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Abílio Manuel Guerra

Junqueiro (Freixo de Espada à Cinta, 17 de Setembro de 1850 —


Lisboa, 7 de Julho de 1923) foi bacharel formado em direito pela
Universidade de Coimbra, alto funcionário administrativo, político,
deputado, jornalista, escritor e poeta. Foi o poeta mais popular da sua
época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova". Poeta
panfletário, a sua poesia ajudou criar o ambiente revolucionário que
conduziu à implantação da República.

Canção de Batalha

Que durmam, muito embora, os pálidos amantes,


Que andaram contemplando a Lua branca e fria...
Levantai-vos, heróis, e despertai, gigantes!
Já canta pelo azul sereno a cotovia
E já rasga o arado as terras fumegantes...

Entra-nos pelo peito em borbotões joviais


Este sangue de luz que a madrugada entorna!
Poetas, que somos nós? Ferreiros d'arsenais;
E bater, é bater com alma na bigorna
As estrofes de bronze, as lanças e os punhais.

Acendei a fornalha enorme — a Inspiração.


Dai-lhe lenha — A Verdade, a Justiça, o Direito —
E harmonia e pureza, e febre, e indignação;
E p'ra que a labareda irrompa, abri o peito
E atirai ao braseiro, ardendo, o coração!

Há-de-nos devorar, talvez, o incêndio; embora!


O poeta é como o Sol: o fogo que ele encerra
É quem espalha a luz nessa amplidão sonora...
Queimemo-nos a nós, iluminando a Terra!
Somos lava, e a lava é quem produz a aurora!

Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'


9ºA