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A Cultura Do Sertanejo

A Cultura Do Sertanejo

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Este é um trabalho bastante resumido sobre a vida dos sertanejos. Também abrange, resumidamente, a dicotomia: música sertaneja X caipira.
Este é um trabalho bastante resumido sobre a vida dos sertanejos. Também abrange, resumidamente, a dicotomia: música sertaneja X caipira.

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Published by: Flávia on Nov 19, 2008
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Disciplina: Sociologia

A Cultura do Sertanejo

Uberlândia - 2008

1. O Sertão.

O sertão abrange o Norte de Minas Gerais, o Sudoeste da Bahia, o Sul do Tocantins e o Nordeste de Goiás. Com seus ventos bíblicos, calmarias pesadas e noites frias, impressiona. Cortado por veredas e árvores retorcidas em desespero, todo ele são monótonos caminhos de caatingas e areais ressequidos. As "pueiras", lagoas mortas, de aspectos lúgubres, são o único oásis do sertanejo. A serra de Monte Santo, com seus tons azulados, é uma cortina de muralha monumental. As conformações rochosas, no ermo vazio do Bendegó, dão a ilusão de ruínas antigas. Os grandes desmoronamentos rochosos do sertão lembram "mares de pedras". Os rios salgados, quando secam, parecem um fundo de mar extinto, uma impressão acentuada pelos fenômenos ópticos do calor. Isso reforça a mítica sertaneja de que "um dia o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão". No sertão, a começar pelo solo e clima, tudo é adverso. O sertanejo sobrevive porque é uma raça forte. Assim como o cacto mais resistente, ele foi feito para o sertão. Tem o pêlo, o corpo e a psicologia próprios para suportar o suplício da seca. Conhece profundamente a flora e fauna. Sabe o nome e as vantagens de cada cacto, de cada mandacaru, de cada xiquexique. Seus pássaros: o carcará, o acauã, a asa branca. E a natureza que ele tanto ama é sua aliada na luta pela sobrevivência. Desidratado como as plantas, consegue viver dias só com o trivial e um copo d'água. E ama o sertão. Não se habitua a outro lugar. O sertão o destrói e hipnotiza. É o homem rude e sereno acostumado desde muito novo com a morte. Um resistente num lugar onde quase só existe deserto e onde a água é uma miragem.
2. O Sertanejo.

Conforme estudos arqueológicos, a ocupação nessa região iniciou-se há cerca de 11 mil anos e transcorreu até o começo do século XX. Caçadores e coletores tiravam sustento dos campos, cerrados e matas. Os povos Macro-Jê, herdeiros desses traços culturais, receberam os Tupi- Guarani que fugiam dos colonizadores europeus. O colonizador escravizou africanos para a lavra do ouro. O sertanejo nasce, então, da miscigenação de europeus, índios e negros. O jesuíta, o vaqueiro e o bandeirante foram os primeiros habitantes brancos que migraram para a região. Deram origem aos tipos populares que compõem o sertão: o beato, o cangaceiro e o jagunço. Ali estão todos, com suas vestes características, seu apego às tradições mais remotas, o sentimento religioso levado até o fanatismo e o seu exagerado senso de honra. Tanto o cangaceiro quanto o jagunço são guerreiros. Homens de armas. O cangaceiro age em bando e por conta própria, vive como andarilho pelo deserto, obedecendo às leis do chefe do bando. O jagunço muitas vezes age sozinho. Protege alguém, que tanto pode ser um coronel como uma pessoa com quem tem uma dívida de honra. O fazendeiro dos sertões vive no litoral, longe de suas propriedades; quem cuida de suas terras é o vaqueiro, de fidelidade assombrosa e submissão inconsciente e servil. Mas na adversidade, sua roupa de couro pode se tornar a armadura de jagunço. Qualquer vaqueiro sabe lutar e lidar com armas. Oculta em si o guerreiro. As sertanejas são diferentes das mulheres do litoral: são rezadeiras, rendeiras, mocinhas ingênuas, bruxas velhas e alcoviteiras (mexeriqueiras). Mulheres de coragem e encrenqueiras. Descendentes dos antigos jesuítas, os padres, os beatos e os conselheiros dão conselhos e são beatos da categoria mais alta entre a população. Padres e beatos podem se tornar líderes messiânicos como o padre Cícero, de Juazeiro do Norte, de grande influência no sertão. Sob

tais influências, o matuto vai da extrema brutalidade ao máximo devotamento. Apesar da coragem, acredita em todos os mal-assombramentos. Está propenso a ser um "desvairado pelo fanatismo e um transfigurado pela fé." Por isso é um seguidor de messias fanáticos que o arrastam e endoidecem. A cultura do sertanejo é marcada pela lida com o gado, modo de vida simples e não consumista, observado na organização da família, nas vestimentas, nas festas religiosas, na religiosidade marcante e na alimentação com seus pratos típicos: a paçoca, o quibebe, o pão de queijo. A narrativa dos sertanejos sustenta a mobilização e a ação social e os tira da condição de bárbaros que não têm domínio do logos, os liberta do “pacto” e de sua modernização predatória. As raízes que sustentam a sua cultura se abastecem do “sítio simbólico de pertença sertanejo”. Tal sítio aflora em situações propícias como as promovidas pelas cooperativas de pequenos produtores rurais. O sertanejo é o “expert” da sua realidade. Políticas públicas e modelos que não consideram seu sítio, justamente por não serem situados.
3. Caipira X Sertanejo.

