TÉCNICA DE REDAÇÃO

O que é preciso saber para bem escrever Lucília Helena do Carmo Garcez

Martins Fontes
São Paulo 2004 /

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Copyright © 2001, Lirraria Mar rins Fontes Editora Ltda., São Paulo, pata a presente edição. l edição abril de 2001 2 edição agosto de 2004 Revisão gráfica Mar ia Luiza Farret Célia Regina Cantargo Produção gráfica Gera/do Ai: es Paginação/Fotolitos Studio 3 Desenvolvimento Editorial Dados beternacionais de Catalogação na Publicação (CW) (Câmara Brasileira do Livro. SP, Brasil) Garcez, Lucília Helena do Carmo Técnica de redação o que é preciso saber para bem escrever / Lucfl/a Helena do Carmo Garcez. — 2 cd. — São Paulo Martins Fontes. 2004. (Ferramentas) Bibliografia. ISBN 85-336-2038-1 1. Redação (L/teratura) 2. Redação técnica!. Título. II. Série. 04-5414 CDD-808.066 Índices para catálogo sistemático: 1. Redação técnica 808.066 2. Textos : Produção: Redação 808.066 Todos os direitos desta edição para a língua portuguesa reservados à Livraria Martinn Fontes Editora Lida,

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Índice
Introdução xiii Capítulo 1 Os mitos que cercam o ato de escrever 1
. —

1. Verdades e mentiras 1 2. Reconsiderando crenças 10 3. Novas atitudes em relação à escrita 11 4. Prática de escrita 11 Capítulo 2— Como escrevemos 13 1. Outras visões acerca do ato de escrever 13 2. A escrita como processo 14 3. Conhecendo melhor o processo de escrita 20 4. Novos procedimentos na escrita 21 5. Prática de escrita 21 Capítulo 3 — A qualidade da leitura 23 l.Oqueéleitura 23 2. Recursos para uma leitura mais produtiva 27 3. Os tipos de leitura e seus objetivos 29 4. Procedimentos estratégicos de leitura 30 5. Conhecendo melhor o processo de leitura 45 6. Prática de leitura 45 Capítulo 4 — Da leitura para a escrita 47 1. O trabalho com a memória 47

2. Resumos, esquemas e paráfrases 49 3. Conservando e reutilizando o que foi lido 59 4. Prática de síntese 59 Capítulo 5 — Decisões preliminares sobre o texto a produzir 61 1. Tomando decisões 61 2. Funções da linguagem 61 3. Decisões em relação às estruturas lingüísticas 72 4. Gênero e tipo de texto 79 5. Decisões orientadoras 84 6. Prática de tomada de decisões 84 Capítulo 6 — A ordem das idéias 87 1. A concepção das idéias 87 2. Das anotações para o texto 94 3. A organização das idéias 97 4. Da concepção à organização das idéias 109 5. Prática de organização 110 Capítulo 7 — O entrelaçamento das idéias 111 1. O tecido aparente do texto lii 2. Mecanismos de coesão textual 112 3. Problemas decorrentes da ausência de coesão 115 4. Entrelaçando as idéias 122 5. Prática de entrelaçamento 123 Capítulo 8 — A reescrita de textos 125 1. A releitura como avaliação para a reescrita 125 2. A impessoalização do texto 127 3. Uso do vocabulário 129 4. Estrutura dos períodos 135 5. A pontuação 136 6. A questão da ortografia 138 7. O uso do sinal indicativo de crase 140 Carta ao leitor 143 Bibliografia comentada de apoio ao aluno 145 Bibliografia para aprofundamento 147

“O escrever n0 tem rim» Scribendi Fedro Fábulas

Para Adriana, Cristina, Fabiana, Gabriel e Ana Flávia. AGRADECIMENTOS A Lígia Cademartori, pela confiança e pelas sugestões; Balthar, pelo estímulo solidário; Maria Luiza Corôa, pela parceria e pelos comentários; e aos professores/alunos, que tanto contribuíram durante estas reflexões.

Introdução
Produzir textos é uma atividade extremamente necessária tanto na vida escolar como na vida profissional e no dia-a-dia. Entretanto, no meu cotidiano docente, tenho encontrado alunos, jovens e adultos já formados, ansiosos, assustados, desencorajados, e, principalmente, desorientados quanto às habilidades e atitudes necessárias ao convívio mais natural e simples com a escrita. Percebi que muitas dessas posições negativas em relação ao ato de escrever haviam sido lentamente construídas ao longo da história escolar de cada um e que provinham de um desconhecimento da natureza, das especificidades e das exigências da escrita. Estimulada por alunos e colegas, decidi organizar as reflexões desenvolvidas ao longo de muitos anos de trabalho. Não quis produzir um tratado acadêmico acerca de redação, nem um livro didático, no sentido usual desse manual escolar, nem também um livro de exercícios impessoais de treinamento (pois há muitos, e bons, no mercado). Parti, então, das observações anotadas durante cursos e conversas com alunos (professores e futuros professores) da universidade, das minhas pesquisas em lingüística, de meu interesse por depoimentos de escritores, e de minhas próprias experiências como pessoa que escreve. Sempre acreditei que para ensinar a escrever era necessário viver intensamente o desafio da minha própria escrita. Adoto a vertente teórica que vê a língua, não apenas como uma herança social, mas como uma forma de ação, um modo de vida social, uma construção coletiva. A interação verbal e as relações coletivas e sociais constitutivas do jogo da linguagem, como elementos fundamentais que se conjugam na construção da língua, exercem sobre mim um fascínio que dá sentido à existência. Assim, não posso focalizar a produção de textos restrita a um conjunto limitado de regras que podem ser repassadas, memorizadas e aplicadas sem a participação e interferência do sujeito. Esse é o agente de uma ação intencional e estratégica sobre o interlocutor ou sobre o mundo, que constrói realidades e interpretações, numa determinada situação cultural. Procurei, neste livro, desmitificar, desconstruir idéias equivocadas, provocar uma mudança de atitude em relação ao ato de escrever e, conseqüentemente, ao de ler. Não proponho tarefas que se esgotam em si mesmas, mas procuro abrir novos horizontes para uma prática contínua e sempre enriquecedora do universo lingüístico, da auto-estima e da atividade intelectual do leitor. Escrevi este livro para quem está pessoalmente interessado em renovar suas próprias práticas de escrita, mas penso que professores que trabalham com o ensino de redação em qualquer nível são interlocutores bem-vindos às reflexões que proponho. A autora XIV
TÉCNICA DE REDAÇÃO

Capítulo 1

Os mitos que cercam o ato de escrever
1. Verdades e mentiras

não gostei. Caso a escrita fosse um dom inato. entrega os pontos num assunto que sente que é capaz de. Quais são as falsas crenças. os mitos mais freqüentes em relação à escrita? Há muitos. que têm texto péssimo e que não há formas de melhorar o desempenho na produção de textos. não consegui da primeira OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER vez.fazer. compreender que todas as pessoas podem chegar a produzir bons . são lições para o futuro. O que vai determinar o nosso grau de familiaridade com a escrita é o modo como aprendemos a escrever. um ato isolado. E claro que não estamos tratando. bloqueados diante da página em branco. aqui. a intensidade do convívio estabelecido com o texto escrito e a freqüência com que escrevemos. um ato autônomo. da escrita literária. São Paulo: Editora Atica. achei que não estava ruim. e gostei do resultado. um ato espontâneo que não exige empenho. pais. 8. e desanimei. fica infeliz. levantei até que um dia escrevi uma história que quando li de cabe ça fria. A noção de dom. Quando resolvi experimentar escrever. E o seu caso? Se não for. Mesmo assim. Voltei a tentar. todos podem escrever bem. fossem se configurando e se enraizassem. mas aqui vamos refletir acerca dos mais devastadores. 1988. nunca foram alfabetizados? José J. Escrevi uma história. contribuíram para que crenças. 7. escrevi outras e outras histórias. com uns consertos aqui e ali. caí.” “Não fui escolhido. Veiga. apanhei.” Essas são algumas das afirmações mais freqüentes entre alunos de cursos de produção de textos. Poucas pessoas conseguem escapar de um conjunto equivocado de influências e construir uma relação realmente saudável com o ato de escrever. O aprendiz precisa das outras pessoas para começar e para continuar escrevendo. a vocação ou o dom dependem de muita persistência: Como começou a escrever? Foi um processo demorado.Durante sua vida escolar. desvinculado das práticas sociais. 2 TÉCNICA DE REDAÇÃO a) Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas pessoas têm “Eu não tenho o dom da escrita. a revelação desses gênios só acontece depois do processo de aprendizagem e do convívio intenso com a língua escrita. e muitos passam por etapas semelhantes aos redatores leigos. Consertei. ela ficaria apresentável. Para gostar de ler. A escrita é uma construção social. são esses fatores que vão definir também nossa maturidade e nosso desempenho na produção de textos. p. vamos usar alguns depoimentos e exemplos de escritores porque neles a luta com as palavras é muito evidente. que amadureceu devagar. Entretanto. 4 ed.” “Não recebi esse talento quando nasci. uma questão que se resolve com algumas “dicas”. qual seria o papel da escola? E o que aconteceria com aqueles que. Dessa forma. a importância que o texto escrito tem para nós e para nosso grupo social. Conseqüentemente. tanto na história humana como na história de cada indivíduo. admitiu que até mesmo o talento. Eu estava descobrindo que ler é milito mais fácil do que escrever. muitos jovens crescem pensando que nunca serão bons redatores. pois até mesmo profissionais maduros demonstram insegurança em relação à própria expressão escrita. coletiva. poderia ser aplicada a alguns poucos gênios da literatura. algo desnecessário no mundo moderno. As atividades escolares e os livros didáticos. nessa batalha permanente. e acaba voltando à luta. nem sempre as mais adequadas. embora polêmica e questionável. tendo recebido o dom. É preciso. você é uma exceção. Embora seja uma das tarefas mais complexas que as pessoas chegam a executar na vida. renomado autor brasileiro. principalmente porque exige envolvimento pessoal e revelação de características do sujeito. antes de tudo.. Animado. Ninguém nasce escritor e o processo que transforma alguém em um artista da palavra é ainda um enigma. desligado da leitura. que são os que levam alguém a acreditar que escrever seria um dom que poucas pessoas têm. Mas é uma batalha curiosa: as derrotas que a gente sofre nela não são derrotas. colegas. Vol. Mas quando a gente joga a toalha. bem como alguns professores. você deve ter cristalizado alguns mitos a respeito da produção de textos.

sensações. trabalhando. aos possíveis leitores.textos. de Carlos Drummond de Andrade. p. E necessário também identificar bloqueios porventura construídos ao longo da vida escolar e tentar eliminá-los. Não é assim. em que essa relação de necessidade. tão substantiva? — É. harmonizados de forma que o texto seja bem sucedido. Para refletir sobre estas questões. significados. Sempre queremos um texto ainda melhor do que o que chegamos a produzir e poucas vezes conseguimos manter na linguagem escrita todas as sutilezas da percepção original acerca de um fato ou um pensamento. não conseguimos traduzir com propriedade. Não acompanha o que você quer fazer. para chegar o mais próximo possível. Aí você descobre que a linguagem é tosca. Faz rigorosas exigências à memória e ao raciocínio. A tarefa pode ir ficando paulatinamente mais fácil para profissionais que escrevem muito. Vocé imagina as coisas. eu pouco. Paulo. Conhecimentos de natureza diversa são acessados para que o texto tome forma. ao gênero adequado. Mas lúcido e frio. Folha deS. pensamentos. Não me julgo louco. considere o poema. e que isso não é uma questão de ser “ungido” pelos deuses que escolhem os mais talentosos. quando quer pôr aquilo no papel. insatisfatório. apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. São Paulo. O que admiramos na literatura é justamente essa especificidade. Folha Ilustrada. e que é. muitas vezes. Tiro o bagaço para deixar apenas o que tem peso. escrever é incompatível com a preguiça. tontas à carícia e súbito fogem e não há ameaça e nem há sevícia . coordenados. — Por isso a linguagem do senhor é tão seca. Algumas. que nós. a essência. agora em uma outra entrevista: O senhor é muito conhecido por reescrever incessantemente seus textos. São muitas. Escrever é uma das atividades mais complexas que o ser humano pode realizar. Entanto lutamos mal rompe a manhã. Continuemos com o depoimento de José J. escrever não é fácil e. já clássico. todos os dias. essa possibilidade de expandir pela palavra escrita emoções. sem a menor dificuldade. tem que usar a linguagem. Se o fosse. Portanto. cansativo. amor e conflito em relação às palavras é apresentada de maneira extraordinária: OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER O LUTADOR 5 Lutar com palavras é a luta mais vã. Eu me vigio muito para não fazer aquilo que em linguagem popular se diz “encher lingüiça “. 8. Por que o senhor reescreve? — Epor conta de uma grande insatisfação. b) Escrever é um ato que exige empenho e trabalho e não um fenômeno espontâneo Muitas pessoas acreditam que aqueles que redigem com desenvoltura executam essa tarefa como quem respira. sem o menor esforço. A agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos envolvidos na escrita sejam articulados. tão fortes como o javali. até visualiza. teria poder de encantá-las. Eu desbasto o texto. mas. leigos. Veiga. à língua e suas possibilida 3 4 TÉCNICA DE REDAÇÃO des estilísticas. frustrante. mas mesmo esses testemunham que é um trabalho exigente. Então você fica trabalhando. l7jun. E necessário que o redator utilize simultaneamente seus conhecimentos relativos ao assunto que quer tratar. 1999. principalmente. à situação em que o texto é produzido. Deixam-se enlaçar.

e um sapiente amor me ensina a fruir de cada palavra a essência captada. a luta prossegue nas ruas do sono. Luto corpo a corpo.. solerte. aceito o combate. Não têm carne e sangue. Já vejo palavras em coro submisso. tudo se evapora. palavra (digo exasperado). se me desafias. luto todo o tempo. Carlos Drummond de Andrade e) Escrever exige estudo sério e não é uma competência que se forma com algumas “dicas” A idéia de que algumas indicações e truques rápidos de última hora podem solucionar problemas de produção de tex tos tanto para candidatos a concursos como para profissionais . Sem me ouvir deslizam. é fluido inimigo que me dobra os músculos e ri-se das normas da boa peleja. ó palavra. outra sua glória feita de mistério. pressinto que a entrega se consumará. sem maior proveito que o da caça ao vento. sem roteiro de unha ou marca de dente nessa pele clara. o sutil queixume. perpassam levíssimas e viram-me o rosto. Tarnanha paixão e nenhum pecúlio. não seguro formas. Cerradas as portas. Não encontro vestes. Palavra. Busco persuadi-las. outra seu desdém. Lutar com palavras Parece sem fruto. O teu rosto belo. Preferes o amor de uma posse impura e que venha o gozo da maior tontura. Entretanto. esplende na curva da noite que toda me envolve. luto. Ser-lhes-ei escravo de rara humildade. iludo-me às vezes. outra seu ciúme. Quisera possuir-te neste descampado. Na voz.. Guardarei sigilo de nosso comércio.que as traga de novo ao centro da praça. O ciclo do dia ora se consuma e o inútil duelo jamais se resolve. esta me ofertando seu velho calor. Mas ai! é o instante de entreabrir os olhos: entre beijo e boca. nenhum travo de zanga ou desgosto. Insisto.

iluminadoras. comprovantes. comunicados inundam a nossa vida cotidiana. escrever com diversos objetivos escre ver em diversas situações Associadas a muita prática. realizamos ou dese 7 ‘ . certificados. escrituras. Além de ser imprescindível como instrumento de consolidação dos conhecimentos a respeito da língua e dos tipos de texto. tornando a pessoa mais crítica e mais resistente à dominação ideológica. declarações. esclarecedoras. O que é a leitura é o nosso assunto do capítulo 3. E necessário escrever sempre escrever todos os dias. Uma redação por flês. projetos. Essas exigências advêm do fato de estarmos nos comunicando a distância. Quando estão isoladas de uma prática intensa. tem engan0 e enriquej0 muitos donos de escola e de cursinhos Muitos professores oferecem uma espécie de formu1áro mental do que seria um bom texto para que o estudante preencha as lacunas.iia com aprálit.6 TÉCNICA DE REDAÇÃO que precisam mostrar competência escrita em curtíssimo prazo. Seu exercício intenso e constante promove a análise e a reflexão sobre os fenômenos e acontecimentos. frases feitas e pensamentos alheios. suas exigências. paradoxalmente. acreditando que prescrever esse procedimento muitas vezes Suficiente para conseguir desempenho mínimo num concurso. atuar e possuir: certidões. É pela leitura que assimilamos as estruturas próprias da língua escrita. Escrever bem é o resultado de Um percufSo Coflstijdo de muita prática. É pela convivência com textos escritos de diversos gêneros que vamos incorporando às nossas habilidades um efetivo conhecimento da escrita. Por outro lado. e) Escrever é necessário no mundo moderno Observa-se que o cidadão comum. Tratamos de forma diferente a sintaxe. registros. escrever sobre assuntos diversos. temos a Colaboração do ouvinte Já OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER a comunicação escrita tem suas especificidades. Envolve tantos procedimentos intelectuais e exige tantas operações mentais que o bom leitor adquire maior agilidade de raciocínio. com sua bagagem de conhecimentos e experiências sobre o mundo e sobre a linguagem Não existem esque5 prévios ou roteiros infalíveis que Possam substituir tal envolvimento É a voz do indivíduo que orienta O texto. o complexo mundo contemporâneo está cada vez mais exigente em relação à escrita. é o objetivo da escola Fórmulas pré_fabricadas de textos e “dicas” isoladas apenas Contribuem para a montagem de um texto defeituoso truncado. atestados. muita reflexão e muita leitura. o vocabulário e a própria organização do discurso.a d !eitur É improvável que um mau leitor chegue a escrever com desenvoltura. d) Escrer é um prá lica que se aIic. contratos. recibos. cédulas. Há ainda que se considerar que a leitura é uma das formas mais eficientes de acesso à informação. ser. a leitura é um propulsor do desenvolvimento das habilidades cognitivas. não ajudam em nada. Alguns conseguem mesmo reduzir sua atividade escrita à assinatura de cheques e documentos. Portanto este é imprevisível. Hoje. tudo está muito automatizado e as relações humanas por intermédio da escrita podem ser reduzidas ao mínimo: o telefone resolve a maior parte dos problemas do cotidiano. escreve muito pouco. diplomas. artificial em que a voz do autor SC anula para dar lugar a clichês chavões. Para nos comunicarmos oralmente apoiam0 nos no contexto. A autoria vem das escolhas pessoais dentro das POSSjbilid des da língua e do gênero. E uma ação em que o sujeito se envolve de forma total. temos. as “dicas” fornecidas a partir de dificuldades reais vivenciadas na produç0 de textos podem ser úteis. Precisamos de documentos escritos para existir. alguns exercícios esporádicos de Produção de pequen05 trechos não formam um bom redator. relatórios. Tudo o que somos. sem apoio do contexto ou da expressão facial. propostas. dependendo do mundo profissional a que pertence.

Essas práticas de comunicação em sociedade se configuram em gêneros de texto específicos a situações determinadas. incluindo o Brasil. Seção Cartas dos Leitores. O professor citou que sua namorada trabalha nas Nações Unidas. a redação escolar. Pela escrita estamos atuando no mundo. L. Então veio a bomba” sobre nós: 28 milhões de pessoas morrem de fome neste exato momento no Brasil. tentar controlar e acabar com essa catástrofe! M. Além disso. defende e quer compartilhar ou expor ao outro como forma de interação. Nem sempre as “dicas” oferecidas pelos professores e colegas são suficientes para a elaboração de um texto fluente. Todos podem vir a ser bons redatores. Essa carta é um exemplo de como a participação pela escrita confere ao indivíduo um novo canal de relacionamento com o mundo. sempre que nos propomos a integrar os órgãos que conformam o sistema da cidadania urbana. investigada. exigem-se dos homens as habilidades que lhes são exclusivas. adequado. 1999. Mesmo na informática. Estava no meu curso de inglês. A produção de textos é uma forma de reorganização do pensamento e do universo interior da pessoa. Entretanto. se somos culpados. Parabéns! Segundo. E. desejo. para. por exemplo. pelo menos. Brasília. avaliada. Assim. Para nós. p. na quinta-feira (dia 5). a cada dia mais seletivo. comunique o que sabe. de uma tarefa profissional. Vale o escrito. em que momento e de que modo 10 TÉCNICA DE REDAÇÃO deve utilizá-lo. mais do que a população da Argentina. podemos agir. acredita. aqui em Brasilia. Brasil! O governo não é o único culpado. e não pôde deixar de nos OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER 9 informar sobre a população que está morrendo de fome no Brasil. Exige muito empenho. A escrita não é apenas uma oportunidade para que a pessoa mostre. o que pensa. razão por que faço um apelo: por favor. Pelo texto escrito modificamos o nosso contexto e nos modificamos simultaneamente. Os profissionais que dominam essas habilidades mais complexas e sofisticadas têm mais chances no mercado de trabalho. quando começamos a debater a pobreza e a fome nos países. Reconsiderando crenças Vimos que escrever não é um dom que apenas algumas pessoas têm. em que acredita. medida. mas também sabe quando cada um deles é adequado. o que quer. Um relatório é próprio para prestar contas de uma pesquisa científica. Navegar ou conversar na Internet exige um convívio especial com a escrita. O que antes se resolvia simplesmente com uma ligação telefônica passou a ser substituído por um texto escrito transmitido via fax ou e-mail.8 TÉCNICA DE REDAÇÃO jamos realizar deve estar legitimado pela palavra escrita. enquanto o trabalho primário vai sendo atribuído às máquinas. toda a nossa civilização ocidental é regulada pela escrita. estamos nos relacionando com os outros e nos constituindo como autores. mas apenas uma forma de demonstração de habilidades gramaticais. gostaria de expor a minha opinião sobre um fator que está acabando com o Brasil nestes últimos anos: a fome. como a produção de textos. E nossa habilidade de escrever é exigida. tudo é mediado pela escrita. isolada. D. J) Escrever é um ato vinculado a práticas sociais Todo ato de escrita pertence a uma prática social. Para cada situação. vamos tomar uma providêneia séria. não pode ser considerada escrita. mas não serve para contar uma viagem de férias para os amigos. o produtor de texto não apenas tem conhecimentos sobre as configurações dos diversos gêneros. A escrita tem um sentido e uma função. sempre que nos submetemos a qualquer processo seletivo. Os truques podem ajudaros redatores que já estão em meio ao . Não se escreve por escrever. Veja o exemplo desta carta enviada ao jornal Correio Braziliense por uma leitora: Primeiro de tudo. claro. A sociedade também é. 2. 16. Isso me deixou muito irritada.é um trabalho duro. de uma investigação. mas também para que descubra o que é. Como vimos no item anterior. Saber escrever é também compartilhar práticas sociais de diversas naturezas que a sociedade vem construindo ao longo de sua história. Assim. escrever não é um ato espontâneo. necessidade temos à nossa disposição um acervo de textos apropriados. objetivo. gostaria de parabenizar o Jornal que é muito bom. Correio Braziliense. desvinculada do que o indivíduo realmente pensa. 10 ago. vale o escrito. como sujeitos de uma voz.

colocando-se no lugar do leitor. educadores. Novas atitudes em relação à escrita É IMPRESCINDÍVEL: ESCREVER TODOS OS DIAS: ANOTAÇÕES DE AULA. neurologistas. escrevem com desenvoltura. LER MELHOR A CADA DIA. oferecendo-nos um quadro multifacetado de conhecimentos acerca do fenômeno. DIÁRIO. em tom de depoimento (talvez no formato de carta). RESUMOS DE LEITURAS. expectativas. NÃO SE PODE FICAR SATISFEITO COM “DICAS” ISOLADAS E FRAGMENTADAS. antropólogos vêem a escrita sob seus diversos aspectos.. suas experiências. pois ela oferece oportunidades de contato intenso com as infinitas possibilidades da língua. com os diversos gêneros e tipos de texto e com as informações e idéias que circulam no nosso universo. ESTÁ MELHORANDO E QUE VAI CHEGAR LÁ IMPULSIONA O APERFEIÇOAMENTO. e) Mantenha um caderno de anotações datadas de impressões e reflexões sobre sua relação com o texto escrito. ACREDITAR QUE VOCÊ PODE ESCREVER BEM. vivem de escrever. mas ainda é muito pouco diante do que precisamos descobrir. BILHETES. Escreva um texto em primeira pessoa. sobre o que acontece com a mente das pessoas durante o ato de escrever. DEIXAR A PREGUIÇA DE LADO E SE ESFORÇAR. psicólogos. SER AUTOMOTIVADO. Prática de escrita a) Para desmontar de vez suas crenças inadequadas a respeito de sua relação com a escrita. seus professores. para um interlocutor imaginário que pode ser um amigo. Outras visões acerca do ato de escrever Os pesquisadores já sabem muita coisa sobre a escrita. além de desbloquear a mente e desenferrujar a mão. um professor. mas não funcionam isolados de muito exercício. informal. Tente formular uma narrativa que explique ou justifique como foi construída a sua ex12 TÉCNICA DE REDAÇÃO penência de escrita até hoje. Observe o depoimento da escritora Lygia Fagundes . sucessos e fracassos escolares e profissionais. Reveja todo o seu percurso escolar e profissional. QUERER SABER MUITO MAIS. para avaliar se as informações estao compreensíveis. uma vez que as práticas sociais que estruturam as nossas organizações contemporâneas são mediadas por textos escritos. um analista. sua escola. IR MAIS PROFUNDAMENTE ÀS QUESTÕES. CONSIDERAR A ESCRITA COMO UMA HABILIDADE IMPORTANTE PARA O NOSSO SUCESSO PROFISSIONAL. RECONHECER QUE PELA ESCRITA PARTICIPAMOS MAIS DO MUNDO. focalizando principalmente as situações de escrita que ficaram gravadas em sua memória. A escrita é muito necessária no mundo moderno.processo de desenvolvimento da própria produção escrita. CARTAS. LER MUITO. no qual você conta toda a história como se fosse a de uma outra pessoa. coloquial. Esse diário pode oferecer muitas pistas para sua trajetória de crescimento. OS MITOS QUE CERCAMOATO DE ESCRE VER 11 PARA QUEM GOSTA DE “DICAS” 3. porque podem esclarecer alguns pontos duvidosos ou obscuros da escrita e da organização do texto. suas observações acerca do que escreve diariamente. b) Transforme essa narrativa em um texto em terceira pessoa. 4. Lembre-se de quando aprendeu a escrever.. sobre como as pessoas chegam a ser realmente ótimas redatoras. Dependemos da escrita para existir efetivamente e atuar no mundo. empreenda uma viagem na memória. Compreendemos também que a leitura é imprescindível paraque o redator chegue a apresentar um bom desempenho. Um dos caminhos mais interessantes para compreender o ato de escrever é considerar os depoimentos de pessoas que escrevem todos os dias. Estudos de várias áreas do conhecimento nos levam a refletir sobre essas questões: lingüistas. sociólogos. Capítulo 2 Como escrevemos 1. como vai transformando seus conceitos acerca da escrita. Releia. TEXTOS COM SUAS OPINIÕES ACERCA DE ACONTECIMENTOS. seus avanços e retrocessos. PROJETOS. LER DIVERSOS TIPOS DE TEXTO.

