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Psicologia comunitária

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Psicologia comunitária

UNIVERSIDADE DO PLANALTO CATARINENSE CURSO DE PSICOLOGIA – OITAVO SEMESTRE DISCIPLINA DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM PSICOLOGIA COMUNITÁRIA PSICOLOGIA COMUNITÁRIA E PRESÍDIO REGIONAL DE LAGES JUNTOS EM BUSCA DE PRATICAS HUMANIZADAS Ivete de Oliveira Fontoura (Acadêmica) Tatiane Muniz Barbosa (Orientadora) _______________________________________________________ ____________________ Resumo Este artigo aborda as atividades desenvolvidas pela estagiária do curso Psicologia da Universidade do Planalto Catarinense durante o Estágio Supervisionado em Psicologia Comunitária no Presídio Regional de Lages, SC. O estágio teve como principal objetivo a humanização do Presídio, buscando um ambiente que proporcione relações de “comunidade onde todos são chamados pelo nome, sendo que ao ser chamado pelo nome mantém a identidade e a singularidade das pessoas, possibilitando assim a manifestação do pensamento e da opinião” (MARX apud CAMPOS, 1996, p. 95). Para alcançar o objetivo foram realizados oficinas duas vezes ao mês com oito reeducandas, propondo reflexões (dinâmicas e leituras comentadas de textos) referentes à auto-estima, afetividade, autoconhecimento, violência domestica, relações de gênero, direitos humanos e cidadania. Logo a psicologia comunitária, e a psicologia social proporcionam o desenvolvimento de ações que visem

autonomia, melhoria nas condições de vida, buscando uma transformação social ea diminuição da exclusão, partindo da realidade das pessoas e respeitando os valores, as crenças e a singularidade das mesmas. Palavras-Chave: Psicologia Comunitária, Presídio, Humanização. _______________________________________________________ ____________________ Introdução No sétimo e oitavo semestre do curso de Psicologia da Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC), tive a oportunidade de realizar o Estágio Supervisionado em Psicologia Comunitária, no Presídio Regional de Lages SC. O estágio foi realizado com acadêmicas de Psicologia e Serviço Social em parceria com o Ministério Publico da comarca de Lages e UNIPLAC no ano de 2008. A seguir serão abordadas neste artigo as ações desenvolvidas junto às reeducandas da instituição visando propiciar a humanização no cotidiano do Presídio para presas nas questões psicológicas e sociais. De acordo com Rey (2004, p. 174), “a psicologia social deve entender o sujeito em seu cotidiano, conhecê-lo nas condições sociais em que atua e tentar compreender seu comportamento a partir do contexto social ao qual está inserido”. Portanto a psicologia social busca a autonomia do sujeito de acordo com as suas potencialidades. Diante disto faz-se necessário ressaltar a potencialidade da instituição prisional que possui como direção a Lei de Execução Penal. Para melhor compreender o Presídio, enquanto instituição é importante conhecer a Lei de Execução Penal (LEP), Segundo Human Rights Watch, “a LEP, foi adotada em 1984 é

uma obra extremamente moderna de legislação, que tem por objetivo reconhecer os direitos dos presos tais como tratamento individualizado, e garantindo assistência médica, jurídica, educacional, social, religiosa e material. Vista como um todo, o foco desta lei não é a punição, mas, ao invés disso a ressocialização das pessoas condenadas”. Percebe-se que a lei de execução penal é bastante nova, porém busca garantir ao preso à efetividade de programas que proporcione a educação e profissionalização visando a ressocialização. De acordo com o histórico do Presídio Regional de Lages, o mesmo foi fundado em meados de 1963, como cadeia pública da Comarca de Lages, sendo administrada por um oficial. Posteriormente a cadeia foi administrada por um policial civil. Em 1983, o Presídio passou a ser administrado por um terceiro policial civil, que se encontra na administração do Presídio Regional de Lages atualmente. O presídio custodia os presos das comarcas de Correia Pinto, Otacílio Costa, Anita Garibaldi, Campo Belo do Sul e Bom Retiro. A cidade de São Joaquim possui uma Unidade Penal Avançada (UPA), administrada pelo Presídio Regional de Lages, que custodia os presos das comarcas de Urubici, Bom Jardim da Serra e Bom Retiro, sendo que o último município é custodiado por ambas as unidades citadas anteriormente. A cidade de Correia Pinto possui uma UPA também administrada pelo Presídio Regional de Lages que custodia os presos das comarcas de Correia Pinto e Ponte Alta. Segundo informações colhidas pela estagiária através de conversas informais com os funcionários durante a realização do estágio (maio/2008), o Presídio Regional

de Lages tem um total de 245 presos em regime fechado (sendo este total composto por 21 mulheres e 224 homens), porém o mesmo possui capacidade para 80 homens e 14 mulheres. Diante disto percebe-se um dos problemas do local, pois o mesmo não possui espaço para acomodar seus detentos, sofrendo com a superlotação, porém esta situação não é um problema apenas do Presídio Regional de Lages, mas do Sistema Penitenciário Brasileiro. Segundo o Departamento Penitenciário Nacional (2005), “o sistema penitenciário brasileiro não possui capacidade suficiente para acomodar todos os presos que o constituem, e a superlotação é talvez o mais crônico problema que os afligem. Sendo que quanto maior a concentração de presos em determinado estabelecimento carcerário, piores serão as condições pelas quais os presos serão submetidos”. Logo, a temática humanização do Presídio Regional de Lages esbarra na superlotação e no pouco espaço físico do local, sendo que ao pensar em ações tais como profissionalização, educação e grupos para discutir temas relacionados à droga, família, sexualidade e mercado de trabalho, enfim temas que os próprios preso (as) estejam interessados em saber, refletir e discutir requer um ambiente adequado para desenvolver as ações citadas anteriormente. O presídio conta com 21 funcionários, sendo um Gerente Prisional, uma Assistente Social, dois Policiais Militares aposentados convocados que exercem atividades junto com os agentes prisionais, um agente prisional na administração, um agente prisional na execução penal, um chefe de segurança responsável por toda parte funcional, e quatorze

