TÉCNICA DE REDAÇÃO

O que é preciso saber para bem escrever Lucília Helena do Carmo Garcez

Martins Fontes
São Paulo 2004 /

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Copyright © 2001, Lirraria Mar rins Fontes Editora Ltda., São Paulo, pata a presente edição. l edição abril de 2001 2 edição agosto de 2004 Revisão gráfica Mar ia Luiza Farret Célia Regina Cantargo Produção gráfica Gera/do Ai: es Paginação/Fotolitos Studio 3 Desenvolvimento Editorial Dados beternacionais de Catalogação na Publicação (CW) (Câmara Brasileira do Livro. SP, Brasil) Garcez, Lucília Helena do Carmo Técnica de redação o que é preciso saber para bem escrever / Lucfl/a Helena do Carmo Garcez. — 2 cd. — São Paulo Martins Fontes. 2004. (Ferramentas) Bibliografia. ISBN 85-336-2038-1 1. Redação (L/teratura) 2. Redação técnica!. Título. II. Série. 04-5414 CDD-808.066 Índices para catálogo sistemático: 1. Redação técnica 808.066 2. Textos : Produção: Redação 808.066 Todos os direitos desta edição para a língua portuguesa reservados à Livraria Martinn Fontes Editora Lida,

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Índice
Introdução xiii Capítulo 1 Os mitos que cercam o ato de escrever 1
. —

1. Verdades e mentiras 1 2. Reconsiderando crenças 10 3. Novas atitudes em relação à escrita 11 4. Prática de escrita 11 Capítulo 2— Como escrevemos 13 1. Outras visões acerca do ato de escrever 13 2. A escrita como processo 14 3. Conhecendo melhor o processo de escrita 20 4. Novos procedimentos na escrita 21 5. Prática de escrita 21 Capítulo 3 — A qualidade da leitura 23 l.Oqueéleitura 23 2. Recursos para uma leitura mais produtiva 27 3. Os tipos de leitura e seus objetivos 29 4. Procedimentos estratégicos de leitura 30 5. Conhecendo melhor o processo de leitura 45 6. Prática de leitura 45 Capítulo 4 — Da leitura para a escrita 47 1. O trabalho com a memória 47

2. Resumos, esquemas e paráfrases 49 3. Conservando e reutilizando o que foi lido 59 4. Prática de síntese 59 Capítulo 5 — Decisões preliminares sobre o texto a produzir 61 1. Tomando decisões 61 2. Funções da linguagem 61 3. Decisões em relação às estruturas lingüísticas 72 4. Gênero e tipo de texto 79 5. Decisões orientadoras 84 6. Prática de tomada de decisões 84 Capítulo 6 — A ordem das idéias 87 1. A concepção das idéias 87 2. Das anotações para o texto 94 3. A organização das idéias 97 4. Da concepção à organização das idéias 109 5. Prática de organização 110 Capítulo 7 — O entrelaçamento das idéias 111 1. O tecido aparente do texto lii 2. Mecanismos de coesão textual 112 3. Problemas decorrentes da ausência de coesão 115 4. Entrelaçando as idéias 122 5. Prática de entrelaçamento 123 Capítulo 8 — A reescrita de textos 125 1. A releitura como avaliação para a reescrita 125 2. A impessoalização do texto 127 3. Uso do vocabulário 129 4. Estrutura dos períodos 135 5. A pontuação 136 6. A questão da ortografia 138 7. O uso do sinal indicativo de crase 140 Carta ao leitor 143 Bibliografia comentada de apoio ao aluno 145 Bibliografia para aprofundamento 147

“O escrever n0 tem rim» Scribendi Fedro Fábulas

Para Adriana, Cristina, Fabiana, Gabriel e Ana Flávia. AGRADECIMENTOS A Lígia Cademartori, pela confiança e pelas sugestões; Balthar, pelo estímulo solidário; Maria Luiza Corôa, pela parceria e pelos comentários; e aos professores/alunos, que tanto contribuíram durante estas reflexões.

Introdução
Produzir textos é uma atividade extremamente necessária tanto na vida escolar como na vida profissional e no dia-a-dia. Entretanto, no meu cotidiano docente, tenho encontrado alunos, jovens e adultos já formados, ansiosos, assustados, desencorajados, e, principalmente, desorientados quanto às habilidades e atitudes necessárias ao convívio mais natural e simples com a escrita. Percebi que muitas dessas posições negativas em relação ao ato de escrever haviam sido lentamente construídas ao longo da história escolar de cada um e que provinham de um desconhecimento da natureza, das especificidades e das exigências da escrita. Estimulada por alunos e colegas, decidi organizar as reflexões desenvolvidas ao longo de muitos anos de trabalho. Não quis produzir um tratado acadêmico acerca de redação, nem um livro didático, no sentido usual desse manual escolar, nem também um livro de exercícios impessoais de treinamento (pois há muitos, e bons, no mercado). Parti, então, das observações anotadas durante cursos e conversas com alunos (professores e futuros professores) da universidade, das minhas pesquisas em lingüística, de meu interesse por depoimentos de escritores, e de minhas próprias experiências como pessoa que escreve. Sempre acreditei que para ensinar a escrever era necessário viver intensamente o desafio da minha própria escrita. Adoto a vertente teórica que vê a língua, não apenas como uma herança social, mas como uma forma de ação, um modo de vida social, uma construção coletiva. A interação verbal e as relações coletivas e sociais constitutivas do jogo da linguagem, como elementos fundamentais que se conjugam na construção da língua, exercem sobre mim um fascínio que dá sentido à existência. Assim, não posso focalizar a produção de textos restrita a um conjunto limitado de regras que podem ser repassadas, memorizadas e aplicadas sem a participação e interferência do sujeito. Esse é o agente de uma ação intencional e estratégica sobre o interlocutor ou sobre o mundo, que constrói realidades e interpretações, numa determinada situação cultural. Procurei, neste livro, desmitificar, desconstruir idéias equivocadas, provocar uma mudança de atitude em relação ao ato de escrever e, conseqüentemente, ao de ler. Não proponho tarefas que se esgotam em si mesmas, mas procuro abrir novos horizontes para uma prática contínua e sempre enriquecedora do universo lingüístico, da auto-estima e da atividade intelectual do leitor. Escrevi este livro para quem está pessoalmente interessado em renovar suas próprias práticas de escrita, mas penso que professores que trabalham com o ensino de redação em qualquer nível são interlocutores bem-vindos às reflexões que proponho. A autora XIV
TÉCNICA DE REDAÇÃO

Capítulo 1

Os mitos que cercam o ato de escrever
1. Verdades e mentiras

e muitos passam por etapas semelhantes aos redatores leigos. Quando resolvi experimentar escrever. são esses fatores que vão definir também nossa maturidade e nosso desempenho na produção de textos. fica infeliz. nunca foram alfabetizados? José J. Quais são as falsas crenças. ela ficaria apresentável. É preciso. e gostei do resultado. você é uma exceção. Caso a escrita fosse um dom inato. pois até mesmo profissionais maduros demonstram insegurança em relação à própria expressão escrita.. a intensidade do convívio estabelecido com o texto escrito e a freqüência com que escrevemos. Mas quando a gente joga a toalha. bem como alguns professores. que amadureceu devagar.Durante sua vida escolar. mas aqui vamos refletir acerca dos mais devastadores. renomado autor brasileiro. um ato espontâneo que não exige empenho.” “Não recebi esse talento quando nasci. Dessa forma. 1988. Consertei. compreender que todas as pessoas podem chegar a produzir bons . Animado. achei que não estava ruim. antes de tudo.” “Não fui escolhido. E o seu caso? Se não for. qual seria o papel da escola? E o que aconteceria com aqueles que. tanto na história humana como na história de cada indivíduo. 4 ed. contribuíram para que crenças. todos podem escrever bem. E claro que não estamos tratando. um ato autônomo. A noção de dom. os mitos mais freqüentes em relação à escrita? Há muitos.” Essas são algumas das afirmações mais freqüentes entre alunos de cursos de produção de textos. e desanimei. com uns consertos aqui e ali. que são os que levam alguém a acreditar que escrever seria um dom que poucas pessoas têm. A escrita é uma construção social. Entretanto. colegas. bloqueados diante da página em branco. Voltei a tentar. principalmente porque exige envolvimento pessoal e revelação de características do sujeito. nem sempre as mais adequadas. aqui. levantei até que um dia escrevi uma história que quando li de cabe ça fria. desligado da leitura. um ato isolado. apanhei. uma questão que se resolve com algumas “dicas”. São Paulo: Editora Atica. As atividades escolares e os livros didáticos. Mesmo assim. coletiva. tendo recebido o dom. não gostei. 8. escrevi outras e outras histórias. caí. nessa batalha permanente. embora polêmica e questionável. Conseqüentemente. O que vai determinar o nosso grau de familiaridade com a escrita é o modo como aprendemos a escrever. poderia ser aplicada a alguns poucos gênios da literatura. admitiu que até mesmo o talento. Ninguém nasce escritor e o processo que transforma alguém em um artista da palavra é ainda um enigma. Escrevi uma história. Eu estava descobrindo que ler é milito mais fácil do que escrever. Mas é uma batalha curiosa: as derrotas que a gente sofre nela não são derrotas. da escrita literária. são lições para o futuro. a vocação ou o dom dependem de muita persistência: Como começou a escrever? Foi um processo demorado. Embora seja uma das tarefas mais complexas que as pessoas chegam a executar na vida. Poucas pessoas conseguem escapar de um conjunto equivocado de influências e construir uma relação realmente saudável com o ato de escrever. pais. e acaba voltando à luta. 2 TÉCNICA DE REDAÇÃO a) Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas pessoas têm “Eu não tenho o dom da escrita. algo desnecessário no mundo moderno. 7. a importância que o texto escrito tem para nós e para nosso grupo social. você deve ter cristalizado alguns mitos a respeito da produção de textos. p. muitos jovens crescem pensando que nunca serão bons redatores. desvinculado das práticas sociais. não consegui da primeira OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER vez. Vol.fazer. a revelação desses gênios só acontece depois do processo de aprendizagem e do convívio intenso com a língua escrita. Para gostar de ler. que têm texto péssimo e que não há formas de melhorar o desempenho na produção de textos. Veiga. O aprendiz precisa das outras pessoas para começar e para continuar escrevendo. vamos usar alguns depoimentos e exemplos de escritores porque neles a luta com as palavras é muito evidente. fossem se configurando e se enraizassem. entrega os pontos num assunto que sente que é capaz de.

pensamentos. aos possíveis leitores. essa possibilidade de expandir pela palavra escrita emoções. trabalhando. Entanto lutamos mal rompe a manhã. não conseguimos traduzir com propriedade. Eu me vigio muito para não fazer aquilo que em linguagem popular se diz “encher lingüiça “. leigos. Folha Ilustrada. Eu desbasto o texto. significados. Aí você descobre que a linguagem é tosca. p. A agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos envolvidos na escrita sejam articulados. ao gênero adequado. tem que usar a linguagem. A tarefa pode ir ficando paulatinamente mais fácil para profissionais que escrevem muito. e que isso não é uma questão de ser “ungido” pelos deuses que escolhem os mais talentosos. Continuemos com o depoimento de José J. e que é. São muitas. mas mesmo esses testemunham que é um trabalho exigente. Para refletir sobre estas questões. harmonizados de forma que o texto seja bem sucedido. Deixam-se enlaçar. escrever é incompatível com a preguiça. em que essa relação de necessidade. E necessário que o redator utilize simultaneamente seus conhecimentos relativos ao assunto que quer tratar. todos os dias. sem o menor esforço. à língua e suas possibilida 3 4 TÉCNICA DE REDAÇÃO des estilísticas. Vocé imagina as coisas. amor e conflito em relação às palavras é apresentada de maneira extraordinária: OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER O LUTADOR 5 Lutar com palavras é a luta mais vã. Portanto. Não é assim. agora em uma outra entrevista: O senhor é muito conhecido por reescrever incessantemente seus textos. Tiro o bagaço para deixar apenas o que tem peso. Então você fica trabalhando. Conhecimentos de natureza diversa são acessados para que o texto tome forma. a essência. Paulo. que nós. à situação em que o texto é produzido. tão substantiva? — É. Mas lúcido e frio. Por que o senhor reescreve? — Epor conta de uma grande insatisfação. O que admiramos na literatura é justamente essa especificidade. Escrever é uma das atividades mais complexas que o ser humano pode realizar. mas. sensações. escrever não é fácil e. 1999. insatisfatório. de Carlos Drummond de Andrade. coordenados. Algumas. Faz rigorosas exigências à memória e ao raciocínio. tontas à carícia e súbito fogem e não há ameaça e nem há sevícia . 8. E necessário também identificar bloqueios porventura construídos ao longo da vida escolar e tentar eliminá-los. quando quer pôr aquilo no papel. considere o poema. l7jun. — Por isso a linguagem do senhor é tão seca. Se o fosse. eu pouco. para chegar o mais próximo possível. principalmente. cansativo. até visualiza. muitas vezes. Veiga. já clássico. Não me julgo louco. sem a menor dificuldade. Folha deS.textos. b) Escrever é um ato que exige empenho e trabalho e não um fenômeno espontâneo Muitas pessoas acreditam que aqueles que redigem com desenvoltura executam essa tarefa como quem respira. teria poder de encantá-las. Sempre queremos um texto ainda melhor do que o que chegamos a produzir e poucas vezes conseguimos manter na linguagem escrita todas as sutilezas da percepção original acerca de um fato ou um pensamento. São Paulo. Não acompanha o que você quer fazer. apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. frustrante. tão fortes como o javali.

se me desafias. ó palavra. Na voz. pressinto que a entrega se consumará. tudo se evapora. sem roteiro de unha ou marca de dente nessa pele clara. Insisto. solerte. Palavra. Mas ai! é o instante de entreabrir os olhos: entre beijo e boca. e um sapiente amor me ensina a fruir de cada palavra a essência captada. Lutar com palavras Parece sem fruto. iludo-me às vezes. Guardarei sigilo de nosso comércio. Carlos Drummond de Andrade e) Escrever exige estudo sério e não é uma competência que se forma com algumas “dicas” A idéia de que algumas indicações e truques rápidos de última hora podem solucionar problemas de produção de tex tos tanto para candidatos a concursos como para profissionais . esta me ofertando seu velho calor. nenhum travo de zanga ou desgosto. O ciclo do dia ora se consuma e o inútil duelo jamais se resolve. o sutil queixume. Cerradas as portas. perpassam levíssimas e viram-me o rosto. Ser-lhes-ei escravo de rara humildade. Sem me ouvir deslizam. Tarnanha paixão e nenhum pecúlio.que as traga de novo ao centro da praça.. Não encontro vestes. não seguro formas. Busco persuadi-las. outra sua glória feita de mistério. Quisera possuir-te neste descampado. palavra (digo exasperado). outra seu ciúme. Já vejo palavras em coro submisso. luto. aceito o combate. Entretanto. luto todo o tempo. O teu rosto belo. esplende na curva da noite que toda me envolve. é fluido inimigo que me dobra os músculos e ri-se das normas da boa peleja. Não têm carne e sangue. Luto corpo a corpo. a luta prossegue nas ruas do sono. sem maior proveito que o da caça ao vento. outra seu desdém.. Preferes o amor de uma posse impura e que venha o gozo da maior tontura.

esclarecedoras. Escrever bem é o resultado de Um percufSo Coflstijdo de muita prática. atestados. recibos. paradoxalmente. Portanto este é imprevisível. a leitura é um propulsor do desenvolvimento das habilidades cognitivas. atuar e possuir: certidões. É pela leitura que assimilamos as estruturas próprias da língua escrita. Seu exercício intenso e constante promove a análise e a reflexão sobre os fenômenos e acontecimentos. realizamos ou dese 7 ‘ .a d !eitur É improvável que um mau leitor chegue a escrever com desenvoltura. projetos. cédulas. é o objetivo da escola Fórmulas pré_fabricadas de textos e “dicas” isoladas apenas Contribuem para a montagem de um texto defeituoso truncado. tornando a pessoa mais crítica e mais resistente à dominação ideológica. declarações. sem apoio do contexto ou da expressão facial. Além de ser imprescindível como instrumento de consolidação dos conhecimentos a respeito da língua e dos tipos de texto. o complexo mundo contemporâneo está cada vez mais exigente em relação à escrita. frases feitas e pensamentos alheios. A autoria vem das escolhas pessoais dentro das POSSjbilid des da língua e do gênero. escrituras. Há ainda que se considerar que a leitura é uma das formas mais eficientes de acesso à informação. contratos. escrever sobre assuntos diversos. diplomas. com sua bagagem de conhecimentos e experiências sobre o mundo e sobre a linguagem Não existem esque5 prévios ou roteiros infalíveis que Possam substituir tal envolvimento É a voz do indivíduo que orienta O texto. dependendo do mundo profissional a que pertence. Essas exigências advêm do fato de estarmos nos comunicando a distância.iia com aprálit. Uma redação por flês. certificados. relatórios. Hoje. tem engan0 e enriquej0 muitos donos de escola e de cursinhos Muitos professores oferecem uma espécie de formu1áro mental do que seria um bom texto para que o estudante preencha as lacunas. Quando estão isoladas de uma prática intensa.6 TÉCNICA DE REDAÇÃO que precisam mostrar competência escrita em curtíssimo prazo. muita reflexão e muita leitura. o vocabulário e a própria organização do discurso. Tudo o que somos. comunicados inundam a nossa vida cotidiana. ser. não ajudam em nada. alguns exercícios esporádicos de Produção de pequen05 trechos não formam um bom redator. Precisamos de documentos escritos para existir. O que é a leitura é o nosso assunto do capítulo 3. iluminadoras. Envolve tantos procedimentos intelectuais e exige tantas operações mentais que o bom leitor adquire maior agilidade de raciocínio. d) Escrer é um prá lica que se aIic. acreditando que prescrever esse procedimento muitas vezes Suficiente para conseguir desempenho mínimo num concurso. comprovantes. suas exigências. propostas. Alguns conseguem mesmo reduzir sua atividade escrita à assinatura de cheques e documentos. É pela convivência com textos escritos de diversos gêneros que vamos incorporando às nossas habilidades um efetivo conhecimento da escrita. registros. escreve muito pouco. Para nos comunicarmos oralmente apoiam0 nos no contexto. Tratamos de forma diferente a sintaxe. e) Escrever é necessário no mundo moderno Observa-se que o cidadão comum. escrever com diversos objetivos escre ver em diversas situações Associadas a muita prática. as “dicas” fornecidas a partir de dificuldades reais vivenciadas na produç0 de textos podem ser úteis. temos. E necessário escrever sempre escrever todos os dias. tudo está muito automatizado e as relações humanas por intermédio da escrita podem ser reduzidas ao mínimo: o telefone resolve a maior parte dos problemas do cotidiano. E uma ação em que o sujeito se envolve de forma total. Por outro lado. artificial em que a voz do autor SC anula para dar lugar a clichês chavões. temos a Colaboração do ouvinte Já OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER a comunicação escrita tem suas especificidades.

Exige muito empenho. Então veio a bomba” sobre nós: 28 milhões de pessoas morrem de fome neste exato momento no Brasil. Brasília. Reconsiderando crenças Vimos que escrever não é um dom que apenas algumas pessoas têm. por exemplo. E nossa habilidade de escrever é exigida. 2. Essas práticas de comunicação em sociedade se configuram em gêneros de texto específicos a situações determinadas. Pela escrita estamos atuando no mundo. A produção de textos é uma forma de reorganização do pensamento e do universo interior da pessoa. Veja o exemplo desta carta enviada ao jornal Correio Braziliense por uma leitora: Primeiro de tudo. medida. Mesmo na informática.é um trabalho duro. 10 ago. mas não serve para contar uma viagem de férias para os amigos. e não pôde deixar de nos OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER 9 informar sobre a população que está morrendo de fome no Brasil. exigem-se dos homens as habilidades que lhes são exclusivas. J) Escrever é um ato vinculado a práticas sociais Todo ato de escrita pertence a uma prática social. em que momento e de que modo 10 TÉCNICA DE REDAÇÃO deve utilizá-lo. Assim. Correio Braziliense. desvinculada do que o indivíduo realmente pensa. sempre que nos propomos a integrar os órgãos que conformam o sistema da cidadania urbana. mas apenas uma forma de demonstração de habilidades gramaticais. acredita. como a produção de textos. O professor citou que sua namorada trabalha nas Nações Unidas. a cada dia mais seletivo. isolada. mais do que a população da Argentina. Brasil! O governo não é o único culpado. podemos agir. Nem sempre as “dicas” oferecidas pelos professores e colegas são suficientes para a elaboração de um texto fluente. necessidade temos à nossa disposição um acervo de textos apropriados. E. Além disso. de uma investigação. A escrita não é apenas uma oportunidade para que a pessoa mostre. Não se escreve por escrever. tudo é mediado pela escrita. A sociedade também é. Navegar ou conversar na Internet exige um convívio especial com a escrita. Todos podem vir a ser bons redatores. o produtor de texto não apenas tem conhecimentos sobre as configurações dos diversos gêneros. gostaria de parabenizar o Jornal que é muito bom. o que pensa. quando começamos a debater a pobreza e a fome nos países. avaliada. 1999. estamos nos relacionando com os outros e nos constituindo como autores. Vale o escrito. toda a nossa civilização ocidental é regulada pela escrita. Saber escrever é também compartilhar práticas sociais de diversas naturezas que a sociedade vem construindo ao longo de sua história.8 TÉCNICA DE REDAÇÃO jamos realizar deve estar legitimado pela palavra escrita. vale o escrito. Essa carta é um exemplo de como a participação pela escrita confere ao indivíduo um novo canal de relacionamento com o mundo. defende e quer compartilhar ou expor ao outro como forma de interação. D. p. objetivo. adequado. L. Seção Cartas dos Leitores. A escrita tem um sentido e uma função. Como vimos no item anterior. Pelo texto escrito modificamos o nosso contexto e nos modificamos simultaneamente. Para nós. Isso me deixou muito irritada. para. a redação escolar. Um relatório é próprio para prestar contas de uma pesquisa científica. Os truques podem ajudaros redatores que já estão em meio ao . de uma tarefa profissional. se somos culpados. Estava no meu curso de inglês. Os profissionais que dominam essas habilidades mais complexas e sofisticadas têm mais chances no mercado de trabalho. sempre que nos submetemos a qualquer processo seletivo. Parabéns! Segundo. claro. mas também sabe quando cada um deles é adequado. pelo menos. como sujeitos de uma voz. 16. razão por que faço um apelo: por favor. em que acredita. mas também para que descubra o que é. comunique o que sabe. incluindo o Brasil. gostaria de expor a minha opinião sobre um fator que está acabando com o Brasil nestes últimos anos: a fome. na quinta-feira (dia 5). não pode ser considerada escrita. Para cada situação. tentar controlar e acabar com essa catástrofe! M. desejo. investigada. Entretanto. o que quer. Assim. vamos tomar uma providêneia séria. aqui em Brasilia. escrever não é um ato espontâneo. enquanto o trabalho primário vai sendo atribuído às máquinas. O que antes se resolvia simplesmente com uma ligação telefônica passou a ser substituído por um texto escrito transmitido via fax ou e-mail.

mas não funcionam isolados de muito exercício. um analista. expectativas. PROJETOS. além de desbloquear a mente e desenferrujar a mão. CARTAS. Estudos de várias áreas do conhecimento nos levam a refletir sobre essas questões: lingüistas. IR MAIS PROFUNDAMENTE ÀS QUESTÕES. RESUMOS DE LEITURAS. LER MELHOR A CADA DIA. QUERER SABER MUITO MAIS. LER DIVERSOS TIPOS DE TEXTO. seus avanços e retrocessos. OS MITOS QUE CERCAMOATO DE ESCRE VER 11 PARA QUEM GOSTA DE “DICAS” 3. no qual você conta toda a história como se fosse a de uma outra pessoa. para avaliar se as informações estao compreensíveis. ACREDITAR QUE VOCÊ PODE ESCREVER BEM. um professor. psicólogos. LER MUITO. vivem de escrever. DEIXAR A PREGUIÇA DE LADO E SE ESFORÇAR. Compreendemos também que a leitura é imprescindível paraque o redator chegue a apresentar um bom desempenho.processo de desenvolvimento da própria produção escrita. Dependemos da escrita para existir efetivamente e atuar no mundo. escrevem com desenvoltura. Observe o depoimento da escritora Lygia Fagundes . em tom de depoimento (talvez no formato de carta). focalizando principalmente as situações de escrita que ficaram gravadas em sua memória. mas ainda é muito pouco diante do que precisamos descobrir. A escrita é muito necessária no mundo moderno. sua escola. Capítulo 2 Como escrevemos 1. sobre como as pessoas chegam a ser realmente ótimas redatoras. NÃO SE PODE FICAR SATISFEITO COM “DICAS” ISOLADAS E FRAGMENTADAS. Esse diário pode oferecer muitas pistas para sua trajetória de crescimento. sociólogos. Prática de escrita a) Para desmontar de vez suas crenças inadequadas a respeito de sua relação com a escrita. Tente formular uma narrativa que explique ou justifique como foi construída a sua ex12 TÉCNICA DE REDAÇÃO penência de escrita até hoje. oferecendo-nos um quadro multifacetado de conhecimentos acerca do fenômeno. b) Transforme essa narrativa em um texto em terceira pessoa. educadores.. porque podem esclarecer alguns pontos duvidosos ou obscuros da escrita e da organização do texto. empreenda uma viagem na memória. Reveja todo o seu percurso escolar e profissional. Escreva um texto em primeira pessoa. DIÁRIO. pois ela oferece oportunidades de contato intenso com as infinitas possibilidades da língua. sucessos e fracassos escolares e profissionais. TEXTOS COM SUAS OPINIÕES ACERCA DE ACONTECIMENTOS. ESTÁ MELHORANDO E QUE VAI CHEGAR LÁ IMPULSIONA O APERFEIÇOAMENTO. como vai transformando seus conceitos acerca da escrita. SER AUTOMOTIVADO. Novas atitudes em relação à escrita É IMPRESCINDÍVEL: ESCREVER TODOS OS DIAS: ANOTAÇÕES DE AULA. Outras visões acerca do ato de escrever Os pesquisadores já sabem muita coisa sobre a escrita.. sobre o que acontece com a mente das pessoas durante o ato de escrever. Lembre-se de quando aprendeu a escrever. suas observações acerca do que escreve diariamente. antropólogos vêem a escrita sob seus diversos aspectos. uma vez que as práticas sociais que estruturam as nossas organizações contemporâneas são mediadas por textos escritos. BILHETES. neurologistas. e) Mantenha um caderno de anotações datadas de impressões e reflexões sobre sua relação com o texto escrito. Um dos caminhos mais interessantes para compreender o ato de escrever é considerar os depoimentos de pessoas que escrevem todos os dias. com os diversos gêneros e tipos de texto e com as informações e idéias que circulam no nosso universo. para um interlocutor imaginário que pode ser um amigo. colocando-se no lugar do leitor. seus professores. CONSIDERAR A ESCRITA COMO UMA HABILIDADE IMPORTANTE PARA O NOSSO SUCESSO PROFISSIONAL. Releia. RECONHECER QUE PELA ESCRITA PARTICIPAMOS MAIS DO MUNDO. 4. coloquial. suas experiências. informal.

