TÉCNICA DE REDAÇÃO

O que é preciso saber para bem escrever Lucília Helena do Carmo Garcez

Martins Fontes
São Paulo 2004 /

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Copyright © 2001, Lirraria Mar rins Fontes Editora Ltda., São Paulo, pata a presente edição. l edição abril de 2001 2 edição agosto de 2004 Revisão gráfica Mar ia Luiza Farret Célia Regina Cantargo Produção gráfica Gera/do Ai: es Paginação/Fotolitos Studio 3 Desenvolvimento Editorial Dados beternacionais de Catalogação na Publicação (CW) (Câmara Brasileira do Livro. SP, Brasil) Garcez, Lucília Helena do Carmo Técnica de redação o que é preciso saber para bem escrever / Lucfl/a Helena do Carmo Garcez. — 2 cd. — São Paulo Martins Fontes. 2004. (Ferramentas) Bibliografia. ISBN 85-336-2038-1 1. Redação (L/teratura) 2. Redação técnica!. Título. II. Série. 04-5414 CDD-808.066 Índices para catálogo sistemático: 1. Redação técnica 808.066 2. Textos : Produção: Redação 808.066 Todos os direitos desta edição para a língua portuguesa reservados à Livraria Martinn Fontes Editora Lida,

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Índice
Introdução xiii Capítulo 1 Os mitos que cercam o ato de escrever 1
. —

1. Verdades e mentiras 1 2. Reconsiderando crenças 10 3. Novas atitudes em relação à escrita 11 4. Prática de escrita 11 Capítulo 2— Como escrevemos 13 1. Outras visões acerca do ato de escrever 13 2. A escrita como processo 14 3. Conhecendo melhor o processo de escrita 20 4. Novos procedimentos na escrita 21 5. Prática de escrita 21 Capítulo 3 — A qualidade da leitura 23 l.Oqueéleitura 23 2. Recursos para uma leitura mais produtiva 27 3. Os tipos de leitura e seus objetivos 29 4. Procedimentos estratégicos de leitura 30 5. Conhecendo melhor o processo de leitura 45 6. Prática de leitura 45 Capítulo 4 — Da leitura para a escrita 47 1. O trabalho com a memória 47

2. Resumos, esquemas e paráfrases 49 3. Conservando e reutilizando o que foi lido 59 4. Prática de síntese 59 Capítulo 5 — Decisões preliminares sobre o texto a produzir 61 1. Tomando decisões 61 2. Funções da linguagem 61 3. Decisões em relação às estruturas lingüísticas 72 4. Gênero e tipo de texto 79 5. Decisões orientadoras 84 6. Prática de tomada de decisões 84 Capítulo 6 — A ordem das idéias 87 1. A concepção das idéias 87 2. Das anotações para o texto 94 3. A organização das idéias 97 4. Da concepção à organização das idéias 109 5. Prática de organização 110 Capítulo 7 — O entrelaçamento das idéias 111 1. O tecido aparente do texto lii 2. Mecanismos de coesão textual 112 3. Problemas decorrentes da ausência de coesão 115 4. Entrelaçando as idéias 122 5. Prática de entrelaçamento 123 Capítulo 8 — A reescrita de textos 125 1. A releitura como avaliação para a reescrita 125 2. A impessoalização do texto 127 3. Uso do vocabulário 129 4. Estrutura dos períodos 135 5. A pontuação 136 6. A questão da ortografia 138 7. O uso do sinal indicativo de crase 140 Carta ao leitor 143 Bibliografia comentada de apoio ao aluno 145 Bibliografia para aprofundamento 147

“O escrever n0 tem rim» Scribendi Fedro Fábulas

Para Adriana, Cristina, Fabiana, Gabriel e Ana Flávia. AGRADECIMENTOS A Lígia Cademartori, pela confiança e pelas sugestões; Balthar, pelo estímulo solidário; Maria Luiza Corôa, pela parceria e pelos comentários; e aos professores/alunos, que tanto contribuíram durante estas reflexões.

Introdução
Produzir textos é uma atividade extremamente necessária tanto na vida escolar como na vida profissional e no dia-a-dia. Entretanto, no meu cotidiano docente, tenho encontrado alunos, jovens e adultos já formados, ansiosos, assustados, desencorajados, e, principalmente, desorientados quanto às habilidades e atitudes necessárias ao convívio mais natural e simples com a escrita. Percebi que muitas dessas posições negativas em relação ao ato de escrever haviam sido lentamente construídas ao longo da história escolar de cada um e que provinham de um desconhecimento da natureza, das especificidades e das exigências da escrita. Estimulada por alunos e colegas, decidi organizar as reflexões desenvolvidas ao longo de muitos anos de trabalho. Não quis produzir um tratado acadêmico acerca de redação, nem um livro didático, no sentido usual desse manual escolar, nem também um livro de exercícios impessoais de treinamento (pois há muitos, e bons, no mercado). Parti, então, das observações anotadas durante cursos e conversas com alunos (professores e futuros professores) da universidade, das minhas pesquisas em lingüística, de meu interesse por depoimentos de escritores, e de minhas próprias experiências como pessoa que escreve. Sempre acreditei que para ensinar a escrever era necessário viver intensamente o desafio da minha própria escrita. Adoto a vertente teórica que vê a língua, não apenas como uma herança social, mas como uma forma de ação, um modo de vida social, uma construção coletiva. A interação verbal e as relações coletivas e sociais constitutivas do jogo da linguagem, como elementos fundamentais que se conjugam na construção da língua, exercem sobre mim um fascínio que dá sentido à existência. Assim, não posso focalizar a produção de textos restrita a um conjunto limitado de regras que podem ser repassadas, memorizadas e aplicadas sem a participação e interferência do sujeito. Esse é o agente de uma ação intencional e estratégica sobre o interlocutor ou sobre o mundo, que constrói realidades e interpretações, numa determinada situação cultural. Procurei, neste livro, desmitificar, desconstruir idéias equivocadas, provocar uma mudança de atitude em relação ao ato de escrever e, conseqüentemente, ao de ler. Não proponho tarefas que se esgotam em si mesmas, mas procuro abrir novos horizontes para uma prática contínua e sempre enriquecedora do universo lingüístico, da auto-estima e da atividade intelectual do leitor. Escrevi este livro para quem está pessoalmente interessado em renovar suas próprias práticas de escrita, mas penso que professores que trabalham com o ensino de redação em qualquer nível são interlocutores bem-vindos às reflexões que proponho. A autora XIV
TÉCNICA DE REDAÇÃO

Capítulo 1

Os mitos que cercam o ato de escrever
1. Verdades e mentiras

” “Não recebi esse talento quando nasci. são esses fatores que vão definir também nossa maturidade e nosso desempenho na produção de textos. não consegui da primeira OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER vez. nessa batalha permanente. são lições para o futuro. coletiva. pais. da escrita literária. bloqueados diante da página em branco. a vocação ou o dom dependem de muita persistência: Como começou a escrever? Foi um processo demorado. e acaba voltando à luta. a importância que o texto escrito tem para nós e para nosso grupo social. achei que não estava ruim. entrega os pontos num assunto que sente que é capaz de. caí. aqui. nunca foram alfabetizados? José J. O que vai determinar o nosso grau de familiaridade com a escrita é o modo como aprendemos a escrever. Escrevi uma história. A escrita é uma construção social. compreender que todas as pessoas podem chegar a produzir bons . todos podem escrever bem. Animado. os mitos mais freqüentes em relação à escrita? Há muitos. bem como alguns professores. tendo recebido o dom. que têm texto péssimo e que não há formas de melhorar o desempenho na produção de textos. que são os que levam alguém a acreditar que escrever seria um dom que poucas pessoas têm. colegas. A noção de dom. nem sempre as mais adequadas. Mesmo assim. e muitos passam por etapas semelhantes aos redatores leigos. Vol. 7. tanto na história humana como na história de cada indivíduo. embora polêmica e questionável. um ato isolado. Entretanto. Caso a escrita fosse um dom inato. São Paulo: Editora Atica. apanhei. 2 TÉCNICA DE REDAÇÃO a) Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas pessoas têm “Eu não tenho o dom da escrita. As atividades escolares e os livros didáticos. É preciso. ela ficaria apresentável. com uns consertos aqui e ali. fica infeliz.Durante sua vida escolar. a revelação desses gênios só acontece depois do processo de aprendizagem e do convívio intenso com a língua escrita. Quando resolvi experimentar escrever. admitiu que até mesmo o talento. Mas é uma batalha curiosa: as derrotas que a gente sofre nela não são derrotas. Conseqüentemente. um ato espontâneo que não exige empenho. mas aqui vamos refletir acerca dos mais devastadores. vamos usar alguns depoimentos e exemplos de escritores porque neles a luta com as palavras é muito evidente. você é uma exceção. Veiga. Consertei. Eu estava descobrindo que ler é milito mais fácil do que escrever. Ninguém nasce escritor e o processo que transforma alguém em um artista da palavra é ainda um enigma. renomado autor brasileiro. Mas quando a gente joga a toalha. 4 ed. 8. qual seria o papel da escola? E o que aconteceria com aqueles que. levantei até que um dia escrevi uma história que quando li de cabe ça fria. escrevi outras e outras histórias. desvinculado das práticas sociais. E o seu caso? Se não for. a intensidade do convívio estabelecido com o texto escrito e a freqüência com que escrevemos. que amadureceu devagar. Dessa forma. pois até mesmo profissionais maduros demonstram insegurança em relação à própria expressão escrita. fossem se configurando e se enraizassem. desligado da leitura. uma questão que se resolve com algumas “dicas”. muitos jovens crescem pensando que nunca serão bons redatores. poderia ser aplicada a alguns poucos gênios da literatura. principalmente porque exige envolvimento pessoal e revelação de características do sujeito. Embora seja uma das tarefas mais complexas que as pessoas chegam a executar na vida.” Essas são algumas das afirmações mais freqüentes entre alunos de cursos de produção de textos. e desanimei. um ato autônomo. Poucas pessoas conseguem escapar de um conjunto equivocado de influências e construir uma relação realmente saudável com o ato de escrever. Para gostar de ler. p.” “Não fui escolhido. contribuíram para que crenças. O aprendiz precisa das outras pessoas para começar e para continuar escrevendo.. 1988.fazer. você deve ter cristalizado alguns mitos a respeito da produção de textos. E claro que não estamos tratando. Quais são as falsas crenças. antes de tudo. Voltei a tentar. algo desnecessário no mundo moderno. e gostei do resultado. não gostei.

Se o fosse. que nós. muitas vezes. tão fortes como o javali. insatisfatório. b) Escrever é um ato que exige empenho e trabalho e não um fenômeno espontâneo Muitas pessoas acreditam que aqueles que redigem com desenvoltura executam essa tarefa como quem respira. l7jun. Sempre queremos um texto ainda melhor do que o que chegamos a produzir e poucas vezes conseguimos manter na linguagem escrita todas as sutilezas da percepção original acerca de um fato ou um pensamento. coordenados. Veiga. Para refletir sobre estas questões. amor e conflito em relação às palavras é apresentada de maneira extraordinária: OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER O LUTADOR 5 Lutar com palavras é a luta mais vã. e que isso não é uma questão de ser “ungido” pelos deuses que escolhem os mais talentosos. Portanto. Mas lúcido e frio. A tarefa pode ir ficando paulatinamente mais fácil para profissionais que escrevem muito. para chegar o mais próximo possível. Paulo. A agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos envolvidos na escrita sejam articulados. — Por isso a linguagem do senhor é tão seca. Não é assim. não conseguimos traduzir com propriedade. até visualiza. sem o menor esforço. Faz rigorosas exigências à memória e ao raciocínio. O que admiramos na literatura é justamente essa especificidade. Tiro o bagaço para deixar apenas o que tem peso. tem que usar a linguagem. Eu me vigio muito para não fazer aquilo que em linguagem popular se diz “encher lingüiça “. Entanto lutamos mal rompe a manhã. e que é. p. Por que o senhor reescreve? — Epor conta de uma grande insatisfação. Conhecimentos de natureza diversa são acessados para que o texto tome forma. São Paulo. à situação em que o texto é produzido. harmonizados de forma que o texto seja bem sucedido. sensações. cansativo. frustrante. a essência. trabalhando. ao gênero adequado. Eu desbasto o texto. E necessário que o redator utilize simultaneamente seus conhecimentos relativos ao assunto que quer tratar. essa possibilidade de expandir pela palavra escrita emoções. em que essa relação de necessidade. Deixam-se enlaçar. sem a menor dificuldade. eu pouco. Então você fica trabalhando. teria poder de encantá-las. escrever é incompatível com a preguiça. tão substantiva? — É.textos. considere o poema. todos os dias. significados. aos possíveis leitores. Algumas. mas. E necessário também identificar bloqueios porventura construídos ao longo da vida escolar e tentar eliminá-los. Não me julgo louco. Folha deS. São muitas. mas mesmo esses testemunham que é um trabalho exigente. Folha Ilustrada. escrever não é fácil e. principalmente. apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. Vocé imagina as coisas. quando quer pôr aquilo no papel. Não acompanha o que você quer fazer. agora em uma outra entrevista: O senhor é muito conhecido por reescrever incessantemente seus textos. à língua e suas possibilida 3 4 TÉCNICA DE REDAÇÃO des estilísticas. 8. pensamentos. leigos. tontas à carícia e súbito fogem e não há ameaça e nem há sevícia . já clássico. Aí você descobre que a linguagem é tosca. Continuemos com o depoimento de José J. de Carlos Drummond de Andrade. Escrever é uma das atividades mais complexas que o ser humano pode realizar. 1999.

Luto corpo a corpo. Ser-lhes-ei escravo de rara humildade. esplende na curva da noite que toda me envolve. tudo se evapora. iludo-me às vezes. se me desafias. e um sapiente amor me ensina a fruir de cada palavra a essência captada. a luta prossegue nas ruas do sono. outra seu ciúme. palavra (digo exasperado). outra seu desdém. Insisto. nenhum travo de zanga ou desgosto. O ciclo do dia ora se consuma e o inútil duelo jamais se resolve. outra sua glória feita de mistério. Lutar com palavras Parece sem fruto. Já vejo palavras em coro submisso. Carlos Drummond de Andrade e) Escrever exige estudo sério e não é uma competência que se forma com algumas “dicas” A idéia de que algumas indicações e truques rápidos de última hora podem solucionar problemas de produção de tex tos tanto para candidatos a concursos como para profissionais . aceito o combate. perpassam levíssimas e viram-me o rosto. Preferes o amor de uma posse impura e que venha o gozo da maior tontura. Sem me ouvir deslizam. sem maior proveito que o da caça ao vento. Busco persuadi-las. o sutil queixume. luto todo o tempo. sem roteiro de unha ou marca de dente nessa pele clara. é fluido inimigo que me dobra os músculos e ri-se das normas da boa peleja.. Quisera possuir-te neste descampado. Na voz.. esta me ofertando seu velho calor. Cerradas as portas. luto. Não encontro vestes. Entretanto. Tarnanha paixão e nenhum pecúlio.que as traga de novo ao centro da praça. ó palavra. Não têm carne e sangue. Palavra. Mas ai! é o instante de entreabrir os olhos: entre beijo e boca. Guardarei sigilo de nosso comércio. O teu rosto belo. solerte. não seguro formas. pressinto que a entrega se consumará.

temos a Colaboração do ouvinte Já OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER a comunicação escrita tem suas especificidades. atestados. Essas exigências advêm do fato de estarmos nos comunicando a distância. temos. e) Escrever é necessário no mundo moderno Observa-se que o cidadão comum. contratos. É pela convivência com textos escritos de diversos gêneros que vamos incorporando às nossas habilidades um efetivo conhecimento da escrita. registros. Hoje.iia com aprálit. Para nos comunicarmos oralmente apoiam0 nos no contexto. O que é a leitura é o nosso assunto do capítulo 3. dependendo do mundo profissional a que pertence. as “dicas” fornecidas a partir de dificuldades reais vivenciadas na produç0 de textos podem ser úteis. É pela leitura que assimilamos as estruturas próprias da língua escrita. realizamos ou dese 7 ‘ . paradoxalmente. projetos. Precisamos de documentos escritos para existir. artificial em que a voz do autor SC anula para dar lugar a clichês chavões. recibos. Quando estão isoladas de uma prática intensa. comunicados inundam a nossa vida cotidiana. o vocabulário e a própria organização do discurso. Tratamos de forma diferente a sintaxe. Por outro lado. muita reflexão e muita leitura. Tudo o que somos.a d !eitur É improvável que um mau leitor chegue a escrever com desenvoltura. escrever com diversos objetivos escre ver em diversas situações Associadas a muita prática. frases feitas e pensamentos alheios. escrever sobre assuntos diversos. escrituras. E uma ação em que o sujeito se envolve de forma total. tem engan0 e enriquej0 muitos donos de escola e de cursinhos Muitos professores oferecem uma espécie de formu1áro mental do que seria um bom texto para que o estudante preencha as lacunas. Alguns conseguem mesmo reduzir sua atividade escrita à assinatura de cheques e documentos. Há ainda que se considerar que a leitura é uma das formas mais eficientes de acesso à informação. alguns exercícios esporádicos de Produção de pequen05 trechos não formam um bom redator. Envolve tantos procedimentos intelectuais e exige tantas operações mentais que o bom leitor adquire maior agilidade de raciocínio. Além de ser imprescindível como instrumento de consolidação dos conhecimentos a respeito da língua e dos tipos de texto. é o objetivo da escola Fórmulas pré_fabricadas de textos e “dicas” isoladas apenas Contribuem para a montagem de um texto defeituoso truncado. a leitura é um propulsor do desenvolvimento das habilidades cognitivas.6 TÉCNICA DE REDAÇÃO que precisam mostrar competência escrita em curtíssimo prazo. tornando a pessoa mais crítica e mais resistente à dominação ideológica. iluminadoras. certificados. ser. atuar e possuir: certidões. comprovantes. Portanto este é imprevisível. não ajudam em nada. diplomas. com sua bagagem de conhecimentos e experiências sobre o mundo e sobre a linguagem Não existem esque5 prévios ou roteiros infalíveis que Possam substituir tal envolvimento É a voz do indivíduo que orienta O texto. o complexo mundo contemporâneo está cada vez mais exigente em relação à escrita. E necessário escrever sempre escrever todos os dias. declarações. acreditando que prescrever esse procedimento muitas vezes Suficiente para conseguir desempenho mínimo num concurso. relatórios. sem apoio do contexto ou da expressão facial. esclarecedoras. suas exigências. Escrever bem é o resultado de Um percufSo Coflstijdo de muita prática. Uma redação por flês. escreve muito pouco. A autoria vem das escolhas pessoais dentro das POSSjbilid des da língua e do gênero. d) Escrer é um prá lica que se aIic. propostas. cédulas. Seu exercício intenso e constante promove a análise e a reflexão sobre os fenômenos e acontecimentos. tudo está muito automatizado e as relações humanas por intermédio da escrita podem ser reduzidas ao mínimo: o telefone resolve a maior parte dos problemas do cotidiano.

Todos podem vir a ser bons redatores. D. desejo. mas também para que descubra o que é. E. razão por que faço um apelo: por favor. por exemplo. exigem-se dos homens as habilidades que lhes são exclusivas. tentar controlar e acabar com essa catástrofe! M. Mesmo na informática. como sujeitos de uma voz. Assim. se somos culpados. desvinculada do que o indivíduo realmente pensa. Os truques podem ajudaros redatores que já estão em meio ao . pelo menos. A escrita não é apenas uma oportunidade para que a pessoa mostre. como a produção de textos. Correio Braziliense. Brasil! O governo não é o único culpado. Os profissionais que dominam essas habilidades mais complexas e sofisticadas têm mais chances no mercado de trabalho. p. mas não serve para contar uma viagem de férias para os amigos. vamos tomar uma providêneia séria. Essas práticas de comunicação em sociedade se configuram em gêneros de texto específicos a situações determinadas. Como vimos no item anterior. 16. Brasília. Um relatório é próprio para prestar contas de uma pesquisa científica. mas apenas uma forma de demonstração de habilidades gramaticais. O que antes se resolvia simplesmente com uma ligação telefônica passou a ser substituído por um texto escrito transmitido via fax ou e-mail. Estava no meu curso de inglês.é um trabalho duro. medida. gostaria de parabenizar o Jornal que é muito bom. Parabéns! Segundo. Não se escreve por escrever. necessidade temos à nossa disposição um acervo de textos apropriados. Para cada situação. o produtor de texto não apenas tem conhecimentos sobre as configurações dos diversos gêneros. 1999. a cada dia mais seletivo. L. aqui em Brasilia. acredita. 2. mas também sabe quando cada um deles é adequado. podemos agir. em que momento e de que modo 10 TÉCNICA DE REDAÇÃO deve utilizá-lo. de uma tarefa profissional. o que pensa.8 TÉCNICA DE REDAÇÃO jamos realizar deve estar legitimado pela palavra escrita. E nossa habilidade de escrever é exigida. em que acredita. defende e quer compartilhar ou expor ao outro como forma de interação. tudo é mediado pela escrita. sempre que nos submetemos a qualquer processo seletivo. A escrita tem um sentido e uma função. J) Escrever é um ato vinculado a práticas sociais Todo ato de escrita pertence a uma prática social. sempre que nos propomos a integrar os órgãos que conformam o sistema da cidadania urbana. Nem sempre as “dicas” oferecidas pelos professores e colegas são suficientes para a elaboração de um texto fluente. Além disso. Isso me deixou muito irritada. Então veio a bomba” sobre nós: 28 milhões de pessoas morrem de fome neste exato momento no Brasil. investigada. Assim. adequado. estamos nos relacionando com os outros e nos constituindo como autores. Navegar ou conversar na Internet exige um convívio especial com a escrita. A produção de textos é uma forma de reorganização do pensamento e do universo interior da pessoa. Pela escrita estamos atuando no mundo. Veja o exemplo desta carta enviada ao jornal Correio Braziliense por uma leitora: Primeiro de tudo. isolada. claro. não pode ser considerada escrita. O professor citou que sua namorada trabalha nas Nações Unidas. quando começamos a debater a pobreza e a fome nos países. objetivo. a redação escolar. escrever não é um ato espontâneo. incluindo o Brasil. Entretanto. Saber escrever é também compartilhar práticas sociais de diversas naturezas que a sociedade vem construindo ao longo de sua história. toda a nossa civilização ocidental é regulada pela escrita. Para nós. de uma investigação. avaliada. na quinta-feira (dia 5). Exige muito empenho. e não pôde deixar de nos OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER 9 informar sobre a população que está morrendo de fome no Brasil. Pelo texto escrito modificamos o nosso contexto e nos modificamos simultaneamente. Essa carta é um exemplo de como a participação pela escrita confere ao indivíduo um novo canal de relacionamento com o mundo. comunique o que sabe. 10 ago. vale o escrito. enquanto o trabalho primário vai sendo atribuído às máquinas. Reconsiderando crenças Vimos que escrever não é um dom que apenas algumas pessoas têm. mais do que a população da Argentina. o que quer. para. gostaria de expor a minha opinião sobre um fator que está acabando com o Brasil nestes últimos anos: a fome. Vale o escrito. Seção Cartas dos Leitores. A sociedade também é.

RESUMOS DE LEITURAS. além de desbloquear a mente e desenferrujar a mão. Prática de escrita a) Para desmontar de vez suas crenças inadequadas a respeito de sua relação com a escrita. Tente formular uma narrativa que explique ou justifique como foi construída a sua ex12 TÉCNICA DE REDAÇÃO penência de escrita até hoje. Compreendemos também que a leitura é imprescindível paraque o redator chegue a apresentar um bom desempenho. Releia. para um interlocutor imaginário que pode ser um amigo. CARTAS. coloquial. Esse diário pode oferecer muitas pistas para sua trajetória de crescimento. pois ela oferece oportunidades de contato intenso com as infinitas possibilidades da língua. Lembre-se de quando aprendeu a escrever. RECONHECER QUE PELA ESCRITA PARTICIPAMOS MAIS DO MUNDO. Observe o depoimento da escritora Lygia Fagundes . OS MITOS QUE CERCAMOATO DE ESCRE VER 11 PARA QUEM GOSTA DE “DICAS” 3. Capítulo 2 Como escrevemos 1. LER DIVERSOS TIPOS DE TEXTO. DIÁRIO. 4. com os diversos gêneros e tipos de texto e com as informações e idéias que circulam no nosso universo. QUERER SABER MUITO MAIS. Reveja todo o seu percurso escolar e profissional.. um analista. sobre o que acontece com a mente das pessoas durante o ato de escrever. mas ainda é muito pouco diante do que precisamos descobrir. empreenda uma viagem na memória. no qual você conta toda a história como se fosse a de uma outra pessoa. sociólogos. focalizando principalmente as situações de escrita que ficaram gravadas em sua memória. LER MUITO. antropólogos vêem a escrita sob seus diversos aspectos. A escrita é muito necessária no mundo moderno. psicólogos. vivem de escrever. e) Mantenha um caderno de anotações datadas de impressões e reflexões sobre sua relação com o texto escrito. BILHETES. ESTÁ MELHORANDO E QUE VAI CHEGAR LÁ IMPULSIONA O APERFEIÇOAMENTO. suas experiências.. LER MELHOR A CADA DIA. porque podem esclarecer alguns pontos duvidosos ou obscuros da escrita e da organização do texto. neurologistas. sua escola. expectativas. ACREDITAR QUE VOCÊ PODE ESCREVER BEM. Escreva um texto em primeira pessoa. PROJETOS. seus avanços e retrocessos. SER AUTOMOTIVADO. b) Transforme essa narrativa em um texto em terceira pessoa. NÃO SE PODE FICAR SATISFEITO COM “DICAS” ISOLADAS E FRAGMENTADAS. seus professores. como vai transformando seus conceitos acerca da escrita. colocando-se no lugar do leitor.processo de desenvolvimento da própria produção escrita. Outras visões acerca do ato de escrever Os pesquisadores já sabem muita coisa sobre a escrita. Um dos caminhos mais interessantes para compreender o ato de escrever é considerar os depoimentos de pessoas que escrevem todos os dias. um professor. Dependemos da escrita para existir efetivamente e atuar no mundo. sobre como as pessoas chegam a ser realmente ótimas redatoras. escrevem com desenvoltura. uma vez que as práticas sociais que estruturam as nossas organizações contemporâneas são mediadas por textos escritos. mas não funcionam isolados de muito exercício. informal. IR MAIS PROFUNDAMENTE ÀS QUESTÕES. sucessos e fracassos escolares e profissionais. oferecendo-nos um quadro multifacetado de conhecimentos acerca do fenômeno. educadores. CONSIDERAR A ESCRITA COMO UMA HABILIDADE IMPORTANTE PARA O NOSSO SUCESSO PROFISSIONAL. Novas atitudes em relação à escrita É IMPRESCINDÍVEL: ESCREVER TODOS OS DIAS: ANOTAÇÕES DE AULA. em tom de depoimento (talvez no formato de carta). suas observações acerca do que escreve diariamente. DEIXAR A PREGUIÇA DE LADO E SE ESFORÇAR. TEXTOS COM SUAS OPINIÕES ACERCA DE ACONTECIMENTOS. para avaliar se as informações estao compreensíveis. Estudos de várias áreas do conhecimento nos levam a refletir sobre essas questões: lingüistas.

E a tarde. 2. qual é o assunto em linhas gerais. qual o gênero mais adequado aos objetivos.. Sob essa perspectiva. comunicar um fato. Todas essas ações estão profundamente articuladas ao contexto em que se originou e em que acontece a produção do texto. é melhor desistir. apresentação. Uma luta que pode ser vã. que grau de subjetividade ou de impessoalidade deve ser atingido. mas que lhe toma a manhã. Cada pessoa deve descobrir como procede durante a escrita. PRÁTICA SOCIAL DE ESCRITA CONTEXTO DA PRODUÇÃO DE TEXTO ASSUNTO TEXTO EM PROCESSO DE PRODUÇÃO MOTIVAÇÃO OUJA PRODUZIDO NECESSIDADE ___________________ ________________ IDÉIA DE LEITOR PROCESSAMENTO ESCRITA REESCRITA MEMÓRIA GERAÇÃO VERSÕES RELEITURAS ASSUNTO ORGANIZAÇÃO REVISÕES LÍNGUA GÊNEROS MONITORAÇÃO AVALIAÇÃO CONSTANTE DO PROCESSO Estabelecida a necessidade de escrever.. 14 TÉCNICA DE REDAÇÃO investindo. 1988. relatar uma experiência. Humildade.) E de repente me emocionei: na imagem do lutador de boxe via imagem do escritor no corpo-a-corpo com a palavra. É sobre essa base de orientação que o produtor do texto vai coordenar o seu próprio trabalho. Há também idas e vindas: começa-se uma tarefa e é preciso voltar a uma etapa anterior ou avançar para um aspecto que seria posterior. monitorando-o para que não fuja da rota e desande em outras direções. Voltava a reagir. quem provavelmente vai ler. Para gostar de ler.. seja para aperfeiçoá-los ou para transformá-los. como disse o poeta. A escrita como processo Um caminho mais científico é a analise das contribuições que a lingüística nos trouxe sobre o ato de escrever. E ele ali. Humor. é a razão para escrevê-lo: emitir e defender uma opinião. suor. para explorar melhor e com mais consciência esses procedimentos. Luta que requer paciência. sangue. Poeira. O texto somente se constrói e tem sentido dentro de uma prática social. Me lembro que estava num hotel em Buenos A ires. 7. aplauso? (.Telles: Como você definiria o ato de escrever? Uma luta. o adversário tão ágil. Até a noite. apresentar COMO ESCREVEMOS 15 uma proposta de trabalho. p. formato. às vezes seqüenciais. regular normas. ficou só a imagem do lutador já cansado (tantas lutas) e reagindo. fugidio. Outro possível caminho para entender a escrita é observarmos nossos próprios processos enquanto trabalhamos em um texto. São Paulo: Editora Atica. às vezes simultâneas. vendo na tevê um drama de boxe. Fiquei vendo a imagem silenciosa do lutador solitário — mas quem podia ajudá-lo? Era a coragem que o sustentava? A vaidade? Simples ambição de riqueza. Resistindo. 3 cd. o processo de escrita já está desencadeado. Acertava às vezes. que nível de linguagem deve ser utilizado. compreende-se que a escrita é uma atividade que envolve várias tarefas. O produtor já tem imediatamente em mente algumas informações sobre a tarefa: quais os objetivos do texto. narrar uma aventura ou apenas provar que sabe escrever bem para ser aprovado numa seleção. reivindicar um direito. chega! Mas ele ia buscar flirças sabe Deus onde e se levantava de novo. alguém sugeriu que lhe atirassem a toalha. Desliguei o som. quais as condições práticas de produção: tempo. Assim. Vol. expressar uma emoção ou sentimento. desviando a cara. o que mobiliza o indivíduo a começar a escrever um texto é a motivação. 9. 16 TÉCNICA DE REDAÇÃO . mas tanto soco em vão. o fervor acendendo a fresta do olho quase encoberto pela pálpebra inchada. Insistindo mas o que mantinha o lutador em pé? Duas vezes beUou a lona. estabelecer um pacto.