agentes prisionais (composto por 4 mulheres). O presídio conta com agentes prisionais formados no ensino superior em cursos como: administração, contabilidade, ciências sociais e educação física, mesmo o concurso exigindo para este cargo o ensino médio completo. Os funcionários são subordinados ao Departamento de Administração Prisional (DEAP) da Secretaria de Segurança Pública do Estado de SC, que apresenta como missão, ser reconhecido pela sociedade como órgão de excelência, permanente e consolidado, na custodia e reinserção social dos reclusos, já a visão do DEAP, é de administrar o sistema prisional catarinense, de forma integrada, visando custodiar os reclusos e contribuir para sua reinserção social. Assim como a Lei de Execução Penal (LEP) abordada anteriormente, o DEAP assegura os direitos do preso, e a reinserção social, mas na prática tais direitos encontram-se utópicos. Segundo informações colhidas através de conversas informais com os funcionários, percebeu-se que os mesmos não acreditam na humanização do Presídio, devido ao fato das condições precárias que o mesmo se encontra tais como superlotação, falta de atividade, ambiente frio, úmido, com ratos e baratas; diante de tal situação percebe-se que os funcionários apresentam uma visão diferente dos ideais do DEAP e LEP e consequentemente do processo de reeducação e ressocialização que a Lei prescreve e o Presídio visa. O Presídio proporciona para seus presos (as) visitas, aos sábados e domingos das 8h30min às 14h para a entrada, e até às 16h horas para permanecer no local. A rotina do preso

inicia às 7h30min com a “passagem do pão”1 sendo que o café os próprios presos fazem, às 8h30min “pátio de sol”2 , as 11h40min se dá início o almoço e às 14h os presos são liberados novamente para o “pátio de sol”, às 18h30min são “recolhimento”3 e as 19h30min início do jantar. As visitas são proporcionadas para parentes de primeiro grau, sendo pai, mãe, irmãos, esposa e filhos, menores de 12 anos não precisam de “carteirinha” de identificação e cada preso tem direito a três visitas por final de semana, de acordo com a galeria que o preso se encontra. Nas visitas de finais de semana é permitida a entrada de alimentos cozidos, já na quarta-feira pela manhã a galeria “B” e “C” recebem alimentos, tais como batata, arroz, açúcar, café enfim, alimentos crus, em sacos transparentes e embalagens plásticas, para melhor procedimento da revista. Na quinta pela manhã as demais galerias recebem seus alimentos. A galeria A5 (ala de segurança) conta com 81 presos, a mesma engloba “asilo”, “favela” e “malharia”. No “asilo” se encontram os presos por falta de pagamento de pensão, e os presos mais idosos, na “favela” encontram-se os presos que cometeram crime contra crianças e mulheres, sendo que os mesmos são separados dos demais por segurança, pois os presos criam suas próprias leis, e não aceitam agressões contra crianças e mulheres. Quando os presos da galeria “B” e “C” encontram-se no seu horário de almoço, os presos da ala de segurança, saem para o pátio de sol, na “malharia” encontram-se os presos “regalia”6, aqueles indicados pelos agentes prisionais como presos com bom comportamento e escolhidos pelo

Diretor do Presídio. As galerias “B” e “C” (galeria geral) contam com 146 presos, sendo que a galeria “B” possui 74 e a galeria “C” 72 presos. A galeria “Torre” (segurança) possui 15 presos separados dos demais, pois são considerados presos que estimulam rebeliões, sendo que os mesmos já possuem condenação. 1 Expressão utilizada pelos presos e funcionários para designar o momento do café da manhã. 2 Refere-se à saída das celas para o pátio. 3 Como se referem ao momento de retorno, por parte dos detentos, para as celas. 5 Nome este dado para designar uma das galerias, que também é composta pelos espaços denominados “asilo, favela, malharia e torre”. 6 Esses são os presos considerados com bom comportamento que devido a isso têm certas vantagens cotidianas em relação aos demais presos. A galeria “Feminina”7 conta com 21 presas que por Lei não podem ficar no mesmo ambiente masculino, as mesmas possuem seu próprio pátio de sol. De acordo com o Formulário Categoria e Indicadores preenchidos (em anexo), o Presídio conta com 431 presos (destes, 245 encontram-se no regime fechado sendo que deste total 39 são mulheres), no regime fechado, semi-aberto, aberto e provisório. Tal formulário aborda as características da população prisional de Lages, sendo que a seguir serão abordados aleatoriamente alguns itens do formulário a fim de caracterizar a instituição. Em relação ao grau de instrução dos presos, 41,76% possuem o ensino fundamental incompleto, já as mulheres são 30,76% também com o mesmo grau de instrução; logo há um número elevado de presos (as) com o ensino fundamental incompleto. Em relação aos crimes cometidos entre homens e mulheres a maior porcentagem é tráfico de drogas

ilícitas, sendo para os homens a porcentagem de 37,84, e para as mulheres 90%. Diante disto as mulheres possuem um número elevado de aprisionamento por tráfico de drogas. Em relação à reincidência, os homens possuem uma porcentagem de 8,47%, sendo que a maior porcentagem de presos são os primários (com uma condenação), em uma porcentagem de 54,23%. Já as mulheres possuem um nível de reincidência equivalente a 23,52% possuindo uma maior porcentagem entre presas primárias com mais de uma condenação sendo esta 41,11%. Logo, as porcentagens apresentadas acima, mostram que as mulheres apresentam um número significativo de reincidência, com mais de uma condenação. Em relação à faixa etária os homens apresentam suas idades bastante diversas e sua maior porcentagem é entre 18 a 24 anos sendo esta 25,52%. Já entre as mulheres a maior porcentagem é na faixa etária de 30 a 34 anos sendo esta 21,50%, percebe-se que as mulheres possuem sua maior porcentagem na idade adulta e os homens jovens adultos, porém ambos com idades consideradas economicamente ativas, para iniciar no mercado de trabalho ou curso de graduação. Com relação à cor de pele e etnia a maior porcentagem entre homens e mulheres concentra-se na cor branca, sendo esta 48,72% para homens e 47,22% para mulheres, em segundo a maior porcentagem é na cor negra sendo esta 39,90% para homens e 33,33% para mulheres. Percebe-se que as porcentagens de cor dos presos (as) são bastante próximas. Em relação ao tempo total de penas a maior porcentagem entre homens e mulheres

