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SEMINARIO FORMATURA

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ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO

WAGNER ANTONIO BIFFE
1 – INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE ATERRAMENTO
1.1 - INTRODUÇÃO
Em qualquer edificação moderna, encontramos instalações elétricas,
eletrônicas e mecânicas que necessitam de alguma forma de aterramento, seja para
uma proteção em caso de eventual falha de algum sistema, para dissipação de
eletricidade estática ou ainda proteções contra descargas atmosféricas e surtos de
manobras. Com o adensamento das construções e a utilização cada vez mais intensa
de equipamentos e mídias sensíveis, torna-se imperativo realizar um bom
aterramento das partes envolvidas. Se, por um lado, os materiais utilizados nos
sistemas de aterramento pouco evoluíram nas últimas décadas, dispomos agora de
ferramentas de cálculo muito mais eficientes - o paradoxo é de que utilizamos os
próprios computadores para calcular a melhor forma de protegê-los...
Embora os requisitos de aterramento de cada equipamento ou edificação
sejam diferentes, alguns princípios são universais, assim como uma boa parte dos
problemas. Se conseguirmos equacionar ambos - princípios e problemas - já teremos
encaminhado boa parte da solução.
Os objetivos principais do aterramento são:
• Obter uma resistência de aterramento a mais baixa possível, para correntes de falta
à terra;
• Manter os potenciais produzidos pelas correntes de falta dentro de limites de
segurança de modo a não causar fibrilação do coração humano;
• Fazer que equipamentos de proteção sejam mais sensibilizados e isolem
rapidamente as falhas à terra;
• Proporcionar um caminho de escoamento para terra de descargas atmosféricas;
• Usar a terra como retorno de corrente no sistema MRT;
• Escoar as cargas estáticas geradas nas carcaças dos equipamentos.
Existem várias maneiras para aterrar um sistema elétrico, que vão desde uma
simples haste, passando por placas de formas e tamanhos diversos, chegando às mais
complicadas configurações de cabos enterrados no solo. Sem dúvida, o maior
problema refere-se ao solo, com suas inconsistências, heterogeneidades e
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ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
anisotropias, bem como a variação sazonal de suas propriedades. Não há segredo, e
as fórmulas existentes não são mágicas: trata-se de realizar um modelo matemático
que consiga aproximar-se satisfatoriamente do resultado físico. Quanto é esse
satisfatório? Depende do rigor dos objetivos almejados, bem como dos dados
disponíveis; pode ser que 5% de erro seja ruim ou que 20 % a seja bom. Aliás, como
todo o livro fará referências a erros relativos e, como o termo erro, em português,
tem uma conotação pejorativa - o que não é nossa intenção aqui - vamos, de agora
em diante, substituir erro por desvio.
Outro problema bastante grave é o cultural: como os procedimentos mais
precisos para o dimensionamento de aterramentos requerem capacitação profissional,
houve uma disseminação de dois tipos negativos de projetistas: o preguiçoso e o
"mágico". Também no aspecto cultural pode-se incluir outros problemas, como a
falta de fluência dos profissionais brasileiros em outras línguas, onde se encontra a
maior parte das publicações sérias no gênero.
Alguns erros (aqui são erros mesmo, não desvios) que temos encontrado nas
instalações de aterramento verificadas são realmente primários, como utilizar hastes
profundas para solos com segunda camada de resistividade maior que a primeira, ou
outras variações do mesmo tema, como cravar dezenas de hastes.
1.2 - RESISTIVIDADE DO SOLO
O solo é o meio no qual ficarão imersos os eletrodos de aterramentos, de
forma que suas propriedades elétricas serão determinantes para o dimensionamento
destes eletrodos.
Como estaremos preocupados com a condução de corrente pelo solo, a
propriedade relevante será a resistividade, que indicará uma maior ou menor
resistência à passagem da corrente elétrica.
Vários fatores influenciam na resistividade do solo. Entre eles, pode-se
ressaltar:
• tipo de solo;
• mistura, de diversos tipos de solo;
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ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
• solos constituídos por camadas estratificadas com profundidades e materiais
diferentes;
• teor de umidade;
• temperatura;
• compactação e pressão;
• composição química dos sais dissolvidos na água retida;
• concentração de sais dissolvidos na água retida.
As diversas combinações acima resultam em solos com características
diferentes e, consequentemente, com valores de resistividade distintos.
Assim, solos aparentemente iguais tem resistividade diferentes.
Para ilustrar, a Tabela 1.2.1 mostra a variação da resistividade para solos de
naturezas distintas.
TIPO DE SOLO
RESISTIVIDADE (Ω .m)
Terra de jardim com 50% de umidade 5 a 100
Terra de jardim com 20 % de umidade 140
Argila seca 1500 a 5000
Argila com 40 % de umidade 80
Argila com 20 % de umidade 330
Areia molhada 1300
Areia seca 3000 a 8000
Calcário compactado 1000 a 8000
Granito 1500 a 10000
Tabela 1.2.1: Tipo de solo e respectiva resistividade
1.3 - A INFLUÊNCIA DA UMIDADE
A resistividade do solo sofre alterações com a umidade. Esta variação ocorre
em virtude da condução de cargas elétricas no mesmo ser predominantemente iônica.
Uma percentagem de umidade maior faz com que os sais, presentes no solo, se
dissolvam, formando um meio eletrolítico favorável à passagem da corrente iônica.
Assim, um solo específico, com concentração diferente de umidade, apresenta uma
grande variação na sua resistividade. A Tabela 1.3.1 mostra a variação da
resistividade com a umidade de um solo arenoso.
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Índice de Umidade
(% por peso)
Resistividade(Ω .m)
(solo arenoso)
0,0 10.000.000
2,5 1.500
5,0 430
10,0 185
15,0 105
20,0 63
30,0 42
Tabela 1.3.1: Resistividade de um solo arenoso com concentração de umidade
A resistividade é bastante sensível ao teor de umidade do solo até um valor de
20%; aumentar a umidade acima deste valor provocará variações na resistividade
conforme observado na figura 1.3.1 (NBR-7117).
Figura 1.3.1: ρ x Umidade percentual solo arenoso
Conclui-se, portanto, que o valor da resistividade do solo acompanha de
períodos de seca e chuva de uma região. Os aterramentos melhoram a sua qualidade
com solo úmido, e pioram no período de seca.
1.4 - A INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA
Para um solo arenoso, mantendo-se todas as demais características e
variando-se a temperatura, a sua resistividade comporta-se de acordo com a Tabela
1.4.1.
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Temperatura
(º C)
Resistividade (Ω .m)
(solo arenoso)
20 72
10 99
0 (Água) 138
0 (gelo) 300
- 5 790
- 15 3.300
Tabela 1.4.1: variação da Resistividade Com a Temperatura Para o Solo Arenoso
De uma maneira genérica, a performance de um determinado solo submetido
à variação da temperatura pode ser expressa pela curva da figura 1.4.1.
A partir do ρ
mínimo
, com o decréscimo da temperatura, e a conseqüente contração e
aglutinação da água, é produzida uma dispersão nas ligações iônicas entre os
grânulos de terra no solo, e que resulta num maior valor da resistividade.
Observe que no ponto de temperatura 0°C (água), a curva sofre
descontinuidade, aumentando o valor da resistividade no ponto 0°C (gelo). Isto é
devido ao fato de ocorrer uma mudança brusca no estado da ligação entre os grânulos
que formam a concentração eletrolítica.
Figura 1.4.1: ρ x Temperatura
Com um maior decréscimo na temperatura há uma concentração no estado
molecular tornando o solo mais seco, aumentando assim a sua resistividade.
Já no outro extremo, com temperaturas elevadas, próximas de 100° C, o
estado de vaporização deixa o solo mais seco, com a formação de bolhas internas,
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dificultando a condução da corrente, conseqüentemente, elevando o valor da sua
resistividade.
1.5 - A INFLUÊNCIA DA ESTRATIFICAÇÃO
Os solos, na sua grande maioria, não são homogêneos, mas formados por
diversas camadas de resistividade e profundidade diferentes. Essas camadas, devido
à formação geológica, são em geral horizontais e paralelas à superfície do solo.
Existem casos em que as camadas apresentam inclinadas e até verticais,
devido a falha geológica. Entretanto, os estudos apresentados para pesquisa do perfil
do solo as consideram aproximadamente horizontais, uma vez que outros casos são
menos típicos, principalmente no exato local da instalação da subestação, daí a
necessidade de introduzir o modelo de estratificação da resistividade do solo.
São diversos os métodos existentes para se estratificar o solo, ou seja, definir
as camadas, sua profundidade e resistividade respectivas.
Dos mais conhecidos podemos citar o método de Pirson, Yokogawa, Tagg e
ainda o Simplificado.
Somente para ilustrar, os métodos de Pirson e de Tagg são basicamente
analíticos e embora menos rápidos, por sua natureza apresentam maior grau de
precisão. O método Yokogawa utiliza procedimentos gráficos e seu grau de precisão
pode ser considerado satisfatório:
Já o método simplificado permite a estratificação do solo em apenas duas
camadas e só oferece resultados precisos para determinados tipos de solo.
Como resultado da variação da resistividade das camadas do solo, tem-se a
variação da dispersão de corrente. A figura 1.5.1 apresenta o comportamento dos
fluxos de dispersão de correntes em um solo heterogêneo, em torno do aterramento.
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ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
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Figura 1.5.1: Estratificação do solo em duas camadas
As linhas pontilhadas são as superfícies equipotenciais. As linhas cheias são
as correntes elétricas fluindo no solo.
1.6 - LIGAÇÃO À TERRA
Quando ocorre um curto-circuito envolvendo a terra, espera-se que a corrente
seja elevada para que a proteção possa operar e atuar com fidelidade e precisão,
eliminando o defeito o mais rápido possível.
Durante o tempo em que a proteção ainda não atuou, a corrente de defeito que
escoa pelo solo, gera potenciais distintos nas massas metálicas e superfície do solo.
Portanto, procura-se efetuar uma adequada ligação dos equipamentos
elétricos à terra, para se ter o melhor aterramento possível, dentro das condições do
solo, de modo que a proteção seja sensibilizada e os potenciais de toque e passo
fiquem abaixo dos limites críticos da fibrilação ventricular do coração humano.
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ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
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A maneira de prover a ligação íntima com a terra é ligar os equipamentos e
massas a um sistema de aterramento conveniente.
1.7 - SISTEMAS DE ATERRAMENTO
Toda e qualquer instalação elétrica de alta e baixa tensões, para funcionar
com desempenho satisfatório, e ser suficientemente segura contra riscos de acidentes
fatais, deve possuir um sistema de aterramento dimensionado adequadamente para as
condições de cada projeto.
O sistema de aterramento visa:
• Segurança de atuação da proteção.
• Escoamento de cargas estáticas.
• Baixas resistências de aterramento.
• Proteção da instalação contra descargas atmosféricas.
• Proteção do indivíduo contra contatos com partes metálicas da instalação
energizadas acidentalmente.
• Uniformização do potencial em toda área do projeto, prevenindo contra lesões
perigosas que possam surgir durante uma falta fase e terra.
Os diversos tipos de sistemas de aterramento devem ser realizados de modo a
garantir a melhor ligação com a terra.
0s tipos principais são:
• uma simples haste cravada no solo;
• hastes alinhadas;
• hastes em triângulo;
• hastes em quadrado;
• hastes em círculos;
• placas de material condutor enterradas no solo;
• fios ou cabos enterrados no solo, formando diversas configurações, tais como:
- extendido em vala comum;
- em cruz;
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- em estrela;
- quadriculados, formando uma malha de terra.
0 tipo de sistema de aterramento a ser adotado depende da importância do
sistema de energia elétrica envolvido, do local e do custo. 0 sistema mais eficiente é,
evidentemente, a malha de terra.
1.8 - HASTES DE ATERRAMENTO
É constituída de uma haste de comprimento entre 1 a 3 m e cujo material
pode ser de aço zincado ou de aço revestido solidamente com cobre. Existem, no
mercado, vários tipos de haste de terra, desde as hastes denominadas de efeito
estável, bem como aquelas de efeito dinâmico. As primeiras, desde que não sofram
nenhum tipo de corrosão, mantêm o seu comportamento estável, desde que também
não haja variações nas condições do solo. O segundo tipo, que tem geometria
tubular, onde periodicamente é injetada uma substância especial, à base de sais
minerais para melhorar a condutividade do solo nas imediações da haste, permite o
controle da resistência do aterramento ao longo dos anos.
0 material das hastes de aterramento deve ter as seguintes características:
• ser bom condutor de eletricidade;
• deve ser um material praticamente inerte às ações dos ácidos e sais dissolvidos no
solo;
• o material deve sofrer a menor ação possível da corrosão galvânica;
• resistência mecânica compatível com a cravação e movimentação do solo.
As melhores hastes são geralmente as cobreadas:
Tipo Copperweld: É uma barra de aço de secção circular onde o cobre é
fundido sobre a mesma; .
Tipo Encamisado por Extrusão: A alma de aço é revestida por um tubo de
cobre através do processo de extrusão;
Tipo Cadweld: O cobre é, depositado eletroliticamente sobre a alma de aço.
É muito empregada também, com sucesso, a haste de cantoneira de ferro
zincada.
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Figura 1.8.1: Elementos de uma malha de terra
1.9 - ATERRAMENTO
Em termos de segurança, devem ser aterradas todas as partes metálicas que
possam eventualmente ter contato com partes energizadas. Assim, um contato
acidental de uma parte energizada com a massa metálica aterrada estabelecerá um
curto-circuito, provocando a atuação da proteção e interrompendo a ligação do
circuito energizado com a massa.
Os projetos de instalações elétricas executados atualmente sempre indicam
um ponto de aterramento para a instalação. Dependendo do projeto, é feita apenas a
especificação de um valor em Ohm (Ω ), por exemplo: 10Ω , 5Ω ou algum outro
valor que, por falta de uma melhor explicação, parece ser um capricho do projetista.
Aterramento é, essencialmente, uma conexão elétrica à terra, onde o valor da
resistência de aterramento representa a eficácia desta ligação: quanto menor a
resistência, melhor o aterramento.
A norma NBR 5410 estabelece várias condições quanto ao aterramento, ou
seja:
a) As massas simultaneamente acessíveis devem ser ligadas à mesma rede de
aterramento, individualmente, por grupo ou coletivamente.
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b) Em cada edificação, deve existir uma ligação equipotencial principal, reunindo os
seguintes elementos:
• Condutor de proteção principal.
• Condutor de aterramento principal ou terminal de aterramento principal.
• Canalizações metálicas de água, gás e outras utilidades.
• Colunas ascendentes de sistemas de aquecimento central ou de condicionamento
de ar.
• Elementos metálicos da construção e outras estruturas metálicas. Cabos de
telecomunicação, com concordância da empresa operadora.
• Eletrodo de aterramento do sistema de proteção contra descargas atmosféricas da
edificação (pára-raios).
• Eletrodo de aterramento da antena externa de televisão.
Figura 1.9.1: Utilização do condutor de proteção
c) Quando os elementos anteriormente mencionados originarem-se do exterior da
edificação, a sua conexão à ligação equipotencial principal deve ser efetuada o mais
próximo possível do ponto em que penetram na edificação.
d) Todo condutor isolado, cabo unipolar, ou veia de cabo multipolar utilizado como
condutor neutro deve ser identificado conforme essa função. No caso de
identificação por cor, deve ser usada a cor azul-claro.
e) Todo condutor isolado, ou cabo unipolar, ou veia de cabo multipolar utilizado
como condutor de proteção (PE) deve ser identificado de acordo com sua função. No
caso de identificação por cor, deve ser usada a dupla coloração verde-amarelo, ou na
falta desta, a cor verde (cores exclusivas da função de proteção).
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f) Todo condutor isolado, cabo multipolar utilizado como condutor PEN, deve ser
identificado de acordo com essa função. Em caso de identificação por cor, deve ser
usada a cor azul-claro, com anilhas verde-amarelo nos pontos visíveis ou acessíveis.
Já na indústria e no setor elétrico, uma análise apurada e crítica deve ser feita
nos equipamentos a serem aterrados, para se obter a melhor segurança possível.
Figura 1.9.2: Aterramento na barra de ferro de aterramento
1.10 - CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE BAIXA TENSÃO EM
RELAÇÃO À ALIMENTAÇÃO E DAS MASSAS EM RELAÇÃO À
TERRA
A classificação é feita por letras, como segue:
Primeira Letra - Especifica a situação da alimentação em relação à terra.
T - A alimentação (lado fonte) tem um ponto diretamente aterrado;
I - Isolação de todas as partes vivas da fonte de alimentação em relação à terra ou
aterramento de um ponto através de uma impedância elevada.
Segunda Letra - Especifica a situação das massas (carcaças) das cargas ou
equipamentos em relação à terra. 12
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T - Massas aterradas com terra próprio, isto é, independente da fonte;
N - Massas ligadas ao ponto aterrado da fonte;
I - Massa isolada, isto é, não aterrada.
Outras Letras - Forma de ligação do aterramento da massa do equipamento,
usando o sistema de aterramento da fonte.
S - Separado, isto é, o aterramento da massa é feito com um fio (PE) separado
(distinto) do neutro;
C - Comum, isto é, o aterramento da massa do equipamento é feito usando o fio
neutro (PEN).
Exemplo 1.10.1: Sistema de alimentação e consumidor do tipo TN-S.
Figura 1.10.1: Sistema TN-S
Exemplo 1.10.2: Sistema tipo TN-C figura 1.10.2
Figura 1.10.2: Sistema TN-C
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Exemplo 1.10.3: Sistema TN-C-S - A fonte (alimentação) é aterrada (T), o
equipamento tem o seu aterramento que usa um fio separado (S) que, após uma certa
distância, é conectado ao fio neutro (C). Figura 1.10.3.
Figura 1.10.3: Sistema TN-C-S
Exemplo 1.10.4: Sistema TT - A fonte é aterrada (T) e a massa metálica da
carga tem um terra separado e próprio (T). figura 1.10.4.
Figura 1.10.4: Sistema TT
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Exemplo 1.10.5: Sistema IT - A fonte não esta aterrada (I) ou aterrada por
uma impedância considerável e a massa do equipamento da carga tem terra próprio
(T).
Figura 1.10.5: Sistema IT
1.11 - PROJETO DO SISTEMA DE ATERRAMENTO
0 objetivo é aterrar todos os pontos, massas, equipamentos ao sistema de
aterramento que se pretende dimensionar.
Para projetar adequadamente o sistema de aterramento deve-se seguir as
seguintes etapas:
a) Definir o local de aterramento;
b) Providenciar várias medições no local;
c) Fazer a estratificação do solo nas suas respectivas camadas;
d) Definir o tipo de sistema de aterramento desejado;
e) Calcular a resistividade aparente do solo para o respectivo sistema de aterramento;
f ) Dimensionar o sistema de aterramento, levando em conta a sensibilidade dos relés
e os limites de segurança pessoal, isto é, da fibrilação ventricular do coração.
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2 - MEDIÇÃO DA RESISTIVIDADE DO SOLO
2.1 - INTRODUÇÃO
Serão especificamente abordadas, neste capítulo, as características da prática
da medição da resistividade do solo de um local virgem.
Os métodos de medição são resultados da análise de características práticas
das equações de Maxwell do eletromagnetismo, aplicadas ao solo.
Na curva ρ x a, levantada pela medição, está fundamentada toda a arte e
criatividade dos métodos de estratificação do solo, o que permite a elaboração do
projeto do sistema de aterramento.
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ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
2.2 – RESISTIVIDADE DO SOLO
A primeira informação necessária para a elaboração de um projeto de
aterramento é o valor da resistividade do solo.
Quando temos uma segunda camada com resistividade mais baixa - caso
típico quando da existência de um lençol freático, a vantagem está na utilização de
hastes mais profundas; ao contrário, quando temos uma camada de solo bom sobre
rocha, será preferencial utilizar uma malha horizontal.
O caso mais crítico aqui é o de antenas de telecomunicação ou torres de
linhas de transmissão instaladas no alto de montanhas rochosas, às vezes engastadas
mesmo na rocha. Não é possível cravar hastes, e descer com um cabo pela encosta do
morro aumenta consideravelmente a impedância do sistema. Nesses casos, o melhor
a fazer é proceder a uma equalização fina de todo o sistema e cavar valas horizontais
para instalar eletrodos horizontais de baixa impedância, preenchendo depois essas
valas com concreto.
Quando temos um solo "cravável", porém de péssima (elevada) resistividade,
vimos freqüentemente um erro clássico: cravar dezenas de hastes na tentativa de
baixar a resistência, o que, além de não ocorrer acaba também aumentando a
impedância. A melhor saída é, ainda, o tratamento do solo, com gel ou mesmo
concreto.
Conforme dito anteriormente, a resistividade do solo varia bastante de um
local para outro e, as vezes, em pontos bem próximos verificam-se certas alterações
nos valores medidos. Mesmo assim, alguns autores preferem simplesmente fixar um
terminado valor de ρ e desenvolver os cálculos normalmente. Encontra-se em
diversas bibliografias ρ - 100 (Ω .m).
2.3 - LOCALIZAÇÃO DO SISTEMA DE ATERRAMENTO
A localização do sistema de aterramento depende da posição estratégica
ocupada pelos equipamentos elétricos importantes do sistema elétrico em questão.
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ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
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Cita-se, por exemplo, a localização otimizada de uma subestação, que deve ser
definida levando em consideração os seguintes itens:
• Centro geométrico de cargas;
• Local com terreno disponível;
• Terreno acessível economicamente;
• Local seguro às inundações;
• Não comprometer a segurança da população.
O local escolhido para as medições deverá ser sempre longe de áreas sujeitas
a interferências, tais como: torres metálicas de transmissão e respectivos contrapesos,
pontos de aterramento do sistema com neutro aterrado, torres de telecomunicação,
solos com condutores ou canalizações metálicas, cercas aterradas, etc.
Portanto, definida a localização da subestação, fica definido o local da malha
de terra.
Já na distribuição de energia elétrica, os aterramentos situam-se nos locais da
instalação dos equipamentos tais como: transformador, religador, seccionalizador,
regulador de tensão, chaves, etc. No sistema de distribuição com neutro multi-
aterrado, o aterramento será feito ao longo da linha a distâncias relativamente
constantes.
O local do aterramento fica condicionado ao sistema de energia elétrica, ou,
mais precisamente, aos elementos importantes do sistema.
Escolhido preliminarmente o local, devem ser analisados novos itens, tais
como:
• Estabilidade da pedologia do terreno;
• Possibilidade de inundações a longo prazo;
• Medições locais.
Havendo algum problema que possa comprometer o adequado perfil esperado
do sistema de aterramento, deve-se, então, escolher outro local.
2.4 - MEDIÇÕES NO LOCAL
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ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
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Definido o local da instalação do sistema de aterramento, deve-se efetuar
levantamento através de medições, para se obter as informações necessárias à
elaboração do projeto.
Um solo apresenta resistividade que depende do tamanho do sistema de
aterramento. A dispersão de correntes elétricas atinge camadas profundas com o
aumento da área envolvida pelo aterramento.
Para se efetuar o projeto do sistema de aterramento deve-se conhecer a
resistividade aparente que o solo apresenta para o especial aterramento pretendido.
A resistividade do solo, que espelha suas características, é, portanto, um dado
fundamental e por isso, neste capítulo, será dada especial atenção à sua
determinação. 0 levantamento dos valores da resistividade é feito através de
medições em campo, utilizando-se métodos de prospecção geoelétricos, dentre os
quais, o mais conhecido e utilizado é o Método de Wenner.
Deverão ser tomadas as seguintes medidas de segurança relativas aos
potenciais perigosos que podem aparecer próximos a sistemas de aterramento ou a
estruturas condutoras aterradas passíveis de serem energizadas acidentalmente:
• Utilização de calçados.
• Evitar a realização de medições. sob condições atmosféricas adversas, tendo-se
em vista a possibilidade de ocorrência de descargas atmosféricas.
• Não tocar nos eletrodos durante as medições e evitar que pessoas estranhas e
animais se aproximem dos mesmos.
Observações:
a) Os eletrodos deverão ser cravados aproximadamente 20 cm no solo, ou até que
apresentem resistência mecânica de cravação aceitáveis que defina uma resistência
ôhmica de contato .
b) Os eletrodos deverão estar sempre alinhados.
c) As distâncias entre os eletrodos deverão ser sempre iguais.
d) Os eletrodos deverão estar isentos de óxidos ou gorduras.
e) Para um determinado espaçamento entre eletrodos, ajustar o potenciômetro e o
multiplicador do megger até que o galvanômetro do aparelho indique "zero", com o
equipamento ligado.
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ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
f) Após zerado o megger, anotar o valor de R obtido, na planilha de medições, para o
espaçamento entre eletrodos utilizados.
g) Se o ponteiro do galvanômetro oscilar, significa que existe alguma interferência.
Neste caso deverá ser deslocado o ponto de medição até ser eliminada ou minimizada
a interferência.
h) Para meggers com terminal GROUND, este deverá ser utilizado para minimizar as
interferências e, neste caso, deverá ser interligado ao ponto A da figura 2.5.3, através
de um eletrodo.
i) Deverá ser anotada a condição do solo (seco, úmido, etc...).
j) 0 croquis de locação dos pontos onde foram executadas medidas deverá
acompanhar os resultados, na planilha de medição.
k) 0 valor da resistividade será dado por:
ρ = 2.π .a. R (Ω .m) (2.4.1)
onde: a. = distância entre os eletrodos (m)
R = valor indicado no potenciômetro do megger (Ω )
l) 0 valor de resistividade obtido através da fórmula (2.4.1) , com um determinado
espaçamento entre eletrodos, é o valor de resistividade do solo até a profundidade
igual a esse espaçamento.
2.5 - MÉTODO DE WENNER
Para o levantamento da curva de resistividade do solo, no local do
aterramento, pode-se empregar diversos métodos, entre os quais:
• Método de Wenner ;
• Método de Lee;
• Método de Schlumbeger - Palmer.
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ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Neste trabalho será utilizado o Método de Wenner. O método usa quatro
pontos alinhados, igualmente espaçados, cravados a uma mesma profundidade.
Figura 2.5.1 : Quatro hastes cravadas no solo.
Uma corrente elétrica I é injetada no ponto 1 pela primeira haste e coletada no
ponto 4 pela última haste. Esta corrente, passando pelo solo entre os pontos 1 e 4,
produz potencial nos pontos 2 e 3.
]
]
]

− − + ·
+ +
2 2 2 2
) 2 ( ) 2 (
1
2
1
) 2 (
1 1
4 2
p a
a
p a
a
I
V
π
ρ
(2.5.1)
Figura 2.5.2: Imagem do ponto 1 e 4
21
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
O potencial no ponto 3 é :
]
]
]

− − + ·
+ + ) 2 (
1 1
) 2 ( ) 2 (
1
2
1
4 3 2 2
p a
a
p a
a
I
V
π
ρ
(2.5.2)
Portanto, a diferença de potencial nos pontos 2 e 3 é:
( ) ( ) ( )
]
]
]
]

+

+
+ · − ·
2 2 2 2
3 2 23
2 2
2
2
2 1
4
p a p a
a
I
V V V
π
ρ
(2.5.3)
Fazendo a divisão da diferença de potencial V
23
pela corrente I, teremos o
valor da resistência elétrica R do solo para uma profundidade aceitável de penetração
da corrente I
.
Assim teremos:
( ) ( ) ( )
]
]
]
]

+

+
+ · ·
2 2 2 2
23
2 2
2
2
2 1
4
p a p a
a I
V
R
π
ρ
(2.5.4)
A resistividade elétrica do solo é dada por:
( ) ( ) ( )
[ ] m
p a
a
p a
a
aR
.
2 2
2
2
2
1
4
2 2 2 2

+

+
+
·
π
ρ
(2.5.5)
22
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
O aparelho destinado a este fim é o MEGGER e a montagem deve ser a
mostrada a seguir:
Figura 2.5.3: Método de Wenner
Na realidade o que está sendo medido é o valor de R na profundidade igual a
separação entre os eletrodos (a) conforme ficou provado em estudos realizados.
É conveniente que se use meggers com filtro para eliminação de
interferências. Estes meggers injetam correntes de freqüência diferente de 60 HZ,
portanto, obtém-se resultados mais precisos.
Os eletrodos utilizados devem possuir ponteira e ter 30 ou 40 cm de
comprimento e diâmetro entre 10 e 15 mm. Devem ser preferencialmente de material
não sujeito à corrosão e ter resistência mecânica suficiente para resistir aos impactos
da cravação.
Os cabos de interligação devem ter isolação de acordo com o nível de tensão
do megger, flexibilidade e resistência mecânica adequadas. Devem ser munidos de
garra tipo jacaré numa das extremidades, visando a facilidade de conexão aos
eletrodos.
As duas hastes internas são ligadas nos terminais P
1
e P
2
. Assim, o aparelho
processa internamente e indica na leitura, o valor da resistência elétrica, de acordo
com a expressão 2.5.4.
23
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
O método considera que praticamente 58% da distribuição de corrente que
passa entre as hastes externas ocorre a uma profundidade igual ao espaçamento entre
as hastes.
Figura 2.5.4: Penetração na profundidade “a”
Os espaçamentos a serem adotados entre os eletrodos dependem da dimensão
do sistema de aterramento que se quer medir.
A tabela a seguir dá os arranjos das hastes normalmente utilizadas e os
correspondentes espaçamentos mínimos dos eletrodos de prova.
Dados: Comprimento das hastes : 3 m
Diâmetro da haste: 0,016 m
Espaçamento entre hastes: 3 m
Notas: 1) Aterramentos de maiores dimensões exigirão espaçamentos maiores que os
indicados.
2) Poderão ser usados espaçamentos maiores que os indicados para cada
aterramento, mantendo-se porém a relação de 61,8% entre as distâncias.
24
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Tabela 2.5.1: Espaçamento entre eletrodo de prova
Muitas vezes, devido à dimensão dos sistema de aterramento, os
espaçamentos requeridos para as hastes de prova serão enormes o que poderá
provocar problemas por falta de espaço livre para executar a correta medição.
Para estes casos, poderão ser adotados espaçamentos reduzidos de acordo
com a tabela a seguir:
25
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Tabela 2.5.2: Espaçamento reduzido entre eletrodos de prova
2.6 - DIREÇÕES A SEREM MEDIDAS
O número de direções em que as medidas deverão ser levantadas depende:
• da importância do local do aterramento;
• da dimensão do sistema de aterramento;
• da variação acentuada nos valores medidos para os respectivos espaçamentos.
Para um único ponto de aterramento, isto é, para cada posição do aparelho,
devem ser efetuadas medidas em três direções, com ângulo de 60° entre si.
26
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Figura 2.6.1: Direções do ponto de medição
Este é o caso de sistema de aterramento pequeno, com um único ponto de
ligação a equipamentos tais como: regulador de tensão, religador, transformador,
seccionalizador, TC, TP, chaves à óleo e a SF
6
, etc.
No caso de subestações deve-se efetuar medidas em vários pontos, cobrindo
toda a área da malha pretendida.
0 ideal é efetuar várias medidas em pontos e direções diferentes. Mas se por
algum motivo, deseja-se usar o mínimo de direções, então, deve-se pelo menos
efetuar as medições na direção indicada como segue:
• na direção da linha de alimentação;
• na direção do ponto de aterramento ao aterramento da fonte de alimentação.
Feitas as medições, uma análise dos resultados deve ser realizada para que os
mesmos possam ser avaliados em relação a sua aceitação ou não. Esta avaliação é
feita da seguinte forma:
1 ) Calcular a média aritmética dos valores da resistividade elétrica para cada
espaçamento adotado, Isto é:

( ) ( )

·
·
n
i
j i j M
a
n
a
1
1
ρ ρ

n i
q j
, 1
, 1
·
·
(2.6.1)
Onde:

( )
j M
a ρ
⇒ Resistividade média para o respectivo espaçamento a
j
n ⇒Número de medições efetuadas para o respectivo espaçamento a
j
27
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WAGNER ANTONIO BIFFE

( )
j i
a ρ
⇒Valor da i-ésima medição da resistividade com o espaçamento a
j
q ⇒Número de espaçamentos empregados
2) Proceder o cálculo do desvio de cada medida em relação ao valor médio como
segue:
( ) ( )
j M j i
a a ρ ρ −

q j
n i
, 1
, 1
·
·
(2.6.2)
Observação (a): Deve-se desprezar todos os valores da resistividade que
tenham um desvio maior que 50% em relação a média, isto é:
( ) ( )
( )
j M
j M j i
a
a a
ρ
ρ ρ −
* 100 ≥ 50% ∀
q j
n i
, 1
, 1
·
·
(2.6.3)
Observação (b): Se o valor da resistividade tiver o desvio abaixo de 50% o
valor será aceito como representativo.
Observação (c): Se observada a ocorrência de acentuado número de medidas
com desvios acima de 50%, recomenda-se executar novas medidas na região
correspondente. Se a ocorrência de desvios persistir, deve-se então, considerar a área
como uma região independente para efeito de modelagem.
Com a nova tabela, efetua-se o cálculo das médias aritméticas das
resistividades remanescentes.
3) Com as resistividades médias para cada espaçamento, tem-se então os valores
definitivos e representativos para traçar a curva ρ x a, necessária ao procedimento
das aplicações dos métodos de estratificação do solo.
28
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
3 – ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO
3.1- INTRODUÇÃO
Necessitamos do valor da resistividade do solo para o projeto de malhas de
aterramento, devido aos requisitos de valores máximos para a resistência da malha,
tensão de passo e de toque.
Conhecendo o valor da resistividade e as dimensões do eletrodo de
aterramento, podemos calcular o valor da resistência da malha e os potenciais de
toque e de passo, desde que o solo seja uniforme, ou seja, o valor da resistividade não
varia com a profundidade ou com a distância horizontal do ponto de medição.
Esta condição de uniformidade raramente é verdadeira na prática, daí a
necessidade de introduzir o modelo de estratificação da resistividade do solo,
representando o solo por camadas, onde cada camada é uniforme e tem um certo
valor de resistividade e uma determinada espessura.
Embora este modelo não seja uma representação perfeita do solo real, é
suficiente para os cálculos de uma malha de aterramento.
A quantidade de camadas utilizadas no modelo é função da precisão desejada
para os cálculos, características do solo real e disponibilidade de ferramentas
matemáticas que permitam calcular as grandezas de interesse.
Para executar uma estratificação de solo é necessário fazer uma medição de
campo dos valores da resistividade aparente. Medimos na prática valores de
resistência em Ohms e calculamos o valor da resistividade aparente em Ohm.m.
São diversos os métodos existentes para se estratificar o solo, ou seja, definir
as camadas, sua profundidade e resistividade respectivas.
Dos mais conhecidos podemos citar o método de Pirson, Yokogawa, Tagg e
ainda o Simplificado.
Somente para ilustrar, os métodos de Pirson e de Tagg são basicamente
analíticos e embora menos rápidos, por sua natureza apresentam maior grau de
precisão.
O método Yokogawa utiliza procedimentos gráficos e seu grau de precisão
pode ser considerado satisfatório:
29
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WAGNER ANTONIO BIFFE
Já o método simplificado permite a estratificação do solo em apenas duas
camadas e só oferece resultados precisos para determinados tipos de solo.
3.2 – MODELAGEM DO SOLO DE DUAS CAMADAS
Usando as teorias do eletromagnetismo no solo com duas camadas
horizontais, é possível desenvolver uma modelagem matemática, que com o auxílio
das medidas efetuadas pelo Método de Wenner, possibilita encontrar a resistividade
do solo da primeira e segunda camada, bem como sua respectiva profundidade.
Uma corrente elétrica I entrando pelo ponto A, no solo de duas camadas da
figura 3.2.1, gera potenciais na primeira camada, que deve satisfazer a equação 3.2.1,
conhecida como Equação de Laplace.
Figura 3.2.1: Solo em duas camadas

2
* V = 0 (3.2.1)
V = Potencial na primeira camada do solo
Desenvolvendo a Equação de Laplace relativamente ao potencial V de
qualquer ponto p da primeira camada do solo, distanciado de “r” da fonte de corrente
A, chega-se a seguinte expressão:
( )
]
]
]
]

+
+ ·


·1
2 2
1
2
2
1
2
n
n
p
nh r
K
r
I
V
π
ρ
(3.2.2)
30
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Onde:
V
p
= É o potencial de um ponto p qualquer da primeira camada em relação ao
infinito.
ρ
1
= Resistividade da primeira camada
h = Profundidade da primeira camada
r = Distância do ponto p à fonte de corrente A
K = Coeficiente de reflexão, definido por:
1 2
1 2
ρ ρ
ρ ρ
+

· K
(3.2.3)
ρ
2
= Resistividade da segunda camada
Pela expressão 3.2.3, verifica-se que a variação do coeficiente de reflexão é
limitada entre -1 e +1.
1 1 + ≤ ≤ − K (3.2.4)
Nesta configuração, a corrente elétrica I entra no solo pelo ponto A e retorna
ao aparelho pelo ponto D. Os pontos B e C são os eletrodos de potencial.
O potencial no ponto B, será dado pela superposição da contribuição da
corrente elétrica entrando em A e saindo por D. Usando a expressão 3.2.2, e
efetuando a superposição, tem-se:
( )
]
]
]
]

+
+ −
]
]
]
]

+
+ ·
∑ ∑

·

· 1
2 2
1
1
2 2
1
) 2 ( 2
2
2
1
2
) 2 (
2
1
2
n
n
n
n
B
nh a
K
a
I
nh a
K
a
I
V
π
ρ
π
ρ
(3.2.5)
31
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Figura 3.2.2: Configuração de Wenner no solo de duas camadas
Fazendo a mesma consideração para o potencial do ponto C, tem-se:
]
]
]

+ −
]
]
]

+ ·
∑ ∑

·
+

·
+
1
) 2 ( ) (
1
2
1
) 2 ( ) 2 (
2
1
2 2
1
2
1
2 2
n
nh a
K
a
I
n
nh a
K
a
I
c
n n
V
π
ρ
π
ρ
(3.2.6)
A diferença de potencial entre os pontos B e C é dado por:
V
BC
= V
B
- V
C
Substituindo-se as equações correspondentes, obtém-se:
¹
'
¹
¹
'
¹
]
]
]

− + ·


·
+ +
1
) 2 ( 4 ) 2 ( 1
2 2 2
1
4 1
n
n
K
n
K
a
I
BC
a
h
n
a
h
n
V
π
ρ
(3.2.7)

¹
'
¹
¹
'
¹
]
]
]

− + ·


·
+ +
1
) 2 ( 4 ) 2 ( 1
1 2 2
4 1 2
n
n
K
n
K
I
V
a
h
n
a
h
n
BC
a ρ π
A relação V
BC
/I representa o valor da resistência elétrica lida no aparelho
Megger do esquema apresentado. Assim, então:
32
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
¹
'
¹
¹
'
¹
]
]
]

− + ·


·
+ +
1
) 2 ( 4 ) 2 ( 1
1 2 2
4 1 2
n
n
K
n
K
a
h
n
a
h
n
aR ρ π
De acordo com a expressão 2.4.1, a resistividade elétrica do solo, para o
espaçamento “a” é dada por ρ = 2π aR. Após a substituição, obtém-se finalmente:
¹
'
¹
¹
'
¹
]
]
]

− + ·


·
+ +
1
) 2 ( 4 ) 2 ( 1
2 2
1
) (
4 1
n
n
K
n
K
a
h
n
a
h
n
a
ρ
ρ
(3.2.8)
A expressão 3.2.8 é fundamental na elaboração da estratificação do solo em
duas camadas.
3.3 - MÉTODO DE ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO DE DUAS CAMADAS
Empregando estrategicamente a expressão 3.2.8 é possível obter alguns
métodos de estratificação do solo para duas camadas. Entre eles, o mais usados são:
• Método de duas camadas usando curvas;
• Método de duas camadas usando técnicas de otimização;
• Método simplificado para estratificação do solo de duas camadas.
A seguir, é feita uma detalhada descrição de cada um desses métodos.
3.4 - MÉTODO DE DUAS CAMADAS USANDO CURVAS
Como já observado, a faixa de variação do coeficiente de reflexão K é
pequena, e está limitada entre -1 e +1. Pode-se então, traçar uma família de curvas de
ρ (a)/ρ
1
em função de h/a para uma série de valores de K negativos e positivos,
33
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
cobrindo toda a sua faixa de variação. As curvas traçadas para K variando na faixa
negativa, isto é, curva ρ (a) x a descendente, figura 3.4.1a, estão apresentada na
figura 3.4.2.
Já as curvas obtidas da expressão 3.2.8 para a curva ρ (a) x a segundo, figura
3.4.1b, isto é, para K variando na faixa positiva, são mostradas na figura 3.4.3.
Figura 3.4.1: curvas ρ (a) x a descendente e ascendente
Com base na família de curvas teóricas das figuras 3.4.2 e 3.4.3, é possível
estabelecer um método que faz o casamento da curva ρ (a) x a, medida por Wenner,
com uma determinada curva particular. Esta curva particular é caracterizada pelos
respectivos valores de ρ
1
, K e h. Assim, estes valores são encontrados e a
estratificação esta estabelecida.
A seguir são apresentados os passos relativos ao procedimento deste método:
1º passo: traçar em um gráfico a curva ρ (a) x a obtida pelo método de Wenner;
2º passo: Prolongar a curva ρ (a) x a até cortar o eixo das ordenadas do gráfico.
Neste ponto, é lido diretamente o valor de ρ
1
, isto é, a resistividade da
primeira camada. Para viabilizar este passo, recomenda-se fazer várias
leituras pelo método de Wenner para pequenos espaçamentos. Isto se
justifica porque a penetração desta corrente dá-se predominantemente na
primeira camada.
34
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
3º passo: Um valor de espaçamento a
1
é escolhido arbitrariamente, e levado na curva
para obter-se o correspondente valor de ρ (a
1
).
4º passo: Pelo comportamento da curva ρ (a) x a, determina-se o sinal de K. Isto é:
Se a curva for descendente, o sinal de K é negativo e efetua-se o cálculo
de ρ (a
1
)/ρ
1.
Se a curva for ascendente, o sinal de K é positivo e efetua-se o cálculo de
ρ
1
/ρ (a
1
).
Figura 3.4.2: curvas para K negativos
5º passo: Com o valor de ρ (a
1
)/ρ
1
ou ρ
1
/ρ (a
1
) obtido, entra-se na curvas
teóricas correspondente e traça-se uma linha paralela ao eixo da abscissa.
35
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Esta reta corta curvas distintas de K. Proceder a leitura de todos os
específicos K e h/a correspondentes.
Figura 3.4.3: Curvas para K positivos
6º passo: Multiplica-se todos os valores de h/a encontrados no quinto passo pelo
valor de a
1
do terceiro passo. Assim, com o quinto e sexto passo, gera-se
uma tabela com os valores correspondentes de K, h/a e h.
7º passo: Plota-se a curva K x h dos valores obtidos da tabela gerada no sexto passo.
8º passo: Um segundo valor de espaçamento a
2
≠ a
1
é novamente escolhido, e todo o
processo é repetido, resultando numa nova curva K x h
36
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
9º passo: Plota-se esta nova curva K x h no mesmo gráfico do sétimo passo.
10º passo: A interseção das duas curvas K x h num dado ponto resultará nos valores
reais de K e h, e a estratificação estará definida.
Exemplo 3.4.1
Efetuar a estratificação do solo pelo método apresentado no item 3.3,
correspondente à série de medidas feitas em campo pelo método de Wenner, cujos
dados estão na Tabela 3.4.1.
Espaçamento (m)
Resistividade (Ω .m)
1 684
2 611
4 415
6 294
8 237
16 189
32 182
Tabela 3.4.1: Valores de medição em campo
A resolução é feita seguindo os passos recomendados.
1º passo: Na figura 3.4.4 está traçada a curva ρ (a) x a
2º passo: Prolongando-se a curva, obtém-se
ρ
1
=700 Ω .m
3º passo: escolhe-se a
1
= 4m e obtém-se ρ (a
1
) = 415 Ω .m
4º passo: Como a curva ρ (a) x a é descendente, K é negativo, então calcula-se a
relação:
593 , 0
700
415
) (
1
1
· ·
ρ
ρ a
37
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Figura 3.4.4: Curva ρ (a) x a
5º passo: Como K é negativo e com o valor 5 93 , 0
1
1
) (
·
ρ
ρ a
levado na família de
curvas teóricas da figura 3.4.2, procede-se a leitura dos respectivos K e
a
h
.
Assim, gera-se a Tabela 3.4.2 proposta no sexto passo.
a
1
= 4m 5 9 3 , 0
1
1
) (
·
ρ
ρ a
K
a
h
h[m]
-0,1 - -
-0,2 - -
-0,3 0,263 1,052
-0,4 0,423 1,692
-0,5 0,547 2,188
38
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
-0,6 0,625 2,500
-0,7 0,691 2,764
-0,8 0,752 3,008
-0,9 0,800 3,200
-1,0 0,846 3,384
Tabela 3.4.2: Valores do quinto e sexto passo
8º passo: Escolhe-se um outro espaçamento
a
2
= 6m
ρ (a
2
) = 294 Ω .m
42 , 0
700
294
) (
1
2
· ·
ρ
ρ a
Constrói-se a Tabela 3.4.3.
a
1
= 6m 4 20 , 0
1
1
) (
·
ρ
ρ a
K
a
h
h[m]
-0,1 - -
-0,2 - -
-0,3 - -
-0,4 - -
-0,5 0,305 1,830
-0,6 0,421 2,526
-0,7 0,488 2,928
-0,8 0,558 3,348
-0,9 0,619 3,714
-1,0 0,663 3,978
Tabela 3.4.3: Valores do quinto e sexto passo
39
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Figura 3.4.5: Curva h x K
9º passo: A Figura 3.4.5 apresenta o traçado das duas curvas K x h obtidas da Tabela
3.4.2 e 3.4.3.
10º passo: A interseção ocorre em:
K = -0,616
h = 2,574 m
Usando a equação 3.2.3, obtém-se o valor de ρ
2
.
ρ
2
= 166,36 Ω .m
A figura 3.4.6 mostra o solo estratificado em duas camadas.
40
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Figura 3.4.6: Solo estratificado, solução do exemplo
3.5 – MÉTODOS DE DUAS CAMADAS USANDO TÉCNICAS DE
OTIMIZAÇÃO.
¹
'
¹
¹
'
¹
]
]
]

− + ·


·
+ +
1
) 2 ( 4 ) 2 ( 1
1 2 2
4 1 ) (
n
n
K
n
K
a
h
n
a
h
n
a ρ ρ
(3.5.1)
Pela expressão acima, para um específico solo em duas camadas, há uma
relação entre os espaçamentos entre as hastes da configuração de Wenner e o
respectivo valor de ρ (a).
Na prática, pelos dados obtidos em campo, tem-se a relação de "a" e ρ (a)
medidos no aparelho. Os valores de ρ (a) medidos e os obtidos pela fórmula 3.5.1
devem ser os mesmos. Portanto, procura-se, pelas técnicas de otimização, obter o
melhor solo estratificado em duas camadas, isto é, obter os valores de ρ
1
, K e h, tal
que a expressão 3.5.1 seja aquela que mais se ajusta à série de valores medidos.
Assim, procura-se minimizar os desvios entre os valores medidos e calculados.
A solução será encontrada na minimização da função abaixo:
Minimizar
∑ ∑
·

·
+ +
¹
¹
¹
'
¹
¹
¹
¹
'
¹
¹
'
¹
¹
'
¹
]
]
]

− + −
q
i n
n
K
n
K
m e di do i
i
a
h
n
i
a
h
n
a
1
2
1
) 2 ( 4 ) 2 ( 1
1 2 2
4 1 ) ( ρ ρ
(3.5.2)
As variáveis são ρ
1
, K e h.
41
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Esta é a expressão da minimização dos desvios ao quadrado conhecida como
mínimo quadrado. Aplicando qualquer método de otimização multidimensional em
3.5.2, obtém-se os valores ótimos de ρ
1
, K e h, que é a solução final do método de
estratificação.
Existem vários métodos tradicionais que podem ser aplicados para otimizar a
expressão 3.5.2, tais como:
• Método do Gradiente;
• Método do Gradiente Conjugado;
• Método de Newton;
• Método Quase-Newton;
• Método de Direção Aleatória;
• Método de Hooke e Jeeves;
• Método do Poliedro Flexível;
• etc.
Exemplo 3.5.1
Aplicando separadamente três métodos de otimização conforme proposto pela
expressão 3.5.2 ao conjunto de medidas da Tabela 3.5.1, obtidas em campo pelo
método de Wenner, as soluções obtidas estão apresentadas na Tabela 3.5.2.
Espaçamento a [m]
Resistividade [Ω .m]
2,5
320
5,0
245
7,5 182
10,0 162
12,5 168
15,0 152
Tabela 3.5.1: Dados da medição
42
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Estratificação do solo calculada Gradiente Linearizado Hooke-Jeeves
Resistividade da 1ª camada [Ω .m]
383,49 364,67 364,335
Resistividade da 2ª camada [Ω .m]
147,65 143,61 144,010
Profundidade da 1ª camada [m] 2,56 2,82 2,827
Fator de reflexão K -0,44 -0,43 -0,4334
Tabela 3.5.2: Solução encontrada
3.6 - MÉTODO SIMPLIFICADO PARA ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO EM
DUAS CAMADAS
Este método oferecerá resultados variáveis somente quando o solo puder ser
considerado estratificável em duas camadas e a curva ρ (a) x a tiver uma das formas
típicas indicadas na figura 3.6.1 abaixo, com uma considerável tendência de
saturação assintótica nos extremos e paralela ao eixo das abscissas.
A assíntota para pequenos espaçamentos é típica da contribuição da primeira
camada do solo. Já para espaçamentos maiores, tem-se a penetração da corrente na
segunda camada, e sua assíntota caracteriza nitidamente um solo distinto.
Pela análise das curvas ρ (a) x a da figura 3.6.1, fica caracterizado pelo
prolongamento e assíntota, os valores de ρ
1
e ρ
2
. Portanto, neste solo específico,
com os dois valores obtidos, fica definido de acordo com a expressão 3.2.8 o valor
Figura 3.6.1: Curvas ρ (a) x a para Solo de Duas Camadas
43
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do parâmetro K. Assim, na expressão 3.2.8 o valor desconhecido é a profundidade da
primeira camada, isto é, “h”.
A filosofia deste método baseia-se em deslocar as hastes do Método de
Wenner, de modo que a distância entre as hastes seja exatamente igual a "h", isto é,
igual a profundidade da primeira camada. Ver figura 3.6.2.
Assim, como a = h ou
a
h
= 1, o termo a direita da expressão 3.3.4 fica sendo
a expressão 3.6.1, que será denominado de M
(h=a)
.


