TÉCNICA DE REDAÇÃO

O que é preciso saber para bem escrever Lucília Helena do Carmo Garcez

Martins Fontes
São Paulo 2004 /

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Copyright © 2001, Lirraria Mar rins Fontes Editora Ltda., São Paulo, pata a presente edição. l edição abril de 2001 2 edição agosto de 2004 Revisão gráfica Mar ia Luiza Farret Célia Regina Cantargo Produção gráfica Gera/do Ai: es Paginação/Fotolitos Studio 3 Desenvolvimento Editorial Dados beternacionais de Catalogação na Publicação (CW) (Câmara Brasileira do Livro. SP, Brasil) Garcez, Lucília Helena do Carmo Técnica de redação o que é preciso saber para bem escrever / Lucfl/a Helena do Carmo Garcez. — 2 cd. — São Paulo Martins Fontes. 2004. (Ferramentas) Bibliografia. ISBN 85-336-2038-1 1. Redação (L/teratura) 2. Redação técnica!. Título. II. Série. 04-5414 CDD-808.066 Índices para catálogo sistemático: 1. Redação técnica 808.066 2. Textos : Produção: Redação 808.066 Todos os direitos desta edição para a língua portuguesa reservados à Livraria Martinn Fontes Editora Lida,

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Índice
Introdução xiii Capítulo 1 Os mitos que cercam o ato de escrever 1
. —

1. Verdades e mentiras 1 2. Reconsiderando crenças 10 3. Novas atitudes em relação à escrita 11 4. Prática de escrita 11 Capítulo 2— Como escrevemos 13 1. Outras visões acerca do ato de escrever 13 2. A escrita como processo 14 3. Conhecendo melhor o processo de escrita 20 4. Novos procedimentos na escrita 21 5. Prática de escrita 21 Capítulo 3 — A qualidade da leitura 23 l.Oqueéleitura 23 2. Recursos para uma leitura mais produtiva 27 3. Os tipos de leitura e seus objetivos 29 4. Procedimentos estratégicos de leitura 30 5. Conhecendo melhor o processo de leitura 45 6. Prática de leitura 45 Capítulo 4 — Da leitura para a escrita 47 1. O trabalho com a memória 47

2. Resumos, esquemas e paráfrases 49 3. Conservando e reutilizando o que foi lido 59 4. Prática de síntese 59 Capítulo 5 — Decisões preliminares sobre o texto a produzir 61 1. Tomando decisões 61 2. Funções da linguagem 61 3. Decisões em relação às estruturas lingüísticas 72 4. Gênero e tipo de texto 79 5. Decisões orientadoras 84 6. Prática de tomada de decisões 84 Capítulo 6 — A ordem das idéias 87 1. A concepção das idéias 87 2. Das anotações para o texto 94 3. A organização das idéias 97 4. Da concepção à organização das idéias 109 5. Prática de organização 110 Capítulo 7 — O entrelaçamento das idéias 111 1. O tecido aparente do texto lii 2. Mecanismos de coesão textual 112 3. Problemas decorrentes da ausência de coesão 115 4. Entrelaçando as idéias 122 5. Prática de entrelaçamento 123 Capítulo 8 — A reescrita de textos 125 1. A releitura como avaliação para a reescrita 125 2. A impessoalização do texto 127 3. Uso do vocabulário 129 4. Estrutura dos períodos 135 5. A pontuação 136 6. A questão da ortografia 138 7. O uso do sinal indicativo de crase 140 Carta ao leitor 143 Bibliografia comentada de apoio ao aluno 145 Bibliografia para aprofundamento 147

“O escrever n0 tem rim» Scribendi Fedro Fábulas

Para Adriana, Cristina, Fabiana, Gabriel e Ana Flávia. AGRADECIMENTOS A Lígia Cademartori, pela confiança e pelas sugestões; Balthar, pelo estímulo solidário; Maria Luiza Corôa, pela parceria e pelos comentários; e aos professores/alunos, que tanto contribuíram durante estas reflexões.

Introdução
Produzir textos é uma atividade extremamente necessária tanto na vida escolar como na vida profissional e no dia-a-dia. Entretanto, no meu cotidiano docente, tenho encontrado alunos, jovens e adultos já formados, ansiosos, assustados, desencorajados, e, principalmente, desorientados quanto às habilidades e atitudes necessárias ao convívio mais natural e simples com a escrita. Percebi que muitas dessas posições negativas em relação ao ato de escrever haviam sido lentamente construídas ao longo da história escolar de cada um e que provinham de um desconhecimento da natureza, das especificidades e das exigências da escrita. Estimulada por alunos e colegas, decidi organizar as reflexões desenvolvidas ao longo de muitos anos de trabalho. Não quis produzir um tratado acadêmico acerca de redação, nem um livro didático, no sentido usual desse manual escolar, nem também um livro de exercícios impessoais de treinamento (pois há muitos, e bons, no mercado). Parti, então, das observações anotadas durante cursos e conversas com alunos (professores e futuros professores) da universidade, das minhas pesquisas em lingüística, de meu interesse por depoimentos de escritores, e de minhas próprias experiências como pessoa que escreve. Sempre acreditei que para ensinar a escrever era necessário viver intensamente o desafio da minha própria escrita. Adoto a vertente teórica que vê a língua, não apenas como uma herança social, mas como uma forma de ação, um modo de vida social, uma construção coletiva. A interação verbal e as relações coletivas e sociais constitutivas do jogo da linguagem, como elementos fundamentais que se conjugam na construção da língua, exercem sobre mim um fascínio que dá sentido à existência. Assim, não posso focalizar a produção de textos restrita a um conjunto limitado de regras que podem ser repassadas, memorizadas e aplicadas sem a participação e interferência do sujeito. Esse é o agente de uma ação intencional e estratégica sobre o interlocutor ou sobre o mundo, que constrói realidades e interpretações, numa determinada situação cultural. Procurei, neste livro, desmitificar, desconstruir idéias equivocadas, provocar uma mudança de atitude em relação ao ato de escrever e, conseqüentemente, ao de ler. Não proponho tarefas que se esgotam em si mesmas, mas procuro abrir novos horizontes para uma prática contínua e sempre enriquecedora do universo lingüístico, da auto-estima e da atividade intelectual do leitor. Escrevi este livro para quem está pessoalmente interessado em renovar suas próprias práticas de escrita, mas penso que professores que trabalham com o ensino de redação em qualquer nível são interlocutores bem-vindos às reflexões que proponho. A autora XIV
TÉCNICA DE REDAÇÃO

Capítulo 1

Os mitos que cercam o ato de escrever
1. Verdades e mentiras

O aprendiz precisa das outras pessoas para começar e para continuar escrevendo. pais. Quais são as falsas crenças. qual seria o papel da escola? E o que aconteceria com aqueles que. apanhei. Para gostar de ler. O que vai determinar o nosso grau de familiaridade com a escrita é o modo como aprendemos a escrever. e gostei do resultado. um ato autônomo. a intensidade do convívio estabelecido com o texto escrito e a freqüência com que escrevemos. e acaba voltando à luta. entrega os pontos num assunto que sente que é capaz de. caí. a importância que o texto escrito tem para nós e para nosso grupo social.” Essas são algumas das afirmações mais freqüentes entre alunos de cursos de produção de textos. Caso a escrita fosse um dom inato. Ninguém nasce escritor e o processo que transforma alguém em um artista da palavra é ainda um enigma. coletiva.Durante sua vida escolar. a vocação ou o dom dependem de muita persistência: Como começou a escrever? Foi um processo demorado. bloqueados diante da página em branco. antes de tudo. pois até mesmo profissionais maduros demonstram insegurança em relação à própria expressão escrita. desvinculado das práticas sociais. Quando resolvi experimentar escrever. Conseqüentemente. Voltei a tentar. 4 ed. um ato isolado. algo desnecessário no mundo moderno. fica infeliz. É preciso. nem sempre as mais adequadas. fossem se configurando e se enraizassem. aqui. os mitos mais freqüentes em relação à escrita? Há muitos. não consegui da primeira OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER vez. E o seu caso? Se não for. e muitos passam por etapas semelhantes aos redatores leigos. 7. ela ficaria apresentável. Dessa forma. todos podem escrever bem. Escrevi uma história. você deve ter cristalizado alguns mitos a respeito da produção de textos. desligado da leitura. são lições para o futuro.” “Não recebi esse talento quando nasci. da escrita literária. colegas. Entretanto. poderia ser aplicada a alguns poucos gênios da literatura. compreender que todas as pessoas podem chegar a produzir bons . nunca foram alfabetizados? José J. vamos usar alguns depoimentos e exemplos de escritores porque neles a luta com as palavras é muito evidente. com uns consertos aqui e ali.. Mesmo assim. principalmente porque exige envolvimento pessoal e revelação de características do sujeito. não gostei. As atividades escolares e os livros didáticos. E claro que não estamos tratando. Poucas pessoas conseguem escapar de um conjunto equivocado de influências e construir uma relação realmente saudável com o ato de escrever. Vol. que amadureceu devagar. são esses fatores que vão definir também nossa maturidade e nosso desempenho na produção de textos. A noção de dom. tendo recebido o dom. renomado autor brasileiro. levantei até que um dia escrevi uma história que quando li de cabe ça fria. São Paulo: Editora Atica. muitos jovens crescem pensando que nunca serão bons redatores.” “Não fui escolhido. uma questão que se resolve com algumas “dicas”. que são os que levam alguém a acreditar que escrever seria um dom que poucas pessoas têm. a revelação desses gênios só acontece depois do processo de aprendizagem e do convívio intenso com a língua escrita. Eu estava descobrindo que ler é milito mais fácil do que escrever. Mas é uma batalha curiosa: as derrotas que a gente sofre nela não são derrotas. um ato espontâneo que não exige empenho. 2 TÉCNICA DE REDAÇÃO a) Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas pessoas têm “Eu não tenho o dom da escrita. escrevi outras e outras histórias. contribuíram para que crenças. Veiga.fazer. nessa batalha permanente. Animado. e desanimei. mas aqui vamos refletir acerca dos mais devastadores. Mas quando a gente joga a toalha. Consertei. embora polêmica e questionável. tanto na história humana como na história de cada indivíduo. Embora seja uma das tarefas mais complexas que as pessoas chegam a executar na vida. p. 8. que têm texto péssimo e que não há formas de melhorar o desempenho na produção de textos. 1988. admitiu que até mesmo o talento. bem como alguns professores. achei que não estava ruim. você é uma exceção. A escrita é uma construção social.

p. muitas vezes. tão fortes como o javali. já clássico. significados. Continuemos com o depoimento de José J. trabalhando. teria poder de encantá-las. tontas à carícia e súbito fogem e não há ameaça e nem há sevícia . leigos.textos. Entanto lutamos mal rompe a manhã. Faz rigorosas exigências à memória e ao raciocínio. considere o poema. essa possibilidade de expandir pela palavra escrita emoções. São muitas. ao gênero adequado. Conhecimentos de natureza diversa são acessados para que o texto tome forma. Então você fica trabalhando. Para refletir sobre estas questões. l7jun. São Paulo. frustrante. Deixam-se enlaçar. Tiro o bagaço para deixar apenas o que tem peso. Folha deS. 1999. apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. que nós. Por que o senhor reescreve? — Epor conta de uma grande insatisfação. Veiga. tão substantiva? — É. Não acompanha o que você quer fazer. O que admiramos na literatura é justamente essa especificidade. não conseguimos traduzir com propriedade. A agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos envolvidos na escrita sejam articulados. harmonizados de forma que o texto seja bem sucedido. à situação em que o texto é produzido. tem que usar a linguagem. a essência. até visualiza. Se o fosse. quando quer pôr aquilo no papel. todos os dias. em que essa relação de necessidade. Algumas. sem o menor esforço. A tarefa pode ir ficando paulatinamente mais fácil para profissionais que escrevem muito. Eu desbasto o texto. Aí você descobre que a linguagem é tosca. 8. Não é assim. b) Escrever é um ato que exige empenho e trabalho e não um fenômeno espontâneo Muitas pessoas acreditam que aqueles que redigem com desenvoltura executam essa tarefa como quem respira. Portanto. insatisfatório. E necessário que o redator utilize simultaneamente seus conhecimentos relativos ao assunto que quer tratar. sem a menor dificuldade. amor e conflito em relação às palavras é apresentada de maneira extraordinária: OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER O LUTADOR 5 Lutar com palavras é a luta mais vã. — Por isso a linguagem do senhor é tão seca. Não me julgo louco. eu pouco. Escrever é uma das atividades mais complexas que o ser humano pode realizar. escrever é incompatível com a preguiça. E necessário também identificar bloqueios porventura construídos ao longo da vida escolar e tentar eliminá-los. mas. Folha Ilustrada. principalmente. Mas lúcido e frio. pensamentos. escrever não é fácil e. coordenados. Paulo. à língua e suas possibilida 3 4 TÉCNICA DE REDAÇÃO des estilísticas. Eu me vigio muito para não fazer aquilo que em linguagem popular se diz “encher lingüiça “. sensações. de Carlos Drummond de Andrade. e que é. aos possíveis leitores. Vocé imagina as coisas. cansativo. agora em uma outra entrevista: O senhor é muito conhecido por reescrever incessantemente seus textos. mas mesmo esses testemunham que é um trabalho exigente. e que isso não é uma questão de ser “ungido” pelos deuses que escolhem os mais talentosos. para chegar o mais próximo possível. Sempre queremos um texto ainda melhor do que o que chegamos a produzir e poucas vezes conseguimos manter na linguagem escrita todas as sutilezas da percepção original acerca de um fato ou um pensamento.

não seguro formas. Mas ai! é o instante de entreabrir os olhos: entre beijo e boca. Tarnanha paixão e nenhum pecúlio. Quisera possuir-te neste descampado. Entretanto. esta me ofertando seu velho calor. Ser-lhes-ei escravo de rara humildade. Sem me ouvir deslizam. luto. outra seu desdém. Na voz. esplende na curva da noite que toda me envolve. O teu rosto belo. iludo-me às vezes. se me desafias. Já vejo palavras em coro submisso. Insisto. tudo se evapora. Luto corpo a corpo. palavra (digo exasperado). sem maior proveito que o da caça ao vento. Carlos Drummond de Andrade e) Escrever exige estudo sério e não é uma competência que se forma com algumas “dicas” A idéia de que algumas indicações e truques rápidos de última hora podem solucionar problemas de produção de tex tos tanto para candidatos a concursos como para profissionais . ó palavra. nenhum travo de zanga ou desgosto. pressinto que a entrega se consumará. Guardarei sigilo de nosso comércio.. aceito o combate. outra sua glória feita de mistério. o sutil queixume. e um sapiente amor me ensina a fruir de cada palavra a essência captada. solerte. Palavra. Lutar com palavras Parece sem fruto. O ciclo do dia ora se consuma e o inútil duelo jamais se resolve. perpassam levíssimas e viram-me o rosto. Não têm carne e sangue. Preferes o amor de uma posse impura e que venha o gozo da maior tontura.. a luta prossegue nas ruas do sono. luto todo o tempo.que as traga de novo ao centro da praça. Busco persuadi-las. Cerradas as portas. outra seu ciúme. é fluido inimigo que me dobra os músculos e ri-se das normas da boa peleja. sem roteiro de unha ou marca de dente nessa pele clara. Não encontro vestes.

A autoria vem das escolhas pessoais dentro das POSSjbilid des da língua e do gênero. com sua bagagem de conhecimentos e experiências sobre o mundo e sobre a linguagem Não existem esque5 prévios ou roteiros infalíveis que Possam substituir tal envolvimento É a voz do indivíduo que orienta O texto. É pela leitura que assimilamos as estruturas próprias da língua escrita. atuar e possuir: certidões. E uma ação em que o sujeito se envolve de forma total. Precisamos de documentos escritos para existir. Essas exigências advêm do fato de estarmos nos comunicando a distância. realizamos ou dese 7 ‘ . propostas. e) Escrever é necessário no mundo moderno Observa-se que o cidadão comum. registros. relatórios. cédulas. diplomas. recibos. não ajudam em nada. frases feitas e pensamentos alheios. Uma redação por flês. acreditando que prescrever esse procedimento muitas vezes Suficiente para conseguir desempenho mínimo num concurso. tornando a pessoa mais crítica e mais resistente à dominação ideológica. artificial em que a voz do autor SC anula para dar lugar a clichês chavões. comunicados inundam a nossa vida cotidiana. escrever sobre assuntos diversos. Por outro lado. tudo está muito automatizado e as relações humanas por intermédio da escrita podem ser reduzidas ao mínimo: o telefone resolve a maior parte dos problemas do cotidiano. O que é a leitura é o nosso assunto do capítulo 3. temos a Colaboração do ouvinte Já OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER a comunicação escrita tem suas especificidades. d) Escrer é um prá lica que se aIic. atestados.a d !eitur É improvável que um mau leitor chegue a escrever com desenvoltura. as “dicas” fornecidas a partir de dificuldades reais vivenciadas na produç0 de textos podem ser úteis. certificados. Seu exercício intenso e constante promove a análise e a reflexão sobre os fenômenos e acontecimentos. Escrever bem é o resultado de Um percufSo Coflstijdo de muita prática. Portanto este é imprevisível. E necessário escrever sempre escrever todos os dias. projetos. É pela convivência com textos escritos de diversos gêneros que vamos incorporando às nossas habilidades um efetivo conhecimento da escrita. é o objetivo da escola Fórmulas pré_fabricadas de textos e “dicas” isoladas apenas Contribuem para a montagem de um texto defeituoso truncado.6 TÉCNICA DE REDAÇÃO que precisam mostrar competência escrita em curtíssimo prazo. dependendo do mundo profissional a que pertence. comprovantes. Envolve tantos procedimentos intelectuais e exige tantas operações mentais que o bom leitor adquire maior agilidade de raciocínio. declarações. suas exigências. esclarecedoras. paradoxalmente. iluminadoras. Quando estão isoladas de uma prática intensa. Hoje. sem apoio do contexto ou da expressão facial. escrever com diversos objetivos escre ver em diversas situações Associadas a muita prática. Alguns conseguem mesmo reduzir sua atividade escrita à assinatura de cheques e documentos. Tudo o que somos. tem engan0 e enriquej0 muitos donos de escola e de cursinhos Muitos professores oferecem uma espécie de formu1áro mental do que seria um bom texto para que o estudante preencha as lacunas. Além de ser imprescindível como instrumento de consolidação dos conhecimentos a respeito da língua e dos tipos de texto. o vocabulário e a própria organização do discurso. Para nos comunicarmos oralmente apoiam0 nos no contexto. Tratamos de forma diferente a sintaxe. contratos. muita reflexão e muita leitura. escrituras. o complexo mundo contemporâneo está cada vez mais exigente em relação à escrita. ser. Há ainda que se considerar que a leitura é uma das formas mais eficientes de acesso à informação. alguns exercícios esporádicos de Produção de pequen05 trechos não formam um bom redator.iia com aprálit. escreve muito pouco. temos. a leitura é um propulsor do desenvolvimento das habilidades cognitivas.

a cada dia mais seletivo. Parabéns! Segundo. O que antes se resolvia simplesmente com uma ligação telefônica passou a ser substituído por um texto escrito transmitido via fax ou e-mail. mas também sabe quando cada um deles é adequado. isolada. comunique o que sabe. se somos culpados. sempre que nos propomos a integrar os órgãos que conformam o sistema da cidadania urbana. Exige muito empenho. para. 16. Todos podem vir a ser bons redatores. Os profissionais que dominam essas habilidades mais complexas e sofisticadas têm mais chances no mercado de trabalho. adequado. Para nós. incluindo o Brasil. Isso me deixou muito irritada. investigada. Como vimos no item anterior. Navegar ou conversar na Internet exige um convívio especial com a escrita. Brasília. E nossa habilidade de escrever é exigida. A sociedade também é. sempre que nos submetemos a qualquer processo seletivo. O professor citou que sua namorada trabalha nas Nações Unidas. avaliada. claro. mais do que a população da Argentina. Veja o exemplo desta carta enviada ao jornal Correio Braziliense por uma leitora: Primeiro de tudo. Além disso. o que quer. gostaria de parabenizar o Jornal que é muito bom. defende e quer compartilhar ou expor ao outro como forma de interação. de uma tarefa profissional. A escrita tem um sentido e uma função. tentar controlar e acabar com essa catástrofe! M. estamos nos relacionando com os outros e nos constituindo como autores. Entretanto. por exemplo. pelo menos. L. Os truques podem ajudaros redatores que já estão em meio ao . J) Escrever é um ato vinculado a práticas sociais Todo ato de escrita pertence a uma prática social. acredita. p. mas não serve para contar uma viagem de férias para os amigos. objetivo. 2. Reconsiderando crenças Vimos que escrever não é um dom que apenas algumas pessoas têm. de uma investigação. Não se escreve por escrever. quando começamos a debater a pobreza e a fome nos países. Correio Braziliense. vamos tomar uma providêneia séria. Pela escrita estamos atuando no mundo. A escrita não é apenas uma oportunidade para que a pessoa mostre. na quinta-feira (dia 5). em que acredita. desvinculada do que o indivíduo realmente pensa. Assim. D.8 TÉCNICA DE REDAÇÃO jamos realizar deve estar legitimado pela palavra escrita. mas apenas uma forma de demonstração de habilidades gramaticais. necessidade temos à nossa disposição um acervo de textos apropriados. Estava no meu curso de inglês. Seção Cartas dos Leitores. Vale o escrito. Essa carta é um exemplo de como a participação pela escrita confere ao indivíduo um novo canal de relacionamento com o mundo. o produtor de texto não apenas tem conhecimentos sobre as configurações dos diversos gêneros. medida. em que momento e de que modo 10 TÉCNICA DE REDAÇÃO deve utilizá-lo. Assim. Pelo texto escrito modificamos o nosso contexto e nos modificamos simultaneamente. gostaria de expor a minha opinião sobre um fator que está acabando com o Brasil nestes últimos anos: a fome. toda a nossa civilização ocidental é regulada pela escrita. vale o escrito. Então veio a bomba” sobre nós: 28 milhões de pessoas morrem de fome neste exato momento no Brasil. e não pôde deixar de nos OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER 9 informar sobre a população que está morrendo de fome no Brasil. Saber escrever é também compartilhar práticas sociais de diversas naturezas que a sociedade vem construindo ao longo de sua história. E. desejo. 10 ago. Nem sempre as “dicas” oferecidas pelos professores e colegas são suficientes para a elaboração de um texto fluente. tudo é mediado pela escrita.é um trabalho duro. Mesmo na informática. exigem-se dos homens as habilidades que lhes são exclusivas. como a produção de textos. Para cada situação. Um relatório é próprio para prestar contas de uma pesquisa científica. escrever não é um ato espontâneo. mas também para que descubra o que é. podemos agir. como sujeitos de uma voz. enquanto o trabalho primário vai sendo atribuído às máquinas. razão por que faço um apelo: por favor. não pode ser considerada escrita. a redação escolar. o que pensa. 1999. aqui em Brasilia. A produção de textos é uma forma de reorganização do pensamento e do universo interior da pessoa. Brasil! O governo não é o único culpado. Essas práticas de comunicação em sociedade se configuram em gêneros de texto específicos a situações determinadas.

psicólogos. mas ainda é muito pouco diante do que precisamos descobrir. para um interlocutor imaginário que pode ser um amigo. OS MITOS QUE CERCAMOATO DE ESCRE VER 11 PARA QUEM GOSTA DE “DICAS” 3. pois ela oferece oportunidades de contato intenso com as infinitas possibilidades da língua. focalizando principalmente as situações de escrita que ficaram gravadas em sua memória. Tente formular uma narrativa que explique ou justifique como foi construída a sua ex12 TÉCNICA DE REDAÇÃO penência de escrita até hoje. Reveja todo o seu percurso escolar e profissional. Capítulo 2 Como escrevemos 1. suas observações acerca do que escreve diariamente. Dependemos da escrita para existir efetivamente e atuar no mundo. SER AUTOMOTIVADO.. Prática de escrita a) Para desmontar de vez suas crenças inadequadas a respeito de sua relação com a escrita. com os diversos gêneros e tipos de texto e com as informações e idéias que circulam no nosso universo. Lembre-se de quando aprendeu a escrever. Novas atitudes em relação à escrita É IMPRESCINDÍVEL: ESCREVER TODOS OS DIAS: ANOTAÇÕES DE AULA. Releia. Estudos de várias áreas do conhecimento nos levam a refletir sobre essas questões: lingüistas. e) Mantenha um caderno de anotações datadas de impressões e reflexões sobre sua relação com o texto escrito. mas não funcionam isolados de muito exercício. RECONHECER QUE PELA ESCRITA PARTICIPAMOS MAIS DO MUNDO. seus professores. sobre como as pessoas chegam a ser realmente ótimas redatoras. LER MUITO. escrevem com desenvoltura. no qual você conta toda a história como se fosse a de uma outra pessoa. sucessos e fracassos escolares e profissionais. Esse diário pode oferecer muitas pistas para sua trajetória de crescimento. Um dos caminhos mais interessantes para compreender o ato de escrever é considerar os depoimentos de pessoas que escrevem todos os dias. Compreendemos também que a leitura é imprescindível paraque o redator chegue a apresentar um bom desempenho. uma vez que as práticas sociais que estruturam as nossas organizações contemporâneas são mediadas por textos escritos. ESTÁ MELHORANDO E QUE VAI CHEGAR LÁ IMPULSIONA O APERFEIÇOAMENTO. antropólogos vêem a escrita sob seus diversos aspectos. QUERER SABER MUITO MAIS. RESUMOS DE LEITURAS. informal. Observe o depoimento da escritora Lygia Fagundes . DIÁRIO. CONSIDERAR A ESCRITA COMO UMA HABILIDADE IMPORTANTE PARA O NOSSO SUCESSO PROFISSIONAL. PROJETOS. educadores. LER DIVERSOS TIPOS DE TEXTO. NÃO SE PODE FICAR SATISFEITO COM “DICAS” ISOLADAS E FRAGMENTADAS.. ACREDITAR QUE VOCÊ PODE ESCREVER BEM. BILHETES. IR MAIS PROFUNDAMENTE ÀS QUESTÕES. TEXTOS COM SUAS OPINIÕES ACERCA DE ACONTECIMENTOS. A escrita é muito necessária no mundo moderno. porque podem esclarecer alguns pontos duvidosos ou obscuros da escrita e da organização do texto. DEIXAR A PREGUIÇA DE LADO E SE ESFORÇAR. b) Transforme essa narrativa em um texto em terceira pessoa. vivem de escrever. sobre o que acontece com a mente das pessoas durante o ato de escrever. como vai transformando seus conceitos acerca da escrita. sua escola. além de desbloquear a mente e desenferrujar a mão. um analista. colocando-se no lugar do leitor. Escreva um texto em primeira pessoa. um professor. LER MELHOR A CADA DIA. empreenda uma viagem na memória. para avaliar se as informações estao compreensíveis.processo de desenvolvimento da própria produção escrita. oferecendo-nos um quadro multifacetado de conhecimentos acerca do fenômeno. sociólogos. suas experiências. expectativas. coloquial. seus avanços e retrocessos. CARTAS. 4. Outras visões acerca do ato de escrever Os pesquisadores já sabem muita coisa sobre a escrita. em tom de depoimento (talvez no formato de carta). neurologistas.