é de até 4 anos sendo esta 58,98% para os homens e 59,29% para a mulher. O documento apresenta mais 7 Nome dado para designar a galeria das presas. informações, mas a estagiária privilegiou algumas características que davam conta de contextualizar a realidade da instituição. Levando em consideração o número total de presos percebeu-se que há poucas atividades no Presídio, já que existe apenas a fabricação de grampos de roupa, artesanatos e futebol, não há uma atividade específica para o preso que está saindo do local e para o preso que está em semi-liberdade, pois o mesmo tem o direito de trabalhar no ambiente prisional dentro do local ou no pátio em frente ao presídio. Vale destacar, também, que o preso em semi-liberdade tem o direito de sair cinco vezes ao ano, por sete dias cada vez. Segundo Mameluque (2006), o sistema prisional brasileiro que causa profunda e justificada preocupação devido à crescente criminalidade, não poderá resolverse com a modificação de leis, o acréscimo de penas e construção de penitenciária. A segurança depende muito mais de construir escolas, oferecer trabalho, educação e saúde a todos os cidadãos. A preocupação com o aumento da segurança apenas pela prisão, sem o seu objetivo maior, ressocializar, na busca de soluções para seus efeitos, e não para suas causas. Percebe-se na colocação do autor, que a solução para diminuir a superlotação dos presídios não está apenas na construção de presídios e penitenciárias, mas na efetividade dos direitos a saúde, educação, lazer e projetos sociais, que visem à prevenção da entrada do jovem adulto na criminalidade. Logo, a realidade do Presídio onde foi realizado o estágio mostra a faixa etária

(apresentada anteriormente neste artigo), dos presos com idade de busca e permanência na educação, lazer, projetos sociais e trabalho. Mas tais atividades apresentam-se de forma precária contribuindo assim para a entrada na criminalidade. Portanto, o Ministério Público da comarca de Lages em parceria com a UNIPLAC, realizou o estágio interdisciplinar com os cursos de Psicologia e Serviço Social com o objetivo do estágio de propiciar a humanização do Presídio para presos. Diante disto em relação à temática humanização do presídio vale lembrar que “humanizadas são todas as criações humanas, que se diferenciam dos demais animais, logo o homem criou casa, roupas e sapatos, mas tais criações não estão ao acesso de todas as pessoas, diante disto, tal situação é considerada desumana” (informações colhidas com FRIZZO, 2008, docente do curso de Psicologia da UNIPLAC). Diante disto, a realidade do Presídio Regional de Lages apresentase com ações desumanas devido ao fato da instituição estar sofrendo com a superlotação a sala designada para as aulas, de reeducandos foi transformada em cela para acomodar o auto número de presos do Presídio, consequentemente o direito educacional (criação humana), e fundamental que a LEP assegura esta sendo negligenciado. È importante ressaltar que o Presídio é uma criação humana para prender pessoas que violaram as leis vigentes no País. Logo o Presídio afasta as pessoas da sociedade, com o objetivo de reeducá-los e socializá-los. Mas, nos dias atuais as práticas de reeducação e ressocialização encontram-se precárias, pois os presos passam seu tempo na ociosidade sem

atividades que visem seu retorno à sociedade, enfim, o tempo que os mesmos permanecem nas prisões não proporciona a reeducação e socialização. Segundo Foucault 1975 (apud BARRETO, 2006, p. 587), “a superlotação das prisões, as condições de vida a que os presos são submetidos e a violência existente no interior dos cárceres torna aversivo o ambiente do recluso”. Logo o preso permanece em um ambiente hostil, longe de transformar os criminosos em gente honesta, servindo apenas para reforçar atitudes criminosas. Diante disto acredita-se na importância de atividades humanitárias no cotidiano prisional, pois um ambiente inimigo não contribui para a mudança do comportamento, dos presos (as). A humanização do presídio tem como potencialidade a busca de um ambiente que proporcione relações de “comunidade onde todos são chamados pelo nome, sendo que ao ser chamado pelo nome mantém a identidade e a singularidade das pessoas, possibilitando assim a manifestação do pensamento e da opinião” (MARX apud CAMPOS, 1996, p. 95). Logo a psicologia comunitária, e a psicologia social buscam desenvolver ações que proporcionem para as pessoas autonomia, melhoria nas condições de vida, buscando uma transformação social e a diminuição da exclusão, partindo da realidade das pessoas e respeitando os valores, as crenças e a singularidade das mesmas. Dentre as atividades realizadas apresenta-se a seguir neste artigo o trabalho desenvolvido com as reeducandas do Presídio Regional de Lages. Desenvolvimento do Tema De acordo com Foucault (1986 apud FONSECA, 2006, p. 534) “as primeiras formas