O texto somente se constrói e tem sentido dentro de uma prática social. Voltava a reagir. 14 TÉCNICA DE REDAÇÃO investindo. Poeira. Cada pessoa deve descobrir como procede durante a escrita.. mas tanto soco em vão. expressar uma emoção ou sentimento. Humor. 2. que nível de linguagem deve ser utilizado. vendo na tevê um drama de boxe. o fervor acendendo a fresta do olho quase encoberto pela pálpebra inchada. Acertava às vezes. monitorando-o para que não fuja da rota e desande em outras direções. narrar uma aventura ou apenas provar que sabe escrever bem para ser aprovado numa seleção. 1988. sangue. E a tarde. formato. Insistindo mas o que mantinha o lutador em pé? Duas vezes beUou a lona. ficou só a imagem do lutador já cansado (tantas lutas) e reagindo. comunicar um fato. o processo de escrita já está desencadeado. PRÁTICA SOCIAL DE ESCRITA CONTEXTO DA PRODUÇÃO DE TEXTO ASSUNTO TEXTO EM PROCESSO DE PRODUÇÃO MOTIVAÇÃO OUJA PRODUZIDO NECESSIDADE ___________________ ________________ IDÉIA DE LEITOR PROCESSAMENTO ESCRITA REESCRITA MEMÓRIA GERAÇÃO VERSÕES RELEITURAS ASSUNTO ORGANIZAÇÃO REVISÕES LÍNGUA GÊNEROS MONITORAÇÃO AVALIAÇÃO CONSTANTE DO PROCESSO Estabelecida a necessidade de escrever. Outro possível caminho para entender a escrita é observarmos nossos próprios processos enquanto trabalhamos em um texto. estabelecer um pacto. para explorar melhor e com mais consciência esses procedimentos. Desliguei o som. p. como disse o poeta. chega! Mas ele ia buscar flirças sabe Deus onde e se levantava de novo. É sobre essa base de orientação que o produtor do texto vai coordenar o seu próprio trabalho.. Para gostar de ler. apresentar COMO ESCREVEMOS 15 uma proposta de trabalho. Humildade. Luta que requer paciência.) E de repente me emocionei: na imagem do lutador de boxe via imagem do escritor no corpo-a-corpo com a palavra. 3 cd. E ele ali. às vezes seqüenciais. o que mobiliza o indivíduo a começar a escrever um texto é a motivação. 9. mas que lhe toma a manhã. Todas essas ações estão profundamente articuladas ao contexto em que se originou e em que acontece a produção do texto. aplauso? (. quais as condições práticas de produção: tempo. quem provavelmente vai ler. O produtor já tem imediatamente em mente algumas informações sobre a tarefa: quais os objetivos do texto. reivindicar um direito. é melhor desistir. Há também idas e vindas: começa-se uma tarefa e é preciso voltar a uma etapa anterior ou avançar para um aspecto que seria posterior. 7. Me lembro que estava num hotel em Buenos A ires. Uma luta que pode ser vã. Fiquei vendo a imagem silenciosa do lutador solitário — mas quem podia ajudá-lo? Era a coragem que o sustentava? A vaidade? Simples ambição de riqueza. compreende-se que a escrita é uma atividade que envolve várias tarefas. 16 TÉCNICA DE REDAÇÃO . A escrita como processo Um caminho mais científico é a analise das contribuições que a lingüística nos trouxe sobre o ato de escrever. relatar uma experiência. é a razão para escrevê-lo: emitir e defender uma opinião. Vol. qual é o assunto em linhas gerais. qual o gênero mais adequado aos objetivos. às vezes simultâneas. Resistindo. o adversário tão ágil. São Paulo: Editora Atica. alguém sugeriu que lhe atirassem a toalha. Sob essa perspectiva. suor. regular normas. fugidio.. apresentação. Assim. desviando a cara. Até a noite. seja para aperfeiçoá-los ou para transformá-los. que grau de subjetividade ou de impessoalidade deve ser atingido.Telles: Como você definiria o ato de escrever? Uma luta.

conhecê-las. elaborar inicialmente uma espécie de sumário ou esquema geral do texto. podemos: enfatizar as idéias principais. independentes. Tomadas essas primeiras decisões e providências. mas de leitor. quando ela não tem estoque suficiente para o que desejamos. foi um guia obstinado na intrincada e vasta bibliografia bolivariana O ex-presidente Bel isarjo Betancur me esclareceu dúvidas esparsas durante todo um ano de consultas telefônicas. o lingüista mais COMO ESCREVEMOS 17 popular e prestativo da Colômbia. embaixador do Panamá na Colômbia e mais tarde chanceler de seu país. pp. Procuramos então relê-lo com olhos não mais de autor. fez vários vôos urgentes só para me trazer alguns dos seus livros inencontráveis Dom Francisco de Abrisqueta. pela simples razão de que faltavam vários anos para a manga chegar às Américas. quais são os pontos obscuros. O historiador bolivarjano Vjnjcio Romero Martínez me ajudou de Caracas com achados que me pareciam impossíveis sobre os coslumes particulares de Bolíva. esse trabalho de ajuste é imprescindível. o raciocínio: para preencher os vazios da memória. escrever a idéia principal e as secundárias em frases isoladas para depois interligá-las. Memória vazia produz texto fraco. se manteve ao alcance do meu telefone para me esclarecer dúvidas maiores e menores. escrevê-lo e reestruturá-lo várias vezes. Quando há tempo e paciência estendemos essa tarefa ao infinito. a análise. idéias secundárias. a observação. de Bogotá. sem substância informativa ou lingüística. desordenadamente. O general em seu labirinto. fizeram o inventá rio das noites de lua cheia nos primeiros trinta anos do século passado. me fez o favor de pesquisar o sentido e a idade de alguns localismos. para depois cortar e ordenar. não se preocupe. e ainda os conhecimentos sobre os assuntos e informações que serão tratados no texto. ambíguos que merecem reestruturação. anotar tudo o que vem à mente. Utilizamos a memória durante todo o processo de produção do texto e. reordenar as informações. ou tenha um processo pessoal diferente dos que fo L 18 TÉCNICA DE REDAÇÃO ram enumerados acima. A primeira versão de um texto ainda é muito insatisfatória. Gabriel García Márquez. temos que procurar a informação o conhecimento para enriquecêl Gabriel Garcia Márquez. o geógrafo Gladstone Oliva e o astrônomo Jorge Pérez Doval. exemplos. professor da Univers idade Nacional Autônoma do México. — em especial seu linguajar grosso — e sobre o caráter e o destino de seu sé quito.A memória do redator já está acessada em várias vertentes e é um fator importantíssimo na construção do texto. além de uma revisão implacável de dados históricos na versão final A ele devo a advertência providencial de que Bolívar não podia ‘chupar mangas com deleite infantil”. Rio de Janeiro: Record. 1989. dominá-las. confusos. não se satisfez com sua própria memória e contou com diversos colaboradores. 268-9. Observe algumas dessas preferências (na hipótese de produção de um texto informativo) e veja em qual delas você se enquadra: fazer anotações soltas. Roberto Cadavid (Argos).prima do texto os conhecimentos sobre organização dos diversos tipos de texto. quando escreveu o romance histórico O general em seu labirinto. . e estabeleceu para mim que os versos citados de memória por Bolívar eram do poeta equatoriano José Joaquín Olmedo. sobre Simon Bolívar. Você verá nos capítulos 3 e 4 alguns procedimentos para ativar e enriquecer a memória. fazer uma lista de palavras-chave. Nos agradecimen0 ele esclarece: —. Nesse momento. E nessa fase de pesquisa que entram a leitura. a reflexão. já está em processamento. Caso você utilize mais de um procedimento para iniciar seu texto. Tentamos descobrir o que nosso leitor compreenderia do texto. Para que o autor fique satisfeito com o seu próprio texto. A pedido meu. podemos considerar que o texto já está sendo produzido.. O importante é começar a ter mais consciência de suas próprias estratégias. Observe quantas pessoas o escritor consultou sobre detalhes importantes para a sua narrativa. construir um primeiro parágrafo para desbloquear e depois ir desenvolvendo as idéias ali expostas. Jorge Eduardo Ritter. sobretudo as relacionadas com as idéias políticas da época. da Academía de Ciências de Cuba. O historiador colombiano Gustavo Vargas. elaborar um resumo das idéias para depois acrescentar detalhes. Com Francisco Pividal mantive em Havana as vagarosas conversas preliminares que me permitiram formar uma idéia clara sobre o livro que pretendia escrever. Nela estão armazenados os conhecimentos sobre a língua matéria. Nesta etapa as pessoas têm procedimentos diferentes. organizar mentalmente os grandes blocos do texto.

especialistas e vão ao extremo de reescrever seus livros mais de dez vezes antes de liberá-los para publicação. quando preparam uma nova edição de textos já publicados. p. 7 ed. ainda. Eles podem ter passado despercebidos.substituir idéias inadequadas. Escritores famosos submetem os originais à leitura prévia de amigos. eliminar idéias desnecessárias. São Paulo: Editora Ática. p. Quando revisa mos. Nunca consideram o texto pronto. corrigir problemas gramaticais. já estamos em plena escrita e. mudar elementos de lugar. Depois de algumas tentativas.. eliminar incoerências. como exemplo. — PP. e um almoço íntimo de Bolívar e Sucre em Bogotá. Vol.) teve a bondade de rever comigo os originais. consideramos que o texto está pronto. acrescentar transições entre os parágrafos. fazendo ajustes e reajustes em cada aspecto. te para especialistas. 7. Outros. erros e erratas. Nosso conhecido escritor Fernando Sabino também trabalha assim: Para mim. até esgotar sete versões. Não devemos pensar numa ordem seqÜenjj rígida como: PLANEJAMENTO> ESCRITA > REVISÃO Pois. alcançar maior exatidão para as idéias. feitos alguns rascunhos.. 3. unindo-os por meio de conectivos ou separando-os por meio de pontuação. acrescentar exemplos. a direção do raciocínio. Quando o produtor do texto tem mais consciência de seus procedimentos mentais tem mais controle sobre eles epode dirigiq05 deforma mais produtiva 3. argumentos. Observe o que Gabriel García Márquez relata ao agradecer uma colaboração: Antonio Bolívar Goyanes (. Mas é preciso. criar vínculos entre uma idéia e outra. Assim aconteceu surpreendermos com a mão na massa um militar que ganhava batalhas antes de nascer. Crônicas. no sentido de que vanlos e voltamos. Nesse caso. regência).. uma viúva que foi para a Europa com seu amado esposo. eliminar palavras ou frases. inconseqüéncias. citações. repetições. Basta dizer. Para isso. Compreender todo esse mecanismo não é importante 5nzen. COMO ESCREVEMOS 19 concordância. pode ter se tornado excessivamente autocrítico. Para gostar de ler. transformar períodos. e de prejudicar a fluência. e num escrutínio encarniçado da linguagem e da ortografia. quando planejamos. voltam a reestruturálos. numa caçada milimétrica de contrasensos. muito exigente consigo mesmo desde o início do texto. 270. 1989. intelectuais. disciplina atenção paciência O texto não . quando escrevemos revisamos simuJtaneent parcelas do texto. quando o redator focalizava a estruturação das idéias. conceitos. Gabriel Garcia Márquez. 1987. acentuação. 20 TÉCNICA DE REDAÇÃO E Paulo Mendes Campos admirável poeta e cronista da mesma geração de Ferndo Sabino afirmou: Quando escrevo sob encomenda não há milito tempo para corrigir Quando escrevo para mim mesmo costumo ficar corrigindo dias e dls — uma curtição Escrever é estar vivo. O general em seu labirinto.7S. o ato de escrever é muito dficil e penoso. mais obsessivos ainda. voltamos ao planejamento para reajustájo ou para reajustar o texto ao objetivo inicial O processo é recursivo. a continuidade do texto. Conhecendo melhor o processo de escrita Vimos como a escrita representa trabalho e exige esforço. pontuação. ele pára a todo instante para resolver questões gramaticais e corre o risco de perder o fio da meada. geralmente. é preciso: acrescentar palavras ou frases. quando um deles se encontrava em Caracas e outro em Quito. tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. uma última leitura para rastrear problemas em relação à norma culta na superficie do texto (ortografia. estabelecer hierarquia entre as idéias. Se o redator foi muito reprimido no processo escolar. que escrevi 1100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300. substituir palavras ou frases. Rio de Janeiro: Record. reagrupando-os de forma diferente.

é simplesmente resultado de uma inspiração divina. MOSTRAR PARA OUTRA PESSOA E ACEITAR SUGESTÕES. COMPREENDER QUE VÁRIAS RELEITURAS GARANTEM O APERFEIÇOAMENTO DO TEXTO. Capítulo 3 A qualidade da leitura 1. Reconheça quais são os passos que utilizou. POIS É UMA PRÁTICA MUITO PRODUTIVA. Não há um modelo único mais correto. muitas dec sões e procedimentos vão se automatizdo Em situações de con COMO ESCREVEMOS 21 curso. Nosso convívio com a leitura de textos diversos consolida também a compreensão do funcionamento de cada gênero em cada situação. Quando terminar o texto ouça o que gravou. Analise seu próprio processo. em que o tempo é limitado. 5. O que é leitura Como vimos. CULTIVAR A PACIÊNCIA. RECONHECER QUE REESCREVER É O PROCESSO NATURAL DE CONSTRUÇÃO DE UM BOM TEXTO. vamos internalizando as suas estruturas e as suas infinitas possibilidades estilísticas. do senso crítico e do conhecimento sobre os diversos assuntos acerca dos quais se pode escrever. Pela leitura vamos construindo uma intimidade muito grande com a língua escrita. o candidato deve abreviar e acelerar as ações. E preciso conhecer os procedimentos mentais e as habilidades necessárias para a escrita para conseguir aperfeiçoá-las. Grave tudo o que acontece em sua atividade mental consciente. A leitura é um processo complexo e abrangente de decodflcação de signos e de compreensão e intelecção do . Nossa forma de ler e nossas experiências com textos de outros redatores influenciam de várias maneiras nossos procedimentos de escrita. 4. Registre com as datas as transformações no seu caderno de anotações pessoais. AFASTAR O DESÂNIMO SE A PRIMEIRA VERSÃO DO TEXTO NÃO FOR SATISFATÓRIA. aplicável a todas as pessoas. uma tarefa profissional ou uma atividade livre como uma carta ou um requerimento. a escrita não pode ser considerada desvinculada da leitura. Além disso. b) Periodicamente. Prática de escrita a) Escolha um tema para produzir um texto. Ninguém escreve a sua primeira versão e se dá por satisfeito. não vem pronto do além para que o redator apenas o transfira para o papel. Novos procedimentos na escrita É NECESSÁRIO: TENTAR CONHECER E ANALISAR O SEU PRÓPRIO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE TEXTO. Pode ser um exercício escolar. faça novo diagnóstico. E preciso reler identificar problemas e reestruturar muitas vezes até que o texto chegue a corresponder aos objetivos iniciais e Possa cumprir sua função de forma adequada Naturalmente medida que o redator vai melhordo seu desempepj0 esse processo vai ficando mais rápido. a leitura é a forma primordial de enriquecimento da memória. Reflita acerca de seus procedimentos: Planeja antes de escrever ou durante a escrita? Tem bloqueio ao começar? Relê cada frase antes de continuar ou vai escrevendo para depois reler tudo? Que decisões toma? 22 TÉCNICA DE REDAÇÃO Falta assunto? Tem dificuldade de encontrar palavras adequadas? Tem dificuldade em organizar os períodos? Sabe onde pontuar? Pensa no leitor? Como avalia o texto? Trabalha na revisão? O que pensa que precisa acelerar ou desacelerar? Esse exercício vai ajudá-lo a construir um controle maior sobre seus processos cognitivos. Tente pensar em voz alta. Ou imagine que está respondendo em uma entrevista à questão: Qual é a sua história pessoal com o ato de escrever? Use um gravador de áudio enquanto estiver planejando e escrevendo. mas não pode eliminá-las ou desprezá-las. Cada indivíduo deve conhecer suas próprias trajetórias e tentar aprimorá-las continuamente.

Pobre vive amontoado em favelas. Efe Agá tem razão. Com toda as suas privações. se fosse pobre. em todas as formas de leitura. levamos em consideração. a sua observação de que é chato ser rico. Lida com a capacidade simbólica e com a habilidade de interação mediada pela palavra. no seu quintal! Todas as emoções que um filho de rico só tem em video game o filho de pobre tem ao vivo. os seguintes conhecimentos prévios: quem é Veríssimo (um escritor de humor. rico ainda sabe que vai viver muito mais do que pobre. qual é a sua posição no jornalismo de sua época (é um dos mais conceituados e respeitados . muito do nosso conhecimento prévio é exigido para que haja uma compreensão mais exata do texto. mas também os da experiência de vida dos indivíduos. Trata-se de nosso conhecimento prévio sobre: a língua os gêneros e os tipos de texto o assunto Eles são muito importantes para a compreensão de um texto. perceber os implícitos. e ainda podendo assistir a uma visita teatral do Ministro da Saúde ao hospital. Muitas vezes o pobre constrói sua própria casa. Para compreender adequadamente esse texto. Quando é que um rico terá a mesma oportunidade de mexer assim com o barro da vida. É preciso compreender simultaneamente o vocabulário e a organização das frases. ações e motivações. 24 TÉCNICA DE REDAÇÃO Os procedimentos de leitura podem variar de indivíduo para indivíduo e de objetivo para objetivo. ali.folheando uma National Geographic de 1950. os outros textos de Luís Fernando Veríssimo (sempre de humor e ironia). deve ter suspirado e pensado que. Esse é o jogo que torna a leitura produtiva. quase em estado natural.mundo que faz rigorosas exigências ao cérebro. sentenças. da sua autoria. maliciosamente. aquilo não estaria acontecendo com ele. Mais de um rico obrigado a esperar dez minutos para ser atendido por um especialista. E eu concordo com o presidente. em geral. identificar o tipo de texto e o gênero. exercer sua criatividade e morar num lugar que pode A QUALIDADE DA LEITURA 25 chamar de realmente seu. as relações estabelecidas com o nosso mundo real. Como exemplo. E pior. 2 dez. as ironias. intenções. cronista críti c que se opõe ao governo em questão). 1998. não de brinquedo. e que isso não é tão ruim assim. no seu governo. Correio Braziliense. uma frase do presidente para criticar. conversando animadamente com todos à sua volta. é um inferno. ativar as informações antigas e novas sobre o assunto. Quando lemos apenas para nos divertir. numa 1 alegre promiscuidade que rico só pode invejar. e que seu tédio não terá fim. só precisando cuidar para não levar bala. olhando pela janela. É um trabalho que envolve signos. o que é sempre divertido em vez de se chateando daquela maneira. argumentos. o procedimento de leitura é bem espontâneo. ainda mais neste modelo. O PRESIDENTE TEM RAZÃO Mais uma vez os adversários pinçam. à memória e à emoção. Brasília. objetivos. frases. No caso. Ele estava falando para pobres e preocupado em prepará-los para o fato de que não vão ficar menos pobres e podem até ficar mais. lutando para manter seu lugar. pelo menos até ser despejado? Que filho de rico verá um dia sua casa ser arrasada por um trator? Um maravilhoso trator de verdade. Mas. provas formais e informais. Envolve especficamente elementos da linguagem. além de outros. Ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. vamos analisar uma crônica de Luís Fernando Veríssimo. xingando o funcionário que vem avisar que as senhas acabaram e que é preciso voltar amanhã. Não precisamos fazer muito esforço para manter a atenção ou para gravar na memória algum item. com papelão e caixotes. como são. Ele estaria numa fila de hospital público desde a madrugada. aqui ou no exterior. Pois eu entendi a intenção do presidente.

f 1. reorientação dos próprios procedimentos mentais. A leitura não se esgota no momento em que se lê. Contraste fortu ito que parece um escárnio. A QUALIDADE DA LEITURA 27 identificação de palavras-chave. 2. Expande-se por todo o processo de compreensão que antecede o texto. é necessário desenvolver consolidar e automatizar habilidades muito sofisticadas para pertec ao mundo dos que lêem com naturalidade e rapidez Tratase de um longo e acidentado percurso para a compreensão efetiva e responsiva que envolve: decodificação de signos. é uma atividade extremamente complexa pois flo Podemos Coflsjder apenas o que está escrito. ironia] S. analisar ilustrações. quem é o presidente a que ele se refere (o presidente da República no ano de publicação. a que fala do presidente ele se refere (a comparação que estabeleceu entre a vida do pobre e do rico).’ eu entendi opresiden te. que no Dicionário Auréjio Eletrônico é definida como: [Do grego eiróneia Interrogação. eu concordo com o presidente Quando comparamos as descrições da forma de vida dos pobres e dos ricos e a afirmação de que ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. Há procedimentos espec(ficos de seleção e hierarquização da informação como: observar títulos e subtítulos. Recursos para uma leitura mais produtiva Um leitor ativo considera os recursos técnicos e cognitivos que podem ser desenvolvidos para uma leitura produtiva.cronistas de costumes e de política. No texto analisado por exemplo. pois suas idéias são contrárias ao que está escrito. avaliação do processo realizado. Entre1açafl0 essas informações e a forma como o texto foi escrito. seus textos são publicados em espaços nobres dos principais jornais e revistas brasileiros). Vamos analisar algumas dessas habilidades. construção de inferências. . Como a leitura faz inúmeras solicitações símuitâneas ao cérebro. explora-lhe as possibilidades e prolonga-lhe o funcionamento além do contato com o texto propriamente dito. vamos reconsiderar o título e as idéias que se repetem pelo texto: o presidente tem razão. 1998). controle de velocidade. Modo de exprimirse que Consiste cai dizer o contrário daquilo que se está pensando ou sentindo ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem. elaboração de hipóteses. 2. focalização da atenção. seleção e hierarquização de idéias. Sarcasmo. para compreender as intenções e Posições do autor lemos muito mais o que não está escrito. zombaria Nessa experiência podemos constatar que a leitura não é um procedimento simples. Ao contrário. associação com informações anteriores. 3. antecipação de informações. pelo latim. compreensão de pressupostos. 26 TÉCNICA DE REDAçJ0 qual é a situação social do Brasil em nossa época e como é realmente a vida nas classes menos favorecidas. interpretação de itens lexicais e gramatjcj5 agrupa0 de palavras em blocos conceituais. produzindo efeitos na vida e no convívio com as outras pessoas. penetramos no mundo da ironia. 1 L.

para comunicar um texto a um auditório. relacionar e integrar. reconhecer relações lexicais! morfológicas! sintáticas. 3. fixamos alguns parágrafos iniciais. A QUALIDADE DA LEITURA 29 Alguns desses procedimentos são utilizados pelo leitor na primeira leitura. para revisar um texto etc. deslocamentos. passamos os olhos pela página. desenvolver o intelecto. Há também procedimentos de clarficação e simplificação das idéias do texto como: construir paráfrases mentais ou orais de fragmentos complexos. empreendemos uma leitura do geral para o particular (descendente): olhamos as manchetes. de emoção estética ou de evasão. Se lemos um jornal. identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos significativos. reconhecer e sublinhar palavras-chave. Um leitor maduro usa também. pragmáticos e da estrutura do gênero. auto-avaliar continuamente o desempenho da atividade. tais como: identificar o gênero ou a macro-estrutura do texto. para estudar. controlar o trajeto. sempre que possível. por exemplo. aceitar e tolerar temporariamente uma compreensão desfocada até que a própria leitura desfaça a sensação de desconforto. em busca de diversão. queremos . legendas etc. constituindo uma atividade cognitiva complexa que não obedece a uma seqüência rígida de passos. associar as unidades menores de significado a unidades maiores. Vamos aprofundar nosso conhecimento acerca de alguns desses procedimentos. E guiada tanto pela construção do próprio texto como pelos interesses. detectar erros no processo de decodificação e interpretação. e são apenas meios e não fins em si mesmos. para seguir instruções. segmentar as unidades de significado. sublinhados. outros na releitura. fazemos algumas adivinhações. o ritmo e a velocidade de leitura de acordo com os objetivos estabelecidos. 30 TÉCNICA DE REDAÇÃO No primeiro tipo somos superficiais. apenas para saber se há alguma novidade interessante. procedinientos de controle e monitoramento da cognição: planejar objetivos pessoais significativos para a leitura: controlar a atenção voluntária sobre o objetivo. Utilizamos ainda procedimentos de detecção de coerência textual. velozes. nem sempre esses procedimentos estão muito claros ou conscientes para quem os utiliza na leitura cotidiana. ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema. Como são interiorizados e automatizados pelo uso consciente e freqüente. elaboramos rápidas hipóteses que não testamos. procurando um ponto de atração. tomar notas sintéticas de acordo com os objetivos. esclarecimentos. para obter informações gerais. em busca de qualificação profissional. controlar a consciência constante sobre a atividade mental. Os tipos de leitura e seus objetivos O objetivo da leitura. enumerações. negritos. usar conhecimentos prévios extratextuais. para obter informações precisas e exatas. Lemos: por prazer. determina de que forma lemos um texto. No segundo tipo de leitura somos mais detalhistas. analisá-las e escrever um texto relativo ao tema. como já foi explicado anteriormente. em busca de atualização. objetivos e intenções do leitor. 28 TÉCNICA DE REDAÇÃO decidir se deve consultar o glossário ou o dicionário ou adiar temporariamente a dúvida para esclarecimento no contexto. quadros.reconhecer elementos paratextuais importantes (parágrafos. Há ainda aqueles que são concomitantes a outros. e quando o encontramos fazemos um outro tipo de leitura: do particular para o geral (ascendente).). freqüentemente. esses fragmentos a outros. substituir itens lexicais complexos por sinônimos familiares.

o dajàmília. Outros tiveram que abandonar os livros antes do tempo. Esse tipo de leitura detalhada. vamos identificar as palavras-chave: Nenhuma criança trabalha porque quer. 32 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nos dois parágrafos seguintes. distinguir partes do texto. Palavra que encerra o signflcado global de um contexto. procuramos garantir a compreensão precisa. numa listagem ou na memória de um computador. No Brasil. três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e. de leitor para leitor. O Dicionário Aurélio Eletrônico registra: Verbete: palavra-chave s. há momentos em que você pode dispensar certos textos. exige do leitor uma grande concentração. Prova disso é que só as pobres entram precocemente no mercado de trabalho. a definição desse fenômeno? Como ocorreu esse fato? Onde? Quando? Quais são suas causas? Quais são suas conseqüências? Quem estava envolvido? Quais são os dados quantitativos citados? O que é mais importante nesse texto? O que eu devo anotar para utilizar depois no meu trabalho? Quando começamos uma leitura sem nenhuma pergunta prévia. temos mais dificuldade em identificar aspectos importantes. Sem elas o texto perde totalmente o sentido. De uma ou outra forma. mesmo quando estuda. mesmo quando está trabalhando ou estudando. porcos. elaborar um esquema ou síntese. hierarquizar as informações. que um estudante precisa desenvolver é o que vamos focalizar aqui. lenta. ratos e urubus o que os outros jogam fora. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres. f 1. Alguns nunca entraram numa escola. os elementos que têm entre si um certo parentesco ou que pertencem a um certo grupo. . como. verbos e certos adjetivos. Procedimentos estratégicos de leitura Um texto para estudo. encontram-se cerca de cinqüenta mil em situação desumana e degradante. muitas vezes. Não terá direito ao futuro. a maioria tem o destino traçado. detalhada. Eles disputam com cães. desacelerada (ascendente). está condenada. ou rápida e superficial. Normalmente são os substantivos. 4. uma atenção voluntária e controlada. É importante construir previamente algumas perguntas que ajudam a controlar o objetivo e a atenção. 2. Palavra que serve para identificar num catálogo de livros ou de artigos. preposições ou advérbios. conectivos. A partir dos três ou quatro anos. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. Não são palavras gramaticais: artigos. ou que o explica e identfica: A palavra-chave deste romance é angústia. Elas podem apresentar uma pequena variação de leitura para leitura. a) Estabelecer um objetivo claro Sempre que temos um objetivo claro para a leitura vamos mais atentos para o texto. em geral. Estabelecer previamente um objetivo nos ajuda a escolher e a controlar o tipo de leitura necessário: ascendente ou descendente. pois cada um imprime sua visão ao que lê. exata. ou partes de textos.saber tudo. Um leitor maduro distingue qual é o momento de fazer uma leitura superficial e rápida (descendente) daquele em que é necessária uma leitura detalhada. São os catadores de lixo. Já sabemos o que queremos e ficamos mais atentos às partes mais importantes em relação ao nosso objetivo. Alguns você já usa naturalmente. minuciosa. minuciosa. pronomes. Pois. b) Identificar e sublinhar com lápis as palavras-chave As palavras que sustentam a maior carga de significado em um texto são chamadas de palavras-chave. outros pode incorporar ao seu acervo de habilidades. por exemplo: Qual é a opinião do autor? Quais são as informações novas que o texto veicula? A QUALIDADE DA LEITURA 31 O que este autor pensa desse assunto? Em que discorda dos que já conheço’? O que acrescenta à discussão? Qual é o conceito. Entre a multidão de trabalhadores mirins. que já são conhecidos. os menores acompanham os pais aos aterros sanitários para catar a sobrevivência. Por meio delas podemos reconstituir o sentido de um texto. Rende de um a seis reais. Mas porque é obrigada. Há muitos recursos e procedimentos para uma leitura mais produtiva.