Telles: Como você definiria o ato de escrever? Uma luta. 3 cd. formato.. PRÁTICA SOCIAL DE ESCRITA CONTEXTO DA PRODUÇÃO DE TEXTO ASSUNTO TEXTO EM PROCESSO DE PRODUÇÃO MOTIVAÇÃO OUJA PRODUZIDO NECESSIDADE ___________________ ________________ IDÉIA DE LEITOR PROCESSAMENTO ESCRITA REESCRITA MEMÓRIA GERAÇÃO VERSÕES RELEITURAS ASSUNTO ORGANIZAÇÃO REVISÕES LÍNGUA GÊNEROS MONITORAÇÃO AVALIAÇÃO CONSTANTE DO PROCESSO Estabelecida a necessidade de escrever. compreende-se que a escrita é uma atividade que envolve várias tarefas. p. O texto somente se constrói e tem sentido dentro de uma prática social. qual o gênero mais adequado aos objetivos. comunicar um fato. regular normas. Poeira. fugidio. aplauso? (. Assim. apresentar COMO ESCREVEMOS 15 uma proposta de trabalho. narrar uma aventura ou apenas provar que sabe escrever bem para ser aprovado numa seleção. vendo na tevê um drama de boxe. Fiquei vendo a imagem silenciosa do lutador solitário — mas quem podia ajudá-lo? Era a coragem que o sustentava? A vaidade? Simples ambição de riqueza. Insistindo mas o que mantinha o lutador em pé? Duas vezes beUou a lona. Luta que requer paciência. E ele ali. 7. estabelecer um pacto. relatar uma experiência. Acertava às vezes. sangue. Vol. Até a noite. A escrita como processo Um caminho mais científico é a analise das contribuições que a lingüística nos trouxe sobre o ato de escrever. expressar uma emoção ou sentimento. Para gostar de ler. quem provavelmente vai ler. 9. que nível de linguagem deve ser utilizado. Resistindo. qual é o assunto em linhas gerais. É sobre essa base de orientação que o produtor do texto vai coordenar o seu próprio trabalho. monitorando-o para que não fuja da rota e desande em outras direções. Uma luta que pode ser vã. o adversário tão ágil. reivindicar um direito. chega! Mas ele ia buscar flirças sabe Deus onde e se levantava de novo. Desliguei o som. E a tarde. quais as condições práticas de produção: tempo. Há também idas e vindas: começa-se uma tarefa e é preciso voltar a uma etapa anterior ou avançar para um aspecto que seria posterior... Sob essa perspectiva. seja para aperfeiçoá-los ou para transformá-los. Humildade.) E de repente me emocionei: na imagem do lutador de boxe via imagem do escritor no corpo-a-corpo com a palavra. é a razão para escrevê-lo: emitir e defender uma opinião. Todas essas ações estão profundamente articuladas ao contexto em que se originou e em que acontece a produção do texto. que grau de subjetividade ou de impessoalidade deve ser atingido. alguém sugeriu que lhe atirassem a toalha. O produtor já tem imediatamente em mente algumas informações sobre a tarefa: quais os objetivos do texto. São Paulo: Editora Atica. o que mobiliza o indivíduo a começar a escrever um texto é a motivação. suor. Humor. 16 TÉCNICA DE REDAÇÃO . 1988. ficou só a imagem do lutador já cansado (tantas lutas) e reagindo. 14 TÉCNICA DE REDAÇÃO investindo. apresentação. desviando a cara. Voltava a reagir. Cada pessoa deve descobrir como procede durante a escrita. mas que lhe toma a manhã. 2. Me lembro que estava num hotel em Buenos A ires. é melhor desistir. para explorar melhor e com mais consciência esses procedimentos. o fervor acendendo a fresta do olho quase encoberto pela pálpebra inchada. mas tanto soco em vão. às vezes seqüenciais. como disse o poeta. Outro possível caminho para entender a escrita é observarmos nossos próprios processos enquanto trabalhamos em um texto. o processo de escrita já está desencadeado. às vezes simultâneas.

conhecê-las. Tentamos descobrir o que nosso leitor compreenderia do texto. Rio de Janeiro: Record. O importante é começar a ter mais consciência de suas próprias estratégias. Tomadas essas primeiras decisões e providências. a reflexão. — em especial seu linguajar grosso — e sobre o caráter e o destino de seu sé quito. . quando ela não tem estoque suficiente para o que desejamos. fez vários vôos urgentes só para me trazer alguns dos seus livros inencontráveis Dom Francisco de Abrisqueta. escrevê-lo e reestruturá-lo várias vezes. O historiador colombiano Gustavo Vargas. organizar mentalmente os grandes blocos do texto. não se preocupe. A pedido meu. elaborar inicialmente uma espécie de sumário ou esquema geral do texto. idéias secundárias. a análise. 1989. sem substância informativa ou lingüística. fazer uma lista de palavras-chave. reordenar as informações. me fez o favor de pesquisar o sentido e a idade de alguns localismos. podemos considerar que o texto já está sendo produzido. Você verá nos capítulos 3 e 4 alguns procedimentos para ativar e enriquecer a memória. desordenadamente. podemos: enfatizar as idéias principais. professor da Univers idade Nacional Autônoma do México. Memória vazia produz texto fraco. Para que o autor fique satisfeito com o seu próprio texto. e ainda os conhecimentos sobre os assuntos e informações que serão tratados no texto. construir um primeiro parágrafo para desbloquear e depois ir desenvolvendo as idéias ali expostas. anotar tudo o que vem à mente. quando escreveu o romance histórico O general em seu labirinto. sobretudo as relacionadas com as idéias políticas da época. Gabriel García Márquez. de Bogotá. E nessa fase de pesquisa que entram a leitura.A memória do redator já está acessada em várias vertentes e é um fator importantíssimo na construção do texto. confusos. Procuramos então relê-lo com olhos não mais de autor. o geógrafo Gladstone Oliva e o astrônomo Jorge Pérez Doval. pela simples razão de que faltavam vários anos para a manga chegar às Américas. a observação. embaixador do Panamá na Colômbia e mais tarde chanceler de seu país. além de uma revisão implacável de dados históricos na versão final A ele devo a advertência providencial de que Bolívar não podia ‘chupar mangas com deleite infantil”. Quando há tempo e paciência estendemos essa tarefa ao infinito. ambíguos que merecem reestruturação. Observe algumas dessas preferências (na hipótese de produção de um texto informativo) e veja em qual delas você se enquadra: fazer anotações soltas. Observe quantas pessoas o escritor consultou sobre detalhes importantes para a sua narrativa. Roberto Cadavid (Argos). Com Francisco Pividal mantive em Havana as vagarosas conversas preliminares que me permitiram formar uma idéia clara sobre o livro que pretendia escrever. Caso você utilize mais de um procedimento para iniciar seu texto. mas de leitor. Nesta etapa as pessoas têm procedimentos diferentes. da Academía de Ciências de Cuba. sobre Simon Bolívar. A primeira versão de um texto ainda é muito insatisfatória. o lingüista mais COMO ESCREVEMOS 17 popular e prestativo da Colômbia. Jorge Eduardo Ritter. escrever a idéia principal e as secundárias em frases isoladas para depois interligá-las. elaborar um resumo das idéias para depois acrescentar detalhes.. exemplos. para depois cortar e ordenar. dominá-las. o raciocínio: para preencher os vazios da memória. temos que procurar a informação o conhecimento para enriquecêl Gabriel Garcia Márquez. 268-9. independentes. se manteve ao alcance do meu telefone para me esclarecer dúvidas maiores e menores. fizeram o inventá rio das noites de lua cheia nos primeiros trinta anos do século passado.prima do texto os conhecimentos sobre organização dos diversos tipos de texto. foi um guia obstinado na intrincada e vasta bibliografia bolivariana O ex-presidente Bel isarjo Betancur me esclareceu dúvidas esparsas durante todo um ano de consultas telefônicas. Utilizamos a memória durante todo o processo de produção do texto e. pp. O general em seu labirinto. não se satisfez com sua própria memória e contou com diversos colaboradores. esse trabalho de ajuste é imprescindível. Nela estão armazenados os conhecimentos sobre a língua matéria. Nesse momento. quais são os pontos obscuros. e estabeleceu para mim que os versos citados de memória por Bolívar eram do poeta equatoriano José Joaquín Olmedo. Nos agradecimen0 ele esclarece: —. O historiador bolivarjano Vjnjcio Romero Martínez me ajudou de Caracas com achados que me pareciam impossíveis sobre os coslumes particulares de Bolíva. ou tenha um processo pessoal diferente dos que fo L 18 TÉCNICA DE REDAÇÃO ram enumerados acima. já está em processamento.

Depois de algumas tentativas. Assim aconteceu surpreendermos com a mão na massa um militar que ganhava batalhas antes de nascer. eliminar incoerências. como exemplo. erros e erratas. Não devemos pensar numa ordem seqÜenjj rígida como: PLANEJAMENTO> ESCRITA > REVISÃO Pois. Eles podem ter passado despercebidos. transformar períodos. quando um deles se encontrava em Caracas e outro em Quito. a direção do raciocínio. Vol. unindo-os por meio de conectivos ou separando-os por meio de pontuação. até esgotar sete versões. Basta dizer. 1989.7S. e de prejudicar a fluência. mudar elementos de lugar. uma viúva que foi para a Europa com seu amado esposo. 1987. numa caçada milimétrica de contrasensos. especialistas e vão ao extremo de reescrever seus livros mais de dez vezes antes de liberá-los para publicação. eliminar palavras ou frases. tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. conceitos. Compreender todo esse mecanismo não é importante 5nzen. a continuidade do texto. Nunca consideram o texto pronto. 270. Para isso. Gabriel Garcia Márquez. Escritores famosos submetem os originais à leitura prévia de amigos. criar vínculos entre uma idéia e outra. inconseqüéncias. quando escrevemos revisamos simuJtaneent parcelas do texto. no sentido de que vanlos e voltamos. citações. eliminar idéias desnecessárias. intelectuais. muito exigente consigo mesmo desde o início do texto. é preciso: acrescentar palavras ou frases. Mas é preciso. reagrupando-os de forma diferente. corrigir problemas gramaticais. feitos alguns rascunhos. ele pára a todo instante para resolver questões gramaticais e corre o risco de perder o fio da meada. consideramos que o texto está pronto. disciplina atenção paciência O texto não . voltam a reestruturálos. argumentos. o ato de escrever é muito dficil e penoso. acrescentar exemplos. regência). geralmente. que escrevi 1100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300. mais obsessivos ainda. quando preparam uma nova edição de textos já publicados. acentuação. Nesse caso. COMO ESCREVEMOS 19 concordância. Se o redator foi muito reprimido no processo escolar. já estamos em plena escrita e. — PP. repetições.substituir idéias inadequadas. acrescentar transições entre os parágrafos. substituir palavras ou frases. Rio de Janeiro: Record. quando o redator focalizava a estruturação das idéias. pontuação. Nosso conhecido escritor Fernando Sabino também trabalha assim: Para mim. 7. p. e um almoço íntimo de Bolívar e Sucre em Bogotá. e num escrutínio encarniçado da linguagem e da ortografia. Quando o produtor do texto tem mais consciência de seus procedimentos mentais tem mais controle sobre eles epode dirigiq05 deforma mais produtiva 3.. Observe o que Gabriel García Márquez relata ao agradecer uma colaboração: Antonio Bolívar Goyanes (. 7 ed. ainda. Conhecendo melhor o processo de escrita Vimos como a escrita representa trabalho e exige esforço. Crônicas. te para especialistas. Outros. Quando revisa mos. pode ter se tornado excessivamente autocrítico. O general em seu labirinto... estabelecer hierarquia entre as idéias. 3. fazendo ajustes e reajustes em cada aspecto. voltamos ao planejamento para reajustájo ou para reajustar o texto ao objetivo inicial O processo é recursivo. alcançar maior exatidão para as idéias. p. Para gostar de ler. quando planejamos. São Paulo: Editora Ática. 20 TÉCNICA DE REDAÇÃO E Paulo Mendes Campos admirável poeta e cronista da mesma geração de Ferndo Sabino afirmou: Quando escrevo sob encomenda não há milito tempo para corrigir Quando escrevo para mim mesmo costumo ficar corrigindo dias e dls — uma curtição Escrever é estar vivo. uma última leitura para rastrear problemas em relação à norma culta na superficie do texto (ortografia.) teve a bondade de rever comigo os originais.

E preciso reler identificar problemas e reestruturar muitas vezes até que o texto chegue a corresponder aos objetivos iniciais e Possa cumprir sua função de forma adequada Naturalmente medida que o redator vai melhordo seu desempepj0 esse processo vai ficando mais rápido. POIS É UMA PRÁTICA MUITO PRODUTIVA. Reconheça quais são os passos que utilizou. Além disso. CULTIVAR A PACIÊNCIA. 5. Capítulo 3 A qualidade da leitura 1. Novos procedimentos na escrita É NECESSÁRIO: TENTAR CONHECER E ANALISAR O SEU PRÓPRIO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE TEXTO. AFASTAR O DESÂNIMO SE A PRIMEIRA VERSÃO DO TEXTO NÃO FOR SATISFATÓRIA. faça novo diagnóstico. E preciso conhecer os procedimentos mentais e as habilidades necessárias para a escrita para conseguir aperfeiçoá-las. Analise seu próprio processo. Ninguém escreve a sua primeira versão e se dá por satisfeito. Nosso convívio com a leitura de textos diversos consolida também a compreensão do funcionamento de cada gênero em cada situação. b) Periodicamente. A leitura é um processo complexo e abrangente de decodflcação de signos e de compreensão e intelecção do . Reflita acerca de seus procedimentos: Planeja antes de escrever ou durante a escrita? Tem bloqueio ao começar? Relê cada frase antes de continuar ou vai escrevendo para depois reler tudo? Que decisões toma? 22 TÉCNICA DE REDAÇÃO Falta assunto? Tem dificuldade de encontrar palavras adequadas? Tem dificuldade em organizar os períodos? Sabe onde pontuar? Pensa no leitor? Como avalia o texto? Trabalha na revisão? O que pensa que precisa acelerar ou desacelerar? Esse exercício vai ajudá-lo a construir um controle maior sobre seus processos cognitivos. MOSTRAR PARA OUTRA PESSOA E ACEITAR SUGESTÕES. aplicável a todas as pessoas. Não há um modelo único mais correto. do senso crítico e do conhecimento sobre os diversos assuntos acerca dos quais se pode escrever. Prática de escrita a) Escolha um tema para produzir um texto. COMPREENDER QUE VÁRIAS RELEITURAS GARANTEM O APERFEIÇOAMENTO DO TEXTO. Nossa forma de ler e nossas experiências com textos de outros redatores influenciam de várias maneiras nossos procedimentos de escrita. vamos internalizando as suas estruturas e as suas infinitas possibilidades estilísticas. a escrita não pode ser considerada desvinculada da leitura. 4. Pode ser um exercício escolar. muitas dec sões e procedimentos vão se automatizdo Em situações de con COMO ESCREVEMOS 21 curso. uma tarefa profissional ou uma atividade livre como uma carta ou um requerimento. Pela leitura vamos construindo uma intimidade muito grande com a língua escrita. RECONHECER QUE REESCREVER É O PROCESSO NATURAL DE CONSTRUÇÃO DE UM BOM TEXTO. não vem pronto do além para que o redator apenas o transfira para o papel. o candidato deve abreviar e acelerar as ações. a leitura é a forma primordial de enriquecimento da memória. em que o tempo é limitado. Registre com as datas as transformações no seu caderno de anotações pessoais. Cada indivíduo deve conhecer suas próprias trajetórias e tentar aprimorá-las continuamente. Grave tudo o que acontece em sua atividade mental consciente.é simplesmente resultado de uma inspiração divina. mas não pode eliminá-las ou desprezá-las. Quando terminar o texto ouça o que gravou. Tente pensar em voz alta. O que é leitura Como vimos. Ou imagine que está respondendo em uma entrevista à questão: Qual é a sua história pessoal com o ato de escrever? Use um gravador de áudio enquanto estiver planejando e escrevendo.

xingando o funcionário que vem avisar que as senhas acabaram e que é preciso voltar amanhã. em geral. se fosse pobre. Correio Braziliense. Pobre vive amontoado em favelas. rico ainda sabe que vai viver muito mais do que pobre. é um inferno. o procedimento de leitura é bem espontâneo. Trata-se de nosso conhecimento prévio sobre: a língua os gêneros e os tipos de texto o assunto Eles são muito importantes para a compreensão de um texto. Quando é que um rico terá a mesma oportunidade de mexer assim com o barro da vida. ali. e ainda podendo assistir a uma visita teatral do Ministro da Saúde ao hospital. ainda mais neste modelo. lutando para manter seu lugar. como são. mas também os da experiência de vida dos indivíduos. uma frase do presidente para criticar. Ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. No caso. os outros textos de Luís Fernando Veríssimo (sempre de humor e ironia). argumentos. Brasília. ações e motivações. numa 1 alegre promiscuidade que rico só pode invejar. E eu concordo com o presidente. Ele estava falando para pobres e preocupado em prepará-los para o fato de que não vão ficar menos pobres e podem até ficar mais. os seguintes conhecimentos prévios: quem é Veríssimo (um escritor de humor. quase em estado natural. da sua autoria. não de brinquedo. sentenças. com papelão e caixotes. muito do nosso conhecimento prévio é exigido para que haja uma compreensão mais exata do texto. aquilo não estaria acontecendo com ele. maliciosamente. deve ter suspirado e pensado que. 1998. E pior. cronista críti c que se opõe ao governo em questão). O PRESIDENTE TEM RAZÃO Mais uma vez os adversários pinçam. levamos em consideração. o que é sempre divertido em vez de se chateando daquela maneira. Muitas vezes o pobre constrói sua própria casa. vamos analisar uma crônica de Luís Fernando Veríssimo. além de outros. as ironias. em todas as formas de leitura. à memória e à emoção. perceber os implícitos. objetivos. 2 dez.folheando uma National Geographic de 1950. e que isso não é tão ruim assim. Com toda as suas privações. É um trabalho que envolve signos. só precisando cuidar para não levar bala. Lida com a capacidade simbólica e com a habilidade de interação mediada pela palavra. qual é a sua posição no jornalismo de sua época (é um dos mais conceituados e respeitados . Esse é o jogo que torna a leitura produtiva. e que seu tédio não terá fim. pelo menos até ser despejado? Que filho de rico verá um dia sua casa ser arrasada por um trator? Um maravilhoso trator de verdade. Mas. Envolve especficamente elementos da linguagem. Efe Agá tem razão.mundo que faz rigorosas exigências ao cérebro. Não precisamos fazer muito esforço para manter a atenção ou para gravar na memória algum item. 24 TÉCNICA DE REDAÇÃO Os procedimentos de leitura podem variar de indivíduo para indivíduo e de objetivo para objetivo. Quando lemos apenas para nos divertir. conversando animadamente com todos à sua volta. Mais de um rico obrigado a esperar dez minutos para ser atendido por um especialista. É preciso compreender simultaneamente o vocabulário e a organização das frases. as relações estabelecidas com o nosso mundo real. no seu quintal! Todas as emoções que um filho de rico só tem em video game o filho de pobre tem ao vivo. exercer sua criatividade e morar num lugar que pode A QUALIDADE DA LEITURA 25 chamar de realmente seu. a sua observação de que é chato ser rico. olhando pela janela. identificar o tipo de texto e o gênero. provas formais e informais. no seu governo. ativar as informações antigas e novas sobre o assunto. Como exemplo. Ele estaria numa fila de hospital público desde a madrugada. intenções. Para compreender adequadamente esse texto. Pois eu entendi a intenção do presidente. frases. aqui ou no exterior.

Contraste fortu ito que parece um escárnio.’ eu entendi opresiden te. avaliação do processo realizado. interpretação de itens lexicais e gramatjcj5 agrupa0 de palavras em blocos conceituais. 3. A leitura não se esgota no momento em que se lê. Expande-se por todo o processo de compreensão que antecede o texto. eu concordo com o presidente Quando comparamos as descrições da forma de vida dos pobres e dos ricos e a afirmação de que ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. A QUALIDADE DA LEITURA 27 identificação de palavras-chave. analisar ilustrações. pelo latim. Vamos analisar algumas dessas habilidades. explora-lhe as possibilidades e prolonga-lhe o funcionamento além do contato com o texto propriamente dito. vamos reconsiderar o título e as idéias que se repetem pelo texto: o presidente tem razão. Recursos para uma leitura mais produtiva Um leitor ativo considera os recursos técnicos e cognitivos que podem ser desenvolvidos para uma leitura produtiva. é necessário desenvolver consolidar e automatizar habilidades muito sofisticadas para pertec ao mundo dos que lêem com naturalidade e rapidez Tratase de um longo e acidentado percurso para a compreensão efetiva e responsiva que envolve: decodificação de signos. para compreender as intenções e Posições do autor lemos muito mais o que não está escrito. Sarcasmo. ironia] S. 2. Entre1açafl0 essas informações e a forma como o texto foi escrito. é uma atividade extremamente complexa pois flo Podemos Coflsjder apenas o que está escrito. Como a leitura faz inúmeras solicitações símuitâneas ao cérebro. pois suas idéias são contrárias ao que está escrito. seleção e hierarquização de idéias. reorientação dos próprios procedimentos mentais. associação com informações anteriores. quem é o presidente a que ele se refere (o presidente da República no ano de publicação. penetramos no mundo da ironia. focalização da atenção. a que fala do presidente ele se refere (a comparação que estabeleceu entre a vida do pobre e do rico). zombaria Nessa experiência podemos constatar que a leitura não é um procedimento simples. controle de velocidade. 1 L. . Modo de exprimirse que Consiste cai dizer o contrário daquilo que se está pensando ou sentindo ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem. Há procedimentos espec(ficos de seleção e hierarquização da informação como: observar títulos e subtítulos. 2. que no Dicionário Auréjio Eletrônico é definida como: [Do grego eiróneia Interrogação. compreensão de pressupostos.cronistas de costumes e de política. 26 TÉCNICA DE REDAçJ0 qual é a situação social do Brasil em nossa época e como é realmente a vida nas classes menos favorecidas. Ao contrário.f 1. elaboração de hipóteses. No texto analisado por exemplo. seus textos são publicados em espaços nobres dos principais jornais e revistas brasileiros). construção de inferências. 1998). produzindo efeitos na vida e no convívio com as outras pessoas. antecipação de informações.

elaboramos rápidas hipóteses que não testamos. Vamos aprofundar nosso conhecimento acerca de alguns desses procedimentos. sempre que possível. A QUALIDADE DA LEITURA 29 Alguns desses procedimentos são utilizados pelo leitor na primeira leitura. fixamos alguns parágrafos iniciais. usar conhecimentos prévios extratextuais. 3. Há ainda aqueles que são concomitantes a outros. determina de que forma lemos um texto. para comunicar um texto a um auditório. E guiada tanto pela construção do próprio texto como pelos interesses. sublinhados. pragmáticos e da estrutura do gênero. reconhecer e sublinhar palavras-chave. para revisar um texto etc. queremos .reconhecer elementos paratextuais importantes (parágrafos. nem sempre esses procedimentos estão muito claros ou conscientes para quem os utiliza na leitura cotidiana. para seguir instruções. 30 TÉCNICA DE REDAÇÃO No primeiro tipo somos superficiais. constituindo uma atividade cognitiva complexa que não obedece a uma seqüência rígida de passos. velozes. para estudar. deslocamentos. freqüentemente. e quando o encontramos fazemos um outro tipo de leitura: do particular para o geral (ascendente). para obter informações gerais. legendas etc. controlar a consciência constante sobre a atividade mental. procurando um ponto de atração. o ritmo e a velocidade de leitura de acordo com os objetivos estabelecidos. reconhecer relações lexicais! morfológicas! sintáticas. e são apenas meios e não fins em si mesmos. de emoção estética ou de evasão. objetivos e intenções do leitor. como já foi explicado anteriormente. desenvolver o intelecto. para obter informações precisas e exatas. auto-avaliar continuamente o desempenho da atividade. por exemplo. aceitar e tolerar temporariamente uma compreensão desfocada até que a própria leitura desfaça a sensação de desconforto.). empreendemos uma leitura do geral para o particular (descendente): olhamos as manchetes. tais como: identificar o gênero ou a macro-estrutura do texto. negritos. esses fragmentos a outros. Utilizamos ainda procedimentos de detecção de coerência textual. Lemos: por prazer. enumerações. Como são interiorizados e automatizados pelo uso consciente e freqüente. controlar o trajeto. procedinientos de controle e monitoramento da cognição: planejar objetivos pessoais significativos para a leitura: controlar a atenção voluntária sobre o objetivo. quadros. segmentar as unidades de significado. relacionar e integrar. associar as unidades menores de significado a unidades maiores. esclarecimentos. detectar erros no processo de decodificação e interpretação. analisá-las e escrever um texto relativo ao tema. passamos os olhos pela página. substituir itens lexicais complexos por sinônimos familiares. ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema. No segundo tipo de leitura somos mais detalhistas. em busca de diversão. 28 TÉCNICA DE REDAÇÃO decidir se deve consultar o glossário ou o dicionário ou adiar temporariamente a dúvida para esclarecimento no contexto. fazemos algumas adivinhações. em busca de qualificação profissional. identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos significativos. Há também procedimentos de clarficação e simplificação das idéias do texto como: construir paráfrases mentais ou orais de fragmentos complexos. em busca de atualização. apenas para saber se há alguma novidade interessante. tomar notas sintéticas de acordo com os objetivos. Um leitor maduro usa também. Os tipos de leitura e seus objetivos O objetivo da leitura. outros na releitura. Se lemos um jornal.

4. Há muitos recursos e procedimentos para uma leitura mais produtiva. . que um estudante precisa desenvolver é o que vamos focalizar aqui. Prova disso é que só as pobres entram precocemente no mercado de trabalho. 2. minuciosa. está condenada. outros pode incorporar ao seu acervo de habilidades. De uma ou outra forma. ou que o explica e identfica: A palavra-chave deste romance é angústia. Elas podem apresentar uma pequena variação de leitura para leitura. mesmo quando está trabalhando ou estudando. Alguns você já usa naturalmente. ou partes de textos. É importante construir previamente algumas perguntas que ajudam a controlar o objetivo e a atenção. de leitor para leitor. Eles disputam com cães. há momentos em que você pode dispensar certos textos. Esse tipo de leitura detalhada. por exemplo: Qual é a opinião do autor? Quais são as informações novas que o texto veicula? A QUALIDADE DA LEITURA 31 O que este autor pensa desse assunto? Em que discorda dos que já conheço’? O que acrescenta à discussão? Qual é o conceito. Sem elas o texto perde totalmente o sentido. que já são conhecidos. Mas porque é obrigada. os menores acompanham os pais aos aterros sanitários para catar a sobrevivência. Procedimentos estratégicos de leitura Um texto para estudo. f 1. desacelerada (ascendente). lenta. conectivos. Um leitor maduro distingue qual é o momento de fazer uma leitura superficial e rápida (descendente) daquele em que é necessária uma leitura detalhada. a maioria tem o destino traçado. os elementos que têm entre si um certo parentesco ou que pertencem a um certo grupo. Alguns nunca entraram numa escola. procuramos garantir a compreensão precisa. encontram-se cerca de cinqüenta mil em situação desumana e degradante. Outros tiveram que abandonar os livros antes do tempo. distinguir partes do texto. como. Não terá direito ao futuro. Estabelecer previamente um objetivo nos ajuda a escolher e a controlar o tipo de leitura necessário: ascendente ou descendente. o dajàmília. Por meio delas podemos reconstituir o sentido de um texto. três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e. São os catadores de lixo. temos mais dificuldade em identificar aspectos importantes. 32 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nos dois parágrafos seguintes. uma atenção voluntária e controlada. Não são palavras gramaticais: artigos. b) Identificar e sublinhar com lápis as palavras-chave As palavras que sustentam a maior carga de significado em um texto são chamadas de palavras-chave. numa listagem ou na memória de um computador. pronomes. Normalmente são os substantivos. A partir dos três ou quatro anos. vamos identificar as palavras-chave: Nenhuma criança trabalha porque quer. Já sabemos o que queremos e ficamos mais atentos às partes mais importantes em relação ao nosso objetivo. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. minuciosa. a) Estabelecer um objetivo claro Sempre que temos um objetivo claro para a leitura vamos mais atentos para o texto. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres. porcos. em geral. Rende de um a seis reais. detalhada. muitas vezes. a definição desse fenômeno? Como ocorreu esse fato? Onde? Quando? Quais são suas causas? Quais são suas conseqüências? Quem estava envolvido? Quais são os dados quantitativos citados? O que é mais importante nesse texto? O que eu devo anotar para utilizar depois no meu trabalho? Quando começamos uma leitura sem nenhuma pergunta prévia. ou rápida e superficial. exata. No Brasil. hierarquizar as informações. elaborar um esquema ou síntese. Entre a multidão de trabalhadores mirins. mesmo quando estuda. Palavra que encerra o signflcado global de um contexto. exige do leitor uma grande concentração.saber tudo. preposições ou advérbios. Palavra que serve para identificar num catálogo de livros ou de artigos. O Dicionário Aurélio Eletrônico registra: Verbete: palavra-chave s. verbos e certos adjetivos. pois cada um imprime sua visão ao que lê. Pois. ratos e urubus o que os outros jogam fora.

Correio Braziliense. Brasília, l9jun. 1999. Editorial.
A partir das palavras destacadas (você poderia sugerir outras) podemos compreender e reconstituir o assunto principal do texto, O reconhecimento das relações lexicais, morfológicas e sintáticas estabelecidas na configuração da superficie do texto é um pressuposto necessário para que leitor possa tomar decisões. E importante aprender a selecionar e hierarquizar as idéias para identificar as palavras principais. Há muitos detalhes que são usados em um texto para esclarecer ou enriquecer a informação já

dada. Não fazem falta a não ser estilisticamente. Veja, por exemplo, a frase: Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os outros jogam fora. O teor de informação nova agregado ao que já tinha sido dito é muito pequeno. E apenas uma ilustração explicativa contundente. Observe a continuação desse texto e exercite sua capacidade de selecionar palavras importantes, destacando-as:

A QUALIDADE DA LEITURA 33 Na tentativa depôrfim a esse quadro dramático, o Fund das Nações Unidas para a Infância (UniceJ), em conjunto com o Ministé rio do Meio Ambiente e a Secretaria do Desenvolvimento Urbano, lançou a campanha Criança no Lixo Nunca Mais. A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais e não governamentais já rnecerão orientações a prefeituras de 5.507 municípios sobre elaboração de projetos e formas de buscar recursos para implementá -los. A meta é ambiciosa. Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, envolver a União, os estados, os municípios, além de parcerias com a iniciativa privada e a população em geral. Acima de tudo, exige vontade política. O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não Jár assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar empregos dignos. Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicef prospere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perspectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a sobrevivência no lixo constitui mau presságio. Sugere que poderá não haver nenhum futuro. É indispensável e urgente modflcar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.
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34 TÉCNICA DE REDAÇÃO Observe como as palavras destacadas por você carregam o significado mais importante da mensagem e permitem que as idéias principais sejam recuperadas. É preciso observar e compreender para hierarquizar e selecionar. Tudo depende de treino, experiência. Ou seja, uma boa leitura depende de muita leitura anterior. c) Tomar notas Uma ajuda técnica imprescindível, principalmente para quem lê com o objetivo de estudar, é tomar notas. A partir das palavras-chave, o leitor pode ir destacando e anotando pequenas frases que resumem o pensamento principal dos períodos, dos parágrafos e do texto. Pode também marcar com lápis nas margens para identificar por meio de títulos pessoais as partes mais importantes, os objetivos, as enumerações, as conclusões, as definições, os conceitos, os pequenos resumos que o próprio autor elabora no decorrer do texto e tudo o mais que estiver de acordo com o objetivo principal da leitura (algumas edições já trazem esse destaque na margem para facilitar a leitura). Essas notas podem gerar um esquema, um resumo ou uma paráfrase. Trabalho Nenhuma criança trabalha porque quer. Mas infan til no porque é obrigada. Prova disso é que só as pobres Brasil entram precocemente no mercado de trabalho. No Brasil, três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e, muitas vezes, o da família. Alguns nunca entraram numa escola. Outros tiveram que aban dona os livros antes do tempo. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres, a maioria tem o destino traçado. De uma ou outra forma, está condenada. Não terá direito ao futuro. Entre a multidão de trabalhadores mirins, en contram-s cerca de cinqüenta mil em situação de-

A QUALIDADE DA LEITURA 35 sumana e degradante. São os catadores de lixo. Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os Catadores outros jogam fora. A partir dos três ou quatro anos, de lixo/ os menores acompanham os pais aos aterros sanitá 50.000 rios para catar a sobrevivência. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. Rende de um a seis reais. Unicef Na tentativa de pôr fim a esse quadro dramáti MMA-SD co, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Uni Campanh cef), em conjunto com o Ministério do Meio Am Crianç no biente e a Secretaria do

Desenvolvimento Urbano, Lixo Nunca lançou a Campanha Criança no Lixo Nunca Mais. Mais A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até Meta/2002 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais Projetos e e não governamentais fornecerão orientações a pre forma de feituras de 5.507 municípios sobre elaboração de pro busca jetos eformas de buscar recursos para implementá recurso los. A meta é ambiciosa.
Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, en volve a União, os estados, os municípios, além de

parcerias com a iniciativa privada e a população
em geral. Acima de tudo, exige vontade política.