14 TÉCNICA DE REDAÇÃO investindo. Acertava às vezes. Vol. Assim. PRÁTICA SOCIAL DE ESCRITA CONTEXTO DA PRODUÇÃO DE TEXTO ASSUNTO TEXTO EM PROCESSO DE PRODUÇÃO MOTIVAÇÃO OUJA PRODUZIDO NECESSIDADE ___________________ ________________ IDÉIA DE LEITOR PROCESSAMENTO ESCRITA REESCRITA MEMÓRIA GERAÇÃO VERSÕES RELEITURAS ASSUNTO ORGANIZAÇÃO REVISÕES LÍNGUA GÊNEROS MONITORAÇÃO AVALIAÇÃO CONSTANTE DO PROCESSO Estabelecida a necessidade de escrever. fugidio. vendo na tevê um drama de boxe. Todas essas ações estão profundamente articuladas ao contexto em que se originou e em que acontece a produção do texto. apresentação. que grau de subjetividade ou de impessoalidade deve ser atingido. Até a noite. o processo de escrita já está desencadeado. Para gostar de ler. 3 cd. Voltava a reagir. quem provavelmente vai ler. Outro possível caminho para entender a escrita é observarmos nossos próprios processos enquanto trabalhamos em um texto. quais as condições práticas de produção: tempo. Cada pessoa deve descobrir como procede durante a escrita. qual é o assunto em linhas gerais. Uma luta que pode ser vã. monitorando-o para que não fuja da rota e desande em outras direções. narrar uma aventura ou apenas provar que sabe escrever bem para ser aprovado numa seleção. estabelecer um pacto. alguém sugeriu que lhe atirassem a toalha. E ele ali. A escrita como processo Um caminho mais científico é a analise das contribuições que a lingüística nos trouxe sobre o ato de escrever. expressar uma emoção ou sentimento. E a tarde. Sob essa perspectiva. relatar uma experiência. p. Poeira. o adversário tão ágil. chega! Mas ele ia buscar flirças sabe Deus onde e se levantava de novo. aplauso? (.. regular normas.) E de repente me emocionei: na imagem do lutador de boxe via imagem do escritor no corpo-a-corpo com a palavra. Resistindo. formato. Insistindo mas o que mantinha o lutador em pé? Duas vezes beUou a lona.Telles: Como você definiria o ato de escrever? Uma luta. às vezes seqüenciais. apresentar COMO ESCREVEMOS 15 uma proposta de trabalho. que nível de linguagem deve ser utilizado. 2. mas tanto soco em vão. suor. qual o gênero mais adequado aos objetivos. Me lembro que estava num hotel em Buenos A ires. Humildade. 1988. 9. comunicar um fato. sangue. ficou só a imagem do lutador já cansado (tantas lutas) e reagindo. Há também idas e vindas: começa-se uma tarefa e é preciso voltar a uma etapa anterior ou avançar para um aspecto que seria posterior. o que mobiliza o indivíduo a começar a escrever um texto é a motivação. desviando a cara... reivindicar um direito. é a razão para escrevê-lo: emitir e defender uma opinião. como disse o poeta. para explorar melhor e com mais consciência esses procedimentos. compreende-se que a escrita é uma atividade que envolve várias tarefas. mas que lhe toma a manhã. 7. Humor. É sobre essa base de orientação que o produtor do texto vai coordenar o seu próprio trabalho. O produtor já tem imediatamente em mente algumas informações sobre a tarefa: quais os objetivos do texto. O texto somente se constrói e tem sentido dentro de uma prática social. é melhor desistir. Desliguei o som. São Paulo: Editora Atica. 16 TÉCNICA DE REDAÇÃO . seja para aperfeiçoá-los ou para transformá-los. Fiquei vendo a imagem silenciosa do lutador solitário — mas quem podia ajudá-lo? Era a coragem que o sustentava? A vaidade? Simples ambição de riqueza. Luta que requer paciência. às vezes simultâneas. o fervor acendendo a fresta do olho quase encoberto pela pálpebra inchada.

para depois cortar e ordenar. independentes. a reflexão. foi um guia obstinado na intrincada e vasta bibliografia bolivariana O ex-presidente Bel isarjo Betancur me esclareceu dúvidas esparsas durante todo um ano de consultas telefônicas. me fez o favor de pesquisar o sentido e a idade de alguns localismos. O historiador bolivarjano Vjnjcio Romero Martínez me ajudou de Caracas com achados que me pareciam impossíveis sobre os coslumes particulares de Bolíva. além de uma revisão implacável de dados históricos na versão final A ele devo a advertência providencial de que Bolívar não podia ‘chupar mangas com deleite infantil”. exemplos. pela simples razão de que faltavam vários anos para a manga chegar às Américas. Quando há tempo e paciência estendemos essa tarefa ao infinito. organizar mentalmente os grandes blocos do texto. esse trabalho de ajuste é imprescindível. Nos agradecimen0 ele esclarece: —. sobre Simon Bolívar. 1989. E nessa fase de pesquisa que entram a leitura. Você verá nos capítulos 3 e 4 alguns procedimentos para ativar e enriquecer a memória. podemos: enfatizar as idéias principais. o raciocínio: para preencher os vazios da memória. e ainda os conhecimentos sobre os assuntos e informações que serão tratados no texto. Tentamos descobrir o que nosso leitor compreenderia do texto. elaborar um resumo das idéias para depois acrescentar detalhes. O historiador colombiano Gustavo Vargas. quais são os pontos obscuros. mas de leitor. Caso você utilize mais de um procedimento para iniciar seu texto. pp. Tomadas essas primeiras decisões e providências. ambíguos que merecem reestruturação. — em especial seu linguajar grosso — e sobre o caráter e o destino de seu sé quito. elaborar inicialmente uma espécie de sumário ou esquema geral do texto. podemos considerar que o texto já está sendo produzido. professor da Univers idade Nacional Autônoma do México. reordenar as informações.prima do texto os conhecimentos sobre organização dos diversos tipos de texto. . construir um primeiro parágrafo para desbloquear e depois ir desenvolvendo as idéias ali expostas. Utilizamos a memória durante todo o processo de produção do texto e. idéias secundárias. escrevê-lo e reestruturá-lo várias vezes. já está em processamento. A pedido meu. a observação. ou tenha um processo pessoal diferente dos que fo L 18 TÉCNICA DE REDAÇÃO ram enumerados acima. fazer uma lista de palavras-chave. Memória vazia produz texto fraco. Observe quantas pessoas o escritor consultou sobre detalhes importantes para a sua narrativa. sem substância informativa ou lingüística. Para que o autor fique satisfeito com o seu próprio texto. dominá-las. sobretudo as relacionadas com as idéias políticas da época. A primeira versão de um texto ainda é muito insatisfatória. quando escreveu o romance histórico O general em seu labirinto. fizeram o inventá rio das noites de lua cheia nos primeiros trinta anos do século passado. Procuramos então relê-lo com olhos não mais de autor. Nesse momento. não se satisfez com sua própria memória e contou com diversos colaboradores. Gabriel García Márquez. da Academía de Ciências de Cuba.A memória do redator já está acessada em várias vertentes e é um fator importantíssimo na construção do texto. embaixador do Panamá na Colômbia e mais tarde chanceler de seu país. e estabeleceu para mim que os versos citados de memória por Bolívar eram do poeta equatoriano José Joaquín Olmedo. a análise. desordenadamente. o geógrafo Gladstone Oliva e o astrônomo Jorge Pérez Doval. O general em seu labirinto. Com Francisco Pividal mantive em Havana as vagarosas conversas preliminares que me permitiram formar uma idéia clara sobre o livro que pretendia escrever. Roberto Cadavid (Argos). de Bogotá. anotar tudo o que vem à mente. escrever a idéia principal e as secundárias em frases isoladas para depois interligá-las. o lingüista mais COMO ESCREVEMOS 17 popular e prestativo da Colômbia. quando ela não tem estoque suficiente para o que desejamos. não se preocupe. se manteve ao alcance do meu telefone para me esclarecer dúvidas maiores e menores. Jorge Eduardo Ritter. temos que procurar a informação o conhecimento para enriquecêl Gabriel Garcia Márquez. O importante é começar a ter mais consciência de suas próprias estratégias. confusos. Rio de Janeiro: Record. 268-9. Observe algumas dessas preferências (na hipótese de produção de um texto informativo) e veja em qual delas você se enquadra: fazer anotações soltas. conhecê-las. fez vários vôos urgentes só para me trazer alguns dos seus livros inencontráveis Dom Francisco de Abrisqueta. Nela estão armazenados os conhecimentos sobre a língua matéria. Nesta etapa as pessoas têm procedimentos diferentes..

no sentido de que vanlos e voltamos. Para isso. inconseqüéncias. voltam a reestruturálos. criar vínculos entre uma idéia e outra. Nunca consideram o texto pronto. 20 TÉCNICA DE REDAÇÃO E Paulo Mendes Campos admirável poeta e cronista da mesma geração de Ferndo Sabino afirmou: Quando escrevo sob encomenda não há milito tempo para corrigir Quando escrevo para mim mesmo costumo ficar corrigindo dias e dls — uma curtição Escrever é estar vivo. eliminar palavras ou frases. 7. Quando o produtor do texto tem mais consciência de seus procedimentos mentais tem mais controle sobre eles epode dirigiq05 deforma mais produtiva 3. regência). reagrupando-os de forma diferente. a direção do raciocínio. ainda.7S. Observe o que Gabriel García Márquez relata ao agradecer uma colaboração: Antonio Bolívar Goyanes (. quando um deles se encontrava em Caracas e outro em Quito. voltamos ao planejamento para reajustájo ou para reajustar o texto ao objetivo inicial O processo é recursivo. intelectuais. disciplina atenção paciência O texto não . alcançar maior exatidão para as idéias. Basta dizer. quando preparam uma nova edição de textos já publicados. numa caçada milimétrica de contrasensos. ele pára a todo instante para resolver questões gramaticais e corre o risco de perder o fio da meada. mais obsessivos ainda. mudar elementos de lugar. repetições. que escrevi 1100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300. a continuidade do texto. quando o redator focalizava a estruturação das idéias. Nosso conhecido escritor Fernando Sabino também trabalha assim: Para mim. Crônicas. pode ter se tornado excessivamente autocrítico. é preciso: acrescentar palavras ou frases. como exemplo. Eles podem ter passado despercebidos. 1987. quando escrevemos revisamos simuJtaneent parcelas do texto. conceitos. geralmente. COMO ESCREVEMOS 19 concordância. e num escrutínio encarniçado da linguagem e da ortografia. eliminar idéias desnecessárias. tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. erros e erratas.. Gabriel Garcia Márquez. Assim aconteceu surpreendermos com a mão na massa um militar que ganhava batalhas antes de nascer. pontuação. p. 270. São Paulo: Editora Ática. Para gostar de ler. Conhecendo melhor o processo de escrita Vimos como a escrita representa trabalho e exige esforço. eliminar incoerências. citações. Compreender todo esse mecanismo não é importante 5nzen. Quando revisa mos. Nesse caso. argumentos. uma viúva que foi para a Europa com seu amado esposo. já estamos em plena escrita e. te para especialistas. Escritores famosos submetem os originais à leitura prévia de amigos. acrescentar exemplos. e um almoço íntimo de Bolívar e Sucre em Bogotá. Outros. substituir palavras ou frases. — PP. acentuação. estabelecer hierarquia entre as idéias. Vol. unindo-os por meio de conectivos ou separando-os por meio de pontuação. feitos alguns rascunhos.. Mas é preciso. Se o redator foi muito reprimido no processo escolar.. o ato de escrever é muito dficil e penoso. até esgotar sete versões. corrigir problemas gramaticais. uma última leitura para rastrear problemas em relação à norma culta na superficie do texto (ortografia. acrescentar transições entre os parágrafos. 7 ed. quando planejamos. 3.substituir idéias inadequadas. muito exigente consigo mesmo desde o início do texto. O general em seu labirinto.) teve a bondade de rever comigo os originais. 1989. consideramos que o texto está pronto. especialistas e vão ao extremo de reescrever seus livros mais de dez vezes antes de liberá-los para publicação. Rio de Janeiro: Record. Depois de algumas tentativas. Não devemos pensar numa ordem seqÜenjj rígida como: PLANEJAMENTO> ESCRITA > REVISÃO Pois. fazendo ajustes e reajustes em cada aspecto. transformar períodos. e de prejudicar a fluência. p.

RECONHECER QUE REESCREVER É O PROCESSO NATURAL DE CONSTRUÇÃO DE UM BOM TEXTO. MOSTRAR PARA OUTRA PESSOA E ACEITAR SUGESTÕES. CULTIVAR A PACIÊNCIA. Reconheça quais são os passos que utilizou.é simplesmente resultado de uma inspiração divina. Prática de escrita a) Escolha um tema para produzir um texto. a escrita não pode ser considerada desvinculada da leitura. 5. POIS É UMA PRÁTICA MUITO PRODUTIVA. E preciso conhecer os procedimentos mentais e as habilidades necessárias para a escrita para conseguir aperfeiçoá-las. Ninguém escreve a sua primeira versão e se dá por satisfeito. Não há um modelo único mais correto. Cada indivíduo deve conhecer suas próprias trajetórias e tentar aprimorá-las continuamente. faça novo diagnóstico. Tente pensar em voz alta. COMPREENDER QUE VÁRIAS RELEITURAS GARANTEM O APERFEIÇOAMENTO DO TEXTO. em que o tempo é limitado. Reflita acerca de seus procedimentos: Planeja antes de escrever ou durante a escrita? Tem bloqueio ao começar? Relê cada frase antes de continuar ou vai escrevendo para depois reler tudo? Que decisões toma? 22 TÉCNICA DE REDAÇÃO Falta assunto? Tem dificuldade de encontrar palavras adequadas? Tem dificuldade em organizar os períodos? Sabe onde pontuar? Pensa no leitor? Como avalia o texto? Trabalha na revisão? O que pensa que precisa acelerar ou desacelerar? Esse exercício vai ajudá-lo a construir um controle maior sobre seus processos cognitivos. Registre com as datas as transformações no seu caderno de anotações pessoais. Pode ser um exercício escolar. vamos internalizando as suas estruturas e as suas infinitas possibilidades estilísticas. do senso crítico e do conhecimento sobre os diversos assuntos acerca dos quais se pode escrever. muitas dec sões e procedimentos vão se automatizdo Em situações de con COMO ESCREVEMOS 21 curso. Capítulo 3 A qualidade da leitura 1. Nosso convívio com a leitura de textos diversos consolida também a compreensão do funcionamento de cada gênero em cada situação. Grave tudo o que acontece em sua atividade mental consciente. aplicável a todas as pessoas. Pela leitura vamos construindo uma intimidade muito grande com a língua escrita. Analise seu próprio processo. não vem pronto do além para que o redator apenas o transfira para o papel. Quando terminar o texto ouça o que gravou. O que é leitura Como vimos. Ou imagine que está respondendo em uma entrevista à questão: Qual é a sua história pessoal com o ato de escrever? Use um gravador de áudio enquanto estiver planejando e escrevendo. Nossa forma de ler e nossas experiências com textos de outros redatores influenciam de várias maneiras nossos procedimentos de escrita. E preciso reler identificar problemas e reestruturar muitas vezes até que o texto chegue a corresponder aos objetivos iniciais e Possa cumprir sua função de forma adequada Naturalmente medida que o redator vai melhordo seu desempepj0 esse processo vai ficando mais rápido. b) Periodicamente. 4. AFASTAR O DESÂNIMO SE A PRIMEIRA VERSÃO DO TEXTO NÃO FOR SATISFATÓRIA. a leitura é a forma primordial de enriquecimento da memória. Além disso. A leitura é um processo complexo e abrangente de decodflcação de signos e de compreensão e intelecção do . mas não pode eliminá-las ou desprezá-las. uma tarefa profissional ou uma atividade livre como uma carta ou um requerimento. Novos procedimentos na escrita É NECESSÁRIO: TENTAR CONHECER E ANALISAR O SEU PRÓPRIO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE TEXTO. o candidato deve abreviar e acelerar as ações.

2 dez. ações e motivações. Ele estaria numa fila de hospital público desde a madrugada. as ironias. uma frase do presidente para criticar. deve ter suspirado e pensado que. Como exemplo. muito do nosso conhecimento prévio é exigido para que haja uma compreensão mais exata do texto. vamos analisar uma crônica de Luís Fernando Veríssimo. xingando o funcionário que vem avisar que as senhas acabaram e que é preciso voltar amanhã. mas também os da experiência de vida dos indivíduos. da sua autoria. E eu concordo com o presidente. Correio Braziliense. numa 1 alegre promiscuidade que rico só pode invejar. é um inferno. Para compreender adequadamente esse texto. além de outros. argumentos. e ainda podendo assistir a uma visita teatral do Ministro da Saúde ao hospital. Muitas vezes o pobre constrói sua própria casa. intenções. É preciso compreender simultaneamente o vocabulário e a organização das frases. Não precisamos fazer muito esforço para manter a atenção ou para gravar na memória algum item. o que é sempre divertido em vez de se chateando daquela maneira. Efe Agá tem razão. E pior. só precisando cuidar para não levar bala. olhando pela janela. Quando é que um rico terá a mesma oportunidade de mexer assim com o barro da vida. as relações estabelecidas com o nosso mundo real. conversando animadamente com todos à sua volta. Mais de um rico obrigado a esperar dez minutos para ser atendido por um especialista. sentenças. quase em estado natural. os seguintes conhecimentos prévios: quem é Veríssimo (um escritor de humor. como são. no seu quintal! Todas as emoções que um filho de rico só tem em video game o filho de pobre tem ao vivo. Envolve especficamente elementos da linguagem. Esse é o jogo que torna a leitura produtiva. com papelão e caixotes. em geral. no seu governo. qual é a sua posição no jornalismo de sua época (é um dos mais conceituados e respeitados . e que seu tédio não terá fim. objetivos. No caso. os outros textos de Luís Fernando Veríssimo (sempre de humor e ironia). em todas as formas de leitura. provas formais e informais. cronista críti c que se opõe ao governo em questão). Ele estava falando para pobres e preocupado em prepará-los para o fato de que não vão ficar menos pobres e podem até ficar mais. O PRESIDENTE TEM RAZÃO Mais uma vez os adversários pinçam. se fosse pobre. não de brinquedo. o procedimento de leitura é bem espontâneo. aquilo não estaria acontecendo com ele. É um trabalho que envolve signos. maliciosamente. ativar as informações antigas e novas sobre o assunto. aqui ou no exterior.folheando uma National Geographic de 1950. Pobre vive amontoado em favelas. 24 TÉCNICA DE REDAÇÃO Os procedimentos de leitura podem variar de indivíduo para indivíduo e de objetivo para objetivo. Mas. rico ainda sabe que vai viver muito mais do que pobre. levamos em consideração. e que isso não é tão ruim assim.mundo que faz rigorosas exigências ao cérebro. perceber os implícitos. frases. Pois eu entendi a intenção do presidente. Com toda as suas privações. Quando lemos apenas para nos divertir. à memória e à emoção. Trata-se de nosso conhecimento prévio sobre: a língua os gêneros e os tipos de texto o assunto Eles são muito importantes para a compreensão de um texto. ali. a sua observação de que é chato ser rico. 1998. pelo menos até ser despejado? Que filho de rico verá um dia sua casa ser arrasada por um trator? Um maravilhoso trator de verdade. identificar o tipo de texto e o gênero. ainda mais neste modelo. Brasília. Ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. Lida com a capacidade simbólica e com a habilidade de interação mediada pela palavra. exercer sua criatividade e morar num lugar que pode A QUALIDADE DA LEITURA 25 chamar de realmente seu. lutando para manter seu lugar.

Ao contrário. explora-lhe as possibilidades e prolonga-lhe o funcionamento além do contato com o texto propriamente dito. interpretação de itens lexicais e gramatjcj5 agrupa0 de palavras em blocos conceituais. elaboração de hipóteses. Contraste fortu ito que parece um escárnio. Recursos para uma leitura mais produtiva Um leitor ativo considera os recursos técnicos e cognitivos que podem ser desenvolvidos para uma leitura produtiva. Como a leitura faz inúmeras solicitações símuitâneas ao cérebro. 3. 2. produzindo efeitos na vida e no convívio com as outras pessoas. zombaria Nessa experiência podemos constatar que a leitura não é um procedimento simples. associação com informações anteriores. Modo de exprimirse que Consiste cai dizer o contrário daquilo que se está pensando ou sentindo ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem. pois suas idéias são contrárias ao que está escrito. A leitura não se esgota no momento em que se lê. penetramos no mundo da ironia.’ eu entendi opresiden te. . A QUALIDADE DA LEITURA 27 identificação de palavras-chave. Vamos analisar algumas dessas habilidades. seleção e hierarquização de idéias. Há procedimentos espec(ficos de seleção e hierarquização da informação como: observar títulos e subtítulos. focalização da atenção. 26 TÉCNICA DE REDAçJ0 qual é a situação social do Brasil em nossa época e como é realmente a vida nas classes menos favorecidas. controle de velocidade. 1998). construção de inferências. que no Dicionário Auréjio Eletrônico é definida como: [Do grego eiróneia Interrogação. a que fala do presidente ele se refere (a comparação que estabeleceu entre a vida do pobre e do rico). vamos reconsiderar o título e as idéias que se repetem pelo texto: o presidente tem razão. é necessário desenvolver consolidar e automatizar habilidades muito sofisticadas para pertec ao mundo dos que lêem com naturalidade e rapidez Tratase de um longo e acidentado percurso para a compreensão efetiva e responsiva que envolve: decodificação de signos. analisar ilustrações. 1 L. é uma atividade extremamente complexa pois flo Podemos Coflsjder apenas o que está escrito. antecipação de informações. para compreender as intenções e Posições do autor lemos muito mais o que não está escrito.f 1. No texto analisado por exemplo.cronistas de costumes e de política. ironia] S. Sarcasmo. eu concordo com o presidente Quando comparamos as descrições da forma de vida dos pobres e dos ricos e a afirmação de que ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. reorientação dos próprios procedimentos mentais. seus textos são publicados em espaços nobres dos principais jornais e revistas brasileiros). avaliação do processo realizado. Entre1açafl0 essas informações e a forma como o texto foi escrito. pelo latim. quem é o presidente a que ele se refere (o presidente da República no ano de publicação. 2. compreensão de pressupostos. Expande-se por todo o processo de compreensão que antecede o texto.

esses fragmentos a outros. 3. nem sempre esses procedimentos estão muito claros ou conscientes para quem os utiliza na leitura cotidiana. 28 TÉCNICA DE REDAÇÃO decidir se deve consultar o glossário ou o dicionário ou adiar temporariamente a dúvida para esclarecimento no contexto. auto-avaliar continuamente o desempenho da atividade. Como são interiorizados e automatizados pelo uso consciente e freqüente. detectar erros no processo de decodificação e interpretação. para revisar um texto etc. reconhecer relações lexicais! morfológicas! sintáticas. procedinientos de controle e monitoramento da cognição: planejar objetivos pessoais significativos para a leitura: controlar a atenção voluntária sobre o objetivo. desenvolver o intelecto. controlar o trajeto. quadros. usar conhecimentos prévios extratextuais. Um leitor maduro usa também. para estudar. constituindo uma atividade cognitiva complexa que não obedece a uma seqüência rígida de passos. analisá-las e escrever um texto relativo ao tema. para comunicar um texto a um auditório. No segundo tipo de leitura somos mais detalhistas. identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos significativos. para seguir instruções. para obter informações gerais. 30 TÉCNICA DE REDAÇÃO No primeiro tipo somos superficiais. Vamos aprofundar nosso conhecimento acerca de alguns desses procedimentos. procurando um ponto de atração. apenas para saber se há alguma novidade interessante. freqüentemente. segmentar as unidades de significado. passamos os olhos pela página. controlar a consciência constante sobre a atividade mental. Lemos: por prazer. sempre que possível. o ritmo e a velocidade de leitura de acordo com os objetivos estabelecidos. em busca de atualização. e são apenas meios e não fins em si mesmos. fixamos alguns parágrafos iniciais. Se lemos um jornal. ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema. objetivos e intenções do leitor. deslocamentos. fazemos algumas adivinhações. empreendemos uma leitura do geral para o particular (descendente): olhamos as manchetes. aceitar e tolerar temporariamente uma compreensão desfocada até que a própria leitura desfaça a sensação de desconforto. para obter informações precisas e exatas. tais como: identificar o gênero ou a macro-estrutura do texto. e quando o encontramos fazemos um outro tipo de leitura: do particular para o geral (ascendente). por exemplo. A QUALIDADE DA LEITURA 29 Alguns desses procedimentos são utilizados pelo leitor na primeira leitura. outros na releitura. tomar notas sintéticas de acordo com os objetivos. associar as unidades menores de significado a unidades maiores. em busca de diversão. velozes. de emoção estética ou de evasão. enumerações. esclarecimentos. Há também procedimentos de clarficação e simplificação das idéias do texto como: construir paráfrases mentais ou orais de fragmentos complexos. relacionar e integrar. substituir itens lexicais complexos por sinônimos familiares. em busca de qualificação profissional.). E guiada tanto pela construção do próprio texto como pelos interesses. determina de que forma lemos um texto. legendas etc. Os tipos de leitura e seus objetivos O objetivo da leitura. reconhecer e sublinhar palavras-chave. como já foi explicado anteriormente. elaboramos rápidas hipóteses que não testamos. Utilizamos ainda procedimentos de detecção de coerência textual. pragmáticos e da estrutura do gênero. queremos . Há ainda aqueles que são concomitantes a outros.reconhecer elementos paratextuais importantes (parágrafos. negritos. sublinhados.

a) Estabelecer um objetivo claro Sempre que temos um objetivo claro para a leitura vamos mais atentos para o texto. os elementos que têm entre si um certo parentesco ou que pertencem a um certo grupo. É importante construir previamente algumas perguntas que ajudam a controlar o objetivo e a atenção. A partir dos três ou quatro anos. desacelerada (ascendente). Alguns você já usa naturalmente. em geral. b) Identificar e sublinhar com lápis as palavras-chave As palavras que sustentam a maior carga de significado em um texto são chamadas de palavras-chave. hierarquizar as informações. Não terá direito ao futuro. numa listagem ou na memória de um computador. Palavra que serve para identificar num catálogo de livros ou de artigos. que já são conhecidos.saber tudo. verbos e certos adjetivos. mesmo quando estuda. 4. De uma ou outra forma. Prova disso é que só as pobres entram precocemente no mercado de trabalho. ou que o explica e identfica: A palavra-chave deste romance é angústia. f 1. exige do leitor uma grande concentração. minuciosa. a definição desse fenômeno? Como ocorreu esse fato? Onde? Quando? Quais são suas causas? Quais são suas conseqüências? Quem estava envolvido? Quais são os dados quantitativos citados? O que é mais importante nesse texto? O que eu devo anotar para utilizar depois no meu trabalho? Quando começamos uma leitura sem nenhuma pergunta prévia. O Dicionário Aurélio Eletrônico registra: Verbete: palavra-chave s. Esse tipo de leitura detalhada. Há muitos recursos e procedimentos para uma leitura mais produtiva. uma atenção voluntária e controlada. São os catadores de lixo. lenta. de leitor para leitor. procuramos garantir a compreensão precisa. Já sabemos o que queremos e ficamos mais atentos às partes mais importantes em relação ao nosso objetivo. outros pode incorporar ao seu acervo de habilidades. vamos identificar as palavras-chave: Nenhuma criança trabalha porque quer. Um leitor maduro distingue qual é o momento de fazer uma leitura superficial e rápida (descendente) daquele em que é necessária uma leitura detalhada. os menores acompanham os pais aos aterros sanitários para catar a sobrevivência. o dajàmília. detalhada. Estabelecer previamente um objetivo nos ajuda a escolher e a controlar o tipo de leitura necessário: ascendente ou descendente. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. preposições ou advérbios. há momentos em que você pode dispensar certos textos. . Por meio delas podemos reconstituir o sentido de um texto. Elas podem apresentar uma pequena variação de leitura para leitura. pronomes. que um estudante precisa desenvolver é o que vamos focalizar aqui. muitas vezes. Normalmente são os substantivos. elaborar um esquema ou síntese. minuciosa. três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e. Alguns nunca entraram numa escola. Mas porque é obrigada. No Brasil. 2. Pois. distinguir partes do texto. Não são palavras gramaticais: artigos. encontram-se cerca de cinqüenta mil em situação desumana e degradante. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres. como. por exemplo: Qual é a opinião do autor? Quais são as informações novas que o texto veicula? A QUALIDADE DA LEITURA 31 O que este autor pensa desse assunto? Em que discorda dos que já conheço’? O que acrescenta à discussão? Qual é o conceito. Entre a multidão de trabalhadores mirins. 32 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nos dois parágrafos seguintes. Eles disputam com cães. ratos e urubus o que os outros jogam fora. mesmo quando está trabalhando ou estudando. pois cada um imprime sua visão ao que lê. temos mais dificuldade em identificar aspectos importantes. ou partes de textos. exata. Sem elas o texto perde totalmente o sentido. porcos. Outros tiveram que abandonar os livros antes do tempo. Palavra que encerra o signflcado global de um contexto. a maioria tem o destino traçado. Procedimentos estratégicos de leitura Um texto para estudo. ou rápida e superficial. Rende de um a seis reais. conectivos. está condenada.

