indicado para quem quer avançar rapidamente nas reflexões e na prática sobre a produção de textos. Emilia. evi ta acúmulo de idéias num mesmo período. Lucília -. E é preciso lembrar que o trabalho com a leitura e a escrita é ininterrupto. tem a respostapara minha dúvida. Quem buscava uma fórmula infalível e definitiva pode estar se sentindo frustrado ou atordoado. distinguir a idéia central. Antônio Suárez. Como vimos. si. Atica. pode ser utilizado sem ajuda. (1993) Curso de redação. Pt Pontuação Retirar acrescentar OU modificar. como eu gosto de fazer algumas vezes. De qualquer forma. tenham desvelado novos horizontes para você. A REESCRITA DE TEXTOS 143 CARTA AO LEITOR Brasília.it0 Coesão e coerência Reescrever obsers ando. Entretanto. na qual estamos totalmente imersos. Escrever ler e compreender os infinitos matizes da linguagem são formas muito especiais de felicidade que nossa cultura nos proporciona. que vai dos processos de desenvolvimento da criatividade ao aperfeiçoamento da apresentação do pensamento lógico. Mas relaxe. Bibliografia comentada de apoio ao aluno ABREU. Queira sempre mais. além de fortalecer seu equipamento essencial de participação na sociedade. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia às ciências humanas. O que leva tempo e exige paciência. eliminar repetições. Meu amigo leitor Suponho que você esteja realmente interessado em aperfeiçoar sua habilidade em produzir textos. CARRAHER. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. pode se transformar em um jogo. Pode ser utilizado sem ajuda presencial. março de 2000. se você se empenhou verdadeiramente. e somente você. Obra teórico-prática muito agradável que. especificar generaIijaç5 articular as relações lógicas entre as idéias por meio de conectjso5 utilizar argumen_ los adequados. O interesse pela linguagem. David W. Cxpressões Coloquiaiç clichê5. pelo menos para as necessidades práticas. vai continuar pela vida afora. é acessível a todos. não é uma iluminação divina. Pioneira. pois. enriquecedora e prazerosa. Campinas. na escrita. Curso rápido de redação e revisão gramatical. Curso rápido e completo de redação. espero que a leitura e os exercícios propostos tenham sido estimulantes. Severino Antônio & AMARAL. leva o leitor a se tornar mais crítico e . leitor. pois chegou até aqui. Papirus. Procurei traduzir conceitos muito sofisticados em linguagem quase informal. há sempre uma margem de incerteza. de frases e períodos construir Paralelism. mesmo sendo uma tarefa complexa e prolongada. P Paragrafo Agrupar ideias complementares ou depen dentes Distribuir idéias por parágrafos di ferentes Escrever transição entre parágrafos G Gênero Nlanter o fom conforme o gênero. escrever bem. Observar estruturas peculiares ASPECTOS GRA1ATICAIS E FORMAIS /iadei:s parágrafo Evidenciar maiúsculas O Corrigir conforme dicionário Corrigir conforme as regras. ou seja. é o resultado de muito trabalho com a linguagem. sobretudo.1 nectis e palavras de relação. súbita. O que signfica que você continuará crescendo sempre. e no grau que desejava. desfa ze ambigüi55 V Vocabulário Eliminar ou substituir palavras repetida5 Utilizar paIara mais adequada Eliminar gíria. Se é que não começou pelo final. Afinal. LE Concordância Corrigir conforme justificativa gramatic catíticaI/ Caso VOC Seja professor pode usar as letras da primeira coluna como indicações nas margens dos textos de seus alunos. São Paulo. mas não tenho muita segurança se consegui isso. São Paulo. Fácil. corrigir / fragnient5ç0 e truncamento de idéias. Não se contente em usufruir apenas o que a distribuição perversa do capital simbólico na nossa sociedade nos concede. BARBOSA. O objeto desse jogo é a língua. gratficantes e. por meio de explicações e exercícios. eliminar idéias incompatível5 sem importância para o desenvolvimeni da idéia central.