Caminhos
O governo está convocado a estabelecer políti Soluçõe cas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa Renda de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos mínima e nesse sentido. Um deles é a garantia de renda míni educaçã ma para as famílias em estado de pobreza absoluta, para o incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, trabalho mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o me no do labor diário dará resultado se não for asse gurad o sustento do núcleo em que ele vive. Outro Importante caminho é a reciclagem educacional dos pais para para o que possam comparecer ao mercado de trabalho em futuro do condições de disputar empregos dignos. país Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicefpros TÉCNICA DE REDAÇÃO pere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perrpectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a

sobrevivência no lixo constitui mau presságio., Sugere que poderá não haver nenhum futuro. E indispensável e urgente modficar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.

d) Estudar o vocabulário
Durante a leitura de um texto, temos que decidir a cada palavra nova que surge se é melhor consultar o dicionário, o glossário, ou se podemos adiar essa consulta, aceitando nossa interpretação temporária da palavra a partir do contexto. Observe o seguinte período do texto: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios — a disputa de alimentos com os abutres. A palavra abjeto pode gerar dúvidas no leitor, mas podemos perceber que ela não é essencial ao texto. Quando retirada, o período preserva significado. Talvez não seja tão necessário nesse caso consultar o dicionáno,já que o contexto esclarece que se trata de uma idéia negativa que intensifica (junto com o advérbio mais) a negatividade que está em infortúnios. Poderíamos tentar substituí-la por outras mais conhecidas.’ indigno, horrível, desprezível, e a frase continuaria apresentando idéia lógica. Esses procedimentos de inferência e compreensão lexical são realizados com muita velocidade pelo leitor. Quando a continuidade da leitura se torna prejudicada, o melhor mesmo é parar e ir ao dicionário.
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36

.4 QUALIDADE DA LEITURA 37

e) Destacar divisões no texto para agrupá-las posteriormente

É importante compreender essas divisões para estabelecer mentalmente um esquema do texto.
Muitas vezes o autor não insere gráficos, esquemas, nem explícita por meio de enumerações as divisões que faz das idéias. Preste bem atenção quando o texto apresenta estruturas assim:
Em primeiro lugar.. em seguida... em terceiro lugar.. Inicia/mente.., a seguir... finalmente... Primeiramente.., em prosseguimento... por último... Por um lado... por outro lado... Num primeiro momento... num segundo momento... A primeira questão é... A segunda... A terceira...

Por meio da identificação dessas estruturas é possível reconstruir o raciocínio do autor e torna-se mais fácil elaborar esquemas e resumos. No texto que estamos analisando há um exemplo interessante: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse
sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esfárço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não for assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar emgos dignos.

A identificação dessas estruturas textuais na leitura facilita a compreensão das idéias e cria uma matriz mental para organização e hierarquização das informações.
38 TÉCNICA DE REDAÇÃO

fi Simplificação
Um dos recursos mais produtivos durante a leitura de textos complexos é fazer constantemente paráfrases mentais mais simples daquilo que está no texto, ou seja, fazer traduções em palavras próprias, dizer mentalmente com suas próprias palavras o que entendeu do texto. Uma brincadeira que o jornalista Elio Gaspari gosta de fazer é com a simplificação de linguagem exageradamente complexa. Observe o exemplo: CURSO MADAME NATASHA DE PIANO E PORTUGUÊS Madame Natasha tem horror a música. Ela socorre os desconectados do vernáculo. Decidiu conceder uma de suas bolsas de estudo á professora M.B. G.S., presidente da Comissão Esta- dual para elaboração do Projeto de Informática na Educação. No relatório que essa comissão produziu, Natasha encontrou o seguinte adereço: O ambiente informatizado oportuniza a possibilidade de ruptura de estruturas estáticas. Toda experiência de aprendizagem pode ser simulada, mas a simulação, que é uma expressão simbólica, no ambiente digital passa a ser também real, passível de experiência sensorial. Madame acreditaniza que quiseram dizerinizar o seguinte: — O computador é um instrumento pedagógico versátil. Elio Gaspari. Jornal de Brasília. Brasília, 22 fev. 1998. O procedimento de tradução mental simplificadora é muito útil para conferir se entendemos mesmo o texto ou não.

g) Identificação da coerência textual
Diante de cada novo texto temos de identificar as estruturas básicas para compreender seu funcionamento. Assim, iden
A QUALIDADE DA LEITURA 39

tificamos imediatamente o que é um poema, o que é uma fábula, o que é um texto dissertativo. Como a escrita é para ser lida e compreendida a distância, sem interferência do autor no momento da leitura, sua elaboração exige uma estrutura exata, precisa, clara, que assegure ao leitor uma decodificação correta e adequada. Para tanto o autor usa estruturas sintáticas complexas, estabelecendo minuciosamente as relações entre as idéias, já que não pode contar com o apoio do contexto, das expressões faciais, do conhecimento comum. Isso acontece principalmente nos textos de natureza informativa: dissertações, argumentações, reportagens e ensaios, os quais privilegiamos neste livro. Quanto menos compromisso o texto tem com a informação exata, mais espaço deixa para os acréscimos e interpretações do leitor, como é o

Quais são as partes do texto que apresentam objetivos. interpretando mal os objetivos e conseqüentemente as informações e os significados. conceitos. Esses textos não são fáceis e não são compreendidos à primeira leitura. para apreender. Onde é veiculado? Suporte editorial. A quem se destina? Público. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Estrutura textual. em que a estrutura do texto inicial é utilizada como base para o novo texto. Quando o interesse for assegurar uma compreensão predeterminada. Para isso fazemos perguntas elementares: Quem escreve? Autor Que tipo de texto é? Género. Quais são as idéias principais? Informações. concordar ou se opor a essas idéias. Isso significa que a leitura para apreensão de informações deve ser uma leitura pausada. precisa. desacelerada. Qual o objetivo? Intenções. que vai do particular para o geral e volta do geral para o particular constantemente. refazendo o trajeto do seu pensamento original. Uma decifração que procura percorrer o mesmo raciocínio do autor do texto. Quais são as outras vozes que perpassam o texto? Distribuição da responsabilidade pelas idéias. de redundância. fazendo perguntas ao texto. Quais são os exemplos citados? Fatos. na proporção em que partilhe conhecimentos com o autor. para auxiliar o leitor a chegar às conclusões desejadas pelo autor. Essa associação é prevista pelo autor e deve ser feita pelo leitor de forma espontânea. explícitas ou implícitas. definições. mais estruturado. 40 TÉCNICA DE REDAÇÃO Durante a leitura é preciso conferir as interpretações. superficial e rápida. A QUALIDADE DA LEITURA h) Percepção da intertextualidade Um texto traz em si marcas de outros textos. Caso essas perguntas não sejam respondidas de maneira adequada. Em textos mais complexos. Quais são os testemunhos utilizados? Depoimentos. Esse diálogo. Um texto bem escrito apresenta sempre uma certa dose de repetição. Essas informações pragmáticas vêm iluminar e esclarecer os significados e estabelecer a coerência textual do que é lido. da poesia e dos textos literários em geral. Essa ligação entre textos pode ir de uma simples citação explícita a uma leve alusão. Com que autoridade? Papel social do autor O que eu já sei sobre o tema? Conhecimentos prévios do leitor Quais são os outros textos que estão sendo citados? Intertextualidade.caso da publicidade. É preciso um rígido controle da atenção. como entre o texto e os conhecimentos prévios do leitor e suas experiências vividas. dados. a intensidade do esforço para compreender a intertextualidade pode variar e sempre depende de conhecimentos prévios comuns ao autor e ao leitor. Como são tratadas as idéias contrárias? Rebatimento ou antecipação de oposições. exata. Além dessas. naturalmente será produzido um texto mais denso. Com que argumentos as idéias são defendidas? Provas. ou até mesmo a uma paródia completa. um empenho constante para fazer os relacionamentos adequados tanto entre as idéias interiores ao próprio texto. em que as seqüências tenham uma articulação necessária entre si mesmas. Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Posicionamento explicitado. essa interação entre leitor e texto exige a ativação de conhecimentos que extrapolam a simples decodificação dos elementos constitutivos do texto. um objetivo claro para a leitura. A esse fenômeno chamamos intertextualidade. Vamos analisar um exemplo bem simples de intertextualidade: CONTRAFÁBULA DA CIGARRA E DA FORMIGA . discutir. nos quais a polissemia (convívio de uma multiplicidade de significações sobre uma mesma base) predomina. Terá por base um planejamento lógico. há muitas outras perguntas que o leitor vai propondo à medida que lê e de acordo com os seus objetivos. podemos incorrer em equívoco.

— E pode me fazer um favor? Quando chegar a Paris. sempre consultando as cotações da Bolsa.. O autor parte do pressuposto de que seus leitores conhecem a fábula da Cigarra e da Formiga do autor francês La Fon A QUALIDADE DA LEITUK4 taine e que reconhecerão imediatamente a sua paródia. O próprio título anuncia a intenção. de cunho popular e de caráter alegórico. uma sabedoria. Na trabalheira do investimento. — Tenho um programa semanal. quando voltava de uni almoço no La Tambouille com os japoneses da informática. mas a alusão à fábula original (na última fala da formiga) cria a intertextualjdade explícita.. E também um juízo a favor da arte em oposição à especulação financeira. Fechava contratos em Londres já com um pé no Boeing para Frankfurt ou Genebra. ou seja. você há de aparecer por aqui a mendigar o que não poupou no verão! E vai cair dura com a resposta que tenho preparada para você! Ruminando sua terrível vingança. não estaria mais funcionando. aumentando o rendimento da sua capita e dizendo que estava contribuindo para o crescimento do Produto Nacional Bruto.. procure lá um tal La Fontaine. — A senhora não depositou nada no banco. E vivia ajármiga a dizer por dentro: Ah. Depois. metida em shows e boates.. remordida. Segundo sua posição crítica. chegoua minha vez!” Mas a cigarra aproximou-se só querendo saber como estava ela e como estavam todos no formigueiro. contrária ao prazer. dona Cigarra? — E claro! — disse a cigarra.. na sua vida terrivelmente cansativa e nas suas ameaças de enfarte. não é? — Não faz mal. A formiga.Adaptação feita por 1edro Bandeira do texto do escritor português Antônio A. O quê?! exclamou aformiga. nas suas azias. Aí a formiga pensou no seu trabalho. ah! No inverno. já que remete à lição de moral tradicional e multiplica o humor do texto. uma historieta de ficção. Um dia. depois Londres.. Isso é só em Paris. Os meus discos não saem das paradas. e a mensagem original. Utilizando uma situação similar à fábula original. Lá vem ela dar a sua facada. destinada a ilustrar um preceito. E acabei de fechar um contrato com o Olympia de Paris por duzentos mil dólares. A história em si é engraçada. — A senhora vai ganhar duzentos mil dólares no inverno? — Não. comentou: A senhora andou cantando na tevê todo este verão. Agora no inverno é que vai ser mau continuou aformiga com toda maldade na voz. tem a excursão a Nova York. hoje em dia. ‘Ah. Mas vivia também roendo-se por dentro ao ver a cigarra. E diga-lhe que eu quero que ele vá para o raio que o parta! Trata-se de uma fábula. Batista A formiga passava a vida naquela Jármiga ção. encontrou a cigarra no shopping Iguatemi. . atualiza suas circunstâncias e modifica seu final (intertextualidade implícita na estrutura). no mundo dominado pelos meios de comunicação e pelo hedonismo. depois Amsterdam. voltava a formiga a tesourar e entesourar investimentos e lucros. incutindo nos filhos hábi 41 42 TÉCNICA DE REDAÇÃO los de poupança. sempre atenta aos rateios e às subscrições. enquanto aquela inútil da cigarra ganhava tanto cantando e se divertindo! E perguntou: — Quando a senhora embarca para Paris? Na semana que vem. com quem estudara no ginásio. os artistas podem chegar a ser milionários com mais rapidez e facilidade do que quem trabalha incansavelmente pensando exclusivamente no dinheiro. ah. para verificar os dividendos de suas contas numeradas. não foi. cantarolando como de costume. sempre acompanhada de clientes libidinosos do Mercado Comum. vendendo na alta e comprando na baixa. pensou ajórmiga. consultando advogados e tomando vasodilatadores. preparando o terreno para sua vingança.

de simplificação e de monitoração das atividades mentais de forma que possamos otimizar nosso esforço. disciplinando-as e submetendo-as aos nossos interesses. mais fácil e as dificuldades preliminares Vão se resolvendo. a leitura se toma. consciente ou inconscientemente. E importante desenvolver adequadamente essas estratégias de apoio técnico. Habilidades que agilizem os procedimentos contribuem para que não haja desperdício de energia e de tempo. a leitura ajuda a escrever melhor. quando o trecho é fácil ou quando a leitura tem por objetiv0 a simples distração Outras vezes. em um exercício mais prazeroso. Algumas vezes pode merecer reorientação. Esse desconforto no iflÍcjo de um texto é muito comum. ou seja. os tipos de texto. os recursos estilísticos com mais eficácia que pelas aulas e exercícios gramaticais. Pouco a Pouco. 6. Uma única leitura nem sempre é suficiente. temos que ler desaceleradament quando estudamos assuntos desconhecidos quando o texto é denso e complexo ou quando contém muitos implícitos Para garantir esse contro le é necessário ter uma consciência contínua dos procedimentos que estão sendo utilizados além de uma disPosição para avaliar a qualidade da própria leitura Tolerância e paciência: muitas vezes. geralmente é necessário voltar ao texto algumas vezes. Esse controle é essencial para que a leitura seja produtiva. conseguir o melhor resultado da maneira mais prática e simples. pois é natural que o começo da compreensão seja ainda uma idéia desfocada A primeira leitura. a leitura é fundamental. então para conferir a decodifica ção das palavras e a interpretação Essa capacidade de avaliar constantemente a própria leitura precisa ser deSenvol Vida Ajuste de velocidade. para isso. E são os objetivos que vão direcionar o tipo de leitura que vai ser realizado. a cada dia. os gêneros. o leitor deve controlar a veloci dade de leitura de acordo com as dificuldades que o texto oferece e com os objetivos da leitura Às vezes. Conhecendo melhor o processo de leitura Como vimos. Prática de leitura a) Escolha um artigo assinado do jornal de sua preferência. e também para que a leitura se transforme. naturalmente. conforme nossos objetivos. Em qualquer situação de leitura utilizamos procedimentos que nos auxiliam a compreender e interpretar o texto. Estou mesmo perseguindo meu objetivo? Já me distraí? Mudei o meu trajeto de leitura? Criei outro objetivo no percurso? Detecção de erros no processo de leitura: algumas vezes lemos muito rapidamente enquanto pensamos em ou43 44 TÉCNICA DE REDAÇÃO tra coisa e. interpretamos mal uma passagem e no decorrer da leitura percebemos que as idéias estão contraditórjas Voltamos. Leia uma vez. desistimos da leitura de um texto no primeiro parágrafo Esse procedi mento é precipitado E preciso merguJ proftmndamente no texto para dar-lhe uma chance de ser bem Sucedido Na maioria das vezes. E um processo complexo que exige do leitor uma série de habilidades cognitivas muito sofisticadas. Ele não é espontâneo e depende de treino e concentração. Por isso é necessário prestar bem atenção no que fazemos enquanto lemos para termos mais domínio sobre as nossas próprias habilidades de leitura. Releia e responda mentalmente às perguntas: Quem escreve? Que tipo de texto é? A quem se destina? Onde é veiculado? Qual o objetivo? Com que . Fidelidade ao planejamento: antes de começar a ler um texto sempre estabelecemos. a escrita depende de nosso conhecimento do assunto. podemos ler mais rapidamente: quando o assunto é conhecj do. Assim.1) Monitoramento e concentração Durante a leitura podemos exercer um relativo controle consciente sobre as nossas atividades mentais. uma espécie de roteiro: como vamos ler? para que vamos ler? Esse roteiro deve ser controlado e reavaliado durante a leitura. Pela leitura interiorizamos as estruturas da língua. da língua e dos modelos de texto. quando percebemos a distração temos que Voltar e reler aquele trecho Esse é um exemplo de como controlamos naturalmente os nos505 erros de leitura Outras vezes. com freqüênc não é satisfatóa e é preciso empreender uma segundaj com alguma informação sobre o texto e com mais atenção e concentração. A QUALIDADE DA LEITURA 45 5.

de livros. É importante considerar também outros aspectos da aprendizagem. sem aplicação direta na produção de textos. permanece na nossa memória de longo prazo. enquanto elas nos são úteis e estão sendo realmente utilizadas. de pessoas. d) Escolha um texto de estudo e aplique as estratégias de leitura apresentadas neste capítulo. Se memorizamos alguns itens sem transferi-los gradualmente para a prática. Na de curto prazo. Algum esclarecimento acerca da memória. Se. importante na nossa vida diária. As informações novas ficam algum tempo na memória de curto prazo. nesse período. pois é duradoura. essa faculdade de reter as idéias. Um outro. tudo aquilo que nos deu tanto trabalho para memorizar à força é esquecido imediatamente após a prova. por um período breve. O mesmo acontece quando estudamos a gramática pela gramática. que é seletiva e rotativa. Como exemplo. caem no esquecimento. Quando vemos. reelaborada em nossa mente por meio de novas associações e novas divisões. dizendo em voz alta seus pensamentos para controlar a leitura. Leia. Ela não guarda tudo o que gostaríamos a partir de uma primeira leitura. acaba por dominar naturalmente o assunto. serão descartadas. por exemplo. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Com que argumentos as idéias são defendidas? Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Quais são as outras vozes que perpassam o texto’? Quais são os testemunhos utilizados? 46 TÉCNICA DE REDAÇÃO Quais são os exemplos citados? Como são tratadas as idéias contrárias? c) Escolha um texto dissertativo que ofereça alguma dificuldade de leitura para você. . Na memória de longo prazo guardamos nossos conhecimentos consolidados. Temos dois tipos de memória: a de longo prazo e a de curto prazo. Capítulo 4 Da leitura para a escrita 1. que apenas esporadicamente fala sobre um tema. guardamos informações novas. a memória vai descartá-lo por falta de uso. Analise os procedimentos de leitura sugeridos neste capítulo que você já utiliza. Quando decoramos mecanicamente regras e conceitos. como se faz freqüentemente nos cursos preparatórios para concursos. tem que estudá-lo para reavivar a memória quando precisa expor novamente o assunto. Não o esquecemos tão facilmente. se nos dias subseqüentes não precisarmos mais desse número. como se estivessem temporariamente à disposi 48 TÉCNICA DE REDAÇÃO çào. Um professor. Então. podemos pensar na seguinte situação: se estamos tentando comunicação por vezes repetidas com um número de telefone. Mas nem sempre isso é possível. que dá aulas sobre uma mesma matéria para várias turmas. durante muito tempo. Se não são utilizados. conceitos. para que uma informação fique consolidada na memória de longo prazo é preciso que seja: útil na vida prática ou para nossas reflexões abstratas: utilizada com certa freqüência. apreendemos um pouco mais. esquecemos tudo com facilidade. Nossa memória é muito seletiva. Mas. de filmes. Grave em fita de áudio tudo o que pensa enquanto lê. impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. Já sabemos que as informações que vêm apenas por via auditiva são menos duradouras. E acontece também com conceitos e definições. temos um pouco mais ainda de possibilidade de gravar na memória. chegamos a memorizálo. associada e relacionada a outros conhecimentos prévios existentes em nossa memória. encontram pontos de apoio que as sustentam por mais tempo e se tornam mais duradouras. apreendemos uma pequena parcela do que ouvimos. Memorizamos aquilo que é significativo para nossos interesses intelectuais ou para nossa vida pessoal. Se não forem úteis por longo período. Quando podemos ler uma vez a informação. Já um número usado todos os dias.autoridade? O que eujá sei sobre o tema? Quais são os outros textos que estão sendo citados? Quais são as idéias principais? Quais são as partes do texto que apresentam: objetivos. forem muito usadas. Isso acontece com nomes de lugares. pode ajudar a compreender e controlar seu funcionamento. estabelecem laços com outras informações preexistentes. em um período de teste. O trabalho com a memória Precisamos usar muitas informações contidas em textos que já lemos. definições.

embora existam variações infinitas. resumos e paráfrases. Assim. que também é uma forma de retomada das informações. O desenvolvimento. Se nosso objetivo é repetir as mesmas informações integralmente. A leitura pode levar à produção de textos de natureza diferente do texto original e com finalidades também diferentes. como conclusão. pois trata-se de uma síntese. O processo de debate pressupõe a intelecção. Não se trata de uma simples transferência. uma negação. ler. Quanto mais aprendemos. podemos produzir esquemas. 4? — Organizar um esquema das idéias. mais curto que o original um resumo em que as informações essenciais são rearticuladas em uma nova organização. mais temos possibilidade de aprender. como veremos no capítulo 6. Assim. Em um resumo recorre-se a poucos efeitos retóricos. o autor prefere colocar a idéia principal no fim do parágrafo. uma pergunta. identificando palavraschave e anotando idéia por idéia. quando ainda na fase do esquema. Muitas vezes. oposições. e pode trazer explicações. em que o professor ou o texto doam ao aluno a informação nova. no resumo. atuar. conforme vimos no capítulo anterior. a compreensão das idéias expostas pelo outro. DA LEITURA PARA A ESCRITA O leitor que tenta reconstruir o percurso do autor não pode acrescentar idéias novas ao resumo do que lê. 2? Fazer uma segunda leitura. elaboramos a paráfrase. divisão de idéias. Muitas vezes. Pode até mesmo não explicitá-la claramente. Organizar um esquema é uma maneira preparatória para o resumo e a paráfrase. para que o leitor chegue mentalmente à conclusão a partir das evidências colocadas no texto. conseguimos maior índice de memorização e de aprendizagem. e que a inteligência precisa ser constantemente estimulada para não se atrofiar. ou seja. pois a linguagem deve ser objetiva e clara. dispensando exempios e ilustrações. lemos e tentamos memorizar o que lemos. utilizar. A leitura com esse fim é muito detalhada. pois os conhecimentos que adquirimos formam uma base em que novos conhecimentos vêm se instalar de forma mais duradoura. desenvolver uma ação (concreta ou mental) sobre certa informação de forma pessoal. rápida. É uma leitura de reconhecimento prévio do material a ser estudado. a ciência já constatou que o cérebro e a memória precisam de exercícios. esquemas e paráfrases A partir do esquema podemos facilmente reconstituir as ligações do texto original elaborando um novo texto. ela pode ser: uma afirmação. 6? — Redigir o resumo seguindo o roteiro estabelecido pelo esquema. na organização geral do texto. parágrafo por parágrafo. do geral para o particular. prestando atenção nos títulos e subtítulos. Como a primeira leitura é sempre muito breve e superficial. ou então sintetizar as informações para revê-las ou repassá-las a outros. comparações. 5? — Voltar ao texto e conferir a correspondência com as idéias principais. os parágrafos dissertativos/argumentativos têm uma estrutura organizada logicamente: Primeiros períodos = idéia principal Períodos seguintes = desenvolvimento Último período = conclusão Quando a idéia principal surge no início do parágrafo. Por isso é bom. quadros. aprender exige trabalho sobre o conhecimento. mas podemos estabelecer um roteiro básico como sugestão: 50 TÉCNICA DE REDAÇÃO 1? — Empreender uma primeira leitura descendente. mantendo as relações entre essas unidades. ver e experimentar. e não uma crítica. precisamos utilizar estratégias de desaceleração para apreendermos melhor um texto. uma compactação. 3? — Reagrupar as informações de acordo com unidades menores. uma resenha ou um comentário que permitem ampliação e discussão. visa fundamentar a idéia inicial. O leitor deve criar o seu próprio método.DA LEITURA PARA A ESCRITA 49 Mas se podemos ouvir. subdividindo-o de acordo com as relações sintáticas. prender-se às expressões utilizadas pelo próprio . Hoje em dia. Normalmente. E preciso que a pessoa trabalhe bastante para que o conhecimento passe realmente a ser propriedade sua. Resumos. mas deixá-la implícita. um conceito. 2.