Há uma proximidade entre o caipira e o sertanejo. No dicionário, a palavra caipira aparece como sinônimo na definição de sertanejo. Através disso, poderíamos entender que “sertaneja” é uma canção ou cantiga do sertão e pode ser uma canção caipira. E quando se diz que sertão é a zona pouco povoada do interior do país, podemos entender que a roça também faz parte do sertão. Muitos entendem que sertanejo só possa ser o habitante do sertão nordestino e que a música sertaneja seja o baião ou o forró. Apesar de poderem ser considerados idênticos, o caipira e o sertanejo têm as suas diferenças, e isso pode ser evidenciado pelas suas músicas. A música sertaneja é produzida no meio urbano-industrial pela indústria do disco e é apenas um produto a mais a disposição do consumidor. Enquanto a música caipira é meio em si mesma, a sertaneja é fim cujo objetivo é o lucro. Pelas transformações por que passou, esta música tornou-se mais melódica e menos rítmica, alterando seus componentes formais, substituindo alguns instrumentos musicais de percussão por outros de maior sonoridade. Saíram a caixa, o surdo, o tarol, o adufe e entraram a sanfona, o prato de metal, a bateria, o violão e recentemente, a guitarra elétrica. Além disso, seu tempo de duração dificilmente ultrapassa os três minutos, considerados ideais para a canção comercial. Enquanto a poesia da música caipira é essencialmente religiosa, a música sertaneja apresenta um discurso profano, da condução, do progresso da cidade grande, e assim por diante. A música sertaneja tornou-se uma força altamente expressiva da indústria do disco no Brasil. Consequentemente, seu alcance ultrapassou a área de influência da cultura caipira. Além disso, as gravadoras, usando técnicas de marketing nem sempre verdadeiras, exportam essa modalidade musical apresentando-a como folclore brasileiro. É claro, só compra quem for realmente desinformado. Enquanto isso, a música caipira permanece em seu estado original (em certos casos com pequenas transformações) na condição de folclore das regiões Sudeste, Sul e Centro do país. Apesar de todas estas diferenças, tanto a música sertaneja quanto a caipira possuem o mesmo público. O caipira é um dos principais consumidores da música sertaneja. Quando não o faz através da compra de discos, o consumo se dá pela audição de programas de rádio, principalmente, de televisão, de shows ao vivo em circos ou teatros.

4. Conclusão.

O Sertão é um lugar muito difícil de viver, estando adaptado a ele apenas aqueles que nasceram em seu seio. Estes possuem sua própria maneira de ver o mundo e de agir nele. Com sua fé fervorosa e noção de honra exacerbada, vão tocando a vida naquela aridez. Apesar das singularidades dos sertanejos, a sua cultura se espalhou pelo Brasil, principalmente no Centro-oeste. Aí, come-se pão-de-queijo e ouve-se música sertaneja. Mas, será que essa música realmente remonta àqueles antigos sertanejos que alegravam seus conterrâneos com suas melodias? Não. A música sertaneja que se ouve em São Paulo e em Minas Gerais, por exemplo, é nada mais que uma forma distorcida utilizada pela indústria cultural para alastrar a música caipira do sertão no Brasil, a fim de que possa vender um produto como sendo um “símbolo” da cultura brasileira. Entretanto, na verdade, o símbolo, o folclore é a música caipira do sertão e não a música “sertaneja” (que nada tem de sertaneja) de São Paulo. Desta forma, a despeito de todas as controvérsias, e, principalmente pela ação da indústria cultural, hoje se pode dizer que o brasileiro, em geral, tem alguma noção de o que a cultura do sertanejo é, apesar de esta noção ser bastante distorcida.
5. Bibliografia. 5.1. http://www.pagina22.com.br/index.cfm?fuseaction=artigoEnsaio&id=52 5.3. http://74.125.113.132/search?q=cache:XR7xgNj-

5.2. http://www.tvcultura.com.br/aloescola/esTudosbrasileiros/sertoes/sertoes2.htm

gZoJ:screamyell.com.br/outros/monografia_mac.pdf+a+cultura+do+sertanejo&hl=ptBR&ct=clnk&cd=5

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