A pedido meu. fizeram o inventá rio das noites de lua cheia nos primeiros trinta anos do século passado. O historiador colombiano Gustavo Vargas. elaborar um resumo das idéias para depois acrescentar detalhes. embaixador do Panamá na Colômbia e mais tarde chanceler de seu país. . me fez o favor de pesquisar o sentido e a idade de alguns localismos. fazer uma lista de palavras-chave. O general em seu labirinto. e estabeleceu para mim que os versos citados de memória por Bolívar eram do poeta equatoriano José Joaquín Olmedo. Observe algumas dessas preferências (na hipótese de produção de um texto informativo) e veja em qual delas você se enquadra: fazer anotações soltas. anotar tudo o que vem à mente. se manteve ao alcance do meu telefone para me esclarecer dúvidas maiores e menores. — em especial seu linguajar grosso — e sobre o caráter e o destino de seu sé quito. Quando há tempo e paciência estendemos essa tarefa ao infinito. escrever a idéia principal e as secundárias em frases isoladas para depois interligá-las. professor da Univers idade Nacional Autônoma do México. temos que procurar a informação o conhecimento para enriquecêl Gabriel Garcia Márquez. sem substância informativa ou lingüística. Utilizamos a memória durante todo o processo de produção do texto e. para depois cortar e ordenar. ambíguos que merecem reestruturação. Para que o autor fique satisfeito com o seu próprio texto. O importante é começar a ter mais consciência de suas próprias estratégias.A memória do redator já está acessada em várias vertentes e é um fator importantíssimo na construção do texto. 268-9. de Bogotá. Procuramos então relê-lo com olhos não mais de autor. Nesta etapa as pessoas têm procedimentos diferentes. podemos: enfatizar as idéias principais. exemplos. quando escreveu o romance histórico O general em seu labirinto. Com Francisco Pividal mantive em Havana as vagarosas conversas preliminares que me permitiram formar uma idéia clara sobre o livro que pretendia escrever. conhecê-las. o geógrafo Gladstone Oliva e o astrônomo Jorge Pérez Doval. Memória vazia produz texto fraco. Rio de Janeiro: Record. Observe quantas pessoas o escritor consultou sobre detalhes importantes para a sua narrativa. podemos considerar que o texto já está sendo produzido. mas de leitor. pela simples razão de que faltavam vários anos para a manga chegar às Américas. confusos. Roberto Cadavid (Argos). ou tenha um processo pessoal diferente dos que fo L 18 TÉCNICA DE REDAÇÃO ram enumerados acima.prima do texto os conhecimentos sobre organização dos diversos tipos de texto. Tomadas essas primeiras decisões e providências. não se preocupe. a observação. fez vários vôos urgentes só para me trazer alguns dos seus livros inencontráveis Dom Francisco de Abrisqueta. desordenadamente. O historiador bolivarjano Vjnjcio Romero Martínez me ajudou de Caracas com achados que me pareciam impossíveis sobre os coslumes particulares de Bolíva. Nesse momento. dominá-las. quando ela não tem estoque suficiente para o que desejamos. escrevê-lo e reestruturá-lo várias vezes. além de uma revisão implacável de dados históricos na versão final A ele devo a advertência providencial de que Bolívar não podia ‘chupar mangas com deleite infantil”. 1989. idéias secundárias. esse trabalho de ajuste é imprescindível. o lingüista mais COMO ESCREVEMOS 17 popular e prestativo da Colômbia. Nela estão armazenados os conhecimentos sobre a língua matéria. sobretudo as relacionadas com as idéias políticas da época. e ainda os conhecimentos sobre os assuntos e informações que serão tratados no texto. Caso você utilize mais de um procedimento para iniciar seu texto. já está em processamento. Gabriel García Márquez. a reflexão. organizar mentalmente os grandes blocos do texto. independentes. Nos agradecimen0 ele esclarece: —. pp. não se satisfez com sua própria memória e contou com diversos colaboradores. foi um guia obstinado na intrincada e vasta bibliografia bolivariana O ex-presidente Bel isarjo Betancur me esclareceu dúvidas esparsas durante todo um ano de consultas telefônicas. Jorge Eduardo Ritter. construir um primeiro parágrafo para desbloquear e depois ir desenvolvendo as idéias ali expostas. E nessa fase de pesquisa que entram a leitura. a análise. o raciocínio: para preencher os vazios da memória. da Academía de Ciências de Cuba. elaborar inicialmente uma espécie de sumário ou esquema geral do texto. quais são os pontos obscuros. reordenar as informações. A primeira versão de um texto ainda é muito insatisfatória. Tentamos descobrir o que nosso leitor compreenderia do texto. Você verá nos capítulos 3 e 4 alguns procedimentos para ativar e enriquecer a memória.. sobre Simon Bolívar.

O general em seu labirinto. é preciso: acrescentar palavras ou frases. Crônicas. p. 1987.7S. e de prejudicar a fluência. pode ter se tornado excessivamente autocrítico.. geralmente. quando planejamos. Outros. Compreender todo esse mecanismo não é importante 5nzen. que escrevi 1100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300. estabelecer hierarquia entre as idéias. COMO ESCREVEMOS 19 concordância. São Paulo: Editora Ática. numa caçada milimétrica de contrasensos. acrescentar exemplos. Quando revisa mos. 270. ainda. substituir palavras ou frases. intelectuais. mudar elementos de lugar. voltamos ao planejamento para reajustájo ou para reajustar o texto ao objetivo inicial O processo é recursivo. e num escrutínio encarniçado da linguagem e da ortografia. p. eliminar incoerências. disciplina atenção paciência O texto não . como exemplo. transformar períodos. argumentos. Para isso.substituir idéias inadequadas. consideramos que o texto está pronto. mais obsessivos ainda. muito exigente consigo mesmo desde o início do texto. te para especialistas. inconseqüéncias. quando escrevemos revisamos simuJtaneent parcelas do texto. Quando o produtor do texto tem mais consciência de seus procedimentos mentais tem mais controle sobre eles epode dirigiq05 deforma mais produtiva 3. a continuidade do texto. especialistas e vão ao extremo de reescrever seus livros mais de dez vezes antes de liberá-los para publicação. o ato de escrever é muito dficil e penoso. quando o redator focalizava a estruturação das idéias. Mas é preciso. Nosso conhecido escritor Fernando Sabino também trabalha assim: Para mim. Depois de algumas tentativas. Eles podem ter passado despercebidos. Se o redator foi muito reprimido no processo escolar. acrescentar transições entre os parágrafos. a direção do raciocínio. pontuação. voltam a reestruturálos. 7. Observe o que Gabriel García Márquez relata ao agradecer uma colaboração: Antonio Bolívar Goyanes (. criar vínculos entre uma idéia e outra.) teve a bondade de rever comigo os originais. eliminar idéias desnecessárias. repetições. corrigir problemas gramaticais. — PP. já estamos em plena escrita e. regência). fazendo ajustes e reajustes em cada aspecto. Rio de Janeiro: Record. acentuação. conceitos. no sentido de que vanlos e voltamos. quando um deles se encontrava em Caracas e outro em Quito. Nesse caso. uma viúva que foi para a Europa com seu amado esposo. Não devemos pensar numa ordem seqÜenjj rígida como: PLANEJAMENTO> ESCRITA > REVISÃO Pois. Nunca consideram o texto pronto. Vol. 7 ed. Basta dizer. feitos alguns rascunhos. ele pára a todo instante para resolver questões gramaticais e corre o risco de perder o fio da meada. Gabriel Garcia Márquez. citações. Para gostar de ler. unindo-os por meio de conectivos ou separando-os por meio de pontuação. 20 TÉCNICA DE REDAÇÃO E Paulo Mendes Campos admirável poeta e cronista da mesma geração de Ferndo Sabino afirmou: Quando escrevo sob encomenda não há milito tempo para corrigir Quando escrevo para mim mesmo costumo ficar corrigindo dias e dls — uma curtição Escrever é estar vivo. erros e erratas. tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. até esgotar sete versões. Conhecendo melhor o processo de escrita Vimos como a escrita representa trabalho e exige esforço. quando preparam uma nova edição de textos já publicados. alcançar maior exatidão para as idéias. 1989. uma última leitura para rastrear problemas em relação à norma culta na superficie do texto (ortografia. e um almoço íntimo de Bolívar e Sucre em Bogotá.. eliminar palavras ou frases. reagrupando-os de forma diferente. 3.. Assim aconteceu surpreendermos com a mão na massa um militar que ganhava batalhas antes de nascer. Escritores famosos submetem os originais à leitura prévia de amigos.

RECONHECER QUE REESCREVER É O PROCESSO NATURAL DE CONSTRUÇÃO DE UM BOM TEXTO. AFASTAR O DESÂNIMO SE A PRIMEIRA VERSÃO DO TEXTO NÃO FOR SATISFATÓRIA. Registre com as datas as transformações no seu caderno de anotações pessoais. O que é leitura Como vimos. Além disso. faça novo diagnóstico. Nossa forma de ler e nossas experiências com textos de outros redatores influenciam de várias maneiras nossos procedimentos de escrita. muitas dec sões e procedimentos vão se automatizdo Em situações de con COMO ESCREVEMOS 21 curso. Pela leitura vamos construindo uma intimidade muito grande com a língua escrita. COMPREENDER QUE VÁRIAS RELEITURAS GARANTEM O APERFEIÇOAMENTO DO TEXTO. E preciso reler identificar problemas e reestruturar muitas vezes até que o texto chegue a corresponder aos objetivos iniciais e Possa cumprir sua função de forma adequada Naturalmente medida que o redator vai melhordo seu desempepj0 esse processo vai ficando mais rápido. em que o tempo é limitado. CULTIVAR A PACIÊNCIA. 4. E preciso conhecer os procedimentos mentais e as habilidades necessárias para a escrita para conseguir aperfeiçoá-las. a leitura é a forma primordial de enriquecimento da memória.é simplesmente resultado de uma inspiração divina. Ninguém escreve a sua primeira versão e se dá por satisfeito. vamos internalizando as suas estruturas e as suas infinitas possibilidades estilísticas. MOSTRAR PARA OUTRA PESSOA E ACEITAR SUGESTÕES. Novos procedimentos na escrita É NECESSÁRIO: TENTAR CONHECER E ANALISAR O SEU PRÓPRIO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE TEXTO. Não há um modelo único mais correto. não vem pronto do além para que o redator apenas o transfira para o papel. Tente pensar em voz alta. Reconheça quais são os passos que utilizou. A leitura é um processo complexo e abrangente de decodflcação de signos e de compreensão e intelecção do . Nosso convívio com a leitura de textos diversos consolida também a compreensão do funcionamento de cada gênero em cada situação. Prática de escrita a) Escolha um tema para produzir um texto. Analise seu próprio processo. b) Periodicamente. POIS É UMA PRÁTICA MUITO PRODUTIVA. Pode ser um exercício escolar. Quando terminar o texto ouça o que gravou. Grave tudo o que acontece em sua atividade mental consciente. o candidato deve abreviar e acelerar as ações. do senso crítico e do conhecimento sobre os diversos assuntos acerca dos quais se pode escrever. a escrita não pode ser considerada desvinculada da leitura. Capítulo 3 A qualidade da leitura 1. Ou imagine que está respondendo em uma entrevista à questão: Qual é a sua história pessoal com o ato de escrever? Use um gravador de áudio enquanto estiver planejando e escrevendo. 5. uma tarefa profissional ou uma atividade livre como uma carta ou um requerimento. mas não pode eliminá-las ou desprezá-las. Cada indivíduo deve conhecer suas próprias trajetórias e tentar aprimorá-las continuamente. aplicável a todas as pessoas. Reflita acerca de seus procedimentos: Planeja antes de escrever ou durante a escrita? Tem bloqueio ao começar? Relê cada frase antes de continuar ou vai escrevendo para depois reler tudo? Que decisões toma? 22 TÉCNICA DE REDAÇÃO Falta assunto? Tem dificuldade de encontrar palavras adequadas? Tem dificuldade em organizar os períodos? Sabe onde pontuar? Pensa no leitor? Como avalia o texto? Trabalha na revisão? O que pensa que precisa acelerar ou desacelerar? Esse exercício vai ajudá-lo a construir um controle maior sobre seus processos cognitivos.

ali. aqui ou no exterior. os seguintes conhecimentos prévios: quem é Veríssimo (um escritor de humor. argumentos. mas também os da experiência de vida dos indivíduos. e ainda podendo assistir a uma visita teatral do Ministro da Saúde ao hospital. quase em estado natural. Ele estava falando para pobres e preocupado em prepará-los para o fato de que não vão ficar menos pobres e podem até ficar mais. frases. pelo menos até ser despejado? Que filho de rico verá um dia sua casa ser arrasada por um trator? Um maravilhoso trator de verdade. ainda mais neste modelo. os outros textos de Luís Fernando Veríssimo (sempre de humor e ironia). No caso. no seu governo. Esse é o jogo que torna a leitura produtiva. conversando animadamente com todos à sua volta. da sua autoria. Trata-se de nosso conhecimento prévio sobre: a língua os gêneros e os tipos de texto o assunto Eles são muito importantes para a compreensão de um texto. objetivos. Ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. 2 dez. é um inferno. Pois eu entendi a intenção do presidente. 24 TÉCNICA DE REDAÇÃO Os procedimentos de leitura podem variar de indivíduo para indivíduo e de objetivo para objetivo. perceber os implícitos. Mais de um rico obrigado a esperar dez minutos para ser atendido por um especialista. ativar as informações antigas e novas sobre o assunto. E eu concordo com o presidente. lutando para manter seu lugar. uma frase do presidente para criticar. Não precisamos fazer muito esforço para manter a atenção ou para gravar na memória algum item. Lida com a capacidade simbólica e com a habilidade de interação mediada pela palavra. Para compreender adequadamente esse texto. Quando é que um rico terá a mesma oportunidade de mexer assim com o barro da vida. identificar o tipo de texto e o gênero. as relações estabelecidas com o nosso mundo real. maliciosamente. o procedimento de leitura é bem espontâneo. Como exemplo. xingando o funcionário que vem avisar que as senhas acabaram e que é preciso voltar amanhã. Muitas vezes o pobre constrói sua própria casa. E pior. em todas as formas de leitura. Brasília. no seu quintal! Todas as emoções que um filho de rico só tem em video game o filho de pobre tem ao vivo. Efe Agá tem razão. Envolve especficamente elementos da linguagem. em geral. intenções. Com toda as suas privações. e que seu tédio não terá fim. deve ter suspirado e pensado que. como são. O PRESIDENTE TEM RAZÃO Mais uma vez os adversários pinçam. vamos analisar uma crônica de Luís Fernando Veríssimo.mundo que faz rigorosas exigências ao cérebro. Correio Braziliense. muito do nosso conhecimento prévio é exigido para que haja uma compreensão mais exata do texto. 1998. sentenças. qual é a sua posição no jornalismo de sua época (é um dos mais conceituados e respeitados . o que é sempre divertido em vez de se chateando daquela maneira. se fosse pobre. não de brinquedo. rico ainda sabe que vai viver muito mais do que pobre. à memória e à emoção. numa 1 alegre promiscuidade que rico só pode invejar. cronista críti c que se opõe ao governo em questão). Mas. levamos em consideração. e que isso não é tão ruim assim. exercer sua criatividade e morar num lugar que pode A QUALIDADE DA LEITURA 25 chamar de realmente seu. Ele estaria numa fila de hospital público desde a madrugada. aquilo não estaria acontecendo com ele. as ironias. olhando pela janela. É um trabalho que envolve signos. É preciso compreender simultaneamente o vocabulário e a organização das frases. Quando lemos apenas para nos divertir. ações e motivações.folheando uma National Geographic de 1950. a sua observação de que é chato ser rico. provas formais e informais. só precisando cuidar para não levar bala. além de outros. Pobre vive amontoado em favelas. com papelão e caixotes.

A QUALIDADE DA LEITURA 27 identificação de palavras-chave. 2. Expande-se por todo o processo de compreensão que antecede o texto. produzindo efeitos na vida e no convívio com as outras pessoas. 3. avaliação do processo realizado. para compreender as intenções e Posições do autor lemos muito mais o que não está escrito. analisar ilustrações.f 1. 2. vamos reconsiderar o título e as idéias que se repetem pelo texto: o presidente tem razão. . seleção e hierarquização de idéias.cronistas de costumes e de política. controle de velocidade. construção de inferências. 1 L. 1998). compreensão de pressupostos. explora-lhe as possibilidades e prolonga-lhe o funcionamento além do contato com o texto propriamente dito. pelo latim. é uma atividade extremamente complexa pois flo Podemos Coflsjder apenas o que está escrito. que no Dicionário Auréjio Eletrônico é definida como: [Do grego eiróneia Interrogação. 26 TÉCNICA DE REDAçJ0 qual é a situação social do Brasil em nossa época e como é realmente a vida nas classes menos favorecidas. penetramos no mundo da ironia. reorientação dos próprios procedimentos mentais. Há procedimentos espec(ficos de seleção e hierarquização da informação como: observar títulos e subtítulos. quem é o presidente a que ele se refere (o presidente da República no ano de publicação. focalização da atenção. eu concordo com o presidente Quando comparamos as descrições da forma de vida dos pobres e dos ricos e a afirmação de que ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. A leitura não se esgota no momento em que se lê. Recursos para uma leitura mais produtiva Um leitor ativo considera os recursos técnicos e cognitivos que podem ser desenvolvidos para uma leitura produtiva. antecipação de informações. elaboração de hipóteses. Contraste fortu ito que parece um escárnio. No texto analisado por exemplo. Ao contrário. é necessário desenvolver consolidar e automatizar habilidades muito sofisticadas para pertec ao mundo dos que lêem com naturalidade e rapidez Tratase de um longo e acidentado percurso para a compreensão efetiva e responsiva que envolve: decodificação de signos. zombaria Nessa experiência podemos constatar que a leitura não é um procedimento simples. a que fala do presidente ele se refere (a comparação que estabeleceu entre a vida do pobre e do rico). Modo de exprimirse que Consiste cai dizer o contrário daquilo que se está pensando ou sentindo ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem. interpretação de itens lexicais e gramatjcj5 agrupa0 de palavras em blocos conceituais. associação com informações anteriores. Sarcasmo. Vamos analisar algumas dessas habilidades. Entre1açafl0 essas informações e a forma como o texto foi escrito. seus textos são publicados em espaços nobres dos principais jornais e revistas brasileiros). Como a leitura faz inúmeras solicitações símuitâneas ao cérebro. pois suas idéias são contrárias ao que está escrito.’ eu entendi opresiden te. ironia] S.

o ritmo e a velocidade de leitura de acordo com os objetivos estabelecidos. para obter informações precisas e exatas. apenas para saber se há alguma novidade interessante. queremos . por exemplo. analisá-las e escrever um texto relativo ao tema. A QUALIDADE DA LEITURA 29 Alguns desses procedimentos são utilizados pelo leitor na primeira leitura. elaboramos rápidas hipóteses que não testamos. para comunicar um texto a um auditório. esses fragmentos a outros. em busca de qualificação profissional. nem sempre esses procedimentos estão muito claros ou conscientes para quem os utiliza na leitura cotidiana. empreendemos uma leitura do geral para o particular (descendente): olhamos as manchetes. procedinientos de controle e monitoramento da cognição: planejar objetivos pessoais significativos para a leitura: controlar a atenção voluntária sobre o objetivo. identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos significativos. Há também procedimentos de clarficação e simplificação das idéias do texto como: construir paráfrases mentais ou orais de fragmentos complexos. e são apenas meios e não fins em si mesmos. usar conhecimentos prévios extratextuais. determina de que forma lemos um texto. aceitar e tolerar temporariamente uma compreensão desfocada até que a própria leitura desfaça a sensação de desconforto. associar as unidades menores de significado a unidades maiores. para seguir instruções.). Como são interiorizados e automatizados pelo uso consciente e freqüente. substituir itens lexicais complexos por sinônimos familiares. 30 TÉCNICA DE REDAÇÃO No primeiro tipo somos superficiais. sempre que possível. procurando um ponto de atração. passamos os olhos pela página. tais como: identificar o gênero ou a macro-estrutura do texto. No segundo tipo de leitura somos mais detalhistas. reconhecer relações lexicais! morfológicas! sintáticas. Um leitor maduro usa também. E guiada tanto pela construção do próprio texto como pelos interesses. deslocamentos. em busca de atualização. e quando o encontramos fazemos um outro tipo de leitura: do particular para o geral (ascendente). controlar a consciência constante sobre a atividade mental. tomar notas sintéticas de acordo com os objetivos. legendas etc. de emoção estética ou de evasão. reconhecer e sublinhar palavras-chave. auto-avaliar continuamente o desempenho da atividade. sublinhados. Há ainda aqueles que são concomitantes a outros. relacionar e integrar. velozes. esclarecimentos. como já foi explicado anteriormente. para obter informações gerais. Se lemos um jornal. Lemos: por prazer. 28 TÉCNICA DE REDAÇÃO decidir se deve consultar o glossário ou o dicionário ou adiar temporariamente a dúvida para esclarecimento no contexto. Utilizamos ainda procedimentos de detecção de coerência textual. fixamos alguns parágrafos iniciais. quadros. Os tipos de leitura e seus objetivos O objetivo da leitura. enumerações. objetivos e intenções do leitor. 3. outros na releitura. controlar o trajeto. pragmáticos e da estrutura do gênero. para estudar. detectar erros no processo de decodificação e interpretação. ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema. Vamos aprofundar nosso conhecimento acerca de alguns desses procedimentos. para revisar um texto etc. segmentar as unidades de significado. negritos. desenvolver o intelecto. fazemos algumas adivinhações. em busca de diversão.reconhecer elementos paratextuais importantes (parágrafos. constituindo uma atividade cognitiva complexa que não obedece a uma seqüência rígida de passos. freqüentemente.

ou rápida e superficial. por exemplo: Qual é a opinião do autor? Quais são as informações novas que o texto veicula? A QUALIDADE DA LEITURA 31 O que este autor pensa desse assunto? Em que discorda dos que já conheço’? O que acrescenta à discussão? Qual é o conceito. numa listagem ou na memória de um computador. temos mais dificuldade em identificar aspectos importantes. detalhada. a maioria tem o destino traçado. São os catadores de lixo. verbos e certos adjetivos. procuramos garantir a compreensão precisa. Pois. 4. Procedimentos estratégicos de leitura Um texto para estudo. Rende de um a seis reais. Por meio delas podemos reconstituir o sentido de um texto. Não terá direito ao futuro. outros pode incorporar ao seu acervo de habilidades. há momentos em que você pode dispensar certos textos. Esse tipo de leitura detalhada. conectivos. exata. f 1. minuciosa. está condenada. vamos identificar as palavras-chave: Nenhuma criança trabalha porque quer. pronomes. Eles disputam com cães. Um leitor maduro distingue qual é o momento de fazer uma leitura superficial e rápida (descendente) daquele em que é necessária uma leitura detalhada. pois cada um imprime sua visão ao que lê. que um estudante precisa desenvolver é o que vamos focalizar aqui. A partir dos três ou quatro anos. Entre a multidão de trabalhadores mirins. distinguir partes do texto.saber tudo. encontram-se cerca de cinqüenta mil em situação desumana e degradante. Mas porque é obrigada. Palavra que encerra o signflcado global de um contexto. em geral. De uma ou outra forma. Palavra que serve para identificar num catálogo de livros ou de artigos. Outros tiveram que abandonar os livros antes do tempo. ou partes de textos. exige do leitor uma grande concentração. minuciosa. Estabelecer previamente um objetivo nos ajuda a escolher e a controlar o tipo de leitura necessário: ascendente ou descendente. Prova disso é que só as pobres entram precocemente no mercado de trabalho. Há muitos recursos e procedimentos para uma leitura mais produtiva. Já sabemos o que queremos e ficamos mais atentos às partes mais importantes em relação ao nosso objetivo. elaborar um esquema ou síntese. ou que o explica e identfica: A palavra-chave deste romance é angústia. b) Identificar e sublinhar com lápis as palavras-chave As palavras que sustentam a maior carga de significado em um texto são chamadas de palavras-chave. três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e. hierarquizar as informações. que já são conhecidos. 2. a definição desse fenômeno? Como ocorreu esse fato? Onde? Quando? Quais são suas causas? Quais são suas conseqüências? Quem estava envolvido? Quais são os dados quantitativos citados? O que é mais importante nesse texto? O que eu devo anotar para utilizar depois no meu trabalho? Quando começamos uma leitura sem nenhuma pergunta prévia. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. muitas vezes. Alguns nunca entraram numa escola. Não são palavras gramaticais: artigos. uma atenção voluntária e controlada. mesmo quando está trabalhando ou estudando. de leitor para leitor. desacelerada (ascendente). Alguns você já usa naturalmente. o dajàmília. como. lenta. preposições ou advérbios. mesmo quando estuda. Normalmente são os substantivos. a) Estabelecer um objetivo claro Sempre que temos um objetivo claro para a leitura vamos mais atentos para o texto. porcos. os menores acompanham os pais aos aterros sanitários para catar a sobrevivência. . Jogados nas ruas ou em atividades insalubres. 32 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nos dois parágrafos seguintes. Sem elas o texto perde totalmente o sentido. ratos e urubus o que os outros jogam fora. O Dicionário Aurélio Eletrônico registra: Verbete: palavra-chave s. Elas podem apresentar uma pequena variação de leitura para leitura. É importante construir previamente algumas perguntas que ajudam a controlar o objetivo e a atenção. No Brasil. os elementos que têm entre si um certo parentesco ou que pertencem a um certo grupo.