Correio Braziliense. Brasília, l9jun. 1999. Editorial.
A partir das palavras destacadas (você poderia sugerir outras) podemos compreender e reconstituir o assunto principal do texto, O reconhecimento das relações lexicais, morfológicas e sintáticas estabelecidas na configuração da superficie do texto é um pressuposto necessário para que leitor possa tomar decisões. E importante aprender a selecionar e hierarquizar as idéias para identificar as palavras principais. Há muitos detalhes que são usados em um texto para esclarecer ou enriquecer a informação já

dada. Não fazem falta a não ser estilisticamente. Veja, por exemplo, a frase: Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os outros jogam fora. O teor de informação nova agregado ao que já tinha sido dito é muito pequeno. E apenas uma ilustração explicativa contundente. Observe a continuação desse texto e exercite sua capacidade de selecionar palavras importantes, destacando-as:

A QUALIDADE DA LEITURA 33 Na tentativa depôrfim a esse quadro dramático, o Fund das Nações Unidas para a Infância (UniceJ), em conjunto com o Ministé rio do Meio Ambiente e a Secretaria do Desenvolvimento Urbano, lançou a campanha Criança no Lixo Nunca Mais. A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais e não governamentais já rnecerão orientações a prefeituras de 5.507 municípios sobre elaboração de projetos e formas de buscar recursos para implementá -los. A meta é ambiciosa. Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, envolver a União, os estados, os municípios, além de parcerias com a iniciativa privada e a população em geral. Acima de tudo, exige vontade política. O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não Jár assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar empregos dignos. Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicef prospere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perspectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a sobrevivência no lixo constitui mau presságio. Sugere que poderá não haver nenhum futuro. É indispensável e urgente modflcar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.
-J

34 TÉCNICA DE REDAÇÃO Observe como as palavras destacadas por você carregam o significado mais importante da mensagem e permitem que as idéias principais sejam recuperadas. É preciso observar e compreender para hierarquizar e selecionar. Tudo depende de treino, experiência. Ou seja, uma boa leitura depende de muita leitura anterior. c) Tomar notas Uma ajuda técnica imprescindível, principalmente para quem lê com o objetivo de estudar, é tomar notas. A partir das palavras-chave, o leitor pode ir destacando e anotando pequenas frases que resumem o pensamento principal dos períodos, dos parágrafos e do texto. Pode também marcar com lápis nas margens para identificar por meio de títulos pessoais as partes mais importantes, os objetivos, as enumerações, as conclusões, as definições, os conceitos, os pequenos resumos que o próprio autor elabora no decorrer do texto e tudo o mais que estiver de acordo com o objetivo principal da leitura (algumas edições já trazem esse destaque na margem para facilitar a leitura). Essas notas podem gerar um esquema, um resumo ou uma paráfrase. Trabalho Nenhuma criança trabalha porque quer. Mas infan til no porque é obrigada. Prova disso é que só as pobres Brasil entram precocemente no mercado de trabalho. No Brasil, três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e, muitas vezes, o da família. Alguns nunca entraram numa escola. Outros tiveram que aban dona os livros antes do tempo. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres, a maioria tem o destino traçado. De uma ou outra forma, está condenada. Não terá direito ao futuro. Entre a multidão de trabalhadores mirins, en contram-s cerca de cinqüenta mil em situação de-

A QUALIDADE DA LEITURA 35 sumana e degradante. São os catadores de lixo. Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os Catadores outros jogam fora. A partir dos três ou quatro anos, de lixo/ os menores acompanham os pais aos aterros sanitá 50.000 rios para catar a sobrevivência. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. Rende de um a seis reais. Unicef Na tentativa de pôr fim a esse quadro dramáti MMA-SD co, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Uni Campanh cef), em conjunto com o Ministério do Meio Am Crianç no biente e a Secretaria do

Desenvolvimento Urbano, Lixo Nunca lançou a Campanha Criança no Lixo Nunca Mais. Mais A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até Meta/2002 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais Projetos e e não governamentais fornecerão orientações a pre forma de feituras de 5.507 municípios sobre elaboração de pro busca jetos eformas de buscar recursos para implementá recurso los. A meta é ambiciosa.
Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, en volve a União, os estados, os municípios, além de

parcerias com a iniciativa privada e a população
em geral. Acima de tudo, exige vontade política.

Caminhos
O governo está convocado a estabelecer políti Soluçõe cas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa Renda de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos mínima e nesse sentido. Um deles é a garantia de renda míni educaçã ma para as famílias em estado de pobreza absoluta, para o incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, trabalho mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o me no do labor diário dará resultado se não for asse gurad o sustento do núcleo em que ele vive. Outro Importante caminho é a reciclagem educacional dos pais para para o que possam comparecer ao mercado de trabalho em futuro do condições de disputar empregos dignos. país Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicefpros TÉCNICA DE REDAÇÃO pere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perrpectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a

sobrevivência no lixo constitui mau presságio., Sugere que poderá não haver nenhum futuro. E indispensável e urgente modficar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.

d) Estudar o vocabulário
Durante a leitura de um texto, temos que decidir a cada palavra nova que surge se é melhor consultar o dicionário, o glossário, ou se podemos adiar essa consulta, aceitando nossa interpretação temporária da palavra a partir do contexto. Observe o seguinte período do texto: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios — a disputa de alimentos com os abutres. A palavra abjeto pode gerar dúvidas no leitor, mas podemos perceber que ela não é essencial ao texto. Quando retirada, o período preserva significado. Talvez não seja tão necessário nesse caso consultar o dicionáno,já que o contexto esclarece que se trata de uma idéia negativa que intensifica (junto com o advérbio mais) a negatividade que está em infortúnios. Poderíamos tentar substituí-la por outras mais conhecidas.’ indigno, horrível, desprezível, e a frase continuaria apresentando idéia lógica. Esses procedimentos de inferência e compreensão lexical são realizados com muita velocidade pelo leitor. Quando a continuidade da leitura se torna prejudicada, o melhor mesmo é parar e ir ao dicionário.
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.4 QUALIDADE DA LEITURA 37

e) Destacar divisões no texto para agrupá-las posteriormente

É importante compreender essas divisões para estabelecer mentalmente um esquema do texto.
Muitas vezes o autor não insere gráficos, esquemas, nem explícita por meio de enumerações as divisões que faz das idéias. Preste bem atenção quando o texto apresenta estruturas assim:
Em primeiro lugar.. em seguida... em terceiro lugar.. Inicia/mente.., a seguir... finalmente... Primeiramente.., em prosseguimento... por último... Por um lado... por outro lado... Num primeiro momento... num segundo momento... A primeira questão é... A segunda... A terceira...

Por meio da identificação dessas estruturas é possível reconstruir o raciocínio do autor e torna-se mais fácil elaborar esquemas e resumos. No texto que estamos analisando há um exemplo interessante: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse
sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esfárço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não for assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar emgos dignos.

A identificação dessas estruturas textuais na leitura facilita a compreensão das idéias e cria uma matriz mental para organização e hierarquização das informações.
38 TÉCNICA DE REDAÇÃO

fi Simplificação
Um dos recursos mais produtivos durante a leitura de textos complexos é fazer constantemente paráfrases mentais mais simples daquilo que está no texto, ou seja, fazer traduções em palavras próprias, dizer mentalmente com suas próprias palavras o que entendeu do texto. Uma brincadeira que o jornalista Elio Gaspari gosta de fazer é com a simplificação de linguagem exageradamente complexa. Observe o exemplo: CURSO MADAME NATASHA DE PIANO E PORTUGUÊS Madame Natasha tem horror a música. Ela socorre os desconectados do vernáculo. Decidiu conceder uma de suas bolsas de estudo á professora M.B. G.S., presidente da Comissão Esta- dual para elaboração do Projeto de Informática na Educação. No relatório que essa comissão produziu, Natasha encontrou o seguinte adereço: O ambiente informatizado oportuniza a possibilidade de ruptura de estruturas estáticas. Toda experiência de aprendizagem pode ser simulada, mas a simulação, que é uma expressão simbólica, no ambiente digital passa a ser também real, passível de experiência sensorial. Madame acreditaniza que quiseram dizerinizar o seguinte: — O computador é um instrumento pedagógico versátil. Elio Gaspari. Jornal de Brasília. Brasília, 22 fev. 1998. O procedimento de tradução mental simplificadora é muito útil para conferir se entendemos mesmo o texto ou não.

g) Identificação da coerência textual
Diante de cada novo texto temos de identificar as estruturas básicas para compreender seu funcionamento. Assim, iden
A QUALIDADE DA LEITURA 39

tificamos imediatamente o que é um poema, o que é uma fábula, o que é um texto dissertativo. Como a escrita é para ser lida e compreendida a distância, sem interferência do autor no momento da leitura, sua elaboração exige uma estrutura exata, precisa, clara, que assegure ao leitor uma decodificação correta e adequada. Para tanto o autor usa estruturas sintáticas complexas, estabelecendo minuciosamente as relações entre as idéias, já que não pode contar com o apoio do contexto, das expressões faciais, do conhecimento comum. Isso acontece principalmente nos textos de natureza informativa: dissertações, argumentações, reportagens e ensaios, os quais privilegiamos neste livro. Quanto menos compromisso o texto tem com a informação exata, mais espaço deixa para os acréscimos e interpretações do leitor, como é o

desacelerada. exata. precisa. Onde é veiculado? Suporte editorial. discutir. Qual o objetivo? Intenções. dados. Quais são as outras vozes que perpassam o texto? Distribuição da responsabilidade pelas idéias. Quais são as partes do texto que apresentam objetivos. Esse diálogo. que vai do particular para o geral e volta do geral para o particular constantemente. Esses textos não são fáceis e não são compreendidos à primeira leitura. Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Posicionamento explicitado. Uma decifração que procura percorrer o mesmo raciocínio do autor do texto. nos quais a polissemia (convívio de uma multiplicidade de significações sobre uma mesma base) predomina. Isso significa que a leitura para apreensão de informações deve ser uma leitura pausada. concordar ou se opor a essas idéias. Vamos analisar um exemplo bem simples de intertextualidade: CONTRAFÁBULA DA CIGARRA E DA FORMIGA . Com que argumentos as idéias são defendidas? Provas. superficial e rápida. ou até mesmo a uma paródia completa. podemos incorrer em equívoco. a intensidade do esforço para compreender a intertextualidade pode variar e sempre depende de conhecimentos prévios comuns ao autor e ao leitor. 40 TÉCNICA DE REDAÇÃO Durante a leitura é preciso conferir as interpretações. na proporção em que partilhe conhecimentos com o autor. Quais são as idéias principais? Informações. interpretando mal os objetivos e conseqüentemente as informações e os significados. Quando o interesse for assegurar uma compreensão predeterminada. há muitas outras perguntas que o leitor vai propondo à medida que lê e de acordo com os seus objetivos. da poesia e dos textos literários em geral. em que as seqüências tenham uma articulação necessária entre si mesmas. como entre o texto e os conhecimentos prévios do leitor e suas experiências vividas. conceitos. Essa ligação entre textos pode ir de uma simples citação explícita a uma leve alusão. Essa associação é prevista pelo autor e deve ser feita pelo leitor de forma espontânea. Em textos mais complexos. Para isso fazemos perguntas elementares: Quem escreve? Autor Que tipo de texto é? Género. refazendo o trajeto do seu pensamento original. Além dessas. de redundância. Terá por base um planejamento lógico. mais estruturado. para auxiliar o leitor a chegar às conclusões desejadas pelo autor. É preciso um rígido controle da atenção. naturalmente será produzido um texto mais denso. A QUALIDADE DA LEITURA h) Percepção da intertextualidade Um texto traz em si marcas de outros textos. definições. Quais são os exemplos citados? Fatos. A quem se destina? Público. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Estrutura textual. Com que autoridade? Papel social do autor O que eu já sei sobre o tema? Conhecimentos prévios do leitor Quais são os outros textos que estão sendo citados? Intertextualidade. A esse fenômeno chamamos intertextualidade.caso da publicidade. um objetivo claro para a leitura. Um texto bem escrito apresenta sempre uma certa dose de repetição. essa interação entre leitor e texto exige a ativação de conhecimentos que extrapolam a simples decodificação dos elementos constitutivos do texto. em que a estrutura do texto inicial é utilizada como base para o novo texto. explícitas ou implícitas. Caso essas perguntas não sejam respondidas de maneira adequada. fazendo perguntas ao texto. Essas informações pragmáticas vêm iluminar e esclarecer os significados e estabelecer a coerência textual do que é lido. para apreender. Como são tratadas as idéias contrárias? Rebatimento ou antecipação de oposições. um empenho constante para fazer os relacionamentos adequados tanto entre as idéias interiores ao próprio texto. Quais são os testemunhos utilizados? Depoimentos.

uma sabedoria. não é? — Não faz mal. ‘Ah. voltava a formiga a tesourar e entesourar investimentos e lucros. O quê?! exclamou aformiga. destinada a ilustrar um preceito. com quem estudara no ginásio. comentou: A senhora andou cantando na tevê todo este verão. você há de aparecer por aqui a mendigar o que não poupou no verão! E vai cair dura com a resposta que tenho preparada para você! Ruminando sua terrível vingança. Isso é só em Paris. — A senhora vai ganhar duzentos mil dólares no inverno? — Não. Na trabalheira do investimento.. E diga-lhe que eu quero que ele vá para o raio que o parta! Trata-se de uma fábula. ah! No inverno. O próprio título anuncia a intenção. preparando o terreno para sua vingança. E acabei de fechar um contrato com o Olympia de Paris por duzentos mil dólares. Utilizando uma situação similar à fábula original. E vivia ajármiga a dizer por dentro: Ah. — E pode me fazer um favor? Quando chegar a Paris. mas a alusão à fábula original (na última fala da formiga) cria a intertextualjdade explícita. A formiga. e a mensagem original. Os meus discos não saem das paradas. Mas vivia também roendo-se por dentro ao ver a cigarra. Batista A formiga passava a vida naquela Jármiga ção. sempre consultando as cotações da Bolsa. não foi. depois Amsterdam. tem a excursão a Nova York. Depois. consultando advogados e tomando vasodilatadores. remordida. para verificar os dividendos de suas contas numeradas. enquanto aquela inútil da cigarra ganhava tanto cantando e se divertindo! E perguntou: — Quando a senhora embarca para Paris? Na semana que vem. metida em shows e boates. os artistas podem chegar a ser milionários com mais rapidez e facilidade do que quem trabalha incansavelmente pensando exclusivamente no dinheiro. — A senhora não depositou nada no banco. procure lá um tal La Fontaine. cantarolando como de costume. O autor parte do pressuposto de que seus leitores conhecem a fábula da Cigarra e da Formiga do autor francês La Fon A QUALIDADE DA LEITUK4 taine e que reconhecerão imediatamente a sua paródia. ah.. ou seja. contrária ao prazer. quando voltava de uni almoço no La Tambouille com os japoneses da informática. vendendo na alta e comprando na baixa. aumentando o rendimento da sua capita e dizendo que estava contribuindo para o crescimento do Produto Nacional Bruto. dona Cigarra? — E claro! — disse a cigarra. na sua vida terrivelmente cansativa e nas suas ameaças de enfarte. Agora no inverno é que vai ser mau continuou aformiga com toda maldade na voz. . depois Londres. já que remete à lição de moral tradicional e multiplica o humor do texto. — Tenho um programa semanal. pensou ajórmiga. no mundo dominado pelos meios de comunicação e pelo hedonismo. incutindo nos filhos hábi 41 42 TÉCNICA DE REDAÇÃO los de poupança.Adaptação feita por 1edro Bandeira do texto do escritor português Antônio A. de cunho popular e de caráter alegórico. sempre atenta aos rateios e às subscrições. hoje em dia. Segundo sua posição crítica. sempre acompanhada de clientes libidinosos do Mercado Comum.. não estaria mais funcionando. A história em si é engraçada. Fechava contratos em Londres já com um pé no Boeing para Frankfurt ou Genebra. E também um juízo a favor da arte em oposição à especulação financeira. nas suas azias. atualiza suas circunstâncias e modifica seu final (intertextualidade implícita na estrutura).. Um dia. Aí a formiga pensou no seu trabalho.. Lá vem ela dar a sua facada. uma historieta de ficção.. encontrou a cigarra no shopping Iguatemi. chegoua minha vez!” Mas a cigarra aproximou-se só querendo saber como estava ela e como estavam todos no formigueiro.

Pouco a Pouco. os gêneros. Esse desconforto no iflÍcjo de um texto é muito comum. Conhecendo melhor o processo de leitura Como vimos. a leitura ajuda a escrever melhor. naturalmente. Prática de leitura a) Escolha um artigo assinado do jornal de sua preferência. 6. a leitura é fundamental. consciente ou inconscientemente. Assim. a leitura se toma. disciplinando-as e submetendo-as aos nossos interesses. temos que ler desaceleradament quando estudamos assuntos desconhecidos quando o texto é denso e complexo ou quando contém muitos implícitos Para garantir esse contro le é necessário ter uma consciência contínua dos procedimentos que estão sendo utilizados além de uma disPosição para avaliar a qualidade da própria leitura Tolerância e paciência: muitas vezes. e também para que a leitura se transforme. uma espécie de roteiro: como vamos ler? para que vamos ler? Esse roteiro deve ser controlado e reavaliado durante a leitura. quando percebemos a distração temos que Voltar e reler aquele trecho Esse é um exemplo de como controlamos naturalmente os nos505 erros de leitura Outras vezes. pois é natural que o começo da compreensão seja ainda uma idéia desfocada A primeira leitura. Algumas vezes pode merecer reorientação. Fidelidade ao planejamento: antes de começar a ler um texto sempre estabelecemos. geralmente é necessário voltar ao texto algumas vezes. Releia e responda mentalmente às perguntas: Quem escreve? Que tipo de texto é? A quem se destina? Onde é veiculado? Qual o objetivo? Com que . a escrita depende de nosso conhecimento do assunto. Em qualquer situação de leitura utilizamos procedimentos que nos auxiliam a compreender e interpretar o texto. conforme nossos objetivos. Estou mesmo perseguindo meu objetivo? Já me distraí? Mudei o meu trajeto de leitura? Criei outro objetivo no percurso? Detecção de erros no processo de leitura: algumas vezes lemos muito rapidamente enquanto pensamos em ou43 44 TÉCNICA DE REDAÇÃO tra coisa e. A QUALIDADE DA LEITURA 45 5. Ele não é espontâneo e depende de treino e concentração. Leia uma vez. mais fácil e as dificuldades preliminares Vão se resolvendo. conseguir o melhor resultado da maneira mais prática e simples. com freqüênc não é satisfatóa e é preciso empreender uma segundaj com alguma informação sobre o texto e com mais atenção e concentração. desistimos da leitura de um texto no primeiro parágrafo Esse procedi mento é precipitado E preciso merguJ proftmndamente no texto para dar-lhe uma chance de ser bem Sucedido Na maioria das vezes. os tipos de texto. ou seja. Habilidades que agilizem os procedimentos contribuem para que não haja desperdício de energia e de tempo. em um exercício mais prazeroso. os recursos estilísticos com mais eficácia que pelas aulas e exercícios gramaticais. a cada dia. quando o trecho é fácil ou quando a leitura tem por objetiv0 a simples distração Outras vezes. Uma única leitura nem sempre é suficiente. E um processo complexo que exige do leitor uma série de habilidades cognitivas muito sofisticadas. de simplificação e de monitoração das atividades mentais de forma que possamos otimizar nosso esforço. Pela leitura interiorizamos as estruturas da língua. então para conferir a decodifica ção das palavras e a interpretação Essa capacidade de avaliar constantemente a própria leitura precisa ser deSenvol Vida Ajuste de velocidade.1) Monitoramento e concentração Durante a leitura podemos exercer um relativo controle consciente sobre as nossas atividades mentais. E importante desenvolver adequadamente essas estratégias de apoio técnico. Por isso é necessário prestar bem atenção no que fazemos enquanto lemos para termos mais domínio sobre as nossas próprias habilidades de leitura. para isso. Esse controle é essencial para que a leitura seja produtiva. o leitor deve controlar a veloci dade de leitura de acordo com as dificuldades que o texto oferece e com os objetivos da leitura Às vezes. interpretamos mal uma passagem e no decorrer da leitura percebemos que as idéias estão contraditórjas Voltamos. da língua e dos modelos de texto. podemos ler mais rapidamente: quando o assunto é conhecj do. E são os objetivos que vão direcionar o tipo de leitura que vai ser realizado.

Memorizamos aquilo que é significativo para nossos interesses intelectuais ou para nossa vida pessoal. permanece na nossa memória de longo prazo. apreendemos um pouco mais. por exemplo. associada e relacionada a outros conhecimentos prévios existentes em nossa memória. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Com que argumentos as idéias são defendidas? Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Quais são as outras vozes que perpassam o texto’? Quais são os testemunhos utilizados? 46 TÉCNICA DE REDAÇÃO Quais são os exemplos citados? Como são tratadas as idéias contrárias? c) Escolha um texto dissertativo que ofereça alguma dificuldade de leitura para você. esquecemos tudo com facilidade. pois é duradoura. temos um pouco mais ainda de possibilidade de gravar na memória. chegamos a memorizálo. sem aplicação direta na produção de textos. de filmes. Não o esquecemos tão facilmente. Se não são utilizados. enquanto elas nos são úteis e estão sendo realmente utilizadas. Se. Quando vemos. Grave em fita de áudio tudo o que pensa enquanto lê. que dá aulas sobre uma mesma matéria para várias turmas. a memória vai descartá-lo por falta de uso. encontram pontos de apoio que as sustentam por mais tempo e se tornam mais duradouras. E acontece também com conceitos e definições. Se memorizamos alguns itens sem transferi-los gradualmente para a prática. Já sabemos que as informações que vêm apenas por via auditiva são menos duradouras. Já um número usado todos os dias. Leia. conceitos. Nossa memória é muito seletiva. caem no esquecimento. d) Escolha um texto de estudo e aplique as estratégias de leitura apresentadas neste capítulo. de pessoas. para que uma informação fique consolidada na memória de longo prazo é preciso que seja: útil na vida prática ou para nossas reflexões abstratas: utilizada com certa freqüência. de livros. Capítulo 4 Da leitura para a escrita 1. podemos pensar na seguinte situação: se estamos tentando comunicação por vezes repetidas com um número de telefone. Mas. tem que estudá-lo para reavivar a memória quando precisa expor novamente o assunto. Mas nem sempre isso é possível. Quando decoramos mecanicamente regras e conceitos. importante na nossa vida diária. . Se não forem úteis por longo período. Analise os procedimentos de leitura sugeridos neste capítulo que você já utiliza. O mesmo acontece quando estudamos a gramática pela gramática. Temos dois tipos de memória: a de longo prazo e a de curto prazo. definições. que apenas esporadicamente fala sobre um tema. Quando podemos ler uma vez a informação. como se estivessem temporariamente à disposi 48 TÉCNICA DE REDAÇÃO çào. dizendo em voz alta seus pensamentos para controlar a leitura. Um professor. como se faz freqüentemente nos cursos preparatórios para concursos. apreendemos uma pequena parcela do que ouvimos.autoridade? O que eujá sei sobre o tema? Quais são os outros textos que estão sendo citados? Quais são as idéias principais? Quais são as partes do texto que apresentam: objetivos. nesse período. por um período breve. guardamos informações novas. Como exemplo. O trabalho com a memória Precisamos usar muitas informações contidas em textos que já lemos. durante muito tempo. Na de curto prazo. acaba por dominar naturalmente o assunto. Então. É importante considerar também outros aspectos da aprendizagem. reelaborada em nossa mente por meio de novas associações e novas divisões. serão descartadas. essa faculdade de reter as idéias. Ela não guarda tudo o que gostaríamos a partir de uma primeira leitura. tudo aquilo que nos deu tanto trabalho para memorizar à força é esquecido imediatamente após a prova. As informações novas ficam algum tempo na memória de curto prazo. em um período de teste. Na memória de longo prazo guardamos nossos conhecimentos consolidados. que é seletiva e rotativa. Um outro. se nos dias subseqüentes não precisarmos mais desse número. Algum esclarecimento acerca da memória. impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. estabelecem laços com outras informações preexistentes. Isso acontece com nomes de lugares. forem muito usadas. pode ajudar a compreender e controlar seu funcionamento.

ou então sintetizar as informações para revê-las ou repassá-las a outros. Se nosso objetivo é repetir as mesmas informações integralmente. e não uma crítica. como conclusão. para que o leitor chegue mentalmente à conclusão a partir das evidências colocadas no texto. Organizar um esquema é uma maneira preparatória para o resumo e a paráfrase. Hoje em dia. Assim.DA LEITURA PARA A ESCRITA 49 Mas se podemos ouvir. ler. mais temos possibilidade de aprender. mas deixá-la implícita. a ciência já constatou que o cérebro e a memória precisam de exercícios. mais curto que o original um resumo em que as informações essenciais são rearticuladas em uma nova organização. oposições. Assim. uma compactação. Resumos. o autor prefere colocar a idéia principal no fim do parágrafo. uma resenha ou um comentário que permitem ampliação e discussão. pois os conhecimentos que adquirimos formam uma base em que novos conhecimentos vêm se instalar de forma mais duradoura. desenvolver uma ação (concreta ou mental) sobre certa informação de forma pessoal. 5? — Voltar ao texto e conferir a correspondência com as idéias principais. mas podemos estabelecer um roteiro básico como sugestão: 50 TÉCNICA DE REDAÇÃO 1? — Empreender uma primeira leitura descendente. subdividindo-o de acordo com as relações sintáticas. pois a linguagem deve ser objetiva e clara. na organização geral do texto. em que o professor ou o texto doam ao aluno a informação nova. prender-se às expressões utilizadas pelo próprio . E preciso que a pessoa trabalhe bastante para que o conhecimento passe realmente a ser propriedade sua. do geral para o particular. aprender exige trabalho sobre o conhecimento. uma pergunta. Pode até mesmo não explicitá-la claramente. comparações. Em um resumo recorre-se a poucos efeitos retóricos. e pode trazer explicações. quadros. utilizar. podemos produzir esquemas. uma negação. prestando atenção nos títulos e subtítulos. esquemas e paráfrases A partir do esquema podemos facilmente reconstituir as ligações do texto original elaborando um novo texto. divisão de idéias. embora existam variações infinitas. Como a primeira leitura é sempre muito breve e superficial. mantendo as relações entre essas unidades. dispensando exempios e ilustrações. lemos e tentamos memorizar o que lemos. a compreensão das idéias expostas pelo outro. 2. Não se trata de uma simples transferência. ou seja. O processo de debate pressupõe a intelecção. Quanto mais aprendemos. conforme vimos no capítulo anterior. Muitas vezes. A leitura pode levar à produção de textos de natureza diferente do texto original e com finalidades também diferentes. que também é uma forma de retomada das informações. 6? — Redigir o resumo seguindo o roteiro estabelecido pelo esquema. ela pode ser: uma afirmação. O leitor deve criar o seu próprio método. quando ainda na fase do esquema. 4? — Organizar um esquema das idéias. 2? Fazer uma segunda leitura. elaboramos a paráfrase. parágrafo por parágrafo. os parágrafos dissertativos/argumentativos têm uma estrutura organizada logicamente: Primeiros períodos = idéia principal Períodos seguintes = desenvolvimento Último período = conclusão Quando a idéia principal surge no início do parágrafo. atuar. rápida. visa fundamentar a idéia inicial. conseguimos maior índice de memorização e de aprendizagem. ver e experimentar. como veremos no capítulo 6. DA LEITURA PARA A ESCRITA O leitor que tenta reconstruir o percurso do autor não pode acrescentar idéias novas ao resumo do que lê. precisamos utilizar estratégias de desaceleração para apreendermos melhor um texto. 3? — Reagrupar as informações de acordo com unidades menores. Muitas vezes. Por isso é bom. O desenvolvimento. no resumo. resumos e paráfrases. e que a inteligência precisa ser constantemente estimulada para não se atrofiar. um conceito. A leitura com esse fim é muito detalhada. Normalmente. É uma leitura de reconhecimento prévio do material a ser estudado. pois trata-se de uma síntese. identificando palavraschave e anotando idéia por idéia.

podemos ob servar Para comprovar o que foi dito Exemplo disso é Como exemplo... Primeiramente... em segundo. vocabulário... gênero e tipo de texto.... Elas conduzem o raciocínio do leitor de acordo com o planejamento do autor e podem exercer várias funções.. um outro aspecto é.autor do texto... Indicam conclusão parcial ou final: Em vista disso podemos concluir Diante do que foi dito Em suma Em resumo Concluindo Portanto Assim 51 fr ... O primeiro aspecto é. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o uso das frases de transição... é o que ocorre no caso em que Indicam inserção de citações: Segundo o especialista X De acordo com o que afirma X Xjá afirmou que Conforme X. pois é necessário trabalhar com precisão sobre: significados. O resumo é um trabalho sobre a linguagem muito complexo. em seguida. Colocaremos aqui alguns exemplos. estruturas sintáticas..... mas você pode encontrar infinitas variações nos textos que lê.... pode-se observar Assim. finalmente. por último.. por outro lado. TÉCNICA DE REDAÇÃO Essas frases exigem muita atenção do leitor. Indicam objetivo: O que desejamos neste trabalho O objetivo desta investigação Pretendemos demonstrar Procuramos comprovar Estamos tentando provar Indicam inserção de exemplo: Para exemplificar.. em sua obra Y Indicam divisão de idéias: Em primeiro lugar....-. São elas que o levam a decidir quais são as .. Por um lado. depois.

basta darmos atenção aos horários dos programas de rádio e televisão ou ao que é vendido nas bancas de jornais e revistas para vermos que. massificou-se para consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de massa. a arte não se democratizou. sinal de status social. Em quarto lugar. deve seduzir e agradar o consumidor. como o consumidor num supermercado. e há obras “baratas” e “comuns “. existe para ser contemplada efruída. direito à produção cultural. pois todos poderiam. Sob os efeitos da massflcação da indústria e consumo culturais. provocá-lo. Em terceiro lugar. sem identidade e sem pleno direito à Cultura. direito à informação e àforniação culturais. A indústria cultural acarreta resultado oposto. E essencialmente espetáculo. diversão e distração. isto é. formando uma elite cultural. ter acesso a elas. de experimentação do novo. É algo para ser consumido e não para ser conhecido. INDÚSTRIA CULTURAL E CULTURA DE MASSA A partir da segunda revolução industrial no século XIX e prosseguindo no que se denomina agora sociedade pós-industrial ou pós-moderna (iniciada nos anos 70 do século Xv). 3. 2. transformando-se em propaganda e publicidade. A “média” é o senso comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova. Assim. não pode chocá-lo. ao massifiLar a Cultura. certos conhecimentos “médios” e certos gostos “médios “. as empresas de divulgação cultural já selecionaram de antemão o que cada grupo social pode e deve ouvir. fazê-lo ter informações novas que o perturbem. As obras de arte e de pensamento poderiam democratizar-se com os novos meios de comunicação. destinadas à massa. As obras de arte são mercadorias. incorporá-las em suas vidas. a indústria cultural introduz a divisão social entre elite “cultural” e massa “inculta “. sob controle económico e ideológico das empresas de comunicação artística.informações essenciais e as que podem ser dispensadas no resumo. tornarem-se eventos para consumo. Democracia cultural significa direito de acesso e de fruição das obras culturais. já fez. baseada na idéia e na prática do consumo de produtos culturais”fabricados em série. A democratização da cultura tem como precondição a idéia de que os bens culturais (no sentido restrito de obras de arte e de pensamento e não no sentido antropológico amplo) são direito de todos e não privilégio de alguns. criticá-las. da imaginação. de modo que tudo o que nas 53 54 TÉCNICA DE REDAÇÃO obras de arte e de pensamento significa trabalho da sensibilidade. Vamos analisar um texto e compreender o processo de resumo. fazê-lo pensar. cada um escolhendo livremente o que deseja. ver ou ler. da inteligência. No entanto. prestígio político e controle cultural. já viu. A arte possui intrinsecamente valor de exposição ou exponibilidade. através dos preços. como tudo que existe no capitalismo. a arte se transforma em seu oposto: é um evento para tornar invisível a realidade e o próprio trabalho criador das obras. porque cria a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais. fruído e superado por novas obras. em princípio. novas. as artes foram submetidas a uma nova servidão: as regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural. e os artistas epensadores 4 DA LEITURA PARA A ESCRITA poderiam superá-las em outras. Para vendê-la. Em segundo lugar. porque define a Cultura como lazer e entretenimento. as artes correm o risco de perder três de suas principais características: 1. No entanto. palavra que vem do latim e sign fica: dado à visibilidade. porque separa os bens culturais pelo seu suposto valor de mercado: há obras caras” e “raras “. Perdida a aura. tornarem. conhecê-las. O que é a massa? É um agregado sem forma e sem rosto. porque inventa uma figura chamada “espectador médio ‘ “ouvinte médio” e “leitor médio ‘ aos quais são atribuídas certas capacidades mentais “médias “. em vez de garantir o mesmo direito de todos á totalidade da produção cultural. de expressivas. O que significa isso? A indústria cultural vende Cultura. da reflexão . Para seduzi-lo e agradá-lo. destinadas aos privilegiados que podem pagar por elas. de trabalho da criação. mas deve devolver-lhe com nova aparência o que ele já sabe. tornarem-se reprodutivas e repetitivas.se consagração do consagrado pela moda e pelo consumo. Por quê? Em primeiro lugar. oferecendo-lhes produtos culturais “médios”.