-. gênero e tipo de texto. um outro aspecto é... depois. em sua obra Y Indicam divisão de idéias: Em primeiro lugar.. O resumo é um trabalho sobre a linguagem muito complexo.. em segundo....... Por um lado... pois é necessário trabalhar com precisão sobre: significados. Primeiramente.... São elas que o levam a decidir quais são as ..autor do texto.... é o que ocorre no caso em que Indicam inserção de citações: Segundo o especialista X De acordo com o que afirma X Xjá afirmou que Conforme X.... TÉCNICA DE REDAÇÃO Essas frases exigem muita atenção do leitor. mas você pode encontrar infinitas variações nos textos que lê. por outro lado. Elas conduzem o raciocínio do leitor de acordo com o planejamento do autor e podem exercer várias funções. em seguida... vocabulário. Indicam conclusão parcial ou final: Em vista disso podemos concluir Diante do que foi dito Em suma Em resumo Concluindo Portanto Assim 51 fr . Colocaremos aqui alguns exemplos.. estruturas sintáticas. Indicam objetivo: O que desejamos neste trabalho O objetivo desta investigação Pretendemos demonstrar Procuramos comprovar Estamos tentando provar Indicam inserção de exemplo: Para exemplificar. pode-se observar Assim. O primeiro aspecto é. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o uso das frases de transição.. podemos ob servar Para comprovar o que foi dito Exemplo disso é Como exemplo.. por último.. finalmente..

e há obras “baratas” e “comuns “. As obras de arte e de pensamento poderiam democratizar-se com os novos meios de comunicação. Para vendê-la. a arte se transforma em seu oposto: é um evento para tornar invisível a realidade e o próprio trabalho criador das obras. diversão e distração.se consagração do consagrado pela moda e pelo consumo. da reflexão . destinadas aos privilegiados que podem pagar por elas. criticá-las. novas. porque define a Cultura como lazer e entretenimento. Perdida a aura. E essencialmente espetáculo. mas deve devolver-lhe com nova aparência o que ele já sabe. Em terceiro lugar. Vamos analisar um texto e compreender o processo de resumo. ter acesso a elas. porque cria a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais. ao massifiLar a Cultura. as artes correm o risco de perder três de suas principais características: 1. conhecê-las. fazê-lo ter informações novas que o perturbem. como o consumidor num supermercado. incorporá-las em suas vidas. a indústria cultural introduz a divisão social entre elite “cultural” e massa “inculta “. ver ou ler. basta darmos atenção aos horários dos programas de rádio e televisão ou ao que é vendido nas bancas de jornais e revistas para vermos que. INDÚSTRIA CULTURAL E CULTURA DE MASSA A partir da segunda revolução industrial no século XIX e prosseguindo no que se denomina agora sociedade pós-industrial ou pós-moderna (iniciada nos anos 70 do século Xv). prestígio político e controle cultural. existe para ser contemplada efruída. tornarem. já viu. deve seduzir e agradar o consumidor. tornarem-se reprodutivas e repetitivas. tornarem-se eventos para consumo. No entanto. de expressivas. cada um escolhendo livremente o que deseja. A arte possui intrinsecamente valor de exposição ou exponibilidade. formando uma elite cultural. A “média” é o senso comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova. A indústria cultural acarreta resultado oposto. as empresas de divulgação cultural já selecionaram de antemão o que cada grupo social pode e deve ouvir. em princípio. da inteligência. de experimentação do novo. direito à informação e àforniação culturais. sob controle económico e ideológico das empresas de comunicação artística. da imaginação. O que é a massa? É um agregado sem forma e sem rosto. Democracia cultural significa direito de acesso e de fruição das obras culturais. isto é. 2. pois todos poderiam. provocá-lo. direito à produção cultural. de trabalho da criação. sem identidade e sem pleno direito à Cultura. A democratização da cultura tem como precondição a idéia de que os bens culturais (no sentido restrito de obras de arte e de pensamento e não no sentido antropológico amplo) são direito de todos e não privilégio de alguns. Em segundo lugar. e os artistas epensadores 4 DA LEITURA PARA A ESCRITA poderiam superá-las em outras. O que significa isso? A indústria cultural vende Cultura. de modo que tudo o que nas 53 54 TÉCNICA DE REDAÇÃO obras de arte e de pensamento significa trabalho da sensibilidade. transformando-se em propaganda e publicidade. porque inventa uma figura chamada “espectador médio ‘ “ouvinte médio” e “leitor médio ‘ aos quais são atribuídas certas capacidades mentais “médias “. fruído e superado por novas obras. 3. através dos preços. Em quarto lugar. Assim.informações essenciais e as que podem ser dispensadas no resumo. certos conhecimentos “médios” e certos gostos “médios “. porque separa os bens culturais pelo seu suposto valor de mercado: há obras caras” e “raras “. baseada na idéia e na prática do consumo de produtos culturais”fabricados em série. oferecendo-lhes produtos culturais “médios”. as artes foram submetidas a uma nova servidão: as regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural. No entanto. sinal de status social. As obras de arte são mercadorias. como tudo que existe no capitalismo. É algo para ser consumido e não para ser conhecido. fazê-lo pensar. Por quê? Em primeiro lugar. a arte não se democratizou. destinadas à massa. massificou-se para consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de massa. não pode chocá-lo. palavra que vem do latim e sign fica: dado à visibilidade. em vez de garantir o mesmo direito de todos á totalidade da produção cultural. Para seduzi-lo e agradá-lo. Sob os efeitos da massflcação da indústria e consumo culturais. já fez.

experimentação ‘. voltando ao texto. sensibilidade. sobre conceitos bastante abstratos. 3. toma invisível a realidade e o próprio trabalho criador Democracia cultural (poderia acontecer pelos meios de comunicação) Todos têm direito > ao acesso e à fruição. no primeiro parágrafo já se anuncia a idéia principal: de que a arte foi transformada numa mercadoria e que por isso foi desvirtuada pela indústria cultural. Sabemos que Marilena Chaui é uma filósofa e que se trata de um texto dissertativo. inteligência. Ática. a partir do esquema. que têm a função de prender a atenção do leitor. ou leitor médio”. inventa uma média “espectador. cria a ilusão de acesso através dos preços seleciona grupo social. conclusões e respostas. conhecimentos e gostos “médios” = produtos culturais “médios” = o que o consumidor já sabe = senso comum. independentes do texto original. rearticulando-as em novas orações e períodos. Marilena Chaui. DA LEITURA PARA A ESCRITA 55 Indústria cultural e cultura de massa Artes submetidas (2 revolução industrial séc. criação > consumo. 56 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nesse esquema. os privilegiados. separa “caras’ e “raras”. as 700 palavras do texto original foram reduzidas a apenas 198. sem provocações. O texto começa com uma informação que será explicitada nos parágrafos seguintes. 8 ed. Os efeitos de repetição. podemos aproflindar mais a compreensão das causas e conseqüências dessa distinção. Os parágrafos seguintes desenvolvem e aprofundam essa idéia. Em lugar de difundir e divulgar a Cultura. imaginação. não vende. 4. teórico. O resumo. expressidade > repetição.consagração do consagrado pelo consumo. ou seja. banalizar a expressão artística e intelectual. massa inculta. > “baratas” e “comuns”. pp. assim. 2. como o esquema que serve . são dispensados e o resumo vai reconstruir diretamente as afirmações. Na segunda leitura. 2.. Deve funcionar como um texto autônomo. não “vende”. podemos observar que algumas informações foram eliminadas e outras podem ser reagrupadas. XIX) > mercado capitalista > ideologia da indústria cultural Obra de arte tem valor de exposição / deve ser contemplada e fruída. 3. porque 1. define a Cultura como lazer e entretenimento. Indústria cultural resultado oposto = introduz a divisão social ao massificar a Cultura.e da crítica não tem interesse. Massifi cor é. já com essas idéias. Ao analisar as escolhas feitas. Já é possível retirar do texto a sua estrutura básica e reorganizá-la em blocos. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos. Massifica = banaliza / vulgariza a expressão artística e intelectual. 1997. > à produção cultural. não pode mais depender do original. capacidades mentais. ao ativar nossos conhecimentos anteriores sobre o assunto. Uma primeira leitura. > à informação e à formação. despertando interesse por ela. do texto já nos diz que a idéia principal é a distinção entre o que é realmente arte e o que a indústria cultural produz para a massa no capitalismo. reflexão e crítica não têm interesse. diversão e distração. reagrupa as idéias. superficial e rápida. se transforma em seu oposto = mercadoria quando > Fabricação em série > Propaganda e publicidade > Sinal de status > Prestígio político > Controle cultural não se democratizou massificou-se Arte corre risco Valor de: pode se transformar em: 1. identificando as palavras-chave e as idéias secundánas distribuídas pelos parágrafos. redundância e as perguntas retóricas. 329-30. elite culta. numa redação própria da pessoa que resume. ouvinte. São Paulo: Ed. Convite à Filosofia.

a criação pelo consumo e a experimentação pelo consagrado. entendida como o direito de acesso efruição. uma intemalização ou assimilação. estamos parodiando. além de nossa experiência de vida. diversão e distração deforma que não tem interesse. 2. É utilizado em revistas científicas. tem a mesma função. Essa assimilação requer uma elaboração interna. sem novida DA LEITURA PARA A ESCRITA 57 des. isto é. antecedendo trabalho científico. no processo de estudo e de aprendizagem.apenas para retomar as idéias principais. apropria-se dele. com capacidades. Sob controle econômico. separa os bens culturais pagos e raros para uma elite culta e os bens baratos e comuns para a massa inculta. por técnicos em editoração e por cientistas. conhecimentos e gosto médios. reproduzi-la ou dizê-la com minhas próprias palavras. deve conter dados essenciais que ajudem o leitor a decidir sobre a necessidade de ler ou não um texto todo. utilizamos a paráfrase mentalmente. que é banaliza ção e vulgarização da arte e do conhecimento. A democratização da cultura. entretenimento. a indústria cultural produz uma massficação. artigo. o trabalho da sensibilidade. sinal de status. inventa um consumidor médio. no século XIX. ele é considerado. fruída e revelar a realidade. o assunto. porque não vende. para escrever um trabalho ou um artigo. para o qual produz bens médios. Como já vimos no capítulo anterior. além de tornar a realidade e o trabalho criador invisíveis. em lugar de democratizar a Cultura. Assim. que poderia ser alcançada pelos meios de comunicação social. no resumo que apresentamos a seguir. dizemos que é uma paródia. utilizamos informações lidas. às vezes cômica ou irônica. comparações com outros trabalhos e pode trazer uma avaliação geral. Ocor 1 58 TÉCNICA DEREDAÇÀO re. produtos culturais fabricados em série. Um texto é paráfrase do outro quando traz as mesmas informações por meio de outras palavras. Quando a organização é semelhante. A indústria cultural não democratiza. fundados no senso comum. Desde a segunda revolução industrial. 4. da inteligência. A obra de arte tem um valor de exposição. Ou seja. Entretanto. Além dos usos pessoais do resumo. vendáveis. como uma estratégia para ler e estudar. dissertação e tese). foi substituída pela massflcação. Crítico (também chamado de resenha) — apresenta a posição do leitor. os métodos e conclusões. mas apresenta uma forma de organização diferente. mas pelo preço define os grupos que podem usufruir de cada bem. deixar a expressividade pela repetição. Há diferenças entre o resumo e a paráfrase que é necessário esclarecer. quando sobre uma mesma melodia criamos letra diferente. prestígio político e controle cultural. Informativo (até 350 palavras) representa o conteúdo. da imaginação. Essas informações lidas passam a fazer parte de nosso . as tes foram submetidas às regras do mercado capitalista e à ideologia da indústria cultural. cria a ilusão do acesso igual para todos. e ainda produção cultural. porque ao massficar reintroduz a divisão social e:]. não foi democratizada. em caso de trabalhos científicos. e. a arte corre o risco de perder suas características. a quantidade de palavras em relação ao esquema é maior: 267. E essencial compreender que também na produção de textosusamos freqüentemente a paráfrase. já que um texto é feito de outros textos. a representação condensada do conteúdo de um documento (é obrigatório. mas as informações são diferentes. informação eformação. vê a cultura como lazer. da reflexão e da crítica. Assim. Pode ser: Indicativo (de 10 a 50 palavras) — geral e sintético. tenho consciência de que domino a nova informação. O aprendiz incorpora o conhecimento novo. Assim.3. Observe que a terceira pessoa que garante a impessoalidade própria da estrutura dissertativa foi mantida. Mas esse efeito é artístico e criativo. pois não se trata apenas de transposição ou transferência. pela reprodução das idéias com minhas próprias palavras. Pela paráfrase mental. massficou-se e transformou-se em seu oposto: mercadoria. os pontos de vista. é frita para ser contemplada. A elaboração interior é feita por meio de paráfrase: para saber se estou compreendendo bem uma idéia é preciso que eu saiba pensá-la.

elabore uma paráfrase em tom mais coloquial. fazemos pequenas paráfrases. com nossas próprias palavras. em grande parte. 4. Assim. reestruturá-las e reordená-las em outro formato exige uma grande atividade mental que contribui para que a assimilação seja mais consistente. Neste livro. Leia uma primeira vez para se familiarizar com as idéias. com vários retornos ao texto. data). frases e períodos podem ser simplificados. mas as editoras optam por algumas variações. reutilizá-las. depois de algum tempo. vale repetir. mais úteis poderão se tornar quando da produção de um novo texto. junto aos textos transcritos. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos “. resumindo ou esquematizando. Sempre que fizer esses exercícios de síntese. E isto é o mesmo que não ter lido. mas guardam um vínculo com o texto original do qual provêm. para identificação. não é um resumo. EDIÇÃO. Na paráfrase. são úteis também como textos autônomos. 3. São Paulo: Ed. elabore um pequeno parágrafo. sem acréscimos. pois não se pode citar a fonte. Palavras complexas podem ser substituidas por expressões mais simples e familiares ou pode ocorrer o contrário. Conservando e reutilizando o que foi lido Neste capítulo vimos como podemos registrar as informações lidas de forma que se torne mais fácil voltar a elas. obra. mas nossa leitura não retém na memória tudo que é necessário. E preciso uma leitura refinada. interpretando o que foi lido. b) Escolha um parágrafo longo de um texto dissertativo. Assim. Faça um 60 TÉCNICA DE REDAÇÃO esquema das idéias. podem ser consideradas plágio. esquema para orientar aula ou palestra etc. consultá-las. A Associação Brasileira de Normas Técnicas normatiza as regras para publicações. anote a bibliografia referente. a partir de informações que colhemos em outros textos. Além disso. .. Ática. A paráfrase. Paráfrases mal feitas podem constituir mal-entendidos prejudiciais à comunicação e.outras basta fazer uma alusão ao dono das idéias e. Por isso. Quanto mais organizadas forem essas anotações. Marilena Chaui. c) De todas as suas leituras para estudo ou trabalho. Releia. que exercem funções próprias como: resumo para apresentação oral e escrita de trabalhos. agregados ou transformados estilisticamente. Por isso a paráfrase é tão útil. O próprio esforço de reelaborar as idéias. se não houver uma citação clara do autor das idéias. E muito comum. adotamos o seguinte modelo simplicado: NOME DO AUTOR. CIDADE: EDITORA. ANO. 8 ed. despertando interesse por ela. Nossos textos são compostos. divulgar e despertar interesse pela Cultura. podemos incorporá-las ao nosso texto de maneira parafraseada. muitas vezes. transformações conceituais ou reduções. 329-30. registrando. pp. não perca suas leituras por falta de anotações. “em lugar de dfundir e divulgar a Cultura. As informações têm de ser fiéis às idéias do texto original. O importante é que o documento possa ser recuperado pelo leitor a partir de informações básicas. é preciso dar-lhe um apoio anotando. que são muito úteis na ampliação das habilidades cognitivas. dependendo do objetivo da paráfrase. não se saber mais de onde foram retiradas aquelas idéias. sintetizando a idéia principal. Prática de síntese a) Escolha um texto de estudo ou relativo ao seu trabalho que precise conhecer bem. Quando falamos para nós mesmos. As vezes é preciso citar explicitamente sua origem (nome. 1997.acervo pessoal de conhecimentos pela internalização. As técnicas de registro de bibliografia podem variar. seleção e hierarquização de idéias. TÍTULO. fazendo anotações. Convite à Filosofia. DA LEITURA PARA A ESCRITA 59 ou paráfrase: Marilena Chaui afirma em seu texto que a indústria cultural vulgariza as artes e os conhecimentos em vez de d(fundir. podemos sempre utilizar idéias de outros autores fazendo: citação literal: Marilena Chaui afirma em seu texto que. Elabore um resumo reduzindo-o a 50% do original. PÁGINA. ao fim de cada capítulo ou parte de texto. Após a leitura.

lingüísticas. 2. cinco funções primordiais da linguagem. bilhetes. na linguagem e no seu funcionamento. Vejamos um pequeno texto de Manuel Bandeira: Diário de Bordo 22 de julho Ontem. cartas. Nos três últimos períodos. a) A linguagem como expressão individual Objetivos centrados no EU — Muitos textos têm uma natureza essencialmente subjetiva.1 Capítulo 5 Decisões preliminares sobre o texto a produzir 1. mas sempre TÉCNICA DE REDAÇÃO transparece uma função preponderante. que a função da linguagem está centrada no EU. na função expressiva. agora. Audrey Hepburn. ar tigos poemas. ou na informação. Para a expressão de nossos pensamentos. tivemos sessão de cinema. podemos escrever textos de gêneros mui t diferentes como: diários.. informacionais. Flauta de Papel.. Tenho vontade de rever é . no leitor. Nesse trecho. Bonitas. mas não me dão vontade de revê-las. na estruturação do texto e na sua estética. muito negro. Essas decisões estão relacionadas àqueles mesmos aspectos que tentamos descobrir quando estamos lendo textos de outras pessoas. Há algumas funções consideradas básicas e que estão presentes nos textos de forma especial. Rio de Janeiro: Editora Aguilar. As feras representando muito bem. muitas vezes. sobre essas decisões. Focalizaremos.. o autor registra suas impressões a respeito de um filme e dos atores. tomamos muitas decisões antes e durante o trabalho. Clark Gable disfarçando com grande charme a sua velhice. Funções da linguagem Como podemos perceber. com muita fera. A voz que assume a “fala” nesse tipo de texto é a própria voz do autor. a seguir. Vamos detalhar aqui como essas funções se realizam no texto escrito. conforme seus objetivos estejam centrados: no EU. Poesia Completa e Prosa. Tomando decisões Para escrever um texto. estão voltados para a expressão individual. Dizemos.. pensamentos e emo çõe de uma pessoa. a função expressiva é mais evidente: a experiência pessoal e as emoções são ressaltadas e as informações . Avo Gardner e Grace Kelly eu só conhecia defotos nas revistas e jornais. à noite. São questões de várias ordens: textuais. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 63 Ava Gardner e Grace Kelly. Cada um dos objetivos vai determinar o formato que o texto vai tomar e. Manuel Bandeira. a língua escrita é usada com diferentes funções e com os mais diversos objetivos. Um exemplo desses textos é o diário pessoal. interpessoais. As diversas funções coexistem e duas ou três aparecem simultaneamente num mesmo texto. Podemos traduzir algumas das decisões preliminares nas seguintes perguntas: Quais os objetivos do texto que vou produzir? Que informações quero transmitir? Qual o gênero de texto mais adequado aos meus objetivos? Que estruturas de linguagem devo usar? Vamos refletir. o veículo em que vai circular. pois o objetivo principal do texto é transmitir ou registrar os sentimentos. depoimentos. 1967. e por isso a primeira pessoa do singular é utilizada com muita freqüência. A história do filme se passava na A’frica. então. Clark Gable.

Trata-se de dar ajuda à memória.assumem o tom de confissão. alterando o seu comportamento. você é muito especial para nós. Palavras soltas são dificeis de ser associadas a fatos. José da Silva. José da Silva. é um instrumento primordial para o exercício da cidadania. Beltrano Diretor de Serviços 64 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Função centrada no leitor ou apelativa Uma outra função da linguagem é aquela centrada no leitor. A conquista da expressão dos próprios pensamentos e opiniões. assimilá-los criticamente e assumir a própria voz é essencial. às vezes. Continue preferindo nossa operadora. é geralmente considerada inadequada e dá lugar à impessoalidade. Prezado José da Silva. Porém. por mais secreta e enigmática que seja. circunstâncias. No entanto. é por meio dela que nos construímos como sujeitos atuantes na sociedade e no mundo. Embora nosso exemplo pertença ao universo literário. à neutralidade. já que o autor fala consigo mesmo. Repetir 4 pensamentos de outros é. uma súplica. A nossa memória. uma ordem. Um conhecimento ou uma informação preexistentes ajudam a sustentar conhecimentos novos na memória por mais tempo. está presente em textos cujo objetivo é influenciar a atitude de quem lê. uma orientação. Muitas vezes. deve estar bem elaborada para que possa ser compreendida em outras circunstâncias. como já vimos. A função expressiva da linguagem é essencial à nossa vida. José da Silva. por exemplo. muito importante. nos vestibulares e concursos. entre em contato com nossa Central de Atendimento ao Cliente por meio do telefone XØ(X\9( Obrigado por ter escolhido nossa empresa para chegar mais perto de sua família. acontecimentos. Nomes e telefones de novos conhecidos. precisa de mais de um ponto de apoio. já que não se pode confiar totalmente nela. Se houver alguma alteração. E quase um monólogo. escrevemos bilhetes para nós mesmos no intuito de não esquecer algum compromisso ou informação e. Temos certeza de que cada vez mais atenderemos às suas necessidades de telecomunicações. dos amigos e dos negócios. a mensagem. é preciso considerar que esse autor estará exercendo o papel de leitor num segundo momento e. sempre causam um pouco de dúvida se não estiverem acompanhados de alguma referência mais específica. uma sugestão. Atenciosamente. pessoas. ou seja. Para que estas vantagens cheguem até você. nas teses e dissertações. Vamos analisar esta carta comercial/publicitária: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 65 . E por isso sempre estaremos oferecendo-lhe descontos e promoções em nossos serviços. E por intermédio da função expressiva que nos tomamos senhores de nossa própria história. por favor. à discussão teórica e abstrata em que o eu não se expõe com tanta evidência. quando lemos essas anotações. a predominância da função expressiva. com a alta qualidade e a avançada tecnologia da empresa que está pronta para o século 21. escrevemos para. pode ser esclarecedor. Geralmente é uma instrução de procedimentos. sempre que escrevemos um diário. ou seja. não entendemos o que queríamos dizer. por isso. um leitor que é a nossa própria pessoa em outro momento. a expressão subjetiva explícita. é necessário que mantenha seu cadastro atualizado. Pedimos que você verifique a correção dos dados pessoais e do telefone exibidos na conta. mas reconstruí-los. pois.

/ Reunião a nível internacional (reunião internacional). m. Quanto mais esclarecidos são os cidadãos. f . é ainda mais evidente essa ausência de um autor explicitamente identificável no texto. Cinema mudo. /Çf sinema. Mas a sociedade de consumo é fundamentada em textos apelativos.] Verbete: cinernateca [De cinema. Embora possamos perceber que um autor elaborou o pensamento sobre o item analisado. modismo desnecessário e condenável./ O salário será a nível de 5 mil reais (em torno de). DECiSÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR [Equiv. colocando as ações do leitor em evidência. ansiosas por adquirir mais e mais. c) A linguagem que explica a língua —função meta!ingüística A linguagem pode falar acerca de si mesma. Aquele em que a projeção é acompanhada de uma faixa sonora. na sua reação. = movimento’: cinemascópio. kínema. É importante perceber os mecanismos de convencimento que estão implícitos em determinados textos que manipulam o pensamento das pessoas. 190 (com adaptações). Paulo. Existe ainda ao nível de. 1. Eduardo Martins. E a língua falando sobre a própria língua. 4. 2. São Paulo: Editora Moderna.] Cinema falado.Observe como o propósito da carta influenciou a sua forma. 1. Em um dicionário. Observe os verbetes a seguir: Verbete: cinema [De cinematógrafo. Em determinados casos podem ser usadas as locuções no plano de e em termos de. / Contratações a nível de futuro (contratações para ofuturo). tornou-se uma das mais terríveis muletas lingüísticas da atualidade. Os exemplos mais claros são os textos da gramática. 2. 1. Arte de compor e realizar filmes cinematográficos. /Decisão a nível de governo (decisão governamental). A locução a nível de.] S. explicar-se. Observe este exemplo: 66 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nível 1. Podemos dizer que a função preponderante é centrada no leitor. Muito menos eficaz para o objetivo da empresa seria a simples comunicação por telegrama: Atualize cadastro pelo telefone XXX XXX Agradecemos preferência.+ -teca. mas apenas com o sign ficado de à mesma altura: ao nível do mar. Por meio desse tipo de texto a sociedade pode ser controlada e submetida à dominação política e cultural. Projeção cinematográfica. ou parte dele. no seu comportamento. cinematógrafo. 3. mais percebem quando estão sendo persuadidos contra a própria vontade e mais resistem aos processos de tirania e arbítrio. p.] El comp. Função metalingüística é a função da linguagem na qual predominam os enunciados em que o código. dos livros didáticos de língua portuguesa e do dicionário. A empresa quer continuar sendo escolhida pelo leitor como sua operadora de serviços de telecomunicações. em substituição a praticamente tudo que se queira. 3. na sua escolha futura. Aquele em que a projeção não vem acompanhada de som: cena muda. Veja alguns casos em que a locução aparece e como evitá-la: Decisão a nível de diretoria (decisão da diretoria). 1.] S. I”K 1 cinem [Do gr. Sala de espetáculos. Manual de Redação e Estilo — O Estado de S. que criam necessidades de consumo e transformam as pessoas em máquinas desejantes. atos. Cinematografia.: cinemat(o)-: cinemática. onde se projetam filmes cinematográficos. Assim as informações estão todas organizadas de forma a atingir essa meta. se constitui objeto de descrição. é como se ele estivesse ausente do texto. Por isso é preciso ler com muita atenção e procurar as segundas e terceiras intenções em tudo o que nos chega às mãos.

42. Quero é o derrotado Cinema Odeon. percebemos que alguma coisa não funciona bem: pausas. mais americano.1. então. (Nélson Rodrigues. de estranhamento agradável. seja na sua combinação. em especial os considerados de valor cultural ou artístico. como material de criação: a literatura. para sua elaboração especial e intencional. Não amadureci ainda bastante para aceitar a morte das coisas que minhas coisas são. seja no acervo e escolha de palavras. o miúdo. A língua é um dos instrumentos mais importantes na conquista da própria identidade e da cidadania. dispõe de uma excelente ferramenta social para exercer suas tarefas na sociedade. pois chama a atenção para si mesmo. temos a arte que utiliza a linguagem verbal. Mas quando sua linguagem apresenta problemas. Próprio de cinema. na rua da Bahia. a morfologia. Nesses casos. 67 68 TÉCNICA DE REDAÇÃO d) A arte literária —função poética Encontramos a função poética da linguagem quando a intenção do autor de um texto é extrair da linguagem as suas mais altas possibilidades expressivas. mais que para a informação.) Dicionário Aurélio Eletrônico Há um conjunto de recursos que dispensa a voz do dicionarista. Cada verbete. vai se lembrar do sofrimento de Fabiano por não dominar as palavras. 1. 100 Contos Escolhidos.’. mais isso-e-aquilo. Fechado para sempre. Não é possível. pela forma como está organizado. e até aplaudi-las. sendo de outrem. fora-de-moda Cinema Odeon. O FiM DAS COISAS FECHADO O CINEMA ODEON. truncamentos. evocando o beUo cinematográfico que dera no aeroporto. pouco antes de partir o avião. de Graciliano Ramos. jogar com as potencialidades latentes nas palavras e criar combinações novas e originais. Se você já leu Vidas Secas. A espera na sala de espera. minha mocidade fecha com ele um pouco. por sua beleza e/ou por outra(s) qualidade(s). II. 3. chama a atenção para a organização e estruturação do texto. (Amadurecerei um dia?) Não aceito. em oposição à transparência do texto informativo. Dizemos. os possíveis usos e as relações entre as palavras. p. é digno de ser cinematografado: uma jovem cinematográfica. o cinema Glória. É por meio desses textos que ampliamos o nosso universo lingüístico. quando for o caso. Quando uma pessoa tem um bom vocabulário e sabe combinar adequadamente as palavras. paisagem cinematográfica. ou seja. A Vida como Ela E. titubeios na fala e falhas e inadequações na escrita. o apelo ou a confissão. Que. a palavra. Essa elaboração provoca no leitor uma espécie de experiência estética prazerosa. A matinê . que lembra o que se vê no cinema: “Rilhava os dentes. Local onde se conservam os filmes cinematográficos. maior. por enquanto. que o texto é opaco. Respeitante à cinematografia. Verbete: cinematográfico Adj. proporciona ao leitor o caminho para compreender os significados. 2.

de costumes. duplo sentido. como fazemos com um texto de jornal. depoimento social de costumes de uma época. você pode observar muitas das características da literatura que constituem meios para a elaboração especial da linguagem: 69 ./Fechado para sempre. Quando citamos um poema não podemos resumi-lo. o poema é plurissignificativo. O poema é prioritariamente uma elaboração especial da linguagem. de terror. o Conto. O romance. o teatro. de guerra. já que permite várias formas de leitura. O relato da experiência pessoal. humor Criação de novos vocábulos (neologismos) Frases nominais Estrutura sintátjca predomjnantemerite justaposta Uso da primeira pessoa do singular A literatura assume. O jornal da Fox. crítica da cultura. Carlos Drummond de Andrade Boitempo O poema de Drummond exemplifica essa opção pela escrita de forma especial: a disposição das frases no papel. sublime agora que para sempre subm erge em funeral de sombras neste primeiro lutulento de janeiro de 1928. por exemplo.. polissêmico. pobre sátiro em potencial. porque a obra de arte oferece interpretações do mundo que estimulam a reflexão e o conhecimento Além de proporcionar experiência estética. waldemarpissilândico.. o COflvÍvjo com a literatura Constitui um exercício privilegiado de habilidades cognitivas . por sua vez. mesmo não divina. policial. tombos. costumeira. A prosa e o verso se desdobram em outras espécies literárias. As meninas-de-família na platéia. a associação entre as idéias. E cada uma dessas formas tem subgêneros. apresentado como uma narrativa no poema. A primeira sessão e a segunda sessão da noite. No exemplo. a escolha das palavras. o romance pode ser: histórico. o jogo de palavras é intencional e não pode ser modificado sem que se modifique o efeito dessa escolha sobre a interpretação do poema como um todo. a poesia narrativa épica são feições diferentes para um mesmo fenômeno: a arte da palavra. tramas.. William S. ao mesmo tempo. expressão do EU e informação sobre fatos e acontecimentos. Assim. na rua da Bahia. e abre caminho para que os leitores empreendam uma reflexão que pode desdobrar-se em várias camadas: lírica. a elaboração original e única para a expressão de uma interpretação sobre os fenômenos do mundo. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR A impossível (sonhada) bolina ção. A divina orquestra. são simultâneas.7 70 TÉCNICA DE REDAÇÃO Ritmo Repetição de palavras Repetição de sons Repetição de idéias Jogos de palavras Ironias. Nos versos “FECHADO O CINEMA ODEON. análise psicológica. Exijo em nome da lei ou fora da lei que se reabram as portas e volte o passado musical. alterá-lo ou transformá-lo. de humor. de amor. mas é também. demonstra como as funções se sobrepõem. Hart..”. crítica social. critica política. tiros. A estruturação do texto é tão importante que qualquer substituição constituiria uma agressão à autoria do poeta. Por exemplo. diversas formas e diferentes objetivos. entretanto o conhecimento da natureza do texto artístico é imprescindível para que se compreenda como funcionam os textos não-literários A leitura freqüente de textos literários é também muito importante na formação de uma pessoa.com BuckJones. Nosso objetivo principal neste livro não é o estudo da literatura.

quem lê e a linguagem em si são questões deixadas em segundo plano. usamos expressões dialetais com mais freqüência. Não quer provocar algum comportamento no leitor. 74 TÉCNICA DE REDAÇÃO Na escrita planejamos cuidadosamente o nosso texto para assegurar que o leitor compreenda nossas idéias sem precisar de mais explicações. pois podemos. universitários e acadêmicos. em diferentes níveis. interpreto. Considere o seu próprio uso da linguagem e observe que a língua escrita não dispõe dos recursos contextuais. corrigir e explicar melhor. entonação. titubeios e problemas de concordância. imparcial. das expressões faciais. na primeira pessoa do singular. são sistematicamente evitados. de certa forma. que o texto é transparente. a maneira como fala. O que ganha evidência é a informação. É como se a realidade falasse por si própria. porque o nosso interlocutor está distante e é necessário garantir a compreensão. como expressões faciais. das referências ao ambiente. no qual os verbos que indicam subjetividade. ou seja. das pausas. e) Funçdo referencial Quando a língua é usada para descrever. O objetivo é transmitir informações a respeito de uma realidade. é o mais valorizado nos meios científicos. Este tipo de texto.) são evitados. precisamos seguir mais rigorosamente as exigências da língua padrão. repetições. inversões. Ele fala e usa a língua em diversas situações. Decisões em relação às estruturas Iingüísticas O falante de uma língua é. o autor se distancia ou desaparece quase completamente para tornar a informação bastante neutra. sem a interferência das impressões do autor. que enriquecem a oral. Geralmente. relatar. expressões faciais. acho. a não ser em situações muito formais ou delicadas. dizemos que se evidencia a função referencial. como as que se dão entre: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 73 modalidade oral e escrita registro formal e informal variedade padrão e não-padrão a) Distinções entre as modalidades oral e escrita Freqüentemente confundimos as modalidades da língua oral e escrita. das modulações da voz. temos apoio da situação fisica. pois se refere primordjalmente a uma noção ou fenômeno. Pensamos muito rapidamente e a expressão das nossas idéias pode ser. como penso. definir são formas de linguagem que evidenciam a função referencial. gestos. pois não atrai a observação do leitor sobre a forma como é organizado. e Humberto Mauro (18 77. não podemos resolver dúvidas imediatamente. Os recursos explorados pela literatura para chamar a atenção para a estrutura da linguagem (repetições.e de familiaridade com as estruturas e Possibilidades da língua escrita. dos gestos.1983). do contexto. Dizemos. Ao escrever. explicar algum item mal compreendido. Podemos esquematizar nossos procedimentos: Na fala somos mais espontâneos. do conhecimento do interlocutor. Almanaque Abril 1996 Como você pode observar. pois não temos o apoio do contexto. um pouco atrapalhada. podemos resolver dúvidas do ouvinte. percebo. . considero. voz. Descrever. concejtuar. autor de Brasa Dormida (1928) e de Ganga Bruta (1933). essas duas manifestações são apenas parcialmente semelhantes. sinto. definir. com distintos objetivos. na fala. então. revisamos para avaliar o funcionamento do texto e evitar repetições desnecessárias de palavras. a cada momento. um poliglota. conjunções facilmente compreendidas. usamos frases mais simples. informar. expor. não planejamos com antecedência o que vamos falar. 3. não se trata de um texto expressivo (centrado no EU). Embora pertençam ao mesmo sistema. eliminação de elementos sintáticos etc. cortes. é muito comum surgirem na fala truncamentos. não trata da linguagem como fenômeno nem busca proporcionar experiência estética especial. não dispomos de recursos como gestos. O exemplo a seguir é um caso em que a função referencial é preponderante: 72 TÉCNICA DE REDAÇÃO os primeiros grandes diretores: Mário Peixoto (1911-1993). conceituar. autor do consagrado Limite (1929-1930). clara e objetiva. podemos repetir informações. Quem fala. Há distinções fundamentais nesses usos que é preciso considerar.