Correio Braziliense. Brasília, l9jun. 1999. Editorial.
A partir das palavras destacadas (você poderia sugerir outras) podemos compreender e reconstituir o assunto principal do texto, O reconhecimento das relações lexicais, morfológicas e sintáticas estabelecidas na configuração da superficie do texto é um pressuposto necessário para que leitor possa tomar decisões. E importante aprender a selecionar e hierarquizar as idéias para identificar as palavras principais. Há muitos detalhes que são usados em um texto para esclarecer ou enriquecer a informação já

dada. Não fazem falta a não ser estilisticamente. Veja, por exemplo, a frase: Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os outros jogam fora. O teor de informação nova agregado ao que já tinha sido dito é muito pequeno. E apenas uma ilustração explicativa contundente. Observe a continuação desse texto e exercite sua capacidade de selecionar palavras importantes, destacando-as:

A QUALIDADE DA LEITURA 33 Na tentativa depôrfim a esse quadro dramático, o Fund das Nações Unidas para a Infância (UniceJ), em conjunto com o Ministé rio do Meio Ambiente e a Secretaria do Desenvolvimento Urbano, lançou a campanha Criança no Lixo Nunca Mais. A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais e não governamentais já rnecerão orientações a prefeituras de 5.507 municípios sobre elaboração de projetos e formas de buscar recursos para implementá -los. A meta é ambiciosa. Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, envolver a União, os estados, os municípios, além de parcerias com a iniciativa privada e a população em geral. Acima de tudo, exige vontade política. O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não Jár assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar empregos dignos. Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicef prospere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perspectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a sobrevivência no lixo constitui mau presságio. Sugere que poderá não haver nenhum futuro. É indispensável e urgente modflcar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.
-J

34 TÉCNICA DE REDAÇÃO Observe como as palavras destacadas por você carregam o significado mais importante da mensagem e permitem que as idéias principais sejam recuperadas. É preciso observar e compreender para hierarquizar e selecionar. Tudo depende de treino, experiência. Ou seja, uma boa leitura depende de muita leitura anterior. c) Tomar notas Uma ajuda técnica imprescindível, principalmente para quem lê com o objetivo de estudar, é tomar notas. A partir das palavras-chave, o leitor pode ir destacando e anotando pequenas frases que resumem o pensamento principal dos períodos, dos parágrafos e do texto. Pode também marcar com lápis nas margens para identificar por meio de títulos pessoais as partes mais importantes, os objetivos, as enumerações, as conclusões, as definições, os conceitos, os pequenos resumos que o próprio autor elabora no decorrer do texto e tudo o mais que estiver de acordo com o objetivo principal da leitura (algumas edições já trazem esse destaque na margem para facilitar a leitura). Essas notas podem gerar um esquema, um resumo ou uma paráfrase. Trabalho Nenhuma criança trabalha porque quer. Mas infan til no porque é obrigada. Prova disso é que só as pobres Brasil entram precocemente no mercado de trabalho. No Brasil, três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e, muitas vezes, o da família. Alguns nunca entraram numa escola. Outros tiveram que aban dona os livros antes do tempo. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres, a maioria tem o destino traçado. De uma ou outra forma, está condenada. Não terá direito ao futuro. Entre a multidão de trabalhadores mirins, en contram-s cerca de cinqüenta mil em situação de-

A QUALIDADE DA LEITURA 35 sumana e degradante. São os catadores de lixo. Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os Catadores outros jogam fora. A partir dos três ou quatro anos, de lixo/ os menores acompanham os pais aos aterros sanitá 50.000 rios para catar a sobrevivência. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. Rende de um a seis reais. Unicef Na tentativa de pôr fim a esse quadro dramáti MMA-SD co, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Uni Campanh cef), em conjunto com o Ministério do Meio Am Crianç no biente e a Secretaria do

Desenvolvimento Urbano, Lixo Nunca lançou a Campanha Criança no Lixo Nunca Mais. Mais A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até Meta/2002 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais Projetos e e não governamentais fornecerão orientações a pre forma de feituras de 5.507 municípios sobre elaboração de pro busca jetos eformas de buscar recursos para implementá recurso los. A meta é ambiciosa.
Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, en volve a União, os estados, os municípios, além de

parcerias com a iniciativa privada e a população
em geral. Acima de tudo, exige vontade política.

Caminhos
O governo está convocado a estabelecer políti Soluçõe cas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa Renda de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos mínima e nesse sentido. Um deles é a garantia de renda míni educaçã ma para as famílias em estado de pobreza absoluta, para o incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, trabalho mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o me no do labor diário dará resultado se não for asse gurad o sustento do núcleo em que ele vive. Outro Importante caminho é a reciclagem educacional dos pais para para o que possam comparecer ao mercado de trabalho em futuro do condições de disputar empregos dignos. país Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicefpros TÉCNICA DE REDAÇÃO pere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perrpectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a

sobrevivência no lixo constitui mau presságio., Sugere que poderá não haver nenhum futuro. E indispensável e urgente modficar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.

d) Estudar o vocabulário
Durante a leitura de um texto, temos que decidir a cada palavra nova que surge se é melhor consultar o dicionário, o glossário, ou se podemos adiar essa consulta, aceitando nossa interpretação temporária da palavra a partir do contexto. Observe o seguinte período do texto: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios — a disputa de alimentos com os abutres. A palavra abjeto pode gerar dúvidas no leitor, mas podemos perceber que ela não é essencial ao texto. Quando retirada, o período preserva significado. Talvez não seja tão necessário nesse caso consultar o dicionáno,já que o contexto esclarece que se trata de uma idéia negativa que intensifica (junto com o advérbio mais) a negatividade que está em infortúnios. Poderíamos tentar substituí-la por outras mais conhecidas.’ indigno, horrível, desprezível, e a frase continuaria apresentando idéia lógica. Esses procedimentos de inferência e compreensão lexical são realizados com muita velocidade pelo leitor. Quando a continuidade da leitura se torna prejudicada, o melhor mesmo é parar e ir ao dicionário.
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e) Destacar divisões no texto para agrupá-las posteriormente

É importante compreender essas divisões para estabelecer mentalmente um esquema do texto.
Muitas vezes o autor não insere gráficos, esquemas, nem explícita por meio de enumerações as divisões que faz das idéias. Preste bem atenção quando o texto apresenta estruturas assim:
Em primeiro lugar.. em seguida... em terceiro lugar.. Inicia/mente.., a seguir... finalmente... Primeiramente.., em prosseguimento... por último... Por um lado... por outro lado... Num primeiro momento... num segundo momento... A primeira questão é... A segunda... A terceira...

Por meio da identificação dessas estruturas é possível reconstruir o raciocínio do autor e torna-se mais fácil elaborar esquemas e resumos. No texto que estamos analisando há um exemplo interessante: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse
sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esfárço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não for assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar emgos dignos.

A identificação dessas estruturas textuais na leitura facilita a compreensão das idéias e cria uma matriz mental para organização e hierarquização das informações.
38 TÉCNICA DE REDAÇÃO

fi Simplificação
Um dos recursos mais produtivos durante a leitura de textos complexos é fazer constantemente paráfrases mentais mais simples daquilo que está no texto, ou seja, fazer traduções em palavras próprias, dizer mentalmente com suas próprias palavras o que entendeu do texto. Uma brincadeira que o jornalista Elio Gaspari gosta de fazer é com a simplificação de linguagem exageradamente complexa. Observe o exemplo: CURSO MADAME NATASHA DE PIANO E PORTUGUÊS Madame Natasha tem horror a música. Ela socorre os desconectados do vernáculo. Decidiu conceder uma de suas bolsas de estudo á professora M.B. G.S., presidente da Comissão Esta- dual para elaboração do Projeto de Informática na Educação. No relatório que essa comissão produziu, Natasha encontrou o seguinte adereço: O ambiente informatizado oportuniza a possibilidade de ruptura de estruturas estáticas. Toda experiência de aprendizagem pode ser simulada, mas a simulação, que é uma expressão simbólica, no ambiente digital passa a ser também real, passível de experiência sensorial. Madame acreditaniza que quiseram dizerinizar o seguinte: — O computador é um instrumento pedagógico versátil. Elio Gaspari. Jornal de Brasília. Brasília, 22 fev. 1998. O procedimento de tradução mental simplificadora é muito útil para conferir se entendemos mesmo o texto ou não.

g) Identificação da coerência textual
Diante de cada novo texto temos de identificar as estruturas básicas para compreender seu funcionamento. Assim, iden
A QUALIDADE DA LEITURA 39

tificamos imediatamente o que é um poema, o que é uma fábula, o que é um texto dissertativo. Como a escrita é para ser lida e compreendida a distância, sem interferência do autor no momento da leitura, sua elaboração exige uma estrutura exata, precisa, clara, que assegure ao leitor uma decodificação correta e adequada. Para tanto o autor usa estruturas sintáticas complexas, estabelecendo minuciosamente as relações entre as idéias, já que não pode contar com o apoio do contexto, das expressões faciais, do conhecimento comum. Isso acontece principalmente nos textos de natureza informativa: dissertações, argumentações, reportagens e ensaios, os quais privilegiamos neste livro. Quanto menos compromisso o texto tem com a informação exata, mais espaço deixa para os acréscimos e interpretações do leitor, como é o

40 TÉCNICA DE REDAÇÃO Durante a leitura é preciso conferir as interpretações. Como são tratadas as idéias contrárias? Rebatimento ou antecipação de oposições. interpretando mal os objetivos e conseqüentemente as informações e os significados. Quando o interesse for assegurar uma compreensão predeterminada. há muitas outras perguntas que o leitor vai propondo à medida que lê e de acordo com os seus objetivos. desacelerada. Em textos mais complexos. um objetivo claro para a leitura. nos quais a polissemia (convívio de uma multiplicidade de significações sobre uma mesma base) predomina. conceitos. Esses textos não são fáceis e não são compreendidos à primeira leitura. Para isso fazemos perguntas elementares: Quem escreve? Autor Que tipo de texto é? Género. na proporção em que partilhe conhecimentos com o autor. para auxiliar o leitor a chegar às conclusões desejadas pelo autor. Além dessas. Isso significa que a leitura para apreensão de informações deve ser uma leitura pausada. que vai do particular para o geral e volta do geral para o particular constantemente. como entre o texto e os conhecimentos prévios do leitor e suas experiências vividas. Essa associação é prevista pelo autor e deve ser feita pelo leitor de forma espontânea. Quais são as idéias principais? Informações. em que a estrutura do texto inicial é utilizada como base para o novo texto. Com que autoridade? Papel social do autor O que eu já sei sobre o tema? Conhecimentos prévios do leitor Quais são os outros textos que estão sendo citados? Intertextualidade. Uma decifração que procura percorrer o mesmo raciocínio do autor do texto. Onde é veiculado? Suporte editorial. da poesia e dos textos literários em geral. mais estruturado. Essas informações pragmáticas vêm iluminar e esclarecer os significados e estabelecer a coerência textual do que é lido. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Estrutura textual. Com que argumentos as idéias são defendidas? Provas. Quais são as partes do texto que apresentam objetivos. Caso essas perguntas não sejam respondidas de maneira adequada. Esse diálogo. fazendo perguntas ao texto. naturalmente será produzido um texto mais denso. Terá por base um planejamento lógico. para apreender. refazendo o trajeto do seu pensamento original. de redundância. definições. em que as seqüências tenham uma articulação necessária entre si mesmas. Quais são os testemunhos utilizados? Depoimentos. ou até mesmo a uma paródia completa. superficial e rápida. É preciso um rígido controle da atenção. a intensidade do esforço para compreender a intertextualidade pode variar e sempre depende de conhecimentos prévios comuns ao autor e ao leitor.caso da publicidade. explícitas ou implícitas. Um texto bem escrito apresenta sempre uma certa dose de repetição. concordar ou se opor a essas idéias. essa interação entre leitor e texto exige a ativação de conhecimentos que extrapolam a simples decodificação dos elementos constitutivos do texto. discutir. exata. A QUALIDADE DA LEITURA h) Percepção da intertextualidade Um texto traz em si marcas de outros textos. podemos incorrer em equívoco. um empenho constante para fazer os relacionamentos adequados tanto entre as idéias interiores ao próprio texto. A quem se destina? Público. dados. Quais são os exemplos citados? Fatos. Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Posicionamento explicitado. Quais são as outras vozes que perpassam o texto? Distribuição da responsabilidade pelas idéias. Qual o objetivo? Intenções. Essa ligação entre textos pode ir de uma simples citação explícita a uma leve alusão. A esse fenômeno chamamos intertextualidade. precisa. Vamos analisar um exemplo bem simples de intertextualidade: CONTRAFÁBULA DA CIGARRA E DA FORMIGA .

— Tenho um programa semanal. ah! No inverno. . pensou ajórmiga. chegoua minha vez!” Mas a cigarra aproximou-se só querendo saber como estava ela e como estavam todos no formigueiro. Um dia. e a mensagem original. aumentando o rendimento da sua capita e dizendo que estava contribuindo para o crescimento do Produto Nacional Bruto. E diga-lhe que eu quero que ele vá para o raio que o parta! Trata-se de uma fábula. preparando o terreno para sua vingança. O quê?! exclamou aformiga. sempre atenta aos rateios e às subscrições. Os meus discos não saem das paradas. consultando advogados e tomando vasodilatadores. quando voltava de uni almoço no La Tambouille com os japoneses da informática.Adaptação feita por 1edro Bandeira do texto do escritor português Antônio A. O próprio título anuncia a intenção. de cunho popular e de caráter alegórico. com quem estudara no ginásio. uma sabedoria. uma historieta de ficção. ou seja. Lá vem ela dar a sua facada. não estaria mais funcionando. depois Londres. — A senhora não depositou nada no banco. para verificar os dividendos de suas contas numeradas. E também um juízo a favor da arte em oposição à especulação financeira.. cantarolando como de costume. enquanto aquela inútil da cigarra ganhava tanto cantando e se divertindo! E perguntou: — Quando a senhora embarca para Paris? Na semana que vem.. na sua vida terrivelmente cansativa e nas suas ameaças de enfarte. não foi. depois Amsterdam. Na trabalheira do investimento. O autor parte do pressuposto de que seus leitores conhecem a fábula da Cigarra e da Formiga do autor francês La Fon A QUALIDADE DA LEITUK4 taine e que reconhecerão imediatamente a sua paródia. remordida. Batista A formiga passava a vida naquela Jármiga ção. Segundo sua posição crítica. sempre acompanhada de clientes libidinosos do Mercado Comum. ah. Aí a formiga pensou no seu trabalho. vendendo na alta e comprando na baixa. Depois. comentou: A senhora andou cantando na tevê todo este verão. E vivia ajármiga a dizer por dentro: Ah. hoje em dia.. destinada a ilustrar um preceito. mas a alusão à fábula original (na última fala da formiga) cria a intertextualjdade explícita. atualiza suas circunstâncias e modifica seu final (intertextualidade implícita na estrutura). sempre consultando as cotações da Bolsa. — E pode me fazer um favor? Quando chegar a Paris. E acabei de fechar um contrato com o Olympia de Paris por duzentos mil dólares. voltava a formiga a tesourar e entesourar investimentos e lucros. dona Cigarra? — E claro! — disse a cigarra. já que remete à lição de moral tradicional e multiplica o humor do texto. Isso é só em Paris. os artistas podem chegar a ser milionários com mais rapidez e facilidade do que quem trabalha incansavelmente pensando exclusivamente no dinheiro. tem a excursão a Nova York. no mundo dominado pelos meios de comunicação e pelo hedonismo. Agora no inverno é que vai ser mau continuou aformiga com toda maldade na voz. Fechava contratos em Londres já com um pé no Boeing para Frankfurt ou Genebra.. encontrou a cigarra no shopping Iguatemi. metida em shows e boates. não é? — Não faz mal. A história em si é engraçada.. incutindo nos filhos hábi 41 42 TÉCNICA DE REDAÇÃO los de poupança. contrária ao prazer. Mas vivia também roendo-se por dentro ao ver a cigarra.. você há de aparecer por aqui a mendigar o que não poupou no verão! E vai cair dura com a resposta que tenho preparada para você! Ruminando sua terrível vingança. ‘Ah. nas suas azias. — A senhora vai ganhar duzentos mil dólares no inverno? — Não. Utilizando uma situação similar à fábula original. A formiga. procure lá um tal La Fontaine.

da língua e dos modelos de texto. naturalmente.1) Monitoramento e concentração Durante a leitura podemos exercer um relativo controle consciente sobre as nossas atividades mentais. a cada dia. Leia uma vez. E um processo complexo que exige do leitor uma série de habilidades cognitivas muito sofisticadas. Uma única leitura nem sempre é suficiente. e também para que a leitura se transforme. a leitura se toma. A QUALIDADE DA LEITURA 45 5. temos que ler desaceleradament quando estudamos assuntos desconhecidos quando o texto é denso e complexo ou quando contém muitos implícitos Para garantir esse contro le é necessário ter uma consciência contínua dos procedimentos que estão sendo utilizados além de uma disPosição para avaliar a qualidade da própria leitura Tolerância e paciência: muitas vezes. a leitura é fundamental. os tipos de texto. Estou mesmo perseguindo meu objetivo? Já me distraí? Mudei o meu trajeto de leitura? Criei outro objetivo no percurso? Detecção de erros no processo de leitura: algumas vezes lemos muito rapidamente enquanto pensamos em ou43 44 TÉCNICA DE REDAÇÃO tra coisa e. os gêneros. os recursos estilísticos com mais eficácia que pelas aulas e exercícios gramaticais. E importante desenvolver adequadamente essas estratégias de apoio técnico. Ele não é espontâneo e depende de treino e concentração. consciente ou inconscientemente. Assim. geralmente é necessário voltar ao texto algumas vezes. em um exercício mais prazeroso. Habilidades que agilizem os procedimentos contribuem para que não haja desperdício de energia e de tempo. conseguir o melhor resultado da maneira mais prática e simples. Pela leitura interiorizamos as estruturas da língua. disciplinando-as e submetendo-as aos nossos interesses. mais fácil e as dificuldades preliminares Vão se resolvendo. 6. E são os objetivos que vão direcionar o tipo de leitura que vai ser realizado. então para conferir a decodifica ção das palavras e a interpretação Essa capacidade de avaliar constantemente a própria leitura precisa ser deSenvol Vida Ajuste de velocidade. quando percebemos a distração temos que Voltar e reler aquele trecho Esse é um exemplo de como controlamos naturalmente os nos505 erros de leitura Outras vezes. a leitura ajuda a escrever melhor. desistimos da leitura de um texto no primeiro parágrafo Esse procedi mento é precipitado E preciso merguJ proftmndamente no texto para dar-lhe uma chance de ser bem Sucedido Na maioria das vezes. Algumas vezes pode merecer reorientação. ou seja. o leitor deve controlar a veloci dade de leitura de acordo com as dificuldades que o texto oferece e com os objetivos da leitura Às vezes. Por isso é necessário prestar bem atenção no que fazemos enquanto lemos para termos mais domínio sobre as nossas próprias habilidades de leitura. para isso. Fidelidade ao planejamento: antes de começar a ler um texto sempre estabelecemos. podemos ler mais rapidamente: quando o assunto é conhecj do. com freqüênc não é satisfatóa e é preciso empreender uma segundaj com alguma informação sobre o texto e com mais atenção e concentração. Releia e responda mentalmente às perguntas: Quem escreve? Que tipo de texto é? A quem se destina? Onde é veiculado? Qual o objetivo? Com que . Conhecendo melhor o processo de leitura Como vimos. Pouco a Pouco. de simplificação e de monitoração das atividades mentais de forma que possamos otimizar nosso esforço. interpretamos mal uma passagem e no decorrer da leitura percebemos que as idéias estão contraditórjas Voltamos. a escrita depende de nosso conhecimento do assunto. pois é natural que o começo da compreensão seja ainda uma idéia desfocada A primeira leitura. Em qualquer situação de leitura utilizamos procedimentos que nos auxiliam a compreender e interpretar o texto. quando o trecho é fácil ou quando a leitura tem por objetiv0 a simples distração Outras vezes. conforme nossos objetivos. uma espécie de roteiro: como vamos ler? para que vamos ler? Esse roteiro deve ser controlado e reavaliado durante a leitura. Prática de leitura a) Escolha um artigo assinado do jornal de sua preferência. Esse desconforto no iflÍcjo de um texto é muito comum. Esse controle é essencial para que a leitura seja produtiva.

apreendemos uma pequena parcela do que ouvimos. Grave em fita de áudio tudo o que pensa enquanto lê. em um período de teste. Mas nem sempre isso é possível. Como exemplo. impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. E acontece também com conceitos e definições. guardamos informações novas. apreendemos um pouco mais. Quando decoramos mecanicamente regras e conceitos. por exemplo. reelaborada em nossa mente por meio de novas associações e novas divisões. a memória vai descartá-lo por falta de uso. Já um número usado todos os dias. Se memorizamos alguns itens sem transferi-los gradualmente para a prática. acaba por dominar naturalmente o assunto. como se faz freqüentemente nos cursos preparatórios para concursos. chegamos a memorizálo.autoridade? O que eujá sei sobre o tema? Quais são os outros textos que estão sendo citados? Quais são as idéias principais? Quais são as partes do texto que apresentam: objetivos. As informações novas ficam algum tempo na memória de curto prazo. sem aplicação direta na produção de textos. Se não forem úteis por longo período. Algum esclarecimento acerca da memória. de pessoas. durante muito tempo. esquecemos tudo com facilidade. Temos dois tipos de memória: a de longo prazo e a de curto prazo. Se não são utilizados. . para que uma informação fique consolidada na memória de longo prazo é preciso que seja: útil na vida prática ou para nossas reflexões abstratas: utilizada com certa freqüência. Nossa memória é muito seletiva. que é seletiva e rotativa. essa faculdade de reter as idéias. Na memória de longo prazo guardamos nossos conhecimentos consolidados. como se estivessem temporariamente à disposi 48 TÉCNICA DE REDAÇÃO çào. dizendo em voz alta seus pensamentos para controlar a leitura. pode ajudar a compreender e controlar seu funcionamento. Quando vemos. Mas. serão descartadas. Ela não guarda tudo o que gostaríamos a partir de uma primeira leitura. enquanto elas nos são úteis e estão sendo realmente utilizadas. associada e relacionada a outros conhecimentos prévios existentes em nossa memória. Memorizamos aquilo que é significativo para nossos interesses intelectuais ou para nossa vida pessoal. temos um pouco mais ainda de possibilidade de gravar na memória. Um professor. É importante considerar também outros aspectos da aprendizagem. tem que estudá-lo para reavivar a memória quando precisa expor novamente o assunto. Um outro. que apenas esporadicamente fala sobre um tema. que dá aulas sobre uma mesma matéria para várias turmas. Analise os procedimentos de leitura sugeridos neste capítulo que você já utiliza. caem no esquecimento. Não o esquecemos tão facilmente. forem muito usadas. nesse período. de filmes. encontram pontos de apoio que as sustentam por mais tempo e se tornam mais duradouras. pois é duradoura. Quando podemos ler uma vez a informação. por um período breve. Na de curto prazo. podemos pensar na seguinte situação: se estamos tentando comunicação por vezes repetidas com um número de telefone. estabelecem laços com outras informações preexistentes. importante na nossa vida diária. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Com que argumentos as idéias são defendidas? Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Quais são as outras vozes que perpassam o texto’? Quais são os testemunhos utilizados? 46 TÉCNICA DE REDAÇÃO Quais são os exemplos citados? Como são tratadas as idéias contrárias? c) Escolha um texto dissertativo que ofereça alguma dificuldade de leitura para você. de livros. Então. tudo aquilo que nos deu tanto trabalho para memorizar à força é esquecido imediatamente após a prova. conceitos. Se. O trabalho com a memória Precisamos usar muitas informações contidas em textos que já lemos. Isso acontece com nomes de lugares. Capítulo 4 Da leitura para a escrita 1. permanece na nossa memória de longo prazo. se nos dias subseqüentes não precisarmos mais desse número. Já sabemos que as informações que vêm apenas por via auditiva são menos duradouras. O mesmo acontece quando estudamos a gramática pela gramática. definições. Leia. d) Escolha um texto de estudo e aplique as estratégias de leitura apresentadas neste capítulo.

A leitura com esse fim é muito detalhada. Hoje em dia. oposições. 4? — Organizar um esquema das idéias. o autor prefere colocar a idéia principal no fim do parágrafo. É uma leitura de reconhecimento prévio do material a ser estudado. O leitor deve criar o seu próprio método. Assim. uma pergunta. conseguimos maior índice de memorização e de aprendizagem.DA LEITURA PARA A ESCRITA 49 Mas se podemos ouvir. na organização geral do texto. mas podemos estabelecer um roteiro básico como sugestão: 50 TÉCNICA DE REDAÇÃO 1? — Empreender uma primeira leitura descendente. como conclusão. desenvolver uma ação (concreta ou mental) sobre certa informação de forma pessoal. prender-se às expressões utilizadas pelo próprio . mantendo as relações entre essas unidades. Assim. 6? — Redigir o resumo seguindo o roteiro estabelecido pelo esquema. embora existam variações infinitas. lemos e tentamos memorizar o que lemos. O desenvolvimento. ver e experimentar. mais temos possibilidade de aprender. Quanto mais aprendemos. e que a inteligência precisa ser constantemente estimulada para não se atrofiar. identificando palavraschave e anotando idéia por idéia. DA LEITURA PARA A ESCRITA O leitor que tenta reconstruir o percurso do autor não pode acrescentar idéias novas ao resumo do que lê. esquemas e paráfrases A partir do esquema podemos facilmente reconstituir as ligações do texto original elaborando um novo texto. Muitas vezes. utilizar. uma resenha ou um comentário que permitem ampliação e discussão. Por isso é bom. 3? — Reagrupar as informações de acordo com unidades menores. elaboramos a paráfrase. pois a linguagem deve ser objetiva e clara. A leitura pode levar à produção de textos de natureza diferente do texto original e com finalidades também diferentes. em que o professor ou o texto doam ao aluno a informação nova. parágrafo por parágrafo. dispensando exempios e ilustrações. comparações. 2? Fazer uma segunda leitura. do geral para o particular. aprender exige trabalho sobre o conhecimento. ou seja. no resumo. Em um resumo recorre-se a poucos efeitos retóricos. resumos e paráfrases. E preciso que a pessoa trabalhe bastante para que o conhecimento passe realmente a ser propriedade sua. conforme vimos no capítulo anterior. os parágrafos dissertativos/argumentativos têm uma estrutura organizada logicamente: Primeiros períodos = idéia principal Períodos seguintes = desenvolvimento Último período = conclusão Quando a idéia principal surge no início do parágrafo. e pode trazer explicações. visa fundamentar a idéia inicial. Resumos. ou então sintetizar as informações para revê-las ou repassá-las a outros. uma negação. 2. atuar. para que o leitor chegue mentalmente à conclusão a partir das evidências colocadas no texto. mais curto que o original um resumo em que as informações essenciais são rearticuladas em uma nova organização. Normalmente. a compreensão das idéias expostas pelo outro. ler. pois trata-se de uma síntese. pois os conhecimentos que adquirimos formam uma base em que novos conhecimentos vêm se instalar de forma mais duradoura. um conceito. quando ainda na fase do esquema. subdividindo-o de acordo com as relações sintáticas. divisão de idéias. quadros. mas deixá-la implícita. rápida. uma compactação. 5? — Voltar ao texto e conferir a correspondência com as idéias principais. que também é uma forma de retomada das informações. Como a primeira leitura é sempre muito breve e superficial. Organizar um esquema é uma maneira preparatória para o resumo e a paráfrase. Não se trata de uma simples transferência. Pode até mesmo não explicitá-la claramente. prestando atenção nos títulos e subtítulos. Muitas vezes. O processo de debate pressupõe a intelecção. e não uma crítica. precisamos utilizar estratégias de desaceleração para apreendermos melhor um texto. podemos produzir esquemas. a ciência já constatou que o cérebro e a memória precisam de exercícios. como veremos no capítulo 6. Se nosso objetivo é repetir as mesmas informações integralmente. ela pode ser: uma afirmação.

São elas que o levam a decidir quais são as .. gênero e tipo de texto. pois é necessário trabalhar com precisão sobre: significados.... Primeiramente. Indicam conclusão parcial ou final: Em vista disso podemos concluir Diante do que foi dito Em suma Em resumo Concluindo Portanto Assim 51 fr . TÉCNICA DE REDAÇÃO Essas frases exigem muita atenção do leitor. estruturas sintáticas... por último.. finalmente. O resumo é um trabalho sobre a linguagem muito complexo.. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o uso das frases de transição... Elas conduzem o raciocínio do leitor de acordo com o planejamento do autor e podem exercer várias funções. Indicam objetivo: O que desejamos neste trabalho O objetivo desta investigação Pretendemos demonstrar Procuramos comprovar Estamos tentando provar Indicam inserção de exemplo: Para exemplificar.. é o que ocorre no caso em que Indicam inserção de citações: Segundo o especialista X De acordo com o que afirma X Xjá afirmou que Conforme X. vocabulário. pode-se observar Assim.. em sua obra Y Indicam divisão de idéias: Em primeiro lugar..autor do texto.. em seguida. por outro lado.-... Por um lado... mas você pode encontrar infinitas variações nos textos que lê. podemos ob servar Para comprovar o que foi dito Exemplo disso é Como exemplo. depois.... Colocaremos aqui alguns exemplos. em segundo... O primeiro aspecto é. um outro aspecto é.......