·
+ +
·
]
]
]

− + · ·
·
1
) 2 ( 4 ) 2 ( 1
) ( 2 2
1
) (
4 1
n
n
K
n
K
h a
n n
h a
M
ρ
ρ
(3.6.1)
Figura 3.6.2: Espaçamento a=h
A expressão 3.6.1 significa que se o espaçamento "a" das hastes no Método
de Wenner for exatamente igual a "h", a leitura no aparelho Megger será:
ρ
(a=h)
= ρ
1•
M
(h=a)
(3.6.2)
Portanto, deste modo, basta levar o valor de ρ
(a=h)
na curva ρ (a) x a e obter o
valor de "a", isto é, "h". Assim, fica obtida a profundidade da primeira camada.
Esta é a filosofia deste método, para tanto, deve-se obter a curva M
(a=h)
versus
K, através da expressão 3.6.1. Esta curva está na figura 3.6.3.
44
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Assim, definida a curva de resistividade ρ (a) x a, obtida pelo método de
Wenner, a seqüência para obtenção da estratificação do solo é a seguinte:
1º passo: Traçar a curva ρ (a) x a, obtida pela medição em campo usando o método
de Wenner.
2º passo: Prolongar a curva ρ (a) x a até interceptar o eixo das ordenadas e determi-
nar o valor de ρ
1
, isto é, da resistividade da primeira camada do solo.
3º passo: Traçar a assíntota no final da curva ρ (a) x a e prolongá-la até o eixo das
ordenadas, o que indicará o valor da resistividade ρ
1
, da segunda camada do
solo.
4º passo: Calcular o coeficiente de reflexão K, através da expressão 3.2.3, isto é:
1
1
1
2
1
2
+

·
ρ
ρ
ρ
ρ
K
5º passo: Com o valor de K obtido no quarto passo, determinar o valor de M
(a=h)
na
curva da figura 3.6.3. O valor de M
(a=h)
está relacionado com a equação 3.2.8,
já que são conhecidos ρ
1

2
e K, sendo a profundidade “h” desconhecida.
6º passo: Calcular ρ
(a=h)
= ρ
1•
M
(a=h)
7º passo: Com o valor de ρ
(a=h)
encontrado, entrar na curva de resistividade ρ (a) x a
e determinar a profundidade “h” da primeira camada do solo.
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Figura 3.6.3: Curva M(a=h) x K
Exemplo 3.6.1
Com os valores medidos em campo pelo método de Wenner da tabela 3.6.1,
efetuar a estratificação do solo pelo método simplificado de duas camadas.
Espaçamento a [m]
Resistividade [Ω .m]
1
996
2
974
4 858
6 696
8 549
46
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12 361
16 276
22 230
32 210
Tabela 3.6.1: Dados de campo
1º passo: A curva ρ (a) x a está mostrada na figura 3.6.4.
2º passo: Pelo prolongamento da curva, tem-se
ρ
1
= 1000 Ω .m
3º passo: Traçando a assíntota, tem-se
ρ
2
= 200 Ω .m
4º passo: Calcular o índice de reflexão K
6 6 6 6 , 0
1
1
1
1
1 0 0 0
2 0 0
1 0 0 0
2 0 0
1
2
1
2
− · · ·
+

+

ρ
ρ
ρ
ρ
K
5º passo: Da curva da figura 3.6.3, obtém-se
M
(a=h)
= 0,783
6º passo: Calcular
ρ
(a=h)
= ρ
1
• M
(a=h)
= 1000 • 0,783 = 783 Ω .m
7º passo: Com o valor de ρ
(a=h)
levado à curva ρ (a) x a, obtém-se
h = 5,0 m
47
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Figura 3.6.4: Curva ρ (a) x a
Assim, o solo estratificado em duas camadas é apresentado na figura 3.6.5.


Figura 3.6.5: Estratificação do solo
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3.7 - MÉTODO DE ESTRATIFICAÇÃO DE SOLOS DE VÁRIAS CAMADAS
Um solo com várias camadas apresenta uma curva ρ (a) x a ondulada, com
trechos ascendentes e descendentes, conforme mostrado na figura 3.7.1.
Figura 3.7.1: Solo com várias camadas
Dividindo a curva ρ (a) x a em trechos típicos doa solos de duas camadas, é
possível então, empregar métodos para a estratificação do solo com várias camadas,
fazendo uma extensão da modelagem do solo de duas camadas.
Serão desenvolvidos os seguintes métodos para a estratificação do solo com
várias camadas:
• Método de Pirson;
• Método Gráfico de Yokogawa.
3.8 - MÉTODO DE PIRSON
O Método de Pirson pode ser encarado como uma extensão do método de
duas camadas. Ao se dividir a curva ρ (a) x a em trechos ascendentes e descendentes
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fica evidenciado que o solo de várias camadas pode ser analisado como uma
seqüência de curvas de solo equivalentes a duas camadas.
Considerando o primeiro trecho como um solo de duas camadas, obtém-se
ρ
1
, ρ
2,
h
1
. Ao analisar-se o segundo trecho, deve-se primeiramente determinar uma
resistividade equivalente, vista pela terceira camada. Assim, procura-se obter a
resistividade ρ
3
e a profundidade da camada equivalente. E assim sucessivamente,
seguindo a mesma lógica.
A seguir apresenta-se os passos a serem seguidos na metodologia adotada e
proposta por Pirson:
1º passo: Traçar um gráfico a curva ρ (a) x a obtida pelo método de Wenner.
2º passo: Dividir a curva em trechos ascendentes e descendentes, isto é, entre os seus
pontos máximos e mínimos,
3º passo: Prolonga-se a curva ρ (a) x a até interceptar o eixo das ordenadas do
gráfico. Neste ponto é lido o valor de ρ
1
, isto é, a resistividade da primeira
camada.
4º passo: Em relação ao primeiro trecho da curva ρ (a) x a, característica de um solo
de duas camadas, procede-se então toda a seqüência indicada no método 3.4.
Encontrando-se, assim, os valores de ρ
2
e h
1
.
5º passo: Para o segundo trecho, achar o ponto de transição (a
t
) onde a
da

é
máxima, isto é, onde 0
2
2
·
da
d ρ
. Este ponto da transição está localizado onde a
curva muda a sua concavidade.
6º passo: Considerando o segundo trecho da curva ρ (a) x a, deve-se achar a
resistividade equivalente vista pela terceira camada, assim estima-se a
50
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profundidade da segunda camada (h
2
), pelo método de Lancaster-Jones, isto
é:
h
2
= d
1
+ d
2
=
t
a
3
2
(3.8.1)
Onde
d
1
= h
1
= Espessura da primeira camada
d
2
= Espessura estimada da segunda camada
h
2
= Profundidade estimada da segunda camada
a
t
= E o espaçamento correspondente ao ponto de transição do segundo trecho.
Assim, obtém-se o valor estimado de h
2
e d
2
.
7° passo: Calcular a resistividade média equivalente estimada (
1
2
ρ ) vista pela
terceira camada, utilizando a Fórmula de Hummel, que é a média harmônica
ponderada da primeira e segunda camada.
2
2
1
1
2 1
1
2
ρ ρ
ρ
d d
d d
+
+
·
(3.8.2)
O
1
2
ρ se apresenta como o ρ
1
do método de duas camadas.
8º passo: Para o segundo trecho da curva, repetir todo o processo de duas camadas
visto no método apresentado em 3.4, considerando
1
2
ρ a resistividade da
primeira camada. Assim, obtém-se os novos valores estimados de ρ
3
e h
2
.
Estes valores foram obtidos a partir de uma estimativa de Lancaster-Jones. Se
um refinamento maior no processo for desejado, deve-se refazer o processo a partir
do novo h
2
calculado, isto é:
h
2
= d
1
+ d
2
51
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Volta-se ao sétimo passo para obter novos valores de ρ
3
e h
3
. Após, então,
repete-se a partir do sexto passo, todo o processo para os outros trechos sucessores.
Exemplo 3.8.1
Efetuar a estratificação do solo pelo Método de Pirson, para o conjunto de
medidas obtidas em campo pelo método de Wenner, apresentado na Tabela 3.9.1.
Espaçamento a [m]
Resistividade [Ω .m]
1
11.938
2
15.770
4 17.341
8 11.058
16 5.026
32 3.820
Tabela 3.8.1: Dados da medição
1º passo: Figura 3.8.1 mostra a curva ρ (a) x a.
2° passo: A curva ρ (a) x a é dividida em dois trechos, um ascendente e outro
descendente. A separação é feita pelo ponto máximo da curva, isto é, onde
0 ·
d a

.
3° passo: Com o prolongamento da curva ρ (a) x a obtém-se a resistividade da
primeira camada do solo.
ρ
1
= 8.600 Ω
4º passo: Após efetuados os passos indicados no método do item 3.4, obtém-se as
Tabelas 3.8.2 relativa aos passos intermediários.
Para:
52
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Figura 3.8.1: Curva ρ (a) x a
a
1
= 1m, obtém-se ρ (a
1
) = 11.938 Ω .m
a
1
= 2m, obtém-se ρ (a,) = 15.770 Ω .m
Efetuando o traçado das duas curvas K x h, as mesmas se interceptam no ponto:
h
1
= d
1
= 0,64m
K
1
= 0,43
Calcula-se
ρ
2
= 21.575 Ω .m
5º passo: Examinando o segundo trecho da curva, pode-se concluir que o ponto da
curva com espaçamento de 8 metros, apresenta a maior inclinação. Portanto,
o ponto de transição é relativo ao espaçamento de 8 metros, assim:
a
t
=8m
a
1
= 1m 7204 , 0
) (
1
1
·
a ρ
ρ
53
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K
1
a
h
H[m]
0,2 0,23 0,23
0,3 0,46 0,46
0,4 0,60 0,60
0,5 0,72 0,72
0,6 0,81 0,81
0,7 0,89 0,89
0,8 0,98 0,98
a
1
= 2m 5475 , 0
) (
1
1
·
a ρ
ρ
K
1
a
h
h[m]
0,2 - -
0,3 0,05 0,10
0,4 0,28 0,56
0,5 0,40 0,80
0,6 0,49 0,98
0,7 0,57 1,14
0,8 0,65 1,30
Tabela 3.8.2: Valores calculados
6º passo: Considerando o segundo trecho da curva ρ (a) x a, estimar a profundidade
da segunda camada. Aplicando-se a fórmula 3.9.1 do método de Lancaster-
Jones, tem-se:
h
2
= d
1
+ d
2
=
t
a
3
2
h
2
= 0,64 + d
2
= 8
3
2

h
2
= 5,4 m
d
2
= 4,76 m
54
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7º passo: Cálculo da resistividade média equivalente pela fórmula 3.8.2 de Hummel,
tem-se
575 , 21
760 , 4
8600
64 , 0
76 , 4 64 , 0 1
2
+
+
· ρ
m . 302 , 18
1
2
Ω · ρ
8º passo: Para o segundo trecho da curva ρ (a) x a, repetir novamente os passos do
método do item 3.4, gerando as Tabelas 3.8.3.
Para:
a
1
= 8m, obtém-se ρ (a
1
) = 11.058 Ω .m
a
1
= 16m, obtém-se ρ (a
1
) = 5.026 Ω .m
Efetuando-se o traçado das duas curvas K x h, as mesmas interceptam-se no
ponto,
h
2
= 5, 64m
K = -0, 71
a
1
= 8m 6 0 4 , 0
1
2
1
) (
·
ρ
ρ a
K
1
a
h
h[m]
-0,3 0,280 2,240
-0,4 0,452 3,616
-0,5 0,560 4,480
-0,6 0,642 5,136
-0,7 0,720 5,760
-0,8 0,780 6,240
-0,9 0,826 6,600
a
1
= 16m 2 7 4 6 , 0
1
2
1
) (
·
ρ
ρ a
K
1
a
h
h[m]
-0,3 - -
-0,4 - -
-0,5 - -
-0,6 0,20 3,20
55
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-0,7 0,34 5,44
-0,8 0,43 6,88
-0,9 0,49 7,84

Tabela 3.8.3: Valores calculados
Assim,
K
K

+
·
1
1
1
2 3
ρ ρ
Substituindo-se os valores, tem-se:
ρ
3
= 3.103 Ω .m
Portanto, a solução final foi encontrada e o solo com três camadas
estratificadas é mostrado na figura 3.8.2.

Figura 3.8.2: Solo em três camadas
3.9 - MÉTODO GRÁFICO DE YOKOGAWA
Este é um método gráfico apresentado no manual do aparelho Yokogawa de
medição de resistência de terra. Com este método, pode-se efetuar a estratificação do
solo em várias camadas horizontais com razoável aceitação.
A origem do método, baseia-se na logaritimização da expressão 3.2.8 obtida
do modelo do solo de duas camadas. Assim, usando o logaritmo em ambos os lados
da expressão 3.2.8, tem-se:
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[ ]
¹
'
¹
¹
'
¹
]
]
]

− + ·


·
+ +
1
) 2 ( 4 ) 2 ( 1
) (
2 2
1
4 1 log log
n
n
K
n
K
a
a
h
n
a
h
n
ρ
ρ
(3.9.1)
Empregando-se a mesma filosofia usada no modelo desenvolvido no item 3.4,
pode-se construir uma família de curvas teóricas de log [ ]
1
) (
ρ
ρ a
em função de
a
h
para
uma série de valores de K dentro de toda sua faixa de variação.
Fazendo o traçado das famílias das curvas teóricas, em um gráfico com escala
logarítmica, isto é, log-log, tem se a CURVA PADRÃO, mostrada na figura 3.9.1.
A Curva Padrão obtida na escala logarítmica é similar às curvas do gráfico
das figuras 3.4.2 e 3.5.3 traçadas juntas. Os valores de
1
) (
ρ
ρ a
estão na ordenada do
gráfico 3.9.1, na abscissa estão os valores de
a
h
e as curvas dos respectivos K estão
indicadas pelo seu correspondente
1
2
ρ
ρ
.
Estas curvas são relativas às curvas teóricas obtidas especificamente de
modelagem do solo de duas camadas. Um solo típico de duas camadas é
caracterizado pelos três parâmetros: ρ
1,
ρ
2
e h. Fazendo as medições neste solo,
pelo método de Wenner e traçando a curva ρ (a) x a em escala logarítmica, o seu
formato é típico da Curva Padrão.
57
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Fazendo manualmente o perfeito casamento da curva ρ (a) x a na escala
logarítmica com uma determinada curva padrão, tem-se então a identidade
estabelecida. Isto eqüivale a ter no método de Wenner o espaçamento igual à
profundidade da primeira camada, isto é, a = h, no solo de duas camadas. Ver figura
3.10.2.
Figura 3.9.1: Curva padrão
Portanto, no ponto da curva ρ (a) x a que coincide com a ordenada
1
) (
ρ
ρ a
= 1
na Curva Padrão, lê-se diretamente o valor específico de ρ (a), que é igual a
resistividade ρ
1
da primeira camada. Este ponto é denominado de pólo O
1
da
primeira camada, que representa na curva ρ (a) x a o ponto de medição pelo método
de Wenner que tenha o mesmo valor da resistividade da primeira camada, juntamente
com seu respectivo espaçamento "a" que é idêntico à profundidade da primeira
camada.
58
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Neste ponto do pólo O
1
lê-se, também, a profundidade da primeira camada,
isto é, "h" .
O traçado da Curva Padrão é feito de tal forma que, com o casamento da
curva ρ (a) x a, o ponto
1
) (
ρ
ρ a
= 1 e
a
h
= 1, isto é, o pólo 0
1
, esteja na posição sobre
a curva ρ (a) x a de tal forma que a medição do valor deste ponto pelo método de
Wenner, cobriria totalmente a primeira camada, isto é, já produz a solução da
estratificação procurada.
Figura 3.9.2: Espaçamento a = h
No ponto estabelecido do pólo O
1
, basta efetuar a leitura de ρ (a) e "a", onde:
ρ
1
= ρ (a)  Valor lido no pólo O
1
na curva ρ (a) x a
a = h  Valor lido no pólo O
1
na curva ρ (a) x a
O casamento de curvas fornece o valor de ρ
2
.
Pode-se estender este processo para solos com várias camadas, seguindo a
mesma filosofia do método de Pirson. Deste modo, divide-se a curva ρ (a) x a em
trechos ascendentes e descendentes.
59
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Figura 3.9.3: Curva auxiliar
A partir do segundo trecho, deve-se utilizar uma estimativa da camada
equivalente vista pela terceira camada, isto é feito empregando a Curva Auxiliar da
figura 3.9.3.
60
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Coloca-se sobre o gráfico ρ (a) x a, a curva
1
2
ρ
ρ
da Curva Auxiliar que tenha
a mesma relação
1
2
ρ
ρ
obtida pelo casamento da curva ρ (a) x a com a Curva Padrão.
Com o pólo de origem ( 1
1
) (
·
ρ
ρ a
e 1 ·
a
h
) da Curva Padrão mantido sobre a
Curva Auxiliar
1
2
ρ
ρ
, procura-se ajustar o melhor casamento entre o segundo trecho
da
curva ρ (a) x a com a da Curva Padrão. Isto feito, demarca-se no gráfico ρ (a) x a o
pólo O
2
.
Neste pólo O
2
, lê-se:
ρ (a) =
1
2
ρ  Resistividade equivalente da primeira e segunda camada, isto é, vista
pela terceira camada.
a = h
2
 Profundidade do conjunto da primeira e segunda camada.
Com a relação
1
2
3
ρ
ρ
obtida do casamento, obtém-se o ρ
3
. E assim
sucessivamente.
Até o momento procurou-se apenas justificar a filosofia baseada neste
método. A resolução da estratificação é puramente gráfica usando translado de
curvas, portanto, é difícil traduzir com plenitude a exemplificação do método.
Colocando-se em ordem de rotina, passa-se a descrever o método:
1° passo: Traçar em papel transparente a curva ρ (a) x a em escala logarítmica.
2° passo: Dividir a curva ρ (a) x a em trechos ascendentes e descendentes.
3° passo: Desloca se o primeiro trecho da curva ρ (a) x a sobre a CURVA
PADRÃO, 61
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até obter o melhor casamento possível, isto se dá na relação
1
2
ρ
ρ
.
4º passo: Demarca-se ao gráfico da curva ρ (a) x a, o ponto de origem (
1
1
) (
·
ρ
ρ a
e
1 ·
a
h
) da Curva Padrão, obtendo-se assim o pólo 0
1
.
5º passo: Lê-se no ponto do pólo O
1
, os valores de ρ
1
e h
1
.
6° passo: Calcula-se ρ
2
pela relação
1
2
ρ
ρ
obtida no terceiro passo.
Até este passo, foram obtidos ρ
1
, h
1
e ρ
2
. Para continuar o processo do outro
trecho sucessor da curva ρ (a) x a, vai-se ao sétimo passo.
7º passo: Faz-se o pólo O
1
do gráfico da curva ρ (a) x a coincidir com o ponto de
origem da CURVA AUXILIAR.. Transfere-se, isto é, traça-se com outra cor a Curva
Auxiliar com relação
1
2
ρ
ρ
obtida no terceiro passo, sobre o gráfico da curva ρ (a) x
a.
8º passo: Transladando-se o gráfico ρ (a) x a, de modo que a Curva Auxiliar
1
2
ρ
ρ
,
traçada no sétimo passo, percorra sempre sobre o ponto de origem da CURVA
PADRÃO. Isto é feito até se conseguir o melhor casamento possível do segundo
trecho da curva ρ (a) x a com a da Curva Padrão, isto se dá numa nova relação
1
2
ρ
ρ

denominada agora de
2
1
3
ρ
ρ
.
62
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9º passo: Demarca-se o pólo O
2
no gráfico ρ (a) x a, coincidente com o ponto de
origem da Curva Padrão.
10° passo: Lê-se no ponto do pólo O
2
os valores de
2
1
ρ e h
2
.
11° passo: Calcula se a resistividade da terceira camada ρ
3
pela relação fornecida
no oitavo passo.
Até este passo foram obtidos p
1
, h
1
, h
2
, ρ
2
e ρ
3
. Havendo mais trechos da
curva ρ (a) x a, deve-se repetir o processo a partir do sétimo passo.
Exemplo 3.9.1
Efetuar a estratificação do solo pelo método gráfico de Yokogawa do
respectivo conjunto de medições em campo da Tabela 3.9.1, obtidos pelo método de
Wenner.
Espaçamento a [m]
Resistividade [Ω .m]
2
680
4
840
8 930
16 690
32 330
Tabela 3.9.1: Dados de campo
Toda a resolução baseia-se na figura 3.9.4.
No polo O
1
, tem-se:
ρ
1
= 350 Ω .m
h
1
= 0,67 m
3
1
2
·
ρ
ρ
ρ
2
= 1050 Ω .m
63
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No polo O
2
, tem-se:
m . 900
1
2
Ω · ρ
h
2
= 15 m
6
1
1
2
3
·
ρ
ρ
ρ 3 = 150 Ω .m
O solo estratificado em três camadas está na figura 3.9.5
Figura 3.9.4: Resolução do método gráfico

Figura 3.9.5: Solo em três camadas
4 – MANEIRAS DE ATERRAMENTO
4.1 - INTRODUÇÃO:
64
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Apresentaremos neste capítulo as maneiras de aterramento mais simples, com
geometria e configurações efetuadas por hastes, anel e fios. Sendo a malha de terra
um sistema de aterramento especial, será dedicado um capítulo a parte.
O escoamento da corrente elétrica absorvida pelo sistema de aterramento, se
dá através de uma resistividade aparente que o solo apresenta para este aterramento
em especial, portanto, serão analisado o sistema de aterramento em relação a uma
resistividade aparente, já que seu cálculo depende do tipo de solo e do sistema de
aterramento.
4.2 – HASTE VERTICAL
Uma das formas mais simples de aterramento é uma única haste enterrada no
solo.
Figura 4.2.1: Haste cravada no solo
O valor da resistência de aterramento pode ser determinado pela fórmula
4.2.1.
( ) Ω ·
d
L
L hast e
a
R
4
2 1
ln
π
ρ
(4.2.1)
onde: ρ
a
= resistividade aparente do solo no local de fincamento da haste (Ω .m);
l = comprimento cravado da haste (m);
65
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d = diâmetro equivalente da haste (m).
No caso da haste ser do tipo cantoneira, deve-se efetuar o cálculo da área da
sua secção transversal e igualar a área de um circulo. Assim:
π
ca nt one ir a
S
d 2 ·
(4.2.2)
onde: d = diâmetro do circulo equivalente à área da secção transversal da cantoneira.
Contudo, nem sempre uma simples haste nos possibilitará obter o valor de
resistência de aterramento que desejamos. Neste caso, poderemos utilizar vários
meios de reduzir o valor da resistência de aterramento, tais como aumentar o
comprimento da haste a ser utilizada, tratar quimicamente o solo ao redor da haste,
interligar várias hastes em paralelo ou soluções mistas dessas alternativas.
Pode-se observar também que a expressão 4.2.1 não leva em conta o material
de que é formada a haste, mas sim do formato da cavidade que a geometria da haste
forma no solo. O fluxo formado pelas linhas de corrente elétrica entra ou sai do solo,
utilizando a forma da cavidade. Portanto, o R
1haste
refere-se somente à resistência
elétrica da forma geométrica do sistema de aterramento interagindo com o solo.
Assim, generalizando, a resistência elétrica de um sistema de aterramento é apenas
uma parcela da resistência do aterramento de um equipamento. A resistência total
vista pelo aterramento de um equipamento (figura 4.2.2) é composta:
a) Da resistência da conexão do cabo de ligação com o equipamento;
b) Da impedância do cabo de ligação;
c) Da resistência da conexão do cabo de ligação com o sistema de aterramento
empregado;
d) Da resistência do material que forma o sistema de aterramento ;
e) Da resistência de contato do material com a terra;
66
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Figura 4.2.2:Resistência elétrica total do equipamento
f) Da resistência da cavidade geométrica do sistema de aterramento com a terra.
Deste total, a última parcela, que é a resistência de terra do sistema de
aterramento, é a mais importante. Seu valor é maior e depende do solo, das condições
climáticas, etc.. Já as outras parcelas são menores e podem ser controladas com
facilidade.
A seguir, analisaremos cada alternativa em particular, apontando seus efeitos
na redução da resistência de aterramento, o custo de cada alternativa e, finalmente,
apresentaremos um estudo técnico-econômico que propicie a escolha da melhor
alternativa.
4.3 - AUMENTO DO DIÂMETRO DA HASTE
67
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Se aumentarmos o diâmetro das hastes utilizadas teremos uma pequena
redução no valos da resistência, que é dada pela fórmula 4.2.1, mas apresenta uma
“saturação” para diâmetros acima dos valores produzido pelo fabricante, conforme
pode ser vista na figura 4.2.2
Convém salientar que um aumento grande do diâmetro a haste, sob o ponto
de vista custo-beneficio, não seria vantajoso. Na pratica o diâmetro que se utiliza
para as hastes, é aquele compatível com a resistência mecânica do cravamento no
solo.
4.4 - INTERLIGAÇÃO DE HASTES EM PARALELO
A interligação de hastes em paralelo diminui sensivelmente o valor da
resistência do aterramento. O cálculo da resistência de hastes paralelas interligadas
não segue a lei simples do paralelismo de resistências elétricas. Isto é devido às
interferências nas zonas de atuação das superfícies equipotenciais. A figura 4.4.1
mostra as superfícies equipotenciais de uma haste vertical cravada no solo
homogêneo.
Figura 4.4.1: Superfície equipotencial de uma haste
No caso de duas hastes cravadas no solo homogêneo, distanciadas de "a", a
figura 4.4.2 mostra as superfícies equipotenciais que cada haste teria se a outra não
existisse, onde pode ser observada também a zona de interferência.
68
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Figura 4.42: Zona de interferência nas linhas equipotenciais de duas hastes
A figura 4.4.3 mostra as linhas equipotenciais resultantes do conjunto
formado pelas duas hastes.
Figura 4.4.3: Superfícies equipotenciais de duas hastes
A zona de interferência das linhas equipotenciais causa uma área de bloqueio
do fluxo da corrente de cada haste, resultando uma maior resistência de terra
69
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individual. Como a área de dispersão efetiva da corrente de cada haste torna-se
menor, a resistência de cada haste dentro do conjunto aumenta. Portanto, a
resistência elétrica do conjunto de duas hastes é:
Observe-se que o aumento do espaçamento das hastes paralelas faz com que a
interferência seja diminuída. Teoricamente, para um espaçamento infinito, a
interferência seria nula, porém, um aumento muito grande do espaçamento entre as
hastes não seria economicamente viável. Na prática, o espaçamento aconselhável
gira em torno do comprimento da haste. Adota-se muito o espaçamento de 3 metros.
Para o cálculo da resistência equivalente de hastes paralelas, neve-se levar em
conta o acréscimo de resistência ocasionado pela interferência entre as hastes. A
fórmula 4.4.1 apresenta resistência elétrica que cada haste tem inserida no conjunto.
h a s t e h a s t e
R
R R
h a s t e
1 2 2
1
< <
(4.4.1)
onde: R
h
= resistência apresentada pela haste h inserida no conjunto considerando
as interferências da outras hastes;
n = numero de hastes paralelas
R
hh
= resistência individual de cada haste, sem a presença de outras hastes
(fórmula 4.2.1)
R
hm
= acréscimo da resistência na haste h devido à interferência mutua da
haste m, dada pela fórmula 4.4.2;
]
]
]

·
− −
− +
2 2
2
2
) (
) (
4
ln
L b e
e L b
L
a
hm
hm hm
hm
hm
R
π
ρ
(4.4.2)
e
hm
= espaçamento entre a haste h e a haste m;
L = comprimento da haste em metro.
70
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Figura 4.4.4: Parâmetros das mútuas entre as hastes “h” e “m”
Num sistema de aterramento emprega-se hastes iguais, o que facilita a
padronização na empresa, e também o cálculo da resistência equivalente do conjunto.
Fazendo o cálculo para todas as hastes do conjunto (fórmula 4.4.2) tem-se os valores
da resistência de cada haste.
Determinada a resistência individual de cada haste dentro do conjunto, já
considerados os acréscimos ocasionados pelas interferências, a resistência
equivalente das hastes interligadas será a resultante do paralelismo destas.
Figura 4.4.5: Paralelismo das resistências
71
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n
eq
R R R R
R
1
...
1 1 1
1
3 2 1
+ + + +
·
(4.4.3)
Toda associação de hastes existe um índice de redução (K), que é a relação
entre a resistência equivalente do conjunto e a resistência individual de cada haste
sem a presença de outras hastes.
haste
eq
R
R
K
1
·
(4.4.4)
Para facilitar o cálculo de R
eq
os valores de K são tabelados, ou obtidos
através de curvas( Apêndice A).
4.5 – DIMENSIONAMENTO DE VÁRIOS TIPOS DE SISTEMAS DE
ATERRAMENTO.
4.5.1 – HASTES EM TRIÂNGULO:
Para este sistema as hastes são cravadas nos vértices de um triângulo
equilátero.
Figura4.5.1.1: Triângulo equilátero
72
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Os índices de redução ( K ) são obtidos diretamente das curvas da fig. 4.5.1.2
As curvas são para hastes de ½” e 1”, com tamanhos de 1,2; 1,8; 2,4 e 3 metros.
Figura 4.5.1.2: Curvas dos K x e
O método para determinar a resistência equivalente (R
eq
) é igual para todos os
sistemas de aterramento. Os procedimentos são, determinar o valor da resistência de
uma haste (R
1haste
), este é obtido através das tabelas do apêndice A tendo em mãos os
valores de comprimento da haste (L) e seu diâmetro, em seguida, acha-se o valor do
índice de redução (K) pelas curvas dos K x e. Portanto, com estes valores
determinados obtém-se através da fórmula 4.4.4 o valor da R
eq
.

4.5.2 – HASTES EM QUADRADO VAZIO
73
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Figura 4.5.2.1: Quadrado vazio
Figura 4.5.2.2: Oito hastes em quadrado vazio
74
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Figura 4.5.2.3: Trinta e seis hastes em quadrado vazio
4.5.3 – HASTES EM QUADRADO CHEIO
Figura 4.5.3.1: Quadrado cheio
75
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Figura 4.5.3.2: Quatro hastes em quadrado cheio (vazio)
Figura 4.5.3.3: Trinta e seis hastes em quadrado cheio
4.5.4 – HASTES EM CIRCUNFERÊNCIA:
Figura 4.5.4.1: Hastes em circunferência
76
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Figura 4.5.4.2: Hastes em circunferência com nove metros de raio
4.6 – HASTES PROFUNDAS
O objetivo principal é aumentar o comprimento L das hastes, o que faz, de
acordo com a fórmula 4.2.1, decair o valor da resistência praticamente na razão
inversa de L.
Na utilização do sistema com hastes profundas, vários fatores ajudam a
melhorar ainda mais a qualidade do aterramento. Estes fatores são:
• Aumento do comprimento da haste;
• Camadas mais profundas com resistividades menores;
• Condição de água presente estável ao longo do tempo;
• Condição de temperatura constante e estável ao longo do tempo;
• Produção de gradientes de potencial maiores no fundo do solo, tornando os
potenciais de passo na superfície praticamente desprezíveis.
77
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Figura 4.6.1: Hastes profundas
Quando se utilizam hastes profundas, a dispersão de correntes para o solo
acontece, em sua maioria, na parte inferior da haste, ou seja na camada de solo de
menor resistividade (ρ
x
). A parte superior da haste, situada nas camadas de
resistividade maior, funcionará quase que somente como um condutor para a
dispersão das correntes na parte inferior da haste. Assim sendo a resistência de uma
haste profunda é dada por :
d
L
L
R
x
h
4
ln *
* 2
1
π
ρ
· (4.6.1)
Onde, L é o comprimento total das hastes interligadas.
Logo, deve-se ter o cuidado de prever um comprimento (L
x
) de haste cravada
na camada de baixa resistividade (ρ
x
) para se conseguir um bom desempenho desse
aterramento. Uma regra prática indica a observância de: L
x
≥ 20% L
São consideradas camadas de baixa resistividade aquelas que, relativamente,
são menores que as camadas superiores (ρ
x
<<< ρ
eq
).
Do ponto de vista prático não é recomendável o emprego de hastes
emendáveis com mais de 9m de comprimento total.
Algumas empresas, ao invés de cravar hastes emendadas, tem utilizado a
técnica de cavar o buraco no solo com perfuratriz de poço e, em seguida introduzir
uma única haste conectada a um fio longo que vai até a superfície. Desta maneira
78
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obtém-se bons resultados mas a execução do aterramento é difícil pois exige a
presença de água no local e pessoal especializado.
A resistência de aterramento será dada pela combinação das hastes profundas
em paralelo, sendo os coeficientes de redução tabelados abaixo:
Tabela 4.6.1: Hastes em paralelo
0 valor da resistência de aterramento das hastes profundas em paralelo será
dado por:
h at
R k R
1
* ·
(4.6.2)
Existem também casos de solos em que as camadas de resistividade baixa são
muito profundas ou apresentam camadas de rocha u outros elementos com alta
resistência mecânica à cravação.
Neste casos, a utilização de hastes profundas não é recomendada. Por outro
lado, o uso de hastes alinhadas é na maioria dos casos limitado, em termos práticos,
em número de 6 (seis), acima do qual torna-se antieconômico.
Como solução pode-se interligar esse aterramento a um ou mais aterramentos
adjacentes cada um deles formado por hastes alinhadas (com tratamento químico ou
não) através do próprio neutro da rede ou, se este não existir por meio de condutor
enterrado. quando viável.
A resistência final de aterramento será dada pelo resultado dos dois ou mais
aterramentos em paralelo.
Naturalmente, esses aterramentos adjacentes estarão deslocados da instalação
que se quer aterrar, com o objetivo de obter condições de solo mais favoráveis.
Entretanto, caso a resistência individual do aterramento no ponto seja superior a
79
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100Ω , a distância de base do poste aos conjuntos de elementos remotos não deverá
exceder 30 m, objetivando limitar a impedância do aterramento para a descarga de
surtos.
4.7– ATERRAMENTOS COMPOSTOS POR CONDUTORES
HORIZONTAIS
A figura 4.7.1 mostra um aterramento em forma de anel que pode ser usado
aproveitando o buraco feito para a colocação do poste.
Figura 4.7.1: Aterramento em forma de anel
A resistência de aterramento em anel é dada pela fórmula 4.7.1.