Solicitamos que as atividades sejam adiadas por alguns minutos. que permite a exatidão e a clareza do pensamento. Para que você tenha ferramentas para analisar essa questão. de acordo? não sabe?. e a modalidade escrita formal. 76 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Palavras de articulação entre idéias (repetidas em excesso) que substituem conjunções mais exatas: então. tô (estou). Um dos problemas mais freqüentes na produção de textos de jovens redatores é a confusão entre a modalidade oral. daí aí. cê (você). bom. Portanto. regência. que permeia a escrita informal. Sinais utilizados na fala para orientar a atenção do ouvinte: bem. as orações subordinadas são mais freqüentes na escrita que na fala. Há uma gradação que vai da fala mais descontraída 01. problemas de concordância. assim. principalmente quando o texto é formal. né (não é). planejada e mais próxima da escrita Caros ouvintes. ortografia. ou seja. peraí (espere aí). a escrita não é a simples transcrição da fala. Cabe ao falante ou redator analisar a situação. segundo os objetivos do momento. Boa tarde! e da escrita mais informal Tô chegando aí Deiva o parabéns pra mais tarde! à mais formal Chegaremos ao local da cerimônia com uni pequeno atraso em relação à programação anteriormente estabelecida. pois temos tempo de procurar a palavra adequada. mas muitas vezes são utilizadas indevidamente na escrita formal: Formas reduzidas ou contraídas. colocação pronominal. porque representam estruturas próprias da fala. Outra vez. que podem aparecer em textos informais. . e. certo?. tá tudo bem? à fala mais formal. Tem características próprias e exigências diferentes. Para isso é imprescindível ampliar continuamente o acervo de opções. chamamos atenção para o seu próprio uso da linguagem e para a necessidade de que você reflita acerca de seu desempenho. procuramos utilizar um vocabulário mais exato e preciso.truncamentos. viu?. Ausência de apoio contextual DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 75 b) Formalidade e informalidade Tanto a fala como a escrita podem variar quanto ao grau de formalidade. taí (está aí). Podemos sintetizar as diferenças no seguinte quadro: FALA ESCRITA Espontânea Planejada Evanescente Duradoura Repetições / redundâncias/ Controle da sintaxe / das repetições / truncamentos / desvios da redundância Predomínio de orações Predomínio de orações coordenadas subordinadas Gran de apoio contextual Face a face Interlocutor distante . entendeu?. utilizamos sintaxe mais complexa. que. pontuação. evitamos gíria e expressões coloquiais. tá (está). o contexto. veja bem. pra (para). o vocabulário e as formas de combinação das palavras em frases e textos. e decidir como usar as infinitas possibilidades da língua da forma mais adequada e aceitável. observe alguns itens que merecem atenção. sabe? Verbos de sentido muito geral no lugar de verbos de sentido mais exato: dar ficar dizer tei fazei achar ser.

sem o qual a vida profissional pode ficar prejudicada. No início do século. O texto formal utiliza o que chamamos de norma. dos textos informativos. E muitas vezes o caso do texto publicitário. nós. e.Gírias e coloquialismos: papo. uma vez que essa norma se sobrepõe às variedades regionais e 78 TÉCNICA DE REDAÇÃO individuais. Só que eu também penso no seu. com ele. Isso diz respeito tanto à fala quanto à escrita. Portanto. libertando-a para novas experiências. sem essa de dinheiro. Pai. a língua padrão é o consenso do que está nos documentos oficiais. A norma padrão assegura a unidade lingüística do país. Rui Barbosa e Euclides da Cunha. A escola deve respeitar as diferenças. Há recursos da fala e da escrita informal que funcionam muito bem em determinados contextos. 6. Assim. Muitas DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 77 vezes. a norma culta deve distinguir os usos literários dos não-literários. histórias policiais. O que define a norma ou padrão culto é o uso. um efeito de intimidade que simula a oralidade ou o diálogo. manera.. espontâneo. sem planejamento.. Mas o que té rolando é papo de amigo. sujeito a uma infinidade de influências e transformações. que no seu tempo era diferente Sabe. vai la’. encontramos algumas dessas formas impróprias. Faz como a mamãe que se amarra num diet. consensualmente aceito e consagrado como correto pelos falantes que têm alto grau de escolaridade. sem essa. pois estamos lidando com um fenômeno vivo.Vel se consegue mudar um pouco sua alimentação. a gente. E quando é que você vai se tocar disso? Hoje não tem presente. apenas sete meses depois da projeção inaugural dos filmes dos irmãos Lumière em Paris. sem eliminá-las. Um uísquinho de vez em quando. Constituem recursos inadequados para o texto formal escrito.. com cenas da baía de Guanabara. Devem ser considerados os primeiros elementos a eliminar ou substituir quando se deseja transformar um discurso oral informal. Aparecem na escrita de forma eficiente quando se deseja dar ao texto um tom coloquial. não há por que se portar perante a língua de modo submisso a um poder autoritário. enche. É exigida em determinadas circunstâncias. em textos que não as admitem. Você fala pra tomar Cuidado corri os eXcessos. Historicamente. E Afonso Segreto quem roda o primeiro filme brasileiro. por exemplo) que constituem desvios. diminui o açucar. língua culta ou padrão. entretanto. Atualmente. Eles são os exemplos mais citados em nossas gramáticas descritivas e normativas. nos livros de qualidade. não se deve mais generalizar. Por isso velho. manera. pega leve nas frituras. informal. O modernismo constituiu uma forma de revolução na linguagem literária. rolando um papo. Você vive dizendo que pensa no meu futuro. o padrão depende do poder político. vocé seu. Observe. sua. Nos anos seguintes. Surge um centro de produção no Rio. mas os dialetos regionais e as particularidades estilísticas pessoais têm seu espaço na vida social. esse papo às vezes enche! Mas te vendo cansado e fazendo tudo pra agradar.. vestígios de coloquialismo. democraticamente. Entretanto. como neste texto de uma propaganda de adoçante dietético: Você diz pra gente que a vida corre mansa. econômico e social daqueles que o definem e o codificam nas gramáticas escolares e o consagram na escrita formal. No ano seguinte Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles abrem a prim eira sala exclusiva de cinema na rua do Ouvidor. como se fazia a respeito dos textos do fim do século dezenove. Inconsistência no uso de pronomes: te. se toca. amarra. os grandes escritores modernistas trouxeram para a literatura a fala do povo e novas criações de efeito estilístico (Guimarães Rosa. comédias e filmes com atores interpretando a voz atrás da tela. sempre em evolução. Esses elementos são próprios da fala espontânea. a produção cai . Assim. a sua saude é superimpoante pra gente. dizendo que a norma culta está na literatura. em 1898. em um texto escrito formal. oferecendo oportunidade de acesso ao domínio da norma culta. pega leve. nos jornais e revistas tradicionais de grande circulação. velho. E muito dificil definir o que seja o padrão culto de uma língua. a norma estava nos textos literários de autores como Machado de Assis. transgressões às formas aceitas até então na escrita culta formal. mas que são inadequados em documentos oficiais ou em textos formais. o Rio de Janeiro assiste à primeira sessão de cinema no Brasil. nas leis. é que a gente sente o quanto te ama. ou seja. Várias salas de exibição são abertas no Rio de Janeiro e em São Paulo no início do século XX. Operíodo de 1908 a 1912 é considerado a beile époque do cinema brasileiro. um texto expositivo contemporâneo: Em 8 de julho de 1886. a seguir.

p. a ordem é predominantemente direta. você tem de decidir também que ponto de vista adotar: você quer se colo ca de alguma forma no texto? Exemplo: Eu fui. ou quer utili za uma linguagem formal. Você quer um texto mais subjetivo. w9k . as frases são curtas. Todos os gêneros nos interessam como leitores e como redatores. coloquial. apresentar uma reflexão teórica sobre o fato (dissertar). Quanto aos aspectos da língua verbal propriamente. Gênero e tipo de texto Vamos imaginar que você queira escrever um texto sobre uma experiência estética que viveu (um bom filme. a neutralidade com que se tenta convencer o leitor da seriedade e da confiabilidade das informações. portanto. objetiva.. como já vi mos. que se sucedem compondo o enredo.. 80 TÉCNICA DE REDAÇÃO na forma como você se dirige ao leitor.. Exemplo: Ontem eu fui ao teatro e via peça. você tem de decidir se vai contar acontecimentos (narrar). na escolha do vocabulário. 4. um bom espetáculo teatral). Exemplo: É imperdível o espetáculo apresentado pelo grupo de teatro. ao gênero de texto que se quer produzir. tem a oportunidade de. os períodos estão organizados em blocos de idéias bem distintos. Assim. citando-o ou não no texto..por causa da concorrência dos filmes norte-americanos. Todos nós. Outra decisão correlacionada às anteriores.. como narrar um acontecimento. Ao trabalhar com um determinado gênero utilizamos tipologia variada de texto. a melhor maneira de contar uma anedota. Mas. Entretanto. não há texto totalmente neutro. com figuras de linguagem ou inversões sintáticas. no qual são delineadas e discutidas idéias. Sabemos. em um romance encontramos partes dialogadas. Quem vai assistir ao espetáculo. de fato. qual é a forma de uma carta. Ou prefere se distanciar? Exemplo: Ir ao teatro é uma ex periênci surpreendente. não há manifestação clara da opinião do autor.Ç DECISÕES PRELIMÍNARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 79 Todas essas características contribuem para acentuar o caráter informativo do texto. você observa que: a linguagem procura ser clara e objetiva.... as diversas possibilidades de participação em uma conversa.. quais são as maneiras de começar uma ata. Nós fomos. expositivas. há uma deliberada neutralidade. quase naturalmente. o texto é impessoal.. Nós assimilamos esses formatos porque convivemos com eles nas nossas práticas sociais. diz respeito ao nível de linguagem.. Antes de começar a escrever. Exemplo: Ir ao teatro e viver a experiência estética proporcionada pela peça. Simultaneamente a essa decisão preliminar. estamos focalizando neste livro os gêneros que dizem respeito ao domínio da comunicação. Cada gênero já traz em si escolhas prévias em relação a estruturas básicas de linguagem que são automaticamente utilizadas pelo redator. distanciada? Essa decisão vai influir: na estrutura da frase. não há intenção de mostrar um estilo muito elaborado... mais simples ou mais complexa. Sempre que produzimos uma forma qualquer de comunicação estamos utilizando um dos gêneros disponíveis na nossa cultura. que obedecem a uma ordem lógica (cronológica). Essas decisões estão relacionadas ao objetivo da comunicação e... 294 (com adaptações). Almanaque Abril 2000.. informal e facilitado. argumentativas e narrativas. Analise as escolhas feitas pelo redator. convencer o seu leitor de seu ponto de vista (argumentar e persuadir). e são . pois a própria escolha das informações que serão utilizadas e das que serão omitidas já pressupõe uma posição diante da realidade. Para produzir cada tipo de texto algumas habilidades de linguagem são necessárias. uma boa música.

argumentar. personagens.apresentados e transmitidos os saberes. Observe os quadros nas páginas a seguir. situações. é necessário saber expor. persuadir de maneira formal e impessoal. cenários. refutação e negociação . SITUAÇÕES DISCURSIVAS LITERATURA POÉTICA LITERATURA FICCIONAL TIPOLOGIA TEXTUAL PREDOMINANTE EXPRESSÃO POÉTICA VERSO NARRAÇÃO RELATO HABILIDADES DE LINGUAGEM DOMINANTES Elaboração da linguagem como forma de expressão da interpretação pessoal do mundo Imitação da ação pela criação de enredo. Para transitar nesse domínio. em que estão listados alguns dos gêneros mais conhecidos. situadas no tempo GÊNEROS ORAIS OU ESCRITOS Poesia conto maravilhoso conto de fadas fábula lenda narrativa de aventura narrativa de ficção científica narrativa de enigma narrativa mítica anedota biografia romanceada romance romance histórico novela fantástica conto paródia adivinha piada relatos de experiências vividas relatos de viagem diário íntimo testemunho autobiografia curriculum vitae DOCUMENTAÇÃO E MEMORIZAÇÃO DE AÇÕES LEVANTAMENTO E DISCUSSÃO DE PROBLEMAS DISCUSSÃO DE PROBLEMAS SOCIAIS CONTROVERSOS ARGUMENTAÇÃO Sustentação. tempo. de forma verossímil. Representação pelo discurso de experiências vividas.

temos que tomar decisões importantes em relação ao texto que vamos produzir. E o próprio gênero oferece parâmetros básicos que nos guiam na formulação do texto. refutação e negociação de tomada de posição ESTABELECIMENTO. O gênero de texto é sugerido pela própria situação de comunicação. se falamos de alguma coisa. Se escrevemos sobre nós mesmos.PERSUASIVA de tomada de posição ata notícia reportagem crônica social crônica esportiva história relato histórico perfil biográfico aviso convite sinais de orientação texto publicitário comercial texto publicitário institucional cartazes siogans campanhas —folders cartilhas — folhetos textos de opinião diálogo argumentativo carta ao leitor carta de reclamação carta de solicitação deliberação informal debate regrado editorial discurso de defesa requerimento ensaio resenha crítica ARGUMENTAÇÃO Sustentação. as quais vão servir de pauta para o desenvolvimento da escrita propriamente dita. EXPOSIÇÃO Apresentação textual de fatos e saberes contratos CONSTRUÇAO E da realidade declarações TRANSMISSÃO DE documentos de registro REALIDADES E SABERES pessoal atestados certidões estatutos regimentos códigos TRANSMISSÃO E EXPOSIÇÃO Apresentação textual de diferentes texto expositivo CONSTRUÇÃO DE formas dos saberes conferência SABERES artigo enciclopédico entrevista texto explicativo tomada de notas resumos resenhas relatório científico relato de experiências científicas INSTRUÇÕES E DESCRIÇÃO DE AÇÕES Orientação de comportamentos instruções de uso PRESCRIÇÕES instruções de montagem bula manual de procedimentos receita regulamento — lei regras de jogo placas de orientação 84 TÉCNICA DE REDAÇÃO 5. ao leitor. ao gênero. ao seu funcionamento na situação. a função será persuasiva. 6. Assim. Há em nossa cultura um acervo de modelos de texto entre os quais escolhemos o que vamos utilizar em cada contexto comunicativo. Decisões orientadoras Conforme enfatizamos neste capítulo. decidimos se vamos utilizar um registro de linguagem mais formal ou mais coloquial. a função será expressiva. com suas diretrizes fundamentais. ao nível de linguagem. se podemos incorporar elementos próprios da oralidade. a função será referencial. se vamos utilizar a língua padrão ou podemos lançar mão de variações. se fazemos arte das palavras. a função será poética. a função será metalingüística. o objetivo nos propõe qual será a função da linguagem preponderante no texto. Prática de tomada de decisões . A partir da função. Essas decisões nos situam em relação aos objetivos do texto. antes mesmo de começar a escrever. se falamos da própria linguagem. Formulamos uma espécie de projeto de texto. se tentamos influenciar nosso leitor.

Quando se decide por um gênero. Temos fama de ca ——4 ft 1 DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR çadores de erros. e é preciso também tomar decisões a respeito da linguagem e do gênero de texto. a) Fazer anotações independentes As idéias surgem sem muita organização. Capítulo 6 A ordem das idéias 1. Agora você pode decidir o registro de linguagem: formal ou informal? Que função prefere dar à carta? Quer expressar suas opiniões sobre o livro? quer fazer algumas perguntas? quer me convencer de alguma coisa? quer me passar informações acerca de outros livros da área? quer falar da dificuldade de produção da própria carta? ou quer colocar um pouco de cada uma dessas funções no mesmo texto? Escreva a carta e ao relê-la veja se ficou coerente com suas escolhas preliminares. Vamos explicar como é o funcionamento de cada um desses processos. O formato é tradicional: cidade. São decisões relativas às informações que serão utilizadas e às posições que assumimos em relação a essas informações. prefiro que opte por uma carta. Quando já estamos nessa fase.a) Prepare-se para se comunicar com a autora deste livro. à medida que vamos fazendo leituras e reflexões acerca do tema. pois ela pode conduzir a outros problemas como a linguagem artificial. que é o erro pela vontade extrema de acertar. vocativo. e essas tarefas já podem ser consideradas parte integrante da escrita. introdução etc. imediatamente você já tem alguns parâmetros para a produção. posições. simulando as possibilidades de criação de um texto referente à música popular brasileira. ter idéias. Vão constituindo um conjunto de aproximações um pouco desordenado. como vimos no capítulo 2. envie. Mas tente não cair nessa armadilha. b) Escolha um gênero expositivo e trace um planejamento como se fosse publicar o texto em um periódico que você tem o costume de ler. Embora você possa escolher um telegrama. um cartão-postal. pedante. 85 1. Se você quiser. todo o mundo fica constrangido ao escrever para um professor de português. um bilhete. ou à hipercorreção. procuramos dar ordem às nossas idéias. Surgem em momentos diferentes e devem ser anotadas logo que se formam para não se perderem no esquecimento. antes mesmo de começar a escrever um texto há muitas etapas. De pos- . Cada pessoa constrói sua própria técnica de organização inicial das idéias. E preciso conhecer o assunto. não é? Afinal. Há muitas possibilidades. você vai optar pelo português padrão. Naturalmente.me a carta. Produza o texto e envie como colaboração ao periódico. A concepção das idéias Como vimos. data.

lenços de papel. Quando Clarice não podia mais ordenar o que escrevia. Observe como podem se configurar anotações registradas durante a leitura de diversos textos acerca da música popular brasileira: ? ‘ /flfr z A ORDEM DAS IDÉIAS Pcdas le 2OIOI4O rádios — grvors 5io Luiz Gonzg e HumL’ert. Olga a escoltava. 1999. Rio de Janeiro: Record. jorna is. em que há limite rigoroso de tempo. sozinha com sua tesoura. que ela pacientemente dividiu em dezenas de envelopes. como as peças de um puzzle. DJficil dizer o que lemos — e é impressionante pensar que uma outra pessoa. Mais uma vez a literatura fornece exemplos. Clarice leva sua estética do fragmento ao paroxismo. que na vida profissional é mais flexível e largo. vamos montando blocos de idéias maiores e uma rede entre eles que vai formar o texto. Assim pode trabalhar sobre um rascunho em que várias idéias. escravos. José Casteilo. Observe o que conta José Casteilo a respeito do processo criativo de Clarice Lispector. Olga Borelli. é reduzido e rápido. a partir de pequenas aproximações e conclusões.) Clarice lhe entregou uma pilha de fragmentos. ao escândalo. “montou “ o caos que Clarice anotou em guardanapos. Esse percurso. fratava de abrir um caminho. índios lunu / ritos ritos trib crs religiosos /m0inhas e” 12’99 — Chiquirih Gonzsg ôreIs 1 marcha e crnsvsl / 1917— Dongs Pelo telefone —1? samba 50— smb-cnço — boss-nov es-e7 — festivsis . o redator relê e analisa esses registros. Mesmo quando não se trata de literatura. estabelecendo a hierarquia e a combinação entre eles para formar o texto preliminar. bulas de remédio. foram concatenadas umas às outras em busca de uma ordenação preliminar lógica. A partir dessas pequenas peças. sem se intrometer no que lia. uma posição a respeito de uma idéia vai se construindo pouco a pouco. (. anotadas em momentos diferentes.88 TÉCNICA DE REDAÇJO se de muitas anotações. num concurso. pp. mas acontece a partir do momento em que o redator toma conhecimento do tema. Inventário das sombras. 30-1. e depois foi encaixando-os. no período de vida em que foi apoiada pela amiga Olga Borelli: Em Água Viva. uma direção para a tempestade escoar.o íeixeir Sos idi resistnci vem s feIic1e e cls riuez t55 origens 89 AFOPULA5ASILEIRA Portugueses.. E.

de acordo com o fluxo do pensamento. Se conseguimos captar esse fluxo e registrálo. c) Fazer uma lista de palavras-chave e reordená-las. sx& sertsnejo. A palavra-chave é um núcleo significativo que sintetiza uma idéia maior. Mas h muitos outros ritmos e estilos cue convivem e se influenciam mutuamente. mesmo que de maneira ainda rudimentar. diversa e tem suas origens em diversas fontes cue vm dos negros. apreendemos um esboço que poderá ser reformulado. O samba nasceu da fuso de ritmo5 das três raças. muitas vezes. índios e portugueses. hierarquizando-as Quando o redator tem bastante capacidade de síntese e habilidade mental de centralizar um pensamento numa única palavra. não temos como discipliná-las. escrever logo um parágrafo para pensar em outras idéias depois de relê-lo é o caminho mais indicado. desenvolvido ou reduzido posteriormente. Os colonizadores brancos tinham na bagagem misicas sacras. A linguagem apresenta. sem planejamento. ainda formulada apenas na mente do redator. nesse tipo de texto. depois. Quando falamos. o procedimento ajuda a gerar novos pensamentos sobre o assunto. A ORDEM DAS IDÉIAS 91 Observe o registro preliminar de palavras-chave acerca da música popular brasileira: ORiGEM 3 ETNIAS FUSÃO SAMEA NOVOS ESTILOS ALMA 5RASILEIA ESISTNCIA E’EFERNCIA DA JUVENTUDE d) Construir um parágrafo para desbloquear e. Os nativos possuíam uma rica sonoridade para acompanhar seus ritos tribais.—jovem-gurs Se’ —tropicalismo 70 — revlorizço tio sa m jazz + instrumental rock brssileiro 50 — rock LrsiIeiro 90 — releitura tis MP5 — reciclagens pgocle. e. os brasileiros continuam preferindo nossa Mj9’ poroLue ela reflete a nossa alma e é muito rica. desen volver as idéias ali expostas — Muitas pessoas têm dificuldade até começar a escrever. as idéias vão surgindo rapidamente. não haver pontuação nenhuma. A releitura fornece evidências que devem ser consideradas para as transformações. ou elaborar uma espécie de esquema geral do texto 92 TÉCNICA DE REDA ÇÃO . Esse processo se aproxima muito da fala. negros e portugueses. conseqüentemente. É muito freqüente. Nesse caso. Os africanos trouxeram junto com os ritos e cerimônias religiosas uma musicalidade especial. Hoje os jovens retomam os ritmos primitivos e revalorizam as origens de nossa música. cortar e ordenar A música popular brasileira é muito rica. H música para todos os gostos. Enquanto estão trabalhando apenas mentalmente ainda se sentem inseguras e não conseguem avançar muito. então. Veja como se podem gerar novas idéias a partir de um parágrafo: A mLsic brasileira o resuIt&o da fusao dos ritmos trazidos pelas três etnias ue formaram o nosso povo: íridios. existirem idéias incompletas ou detalhes dispensáveis. DESENVOLVER A IDÉIA DE FUSÃO DA RiCA SONORiDADE DAS TRÊS ETNIAS e) Escrever a idéia principal e as secundá rias em frases isoladas para depois interligá-las. um tom informal. marchas oficiais e modinhas. Mesmo que esse parágrafo seja ainda muito preliminar ou inadequado. para depois. nisngue-L7et 90 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Escrever tudo o que vem à mente. E um recurso muito produtivo para provocar a criação e apreensão de idéias essenciais. Embora haja uma forte indústria cultural estrangeira ue quer dominar o mercado no brasil. esse é um procedimento muito rápido para captar as idéias.

g) Organizar mentalmente grandes blocos de texto. do que queremos apresentar. começamos a tomar decisões a respeito dessa rede de sentidos com uma noção ampla. uma matriz semântica.RITOS RELIGIOSOS (raízes fortes) ÍNDIOS . há procedimentos comuns: geração. expositivo ou argumentativo. inserções. um método bastante produtivo é elaborar da forma mais clara e completa a idéia principal que será desenvolvida no texto. original e soberana. Na hierarquização. ainda não muito delineada. modinha NOVOS ESTILOS samba (Pelo telefone — Donga) Fatores favoráveis rádios e gravadoras OUTROS ESTILOS enriquecimento efortalecimento fidelidade às origens alma brasileira RESISTÊNCIA À DOMIA4ÇÃO gosto popular música estrangeira é secundária jovens preferem música brasileira ORDEM DAS IDÉIAS 93 fi Elaborar um resumo das idéias principais e depois acresLentar detalhes. No texto dissertativo.Muitas vezes. ampliações. hierarquização e ordenação das idéias. Cada texto determina as articulações que lhe são próprias. passa por pequenas alterações e ajustes ditados pela releitura cuidadosa. que têm muita experiência e conseguem montar o texto na memória. O importante aqui é criar um mapa inicial de sentidos. como já vimos. que podem ser ampliadas: A música popular brasileira nasce sob o signo da ritegraç o de diversas formas e estilos musicais provenientes das três etnias otue formam o brasil: negros. Mas a matriz inicial é que fornece subsídios para esses aperfeiçoamentos. A elaboração de um esquema prévio pode onentar o redator quanto ao percurso mais . ou seja. em 1917. recicla. exemplos. depois de transcrito. explicações. A partir desse pequeno texto inicial como fio condutor.MÚSICA SACRA / MARCHAS /MODINHAS FUSÃO DOS RITMOS ORIGINA IS lundu. Essa elaboração demanda paciência para que o redator faça várias tentativas e reformulações em busca de maior exatidão para seu pensamento. escrevêlos e reestruturá-los após a releitura Esse é um procedimento próprio de redatores maduros. voltada para suas raízes. idéias secundárias Um resumo. Esse texto. seleção. Embora sofrendo influencia constante da produçõo estrangeira. pelo esclarecimento. Entre todos os procedimentos apresentados. também. Não há um modelo universal que atenda a todas as variações. Observe um esquema já estruturado para desenvolvimento de um texto: A música popular brasileira resiste à dominação cultural ORIGENS 3 ETNIAS NEGROS . de nossas posições em relação ao assunto. mas resiste. Na ordenação. Na seleção. o desenvolvimento pode seguir as vertentes sugeridas pelo próprio assunto. a música popular brasileira incorpora. escolhemos o que vamos dizer e o que não vamos dizer. é um texto denso e bem estruturado. decidimos a ênfase a ser dada a cada idéia e a submissão de uma idéia à outra. índios e portugueses. sempre criativa e viva. Em todos esses processos. o esquema inicial vai sendo reformulado durante o desenvolvimento do trabalho e chega a ser completamente transformado. F’ela fusão e mútua influência entre os vários estilos nasce o samba. para nós mesmos. estabelecemos como organizar a articulação entre as idéias. absorve novas contribuições.RITOS TRIBAIS BRANCOS . A releitura do resumo indica os pontos que podem servir de alavanca para novos desenvolvimentos. Analise este resumo e observe como ele tem muitas idéias articuladas entre si. E. maxixe. de uma maneira geral. uma rede de relações lógicas entre 94 TÉCNICA DE REDAÇÃO as idéias do texto. quando se trata de escrever um texto não-literário. e se consolida nas primeiras décadas do sáculo. Vamos especificando e detalhando nosso ponto de vista em relação à idéia preliminar pelo aprofundamento da nossa reflexão.