de se castigar um criminoso eram através dos suplícios da exibição pública da dor e do sofrimento. O criminoso era humilhado e torturado por meio de suporte legal e social”. Ainda para o mesmo autor não mais são realizadas torturas ao corpo, mas sobre o coração e o intelecto, na alma dos indivíduos aprisionados. Genericamente a Psicologia é a ciência que estuda o comportamento, principalmente do ser humano. A psicologia social é uma teoria que segundo Lane (1981) busca estudar as influências sociais sobre o comportamento do indivíduo. Ainda para a mesma autora as influências são histórico-sociais com significados atribuídos por um grupo social, por uma cultura, determinando uma visão de mundo, um sistema de valores e conseqüentemente ações, sentimentos e emoções decorrentes. Inicialmente foi elaborado um folder (apêndice A), a produção do folder teve por objetivo propiciar para os familiares as informações que os mesmos buscam no presídio, na seguinte ordem, quais os familiares que podem realizar visita para os presos (as), quais os documentos necessários para fazer a carterinha de visitas, quais os alimentos que podem ser levados no dia das visitas, dia e hora de visitas, dia e hora de levar alimentos crus. Este folder ficou à disposição de presos e familiares no Presídio, tendo por objetivo informar os mesmos. Diante do exposto, buscou-se desenvolver oficinas temáticas duas vez por mês com dois grupos compostos por aproximadamente nove mulheres (as oficinas não foram propostas para o público masculino pelo fato de não haver espaço físico seguro, em caso de tentativa de fuga ou rebelião dos presos, assim colocado pela diretoria do presídio), as

oficinas foram realizadas para discutir sobre os temas auto-estima, afetividade e autoconhecimento, violência doméstica e relação de gênero, direitos humanos e cidadania, estas oficinas aconteceram de outubro a novembro de 2008, abordando o mesmo tema por duas vezes em um mês, para atender o público interessado em participar das oficinas. Estas oficinas tiveram duração de cerca de 1h30min, cada uma delas, totalizando seis encontros durante os meses de outubro, novembro e dezembro. Levando em consideração as influências sociais sobre o comportamento dos seres humanos acredita-se na importância de desenvolver trabalhos em grupos, pois, segundo Campos (1996), “a Psicologia Social busca analisar a relação do homem com a sociedade, juntamente com a Psicologia Comunitária desenvolvendo trabalhos nos grupos, colaborando para o desenvolvimento da consciência crítica e para a construção de uma identidade social e individual”. Segundo Campos (1996, p. 11), “A psicologia social estuda a atividade do psiquismo decorrente do modo de vida onde o sujeito está inserido, a mesma estuda o sistema de relações e representações, identidade, níveis de consciência e identificação”. Logo, a psicologia social contribui para o desenvolvimento das oficinas junto às presas sendo que iniciamos as atividades a partir do conhecimento das mesmas apresentando aos poucos novas idéias e compreensão que serão abordas juntamente com referencial teórico e prática a seguir. As oficinas realizadas buscaram possibilitar às participantes um momento de discussão, reflexão sobre “Auto-estima, afetividade e auto-conhecimento” (I

oficina) em relação ao seu nome, seus afetos, suas emoções, limites, valores e propiciar um resgate da auto-estima e da afetividade que dirigem a si próprias. Também foi realizada uma reflexão com o grupo de presidiárias sobre “Violência doméstica e Relação de Gênero” (II Oficina) salientando que a mesma é uma construção histórica, nesse sentido, pode-se reconstruir novas formas de relacionamentos sem a existência da violência. Fez-se necessário abordar a diferença entre sexo e gênero, entendendo que a violência contra a mulher é produto de uma socialização de gênero, o que gera desigualdades e violências, precisando ser discutida e superada por homens e mulheres na sociedade atual. Também foi abordada a Lei Maria da Penha, com objetivo de proporcionado um conhecimento e reflexão da mesma. O objetivo da oficina III “Direitos Humanos e Cidadania”, foi de oportunizar e estimular a reflexão e o debate sobre direitos humanos, permitindo a construção de uma nova ética e um novo tipo de convivência social, salientando que a cidadania se constrói pelo reconhecimento e respeito às diferenças individuais, pelo combate aos preconceitos e às discriminações (econômica, política, sexual, cultural, etc.) e pela ampliação da consciência em relação aos direitos, deveres e pela confiança no potencial de transformação social de cada um. Na primeira oficina foi realizada uma dinâmica denominada “Conscientização do nome” que teve por objetivo conscientizar as participantes do grupo acerca do nome de cada uma, descobrindo o que as pessoas sentem acerca de seu próprio nome, e como suas

percepções influenciam seu próprio desenvolvimento, oportunidades e relacionamentos. Para realizar esta atividade foram utilizados os seguintes materiais: um crachá para cada participante (confeccionado por cada uma das participantes), revistas, jornais, canetinhas, lápis de cor, gliter, cola e lantejoulas. Sendo que cada participante compartilhou com as demais seu conhecimento sobre seu próprio nome, sua origem, significado, sua escolha, seu apelido e outras atitudes que cada uma teve ou tem a respeito do nome. E para finalizar a atividade foram utilizadas duas frases (em anexo A) a fim de complementar as discussões. Na segunda oficina foi realizada uma dinâmica denominada “Soltando as amarras” (em anexo B), com o objetivo de propiciar para as presas um momento de reflexão sobre a identidade da mulher, direitos e deveres de homens e mulheres e os papéis dos mesmos perante a sociedade. Para realizar esta atividade foram utilizados os seguintes materiais: papel pardo, canetinhas e fotocópia de uma cartilha que aborda a Lei Maria da Penha (em anexo C), e discutido o significado das mesmas sobre as percepções que estão registradas dentro de nós. Também foi abordada a Lei Maria da Penha, com objetivo de proporcionar o conhecimento e a reflexão da mesma. Na terceira oficina foi realizada uma Dinâmica inicial sobre “Os direitos humanos”, os materiais utilizados foram cópias dos Princípios da Declaração dos Direitos Humanos (em anexo D), cópias da Rede de assistência do município de Lages S/C (em apêndice) papel metro, cola, e revistas. Neste dia, por se tratar da última oficina, foi realizada