,
`

.
|
·
dp
r
r
a
R
anel
2
2
4
ln *
π
ρ
(Ω ) (4.7.1)
onde: p – profundidade que está enterrado o anel ( m );
r – raio do anel ( m );
80
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d – diâmetro do círculo equivalente à soma da seção transversal dos
condutores que forma o anel ( m ).
Além do anel, a também o fio enterrado horizontalmente e é dada pela
fórmula 4.7.2.
]
]
]


,
`

.
|
· 1
2
ln *
r
L
L
R
π
ρ
(4.7.2)
onde: L – comprimento do condutor;
r – raio do condutor.
Condutor enterrado a uma profundidade p:
]
]
]
]

,
`

.
|
· 1
2
2
ln
pr
L
L
R
π
ρ
(4.7.3)
Destas configurações, o anel é bastante utilizado por algumas concessionárias
e em aterramentos de sistemas MRT. As combinações entre as diversas
configurações também podem ser utilizadas e apresentamos a seguir as fórmulas a
serem aplicadas considerando a influência da resistência mútua resultante das
combinações.
Mútua entre condutores horizontais paralelos;
]
]
]

− · 1
' *
2
ln
s s
L
L
R
mutua
π
ρ
(4.7.4)
onde: s – separação entre condutores (s<<<L)
s’ = ( )
2 2
2 s p +
Mútua entre condutores radiais:
- para dois condutores formando um ângulo θ entre si;
81
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2 / sen
2 / sen 1
ln
θ
θ
π
ρ +
·
L
R
mútua
(4.7.5)
- para N condutores:
]
]
]
]
]
]

+
+ − ·


·
1
1
sen
sen 1
ln 1
2
2
ln
N
m
fio
mútua
N
m
N
m
pr
L
L N
R
π
π
π
ρ
(4.7.6)
A resistência total será dada por:
mútua conf conf
mútua
conf conf
total
R R R
R R R
R
2
*
2 . 1 .
2
2 . 1 .
− +

· (4.7.7)
5 – TRATAMENTO QUÍMICO DO SOLO
5.1 – INTRODUÇÃO:
82
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Todo sistema de aterramento depende da sua integração com o solo e da
resistividade aparente.
Se o sistema já está fisicamente definido e instalado, a única maneira de
diminuir sua resistência elétrica é alterar as características do solo, usando um
tratamento químico.
O tratamento químico deve ser empregado somente quando:
• Existe o aterramento no solo, com uma resistência fora da desejada, e não se
pretende alterá-lo por algum motivo;
• Não existe outra alternativa possível, dentro das condições do sistema, por
impossibilidade de trocar o local, e o terreno tem resistividade elevada.
Os critérios principais para projeto do tratamento são: durabilidade, corrosão
e eficiência.
• Durabilidade
O tratamento não pode ser feito com sais solúveis, tal como sal de cozinha,
pois a chuva, com o tempo, lavará o sal do solo, tornando o tratamento inoperante.
Os materiais utilizados são misturas tipo gel, com capacidade de reter a água
em seu interior sem permitir a retirada dos materiais salinos; exemplos destes
materiais são os preparados vendidos especialmente para este fim no comércio, ou
materiais naturais como a bentonita, que é uma argila que, em contato com a água.
aumenta muito de volume (absorvendo a água) e cria uma estrutura tipo gel.
• Corrosão
O tratamento não pode ser agressivo para os materiais dos eletrodos de terra,
pois isto provocará a destruição dos eletrodos com o tempo; este fator deve ser
investigado cuidadosamente nos preparados comerciais. A bentonita não corrói os
materiais normalmente empregados em aterramento.
• Eficiência
Se definirmos a relação entre a resistência do eletrodo depois do tratamento
em relação ao valor inicial como medida da eficiência, teremos que, quanto menor
esta relação, melhor será a eficácia do tratamento. É importante que a medição do
valor da resistência seja feita algumas semanas após o tratamento, pois os métodos
de preparação sempre envolvem uso de água, de forma que qualquer medição feita
83
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logo após o tratamento apresentará valores artificialmente menores que o valor em
regime normal, devido à presença da água.
5.2 - CARACTERÍSTICA DO TRATAMENTO QUÍMICO DO SOLO
O tratamento químico do solo visa a diminuição de sua resistividade,
conseqüentemente a diminuição da resistência de aterramento.
Os materiais a serem utilizados para um bom tratamento químico do solo
devem ter as seguintes características:
• Boa higroscópia;
• Não lixiviável;
• Não ser corrosivo;
• Baixa resistividade elétrica;
• Quimicamente estável no solo;
• Não ser toxico;
• Não causar danos à natureza.
5.3 – TIPOS DE TRATAMENTO QUÍMICO
São apresentados, a seguir, alguns produtos usados nos diversos tipos de
tratamento químico do solo.
a) Bentonita
Bentonita é um material argiloso que tem as seguintes propriedades:
• Absorve facilmente a água;
• Retém a umidade;
• Boa condutora de eletricidade;
• Baixa resistividade (l, 2 a 4 Ω .m);
84
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• Não é corrosiva (pH alcalino) e protege o material do aterramento contra a corrosão
natural do solo.
É pouco usada atualmente. Hoje é empregada uma variação onde se adiciona
gesso para dar maior estabilidade ao tratamento.
b) Earthron
Earthron é um materia1 líquido de lignosulfato (principal componente da
polpa da madeira) mais um agente geleificador e sais inorgânicos. Suas principais
propriedades são:
• Não é solúvel em água;
• Não é corrosivo, devido à substância gel que anula a ação do ácido da madeira;
• Seu efeito é de longa duração
• É de fácil aplicação no solo;
• É quimicamente estável;
• Retém umidade.
c) Gel
O Gel é constituído de uma mistura de diversos sais que, em presença da
água, formam o agente ativo do tratamento. Suas propriedades são:
• Quimicamente estável;
• Não é solúvel em água;
• Higroscópico;
• Não é corrosivo;
• Não é atacado pelos ácidos contidos no solo;
• Seu efeito é de longa duração.
5.4 – COEFICIENTE DE REDUÇÃO DEVIDO AO TRATAMENTO
QUÍMICO DO SOLO (K
t
)
85
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Quando se trata quimicamente uma haste, o valor da sua resistência é
diminuído com relação ao inicial. Essa redução (K
t
) é função da resistividade do
solo, sendo que, quanto maior a resistividade do solo maior é a redução obtida. Na
prática encontram-se reduções de 5% a 5O% (0,05 a 0,5), e esse limite pode ser
explicado: como a condução de corrente pela terra dá-se por ionização, não adianta
esperar que uma região bem tratada de alguns metros de diâmetro e pouca
profundidade seja equivalente a um solo naturalmente bom, com centenas de metros
cúbicos facilmente ionizáveis em torno do eletrodo. Não é razoável esperar que,
consideradas exatamente as mesmas condições, uma haste tratada de um determinado
fabricante eqüivale a 10 ou 20 hastes de mesmas dimensões de um outro fabricante.
Existem, sim, variações entre tratamentos de fabricantes diferentes, mas estas
se devem muito mais à durabilidade e corrosão do que à eficiência do tratamento.
O valor de K
t
poderá ser obtido, para cada caso, cravando-se uma haste no
local onde se pretende efetuar o aterramento medindo-se o valor da resistência (R
com
tratamento
). Efetua-se o tratamento e mede-se o novo valor, de resistência (R
sem tratamento
).
Assim obtém-se:
n to se m tr atam e
n to co mtrata m e
R
R
t
K ·
E a resistência da haste tratada será:
d
L
L t
a
K R
4
2
l n
π
ρ
• ·
5.5 – VARIAÇÃO DA RESISTÊNCIA DE TERRA DEVIDO AO
TRATAMENTO QUÍMICO
86
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Nos gráficos das figuras 5.5.1, 5.52 e 5.53 é apresentado o comportamento
das variações da resistência de terra com o tratamento químico do solo.
Figura 5.5.1: Resistência de terra reduzida pelo tratamento químico do solo

Figura 5.5.2: Tratamento químico do solo e as variações mensais da resistência
87
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Figura 5.5.3: Variação da resistência de terra, com o tempo, de hastes em solos tratados e não tratados adjacentes
Pode-se observar que pela figura 5.5.3, o tratamento químico vai perdendo o
seu efeito. Recomenda-se fazer novo tratamento após algum tempo.
5.6 – APLICAÇÃO DO TRATAMENTO QUÍMICO NO SOLO
A seguir, nas figuras 5.6.1 e 5.6.2, é mostrado uma seqüência de ilustrações
de aplicação do tratamento químico do solo
.
88
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89
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5.7 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como o tratamento químico do solo é empregado na correção de aterramento
existente, deve-se então, após a execução do mesmo, fazer sempre um
acompanhamento com medições periódicas para analisar o efeito e a estabilidade do
tratamento. 90
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Deve-se sempre dimensionar e executar projetos de sistemas de aterramento
de modo eficiente, para não ser necessário usar tratamento químico.
A ação efetiva do tratamento químico deve-se ao fato de o produto químico
ser higroscópio e manter retida a água por longo tempo, assim, a resistência do
aterramento decai acentuadamente. Portanto, recomenda-se nas regiões que tenham
período de seca bem definido, molhar a terra do sistema de aterramento, o que terá o
mesmo efeito do tratamento químico. Em subestação pode-se deixar instalado um
conjunto de mangueiras e a períodos regulares, molhar a terra que contém a malha.
Pode-se, inclusive, adicionar à água, a solução do produto químico do tratamento.
Em terreno extremamente seco, pode-se concretar o aterramento. O concreto
tem a propriedade de manter a umidade. Sua resistividade está entre 30 e 90 Ω .m.
6 – RESISTIVIDADE APARENTE
91
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WAGNER ANTONIO BIFFE
6.1 – INTRODUÇÃO
Um solo com várias camadas apresenta resistividade diferente para cada tipo
de sistema de aterramento.
A passagem da corrente elétrica do sistema de aterramento para o solo
depende:
• Da composição do solo com suas respectivas camadas;
• Da geometria do sistema de aterramento;
• Do tamanho do sistema de aterramento.
Portanto, faz-se mister, calcular a resistividade aparente que representa a
integração entre o sistema de aterramento relativo ao seu tamanho em conformidade
com o solo.
O tamanho do sistema de aterramento corresponde à profundidade de
penetração das correntes escoadas. Esta penetração determina as camadas do solo
envolvidas com o aterramento, e conseqüentemente, a sua resistividade aparente.
Assim, é possível definir uma resistividade, chamada aparente, que é a
resistividade vista pelo sistema de aterramento em integração com o solo,
considerada a profundidade atingida pelo escoamento das correntes elétricas.
Colocando-se um sistema de aterramento com a mesma geometria em solo
distintos, ele terá resistências elétricas diferentes. Isto se dá porque a resistividade
que o solo apresenta a este aterramento é diferente.
A resistência elétrica de um sistema de aterramento depende
fundamentalmente da:
• Resistividade aparente que o solo apresenta para este determinado aterramento;
• Geometria e da forma como o sistema de aterramento está enterrado no solo.
Assim, genericamente, para qualquer sistema de aterramento, tem-se:
R
(aterramento)
= ρ a f (g) (6.1.1)
Onde:
R
(aterramento)
 Resistência elétrica do sistema de aterramento
92
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ρ a  Resistividade aparente
f(g)  Função que depende da geometria do sistema e da forma de colocação no
solo
Pela análise da expressão 6.1.1, pode-se definir mais claramente o conceito de
resistividade aparente. Para tanto, faz-se necessário a seguinte comparação:
a) Colocar um sistema de aterramento em um solo de várias camadas.
Sua resistência será dada por:
R
(aterramento)
= ρ a f (g)
b) Colocar o mesmo sistema de aterramento em posição idêntica a anterior em um
solo homogêneo, tal que a resistência elétrica seja a mesma. Isto é:
R
(aterramento)
= ρ h f (g)
Assim, igualando-se, tem-se:
ρ a f(g) = ρ h f(g) ∴ ρ a = ρ h (6.1.2)
Portanto, pela expressão 6.1.2 pode-se definir a resistividade aparente (ρ a)
de um sistema de aterramento relativo a um solo não homogêneo, como sendo a
resistividade elétrica de um solo homogêneo que produza o mesmo efeito.
6.2 – HASTE EM SOLO DE VÁRIAS CAMADAS
93
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A resistência do aterramento de uma haste cravada verticalmente em um solo
com várias camadas, é dada pela fórmula
( )
d
L
L haste
a
R
4
2 1
ln
π
ρ
·
, onde a
resistividade aparente é calculada pela expressão 6.2.1, conhecida como a fórmula de
Hummel.

Figura 6.2.1: Haste cravada no solo estratificado
2
2
1
1
2 1
ρ ρ
ρ
L L
L L
a
+
+
·
(6.2.1)
A dispersão das correntes em cada camada se dará de forma proporcional à
sua respectiva resistividade bem como ao comprimento da parcela da haste nela
contida.
Exemplo 6.2.1
Calcular a resistência do aterramento relativo aos dados da figura 6.2.2.
m
a
. 1 8 , 1 85
12 0
3
2 00
5
5 00
2
3 5 2
Ω · ·
+ +
+ +
ρ
94
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( )
3
10 . 15
10 . 4
10 . 2
18 , 185
1
ln

·
π hastet
R
R
1 haste
= 23,19 Ω

6.3 - REDUÇÃO DE CAMADAS
O cálculo da resistividade aparente (ρ a) de um sistema de aterramento é
efetuado considerando o nível de penetração da corrente de escoamento num solo de
duas camadas.
Portanto, um solo com muitas camadas deve ser reduzido a um solo
equivalente com duas camadas.
O procedimento de redução é feito a partir da superfície, considerando-se o
paralelismo entre cada duas camadas, usando a fórmula de Hummel, 6.3.1, que
transforma diretamente o solo em duas camadas equivalentes.
n
n
d d d d
n
d d d d
eq
ρ ρ ρ ρ
ρ
+ + + +
+ + + +
·
.....
.....
3
3
2
2
1
1
3 2 1
(6.3.1)
Assim, chega-se a apenas duas camadas no solo, conforme figura 6.3.1
95
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Figura 6.3.1: Solo equivalente com duas camadas
Exemplo 6.3.1
Transformar o solo da figura 6.3.2 em duas camadas.
d
eq
= 8m
Figura 6.3.2: Redução e solo equivalente
96
m
a
. 2 4 7
6 5
1
5 0 0
6
2 0 0
1
1 6 1
Ω · ·
+ +
+ +
ρ
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6.4 – COEFICIENTE DE PENETRAÇÃO (∝)
O coeficiente de penetração (∝) indica o grau de penetração das correntes
escoadas pelo aterramento no solo equivalente. É dado por:
e q
d
r
· α
( 6.4.1)
Onde:
r  Raio do anel equivalente do sistema de aterramento considerada.
Cada sistema é transformado em um anel equivalente de Endrenyi, cujo raio
“r” é a metade da maior dimensão do aterramento.
O cálculo de “r” para algumas configurações. É dado a seguir:
a) Haste alinhadas e igualmente espaçadas.
e r
n
.
2
) 1 ( −
· (6.4.2)
Onde:
n Número de hastes cravadas verticalmente no solo.
e Espaçamento entre as hastes.
b) Outras configurações.
D
A
r · (6.4.3)
Onde:
A Área abrangida pelo aterramento.
D Maior dimensão do aterramento.
97
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Por exemplo, no caso da malha de terra de uma subestação, a maior dimensão
D é a diagonal.
6.5 - COEFICIENTE DE DIVERGÊNCIA (β )
Para solo de duas camadas, este coeficiente é definido pela relação entre a
resistividade da última camada e a resistividade da primeira camada equivalente.
e q
n
ρ
ρ
β
1 +
· (6.5.1)
O coeficiente é similar ao coeficiente de reflexão entre duas camadas.
6.6 - RESISTIVIDADE APARENTE PARA SOLO COM DUAS CAMADAS
Com o (α ) e (β ) obtidos, pode-se determinar a resistividade aparente (ρ a)
do aterramento especificado em relação ao solo de duas camadas. Usando as curvas
da figura 6.6.1, desenvolvidas por Endrenyi, onde (α ) é o eixo das abscissas e (β ) é
a curva correspondente, obtém-se o valor de N.
e q
a
N
ρ
ρ
· (6.6.1)
Assim, então:
ρ
a
= N . ρ
eq
(6.6.2)
98
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Figura 6.6.1: Curva da resistividade aparente
Exemplo 6.6.1
Um conjunto de sete hastes de 2,4 metros e diâmetro de ½” é cravado em
forma retilínea no solo da figura 6.3.2. O espaçamento é de 3 metros. Determinar a
resistência elétrica do conjunto.
m r 9 3 *
2
) 1 7 (
· ·

125 , 1
8
9
· · α
3 8 9 , 0
2 4 7
9 6
· · β
Pela figura 6.6.1, obtém-se:
N = 0,86
ρ
a
= N . ρ
eq
= 0,86 . 247 = 212,42 Ω .m
99
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Pela tabela A.5 do apêndice A, obtém-se;
R
eq
= 0,085 . ρ
a
= 0,085 . 212,42
R
eq
= 18,268 Ω
Exemplo 6.6.2
Determinar o número de hastes alinhadas, necessárias para se obter um
aterramento com resistência máxima de 25 Ω numa região onde a estratificação do
solo é conforme a figura 6.6.2. Hastes disponíveis L = 3m, diâmetro igual a ¾” e
espaçamento de 3m.
Figura 6.6.2: Dados da camada do solo
Transformando em duas camadas:
100
4
450
3
300
2
9
+ +
·
eq
ρ
ρ
eq
= 168,75 Ω .m
100
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O processo é interativo, porque não se conhece o numero de hastes alinhadas,
ou seja, não se tem a informação da dimensão do sistema de aterramento.
1º passo: Supor ρ
a
= ρ
eq
= 168,75 Ω .m
2º passo: Cálculo de f(g)
148 , 0 ) (
7 5 , 1 6 8
25
· · ·
a
R
g f
ρ
Da tabela A.11 do apêndice A, pode-se constatar que o maior coeficiente de
ρ
a
menor ou igual a 0,148 é 0,140.
R
eq
= 0,140 ρ
a
{ 3 hastes, e = 3m}
3º passo: Determinação de ρ
a
para três hastes alinhadas.
119 , 0
75 , 168
20 1
· · ·
+
eq
n
ρ
ρ
β
m r
e n
3 3 .
2
) 1 3 (
2
) 1 (
· · ·
− −
3 3 3 , 0
9
3
· · ·
e q
d
r
α
Entretanto com (α ) e (β ) na figura 6.6.1, tem-se:
N = 0,9
ρ
a
= N. ρ
eq
= 0,9 . 168,75 = 151,875 Ω .m
4º passo: Calculando-se novamente a f(g), tem-se:
165 , 0 ) (
875 , 151
25
· · ·
a
R
g f
ρ
O maior coeficiente de ρ
a
menor ou igual a 0,165 é 0,140
R
eq
= 0,140 ρ
a
{ 3 hastes, e = 3m}
Os valores são iguais  convergiu
R
eq
= 0,140 ρ
a
= 0,140 . 151,875 = 21,263 Ω 101
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7 - MALHA DE ATERRAMENTO
7.1 - INTRODUÇÃO
Resumidamente pode-se dizer que dimensionar uma malha de terra é verificar
se os potenciais que surgem na superfície, quando da ocorrência do máximo defeito à
terra, são inferiores aos máximos potenciais de passo e toque que uma pessoa pode
suportar sem a ocorrência de fibrilação ventricular. É fundamental também, levar-se
em conta que o valor de resistência de terra deve ser compatível, para sensibilizar o
relé de neutro, no nível de corrente no final do trecho protegido.
7.2 – ITENS NECESSÁRIO AO PROJETO
Quando da elaboração do projeto da malha de terra da subestação, são
necessários alguns procedimentos pré-defindos, bem como informações do local da
construção. Eles são:
• No local da construção fazer as medições pelo método de Wenner, afim de obter
a estratificação do solo;
• Resistividade superficial do solo (ρ
s
), geralmente utiliza-se brita na superfície do
solo sobre a malha, que forma uma camada mais isolante, contribuindo para a
segurança humana. No caso de não utilizar-se brita, usa-se a resistividade da
primeira camada;
• Corrente de curto-circuito máxima entre fase e terra no local do aterramento
(I
max
=3I
o
);
• Percentual da corrente de curto-circuito máxima que realmente escoa pela malha;
• Tempo de defeito para máxima corrente de curto-circuito fase-terra;

• Área da malha pretendida;
• Valor máximo da resistência de terra de modo a ser compatível com a
sensibilidade da proteção.
102
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7.3 – PROCEDIMENTOS PARA CONSTRUÇÃO DA MALHA TERRA
O processo de cálculo para malhas de aterramento é interativo, de modo a se
obter uma solução técnica e economicamente viável.
7.3.1 – ESPAÇAMENTO ENTRE OS CONDUTORES
As dimensões das malhas são pré-definidas, assim, estabelecer um projeto
inicial de malha é especificar um espaçamento entre os condutores e definir, se serão
utilizadas, junto com a malha, haste de aterramento.
Normalmente as malhas de terra são retangulares, tendo menos de 60m de
lado. O espaçamento inicial adotado deverá estar entre 5 e 10% do comprimento dos
respectivos lados.
Figura 7.3.1: Projeto inicial da malha
7.3.2 – NÚMERO DE CONDUTORES
Tendo-se as dimensões da malha determina-se o número de condutores
paralelo, ao longo dos lados da malha, pelas fórmulas:
103
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1 + ·
a
a
e
a
N
⇒( nº inteiro) condutores do lado a. ( 7.3.2.1)
1 + ·
b
b
e
b
N
⇒( nº inteiro) condutores do lado b. (7.3.2.2)
O comprimento total dos condutores que formam a malha é dada pela
fórmula.

a b cabo
N b N a L * * + ·
(7.3.2.3)
Se durante o dimensionamento forem introduzidas hastes na malha, deve-se
acrescentar seus comprimentos no comprimento total de condutores na malha,
conforme fórmula 7.3.2.4

hastes cabo total
L L L + ·
(7.3.2.4)
onde: L
cabo
- Comprimento total de condutores da malha;
L
hastes
- Comprimento total das hastes cravadas na malha.
7.3.3 – BITOLA MÍNIMA DOS CONDUTORES
O condutor da malha de terra é dimensionado considerando os esforços
mecânicos e térmicos que ele pode suportar. Na prática, utiliza-se, no mínimo, o
condutor de 35mm
2
, que suporta esforços mecânicos da movimentação do solo e dos
veículos que transportam os equipamentos durante a montagem da subestação.
Quanto ao dimensionamento térmico, utiliza-se a fórmula de Onderdonk,
válida somente para cabos de cobre, que considera o calor produzido pela corrente de
curto-circuito totalmente restrito ao condutor.
104
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,
`

.
|
+
+

· 1
234
ln
1
* 53 , 226
a
a m
defeito
cobre
t
S I
θ
θ θ
(7.3.3.1)
onde: S
cobre
– Seção do condutor de cobre da malha de terra em mm
2
;
I - Corrente de defeito em Ampères, através do condutor;
t
defeito
- Duração do defeito em segundos;
θ
a
- Temperatura ambiente em ºC;
θ
m
- Temperatura máxima permissível em ºC.
Para condutores de cobre, o valor de θ
m
é limitado pelo tipo de conexão
adotado. As conexões podem ser do tipo:
• Conexão cavilhada com juntas de bronze; θ
m
= 250 ºC.
• Solda convencional feita com eletrodo revestido; θ
m
= 450 ºC.
• Brasagem com liga Foscoper (solda heterogênea), θ
m
= 550 ºC
• Solda exotérmica (Aluminotermia), θ
m
= 850 ºC.
De posse da corrente de curto-circuito e do tempo de extinção da falha,
usamos a tabela abaixo para determinar a bitola mínima dois condutores que serão
utilizados na construção da malha. Normalmente a bitola do cabo encontrada na
tabela é bem menor do que a utilizada na prática.
t ( s )
CM / AMPÈRE
Cabo somente ou
solda exotérmica
Juntas soldadas
soldas convencionais
Juntas
cavilhadas
30 40 50 65
4 14 20 24
1 7 10 12
0,5 5 6,5 8,5
Tabela 7.3.3.1 – Bitola mínima dos condutores ( mm
2
)
7.3.4 – DETERMINAÇÃO DOS COEFICIENTES DA MALHA (Km, Ki, Kc)
105
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Estes coeficientes determinam o potencial de malha (V
malha
), que é definido
como o potencial de toque máximo, encontrado dentro de uma submalha de malha de
terra, quando do máximo defeito fase-terra. Uma malha de terra escoa
preferencialmente pelas bordas da malha.
A corrente de defeito (curto-circuito), divide-se em 50% para cada lado, mas
para o dimensionamento, a corrente a ser utilizada na malha terá o acréscimo de
60%.
Assim, o potencial de malha máximo se encontra nos cantos da malha e pode
ser calculado pela fórmula
total
malha i m a
malha
L
I K K
V
* * * ρ
·
(7.3.4.1)
COEFICIENTE K
m
:
Este coeficiente introduz no cálculo a influência da profundidade da malha,
do diâmetro do condutor, do número de condutores e do espaçamento entre eles.
Seu valor é dado pela fórmula:
( ) 1 * * * 4
ln *
2
1
2

·
n d h
e
K
m
π π
(7.3.4.2)
ou pelo gráfico B.1 do Apêndice B.
Para cabos de bitola diferente de 2 AWG e profundidade diferente de 0,60 m ,
utiliza-se a tabela, Apêndice B, para a correção dos valores de K
m
.
COEFICIENTE K
i
:
106
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Chamado de “correção de irregularidade” é introduzido no cálculo a fim de se
corrigir o efeito da não uniformidade de distribuição de correntes pela malha.
N K
i
* 172 , 0 656 , 0 + ·
(7.3.4.3)
onde
b a
N N N * ·
- é a malha retangular transformada numa malha quadrada com
N condutores paralelos em cada lado.
No caso de malhas onde são colocadas hastes cravadas nos cantos ou no
perímetro, as correntes tem maior facilidade de escoar mais profundamente no solo,
alterando o potencial da malha.
Neste caso, faz-se uma correção, ponderando-se 15% a mais no comprimento
das hastes cravadas nos cantos e periferia da malha
hastes cabo total
L L L * 15 , 1 + ·
(7.3.4.4)
alterando portanto, a fórmula 7.3.2.4
O valor do potencial de malha deve ser comparado com o valor do potencial
de toque máximo calculado no capítulo 8, para verificar se está abaixo do limite.
COEFICIENTE K
S:
O coeficiente K
s
introduz no cálculo, o efeito do número de condutores,
espaçamento e profundidade dos mesmos para a determinação da diferença de
potencial entre dois pontos quaisquer na superfície do solo. Sua fórmula simplificada
é:
( )
]
]
]


+
+
+ ·
e
n
h e
K
s
327 , 0 655 , 0 ln 1
2
1 1
π π
(7.3.4.5)
K
s
pode ser determinado diretamente dos gráficos do Apêndice B.
107
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COEFICIENTE K
C
:
O coeficiente de cerca, introduz no cálculo, o efeito produzido pelo diâmetro
do condutor, profundidade e espaçamento entre os condutores, na determinação dos
potenciais na periferia da malha e em qualquer ponto fora dela. O coeficiente Kc é
dado pelos gráficos do Apêndice B.
Dependendo do grau de risco, localização e característica da malha, deve-se
decidir adequadamente como será cercada (muro de alvenaria, cerca metálica).
A cerca metálica é bem econômica, mas sendo condutora, fica submetida às
tensões oriundas das correntes de curto-circuito, assim, qualquer pessoa que toca
ficará sujeita a uma diferença de potencial.
O potencial de toque máximo (V
cerca
) que surge na cerca quando do máximo
defeito à terra é dado pela fórmula.
malha
malha i c a
cerca
L
I K K
V
* * * ρ
·
(7.3.4.6)
O valor do K
c
é dado pela fórmula.
( ) ( ) [ ]
( )
( )
( )
¹
¹
¹
'
¹
¹
¹
¹
'
¹
¹
'
¹
¹
'
¹
]
]
]


+ −
]
]
]

+
]
]
]

+
+
]
]
]

+
+ + +
·
e N
x e N
e
x e
e
x e
e h d h
x e h x h
K
c
1
1
3
3
*
2
2
ln * 2
* *
*
ln
2
1
2 2
2
2 2 2

π

(7.4.7)
onde: x – distância (m) da periferia da malha ao ponto considerado (pessoa);
N – Máximo (N
a
, N
b
)
108
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Figura 7.3.4.1: Ilustração da distância X
Se a malha tiver hastes cravadas na periferia e nos cantos a fórmula também
fica modificada, neste caso usaremos a fórmula 7.3.4.4 e a fórmula 7.3.4.1.
A cerca metálica só estará adequada quando a V
cerca
for menor ou igual a
V
toque máximo
.
7.3.5 - POTENCIAL DE PASSO NA MALHA
Neste item, procura-se determinar o maior potencial de passo (V
psM
) que
surge na superfície da malha, quando do máximo defeito fase-terra. Este potencial
ocorre na periferia da malha e pode ser calculado pela expressão:
total
malha i p
psM
L
I K K a
V
* * * ρ
·
(7.3.5.1)
Onde: K
p
- Coeficiente que introduz no cálculo a maior diferença de
potencial entre dois pontos distanciados de 1m. Este coeficiente relaciona todos os
parâmetros da malha que induzem tensões na superfície da terra.
A expressão para o cálculo de K
p
é dada por:
( )
]
]
]

− +
+
+ ·
−2
5 , 0 1 *
1 1
2
1
*
1
N
p
e h e
K
π π
(7.3.5.2)
109
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
Onde: N = Máximo(N
a
, N
b
) - este dará o maior valor para K
p
As correções feitas no cálculo de V
psM
com relação à utilização ou não de
hastes, na periferia e nos cantos da malha, devem também ser efetuados.
Para a malha que tiver hastes na periferia ou nos cantos da malha, a fórmula
7.3.5.1 fica modificada para:
hastes cabo
malha i p
psM
L L
I K K a
V
15 , 1
* * *
+
·
ρ
(7.3.5.3)
0 valor de V
psM
deve ser comparado com o valor da tensão de passo máxima
que o organismo humano deve suportar, para verificar se o seu valor está abaixo do
limite.
7.3.6 – MELHORIA NA MALHA
Após o dimensionamento da malha, pode-se usar algumas das alternativas
recomendadas abaixo para melhorar ainda mais a qualidade da malha de terra:
• Fazer espaçamentos menores na periferia da malha;
• Arredondamento dos cantos da malha de terra, para diminuir o efeito das pontas;
• Rebaixamento do cantos;
• Colocar hastes pela periferia;
• Colocar haste na conexão do cabo de ligação do equipamento com a malha ;
• Fazer Submalhas no ponto de aterramento de bancos de capacitores e chaves de
aterramento; se não for possível, usar malha de equalização somente neste local.
Uma alternativa muito recomendada e utilizada é colocar um condutor em
anel a 1,5m da malha e a 1,5m de profundidade.
Se a malha estiver em situação muito crítica, ou além do seu limite de
segurança, pode-se usar uma malha de equalização, que mantém o mesmo nível do
potencial na superfície do solo. É uma verdadeira blindagem elétrica.
110
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
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Figura 7.3.6.1: Malha de Equalização
8 - POTENCIAIS EM SISTEMAS DE ATERRAMENTO
111
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8.1 – INTRODUÇÃO
O sistema de aterramento é projetado de modo a produzir, durante o curto
circuito máximo com a terra, uma distribuição no perfil dos potenciais de passo e
toque abaixo dos limites de risco de fibrilação ventricular do coração.
Os defeitos no sistema elétrico, que geram correntes de seqüência zero, terão
suas correntes passando pelo aterramento. A área do aterramento é a região de
concentração das correntes de defeitos, portanto os potenciais são elevados e
cuidados especiais devem ser observados na segurança.
8.2 – CHOQUE ELÉTRICO
É a perturbação de natureza e efeitos diversos que se manifesta no organismo
humano quando este é percorrido por uma corrente elétrica.
Os efeitos das perturbações variam e dependem de:
• Percurso da corrente elétrica pelo corpo;
• Intensidade da corrente elétrica;
• Tempo de duração do choque elétrico;
• Espécie da corrente elétrica;
• Freqüência da corrente elétrica;
• Tensão elétrica;
• Estado de umidade da pele;
• Condições orgânicas do indivíduo.
As perturbações no indivíduo, manifestam-se por:
• Inibição dos centros nervosos, inclusive dos que comandam a respiração
produzindo parada respiratória;
• Alteração do ritmo cardíaco, podendo produzir fibrilação ventricular e uma
conseqüente parada cardíaca;
112
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• Queimaduras profundas, produzindo necrose do tecido;
• Alteração no sangue provocadas por efeitos térmicos e eletrolíticos provocados
pela corrente elétrica.
Se o choque elétrico for devido ao contato direto com a tensão da rede, todas
as manifestações podem ocorrer.
Para os choques elétricos devido à tensão de toque e passo imposta pelo
sistema de aterramento durante o defeito na rede elétrica, a manifestação mais
importante a ser considerada é a Fibrilação Ventricular do Coração.
8.3 – FIBRILAÇÃO VENTRICULAR DO CORAÇÃO
A fibrilação ventricular é o estado de tremulação (vibração) irregular e
desritmada das paredes do ventrículo, com perda total de eficiência do bombeamento
do sangue. O sinal detectado pelo eletrocardiograma e a pressão arterial são
mostradas na figura 8.3.1.
Figura 8.3.1: Fibrilação ventricular, efeitos sobre o eletrocardiograma e tensão arterial
A pressão arterial caí a zero, isto é, o sangue está parado no corpo. Este
estado é conhecido por Morte Aparente.
A fibrilação ventricular é irreversível espontaneamente, se nenhuma
providência for tomada dentro de quatro minutos, os danos cerebrais são 113
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comprometedores. Dentro de onze a doze minutos a fibrilação vai diminuindo sua
intensidade, passando para o regime de parada cardíaca.
A tabela abaixo apresenta apenas uma estimativa do efeito da corrente no
corpo humano. O valor da corrente elétrica para causar determinado efeito no corpo
humano é muito variado. Portanto, é difícil fazer uma correlação dos efeitos através
de equações matemáticas.
Tabela 8.3.1:Efeito da corrente no corpo humano
A publicação IEC – 479-1 define o fator de corrente do coração (F) como o
fator que relaciona a intensidade de campo elétrico no coração para um dado
percurso de corrente com a intensidade de campo elétrico para uma corrente de
mesma intensidade circulando da mão esquerda aos pés. Observe-se que, no coração,
a densidade de corrente é proporcional ao campo elétrico. O fator de corrente do
coração permite calcular as correntes I
h
para percursos que vão da mão esquerda aos
pés, que representa o mesmo perigo de fibrilação ventricular que o correspondente à
corrente de referência I
REF
, entre a mão esquerda e os dois pés, isto é, sendo os
valores de F (estimados para os diferentes trajetos de corrente) indicados na tabela
8.3.1.
TRAJETO DA CORRENTE
F
114
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Mão esquerda ao pé esquerdo, ao pé direito ou aos dois pés 1.0
Duas mãos aos dois pés 1.0
Mão esquerda à mão esquerda 0.4
Mão direita ao pé esquerdo, ao pé direito ou aos dois pés 0.8
Costa à mão direita 0.3
Costa à mão esquerda 0.7
Peito à mão direita 1.3
Peito à mão esquerda 1.5
Assento à mão esquerda à mão direita ou às duas mãos 0.7
Tabela 8.3.2: Valores do fator de corrente do coração (F) para diferentes trajetos da corrente
Assim, por exemplo, uma corrente de 200 mA de mão a mão tem o mesmo
efeito que uma corrente de 0.4 x 200 = 80 mA da mão esquerda aos pés.
A norma NB-3 nos mostra que a proteção contra choques elétricos podem ser
divididos em dois grupos: proteção ativa e proteção passiva.
A proteção passiva consiste na limitação da corrente elétrica que pode
atravessar o corpo humano ou impedir o acesso de pessoas a partes vivas. São
medidas que prevêem a interrupção de circuitos com falta.
A proteção ativa consiste na utilização de métodos e dispositivos que
proporcionam o seccionamento automático de um circuito, sempre que vierem a
ocorrer faltas que possam trazer perigo para o operador ou usuário.
A tabela abaixo apresenta uma classificação de métodos de proteção contra
choques elétricos prescritos pela NB-3.
115
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Tabela 8.3.1: Classificação dos métodos de proteção contra choques elétricos
8.4 – POTENCIAL DE TOQUE
É a diferença de potencial da estrutura metálica, situado ao alcance da mão de
uma pessoa, e um ponto no chão situado a 1 metro da base da estrutura.
O potencial máximo gerado por um aterramento durante o período do defeito,
não deve produzir uma corrente de choque superior à limitada por Dalziel.

t
I
choque
116 , 0
·
sendo:
0.03 s < t < 3 s
I
choque
- corrente (A) pelo corpo humano, limite para não causar fibrilação;
116
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t - tempo (s) da duração do choque.
Pela figura 8.4.1, obtém-se a expressão do potencial de toque em relação à
corrente elétrica do choque.
Figura 8.4.1: Potencial de toque
choque
c
ch toque
I
R
R V * )
2
( + · (8.4.1)
Onde:
R
ch
- resistência do corpo humano considerada Ω 1000
;
R
c
– resistência de contato que pode ser considerada igual a
s ρ 3
(resistividade superficial do solo), de acordo com a recomendação da IEEE – 80;
I
choque
- corrente de choque pelo corpo humano;
R
1
e R
2
– Resistências dos trechos de terra considerados.
A expressão do potencial de toque pode ser escrita pela seguinte maneira:
choque toque
I s V ) 5 . 1 1000 ( ρ + ·
(8.4.2)
117
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O potencial de toque máximo permissível entre a mão e o pé, para não causar
fibrilação ventricular, é produzido pela corrente limite de Dalziel. Assim, da
expressão 8.4.2, obtém-se:
t
s
V
o toquemáxim
ρ 174 . 0 116 +
·
(8.4.3)
Resistividade ( Ω .m )
Potencial de toque tolerável ( V )
0 5.00
50 5.37
100 5.75
200 6.50
300 7.25
400 8.00
500 8.75
1000 12.50
2000 20.00
3000 27.50
Tabela 8.4.1: Potenciais de toque toleráveis em função da resistividade do solo
8.5 – POTENCIAL DE PASSO

Potencial de passo é a diferença de potencial existente entre os dois pés.
As tensões de passo ocorrem quando entre os membros de apoio (pés),
aparecem diferenças de potencial. Isto pode acontecer quando os membros se
encontrarem sobre linhas equipotenciais diferentes. Estas linhas equipotenciais se
formam na superfície do solo quando do escoamento da corrente de curto-circuito. É
claro que, se naquele breve espaço de tempo os dois pés estiverem sobre as mesma
linha equipotencial ou, se um único pé estiver sendo usado como apoio, não haverá
atenção de passo.
118
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Figura 8.5.1: Tensão de passo
Onde:
R
1
, R
2
, R
3
– são as resistências dos trechos de terra considerados
A expressão do potencial de passo é :

( )
choque c ch passo
I R R V 2 + ·
(8.5.1)
A definição clássica do potencial de passo para análise de segurança é a
diferença de potencial aparecem entre dois pontos situados no chão e distanciados de
1 metro (para pessoas), para animais a tensão de passo poderá ser ainda mais
perigosa do que para pessoas .
Fazendo
s R
c
ρ 3 ·
, tem-se:
( )
choque passo
I s V ρ 6 1000 + ·
(8.5.2)
O potencial de passo máximo (V
passo máximo
) tolerável é limitado pela máxima
corrente permissível pelo corpo humano que não causa fibrilação. Assim, tem-se
t
s
V
imo passo
ρ 6 116
max
+
·
(8.5.3)
119
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Não podemos deixar de falar do potencial de transferência, que é a diferença
de potencial que aparece devido a passagem de corrente de falha para terra, entre um
ponto de sistema de aterramento e um ponto remoto, localizado pelo menos dez
vezes a maior dimensão do sistema de aterramento.
Figura 8.4.2: Potencial de transferência
8.6 – MEDIDA DE POTENCIAL DE TOQUE E DE PASSO
Para determinarmos o potencial de toque, utilizaremos uma placa de cobre ou
alumínio, de dimensões 10 x 20 cm e com terminal próprio para interligarmos o
voltímetro. As dimensões acima simulam a área do pé humano e, para simular o
peso, devemos colocar 40 kg sobre a placa (admitindo um peso humano de 80 kg).
Devemos usar um voltímetro de alta sensibilidade (alta impedância interna) e
intercalar entre os pontos de medição uma resistência de alta isolação com o valor
aproximado de Ω 3000 para simular a resistência do corpo humano. A seguir,
medimos o potencial entre o solo (placa colocada a 1 m de distância do pé da
estrutura) e a estrutura metálica no ponto de alcance da mão, com a resistência
inserida entre esses dois pontos. 120
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Figura 8.6.1: Medida de potencial de toque
Deve se efetuar esta medida em todos os quadrantes do solo, com relação à
estrutura, e verificar se os pontos da estrutura, onde se aplica o voltímetro, estão
limpos, livres de pintura, óxido, etc.
Para extrapolarmos esse valor de tensão, devido à corrente aplicado ao solo,
para valores referidos à máxima corrente de curto-circuito fase-terra, devemos
considerar uma extrapolação linear, supondo que a terra mantenha as características
resistivas para altas correntes.
Por exemplo : Se para 5 A temos um potencial de toque de 10 V, teremos
uma corrente de curto de 1000 A, um valor de V
t
= 2000 V.
Para medida de potencial de passo, utilizaremos as mesmas duas placas
usadas anteriormente, que serão colocadas a 1m de distância do solo. Deverá ser
aplicado um peso de 40 kg a cada placa para simular o peso do corpo humano e
inserir entre os dois pontos uma resistência de Ω 3000 .
121
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Figura 8.6.2: Medida de potencial de passo


O potencial obtido, medido com voltímetro de alta impedância
interna, deverá ser extrapolado para valores de corrente de curto-circuito fase-terra,
como já foi explicado no item anterior.
Na prática, deve-se ter valores medidos abaixo dos valores especificados por
norma.


