Livro Técnica de Redação. O Que É Preciso Saber Para Bem Escrever - Lucília Helena do Carmo Garcez

TÉCNICA DE REDAÇÃO

O que é preciso saber para bem escrever Lucília Helena do Carmo Garcez

Martins Fontes
São Paulo 2004 /

/
Copyright © 2001, Lirraria Mar rins Fontes Editora Ltda., São Paulo, pata a presente edição. l edição abril de 2001 2 edição agosto de 2004 Revisão gráfica Mar ia Luiza Farret Célia Regina Cantargo Produção gráfica Gera/do Ai: es Paginação/Fotolitos Studio 3 Desenvolvimento Editorial Dados beternacionais de Catalogação na Publicação (CW) (Câmara Brasileira do Livro. SP, Brasil) Garcez, Lucília Helena do Carmo Técnica de redação o que é preciso saber para bem escrever / Lucfl/a Helena do Carmo Garcez. — 2 cd. — São Paulo Martins Fontes. 2004. (Ferramentas) Bibliografia. ISBN 85-336-2038-1 1. Redação (L/teratura) 2. Redação técnica!. Título. II. Série. 04-5414 CDD-808.066 Índices para catálogo sistemático: 1. Redação técnica 808.066 2. Textos : Produção: Redação 808.066 Todos os direitos desta edição para a língua portuguesa reservados à Livraria Martinn Fontes Editora Lida,

Rua Conselheiro Ramalho, 330 01325-000 São Paulo SP Brasil Tel. (11)3241.3677 Fax (11)3105.6867 e-mail: info@marrinsfontes.com.br http.’//www.tétartinsfontes.com.br

Índice
Introdução xiii Capítulo 1 Os mitos que cercam o ato de escrever 1
. —

1. Verdades e mentiras 1 2. Reconsiderando crenças 10 3. Novas atitudes em relação à escrita 11 4. Prática de escrita 11 Capítulo 2— Como escrevemos 13 1. Outras visões acerca do ato de escrever 13 2. A escrita como processo 14 3. Conhecendo melhor o processo de escrita 20 4. Novos procedimentos na escrita 21 5. Prática de escrita 21 Capítulo 3 — A qualidade da leitura 23 l.Oqueéleitura 23 2. Recursos para uma leitura mais produtiva 27 3. Os tipos de leitura e seus objetivos 29 4. Procedimentos estratégicos de leitura 30 5. Conhecendo melhor o processo de leitura 45 6. Prática de leitura 45 Capítulo 4 — Da leitura para a escrita 47 1. O trabalho com a memória 47

2. Resumos, esquemas e paráfrases 49 3. Conservando e reutilizando o que foi lido 59 4. Prática de síntese 59 Capítulo 5 — Decisões preliminares sobre o texto a produzir 61 1. Tomando decisões 61 2. Funções da linguagem 61 3. Decisões em relação às estruturas lingüísticas 72 4. Gênero e tipo de texto 79 5. Decisões orientadoras 84 6. Prática de tomada de decisões 84 Capítulo 6 — A ordem das idéias 87 1. A concepção das idéias 87 2. Das anotações para o texto 94 3. A organização das idéias 97 4. Da concepção à organização das idéias 109 5. Prática de organização 110 Capítulo 7 — O entrelaçamento das idéias 111 1. O tecido aparente do texto lii 2. Mecanismos de coesão textual 112 3. Problemas decorrentes da ausência de coesão 115 4. Entrelaçando as idéias 122 5. Prática de entrelaçamento 123 Capítulo 8 — A reescrita de textos 125 1. A releitura como avaliação para a reescrita 125 2. A impessoalização do texto 127 3. Uso do vocabulário 129 4. Estrutura dos períodos 135 5. A pontuação 136 6. A questão da ortografia 138 7. O uso do sinal indicativo de crase 140 Carta ao leitor 143 Bibliografia comentada de apoio ao aluno 145 Bibliografia para aprofundamento 147

“O escrever n0 tem rim» Scribendi Fedro Fábulas

Para Adriana, Cristina, Fabiana, Gabriel e Ana Flávia. AGRADECIMENTOS A Lígia Cademartori, pela confiança e pelas sugestões; Balthar, pelo estímulo solidário; Maria Luiza Corôa, pela parceria e pelos comentários; e aos professores/alunos, que tanto contribuíram durante estas reflexões.

Introdução
Produzir textos é uma atividade extremamente necessária tanto na vida escolar como na vida profissional e no dia-a-dia. Entretanto, no meu cotidiano docente, tenho encontrado alunos, jovens e adultos já formados, ansiosos, assustados, desencorajados, e, principalmente, desorientados quanto às habilidades e atitudes necessárias ao convívio mais natural e simples com a escrita. Percebi que muitas dessas posições negativas em relação ao ato de escrever haviam sido lentamente construídas ao longo da história escolar de cada um e que provinham de um desconhecimento da natureza, das especificidades e das exigências da escrita. Estimulada por alunos e colegas, decidi organizar as reflexões desenvolvidas ao longo de muitos anos de trabalho. Não quis produzir um tratado acadêmico acerca de redação, nem um livro didático, no sentido usual desse manual escolar, nem também um livro de exercícios impessoais de treinamento (pois há muitos, e bons, no mercado). Parti, então, das observações anotadas durante cursos e conversas com alunos (professores e futuros professores) da universidade, das minhas pesquisas em lingüística, de meu interesse por depoimentos de escritores, e de minhas próprias experiências como pessoa que escreve. Sempre acreditei que para ensinar a escrever era necessário viver intensamente o desafio da minha própria escrita. Adoto a vertente teórica que vê a língua, não apenas como uma herança social, mas como uma forma de ação, um modo de vida social, uma construção coletiva. A interação verbal e as relações coletivas e sociais constitutivas do jogo da linguagem, como elementos fundamentais que se conjugam na construção da língua, exercem sobre mim um fascínio que dá sentido à existência. Assim, não posso focalizar a produção de textos restrita a um conjunto limitado de regras que podem ser repassadas, memorizadas e aplicadas sem a participação e interferência do sujeito. Esse é o agente de uma ação intencional e estratégica sobre o interlocutor ou sobre o mundo, que constrói realidades e interpretações, numa determinada situação cultural. Procurei, neste livro, desmitificar, desconstruir idéias equivocadas, provocar uma mudança de atitude em relação ao ato de escrever e, conseqüentemente, ao de ler. Não proponho tarefas que se esgotam em si mesmas, mas procuro abrir novos horizontes para uma prática contínua e sempre enriquecedora do universo lingüístico, da auto-estima e da atividade intelectual do leitor. Escrevi este livro para quem está pessoalmente interessado em renovar suas próprias práticas de escrita, mas penso que professores que trabalham com o ensino de redação em qualquer nível são interlocutores bem-vindos às reflexões que proponho. A autora XIV
TÉCNICA DE REDAÇÃO

Capítulo 1

Os mitos que cercam o ato de escrever
1. Verdades e mentiras

fica infeliz. com uns consertos aqui e ali. Caso a escrita fosse um dom inato.. um ato espontâneo que não exige empenho. um ato isolado. e gostei do resultado. Mesmo assim. bloqueados diante da página em branco. e acaba voltando à luta. apanhei. aqui. Quais são as falsas crenças. São Paulo: Editora Atica. não consegui da primeira OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER vez. e desanimei. colegas. coletiva.Durante sua vida escolar. Quando resolvi experimentar escrever. entrega os pontos num assunto que sente que é capaz de. a revelação desses gênios só acontece depois do processo de aprendizagem e do convívio intenso com a língua escrita. um ato autônomo. bem como alguns professores. Eu estava descobrindo que ler é milito mais fácil do que escrever. escrevi outras e outras histórias. Voltei a tentar. Vol. Escrevi uma história. E claro que não estamos tratando.” “Não fui escolhido. a intensidade do convívio estabelecido com o texto escrito e a freqüência com que escrevemos. você é uma exceção. 1988. nessa batalha permanente. desligado da leitura. que são os que levam alguém a acreditar que escrever seria um dom que poucas pessoas têm. A escrita é uma construção social. A noção de dom. Dessa forma. Animado. poderia ser aplicada a alguns poucos gênios da literatura. Embora seja uma das tarefas mais complexas que as pessoas chegam a executar na vida. são lições para o futuro. achei que não estava ruim. Veiga. os mitos mais freqüentes em relação à escrita? Há muitos. O aprendiz precisa das outras pessoas para começar e para continuar escrevendo. que têm texto péssimo e que não há formas de melhorar o desempenho na produção de textos. desvinculado das práticas sociais. tanto na história humana como na história de cada indivíduo. compreender que todas as pessoas podem chegar a produzir bons . pais. Entretanto. nem sempre as mais adequadas. antes de tudo. Mas quando a gente joga a toalha. algo desnecessário no mundo moderno. tendo recebido o dom. ela ficaria apresentável. e muitos passam por etapas semelhantes aos redatores leigos. Conseqüentemente. principalmente porque exige envolvimento pessoal e revelação de características do sujeito. nunca foram alfabetizados? José J. O que vai determinar o nosso grau de familiaridade com a escrita é o modo como aprendemos a escrever. a importância que o texto escrito tem para nós e para nosso grupo social. admitiu que até mesmo o talento. Consertei. Mas é uma batalha curiosa: as derrotas que a gente sofre nela não são derrotas. Ninguém nasce escritor e o processo que transforma alguém em um artista da palavra é ainda um enigma. 4 ed. embora polêmica e questionável. todos podem escrever bem. pois até mesmo profissionais maduros demonstram insegurança em relação à própria expressão escrita. vamos usar alguns depoimentos e exemplos de escritores porque neles a luta com as palavras é muito evidente. Poucas pessoas conseguem escapar de um conjunto equivocado de influências e construir uma relação realmente saudável com o ato de escrever. p. 2 TÉCNICA DE REDAÇÃO a) Escrever é uma habilidade que pode ser desenvolvida e não um dom que poucas pessoas têm “Eu não tenho o dom da escrita. 7.” Essas são algumas das afirmações mais freqüentes entre alunos de cursos de produção de textos. 8. contribuíram para que crenças. você deve ter cristalizado alguns mitos a respeito da produção de textos. que amadureceu devagar. levantei até que um dia escrevi uma história que quando li de cabe ça fria. fossem se configurando e se enraizassem. É preciso. não gostei. a vocação ou o dom dependem de muita persistência: Como começou a escrever? Foi um processo demorado. renomado autor brasileiro. As atividades escolares e os livros didáticos. qual seria o papel da escola? E o que aconteceria com aqueles que. caí. uma questão que se resolve com algumas “dicas”. mas aqui vamos refletir acerca dos mais devastadores. muitos jovens crescem pensando que nunca serão bons redatores.” “Não recebi esse talento quando nasci. são esses fatores que vão definir também nossa maturidade e nosso desempenho na produção de textos. Para gostar de ler. da escrita literária.fazer. E o seu caso? Se não for.

ao gênero adequado. considere o poema. pensamentos. p. amor e conflito em relação às palavras é apresentada de maneira extraordinária: OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER O LUTADOR 5 Lutar com palavras é a luta mais vã. Paulo. Portanto. Vocé imagina as coisas. que nós. A agilidade mental é imprescindível para que todos os aspectos envolvidos na escrita sejam articulados. Não me julgo louco. à língua e suas possibilida 3 4 TÉCNICA DE REDAÇÃO des estilísticas. e que isso não é uma questão de ser “ungido” pelos deuses que escolhem os mais talentosos. mas mesmo esses testemunham que é um trabalho exigente. significados. apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida. Algumas. quando quer pôr aquilo no papel. Escrever é uma das atividades mais complexas que o ser humano pode realizar. 1999. A tarefa pode ir ficando paulatinamente mais fácil para profissionais que escrevem muito. Continuemos com o depoimento de José J. insatisfatório. e que é. trabalhando. eu pouco. Para refletir sobre estas questões. b) Escrever é um ato que exige empenho e trabalho e não um fenômeno espontâneo Muitas pessoas acreditam que aqueles que redigem com desenvoltura executam essa tarefa como quem respira. agora em uma outra entrevista: O senhor é muito conhecido por reescrever incessantemente seus textos. essa possibilidade de expandir pela palavra escrita emoções. Mas lúcido e frio. Eu desbasto o texto. sem a menor dificuldade. tontas à carícia e súbito fogem e não há ameaça e nem há sevícia . Conhecimentos de natureza diversa são acessados para que o texto tome forma. em que essa relação de necessidade. Então você fica trabalhando. para chegar o mais próximo possível. — Por isso a linguagem do senhor é tão seca. Sempre queremos um texto ainda melhor do que o que chegamos a produzir e poucas vezes conseguimos manter na linguagem escrita todas as sutilezas da percepção original acerca de um fato ou um pensamento. E necessário que o redator utilize simultaneamente seus conhecimentos relativos ao assunto que quer tratar. Entanto lutamos mal rompe a manhã. Veiga. a essência. cansativo. coordenados. Não é assim. tem que usar a linguagem. l7jun. já clássico. E necessário também identificar bloqueios porventura construídos ao longo da vida escolar e tentar eliminá-los. leigos. principalmente. Se o fosse. todos os dias. frustrante. tão substantiva? — É. teria poder de encantá-las. à situação em que o texto é produzido. Folha Ilustrada. São muitas. de Carlos Drummond de Andrade. Folha deS. O que admiramos na literatura é justamente essa especificidade. 8. até visualiza. escrever não é fácil e. São Paulo. Tiro o bagaço para deixar apenas o que tem peso. harmonizados de forma que o texto seja bem sucedido. Eu me vigio muito para não fazer aquilo que em linguagem popular se diz “encher lingüiça “. Faz rigorosas exigências à memória e ao raciocínio. Não acompanha o que você quer fazer. sensações. Aí você descobre que a linguagem é tosca. muitas vezes. não conseguimos traduzir com propriedade. mas. Deixam-se enlaçar. aos possíveis leitores. escrever é incompatível com a preguiça. sem o menor esforço. Por que o senhor reescreve? — Epor conta de uma grande insatisfação.textos. tão fortes como o javali.

aceito o combate. é fluido inimigo que me dobra os músculos e ri-se das normas da boa peleja. Quisera possuir-te neste descampado. palavra (digo exasperado). iludo-me às vezes. outra seu ciúme. outra sua glória feita de mistério. O ciclo do dia ora se consuma e o inútil duelo jamais se resolve. tudo se evapora. luto todo o tempo. Tarnanha paixão e nenhum pecúlio. nenhum travo de zanga ou desgosto. o sutil queixume. Ser-lhes-ei escravo de rara humildade. perpassam levíssimas e viram-me o rosto. Entretanto. solerte. Na voz. sem roteiro de unha ou marca de dente nessa pele clara. Mas ai! é o instante de entreabrir os olhos: entre beijo e boca. sem maior proveito que o da caça ao vento. Preferes o amor de uma posse impura e que venha o gozo da maior tontura. Guardarei sigilo de nosso comércio.que as traga de novo ao centro da praça. pressinto que a entrega se consumará. Não encontro vestes. O teu rosto belo. luto. esta me ofertando seu velho calor. se me desafias.. esplende na curva da noite que toda me envolve. a luta prossegue nas ruas do sono. Palavra. outra seu desdém. Busco persuadi-las. Carlos Drummond de Andrade e) Escrever exige estudo sério e não é uma competência que se forma com algumas “dicas” A idéia de que algumas indicações e truques rápidos de última hora podem solucionar problemas de produção de tex tos tanto para candidatos a concursos como para profissionais . Sem me ouvir deslizam. Cerradas as portas. Não têm carne e sangue. não seguro formas. Luto corpo a corpo. e um sapiente amor me ensina a fruir de cada palavra a essência captada. ó palavra. Insisto. Lutar com palavras Parece sem fruto. Já vejo palavras em coro submisso..

Escrever bem é o resultado de Um percufSo Coflstijdo de muita prática. Para nos comunicarmos oralmente apoiam0 nos no contexto. esclarecedoras.iia com aprálit. Alguns conseguem mesmo reduzir sua atividade escrita à assinatura de cheques e documentos. certificados. o vocabulário e a própria organização do discurso. diplomas. É pela convivência com textos escritos de diversos gêneros que vamos incorporando às nossas habilidades um efetivo conhecimento da escrita. Quando estão isoladas de uma prática intensa. A autoria vem das escolhas pessoais dentro das POSSjbilid des da língua e do gênero. acreditando que prescrever esse procedimento muitas vezes Suficiente para conseguir desempenho mínimo num concurso. tudo está muito automatizado e as relações humanas por intermédio da escrita podem ser reduzidas ao mínimo: o telefone resolve a maior parte dos problemas do cotidiano. comprovantes. escrituras.6 TÉCNICA DE REDAÇÃO que precisam mostrar competência escrita em curtíssimo prazo. suas exigências. realizamos ou dese 7 ‘ . tem engan0 e enriquej0 muitos donos de escola e de cursinhos Muitos professores oferecem uma espécie de formu1áro mental do que seria um bom texto para que o estudante preencha as lacunas. registros. Uma redação por flês. escreve muito pouco. é o objetivo da escola Fórmulas pré_fabricadas de textos e “dicas” isoladas apenas Contribuem para a montagem de um texto defeituoso truncado. dependendo do mundo profissional a que pertence. recibos. atuar e possuir: certidões. as “dicas” fornecidas a partir de dificuldades reais vivenciadas na produç0 de textos podem ser úteis. a leitura é um propulsor do desenvolvimento das habilidades cognitivas. e) Escrever é necessário no mundo moderno Observa-se que o cidadão comum. declarações. alguns exercícios esporádicos de Produção de pequen05 trechos não formam um bom redator. muita reflexão e muita leitura. paradoxalmente. É pela leitura que assimilamos as estruturas próprias da língua escrita. Há ainda que se considerar que a leitura é uma das formas mais eficientes de acesso à informação. frases feitas e pensamentos alheios. iluminadoras. Tudo o que somos. escrever com diversos objetivos escre ver em diversas situações Associadas a muita prática. o complexo mundo contemporâneo está cada vez mais exigente em relação à escrita. cédulas. ser. temos a Colaboração do ouvinte Já OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER a comunicação escrita tem suas especificidades. O que é a leitura é o nosso assunto do capítulo 3. Envolve tantos procedimentos intelectuais e exige tantas operações mentais que o bom leitor adquire maior agilidade de raciocínio. Essas exigências advêm do fato de estarmos nos comunicando a distância. comunicados inundam a nossa vida cotidiana. sem apoio do contexto ou da expressão facial. atestados. projetos. Portanto este é imprevisível. Hoje. não ajudam em nada. contratos.a d !eitur É improvável que um mau leitor chegue a escrever com desenvoltura. temos. Precisamos de documentos escritos para existir. Por outro lado. tornando a pessoa mais crítica e mais resistente à dominação ideológica. d) Escrer é um prá lica que se aIic. artificial em que a voz do autor SC anula para dar lugar a clichês chavões. escrever sobre assuntos diversos. Seu exercício intenso e constante promove a análise e a reflexão sobre os fenômenos e acontecimentos. E uma ação em que o sujeito se envolve de forma total. Tratamos de forma diferente a sintaxe. relatórios. Além de ser imprescindível como instrumento de consolidação dos conhecimentos a respeito da língua e dos tipos de texto. com sua bagagem de conhecimentos e experiências sobre o mundo e sobre a linguagem Não existem esque5 prévios ou roteiros infalíveis que Possam substituir tal envolvimento É a voz do indivíduo que orienta O texto. E necessário escrever sempre escrever todos os dias. propostas.

de uma investigação. necessidade temos à nossa disposição um acervo de textos apropriados. objetivo. E. A produção de textos é uma forma de reorganização do pensamento e do universo interior da pessoa. a cada dia mais seletivo. desvinculada do que o indivíduo realmente pensa. Brasília. Para cada situação. sempre que nos propomos a integrar os órgãos que conformam o sistema da cidadania urbana. em que acredita. o que quer. avaliada. Saber escrever é também compartilhar práticas sociais de diversas naturezas que a sociedade vem construindo ao longo de sua história.8 TÉCNICA DE REDAÇÃO jamos realizar deve estar legitimado pela palavra escrita. Um relatório é próprio para prestar contas de uma pesquisa científica. se somos culpados. mas não serve para contar uma viagem de férias para os amigos. Mesmo na informática. em que momento e de que modo 10 TÉCNICA DE REDAÇÃO deve utilizá-lo. estamos nos relacionando com os outros e nos constituindo como autores. para. Reconsiderando crenças Vimos que escrever não é um dom que apenas algumas pessoas têm. por exemplo. A escrita tem um sentido e uma função. mais do que a população da Argentina. Essas práticas de comunicação em sociedade se configuram em gêneros de texto específicos a situações determinadas. Para nós. Correio Braziliense. E nossa habilidade de escrever é exigida. Vale o escrito. acredita. exigem-se dos homens as habilidades que lhes são exclusivas. a redação escolar. D. Não se escreve por escrever. Os truques podem ajudaros redatores que já estão em meio ao . O professor citou que sua namorada trabalha nas Nações Unidas. podemos agir. vale o escrito. adequado. Entretanto. o produtor de texto não apenas tem conhecimentos sobre as configurações dos diversos gêneros. mas também sabe quando cada um deles é adequado. gostaria de parabenizar o Jornal que é muito bom. tudo é mediado pela escrita. Assim. Veja o exemplo desta carta enviada ao jornal Correio Braziliense por uma leitora: Primeiro de tudo. e não pôde deixar de nos OS MITOS QUE CERCAM O ATO DE ESCREVER 9 informar sobre a população que está morrendo de fome no Brasil. o que pensa. Então veio a bomba” sobre nós: 28 milhões de pessoas morrem de fome neste exato momento no Brasil. gostaria de expor a minha opinião sobre um fator que está acabando com o Brasil nestes últimos anos: a fome. aqui em Brasilia. Pela escrita estamos atuando no mundo. mas apenas uma forma de demonstração de habilidades gramaticais. Assim. sempre que nos submetemos a qualquer processo seletivo. como sujeitos de uma voz. 2. defende e quer compartilhar ou expor ao outro como forma de interação. A sociedade também é. claro. Essa carta é um exemplo de como a participação pela escrita confere ao indivíduo um novo canal de relacionamento com o mundo.é um trabalho duro. desejo. isolada. Pelo texto escrito modificamos o nosso contexto e nos modificamos simultaneamente. Todos podem vir a ser bons redatores. escrever não é um ato espontâneo. Como vimos no item anterior. tentar controlar e acabar com essa catástrofe! M. Nem sempre as “dicas” oferecidas pelos professores e colegas são suficientes para a elaboração de um texto fluente. 10 ago. vamos tomar uma providêneia séria. de uma tarefa profissional. pelo menos. A escrita não é apenas uma oportunidade para que a pessoa mostre. Os profissionais que dominam essas habilidades mais complexas e sofisticadas têm mais chances no mercado de trabalho. Parabéns! Segundo. como a produção de textos. não pode ser considerada escrita. J) Escrever é um ato vinculado a práticas sociais Todo ato de escrita pertence a uma prática social. na quinta-feira (dia 5). Navegar ou conversar na Internet exige um convívio especial com a escrita. p. Estava no meu curso de inglês. 1999. Isso me deixou muito irritada. Exige muito empenho. Além disso. mas também para que descubra o que é. comunique o que sabe. O que antes se resolvia simplesmente com uma ligação telefônica passou a ser substituído por um texto escrito transmitido via fax ou e-mail. Brasil! O governo não é o único culpado. L. toda a nossa civilização ocidental é regulada pela escrita. quando começamos a debater a pobreza e a fome nos países. razão por que faço um apelo: por favor. medida. enquanto o trabalho primário vai sendo atribuído às máquinas. investigada. 16. Seção Cartas dos Leitores. incluindo o Brasil.

sobre como as pessoas chegam a ser realmente ótimas redatoras. Um dos caminhos mais interessantes para compreender o ato de escrever é considerar os depoimentos de pessoas que escrevem todos os dias. LER MUITO. empreenda uma viagem na memória. Reveja todo o seu percurso escolar e profissional. para um interlocutor imaginário que pode ser um amigo. Observe o depoimento da escritora Lygia Fagundes . antropólogos vêem a escrita sob seus diversos aspectos. escrevem com desenvoltura. e) Mantenha um caderno de anotações datadas de impressões e reflexões sobre sua relação com o texto escrito. com os diversos gêneros e tipos de texto e com as informações e idéias que circulam no nosso universo. um analista. Tente formular uma narrativa que explique ou justifique como foi construída a sua ex12 TÉCNICA DE REDAÇÃO penência de escrita até hoje. NÃO SE PODE FICAR SATISFEITO COM “DICAS” ISOLADAS E FRAGMENTADAS. LER DIVERSOS TIPOS DE TEXTO. A escrita é muito necessária no mundo moderno. Prática de escrita a) Para desmontar de vez suas crenças inadequadas a respeito de sua relação com a escrita. suas observações acerca do que escreve diariamente. 4. RECONHECER QUE PELA ESCRITA PARTICIPAMOS MAIS DO MUNDO. sua escola. suas experiências. DEIXAR A PREGUIÇA DE LADO E SE ESFORÇAR. porque podem esclarecer alguns pontos duvidosos ou obscuros da escrita e da organização do texto. Esse diário pode oferecer muitas pistas para sua trajetória de crescimento. focalizando principalmente as situações de escrita que ficaram gravadas em sua memória. colocando-se no lugar do leitor. mas não funcionam isolados de muito exercício. oferecendo-nos um quadro multifacetado de conhecimentos acerca do fenômeno. LER MELHOR A CADA DIA. no qual você conta toda a história como se fosse a de uma outra pessoa. expectativas. além de desbloquear a mente e desenferrujar a mão. pois ela oferece oportunidades de contato intenso com as infinitas possibilidades da língua.. b) Transforme essa narrativa em um texto em terceira pessoa. Dependemos da escrita para existir efetivamente e atuar no mundo. ESTÁ MELHORANDO E QUE VAI CHEGAR LÁ IMPULSIONA O APERFEIÇOAMENTO.processo de desenvolvimento da própria produção escrita. Novas atitudes em relação à escrita É IMPRESCINDÍVEL: ESCREVER TODOS OS DIAS: ANOTAÇÕES DE AULA. DIÁRIO. uma vez que as práticas sociais que estruturam as nossas organizações contemporâneas são mediadas por textos escritos.. OS MITOS QUE CERCAMOATO DE ESCRE VER 11 PARA QUEM GOSTA DE “DICAS” 3. neurologistas. coloquial. Lembre-se de quando aprendeu a escrever. em tom de depoimento (talvez no formato de carta). seus avanços e retrocessos. psicólogos. BILHETES. QUERER SABER MUITO MAIS. ACREDITAR QUE VOCÊ PODE ESCREVER BEM. Releia. Compreendemos também que a leitura é imprescindível paraque o redator chegue a apresentar um bom desempenho. CARTAS. sucessos e fracassos escolares e profissionais. educadores. um professor. para avaliar se as informações estao compreensíveis. SER AUTOMOTIVADO. RESUMOS DE LEITURAS. vivem de escrever. mas ainda é muito pouco diante do que precisamos descobrir. sociólogos. Capítulo 2 Como escrevemos 1. IR MAIS PROFUNDAMENTE ÀS QUESTÕES. sobre o que acontece com a mente das pessoas durante o ato de escrever. informal. seus professores. como vai transformando seus conceitos acerca da escrita. CONSIDERAR A ESCRITA COMO UMA HABILIDADE IMPORTANTE PARA O NOSSO SUCESSO PROFISSIONAL. Estudos de várias áreas do conhecimento nos levam a refletir sobre essas questões: lingüistas. TEXTOS COM SUAS OPINIÕES ACERCA DE ACONTECIMENTOS. Outras visões acerca do ato de escrever Os pesquisadores já sabem muita coisa sobre a escrita. Escreva um texto em primeira pessoa. PROJETOS.

Resistindo. chega! Mas ele ia buscar flirças sabe Deus onde e se levantava de novo. E a tarde. desviando a cara. Poeira. sangue. compreende-se que a escrita é uma atividade que envolve várias tarefas.) E de repente me emocionei: na imagem do lutador de boxe via imagem do escritor no corpo-a-corpo com a palavra. narrar uma aventura ou apenas provar que sabe escrever bem para ser aprovado numa seleção. às vezes seqüenciais. Para gostar de ler. Sob essa perspectiva. 2. qual o gênero mais adequado aos objetivos. mas tanto soco em vão.. 3 cd. comunicar um fato. PRÁTICA SOCIAL DE ESCRITA CONTEXTO DA PRODUÇÃO DE TEXTO ASSUNTO TEXTO EM PROCESSO DE PRODUÇÃO MOTIVAÇÃO OUJA PRODUZIDO NECESSIDADE ___________________ ________________ IDÉIA DE LEITOR PROCESSAMENTO ESCRITA REESCRITA MEMÓRIA GERAÇÃO VERSÕES RELEITURAS ASSUNTO ORGANIZAÇÃO REVISÕES LÍNGUA GÊNEROS MONITORAÇÃO AVALIAÇÃO CONSTANTE DO PROCESSO Estabelecida a necessidade de escrever. o processo de escrita já está desencadeado.Telles: Como você definiria o ato de escrever? Uma luta. reivindicar um direito. apresentação. O texto somente se constrói e tem sentido dentro de uma prática social. Até a noite. expressar uma emoção ou sentimento. Desliguei o som. mas que lhe toma a manhã. aplauso? (. o adversário tão ágil. Acertava às vezes. 9. 7. suor. que grau de subjetividade ou de impessoalidade deve ser atingido. 14 TÉCNICA DE REDAÇÃO investindo. estabelecer um pacto. Há também idas e vindas: começa-se uma tarefa e é preciso voltar a uma etapa anterior ou avançar para um aspecto que seria posterior. Vol. qual é o assunto em linhas gerais. é a razão para escrevê-lo: emitir e defender uma opinião. A escrita como processo Um caminho mais científico é a analise das contribuições que a lingüística nos trouxe sobre o ato de escrever. É sobre essa base de orientação que o produtor do texto vai coordenar o seu próprio trabalho. para explorar melhor e com mais consciência esses procedimentos. regular normas. o que mobiliza o indivíduo a começar a escrever um texto é a motivação. formato. que nível de linguagem deve ser utilizado. seja para aperfeiçoá-los ou para transformá-los. Insistindo mas o que mantinha o lutador em pé? Duas vezes beUou a lona. quais as condições práticas de produção: tempo. alguém sugeriu que lhe atirassem a toalha. vendo na tevê um drama de boxe. ficou só a imagem do lutador já cansado (tantas lutas) e reagindo. São Paulo: Editora Atica. quem provavelmente vai ler. fugidio. relatar uma experiência. Me lembro que estava num hotel em Buenos A ires. p. Voltava a reagir. Fiquei vendo a imagem silenciosa do lutador solitário — mas quem podia ajudá-lo? Era a coragem que o sustentava? A vaidade? Simples ambição de riqueza. Todas essas ações estão profundamente articuladas ao contexto em que se originou e em que acontece a produção do texto. 1988. Cada pessoa deve descobrir como procede durante a escrita.. Luta que requer paciência. Humildade.. como disse o poeta. apresentar COMO ESCREVEMOS 15 uma proposta de trabalho. às vezes simultâneas. é melhor desistir. Assim. Outro possível caminho para entender a escrita é observarmos nossos próprios processos enquanto trabalhamos em um texto. Humor. Uma luta que pode ser vã. o fervor acendendo a fresta do olho quase encoberto pela pálpebra inchada. O produtor já tem imediatamente em mente algumas informações sobre a tarefa: quais os objetivos do texto. 16 TÉCNICA DE REDAÇÃO . monitorando-o para que não fuja da rota e desande em outras direções. E ele ali.