Correio Braziliense. Brasília, l9jun. 1999. Editorial.
A partir das palavras destacadas (você poderia sugerir outras) podemos compreender e reconstituir o assunto principal do texto, O reconhecimento das relações lexicais, morfológicas e sintáticas estabelecidas na configuração da superficie do texto é um pressuposto necessário para que leitor possa tomar decisões. E importante aprender a selecionar e hierarquizar as idéias para identificar as palavras principais. Há muitos detalhes que são usados em um texto para esclarecer ou enriquecer a informação já

dada. Não fazem falta a não ser estilisticamente. Veja, por exemplo, a frase: Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os outros jogam fora. O teor de informação nova agregado ao que já tinha sido dito é muito pequeno. E apenas uma ilustração explicativa contundente. Observe a continuação desse texto e exercite sua capacidade de selecionar palavras importantes, destacando-as:

A QUALIDADE DA LEITURA 33 Na tentativa depôrfim a esse quadro dramático, o Fund das Nações Unidas para a Infância (UniceJ), em conjunto com o Ministé rio do Meio Ambiente e a Secretaria do Desenvolvimento Urbano, lançou a campanha Criança no Lixo Nunca Mais. A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais e não governamentais já rnecerão orientações a prefeituras de 5.507 municípios sobre elaboração de projetos e formas de buscar recursos para implementá -los. A meta é ambiciosa. Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, envolver a União, os estados, os municípios, além de parcerias com a iniciativa privada e a população em geral. Acima de tudo, exige vontade política. O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não Jár assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar empregos dignos. Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicef prospere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perspectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a sobrevivência no lixo constitui mau presságio. Sugere que poderá não haver nenhum futuro. É indispensável e urgente modflcar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.
-J

34 TÉCNICA DE REDAÇÃO Observe como as palavras destacadas por você carregam o significado mais importante da mensagem e permitem que as idéias principais sejam recuperadas. É preciso observar e compreender para hierarquizar e selecionar. Tudo depende de treino, experiência. Ou seja, uma boa leitura depende de muita leitura anterior. c) Tomar notas Uma ajuda técnica imprescindível, principalmente para quem lê com o objetivo de estudar, é tomar notas. A partir das palavras-chave, o leitor pode ir destacando e anotando pequenas frases que resumem o pensamento principal dos períodos, dos parágrafos e do texto. Pode também marcar com lápis nas margens para identificar por meio de títulos pessoais as partes mais importantes, os objetivos, as enumerações, as conclusões, as definições, os conceitos, os pequenos resumos que o próprio autor elabora no decorrer do texto e tudo o mais que estiver de acordo com o objetivo principal da leitura (algumas edições já trazem esse destaque na margem para facilitar a leitura). Essas notas podem gerar um esquema, um resumo ou uma paráfrase. Trabalho Nenhuma criança trabalha porque quer. Mas infan til no porque é obrigada. Prova disso é que só as pobres Brasil entram precocemente no mercado de trabalho. No Brasil, três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e, muitas vezes, o da família. Alguns nunca entraram numa escola. Outros tiveram que aban dona os livros antes do tempo. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres, a maioria tem o destino traçado. De uma ou outra forma, está condenada. Não terá direito ao futuro. Entre a multidão de trabalhadores mirins, en contram-s cerca de cinqüenta mil em situação de-

A QUALIDADE DA LEITURA 35 sumana e degradante. São os catadores de lixo. Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os Catadores outros jogam fora. A partir dos três ou quatro anos, de lixo/ os menores acompanham os pais aos aterros sanitá 50.000 rios para catar a sobrevivência. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. Rende de um a seis reais. Unicef Na tentativa de pôr fim a esse quadro dramáti MMA-SD co, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Uni Campanh cef), em conjunto com o Ministério do Meio Am Crianç no biente e a Secretaria do

Desenvolvimento Urbano, Lixo Nunca lançou a Campanha Criança no Lixo Nunca Mais. Mais A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até Meta/2002 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais Projetos e e não governamentais fornecerão orientações a pre forma de feituras de 5.507 municípios sobre elaboração de pro busca jetos eformas de buscar recursos para implementá recurso los. A meta é ambiciosa.
Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, en volve a União, os estados, os municípios, além de

parcerias com a iniciativa privada e a população
em geral. Acima de tudo, exige vontade política.

Caminhos
O governo está convocado a estabelecer políti Soluçõe cas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa Renda de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos mínima e nesse sentido. Um deles é a garantia de renda míni educaçã ma para as famílias em estado de pobreza absoluta, para o incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, trabalho mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o me no do labor diário dará resultado se não for asse gurad o sustento do núcleo em que ele vive. Outro Importante caminho é a reciclagem educacional dos pais para para o que possam comparecer ao mercado de trabalho em futuro do condições de disputar empregos dignos. país Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicefpros TÉCNICA DE REDAÇÃO pere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perrpectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a

sobrevivência no lixo constitui mau presságio., Sugere que poderá não haver nenhum futuro. E indispensável e urgente modficar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.

d) Estudar o vocabulário
Durante a leitura de um texto, temos que decidir a cada palavra nova que surge se é melhor consultar o dicionário, o glossário, ou se podemos adiar essa consulta, aceitando nossa interpretação temporária da palavra a partir do contexto. Observe o seguinte período do texto: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios — a disputa de alimentos com os abutres. A palavra abjeto pode gerar dúvidas no leitor, mas podemos perceber que ela não é essencial ao texto. Quando retirada, o período preserva significado. Talvez não seja tão necessário nesse caso consultar o dicionáno,já que o contexto esclarece que se trata de uma idéia negativa que intensifica (junto com o advérbio mais) a negatividade que está em infortúnios. Poderíamos tentar substituí-la por outras mais conhecidas.’ indigno, horrível, desprezível, e a frase continuaria apresentando idéia lógica. Esses procedimentos de inferência e compreensão lexical são realizados com muita velocidade pelo leitor. Quando a continuidade da leitura se torna prejudicada, o melhor mesmo é parar e ir ao dicionário.
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36

.4 QUALIDADE DA LEITURA 37

e) Destacar divisões no texto para agrupá-las posteriormente

É importante compreender essas divisões para estabelecer mentalmente um esquema do texto.
Muitas vezes o autor não insere gráficos, esquemas, nem explícita por meio de enumerações as divisões que faz das idéias. Preste bem atenção quando o texto apresenta estruturas assim:
Em primeiro lugar.. em seguida... em terceiro lugar.. Inicia/mente.., a seguir... finalmente... Primeiramente.., em prosseguimento... por último... Por um lado... por outro lado... Num primeiro momento... num segundo momento... A primeira questão é... A segunda... A terceira...

Por meio da identificação dessas estruturas é possível reconstruir o raciocínio do autor e torna-se mais fácil elaborar esquemas e resumos. No texto que estamos analisando há um exemplo interessante: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse
sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esfárço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não for assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar emgos dignos.

A identificação dessas estruturas textuais na leitura facilita a compreensão das idéias e cria uma matriz mental para organização e hierarquização das informações.
38 TÉCNICA DE REDAÇÃO

fi Simplificação
Um dos recursos mais produtivos durante a leitura de textos complexos é fazer constantemente paráfrases mentais mais simples daquilo que está no texto, ou seja, fazer traduções em palavras próprias, dizer mentalmente com suas próprias palavras o que entendeu do texto. Uma brincadeira que o jornalista Elio Gaspari gosta de fazer é com a simplificação de linguagem exageradamente complexa. Observe o exemplo: CURSO MADAME NATASHA DE PIANO E PORTUGUÊS Madame Natasha tem horror a música. Ela socorre os desconectados do vernáculo. Decidiu conceder uma de suas bolsas de estudo á professora M.B. G.S., presidente da Comissão Esta- dual para elaboração do Projeto de Informática na Educação. No relatório que essa comissão produziu, Natasha encontrou o seguinte adereço: O ambiente informatizado oportuniza a possibilidade de ruptura de estruturas estáticas. Toda experiência de aprendizagem pode ser simulada, mas a simulação, que é uma expressão simbólica, no ambiente digital passa a ser também real, passível de experiência sensorial. Madame acreditaniza que quiseram dizerinizar o seguinte: — O computador é um instrumento pedagógico versátil. Elio Gaspari. Jornal de Brasília. Brasília, 22 fev. 1998. O procedimento de tradução mental simplificadora é muito útil para conferir se entendemos mesmo o texto ou não.

g) Identificação da coerência textual
Diante de cada novo texto temos de identificar as estruturas básicas para compreender seu funcionamento. Assim, iden
A QUALIDADE DA LEITURA 39

tificamos imediatamente o que é um poema, o que é uma fábula, o que é um texto dissertativo. Como a escrita é para ser lida e compreendida a distância, sem interferência do autor no momento da leitura, sua elaboração exige uma estrutura exata, precisa, clara, que assegure ao leitor uma decodificação correta e adequada. Para tanto o autor usa estruturas sintáticas complexas, estabelecendo minuciosamente as relações entre as idéias, já que não pode contar com o apoio do contexto, das expressões faciais, do conhecimento comum. Isso acontece principalmente nos textos de natureza informativa: dissertações, argumentações, reportagens e ensaios, os quais privilegiamos neste livro. Quanto menos compromisso o texto tem com a informação exata, mais espaço deixa para os acréscimos e interpretações do leitor, como é o

refazendo o trajeto do seu pensamento original. Onde é veiculado? Suporte editorial. essa interação entre leitor e texto exige a ativação de conhecimentos que extrapolam a simples decodificação dos elementos constitutivos do texto. A quem se destina? Público. para apreender. Caso essas perguntas não sejam respondidas de maneira adequada. Essa ligação entre textos pode ir de uma simples citação explícita a uma leve alusão. desacelerada. Uma decifração que procura percorrer o mesmo raciocínio do autor do texto. Esse diálogo. em que a estrutura do texto inicial é utilizada como base para o novo texto. Essa associação é prevista pelo autor e deve ser feita pelo leitor de forma espontânea. da poesia e dos textos literários em geral. É preciso um rígido controle da atenção. de redundância. Como são tratadas as idéias contrárias? Rebatimento ou antecipação de oposições. Esses textos não são fáceis e não são compreendidos à primeira leitura. a intensidade do esforço para compreender a intertextualidade pode variar e sempre depende de conhecimentos prévios comuns ao autor e ao leitor. ou até mesmo a uma paródia completa. precisa. um empenho constante para fazer os relacionamentos adequados tanto entre as idéias interiores ao próprio texto. interpretando mal os objetivos e conseqüentemente as informações e os significados. Terá por base um planejamento lógico. superficial e rápida. Além dessas. há muitas outras perguntas que o leitor vai propondo à medida que lê e de acordo com os seus objetivos. na proporção em que partilhe conhecimentos com o autor. um objetivo claro para a leitura. conceitos. Em textos mais complexos. Quais são as partes do texto que apresentam objetivos. Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Posicionamento explicitado. definições. Com que argumentos as idéias são defendidas? Provas. fazendo perguntas ao texto. A QUALIDADE DA LEITURA h) Percepção da intertextualidade Um texto traz em si marcas de outros textos. podemos incorrer em equívoco. Vamos analisar um exemplo bem simples de intertextualidade: CONTRAFÁBULA DA CIGARRA E DA FORMIGA . explícitas ou implícitas. dados. Quais são as outras vozes que perpassam o texto? Distribuição da responsabilidade pelas idéias. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Estrutura textual. Para isso fazemos perguntas elementares: Quem escreve? Autor Que tipo de texto é? Género. naturalmente será produzido um texto mais denso. Quando o interesse for assegurar uma compreensão predeterminada. Quais são as idéias principais? Informações. Qual o objetivo? Intenções. concordar ou se opor a essas idéias. 40 TÉCNICA DE REDAÇÃO Durante a leitura é preciso conferir as interpretações. discutir. Um texto bem escrito apresenta sempre uma certa dose de repetição. para auxiliar o leitor a chegar às conclusões desejadas pelo autor. Isso significa que a leitura para apreensão de informações deve ser uma leitura pausada. que vai do particular para o geral e volta do geral para o particular constantemente. em que as seqüências tenham uma articulação necessária entre si mesmas.caso da publicidade. nos quais a polissemia (convívio de uma multiplicidade de significações sobre uma mesma base) predomina. Quais são os exemplos citados? Fatos. Essas informações pragmáticas vêm iluminar e esclarecer os significados e estabelecer a coerência textual do que é lido. como entre o texto e os conhecimentos prévios do leitor e suas experiências vividas. A esse fenômeno chamamos intertextualidade. mais estruturado. Quais são os testemunhos utilizados? Depoimentos. Com que autoridade? Papel social do autor O que eu já sei sobre o tema? Conhecimentos prévios do leitor Quais são os outros textos que estão sendo citados? Intertextualidade. exata.

sempre atenta aos rateios e às subscrições. A formiga. Aí a formiga pensou no seu trabalho. mas a alusão à fábula original (na última fala da formiga) cria a intertextualjdade explícita. Os meus discos não saem das paradas.. — A senhora vai ganhar duzentos mil dólares no inverno? — Não. dona Cigarra? — E claro! — disse a cigarra. Fechava contratos em Londres já com um pé no Boeing para Frankfurt ou Genebra. O próprio título anuncia a intenção. na sua vida terrivelmente cansativa e nas suas ameaças de enfarte. no mundo dominado pelos meios de comunicação e pelo hedonismo. depois Londres.. tem a excursão a Nova York. — Tenho um programa semanal. Batista A formiga passava a vida naquela Jármiga ção. não foi. vendendo na alta e comprando na baixa. E diga-lhe que eu quero que ele vá para o raio que o parta! Trata-se de uma fábula. Agora no inverno é que vai ser mau continuou aformiga com toda maldade na voz. com quem estudara no ginásio. — A senhora não depositou nada no banco. ‘Ah. cantarolando como de costume. sempre acompanhada de clientes libidinosos do Mercado Comum. hoje em dia. ou seja. Depois. preparando o terreno para sua vingança. voltava a formiga a tesourar e entesourar investimentos e lucros. não é? — Não faz mal.. Lá vem ela dar a sua facada. os artistas podem chegar a ser milionários com mais rapidez e facilidade do que quem trabalha incansavelmente pensando exclusivamente no dinheiro. Na trabalheira do investimento. chegoua minha vez!” Mas a cigarra aproximou-se só querendo saber como estava ela e como estavam todos no formigueiro. nas suas azias. aumentando o rendimento da sua capita e dizendo que estava contribuindo para o crescimento do Produto Nacional Bruto. incutindo nos filhos hábi 41 42 TÉCNICA DE REDAÇÃO los de poupança. para verificar os dividendos de suas contas numeradas. depois Amsterdam. destinada a ilustrar um preceito. O quê?! exclamou aformiga. já que remete à lição de moral tradicional e multiplica o humor do texto. remordida. encontrou a cigarra no shopping Iguatemi. enquanto aquela inútil da cigarra ganhava tanto cantando e se divertindo! E perguntou: — Quando a senhora embarca para Paris? Na semana que vem. Mas vivia também roendo-se por dentro ao ver a cigarra. você há de aparecer por aqui a mendigar o que não poupou no verão! E vai cair dura com a resposta que tenho preparada para você! Ruminando sua terrível vingança. Segundo sua posição crítica. comentou: A senhora andou cantando na tevê todo este verão. sempre consultando as cotações da Bolsa... pensou ajórmiga. Isso é só em Paris. não estaria mais funcionando.Adaptação feita por 1edro Bandeira do texto do escritor português Antônio A. consultando advogados e tomando vasodilatadores. E vivia ajármiga a dizer por dentro: Ah. uma sabedoria. Utilizando uma situação similar à fábula original. metida em shows e boates. A história em si é engraçada. E também um juízo a favor da arte em oposição à especulação financeira. — E pode me fazer um favor? Quando chegar a Paris. . de cunho popular e de caráter alegórico. contrária ao prazer. ah! No inverno. uma historieta de ficção. Um dia. quando voltava de uni almoço no La Tambouille com os japoneses da informática. procure lá um tal La Fontaine. E acabei de fechar um contrato com o Olympia de Paris por duzentos mil dólares. ah. e a mensagem original. O autor parte do pressuposto de que seus leitores conhecem a fábula da Cigarra e da Formiga do autor francês La Fon A QUALIDADE DA LEITUK4 taine e que reconhecerão imediatamente a sua paródia. atualiza suas circunstâncias e modifica seu final (intertextualidade implícita na estrutura)..

os recursos estilísticos com mais eficácia que pelas aulas e exercícios gramaticais. ou seja. Prática de leitura a) Escolha um artigo assinado do jornal de sua preferência. a cada dia. da língua e dos modelos de texto. quando percebemos a distração temos que Voltar e reler aquele trecho Esse é um exemplo de como controlamos naturalmente os nos505 erros de leitura Outras vezes. Releia e responda mentalmente às perguntas: Quem escreve? Que tipo de texto é? A quem se destina? Onde é veiculado? Qual o objetivo? Com que . Pela leitura interiorizamos as estruturas da língua. quando o trecho é fácil ou quando a leitura tem por objetiv0 a simples distração Outras vezes. Fidelidade ao planejamento: antes de começar a ler um texto sempre estabelecemos. com freqüênc não é satisfatóa e é preciso empreender uma segundaj com alguma informação sobre o texto e com mais atenção e concentração. Ele não é espontâneo e depende de treino e concentração. Algumas vezes pode merecer reorientação. então para conferir a decodifica ção das palavras e a interpretação Essa capacidade de avaliar constantemente a própria leitura precisa ser deSenvol Vida Ajuste de velocidade. disciplinando-as e submetendo-as aos nossos interesses. uma espécie de roteiro: como vamos ler? para que vamos ler? Esse roteiro deve ser controlado e reavaliado durante a leitura. a leitura é fundamental. desistimos da leitura de um texto no primeiro parágrafo Esse procedi mento é precipitado E preciso merguJ proftmndamente no texto para dar-lhe uma chance de ser bem Sucedido Na maioria das vezes. Assim. E importante desenvolver adequadamente essas estratégias de apoio técnico. conforme nossos objetivos. Em qualquer situação de leitura utilizamos procedimentos que nos auxiliam a compreender e interpretar o texto. conseguir o melhor resultado da maneira mais prática e simples. o leitor deve controlar a veloci dade de leitura de acordo com as dificuldades que o texto oferece e com os objetivos da leitura Às vezes. a leitura se toma. de simplificação e de monitoração das atividades mentais de forma que possamos otimizar nosso esforço. Estou mesmo perseguindo meu objetivo? Já me distraí? Mudei o meu trajeto de leitura? Criei outro objetivo no percurso? Detecção de erros no processo de leitura: algumas vezes lemos muito rapidamente enquanto pensamos em ou43 44 TÉCNICA DE REDAÇÃO tra coisa e. A QUALIDADE DA LEITURA 45 5. temos que ler desaceleradament quando estudamos assuntos desconhecidos quando o texto é denso e complexo ou quando contém muitos implícitos Para garantir esse contro le é necessário ter uma consciência contínua dos procedimentos que estão sendo utilizados além de uma disPosição para avaliar a qualidade da própria leitura Tolerância e paciência: muitas vezes. em um exercício mais prazeroso. E são os objetivos que vão direcionar o tipo de leitura que vai ser realizado. para isso. E um processo complexo que exige do leitor uma série de habilidades cognitivas muito sofisticadas. naturalmente. e também para que a leitura se transforme. Esse desconforto no iflÍcjo de um texto é muito comum. mais fácil e as dificuldades preliminares Vão se resolvendo.1) Monitoramento e concentração Durante a leitura podemos exercer um relativo controle consciente sobre as nossas atividades mentais. os gêneros. Esse controle é essencial para que a leitura seja produtiva. Por isso é necessário prestar bem atenção no que fazemos enquanto lemos para termos mais domínio sobre as nossas próprias habilidades de leitura. a leitura ajuda a escrever melhor. Uma única leitura nem sempre é suficiente. os tipos de texto. Pouco a Pouco. podemos ler mais rapidamente: quando o assunto é conhecj do. Conhecendo melhor o processo de leitura Como vimos. Leia uma vez. geralmente é necessário voltar ao texto algumas vezes. pois é natural que o começo da compreensão seja ainda uma idéia desfocada A primeira leitura. consciente ou inconscientemente. interpretamos mal uma passagem e no decorrer da leitura percebemos que as idéias estão contraditórjas Voltamos. 6. a escrita depende de nosso conhecimento do assunto. Habilidades que agilizem os procedimentos contribuem para que não haja desperdício de energia e de tempo.

impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. Na memória de longo prazo guardamos nossos conhecimentos consolidados. de filmes. durante muito tempo. Já um número usado todos os dias. Grave em fita de áudio tudo o que pensa enquanto lê. que é seletiva e rotativa. Mas. nesse período. Se. por exemplo. se nos dias subseqüentes não precisarmos mais desse número. temos um pouco mais ainda de possibilidade de gravar na memória. Na de curto prazo. E acontece também com conceitos e definições.autoridade? O que eujá sei sobre o tema? Quais são os outros textos que estão sendo citados? Quais são as idéias principais? Quais são as partes do texto que apresentam: objetivos. Nossa memória é muito seletiva. Quando vemos. Um outro. O trabalho com a memória Precisamos usar muitas informações contidas em textos que já lemos. por um período breve. É importante considerar também outros aspectos da aprendizagem. . Leia. definições. apreendemos uma pequena parcela do que ouvimos. Quando podemos ler uma vez a informação. esquecemos tudo com facilidade. Se memorizamos alguns itens sem transferi-los gradualmente para a prática. para que uma informação fique consolidada na memória de longo prazo é preciso que seja: útil na vida prática ou para nossas reflexões abstratas: utilizada com certa freqüência. essa faculdade de reter as idéias. serão descartadas. O mesmo acontece quando estudamos a gramática pela gramática. Mas nem sempre isso é possível. caem no esquecimento. de livros. encontram pontos de apoio que as sustentam por mais tempo e se tornam mais duradouras. estabelecem laços com outras informações preexistentes. conceitos. Algum esclarecimento acerca da memória. reelaborada em nossa mente por meio de novas associações e novas divisões. que dá aulas sobre uma mesma matéria para várias turmas. sem aplicação direta na produção de textos. Memorizamos aquilo que é significativo para nossos interesses intelectuais ou para nossa vida pessoal. associada e relacionada a outros conhecimentos prévios existentes em nossa memória. permanece na nossa memória de longo prazo. apreendemos um pouco mais. de pessoas. As informações novas ficam algum tempo na memória de curto prazo. d) Escolha um texto de estudo e aplique as estratégias de leitura apresentadas neste capítulo. como se faz freqüentemente nos cursos preparatórios para concursos. pois é duradoura. guardamos informações novas. Já sabemos que as informações que vêm apenas por via auditiva são menos duradouras. Então. chegamos a memorizálo. a memória vai descartá-lo por falta de uso. Capítulo 4 Da leitura para a escrita 1. que apenas esporadicamente fala sobre um tema. Quando decoramos mecanicamente regras e conceitos. enquanto elas nos são úteis e estão sendo realmente utilizadas. Isso acontece com nomes de lugares. tudo aquilo que nos deu tanto trabalho para memorizar à força é esquecido imediatamente após a prova. Ela não guarda tudo o que gostaríamos a partir de uma primeira leitura. Se não são utilizados. Se não forem úteis por longo período. forem muito usadas. podemos pensar na seguinte situação: se estamos tentando comunicação por vezes repetidas com um número de telefone. Temos dois tipos de memória: a de longo prazo e a de curto prazo. importante na nossa vida diária. como se estivessem temporariamente à disposi 48 TÉCNICA DE REDAÇÃO çào. Um professor. Não o esquecemos tão facilmente. dizendo em voz alta seus pensamentos para controlar a leitura. em um período de teste. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Com que argumentos as idéias são defendidas? Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Quais são as outras vozes que perpassam o texto’? Quais são os testemunhos utilizados? 46 TÉCNICA DE REDAÇÃO Quais são os exemplos citados? Como são tratadas as idéias contrárias? c) Escolha um texto dissertativo que ofereça alguma dificuldade de leitura para você. pode ajudar a compreender e controlar seu funcionamento. Como exemplo. acaba por dominar naturalmente o assunto. tem que estudá-lo para reavivar a memória quando precisa expor novamente o assunto. Analise os procedimentos de leitura sugeridos neste capítulo que você já utiliza.

conseguimos maior índice de memorização e de aprendizagem. 3? — Reagrupar as informações de acordo com unidades menores. uma pergunta. mantendo as relações entre essas unidades. como veremos no capítulo 6. ler. quando ainda na fase do esquema. Organizar um esquema é uma maneira preparatória para o resumo e a paráfrase. embora existam variações infinitas. uma compactação. Resumos. ver e experimentar. É uma leitura de reconhecimento prévio do material a ser estudado. elaboramos a paráfrase. pois os conhecimentos que adquirimos formam uma base em que novos conhecimentos vêm se instalar de forma mais duradoura. utilizar. Muitas vezes. parágrafo por parágrafo. conforme vimos no capítulo anterior. A leitura com esse fim é muito detalhada. no resumo. Assim. subdividindo-o de acordo com as relações sintáticas. lemos e tentamos memorizar o que lemos. Quanto mais aprendemos. ela pode ser: uma afirmação. 4? — Organizar um esquema das idéias. mas podemos estabelecer um roteiro básico como sugestão: 50 TÉCNICA DE REDAÇÃO 1? — Empreender uma primeira leitura descendente. pois trata-se de uma síntese. rápida. oposições. O desenvolvimento. a ciência já constatou que o cérebro e a memória precisam de exercícios. o autor prefere colocar a idéia principal no fim do parágrafo. podemos produzir esquemas. na organização geral do texto. resumos e paráfrases. 2? Fazer uma segunda leitura. uma resenha ou um comentário que permitem ampliação e discussão. aprender exige trabalho sobre o conhecimento. um conceito. em que o professor ou o texto doam ao aluno a informação nova. 5? — Voltar ao texto e conferir a correspondência com as idéias principais. pois a linguagem deve ser objetiva e clara. O leitor deve criar o seu próprio método. e que a inteligência precisa ser constantemente estimulada para não se atrofiar. quadros. A leitura pode levar à produção de textos de natureza diferente do texto original e com finalidades também diferentes. desenvolver uma ação (concreta ou mental) sobre certa informação de forma pessoal. mas deixá-la implícita. como conclusão. Hoje em dia. e não uma crítica. Assim. 2. Por isso é bom. prestando atenção nos títulos e subtítulos. precisamos utilizar estratégias de desaceleração para apreendermos melhor um texto.DA LEITURA PARA A ESCRITA 49 Mas se podemos ouvir. prender-se às expressões utilizadas pelo próprio . DA LEITURA PARA A ESCRITA O leitor que tenta reconstruir o percurso do autor não pode acrescentar idéias novas ao resumo do que lê. Não se trata de uma simples transferência. O processo de debate pressupõe a intelecção. do geral para o particular. visa fundamentar a idéia inicial. esquemas e paráfrases A partir do esquema podemos facilmente reconstituir as ligações do texto original elaborando um novo texto. Pode até mesmo não explicitá-la claramente. 6? — Redigir o resumo seguindo o roteiro estabelecido pelo esquema. Em um resumo recorre-se a poucos efeitos retóricos. e pode trazer explicações. mais curto que o original um resumo em que as informações essenciais são rearticuladas em uma nova organização. que também é uma forma de retomada das informações. Normalmente. Se nosso objetivo é repetir as mesmas informações integralmente. divisão de idéias. comparações. Muitas vezes. ou então sintetizar as informações para revê-las ou repassá-las a outros. E preciso que a pessoa trabalhe bastante para que o conhecimento passe realmente a ser propriedade sua. os parágrafos dissertativos/argumentativos têm uma estrutura organizada logicamente: Primeiros períodos = idéia principal Períodos seguintes = desenvolvimento Último período = conclusão Quando a idéia principal surge no início do parágrafo. para que o leitor chegue mentalmente à conclusão a partir das evidências colocadas no texto. uma negação. identificando palavraschave e anotando idéia por idéia. ou seja. dispensando exempios e ilustrações. mais temos possibilidade de aprender. atuar. Como a primeira leitura é sempre muito breve e superficial. a compreensão das idéias expostas pelo outro.

vocabulário. gênero e tipo de texto. O resumo é um trabalho sobre a linguagem muito complexo....... podemos ob servar Para comprovar o que foi dito Exemplo disso é Como exemplo.... em seguida.. O primeiro aspecto é.autor do texto. Elas conduzem o raciocínio do leitor de acordo com o planejamento do autor e podem exercer várias funções. estruturas sintáticas. São elas que o levam a decidir quais são as ..-. é o que ocorre no caso em que Indicam inserção de citações: Segundo o especialista X De acordo com o que afirma X Xjá afirmou que Conforme X. Colocaremos aqui alguns exemplos.. Primeiramente. em segundo. pois é necessário trabalhar com precisão sobre: significados. Indicam conclusão parcial ou final: Em vista disso podemos concluir Diante do que foi dito Em suma Em resumo Concluindo Portanto Assim 51 fr .. por último... mas você pode encontrar infinitas variações nos textos que lê.... TÉCNICA DE REDAÇÃO Essas frases exigem muita atenção do leitor... Por um lado. pode-se observar Assim.... por outro lado... Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o uso das frases de transição.. depois.. um outro aspecto é. em sua obra Y Indicam divisão de idéias: Em primeiro lugar.. Indicam objetivo: O que desejamos neste trabalho O objetivo desta investigação Pretendemos demonstrar Procuramos comprovar Estamos tentando provar Indicam inserção de exemplo: Para exemplificar.. finalmente.