8.7 – CORREÇÃO DO POTENCIAL DE PASSO E DE TOQUE DEVIDO A
COLOCAÇÃO DE BRITA NA SUPERFÍCIE
Como a área da subestação é a mais perigosa, o solo é revestido por uma
camada de brita. Esta confere maior qualidade no nível de isolamento dos contatos
dos pés com o solo.
Esta camada representa uma estratificação adicional com a camada superficial
do solo. Portanto, deve-se fazer uma correção no parâmetro que contém
s ρ
das
expressões 8.4.3 e 8.5.3 .
C
s
(h
s
,K) no
s ρ
=
m
brita
Ω ·3000 ρ
(brita molhada).
122
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( )
]
]
]
]
]
]
]

,
`

.
|
+
+ ·


·1
2
08 . 0
2 1
2 1
96 . 0
1
,
n
s
n
s s
h
n
K
K h C
(8.7.1)
Onde:
h
s
– Profundidade (espessura) da brita (m)
s a
s a
K
ρ ρ
ρ ρ
+

·


a ρ
- Resistividade aparente da malha, sem considerar a brita
brita
s ρ ρ ·
- Resistividade da brita
C
s
= 1 – Se a resistividade da brita for igual a resistividade do solo
Assim as expressões 8.4.3 e 8.5.3, com o fator de correção , ficam :
( ) [ ]
t
s K h C V
s s imo toque
116 . 0
, 5 . 1 1000
max
ρ + ·
(8.7.2)
( ) [ ]
t
s K h C V
s s imo passo
116 . 0
, 6 1000
max
ρ + ·
(8.7.3)
9 – MEDIDA DA RESISTÊNCIA DE TERRA.
123
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9.1 – INTRODUÇÃO
Este capítulo aborda somente o processo da medição da resistência de terra,
que é uma atividade relativamente simples.
Basta apenas ir ao local do aterramento já existente e efetuar a medição.
Com esta medição pretende-se somente medir o valor da resistência de terra
que este sistema de aterramento tem no momento da medição. Como o valor da
resistência de terra varia ao longo do ano, deve-se programar adequadamente
medições ao longo do tempo para manter um histórico do perfil do seu
comportamento.
Em épocas atípicas, isto é, seca ou inundações, além das medidas já previstas,
deve-se efetuar algumas medições para se ter o registro dos valores extremos de
resistência de terra.
9.2 – CORRENTES DE CURTO CIRCUITO PELO ATERRAMENTO
Figura 9.2.1: Corrente de curto circuito pela terra
Somente os curto-circuitos que envolvem a terra, geram componentes de
seqüência zero. Parte desta corrente retorna pelo cabo de cobertura do sistema de
transmissão ou pelo cabo neutro do sistema de distribuição multi-aterrado, o restante
retorna pela terra.
124
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A corrente que retorna pela terra é limitada pela resistência de aterramento do
sistema. A figura 9.2.1 apresenta a distribuição de corrente na terra, devido a um
curto-circuito no sistema.
Note-se que a corrente de curto-circuito precisa de um caminho fechado para
que possa circular.
9.3 – DISTRIBUIÇÃO DE CORRENTE PELO SOLO
A figura 9.3.1 mostra a distribuição de corrente de um sistema elétrico, cujo
aterramento é feito por hastes.
A densidade de corrente no solo junto à haste é máxima. Com o afastamento,
as linhas de correntes se espraiam diminuindo a densidade de corrente.
Após uma certa distância da haste, o espraiamento das linhas de corrente é
enorme, e a densidade de corrente é praticamente nula. Portanto, a região do solo
para o afastamento considerado, fica com resistência elétrica praticamente nula. Isto
também pode ser verificado pela expressão 9.3.1.
s
l
s o l o s o l o
R ρ · (9.3.1)
Nesta região, com um afastamento grande, o espraiamento das linhas de
corrente ocupa uma área muito grande, isto é, praticamente S  ∞ e portanto
R
solo
≅ 0.
Portanto, a resistência de terra da haste corresponde somente e, efetivamente ,
à região do solo onde as linhas de corrente convergem.
A resistência de terra da haste, ou de qualquer aterramento, após um certo
afastamento fica constante, independente da distância.
125
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Figura 9.3.1: Distribuição de corrente no solo
9.4 - CURVA DE RESISTÊNCIA DE TERRA VERSUS DISTÂNCIA
Esta curva é levantada usando o esquema da figura 9.4.1, onde a haste p do
voltímetro se desloca entre as duas hastes.
A  Sistema de aterramento principal
B  Haste auxiliar para possibilitar o retorno da corrente elétrica I
p  Haste de potencial, que se desloca desde A até B
x  Distância da haste p em relação ao aterramento principal A.
126
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Figura 9.4.1: Curva da resistência de terra x distância
A corrente que circula pelo circuito é constante, pois a mudança da haste p
não altera a distribuição de corrente. Para cada posição da haste p, é lido o valor da
tensão no voltímetro e calculado o valor da resistência elétrica pela expressão 9.4.1.
I
V
x
x
R
) (
) (
·
(9.4.1)
Deslocando-se a haste p em todo o percurso entre A e B, tem-se a curva de
resistência de terra em relação ao aterramento principal, isto é, da haste A. Figura
9.4.1.
Na região do patamar, tem-se o valor R
A
, que é a resistência de terra do
sistema de aterramento principal.
No ponto B, tem-se a resistência de terra acumulada do aterramento principal
e da haste auxiliar, isto é, R
A
+R
B
.
127
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Como o objetivo da medição é obter o valor da resistência de terra do sistema
de aterramento, deve-se deslocar a haste p até atingir a região do patamar. Neste
ponto a resistência de terra R
A
é dada pela expressão abaixo:

I
V
A
pa tam ar
R ·
(9.4.2)
9.5 – MÉTODO VOLT-AMPERÍMETRO
Utiliza-se uma fonte de tensão alternada ajustável, que poderá ser um gerador
portátil a gasolina, um voltímetro C.A. e um amperímetro C.A. ligados conforme o
desenho abaixo:
Figura 9.5.1: Esquema de ligação
0 resultado da divisão de V por I, lidos nos respectivos aparelhos nos dará o
valor da resistência de terra até o ponto considerado.
I
V
R ·
Este método apresenta a vantagem de termos correntes injetadas no solo, da
ordem de alguns ampères o que faz com que a interferência existente no solo seja
desprezível.
Normalmente, o que limita a corrente é a resistência do terra auxiliar, que é
normalmente alta. Se quisermos valores mais altos de corrente deveremos diminuir a
128
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resistência, quer aumentando o número de hastes, quer aplicando ao solo, em volta
das hastes do terra auxiliar uma solução de água e sal.
Com isto conseguiremos uma redução sensível porém temporária, pois o
efeito da umidificação do solo, principalmente em solos arenosos é de curta duração.
9.6 – MEDIÇÃO ATRAVÉS MEGGER
A base deste processo de medida é a mesma do método anterior, porém os
diversos aparelhos utilizados estão contidos no chamado megger.
0 esquema de ligação será o seguinte:
Figura 9.6.1: Esquema de ligação do MEGGER
A vantagem deste método é a praticidade de se levar ao local de medição
somente um aparelho.
Para que se tenha resultados confiáveis é indicado que o aparelho utilizado
seja de corrente alternada e que possua filtro para eliminação de correntes de
interferência.
PROCEDIMENTOS
• Alinhamento do sistema de aterramento principal com as hastes de potencial e
auxiliar;
129
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• A distância entre o sistema de aterramento principal e a haste auxiliar deve ser
suficientemente grande, para que a haste de potencial atinja a região plana do
patamar;
• Fazer as ligações conforme figura 9.6.1, ajustar o potenciômetro e o multiplicador
do Megger, até que o galvanômetro do aparelho indique "zero", com o equipamento
ligado, e faz-se a leitura do valor da resistência de aterramento.
• Se o ponteiro do galvanômetro oscilar, significa que existe alguma interferência.
Neste caso, indica-se fazer outra, medida de resistência dispondo-se o terra auxiliar e
o eletrodo móvel em direção perpendicular a anterior. Caso o Megger tenha filtro de
eliminação de interferência não haverá oscilação do galvanômetro.
• Os cabos para interligação deverão ser de comprimentos suficientes, ou seja: um
cabo de comprimento D e outro de comprimento X de bitola = 14 ou = 12 AWG,
(resistência mecânica) isolados para a tensão do Megger.
• O instrumento de medida deverá permanecer o mais próximo possível do terra a ser
medido.
• O terra .auxiliar deverá ser composto por várias hastes metálicas de
aproximadamente 1 m de comprimento (geralmente são suficientes de 3 a 6 hastes),
cravadas em um local onde o solo esteja úmido e livre de pedras e cascalhos. Caso o
solo neste local esteja seco, poderá ser adicionado ao terra auxiliar água ou solução
de água e sal (somente ao terra auxiliar).
• As conexões dos cabos ao terra a ser medido, ao terra auxiliar e ao eletrodo de
tensão deverão ser livres de gorduras e ferrugens e firmes, de tal modo que não se
introduza resistências de contato na medição.
• O terra auxiliar e o eletrodo de tensão deverão formar uma linha reta com o terra a
ser medido.
• Na ocasião da medida, deverão ser observadas as condições do solo (seco, úmido,
normal, etc...).
Em ambos os métodos a localização do eletrodo de tensão com relação ao
terra auxiliar é muito importante na determinação do valor real da resistência a ser
medida. A resistência real do aterramento se dará quando a distância entre o terra a
ser medido e o eletrodo de tensão for 61,8% da distância entre o terra a ser medido e
o terra auxiliar, ou seja:
130
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D X %. 8 , 1 , 6 ·
9.7 - PRECAUÇÃO DE SEGURANÇA DURANTE A MEDIÇÃO DE
RESISTÊNCIA DE TERRA
Para efetuar adequadamente a medição da resistência de terra, levando em
consideração a segurança humana, deve-se observar os seguintes itens:
• Não devem ser feitas medições sob condições atmosféricas adversas, tendo-se em
vista a possibilidade de ocorrência de raios;
• Não tocar na haste e na fiação;
• Não deixar que animais ou pessoas estranhas se aproximem do local;
• Utilizar calçados e luvas de isolação para executar as medições;
• O terra a ser medido deve estar desconectado do sistema elétrico.
131
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10 – CORROSÃO NO SISTEMA DE ATERRAMENTO
10.1 – INTRODUÇÃO
Os sistemas de aterramentos são construídos com materiais condutores à base
de metal.
Todo metal em presença de um eletrólito está sujeito à corrosão. Nos
aterramentos os metais enterrados no solo também sofrerão os efeitos da corrosão.
A corrosão é um problema sério em aterramentos, porém sempre ocorrerá,
pois é um processo natural da volta do metal ao seu estado primitivo.
Para realizar o processo de corrosão eletroquímica, é necessário a presença de
quatro elementos:
• Eletrodo anódico – que libera os seus íons positivos para o meio eletrolítico,
gerando um excesso de elétrons, isto é, ficando com potencial negativo;
• Eletrodo catódico – tem potencial positivo, é o elemento que não se dissolve na
reação eletroquímica, sendo o eletrodo protegido;
• Eletrólito – meio na qual se processa a reação de formação dos íons;
• Ligação externa – que propicia a condução dos elétrons do ânodo para o cátodo.
Pela própria característica do solo e do tipo de material empregado no sistema
de aterramento, a corrosão ocorre devido a várias causas, entre elas:
• Heterogeneidade de metais;
• Heterogeneidade de eletrólitos;
• Ação de correntes dispersas.
10.2 – HETEROGENEIDADE DE METAIS
Tomando por base o potencial do hidrogênio temos a tabela abaixo, dos
potenciais que os metais possuem com relação ao meio que os cercam.
132
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METAL POTENCIAL (V) METAL POTENCIAL (V)
Magnésio - 2,34 Chumbo - 0,12
Alumínio - 1,67 Hidrogênio 0,00
Zinco - 0,76 Cobre + 0,34
Ferro - 0,44 Prata + 0,80
Níquel - 0,25 -- --

Tabela 10.2.1: Eletromagnetividade dos metais
Quanto mais negativo for o potencial do metal, mais facilmente ele se
corroerá. Quanto mais positivo for o seu potencial, menos ele se corroerá. Quando
utilizamos dois metais diferentes no aterramento, existirá uma diferença de potencial
entre eles fazendo circular uma corrente elétrica no solo, saindo do metal mais
negativo (anodo) e entrando no metal mais positivo ( cátodo ) .
No caso do cobre e do ferro, os dois materiais mais utilizados nos
aterramentos, haverá destruição do ferro (anodo) em presença do cobre (cátodo)
como mostra a figura abaixo:
Figura 10.2.1: Aterramento com aço e cobre
Para minimizar este problema deve-se utilizar o mesmo material para as
hastes e cabos de interligação, ou seja, hastes cobreadas com fio de cobre ou
Copperweld e hastes galvanizadas com condutor de aço galvanizado.
10.3 - HETEROGENEIDADE DE ELETRÓLITOS
133
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Mesmo utilizando metais de mesmo potencial, formam-se ao solo, zonas
anódicas e catódicas que resultarão na corrosão dos metais.
As zonas anódicas e catódicas poderão ocorrer devido a diferenças de
resistividade do solo diferença de concentração de eletrólito e diferença de
concentração de hidrogênio. Solos de resistividade mais elevada serão zonas
catódicas enquanto que solos de resistividade mais baixa serão zonas anódicas.
Vemos portanto, que à baixas resistividades se associam baixos valores de resistência
de aterramento e consequentemente maiores taxas de corrosão do material.
As camadas superficiais do solo são mais oxigenadas que as camadas mais
profundas e funcionam como cátodo, pois existe maior formação de óxido do metal
que é mais nobre e não vai se corroer. A parte do metal situada nas camadas mais
profundas estará mais sujeita à corrosão pois estará situada na zona anódica.
10.4 – AÇÃO POR CORRENTES DISPERSAS
No solo, há correntes elétricas circulando provenientes de diversas fontes.
Estas correntes são conhecidas como correntes dispersas, de fugas ou parasitas, e
procuram os caminhos de menor resistência, tais como encanamentos metálicos,
trilhos, tubulações, qualquer condutor, solos de menor resistividade, e principalmente
os sistemas de aterramento.
Os pontos onde as correntes de elétrons entram no condutor formarão uma
região anódica, que sofrerá corrosão. A região catódica, isto é, a região protegida,
será a região formada pelas partes onde o fluxo de elétrons deixa o condutor. Figura
10.4.1.
134
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Figura 10.4.1: Correntes de elétrons dispersas no solo
As correntes dispersas no solo são do tipo contínuas e alternadas. As
correntes contínuas em relação à corrosão, são muito mais atuantes que as correntes
alternadas. Para uma corrente elétrica de mesmo valor, a alternada produz somente
1 % da corrosão em corrente contínua. Se a corrente alternada for de baixa
freqüência, a corrosão aumenta.
As fontes que geram correntes dispersas no solo são:
• Correntes galvânicas devido a pilhas eletroquímicas formadas no solo, geradas por
qualquer processo apresentado anteriormente;
• Correntes devido à tração elétrica de corrente contínua, com retorno pelos trilhos;
• Corrente alternada de retorno pela terra do Sistema Monofásico com Retorno pela
Terra (MRT), usada na alimentação de Distribuição Rural;
• Corrente contínua proveniente do sistema de proteção catódico por corrente
impressa. Este item será visto a seguir;
• Correntes alternadas provenientes dos curto-circuitos no sistema elétrico de
energia;
• Corrente contínua de curto-circuitos no sistema de transmissão em corrente
contínua;
• Correntes telúricas, geradas pelas variações de campos magnéticos provenientes da
movimentação do magma da Terra.
10.5 – PROTEÇÃO CONTRA A CORROSÃO
A corrosão se um modo ou de outro sempre estará presente, mas empregando
convenientemente algumas técnicas pode-se diminuir ou anular esta ação.
Tendo-se sempre como objetivo proteger da corrosão o elemento principal do
sistema de aterramento, pode-se aplicar, dependendo do caso, alguma das técnicas
relacionadas a seguir:
135
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• Construir todo o sistema de aterramento com um único metal;
• Isolar do eletrólito o metal diferente do sistema de aterramento;
• Usar ânodo de sacrifício para se obter a proteção catódica;
• Usar corrente impressa ou forçada.
10.6 – PROTEÇÃO POR ISOLOAÇÃO DE UM COMPONENTE
Para haver a corrosão, há a necessidade da presença de quatro condições,
como visto acima. Na falta de um deles, cessa a ação da pilha eletroquímica e
consequentemente a ação da corrosão. No sistema de aterramento é mais simples
isolar convenientemente o cabo de descida do equipamento aterrado.
Deve-se ter o cuidado de cobrir toda a conexão com uma massa
emborrachada.
Figura 10.6.1: Cabo de descida isolado
10.7 – PROTEÇÃO CATÓDICA POR ANODO DE SACRIFÍCIO
Para que o metal do sistema de aterramento fique protegido, basta ligá-lo a
um outro metal que tenha um potencial menor na escala de eletronegatividade da
tabela 10.2.1.
Assim, o material protegido será o cátodo, e o outro será o ânodo. Como o
ânodo sofrerá a corrosão, ele é denominado de ânodo de sacrifício.
136
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O material do ânodo de sacrifício deve ter as seguintes características:
• Manter o potencial negativo praticamente constante ao longo de sua vida útil ;
• Manter a corrente galvânica estabilizada, para que o processo de corrosão se dê
uniformemente;
• Os íons positivos, dissociados na corrosão, não devem produzir uma capa
diminuindo a área ativa da corrosão.
Os materiais que melhor satisfazem a essas condições são as ligas de Zinco e
Magnésio. Nestas ligas são colocados aditivos para melhorar a qualidade do ânodo
de sacrifício.
Os ânodos de sacrifício de Zinco são adequados para solos cuja resistividade
vai até 1000 Ω .m. O ânodo de Magnésio é usado em solos de até 3000 Ω .m.
Os ânodos de sacrifício devem ter uma grande área, para produzirem
proteções catódicas adequadas.
Pode-se utilizar um revestimento (enchimento) nas ligas de Zinco ou
Magnésio para aumentar o seu volume. Este enchimento é formado por uma mistura
a base de Gesso, Bentonita e Sulfato de Sódio, nas seguintes proporções:
Gesso ..................... 75%
Bentonita .............. 20 %
Sulfato de Sódio .... 05%
A proteção catódica com ânodo de sacrifício de Zinco com enchimento é
mostrada na figura 10.7.1.
O enchimento tem as seguintes finalidades:
• Aumentar a área de atuação, distribuindo a corrente galvânica;
• Evitar o contato do metal do ânodo com os elementos agressivos do solo;
• É higroscópico, mantendo a região úmida, obtendo-se um região de baixa
resistividade;
• Tem volume grande para aumentar a vida útil deste processo;
137
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• Como está conectado ao sistema de aterramento, contribui também na diminuição
da resistência do aterramento.

Figura 10.7.1: Anodo de sacrifício de zinco com enchimento
Se o sistema de aterramento a proteger for muito grande pode-se usar vários
ânodos de sacrifícios distribuídos ou, se for o caso, concentrados, formando uma
bateria.
10.8 - PROTEÇÃO POR CORRENTE IMPRESSA
Não se consegue fazer proteção catódica com ânodo de sacrifício em solos
com resistividade elevada. Isto porque a corrente galvânica é muito pequena. não
permitindo obter-se a eficiência desejada.
Neste caso, para que a proteção seja eficiente, deve-se impor uma corrente
contínua com uma fonte externa. Esta corrente é conhecida por corrente impressa ou
forçada.
A fonte de tensão externa força a circulação da corrente contínua
convencional do eletrodo a ser corroído para o sistema de aterramento a ser
protegido. Ver figura 10.7.1.
0 eletrodo que libera a corrente convencional no solo é o que sofrerá a
corrosão. A corrente eletroquímica, isto é, a do fluxo de elétrons, circula do sistema
de aterramento para o eletrodo a ser corroído.
138
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Como o objetivo é proteger o sistema de aterramento, não há necessidade da
corrosão do eletrodo. Para manter a vida útil e a eficiência da proteção por corrente
impressa, deve-se usar um material altamente resistente à corrosão no eletrodo a ser
corroído. Por este motivo, ele é conhecido como eletrodo inerte.
Os materiais usados na confecção dos eletrodos inertes são:
• Grafite em solos normais;
• Ferro-Silício em solos normais;
• Ferro-Silício-Cromo (14, 5% Si - 4, 5% Cr) em solo com salinidade.
Como o eletrodo inerte está enterrado no solo, há necessidade de envolvê-lo
com um enchimento condutor de coque metalúrgico moído. Isto adiciona as
seguintes vantagens:
• Diminui a resistividade elétrica da região que envolve o eletrodo inerte, facilitando
a passagem da corrente elétrica;
• Diminui o gasto do eletrodo inerte;
• Aumenta a área de dispersão da corrente no solo.
A fonte de tensão que alimenta o processo por corrente impressa é um
transformador conectado à rede local, juntamente com uma ponte retificadora, que
converte corrente alternada em contínua.
139
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Figura 10.8.1: Proteção por corrente impressa
10.9 – CONSIDERAÇÕES
O assunto sobre corrosão é muito complexo, portanto, procurou-se neste
capítulo, apenas abordar o assunto de maneira singela, sintetizando os tópicos
principais da corrosão relacionados com o sistema de aterramento. As informações
aqui contidas mostram a importância da corrosão no sistema de aterramento, assunto
este tão negligenciado mas que deve ser profundamente estudado e considerado.
Maiores detalhes deverão ser estudados para serem considerados no projeto
de um sistema de aterramento.
140
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11– ATERRAMENTO PARA EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS
SENSÍVEIS (EES’S)
11.1 – INTRODUÇÃO
Durante muitos anos, o aterramento de equipamentos eletrônicos desafiou os
profissionais da área de eletrotécnica, e muitas soluções adotadas foram inadequadas.
Porém, hoje, já se dispõe de metodologia capaz de assegurar um aterramento correto
para esse tipo de equipamento. No entanto, muitos profissionais ainda adotam
métodos tradicionais, incompatíveis com as exigências técnicas que os EES’s
necessitam.
Algumas considerações se fazem necessárias:
• O condutor neutro é normalmente isolado e o sistema de alimentação empregado
deve ser o TN-S.
• O condutor neutro exerce a uma função básica de conduzir as correntes de
retorno do sistema.
• O condutor de proteção exerce a sua função básica de conduzir à terra as
correntes de massa. Todas as carcaças devem ser ligadas ao condutor de
proteção.
• O condutor de referência de sinal deve exercer sua função básica de referência de
potencial do circuito eletrônico.
Como seguem várias possibilidades de executar o aterramento de um EES, o
que vem sendo feito ao longo de muitos anos de utilização de equipamentos
sensíveis, notadamente os microcomputadores, a seguir serão considerados as formas
de aterramento mais empregados, definindo-se, em cada uma delas, as suas
vantagens e desvantagens.
141
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11.2 – SISTEMA DE ATERRAMENTO DE FORÇA
Esse foi o primeiro tipo de aterramento adotado para os EES’s. Nesse caso, tanto
a carcaça dos equipamentos eletrônico sensíveis como a barra de sinal eletrônico
são aterradas na malha de terra do sistema de força, ou mais especificamente na
malha de terra da subestação, quando se tratar de instalações elétricas industriais
e comerciais de médio e grande portes.
Figura 11.2.1: Aterramento de EES’s na malha de terra de força
A barra de terra de referência de potencial e sinal eletrônico serve de
referência para o funcionamento dos diversos componentes do equipamento
eletrônico, e não pode ser perturbada por sinais espúrios. Os sistemas de corrente
continua presentes num EES, cuja referência é a barra de terra de referência de sinal,
operam nas tensões de +5/0/-5 V, +12/0/-12 V, ou ainda +24/0/-24 V. Logo, se
houver alteração nesse potencial de referência, o equipamento eletrônico poderá
realizar operações inconsistentes.
Nos estudos realizados em malha de terra de força, verificou-se uma grande
quantidade de corrente espúrias de freqüência variáveis circulando nos condutores, e
que certamente perturbam o terra de referência de sinal eletrônico, que deve estar
isento de distúrbios. São correntes harmônicas, indução eletromagnética, etc.
A análise desse tipo de aterramento leva às seguintes considerações :
a) Vantagens
142
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• Equalização dos potenciais de passo e de toque.
• Baixas impedâncias para as correntes de curto-circuito fase-terra.
• Facilidade no controle de resistência de terra, que depende da resistência do
condutor e da resistividade do solo.
• Segurança pessoal garantida.
b) Desvantagens
• Diferença de potencial entre as barras de terra de referência do sinal eletrônico,
fazendo circular uma corrente no condutor que interliga as mesmas. Essa
diferença de tensão é denominada potencial de modo comum.
• Possibilidade de alteração de potencial da barra de terra de referencia de sinal
eletrônico, provocando funcionamento inadequado do equipamento. Isto pode
ocorrer durante curto-circuitos fase-terra, nesse caso, a referência de sinal poderia
ser alterada. Elevação de potencial na malha de terra quando submetida a
corrente de alta freqüência.
A malha de terra destinada ao sistema de força é inadequada para aterramento
de equipamento eletrônico sensível.
11.3 – SISTEMA DE ATERRAMENTO INDEPENDENTE
O sistema de aterramento independente se caracteriza pelo aterramento, em
malha de terra específica, de todas as bases de terra de sinal eletrônico. Enquanto
isso, o aterramento das carcaças dos equipamentos eletrônicos é feito utilizando a
malha de terra do sistema de força.
Este sistema foi concebido para substituir o aterramento único do sistema de
força. Nesse caso, são construídas duas malhas de terra separadas por uma grande
distância, de preferência igual ou superior a 100 m. O condutor de aterramento da
barra de referência de sinal deve ser constituído de cabo isolado. Também, a barra de
terra de referência de sinal deve ser isolada do EES. Esse sistema de aterramento
conduz às seguintes questões :
143
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• O sistema de aterramento não atende ao requisito da NBR 5410/90, e outras
normas equivalentes, quanto ao aspecto de segurança. Isto é, se uma pessoa mantiver
um contato entre dois pontos aterrados separadamente, é possível ficar submetida a
um determinado potencial perigoso.
• Quando a malha de terra do sistema de potência é atravessada por uma corrente de
alta freqüência, surgem capacitâncias de acoplamento no interior do equipamento
entre pontos próximos aterrados e pertencentes às diferentes malhas de terra. Como a
reatância capacitiva X
c
é inversamente proporcional à freqüência, obtém-se valores
muito baixos de X
c
entre os referidos pontos, ocasionando a circulação de corrente
entre eles. Se por acaso esses pontos fizerem parte de circuito eletrônico, certamente
os componentes poderiam ser destruídos.
Como os condutores isolados, determinados ao aterramento das barras de
referência de sinal eletrônico normalmente tem grandes comprimentos, possibilitam
a circulação de correntes elétricas geradas campos eletromagnéticos produzidos por
qualquer fonte que se localizam nas proximidades do seu caminhamento. Isto é, se os
condutores de aterramento, por exemplo, fizerem uma trajetória longo paralela a um
condutor conduzindo uma elevada corrente, poderá surgir um acoplamento indutivo,
e, consequentemente, a circulação de correntes induzidas(figura 11.3.1). Se o
acoplamento é um sinal de alta freqüência, o resultado será mais grave, em função
das elevadas quedas de tensão que surgiram entre as extremidades dos condutores.
Com base na figura acima, será feita uma análise conceitual desse tipo de
sistema.
a) Vantagens :
• Baixas impedâncias para as correntes de curto-circuito fase-terra.
• Facilidade no controle da resistência de terra, que depende da resistência do
condutor, que é função da sua seção transversal e da resistividade do solo.
144
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b) Desvantagens :
• O equipamento sensível está sempre sujeito a um acoplamento capacitivo,
quando qualquer um dos sistemas de aterramento for submetido a uma corrente de
alta freqüência.
• A malha de terra do equipamento sensível está sempre sujeito a um acoplamento
resistivo, quando o sistema de aterramento de força for submetido a uma corrente
elétrica.
• Arranjo do aterramento é proibido por diversos documentos normativos, em
virtude da segurança pessoal comprometida.
As malhas de terra independentes são inadequadas e perigosas à segurança
das pessoas é à integridade dos EES’s e, portanto, devem ser abandonadas como
prática de projeto.
11.4 – SISTEMAS DE ATERRAMENTO DE PONTO ÚNICO
Esse sistema se caracteriza pelo aterramento da barra de sinal eletrônico dos
equipamentos eletrônicos sensíveis numa barra de terra específica localizada no
Quadro de Distribuição(6ª barra), sendo que esta barra isolada está conectada à
malha de terra do sistema de força, conforme se pode verificar na figura 11.4. A
barra de terra de referência de sinal está isolada da carcaça dos equipamentos
eletrônicos. A barra de neutro também é isolada da carcaça do Quadro de
Distribuição, configurando a condição do sistema TN-S.
Tratando-se de um sistema TN-S, o aterramento das carcaças dos
equipamentos eletrônicos é conectado a barra de proteção do quadro de distribuição,
através de um condutor isolado, denominado, como se sabe, condutor de proteção
PE. Também, a carcaça do próprio quadro de distribuição esta conectada a barra PE
que, por sua vez, através de um outro condutor de proteção se conecta à malha de
terra do sistema de força.
145
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
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Figura 11.4.1: Sistema de aterramento de ponto único
O sistema de aterramento de ponto único, embora com característica melhores
do que os dois anteriormente apresentado, continua inadequado perante correntes de
alta freqüência que possam circular nos condutores de aterramento a barra de sinal
eletrônico, normalmente de grande comprimento.
A análise de aterramento de ponto único leva as seguintes considerações.
a) Vantagens :
• Equalização dos potenciais entre as barras de terra de referência de sinal e a de
proteção PE para correntes de baixa freqüência.
b) Desvantagens :
• Instalação de duas barras de terra mais o neutro no quadro de distribuição.
• Acoplamento capacitivo entre a barra de terra mais o neutro de referência de sinal
e o invólucro metálico, aterrado na barra de terra de proteção PE, quando a malha de
terra é percorrida por uma corrente de alta freqüência.
• Acoplamento capacitivo entre a terra de referência de sinal eletrônico e carcaça
dos EES.
• Considerando que na prática os circuitos de aterramento entre os EES’s e o
quadro de distribuição são constituídos por condutores longos, poderá ocorrer
elevação de potencial entre as duas barras de aterramento de força e de sinal, quando
estes condutores conduzirem correntes de alta freqüência.
146
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Esse sistema de aterramento somente atende à condição de circulação de
corrente de baixa freqüência. Não oferece proteção satisfatória aos equipamentos
sensíveis quando circulam correntes de alta freqüência. Por este motivo essa solução
não é adequada.
11.5 – SISTEMA DE MALHA DE TERRA DE REFERÊNCIA DE SINAL
Esse sistema se caracteriza pela construção de duas malhas de terra. A
primeira deve ser projetada de maneira convencional e é destinada ao aterramento
dos equipamentos de força. A segunda malha de terra, denominada malha de terra de
referência de sinal, é destinada ao aterramento da barra de terra de referência de sinal
eletrônico dos EES’s. O seu dimensionamento deve ser feito considerando a
circulação de correntes de alta freqüência.
Nesse tipo de sistema de aterramento, a barra de terra de referência de sinal
eletrônico dos EES’s é conectada através de um condutor isolado à malha de terra de
referência, construída especialmente para impedir os efeitos causados pelas correntes
de alta freqüência. O condutor de aterramento de barra de sinal do EES deve ter o
menor comprimento possível, de preferência igual ao afastamento entre as
condutores da malha de referência, afim de evitar diferenças de potencial entre as
extremidades do referido condutor, quando percorrido por uma corrente de alta
freqüência. A barra de terra referência de sinal dos EES’s esta isolada da barra de
aterramento da carcaça.
147
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WAGNER ANTONIO BIFFE
Figura 11.5.1: Sistema de malha de terra de referência num sistema TN-S
Na construção de uma malha de terra de referência pode-se usar as
conhecidas mantas de aterramento pré-fabricadas, normalmente em fios de cobre de
pequenas seção transversal e pequeno afastamento entre os condutores. Já que a
malha de terra de referência de sinal não é responsável pela condução das correntes
de curto-circuito do sistema de força.
A análise deste tipo de aterramento leva às seguintes considerações .
a) Vantagens :
• Assegura a equalização dos potenciais das duas malhas de terra para circulação
de correntes de baixa e alta freqüências.
• Garante a segurança pessoal, quanto às tensões de toque e de passo.
b) Desvantagens :
• A eficiência dessa solução está limitada à equalização dos potenciais das barras
de terra dos sistemas de força e de sinal, evitando acoplamentos resistivos, indutivos
e capacitivos para corrente de alta freqüência. No entanto, existe uma situação em
que esse tipo de aterramento não apresenta resposta satisfatória. Quando vários
EES’s, localizados em prédios diferentes, são interligados através de cabos de
comunicação de dados, há possibilidade de circulação de corrente de alta freqüência
nos condutores, e que, devido ao seu longo comprimento, permitirão elevações
significativas de potencial. Deve-se considerar que as malhas de terra dos diferentes
edifícios ficam interligadas através desses condutores longos.
148
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Apêndice A
TABELAS DE HASTES PARALELAS, ALINHADAS E IGUALMENTE
ESPAÇADAS
L = 2m d = ½” R
1haste
= 0.513
a ρ
Espaçamento
2m 3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω) K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .291
a ρ
0.568 .281
a ρ
0.548 .276
a ρ
0.537 .272
a ρ
0.530
3 .210
a ρ
0.410 .199
a ρ
0.388 .192
a ρ
0.375 .188
a ρ
0.367
4 .167
a ρ
0.326 .155
a ρ
0.303 .149
a ρ
0.291 .145
a ρ
0.283
5 .140
a ρ
0.272 .128
a ρ
0.250 .122
a ρ
0.239 .119
a ρ
0.231
6 .121
a ρ
0.235 .110
a ρ
0.214 .104
a ρ
0.203 .101
a ρ
0.196
7 .106
a ρ
0.208 .096
a ρ
0.188 .091
a ρ
0.177 .087
a ρ
0.171
8 .096
a ρ
0.186 .086
a ρ
0.167 .081
a ρ
0.157 .078
a ρ
0.151
9 .087
a ρ
0.169 .078
a ρ
0.151 .073
a ρ
0.142 .070
a ρ
0.136
10 .080
a ρ
0.155 .071
a ρ
0.138 .066
a ρ
0.129 .063
a ρ
0.123
11 .074
a ρ
0.144 .065
a ρ
0.127 .061
a ρ
0.119 .058
a ρ
0.113
12 .069
a ρ
0.134 .061
a ρ
0.118 .056
a ρ
0.110 .054
a ρ
0.105
13 .064
a ρ
0.125 .057
a ρ
0.110 .052
a ρ
0.102 .050
a ρ
0.097
14 .060
a ρ
0.118 .053
a ρ
0.103 .049
a ρ
0.096 .047
a ρ
0.091
15 .057
a ρ
0.111 .050
a ρ
0.097 .046
a ρ
0.090 .044
a ρ
0.086
Tabela A.1:
L = 2m d = 5/8” R
1haste
= 0.495
a ρ
Espaçamento
2m 3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω) K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .283
a ρ
0.571 .272
a ρ
0.550 .267
a ρ
0.539 .263
a ρ
0.531
3 .205
a ρ
0.413 .193
a ρ
0.389 .186
a ρ
0.376 .182
a ρ
0.368
4 .163
a ρ
0.329 .151
a ρ
0.305 .145
a ρ
0.292 .141
a ρ
0.284
5 .136
a ρ
0.275 .125
a ρ
0.252 .119
a ρ
0.240 .115
a ρ
0.232
6 .118
a ρ
0.238 .107
a ρ
0.216 .101
a ρ
0.204 .098
a ρ
0.197
7 .104
a ρ
0.210 .094
a ρ
0.189 .088
a ρ
0.178 .085
a ρ
0.172
8 .093
a ρ
0.189 .084
a ρ
0.169 .079
a ρ
0.159 .075
a ρ
0.152
9 .085
a ρ
0.171 .076
a ρ
0.153 .071
a ρ
0.143 .068
a ρ
0.137
10 .078
a ρ
0.157 .069
a ρ
0.140 .064
a ρ
0.130 .062
a ρ
0.124
11 .072
a ρ
0.146 .064
a ρ
0.129 .059
a ρ
0.120 .056
a ρ
0.114
12 .067
a ρ
0.136 .059
a ρ
0.119 .055
a ρ
0.111 .052
a ρ
0.105
13 .063
a ρ
0.127 .055
a ρ
0.111 .051
a ρ
0.103 .079
a ρ
0.098
14 .059
a ρ
0.120 .052
a ρ
0.105 .048
a ρ
0.097 .045
a ρ
0.092
15 .056
a ρ
0.113 .049
a ρ
0.099 .045
a ρ
0.091 .043
a ρ
0.086
Tabela A.2:
149
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WAGNER ANTONIO BIFFE
L = 2m d = 3/4” R
1haste
= 0.481
a ρ
Espaçamento
2m 3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω) K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .275
a ρ
0.573 .265
a ρ
0.552 .259
a ρ
0.540 .256
a ρ
0.532
3 .200
a ρ
0.416 .188
a ρ
0.391 .182
a ρ
0.378 .177
a ρ
0.369
4 .159
a ρ
0.331 .147
a ρ
0.307 .141
a ρ
0.293 .137
a ρ
0.285
5 .133
a ρ
0.277 .122
a ρ
0.254 .116
a ρ
0.241 .112
a ρ
0.233
6 .115
a ρ
0.240 .105
a ρ
0.217 .099
a ρ
0.205 .095
a ρ
0.198
7 .102
a ρ
0.212 .092
a ρ
0.191 .086
a ρ
0.179 .083
a ρ
0.172
8 .092
a ρ
0.190 .082
a ρ
0.170 .077
a ρ
0.160 .073
a ρ
0.153
9 .083
a ρ
0.173 .074
a ρ
0.154 .069
a ρ
0.144 .066
a ρ
0.138
10 .076
a ρ
0.159 .068
a ρ
0.141 .063
a ρ
0.131 .060
a ρ
0.125
11 .071
a ρ
0.147 .062
a ρ
0.130 .058
a ρ
0.121 .055
a ρ
0.115
12 .066
a ρ
0.137 .058
a ρ
0.120 .054
a ρ
0.112 .051
a ρ
0.106
13 .062
a ρ
0.129 .054
a ρ
0.113 .050
a ρ
0.104 .047
a ρ
0.099
14 .058
a ρ
0.121 .051
a ρ
0.106 .047
a ρ
0.097 .044
a ρ
0.092
15 .055
a ρ
0.114 .048
a ρ
0.100 .044
a ρ
0.092 .042
a ρ
0.087
Tabela A.3:
L = 2m d = 1” R
1haste
= 0.458
a ρ
Espaçamento
2m 3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω) K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .264
a ρ
0.577 .254
a ρ
0.554 .248
a ρ
0.542 .244
a ρ
0.534
3 .192
a ρ
0.420 .180
a ρ
0.394 .174
a ρ
0.380 .170
a ρ
0.371
4 .153
a ρ
0.335 .142
a ρ
0.309 .135
a ρ
0.296 .131
a ρ
0.287
5 .129
a ρ
0.281 .117
a ρ
0.257 .111
a ρ
0.243 .108
a ρ
0.235
6 .111
a ρ
0.243 .101
a ρ
0.220 .095
a ρ
0.207 .091
a ρ
0.200
7 .099
a ρ
0.215 .088
a ρ
0.193 .083
a ρ
0.181 .080
a ρ
0.174
8 .089
a ρ
0.194 .079
a ρ
0.173 .074
a ρ
0.161 .071
a ρ
0.154
9 .081
a ρ
0.176 .071
a ρ
0.156 .067
a ρ
0.145 .064
a ρ
0.139
10 .074
a ρ
0.162 .065
a ρ
0.143 .061
a ρ
0.133 .058
a ρ
0.126
11 .069
a ρ
0.150 .060
a ρ
0.132 .056
a ρ
0.122 .053
a ρ
0.116
12 .064
a ρ
0.140 .056
a ρ
0.122 .052
a ρ
0.113 .049
a ρ
0.107
13 .060
a ρ
0.131 .052
a ρ
0.114 .048
a ρ
0.105 .046
a ρ
0.100
14 .057
a ρ
0.124 .049
a ρ
0.107 .045
a ρ
0.099 .043
a ρ
0.093
15 .053
a ρ
0.117 .046
a ρ
0.101 .043
a ρ
0.093 .040
a ρ
0.088
Tabela A.4:
150
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
L = 2,4m d =1/2” R
1haste
= 0.440
a ρ
Espaçamento
2,5m 3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω) K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .248
a ρ
0.564 .244
a ρ
0.555 .239
a ρ
0.543 .235
a ρ
0.535
3 .178
a ρ
0.406 .174
a ρ
0.395 .168
a ρ
0.371 .164
a ρ
0.372
4 .141
a ρ
0.321 .136
a ρ
0.310 .130
a ρ
0.297 .127
a ρ
0.278
5 .118
a ρ
0.268 .113
a ρ
0.258 .107
a ρ
0.245 .104
a ρ
0.236
6 .102
a ρ
0.231 .097
a ρ
0.221 .092
a ρ
0.209 .088
a ρ
0.201
7 .090
a ρ
0.204 .085
a ρ
0.195 .080
a ρ
0.183 .077
a ρ
0.175
8 .080
a ρ
0.183 .076
a ρ
0.174 .071
a ρ
0.162 .068
a ρ
0.155
9 .073
a ρ
0.166 .069
a ρ
0.157 .064
a ρ
0.147 .061
a ρ
0.140
10 .067
a ρ
0.152 .063
a ρ
0.144 .059
a ρ
0.134 .056
a ρ
0.127
11 .062
a ρ
0.140 .058
a ρ
0.133 .054
a ρ
0.123 .051
a ρ
0.117
12 .057
a ρ
0.131 .054
a ρ
0.123 .050
a ρ
0.114 .048
a ρ
0.108
13 .054
a ρ
0.122 .051
a ρ
0.115 .047
a ρ
0.106 .044
a ρ
0.101
14 .051
a ρ
0.115 .048
a ρ
0.108 .044
a ρ
0.100 .041
a ρ
0.094
15 .048
a ρ
0.109 .045
a ρ
0.102 .041
a ρ
0.094 .039
a ρ
0.089
Tabela A.5:
L = 2,4m d = 5/8” R
1haste
= 0.425
a ρ
Espaçamento
2,5m 3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω) K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .241
a ρ
0.566 .237
a ρ
0.557 .231
a ρ
0.544 .228
a ρ
0.536
3 .173
a ρ
0.408 .169
a ρ
0.397 .163
a ρ
0.383 .159
a ρ
0.374
4 .137
a ρ
0.324 .133
a ρ
0.313 .127
a ρ
0.298 .123
a ρ
0.289
5 .115
a ρ
0.270 .110
a ρ
0.260 .105
a ρ
0.246 .101
a ρ
0.237
6 .099
a ρ
0.233 .095
a ρ
0.223 .089
a ρ
0.210 .086
a ρ
0.202
7 .087
a ρ
0.206 .083
a ρ
0.196 .078
a ρ
0.184 .075
a ρ
0.176
8 .078
a ρ
0.185 .075
a ρ
0.176 .070
a ρ
0.164 .066
a ρ
0.156
9 .071
a ρ
0.168 .068
a ρ
0.159 .063
a ρ
0.148 .060
a ρ
0.141
10 .065
a ρ
0.154 .062
a ρ
0.146 .057
a ρ
0.135 .054
a ρ
0.128
11 .060
a ρ
0.142 .057
a ρ
0.134 .053
a ρ
0.124 .050
a ρ
0.118
12 .056
a ρ
0.132 .053
a ρ
0.125 .049
a ρ
0.115 .046
a ρ
0.109
13 .053
a ρ
0.124 .050
a ρ
0.117 .046
a ρ
0.107 .043
a ρ
0.101
14 .049
a ρ
0.117 .047
a ρ
0.110 .043
a ρ
0.101 .040
a ρ
0.095
15 .047
a ρ
0.110 .044
a ρ
0.103 .040
a ρ
0.095 038
a ρ
0.089
Tabela A.6:
151
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
L = 2,4m d = 3/4” R
1haste
= 0.413
a ρ
Espaçamento
2,5m 3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω) K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .235
a ρ
0.568 .231
a ρ
0.559 .225
a ρ
0.546 .222
a ρ
0.537
3 .169
a ρ
0.410 .165
a ρ
0.399 .159
a ρ
0.384 .155
a ρ
0.375
4 .134
a ρ
0.326 .130
a ρ
0.315 .124
a ρ
0.300 .120
a ρ
0.290
5 .112
a ρ
0.272 .108
a ρ
0.262 .102
a ρ
0.247 .098
a ρ
0.238
6 .097
a ρ
0.235 .093
a ρ
0.225 .087
a ρ
0.211 .084
a ρ
0.203
7 .086
a ρ
0.208 .082
a ρ
0.198 .076
a ρ
0.185 .073
a ρ
0.177
8 .077
a ρ
0.186 .073
a ρ
0.177 .068
a ρ
0.165 .065
a ρ
0.157
9 .070
a ρ
0.169 .066
a ρ
0.160 .061
a ρ
0.149 .058
a ρ
0.142
10 .064
a ρ
0.155 .061
a ρ
0.147 .056
a ρ
0.136 .053
a ρ
0.129
11 .059
a ρ
0.144 .056
a ρ
0.136 .052
a ρ
0.125 .049
a ρ
0.119
12 .055
a ρ
0.134 .052
a ρ
0.126 .048
a ρ
0.116 .045
a ρ
0.110
13 .052
a ρ
0.125 .049
a ρ
0.118 .045
a ρ
0.108 .042
a ρ
0.102
14 .049
a ρ
0.118 .046
a ρ
0.111 .042
a ρ
0.101 .039
a ρ
0.096
15 .046
a ρ
0.111 .043
a ρ
0.104 .039
a ρ
0.096 .037
a ρ
0.090
Tabela A.7:
L = 2,4m d = 1” R
1haste
= 0.394
a ρ
Espaçamento
2m 3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω) K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .225
a ρ
0.572 .221
a ρ
0.562 .216
a ρ
0.548 .212
a ρ
0.539
3 .163
a ρ
0.414 .158
a ρ
0.403 .152
a ρ
0.387 .148
a ρ
0.377
4 .130
a ρ
0.330 .125
a ρ
0.318 .119
a ρ
0.302 .115
a ρ
0.292
5 .109
a ρ
0.276 .104
a ρ
0.265 .098
a ρ
0.250 .095
a ρ
0.240
6 .094
a ρ
0.238 .090
a ρ
0.228 .084
a ρ
0.214 .081
a ρ
0.205
7 .083
a ρ
0.211 .079
a ρ
0.201 .074
a ρ
0.187 .070
a ρ
0.179
8 .074
a ρ
0.189 .071
a ρ
0.180 .066
a ρ
0.167 .063
a ρ
0.159
9 .068
a ρ
0.172 .064
a ρ
0.163 .059
a ρ
0.151 .056
a ρ
0.143
10 .062
a ρ
0.158 .059
a ρ
0.149 .054
a ρ
0.138 .051
a ρ
0.130
11 .058
a ρ
0.146 .054
a ρ
0.138 .050
a ρ
0.127 .047
a ρ
0.120
12 .054
a ρ
0.136 .050
a ρ
0.128 .046
a ρ
0.118 .044
a ρ
0.111
13 .050
a ρ
0.128 .047
a ρ
0.120 .043
a ρ
0.110 .041
a ρ
0.103
14 .047
a ρ
0.120 .044
a ρ
0.113 .040
a ρ
0.103 .038
a ρ
0.097
15 .045
a ρ
0.113 .042
a ρ
0.106 .038
a ρ
0.097 .036
a ρ
0.091
Tabela A.8:
152
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
L = 2,4m d = 1” R
1haste
= 0.394
a ρ
Espaçamento
3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .205 0.564 .200
a ρ
0.551 .197
a ρ
0.541
3 .148 0.406 .142
a ρ
0.390 .138
a ρ
0.380
4 .117 0.321 .111
a ρ
0.306 .107
a ρ
0.295
5 .097 0.268 .092
a ρ
0.253 .088
a ρ
0.243
6 .084 0.231 .079
a ρ
0.217 .075
a ρ
0.207
7 .074 0.204 .069
a ρ
0.190 .066
a ρ
0.181
8 .066 0.183 .062
a ρ
0.170 .059
a ρ
0.161
9 .060 0.166 .056
a ρ
0.153 .053
a ρ
0.145
10 .055 0.152 .051
a ρ
0.140 .048
a ρ
0.133
11 .051 0.141 .047
a ρ
0.129 .044
a ρ
0.122
12 .048 0.131 .044
a ρ
0.120 .041
a ρ
0.113
13 .045 0.122 .041
a ρ
0.112 .038
a ρ
0.105
14 .042 0.115 .038
a ρ
0.105 .036
a ρ
0.099
15 .040 0.109 .036
a ρ
0.099 .034
a ρ
0.093
Tabela A.9:
L = 2,4m d = 1” R
1haste
= 0.394
a ρ
Espaçamento
3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .199 0.566 .194
a ρ
0.552 .191
a ρ
0.543
3 .144 0.408 .138
a ρ
0.392 .134
a ρ
0.381
4 .114 0.324 .108
a ρ
0.307 .104
a ρ
0.297
5 .095 0.270 .090
a ρ
0.255 .086
a ρ
0.245
6 .082 0.233 .077
a ρ
0.218 .073
a ρ
0.209
7 .072 0.206 .067
a ρ
0.192 .064
a ρ
0.182
8 .065 0.185 .060
a ρ
0.171 .057
a ρ
0.162
9 .059 0.168 .054
a ρ
0.155 .052
a ρ
0.147
10 .054 0.154 .050
a ρ
0.142 .047
a ρ
0.134
11 .050 0.142 .046
a ρ
0.130 .043
a ρ
0.123
12 .047 0.132 .043
a ρ
0.121 .040
a ρ
0.114
13 .044 0.124 .040
a ρ
0.113 .037
a ρ
0.106
14 .041 0.117 .037
a ρ
0.106 .035
a ρ
0.100
15 .039 0.110 .035
a ρ
0.100 .033
a ρ
0.094
Tabela A.10:
153
ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS SISTEMAS DE ATERRAMENTO
WAGNER ANTONIO BIFFE
L = 2,4m d = 1” R
1haste
= 0.394
a ρ
Espaçamento
3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .194 0.568 .189
a ρ
0.554 .186
a ρ
0.544
3 .140 0.410 .135
a ρ
0.394 .131
a ρ
0.383
4 .111 0.326 .106
a ρ
0.309 .102
a ρ
0.298
5 .093 0.272 .088
a ρ
0.256 .084
a ρ
0.246
6 .080 0.235 .075
a ρ
0.220 .072
a ρ
0.210
7 .071 0.208 .066
a ρ
0.193 .063
a ρ
0.184
8 .064 0.186 .059
a ρ
0.172 .056
a ρ
0.163
9 .058 0.169 .053
a ρ
0.156 .050
a ρ
0.148
10 .053 0.155 .049
a ρ
0.143 .046
a ρ
0.135
11 .049 0.144 .045
a ρ
0.132 .042
a ρ
0.124
12 .046 0.134 .042
a ρ
0.122 .039
a ρ
0.115
13 .043 0.125 .039
a ρ
0.114 .037
a ρ
0.107
14 .040 0.118 .037
a ρ
0.107 .034
a ρ
0.100
15 .038 0.111 .035
a ρ
0.101 .032
a ρ
0.095
Tabela A.11
L = 2,4m d = 1” R
1haste
= 0.394
a ρ
Espaçamento
3m 4m 5m
Número
de haste
R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K R
eq
( Ω
)
K
2 .187 0.571 .182
a ρ
0.556 .178
a ρ
0.546
3 .135 0.414 .129
a ρ
0.396 .126
a ρ
0.385
4 .108 0.329 .102
a ρ
0.312 .098
a ρ
0.300
5 .090 0.276 .085
a ρ
0.259 .081
a ρ
0.248
6 .078 0.238 .073
a ρ
0.222 .069
a ρ
0.212
7 .069 0.211 .064
a ρ
0.195 .061
a ρ
0.185
8 .062 0.189 .057
a ρ
0.175 .054
a ρ
0.165
9 .056 0.172 .052
a ρ
0.158 .049
a ρ
0.149
10 .052 0.158 .047
a ρ
0.145 .045
a ρ
0.136
11 .048 0.146 .044
a ρ
0.133 .041
a ρ
0.125
12 .044 0.136 .041
a ρ
0.124 .038
a ρ
0.116
13 .042 0.128 .038
a ρ
0.116 .035
a ρ
0.109
14 .039 0.120 .036
a ρ
0.109 .033
a ρ
0.102
15 .037 0.113 .034
a ρ
0.103 .031
a ρ
0.096
Tabela A.12
154
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Apêndice B
CURVAS PARA DETERMINAÇÃO DOS COEFICIENTES K
M
, K
S
,K
C
COEFICIENTE K
M
L – Comprimento do lado em (m)

n – Numero de condutores
Nota: estas curvas foram calculadas para cabo 2 AWG e h = 0,60 m
Para valores diferentes destes, vide tabela B.1 (Apêndice B)
COEFICIENTE K
s
(h = 0,4 m)
L – Comprimento do lado em (m)
n – Numero de condutores
h – Profundidade da malha (m)