uma confraternização com a leitura de uma mensagem (em anexo E) e entrega de uma lembrança, para finalizar os encontros e dar “fechamento” às demandas psicológicas levantadas até o momento. Para dar início às atividades, anteriormente citadas, as estagiárias foram até a galeria fazer o convite para as presidiárias, após a realização do convite as primeiras oficinas foram realizadas, mas em dias diferentes para acomodar o número de participantes na sala disponível. A primeira oficina foi realizada no dia 11/09/2008 com o grupo denominado “A” e a segunda oficina foi realizada no dia 18/09/2008 com o grupo denominado “B” abordando o tema “Auto-estima, afetividade e auto-conhecimento” para ambos os grupos denominados. Os grupos foram denominados “A” e “B” apenas por uma questão didáticooperacional sendo que o grupo “A” sempre era o primeiro a abrir as temáticas. As participantes do grupo (denominado) “A” têm entre 18 e 25 anos, se mostraram à vontade durante as atividades propostas, participativas e interessadas. Participaram do grupo ”B” mulheres com idade de aproximadamente 20 a 45 anos, o grupo era composto por mulheres com mais experiência de vida, muitas delas não sabiam da escolha de seu nome e origem, porém algumas gostavam e se identificavam com o nome, outras falaram o apelido e afirmaram preferir o mesmo ao invés do nome. O grupo não participava espontaneamente se comparado ao grupo “A”. Porém, quando questionadas as presas sempre colocavam suas percepções, todas as participantes se mostraram à vontade na construção do

crachá e discussão dos temas. Esses encontros começaram com a dinâmica “Conscientização do nome”, para iniciar as apresentações das presidiárias, bem como das estagiárias. Inicialmente as presas criaram um crachá, logo após a criação do mesmo, todas falaram seu nome, quem escolheu e a origem, sendo que na maioria das vezes a escolha do nome das participantes se deu por familiares, sobretudo pais, tios e avôs. Também foi questionado se gostavam ou não de seu nome, algumas responderam que sim e se identificavam com o nome escolhido, que o nome fazia parte da história de vida com muitas lembranças da escolha feita pelos pais, outras não gostavam e não sabiam dizer o porquê e nem qual nome gostariam de ter. As estagiárias apontaram sobre a importância de sabermos a origem e escolha de nossos nomes já que este faz parte do nosso autoconhecimento e história de vida. Percebeu-se diante das colocações das participantes uma identidade familiar que, segundo Papalia (2000), é um sentimento em relação aos pais e atmosfera familiar, onde desenvolveu sua identidade psicológica sendo este a capacidade de controlar seus impulsos, oscilações no humor, emoções e sentimentos em relação a seus corpos. A partir das construções apresentadas desenvolve-se a identidade social sendo que esta é a relação com pares e com a sociedade. Logo tais considerações são significativas para a forma de apresentação perante o mundo e conseqüentemente a identidade familiar, psicologia e social influenciam o jeito de ser e viver de todas as pessoas. Com relação à auto-estima a fala das presas indica que é estar alegre, “ser feliz

com os objetos e estética que cada uma possui” (sic). Foi questionado com as participantes se é possível ser feliz todos os dias e horas, as mesmas falaram que não, ainda, mais longe da família, vivendo apenas com as lembranças de seus pais, filhos e netos, afirmam que ficam tristes e choram. Porém, pontuam que ali, no cotidiano prisional, elas formam uma família onde uma ajuda e conforta a outra. É importante lembrar que, segundo Minuchin (2002), a família é um grupo natural que desenvolve padrões de comportamento. Estes padrões constituem a estrutura familiar, que por sua vez governa o funcionamento dos membros da família, delineando sua gama de comportamento e facilitando sua interação social. Logo a interação das participantes forma uma família extensa, onde as mesmas desenvolvem um significativo sistema de apoio. Levando em consideração o número total de presas foi planejada uma terceira oficina com um grupo “C”, objetivando abordar o mesmo tema das oficinas realizadas anteriormente, para atender ao número total de presas. Porém as reeducandas não se dispuseram em participar e o terceiro grupo não foi formado. Diante da situação buscou-se saber porque as reeducandas não queriam participar, e estas colocaram que não gostavam destas atividades, uma em particular falou que “Só iria se fosse para ela nos ensinar” (sic). Diante de tal situação foi respeitada a autonomia e decisão do sujeito em questão. Porém vale lembrar a resistência de algumas mulheres em participar das atividades propostas. Por fim, 4 mulheres participaram (sendo que uma já havia participado das

atividades anteriores) da atividade, este grupo foi mais difícil de se trabalhar pois eram poucas mulheres e não houve integração entre as participantes do grupo. Este pequeno grupo foi difícil de conduzir, parece que não houve reflexão e discussão e sim pedidos e reclamações, porém algumas participantes avaliaram o encontro de forma positiva. Todas as três oficinas apresentaram grupos com características próprias, sendo a primeira oficina com grupo “A” que se apresentou participativo, integrado, participantes jovens e falante, que apresentaram uma avaliação positiva. Na segunda oficina, o grupo “B” também se mostrou integrado, com participantes mais experientes, que pensam antes de falar e a avaliação foi igualmente positiva. A terceira oficina com o grupo “C”, (este grupo foi subdividido e integrado nos demais grupos) se caracterizou por um grupo desintegrado, pouco participativo, pessoas adultas e avaliação do encontro mista entre positiva e negativa. Estas oficinas foram importantes, pois proporcionaram um momento de reflexão sobre o autoconhecimento, história de vida e identidade das participantes. As realizações desses encontros grupais deixam como experiência, que trabalhar com grupos é fundamental para o desenvolvimento individual. Pois segundo Zimerman (1997), desde o nascimento o indivíduo participa de diferentes inter-relacionamentos grupais, numa constante dialética entre a busca de sua identidade individual e a necessidade de uma identidade grupal e social. Já que um conjunto de pessoas constitui um grupo uma comunidade e um conjunto interativo das comunidades e assim se configura a