se consagração do consagrado pela moda e pelo consumo. A democratização da cultura tem como precondição a idéia de que os bens culturais (no sentido restrito de obras de arte e de pensamento e não no sentido antropológico amplo) são direito de todos e não privilégio de alguns. criticá-las. Por quê? Em primeiro lugar. Vamos analisar um texto e compreender o processo de resumo. porque define a Cultura como lazer e entretenimento. ter acesso a elas. sem identidade e sem pleno direito à Cultura. Em segundo lugar. porque separa os bens culturais pelo seu suposto valor de mercado: há obras caras” e “raras “. O que significa isso? A indústria cultural vende Cultura. E essencialmente espetáculo. destinadas aos privilegiados que podem pagar por elas. transformando-se em propaganda e publicidade. tornarem-se eventos para consumo. As obras de arte são mercadorias. Sob os efeitos da massflcação da indústria e consumo culturais. 3. É algo para ser consumido e não para ser conhecido. No entanto. A arte possui intrinsecamente valor de exposição ou exponibilidade. 2. como o consumidor num supermercado. existe para ser contemplada efruída. tornarem. certos conhecimentos “médios” e certos gostos “médios “. direito à informação e àforniação culturais. Em quarto lugar. A “média” é o senso comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova. as artes foram submetidas a uma nova servidão: as regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural. já fez. sob controle económico e ideológico das empresas de comunicação artística. fazê-lo pensar. porque inventa uma figura chamada “espectador médio ‘ “ouvinte médio” e “leitor médio ‘ aos quais são atribuídas certas capacidades mentais “médias “. da imaginação. e há obras “baratas” e “comuns “. prestígio político e controle cultural. No entanto. direito à produção cultural. Para vendê-la. a arte se transforma em seu oposto: é um evento para tornar invisível a realidade e o próprio trabalho criador das obras. Assim. provocá-lo. fruído e superado por novas obras. e os artistas epensadores 4 DA LEITURA PARA A ESCRITA poderiam superá-las em outras. através dos preços.informações essenciais e as que podem ser dispensadas no resumo. fazê-lo ter informações novas que o perturbem. deve seduzir e agradar o consumidor. basta darmos atenção aos horários dos programas de rádio e televisão ou ao que é vendido nas bancas de jornais e revistas para vermos que. de modo que tudo o que nas 53 54 TÉCNICA DE REDAÇÃO obras de arte e de pensamento significa trabalho da sensibilidade. as artes correm o risco de perder três de suas principais características: 1. Perdida a aura. já viu. oferecendo-lhes produtos culturais “médios”. em princípio. de trabalho da criação. Para seduzi-lo e agradá-lo. incorporá-las em suas vidas. conhecê-las. palavra que vem do latim e sign fica: dado à visibilidade. da inteligência. em vez de garantir o mesmo direito de todos á totalidade da produção cultural. Democracia cultural significa direito de acesso e de fruição das obras culturais. pois todos poderiam. porque cria a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais. da reflexão . como tudo que existe no capitalismo. a indústria cultural introduz a divisão social entre elite “cultural” e massa “inculta “. A indústria cultural acarreta resultado oposto. INDÚSTRIA CULTURAL E CULTURA DE MASSA A partir da segunda revolução industrial no século XIX e prosseguindo no que se denomina agora sociedade pós-industrial ou pós-moderna (iniciada nos anos 70 do século Xv). baseada na idéia e na prática do consumo de produtos culturais”fabricados em série. formando uma elite cultural. sinal de status social. cada um escolhendo livremente o que deseja. diversão e distração. não pode chocá-lo. tornarem-se reprodutivas e repetitivas. Em terceiro lugar. de expressivas. novas. O que é a massa? É um agregado sem forma e sem rosto. de experimentação do novo. as empresas de divulgação cultural já selecionaram de antemão o que cada grupo social pode e deve ouvir. isto é. massificou-se para consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de massa. ver ou ler. destinadas à massa. mas deve devolver-lhe com nova aparência o que ele já sabe. a arte não se democratizou. As obras de arte e de pensamento poderiam democratizar-se com os novos meios de comunicação. ao massifiLar a Cultura.

separa “caras’ e “raras”. experimentação ‘. as 700 palavras do texto original foram reduzidas a apenas 198. como o esquema que serve . 329-30. redundância e as perguntas retóricas.consagração do consagrado pelo consumo. ouvinte. voltando ao texto. > à produção cultural. Os parágrafos seguintes desenvolvem e aprofundam essa idéia. conhecimentos e gostos “médios” = produtos culturais “médios” = o que o consumidor já sabe = senso comum. Sabemos que Marilena Chaui é uma filósofa e que se trata de um texto dissertativo. DA LEITURA PARA A ESCRITA 55 Indústria cultural e cultura de massa Artes submetidas (2 revolução industrial séc. Convite à Filosofia. toma invisível a realidade e o próprio trabalho criador Democracia cultural (poderia acontecer pelos meios de comunicação) Todos têm direito > ao acesso e à fruição. 3. inteligência. no primeiro parágrafo já se anuncia a idéia principal: de que a arte foi transformada numa mercadoria e que por isso foi desvirtuada pela indústria cultural. São Paulo: Ed. O resumo. são dispensados e o resumo vai reconstruir diretamente as afirmações. 2. já com essas idéias. 4. Uma primeira leitura. cria a ilusão de acesso através dos preços seleciona grupo social. Ao analisar as escolhas feitas. Na segunda leitura. não “vende”. porque 1. massa inculta. XIX) > mercado capitalista > ideologia da indústria cultural Obra de arte tem valor de exposição / deve ser contemplada e fruída. Os efeitos de repetição. Marilena Chaui. sem provocações. podemos observar que algumas informações foram eliminadas e outras podem ser reagrupadas. do texto já nos diz que a idéia principal é a distinção entre o que é realmente arte e o que a indústria cultural produz para a massa no capitalismo.e da crítica não tem interesse. define a Cultura como lazer e entretenimento. independentes do texto original. a partir do esquema. se transforma em seu oposto = mercadoria quando > Fabricação em série > Propaganda e publicidade > Sinal de status > Prestígio político > Controle cultural não se democratizou massificou-se Arte corre risco Valor de: pode se transformar em: 1. podemos aproflindar mais a compreensão das causas e conseqüências dessa distinção. expressidade > repetição. conclusões e respostas. reflexão e crítica não têm interesse. não vende. capacidades mentais. imaginação. criação > consumo. 56 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nesse esquema. ao ativar nossos conhecimentos anteriores sobre o assunto. não pode mais depender do original. Massifi cor é. teórico. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos.. sobre conceitos bastante abstratos. sensibilidade. assim. despertando interesse por ela. Massifica = banaliza / vulgariza a expressão artística e intelectual. > “baratas” e “comuns”. Deve funcionar como um texto autônomo. rearticulando-as em novas orações e períodos. > à informação e à formação. identificando as palavras-chave e as idéias secundánas distribuídas pelos parágrafos. Já é possível retirar do texto a sua estrutura básica e reorganizá-la em blocos. ou seja. os privilegiados. Ática. Indústria cultural resultado oposto = introduz a divisão social ao massificar a Cultura. 1997. numa redação própria da pessoa que resume. pp. superficial e rápida. ou leitor médio”. que têm a função de prender a atenção do leitor. inventa uma média “espectador. reagrupa as idéias. elite culta. O texto começa com uma informação que será explicitada nos parágrafos seguintes. 8 ed. diversão e distração. banalizar a expressão artística e intelectual. 2. 3. Em lugar de difundir e divulgar a Cultura.

inventa um consumidor médio. fundados no senso comum. foi substituída pela massflcação. Desde a segunda revolução industrial. informação eformação. a criação pelo consumo e a experimentação pelo consagrado. já que um texto é feito de outros textos. o trabalho da sensibilidade. Mas esse efeito é artístico e criativo.apenas para retomar as idéias principais. a quantidade de palavras em relação ao esquema é maior: 267. Quando a organização é semelhante. porque ao massficar reintroduz a divisão social e:]. vê a cultura como lazer. os pontos de vista.3. artigo. mas pelo preço define os grupos que podem usufruir de cada bem. Assim. para escrever um trabalho ou um artigo. que poderia ser alcançada pelos meios de comunicação social. antecedendo trabalho científico. com capacidades. comparações com outros trabalhos e pode trazer uma avaliação geral. utilizamos a paráfrase mentalmente. apropria-se dele. as tes foram submetidas às regras do mercado capitalista e à ideologia da indústria cultural. entendida como o direito de acesso efruição. Sob controle econômico. Pode ser: Indicativo (de 10 a 50 palavras) — geral e sintético. E essencial compreender que também na produção de textosusamos freqüentemente a paráfrase. da reflexão e da crítica. reproduzi-la ou dizê-la com minhas próprias palavras. A democratização da cultura. uma intemalização ou assimilação. utilizamos informações lidas. como uma estratégia para ler e estudar. estamos parodiando. tenho consciência de que domino a nova informação. a arte corre o risco de perder suas características. às vezes cômica ou irônica. entretenimento. tem a mesma função. fruída e revelar a realidade. Há diferenças entre o resumo e a paráfrase que é necessário esclarecer. Assim. Ocor 1 58 TÉCNICA DEREDAÇÀO re. Crítico (também chamado de resenha) — apresenta a posição do leitor. separa os bens culturais pagos e raros para uma elite culta e os bens baratos e comuns para a massa inculta. Informativo (até 350 palavras) representa o conteúdo. Um texto é paráfrase do outro quando traz as mesmas informações por meio de outras palavras. quando sobre uma mesma melodia criamos letra diferente. não foi democratizada. Além dos usos pessoais do resumo. os métodos e conclusões. dissertação e tese). no processo de estudo e de aprendizagem. pois não se trata apenas de transposição ou transferência. a indústria cultural produz uma massficação. que é banaliza ção e vulgarização da arte e do conhecimento. prestígio político e controle cultural. deve conter dados essenciais que ajudem o leitor a decidir sobre a necessidade de ler ou não um texto todo. produtos culturais fabricados em série. Essa assimilação requer uma elaboração interna. 2. ele é considerado. Essas informações lidas passam a fazer parte de nosso . além de tornar a realidade e o trabalho criador invisíveis. no século XIX. diversão e distração deforma que não tem interesse. da imaginação. além de nossa experiência de vida. é frita para ser contemplada. Como já vimos no capítulo anterior. mas as informações são diferentes. sem novida DA LEITURA PARA A ESCRITA 57 des. Observe que a terceira pessoa que garante a impessoalidade própria da estrutura dissertativa foi mantida. em caso de trabalhos científicos. sinal de status. vendáveis. da inteligência. para o qual produz bens médios. A elaboração interior é feita por meio de paráfrase: para saber se estou compreendendo bem uma idéia é preciso que eu saiba pensá-la. massficou-se e transformou-se em seu oposto: mercadoria. pela reprodução das idéias com minhas próprias palavras. Assim. A obra de arte tem um valor de exposição. Ou seja. e. Entretanto. Pela paráfrase mental. porque não vende. a representação condensada do conteúdo de um documento (é obrigatório. O aprendiz incorpora o conhecimento novo. conhecimentos e gosto médios. por técnicos em editoração e por cientistas. A indústria cultural não democratiza. 4. cria a ilusão do acesso igual para todos. dizemos que é uma paródia. É utilizado em revistas científicas. o assunto. e ainda produção cultural. em lugar de democratizar a Cultura. mas apresenta uma forma de organização diferente. no resumo que apresentamos a seguir. isto é. deixar a expressividade pela repetição.

. vale repetir. elabore um pequeno parágrafo. divulgar e despertar interesse pela Cultura. sem acréscimos. pois não se pode citar a fonte. Elabore um resumo reduzindo-o a 50% do original. Palavras complexas podem ser substituidas por expressões mais simples e familiares ou pode ocorrer o contrário. ao fim de cada capítulo ou parte de texto. 8 ed. Por isso. mais úteis poderão se tornar quando da produção de um novo texto. Assim. Sempre que fizer esses exercícios de síntese. Conservando e reutilizando o que foi lido Neste capítulo vimos como podemos registrar as informações lidas de forma que se torne mais fácil voltar a elas. mas guardam um vínculo com o texto original do qual provêm. Paráfrases mal feitas podem constituir mal-entendidos prejudiciais à comunicação e. podemos incorporá-las ao nosso texto de maneira parafraseada. fazendo anotações. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos “. ANO. seleção e hierarquização de idéias. 4. mas as editoras optam por algumas variações. muitas vezes. frases e períodos podem ser simplificados. não se saber mais de onde foram retiradas aquelas idéias. Nossos textos são compostos. Leia uma primeira vez para se familiarizar com as idéias. Prática de síntese a) Escolha um texto de estudo ou relativo ao seu trabalho que precise conhecer bem.acervo pessoal de conhecimentos pela internalização. EDIÇÃO. Neste livro. pp. PÁGINA.outras basta fazer uma alusão ao dono das idéias e. não é um resumo. esquema para orientar aula ou palestra etc. junto aos textos transcritos. reutilizá-las. Convite à Filosofia. que exercem funções próprias como: resumo para apresentação oral e escrita de trabalhos. O próprio esforço de reelaborar as idéias. para identificação. é preciso dar-lhe um apoio anotando. Por isso a paráfrase é tão útil. podem ser consideradas plágio. fazemos pequenas paráfrases. consultá-las. Faça um 60 TÉCNICA DE REDAÇÃO esquema das idéias. E preciso uma leitura refinada. não perca suas leituras por falta de anotações. 3. data). a partir de informações que colhemos em outros textos. obra. dependendo do objetivo da paráfrase. anote a bibliografia referente. E muito comum. São Paulo: Ed. são úteis também como textos autônomos. elabore uma paráfrase em tom mais coloquial. “em lugar de dfundir e divulgar a Cultura. despertando interesse por ela. c) De todas as suas leituras para estudo ou trabalho. 1997. que são muito úteis na ampliação das habilidades cognitivas. A Associação Brasileira de Normas Técnicas normatiza as regras para publicações. podemos sempre utilizar idéias de outros autores fazendo: citação literal: Marilena Chaui afirma em seu texto que. Quando falamos para nós mesmos. registrando. O importante é que o documento possa ser recuperado pelo leitor a partir de informações básicas. TÍTULO. CIDADE: EDITORA. reestruturá-las e reordená-las em outro formato exige uma grande atividade mental que contribui para que a assimilação seja mais consistente. As informações têm de ser fiéis às idéias do texto original. Após a leitura. interpretando o que foi lido. se não houver uma citação clara do autor das idéias. Na paráfrase. Assim. em grande parte. Ática. depois de algum tempo. 329-30. adotamos o seguinte modelo simplicado: NOME DO AUTOR. Além disso. mas nossa leitura não retém na memória tudo que é necessário. DA LEITURA PARA A ESCRITA 59 ou paráfrase: Marilena Chaui afirma em seu texto que a indústria cultural vulgariza as artes e os conhecimentos em vez de d(fundir. Quanto mais organizadas forem essas anotações. resumindo ou esquematizando. Releia. A paráfrase. Marilena Chaui. transformações conceituais ou reduções. As técnicas de registro de bibliografia podem variar. b) Escolha um parágrafo longo de um texto dissertativo. agregados ou transformados estilisticamente. As vezes é preciso citar explicitamente sua origem (nome. sintetizando a idéia principal. com nossas próprias palavras. E isto é o mesmo que não ter lido. . com vários retornos ao texto.

estão voltados para a expressão individual. interpessoais. que a função da linguagem está centrada no EU. a) A linguagem como expressão individual Objetivos centrados no EU — Muitos textos têm uma natureza essencialmente subjetiva. a língua escrita é usada com diferentes funções e com os mais diversos objetivos. então. o veículo em que vai circular. Tenho vontade de rever é . Cada um dos objetivos vai determinar o formato que o texto vai tomar e. a função expressiva é mais evidente: a experiência pessoal e as emoções são ressaltadas e as informações . pensamentos e emo çõe de uma pessoa. Vejamos um pequeno texto de Manuel Bandeira: Diário de Bordo 22 de julho Ontem. o autor registra suas impressões a respeito de um filme e dos atores. com muita fera. Rio de Janeiro: Editora Aguilar. pois o objetivo principal do texto é transmitir ou registrar os sentimentos. muito negro. cinco funções primordiais da linguagem. conforme seus objetivos estejam centrados: no EU. sobre essas decisões. Essas decisões estão relacionadas àqueles mesmos aspectos que tentamos descobrir quando estamos lendo textos de outras pessoas. tomamos muitas decisões antes e durante o trabalho. Dizemos. bilhetes. Tomando decisões Para escrever um texto. ar tigos poemas. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 63 Ava Gardner e Grace Kelly. Audrey Hepburn. Funções da linguagem Como podemos perceber.. São questões de várias ordens: textuais. Avo Gardner e Grace Kelly eu só conhecia defotos nas revistas e jornais. agora. Um exemplo desses textos é o diário pessoal. As feras representando muito bem. na linguagem e no seu funcionamento.1 Capítulo 5 Decisões preliminares sobre o texto a produzir 1. tivemos sessão de cinema. As diversas funções coexistem e duas ou três aparecem simultaneamente num mesmo texto. Há algumas funções consideradas básicas e que estão presentes nos textos de forma especial. no leitor. a seguir.. Flauta de Papel. ou na informação.. na função expressiva. e por isso a primeira pessoa do singular é utilizada com muita freqüência. na estruturação do texto e na sua estética. A voz que assume a “fala” nesse tipo de texto é a própria voz do autor. A história do filme se passava na A’frica. cartas. Manuel Bandeira. Clark Gable. Clark Gable disfarçando com grande charme a sua velhice. Vamos detalhar aqui como essas funções se realizam no texto escrito. à noite. 1967. depoimentos. Bonitas. lingüísticas. podemos escrever textos de gêneros mui t diferentes como: diários. 2. Para a expressão de nossos pensamentos. Focalizaremos. Nos três últimos períodos. Podemos traduzir algumas das decisões preliminares nas seguintes perguntas: Quais os objetivos do texto que vou produzir? Que informações quero transmitir? Qual o gênero de texto mais adequado aos meus objetivos? Que estruturas de linguagem devo usar? Vamos refletir. muitas vezes. Poesia Completa e Prosa. informacionais. mas sempre TÉCNICA DE REDAÇÃO transparece uma função preponderante.. Nesse trecho. mas não me dão vontade de revê-las.

Vamos analisar esta carta comercial/publicitária: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 65 . Temos certeza de que cada vez mais atenderemos às suas necessidades de telecomunicações. ou seja. deve estar bem elaborada para que possa ser compreendida em outras circunstâncias. E por intermédio da função expressiva que nos tomamos senhores de nossa própria história. A conquista da expressão dos próprios pensamentos e opiniões. Beltrano Diretor de Serviços 64 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Função centrada no leitor ou apelativa Uma outra função da linguagem é aquela centrada no leitor. No entanto. sempre causam um pouco de dúvida se não estiverem acompanhados de alguma referência mais específica. a predominância da função expressiva. Nomes e telefones de novos conhecidos. ou seja. mas reconstruí-los. como já vimos. por favor. entre em contato com nossa Central de Atendimento ao Cliente por meio do telefone XØ(X\9( Obrigado por ter escolhido nossa empresa para chegar mais perto de sua família. uma ordem. com a alta qualidade e a avançada tecnologia da empresa que está pronta para o século 21. assimilá-los criticamente e assumir a própria voz é essencial. circunstâncias. um leitor que é a nossa própria pessoa em outro momento. quando lemos essas anotações. pois. Embora nosso exemplo pertença ao universo literário. a expressão subjetiva explícita. E por isso sempre estaremos oferecendo-lhe descontos e promoções em nossos serviços. Um conhecimento ou uma informação preexistentes ajudam a sustentar conhecimentos novos na memória por mais tempo. está presente em textos cujo objetivo é influenciar a atitude de quem lê. E quase um monólogo. à neutralidade. nas teses e dissertações. pessoas. Trata-se de dar ajuda à memória. às vezes. é necessário que mantenha seu cadastro atualizado. A nossa memória. A função expressiva da linguagem é essencial à nossa vida. Continue preferindo nossa operadora. já que não se pode confiar totalmente nela. não entendemos o que queríamos dizer. uma orientação. por isso. Atenciosamente. é por meio dela que nos construímos como sujeitos atuantes na sociedade e no mundo. Muitas vezes. alterando o seu comportamento. você é muito especial para nós. acontecimentos. precisa de mais de um ponto de apoio. muito importante. dos amigos e dos negócios. José da Silva. escrevemos bilhetes para nós mesmos no intuito de não esquecer algum compromisso ou informação e. sempre que escrevemos um diário. José da Silva. a mensagem. Repetir 4 pensamentos de outros é. uma súplica. Pedimos que você verifique a correção dos dados pessoais e do telefone exibidos na conta.assumem o tom de confissão. é preciso considerar que esse autor estará exercendo o papel de leitor num segundo momento e. por mais secreta e enigmática que seja. Palavras soltas são dificeis de ser associadas a fatos. José da Silva. nos vestibulares e concursos. escrevemos para. Geralmente é uma instrução de procedimentos. é um instrumento primordial para o exercício da cidadania. Se houver alguma alteração. Prezado José da Silva. uma sugestão. pode ser esclarecedor. por exemplo. Porém. já que o autor fala consigo mesmo. à discussão teórica e abstrata em que o eu não se expõe com tanta evidência. Para que estas vantagens cheguem até você. é geralmente considerada inadequada e dá lugar à impessoalidade.

] S. Assim as informações estão todas organizadas de forma a atingir essa meta. se constitui objeto de descrição.] Verbete: cinernateca [De cinema. m. colocando as ações do leitor em evidência. kínema. ou parte dele. Quanto mais esclarecidos são os cidadãos. Sala de espetáculos. em substituição a praticamente tudo que se queira. Existe ainda ao nível de. / Contratações a nível de futuro (contratações para ofuturo).] El comp. Em um dicionário. Embora possamos perceber que um autor elaborou o pensamento sobre o item analisado. Paulo. Por isso é preciso ler com muita atenção e procurar as segundas e terceiras intenções em tudo o que nos chega às mãos. Em determinados casos podem ser usadas as locuções no plano de e em termos de. Por meio desse tipo de texto a sociedade pode ser controlada e submetida à dominação política e cultural. São Paulo: Editora Moderna. atos. modismo desnecessário e condenável. Mas a sociedade de consumo é fundamentada em textos apelativos. Veja alguns casos em que a locução aparece e como evitá-la: Decisão a nível de diretoria (decisão da diretoria). Observe este exemplo: 66 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nível 1. mas apenas com o sign ficado de à mesma altura: ao nível do mar. Manual de Redação e Estilo — O Estado de S. cinematógrafo. mais percebem quando estão sendo persuadidos contra a própria vontade e mais resistem aos processos de tirania e arbítrio. 1.+ -teca. 3. 1. Aquele em que a projeção é acompanhada de uma faixa sonora. onde se projetam filmes cinematográficos.: cinemat(o)-: cinemática.Observe como o propósito da carta influenciou a sua forma. dos livros didáticos de língua portuguesa e do dicionário. 4. é como se ele estivesse ausente do texto. Observe os verbetes a seguir: Verbete: cinema [De cinematógrafo. Aquele em que a projeção não vem acompanhada de som: cena muda. 1. E a língua falando sobre a própria língua. Arte de compor e realizar filmes cinematográficos. Os exemplos mais claros são os textos da gramática. f . Cinematografia. 190 (com adaptações). 2. / Reunião a nível internacional (reunião internacional). /Decisão a nível de governo (decisão governamental). tornou-se uma das mais terríveis muletas lingüísticas da atualidade. na sua reação. c) A linguagem que explica a língua —função meta!ingüística A linguagem pode falar acerca de si mesma./ O salário será a nível de 5 mil reais (em torno de).] S. É importante perceber os mecanismos de convencimento que estão implícitos em determinados textos que manipulam o pensamento das pessoas. que criam necessidades de consumo e transformam as pessoas em máquinas desejantes. Projeção cinematográfica. DECiSÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR [Equiv. = movimento’: cinemascópio. é ainda mais evidente essa ausência de um autor explicitamente identificável no texto. Cinema mudo. no seu comportamento. 1. Eduardo Martins. 2. ansiosas por adquirir mais e mais. explicar-se.] Cinema falado. A empresa quer continuar sendo escolhida pelo leitor como sua operadora de serviços de telecomunicações. /Çf sinema. p. na sua escolha futura. A locução a nível de. I”K 1 cinem [Do gr. Função metalingüística é a função da linguagem na qual predominam os enunciados em que o código. 3. Podemos dizer que a função preponderante é centrada no leitor. Muito menos eficaz para o objetivo da empresa seria a simples comunicação por telegrama: Atualize cadastro pelo telefone XXX XXX Agradecemos preferência.

pela forma como está organizado. Não é possível. a palavra. É por meio desses textos que ampliamos o nosso universo lingüístico. chama a atenção para a organização e estruturação do texto. II. para sua elaboração especial e intencional. (Amadurecerei um dia?) Não aceito. dispõe de uma excelente ferramenta social para exercer suas tarefas na sociedade. é digno de ser cinematografado: uma jovem cinematográfica. vai se lembrar do sofrimento de Fabiano por não dominar as palavras. quando for o caso. seja na sua combinação. pois chama a atenção para si mesmo. então. Cada verbete. proporciona ao leitor o caminho para compreender os significados. maior. p. Verbete: cinematográfico Adj. Se você já leu Vidas Secas. Que. jogar com as potencialidades latentes nas palavras e criar combinações novas e originais. Local onde se conservam os filmes cinematográficos. de estranhamento agradável.’. por sua beleza e/ou por outra(s) qualidade(s). em especial os considerados de valor cultural ou artístico. 100 Contos Escolhidos. Fechado para sempre. Não amadureci ainda bastante para aceitar a morte das coisas que minhas coisas são. 67 68 TÉCNICA DE REDAÇÃO d) A arte literária —função poética Encontramos a função poética da linguagem quando a intenção do autor de um texto é extrair da linguagem as suas mais altas possibilidades expressivas. 2. Respeitante à cinematografia. e até aplaudi-las.) Dicionário Aurélio Eletrônico Há um conjunto de recursos que dispensa a voz do dicionarista. 1. que lembra o que se vê no cinema: “Rilhava os dentes. temos a arte que utiliza a linguagem verbal. A espera na sala de espera. A Vida como Ela E. de Graciliano Ramos. mais americano. mais isso-e-aquilo.1. evocando o beUo cinematográfico que dera no aeroporto. O FiM DAS COISAS FECHADO O CINEMA ODEON. Nesses casos. 3. o miúdo. A matinê . (Nélson Rodrigues. Próprio de cinema. Essa elaboração provoca no leitor uma espécie de experiência estética prazerosa. seja no acervo e escolha de palavras. os possíveis usos e as relações entre as palavras. paisagem cinematográfica. a morfologia. A língua é um dos instrumentos mais importantes na conquista da própria identidade e da cidadania. mais que para a informação. em oposição à transparência do texto informativo. por enquanto. 42. pouco antes de partir o avião. o cinema Glória. percebemos que alguma coisa não funciona bem: pausas. como material de criação: a literatura. Quando uma pessoa tem um bom vocabulário e sabe combinar adequadamente as palavras. titubeios na fala e falhas e inadequações na escrita. Dizemos. na rua da Bahia. Quero é o derrotado Cinema Odeon. fora-de-moda Cinema Odeon. que o texto é opaco. o apelo ou a confissão. truncamentos. minha mocidade fecha com ele um pouco. sendo de outrem. Mas quando sua linguagem apresenta problemas. ou seja.