Nesse momento. podemos considerar que o texto já está sendo produzido. me fez o favor de pesquisar o sentido e a idade de alguns localismos. o geógrafo Gladstone Oliva e o astrônomo Jorge Pérez Doval. a análise. Procuramos então relê-lo com olhos não mais de autor. O general em seu labirinto. organizar mentalmente os grandes blocos do texto. reordenar as informações. 1989. O importante é começar a ter mais consciência de suas próprias estratégias. temos que procurar a informação o conhecimento para enriquecêl Gabriel Garcia Márquez. para depois cortar e ordenar. professor da Univers idade Nacional Autônoma do México. elaborar inicialmente uma espécie de sumário ou esquema geral do texto. não se preocupe. Você verá nos capítulos 3 e 4 alguns procedimentos para ativar e enriquecer a memória. elaborar um resumo das idéias para depois acrescentar detalhes. O historiador colombiano Gustavo Vargas. de Bogotá. ou tenha um processo pessoal diferente dos que fo L 18 TÉCNICA DE REDAÇÃO ram enumerados acima. Nela estão armazenados os conhecimentos sobre a língua matéria. escrever a idéia principal e as secundárias em frases isoladas para depois interligá-las. pp. Caso você utilize mais de um procedimento para iniciar seu texto. E nessa fase de pesquisa que entram a leitura. Memória vazia produz texto fraco. Observe algumas dessas preferências (na hipótese de produção de um texto informativo) e veja em qual delas você se enquadra: fazer anotações soltas. conhecê-las. escrevê-lo e reestruturá-lo várias vezes. exemplos. Observe quantas pessoas o escritor consultou sobre detalhes importantes para a sua narrativa. Tentamos descobrir o que nosso leitor compreenderia do texto. sobre Simon Bolívar. mas de leitor. da Academía de Ciências de Cuba. . Rio de Janeiro: Record. independentes. fez vários vôos urgentes só para me trazer alguns dos seus livros inencontráveis Dom Francisco de Abrisqueta. o lingüista mais COMO ESCREVEMOS 17 popular e prestativo da Colômbia. ambíguos que merecem reestruturação. Jorge Eduardo Ritter. fazer uma lista de palavras-chave. quando ela não tem estoque suficiente para o que desejamos. fizeram o inventá rio das noites de lua cheia nos primeiros trinta anos do século passado. desordenadamente. Gabriel García Márquez. quando escreveu o romance histórico O general em seu labirinto. a observação. e ainda os conhecimentos sobre os assuntos e informações que serão tratados no texto. sem substância informativa ou lingüística. esse trabalho de ajuste é imprescindível. já está em processamento. foi um guia obstinado na intrincada e vasta bibliografia bolivariana O ex-presidente Bel isarjo Betancur me esclareceu dúvidas esparsas durante todo um ano de consultas telefônicas. Utilizamos a memória durante todo o processo de produção do texto e.A memória do redator já está acessada em várias vertentes e é um fator importantíssimo na construção do texto. o raciocínio: para preencher os vazios da memória. a reflexão. idéias secundárias. quais são os pontos obscuros.. sobretudo as relacionadas com as idéias políticas da época. Para que o autor fique satisfeito com o seu próprio texto. O historiador bolivarjano Vjnjcio Romero Martínez me ajudou de Caracas com achados que me pareciam impossíveis sobre os coslumes particulares de Bolíva. A primeira versão de um texto ainda é muito insatisfatória. podemos: enfatizar as idéias principais. — em especial seu linguajar grosso — e sobre o caráter e o destino de seu sé quito. Quando há tempo e paciência estendemos essa tarefa ao infinito. não se satisfez com sua própria memória e contou com diversos colaboradores. além de uma revisão implacável de dados históricos na versão final A ele devo a advertência providencial de que Bolívar não podia ‘chupar mangas com deleite infantil”.prima do texto os conhecimentos sobre organização dos diversos tipos de texto. se manteve ao alcance do meu telefone para me esclarecer dúvidas maiores e menores. Nos agradecimen0 ele esclarece: —. e estabeleceu para mim que os versos citados de memória por Bolívar eram do poeta equatoriano José Joaquín Olmedo. embaixador do Panamá na Colômbia e mais tarde chanceler de seu país. pela simples razão de que faltavam vários anos para a manga chegar às Américas. anotar tudo o que vem à mente. construir um primeiro parágrafo para desbloquear e depois ir desenvolvendo as idéias ali expostas. 268-9. Com Francisco Pividal mantive em Havana as vagarosas conversas preliminares que me permitiram formar uma idéia clara sobre o livro que pretendia escrever. dominá-las. A pedido meu. Roberto Cadavid (Argos). Nesta etapa as pessoas têm procedimentos diferentes. confusos. Tomadas essas primeiras decisões e providências.

Vol. no sentido de que vanlos e voltamos.. Crônicas. ele pára a todo instante para resolver questões gramaticais e corre o risco de perder o fio da meada. São Paulo: Editora Ática. acrescentar exemplos. Mas é preciso. Observe o que Gabriel García Márquez relata ao agradecer uma colaboração: Antonio Bolívar Goyanes (. O general em seu labirinto. voltamos ao planejamento para reajustájo ou para reajustar o texto ao objetivo inicial O processo é recursivo. muito exigente consigo mesmo desde o início do texto. e num escrutínio encarniçado da linguagem e da ortografia. que escrevi 1100 páginas datilografadas para fazer um romance no qual aproveitei pouco mais de 300. eliminar palavras ou frases. mudar elementos de lugar. fazendo ajustes e reajustes em cada aspecto. feitos alguns rascunhos. eliminar idéias desnecessárias. unindo-os por meio de conectivos ou separando-os por meio de pontuação. 270. conceitos. Compreender todo esse mecanismo não é importante 5nzen. Quando revisa mos. 7 ed. citações. Depois de algumas tentativas. Eles podem ter passado despercebidos. e de prejudicar a fluência. COMO ESCREVEMOS 19 concordância. Nesse caso. a continuidade do texto. Assim aconteceu surpreendermos com a mão na massa um militar que ganhava batalhas antes de nascer. Gabriel Garcia Márquez.substituir idéias inadequadas. transformar períodos. — PP. a direção do raciocínio. 20 TÉCNICA DE REDAÇÃO E Paulo Mendes Campos admirável poeta e cronista da mesma geração de Ferndo Sabino afirmou: Quando escrevo sob encomenda não há milito tempo para corrigir Quando escrevo para mim mesmo costumo ficar corrigindo dias e dls — uma curtição Escrever é estar vivo. inconseqüéncias. quando planejamos. 1989.. erros e erratas. acrescentar transições entre os parágrafos. substituir palavras ou frases. Outros. ainda. Não devemos pensar numa ordem seqÜenjj rígida como: PLANEJAMENTO> ESCRITA > REVISÃO Pois. é preciso: acrescentar palavras ou frases. Nosso conhecido escritor Fernando Sabino também trabalha assim: Para mim. pode ter se tornado excessivamente autocrítico.) teve a bondade de rever comigo os originais. Basta dizer. alcançar maior exatidão para as idéias. Conhecendo melhor o processo de escrita Vimos como a escrita representa trabalho e exige esforço. numa caçada milimétrica de contrasensos.. Quando o produtor do texto tem mais consciência de seus procedimentos mentais tem mais controle sobre eles epode dirigiq05 deforma mais produtiva 3. uma última leitura para rastrear problemas em relação à norma culta na superficie do texto (ortografia. tenho sempre de corrigir e reescrever várias vezes. mais obsessivos ainda. te para especialistas. 7. o ato de escrever é muito dficil e penoso. regência). Se o redator foi muito reprimido no processo escolar. quando o redator focalizava a estruturação das idéias. p. quando um deles se encontrava em Caracas e outro em Quito. pontuação. acentuação. especialistas e vão ao extremo de reescrever seus livros mais de dez vezes antes de liberá-los para publicação. como exemplo. Nunca consideram o texto pronto. intelectuais. até esgotar sete versões. geralmente. uma viúva que foi para a Europa com seu amado esposo. Escritores famosos submetem os originais à leitura prévia de amigos. 1987. p. consideramos que o texto está pronto. Para isso. corrigir problemas gramaticais. eliminar incoerências. criar vínculos entre uma idéia e outra. quando preparam uma nova edição de textos já publicados.7S. reagrupando-os de forma diferente. já estamos em plena escrita e. e um almoço íntimo de Bolívar e Sucre em Bogotá. Para gostar de ler. 3. quando escrevemos revisamos simuJtaneent parcelas do texto. estabelecer hierarquia entre as idéias. Rio de Janeiro: Record. argumentos. disciplina atenção paciência O texto não . voltam a reestruturálos. repetições.

Pode ser um exercício escolar. O que é leitura Como vimos. COMPREENDER QUE VÁRIAS RELEITURAS GARANTEM O APERFEIÇOAMENTO DO TEXTO. Quando terminar o texto ouça o que gravou. E preciso conhecer os procedimentos mentais e as habilidades necessárias para a escrita para conseguir aperfeiçoá-las. em que o tempo é limitado. Reconheça quais são os passos que utilizou. RECONHECER QUE REESCREVER É O PROCESSO NATURAL DE CONSTRUÇÃO DE UM BOM TEXTO. Ninguém escreve a sua primeira versão e se dá por satisfeito. E preciso reler identificar problemas e reestruturar muitas vezes até que o texto chegue a corresponder aos objetivos iniciais e Possa cumprir sua função de forma adequada Naturalmente medida que o redator vai melhordo seu desempepj0 esse processo vai ficando mais rápido. 4. uma tarefa profissional ou uma atividade livre como uma carta ou um requerimento. do senso crítico e do conhecimento sobre os diversos assuntos acerca dos quais se pode escrever. a leitura é a forma primordial de enriquecimento da memória. Tente pensar em voz alta. A leitura é um processo complexo e abrangente de decodflcação de signos e de compreensão e intelecção do . Reflita acerca de seus procedimentos: Planeja antes de escrever ou durante a escrita? Tem bloqueio ao começar? Relê cada frase antes de continuar ou vai escrevendo para depois reler tudo? Que decisões toma? 22 TÉCNICA DE REDAÇÃO Falta assunto? Tem dificuldade de encontrar palavras adequadas? Tem dificuldade em organizar os períodos? Sabe onde pontuar? Pensa no leitor? Como avalia o texto? Trabalha na revisão? O que pensa que precisa acelerar ou desacelerar? Esse exercício vai ajudá-lo a construir um controle maior sobre seus processos cognitivos. CULTIVAR A PACIÊNCIA. o candidato deve abreviar e acelerar as ações.é simplesmente resultado de uma inspiração divina. AFASTAR O DESÂNIMO SE A PRIMEIRA VERSÃO DO TEXTO NÃO FOR SATISFATÓRIA. Além disso. Novos procedimentos na escrita É NECESSÁRIO: TENTAR CONHECER E ANALISAR O SEU PRÓPRIO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE TEXTO. Não há um modelo único mais correto. Nosso convívio com a leitura de textos diversos consolida também a compreensão do funcionamento de cada gênero em cada situação. b) Periodicamente. Prática de escrita a) Escolha um tema para produzir um texto. faça novo diagnóstico. Registre com as datas as transformações no seu caderno de anotações pessoais. POIS É UMA PRÁTICA MUITO PRODUTIVA. vamos internalizando as suas estruturas e as suas infinitas possibilidades estilísticas. 5. a escrita não pode ser considerada desvinculada da leitura. Analise seu próprio processo. mas não pode eliminá-las ou desprezá-las. muitas dec sões e procedimentos vão se automatizdo Em situações de con COMO ESCREVEMOS 21 curso. Grave tudo o que acontece em sua atividade mental consciente. MOSTRAR PARA OUTRA PESSOA E ACEITAR SUGESTÕES. Nossa forma de ler e nossas experiências com textos de outros redatores influenciam de várias maneiras nossos procedimentos de escrita. Ou imagine que está respondendo em uma entrevista à questão: Qual é a sua história pessoal com o ato de escrever? Use um gravador de áudio enquanto estiver planejando e escrevendo. Capítulo 3 A qualidade da leitura 1. não vem pronto do além para que o redator apenas o transfira para o papel. Pela leitura vamos construindo uma intimidade muito grande com a língua escrita. aplicável a todas as pessoas. Cada indivíduo deve conhecer suas próprias trajetórias e tentar aprimorá-las continuamente.

folheando uma National Geographic de 1950. cronista críti c que se opõe ao governo em questão). perceber os implícitos. em todas as formas de leitura. qual é a sua posição no jornalismo de sua época (é um dos mais conceituados e respeitados . argumentos. maliciosamente. é um inferno. mas também os da experiência de vida dos indivíduos. objetivos. rico ainda sabe que vai viver muito mais do que pobre. aquilo não estaria acontecendo com ele. xingando o funcionário que vem avisar que as senhas acabaram e que é preciso voltar amanhã. ativar as informações antigas e novas sobre o assunto. exercer sua criatividade e morar num lugar que pode A QUALIDADE DA LEITURA 25 chamar de realmente seu. Mas. pelo menos até ser despejado? Que filho de rico verá um dia sua casa ser arrasada por um trator? Um maravilhoso trator de verdade. ainda mais neste modelo. em geral. ali. conversando animadamente com todos à sua volta. as ironias. além de outros. sentenças. levamos em consideração. Esse é o jogo que torna a leitura produtiva. uma frase do presidente para criticar. o procedimento de leitura é bem espontâneo. quase em estado natural. Mais de um rico obrigado a esperar dez minutos para ser atendido por um especialista. Ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. 24 TÉCNICA DE REDAÇÃO Os procedimentos de leitura podem variar de indivíduo para indivíduo e de objetivo para objetivo. O PRESIDENTE TEM RAZÃO Mais uma vez os adversários pinçam. Correio Braziliense. e que seu tédio não terá fim. não de brinquedo. deve ter suspirado e pensado que. aqui ou no exterior. e ainda podendo assistir a uma visita teatral do Ministro da Saúde ao hospital. 1998. Muitas vezes o pobre constrói sua própria casa. lutando para manter seu lugar. o que é sempre divertido em vez de se chateando daquela maneira. se fosse pobre. Como exemplo. Lida com a capacidade simbólica e com a habilidade de interação mediada pela palavra. intenções. muito do nosso conhecimento prévio é exigido para que haja uma compreensão mais exata do texto. a sua observação de que é chato ser rico. e que isso não é tão ruim assim. provas formais e informais. Ele estaria numa fila de hospital público desde a madrugada. os seguintes conhecimentos prévios: quem é Veríssimo (um escritor de humor. Envolve especficamente elementos da linguagem. Para compreender adequadamente esse texto. vamos analisar uma crônica de Luís Fernando Veríssimo. à memória e à emoção. como são. identificar o tipo de texto e o gênero. E eu concordo com o presidente. ações e motivações. os outros textos de Luís Fernando Veríssimo (sempre de humor e ironia). 2 dez. Não precisamos fazer muito esforço para manter a atenção ou para gravar na memória algum item. Brasília. frases. Ele estava falando para pobres e preocupado em prepará-los para o fato de que não vão ficar menos pobres e podem até ficar mais. só precisando cuidar para não levar bala. Trata-se de nosso conhecimento prévio sobre: a língua os gêneros e os tipos de texto o assunto Eles são muito importantes para a compreensão de um texto. É preciso compreender simultaneamente o vocabulário e a organização das frases. No caso. Efe Agá tem razão. E pior. da sua autoria. É um trabalho que envolve signos. no seu quintal! Todas as emoções que um filho de rico só tem em video game o filho de pobre tem ao vivo. Quando é que um rico terá a mesma oportunidade de mexer assim com o barro da vida. olhando pela janela. Pobre vive amontoado em favelas. Quando lemos apenas para nos divertir. com papelão e caixotes. numa 1 alegre promiscuidade que rico só pode invejar. Com toda as suas privações. Pois eu entendi a intenção do presidente. as relações estabelecidas com o nosso mundo real.mundo que faz rigorosas exigências ao cérebro. no seu governo.

Como a leitura faz inúmeras solicitações símuitâneas ao cérebro.’ eu entendi opresiden te. No texto analisado por exemplo. 2. zombaria Nessa experiência podemos constatar que a leitura não é um procedimento simples. eu concordo com o presidente Quando comparamos as descrições da forma de vida dos pobres e dos ricos e a afirmação de que ser pobre é muito mais divertido do que ser rico. compreensão de pressupostos. Recursos para uma leitura mais produtiva Um leitor ativo considera os recursos técnicos e cognitivos que podem ser desenvolvidos para uma leitura produtiva. Modo de exprimirse que Consiste cai dizer o contrário daquilo que se está pensando ou sentindo ou por pudor em relação a si próprio ou com intenção depreciativa e sarcástica em relação a outrem. associação com informações anteriores. Expande-se por todo o processo de compreensão que antecede o texto. 26 TÉCNICA DE REDAçJ0 qual é a situação social do Brasil em nossa época e como é realmente a vida nas classes menos favorecidas. 1 L. Há procedimentos espec(ficos de seleção e hierarquização da informação como: observar títulos e subtítulos. elaboração de hipóteses. explora-lhe as possibilidades e prolonga-lhe o funcionamento além do contato com o texto propriamente dito. é uma atividade extremamente complexa pois flo Podemos Coflsjder apenas o que está escrito.cronistas de costumes e de política. . ironia] S. interpretação de itens lexicais e gramatjcj5 agrupa0 de palavras em blocos conceituais. 1998). 3. penetramos no mundo da ironia. seleção e hierarquização de idéias. Ao contrário. reorientação dos próprios procedimentos mentais. 2. A QUALIDADE DA LEITURA 27 identificação de palavras-chave. focalização da atenção. avaliação do processo realizado. Contraste fortu ito que parece um escárnio. produzindo efeitos na vida e no convívio com as outras pessoas. é necessário desenvolver consolidar e automatizar habilidades muito sofisticadas para pertec ao mundo dos que lêem com naturalidade e rapidez Tratase de um longo e acidentado percurso para a compreensão efetiva e responsiva que envolve: decodificação de signos. quem é o presidente a que ele se refere (o presidente da República no ano de publicação. para compreender as intenções e Posições do autor lemos muito mais o que não está escrito. antecipação de informações. Sarcasmo.f 1. pois suas idéias são contrárias ao que está escrito. que no Dicionário Auréjio Eletrônico é definida como: [Do grego eiróneia Interrogação. a que fala do presidente ele se refere (a comparação que estabeleceu entre a vida do pobre e do rico). analisar ilustrações. Vamos analisar algumas dessas habilidades. Entre1açafl0 essas informações e a forma como o texto foi escrito. controle de velocidade. A leitura não se esgota no momento em que se lê. pelo latim. seus textos são publicados em espaços nobres dos principais jornais e revistas brasileiros). vamos reconsiderar o título e as idéias que se repetem pelo texto: o presidente tem razão. construção de inferências.

Vamos aprofundar nosso conhecimento acerca de alguns desses procedimentos. para seguir instruções. quadros. legendas etc. em busca de diversão. associar as unidades menores de significado a unidades maiores. outros na releitura. e quando o encontramos fazemos um outro tipo de leitura: do particular para o geral (ascendente). como já foi explicado anteriormente. apenas para saber se há alguma novidade interessante. nem sempre esses procedimentos estão muito claros ou conscientes para quem os utiliza na leitura cotidiana. usar conhecimentos prévios extratextuais. determina de que forma lemos um texto. auto-avaliar continuamente o desempenho da atividade. 3. E guiada tanto pela construção do próprio texto como pelos interesses. para obter informações precisas e exatas. segmentar as unidades de significado. deslocamentos. sublinhados. para revisar um texto etc. negritos. constituindo uma atividade cognitiva complexa que não obedece a uma seqüência rígida de passos. de emoção estética ou de evasão. Os tipos de leitura e seus objetivos O objetivo da leitura. para comunicar um texto a um auditório. 30 TÉCNICA DE REDAÇÃO No primeiro tipo somos superficiais. Há ainda aqueles que são concomitantes a outros. substituir itens lexicais complexos por sinônimos familiares. Como são interiorizados e automatizados pelo uso consciente e freqüente. Se lemos um jornal. detectar erros no processo de decodificação e interpretação. freqüentemente. aceitar e tolerar temporariamente uma compreensão desfocada até que a própria leitura desfaça a sensação de desconforto. por exemplo. pragmáticos e da estrutura do gênero. No segundo tipo de leitura somos mais detalhistas. enumerações. fixamos alguns parágrafos iniciais. controlar o trajeto. tais como: identificar o gênero ou a macro-estrutura do texto. procurando um ponto de atração. A QUALIDADE DA LEITURA 29 Alguns desses procedimentos são utilizados pelo leitor na primeira leitura. queremos . Lemos: por prazer. desenvolver o intelecto. tomar notas sintéticas de acordo com os objetivos. procedinientos de controle e monitoramento da cognição: planejar objetivos pessoais significativos para a leitura: controlar a atenção voluntária sobre o objetivo. relacionar e integrar. o ritmo e a velocidade de leitura de acordo com os objetivos estabelecidos. elaboramos rápidas hipóteses que não testamos.reconhecer elementos paratextuais importantes (parágrafos. ativar e usar conhecimentos prévios sobre o tema. Utilizamos ainda procedimentos de detecção de coerência textual. em busca de qualificação profissional.). Há também procedimentos de clarficação e simplificação das idéias do texto como: construir paráfrases mentais ou orais de fragmentos complexos. sempre que possível. objetivos e intenções do leitor. fazemos algumas adivinhações. 28 TÉCNICA DE REDAÇÃO decidir se deve consultar o glossário ou o dicionário ou adiar temporariamente a dúvida para esclarecimento no contexto. velozes. empreendemos uma leitura do geral para o particular (descendente): olhamos as manchetes. esclarecimentos. identificar e sublinhar ou marcar na margem fragmentos significativos. em busca de atualização. passamos os olhos pela página. reconhecer e sublinhar palavras-chave. reconhecer relações lexicais! morfológicas! sintáticas. Um leitor maduro usa também. para estudar. analisá-las e escrever um texto relativo ao tema. e são apenas meios e não fins em si mesmos. esses fragmentos a outros. controlar a consciência constante sobre a atividade mental. para obter informações gerais.

Jogados nas ruas ou em atividades insalubres. Palavra que serve para identificar num catálogo de livros ou de artigos. Esse tipo de leitura detalhada. f 1. minuciosa. A partir dos três ou quatro anos. Alguns você já usa naturalmente. ratos e urubus o que os outros jogam fora. De uma ou outra forma. pronomes. mesmo quando estuda. a maioria tem o destino traçado. que já são conhecidos. em geral. exige do leitor uma grande concentração. Eles disputam com cães. porcos. hierarquizar as informações. Mas porque é obrigada. pois cada um imprime sua visão ao que lê. 32 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nos dois parágrafos seguintes. preposições ou advérbios. Palavra que encerra o signflcado global de um contexto. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. Não são palavras gramaticais: artigos. lenta. verbos e certos adjetivos. detalhada. Prova disso é que só as pobres entram precocemente no mercado de trabalho. elaborar um esquema ou síntese. minuciosa. encontram-se cerca de cinqüenta mil em situação desumana e degradante. procuramos garantir a compreensão precisa. três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e.saber tudo. Procedimentos estratégicos de leitura Um texto para estudo. Por meio delas podemos reconstituir o sentido de um texto. ou rápida e superficial. Rende de um a seis reais. uma atenção voluntária e controlada. há momentos em que você pode dispensar certos textos. a) Estabelecer um objetivo claro Sempre que temos um objetivo claro para a leitura vamos mais atentos para o texto. distinguir partes do texto. a definição desse fenômeno? Como ocorreu esse fato? Onde? Quando? Quais são suas causas? Quais são suas conseqüências? Quem estava envolvido? Quais são os dados quantitativos citados? O que é mais importante nesse texto? O que eu devo anotar para utilizar depois no meu trabalho? Quando começamos uma leitura sem nenhuma pergunta prévia. por exemplo: Qual é a opinião do autor? Quais são as informações novas que o texto veicula? A QUALIDADE DA LEITURA 31 O que este autor pensa desse assunto? Em que discorda dos que já conheço’? O que acrescenta à discussão? Qual é o conceito. está condenada. numa listagem ou na memória de um computador. temos mais dificuldade em identificar aspectos importantes. vamos identificar as palavras-chave: Nenhuma criança trabalha porque quer. Sem elas o texto perde totalmente o sentido. os elementos que têm entre si um certo parentesco ou que pertencem a um certo grupo. exata. Normalmente são os substantivos. Estabelecer previamente um objetivo nos ajuda a escolher e a controlar o tipo de leitura necessário: ascendente ou descendente. os menores acompanham os pais aos aterros sanitários para catar a sobrevivência. o dajàmília. outros pode incorporar ao seu acervo de habilidades. São os catadores de lixo. Outros tiveram que abandonar os livros antes do tempo. desacelerada (ascendente). ou que o explica e identfica: A palavra-chave deste romance é angústia. Elas podem apresentar uma pequena variação de leitura para leitura. Entre a multidão de trabalhadores mirins. Já sabemos o que queremos e ficamos mais atentos às partes mais importantes em relação ao nosso objetivo. b) Identificar e sublinhar com lápis as palavras-chave As palavras que sustentam a maior carga de significado em um texto são chamadas de palavras-chave. O Dicionário Aurélio Eletrônico registra: Verbete: palavra-chave s. Um leitor maduro distingue qual é o momento de fazer uma leitura superficial e rápida (descendente) daquele em que é necessária uma leitura detalhada. Não terá direito ao futuro. 4. No Brasil. Alguns nunca entraram numa escola. . mesmo quando está trabalhando ou estudando. Há muitos recursos e procedimentos para uma leitura mais produtiva. Pois. de leitor para leitor. conectivos. 2. É importante construir previamente algumas perguntas que ajudam a controlar o objetivo e a atenção. muitas vezes. que um estudante precisa desenvolver é o que vamos focalizar aqui. ou partes de textos. como.

Correio Braziliense. Brasília, l9jun. 1999. Editorial.
A partir das palavras destacadas (você poderia sugerir outras) podemos compreender e reconstituir o assunto principal do texto, O reconhecimento das relações lexicais, morfológicas e sintáticas estabelecidas na configuração da superficie do texto é um pressuposto necessário para que leitor possa tomar decisões. E importante aprender a selecionar e hierarquizar as idéias para identificar as palavras principais. Há muitos detalhes que são usados em um texto para esclarecer ou enriquecer a informação já

dada. Não fazem falta a não ser estilisticamente. Veja, por exemplo, a frase: Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os outros jogam fora. O teor de informação nova agregado ao que já tinha sido dito é muito pequeno. E apenas uma ilustração explicativa contundente. Observe a continuação desse texto e exercite sua capacidade de selecionar palavras importantes, destacando-as:

A QUALIDADE DA LEITURA 33 Na tentativa depôrfim a esse quadro dramático, o Fund das Nações Unidas para a Infância (UniceJ), em conjunto com o Ministé rio do Meio Ambiente e a Secretaria do Desenvolvimento Urbano, lançou a campanha Criança no Lixo Nunca Mais. A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais e não governamentais já rnecerão orientações a prefeituras de 5.507 municípios sobre elaboração de projetos e formas de buscar recursos para implementá -los. A meta é ambiciosa. Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, envolver a União, os estados, os municípios, além de parcerias com a iniciativa privada e a população em geral. Acima de tudo, exige vontade política. O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não Jár assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar empregos dignos. Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicef prospere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perspectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a sobrevivência no lixo constitui mau presságio. Sugere que poderá não haver nenhum futuro. É indispensável e urgente modflcar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.
-J

34 TÉCNICA DE REDAÇÃO Observe como as palavras destacadas por você carregam o significado mais importante da mensagem e permitem que as idéias principais sejam recuperadas. É preciso observar e compreender para hierarquizar e selecionar. Tudo depende de treino, experiência. Ou seja, uma boa leitura depende de muita leitura anterior. c) Tomar notas Uma ajuda técnica imprescindível, principalmente para quem lê com o objetivo de estudar, é tomar notas. A partir das palavras-chave, o leitor pode ir destacando e anotando pequenas frases que resumem o pensamento principal dos períodos, dos parágrafos e do texto. Pode também marcar com lápis nas margens para identificar por meio de títulos pessoais as partes mais importantes, os objetivos, as enumerações, as conclusões, as definições, os conceitos, os pequenos resumos que o próprio autor elabora no decorrer do texto e tudo o mais que estiver de acordo com o objetivo principal da leitura (algumas edições já trazem esse destaque na margem para facilitar a leitura). Essas notas podem gerar um esquema, um resumo ou uma paráfrase. Trabalho Nenhuma criança trabalha porque quer. Mas infan til no porque é obrigada. Prova disso é que só as pobres Brasil entram precocemente no mercado de trabalho. No Brasil, três milhões de menores entre 10 e 14 anos saem de casa todos os dias para garantir o próprio sustento e, muitas vezes, o da família. Alguns nunca entraram numa escola. Outros tiveram que aban dona os livros antes do tempo. Jogados nas ruas ou em atividades insalubres, a maioria tem o destino traçado. De uma ou outra forma, está condenada. Não terá direito ao futuro. Entre a multidão de trabalhadores mirins, en contram-s cerca de cinqüenta mil em situação de-

A QUALIDADE DA LEITURA 35 sumana e degradante. São os catadores de lixo. Eles disputam com cães, porcos, ratos e urubus o que os Catadores outros jogam fora. A partir dos três ou quatro anos, de lixo/ os menores acompanham os pais aos aterros sanitá 50.000 rios para catar a sobrevivência. O resultado de um dia de labor sob sol ou chuva é parco. Rende de um a seis reais. Unicef Na tentativa de pôr fim a esse quadro dramáti MMA-SD co, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Uni Campanh cef), em conjunto com o Ministério do Meio Am Crianç no biente e a Secretaria do

Desenvolvimento Urbano, Lixo Nunca lançou a Campanha Criança no Lixo Nunca Mais. Mais A meta é erradicar o trabalho dos catadores mirins até Meta/2002 2002. Para chegar lá, 31 instituições governamentais Projetos e e não governamentais fornecerão orientações a pre forma de feituras de 5.507 municípios sobre elaboração de pro busca jetos eformas de buscar recursos para implementá recurso los. A meta é ambiciosa.
Ninguém imagina que seja fácil atingi-la. O desenvolvimento de um programa com semelhante dimensão deve, necessariamente, en volve a União, os estados, os municípios, além de

parcerias com a iniciativa privada e a população
em geral. Acima de tudo, exige vontade política.

