3 1 INTRODUÇÃO O objetivo do estágio na área da Psicologia Social é conhecer e aprender sobre a atuação da(o) psicóloga(o) no Centro de Referência em Assistência Social

(CRAS) que é embasada em aspectos da dimensão ético-política da Assistência Social, na relação da Psicologia com a Assistência Social e na gestão do trabalho no SUAS (Sistema Único de Assistência Social). E a entidade de Pitangui ofereceu todas as condições necessárias para que o estágio fosse realizado. A Psicologia Social valoriza a construção de práticas comprometidas com a transformação social em direção a uma ética voltada para a emancipação humana (CFP, 2005), isto é, trata-se de uma área da psicologia cuja principal finalidade é criar condições para que as famílias acolhidas no CRAS, por exemplo, sejam

protagonistas dos seus desenvolvimentos e trabalhá-las no sentido de prevenir situações de violações de direitos e perca dos laços familiares e comunitários. Com base nestes conceitos, segue-se o relatório sobre o exercício do estágio que teve seu objetivo alcançado. Destacando o que se foi observado na atuação do profissional da área de psicologia, assim como os projetos e atividades desenvolvidos pelo mesmo.

auxiliar administrativo. psicóloga. valores. teve sua inauguração oficial no dia 05 de dezembro de 2006.2 Plano de Estágio . Este executa serviços de proteção social básica. pintura. potencializar a rede de serviços e o acesso aos direitos. brinquedoteca. cultura. BPC (benefício de prestação continuada). e pessoas que estão em vulnerabilidade social. e crochê. Sua principal finalidade é articular o conhecimento da validade das famílias com o planejamento do trabalho. organiza e coordena a rede de serviços sócio-assistenciais locais da Política da Assistência Social. localizado em áreas de vulnerabilidade social. Em Pitangui. Idosos. trajetória. constituindo-se a porta de entrada dos usuários da rede de proteção básica do SUAS. com sua história. professores de: alfabetização de adultos (Oficina de Cultura). Funciona de segunda a sexta-feira. demandas e potencialidades. ou seja. A prioridade de atendimento são para as famílias cadastradas que possuem Bolsa Família.2 DESENVOLVIMENTO Apresentação da empresa O CRAS é uma unidade pública estatal de base territorial. problemas. recepcionista. capoeira. assistente social. valorizar as famílias em suas diversidade. auxiliar de serviços gerais. criar condições para que as famílias acolhidas no CRAS sejam protagonistas dos seus desenvolvimentos e trabalhá-las no sentido de prevenir situações de violações de direitos e perca dos laços familiares e comunitários. das 7:30 às 16:30. 2. A equipe que trabalham no local é constituída pela coordenadora.

atividades lúdicas e reflexivas para promover o fortalecimento e o resgate dos laços familiares e sociais. identificando suas necessidades e demandas. escutava as queixas e demandas apresentadas. geralmente feitas pelas mães (muitas chefe de família) com relação aos filhos e ao ambiente familiar. As atividades propostas para o exercício do estágio é realizar junto com o profissional da psicologia.3 Relação teoria e prática “A função mais importante da família em todas as sociedades é cuidar e socializar seus filhos. p. Um dos papéis do psicólogo no CRAS. com ênfase no atendimento de mães diante da queixa familiar. a psicóloga desenvolvia ações de acolhida.5 O objetivo do estágio proposto é observar a atuação do Psicólogo no CRAS. potencializando sua inclusão na rede de atendimento. 2. e diante dos atendimentos observados. que acabavam por interferir em suas relações com a comunidade. O trabalho com famílias e comunidade do território de abrangência do CRAS pauta-se em uma abordagem psicossocial com ações que visam informar. como orientá-los. . Para tanto é necessário conhecer os grupos familiares. Eram queixas do tipo de não saber como lidar com os filhos em determinadas situações. valores e comportamentos considerados importantes e apropriados pelos membros de sua sociedade” (SHAFFER. encaminhando e acompanhando cada caso. Muitas delas estavam em situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza. dinâmicas. A socialização refere-se ao processo pelo qual as crianças adquirem crenças. como educá-los para ser pessoas do bem. enfim. 2005. 2007). entrevistas e orientações (CREPOP. privação e/ou fragilização de vínculos efetivos relacionais e de pertencimento social. formar e transformar as suas representações e práticas na referência dos direitos de cidadania. 537).