de Donga. exeinplificação. da riqueza e da afinidade com o povo. houve influência mútua de outros ritmos e o Jávorecimento do progresso técnico. que é sempre uma revaloriza ção das raízes brasileiras.. O índio forneceu seu ritmo de ritos tribais. Baião. nasce uma força indestrutível que representa uma resisténcia à invasão e à dominação que outras culturas tentam impor por meio de suas avançadas indústrias culturais. E a adesão das novas gerações ao que é genuinamente nacional. mas se multiplica em inúmeras vertentes. num enriquecimento efortalecimento da base. resistente à invasão e à dominação estrangeira. foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. tropicalismo. Das anotações para o texto Para estabelecer a rede e desenvolver a idéia principal. Além disso. a música nacional não se reduz ao samba.adequado. das gravadoras e da profissionalização dos músicos. as marchinhas de carnaval. em 1917. Sobre essa matriz rítmica multirracial. mas que tem sua própria “gramática”. Dessa identidade entre a produção musical e o gosto popular. utilizamos diversas formas de combinação e de articulação entre as informações. Essa trama mais global se constitui a partir de procedimentos lógicos que constituem a seqüência e a progressão do texto. detalhamento e . o maxixe. Nessa base estão o lundu. de suas marchas oficiais e de suas modinhas populares. Os diversos processos de fusão e reciclagem das nossas origens musicais tecem uma trama de ritmos e harmonias que reflete a alma do povo e por isso tem sua adesão incondicional. da idéia que forma de seu leitor. o negro trouxe a sonoridade de seus ritos religiosos e o branco português a melodia de sua música sacra. Todas as escolhas dependem da intenção do autor. No parágrafo de apresentação. observamos a frase núcleo do texto: Sobre uma matriz rítmica multirracial foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. tornando-o coeso. a modinha. ligam os parágrafos entre si. Entretanto. os recursos sintáticos da gramática da língua são imprescindíveis (como veremos no capítulo 7). resistente à invasão e à dominação estrangeira. A música estrangeira nunca deixou de ser um acessório secundário no nosso universo cultural. jovem guarda. Três etnias contribuíram com seus ritmos para que chegássemos a constituir o talento que hoje encanta o mundo em termos de musicalidade. da situação e de muitos outros fatores que ultrapassam os limites do papel. A certidão de idade oficial dessa criação tipicamente brasileira é Pelo Telefone. sertanejo. compositores e intérpretes. . Conclusão: aforça que sustenta a resisténcia cultural vem dos alicerces. dessa sintonia extremamente qfinada e bem construída. Desenvolvimento da idéia de novos estilos — detalhamento. Esses procedimentos relacionam cada parte do texto à parte que a antecede e à que a sucede imediatamente. pagode. Vamos observar um texto produzido a partir das idéias registradas nos exemplos das páginas anteriores: Título: resumo da idéia principal O caráter de resistência da música popular brasileira Idéia principal — origem — resistência A música popular brasileira nasceu sob o signo da miscigenação. samba-canção. ou seja. bossa4. introdução da idéia de gosto popular. simultaneamente. O segundo parágrafo está ligado ao primeiro pelos processos de expansão. . Introdução da idéia de consolidação. em suas múltiplas configurações. pois nada é casual. 2. o chorinho. A idéia principal está no título e percorre todos os parágrafos de diversas maneiras. axé. Todas as idéias e informações colocadas em um texto se justificam em vista dessas relações. mantêm. pois é a era do rádio. A ORDEM DASIDÉJAS 95 Para que as ligações se realizem de forma adequada e correta nas frases e períodos construídos no texto. Oposição à idéia de ritmo único — ampliação da idéia de novos estilos e manutenção da idéia de consolidação das raízes. No processo de consolidação do samba. que ofereceram um terreno fértil onde nasceu o samba. relação de continuidade temática com a idéia principal e com a conclusão do texto. a 96 TÉCNICA DE REDAÇÃO nova. comprova que os alicerces da músibrasileira estão plantados em raízes inabaláveis. constituindo assim uma estrutura temática que transcende as frases e períodos. rap e mangue-beat se sucedem e convivem.

ldeZj Definição ou conceito Conceito é a representação de um objeto pelo pensamento. Não é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. O parágrafo conclusivo retoma a idéia de que a força e a resistência à dominação vêm da sintonia com a alma popular e da fidelidade às raízes. julgamento. Não é pesquisa de mercado para conhecer prefe réncias dos consumidores e montar uma propaganda. a estrutura com o verbo ser (X é YYY) é a mais freqüente nesse caso. Mas não devemos nos restringir a essa noção. por isso. Marilena Chaui. entre outros. Assim. / A ORDEM DAS IDÉIAS 97 Como vimos. exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado.exemplificação do que foi anunciado no primeiro. de recursos como: Afirmação. 1997. p. negar essa possibilidade logo de início. apresentamos uma idéia principal por meio. Aqui temos um exemplo de conceituação objetiva. declaração ou asserção. 8 ed. parte do princípio de que o leitor pode estar pensando de maneira equivocada. As indaga çõesfilosófi cas se realizam de modo sistemático. mas se combinam e podem ser encaixadas em várias classificações simultaneamente. opinião. Quando é uma posição subjetiva. são estratégias de delimitação e construção de parágrafos. O terceiro se opõe à inferência possível de que só o samba é importante. Pretendese. em que a posição do redator não sobressai: . segundo preferências e opiniões de cada um de nós. A organização das idéias Vamos analisar mais detalhadamente algumas dessas formas de articulação entre as idéias. por meio de suas características gerais. Marilena Chaui. Observe estes dois exemplos de apresentação da idéia principal por meio de períodos afirmativos: A música popular brasileira resiste permanentemente à invasão e à dominação de ritmos estrangeiros que a indústria cultural dos países mais desenvolvidos tenta impor. pode-se apresentar como noção paticular. pois ele já traz em si as vertentes que devem ser ampliadas no desenvolvimento do texto. Ou seja. Em geral. Embora apresentem uma característica predominante. introduz a noção de diversidade e reforça a idéia de fidelidade às raízes e de reflexo da alma popular. essas articulações não surgem de maneira exclusiva. busca encadeamentos lógicos entre enunciados. a) Apresentação Em períodos introdutórios. necessária para que se mantenha a unidade temática. de repetição da mesma idéia. concepção pessoal. trabalhamos com a apresentação de “verdades” que são defendidas (texto argumentativo) ou apenas expostas (texto expositivo).. opera com conceitos ou idéias obtidos por procedimentos de demonstração e prova. São Paulo: Ed. E a ação de formular um esclarecimento e. Observe o exemplo em que a autora inicia o texto negando a validade do senso comum em relação à Filosofia: As indagaçoes fundamentais nao se realizam ao acaso. então. Negação O recurso de apresentar uma idéia negando outra trabalha com o pressuposto de que há uma idéia oposta já conhecida. avaliação. 3. apreciação. Nas dissertações. 15. A filosofia não é um “eu acho que “ou um “eu gosto de “. Atica. o período afirmativo é muito freqüente. ou seja. O novo estilo por excelência é o samba. como os resumos e os editoriais. de acordo com o objetivo do trecho. há uma certa carga de redundância. 98 TÉCNICA DE REDAÇÃO A filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos. Convite à Filosofia. mas não obrigatoriamente. e existem em textos que não apresentam parágrafos. pois servem para unir idéias dentro de um mesmo parágrafo.

acadêmicos ou científicos. o objetivo dessa investigação. passando pelo engajamento na defesa das eleições diretas. detalhes. 1991...A ORDEM DAS IDÉIAS 99 A intuição é uma compreensão global e instantânea de uma verdade. 63. de um objeto. de dezenas de milhares de pessoas. Veja um exemplo: . em Berlim. 100 TÉCNICA DE REDAÇÃO Julgamento ou avaliação Quando uma apresentação pressupõe uma análise prévia. Quem pergunta. ao mesmo tempo. Folha de S.. promete a resposta.. Eu acho que. Toda vez que uma laje do muro caía. testemunham as virtudes e percalços do jornalismo praticado pela Folha. 7. no exemplo a seguir. tais como: o que desejamos nesse trabalho. as afirmações envolvem julgamentos e tomada de posição acerca do objeto. p. São Paulo. p.. Entretanto.. 20 textos que fizeram História. resgatada dentro de uma investigação mais ampla sobre a vida literária do Rio Grande do Sul de 1870 a 1930.. p. o capítulo ou o livro todo. essas formas não são bem aceitas em textos objetivos. procuramos comprovar. em São Paulo.. que podem ocupar o parágrafo. Minha concepção de intuição é . Veja. focalizando as impressões do redator: A ORDEM DAS IDÉIAS 101 O cenário parecia extraído de algum livro maluco de ficção. assim como nos prefácios e introduções de livros é comum um esclarecimento sobre as intenções. estamos tentando provar. Observe o exemplo: Este trabalho propõe-se a refletir sobre a produção feminina sul-rio-grandense. O desenvolvimento do texto será. então. em que a narração descritiva da queda do muro de Berlim é formulada com base na adjetivação e nas comparações. Resumos do Simpósio 500 anos de descobertas literá rias. esse comentário pressupõe uma posição do redator em relação ao que vai apresentar. explicações. Explicitação do objetivo do texto Nos trabalhos científicos e acadêmicos é costume iniciar o texto pelo objetivo da pesquisa.. Comentário de uma citação ou de um fato Assim como no item anterior. ás vezes histéricos. Marilena Chaui. é uma das formas mais simples de apresentação de uma idéia. Departamento de Teoria Literária e Literaturas. Universidade de Brasília. E um ato intelectual de discernimento e compreensão.. Interrogação Construir uma pergunta de efeito retórico. Paulo. Penso que a intuição é. Uma definição subjetiva apresenta outras formulações. ao tom vigilante das coberturas sobre o mau uso do dinheiro público. Frases que orientam o leitor e indicam o objetivo são freqüentemente utilizadas.. pois não é para ser efetivamente respondida pelo leitor. contra o muro de cimento. propósitos e limites da obra. furiosos. estimulados por gritos. como: Acredito que a intuição é.. jovens armados de pás e picaretas arremetiam. a razão capta todas as relações que constituem a realidade e a verdade da coisa intuída. Nela. Observe o exemplo a seguir.. Paulo. a apresentação de um livro estruturada por meio de um juízo positivo de valor: Os capítulos que compõem este “20 Textos que fizeram História” refletem a vida recente do país e. um conhecimento específico ou uma avaliação anterior. decidido a exercer sua função crítica e a informar seus leitores acima de qualquer obstáculo. em 1984. o feito era comemorado como se tratasse de um ritual bárbaro de luta e conquista. de uma só vez. 1991. a resposta à questão formulada. pretendemos demonstrar. a metáfora. 20 textos que fizeram História. Essa posição pode ser definida por meio de figuras de linguagem como a comparação. Pode também trazer descrições ilustrativas e outros recursos de ênfase e valorização dos aspectos que merecem a atenção do leitor. 7. Segundo meu ponto de vista. de um fato. São Paulo. Da relativa ingenuidade dos textos que compõem a cobertura do incêndio no edifício Joelma. Folha de S. 1999. Vera Teixeira Aguiar.. Essa resposta exige ampliações. o que se abre ao leitor é um jornal em permanente movimento. a personificação. Idem. a partir do levantamento de informações sobre as instituições atuantes e seu papel na produção e na difusão da literatura na sociedade.

como as secundárias passam por processos de expansão que envolvem detalhamento e aprofundamento. ou Outros que indiquem a divisão (como a. como exemplo pode-se observar.. como no seguinte fragmento: Um exemplo de luta social para interferir nas decisões sobre as pesquisas e seus usos encontra-se nos movimentos ecológicos e em muitos movimentos sociais ligados a reivindica ções de direitos. 27. utensílios domésticos e de trabalho. Enumeração de fatores constitutivos ou acumulação de elementos que complementam a idéia inicial. são necessários: A ORDEM DAS IDÉJAS Os estudos recentes mostraram que mitos.Muitos fazem essa pergunta: afinal. conduzir á descoberta de uma verdade até então desconhecida. assim é o que ocorre no caso em que.. c ou sinais de itens). b. nos quais os dados. Expressões como: isto é. A exemplificação é um recurso muito útil tanto nos textos didáticos como nos textos argumentativos. com três finalidades 1. dança. formas de parentesco e formas de organização tribal dos gregosforani resultado de contatos profundos com as culturas mais avançadas do oriente e com a herança deixada pelas culturas que antecederam a grega. permitir a verca ção de conhecimentos para averiguar se são ou não verdadeiros enaChauiIdem 157 Nem sempre recursos de numeração. p. corno nos exemplos: A palavra método vem do grego. música. 20. 2. os testemunhos. via. ou seja. cultos religiosos. 8 ed... o pensamento a ação. em geral apresentada no início do texto. as estatísticas. methodos composta de meta através de. instrumentos musicais. caminho Usar um método é seguir regular e ordenadameizie um caminho através do qual uma certa finalidade ou um certo objetivo é alcançado Marilena Chauj. Marilena Chaui. p. para que Filosofia? É uma pergunta interessante.1997. uma expansão de elementos J apresentados no texto. permitir a demonstra ção e a prova de uma verdade já conhecida 3. Ele traz o eco de vários outros textos com os quais se relaciona e . Não ouvimos ninguém perguntar: para que matemática oufisica? Marilena Chaui. exemplo disso é. Idem. as técnicas. Esse recurso se constitui como: Esclarecimento do significado das expressões. p. Algumas expressões indicam de forma explícita que há uma inserção de exemplo: para exemplificar podemos observat por exemplo. formas de habitação. 157. Marilena Chaui. Ática. estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade. o que quer dizer essa expressão signfica. p. para comprovar o que foi dito. p. Quando se diz que a filosofia é um frito grego. nas regiões onde ela se implantou. então. por meio de. as evidências vêm reforçar a idéia que é defendida pelo autor. Idem. poesia. o que se quer dizer é que ela possui certas características apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos. Convite à Filosofia. Observe um exemplo em que a enumeração é assinalada por números: No caso do conhecimento método éo caminho ordenado que o pensamento segue por meio de um conjunto de regras e procedimentos racionais. Os exemplos podem tornar o texto menos abstrato e facilitar a compreensão do leitor. l3j b) Ampliação e explicação Tanto a idéia principal. 28J Um texto não existe sozinho. Idem. palavras ou conceitos utilizados. e de hodos. aparecem com freqüên 102 TÉCNiCA DE REDAÇÃO cia nessas situações Há. que são completamente diferentes das características desenvolvidas por outros povos epor outras culturas. Marilena Chaui. São Paulo: Ed. Idem.

. Mas os que só vivem ou no sótão ou na adega são pouco equilibrados. viver uma busca das significa ções da existência através dos simbolos filosóficos. A escolha vai depender das intenções do autor e do tipo de texto. há uma adega (para onde descemos) e um sótão (para onde subimos). alegar. aquilo que nos esmaga ou nos liberta. asseverar. Há expressões que indicam claramente inserção de citações: segundo o especialista X. negar. explicar enunciar. declarar. as histórias podem ser cômicas.. em sua obra } para X a questão é. indicar. repetindo fielmente as palavras do texto original. há citações implícitas.do autor citado. concluir. p. perguntar.que constituem um contexto amplo em que se situa.. 1999. replicar. 266. a Filosofia pode ser ‘entendida como aspiração ao conhecimento racional. pitorescas. registrar. proferir exclamar. esclarecer. p. comunicar. Aos que jamais sobem ao sótão ou descem à adega falta uma dimensão humana relevante. e pode vir em forma de paráfrase das 103 104 TÉCNICA DE REDAÇÃO palavras. já estou informando que a posição de quem fala é de reflexão. citar. Há alusões. XJá afirmou que. narrar. discutir questionar. religiosos etc. engraçadas. E descer à adegapor vezes significa olhar o que se passa nos subterráneos e nos fundamentos psicológicos ou sociais de nossa existéncia afim de aí discernir nossos condicionamentos. expressar. declaração. lógico e sistemótico da realidade natural e humana. discursar. aconselhar comprovar corrobo A ORDEMDASIDÉIAS 105 rar ratificat confirmar demonstrar refutar argumentat justificar. contestar contradizer. aprofundada ou esclarecida por meio de histórias que lhe sirvam de ilustração. mesmo sem marcas evidentes. Bachelard interrompeu um jornalista que o entrevistava dizendo-lhe: ‘parece que você vive num apartamento e não numa casa “. da origem e das causas do mundo e das suas transformações. Se prefiro o verbo ponderar ao verbo di.. Dependendo do tipo de texto. 20). que são chamados dicendi. na primeira. usamos verbos especiais. descrever preceituar. as aspas são dispensadas: Segundo Marilena Chaui. por exemplo. Observe alguns desses verbos e analise o sentido que acrescentam à idéia de dizer: falar. Se faço uma paráfrase. conJàrme X. informar discorrer acentuar ponderar. Questões como o que é o amor? e o que é a amizade? são muito importantes. considerar. Por isso. históricas. (adaptado) 106 TÉCNiCA DE REDAÇÃO . expor mencionar. da origem e das causas das ações humanas e do próprio pensamento “. Como já vimos anteriormente. bradar pronunciar. Podem agregar algum significado adicional ao simples ato de dizer impregnando-o de interpretação. Ao inserir voz. Quer dizer: não podemos viver limitados apenas ao nível do código restrito da ciência. Tanto no discurso direto (que transcreve literalmente as palavras do outro após um travessão) como no discurso indireto (em que a fala do outro está parafraseada pelo redator sem travessão) esses verbos são utilizados com freqüência. Nessas. de acordo com o que afirma X. declamar. afirmar. tenho que marcálas com aspas a partir do ponto em que começo a transcrição: De acordo com Marilena Chaui (1997. São Paulo: Letras e Letras. Observe o exemplo de narração ilustrativa a seguir: Consta que. heróicas. testem unha.” Hilton Jupiassu. que um leitor experiente reconhece. ordenar. Uma idéia pode ser ampliada. artísticos. A escolha de um desses verbos indica um comentário ao ato de falar do outro. Um desafio á Educaçào..zer. Se uso as próprias palavras do autor citado. A resposta de Bachelard foi: “a diferença entre uma casa e um apartamento é que. poéticos. além da zona habitável. a voz do outro pode vir entre aspas. em certa ocasião. “O que o senhor quer dizer com isso? “. denunciar. a filosofia é uma importante forma de conhecimento do mundo. perguntou o entrevistador.. ser humano por vezes significa subir ao sótão. opinião ou testemunho de outra pessoa. vale dizer. referir. que são citações apenas sugeridas e há citações explícitas.

História Concisa da Literatura Brasileira. Mais um motivo para procurar um bom convívio com textos de diversas naturezas. por outro lado.. em seguida. São Paulo: Cultrix. não de oposição. 1989.. mas um meio de intimidação. A razão instrumental é a razão técnico-cientjfica. depois.. que faz das ciéncias e das técnicas não um meio de libertação dos seres humanos. Observe um exemplo em que o texto está organizado pela divisão da idéia: Uma escola alemã de Filosojiu.... p... ora convergem. na qual distin gue duas formas da razão: a razão instrumental e a razão crítica. um outro aspecto é por um lado. Atenas tornou-se o centro da vida social e política e cultural da Grécia. a razão crítica é aquela que analisa e interpreta os limites e os perigos do pensamento instrumental e afirma que as mudanças sociais. Ao contrário. terror e desespero. c) Divisão A divisão de uma idéia em subtópicos abre novas vertentes de desenvolvimento do raciocínio.. normalmente o texto estabelece duas (ou mais) linhas de desenvolvimento paralelas que ora se opõem. a escola de Frank/urt. as informações esclarecem o ambiente em que floresce a democracia. ou imagens das coisas. a sociedade e a cultura. focalizando diferenças. do comércio.. de outro.. A ORDEM DASIDÉJAS 107 d) Oposição Muitas vezes a idéia ou informação deve ser apresentada e discutida em confronto com outra posição ou forma de pensamento. Idem.. finalmente. p. Quando é esse o caso. Observe no exemplo a seguir como o desdobramento da idéia sugere duas linhas informativas para desenvolvimento do texto.. mentira efalsidade. medo. Marilena Chaui. Além do exemplo do item anterior. políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científico sobre a natureza. por último. que é a idéia a ser desenvolvida posteriormente no texto: Com o desenvolvimento das cidades. enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais. é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão. observe o texto a seguir: A diferença entre os sofistas. formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade. indicam divisão de idéias. No exemplo a seguir. como fonte de erro.. 50. elaborou uma concepção conhecida como Teoria Crítica. Cada aspecto exige desdobramentos e explanações que representam progressão das informações. há expressões que. combinadas entre si. O herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafisica da realidade... mas agora a posição é de equilíbrio. 442. (adaptado) 108 TÉCNICA DE REDAÇÃO j9 Situação no tempo e no espaço Algumas informações são colocadas no texto com o objetivo de contextualizar de forma explícita as idéias. Geralmente.Utilizar narrações ilustrativas interessantes depende de muita informação.. e Sócrates e Platão. ora se explicam. Idem. em segundo. primeiramente. fatos e fenômenos.. e) Comparação ou analogia Como no caso anterior. as igualdades.. que no segundo parágrafo apresenta uma oposição. facilitam a organização do texto e a compreensão do leitor: em primeiro lugar. do artesanato e das artes militares. vivendo seu período de esplendor conhecido como o . Marilena Chaui. experiência e leitura. 40. Têm relação com a cronologia e com o lugar. Alfredo Bosi. o primeiro aspecto é. na divisão. e são focalizadas as semelhanças. p.. Como já foi dito. duas ou mais idéias são apresentadas. utilizamos uma enumeração para antecipar as linhas em que o assunto vai se desenvolver. uma acerca de Clarice Lispector e outra acerca de Guimarães Rosa: As experiências radicais tanto de Clarice Lispector como de Guimarães Rosa forçam os limites do gênero romance e tocam a poesia e a tragédia. de um lado.

p. pelo mesmo motivo. Depois de escrever. Quando o redator tem clareza sobre essas especificidades de cada trecho do texto. é freqüente o uso de palavras e expressões que indicam resumo de idéias anteriores. Idem. comparação ou analogia. podemos referir. conclusão parcial ou final. ser ensinada ou transmitida a todos. É a época de maior florescimento da democracia. ao contrário. 36. há muitas possibilidades de captação. em suma. depois. concluindo. p. 160. conclusão. encerramento de um raciocínio. p. reler e reescrever até se sentir satisfeito com o resultado. registro e organização inicial das idéias. Leia alguns artigos que tratem do tema. resumindo o que já foi dito. analise as partes do texto e identifi . Situação no tempo ou no espaço. selecionar e hierarquizar as idéias você pode: fazer 110 TÉCNiCA DE REDAÇÃO anotações independentes à medida que as idéias forem surgin do. para oferecer ao jornal de sua cidade como colaboração Em geral. partir de um pequeno resumo ou escrever blocos de texto independentes. quando se descobriu que tal conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que. organizaç0 textual. li) Organização textual Os parágrafos organizadores explicam como o texto está estruturado. situando-o melhor em relação à estrutura textual. que falar e pensar são inseparáveis. p. Marilena Chaiji. g) Conclusão Em textos dissertativos. Idem. assim. construir logo um Primeiro parágrafo. A ORDEM DAS IDÉIAS 109 Em suma. seus capítulos e subdivisões. nós também participamos. diante do que foi dito. Qualquer uma dessas técnicas. o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada cultura européia ocidental da qual. tanto no estudo da linguagem quanto no da inteligência. Ao hierarquizar as idéias de um texto observaiiios que elas apresentam caracte rísticas e funções distintas: apresentação. e ainda outras que você pode criar. pode funcionar como o início da escrita propriamente dita. tornou-se.nos a duas modalidades do pensamento. em outras palavras. além da verdade poder ser conhecida por todos. Da concepção à organização das idéias De acordo com o que apresentamos. Para gerar. Depende de cada indjvj duo e de seu processo de atividade intelectual. Idem. ampliação ou explicação. conforme predomine o mythos ou o logos. Idem. por motivo de economia de espaço nos jornais esses artigos têm aproximadamente duas páginas de 30 linhas. que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos. Esclarecem objetivos. Marilena Chaui. é importante assinalar claramente para o leitor que as idéias são conclusivas. Por isso mesmo. Observe os exemplos: Em outras palavras. 4. em decorrência da colonização portuguesa do Brasil. a filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso. 23. podia ser conhecida por todos. Oposição. 21. concluem pensamentos. Por isso. Prática de organizaç0 a) Escrever uni artigo opinativo acerca do tema que está em maior evidência hoje. articulando as idéias entre si. Marilena Chaui. Fa-ça anotações..Século de Péricles. Filosofia é um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especflcamente com os gregos e que. 5. podia. as Possibilidades de Construção tornam-se mais nítidas e o trabalho alcança um melhor resultado. partir de uma idéia Principal e elaborar uni esquema. Citam o próprio texto. mas que. listar palavraschave. diante desse quadro. divisão. Manlena Chaui. São expressões e parágrafos que conduzem e facilitam os procedimentos e a interpretação do leitor.. Observe o exemplo a seguir: No capítulo anterior vimos que a língua grega possuía duas palavras para referir-se à linguagem: mythos e logos. tais como: em vista disso podemos concluir. Vimos também. entre outras que não foram relacionadas aqui neste livro. por razões históricas e políticas. antecipam idéias de forma resumida. escrever tudo que vem à mente. portanto.

que está distante de nós. Estabeleça. sistemáti.0 acumulativo falível. qual a natureza da relação entre as idéias. é muito importante que a coesào textual esteja bem tecida. o filosófico e o religioso Em sua esséncia o conhecimento cient (fico é real. geral. articulações ligações concatenan do as idéias.que as formas de organização que Utilizou. Capítulo 7 O entrelaçamento das idéias 1. a estrutura gramatj das frases trata de criar coesão entre os Constituintes de um texto. Um exemplo disso é a Concordância Sempre que respeitamos a concordân eia. Nas linhas grifadas. voltamo-nos para a sua superficie e procuramos refazê-lo. claro. então. b) Escolha outro tema e faça outro percurso Leia alguns artigos que tratem do tema. racional objetj vo. Além dessas formas gramaticaj5 sistemáticas de ligação entre palavras. revisando várias vezes a linguagem e as estruturas gramaticais propriamente ditas. transcendente aos fatos. as marcas de gênero e de número. A manutenção do tema é um desses recursos. primeiramente a partir das suas anotações a natureza de relação entre as idéias de cada trecho. nossa preocupação inicial é captar as idéias e ordená-las com uma determinada hierarquia. 112 TÉCNICA DE REDAÇÃO Assim.. Vamos cuidar. de modo que as principais sejam enfatizadas. Após essa etapa. preciso. Ou seja. Na segunda linha. O tecido aparente do texto Como vimos nos capítulos anteriores. mas não é suficiente em textos dissertativos A ordem das palavras no período. um texto não é uma simples justaposição de frases corretas. analítico. c) Sempre que estiver lendo um texto. para o estudo ou trabalho. Brasília. preditivo aberto e útil. Exige um entrelaçamento rigoroso das idéias que estão sendo expostas para que o leitor não se perca e consiga interpretá-lo corretamente. Faça anotações ou esquema. ver ificóve! dependente de investigação metódica. a partir da terceira todas as palavras estão sendo utilizadas em concordância com conhecimento científico. Qual é nossa idéia central? Como podemos defendê-la? Que exemplos são mais interessantes? Quem devemos citar? Que palavras escolher? Como devemos nos dirigir ao leitor? Em que medida devemos explicitar todas as idéias ou deixá-las implícitas? São questões que respondemos inicialmente. estão no masculjjo singular. i’el. os tempos verbais. e para o qual não teremos chance de explicar melhor ou retificar oralmente algum item mal expresso. uma após a outra. 1983. procure identificar. INEP. de assegurar a compreensão exata daquilo que estamos escrevendo. que dependem das escolhas estilísticas do redator: O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS referencial lexical . A preocupação já não é apenas com nossas próprias idéias. ao escrever as primeiras versões de um texto. mas principalmente com a maneira como essas idéias serão apreendidas pelo leitor. MEC. existem quatro outras estratégias de coesão. portanto. estamos reforçan0 a coesão. as preposições os pronomes pessoais. explicativo. os conectivos funcionam também como elos coesivos Cada um desses elementos gramaticais estabelece conexões. Mecanismos de coesão textual Pode-se Construir a coesão do texto por meio de vários recursos. em cada trecho. para que o leitor acomp1e a seqüêncj reconheça a progressão das informações e identifique as referências no texto.njcá. Desenvolva o texto acompanhando esse roteiro e o esquema das idéias. 2. comj. João Salvador Furtado Expansão da itformaçjo científica in: Anais do Seminárj0 de Publicações Periódjc da A’rea da Educação. Ao escrever. Observe o texto a seguir: — De qualquer forma o conhecimento ou saber cient(fico distingue se dos demais tos: o popular. os três elementos citados Concordam com tijoo de conhecimento e por isso estão no masculino.

Esses recursos podem se referir. Diante desse quadro. a coesão referencial se realiza pela citação de elementos do próprio texto. a) Coesão referencial Na elaboração de um texto. verbos. como no seguinte exemplo: O Doutor Fulano de Tal falou ao nosso repórter no intervalo do congresso. pois é facilmente identificado pelo leitor. como no exemplo: A explosão da informação é uma das causas do stress do homem moderno. Tudo o que foi dito. que. Agora esse estudioso quer contribuir para a democratização do saber. Podem. com segurança e economia. busca de soluções. a elementos que serão citados na seqüência do texto. o sujeito do verbo implica é a metodologia cientfica. pelo uso de sinônimos. O cientista entrevistado reconhece que a partir do 113 114 TÉCNICA DE REDAÇÃO emprego dos conhecimentos cientijicos foi possível racionalizar os sistemas de produção. demonstrativos ou expressões adverbiais que indicam localização (a seguir acima.por elipse por substituição Vejamos como funcionam essas formas de entrelaçamento dos elementos que constituem um texto. No texto acima. Ela pode pro vocar diversas formas de ansiedade. ainda. aqui. Não precisa ser explicitado. Veja um exemplo de omissão de sujeito da oração: A metodologia cient(fica é um conjunto de atividades sistematizadas. Pronomes. Essa corrente é formada pela reutilização intencional de palavras. permite que os objetivos sejam atingidos. nomes e frases inteiras podem estar implícitos. Para efetivar essas citações são utilizados pronomes pessoais. Algumas vezes. onde). essa omissão é marcada por uma vírgula. anteriormente. A partir dessas considerações. comprovação. se referir a elementos já citados no texto ou que são facilmente identificáveis pelo leitor. e) Coesão por elipse A estrutura gramatical dos periodos na lingua portuguesa permite a omissão de elementos facilmente identificáveis ou que já foram citados anteriormente. Implica a concepção das idéias quanto à delimitação do problema dentro do assunto. Esse recurso tem o nome de elipse. b) Coesão lexical A manutenção da unidade temática de um texto exige uma certa carga de redundância. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS . períodos ou largas parcelas de texto por conectivos ou expressões que resumem e retomam o que já foi dito. Em vista disso. proposição de uma teoria. Assim. racionais. Esse quadro. estabelecemos uma corrente de significados retomando as mesmas idéias e partes de idéias. possessivos.. análise.. ou ainda pelo emprego de expressões equivalentes para substituir elementos que já são conhecidos do leitor. por antecipação. identficação de instrumentos. d) Coesão por substituição Pode-se substituir substantivos. verbos. Alguns exemplos de expressões que servem a esse objetivo são: Diante do que foi exposto. abaixo.

