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RELATÓRIO 7º PERIODO cras

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Published by: Tatyane Nery Vasconcelos Pastorini on Apr 29, 2011
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3 1 INTRODUÇÃO O objetivo do estágio na área da Psicologia Social é conhecer e aprender sobre a atuação da(o) psicóloga(o) no Centro de Referência em Assistência Social

(CRAS) que é embasada em aspectos da dimensão ético-política da Assistência Social, na relação da Psicologia com a Assistência Social e na gestão do trabalho no SUAS (Sistema Único de Assistência Social). E a entidade de Pitangui ofereceu todas as condições necessárias para que o estágio fosse realizado. A Psicologia Social valoriza a construção de práticas comprometidas com a transformação social em direção a uma ética voltada para a emancipação humana (CFP, 2005), isto é, trata-se de uma área da psicologia cuja principal finalidade é criar condições para que as famílias acolhidas no CRAS, por exemplo, sejam

protagonistas dos seus desenvolvimentos e trabalhá-las no sentido de prevenir situações de violações de direitos e perca dos laços familiares e comunitários. Com base nestes conceitos, segue-se o relatório sobre o exercício do estágio que teve seu objetivo alcançado. Destacando o que se foi observado na atuação do profissional da área de psicologia, assim como os projetos e atividades desenvolvidos pelo mesmo.

e pessoas que estão em vulnerabilidade social. e crochê. trajetória. teve sua inauguração oficial no dia 05 de dezembro de 2006. 2. ou seja. com sua história. assistente social.2 Plano de Estágio . BPC (benefício de prestação continuada). psicóloga. problemas. valores. professores de: alfabetização de adultos (Oficina de Cultura). Idosos. pintura. capoeira. localizado em áreas de vulnerabilidade social. valorizar as famílias em suas diversidade. organiza e coordena a rede de serviços sócio-assistenciais locais da Política da Assistência Social. das 7:30 às 16:30.2 DESENVOLVIMENTO Apresentação da empresa O CRAS é uma unidade pública estatal de base territorial. potencializar a rede de serviços e o acesso aos direitos. cultura. Sua principal finalidade é articular o conhecimento da validade das famílias com o planejamento do trabalho. A prioridade de atendimento são para as famílias cadastradas que possuem Bolsa Família. recepcionista. criar condições para que as famílias acolhidas no CRAS sejam protagonistas dos seus desenvolvimentos e trabalhá-las no sentido de prevenir situações de violações de direitos e perca dos laços familiares e comunitários. demandas e potencialidades. brinquedoteca. Em Pitangui. Este executa serviços de proteção social básica. constituindo-se a porta de entrada dos usuários da rede de proteção básica do SUAS. auxiliar administrativo. A equipe que trabalham no local é constituída pela coordenadora. Funciona de segunda a sexta-feira. auxiliar de serviços gerais.

A socialização refere-se ao processo pelo qual as crianças adquirem crenças. 2. Um dos papéis do psicólogo no CRAS. . escutava as queixas e demandas apresentadas. enfim. 2007). valores e comportamentos considerados importantes e apropriados pelos membros de sua sociedade” (SHAFFER. Eram queixas do tipo de não saber como lidar com os filhos em determinadas situações. privação e/ou fragilização de vínculos efetivos relacionais e de pertencimento social. 537). p. potencializando sua inclusão na rede de atendimento. com ênfase no atendimento de mães diante da queixa familiar. dinâmicas. geralmente feitas pelas mães (muitas chefe de família) com relação aos filhos e ao ambiente familiar. Muitas delas estavam em situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza.5 O objetivo do estágio proposto é observar a atuação do Psicólogo no CRAS. como orientá-los. formar e transformar as suas representações e práticas na referência dos direitos de cidadania. como educá-los para ser pessoas do bem. identificando suas necessidades e demandas. e diante dos atendimentos observados. atividades lúdicas e reflexivas para promover o fortalecimento e o resgate dos laços familiares e sociais. a psicóloga desenvolvia ações de acolhida.3 Relação teoria e prática “A função mais importante da família em todas as sociedades é cuidar e socializar seus filhos. Para tanto é necessário conhecer os grupos familiares. entrevistas e orientações (CREPOP. que acabavam por interferir em suas relações com a comunidade. 2005. encaminhando e acompanhando cada caso. As atividades propostas para o exercício do estágio é realizar junto com o profissional da psicologia. O trabalho com famílias e comunidade do território de abrangência do CRAS pauta-se em uma abordagem psicossocial com ações que visam informar.