onde na maioria as vezes. as mães que vivem tensões conjugais sentem que estão criando seus filhos sozinhas. . Sentimentos bem semelhantes aos que sentiam em relação a suas mães. nos atendimentos. são solteiras. as dificuldades econômicas exercem uma forte influencia. gerando conflitos no ambiente. a tal ponto que tudo que é estimulado pelo conflito se converte em vergonha. a psicóloga organizou um grupo de pais. os “erros” da própria mãe.13. em um nível consciente.). Então. quando ainda criança. 1997.2005). além de mais vulneráveis aos efeitos negativos da vida (incluindo atividades diárias ligadas à criação de filhos) diminuindo sua capacidade de ser pais carinhosos. apoiadores e envolvidos com a vida de seus filhos (SHAFFER. experiências. A dificuldade econômica cria um desconforto ou estresse geral em relação às condições de vida que torna os adultos de baixa renda mais irritáveis no limite. pois como já foi dito anteriormente. que aparecia com frequência. somente as mães compareciam. O grupo tinha como objetivo a troca de informações. como diz Parker (2007). e o estresse associado à baixa renda parece ser o primeiro da lista. muitas dessas mulheres que chegam procurando ajuda. que aqui representam o eu infantil delas mesmas. E. p. Além de diversos fatores contribuírem para as diferenças entre as classes sociais nas práticas de criação de filhos. ou num sentimento de perseguição impossível de administrar. não sabendo como agir com os filhos. ou o marido é na maior parte do tempo ausente.Notava-se. E segundo a mesma.]as pressões pessoais e culturais sob as quais as mulheres frequentemente exercem a maternidade tornam-as excepcionalmente ansiosas e culpadas. ( PARKER. diante deste tipo de demanda. e uma ambivalência afetiva em relação mãe e filho. E elas. demonstravam a intenção de não reproduzir na relação com os filhos. de amor e ódio. que a maioria das mães vinham com muita ansiedade.2005). segundo os desenvolvimentistas (SHAFFER.. sentimento e afetos que eram comuns entre os membros com relação ao lar.. [.

de modo a fortalecer atividades e positividades já existentes nas interações dos moradores. para se realizar uma intervenção psicológica mais efetiva e resolutiva. em seus aspectos históricos. as articulações entre reflexão e experiência. […] facilitar processos de identificação. 2007. com base na demanda planejada (construída pelo diálogo entre o saber do técnico e da população referenciada). a análise das resistências à tarefa. nos arranjos familiares e na atuação dos grupos. sociais. Outro papel da psicóloga. 33). reflexão e potencializa da família. a redução de riscos e a promoção dos direitos sociais. pessoais e contextuais. os pais (não mais somente as mães). de facilitar a expressão e as trocas dialógicas. a sua atuação neste tipo de serviço público é também. o reconhecimento e negociação de conflitos. muitas por questão de timidez ou vergonha não expunha seus problemas. Na relação com as famílias. e as famílias são sistemas complexos – ou seja. eram poucas que conseguiam falar. influenciam seus filhos. construção e atualização de potenciais pessoais. Porém. propiciando formas de convivência familiar e comunitária que favoreçam a criação de laços afetivos e colaborativos entre os atores envolvidos (CREPOP. se expressar. rede de relacionamento recíproca e alianças que estão constantemente evoluindo e que são muito influenciadas pela comunidade e pela cultura (SHAFFER.2005).7 Criando um espaço de troca entre os pais atendidos. como orientadora do grupo. Este grupo também visava um entrosamento maior por parte dos pais na criação e relações mais próximas dos filhos. é importante também estar atento ao processo de culpabilização da mesma. A extrema valorização da família e a idealização do . era compreender a demanda dos usuários. p. a dinamização da rede de comunicação e dos processos de cooperação e aprendizagem. Pois. grupais e comunitários. a circulação da palavra. pois segundo a abordagem sistêmica. e não só na demanda espontânea. e também. visando à informação.

Um dos resultados deste processo. tudo é culpa da família. ainda em andamento. Eram realizadas atividades lúdicas com elas para observar e levantar dados de investigação sobre as queixas trazidas pelas mães.núcleo familiar contribuíram para se pensar que se tudo se remete à família. pois a atuação do Psicólogo no CRAS é grande e de muito valor para o desenvolvimento das pessoas em que se encontram na região de trabalho desta instituição. foi a amenização da ansiedade por parte das mães. Uma das atividades realizadas também no estágio foi o acompanhamento de atendimento crianças. A segurança é tão . 2. pois os pais tendem a se envolver mais com seus filhos quando suas esposas acreditam que eles possuem um papel importante na vida da criança quando ambos conversam frequentemente sobre os filhos e a família. observação da reunião com grupo de pais. As mães apresentavam-se de uma maneira demasiadamente ansiosas e instáveis. e isto provocava insegurança em seus filhos. Também fez perceber que elas (mães) influenciam indiretamente na relação pai-criança. discussão de casos.4 Atividades desenvolvidas De acordo com o anexo A. no desenvolvimento de potencialidades e aquisições pessoais e coletivas. foram desenvolvidas atividades como observação de entrevistas iniciais com mães e pais.5 Reflexões sobre a prática: aprendizagens A experiência vivenciada neste estágio foi muito importante. 2. um fator que ajuda muito no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. dinâmicas com a oficina de capoeira.