O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 117 . demonstrar uma situaçõo ou um fato ocorrido. A história nos mostra o poder curativo das canções. entre outras. Não há concatenação entre as informações. As conseqüências podem ser: ausência de ênfase nas idéias principais. sem hierarquia ou progressão que Conduza a uma conclusão. enfatizando uma idéia principal para a introdução e para a Conclusão e estabelecendo as formas de articular as idéias secundárias 3? Estabelecer nexo entre as diversas idéias por meio de frases de transição e de recursos coesivos’ reescrever eliminando e acrescentando elementos. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. em que os problemas de ausência de estabelecimento da coesão estão bem nítidos. que falam claramente do desejo da populaçõo brasileira. nõo que ela seja um remédio milagroso. o texto se prejudica.os e todas as ocases. encontramos idéias colocadas lado a lado. 4? Revisar. no rasil. as canções dessa década mostram perfeftamente isso. As canções podem falar de amor. Vejamos um texto de aluno de segundo grau. porque o tema que perpassa todo o texto é a música. de forma que o texto apresente uma seqüéncj Qualquer período parece poder estar em qualquer Posição. pois revela desordem nas idéias e dificulta a compreensão do leitor. Problemas decorrentes da ausência de coesão Quando os mecanismos de coesão textual não são bem utilizados. outros relatam o que estó acontecendo com o brasil. falta de hierarquia entre idéias principais e secundárias. música e Saúde MUSICA E POLÍTICA 2? Reorganiz o texto. de política ou simplesmente retratar a realidade. Algumas pessoas gostam de músicas s6 com os instrumentos e outras com um cantor. pois não podemos distinguir imediatamente qual seria a idéia principal e não percebemos a relação imediata entre as idéias que estão justapost5 Relendo os parágrafos. ou uma poderosa arma. outras que preferem as mais agitadas. Hó pessoas que gostam de escutar canções calmas. 115 116 TÉCNiCA DE REDAÇÃO A musica pode ser um excelente remédio. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. o autor apresentou três grupos de idéias: música e prazer. muitos Compositores foram expulsos do brasil. ela pode levar a cura. seja dentro do período. ambigüidade. por causa das letras das músicas. No 5rasil podem-se citar as músicas feitas na década de 50. As canções podem ter um caróter ilustrativo. o que não modificaria o resultado. elas mostram perfeitamente a repressão da época da ditadura militar no brasil. estabelecer por suposição. sem especificar OU defender nenhum deles particularmente Para que o texto passe a apresentar coesão e reflita essa idéia. que a idéia principal seja expositiva: a grande abrangêneja da música na vida contemporânea o redator teria por objetivo expor os diversos campos em que a música está presente na vida humana. Existe niisica para todos os gost. então. felizmente o homem a está usando por um bem. alguns escrevem falando sobre o amor. No impoa o tipo ou a hora ue se ouve a musica. é necessário empreender algumas transformações.3. foi uma época de muitas repressões e restrições. Vamos. a progressão da informação e a articulação entre as idéias não foram devidamente elaboradas. como a música. indefinição das relações entre as idéias. do assio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento Uma primeira leitura nos mostra que há unidade semântj ca. estilo infantil ou elementar. mas para algumas doenças. ou seja. o impoante é a tranqüilidade que ela nos passa As pessoas encontram msíca em tudo. A década de SO. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. Ou seja. truncamentos semânticos. essa unidade não é suficiente. No texto em questão. confusão e obscuridade nas referências. seja entre os períodos ou parágrafos. 1? Agrupar idéias relacionadas entre si. Entretanto. Algumas doenças podem ser curadas pela música. A ausência de coesão é um dos principais problemas da construção de textos. individual ou coletivo.

como a música “Comida “.Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. As pessoas encontram música em tudo. demonstrar uma situação ou um fato ocorrido. Assim. por causa das letras de suas músicas. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais . na superfi ci do texto. Não importa o tipo ou a hora em que se ouve a música. No BRASIL PODEM SE CITAR AS MÚSICAS FEITAS NA DÉCADA DE 60. POR CAUSA DAS LETRAS DAS MÚSICAS. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. alguns escrevem falando sobre o amor. ou seja. As canções da década de 60. Podemos compreender. outras que preferem as mais agitadas. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. em conseqüência da ditadura militar. apresenta problemas de coesão. Como podemos observar. Algumas doenças podem ser curadas pela música. como o gosto do público é diversificado. Conseqüentemente. Não que sejam um remédio milagroso. que falam claramente do desejo da população brasileira. aproveitando a maior parte das estruturas construídas originalmente pelo autor: Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. frlizmente o homem a está usando por um bem. A DÉCADA DE 60. AS CANÇÕES DESSA DÉCADA MOSTRAM PERFEITAMENTE ISSO. de política ou simplesmente retratar a realidade. Além das funções de proporcionar prazer estético e de denunciar problemas sociais. o importante é a tranqüilidade e a alegria que ela transmite. Alguns escrevem jLilando de amor. A história nos mostra o poder curativo das canç6es. Não importa o tipo ou a hora que se ouve a música. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. outras que preferem as mais agitadas. Muitos compositores frram até mesmo expulsos do Brasil. ela pode levar a cura. As canções podem lidar de amor. A música pode ser um excelente remédio. Então. retratar a realidade e. geralmente. então. Um texto desorganizado. 118 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. que a música pode ser uma fonte de alegria e prazer. no Brasil. algumas pessoas gostam de música instrumental e outras de música cantada. de política. como a música. para o seu próprio bem. mas podem levar a cura para algumas doenças. que fala claramente dos desejos da população. o importante é a tranqüilidade que ela nos passa. não que ela seja um remédio milagroso. é preciso trabalhar em dois níveis: 1? organizar as idéias numa rede de significados e 2? entrelaçar gramaticalmente as frases e os períodos. as articulações que estabelecem relações das idéias. a coesão evidencia. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. a história nos mostra o poder curativo das canções. Vejamos uma das possibilidades de aperfeiçoamento do texto. pois pode-se encontrar música em tudo. de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. ou uma poderosa arma. ELAS MOSTRAM PERFEITAMENTE A REPRESSÃO DA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR NO BRASIL. E fato notório que as violações aos direitos humanos se sucedem no país com freqüência indesejável. individual ou coletivo. Algumas pessoas gostam de músicas só com os instrumentos e outras com um cantor. uma forma de conscientização e de denúncia social ou um excelente remédio. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. promover a cura de doenças. os compositores podem escrever as letras das músicas daJirma que lhes convier. Essa vertente de músicas voltadas para a questão social não é nova. NO BRASIL. As canções podem falar de amor. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. Vejamos como os laços coesivos se realizam em um exemplo de texto editorial jornalístico: — O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 119 DESRESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS A denúncia da Anistia Internacional sobre a prática no Brasil de torturas e execuções por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. MUITOS COMPOSITORES FORAM EXPULSOS DO BRASIL. o homem está sempre em contato com a música. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. até mesmo. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. FOI UMA ÉPOCA DE MUITAS REPRESSÕES E RESTRIÇÕES. mostram perftitamente como essa foi uma época de muitas repressões e restrições. As canções podem ter um caráter ilustrativo. mas para algumas doenças.

se outro comportamento. onde cada qual ocupa menos de um metro quadrado de espaço. desrespeito às prerrogativas humanas da pessoa (linhas 17 e 18). Assim. os homicídios rondam a casa dos quinhentos ao mês. nenhuma providência era tomada.encarregados de reprimi-las. Os inquéritos de organizações internacionais em torno do problema passaram a servir de impulso ao sistema de garantias contra abusos do gênero. até mesmo para punir crimes cometidos por menores. A construção da coesão textual tem prosseguimento pela substituição da idéia de desrespeito aos direitos humanos por informações mais específicas. que declarou a tortura crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. Veja como o texto ficaria no trecho a seguir: A denúncia da Anistia Internacional sobre o desrespeito aos direitos humanos por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. primária. E um morticínio bem maior do que as baixas na guerra do Kosovo. homicídios (linha 36). pena de morte (linha 27). E fundamental. assim. instalou. como está no titulo. atentados contra a dignidade e incolumidade fisica das pessoas (linhas 8 e 9). há mais de três anos. excluídos de qualquer programa de recuperação social. Mas a incriminação do Brasil ao lado de sociedades tidas como padrão de cultura humanística em nada o isenta de culpa. O relatório anual da Anistia critica o Brasil e outras 141 nações. promíscuo e violento. Em dezembro de 1998. Rio de Janeiro. abusos do gênero (linha 20). nem mesmo a elementar cautela de investigar a procedência dos fatos denunciados. Durante os anos sombrios do regime militar. outra prestigiada entidade internacional. estão no mesmo campo semântico e formam um paradigma.nissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. 20 jun. E. a Human Rigths Watch. 1999. como: prática no Brasil de torturas e execuções (linhas 1 e 2). Desde a criação da Co. Teria uma estrutura repetitiva. que é decorrente da pobreza de vocabulário. O texto. A Suécia chega ao índex internacional por devolver asilado. embora compreensível. O primeiro exemplo disso veio na Constituição de 1988. A avaliação rigorosa da organização é atestada por incluir países normalmente a salvo de suspeitas. Desde a criação da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. em grande parte praticados por esquadrões da morte. E fato notório que o des O ENTRELA ÇAMENTO DAS IDÉIAS 121 respeito aos direitos hunianos se sucede no país con freqüência indesejável. Essa expressão é substituída. elementar demais para o desenvolvimento que se espera nesse nível profissional de produção de editoriais. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais encarregados de reprimir o desrespeito aos direitos humanos. Editorial. diante do que Jbi exposto. devolver exilados políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem (linhas 32 e 33). Os mais de 175 mil presos nas penh- 120 TÉCNICA DE REDAÇÃO tenciárias do país coabitam ambiente vil. no texto. Durante os anos sombrios do regime militar. Qualquer leitor percebe o problema. Leis espeq’ficas e ações concretas têm sido adotadas para prevenir e punir os desrespeitos às prerrogativas humanas da pessoa. o governo costumava qualificar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre o desrespeito aos direitos humanos. Com o restabelecimento da legalidade democrática. Observamos que a expressão chave do texto é desrespeito aos direitos humanos. crianças e adolescentes em prisões de adultos (linha 30). temos exemplos de coesão por substituição lexical. ou seja. As instituições norte-americanas são apontadas à censura mundial porque praticam a pena de morte. o governo costumava quaflficar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre violência às pessoas. . violências às pessoas (linha 12). o desrespeito aos direitos humanos tem diminuído. ficaria com a coesão prejudicada se em todas essas posições o autor usasse a mesma expressão: desrespeito aos direitos humanos. Brasília. há mais de três anos. que exemplificam essa idéia: a tortura (linha 21). denunciava a existência nos EUA de mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. que as denúncias da Anistia inspirem reações mais efetivas em favor da proteção aos direitos humanos.s políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem. os atentados contra a dignidade e incolumidade física das pessoas têm diminuído. como os Estados Unidos e a Suécia. problema (linha 19). Pior. Só na Baixada Fluminense. violações aos direitos humanos (linha 4). por várias outras que têm o mesmo significado. Correio Braziliense.

unia rede bem urdida de relações gramaticais e de significado. podemos agregar alguma informação adicional. E interessante observar que no texto há exemplos de coesão referencial. elogios.presos coabitam ambiente vil. E preciso analisar: as opções adotadas estão funcionando no texto como um todo? As decisões se mantêm . Há no texto um exemplo de substituição de idéias por expressão sintetizadora: diante do que foi exposto (linhas 41 e 42) resume toda a argumentação e justifica a conclusão que encerra o texto. diversidade lexical. para estudo ou trabalho. após a apresentação. é importante que na revisão do texto você procure focalizar sua atenção sobre esses itens concatenadores. e o leitor só pode interpretar o pronome -las como relativo à expressão anterior as violações aos direitos humanos. como temos mostrado no desenvolvimento deste livro. para que a coesão textual garanta a fidelidade às idéias que quer apresentar. Há um exemplo de coesão por elipse na linha 31: após a palavra pior. Essas ligações observáveis na superficie do texto realizam de forma concreta as articulações necessárias para assegurar a coerência entre as idéias formuladas pelo redator. A expressão as violações aos direitos humanos é representada por um pronome enclítico em reprimi-las (linha 6). Além das ligações temáticas e das estabelecidas pelo sistema gramatical. Identifique outras formas de se referir a ele. É a coesão textual. há coesão referencial. Há coesão por substituição lexical também nas expressões: acusações de agências humanitárias (linha 12) porfatos denunciados (linha 14) anistia (linha 22) por organização (linhas 23 e 24) países normalmente a salvo de suspeitas (linhas 24 e 25) por sociedades tidas como padrão de cultura humanística (linhas 34 e 34) Sempre que escolhemos uma expressão equivalente para substituir outra. Ao revisar o texto produzido você terá a oportunidade de reconsiderar uma série de decisões tomadas no início da produção. Assim. Nosso julgamento e nossa posição diante da informação vêm. identifique as formas de coesão utilizadas pelo autor. A referência está clara. 5. censuras podem vir explícitos ou implí 122 TÉCNICA DE REDA ÇÃO citos nos termos que escolhemos para constituir a coesão lexical. Criticas. A expressão cada qual (linha 40) se refere a presos na linha anterior. reveladas nessas expressões. Entrelaçando as idéias Como vimos neste capítulo e nessa rápida análise final. elipses e substituições de partes do texto por expressões sintetizadoras. 4. Observe que esse detalhamento ilustra e especifica o que se entende no texto por desrespeito aos direitos humanos. Um período está ligado ao seguinte ou ao que o antecede por meio de recursos coesivos. onde o pronome demonstrativo disso está se referindo a tudo que se afirma no período anterior a ele. e o pronome relativo onde se refere a penitenciárias do país. na linha anterior. Como também na linha 35. Capitulo 8 A reescrita de textos 1. Na linha 20. b) Escreva um texto expositivo acerca de um autor de sua preferência. de modo que o nome próprio não seja utilizado mais de uma vez. o pronome o se refere a Brasil. na elaboração de um texto criam-se laços de citações entre seus próprios elementos constituintes. a vírgula indica que se subentende o sujeito de excluídos como a expressão do período anterior mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. de maneira que se forme um tecido harmonioso. Prática de entrelaçamento a) Releia os textos que você produziu anteriormente e identifique os recursos de coesão que utilizou em cada um deles. promíscuo e violento (linhas 39 e 40). como concordância e tempos verbais. A releitura como avaliação para a reescrita O texto exige diversas releituras para reescritura e revisão antes de ser considerado satisfatório. mesmo em textos tidos como objetivos. e) Sempre que estiver lendo um texto. há O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 123 possibilidade de criar laços mais largos por meio de referências.

As vezes. ou seja. nesse momento estamos também reestruturando a forma. Tentamos gerar idéias e organjz5 de forma coerente. suprimir palavras. se você quer uma pista acerca dos pontos em que deve prestar mais atenção. Estamos preocupados em captar o fluxo do pensamento e registr0 da maneira mais completa Possível. A opção escolhida foi mantida durante todo o texto? O leitor que você tem em mente é atendido durante todo o texto? ao gênero de texto: que plano de escrita utilizar para a situação. As pesquisas que analisam textos de exames vestibulares e provas discursivas de concursos públicos mostram que a maior freqüência de erros ocorre nesta ordem: pontuação. formal ou informal A linguagem está adequada à situação? A opção escolhida tornou o texto harmonho 50 ou há oscilações súbitas e inadequadas à impesso dade ou subjetividade O posicionamento adotado corno predominante mantémse ou essa opção não ficou consistente flO texto? ao vocabulário As escolhas estão adequadas ou há repetições enfadonhas e pobreza vocabular? Algum termo pode ser substituído por expressão mais exata? Há clichês. na primeira versão de um texto costuma mos prestar mais atenção à criaçãO das idéias. Portanto. acentuação. frases feitas. Algumas pessoas escrevem muito nos rascunhos. como se você não fosse o redator. pronomes. estabelecimento da coesão e vocabulário. . “gorduras” enfim. Está de acordo com o objetivo estabelecido inicialmente? As idéias principais estão evidentes? Como já vimos. mas ás vezes pode ser útil envolver colegas. excesso de adjetivos expressões coloqujais inadequadas jargão profissional? às estruturas Sintáticas e gramatjcj5 O texto está correto quanto às exigêncj5 da língua padrão? As transições entre as idéias estão corretas e claras? Os conectivos são adequados às relações entre as idéias? A divisão de parágrafos corresponde às unidades de idéias? ao objetivo e à situação. sem relação com o núcleo do texto. comece por esses. a atenção se desloca para a forma mais adequada e para a melhor organizaç0 final dessas idéias A revisão normalmente feita pelo próprio autor do texto. outras são mais sintéticas e precisam ampliar o texto na reescritura. adjetivos ou advérbios que pouco ou nada acrescentam ao texto. mas é preciso acrescentar elementos para criar ligações mais claras entre as diversas idéias do texto. os detalhes da superficie do texto. O formato é adequado à situação? As exigências referentes ao gênero foram respeitadas ou há ambigüidades e inconsistências? às informações: o que informar e o que considerar pressuposto. exigindo muito do leitor? A introdução de informações novas é bem realizada? Há informações irrelevantes que podem ser dispensadas? - 126 TÉCNICA DE REDAçÃO Há excesso de informação? Há informações incompletas ou confusas? As informações factuajs estão corres’ à linguagem. Como alguns trechos devem ser riscados ou refeitos. divagações ou digres A REESCRITA DE TEXTOS sões. embora a fala possa servir de base para o início da escrita. tentando tomar o lugar do leitor. de forma mais distanciada. professores pais. irmãos ou Companheiros É importante que um leitor dê sua opinião sobre o texto. quanto: ao leitor: inseri-lo no texto ou tratá-lo de forma neutra e distanciada. nesse primeiro momento desprezamos a forma. Analise as decisões e a realização. Muitas vezes não há erro. clara. Falando. torna-se mais legível e de acordo com as exigências da língua padrão. As primeiras versões costumam trazer passagens distoan tes. trata-se de cortar e simplificar frases longas demais ou truncadas. construção do período. Com isso. Durante a reescrita. articulada Muitas vezes.ou há incoerências e descontinuidades? Consegue-se essa avaliação ao reler várias vezes o texto. Não se escreve como se fala. no texto. As informações fornecidas são suficientes ou o texto ficou muito denso.

A releitura é imprescindível para o aperfeiçoamento do texto. Quem precisa? Quem necessita? Para quem é Urgente? Para quem é imprescindível? No podemos definir com clareza Tornase uma realidade geral. O governo protelou a responsabilidade em relação à ação está diluída e não se pode identificar claramente de onde ou de quem emanou a iniciati A REESCRITA DE TEXTOS 129 va. Vive-se esperando o aumento de preços.. O uso da primeira e da terceira pessoa do plural é a estratégia recomendada quando a intenção é atenuar a subjetividade da primeira pessoa sem adotar a neutralidade absoluta Frases como Procuramos demonstrar . d) Uso gramatical do sujeito indeterminado Como a própria nomenclatura indica.. evidente. Acreditava-se em uma diminuição dos impostos.. os adjetivos e pronomes supérfluos. Tudo é dito como se fosse uma realidade que se apresenta sem intermediários e) Colocaram agente inanimado Uma outra maneira de impessoajizar o texto é colocar como agente um ser inanimado. científicos apresentam. A diretoria ordenou. 19 Ocultar o agente A expressão é precisO serve a esse propósito de neutralidade. Nossas conclusões. Reconheço Minhas conclusões. Assim também expressões como: é necessário é urgente. Vamos focalizar a seguir alguns aspectos que merecem atenção e que podem ser aperfeiçoados na reescrita. Ela é muito útil quando queremos inserir uma informação da qual não sabemos a procedência exata. os jogos de palavras. Na escrita não dispomos disso. expositivos. um fenômeno. eliminar os rodeios.. 127 2. Fala-se muito em renovação dos quadros funcionais.. atenuando a dialogia e Ocultando o agente das ações. essa característica de ocultar o agente. Vejamos algumas delas. usar a passiva sem esclarecer seu agente é um recurso gramatical para impessoalizar a informação. a) Generali. A impessoalização do texto 128 TÉCNICA DE ftEDAÇÀO Nem sempre temos interesse em deixar expljcjtas a nossa voz e as diversas vozes que São trazidas para compor um texto.aro sujeito. é imprescindível são Utilizadas para ocultar o agente. muitas vezes. não se pode determinar com precisão quem realizou uma ação quando usamos a estrutura de sujeito indeterminado. objetiva.. colocandoo no plural Uma forma elegante de se distanciar relativamente da subjetividade é io agente.todos nós podemos a qualquer momento. neutra. É um recurso muito utilizado na administração pública e na política. Os pesquisado reconhecem. a repetição desnecessária.. O nosso interlocutor está longe e. universal. e) O USO da voz passiva Enquanto na voz ativa temos um agente explícito. verbos conjugados em primeira e em terceira pessoa contribuem para que o diálogo se estabeleça entre autor e leitor de forma explícita.. Muitas vezes queremos adotar uma posição impessoal. Os textos dissertatjvos informativos... Por meio dela podemos avaliar o funcionamento do texto e propor reformulações. Gramaticalmente há muitas maneiras de conseguir esse objetivo. na voz passiva esse agente pode estar oculto. aparen temente neutra.. são menos subjetivas que Procurei demonstrar. Veja o exemplo: . acrescentar informações e corrigir outras. Devemos.. precisamos alcançar a maior exatidão possível. Um texto é pessoal e subjetivo quando pronomes pessoais e possessivos. e sempre que o nosso interlocutor quiser. por isso. Assim. então. uma instituição ou uma organizaç0 Quando escrevo frases como O Mjnjsí rio decidiu.

sofre de. piraguara. groteiro. conseguiu. Como vimos. Tinha as pastas de documentos nos braços. campino. Alguns termos enfatizam o trabalho ou a origem da pessoa. moqueta. (mostrou. Quem realizou? Quem está revelando? A voz passiva oculta o agente. a questão lexical. (detinha) 5. é portador de) li. camisão. peão. Teve um cargo de chefia. catatuá. beiradeiro. canguçu. Assim. mocorongo. demonstrou) . Uso do vocabulário Um dos pontos importantes para um texto bem estruturado. roceiro. mostra. O documento tinha muitos argumentos. é necessário procurar outras opções. baba quara. baiquara. talvez mais ricas e mais exatas: 1. para o campo semântico do verbo ter. botocudo. Tem muitos bens. curumba. Tem bom aspecto. provocava) 9. caipira. chapadeiro. agreste. Na cerimônia.Novas descobertas foram realizadas em centros de estudo e laboratórios ao redor do mundo. sitiante. conquistava. Os funcionários esperam ter férias em julho. macaqueiro. caburé. conquistou) 8. (padece de. gozar) 4. pé-no-chão. catimbó. carregava. e todas elas utilizam recursos e possibilidades presentes no sistema gramatical da língua. Está sendo revelado ao mundo que o cérebro é um órgão mais fascinante. rústico. restingueiro. (manter. Teve uma forte emoção. Algumas 130 TÉCNICA DE REDAÇÃO pessoas têm dificuldade na seleção da palavra certa. Ainda tem recursos para a viagem. mateiro. babeco. é a escolha cuidadosa do vocabulário. encerrava. capurreiro. arrolava) 10. apresentava. ou seja. baiano. queijeiro. caboclo. (usufruir. como: lavrador camponês. Ele tem uma doença contagiosa. usava. Você é um desses casos? A solução é ter paciência e esperar um pouco até que o “arquivo” mental processe o pedido e devolva uma série de possibilidades. trazia) 3. tabaréu. campeiro. desfrutar. tinha um belo terno. (apresenta. mambira. ostenta) 13. capa-bode. Não se satisfaça com a primeira opção que vem à cabeça. Imaginemos que você vai escrever um texto sobre trabalhadores rurais brasileiros de diversas regiões. (obtinha. guasca. (trajava. deu prova de. Não conseguia ter o poder por muito tempo. mano-juca. agricultor campestre. Tivemos em nossa casa um ilustre hóspede. urumbeba ou urumbeva (Dicionário Aurélio Eletrônico). em cada uma de suas acepções. alcançou. Ele teve muita iniciativa. casca-grossa. (continha. viveu) 12. abrigamos. Não se pode ficar satisfeito com a primeira possibilidade que vem à A REESCRITA DE TEXTOS 131 mente. Tinha grande poder. revelou. saquarema. mandi ou mandim. adequado à situação e aos objetivos do redator. mucufo. catrumano. biriba ou biriva. O segredo do uso adequado do vocabulário é selecionar e combinar cuidadosamente. campesinho. brocoió. o processo é semelhante. (ocupou. rurícola. bruaqueiro. sustinha. caapora. (sentiu. morador. caiçara. cafumango. despertava. obteve. conseguia. (dispõe de) 6. tapiocano. trazia) 15. maratimba. há diversas maneiras de tornar o texto impessoal. vaqueiro. mixuango ou muxuango. vestia. recebemos) 14. possui) 2. (acolhemos. (segurava. Dessa lista ou paradigma é fácil eleger a palavra que mais combina com o contexto. sitiano. outros têm um sentido pejorativo associado à idéia de primitivo. A escolha vai depender da análise dos objetivos do texto. capiau. complexo e poderoso do que antes se imaginava. exerceu. Na seleção dos verbos. conservar) 7. 3. casaca. atraía. capuava. sertanejo. campesino. há uma série de outras opções. (É dono de. jeca. em oposição à de civilizado. Para não repetir essa mesma expressão. semterra. capicongo. pé-duro. mandioqueiro. mixanga. que é mais exata para a idéia que se quer transmitir. Uma seleção inadequada pode prejudicar o funcionamento do texto e causar efeito inverso ao que se deseja. matuto. experimentou. beira-corgo. bóia-fria. curau. casacudo. cariazal. pioca. Se você for ao dicionário ainda vai encontrar inúmeras expressões regionais como: araruama. canguaí. Tinha a admiração de todos. cambembe. pira quara. pois quase sempre é a mais pobre.

ar render propor trazer Conte.. (recebeu. (devo. C?fl5 algumas adaptações. para todos. dos O sol nascei. inCI dir divisar avistar perceber bastar ser Suficie. Talvez não seja coisa muito nova.j5 Observe os quadro5 a seguir que ironizam a Iinguage Pedante da tecnocracia Você pode escolher aleatoriament um fragme0 de cada coluna e consegj formar uma frase gramaticalmente aceitável. mas desta vez. Desde tempos i/nemo. (completou. necessito) 132 TÉCNicA DE REDAÇÃO O verb0 da.. E necessário equiljj0 para assegur a clareza e a comuni cação Por iss0. (consagram. resultar ceder Conceder apresentar mani festa. recebeu) 19. que também é um verbo genérj0 depen dendo do contexto Pode ser substituído por: doa. Habitualmeitie a senhora distribui bolsas de estudo aos sábios da parolagem. Teve resposta positiva. Tenho a mesma opinião. acato. mas certamente é divertida (para amigos do idioma) e útil (para os inimigos). aceito) 17. preciso.. Trata-se do Guia de Discurso para Tecnocro tas Principiantes Sua versão original teria sido publicada numa revista polonesa Fontoura teve acesso a uma tradução de autor desconhecido que vai publicada adiante. mas inconsistente em termos de informação objetiva A REES’JJ. Tenho de falar. devotam. qualquer exagero pode levar ao lado Oposto. Cidadãos conscientes têm amor á história. dedicam. Fuja das expressões gastas. ao reescrever COflVfl1 eliminar palavras muito tCnicas. (adoto. tributam) 20. Nós enqua0 brasileiros 4 quest5.2te ter voca çào.. E uma versão melhorada de uma compilaçào surgida pela primeira vez há mais de 20 anos.DE TEXTOS Quadro 1: Elio Gaspari. Teve a punição merecida. ofertar oferecer produ/.. cheia de efeitos e palavras da moda. e dispensar palavras e expressões supérfluas evitando redundâncias ou expressões vazias que procuram Clichés. 4 nível de filosofia é importante.. sigo. apenas impressionar o leitor. passa adiante o tratado do bláblá-bl . sofreu) 18.16. 133 Madame Natasha tem horror a música Ela con fund bola de Taffarel com bolero de Ravel. nClujr registr Consignar atribuir encon/. que fazem parte do jargão de uma determinada profissão. na revista Time. O leitor pode combi na qualquer expressão .. (obteve... cismar Sentir acontecer ou Outros Nosso léxico é muito rico e no devemos nos contentar com o mínimo Vale a pena investir na amp1iaç0 do fosso acervo individual para produzir textos melhores Entretanto. conta) 21. Ele já tem 90 anos.. mas sem conteúdo definido ou consistente. graças ao jornalista Walier Fontoura. Evite esse tipo de linguagem complexa rebuscada. revelar cometer causar Soltar emitir publicar di/ gar realizar vender administrar aplicar ministrar proferi dedicar Consagrar Provocar rese.