como diz Parker (2007). apoiadores e envolvidos com a vida de seus filhos (SHAFFER. e o estresse associado à baixa renda parece ser o primeiro da lista. somente as mães compareciam. além de mais vulneráveis aos efeitos negativos da vida (incluindo atividades diárias ligadas à criação de filhos) diminuindo sua capacidade de ser pais carinhosos. pois como já foi dito anteriormente. diante deste tipo de demanda. Além de diversos fatores contribuírem para as diferenças entre as classes sociais nas práticas de criação de filhos. ..). ( PARKER. gerando conflitos no ambiente.13. não sabendo como agir com os filhos. experiências. onde na maioria as vezes. que aparecia com frequência. segundo os desenvolvimentistas (SHAFFER. 1997. que aqui representam o eu infantil delas mesmas. Então. Sentimentos bem semelhantes aos que sentiam em relação a suas mães.2005). as mães que vivem tensões conjugais sentem que estão criando seus filhos sozinhas. os “erros” da própria mãe. demonstravam a intenção de não reproduzir na relação com os filhos. as dificuldades econômicas exercem uma forte influencia. que a maioria das mães vinham com muita ansiedade.2005). nos atendimentos. [. e uma ambivalência afetiva em relação mãe e filho. a psicóloga organizou um grupo de pais. p. ou num sentimento de perseguição impossível de administrar. a tal ponto que tudo que é estimulado pelo conflito se converte em vergonha. E elas.]as pressões pessoais e culturais sob as quais as mulheres frequentemente exercem a maternidade tornam-as excepcionalmente ansiosas e culpadas.. ou o marido é na maior parte do tempo ausente. E segundo a mesma. quando ainda criança.Notava-se. de amor e ódio. E. A dificuldade econômica cria um desconforto ou estresse geral em relação às condições de vida que torna os adultos de baixa renda mais irritáveis no limite. são solteiras. sentimento e afetos que eram comuns entre os membros com relação ao lar. O grupo tinha como objetivo a troca de informações. muitas dessas mulheres que chegam procurando ajuda. em um nível consciente.

pessoais e contextuais. e não só na demanda espontânea.2005). a sua atuação neste tipo de serviço público é também. e as famílias são sistemas complexos – ou seja. Este grupo também visava um entrosamento maior por parte dos pais na criação e relações mais próximas dos filhos. […] facilitar processos de identificação. grupais e comunitários. os pais (não mais somente as mães). 33). Porém. de modo a fortalecer atividades e positividades já existentes nas interações dos moradores. sociais. em seus aspectos históricos. as articulações entre reflexão e experiência. Na relação com as famílias.7 Criando um espaço de troca entre os pais atendidos. rede de relacionamento recíproca e alianças que estão constantemente evoluindo e que são muito influenciadas pela comunidade e pela cultura (SHAFFER. e também. A extrema valorização da família e a idealização do . a circulação da palavra. o reconhecimento e negociação de conflitos. construção e atualização de potenciais pessoais. é importante também estar atento ao processo de culpabilização da mesma. propiciando formas de convivência familiar e comunitária que favoreçam a criação de laços afetivos e colaborativos entre os atores envolvidos (CREPOP. se expressar. p. com base na demanda planejada (construída pelo diálogo entre o saber do técnico e da população referenciada). de facilitar a expressão e as trocas dialógicas. a dinamização da rede de comunicação e dos processos de cooperação e aprendizagem. muitas por questão de timidez ou vergonha não expunha seus problemas. a redução de riscos e a promoção dos direitos sociais. reflexão e potencializa da família. influenciam seus filhos. pois segundo a abordagem sistêmica. a análise das resistências à tarefa. 2007. eram poucas que conseguiam falar. visando à informação. era compreender a demanda dos usuários. nos arranjos familiares e na atuação dos grupos. para se realizar uma intervenção psicológica mais efetiva e resolutiva. Pois. como orientadora do grupo. Outro papel da psicóloga.

pois os pais tendem a se envolver mais com seus filhos quando suas esposas acreditam que eles possuem um papel importante na vida da criança quando ambos conversam frequentemente sobre os filhos e a família. Também fez perceber que elas (mães) influenciam indiretamente na relação pai-criança. A segurança é tão . discussão de casos.4 Atividades desenvolvidas De acordo com o anexo A.núcleo familiar contribuíram para se pensar que se tudo se remete à família. tudo é culpa da família. um fator que ajuda muito no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.5 Reflexões sobre a prática: aprendizagens A experiência vivenciada neste estágio foi muito importante. e isto provocava insegurança em seus filhos. foi a amenização da ansiedade por parte das mães. ainda em andamento. As mães apresentavam-se de uma maneira demasiadamente ansiosas e instáveis. Um dos resultados deste processo. observação da reunião com grupo de pais. pois a atuação do Psicólogo no CRAS é grande e de muito valor para o desenvolvimento das pessoas em que se encontram na região de trabalho desta instituição. 2. dinâmicas com a oficina de capoeira. no desenvolvimento de potencialidades e aquisições pessoais e coletivas. foram desenvolvidas atividades como observação de entrevistas iniciais com mães e pais. 2. Eram realizadas atividades lúdicas com elas para observar e levantar dados de investigação sobre as queixas trazidas pelas mães. Uma das atividades realizadas também no estágio foi o acompanhamento de atendimento crianças.