Por quê? Em primeiro lugar. ter acesso a elas. e há obras “baratas” e “comuns “. da reflexão . O que significa isso? A indústria cultural vende Cultura. já fez. INDÚSTRIA CULTURAL E CULTURA DE MASSA A partir da segunda revolução industrial no século XIX e prosseguindo no que se denomina agora sociedade pós-industrial ou pós-moderna (iniciada nos anos 70 do século Xv). palavra que vem do latim e sign fica: dado à visibilidade. E essencialmente espetáculo. Em quarto lugar. massificou-se para consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de massa. não pode chocá-lo.informações essenciais e as que podem ser dispensadas no resumo. prestígio político e controle cultural. As obras de arte e de pensamento poderiam democratizar-se com os novos meios de comunicação. da imaginação. como o consumidor num supermercado. ver ou ler. tornarem-se reprodutivas e repetitivas. a indústria cultural introduz a divisão social entre elite “cultural” e massa “inculta “. as artes foram submetidas a uma nova servidão: as regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural. novas. Vamos analisar um texto e compreender o processo de resumo. cada um escolhendo livremente o que deseja. deve seduzir e agradar o consumidor. tornarem-se eventos para consumo. Democracia cultural significa direito de acesso e de fruição das obras culturais. 2. Para seduzi-lo e agradá-lo. provocá-lo. fruído e superado por novas obras. direito à informação e àforniação culturais. a arte não se democratizou. porque separa os bens culturais pelo seu suposto valor de mercado: há obras caras” e “raras “. No entanto. da inteligência. destinadas aos privilegiados que podem pagar por elas. Perdida a aura. direito à produção cultural. fazê-lo pensar. oferecendo-lhes produtos culturais “médios”. baseada na idéia e na prática do consumo de produtos culturais”fabricados em série. e os artistas epensadores 4 DA LEITURA PARA A ESCRITA poderiam superá-las em outras. porque define a Cultura como lazer e entretenimento. sem identidade e sem pleno direito à Cultura. mas deve devolver-lhe com nova aparência o que ele já sabe. Em segundo lugar. em vez de garantir o mesmo direito de todos á totalidade da produção cultural. Sob os efeitos da massflcação da indústria e consumo culturais. sinal de status social. fazê-lo ter informações novas que o perturbem. A “média” é o senso comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova. a arte se transforma em seu oposto: é um evento para tornar invisível a realidade e o próprio trabalho criador das obras. transformando-se em propaganda e publicidade.se consagração do consagrado pela moda e pelo consumo. através dos preços. de experimentação do novo. Assim. certos conhecimentos “médios” e certos gostos “médios “. de expressivas. existe para ser contemplada efruída. incorporá-las em suas vidas. Para vendê-la. A arte possui intrinsecamente valor de exposição ou exponibilidade. conhecê-las. diversão e distração. em princípio. pois todos poderiam. basta darmos atenção aos horários dos programas de rádio e televisão ou ao que é vendido nas bancas de jornais e revistas para vermos que. como tudo que existe no capitalismo. No entanto. criticá-las. as artes correm o risco de perder três de suas principais características: 1. Em terceiro lugar. É algo para ser consumido e não para ser conhecido. de trabalho da criação. ao massifiLar a Cultura. de modo que tudo o que nas 53 54 TÉCNICA DE REDAÇÃO obras de arte e de pensamento significa trabalho da sensibilidade. 3. A indústria cultural acarreta resultado oposto. já viu. tornarem. A democratização da cultura tem como precondição a idéia de que os bens culturais (no sentido restrito de obras de arte e de pensamento e não no sentido antropológico amplo) são direito de todos e não privilégio de alguns. formando uma elite cultural. destinadas à massa. sob controle económico e ideológico das empresas de comunicação artística. O que é a massa? É um agregado sem forma e sem rosto. porque cria a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais. as empresas de divulgação cultural já selecionaram de antemão o que cada grupo social pode e deve ouvir. porque inventa uma figura chamada “espectador médio ‘ “ouvinte médio” e “leitor médio ‘ aos quais são atribuídas certas capacidades mentais “médias “. isto é. As obras de arte são mercadorias.

XIX) > mercado capitalista > ideologia da indústria cultural Obra de arte tem valor de exposição / deve ser contemplada e fruída. Deve funcionar como um texto autônomo. sem provocações. independentes do texto original. superficial e rápida. ouvinte. cria a ilusão de acesso através dos preços seleciona grupo social. pp. 3. experimentação ‘. são dispensados e o resumo vai reconstruir diretamente as afirmações. diversão e distração. São Paulo: Ed. do texto já nos diz que a idéia principal é a distinção entre o que é realmente arte e o que a indústria cultural produz para a massa no capitalismo. ou leitor médio”. 56 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nesse esquema. inventa uma média “espectador.e da crítica não tem interesse. teórico. redundância e as perguntas retóricas. massa inculta. Já é possível retirar do texto a sua estrutura básica e reorganizá-la em blocos. separa “caras’ e “raras”. se transforma em seu oposto = mercadoria quando > Fabricação em série > Propaganda e publicidade > Sinal de status > Prestígio político > Controle cultural não se democratizou massificou-se Arte corre risco Valor de: pode se transformar em: 1. já com essas idéias.consagração do consagrado pelo consumo. não vende. no primeiro parágrafo já se anuncia a idéia principal: de que a arte foi transformada numa mercadoria e que por isso foi desvirtuada pela indústria cultural. numa redação própria da pessoa que resume. ou seja. Na segunda leitura. 329-30. inteligência. sensibilidade. não pode mais depender do original. conclusões e respostas. as 700 palavras do texto original foram reduzidas a apenas 198. 8 ed. Ática. > à informação e à formação. Em lugar de difundir e divulgar a Cultura. que têm a função de prender a atenção do leitor. reflexão e crítica não têm interesse. DA LEITURA PARA A ESCRITA 55 Indústria cultural e cultura de massa Artes submetidas (2 revolução industrial séc. sobre conceitos bastante abstratos. Uma primeira leitura. porque 1. Os efeitos de repetição. assim. 2. identificando as palavras-chave e as idéias secundánas distribuídas pelos parágrafos. conhecimentos e gostos “médios” = produtos culturais “médios” = o que o consumidor já sabe = senso comum. expressidade > repetição. 3. banalizar a expressão artística e intelectual. Marilena Chaui. 1997. Massifi cor é. Os parágrafos seguintes desenvolvem e aprofundam essa idéia. ao ativar nossos conhecimentos anteriores sobre o assunto. Convite à Filosofia. > “baratas” e “comuns”. 2. reagrupa as idéias. define a Cultura como lazer e entretenimento. despertando interesse por ela. criação > consumo. imaginação. como o esquema que serve . 4. podemos observar que algumas informações foram eliminadas e outras podem ser reagrupadas. Indústria cultural resultado oposto = introduz a divisão social ao massificar a Cultura. Ao analisar as escolhas feitas. > à produção cultural. podemos aproflindar mais a compreensão das causas e conseqüências dessa distinção. toma invisível a realidade e o próprio trabalho criador Democracia cultural (poderia acontecer pelos meios de comunicação) Todos têm direito > ao acesso e à fruição. Sabemos que Marilena Chaui é uma filósofa e que se trata de um texto dissertativo. os privilegiados. capacidades mentais. Massifica = banaliza / vulgariza a expressão artística e intelectual.. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos. O resumo. O texto começa com uma informação que será explicitada nos parágrafos seguintes. elite culta. a partir do esquema. não “vende”. voltando ao texto. rearticulando-as em novas orações e períodos.

vendáveis. pela reprodução das idéias com minhas próprias palavras. não foi democratizada. O aprendiz incorpora o conhecimento novo. às vezes cômica ou irônica. fruída e revelar a realidade. que é banaliza ção e vulgarização da arte e do conhecimento. a indústria cultural produz uma massficação. 2. Mas esse efeito é artístico e criativo. estamos parodiando. no século XIX.apenas para retomar as idéias principais. além de tornar a realidade e o trabalho criador invisíveis. e ainda produção cultural. foi substituída pela massflcação. ele é considerado. os pontos de vista. deve conter dados essenciais que ajudem o leitor a decidir sobre a necessidade de ler ou não um texto todo. no resumo que apresentamos a seguir. diversão e distração deforma que não tem interesse. da inteligência. É utilizado em revistas científicas. Sob controle econômico. Informativo (até 350 palavras) representa o conteúdo. Um texto é paráfrase do outro quando traz as mesmas informações por meio de outras palavras. E essencial compreender que também na produção de textosusamos freqüentemente a paráfrase. a arte corre o risco de perder suas características. Observe que a terceira pessoa que garante a impessoalidade própria da estrutura dissertativa foi mantida. Pode ser: Indicativo (de 10 a 50 palavras) — geral e sintético. fundados no senso comum. e. massficou-se e transformou-se em seu oposto: mercadoria. quando sobre uma mesma melodia criamos letra diferente. no processo de estudo e de aprendizagem. a criação pelo consumo e a experimentação pelo consagrado. sinal de status. pois não se trata apenas de transposição ou transferência. Crítico (também chamado de resenha) — apresenta a posição do leitor. produtos culturais fabricados em série. é frita para ser contemplada. Ocor 1 58 TÉCNICA DEREDAÇÀO re. Assim. a quantidade de palavras em relação ao esquema é maior: 267. com capacidades. Entretanto. artigo. reproduzi-la ou dizê-la com minhas próprias palavras. Além dos usos pessoais do resumo. apropria-se dele. da reflexão e da crítica. em caso de trabalhos científicos. já que um texto é feito de outros textos. Essa assimilação requer uma elaboração interna. por técnicos em editoração e por cientistas. 4. A elaboração interior é feita por meio de paráfrase: para saber se estou compreendendo bem uma idéia é preciso que eu saiba pensá-la. a representação condensada do conteúdo de um documento (é obrigatório.3. Ou seja. inventa um consumidor médio. mas apresenta uma forma de organização diferente. antecedendo trabalho científico. Essas informações lidas passam a fazer parte de nosso . deixar a expressividade pela repetição. separa os bens culturais pagos e raros para uma elite culta e os bens baratos e comuns para a massa inculta. vê a cultura como lazer. comparações com outros trabalhos e pode trazer uma avaliação geral. prestígio político e controle cultural. Pela paráfrase mental. o assunto. A indústria cultural não democratiza. tem a mesma função. como uma estratégia para ler e estudar. entendida como o direito de acesso efruição. dizemos que é uma paródia. utilizamos informações lidas. da imaginação. Assim. as tes foram submetidas às regras do mercado capitalista e à ideologia da indústria cultural. Desde a segunda revolução industrial. o trabalho da sensibilidade. uma intemalização ou assimilação. porque ao massficar reintroduz a divisão social e:]. Quando a organização é semelhante. para o qual produz bens médios. para escrever um trabalho ou um artigo. dissertação e tese). Como já vimos no capítulo anterior. cria a ilusão do acesso igual para todos. que poderia ser alcançada pelos meios de comunicação social. entretenimento. tenho consciência de que domino a nova informação. utilizamos a paráfrase mentalmente. A obra de arte tem um valor de exposição. Assim. A democratização da cultura. isto é. mas pelo preço define os grupos que podem usufruir de cada bem. além de nossa experiência de vida. mas as informações são diferentes. em lugar de democratizar a Cultura. sem novida DA LEITURA PARA A ESCRITA 57 des. os métodos e conclusões. Há diferenças entre o resumo e a paráfrase que é necessário esclarecer. porque não vende. informação eformação. conhecimentos e gosto médios.

Sempre que fizer esses exercícios de síntese. reutilizá-las. EDIÇÃO. pois não se pode citar a fonte. fazendo anotações. TÍTULO. As informações têm de ser fiéis às idéias do texto original. O importante é que o documento possa ser recuperado pelo leitor a partir de informações básicas. adotamos o seguinte modelo simplicado: NOME DO AUTOR. junto aos textos transcritos. Neste livro. CIDADE: EDITORA. 329-30. E preciso uma leitura refinada. A Associação Brasileira de Normas Técnicas normatiza as regras para publicações. E isto é o mesmo que não ter lido. 3. E muito comum. podemos incorporá-las ao nosso texto de maneira parafraseada. mas as editoras optam por algumas variações. b) Escolha um parágrafo longo de um texto dissertativo. não é um resumo. Marilena Chaui. data). para identificação. reestruturá-las e reordená-las em outro formato exige uma grande atividade mental que contribui para que a assimilação seja mais consistente. O próprio esforço de reelaborar as idéias. consultá-las. vale repetir. despertando interesse por ela. em grande parte. não perca suas leituras por falta de anotações. ao fim de cada capítulo ou parte de texto. transformações conceituais ou reduções. mas guardam um vínculo com o texto original do qual provêm. com nossas próprias palavras. pp.. A paráfrase. Elabore um resumo reduzindo-o a 50% do original. Além disso. elabore uma paráfrase em tom mais coloquial. são úteis também como textos autônomos. elabore um pequeno parágrafo. que são muito úteis na ampliação das habilidades cognitivas. registrando. . Nossos textos são compostos. 8 ed. Conservando e reutilizando o que foi lido Neste capítulo vimos como podemos registrar as informações lidas de forma que se torne mais fácil voltar a elas.acervo pessoal de conhecimentos pela internalização. Na paráfrase. sintetizando a idéia principal. seleção e hierarquização de idéias. “em lugar de dfundir e divulgar a Cultura. se não houver uma citação clara do autor das idéias. Quando falamos para nós mesmos. frases e períodos podem ser simplificados. Por isso a paráfrase é tão útil. Faça um 60 TÉCNICA DE REDAÇÃO esquema das idéias.outras basta fazer uma alusão ao dono das idéias e. Palavras complexas podem ser substituidas por expressões mais simples e familiares ou pode ocorrer o contrário. muitas vezes. com vários retornos ao texto. sem acréscimos. ANO. interpretando o que foi lido. mas nossa leitura não retém na memória tudo que é necessário. Assim. fazemos pequenas paráfrases. Leia uma primeira vez para se familiarizar com as idéias. Após a leitura. DA LEITURA PARA A ESCRITA 59 ou paráfrase: Marilena Chaui afirma em seu texto que a indústria cultural vulgariza as artes e os conhecimentos em vez de d(fundir. São Paulo: Ed. Por isso. anote a bibliografia referente. é preciso dar-lhe um apoio anotando. agregados ou transformados estilisticamente. 1997. podem ser consideradas plágio. que exercem funções próprias como: resumo para apresentação oral e escrita de trabalhos. divulgar e despertar interesse pela Cultura. resumindo ou esquematizando. Releia. a partir de informações que colhemos em outros textos. Paráfrases mal feitas podem constituir mal-entendidos prejudiciais à comunicação e. Prática de síntese a) Escolha um texto de estudo ou relativo ao seu trabalho que precise conhecer bem. obra. 4. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos “. As técnicas de registro de bibliografia podem variar. Ática. mais úteis poderão se tornar quando da produção de um novo texto. podemos sempre utilizar idéias de outros autores fazendo: citação literal: Marilena Chaui afirma em seu texto que. dependendo do objetivo da paráfrase. Quanto mais organizadas forem essas anotações. esquema para orientar aula ou palestra etc. As vezes é preciso citar explicitamente sua origem (nome. PÁGINA. depois de algum tempo. Assim. c) De todas as suas leituras para estudo ou trabalho. não se saber mais de onde foram retiradas aquelas idéias. Convite à Filosofia.

1967. Clark Gable disfarçando com grande charme a sua velhice. Há algumas funções consideradas básicas e que estão presentes nos textos de forma especial. Podemos traduzir algumas das decisões preliminares nas seguintes perguntas: Quais os objetivos do texto que vou produzir? Que informações quero transmitir? Qual o gênero de texto mais adequado aos meus objetivos? Que estruturas de linguagem devo usar? Vamos refletir. agora. Manuel Bandeira. o veículo em que vai circular. e por isso a primeira pessoa do singular é utilizada com muita freqüência. Flauta de Papel. a língua escrita é usada com diferentes funções e com os mais diversos objetivos. Rio de Janeiro: Editora Aguilar. lingüísticas. Nos três últimos períodos. Bonitas. estão voltados para a expressão individual. a) A linguagem como expressão individual Objetivos centrados no EU — Muitos textos têm uma natureza essencialmente subjetiva. depoimentos. com muita fera. podemos escrever textos de gêneros mui t diferentes como: diários. então. A história do filme se passava na A’frica. na função expressiva. muitas vezes. Avo Gardner e Grace Kelly eu só conhecia defotos nas revistas e jornais. sobre essas decisões. na linguagem e no seu funcionamento. Dizemos. muito negro. que a função da linguagem está centrada no EU. tivemos sessão de cinema. conforme seus objetivos estejam centrados: no EU. Focalizaremos. Tomando decisões Para escrever um texto. Para a expressão de nossos pensamentos. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 63 Ava Gardner e Grace Kelly. Tenho vontade de rever é . Cada um dos objetivos vai determinar o formato que o texto vai tomar e.. Um exemplo desses textos é o diário pessoal. As feras representando muito bem.. cartas.1 Capítulo 5 Decisões preliminares sobre o texto a produzir 1. Poesia Completa e Prosa. Essas decisões estão relacionadas àqueles mesmos aspectos que tentamos descobrir quando estamos lendo textos de outras pessoas. São questões de várias ordens: textuais. As diversas funções coexistem e duas ou três aparecem simultaneamente num mesmo texto. pois o objetivo principal do texto é transmitir ou registrar os sentimentos. mas não me dão vontade de revê-las. Vejamos um pequeno texto de Manuel Bandeira: Diário de Bordo 22 de julho Ontem. o autor registra suas impressões a respeito de um filme e dos atores. mas sempre TÉCNICA DE REDAÇÃO transparece uma função preponderante. ar tigos poemas. ou na informação. informacionais. à noite. bilhetes. Funções da linguagem Como podemos perceber.. interpessoais. cinco funções primordiais da linguagem. Vamos detalhar aqui como essas funções se realizam no texto escrito. tomamos muitas decisões antes e durante o trabalho.. 2. Audrey Hepburn. a seguir. A voz que assume a “fala” nesse tipo de texto é a própria voz do autor. Nesse trecho. a função expressiva é mais evidente: a experiência pessoal e as emoções são ressaltadas e as informações . Clark Gable. pensamentos e emo çõe de uma pessoa. na estruturação do texto e na sua estética. no leitor.

Vamos analisar esta carta comercial/publicitária: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 65 . José da Silva. nas teses e dissertações. por isso.assumem o tom de confissão. escrevemos bilhetes para nós mesmos no intuito de não esquecer algum compromisso ou informação e. deve estar bem elaborada para que possa ser compreendida em outras circunstâncias. Se houver alguma alteração. Palavras soltas são dificeis de ser associadas a fatos. por mais secreta e enigmática que seja. A função expressiva da linguagem é essencial à nossa vida. A conquista da expressão dos próprios pensamentos e opiniões. escrevemos para. precisa de mais de um ponto de apoio. entre em contato com nossa Central de Atendimento ao Cliente por meio do telefone XØ(X\9( Obrigado por ter escolhido nossa empresa para chegar mais perto de sua família. é por meio dela que nos construímos como sujeitos atuantes na sociedade e no mundo. Repetir 4 pensamentos de outros é. é um instrumento primordial para o exercício da cidadania. não entendemos o que queríamos dizer. Nomes e telefones de novos conhecidos. Continue preferindo nossa operadora. dos amigos e dos negócios. está presente em textos cujo objetivo é influenciar a atitude de quem lê. José da Silva. uma súplica. assimilá-los criticamente e assumir a própria voz é essencial. circunstâncias. No entanto. E quase um monólogo. mas reconstruí-los. Pedimos que você verifique a correção dos dados pessoais e do telefone exibidos na conta. muito importante. sempre causam um pouco de dúvida se não estiverem acompanhados de alguma referência mais específica. um leitor que é a nossa própria pessoa em outro momento. você é muito especial para nós. já que não se pode confiar totalmente nela. sempre que escrevemos um diário. alterando o seu comportamento. já que o autor fala consigo mesmo. nos vestibulares e concursos. Atenciosamente. pois. E por isso sempre estaremos oferecendo-lhe descontos e promoções em nossos serviços. uma ordem. A nossa memória. como já vimos. a predominância da função expressiva. é necessário que mantenha seu cadastro atualizado. por favor. com a alta qualidade e a avançada tecnologia da empresa que está pronta para o século 21. Um conhecimento ou uma informação preexistentes ajudam a sustentar conhecimentos novos na memória por mais tempo. Muitas vezes. é geralmente considerada inadequada e dá lugar à impessoalidade. José da Silva. Para que estas vantagens cheguem até você. quando lemos essas anotações. uma orientação. E por intermédio da função expressiva que nos tomamos senhores de nossa própria história. Beltrano Diretor de Serviços 64 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Função centrada no leitor ou apelativa Uma outra função da linguagem é aquela centrada no leitor. Temos certeza de que cada vez mais atenderemos às suas necessidades de telecomunicações. Prezado José da Silva. pode ser esclarecedor. à neutralidade. Porém. Embora nosso exemplo pertença ao universo literário. às vezes. uma sugestão. acontecimentos. Geralmente é uma instrução de procedimentos. é preciso considerar que esse autor estará exercendo o papel de leitor num segundo momento e. Trata-se de dar ajuda à memória. ou seja. à discussão teórica e abstrata em que o eu não se expõe com tanta evidência. a mensagem. por exemplo. ou seja. a expressão subjetiva explícita. pessoas.

Por isso é preciso ler com muita atenção e procurar as segundas e terceiras intenções em tudo o que nos chega às mãos. Existe ainda ao nível de. 1. mais percebem quando estão sendo persuadidos contra a própria vontade e mais resistem aos processos de tirania e arbítrio. Por meio desse tipo de texto a sociedade pode ser controlada e submetida à dominação política e cultural.Observe como o propósito da carta influenciou a sua forma. p. 190 (com adaptações). se constitui objeto de descrição. na sua escolha futura. Projeção cinematográfica. explicar-se. na sua reação. Embora possamos perceber que um autor elaborou o pensamento sobre o item analisado. Podemos dizer que a função preponderante é centrada no leitor. Os exemplos mais claros são os textos da gramática. Arte de compor e realizar filmes cinematográficos. c) A linguagem que explica a língua —função meta!ingüística A linguagem pode falar acerca de si mesma. /Decisão a nível de governo (decisão governamental). ansiosas por adquirir mais e mais.] El comp. no seu comportamento. 2. Muito menos eficaz para o objetivo da empresa seria a simples comunicação por telegrama: Atualize cadastro pelo telefone XXX XXX Agradecemos preferência. 1.] S. Paulo. 3. 3. Observe este exemplo: 66 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nível 1. Cinema mudo. é como se ele estivesse ausente do texto. I”K 1 cinem [Do gr. Assim as informações estão todas organizadas de forma a atingir essa meta. é ainda mais evidente essa ausência de um autor explicitamente identificável no texto. que criam necessidades de consumo e transformam as pessoas em máquinas desejantes. 4. ou parte dele. onde se projetam filmes cinematográficos. Aquele em que a projeção não vem acompanhada de som: cena muda. modismo desnecessário e condenável. em substituição a praticamente tudo que se queira. /Çf sinema. São Paulo: Editora Moderna. 2. DECiSÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR [Equiv. 1.+ -teca.: cinemat(o)-: cinemática. Eduardo Martins. colocando as ações do leitor em evidência. A empresa quer continuar sendo escolhida pelo leitor como sua operadora de serviços de telecomunicações. Observe os verbetes a seguir: Verbete: cinema [De cinematógrafo. 1. Sala de espetáculos. Cinematografia. m. Veja alguns casos em que a locução aparece e como evitá-la: Decisão a nível de diretoria (decisão da diretoria). Em um dicionário.] S.] Verbete: cinernateca [De cinema. Em determinados casos podem ser usadas as locuções no plano de e em termos de. É importante perceber os mecanismos de convencimento que estão implícitos em determinados textos que manipulam o pensamento das pessoas. f . cinematógrafo. atos. Mas a sociedade de consumo é fundamentada em textos apelativos. mas apenas com o sign ficado de à mesma altura: ao nível do mar. Aquele em que a projeção é acompanhada de uma faixa sonora. / Contratações a nível de futuro (contratações para ofuturo). kínema. Quanto mais esclarecidos são os cidadãos./ O salário será a nível de 5 mil reais (em torno de). Função metalingüística é a função da linguagem na qual predominam os enunciados em que o código. = movimento’: cinemascópio. E a língua falando sobre a própria língua.] Cinema falado. A locução a nível de. Manual de Redação e Estilo — O Estado de S. / Reunião a nível internacional (reunião internacional). dos livros didáticos de língua portuguesa e do dicionário. tornou-se uma das mais terríveis muletas lingüísticas da atualidade.

1. maior. os possíveis usos e as relações entre as palavras. Verbete: cinematográfico Adj. seja no acervo e escolha de palavras. na rua da Bahia. e até aplaudi-las. mais que para a informação. 3. o cinema Glória. (Nélson Rodrigues. truncamentos. É por meio desses textos que ampliamos o nosso universo lingüístico. por sua beleza e/ou por outra(s) qualidade(s). sendo de outrem. 42. pouco antes de partir o avião. de Graciliano Ramos. titubeios na fala e falhas e inadequações na escrita. 2. então. percebemos que alguma coisa não funciona bem: pausas. Local onde se conservam os filmes cinematográficos. em oposição à transparência do texto informativo. fora-de-moda Cinema Odeon. em especial os considerados de valor cultural ou artístico. Mas quando sua linguagem apresenta problemas. mais isso-e-aquilo. dispõe de uma excelente ferramenta social para exercer suas tarefas na sociedade. proporciona ao leitor o caminho para compreender os significados. Quero é o derrotado Cinema Odeon. Que. seja na sua combinação. (Amadurecerei um dia?) Não aceito. mais americano. jogar com as potencialidades latentes nas palavras e criar combinações novas e originais. vai se lembrar do sofrimento de Fabiano por não dominar as palavras. Respeitante à cinematografia. evocando o beUo cinematográfico que dera no aeroporto. Dizemos. Se você já leu Vidas Secas. Cada verbete. Não é possível. que lembra o que se vê no cinema: “Rilhava os dentes. Nesses casos. Não amadureci ainda bastante para aceitar a morte das coisas que minhas coisas são. que o texto é opaco.1. chama a atenção para a organização e estruturação do texto. p. minha mocidade fecha com ele um pouco. a morfologia. Quando uma pessoa tem um bom vocabulário e sabe combinar adequadamente as palavras. pois chama a atenção para si mesmo.’. é digno de ser cinematografado: uma jovem cinematográfica. Fechado para sempre. A matinê . Essa elaboração provoca no leitor uma espécie de experiência estética prazerosa. ou seja. quando for o caso. O FiM DAS COISAS FECHADO O CINEMA ODEON.) Dicionário Aurélio Eletrônico Há um conjunto de recursos que dispensa a voz do dicionarista. de estranhamento agradável. por enquanto. 100 Contos Escolhidos. como material de criação: a literatura. paisagem cinematográfica. II. temos a arte que utiliza a linguagem verbal. A língua é um dos instrumentos mais importantes na conquista da própria identidade e da cidadania. a palavra. 67 68 TÉCNICA DE REDAÇÃO d) A arte literária —função poética Encontramos a função poética da linguagem quando a intenção do autor de um texto é extrair da linguagem as suas mais altas possibilidades expressivas. o apelo ou a confissão. A Vida como Ela E. o miúdo. pela forma como está organizado. Próprio de cinema. para sua elaboração especial e intencional. A espera na sala de espera.

por exemplo. A divina orquestra. como fazemos com um texto de jornal. na rua da Bahia. humor Criação de novos vocábulos (neologismos) Frases nominais Estrutura sintátjca predomjnantemerite justaposta Uso da primeira pessoa do singular A literatura assume.com BuckJones. o COflvÍvjo com a literatura Constitui um exercício privilegiado de habilidades cognitivas . você pode observar muitas das características da literatura que constituem meios para a elaboração especial da linguagem: 69 . tramas. polissêmico. entretanto o conhecimento da natureza do texto artístico é imprescindível para que se compreenda como funcionam os textos não-literários A leitura freqüente de textos literários é também muito importante na formação de uma pessoa. de guerra. o teatro. de humor. Hart. O jornal da Fox. por sua vez. Assim. William S. ao mesmo tempo. apresentado como uma narrativa no poema. costumeira. E cada uma dessas formas tem subgêneros. demonstra como as funções se sobrepõem. policial. mesmo não divina.. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR A impossível (sonhada) bolina ção. o poema é plurissignificativo. a associação entre as idéias. a elaboração original e única para a expressão de uma interpretação sobre os fenômenos do mundo. sublime agora que para sempre subm erge em funeral de sombras neste primeiro lutulento de janeiro de 1928.. Quando citamos um poema não podemos resumi-lo. duplo sentido. A primeira sessão e a segunda sessão da noite. A estruturação do texto é tão importante que qualquer substituição constituiria uma agressão à autoria do poeta. O romance./Fechado para sempre. tombos. análise psicológica. Nos versos “FECHADO O CINEMA ODEON. crítica da cultura.. porque a obra de arte oferece interpretações do mundo que estimulam a reflexão e o conhecimento Além de proporcionar experiência estética. de terror. crítica social. são simultâneas. Carlos Drummond de Andrade Boitempo O poema de Drummond exemplifica essa opção pela escrita de forma especial: a disposição das frases no papel.”.. o romance pode ser: histórico. Exijo em nome da lei ou fora da lei que se reabram as portas e volte o passado musical. de costumes. depoimento social de costumes de uma época. tiros. Nosso objetivo principal neste livro não é o estudo da literatura. diversas formas e diferentes objetivos. mas é também. As meninas-de-família na platéia. já que permite várias formas de leitura. critica política. a escolha das palavras. O relato da experiência pessoal. o jogo de palavras é intencional e não pode ser modificado sem que se modifique o efeito dessa escolha sobre a interpretação do poema como um todo. Por exemplo. e abre caminho para que os leitores empreendam uma reflexão que pode desdobrar-se em várias camadas: lírica. alterá-lo ou transformá-lo. O poema é prioritariamente uma elaboração especial da linguagem. a poesia narrativa épica são feições diferentes para um mesmo fenômeno: a arte da palavra. o Conto. No exemplo. de amor. waldemarpissilândico. A prosa e o verso se desdobram em outras espécies literárias.7 70 TÉCNICA DE REDAÇÃO Ritmo Repetição de palavras Repetição de sons Repetição de idéias Jogos de palavras Ironias. expressão do EU e informação sobre fatos e acontecimentos. pobre sátiro em potencial.