Durante os atendimentos percebia que a maioria das crianças não apresentava os comportamentos que as mães diziam que eles tinham. marcando assim o pequeno ser para toda a sua vida. tanto a nível relacional.9 indispensável à criança pois quando ela falta. pode obstinar-se e endurecer a sua atitude. As mães não davam conta de relacionar com seus filhos de forma saudável. a relação mãe-filho é uma das etapas mais importantes no desenvolvimento da criança. das suas relações anteriores com os pais. Este processo irá levar que a criança privada de afeto. que eram reflexos das atitudes e gestos da mãe com a criança. como perda de peso. do modo como ela viveu a sua relação primitiva com a própria mãe influenciam sua relação com seus filhos. social. seja também ela um mau exemplo de mãe. provoca na criança regressão a estádios de desenvolvimento anteriores. no desenvolvimento da criança. cognitivo e também motor. inevitavelmente. A ausência de afeto. isso reflete-se. A mãe sente-se frustrada quando a criança não responde à sua esperança. quando se tornar adulta. Os efeitos catastróficos da carência afetiva materna pode ser a separação e a incapacidade da mãe de desempenhar o papel de objeto que confira segurança na criança. sempre ficavam nervosas e impacientes. pois perdia a paciência rapidamente. mas quando realizado em conjunto. E se há conflito ou desentendimento. atraso ou paragem do desenvolvimento psicológico da criança. pois é de extrema importância o passado da . notava-se os comportamentos relatados. E como já foi dito. aparecem consequências tanto psíquicas quanto somáticas. a importância do passado da mãe. Muitas diziam que não davam conta nem de brincar com seus filhos. Segundo especialistas da área.

pois quando se começa a mexer mais no âmbito familiar. A atuação do psicólogo na área social tem como objetivos promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades. etc. exploração e violência. contribuindo para a diminuição da negligência. discriminação. o modo como ela viveu a sua relação primitiva com a própria mãe. é trabalhar a relação familiar. Enfim. e em seguida ampliar este trabalho para as demais relações familiares. há uma tendência em abandonar o atendimento.mãe. as suas relações anteriores com os pais. irmãos. 3 CONCLUSÃO As teorias aprendidas em sala de aula sobre a psicologia social e do desenvolvimento contribuíram e muito para a realização desse estágio. É uma tarefa que tem que ser trabalhada com muito cuidado. Uma vez que a Psicologia Social é uma área muito vasta e riquíssima de conhecimentos para se trabalhar é ainda inacabada. nas relações pai. filhos. o trabalho realizado pela psicóloga no CRAS. que é a primeira queixa trazida pela mãe. A oportunidade e a experiência de poder realizar um estágio nesta área fez com que ampliassem o campo de visão sobre o social. e pelo fato de ser pouca a bibliografia encontrada a respeito desse novo fazer do psicólogo é que se constroem as reflexões sobre sua atuação. mãe. E é assim que . começando com a relação mãe-filho.

porque oferece ao aluno a aprendizagem social. A validade do estágio supervisionado é importante. e cultural. O psicólogo do CRAS direciona o seu trabalho para a prevenção e terapêutica das situações de sofrimento oriundas do processo sócio-econômico. Para trabalhar melhor. onde cabe a ele desenvolver grupos que se tornem conscientes e aptos a exercerem um autocontrole de situações de vida através de atividades cooperativas e organizadas. profissional. colher melhor os resultados é preciso dominar as técnicas que serão utilizadas. como no local de estágio auxiliam e muito o estagiário na realização de aplicações de técnicas e também na importância de manter a ética profissional. .11 eles realmente assumem a responsabilidade social desta ciência. é então que surge a autonomia. Por ser um campo de atuação recente. nota-se avanços na definição do que seja uma atuação do psicólogo em comunidades. através da sua participação em atividades de trabalho vinculadas à sua área de formação acadêmica. e pautado nisto que o psicólogo pode atuar inserido no CRAS. daí a supervisão tanto em campo. o sujeito pode ter autonomia de se apoderar dos que lhe convém e não mais só reproduzir os significantes impostos pela lógica capitalista. ao qual estão expostos os usuários de tal serviço. e de posse do conhecimento produzido nos grupos e atividades do CRAS. É um componente determinante da formação profissional e da cidadania dos estudantes universitários.

br> MACHADO. Belo Horizonte: SMAAS. Psicologia do desenvolvimento: Infância e Adolescência. A Mãe Dividida: a experiência da ambivalência na maternidade. São Paulo: Pioneira Thompson Learning. Prefeitura Municipal. 1 de outubro de 2007. 186p. Díade: Mãe e Filho.4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BELO HORIZONTE.br/>. SHAFFER. CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Brasília: CFP. Rozita. David R. Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP). 2007. Jan.com. Prefeitura Municipal. 2005. Centro de Referência da Assistência Social. Último acesso em: 09/06/2010. PARKER. 1997 PITANGUI. Metodologia de Trabalho Social com Família na Assistência Social. Iara da Silva. Apostila sobre o Processo de Trabalho do CRAS de Pitangui. Secretaria Municipal Adjunta de Assistência social.libertas. 2005. Referência técnica para atuação do(a) psicólogo(a) no CRAS/SUAS.org. Rio de Janeiro: Rosa dos Ventos. 2007. Disponível em <http://www. Disponível em: <http://www.pol. (re-impressão 2008). . Pitangui.

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