você pode observar muitas das características da literatura que constituem meios para a elaboração especial da linguagem: 69 . expressão do EU e informação sobre fatos e acontecimentos. como fazemos com um texto de jornal. Nos versos “FECHADO O CINEMA ODEON. ao mesmo tempo. já que permite várias formas de leitura. O jornal da Fox. Carlos Drummond de Andrade Boitempo O poema de Drummond exemplifica essa opção pela escrita de forma especial: a disposição das frases no papel. e abre caminho para que os leitores empreendam uma reflexão que pode desdobrar-se em várias camadas: lírica.. Exijo em nome da lei ou fora da lei que se reabram as portas e volte o passado musical.com BuckJones. polissêmico. No exemplo. depoimento social de costumes de uma época. Hart. alterá-lo ou transformá-lo.7 70 TÉCNICA DE REDAÇÃO Ritmo Repetição de palavras Repetição de sons Repetição de idéias Jogos de palavras Ironias. duplo sentido. a associação entre as idéias. Nosso objetivo principal neste livro não é o estudo da literatura. O relato da experiência pessoal. o teatro. crítica social. a elaboração original e única para a expressão de uma interpretação sobre os fenômenos do mundo. a poesia narrativa épica são feições diferentes para um mesmo fenômeno: a arte da palavra. análise psicológica. pobre sátiro em potencial. o romance pode ser: histórico. A divina orquestra. O poema é prioritariamente uma elaboração especial da linguagem. tramas. William S. são simultâneas. tombos.. por sua vez. o COflvÍvjo com a literatura Constitui um exercício privilegiado de habilidades cognitivas . de amor. costumeira. A prosa e o verso se desdobram em outras espécies literárias. Por exemplo. tiros. por exemplo.”. critica política. A estruturação do texto é tão importante que qualquer substituição constituiria uma agressão à autoria do poeta. apresentado como uma narrativa no poema. na rua da Bahia. Quando citamos um poema não podemos resumi-lo. de humor. o Conto. entretanto o conhecimento da natureza do texto artístico é imprescindível para que se compreenda como funcionam os textos não-literários A leitura freqüente de textos literários é também muito importante na formação de uma pessoa. E cada uma dessas formas tem subgêneros. mesmo não divina. porque a obra de arte oferece interpretações do mundo que estimulam a reflexão e o conhecimento Além de proporcionar experiência estética. de terror. a escolha das palavras. Assim. de costumes. o poema é plurissignificativo./Fechado para sempre. mas é também. A primeira sessão e a segunda sessão da noite. O romance. humor Criação de novos vocábulos (neologismos) Frases nominais Estrutura sintátjca predomjnantemerite justaposta Uso da primeira pessoa do singular A literatura assume. policial. crítica da cultura. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR A impossível (sonhada) bolina ção. diversas formas e diferentes objetivos. demonstra como as funções se sobrepõem. o jogo de palavras é intencional e não pode ser modificado sem que se modifique o efeito dessa escolha sobre a interpretação do poema como um todo. waldemarpissilândico.. sublime agora que para sempre subm erge em funeral de sombras neste primeiro lutulento de janeiro de 1928. As meninas-de-família na platéia. de guerra..

temos apoio da situação fisica. expor.1983). eliminação de elementos sintáticos etc. a maneira como fala. precisamos seguir mais rigorosamente as exigências da língua padrão. cortes. usamos frases mais simples. são sistematicamente evitados. é o mais valorizado nos meios científicos. Há distinções fundamentais nesses usos que é preciso considerar. autor do consagrado Limite (1929-1930). Ao escrever. Dizemos. conceituar. e) Funçdo referencial Quando a língua é usada para descrever. como penso. Quem fala. interpreto. acho. autor de Brasa Dormida (1928) e de Ganga Bruta (1933). não trata da linguagem como fenômeno nem busca proporcionar experiência estética especial. podemos repetir informações. Almanaque Abril 1996 Como você pode observar. entonação. não dispomos de recursos como gestos. relatar. a cada momento. como as que se dão entre: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 73 modalidade oral e escrita registro formal e informal variedade padrão e não-padrão a) Distinções entre as modalidades oral e escrita Freqüentemente confundimos as modalidades da língua oral e escrita.e de familiaridade com as estruturas e Possibilidades da língua escrita. dos gestos. imparcial. Decisões em relação às estruturas Iingüísticas O falante de uma língua é. gestos. Este tipo de texto. Pensamos muito rapidamente e a expressão das nossas idéias pode ser. das modulações da voz. 74 TÉCNICA DE REDAÇÃO Na escrita planejamos cuidadosamente o nosso texto para assegurar que o leitor compreenda nossas idéias sem precisar de mais explicações. essas duas manifestações são apenas parcialmente semelhantes. inversões. na primeira pessoa do singular. de certa forma. pois não atrai a observação do leitor sobre a forma como é organizado. É como se a realidade falasse por si própria. como expressões faciais. usamos expressões dialetais com mais freqüência. Embora pertençam ao mesmo sistema. do contexto. voz. podemos resolver dúvidas do ouvinte. Geralmente. não planejamos com antecedência o que vamos falar. Não quer provocar algum comportamento no leitor. do conhecimento do interlocutor. Os recursos explorados pela literatura para chamar a atenção para a estrutura da linguagem (repetições. percebo. Ele fala e usa a língua em diversas situações. sem a interferência das impressões do autor. das expressões faciais. pois não temos o apoio do contexto. Descrever. com distintos objetivos. dizemos que se evidencia a função referencial. informar. um poliglota. definir. pois se refere primordjalmente a uma noção ou fenômeno. . sinto. na fala. pois podemos. quem lê e a linguagem em si são questões deixadas em segundo plano. Podemos esquematizar nossos procedimentos: Na fala somos mais espontâneos. então. O exemplo a seguir é um caso em que a função referencial é preponderante: 72 TÉCNICA DE REDAÇÃO os primeiros grandes diretores: Mário Peixoto (1911-1993). repetições. das pausas. expressões faciais. Considere o seu próprio uso da linguagem e observe que a língua escrita não dispõe dos recursos contextuais. revisamos para avaliar o funcionamento do texto e evitar repetições desnecessárias de palavras. não se trata de um texto expressivo (centrado no EU). explicar algum item mal compreendido. ou seja. clara e objetiva. no qual os verbos que indicam subjetividade. não podemos resolver dúvidas imediatamente. é muito comum surgirem na fala truncamentos. concejtuar. definir são formas de linguagem que evidenciam a função referencial. que o texto é transparente. 3. um pouco atrapalhada. universitários e acadêmicos. conjunções facilmente compreendidas. das referências ao ambiente. e Humberto Mauro (18 77. O que ganha evidência é a informação. O objetivo é transmitir informações a respeito de uma realidade. que enriquecem a oral. porque o nosso interlocutor está distante e é necessário garantir a compreensão. em diferentes níveis.) são evitados. corrigir e explicar melhor. considero. a não ser em situações muito formais ou delicadas. o autor se distancia ou desaparece quase completamente para tornar a informação bastante neutra. titubeios e problemas de concordância.

daí aí. Um dos problemas mais freqüentes na produção de textos de jovens redatores é a confusão entre a modalidade oral. certo?. segundo os objetivos do momento. a escrita não é a simples transcrição da fala. evitamos gíria e expressões coloquiais. ortografia. Tem características próprias e exigências diferentes. problemas de concordância. peraí (espere aí). né (não é). regência. Para que você tenha ferramentas para analisar essa questão. Podemos sintetizar as diferenças no seguinte quadro: FALA ESCRITA Espontânea Planejada Evanescente Duradoura Repetições / redundâncias/ Controle da sintaxe / das repetições / truncamentos / desvios da redundância Predomínio de orações Predomínio de orações coordenadas subordinadas Gran de apoio contextual Face a face Interlocutor distante . o vocabulário e as formas de combinação das palavras em frases e textos. assim. as orações subordinadas são mais freqüentes na escrita que na fala. principalmente quando o texto é formal. e a modalidade escrita formal. que. observe alguns itens que merecem atenção. Solicitamos que as atividades sejam adiadas por alguns minutos.truncamentos. tá (está). tá tudo bem? à fala mais formal. tô (estou). veja bem. 76 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Palavras de articulação entre idéias (repetidas em excesso) que substituem conjunções mais exatas: então. taí (está aí). Sinais utilizados na fala para orientar a atenção do ouvinte: bem. Cabe ao falante ou redator analisar a situação. Há uma gradação que vai da fala mais descontraída 01. . utilizamos sintaxe mais complexa. o contexto. Para isso é imprescindível ampliar continuamente o acervo de opções. sabe? Verbos de sentido muito geral no lugar de verbos de sentido mais exato: dar ficar dizer tei fazei achar ser. Outra vez. bom. viu?. planejada e mais próxima da escrita Caros ouvintes. Ausência de apoio contextual DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 75 b) Formalidade e informalidade Tanto a fala como a escrita podem variar quanto ao grau de formalidade. procuramos utilizar um vocabulário mais exato e preciso. ou seja. mas muitas vezes são utilizadas indevidamente na escrita formal: Formas reduzidas ou contraídas. que podem aparecer em textos informais. Boa tarde! e da escrita mais informal Tô chegando aí Deiva o parabéns pra mais tarde! à mais formal Chegaremos ao local da cerimônia com uni pequeno atraso em relação à programação anteriormente estabelecida. que permite a exatidão e a clareza do pensamento. chamamos atenção para o seu próprio uso da linguagem e para a necessidade de que você reflita acerca de seu desempenho. e. pontuação. colocação pronominal. e decidir como usar as infinitas possibilidades da língua da forma mais adequada e aceitável. pra (para). que permeia a escrita informal. Portanto. pois temos tempo de procurar a palavra adequada. porque representam estruturas próprias da fala. cê (você). entendeu?. de acordo? não sabe?.

libertando-a para novas experiências. Atualmente. Devem ser considerados os primeiros elementos a eliminar ou substituir quando se deseja transformar um discurso oral informal. nos jornais e revistas tradicionais de grande circulação. a língua padrão é o consenso do que está nos documentos oficiais. O texto formal utiliza o que chamamos de norma. Há recursos da fala e da escrita informal que funcionam muito bem em determinados contextos. em textos que não as admitem. No ano seguinte Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles abrem a prim eira sala exclusiva de cinema na rua do Ouvidor. Nos anos seguintes. Um uísquinho de vez em quando. uma vez que essa norma se sobrepõe às variedades regionais e 78 TÉCNICA DE REDAÇÃO individuais. Historicamente. rolando um papo.. como se fazia a respeito dos textos do fim do século dezenove. Pai. Faz como a mamãe que se amarra num diet. pega leve. 6. com ele. Várias salas de exibição são abertas no Rio de Janeiro e em São Paulo no início do século XX. Portanto. Eles são os exemplos mais citados em nossas gramáticas descritivas e normativas. não há por que se portar perante a língua de modo submisso a um poder autoritário. em um texto escrito formal. que no seu tempo era diferente Sabe. comédias e filmes com atores interpretando a voz atrás da tela. Esses elementos são próprios da fala espontânea. Operíodo de 1908 a 1912 é considerado a beile époque do cinema brasileiro. nos livros de qualidade. Surge um centro de produção no Rio. a norma culta deve distinguir os usos literários dos não-literários. é que a gente sente o quanto te ama. vocé seu. Inconsistência no uso de pronomes: te. No início do século. por exemplo) que constituem desvios. sem essa de dinheiro. E quando é que você vai se tocar disso? Hoje não tem presente. vai la’. É exigida em determinadas circunstâncias.. mas que são inadequados em documentos oficiais ou em textos formais. oferecendo oportunidade de acesso ao domínio da norma culta. o Rio de Janeiro assiste à primeira sessão de cinema no Brasil. Muitas DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 77 vezes. o padrão depende do poder político. Aparecem na escrita de forma eficiente quando se deseja dar ao texto um tom coloquial. manera. apenas sete meses depois da projeção inaugural dos filmes dos irmãos Lumière em Paris. E Afonso Segreto quem roda o primeiro filme brasileiro. Constituem recursos inadequados para o texto formal escrito. manera. O que define a norma ou padrão culto é o uso. Você vive dizendo que pensa no meu futuro. sua. espontâneo. Observe. com cenas da baía de Guanabara. um texto expositivo contemporâneo: Em 8 de julho de 1886. nós. informal. mas os dialetos regionais e as particularidades estilísticas pessoais têm seu espaço na vida social. Assim. sem eliminá-las.Vel se consegue mudar um pouco sua alimentação. ou seja. E muito dificil definir o que seja o padrão culto de uma língua. a gente.Gírias e coloquialismos: papo. como neste texto de uma propaganda de adoçante dietético: Você diz pra gente que a vida corre mansa. democraticamente. E muitas vezes o caso do texto publicitário. Assim. encontramos algumas dessas formas impróprias. enche. não se deve mais generalizar. dos textos informativos. A escola deve respeitar as diferenças. amarra. a seguir. sem o qual a vida profissional pode ficar prejudicada. sem essa. a produção cai . pega leve nas frituras. diminui o açucar. Entretanto. sempre em evolução. a norma estava nos textos literários de autores como Machado de Assis. transgressões às formas aceitas até então na escrita culta formal. Rui Barbosa e Euclides da Cunha. econômico e social daqueles que o definem e o codificam nas gramáticas escolares e o consagram na escrita formal. velho. entretanto.. O modernismo constituiu uma forma de revolução na linguagem literária. pois estamos lidando com um fenômeno vivo. consensualmente aceito e consagrado como correto pelos falantes que têm alto grau de escolaridade. Só que eu também penso no seu. sujeito a uma infinidade de influências e transformações. a sua saude é superimpoante pra gente.. e. dizendo que a norma culta está na literatura. vestígios de coloquialismo. os grandes escritores modernistas trouxeram para a literatura a fala do povo e novas criações de efeito estilístico (Guimarães Rosa. se toca. Por isso velho. sem planejamento. A norma padrão assegura a unidade lingüística do país. em 1898. Você fala pra tomar Cuidado corri os eXcessos. histórias policiais. Isso diz respeito tanto à fala quanto à escrita. um efeito de intimidade que simula a oralidade ou o diálogo. língua culta ou padrão. nas leis. esse papo às vezes enche! Mas te vendo cansado e fazendo tudo pra agradar. Mas o que té rolando é papo de amigo.

tem a oportunidade de. Nós fomos. como já vi mos. as frases são curtas. pois a própria escolha das informações que serão utilizadas e das que serão omitidas já pressupõe uma posição diante da realidade.. ou quer utili za uma linguagem formal.. você tem de decidir se vai contar acontecimentos (narrar). você observa que: a linguagem procura ser clara e objetiva. Exemplo: Ontem eu fui ao teatro e via peça. ao gênero de texto que se quer produzir. qual é a forma de uma carta. Outra decisão correlacionada às anteriores. há uma deliberada neutralidade. apresentar uma reflexão teórica sobre o fato (dissertar). objetiva.. Essas decisões estão relacionadas ao objetivo da comunicação e. na escolha do vocabulário. Para produzir cada tipo de texto algumas habilidades de linguagem são necessárias.. a ordem é predominantemente direta. a neutralidade com que se tenta convencer o leitor da seriedade e da confiabilidade das informações. os períodos estão organizados em blocos de idéias bem distintos..Ç DECISÕES PRELIMÍNARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 79 Todas essas características contribuem para acentuar o caráter informativo do texto. Todos os gêneros nos interessam como leitores e como redatores... p. informal e facilitado. diz respeito ao nível de linguagem... que obedecem a uma ordem lógica (cronológica). Exemplo: É imperdível o espetáculo apresentado pelo grupo de teatro. estamos focalizando neste livro os gêneros que dizem respeito ao domínio da comunicação. não há texto totalmente neutro.. Quem vai assistir ao espetáculo. Ou prefere se distanciar? Exemplo: Ir ao teatro é uma ex periênci surpreendente. Você quer um texto mais subjetivo. em um romance encontramos partes dialogadas.. w9k . argumentativas e narrativas. citando-o ou não no texto. Mas. mais simples ou mais complexa. o texto é impessoal.. 80 TÉCNICA DE REDAÇÃO na forma como você se dirige ao leitor. coloquial. as diversas possibilidades de participação em uma conversa. você tem de decidir também que ponto de vista adotar: você quer se colo ca de alguma forma no texto? Exemplo: Eu fui. de fato. Entretanto. e são . Cada gênero já traz em si escolhas prévias em relação a estruturas básicas de linguagem que são automaticamente utilizadas pelo redator. portanto. um bom espetáculo teatral). Gênero e tipo de texto Vamos imaginar que você queira escrever um texto sobre uma experiência estética que viveu (um bom filme. Assim. a melhor maneira de contar uma anedota. não há intenção de mostrar um estilo muito elaborado. convencer o seu leitor de seu ponto de vista (argumentar e persuadir). 4. uma boa música.. Exemplo: Ir ao teatro e viver a experiência estética proporcionada pela peça.. Quanto aos aspectos da língua verbal propriamente.. não há manifestação clara da opinião do autor. Sempre que produzimos uma forma qualquer de comunicação estamos utilizando um dos gêneros disponíveis na nossa cultura. 294 (com adaptações).por causa da concorrência dos filmes norte-americanos. no qual são delineadas e discutidas idéias. que se sucedem compondo o enredo.. Sabemos. Simultaneamente a essa decisão preliminar. Antes de começar a escrever. Almanaque Abril 2000. distanciada? Essa decisão vai influir: na estrutura da frase. Ao trabalhar com um determinado gênero utilizamos tipologia variada de texto. quase naturalmente. como narrar um acontecimento. com figuras de linguagem ou inversões sintáticas. quais são as maneiras de começar uma ata. Analise as escolhas feitas pelo redator. Todos nós. Nós assimilamos esses formatos porque convivemos com eles nas nossas práticas sociais. expositivas.

persuadir de maneira formal e impessoal. é necessário saber expor. em que estão listados alguns dos gêneros mais conhecidos. argumentar.apresentados e transmitidos os saberes. SITUAÇÕES DISCURSIVAS LITERATURA POÉTICA LITERATURA FICCIONAL TIPOLOGIA TEXTUAL PREDOMINANTE EXPRESSÃO POÉTICA VERSO NARRAÇÃO RELATO HABILIDADES DE LINGUAGEM DOMINANTES Elaboração da linguagem como forma de expressão da interpretação pessoal do mundo Imitação da ação pela criação de enredo. Para transitar nesse domínio. refutação e negociação . personagens. de forma verossímil. cenários. situações. Representação pelo discurso de experiências vividas. Observe os quadros nas páginas a seguir. situadas no tempo GÊNEROS ORAIS OU ESCRITOS Poesia conto maravilhoso conto de fadas fábula lenda narrativa de aventura narrativa de ficção científica narrativa de enigma narrativa mítica anedota biografia romanceada romance romance histórico novela fantástica conto paródia adivinha piada relatos de experiências vividas relatos de viagem diário íntimo testemunho autobiografia curriculum vitae DOCUMENTAÇÃO E MEMORIZAÇÃO DE AÇÕES LEVANTAMENTO E DISCUSSÃO DE PROBLEMAS DISCUSSÃO DE PROBLEMAS SOCIAIS CONTROVERSOS ARGUMENTAÇÃO Sustentação. tempo.

A partir da função. se falamos da própria linguagem. EXPOSIÇÃO Apresentação textual de fatos e saberes contratos CONSTRUÇAO E da realidade declarações TRANSMISSÃO DE documentos de registro REALIDADES E SABERES pessoal atestados certidões estatutos regimentos códigos TRANSMISSÃO E EXPOSIÇÃO Apresentação textual de diferentes texto expositivo CONSTRUÇÃO DE formas dos saberes conferência SABERES artigo enciclopédico entrevista texto explicativo tomada de notas resumos resenhas relatório científico relato de experiências científicas INSTRUÇÕES E DESCRIÇÃO DE AÇÕES Orientação de comportamentos instruções de uso PRESCRIÇÕES instruções de montagem bula manual de procedimentos receita regulamento — lei regras de jogo placas de orientação 84 TÉCNICA DE REDAÇÃO 5. Prática de tomada de decisões . ao seu funcionamento na situação. temos que tomar decisões importantes em relação ao texto que vamos produzir. a função será metalingüística. Essas decisões nos situam em relação aos objetivos do texto. a função será poética. com suas diretrizes fundamentais. E o próprio gênero oferece parâmetros básicos que nos guiam na formulação do texto. O gênero de texto é sugerido pela própria situação de comunicação. se tentamos influenciar nosso leitor. Decisões orientadoras Conforme enfatizamos neste capítulo. se vamos utilizar a língua padrão ou podemos lançar mão de variações. o objetivo nos propõe qual será a função da linguagem preponderante no texto. antes mesmo de começar a escrever. ao gênero. ao leitor. se fazemos arte das palavras. a função será persuasiva. refutação e negociação de tomada de posição ESTABELECIMENTO. 6. ao nível de linguagem.PERSUASIVA de tomada de posição ata notícia reportagem crônica social crônica esportiva história relato histórico perfil biográfico aviso convite sinais de orientação texto publicitário comercial texto publicitário institucional cartazes siogans campanhas —folders cartilhas — folhetos textos de opinião diálogo argumentativo carta ao leitor carta de reclamação carta de solicitação deliberação informal debate regrado editorial discurso de defesa requerimento ensaio resenha crítica ARGUMENTAÇÃO Sustentação. Há em nossa cultura um acervo de modelos de texto entre os quais escolhemos o que vamos utilizar em cada contexto comunicativo. Formulamos uma espécie de projeto de texto. a função será referencial. se podemos incorporar elementos próprios da oralidade. Assim. a função será expressiva. as quais vão servir de pauta para o desenvolvimento da escrita propriamente dita. se falamos de alguma coisa. decidimos se vamos utilizar um registro de linguagem mais formal ou mais coloquial. Se escrevemos sobre nós mesmos.

introdução etc. pois ela pode conduzir a outros problemas como a linguagem artificial. pedante. imediatamente você já tem alguns parâmetros para a produção. Cada pessoa constrói sua própria técnica de organização inicial das idéias. Mas tente não cair nessa armadilha. Surgem em momentos diferentes e devem ser anotadas logo que se formam para não se perderem no esquecimento. Capítulo 6 A ordem das idéias 1. vocativo. envie. São decisões relativas às informações que serão utilizadas e às posições que assumimos em relação a essas informações. e é preciso também tomar decisões a respeito da linguagem e do gênero de texto. todo o mundo fica constrangido ao escrever para um professor de português. Agora você pode decidir o registro de linguagem: formal ou informal? Que função prefere dar à carta? Quer expressar suas opiniões sobre o livro? quer fazer algumas perguntas? quer me convencer de alguma coisa? quer me passar informações acerca de outros livros da área? quer falar da dificuldade de produção da própria carta? ou quer colocar um pouco de cada uma dessas funções no mesmo texto? Escreva a carta e ao relê-la veja se ficou coerente com suas escolhas preliminares. prefiro que opte por uma carta. Naturalmente. que é o erro pela vontade extrema de acertar. procuramos dar ordem às nossas idéias. Se você quiser. data. ou à hipercorreção. Embora você possa escolher um telegrama. A concepção das idéias Como vimos. e essas tarefas já podem ser consideradas parte integrante da escrita.a) Prepare-se para se comunicar com a autora deste livro. b) Escolha um gênero expositivo e trace um planejamento como se fosse publicar o texto em um periódico que você tem o costume de ler. um cartão-postal. De pos- . Vão constituindo um conjunto de aproximações um pouco desordenado. você vai optar pelo português padrão. a) Fazer anotações independentes As idéias surgem sem muita organização. Há muitas possibilidades. um bilhete. antes mesmo de começar a escrever um texto há muitas etapas. posições. não é? Afinal. ter idéias. Quando já estamos nessa fase. Quando se decide por um gênero. como vimos no capítulo 2. simulando as possibilidades de criação de um texto referente à música popular brasileira.me a carta. O formato é tradicional: cidade. à medida que vamos fazendo leituras e reflexões acerca do tema. Vamos explicar como é o funcionamento de cada um desses processos. Temos fama de ca ——4 ft 1 DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR çadores de erros. 85 1. E preciso conhecer o assunto. Produza o texto e envie como colaboração ao periódico.

Observe o que conta José Casteilo a respeito do processo criativo de Clarice Lispector.) Clarice lhe entregou uma pilha de fragmentos. bulas de remédio. A partir dessas pequenas peças. em que há limite rigoroso de tempo. que na vida profissional é mais flexível e largo. fratava de abrir um caminho. índios lunu / ritos ritos trib crs religiosos /m0inhas e” 12’99 — Chiquirih Gonzsg ôreIs 1 marcha e crnsvsl / 1917— Dongs Pelo telefone —1? samba 50— smb-cnço — boss-nov es-e7 — festivsis . lenços de papel.. como as peças de um puzzle.88 TÉCNICA DE REDAÇJO se de muitas anotações. mas acontece a partir do momento em que o redator toma conhecimento do tema. e depois foi encaixando-os. escravos. Rio de Janeiro: Record. Clarice leva sua estética do fragmento ao paroxismo. Mais uma vez a literatura fornece exemplos. num concurso. a partir de pequenas aproximações e conclusões. ao escândalo. José Casteilo. DJficil dizer o que lemos — e é impressionante pensar que uma outra pessoa. Mesmo quando não se trata de literatura. vamos montando blocos de idéias maiores e uma rede entre eles que vai formar o texto. Quando Clarice não podia mais ordenar o que escrevia. sem se intrometer no que lia. foram concatenadas umas às outras em busca de uma ordenação preliminar lógica. (.o íeixeir Sos idi resistnci vem s feIic1e e cls riuez t55 origens 89 AFOPULA5ASILEIRA Portugueses. que ela pacientemente dividiu em dezenas de envelopes. Assim pode trabalhar sobre um rascunho em que várias idéias. uma posição a respeito de uma idéia vai se construindo pouco a pouco. “montou “ o caos que Clarice anotou em guardanapos. jorna is. pp. o redator relê e analisa esses registros. anotadas em momentos diferentes. Inventário das sombras. 30-1. Olga Borelli. sozinha com sua tesoura. Esse percurso. é reduzido e rápido. no período de vida em que foi apoiada pela amiga Olga Borelli: Em Água Viva. 1999. estabelecendo a hierarquia e a combinação entre eles para formar o texto preliminar. E. uma direção para a tempestade escoar. Olga a escoltava. Observe como podem se configurar anotações registradas durante a leitura de diversos textos acerca da música popular brasileira: ? ‘ /flfr z A ORDEM DAS IDÉIAS Pcdas le 2OIOI4O rádios — grvors 5io Luiz Gonzg e HumL’ert.

ainda formulada apenas na mente do redator. negros e portugueses. muitas vezes. e. A ORDEM DAS IDÉIAS 91 Observe o registro preliminar de palavras-chave acerca da música popular brasileira: ORiGEM 3 ETNIAS FUSÃO SAMEA NOVOS ESTILOS ALMA 5RASILEIA ESISTNCIA E’EFERNCIA DA JUVENTUDE d) Construir um parágrafo para desbloquear e. c) Fazer uma lista de palavras-chave e reordená-las. depois. Veja como se podem gerar novas idéias a partir de um parágrafo: A mLsic brasileira o resuIt&o da fusao dos ritmos trazidos pelas três etnias ue formaram o nosso povo: íridios. cortar e ordenar A música popular brasileira é muito rica. É muito freqüente. A linguagem apresenta. Esse processo se aproxima muito da fala. A palavra-chave é um núcleo significativo que sintetiza uma idéia maior. hierarquizando-as Quando o redator tem bastante capacidade de síntese e habilidade mental de centralizar um pensamento numa única palavra. não temos como discipliná-las. os brasileiros continuam preferindo nossa Mj9’ poroLue ela reflete a nossa alma e é muito rica. Mas h muitos outros ritmos e estilos cue convivem e se influenciam mutuamente. conseqüentemente. mesmo que de maneira ainda rudimentar. desen volver as idéias ali expostas — Muitas pessoas têm dificuldade até começar a escrever. o procedimento ajuda a gerar novos pensamentos sobre o assunto. Mesmo que esse parágrafo seja ainda muito preliminar ou inadequado. nisngue-L7et 90 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Escrever tudo o que vem à mente. A releitura fornece evidências que devem ser consideradas para as transformações.—jovem-gurs Se’ —tropicalismo 70 — revlorizço tio sa m jazz + instrumental rock brssileiro 50 — rock LrsiIeiro 90 — releitura tis MP5 — reciclagens pgocle. Enquanto estão trabalhando apenas mentalmente ainda se sentem inseguras e não conseguem avançar muito. um tom informal. desenvolvido ou reduzido posteriormente. de acordo com o fluxo do pensamento. sem planejamento. para depois. marchas oficiais e modinhas. escrever logo um parágrafo para pensar em outras idéias depois de relê-lo é o caminho mais indicado. nesse tipo de texto. Se conseguimos captar esse fluxo e registrálo. índios e portugueses. Embora haja uma forte indústria cultural estrangeira ue quer dominar o mercado no brasil. Hoje os jovens retomam os ritmos primitivos e revalorizam as origens de nossa música. existirem idéias incompletas ou detalhes dispensáveis. então. não haver pontuação nenhuma. Quando falamos. ou elaborar uma espécie de esquema geral do texto 92 TÉCNICA DE REDA ÇÃO . Os africanos trouxeram junto com os ritos e cerimônias religiosas uma musicalidade especial. esse é um procedimento muito rápido para captar as idéias. as idéias vão surgindo rapidamente. H música para todos os gostos. O samba nasceu da fuso de ritmo5 das três raças. sx& sertsnejo. apreendemos um esboço que poderá ser reformulado. DESENVOLVER A IDÉIA DE FUSÃO DA RiCA SONORiDADE DAS TRÊS ETNIAS e) Escrever a idéia principal e as secundá rias em frases isoladas para depois interligá-las. Os colonizadores brancos tinham na bagagem misicas sacras. Nesse caso. Os nativos possuíam uma rica sonoridade para acompanhar seus ritos tribais. diversa e tem suas origens em diversas fontes cue vm dos negros. E um recurso muito produtivo para provocar a criação e apreensão de idéias essenciais.