o autor se distancia ou desaparece quase completamente para tornar a informação bastante neutra. e) Funçdo referencial Quando a língua é usada para descrever. podemos repetir informações. Almanaque Abril 1996 Como você pode observar. autor do consagrado Limite (1929-1930). conceituar. dizemos que se evidencia a função referencial. clara e objetiva. imparcial. corrigir e explicar melhor. do contexto. Considere o seu próprio uso da linguagem e observe que a língua escrita não dispõe dos recursos contextuais. pois se refere primordjalmente a uma noção ou fenômeno. 3. revisamos para avaliar o funcionamento do texto e evitar repetições desnecessárias de palavras. explicar algum item mal compreendido. definir. como penso. Embora pertençam ao mesmo sistema. O exemplo a seguir é um caso em que a função referencial é preponderante: 72 TÉCNICA DE REDAÇÃO os primeiros grandes diretores: Mário Peixoto (1911-1993). precisamos seguir mais rigorosamente as exigências da língua padrão. não podemos resolver dúvidas imediatamente. usamos frases mais simples. concejtuar. acho. eliminação de elementos sintáticos etc. são sistematicamente evitados. Não quer provocar algum comportamento no leitor. como expressões faciais. definir são formas de linguagem que evidenciam a função referencial. O objetivo é transmitir informações a respeito de uma realidade. pois não atrai a observação do leitor sobre a forma como é organizado. na fala. e Humberto Mauro (18 77. Descrever. percebo. Decisões em relação às estruturas Iingüísticas O falante de uma língua é. Ele fala e usa a língua em diversas situações. cortes. titubeios e problemas de concordância. que enriquecem a oral. expor. porque o nosso interlocutor está distante e é necessário garantir a compreensão. interpreto. Há distinções fundamentais nesses usos que é preciso considerar. temos apoio da situação fisica. É como se a realidade falasse por si própria. repetições. Ao escrever. a cada momento. sem a interferência das impressões do autor. autor de Brasa Dormida (1928) e de Ganga Bruta (1933). a maneira como fala. inversões. quem lê e a linguagem em si são questões deixadas em segundo plano. sinto. um pouco atrapalhada. gestos. relatar.1983). é o mais valorizado nos meios científicos. .e de familiaridade com as estruturas e Possibilidades da língua escrita. um poliglota. é muito comum surgirem na fala truncamentos. usamos expressões dialetais com mais freqüência. na primeira pessoa do singular. com distintos objetivos. que o texto é transparente. das referências ao ambiente. então. a não ser em situações muito formais ou delicadas. das pausas. conjunções facilmente compreendidas. Os recursos explorados pela literatura para chamar a atenção para a estrutura da linguagem (repetições. O que ganha evidência é a informação. no qual os verbos que indicam subjetividade. Este tipo de texto. informar. dos gestos. das modulações da voz. voz. considero. 74 TÉCNICA DE REDAÇÃO Na escrita planejamos cuidadosamente o nosso texto para assegurar que o leitor compreenda nossas idéias sem precisar de mais explicações. essas duas manifestações são apenas parcialmente semelhantes. das expressões faciais. pois podemos. Quem fala. universitários e acadêmicos. entonação. expressões faciais. em diferentes níveis. ou seja. de certa forma. como as que se dão entre: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 73 modalidade oral e escrita registro formal e informal variedade padrão e não-padrão a) Distinções entre as modalidades oral e escrita Freqüentemente confundimos as modalidades da língua oral e escrita. não trata da linguagem como fenômeno nem busca proporcionar experiência estética especial. pois não temos o apoio do contexto. não dispomos de recursos como gestos. Geralmente.) são evitados. do conhecimento do interlocutor. Pensamos muito rapidamente e a expressão das nossas idéias pode ser. não se trata de um texto expressivo (centrado no EU). Podemos esquematizar nossos procedimentos: Na fala somos mais espontâneos. Dizemos. não planejamos com antecedência o que vamos falar. podemos resolver dúvidas do ouvinte.

entendeu?.truncamentos. colocação pronominal. Tem características próprias e exigências diferentes. principalmente quando o texto é formal. Boa tarde! e da escrita mais informal Tô chegando aí Deiva o parabéns pra mais tarde! à mais formal Chegaremos ao local da cerimônia com uni pequeno atraso em relação à programação anteriormente estabelecida. Para isso é imprescindível ampliar continuamente o acervo de opções. viu?. sabe? Verbos de sentido muito geral no lugar de verbos de sentido mais exato: dar ficar dizer tei fazei achar ser. Um dos problemas mais freqüentes na produção de textos de jovens redatores é a confusão entre a modalidade oral. utilizamos sintaxe mais complexa. que permite a exatidão e a clareza do pensamento. ou seja. assim. pois temos tempo de procurar a palavra adequada. chamamos atenção para o seu próprio uso da linguagem e para a necessidade de que você reflita acerca de seu desempenho. mas muitas vezes são utilizadas indevidamente na escrita formal: Formas reduzidas ou contraídas. o contexto. Há uma gradação que vai da fala mais descontraída 01. a escrita não é a simples transcrição da fala. pontuação. . as orações subordinadas são mais freqüentes na escrita que na fala. evitamos gíria e expressões coloquiais. tá (está). segundo os objetivos do momento. taí (está aí). porque representam estruturas próprias da fala. tô (estou). 76 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Palavras de articulação entre idéias (repetidas em excesso) que substituem conjunções mais exatas: então. ortografia. né (não é). cê (você). Podemos sintetizar as diferenças no seguinte quadro: FALA ESCRITA Espontânea Planejada Evanescente Duradoura Repetições / redundâncias/ Controle da sintaxe / das repetições / truncamentos / desvios da redundância Predomínio de orações Predomínio de orações coordenadas subordinadas Gran de apoio contextual Face a face Interlocutor distante . procuramos utilizar um vocabulário mais exato e preciso. certo?. pra (para). observe alguns itens que merecem atenção. Para que você tenha ferramentas para analisar essa questão. e a modalidade escrita formal. e. que permeia a escrita informal. bom. problemas de concordância. planejada e mais próxima da escrita Caros ouvintes. Portanto. veja bem. que podem aparecer em textos informais. o vocabulário e as formas de combinação das palavras em frases e textos. de acordo? não sabe?. Sinais utilizados na fala para orientar a atenção do ouvinte: bem. regência. Cabe ao falante ou redator analisar a situação. Outra vez. e decidir como usar as infinitas possibilidades da língua da forma mais adequada e aceitável. Solicitamos que as atividades sejam adiadas por alguns minutos. daí aí. que. peraí (espere aí). Ausência de apoio contextual DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 75 b) Formalidade e informalidade Tanto a fala como a escrita podem variar quanto ao grau de formalidade. tá tudo bem? à fala mais formal.

comédias e filmes com atores interpretando a voz atrás da tela. pega leve. apenas sete meses depois da projeção inaugural dos filmes dos irmãos Lumière em Paris. Há recursos da fala e da escrita informal que funcionam muito bem em determinados contextos. Portanto. a sua saude é superimpoante pra gente. sem essa. E Afonso Segreto quem roda o primeiro filme brasileiro. A escola deve respeitar as diferenças. Eles são os exemplos mais citados em nossas gramáticas descritivas e normativas. E muito dificil definir o que seja o padrão culto de uma língua. O que define a norma ou padrão culto é o uso. No início do século.. Assim. esse papo às vezes enche! Mas te vendo cansado e fazendo tudo pra agradar. não se deve mais generalizar.. espontâneo. O modernismo constituiu uma forma de revolução na linguagem literária. oferecendo oportunidade de acesso ao domínio da norma culta. com cenas da baía de Guanabara. uma vez que essa norma se sobrepõe às variedades regionais e 78 TÉCNICA DE REDAÇÃO individuais. libertando-a para novas experiências. sem eliminá-las. Muitas DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 77 vezes. Isso diz respeito tanto à fala quanto à escrita. econômico e social daqueles que o definem e o codificam nas gramáticas escolares e o consagram na escrita formal. velho. Só que eu também penso no seu. transgressões às formas aceitas até então na escrita culta formal. E quando é que você vai se tocar disso? Hoje não tem presente. dos textos informativos.. com ele. manera. informal. amarra. dizendo que a norma culta está na literatura. Você fala pra tomar Cuidado corri os eXcessos. Várias salas de exibição são abertas no Rio de Janeiro e em São Paulo no início do século XX. encontramos algumas dessas formas impróprias. vai la’. Assim. língua culta ou padrão. e. A norma padrão assegura a unidade lingüística do país. a seguir. um texto expositivo contemporâneo: Em 8 de julho de 1886. vestígios de coloquialismo. mas que são inadequados em documentos oficiais ou em textos formais. por exemplo) que constituem desvios. Aparecem na escrita de forma eficiente quando se deseja dar ao texto um tom coloquial. sujeito a uma infinidade de influências e transformações. democraticamente. em 1898. nós. Operíodo de 1908 a 1912 é considerado a beile époque do cinema brasileiro. sempre em evolução. a norma culta deve distinguir os usos literários dos não-literários. sem o qual a vida profissional pode ficar prejudicada. pega leve nas frituras. pois estamos lidando com um fenômeno vivo. Inconsistência no uso de pronomes: te. É exigida em determinadas circunstâncias. rolando um papo. um efeito de intimidade que simula a oralidade ou o diálogo. a gente. Um uísquinho de vez em quando. como se fazia a respeito dos textos do fim do século dezenove. os grandes escritores modernistas trouxeram para a literatura a fala do povo e novas criações de efeito estilístico (Guimarães Rosa. Surge um centro de produção no Rio. em textos que não as admitem. a norma estava nos textos literários de autores como Machado de Assis. a língua padrão é o consenso do que está nos documentos oficiais. Pai. que no seu tempo era diferente Sabe.Vel se consegue mudar um pouco sua alimentação. E muitas vezes o caso do texto publicitário. diminui o açucar. entretanto. a produção cai . Mas o que té rolando é papo de amigo. Atualmente. enche. se toca. não há por que se portar perante a língua de modo submisso a um poder autoritário. Nos anos seguintes. Por isso velho. Rui Barbosa e Euclides da Cunha. o padrão depende do poder político. ou seja.. No ano seguinte Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles abrem a prim eira sala exclusiva de cinema na rua do Ouvidor. Esses elementos são próprios da fala espontânea. sem essa de dinheiro.Gírias e coloquialismos: papo. Observe. o Rio de Janeiro assiste à primeira sessão de cinema no Brasil. O texto formal utiliza o que chamamos de norma. Devem ser considerados os primeiros elementos a eliminar ou substituir quando se deseja transformar um discurso oral informal. nos jornais e revistas tradicionais de grande circulação. consensualmente aceito e consagrado como correto pelos falantes que têm alto grau de escolaridade. nos livros de qualidade. sem planejamento. histórias policiais. 6. Historicamente. é que a gente sente o quanto te ama. Você vive dizendo que pensa no meu futuro. sua. em um texto escrito formal. nas leis. como neste texto de uma propaganda de adoçante dietético: Você diz pra gente que a vida corre mansa. Faz como a mamãe que se amarra num diet. vocé seu. manera. Constituem recursos inadequados para o texto formal escrito. mas os dialetos regionais e as particularidades estilísticas pessoais têm seu espaço na vida social. Entretanto.

Almanaque Abril 2000. Exemplo: Ir ao teatro e viver a experiência estética proporcionada pela peça. Quem vai assistir ao espetáculo. quais são as maneiras de começar uma ata. Mas. na escolha do vocabulário.. ao gênero de texto que se quer produzir. Sabemos... coloquial. não há texto totalmente neutro. Gênero e tipo de texto Vamos imaginar que você queira escrever um texto sobre uma experiência estética que viveu (um bom filme. ou quer utili za uma linguagem formal. Assim. os períodos estão organizados em blocos de idéias bem distintos. de fato. quase naturalmente. estamos focalizando neste livro os gêneros que dizem respeito ao domínio da comunicação. que obedecem a uma ordem lógica (cronológica). tem a oportunidade de. citando-o ou não no texto.. Antes de começar a escrever. Nós fomos... as frases são curtas. p. uma boa música. Essas decisões estão relacionadas ao objetivo da comunicação e. como já vi mos.. pois a própria escolha das informações que serão utilizadas e das que serão omitidas já pressupõe uma posição diante da realidade. você tem de decidir se vai contar acontecimentos (narrar). Ou prefere se distanciar? Exemplo: Ir ao teatro é uma ex periênci surpreendente. 80 TÉCNICA DE REDAÇÃO na forma como você se dirige ao leitor. você observa que: a linguagem procura ser clara e objetiva.. expositivas.. Simultaneamente a essa decisão preliminar. a neutralidade com que se tenta convencer o leitor da seriedade e da confiabilidade das informações. portanto. Para produzir cada tipo de texto algumas habilidades de linguagem são necessárias. no qual são delineadas e discutidas idéias. Ao trabalhar com um determinado gênero utilizamos tipologia variada de texto... a ordem é predominantemente direta. distanciada? Essa decisão vai influir: na estrutura da frase. Todos nós. argumentativas e narrativas. como narrar um acontecimento. não há manifestação clara da opinião do autor. Você quer um texto mais subjetivo. qual é a forma de uma carta.por causa da concorrência dos filmes norte-americanos.. você tem de decidir também que ponto de vista adotar: você quer se colo ca de alguma forma no texto? Exemplo: Eu fui. Todos os gêneros nos interessam como leitores e como redatores.. a melhor maneira de contar uma anedota. informal e facilitado. apresentar uma reflexão teórica sobre o fato (dissertar). Analise as escolhas feitas pelo redator. objetiva. 4. em um romance encontramos partes dialogadas. que se sucedem compondo o enredo.Ç DECISÕES PRELIMÍNARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 79 Todas essas características contribuem para acentuar o caráter informativo do texto. um bom espetáculo teatral). Nós assimilamos esses formatos porque convivemos com eles nas nossas práticas sociais. com figuras de linguagem ou inversões sintáticas. 294 (com adaptações). Cada gênero já traz em si escolhas prévias em relação a estruturas básicas de linguagem que são automaticamente utilizadas pelo redator. não há intenção de mostrar um estilo muito elaborado. Sempre que produzimos uma forma qualquer de comunicação estamos utilizando um dos gêneros disponíveis na nossa cultura... as diversas possibilidades de participação em uma conversa. mais simples ou mais complexa. diz respeito ao nível de linguagem. w9k .. Exemplo: Ontem eu fui ao teatro e via peça. há uma deliberada neutralidade. Exemplo: É imperdível o espetáculo apresentado pelo grupo de teatro. Entretanto. o texto é impessoal. Outra decisão correlacionada às anteriores. e são . convencer o seu leitor de seu ponto de vista (argumentar e persuadir). Quanto aos aspectos da língua verbal propriamente.

persuadir de maneira formal e impessoal. de forma verossímil. situações. Representação pelo discurso de experiências vividas.apresentados e transmitidos os saberes. personagens. SITUAÇÕES DISCURSIVAS LITERATURA POÉTICA LITERATURA FICCIONAL TIPOLOGIA TEXTUAL PREDOMINANTE EXPRESSÃO POÉTICA VERSO NARRAÇÃO RELATO HABILIDADES DE LINGUAGEM DOMINANTES Elaboração da linguagem como forma de expressão da interpretação pessoal do mundo Imitação da ação pela criação de enredo. Observe os quadros nas páginas a seguir. refutação e negociação . em que estão listados alguns dos gêneros mais conhecidos. cenários. Para transitar nesse domínio. situadas no tempo GÊNEROS ORAIS OU ESCRITOS Poesia conto maravilhoso conto de fadas fábula lenda narrativa de aventura narrativa de ficção científica narrativa de enigma narrativa mítica anedota biografia romanceada romance romance histórico novela fantástica conto paródia adivinha piada relatos de experiências vividas relatos de viagem diário íntimo testemunho autobiografia curriculum vitae DOCUMENTAÇÃO E MEMORIZAÇÃO DE AÇÕES LEVANTAMENTO E DISCUSSÃO DE PROBLEMAS DISCUSSÃO DE PROBLEMAS SOCIAIS CONTROVERSOS ARGUMENTAÇÃO Sustentação. tempo. argumentar. é necessário saber expor.

ao seu funcionamento na situação. Se escrevemos sobre nós mesmos. Prática de tomada de decisões . O gênero de texto é sugerido pela própria situação de comunicação. Formulamos uma espécie de projeto de texto. se vamos utilizar a língua padrão ou podemos lançar mão de variações. temos que tomar decisões importantes em relação ao texto que vamos produzir. a função será referencial. se falamos da própria linguagem. decidimos se vamos utilizar um registro de linguagem mais formal ou mais coloquial. Decisões orientadoras Conforme enfatizamos neste capítulo. ao gênero. as quais vão servir de pauta para o desenvolvimento da escrita propriamente dita. ao leitor. E o próprio gênero oferece parâmetros básicos que nos guiam na formulação do texto. a função será metalingüística. se tentamos influenciar nosso leitor. A partir da função. refutação e negociação de tomada de posição ESTABELECIMENTO. se podemos incorporar elementos próprios da oralidade. Essas decisões nos situam em relação aos objetivos do texto. se falamos de alguma coisa. 6. Assim. a função será expressiva. ao nível de linguagem. a função será poética.PERSUASIVA de tomada de posição ata notícia reportagem crônica social crônica esportiva história relato histórico perfil biográfico aviso convite sinais de orientação texto publicitário comercial texto publicitário institucional cartazes siogans campanhas —folders cartilhas — folhetos textos de opinião diálogo argumentativo carta ao leitor carta de reclamação carta de solicitação deliberação informal debate regrado editorial discurso de defesa requerimento ensaio resenha crítica ARGUMENTAÇÃO Sustentação. EXPOSIÇÃO Apresentação textual de fatos e saberes contratos CONSTRUÇAO E da realidade declarações TRANSMISSÃO DE documentos de registro REALIDADES E SABERES pessoal atestados certidões estatutos regimentos códigos TRANSMISSÃO E EXPOSIÇÃO Apresentação textual de diferentes texto expositivo CONSTRUÇÃO DE formas dos saberes conferência SABERES artigo enciclopédico entrevista texto explicativo tomada de notas resumos resenhas relatório científico relato de experiências científicas INSTRUÇÕES E DESCRIÇÃO DE AÇÕES Orientação de comportamentos instruções de uso PRESCRIÇÕES instruções de montagem bula manual de procedimentos receita regulamento — lei regras de jogo placas de orientação 84 TÉCNICA DE REDAÇÃO 5. antes mesmo de começar a escrever. o objetivo nos propõe qual será a função da linguagem preponderante no texto. se fazemos arte das palavras. Há em nossa cultura um acervo de modelos de texto entre os quais escolhemos o que vamos utilizar em cada contexto comunicativo. a função será persuasiva. com suas diretrizes fundamentais.

que é o erro pela vontade extrema de acertar. Cada pessoa constrói sua própria técnica de organização inicial das idéias. O formato é tradicional: cidade. a) Fazer anotações independentes As idéias surgem sem muita organização. à medida que vamos fazendo leituras e reflexões acerca do tema. e essas tarefas já podem ser consideradas parte integrante da escrita. Quando já estamos nessa fase. Produza o texto e envie como colaboração ao periódico. Temos fama de ca ——4 ft 1 DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR çadores de erros. vocativo. Vamos explicar como é o funcionamento de cada um desses processos. De pos- . A concepção das idéias Como vimos. todo o mundo fica constrangido ao escrever para um professor de português. E preciso conhecer o assunto. antes mesmo de começar a escrever um texto há muitas etapas. São decisões relativas às informações que serão utilizadas e às posições que assumimos em relação a essas informações. Quando se decide por um gênero. Surgem em momentos diferentes e devem ser anotadas logo que se formam para não se perderem no esquecimento. e é preciso também tomar decisões a respeito da linguagem e do gênero de texto. Vão constituindo um conjunto de aproximações um pouco desordenado.me a carta. simulando as possibilidades de criação de um texto referente à música popular brasileira. um cartão-postal.a) Prepare-se para se comunicar com a autora deste livro. um bilhete. pedante. procuramos dar ordem às nossas idéias. pois ela pode conduzir a outros problemas como a linguagem artificial. Capítulo 6 A ordem das idéias 1. Se você quiser. ou à hipercorreção. 85 1. você vai optar pelo português padrão. Mas tente não cair nessa armadilha. envie. data. não é? Afinal. ter idéias. introdução etc. Há muitas possibilidades. posições. Agora você pode decidir o registro de linguagem: formal ou informal? Que função prefere dar à carta? Quer expressar suas opiniões sobre o livro? quer fazer algumas perguntas? quer me convencer de alguma coisa? quer me passar informações acerca de outros livros da área? quer falar da dificuldade de produção da própria carta? ou quer colocar um pouco de cada uma dessas funções no mesmo texto? Escreva a carta e ao relê-la veja se ficou coerente com suas escolhas preliminares. Naturalmente. como vimos no capítulo 2. Embora você possa escolher um telegrama. imediatamente você já tem alguns parâmetros para a produção. prefiro que opte por uma carta. b) Escolha um gênero expositivo e trace um planejamento como se fosse publicar o texto em um periódico que você tem o costume de ler.

vamos montando blocos de idéias maiores e uma rede entre eles que vai formar o texto. Rio de Janeiro: Record. uma posição a respeito de uma idéia vai se construindo pouco a pouco. “montou “ o caos que Clarice anotou em guardanapos. 30-1. no período de vida em que foi apoiada pela amiga Olga Borelli: Em Água Viva. fratava de abrir um caminho. Quando Clarice não podia mais ordenar o que escrevia.88 TÉCNICA DE REDAÇJO se de muitas anotações. E. Clarice leva sua estética do fragmento ao paroxismo. 1999. Mais uma vez a literatura fornece exemplos. foram concatenadas umas às outras em busca de uma ordenação preliminar lógica. sem se intrometer no que lia. é reduzido e rápido.) Clarice lhe entregou uma pilha de fragmentos. índios lunu / ritos ritos trib crs religiosos /m0inhas e” 12’99 — Chiquirih Gonzsg ôreIs 1 marcha e crnsvsl / 1917— Dongs Pelo telefone —1? samba 50— smb-cnço — boss-nov es-e7 — festivsis . anotadas em momentos diferentes. José Casteilo. lenços de papel. o redator relê e analisa esses registros. que na vida profissional é mais flexível e largo. uma direção para a tempestade escoar. escravos. DJficil dizer o que lemos — e é impressionante pensar que uma outra pessoa. estabelecendo a hierarquia e a combinação entre eles para formar o texto preliminar. pp. em que há limite rigoroso de tempo.. ao escândalo. Inventário das sombras. sozinha com sua tesoura. Assim pode trabalhar sobre um rascunho em que várias idéias. e depois foi encaixando-os. jorna is. Olga a escoltava. num concurso. (. Observe o que conta José Casteilo a respeito do processo criativo de Clarice Lispector. Olga Borelli. a partir de pequenas aproximações e conclusões. Observe como podem se configurar anotações registradas durante a leitura de diversos textos acerca da música popular brasileira: ? ‘ /flfr z A ORDEM DAS IDÉIAS Pcdas le 2OIOI4O rádios — grvors 5io Luiz Gonzg e HumL’ert. como as peças de um puzzle. mas acontece a partir do momento em que o redator toma conhecimento do tema. A partir dessas pequenas peças. Mesmo quando não se trata de literatura.o íeixeir Sos idi resistnci vem s feIic1e e cls riuez t55 origens 89 AFOPULA5ASILEIRA Portugueses. bulas de remédio. Esse percurso. que ela pacientemente dividiu em dezenas de envelopes.

A palavra-chave é um núcleo significativo que sintetiza uma idéia maior. Os colonizadores brancos tinham na bagagem misicas sacras. Os africanos trouxeram junto com os ritos e cerimônias religiosas uma musicalidade especial. muitas vezes. Veja como se podem gerar novas idéias a partir de um parágrafo: A mLsic brasileira o resuIt&o da fusao dos ritmos trazidos pelas três etnias ue formaram o nosso povo: íridios. H música para todos os gostos. desen volver as idéias ali expostas — Muitas pessoas têm dificuldade até começar a escrever. E um recurso muito produtivo para provocar a criação e apreensão de idéias essenciais. negros e portugueses. A ORDEM DAS IDÉIAS 91 Observe o registro preliminar de palavras-chave acerca da música popular brasileira: ORiGEM 3 ETNIAS FUSÃO SAMEA NOVOS ESTILOS ALMA 5RASILEIA ESISTNCIA E’EFERNCIA DA JUVENTUDE d) Construir um parágrafo para desbloquear e. os brasileiros continuam preferindo nossa Mj9’ poroLue ela reflete a nossa alma e é muito rica. ainda formulada apenas na mente do redator. sem planejamento. Os nativos possuíam uma rica sonoridade para acompanhar seus ritos tribais. Hoje os jovens retomam os ritmos primitivos e revalorizam as origens de nossa música. e. Quando falamos. diversa e tem suas origens em diversas fontes cue vm dos negros. DESENVOLVER A IDÉIA DE FUSÃO DA RiCA SONORiDADE DAS TRÊS ETNIAS e) Escrever a idéia principal e as secundá rias em frases isoladas para depois interligá-las. É muito freqüente. apreendemos um esboço que poderá ser reformulado. desenvolvido ou reduzido posteriormente. existirem idéias incompletas ou detalhes dispensáveis. Mas h muitos outros ritmos e estilos cue convivem e se influenciam mutuamente. marchas oficiais e modinhas. então. nisngue-L7et 90 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Escrever tudo o que vem à mente. esse é um procedimento muito rápido para captar as idéias. nesse tipo de texto. sx& sertsnejo. Nesse caso. cortar e ordenar A música popular brasileira é muito rica. Esse processo se aproxima muito da fala. A linguagem apresenta. de acordo com o fluxo do pensamento. conseqüentemente. um tom informal. c) Fazer uma lista de palavras-chave e reordená-las. hierarquizando-as Quando o redator tem bastante capacidade de síntese e habilidade mental de centralizar um pensamento numa única palavra. para depois. Embora haja uma forte indústria cultural estrangeira ue quer dominar o mercado no brasil. as idéias vão surgindo rapidamente. mesmo que de maneira ainda rudimentar. Se conseguimos captar esse fluxo e registrálo. Mesmo que esse parágrafo seja ainda muito preliminar ou inadequado. A releitura fornece evidências que devem ser consideradas para as transformações. escrever logo um parágrafo para pensar em outras idéias depois de relê-lo é o caminho mais indicado. O samba nasceu da fuso de ritmo5 das três raças. Enquanto estão trabalhando apenas mentalmente ainda se sentem inseguras e não conseguem avançar muito. não haver pontuação nenhuma. índios e portugueses. não temos como discipliná-las. ou elaborar uma espécie de esquema geral do texto 92 TÉCNICA DE REDA ÇÃO . depois. o procedimento ajuda a gerar novos pensamentos sobre o assunto.—jovem-gurs Se’ —tropicalismo 70 — revlorizço tio sa m jazz + instrumental rock brssileiro 50 — rock LrsiIeiro 90 — releitura tis MP5 — reciclagens pgocle.

que podem ser ampliadas: A música popular brasileira nasce sob o signo da ritegraç o de diversas formas e estilos musicais provenientes das três etnias otue formam o brasil: negros. de nossas posições em relação ao assunto. para nós mesmos. mas resiste. a música popular brasileira incorpora. exemplos. como já vimos. Embora sofrendo influencia constante da produçõo estrangeira. seleção. depois de transcrito. No texto dissertativo. modinha NOVOS ESTILOS samba (Pelo telefone — Donga) Fatores favoráveis rádios e gravadoras OUTROS ESTILOS enriquecimento efortalecimento fidelidade às origens alma brasileira RESISTÊNCIA À DOMIA4ÇÃO gosto popular música estrangeira é secundária jovens preferem música brasileira ORDEM DAS IDÉIAS 93 fi Elaborar um resumo das idéias principais e depois acresLentar detalhes.RITOS RELIGIOSOS (raízes fortes) ÍNDIOS . A partir desse pequeno texto inicial como fio condutor. também. explicações. Em todos esses processos. começamos a tomar decisões a respeito dessa rede de sentidos com uma noção ampla. sempre criativa e viva. em 1917.RITOS TRIBAIS BRANCOS . o esquema inicial vai sendo reformulado durante o desenvolvimento do trabalho e chega a ser completamente transformado. estabelecemos como organizar a articulação entre as idéias. Mas a matriz inicial é que fornece subsídios para esses aperfeiçoamentos. g) Organizar mentalmente grandes blocos de texto. Na seleção. há procedimentos comuns: geração. A releitura do resumo indica os pontos que podem servir de alavanca para novos desenvolvimentos. Na ordenação. quando se trata de escrever um texto não-literário. maxixe.MÚSICA SACRA / MARCHAS /MODINHAS FUSÃO DOS RITMOS ORIGINA IS lundu. recicla. Observe um esquema já estruturado para desenvolvimento de um texto: A música popular brasileira resiste à dominação cultural ORIGENS 3 ETNIAS NEGROS . A elaboração de um esquema prévio pode onentar o redator quanto ao percurso mais . escrevêlos e reestruturá-los após a releitura Esse é um procedimento próprio de redatores maduros. de uma maneira geral. e se consolida nas primeiras décadas do sáculo. do que queremos apresentar. ampliações. escolhemos o que vamos dizer e o que não vamos dizer. expositivo ou argumentativo. uma rede de relações lógicas entre 94 TÉCNICA DE REDAÇÃO as idéias do texto. Analise este resumo e observe como ele tem muitas idéias articuladas entre si. decidimos a ênfase a ser dada a cada idéia e a submissão de uma idéia à outra. um método bastante produtivo é elaborar da forma mais clara e completa a idéia principal que será desenvolvida no texto.Muitas vezes. voltada para suas raízes. uma matriz semântica. Entre todos os procedimentos apresentados. Essa elaboração demanda paciência para que o redator faça várias tentativas e reformulações em busca de maior exatidão para seu pensamento. idéias secundárias Um resumo. é um texto denso e bem estruturado. hierarquização e ordenação das idéias. que têm muita experiência e conseguem montar o texto na memória. O importante aqui é criar um mapa inicial de sentidos. Na hierarquização. Esse texto. F’ela fusão e mútua influência entre os vários estilos nasce o samba. Não há um modelo universal que atenda a todas as variações. o desenvolvimento pode seguir as vertentes sugeridas pelo próprio assunto. pelo esclarecimento. passa por pequenas alterações e ajustes ditados pela releitura cuidadosa. ou seja. E. Cada texto determina as articulações que lhe são próprias. inserções. Vamos especificando e detalhando nosso ponto de vista em relação à idéia preliminar pelo aprofundamento da nossa reflexão. índios e portugueses. original e soberana. absorve novas contribuições. ainda não muito delineada.