2. massa inculta. expressidade > repetição. não pode mais depender do original. O resumo. podemos observar que algumas informações foram eliminadas e outras podem ser reagrupadas. separa “caras’ e “raras”. pp. numa redação própria da pessoa que resume. que têm a função de prender a atenção do leitor. inventa uma média “espectador. 8 ed. Os parágrafos seguintes desenvolvem e aprofundam essa idéia. as 700 palavras do texto original foram reduzidas a apenas 198. sem provocações. capacidades mentais. não “vende”. despertando interesse por ela. assim. Em lugar de difundir e divulgar a Cultura. Massifica = banaliza / vulgariza a expressão artística e intelectual. teórico. se transforma em seu oposto = mercadoria quando > Fabricação em série > Propaganda e publicidade > Sinal de status > Prestígio político > Controle cultural não se democratizou massificou-se Arte corre risco Valor de: pode se transformar em: 1. O texto começa com uma informação que será explicitada nos parágrafos seguintes. São Paulo: Ed. Indústria cultural resultado oposto = introduz a divisão social ao massificar a Cultura.e da crítica não tem interesse. imaginação. ao ativar nossos conhecimentos anteriores sobre o assunto. 4. já com essas idéias. XIX) > mercado capitalista > ideologia da indústria cultural Obra de arte tem valor de exposição / deve ser contemplada e fruída. porque 1.consagração do consagrado pelo consumo. > “baratas” e “comuns”. 2. conclusões e respostas. do texto já nos diz que a idéia principal é a distinção entre o que é realmente arte e o que a indústria cultural produz para a massa no capitalismo. inteligência. são dispensados e o resumo vai reconstruir diretamente as afirmações. Uma primeira leitura. DA LEITURA PARA A ESCRITA 55 Indústria cultural e cultura de massa Artes submetidas (2 revolução industrial séc. ou leitor médio”. 3. 329-30. 1997. Os efeitos de repetição. independentes do texto original. experimentação ‘. cria a ilusão de acesso através dos preços seleciona grupo social. Ática. no primeiro parágrafo já se anuncia a idéia principal: de que a arte foi transformada numa mercadoria e que por isso foi desvirtuada pela indústria cultural. reagrupa as idéias. podemos aproflindar mais a compreensão das causas e conseqüências dessa distinção. a partir do esquema. como o esquema que serve .. elite culta. 56 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nesse esquema. não vende. rearticulando-as em novas orações e períodos. os privilegiados. Massifi cor é. banalizar a expressão artística e intelectual. Convite à Filosofia. Marilena Chaui. Na segunda leitura. superficial e rápida. 3. conhecimentos e gostos “médios” = produtos culturais “médios” = o que o consumidor já sabe = senso comum. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos. criação > consumo. Sabemos que Marilena Chaui é uma filósofa e que se trata de um texto dissertativo. diversão e distração. reflexão e crítica não têm interesse. Já é possível retirar do texto a sua estrutura básica e reorganizá-la em blocos. define a Cultura como lazer e entretenimento. ou seja. sobre conceitos bastante abstratos. > à informação e à formação. toma invisível a realidade e o próprio trabalho criador Democracia cultural (poderia acontecer pelos meios de comunicação) Todos têm direito > ao acesso e à fruição. identificando as palavras-chave e as idéias secundánas distribuídas pelos parágrafos. Deve funcionar como um texto autônomo. > à produção cultural. ouvinte. redundância e as perguntas retóricas. Ao analisar as escolhas feitas. voltando ao texto. sensibilidade.

massficou-se e transformou-se em seu oposto: mercadoria. vendáveis. sem novida DA LEITURA PARA A ESCRITA 57 des. além de tornar a realidade e o trabalho criador invisíveis. no século XIX. Ocor 1 58 TÉCNICA DEREDAÇÀO re. mas as informações são diferentes. que poderia ser alcançada pelos meios de comunicação social. para escrever um trabalho ou um artigo. Assim. tem a mesma função. em caso de trabalhos científicos. a arte corre o risco de perder suas características. porque não vende. conhecimentos e gosto médios. os pontos de vista. Quando a organização é semelhante. da reflexão e da crítica. inventa um consumidor médio. Informativo (até 350 palavras) representa o conteúdo. cria a ilusão do acesso igual para todos. no resumo que apresentamos a seguir. O aprendiz incorpora o conhecimento novo. além de nossa experiência de vida. comparações com outros trabalhos e pode trazer uma avaliação geral. entendida como o direito de acesso efruição. o assunto. é frita para ser contemplada. quando sobre uma mesma melodia criamos letra diferente. Sob controle econômico. no processo de estudo e de aprendizagem. artigo. mas apresenta uma forma de organização diferente. fundados no senso comum. da inteligência. não foi democratizada. Assim. porque ao massficar reintroduz a divisão social e:]. vê a cultura como lazer. fruída e revelar a realidade. e ainda produção cultural. ele é considerado. Um texto é paráfrase do outro quando traz as mesmas informações por meio de outras palavras. os métodos e conclusões. A obra de arte tem um valor de exposição. da imaginação. com capacidades. sinal de status. dizemos que é uma paródia. a quantidade de palavras em relação ao esquema é maior: 267. que é banaliza ção e vulgarização da arte e do conhecimento. em lugar de democratizar a Cultura. Há diferenças entre o resumo e a paráfrase que é necessário esclarecer. deixar a expressividade pela repetição. uma intemalização ou assimilação. a representação condensada do conteúdo de um documento (é obrigatório. prestígio político e controle cultural. utilizamos a paráfrase mentalmente. o trabalho da sensibilidade. as tes foram submetidas às regras do mercado capitalista e à ideologia da indústria cultural. É utilizado em revistas científicas. diversão e distração deforma que não tem interesse. antecedendo trabalho científico. Pela paráfrase mental. utilizamos informações lidas. Crítico (também chamado de resenha) — apresenta a posição do leitor. já que um texto é feito de outros textos. tenho consciência de que domino a nova informação. Como já vimos no capítulo anterior. E essencial compreender que também na produção de textosusamos freqüentemente a paráfrase.3. reproduzi-la ou dizê-la com minhas próprias palavras. pela reprodução das idéias com minhas próprias palavras. e. como uma estratégia para ler e estudar. 2. estamos parodiando. Além dos usos pessoais do resumo. produtos culturais fabricados em série. Ou seja. Entretanto. mas pelo preço define os grupos que podem usufruir de cada bem. deve conter dados essenciais que ajudem o leitor a decidir sobre a necessidade de ler ou não um texto todo.apenas para retomar as idéias principais. Pode ser: Indicativo (de 10 a 50 palavras) — geral e sintético. Assim. Desde a segunda revolução industrial. A democratização da cultura. entretenimento. pois não se trata apenas de transposição ou transferência. para o qual produz bens médios. dissertação e tese). informação eformação. a criação pelo consumo e a experimentação pelo consagrado. Essas informações lidas passam a fazer parte de nosso . Essa assimilação requer uma elaboração interna. 4. a indústria cultural produz uma massficação. separa os bens culturais pagos e raros para uma elite culta e os bens baratos e comuns para a massa inculta. isto é. Observe que a terceira pessoa que garante a impessoalidade própria da estrutura dissertativa foi mantida. A elaboração interior é feita por meio de paráfrase: para saber se estou compreendendo bem uma idéia é preciso que eu saiba pensá-la. às vezes cômica ou irônica. Mas esse efeito é artístico e criativo. foi substituída pela massflcação. por técnicos em editoração e por cientistas. A indústria cultural não democratiza. apropria-se dele.

8 ed. Ática. O importante é que o documento possa ser recuperado pelo leitor a partir de informações básicas. Quanto mais organizadas forem essas anotações. reutilizá-las. podemos sempre utilizar idéias de outros autores fazendo: citação literal: Marilena Chaui afirma em seu texto que. Na paráfrase. Sempre que fizer esses exercícios de síntese. mais úteis poderão se tornar quando da produção de um novo texto. elabore um pequeno parágrafo. não é um resumo. 3. c) De todas as suas leituras para estudo ou trabalho. mas nossa leitura não retém na memória tudo que é necessário. frases e períodos podem ser simplificados. resumindo ou esquematizando. A Associação Brasileira de Normas Técnicas normatiza as regras para publicações. adotamos o seguinte modelo simplicado: NOME DO AUTOR. Convite à Filosofia. DA LEITURA PARA A ESCRITA 59 ou paráfrase: Marilena Chaui afirma em seu texto que a indústria cultural vulgariza as artes e os conhecimentos em vez de d(fundir. transformações conceituais ou reduções. anote a bibliografia referente. Assim. seleção e hierarquização de idéias. Paráfrases mal feitas podem constituir mal-entendidos prejudiciais à comunicação e. E isto é o mesmo que não ter lido. fazendo anotações. Após a leitura. reestruturá-las e reordená-las em outro formato exige uma grande atividade mental que contribui para que a assimilação seja mais consistente. CIDADE: EDITORA. Releia. b) Escolha um parágrafo longo de um texto dissertativo. Neste livro. Prática de síntese a) Escolha um texto de estudo ou relativo ao seu trabalho que precise conhecer bem. se não houver uma citação clara do autor das idéias. O próprio esforço de reelaborar as idéias. . depois de algum tempo. sintetizando a idéia principal. obra. EDIÇÃO. Marilena Chaui. consultá-las. divulgar e despertar interesse pela Cultura. As vezes é preciso citar explicitamente sua origem (nome.acervo pessoal de conhecimentos pela internalização. com nossas próprias palavras. que são muito úteis na ampliação das habilidades cognitivas. podemos incorporá-las ao nosso texto de maneira parafraseada. Conservando e reutilizando o que foi lido Neste capítulo vimos como podemos registrar as informações lidas de forma que se torne mais fácil voltar a elas. ao fim de cada capítulo ou parte de texto. agregados ou transformados estilisticamente. TÍTULO. A paráfrase. As informações têm de ser fiéis às idéias do texto original. a partir de informações que colhemos em outros textos. junto aos textos transcritos. esquema para orientar aula ou palestra etc. ANO. em grande parte. que exercem funções próprias como: resumo para apresentação oral e escrita de trabalhos. mas guardam um vínculo com o texto original do qual provêm. para identificação. com vários retornos ao texto. é preciso dar-lhe um apoio anotando. dependendo do objetivo da paráfrase. Quando falamos para nós mesmos. Elabore um resumo reduzindo-o a 50% do original. muitas vezes. não se saber mais de onde foram retiradas aquelas idéias. E muito comum. fazemos pequenas paráfrases. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos “. pp. pois não se pode citar a fonte. são úteis também como textos autônomos. sem acréscimos. E preciso uma leitura refinada. Por isso a paráfrase é tão útil. elabore uma paráfrase em tom mais coloquial. Leia uma primeira vez para se familiarizar com as idéias. não perca suas leituras por falta de anotações. mas as editoras optam por algumas variações. PÁGINA. interpretando o que foi lido. Nossos textos são compostos. As técnicas de registro de bibliografia podem variar. 4. Por isso. “em lugar de dfundir e divulgar a Cultura. Palavras complexas podem ser substituidas por expressões mais simples e familiares ou pode ocorrer o contrário. vale repetir.outras basta fazer uma alusão ao dono das idéias e. 329-30. registrando.. despertando interesse por ela. Assim. Faça um 60 TÉCNICA DE REDAÇÃO esquema das idéias. podem ser consideradas plágio. Além disso. data). São Paulo: Ed. 1997.

Cada um dos objetivos vai determinar o formato que o texto vai tomar e... Clark Gable disfarçando com grande charme a sua velhice. agora. muito negro. Avo Gardner e Grace Kelly eu só conhecia defotos nas revistas e jornais. a função expressiva é mais evidente: a experiência pessoal e as emoções são ressaltadas e as informações . Audrey Hepburn. Dizemos. 1967. estão voltados para a expressão individual.. Manuel Bandeira.1 Capítulo 5 Decisões preliminares sobre o texto a produzir 1. Funções da linguagem Como podemos perceber. a língua escrita é usada com diferentes funções e com os mais diversos objetivos. na estruturação do texto e na sua estética. Tomando decisões Para escrever um texto. conforme seus objetivos estejam centrados: no EU. informacionais. Essas decisões estão relacionadas àqueles mesmos aspectos que tentamos descobrir quando estamos lendo textos de outras pessoas. ou na informação. na linguagem e no seu funcionamento. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 63 Ava Gardner e Grace Kelly. Há algumas funções consideradas básicas e que estão presentes nos textos de forma especial. cinco funções primordiais da linguagem. no leitor. à noite. tivemos sessão de cinema. o veículo em que vai circular. 2.. na função expressiva. podemos escrever textos de gêneros mui t diferentes como: diários. interpessoais. sobre essas decisões. com muita fera. depoimentos. Rio de Janeiro: Editora Aguilar. o autor registra suas impressões a respeito de um filme e dos atores. e por isso a primeira pessoa do singular é utilizada com muita freqüência. Flauta de Papel. mas sempre TÉCNICA DE REDAÇÃO transparece uma função preponderante. Tenho vontade de rever é . bilhetes. Podemos traduzir algumas das decisões preliminares nas seguintes perguntas: Quais os objetivos do texto que vou produzir? Que informações quero transmitir? Qual o gênero de texto mais adequado aos meus objetivos? Que estruturas de linguagem devo usar? Vamos refletir. A voz que assume a “fala” nesse tipo de texto é a própria voz do autor. que a função da linguagem está centrada no EU. a seguir. As feras representando muito bem. cartas. Nos três últimos períodos. lingüísticas. Vamos detalhar aqui como essas funções se realizam no texto escrito. Para a expressão de nossos pensamentos. Clark Gable. então. Poesia Completa e Prosa. tomamos muitas decisões antes e durante o trabalho. Um exemplo desses textos é o diário pessoal. a) A linguagem como expressão individual Objetivos centrados no EU — Muitos textos têm uma natureza essencialmente subjetiva. As diversas funções coexistem e duas ou três aparecem simultaneamente num mesmo texto. ar tigos poemas. A história do filme se passava na A’frica. muitas vezes. Focalizaremos. Bonitas. São questões de várias ordens: textuais. mas não me dão vontade de revê-las. pois o objetivo principal do texto é transmitir ou registrar os sentimentos. Vejamos um pequeno texto de Manuel Bandeira: Diário de Bordo 22 de julho Ontem. pensamentos e emo çõe de uma pessoa. Nesse trecho.

assimilá-los criticamente e assumir a própria voz é essencial. quando lemos essas anotações. Porém. a predominância da função expressiva. por mais secreta e enigmática que seja. circunstâncias. é necessário que mantenha seu cadastro atualizado. por isso. à discussão teórica e abstrata em que o eu não se expõe com tanta evidência. dos amigos e dos negócios. uma sugestão. pessoas. a expressão subjetiva explícita. A nossa memória. você é muito especial para nós. Geralmente é uma instrução de procedimentos. uma ordem. A função expressiva da linguagem é essencial à nossa vida. Se houver alguma alteração. muito importante. como já vimos.assumem o tom de confissão. já que o autor fala consigo mesmo. Atenciosamente. mas reconstruí-los. já que não se pode confiar totalmente nela. escrevemos bilhetes para nós mesmos no intuito de não esquecer algum compromisso ou informação e. Para que estas vantagens cheguem até você. Um conhecimento ou uma informação preexistentes ajudam a sustentar conhecimentos novos na memória por mais tempo. José da Silva. um leitor que é a nossa própria pessoa em outro momento. às vezes. está presente em textos cujo objetivo é influenciar a atitude de quem lê. pois. Nomes e telefones de novos conhecidos. E por intermédio da função expressiva que nos tomamos senhores de nossa própria história. José da Silva. à neutralidade. é geralmente considerada inadequada e dá lugar à impessoalidade. ou seja. ou seja. escrevemos para. por favor. No entanto. Embora nosso exemplo pertença ao universo literário. Temos certeza de que cada vez mais atenderemos às suas necessidades de telecomunicações. nas teses e dissertações. sempre que escrevemos um diário. acontecimentos. E por isso sempre estaremos oferecendo-lhe descontos e promoções em nossos serviços. sempre causam um pouco de dúvida se não estiverem acompanhados de alguma referência mais específica. Beltrano Diretor de Serviços 64 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Função centrada no leitor ou apelativa Uma outra função da linguagem é aquela centrada no leitor. Muitas vezes. nos vestibulares e concursos. entre em contato com nossa Central de Atendimento ao Cliente por meio do telefone XØ(X\9( Obrigado por ter escolhido nossa empresa para chegar mais perto de sua família. Repetir 4 pensamentos de outros é. é por meio dela que nos construímos como sujeitos atuantes na sociedade e no mundo. é preciso considerar que esse autor estará exercendo o papel de leitor num segundo momento e. A conquista da expressão dos próprios pensamentos e opiniões. a mensagem. uma súplica. por exemplo. é um instrumento primordial para o exercício da cidadania. uma orientação. precisa de mais de um ponto de apoio. não entendemos o que queríamos dizer. Continue preferindo nossa operadora. José da Silva. deve estar bem elaborada para que possa ser compreendida em outras circunstâncias. Palavras soltas são dificeis de ser associadas a fatos. Prezado José da Silva. E quase um monólogo. pode ser esclarecedor. alterando o seu comportamento. com a alta qualidade e a avançada tecnologia da empresa que está pronta para o século 21. Pedimos que você verifique a correção dos dados pessoais e do telefone exibidos na conta. Trata-se de dar ajuda à memória. Vamos analisar esta carta comercial/publicitária: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 65 .

Quanto mais esclarecidos são os cidadãos. A empresa quer continuar sendo escolhida pelo leitor como sua operadora de serviços de telecomunicações. kínema. 1. / Reunião a nível internacional (reunião internacional). Observe os verbetes a seguir: Verbete: cinema [De cinematógrafo. que criam necessidades de consumo e transformam as pessoas em máquinas desejantes. cinematógrafo. ansiosas por adquirir mais e mais. mas apenas com o sign ficado de à mesma altura: ao nível do mar. Cinema mudo. Podemos dizer que a função preponderante é centrada no leitor. Em um dicionário. Embora possamos perceber que um autor elaborou o pensamento sobre o item analisado. 1. Em determinados casos podem ser usadas as locuções no plano de e em termos de.] El comp. 3. Por meio desse tipo de texto a sociedade pode ser controlada e submetida à dominação política e cultural. atos. /Decisão a nível de governo (decisão governamental). Manual de Redação e Estilo — O Estado de S. E a língua falando sobre a própria língua./ O salário será a nível de 5 mil reais (em torno de). Muito menos eficaz para o objetivo da empresa seria a simples comunicação por telegrama: Atualize cadastro pelo telefone XXX XXX Agradecemos preferência. Observe este exemplo: 66 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nível 1. no seu comportamento.] S.] Cinema falado.Observe como o propósito da carta influenciou a sua forma. I”K 1 cinem [Do gr. explicar-se. A locução a nível de. Eduardo Martins. em substituição a praticamente tudo que se queira. São Paulo: Editora Moderna. Mas a sociedade de consumo é fundamentada em textos apelativos. dos livros didáticos de língua portuguesa e do dicionário. Paulo. 2. é ainda mais evidente essa ausência de um autor explicitamente identificável no texto. É importante perceber os mecanismos de convencimento que estão implícitos em determinados textos que manipulam o pensamento das pessoas. é como se ele estivesse ausente do texto. se constitui objeto de descrição. Projeção cinematográfica. Sala de espetáculos. m. mais percebem quando estão sendo persuadidos contra a própria vontade e mais resistem aos processos de tirania e arbítrio.+ -teca. Função metalingüística é a função da linguagem na qual predominam os enunciados em que o código. Assim as informações estão todas organizadas de forma a atingir essa meta. Veja alguns casos em que a locução aparece e como evitá-la: Decisão a nível de diretoria (decisão da diretoria). Por isso é preciso ler com muita atenção e procurar as segundas e terceiras intenções em tudo o que nos chega às mãos.] S. Existe ainda ao nível de. /Çf sinema. Aquele em que a projeção é acompanhada de uma faixa sonora. c) A linguagem que explica a língua —função meta!ingüística A linguagem pode falar acerca de si mesma. 190 (com adaptações). 4. Cinematografia. onde se projetam filmes cinematográficos. DECiSÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR [Equiv.: cinemat(o)-: cinemática. = movimento’: cinemascópio. Os exemplos mais claros são os textos da gramática. f .] Verbete: cinernateca [De cinema. 1. Arte de compor e realizar filmes cinematográficos. na sua reação. modismo desnecessário e condenável. Aquele em que a projeção não vem acompanhada de som: cena muda. 3. colocando as ações do leitor em evidência. 2. 1. p. na sua escolha futura. / Contratações a nível de futuro (contratações para ofuturo). tornou-se uma das mais terríveis muletas lingüísticas da atualidade. ou parte dele.

a palavra. vai se lembrar do sofrimento de Fabiano por não dominar as palavras. mais que para a informação. 1.) Dicionário Aurélio Eletrônico Há um conjunto de recursos que dispensa a voz do dicionarista. Essa elaboração provoca no leitor uma espécie de experiência estética prazerosa. Local onde se conservam os filmes cinematográficos. chama a atenção para a organização e estruturação do texto. pouco antes de partir o avião. percebemos que alguma coisa não funciona bem: pausas. é digno de ser cinematografado: uma jovem cinematográfica. Quero é o derrotado Cinema Odeon. o apelo ou a confissão. 2. (Amadurecerei um dia?) Não aceito. II. 100 Contos Escolhidos. mais americano. por sua beleza e/ou por outra(s) qualidade(s). Respeitante à cinematografia.1. temos a arte que utiliza a linguagem verbal. Fechado para sempre. de estranhamento agradável. o cinema Glória. a morfologia. 3. Dizemos. O FiM DAS COISAS FECHADO O CINEMA ODEON. Nesses casos. A Vida como Ela E. de Graciliano Ramos. para sua elaboração especial e intencional. na rua da Bahia. Verbete: cinematográfico Adj. dispõe de uma excelente ferramenta social para exercer suas tarefas na sociedade. evocando o beUo cinematográfico que dera no aeroporto. seja no acervo e escolha de palavras. Próprio de cinema. jogar com as potencialidades latentes nas palavras e criar combinações novas e originais. pela forma como está organizado. mais isso-e-aquilo. em especial os considerados de valor cultural ou artístico. Não é possível. Quando uma pessoa tem um bom vocabulário e sabe combinar adequadamente as palavras. sendo de outrem. Mas quando sua linguagem apresenta problemas. proporciona ao leitor o caminho para compreender os significados. 42. seja na sua combinação. titubeios na fala e falhas e inadequações na escrita. É por meio desses textos que ampliamos o nosso universo lingüístico. Cada verbete. Que. Não amadureci ainda bastante para aceitar a morte das coisas que minhas coisas são. p. em oposição à transparência do texto informativo. Se você já leu Vidas Secas. paisagem cinematográfica. como material de criação: a literatura. os possíveis usos e as relações entre as palavras. minha mocidade fecha com ele um pouco. que lembra o que se vê no cinema: “Rilhava os dentes. que o texto é opaco. A espera na sala de espera. maior. (Nélson Rodrigues. o miúdo. A matinê . por enquanto.’. então. A língua é um dos instrumentos mais importantes na conquista da própria identidade e da cidadania. pois chama a atenção para si mesmo. fora-de-moda Cinema Odeon. ou seja. 67 68 TÉCNICA DE REDAÇÃO d) A arte literária —função poética Encontramos a função poética da linguagem quando a intenção do autor de um texto é extrair da linguagem as suas mais altas possibilidades expressivas. quando for o caso. e até aplaudi-las. truncamentos.