COEFICIENTE K
s
(h = 0,6 m)
L – Comprimento do lado em (m)
n – Numero de condutores
h – Profundidade da malha (m)
155
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COEFICIENTE K
s
(h = 0,8 m)
L – Comprimento do lado em (m)
n – Numero de condutores
h – Profundidade da malha (m)
COEFICIENTE K
s
(h = 1,0 m)
L – Comprimento do lado em (m)
n – Numero de condutores
h – Profundidade da malha (m)
COEFICIENTE K
c
- cerca sobre o perímetro da rede
156
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Nota: estas curva foram calculadas para cabo 2 AWG ( h = 0,6m), para bitolas diferentes vide tabela B.2 (Apêndice B)
COEFICIENTE K
c
- cerca a 1m do perímetro da rede
Nota: estas curva foram calculadas para cabo 2 AWG ( h = 0,6m), para bitolas diferentes vide tabela B.2 (Apêndice B)
COEFICIENTE K
c
- cerca a 2m do perímetro da rede
Nota: estas curva foram calculadas para cabo 2 AWG ( h = 0,6m), para bitolas diferentes vide tabela B.2 (Apêndice B)
157
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TABELAS DE CORREÇÃO DOS COEFICIÊNTES K
M
E K
C
FATOR DE CORREÇÃO DO K
M
Bitola
do cabo
Profundidade dos cabos
0,40 0,50 0,60 0,70 0,80
2 +0,054 +0,029 0,000 -0,025 -0,046
1 +0,044 +0,009 -0,021 -0,045 -0,066
1/0 +0,026 -0,010 -0,039 -0,063 -0,085
2/0 +0,007 -0,028 -0,057 -0,082 -0,103
3/0 -0,012 -0,047 -0,076 -0,101 -0,122
4/0 -0,030 -0,065 -0,095 -0,119 -0,140
250 -0,043 -0,079 -0,108 -0,133 -0,154
300 -0,057 -0,093 -0,123 -0,147 -0,168
Tabela B.1: Fator de correção de KM
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FATOR DE CORREÇÃO DO K
C
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• CIPOLÍ, JOSÉ ADOLFO
TECNICAS DE DISTRIBUIÇÃO, QUALITYMARK EDITORA, 1993.
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DE MYDIA, 1996.
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• MAMEDE FILHO, JOÃO
PROTEÇÃO DE EQUIPAMENTOS SENSÍVEIS, EDITORA ÉRICA, 1997.
• COTRIM, ADEMERO A.M. B.
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS, EDITORA MAKRON BOOKS, 3ª EDIÇÃO
1992.
• LEITE, DUÍLIO M. E LEITE, CARLOS M.
PROTEÇÃO CONTRA DESCARGA ATMOSFÉRICA, EDITORA
OFFICINA DE MYDIA, 3ª EDIÇÃO 1997.
• MAMEDE FILHO, JOÃO
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS INDUSTRIAIS, LIVROS TÉCNICOS
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ATERRAMENTO ELÉTRICO, EDITORA SAGRA-DC LUZZATTO, 3ª
EDIÇÃO 1995.
• NBR – 5410
INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO, EDIÇÃO
ATUALIZADA.
• NBR – 5419
SISTEMA DE PROTEÇÃO CONTRA DESCARGA ATMOSFÉRICA,
EDIÇÃO ATUALIZADA
• SOTILLE, CARLOS ALBERTO
APOSTILA CURSO DE ATERRAMENTO, E.E.L, 1998.
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anisotropias, bem como a variação sazonal de suas propriedades. Não há segredo, e as fórmulas existentes não são mágicas: trata-se de realizar um modelo matemático que consiga aproximar-se satisfatoriamente do resultado físico. Quanto é esse satisfatório? Depende do rigor dos objetivos almejados, bem como dos dados disponíveis; pode ser que 5% de erro seja ruim ou que 20 % a seja bom. Aliás, como todo o livro fará referências a erros relativos e, como o termo erro, em português, tem uma conotação pejorativa - o que não é nossa intenção aqui - vamos, de agora em diante, substituir erro por desvio. Outro problema bastante grave é o cultural: como os procedimentos mais precisos para o dimensionamento de aterramentos requerem capacitação profissional, houve uma disseminação de dois tipos negativos de projetistas: o preguiçoso e o "mágico". Também no aspecto cultural pode-se incluir outros problemas, como a falta de fluência dos profissionais brasileiros em outras línguas, onde se encontra a maior parte das publicações sérias no gênero. Alguns erros (aqui são erros mesmo, não desvios) que temos encontrado nas instalações de aterramento verificadas são realmente primários, como utilizar hastes profundas para solos com segunda camada de resistividade maior que a primeira, ou outras variações do mesmo tema, como cravar dezenas de hastes.

1.2 - RESISTIVIDADE DO SOLO O solo é o meio no qual ficarão imersos os eletrodos de aterramentos, de forma que suas propriedades elétricas serão determinantes para o dimensionamento destes eletrodos. Como estaremos preocupados com a condução de corrente pelo solo, a propriedade relevante será a resistividade, que indicará uma maior ou menor resistência à passagem da corrente elétrica. Vários fatores influenciam na resistividade do solo. Entre eles, pode-se ressaltar: • tipo de solo; • mistura, de diversos tipos de solo; 2

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• solos constituídos por camadas estratificadas com profundidades e materiais diferentes; • teor de umidade; • temperatura; • compactação e pressão; • composição química dos sais dissolvidos na água retida; • concentração de sais dissolvidos na água retida. As diversas combinações acima resultam em solos com características diferentes e, consequentemente, com valores de resistividade distintos. Assim, solos aparentemente iguais tem resistividade diferentes. Para ilustrar, a Tabela 1.2.1 mostra a variação da resistividade para solos de naturezas distintas. TIPO DE SOLO
Terra de jardim com 50% de umidade Terra de jardim com 20 % de umidade Argila seca Argila com 40 % de umidade Argila com 20 % de umidade Areia molhada Areia seca Calcário compactado Granito

RESISTIVIDADE (Ω .m)
5 a 100 140 1500 a 5000 80 330 1300 3000 a 8000 1000 a 8000 1500 a 10000

Tabela 1.2.1: Tipo de solo e respectiva resistividade

1.3 - A INFLUÊNCIA DA UMIDADE A resistividade do solo sofre alterações com a umidade. Esta variação ocorre em virtude da condução de cargas elétricas no mesmo ser predominantemente iônica. Uma percentagem de umidade maior faz com que os sais, presentes no solo, se dissolvam, formando um meio eletrolítico favorável à passagem da corrente iônica. Assim, um solo específico, com concentração diferente de umidade, apresenta uma grande variação na sua resistividade. A Tabela 1.3.1 mostra a variação da resistividade com a umidade de um solo arenoso. 3

0 30.3. e pioram no período de seca. 1. a sua resistividade comporta-se de acordo com a Tabela 1. 4 .A INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA Para um solo arenoso.0 20.0 2.4. aumentar a umidade acima deste valor provocará variações na resistividade conforme observado na figura 1. que o valor da resistividade do solo acompanha de períodos de seca e chuva de uma região.4 . portanto.1 (NBR-7117).000. mantendo-se todas as demais características e variando-se a temperatura.0 15.1: Resistividade de um solo arenoso com concentração de umidade A resistividade é bastante sensível ao teor de umidade do solo até um valor de 20%.5 5.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Índice de Umidade (% por peso) 0.3.3.0 10.1. Figura 1.000 1.500 430 185 105 63 42 Tabela 1.m) (solo arenoso) 10. Os aterramentos melhoram a sua qualidade com solo úmido.1: ρ x Umidade percentual solo arenoso Conclui-se.0 Resistividade(Ω .

aumentando assim a sua resistividade. aumentando o valor da resistividade no ponto 0°C (gelo). 5 .1: ρ x Temperatura Com um maior decréscimo na temperatura há uma concentração no estado molecular tornando o solo mais seco.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Temperatura (º C) 20 10 0 (Água) 0 (gelo) -5 . e que resulta num maior valor da resistividade. a performance de um determinado solo submetido à variação da temperatura pode ser expressa pela curva da figura 1. com a formação de bolhas internas. o estado de vaporização deixa o solo mais seco.1. Isto é devido ao fato de ocorrer uma mudança brusca no estado da ligação entre os grânulos que formam a concentração eletrolítica. com o decréscimo da temperatura.15 Resistividade (Ω .4.1: variação da Resistividade Com a Temperatura Para o Solo Arenoso De uma maneira genérica. próximas de 100° C. com temperaturas elevadas. Observe que no ponto de temperatura 0°C (água).m) (solo arenoso) 72 99 138 300 790 3.300 Tabela 1. Já no outro extremo.4. a curva sofre descontinuidade. e a conseqüente contração e aglutinação da água. é produzida uma dispersão nas ligações iônicas entre os grânulos de terra no solo.4. Figura 1. A partir do ρ mínimo .

1 apresenta o comportamento dos fluxos de dispersão de correntes em um solo heterogêneo. Somente para ilustrar. Entretanto. na sua grande maioria. uma vez que outros casos são menos típicos. por sua natureza apresentam maior grau de precisão.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO dificultando a condução da corrente. elevando o valor da sua resistividade. Existem casos em que as camadas apresentam inclinadas e até verticais. A figura 1. devido à formação geológica. em torno do aterramento. os estudos apresentados para pesquisa do perfil do solo as consideram aproximadamente horizontais. sua profundidade e resistividade respectivas. conseqüentemente. mas formados por diversas camadas de resistividade e profundidade diferentes. são em geral horizontais e paralelas à superfície do solo. 6 . São diversos os métodos existentes para se estratificar o solo. daí a necessidade de introduzir o modelo de estratificação da resistividade do solo. O método Yokogawa utiliza procedimentos gráficos e seu grau de precisão pode ser considerado satisfatório: Já o método simplificado permite a estratificação do solo em apenas duas camadas e só oferece resultados precisos para determinados tipos de solo.5. devido a falha geológica. Yokogawa. ou seja. os métodos de Pirson e de Tagg são basicamente analíticos e embora menos rápidos.5 . principalmente no exato local da instalação da subestação. Dos mais conhecidos podemos citar o método de Pirson. Tagg e ainda o Simplificado.A INFLUÊNCIA DA ESTRATIFICAÇÃO Os solos. não são homogêneos. 1. Essas camadas. definir as camadas. tem-se a variação da dispersão de corrente. Como resultado da variação da resistividade das camadas do solo.

6 . a corrente de defeito que escoa pelo solo.LIGAÇÃO À TERRA Quando ocorre um curto-circuito envolvendo a terra. procura-se efetuar uma adequada ligação dos equipamentos elétricos à terra. para se ter o melhor aterramento possível.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 1.1: Estratificação do solo em duas camadas As linhas pontilhadas são as superfícies equipotenciais. eliminando o defeito o mais rápido possível. Portanto. dentro das condições do solo.5. de modo que a proteção seja sensibilizada e os potenciais de toque e passo fiquem abaixo dos limites críticos da fibrilação ventricular do coração humano. gera potenciais distintos nas massas metálicas e superfície do solo. espera-se que a corrente seja elevada para que a proteção possa operar e atuar com fidelidade e precisão. Durante o tempo em que a proteção ainda não atuou. 1. 7 . As linhas cheias são as correntes elétricas fluindo no solo.

• hastes em círculos. • Escoamento de cargas estáticas. • Baixas resistências de aterramento. deve possuir um sistema de aterramento dimensionado adequadamente para as condições de cada projeto. • fios ou cabos enterrados no solo. prevenindo contra lesões perigosas que possam surgir durante uma falta fase e terra. tais como: .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO A maneira de prover a ligação íntima com a terra é ligar os equipamentos e massas a um sistema de aterramento conveniente. • Uniformização do potencial em toda área do projeto. • hastes em triângulo.extendido em vala comum. 8 .SISTEMAS DE ATERRAMENTO Toda e qualquer instalação elétrica de alta e baixa tensões. formando diversas configurações. • hastes em quadrado. e ser suficientemente segura contra riscos de acidentes fatais.7 . . • Proteção da instalação contra descargas atmosféricas. • Proteção do indivíduo contra contatos com partes metálicas da instalação energizadas acidentalmente. 1. • hastes alinhadas.em cruz. • placas de material condutor enterradas no solo. 0s tipos principais são: • uma simples haste cravada no solo. O sistema de aterramento visa: • Segurança de atuação da proteção. Os diversos tipos de sistemas de aterramento devem ser realizados de modo a garantir a melhor ligação com a terra. para funcionar com desempenho satisfatório.

formando uma malha de terra. . • deve ser um material praticamente inerte às ações dos ácidos e sais dissolvidos no solo. que tem geometria tubular. • o material deve sofrer a menor ação possível da corrosão galvânica. desde as hastes denominadas de efeito estável.em estrela. O segundo tipo. Tipo Encamisado por Extrusão: A alma de aço é revestida por um tubo de cobre através do processo de extrusão. É muito empregada também. Existem. • resistência mecânica compatível com a cravação e movimentação do solo. no mercado. Tipo Cadweld: O cobre é. com sucesso. 0 tipo de sistema de aterramento a ser adotado depende da importância do sistema de energia elétrica envolvido. As primeiras. .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO . evidentemente. As melhores hastes são geralmente as cobreadas: Tipo Copperweld: É uma barra de aço de secção circular onde o cobre é fundido sobre a mesma. 9 . desde que não sofram nenhum tipo de corrosão. à base de sais minerais para melhorar a condutividade do solo nas imediações da haste. do local e do custo.HASTES DE ATERRAMENTO É constituída de uma haste de comprimento entre 1 a 3 m e cujo material pode ser de aço zincado ou de aço revestido solidamente com cobre. a haste de cantoneira de ferro zincada. 1. 0 material das hastes de aterramento deve ter as seguintes características: • ser bom condutor de eletricidade. depositado eletroliticamente sobre a alma de aço. bem como aquelas de efeito dinâmico. vários tipos de haste de terra. permite o controle da resistência do aterramento ao longo dos anos. 0 sistema mais eficiente é. a malha de terra.quadriculados.8 . onde periodicamente é injetada uma substância especial. mantêm o seu comportamento estável. desde que também não haja variações nas condições do solo.

por grupo ou coletivamente.1: Elementos de uma malha de terra 1. parece ser um capricho do projetista. ou seja: a) As massas simultaneamente acessíveis devem ser ligadas à mesma rede de aterramento.ATERRAMENTO Em termos de segurança. essencialmente. Dependendo do projeto. Assim. melhor o aterramento. 10 . individualmente. por exemplo: 10Ω .8. Aterramento é. A norma NBR 5410 estabelece várias condições quanto ao aterramento.9 .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 1. por falta de uma melhor explicação. é feita apenas a especificação de um valor em Ohm (Ω ). provocando a atuação da proteção e interrompendo a ligação do circuito energizado com a massa. 5Ω ou algum outro valor que. devem ser aterradas todas as partes metálicas que possam eventualmente ter contato com partes energizadas. uma conexão elétrica à terra. Os projetos de instalações elétricas executados atualmente sempre indicam um ponto de aterramento para a instalação. onde o valor da resistência de aterramento representa a eficácia desta ligação: quanto menor a resistência. um contato acidental de uma parte energizada com a massa metálica aterrada estabelecerá um curto-circuito.

a cor verde (cores exclusivas da função de proteção). No caso de identificação por cor. ou veia de cabo multipolar utilizado como condutor neutro deve ser identificado conforme essa função. ou veia de cabo multipolar utilizado como condutor de proteção (PE) deve ser identificado de acordo com sua função. e) Todo condutor isolado. a sua conexão à ligação equipotencial principal deve ser efetuada o mais próximo possível do ponto em que penetram na edificação.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO b) Em cada edificação. • Condutor de aterramento principal ou terminal de aterramento principal.1: Utilização do condutor de proteção c) Quando os elementos anteriormente mencionados originarem-se do exterior da edificação. • Eletrodo de aterramento da antena externa de televisão. com concordância da empresa operadora. 11 . • Colunas ascendentes de sistemas de aquecimento central ou de condicionamento de ar. • Canalizações metálicas de água. Cabos de telecomunicação. ou na falta desta. deve ser usada a cor azul-claro. reunindo os seguintes elementos: • Condutor de proteção principal.9. • Eletrodo de aterramento do sistema de proteção contra descargas atmosféricas da edificação (pára-raios). No caso de identificação por cor. d) Todo condutor isolado. ou cabo unipolar. deve ser usada a dupla coloração verde-amarelo. deve existir uma ligação equipotencial principal. Figura 1. • Elementos metálicos da construção e outras estruturas metálicas. cabo unipolar. gás e outras utilidades.

para se obter a melhor segurança possível.10 . Em caso de identificação por cor.Especifica a situação da alimentação em relação à terra. como segue: Primeira Letra . Segunda Letra .Isolação de todas as partes vivas da fonte de alimentação em relação à terra ou aterramento de um ponto através de uma impedância elevada. cabo multipolar utilizado como condutor PEN. com anilhas verde-amarelo nos pontos visíveis ou acessíveis. deve ser usada a cor azul-claro. deve ser identificado de acordo com essa função. uma análise apurada e crítica deve ser feita nos equipamentos a serem aterrados.9. Já na indústria e no setor elétrico. 12 .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO f) Todo condutor isolado.2: Aterramento na barra de ferro de aterramento 1. T . I . Figura 1.Especifica a situação das massas (carcaças) das cargas ou equipamentos em relação à terra.A alimentação (lado fonte) tem um ponto diretamente aterrado.CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE BAIXA TENSÃO EM RELAÇÃO À ALIMENTAÇÃO E DAS MASSAS EM RELAÇÃO À TERRA A classificação é feita por letras.

C .1: Sistema de alimentação e consumidor do tipo TN-S. Exemplo 1.Massas aterradas com terra próprio.Separado.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO T . isto é.Forma de ligação do aterramento da massa do equipamento. independente da fonte.Comum.Massa isolada.Massas ligadas ao ponto aterrado da fonte. não aterrada.2: Sistema tipo TN-C figura 1. N .2: Sistema TN-C 13 . I . isto é. o aterramento da massa é feito com um fio (PE) separado (distinto) do neutro.10. o aterramento da massa do equipamento é feito usando o fio neutro (PEN).1: Sistema TN-S Exemplo 1.2 Figura 1.10. usando o sistema de aterramento da fonte. isto é. isto é.10.10. Figura 1. Outras Letras .10. S .

10. após uma certa distância.4: Sistema TT 14 .3: Sistema TN-C-S . Figura 1. Figura 1. é conectado ao fio neutro (C).10. figura 1.10.3.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Exemplo 1.3: Sistema TN-C-S Exemplo 1. Figura 1.10.4: Sistema TT .A fonte (alimentação) é aterrada (T).4.10.A fonte é aterrada (T) e a massa metálica da carga tem um terra separado e próprio (T). o equipamento tem o seu aterramento que usa um fio separado (S) que.10.

5: Sistema IT . 15 .11 .10. levando em conta a sensibilidade dos relés e os limites de segurança pessoal.10. isto é.PROJETO DO SISTEMA DE ATERRAMENTO 0 objetivo é aterrar todos os pontos.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Exemplo 1.A fonte não esta aterrada (I) ou aterrada por uma impedância considerável e a massa do equipamento da carga tem terra próprio (T). Para projetar adequadamente o sistema de aterramento deve-se seguir as seguintes etapas: a) Definir o local de aterramento. e) Calcular a resistividade aparente do solo para o respectivo sistema de aterramento. Figura 1. d) Definir o tipo de sistema de aterramento desejado. b) Providenciar várias medições no local. equipamentos ao sistema de aterramento que se pretende dimensionar. f ) Dimensionar o sistema de aterramento.5: Sistema IT 1. c) Fazer a estratificação do solo nas suas respectivas camadas. massas. da fibrilação ventricular do coração.

neste capítulo. levantada pela medição. Na curva ρ x a. está fundamentada toda a arte e criatividade dos métodos de estratificação do solo.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 2 .1 . Os métodos de medição são resultados da análise de características práticas das equações de Maxwell do eletromagnetismo. 16 . as características da prática da medição da resistividade do solo de um local virgem.MEDIÇÃO DA RESISTIVIDADE DO SOLO 2. o que permite a elaboração do projeto do sistema de aterramento. aplicadas ao solo.INTRODUÇÃO Serão especificamente abordadas.

às vezes engastadas mesmo na rocha.m). o tratamento do solo. quando temos uma camada de solo bom sobre rocha. será preferencial utilizar uma malha horizontal. a resistividade do solo varia bastante de um local para outro e. preenchendo depois essas valas com concreto. porém de péssima (elevada) resistividade. Quando temos um solo "cravável". Não é possível cravar hastes. Mesmo assim.LOCALIZAÇÃO DO SISTEMA DE ATERRAMENTO A localização do sistema de aterramento depende da posição estratégica ocupada pelos equipamentos elétricos importantes do sistema elétrico em questão. a vantagem está na utilização de hastes mais profundas.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 2. acaba também aumentando a impedância. Nesses casos.2 – RESISTIVIDADE DO SOLO A primeira informação necessária para a elaboração de um projeto de aterramento é o valor da resistividade do solo. alguns autores preferem simplesmente fixar um terminado valor de ρ e desenvolver os cálculos normalmente. Encontra-se em diversas bibliografias ρ .100 (Ω . o melhor a fazer é proceder a uma equalização fina de todo o sistema e cavar valas horizontais para instalar eletrodos horizontais de baixa impedância. com gel ou mesmo 2. O caso mais crítico aqui é o de antenas de telecomunicação ou torres de linhas de transmissão instaladas no alto de montanhas rochosas. A melhor saída é. e descer com um cabo pela encosta do morro aumenta consideravelmente a impedância do sistema. 17 . além de não ocorrer concreto. em pontos bem próximos verificam-se certas alterações nos valores medidos. vimos freqüentemente um erro clássico: cravar dezenas de hastes na tentativa de baixar a resistência. Quando temos uma segunda camada com resistividade mais baixa . as vezes. ao contrário.3 . ainda. Conforme dito anteriormente.caso típico quando da existência de um lençol freático. o que.

ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Cita-se. o aterramento será feito ao longo da linha a distâncias relativamente constantes. Já na distribuição de energia elétrica. O local escolhido para as medições deverá ser sempre longe de áreas sujeitas a interferências. Escolhido preliminarmente o local. No sistema de distribuição com neutro multiaterrado. fica definido o local da malha de terra. os aterramentos situam-se nos locais da instalação dos equipamentos tais como: transformador. tais como: • Estabilidade da pedologia do terreno.4 . deve-se. pontos de aterramento do sistema com neutro aterrado. mais precisamente. então. religador. torres de telecomunicação. 2. • Local com terreno disponível. • Terreno acessível economicamente. por exemplo. Portanto. • Possibilidade de inundações a longo prazo. • Medições locais. • Local seguro às inundações. Havendo algum problema que possa comprometer o adequado perfil esperado do sistema de aterramento. • Não comprometer a segurança da população. seccionalizador. solos com condutores ou canalizações metálicas. devem ser analisados novos itens. escolher outro local. aos elementos importantes do sistema. a localização otimizada de uma subestação. cercas aterradas. tais como: torres metálicas de transmissão e respectivos contrapesos. O local do aterramento fica condicionado ao sistema de energia elétrica. definida a localização da subestação. que deve ser definida levando em consideração os seguintes itens: • Centro geométrico de cargas. regulador de tensão. etc. chaves. etc. ou.MEDIÇÕES NO LOCAL 18 .

será dada especial atenção à sua determinação. • Evitar a realização de medições. • Não tocar nos eletrodos durante as medições e evitar que pessoas estranhas e animais se aproximem dos mesmos. para se obter as informações necessárias à elaboração do projeto. neste capítulo. A dispersão de correntes elétricas atinge camadas profundas com o aumento da área envolvida pelo aterramento. tendo-se em vista a possibilidade de ocorrência de descargas atmosféricas. A resistividade do solo.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Definido o local da instalação do sistema de aterramento. d) Os eletrodos deverão estar isentos de óxidos ou gorduras. 0 levantamento dos valores da resistividade é feito através de medições em campo. Para se efetuar o projeto do sistema de aterramento deve-se conhecer a resistividade aparente que o solo apresenta para o especial aterramento pretendido. um dado fundamental e por isso. que espelha suas características. o mais conhecido e utilizado é o Método de Wenner. c) As distâncias entre os eletrodos deverão ser sempre iguais. ou até que apresentem resistência mecânica de cravação aceitáveis que defina uma resistência ôhmica de contato . e) Para um determinado espaçamento entre eletrodos. com o equipamento ligado. ajustar o potenciômetro e o multiplicador do megger até que o galvanômetro do aparelho indique "zero". Observações: a) Os eletrodos deverão ser cravados aproximadamente 20 cm no solo. Deverão ser tomadas as seguintes medidas de segurança relativas aos potenciais perigosos que podem aparecer próximos a sistemas de aterramento ou a estruturas condutoras aterradas passíveis de serem energizadas acidentalmente: • Utilização de calçados. utilizando-se métodos de prospecção geoelétricos. portanto. Um solo apresenta resistividade que depende do tamanho do sistema de aterramento. 19 . b) Os eletrodos deverão estar sempre alinhados. deve-se efetuar levantamento através de medições. dentre os quais. sob condições atmosféricas adversas. é.

g) Se o ponteiro do galvanômetro oscilar. com um determinado espaçamento entre eletrodos. • Método de Schlumbeger . etc.5. úmido..). deverá ser interligado ao ponto A da figura 2.MÉTODO DE WENNER Para o levantamento da curva de resistividade do solo. = distância entre os eletrodos (m) R = valor indicado no potenciômetro do megger (Ω ) l) 0 valor de resistividade obtido através da fórmula (2. Neste caso deverá ser deslocado o ponto de medição até ser eliminada ou minimizada a interferência. (2. k) 0 valor da resistividade será dado por: ρ = 2. j) 0 croquis de locação dos pontos onde foram executadas medidas deverá acompanhar os resultados.1) . entre os quais: • Método de Wenner . neste caso.4. na planilha de medição.. no local do aterramento. para o espaçamento entre eletrodos utilizados.1) 2.m) onde: a.4.3.a.Palmer.π . i) Deverá ser anotada a condição do solo (seco. significa que existe alguma interferência. anotar o valor de R obtido. é o valor de resistividade do solo até a profundidade igual a esse espaçamento.5 . através de um eletrodo. na planilha de medições.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO f) Após zerado o megger. este deverá ser utilizado para minimizar as interferências e. h) Para meggers com terminal GROUND. pode-se empregar diversos métodos. • Método de Lee. 20 . R (Ω .

5. Figura 2.5. produz potencial nos pontos 2 e 3. Esta corrente. Uma corrente elétrica I é injetada no ponto 1 pela primeira haste e coletada no ponto 4 pela última haste. O método usa quatro pontos alinhados. V2 = ρI 4π 1 + a  1 a 2 +( 2 p )2 − 1 2a − 1 ( 2 a )2 +( 2 p )2    (2.1) Figura 2.5.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Neste trabalho será utilizado o Método de Wenner. igualmente espaçados.2: Imagem do ponto 1 e 4 21 . cravados a uma mesma profundidade.1 : Quatro hastes cravadas no solo. passando pelo solo entre os pontos 1 e 4.

3) Fazendo a divisão da diferença de potencial V23 pela corrente I.5.m] 2 ( 2a ) 2 + ( 2 p) (2. Assim teremos: 1  + a      R= V23 ρ = I 4π 2 a 2 + ( 2 p) 2 − 2 ( 2a ) 2 + ( 2 p ) 2 (2. a diferença de potencial nos pontos 2 e 3 é: 1  + a      V23 = V2 −V3 = ρI 4π 2 a 2 + (2 p) 2 − 2 ( 2a ) 2 + ( 2 p ) 2 (2.4) A resistividade elétrica do solo é dada por: 4πaR 1+ 2a a + ( 2 p) 2 2 ρ= − 2a [ Ω.2) Portanto.5) 22 . teremos o valor da resistência elétrica R do solo para uma profundidade aceitável de penetração da corrente I .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO O potencial no ponto 3 é : V3 = ρI 4π 1 +  2a  1 ( 2a )2 + ( 2 p ) −1− a 1 a2 + (2 p)    (2.5.5.5.

4. 23 . flexibilidade e resistência mecânica adequadas. As duas hastes internas são ligadas nos terminais P1 e P2. Devem ser munidos de garra tipo jacaré numa das extremidades. visando a facilidade de conexão aos eletrodos. de acordo com a expressão 2. o aparelho processa internamente e indica na leitura. o valor da resistência elétrica. obtém-se resultados mais precisos.5. Devem ser preferencialmente de material não sujeito à corrosão e ter resistência mecânica suficiente para resistir aos impactos da cravação.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO O aparelho destinado a este fim é o MEGGER e a montagem deve ser a mostrada a seguir: Figura 2. portanto.3: Método de Wenner Na realidade o que está sendo medido é o valor de R na profundidade igual a separação entre os eletrodos (a) conforme ficou provado em estudos realizados. Estes meggers injetam correntes de freqüência diferente de 60 HZ. Assim. Os cabos de interligação devem ter isolação de acordo com o nível de tensão do megger. Os eletrodos utilizados devem possuir ponteira e ter 30 ou 40 cm de comprimento e diâmetro entre 10 e 15 mm.5. É conveniente que se use meggers com filtro para eliminação de interferências.

2) Poderão ser usados espaçamentos maiores que os indicados para cada aterramento.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO O método considera que praticamente 58% da distribuição de corrente que passa entre as hastes externas ocorre a uma profundidade igual ao espaçamento entre as hastes. Figura 2. A tabela a seguir dá os arranjos das hastes normalmente utilizadas e os correspondentes espaçamentos mínimos dos eletrodos de prova.5.8% entre as distâncias.016 m Espaçamento entre hastes: 3 m Notas: 1) Aterramentos de maiores dimensões exigirão espaçamentos maiores que os indicados. Dados: Comprimento das hastes : 3 m Diâmetro da haste: 0.4: Penetração na profundidade “a” Os espaçamentos a serem adotados entre os eletrodos dependem da dimensão do sistema de aterramento que se quer medir. mantendo-se porém a relação de 61. 24 .

poderão ser adotados espaçamentos reduzidos de acordo com a tabela a seguir: 25 .5. os espaçamentos requeridos para as hastes de prova serão enormes o que poderá provocar problemas por falta de espaço livre para executar a correta medição.1: Espaçamento entre eletrodo de prova Muitas vezes. Para estes casos. devido à dimensão dos sistema de aterramento.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Tabela 2.

26 .5. devem ser efetuadas medidas em três direções.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Tabela 2. isto é. para cada posição do aparelho.6 . da dimensão do sistema de aterramento. com ângulo de 60° entre si.2: Espaçamento reduzido entre eletrodos de prova 2.DIREÇÕES A SEREM MEDIDAS O número de direções em que as medidas deverão ser levantadas depende: • • • da importância do local do aterramento. da variação acentuada nos valores medidos para os respectivos espaçamentos. Para um único ponto de aterramento.

0 ideal é efetuar várias medidas em pontos e direções diferentes. TC. etc.6. No caso de subestações deve-se efetuar medidas em vários pontos. cobrindo toda a área da malha pretendida. Feitas as medições.6. n (2. Isto é: ρM (a j ) = 1 n ∑ ρi (a j ) n i =1 ∀ j =1. deseja-se usar o mínimo de direções. transformador. com um único ponto de ligação a equipamentos tais como: regulador de tensão. q i =1.1: Direções do ponto de medição Este é o caso de sistema de aterramento pequeno.1) Onde: ρM ( a j ) ⇒ Resistividade média para o respectivo espaçamento aj ⇒ Número de medições efetuadas para o respectivo espaçamento aj 27 n . uma análise dos resultados deve ser realizada para que os mesmos possam ser avaliados em relação a sua aceitação ou não.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 2. seccionalizador. Esta avaliação é feita da seguinte forma: 1 ) Calcular a média aritmética dos valores da resistividade elétrica para cada espaçamento adotado. Mas se por algum motivo. chaves à óleo e a SF6. religador. TP. na direção do ponto de aterramento ao aterramento da fonte de alimentação. então. deve-se pelo menos efetuar as medições na direção indicada como segue: • • na direção da linha de alimentação.

6. q ∀ (2. isto é: ρi ( a j ) − ρ M ( a j ) ρM (a j ) * 100 ≥ 50% ∀ i =1. n j =1. 28 . tem-se então os valores definitivos e representativos para traçar a curva ρ x a.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO ρi ( a j ) ⇒ Valor da i-ésima medição da resistividade com o espaçamento aj ⇒ Número de espaçamentos empregados q 2) Proceder o cálculo do desvio de cada medida em relação ao valor médio como segue: ρi (a j ) − ρM (a j ) i =1. n j =1.2) Observação (a): Deve-se desprezar todos os valores da resistividade que tenham um desvio maior que 50% em relação a média. necessária ao procedimento das aplicações dos métodos de estratificação do solo. 3) Com as resistividades médias para cada espaçamento. recomenda-se executar novas medidas na região correspondente. Com a nova tabela.6. Observação (c): Se observada a ocorrência de acentuado número de medidas com desvios acima de 50%. considerar a área como uma região independente para efeito de modelagem.3) Observação (b): Se o valor da resistividade tiver o desvio abaixo de 50% o valor será aceito como representativo. Se a ocorrência de desvios persistir. efetua-se o cálculo das médias aritméticas das resistividades remanescentes. q (2. deve-se então.

devido aos requisitos de valores máximos para a resistência da malha. A quantidade de camadas utilizadas no modelo é função da precisão desejada para os cálculos. ou seja. Tagg e ainda o Simplificado. sua profundidade e resistividade respectivas. desde que o solo seja uniforme. ou seja. tensão de passo e de toque. onde cada camada é uniforme e tem um certo valor de resistividade e uma determinada espessura. daí a necessidade de introduzir o modelo de estratificação da resistividade do solo. Medimos na prática valores de resistência em Ohms e calculamos o valor da resistividade aparente em Ohm.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 3 – ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO 3. Para executar uma estratificação de solo é necessário fazer uma medição de campo dos valores da resistividade aparente. Embora este modelo não seja uma representação perfeita do solo real. Dos mais conhecidos podemos citar o método de Pirson. é suficiente para os cálculos de uma malha de aterramento. Somente para ilustrar. São diversos os métodos existentes para se estratificar o solo. Conhecendo o valor da resistividade e as dimensões do eletrodo de aterramento. O método Yokogawa utiliza procedimentos gráficos e seu grau de precisão pode ser considerado satisfatório: 29 . o valor da resistividade não varia com a profundidade ou com a distância horizontal do ponto de medição. os métodos de Pirson e de Tagg são basicamente analíticos e embora menos rápidos. Yokogawa. podemos calcular o valor da resistência da malha e os potenciais de toque e de passo. representando o solo por camadas. por sua natureza apresentam maior grau de precisão. Esta condição de uniformidade raramente é verdadeira na prática.1. características do solo real e disponibilidade de ferramentas matemáticas que permitam calcular as grandezas de interesse.m.INTRODUÇÃO Necessitamos do valor da resistividade do solo para o projeto de malhas de aterramento. definir as camadas.

2. conhecida como Equação de Laplace. 3. Uma corrente elétrica I entrando pelo ponto A. chega-se a seguinte expressão: Vp = Iρ1 2π 1 ∞ Kn  + 2∑ 2 r n =1 r 2 + ( 2nh )      (3.1. distanciado de “r” da fonte de corrente A.2. possibilita encontrar a resistividade do solo da primeira e segunda camada. que com o auxílio das medidas efetuadas pelo Método de Wenner. que deve satisfazer a equação 3.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Já o método simplificado permite a estratificação do solo em apenas duas camadas e só oferece resultados precisos para determinados tipos de solo.1. gera potenciais na primeira camada. é possível desenvolver uma modelagem matemática.1: Solo em duas camadas ∇2 * V = 0 (3. bem como sua respectiva profundidade.2 – MODELAGEM DO SOLO DE DUAS CAMADAS Usando as teorias do eletromagnetismo no solo com duas camadas horizontais.2) 30 .1) V = Potencial na primeira camada do solo Desenvolvendo a Equação de Laplace relativamente ao potencial V de qualquer ponto p da primeira camada do solo.2. no solo de duas camadas da figura 3.2.2. Figura 3.

e efetuando a superposição. O potencial no ponto B. Usando a expressão 3. ρ 1 = Resistividade da primeira camada h = Profundidade da primeira camada r = Distância do ponto p à fonte de corrente A K = Coeficiente de reflexão.2. a corrente elétrica I entra no solo pelo ponto A e retorna ao aparelho pelo ponto D. − 1 ≤ K ≤ +1 (3. definido por: ρ 2 − ρ1 ρ 2 + ρ1 K= (3.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Onde: Vp = É o potencial de um ponto p qualquer da primeira camada em relação ao infinito.2.2.4) Nesta configuração.2.3) ρ 2 = Resistividade da segunda camada Pela expressão 3.5) 31 .3.2. verifica-se que a variação do coeficiente de reflexão é limitada entre -1 e +1. Os pontos B e C são os eletrodos de potencial. será dado pela superposição da contribuição da corrente elétrica entrando em A e saindo por D. tem-se: ∞ 1 Kn  + 2∑ a n =1 a 2 + ( 2nh ) 2  VB = Iρ1 2π  Iρ − 1  2π  1 ∞  + 2∑  2a n =1  Kn ( 2a ) 2   2  + ( 2nh )  (3.2.

7) 2π a VB C I ∞   = ρ 1 1 + 4 ∑  n=1   Kn 1+ ( 2 n h ) 2 a − Kn h 4+ ( 2 n a ) 2    32 A relação VBC/I representa o valor da resistência elétrica lida no aparelho Megger do esquema apresentado. tem-se: ∞  Vc = Iρ1  21a + 2∑ 2π n= 1  ∞  Iρ1  1 − 2π  a + 2∑  n= 1   Kn ( 2 a ) +( 2 nh ) 2 Kn ( a ) +( 2 nh ) 2   (3. obtém-se: ∞   1 + 4∑  n=1   VB C = Iρ 1 2π a Kn h 1+ ( 2 n a ) 2 − Kn 4+ ( 2 n h ) 2 a    (3.6)  A diferença de potencial entre os pontos B e C é dado por: VBC = VB . então: . Assim.2.2: Configuração de Wenner no solo de duas camadas Fazendo a mesma consideração para o potencial do ponto C.2.VC Substituindo-se as equações correspondentes.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 3.2.

3 . Após a substituição.8) A expressão 3.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO ∞   2π aR = ρ 1 1 + 4∑  n=1   Kn 1+ ( 2 n h ) 2 a − Kn h 4+ ( 2 n a ) 2    De acordo com a expressão 2.2.8 é possível obter alguns métodos de estratificação do solo para duas camadas. o mais usados são: • Método de duas camadas usando curvas. a faixa de variação do coeficiente de reflexão K é pequena.1.4 .MÉTODO DE DUAS CAMADAS USANDO CURVAS Como já observado.2. a resistividade elétrica do solo. traçar uma família de curvas de ρ (a)/ρ 1 em função de h/a para uma série de valores de K negativos e positivos. e está limitada entre -1 e +1.2. para o espaçamento “a” é dada por ρ = 2π aR. Pode-se então. A seguir.4. é feita uma detalhada descrição de cada um desses métodos.8 é fundamental na elaboração da estratificação do solo em duas camadas.MÉTODO DE ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO DE DUAS CAMADAS Empregando estrategicamente a expressão 3. 33 . Entre eles. • Método de duas camadas usando técnicas de otimização. 3. 3. obtém-se finalmente: ∞   = 1 + 4∑  n=1   ρ (a) ρ1 Kn 1+ ( 2 n h ) 2 a − Kn 4+ ( 2 n h ) 2 a    (3. • Método simplificado para estratificação do solo de duas camadas.

2 e 3.4.1a. figura 3. são mostradas na figura 3. Neste ponto.3.4. a resistividade da primeira camada. Para viabilizar este passo.2. medida por Wenner. Já as curvas obtidas da expressão 3. para K variando na faixa positiva. é lido diretamente o valor de ρ 1. Esta curva particular é caracterizada pelos respectivos valores de ρ 1. figura 3. estão apresentada na figura 3. é possível estabelecer um método que faz o casamento da curva ρ (a) x a. com uma determinada curva particular. curva ρ (a) x a descendente.3.4. 2º passo: Prolongar a curva ρ (a) x a até cortar o eixo das ordenadas do gráfico.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO cobrindo toda a sua faixa de variação.4. 34 .4. Assim. isto é. recomenda-se fazer várias leituras pelo método de Wenner para pequenos espaçamentos. K e h. Isto se justifica porque a penetração desta corrente dá-se predominantemente na primeira camada.4. A seguir são apresentados os passos relativos ao procedimento deste método: 1º passo: traçar em um gráfico a curva ρ (a) x a obtida pelo método de Wenner.4. isto é.8 para a curva ρ (a) x a segundo. As curvas traçadas para K variando na faixa negativa.2.1: curvas ρ (a) x a descendente e ascendente Com base na família de curvas teóricas das figuras 3.1b. Figura 3. isto é. estes valores são encontrados e a estratificação esta estabelecida.

entra-se na curvas teóricas correspondente e traça-se uma linha paralela ao eixo da abscissa. Isto é: Se a curva for descendente. determina-se o sinal de K.2: curvas para K negativos 5º passo: Com o valor de ρ (a1)/ρ 1 ou ρ 1/ρ (a1) obtido. e levado na curva para obter-se o correspondente valor de ρ (a1 ). 1. o sinal de K é negativo e efetua-se o cálculo de ρ (a1)/ρ ρ 1/ρ (a1).4. 4º passo: Pelo comportamento da curva ρ (a) x a. o sinal de K é positivo e efetua-se o cálculo de Figura 3. Se a curva for ascendente.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 3º passo: Um valor de espaçamento a1 é escolhido arbitrariamente. 35 .