. bossa4. ligam os parágrafos entre si. simultaneamente. samba-canção. relação de continuidade temática com a idéia principal e com a conclusão do texto. Vamos observar um texto produzido a partir das idéias registradas nos exemplos das páginas anteriores: Título: resumo da idéia principal O caráter de resistência da música popular brasileira Idéia principal — origem — resistência A música popular brasileira nasceu sob o signo da miscigenação. em suas múltiplas configurações. Esses procedimentos relacionam cada parte do texto à parte que a antecede e à que a sucede imediatamente. de suas marchas oficiais e de suas modinhas populares. as marchinhas de carnaval. foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. Das anotações para o texto Para estabelecer a rede e desenvolver a idéia principal. A música estrangeira nunca deixou de ser um acessório secundário no nosso universo cultural. dessa sintonia extremamente qfinada e bem construída. resistente à invasão e à dominação estrangeira. detalhamento e . o negro trouxe a sonoridade de seus ritos religiosos e o branco português a melodia de sua música sacra. a modinha. Essa trama mais global se constitui a partir de procedimentos lógicos que constituem a seqüência e a progressão do texto. que é sempre uma revaloriza ção das raízes brasileiras. sertanejo. a música nacional não se reduz ao samba. mas se multiplica em inúmeras vertentes. Conclusão: aforça que sustenta a resisténcia cultural vem dos alicerces. nasce uma força indestrutível que representa uma resisténcia à invasão e à dominação que outras culturas tentam impor por meio de suas avançadas indústrias culturais. utilizamos diversas formas de combinação e de articulação entre as informações. Todas as escolhas dependem da intenção do autor. constituindo assim uma estrutura temática que transcende as frases e períodos. em 1917. tornando-o coeso. O segundo parágrafo está ligado ao primeiro pelos processos de expansão. da riqueza e da afinidade com o povo. mas que tem sua própria “gramática”. A idéia principal está no título e percorre todos os parágrafos de diversas maneiras. Todas as idéias e informações colocadas em um texto se justificam em vista dessas relações. mantêm. o maxixe. No processo de consolidação do samba. exeinplificação. 2. Três etnias contribuíram com seus ritmos para que chegássemos a constituir o talento que hoje encanta o mundo em termos de musicalidade. houve influência mútua de outros ritmos e o Jávorecimento do progresso técnico. Entretanto. Oposição à idéia de ritmo único — ampliação da idéia de novos estilos e manutenção da idéia de consolidação das raízes. compositores e intérpretes. . A ORDEM DASIDÉJAS 95 Para que as ligações se realizem de forma adequada e correta nas frases e períodos construídos no texto. das gravadoras e da profissionalização dos músicos. da idéia que forma de seu leitor. comprova que os alicerces da músibrasileira estão plantados em raízes inabaláveis. Os diversos processos de fusão e reciclagem das nossas origens musicais tecem uma trama de ritmos e harmonias que reflete a alma do povo e por isso tem sua adesão incondicional. Introdução da idéia de consolidação. resistente à invasão e à dominação estrangeira. tropicalismo. No parágrafo de apresentação. pois nada é casual. Dessa identidade entre a produção musical e o gosto popular. E a adesão das novas gerações ao que é genuinamente nacional. . observamos a frase núcleo do texto: Sobre uma matriz rítmica multirracial foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. rap e mangue-beat se sucedem e convivem. os recursos sintáticos da gramática da língua são imprescindíveis (como veremos no capítulo 7). axé. Nessa base estão o lundu. de Donga. Sobre essa matriz rítmica multirracial. A certidão de idade oficial dessa criação tipicamente brasileira é Pelo Telefone. num enriquecimento efortalecimento da base.adequado. que ofereceram um terreno fértil onde nasceu o samba. jovem guarda. Baião. da situação e de muitos outros fatores que ultrapassam os limites do papel. Além disso. O índio forneceu seu ritmo de ritos tribais. ou seja. o chorinho. a 96 TÉCNICA DE REDAÇÃO nova. pois é a era do rádio. introdução da idéia de gosto popular. Desenvolvimento da idéia de novos estilos — detalhamento. pagode.

Nas dissertações. Convite à Filosofia. apresentamos uma idéia principal por meio. concepção pessoal. A organização das idéias Vamos analisar mais detalhadamente algumas dessas formas de articulação entre as idéias. de repetição da mesma idéia. apreciação. Não é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. opinião. Marilena Chaui. de acordo com o objetivo do trecho. o período afirmativo é muito freqüente.. por isso. julgamento. Embora apresentem uma característica predominante. pode-se apresentar como noção paticular. Não é pesquisa de mercado para conhecer prefe réncias dos consumidores e montar uma propaganda.exemplificação do que foi anunciado no primeiro. p. exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. E a ação de formular um esclarecimento e. mas se combinam e podem ser encaixadas em várias classificações simultaneamente. ldeZj Definição ou conceito Conceito é a representação de um objeto pelo pensamento. de recursos como: Afirmação. O novo estilo por excelência é o samba. opera com conceitos ou idéias obtidos por procedimentos de demonstração e prova. Quando é uma posição subjetiva. como os resumos e os editoriais. Mas não devemos nos restringir a essa noção. busca encadeamentos lógicos entre enunciados. segundo preferências e opiniões de cada um de nós. trabalhamos com a apresentação de “verdades” que são defendidas (texto argumentativo) ou apenas expostas (texto expositivo). essas articulações não surgem de maneira exclusiva. Em geral. Assim. Ou seja. a estrutura com o verbo ser (X é YYY) é a mais freqüente nesse caso. Atica. por meio de suas características gerais. 98 TÉCNICA DE REDAÇÃO A filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos. mas não obrigatoriamente. Aqui temos um exemplo de conceituação objetiva. / A ORDEM DAS IDÉIAS 97 Como vimos. a) Apresentação Em períodos introdutórios. parte do princípio de que o leitor pode estar pensando de maneira equivocada. declaração ou asserção. Marilena Chaui. e existem em textos que não apresentam parágrafos. 8 ed. 3. ou seja. As indaga çõesfilosófi cas se realizam de modo sistemático. São Paulo: Ed. A filosofia não é um “eu acho que “ou um “eu gosto de “. há uma certa carga de redundância. entre outros. 1997. negar essa possibilidade logo de início. pois ele já traz em si as vertentes que devem ser ampliadas no desenvolvimento do texto. Pretendese. em que a posição do redator não sobressai: . avaliação. 15. O parágrafo conclusivo retoma a idéia de que a força e a resistência à dominação vêm da sintonia com a alma popular e da fidelidade às raízes. necessária para que se mantenha a unidade temática. Negação O recurso de apresentar uma idéia negando outra trabalha com o pressuposto de que há uma idéia oposta já conhecida. O terceiro se opõe à inferência possível de que só o samba é importante. Observe o exemplo em que a autora inicia o texto negando a validade do senso comum em relação à Filosofia: As indagaçoes fundamentais nao se realizam ao acaso. são estratégias de delimitação e construção de parágrafos. introduz a noção de diversidade e reforça a idéia de fidelidade às raízes e de reflexo da alma popular. pois servem para unir idéias dentro de um mesmo parágrafo. então. Observe estes dois exemplos de apresentação da idéia principal por meio de períodos afirmativos: A música popular brasileira resiste permanentemente à invasão e à dominação de ritmos estrangeiros que a indústria cultural dos países mais desenvolvidos tenta impor.

a resposta à questão formulada. jovens armados de pás e picaretas arremetiam.. Uma definição subjetiva apresenta outras formulações. Nela. p.. Vera Teixeira Aguiar. o feito era comemorado como se tratasse de um ritual bárbaro de luta e conquista. acadêmicos ou científicos. como: Acredito que a intuição é.. Penso que a intuição é. 20 textos que fizeram História. 7. as afirmações envolvem julgamentos e tomada de posição acerca do objeto. Resumos do Simpósio 500 anos de descobertas literá rias. Comentário de uma citação ou de um fato Assim como no item anterior. em São Paulo. decidido a exercer sua função crítica e a informar seus leitores acima de qualquer obstáculo.. Explicitação do objetivo do texto Nos trabalhos científicos e acadêmicos é costume iniciar o texto pelo objetivo da pesquisa. Essa resposta exige ampliações. então. Paulo.A ORDEM DAS IDÉIAS 99 A intuição é uma compreensão global e instantânea de uma verdade. Idem. procuramos comprovar. assim como nos prefácios e introduções de livros é comum um esclarecimento sobre as intenções. E um ato intelectual de discernimento e compreensão.. tais como: o que desejamos nesse trabalho. Quem pergunta. Entretanto... Da relativa ingenuidade dos textos que compõem a cobertura do incêndio no edifício Joelma. de um objeto.. furiosos. Veja um exemplo: . p. Departamento de Teoria Literária e Literaturas. 1991. testemunham as virtudes e percalços do jornalismo praticado pela Folha. 100 TÉCNICA DE REDAÇÃO Julgamento ou avaliação Quando uma apresentação pressupõe uma análise prévia. um conhecimento específico ou uma avaliação anterior. Toda vez que uma laje do muro caía. de uma só vez. Veja. Minha concepção de intuição é . em 1984. Folha de S. ao mesmo tempo. Marilena Chaui. 7. O desenvolvimento do texto será. o capítulo ou o livro todo. explicações. Observe o exemplo a seguir... Folha de S. o que se abre ao leitor é um jornal em permanente movimento. de dezenas de milhares de pessoas. a metáfora. Interrogação Construir uma pergunta de efeito retórico. esse comentário pressupõe uma posição do redator em relação ao que vai apresentar. focalizando as impressões do redator: A ORDEM DAS IDÉIAS 101 O cenário parecia extraído de algum livro maluco de ficção. Paulo. que podem ocupar o parágrafo.. Frases que orientam o leitor e indicam o objetivo são freqüentemente utilizadas. promete a resposta. São Paulo. 1991. Universidade de Brasília. passando pelo engajamento na defesa das eleições diretas. Pode também trazer descrições ilustrativas e outros recursos de ênfase e valorização dos aspectos que merecem a atenção do leitor. em que a narração descritiva da queda do muro de Berlim é formulada com base na adjetivação e nas comparações. detalhes. propósitos e limites da obra. Eu acho que. a razão capta todas as relações que constituem a realidade e a verdade da coisa intuída. a partir do levantamento de informações sobre as instituições atuantes e seu papel na produção e na difusão da literatura na sociedade. Essa posição pode ser definida por meio de figuras de linguagem como a comparação.. resgatada dentro de uma investigação mais ampla sobre a vida literária do Rio Grande do Sul de 1870 a 1930. estamos tentando provar. a apresentação de um livro estruturada por meio de um juízo positivo de valor: Os capítulos que compõem este “20 Textos que fizeram História” refletem a vida recente do país e. pretendemos demonstrar. a personificação. 63. Observe o exemplo: Este trabalho propõe-se a refletir sobre a produção feminina sul-rio-grandense.. estimulados por gritos. em Berlim. é uma das formas mais simples de apresentação de uma idéia. ás vezes histéricos. 20 textos que fizeram História.. de um fato. p. 1999. ao tom vigilante das coberturas sobre o mau uso do dinheiro público. essas formas não são bem aceitas em textos objetivos. no exemplo a seguir. contra o muro de cimento. pois não é para ser efetivamente respondida pelo leitor. São Paulo. Segundo meu ponto de vista. o objetivo dessa investigação.

estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade. methodos composta de meta através de. p. as técnicas. corno nos exemplos: A palavra método vem do grego. como as secundárias passam por processos de expansão que envolvem detalhamento e aprofundamento. o que quer dizer essa expressão signfica.Muitos fazem essa pergunta: afinal. 20. p. que são completamente diferentes das características desenvolvidas por outros povos epor outras culturas. como exemplo pode-se observar... nas regiões onde ela se implantou. b. Marilena Chaui. as evidências vêm reforçar a idéia que é defendida pelo autor. Esse recurso se constitui como: Esclarecimento do significado das expressões. palavras ou conceitos utilizados. p. formas de parentesco e formas de organização tribal dos gregosforani resultado de contatos profundos com as culturas mais avançadas do oriente e com a herança deixada pelas culturas que antecederam a grega. as estatísticas. em geral apresentada no início do texto. como no seguinte fragmento: Um exemplo de luta social para interferir nas decisões sobre as pesquisas e seus usos encontra-se nos movimentos ecológicos e em muitos movimentos sociais ligados a reivindica ções de direitos. 27. com três finalidades 1. o pensamento a ação. aparecem com freqüên 102 TÉCNiCA DE REDAÇÃO cia nessas situações Há. e de hodos. poesia. ou seja. 2. 8 ed. Ática. São Paulo: Ed. c ou sinais de itens). permitir a demonstra ção e a prova de uma verdade já conhecida 3. os testemunhos. conduzir á descoberta de uma verdade até então desconhecida. Algumas expressões indicam de forma explícita que há uma inserção de exemplo: para exemplificar podemos observat por exemplo. dança. permitir a verca ção de conhecimentos para averiguar se são ou não verdadeiros enaChauiIdem 157 Nem sempre recursos de numeração. l3j b) Ampliação e explicação Tanto a idéia principal. para comprovar o que foi dito. utensílios domésticos e de trabalho. exemplo disso é. instrumentos musicais. por meio de. nos quais os dados. via. 28J Um texto não existe sozinho. Quando se diz que a filosofia é um frito grego. uma expansão de elementos J apresentados no texto. Observe um exemplo em que a enumeração é assinalada por números: No caso do conhecimento método éo caminho ordenado que o pensamento segue por meio de um conjunto de regras e procedimentos racionais.. para que Filosofia? É uma pergunta interessante.. formas de habitação. A exemplificação é um recurso muito útil tanto nos textos didáticos como nos textos argumentativos. Idem. Não ouvimos ninguém perguntar: para que matemática oufisica? Marilena Chaui. assim é o que ocorre no caso em que. Ele traz o eco de vários outros textos com os quais se relaciona e . Convite à Filosofia. p.1997. ou Outros que indiquem a divisão (como a. Expressões como: isto é. Idem. Idem. cultos religiosos. p. Enumeração de fatores constitutivos ou acumulação de elementos que complementam a idéia inicial. então. caminho Usar um método é seguir regular e ordenadameizie um caminho através do qual uma certa finalidade ou um certo objetivo é alcançado Marilena Chauj. música. Idem. Os exemplos podem tornar o texto menos abstrato e facilitar a compreensão do leitor. são necessários: A ORDEM DAS IDÉJAS Os estudos recentes mostraram que mitos. 157. Marilena Chaui. Marilena Chaui. o que se quer dizer é que ela possui certas características apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos.

informar discorrer acentuar ponderar. Um desafio á Educaçào. replicar. da origem e das causas do mundo e das suas transformações. E descer à adegapor vezes significa olhar o que se passa nos subterráneos e nos fundamentos psicológicos ou sociais de nossa existéncia afim de aí discernir nossos condicionamentos. discutir questionar. mesmo sem marcas evidentes. discursar.que constituem um contexto amplo em que se situa. bradar pronunciar. registrar. Bachelard interrompeu um jornalista que o entrevistava dizendo-lhe: ‘parece que você vive num apartamento e não numa casa “. que são citações apenas sugeridas e há citações explícitas. que são chamados dicendi. na primeira.” Hilton Jupiassu.zer. a Filosofia pode ser ‘entendida como aspiração ao conhecimento racional. alegar.. engraçadas. históricas. lógico e sistemótico da realidade natural e humana. pitorescas. contestar contradizer. declaração. referir. vale dizer. 20). citar. além da zona habitável. Tanto no discurso direto (que transcreve literalmente as palavras do outro após um travessão) como no discurso indireto (em que a fala do outro está parafraseada pelo redator sem travessão) esses verbos são utilizados com freqüência. artísticos. já estou informando que a posição de quem fala é de reflexão. XJá afirmou que. poéticos. Como já vimos anteriormente. Se uso as próprias palavras do autor citado.. a voz do outro pode vir entre aspas. declamar. Há alusões. considerar. (adaptado) 106 TÉCNiCA DE REDAÇÃO . usamos verbos especiais. a filosofia é uma importante forma de conhecimento do mundo. 1999. Ao inserir voz. perguntou o entrevistador. Quer dizer: não podemos viver limitados apenas ao nível do código restrito da ciência. Nessas. expor mencionar. Questões como o que é o amor? e o que é a amizade? são muito importantes. comunicar. viver uma busca das significa ções da existência através dos simbolos filosóficos. denunciar. Observe alguns desses verbos e analise o sentido que acrescentam à idéia de dizer: falar. A escolha de um desses verbos indica um comentário ao ato de falar do outro. esclarecer. há citações implícitas. concluir. p. Podem agregar algum significado adicional ao simples ato de dizer impregnando-o de interpretação. “O que o senhor quer dizer com isso? “. as aspas são dispensadas: Segundo Marilena Chaui. há uma adega (para onde descemos) e um sótão (para onde subimos). negar. ordenar. afirmar. A escolha vai depender das intenções do autor e do tipo de texto. e pode vir em forma de paráfrase das 103 104 TÉCNICA DE REDAÇÃO palavras. heróicas. em sua obra } para X a questão é. de acordo com o que afirma X. Observe o exemplo de narração ilustrativa a seguir: Consta que. declarar. asseverar. testem unha. religiosos etc. Se faço uma paráfrase. Mas os que só vivem ou no sótão ou na adega são pouco equilibrados. explicar enunciar. p. Se prefiro o verbo ponderar ao verbo di. Aos que jamais sobem ao sótão ou descem à adega falta uma dimensão humana relevante.do autor citado. A resposta de Bachelard foi: “a diferença entre uma casa e um apartamento é que.. narrar. da origem e das causas das ações humanas e do próprio pensamento “. Dependendo do tipo de texto. proferir exclamar. tenho que marcálas com aspas a partir do ponto em que começo a transcrição: De acordo com Marilena Chaui (1997. aprofundada ou esclarecida por meio de histórias que lhe sirvam de ilustração. por exemplo. as histórias podem ser cômicas. em certa ocasião. Há expressões que indicam claramente inserção de citações: segundo o especialista X.. indicar. São Paulo: Letras e Letras. 266. que um leitor experiente reconhece. aconselhar comprovar corrobo A ORDEMDASIDÉIAS 105 rar ratificat confirmar demonstrar refutar argumentat justificar. ser humano por vezes significa subir ao sótão. opinião ou testemunho de outra pessoa. . perguntar. aquilo que nos esmaga ou nos liberta.. conJàrme X. Uma idéia pode ser ampliada. expressar. Por isso. descrever preceituar. repetindo fielmente as palavras do texto original.

combinadas entre si. em seguida. A ORDEM DASIDÉJAS 107 d) Oposição Muitas vezes a idéia ou informação deve ser apresentada e discutida em confronto com outra posição ou forma de pensamento. que é a idéia a ser desenvolvida posteriormente no texto: Com o desenvolvimento das cidades. ou imagens das coisas.. Atenas tornou-se o centro da vida social e política e cultural da Grécia.. e) Comparação ou analogia Como no caso anterior.Utilizar narrações ilustrativas interessantes depende de muita informação. ora se explicam. políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científico sobre a natureza. as informações esclarecem o ambiente em que floresce a democracia. as igualdades. duas ou mais idéias são apresentadas. O herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafisica da realidade. p. mas agora a posição é de equilíbrio. A razão instrumental é a razão técnico-cientjfica. é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão. Observe no exemplo a seguir como o desdobramento da idéia sugere duas linhas informativas para desenvolvimento do texto. p. 50. indicam divisão de idéias. a escola de Frank/urt...... Têm relação com a cronologia e com o lugar. em segundo. p. depois. mentira efalsidade. como fonte de erro. de um lado. No exemplo a seguir. Geralmente. por outro lado. Marilena Chaui. primeiramente. do comércio. Quando é esse o caso.. terror e desespero. do artesanato e das artes militares. e Sócrates e Platão. que faz das ciéncias e das técnicas não um meio de libertação dos seres humanos... Idem. Cada aspecto exige desdobramentos e explanações que representam progressão das informações. Marilena Chaui. formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade. na divisão. elaborou uma concepção conhecida como Teoria Crítica. na qual distin gue duas formas da razão: a razão instrumental e a razão crítica... História Concisa da Literatura Brasileira. Além do exemplo do item anterior.. experiência e leitura. a razão crítica é aquela que analisa e interpreta os limites e os perigos do pensamento instrumental e afirma que as mudanças sociais. a sociedade e a cultura. fatos e fenômenos. c) Divisão A divisão de uma idéia em subtópicos abre novas vertentes de desenvolvimento do raciocínio. Alfredo Bosi. de outro. utilizamos uma enumeração para antecipar as linhas em que o assunto vai se desenvolver. há expressões que. finalmente. Observe um exemplo em que o texto está organizado pela divisão da idéia: Uma escola alemã de Filosojiu. facilitam a organização do texto e a compreensão do leitor: em primeiro lugar. ora convergem. 442. não de oposição.. uma acerca de Clarice Lispector e outra acerca de Guimarães Rosa: As experiências radicais tanto de Clarice Lispector como de Guimarães Rosa forçam os limites do gênero romance e tocam a poesia e a tragédia. São Paulo: Cultrix. por último. mas um meio de intimidação. observe o texto a seguir: A diferença entre os sofistas.. vivendo seu período de esplendor conhecido como o . focalizando diferenças... o primeiro aspecto é. que no segundo parágrafo apresenta uma oposição.. Ao contrário. Como já foi dito. Idem. medo. enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais. Mais um motivo para procurar um bom convívio com textos de diversas naturezas. 1989.. (adaptado) 108 TÉCNICA DE REDAÇÃO j9 Situação no tempo e no espaço Algumas informações são colocadas no texto com o objetivo de contextualizar de forma explícita as idéias. normalmente o texto estabelece duas (ou mais) linhas de desenvolvimento paralelas que ora se opõem. um outro aspecto é por um lado. 40. e são focalizadas as semelhanças..

situando-o melhor em relação à estrutura textual. podemos referir. pode funcionar como o início da escrita propriamente dita. nós também participamos. partir de uma idéia Principal e elaborar uni esquema. 23. Qualquer uma dessas técnicas. concluem pensamentos. em decorrência da colonização portuguesa do Brasil. construir logo um Primeiro parágrafo. assim. tornou-se. Filosofia é um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especflcamente com os gregos e que. 5. escrever tudo que vem à mente. antecipam idéias de forma resumida. resumindo o que já foi dito. a filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso. li) Organização textual Os parágrafos organizadores explicam como o texto está estruturado. articulando as idéias entre si. Depende de cada indjvj duo e de seu processo de atividade intelectual. entre outras que não foram relacionadas aqui neste livro. p. Por isso. p. podia. que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos. organizaç0 textual. em suma. Ao hierarquizar as idéias de um texto observaiiios que elas apresentam caracte rísticas e funções distintas: apresentação. além da verdade poder ser conhecida por todos. comparação ou analogia. Esclarecem objetivos. 160. concluindo. Prática de organizaç0 a) Escrever uni artigo opinativo acerca do tema que está em maior evidência hoje. por motivo de economia de espaço nos jornais esses artigos têm aproximadamente duas páginas de 30 linhas. ampliação ou explicação. é freqüente o uso de palavras e expressões que indicam resumo de idéias anteriores. divisão. Depois de escrever. 4. A ORDEM DAS IDÉIAS 109 Em suma. portanto. Marilena Chaiji. conclusão parcial ou final. tanto no estudo da linguagem quanto no da inteligência. Situação no tempo ou no espaço. quando se descobriu que tal conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que. Da concepção à organização das idéias De acordo com o que apresentamos. listar palavraschave.Século de Péricles. partir de um pequeno resumo ou escrever blocos de texto independentes. ser ensinada ou transmitida a todos. analise as partes do texto e identifi . Citam o próprio texto. reler e reescrever até se sentir satisfeito com o resultado. São expressões e parágrafos que conduzem e facilitam os procedimentos e a interpretação do leitor. diante desse quadro. Idem. que falar e pensar são inseparáveis. g) Conclusão Em textos dissertativos. selecionar e hierarquizar as idéias você pode: fazer 110 TÉCNiCA DE REDAÇÃO anotações independentes à medida que as idéias forem surgin do. pelo mesmo motivo. mas que. Manlena Chaui.nos a duas modalidades do pensamento. Marilena Chaui. É a época de maior florescimento da democracia. Para gerar. em outras palavras. p. Leia alguns artigos que tratem do tema. as Possibilidades de Construção tornam-se mais nítidas e o trabalho alcança um melhor resultado. encerramento de um raciocínio. Observe os exemplos: Em outras palavras. Vimos também. tais como: em vista disso podemos concluir. Observe o exemplo a seguir: No capítulo anterior vimos que a língua grega possuía duas palavras para referir-se à linguagem: mythos e logos. 36. o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada cultura européia ocidental da qual. conclusão. Oposição. depois. ao contrário. Idem. podia ser conhecida por todos. Por isso mesmo. Idem. Marilena Chaui. é importante assinalar claramente para o leitor que as idéias são conclusivas. diante do que foi dito. e ainda outras que você pode criar. Idem.. há muitas possibilidades de captação. conforme predomine o mythos ou o logos. para oferecer ao jornal de sua cidade como colaboração Em geral.. registro e organização inicial das idéias. 21. Fa-ça anotações. p. Quando o redator tem clareza sobre essas especificidades de cada trecho do texto. seus capítulos e subdivisões. por razões históricas e políticas.

de modo que as principais sejam enfatizadas. os três elementos citados Concordam com tijoo de conhecimento e por isso estão no masculino. procure identificar.. sistemáti. e para o qual não teremos chance de explicar melhor ou retificar oralmente algum item mal expresso. a estrutura gramatj das frases trata de criar coesão entre os Constituintes de um texto. um texto não é uma simples justaposição de frases corretas. Ao escrever. qual a natureza da relação entre as idéias. a partir da terceira todas as palavras estão sendo utilizadas em concordância com conhecimento científico. uma após a outra. as preposições os pronomes pessoais. analítico. então. Na segunda linha. Mecanismos de coesão textual Pode-se Construir a coesão do texto por meio de vários recursos. explicativo. as marcas de gênero e de número. os tempos verbais. o filosófico e o religioso Em sua esséncia o conhecimento cient (fico é real. nossa preocupação inicial é captar as idéias e ordená-las com uma determinada hierarquia. portanto. Nas linhas grifadas.0 acumulativo falível. transcendente aos fatos. Estabeleça. ver ificóve! dependente de investigação metódica. 112 TÉCNICA DE REDAÇÃO Assim. em cada trecho. Um exemplo disso é a Concordância Sempre que respeitamos a concordân eia. 1983. preditivo aberto e útil. é muito importante que a coesào textual esteja bem tecida. primeiramente a partir das suas anotações a natureza de relação entre as idéias de cada trecho. Após essa etapa. mas não é suficiente em textos dissertativos A ordem das palavras no período. existem quatro outras estratégias de coesão. geral. preciso. mas principalmente com a maneira como essas idéias serão apreendidas pelo leitor. articulações ligações concatenan do as idéias. Faça anotações ou esquema. para que o leitor acomp1e a seqüêncj reconheça a progressão das informações e identifique as referências no texto. b) Escolha outro tema e faça outro percurso Leia alguns artigos que tratem do tema. Vamos cuidar. 2. que está distante de nós. A preocupação já não é apenas com nossas próprias idéias. que dependem das escolhas estilísticas do redator: O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS referencial lexical . comj.njcá. Qual é nossa idéia central? Como podemos defendê-la? Que exemplos são mais interessantes? Quem devemos citar? Que palavras escolher? Como devemos nos dirigir ao leitor? Em que medida devemos explicitar todas as idéias ou deixá-las implícitas? São questões que respondemos inicialmente. racional objetj vo. para o estudo ou trabalho. Observe o texto a seguir: — De qualquer forma o conhecimento ou saber cient(fico distingue se dos demais tos: o popular. Exige um entrelaçamento rigoroso das idéias que estão sendo expostas para que o leitor não se perca e consiga interpretá-lo corretamente. voltamo-nos para a sua superficie e procuramos refazê-lo. estamos reforçan0 a coesão. Desenvolva o texto acompanhando esse roteiro e o esquema das idéias. Brasília. claro. MEC. de assegurar a compreensão exata daquilo que estamos escrevendo. Além dessas formas gramaticaj5 sistemáticas de ligação entre palavras. os conectivos funcionam também como elos coesivos Cada um desses elementos gramaticais estabelece conexões. revisando várias vezes a linguagem e as estruturas gramaticais propriamente ditas. A manutenção do tema é um desses recursos. ao escrever as primeiras versões de um texto. c) Sempre que estiver lendo um texto. João Salvador Furtado Expansão da itformaçjo científica in: Anais do Seminárj0 de Publicações Periódjc da A’rea da Educação. estão no masculjjo singular. i’el. Ou seja. INEP. O tecido aparente do texto Como vimos nos capítulos anteriores.que as formas de organização que Utilizou. Capítulo 7 O entrelaçamento das idéias 1.

