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A gravidez na adolescência Trabalho 09

A gravidez na adolescência Trabalho 09

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Trabalho de aula
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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL – ULBRA CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE PSICOLOGIA

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

IARA APARECIDA FAGUNDES

SAÚDE BIOÉTICA E SOCIEDADE PROFESSORA: MARISA SANCHES

SÃO JERÔNIMO 2009

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SUMÁRIO

Sumário..............................................................................................pg 02 Introdução..........................................................................................pg 03 A Gravidez na Adolescência.............................................................pg 04 A Adolescência...................................................................................pg 04 Por que isso acontece?.........................................................................pg 05 Os Vários Riscos.................................................................................pg 06 Orientação Sexual...............................................................................pg 07 Gravidez Indesejada?..........................................................................Pg 09 Dados epidemiológicos.......................................................................pg 09 Conclusão...........................................................................................pg 11 Bibliografia........................................................................................pg 12 Anexo I...............................................................................................pg 13

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INTRODUÇÃO

Denomina-se gravidez na adolescência a gestação ocorrida em jovens de até 21 anos que encontram-se, portanto, em pleno desenvolvimento dessa fase da vida – a adolescência. Esse tipo de gravidez em geral não foi planejada nem desejada e acontece em meio a relacionamentos sem estabilidade. No Brasil os números são alarmantes. Biologicamente a gravidez pode ser definida como o período que vai da concepção ao nascimento de um indivíduo. Entre os animais irracionais trata-se de um processo puro e simples de reprodução da espécie. Entre os seres humanos essa experiência adquire um caráter social, ou seja, pode possuir significados diferenciados para cada povo, cada cultura, cada faixa etária. Em condições normais, a adolescência é deflagrada pela puberdade, englobando a ação do meio, as vivências anteriores, assim como as que vão ocorrendo durante o próprio processo de mudança. No sentido legal, a idade de 21 anos é considerada como o término da adolescência, pois a partir desta idade o jovem é considerado independente e responsável por seus atos. Trabalhos mais recentes vêm preferindo apontar a adolescência não como um período de crise, mas como um período evolutivo de transição entre a infância e a idade adulta. A busca e construção de uma nova identidade é o foco central da adolescência. Ao buscar sua identidade, o jovem opõe-se aos valores estabelecidos. A mídia é o poder mais influente no adolescente, nos dias atuais. No passado, as brasileiras casavam-se e tornavam-se mães muito cedo. Possivelmente, as avós ou bisavós de muitos de nós tiveram seus primeiros filhos com 13 ou 14 anos de idade. As mulheres casavam-se jovens, permaneciam exclusivamente no ambiente doméstico, freqüentavam pouco a escola, não tinham recursos, meios nem mentalidade para planejar sua vida reprodutiva. Não havia métodos confiáveis para evitar a gravidez e, geralmente, isso nem era cogitado. Vivia-se menos, havia muitas doenças "incuráveis", morria-se muito de parto e de complicações da gravidez e a própria estrutura familiar era diferente. Atualmente, tudo mudou. No entanto, embora quase todos conheçam algum método anticoncepcional, alterações nos padrões de comportamento sexual estão contribuindo para o aumento dos casos de gravidez na adolescência - e esta não é uma questão simples de ser encarada. Em alguns países como a China, que não possui mais capacidade territorial para absorver um número elevado de indivíduos a maternidade é controlada pelo governo e cada casal só pode ter um filho. Em outras

4 culturas como em tribos indígenas e alguns países africanos gravidez é sinônimo de saúde, riqueza e prosperidade. No Brasil, onde não há controle de natalidade e onde o planejamento familiar e a educação sexual ainda são assuntos pouco discutidos, a gravidez acaba tornando-se, muitas vezes, um problema social grave de ser resolvido. É o caso da gravidez na adolescência.

A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
Cabe destacar que a gravidez precoce não é um problema exclusivo das meninas. Não se pode esquecer que embora os rapazes não possuam as condições biológicas necessárias para engravidar, um filho não é concebido por uma única pessoa. E se é à menina, que cabe a difícil missão de carregar no ventre, o filho, durante toda a gestação, de enfrentar as dificuldades e dores do parto e de amamentar o rebento após o nascimento, o rapaz não pode se eximir de sua parcela de responsabilidade. Por isso, quando uma adolescente engravida, não é apenas a sua vida que sofre mudanças. O pai, assim como as famílias de ambos também passam pelo difícil processo de adaptação a uma situação imprevista e inesperada.