seja também ela um mau exemplo de mãe. Os efeitos catastróficos da carência afetiva materna pode ser a separação e a incapacidade da mãe de desempenhar o papel de objeto que confira segurança na criança. Este processo irá levar que a criança privada de afeto. cognitivo e também motor. provoca na criança regressão a estádios de desenvolvimento anteriores. como perda de peso. isso reflete-se. das suas relações anteriores com os pais. do modo como ela viveu a sua relação primitiva com a própria mãe influenciam sua relação com seus filhos.9 indispensável à criança pois quando ela falta. A ausência de afeto. quando se tornar adulta. marcando assim o pequeno ser para toda a sua vida. a relação mãe-filho é uma das etapas mais importantes no desenvolvimento da criança. pois é de extrema importância o passado da . no desenvolvimento da criança. pode obstinar-se e endurecer a sua atitude. Durante os atendimentos percebia que a maioria das crianças não apresentava os comportamentos que as mães diziam que eles tinham. inevitavelmente. notava-se os comportamentos relatados. sempre ficavam nervosas e impacientes. social. a importância do passado da mãe. atraso ou paragem do desenvolvimento psicológico da criança. Segundo especialistas da área. que eram reflexos das atitudes e gestos da mãe com a criança. E se há conflito ou desentendimento. aparecem consequências tanto psíquicas quanto somáticas. E como já foi dito. tanto a nível relacional. A mãe sente-se frustrada quando a criança não responde à sua esperança. As mães não davam conta de relacionar com seus filhos de forma saudável. mas quando realizado em conjunto. Muitas diziam que não davam conta nem de brincar com seus filhos. pois perdia a paciência rapidamente.

filhos. começando com a relação mãe-filho. É uma tarefa que tem que ser trabalhada com muito cuidado. A atuação do psicólogo na área social tem como objetivos promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades. exploração e violência. o modo como ela viveu a sua relação primitiva com a própria mãe. irmãos. etc. discriminação. Uma vez que a Psicologia Social é uma área muito vasta e riquíssima de conhecimentos para se trabalhar é ainda inacabada. o trabalho realizado pela psicóloga no CRAS.mãe. e pelo fato de ser pouca a bibliografia encontrada a respeito desse novo fazer do psicólogo é que se constroem as reflexões sobre sua atuação. nas relações pai. 3 CONCLUSÃO As teorias aprendidas em sala de aula sobre a psicologia social e do desenvolvimento contribuíram e muito para a realização desse estágio. há uma tendência em abandonar o atendimento. pois quando se começa a mexer mais no âmbito familiar. e em seguida ampliar este trabalho para as demais relações familiares. mãe. contribuindo para a diminuição da negligência. Enfim. as suas relações anteriores com os pais. que é a primeira queixa trazida pela mãe. A oportunidade e a experiência de poder realizar um estágio nesta área fez com que ampliassem o campo de visão sobre o social. E é assim que . é trabalhar a relação familiar.

o sujeito pode ter autonomia de se apoderar dos que lhe convém e não mais só reproduzir os significantes impostos pela lógica capitalista. . profissional. porque oferece ao aluno a aprendizagem social. A validade do estágio supervisionado é importante.11 eles realmente assumem a responsabilidade social desta ciência. como no local de estágio auxiliam e muito o estagiário na realização de aplicações de técnicas e também na importância de manter a ética profissional. e pautado nisto que o psicólogo pode atuar inserido no CRAS. nota-se avanços na definição do que seja uma atuação do psicólogo em comunidades. daí a supervisão tanto em campo. é então que surge a autonomia. colher melhor os resultados é preciso dominar as técnicas que serão utilizadas. ao qual estão expostos os usuários de tal serviço. e cultural. através da sua participação em atividades de trabalho vinculadas à sua área de formação acadêmica. É um componente determinante da formação profissional e da cidadania dos estudantes universitários. e de posse do conhecimento produzido nos grupos e atividades do CRAS. Para trabalhar melhor. onde cabe a ele desenvolver grupos que se tornem conscientes e aptos a exercerem um autocontrole de situações de vida através de atividades cooperativas e organizadas. Por ser um campo de atuação recente. O psicólogo do CRAS direciona o seu trabalho para a prevenção e terapêutica das situações de sofrimento oriundas do processo sócio-econômico.

4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BELO HORIZONTE. Rozita. 2007. Pitangui. Rio de Janeiro: Rosa dos Ventos. Disponível em <http://www. Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP). Iara da Silva.br> MACHADO. .br/>.pol.com. 1 de outubro de 2007. SHAFFER. Último acesso em: 09/06/2010.org. Apostila sobre o Processo de Trabalho do CRAS de Pitangui. Prefeitura Municipal. Centro de Referência da Assistência Social. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. (re-impressão 2008). Psicologia do desenvolvimento: Infância e Adolescência. Belo Horizonte: SMAAS. Jan. Brasília: CFP. 1997 PITANGUI. Díade: Mãe e Filho. Secretaria Municipal Adjunta de Assistência social. A Mãe Dividida: a experiência da ambivalência na maternidade. 2005. 2005. Referência técnica para atuação do(a) psicólogo(a) no CRAS/SUAS. Prefeitura Municipal. Metodologia de Trabalho Social com Família na Assistência Social. São Paulo: Pioneira Thompson Learning. 186p.libertas. David R. Disponível em: <http://www. PARKER. 2007.

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