pobre sátiro em potencial. a escolha das palavras. waldemarpissilândico. o Conto. tombos. a elaboração original e única para a expressão de uma interpretação sobre os fenômenos do mundo. Nos versos “FECHADO O CINEMA ODEON. Por exemplo. crítica social.7 70 TÉCNICA DE REDAÇÃO Ritmo Repetição de palavras Repetição de sons Repetição de idéias Jogos de palavras Ironias. A prosa e o verso se desdobram em outras espécies literárias. Nosso objetivo principal neste livro não é o estudo da literatura. E cada uma dessas formas tem subgêneros. por exemplo. mesmo não divina.. tramas. já que permite várias formas de leitura. Hart. Carlos Drummond de Andrade Boitempo O poema de Drummond exemplifica essa opção pela escrita de forma especial: a disposição das frases no papel. de costumes.com BuckJones. a poesia narrativa épica são feições diferentes para um mesmo fenômeno: a arte da palavra. critica política. o romance pode ser: histórico. Quando citamos um poema não podemos resumi-lo. análise psicológica. o teatro. ao mesmo tempo. apresentado como uma narrativa no poema. A primeira sessão e a segunda sessão da noite. e abre caminho para que os leitores empreendam uma reflexão que pode desdobrar-se em várias camadas: lírica. tiros. entretanto o conhecimento da natureza do texto artístico é imprescindível para que se compreenda como funcionam os textos não-literários A leitura freqüente de textos literários é também muito importante na formação de uma pessoa.”. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR A impossível (sonhada) bolina ção.. policial./Fechado para sempre. o poema é plurissignificativo.. Assim. As meninas-de-família na platéia. na rua da Bahia. de terror. demonstra como as funções se sobrepõem. O relato da experiência pessoal. a associação entre as idéias. você pode observar muitas das características da literatura que constituem meios para a elaboração especial da linguagem: 69 . Exijo em nome da lei ou fora da lei que se reabram as portas e volte o passado musical. são simultâneas. de guerra. o COflvÍvjo com a literatura Constitui um exercício privilegiado de habilidades cognitivas . A estruturação do texto é tão importante que qualquer substituição constituiria uma agressão à autoria do poeta.. depoimento social de costumes de uma época. O poema é prioritariamente uma elaboração especial da linguagem. costumeira. por sua vez. de amor. diversas formas e diferentes objetivos. humor Criação de novos vocábulos (neologismos) Frases nominais Estrutura sintátjca predomjnantemerite justaposta Uso da primeira pessoa do singular A literatura assume. sublime agora que para sempre subm erge em funeral de sombras neste primeiro lutulento de janeiro de 1928. A divina orquestra. duplo sentido. o jogo de palavras é intencional e não pode ser modificado sem que se modifique o efeito dessa escolha sobre a interpretação do poema como um todo. alterá-lo ou transformá-lo. No exemplo. O romance. William S. mas é também. de humor. porque a obra de arte oferece interpretações do mundo que estimulam a reflexão e o conhecimento Além de proporcionar experiência estética. O jornal da Fox. como fazemos com um texto de jornal. crítica da cultura. polissêmico. expressão do EU e informação sobre fatos e acontecimentos.

como expressões faciais. corrigir e explicar melhor. na fala. Descrever. não dispomos de recursos como gestos. sinto. voz. explicar algum item mal compreendido. definir. de certa forma. Ao escrever. considero. Ele fala e usa a língua em diversas situações. O exemplo a seguir é um caso em que a função referencial é preponderante: 72 TÉCNICA DE REDAÇÃO os primeiros grandes diretores: Mário Peixoto (1911-1993). acho. definir são formas de linguagem que evidenciam a função referencial. um poliglota.) são evitados. precisamos seguir mais rigorosamente as exigências da língua padrão. Quem fala. do contexto. em diferentes níveis. dizemos que se evidencia a função referencial. usamos expressões dialetais com mais freqüência. são sistematicamente evitados. quem lê e a linguagem em si são questões deixadas em segundo plano. e Humberto Mauro (18 77. a cada momento. Podemos esquematizar nossos procedimentos: Na fala somos mais espontâneos. autor do consagrado Limite (1929-1930). revisamos para avaliar o funcionamento do texto e evitar repetições desnecessárias de palavras. Pensamos muito rapidamente e a expressão das nossas idéias pode ser. Dizemos. eliminação de elementos sintáticos etc. inversões. Considere o seu próprio uso da linguagem e observe que a língua escrita não dispõe dos recursos contextuais. como penso. interpreto. porque o nosso interlocutor está distante e é necessário garantir a compreensão. concejtuar. que enriquecem a oral. que o texto é transparente. conjunções facilmente compreendidas. pois se refere primordjalmente a uma noção ou fenômeno.e de familiaridade com as estruturas e Possibilidades da língua escrita. expressões faciais. expor. podemos resolver dúvidas do ouvinte. O que ganha evidência é a informação. . pois não atrai a observação do leitor sobre a forma como é organizado. autor de Brasa Dormida (1928) e de Ganga Bruta (1933). podemos repetir informações. universitários e acadêmicos. não trata da linguagem como fenômeno nem busca proporcionar experiência estética especial. das referências ao ambiente. a não ser em situações muito formais ou delicadas. Decisões em relação às estruturas Iingüísticas O falante de uma língua é. Almanaque Abril 1996 Como você pode observar. pois não temos o apoio do contexto. das modulações da voz. entonação. Há distinções fundamentais nesses usos que é preciso considerar. como as que se dão entre: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 73 modalidade oral e escrita registro formal e informal variedade padrão e não-padrão a) Distinções entre as modalidades oral e escrita Freqüentemente confundimos as modalidades da língua oral e escrita. temos apoio da situação fisica. no qual os verbos que indicam subjetividade. relatar. Geralmente. imparcial. conceituar. É como se a realidade falasse por si própria.1983). Embora pertençam ao mesmo sistema. é muito comum surgirem na fala truncamentos. das pausas. não se trata de um texto expressivo (centrado no EU). O objetivo é transmitir informações a respeito de uma realidade. Os recursos explorados pela literatura para chamar a atenção para a estrutura da linguagem (repetições. um pouco atrapalhada. das expressões faciais. do conhecimento do interlocutor. percebo. gestos. pois podemos. titubeios e problemas de concordância. Este tipo de texto. sem a interferência das impressões do autor. essas duas manifestações são apenas parcialmente semelhantes. o autor se distancia ou desaparece quase completamente para tornar a informação bastante neutra. não planejamos com antecedência o que vamos falar. 74 TÉCNICA DE REDAÇÃO Na escrita planejamos cuidadosamente o nosso texto para assegurar que o leitor compreenda nossas idéias sem precisar de mais explicações. com distintos objetivos. é o mais valorizado nos meios científicos. e) Funçdo referencial Quando a língua é usada para descrever. na primeira pessoa do singular. clara e objetiva. usamos frases mais simples. cortes. dos gestos. então. 3. a maneira como fala. Não quer provocar algum comportamento no leitor. ou seja. não podemos resolver dúvidas imediatamente. repetições. informar.

né (não é). Cabe ao falante ou redator analisar a situação. . tá tudo bem? à fala mais formal. evitamos gíria e expressões coloquiais. peraí (espere aí). Para que você tenha ferramentas para analisar essa questão. que podem aparecer em textos informais. porque representam estruturas próprias da fala. Há uma gradação que vai da fala mais descontraída 01. ortografia. tô (estou). pois temos tempo de procurar a palavra adequada. Para isso é imprescindível ampliar continuamente o acervo de opções. Portanto. daí aí. taí (está aí). observe alguns itens que merecem atenção. tá (está). ou seja. problemas de concordância. procuramos utilizar um vocabulário mais exato e preciso. regência. a escrita não é a simples transcrição da fala. colocação pronominal. que. as orações subordinadas são mais freqüentes na escrita que na fala. que permite a exatidão e a clareza do pensamento. que permeia a escrita informal. utilizamos sintaxe mais complexa. Ausência de apoio contextual DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 75 b) Formalidade e informalidade Tanto a fala como a escrita podem variar quanto ao grau de formalidade. Um dos problemas mais freqüentes na produção de textos de jovens redatores é a confusão entre a modalidade oral. o vocabulário e as formas de combinação das palavras em frases e textos. Boa tarde! e da escrita mais informal Tô chegando aí Deiva o parabéns pra mais tarde! à mais formal Chegaremos ao local da cerimônia com uni pequeno atraso em relação à programação anteriormente estabelecida. bom. e. veja bem. chamamos atenção para o seu próprio uso da linguagem e para a necessidade de que você reflita acerca de seu desempenho. Podemos sintetizar as diferenças no seguinte quadro: FALA ESCRITA Espontânea Planejada Evanescente Duradoura Repetições / redundâncias/ Controle da sintaxe / das repetições / truncamentos / desvios da redundância Predomínio de orações Predomínio de orações coordenadas subordinadas Gran de apoio contextual Face a face Interlocutor distante . Solicitamos que as atividades sejam adiadas por alguns minutos. sabe? Verbos de sentido muito geral no lugar de verbos de sentido mais exato: dar ficar dizer tei fazei achar ser. cê (você). pontuação. de acordo? não sabe?. certo?. 76 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Palavras de articulação entre idéias (repetidas em excesso) que substituem conjunções mais exatas: então.truncamentos. Sinais utilizados na fala para orientar a atenção do ouvinte: bem. Tem características próprias e exigências diferentes. entendeu?. viu?. pra (para). principalmente quando o texto é formal. segundo os objetivos do momento. e a modalidade escrita formal. assim. e decidir como usar as infinitas possibilidades da língua da forma mais adequada e aceitável. planejada e mais próxima da escrita Caros ouvintes. Outra vez. mas muitas vezes são utilizadas indevidamente na escrita formal: Formas reduzidas ou contraídas. o contexto.

com cenas da baía de Guanabara. a norma estava nos textos literários de autores como Machado de Assis.. democraticamente. libertando-a para novas experiências. Isso diz respeito tanto à fala quanto à escrita. Constituem recursos inadequados para o texto formal escrito. transgressões às formas aceitas até então na escrita culta formal. Muitas DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 77 vezes. a gente. A escola deve respeitar as diferenças. Várias salas de exibição são abertas no Rio de Janeiro e em São Paulo no início do século XX. Nos anos seguintes. por exemplo) que constituem desvios. uma vez que essa norma se sobrepõe às variedades regionais e 78 TÉCNICA DE REDAÇÃO individuais. Há recursos da fala e da escrita informal que funcionam muito bem em determinados contextos. É exigida em determinadas circunstâncias. oferecendo oportunidade de acesso ao domínio da norma culta. sem essa. dizendo que a norma culta está na literatura. E Afonso Segreto quem roda o primeiro filme brasileiro. um texto expositivo contemporâneo: Em 8 de julho de 1886. como se fazia a respeito dos textos do fim do século dezenove.. Um uísquinho de vez em quando.. Operíodo de 1908 a 1912 é considerado a beile époque do cinema brasileiro. histórias policiais. o Rio de Janeiro assiste à primeira sessão de cinema no Brasil. consensualmente aceito e consagrado como correto pelos falantes que têm alto grau de escolaridade. velho. manera. Por isso velho. Portanto. 6. Rui Barbosa e Euclides da Cunha. língua culta ou padrão. Atualmente. nós. sem planejamento. pega leve nas frituras. vocé seu. os grandes escritores modernistas trouxeram para a literatura a fala do povo e novas criações de efeito estilístico (Guimarães Rosa. No início do século. Surge um centro de produção no Rio. e. A norma padrão assegura a unidade lingüística do país. ou seja. nos jornais e revistas tradicionais de grande circulação. nos livros de qualidade. vai la’. comédias e filmes com atores interpretando a voz atrás da tela. Inconsistência no uso de pronomes: te. vestígios de coloquialismo. se toca. Mas o que té rolando é papo de amigo. é que a gente sente o quanto te ama. Pai. Entretanto. Você vive dizendo que pensa no meu futuro. Você fala pra tomar Cuidado corri os eXcessos. em 1898. com ele. Devem ser considerados os primeiros elementos a eliminar ou substituir quando se deseja transformar um discurso oral informal. um efeito de intimidade que simula a oralidade ou o diálogo. E muitas vezes o caso do texto publicitário. Assim. não se deve mais generalizar. em textos que não as admitem. dos textos informativos. a produção cai . como neste texto de uma propaganda de adoçante dietético: Você diz pra gente que a vida corre mansa. mas que são inadequados em documentos oficiais ou em textos formais. sempre em evolução. apenas sete meses depois da projeção inaugural dos filmes dos irmãos Lumière em Paris. No ano seguinte Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles abrem a prim eira sala exclusiva de cinema na rua do Ouvidor. a seguir. entretanto. diminui o açucar. espontâneo. enche. a norma culta deve distinguir os usos literários dos não-literários. encontramos algumas dessas formas impróprias. Só que eu também penso no seu. econômico e social daqueles que o definem e o codificam nas gramáticas escolares e o consagram na escrita formal. amarra. E muito dificil definir o que seja o padrão culto de uma língua.Vel se consegue mudar um pouco sua alimentação.Gírias e coloquialismos: papo. pega leve. não há por que se portar perante a língua de modo submisso a um poder autoritário. esse papo às vezes enche! Mas te vendo cansado e fazendo tudo pra agradar. sujeito a uma infinidade de influências e transformações. Esses elementos são próprios da fala espontânea. O modernismo constituiu uma forma de revolução na linguagem literária. o padrão depende do poder político. a sua saude é superimpoante pra gente. que no seu tempo era diferente Sabe. sem eliminá-las. em um texto escrito formal. Eles são os exemplos mais citados em nossas gramáticas descritivas e normativas. sem essa de dinheiro. mas os dialetos regionais e as particularidades estilísticas pessoais têm seu espaço na vida social. nas leis. O que define a norma ou padrão culto é o uso. Historicamente. a língua padrão é o consenso do que está nos documentos oficiais. Faz como a mamãe que se amarra num diet. O texto formal utiliza o que chamamos de norma. sua. pois estamos lidando com um fenômeno vivo. informal. sem o qual a vida profissional pode ficar prejudicada. rolando um papo. Assim. E quando é que você vai se tocar disso? Hoje não tem presente. Aparecem na escrita de forma eficiente quando se deseja dar ao texto um tom coloquial. Observe.. manera.

Todos os gêneros nos interessam como leitores e como redatores. em um romance encontramos partes dialogadas. Ao trabalhar com um determinado gênero utilizamos tipologia variada de texto.. quase naturalmente. argumentativas e narrativas... o texto é impessoal. pois a própria escolha das informações que serão utilizadas e das que serão omitidas já pressupõe uma posição diante da realidade. com figuras de linguagem ou inversões sintáticas.. expositivas. tem a oportunidade de. Analise as escolhas feitas pelo redator. Sabemos. Sempre que produzimos uma forma qualquer de comunicação estamos utilizando um dos gêneros disponíveis na nossa cultura. Nós assimilamos esses formatos porque convivemos com eles nas nossas práticas sociais..Ç DECISÕES PRELIMÍNARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 79 Todas essas características contribuem para acentuar o caráter informativo do texto. não há texto totalmente neutro. convencer o seu leitor de seu ponto de vista (argumentar e persuadir). Assim. Antes de começar a escrever. diz respeito ao nível de linguagem. ou quer utili za uma linguagem formal. você observa que: a linguagem procura ser clara e objetiva. mais simples ou mais complexa.por causa da concorrência dos filmes norte-americanos. Nós fomos. quais são as maneiras de começar uma ata. as frases são curtas. portanto.. Quem vai assistir ao espetáculo. você tem de decidir se vai contar acontecimentos (narrar). como narrar um acontecimento.. ao gênero de texto que se quer produzir.. há uma deliberada neutralidade. Essas decisões estão relacionadas ao objetivo da comunicação e.. Gênero e tipo de texto Vamos imaginar que você queira escrever um texto sobre uma experiência estética que viveu (um bom filme. não há manifestação clara da opinião do autor. w9k . estamos focalizando neste livro os gêneros que dizem respeito ao domínio da comunicação. a neutralidade com que se tenta convencer o leitor da seriedade e da confiabilidade das informações. a melhor maneira de contar uma anedota. informal e facilitado. objetiva.. Entretanto. que obedecem a uma ordem lógica (cronológica).. as diversas possibilidades de participação em uma conversa. os períodos estão organizados em blocos de idéias bem distintos. você tem de decidir também que ponto de vista adotar: você quer se colo ca de alguma forma no texto? Exemplo: Eu fui. a ordem é predominantemente direta.. apresentar uma reflexão teórica sobre o fato (dissertar). Ou prefere se distanciar? Exemplo: Ir ao teatro é uma ex periênci surpreendente. 80 TÉCNICA DE REDAÇÃO na forma como você se dirige ao leitor. 294 (com adaptações). Outra decisão correlacionada às anteriores. Você quer um texto mais subjetivo. Exemplo: Ontem eu fui ao teatro e via peça. uma boa música. Almanaque Abril 2000. coloquial. que se sucedem compondo o enredo. citando-o ou não no texto.... Todos nós. como já vi mos. na escolha do vocabulário. não há intenção de mostrar um estilo muito elaborado. Exemplo: É imperdível o espetáculo apresentado pelo grupo de teatro. Para produzir cada tipo de texto algumas habilidades de linguagem são necessárias. p. e são . de fato. Simultaneamente a essa decisão preliminar. Quanto aos aspectos da língua verbal propriamente.. qual é a forma de uma carta. distanciada? Essa decisão vai influir: na estrutura da frase. Mas. Cada gênero já traz em si escolhas prévias em relação a estruturas básicas de linguagem que são automaticamente utilizadas pelo redator. 4. um bom espetáculo teatral). Exemplo: Ir ao teatro e viver a experiência estética proporcionada pela peça. no qual são delineadas e discutidas idéias.

situações. cenários. tempo. em que estão listados alguns dos gêneros mais conhecidos. argumentar. SITUAÇÕES DISCURSIVAS LITERATURA POÉTICA LITERATURA FICCIONAL TIPOLOGIA TEXTUAL PREDOMINANTE EXPRESSÃO POÉTICA VERSO NARRAÇÃO RELATO HABILIDADES DE LINGUAGEM DOMINANTES Elaboração da linguagem como forma de expressão da interpretação pessoal do mundo Imitação da ação pela criação de enredo. refutação e negociação . Observe os quadros nas páginas a seguir. Representação pelo discurso de experiências vividas. é necessário saber expor.apresentados e transmitidos os saberes. persuadir de maneira formal e impessoal. situadas no tempo GÊNEROS ORAIS OU ESCRITOS Poesia conto maravilhoso conto de fadas fábula lenda narrativa de aventura narrativa de ficção científica narrativa de enigma narrativa mítica anedota biografia romanceada romance romance histórico novela fantástica conto paródia adivinha piada relatos de experiências vividas relatos de viagem diário íntimo testemunho autobiografia curriculum vitae DOCUMENTAÇÃO E MEMORIZAÇÃO DE AÇÕES LEVANTAMENTO E DISCUSSÃO DE PROBLEMAS DISCUSSÃO DE PROBLEMAS SOCIAIS CONTROVERSOS ARGUMENTAÇÃO Sustentação. personagens. de forma verossímil. Para transitar nesse domínio.

6. EXPOSIÇÃO Apresentação textual de fatos e saberes contratos CONSTRUÇAO E da realidade declarações TRANSMISSÃO DE documentos de registro REALIDADES E SABERES pessoal atestados certidões estatutos regimentos códigos TRANSMISSÃO E EXPOSIÇÃO Apresentação textual de diferentes texto expositivo CONSTRUÇÃO DE formas dos saberes conferência SABERES artigo enciclopédico entrevista texto explicativo tomada de notas resumos resenhas relatório científico relato de experiências científicas INSTRUÇÕES E DESCRIÇÃO DE AÇÕES Orientação de comportamentos instruções de uso PRESCRIÇÕES instruções de montagem bula manual de procedimentos receita regulamento — lei regras de jogo placas de orientação 84 TÉCNICA DE REDAÇÃO 5.PERSUASIVA de tomada de posição ata notícia reportagem crônica social crônica esportiva história relato histórico perfil biográfico aviso convite sinais de orientação texto publicitário comercial texto publicitário institucional cartazes siogans campanhas —folders cartilhas — folhetos textos de opinião diálogo argumentativo carta ao leitor carta de reclamação carta de solicitação deliberação informal debate regrado editorial discurso de defesa requerimento ensaio resenha crítica ARGUMENTAÇÃO Sustentação. Assim. a função será metalingüística. E o próprio gênero oferece parâmetros básicos que nos guiam na formulação do texto. refutação e negociação de tomada de posição ESTABELECIMENTO. com suas diretrizes fundamentais. se podemos incorporar elementos próprios da oralidade. Essas decisões nos situam em relação aos objetivos do texto. decidimos se vamos utilizar um registro de linguagem mais formal ou mais coloquial. o objetivo nos propõe qual será a função da linguagem preponderante no texto. se fazemos arte das palavras. O gênero de texto é sugerido pela própria situação de comunicação. a função será persuasiva. Prática de tomada de decisões . ao nível de linguagem. a função será poética. ao seu funcionamento na situação. se falamos de alguma coisa. temos que tomar decisões importantes em relação ao texto que vamos produzir. A partir da função. se vamos utilizar a língua padrão ou podemos lançar mão de variações. Se escrevemos sobre nós mesmos. a função será expressiva. as quais vão servir de pauta para o desenvolvimento da escrita propriamente dita. Decisões orientadoras Conforme enfatizamos neste capítulo. ao gênero. Há em nossa cultura um acervo de modelos de texto entre os quais escolhemos o que vamos utilizar em cada contexto comunicativo. ao leitor. antes mesmo de começar a escrever. se falamos da própria linguagem. se tentamos influenciar nosso leitor. a função será referencial. Formulamos uma espécie de projeto de texto.

antes mesmo de começar a escrever um texto há muitas etapas.a) Prepare-se para se comunicar com a autora deste livro. introdução etc. um bilhete. não é? Afinal. Vamos explicar como é o funcionamento de cada um desses processos. 85 1. procuramos dar ordem às nossas idéias. simulando as possibilidades de criação de um texto referente à música popular brasileira. Embora você possa escolher um telegrama. data. Quando se decide por um gênero. O formato é tradicional: cidade. pois ela pode conduzir a outros problemas como a linguagem artificial. De pos- . E preciso conhecer o assunto. Há muitas possibilidades. prefiro que opte por uma carta. vocativo. Mas tente não cair nessa armadilha. a) Fazer anotações independentes As idéias surgem sem muita organização. e é preciso também tomar decisões a respeito da linguagem e do gênero de texto. Cada pessoa constrói sua própria técnica de organização inicial das idéias. Agora você pode decidir o registro de linguagem: formal ou informal? Que função prefere dar à carta? Quer expressar suas opiniões sobre o livro? quer fazer algumas perguntas? quer me convencer de alguma coisa? quer me passar informações acerca de outros livros da área? quer falar da dificuldade de produção da própria carta? ou quer colocar um pouco de cada uma dessas funções no mesmo texto? Escreva a carta e ao relê-la veja se ficou coerente com suas escolhas preliminares. você vai optar pelo português padrão. que é o erro pela vontade extrema de acertar.me a carta. Quando já estamos nessa fase. Vão constituindo um conjunto de aproximações um pouco desordenado. envie. São decisões relativas às informações que serão utilizadas e às posições que assumimos em relação a essas informações. todo o mundo fica constrangido ao escrever para um professor de português. Se você quiser. Surgem em momentos diferentes e devem ser anotadas logo que se formam para não se perderem no esquecimento. A concepção das idéias Como vimos. um cartão-postal. à medida que vamos fazendo leituras e reflexões acerca do tema. Naturalmente. imediatamente você já tem alguns parâmetros para a produção. posições. e essas tarefas já podem ser consideradas parte integrante da escrita. Produza o texto e envie como colaboração ao periódico. ter idéias. Capítulo 6 A ordem das idéias 1. pedante. Temos fama de ca ——4 ft 1 DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR çadores de erros. como vimos no capítulo 2. b) Escolha um gênero expositivo e trace um planejamento como se fosse publicar o texto em um periódico que você tem o costume de ler. ou à hipercorreção.

em que há limite rigoroso de tempo. anotadas em momentos diferentes. (. uma posição a respeito de uma idéia vai se construindo pouco a pouco. Observe o que conta José Casteilo a respeito do processo criativo de Clarice Lispector. Mais uma vez a literatura fornece exemplos. num concurso. sem se intrometer no que lia. “montou “ o caos que Clarice anotou em guardanapos. José Casteilo. 30-1. Olga Borelli. lenços de papel. sozinha com sua tesoura. escravos. Clarice leva sua estética do fragmento ao paroxismo. foram concatenadas umas às outras em busca de uma ordenação preliminar lógica. Observe como podem se configurar anotações registradas durante a leitura de diversos textos acerca da música popular brasileira: ? ‘ /flfr z A ORDEM DAS IDÉIAS Pcdas le 2OIOI4O rádios — grvors 5io Luiz Gonzg e HumL’ert. Mesmo quando não se trata de literatura. e depois foi encaixando-os. jorna is. que na vida profissional é mais flexível e largo. DJficil dizer o que lemos — e é impressionante pensar que uma outra pessoa. A partir dessas pequenas peças. 1999. que ela pacientemente dividiu em dezenas de envelopes. pp.. mas acontece a partir do momento em que o redator toma conhecimento do tema. a partir de pequenas aproximações e conclusões. Olga a escoltava. é reduzido e rápido. Rio de Janeiro: Record. Assim pode trabalhar sobre um rascunho em que várias idéias. fratava de abrir um caminho.88 TÉCNICA DE REDAÇJO se de muitas anotações.) Clarice lhe entregou uma pilha de fragmentos. uma direção para a tempestade escoar. estabelecendo a hierarquia e a combinação entre eles para formar o texto preliminar. Esse percurso. E. Quando Clarice não podia mais ordenar o que escrevia. ao escândalo. no período de vida em que foi apoiada pela amiga Olga Borelli: Em Água Viva. índios lunu / ritos ritos trib crs religiosos /m0inhas e” 12’99 — Chiquirih Gonzsg ôreIs 1 marcha e crnsvsl / 1917— Dongs Pelo telefone —1? samba 50— smb-cnço — boss-nov es-e7 — festivsis . Inventário das sombras. como as peças de um puzzle. vamos montando blocos de idéias maiores e uma rede entre eles que vai formar o texto. bulas de remédio. o redator relê e analisa esses registros.o íeixeir Sos idi resistnci vem s feIic1e e cls riuez t55 origens 89 AFOPULA5ASILEIRA Portugueses.