A ADOLESCÊNCIA
A adolescência implica num período de mudanças físicas e emocionais considerado, por alguns, um momento de conflitivo ou de crise. Não podemos descrever a adolescência como simples adaptação às transformações corporais, mas como um importante período no ciclo existencial da pessoa, uma tomada de posição social, familiar, sexual e entre o grupo. Numerosas teorias vêm sendo desenvolvidas com a finalidade de explicar o fenômeno da adolescência. Estas teorias resultaram em pontos de vista diferentes. A palavra adolescência é derivada do verbo latino "adolescere" que significa crescer até a maturidade. Existem alguns critérios quando se pensa na definição da adolescência: Critério sociológico: adolescência é o período de transição da dependência infantil para a auto-suficiência adulta. Critério cronológico: adolescência é o período que se estende de aproximadamente doze anos até vinte e um anos, com grande variações individuais e culturais. Critério do desenvolvimento físico: adolescência é a etapa da vida compreendida entre a puberdade e a vida viril, quando o desenvolvimento físico está quase concluído, aproximadamente aos 20 anos. Critério psicológico: período de extensa reorganização da personalidade, onde novos ajustamentos que distinguem o comportamento infantil do comportamento adulto têm que ser feitos.

5 Pubescência é o período de desenvolvimento fisiológico durante o qual as funções reprodutivas amadurecem e inclui o aparecimento das características sexuais secundárias e a maturidade fisiológica dos órgãos sexuais primários. Embora possam ocorrer mudanças fisiológicas em diversas fases da vida, a rapidez das transformações neste período é muito maior que nos anos anteriores e posteriores. O período prolongado da adolescência em algumas sociedades não é de caráter fisiológico e sim uma invenção social. Atualmente já se fala na geração canguru, filhos que apesar de terem condições de viverem sozinhos, permanecem nas casas dos pais. Ser adolescente é viver um período de transição entre criança e adulto, é vivenciar novas experiências, reformular a idéia que tem a respeito de si mesmo e transformar sua auto-imagem infantil. Ser adolescente é viver entre o "ser e não ser". É um período confuso, de contradições, doloroso, caracterizado muitas vezes por atritos de família, na escola, no ambiente em que vive. É quando o adolescente deve deixar de ser criança para entrar no mundo adulto, mundo este tão desejado, mas tão temido. As transformações físicas não são as únicas que enfrentam. Suas mentes também passam por grandes alterações. Nem sempre nos damos conta do quanto sua inteligência evolui. Entretanto, essa é uma fase de dubiedades: num momento, o jovem pode tornar-se mais sonhador ou independente e arrojado, passando a querer experimentar novas possibilidades e vivências; noutro, fica encabulado e retraído, sensível ou agressivo Ao mesmo tempo em que se sente frágil e inseguro, pode achar que não precisa de ninguém; ao mesmo tempo em que se vê retraído, acha-se capaz de tudo; apesar de temer o mundo, acredita que nada pode lhe acontecer.. Muitos começam a trabalhar e a experimentar, cedo, um início de independência material. Outros, trabalhando ou não, procuram, através dos estudos, um encaminhamento para a vida profissional. Ao adquirir personalidade própria, o jovem geralmente se distancia da família, procurando maior autonomia. Com isso, sua vida social se modifica: passa a preferir a companhia de outros adolescentes, recusando a dos pais e irmãos. Os amigos de mesma idade passam a ser as pessoas mais importantes. Começa a vestir-se de acordo com o figurino do grupo, a falar a sua linguagem, a freqüentar lugares diferentes, a chegar mais tarde em casa. O problema é que quanto mais baixa é a auto-estima, maior é o risco de uma gravidez precoce. Para se afirmarem, os garotos precisam transar com quem pintar pela frente. E as meninas carentes acabam concordando, com medo de perder um afeto tão difícil de conseguir. Contudo, além da gravidez, ainda há o risco da transmissão da AIDS.
POR QUE ISSO ACONTECE?