Caminhos
O governo está convocado a estabelecer políti Soluçõe cas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa Renda de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos mínima e nesse sentido. Um deles é a garantia de renda míni educaçã ma para as famílias em estado de pobreza absoluta, para o incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, trabalho mantê-los no colégio. Nenhum esforço de tirar o me no do labor diário dará resultado se não for asse gurad o sustento do núcleo em que ele vive. Outro Importante caminho é a reciclagem educacional dos pais para para o que possam comparecer ao mercado de trabalho em futuro do condições de disputar empregos dignos. país Não há tempo a perder. São 50 mil brasileiros que pedem socorro. Clamam por saúde e educação. A sociedade espera que a iniciativa do Unicefpros TÉCNICA DE REDAÇÃO pere. Espera, sobretudo, que o governo faça a sua parte. O amanhã se constrói a partir de hoje. E a perrpectiva é de que nossos filhos e netos herdem um país melhor. A existência de uma multidão de meninos buscando a

sobrevivência no lixo constitui mau presságio., Sugere que poderá não haver nenhum futuro. E indispensável e urgente modficar, para melhor, o cenário. Correio Braziliense. Brasília, 19 jun. 1999. Editorial.

d) Estudar o vocabulário
Durante a leitura de um texto, temos que decidir a cada palavra nova que surge se é melhor consultar o dicionário, o glossário, ou se podemos adiar essa consulta, aceitando nossa interpretação temporária da palavra a partir do contexto. Observe o seguinte período do texto: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios — a disputa de alimentos com os abutres. A palavra abjeto pode gerar dúvidas no leitor, mas podemos perceber que ela não é essencial ao texto. Quando retirada, o período preserva significado. Talvez não seja tão necessário nesse caso consultar o dicionáno,já que o contexto esclarece que se trata de uma idéia negativa que intensifica (junto com o advérbio mais) a negatividade que está em infortúnios. Poderíamos tentar substituí-la por outras mais conhecidas.’ indigno, horrível, desprezível, e a frase continuaria apresentando idéia lógica. Esses procedimentos de inferência e compreensão lexical são realizados com muita velocidade pelo leitor. Quando a continuidade da leitura se torna prejudicada, o melhor mesmo é parar e ir ao dicionário.
,. .

36

.4 QUALIDADE DA LEITURA 37

e) Destacar divisões no texto para agrupá-las posteriormente

É importante compreender essas divisões para estabelecer mentalmente um esquema do texto.
Muitas vezes o autor não insere gráficos, esquemas, nem explícita por meio de enumerações as divisões que faz das idéias. Preste bem atenção quando o texto apresenta estruturas assim:
Em primeiro lugar.. em seguida... em terceiro lugar.. Inicia/mente.., a seguir... finalmente... Primeiramente.., em prosseguimento... por último... Por um lado... por outro lado... Num primeiro momento... num segundo momento... A primeira questão é... A segunda... A terceira...

Por meio da identificação dessas estruturas é possível reconstruir o raciocínio do autor e torna-se mais fácil elaborar esquemas e resumos. No texto que estamos analisando há um exemplo interessante: O governo está convocado a estabelecer políticas eficazes para atrair às escolas as crianças agora lançadas no mais abjeto dos infortúnios a disputa de alimentos com os abutres. Há caminhos abertos nesse
sentido. Um deles é a garantia de renda mínima para as famílias em estado de pobreza absoluta, incapazes de alimentar os filhos e, ao mesmo tempo, mantê-los no colégio. Nenhum esfárço de tirar o menor do labor diário dará resultado se não for assegurado o sustento do núcleo em que ele vive. Outro caminho é a reciclagem educacional dos pais para que possam comparecer ao mercado de trabalho em condições de disputar emgos dignos.

A identificação dessas estruturas textuais na leitura facilita a compreensão das idéias e cria uma matriz mental para organização e hierarquização das informações.
38 TÉCNICA DE REDAÇÃO

fi Simplificação
Um dos recursos mais produtivos durante a leitura de textos complexos é fazer constantemente paráfrases mentais mais simples daquilo que está no texto, ou seja, fazer traduções em palavras próprias, dizer mentalmente com suas próprias palavras o que entendeu do texto. Uma brincadeira que o jornalista Elio Gaspari gosta de fazer é com a simplificação de linguagem exageradamente complexa. Observe o exemplo: CURSO MADAME NATASHA DE PIANO E PORTUGUÊS Madame Natasha tem horror a música. Ela socorre os desconectados do vernáculo. Decidiu conceder uma de suas bolsas de estudo á professora M.B. G.S., presidente da Comissão Esta- dual para elaboração do Projeto de Informática na Educação. No relatório que essa comissão produziu, Natasha encontrou o seguinte adereço: O ambiente informatizado oportuniza a possibilidade de ruptura de estruturas estáticas. Toda experiência de aprendizagem pode ser simulada, mas a simulação, que é uma expressão simbólica, no ambiente digital passa a ser também real, passível de experiência sensorial. Madame acreditaniza que quiseram dizerinizar o seguinte: — O computador é um instrumento pedagógico versátil. Elio Gaspari. Jornal de Brasília. Brasília, 22 fev. 1998. O procedimento de tradução mental simplificadora é muito útil para conferir se entendemos mesmo o texto ou não.

g) Identificação da coerência textual
Diante de cada novo texto temos de identificar as estruturas básicas para compreender seu funcionamento. Assim, iden
A QUALIDADE DA LEITURA 39

tificamos imediatamente o que é um poema, o que é uma fábula, o que é um texto dissertativo. Como a escrita é para ser lida e compreendida a distância, sem interferência do autor no momento da leitura, sua elaboração exige uma estrutura exata, precisa, clara, que assegure ao leitor uma decodificação correta e adequada. Para tanto o autor usa estruturas sintáticas complexas, estabelecendo minuciosamente as relações entre as idéias, já que não pode contar com o apoio do contexto, das expressões faciais, do conhecimento comum. Isso acontece principalmente nos textos de natureza informativa: dissertações, argumentações, reportagens e ensaios, os quais privilegiamos neste livro. Quanto menos compromisso o texto tem com a informação exata, mais espaço deixa para os acréscimos e interpretações do leitor, como é o

Essas informações pragmáticas vêm iluminar e esclarecer os significados e estabelecer a coerência textual do que é lido. 40 TÉCNICA DE REDAÇÃO Durante a leitura é preciso conferir as interpretações. de redundância. Essa associação é prevista pelo autor e deve ser feita pelo leitor de forma espontânea. discutir. Quais são as partes do texto que apresentam objetivos. podemos incorrer em equívoco. para apreender. Em textos mais complexos. Esse diálogo. conceitos. interpretando mal os objetivos e conseqüentemente as informações e os significados. um empenho constante para fazer os relacionamentos adequados tanto entre as idéias interiores ao próprio texto. Qual o objetivo? Intenções. Um texto bem escrito apresenta sempre uma certa dose de repetição. Isso significa que a leitura para apreensão de informações deve ser uma leitura pausada.caso da publicidade. Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Posicionamento explicitado. que vai do particular para o geral e volta do geral para o particular constantemente. A esse fenômeno chamamos intertextualidade. Essa ligação entre textos pode ir de uma simples citação explícita a uma leve alusão. Além dessas. Caso essas perguntas não sejam respondidas de maneira adequada. da poesia e dos textos literários em geral. Onde é veiculado? Suporte editorial. Com que autoridade? Papel social do autor O que eu já sei sobre o tema? Conhecimentos prévios do leitor Quais são os outros textos que estão sendo citados? Intertextualidade. Como são tratadas as idéias contrárias? Rebatimento ou antecipação de oposições. Quais são as idéias principais? Informações. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Estrutura textual. para auxiliar o leitor a chegar às conclusões desejadas pelo autor. nos quais a polissemia (convívio de uma multiplicidade de significações sobre uma mesma base) predomina. Uma decifração que procura percorrer o mesmo raciocínio do autor do texto. A quem se destina? Público. refazendo o trajeto do seu pensamento original. em que a estrutura do texto inicial é utilizada como base para o novo texto. Vamos analisar um exemplo bem simples de intertextualidade: CONTRAFÁBULA DA CIGARRA E DA FORMIGA . mais estruturado. há muitas outras perguntas que o leitor vai propondo à medida que lê e de acordo com os seus objetivos. Quais são as outras vozes que perpassam o texto? Distribuição da responsabilidade pelas idéias. Quando o interesse for assegurar uma compreensão predeterminada. precisa. como entre o texto e os conhecimentos prévios do leitor e suas experiências vividas. naturalmente será produzido um texto mais denso. dados. essa interação entre leitor e texto exige a ativação de conhecimentos que extrapolam a simples decodificação dos elementos constitutivos do texto. em que as seqüências tenham uma articulação necessária entre si mesmas. superficial e rápida. Quais são os testemunhos utilizados? Depoimentos. um objetivo claro para a leitura. na proporção em que partilhe conhecimentos com o autor. Quais são os exemplos citados? Fatos. fazendo perguntas ao texto. Esses textos não são fáceis e não são compreendidos à primeira leitura. ou até mesmo a uma paródia completa. concordar ou se opor a essas idéias. Para isso fazemos perguntas elementares: Quem escreve? Autor Que tipo de texto é? Género. definições. desacelerada. Com que argumentos as idéias são defendidas? Provas. É preciso um rígido controle da atenção. explícitas ou implícitas. exata. a intensidade do esforço para compreender a intertextualidade pode variar e sempre depende de conhecimentos prévios comuns ao autor e ao leitor. A QUALIDADE DA LEITURA h) Percepção da intertextualidade Um texto traz em si marcas de outros textos. Terá por base um planejamento lógico.

. mas a alusão à fábula original (na última fala da formiga) cria a intertextualjdade explícita. Batista A formiga passava a vida naquela Jármiga ção. dona Cigarra? — E claro! — disse a cigarra. Os meus discos não saem das paradas. vendendo na alta e comprando na baixa. depois Amsterdam. chegoua minha vez!” Mas a cigarra aproximou-se só querendo saber como estava ela e como estavam todos no formigueiro. — A senhora vai ganhar duzentos mil dólares no inverno? — Não. O quê?! exclamou aformiga.. Fechava contratos em Londres já com um pé no Boeing para Frankfurt ou Genebra. depois Londres. E também um juízo a favor da arte em oposição à especulação financeira. ‘Ah. pensou ajórmiga. Na trabalheira do investimento. para verificar os dividendos de suas contas numeradas. uma historieta de ficção. — A senhora não depositou nada no banco. contrária ao prazer. nas suas azias. não estaria mais funcionando. não é? — Não faz mal. — Tenho um programa semanal. Agora no inverno é que vai ser mau continuou aformiga com toda maldade na voz.. enquanto aquela inútil da cigarra ganhava tanto cantando e se divertindo! E perguntou: — Quando a senhora embarca para Paris? Na semana que vem. atualiza suas circunstâncias e modifica seu final (intertextualidade implícita na estrutura). Um dia. Mas vivia também roendo-se por dentro ao ver a cigarra. incutindo nos filhos hábi 41 42 TÉCNICA DE REDAÇÃO los de poupança. os artistas podem chegar a ser milionários com mais rapidez e facilidade do que quem trabalha incansavelmente pensando exclusivamente no dinheiro. encontrou a cigarra no shopping Iguatemi. Segundo sua posição crítica. de cunho popular e de caráter alegórico. procure lá um tal La Fontaine. metida em shows e boates. ah. preparando o terreno para sua vingança. quando voltava de uni almoço no La Tambouille com os japoneses da informática. não foi. já que remete à lição de moral tradicional e multiplica o humor do texto. consultando advogados e tomando vasodilatadores. . voltava a formiga a tesourar e entesourar investimentos e lucros. E acabei de fechar um contrato com o Olympia de Paris por duzentos mil dólares.. destinada a ilustrar um preceito. O próprio título anuncia a intenção. A história em si é engraçada. sempre atenta aos rateios e às subscrições. sempre acompanhada de clientes libidinosos do Mercado Comum. Utilizando uma situação similar à fábula original. E diga-lhe que eu quero que ele vá para o raio que o parta! Trata-se de uma fábula.. Depois. O autor parte do pressuposto de que seus leitores conhecem a fábula da Cigarra e da Formiga do autor francês La Fon A QUALIDADE DA LEITUK4 taine e que reconhecerão imediatamente a sua paródia. E vivia ajármiga a dizer por dentro: Ah. Lá vem ela dar a sua facada. hoje em dia. Aí a formiga pensou no seu trabalho. e a mensagem original.. Isso é só em Paris. remordida.Adaptação feita por 1edro Bandeira do texto do escritor português Antônio A. A formiga. uma sabedoria. com quem estudara no ginásio. na sua vida terrivelmente cansativa e nas suas ameaças de enfarte. ou seja. você há de aparecer por aqui a mendigar o que não poupou no verão! E vai cair dura com a resposta que tenho preparada para você! Ruminando sua terrível vingança. no mundo dominado pelos meios de comunicação e pelo hedonismo. comentou: A senhora andou cantando na tevê todo este verão. aumentando o rendimento da sua capita e dizendo que estava contribuindo para o crescimento do Produto Nacional Bruto. ah! No inverno. tem a excursão a Nova York. — E pode me fazer um favor? Quando chegar a Paris. cantarolando como de costume. sempre consultando as cotações da Bolsa.

os recursos estilísticos com mais eficácia que pelas aulas e exercícios gramaticais. Habilidades que agilizem os procedimentos contribuem para que não haja desperdício de energia e de tempo. pois é natural que o começo da compreensão seja ainda uma idéia desfocada A primeira leitura. da língua e dos modelos de texto. geralmente é necessário voltar ao texto algumas vezes. para isso. Releia e responda mentalmente às perguntas: Quem escreve? Que tipo de texto é? A quem se destina? Onde é veiculado? Qual o objetivo? Com que . quando o trecho é fácil ou quando a leitura tem por objetiv0 a simples distração Outras vezes. A QUALIDADE DA LEITURA 45 5. Conhecendo melhor o processo de leitura Como vimos. conforme nossos objetivos. naturalmente. com freqüênc não é satisfatóa e é preciso empreender uma segundaj com alguma informação sobre o texto e com mais atenção e concentração. E importante desenvolver adequadamente essas estratégias de apoio técnico. Esse controle é essencial para que a leitura seja produtiva. E são os objetivos que vão direcionar o tipo de leitura que vai ser realizado. Pouco a Pouco. a leitura é fundamental. quando percebemos a distração temos que Voltar e reler aquele trecho Esse é um exemplo de como controlamos naturalmente os nos505 erros de leitura Outras vezes. Uma única leitura nem sempre é suficiente. disciplinando-as e submetendo-as aos nossos interesses. E um processo complexo que exige do leitor uma série de habilidades cognitivas muito sofisticadas. Fidelidade ao planejamento: antes de começar a ler um texto sempre estabelecemos. interpretamos mal uma passagem e no decorrer da leitura percebemos que as idéias estão contraditórjas Voltamos. 6. e também para que a leitura se transforme. a leitura ajuda a escrever melhor. Assim. os tipos de texto. desistimos da leitura de um texto no primeiro parágrafo Esse procedi mento é precipitado E preciso merguJ proftmndamente no texto para dar-lhe uma chance de ser bem Sucedido Na maioria das vezes. temos que ler desaceleradament quando estudamos assuntos desconhecidos quando o texto é denso e complexo ou quando contém muitos implícitos Para garantir esse contro le é necessário ter uma consciência contínua dos procedimentos que estão sendo utilizados além de uma disPosição para avaliar a qualidade da própria leitura Tolerância e paciência: muitas vezes. consciente ou inconscientemente. Esse desconforto no iflÍcjo de um texto é muito comum. Algumas vezes pode merecer reorientação. a escrita depende de nosso conhecimento do assunto. uma espécie de roteiro: como vamos ler? para que vamos ler? Esse roteiro deve ser controlado e reavaliado durante a leitura. Por isso é necessário prestar bem atenção no que fazemos enquanto lemos para termos mais domínio sobre as nossas próprias habilidades de leitura. então para conferir a decodifica ção das palavras e a interpretação Essa capacidade de avaliar constantemente a própria leitura precisa ser deSenvol Vida Ajuste de velocidade. Leia uma vez. os gêneros. de simplificação e de monitoração das atividades mentais de forma que possamos otimizar nosso esforço.1) Monitoramento e concentração Durante a leitura podemos exercer um relativo controle consciente sobre as nossas atividades mentais. Estou mesmo perseguindo meu objetivo? Já me distraí? Mudei o meu trajeto de leitura? Criei outro objetivo no percurso? Detecção de erros no processo de leitura: algumas vezes lemos muito rapidamente enquanto pensamos em ou43 44 TÉCNICA DE REDAÇÃO tra coisa e. podemos ler mais rapidamente: quando o assunto é conhecj do. ou seja. em um exercício mais prazeroso. conseguir o melhor resultado da maneira mais prática e simples. Prática de leitura a) Escolha um artigo assinado do jornal de sua preferência. Ele não é espontâneo e depende de treino e concentração. Em qualquer situação de leitura utilizamos procedimentos que nos auxiliam a compreender e interpretar o texto. a cada dia. Pela leitura interiorizamos as estruturas da língua. a leitura se toma. o leitor deve controlar a veloci dade de leitura de acordo com as dificuldades que o texto oferece e com os objetivos da leitura Às vezes. mais fácil e as dificuldades preliminares Vão se resolvendo.

como se faz freqüentemente nos cursos preparatórios para concursos. definições. de pessoas. importante na nossa vida diária. Leia. Um outro. d) Escolha um texto de estudo e aplique as estratégias de leitura apresentadas neste capítulo. forem muito usadas. conclusões? Quais são as relações entre essas partes? Com que argumentos as idéias são defendidas? Onde e de que maneira a subjetividade está evidente? Quais são as outras vozes que perpassam o texto’? Quais são os testemunhos utilizados? 46 TÉCNICA DE REDAÇÃO Quais são os exemplos citados? Como são tratadas as idéias contrárias? c) Escolha um texto dissertativo que ofereça alguma dificuldade de leitura para você. Quando vemos. Isso acontece com nomes de lugares. que dá aulas sobre uma mesma matéria para várias turmas. Não o esquecemos tão facilmente. Capítulo 4 Da leitura para a escrita 1. Analise os procedimentos de leitura sugeridos neste capítulo que você já utiliza. Mas nem sempre isso é possível. de filmes. estabelecem laços com outras informações preexistentes. O mesmo acontece quando estudamos a gramática pela gramática. Nossa memória é muito seletiva. E acontece também com conceitos e definições. Ela não guarda tudo o que gostaríamos a partir de uma primeira leitura. Já sabemos que as informações que vêm apenas por via auditiva são menos duradouras. Se não são utilizados. Um professor. Memorizamos aquilo que é significativo para nossos interesses intelectuais ou para nossa vida pessoal. essa faculdade de reter as idéias. Já um número usado todos os dias. associada e relacionada a outros conhecimentos prévios existentes em nossa memória. guardamos informações novas. em um período de teste. Na de curto prazo. chegamos a memorizálo. tem que estudá-lo para reavivar a memória quando precisa expor novamente o assunto. por um período breve. Temos dois tipos de memória: a de longo prazo e a de curto prazo. . que apenas esporadicamente fala sobre um tema. pode ajudar a compreender e controlar seu funcionamento. Quando podemos ler uma vez a informação. Se não forem úteis por longo período. apreendemos um pouco mais. sem aplicação direta na produção de textos. Se. impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente. reelaborada em nossa mente por meio de novas associações e novas divisões. esquecemos tudo com facilidade. Mas. como se estivessem temporariamente à disposi 48 TÉCNICA DE REDAÇÃO çào. para que uma informação fique consolidada na memória de longo prazo é preciso que seja: útil na vida prática ou para nossas reflexões abstratas: utilizada com certa freqüência.autoridade? O que eujá sei sobre o tema? Quais são os outros textos que estão sendo citados? Quais são as idéias principais? Quais são as partes do texto que apresentam: objetivos. por exemplo. tudo aquilo que nos deu tanto trabalho para memorizar à força é esquecido imediatamente após a prova. Grave em fita de áudio tudo o que pensa enquanto lê. As informações novas ficam algum tempo na memória de curto prazo. temos um pouco mais ainda de possibilidade de gravar na memória. Na memória de longo prazo guardamos nossos conhecimentos consolidados. caem no esquecimento. serão descartadas. encontram pontos de apoio que as sustentam por mais tempo e se tornam mais duradouras. O trabalho com a memória Precisamos usar muitas informações contidas em textos que já lemos. É importante considerar também outros aspectos da aprendizagem. Quando decoramos mecanicamente regras e conceitos. Se memorizamos alguns itens sem transferi-los gradualmente para a prática. Como exemplo. Algum esclarecimento acerca da memória. permanece na nossa memória de longo prazo. enquanto elas nos são úteis e estão sendo realmente utilizadas. conceitos. apreendemos uma pequena parcela do que ouvimos. pois é duradoura. dizendo em voz alta seus pensamentos para controlar a leitura. que é seletiva e rotativa. Então. a memória vai descartá-lo por falta de uso. durante muito tempo. de livros. nesse período. podemos pensar na seguinte situação: se estamos tentando comunicação por vezes repetidas com um número de telefone. se nos dias subseqüentes não precisarmos mais desse número. acaba por dominar naturalmente o assunto.

quadros. ela pode ser: uma afirmação. prestando atenção nos títulos e subtítulos. como veremos no capítulo 6. conforme vimos no capítulo anterior. A leitura pode levar à produção de textos de natureza diferente do texto original e com finalidades também diferentes. a ciência já constatou que o cérebro e a memória precisam de exercícios. Organizar um esquema é uma maneira preparatória para o resumo e a paráfrase. Pode até mesmo não explicitá-la claramente. utilizar. Como a primeira leitura é sempre muito breve e superficial. Normalmente. uma resenha ou um comentário que permitem ampliação e discussão. visa fundamentar a idéia inicial. pois os conhecimentos que adquirimos formam uma base em que novos conhecimentos vêm se instalar de forma mais duradoura. no resumo. como conclusão. Em um resumo recorre-se a poucos efeitos retóricos. resumos e paráfrases. para que o leitor chegue mentalmente à conclusão a partir das evidências colocadas no texto. DA LEITURA PARA A ESCRITA O leitor que tenta reconstruir o percurso do autor não pode acrescentar idéias novas ao resumo do que lê. prender-se às expressões utilizadas pelo próprio . conseguimos maior índice de memorização e de aprendizagem. Por isso é bom. a compreensão das idéias expostas pelo outro. Não se trata de uma simples transferência. mais temos possibilidade de aprender.DA LEITURA PARA A ESCRITA 49 Mas se podemos ouvir. 2. precisamos utilizar estratégias de desaceleração para apreendermos melhor um texto. Hoje em dia. comparações. divisão de idéias. em que o professor ou o texto doam ao aluno a informação nova. ou então sintetizar as informações para revê-las ou repassá-las a outros. lemos e tentamos memorizar o que lemos. dispensando exempios e ilustrações. mas podemos estabelecer um roteiro básico como sugestão: 50 TÉCNICA DE REDAÇÃO 1? — Empreender uma primeira leitura descendente. rápida. O processo de debate pressupõe a intelecção. e que a inteligência precisa ser constantemente estimulada para não se atrofiar. uma compactação. 4? — Organizar um esquema das idéias. ou seja. 6? — Redigir o resumo seguindo o roteiro estabelecido pelo esquema. Resumos. na organização geral do texto. desenvolver uma ação (concreta ou mental) sobre certa informação de forma pessoal. aprender exige trabalho sobre o conhecimento. ler. mantendo as relações entre essas unidades. Assim. e pode trazer explicações. identificando palavraschave e anotando idéia por idéia. O leitor deve criar o seu próprio método. e não uma crítica. pois a linguagem deve ser objetiva e clara. parágrafo por parágrafo. quando ainda na fase do esquema. uma pergunta. Muitas vezes. O desenvolvimento. subdividindo-o de acordo com as relações sintáticas. Assim. 2? Fazer uma segunda leitura. esquemas e paráfrases A partir do esquema podemos facilmente reconstituir as ligações do texto original elaborando um novo texto. atuar. o autor prefere colocar a idéia principal no fim do parágrafo. que também é uma forma de retomada das informações. ver e experimentar. E preciso que a pessoa trabalhe bastante para que o conhecimento passe realmente a ser propriedade sua. elaboramos a paráfrase. 5? — Voltar ao texto e conferir a correspondência com as idéias principais. Muitas vezes. embora existam variações infinitas. mas deixá-la implícita. uma negação. um conceito. os parágrafos dissertativos/argumentativos têm uma estrutura organizada logicamente: Primeiros períodos = idéia principal Períodos seguintes = desenvolvimento Último período = conclusão Quando a idéia principal surge no início do parágrafo. É uma leitura de reconhecimento prévio do material a ser estudado. pois trata-se de uma síntese. 3? — Reagrupar as informações de acordo com unidades menores. oposições. mais curto que o original um resumo em que as informações essenciais são rearticuladas em uma nova organização. do geral para o particular. podemos produzir esquemas. Se nosso objetivo é repetir as mesmas informações integralmente. A leitura com esse fim é muito detalhada. Quanto mais aprendemos.

.autor do texto.... finalmente.. depois. pode-se observar Assim... podemos ob servar Para comprovar o que foi dito Exemplo disso é Como exemplo. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o uso das frases de transição.. Indicam objetivo: O que desejamos neste trabalho O objetivo desta investigação Pretendemos demonstrar Procuramos comprovar Estamos tentando provar Indicam inserção de exemplo: Para exemplificar.... TÉCNICA DE REDAÇÃO Essas frases exigem muita atenção do leitor. O resumo é um trabalho sobre a linguagem muito complexo. estruturas sintáticas... em sua obra Y Indicam divisão de idéias: Em primeiro lugar.. pois é necessário trabalhar com precisão sobre: significados. vocabulário. São elas que o levam a decidir quais são as .. gênero e tipo de texto.... em segundo. Colocaremos aqui alguns exemplos. Elas conduzem o raciocínio do leitor de acordo com o planejamento do autor e podem exercer várias funções. por último. Primeiramente...-. por outro lado. Por um lado.. Indicam conclusão parcial ou final: Em vista disso podemos concluir Diante do que foi dito Em suma Em resumo Concluindo Portanto Assim 51 fr .. um outro aspecto é. mas você pode encontrar infinitas variações nos textos que lê.... O primeiro aspecto é. é o que ocorre no caso em que Indicam inserção de citações: Segundo o especialista X De acordo com o que afirma X Xjá afirmou que Conforme X.... em seguida..

