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Mestre Paulo dos Anjos

Track 1 Track 2

Igreja do Bonfim [O] mundo de Deus é grande


E Mercado Modelo Deus tá nu[m]a mão fechada
Ladeira do Pelourinho O pouco com Deus é muito
E Baixa do Sapateiro E o muito sem Deus é nada
Falar na Cidade Alta Noite de escuro não serve
Eu me lembrei do Terreiro Pra caçar de madrugada
Igreja de São Francisco Caçador dá muitos tiros
E Praça da Sé De manhã não mata nada
Aonde fica as baianas Veado corre é pulando
Vendendo acarajé Cutia corre é na tri[lh]a
Por falar em Itapoã Se eu fosse governador
Lagoa do Abaeté Ô, manobrasse Bahia..
Camaradinho Marinheira absoluta
Ê viva meu Deus Nego pintando arrelia
Iê viva o meu mestre Isso que marujo faz
Ei quem me ensinou Comigo ele não faria
Ei volta do mundo Iê é hora é hora
Ei que o mundo deu Iê galo cantou
Ei que o mundo dá Iê cocorocou

Pomba vôou, Pomba vôou Ontem eu fui ni u’a roda


Pomba vôou, gavião pegou Um moleque me chamou pra jogar
Ê vou m’embora dessa terra Eu que sou desconfiado, mas
Ê porque já disse que vou fiquei bem de parte a reparar
Ê se eu não sou querido aqui O que estava escrito na camisa
Ê na minha terra eu sou Era um tal de Besouro Mangangá
Ê pomba vôou, gavião pegou Ê ê, ê á
Era um tal de Besouro Mangangá
Quem nunca viu, venha ver
Ai meu Deus licurí quebrar dendê Sai sai Catarina
Saia de lá, venha ver Idalina
Ei Catarina minha nega
Ei Catarina venha cá
Mas Ô que saudade danada
Ai meu Deus, se não vir vou lhe buscar
Oi custe lá o que custar
E saia de lá, venha ver Idalina
Mestre Paulo dos Anjos

Track 3 Track 4

Não tem o que fazer Ele disse que eu sou covarde


Para viver nesse mundo Diz até que eu tenho é medo
Se andar limpo é malandra Minha mãe me avisou
Se andar sujo é imundo Se tu(?) jogar capoeira
Mundo atrapalhado Tu se cuida enquanto é cedo
Além de tudo, enganoso Galinha do olho só
Se comer pouco é mesquinho Procura o poleiro cedo
Se comer muito é guloso Respondi pra minha mãe
Se conversa é falastrão Goteira(?) de bica fina nunca vai
Ai meu Deus, se não conversa é manhoso furar rochedo
Me criei pelo mundo Água de beber
Do mundo que eu tive ensino Goma de engomar
Quando apanha é covarde Iê ferro de passar
Quando mata é assassino
Camaradinha O iaiá, meu senhor mandou chamar
Iê é hora, é hora Meu senhor mandou chamar
Iê galo cantou Do Mercado Popular
Iê cocorocou Tô jogando capoeira,
Só vou lá quando acabar
Puxa, puxa, leva, leva
Eu conheci Mestre Bimba
Jogue p’o lado de cá
Conheci Canjiquinha
Mas quem não pode não intima
E também Seu Maré
O iaiá, deixe quem pode intimar
Ele me disse um dia:
Eu dei um nó, guardei a ponta
“Capoeira é pra homem,
Você não vai desatar, o iaiá
menino e mulher”
Se é de morrer Marcelino, o iaiá
Éé
Morra a mulher do Marça, o iaiá
“Pra menino e mulher...”
É se é de morrer quem dá gosto, o iaiá
Morra quem gosto não dá, o iaiá
E baraúna caiu, quanto mais eu Mas meu senhor mandou chamar,
Baraúna caiu, quanto mais eu ô iaiá, do Mercado Popular, ô iaiá
Ei valha-me Nossa Senhora Eu tô jogando capoeira, diga a ele
Ei mãe de Deus da Conceição que eu vou já, ô iaiá
Ei me livre dessa senhora Tô jogando capoeira no Mercado
Mas isso é a imagem do cão Popular
Quanto mais eu, quanto mais eu
Eu vou me embora dessa terra
Ai meu Deus porque já disse que vou
Mas eu não sou querido aqui
E na minha terra eu sou
Quanto mais eu, quanto mais eu
Quanto mais eu, quanto mais eu
Quanto mais eu, quanto mais eu
Mestre Paulo dos Anjos