A linguagem apresenta. Nesse caso. E um recurso muito produtivo para provocar a criação e apreensão de idéias essenciais. então. Esse processo se aproxima muito da fala. H música para todos os gostos. Os nativos possuíam uma rica sonoridade para acompanhar seus ritos tribais. existirem idéias incompletas ou detalhes dispensáveis. e.—jovem-gurs Se’ —tropicalismo 70 — revlorizço tio sa m jazz + instrumental rock brssileiro 50 — rock LrsiIeiro 90 — releitura tis MP5 — reciclagens pgocle. A ORDEM DAS IDÉIAS 91 Observe o registro preliminar de palavras-chave acerca da música popular brasileira: ORiGEM 3 ETNIAS FUSÃO SAMEA NOVOS ESTILOS ALMA 5RASILEIA ESISTNCIA E’EFERNCIA DA JUVENTUDE d) Construir um parágrafo para desbloquear e. mesmo que de maneira ainda rudimentar. esse é um procedimento muito rápido para captar as idéias. Mesmo que esse parágrafo seja ainda muito preliminar ou inadequado. cortar e ordenar A música popular brasileira é muito rica. negros e portugueses. as idéias vão surgindo rapidamente. ainda formulada apenas na mente do redator. Quando falamos. Hoje os jovens retomam os ritmos primitivos e revalorizam as origens de nossa música. conseqüentemente. desenvolvido ou reduzido posteriormente. índios e portugueses. desen volver as idéias ali expostas — Muitas pessoas têm dificuldade até começar a escrever. Se conseguimos captar esse fluxo e registrálo. escrever logo um parágrafo para pensar em outras idéias depois de relê-lo é o caminho mais indicado. apreendemos um esboço que poderá ser reformulado. O samba nasceu da fuso de ritmo5 das três raças. Mas h muitos outros ritmos e estilos cue convivem e se influenciam mutuamente. muitas vezes. A releitura fornece evidências que devem ser consideradas para as transformações. nisngue-L7et 90 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Escrever tudo o que vem à mente. o procedimento ajuda a gerar novos pensamentos sobre o assunto. um tom informal. nesse tipo de texto. de acordo com o fluxo do pensamento. depois. ou elaborar uma espécie de esquema geral do texto 92 TÉCNICA DE REDA ÇÃO . Enquanto estão trabalhando apenas mentalmente ainda se sentem inseguras e não conseguem avançar muito. Veja como se podem gerar novas idéias a partir de um parágrafo: A mLsic brasileira o resuIt&o da fusao dos ritmos trazidos pelas três etnias ue formaram o nosso povo: íridios. Os colonizadores brancos tinham na bagagem misicas sacras. DESENVOLVER A IDÉIA DE FUSÃO DA RiCA SONORiDADE DAS TRÊS ETNIAS e) Escrever a idéia principal e as secundá rias em frases isoladas para depois interligá-las. hierarquizando-as Quando o redator tem bastante capacidade de síntese e habilidade mental de centralizar um pensamento numa única palavra. c) Fazer uma lista de palavras-chave e reordená-las. não temos como discipliná-las. sem planejamento. sx& sertsnejo. Embora haja uma forte indústria cultural estrangeira ue quer dominar o mercado no brasil. Os africanos trouxeram junto com os ritos e cerimônias religiosas uma musicalidade especial. A palavra-chave é um núcleo significativo que sintetiza uma idéia maior. É muito freqüente. não haver pontuação nenhuma. para depois. diversa e tem suas origens em diversas fontes cue vm dos negros. os brasileiros continuam preferindo nossa Mj9’ poroLue ela reflete a nossa alma e é muito rica. marchas oficiais e modinhas.

idéias secundárias Um resumo. A elaboração de um esquema prévio pode onentar o redator quanto ao percurso mais . decidimos a ênfase a ser dada a cada idéia e a submissão de uma idéia à outra. como já vimos. Mas a matriz inicial é que fornece subsídios para esses aperfeiçoamentos. Na seleção. há procedimentos comuns: geração. estabelecemos como organizar a articulação entre as idéias. também. que têm muita experiência e conseguem montar o texto na memória. o esquema inicial vai sendo reformulado durante o desenvolvimento do trabalho e chega a ser completamente transformado. que podem ser ampliadas: A música popular brasileira nasce sob o signo da ritegraç o de diversas formas e estilos musicais provenientes das três etnias otue formam o brasil: negros. ampliações. Na ordenação. quando se trata de escrever um texto não-literário. modinha NOVOS ESTILOS samba (Pelo telefone — Donga) Fatores favoráveis rádios e gravadoras OUTROS ESTILOS enriquecimento efortalecimento fidelidade às origens alma brasileira RESISTÊNCIA À DOMIA4ÇÃO gosto popular música estrangeira é secundária jovens preferem música brasileira ORDEM DAS IDÉIAS 93 fi Elaborar um resumo das idéias principais e depois acresLentar detalhes. índios e portugueses. seleção. em 1917. F’ela fusão e mútua influência entre os vários estilos nasce o samba. de uma maneira geral. O importante aqui é criar um mapa inicial de sentidos. mas resiste.RITOS RELIGIOSOS (raízes fortes) ÍNDIOS . No texto dissertativo.Muitas vezes. pelo esclarecimento. Na hierarquização. Não há um modelo universal que atenda a todas as variações. voltada para suas raízes. A releitura do resumo indica os pontos que podem servir de alavanca para novos desenvolvimentos. um método bastante produtivo é elaborar da forma mais clara e completa a idéia principal que será desenvolvida no texto. uma matriz semântica. Em todos esses processos. ou seja. é um texto denso e bem estruturado. expositivo ou argumentativo. para nós mesmos. Esse texto. de nossas posições em relação ao assunto. uma rede de relações lógicas entre 94 TÉCNICA DE REDAÇÃO as idéias do texto. Analise este resumo e observe como ele tem muitas idéias articuladas entre si.MÚSICA SACRA / MARCHAS /MODINHAS FUSÃO DOS RITMOS ORIGINA IS lundu. E.RITOS TRIBAIS BRANCOS . inserções. hierarquização e ordenação das idéias. Observe um esquema já estruturado para desenvolvimento de um texto: A música popular brasileira resiste à dominação cultural ORIGENS 3 ETNIAS NEGROS . Entre todos os procedimentos apresentados. começamos a tomar decisões a respeito dessa rede de sentidos com uma noção ampla. A partir desse pequeno texto inicial como fio condutor. sempre criativa e viva. Vamos especificando e detalhando nosso ponto de vista em relação à idéia preliminar pelo aprofundamento da nossa reflexão. a música popular brasileira incorpora. Cada texto determina as articulações que lhe são próprias. absorve novas contribuições. escolhemos o que vamos dizer e o que não vamos dizer. escrevêlos e reestruturá-los após a releitura Esse é um procedimento próprio de redatores maduros. e se consolida nas primeiras décadas do sáculo. maxixe. exemplos. recicla. Essa elaboração demanda paciência para que o redator faça várias tentativas e reformulações em busca de maior exatidão para seu pensamento. ainda não muito delineada. Embora sofrendo influencia constante da produçõo estrangeira. do que queremos apresentar. explicações. o desenvolvimento pode seguir as vertentes sugeridas pelo próprio assunto. original e soberana. depois de transcrito. passa por pequenas alterações e ajustes ditados pela releitura cuidadosa. g) Organizar mentalmente grandes blocos de texto.

resistente à invasão e à dominação estrangeira. relação de continuidade temática com a idéia principal e com a conclusão do texto. ou seja. O índio forneceu seu ritmo de ritos tribais. em 1917. a 96 TÉCNICA DE REDAÇÃO nova. A música estrangeira nunca deixou de ser um acessório secundário no nosso universo cultural. A ORDEM DASIDÉJAS 95 Para que as ligações se realizem de forma adequada e correta nas frases e períodos construídos no texto. Entretanto. rap e mangue-beat se sucedem e convivem. Três etnias contribuíram com seus ritmos para que chegássemos a constituir o talento que hoje encanta o mundo em termos de musicalidade. Baião. o maxixe. sertanejo. A idéia principal está no título e percorre todos os parágrafos de diversas maneiras. das gravadoras e da profissionalização dos músicos. de Donga. comprova que os alicerces da músibrasileira estão plantados em raízes inabaláveis. Vamos observar um texto produzido a partir das idéias registradas nos exemplos das páginas anteriores: Título: resumo da idéia principal O caráter de resistência da música popular brasileira Idéia principal — origem — resistência A música popular brasileira nasceu sob o signo da miscigenação. bossa4. que ofereceram um terreno fértil onde nasceu o samba. Introdução da idéia de consolidação. samba-canção. pois nada é casual. ligam os parágrafos entre si. No processo de consolidação do samba. de suas marchas oficiais e de suas modinhas populares. . da situação e de muitos outros fatores que ultrapassam os limites do papel. em suas múltiplas configurações. constituindo assim uma estrutura temática que transcende as frases e períodos. Essa trama mais global se constitui a partir de procedimentos lógicos que constituem a seqüência e a progressão do texto.adequado. nasce uma força indestrutível que representa uma resisténcia à invasão e à dominação que outras culturas tentam impor por meio de suas avançadas indústrias culturais. jovem guarda. o negro trouxe a sonoridade de seus ritos religiosos e o branco português a melodia de sua música sacra. observamos a frase núcleo do texto: Sobre uma matriz rítmica multirracial foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. num enriquecimento efortalecimento da base. O segundo parágrafo está ligado ao primeiro pelos processos de expansão. exeinplificação. Além disso. o chorinho. os recursos sintáticos da gramática da língua são imprescindíveis (como veremos no capítulo 7). da idéia que forma de seu leitor. Todas as idéias e informações colocadas em um texto se justificam em vista dessas relações. Sobre essa matriz rítmica multirracial. detalhamento e . axé. pagode. No parágrafo de apresentação. . houve influência mútua de outros ritmos e o Jávorecimento do progresso técnico. Todas as escolhas dependem da intenção do autor. a modinha. que é sempre uma revaloriza ção das raízes brasileiras. utilizamos diversas formas de combinação e de articulação entre as informações. dessa sintonia extremamente qfinada e bem construída. Dessa identidade entre a produção musical e o gosto popular. Esses procedimentos relacionam cada parte do texto à parte que a antecede e à que a sucede imediatamente. Nessa base estão o lundu. simultaneamente. Das anotações para o texto Para estabelecer a rede e desenvolver a idéia principal. 2. Conclusão: aforça que sustenta a resisténcia cultural vem dos alicerces. resistente à invasão e à dominação estrangeira. da riqueza e da afinidade com o povo. mas que tem sua própria “gramática”. Desenvolvimento da idéia de novos estilos — detalhamento. pois é a era do rádio. Os diversos processos de fusão e reciclagem das nossas origens musicais tecem uma trama de ritmos e harmonias que reflete a alma do povo e por isso tem sua adesão incondicional. compositores e intérpretes.. mantêm. a música nacional não se reduz ao samba. A certidão de idade oficial dessa criação tipicamente brasileira é Pelo Telefone. as marchinhas de carnaval. introdução da idéia de gosto popular. tropicalismo. foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. Oposição à idéia de ritmo único — ampliação da idéia de novos estilos e manutenção da idéia de consolidação das raízes. tornando-o coeso. E a adesão das novas gerações ao que é genuinamente nacional. mas se multiplica em inúmeras vertentes.

As indaga çõesfilosófi cas se realizam de modo sistemático. por meio de suas características gerais. introduz a noção de diversidade e reforça a idéia de fidelidade às raízes e de reflexo da alma popular. então. Convite à Filosofia. a) Apresentação Em períodos introdutórios. apresentamos uma idéia principal por meio. o período afirmativo é muito freqüente. Assim. são estratégias de delimitação e construção de parágrafos. São Paulo: Ed. Nas dissertações. Não é pesquisa de mercado para conhecer prefe réncias dos consumidores e montar uma propaganda. O parágrafo conclusivo retoma a idéia de que a força e a resistência à dominação vêm da sintonia com a alma popular e da fidelidade às raízes. de recursos como: Afirmação. por isso. Observe o exemplo em que a autora inicia o texto negando a validade do senso comum em relação à Filosofia: As indagaçoes fundamentais nao se realizam ao acaso. como os resumos e os editoriais. mas não obrigatoriamente. entre outros. Observe estes dois exemplos de apresentação da idéia principal por meio de períodos afirmativos: A música popular brasileira resiste permanentemente à invasão e à dominação de ritmos estrangeiros que a indústria cultural dos países mais desenvolvidos tenta impor. ldeZj Definição ou conceito Conceito é a representação de um objeto pelo pensamento. busca encadeamentos lógicos entre enunciados. 1997. Aqui temos um exemplo de conceituação objetiva. necessária para que se mantenha a unidade temática. opera com conceitos ou idéias obtidos por procedimentos de demonstração e prova. Embora apresentem uma característica predominante. apreciação. A organização das idéias Vamos analisar mais detalhadamente algumas dessas formas de articulação entre as idéias. Pretendese. avaliação. concepção pessoal. 15. E a ação de formular um esclarecimento e. trabalhamos com a apresentação de “verdades” que são defendidas (texto argumentativo) ou apenas expostas (texto expositivo). Não é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. declaração ou asserção. exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. segundo preferências e opiniões de cada um de nós. pois servem para unir idéias dentro de um mesmo parágrafo. e existem em textos que não apresentam parágrafos. de acordo com o objetivo do trecho. Atica. Marilena Chaui. ou seja.exemplificação do que foi anunciado no primeiro. mas se combinam e podem ser encaixadas em várias classificações simultaneamente. p. pois ele já traz em si as vertentes que devem ser ampliadas no desenvolvimento do texto. 3. a estrutura com o verbo ser (X é YYY) é a mais freqüente nesse caso.. 8 ed. Em geral. essas articulações não surgem de maneira exclusiva. O novo estilo por excelência é o samba. em que a posição do redator não sobressai: . Marilena Chaui. parte do princípio de que o leitor pode estar pensando de maneira equivocada. opinião. Mas não devemos nos restringir a essa noção. de repetição da mesma idéia. Ou seja. 98 TÉCNICA DE REDAÇÃO A filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos. / A ORDEM DAS IDÉIAS 97 Como vimos. julgamento. Quando é uma posição subjetiva. O terceiro se opõe à inferência possível de que só o samba é importante. A filosofia não é um “eu acho que “ou um “eu gosto de “. negar essa possibilidade logo de início. pode-se apresentar como noção paticular. há uma certa carga de redundância. Negação O recurso de apresentar uma idéia negando outra trabalha com o pressuposto de que há uma idéia oposta já conhecida.

Folha de S.. Uma definição subjetiva apresenta outras formulações. Segundo meu ponto de vista. jovens armados de pás e picaretas arremetiam. promete a resposta. então. 1991. de dezenas de milhares de pessoas. a metáfora.. 7. de uma só vez. estamos tentando provar. procuramos comprovar. testemunham as virtudes e percalços do jornalismo praticado pela Folha. um conhecimento específico ou uma avaliação anterior. a resposta à questão formulada.. Comentário de uma citação ou de um fato Assim como no item anterior. acadêmicos ou científicos. em 1984. pretendemos demonstrar. em Berlim. São Paulo. Essa resposta exige ampliações. Observe o exemplo a seguir. ao tom vigilante das coberturas sobre o mau uso do dinheiro público. Toda vez que uma laje do muro caía. o capítulo ou o livro todo. Explicitação do objetivo do texto Nos trabalhos científicos e acadêmicos é costume iniciar o texto pelo objetivo da pesquisa. furiosos.. Vera Teixeira Aguiar..A ORDEM DAS IDÉIAS 99 A intuição é uma compreensão global e instantânea de uma verdade. ás vezes histéricos. como: Acredito que a intuição é. Essa posição pode ser definida por meio de figuras de linguagem como a comparação. Departamento de Teoria Literária e Literaturas. resgatada dentro de uma investigação mais ampla sobre a vida literária do Rio Grande do Sul de 1870 a 1930. O desenvolvimento do texto será. 1999. Folha de S. detalhes. explicações. 20 textos que fizeram História. Resumos do Simpósio 500 anos de descobertas literá rias. o feito era comemorado como se tratasse de um ritual bárbaro de luta e conquista. de um fato. a partir do levantamento de informações sobre as instituições atuantes e seu papel na produção e na difusão da literatura na sociedade. assim como nos prefácios e introduções de livros é comum um esclarecimento sobre as intenções. Paulo. Marilena Chaui. Pode também trazer descrições ilustrativas e outros recursos de ênfase e valorização dos aspectos que merecem a atenção do leitor. 1991. em São Paulo. Frases que orientam o leitor e indicam o objetivo são freqüentemente utilizadas.. Nela. essas formas não são bem aceitas em textos objetivos. as afirmações envolvem julgamentos e tomada de posição acerca do objeto. esse comentário pressupõe uma posição do redator em relação ao que vai apresentar. Universidade de Brasília. p. Observe o exemplo: Este trabalho propõe-se a refletir sobre a produção feminina sul-rio-grandense... a apresentação de um livro estruturada por meio de um juízo positivo de valor: Os capítulos que compõem este “20 Textos que fizeram História” refletem a vida recente do país e. que podem ocupar o parágrafo. passando pelo engajamento na defesa das eleições diretas. a razão capta todas as relações que constituem a realidade e a verdade da coisa intuída. Minha concepção de intuição é . ao mesmo tempo. Veja um exemplo: . pois não é para ser efetivamente respondida pelo leitor. de um objeto.. p. Quem pergunta. Interrogação Construir uma pergunta de efeito retórico. Entretanto. E um ato intelectual de discernimento e compreensão. Idem. tais como: o que desejamos nesse trabalho. 63.. a personificação.. p. Da relativa ingenuidade dos textos que compõem a cobertura do incêndio no edifício Joelma. Eu acho que. o que se abre ao leitor é um jornal em permanente movimento. propósitos e limites da obra... 7. em que a narração descritiva da queda do muro de Berlim é formulada com base na adjetivação e nas comparações. Veja. é uma das formas mais simples de apresentação de uma idéia. o objetivo dessa investigação. 20 textos que fizeram História. focalizando as impressões do redator: A ORDEM DAS IDÉIAS 101 O cenário parecia extraído de algum livro maluco de ficção. São Paulo. Paulo. Penso que a intuição é. estimulados por gritos. decidido a exercer sua função crítica e a informar seus leitores acima de qualquer obstáculo. no exemplo a seguir. contra o muro de cimento.. 100 TÉCNICA DE REDAÇÃO Julgamento ou avaliação Quando uma apresentação pressupõe uma análise prévia.

estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade. nos quais os dados. o que quer dizer essa expressão signfica. p.. Algumas expressões indicam de forma explícita que há uma inserção de exemplo: para exemplificar podemos observat por exemplo. poesia. Marilena Chaui. que são completamente diferentes das características desenvolvidas por outros povos epor outras culturas. formas de habitação. e de hodos. caminho Usar um método é seguir regular e ordenadameizie um caminho através do qual uma certa finalidade ou um certo objetivo é alcançado Marilena Chauj. A exemplificação é um recurso muito útil tanto nos textos didáticos como nos textos argumentativos. as técnicas. permitir a demonstra ção e a prova de uma verdade já conhecida 3. p. são necessários: A ORDEM DAS IDÉJAS Os estudos recentes mostraram que mitos. 28J Um texto não existe sozinho. uma expansão de elementos J apresentados no texto. Não ouvimos ninguém perguntar: para que matemática oufisica? Marilena Chaui.Muitos fazem essa pergunta: afinal. p. em geral apresentada no início do texto. via.. conduzir á descoberta de uma verdade até então desconhecida.. Expressões como: isto é. São Paulo: Ed. ou Outros que indiquem a divisão (como a. 8 ed. Marilena Chaui. Idem. formas de parentesco e formas de organização tribal dos gregosforani resultado de contatos profundos com as culturas mais avançadas do oriente e com a herança deixada pelas culturas que antecederam a grega. utensílios domésticos e de trabalho. permitir a verca ção de conhecimentos para averiguar se são ou não verdadeiros enaChauiIdem 157 Nem sempre recursos de numeração. assim é o que ocorre no caso em que. Convite à Filosofia. methodos composta de meta através de. Idem. 157. Marilena Chaui. p. as evidências vêm reforçar a idéia que é defendida pelo autor. Os exemplos podem tornar o texto menos abstrato e facilitar a compreensão do leitor. para comprovar o que foi dito. dança. por meio de. para que Filosofia? É uma pergunta interessante. 20. instrumentos musicais. com três finalidades 1. c ou sinais de itens). os testemunhos. como as secundárias passam por processos de expansão que envolvem detalhamento e aprofundamento. como exemplo pode-se observar. o pensamento a ação. corno nos exemplos: A palavra método vem do grego. b. Quando se diz que a filosofia é um frito grego. aparecem com freqüên 102 TÉCNiCA DE REDAÇÃO cia nessas situações Há. palavras ou conceitos utilizados. ou seja.1997. música. Observe um exemplo em que a enumeração é assinalada por números: No caso do conhecimento método éo caminho ordenado que o pensamento segue por meio de um conjunto de regras e procedimentos racionais. 2. p.. nas regiões onde ela se implantou. exemplo disso é. 27. Esse recurso se constitui como: Esclarecimento do significado das expressões. Idem. como no seguinte fragmento: Um exemplo de luta social para interferir nas decisões sobre as pesquisas e seus usos encontra-se nos movimentos ecológicos e em muitos movimentos sociais ligados a reivindica ções de direitos. então. as estatísticas. o que se quer dizer é que ela possui certas características apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos. Enumeração de fatores constitutivos ou acumulação de elementos que complementam a idéia inicial. Ele traz o eco de vários outros textos com os quais se relaciona e . cultos religiosos. Idem. l3j b) Ampliação e explicação Tanto a idéia principal. Ática.

Uma idéia pode ser ampliada. de acordo com o que afirma X. narrar. Dependendo do tipo de texto.. Tanto no discurso direto (que transcreve literalmente as palavras do outro após um travessão) como no discurso indireto (em que a fala do outro está parafraseada pelo redator sem travessão) esses verbos são utilizados com freqüência. 20). vale dizer. Como já vimos anteriormente. Um desafio á Educaçào. negar. Observe o exemplo de narração ilustrativa a seguir: Consta que. ser humano por vezes significa subir ao sótão. Mas os que só vivem ou no sótão ou na adega são pouco equilibrados. asseverar. Aos que jamais sobem ao sótão ou descem à adega falta uma dimensão humana relevante. Questões como o que é o amor? e o que é a amizade? são muito importantes. . por exemplo. p. Ao inserir voz. aquilo que nos esmaga ou nos liberta. engraçadas. 266. perguntar. 1999. as aspas são dispensadas: Segundo Marilena Chaui. Quer dizer: não podemos viver limitados apenas ao nível do código restrito da ciência. Podem agregar algum significado adicional ao simples ato de dizer impregnando-o de interpretação. A resposta de Bachelard foi: “a diferença entre uma casa e um apartamento é que. a voz do outro pode vir entre aspas.. testem unha. contestar contradizer. proferir exclamar. declarar. XJá afirmou que. a filosofia é uma importante forma de conhecimento do mundo. explicar enunciar. concluir. viver uma busca das significa ções da existência através dos simbolos filosóficos. que um leitor experiente reconhece. referir. repetindo fielmente as palavras do texto original. a Filosofia pode ser ‘entendida como aspiração ao conhecimento racional. afirmar. considerar. p. há citações implícitas.do autor citado. usamos verbos especiais. lógico e sistemótico da realidade natural e humana. alegar. expor mencionar. comunicar. Há expressões que indicam claramente inserção de citações: segundo o especialista X. discursar. E descer à adegapor vezes significa olhar o que se passa nos subterráneos e nos fundamentos psicológicos ou sociais de nossa existéncia afim de aí discernir nossos condicionamentos. Observe alguns desses verbos e analise o sentido que acrescentam à idéia de dizer: falar. A escolha de um desses verbos indica um comentário ao ato de falar do outro. históricas. heróicas. da origem e das causas do mundo e das suas transformações. conJàrme X.. replicar. declaração. discutir questionar. aconselhar comprovar corrobo A ORDEMDASIDÉIAS 105 rar ratificat confirmar demonstrar refutar argumentat justificar. bradar pronunciar. denunciar. expressar. ordenar. A escolha vai depender das intenções do autor e do tipo de texto. descrever preceituar. Se prefiro o verbo ponderar ao verbo di.zer. Por isso. opinião ou testemunho de outra pessoa.que constituem um contexto amplo em que se situa. que são chamados dicendi. “O que o senhor quer dizer com isso? “.. artísticos. as histórias podem ser cômicas. Nessas. em sua obra } para X a questão é. indicar. mesmo sem marcas evidentes.” Hilton Jupiassu. citar. informar discorrer acentuar ponderar. religiosos etc. da origem e das causas das ações humanas e do próprio pensamento “. perguntou o entrevistador. Se uso as próprias palavras do autor citado. além da zona habitável. tenho que marcálas com aspas a partir do ponto em que começo a transcrição: De acordo com Marilena Chaui (1997. há uma adega (para onde descemos) e um sótão (para onde subimos). Se faço uma paráfrase. Bachelard interrompeu um jornalista que o entrevistava dizendo-lhe: ‘parece que você vive num apartamento e não numa casa “. na primeira. Há alusões. esclarecer. em certa ocasião. e pode vir em forma de paráfrase das 103 104 TÉCNICA DE REDAÇÃO palavras. já estou informando que a posição de quem fala é de reflexão. pitorescas. registrar. declamar. (adaptado) 106 TÉCNiCA DE REDAÇÃO .. aprofundada ou esclarecida por meio de histórias que lhe sirvam de ilustração. que são citações apenas sugeridas e há citações explícitas. poéticos. São Paulo: Letras e Letras.

Além do exemplo do item anterior. enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais.. Idem. ou imagens das coisas. p. indicam divisão de idéias. formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade. Quando é esse o caso. medo. facilitam a organização do texto e a compreensão do leitor: em primeiro lugar. (adaptado) 108 TÉCNICA DE REDAÇÃO j9 Situação no tempo e no espaço Algumas informações são colocadas no texto com o objetivo de contextualizar de forma explícita as idéias.. fatos e fenômenos.. que é a idéia a ser desenvolvida posteriormente no texto: Com o desenvolvimento das cidades. c) Divisão A divisão de uma idéia em subtópicos abre novas vertentes de desenvolvimento do raciocínio. p. combinadas entre si... o primeiro aspecto é. Atenas tornou-se o centro da vida social e política e cultural da Grécia... Marilena Chaui.. as igualdades. as informações esclarecem o ambiente em que floresce a democracia. Idem. mentira efalsidade. Como já foi dito. p.. 1989. 50.. de um lado. Observe no exemplo a seguir como o desdobramento da idéia sugere duas linhas informativas para desenvolvimento do texto.. políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científico sobre a natureza. normalmente o texto estabelece duas (ou mais) linhas de desenvolvimento paralelas que ora se opõem. Mais um motivo para procurar um bom convívio com textos de diversas naturezas.. terror e desespero. utilizamos uma enumeração para antecipar as linhas em que o assunto vai se desenvolver. O herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafisica da realidade. que faz das ciéncias e das técnicas não um meio de libertação dos seres humanos. focalizando diferenças. A ORDEM DASIDÉJAS 107 d) Oposição Muitas vezes a idéia ou informação deve ser apresentada e discutida em confronto com outra posição ou forma de pensamento. e Sócrates e Platão.. na qual distin gue duas formas da razão: a razão instrumental e a razão crítica. experiência e leitura. História Concisa da Literatura Brasileira. uma acerca de Clarice Lispector e outra acerca de Guimarães Rosa: As experiências radicais tanto de Clarice Lispector como de Guimarães Rosa forçam os limites do gênero romance e tocam a poesia e a tragédia. como fonte de erro. a razão crítica é aquela que analisa e interpreta os limites e os perigos do pensamento instrumental e afirma que as mudanças sociais. a sociedade e a cultura. observe o texto a seguir: A diferença entre os sofistas. duas ou mais idéias são apresentadas. mas um meio de intimidação. Marilena Chaui. depois.. em segundo. ora se explicam. ora convergem. Ao contrário. Cada aspecto exige desdobramentos e explanações que representam progressão das informações.. por último. é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão. que no segundo parágrafo apresenta uma oposição. na divisão. e são focalizadas as semelhanças. São Paulo: Cultrix. 442. Têm relação com a cronologia e com o lugar. elaborou uma concepção conhecida como Teoria Crítica. mas agora a posição é de equilíbrio. do artesanato e das artes militares. A razão instrumental é a razão técnico-cientjfica. há expressões que. vivendo seu período de esplendor conhecido como o . a escola de Frank/urt.. em seguida. finalmente. Geralmente. do comércio. por outro lado... No exemplo a seguir. Observe um exemplo em que o texto está organizado pela divisão da idéia: Uma escola alemã de Filosojiu. e) Comparação ou analogia Como no caso anterior. primeiramente..Utilizar narrações ilustrativas interessantes depende de muita informação. não de oposição.. de outro. um outro aspecto é por um lado. 40. Alfredo Bosi.

podemos referir. é importante assinalar claramente para o leitor que as idéias são conclusivas. listar palavraschave. em suma. Da concepção à organização das idéias De acordo com o que apresentamos. e ainda outras que você pode criar. p. resumindo o que já foi dito. Ao hierarquizar as idéias de um texto observaiiios que elas apresentam caracte rísticas e funções distintas: apresentação. 21.Século de Péricles. que falar e pensar são inseparáveis. podia. ampliação ou explicação. É a época de maior florescimento da democracia. ao contrário. São expressões e parágrafos que conduzem e facilitam os procedimentos e a interpretação do leitor. Vimos também. mas que. entre outras que não foram relacionadas aqui neste livro. em outras palavras. Leia alguns artigos que tratem do tema. organizaç0 textual. conclusão parcial ou final. 4. pelo mesmo motivo. conclusão. Esclarecem objetivos. há muitas possibilidades de captação. 36. 23. Citam o próprio texto. tanto no estudo da linguagem quanto no da inteligência. articulando as idéias entre si. concluindo. em decorrência da colonização portuguesa do Brasil. g) Conclusão Em textos dissertativos. Fa-ça anotações. situando-o melhor em relação à estrutura textual. assim. Marilena Chaui. divisão. as Possibilidades de Construção tornam-se mais nítidas e o trabalho alcança um melhor resultado. tornou-se. conforme predomine o mythos ou o logos. Filosofia é um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especflcamente com os gregos e que. Manlena Chaui. a filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso. quando se descobriu que tal conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que. seus capítulos e subdivisões. ser ensinada ou transmitida a todos. li) Organização textual Os parágrafos organizadores explicam como o texto está estruturado. 160. além da verdade poder ser conhecida por todos. Qualquer uma dessas técnicas. partir de uma idéia Principal e elaborar uni esquema. p. diante do que foi dito.. concluem pensamentos. Depende de cada indjvj duo e de seu processo de atividade intelectual. Marilena Chaui. construir logo um Primeiro parágrafo. Idem. Por isso mesmo. Por isso. registro e organização inicial das idéias. analise as partes do texto e identifi . pode funcionar como o início da escrita propriamente dita. nós também participamos. diante desse quadro. é freqüente o uso de palavras e expressões que indicam resumo de idéias anteriores. depois. Prática de organizaç0 a) Escrever uni artigo opinativo acerca do tema que está em maior evidência hoje. Idem. reler e reescrever até se sentir satisfeito com o resultado.nos a duas modalidades do pensamento. Idem. p. por motivo de economia de espaço nos jornais esses artigos têm aproximadamente duas páginas de 30 linhas. Quando o redator tem clareza sobre essas especificidades de cada trecho do texto. tais como: em vista disso podemos concluir. podia ser conhecida por todos. partir de um pequeno resumo ou escrever blocos de texto independentes. A ORDEM DAS IDÉIAS 109 Em suma. 5. portanto. antecipam idéias de forma resumida. comparação ou analogia. Depois de escrever. o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada cultura européia ocidental da qual. Observe os exemplos: Em outras palavras. que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos. encerramento de um raciocínio. Marilena Chaiji. selecionar e hierarquizar as idéias você pode: fazer 110 TÉCNiCA DE REDAÇÃO anotações independentes à medida que as idéias forem surgin do.. Idem. por razões históricas e políticas. Oposição. Para gerar. p. Situação no tempo ou no espaço. para oferecer ao jornal de sua cidade como colaboração Em geral. Observe o exemplo a seguir: No capítulo anterior vimos que a língua grega possuía duas palavras para referir-se à linguagem: mythos e logos. escrever tudo que vem à mente.