O que significa isso? A indústria cultural vende Cultura. incorporá-las em suas vidas. palavra que vem do latim e sign fica: dado à visibilidade. tornarem-se reprodutivas e repetitivas. A arte possui intrinsecamente valor de exposição ou exponibilidade. Perdida a aura. de trabalho da criação. isto é. Assim. conhecê-las. as empresas de divulgação cultural já selecionaram de antemão o que cada grupo social pode e deve ouvir. já viu. A “média” é o senso comum cristalizado que a indústria cultural devolve com cara de coisa nova. ao massifiLar a Cultura. basta darmos atenção aos horários dos programas de rádio e televisão ou ao que é vendido nas bancas de jornais e revistas para vermos que. porque define a Cultura como lazer e entretenimento. as artes correm o risco de perder três de suas principais características: 1. destinadas à massa. como tudo que existe no capitalismo. INDÚSTRIA CULTURAL E CULTURA DE MASSA A partir da segunda revolução industrial no século XIX e prosseguindo no que se denomina agora sociedade pós-industrial ou pós-moderna (iniciada nos anos 70 do século Xv). de experimentação do novo. 3.informações essenciais e as que podem ser dispensadas no resumo. da reflexão . em vez de garantir o mesmo direito de todos á totalidade da produção cultural. novas. Por quê? Em primeiro lugar. fazê-lo ter informações novas que o perturbem. 2. As obras de arte são mercadorias. não pode chocá-lo. mas deve devolver-lhe com nova aparência o que ele já sabe. da inteligência. sinal de status social. Sob os efeitos da massflcação da indústria e consumo culturais. existe para ser contemplada efruída. baseada na idéia e na prática do consumo de produtos culturais”fabricados em série. E essencialmente espetáculo. No entanto. como o consumidor num supermercado. porque separa os bens culturais pelo seu suposto valor de mercado: há obras caras” e “raras “. já fez. sob controle económico e ideológico das empresas de comunicação artística. prestígio político e controle cultural. Em quarto lugar. através dos preços. É algo para ser consumido e não para ser conhecido. de expressivas. cada um escolhendo livremente o que deseja. fruído e superado por novas obras. criticá-las. O que é a massa? É um agregado sem forma e sem rosto. destinadas aos privilegiados que podem pagar por elas. massificou-se para consumo rápido no mercado da moda e nos meios de comunicação de massa. formando uma elite cultural. provocá-lo. pois todos poderiam. ver ou ler. Em segundo lugar. da imaginação. tornarem-se eventos para consumo. porque inventa uma figura chamada “espectador médio ‘ “ouvinte médio” e “leitor médio ‘ aos quais são atribuídas certas capacidades mentais “médias “. direito à informação e àforniação culturais. a arte não se democratizou.se consagração do consagrado pela moda e pelo consumo. Vamos analisar um texto e compreender o processo de resumo. No entanto. porque cria a ilusão de que todos têm acesso aos mesmos bens culturais. diversão e distração. em princípio. Democracia cultural significa direito de acesso e de fruição das obras culturais. e os artistas epensadores 4 DA LEITURA PARA A ESCRITA poderiam superá-las em outras. a indústria cultural introduz a divisão social entre elite “cultural” e massa “inculta “. certos conhecimentos “médios” e certos gostos “médios “. as artes foram submetidas a uma nova servidão: as regras do mercado capitalista e a ideologia da indústria cultural. direito à produção cultural. tornarem. transformando-se em propaganda e publicidade. As obras de arte e de pensamento poderiam democratizar-se com os novos meios de comunicação. Em terceiro lugar. a arte se transforma em seu oposto: é um evento para tornar invisível a realidade e o próprio trabalho criador das obras. fazê-lo pensar. deve seduzir e agradar o consumidor. sem identidade e sem pleno direito à Cultura. ter acesso a elas. Para vendê-la. de modo que tudo o que nas 53 54 TÉCNICA DE REDAÇÃO obras de arte e de pensamento significa trabalho da sensibilidade. A indústria cultural acarreta resultado oposto. oferecendo-lhes produtos culturais “médios”. e há obras “baratas” e “comuns “. A democratização da cultura tem como precondição a idéia de que os bens culturais (no sentido restrito de obras de arte e de pensamento e não no sentido antropológico amplo) são direito de todos e não privilégio de alguns. Para seduzi-lo e agradá-lo.

assim. criação > consumo.e da crítica não tem interesse. XIX) > mercado capitalista > ideologia da indústria cultural Obra de arte tem valor de exposição / deve ser contemplada e fruída. Em lugar de difundir e divulgar a Cultura. toma invisível a realidade e o próprio trabalho criador Democracia cultural (poderia acontecer pelos meios de comunicação) Todos têm direito > ao acesso e à fruição. sensibilidade. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos. Massifica = banaliza / vulgariza a expressão artística e intelectual. Marilena Chaui. O texto começa com uma informação que será explicitada nos parágrafos seguintes. elite culta. se transforma em seu oposto = mercadoria quando > Fabricação em série > Propaganda e publicidade > Sinal de status > Prestígio político > Controle cultural não se democratizou massificou-se Arte corre risco Valor de: pode se transformar em: 1. os privilegiados. > à produção cultural. a partir do esquema. não vende. Já é possível retirar do texto a sua estrutura básica e reorganizá-la em blocos.. inventa uma média “espectador. pp. superficial e rápida. conclusões e respostas. 1997. 56 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nesse esquema. Deve funcionar como um texto autônomo. experimentação ‘. imaginação. 2. Indústria cultural resultado oposto = introduz a divisão social ao massificar a Cultura. diversão e distração. capacidades mentais. podemos observar que algumas informações foram eliminadas e outras podem ser reagrupadas. ou seja. independentes do texto original. Os efeitos de repetição. O resumo. 3. banalizar a expressão artística e intelectual. identificando as palavras-chave e as idéias secundánas distribuídas pelos parágrafos. despertando interesse por ela. podemos aproflindar mais a compreensão das causas e conseqüências dessa distinção. que têm a função de prender a atenção do leitor. Na segunda leitura. define a Cultura como lazer e entretenimento. 8 ed. do texto já nos diz que a idéia principal é a distinção entre o que é realmente arte e o que a indústria cultural produz para a massa no capitalismo. 2. teórico. Uma primeira leitura. Ática. separa “caras’ e “raras”. não “vende”. não pode mais depender do original. reagrupa as idéias. ou leitor médio”. 4. > à informação e à formação. são dispensados e o resumo vai reconstruir diretamente as afirmações. Sabemos que Marilena Chaui é uma filósofa e que se trata de um texto dissertativo. DA LEITURA PARA A ESCRITA 55 Indústria cultural e cultura de massa Artes submetidas (2 revolução industrial séc. porque 1. 3. reflexão e crítica não têm interesse. sobre conceitos bastante abstratos. voltando ao texto. 329-30. rearticulando-as em novas orações e períodos.consagração do consagrado pelo consumo. Massifi cor é. ao ativar nossos conhecimentos anteriores sobre o assunto. Ao analisar as escolhas feitas. as 700 palavras do texto original foram reduzidas a apenas 198. conhecimentos e gostos “médios” = produtos culturais “médios” = o que o consumidor já sabe = senso comum. São Paulo: Ed. já com essas idéias. ouvinte. inteligência. no primeiro parágrafo já se anuncia a idéia principal: de que a arte foi transformada numa mercadoria e que por isso foi desvirtuada pela indústria cultural. expressidade > repetição. como o esquema que serve . > “baratas” e “comuns”. sem provocações. Convite à Filosofia. Os parágrafos seguintes desenvolvem e aprofundam essa idéia. cria a ilusão de acesso através dos preços seleciona grupo social. massa inculta. redundância e as perguntas retóricas. numa redação própria da pessoa que resume.

com capacidades. deixar a expressividade pela repetição. A indústria cultural não democratiza. Sob controle econômico. o trabalho da sensibilidade. A elaboração interior é feita por meio de paráfrase: para saber se estou compreendendo bem uma idéia é preciso que eu saiba pensá-la. mas apresenta uma forma de organização diferente. estamos parodiando. Há diferenças entre o resumo e a paráfrase que é necessário esclarecer. Quando a organização é semelhante. reproduzi-la ou dizê-la com minhas próprias palavras. tem a mesma função. sem novida DA LEITURA PARA A ESCRITA 57 des. no século XIX. tenho consciência de que domino a nova informação. produtos culturais fabricados em série. inventa um consumidor médio. às vezes cômica ou irônica. pois não se trata apenas de transposição ou transferência. cria a ilusão do acesso igual para todos. Crítico (também chamado de resenha) — apresenta a posição do leitor. da inteligência. pela reprodução das idéias com minhas próprias palavras. Um texto é paráfrase do outro quando traz as mesmas informações por meio de outras palavras. Assim. Mas esse efeito é artístico e criativo. o assunto. antecedendo trabalho científico. E essencial compreender que também na produção de textosusamos freqüentemente a paráfrase. separa os bens culturais pagos e raros para uma elite culta e os bens baratos e comuns para a massa inculta. Assim. Além dos usos pessoais do resumo. artigo. informação eformação. vê a cultura como lazer.3. É utilizado em revistas científicas. a representação condensada do conteúdo de um documento (é obrigatório. porque ao massficar reintroduz a divisão social e:]. Assim. conhecimentos e gosto médios. 4. dizemos que é uma paródia. fundados no senso comum. como uma estratégia para ler e estudar. da imaginação. Desde a segunda revolução industrial. Pela paráfrase mental.apenas para retomar as idéias principais. diversão e distração deforma que não tem interesse. que poderia ser alcançada pelos meios de comunicação social. Essa assimilação requer uma elaboração interna. e. Observe que a terceira pessoa que garante a impessoalidade própria da estrutura dissertativa foi mantida. a criação pelo consumo e a experimentação pelo consagrado. quando sobre uma mesma melodia criamos letra diferente. os métodos e conclusões. fruída e revelar a realidade. 2. por técnicos em editoração e por cientistas. as tes foram submetidas às regras do mercado capitalista e à ideologia da indústria cultural. deve conter dados essenciais que ajudem o leitor a decidir sobre a necessidade de ler ou não um texto todo. porque não vende. os pontos de vista. massficou-se e transformou-se em seu oposto: mercadoria. entretenimento. Ocor 1 58 TÉCNICA DEREDAÇÀO re. além de tornar a realidade e o trabalho criador invisíveis. que é banaliza ção e vulgarização da arte e do conhecimento. é frita para ser contemplada. além de nossa experiência de vida. vendáveis. ele é considerado. Informativo (até 350 palavras) representa o conteúdo. Como já vimos no capítulo anterior. não foi democratizada. A democratização da cultura. para o qual produz bens médios. sinal de status. apropria-se dele. O aprendiz incorpora o conhecimento novo. em caso de trabalhos científicos. utilizamos a paráfrase mentalmente. a arte corre o risco de perder suas características. Ou seja. no processo de estudo e de aprendizagem. comparações com outros trabalhos e pode trazer uma avaliação geral. prestígio político e controle cultural. utilizamos informações lidas. e ainda produção cultural. A obra de arte tem um valor de exposição. Pode ser: Indicativo (de 10 a 50 palavras) — geral e sintético. mas pelo preço define os grupos que podem usufruir de cada bem. dissertação e tese). a indústria cultural produz uma massficação. mas as informações são diferentes. para escrever um trabalho ou um artigo. já que um texto é feito de outros textos. a quantidade de palavras em relação ao esquema é maior: 267. foi substituída pela massflcação. Entretanto. Essas informações lidas passam a fazer parte de nosso . uma intemalização ou assimilação. no resumo que apresentamos a seguir. em lugar de democratizar a Cultura. isto é. da reflexão e da crítica. entendida como o direito de acesso efruição.

Na paráfrase. . frases e períodos podem ser simplificados. Prática de síntese a) Escolha um texto de estudo ou relativo ao seu trabalho que precise conhecer bem. dependendo do objetivo da paráfrase. A paráfrase. agregados ou transformados estilisticamente. fazemos pequenas paráfrases. que são muito úteis na ampliação das habilidades cognitivas. “em lugar de dfundir e divulgar a Cultura. que exercem funções próprias como: resumo para apresentação oral e escrita de trabalhos. reutilizá-las. Neste livro. 3. pois não se pode citar a fonte. reestruturá-las e reordená-las em outro formato exige uma grande atividade mental que contribui para que a assimilação seja mais consistente. 4. mas nossa leitura não retém na memória tudo que é necessário. mas guardam um vínculo com o texto original do qual provêm. Assim. depois de algum tempo. adotamos o seguinte modelo simplicado: NOME DO AUTOR. são úteis também como textos autônomos. podemos incorporá-las ao nosso texto de maneira parafraseada. Quando falamos para nós mesmos. Releia. Sempre que fizer esses exercícios de síntese. ao fim de cada capítulo ou parte de texto. interpretando o que foi lido. sem acréscimos. consultá-las. se não houver uma citação clara do autor das idéias. elabore uma paráfrase em tom mais coloquial.acervo pessoal de conhecimentos pela internalização. 1997. O importante é que o documento possa ser recuperado pelo leitor a partir de informações básicas. E preciso uma leitura refinada. podem ser consideradas plágio. sintetizando a idéia principal. CIDADE: EDITORA. São Paulo: Ed. O próprio esforço de reelaborar as idéias. registrando. A Associação Brasileira de Normas Técnicas normatiza as regras para publicações. é preciso dar-lhe um apoio anotando. não se saber mais de onde foram retiradas aquelas idéias. E muito comum. mais úteis poderão se tornar quando da produção de um novo texto. ANO.outras basta fazer uma alusão ao dono das idéias e. elabore um pequeno parágrafo. anote a bibliografia referente. esquema para orientar aula ou palestra etc. com nossas próprias palavras. Por isso. As técnicas de registro de bibliografia podem variar. 329-30. As informações têm de ser fiéis às idéias do texto original. Faça um 60 TÉCNICA DE REDAÇÃO esquema das idéias. junto aos textos transcritos. despertando interesse por ela. Nossos textos são compostos. EDIÇÃO. para identificação. a partir de informações que colhemos em outros textos. não perca suas leituras por falta de anotações. 8 ed. em grande parte. mas as editoras optam por algumas variações. não é um resumo. fazendo anotações. transformações conceituais ou reduções. Por isso a paráfrase é tão útil. obra. PÁGINA. pp. Após a leitura. data). DA LEITURA PARA A ESCRITA 59 ou paráfrase: Marilena Chaui afirma em seu texto que a indústria cultural vulgariza as artes e os conhecimentos em vez de d(fundir. Paráfrases mal feitas podem constituir mal-entendidos prejudiciais à comunicação e. seleção e hierarquização de idéias. Marilena Chaui. Além disso. Convite à Filosofia. com vários retornos ao texto. podemos sempre utilizar idéias de outros autores fazendo: citação literal: Marilena Chaui afirma em seu texto que. As vezes é preciso citar explicitamente sua origem (nome. Ática. Palavras complexas podem ser substituidas por expressões mais simples e familiares ou pode ocorrer o contrário. muitas vezes. b) Escolha um parágrafo longo de um texto dissertativo. TÍTULO. Conservando e reutilizando o que foi lido Neste capítulo vimos como podemos registrar as informações lidas de forma que se torne mais fácil voltar a elas.. E isto é o mesmo que não ter lido. Assim. vale repetir. Quanto mais organizadas forem essas anotações. a indústria cultural realiza a vulgarização das artes e dos conhecimentos “. divulgar e despertar interesse pela Cultura. c) De todas as suas leituras para estudo ou trabalho. Elabore um resumo reduzindo-o a 50% do original. Leia uma primeira vez para se familiarizar com as idéias. resumindo ou esquematizando.

o veículo em que vai circular. e por isso a primeira pessoa do singular é utilizada com muita freqüência. a) A linguagem como expressão individual Objetivos centrados no EU — Muitos textos têm uma natureza essencialmente subjetiva. Funções da linguagem Como podemos perceber. a seguir. São questões de várias ordens: textuais.. Avo Gardner e Grace Kelly eu só conhecia defotos nas revistas e jornais. tivemos sessão de cinema. 1967. ou na informação. Bonitas.. Flauta de Papel. Nos três últimos períodos. Essas decisões estão relacionadas àqueles mesmos aspectos que tentamos descobrir quando estamos lendo textos de outras pessoas. no leitor. bilhetes. 2. tomamos muitas decisões antes e durante o trabalho. Clark Gable disfarçando com grande charme a sua velhice. na linguagem e no seu funcionamento. Um exemplo desses textos é o diário pessoal. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 63 Ava Gardner e Grace Kelly. lingüísticas. Clark Gable. Poesia Completa e Prosa. A história do filme se passava na A’frica. depoimentos. pensamentos e emo çõe de uma pessoa. cartas.. mas não me dão vontade de revê-las. o autor registra suas impressões a respeito de um filme e dos atores. mas sempre TÉCNICA DE REDAÇÃO transparece uma função preponderante. Dizemos. que a função da linguagem está centrada no EU. a língua escrita é usada com diferentes funções e com os mais diversos objetivos. ar tigos poemas. com muita fera.1 Capítulo 5 Decisões preliminares sobre o texto a produzir 1. Há algumas funções consideradas básicas e que estão presentes nos textos de forma especial. cinco funções primordiais da linguagem. Cada um dos objetivos vai determinar o formato que o texto vai tomar e. Focalizaremos. a função expressiva é mais evidente: a experiência pessoal e as emoções são ressaltadas e as informações . Rio de Janeiro: Editora Aguilar. Tenho vontade de rever é . na estruturação do texto e na sua estética. A voz que assume a “fala” nesse tipo de texto é a própria voz do autor. então. conforme seus objetivos estejam centrados: no EU. informacionais. estão voltados para a expressão individual. As diversas funções coexistem e duas ou três aparecem simultaneamente num mesmo texto. Podemos traduzir algumas das decisões preliminares nas seguintes perguntas: Quais os objetivos do texto que vou produzir? Que informações quero transmitir? Qual o gênero de texto mais adequado aos meus objetivos? Que estruturas de linguagem devo usar? Vamos refletir. Para a expressão de nossos pensamentos. Nesse trecho. muito negro. à noite. na função expressiva. muitas vezes. interpessoais. As feras representando muito bem. agora.. Tomando decisões Para escrever um texto. podemos escrever textos de gêneros mui t diferentes como: diários. Manuel Bandeira. Vamos detalhar aqui como essas funções se realizam no texto escrito. pois o objetivo principal do texto é transmitir ou registrar os sentimentos. Vejamos um pequeno texto de Manuel Bandeira: Diário de Bordo 22 de julho Ontem. sobre essas decisões. Audrey Hepburn.

Para que estas vantagens cheguem até você. A nossa memória. é um instrumento primordial para o exercício da cidadania. Nomes e telefones de novos conhecidos. escrevemos para. por mais secreta e enigmática que seja. sempre que escrevemos um diário. Porém. A função expressiva da linguagem é essencial à nossa vida. Muitas vezes. Temos certeza de que cada vez mais atenderemos às suas necessidades de telecomunicações. escrevemos bilhetes para nós mesmos no intuito de não esquecer algum compromisso ou informação e. E quase um monólogo. à discussão teórica e abstrata em que o eu não se expõe com tanta evidência. uma súplica. assimilá-los criticamente e assumir a própria voz é essencial. pode ser esclarecedor. Embora nosso exemplo pertença ao universo literário. No entanto. uma ordem. mas reconstruí-los. a predominância da função expressiva. Vamos analisar esta carta comercial/publicitária: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 65 . por favor. precisa de mais de um ponto de apoio. circunstâncias. ou seja. Prezado José da Silva. sempre causam um pouco de dúvida se não estiverem acompanhados de alguma referência mais específica. dos amigos e dos negócios. à neutralidade. a mensagem. Palavras soltas são dificeis de ser associadas a fatos. Geralmente é uma instrução de procedimentos. alterando o seu comportamento. com a alta qualidade e a avançada tecnologia da empresa que está pronta para o século 21.assumem o tom de confissão. por isso. um leitor que é a nossa própria pessoa em outro momento. E por intermédio da função expressiva que nos tomamos senhores de nossa própria história. está presente em textos cujo objetivo é influenciar a atitude de quem lê. José da Silva. A conquista da expressão dos próprios pensamentos e opiniões. uma orientação. é preciso considerar que esse autor estará exercendo o papel de leitor num segundo momento e. quando lemos essas anotações. deve estar bem elaborada para que possa ser compreendida em outras circunstâncias. por exemplo. ou seja. nos vestibulares e concursos. acontecimentos. E por isso sempre estaremos oferecendo-lhe descontos e promoções em nossos serviços. Pedimos que você verifique a correção dos dados pessoais e do telefone exibidos na conta. entre em contato com nossa Central de Atendimento ao Cliente por meio do telefone XØ(X\9( Obrigado por ter escolhido nossa empresa para chegar mais perto de sua família. pois. nas teses e dissertações. Repetir 4 pensamentos de outros é. José da Silva. já que não se pode confiar totalmente nela. muito importante. você é muito especial para nós. como já vimos. pessoas. José da Silva. Beltrano Diretor de Serviços 64 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Função centrada no leitor ou apelativa Uma outra função da linguagem é aquela centrada no leitor. às vezes. uma sugestão. não entendemos o que queríamos dizer. é geralmente considerada inadequada e dá lugar à impessoalidade. já que o autor fala consigo mesmo. é necessário que mantenha seu cadastro atualizado. a expressão subjetiva explícita. é por meio dela que nos construímos como sujeitos atuantes na sociedade e no mundo. Continue preferindo nossa operadora. Se houver alguma alteração. Trata-se de dar ajuda à memória. Atenciosamente. Um conhecimento ou uma informação preexistentes ajudam a sustentar conhecimentos novos na memória por mais tempo.

2. que criam necessidades de consumo e transformam as pessoas em máquinas desejantes. onde se projetam filmes cinematográficos. A locução a nível de. 190 (com adaptações). I”K 1 cinem [Do gr.] El comp. Paulo. Muito menos eficaz para o objetivo da empresa seria a simples comunicação por telegrama: Atualize cadastro pelo telefone XXX XXX Agradecemos preferência. Podemos dizer que a função preponderante é centrada no leitor. 3. 1. tornou-se uma das mais terríveis muletas lingüísticas da atualidade./ O salário será a nível de 5 mil reais (em torno de). na sua reação. explicar-se. é ainda mais evidente essa ausência de um autor explicitamente identificável no texto. mais percebem quando estão sendo persuadidos contra a própria vontade e mais resistem aos processos de tirania e arbítrio. Cinema mudo. Quanto mais esclarecidos são os cidadãos.] S. Por meio desse tipo de texto a sociedade pode ser controlada e submetida à dominação política e cultural. A empresa quer continuar sendo escolhida pelo leitor como sua operadora de serviços de telecomunicações. no seu comportamento. Em determinados casos podem ser usadas as locuções no plano de e em termos de. é como se ele estivesse ausente do texto. Sala de espetáculos. Projeção cinematográfica. São Paulo: Editora Moderna. Eduardo Martins. cinematógrafo. 4. DECiSÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR [Equiv. Embora possamos perceber que um autor elaborou o pensamento sobre o item analisado. f . p. = movimento’: cinemascópio. Manual de Redação e Estilo — O Estado de S. 1. Veja alguns casos em que a locução aparece e como evitá-la: Decisão a nível de diretoria (decisão da diretoria).] S. Existe ainda ao nível de. Observe os verbetes a seguir: Verbete: cinema [De cinematógrafo. Os exemplos mais claros são os textos da gramática. E a língua falando sobre a própria língua. m. 2. 3.] Cinema falado. ou parte dele. modismo desnecessário e condenável. 1. /Çf sinema. Observe este exemplo: 66 TÉCNICA DE REDAÇÃO Nível 1. Por isso é preciso ler com muita atenção e procurar as segundas e terceiras intenções em tudo o que nos chega às mãos. /Decisão a nível de governo (decisão governamental). 1. Aquele em que a projeção não vem acompanhada de som: cena muda.] Verbete: cinernateca [De cinema. / Reunião a nível internacional (reunião internacional). Função metalingüística é a função da linguagem na qual predominam os enunciados em que o código. É importante perceber os mecanismos de convencimento que estão implícitos em determinados textos que manipulam o pensamento das pessoas. Aquele em que a projeção é acompanhada de uma faixa sonora. / Contratações a nível de futuro (contratações para ofuturo). em substituição a praticamente tudo que se queira.: cinemat(o)-: cinemática. Em um dicionário. Cinematografia. colocando as ações do leitor em evidência. Assim as informações estão todas organizadas de forma a atingir essa meta. kínema. Mas a sociedade de consumo é fundamentada em textos apelativos.Observe como o propósito da carta influenciou a sua forma. se constitui objeto de descrição. c) A linguagem que explica a língua —função meta!ingüística A linguagem pode falar acerca de si mesma. mas apenas com o sign ficado de à mesma altura: ao nível do mar. atos. Arte de compor e realizar filmes cinematográficos.+ -teca. dos livros didáticos de língua portuguesa e do dicionário. ansiosas por adquirir mais e mais. na sua escolha futura.

mais isso-e-aquilo. para sua elaboração especial e intencional. É por meio desses textos que ampliamos o nosso universo lingüístico. paisagem cinematográfica. mais americano. de Graciliano Ramos. O FiM DAS COISAS FECHADO O CINEMA ODEON. 67 68 TÉCNICA DE REDAÇÃO d) A arte literária —função poética Encontramos a função poética da linguagem quando a intenção do autor de um texto é extrair da linguagem as suas mais altas possibilidades expressivas. o cinema Glória. A matinê . jogar com as potencialidades latentes nas palavras e criar combinações novas e originais. de estranhamento agradável. A espera na sala de espera.1. A Vida como Ela E. minha mocidade fecha com ele um pouco. 1.’. pois chama a atenção para si mesmo. Quero é o derrotado Cinema Odeon. Não é possível. a morfologia. (Amadurecerei um dia?) Não aceito. (Nélson Rodrigues. maior. mais que para a informação. Dizemos.) Dicionário Aurélio Eletrônico Há um conjunto de recursos que dispensa a voz do dicionarista. que o texto é opaco. chama a atenção para a organização e estruturação do texto. por enquanto. a palavra. Cada verbete. II. 42. titubeios na fala e falhas e inadequações na escrita. Mas quando sua linguagem apresenta problemas. vai se lembrar do sofrimento de Fabiano por não dominar as palavras. pouco antes de partir o avião. Essa elaboração provoca no leitor uma espécie de experiência estética prazerosa. 2. truncamentos. Verbete: cinematográfico Adj. o miúdo. 3. quando for o caso. A língua é um dos instrumentos mais importantes na conquista da própria identidade e da cidadania. por sua beleza e/ou por outra(s) qualidade(s). evocando o beUo cinematográfico que dera no aeroporto. Local onde se conservam os filmes cinematográficos. percebemos que alguma coisa não funciona bem: pausas. Nesses casos. temos a arte que utiliza a linguagem verbal. fora-de-moda Cinema Odeon. Fechado para sempre. Respeitante à cinematografia. o apelo ou a confissão. Próprio de cinema. Que. Não amadureci ainda bastante para aceitar a morte das coisas que minhas coisas são. proporciona ao leitor o caminho para compreender os significados. Quando uma pessoa tem um bom vocabulário e sabe combinar adequadamente as palavras. então. 100 Contos Escolhidos. na rua da Bahia. seja na sua combinação. que lembra o que se vê no cinema: “Rilhava os dentes. como material de criação: a literatura. é digno de ser cinematografado: uma jovem cinematográfica. Se você já leu Vidas Secas. e até aplaudi-las. em oposição à transparência do texto informativo. os possíveis usos e as relações entre as palavras. p. dispõe de uma excelente ferramenta social para exercer suas tarefas na sociedade. em especial os considerados de valor cultural ou artístico. ou seja. pela forma como está organizado. seja no acervo e escolha de palavras. sendo de outrem.

waldemarpissilândico. como fazemos com um texto de jornal. porque a obra de arte oferece interpretações do mundo que estimulam a reflexão e o conhecimento Além de proporcionar experiência estética. A primeira sessão e a segunda sessão da noite. o COflvÍvjo com a literatura Constitui um exercício privilegiado de habilidades cognitivas .. crítica social. são simultâneas. o Conto. Hart. de costumes. tombos. policial./Fechado para sempre. duplo sentido. a associação entre as idéias.”. diversas formas e diferentes objetivos. O relato da experiência pessoal. já que permite várias formas de leitura. na rua da Bahia. de guerra. Assim.7 70 TÉCNICA DE REDAÇÃO Ritmo Repetição de palavras Repetição de sons Repetição de idéias Jogos de palavras Ironias. a elaboração original e única para a expressão de uma interpretação sobre os fenômenos do mundo. A prosa e o verso se desdobram em outras espécies literárias. costumeira. a escolha das palavras. O jornal da Fox. Quando citamos um poema não podemos resumi-lo. você pode observar muitas das características da literatura que constituem meios para a elaboração especial da linguagem: 69 . e abre caminho para que os leitores empreendam uma reflexão que pode desdobrar-se em várias camadas: lírica. tramas. por sua vez. A estruturação do texto é tão importante que qualquer substituição constituiria uma agressão à autoria do poeta. entretanto o conhecimento da natureza do texto artístico é imprescindível para que se compreenda como funcionam os textos não-literários A leitura freqüente de textos literários é também muito importante na formação de uma pessoa. No exemplo. William S. O romance. de amor. alterá-lo ou transformá-lo. humor Criação de novos vocábulos (neologismos) Frases nominais Estrutura sintátjca predomjnantemerite justaposta Uso da primeira pessoa do singular A literatura assume. a poesia narrativa épica são feições diferentes para um mesmo fenômeno: a arte da palavra. A divina orquestra. Nosso objetivo principal neste livro não é o estudo da literatura. DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR A impossível (sonhada) bolina ção. o poema é plurissignificativo. expressão do EU e informação sobre fatos e acontecimentos. crítica da cultura. de terror. tiros. pobre sátiro em potencial.. depoimento social de costumes de uma época. E cada uma dessas formas tem subgêneros. Nos versos “FECHADO O CINEMA ODEON. análise psicológica. As meninas-de-família na platéia. demonstra como as funções se sobrepõem. apresentado como uma narrativa no poema. Por exemplo. por exemplo. o romance pode ser: histórico. Exijo em nome da lei ou fora da lei que se reabram as portas e volte o passado musical. mesmo não divina.. O poema é prioritariamente uma elaboração especial da linguagem. polissêmico. Carlos Drummond de Andrade Boitempo O poema de Drummond exemplifica essa opção pela escrita de forma especial: a disposição das frases no papel.com BuckJones. de humor. sublime agora que para sempre subm erge em funeral de sombras neste primeiro lutulento de janeiro de 1928. ao mesmo tempo. critica política. o jogo de palavras é intencional e não pode ser modificado sem que se modifique o efeito dessa escolha sobre a interpretação do poema como um todo. o teatro. mas é também..

podemos repetir informações. no qual os verbos que indicam subjetividade. Almanaque Abril 1996 Como você pode observar. O exemplo a seguir é um caso em que a função referencial é preponderante: 72 TÉCNICA DE REDAÇÃO os primeiros grandes diretores: Mário Peixoto (1911-1993). Este tipo de texto. O que ganha evidência é a informação. expor. são sistematicamente evitados. das modulações da voz. acho. Descrever. das expressões faciais. eliminação de elementos sintáticos etc. universitários e acadêmicos. como penso. a cada momento. ou seja. corrigir e explicar melhor. Dizemos. Decisões em relação às estruturas Iingüísticas O falante de uma língua é. percebo. em diferentes níveis. 74 TÉCNICA DE REDAÇÃO Na escrita planejamos cuidadosamente o nosso texto para assegurar que o leitor compreenda nossas idéias sem precisar de mais explicações. Podemos esquematizar nossos procedimentos: Na fala somos mais espontâneos. entonação. como as que se dão entre: DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 73 modalidade oral e escrita registro formal e informal variedade padrão e não-padrão a) Distinções entre as modalidades oral e escrita Freqüentemente confundimos as modalidades da língua oral e escrita. essas duas manifestações são apenas parcialmente semelhantes. dizemos que se evidencia a função referencial. Não quer provocar algum comportamento no leitor. conceituar. não trata da linguagem como fenômeno nem busca proporcionar experiência estética especial. Ele fala e usa a língua em diversas situações. é muito comum surgirem na fala truncamentos. um poliglota. temos apoio da situação fisica. podemos resolver dúvidas do ouvinte. porque o nosso interlocutor está distante e é necessário garantir a compreensão. É como se a realidade falasse por si própria. titubeios e problemas de concordância. Geralmente. definir são formas de linguagem que evidenciam a função referencial. na primeira pessoa do singular. do contexto. com distintos objetivos. repetições. e) Funçdo referencial Quando a língua é usada para descrever. das referências ao ambiente.1983). interpreto. precisamos seguir mais rigorosamente as exigências da língua padrão. O objetivo é transmitir informações a respeito de uma realidade. clara e objetiva. dos gestos. voz. Embora pertençam ao mesmo sistema. de certa forma. pois não temos o apoio do contexto. o autor se distancia ou desaparece quase completamente para tornar a informação bastante neutra. conjunções facilmente compreendidas. Considere o seu próprio uso da linguagem e observe que a língua escrita não dispõe dos recursos contextuais. quem lê e a linguagem em si são questões deixadas em segundo plano. e Humberto Mauro (18 77. Há distinções fundamentais nesses usos que é preciso considerar. considero. usamos expressões dialetais com mais freqüência. sinto. das pausas. Quem fala. imparcial. autor do consagrado Limite (1929-1930). autor de Brasa Dormida (1928) e de Ganga Bruta (1933). pois se refere primordjalmente a uma noção ou fenômeno. explicar algum item mal compreendido. Ao escrever. inversões. Pensamos muito rapidamente e a expressão das nossas idéias pode ser. é o mais valorizado nos meios científicos. a maneira como fala. a não ser em situações muito formais ou delicadas. gestos. pois não atrai a observação do leitor sobre a forma como é organizado. informar. concejtuar. do conhecimento do interlocutor. não podemos resolver dúvidas imediatamente. relatar. que o texto é transparente. expressões faciais. que enriquecem a oral. . sem a interferência das impressões do autor. não dispomos de recursos como gestos. então. revisamos para avaliar o funcionamento do texto e evitar repetições desnecessárias de palavras. 3.e de familiaridade com as estruturas e Possibilidades da língua escrita. não planejamos com antecedência o que vamos falar. um pouco atrapalhada. Os recursos explorados pela literatura para chamar a atenção para a estrutura da linguagem (repetições. na fala. cortes. não se trata de um texto expressivo (centrado no EU). como expressões faciais. definir. pois podemos. usamos frases mais simples.) são evitados.