Esse quadro. anteriormente. Essa corrente é formada pela reutilização intencional de palavras. a coesão referencial se realiza pela citação de elementos do próprio texto. ou ainda pelo emprego de expressões equivalentes para substituir elementos que já são conhecidos do leitor. Diante desse quadro. d) Coesão por substituição Pode-se substituir substantivos. Em vista disso. se referir a elementos já citados no texto ou que são facilmente identificáveis pelo leitor. estabelecemos uma corrente de significados retomando as mesmas idéias e partes de idéias. Para efetivar essas citações são utilizados pronomes pessoais. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS . Veja um exemplo de omissão de sujeito da oração: A metodologia cient(fica é um conjunto de atividades sistematizadas. a) Coesão referencial Na elaboração de um texto. Alguns exemplos de expressões que servem a esse objetivo são: Diante do que foi exposto. b) Coesão lexical A manutenção da unidade temática de um texto exige uma certa carga de redundância. Agora esse estudioso quer contribuir para a democratização do saber. possessivos. busca de soluções. demonstrativos ou expressões adverbiais que indicam localização (a seguir acima.. por antecipação. verbos. o sujeito do verbo implica é a metodologia cientfica.. racionais. Esse recurso tem o nome de elipse. e) Coesão por elipse A estrutura gramatical dos periodos na lingua portuguesa permite a omissão de elementos facilmente identificáveis ou que já foram citados anteriormente. Tudo o que foi dito. comprovação. onde). Não precisa ser explicitado. que. Implica a concepção das idéias quanto à delimitação do problema dentro do assunto. ainda. períodos ou largas parcelas de texto por conectivos ou expressões que resumem e retomam o que já foi dito. verbos. Pronomes. essa omissão é marcada por uma vírgula. No texto acima. a elementos que serão citados na seqüência do texto. Algumas vezes. como no seguinte exemplo: O Doutor Fulano de Tal falou ao nosso repórter no intervalo do congresso. nomes e frases inteiras podem estar implícitos. aqui. Esses recursos podem se referir. pois é facilmente identificado pelo leitor. identficação de instrumentos. como no exemplo: A explosão da informação é uma das causas do stress do homem moderno. pelo uso de sinônimos. Assim. Podem. Ela pode pro vocar diversas formas de ansiedade. permite que os objetivos sejam atingidos. A partir dessas considerações. O cientista entrevistado reconhece que a partir do 113 114 TÉCNICA DE REDAÇÃO emprego dos conhecimentos cientijicos foi possível racionalizar os sistemas de produção.por elipse por substituição Vejamos como funcionam essas formas de entrelaçamento dos elementos que constituem um texto. com segurança e economia. análise. proposição de uma teoria. abaixo.

muitos Compositores foram expulsos do brasil. que falam claramente do desejo da populaçõo brasileira. A década de SO. As canções podem falar de amor. a progressão da informação e a articulação entre as idéias não foram devidamente elaboradas. mas para algumas doenças. enfatizando uma idéia principal para a introdução e para a Conclusão e estabelecendo as formas de articular as idéias secundárias 3? Estabelecer nexo entre as diversas idéias por meio de frases de transição e de recursos coesivos’ reescrever eliminando e acrescentando elementos. demonstrar uma situaçõo ou um fato ocorrido. Algumas pessoas gostam de músicas s6 com os instrumentos e outras com um cantor. o impoante é a tranqüilidade que ela nos passa As pessoas encontram msíca em tudo. Algumas doenças podem ser curadas pela música. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música.os e todas as ocases. felizmente o homem a está usando por um bem. nõo que ela seja um remédio milagroso. outras que preferem as mais agitadas. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. de forma que o texto apresente uma seqüéncj Qualquer período parece poder estar em qualquer Posição. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. seja dentro do período. entre outras. encontramos idéias colocadas lado a lado. ela pode levar a cura. é necessário empreender algumas transformações. ou uma poderosa arma. 115 116 TÉCNiCA DE REDAÇÃO A musica pode ser um excelente remédio. 4? Revisar. Entretanto. Ou seja. alguns escrevem falando sobre o amor. do assio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento Uma primeira leitura nos mostra que há unidade semântj ca.3. sem hierarquia ou progressão que Conduza a uma conclusão. o texto se prejudica. Existe niisica para todos os gost. Não há concatenação entre as informações. seja entre os períodos ou parágrafos. estilo infantil ou elementar. outros relatam o que estó acontecendo com o brasil. No texto em questão. ambigüidade. como a música. Vejamos um texto de aluno de segundo grau. que a idéia principal seja expositiva: a grande abrangêneja da música na vida contemporânea o redator teria por objetivo expor os diversos campos em que a música está presente na vida humana. foi uma época de muitas repressões e restrições. indefinição das relações entre as idéias. sem especificar OU defender nenhum deles particularmente Para que o texto passe a apresentar coesão e reflita essa idéia. em que os problemas de ausência de estabelecimento da coesão estão bem nítidos. As conseqüências podem ser: ausência de ênfase nas idéias principais. individual ou coletivo. Problemas decorrentes da ausência de coesão Quando os mecanismos de coesão textual não são bem utilizados. música e Saúde MUSICA E POLÍTICA 2? Reorganiz o texto. estabelecer por suposição. falta de hierarquia entre idéias principais e secundárias. as canções dessa década mostram perfeftamente isso. o autor apresentou três grupos de idéias: música e prazer. elas mostram perfeitamente a repressão da época da ditadura militar no brasil. Vamos. As canções podem ter um caróter ilustrativo. No impoa o tipo ou a hora ue se ouve a musica. No 5rasil podem-se citar as músicas feitas na década de 50. A história nos mostra o poder curativo das canções. então. Hó pessoas que gostam de escutar canções calmas. no rasil. pois revela desordem nas idéias e dificulta a compreensão do leitor. por causa das letras das músicas. essa unidade não é suficiente. 1? Agrupar idéias relacionadas entre si. ou seja. o que não modificaria o resultado. pois não podemos distinguir imediatamente qual seria a idéia principal e não percebemos a relação imediata entre as idéias que estão justapost5 Relendo os parágrafos. de política ou simplesmente retratar a realidade. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 117 . confusão e obscuridade nas referências. A ausência de coesão é um dos principais problemas da construção de textos. porque o tema que perpassa todo o texto é a música. truncamentos semânticos.

outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. NO BRASIL. Podemos compreender. frlizmente o homem a está usando por um bem. AS CANÇÕES DESSA DÉCADA MOSTRAM PERFEITAMENTE ISSO. o importante é a tranqüilidade que ela nos passa. A música pode ser um excelente remédio. Algumas doenças podem ser curadas pela música. Além das funções de proporcionar prazer estético e de denunciar problemas sociais. mostram perftitamente como essa foi uma época de muitas repressões e restrições. MUITOS COMPOSITORES FORAM EXPULSOS DO BRASIL. No BRASIL PODEM SE CITAR AS MÚSICAS FEITAS NA DÉCADA DE 60. mas para algumas doenças. 118 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. o homem está sempre em contato com a música. Alguns escrevem jLilando de amor. POR CAUSA DAS LETRAS DAS MÚSICAS. E fato notório que as violações aos direitos humanos se sucedem no país com freqüência indesejável. algumas pessoas gostam de música instrumental e outras de música cantada. As canções da década de 60. aproveitando a maior parte das estruturas construídas originalmente pelo autor: Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. A DÉCADA DE 60. o importante é a tranqüilidade e a alegria que ela transmite. retratar a realidade e. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. os compositores podem escrever as letras das músicas daJirma que lhes convier. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. Não importa o tipo ou a hora em que se ouve a música. que falam claramente do desejo da população brasileira. Algumas pessoas gostam de músicas só com os instrumentos e outras com um cantor. A história nos mostra o poder curativo das canç6es. As canções podem falar de amor. é preciso trabalhar em dois níveis: 1? organizar as idéias numa rede de significados e 2? entrelaçar gramaticalmente as frases e os períodos.Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. como a música “Comida “. ela pode levar a cura. a história nos mostra o poder curativo das canções. demonstrar uma situação ou um fato ocorrido. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. não que ela seja um remédio milagroso. Conseqüentemente. ELAS MOSTRAM PERFEITAMENTE A REPRESSÃO DA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR NO BRASIL. ou uma poderosa arma. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. Assim. pois pode-se encontrar música em tudo. As canções podem ter um caráter ilustrativo. As pessoas encontram música em tudo. apresenta problemas de coesão. Então. Muitos compositores frram até mesmo expulsos do Brasil. FOI UMA ÉPOCA DE MUITAS REPRESSÕES E RESTRIÇÕES. de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. no Brasil. Não que sejam um remédio milagroso. outras que preferem as mais agitadas. Vejamos uma das possibilidades de aperfeiçoamento do texto. então. as articulações que estabelecem relações das idéias. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. para o seu próprio bem. Não importa o tipo ou a hora que se ouve a música. Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. Como podemos observar. outras que preferem as mais agitadas. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. alguns escrevem falando sobre o amor. mas podem levar a cura para algumas doenças. em conseqüência da ditadura militar. que a música pode ser uma fonte de alegria e prazer. uma forma de conscientização e de denúncia social ou um excelente remédio. individual ou coletivo. como o gosto do público é diversificado. de política ou simplesmente retratar a realidade. Essa vertente de músicas voltadas para a questão social não é nova. até mesmo. por causa das letras de suas músicas. promover a cura de doenças. As canções podem lidar de amor. na superfi ci do texto. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. que fala claramente dos desejos da população. a coesão evidencia. Um texto desorganizado. Vejamos como os laços coesivos se realizam em um exemplo de texto editorial jornalístico: — O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 119 DESRESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS A denúncia da Anistia Internacional sobre a prática no Brasil de torturas e execuções por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. ou seja. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais . como a música. de política. geralmente.

homicídios (linha 36). As instituições norte-americanas são apontadas à censura mundial porque praticam a pena de morte. ou seja. Os inquéritos de organizações internacionais em torno do problema passaram a servir de impulso ao sistema de garantias contra abusos do gênero. nenhuma providência era tomada. assim. abusos do gênero (linha 20). como está no titulo. problema (linha 19). como: prática no Brasil de torturas e execuções (linhas 1 e 2). embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais encarregados de reprimir o desrespeito aos direitos humanos.encarregados de reprimi-las. instalou. no texto. Observamos que a expressão chave do texto é desrespeito aos direitos humanos. Assim. em grande parte praticados por esquadrões da morte. E.s políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem. E fundamental.se outro comportamento. Correio Braziliense. crianças e adolescentes em prisões de adultos (linha 30). há mais de três anos. até mesmo para punir crimes cometidos por menores. O texto. a Human Rigths Watch. E fato notório que o des O ENTRELA ÇAMENTO DAS IDÉIAS 121 respeito aos direitos hunianos se sucede no país con freqüência indesejável. violências às pessoas (linha 12). que as denúncias da Anistia inspirem reações mais efetivas em favor da proteção aos direitos humanos. Leis espeq’ficas e ações concretas têm sido adotadas para prevenir e punir os desrespeitos às prerrogativas humanas da pessoa. por várias outras que têm o mesmo significado. Essa expressão é substituída. A avaliação rigorosa da organização é atestada por incluir países normalmente a salvo de suspeitas. outra prestigiada entidade internacional. atentados contra a dignidade e incolumidade fisica das pessoas (linhas 8 e 9). que é decorrente da pobreza de vocabulário. embora compreensível. denunciava a existência nos EUA de mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. os homicídios rondam a casa dos quinhentos ao mês. o governo costumava qualificar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre o desrespeito aos direitos humanos. A Suécia chega ao índex internacional por devolver asilado. Editorial. promíscuo e violento. pena de morte (linha 27). que declarou a tortura crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. Brasília. Em dezembro de 1998. A construção da coesão textual tem prosseguimento pela substituição da idéia de desrespeito aos direitos humanos por informações mais específicas. . 1999. que exemplificam essa idéia: a tortura (linha 21). excluídos de qualquer programa de recuperação social. o desrespeito aos direitos humanos tem diminuído. Durante os anos sombrios do regime militar. desrespeito às prerrogativas humanas da pessoa (linhas 17 e 18). O primeiro exemplo disso veio na Constituição de 1988. Só na Baixada Fluminense. Durante os anos sombrios do regime militar. Com o restabelecimento da legalidade democrática. E um morticínio bem maior do que as baixas na guerra do Kosovo.nissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. Desde a criação da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. o governo costumava quaflficar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre violência às pessoas. Pior. Mas a incriminação do Brasil ao lado de sociedades tidas como padrão de cultura humanística em nada o isenta de culpa. primária. Veja como o texto ficaria no trecho a seguir: A denúncia da Anistia Internacional sobre o desrespeito aos direitos humanos por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. temos exemplos de coesão por substituição lexical. O relatório anual da Anistia critica o Brasil e outras 141 nações. Teria uma estrutura repetitiva. nem mesmo a elementar cautela de investigar a procedência dos fatos denunciados. como os Estados Unidos e a Suécia. elementar demais para o desenvolvimento que se espera nesse nível profissional de produção de editoriais. os atentados contra a dignidade e incolumidade física das pessoas têm diminuído. Rio de Janeiro. Os mais de 175 mil presos nas penh- 120 TÉCNICA DE REDAÇÃO tenciárias do país coabitam ambiente vil. ficaria com a coesão prejudicada se em todas essas posições o autor usasse a mesma expressão: desrespeito aos direitos humanos. Desde a criação da Co. violações aos direitos humanos (linha 4). estão no mesmo campo semântico e formam um paradigma. diante do que Jbi exposto. há mais de três anos. devolver exilados políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem (linhas 32 e 33). onde cada qual ocupa menos de um metro quadrado de espaço. 20 jun. Qualquer leitor percebe o problema.

na linha anterior. reveladas nessas expressões. e) Sempre que estiver lendo um texto. b) Escreva um texto expositivo acerca de um autor de sua preferência. para que a coesão textual garanta a fidelidade às idéias que quer apresentar. diversidade lexical. 4. como concordância e tempos verbais. Há no texto um exemplo de substituição de idéias por expressão sintetizadora: diante do que foi exposto (linhas 41 e 42) resume toda a argumentação e justifica a conclusão que encerra o texto. Há coesão por substituição lexical também nas expressões: acusações de agências humanitárias (linha 12) porfatos denunciados (linha 14) anistia (linha 22) por organização (linhas 23 e 24) países normalmente a salvo de suspeitas (linhas 24 e 25) por sociedades tidas como padrão de cultura humanística (linhas 34 e 34) Sempre que escolhemos uma expressão equivalente para substituir outra. de maneira que se forme um tecido harmonioso. A referência está clara. há coesão referencial. A expressão cada qual (linha 40) se refere a presos na linha anterior. A releitura como avaliação para a reescrita O texto exige diversas releituras para reescritura e revisão antes de ser considerado satisfatório. para estudo ou trabalho. Há um exemplo de coesão por elipse na linha 31: após a palavra pior. unia rede bem urdida de relações gramaticais e de significado. mesmo em textos tidos como objetivos. Um período está ligado ao seguinte ou ao que o antecede por meio de recursos coesivos. Identifique outras formas de se referir a ele. Prática de entrelaçamento a) Releia os textos que você produziu anteriormente e identifique os recursos de coesão que utilizou em cada um deles. Assim. E interessante observar que no texto há exemplos de coesão referencial. como temos mostrado no desenvolvimento deste livro. após a apresentação. Essas ligações observáveis na superficie do texto realizam de forma concreta as articulações necessárias para assegurar a coerência entre as idéias formuladas pelo redator. É a coesão textual. o pronome o se refere a Brasil. na elaboração de um texto criam-se laços de citações entre seus próprios elementos constituintes. elogios. Como também na linha 35. onde o pronome demonstrativo disso está se referindo a tudo que se afirma no período anterior a ele. há O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 123 possibilidade de criar laços mais largos por meio de referências. e o pronome relativo onde se refere a penitenciárias do país. Capitulo 8 A reescrita de textos 1. Criticas. é importante que na revisão do texto você procure focalizar sua atenção sobre esses itens concatenadores. a vírgula indica que se subentende o sujeito de excluídos como a expressão do período anterior mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. E preciso analisar: as opções adotadas estão funcionando no texto como um todo? As decisões se mantêm . podemos agregar alguma informação adicional. identifique as formas de coesão utilizadas pelo autor. Nosso julgamento e nossa posição diante da informação vêm. censuras podem vir explícitos ou implí 122 TÉCNICA DE REDA ÇÃO citos nos termos que escolhemos para constituir a coesão lexical. A expressão as violações aos direitos humanos é representada por um pronome enclítico em reprimi-las (linha 6). Na linha 20. Além das ligações temáticas e das estabelecidas pelo sistema gramatical. 5. Observe que esse detalhamento ilustra e especifica o que se entende no texto por desrespeito aos direitos humanos. Entrelaçando as idéias Como vimos neste capítulo e nessa rápida análise final. promíscuo e violento (linhas 39 e 40). elipses e substituições de partes do texto por expressões sintetizadoras. Ao revisar o texto produzido você terá a oportunidade de reconsiderar uma série de decisões tomadas no início da produção. e o leitor só pode interpretar o pronome -las como relativo à expressão anterior as violações aos direitos humanos.presos coabitam ambiente vil. de modo que o nome próprio não seja utilizado mais de uma vez.

se você quer uma pista acerca dos pontos em que deve prestar mais atenção. quanto: ao leitor: inseri-lo no texto ou tratá-lo de forma neutra e distanciada. divagações ou digres A REESCRITA DE TEXTOS sões. adjetivos ou advérbios que pouco ou nada acrescentam ao texto. As vezes. Estamos preocupados em captar o fluxo do pensamento e registr0 da maneira mais completa Possível. As primeiras versões costumam trazer passagens distoan tes. outras são mais sintéticas e precisam ampliar o texto na reescritura. a atenção se desloca para a forma mais adequada e para a melhor organizaç0 final dessas idéias A revisão normalmente feita pelo próprio autor do texto. nesse momento estamos também reestruturando a forma. Analise as decisões e a realização. . trata-se de cortar e simplificar frases longas demais ou truncadas. clara. Não se escreve como se fala. exigindo muito do leitor? A introdução de informações novas é bem realizada? Há informações irrelevantes que podem ser dispensadas? - 126 TÉCNICA DE REDAçÃO Há excesso de informação? Há informações incompletas ou confusas? As informações factuajs estão corres’ à linguagem. frases feitas. torna-se mais legível e de acordo com as exigências da língua padrão.ou há incoerências e descontinuidades? Consegue-se essa avaliação ao reler várias vezes o texto. As pesquisas que analisam textos de exames vestibulares e provas discursivas de concursos públicos mostram que a maior freqüência de erros ocorre nesta ordem: pontuação. estabelecimento da coesão e vocabulário. comece por esses. formal ou informal A linguagem está adequada à situação? A opção escolhida tornou o texto harmonho 50 ou há oscilações súbitas e inadequadas à impesso dade ou subjetividade O posicionamento adotado corno predominante mantémse ou essa opção não ficou consistente flO texto? ao vocabulário As escolhas estão adequadas ou há repetições enfadonhas e pobreza vocabular? Algum termo pode ser substituído por expressão mais exata? Há clichês. Com isso. de forma mais distanciada. Falando. excesso de adjetivos expressões coloqujais inadequadas jargão profissional? às estruturas Sintáticas e gramatjcj5 O texto está correto quanto às exigêncj5 da língua padrão? As transições entre as idéias estão corretas e claras? Os conectivos são adequados às relações entre as idéias? A divisão de parágrafos corresponde às unidades de idéias? ao objetivo e à situação. nesse primeiro momento desprezamos a forma. Está de acordo com o objetivo estabelecido inicialmente? As idéias principais estão evidentes? Como já vimos. embora a fala possa servir de base para o início da escrita. no texto. Muitas vezes não há erro. Algumas pessoas escrevem muito nos rascunhos. os detalhes da superficie do texto. sem relação com o núcleo do texto. ou seja. na primeira versão de um texto costuma mos prestar mais atenção à criaçãO das idéias. suprimir palavras. O formato é adequado à situação? As exigências referentes ao gênero foram respeitadas ou há ambigüidades e inconsistências? às informações: o que informar e o que considerar pressuposto. Portanto. professores pais. articulada Muitas vezes. Durante a reescrita. Tentamos gerar idéias e organjz5 de forma coerente. como se você não fosse o redator. mas é preciso acrescentar elementos para criar ligações mais claras entre as diversas idéias do texto. mas ás vezes pode ser útil envolver colegas. As informações fornecidas são suficientes ou o texto ficou muito denso. irmãos ou Companheiros É importante que um leitor dê sua opinião sobre o texto. pronomes. “gorduras” enfim. acentuação. tentando tomar o lugar do leitor. A opção escolhida foi mantida durante todo o texto? O leitor que você tem em mente é atendido durante todo o texto? ao gênero de texto: que plano de escrita utilizar para a situação. Como alguns trechos devem ser riscados ou refeitos. construção do período.

atenuando a dialogia e Ocultando o agente das ações. Assim também expressões como: é necessário é urgente. Ela é muito útil quando queremos inserir uma informação da qual não sabemos a procedência exata.. é imprescindível são Utilizadas para ocultar o agente. 19 Ocultar o agente A expressão é precisO serve a esse propósito de neutralidade. O uso da primeira e da terceira pessoa do plural é a estratégia recomendada quando a intenção é atenuar a subjetividade da primeira pessoa sem adotar a neutralidade absoluta Frases como Procuramos demonstrar . Devemos. A impessoalização do texto 128 TÉCNICA DE ftEDAÇÀO Nem sempre temos interesse em deixar expljcjtas a nossa voz e as diversas vozes que São trazidas para compor um texto. Assim.. e) O USO da voz passiva Enquanto na voz ativa temos um agente explícito.aro sujeito. Nossas conclusões. precisamos alcançar a maior exatidão possível. Tudo é dito como se fosse uma realidade que se apresenta sem intermediários e) Colocaram agente inanimado Uma outra maneira de impessoajizar o texto é colocar como agente um ser inanimado. Veja o exemplo: . verbos conjugados em primeira e em terceira pessoa contribuem para que o diálogo se estabeleça entre autor e leitor de forma explícita. um fenômeno.. Gramaticalmente há muitas maneiras de conseguir esse objetivo. A diretoria ordenou. Muitas vezes queremos adotar uma posição impessoal. aparen temente neutra. Vive-se esperando o aumento de preços. então.todos nós podemos a qualquer momento. científicos apresentam. muitas vezes. eliminar os rodeios. não se pode determinar com precisão quem realizou uma ação quando usamos a estrutura de sujeito indeterminado. Os pesquisado reconhecem. Na escrita não dispomos disso. acrescentar informações e corrigir outras. neutra. expositivos. a) Generali. a repetição desnecessária. Reconheço Minhas conclusões. universal. Os textos dissertatjvos informativos. colocandoo no plural Uma forma elegante de se distanciar relativamente da subjetividade é io agente. e sempre que o nosso interlocutor quiser. O nosso interlocutor está longe e.. Fala-se muito em renovação dos quadros funcionais. Acreditava-se em uma diminuição dos impostos. É um recurso muito utilizado na administração pública e na política. 127 2.. os adjetivos e pronomes supérfluos. Vamos focalizar a seguir alguns aspectos que merecem atenção e que podem ser aperfeiçoados na reescrita.. d) Uso gramatical do sujeito indeterminado Como a própria nomenclatura indica. por isso. uma instituição ou uma organizaç0 Quando escrevo frases como O Mjnjsí rio decidiu.. usar a passiva sem esclarecer seu agente é um recurso gramatical para impessoalizar a informação. O governo protelou a responsabilidade em relação à ação está diluída e não se pode identificar claramente de onde ou de quem emanou a iniciati A REESCRITA DE TEXTOS 129 va. evidente. objetiva. na voz passiva esse agente pode estar oculto. Vejamos algumas delas.. os jogos de palavras.. Por meio dela podemos avaliar o funcionamento do texto e propor reformulações.. essa característica de ocultar o agente. são menos subjetivas que Procurei demonstrar. Um texto é pessoal e subjetivo quando pronomes pessoais e possessivos... A releitura é imprescindível para o aperfeiçoamento do texto. Quem precisa? Quem necessita? Para quem é Urgente? Para quem é imprescindível? No podemos definir com clareza Tornase uma realidade geral.

(segurava. Tinha as pastas de documentos nos braços. vestia. bruaqueiro. catimbó. agreste. curumba. mostra. conseguiu. baiano. 3. (manter. maratimba. capicongo. tabaréu. que é mais exata para a idéia que se quer transmitir. mandioqueiro. atraía. complexo e poderoso do que antes se imaginava. (É dono de. gozar) 4. Ele teve muita iniciativa. há diversas maneiras de tornar o texto impessoal. adequado à situação e aos objetivos do redator. conquistava. e todas elas utilizam recursos e possibilidades presentes no sistema gramatical da língua. semterra. despertava. o processo é semelhante. trazia) 15. (continha. mandi ou mandim. cambembe. Teve uma forte emoção. queijeiro. viveu) 12. babeco. roceiro. O documento tinha muitos argumentos. sitiante. capiau. é necessário procurar outras opções. (padece de. Assim. apresentava. (acolhemos. Não se satisfaça com a primeira opção que vem à cabeça. piraguara. catatuá. trazia) 3. provocava) 9. talvez mais ricas e mais exatas: 1.Novas descobertas foram realizadas em centros de estudo e laboratórios ao redor do mundo. brocoió. mucufo. capuava. demonstrou) . a questão lexical. Está sendo revelado ao mundo que o cérebro é um órgão mais fascinante. restingueiro. urumbeba ou urumbeva (Dicionário Aurélio Eletrônico). rurícola. bóia-fria. caiçara. matuto. Dessa lista ou paradigma é fácil eleger a palavra que mais combina com o contexto. Algumas 130 TÉCNICA DE REDAÇÃO pessoas têm dificuldade na seleção da palavra certa. campino. ou seja. Tivemos em nossa casa um ilustre hóspede. Ele tem uma doença contagiosa. vaqueiro. há uma série de outras opções. Você é um desses casos? A solução é ter paciência e esperar um pouco até que o “arquivo” mental processe o pedido e devolva uma série de possibilidades. conquistou) 8. (sentiu. canguaí. ostenta) 13. beira-corgo. mixuango ou muxuango. baiquara. campesino. casca-grossa. rústico. carregava. pois quase sempre é a mais pobre. Na seleção dos verbos. mocorongo. sitiano. obteve. camisão. O segredo do uso adequado do vocabulário é selecionar e combinar cuidadosamente. mambira. caboclo. mateiro. revelou. biriba ou biriva. possui) 2. Tem bom aspecto. Como vimos. caburé. botocudo. Imaginemos que você vai escrever um texto sobre trabalhadores rurais brasileiros de diversas regiões. chapadeiro. para o campo semântico do verbo ter. como: lavrador camponês. Teve um cargo de chefia. Se você for ao dicionário ainda vai encontrar inúmeras expressões regionais como: araruama. arrolava) 10. campeiro. (dispõe de) 6. (trajava. caapora. caipira. sertanejo. Tinha grande poder. jeca. A escolha vai depender da análise dos objetivos do texto. Uma seleção inadequada pode prejudicar o funcionamento do texto e causar efeito inverso ao que se deseja. peão. em oposição à de civilizado. conservar) 7. canguçu. (detinha) 5. baba quara. guasca. deu prova de. (apresenta. tapiocano. recebemos) 14. tinha um belo terno. Na cerimônia. pioca. pé-duro. Alguns termos enfatizam o trabalho ou a origem da pessoa. capa-bode. é a escolha cuidadosa do vocabulário. beiradeiro. em cada uma de suas acepções. casaca. catrumano. Para não repetir essa mesma expressão. Uso do vocabulário Um dos pontos importantes para um texto bem estruturado. pira quara. saquarema. casacudo. sofre de. outros têm um sentido pejorativo associado à idéia de primitivo. morador. experimentou. (usufruir. exerceu. mano-juca. cafumango. abrigamos. sustinha. conseguia. agricultor campestre. alcançou. (obtinha. campesinho. cariazal. é portador de) li. pé-no-chão. capurreiro. (ocupou. (mostrou. Tinha a admiração de todos. Os funcionários esperam ter férias em julho. desfrutar. moqueta. Não se pode ficar satisfeito com a primeira possibilidade que vem à A REESCRITA DE TEXTOS 131 mente. curau. groteiro. Tem muitos bens. macaqueiro. Não conseguia ter o poder por muito tempo. encerrava. Ainda tem recursos para a viagem. usava. mixanga. Quem realizou? Quem está revelando? A voz passiva oculta o agente.