M. (1930) Marxismo e filosofia da linguagem. (org. C. São Paulo. Vozes. como pode ser um manual de curso SERAFINI Mafla Teresa. (1985) Ensino da gramática. L. BARRAS. São Paulo. BAKHTIN. de (1998) Dicionário de questões vernáculas. M. Atica. sim. BECHARA. Paulo/Moderna Manual de Consulta rápida para solucionar dúvidas de escrita da língua Pougues padrão Muito útil e fácil de usar sem ajuda do profes. São Paulo. Izidoro. A. (1995) Nova gramática do português contemporáneo. deve estar sempre á mão do redator. que não pretende estabelecer normas rígidas. São Paulo. L. Cristóvão. & FIORIN J. Campinas. 146 TÉCNiCA DE REDAÇÃO GÁRCIÁ Otlio0 M. Martins Fontes. Apresenta excelente reflexão sobre questões lingüísticas e muitos exercícios práticos de leitura e produção de textos. Fundação Getá lio Vargas. Não é de fácil consulta para iniciantes que querem tirar dúvidas práticas de gramática. São Paulo. Unicamp. J. (1992)Prática de texto: língua portuguesa para nossos estudantes. Vozes. Nova Fronteira. Pode ser útil para trabalhos escritos disseativos VIANA. (1994) Coesão e coerência em narrativas escolares. textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. CAMARA Jr.) e outros (1998) Roteiro de redação Lendo e argwnenta 00 São Paulo Scipione Curso de redação completo com muitos textos para leitura e exercí. Atica. Campinas. CAVALCANTI. Papirus. o capítulo a respeito da organizaç0 das idéias é muito interes sante. (1989) Como escrever textos São Paulo. (1989) A arte de ensinar a escrever. CO5. Martins Fontes. (1991) Manual de redação da Presidência da República. Opressão? Liberdade? São Paulo. Ática. (1983) Manual de expressão oral e escrita. Antônio Suárez. São Paulo. Pioneira. Lindley L. (1989) Interação leitor-texto: aspectos de interpretação pragmática. Celso & CENTRA. Educ. Artes Médicas. Robert. (1930) Estética da criação verbal.reflexivo em relação às informações disponíveis na sociedade. Ática Excelente coletânea de textos comentados e analisados segundo os princípios mais atuais da lingüístj Fácil in(eres5te e pode ser utilizado individualmente. Hucitec. Curso de redação em duas panes uma para o aluno e outra para o professor. M. BARBOSA. (1986) Os cientistas precisam escrever. M. 1981. Carlos Alberto & TEZZA. Trata-se de uma gramática moderna. K. sor. BASTOS. PLATAO F. David W. (1999) Inventário das sombras. A. C. Emília. ALMEIDA. descrever os usos reais e atuais da língua nas diversas circunstâncias. São Paulo. (1997) Lições de texto: leitura e redação São Paulo. (1989) Curso de redação. Bibliografia para aprofundamento ABREU. Jean-Paul. T. Queiroz. o Estado de S. sem ajuda presencial de um professor. São Paulo. 148 TÉCNICA DE REDAÇÃO CASTELLO. Napoleão M. Severino Antônio & AMARAL. São Paulo. à qual todas as Outras produzidas no Drasil se repoam no que diz respeito à produção de textos Embora não utilize conceitos modernos da lingüjstj textual. Porto Alegre. Ótimo curso completo de produção de texto para estudantes universi tários e outros interessados. CARRAHER. Mattoso. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. (1995) Técnicas de comunicação escrita. ______ & MATTOS. Pode ser utilizado como manual de curso ou como roteiro indiyi dual de trabalho. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia ás ciências humanas. Brasília. pois é organ1a0 a pair de verbetes em ordem alfabética Assim como um bom dicionário. São Paulo. Obra Clássica. FARACO. A. Petrópolis. (1986) Co0j ão enj prosa ‘noderna Rio de Janeiro. Evanildo. CALKINS. L. F. Rio de Janeiro. BRONCKART. BRASIL. Atica.. BLINKSTEIN. mas. . José. (1999) Atividade de linguagem. Petrópolis. CUNHA. já os antecipava por meio de uma observação aguda do funcionamento dos textos literários Indispensável para todos que querem se aprofdar nas questõe5 da escrita em língua POrtugue MARTINS Eduardo (org) (1997) O Estado de S. São Paulo. Imprensa Nacional. Pode ser usado como manual para cursos de redação ou individualmente. Martins Fontes. Record. (1986) A produção escrita e a gramática. Pau/o Jllanjja/de redaç o e estilo São Paulo. Globo. 1992.

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