Solicitamos que as atividades sejam adiadas por alguns minutos. tá (está). segundo os objetivos do momento. Há uma gradação que vai da fala mais descontraída 01. porque representam estruturas próprias da fala. Podemos sintetizar as diferenças no seguinte quadro: FALA ESCRITA Espontânea Planejada Evanescente Duradoura Repetições / redundâncias/ Controle da sintaxe / das repetições / truncamentos / desvios da redundância Predomínio de orações Predomínio de orações coordenadas subordinadas Gran de apoio contextual Face a face Interlocutor distante . entendeu?. tá tudo bem? à fala mais formal. que podem aparecer em textos informais. Tem características próprias e exigências diferentes. Para isso é imprescindível ampliar continuamente o acervo de opções. e. o contexto. a escrita não é a simples transcrição da fala. e a modalidade escrita formal. cê (você). as orações subordinadas são mais freqüentes na escrita que na fala. colocação pronominal. ou seja. tô (estou).truncamentos. planejada e mais próxima da escrita Caros ouvintes. Portanto. peraí (espere aí). que permite a exatidão e a clareza do pensamento. ortografia. e decidir como usar as infinitas possibilidades da língua da forma mais adequada e aceitável. pois temos tempo de procurar a palavra adequada. chamamos atenção para o seu próprio uso da linguagem e para a necessidade de que você reflita acerca de seu desempenho. procuramos utilizar um vocabulário mais exato e preciso. taí (está aí). Sinais utilizados na fala para orientar a atenção do ouvinte: bem. problemas de concordância. Boa tarde! e da escrita mais informal Tô chegando aí Deiva o parabéns pra mais tarde! à mais formal Chegaremos ao local da cerimônia com uni pequeno atraso em relação à programação anteriormente estabelecida. Ausência de apoio contextual DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 75 b) Formalidade e informalidade Tanto a fala como a escrita podem variar quanto ao grau de formalidade. que permeia a escrita informal. viu?. Outra vez. veja bem. 76 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Palavras de articulação entre idéias (repetidas em excesso) que substituem conjunções mais exatas: então. de acordo? não sabe?. Para que você tenha ferramentas para analisar essa questão. evitamos gíria e expressões coloquiais. certo?. regência. daí aí. utilizamos sintaxe mais complexa. o vocabulário e as formas de combinação das palavras em frases e textos. Um dos problemas mais freqüentes na produção de textos de jovens redatores é a confusão entre a modalidade oral. né (não é). Cabe ao falante ou redator analisar a situação. pontuação. que. observe alguns itens que merecem atenção. mas muitas vezes são utilizadas indevidamente na escrita formal: Formas reduzidas ou contraídas. . bom. sabe? Verbos de sentido muito geral no lugar de verbos de sentido mais exato: dar ficar dizer tei fazei achar ser. pra (para). assim. principalmente quando o texto é formal.

língua culta ou padrão. que no seu tempo era diferente Sabe. vocé seu. rolando um papo. a produção cai . Aparecem na escrita de forma eficiente quando se deseja dar ao texto um tom coloquial. Historicamente. um texto expositivo contemporâneo: Em 8 de julho de 1886. em 1898. Portanto. Só que eu também penso no seu. não se deve mais generalizar. manera. histórias policiais. enche. apenas sete meses depois da projeção inaugural dos filmes dos irmãos Lumière em Paris. velho. a norma culta deve distinguir os usos literários dos não-literários. libertando-a para novas experiências. No ano seguinte Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles abrem a prim eira sala exclusiva de cinema na rua do Ouvidor.. a gente. é que a gente sente o quanto te ama. com ele. mas os dialetos regionais e as particularidades estilísticas pessoais têm seu espaço na vida social.Gírias e coloquialismos: papo. E muitas vezes o caso do texto publicitário.Vel se consegue mudar um pouco sua alimentação. nos livros de qualidade. como neste texto de uma propaganda de adoçante dietético: Você diz pra gente que a vida corre mansa. A norma padrão assegura a unidade lingüística do país. O texto formal utiliza o que chamamos de norma. o Rio de Janeiro assiste à primeira sessão de cinema no Brasil. E quando é que você vai se tocar disso? Hoje não tem presente. em um texto escrito formal. amarra. Um uísquinho de vez em quando. e. Esses elementos são próprios da fala espontânea. No início do século. nas leis. encontramos algumas dessas formas impróprias. informal. consensualmente aceito e consagrado como correto pelos falantes que têm alto grau de escolaridade. entretanto. sem essa. espontâneo. pega leve nas frituras. nós. Mas o que té rolando é papo de amigo. sua. Assim. Nos anos seguintes. Várias salas de exibição são abertas no Rio de Janeiro e em São Paulo no início do século XX. Você vive dizendo que pensa no meu futuro. em textos que não as admitem. dos textos informativos. Observe. sem o qual a vida profissional pode ficar prejudicada. comédias e filmes com atores interpretando a voz atrás da tela. a seguir. mas que são inadequados em documentos oficiais ou em textos formais. com cenas da baía de Guanabara. sem eliminá-las. Surge um centro de produção no Rio. por exemplo) que constituem desvios. oferecendo oportunidade de acesso ao domínio da norma culta. a norma estava nos textos literários de autores como Machado de Assis. não há por que se portar perante a língua de modo submisso a um poder autoritário. sujeito a uma infinidade de influências e transformações. O modernismo constituiu uma forma de revolução na linguagem literária. pois estamos lidando com um fenômeno vivo. o padrão depende do poder político. Eles são os exemplos mais citados em nossas gramáticas descritivas e normativas. Rui Barbosa e Euclides da Cunha. E muito dificil definir o que seja o padrão culto de uma língua. um efeito de intimidade que simula a oralidade ou o diálogo. sem essa de dinheiro. a sua saude é superimpoante pra gente. O que define a norma ou padrão culto é o uso. dizendo que a norma culta está na literatura. uma vez que essa norma se sobrepõe às variedades regionais e 78 TÉCNICA DE REDAÇÃO individuais. esse papo às vezes enche! Mas te vendo cansado e fazendo tudo pra agradar. Você fala pra tomar Cuidado corri os eXcessos. Inconsistência no uso de pronomes: te. diminui o açucar. como se fazia a respeito dos textos do fim do século dezenove. pega leve. sempre em evolução. Assim. sem planejamento. vestígios de coloquialismo. E Afonso Segreto quem roda o primeiro filme brasileiro... manera. Isso diz respeito tanto à fala quanto à escrita. 6. Há recursos da fala e da escrita informal que funcionam muito bem em determinados contextos. A escola deve respeitar as diferenças. Por isso velho. Atualmente. Constituem recursos inadequados para o texto formal escrito. ou seja. É exigida em determinadas circunstâncias. a língua padrão é o consenso do que está nos documentos oficiais. econômico e social daqueles que o definem e o codificam nas gramáticas escolares e o consagram na escrita formal. Muitas DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 77 vezes. vai la’. os grandes escritores modernistas trouxeram para a literatura a fala do povo e novas criações de efeito estilístico (Guimarães Rosa. Entretanto. Pai. se toca. nos jornais e revistas tradicionais de grande circulação. transgressões às formas aceitas até então na escrita culta formal.. Faz como a mamãe que se amarra num diet. democraticamente. Devem ser considerados os primeiros elementos a eliminar ou substituir quando se deseja transformar um discurso oral informal. Operíodo de 1908 a 1912 é considerado a beile époque do cinema brasileiro.

Você quer um texto mais subjetivo. informal e facilitado.Ç DECISÕES PRELIMÍNARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR 79 Todas essas características contribuem para acentuar o caráter informativo do texto. citando-o ou não no texto. você tem de decidir também que ponto de vista adotar: você quer se colo ca de alguma forma no texto? Exemplo: Eu fui. na escolha do vocabulário. e são . portanto. Analise as escolhas feitas pelo redator. um bom espetáculo teatral). Quanto aos aspectos da língua verbal propriamente. 294 (com adaptações). como narrar um acontecimento.. 80 TÉCNICA DE REDAÇÃO na forma como você se dirige ao leitor. Antes de começar a escrever. argumentativas e narrativas. Sempre que produzimos uma forma qualquer de comunicação estamos utilizando um dos gêneros disponíveis na nossa cultura. p.. as frases são curtas. em um romance encontramos partes dialogadas.. que obedecem a uma ordem lógica (cronológica). Entretanto. você tem de decidir se vai contar acontecimentos (narrar).. Todos os gêneros nos interessam como leitores e como redatores. Cada gênero já traz em si escolhas prévias em relação a estruturas básicas de linguagem que são automaticamente utilizadas pelo redator.. ao gênero de texto que se quer produzir. diz respeito ao nível de linguagem. Para produzir cada tipo de texto algumas habilidades de linguagem são necessárias. Outra decisão correlacionada às anteriores. mais simples ou mais complexa.. com figuras de linguagem ou inversões sintáticas. há uma deliberada neutralidade. a ordem é predominantemente direta. você observa que: a linguagem procura ser clara e objetiva. Ao trabalhar com um determinado gênero utilizamos tipologia variada de texto.. Gênero e tipo de texto Vamos imaginar que você queira escrever um texto sobre uma experiência estética que viveu (um bom filme. que se sucedem compondo o enredo. objetiva. tem a oportunidade de. os períodos estão organizados em blocos de idéias bem distintos. como já vi mos. Ou prefere se distanciar? Exemplo: Ir ao teatro é uma ex periênci surpreendente. Nós fomos. no qual são delineadas e discutidas idéias.. expositivas. Mas. Almanaque Abril 2000. ou quer utili za uma linguagem formal.por causa da concorrência dos filmes norte-americanos.. não há manifestação clara da opinião do autor. distanciada? Essa decisão vai influir: na estrutura da frase. o texto é impessoal. as diversas possibilidades de participação em uma conversa. quase naturalmente. quais são as maneiras de começar uma ata. não há intenção de mostrar um estilo muito elaborado. a neutralidade com que se tenta convencer o leitor da seriedade e da confiabilidade das informações. não há texto totalmente neutro.. convencer o seu leitor de seu ponto de vista (argumentar e persuadir). qual é a forma de uma carta.. 4. estamos focalizando neste livro os gêneros que dizem respeito ao domínio da comunicação. Quem vai assistir ao espetáculo... Exemplo: Ir ao teatro e viver a experiência estética proporcionada pela peça.. uma boa música. Nós assimilamos esses formatos porque convivemos com eles nas nossas práticas sociais. Exemplo: É imperdível o espetáculo apresentado pelo grupo de teatro. Sabemos.. Essas decisões estão relacionadas ao objetivo da comunicação e. a melhor maneira de contar uma anedota. Todos nós. Simultaneamente a essa decisão preliminar. de fato. coloquial. Exemplo: Ontem eu fui ao teatro e via peça. w9k .. pois a própria escolha das informações que serão utilizadas e das que serão omitidas já pressupõe uma posição diante da realidade. Assim. apresentar uma reflexão teórica sobre o fato (dissertar).

de forma verossímil. argumentar. situações. persuadir de maneira formal e impessoal. Observe os quadros nas páginas a seguir. Representação pelo discurso de experiências vividas. tempo. em que estão listados alguns dos gêneros mais conhecidos. situadas no tempo GÊNEROS ORAIS OU ESCRITOS Poesia conto maravilhoso conto de fadas fábula lenda narrativa de aventura narrativa de ficção científica narrativa de enigma narrativa mítica anedota biografia romanceada romance romance histórico novela fantástica conto paródia adivinha piada relatos de experiências vividas relatos de viagem diário íntimo testemunho autobiografia curriculum vitae DOCUMENTAÇÃO E MEMORIZAÇÃO DE AÇÕES LEVANTAMENTO E DISCUSSÃO DE PROBLEMAS DISCUSSÃO DE PROBLEMAS SOCIAIS CONTROVERSOS ARGUMENTAÇÃO Sustentação. Para transitar nesse domínio. é necessário saber expor.apresentados e transmitidos os saberes. SITUAÇÕES DISCURSIVAS LITERATURA POÉTICA LITERATURA FICCIONAL TIPOLOGIA TEXTUAL PREDOMINANTE EXPRESSÃO POÉTICA VERSO NARRAÇÃO RELATO HABILIDADES DE LINGUAGEM DOMINANTES Elaboração da linguagem como forma de expressão da interpretação pessoal do mundo Imitação da ação pela criação de enredo. personagens. cenários. refutação e negociação .

a função será poética. antes mesmo de começar a escrever. a função será expressiva. se fazemos arte das palavras. Formulamos uma espécie de projeto de texto. ao gênero. temos que tomar decisões importantes em relação ao texto que vamos produzir. a função será persuasiva. O gênero de texto é sugerido pela própria situação de comunicação. as quais vão servir de pauta para o desenvolvimento da escrita propriamente dita. refutação e negociação de tomada de posição ESTABELECIMENTO. se falamos de alguma coisa. o objetivo nos propõe qual será a função da linguagem preponderante no texto. E o próprio gênero oferece parâmetros básicos que nos guiam na formulação do texto. Decisões orientadoras Conforme enfatizamos neste capítulo. ao nível de linguagem.PERSUASIVA de tomada de posição ata notícia reportagem crônica social crônica esportiva história relato histórico perfil biográfico aviso convite sinais de orientação texto publicitário comercial texto publicitário institucional cartazes siogans campanhas —folders cartilhas — folhetos textos de opinião diálogo argumentativo carta ao leitor carta de reclamação carta de solicitação deliberação informal debate regrado editorial discurso de defesa requerimento ensaio resenha crítica ARGUMENTAÇÃO Sustentação. se tentamos influenciar nosso leitor. Se escrevemos sobre nós mesmos. com suas diretrizes fundamentais. a função será referencial. EXPOSIÇÃO Apresentação textual de fatos e saberes contratos CONSTRUÇAO E da realidade declarações TRANSMISSÃO DE documentos de registro REALIDADES E SABERES pessoal atestados certidões estatutos regimentos códigos TRANSMISSÃO E EXPOSIÇÃO Apresentação textual de diferentes texto expositivo CONSTRUÇÃO DE formas dos saberes conferência SABERES artigo enciclopédico entrevista texto explicativo tomada de notas resumos resenhas relatório científico relato de experiências científicas INSTRUÇÕES E DESCRIÇÃO DE AÇÕES Orientação de comportamentos instruções de uso PRESCRIÇÕES instruções de montagem bula manual de procedimentos receita regulamento — lei regras de jogo placas de orientação 84 TÉCNICA DE REDAÇÃO 5. ao leitor. 6. A partir da função. Essas decisões nos situam em relação aos objetivos do texto. Prática de tomada de decisões . decidimos se vamos utilizar um registro de linguagem mais formal ou mais coloquial. ao seu funcionamento na situação. se vamos utilizar a língua padrão ou podemos lançar mão de variações. Há em nossa cultura um acervo de modelos de texto entre os quais escolhemos o que vamos utilizar em cada contexto comunicativo. a função será metalingüística. se podemos incorporar elementos próprios da oralidade. Assim. se falamos da própria linguagem.

a) Prepare-se para se comunicar com a autora deste livro. procuramos dar ordem às nossas idéias. e essas tarefas já podem ser consideradas parte integrante da escrita. introdução etc.me a carta. Agora você pode decidir o registro de linguagem: formal ou informal? Que função prefere dar à carta? Quer expressar suas opiniões sobre o livro? quer fazer algumas perguntas? quer me convencer de alguma coisa? quer me passar informações acerca de outros livros da área? quer falar da dificuldade de produção da própria carta? ou quer colocar um pouco de cada uma dessas funções no mesmo texto? Escreva a carta e ao relê-la veja se ficou coerente com suas escolhas preliminares. Quando já estamos nessa fase. um bilhete. pedante. Embora você possa escolher um telegrama. você vai optar pelo português padrão. a) Fazer anotações independentes As idéias surgem sem muita organização. um cartão-postal. São decisões relativas às informações que serão utilizadas e às posições que assumimos em relação a essas informações. Temos fama de ca ——4 ft 1 DECISÕES PRELIMINARES SOBRE O TEXTO A PRODUZIR çadores de erros. ou à hipercorreção. O formato é tradicional: cidade. que é o erro pela vontade extrema de acertar. De pos- . todo o mundo fica constrangido ao escrever para um professor de português. Produza o texto e envie como colaboração ao periódico. 85 1. Naturalmente. ter idéias. simulando as possibilidades de criação de um texto referente à música popular brasileira. não é? Afinal. b) Escolha um gênero expositivo e trace um planejamento como se fosse publicar o texto em um periódico que você tem o costume de ler. e é preciso também tomar decisões a respeito da linguagem e do gênero de texto. posições. Se você quiser. vocativo. E preciso conhecer o assunto. Quando se decide por um gênero. como vimos no capítulo 2. Mas tente não cair nessa armadilha. à medida que vamos fazendo leituras e reflexões acerca do tema. antes mesmo de começar a escrever um texto há muitas etapas. envie. Vão constituindo um conjunto de aproximações um pouco desordenado. A concepção das idéias Como vimos. Cada pessoa constrói sua própria técnica de organização inicial das idéias. Há muitas possibilidades. Surgem em momentos diferentes e devem ser anotadas logo que se formam para não se perderem no esquecimento. data. Vamos explicar como é o funcionamento de cada um desses processos. Capítulo 6 A ordem das idéias 1. pois ela pode conduzir a outros problemas como a linguagem artificial. imediatamente você já tem alguns parâmetros para a produção. prefiro que opte por uma carta.

o íeixeir Sos idi resistnci vem s feIic1e e cls riuez t55 origens 89 AFOPULA5ASILEIRA Portugueses. sem se intrometer no que lia. é reduzido e rápido. estabelecendo a hierarquia e a combinação entre eles para formar o texto preliminar. 1999. Mesmo quando não se trata de literatura. Olga a escoltava. Olga Borelli. lenços de papel. uma direção para a tempestade escoar. foram concatenadas umas às outras em busca de uma ordenação preliminar lógica.88 TÉCNICA DE REDAÇJO se de muitas anotações. índios lunu / ritos ritos trib crs religiosos /m0inhas e” 12’99 — Chiquirih Gonzsg ôreIs 1 marcha e crnsvsl / 1917— Dongs Pelo telefone —1? samba 50— smb-cnço — boss-nov es-e7 — festivsis . Assim pode trabalhar sobre um rascunho em que várias idéias. Esse percurso. sozinha com sua tesoura. fratava de abrir um caminho. bulas de remédio. e depois foi encaixando-os. como as peças de um puzzle. Mais uma vez a literatura fornece exemplos. 30-1. escravos.) Clarice lhe entregou uma pilha de fragmentos. A partir dessas pequenas peças. em que há limite rigoroso de tempo. DJficil dizer o que lemos — e é impressionante pensar que uma outra pessoa. Rio de Janeiro: Record. Clarice leva sua estética do fragmento ao paroxismo. Observe o que conta José Casteilo a respeito do processo criativo de Clarice Lispector. José Casteilo. jorna is. ao escândalo. mas acontece a partir do momento em que o redator toma conhecimento do tema. que ela pacientemente dividiu em dezenas de envelopes. o redator relê e analisa esses registros. “montou “ o caos que Clarice anotou em guardanapos. pp. Inventário das sombras. uma posição a respeito de uma idéia vai se construindo pouco a pouco. a partir de pequenas aproximações e conclusões. (. E. no período de vida em que foi apoiada pela amiga Olga Borelli: Em Água Viva.. que na vida profissional é mais flexível e largo. Observe como podem se configurar anotações registradas durante a leitura de diversos textos acerca da música popular brasileira: ? ‘ /flfr z A ORDEM DAS IDÉIAS Pcdas le 2OIOI4O rádios — grvors 5io Luiz Gonzg e HumL’ert. num concurso. vamos montando blocos de idéias maiores e uma rede entre eles que vai formar o texto. anotadas em momentos diferentes. Quando Clarice não podia mais ordenar o que escrevia.

hierarquizando-as Quando o redator tem bastante capacidade de síntese e habilidade mental de centralizar um pensamento numa única palavra. existirem idéias incompletas ou detalhes dispensáveis. e. conseqüentemente. muitas vezes. DESENVOLVER A IDÉIA DE FUSÃO DA RiCA SONORiDADE DAS TRÊS ETNIAS e) Escrever a idéia principal e as secundá rias em frases isoladas para depois interligá-las. H música para todos os gostos.—jovem-gurs Se’ —tropicalismo 70 — revlorizço tio sa m jazz + instrumental rock brssileiro 50 — rock LrsiIeiro 90 — releitura tis MP5 — reciclagens pgocle. Os nativos possuíam uma rica sonoridade para acompanhar seus ritos tribais. nesse tipo de texto. Hoje os jovens retomam os ritmos primitivos e revalorizam as origens de nossa música. Mesmo que esse parágrafo seja ainda muito preliminar ou inadequado. Esse processo se aproxima muito da fala. então. os brasileiros continuam preferindo nossa Mj9’ poroLue ela reflete a nossa alma e é muito rica. É muito freqüente. o procedimento ajuda a gerar novos pensamentos sobre o assunto. apreendemos um esboço que poderá ser reformulado. O samba nasceu da fuso de ritmo5 das três raças. sx& sertsnejo. não temos como discipliná-las. índios e portugueses. negros e portugueses. E um recurso muito produtivo para provocar a criação e apreensão de idéias essenciais. Os colonizadores brancos tinham na bagagem misicas sacras. diversa e tem suas origens em diversas fontes cue vm dos negros. ou elaborar uma espécie de esquema geral do texto 92 TÉCNICA DE REDA ÇÃO . marchas oficiais e modinhas. A linguagem apresenta. as idéias vão surgindo rapidamente. Enquanto estão trabalhando apenas mentalmente ainda se sentem inseguras e não conseguem avançar muito. A releitura fornece evidências que devem ser consideradas para as transformações. depois. Mas h muitos outros ritmos e estilos cue convivem e se influenciam mutuamente. A palavra-chave é um núcleo significativo que sintetiza uma idéia maior. de acordo com o fluxo do pensamento. um tom informal. Veja como se podem gerar novas idéias a partir de um parágrafo: A mLsic brasileira o resuIt&o da fusao dos ritmos trazidos pelas três etnias ue formaram o nosso povo: íridios. sem planejamento. desenvolvido ou reduzido posteriormente. A ORDEM DAS IDÉIAS 91 Observe o registro preliminar de palavras-chave acerca da música popular brasileira: ORiGEM 3 ETNIAS FUSÃO SAMEA NOVOS ESTILOS ALMA 5RASILEIA ESISTNCIA E’EFERNCIA DA JUVENTUDE d) Construir um parágrafo para desbloquear e. c) Fazer uma lista de palavras-chave e reordená-las. Quando falamos. para depois. esse é um procedimento muito rápido para captar as idéias. nisngue-L7et 90 TÉCNICA DE REDAÇÃO b) Escrever tudo o que vem à mente. ainda formulada apenas na mente do redator. Os africanos trouxeram junto com os ritos e cerimônias religiosas uma musicalidade especial. desen volver as idéias ali expostas — Muitas pessoas têm dificuldade até começar a escrever. mesmo que de maneira ainda rudimentar. não haver pontuação nenhuma. Embora haja uma forte indústria cultural estrangeira ue quer dominar o mercado no brasil. escrever logo um parágrafo para pensar em outras idéias depois de relê-lo é o caminho mais indicado. cortar e ordenar A música popular brasileira é muito rica. Nesse caso. Se conseguimos captar esse fluxo e registrálo.

Na ordenação. é um texto denso e bem estruturado. recicla. um método bastante produtivo é elaborar da forma mais clara e completa a idéia principal que será desenvolvida no texto. exemplos. Vamos especificando e detalhando nosso ponto de vista em relação à idéia preliminar pelo aprofundamento da nossa reflexão. de nossas posições em relação ao assunto. g) Organizar mentalmente grandes blocos de texto. decidimos a ênfase a ser dada a cada idéia e a submissão de uma idéia à outra. pelo esclarecimento. também. que têm muita experiência e conseguem montar o texto na memória. Essa elaboração demanda paciência para que o redator faça várias tentativas e reformulações em busca de maior exatidão para seu pensamento. ainda não muito delineada. inserções. No texto dissertativo. em 1917. O importante aqui é criar um mapa inicial de sentidos. original e soberana. maxixe. expositivo ou argumentativo. idéias secundárias Um resumo. Embora sofrendo influencia constante da produçõo estrangeira. uma rede de relações lógicas entre 94 TÉCNICA DE REDAÇÃO as idéias do texto. sempre criativa e viva. como já vimos. Entre todos os procedimentos apresentados. escolhemos o que vamos dizer e o que não vamos dizer. A releitura do resumo indica os pontos que podem servir de alavanca para novos desenvolvimentos. há procedimentos comuns: geração. do que queremos apresentar. A elaboração de um esquema prévio pode onentar o redator quanto ao percurso mais . o desenvolvimento pode seguir as vertentes sugeridas pelo próprio assunto. começamos a tomar decisões a respeito dessa rede de sentidos com uma noção ampla.Muitas vezes. E. depois de transcrito. para nós mesmos. A partir desse pequeno texto inicial como fio condutor. Em todos esses processos. Na hierarquização. ampliações. ou seja. mas resiste. Analise este resumo e observe como ele tem muitas idéias articuladas entre si. Mas a matriz inicial é que fornece subsídios para esses aperfeiçoamentos. de uma maneira geral. absorve novas contribuições. a música popular brasileira incorpora. seleção. estabelecemos como organizar a articulação entre as idéias. e se consolida nas primeiras décadas do sáculo. Na seleção.MÚSICA SACRA / MARCHAS /MODINHAS FUSÃO DOS RITMOS ORIGINA IS lundu. quando se trata de escrever um texto não-literário. que podem ser ampliadas: A música popular brasileira nasce sob o signo da ritegraç o de diversas formas e estilos musicais provenientes das três etnias otue formam o brasil: negros. índios e portugueses. Não há um modelo universal que atenda a todas as variações. modinha NOVOS ESTILOS samba (Pelo telefone — Donga) Fatores favoráveis rádios e gravadoras OUTROS ESTILOS enriquecimento efortalecimento fidelidade às origens alma brasileira RESISTÊNCIA À DOMIA4ÇÃO gosto popular música estrangeira é secundária jovens preferem música brasileira ORDEM DAS IDÉIAS 93 fi Elaborar um resumo das idéias principais e depois acresLentar detalhes. F’ela fusão e mútua influência entre os vários estilos nasce o samba. Esse texto. Cada texto determina as articulações que lhe são próprias. o esquema inicial vai sendo reformulado durante o desenvolvimento do trabalho e chega a ser completamente transformado. escrevêlos e reestruturá-los após a releitura Esse é um procedimento próprio de redatores maduros. passa por pequenas alterações e ajustes ditados pela releitura cuidadosa. voltada para suas raízes.RITOS RELIGIOSOS (raízes fortes) ÍNDIOS . hierarquização e ordenação das idéias. explicações.RITOS TRIBAIS BRANCOS . Observe um esquema já estruturado para desenvolvimento de um texto: A música popular brasileira resiste à dominação cultural ORIGENS 3 ETNIAS NEGROS . uma matriz semântica.

que ofereceram um terreno fértil onde nasceu o samba. Desenvolvimento da idéia de novos estilos — detalhamento. Além disso. pois nada é casual. tornando-o coeso. o chorinho. No parágrafo de apresentação. num enriquecimento efortalecimento da base. comprova que os alicerces da músibrasileira estão plantados em raízes inabaláveis. de Donga. da situação e de muitos outros fatores que ultrapassam os limites do papel. de suas marchas oficiais e de suas modinhas populares. as marchinhas de carnaval. mas se multiplica em inúmeras vertentes. ou seja. mantêm. Essa trama mais global se constitui a partir de procedimentos lógicos que constituem a seqüência e a progressão do texto. os recursos sintáticos da gramática da língua são imprescindíveis (como veremos no capítulo 7). E a adesão das novas gerações ao que é genuinamente nacional. resistente à invasão e à dominação estrangeira. Dessa identidade entre a produção musical e o gosto popular.adequado. Das anotações para o texto Para estabelecer a rede e desenvolver a idéia principal. Oposição à idéia de ritmo único — ampliação da idéia de novos estilos e manutenção da idéia de consolidação das raízes. O índio forneceu seu ritmo de ritos tribais. que é sempre uma revaloriza ção das raízes brasileiras. utilizamos diversas formas de combinação e de articulação entre as informações. o maxixe. Todas as idéias e informações colocadas em um texto se justificam em vista dessas relações. resistente à invasão e à dominação estrangeira. A certidão de idade oficial dessa criação tipicamente brasileira é Pelo Telefone. No processo de consolidação do samba. houve influência mútua de outros ritmos e o Jávorecimento do progresso técnico. O segundo parágrafo está ligado ao primeiro pelos processos de expansão. da idéia que forma de seu leitor. Todas as escolhas dependem da intenção do autor. jovem guarda. detalhamento e . foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. Introdução da idéia de consolidação. A ORDEM DASIDÉJAS 95 Para que as ligações se realizem de forma adequada e correta nas frases e períodos construídos no texto. exeinplificação. nasce uma força indestrutível que representa uma resisténcia à invasão e à dominação que outras culturas tentam impor por meio de suas avançadas indústrias culturais. a modinha. a 96 TÉCNICA DE REDAÇÃO nova. introdução da idéia de gosto popular. tropicalismo. em 1917. simultaneamente. observamos a frase núcleo do texto: Sobre uma matriz rítmica multirracial foram sendo criados novos estilos que configuram uma forte identidade musical brasileira. Entretanto. 2. compositores e intérpretes. da riqueza e da afinidade com o povo. pagode. das gravadoras e da profissionalização dos músicos. mas que tem sua própria “gramática”. Conclusão: aforça que sustenta a resisténcia cultural vem dos alicerces. samba-canção. relação de continuidade temática com a idéia principal e com a conclusão do texto. ligam os parágrafos entre si. rap e mangue-beat se sucedem e convivem. a música nacional não se reduz ao samba. bossa4. Sobre essa matriz rítmica multirracial. em suas múltiplas configurações. pois é a era do rádio. Esses procedimentos relacionam cada parte do texto à parte que a antecede e à que a sucede imediatamente. A idéia principal está no título e percorre todos os parágrafos de diversas maneiras.. Baião. o negro trouxe a sonoridade de seus ritos religiosos e o branco português a melodia de sua música sacra. axé. sertanejo. Os diversos processos de fusão e reciclagem das nossas origens musicais tecem uma trama de ritmos e harmonias que reflete a alma do povo e por isso tem sua adesão incondicional. . . Nessa base estão o lundu. constituindo assim uma estrutura temática que transcende as frases e períodos. Vamos observar um texto produzido a partir das idéias registradas nos exemplos das páginas anteriores: Título: resumo da idéia principal O caráter de resistência da música popular brasileira Idéia principal — origem — resistência A música popular brasileira nasceu sob o signo da miscigenação. dessa sintonia extremamente qfinada e bem construída. A música estrangeira nunca deixou de ser um acessório secundário no nosso universo cultural. Três etnias contribuíram com seus ritmos para que chegássemos a constituir o talento que hoje encanta o mundo em termos de musicalidade.