e dispensar palavras e expressões supérfluas evitando redundâncias ou expressões vazias que procuram Clichés.16. aceito) 17... 133 Madame Natasha tem horror a música Ela con fund bola de Taffarel com bolero de Ravel. (obteve. acato. nClujr registr Consignar atribuir encon/. mas sem conteúdo definido ou consistente. necessito) 132 TÉCNicA DE REDAÇÃO O verb0 da. mas inconsistente em termos de informação objetiva A REES’JJ.. cismar Sentir acontecer ou Outros Nosso léxico é muito rico e no devemos nos contentar com o mínimo Vale a pena investir na amp1iaç0 do fosso acervo individual para produzir textos melhores Entretanto. graças ao jornalista Walier Fontoura. devotam. C?fl5 algumas adaptações. Tenho a mesma opinião.ar render propor trazer Conte. recebeu) 19. que também é um verbo genérj0 depen dendo do contexto Pode ser substituído por: doa. preciso. E necessário equiljj0 para assegur a clareza e a comuni cação Por iss0.. Habitualmeitie a senhora distribui bolsas de estudo aos sábios da parolagem. sigo. Teve resposta positiva. na revista Time.. Talvez não seja coisa muito nova. que fazem parte do jargão de uma determinada profissão. mas desta vez. Desde tempos i/nemo.. (devo. ao reescrever COflVfl1 eliminar palavras muito tCnicas. (recebeu. (consagram. passa adiante o tratado do bláblá-bl .DE TEXTOS Quadro 1: Elio Gaspari. Fuja das expressões gastas. dedicam. mas certamente é divertida (para amigos do idioma) e útil (para os inimigos). tributam) 20.. revelar cometer causar Soltar emitir publicar di/ gar realizar vender administrar aplicar ministrar proferi dedicar Consagrar Provocar rese.2te ter voca çào. apenas impressionar o leitor. dos O sol nascei. Cidadãos conscientes têm amor á história. (adoto. Ele já tem 90 anos. Teve a punição merecida. cheia de efeitos e palavras da moda. (completou. conta) 21. qualquer exagero pode levar ao lado Oposto. sofreu) 18. 4 nível de filosofia é importante. Nós enqua0 brasileiros 4 quest5. para todos. inCI dir divisar avistar perceber bastar ser Suficie.. Trata-se do Guia de Discurso para Tecnocro tas Principiantes Sua versão original teria sido publicada numa revista polonesa Fontoura teve acesso a uma tradução de autor desconhecido que vai publicada adiante. Tenho de falar.j5 Observe os quadro5 a seguir que ironizam a Iinguage Pedante da tecnocracia Você pode escolher aleatoriament um fragme0 de cada coluna e consegj formar uma frase gramaticalmente aceitável.. E uma versão melhorada de uma compilaçào surgida pela primeira vez há mais de 20 anos. O leitor pode combi na qualquer expressão . ofertar oferecer produ/.. Evite esse tipo de linguagem complexa rebuscada. resultar ceder Conceder apresentar mani festa.

na medida em que isso seja factível. Segundo os autore5. 3. preventiva e não cada ato decisional. a expansão de nossa exige a precisão e a dos conceitos de atividade definição Participação geral. o aplainamento de discrepmncias e discrasias existentes. O quadro normativo prefigura a superação de cada obstáculo e/ou resistência passiva sem prejudicar o atual nível das contribuições. 2. mais curativa. A REESCRITA DE TEXTOS 135 4. potenciando e incrementando. O novo tema social propicia o incorporamento das funções e a descentralização decisional numa visão orgânica e não totalizante. O cntério metodológico reconduz a sínteses a pontual correspondência entre objetivos e recursos com critérios nãodirigísticos.lisiada na primeira coluna i com outras. uma vez que das informações formação de quadros. na ordem 1. O método participativo propõe-se a o reconhecimento da demanda não satisfeita mediante mecanismos da participação. Não podemos a atual estnjs. Quadro 2 COLUNA A COLUNA B COLUNAC COLUNA D COLUNA E — COLUNA F COLUNA G 1. um indispensável salto de qualidade. 1998. condicionante. 4. a adoçào de uma metodologia diferenciada. A necessidade se caracteriza por uma correta relação no interesse substanciando e numa ótica a transparência de emergente entre estrutura e primário da vitalizando. a cavaleiro da situação contingente. para uma práxis de trabalho dr grupo. tecnologico. 3 e 4. mas antes particularizando. superestrutura população. com as devidas e imprescindíveis enfatizações.a da auxilia a preparação das atitudes e das esquecer que organização e a estruturação atribuições da diretoria Do mesmo modo. As variações possíveis sO cerca de 10 mil. indispensável e flexibilidade das interdisciplinar horizontal. permite ao empulhador que fale ininterruptamente por mais de 40 horas. no contexto de um sistema integrado. i MANUAL DE TECNOMISIIFÍCAÇAU i estudos efetuados essencial na financeiras e formulação adnijmst ivas Assim mesmo. o coenvolvimento ativo de operadores e utentes. 6. A e5periôncia a consolidação das prejudica a pereepçào das condições mosa que estmiaras da impocia apropfia para os negócios. a redefinição de uma nova figura profissional. não omitindo ou calando. das demais. Estrutura dos períodos . o novo modelo coninbui para das novas proposições estruniral aqui a correta preconi0 determinação A prática mostra que o desenvolvimento assume importantes das opções básicas para de formas distintas posiçõesun definição o sucesso do prograrun de atuação Nunca é demais a consiante divulgação facilita5 definição do nosso sistema de insistir. ativando e implementando. A utilização privilegia uma coligação segundo um módulo recuperando. em termos de eficácia e eficiência. estruturas. evidenciando e explicitando. assim de fomiação de de reformulaçào corno atitudes Jornal de Brasfl0 28. ou como sua premissa uma congruente potencial orgânica de interdependência antes revalorizando. 5. sem dizer coisa nenhuma. O modelo de desenvolvimento incrementa o redirecionamento das linhas de tendência em ato para além das contradições e dificuldades iniciais. 2. 7. não assumido nunca como implícito. É fldansenfal a amimar dos divemos oferece uma boa dos nidice pretendidos ressaltar que resultados oportunidade de venfleação O incentivo ao avanço o início do prograin acan-era um processo das formas de ação.jun.

dificultando a interpretação do leitor. E principalmente um fator sintático. é bom. oficios. 5. E geralmente preferível a ordem direta: sujeito + predicado + complementos Na construção dos períodos. esperamos que tenham uma boa I. fora da ordem direta. Esqueça aquele desespero ao decorar classificações para preencher exercícios ou testes e procure entender o funcionamento lógico da frase e seus efeitos de sentido junto ao leitor. É preciso memorizar que não se usa vírgula entre o sujeito e o predicado. Como nosso objetivo aqui não é oferecer uma revisão gramatical. as frases devem ser curtas. ágeis. adverbiais: Quando chegar o dia do exame. memorandos. procure identificar as relações sintáticas para observar se há concordância entre os termos das orações e se a pontuação está correta. Cada uma das possibilidades sintáticas constitui uma maneira diferente de transmitir uma posição. A pontuação é um dos principais problemas dos textos e ela depende de um conhecimento mínimo de análise sintática.’iagem. objeto direto + objeto indireto + Quando? Onde? Por quê? Como? Com quê? Nenhum desses elementos pode estar separado do outro por vírgula. Observe este exemplo retirado de um rascunho de documento pedagógico: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste em tomar a linguagem como atividade discursiva. adjetivas explicativas: O livro. . Quanto mais extenso for o período. ou melhor etc. como se acredita no senso comum. a não ser que esteja em posição invertida. pareceres. coordenadas sem conjunção — O livro. os recursos disponíveis.Aspecto decisivo para a reescrita de textos é a avaliação da construção dos períodos. E necessário observar cuidadosamente a sintaxe da oração: Sujeito Predicado e complementos Com o qual o erbo concorda Paulo entregou o texto a Joana ontem na sala subitamente. b) Separar o aposto explicativo: Pedro. A pontuação A vírgula é a principal dúvida de todos os redatores. aliás. Ela não serve apenas para marcar pausas ou momentos de respiração. mas apenas provocar algumas reflexões. que dificultam a compreensão do leitor. o . acumula informações de forma densa e complexa. procure analisar 136 TÉCNICA DE REDAÇÃO as possibilidades da língua. Quando o redator não consegue dividir adequadamente as idéias em períodos distintos. estarei pronto. ordenando-os de forma lógica.foi aprovado no concurso público. nem entre o predicado e seus complementos. que é uma fonte imprescindível de informações. Sempre que estiver reescrevendo seu texto. disseram os alunos. está caro. dissertativos ou argumentativos. as diversas formas de elaborar uma idéia. Em textos expositivos. de dar ênfase a um tópico.4 REESCRITA DE TEXTOS 137 Observação: as adjetivas restritivas não aceitam vírgula: O livro que o professor sugeriu é bom. com o objetivo de construir períodos melhores em seus textos. já que une e separa elementos de uma oração. por exemplo. de provocar uma interpretação. o aluno mais estudioso. e) Separar orações intercaladas ou não. Se você aceitar a sugestão e voltar às gramáticas ou aos livros didáticos para uma revisão de sintaxe. maior será a possibilidade de se perder o controle da sua elaboração e cometer impropriedades estruturais. e) Separar enumerações: Escrevi cartas. É correto utilizar a vírgula para: a) Separar o vocativo: Senhoras e senhores. ou seja. d) Expressões intercaladas: isto é. relatórios e monografias. sugerimos que você volte aos seus livros de língua portuguesa e tente se aproximar dos capítulos de sintaxe com outros olhos. A ausência de ponto final também constitui um problema de sintaxe. ou seja. convém evitar orações intercaladas muito longas. Este é o grande defeito do ensino escolar: desvincular a análise sintática da produção de textos.

epor meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. puxar. flandre. Observe que não há problemas de concordância. As principais dificuldades de grafia das palavras em português são decorrentes das muitas representações gráficas para um mesmo som ou dos encontros de consoantes: SS/C/S/Ç/SCIX: assunto. máximo. uma grande parcela dessas dificuldades se resolve pelo uso do computador. O melhor e mais seguro é consultar o dicionário muitas vezes até memorizar a ortografia da palavra. DUVIDE SEMPRE DA GRAFIA DE SÍLABAS COMPLEXAS. SOLETRE. superstição. da aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos que possibilitem a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. estender. E. PRI BL/CL/FL/DR: problema. o programa aponta dúvidas. contudo. A divisão em períodos menores. A dúvida é natural mesmo para quem escreve todos os dias e vive de escrever. a aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos. Identifique quais são os seus problemas mais freqüentes e concentre seu esforço e sua atenção sobre esses casos. vazio. CONSULTE O DICIONÁRIO SEMPRE QUE TIVER DÚVIDA. nem sempre podemos usar o computador. oficializadas por segmentos como Academias de Letras. de maneira crítica e autônoma. como nos concursos. baixeza. interstício. açúcar. flanela. falar. RS: perspectiva. o texto oferece dificuldade de leitura por prolongar-se excessivamente. acento. acentuação. escreva sem olhar para o texto original e depois confira. permitindo. Portanto. crescer. ler e escrever de maneira crítica e autónoma. A questão da ortografia A ortografia das palavras é uma convenção que envolve decisões coletivas e históricas. LEIA PRESTANDO ATENÇÃO NA GRAFIA. SIZ: riqueza. Tal procedimento permite. Sempre que encontrar uma palavra dificil ou nova para você. A língua portuguesa oferece muitas dificuldades ortográficas. mas a decisão final é ainda do redator. as necessárias adaptações sintáticas e a pontuação transformaram o texto de forma a facilitar a leitura. ortografia. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. atraso. J/G: viajem (verbo). 6. escrevemos de forma manuscrita e sem possibilidade de consulta ao dicionário. o melhor é criar familiaridade com as palavras. por meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos orais. Entretanto. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. muitas vezes. análise. PEÇA A ALGUM PROFESSOR PARA DIAGNOSTICAR SUAS DIFICULDADES. incorreções e palavras inexistentes. sem. Esses conhecimentos possibilitam a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. Vejamos: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste etn tomar a linguagem como atividade discursiva.texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas á coerência e à coesão textual. exceção. visor. instituições de ensino. FOCALIZE SUA ATENÇÃO NOS PONTOS EM QUE AINDA TEM PROBLEMA. Essas ocorrências exigem maior atenção. pesquisadores. Podemos dizer que há problemas de sintaxe e de estilo. ler e escrever. X/CH: ficha. alterar o sentido original. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. publicações e leis. Não podemos individualmente modificar a ortografia conforme nossa preferência. Hoje. e por meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. À medida que se escreve. analisar. leia-a várias vezes em voz alta para gravar o som. nascer. por 138 TÉCNICA DE REDAÇÃO meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos ora is. FAÇA PALAVRAS CRUZADAS NAS HORAS VAGAS. proclama. Entretanto. Alguns procedimentos podem ajudá-lo a melhorar seu desempenho em relação à ortografia: A REESCRITA DE TEXTOS 139 LEIA MUITO. deslizar. o texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas à coerência e à coesão textual. NAMORE AS PALAVRAS. fecho. SEPARE AS SÍLABAS DE PALAVRAS NOVAS. que podem ser solucionados pela divisão em períodos menores e uma adequada colocação de pontos finais. viagem. É impossível ter certeza . ensaio. falar.

a Não se usa sinal indicativo de crase antes de verbo palavra masculina. pronomes indefinidos. Mas é relativamente simples Alguns verbos transitivos indiretos exigem o uso de uma preposição a. A REESCRITA DE TEXTOS 141 José entregou o livro a correr José entregou o livro a esse homem. mim. Saiba que revisores profissionais têm ao alcance da mão muitos livros de 140 TÉCNiCA DE REDAÇÃO consulta. apelidado indevjdainen te de “pai dos burros”. José entregou o livro a ela. este. porque essas palavras nunca são antecedidas por artigo feminino. alguém.absoluta da grafia correta de todas as palavras da língua. pronomes pessoais: ela. os dois as se encontram e acontece a crase: José entregou o livro a > a professora recebeu o livro. corre muito mais risco de errar. José entregou o livro a quem pediu. quando em seguida a esses verbos há uma palavra feminina que admite artigo feminino a. quem. você consolida sua intimidade com a língua escrita e as infinitas possibilidades de expressão. José entregou o livro à professo. O uso do sinal indicativo de crase Muitas Pessoas acreditam que é impossível compreender o funcionamento da crase. Não se usa crase também em expressões como: cara a cara de alto a baixo de baixo a cima de fora a fora dia a dia face a face frente a frente gota a gota Muitas expressões exigem sinal indicativo de crase. adequação dos co- . Deveríamos chamar o dicjonáijo de “pai dos sábios”. Sugerimo5 que o redator tenha à mão um cartão plastificado com o resumo das regras para Consulta diária. pois quem o consulta com freqüênj tem realmente mais familiaridade com os fatos da língua. pronomes demonstrativos: esse. Em todos estes exemplos a é preposição José entregou o livro ao amigo. A acentuação gráfica também merece atenção especial. 7. Observe uma tabela de avaliação de textos que sintetiza as questões referentes à qualidade textual e pode servir de roteiro para sua própria releitura.. Assim. 142 TÉCNiCA DE REDAÇÃO ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NO APERFE1ÇOA0 DO TEXTO ASPECTOS TEXTUAiS S Sintaxe de Construção Reescrever obsersando. A memorização vem com o uso. mas essa é facilmente resolvida com o treino. e até escritores prestigiados têm dúvidas e vão ao dicionário a todo momento Quem tem vergonha de demonstrar dúvida e de dicionário. a consulta constante às regras e a atenção na hora de escrever e de revisar. como: à altura à escolha à margem de à bala à espera à medida que à base de à esquerda à página 10 à beça à força à parte à beira de à francesa à primeira vista à caça à luz à procura à direita à maneira de à proporção que à disposição à mão (escrever) à razão de à entrada à mão (estar) à tinta à época à máquina (escrever) Acostume-se a tirar dúvidas sempre que elas aparecem.

de frases e períodos construir Paralelism. eliminar idéias incompatível5 sem importância para o desenvolvimeni da idéia central. pois chegou até aqui. Pode ser utilizado sem ajuda presencial. na escrita. De qualquer forma. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. como eu gosto de fazer algumas vezes. sobretudo. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia às ciências humanas. além de fortalecer seu equipamento essencial de participação na sociedade. uma aventura lúdica. se você se empenhou verdadeiramente. espero que a leitura e os exercícios propostos tenham sido estimulantes. Se é que não começou pelo final. Campinas. São Paulo. David W. Queira sempre mais. Não se contente em usufruir apenas o que a distribuição perversa do capital simbólico na nossa sociedade nos concede. escrever bem. é o resultado de muito trabalho com a linguagem. pode ser utilizado sem ajuda. Lucília -. LE Concordância Corrigir conforme justificativa gramatic catíticaI/ Caso VOC Seja professor pode usar as letras da primeira coluna como indicações nas margens dos textos de seus alunos. mas não tenho muita segurança se consegui isso. gratficantes e. enriquecedora e prazerosa. e no grau que desejava. na qual estamos totalmente imersos. Obra teórico-prática muito agradável que. BARBOSA. E é preciso lembrar que o trabalho com a leitura e a escrita é ininterrupto. (1993) Curso de redação. Como vimos. Curso rápido de redação e revisão gramatical. especificar generaIijaç5 articular as relações lógicas entre as idéias por meio de conectjso5 utilizar argumen_ los adequados. vai continuar pela vida afora. Evitar mudanças ifljustificgv5 de nível. Bibliografia comentada de apoio ao aluno ABREU. Quem buscava uma fórmula infalível e definitiva pode estar se sentindo frustrado ou atordoado. evi ta acúmulo de idéias num mesmo período. Observar estruturas peculiares ASPECTOS GRA1ATICAIS E FORMAIS /iadei:s parágrafo Evidenciar maiúsculas O Corrigir conforme dicionário Corrigir conforme as regras. houve muito crescimento. Severino Antônio & AMARAL. O que signfica que você continuará crescendo sempre. eliminar repetições. Escrever ler e compreender os infinitos matizes da linguagem são formas muito especiais de felicidade que nossa cultura nos proporciona.1 nectis e palavras de relação. Antônio Suárez. súbita. distinguir a idéia central. São Paulo. Atica.it0 Coesão e coerência Reescrever obsers ando. pode se transformar em um jogo. CARRAHER. Cxpressões Coloquiaiç clichê5. O que leva tempo e exige paciência. Indicado para quem quer avançar rapidamente nas reflexões e na prática sobre a produção de textos. mesmo sendo uma tarefa complexa e prolongada. Pioneira. Emilia. que vai dos processos de desenvolvimento da criatividade ao aperfeiçoamento da apresentação do pensamento lógico. não é uma iluminação divina. desfa ze ambigüi55 V Vocabulário Eliminar ou substituir palavras repetida5 Utilizar paIara mais adequada Eliminar gíria. Entretanto. tenham desvelado novos horizontes para você. P Paragrafo Agrupar ideias complementares ou depen dentes Distribuir idéias por parágrafos di ferentes Escrever transição entre parágrafos G Gênero Nlanter o fom conforme o gênero. si. Fácil. há sempre uma margem de incerteza. A REESCRITA DE TEXTOS 143 CARTA AO LEITOR Brasília. O objeto desse jogo é a língua. pois. pelo menos para as necessidades práticas. Procurei traduzir conceitos muito sofisticados em linguagem quase informal. leitor. Papirus. ou seja. Meu amigo leitor Suponho que você esteja realmente interessado em aperfeiçoar sua habilidade em produzir textos. é acessível a todos. por meio de explicações e exercícios. tem a respostapara minha dúvida. Mas relaxe. Curso rápido e completo de redação. e somente você. corrigir / fragnient5ç0 e truncamento de idéias. leva o leitor a se tornar mais crítico e . O interesse pela linguagem. leve. Afinal. Pt Pontuação Retirar acrescentar OU modificar. março de 2000.

BLINKSTEIN. Rio de Janeiro. Evanildo. BAKHTIN. (1989) Como escrever textos São Paulo. São Paulo. Unicamp. Napoleão M. Trata-se de uma gramática moderna. (1989) A arte de ensinar a escrever. mas. Ática. L. CARRAHER. (1999) Atividade de linguagem. BRONCKART. São Paulo. M. São Paulo. ALMEIDA. Nova Fronteira. Porto Alegre. (1989) Interação leitor-texto: aspectos de interpretação pragmática. São Paulo. L. M. Queiroz. Antônio Suárez. M. descrever os usos reais e atuais da língua nas diversas circunstâncias. Imprensa Nacional. São Paulo. (1995) Técnicas de comunicação escrita. Jean-Paul. Vozes. Severino Antônio & AMARAL. São Paulo. Robert.) e outros (1998) Roteiro de redação Lendo e argwnenta 00 São Paulo Scipione Curso de redação completo com muitos textos para leitura e exercí. São Paulo. Pode ser utilizado como manual de curso ou como roteiro indiyi dual de trabalho. (1992)Prática de texto: língua portuguesa para nossos estudantes. Mattoso. (1994) Coesão e coerência em narrativas escolares. K. à qual todas as Outras produzidas no Drasil se repoam no que diz respeito à produção de textos Embora não utilize conceitos modernos da lingüjstj textual. (1986) Co0j ão enj prosa ‘noderna Rio de Janeiro. Petrópolis. de (1998) Dicionário de questões vernáculas. 1992. BARRAS. (org. sor. Pode ser útil para trabalhos escritos disseativos VIANA. São Paulo. (1997) Lições de texto: leitura e redação São Paulo. Artes Médicas. (1930) Marxismo e filosofia da linguagem. F. Cristóvão. (1995) Nova gramática do português contemporáneo. BASTOS. CUNHA. Papirus. (1985) Ensino da gramática. já os antecipava por meio de uma observação aguda do funcionamento dos textos literários Indispensável para todos que querem se aprofdar nas questõe5 da escrita em língua POrtugue MARTINS Eduardo (org) (1997) O Estado de S.. Izidoro. 148 TÉCNICA DE REDAÇÃO CASTELLO. São Paulo. (1999) Inventário das sombras. 1981. sim. . Hucitec. Atica. T. Pode ser usado como manual para cursos de redação ou individualmente. 146 TÉCNiCA DE REDAÇÃO GÁRCIÁ Otlio0 M. deve estar sempre á mão do redator. São Paulo. C. Petrópolis. ______ & MATTOS. (1986) A produção escrita e a gramática. A. J. (1930) Estética da criação verbal. (1986) Os cientistas precisam escrever. Lindley L. BECHARA. Bibliografia para aprofundamento ABREU. Globo. Pau/o Jllanjja/de redaç o e estilo São Paulo. CAMARA Jr. Obra Clássica. BARBOSA. Opressão? Liberdade? São Paulo. CALKINS. pois é organ1a0 a pair de verbetes em ordem alfabética Assim como um bom dicionário. PLATAO F. (1989) Curso de redação.reflexivo em relação às informações disponíveis na sociedade. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. CAVALCANTI. A. Emília. Martins Fontes. Não é de fácil consulta para iniciantes que querem tirar dúvidas práticas de gramática. Fundação Getá lio Vargas. como pode ser um manual de curso SERAFINI Mafla Teresa. Pioneira. Atica. L. & FIORIN J. David W. C. A. FARACO. (1983) Manual de expressão oral e escrita. sem ajuda presencial de um professor. o Estado de S. José. (1991) Manual de redação da Presidência da República. Martins Fontes. Curso de redação em duas panes uma para o aluno e outra para o professor. Vozes. Atica. que não pretende estabelecer normas rígidas. São Paulo. BRASIL. Celso & CENTRA. Ática Excelente coletânea de textos comentados e analisados segundo os princípios mais atuais da lingüístj Fácil in(eres5te e pode ser utilizado individualmente. Brasília. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia ás ciências humanas. Campinas. o capítulo a respeito da organizaç0 das idéias é muito interes sante. Ótimo curso completo de produção de texto para estudantes universi tários e outros interessados. Educ. Apresenta excelente reflexão sobre questões lingüísticas e muitos exercícios práticos de leitura e produção de textos. Carlos Alberto & TEZZA. textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. Campinas. Record. CO5. Paulo/Moderna Manual de Consulta rápida para solucionar dúvidas de escrita da língua Pougues padrão Muito útil e fácil de usar sem ajuda do profes. M. Martins Fontes.

R. Petrópolis.CHAUI. Rio de Janeiro. Cadernos PUC 22. ILARI. (1997). (1987) Prática de redação para estudantes universitários. São Paulo. (1988) Apalavra escrita. (1984) Argumentação e linguagem. (1978) Coerção e criatividade na produção do discurso escrito em contexto escolar. (1991) Cultura e democracia. Brasiliense. Ática. Campinas. Moderna. C. Rio de Janeiro. (org. Pontes.) (1985)Lingüística textual Texto e leitura. GERALDI. Lucília H. (1985) O aprendizado da leitura. (1990) A coesão textual. Martins Fontes. Paulo/Moderna. In: A lingüística e o ensino da língua portuguesa. Elisa. (1991) Linguagem epersuasão. GNERRE. 1988. São Paulo. Pontes.) (1982) Escritores em ação: as famosas entrevistas à “Paris Review “. Z. . HAYES. Malcoim. Perspectiva. P. (1985) Nova gramática do português contemporâneo. Vozes. São Paulo. (1987)A articulação do texto. Rio de Janeiro. FAULSTICH. Marilena. T. São Paulo. Maurizzio (1985). COWLEY. São Paulo. MARTINS. F. (1996) Linguagem e ensino — Exercícios de militância e divulgação. Fundação Getúlio Vargas. SE/CENP. (1992) Cognição. DIJK. & KOCH. G. (1993) Oficina de leitura: teoria e prática. (1991) Coesão e coerência textuais. Lindley L. São Paulo. algumas reflexões. D. GUIMARÀES. Maria Helena. (1993) A inter-ação pela linguagem.. Adriano da Gama. M. São Paulo. Ingedore. Vozes. J. (1985) Língua e liberdade. Porto Alegre. C.) A lin BiBLIOGRAFIA PARA APROFUNDAMENTO 149 guageni e o outro no espaço escolar: Vygotsky e a construção do conhecimento. Assoeste. Enilde L. Petrópolis. São Paulo. (1989) Os escritores 2 — As históricas entrevistas da ‘Paris Review “. (1998)A escrita e o outro. & FLOWER. Campinas. & PLATÃO. (1985) (org. São Paulo. Cambridge University Press. MAFFEI. (1988) O que é leitura. & FARACO. Cortez. Atica. Atica. J. Othon M. São Paulo. F. Martins Fontes. São Paulo. São Paulo. Martins Fontes. Marcos. L. Adilson. (1989) Texto e leitor: aspectos cogniti vos da leitura. (1994) Escrever.) O texto na sala de aula: leitura eprodução. GARCIA. Contexto. São Paulo. & PASCHOAL. São Paulo. (1985) Uma nota sobre redação escolar. D. GARCEZ. C. São Paulo. FIORIN. (1988) O texto: leitura e escrita. o discurso competente e outras falas. MARTINS. Martins Fontes. (1980) The dinamics ofcomposing: making plans and jugging constraints. A. (1989) Para falar e escrever melhor o português. A. L. GÓES. A redação na escola. Minam. Cascavel. Unicamp/Pontes. O Estado de S. Umberto. Cortez Editores. L&PM. CITELLI. S. FIORIN. Marguerite. HEATH. (1991) Portos de passagem. DURAS. (1983) Ways with Words: Language. Como ler. Rio de Janeiro. FÁVERO. R. C. KLEIMAN. J. R. Campinas. (1985) Como sefaz uma tese. Companhia das Letras. São Paulo. Rocco ECO. de J. V. Rio de Janeiro. Brasilia. Mercado de Letras — ALB. Atica. Astúcias da enunciação. L. Martins Fontes. (1983)Lingiiística textual: introdução. (1997) Uma história da leitura. (1997) Aprender e ensinar com textos dos alunos (coord. Celso & CINTRA. and Work in Communities and Classrooms. Atica. KATO. de. Atica. LUFT. São Paulo. GREEG & E. discurso. São Paulo. W. São Paulo. (1989) Leitura: ensino e pesquisa. Ingedore. Paz e Terra. 1. CUNHA. MANGUEL. A. LEMLE.) (1998) O Estado de 5. Nova Fronteira. (1993) A criança e a escrita: explorando a dimensão reflexiva do ato de escrever. (1990) Lições de texto: leitura e redação. A. São Paulo. (1984) E as crianças eram dflceis. Pontes. (1986) No mundo da escrita. W. (1992) Guia teórico do alfabetizador. São Paulo. KOCH. NJ. M. Eduardo. Eglê. L(fe. entender e redigir um texto. São Paulo. escrita e poder. MARTINS. 1n. Alberto. São Paulo. Lawrence Erbaum. FRANCHI. STEINBERG (1980) Cognitive Processes en Writing. B. J. Smolka e outros (orgs. Educ. In: L. LEMOS. L. Nova Fronteira. Companhia das Letras. Campinas. L. B. Savioli. Campinas. Cambridge. (1997) Convite à Filosofia. M. Wilson. COSTE. Linguagem. São Paulo. e outros.. Cortez Editores. Paulo — Manual de redação e estilo. Papirus. KURY. Editora Universidade de Brasília. 5. R. MANDRYK. Campinas. São Paulo. (org. Atica. (1986) Comunicação em prosa moderna. por uma nova concepção da língua materna.) Lígia Chiappini. In: Subsídios á proposta curricular — São Paulo. Atica. interação. L. São Paulo. Contexto. São Paulo. Contexto. (org. Atica.

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