um texto não é uma simples justaposição de frases corretas. qual a natureza da relação entre as idéias. Exige um entrelaçamento rigoroso das idéias que estão sendo expostas para que o leitor não se perca e consiga interpretá-lo corretamente. c) Sempre que estiver lendo um texto. preditivo aberto e útil. 1983. Nas linhas grifadas. Ao escrever. geral. i’el. a estrutura gramatj das frases trata de criar coesão entre os Constituintes de um texto. mas principalmente com a maneira como essas idéias serão apreendidas pelo leitor. Qual é nossa idéia central? Como podemos defendê-la? Que exemplos são mais interessantes? Quem devemos citar? Que palavras escolher? Como devemos nos dirigir ao leitor? Em que medida devemos explicitar todas as idéias ou deixá-las implícitas? São questões que respondemos inicialmente. para o estudo ou trabalho. preciso. que está distante de nós. claro. Na segunda linha. de modo que as principais sejam enfatizadas. uma após a outra. nossa preocupação inicial é captar as idéias e ordená-las com uma determinada hierarquia. analítico. A preocupação já não é apenas com nossas próprias idéias. O tecido aparente do texto Como vimos nos capítulos anteriores. e para o qual não teremos chance de explicar melhor ou retificar oralmente algum item mal expresso. transcendente aos fatos. primeiramente a partir das suas anotações a natureza de relação entre as idéias de cada trecho. procure identificar. racional objetj vo.njcá. é muito importante que a coesào textual esteja bem tecida. revisando várias vezes a linguagem e as estruturas gramaticais propriamente ditas. Ou seja. a partir da terceira todas as palavras estão sendo utilizadas em concordância com conhecimento científico. as marcas de gênero e de número. explicativo. 2. estão no masculjjo singular. mas não é suficiente em textos dissertativos A ordem das palavras no período. as preposições os pronomes pessoais. ao escrever as primeiras versões de um texto. o filosófico e o religioso Em sua esséncia o conhecimento cient (fico é real. os três elementos citados Concordam com tijoo de conhecimento e por isso estão no masculino.. Após essa etapa. A manutenção do tema é um desses recursos. João Salvador Furtado Expansão da itformaçjo científica in: Anais do Seminárj0 de Publicações Periódjc da A’rea da Educação. Observe o texto a seguir: — De qualquer forma o conhecimento ou saber cient(fico distingue se dos demais tos: o popular. portanto. Um exemplo disso é a Concordância Sempre que respeitamos a concordân eia. estamos reforçan0 a coesão. de assegurar a compreensão exata daquilo que estamos escrevendo. comj. MEC. Capítulo 7 O entrelaçamento das idéias 1. Faça anotações ou esquema. Estabeleça. Desenvolva o texto acompanhando esse roteiro e o esquema das idéias.que as formas de organização que Utilizou. INEP. então. articulações ligações concatenan do as idéias.0 acumulativo falível. ver ificóve! dependente de investigação metódica. Mecanismos de coesão textual Pode-se Construir a coesão do texto por meio de vários recursos. voltamo-nos para a sua superficie e procuramos refazê-lo. 112 TÉCNICA DE REDAÇÃO Assim. em cada trecho. Vamos cuidar. os tempos verbais. Brasília. existem quatro outras estratégias de coesão. sistemáti. que dependem das escolhas estilísticas do redator: O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS referencial lexical . para que o leitor acomp1e a seqüêncj reconheça a progressão das informações e identifique as referências no texto. b) Escolha outro tema e faça outro percurso Leia alguns artigos que tratem do tema. Além dessas formas gramaticaj5 sistemáticas de ligação entre palavras. os conectivos funcionam também como elos coesivos Cada um desses elementos gramaticais estabelece conexões.

se referir a elementos já citados no texto ou que são facilmente identificáveis pelo leitor. nomes e frases inteiras podem estar implícitos. b) Coesão lexical A manutenção da unidade temática de um texto exige uma certa carga de redundância. como no exemplo: A explosão da informação é uma das causas do stress do homem moderno. que. a coesão referencial se realiza pela citação de elementos do próprio texto. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS . por antecipação. demonstrativos ou expressões adverbiais que indicam localização (a seguir acima. possessivos. e) Coesão por elipse A estrutura gramatical dos periodos na lingua portuguesa permite a omissão de elementos facilmente identificáveis ou que já foram citados anteriormente. onde). abaixo. d) Coesão por substituição Pode-se substituir substantivos. ou ainda pelo emprego de expressões equivalentes para substituir elementos que já são conhecidos do leitor. Diante desse quadro. Não precisa ser explicitado. Podem. Para efetivar essas citações são utilizados pronomes pessoais. o sujeito do verbo implica é a metodologia cientfica. Ela pode pro vocar diversas formas de ansiedade. No texto acima. Veja um exemplo de omissão de sujeito da oração: A metodologia cient(fica é um conjunto de atividades sistematizadas. com segurança e economia. Tudo o que foi dito. como no seguinte exemplo: O Doutor Fulano de Tal falou ao nosso repórter no intervalo do congresso. pois é facilmente identificado pelo leitor. Esse recurso tem o nome de elipse. permite que os objetivos sejam atingidos. a) Coesão referencial Na elaboração de um texto. O cientista entrevistado reconhece que a partir do 113 114 TÉCNICA DE REDAÇÃO emprego dos conhecimentos cientijicos foi possível racionalizar os sistemas de produção. Alguns exemplos de expressões que servem a esse objetivo são: Diante do que foi exposto. pelo uso de sinônimos. anteriormente. proposição de uma teoria. essa omissão é marcada por uma vírgula.. identficação de instrumentos. Esse quadro. Agora esse estudioso quer contribuir para a democratização do saber. Implica a concepção das idéias quanto à delimitação do problema dentro do assunto. verbos. ainda. Em vista disso. períodos ou largas parcelas de texto por conectivos ou expressões que resumem e retomam o que já foi dito. Esses recursos podem se referir. comprovação. racionais. Assim. Essa corrente é formada pela reutilização intencional de palavras.por elipse por substituição Vejamos como funcionam essas formas de entrelaçamento dos elementos que constituem um texto. Pronomes. a elementos que serão citados na seqüência do texto. verbos. A partir dessas considerações. aqui. busca de soluções. estabelecemos uma corrente de significados retomando as mesmas idéias e partes de idéias. análise.. Algumas vezes.

demonstrar uma situaçõo ou um fato ocorrido. o autor apresentou três grupos de idéias: música e prazer. truncamentos semânticos. felizmente o homem a está usando por um bem. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 117 .os e todas as ocases. muitos Compositores foram expulsos do brasil. do assio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento Uma primeira leitura nos mostra que há unidade semântj ca. individual ou coletivo. o impoante é a tranqüilidade que ela nos passa As pessoas encontram msíca em tudo. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. sem hierarquia ou progressão que Conduza a uma conclusão. por causa das letras das músicas. elas mostram perfeitamente a repressão da época da ditadura militar no brasil. sem especificar OU defender nenhum deles particularmente Para que o texto passe a apresentar coesão e reflita essa idéia. encontramos idéias colocadas lado a lado. ela pode levar a cura.3. pois revela desordem nas idéias e dificulta a compreensão do leitor. que a idéia principal seja expositiva: a grande abrangêneja da música na vida contemporânea o redator teria por objetivo expor os diversos campos em que a música está presente na vida humana. essa unidade não é suficiente. é necessário empreender algumas transformações. as canções dessa década mostram perfeftamente isso. ou seja. o texto se prejudica. 4? Revisar. foi uma época de muitas repressões e restrições. Vamos. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. a progressão da informação e a articulação entre as idéias não foram devidamente elaboradas. Ou seja. nõo que ela seja um remédio milagroso. Problemas decorrentes da ausência de coesão Quando os mecanismos de coesão textual não são bem utilizados. enfatizando uma idéia principal para a introdução e para a Conclusão e estabelecendo as formas de articular as idéias secundárias 3? Estabelecer nexo entre as diversas idéias por meio de frases de transição e de recursos coesivos’ reescrever eliminando e acrescentando elementos. seja entre os períodos ou parágrafos. Não há concatenação entre as informações. alguns escrevem falando sobre o amor. A história nos mostra o poder curativo das canções. outros relatam o que estó acontecendo com o brasil. Existe niisica para todos os gost. porque o tema que perpassa todo o texto é a música. As canções podem falar de amor. As canções podem ter um caróter ilustrativo. música e Saúde MUSICA E POLÍTICA 2? Reorganiz o texto. No texto em questão. A ausência de coesão é um dos principais problemas da construção de textos. em que os problemas de ausência de estabelecimento da coesão estão bem nítidos. que falam claramente do desejo da populaçõo brasileira. Hó pessoas que gostam de escutar canções calmas. no rasil. ou uma poderosa arma. outras que preferem as mais agitadas. de forma que o texto apresente uma seqüéncj Qualquer período parece poder estar em qualquer Posição. de política ou simplesmente retratar a realidade. No 5rasil podem-se citar as músicas feitas na década de 50. entre outras. falta de hierarquia entre idéias principais e secundárias. Entretanto. ambigüidade. estabelecer por suposição. Algumas pessoas gostam de músicas s6 com os instrumentos e outras com um cantor. o que não modificaria o resultado. As conseqüências podem ser: ausência de ênfase nas idéias principais. A década de SO. confusão e obscuridade nas referências. No impoa o tipo ou a hora ue se ouve a musica. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. estilo infantil ou elementar. pois não podemos distinguir imediatamente qual seria a idéia principal e não percebemos a relação imediata entre as idéias que estão justapost5 Relendo os parágrafos. Algumas doenças podem ser curadas pela música. como a música. 1? Agrupar idéias relacionadas entre si. seja dentro do período. indefinição das relações entre as idéias. então. 115 116 TÉCNiCA DE REDAÇÃO A musica pode ser um excelente remédio. mas para algumas doenças. Vejamos um texto de aluno de segundo grau.

Não importa o tipo ou a hora em que se ouve a música. de política ou simplesmente retratar a realidade. No BRASIL PODEM SE CITAR AS MÚSICAS FEITAS NA DÉCADA DE 60. as articulações que estabelecem relações das idéias. de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. em conseqüência da ditadura militar. ou uma poderosa arma. apresenta problemas de coesão. MUITOS COMPOSITORES FORAM EXPULSOS DO BRASIL. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. ELAS MOSTRAM PERFEITAMENTE A REPRESSÃO DA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR NO BRASIL. mostram perftitamente como essa foi uma época de muitas repressões e restrições. Como podemos observar. Não importa o tipo ou a hora que se ouve a música. Essa vertente de músicas voltadas para a questão social não é nova. Conseqüentemente. Podemos compreender. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. individual ou coletivo. uma forma de conscientização e de denúncia social ou um excelente remédio. mas para algumas doenças. o importante é a tranqüilidade que ela nos passa. demonstrar uma situação ou um fato ocorrido. é preciso trabalhar em dois níveis: 1? organizar as idéias numa rede de significados e 2? entrelaçar gramaticalmente as frases e os períodos. Vejamos uma das possibilidades de aperfeiçoamento do texto. para o seu próprio bem. na superfi ci do texto. mas podem levar a cura para algumas doenças. As canções podem lidar de amor. como o gosto do público é diversificado. Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. que fala claramente dos desejos da população. Um texto desorganizado. FOI UMA ÉPOCA DE MUITAS REPRESSÕES E RESTRIÇÕES. 118 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. até mesmo. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. A DÉCADA DE 60. As canções podem falar de amor. por causa das letras de suas músicas. como a música. Alguns escrevem jLilando de amor. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. Assim. que falam claramente do desejo da população brasileira.Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. aproveitando a maior parte das estruturas construídas originalmente pelo autor: Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. o homem está sempre em contato com a música. Algumas pessoas gostam de músicas só com os instrumentos e outras com um cantor. não que ela seja um remédio milagroso. que a música pode ser uma fonte de alegria e prazer. E fato notório que as violações aos direitos humanos se sucedem no país com freqüência indesejável. A história nos mostra o poder curativo das canç6es. os compositores podem escrever as letras das músicas daJirma que lhes convier. Vejamos como os laços coesivos se realizam em um exemplo de texto editorial jornalístico: — O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 119 DESRESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS A denúncia da Anistia Internacional sobre a prática no Brasil de torturas e execuções por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais . ou seja. Então. A música pode ser um excelente remédio. no Brasil. frlizmente o homem a está usando por um bem. As canções da década de 60. a história nos mostra o poder curativo das canções. a coesão evidencia. então. AS CANÇÕES DESSA DÉCADA MOSTRAM PERFEITAMENTE ISSO. Além das funções de proporcionar prazer estético e de denunciar problemas sociais. Algumas doenças podem ser curadas pela música. algumas pessoas gostam de música instrumental e outras de música cantada. o importante é a tranqüilidade e a alegria que ela transmite. Muitos compositores frram até mesmo expulsos do Brasil. como a música “Comida “. alguns escrevem falando sobre o amor. pois pode-se encontrar música em tudo. outras que preferem as mais agitadas. promover a cura de doenças. Não que sejam um remédio milagroso. As canções podem ter um caráter ilustrativo. outras que preferem as mais agitadas. geralmente. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. de política. As pessoas encontram música em tudo. POR CAUSA DAS LETRAS DAS MÚSICAS. ela pode levar a cura. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. NO BRASIL. retratar a realidade e.

embora compreensível. ou seja. crianças e adolescentes em prisões de adultos (linha 30). elementar demais para o desenvolvimento que se espera nesse nível profissional de produção de editoriais. Só na Baixada Fluminense. excluídos de qualquer programa de recuperação social. Qualquer leitor percebe o problema. 20 jun. 1999. Leis espeq’ficas e ações concretas têm sido adotadas para prevenir e punir os desrespeitos às prerrogativas humanas da pessoa. há mais de três anos. O texto. o governo costumava quaflficar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre violência às pessoas.se outro comportamento. instalou. que exemplificam essa idéia: a tortura (linha 21). até mesmo para punir crimes cometidos por menores. Correio Braziliense. A construção da coesão textual tem prosseguimento pela substituição da idéia de desrespeito aos direitos humanos por informações mais específicas. que as denúncias da Anistia inspirem reações mais efetivas em favor da proteção aos direitos humanos. Rio de Janeiro. violações aos direitos humanos (linha 4). Pior. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais encarregados de reprimir o desrespeito aos direitos humanos. temos exemplos de coesão por substituição lexical. promíscuo e violento. problema (linha 19). Editorial. como: prática no Brasil de torturas e execuções (linhas 1 e 2). nem mesmo a elementar cautela de investigar a procedência dos fatos denunciados. em grande parte praticados por esquadrões da morte. Desde a criação da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. nenhuma providência era tomada. Durante os anos sombrios do regime militar. no texto. assim. os homicídios rondam a casa dos quinhentos ao mês. o governo costumava qualificar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre o desrespeito aos direitos humanos. Durante os anos sombrios do regime militar.nissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. há mais de três anos.s políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem. os atentados contra a dignidade e incolumidade física das pessoas têm diminuído. que declarou a tortura crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. Os inquéritos de organizações internacionais em torno do problema passaram a servir de impulso ao sistema de garantias contra abusos do gênero. O relatório anual da Anistia critica o Brasil e outras 141 nações. que é decorrente da pobreza de vocabulário. diante do que Jbi exposto. Em dezembro de 1998. As instituições norte-americanas são apontadas à censura mundial porque praticam a pena de morte. Essa expressão é substituída. Desde a criação da Co. Veja como o texto ficaria no trecho a seguir: A denúncia da Anistia Internacional sobre o desrespeito aos direitos humanos por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. E um morticínio bem maior do que as baixas na guerra do Kosovo. a Human Rigths Watch. denunciava a existência nos EUA de mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. ficaria com a coesão prejudicada se em todas essas posições o autor usasse a mesma expressão: desrespeito aos direitos humanos. E. Os mais de 175 mil presos nas penh- 120 TÉCNICA DE REDAÇÃO tenciárias do país coabitam ambiente vil. Com o restabelecimento da legalidade democrática. como está no titulo. Brasília. Observamos que a expressão chave do texto é desrespeito aos direitos humanos. desrespeito às prerrogativas humanas da pessoa (linhas 17 e 18). como os Estados Unidos e a Suécia. estão no mesmo campo semântico e formam um paradigma. pena de morte (linha 27). A avaliação rigorosa da organização é atestada por incluir países normalmente a salvo de suspeitas. Assim. Teria uma estrutura repetitiva. primária. onde cada qual ocupa menos de um metro quadrado de espaço. abusos do gênero (linha 20). Mas a incriminação do Brasil ao lado de sociedades tidas como padrão de cultura humanística em nada o isenta de culpa. outra prestigiada entidade internacional. A Suécia chega ao índex internacional por devolver asilado.encarregados de reprimi-las. o desrespeito aos direitos humanos tem diminuído. atentados contra a dignidade e incolumidade fisica das pessoas (linhas 8 e 9). E fundamental. O primeiro exemplo disso veio na Constituição de 1988. homicídios (linha 36). devolver exilados políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem (linhas 32 e 33). E fato notório que o des O ENTRELA ÇAMENTO DAS IDÉIAS 121 respeito aos direitos hunianos se sucede no país con freqüência indesejável. por várias outras que têm o mesmo significado. violências às pessoas (linha 12). .

Essas ligações observáveis na superficie do texto realizam de forma concreta as articulações necessárias para assegurar a coerência entre as idéias formuladas pelo redator. Ao revisar o texto produzido você terá a oportunidade de reconsiderar uma série de decisões tomadas no início da produção. Como também na linha 35. Identifique outras formas de se referir a ele. Entrelaçando as idéias Como vimos neste capítulo e nessa rápida análise final. é importante que na revisão do texto você procure focalizar sua atenção sobre esses itens concatenadores. censuras podem vir explícitos ou implí 122 TÉCNICA DE REDA ÇÃO citos nos termos que escolhemos para constituir a coesão lexical. E preciso analisar: as opções adotadas estão funcionando no texto como um todo? As decisões se mantêm . após a apresentação. Há um exemplo de coesão por elipse na linha 31: após a palavra pior. A expressão cada qual (linha 40) se refere a presos na linha anterior. na linha anterior. o pronome o se refere a Brasil. 4. b) Escreva um texto expositivo acerca de um autor de sua preferência. há O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 123 possibilidade de criar laços mais largos por meio de referências. Há coesão por substituição lexical também nas expressões: acusações de agências humanitárias (linha 12) porfatos denunciados (linha 14) anistia (linha 22) por organização (linhas 23 e 24) países normalmente a salvo de suspeitas (linhas 24 e 25) por sociedades tidas como padrão de cultura humanística (linhas 34 e 34) Sempre que escolhemos uma expressão equivalente para substituir outra. A releitura como avaliação para a reescrita O texto exige diversas releituras para reescritura e revisão antes de ser considerado satisfatório. de maneira que se forme um tecido harmonioso. É a coesão textual. A expressão as violações aos direitos humanos é representada por um pronome enclítico em reprimi-las (linha 6). Criticas. há coesão referencial. promíscuo e violento (linhas 39 e 40). na elaboração de um texto criam-se laços de citações entre seus próprios elementos constituintes. Há no texto um exemplo de substituição de idéias por expressão sintetizadora: diante do que foi exposto (linhas 41 e 42) resume toda a argumentação e justifica a conclusão que encerra o texto. como temos mostrado no desenvolvimento deste livro. identifique as formas de coesão utilizadas pelo autor. podemos agregar alguma informação adicional. elogios. Assim. a vírgula indica que se subentende o sujeito de excluídos como a expressão do período anterior mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. 5. Prática de entrelaçamento a) Releia os textos que você produziu anteriormente e identifique os recursos de coesão que utilizou em cada um deles. onde o pronome demonstrativo disso está se referindo a tudo que se afirma no período anterior a ele. e o leitor só pode interpretar o pronome -las como relativo à expressão anterior as violações aos direitos humanos. Um período está ligado ao seguinte ou ao que o antecede por meio de recursos coesivos. como concordância e tempos verbais. reveladas nessas expressões. elipses e substituições de partes do texto por expressões sintetizadoras. e o pronome relativo onde se refere a penitenciárias do país.presos coabitam ambiente vil. Capitulo 8 A reescrita de textos 1. Na linha 20. para estudo ou trabalho. para que a coesão textual garanta a fidelidade às idéias que quer apresentar. mesmo em textos tidos como objetivos. de modo que o nome próprio não seja utilizado mais de uma vez. Observe que esse detalhamento ilustra e especifica o que se entende no texto por desrespeito aos direitos humanos. e) Sempre que estiver lendo um texto. diversidade lexical. Nosso julgamento e nossa posição diante da informação vêm. Além das ligações temáticas e das estabelecidas pelo sistema gramatical. A referência está clara. unia rede bem urdida de relações gramaticais e de significado. E interessante observar que no texto há exemplos de coesão referencial.

suprimir palavras. A opção escolhida foi mantida durante todo o texto? O leitor que você tem em mente é atendido durante todo o texto? ao gênero de texto: que plano de escrita utilizar para a situação. tentando tomar o lugar do leitor.ou há incoerências e descontinuidades? Consegue-se essa avaliação ao reler várias vezes o texto. professores pais. . outras são mais sintéticas e precisam ampliar o texto na reescritura. se você quer uma pista acerca dos pontos em que deve prestar mais atenção. mas ás vezes pode ser útil envolver colegas. torna-se mais legível e de acordo com as exigências da língua padrão. O formato é adequado à situação? As exigências referentes ao gênero foram respeitadas ou há ambigüidades e inconsistências? às informações: o que informar e o que considerar pressuposto. Durante a reescrita. Estamos preocupados em captar o fluxo do pensamento e registr0 da maneira mais completa Possível. nesse momento estamos também reestruturando a forma. mas é preciso acrescentar elementos para criar ligações mais claras entre as diversas idéias do texto. ou seja. trata-se de cortar e simplificar frases longas demais ou truncadas. nesse primeiro momento desprezamos a forma. Muitas vezes não há erro. clara. estabelecimento da coesão e vocabulário. articulada Muitas vezes. Com isso. Analise as decisões e a realização. a atenção se desloca para a forma mais adequada e para a melhor organizaç0 final dessas idéias A revisão normalmente feita pelo próprio autor do texto. excesso de adjetivos expressões coloqujais inadequadas jargão profissional? às estruturas Sintáticas e gramatjcj5 O texto está correto quanto às exigêncj5 da língua padrão? As transições entre as idéias estão corretas e claras? Os conectivos são adequados às relações entre as idéias? A divisão de parágrafos corresponde às unidades de idéias? ao objetivo e à situação. As vezes. comece por esses. sem relação com o núcleo do texto. embora a fala possa servir de base para o início da escrita. de forma mais distanciada. os detalhes da superficie do texto. Tentamos gerar idéias e organjz5 de forma coerente. As pesquisas que analisam textos de exames vestibulares e provas discursivas de concursos públicos mostram que a maior freqüência de erros ocorre nesta ordem: pontuação. na primeira versão de um texto costuma mos prestar mais atenção à criaçãO das idéias. divagações ou digres A REESCRITA DE TEXTOS sões. Está de acordo com o objetivo estabelecido inicialmente? As idéias principais estão evidentes? Como já vimos. pronomes. As primeiras versões costumam trazer passagens distoan tes. As informações fornecidas são suficientes ou o texto ficou muito denso. exigindo muito do leitor? A introdução de informações novas é bem realizada? Há informações irrelevantes que podem ser dispensadas? - 126 TÉCNICA DE REDAçÃO Há excesso de informação? Há informações incompletas ou confusas? As informações factuajs estão corres’ à linguagem. no texto. “gorduras” enfim. frases feitas. construção do período. formal ou informal A linguagem está adequada à situação? A opção escolhida tornou o texto harmonho 50 ou há oscilações súbitas e inadequadas à impesso dade ou subjetividade O posicionamento adotado corno predominante mantémse ou essa opção não ficou consistente flO texto? ao vocabulário As escolhas estão adequadas ou há repetições enfadonhas e pobreza vocabular? Algum termo pode ser substituído por expressão mais exata? Há clichês. adjetivos ou advérbios que pouco ou nada acrescentam ao texto. Como alguns trechos devem ser riscados ou refeitos. irmãos ou Companheiros É importante que um leitor dê sua opinião sobre o texto. Não se escreve como se fala. quanto: ao leitor: inseri-lo no texto ou tratá-lo de forma neutra e distanciada. Falando. como se você não fosse o redator. Algumas pessoas escrevem muito nos rascunhos. acentuação. Portanto.