há procedimentos comuns: geração. g) Organizar mentalmente grandes blocos de texto. original e soberana. mas resiste. No texto dissertativo. F’ela fusão e mútua influência entre os vários estilos nasce o samba. recicla.RITOS TRIBAIS BRANCOS .Muitas vezes. exemplos. um método bastante produtivo é elaborar da forma mais clara e completa a idéia principal que será desenvolvida no texto. idéias secundárias Um resumo. começamos a tomar decisões a respeito dessa rede de sentidos com uma noção ampla. E. para nós mesmos. Cada texto determina as articulações que lhe são próprias. O importante aqui é criar um mapa inicial de sentidos. explicações. Na seleção. e se consolida nas primeiras décadas do sáculo. estabelecemos como organizar a articulação entre as idéias. passa por pequenas alterações e ajustes ditados pela releitura cuidadosa. que têm muita experiência e conseguem montar o texto na memória. de uma maneira geral. de nossas posições em relação ao assunto. hierarquização e ordenação das idéias. A releitura do resumo indica os pontos que podem servir de alavanca para novos desenvolvimentos. índios e portugueses. Esse texto. depois de transcrito. o esquema inicial vai sendo reformulado durante o desenvolvimento do trabalho e chega a ser completamente transformado. maxixe. Não há um modelo universal que atenda a todas as variações. Embora sofrendo influencia constante da produçõo estrangeira.MÚSICA SACRA / MARCHAS /MODINHAS FUSÃO DOS RITMOS ORIGINA IS lundu. absorve novas contribuições. em 1917. a música popular brasileira incorpora. como já vimos. uma rede de relações lógicas entre 94 TÉCNICA DE REDAÇÃO as idéias do texto. Analise este resumo e observe como ele tem muitas idéias articuladas entre si. Mas a matriz inicial é que fornece subsídios para esses aperfeiçoamentos. do que queremos apresentar. Em todos esses processos. Na ordenação. uma matriz semântica. o desenvolvimento pode seguir as vertentes sugeridas pelo próprio assunto.RITOS RELIGIOSOS (raízes fortes) ÍNDIOS . Entre todos os procedimentos apresentados. ainda não muito delineada. Observe um esquema já estruturado para desenvolvimento de um texto: A música popular brasileira resiste à dominação cultural ORIGENS 3 ETNIAS NEGROS . A elaboração de um esquema prévio pode onentar o redator quanto ao percurso mais . escolhemos o que vamos dizer e o que não vamos dizer. também. ampliações. A partir desse pequeno texto inicial como fio condutor. ou seja. é um texto denso e bem estruturado. quando se trata de escrever um texto não-literário. que podem ser ampliadas: A música popular brasileira nasce sob o signo da ritegraç o de diversas formas e estilos musicais provenientes das três etnias otue formam o brasil: negros. sempre criativa e viva. inserções. seleção. decidimos a ênfase a ser dada a cada idéia e a submissão de uma idéia à outra. pelo esclarecimento. modinha NOVOS ESTILOS samba (Pelo telefone — Donga) Fatores favoráveis rádios e gravadoras OUTROS ESTILOS enriquecimento efortalecimento fidelidade às origens alma brasileira RESISTÊNCIA À DOMIA4ÇÃO gosto popular música estrangeira é secundária jovens preferem música brasileira ORDEM DAS IDÉIAS 93 fi Elaborar um resumo das idéias principais e depois acresLentar detalhes. expositivo ou argumentativo. escrevêlos e reestruturá-los após a releitura Esse é um procedimento próprio de redatores maduros. Na hierarquização. Essa elaboração demanda paciência para que o redator faça várias tentativas e reformulações em busca de maior exatidão para seu pensamento. voltada para suas raízes. Vamos especificando e detalhando nosso ponto de vista em relação à idéia preliminar pelo aprofundamento da nossa reflexão.

tropicalismo. houve influência mútua de outros ritmos e o Jávorecimento do progresso técnico. Sobre essa matriz rítmica multirracial. No processo de consolidação do samba. ligam os parágrafos entre si. Vamos observar um texto produzido a partir das idéias registradas nos exemplos das páginas anteriores: Título: resumo da idéia principal O caráter de resistência da música popular brasileira Idéia principal — origem — resistência A música popular brasileira nasceu sob o signo da miscigenação. Das anotações para o texto Para estabelecer a rede e desenvolver a idéia principal. o chorinho. O segundo parágrafo está ligado ao primeiro pelos processos de expansão. sertanejo. comprova que os alicerces da músibrasileira estão plantados em raízes inabaláveis.. Entretanto. No parágrafo de apresentação. constituindo assim uma estrutura temática que transcende as frases e períodos. Desenvolvimento da idéia de novos estilos — detalhamento. Introdução da idéia de consolidação. exeinplificação. a modinha. Além disso. A idéia principal está no título e percorre todos os parágrafos de diversas maneiras. a 96 TÉCNICA DE REDAÇÃO nova. E a adesão das novas gerações ao que é genuinamente nacional. axé. Nessa base estão o lundu. em 1917. dessa sintonia extremamente qfinada e bem construída. relação de continuidade temática com a idéia principal e com a conclusão do texto. . que é sempre uma revaloriza ção das raízes brasileiras. de suas marchas oficiais e de suas modinhas populares. rap e mangue-beat se sucedem e convivem. detalhamento e . pagode. Esses procedimentos relacionam cada parte do texto à parte que a antecede e à que a sucede imediatamente. Dessa identidade entre a produção musical e o gosto popular. simultaneamente. bossa4. pois é a era do rádio. de Donga. da riqueza e da afinidade com o povo. os recursos sintáticos da gramática da língua são imprescindíveis (como veremos no capítulo 7). o negro trouxe a sonoridade de seus ritos religiosos e o branco português a melodia de sua música sacra. samba-canção. Oposição à idéia de ritmo único — ampliação da idéia de novos estilos e manutenção da idéia de consolidação das raízes. que ofereceram um terreno fértil onde nasceu o samba. pois nada é casual. da situação e de muitos outros fatores que ultrapassam os limites do papel. das gravadoras e da profissionalização dos músicos. A ORDEM DASIDÉJAS 95 Para que as ligações se realizem de forma adequada e correta nas frases e períodos construídos no texto. A música estrangeira nunca deixou de ser um acessório secundário no nosso universo cultural. o maxixe. mas se multiplica em inúmeras vertentes. Conclusão: aforça que sustenta a resisténcia cultural vem dos alicerces. compositores e intérpretes. mas que tem sua própria “gramática”. a música nacional não se reduz ao samba. A certidão de idade oficial dessa criação tipicamente brasileira é Pelo Telefone. ou seja. tornando-o coeso. nasce uma força indestrutível que representa uma resisténcia à invasão e à dominação que outras culturas tentam impor por meio de suas avançadas indústrias culturais. Os diversos processos de fusão e reciclagem das nossas origens musicais tecem uma trama de ritmos e harmonias que reflete a alma do povo e por isso tem sua adesão incondicional. utilizamos diversas formas de combinação e de articulação entre as informações. resistente à invasão e à dominação estrangeira. observamos a frase núcleo do texto: Sobre uma matriz rítmica multirracial foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. resistente à invasão e à dominação estrangeira. num enriquecimento efortalecimento da base. Baião. foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. 2.adequado. as marchinhas de carnaval. O índio forneceu seu ritmo de ritos tribais. . jovem guarda. introdução da idéia de gosto popular. Três etnias contribuíram com seus ritmos para que chegássemos a constituir o talento que hoje encanta o mundo em termos de musicalidade. em suas múltiplas configurações. Todas as idéias e informações colocadas em um texto se justificam em vista dessas relações. Todas as escolhas dependem da intenção do autor. mantêm. da idéia que forma de seu leitor. Essa trama mais global se constitui a partir de procedimentos lógicos que constituem a seqüência e a progressão do texto.

E a ação de formular um esclarecimento e. avaliação. ou seja. O parágrafo conclusivo retoma a idéia de que a força e a resistência à dominação vêm da sintonia com a alma popular e da fidelidade às raízes. apresentamos uma idéia principal por meio. A organização das idéias Vamos analisar mais detalhadamente algumas dessas formas de articulação entre as idéias. parte do princípio de que o leitor pode estar pensando de maneira equivocada. As indaga çõesfilosófi cas se realizam de modo sistemático. declaração ou asserção. ldeZj Definição ou conceito Conceito é a representação de um objeto pelo pensamento. O terceiro se opõe à inferência possível de que só o samba é importante. opinião. Negação O recurso de apresentar uma idéia negando outra trabalha com o pressuposto de que há uma idéia oposta já conhecida. por meio de suas características gerais. introduz a noção de diversidade e reforça a idéia de fidelidade às raízes e de reflexo da alma popular. são estratégias de delimitação e construção de parágrafos. São Paulo: Ed. 15. Em geral. Pretendese. Não é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. 98 TÉCNICA DE REDAÇÃO A filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos. Convite à Filosofia. exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. de acordo com o objetivo do trecho. O novo estilo por excelência é o samba. apreciação. Observe o exemplo em que a autora inicia o texto negando a validade do senso comum em relação à Filosofia: As indagaçoes fundamentais nao se realizam ao acaso. de repetição da mesma idéia. de recursos como: Afirmação. mas se combinam e podem ser encaixadas em várias classificações simultaneamente. Aqui temos um exemplo de conceituação objetiva. pode-se apresentar como noção paticular. concepção pessoal. pois servem para unir idéias dentro de um mesmo parágrafo. negar essa possibilidade logo de início. como os resumos e os editoriais. julgamento. pois ele já traz em si as vertentes que devem ser ampliadas no desenvolvimento do texto. em que a posição do redator não sobressai: . A filosofia não é um “eu acho que “ou um “eu gosto de “. essas articulações não surgem de maneira exclusiva. trabalhamos com a apresentação de “verdades” que são defendidas (texto argumentativo) ou apenas expostas (texto expositivo). 8 ed. p. e existem em textos que não apresentam parágrafos. mas não obrigatoriamente. Mas não devemos nos restringir a essa noção. Embora apresentem uma característica predominante. Assim. entre outros. Marilena Chaui. Atica. 1997. a estrutura com o verbo ser (X é YYY) é a mais freqüente nesse caso. Marilena Chaui. necessária para que se mantenha a unidade temática. então. a) Apresentação Em períodos introdutórios. Observe estes dois exemplos de apresentação da idéia principal por meio de períodos afirmativos: A música popular brasileira resiste permanentemente à invasão e à dominação de ritmos estrangeiros que a indústria cultural dos países mais desenvolvidos tenta impor.exemplificação do que foi anunciado no primeiro. busca encadeamentos lógicos entre enunciados. 3.. / A ORDEM DAS IDÉIAS 97 Como vimos. Quando é uma posição subjetiva. segundo preferências e opiniões de cada um de nós. Nas dissertações. Não é pesquisa de mercado para conhecer prefe réncias dos consumidores e montar uma propaganda. há uma certa carga de redundância. o período afirmativo é muito freqüente. opera com conceitos ou idéias obtidos por procedimentos de demonstração e prova. Ou seja. por isso.

Uma definição subjetiva apresenta outras formulações. 1991. 63.. esse comentário pressupõe uma posição do redator em relação ao que vai apresentar. Marilena Chaui.. pretendemos demonstrar. Segundo meu ponto de vista. Observe o exemplo: Este trabalho propõe-se a refletir sobre a produção feminina sul-rio-grandense. pois não é para ser efetivamente respondida pelo leitor. Nela. Veja. 20 textos que fizeram História.. de um objeto. procuramos comprovar. um conhecimento específico ou uma avaliação anterior. 1999. ao mesmo tempo. Folha de S. tais como: o que desejamos nesse trabalho. Minha concepção de intuição é . Explicitação do objetivo do texto Nos trabalhos científicos e acadêmicos é costume iniciar o texto pelo objetivo da pesquisa. Pode também trazer descrições ilustrativas e outros recursos de ênfase e valorização dos aspectos que merecem a atenção do leitor. jovens armados de pás e picaretas arremetiam. contra o muro de cimento. de uma só vez. 7.. propósitos e limites da obra. Idem. em São Paulo.. a resposta à questão formulada. Comentário de uma citação ou de um fato Assim como no item anterior. passando pelo engajamento na defesa das eleições diretas. o feito era comemorado como se tratasse de um ritual bárbaro de luta e conquista. 7. Interrogação Construir uma pergunta de efeito retórico. Penso que a intuição é. Observe o exemplo a seguir. a apresentação de um livro estruturada por meio de um juízo positivo de valor: Os capítulos que compõem este “20 Textos que fizeram História” refletem a vida recente do país e. São Paulo. Universidade de Brasília. Resumos do Simpósio 500 anos de descobertas literá rias. p. detalhes. Da relativa ingenuidade dos textos que compõem a cobertura do incêndio no edifício Joelma. a personificação. a metáfora. ao tom vigilante das coberturas sobre o mau uso do dinheiro público.A ORDEM DAS IDÉIAS 99 A intuição é uma compreensão global e instantânea de uma verdade. p.. que podem ocupar o parágrafo. Departamento de Teoria Literária e Literaturas. estamos tentando provar. Veja um exemplo: .. no exemplo a seguir.. o capítulo ou o livro todo. ás vezes histéricos. em que a narração descritiva da queda do muro de Berlim é formulada com base na adjetivação e nas comparações. 20 textos que fizeram História. E um ato intelectual de discernimento e compreensão. assim como nos prefácios e introduções de livros é comum um esclarecimento sobre as intenções. em Berlim. Toda vez que uma laje do muro caía. acadêmicos ou científicos. focalizando as impressões do redator: A ORDEM DAS IDÉIAS 101 O cenário parecia extraído de algum livro maluco de ficção. Entretanto. explicações.. o que se abre ao leitor é um jornal em permanente movimento. como: Acredito que a intuição é.. o objetivo dessa investigação. Paulo. as afirmações envolvem julgamentos e tomada de posição acerca do objeto. de um fato. promete a resposta. Paulo. então. testemunham as virtudes e percalços do jornalismo praticado pela Folha. em 1984. Folha de S. 1991. Essa posição pode ser definida por meio de figuras de linguagem como a comparação.. O desenvolvimento do texto será. furiosos. 100 TÉCNICA DE REDAÇÃO Julgamento ou avaliação Quando uma apresentação pressupõe uma análise prévia.. Frases que orientam o leitor e indicam o objetivo são freqüentemente utilizadas. decidido a exercer sua função crítica e a informar seus leitores acima de qualquer obstáculo. Eu acho que. a partir do levantamento de informações sobre as instituições atuantes e seu papel na produção e na difusão da literatura na sociedade. Quem pergunta. é uma das formas mais simples de apresentação de uma idéia. Essa resposta exige ampliações. estimulados por gritos.. São Paulo. Vera Teixeira Aguiar. essas formas não são bem aceitas em textos objetivos. de dezenas de milhares de pessoas. a razão capta todas as relações que constituem a realidade e a verdade da coisa intuída. resgatada dentro de uma investigação mais ampla sobre a vida literária do Rio Grande do Sul de 1870 a 1930. p..

caminho Usar um método é seguir regular e ordenadameizie um caminho através do qual uma certa finalidade ou um certo objetivo é alcançado Marilena Chauj. Ática. como no seguinte fragmento: Um exemplo de luta social para interferir nas decisões sobre as pesquisas e seus usos encontra-se nos movimentos ecológicos e em muitos movimentos sociais ligados a reivindica ções de direitos. permitir a verca ção de conhecimentos para averiguar se são ou não verdadeiros enaChauiIdem 157 Nem sempre recursos de numeração. 8 ed.. poesia. o pensamento a ação. Marilena Chaui. assim é o que ocorre no caso em que. 157. nos quais os dados. Não ouvimos ninguém perguntar: para que matemática oufisica? Marilena Chaui. p. l3j b) Ampliação e explicação Tanto a idéia principal. então. uma expansão de elementos J apresentados no texto. Idem. Algumas expressões indicam de forma explícita que há uma inserção de exemplo: para exemplificar podemos observat por exemplo. Expressões como: isto é. Marilena Chaui. aparecem com freqüên 102 TÉCNiCA DE REDAÇÃO cia nessas situações Há. dança. methodos composta de meta através de. Idem. música. A exemplificação é um recurso muito útil tanto nos textos didáticos como nos textos argumentativos. as técnicas. ou seja. Idem. com três finalidades 1. p. formas de habitação. c ou sinais de itens). para comprovar o que foi dito. instrumentos musicais. 28J Um texto não existe sozinho. nas regiões onde ela se implantou. como as secundárias passam por processos de expansão que envolvem detalhamento e aprofundamento. as estatísticas. em geral apresentada no início do texto. 27. palavras ou conceitos utilizados. ou Outros que indiquem a divisão (como a. Esse recurso se constitui como: Esclarecimento do significado das expressões..Muitos fazem essa pergunta: afinal.. Observe um exemplo em que a enumeração é assinalada por números: No caso do conhecimento método éo caminho ordenado que o pensamento segue por meio de um conjunto de regras e procedimentos racionais. que são completamente diferentes das características desenvolvidas por outros povos epor outras culturas. permitir a demonstra ção e a prova de uma verdade já conhecida 3. as evidências vêm reforçar a idéia que é defendida pelo autor. utensílios domésticos e de trabalho. Enumeração de fatores constitutivos ou acumulação de elementos que complementam a idéia inicial. e de hodos. o que quer dizer essa expressão signfica.1997. exemplo disso é. cultos religiosos. Idem. p. para que Filosofia? É uma pergunta interessante.. via. corno nos exemplos: A palavra método vem do grego. 20. São Paulo: Ed. p. conduzir á descoberta de uma verdade até então desconhecida. b. os testemunhos. são necessários: A ORDEM DAS IDÉJAS Os estudos recentes mostraram que mitos. Marilena Chaui. Ele traz o eco de vários outros textos com os quais se relaciona e . o que se quer dizer é que ela possui certas características apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos. estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade. formas de parentesco e formas de organização tribal dos gregosforani resultado de contatos profundos com as culturas mais avançadas do oriente e com a herança deixada pelas culturas que antecederam a grega. por meio de. como exemplo pode-se observar. Convite à Filosofia. p. Os exemplos podem tornar o texto menos abstrato e facilitar a compreensão do leitor. Quando se diz que a filosofia é um frito grego. 2.

Mas os que só vivem ou no sótão ou na adega são pouco equilibrados. A resposta de Bachelard foi: “a diferença entre uma casa e um apartamento é que.que constituem um contexto amplo em que se situa. registrar. Dependendo do tipo de texto. por exemplo. A escolha vai depender das intenções do autor e do tipo de texto. opinião ou testemunho de outra pessoa. repetindo fielmente as palavras do texto original. expor mencionar. a Filosofia pode ser ‘entendida como aspiração ao conhecimento racional. a filosofia é uma importante forma de conhecimento do mundo. alegar. que um leitor experiente reconhece. Há alusões. em certa ocasião. as histórias podem ser cômicas. descrever preceituar. Tanto no discurso direto (que transcreve literalmente as palavras do outro após um travessão) como no discurso indireto (em que a fala do outro está parafraseada pelo redator sem travessão) esses verbos são utilizados com freqüência. Há expressões que indicam claramente inserção de citações: segundo o especialista X..zer. citar. informar discorrer acentuar ponderar.. perguntou o entrevistador. Podem agregar algum significado adicional ao simples ato de dizer impregnando-o de interpretação. ser humano por vezes significa subir ao sótão. p. . a voz do outro pode vir entre aspas. há citações implícitas. da origem e das causas do mundo e das suas transformações. Questões como o que é o amor? e o que é a amizade? são muito importantes. já estou informando que a posição de quem fala é de reflexão. expressar. tenho que marcálas com aspas a partir do ponto em que começo a transcrição: De acordo com Marilena Chaui (1997. as aspas são dispensadas: Segundo Marilena Chaui. Bachelard interrompeu um jornalista que o entrevistava dizendo-lhe: ‘parece que você vive num apartamento e não numa casa “. concluir. declarar. viver uma busca das significa ções da existência através dos simbolos filosóficos. em sua obra } para X a questão é. religiosos etc. heróicas. ordenar. narrar. Uma idéia pode ser ampliada. A escolha de um desses verbos indica um comentário ao ato de falar do outro. aprofundada ou esclarecida por meio de histórias que lhe sirvam de ilustração. Se prefiro o verbo ponderar ao verbo di. denunciar. 266. declaração.do autor citado. há uma adega (para onde descemos) e um sótão (para onde subimos). Nessas. comunicar. na primeira. esclarecer. pitorescas. discursar. Como já vimos anteriormente. artísticos. negar. poéticos.. replicar. explicar enunciar. (adaptado) 106 TÉCNiCA DE REDAÇÃO . aconselhar comprovar corrobo A ORDEMDASIDÉIAS 105 rar ratificat confirmar demonstrar refutar argumentat justificar. lógico e sistemótico da realidade natural e humana. Um desafio á Educaçào. São Paulo: Letras e Letras. XJá afirmou que. Observe alguns desses verbos e analise o sentido que acrescentam à idéia de dizer: falar. Ao inserir voz. testem unha. conJàrme X. declamar. Observe o exemplo de narração ilustrativa a seguir: Consta que. vale dizer. usamos verbos especiais.. referir. asseverar. que são citações apenas sugeridas e há citações explícitas. perguntar. aquilo que nos esmaga ou nos liberta. Por isso. p. E descer à adegapor vezes significa olhar o que se passa nos subterráneos e nos fundamentos psicológicos ou sociais de nossa existéncia afim de aí discernir nossos condicionamentos. mesmo sem marcas evidentes. “O que o senhor quer dizer com isso? “.. da origem e das causas das ações humanas e do próprio pensamento “. além da zona habitável. considerar. bradar pronunciar. indicar. que são chamados dicendi. engraçadas. Se uso as próprias palavras do autor citado. contestar contradizer. proferir exclamar. Quer dizer: não podemos viver limitados apenas ao nível do código restrito da ciência. afirmar. 1999. Se faço uma paráfrase. e pode vir em forma de paráfrase das 103 104 TÉCNICA DE REDAÇÃO palavras. 20). discutir questionar. de acordo com o que afirma X. históricas. Aos que jamais sobem ao sótão ou descem à adega falta uma dimensão humana relevante.” Hilton Jupiassu.

na qual distin gue duas formas da razão: a razão instrumental e a razão crítica. História Concisa da Literatura Brasileira. e são focalizadas as semelhanças. 442.. do artesanato e das artes militares. São Paulo: Cultrix. p. Cada aspecto exige desdobramentos e explanações que representam progressão das informações. normalmente o texto estabelece duas (ou mais) linhas de desenvolvimento paralelas que ora se opõem. mas agora a posição é de equilíbrio. terror e desespero.Utilizar narrações ilustrativas interessantes depende de muita informação.. 40. como fonte de erro. que no segundo parágrafo apresenta uma oposição. e) Comparação ou analogia Como no caso anterior.. há expressões que. Marilena Chaui. uma acerca de Clarice Lispector e outra acerca de Guimarães Rosa: As experiências radicais tanto de Clarice Lispector como de Guimarães Rosa forçam os limites do gênero romance e tocam a poesia e a tragédia.. depois.. 1989. focalizando diferenças.. Como já foi dito. a sociedade e a cultura... Ao contrário... políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científico sobre a natureza. utilizamos uma enumeração para antecipar as linhas em que o assunto vai se desenvolver. Idem. e Sócrates e Platão. fatos e fenômenos. as informações esclarecem o ambiente em que floresce a democracia. duas ou mais idéias são apresentadas. finalmente. o primeiro aspecto é. ou imagens das coisas. combinadas entre si. ora convergem. observe o texto a seguir: A diferença entre os sofistas. ora se explicam. na divisão. vivendo seu período de esplendor conhecido como o . em segundo. enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais. (adaptado) 108 TÉCNICA DE REDAÇÃO j9 Situação no tempo e no espaço Algumas informações são colocadas no texto com o objetivo de contextualizar de forma explícita as idéias. Além do exemplo do item anterior. que é a idéia a ser desenvolvida posteriormente no texto: Com o desenvolvimento das cidades. A razão instrumental é a razão técnico-cientjfica. Mais um motivo para procurar um bom convívio com textos de diversas naturezas.. p. O herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafisica da realidade. as igualdades. elaborou uma concepção conhecida como Teoria Crítica. Têm relação com a cronologia e com o lugar. por outro lado. Quando é esse o caso. Observe um exemplo em que o texto está organizado pela divisão da idéia: Uma escola alemã de Filosojiu. mentira efalsidade. c) Divisão A divisão de uma idéia em subtópicos abre novas vertentes de desenvolvimento do raciocínio. um outro aspecto é por um lado. experiência e leitura. formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade.. mas um meio de intimidação. Observe no exemplo a seguir como o desdobramento da idéia sugere duas linhas informativas para desenvolvimento do texto. A ORDEM DASIDÉJAS 107 d) Oposição Muitas vezes a idéia ou informação deve ser apresentada e discutida em confronto com outra posição ou forma de pensamento.. Idem. medo. Atenas tornou-se o centro da vida social e política e cultural da Grécia. que faz das ciéncias e das técnicas não um meio de libertação dos seres humanos. não de oposição. em seguida... Marilena Chaui. p. por último. Geralmente. 50. No exemplo a seguir.. é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão.. de outro. a escola de Frank/urt. do comércio.. Alfredo Bosi.. primeiramente.. de um lado. a razão crítica é aquela que analisa e interpreta os limites e os perigos do pensamento instrumental e afirma que as mudanças sociais. indicam divisão de idéias. facilitam a organização do texto e a compreensão do leitor: em primeiro lugar.

Depois de escrever. p. diante desse quadro.. selecionar e hierarquizar as idéias você pode: fazer 110 TÉCNiCA DE REDAÇÃO anotações independentes à medida que as idéias forem surgin do.. Manlena Chaui. por motivo de economia de espaço nos jornais esses artigos têm aproximadamente duas páginas de 30 linhas. resumindo o que já foi dito. em outras palavras. mas que. tais como: em vista disso podemos concluir. Oposição. 23. e ainda outras que você pode criar. Qualquer uma dessas técnicas. Idem. Para gerar. 21. antecipam idéias de forma resumida. Depende de cada indjvj duo e de seu processo de atividade intelectual. reler e reescrever até se sentir satisfeito com o resultado. nós também participamos. podia. p. pode funcionar como o início da escrita propriamente dita. a filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso. p. assim. listar palavraschave. Vimos também. há muitas possibilidades de captação. Citam o próprio texto. em decorrência da colonização portuguesa do Brasil. partir de uma idéia Principal e elaborar uni esquema. divisão. ampliação ou explicação. pelo mesmo motivo. Observe o exemplo a seguir: No capítulo anterior vimos que a língua grega possuía duas palavras para referir-se à linguagem: mythos e logos. é importante assinalar claramente para o leitor que as idéias são conclusivas. tanto no estudo da linguagem quanto no da inteligência. podemos referir. encerramento de um raciocínio. construir logo um Primeiro parágrafo. Marilena Chaiji.Século de Péricles. Por isso mesmo. tornou-se. ser ensinada ou transmitida a todos. Observe os exemplos: Em outras palavras. comparação ou analogia. Leia alguns artigos que tratem do tema. conclusão. Marilena Chaui. 160. Marilena Chaui. que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos. Idem. seus capítulos e subdivisões. organizaç0 textual. é freqüente o uso de palavras e expressões que indicam resumo de idéias anteriores. escrever tudo que vem à mente.nos a duas modalidades do pensamento. Por isso. li) Organização textual Os parágrafos organizadores explicam como o texto está estruturado. o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada cultura européia ocidental da qual. registro e organização inicial das idéias. situando-o melhor em relação à estrutura textual. podia ser conhecida por todos. em suma. diante do que foi dito. articulando as idéias entre si. partir de um pequeno resumo ou escrever blocos de texto independentes. 36. entre outras que não foram relacionadas aqui neste livro. ao contrário. para oferecer ao jornal de sua cidade como colaboração Em geral. por razões históricas e políticas. Situação no tempo ou no espaço. É a época de maior florescimento da democracia. 5. conclusão parcial ou final. Ao hierarquizar as idéias de um texto observaiiios que elas apresentam caracte rísticas e funções distintas: apresentação. 4. Idem. Quando o redator tem clareza sobre essas especificidades de cada trecho do texto. Idem. concluem pensamentos. p. as Possibilidades de Construção tornam-se mais nítidas e o trabalho alcança um melhor resultado. Fa-ça anotações. que falar e pensar são inseparáveis. Da concepção à organização das idéias De acordo com o que apresentamos. quando se descobriu que tal conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que. Esclarecem objetivos. Prática de organizaç0 a) Escrever uni artigo opinativo acerca do tema que está em maior evidência hoje. Filosofia é um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especflcamente com os gregos e que. g) Conclusão Em textos dissertativos. portanto. analise as partes do texto e identifi . concluindo. além da verdade poder ser conhecida por todos. depois. A ORDEM DAS IDÉIAS 109 Em suma. conforme predomine o mythos ou o logos. São expressões e parágrafos que conduzem e facilitam os procedimentos e a interpretação do leitor.