sociedade. Logo, salienta-se a importância de se trabalhar com grupo de presidiárias, pois as mesmas encontram-se confinadas em um mesmo ambiente e se auto-denominam uma família, que necessita de atividades que vão ao encontro do desenvolvimento e reflexão da identidade familiar, psicológica e social, preparando-se assim para o retorno à sociedade. A segunda oficina foi realizada com o grupo, “A” no dia 02/10/2008 e “B” no dia 16/10/2008. Na oficina com o grupo “A” tivemos como convidada uma Promotora Legal Popular (na realização do encontro com o grupo “B” a mesma não compareceu), a mesma falou sobre seu trabalho e violência doméstica. Foi abordada uma Cartilha sobre “Violência contra a mulher: fique alerta para os sinais e denuncie”, para falarmos sobre a Lei Maria da Penha e realizada a entrega do folder. Segundo Cunha (2006), esta lei definiu a violência doméstica contra a mulher como qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe causa morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial. Ao perguntar sobre os tipos de violência para as participantes, as mesmas falaram das agressões físicas como tapas, socos e pontapés, das agressões verbais como palavras de “baixo calão”, das agressões psicológicas desvalorizando a auto-imagem da mulher. Ao questionar qual das violências é marcante, as participantes falaram que a verbal e a psicológica são mais sentidas, pois por mais que a física deixe marcas no corpo, o agressor as visualizam, diante disto não se aproxima. Durante a atividade foi realizada uma dinâmica nomeada “Soltando as amarras”, com frases onde as participantes tinham que completar. Diante desta atividade as participantes

trouxeram as seguintes percepções em relação ao homem e a mulher: Que a mulher é amiga, especial, vaidosa, importante, trabalhadora e forte, que a mulher não pode ficar sem os filhos, desistir e tem que ser feliz. Já em relação aos homens as participantes falaram que o homem é machista, egoísta, porém o mesmo pode chorar, trabalhar e ser carinhoso (sic). Após a realização desta atividade foi refletido sobre as colocações delas e como se sentiram durante a realização da atividade. As presas relataram que foi um momento de desabafar. Foi questionado com as participantes se todas elas concordavam com o que estava escrito. Foi abordado o porquê desta diferença entre homens e mulheres, as participantes colocaram que é uma questão de criação, que meninos são preparados para o serviço fora de casa de modo mais independente e as meninas são educadas para os afazeres domésticos. Deu para perceber que as participantes fizeram uma reflexão sobre as diferenças de gênero. De acordo com Papalia (2000) o desenvolvimento de gênero, a identidade de gênero e a consciência de gênero e de tudo que ele implica, é um aspecto importante na formação do autoconceito. Consequentemente o significado de gênero pode ser fortemente influenciado, por meio da socialização e da cultura a qual o ser humano está inserido. Logo, estas influências vão afetar a forma como meninos e meninas se sentem a respeito de si mesmo e como agem perante a sociedade. Mas devem-se buscar uma igualdade entre ambos os sexos para estabelecer um convívio harmonioso. Também foi abordada a Lei Maria da Penha, nesses encontros foi questionado

se as participantes sabiam a origem do nome da Lei. Então foi colocado que era sobre uma mulher que havia sofrido agressões do marido, e que a mesma batalhou pela Lei. Apresentou-se para as presas um pouco mais da origem do nome, sendo esta uma mulher casada com um Boliviano que agrediu ela durante seis anos e por duas vezes o marido de Maria da Penha havia tentado assassiná-la em um primeiro momento com arma de fogo que a deixou paraplégica e uma segunda tentativa por afogamento. Então Maria da Penha batalhou para que seu marido fosse punido, e a mesma foi homenageada tento seu nome para identificar a lei contra violência doméstica e familiar, sendo a violência qualquer ato ou ação que leve ao sofrimento físico, psicológico e sexual. Segundo Cunha (2006), a unidade doméstica é o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vinculo familiar. Já a família é compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa. Foi abordada uma Cartilha sobre “Violência contra a mulher” onde a mesma caracteriza a violência, os tipos de violência e as mudanças após a aprovação da Lei. As participantes falaram que a violência se caracteriza por agressões físicas e psicológicas. Diante disto foi colocado para elas que a violência é qualquer ato que leve ao sofrimento físico e psicológico de outras pessoas, pode ser de diferentes tipos tais como física, sexual, social, moral e psicológica e, assim, foram abordados os aspectos de cada uma delas,

proporcionando para as presas maiores informações. As participantes colocaram que entre a violência física e psicológica a mais marcante é a psicológica. Pois a física deixa o hematoma e a pessoa que agride está vendo, logo não chega perto do agredido (sic). A violência, psicológica envolve palavras, acusações sem sentido (você é uma vagabunda, não faz nada) que magoa, e a pessoa que fala esquece, porém a que sente não, fica marcado (sic). Em ambos os grupos as participantes verbalizaram sobre o sofrimento psicológico. As participantes falaram que a violência verbal e psicológica é difícil de superar, levando em consideração que a agressão a física deixa marcas no corpo a mesma passa, o agressor se afasta da agredida, pois as marcas vão ser vistas com freqüência e o mesmo vai lembrar da agressão cometida. De acordo com a cartilha abordada para reflexão sobre as agressões psicológicas enfatiza-se que essas são as ameaças de agressão física e de morte, xingamentos ou ofensas à mulher ou a família dela, humilhação em público ou doméstica, manipulação, chantagem e acusações sem fundamentos, calúnia, difamação enfim, qualquer ato ou ação que cause dano emocional. A definição abordada na cartilha vai ao encontro das colocações apresentada pelas participantes consequentemente uma reflexão entre as diferentes causas de uma violência para a outra. Também foi colocado para as participantes que existem mulheres que agridem seus maridos, com palavrões, chutes e pontapés e que a Lei também pode amparar estes tipos de situações. Segundo Cunha (2008), a finalidade da Lei é, sobretudo, preventiva e assistencial,