Não podemos a atual estnjs. a cavaleiro da situação contingente. em termos de eficácia e eficiência. Segundo os autore5. mas antes particularizando.lisiada na primeira coluna i com outras. indispensável e flexibilidade das interdisciplinar horizontal. Quadro 2 COLUNA A COLUNA B COLUNAC COLUNA D COLUNA E — COLUNA F COLUNA G 1. 1998. ou como sua premissa uma congruente potencial orgânica de interdependência antes revalorizando. ativando e implementando. i MANUAL DE TECNOMISIIFÍCAÇAU i estudos efetuados essencial na financeiras e formulação adnijmst ivas Assim mesmo. O cntério metodológico reconduz a sínteses a pontual correspondência entre objetivos e recursos com critérios nãodirigísticos. a adoçào de uma metodologia diferenciada.jun. O novo tema social propicia o incorporamento das funções e a descentralização decisional numa visão orgânica e não totalizante. O método participativo propõe-se a o reconhecimento da demanda não satisfeita mediante mecanismos da participação. 6. uma vez que das informações formação de quadros. o coenvolvimento ativo de operadores e utentes. estruturas. o novo modelo coninbui para das novas proposições estruniral aqui a correta preconi0 determinação A prática mostra que o desenvolvimento assume importantes das opções básicas para de formas distintas posiçõesun definição o sucesso do prograrun de atuação Nunca é demais a consiante divulgação facilita5 definição do nosso sistema de insistir. não omitindo ou calando. um indispensável salto de qualidade. 2. não assumido nunca como implícito. O quadro normativo prefigura a superação de cada obstáculo e/ou resistência passiva sem prejudicar o atual nível das contribuições. A REESCRITA DE TEXTOS 135 4. O modelo de desenvolvimento incrementa o redirecionamento das linhas de tendência em ato para além das contradições e dificuldades iniciais. Estrutura dos períodos . A e5periôncia a consolidação das prejudica a pereepçào das condições mosa que estmiaras da impocia apropfia para os negócios. potenciando e incrementando. na ordem 1. condicionante. no contexto de um sistema integrado. mais curativa. tecnologico. a redefinição de uma nova figura profissional. A utilização privilegia uma coligação segundo um módulo recuperando. o aplainamento de discrepmncias e discrasias existentes.a da auxilia a preparação das atitudes e das esquecer que organização e a estruturação atribuições da diretoria Do mesmo modo. com as devidas e imprescindíveis enfatizações. 4. 3. 2. sem dizer coisa nenhuma. assim de fomiação de de reformulaçào corno atitudes Jornal de Brasfl0 28. na medida em que isso seja factível. superestrutura população. 5. das demais. É fldansenfal a amimar dos divemos oferece uma boa dos nidice pretendidos ressaltar que resultados oportunidade de venfleação O incentivo ao avanço o início do prograin acan-era um processo das formas de ação. permite ao empulhador que fale ininterruptamente por mais de 40 horas. A necessidade se caracteriza por uma correta relação no interesse substanciando e numa ótica a transparência de emergente entre estrutura e primário da vitalizando. 3 e 4. 7. a expansão de nossa exige a precisão e a dos conceitos de atividade definição Participação geral. preventiva e não cada ato decisional. para uma práxis de trabalho dr grupo. evidenciando e explicitando. As variações possíveis sO cerca de 10 mil.

o aluno mais estudioso. Observe este exemplo retirado de um rascunho de documento pedagógico: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste em tomar a linguagem como atividade discursiva. d) Expressões intercaladas: isto é. ou seja. as frases devem ser curtas. como se acredita no senso comum. objeto direto + objeto indireto + Quando? Onde? Por quê? Como? Com quê? Nenhum desses elementos pode estar separado do outro por vírgula. E geralmente preferível a ordem direta: sujeito + predicado + complementos Na construção dos períodos. . E principalmente um fator sintático. Quando o redator não consegue dividir adequadamente as idéias em períodos distintos. a não ser que esteja em posição invertida. que é uma fonte imprescindível de informações. É preciso memorizar que não se usa vírgula entre o sujeito e o predicado. Quanto mais extenso for o período. e) Separar orações intercaladas ou não. mas apenas provocar algumas reflexões. sugerimos que você volte aos seus livros de língua portuguesa e tente se aproximar dos capítulos de sintaxe com outros olhos.Aspecto decisivo para a reescrita de textos é a avaliação da construção dos períodos. Cada uma das possibilidades sintáticas constitui uma maneira diferente de transmitir uma posição.foi aprovado no concurso público. as diversas formas de elaborar uma idéia. Se você aceitar a sugestão e voltar às gramáticas ou aos livros didáticos para uma revisão de sintaxe. por exemplo. A ausência de ponto final também constitui um problema de sintaxe. ordenando-os de forma lógica. E necessário observar cuidadosamente a sintaxe da oração: Sujeito Predicado e complementos Com o qual o erbo concorda Paulo entregou o texto a Joana ontem na sala subitamente. Em textos expositivos. oficios. A pontuação A vírgula é a principal dúvida de todos os redatores. convém evitar orações intercaladas muito longas. estarei pronto. e) Separar enumerações: Escrevi cartas. fora da ordem direta. de dar ênfase a um tópico. aliás. Este é o grande defeito do ensino escolar: desvincular a análise sintática da produção de textos. coordenadas sem conjunção — O livro. maior será a possibilidade de se perder o controle da sua elaboração e cometer impropriedades estruturais. ou melhor etc. o . esperamos que tenham uma boa I. nem entre o predicado e seus complementos. acumula informações de forma densa e complexa. já que une e separa elementos de uma oração.4 REESCRITA DE TEXTOS 137 Observação: as adjetivas restritivas não aceitam vírgula: O livro que o professor sugeriu é bom. de provocar uma interpretação. procure identificar as relações sintáticas para observar se há concordância entre os termos das orações e se a pontuação está correta. Sempre que estiver reescrevendo seu texto.’iagem. procure analisar 136 TÉCNICA DE REDAÇÃO as possibilidades da língua. está caro. com o objetivo de construir períodos melhores em seus textos. memorandos. os recursos disponíveis. 5. A pontuação é um dos principais problemas dos textos e ela depende de um conhecimento mínimo de análise sintática. Ela não serve apenas para marcar pausas ou momentos de respiração. disseram os alunos. ágeis. é bom. É correto utilizar a vírgula para: a) Separar o vocativo: Senhoras e senhores. adverbiais: Quando chegar o dia do exame. dissertativos ou argumentativos. dificultando a interpretação do leitor. que dificultam a compreensão do leitor. ou seja. Como nosso objetivo aqui não é oferecer uma revisão gramatical. b) Separar o aposto explicativo: Pedro. adjetivas explicativas: O livro. Esqueça aquele desespero ao decorar classificações para preencher exercícios ou testes e procure entender o funcionamento lógico da frase e seus efeitos de sentido junto ao leitor. relatórios e monografias. pareceres.

o melhor é criar familiaridade com as palavras. pesquisadores. falar. interstício. CONSULTE O DICIONÁRIO SEMPRE QUE TIVER DÚVIDA. Alguns procedimentos podem ajudá-lo a melhorar seu desempenho em relação à ortografia: A REESCRITA DE TEXTOS 139 LEIA MUITO. deslizar. e por meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. permitindo. RS: perspectiva. Podemos dizer que há problemas de sintaxe e de estilo. superstição. da aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos que possibilitem a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. Identifique quais são os seus problemas mais freqüentes e concentre seu esforço e sua atenção sobre esses casos. PRI BL/CL/FL/DR: problema. Observe que não há problemas de concordância. Tal procedimento permite. leia-a várias vezes em voz alta para gravar o som. ler e escrever. ler e escrever de maneira crítica e autónoma. escreva sem olhar para o texto original e depois confira. vazio. SOLETRE. analisar. Essas ocorrências exigem maior atenção. sem. por 138 TÉCNICA DE REDAÇÃO meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos ora is. escrevemos de forma manuscrita e sem possibilidade de consulta ao dicionário. PEÇA A ALGUM PROFESSOR PARA DIAGNOSTICAR SUAS DIFICULDADES. flandre. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. o texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas à coerência e à coesão textual. Esses conhecimentos possibilitam a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. A divisão em períodos menores. ortografia. O melhor e mais seguro é consultar o dicionário muitas vezes até memorizar a ortografia da palavra. Não podemos individualmente modificar a ortografia conforme nossa preferência. flanela. A questão da ortografia A ortografia das palavras é uma convenção que envolve decisões coletivas e históricas. acento. baixeza. Entretanto. ensaio. É impossível ter certeza . A língua portuguesa oferece muitas dificuldades ortográficas. mas a decisão final é ainda do redator. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. 6. Sempre que encontrar uma palavra dificil ou nova para você. visor. por meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos orais. FAÇA PALAVRAS CRUZADAS NAS HORAS VAGAS. NAMORE AS PALAVRAS. de maneira crítica e autônoma. puxar. Hoje. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. Vejamos: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste etn tomar a linguagem como atividade discursiva. As principais dificuldades de grafia das palavras em português são decorrentes das muitas representações gráficas para um mesmo som ou dos encontros de consoantes: SS/C/S/Ç/SCIX: assunto.texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas á coerência e à coesão textual. FOCALIZE SUA ATENÇÃO NOS PONTOS EM QUE AINDA TEM PROBLEMA. atraso. J/G: viajem (verbo). muitas vezes. SIZ: riqueza. exceção. LEIA PRESTANDO ATENÇÃO NA GRAFIA. fecho. que podem ser solucionados pela divisão em períodos menores e uma adequada colocação de pontos finais. análise. açúcar. instituições de ensino. como nos concursos. À medida que se escreve. A dúvida é natural mesmo para quem escreve todos os dias e vive de escrever. X/CH: ficha. as necessárias adaptações sintáticas e a pontuação transformaram o texto de forma a facilitar a leitura. crescer. nem sempre podemos usar o computador. uma grande parcela dessas dificuldades se resolve pelo uso do computador. viagem. falar. Portanto. o programa aponta dúvidas. epor meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. E. contudo. estender. máximo. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. proclama. Entretanto. DUVIDE SEMPRE DA GRAFIA DE SÍLABAS COMPLEXAS. acentuação. publicações e leis. incorreções e palavras inexistentes. alterar o sentido original. a aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos. nascer. oficializadas por segmentos como Academias de Letras. o texto oferece dificuldade de leitura por prolongar-se excessivamente. SEPARE AS SÍLABAS DE PALAVRAS NOVAS.

Sugerimo5 que o redator tenha à mão um cartão plastificado com o resumo das regras para Consulta diária. 7. mas essa é facilmente resolvida com o treino. pronomes pessoais: ela. os dois as se encontram e acontece a crase: José entregou o livro a > a professora recebeu o livro. A memorização vem com o uso. Deveríamos chamar o dicjonáijo de “pai dos sábios”. você consolida sua intimidade com a língua escrita e as infinitas possibilidades de expressão. alguém. apelidado indevjdainen te de “pai dos burros”. Mas é relativamente simples Alguns verbos transitivos indiretos exigem o uso de uma preposição a. Assim. José entregou o livro à professo. e até escritores prestigiados têm dúvidas e vão ao dicionário a todo momento Quem tem vergonha de demonstrar dúvida e de dicionário. adequação dos co- . Saiba que revisores profissionais têm ao alcance da mão muitos livros de 140 TÉCNiCA DE REDAÇÃO consulta. Não se usa crase também em expressões como: cara a cara de alto a baixo de baixo a cima de fora a fora dia a dia face a face frente a frente gota a gota Muitas expressões exigem sinal indicativo de crase. este. a consulta constante às regras e a atenção na hora de escrever e de revisar. Em todos estes exemplos a é preposição José entregou o livro ao amigo. 142 TÉCNiCA DE REDAÇÃO ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NO APERFE1ÇOA0 DO TEXTO ASPECTOS TEXTUAiS S Sintaxe de Construção Reescrever obsersando. A REESCRITA DE TEXTOS 141 José entregou o livro a correr José entregou o livro a esse homem.a Não se usa sinal indicativo de crase antes de verbo palavra masculina. Observe uma tabela de avaliação de textos que sintetiza as questões referentes à qualidade textual e pode servir de roteiro para sua própria releitura. quem. pois quem o consulta com freqüênj tem realmente mais familiaridade com os fatos da língua. José entregou o livro a quem pediu. A acentuação gráfica também merece atenção especial. pronomes indefinidos. quando em seguida a esses verbos há uma palavra feminina que admite artigo feminino a. pronomes demonstrativos: esse. mim. José entregou o livro a ela. porque essas palavras nunca são antecedidas por artigo feminino. corre muito mais risco de errar. como: à altura à escolha à margem de à bala à espera à medida que à base de à esquerda à página 10 à beça à força à parte à beira de à francesa à primeira vista à caça à luz à procura à direita à maneira de à proporção que à disposição à mão (escrever) à razão de à entrada à mão (estar) à tinta à época à máquina (escrever) Acostume-se a tirar dúvidas sempre que elas aparecem. O uso do sinal indicativo de crase Muitas Pessoas acreditam que é impossível compreender o funcionamento da crase..absoluta da grafia correta de todas as palavras da língua.

LE Concordância Corrigir conforme justificativa gramatic catíticaI/ Caso VOC Seja professor pode usar as letras da primeira coluna como indicações nas margens dos textos de seus alunos. P Paragrafo Agrupar ideias complementares ou depen dentes Distribuir idéias por parágrafos di ferentes Escrever transição entre parágrafos G Gênero Nlanter o fom conforme o gênero. Atica. pois. Meu amigo leitor Suponho que você esteja realmente interessado em aperfeiçoar sua habilidade em produzir textos. Pt Pontuação Retirar acrescentar OU modificar. Pode ser utilizado sem ajuda presencial. gratficantes e. Como vimos. março de 2000. eliminar repetições. tem a respostapara minha dúvida. Indicado para quem quer avançar rapidamente nas reflexões e na prática sobre a produção de textos. Curso rápido e completo de redação. distinguir a idéia central. Antônio Suárez. corrigir / fragnient5ç0 e truncamento de idéias. Afinal. é o resultado de muito trabalho com a linguagem. CARRAHER. O que signfica que você continuará crescendo sempre. Procurei traduzir conceitos muito sofisticados em linguagem quase informal. ou seja. houve muito crescimento. Papirus. Evitar mudanças ifljustificgv5 de nível. si. tenham desvelado novos horizontes para você. por meio de explicações e exercícios. enriquecedora e prazerosa. escrever bem. é acessível a todos. sobretudo. pode ser utilizado sem ajuda.1 nectis e palavras de relação. como eu gosto de fazer algumas vezes. súbita. se você se empenhou verdadeiramente. de frases e períodos construir Paralelism. desfa ze ambigüi55 V Vocabulário Eliminar ou substituir palavras repetida5 Utilizar paIara mais adequada Eliminar gíria. e somente você. e no grau que desejava. especificar generaIijaç5 articular as relações lógicas entre as idéias por meio de conectjso5 utilizar argumen_ los adequados. há sempre uma margem de incerteza. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. na qual estamos totalmente imersos. Não se contente em usufruir apenas o que a distribuição perversa do capital simbólico na nossa sociedade nos concede. (1993) Curso de redação. Curso rápido de redação e revisão gramatical. Bibliografia comentada de apoio ao aluno ABREU. Mas relaxe.it0 Coesão e coerência Reescrever obsers ando. além de fortalecer seu equipamento essencial de participação na sociedade. BARBOSA. pois chegou até aqui. pelo menos para as necessidades práticas. pode se transformar em um jogo. que vai dos processos de desenvolvimento da criatividade ao aperfeiçoamento da apresentação do pensamento lógico. Campinas. na escrita. leitor. O que leva tempo e exige paciência. mas não tenho muita segurança se consegui isso. leve. Lucília -. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia às ciências humanas. São Paulo. David W. espero que a leitura e os exercícios propostos tenham sido estimulantes. evi ta acúmulo de idéias num mesmo período. mesmo sendo uma tarefa complexa e prolongada. uma aventura lúdica. Cxpressões Coloquiaiç clichê5. vai continuar pela vida afora. O objeto desse jogo é a língua. De qualquer forma. Observar estruturas peculiares ASPECTOS GRA1ATICAIS E FORMAIS /iadei:s parágrafo Evidenciar maiúsculas O Corrigir conforme dicionário Corrigir conforme as regras. A REESCRITA DE TEXTOS 143 CARTA AO LEITOR Brasília. E é preciso lembrar que o trabalho com a leitura e a escrita é ininterrupto. Severino Antônio & AMARAL. Entretanto. São Paulo. Obra teórico-prática muito agradável que. Pioneira. não é uma iluminação divina. eliminar idéias incompatível5 sem importância para o desenvolvimeni da idéia central. Emilia. Escrever ler e compreender os infinitos matizes da linguagem são formas muito especiais de felicidade que nossa cultura nos proporciona. Se é que não começou pelo final. Quem buscava uma fórmula infalível e definitiva pode estar se sentindo frustrado ou atordoado. Queira sempre mais. O interesse pela linguagem. leva o leitor a se tornar mais crítico e . Fácil.

L. 148 TÉCNICA DE REDAÇÃO CASTELLO. (1997) Lições de texto: leitura e redação São Paulo. & FIORIN J. Apresenta excelente reflexão sobre questões lingüísticas e muitos exercícios práticos de leitura e produção de textos. (1986) Os cientistas precisam escrever. Napoleão M.reflexivo em relação às informações disponíveis na sociedade. Papirus. (1995) Técnicas de comunicação escrita. Petrópolis. Evanildo. Pode ser útil para trabalhos escritos disseativos VIANA. Imprensa Nacional. que não pretende estabelecer normas rígidas. Lindley L. Mattoso. (1991) Manual de redação da Presidência da República. CO5. Educ. (1986) A produção escrita e a gramática. (1992)Prática de texto: língua portuguesa para nossos estudantes. Severino Antônio & AMARAL.) e outros (1998) Roteiro de redação Lendo e argwnenta 00 São Paulo Scipione Curso de redação completo com muitos textos para leitura e exercí. A. ALMEIDA. PLATAO F. São Paulo. J. Globo. (1989) Como escrever textos São Paulo. São Paulo. Obra Clássica. Record. CAVALCANTI. BARRAS. BRONCKART. C. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. já os antecipava por meio de uma observação aguda do funcionamento dos textos literários Indispensável para todos que querem se aprofdar nas questõe5 da escrita em língua POrtugue MARTINS Eduardo (org) (1997) O Estado de S. Jean-Paul. M. FARACO. São Paulo. T. Atica. Antônio Suárez. ______ & MATTOS. (1989) Interação leitor-texto: aspectos de interpretação pragmática. BASTOS. Nova Fronteira. Porto Alegre. Rio de Janeiro. CALKINS. São Paulo. mas. CARRAHER. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia ás ciências humanas. BAKHTIN.. 1981. (1999) Inventário das sombras. Vozes. São Paulo. Brasília. A. . Martins Fontes. Vozes. José. São Paulo. Robert. pois é organ1a0 a pair de verbetes em ordem alfabética Assim como um bom dicionário. Artes Médicas. Atica. 146 TÉCNiCA DE REDAÇÃO GÁRCIÁ Otlio0 M. Celso & CENTRA. São Paulo. (1983) Manual de expressão oral e escrita. BARBOSA. (1989) A arte de ensinar a escrever. Ática. (1986) Co0j ão enj prosa ‘noderna Rio de Janeiro. São Paulo. (1930) Marxismo e filosofia da linguagem. sem ajuda presencial de um professor. F. Opressão? Liberdade? São Paulo. M. Hucitec. Curso de redação em duas panes uma para o aluno e outra para o professor. Pioneira. BRASIL. deve estar sempre á mão do redator. (1985) Ensino da gramática. Ótimo curso completo de produção de texto para estudantes universi tários e outros interessados. sor. à qual todas as Outras produzidas no Drasil se repoam no que diz respeito à produção de textos Embora não utilize conceitos modernos da lingüjstj textual. M. (1989) Curso de redação. Ática Excelente coletânea de textos comentados e analisados segundo os princípios mais atuais da lingüístj Fácil in(eres5te e pode ser utilizado individualmente. de (1998) Dicionário de questões vernáculas. o capítulo a respeito da organizaç0 das idéias é muito interes sante. L. São Paulo. o Estado de S. Carlos Alberto & TEZZA. L. (1995) Nova gramática do português contemporáneo. Paulo/Moderna Manual de Consulta rápida para solucionar dúvidas de escrita da língua Pougues padrão Muito útil e fácil de usar sem ajuda do profes. BECHARA. São Paulo. Não é de fácil consulta para iniciantes que querem tirar dúvidas práticas de gramática. K. Cristóvão. Izidoro. David W. (1999) Atividade de linguagem. sim. Pode ser utilizado como manual de curso ou como roteiro indiyi dual de trabalho. Campinas. (1994) Coesão e coerência em narrativas escolares. Emília. São Paulo. CUNHA. BLINKSTEIN. Petrópolis. (org. Trata-se de uma gramática moderna. Bibliografia para aprofundamento ABREU. Martins Fontes. M. (1930) Estética da criação verbal. como pode ser um manual de curso SERAFINI Mafla Teresa. Martins Fontes. Pau/o Jllanjja/de redaç o e estilo São Paulo. Fundação Getá lio Vargas. Pode ser usado como manual para cursos de redação ou individualmente. C. CAMARA Jr. descrever os usos reais e atuais da língua nas diversas circunstâncias. Unicamp. textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. Atica. 1992. Queiroz. Campinas. A.

B. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. São Paulo. Cadernos PUC 22. T. L. Paz e Terra. . (1987)A articulação do texto. Atica. Como ler. SE/CENP. Companhia das Letras. São Paulo. Pontes. 1. e outros. Othon M. COWLEY. C. Martins Fontes. São Paulo. Lawrence Erbaum. São Paulo. Paulo/Moderna. Educ. São Paulo. Martins Fontes. Papirus. o discurso competente e outras falas. GÓES. Atica. São Paulo. Campinas. São Paulo. G. Editora Universidade de Brasília. 1n. São Paulo. Z. Marilena. FIORIN. (1986) Comunicação em prosa moderna.) (1985)Lingüística textual Texto e leitura. LEMOS. São Paulo. MARTINS. Nova Fronteira. GUIMARÀES. Pontes. Savioli. In: Subsídios á proposta curricular — São Paulo. GARCEZ. Alberto. Smolka e outros (orgs. Atica. (1986) No mundo da escrita. ILARI. (1989) Leitura: ensino e pesquisa. DIJK. MANGUEL. Campinas. (1994) Escrever. L. J. Celso & CINTRA. Enilde L. São Paulo. S. Malcoim. Vozes. São Paulo. MARTINS. (1997) Aprender e ensinar com textos dos alunos (coord. Eglê. GNERRE. (1997) Uma história da leitura. and Work in Communities and Classrooms. Atica. HEATH. entender e redigir um texto. Lindley L. F. (1991) Linguagem epersuasão. por uma nova concepção da língua materna. São Paulo. V. Cambridge. Contexto. FÁVERO.. Cortez Editores. (1998)A escrita e o outro. M. Rio de Janeiro. KLEIMAN. Marcos. FRANCHI.. LUFT. W. Petrópolis. Wilson. L. L(fe. D. Atica. L. J. Cambridge University Press. Martins Fontes. Moderna. Rocco ECO. R. F. CITELLI. In: L. (1984) Argumentação e linguagem. Fundação Getúlio Vargas. Minam. Marguerite. KATO. (1997) Convite à Filosofia.CHAUI. discurso. MARTINS. C. A. (1983)Lingiiística textual: introdução.) O texto na sala de aula: leitura eprodução. GERALDI. W. Astúcias da enunciação. Campinas. São Paulo. Atica. (1984) E as crianças eram dflceis. B. (1993) Oficina de leitura: teoria e prática. CUNHA. Rio de Janeiro. Unicamp/Pontes. de. C. COSTE. Adriano da Gama. (1991) Cultura e democracia. Contexto. D. de J. São Paulo. São Paulo. São Paulo. São Paulo. São Paulo. (1996) Linguagem e ensino — Exercícios de militância e divulgação. (1991) Coesão e coerência textuais. (1989) Para falar e escrever melhor o português. GREEG & E. São Paulo. KURY. (1985) (org. Assoeste. & PLATÃO. R. DURAS.) (1998) O Estado de 5. São Paulo. São Paulo. Maurizzio (1985). In: A lingüística e o ensino da língua portuguesa. Eduardo. Ingedore. Pontes. R. Cortez Editores. 5. L. Campinas. Petrópolis. interação. Umberto. L. A redação na escola. FAULSTICH. (1991) Portos de passagem. (1983) Ways with Words: Language. Cortez. Elisa. (1985) Nova gramática do português contemporâneo. (1988) Apalavra escrita. (1985) Língua e liberdade. Martins Fontes. Lucília H. Contexto. Paulo — Manual de redação e estilo. Perspectiva. (org. (1993) A criança e a escrita: explorando a dimensão reflexiva do ato de escrever. J. algumas reflexões. HAYES. Brasiliense. escrita e poder. GARCIA. Maria Helena. São Paulo. R. (1980) The dinamics ofcomposing: making plans and jugging constraints. (1992) Guia teórico do alfabetizador. & FARACO. MANDRYK. (1987) Prática de redação para estudantes universitários. L&PM. Adilson. A. (1988) O texto: leitura e escrita. Rio de Janeiro. São Paulo. (1978) Coerção e criatividade na produção do discurso escrito em contexto escolar. O Estado de S. LEMLE. Brasilia. M. Martins Fontes. Atica. (org. FIORIN. (1988) O que é leitura. Mercado de Letras — ALB. Companhia das Letras. A. (1990) A coesão textual. 1988. Ingedore.) Lígia Chiappini. (1992) Cognição. P. STEINBERG (1980) Cognitive Processes en Writing. J. São Paulo. C. M. (1985) Como sefaz uma tese. (1985) O aprendizado da leitura. A. KOCH. & PASCHOAL. Atica. (1985) Uma nota sobre redação escolar. & KOCH. (1997). (1993) A inter-ação pela linguagem. Vozes. & FLOWER. Nova Fronteira. Campinas. Porto Alegre. (1989) Texto e leitor: aspectos cogniti vos da leitura.) A lin BiBLIOGRAFIA PARA APROFUNDAMENTO 149 guageni e o outro no espaço escolar: Vygotsky e a construção do conhecimento. Campinas. NJ. (1989) Os escritores 2 — As históricas entrevistas da ‘Paris Review “. Linguagem. Cascavel.) (1982) Escritores em ação: as famosas entrevistas à “Paris Review “. São Paulo. (org. MAFFEI. São Paulo. São Paulo. (1990) Lições de texto: leitura e redação. Ática.

5. VAL. L. SALOMON Délci0 Vieira (1991) Conzo fazer uma monografia São Paulo. (1978) Técnica de redação Rio de Janeiro. São Paulo Funda ção Carlos Chagas. L. 1987. Martins Fontes. Provas de argume ração. Globo SOARES Magda & CAMPOS. Ricardo (1994) O laboratório do escritor São Paulo Ilumjnuras POS SENTI Sírio. (1998) Roteiro de redação Lendo e argument 0 São Paulo. problemas e técnicas na produção oral e esc. T. Kajrós PECORA Alcir (1983) Problemas de redação São Paulo. Sagra. R. SERAFINJ Maria Teresa (1974) Como escrever textos Rio de Janeiro. Maria da Graça Costa (1991) Redação e textualidade São Paulo. “ 150 TÉCNICA DE REDAÇÃO ORLANDI Enj PuJcjnellj (1988) Discurso e leitura São Pau1o/Camp nas. 5. Campinas Papirus TRIGO Luciano (org) (1994) O Globo: grande5 entrevistas os escri tores. Atlas. Ao Livro Técnico SMOL A. Smolka e Outros (orgs. Cortez Editores/Unicamp OSABE Hakjra (1977) Redações no vestibular. F. (1981) Crise na linguagem. Martins Fontes. . (1987)Deshurocratizaçãolingüística como simplificar textos administrativos.-ita São Paulo. Martins Fontes. (1993)4 dinámíca discursiva do ato de escreler. São Paulo. (org. C.) e outros. (1988) Discurso. Mestre Jou. A. Atica. 1978 (1930) Pensamento e linguagem São Paulo. a redação no vestibular. PIGLIA. Scjpion VIGOTSy L. B. Manjns Fontes PENTEADO J. Mercado Aberto MPfES40 e (ANC-P 42MENJO . ZANDWAIS Ana. São Paulo. (1990) Estratégias de leitura: como decodcar sentidos flão-literais na linguagem verbal Porto Alegre. Globo. Pioneira. Neide R. São Paulo. David R. B. Cadernos de Pesquisa número 23. Rio de Janeiro. (1997) O mundo no papel as implicações conceituais e cognitivas da leitura e da escrita. Uso5 da linguagem. J. VIANA. MENDONÇA. (1979) Argumentç0 e discurso po1íti0 São Paulo. OLSON. estilo e subjetividade So Paulo. E. Martins Fontes. (1982) Leitura em crise na escola: alternativas doprofrssor Porto Alegre. Martins Fontes.) A linguagem e o outro no espaço escolar: Vygots e a construção do conhecimento. Whjtaker (1986) A técnica da con humana São Paulo. Martins Fontes (1997) Por que (não) ensinar gramátjc na escola Campinas Mercado Aberto/ALB ROCCO M. VANOYE Francis (1982).MEDEIROS.AF 6J9?78a . (1930) A formação social da mente São Paulo. (1991) Redação cientifica. ZILBERMAN Regina. relação ora/idade escritura In: A. Pioneira. São Paulo.

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