Na segunda linha. racional objetj vo. uma após a outra. os três elementos citados Concordam com tijoo de conhecimento e por isso estão no masculino.njcá. os tempos verbais. de assegurar a compreensão exata daquilo que estamos escrevendo. de modo que as principais sejam enfatizadas. 1983. as preposições os pronomes pessoais. 112 TÉCNICA DE REDAÇÃO Assim. João Salvador Furtado Expansão da itformaçjo científica in: Anais do Seminárj0 de Publicações Periódjc da A’rea da Educação. é muito importante que a coesào textual esteja bem tecida. i’el. qual a natureza da relação entre as idéias. explicativo. geral. para o estudo ou trabalho. o filosófico e o religioso Em sua esséncia o conhecimento cient (fico é real. portanto. A manutenção do tema é um desses recursos. Nas linhas grifadas. para que o leitor acomp1e a seqüêncj reconheça a progressão das informações e identifique as referências no texto. Ao escrever. as marcas de gênero e de número. O tecido aparente do texto Como vimos nos capítulos anteriores. Estabeleça. c) Sempre que estiver lendo um texto. claro. a estrutura gramatj das frases trata de criar coesão entre os Constituintes de um texto. Após essa etapa. Capítulo 7 O entrelaçamento das idéias 1. a partir da terceira todas as palavras estão sendo utilizadas em concordância com conhecimento científico. Brasília.que as formas de organização que Utilizou. e para o qual não teremos chance de explicar melhor ou retificar oralmente algum item mal expresso. ver ificóve! dependente de investigação metódica. ao escrever as primeiras versões de um texto. Desenvolva o texto acompanhando esse roteiro e o esquema das idéias. comj. que dependem das escolhas estilísticas do redator: O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS referencial lexical . MEC. primeiramente a partir das suas anotações a natureza de relação entre as idéias de cada trecho. preditivo aberto e útil. nossa preocupação inicial é captar as idéias e ordená-las com uma determinada hierarquia. Observe o texto a seguir: — De qualquer forma o conhecimento ou saber cient(fico distingue se dos demais tos: o popular. estamos reforçan0 a coesão. estão no masculjjo singular. que está distante de nós.. Exige um entrelaçamento rigoroso das idéias que estão sendo expostas para que o leitor não se perca e consiga interpretá-lo corretamente. Além dessas formas gramaticaj5 sistemáticas de ligação entre palavras. articulações ligações concatenan do as idéias. revisando várias vezes a linguagem e as estruturas gramaticais propriamente ditas. b) Escolha outro tema e faça outro percurso Leia alguns artigos que tratem do tema. em cada trecho. os conectivos funcionam também como elos coesivos Cada um desses elementos gramaticais estabelece conexões. mas principalmente com a maneira como essas idéias serão apreendidas pelo leitor. 2. Ou seja. Um exemplo disso é a Concordância Sempre que respeitamos a concordân eia. voltamo-nos para a sua superficie e procuramos refazê-lo. existem quatro outras estratégias de coesão. sistemáti. Mecanismos de coesão textual Pode-se Construir a coesão do texto por meio de vários recursos. A preocupação já não é apenas com nossas próprias idéias. então. preciso. transcendente aos fatos. analítico. um texto não é uma simples justaposição de frases corretas. mas não é suficiente em textos dissertativos A ordem das palavras no período. Faça anotações ou esquema. Qual é nossa idéia central? Como podemos defendê-la? Que exemplos são mais interessantes? Quem devemos citar? Que palavras escolher? Como devemos nos dirigir ao leitor? Em que medida devemos explicitar todas as idéias ou deixá-las implícitas? São questões que respondemos inicialmente.0 acumulativo falível. Vamos cuidar. INEP. procure identificar.

pois é facilmente identificado pelo leitor. Podem. estabelecemos uma corrente de significados retomando as mesmas idéias e partes de idéias. Ela pode pro vocar diversas formas de ansiedade. Essa corrente é formada pela reutilização intencional de palavras. Pronomes. O cientista entrevistado reconhece que a partir do 113 114 TÉCNICA DE REDAÇÃO emprego dos conhecimentos cientijicos foi possível racionalizar os sistemas de produção. essa omissão é marcada por uma vírgula. comprovação. por antecipação. Não precisa ser explicitado. Para efetivar essas citações são utilizados pronomes pessoais. ainda. b) Coesão lexical A manutenção da unidade temática de um texto exige uma certa carga de redundância. busca de soluções. nomes e frases inteiras podem estar implícitos. Agora esse estudioso quer contribuir para a democratização do saber. o sujeito do verbo implica é a metodologia cientfica. Em vista disso. verbos.. que. a) Coesão referencial Na elaboração de um texto. identficação de instrumentos. Diante desse quadro. ou ainda pelo emprego de expressões equivalentes para substituir elementos que já são conhecidos do leitor. como no seguinte exemplo: O Doutor Fulano de Tal falou ao nosso repórter no intervalo do congresso.por elipse por substituição Vejamos como funcionam essas formas de entrelaçamento dos elementos que constituem um texto. Assim. verbos. demonstrativos ou expressões adverbiais que indicam localização (a seguir acima. d) Coesão por substituição Pode-se substituir substantivos. A partir dessas considerações. abaixo. Esse quadro. possessivos. Implica a concepção das idéias quanto à delimitação do problema dentro do assunto. onde). Alguns exemplos de expressões que servem a esse objetivo são: Diante do que foi exposto. proposição de uma teoria. e) Coesão por elipse A estrutura gramatical dos periodos na lingua portuguesa permite a omissão de elementos facilmente identificáveis ou que já foram citados anteriormente.. Esse recurso tem o nome de elipse. com segurança e economia. Veja um exemplo de omissão de sujeito da oração: A metodologia cient(fica é um conjunto de atividades sistematizadas. se referir a elementos já citados no texto ou que são facilmente identificáveis pelo leitor. permite que os objetivos sejam atingidos. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS . a elementos que serão citados na seqüência do texto. pelo uso de sinônimos. racionais. Esses recursos podem se referir. Algumas vezes. Tudo o que foi dito. análise. a coesão referencial se realiza pela citação de elementos do próprio texto. aqui. anteriormente. No texto acima. como no exemplo: A explosão da informação é uma das causas do stress do homem moderno. períodos ou largas parcelas de texto por conectivos ou expressões que resumem e retomam o que já foi dito.

A década de SO. sem hierarquia ou progressão que Conduza a uma conclusão. outras que preferem as mais agitadas. as canções dessa década mostram perfeftamente isso. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. enfatizando uma idéia principal para a introdução e para a Conclusão e estabelecendo as formas de articular as idéias secundárias 3? Estabelecer nexo entre as diversas idéias por meio de frases de transição e de recursos coesivos’ reescrever eliminando e acrescentando elementos. No texto em questão. como a música. Não há concatenação entre as informações. ela pode levar a cura. No 5rasil podem-se citar as músicas feitas na década de 50. felizmente o homem a está usando por um bem. A história nos mostra o poder curativo das canções. no rasil. Algumas pessoas gostam de músicas s6 com os instrumentos e outras com um cantor. 115 116 TÉCNiCA DE REDAÇÃO A musica pode ser um excelente remédio. falta de hierarquia entre idéias principais e secundárias. encontramos idéias colocadas lado a lado. Ou seja. Vejamos um texto de aluno de segundo grau. ambigüidade. que falam claramente do desejo da populaçõo brasileira. pois revela desordem nas idéias e dificulta a compreensão do leitor. individual ou coletivo. Existe niisica para todos os gost. Problemas decorrentes da ausência de coesão Quando os mecanismos de coesão textual não são bem utilizados. estilo infantil ou elementar. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. ou uma poderosa arma. então.3. estabelecer por suposição. As conseqüências podem ser: ausência de ênfase nas idéias principais. elas mostram perfeitamente a repressão da época da ditadura militar no brasil. truncamentos semânticos. seja dentro do período. indefinição das relações entre as idéias. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 117 . No impoa o tipo ou a hora ue se ouve a musica. em que os problemas de ausência de estabelecimento da coesão estão bem nítidos. do assio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento Uma primeira leitura nos mostra que há unidade semântj ca. sem especificar OU defender nenhum deles particularmente Para que o texto passe a apresentar coesão e reflita essa idéia. o texto se prejudica. entre outras. de forma que o texto apresente uma seqüéncj Qualquer período parece poder estar em qualquer Posição. 1? Agrupar idéias relacionadas entre si. As canções podem ter um caróter ilustrativo. música e Saúde MUSICA E POLÍTICA 2? Reorganiz o texto. 4? Revisar. Algumas doenças podem ser curadas pela música. Hó pessoas que gostam de escutar canções calmas. confusão e obscuridade nas referências. porque o tema que perpassa todo o texto é a música. ou seja. essa unidade não é suficiente. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. As canções podem falar de amor. nõo que ela seja um remédio milagroso. é necessário empreender algumas transformações. mas para algumas doenças. alguns escrevem falando sobre o amor. outros relatam o que estó acontecendo com o brasil. demonstrar uma situaçõo ou um fato ocorrido. que a idéia principal seja expositiva: a grande abrangêneja da música na vida contemporânea o redator teria por objetivo expor os diversos campos em que a música está presente na vida humana. pois não podemos distinguir imediatamente qual seria a idéia principal e não percebemos a relação imediata entre as idéias que estão justapost5 Relendo os parágrafos. Entretanto. muitos Compositores foram expulsos do brasil. o que não modificaria o resultado. A ausência de coesão é um dos principais problemas da construção de textos. foi uma época de muitas repressões e restrições. o impoante é a tranqüilidade que ela nos passa As pessoas encontram msíca em tudo. por causa das letras das músicas. seja entre os períodos ou parágrafos.os e todas as ocases. de política ou simplesmente retratar a realidade. o autor apresentou três grupos de idéias: música e prazer. Vamos. a progressão da informação e a articulação entre as idéias não foram devidamente elaboradas.

Conseqüentemente. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. apresenta problemas de coesão. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. no Brasil.Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. outras que preferem as mais agitadas. uma forma de conscientização e de denúncia social ou um excelente remédio. POR CAUSA DAS LETRAS DAS MÚSICAS. mas podem levar a cura para algumas doenças. até mesmo. 118 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. não que ela seja um remédio milagroso. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. Muitos compositores frram até mesmo expulsos do Brasil. ela pode levar a cura. MUITOS COMPOSITORES FORAM EXPULSOS DO BRASIL. pois pode-se encontrar música em tudo. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. como a música “Comida “. que a música pode ser uma fonte de alegria e prazer. promover a cura de doenças. na superfi ci do texto. de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. NO BRASIL. a coesão evidencia. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais . os compositores podem escrever as letras das músicas daJirma que lhes convier. mas para algumas doenças. As canções podem ter um caráter ilustrativo. As pessoas encontram música em tudo. Um texto desorganizado. Alguns escrevem jLilando de amor. por causa das letras de suas músicas. como o gosto do público é diversificado. mostram perftitamente como essa foi uma época de muitas repressões e restrições. A história nos mostra o poder curativo das canç6es. E fato notório que as violações aos direitos humanos se sucedem no país com freqüência indesejável. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. então. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. a história nos mostra o poder curativo das canções. Além das funções de proporcionar prazer estético e de denunciar problemas sociais. que fala claramente dos desejos da população. retratar a realidade e. A DÉCADA DE 60. algumas pessoas gostam de música instrumental e outras de música cantada. o homem está sempre em contato com a música. aproveitando a maior parte das estruturas construídas originalmente pelo autor: Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. de política. geralmente. As canções podem falar de amor. para o seu próprio bem. Podemos compreender. Vejamos uma das possibilidades de aperfeiçoamento do texto. o importante é a tranqüilidade que ela nos passa. FOI UMA ÉPOCA DE MUITAS REPRESSÕES E RESTRIÇÕES. Assim. As canções da década de 60. de política ou simplesmente retratar a realidade. é preciso trabalhar em dois níveis: 1? organizar as idéias numa rede de significados e 2? entrelaçar gramaticalmente as frases e os períodos. Algumas doenças podem ser curadas pela música. Não importa o tipo ou a hora em que se ouve a música. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. Vejamos como os laços coesivos se realizam em um exemplo de texto editorial jornalístico: — O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 119 DESRESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS A denúncia da Anistia Internacional sobre a prática no Brasil de torturas e execuções por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. outras que preferem as mais agitadas. em conseqüência da ditadura militar. Como podemos observar. individual ou coletivo. ou seja. o importante é a tranqüilidade e a alegria que ela transmite. AS CANÇÕES DESSA DÉCADA MOSTRAM PERFEITAMENTE ISSO. demonstrar uma situação ou um fato ocorrido. como a música. As canções podem lidar de amor. que falam claramente do desejo da população brasileira. Então. A música pode ser um excelente remédio. Não importa o tipo ou a hora que se ouve a música. ELAS MOSTRAM PERFEITAMENTE A REPRESSÃO DA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR NO BRASIL. as articulações que estabelecem relações das idéias. Algumas pessoas gostam de músicas só com os instrumentos e outras com um cantor. ou uma poderosa arma. Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. Essa vertente de músicas voltadas para a questão social não é nova. Não que sejam um remédio milagroso. No BRASIL PODEM SE CITAR AS MÚSICAS FEITAS NA DÉCADA DE 60. alguns escrevem falando sobre o amor. frlizmente o homem a está usando por um bem.

Em dezembro de 1998. Veja como o texto ficaria no trecho a seguir: A denúncia da Anistia Internacional sobre o desrespeito aos direitos humanos por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. excluídos de qualquer programa de recuperação social. elementar demais para o desenvolvimento que se espera nesse nível profissional de produção de editoriais. Editorial. no texto. denunciava a existência nos EUA de mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. A construção da coesão textual tem prosseguimento pela substituição da idéia de desrespeito aos direitos humanos por informações mais específicas. há mais de três anos. Teria uma estrutura repetitiva. atentados contra a dignidade e incolumidade fisica das pessoas (linhas 8 e 9). diante do que Jbi exposto. assim. que as denúncias da Anistia inspirem reações mais efetivas em favor da proteção aos direitos humanos. Correio Braziliense. promíscuo e violento. devolver exilados políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem (linhas 32 e 33). como está no titulo. em grande parte praticados por esquadrões da morte. ou seja. 1999. . Desde a criação da Co. desrespeito às prerrogativas humanas da pessoa (linhas 17 e 18). violências às pessoas (linha 12). a Human Rigths Watch. homicídios (linha 36). como os Estados Unidos e a Suécia.s políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem. A Suécia chega ao índex internacional por devolver asilado. Essa expressão é substituída. temos exemplos de coesão por substituição lexical. 20 jun. problema (linha 19). O primeiro exemplo disso veio na Constituição de 1988. como: prática no Brasil de torturas e execuções (linhas 1 e 2). E fato notório que o des O ENTRELA ÇAMENTO DAS IDÉIAS 121 respeito aos direitos hunianos se sucede no país con freqüência indesejável. O relatório anual da Anistia critica o Brasil e outras 141 nações. Desde a criação da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. Os inquéritos de organizações internacionais em torno do problema passaram a servir de impulso ao sistema de garantias contra abusos do gênero. O texto. o governo costumava quaflficar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre violência às pessoas. E um morticínio bem maior do que as baixas na guerra do Kosovo. por várias outras que têm o mesmo significado. instalou. As instituições norte-americanas são apontadas à censura mundial porque praticam a pena de morte. os homicídios rondam a casa dos quinhentos ao mês. que declarou a tortura crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. E fundamental. que é decorrente da pobreza de vocabulário. os atentados contra a dignidade e incolumidade física das pessoas têm diminuído. E. Durante os anos sombrios do regime militar. outra prestigiada entidade internacional. embora compreensível. até mesmo para punir crimes cometidos por menores.nissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. nenhuma providência era tomada. violações aos direitos humanos (linha 4). Durante os anos sombrios do regime militar. estão no mesmo campo semântico e formam um paradigma. há mais de três anos. Qualquer leitor percebe o problema. primária.se outro comportamento. abusos do gênero (linha 20). o governo costumava qualificar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre o desrespeito aos direitos humanos. Só na Baixada Fluminense. Assim.encarregados de reprimi-las. Observamos que a expressão chave do texto é desrespeito aos direitos humanos. crianças e adolescentes em prisões de adultos (linha 30). Os mais de 175 mil presos nas penh- 120 TÉCNICA DE REDAÇÃO tenciárias do país coabitam ambiente vil. onde cada qual ocupa menos de um metro quadrado de espaço. o desrespeito aos direitos humanos tem diminuído. Pior. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais encarregados de reprimir o desrespeito aos direitos humanos. que exemplificam essa idéia: a tortura (linha 21). Com o restabelecimento da legalidade democrática. Rio de Janeiro. nem mesmo a elementar cautela de investigar a procedência dos fatos denunciados. A avaliação rigorosa da organização é atestada por incluir países normalmente a salvo de suspeitas. Mas a incriminação do Brasil ao lado de sociedades tidas como padrão de cultura humanística em nada o isenta de culpa. Brasília. Leis espeq’ficas e ações concretas têm sido adotadas para prevenir e punir os desrespeitos às prerrogativas humanas da pessoa. ficaria com a coesão prejudicada se em todas essas posições o autor usasse a mesma expressão: desrespeito aos direitos humanos. pena de morte (linha 27).

como temos mostrado no desenvolvimento deste livro. Essas ligações observáveis na superficie do texto realizam de forma concreta as articulações necessárias para assegurar a coerência entre as idéias formuladas pelo redator. para que a coesão textual garanta a fidelidade às idéias que quer apresentar. e o leitor só pode interpretar o pronome -las como relativo à expressão anterior as violações aos direitos humanos. de modo que o nome próprio não seja utilizado mais de uma vez. como concordância e tempos verbais. Identifique outras formas de se referir a ele. na linha anterior. b) Escreva um texto expositivo acerca de um autor de sua preferência. a vírgula indica que se subentende o sujeito de excluídos como a expressão do período anterior mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. na elaboração de um texto criam-se laços de citações entre seus próprios elementos constituintes. Além das ligações temáticas e das estabelecidas pelo sistema gramatical. Capitulo 8 A reescrita de textos 1. unia rede bem urdida de relações gramaticais e de significado. elogios. Um período está ligado ao seguinte ou ao que o antecede por meio de recursos coesivos. onde o pronome demonstrativo disso está se referindo a tudo que se afirma no período anterior a ele. reveladas nessas expressões. 5. Como também na linha 35. E interessante observar que no texto há exemplos de coesão referencial. o pronome o se refere a Brasil. Nosso julgamento e nossa posição diante da informação vêm. e) Sempre que estiver lendo um texto. É a coesão textual. A referência está clara. para estudo ou trabalho. Criticas. promíscuo e violento (linhas 39 e 40). Assim. podemos agregar alguma informação adicional. Entrelaçando as idéias Como vimos neste capítulo e nessa rápida análise final. Há coesão por substituição lexical também nas expressões: acusações de agências humanitárias (linha 12) porfatos denunciados (linha 14) anistia (linha 22) por organização (linhas 23 e 24) países normalmente a salvo de suspeitas (linhas 24 e 25) por sociedades tidas como padrão de cultura humanística (linhas 34 e 34) Sempre que escolhemos uma expressão equivalente para substituir outra. de maneira que se forme um tecido harmonioso. elipses e substituições de partes do texto por expressões sintetizadoras. censuras podem vir explícitos ou implí 122 TÉCNICA DE REDA ÇÃO citos nos termos que escolhemos para constituir a coesão lexical. mesmo em textos tidos como objetivos. Há no texto um exemplo de substituição de idéias por expressão sintetizadora: diante do que foi exposto (linhas 41 e 42) resume toda a argumentação e justifica a conclusão que encerra o texto. Prática de entrelaçamento a) Releia os textos que você produziu anteriormente e identifique os recursos de coesão que utilizou em cada um deles. e o pronome relativo onde se refere a penitenciárias do país.presos coabitam ambiente vil. há coesão referencial. diversidade lexical. Observe que esse detalhamento ilustra e especifica o que se entende no texto por desrespeito aos direitos humanos. Há um exemplo de coesão por elipse na linha 31: após a palavra pior. 4. é importante que na revisão do texto você procure focalizar sua atenção sobre esses itens concatenadores. há O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 123 possibilidade de criar laços mais largos por meio de referências. Ao revisar o texto produzido você terá a oportunidade de reconsiderar uma série de decisões tomadas no início da produção. A releitura como avaliação para a reescrita O texto exige diversas releituras para reescritura e revisão antes de ser considerado satisfatório. E preciso analisar: as opções adotadas estão funcionando no texto como um todo? As decisões se mantêm . A expressão as violações aos direitos humanos é representada por um pronome enclítico em reprimi-las (linha 6). A expressão cada qual (linha 40) se refere a presos na linha anterior. identifique as formas de coesão utilizadas pelo autor. após a apresentação. Na linha 20.

nesse primeiro momento desprezamos a forma. quanto: ao leitor: inseri-lo no texto ou tratá-lo de forma neutra e distanciada. . irmãos ou Companheiros É importante que um leitor dê sua opinião sobre o texto. ou seja. Não se escreve como se fala. mas ás vezes pode ser útil envolver colegas. construção do período. pronomes. mas é preciso acrescentar elementos para criar ligações mais claras entre as diversas idéias do texto. As primeiras versões costumam trazer passagens distoan tes. se você quer uma pista acerca dos pontos em que deve prestar mais atenção. Estamos preocupados em captar o fluxo do pensamento e registr0 da maneira mais completa Possível. excesso de adjetivos expressões coloqujais inadequadas jargão profissional? às estruturas Sintáticas e gramatjcj5 O texto está correto quanto às exigêncj5 da língua padrão? As transições entre as idéias estão corretas e claras? Os conectivos são adequados às relações entre as idéias? A divisão de parágrafos corresponde às unidades de idéias? ao objetivo e à situação. O formato é adequado à situação? As exigências referentes ao gênero foram respeitadas ou há ambigüidades e inconsistências? às informações: o que informar e o que considerar pressuposto. As vezes. na primeira versão de um texto costuma mos prestar mais atenção à criaçãO das idéias. Portanto. Algumas pessoas escrevem muito nos rascunhos. professores pais. “gorduras” enfim. acentuação. comece por esses. como se você não fosse o redator. Analise as decisões e a realização. no texto. adjetivos ou advérbios que pouco ou nada acrescentam ao texto. Com isso. de forma mais distanciada. embora a fala possa servir de base para o início da escrita. divagações ou digres A REESCRITA DE TEXTOS sões. As informações fornecidas são suficientes ou o texto ficou muito denso. clara. torna-se mais legível e de acordo com as exigências da língua padrão. Tentamos gerar idéias e organjz5 de forma coerente. suprimir palavras. exigindo muito do leitor? A introdução de informações novas é bem realizada? Há informações irrelevantes que podem ser dispensadas? - 126 TÉCNICA DE REDAçÃO Há excesso de informação? Há informações incompletas ou confusas? As informações factuajs estão corres’ à linguagem. trata-se de cortar e simplificar frases longas demais ou truncadas. sem relação com o núcleo do texto. os detalhes da superficie do texto. Está de acordo com o objetivo estabelecido inicialmente? As idéias principais estão evidentes? Como já vimos.ou há incoerências e descontinuidades? Consegue-se essa avaliação ao reler várias vezes o texto. nesse momento estamos também reestruturando a forma. Muitas vezes não há erro. frases feitas. Como alguns trechos devem ser riscados ou refeitos. tentando tomar o lugar do leitor. Falando. As pesquisas que analisam textos de exames vestibulares e provas discursivas de concursos públicos mostram que a maior freqüência de erros ocorre nesta ordem: pontuação. a atenção se desloca para a forma mais adequada e para a melhor organizaç0 final dessas idéias A revisão normalmente feita pelo próprio autor do texto. Durante a reescrita. estabelecimento da coesão e vocabulário. formal ou informal A linguagem está adequada à situação? A opção escolhida tornou o texto harmonho 50 ou há oscilações súbitas e inadequadas à impesso dade ou subjetividade O posicionamento adotado corno predominante mantémse ou essa opção não ficou consistente flO texto? ao vocabulário As escolhas estão adequadas ou há repetições enfadonhas e pobreza vocabular? Algum termo pode ser substituído por expressão mais exata? Há clichês. outras são mais sintéticas e precisam ampliar o texto na reescritura. A opção escolhida foi mantida durante todo o texto? O leitor que você tem em mente é atendido durante todo o texto? ao gênero de texto: que plano de escrita utilizar para a situação. articulada Muitas vezes.