O mundo moderno, sobretudo no decorrer do século vinte e início do século vinte e um vem passando por inúmeras transformações nos mais diversos campos: econômico, político, social.

6 Essa situação favoreceu o surgimento de uma geração cujos valores éticos e morais encontram-se desgastados. O excesso de informações e liberdade recebida por esses jovens os levam à banalização de assuntos como o sexo, por exemplo. Essa liberação sexual, acompanhada de certa falta de limite e responsabilidade é um dos motivos que favorecem a incidência de gravidez na adolescência. Outro fator que deve ser ressaltado é o afastamento dos membros da família e a desestruturação familiar. Seja por separação, seja pelo corre-corre do dia-a-dia, os pais estão cada vez mais afastados de seus filhos. Isso além de dificultar o diálogo de pais e filhos, dá ao adolescente uma liberdade sem responsabilidade. Ele passa, muitas vezes, a não ter a quem dar satisfações de sua rotina diária, vindo a procurar os pais ou responsáveis apenas quando o problema já se instalou. A adolescência já é uma fase complexa da vida. Além dos hormônios, que nessa etapa afloram causando as mais diversas mudanças no adolescente, outros assuntos preocupam e permeiam as mentes dos jovens: escola, vestibular, profissão, etc. A gravidez, por sua vez, também é uma etapa complexa na vida. Ter um filho requer desejo tanto do pai quanto da mãe, mas não só isso. Atualmente, com problemas como a instabilidade econômica e a crescente violência, são necessários, além de muita consciência e responsabilidade, um amplo planejamento. Quando isso não acontece, a iminência de acontecerem problemas é muito grande.

OS VÁRIOS RISCOS
A adolescência é o momento de formação escolar e de preparação para o mundo do trabalho. A ocorrência de uma gravidez nessa fase, portanto, significa o atraso ou até mesmo a interrupção desses processos. O que pode comprometer o início da carreira ou o desenvolvimento profissional.. As raízes destas posturas, estão vinculadas com os prejuízos que acarreta na qualidade de vida e nas oportunidades futuras das adolescentes, nas implicações físicas, emocionais, familiares e econômicas, que atingem as jovens isoladamente e a sociedade como um todo. Nega a gravidez, espera a menstruação, vai ao banheiro toda hora achando que menstruou, acorda e pensa: hoje vai descer...e os dias passam. Passada a fase da negação, finalmente ela se dá conta de que um bebê está a caminho e normalmente está sozinha , já que o companheiro foge assustado, e a família a recrimina. Seu emocional é fortemente abalado, a gravidez é vivida como um momento de muitas perdas. Os primeiros problemas podem aparecer ainda no início da gravidez e vão desde o risco de aborto espontâneo – ocasionado por desinformação e ausência de acompanhamento médico – até o risco de vida – resultado de atitudes desesperadas e irresponsáveis, como a ingestão de medicamentos abortivos.

7 O aborto além de ser um crime, em nosso país, é uma das principais causas de morte de gestantes. Por ser uma prática criminosa não há serviços especializados o que obriga as mulheres que optam por essa estratégia, a se submeterem a serviços precários, verdadeiros matadouros de seres humanos, colocando em risco a própria vida. Em geral, condições inadequadas de acompanhamento em torno dos processos de gravidez, parto e puerpério podem gerar dificuldades generalizadas e obstáculos à saúde da mãe e do bebê. Um outro problema é a rejeição das famílias. Ainda são muito comuns pais que abandonam seus filhos nesse momento tão difícil, quando deveriam propiciar toda atenção e assistência. Há que se pensar que esse não é o momento de castigar, pelo menos não dessa forma, o filho ou filha. Em outras situações a solução elaborada pelos pais é o casamento. Embora hoje haja poucos e apenas nas regiões interioranas os casos de casamentos forçados com o objetivo de reparar o mal cometido, os casamentos de improviso, acertados entre as famílias ainda é bastante recorrente. Os adolescentes, nessa situação, são, normalmente, meros observadores e em geral não se opõem a decisão tomada pelos pais. Isso acontece tanto pela inexperiência quanto pela culpa que carregam ou ainda por pura falta de condições de apontar melhor solução. Várias formas foram criadas para que o adolescente se conscientize sobre o perigo que pode estar correndo. Não apenas pelas DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis), mais também pela gravidez. Fazer amor, transar ou fazer sexo chame como quiser, é algo que deve ser feito com cuidado e estando ciente das conseqüências. De fato, os adolescentes têm o acesso facilitado às pílulas anticoncepcionais, ao diafragma, à camisinha.. Os meios de comunicação e as escolas fazem freqüentes campanhas de esclarecimento. Os serviços de saúde estão à disposição para prestar informações.