8º passo: Um segundo valor de espaçamento a2 ≠ a1 é novamente escolhido.3: Curvas para K positivos 6º passo: Multiplica-se todos os valores de h/a encontrados no quinto passo pelo valor de a1 do terceiro passo. Figura 3. resultando numa nova curva K x h 36 gera-se . e todo o processo é repetido. Assim.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Esta reta corta curvas distintas de K. uma tabela com os valores correspondentes de K. com o quinto e sexto passo.4. h/a e h. Proceder a leitura de todos os específicos K e h/a correspondentes. 7º passo: Plota-se a curva K x h dos valores obtidos da tabela gerada no sexto passo.

3. Exemplo 3.m) 684 611 415 294 237 189 182 Tabela 3. obtém-se ρ 1=700 Ω .4.1.1 Efetuar a estratificação do solo pelo método apresentado no item 3.1: Valores de medição em campo A resolução é feita seguindo os passos recomendados.m 4º passo: Como a curva ρ (a) x a é descendente.4. e a estratificação estará definida.4. correspondente à série de medidas feitas em campo pelo método de Wenner.4. cujos dados estão na Tabela 3.4 está traçada a curva ρ (a) x a 2º passo: Prolongando-se a curva.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 9º passo: Plota-se esta nova curva K x h no mesmo gráfico do sétimo passo. então calcula-se a relação: ρ ( a1 ) ρ1 = 41 5 7 00 = 0. 1º passo: Na figura 3. K é negativo. 10º passo: A interseção das duas curvas K x h num dado ponto resultará nos valores reais de K e h.m 3º passo: escolhe-se a1 = 4m e obtém-se ρ (a1) = 415 Ω .59 3 37 . Espaçamento (m) 1 2 4 6 8 16 32 Resistividade (Ω .

4: Curva ρ (a) x a 5º passo: Como K é negativo e com o valor ρ ( a1 ) ρ1 = 0.5 9 3 h[m] 1.2. Assim.052 1.1 -0.4.547 38 .4.5 h a ρ ( a1 ) ρ1 = 0.5 9 3 levado na família de h curvas teóricas da figura 3.188 0.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 3. gera-se a Tabela 3.2 -0.263 0.692 2.423 0.4.4 -0. procede-se a leitura dos respectivos K e a .2 proposta no sexto passo. a1 = 4m K -0.3 -0.

691 0.348 3.928 3.8 -0.5 -0.7 -0. a1 = 6m K -0.830 2.2: Valores do quinto e sexto passo 8º passo: Escolhe-se um outro espaçamento a2 = 6m ρ (a2) = 294 Ω .619 0.4.4 -0.008 3.0 0.526 2.558 0.8 -0.9 -1.0 h a ρ ( a1 ) ρ1 0.488 0.200 3.764 3.625 0.500 2.3: Valores do quinto e sexto passo 39 .663 Tabela 3.384 Tabela 3.1 -0.714 3.978 Constrói-se a Tabela 3.m ρ ( a2 ) ρ1 = 294 70 0 = 0.4.4 2 0 h[m] 1.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO -0.6 -0.6 -0.800 0.2 -0.752 0.7 -0.4.9 -1.305 0.3 -0.846 2.421 0.42 = 0.3.

5 apresenta o traçado das duas curvas K x h obtidas da Tabela 3.5: Curva h x K 9º passo: A Figura 3.3. obtém-se o valor de ρ 2.616 h = 2.2 e 3.574 m Usando a equação 3.2.m A figura 3. ρ 2 = 166.6 mostra o solo estratificado em duas camadas.3.4.4.36 Ω . 10º passo: A interseção ocorre em: K = -0.4.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 3.4.4. 40 .

2) As variáveis são ρ 1. pelos dados obtidos em campo.4. há uma relação entre os espaçamentos entre as hastes da configuração de Wenner e o respectivo valor de ρ (a).1) Pela expressão acima. tem-se a relação de "a" e ρ (a) medidos no aparelho. solução do exemplo 3. Assim. obter os valores de ρ 1.5 – MÉTODOS DE DUAS CAMADAS USANDO TÉCNICAS DE OTIMIZAÇÃO. obter o melhor solo estratificado em duas camadas.1 seja aquela que mais se ajusta à série de valores medidos. K e h. Os valores de ρ (a) medidos e os obtidos pela fórmula 3.1 devem ser os mesmos. procura-se minimizar os desvios entre os valores medidos e calculados.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 3. para um específico solo em duas camadas. 41 .5.5. A solução será encontrada na minimização da função abaixo: 2 Minimizar ∞     ∑1  ρ (ai ) m e d id o− ρ 1 1 + 4∑=1  i=  n  q Kn 1+ ( 2 n ah ) 2 i  n  − K h 2  4+ ( 2 n a ) i   (3.5. pelas técnicas de otimização. Portanto. K e h. procura-se.6: Solo estratificado.5. ∞  ρ (a) = ρ 1 1 + 4∑   n=1   Kn 1+ ( 2 n h )2 a − Kn h 4+ ( 2 n a )2    (3. Na prática. tal que a expressão 3. isto é.

• Método de Hooke e Jeeves.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Esta é a expressão da minimização dos desvios ao quadrado conhecida como mínimo quadrado.5.5 5.5.1 Aplicando separadamente três métodos de otimização conforme proposto pela expressão 3.2 ao conjunto de medidas da Tabela 3.2. • Método do Gradiente Conjugado.5.m] 320 245 182 162 168 152 Tabela 3.5 10.0 12. obtém-se os valores ótimos de ρ 1. tais como: • Método do Gradiente. • Método de Newton.5. Aplicando qualquer método de otimização multidimensional em 3. que é a solução final do método de estratificação.0 7.1.5 15. Espaçamento a [m] 2.2. • etc.0 Resistividade [Ω . • Método do Poliedro Flexível. • Método de Direção Aleatória. Exemplo 3.5.2.5.1: Dados da medição 42 .5. obtidas em campo pelo método de Wenner. • Método Quase-Newton. as soluções obtidas estão apresentadas na Tabela 3. K e h. Existem vários métodos tradicionais que podem ser aplicados para otimizar a expressão 3.

1: Curvas ρ (a) x a para Solo de Duas Camadas 43 .44 Linearizado 364.5. fica caracterizado pelo prolongamento e assíntota.82 -0.m] Profundidade da 1ª camada [m] Fator de reflexão K Gradiente 383.MÉTODO SIMPLIFICADO PARA ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO EM DUAS CAMADAS Este método oferecerá resultados variáveis somente quando o solo puder ser considerado estratificável em duas camadas e a curva ρ (a) x a tiver uma das formas típicas indicadas na figura 3.6. fica definido de acordo com a expressão 3. e sua assíntota caracteriza nitidamente um solo distinto.56 -0.67 143.2.6.65 2.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Estratificação do solo calculada Resistividade da 1ª camada [Ω .827 -0. Portanto. com os dois valores obtidos. com uma considerável tendência de saturação assintótica nos extremos e paralela ao eixo das abscissas.43 Hooke-Jeeves 364.1 abaixo.010 2.49 147.1.2: Solução encontrada 3.m] Resistividade da 2ª camada [Ω . neste solo específico.6 .335 144. Já para espaçamentos maiores. Pela análise das curvas ρ (a) x a da figura 3.61 2. tem-se a penetração da corrente na segunda camada.4334 Tabela 3. os valores de ρ 1 e ρ 2.6.8 o valor Figura 3. A assíntota para pequenos espaçamentos é típica da contribuição da primeira camada do solo.

6.6. isto é.6.1 significa que se o espaçamento "a" das hastes no Método de Wenner for exatamente igual a "h". que será denominado de M (h=a). deve-se obter a curva M(a=h) versus K.1) Figura 3. Ver figura 3.6. isto é.3.6.2.3. fica obtida a profundidade da primeira camada. de modo que a distância entre as hastes seja exatamente igual a "h". isto é.6.2: Espaçamento a=h A expressão 3. “h”. a leitura no aparelho Megger será: ρ = ρ 1•M(h=a) (3. Assim.1. ∞ h ρ( a =h ) ρ1 = M ( a =h ) = 1 + 4 ∑   n =1  Kn 1+( 2 n ) 2 − Kn 4 +( 2 n ) 2    (3.2) na curva ρ (a) x a e obter o (a=h) Portanto. basta levar o valor de ρ (a=h) valor de "a".1.6. 44 .2.4 fica sendo a expressão 3. Assim. Esta é a filosofia deste método. o termo a direita da expressão 3. "h". para tanto. Esta curva está na figura 3. na expressão 3.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO do parâmetro K. através da expressão 3. igual a profundidade da primeira camada. como a = h ou a = 1. deste modo.6.8 o valor desconhecido é a profundidade da primeira camada. Assim. A filosofia deste método baseia-se em deslocar as hastes do Método de Wenner.

sendo a profundidade “h” desconhecida. da segunda camada do solo. isto é. determinar o valor de M(a=h) na curva da figura 3.2.8. 2º passo: Prolongar a curva ρ (a) x a até interceptar o eixo das ordenadas e determinar o valor de ρ 1. 45 . através da expressão 3.ρ 2 e K.2. isto é: ρ2 −1 ρ1 ρ2 +1 ρ1 K= 5º passo: Com o valor de K obtido no quarto passo. 3º passo: Traçar a assíntota no final da curva ρ (a) x a e prolongá-la até o eixo das ordenadas. obtida pelo método de Wenner.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Assim.3.3. 4º passo: Calcular o coeficiente de reflexão K. já que são conhecidos ρ 1. entrar na curva de resistividade ρ (a) x a 7º passo: Com o valor de ρ (a=h) e determinar a profundidade “h” da primeira camada do solo. definida a curva de resistividade ρ (a) x a. 6º passo: Calcular ρ (a=h) = ρ 1•M(a=h) encontrado. o que indicará o valor da resistividade ρ 1.6. a seqüência para obtenção da estratificação do solo é a seguinte: 1º passo: Traçar a curva ρ (a) x a. O valor de M(a=h) está relacionado com a equação 3. da resistividade da primeira camada do solo. obtida pela medição em campo usando o método de Wenner.

1.6.6.1 Com os valores medidos em campo pelo método de Wenner da tabela 3. Espaçamento a [m] 1 2 4 6 8 Resistividade [Ω .3: Curva M(a=h) x K Exemplo 3.6.m] 996 974 858 696 549 46 .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 3. efetuar a estratificação do solo pelo método simplificado de duas camadas.

1: Dados de campo 1º passo: A curva ρ (a) x a está mostrada na figura 3.783 = 783 Ω .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 12 16 22 32 361 276 230 210 Tabela 3.m 3º passo: Traçando a assíntota. tem-se ρ 2 = 200 Ω . obtém-se h = 5.4.6.783 6º passo: Calcular ρ (a=h) = ρ 1• M(a=h) = 1000 • 0.3.m 4º passo: Calcular o índice de reflexão K ρ2 −1 ρ1 ρ2 +1 ρ1 K= = 200 −1 1000 200 +1 1000 = − 0. tem-se ρ 1 = 1000 Ω .6 6 6 6 5º passo: Da curva da figura 3. 2º passo: Pelo prolongamento da curva.6.6. obtém-se M (a=h)= 0.m (a=h) 7º passo: Com o valor de ρ levado à curva ρ (a) x a.0 m 47 .

Figura 3.6. o solo estratificado em duas camadas é apresentado na figura 3.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 3.5: Estratificação do solo 48 .6.6.4: Curva ρ (a) x a Assim.5.

conforme mostrado na figura 3.7.8 .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 3.1. empregar métodos para a estratificação do solo com várias camadas.7. Serão desenvolvidos os seguintes métodos para a estratificação do solo com várias camadas: • Método de Pirson. é possível então. com trechos ascendentes e descendentes.MÉTODO DE ESTRATIFICAÇÃO DE SOLOS DE VÁRIAS CAMADAS Um solo com várias camadas apresenta uma curva ρ (a) x a ondulada. • Método Gráfico de Yokogawa.1: Solo com várias camadas Dividindo a curva ρ (a) x a em trechos típicos doa solos de duas camadas. Ao se dividir a curva ρ (a) x a em trechos ascendentes e descendentes 49 . 3. fazendo uma extensão da modelagem do solo de duas camadas.7 . Figura 3.MÉTODO DE PIRSON O Método de Pirson pode ser encarado como uma extensão do método de duas camadas.

Assim. Ao analisar-se o segundo trecho. isto é. os valores de ρ 2 e h1.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO fica evidenciado que o solo de várias camadas pode ser analisado como uma seqüência de curvas de solo equivalentes a duas camadas. deve-se achar a resistividade equivalente vista pela terceira camada. característica de um solo de duas camadas. Este ponto da transição está localizado onde a curva muda a sua concavidade. Considerando o primeiro trecho como um solo de duas camadas. A seguir apresenta-se os passos a serem seguidos na metodologia adotada e proposta por Pirson: 1º passo: Traçar um gráfico a curva ρ (a) x a obtida pelo método de Wenner. Encontrando-se. 3º passo: Prolonga-se a curva ρ (a) x a até interceptar o eixo das ordenadas do gráfico. ρ 2. entre os seus pontos máximos e mínimos. vista pela terceira camada. obtém-se ρ 1. E assim sucessivamente. assim. isto é. assim estima-se a 50 . achar o ponto de transição (at) onde a d 2ρ da2 máxima. resistividade equivalente. Neste ponto é lido o valor de ρ 1. 6º passo: Considerando o segundo trecho da curva ρ (a) x a. deve-se primeiramente determinar uma e a profundidade da camada equivalente. isto é. a resistividade da primeira camada. 2º passo: Dividir a curva em trechos ascendentes e descendentes.4. dρ é da 5º passo: Para o segundo trecho. h1. onde = 0 . procura-se obter a resistividade ρ 3 seguindo a mesma lógica. 4º passo: Em relação ao primeiro trecho da curva ρ (a) x a. procede-se então toda a seqüência indicada no método 3.

pelo método de Lancaster-Jones. Assim. 1 7° passo: Calcular a resistividade média equivalente estimada ( ρ2 ) vista pela terceira camada. que é a média harmônica ponderada da primeira e segunda camada. 2 8º passo: Para o segundo trecho da curva. isto é: h2 = d1 + d2 51 . considerando ρ1 a resistividade da 2 primeira camada.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO profundidade da segunda camada (h2).1) Onde d1 = h1 = Espessura da primeira camada d2 = Espessura estimada da segunda camada h2 = Profundidade estimada da segunda camada at = E o espaçamento correspondente ao ponto de transição do segundo trecho.8.2) O ρ1 se apresenta como o ρ 1 do método de duas camadas. obtém-se o valor estimado de h2 e d2. 1 ρ2 = d1 + d 2 d1 d 2 + ρ1 ρ 2 (3. utilizando a Fórmula de Hummel.4. obtém-se os novos valores estimados de ρ 3 e h2. repetir todo o processo de duas camadas visto no método apresentado em 3.8. Estes valores foram obtidos a partir de uma estimativa de Lancaster-Jones. Se um refinamento maior no processo for desejado. isto é: h2 = d1 + d2 = 3 at 2 (3. deve-se refazer o processo a partir do novo h2 calculado. Assim.

isto é.8. obtém-se as Tabelas 3. 3° passo: Com o prolongamento da curva ρ (a) x a obtém-se a resistividade da primeira camada do solo. Após.m] 11.8.9.1: Dados da medição 1º passo: Figura 3.938 15. todo o processo para os outros trechos sucessores. um ascendente e outro descendente.4.026 3. então. A separação é feita pelo ponto máximo da curva.1 3 e h3.1.770 17.8.820 Tabela 3. ρ 1 = 8. Para: 52 . para o conjunto de medidas obtidas em campo pelo método de Wenner.341 11. Espaçamento a [m] 1 2 4 8 16 32 Resistividade [Ω . apresentado na Tabela 3.2 relativa aos passos intermediários. repete-se a partir do sexto passo. Efetuar a estratificação do solo pelo Método de Pirson.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Volta-se ao sétimo passo para obter novos valores de ρ Exemplo 3. 2° passo: A curva ρ (a) x a é dividida em dois trechos.1 mostra a curva ρ (a) x a.600 Ω 4º passo: Após efetuados os passos indicados no método do item 3. onde dρ da = 0.058 5.8.

pode-se concluir que o ponto da curva com espaçamento de 8 metros.575 Ω . obtém-se ρ (a1) = 11.m 5º passo: Examinando o segundo trecho da curva.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 3.938 Ω . obtém-se ρ (a.770 Ω . as mesmas se interceptam no ponto: h1 = d1 = 0.m Efetuando o traçado das duas curvas K x h.1: Curva ρ (a) x a a1 = 1m.7204 53 .43 Calcula-se ρ 2 = 21. o ponto de transição é relativo ao espaçamento de 8 metros.) = 15.64m K1 = 0.8. assim: at=8m a1 = 1m ρ1 ρ ( a1 ) = 0. Portanto.m a1 = 2m. apresenta a maior inclinação.

23 0.76 m 54 .9.4 0.7 0.14 1.98 a1 = 2m K 0.98 1. estimar a profundidade da segunda camada.60 0.72 0.6 0.8 ρ1 ρ ( a1 ) = 0.8.5 0.5 0. Aplicando-se a fórmula 3.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO K 0.2: Valores calculados 6º passo: Considerando o segundo trecho da curva ρ (a) x a.6 0.4 m d2 = 4.10 0.49 0.28 0.65 Tabela 3.64 + d2 = 3 • 8 2 h2 = 5.81 0.46 0.3 0. tem-se: h2 = d1 + d2 = 2 a t 3 h2 = 0.56 0.60 0.46 0.8 h a1 H[m] 0.72 0.89 0.4 0.98 0.5475 h[m] 0.2 0.1 do método de LancasterJones.30 h a1 0.57 0.3 0.80 0.7 0.23 0.2 0.05 0.81 0.89 0.40 0.

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7º passo: Cálculo da resistividade média equivalente pela fórmula 3.8.2 de Hummel, tem-se
1 ρ2 = 0, 64+ 4 , 7 6 0 , 64 4 , 76 0 + 860 0 21, 575

1 ρ2 = 18,302 Ω.m

8º passo: Para o segundo trecho da curva ρ (a) x a, repetir novamente os passos do método do item 3.4, gerando as Tabelas 3.8.3. Para: a1 = 8m, obtém-se ρ (a1) = 11.058 Ω .m a1 = 16m, obtém-se ρ (a1) = 5.026 Ω .m Efetuando-se o traçado das duas curvas K x h, as mesmas interceptam-se no ponto, h2 = 5, 64m K = -0, 71

a1 = 8m K -0,3 -0,4 -0,5 -0,6 -0,7 -0,8 -0,9 a1 = 16m K -0,3 -0,4 -0,5 -0,6
h a1
h a1

ρ ( a1 ) ρ1 2

= 0,6 0 4
h[m] 2,240 3,616 4,480 5,136 5,760 6,240 6,600

0,280 0,452 0,560 0,642 0,720 0,780 0,826
ρ ( a1 ) ρ1 2

= 0,2 7 4 6
h[m] 3,20

0,20

55

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-0,7 -0,8 -0,9

0,34 0,43 0,49

5,44 6,88 7,84

Tabela 3.8.3: Valores calculados

Assim,
K ρ 3 = ρ 21 11+− K

Substituindo-se os valores, tem-se: ρ 3 = 3.103 Ω .m Portanto, a solução final foi encontrada e o solo com três camadas estratificadas é mostrado na figura 3.8.2.

Figura 3.8.2: Solo em três camadas

3.9 - MÉTODO GRÁFICO DE YOKOGAWA Este é um método gráfico apresentado no manual do aparelho Yokogawa de medição de resistência de terra. Com este método, pode-se efetuar a estratificação do solo em várias camadas horizontais com razoável aceitação. A origem do método, baseia-se na logaritimização da expressão 3.2.8 obtida do modelo do solo de duas camadas. Assim, usando o logaritmo em ambos os lados da expressão 3.2.8, tem-se: 56

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lo g

[ ]
ρ (a) ρ1

∞  = lo g1 + 4∑   n=1  

Kn 1+ ( 2 n h )2 a

Kn h 4+ ( 2 n a )2

  

(3.9.1)

Empregando-se a mesma filosofia usada no modelo desenvolvido no item 3.4, pode-se construir uma família de curvas teóricas de log

[ ]

ρ (a) h ρ 1 em função de a para

uma série de valores de K dentro de toda sua faixa de variação. Fazendo o traçado das famílias das curvas teóricas, em um gráfico com escala logarítmica, isto é, log-log, tem se a CURVA PADRÃO, mostrada na figura 3.9.1. A Curva Padrão obtida na escala logarítmica é similar às curvas do gráfico das figuras 3.4.2 e 3.5.3 traçadas juntas. Os valores de
h
ρ (a) ρ 1 estão na ordenada do

gráfico 3.9.1, na abscissa estão os valores de a e as curvas dos respectivos K estão indicadas pelo seu correspondente ρ2 . 1 Estas curvas são relativas às curvas teóricas obtidas especificamente de modelagem do solo de duas camadas. Um solo típico de duas camadas é caracterizado pelos três parâmetros: ρ formato é típico da Curva Padrão.
1,

ρ

ρ

2

e h. Fazendo as medições neste solo,

pelo método de Wenner e traçando a curva ρ (a) x a em escala logarítmica, o seu

57

que representa na curva ρ (a) x a o ponto de medição pelo método de Wenner que tenha o mesmo valor da resistividade da primeira camada. que é igual a resistividade ρ 1 da primeira camada. Isto eqüivale a ter no método de Wenner o espaçamento igual à profundidade da primeira camada. juntamente com seu respectivo espaçamento "a" que é idêntico à profundidade da primeira camada. no solo de duas camadas. Este ponto é denominado de pólo O1 da primeira camada. tem-se então a identidade estabelecida. Ver figura 3.9. a = h. lê-se diretamente o valor específico de ρ (a).2.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Fazendo manualmente o perfeito casamento da curva ρ (a) x a na escala logarítmica com uma determinada curva padrão. Figura 3.10. no ponto da curva ρ (a) x a que coincide com a ordenada ρ (a) ρ1 = 1 na Curva Padrão. isto é. 58 .1: Curva padrão Portanto.

ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Neste ponto do pólo O1 lê-se. Pode-se estender este processo para solos com várias camadas. divide-se a curva ρ (a) x a em trechos ascendentes e descendentes. "h" . cobriria totalmente a primeira camada. seguindo a mesma filosofia do método de Pirson. Deste modo. também. onde: ρ 1 = ρ (a)  Valor lido no pólo O1 na curva ρ (a) x a a = h  Valor lido no pólo O1 na curva ρ (a) x a O casamento de curvas fornece o valor de ρ 2. Figura 3. 59 . isto é. a profundidade da primeira camada. isto é. com o casamento da curva ρ (a) x a. esteja na posição sobre h a curva ρ (a) x a de tal forma que a medição do valor deste ponto pelo método de Wenner. isto é.9. o pólo 01. já produz a solução da estratificação procurada. o ponto ρ 1 ρ (a) = 1 e a = 1. O traçado da Curva Padrão é feito de tal forma que.2: Espaçamento a = h No ponto estabelecido do pólo O1. basta efetuar a leitura de ρ (a) e "a".

isto é feito empregando a Curva Auxiliar da figura 3.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 3.9. 60 .3.9.3: Curva auxiliar A partir do segundo trecho. deve-se utilizar uma estimativa da camada equivalente vista pela terceira camada.

portanto. Isto feito. Neste pólo O2. demarca-se no gráfico ρ (a) x a o pólo O2. lê-se: 1 ρ (a) = ρ2  Resistividade equivalente da primeira e segunda camada. 2° passo: Dividir a curva ρ (a) x a em trechos ascendentes e descendentes. passa-se a descrever o método: 1° passo: Traçar em papel transparente a curva ρ (a) x a em escala logarítmica. Colocando-se em ordem de rotina. ρ3 ρ1 2 Com a relação sucessivamente. A resolução da estratificação é puramente gráfica usando translado de curvas. é difícil traduzir com plenitude a exemplificação do método. procura-se ajustar o melhor casamento entre o segundo trecho 1 da curva ρ (a) x a com a da Curva Padrão. 3° passo: Desloca se o primeiro trecho da curva ρ (a) x a sobre a CURVA PADRÃO. vista pela terceira camada. 1 ρ ρ2 Com o pólo de origem ( ρ 1 ρ ρ (a) h = 1 e a = 1 ) da Curva Padrão mantido sobre a Curva Auxiliar ρ2 . E assim Até o momento procurou-se apenas justificar a filosofia baseada neste método. obtém-se o ρ 3 . a = h2  Profundidade do conjunto da primeira e segunda camada. a curva ρ da Curva Auxiliar que tenha 1 a mesma relação ρ2 obtida pelo casamento da curva ρ (a) x a com a Curva Padrão. 61 . isto é. obtida do casamento.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Coloca-se sobre o gráfico ρ (a) x a.

percorra sempre sobre o ponto de origem da CURVA PADRÃO. ρ2 6° passo: Calcula-se ρ 2 pela relação ρ obtida no terceiro passo. isto se dá na relação ρ2 . obtendo-se assim o pólo 0 . sobre o gráfico da curva ρ (a) x 1 a. os valores de ρ 1 e h1. h1 e ρ 2. 1 ρ3 ρ2 62 . 1 traçada no sétimo passo. 1 5º passo: Lê-se no ponto do pólo O1. de modo que a Curva Auxiliar ρ . isto é. vai-se ao sétimo passo. o ponto de origem ( ρ 1 h a ρ (a) = 1e = 1 ) da Curva Padrão. Isto é feito até se conseguir o melhor casamento possível do segundo trecho da curva ρ (a) x a com a da Curva Padrão. 1 Até este passo. 7º passo: Faz-se o pólo O1 do gráfico da curva ρ (a) x a coincidir com o ponto de origem da CURVA AUXILIAR. ρ2 ρ 8º passo: Transladando-se o gráfico ρ (a) x a. Para continuar o processo do outro trecho sucessor da curva ρ (a) x a. isto se dá numa nova relação ρ 1 denominada agora de ρ 2 . Transfere-se.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO até obter o melhor casamento possível. traça-se com outra cor a Curva Auxiliar com relação ρ2 obtida no terceiro passo. foram obtidos ρ 1. 1 ρ 4º passo: Demarca-se ao gráfico da curva ρ (a) x a..

obtidos pelo método de Wenner.m 63 .1 Efetuar a estratificação do solo pelo método gráfico de Yokogawa do respectivo conjunto de medições em campo da Tabela 3.9. Até este passo foram obtidos p1.9.9. Havendo mais trechos da curva ρ (a) x a. Espaçamento a [m] 2 4 8 16 32 Tabela 3. ρ 2 3 pela relação fornecida e ρ 3.1. h2.m h1 = 0. 10° passo: Lê-se no ponto do pólo O2 os valores de ρ12 e h2.9. deve-se repetir o processo a partir do sétimo passo. 11° passo: Calcula se a resistividade da terceira camada ρ no oitavo passo. No polo O1. h1.m] 680 840 930 690 330 Toda a resolução baseia-se na figura 3.4.1: Dados de campo Resistividade [Ω . tem-se: ρ 1 = 350 Ω .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 9º passo: Demarca-se o pólo O2 no gráfico ρ (a) x a. Exemplo 3.67 m ρ2 ρ1 =3 ρ 2 = 1050 Ω . coincidente com o ponto de origem da Curva Padrão.

4: Resolução do método gráfico Figura 3.m h2 = 15 m ρ3 ρ1 2 = 1 6 ρ 3 = 150 Ω .9.5: Solo em três camadas 4 – MANEIRAS DE ATERRAMENTO 4.9.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO No polo O2. tem-se: 1 ρ 2 = 900 Ω.INTRODUÇÃO: 64 .1 .9.5 Figura 3.m O solo estratificado em três camadas está na figura 3.

65 .1. serão analisado o sistema de aterramento em relação a uma resistividade aparente.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Apresentaremos neste capítulo as maneiras de aterramento mais simples. já que seu cálculo depende do tipo de solo e do sistema de aterramento.2 – HASTE VERTICAL Uma das formas mais simples de aterramento é uma única haste enterrada no solo. Sendo a malha de terra um sistema de aterramento especial. 4.2. será dedicado um capítulo a parte. com geometria e configurações efetuadas por hastes. Figura 4.1) onde: ρ a = resistividade aparente do solo no local de fincamento da haste (Ω . portanto.2. l = comprimento cravado da haste (m).1: Haste cravada no solo O valor da resistência de aterramento pode ser determinado pela fórmula 4. anel e fios. ρa 2π L R1h a ste = ln( 4dL ) Ω (4.m). O escoamento da corrente elétrica absorvida pelo sistema de aterramento.2. se dá através de uma resistividade aparente que o solo apresenta para este aterramento em especial.

d) Da resistência do material que forma o sistema de aterramento . Assim: d=2 S ca n to n e ira π (4. Contudo. generalizando.2) onde: d = diâmetro do circulo equivalente à área da secção transversal da cantoneira. tais como aumentar o comprimento da haste a ser utilizada. deve-se efetuar o cálculo da área da sua secção transversal e igualar a área de um circulo. tratar quimicamente o solo ao redor da haste. Portanto. mas sim do formato da cavidade que a geometria da haste forma no solo.2. Pode-se observar também que a expressão 4. Neste caso. utilizando a forma da cavidade. e) Da resistência de contato do material com a terra. interligar várias hastes em paralelo ou soluções mistas dessas alternativas.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO d = diâmetro equivalente da haste (m). 66 .2) é composta: a) Da resistência da conexão do cabo de ligação com o equipamento. O fluxo formado pelas linhas de corrente elétrica entra ou sai do solo.2.2. o R1haste refere-se somente à resistência elétrica da forma geométrica do sistema de aterramento interagindo com o solo. nem sempre uma simples haste nos possibilitará obter o valor de resistência de aterramento que desejamos. Assim. b) Da impedância do cabo de ligação. poderemos utilizar vários meios de reduzir o valor da resistência de aterramento. a resistência elétrica de um sistema de aterramento é apenas uma parcela da resistência do aterramento de um equipamento. c) Da resistência da conexão do cabo de ligação com o sistema de aterramento empregado.1 não leva em conta o material de que é formada a haste. No caso da haste ser do tipo cantoneira. A resistência total vista pelo aterramento de um equipamento (figura 4.

o custo de cada alternativa e. das condições climáticas. que é a resistência de terra do sistema de aterramento.AUMENTO DO DIÂMETRO DA HASTE 67 . etc. apontando seus efeitos na redução da resistência de aterramento. finalmente. Já as outras parcelas são menores e podem ser controladas com facilidade.2.3 .2:Resistência elétrica total do equipamento f) Da resistência da cavidade geométrica do sistema de aterramento com a terra. 4. Deste total. analisaremos cada alternativa em particular.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 4. a última parcela. apresentaremos um estudo técnico-econômico que propicie a escolha da melhor alternativa. A seguir. Seu valor é maior e depende do solo.. é a mais importante.

2 mostra as superfícies equipotenciais que cada haste teria se a outra não existisse.4.2 Convém salientar que um aumento grande do diâmetro a haste. sob o ponto de vista custo-beneficio. mas apresenta uma “saturação” para diâmetros acima dos valores produzido pelo fabricante. é aquele compatível com a resistência mecânica do cravamento no solo. a figura 4. 4. não seria vantajoso.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Se aumentarmos o diâmetro das hastes utilizadas teremos uma pequena redução no valos da resistência.4. Isto é devido às interferências nas zonas de atuação das superfícies equipotenciais. 68 .1.2. que é dada pela fórmula 4. O cálculo da resistência de hastes paralelas interligadas não segue a lei simples do paralelismo de resistências elétricas. conforme pode ser vista na figura 4.2. distanciadas de "a". A figura 4.4 . Na pratica o diâmetro que se utiliza para as hastes.4. onde pode ser observada também a zona de interferência. Figura 4.INTERLIGAÇÃO DE HASTES EM PARALELO A interligação de hastes em paralelo diminui sensivelmente o valor da resistência do aterramento.1 mostra as superfícies equipotenciais de uma haste vertical cravada no solo homogêneo.1: Superfície equipotencial de uma haste No caso de duas hastes cravadas no solo homogêneo.

4.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 4. resultando uma maior resistência de terra 69 .42: Zona de interferência nas linhas equipotenciais de duas hastes A figura 4.3 mostra as linhas equipotenciais resultantes do conjunto formado pelas duas hastes.3: Superfícies equipotenciais de duas hastes A zona de interferência das linhas equipotenciais causa uma área de bloqueio do fluxo da corrente de cada haste.4. Figura 4.

sem a presença de outras hastes (fórmula 4. Adota-se muito o espaçamento de 3 metros. a interferência seria nula. porém. A fórmula 4. Como a área de dispersão efetiva da corrente de cada haste torna-se menor.4.1) onde: Rh = resistência apresentada pela haste h inserida no conjunto considerando as interferências da outras hastes. 70 . Teoricamente. Na prática. Rhm = ρa 4πL  + 2 hm  ln  (eb2hm−(L ) −e ) 2  (4. L = comprimento da haste em metro. Para o cálculo da resistência equivalente de hastes paralelas.2)  hm bhm −L  2 ehm = espaçamento entre a haste h e a haste m. a resistência de cada haste dentro do conjunto aumenta.4. dada pela fórmula 4. o espaçamento aconselhável gira em torno do comprimento da haste. a resistência elétrica do conjunto de duas hastes é: Observe-se que o aumento do espaçamento das hastes paralelas faz com que a interferência seja diminuída.2.4. um aumento muito grande do espaçamento entre as hastes não seria economicamente viável. n = numero de hastes paralelas Rhh = resistência individual de cada haste. Portanto.1 apresenta resistência elétrica que cada haste tem inserida no conjunto.1) Rhm = acréscimo da resistência na haste h devido à interferência mutua da haste m.2. R1h a s te 2 < R2h a s te< R1h a s t e (4. para um espaçamento infinito. neve-se levar em conta o acréscimo de resistência ocasionado pela interferência entre as hastes.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO individual.4.

ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 4. já considerados os acréscimos ocasionados pelas interferências. Determinada a resistência individual de cada haste dentro do conjunto.2) tem-se os valores da resistência de cada haste. o que facilita a padronização na empresa. Fazendo o cálculo para todas as hastes do conjunto (fórmula 4.4.4. e também o cálculo da resistência equivalente do conjunto. Figura 4.4: Parâmetros das mútuas entre as hastes “h” e “m” Num sistema de aterramento emprega-se hastes iguais.5: Paralelismo das resistências 71 . a resistência equivalente das hastes interligadas será a resultante do paralelismo destas.4.

ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Req = 1 1 1 1 1 + + + . Figura4.1. 4.4) Para facilitar o cálculo de Req os valores de K são tabelados.4.1 – HASTES EM TRIÂNGULO: Para este sistema as hastes são cravadas nos vértices de um triângulo equilátero. que é a relação entre a resistência equivalente do conjunto e a resistência individual de cada haste sem a presença de outras hastes. + R1 R2 R3 Rn (4..5 – DIMENSIONAMENTO DE VÁRIOS TIPOS DE SISTEMAS DE ATERRAMENTO.4..5. 4.1: Triângulo equilátero 72 .3) Toda associação de hastes existe um índice de redução (K).5. ou obtidos através de curvas( Apêndice A). Req R1haste K = (4.

4.2.5.1. Portanto.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Os índices de redução ( K ) são obtidos diretamente das curvas da fig. 1.2 – HASTES EM QUADRADO VAZIO 73 .5. 2.8. com tamanhos de 1. este é obtido através das tabelas do apêndice A tendo em mãos os valores de comprimento da haste (L) e seu diâmetro. em seguida.2: Curvas dos K x e O método para determinar a resistência equivalente (Req) é igual para todos os sistemas de aterramento. determinar o valor da resistência de uma haste (R1haste).1. Os procedimentos são. com estes valores determinados obtém-se através da fórmula 4. Figura 4. 4.4 e 3 metros.4 o valor da Req .2 As curvas são para hastes de ½” e 1”. acha-se o valor do índice de redução (K) pelas curvas dos K x e.4.5.

2.2: Oito hastes em quadrado vazio 74 .1: Quadrado vazio Figura 4.2.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 4.5.5.

3 – HASTES EM QUADRADO CHEIO Figura 4.3.2.3: Trinta e seis hastes em quadrado vazio 4.5.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 4.5.5.1: Quadrado cheio 75 .

3: Trinta e seis hastes em quadrado cheio 4.3.1: Hastes em circunferência 76 .5.2: Quatro hastes em quadrado cheio (vazio) Figura 4.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 4.5.4 – HASTES EM CIRCUNFERÊNCIA: Figura 4.4.5.5.3.

decair o valor da resistência praticamente na razão inversa de L.2: Hastes em circunferência com nove metros de raio 4. Na utilização do sistema com hastes profundas. Camadas mais profundas com resistividades menores.6 – HASTES PROFUNDAS O objetivo principal é aumentar o comprimento L das hastes. tornando os potenciais de passo na superfície praticamente desprezíveis. Condição de temperatura constante e estável ao longo do tempo. o que faz.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 4. Condição de água presente estável ao longo do tempo.2.4. Estes fatores são: • • • • • Aumento do comprimento da haste. Produção de gradientes de potencial maiores no fundo do solo.5. de acordo com a fórmula 4.1. vários fatores ajudam a melhorar ainda mais a qualidade do aterramento. 77 .

L é o comprimento total das hastes interligadas. deve-se ter o cuidado de prever um comprimento (Lx) de haste cravada na camada de baixa resistividade (ρ x) para se conseguir um bom desempenho desse aterramento. em seguida introduzir uma única haste conectada a um fio longo que vai até a superfície. Desta maneira 78 eq ). são menores que as camadas superiores (ρ x<<< ρ emendáveis com mais de 9m de comprimento total. ao invés de cravar hastes emendadas. Logo. Uma regra prática indica a observância de: Lx ≥ 20% L São consideradas camadas de baixa resistividade aquelas que. tem utilizado a técnica de cavar o buraco no solo com perfuratriz de poço e.1: Hastes profundas Quando se utilizam hastes profundas. em sua maioria. Algumas empresas.6. situada nas camadas de resistividade maior. A parte superior da haste.1) Onde. funcionará quase que somente como um condutor para a dispersão das correntes na parte inferior da haste. relativamente.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 4. na parte inferior da haste. Assim sendo a resistência de uma haste profunda é dada por : R1h = ρx 4L * ln 2 * πL d (4.6. Do ponto de vista prático não é recomendável o emprego de hastes . a dispersão de correntes para o solo acontece. ou seja na camada de solo de menor resistividade (ρ x).

em número de 6 (seis). acima do qual torna-se antieconômico. Entretanto. Por outro lado. com o objetivo de obter condições de solo mais favoráveis. Neste casos.2) Existem também casos de solos em que as camadas de resistividade baixa são muito profundas ou apresentam camadas de rocha u outros elementos com alta resistência mecânica à cravação. a utilização de hastes profundas não é recomendada. se este não existir por meio de condutor enterrado. em termos práticos.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO obtém-se bons resultados mas a execução do aterramento é difícil pois exige a presença de água no local e pessoal especializado. Naturalmente. A resistência de aterramento será dada pela combinação das hastes profundas em paralelo. caso a resistência individual do aterramento no ponto seja superior a 79 . esses aterramentos adjacentes estarão deslocados da instalação que se quer aterrar. quando viável. o uso de hastes alinhadas é na maioria dos casos limitado. A resistência final de aterramento será dada pelo resultado dos dois ou mais aterramentos em paralelo.1: Hastes em paralelo 0 valor da resistência de aterramento das hastes profundas em paralelo será dado por: Rat = k * R1h (4. Como solução pode-se interligar esse aterramento a um ou mais aterramentos adjacentes cada um deles formado por hastes alinhadas (com tratamento químico ou não) através do próprio neutro da rede ou.6.6. sendo os coeficientes de redução tabelados abaixo: Tabela 4.

r – raio do anel ( m ).1. Figura 4.7.7.7.1 mostra um aterramento em forma de anel que pode ser usado aproveitando o buraco feito para a colocação do poste.  4r 2 ρa * ln  2  dp π r      Ranel = (Ω ) (4. a distância de base do poste aos conjuntos de elementos remotos não deverá exceder 30 m. 4.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 100Ω . objetivando limitar a impedância do aterramento para a descarga de surtos.1) onde: p – profundidade que está enterrado o anel ( m ). 80 .1: Aterramento em forma de anel A resistência de aterramento em anel é dada pela fórmula 4.7– ATERRAMENTOS HORIZONTAIS COMPOSTOS POR CONDUTORES A figura 4.7.

a também o fio enterrado horizontalmente e é dada pela fórmula 4.7. Condutor enterrado a uma profundidade p: ρ   2L    −1 ln  πL   2 pr       R= (4.2) onde: L – comprimento do condutor.4) onde: s – separação entre condutores (s<<<L) s’ = ( 2 p)2 + s2 Mútua entre condutores radiais: para dois condutores formando um ângulo θ entre si.7. Mútua entre condutores horizontais paralelos. ρ   2L   * ln  −1 πL   r     R= (4. Além do anel.7.7. o anel é bastante utilizado por algumas concessionárias e em aterramentos de sistemas MRT.3) Destas configurações. r – raio do condutor. As combinações entre as diversas configurações também podem ser utilizadas e apresentamos a seguir as fórmulas a serem aplicadas considerando a influência da resistência mútua resultante das combinações.2. ρ  ln πL    −1 s * s'  2L Rmutua = (4.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO d – diâmetro do círculo equivalente à soma da seção transversal dos condutores que forma o anel ( m ). 81 .

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Rmútua =

ρ 1 + sen θ / 2 ln πL sen θ / 2

(4.7.5)

-

para N condutores:

Rmútua

πm   1 + sen N −1  ρ 2L N  = − 1 + ∑ ln ln πm  NπL  2 pr fio m =1  sen  N   

(4.7.6)

A resistência total será dada por:

Rtotal =

Rconf .1 * Rconf .2 − R 2 mútua Rconf .1 + Rconf .2 − 2 Rmútua

(4.7.7)

5 – TRATAMENTO QUÍMICO DO SOLO 5.1 – INTRODUÇÃO: 82

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Todo sistema de aterramento depende da sua integração com o solo e da resistividade aparente. Se o sistema já está fisicamente definido e instalado, a única maneira de diminuir sua resistência elétrica é alterar as características do solo, usando um tratamento químico. O tratamento químico deve ser empregado somente quando: • Existe o aterramento no solo, com uma resistência fora da desejada, e não se pretende alterá-lo por algum motivo; • Não existe outra alternativa possível, dentro das condições do sistema, por impossibilidade de trocar o local, e o terreno tem resistividade elevada. Os critérios principais para projeto do tratamento são: durabilidade, corrosão e eficiência. • Durabilidade O tratamento não pode ser feito com sais solúveis, tal como sal de cozinha, pois a chuva, com o tempo, lavará o sal do solo, tornando o tratamento inoperante. Os materiais utilizados são misturas tipo gel, com capacidade de reter a água em seu interior sem permitir a retirada dos materiais salinos; exemplos destes materiais são os preparados vendidos especialmente para este fim no comércio, ou materiais naturais como a bentonita, que é uma argila que, em contato com a água. aumenta muito de volume (absorvendo a água) e cria uma estrutura tipo gel. • Corrosão O tratamento não pode ser agressivo para os materiais dos eletrodos de terra, pois isto provocará a destruição dos eletrodos com o tempo; este fator deve ser investigado cuidadosamente nos preparados comerciais. A bentonita não corrói os materiais normalmente empregados em aterramento. • Eficiência Se definirmos a relação entre a resistência do eletrodo depois do tratamento em relação ao valor inicial como medida da eficiência, teremos que, quanto menor esta relação, melhor será a eficácia do tratamento. É importante que a medição do valor da resistência seja feita algumas semanas após o tratamento, pois os métodos de preparação sempre envolvem uso de água, de forma que qualquer medição feita 83

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logo após o tratamento apresentará valores artificialmente menores que o valor em regime normal, devido à presença da água.

5.2 - CARACTERÍSTICA DO TRATAMENTO QUÍMICO DO SOLO O tratamento químico do solo visa a diminuição de sua resistividade, conseqüentemente a diminuição da resistência de aterramento. Os materiais a serem utilizados para um bom tratamento químico do solo devem ter as seguintes características: • Boa higroscópia; • Não lixiviável; • Não ser corrosivo; • Baixa resistividade elétrica; • Quimicamente estável no solo; • Não ser toxico; • Não causar danos à natureza.