Quem precisa? Quem necessita? Para quem é Urgente? Para quem é imprescindível? No podemos definir com clareza Tornase uma realidade geral. científicos apresentam. A releitura é imprescindível para o aperfeiçoamento do texto. Devemos. aparen temente neutra. Na escrita não dispomos disso. Vive-se esperando o aumento de preços... Por meio dela podemos avaliar o funcionamento do texto e propor reformulações.aro sujeito. Os textos dissertatjvos informativos. por isso. uma instituição ou uma organizaç0 Quando escrevo frases como O Mjnjsí rio decidiu. é imprescindível são Utilizadas para ocultar o agente. expositivos. universal. Gramaticalmente há muitas maneiras de conseguir esse objetivo.. eliminar os rodeios. verbos conjugados em primeira e em terceira pessoa contribuem para que o diálogo se estabeleça entre autor e leitor de forma explícita. evidente. Vamos focalizar a seguir alguns aspectos que merecem atenção e que podem ser aperfeiçoados na reescrita.. Um texto é pessoal e subjetivo quando pronomes pessoais e possessivos. a) Generali. Veja o exemplo: . então. d) Uso gramatical do sujeito indeterminado Como a própria nomenclatura indica.. na voz passiva esse agente pode estar oculto. O nosso interlocutor está longe e. Nossas conclusões.. Reconheço Minhas conclusões. precisamos alcançar a maior exatidão possível. não se pode determinar com precisão quem realizou uma ação quando usamos a estrutura de sujeito indeterminado.. um fenômeno. Acreditava-se em uma diminuição dos impostos. 127 2. Assim também expressões como: é necessário é urgente. Assim. Muitas vezes queremos adotar uma posição impessoal. Os pesquisado reconhecem.. 19 Ocultar o agente A expressão é precisO serve a esse propósito de neutralidade. e) O USO da voz passiva Enquanto na voz ativa temos um agente explícito. Vejamos algumas delas.. os jogos de palavras. são menos subjetivas que Procurei demonstrar. O uso da primeira e da terceira pessoa do plural é a estratégia recomendada quando a intenção é atenuar a subjetividade da primeira pessoa sem adotar a neutralidade absoluta Frases como Procuramos demonstrar . muitas vezes. acrescentar informações e corrigir outras. usar a passiva sem esclarecer seu agente é um recurso gramatical para impessoalizar a informação. e sempre que o nosso interlocutor quiser. O governo protelou a responsabilidade em relação à ação está diluída e não se pode identificar claramente de onde ou de quem emanou a iniciati A REESCRITA DE TEXTOS 129 va... A diretoria ordenou. atenuando a dialogia e Ocultando o agente das ações. Fala-se muito em renovação dos quadros funcionais. Ela é muito útil quando queremos inserir uma informação da qual não sabemos a procedência exata. É um recurso muito utilizado na administração pública e na política. colocandoo no plural Uma forma elegante de se distanciar relativamente da subjetividade é io agente. A impessoalização do texto 128 TÉCNICA DE ftEDAÇÀO Nem sempre temos interesse em deixar expljcjtas a nossa voz e as diversas vozes que São trazidas para compor um texto. Tudo é dito como se fosse uma realidade que se apresenta sem intermediários e) Colocaram agente inanimado Uma outra maneira de impessoajizar o texto é colocar como agente um ser inanimado.. os adjetivos e pronomes supérfluos. a repetição desnecessária. objetiva. essa característica de ocultar o agente.todos nós podemos a qualquer momento. neutra.

trazia) 15. (mostrou. (acolhemos. restingueiro. tabaréu. capicongo. (ocupou. matuto. casaca. canguaí. despertava. trazia) 3. alcançou. conquistava. Se você for ao dicionário ainda vai encontrar inúmeras expressões regionais como: araruama. experimentou. catrumano. morador. pira quara. sustinha. vestia. macaqueiro. beiradeiro. canguçu. talvez mais ricas e mais exatas: 1. mocorongo. Tinha a admiração de todos. Ele tem uma doença contagiosa. há uma série de outras opções. Os funcionários esperam ter férias em julho. Teve uma forte emoção. apresentava. possui) 2. conseguia. cariazal. demonstrou) . groteiro. obteve. provocava) 9. Tem muitos bens. conseguiu. caboclo. caipira. Na seleção dos verbos. abrigamos. (manter. (dispõe de) 6. A escolha vai depender da análise dos objetivos do texto. ostenta) 13. caiçara. exerceu. carregava. recebemos) 14. Algumas 130 TÉCNICA DE REDAÇÃO pessoas têm dificuldade na seleção da palavra certa. (padece de. capurreiro. caburé. Uma seleção inadequada pode prejudicar o funcionamento do texto e causar efeito inverso ao que se deseja. Alguns termos enfatizam o trabalho ou a origem da pessoa. para o campo semântico do verbo ter. casacudo. Não se pode ficar satisfeito com a primeira possibilidade que vem à A REESCRITA DE TEXTOS 131 mente. beira-corgo. capuava. usava. caapora. Não se satisfaça com a primeira opção que vem à cabeça. campesino. Na cerimônia. viveu) 12. sofre de. baiquara. peão. pé-no-chão. rústico. (segurava. curumba. mateiro. Ele teve muita iniciativa. rurícola. bóia-fria. tinha um belo terno. capiau. é necessário procurar outras opções. complexo e poderoso do que antes se imaginava. ou seja. pé-duro. (É dono de. mucufo. camisão. Dessa lista ou paradigma é fácil eleger a palavra que mais combina com o contexto. sitiano. adequado à situação e aos objetivos do redator. agricultor campestre. mostra. Está sendo revelado ao mundo que o cérebro é um órgão mais fascinante. cambembe. moqueta. semterra. (sentiu. em cada uma de suas acepções. baiano. (usufruir. tapiocano. campeiro.Novas descobertas foram realizadas em centros de estudo e laboratórios ao redor do mundo. (obtinha. botocudo. Teve um cargo de chefia. mixanga. brocoió. 3. mixuango ou muxuango. pioca. (trajava. roceiro. bruaqueiro. Tinha grande poder. babeco. curau. Uso do vocabulário Um dos pontos importantes para um texto bem estruturado. conquistou) 8. saquarema. deu prova de. agreste. guasca. maratimba. urumbeba ou urumbeva (Dicionário Aurélio Eletrônico). a questão lexical. queijeiro. como: lavrador camponês. cafumango. Assim. e todas elas utilizam recursos e possibilidades presentes no sistema gramatical da língua. mandi ou mandim. (detinha) 5. piraguara. pois quase sempre é a mais pobre. Para não repetir essa mesma expressão. sitiante. mandioqueiro. catatuá. arrolava) 10. (apresenta. vaqueiro. capa-bode. Ainda tem recursos para a viagem. atraía. conservar) 7. há diversas maneiras de tornar o texto impessoal. biriba ou biriva. Tinha as pastas de documentos nos braços. Quem realizou? Quem está revelando? A voz passiva oculta o agente. Não conseguia ter o poder por muito tempo. casca-grossa. é portador de) li. revelou. Tem bom aspecto. gozar) 4. mano-juca. desfrutar. campesinho. sertanejo. encerrava. outros têm um sentido pejorativo associado à idéia de primitivo. campino. chapadeiro. o processo é semelhante. Tivemos em nossa casa um ilustre hóspede. (continha. jeca. O documento tinha muitos argumentos. que é mais exata para a idéia que se quer transmitir. Você é um desses casos? A solução é ter paciência e esperar um pouco até que o “arquivo” mental processe o pedido e devolva uma série de possibilidades. catimbó. Imaginemos que você vai escrever um texto sobre trabalhadores rurais brasileiros de diversas regiões. é a escolha cuidadosa do vocabulário. baba quara. O segredo do uso adequado do vocabulário é selecionar e combinar cuidadosamente. em oposição à de civilizado. Como vimos. mambira.

nClujr registr Consignar atribuir encon/. cismar Sentir acontecer ou Outros Nosso léxico é muito rico e no devemos nos contentar com o mínimo Vale a pena investir na amp1iaç0 do fosso acervo individual para produzir textos melhores Entretanto.. para todos. mas certamente é divertida (para amigos do idioma) e útil (para os inimigos). Ele já tem 90 anos. e dispensar palavras e expressões supérfluas evitando redundâncias ou expressões vazias que procuram Clichés. Evite esse tipo de linguagem complexa rebuscada.. na revista Time. que fazem parte do jargão de uma determinada profissão. ofertar oferecer produ/. (adoto. E uma versão melhorada de uma compilaçào surgida pela primeira vez há mais de 20 anos. devotam.. E necessário equiljj0 para assegur a clareza e a comuni cação Por iss0. dos O sol nascei. conta) 21. Nós enqua0 brasileiros 4 quest5. cheia de efeitos e palavras da moda. mas desta vez. Teve a punição merecida. apenas impressionar o leitor. Fuja das expressões gastas. qualquer exagero pode levar ao lado Oposto. C?fl5 algumas adaptações. Cidadãos conscientes têm amor á história. dedicam.. (consagram.ar render propor trazer Conte. Tenho de falar. mas sem conteúdo definido ou consistente.j5 Observe os quadro5 a seguir que ironizam a Iinguage Pedante da tecnocracia Você pode escolher aleatoriament um fragme0 de cada coluna e consegj formar uma frase gramaticalmente aceitável. Talvez não seja coisa muito nova.. necessito) 132 TÉCNicA DE REDAÇÃO O verb0 da. O leitor pode combi na qualquer expressão . Desde tempos i/nemo. 133 Madame Natasha tem horror a música Ela con fund bola de Taffarel com bolero de Ravel. (recebeu. aceito) 17.. resultar ceder Conceder apresentar mani festa. (obteve. graças ao jornalista Walier Fontoura. recebeu) 19. inCI dir divisar avistar perceber bastar ser Suficie. preciso. que também é um verbo genérj0 depen dendo do contexto Pode ser substituído por: doa. Trata-se do Guia de Discurso para Tecnocro tas Principiantes Sua versão original teria sido publicada numa revista polonesa Fontoura teve acesso a uma tradução de autor desconhecido que vai publicada adiante. sigo. tributam) 20. acato. Habitualmeitie a senhora distribui bolsas de estudo aos sábios da parolagem. sofreu) 18.. (completou. 4 nível de filosofia é importante..DE TEXTOS Quadro 1: Elio Gaspari.. Teve resposta positiva.2te ter voca çào. mas inconsistente em termos de informação objetiva A REES’JJ. Tenho a mesma opinião. (devo.16. passa adiante o tratado do bláblá-bl .. ao reescrever COflVfl1 eliminar palavras muito tCnicas. revelar cometer causar Soltar emitir publicar di/ gar realizar vender administrar aplicar ministrar proferi dedicar Consagrar Provocar rese.

na medida em que isso seja factível. 2. permite ao empulhador que fale ininterruptamente por mais de 40 horas. Quadro 2 COLUNA A COLUNA B COLUNAC COLUNA D COLUNA E — COLUNA F COLUNA G 1. 3 e 4. a expansão de nossa exige a precisão e a dos conceitos de atividade definição Participação geral. As variações possíveis sO cerca de 10 mil.lisiada na primeira coluna i com outras. no contexto de um sistema integrado. na ordem 1. a cavaleiro da situação contingente. 7. um indispensável salto de qualidade. 5. A e5periôncia a consolidação das prejudica a pereepçào das condições mosa que estmiaras da impocia apropfia para os negócios. com as devidas e imprescindíveis enfatizações. O quadro normativo prefigura a superação de cada obstáculo e/ou resistência passiva sem prejudicar o atual nível das contribuições. a adoçào de uma metodologia diferenciada. não assumido nunca como implícito. estruturas.a da auxilia a preparação das atitudes e das esquecer que organização e a estruturação atribuições da diretoria Do mesmo modo. em termos de eficácia e eficiência. O cntério metodológico reconduz a sínteses a pontual correspondência entre objetivos e recursos com critérios nãodirigísticos. É fldansenfal a amimar dos divemos oferece uma boa dos nidice pretendidos ressaltar que resultados oportunidade de venfleação O incentivo ao avanço o início do prograin acan-era um processo das formas de ação. ou como sua premissa uma congruente potencial orgânica de interdependência antes revalorizando. o coenvolvimento ativo de operadores e utentes. uma vez que das informações formação de quadros. mais curativa. Segundo os autore5. mas antes particularizando.jun. superestrutura população. Não podemos a atual estnjs. a redefinição de uma nova figura profissional. evidenciando e explicitando. potenciando e incrementando. O novo tema social propicia o incorporamento das funções e a descentralização decisional numa visão orgânica e não totalizante. ativando e implementando. A REESCRITA DE TEXTOS 135 4. não omitindo ou calando. O método participativo propõe-se a o reconhecimento da demanda não satisfeita mediante mecanismos da participação. para uma práxis de trabalho dr grupo. 6. sem dizer coisa nenhuma. A utilização privilegia uma coligação segundo um módulo recuperando. o novo modelo coninbui para das novas proposições estruniral aqui a correta preconi0 determinação A prática mostra que o desenvolvimento assume importantes das opções básicas para de formas distintas posiçõesun definição o sucesso do prograrun de atuação Nunca é demais a consiante divulgação facilita5 definição do nosso sistema de insistir. assim de fomiação de de reformulaçào corno atitudes Jornal de Brasfl0 28. 2. O modelo de desenvolvimento incrementa o redirecionamento das linhas de tendência em ato para além das contradições e dificuldades iniciais. indispensável e flexibilidade das interdisciplinar horizontal. o aplainamento de discrepmncias e discrasias existentes. 1998. 3. A necessidade se caracteriza por uma correta relação no interesse substanciando e numa ótica a transparência de emergente entre estrutura e primário da vitalizando. i MANUAL DE TECNOMISIIFÍCAÇAU i estudos efetuados essencial na financeiras e formulação adnijmst ivas Assim mesmo. 4. tecnologico. Estrutura dos períodos . condicionante. preventiva e não cada ato decisional. das demais.

por exemplo. . A ausência de ponto final também constitui um problema de sintaxe. É preciso memorizar que não se usa vírgula entre o sujeito e o predicado.Aspecto decisivo para a reescrita de textos é a avaliação da construção dos períodos. Quanto mais extenso for o período. ou seja. Em textos expositivos. e) Separar orações intercaladas ou não. com o objetivo de construir períodos melhores em seus textos. d) Expressões intercaladas: isto é. estarei pronto. E geralmente preferível a ordem direta: sujeito + predicado + complementos Na construção dos períodos. E necessário observar cuidadosamente a sintaxe da oração: Sujeito Predicado e complementos Com o qual o erbo concorda Paulo entregou o texto a Joana ontem na sala subitamente. o . ou seja. Cada uma das possibilidades sintáticas constitui uma maneira diferente de transmitir uma posição. coordenadas sem conjunção — O livro. aliás. esperamos que tenham uma boa I. 5. ou melhor etc. ordenando-os de forma lógica. sugerimos que você volte aos seus livros de língua portuguesa e tente se aproximar dos capítulos de sintaxe com outros olhos. É correto utilizar a vírgula para: a) Separar o vocativo: Senhoras e senhores. dissertativos ou argumentativos. e) Separar enumerações: Escrevi cartas. nem entre o predicado e seus complementos. Ela não serve apenas para marcar pausas ou momentos de respiração. fora da ordem direta.4 REESCRITA DE TEXTOS 137 Observação: as adjetivas restritivas não aceitam vírgula: O livro que o professor sugeriu é bom. é bom. ágeis. maior será a possibilidade de se perder o controle da sua elaboração e cometer impropriedades estruturais. está caro. as diversas formas de elaborar uma idéia. dificultando a interpretação do leitor. a não ser que esteja em posição invertida. o aluno mais estudioso. b) Separar o aposto explicativo: Pedro. A pontuação é um dos principais problemas dos textos e ela depende de um conhecimento mínimo de análise sintática. memorandos. procure identificar as relações sintáticas para observar se há concordância entre os termos das orações e se a pontuação está correta. de dar ênfase a um tópico. Este é o grande defeito do ensino escolar: desvincular a análise sintática da produção de textos. acumula informações de forma densa e complexa. adverbiais: Quando chegar o dia do exame. Sempre que estiver reescrevendo seu texto. Observe este exemplo retirado de um rascunho de documento pedagógico: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste em tomar a linguagem como atividade discursiva. como se acredita no senso comum. já que une e separa elementos de uma oração. relatórios e monografias. convém evitar orações intercaladas muito longas. Esqueça aquele desespero ao decorar classificações para preencher exercícios ou testes e procure entender o funcionamento lógico da frase e seus efeitos de sentido junto ao leitor. mas apenas provocar algumas reflexões. objeto direto + objeto indireto + Quando? Onde? Por quê? Como? Com quê? Nenhum desses elementos pode estar separado do outro por vírgula. disseram os alunos. oficios. Como nosso objetivo aqui não é oferecer uma revisão gramatical.foi aprovado no concurso público. procure analisar 136 TÉCNICA DE REDAÇÃO as possibilidades da língua. Se você aceitar a sugestão e voltar às gramáticas ou aos livros didáticos para uma revisão de sintaxe. E principalmente um fator sintático. que dificultam a compreensão do leitor. pareceres. que é uma fonte imprescindível de informações. A pontuação A vírgula é a principal dúvida de todos os redatores. os recursos disponíveis.’iagem. de provocar uma interpretação. adjetivas explicativas: O livro. Quando o redator não consegue dividir adequadamente as idéias em períodos distintos. as frases devem ser curtas.

SOLETRE. permitindo. FOCALIZE SUA ATENÇÃO NOS PONTOS EM QUE AINDA TEM PROBLEMA. atraso. alterar o sentido original. de maneira crítica e autônoma. J/G: viajem (verbo). Entretanto. Identifique quais são os seus problemas mais freqüentes e concentre seu esforço e sua atenção sobre esses casos. ensaio. incorreções e palavras inexistentes. flanela. Vejamos: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste etn tomar a linguagem como atividade discursiva. deslizar.texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas á coerência e à coesão textual. CONSULTE O DICIONÁRIO SEMPRE QUE TIVER DÚVIDA. publicações e leis. uma grande parcela dessas dificuldades se resolve pelo uso do computador. A divisão em períodos menores. PEÇA A ALGUM PROFESSOR PARA DIAGNOSTICAR SUAS DIFICULDADES. 6. falar. vazio. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. É impossível ter certeza . A língua portuguesa oferece muitas dificuldades ortográficas. crescer. por 138 TÉCNICA DE REDAÇÃO meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos ora is. Observe que não há problemas de concordância. A questão da ortografia A ortografia das palavras é uma convenção que envolve decisões coletivas e históricas. Hoje. DUVIDE SEMPRE DA GRAFIA DE SÍLABAS COMPLEXAS. A dúvida é natural mesmo para quem escreve todos os dias e vive de escrever. baixeza. fecho. puxar. À medida que se escreve. visor. LEIA PRESTANDO ATENÇÃO NA GRAFIA. sem. Alguns procedimentos podem ajudá-lo a melhorar seu desempenho em relação à ortografia: A REESCRITA DE TEXTOS 139 LEIA MUITO. SEPARE AS SÍLABAS DE PALAVRAS NOVAS. pesquisadores. Entretanto. acento. o texto oferece dificuldade de leitura por prolongar-se excessivamente. que podem ser solucionados pela divisão em períodos menores e uma adequada colocação de pontos finais. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. proclama. Tal procedimento permite. escrevemos de forma manuscrita e sem possibilidade de consulta ao dicionário. nem sempre podemos usar o computador. oficializadas por segmentos como Academias de Letras. analisar. ler e escrever de maneira crítica e autónoma. o melhor é criar familiaridade com as palavras. o programa aponta dúvidas. E. nascer. X/CH: ficha. As principais dificuldades de grafia das palavras em português são decorrentes das muitas representações gráficas para um mesmo som ou dos encontros de consoantes: SS/C/S/Ç/SCIX: assunto. escreva sem olhar para o texto original e depois confira. superstição. açúcar. muitas vezes. FAÇA PALAVRAS CRUZADAS NAS HORAS VAGAS. Não podemos individualmente modificar a ortografia conforme nossa preferência. instituições de ensino. as necessárias adaptações sintáticas e a pontuação transformaram o texto de forma a facilitar a leitura. a aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos. Portanto. Essas ocorrências exigem maior atenção. análise. como nos concursos. acentuação. viagem. NAMORE AS PALAVRAS. Podemos dizer que há problemas de sintaxe e de estilo. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. Esses conhecimentos possibilitam a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. O melhor e mais seguro é consultar o dicionário muitas vezes até memorizar a ortografia da palavra. SIZ: riqueza. estender. exceção. RS: perspectiva. o texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas à coerência e à coesão textual. interstício. contudo. máximo. ortografia. flandre. epor meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. ler e escrever. e por meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. Sempre que encontrar uma palavra dificil ou nova para você. mas a decisão final é ainda do redator. leia-a várias vezes em voz alta para gravar o som. PRI BL/CL/FL/DR: problema. da aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos que possibilitem a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. falar. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. por meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos orais.

A acentuação gráfica também merece atenção especial. A memorização vem com o uso. 142 TÉCNiCA DE REDAÇÃO ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NO APERFE1ÇOA0 DO TEXTO ASPECTOS TEXTUAiS S Sintaxe de Construção Reescrever obsersando. mim. Deveríamos chamar o dicjonáijo de “pai dos sábios”. este. como: à altura à escolha à margem de à bala à espera à medida que à base de à esquerda à página 10 à beça à força à parte à beira de à francesa à primeira vista à caça à luz à procura à direita à maneira de à proporção que à disposição à mão (escrever) à razão de à entrada à mão (estar) à tinta à época à máquina (escrever) Acostume-se a tirar dúvidas sempre que elas aparecem.a Não se usa sinal indicativo de crase antes de verbo palavra masculina. pois quem o consulta com freqüênj tem realmente mais familiaridade com os fatos da língua.absoluta da grafia correta de todas as palavras da língua. Observe uma tabela de avaliação de textos que sintetiza as questões referentes à qualidade textual e pode servir de roteiro para sua própria releitura. alguém. José entregou o livro à professo. Assim. José entregou o livro a quem pediu. A REESCRITA DE TEXTOS 141 José entregou o livro a correr José entregou o livro a esse homem. Mas é relativamente simples Alguns verbos transitivos indiretos exigem o uso de uma preposição a. Em todos estes exemplos a é preposição José entregou o livro ao amigo. O uso do sinal indicativo de crase Muitas Pessoas acreditam que é impossível compreender o funcionamento da crase. porque essas palavras nunca são antecedidas por artigo feminino. 7. corre muito mais risco de errar. pronomes demonstrativos: esse. os dois as se encontram e acontece a crase: José entregou o livro a > a professora recebeu o livro. apelidado indevjdainen te de “pai dos burros”. José entregou o livro a ela. Sugerimo5 que o redator tenha à mão um cartão plastificado com o resumo das regras para Consulta diária. pronomes indefinidos. quem. Saiba que revisores profissionais têm ao alcance da mão muitos livros de 140 TÉCNiCA DE REDAÇÃO consulta. Não se usa crase também em expressões como: cara a cara de alto a baixo de baixo a cima de fora a fora dia a dia face a face frente a frente gota a gota Muitas expressões exigem sinal indicativo de crase. pronomes pessoais: ela. quando em seguida a esses verbos há uma palavra feminina que admite artigo feminino a.. adequação dos co- . você consolida sua intimidade com a língua escrita e as infinitas possibilidades de expressão. mas essa é facilmente resolvida com o treino. e até escritores prestigiados têm dúvidas e vão ao dicionário a todo momento Quem tem vergonha de demonstrar dúvida e de dicionário. a consulta constante às regras e a atenção na hora de escrever e de revisar.

súbita. LE Concordância Corrigir conforme justificativa gramatic catíticaI/ Caso VOC Seja professor pode usar as letras da primeira coluna como indicações nas margens dos textos de seus alunos.1 nectis e palavras de relação. na escrita. pode se transformar em um jogo. distinguir a idéia central. há sempre uma margem de incerteza. tem a respostapara minha dúvida. como eu gosto de fazer algumas vezes. Lucília -. Evitar mudanças ifljustificgv5 de nível. mesmo sendo uma tarefa complexa e prolongada. pois chegou até aqui. que vai dos processos de desenvolvimento da criatividade ao aperfeiçoamento da apresentação do pensamento lógico. espero que a leitura e os exercícios propostos tenham sido estimulantes. mas não tenho muita segurança se consegui isso. na qual estamos totalmente imersos. evi ta acúmulo de idéias num mesmo período. vai continuar pela vida afora. si. sobretudo. Não se contente em usufruir apenas o que a distribuição perversa do capital simbólico na nossa sociedade nos concede. Queira sempre mais. Antônio Suárez. E é preciso lembrar que o trabalho com a leitura e a escrita é ininterrupto. não é uma iluminação divina. leve. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia às ciências humanas. Mas relaxe. por meio de explicações e exercícios. Entretanto. O que leva tempo e exige paciência. se você se empenhou verdadeiramente. Atica. São Paulo. Observar estruturas peculiares ASPECTOS GRA1ATICAIS E FORMAIS /iadei:s parágrafo Evidenciar maiúsculas O Corrigir conforme dicionário Corrigir conforme as regras. houve muito crescimento. corrigir / fragnient5ç0 e truncamento de idéias. gratficantes e. O que signfica que você continuará crescendo sempre. Quem buscava uma fórmula infalível e definitiva pode estar se sentindo frustrado ou atordoado. De qualquer forma. é acessível a todos. Escrever ler e compreender os infinitos matizes da linguagem são formas muito especiais de felicidade que nossa cultura nos proporciona. e no grau que desejava. Campinas.it0 Coesão e coerência Reescrever obsers ando. pois. Pioneira. escrever bem. São Paulo. pelo menos para as necessidades práticas. Pode ser utilizado sem ajuda presencial. Cxpressões Coloquiaiç clichê5. pode ser utilizado sem ajuda. A REESCRITA DE TEXTOS 143 CARTA AO LEITOR Brasília. Bibliografia comentada de apoio ao aluno ABREU. eliminar idéias incompatível5 sem importância para o desenvolvimeni da idéia central. P Paragrafo Agrupar ideias complementares ou depen dentes Distribuir idéias por parágrafos di ferentes Escrever transição entre parágrafos G Gênero Nlanter o fom conforme o gênero. Afinal. Procurei traduzir conceitos muito sofisticados em linguagem quase informal. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. Fácil. uma aventura lúdica. BARBOSA. O interesse pela linguagem. Pt Pontuação Retirar acrescentar OU modificar. de frases e períodos construir Paralelism. Como vimos. Severino Antônio & AMARAL. enriquecedora e prazerosa. CARRAHER. leitor. tenham desvelado novos horizontes para você. Curso rápido de redação e revisão gramatical. especificar generaIijaç5 articular as relações lógicas entre as idéias por meio de conectjso5 utilizar argumen_ los adequados. Curso rápido e completo de redação. é o resultado de muito trabalho com a linguagem. (1993) Curso de redação. Emilia. e somente você. Meu amigo leitor Suponho que você esteja realmente interessado em aperfeiçoar sua habilidade em produzir textos. leva o leitor a se tornar mais crítico e . março de 2000. O objeto desse jogo é a língua. Papirus. ou seja. eliminar repetições. Se é que não começou pelo final. desfa ze ambigüi55 V Vocabulário Eliminar ou substituir palavras repetida5 Utilizar paIara mais adequada Eliminar gíria. Obra teórico-prática muito agradável que. David W. além de fortalecer seu equipamento essencial de participação na sociedade. Indicado para quem quer avançar rapidamente nas reflexões e na prática sobre a produção de textos.

Curso de redação em duas panes uma para o aluno e outra para o professor. descrever os usos reais e atuais da língua nas diversas circunstâncias. K. Ótimo curso completo de produção de texto para estudantes universi tários e outros interessados. São Paulo. Martins Fontes. BECHARA. (1983) Manual de expressão oral e escrita. já os antecipava por meio de uma observação aguda do funcionamento dos textos literários Indispensável para todos que querem se aprofdar nas questõe5 da escrita em língua POrtugue MARTINS Eduardo (org) (1997) O Estado de S. Campinas. Atica. M. sor. (1989) Interação leitor-texto: aspectos de interpretação pragmática. 1981. BRONCKART. Pode ser útil para trabalhos escritos disseativos VIANA. Educ. (1989) Curso de redação. (1930) Estética da criação verbal. Artes Médicas. Papirus. M. Lindley L. (1989) Como escrever textos São Paulo. São Paulo. C. L. Vozes. Napoleão M. CO5. Petrópolis. de (1998) Dicionário de questões vernáculas. (1985) Ensino da gramática. BAKHTIN. Record. Porto Alegre. (1989) A arte de ensinar a escrever. 148 TÉCNICA DE REDAÇÃO CASTELLO. BRASIL. sim. Ática Excelente coletânea de textos comentados e analisados segundo os princípios mais atuais da lingüístj Fácil in(eres5te e pode ser utilizado individualmente. CAVALCANTI. ______ & MATTOS. deve estar sempre á mão do redator. . São Paulo. L. Evanildo. Izidoro. M. Atica. BARBOSA. 1992. Unicamp. (1986) Os cientistas precisam escrever. A. M. Imprensa Nacional. Petrópolis. J. à qual todas as Outras produzidas no Drasil se repoam no que diz respeito à produção de textos Embora não utilize conceitos modernos da lingüjstj textual. sem ajuda presencial de um professor. Brasília. (1999) Inventário das sombras. (org. São Paulo.) e outros (1998) Roteiro de redação Lendo e argwnenta 00 São Paulo Scipione Curso de redação completo com muitos textos para leitura e exercí. Martins Fontes. São Paulo. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia ás ciências humanas. Celso & CENTRA. São Paulo. Nova Fronteira. CUNHA. Emília. Hucitec. FARACO. CALKINS. BLINKSTEIN. Globo. Cristóvão. São Paulo. 146 TÉCNiCA DE REDAÇÃO GÁRCIÁ Otlio0 M. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. Atica. BARRAS. (1986) A produção escrita e a gramática. (1997) Lições de texto: leitura e redação São Paulo. CAMARA Jr. Pode ser utilizado como manual de curso ou como roteiro indiyi dual de trabalho. A. textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. Pau/o Jllanjja/de redaç o e estilo São Paulo. & FIORIN J. Severino Antônio & AMARAL. Pode ser usado como manual para cursos de redação ou individualmente. o capítulo a respeito da organizaç0 das idéias é muito interes sante. José. São Paulo. Carlos Alberto & TEZZA. (1995) Nova gramática do português contemporáneo. F. (1994) Coesão e coerência em narrativas escolares. C. T. ALMEIDA. CARRAHER. David W. Robert. como pode ser um manual de curso SERAFINI Mafla Teresa. Opressão? Liberdade? São Paulo. São Paulo. Não é de fácil consulta para iniciantes que querem tirar dúvidas práticas de gramática. L. (1930) Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo. Fundação Getá lio Vargas. A. Paulo/Moderna Manual de Consulta rápida para solucionar dúvidas de escrita da língua Pougues padrão Muito útil e fácil de usar sem ajuda do profes. Bibliografia para aprofundamento ABREU. Rio de Janeiro. mas. Mattoso. BASTOS. Campinas. (1991) Manual de redação da Presidência da República. Vozes. Pioneira. pois é organ1a0 a pair de verbetes em ordem alfabética Assim como um bom dicionário.. Apresenta excelente reflexão sobre questões lingüísticas e muitos exercícios práticos de leitura e produção de textos.reflexivo em relação às informações disponíveis na sociedade. (1999) Atividade de linguagem. Trata-se de uma gramática moderna. Jean-Paul. Ática. São Paulo. que não pretende estabelecer normas rígidas. (1995) Técnicas de comunicação escrita. (1992)Prática de texto: língua portuguesa para nossos estudantes. Martins Fontes. PLATAO F. (1986) Co0j ão enj prosa ‘noderna Rio de Janeiro. Queiroz. Obra Clássica. Antônio Suárez. o Estado de S.

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