19 Ocultar o agente A expressão é precisO serve a esse propósito de neutralidade. A diretoria ordenou. a) Generali. Fala-se muito em renovação dos quadros funcionais.. por isso. A impessoalização do texto 128 TÉCNICA DE ftEDAÇÀO Nem sempre temos interesse em deixar expljcjtas a nossa voz e as diversas vozes que São trazidas para compor um texto. um fenômeno. evidente. uma instituição ou uma organizaç0 Quando escrevo frases como O Mjnjsí rio decidiu. os jogos de palavras. Devemos. são menos subjetivas que Procurei demonstrar. essa característica de ocultar o agente.. O nosso interlocutor está longe e. é imprescindível são Utilizadas para ocultar o agente.. Vamos focalizar a seguir alguns aspectos que merecem atenção e que podem ser aperfeiçoados na reescrita. Na escrita não dispomos disso. na voz passiva esse agente pode estar oculto. Vejamos algumas delas. objetiva.. aparen temente neutra. verbos conjugados em primeira e em terceira pessoa contribuem para que o diálogo se estabeleça entre autor e leitor de forma explícita. então.. colocandoo no plural Uma forma elegante de se distanciar relativamente da subjetividade é io agente. Veja o exemplo: . atenuando a dialogia e Ocultando o agente das ações. muitas vezes. e sempre que o nosso interlocutor quiser. Ela é muito útil quando queremos inserir uma informação da qual não sabemos a procedência exata. a repetição desnecessária. O governo protelou a responsabilidade em relação à ação está diluída e não se pode identificar claramente de onde ou de quem emanou a iniciati A REESCRITA DE TEXTOS 129 va. Assim também expressões como: é necessário é urgente. Os pesquisado reconhecem. não se pode determinar com precisão quem realizou uma ação quando usamos a estrutura de sujeito indeterminado. universal. expositivos. Assim..todos nós podemos a qualquer momento. Tudo é dito como se fosse uma realidade que se apresenta sem intermediários e) Colocaram agente inanimado Uma outra maneira de impessoajizar o texto é colocar como agente um ser inanimado. Quem precisa? Quem necessita? Para quem é Urgente? Para quem é imprescindível? No podemos definir com clareza Tornase uma realidade geral. 127 2. Os textos dissertatjvos informativos.. acrescentar informações e corrigir outras... Vive-se esperando o aumento de preços. Acreditava-se em uma diminuição dos impostos. neutra.aro sujeito. Por meio dela podemos avaliar o funcionamento do texto e propor reformulações. os adjetivos e pronomes supérfluos. e) O USO da voz passiva Enquanto na voz ativa temos um agente explícito. Nossas conclusões... É um recurso muito utilizado na administração pública e na política. O uso da primeira e da terceira pessoa do plural é a estratégia recomendada quando a intenção é atenuar a subjetividade da primeira pessoa sem adotar a neutralidade absoluta Frases como Procuramos demonstrar . precisamos alcançar a maior exatidão possível. Gramaticalmente há muitas maneiras de conseguir esse objetivo. eliminar os rodeios.. d) Uso gramatical do sujeito indeterminado Como a própria nomenclatura indica. usar a passiva sem esclarecer seu agente é um recurso gramatical para impessoalizar a informação. Um texto é pessoal e subjetivo quando pronomes pessoais e possessivos. científicos apresentam. A releitura é imprescindível para o aperfeiçoamento do texto. Muitas vezes queremos adotar uma posição impessoal. Reconheço Minhas conclusões.

mandi ou mandim. Tivemos em nossa casa um ilustre hóspede. mambira. (manter. trazia) 15. desfrutar. ostenta) 13. morador. (usufruir. vaqueiro. experimentou. Tinha grande poder. complexo e poderoso do que antes se imaginava. macaqueiro. catrumano. capuava. chapadeiro. tinha um belo terno. Imaginemos que você vai escrever um texto sobre trabalhadores rurais brasileiros de diversas regiões. saquarema.Novas descobertas foram realizadas em centros de estudo e laboratórios ao redor do mundo. o processo é semelhante. trazia) 3. pioca. capicongo. Assim. em oposição à de civilizado. tabaréu. peão. curau. há diversas maneiras de tornar o texto impessoal. e todas elas utilizam recursos e possibilidades presentes no sistema gramatical da língua. caapora. roceiro. canguaí. Na seleção dos verbos. caburé. pé-no-chão. Ele tem uma doença contagiosa. groteiro. é necessário procurar outras opções. a questão lexical. bruaqueiro. Tem bom aspecto. viveu) 12. restingueiro. caipira. curumba. Quem realizou? Quem está revelando? A voz passiva oculta o agente. jeca. beira-corgo. Teve uma forte emoção. (É dono de. alcançou. guasca. vestia. outros têm um sentido pejorativo associado à idéia de primitivo. agreste. mixuango ou muxuango. Ainda tem recursos para a viagem. Alguns termos enfatizam o trabalho ou a origem da pessoa. canguçu. como: lavrador camponês. campesino. despertava. (segurava. mandioqueiro. é portador de) li. mostra. casacudo. sofre de. (continha. babeco. obteve. sitiano. cariazal. é a escolha cuidadosa do vocabulário. 3. Uso do vocabulário Um dos pontos importantes para um texto bem estruturado. baiquara. mano-juca. Não se satisfaça com a primeira opção que vem à cabeça. rurícola. O documento tinha muitos argumentos. carregava. (detinha) 5. possui) 2. (dispõe de) 6. mateiro. (apresenta. camisão. catimbó. exerceu. Como vimos. mucufo. Uma seleção inadequada pode prejudicar o funcionamento do texto e causar efeito inverso ao que se deseja. agricultor campestre. talvez mais ricas e mais exatas: 1. maratimba. matuto. Na cerimônia. pois quase sempre é a mais pobre. conseguiu. conseguia. casaca. encerrava. adequado à situação e aos objetivos do redator. campesinho. Não conseguia ter o poder por muito tempo. Tem muitos bens. (ocupou. Tinha a admiração de todos. Os funcionários esperam ter férias em julho. conquistava. biriba ou biriva. (obtinha. mocorongo. gozar) 4. conservar) 7. beiradeiro. A escolha vai depender da análise dos objetivos do texto. cambembe. sustinha. Tinha as pastas de documentos nos braços. sitiante. (trajava. (acolhemos. (padece de. em cada uma de suas acepções. botocudo. provocava) 9. recebemos) 14. pé-duro. Algumas 130 TÉCNICA DE REDAÇÃO pessoas têm dificuldade na seleção da palavra certa. cafumango. (sentiu. revelou. pira quara. Para não repetir essa mesma expressão. caboclo. atraía. bóia-fria. conquistou) 8. rústico. sertanejo. capa-bode. mixanga. campino. Ele teve muita iniciativa. caiçara. para o campo semântico do verbo ter. semterra. Está sendo revelado ao mundo que o cérebro é um órgão mais fascinante. casca-grossa. catatuá. arrolava) 10. Você é um desses casos? A solução é ter paciência e esperar um pouco até que o “arquivo” mental processe o pedido e devolva uma série de possibilidades. baiano. piraguara. que é mais exata para a idéia que se quer transmitir. urumbeba ou urumbeva (Dicionário Aurélio Eletrônico). Teve um cargo de chefia. campeiro. capurreiro. O segredo do uso adequado do vocabulário é selecionar e combinar cuidadosamente. baba quara. brocoió. há uma série de outras opções. Se você for ao dicionário ainda vai encontrar inúmeras expressões regionais como: araruama. tapiocano. usava. (mostrou. Não se pode ficar satisfeito com a primeira possibilidade que vem à A REESCRITA DE TEXTOS 131 mente. apresentava. deu prova de. queijeiro. moqueta. Dessa lista ou paradigma é fácil eleger a palavra que mais combina com o contexto. abrigamos. demonstrou) . ou seja. capiau.

resultar ceder Conceder apresentar mani festa.. Desde tempos i/nemo. Teve a punição merecida..16. inCI dir divisar avistar perceber bastar ser Suficie. (adoto. (consagram... ao reescrever COflVfl1 eliminar palavras muito tCnicas. cheia de efeitos e palavras da moda. tributam) 20. Fuja das expressões gastas. conta) 21. dos O sol nascei. nClujr registr Consignar atribuir encon/. C?fl5 algumas adaptações. apenas impressionar o leitor. qualquer exagero pode levar ao lado Oposto.2te ter voca çào. sofreu) 18. E uma versão melhorada de uma compilaçào surgida pela primeira vez há mais de 20 anos. preciso. Cidadãos conscientes têm amor á história. ofertar oferecer produ/. mas desta vez. recebeu) 19. (obteve. graças ao jornalista Walier Fontoura. que também é um verbo genérj0 depen dendo do contexto Pode ser substituído por: doa. Tenho a mesma opinião.. mas inconsistente em termos de informação objetiva A REES’JJ. devotam. (completou. O leitor pode combi na qualquer expressão . passa adiante o tratado do bláblá-bl . na revista Time. sigo.. Nós enqua0 brasileiros 4 quest5. (recebeu. 4 nível de filosofia é importante. revelar cometer causar Soltar emitir publicar di/ gar realizar vender administrar aplicar ministrar proferi dedicar Consagrar Provocar rese. Trata-se do Guia de Discurso para Tecnocro tas Principiantes Sua versão original teria sido publicada numa revista polonesa Fontoura teve acesso a uma tradução de autor desconhecido que vai publicada adiante. Tenho de falar. Ele já tem 90 anos.ar render propor trazer Conte. para todos. Habitualmeitie a senhora distribui bolsas de estudo aos sábios da parolagem. que fazem parte do jargão de uma determinada profissão... Evite esse tipo de linguagem complexa rebuscada. mas certamente é divertida (para amigos do idioma) e útil (para os inimigos). e dispensar palavras e expressões supérfluas evitando redundâncias ou expressões vazias que procuram Clichés. Talvez não seja coisa muito nova. necessito) 132 TÉCNicA DE REDAÇÃO O verb0 da. mas sem conteúdo definido ou consistente. cismar Sentir acontecer ou Outros Nosso léxico é muito rico e no devemos nos contentar com o mínimo Vale a pena investir na amp1iaç0 do fosso acervo individual para produzir textos melhores Entretanto. E necessário equiljj0 para assegur a clareza e a comuni cação Por iss0.j5 Observe os quadro5 a seguir que ironizam a Iinguage Pedante da tecnocracia Você pode escolher aleatoriament um fragme0 de cada coluna e consegj formar uma frase gramaticalmente aceitável.. dedicam. acato. 133 Madame Natasha tem horror a música Ela con fund bola de Taffarel com bolero de Ravel. Teve resposta positiva.. aceito) 17.DE TEXTOS Quadro 1: Elio Gaspari. (devo.

O modelo de desenvolvimento incrementa o redirecionamento das linhas de tendência em ato para além das contradições e dificuldades iniciais. Estrutura dos períodos . a expansão de nossa exige a precisão e a dos conceitos de atividade definição Participação geral. evidenciando e explicitando. condicionante. com as devidas e imprescindíveis enfatizações. 2. para uma práxis de trabalho dr grupo. a cavaleiro da situação contingente. no contexto de um sistema integrado. O método participativo propõe-se a o reconhecimento da demanda não satisfeita mediante mecanismos da participação. i MANUAL DE TECNOMISIIFÍCAÇAU i estudos efetuados essencial na financeiras e formulação adnijmst ivas Assim mesmo. ativando e implementando. 6. o aplainamento de discrepmncias e discrasias existentes. sem dizer coisa nenhuma. mais curativa. não assumido nunca como implícito. Quadro 2 COLUNA A COLUNA B COLUNAC COLUNA D COLUNA E — COLUNA F COLUNA G 1. 2. 3. A necessidade se caracteriza por uma correta relação no interesse substanciando e numa ótica a transparência de emergente entre estrutura e primário da vitalizando. A REESCRITA DE TEXTOS 135 4. estruturas. um indispensável salto de qualidade. O novo tema social propicia o incorporamento das funções e a descentralização decisional numa visão orgânica e não totalizante. 3 e 4. uma vez que das informações formação de quadros. 5. na medida em que isso seja factível. permite ao empulhador que fale ininterruptamente por mais de 40 horas. indispensável e flexibilidade das interdisciplinar horizontal. potenciando e incrementando. É fldansenfal a amimar dos divemos oferece uma boa dos nidice pretendidos ressaltar que resultados oportunidade de venfleação O incentivo ao avanço o início do prograin acan-era um processo das formas de ação.lisiada na primeira coluna i com outras. superestrutura população. Não podemos a atual estnjs. Segundo os autore5. a redefinição de uma nova figura profissional.jun. em termos de eficácia e eficiência. 1998. mas antes particularizando. A utilização privilegia uma coligação segundo um módulo recuperando. tecnologico. 4. 7.a da auxilia a preparação das atitudes e das esquecer que organização e a estruturação atribuições da diretoria Do mesmo modo. o novo modelo coninbui para das novas proposições estruniral aqui a correta preconi0 determinação A prática mostra que o desenvolvimento assume importantes das opções básicas para de formas distintas posiçõesun definição o sucesso do prograrun de atuação Nunca é demais a consiante divulgação facilita5 definição do nosso sistema de insistir. preventiva e não cada ato decisional. assim de fomiação de de reformulaçào corno atitudes Jornal de Brasfl0 28. ou como sua premissa uma congruente potencial orgânica de interdependência antes revalorizando. As variações possíveis sO cerca de 10 mil. a adoçào de uma metodologia diferenciada. O cntério metodológico reconduz a sínteses a pontual correspondência entre objetivos e recursos com critérios nãodirigísticos. das demais. na ordem 1. A e5periôncia a consolidação das prejudica a pereepçào das condições mosa que estmiaras da impocia apropfia para os negócios. o coenvolvimento ativo de operadores e utentes. O quadro normativo prefigura a superação de cada obstáculo e/ou resistência passiva sem prejudicar o atual nível das contribuições. não omitindo ou calando.

adjetivas explicativas: O livro. já que une e separa elementos de uma oração. relatórios e monografias. está caro. b) Separar o aposto explicativo: Pedro. E necessário observar cuidadosamente a sintaxe da oração: Sujeito Predicado e complementos Com o qual o erbo concorda Paulo entregou o texto a Joana ontem na sala subitamente. ou seja. A ausência de ponto final também constitui um problema de sintaxe. Se você aceitar a sugestão e voltar às gramáticas ou aos livros didáticos para uma revisão de sintaxe. e) Separar orações intercaladas ou não. sugerimos que você volte aos seus livros de língua portuguesa e tente se aproximar dos capítulos de sintaxe com outros olhos. . E principalmente um fator sintático. Sempre que estiver reescrevendo seu texto. aliás. Observe este exemplo retirado de um rascunho de documento pedagógico: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste em tomar a linguagem como atividade discursiva. dissertativos ou argumentativos. como se acredita no senso comum. adverbiais: Quando chegar o dia do exame. os recursos disponíveis. o . Como nosso objetivo aqui não é oferecer uma revisão gramatical. Ela não serve apenas para marcar pausas ou momentos de respiração. esperamos que tenham uma boa I. de dar ênfase a um tópico. com o objetivo de construir períodos melhores em seus textos. ou melhor etc. que é uma fonte imprescindível de informações. ou seja. memorandos. as diversas formas de elaborar uma idéia. o aluno mais estudioso. é bom. É correto utilizar a vírgula para: a) Separar o vocativo: Senhoras e senhores.’iagem.Aspecto decisivo para a reescrita de textos é a avaliação da construção dos períodos. objeto direto + objeto indireto + Quando? Onde? Por quê? Como? Com quê? Nenhum desses elementos pode estar separado do outro por vírgula. Quando o redator não consegue dividir adequadamente as idéias em períodos distintos. Em textos expositivos. oficios. estarei pronto. d) Expressões intercaladas: isto é.foi aprovado no concurso público. fora da ordem direta. 5. convém evitar orações intercaladas muito longas. A pontuação A vírgula é a principal dúvida de todos os redatores. acumula informações de forma densa e complexa. Cada uma das possibilidades sintáticas constitui uma maneira diferente de transmitir uma posição.4 REESCRITA DE TEXTOS 137 Observação: as adjetivas restritivas não aceitam vírgula: O livro que o professor sugeriu é bom. nem entre o predicado e seus complementos. dificultando a interpretação do leitor. Quanto mais extenso for o período. procure identificar as relações sintáticas para observar se há concordância entre os termos das orações e se a pontuação está correta. É preciso memorizar que não se usa vírgula entre o sujeito e o predicado. e) Separar enumerações: Escrevi cartas. pareceres. maior será a possibilidade de se perder o controle da sua elaboração e cometer impropriedades estruturais. Este é o grande defeito do ensino escolar: desvincular a análise sintática da produção de textos. a não ser que esteja em posição invertida. por exemplo. procure analisar 136 TÉCNICA DE REDAÇÃO as possibilidades da língua. Esqueça aquele desespero ao decorar classificações para preencher exercícios ou testes e procure entender o funcionamento lógico da frase e seus efeitos de sentido junto ao leitor. ágeis. coordenadas sem conjunção — O livro. de provocar uma interpretação. mas apenas provocar algumas reflexões. que dificultam a compreensão do leitor. ordenando-os de forma lógica. A pontuação é um dos principais problemas dos textos e ela depende de um conhecimento mínimo de análise sintática. E geralmente preferível a ordem direta: sujeito + predicado + complementos Na construção dos períodos. disseram os alunos. as frases devem ser curtas.

instituições de ensino. interstício. viagem. A língua portuguesa oferece muitas dificuldades ortográficas. ler e escrever de maneira crítica e autónoma. flandre. Esses conhecimentos possibilitam a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. o texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas à coerência e à coesão textual. escreva sem olhar para o texto original e depois confira. É impossível ter certeza . máximo. SEPARE AS SÍLABAS DE PALAVRAS NOVAS. visor. O melhor e mais seguro é consultar o dicionário muitas vezes até memorizar a ortografia da palavra. puxar. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. alterar o sentido original. de maneira crítica e autônoma. epor meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. NAMORE AS PALAVRAS. Essas ocorrências exigem maior atenção. pesquisadores. o programa aponta dúvidas. PEÇA A ALGUM PROFESSOR PARA DIAGNOSTICAR SUAS DIFICULDADES. Tal procedimento permite. o texto oferece dificuldade de leitura por prolongar-se excessivamente. SIZ: riqueza. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. Hoje. falar. À medida que se escreve. açúcar. estender. que podem ser solucionados pela divisão em períodos menores e uma adequada colocação de pontos finais. publicações e leis. Vejamos: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste etn tomar a linguagem como atividade discursiva. oficializadas por segmentos como Academias de Letras. mas a decisão final é ainda do redator. fecho. uma grande parcela dessas dificuldades se resolve pelo uso do computador. PRI BL/CL/FL/DR: problema. Portanto. da aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos que possibilitem a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. ensaio. A questão da ortografia A ortografia das palavras é uma convenção que envolve decisões coletivas e históricas. por meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos orais. vazio. a aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos. deslizar. Entretanto. RS: perspectiva. Não podemos individualmente modificar a ortografia conforme nossa preferência. contudo. Sempre que encontrar uma palavra dificil ou nova para você. Identifique quais são os seus problemas mais freqüentes e concentre seu esforço e sua atenção sobre esses casos. leia-a várias vezes em voz alta para gravar o som. muitas vezes. flanela. as necessárias adaptações sintáticas e a pontuação transformaram o texto de forma a facilitar a leitura. escrevemos de forma manuscrita e sem possibilidade de consulta ao dicionário. análise. SOLETRE. baixeza. Alguns procedimentos podem ajudá-lo a melhorar seu desempenho em relação à ortografia: A REESCRITA DE TEXTOS 139 LEIA MUITO. CONSULTE O DICIONÁRIO SEMPRE QUE TIVER DÚVIDA. falar. FAÇA PALAVRAS CRUZADAS NAS HORAS VAGAS. X/CH: ficha. o melhor é criar familiaridade com as palavras. crescer.texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas á coerência e à coesão textual. A dúvida é natural mesmo para quem escreve todos os dias e vive de escrever. nem sempre podemos usar o computador. DUVIDE SEMPRE DA GRAFIA DE SÍLABAS COMPLEXAS. J/G: viajem (verbo). FOCALIZE SUA ATENÇÃO NOS PONTOS EM QUE AINDA TEM PROBLEMA. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. ler e escrever. e por meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. ortografia. sem. Observe que não há problemas de concordância. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. proclama. exceção. As principais dificuldades de grafia das palavras em português são decorrentes das muitas representações gráficas para um mesmo som ou dos encontros de consoantes: SS/C/S/Ç/SCIX: assunto. por 138 TÉCNICA DE REDAÇÃO meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos ora is. atraso. acento. Entretanto. acentuação. como nos concursos. permitindo. 6. nascer. superstição. Podemos dizer que há problemas de sintaxe e de estilo. E. analisar. LEIA PRESTANDO ATENÇÃO NA GRAFIA. incorreções e palavras inexistentes. A divisão em períodos menores.

a consulta constante às regras e a atenção na hora de escrever e de revisar. Assim. 7. e até escritores prestigiados têm dúvidas e vão ao dicionário a todo momento Quem tem vergonha de demonstrar dúvida e de dicionário. os dois as se encontram e acontece a crase: José entregou o livro a > a professora recebeu o livro. quando em seguida a esses verbos há uma palavra feminina que admite artigo feminino a. porque essas palavras nunca são antecedidas por artigo feminino. pronomes pessoais: ela. José entregou o livro a ela. pronomes demonstrativos: esse. Não se usa crase também em expressões como: cara a cara de alto a baixo de baixo a cima de fora a fora dia a dia face a face frente a frente gota a gota Muitas expressões exigem sinal indicativo de crase. pois quem o consulta com freqüênj tem realmente mais familiaridade com os fatos da língua. apelidado indevjdainen te de “pai dos burros”. adequação dos co- . José entregou o livro a quem pediu. Saiba que revisores profissionais têm ao alcance da mão muitos livros de 140 TÉCNiCA DE REDAÇÃO consulta. Observe uma tabela de avaliação de textos que sintetiza as questões referentes à qualidade textual e pode servir de roteiro para sua própria releitura. 142 TÉCNiCA DE REDAÇÃO ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NO APERFE1ÇOA0 DO TEXTO ASPECTOS TEXTUAiS S Sintaxe de Construção Reescrever obsersando.a Não se usa sinal indicativo de crase antes de verbo palavra masculina.absoluta da grafia correta de todas as palavras da língua. alguém. você consolida sua intimidade com a língua escrita e as infinitas possibilidades de expressão. A acentuação gráfica também merece atenção especial. José entregou o livro à professo. O uso do sinal indicativo de crase Muitas Pessoas acreditam que é impossível compreender o funcionamento da crase. pronomes indefinidos. A memorização vem com o uso. Em todos estes exemplos a é preposição José entregou o livro ao amigo. mas essa é facilmente resolvida com o treino. este. como: à altura à escolha à margem de à bala à espera à medida que à base de à esquerda à página 10 à beça à força à parte à beira de à francesa à primeira vista à caça à luz à procura à direita à maneira de à proporção que à disposição à mão (escrever) à razão de à entrada à mão (estar) à tinta à época à máquina (escrever) Acostume-se a tirar dúvidas sempre que elas aparecem. quem. A REESCRITA DE TEXTOS 141 José entregou o livro a correr José entregou o livro a esse homem. Mas é relativamente simples Alguns verbos transitivos indiretos exigem o uso de uma preposição a. mim. Sugerimo5 que o redator tenha à mão um cartão plastificado com o resumo das regras para Consulta diária. Deveríamos chamar o dicjonáijo de “pai dos sábios”.. corre muito mais risco de errar.

uma aventura lúdica.it0 Coesão e coerência Reescrever obsers ando. gratficantes e. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia às ciências humanas. Entretanto. há sempre uma margem de incerteza. leitor. desfa ze ambigüi55 V Vocabulário Eliminar ou substituir palavras repetida5 Utilizar paIara mais adequada Eliminar gíria. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. (1993) Curso de redação. tenham desvelado novos horizontes para você. na escrita. Queira sempre mais. Mas relaxe. Obra teórico-prática muito agradável que. A REESCRITA DE TEXTOS 143 CARTA AO LEITOR Brasília. Evitar mudanças ifljustificgv5 de nível. sobretudo. vai continuar pela vida afora. Escrever ler e compreender os infinitos matizes da linguagem são formas muito especiais de felicidade que nossa cultura nos proporciona. além de fortalecer seu equipamento essencial de participação na sociedade. súbita. tem a respostapara minha dúvida. enriquecedora e prazerosa. e somente você. Procurei traduzir conceitos muito sofisticados em linguagem quase informal.1 nectis e palavras de relação. na qual estamos totalmente imersos. O objeto desse jogo é a língua. pois. mas não tenho muita segurança se consegui isso. Severino Antônio & AMARAL. Curso rápido de redação e revisão gramatical. Como vimos. Fácil. especificar generaIijaç5 articular as relações lógicas entre as idéias por meio de conectjso5 utilizar argumen_ los adequados. pois chegou até aqui. Curso rápido e completo de redação. P Paragrafo Agrupar ideias complementares ou depen dentes Distribuir idéias por parágrafos di ferentes Escrever transição entre parágrafos G Gênero Nlanter o fom conforme o gênero. março de 2000. Antônio Suárez. Pt Pontuação Retirar acrescentar OU modificar. David W. Campinas. De qualquer forma. Quem buscava uma fórmula infalível e definitiva pode estar se sentindo frustrado ou atordoado. é acessível a todos. E é preciso lembrar que o trabalho com a leitura e a escrita é ininterrupto. evi ta acúmulo de idéias num mesmo período. Pode ser utilizado sem ajuda presencial. pelo menos para as necessidades práticas. eliminar idéias incompatível5 sem importância para o desenvolvimeni da idéia central. corrigir / fragnient5ç0 e truncamento de idéias. espero que a leitura e os exercícios propostos tenham sido estimulantes. Meu amigo leitor Suponho que você esteja realmente interessado em aperfeiçoar sua habilidade em produzir textos. Lucília -. Emilia. houve muito crescimento. Cxpressões Coloquiaiç clichê5. BARBOSA. não é uma iluminação divina. leva o leitor a se tornar mais crítico e . Pioneira. escrever bem. é o resultado de muito trabalho com a linguagem. CARRAHER. mesmo sendo uma tarefa complexa e prolongada. como eu gosto de fazer algumas vezes. Papirus. São Paulo. São Paulo. por meio de explicações e exercícios. O que leva tempo e exige paciência. O que signfica que você continuará crescendo sempre. Se é que não começou pelo final. e no grau que desejava. Não se contente em usufruir apenas o que a distribuição perversa do capital simbólico na nossa sociedade nos concede. Observar estruturas peculiares ASPECTOS GRA1ATICAIS E FORMAIS /iadei:s parágrafo Evidenciar maiúsculas O Corrigir conforme dicionário Corrigir conforme as regras. se você se empenhou verdadeiramente. pode ser utilizado sem ajuda. leve. Afinal. pode se transformar em um jogo. de frases e períodos construir Paralelism. distinguir a idéia central. Indicado para quem quer avançar rapidamente nas reflexões e na prática sobre a produção de textos. que vai dos processos de desenvolvimento da criatividade ao aperfeiçoamento da apresentação do pensamento lógico. si. Atica. LE Concordância Corrigir conforme justificativa gramatic catíticaI/ Caso VOC Seja professor pode usar as letras da primeira coluna como indicações nas margens dos textos de seus alunos. Bibliografia comentada de apoio ao aluno ABREU. eliminar repetições. ou seja. O interesse pela linguagem.

Ática. 146 TÉCNiCA DE REDAÇÃO GÁRCIÁ Otlio0 M. Paulo/Moderna Manual de Consulta rápida para solucionar dúvidas de escrita da língua Pougues padrão Muito útil e fácil de usar sem ajuda do profes. Napoleão M. CALKINS. o capítulo a respeito da organizaç0 das idéias é muito interes sante. Imprensa Nacional. São Paulo. (1999) Inventário das sombras. Petrópolis. Pau/o Jllanjja/de redaç o e estilo São Paulo. Severino Antônio & AMARAL. Lindley L. São Paulo. Martins Fontes. A. BLINKSTEIN. Papirus. PLATAO F. L. CAVALCANTI. descrever os usos reais e atuais da língua nas diversas circunstâncias. BRONCKART. (1930) Estética da criação verbal. Fundação Getá lio Vargas. Globo. Curso de redação em duas panes uma para o aluno e outra para o professor. (1989) Como escrever textos São Paulo. sim. (1995) Técnicas de comunicação escrita. David W. CO5. Jean-Paul. (1999) Atividade de linguagem. Evanildo. Izidoro. Queiroz. (1986) Os cientistas precisam escrever. Brasília. São Paulo.) e outros (1998) Roteiro de redação Lendo e argwnenta 00 São Paulo Scipione Curso de redação completo com muitos textos para leitura e exercí. Record. Artes Médicas. Petrópolis. M. BAKHTIN. ALMEIDA. (1994) Coesão e coerência em narrativas escolares. L. T. mas. Ótimo curso completo de produção de texto para estudantes universi tários e outros interessados. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. (1986) A produção escrita e a gramática. São Paulo. Educ. Atica. Martins Fontes. (1985) Ensino da gramática. Vozes. (1995) Nova gramática do português contemporáneo. sor. Martins Fontes. Pode ser útil para trabalhos escritos disseativos VIANA. Ática Excelente coletânea de textos comentados e analisados segundo os princípios mais atuais da lingüístj Fácil in(eres5te e pode ser utilizado individualmente. São Paulo. Porto Alegre. São Paulo. BASTOS. Robert. Pode ser utilizado como manual de curso ou como roteiro indiyi dual de trabalho. . São Paulo. Trata-se de uma gramática moderna. São Paulo. (1991) Manual de redação da Presidência da República. deve estar sempre á mão do redator. (1997) Lições de texto: leitura e redação São Paulo. de (1998) Dicionário de questões vernáculas. CAMARA Jr. K. Pioneira. A. (1992)Prática de texto: língua portuguesa para nossos estudantes. BRASIL. (1989) Interação leitor-texto: aspectos de interpretação pragmática. (1989) A arte de ensinar a escrever. São Paulo. CARRAHER. (org. CUNHA. Carlos Alberto & TEZZA. Mattoso. Atica.reflexivo em relação às informações disponíveis na sociedade. São Paulo. (1989) Curso de redação. L. Emília. 1981. 1992. (1930) Marxismo e filosofia da linguagem. M. à qual todas as Outras produzidas no Drasil se repoam no que diz respeito à produção de textos Embora não utilize conceitos modernos da lingüjstj textual. Antônio Suárez. Cristóvão. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia ás ciências humanas. Celso & CENTRA. Pode ser usado como manual para cursos de redação ou individualmente. Apresenta excelente reflexão sobre questões lingüísticas e muitos exercícios práticos de leitura e produção de textos. José. Obra Clássica.. São Paulo. C. FARACO. sem ajuda presencial de um professor. Não é de fácil consulta para iniciantes que querem tirar dúvidas práticas de gramática. textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. Atica. F. (1983) Manual de expressão oral e escrita. Unicamp. BARRAS. que não pretende estabelecer normas rígidas. Campinas. BARBOSA. M. BECHARA. Bibliografia para aprofundamento ABREU. (1986) Co0j ão enj prosa ‘noderna Rio de Janeiro. já os antecipava por meio de uma observação aguda do funcionamento dos textos literários Indispensável para todos que querem se aprofdar nas questõe5 da escrita em língua POrtugue MARTINS Eduardo (org) (1997) O Estado de S. Hucitec. Nova Fronteira. Vozes. & FIORIN J. Opressão? Liberdade? São Paulo. ______ & MATTOS. C. pois é organ1a0 a pair de verbetes em ordem alfabética Assim como um bom dicionário. Campinas. Rio de Janeiro. 148 TÉCNICA DE REDAÇÃO CASTELLO. J. o Estado de S. como pode ser um manual de curso SERAFINI Mafla Teresa. A. M.

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