5.3 – TIPOS DE TRATAMENTO QUÍMICO São apresentados, a seguir, alguns produtos usados nos diversos tipos de tratamento químico do solo. a) Bentonita Bentonita é um material argiloso que tem as seguintes propriedades: • Absorve facilmente a água; • Retém a umidade; • Boa condutora de eletricidade; • Baixa resistividade (l, 2 a 4 Ω .m); 84

em presença da água. 5. c) Gel O Gel é constituído de uma mistura de diversos sais que. • Seu efeito é de longa duração • É de fácil aplicação no solo. Suas propriedades são: • Quimicamente estável. • Não é corrosivo.4 – COEFICIENTE DE REDUÇÃO DEVIDO AO TRATAMENTO QUÍMICO DO SOLO (Kt) 85 . • Higroscópico. • Não é corrosivo. b) Earthron Earthron é um materia1 líquido de lignosulfato (principal componente da polpa da madeira) mais um agente geleificador e sais inorgânicos.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO • Não é corrosiva (pH alcalino) e protege o material do aterramento contra a corrosão natural do solo. • Não é atacado pelos ácidos contidos no solo. • Não é solúvel em água. • Retém umidade. devido à substância gel que anula a ação do ácido da madeira. • Seu efeito é de longa duração. Hoje é empregada uma variação onde se adiciona gesso para dar maior estabilidade ao tratamento. • É quimicamente estável. Suas principais propriedades são: • Não é solúvel em água. formam o agente ativo do tratamento. É pouco usada atualmente.

Essa redução (Kt) é função da resistividade do solo. mas estas se devem muito mais à durabilidade e corrosão do que à eficiência do tratamento. e esse limite pode ser explicado: como a condução de corrente pela terra dá-se por ionização. uma haste tratada de um determinado fabricante eqüivale a 10 ou 20 hastes de mesmas dimensões de um outro fabricante. com centenas de metros cúbicos facilmente ionizáveis em torno do eletrodo. cravando-se uma haste no local onde se pretende efetuar o aterramento medindo-se o valor da resistência (R com tratamento ). Assim obtém-se: Kt = Rco m tra ta m to ne Rse m tra ta m to ne E a resistência da haste tratada será: R = K t • 2ρπaL ln 4dL 5. Na prática encontram-se reduções de 5% a 5O% (0. O valor de Kt poderá ser obtido. para cada caso. de resistência (R sem tratamento). não adianta esperar que uma região bem tratada de alguns metros de diâmetro e pouca profundidade seja equivalente a um solo naturalmente bom. Existem. Efetua-se o tratamento e mede-se o novo valor. variações entre tratamentos de fabricantes diferentes.5 – VARIAÇÃO DA RESISTÊNCIA DE TERRA DEVIDO AO TRATAMENTO QUÍMICO 86 . quanto maior a resistividade do solo maior é a redução obtida. o valor da sua resistência é diminuído com relação ao inicial.5). consideradas exatamente as mesmas condições. Não é razoável esperar que. sendo que. sim.05 a 0.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Quando se trata quimicamente uma haste.

1.1: Resistência de terra reduzida pelo tratamento químico do solo Figura 5.53 é apresentado o comportamento das variações da resistência de terra com o tratamento químico do solo. 5.5.52 e 5.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Nos gráficos das figuras 5. Figura 5.2: Tratamento químico do solo e as variações mensais da resistência 87 .5.5.

ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 5. o tratamento químico vai perdendo o seu efeito.1 e 5.6. com o tempo. de hastes em solos tratados e não tratados adjacentes Pode-se observar que pela figura 5. 5.3. é mostrado uma seqüência de ilustrações de aplicação do tratamento químico do solo . nas figuras 5.6.2.6 – APLICAÇÃO DO TRATAMENTO QUÍMICO NO SOLO A seguir.5.3: Variação da resistência de terra. 88 .5. Recomenda-se fazer novo tratamento após algum tempo.

ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 89 .

fazer sempre um acompanhamento com medições periódicas para analisar o efeito e a estabilidade do tratamento.CONSIDERAÇÕES FINAIS Como o tratamento químico do solo é empregado na correção de aterramento existente.7 . após a execução do mesmo. deve-se então. 90 .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 5.

m. Em subestação pode-se deixar instalado um conjunto de mangueiras e a períodos regulares. O concreto tem a propriedade de manter a umidade. a solução do produto químico do tratamento. Sua resistividade está entre 30 e 90 Ω . Em terreno extremamente seco. o que terá o mesmo efeito do tratamento químico. adicionar à água. molhar a terra do sistema de aterramento. Pode-se. recomenda-se nas regiões que tenham período de seca bem definido. Portanto. assim. para não ser necessário usar tratamento químico. 6 – RESISTIVIDADE APARENTE 91 .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Deve-se sempre dimensionar e executar projetos de sistemas de aterramento de modo eficiente. a resistência do aterramento decai acentuadamente. molhar a terra que contém a malha. pode-se concretar o aterramento. inclusive. A ação efetiva do tratamento químico deve-se ao fato de o produto químico ser higroscópio e manter retida a água por longo tempo.

que é a resistividade vista pelo sistema de aterramento em integração com o solo. é possível definir uma resistividade. considerada a profundidade atingida pelo escoamento das correntes elétricas.1 – INTRODUÇÃO Um solo com várias camadas apresenta resistividade diferente para cada tipo de sistema de aterramento. chamada aparente. calcular a resistividade aparente que representa a integração entre o sistema de aterramento relativo ao seu tamanho em conformidade com o solo. ele terá resistências elétricas diferentes. • Da geometria do sistema de aterramento. Assim. O tamanho do sistema de aterramento corresponde à profundidade de penetração das correntes escoadas. Assim. • Do tamanho do sistema de aterramento. a sua resistividade aparente.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 6. faz-se mister. e conseqüentemente.1. A passagem da corrente elétrica do sistema de aterramento para o solo depende: • Da composição do solo com suas respectivas camadas.1) . Portanto. A resistência elétrica de um sistema de aterramento depende fundamentalmente da: • Resistividade aparente que o solo apresenta para este determinado aterramento. Esta penetração determina as camadas do solo envolvidas com o aterramento. • Geometria e da forma como o sistema de aterramento está enterrado no solo. para qualquer sistema de aterramento. genericamente. tem-se: R(aterramento) = ρ a f (g) Onde: R(aterramento)  Resistência elétrica do sistema de aterramento 92 (6. Isto se dá porque a resistividade que o solo apresenta a este aterramento é diferente. Colocando-se um sistema de aterramento com a mesma geometria em solo distintos.

ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO ρ a  Resistividade aparente f(g)  Função que depende da geometria do sistema e da forma de colocação no solo Pela análise da expressão 6. pode-se definir mais claramente o conceito de resistividade aparente. como sendo a resistividade elétrica de um solo homogêneo que produza o mesmo efeito. faz-se necessário a seguinte comparação: a) Colocar um sistema de aterramento em um solo de várias camadas.2 pode-se definir a resistividade aparente (ρ a) de um sistema de aterramento relativo a um solo não homogêneo.2 – HASTE EM SOLO DE VÁRIAS CAMADAS 93 . 6. igualando-se. tal que a resistência elétrica seja a mesma.1.1. Para tanto. pela expressão 6. tem-se: ρ a f(g) = ρ h f(g) ∴ ρ a = ρ h (6. Isto é: R(aterramento) = ρ h f (g) Assim. Sua resistência será dada por: R(aterramento) = ρ a f (g) b) Colocar o mesmo sistema de aterramento em posição idêntica a anterior em um solo homogêneo.1.1.2) Portanto.

Figura 6.1 Calcular a resistência do aterramento relativo aos dados da figura 6.2. 94 .2.1) A dispersão das correntes em cada camada se dará de forma proporcional à sua respectiva resistividade bem como ao comprimento da parcela da haste nela contida.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO A resistência do aterramento de uma haste cravada verticalmente em um solo com várias camadas. onde a resistividade aparente é calculada pela expressão 6. conhecida como a fórmula de Hummel. é dada pela fórmula R1h aste = ρa 2π L ln( 4dL ) .m . Exemplo 6.1: Haste cravada no solo estratificado ρa = L1 + L2 L1 L2 + ρ1 ρ 2 (6.2.2.2.2. ρa = 2 + 5+ 3 500 200 120 2 + 5+ 3 = 1 8 51 8Ω .1.

que transforma diretamente o solo em duas camadas equivalentes. ρ n + ρ1 ρ 2 ρ 3 n (6. d n + d d1 d 2 d3 + + + .. ρ eq = d1 + d 2 + d3 + .1.1 0 . conforme figura 6..3 . chega-se a apenas duas camadas no solo..19 Ω 6. 6.1) Assim. Portanto.3...110− 3 0 ( ) R1 haste = 23. um solo com muitas camadas deve ser reduzido a um solo equivalente com duas camadas. ln 1 54.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO R1hastet = 18 5..3. considerando-se o paralelismo entre cada duas camadas.REDUÇÃO DE CAMADAS O cálculo da resistividade aparente (ρ a) de um sistema de aterramento é efetuado considerando o nível de penetração da corrente de escoamento num solo de duas camadas..18 2π .3.. usando a fórmula de Hummel.1 95 . O procedimento de redução é feito a partir da superfície.

3.3.1 Transformar o solo da figura 6. ρa = 1 + 6 + 1 200 500 65 1+ 6 + 1 = 2 4 7 .3.2: Redução e solo equivalente 96 .2 em duas camadas.m Ω deq = 8m Figura 6.1: Solo equivalente com duas camadas Exemplo 6.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 6.3.

D Maior dimensão do aterramento. É dado a seguir: a) Haste alinhadas e igualmente espaçadas. O cálculo de “r” para algumas configurações. Cada sistema é transformado em um anel equivalente de Endrenyi.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 6.4 – COEFICIENTE DE PENETRAÇÃO (∝) O coeficiente de penetração (∝) indica o grau de penetração das correntes escoadas pelo aterramento no solo equivalente. 97 . r= Onde: A D (6. cujo raio “r” é a metade da maior dimensão do aterramento.4. e Espaçamento entre as hastes. r= Onde: ( n − 1) 2 . b) Outras configurações.e (6.1) r  Raio do anel equivalente do sistema de aterramento considerada.4.4. É dado por: α= Onde: r de q ( 6.2) n Número de hastes cravadas verticalmente no solo.3) A Área abrangida pelo aterramento.

6 .1) O coeficiente é similar ao coeficiente de reflexão entre duas camadas.6. 6. ρ n+1 ρ eq β= (6.5 . este coeficiente é definido pela relação entre a resistividade da última camada e a resistividade da primeira camada equivalente.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Por exemplo.ρ eq (6.2) 98 . então: ρa ρ eq (6. 6. no caso da malha de terra de uma subestação.6.5.6. a maior dimensão D é a diagonal. onde (α ) é o eixo das abscissas e (β ) é a curva correspondente. desenvolvidas por Endrenyi. pode-se determinar a resistividade aparente (ρ a) do aterramento especificado em relação ao solo de duas camadas. obtém-se o valor de N. Usando as curvas da figura 6. N= Assim.RESISTIVIDADE APARENTE PARA SOLO COM DUAS CAMADAS Com o (α ) e (β ) obtidos.1) ρ a=N.COEFICIENTE DE DIVERGÊNCIA (β ) Para solo de duas camadas.1.

86 ρ a=N. 247 = 212. O espaçamento é de 3 metros.ρ eq = 0.6.42 Ω .3 8 9 N = 0. obtém-se: 96 247 = 0. r= ( 7 − 1) 2 9 8 * 3 = 9m = 1.1: Curva da resistividade aparente Exemplo 6.2.86 .1.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 6. Determinar a resistência elétrica do conjunto.6.1 2 5 α = β= Pela figura 6.1 Um conjunto de sete hastes de 2.6.m 99 .3.4 metros e diâmetro de ½” é cravado em forma retilínea no solo da figura 6.

42 Req = 18. necessárias para se obter um aterramento com resistência máxima de 25 Ω numa região onde a estratificação do solo é conforme a figura 6.085 .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Pela tabela A.75 Ω .2. Figura 6.085 .6. obtém-se.6.6.268 Ω Exemplo 6.m 100 . 212.2: Dados da camada do solo Transformando em duas camadas: ρ eq = ρ eq 9 2 + 3+ 4 3 00 4 5 0 1 0 0 = 168. diâmetro igual a ¾” e espaçamento de 3m.2 Determinar o número de hastes alinhadas.5 do apêndice A. ρ a = 0. Req = 0. Hastes disponíveis L = 3m.

1 4 8 Da tabela A.75 Ω .9 ρ a = N.3 = 3m α= 3 = 9 = 0.119 r= ( n − 1) e 2 r de q = ( 3− 1) 2 . e = 3m} 3º passo: Determinação de ρ a para três hastes alinhadas.140 Req = 0. ou seja.140 ρ a { 3 hastes. e = 3m} Os valores são iguais  convergiu Req = 0. β= ρ n+1 ρ eq = 20 168. ρ eq = 0. porque não se conhece o numero de hastes alinhadas.263 Ω 101 . tem-se: f (g) = R ρa = 25 1 5 18 7 5 .75 = 151. 75 = 0. = 0.140. pode-se constatar que o maior coeficiente de ρ a menor ou igual a 0.140 ρ a = 0.6. 1º passo: Supor ρ a = ρ eq = 168.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO O processo é interativo.11 do apêndice A.875 = 21.3 3 3 Entretanto com (α ) e (β ) na figura 6. 168.140 ρ a { 3 hastes.9 . não se tem a informação da dimensão do sistema de aterramento.m 2º passo: Cálculo de f(g) f (g) = R ρa = 25 1 6 87 5 .m 4º passo: Calculando-se novamente a f(g).875 Ω . tem-se: N = 0. = 0.148 é 0.1 65 O maior coeficiente de ρ a menor ou igual a 0.165 é 0. 151. Req = 0.1.140 .

2 – ITENS NECESSÁRIO AO PROJETO Quando da elaboração do projeto da malha de terra da subestação.INTRODUÇÃO Resumidamente pode-se dizer que dimensionar uma malha de terra é verificar se os potenciais que surgem na superfície. É fundamental também. quando da ocorrência do máximo defeito à terra. bem como informações do local da construção. Tempo de defeito para máxima corrente de curto-circuito fase-terra. usa-se a resistividade da primeira camada. 7. Percentual da corrente de curto-circuito máxima que realmente escoa pela malha. 102 . contribuindo para a segurança humana. são inferiores aos máximos potenciais de passo e toque que uma pessoa pode suportar sem a ocorrência de fibrilação ventricular. Valor máximo da resistência de terra de modo a ser compatível com a sensibilidade da proteção. Área da malha pretendida. geralmente utiliza-se brita na superfície do solo sobre a malha. que forma uma camada mais isolante. são necessários alguns procedimentos pré-defindos.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 7 . Resistividade superficial do solo (ρ s). afim de obter a estratificação do solo. • • • • • Corrente de curto-circuito máxima entre fase e terra no local do aterramento (Imax=3Io). no nível de corrente no final do trecho protegido. Eles são: • • No local da construção fazer as medições pelo método de Wenner.1 .MALHA DE ATERRAMENTO 7. No caso de não utilizar-se brita. levar-se em conta que o valor de resistência de terra deve ser compatível. para sensibilizar o relé de neutro.

ao longo dos lados da malha. assim. 7.3. Figura 7. Normalmente as malhas de terra são retangulares.3. se serão utilizadas. estabelecer um projeto inicial de malha é especificar um espaçamento entre os condutores e definir.1: Projeto inicial da malha 7. pelas fórmulas: 103 . haste de aterramento.2 – NÚMERO DE CONDUTORES Tendo-se as dimensões da malha determina-se o número de condutores paralelo.3 – PROCEDIMENTOS PARA CONSTRUÇÃO DA MALHA TERRA O processo de cálculo para malhas de aterramento é interativo. de modo a se obter uma solução técnica e economicamente viável.1 – ESPAÇAMENTO ENTRE OS CONDUTORES As dimensões das malhas são pré-definidas. junto com a malha.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 7. tendo menos de 60m de lado. O espaçamento inicial adotado deverá estar entre 5 e 10% do comprimento dos respectivos lados.3.

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Na =

a +1 ea

⇒ ( nº inteiro) condutores do lado a.

( 7.3.2.1)

Nb =

b +1 eb

⇒ ( nº inteiro) condutores do lado b.

(7.3.2.2)

O comprimento total dos condutores que formam a malha é dada pela fórmula.
Lcabo = a * N b + b * N a

(7.3.2.3)

Se durante o dimensionamento forem introduzidas hastes na malha, deve-se acrescentar seus comprimentos no comprimento total de condutores na malha, conforme fórmula 7.3.2.4
Ltotal = Lcabo + Lhastes

(7.3.2.4)

onde: Lcabo

- Comprimento total de condutores da malha;

Lhastes - Comprimento total das hastes cravadas na malha.

7.3.3 – BITOLA MÍNIMA DOS CONDUTORES O condutor da malha de terra é dimensionado considerando os esforços mecânicos e térmicos que ele pode suportar. Na prática, utiliza-se, no mínimo, o condutor de 35mm2, que suporta esforços mecânicos da movimentação do solo e dos veículos que transportam os equipamentos durante a montagem da subestação. Quanto ao dimensionamento térmico, utiliza-se a fórmula de Onderdonk, válida somente para cabos de cobre, que considera o calor produzido pela corrente de curto-circuito totalmente restrito ao condutor. 104

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I = 226 ,53 * S cobre

1 t defeito

 θ −θ a  ln  m  234 + θ + 1  a  

(7.3.3.1)

onde: Scobre I tdefeito θ θ
a m

– Seção do condutor de cobre da malha de terra em mm2; - Corrente de defeito em Ampères, através do condutor; - Duração do defeito em segundos; - Temperatura ambiente em ºC; - Temperatura máxima permissível em ºC. é limitado pelo tipo de conexão

Para condutores de cobre, o valor de θ adotado. As conexões podem ser do tipo: • • • • Conexão cavilhada com juntas de bronze; θ
m

m

= 250 ºC.
m

Solda convencional feita com eletrodo revestido; θ Brasagem com liga Foscoper (solda heterogênea), θ Solda exotérmica (Aluminotermia), θ
m

= 450 ºC. = 550 ºC

m

= 850 ºC.

De posse da corrente de curto-circuito e do tempo de extinção da falha, usamos a tabela abaixo para determinar a bitola mínima dois condutores que serão utilizados na construção da malha. Normalmente a bitola do cabo encontrada na tabela é bem menor do que a utilizada na prática.

t(s) 30 4 1 0,5

Cabo somente ou solda exotérmica 40 14 7 5

CM / AMPÈRE Juntas soldadas

Juntas

soldas convencionais cavilhadas 50 65 20 24 10 12 6,5 8,5

Tabela 7.3.3.1 – Bitola mínima dos condutores ( mm2)

7.3.4 – DETERMINAÇÃO DOS COEFICIENTES DA MALHA (Km, Ki, Kc) 105

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Estes coeficientes determinam o potencial de malha (Vmalha), que é definido como o potencial de toque máximo, encontrado dentro de uma submalha de malha de terra, quando do máximo defeito fase-terra. Uma malha de terra escoa preferencialmente pelas bordas da malha. A corrente de defeito (curto-circuito), divide-se em 50% para cada lado, mas para o dimensionamento, a corrente a ser utilizada na malha terá o acréscimo de 60%. Assim, o potencial de malha máximo se encontra nos cantos da malha e pode ser calculado pela fórmula
ρ a * K m * K i * I malha Ltotal

Vmalha =

(7.3.4.1)

COEFICIENTE Km: Este coeficiente introduz no cálculo a influência da profundidade da malha, do diâmetro do condutor, do número de condutores e do espaçamento entre eles. Seu valor é dado pela fórmula:
1 e2 * ln 2π 4π * h * d * ( n − 1)

Km =

(7.3.4.2)

ou pelo gráfico B.1 do Apêndice B. Para cabos de bitola diferente de 2 AWG e profundidade diferente de 0,60 m , utiliza-se a tabela, Apêndice B, para a correção dos valores de Km.

COEFICIENTE Ki: 106

No caso de malhas onde são colocadas hastes cravadas nos cantos ou no perímetro. Sua fórmula simplificada é: 1 1 1 ln ( 0. o efeito do número de condutores.4.4) alterando portanto. COEFICIENTE KS: O coeficiente Ks introduz no cálculo.3. ponderando-se 15% a mais no comprimento das hastes cravadas nos cantos e periferia da malha Ltotal = Lcabo +1.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Chamado de “correção de irregularidade” é introduzido no cálculo a fim de se corrigir o efeito da não uniformidade de distribuição de correntes pela malha.655n − 0.656 + 0.327 )   2π + e + h +  π e  Ks = (7. alterando o potencial da malha. a fórmula 7. para verificar se está abaixo do limite. as correntes tem maior facilidade de escoar mais profundamente no solo. espaçamento e profundidade dos mesmos para a determinação da diferença de potencial entre dois pontos quaisquer na superfície do solo.3. 107 .3) onde N = N a * N b .15 * Lhastes (7. faz-se uma correção. Neste caso.2.4 O valor do potencial de malha deve ser comparado com o valor do potencial de toque máximo calculado no capítulo 8.4.3.4.é a malha retangular transformada numa malha quadrada com N condutores paralelos em cada lado.172 * N (7.5) Ks pode ser determinado diretamente dos gráficos do Apêndice B.3. K i = 0.

ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO COEFICIENTE KC: O coeficiente de cerca. o efeito produzido pelo diâmetro do condutor. A cerca metálica é bem econômica.4. mas sendo condutora.4. introduz no cálculo. O potencial de toque máximo (Vcerca) que surge na cerca quando do máximo defeito à terra é dado pela fórmula. Dependendo do grau de risco.6) O valor do Kc é dado pela fórmula. assim. na determinação dos potenciais na periferia da malha e em qualquer ponto fora dela. Nb) 108 . profundidade e espaçamento entre os condutores. N – Máximo (Na. deve-se decidir adequadamente como será cercada (muro de alvenaria.7) onde: x – distância (m) da periferia da malha ao ponto considerado (pessoa). 1 Kc = 2π   ( h 2 + x 2 ) * h 2 + ( e + x) 2   ln h * d * ( h2 + e2 )    [ ]  + 2 * ln  2e + x  *  3e + x    ( N − 1) e + x              2e   3e    ( N − 1) e     (7.3. O coeficiente Kc é dado pelos gráficos do Apêndice B. qualquer pessoa que toca ficará sujeita a uma diferença de potencial. ρ a * K c * K i * I malha Lmalha Vcerca = (7. cerca metálica). fica submetida às tensões oriundas das correntes de curto-circuito. localização e característica da malha.

3. A expressão para o cálculo de Kp é dada por: 1  1 1 1  * + + * 1 − 0.3.2) 109 .1.1) Onde: Kp .POTENCIAL DE PASSO NA MALHA Neste item. A cerca metálica só estará adequada quando a Vcerca for menor ou igual a Vtoque máximo.4.1: Ilustração da distância X Se a malha tiver hastes cravadas na periferia e nos cantos a fórmula também fica modificada. procura-se determinar o maior potencial de passo (V psM) que surge na superfície da malha. Este coeficiente relaciona todos os parâmetros da malha que induzem tensões na superfície da terra. 7.5 .3.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 7.3.5.3. quando do máximo defeito fase-terra.5.Coeficiente que introduz no cálculo a maior diferença de potencial entre dois pontos distanciados de 1m.4.4.4 e a fórmula 7.5 N −2  π  2π e + h e  Kp = ( ) (7.3. neste caso usaremos a fórmula 7. Este potencial ocorre na periferia da malha e pode ser calculado pela expressão: ρa * K p * K i * I malha Ltotal V psM = (7.

devem também ser efetuados. Rebaixamento do cantos.15 Lhastes V psM = (7.3. Nb) . pode-se usar uma malha de equalização.3) 0 valor de VpsM deve ser comparado com o valor da tensão de passo máxima que o organismo humano deve suportar. Colocar hastes pela periferia.5m de profundidade. na periferia e nos cantos da malha. Se a malha estiver em situação muito crítica. Para a malha que tiver hastes na periferia ou nos cantos da malha.3.este dará o maior valor para Kp As correções feitas no cálculo de VpsM com relação à utilização ou não de hastes. Uma alternativa muito recomendada e utilizada é colocar um condutor em anel a 1. para diminuir o efeito das pontas. 110 . usar malha de equalização somente neste local.3.1 fica modificada para: ρa * K p * K i * I malha Lcabo + 1. pode-se usar algumas das alternativas recomendadas abaixo para melhorar ainda mais a qualidade da malha de terra: • • • • • • Fazer espaçamentos menores na periferia da malha. 7. ou além do seu limite de segurança.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Onde: N = Máximo(Na. a fórmula 7. que mantém o mesmo nível do potencial na superfície do solo. Colocar haste na conexão do cabo de ligação do equipamento com a malha . É uma verdadeira blindagem elétrica.5m da malha e a 1.5. Fazer Submalhas no ponto de aterramento de bancos de capacitores e chaves de aterramento. se não for possível.5.6 – MELHORIA NA MALHA Após o dimensionamento da malha. para verificar se o seu valor está abaixo do limite. Arredondamento dos cantos da malha de terra.

6.POTENCIAIS EM SISTEMAS DE ATERRAMENTO 111 .3.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 7.1: Malha de Equalização 8 .

Tensão elétrica. Os defeitos no sistema elétrico. inclusive dos que comandam a respiração produzindo parada respiratória. Intensidade da corrente elétrica. Tempo de duração do choque elétrico. Condições orgânicas do indivíduo. As perturbações no indivíduo. A área do aterramento é a região de concentração das correntes de defeitos. portanto os potenciais são elevados e cuidados especiais devem ser observados na segurança. terão suas correntes passando pelo aterramento. 112 . Os efeitos das perturbações variam e dependem de: • • • • • • • • Percurso da corrente elétrica pelo corpo. manifestam-se por: • • Inibição dos centros nervosos. uma distribuição no perfil dos potenciais de passo e toque abaixo dos limites de risco de fibrilação ventricular do coração. 8. Estado de umidade da pele. durante o curto circuito máximo com a terra. podendo produzir fibrilação ventricular e uma conseqüente parada cardíaca.2 – CHOQUE ELÉTRICO É a perturbação de natureza e efeitos diversos que se manifesta no organismo humano quando este é percorrido por uma corrente elétrica. Espécie da corrente elétrica. Freqüência da corrente elétrica.1 – INTRODUÇÃO O sistema de aterramento é projetado de modo a produzir.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 8. que geram correntes de seqüência zero. Alteração do ritmo cardíaco.

Para os choques elétricos devido à tensão de toque e passo imposta pelo sistema de aterramento durante o defeito na rede elétrica. os danos cerebrais são .3 – FIBRILAÇÃO VENTRICULAR DO CORAÇÃO A fibrilação ventricular é o estado de tremulação (vibração) irregular e desritmada das paredes do ventrículo.1.3. Se o choque elétrico for devido ao contato direto com a tensão da rede. se nenhuma 113 providência for tomada dentro de quatro minutos. Figura 8. A fibrilação ventricular é irreversível espontaneamente. todas as manifestações podem ocorrer. O sinal detectado pelo eletrocardiograma e a pressão arterial são mostradas na figura 8.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO • • Queimaduras profundas.1: Fibrilação ventricular.3. efeitos sobre o eletrocardiograma e tensão arterial A pressão arterial caí a zero. a manifestação mais importante a ser considerada é a Fibrilação Ventricular do Coração. com perda total de eficiência do bombeamento do sangue. produzindo necrose do tecido. isto é. Este estado é conhecido por Morte Aparente. o sangue está parado no corpo. 8. Alteração no sangue provocadas por efeitos térmicos e eletrolíticos provocados pela corrente elétrica.

1.3. sendo os valores de F (estimados para os diferentes trajetos de corrente) indicados na tabela 8. Tabela 8. a densidade de corrente é proporcional ao campo elétrico. O fator de corrente do coração permite calcular as correntes Ih para percursos que vão da mão esquerda aos pés.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO comprometedores. passando para o regime de parada cardíaca. A tabela abaixo apresenta apenas uma estimativa do efeito da corrente no corpo humano.1:Efeito da corrente no corpo humano A publicação IEC – 479-1 define o fator de corrente do coração (F) como o fator que relaciona a intensidade de campo elétrico no coração para um dado percurso de corrente com a intensidade de campo elétrico para uma corrente de mesma intensidade circulando da mão esquerda aos pés.3. entre a mão esquerda e os dois pés. isto é. Dentro de onze a doze minutos a fibrilação vai diminuindo sua intensidade. que representa o mesmo perigo de fibrilação ventricular que o correspondente à corrente de referência IREF. Portanto. Observe-se que. O valor da corrente elétrica para causar determinado efeito no corpo humano é muito variado. TRAJETO DA CORRENTE F 114 . no coração. é difícil fazer uma correlação dos efeitos através de equações matemáticas.

3 1.5 0. sempre que vierem a ocorrer faltas que possam trazer perigo para o operador ou usuário. ao pé direito ou aos dois pés Duas mãos aos dois pés Mão esquerda à mão esquerda Mão direita ao pé esquerdo. uma corrente de 200 mA de mão a mão tem o mesmo efeito que uma corrente de 0.3. A proteção passiva consiste na limitação da corrente elétrica que pode atravessar o corpo humano ou impedir o acesso de pessoas a partes vivas. por exemplo. A norma NB-3 nos mostra que a proteção contra choques elétricos podem ser divididos em dois grupos: proteção ativa e proteção passiva.7 1.4 x 200 = 80 mA da mão esquerda aos pés. ao pé direito ou aos dois pés Costa à mão direita Costa à mão esquerda Peito à mão direita Peito à mão esquerda Assento à mão esquerda à mão direita ou às duas mãos Tabela 8. 115 .4 0. São medidas que prevêem a interrupção de circuitos com falta.3 0.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Mão esquerda ao pé esquerdo.2: Valores do fator de corrente do coração (F) para diferentes trajetos da corrente 1.8 0. A tabela abaixo apresenta uma classificação de métodos de proteção contra choques elétricos prescritos pela NB-3. A proteção ativa consiste na utilização de métodos e dispositivos que proporcionam o seccionamento automático de um circuito.0 1.7 Assim.0 0.

116 .1: Classificação dos métodos de proteção contra choques elétricos 8.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Tabela 8. e um ponto no chão situado a 1 metro da base da estrutura.corrente (A) pelo corpo humano. não deve produzir uma corrente de choque superior à limitada por Dalziel. O potencial máximo gerado por um aterramento durante o período do defeito. situado ao alcance da mão de uma pessoa.4 – POTENCIAL DE TOQUE É a diferença de potencial da estrutura metálica. 0. limite para não causar fibrilação.03 s < t < 3 s Ichoque .116 t I choque = sendo: 0.3.

R1 e R2 – Resistências dos trechos de terra considerados. de acordo com a recomendação da IEEE – 80.5 ρ ) I choque s (8.4.corrente de choque pelo corpo humano.4.resistência do corpo humano considerada 1000 Ω .tempo (s) da duração do choque.2) 117 . Ichoque . s Rc – resistência de contato que pode ser considerada igual a 3 ρ (resistividade superficial do solo). Pela figura 8.4.1.4. Figura 8.1) Onde: Rch . A expressão do potencial de toque pode ser escrita pela seguinte maneira: Vtoque = (1000 +1.1: Potencial de toque Vtoque = ( Rch + Rc ) * I choque 2 (8. obtém-se a expressão do potencial de toque em relação à corrente elétrica do choque.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO t .

ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO O potencial de toque máximo permissível entre a mão e o pé.5 – POTENCIAL DE PASSO Potencial de passo é a diferença de potencial existente entre os dois pés. se um único pé estiver sendo usado como apoio.2.50 Tabela 8. se naquele breve espaço de tempo os dois pés estiverem sobre as mesma linha equipotencial ou.00 27. obtém-se: 116 + 0.m ) 0 50 100 200 300 400 500 1000 2000 3000 Potencial de toque tolerável ( V ) 5.25 8.37 5. 118 . da expressão 8.174 ρs t Vtoquemáxim o = (8. aparecem diferenças de potencial. é produzido pela corrente limite de Dalziel. Isto pode acontecer quando os membros se encontrarem sobre linhas equipotenciais diferentes.50 20.00 8. É claro que. não haverá atenção de passo.50 7. Assim.4.75 12. para não causar fibrilação ventricular. As tensões de passo ocorrem quando entre os membros de apoio (pés).4. Estas linhas equipotenciais se formam na superfície do solo quando do escoamento da corrente de curto-circuito.1: Potenciais de toque toleráveis em função da resistividade do solo 8.00 5.3) Resistividade ( Ω .4.75 6.

3) 119 .5. para animais a tensão de passo poderá ser ainda mais perigosa do que para pessoas . R2. Assim.1) A definição clássica do potencial de passo para análise de segurança é a diferença de potencial aparecem entre dois pontos situados no chão e distanciados de 1 metro (para pessoas). R3 – são as resistências dos trechos de terra considerados A expressão do potencial de passo é : V passo = ( Rch + 2 Rc ) I choque (8.5.5.1: Tensão de passo Onde: R1.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 8. Fazendo Rc = 3ρs .2) O potencial de passo máximo (V passo máximo ) tolerável é limitado pela máxima corrente permissível pelo corpo humano que não causa fibrilação. tem-se: V passo = (1000 + 6 ρs ) I choque (8.5. tem-se 116 + 6 ρs t V passo max imo = (8.

2: Potencial de transferência 8. medimos o potencial entre o solo (placa colocada a 1 m de distância do pé da estrutura) e a estrutura metálica no ponto de alcance da mão. utilizaremos uma placa de cobre ou alumínio. localizado pelo menos dez vezes a maior dimensão do sistema de aterramento. As dimensões acima simulam a área do pé humano e. devemos colocar 40 kg sobre a placa (admitindo um peso humano de 80 kg).ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Não podemos deixar de falar do potencial de transferência. entre um ponto de sistema de aterramento e um ponto remoto. que é a diferença de potencial que aparece devido a passagem de corrente de falha para terra.4. para simular o peso. de dimensões 10 x 20 cm e com terminal próprio para interligarmos o voltímetro. com a resistência inserida entre esses dois pontos. 120 . A seguir.6 – MEDIDA DE POTENCIAL DE TOQUE E DE PASSO Para determinarmos o potencial de toque. Devemos usar um voltímetro de alta sensibilidade (alta impedância interna) e intercalar entre os pontos de medição uma resistência de alta isolação com o valor aproximado de 3000 Ω para simular a resistência do corpo humano. Figura 8.

estão limpos. utilizaremos as mesmas duas placas usadas anteriormente.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 8. Por exemplo : Se para 5 A temos um potencial de toque de 10 V. devemos considerar uma extrapolação linear. onde se aplica o voltímetro.6. e verificar se os pontos da estrutura. para valores referidos à máxima corrente de curto-circuito fase-terra. 121 . livres de pintura. um valor de Vt = 2000 V. Para medida de potencial de passo. que serão colocadas a 1m de distância do solo. óxido. Para extrapolarmos esse valor de tensão.1: Medida de potencial de toque Deve se efetuar esta medida em todos os quadrantes do solo. teremos uma corrente de curto de 1000 A. com relação à estrutura. etc. supondo que a terra mantenha as características resistivas para altas correntes. Deverá ser aplicado um peso de 40 kg a cada placa para simular o peso do corpo humano e inserir entre os dois pontos uma resistência de 3000 Ω . devido à corrente aplicado ao solo.

3 . Esta confere maior qualidade no nível de isolamento dos contatos dos pés com o solo.6.4.3 e 8. o solo é revestido por uma camada de brita. medido com voltímetro de alta impedância interna. deverá ser extrapolado para valores de corrente de curto-circuito fase-terra.7 – CORREÇÃO DO POTENCIAL DE PASSO E DE TOQUE DEVIDO A COLOCAÇÃO DE BRITA NA SUPERFÍCIE Como a área da subestação é a mais perigosa. deve-se ter valores medidos abaixo dos valores especificados por norma. Portanto. Esta camada representa uma estratificação adicional com a camada superficial do solo.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 8. 8. Na prática. 122 . como já foi explicado no item anterior.2: Medida de potencial de passo O potencial obtido. Cs (hs.5.K) no ρs = ρbrita = 3000 Ωm (brita molhada). deve-se fazer uma correção no parâmetro que contém ρs das expressões 8.

1) Onde: hs – Profundidade (espessura) da brita (m) K = ρa − ρs ρa + ρs ρa . sem considerar a brita ρs = ρbrita .7.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO     n ∞  1  K C s ( hs .Resistividade aparente da malha.08      (8.116 t Vtoque V passo max imo (8.Resistividade da brita Cs = 1 – Se a resistividade da brita for igual a resistividade do solo Assim as expressões 8.5. ficam : = [1000 +1.3 e 8. K ) = 1  +2∑ 2  0.96  n= 1 hs    1 +2 n   0.2) (8. K ) ρs ] = [1000 + 6C s ( hs .116 t 9 – MEDIDA DA RESISTÊNCIA DE TERRA.5C s ( hs .3) max imo 0.7.3. 123 . com o fator de correção . K ) ρs ] 0.7.4.

Em épocas atípicas.2 – CORRENTES DE CURTO CIRCUITO PELO ATERRAMENTO Figura 9. Basta apenas ir ao local do aterramento já existente e efetuar a medição. que é uma atividade relativamente simples.1: Corrente de curto circuito pela terra Somente os curto-circuitos que envolvem a terra. 9.2. o restante retorna pela terra. Com esta medição pretende-se somente medir o valor da resistência de terra que este sistema de aterramento tem no momento da medição. seca ou inundações. Parte desta corrente retorna pelo cabo de cobertura do sistema de transmissão ou pelo cabo neutro do sistema de distribuição multi-aterrado. deve-se programar adequadamente medições ao longo do tempo para manter um histórico do perfil do seu comportamento.1 – INTRODUÇÃO Este capítulo aborda somente o processo da medição da resistência de terra. além das medidas já previstas. 124 . geram componentes de seqüência zero.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 9. isto é. deve-se efetuar algumas medições para se ter o registro dos valores extremos de resistência de terra. Como o valor da resistência de terra varia ao longo do ano.

devido a um curto-circuito no sistema.1 apresenta a distribuição de corrente na terra. A densidade de corrente no solo junto à haste é máxima. A resistência de terra da haste. 125 . o espraiamento das linhas de corrente ocupa uma área muito grande.1 mostra a distribuição de corrente de um sistema elétrico. praticamente S  ∞ e portanto Rsolo ≅ 0.3. Com o afastamento. Isto também pode ser verificado pela expressão 9.1) Nesta região. A figura 9. 9.1. o espraiamento das linhas de corrente é enorme. após um certo afastamento fica constante. a resistência de terra da haste corresponde somente e. ou de qualquer aterramento. isto é.3. fica com resistência elétrica praticamente nula.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO A corrente que retorna pela terra é limitada pela resistência de aterramento do sistema. a região do solo para o afastamento considerado. Portanto. à região do solo onde as linhas de corrente convergem. Portanto.3 – DISTRIBUIÇÃO DE CORRENTE PELO SOLO A figura 9. com um afastamento grande.2. independente da distância. Note-se que a corrente de curto-circuito precisa de um caminho fechado para que possa circular. e a densidade de corrente é praticamente nula. Rs o l o= ρ s o l osl (9. Após uma certa distância da haste. as linhas de correntes se espraiam diminuindo a densidade de corrente.3. cujo aterramento é feito por hastes. efetivamente .

CURVA DE RESISTÊNCIA DE TERRA VERSUS DISTÂNCIA Esta curva é levantada usando o esquema da figura 9.4 . 126 . A  Sistema de aterramento principal B  Haste auxiliar para possibilitar o retorno da corrente elétrica I p  Haste de potencial. onde a haste p do voltímetro se desloca entre as duas hastes. que se desloca desde A até B x  Distância da haste p em relação ao aterramento principal A.3.1.4.1: Distribuição de corrente no solo 9.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 9.

Figura 9. tem-se a resistência de terra acumulada do aterramento principal e da haste auxiliar. isto é.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 9.4. da haste A. tem-se a curva de resistência de terra em relação ao aterramento principal.1: Curva da resistência de terra x distância A corrente que circula pelo circuito é constante.4.4. é lido o valor da tensão no voltímetro e calculado o valor da resistência elétrica pela expressão 9. Na região do patamar. que é a resistência de terra do sistema de aterramento principal.1) Deslocando-se a haste p em todo o percurso entre A e B.1. Para cada posição da haste p. isto é. tem-se o valor RA. RA+RB. pois a mudança da haste p não altera a distribuição de corrente. 127 .1. No ponto B. R( x ) = V( x ) I (9.4.

ligados conforme o desenho abaixo: Figura 9.5. Se quisermos valores mais altos de corrente deveremos diminuir a 128 . o que limita a corrente é a resistência do terra auxiliar.2) 9. e um amperímetro C.1: Esquema de ligação 0 resultado da divisão de V por I. R= V I Este método apresenta a vantagem de termos correntes injetadas no solo. que poderá ser um gerador portátil a gasolina. Normalmente.5 – MÉTODO VOLT-AMPERÍMETRO Utiliza-se uma fonte de tensão alternada ajustável. da ordem de alguns ampères o que faz com que a interferência existente no solo seja desprezível.4. Neste ponto a resistência de terra RA é dada pela expressão abaixo: RA = V pa ta m a r I (9. um voltímetro C. lidos nos respectivos aparelhos nos dará o valor da resistência de terra até o ponto considerado.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Como o objetivo da medição é obter o valor da resistência de terra do sistema de aterramento.A. deve-se deslocar a haste p até atingir a região do patamar.A. que é normalmente alta.

pois o efeito da umidificação do solo. 9.6. Para que se tenha resultados confiáveis é indicado que o aparelho utilizado seja de corrente alternada e que possua filtro para eliminação de correntes de interferência.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO resistência. Com isto conseguiremos uma redução sensível porém temporária.6 – MEDIÇÃO ATRAVÉS MEGGER A base deste processo de medida é a mesma do método anterior. principalmente em solos arenosos é de curta duração. PROCEDIMENTOS • Alinhamento do sistema de aterramento principal com as hastes de potencial e auxiliar. quer aplicando ao solo. quer aumentando o número de hastes. porém os diversos aparelhos utilizados estão contidos no chamado megger. 129 . em volta das hastes do terra auxiliar uma solução de água e sal. 0 esquema de ligação será o seguinte: Figura 9.1: Esquema de ligação do MEGGER A vantagem deste método é a praticidade de se levar ao local de medição somente um aparelho.

1. e faz-se a leitura do valor da resistência de aterramento. Caso o Megger tenha filtro de eliminação de interferência não haverá oscilação do galvanômetro. para que a haste de potencial atinja a região plana do patamar. • O instrumento de medida deverá permanecer o mais próximo possível do terra a ser medido. etc. úmido. ou seja: 130 . cravadas em um local onde o solo esteja úmido e livre de pedras e cascalhos. A resistência real do aterramento se dará quando a distância entre o terra a ser medido e o eletrodo de tensão for 61. com o equipamento ligado. ajustar o potenciômetro e o multiplicador do Megger. Neste caso. normal. • Os cabos para interligação deverão ser de comprimentos suficientes. indica-se fazer outra. poderá ser adicionado ao terra auxiliar água ou solução de água e sal (somente ao terra auxiliar). medida de resistência dispondo-se o terra auxiliar e o eletrodo móvel em direção perpendicular a anterior. até que o galvanômetro do aparelho indique "zero". • O terra . deverão ser observadas as condições do solo (seco. Em ambos os métodos a localização do eletrodo de tensão com relação ao terra auxiliar é muito importante na determinação do valor real da resistência a ser medida.8% da distância entre o terra a ser medido e o terra auxiliar. Caso o solo neste local esteja seco. • O terra auxiliar e o eletrodo de tensão deverão formar uma linha reta com o terra a ser medido.auxiliar deverá ser composto por várias hastes metálicas de aproximadamente 1 m de comprimento (geralmente são suficientes de 3 a 6 hastes). • As conexões dos cabos ao terra a ser medido. (resistência mecânica) isolados para a tensão do Megger. • Fazer as ligações conforme figura 9. ou seja: um cabo de comprimento D e outro de comprimento X de bitola = 14 ou = 12 AWG.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO • A distância entre o sistema de aterramento principal e a haste auxiliar deve ser suficientemente grande. de tal modo que não se introduza resistências de contato na medição. • Na ocasião da medida. ao terra auxiliar e ao eletrodo de tensão deverão ser livres de gorduras e ferrugens e firmes. • Se o ponteiro do galvanômetro oscilar. significa que existe alguma interferência..)..6.