Embora apresentem uma característica predominante. ldeZj Definição ou conceito Conceito é a representação de um objeto pelo pensamento. Aqui temos um exemplo de conceituação objetiva. pois ele já traz em si as vertentes que devem ser ampliadas no desenvolvimento do texto. e existem em textos que não apresentam parágrafos. negar essa possibilidade logo de início. de repetição da mesma idéia. Marilena Chaui. julgamento. ou seja. p. 8 ed. de recursos como: Afirmação. Em geral. busca encadeamentos lógicos entre enunciados. Observe o exemplo em que a autora inicia o texto negando a validade do senso comum em relação à Filosofia: As indagaçoes fundamentais nao se realizam ao acaso. Observe estes dois exemplos de apresentação da idéia principal por meio de períodos afirmativos: A música popular brasileira resiste permanentemente à invasão e à dominação de ritmos estrangeiros que a indústria cultural dos países mais desenvolvidos tenta impor. Não é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. mas não obrigatoriamente. são estratégias de delimitação e construção de parágrafos. necessária para que se mantenha a unidade temática. Marilena Chaui. Assim. A organização das idéias Vamos analisar mais detalhadamente algumas dessas formas de articulação entre as idéias. Ou seja. então. O parágrafo conclusivo retoma a idéia de que a força e a resistência à dominação vêm da sintonia com a alma popular e da fidelidade às raízes. trabalhamos com a apresentação de “verdades” que são defendidas (texto argumentativo) ou apenas expostas (texto expositivo). Não é pesquisa de mercado para conhecer prefe réncias dos consumidores e montar uma propaganda. essas articulações não surgem de maneira exclusiva. opinião. apreciação. entre outros. E a ação de formular um esclarecimento e. 3. As indaga çõesfilosófi cas se realizam de modo sistemático. como os resumos e os editoriais. Convite à Filosofia. a) Apresentação Em períodos introdutórios. de acordo com o objetivo do trecho. mas se combinam e podem ser encaixadas em várias classificações simultaneamente. Quando é uma posição subjetiva. Mas não devemos nos restringir a essa noção.exemplificação do que foi anunciado no primeiro. a estrutura com o verbo ser (X é YYY) é a mais freqüente nesse caso. opera com conceitos ou idéias obtidos por procedimentos de demonstração e prova. declaração ou asserção. o período afirmativo é muito freqüente. apresentamos uma idéia principal por meio. Nas dissertações. introduz a noção de diversidade e reforça a idéia de fidelidade às raízes e de reflexo da alma popular. avaliação. parte do princípio de que o leitor pode estar pensando de maneira equivocada. 98 TÉCNICA DE REDAÇÃO A filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos. por isso. O novo estilo por excelência é o samba. em que a posição do redator não sobressai: . Atica. concepção pessoal. exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. há uma certa carga de redundância. por meio de suas características gerais. pois servem para unir idéias dentro de um mesmo parágrafo. A filosofia não é um “eu acho que “ou um “eu gosto de “.. Negação O recurso de apresentar uma idéia negando outra trabalha com o pressuposto de que há uma idéia oposta já conhecida. segundo preferências e opiniões de cada um de nós. São Paulo: Ed. 1997. Pretendese. 15. pode-se apresentar como noção paticular. O terceiro se opõe à inferência possível de que só o samba é importante. / A ORDEM DAS IDÉIAS 97 Como vimos.

20 textos que fizeram História.A ORDEM DAS IDÉIAS 99 A intuição é uma compreensão global e instantânea de uma verdade. Departamento de Teoria Literária e Literaturas.. ao tom vigilante das coberturas sobre o mau uso do dinheiro público. O desenvolvimento do texto será. Observe o exemplo a seguir. que podem ocupar o parágrafo... de dezenas de milhares de pessoas. no exemplo a seguir. de um objeto. pretendemos demonstrar. detalhes. propósitos e limites da obra. p.. Penso que a intuição é. Idem. testemunham as virtudes e percalços do jornalismo praticado pela Folha. Frases que orientam o leitor e indicam o objetivo são freqüentemente utilizadas. estimulados por gritos. de uma só vez. a apresentação de um livro estruturada por meio de um juízo positivo de valor: Os capítulos que compõem este “20 Textos que fizeram História” refletem a vida recente do país e. Interrogação Construir uma pergunta de efeito retórico. focalizando as impressões do redator: A ORDEM DAS IDÉIAS 101 O cenário parecia extraído de algum livro maluco de ficção. é uma das formas mais simples de apresentação de uma idéia. Pode também trazer descrições ilustrativas e outros recursos de ênfase e valorização dos aspectos que merecem a atenção do leitor. explicações. Segundo meu ponto de vista. a razão capta todas as relações que constituem a realidade e a verdade da coisa intuída. Universidade de Brasília. de um fato. as afirmações envolvem julgamentos e tomada de posição acerca do objeto. Paulo. Veja.. Minha concepção de intuição é . Uma definição subjetiva apresenta outras formulações. ás vezes histéricos.. Quem pergunta. um conhecimento específico ou uma avaliação anterior... p. Explicitação do objetivo do texto Nos trabalhos científicos e acadêmicos é costume iniciar o texto pelo objetivo da pesquisa. esse comentário pressupõe uma posição do redator em relação ao que vai apresentar. resgatada dentro de uma investigação mais ampla sobre a vida literária do Rio Grande do Sul de 1870 a 1930. 7. Observe o exemplo: Este trabalho propõe-se a refletir sobre a produção feminina sul-rio-grandense. tais como: o que desejamos nesse trabalho. E um ato intelectual de discernimento e compreensão. 1991. Comentário de uma citação ou de um fato Assim como no item anterior.. a personificação. o feito era comemorado como se tratasse de um ritual bárbaro de luta e conquista. 1999.. Essa posição pode ser definida por meio de figuras de linguagem como a comparação. em que a narração descritiva da queda do muro de Berlim é formulada com base na adjetivação e nas comparações. passando pelo engajamento na defesa das eleições diretas. Folha de S. então. Entretanto. furiosos. estamos tentando provar.. o objetivo dessa investigação. Vera Teixeira Aguiar. pois não é para ser efetivamente respondida pelo leitor.. contra o muro de cimento. ao mesmo tempo. procuramos comprovar. Da relativa ingenuidade dos textos que compõem a cobertura do incêndio no edifício Joelma. Paulo. como: Acredito que a intuição é. p. a partir do levantamento de informações sobre as instituições atuantes e seu papel na produção e na difusão da literatura na sociedade. o que se abre ao leitor é um jornal em permanente movimento.. 7. Veja um exemplo: . 1991. Toda vez que uma laje do muro caía. promete a resposta. em São Paulo. o capítulo ou o livro todo. a metáfora. São Paulo. Essa resposta exige ampliações. em 1984. assim como nos prefácios e introduções de livros é comum um esclarecimento sobre as intenções. a resposta à questão formulada. Marilena Chaui.. em Berlim. essas formas não são bem aceitas em textos objetivos. 100 TÉCNICA DE REDAÇÃO Julgamento ou avaliação Quando uma apresentação pressupõe uma análise prévia. Resumos do Simpósio 500 anos de descobertas literá rias. Eu acho que. decidido a exercer sua função crítica e a informar seus leitores acima de qualquer obstáculo. São Paulo. acadêmicos ou científicos. Nela. Folha de S. jovens armados de pás e picaretas arremetiam. 63. 20 textos que fizeram História.

Não ouvimos ninguém perguntar: para que matemática oufisica? Marilena Chaui. 2.. Quando se diz que a filosofia é um frito grego. formas de habitação. Enumeração de fatores constitutivos ou acumulação de elementos que complementam a idéia inicial. poesia. p. em geral apresentada no início do texto. Idem. caminho Usar um método é seguir regular e ordenadameizie um caminho através do qual uma certa finalidade ou um certo objetivo é alcançado Marilena Chauj. como no seguinte fragmento: Um exemplo de luta social para interferir nas decisões sobre as pesquisas e seus usos encontra-se nos movimentos ecológicos e em muitos movimentos sociais ligados a reivindica ções de direitos. Convite à Filosofia. como exemplo pode-se observar. 20. l3j b) Ampliação e explicação Tanto a idéia principal. cultos religiosos. Marilena Chaui. as estatísticas. assim é o que ocorre no caso em que. A exemplificação é um recurso muito útil tanto nos textos didáticos como nos textos argumentativos. para que Filosofia? É uma pergunta interessante. permitir a demonstra ção e a prova de uma verdade já conhecida 3. e de hodos. Ele traz o eco de vários outros textos com os quais se relaciona e . 27. as evidências vêm reforçar a idéia que é defendida pelo autor. p. os testemunhos... são necessários: A ORDEM DAS IDÉJAS Os estudos recentes mostraram que mitos. permitir a verca ção de conhecimentos para averiguar se são ou não verdadeiros enaChauiIdem 157 Nem sempre recursos de numeração. corno nos exemplos: A palavra método vem do grego.Muitos fazem essa pergunta: afinal. por meio de. como as secundárias passam por processos de expansão que envolvem detalhamento e aprofundamento. Ática. Algumas expressões indicam de forma explícita que há uma inserção de exemplo: para exemplificar podemos observat por exemplo. Idem. Esse recurso se constitui como: Esclarecimento do significado das expressões. música. Idem. as técnicas. para comprovar o que foi dito. c ou sinais de itens). p. b. 28J Um texto não existe sozinho. 8 ed. o que se quer dizer é que ela possui certas características apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos. uma expansão de elementos J apresentados no texto. nas regiões onde ela se implantou. exemplo disso é. Idem. palavras ou conceitos utilizados. ou Outros que indiquem a divisão (como a. instrumentos musicais. o pensamento a ação. Observe um exemplo em que a enumeração é assinalada por números: No caso do conhecimento método éo caminho ordenado que o pensamento segue por meio de um conjunto de regras e procedimentos racionais. ou seja. via. nos quais os dados. formas de parentesco e formas de organização tribal dos gregosforani resultado de contatos profundos com as culturas mais avançadas do oriente e com a herança deixada pelas culturas que antecederam a grega.. utensílios domésticos e de trabalho. 157. Expressões como: isto é. estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade. aparecem com freqüên 102 TÉCNiCA DE REDAÇÃO cia nessas situações Há. dança. p. que são completamente diferentes das características desenvolvidas por outros povos epor outras culturas. então. São Paulo: Ed. p.1997. methodos composta de meta através de. Marilena Chaui. com três finalidades 1. conduzir á descoberta de uma verdade até então desconhecida. Os exemplos podem tornar o texto menos abstrato e facilitar a compreensão do leitor. o que quer dizer essa expressão signfica. Marilena Chaui.

da origem e das causas das ações humanas e do próprio pensamento “. São Paulo: Letras e Letras. perguntar. referir. Se prefiro o verbo ponderar ao verbo di. indicar. p. em certa ocasião. Aos que jamais sobem ao sótão ou descem à adega falta uma dimensão humana relevante. afirmar. na primeira. Se faço uma paráfrase. E descer à adegapor vezes significa olhar o que se passa nos subterráneos e nos fundamentos psicológicos ou sociais de nossa existéncia afim de aí discernir nossos condicionamentos.zer. há uma adega (para onde descemos) e um sótão (para onde subimos). por exemplo. que são citações apenas sugeridas e há citações explícitas. (adaptado) 106 TÉCNiCA DE REDAÇÃO . considerar. há citações implícitas.” Hilton Jupiassu. as aspas são dispensadas: Segundo Marilena Chaui. Uma idéia pode ser ampliada. XJá afirmou que. proferir exclamar. artísticos.. discursar.. esclarecer. aconselhar comprovar corrobo A ORDEMDASIDÉIAS 105 rar ratificat confirmar demonstrar refutar argumentat justificar. discutir questionar.. conJàrme X. Quer dizer: não podemos viver limitados apenas ao nível do código restrito da ciência. viver uma busca das significa ções da existência através dos simbolos filosóficos. de acordo com o que afirma X.. perguntou o entrevistador. da origem e das causas do mundo e das suas transformações. Nessas. denunciar. em sua obra } para X a questão é. que um leitor experiente reconhece. mesmo sem marcas evidentes. asseverar. citar. ser humano por vezes significa subir ao sótão. repetindo fielmente as palavras do texto original. comunicar. aquilo que nos esmaga ou nos liberta. contestar contradizer. Ao inserir voz. Há alusões. e pode vir em forma de paráfrase das 103 104 TÉCNICA DE REDAÇÃO palavras. p. Observe alguns desses verbos e analise o sentido que acrescentam à idéia de dizer: falar. testem unha. informar discorrer acentuar ponderar. Por isso. “O que o senhor quer dizer com isso? “. A escolha de um desses verbos indica um comentário ao ato de falar do outro. A escolha vai depender das intenções do autor e do tipo de texto. Questões como o que é o amor? e o que é a amizade? são muito importantes. 1999. 266.do autor citado. usamos verbos especiais. Um desafio á Educaçào. alegar. a Filosofia pode ser ‘entendida como aspiração ao conhecimento racional. heróicas. A resposta de Bachelard foi: “a diferença entre uma casa e um apartamento é que. negar. descrever preceituar. . lógico e sistemótico da realidade natural e humana. que são chamados dicendi. as histórias podem ser cômicas. tenho que marcálas com aspas a partir do ponto em que começo a transcrição: De acordo com Marilena Chaui (1997. Bachelard interrompeu um jornalista que o entrevistava dizendo-lhe: ‘parece que você vive num apartamento e não numa casa “. Observe o exemplo de narração ilustrativa a seguir: Consta que. narrar.que constituem um contexto amplo em que se situa. vale dizer. declarar. a filosofia é uma importante forma de conhecimento do mundo. aprofundada ou esclarecida por meio de histórias que lhe sirvam de ilustração. além da zona habitável. Tanto no discurso direto (que transcreve literalmente as palavras do outro após um travessão) como no discurso indireto (em que a fala do outro está parafraseada pelo redator sem travessão) esses verbos são utilizados com freqüência. Mas os que só vivem ou no sótão ou na adega são pouco equilibrados. explicar enunciar. declaração. declamar. a voz do outro pode vir entre aspas. ordenar. replicar. Podem agregar algum significado adicional ao simples ato de dizer impregnando-o de interpretação. Dependendo do tipo de texto. Se uso as próprias palavras do autor citado. concluir. registrar. históricas. Há expressões que indicam claramente inserção de citações: segundo o especialista X. pitorescas. expressar. 20). poéticos. bradar pronunciar. já estou informando que a posição de quem fala é de reflexão. Como já vimos anteriormente. opinião ou testemunho de outra pessoa.. expor mencionar. religiosos etc. engraçadas.

50. (adaptado) 108 TÉCNICA DE REDAÇÃO j9 Situação no tempo e no espaço Algumas informações são colocadas no texto com o objetivo de contextualizar de forma explícita as idéias.. na qual distin gue duas formas da razão: a razão instrumental e a razão crítica. e são focalizadas as semelhanças.... a escola de Frank/urt.. mentira efalsidade.. de outro. não de oposição.. facilitam a organização do texto e a compreensão do leitor: em primeiro lugar. O herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafisica da realidade. duas ou mais idéias são apresentadas. mas um meio de intimidação. a sociedade e a cultura. e Sócrates e Platão.. do comércio. Observe um exemplo em que o texto está organizado pela divisão da idéia: Uma escola alemã de Filosojiu. p. as informações esclarecem o ambiente em que floresce a democracia. utilizamos uma enumeração para antecipar as linhas em que o assunto vai se desenvolver. combinadas entre si. as igualdades. A razão instrumental é a razão técnico-cientjfica.Utilizar narrações ilustrativas interessantes depende de muita informação. Geralmente.. História Concisa da Literatura Brasileira.. Além do exemplo do item anterior. observe o texto a seguir: A diferença entre os sofistas. mas agora a posição é de equilíbrio. primeiramente.. Atenas tornou-se o centro da vida social e política e cultural da Grécia. a razão crítica é aquela que analisa e interpreta os limites e os perigos do pensamento instrumental e afirma que as mudanças sociais. há expressões que. Quando é esse o caso.. Idem. na divisão. políticas e culturais só se realizarão verdadeiramente se tiverem como finalidade a emancipação do gênero humano e não as idéias de controle e domínio técnico-científico sobre a natureza. uma acerca de Clarice Lispector e outra acerca de Guimarães Rosa: As experiências radicais tanto de Clarice Lispector como de Guimarães Rosa forçam os limites do gênero romance e tocam a poesia e a tragédia. do artesanato e das artes militares. 40. Marilena Chaui. em segundo. Têm relação com a cronologia e com o lugar. 1989. um outro aspecto é por um lado. finalmente. em seguida. Idem. p. normalmente o texto estabelece duas (ou mais) linhas de desenvolvimento paralelas que ora se opõem. focalizando diferenças. A ORDEM DASIDÉJAS 107 d) Oposição Muitas vezes a idéia ou informação deve ser apresentada e discutida em confronto com outra posição ou forma de pensamento. é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão. medo. Mais um motivo para procurar um bom convívio com textos de diversas naturezas. Marilena Chaui. São Paulo: Cultrix. terror e desespero.. p. que é a idéia a ser desenvolvida posteriormente no texto: Com o desenvolvimento das cidades.. fatos e fenômenos. ora convergem. experiência e leitura. por último.. c) Divisão A divisão de uma idéia em subtópicos abre novas vertentes de desenvolvimento do raciocínio.. como fonte de erro. 442. e) Comparação ou analogia Como no caso anterior. No exemplo a seguir. elaborou uma concepção conhecida como Teoria Crítica. Como já foi dito. indicam divisão de idéias. o primeiro aspecto é. depois.. Observe no exemplo a seguir como o desdobramento da idéia sugere duas linhas informativas para desenvolvimento do texto. ora se explicam. formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade.. vivendo seu período de esplendor conhecido como o . Cada aspecto exige desdobramentos e explanações que representam progressão das informações. Ao contrário. ou imagens das coisas... que no segundo parágrafo apresenta uma oposição. Alfredo Bosi. que faz das ciéncias e das técnicas não um meio de libertação dos seres humanos. de um lado. enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais. por outro lado.

g) Conclusão Em textos dissertativos. que precisasse ser revelado por divindades a alguns escolhidos.. reler e reescrever até se sentir satisfeito com o resultado. as Possibilidades de Construção tornam-se mais nítidas e o trabalho alcança um melhor resultado. Vimos também. e ainda outras que você pode criar. a filosofia surge quando se descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo secreto e misterioso. Idem. analise as partes do texto e identifi . podia ser conhecida por todos. listar palavraschave. em decorrência da colonização portuguesa do Brasil. Marilena Chaiji. resumindo o que já foi dito. 23. ao contrário. Fa-ça anotações. Manlena Chaui. concluem pensamentos. concluindo. p. diante desse quadro.Século de Péricles. nós também participamos. Por isso. Esclarecem objetivos.. Leia alguns artigos que tratem do tema. escrever tudo que vem à mente. assim. seus capítulos e subdivisões. É a época de maior florescimento da democracia. é freqüente o uso de palavras e expressões que indicam resumo de idéias anteriores. registro e organização inicial das idéias. em suma. partir de uma idéia Principal e elaborar uni esquema. comparação ou analogia. Ao hierarquizar as idéias de um texto observaiiios que elas apresentam caracte rísticas e funções distintas: apresentação. o modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada cultura européia ocidental da qual. em outras palavras. além da verdade poder ser conhecida por todos. Oposição. Quando o redator tem clareza sobre essas especificidades de cada trecho do texto. articulando as idéias entre si. partir de um pequeno resumo ou escrever blocos de texto independentes. Depois de escrever. encerramento de um raciocínio. Observe o exemplo a seguir: No capítulo anterior vimos que a língua grega possuía duas palavras para referir-se à linguagem: mythos e logos. São expressões e parágrafos que conduzem e facilitam os procedimentos e a interpretação do leitor. p. Idem. 160. divisão. Prática de organizaç0 a) Escrever uni artigo opinativo acerca do tema que está em maior evidência hoje. Idem. Por isso mesmo. há muitas possibilidades de captação. organizaç0 textual. ser ensinada ou transmitida a todos. 21. diante do que foi dito. por motivo de economia de espaço nos jornais esses artigos têm aproximadamente duas páginas de 30 linhas. conclusão.nos a duas modalidades do pensamento. depois. quando se descobriu que tal conhecimento depende do uso correto da razão ou do pensamento e que. Situação no tempo ou no espaço. podemos referir. Observe os exemplos: Em outras palavras. Da concepção à organização das idéias De acordo com o que apresentamos. para oferecer ao jornal de sua cidade como colaboração Em geral. podia. é importante assinalar claramente para o leitor que as idéias são conclusivas. pode funcionar como o início da escrita propriamente dita. por razões históricas e políticas. conclusão parcial ou final. Qualquer uma dessas técnicas. Marilena Chaui. conforme predomine o mythos ou o logos. ampliação ou explicação. Marilena Chaui. tais como: em vista disso podemos concluir. 4. 36. 5. mas que. Depende de cada indjvj duo e de seu processo de atividade intelectual. tanto no estudo da linguagem quanto no da inteligência. Filosofia é um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especflcamente com os gregos e que. A ORDEM DAS IDÉIAS 109 Em suma. p. entre outras que não foram relacionadas aqui neste livro. tornou-se. construir logo um Primeiro parágrafo. li) Organização textual Os parágrafos organizadores explicam como o texto está estruturado. selecionar e hierarquizar as idéias você pode: fazer 110 TÉCNiCA DE REDAÇÃO anotações independentes à medida que as idéias forem surgin do. pelo mesmo motivo. Para gerar. situando-o melhor em relação à estrutura textual. antecipam idéias de forma resumida. Citam o próprio texto. Idem. que falar e pensar são inseparáveis. portanto. p.

analítico. 2. então. Mecanismos de coesão textual Pode-se Construir a coesão do texto por meio de vários recursos. João Salvador Furtado Expansão da itformaçjo científica in: Anais do Seminárj0 de Publicações Periódjc da A’rea da Educação. O tecido aparente do texto Como vimos nos capítulos anteriores. claro.0 acumulativo falível. A manutenção do tema é um desses recursos. A preocupação já não é apenas com nossas próprias idéias. preditivo aberto e útil. sistemáti. procure identificar. explicativo. ao escrever as primeiras versões de um texto. articulações ligações concatenan do as idéias. nossa preocupação inicial é captar as idéias e ordená-las com uma determinada hierarquia. comj. e para o qual não teremos chance de explicar melhor ou retificar oralmente algum item mal expresso. para que o leitor acomp1e a seqüêncj reconheça a progressão das informações e identifique as referências no texto. revisando várias vezes a linguagem e as estruturas gramaticais propriamente ditas. estamos reforçan0 a coesão. Um exemplo disso é a Concordância Sempre que respeitamos a concordân eia. que dependem das escolhas estilísticas do redator: O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS referencial lexical . Na segunda linha. uma após a outra. voltamo-nos para a sua superficie e procuramos refazê-lo. em cada trecho. é muito importante que a coesào textual esteja bem tecida. a estrutura gramatj das frases trata de criar coesão entre os Constituintes de um texto. transcendente aos fatos. Estabeleça. Exige um entrelaçamento rigoroso das idéias que estão sendo expostas para que o leitor não se perca e consiga interpretá-lo corretamente. INEP. o filosófico e o religioso Em sua esséncia o conhecimento cient (fico é real. os três elementos citados Concordam com tijoo de conhecimento e por isso estão no masculino. Qual é nossa idéia central? Como podemos defendê-la? Que exemplos são mais interessantes? Quem devemos citar? Que palavras escolher? Como devemos nos dirigir ao leitor? Em que medida devemos explicitar todas as idéias ou deixá-las implícitas? São questões que respondemos inicialmente. Faça anotações ou esquema. mas não é suficiente em textos dissertativos A ordem das palavras no período. Ou seja.njcá. b) Escolha outro tema e faça outro percurso Leia alguns artigos que tratem do tema. Ao escrever.que as formas de organização que Utilizou. Observe o texto a seguir: — De qualquer forma o conhecimento ou saber cient(fico distingue se dos demais tos: o popular. as preposições os pronomes pessoais. de assegurar a compreensão exata daquilo que estamos escrevendo. para o estudo ou trabalho. c) Sempre que estiver lendo um texto. geral. 1983. um texto não é uma simples justaposição de frases corretas.. de modo que as principais sejam enfatizadas. racional objetj vo. a partir da terceira todas as palavras estão sendo utilizadas em concordância com conhecimento científico. qual a natureza da relação entre as idéias. Brasília. estão no masculjjo singular. Capítulo 7 O entrelaçamento das idéias 1. mas principalmente com a maneira como essas idéias serão apreendidas pelo leitor. MEC. que está distante de nós. 112 TÉCNICA DE REDAÇÃO Assim. portanto. i’el. as marcas de gênero e de número. os conectivos funcionam também como elos coesivos Cada um desses elementos gramaticais estabelece conexões. preciso. Vamos cuidar. primeiramente a partir das suas anotações a natureza de relação entre as idéias de cada trecho. Após essa etapa. Desenvolva o texto acompanhando esse roteiro e o esquema das idéias. Nas linhas grifadas. ver ificóve! dependente de investigação metódica. existem quatro outras estratégias de coesão. Além dessas formas gramaticaj5 sistemáticas de ligação entre palavras. os tempos verbais.

ou ainda pelo emprego de expressões equivalentes para substituir elementos que já são conhecidos do leitor. possessivos. Alguns exemplos de expressões que servem a esse objetivo são: Diante do que foi exposto. identficação de instrumentos. como no exemplo: A explosão da informação é uma das causas do stress do homem moderno. Pronomes. a coesão referencial se realiza pela citação de elementos do próprio texto. abaixo. Essa corrente é formada pela reutilização intencional de palavras. Ela pode pro vocar diversas formas de ansiedade. comprovação. que.. A partir dessas considerações. permite que os objetivos sejam atingidos. demonstrativos ou expressões adverbiais que indicam localização (a seguir acima.por elipse por substituição Vejamos como funcionam essas formas de entrelaçamento dos elementos que constituem um texto. Diante desse quadro. pelo uso de sinônimos.. Agora esse estudioso quer contribuir para a democratização do saber. essa omissão é marcada por uma vírgula. Tudo o que foi dito. Não precisa ser explicitado. racionais. e) Coesão por elipse A estrutura gramatical dos periodos na lingua portuguesa permite a omissão de elementos facilmente identificáveis ou que já foram citados anteriormente. verbos. Implica a concepção das idéias quanto à delimitação do problema dentro do assunto. ainda. como no seguinte exemplo: O Doutor Fulano de Tal falou ao nosso repórter no intervalo do congresso. Em vista disso. por antecipação. análise. períodos ou largas parcelas de texto por conectivos ou expressões que resumem e retomam o que já foi dito. a elementos que serão citados na seqüência do texto. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS . estabelecemos uma corrente de significados retomando as mesmas idéias e partes de idéias. Podem. O cientista entrevistado reconhece que a partir do 113 114 TÉCNICA DE REDAÇÃO emprego dos conhecimentos cientijicos foi possível racionalizar os sistemas de produção. No texto acima. busca de soluções. se referir a elementos já citados no texto ou que são facilmente identificáveis pelo leitor. anteriormente. proposição de uma teoria. com segurança e economia. Assim. nomes e frases inteiras podem estar implícitos. b) Coesão lexical A manutenção da unidade temática de um texto exige uma certa carga de redundância. onde). Veja um exemplo de omissão de sujeito da oração: A metodologia cient(fica é um conjunto de atividades sistematizadas. verbos. o sujeito do verbo implica é a metodologia cientfica. Algumas vezes. d) Coesão por substituição Pode-se substituir substantivos. pois é facilmente identificado pelo leitor. aqui. Para efetivar essas citações são utilizados pronomes pessoais. Esse recurso tem o nome de elipse. Esses recursos podem se referir. Esse quadro. a) Coesão referencial Na elaboração de um texto.