criando mecanismos para impedir essa modalidade de agressão. Não querendo deduzir que apenas a mulher é vítima de violência doméstica. Também o homem pode ser vítima, logo abrange ambos os sexos, porém a Lei limita as medidas de proteção e assistência sendo estas aplicadas somente à ofendida vítima mulher. As agressões podem ser realizadas de um irmão para uma irmã, de pai para filha e de uma mulher contra um homem. Por fim, a avaliação do encontro foi realizada com as revistas onde as participantes tinham que encontrar palavras e ou imagens para descrever o encontro. Então surgiram as diferentes formas de descrevê-lo, tais como um bebê para descrever o filho e a presa, frases, palavras, informações e questionamentos. Uma das participantes escolheu um grupo de pessoas que foi descrito como uma família para representar todas as participantes. De acordo com Osório (2002), a família proporciona o marco adequado para a definição e a conservação das diferenças humanas, dando forma aos papéis distintos, porém mutuamente vinculados. Devido ao fato das participantes estarem confinadas em um mesmo ambiente as mesmas desenvolvem relações vinculares, sendo estas relações de fundamental importância para o desenvolvimento humano. Bowlby (1990) assinala que o vínculo é meio de proteção e sobrevivência e quando desenvolvido de forma satisfatória as expectativas em relação ao mundo serão positivas. Percebe-se que o comportamento do ser humano vai se delineando de acordo com a proximidade e ou vinculo do individuo que convive e se identifica este vinculo torna o ser

humano apto para lidar com o mundo e as adversidades do mesmo. Para dar início à terceira oficina com o grupo “A”no dia 06/11/2008 as estagiárias sinalizaram sobre os objetivos do encontro bem como a finalização do mesmo. Logo após foi feito uma busca do que seria direitos humanos, para partir do conhecimento das participantes com a discussão do tema proposto. Então se manifestaram as mais diversificadas formas de direitos. Sendo estas como a saúde, educação, alimentação, trabalho e o livre pensar. Foi salientado o direito das crianças garantido pelo Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), as participantes colocaram o desrespeito da mídia em situações de aprisionamento em especial quando estão com suas crianças. Pois muitas vezes saem as seguintes informações: foi apreendida uma mula com sua cria de três anos (sic). A nomenclatura de “mula” refere-se às pessoas que transportam drogas e “cria” refere-se às crianças das mesmas. Diante disto as participantes ressaltaram que estas publicações ferem os direitos dos humanos. Sendo que a mídia em geral, por meio de sua prática, tem prestado um serviço a construção do medo generalizado e do modelo de criminoso que passa a ser reconhecido pela sociedade. Nos casos em que as notícias são transmitidas sem a sua devida contextualização e de forma tendenciosa, aquele que cometeu o delito passa a ser alvo de vingança e punição perante a sociedade, sendo que tais atitudes apresentam-se como a única forma de solução à criminalidade, ocorrendo assim a distorção da realidade8. Diante disto percebese o dano que as notícias causam na vidas das pessoas aprisionadas causando preconceito, estigma e rótulos,

conseqüentemente, desrespeitando a identidade dos mesmos. Percebe-se que as notícias preocupam-se apenas com a divulgação, sem querer apurar os verdadeiros fatos juntamente com as causas. Foi questionado com as participantes se todos os direitos estão ao alcance de todas as pessoas. As participantes manifestaram suas opiniões de forma reflexiva salientando que nem todos os direitos estão garantidos, porém cabem as pessoas lutarem por seus direitos. _______________________ 8 Informações colhidas do site http:// humaniza.vila.bol.com.br. Diante disto foi entregue os endereços das redes de apoio do município, onde se deve buscar orientação, esclarecimento e apoio quando houver a necessidade de buscar a garantia dos direitos dos seres humanos. De acordo com Lane (1981), a Psicologia Comunitária vem para desenvolver relações que se efetivem, através da comunicação e cooperação entre pessoas, relação onde não haja dominação de um sobre os outros, por meio de procedimentos educativos. Logo a psicologia comunitária busca agir nos grupos de relações familiares, escolares, hospitalares, organizações empresariais, grupos de vizinhos, bairros, presídios e penitenciárias. Sendo que tais grupos devem identificar-se por necessidades em comum, para serem satisfeitas. A satisfação das necessidades se dá através de atividades planejadas em conjunto e que implique em ações, de vários indivíduos, unidos para atingir o objetivo proposto. Levando em consideração o fazer da Psicologia Comunitária buscou-se desenvolver ações no Presídio voltadas para encontros, discussão e reflexão. Sendo que tais

ações tinham por objetivo potencializar o sujeito como um ser ativo e independente com sua própria historia de vida e identidade. Capaz de pensar, sentir e agir diante das situações de sua vida. Considerações Finais O estágio de psicologia comunitária, realizado na unidade prisional de Lages, foi o primeiro, para muitos (comunidade, funcionários), tais práticas são desconhecidas. Tal desconhecimento traz como conseqüência um relacionamento do trabalho deste profissional com as atividades clínicas, deixando de lado as atividades escolares, organizacionais, saúde, comunidades, Presídios e penitenciárias. Esta falta de conhecimento prejudica as ações do psicólogo nas unidades prisionais, pois durante a realização das atividades, pôde-se perceber uma desconsideração por parte de alguns funcionários, pois algumas vezes durante os encontros realizados agiam com intuito de perturbar (falando alto, desconsiderando as ações com falas e comentários desprezíveis com relação às atividades realizadas e presas). Mas, em contrapartida havia os funcionários que elogiavam e davam novas idéias para as ações, também vale lembrar que as presas foram o principal foco das ações e as mesmas estavam satisfeitas com as atividades, pois os encontros sempre foram bem avaliados. O primeiro encontro, realizado proporcionou uma aproximação entre estagiária e realidade prisional e consequentemente a partir da realização das atividades as presas tiveram a oportunidade de vivenciar momentos de descontração e reflexão com as atividades