ORIENTAÇÃO SEXUAL E AFETIVA É O REMÉDIO
O problema é que, muitas vezes, os jovens pensam ou dizem saber tudo sobre sexo, e não sabem, pode ser que não tenham informações corretas ou que não saibam como aplicá-las às suas vidas, ou que seus pais achem que eles já estão suficientemente esclarecidos e não mais precisam de informação ou conversa sobre um assunto que ainda traz certo constrangimento. E, principalmente, pode ser que os jovens, embora saibam das coisas, acreditem que com eles nada acontecerá. Isto revela uma característica fundamental da mentalidade do adolescente: achar que as coisas só ocorrem com os outros. Muitos pais julgam ser desnecessário conversar sobre sexo com os filhos, pois a televisão já fala tudo ou eles têm aulas de educação sexual na escola. Ledo engano, pois os filhos necessitam conversar com alguém em quem confiem, possam fazer perguntas pessoais e tirar dúvidas. A desinformação e a fragilidade da educação sexual são também questões problemáticas, temas como sexualidade, gravidez, drogas, entre outros, ficam restritos, quase sempre, aos projetos,

8 feiras de ciência, semanas temáticas, entre outras ações pontuais. Os pais, como já foi dito anteriormente, além do afastamento dos filhos, enfrentam dificuldades para conversar sobre essas questões. Isso se dá devido a uma formação moralista que tiveram As campanhas educativas têm um papel apenas informativo, bastante útil, porém não suficiente para atingir o(a) seu (sua) filho (a) em particular. Falam sempre para um grupo como um todo. As conversas sobre sexo devem ser iniciadas já na infância, assim, à época da adolescência, o assunto voltará com mais naturalidade. Sempre que o jovem demonstrar curiosidade, é importante darlhe atenção, mesmo que isto seja constrangedor no início. Os pais devem ter a liberdade de inclusive falar abertamente ao filho que não consegue falar no assunto, porém que está disposto a tentar. Na verdade, o adolescente não quer saber informações técnicas sobre o aparelho reprodutor, ou métodos anticoncepcionais, o que ele necessita é discutir algo mais pessoal. Se os filhos percebem esta abertura em casa com um dos pais, ou mesmo um irmão mais velho, com certeza irão aproveitar a chance, pois sentem-se pressionados e sem saída. Mas, atenção: dar apenas informações técnicas aos jovens não basta. A superação das dificuldades de comunicação e diálogo entre os pais e os filhos pode ajudar em muito a diminuir a ocorrência da gravidez indesejada entre adolescentes. Se os pais não proporcionarem um ambiente propício para essas conversas, os jovens irão "decidir-se" usando a impulsividade e inconseqüência natural desta idade. Como resultado poderemos ter adolescentes grávidas, geralmente interrompendo estudos e atrapalhando seu desenvolvimento físico e emocional. Do outro lado teremos, meninos pressionados a assumirem o papel de pais ou a darem apoio a uma menina , sendo que eles ainda precisam disto também. Além da gravidez, o grande perigo de doenças venéreas e a temida Aids. A gravidez na adolescência tem sérias complicações biológica,familiares,emocionais e econômicas,além das juridico-sociais, que atingem o indivíduo isoladamente e a sociedade como um todo,limitando ou mesmo adiando as possibilidades de desenvolvimento e engajamento desses jovens na sociedade. pode ser desestruturante, pois pode apresentar pesada carga emocional, física e social, fazendo com que não sejam vivenciados importantes estágios de maturação psicossexual, além de ser identificado como um dos grandes problemas de saúde pública no Brasil. Me refiro a esses jovens porque não é só a mãe que engravida o pai também, temos que lembrar que sempre que há uma gravidez, há um casal grávido, pois a relação sexual é feita a dois, e os dois são responsáveis pelas conseqüências dela; também para os rapazes as conseqüências de uma gravidez inoportuna são graves e trazem grandes prejuízos à vida e à auto-imagem; A gravidez de uma adolescente/criança é a conseqüência de dois comportamentos relacionados, mas distintos: manter relações sexuais e não usar métodos contraceptivos eficientes. A ambigüidade da posição crianças tendo crianças acarreta conseqüências no campo da intervenção.