131 .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO X = 6. tendo-se em vista a possibilidade de ocorrência de raios. levando em consideração a segurança humana. • Não deixar que animais ou pessoas estranhas se aproximem do local.1. • O terra a ser medido deve estar desconectado do sistema elétrico.8%. deve-se observar os seguintes itens: • Não devem ser feitas medições sob condições atmosféricas adversas. • Não tocar na haste e na fiação. D 9.7 - PRECAUÇÃO DE SEGURANÇA DURANTE A MEDIÇÃO DE RESISTÊNCIA DE TERRA Para efetuar adequadamente a medição da resistência de terra. • Utilizar calçados e luvas de isolação para executar as medições.

1 – INTRODUÇÃO Os sistemas de aterramentos são construídos com materiais condutores à base de metal. • Eletrodo catódico – tem potencial positivo.2 – HETEROGENEIDADE DE METAIS Tomando por base o potencial do hidrogênio temos a tabela abaixo.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 10 – CORROSÃO NO SISTEMA DE ATERRAMENTO 10. a corrosão ocorre devido a várias causas. 10. 132 . é necessário a presença de quatro elementos: • Eletrodo anódico – que libera os seus íons positivos para o meio eletrolítico. • Ação de correntes dispersas. sendo o eletrodo protegido. dos potenciais que os metais possuem com relação ao meio que os cercam. A corrosão é um problema sério em aterramentos. • Eletrólito – meio na qual se processa a reação de formação dos íons. entre elas: • Heterogeneidade de metais. é o elemento que não se dissolve na reação eletroquímica. • Heterogeneidade de eletrólitos. Nos aterramentos os metais enterrados no solo também sofrerão os efeitos da corrosão. Para realizar o processo de corrosão eletroquímica. gerando um excesso de elétrons. isto é. Pela própria característica do solo e do tipo de material empregado no sistema de aterramento. pois é um processo natural da volta do metal ao seu estado primitivo. porém sempre ocorrerá. Todo metal em presença de um eletrólito está sujeito à corrosão. ficando com potencial negativo. • Ligação externa – que propicia a condução dos elétrons do ânodo para o cátodo.

ou seja.0.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO METAL Magnésio Alumínio Zinco Ferro Níquel POTENCIAL (V) .3 .1. saindo do metal mais negativo (anodo) e entrando no metal mais positivo ( cátodo ) . 10.25 METAL Chumbo Hidrogênio Cobre Prata -- POTENCIAL (V) .HETEROGENEIDADE DE ELETRÓLITOS 133 .2.67 . No caso do cobre e do ferro.2. haverá destruição do ferro (anodo) em presença do cobre (cátodo) como mostra a figura abaixo: Figura 10.76 . menos ele se corroerá. os dois materiais mais utilizados nos aterramentos.34 + 0. hastes cobreadas com fio de cobre ou Copperweld e hastes galvanizadas com condutor de aço galvanizado.0. Quando utilizamos dois metais diferentes no aterramento.1: Eletromagnetividade dos metais Quanto mais negativo for o potencial do metal.1: Aterramento com aço e cobre Para minimizar este problema deve-se utilizar o mesmo material para as hastes e cabos de interligação.80 -- Tabela 10.0.2. Quanto mais positivo for o seu potencial.12 0. mais facilmente ele se corroerá.0.00 + 0.44 .34 . existirá uma diferença de potencial entre eles fazendo circular uma corrente elétrica no solo.

há correntes elétricas circulando provenientes de diversas fontes. e principalmente os sistemas de aterramento.4 – AÇÃO POR CORRENTES DISPERSAS No solo. zonas anódicas e catódicas que resultarão na corrosão dos metais. Solos de resistividade mais elevada serão zonas catódicas enquanto que solos de resistividade mais baixa serão zonas anódicas. A parte do metal situada nas camadas mais profundas estará mais sujeita à corrosão pois estará situada na zona anódica. pois existe maior formação de óxido do metal que é mais nobre e não vai se corroer. formam-se ao solo. isto é. que à baixas resistividades se associam baixos valores de resistência de aterramento e consequentemente maiores taxas de corrosão do material.1. As camadas superficiais do solo são mais oxigenadas que as camadas mais profundas e funcionam como cátodo. trilhos. será a região formada pelas partes onde o fluxo de elétrons deixa o condutor.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Mesmo utilizando metais de mesmo potencial. Vemos portanto. e procuram os caminhos de menor resistência. de fugas ou parasitas. tubulações. tais como encanamentos metálicos. 10. Figura 10. que sofrerá corrosão. Os pontos onde as correntes de elétrons entram no condutor formarão uma região anódica. a região protegida.4. As zonas anódicas e catódicas poderão ocorrer devido a diferenças de resistividade do solo diferença de concentração de eletrólito e diferença de concentração de hidrogênio. A região catódica. qualquer condutor. solos de menor resistividade. 134 . Estas correntes são conhecidas como correntes dispersas.

• Corrente alternada de retorno pela terra do Sistema Monofásico com Retorno pela Terra (MRT). • Corrente contínua proveniente do sistema de proteção catódico por corrente impressa. geradas por qualquer processo apresentado anteriormente. dependendo do caso. As correntes contínuas em relação à corrosão. alguma das técnicas relacionadas a seguir: 135 . geradas pelas variações de campos magnéticos provenientes da movimentação do magma da Terra. são muito mais atuantes que as correntes alternadas.4.1: Correntes de elétrons dispersas no solo As correntes dispersas no solo são do tipo contínuas e alternadas. a alternada produz somente 1 % da corrosão em corrente contínua. • Corrente contínua de curto-circuitos no sistema de transmissão em corrente contínua.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 10. As fontes que geram correntes dispersas no solo são: • Correntes galvânicas devido a pilhas eletroquímicas formadas no solo. Se a corrente alternada for de baixa freqüência. Para uma corrente elétrica de mesmo valor. pode-se aplicar. Tendo-se sempre como objetivo proteger da corrosão o elemento principal do sistema de aterramento. • Correntes alternadas provenientes dos curto-circuitos no sistema elétrico de energia. • Correntes telúricas. usada na alimentação de Distribuição Rural. com retorno pelos trilhos. Este item será visto a seguir. • Correntes devido à tração elétrica de corrente contínua.5 – PROTEÇÃO CONTRA A CORROSÃO A corrosão se um modo ou de outro sempre estará presente. mas empregando convenientemente algumas técnicas pode-se diminuir ou anular esta ação. 10. a corrosão aumenta.

6 – PROTEÇÃO POR ISOLOAÇÃO DE UM COMPONENTE Para haver a corrosão.6. • Usar ânodo de sacrifício para se obter a proteção catódica. Deve-se ter o cuidado de cobrir toda a conexão com uma massa emborrachada. Assim. Figura 10. como visto acima.7 – PROTEÇÃO CATÓDICA POR ANODO DE SACRIFÍCIO Para que o metal do sistema de aterramento fique protegido. o material protegido será o cátodo. 136 . Na falta de um deles.1. 10. cessa a ação da pilha eletroquímica e consequentemente a ação da corrosão. ele é denominado de ânodo de sacrifício. No sistema de aterramento é mais simples isolar convenientemente o cabo de descida do equipamento aterrado.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO • Construir todo o sistema de aterramento com um único metal. • Usar corrente impressa ou forçada. basta ligá-lo a um outro metal que tenha um potencial menor na escala de eletronegatividade da tabela 10. Como o ânodo sofrerá a corrosão.1: Cabo de descida isolado 10.2. • Isolar do eletrólito o metal diferente do sistema de aterramento. e o outro será o ânodo. há a necessidade da presença de quatro condições.

nas seguintes proporções: Gesso ........ 05% A proteção catódica com ânodo de sacrifício de Zinco com enchimento é mostrada na figura 10.... Os materiais que melhor satisfazem a essas condições são as ligas de Zinco e Magnésio..m.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO O material do ânodo de sacrifício deve ter as seguintes características: • Manter o potencial negativo praticamente constante ao longo de sua vida útil . Bentonita e Sulfato de Sódio.1.. 20 % Sulfato de Sódio .. Este enchimento é formado por uma mistura a base de Gesso. Pode-se utilizar um revestimento (enchimento) nas ligas de Zinco ou Magnésio para aumentar o seu volume..... O ânodo de Magnésio é usado em solos de até 3000 Ω . 75% Bentonita . • Tem volume grande para aumentar a vida útil deste processo. • Os íons positivos... 137 . • É higroscópico. Nestas ligas são colocados aditivos para melhorar a qualidade do ânodo de sacrifício. para produzirem proteções catódicas adequadas. O enchimento tem as seguintes finalidades: • Aumentar a área de atuação. distribuindo a corrente galvânica..... Os ânodos de sacrifício de Zinco são adequados para solos cuja resistividade vai até 1000 Ω . para que o processo de corrosão se dê uniformemente. não devem produzir uma capa diminuindo a área ativa da corrosão.m...7.... mantendo a região úmida. • Manter a corrente galvânica estabilizada...... dissociados na corrosão... obtendo-se um região de baixa resistividade.. • Evitar o contato do metal do ânodo com os elementos agressivos do solo. Os ânodos de sacrifício devem ter uma grande área.

Ver figura 10.7. A fonte de tensão externa força a circulação da corrente contínua convencional do eletrodo a ser corroído para o sistema de aterramento a ser protegido. A corrente eletroquímica. Esta corrente é conhecida por corrente impressa ou forçada. Figura 10. Isto porque a corrente galvânica é muito pequena.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO • Como está conectado ao sistema de aterramento. para que a proteção seja eficiente.PROTEÇÃO POR CORRENTE IMPRESSA Não se consegue fazer proteção catódica com ânodo de sacrifício em solos com resistividade elevada. 10.7. deve-se impor uma corrente contínua com uma fonte externa.8 . isto é. circula do sistema de aterramento para o eletrodo a ser corroído. não permitindo obter-se a eficiência desejada. se for o caso.1: Anodo de sacrifício de zinco com enchimento Se o sistema de aterramento a proteger for muito grande pode-se usar vários ânodos de sacrifícios distribuídos ou. Neste caso.1. concentrados. formando uma bateria. 0 eletrodo que libera a corrente convencional no solo é o que sofrerá a corrosão. 138 . a do fluxo de elétrons. contribui também na diminuição da resistência do aterramento.

5% Si .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Como o objetivo é proteger o sistema de aterramento. • Diminui o gasto do eletrodo inerte. que converte corrente alternada em contínua. juntamente com uma ponte retificadora. Por este motivo. Os materiais usados na confecção dos eletrodos inertes são: • Grafite em solos normais. Como o eletrodo inerte está enterrado no solo. • Ferro-Silício em solos normais. ele é conhecido como eletrodo inerte.4. Para manter a vida útil e a eficiência da proteção por corrente impressa. facilitando a passagem da corrente elétrica. 5% Cr) em solo com salinidade. não há necessidade da corrosão do eletrodo. A fonte de tensão que alimenta o processo por corrente impressa é um transformador conectado à rede local. deve-se usar um material altamente resistente à corrosão no eletrodo a ser corroído. • Ferro-Silício-Cromo (14. 139 . • Aumenta a área de dispersão da corrente no solo. Isto adiciona as seguintes vantagens: • Diminui a resistividade elétrica da região que envolve o eletrodo inerte. há necessidade de envolvê-lo com um enchimento condutor de coque metalúrgico moído.

As informações aqui contidas mostram a importância da corrosão no sistema de aterramento. portanto. assunto este tão negligenciado mas que deve ser profundamente estudado e considerado.1: Proteção por corrente impressa 10. 140 . procurou-se neste capítulo. Maiores detalhes deverão ser estudados para serem considerados no projeto de um sistema de aterramento. sintetizando os tópicos principais da corrosão relacionados com o sistema de aterramento. apenas abordar o assunto de maneira singela.9 – CONSIDERAÇÕES O assunto sobre corrosão é muito complexo.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 10.8.

o que vem sendo feito ao longo de muitos anos de utilização de equipamentos sensíveis. O condutor de proteção exerce a sua função básica de conduzir à terra as correntes de massa. muitos profissionais ainda adotam métodos tradicionais. definindo-se. notadamente os microcomputadores. Algumas considerações se fazem necessárias: • • • O condutor neutro é normalmente isolado e o sistema de alimentação empregado deve ser o TN-S. • O condutor de referência de sinal deve exercer sua função básica de referência de potencial do circuito eletrônico. O condutor neutro exerce a uma função básica de conduzir as correntes de retorno do sistema. a seguir serão considerados as formas de aterramento mais empregados. hoje. as suas vantagens e desvantagens. e muitas soluções adotadas foram inadequadas.1 – INTRODUÇÃO Durante muitos anos. 141 . em cada uma delas. Todas as carcaças devem ser ligadas ao condutor de proteção. No entanto. o aterramento de equipamentos eletrônicos desafiou os profissionais da área de eletrotécnica. incompatíveis com as exigências técnicas que os EES’s necessitam. Porém. já se dispõe de metodologia capaz de assegurar um aterramento correto para esse tipo de equipamento. Como seguem várias possibilidades de executar o aterramento de um EES.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 11– ATERRAMENTO PARA EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS SENSÍVEIS (EES’S) 11.

ou mais especificamente na malha de terra da subestação.2. Os sistemas de corrente continua presentes num EES. que deve estar isento de distúrbios. e que certamente perturbam o terra de referência de sinal eletrônico. A análise desse tipo de aterramento leva às seguintes considerações : a) Vantagens 142 .1: Aterramento de EES’s na malha de terra de força A barra de terra de referência de potencial e sinal eletrônico serve de referência para o funcionamento dos diversos componentes do equipamento eletrônico. operam nas tensões de +5/0/-5 V. +12/0/-12 V. tanto a carcaça dos equipamentos eletrônico sensíveis como a barra de sinal eletrônico são aterradas na malha de terra do sistema de força. o equipamento eletrônico poderá realizar operações inconsistentes. indução eletromagnética. cuja referência é a barra de terra de referência de sinal. Logo.2 – SISTEMA DE ATERRAMENTO DE FORÇA Esse foi o primeiro tipo de aterramento adotado para os EES’s. Nesse caso. etc. e não pode ser perturbada por sinais espúrios. ou ainda +24/0/-24 V. verificou-se uma grande quantidade de corrente espúrias de freqüência variáveis circulando nos condutores. São correntes harmônicas. quando se tratar de instalações elétricas industriais e comerciais de médio e grande portes. Figura 11. se houver alteração nesse potencial de referência. Nos estudos realizados em malha de terra de força.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 11.

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• • • •

Equalização dos potenciais de passo e de toque. Baixas impedâncias para as correntes de curto-circuito fase-terra. Facilidade no controle de resistência de terra, que depende da resistência do condutor e da resistividade do solo. Segurança pessoal garantida.

b) Desvantagens • Diferença de potencial entre as barras de terra de referência do sinal eletrônico, fazendo circular uma corrente no condutor que interliga as mesmas. Essa diferença de tensão é denominada potencial de modo comum. • Possibilidade de alteração de potencial da barra de terra de referencia de sinal eletrônico, provocando funcionamento inadequado do equipamento. Isto pode ocorrer durante curto-circuitos fase-terra, nesse caso, a referência de sinal poderia ser alterada. Elevação de potencial na malha de terra quando submetida a corrente de alta freqüência. A malha de terra destinada ao sistema de força é inadequada para aterramento de equipamento eletrônico sensível.

11.3 – SISTEMA DE ATERRAMENTO INDEPENDENTE O sistema de aterramento independente se caracteriza pelo aterramento, em malha de terra específica, de todas as bases de terra de sinal eletrônico. Enquanto isso, o aterramento das carcaças dos equipamentos eletrônicos é feito utilizando a malha de terra do sistema de força. Este sistema foi concebido para substituir o aterramento único do sistema de força. Nesse caso, são construídas duas malhas de terra separadas por uma grande distância, de preferência igual ou superior a 100 m. O condutor de aterramento da barra de referência de sinal deve ser constituído de cabo isolado. Também, a barra de terra de referência de sinal deve ser isolada do EES. Esse sistema de aterramento conduz às seguintes questões : 143

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• O sistema de aterramento não atende ao requisito da NBR 5410/90, e outras normas equivalentes, quanto ao aspecto de segurança. Isto é, se uma pessoa mantiver um contato entre dois pontos aterrados separadamente, é possível ficar submetida a um determinado potencial perigoso. • Quando a malha de terra do sistema de potência é atravessada por uma corrente de alta freqüência, surgem capacitâncias de acoplamento no interior do equipamento entre pontos próximos aterrados e pertencentes às diferentes malhas de terra. Como a reatância capacitiva Xc é inversamente proporcional à freqüência, obtém-se valores muito baixos de Xc entre os referidos pontos, ocasionando a circulação de corrente entre eles. Se por acaso esses pontos fizerem parte de circuito eletrônico, certamente os componentes poderiam ser destruídos. Como os condutores isolados, determinados ao aterramento das barras de referência de sinal eletrônico normalmente tem grandes comprimentos, possibilitam a circulação de correntes elétricas geradas campos eletromagnéticos produzidos por qualquer fonte que se localizam nas proximidades do seu caminhamento. Isto é, se os condutores de aterramento, por exemplo, fizerem uma trajetória longo paralela a um condutor conduzindo uma elevada corrente, poderá surgir um acoplamento indutivo, e, consequentemente, a circulação de correntes induzidas(figura 11.3.1). Se o acoplamento é um sinal de alta freqüência, o resultado será mais grave, em função das elevadas quedas de tensão que surgiram entre as extremidades dos condutores. Com base na figura acima, será feita uma análise conceitual desse tipo de sistema. a) Vantagens : • • Baixas impedâncias para as correntes de curto-circuito fase-terra. Facilidade no controle da resistência de terra, que depende da resistência do

condutor, que é função da sua seção transversal e da resistividade do solo.

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b) Desvantagens : • O equipamento sensível está sempre sujeito a um acoplamento capacitivo, quando qualquer um dos sistemas de aterramento for submetido a uma corrente de alta freqüência. • A malha de terra do equipamento sensível está sempre sujeito a um acoplamento resistivo, quando o sistema de aterramento de força for submetido a uma corrente elétrica. • Arranjo do aterramento é proibido por diversos documentos normativos, em virtude da segurança pessoal comprometida. As malhas de terra independentes são inadequadas e perigosas à segurança das pessoas é à integridade dos EES’s e, portanto, devem ser abandonadas como prática de projeto.

11.4 – SISTEMAS DE ATERRAMENTO DE PONTO ÚNICO Esse sistema se caracteriza pelo aterramento da barra de sinal eletrônico dos equipamentos eletrônicos sensíveis numa barra de terra específica localizada no Quadro de Distribuição(6ª barra), sendo que esta barra isolada está conectada à malha de terra do sistema de força, conforme se pode verificar na figura 11.4. A barra de terra de referência de sinal está isolada da carcaça dos equipamentos eletrônicos. A barra de neutro também é isolada da carcaça do Quadro de Distribuição, configurando a condição do sistema TN-S. Tratando-se de um sistema TN-S, o aterramento das carcaças dos equipamentos eletrônicos é conectado a barra de proteção do quadro de distribuição, através de um condutor isolado, denominado, como se sabe, condutor de proteção PE. Também, a carcaça do próprio quadro de distribuição esta conectada a barra PE que, por sua vez, através de um outro condutor de proteção se conecta à malha de terra do sistema de força.

145

b) Desvantagens : • Instalação de duas barras de terra mais o neutro no quadro de distribuição. a) Vantagens : • Equalização dos potenciais entre as barras de terra de referência de sinal e a de proteção PE para correntes de baixa freqüência. continua inadequado perante correntes de alta freqüência que possam circular nos condutores de aterramento a barra de sinal eletrônico. • Considerando que na prática os circuitos de aterramento entre os EES’s e o quadro de distribuição são constituídos por condutores longos. quando a malha de terra é percorrida por uma corrente de alta freqüência. 146 . • Acoplamento capacitivo entre a barra de terra mais o neutro de referência de sinal e o invólucro metálico. embora com característica melhores do que os dois anteriormente apresentado.4.1: Sistema de aterramento de ponto único O sistema de aterramento de ponto único. poderá ocorrer elevação de potencial entre as duas barras de aterramento de força e de sinal. normalmente de grande comprimento. aterrado na barra de terra de proteção PE.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 11. A análise de aterramento de ponto único leva as seguintes considerações. quando estes condutores conduzirem correntes de alta freqüência. • Acoplamento capacitivo entre a terra de referência de sinal eletrônico e carcaça dos EES.

O seu dimensionamento deve ser feito considerando a circulação de correntes de alta freqüência. denominada malha de terra de referência de sinal.5 – SISTEMA DE MALHA DE TERRA DE REFERÊNCIA DE SINAL Esse sistema se caracteriza pela construção de duas malhas de terra. Por este motivo essa solução não é adequada. a barra de terra de referência de sinal eletrônico dos EES’s é conectada através de um condutor isolado à malha de terra de referência. construída especialmente para impedir os efeitos causados pelas correntes de alta freqüência. A primeira deve ser projetada de maneira convencional e é destinada ao aterramento dos equipamentos de força. A segunda malha de terra. de preferência igual ao afastamento entre as condutores da malha de referência. O condutor de aterramento de barra de sinal do EES deve ter o menor comprimento possível. é destinada ao aterramento da barra de terra de referência de sinal eletrônico dos EES’s. Não oferece proteção satisfatória aos equipamentos sensíveis quando circulam correntes de alta freqüência.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Esse sistema de aterramento somente atende à condição de circulação de corrente de baixa freqüência. Nesse tipo de sistema de aterramento. quando percorrido por uma corrente de alta freqüência. 147 . afim de evitar diferenças de potencial entre as extremidades do referido condutor. A barra de terra referência de sinal dos EES’s esta isolada da barra de aterramento da carcaça. 11.

b) Desvantagens : de terra dos sistemas de força e de sinal. permitirão elevações significativas de potencial. devido ao seu longo comprimento. No entanto. evitando acoplamentos resistivos. quanto às tensões de toque e de passo. normalmente em fios de cobre de pequenas seção transversal e pequeno afastamento entre os condutores. A eficiência dessa solução está limitada à equalização dos potenciais das barras de correntes de baixa e alta freqüências. 148 .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Figura 11. e que. localizados em prédios diferentes. existe uma situação em que esse tipo de aterramento não apresenta resposta satisfatória. a) Vantagens : • • • Assegura a equalização dos potenciais das duas malhas de terra para circulação Garante a segurança pessoal. Deve-se considerar que as malhas de terra dos diferentes edifícios ficam interligadas através desses condutores longos. há possibilidade de circulação de corrente de alta freqüência nos condutores. Quando vários EES’s. A análise deste tipo de aterramento leva às seguintes considerações . Já que a malha de terra de referência de sinal não é responsável pela condução das correntes de curto-circuito do sistema de força.5.1: Sistema de malha de terra de referência num sistema TN-S Na construção de uma malha de terra de referência pode-se usar as conhecidas mantas de aterramento pré-fabricadas. indutivos e capacitivos para corrente de alta freqüência. são interligados através de cabos de comunicação de dados.

235 0.272 0.118 0.123 0.058 ρa .152 0.096 ρa .188 ρa .153 0.252 0.066 ρa .079 ρa .129 0.084 ρa .568 0.079 ρa .155 0.118 ρa .081 ρa .048 ρa .208 0.413 0.063 ρa .238 0.283 ρa .111 0.052 ρa .291 ρa .281 ρa .137 0.119 0.284 0.159 0.091 ρa .119 ρa .142 0.186 0.124 0.210 ρa .051 ρa .104 ρa .105 0.2: .057 ρa 0.192 ρa .240 0.171 0.059 ρa .186 ρa .275 0.530 0.061 ρa .193 ρa .090 5m Req ( Ω ) .326 0.145 ρa .094 ρa .1: Espaçamento Número de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 L = 2m 2m Req ( Ω K ) .130 0.069 ρa .061 ρa .129 0.171 0.056 ρa 0.045 ρa 0.106 ρa .044 ρa K 0.103 0.087 ρa .055 ρa .070 ρa .151 ρa .050 ρa 0.197 0.080 ρa .548 0.125 ρa .120 0.078 ρa .110 0.537 0.067 ρa .118 0.097 ) .305 0.136 ρa .115 ρa .101 ρa .096 ρa .203 0.097 0.151 0.263 ρa .045 ρa .120 0.073 ρa .376 0.091 0.157 0.143 0.076 ρa .550 0.098 0.182 ρa .167 ρa .105 0.072 ρa .140 0.267 ρa .113 d = 5/8” 3m Req ( Ω) .163 ρa .134 0.078 ρa .144 0.043 ρa K 0.389 0.513 ρa 3m 4m Req ( Ω) K Req ( Ω K .250 0.071 ρa .054 ρa .101 ρa .367 0.136 0.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Apêndice A TABELAS DE HASTES PARALELAS.086 149 Tabela A.102 0.052 ρa .086 Tabela A.053 ρa .167 0.099 ) .303 0.127 0.283 0.110 0.205 ρa .086 ρa .276 ρa .085 ρa .231 0.138 0.119 0.214 0.146 0.125 0.105 0.059 ρa .210 0.088 ρa .092 0.056 ρa .151 0.096 0.239 0.064 ρa .122 ρa .119 ρa .196 0.047 ρa .232 0.292 0.104 ρa .113 0.495 ρa 4m K Req ( Ω K 0.169 0.375 0.114 0.127 0.571 0.155 ρa .140 ρa .388 0.329 0.103 0.368 0.097 0.060 ρa .068 ρa .049 ρa R1haste = 0.052 ρa .188 0.098 ρa .065 ρa .064 ρa .291 0.085 ρa .069 ρa .078 ρa .189 0.111 d = ½” R1haste = 0.145 ρa .064 ρa .049 ρa .172 0.178 0.075 ρa .216 0.111 0.046 ρa 0.121 ρa .272 ρa .531 0.093 ρa .128 ρa .050 ρa .110 ρa .141 ρa .056 ρa .063 ρa .177 0.149 ρa .059 ρa .074 ρa .071 ρa .169 0.410 0.107 ρa .062 ρa .057 ρa .157 0.055 ρa .091 5m Req ( Ω ) .136 0. ALINHADAS E IGUALMENTE ESPAÇADAS L = 2m Espaçamento 2m Número Req ( Ω K de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 ) .199 ρa .272 ρa .189 0.087 ρa .539 0.204 0.

371 0.275 ρa .044 ρa .265 ρa .124 0.143 0.212 0.391 0.114 0.243 0.117 ρa .042 ρa K 0.095 ρa .048 ρa .140 0.542 0.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Espaçamento Número de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 L = 2m 2m Req ( Ω K ) .205 0.095 ρa .092 ρa .150 0.191 0.182 ρa .554 0.113 0.099 ρa .107 0.052 ρa .097 0.056 ρa .111 ρa .050 ρa .309 0.277 0.293 0.099 0.162 0.105 0.179 0.141 ρa .061 ρa .066 ρa .394 0.077 ρa .071 ρa .104 0.154 0.161 0.540 0.100 ) .054 ρa .066 ρa .259 ρa .055 ρa .200 ρa .153 0.240 0.043 ρa 0.147 0.117 .159 0.106 0.130 0.047 ρa .126 0.068 ρa .092 0.048 ρa R1haste = 0.552 0.052 ρa .122 0.307 0.073 ρa .120 0.154 0.144 0.378 0.170 0.254 0.257 0.176 0.172 0.254 ρa .051 ρa .116 ρa .132 0.121 0.044 ρa 0.063 ρa .108 ρa .079 ρa .040 ρa K 0.071 ρa .092 5m Req ( Ω ) .087 Tabela A.045 ρa .173 0.177 ρa .112 0.194 0.281 0.133 ρa .131 0.135 ρa .062 ρa .058 ρa .089 ρa .173 0.071 ρa .192 ρa .105 ρa .264 ρa .147 ρa .099 0.083 ρa .170 ρa .215 0.122 0.102 ρa .532 0.137 0.160 0.180 ρa .156 0.3: L = 2m d = 1” R1haste = 0.129 ρa .058 ρa .416 0.076 ρa .131 0.331 0.083 ρa .093 0.062 ρa .100 0.114 d = 3/4” 3m Req ( Ω) .060 ρa .248 ρa .121 0.137 ρa .129 0.577 0.4: 150 .060 ρa .074 ρa .190 0.046 ρa 0.235 0.053 ρa .083 ρa .116 0.081 ρa .086 ρa .174 ρa .115 0.054 ρa .091 ρa .285 0.241 0.060 ρa .233 0.220 0.047 ρa .243 0.058 ρa .112 ρa .131 ρa .296 0.069 ρa .058 ρa .380 0.088 ρa .133 0.051 ρa .065 ρa .093 5m Req ( Ω ) .369 0.043 ρa .534 0.057 ρa .074 ρa .244 ρa .111 ρa .138 0.055 ρa 0.074 ρa .082 ρa .287 0.573 0.115 ρa .141 0.458 ρa Espaçamento 2m 3m 4m Número Req ( Ω K Req ( Ω) K Req ( Ω K de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 ) .159 ρa .064 ρa .256 ρa .049 ρa .217 0.080 ρa .092 ρa .125 0.064 ρa .142 ρa .099 ρa .049 ρa .200 0.107 0.113 0.056 ρa .335 0.106 0.193 0.481 ρa 4m K Req ( Ω K 0.139 0.188 ρa .101 ) .069 ρa .145 0.420 0.122 ρa .053 ρa 0.207 0.174 0.088 Tabela A.101 ρa .198 0.046 ρa .153 ρa .181 0.067 ρa .

100 0.555 0.136 ρa .102 ρa .5: Espaçamento Número de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 L = 2.104 ρa .039 ρa K 0.128 0.246 0.313 0.050 ρa .202 0.557 0.041 ρa .147 0.127 0.094 5m Req ( Ω ) .049 ρa .105 ρa .127 ρa .107 0.134 0.041 ρa 0.067 ρa .108 0.053 ρa .087 ρa .209 0.231 0.236 0.059 ρa .060 ρa .118 ρa .075 ρa .210 0.395 0.101 ρa .5m 3m 4m Req ( Ω K Req ( Ω) K Req ( Ω K ) .440 ρa 2.102 ) .132 0.078 ρa .117 0.133 ρa .040 ρa 0.204 0.321 0.154 0.095 5m Req ( Ω ) .425 ρa 2.289 0.095 ρa .117 0.106 0.043 ρa .6: 151 .168 0.178 ρa .137 ρa .237 0.148 0.159 ρa .103 ) .233 0.372 0.115 ρa .101 0.383 0.544 0.088 ρa .231 ρa .045 ρa 0.062 ρa .152 0.168 ρa .536 0.237 ρa .110 ρa .062 ρa .071 ρa .063 ρa .140 0.064 ρa .4m d = 5/8” R1haste = 0.535 0.058 ρa .073 ρa .117 0.109 .090 ρa .245 0.408 0.221 0.239 ρa .069 ρa .057 ρa .048 ρa .298 0.044 ρa 0.270 0.164 ρa .141 ρa .075 ρa .068 ρa .057 ρa .174 ρa .043 ρa .063 ρa .162 0.048 ρa 0.175 0.080 ρa .131 0.065 ρa .166 0.564 0.056 ρa .080 ρa .099 ρa .092 ρa .051 ρa .164 0.077 ρa .183 0.297 0.110 0.089 ρa .046 ρa .085 ρa .397 0.169 ρa .089 Tabela A.115 0.244 ρa .183 0.060 ρa .543 0.097 ρa .157 0.054 ρa .155 0.051 ρa .248 ρa .228 ρa .156 0.044 ρa .057 ρa .061 ρa .101 0.566 0.083 ρa .176 0.071 ρa .040 ρa 038 ρa K 0.054 ρa .123 0.184 0.115 0.070 ρa .047 ρa 0.406 0.5m 3m 4m Req ( Ω K Req ( Ω) K Req ( Ω K ) .196 0.046 ρa .173 ρa .159 0.374 0.113 ρa .048 ρa .115 0.066 ρa .141 0.108 0.133 0.047 ρa .223 0.123 0.176 0.089 Tabela A.195 0.258 0.201 0.140 0.134 0.101 0.123 ρa .044 ρa .185 0.122 0.4m d =1/2” R1haste = 0.206 0.094 0.163 ρa .056 ρa .174 0.114 0.310 0.109 0.144 0.078 ρa .086 ρa .054 ρa .278 0.076 ρa .125 0.051 ρa .371 0.142 0.053 ρa .107 ρa .124 0.050 ρa .047 ρa .235 ρa .118 0.110 .095 0.127 ρa .124 0.068 ρa .324 0.135 0.049 ρa .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Espaçamento Número de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 L = 2.268 0.053 ρa .130 ρa .260 0.050 ρa .146 0.241 ρa .054 ρa .

546 0.130 0.091 Tabela A.055 ρa .084 ρa .231 ρa .265 0.120 0.102 0.235 0.185 0.073 ρa .068 ρa .038 ρa 0.548 0.081 ρa .041 ρa .042 ρa R1haste = 0.247 0.146 0.095 ρa .225 ρa .272 0.387 0.039 ρa 0.228 0.046 ρa .290 0.056 ρa .093 ρa .212 ρa .064 ρa .180 0.113 0.163 0.119 0.049 ρa .061 ρa .177 0.098 ρa .414 0.138 0.056 ρa .090 ρa .097 5m Req ( Ω ) .238 0.065 ρa .059 ρa .152 ρa .158 ρa .079 ρa .070 ρa .126 0.120 0.211 0.128 0.186 0.159 0.225 ρa .037 ρa K 0.116 0.042 ρa .222 ρa .098 ρa .050 ρa .211 0.203 0.039 ρa .198 0.148 ρa .110 0.134 ρa .052 ρa .104 ρa .276 0.537 0.077 ρa .189 0.403 0.054 ρa .119 ρa .394 ρa 4m K Req ( Ω K 0.086 ρa .318 0.157 0.103 0.058 ρa .050 ρa .130 ρa .151 0.045 ρa 0.187 0.221 ρa .124 ρa .111 0.130 ρa .118 0.160 0.326 0.238 0.136 0.410 0.159 ρa .109 ρa .083 ρa .302 0.292 0.052 ρa .120 ρa .066 ρa .155 ρa .054 ρa .043 ρa .104 ) .101 0.149 0.4m d = 3/4” R1haste = 0.142 0.049 ρa .138 0.165 0.399 0.058 ρa .115 ρa .064 ρa .044 ρa .568 0.413 ρa 2.097 ρa .235 ρa .050 ρa .8: 152 .096 5m Req ( Ω ) .066 ρa .562 0.120 0.046 ρa 0.5m 3m 4m Req ( Ω K Req ( Ω) K Req ( Ω K ) .134 0.118 0.084 ρa .036 ρa K 0.208 0.061 ρa .125 ρa .136 0.046 ρa .201 0.214 0.167 0.155 0.129 0.111 0.071 ρa .330 0.111 .4m d = 1” 2m 3m Req ( Ω K Req ( Ω) ) .108 ρa .094 ρa .136 0.225 0.375 0.048 ρa .047 ρa .047 ρa .112 ρa .384 0.059 ρa .106 ) .377 0.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Espaçamento Número de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 L = 2.177 0.572 0.052 ρa .087 ρa .300 0.043 ρa 0.315 0.103 0.042 ρa .038 ρa .165 ρa .262 0.074 ρa .108 0.090 Tabela A.169 ρa .240 0.051 ρa .045 ρa .097 0.216 ρa .044 ρa .070 ρa .169 0.128 0.539 0.118 0.143 0.056 ρa .062 ρa .047 ρa .059 ρa .076 ρa .113 .559 0.045 ρa .163 ρa .049 ρa .040 ρa .147 0.158 0.172 0.125 0.205 0.149 0.096 0.074 ρa .054 ρa .127 0.250 0.144 0.082 ρa .102 ρa .7: Espaçamento Número de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 L = 2.068 ρa .110 0.063 ρa .073 ρa .125 0.053 ρa .179 0.

168 0.255 0.040 ρa .381 0.074 .270 0.191 ρa .093 Tabela A.133 0.086 ρa .394 ρa 3m 4m 5m Número Req ( Ω K Req ( Ω K Req ( Ω de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 ) .551 0.110 ) .066 ρa .200 ρa .307 0.035 ρa 0.306 0.082 .035 ρa .084 .056 ρa .106 0.047 ρa .051 ρa .138 ρa .099 ) .059 .268 0.183 0.109 ) .037 ρa .155 0.072 .566 0.129 0.192 0.046 ρa .171 0.297 0.166 0.182 0.057 ρa .050 ρa .033 ρa K 0.053 ρa .142 0.140 0.233 0.134 0.194 ρa .048 .106 0.207 0.380 0.036 ρa .245 0.041 ρa .141 0.130 0.051 .043 ρa .112 0.115 0.190 0.161 0.394 ρa Espaçamento 3m 4m 5m Número Req ( Ω K Req ( Ω K Req ( Ω de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 ) .153 0.079 ρa .132 0.092 ρa .324 0.043 ρa .154 0.077 ρa .117 0.295 0.041 .392 0.205 .100 0.124 0.044 ρa .144 .4m d = 1” R1haste = 0.059 ρa .552 0.253 0.034 ρa K 0.075 ρa .042 .321 0.107 ρa .199 .145 0.036 ρa 0.039 0.142 ρa .147 0.113 0.138 ρa .243 0.047 .170 0.408 0.217 0.090 ρa .105 0.197 ρa .038 ρa .065 .134 ρa .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Espaçamento L = 2.206 0.054 .152 0.131 0.111 ρa .185 0.052 ρa .204 0.10: 153 .104 ρa .097 .406 0.231 0.117 .113 0.162 0.541 0.120 0.038 ρa .114 0.050 .142 0.066 .218 0.181 0.122 0.062 ρa .047 ρa .064 ρa .9: L = 2.4m d = 1” R1haste = 0.040 0.069 ρa .099 0.037 ρa .060 ρa .045 .048 ρa .094 Tabela A.073 ρa .564 0.209 0.067 ρa .123 0.095 .114 .088 ρa .108 ρa .148 .060 .041 ρa .543 0.105 0.390 0.054 ρa .100 ) .055 .122 0.121 0.044 ρa .044 .040 ρa .

041 ρa .145 0.045 ρa .120 0.132 0.158 0.186 0.554 0.032 ρa K 0.187 .043 .125 0.085 ρa .175 0.546 0.054 ρa .212 0.125 0.122 0.037 0.072 ρa .556 0.049 .172 0.136 0.11 L = 2.571 0.031 ρa K 0.108 .12 154 .034 ρa .124 0.259 0.114 0.129 ρa .080 .126 ρa .394 ρa 3m 4m 5m Número Req ( Ω K Req ( Ω K Req ( Ω de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 ) .046 ρa .146 0.035 ρa .155 0.414 0.568 0.096 Tabela A.111 ) .111 .235 0.156 0.256 0.410 0.062 .189 ρa .186 ρa .169 0.049 ρa .194 .093 .034 ρa 0.208 0.135 0.312 0.133 0.193 0.383 0.066 ρa .143 0.078 .298 0.109 0.053 ρa .036 ρa .134 0.081 ρa .109 0.059 ρa .069 .042 ρa .039 .102 ρa .163 0.038 0.056 ρa .098 ρa .073 ρa .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Espaçamento L = 2.135 .116 0.178 ρa .056 .102 0.069 ρa .045 ρa .394 ρa Espaçamento 3m 4m 5m Número Req ( Ω K Req ( Ω K Req ( Ω de haste 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 ) .165 0.058 .140 .064 .276 0.246 0.071 .039 ρa .050 ρa .238 0.272 0.185 0.102 ρa .4m d = 1” R1haste = 0.149 0.037 ρa .385 0.172 0.049 ρa .061 ρa .189 0.220 0.148 0.309 0.042 .144 0.090 .038 ρa .042 ρa .113 ) .182 ρa .131 ρa .4m d = 1” R1haste = 0.052 .116 0.136 0.064 ρa .195 0.033 ρa .394 0.063 ρa .396 0.046 .037 ρa .128 0.095 Tabela A.210 0.035 ρa 0.107 0.106 ρa .084 ρa .103 ) .107 0.211 0.329 0.047 ρa .052 ρa .040 .248 0.053 .300 0.135 ρa .101 ) .048 .075 ρa .124 0.118 0.039 ρa .158 0.038 ρa .041 ρa .115 0.544 0.326 0.057 ρa .100 0.044 .088 ρa .044 ρa .222 0.184 0.

KC COEFICIENTE KM L – Comprimento do lado em (m) n – Numero de condutores Nota: estas curvas foram calculadas para cabo 2 AWG e h = 0. vide tabela B.6 m) L – Comprimento do lado em (m) n – Numero de condutores h – Profundidade da malha (m) 155 .60 m Para valores diferentes destes.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Apêndice B CURVAS PARA DETERMINAÇÃO DOS COEFICIENTES KM. KS.1 (Apêndice B) COEFICIENTE Ks (h = 0.4 m) L – Comprimento do lado em (m) n – Numero de condutores h – Profundidade da malha (m) COEFICIENTE Ks (h = 0.

ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO COEFICIENTE Ks (h = 0.cerca sobre o perímetro da rede 156 .8 m) L – Comprimento do lado em (m) n – Numero de condutores h – Profundidade da malha (m) COEFICIENTE Ks (h = 1.0 m) L – Comprimento do lado em (m) n – Numero de condutores h – Profundidade da malha (m) COEFICIENTE Kc .

cerca a 2m do perímetro da rede Nota: estas curva foram calculadas para cabo 2 AWG ( h = 0.6m).6m). para bitolas diferentes vide tabela B.cerca a 1m do perímetro da rede Nota: estas curva foram calculadas para cabo 2 AWG ( h = 0.2 (Apêndice B) 157 .ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO Nota: estas curva foram calculadas para cabo 2 AWG ( h = 0.2 (Apêndice B) COEFICIENTE Kc . para bitolas diferentes vide tabela B.6m). para bitolas diferentes vide tabela B.2 (Apêndice B) COEFICIENTE Kc .

147 0.010 -0.60 0.025 -0.028 -0.065 -0.043 -0.1: Fator de correção de KM 158 .029 +0.063 -0.079 -0.093 Profundidade dos cabos 0.085 -0.046 -0.047 -0.095 -0.80 -0.140 -0.082 -0.076 -0.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO TABELAS DE CORREÇÃO DOS COEFICIÊNTES KM E KC FATOR DE CORREÇÃO DO KM Bitola do cabo 2 1 1/0 2/0 3/0 4/0 250 300 0.066 -0.119 -0.009 -0.000 -0.012 -0.122 -0.108 -0.70 0.054 +0.057 -0.123 -0.039 -0.103 -0.045 -0.044 +0.021 -0.030 -0.057 0.101 -0.50 +0.007 -0.40 +0.026 +0.168 Tabela B.133 -0.154 -0.

1996. JOSÉ ADOLFO TECNICAS DE DISTRIBUIÇÃO. ICEA GRÁFICA E EDITORA. 1993. EDITORA OFFICINA DE MYDIA. JOSÉ ADOLFO PROTEÇÃO DE EDIFICAÇÕES CONTRA DESCARGA ATMOSFÉRICA. CARLOS MOREIRA E PEREIRA FILHO. 1995.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO FATOR DE CORREÇÃO DO KC BIBLIOGRAFIA • CIPOLÍ. 159 . QUALITYMARK EDITORA. • CIPOLÍ. MARIO LEITE TÉCNICAS DE ATERRAMENTOS ELÉTRICOS. • LEITE.

CARLOS ALBERTO APOSTILA CURSO DE ATERRAMENTO. • COTRIM. EDITORA MAKRON BOOKS. GERALDO E CAMPAGNOLO. • NBR – 5410 INSTALAÇÕES ATUALIZADA. EDITORA ÉRICA. 3ª EDIÇÃO 1997. 160 ELÉTRICAS DE BAIXA TENSÃO. PROTEÇÃO CONTRA DESCARGA ATMOSFÉRICA.ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO • MAMEDE FILHO. • MAMEDE FILHO. 3ª 1988. CARLOS M. EDITORA OFFICINA DE MYDIA. • KINDERMANN. E LEITE. JOÃO PROTEÇÃO DE EQUIPAMENTOS SENSÍVEIS.L. 3ª EDIÇÃO 1992.E. JORGE MARIO ATERRAMENTO ELÉTRICO. EDIÇÃO . B. E. ADEMERO A.M. JOÃO INSTALAÇÕES ELÉTRICAS INDUSTRIAIS. DUÍLIO M. 3ª EDIÇÃO 1995. • NBR – 5419 SISTEMA DE PROTEÇÃO CONTRA DESCARGA ATMOSFÉRICA. • LEITE. 1998. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS. EDIÇÃO ATUALIZADA • SOTILLE. LIVROS TÉCNICOS CIENTÍFICOS. EDITORA SAGRA-DC LUZZATTO. 1997.

ESCOLA DE ENGENHARIA DE LINS WAGNER ANTONIO BIFFE SISTEMAS DE ATERRAMENTO 161 .

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