pois não podemos distinguir imediatamente qual seria a idéia principal e não percebemos a relação imediata entre as idéias que estão justapost5 Relendo os parágrafos. Algumas pessoas gostam de músicas s6 com os instrumentos e outras com um cantor. por causa das letras das músicas. essa unidade não é suficiente. do assio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento Uma primeira leitura nos mostra que há unidade semântj ca. sem hierarquia ou progressão que Conduza a uma conclusão. As conseqüências podem ser: ausência de ênfase nas idéias principais. música e Saúde MUSICA E POLÍTICA 2? Reorganiz o texto. ela pode levar a cura. pois revela desordem nas idéias e dificulta a compreensão do leitor. no rasil. porque o tema que perpassa todo o texto é a música. estabelecer por suposição. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. entre outras. enfatizando uma idéia principal para a introdução e para a Conclusão e estabelecendo as formas de articular as idéias secundárias 3? Estabelecer nexo entre as diversas idéias por meio de frases de transição e de recursos coesivos’ reescrever eliminando e acrescentando elementos. No impoa o tipo ou a hora ue se ouve a musica. de política ou simplesmente retratar a realidade. 115 116 TÉCNiCA DE REDAÇÃO A musica pode ser um excelente remédio. o que não modificaria o resultado. A década de SO. Existe niisica para todos os gost. Entretanto. Não há concatenação entre as informações. nõo que ela seja um remédio milagroso.3. o autor apresentou três grupos de idéias: música e prazer. seja dentro do período. falta de hierarquia entre idéias principais e secundárias. As canções podem falar de amor. As canções podem ter um caróter ilustrativo. o texto se prejudica. ambigüidade. A ausência de coesão é um dos principais problemas da construção de textos. de forma que o texto apresente uma seqüéncj Qualquer período parece poder estar em qualquer Posição. sem especificar OU defender nenhum deles particularmente Para que o texto passe a apresentar coesão e reflita essa idéia. O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 117 . No texto em questão. Ou seja. então. A história nos mostra o poder curativo das canções. a progressão da informação e a articulação entre as idéias não foram devidamente elaboradas. que falam claramente do desejo da populaçõo brasileira. ou uma poderosa arma. No 5rasil podem-se citar as músicas feitas na década de 50. em que os problemas de ausência de estabelecimento da coesão estão bem nítidos. alguns escrevem falando sobre o amor. estilo infantil ou elementar. Algumas doenças podem ser curadas pela música. mas para algumas doenças. que a idéia principal seja expositiva: a grande abrangêneja da música na vida contemporânea o redator teria por objetivo expor os diversos campos em que a música está presente na vida humana. felizmente o homem a está usando por um bem. Problemas decorrentes da ausência de coesão Quando os mecanismos de coesão textual não são bem utilizados. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. individual ou coletivo. Hó pessoas que gostam de escutar canções calmas. é necessário empreender algumas transformações. foi uma época de muitas repressões e restrições. truncamentos semânticos. demonstrar uma situaçõo ou um fato ocorrido. Vamos. 4? Revisar. outras que preferem as mais agitadas. seja entre os períodos ou parágrafos. as canções dessa década mostram perfeftamente isso. o impoante é a tranqüilidade que ela nos passa As pessoas encontram msíca em tudo. como a música. outros relatam o que estó acontecendo com o brasil. elas mostram perfeitamente a repressão da época da ditadura militar no brasil.os e todas as ocases. Vejamos um texto de aluno de segundo grau. confusão e obscuridade nas referências. 1? Agrupar idéias relacionadas entre si. ou seja. indefinição das relações entre as idéias. muitos Compositores foram expulsos do brasil. encontramos idéias colocadas lado a lado.

a coesão evidencia. Não importa o tipo ou a hora em que se ouve a música. na superfi ci do texto. As canções da década de 60. algumas pessoas gostam de música instrumental e outras de música cantada. aproveitando a maior parte das estruturas construídas originalmente pelo autor: Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. Os compositores podem escrever as letras das músicas que lhes convier. individual ou coletivo. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. de política ou simplesmente retratar a realidade. AS CANÇÕES DESSA DÉCADA MOSTRAM PERFEITAMENTE ISSO. o importante é a tranqüilidade que ela nos passa. No BRASIL PODEM SE CITAR AS MÚSICAS FEITAS NA DÉCADA DE 60. o importante é a tranqüilidade e a alegria que ela transmite. “Comida” de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. A DÉCADA DE 60.Existe música para todos os gostos e todas as ocasiões. mas para algumas doenças. FOI UMA ÉPOCA DE MUITAS REPRESSÕES E RESTRIÇÕES. não que ela seja um remédio milagroso. 118 TÉCNICA DE REDA ÇÃO Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. como o gosto do público é diversificado. de Arnaldo Antunes e Marcelo Fromer. Não que sejam um remédio milagroso. embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais . promover a cura de doenças. a história nos mostra o poder curativo das canções. Então. mas podem levar a cura para algumas doenças. Além das funções de proporcionar prazer estético e de denunciar problemas sociais. Essa vertente de músicas voltadas para a questão social não é nova. frlizmente o homem a está usando por um bem. mostram perftitamente como essa foi uma época de muitas repressões e restrições. que falam claramente do desejo da população brasileira. A história nos mostra o poder curativo das canç6es. o homem está sempre em contato com a música. Há pessoas que gostam de escutar canções calmas. Podemos compreender. Como podemos observar. Alguns escrevem jLilando de amor. retratar a realidade e. uma forma de conscientização e de denúncia social ou um excelente remédio. ela pode levar a cura. Conseqüentemente. ou uma poderosa arma. ELAS MOSTRAM PERFEITAMENTE A REPRESSÃO DA ÉPOCA DA DITADURA MILITAR NO BRASIL. Algumas doenças podem ser curadas pela música. os compositores podem escrever as letras das músicas daJirma que lhes convier. então. Vejamos como os laços coesivos se realizam em um exemplo de texto editorial jornalístico: — O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 119 DESRESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS A denúncia da Anistia Internacional sobre a prática no Brasil de torturas e execuções por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. As canções podem lidar de amor. alguns escrevem falando sobre o amor. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. por causa das letras de suas músicas. apresenta problemas de coesão. como a música. de política. como a música “Comida “. do assobio de um pássaro a um barulho de um motor em pleno funcionamento. Não importa o tipo ou a hora que se ouve a música. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. Existem estudos que comprovam e demonstram essa propriedade da música. pois pode-se encontrar música em tudo. NO BRASIL. demonstrar uma situação ou um fato ocorrido. E fato notório que as violações aos direitos humanos se sucedem no país com freqüência indesejável. As pessoas encontram música em tudo. geralmente. A música pode ser um excelente remédio. ou seja. Assim. é preciso trabalhar em dois níveis: 1? organizar as idéias numa rede de significados e 2? entrelaçar gramaticalmente as frases e os períodos. As canções podem ter um caráter ilustrativo. que a música pode ser uma fonte de alegria e prazer. as articulações que estabelecem relações das idéias. que fala claramente dos desejos da população. para o seu próprio bem. POR CAUSA DAS LETRAS DAS MÚSICAS. Vejamos uma das possibilidades de aperfeiçoamento do texto. MUITOS COMPOSITORES FORAM EXPULSOS DO BRASIL. em conseqüência da ditadura militar. outros relatam o que está acontecendo com o Brasil. outras que preferem as mais agitadas. no Brasil. Um texto desorganizado. outras que preferem as mais agitadas. até mesmo. Algumas pessoas gostam de músicas só com os instrumentos e outras com um cantor. Muitos compositores frram até mesmo expulsos do Brasil. As canções podem falar de amor.

por várias outras que têm o mesmo significado. que é decorrente da pobreza de vocabulário. A construção da coesão textual tem prosseguimento pela substituição da idéia de desrespeito aos direitos humanos por informações mais específicas. Editorial. Leis espeq’ficas e ações concretas têm sido adotadas para prevenir e punir os desrespeitos às prerrogativas humanas da pessoa. E fundamental. Desde a criação da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. Os mais de 175 mil presos nas penh- 120 TÉCNICA DE REDAÇÃO tenciárias do país coabitam ambiente vil. Os inquéritos de organizações internacionais em torno do problema passaram a servir de impulso ao sistema de garantias contra abusos do gênero.encarregados de reprimi-las. Teria uma estrutura repetitiva. primária. como os Estados Unidos e a Suécia. instalou. atentados contra a dignidade e incolumidade fisica das pessoas (linhas 8 e 9). Durante os anos sombrios do regime militar. Essa expressão é substituída. como está no titulo.s políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem. o desrespeito aos direitos humanos tem diminuído. elementar demais para o desenvolvimento que se espera nesse nível profissional de produção de editoriais. Durante os anos sombrios do regime militar. outra prestigiada entidade internacional. O texto. Brasília. promíscuo e violento. assim. que as denúncias da Anistia inspirem reações mais efetivas em favor da proteção aos direitos humanos. violações aos direitos humanos (linha 4). desrespeito às prerrogativas humanas da pessoa (linhas 17 e 18). denunciava a existência nos EUA de mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos. o governo costumava qualificar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre o desrespeito aos direitos humanos.se outro comportamento. . embora diante da reação indignada da sociedade e dos órgãos oficiais encarregados de reprimir o desrespeito aos direitos humanos. O relatório anual da Anistia critica o Brasil e outras 141 nações. como: prática no Brasil de torturas e execuções (linhas 1 e 2). violências às pessoas (linha 12). estão no mesmo campo semântico e formam um paradigma. homicídios (linha 36). nem mesmo a elementar cautela de investigar a procedência dos fatos denunciados. há mais de três anos. Mas a incriminação do Brasil ao lado de sociedades tidas como padrão de cultura humanística em nada o isenta de culpa. até mesmo para punir crimes cometidos por menores. embora compreensível. Só na Baixada Fluminense. E um morticínio bem maior do que as baixas na guerra do Kosovo. Observamos que a expressão chave do texto é desrespeito aos direitos humanos. ficaria com a coesão prejudicada se em todas essas posições o autor usasse a mesma expressão: desrespeito aos direitos humanos. abusos do gênero (linha 20). os atentados contra a dignidade e incolumidade física das pessoas têm diminuído. As instituições norte-americanas são apontadas à censura mundial porque praticam a pena de morte. a Human Rigths Watch. Desde a criação da Co. 20 jun. onde cada qual ocupa menos de um metro quadrado de espaço. Com o restabelecimento da legalidade democrática. há mais de três anos. O primeiro exemplo disso veio na Constituição de 1988. Em dezembro de 1998. no texto. Veja como o texto ficaria no trecho a seguir: A denúncia da Anistia Internacional sobre o desrespeito aos direitos humanos por esquadrões da morte de modo algum surpreende as autoridades governamentais. pena de morte (linha 27). excluídos de qualquer programa de recuperação social. Rio de Janeiro.nissão de Defesa dos Direitos Humanos no âmbito do Ministério da Justiça. problema (linha 19). o governo costumava quaflficar de conspiração internacional contra a imagem do país as acusações de agências humanitárias sobre violência às pessoas. devolver exilados políticos sob graves riscos de tortura e morte em seus países de origem (linhas 32 e 33). diante do que Jbi exposto. Pior. em grande parte praticados por esquadrões da morte. 1999. nenhuma providência era tomada. que declarou a tortura crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. E. Qualquer leitor percebe o problema. temos exemplos de coesão por substituição lexical. Assim. os homicídios rondam a casa dos quinhentos ao mês. E fato notório que o des O ENTRELA ÇAMENTO DAS IDÉIAS 121 respeito aos direitos hunianos se sucede no país con freqüência indesejável. ou seja. A avaliação rigorosa da organização é atestada por incluir países normalmente a salvo de suspeitas. A Suécia chega ao índex internacional por devolver asilado. crianças e adolescentes em prisões de adultos (linha 30). Correio Braziliense. que exemplificam essa idéia: a tortura (linha 21).

E preciso analisar: as opções adotadas estão funcionando no texto como um todo? As decisões se mantêm . E interessante observar que no texto há exemplos de coesão referencial. b) Escreva um texto expositivo acerca de um autor de sua preferência. Como também na linha 35. Um período está ligado ao seguinte ou ao que o antecede por meio de recursos coesivos. o pronome o se refere a Brasil. e) Sempre que estiver lendo um texto. diversidade lexical. e o pronome relativo onde se refere a penitenciárias do país. Além das ligações temáticas e das estabelecidas pelo sistema gramatical. Observe que esse detalhamento ilustra e especifica o que se entende no texto por desrespeito aos direitos humanos. mesmo em textos tidos como objetivos. Essas ligações observáveis na superficie do texto realizam de forma concreta as articulações necessárias para assegurar a coerência entre as idéias formuladas pelo redator. Criticas. há coesão referencial. Nosso julgamento e nossa posição diante da informação vêm. unia rede bem urdida de relações gramaticais e de significado. e o leitor só pode interpretar o pronome -las como relativo à expressão anterior as violações aos direitos humanos. Há um exemplo de coesão por elipse na linha 31: após a palavra pior. para que a coesão textual garanta a fidelidade às idéias que quer apresentar. na elaboração de um texto criam-se laços de citações entre seus próprios elementos constituintes. identifique as formas de coesão utilizadas pelo autor. promíscuo e violento (linhas 39 e 40). Na linha 20. Há coesão por substituição lexical também nas expressões: acusações de agências humanitárias (linha 12) porfatos denunciados (linha 14) anistia (linha 22) por organização (linhas 23 e 24) países normalmente a salvo de suspeitas (linhas 24 e 25) por sociedades tidas como padrão de cultura humanística (linhas 34 e 34) Sempre que escolhemos uma expressão equivalente para substituir outra. reveladas nessas expressões. podemos agregar alguma informação adicional. na linha anterior. Capitulo 8 A reescrita de textos 1. A expressão cada qual (linha 40) se refere a presos na linha anterior. como temos mostrado no desenvolvimento deste livro.presos coabitam ambiente vil. A expressão as violações aos direitos humanos é representada por um pronome enclítico em reprimi-las (linha 6). Há no texto um exemplo de substituição de idéias por expressão sintetizadora: diante do que foi exposto (linhas 41 e 42) resume toda a argumentação e justifica a conclusão que encerra o texto. 5. para estudo ou trabalho. há O ENTRELAÇAMENTO DAS IDÉIAS 123 possibilidade de criar laços mais largos por meio de referências. censuras podem vir explícitos ou implí 122 TÉCNICA DE REDA ÇÃO citos nos termos que escolhemos para constituir a coesão lexical. Prática de entrelaçamento a) Releia os textos que você produziu anteriormente e identifique os recursos de coesão que utilizou em cada um deles. É a coesão textual. Identifique outras formas de se referir a ele. onde o pronome demonstrativo disso está se referindo a tudo que se afirma no período anterior a ele. 4. elipses e substituições de partes do texto por expressões sintetizadoras. é importante que na revisão do texto você procure focalizar sua atenção sobre esses itens concatenadores. elogios. A referência está clara. Entrelaçando as idéias Como vimos neste capítulo e nessa rápida análise final. Ao revisar o texto produzido você terá a oportunidade de reconsiderar uma série de decisões tomadas no início da produção. A releitura como avaliação para a reescrita O texto exige diversas releituras para reescritura e revisão antes de ser considerado satisfatório. como concordância e tempos verbais. de maneira que se forme um tecido harmonioso. de modo que o nome próprio não seja utilizado mais de uma vez. Assim. após a apresentação. a vírgula indica que se subentende o sujeito de excluídos como a expressão do período anterior mais de três mil crianças e adolescentes em prisões de adultos.

formal ou informal A linguagem está adequada à situação? A opção escolhida tornou o texto harmonho 50 ou há oscilações súbitas e inadequadas à impesso dade ou subjetividade O posicionamento adotado corno predominante mantémse ou essa opção não ficou consistente flO texto? ao vocabulário As escolhas estão adequadas ou há repetições enfadonhas e pobreza vocabular? Algum termo pode ser substituído por expressão mais exata? Há clichês. suprimir palavras. As informações fornecidas são suficientes ou o texto ficou muito denso. Falando. embora a fala possa servir de base para o início da escrita. Não se escreve como se fala. Com isso. clara. Algumas pessoas escrevem muito nos rascunhos. os detalhes da superficie do texto. As pesquisas que analisam textos de exames vestibulares e provas discursivas de concursos públicos mostram que a maior freqüência de erros ocorre nesta ordem: pontuação. quanto: ao leitor: inseri-lo no texto ou tratá-lo de forma neutra e distanciada. As vezes. pronomes. O formato é adequado à situação? As exigências referentes ao gênero foram respeitadas ou há ambigüidades e inconsistências? às informações: o que informar e o que considerar pressuposto. Muitas vezes não há erro. nesse primeiro momento desprezamos a forma. professores pais. como se você não fosse o redator. “gorduras” enfim. de forma mais distanciada.ou há incoerências e descontinuidades? Consegue-se essa avaliação ao reler várias vezes o texto. a atenção se desloca para a forma mais adequada e para a melhor organizaç0 final dessas idéias A revisão normalmente feita pelo próprio autor do texto. mas é preciso acrescentar elementos para criar ligações mais claras entre as diversas idéias do texto. na primeira versão de um texto costuma mos prestar mais atenção à criaçãO das idéias. nesse momento estamos também reestruturando a forma. adjetivos ou advérbios que pouco ou nada acrescentam ao texto. divagações ou digres A REESCRITA DE TEXTOS sões. Durante a reescrita. Portanto. articulada Muitas vezes. . Está de acordo com o objetivo estabelecido inicialmente? As idéias principais estão evidentes? Como já vimos. Analise as decisões e a realização. acentuação. frases feitas. construção do período. irmãos ou Companheiros É importante que um leitor dê sua opinião sobre o texto. se você quer uma pista acerca dos pontos em que deve prestar mais atenção. As primeiras versões costumam trazer passagens distoan tes. A opção escolhida foi mantida durante todo o texto? O leitor que você tem em mente é atendido durante todo o texto? ao gênero de texto: que plano de escrita utilizar para a situação. estabelecimento da coesão e vocabulário. Tentamos gerar idéias e organjz5 de forma coerente. torna-se mais legível e de acordo com as exigências da língua padrão. exigindo muito do leitor? A introdução de informações novas é bem realizada? Há informações irrelevantes que podem ser dispensadas? - 126 TÉCNICA DE REDAçÃO Há excesso de informação? Há informações incompletas ou confusas? As informações factuajs estão corres’ à linguagem. tentando tomar o lugar do leitor. sem relação com o núcleo do texto. comece por esses. outras são mais sintéticas e precisam ampliar o texto na reescritura. no texto. trata-se de cortar e simplificar frases longas demais ou truncadas. Como alguns trechos devem ser riscados ou refeitos. ou seja. mas ás vezes pode ser útil envolver colegas. excesso de adjetivos expressões coloqujais inadequadas jargão profissional? às estruturas Sintáticas e gramatjcj5 O texto está correto quanto às exigêncj5 da língua padrão? As transições entre as idéias estão corretas e claras? Os conectivos são adequados às relações entre as idéias? A divisão de parágrafos corresponde às unidades de idéias? ao objetivo e à situação. Estamos preocupados em captar o fluxo do pensamento e registr0 da maneira mais completa Possível.

Tudo é dito como se fosse uma realidade que se apresenta sem intermediários e) Colocaram agente inanimado Uma outra maneira de impessoajizar o texto é colocar como agente um ser inanimado. Um texto é pessoal e subjetivo quando pronomes pessoais e possessivos. por isso. muitas vezes. 19 Ocultar o agente A expressão é precisO serve a esse propósito de neutralidade. usar a passiva sem esclarecer seu agente é um recurso gramatical para impessoalizar a informação. atenuando a dialogia e Ocultando o agente das ações.. um fenômeno. Devemos. O nosso interlocutor está longe e. Os pesquisado reconhecem. É um recurso muito utilizado na administração pública e na política. Ela é muito útil quando queremos inserir uma informação da qual não sabemos a procedência exata. Por meio dela podemos avaliar o funcionamento do texto e propor reformulações. A releitura é imprescindível para o aperfeiçoamento do texto.. precisamos alcançar a maior exatidão possível. Quem precisa? Quem necessita? Para quem é Urgente? Para quem é imprescindível? No podemos definir com clareza Tornase uma realidade geral.todos nós podemos a qualquer momento.. Acreditava-se em uma diminuição dos impostos. evidente. são menos subjetivas que Procurei demonstrar. verbos conjugados em primeira e em terceira pessoa contribuem para que o diálogo se estabeleça entre autor e leitor de forma explícita. Vive-se esperando o aumento de preços. Gramaticalmente há muitas maneiras de conseguir esse objetivo. Assim também expressões como: é necessário é urgente. A diretoria ordenou. aparen temente neutra. a repetição desnecessária... eliminar os rodeios. Veja o exemplo: . Na escrita não dispomos disso. Vejamos algumas delas. neutra... expositivos. Reconheço Minhas conclusões.. Fala-se muito em renovação dos quadros funcionais... universal. colocandoo no plural Uma forma elegante de se distanciar relativamente da subjetividade é io agente. objetiva. d) Uso gramatical do sujeito indeterminado Como a própria nomenclatura indica. Nossas conclusões. acrescentar informações e corrigir outras.aro sujeito. Assim. A impessoalização do texto 128 TÉCNICA DE ftEDAÇÀO Nem sempre temos interesse em deixar expljcjtas a nossa voz e as diversas vozes que São trazidas para compor um texto. então. não se pode determinar com precisão quem realizou uma ação quando usamos a estrutura de sujeito indeterminado. Muitas vezes queremos adotar uma posição impessoal... e sempre que o nosso interlocutor quiser. é imprescindível são Utilizadas para ocultar o agente. os jogos de palavras. na voz passiva esse agente pode estar oculto. uma instituição ou uma organizaç0 Quando escrevo frases como O Mjnjsí rio decidiu. 127 2. e) O USO da voz passiva Enquanto na voz ativa temos um agente explícito. O governo protelou a responsabilidade em relação à ação está diluída e não se pode identificar claramente de onde ou de quem emanou a iniciati A REESCRITA DE TEXTOS 129 va. científicos apresentam. Vamos focalizar a seguir alguns aspectos que merecem atenção e que podem ser aperfeiçoados na reescrita. O uso da primeira e da terceira pessoa do plural é a estratégia recomendada quando a intenção é atenuar a subjetividade da primeira pessoa sem adotar a neutralidade absoluta Frases como Procuramos demonstrar . a) Generali. Os textos dissertatjvos informativos. os adjetivos e pronomes supérfluos. essa característica de ocultar o agente.

(manter. mandioqueiro. há diversas maneiras de tornar o texto impessoal. é a escolha cuidadosa do vocabulário. ou seja. Teve um cargo de chefia. possui) 2. caipira. (acolhemos. despertava. vestia. abrigamos. Imaginemos que você vai escrever um texto sobre trabalhadores rurais brasileiros de diversas regiões. rústico. matuto. (trajava. (ocupou. agricultor campestre. mocorongo. rurícola. campesinho. mateiro. Ele teve muita iniciativa. jeca. O documento tinha muitos argumentos. pira quara. pioca. capiau. morador. mostra. O segredo do uso adequado do vocabulário é selecionar e combinar cuidadosamente. Tem bom aspecto. beiradeiro. roceiro. ostenta) 13. revelou. desfrutar. biriba ou biriva. botocudo. baiano. caiçara. trazia) 3. Ainda tem recursos para a viagem. a questão lexical. capurreiro. saquarema. casacudo. curau. Tinha as pastas de documentos nos braços. Não se pode ficar satisfeito com a primeira possibilidade que vem à A REESCRITA DE TEXTOS 131 mente. semterra. (detinha) 5. tapiocano. pé-no-chão. viveu) 12. baba quara. Para não repetir essa mesma expressão. apresentava. talvez mais ricas e mais exatas: 1. capuava. (padece de. há uma série de outras opções.Novas descobertas foram realizadas em centros de estudo e laboratórios ao redor do mundo. chapadeiro. (sentiu. Assim. tabaréu. queijeiro. campino. babeco. vaqueiro. Tem muitos bens. é necessário procurar outras opções. em oposição à de civilizado. Quem realizou? Quem está revelando? A voz passiva oculta o agente. sitiano. arrolava) 10. (apresenta. que é mais exata para a idéia que se quer transmitir. brocoió. demonstrou) . encerrava. maratimba. Tivemos em nossa casa um ilustre hóspede. tinha um belo terno. caburé. (segurava. catimbó. (dispõe de) 6. experimentou. Como vimos. mambira. Teve uma forte emoção. A escolha vai depender da análise dos objetivos do texto. Não conseguia ter o poder por muito tempo. conservar) 7. piraguara. mucufo. (É dono de. outros têm um sentido pejorativo associado à idéia de primitivo. bóia-fria. restingueiro. recebemos) 14. caapora. alcançou. deu prova de. bruaqueiro. provocava) 9. cambembe. cariazal. trazia) 15. guasca. Os funcionários esperam ter férias em julho. (continha. obteve. Tinha grande poder. sofre de. casca-grossa. atraía. carregava. e todas elas utilizam recursos e possibilidades presentes no sistema gramatical da língua. catatuá. para o campo semântico do verbo ter. gozar) 4. (usufruir. catrumano. Algumas 130 TÉCNICA DE REDAÇÃO pessoas têm dificuldade na seleção da palavra certa. campeiro. conseguia. groteiro. Uso do vocabulário Um dos pontos importantes para um texto bem estruturado. em cada uma de suas acepções. pois quase sempre é a mais pobre. Não se satisfaça com a primeira opção que vem à cabeça. é portador de) li. Na cerimônia. caboclo. conquistou) 8. conseguiu. canguaí. exerceu. mixanga. como: lavrador camponês. mixuango ou muxuango. Se você for ao dicionário ainda vai encontrar inúmeras expressões regionais como: araruama. complexo e poderoso do que antes se imaginava. cafumango. Na seleção dos verbos. campesino. baiquara. sertanejo. pé-duro. Dessa lista ou paradigma é fácil eleger a palavra que mais combina com o contexto. moqueta. conquistava. capa-bode. macaqueiro. o processo é semelhante. casaca. (mostrou. sustinha. beira-corgo. canguçu. capicongo. Alguns termos enfatizam o trabalho ou a origem da pessoa. urumbeba ou urumbeva (Dicionário Aurélio Eletrônico). 3. usava. Você é um desses casos? A solução é ter paciência e esperar um pouco até que o “arquivo” mental processe o pedido e devolva uma série de possibilidades. adequado à situação e aos objetivos do redator. sitiante. mandi ou mandim. camisão. Uma seleção inadequada pode prejudicar o funcionamento do texto e causar efeito inverso ao que se deseja. agreste. (obtinha. curumba. Ele tem uma doença contagiosa. Tinha a admiração de todos. mano-juca. Está sendo revelado ao mundo que o cérebro é um órgão mais fascinante. peão.

na revista Time. 133 Madame Natasha tem horror a música Ela con fund bola de Taffarel com bolero de Ravel. recebeu) 19. Trata-se do Guia de Discurso para Tecnocro tas Principiantes Sua versão original teria sido publicada numa revista polonesa Fontoura teve acesso a uma tradução de autor desconhecido que vai publicada adiante. dedicam... (devo. Desde tempos i/nemo. Teve resposta positiva. Nós enqua0 brasileiros 4 quest5. cheia de efeitos e palavras da moda. Evite esse tipo de linguagem complexa rebuscada. graças ao jornalista Walier Fontoura. ofertar oferecer produ/. Talvez não seja coisa muito nova. inCI dir divisar avistar perceber bastar ser Suficie. C?fl5 algumas adaptações. conta) 21.. (consagram. E uma versão melhorada de uma compilaçào surgida pela primeira vez há mais de 20 anos. (recebeu.. qualquer exagero pode levar ao lado Oposto. mas certamente é divertida (para amigos do idioma) e útil (para os inimigos). mas inconsistente em termos de informação objetiva A REES’JJ.. Tenho de falar. e dispensar palavras e expressões supérfluas evitando redundâncias ou expressões vazias que procuram Clichés.ar render propor trazer Conte.16. Cidadãos conscientes têm amor á história.. mas desta vez. passa adiante o tratado do bláblá-bl . Tenho a mesma opinião. acato. mas sem conteúdo definido ou consistente. Fuja das expressões gastas. aceito) 17. (adoto. cismar Sentir acontecer ou Outros Nosso léxico é muito rico e no devemos nos contentar com o mínimo Vale a pena investir na amp1iaç0 do fosso acervo individual para produzir textos melhores Entretanto. Ele já tem 90 anos. dos O sol nascei. sofreu) 18.. que fazem parte do jargão de uma determinada profissão. E necessário equiljj0 para assegur a clareza e a comuni cação Por iss0. apenas impressionar o leitor.DE TEXTOS Quadro 1: Elio Gaspari.. necessito) 132 TÉCNicA DE REDAÇÃO O verb0 da. Teve a punição merecida.j5 Observe os quadro5 a seguir que ironizam a Iinguage Pedante da tecnocracia Você pode escolher aleatoriament um fragme0 de cada coluna e consegj formar uma frase gramaticalmente aceitável. 4 nível de filosofia é importante. que também é um verbo genérj0 depen dendo do contexto Pode ser substituído por: doa. revelar cometer causar Soltar emitir publicar di/ gar realizar vender administrar aplicar ministrar proferi dedicar Consagrar Provocar rese. (obteve. Habitualmeitie a senhora distribui bolsas de estudo aos sábios da parolagem. (completou. para todos. resultar ceder Conceder apresentar mani festa. sigo. ao reescrever COflVfl1 eliminar palavras muito tCnicas.. tributam) 20.. preciso. devotam.2te ter voca çào. O leitor pode combi na qualquer expressão . nClujr registr Consignar atribuir encon/.