propostas. Com a realização dos encontros obteve-se o conhecimento do dialeto próprio do Presídio Após a realização do estágio ficou claro que o trabalho de humanização do presídio não está encerrado, pois os resultados não se apresentaram de forma concreta, mas sim através de significações subjetivas em longo prazo. Acredita-se na importância de desenvolver ações para a população carcerária masculina, pois existe um grande número de presos sem atividades, devido ao espaço existente no local não proporcionar segurança, logo os presos ficam a margem de toda e qualquer ação realizada no presídio. Também ficou claro que a humanização do presídio requer um trabalho com os funcionários buscando trabalhar, as dificuldades da equipe de trabalho que esta a frente do atendimento prestado para presos, bem como uma reflexão sobre os direitos e deveres de tais funcionários inserida no cotidiano prisional. Através da reflexão das atitudes tomadas até então, as presas, os presos e os funcionários podem pensar se precisam e como podem fazer para melhorar suas atitudes e mudanças. Enfim o trabalho de humanização do presídio proporcionou inúmeros desafios, mas ficou claro que o trabalho não esta encerrado os resultados não se apresentam de forma concreta, pois as atividades realizadas apresentarão seus resultados a longo prazo de acordo com a percepção, assimilação e grau de desenvolvimento de cada participante. A psicologia comunitária e a psicologia social foram à base do trabalho, pois ambas, buscam desenvolver ações que visam proporcionar para as pessoas autonomia, reflexão e melhoria nas condições

de vida, buscando uma transformação social e diminuição da exclusão, partindo da realidade e conhecimento das pessoas e respeitando os valores, as crenças a singularidade das mesmas, pois se acredita que ao pensar em humanização no presídio é importante trabalhar com a visão citada a cima. Referências BARRETO, S. C. M. Depois das grades: um reflexo da cultura prisional em indivíduos libertos. Psicologia Ciência e Profissão, v. 1, n. 4, p. 587, 2006. BOWLBY, J. Trilogia Apego e Perda. São Paulo: Martins Fontes, 1990. CAMPOS, R. M. F. Psicologia Social Comunitária. Petrópolis: Vozes, 1996. CUNHA, R; S: PINTO, R, B: Violência Domestica: lei Maria da Penha. São Paulo: Revista comentada artigo por artigo, 2006. CUNHA, R; S: PINTO, R, B: Violência Domestica: lei Maria da Penha. São Paulo: Revista dos tribunais, 2008. DEPARTAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO PRISIONAL. Histórico. Disponível em: ssp.sc.gov.br. Acesso em Junho de 2008 DEPARTAMENTO PENITENCIARIO NACIONAL. Sistema Penitenciário no Brasil. De 25/09/2005- Diagnostico e propostas. Disponível em:htt://www.mj.gov.br.Acesso em Maio de 2008. FONSECA, Karina Prates da. (Re)Pensando o crime como uma relação de antagonismo entre seus autores e a sociedade. Psicologia Ciência e Profissão. Disponível em: pepsic.bvspsi. org.br/scielo.php?scripe=sc. Acesso em: 23 Abr. 2008. HUMAN RIGHTS WATCHO Brasil atrás das grades. Uma análise do sistema penitenciário. Dísponivel em: www.hrw.org/portuguese/reporst/meros/sistema.htm. Acessado em: 23 Abr. 2008.

LANE, S. T. M. O que é psicologia social. 1. ed. São Paulo: Brasiliense, 1981. MAMELUQUE, C. G. M. A subjetividade do encarcerado, um desafio para a psicologia. Psicologia Ciência e Profissão, v. 1, n. 4, p. 626, 2006. MINUCHIM, S. Técnicas de Terapia Familiar. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002. OSORIO, L; C. Casais e Famílias: uma visão contemporânea. Porto Alegre: Artmed, 2002. PAPALIA, D; E. OLDS, N.S. Desenvolvimento Humano. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. Projeto de humanização do presídio de Joinville. Disponível em: http://humaniza.vila.bol.com.br.Acesso. Mai/2008. REY, F. L. G. O social na Psicologia e a Psicologia social: a emergência do sujeito. Petrópolis: Vozes, 2004. ZEMERMAN, D; E. OSORIO, L; C. Como Trabalhar com Grupos. Porto Alegre: Artes medica, 1997. ANEXOS ANEXO A “A AUTO-ESTIMA É O QUE ERA DE MAIS DIVINO NO SER HUMANO. POIS QUANDO NADA LHE RESTA, RESTA-LHE A SI MESMO” AUTOR DESCONHECIDO O CORRER DA VIDA EMBRULHA TUDO, A VIDA É ASSIM: ESQUENTA E ESFRIA, APERTA E DAÍ AFROUXA, SOSSEGA E DEPOIS DESINQUIETA O QUE ELA QUER DA GENTE

É CORAGEM. GUIMARÃES ROSA Anexo B Dinâmica “Soltando as Amarras” (ZIMERMAN, 1997) As mulheres são_____________________________________________ Mulher é muito______________________________________________ Homem pode_______________________________________________ Quando uma mulher_________________________________________ Mulher não pode____________________________________________ Mulher tem que_____________________________________________ Todo homem_______________________________________________ Os homens são_____________________________________________ Tem homem que só_________________________________________ Mulher casada_____________________________________________ Se os homens______________________________________________ Anexo C “Lei Maria da Penha Anexo D “Princípios da declaração dos Direitos Humanos” Anexo E Árvore dos amigos APÊNDICES Apêndice A Folder Apêndice B REDE DE ATENDIMENTOS PÚBLICO DO MUNICIPEL DE LAGES S/C

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