9 Quando se considera a grávida adolescente como criança, os procedimentos vão no sentido de coibir sua sexualidade (discursos moralistas, alarmistas, ênfase dada aos cursos de educação sexual), pois o exercício pleno da sexualidade é reservado a mulheres adultas. Ao contrário, se a ênfase for dada ao sexo responsável, trata-se a adolescente como adulta, pelo menos no plano da sexualidade, abrindo caminhos para políticas públicas em consonância com a aceitação de que mulheres adolescentes também são ativas sexualmente. Como vimos, a gravidez adolescente vem sendo problematizada, esquadrinhada, patologizada, prevenida, qualificada, de forma repressiva ou mais compreensiva, como nos últimos anos, a gravidez adolescente é objeto de discursos e de ações. , precisamos estar atentos às formulações no plano das idéias e ao uso de termos e conceitos, pois estes conduzem e direcionam práticas, em maior ou menor grau. Consideramos, por exemplo, inadequado o uso do termo prevenção para trabalhar as questões da gravidez na adolescência, pois esse termo está intimamente associado ao campo da patologia. A paternidade adolescente, por sua vez, tem sido coberta pelo silêncio, que, timidamente, transforma-se em sussurro.

GRAVIDEZ INDESEJADA?
Como entender a garota que tem bom conhecimento da sexualidade, conhece os métodos anticoncepcionais, tem acesso a eles, não quer engravidar e, apesar disso tudo, engravida? Que força “do mal” é esta que, contrária à todas possibilidades, fez vingar uma gravidez?Embora não seja a regra, tem sido comum encontrar adolescentes felizes, depois do susto do resultado positivo do exame de gravidez, dizendo que a criança é bem vinda e que, apesar de seu pai ter ficado muito bravo, todos já estão festejando a vinda do mais novo membro à família. Na opinião dessas jovens quase deslumbradas com a gravidez (muitas dissimulando, como se estivesse muito tristes), a pílula falhou, a tabelinha falhou, a camisinha rasgou... ou coisas assim mas, de qualquer forma foi alguma coisa “completamente” acidental, emancipada da vontade dela. Mas, será mesmo que não havia nenhuma vontadezinha, ainda que inconsciente, de engravidar?Algumas adolescentes grávidas, entretanto, continuam dizendo, depois do exame positivo, que não queriam e não querem ter o filho, que não se vêem criando uma criança.

DADOS EPIDEMIOLÓGICOS
Em 1999, do total de 2,6 milhões de partos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 31 mil foram feitos em meninas com idade entre 10 e 14 anos e 673 mil entre 15 e 19 anos. A proporção de nascimentos de filhos de mães menores de 20 anos no Brasil caiu de 20,8%, em 2003, para 20,6%, em 2004, segundo a pesquisa Estatísticas do Registro Civil, divulgada pelo

10 IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no ano passado. Este é o menor percentual desde 1997, quando a proporção havia sido de 20,4%. Aumentando a escala da pesquisa para um prazo de 10 anos, porém, verifica-se uma elevação no número de gravidez na adolescência. Entre 1994 e 2004, os percentuais cresceram mais nas regiões Nordeste (18,4% para 23,9%), Norte (20,8% para 25,4%), Sul (17,8% para 19,1%) e Sudeste (17,0% para 17,7%) e caiu apenas na região Centro-Oeste (22,7% para 22,1%). No município de Butiá foi coletado dados estatísticos referentes ao ano de 2005 ao ano de 2009. Ver tabela em Anexo I.

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CONCLUSÃO
A adolescência é a fase da vida em que o indivíduo é criança em seus jogos, brincadeiras, e é adulto com seu corpo, com seus novos sentimentos e suas expectativas de futuro. E é nesse turbilhão de emoções que normalmente a adolescente começa a entrar em contato com sua sexualidade. Pesquisas sobre sexualidade e reprodução na adolescência, em suas que as abordagens privilegiam populações e vivências femininas, sendo o tema mais recorrente a gravidez na adolescência na perspectiva da adolescente e de seu filho, deixando ausente a abordagem masculina. Portanto, a gestação na adolescência ocorre por falta de informação, por desconhecer os métodos anticoncepcionais, por não acreditar que realmente pode ficar grávida , por necessidade de agredir a família, por carência afetiva, por ansiar ter algo somente seu ou como penitência (inconsciente) por ter mantido relações proibidas. Uma outra causa da gravidez inoportuna é a falta de diálogo em casa, de uma forma geral, casais adolescentes que engravidam vêm de famílias onde a sexualidade é tabu, assunto no qual não se toca, um grave erro de grande parte das famílias brasileiras. Por não terem com quem dialogar sobre a própria sexualidade, os jovens acabam por fazer uso inadequado da sexualidade recém-descoberta. Precisamos incentivar os pais a conversarem mais sobre esse tema! Já que a gravidez significa uma rápida passagem da situação de filha para mãe, do "querer colo" para o "dar colo". Nesta transição abrupta do seu papel de mulher ainda em formação para o de mulher-mãe, vive uma situação conflitiva e, em grande parte dos casos, penosa. A adolescência é também uma fase em que a personalidade da jovem está se formando e, por isso mesmo, é naturalmente instável. Se é fundamental que a mãe seja uma referência para a formação da personalidade de seu bebê, os transtornos psíquicos da mãe poderão vir a afetar a criança. Considerando-se que, a gravidez na adolescência pode resultar no abandono escolar e que, o retorno aos estudos se dá em menores proporções, torna-se difícil a profissionalização e o ingresso no grupo de população economicamente ativa, com agravamento das condições de vida de pessoas já em situação econômica desfavorável Após o parto, é importante que a adolescente tenha a oportunidade de juntar seus pedaços e de retomar seu papel de mulher, de adolescente e de cidadã. Precisa experimentar seu papel de mãe, e de se permitir ou não ter outros relacionamentos. Planejar sua atividade sexual, repensar sua vida escolar e profissional e desenvolver sua auto-estima para poder viver plenamente. A gravidez na adolescência é um problema de saúde pública de caráter social, que necessita a implementação de políticas públicas saudáveis para sua redução e melhoria da qualidade de vida das adolescentes.

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BIBLIOGRAFIA

BEHLE, I. Reflexões sobre fatores de riscos na prevenção primária da gestação na adolescência. In: Maakaroun, M. F.; Souza, R. P.; Cruz, A. R. Tratado de adolescência: um estudo multidisciplinar. Rio de Janeiro, Cultura Médica. 1991. CABRAL, Maria da Graça S. R. - Conseqüências da gravidez na adolescência: riscos para a saúde da mãe e do recém nascido. Dissertação (Mestrado em Pediatria), Recife: UFPE, 1997. Gláucia da Motta Bueno Ataliba Camargo de Andrade, 186 - Cambuí - Campinas, S.P.
CORREA, M. G. B. R. N. & Coates, V.; Gravidez. In : Coates, V.; Françoso, L. A.; Beznos, G. W. Medicina do Adolescente, Sarvier, São Paulo. 1993, p. 259 - 62.

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LIMA, C. P.; Luz, N. P.; Luz, S. H.; Bemfica, M. B.; Araujo, M. R. P.; Kripka, R. - Gestação na adolescência. Acta med. (Porto Alegre). 1985; 10: 477-90.

PROJETO Ministério da Saúde-Programa VIVA LEGAL/Canal FUTURA SÉRIE 1 – 98/99 – Educação em Saúde/ UFMG

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Anexo I

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