Track 5 Track 6

Olha aí, rapaziada: Minha vida é um livro Iê


aberto. O meu nome é Paulo dos Anjos, Dessa arte eu sei um pouco
nascido em Sergipe, criado na Bahia. Filho O mestre quem me ensinou
criado sem pai, por uma mãe pobre, muito Depois passei para alguém
sofrida. Comecei a aprender a capoeira em Eu tenho bons professor
’50, com o mestre Canjiquinha, apesar de Todos são bem educado
que o primeiro capoeirista que eu conheci foi Eu vou provar pra o senhor
o mestre Bimba, se eu era criança, ali numa Me orgulho dessa arte
varanda(?). E hoje em dia eu tenho uma Foi Deus quem me ajudou
academia ali no quilômetro 17, é um trecho É mandingueiro
lá que pertence ao bairro de Itapoã. Tive Ei sabe jogar
academias em São Paulo, tenho bons Iê joga-te pra lá
alunos, vivi uma vida boa. E continuo Iê joga-te pra cá
enfrentando essa vida que eu gosto, essa
vida de capoeira. Pra mim é uma beleza. Iê bem-te-vi botou
Que conto com a ajuda dos meus amigos, Gameleira no chão
porque eu tenho bastante amigo pelo Brasil Botou botou
afora. E o que eu aconselho a vocês é tomar Mandou botar
como exemplo tudo o que eu faço: não criar Tornou botar
probrema, não ser probremático, que
capoeira não é nada do que o povo fala por
aí. É beleza. Jogando capoeira tem muito Quem nunca viu venha ver
doutor—muito mais doutor jogando capoeira Licurí quebrar dende
do que jogando futebol. Então, portanto,
temos que jogar a capoeira. Ê paraguá
Paraguá paranauê, paraguá
Vou-me embora que é de noite
Tenho mata que passar
Ê faço dos olhos candeia
Ê para sopada num dar
Paraguá paranauê, paraguá
Paraguá paranauê, paraguá

Ê dá, dá, dá no nego


No nego você não dá (diz!)
Ê mas se der tem que apanhar

Pega esse gunga me venda ou me dê


O gunga é meu mas não dá pra vender
Foi pai que me deu so não dá pra vender
O meu mestre deu so não dá pra vender
O gunga é meu eu não posso vender
Esse gunga é meu, esse gunga é meu
Ô, foi meu mestre que me deu
Mestre Paulo dos Anjos

No estado da Bahia Jogo de dentro, jogo de fora


Existia um cidadão Valha-me Deus, minha Nossa
É por demais conhecido Senhora
E todo mundo [ou]viu falar Esse jogo é Angola, esse jogo é
No Besouro Mangangá Angola
Ê, todo mundo viu falar Ele é São Bento Grande,
E o Burguês já viu falar Ele não é Angola
Ê, Itapoã já viu falar Ele é jogo de dentro, esse jogo é de fora
E o Nininho viu falar Ô levante esse jogo, por Nossa Senhora
Ê, Suassuna viu falar Esse jogo é São Bento, esse jogo não é
Ê, Canjiquinha viu falar Angola
E o Tabosa viu falar
E o Zulu já viu falar Valha-me Deus, Senhor São Bento
E o Peixinho viu falar Ai meu Deus,
E eu também já vi falar Vou jogar meu Barravento
E o Marlon viu falar Eu vou jogar meu Barravento
Ê, eu também já vi falar Ê vou jogar meu Barravento
E o Sateli viu falar Quando vê cobra assanhada
O[s] meus aluno[s] viu falar Não meto o pé na rodia
Ê, eu também já vi falar Que a cobra assanhada morde
E eu também já vi falar E eu sendo a cobra, eu mordia
E eu que não estava lá Ê vou jogar meu Barravento

Êê zum zum (zum)


Acabaram com o samba
E já mataram um
Ah minha mãe, aí vem o home
Ô minha filha, deixa vir
Mas eu não devo nada ao home
E nem o home deve a mim
Ê é vem a cavalaria
Ê da Donzela Teodora
Em cada cavalo uma moça
E na sela, duas senhora
Acabaram o samba
E já mataram um
Abalou capoeira, abalou

Abalou, deixa abalar


Mas quem quiser moça bonita
Mas vá na Ilha de Maré
Em uma mão quebro bolacha
E a outra eu bebo café
Em casamento não falei
Mas fica quando Deus quiser
Abalou, deixa abalar