As variações possíveis sO cerca de 10 mil. 5. com as devidas e imprescindíveis enfatizações. uma vez que das informações formação de quadros.jun. Estrutura dos períodos . mas antes particularizando. 3 e 4. o coenvolvimento ativo de operadores e utentes. em termos de eficácia e eficiência. permite ao empulhador que fale ininterruptamente por mais de 40 horas. 3. O cntério metodológico reconduz a sínteses a pontual correspondência entre objetivos e recursos com critérios nãodirigísticos. estruturas. 6. das demais. 2. 7. O método participativo propõe-se a o reconhecimento da demanda não satisfeita mediante mecanismos da participação. É fldansenfal a amimar dos divemos oferece uma boa dos nidice pretendidos ressaltar que resultados oportunidade de venfleação O incentivo ao avanço o início do prograin acan-era um processo das formas de ação. um indispensável salto de qualidade. tecnologico. na ordem 1. ativando e implementando. não omitindo ou calando. no contexto de um sistema integrado.a da auxilia a preparação das atitudes e das esquecer que organização e a estruturação atribuições da diretoria Do mesmo modo. i MANUAL DE TECNOMISIIFÍCAÇAU i estudos efetuados essencial na financeiras e formulação adnijmst ivas Assim mesmo. O modelo de desenvolvimento incrementa o redirecionamento das linhas de tendência em ato para além das contradições e dificuldades iniciais. indispensável e flexibilidade das interdisciplinar horizontal. 1998. a redefinição de uma nova figura profissional.lisiada na primeira coluna i com outras. A utilização privilegia uma coligação segundo um módulo recuperando. A REESCRITA DE TEXTOS 135 4. Quadro 2 COLUNA A COLUNA B COLUNAC COLUNA D COLUNA E — COLUNA F COLUNA G 1. 4. sem dizer coisa nenhuma. preventiva e não cada ato decisional. condicionante. evidenciando e explicitando. para uma práxis de trabalho dr grupo. o novo modelo coninbui para das novas proposições estruniral aqui a correta preconi0 determinação A prática mostra que o desenvolvimento assume importantes das opções básicas para de formas distintas posiçõesun definição o sucesso do prograrun de atuação Nunca é demais a consiante divulgação facilita5 definição do nosso sistema de insistir. potenciando e incrementando. Não podemos a atual estnjs. o aplainamento de discrepmncias e discrasias existentes. Segundo os autore5. 2. não assumido nunca como implícito. O novo tema social propicia o incorporamento das funções e a descentralização decisional numa visão orgânica e não totalizante. na medida em que isso seja factível. a expansão de nossa exige a precisão e a dos conceitos de atividade definição Participação geral. ou como sua premissa uma congruente potencial orgânica de interdependência antes revalorizando. A e5periôncia a consolidação das prejudica a pereepçào das condições mosa que estmiaras da impocia apropfia para os negócios. mais curativa. superestrutura população. assim de fomiação de de reformulaçào corno atitudes Jornal de Brasfl0 28. a cavaleiro da situação contingente. O quadro normativo prefigura a superação de cada obstáculo e/ou resistência passiva sem prejudicar o atual nível das contribuições. A necessidade se caracteriza por uma correta relação no interesse substanciando e numa ótica a transparência de emergente entre estrutura e primário da vitalizando. a adoçào de uma metodologia diferenciada.

coordenadas sem conjunção — O livro. convém evitar orações intercaladas muito longas. Quando o redator não consegue dividir adequadamente as idéias em períodos distintos. Esqueça aquele desespero ao decorar classificações para preencher exercícios ou testes e procure entender o funcionamento lógico da frase e seus efeitos de sentido junto ao leitor. dissertativos ou argumentativos. ou seja. as frases devem ser curtas. está caro. É correto utilizar a vírgula para: a) Separar o vocativo: Senhoras e senhores. a não ser que esteja em posição invertida. de provocar uma interpretação. ordenando-os de forma lógica. aliás. b) Separar o aposto explicativo: Pedro. fora da ordem direta. Em textos expositivos. como se acredita no senso comum. A pontuação A vírgula é a principal dúvida de todos os redatores.’iagem. Se você aceitar a sugestão e voltar às gramáticas ou aos livros didáticos para uma revisão de sintaxe. objeto direto + objeto indireto + Quando? Onde? Por quê? Como? Com quê? Nenhum desses elementos pode estar separado do outro por vírgula. é bom. o . já que une e separa elementos de uma oração. A pontuação é um dos principais problemas dos textos e ela depende de um conhecimento mínimo de análise sintática. ou seja. E necessário observar cuidadosamente a sintaxe da oração: Sujeito Predicado e complementos Com o qual o erbo concorda Paulo entregou o texto a Joana ontem na sala subitamente. Como nosso objetivo aqui não é oferecer uma revisão gramatical. memorandos. esperamos que tenham uma boa I. e) Separar orações intercaladas ou não. as diversas formas de elaborar uma idéia. 5. procure analisar 136 TÉCNICA DE REDAÇÃO as possibilidades da língua.Aspecto decisivo para a reescrita de textos é a avaliação da construção dos períodos. disseram os alunos. Sempre que estiver reescrevendo seu texto. Este é o grande defeito do ensino escolar: desvincular a análise sintática da produção de textos. que dificultam a compreensão do leitor. mas apenas provocar algumas reflexões.foi aprovado no concurso público. nem entre o predicado e seus complementos. dificultando a interpretação do leitor. É preciso memorizar que não se usa vírgula entre o sujeito e o predicado. relatórios e monografias. procure identificar as relações sintáticas para observar se há concordância entre os termos das orações e se a pontuação está correta. os recursos disponíveis. . estarei pronto. E principalmente um fator sintático. com o objetivo de construir períodos melhores em seus textos. maior será a possibilidade de se perder o controle da sua elaboração e cometer impropriedades estruturais. Observe este exemplo retirado de um rascunho de documento pedagógico: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste em tomar a linguagem como atividade discursiva. adverbiais: Quando chegar o dia do exame. Quanto mais extenso for o período. oficios. sugerimos que você volte aos seus livros de língua portuguesa e tente se aproximar dos capítulos de sintaxe com outros olhos. de dar ênfase a um tópico. pareceres. o aluno mais estudioso. por exemplo. ágeis. Cada uma das possibilidades sintáticas constitui uma maneira diferente de transmitir uma posição.4 REESCRITA DE TEXTOS 137 Observação: as adjetivas restritivas não aceitam vírgula: O livro que o professor sugeriu é bom. e) Separar enumerações: Escrevi cartas. ou melhor etc. Ela não serve apenas para marcar pausas ou momentos de respiração. acumula informações de forma densa e complexa. d) Expressões intercaladas: isto é. E geralmente preferível a ordem direta: sujeito + predicado + complementos Na construção dos períodos. que é uma fonte imprescindível de informações. A ausência de ponto final também constitui um problema de sintaxe. adjetivas explicativas: O livro.

NAMORE AS PALAVRAS. As principais dificuldades de grafia das palavras em português são decorrentes das muitas representações gráficas para um mesmo som ou dos encontros de consoantes: SS/C/S/Ç/SCIX: assunto. Observe que não há problemas de concordância. uma grande parcela dessas dificuldades se resolve pelo uso do computador. deslizar. exceção. Sempre que encontrar uma palavra dificil ou nova para você. as necessárias adaptações sintáticas e a pontuação transformaram o texto de forma a facilitar a leitura. e por meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. O melhor e mais seguro é consultar o dicionário muitas vezes até memorizar a ortografia da palavra. A dúvida é natural mesmo para quem escreve todos os dias e vive de escrever. Tal procedimento permite. escrevemos de forma manuscrita e sem possibilidade de consulta ao dicionário. FOCALIZE SUA ATENÇÃO NOS PONTOS EM QUE AINDA TEM PROBLEMA. Podemos dizer que há problemas de sintaxe e de estilo. incorreções e palavras inexistentes. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. falar. Entretanto. o melhor é criar familiaridade com as palavras. permitindo. LEIA PRESTANDO ATENÇÃO NA GRAFIA. baixeza. fecho. açúcar. É impossível ter certeza .texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas á coerência e à coesão textual. de maneira crítica e autônoma. acento. ler e escrever. instituições de ensino. falar. X/CH: ficha. 6. pesquisadores. acentuação. CONSULTE O DICIONÁRIO SEMPRE QUE TIVER DÚVIDA. a aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos. máximo. Identifique quais são os seus problemas mais freqüentes e concentre seu esforço e sua atenção sobre esses casos. SEPARE AS SÍLABAS DE PALAVRAS NOVAS. escreva sem olhar para o texto original e depois confira. Entretanto. flanela. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. alterar o sentido original. nem sempre podemos usar o computador. por 138 TÉCNICA DE REDAÇÃO meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos ora is. que podem ser solucionados pela divisão em períodos menores e uma adequada colocação de pontos finais. leia-a várias vezes em voz alta para gravar o som. PRI BL/CL/FL/DR: problema. ler e escrever de maneira crítica e autónoma. crescer. epor meio da análise e da reflexão sobre os diversos aspectos envolvidos nessas práticas. A divisão em períodos menores. contudo. E. visor. análise. interstício. flandre. como nos concursos. da aquisição de conhecimentos discursivos e lingüísticos que possibilitem a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. FAÇA PALAVRAS CRUZADAS NAS HORAS VAGAS. puxar. ortografia. atendendo propósitos e demandas sociais e garantindo a plena participação social. Alguns procedimentos podem ajudá-lo a melhorar seu desempenho em relação à ortografia: A REESCRITA DE TEXTOS 139 LEIA MUITO. mas a decisão final é ainda do redator. superstição. PEÇA A ALGUM PROFESSOR PARA DIAGNOSTICAR SUAS DIFICULDADES. SOLETRE. Não podemos individualmente modificar a ortografia conforme nossa preferência. oficializadas por segmentos como Academias de Letras. analisar. muitas vezes. Hoje. o texto oferece dificuldade de leitura por prolongar-se excessivamente. À medida que se escreve. A língua portuguesa oferece muitas dificuldades ortográficas. o texto e a variedade de gêneros como unidade básica de ensino e a noção de gramática como recurso para analisar as questões relativas à coerência e à coesão textual. ensaio. vazio. J/G: viajem (verbo). SIZ: riqueza. atraso. leitura de textos escritos e produção de textos orais e escritos. viagem. publicações e leis. Essas ocorrências exigem maior atenção. A questão da ortografia A ortografia das palavras é uma convenção que envolve decisões coletivas e históricas. Portanto. nascer. por meio da realização escolar de uma prática constante de escuta de textos orais. o programa aponta dúvidas. estender. sem. DUVIDE SEMPRE DA GRAFIA DE SÍLABAS COMPLEXAS. RS: perspectiva. proclama. Esses conhecimentos possibilitam a ampliação progressiva da capacidade de ouvir. Vejamos: A proposta para o ensino de língua portuguesa consiste etn tomar a linguagem como atividade discursiva.

Observe uma tabela de avaliação de textos que sintetiza as questões referentes à qualidade textual e pode servir de roteiro para sua própria releitura. 142 TÉCNiCA DE REDAÇÃO ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS NO APERFE1ÇOA0 DO TEXTO ASPECTOS TEXTUAiS S Sintaxe de Construção Reescrever obsersando. A REESCRITA DE TEXTOS 141 José entregou o livro a correr José entregou o livro a esse homem. O uso do sinal indicativo de crase Muitas Pessoas acreditam que é impossível compreender o funcionamento da crase.. A memorização vem com o uso. quem. quando em seguida a esses verbos há uma palavra feminina que admite artigo feminino a. como: à altura à escolha à margem de à bala à espera à medida que à base de à esquerda à página 10 à beça à força à parte à beira de à francesa à primeira vista à caça à luz à procura à direita à maneira de à proporção que à disposição à mão (escrever) à razão de à entrada à mão (estar) à tinta à época à máquina (escrever) Acostume-se a tirar dúvidas sempre que elas aparecem. os dois as se encontram e acontece a crase: José entregou o livro a > a professora recebeu o livro. José entregou o livro à professo. 7. corre muito mais risco de errar. pronomes pessoais: ela. este. mim. pronomes demonstrativos: esse. apelidado indevjdainen te de “pai dos burros”.a Não se usa sinal indicativo de crase antes de verbo palavra masculina. adequação dos co- . José entregou o livro a quem pediu.absoluta da grafia correta de todas as palavras da língua. Deveríamos chamar o dicjonáijo de “pai dos sábios”. Sugerimo5 que o redator tenha à mão um cartão plastificado com o resumo das regras para Consulta diária. Mas é relativamente simples Alguns verbos transitivos indiretos exigem o uso de uma preposição a. Não se usa crase também em expressões como: cara a cara de alto a baixo de baixo a cima de fora a fora dia a dia face a face frente a frente gota a gota Muitas expressões exigem sinal indicativo de crase. você consolida sua intimidade com a língua escrita e as infinitas possibilidades de expressão. Em todos estes exemplos a é preposição José entregou o livro ao amigo. mas essa é facilmente resolvida com o treino. pois quem o consulta com freqüênj tem realmente mais familiaridade com os fatos da língua. José entregou o livro a ela. pronomes indefinidos. Assim. porque essas palavras nunca são antecedidas por artigo feminino. a consulta constante às regras e a atenção na hora de escrever e de revisar. A acentuação gráfica também merece atenção especial. Saiba que revisores profissionais têm ao alcance da mão muitos livros de 140 TÉCNiCA DE REDAÇÃO consulta. e até escritores prestigiados têm dúvidas e vão ao dicionário a todo momento Quem tem vergonha de demonstrar dúvida e de dicionário. alguém.

leva o leitor a se tornar mais crítico e . Indicado para quem quer avançar rapidamente nas reflexões e na prática sobre a produção de textos. Quem buscava uma fórmula infalível e definitiva pode estar se sentindo frustrado ou atordoado.1 nectis e palavras de relação. Curso rápido de redação e revisão gramatical. David W. pelo menos para as necessidades práticas. gratficantes e. súbita. e somente você. Pt Pontuação Retirar acrescentar OU modificar. distinguir a idéia central. tem a respostapara minha dúvida. CARRAHER. Obra teórico-prática muito agradável que. como eu gosto de fazer algumas vezes. si. e no grau que desejava. Procurei traduzir conceitos muito sofisticados em linguagem quase informal. leitor. evi ta acúmulo de idéias num mesmo período. Antônio Suárez. São Paulo. desfa ze ambigüi55 V Vocabulário Eliminar ou substituir palavras repetida5 Utilizar paIara mais adequada Eliminar gíria. Campinas. Atica. LE Concordância Corrigir conforme justificativa gramatic catíticaI/ Caso VOC Seja professor pode usar as letras da primeira coluna como indicações nas margens dos textos de seus alunos. enriquecedora e prazerosa. A REESCRITA DE TEXTOS 143 CARTA AO LEITOR Brasília. Queira sempre mais. Fácil. eliminar idéias incompatível5 sem importância para o desenvolvimeni da idéia central. Evitar mudanças ifljustificgv5 de nível. pode se transformar em um jogo. Entretanto. O interesse pela linguagem. leve. De qualquer forma. há sempre uma margem de incerteza. Bibliografia comentada de apoio ao aluno ABREU. pois chegou até aqui. O objeto desse jogo é a língua. Afinal. sobretudo. que vai dos processos de desenvolvimento da criatividade ao aperfeiçoamento da apresentação do pensamento lógico. BARBOSA. mas não tenho muita segurança se consegui isso. especificar generaIijaç5 articular as relações lógicas entre as idéias por meio de conectjso5 utilizar argumen_ los adequados. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia às ciências humanas. espero que a leitura e os exercícios propostos tenham sido estimulantes. não é uma iluminação divina. E é preciso lembrar que o trabalho com a leitura e a escrita é ininterrupto. corrigir / fragnient5ç0 e truncamento de idéias. Como vimos. Meu amigo leitor Suponho que você esteja realmente interessado em aperfeiçoar sua habilidade em produzir textos. Não se contente em usufruir apenas o que a distribuição perversa do capital simbólico na nossa sociedade nos concede. é o resultado de muito trabalho com a linguagem. Papirus. Observar estruturas peculiares ASPECTOS GRA1ATICAIS E FORMAIS /iadei:s parágrafo Evidenciar maiúsculas O Corrigir conforme dicionário Corrigir conforme as regras. Emilia. O que leva tempo e exige paciência. O que signfica que você continuará crescendo sempre. se você se empenhou verdadeiramente. na escrita. ou seja. Mas relaxe. São Paulo. Curso rápido e completo de redação. escrever bem. Se é que não começou pelo final. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. mesmo sendo uma tarefa complexa e prolongada. na qual estamos totalmente imersos. Escrever ler e compreender os infinitos matizes da linguagem são formas muito especiais de felicidade que nossa cultura nos proporciona. Cxpressões Coloquiaiç clichê5. pode ser utilizado sem ajuda. por meio de explicações e exercícios. pois. houve muito crescimento. Pioneira. eliminar repetições. é acessível a todos. de frases e períodos construir Paralelism. uma aventura lúdica.it0 Coesão e coerência Reescrever obsers ando. Pode ser utilizado sem ajuda presencial. (1993) Curso de redação. vai continuar pela vida afora. além de fortalecer seu equipamento essencial de participação na sociedade. Severino Antônio & AMARAL. março de 2000. tenham desvelado novos horizontes para você. P Paragrafo Agrupar ideias complementares ou depen dentes Distribuir idéias por parágrafos di ferentes Escrever transição entre parágrafos G Gênero Nlanter o fom conforme o gênero. Lucília -.

Antônio Suárez. Campinas. (1989) Interação leitor-texto: aspectos de interpretação pragmática. 148 TÉCNICA DE REDAÇÃO CASTELLO. Petrópolis. L. & FIORIN J. Hucitec. José. Campinas. BASTOS. São Paulo. (1989) A arte de ensinar a escrever. (1995) Nova gramática do português contemporáneo. L. F. Opressão? Liberdade? São Paulo. Atica. São Paulo. (org. (1991) Manual de redação da Presidência da República. (1983) Senso crítico: do dia-a-dia ás ciências humanas. BRONCKART. (1994) Coesão e coerência em narrativas escolares. de (1998) Dicionário de questões vernáculas. . Lindley L. Rio de Janeiro. Carlos Alberto & TEZZA.. CUNHA. São Paulo. sor. Imprensa Nacional.reflexivo em relação às informações disponíveis na sociedade. Evanildo. Pau/o Jllanjja/de redaç o e estilo São Paulo. Robert. Ática. (1983) Manual de expressão oral e escrita. que não pretende estabelecer normas rígidas. descrever os usos reais e atuais da língua nas diversas circunstâncias. Apresenta excelente reflexão sobre questões lingüísticas e muitos exercícios práticos de leitura e produção de textos. Severino Antônio & AMARAL. Ótimo curso completo de produção de texto para estudantes universi tários e outros interessados. Curso de redação em duas panes uma para o aluno e outra para o professor. CARRAHER. Unicamp. BECHARA. à qual todas as Outras produzidas no Drasil se repoam no que diz respeito à produção de textos Embora não utilize conceitos modernos da lingüjstj textual. Atica. A. Petrópolis. C. São Paulo. ______ & MATTOS. Ática Excelente coletânea de textos comentados e analisados segundo os princípios mais atuais da lingüístj Fácil in(eres5te e pode ser utilizado individualmente. Paulo/Moderna Manual de Consulta rápida para solucionar dúvidas de escrita da língua Pougues padrão Muito útil e fácil de usar sem ajuda do profes. São Paulo. Pode ser utilizado como manual de curso ou como roteiro indiyi dual de trabalho. Martins Fontes.) e outros (1998) Roteiro de redação Lendo e argwnenta 00 São Paulo Scipione Curso de redação completo com muitos textos para leitura e exercí. Record. Trata-se de uma gramática moderna. M. Fundação Getá lio Vargas. Emília. Izidoro. J. BRASIL. Globo. Cristóvão. CALKINS. (1985) Ensino da gramática. K. (1986) A produção escrita e a gramática. Nova Fronteira. mas. textos e discursos: por um interacionismo sócio-discursivo. L. M. BARBOSA. Jean-Paul. (1999) Inventário das sombras. como pode ser um manual de curso SERAFINI Mafla Teresa. M. BARRAS. Queiroz. São Paulo. já os antecipava por meio de uma observação aguda do funcionamento dos textos literários Indispensável para todos que querem se aprofdar nas questõe5 da escrita em língua POrtugue MARTINS Eduardo (org) (1997) O Estado de S. Bibliografia para aprofundamento ABREU. 1992. São Paulo. deve estar sempre á mão do redator. (1930) Marxismo e filosofia da linguagem. PLATAO F. São Paulo. Napoleão M. Martins Fontes. Mattoso. (1986) Escrever é desvendar o mundo a linguagem criadora e o pensamento lógico. CAVALCANTI. pois é organ1a0 a pair de verbetes em ordem alfabética Assim como um bom dicionário. FARACO. São Paulo. Papirus. M. (1999) Atividade de linguagem. sem ajuda presencial de um professor. São Paulo. (1989) Curso de redação. (1997) Lições de texto: leitura e redação São Paulo. A. BAKHTIN. São Paulo. Brasília. T. Celso & CENTRA. (1986) Co0j ão enj prosa ‘noderna Rio de Janeiro. Porto Alegre. sim. Educ. (1995) Técnicas de comunicação escrita. Pode ser usado como manual para cursos de redação ou individualmente. Vozes. Vozes. (1930) Estética da criação verbal. BLINKSTEIN. CAMARA Jr. (1986) Os cientistas precisam escrever. Artes Médicas. Pode ser útil para trabalhos escritos disseativos VIANA. 1981. Obra Clássica. Atica. Martins Fontes. 146 TÉCNiCA DE REDAÇÃO GÁRCIÁ Otlio0 M. o capítulo a respeito da organizaç0 das idéias é muito interes sante. David W. Não é de fácil consulta para iniciantes que querem tirar dúvidas práticas de gramática. (1992)Prática de texto: língua portuguesa para nossos estudantes. A. ALMEIDA. o Estado de S. Pioneira. (1989) Como escrever textos São Paulo. C. CO5.

GREEG & E. Porto Alegre. DIJK. L(fe. Enilde L. Pontes.. Companhia das Letras. São Paulo. o discurso competente e outras falas. Atica. (1988) O texto: leitura e escrita. Smolka e outros (orgs. São Paulo. Elisa. Martins Fontes. (org. In: Subsídios á proposta curricular — São Paulo. Marilena. Malcoim. Martins Fontes. L&PM. São Paulo. CUNHA. (1978) Coerção e criatividade na produção do discurso escrito em contexto escolar. . W.) A lin BiBLIOGRAFIA PARA APROFUNDAMENTO 149 guageni e o outro no espaço escolar: Vygotsky e a construção do conhecimento. São Paulo. D. (1993) A inter-ação pela linguagem. FIORIN. R. & FLOWER. & FARACO. (1980) The dinamics ofcomposing: making plans and jugging constraints. Unicamp/Pontes. (1991) Portos de passagem. (1985) Uma nota sobre redação escolar. São Paulo. São Paulo. Petrópolis. (1993) Oficina de leitura: teoria e prática. Eglê. ILARI. Martins Fontes. algumas reflexões. Brasiliense. J. de. Umberto. MANDRYK. Campinas. Vozes. Astúcias da enunciação. Celso & CINTRA. (1987) Prática de redação para estudantes universitários. M. 5. & KOCH. São Paulo. Cambridge University Press. Cortez Editores. São Paulo. A. (1994) Escrever. (1996) Linguagem e ensino — Exercícios de militância e divulgação. (1989) Para falar e escrever melhor o português. LUFT. and Work in Communities and Classrooms. Paulo/Moderna. MANGUEL. (1990) A coesão textual. Adriano da Gama. Maurizzio (1985). Campinas. (1985) Nova gramática do português contemporâneo. G. Atica.) Lígia Chiappini. São Paulo. (1992) Cognição.) (1985)Lingüística textual Texto e leitura. Rio de Janeiro. M. Brasilia. (1986) Comunicação em prosa moderna. São Paulo. W. Campinas. FRANCHI. Atica. O Estado de S. FÁVERO. (1989) Texto e leitor: aspectos cogniti vos da leitura. Z. (org. GNERRE. São Paulo. MARTINS. GARCIA. Atica. Companhia das Letras.CHAUI. MARTINS. MAFFEI. KATO. (1990) Lições de texto: leitura e redação. Contexto. Ingedore. Educ. Rio de Janeiro. Wilson. Paulo — Manual de redação e estilo. São Paulo. STEINBERG (1980) Cognitive Processes en Writing. Moderna. Campinas. Pontes. LEMOS. & PASCHOAL. (1988) O que é leitura. A. Lawrence Erbaum.. M. B. São Paulo. (1992) Guia teórico do alfabetizador. Atica. (1985) Língua e liberdade. (1991) Linguagem epersuasão. R. NJ. & PLATÃO. COWLEY. Savioli. J. GARCEZ. (1989) Leitura: ensino e pesquisa. FAULSTICH. Petrópolis. (1997) Aprender e ensinar com textos dos alunos (coord. A redação na escola. V. (1988) Apalavra escrita. interação. Cortez Editores. J. L. Editora Universidade de Brasília. (1987)A articulação do texto. Rio de Janeiro. Othon M. HEATH. (1985) O aprendizado da leitura. São Paulo. L. (1997) Convite à Filosofia. SE/CENP. Contexto. por uma nova concepção da língua materna. 1988. São Paulo. (1991) Cultura e democracia. L. D. A. L. Atica. (1997) Uma história da leitura. Paz e Terra. HAYES. São Paulo. discurso. Cortez. (1989) Os escritores 2 — As históricas entrevistas da ‘Paris Review “. GERALDI. (1983)Lingiiística textual: introdução. Como ler. L. R. C. Cadernos PUC 22. DURAS. Perspectiva.) (1998) O Estado de 5. São Paulo. Pontes. (org. São Paulo. F. entender e redigir um texto.) O texto na sala de aula: leitura eprodução. R. Assoeste. F. Martins Fontes. Atica. Mercado de Letras — ALB. Nova Fronteira. KURY. de J.) (1982) Escritores em ação: as famosas entrevistas à “Paris Review “. São Paulo. Atica. C. In: L. (1984) E as crianças eram dflceis. Rio de Janeiro. Eduardo. C. (1997). Rio de Janeiro. (1983) Ways with Words: Language. e outros. Campinas. São Paulo. Ática. S. B. Nova Fronteira. J. (1985) Como sefaz uma tese. Campinas. (1985) (org. P. Vozes. Lindley L. 1n. Adilson. CITELLI. Contexto. (1984) Argumentação e linguagem. KOCH. C. T. Cascavel. COSTE. (1993) A criança e a escrita: explorando a dimensão reflexiva do ato de escrever. São Paulo. São Paulo. Papirus. Cambridge. Maria Helena. São Paulo. L. Marguerite. Minam. Fundação Getúlio Vargas. Alberto. A. (1998)A escrita e o outro. São Paulo. São Paulo. GÓES. escrita e poder. In: A lingüística e o ensino da língua portuguesa. Ingedore. Lucília H. São Paulo. KLEIMAN. (1986) No mundo da escrita. (1991) Coesão e coerência textuais. MARTINS. Marcos. GUIMARÀES. 1. São Paulo. Rocco ECO. Martins Fontes. FIORIN. Linguagem. LEMLE.

ZILBERMAN Regina.) A linguagem e o outro no espaço escolar: Vygots e a construção do conhecimento. VANOYE Francis (1982). Martins Fontes (1997) Por que (não) ensinar gramátjc na escola Campinas Mercado Aberto/ALB ROCCO M. “ 150 TÉCNICA DE REDAÇÃO ORLANDI Enj PuJcjnellj (1988) Discurso e leitura São Pau1o/Camp nas. Kajrós PECORA Alcir (1983) Problemas de redação São Paulo. estilo e subjetividade So Paulo. Martins Fontes. Mercado Aberto MPfES40 e (ANC-P 42MENJO . (1990) Estratégias de leitura: como decodcar sentidos flão-literais na linguagem verbal Porto Alegre. (1993)4 dinámíca discursiva do ato de escreler.AF 6J9?78a . SALOMON Délci0 Vieira (1991) Conzo fazer uma monografia São Paulo. 5. David R. Neide R. Globo. F. Manjns Fontes PENTEADO J. PIGLIA. Pioneira. (1982) Leitura em crise na escola: alternativas doprofrssor Porto Alegre. Martins Fontes.-ita São Paulo. (org. B. relação ora/idade escritura In: A. B. Pioneira. (1978) Técnica de redação Rio de Janeiro. São Paulo. (1981) Crise na linguagem. L. J. São Paulo. Martins Fontes. L. Scjpion VIGOTSy L. Atlas. OLSON. Uso5 da linguagem. 1978 (1930) Pensamento e linguagem São Paulo. Campinas Papirus TRIGO Luciano (org) (1994) O Globo: grande5 entrevistas os escri tores. Ricardo (1994) O laboratório do escritor São Paulo Ilumjnuras POS SENTI Sírio. Martins Fontes. São Paulo. Rio de Janeiro.) e outros. 5. Maria da Graça Costa (1991) Redação e textualidade São Paulo. (1979) Argumentç0 e discurso po1íti0 São Paulo. . R. Globo SOARES Magda & CAMPOS. C. T. Provas de argume ração. VAL. Sagra. Martins Fontes. ZANDWAIS Ana. Ao Livro Técnico SMOL A. A. São Paulo. (1987)Deshurocratizaçãolingüística como simplificar textos administrativos. Atica. VIANA. a redação no vestibular. 1987. SERAFINJ Maria Teresa (1974) Como escrever textos Rio de Janeiro. (1991) Redação cientifica.MEDEIROS. Smolka e Outros (orgs. (1997) O mundo no papel as implicações conceituais e cognitivas da leitura e da escrita. São Paulo Funda ção Carlos Chagas. (1998) Roteiro de redação Lendo e argument 0 São Paulo. Cadernos de Pesquisa número 23. (1988) Discurso. E. problemas e técnicas na produção oral e esc. MENDONÇA. (1930) A formação social da mente São Paulo. Cortez Editores/Unicamp OSABE Hakjra (1977) Redações no vestibular. Mestre Jou. Whjtaker (1986) A técnica da con humana São Paulo.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful