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I. ESTUDAR OS PROBLEMAS SOCIAIS


Dos Problemas sociais aos problemas sociológicos
O que são problemas sociais
1. Rubington e Weinberg – um problema social é uma alegada situação incompatível com os
valores de um significativo número de pessoas, que concordam ser necessário agir para a alterar.
2. Spector e Kitsuse – um problema social é constituído pelo conjunto das acções que indivíduos ou
grupos levam a cabo ao prosseguirem reivindicações relativamente a determinadas condições
putativas.
A primeira definição centra-se na situação que é considerada problema, a segunda definição privilegia
o processo pelo qual uma situação é considerada como problema.

A definição consensual é difícil porque depende da perspectiva (dos sociólogos) que se adopta

Os problemas sociais, imbuídos de um significado social (porque se definem em função de um


conjunto de valores sociais), ao passarem pelo crivo do método científico, adquirem um significado
sociológico, isto é, reflectem valores sociológicos relativos às perspectivas teóricas e metodológicas
seguidas. Para que um problema social possa ser considerado problema sociológico deve possuir as
condições de regularidade, uniformidade, impessoalidade e repetição.

A problematização sociológica dos problemas sociais implica mesmo a des-construção destes, o


desmantelar do significado social de maneira a criar um significado de acordo com o discurso
científico (Quivy, Campenhoudt 1992). Os investigadores sociais debruçam-se sobre uma realidade
autoconstruída e encontram representações sociais que moldam a realidade e condicionam os próprios
investigadores.

Transformação de problema social em problema sociológico aludindo ao s fenómenos da juventude e


da velhice.
A juventude – é problematizada relativamente a aspectos variados como a inserção profissional, a
emancipação adulta, a toxicodependência, a crise dos valores tradicionais. Mas, problematizar
sociologicamente a juventude será questionar se os jovens sentem este problemas. Será questionar a
definição de jovem, quais as soluções que a sociedade preconiza para os problemas da juventude e
quais as suas consequências.

A velhice – constitui um problema para algumas sociedades e não para outras. Foi com a
industrialização, a urbanização e o envelhecimento demográfico que começaram a criar-se as
condições para a definição da velhice enquanto problema social a ser solucionado. Problematizar a
velhice enquanto problema social será questionar “que transformações ocorreram nas famílias e na
sociedade portuguesa que possam explicar a emergência do problema social quais os efeitos sociais da
institucionalização de espaços e práticas especificamente orientados para as gerações mais velhas.

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A questão do positivismo versus relativismo


O conhecimento sociológico pode ser situado num contínuo epistemológico que vai do Positivismo ao
Relativismo.

A sociologia positivista
• Defende a procura de leis sociais (à semelhança das leis do mundo natural) a partir de um
método indutivo-quantitativo, e advoga uma separação absoluta entre a Ciência e a Moral, isto é,
entre os factos e os valores.
• Para a ciência positivista é possível conhecer objectivamente a realidade social, uma vez que
existem critérios universais do conhecimento e da verdade. Estuda situações objectivas, que são
definidas como problemas em razão de características que lhe são próprias. Daí a necessidade de
se conhecerem as suas causas e de se chegar à elaboração das leis que regem o fenómeno.

Posição relativista
• Não existe nenhum critério universal para o conhecimento e para a verdade. Todos os critérios
utilizados serão sempre internos ao sistema cogniscente e, como tal, será relativo e não
universais.
• A definição é sempre relativa, será antes de mais um rótulo colocado a determinadas situações, e
não uma característica inerente à situação em si mesma.

Assim, face ao exposto o que importa estudar é a definição subjectiva dos problemas sociais.

A aplicabilidade da ciência e o desenvolvimento teórico


Um problema pressupõe uma solução. Durante o século XIX o desenvolvimento das ciências sociais,
sociologia, esteve intimamente ligado ao estudo das preocupações humanas para as quais os actores
sociais pensaram e desenvolveram soluções humanas, isto é, sociais.

A percepção dos fenómenos ligados à industrialização, à urbanização e ao desenvolvimento


tecnológico proporcionaram o nascimento de um novo tipo de cientistas, que deviam aplicar à
realidade social o método científico, que tanto sucesso demonstrava no mundo natural.
Desde o início, os sociólogos tentam equacionar o que Rubington e Weinberg denominam de mandato
duplo:
1. Por um lado, dar atenção aos problemas existentes na sociedade, numa perspectiva de correcção
da realidade social, através de conhecimento empíricos adquiridos;
2. Por outro lado, desenvolver teórica e metodologicamente a sociologia enquanto ciência.

A ênfase que cada sociólogo coloca num prato ou noutro da balança condiciona o modo como
problematiza a sociedade e o seu trabalho como investigador.
O primeiro objectivo estudam os “problemas sociais”.
O segundo objectivo estudam “problemas sociológicos”.

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Hester e Eglin, consideram que o primeiro tipo de perspectiva pode ser denominado de sociologia
correctiva que parte dos seguintes pressupostos:
1. Equivalência de problema social a problema sociológico
2. As questões sociológicas derivam das preocupações sociais
3. O grande objectivo do estudo sociológico é a melhoria dos problemas sociais
4. Preocupação central com as causas ou etiologia dos problemas
5. Compromisso com os princípios positivistas da ciência

Para estes autores, a sociologia correctiva falha nos seus propósitos precisamente porque não separa a
aplicabilidade da ciência do seu corpus teórico-metodológico, e não reconhece os viezes que tal
situação origina. Ao concentrar-se em responder à questão porque é que os comportamentos
acontecem, não questiona porque é que as situações são definidas como problema, aceitando as
definições socialmente estabelecidas. Encara as pessoas como objectos e não como sujeitos que
constróem a realidade social.

Kurt Lewin defendia que uma boa teoria é sempre prática, e a prática empírica é sempre indispensável
ao desenvolvimento teórico. A separação entre os dois domínios é um falso problema.

Sociologia de Intervenção – é a questão da aplicabilidade da sociologia e doutras ciências sociais.


A Sociologia de Intervenção não é uma especialidade ou ramo sociológico, mas sim um modo de ver o
trabalho do cientista social que, em vez de isolar assepticamente o investigador do seu objecto de
estudo, o desafia a ser contaminado por este, o leva intervir activamente na realidade que estuda e a
não separa os papéis de investigar e de cidadão. A investigação social deve ser utilizada para melhorar
a sociedade, segundo princípios humanista de solidariedade de libertação.

As perspectivas de estudo dos problemas sociais

As perspectivas da sociologia Positivista


Patologia Social
No século XIX as disciplinas como a biologia e a medicina influenciaram os sociólogos a adoptarem a
analogia do organismo ao seu objecto de estudo: a sociedade.
Adoptaram igualmente um modelo médico de diagnóstico e de tratamento. Os problemas sociais são
entendidos como doenças ou patologias sociais.

O pensamento organicista do britânico Herbert Spencer – defende que a sociedade e os seus


elementos podem sofrer malformações, desajustamentos e doenças, à semelhança dos organismos
vivos. Pressupõe um estado de saúde ou de normalidade do organismo, sendo que as pessoas e as
situações interfiram com este estado de normal funcionamento do organismo social são assim
considerados problemas sociais.

Para a corrente da Patologia Social, um problema social é uma violação de expectativas morais. A
condição de saúde ou normalidade do organismo é definida por valorações do Bem do do Mal.

A patologia pode ser encontrada no indivíduo ou no mau funcionamento institucional. Os primeiros


autores desta corrente, meados do século XIX até cerca da I Guerra Mundial enfatizaram as más
formações dos indivíduos. Foi a perspectiva do Homem Delinquente, da escola positiva italiana de
criminologia, donde se destacaram Cesare Lombroso, Ferri e Garófalo.

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Cesare Lombroso – as características fisiológicas particulares dos indivíduos, tamanho de maxilares,


assimetria facial etc. No século XX assiste-se à anormalidade cromossomática, predisposição genética
para a extroversão, comportamentos de violação de normas.

Na década de 1960 entram-se nas deficiências na socialização – Aqui os problemas sociais seriam o
resultado da incorporação de valores “errados” pelos indivíduos, fruto de uma “sociedade doente”.
Neste sentido, a solução para os problemas sociais passaria pela educação moral da sociedade e pela
incorporação de valores moralmente correctos.

Vytautos Kavolis – propôs a conceptualização de patologia como sendo um comportamento destrutivo


ou auto-destrutivo. Para Kavolis a definição de comportamento destrutivo seria possível em termos
absolutos, isto é, igual em todas as sociedades humanas. A patologia social estudaria os
comportamentos destrutivos, como patologias sociais, e igualmente as condições que causassem ou
contribuíssem para a existência desse comportamento.

Rosenquist – como é difícil chegar a uma definição objectivo do que é patológico a única forma de se
estudarem os problemas sociais é passando ao lado do que constitui a sua condição problemática e
aceitar o julgamento social como um dado.

Desorganização Social
Com a década de 1920, a perspectiva da desorganização social ganha claramente terreno na sociologia
norte-americana. Esta nova abordagem iniciou um pensamento sociológico mais voltado para o
amadurecimento e para o desenvolvimento teórico e metodológico da sociologia enquanto ciência.

Os autores da patologia social trabalharam com conceptualizações e termos emprestados de outras


ciências e consideraram sobretudo a aplicabilidade prática dos conhecimentos sociológicos na
resolução de problemas sociais. Em contraste, os autores da perspectiva da desorganização social
utilizam um conceito claramente sociológico e que apresenta um maior potencial de operacionalização
do que o conceito de patologia social.

Os teóricos da desorganização social foram Charles Cooley, Thomas, Znainiecki e William Ogburn.

Cooley – distinção entre grupos primários e secundários.


Nos grupos primários os indivíduos vivem relacionamentos face a face, mais intensos e duradouros.
Nos grupos secundários as relações sociais são mais impessoais e menos frequentes.
Obra de Cooley – Social Organization – definiu a desorganização social como sendo a
desintegração das tradições. As regras sociais deixam de funcionar.

Thomas e Znaniecki – (estudo sobre os imigrantes polacos) concepctualizaram a desorganização


social como a quebra de influência das regras sociais sobre os indivíduos.

Ogburn – centrou-se no conceito de desfasamento cultural. A sociedade não é um organismo mas


sim um sistema composto por várias partes interdependentes. As partes do sistema cultural podem
modificar-se a ritmos diferentes, produzindo um desfasamento no sistema que origina a
desorganização social.

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Robert Park, Ernest Burgess e Rodrick McKenzie – estudaram a organização espacial da cidade, o
fenómeno da urbanização é central para a perspectiva da desorganização social ao estar relacionado
com o enfraquecimento das relações face a face e das tradições sociais.

Críticas de Marshal Clinard ao conceito de desorganização social:

1. O seu poder explicativo para a sociedade em geral é reduzido, por ser um conceito demasiado
vago e subjectivo. Será mais adequado para a análise de grupos mais específicos e não para toda
a sociedade.
2. Confundiu-se desorganização social com mudança social, o que desde já deixa por explicar
porque é que nem todas as mudanças originam desorganização, e implica que se prove que a
situação anterior era de desorganização.
3. É um conceito fortemente sujeito aos julgamentos de valor do investigador, tal como o
conceito de patologia. Por um lado, tende-se a considerar desorganização numa perspectiva
negativa, como se todas as situações de desorganização sejam por essência “más”.
4. Aplicou-se o conceito de desorganização social a situações que não são de desorganização,
mas que, pelo contrário, traduzem outros tipos de organização, de que é um exemplo típico do
que se passa nos bairros de lata.
5. O sistema social pode acolher em si focos de desorganização ou a existência de
comportamentos desviados sem que tal comprometa o seu funcionamento, desde que outros
objectivos do sistema estejam a ser alcançados, contrabalançando as influências
desestabilizadoras que possam existir.
6. No seguimento da crítica anterior, ao constatarmos a existência de diferentes formas de
organização social, não podemos inferir que tal situação seja desastrosa para a sociedade,
podendo pelo contrário ser indispensável para a manutenção da coesão social.

Outra crítica é que a perspectiva da desorganização social utiliza frequentemente explicações


circulares para os problemas de desorganização (Aggleton 1991) ou seja o mesmo facto é considerado
indicador e causa de desorganização social (desemprego).

Conflito de Valores
Outro modo de ver os problemas sociais é considerá-los como o reflexo de um conflito de valores na
sociedade relativamente a uma dada situação. Ou seja, confrontos de grupos sociais com interesses
diferentes, em que o conflito é a dinâmica central da vida social.

A patologia social e a desorganização social equacionaram os problemas sociais como condições


objectivas menos-prezando a definição subjectiva que os indivíduos pudessem fazer da situação em
causa. Assim o conflito de valores evidência a importância da definição subjectiva sem a qual a
condição objectiva de base não seria só por si um problema social.

Os teóricos desta corrente (c/ especial impacto nos ano 30 e anos 50 grande Depressão e II guerra
mundial) foram Richard Fuller e Richard Myers e distinguiram três tipos de problemas que afectam as
sociedades.
1. Problemas físicos
2. Problemas remediáveis
3. Problemas morais

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Problemas físicos – que não são causados pela acção humana (sismos) existe um consenso geral de
que a condição objectiva é indesejável e nada se pode fazer para controlar as causas do problema.
Podem surgir conflitos quando ao que fazer para tratar as suas consequências.

Problemas remediáveis – (delinquência juvenil), apresentam consenso quanto à indesejabilidade da


situação e quanto à necessidade de agir para a corrigir, mas criam-se conflitos no que diz respeito ao
conteúdo da acção.

Problemas morais – (consumo de marijuana, eutanásia) são os mais complexos, pois não existe
consenso quanto à própria indesejabilidade da situação.

Segundo Fuller e Myers, os problemas sociais evoluem segundo três fases:


1. A tomada de consciência do problema, quando os grupos sociais começam a encarar uma dada
situação incompatível com os seus valores, reconhecendo a necessidade de agir.
2. Fase de determinação política – um processo de clarificação dos valores e das posições em
presença e definição de propostas de acção.
3. Fase das reformas – na qual são postas em prática determinadas soluções para o problema, que
podem ser levadas a cabo por agentes públicos ou por organizações privadas.

Comportamento Desviado
Em meados do século XX havia cada vez maior disposição para a integração entre teoria, pesquisa
empírica e aplicação prática. Esta intenção de integrar campos observou uma clara tentativa de
conciliar as duas grandes escolas que dominavam o pensamento académico da sociologia norte-
americana:
1. A Escola de Harvard, de ênfase teórica,
2. A Escola de Chicago, empírica e descritiva.

É Harvard que Mertons irá dar um importante contributo para a perspectiva do comportamento
desviado.

Durkheim – o conceito de anomia significava uma ausência de normas. Em períodos de mudança


rápida, as regras que normalmente limitam os indivíduos perdiam essa influencia, deixando-os à deriva
e sujeitos à frustração o que podia levar ao suicídio.

Merton – Conceito de anomia refere-se ao desfasamento entre metas culturais a atingir e os meios que
a sociedade proporciona para o efeito. Merton referiu que a sociedade norte-americana que
sobrevaloriza o valor do sucesso, deixa de lado largos segmentos da população sem os meios para o
alcançar.

Daqui resulta que o comportamento desviado é entendido como normal em relação a situação
anormais. O comportamento desviado dependerá da assimilação das metas culturais e das normas
institucionais, e da acessibilidade dos meios legitimados pela sociedade.

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Segundo Merton, o desfasamento entre meios e metas dá origem a quatro tipos de adaptação
individual:
1. Invocação, na qual as metas são mantidas mas são utilizados novos meios para as alcançar
(roubar, ou subornar)
2. Ritualismo, pelo qual se renuncia às metas, mas se sobrevalorizam os meios;
3. Evasão – na qual tanto os meios como as metas são renunciados (alcoolismo)
4. Rebelião – quando se pretende instaurar novas estruturas de metas e de meios.

Edwin Sutherland – teoria da associação diferencial – centrou-se no processo pelo qual se dá o


comportamento desvidado.

Apresenta em conjunto dom Donald Cressey nove pontos este processo de génese do comportamento
criminoso:

1. O comportamento criminoso é aprendido, não é inato


2. É aprendido pela interacção com outros indivíduos num processo de comunicação.
3. A aprendizagem mais importante é feita em grupos primários.
4. A aprendizagem envolve, por um lado, as técnicas necessárias ao crime e, por outro lado, os
motivos, as racionalizações e as atitudes a ele ligadas.
5. Os motivos e os impulsos são aprendidos segundo a definição favorável ou desfavorável aos
códigos legais.
6. Um indivíduo torna-se delinquente pela razão de encontrar um excesso de definições favoráveis
à violação da lei em detrimento das definições desfavoráveis à violação da lei
7. A associação diferencial varia em termos de frequência, duração, proximidade e intensidade,
8. O processo de aprendizagem dos comportamentos criminosos e não criminosos integra todos os
aspectos normalmente envolvidos em qualquer tipo de aprendizagem
9. As necessidades e os valores gerais (segurança, riqueza material) que são reflectidos pelo
comportamento criminoso não explicam este mesmo comportamento, uma vez que outros
comportamentos não criminosos também os reflectem.

Os sociólogos da corrente do comportamento desviado consideraram que as teorias da anomia e da


associação diferencial se completavam, e desenvolveram tentativas de síntese das duas teorias.

Albert Cohen (1968) – na sua teoria da subcultura delinquente – sustentou que os jovens da classe
trabalhadora enfrentavam uma situação de anomia no sistema escolar, pensado segundo os valores da
classe média. Na a escola eram ensinados os valores mas eram vedados os meios legítimos para os
poderem atingir. Em resultado, os jovens uniam-se e formavam uma cultura própria que violava os
códigos legais. As novas normas eram socializadas através do processo da associação diferencial.

Richard Cloward e Lloyd Ohlin (1966) – teoria da oportunidade – sustentam que não basta
considerarmos a estrutura de oportunidades legítimas na génese do comportamento delinquente; é
igualmente essencial ter em conta a estrutura de oportunidades ilegítimas. Não é só uma questão de
ausência de oportunidades legais, mas também da presença de oportunidades ilegais.

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A perspectiva do comportamento desviado entende que os problemas sociais reflectem, de forma mais
ou menos directa, violações das expectativas normativas da sociedade, sendo que todo o
comportamento que viola essas expectativas é um comportamento desviado. A solução para os
problemas de comportamento desviado deverá passar pela ressocialização dos indivíduos e pela
mudança da estrutura social de oportunidades, de forma a que sejam aumentadas as oportunidades
legítimas e diminuídas as oportunidade ilegítimas.

As perspectivas da Sociologia Relativista


Três perspectivas que seguem uma visão relativista da ciência, de base interaccionista (o labeling e o
constructivismo social) e estruturalista (a perspectiva crítica). Nelas se defende, em oposição ao
positivismo, que o conhecimento é socialmente construído. Se assim é, a questão é saber como é que a
realidade faz sentido para as pessoas e através de que processos estas dão e partilham significados
sociais.

Labeling
Na descrição da teoria de labeling ou teoria da rotulagem os nomes importantes foram Georg Herbert
Mead, Blumer e Goffman

Mead – (concebeu a formação do Ego como o resultado das interacções sociais com Outros
Significativos) Os indivíduos aprendem a ver-se como objectos sociais e comportam-se de acordo com
esta percepção. As pessoas interagem fundamentalmente através de símbolos (sons, imagens) e os seus
significados emergem da interacção social. O comportamento irá depender do entendimento que
fizerem desses símbolos, num processo de reajustamento continuado.

Herbert Blumer – desenvolveu a ideia de que os significados não são dados, mas requerem uma
interpretação activa por parte dos actores sociais envolvidos.

Erving Goffman – introduziu o conceito de identidade social, para se referir às qualidades pessoais
que permanecem constantes em diferentes situações. Defendeu ainda que a identidade social pode ser
consolidada pelas reacções dos outros ao comportamento dos indivíduos. Se as reacções forem
negativas, as pessoas podem ser forçadas a aceitar uma spoiled identity, processo que Goffman define
como de estigmatização.

Embora os autores acima referidos terem sido fundamentais para a teoria do labeling, os nomes
pioneiros da perspectiva propriamente dita são Edwin Lemert e Howard Becker.
Edwin Lemert – defendeu a teoria de que o desvio é definido pelas reacções sociais e introduziu os
conceitos de desvio primário e desvio secundário. Esta distinção de conceitos baseia-se noutra
distinção que Lemert estabeleceu entre comportamento desviado e papel social desviado. O desvio
primário comporta causas biológicas e sociais. Mas a causalidade dos papéis sociais desviados, ou
desvio secundário, reside na interacção social entre o indivíduo que é definido como desviado e a
sociedade onde se insere. A reacção social ao desvio primário está assim na origem do desvio
secundário.

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Sequência de interacção que leva ao desvio secundário:


1. Ocorrência do desvio primário
2. Sanções Sociais
3. Recorrência do desvio primário
4. Sanções sociais mais pesadas e maior rejeição social
5. Continuação do desvio, agora com possível hostilidade e ressentimento por parte do indivíduo
desviado para com aqueles que o sancionam.
6. O coeficiente de tolerância chega a um ponto crítico, que se reflecte nas acções formais de
estigmatização do indivíduo levadas a cabo pela comunidade.
7. Fortalecimento do comportamento desviado como reacção à estigmatização e às sanções.
8. Aceitação do estatuto de desviado por parte do indivíduo estigmatizado e consequentes
ajustamentos com base no novo papel social.

Esta perspectiva é reforçada por Howard Becker ao introduzir o conceito de labeling e conceito de
carreira desviante.
Becker defendeu que o comportamento desviado é aquele que a sociedade define como desviado.
Para que alguém seja rotulado de desviado é necessário percorrer uma série de fases sequenciais, num
processo de interacção dinâmico, a que Becker apelidou de carreira desviante.

O que a perspectiva do labeling constatou é que nem todos os que violam as normas são rotulados de
desviados, o que nos leva a considerar que, em última instância, todo este processo traduz uma certa
equação do poder na sociedade: quem define as regras, que aplica os rótulos, quem é rotulado.
A crítica à corrente labeling é que por um lado, afirmar que o desvio é originado antes de mais pela
formulação das regras que são violadas e pelas reacções a esta violação das normas, soa como uma
desculpabilização e desresponsabilização dos comportamentos em vez de uma explicação dos mesmos.
Não ligou a este processo as desigualdades na estrutura social.

Perspectiva Crítica
A perspectiva crítica é também denominada perspectiva radical e centrou-se na questão da influência
do poder na definição dos comportamentos desviados e dos problemas sociais, e numa concepção
alargada da contextualização social do desvio.

Partilham com a corrente interaccionista a posição de que os problemas sociais são definições sociais.
A fundamentação desta corrente está no pensamento marxista. Tem assim uma postura de conflito na
génese dos problemas sociais. Segundo a tradição marxista, os modos de produção da infraestrutura
económica determinam relações sociais distintas. No estádio capitalista de desenvolvimento, a divisão
social mais importante é a que separa os que possuem os meios de produção, a classe capitalista, dos
que têm unicamente a sua força de trabalho para vender, e que constituem a classe trabalhadora.

Para a perspectiva crítica os problemas sociais advêm das relações sociais impostas pelo modo de
produção, e traduzem a necessidade de controle da classe capitalista e a necessidade de resistência e
acomodação das classes exploradas. O tipo e a gravidade dos problemas sociais ficam
particularmente dependentes das condições económicas conjunturais e da consciência de classe que os
trabalhadores possam ter. a solução para os problemas sociais reside na mudança (revolucionária) do
sistema social de classes para uma sociedade sem classes.

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Os anos 70 são uma década de crise de profunda crítica social e foi um período de renascimento das
grandes discussões teóricas.

Os autores mais significativos são Ian Taylor, Paul Walton e Jock Young que deu o nome à corrente da
nova criminologia ou criminologia radical. Segundo eles, o desvio deve ser analisado de forma
materialista e histórica: materialista porque deve ser analisado o contexto material e histórica porque
se deve relacionar o desvio com a evolução histórica dos modos de produção.

Esta perspectiva tem sido fortemente criticada por autores positivistas que argumentam ser este tipo de
abordagem mais uma ideologia do que uma teoria científica. Ou seja a perspectiva crítica centrou-se
na explicação da génese das leis e no funcionamento das instituições de controle e negligenciou a
explicação dos comportamentos desviados, esqueceram-se de outras fontes de conflito social como o
género, a idade ou diferenças raciais.

Constructivismo Social
Refere-se a correntes teóricas cuja ideia central e geradora é a de que as pessoas criam activamente a
sociedade.

Os autores são Peter Berger e Thomas Luckmann que defendem que a sociedade é uma produção
humana e o Homem é uma produção social. A sociedade é ao mesmo tempo uma realidade
objectiva e subjectiva. È objectiva porque é exteriorizada, relativamente aos actores sociais que a
produzem, e é objectivada, sendo constituída por objectos autónomos dos sujeitos sociais. É uma
realidade subjectiva porque é interiorizada através da socialização.

Os críticos foram John Kitsuse e Malcolm Spector a questão deverá ser colocada antes de mais,
saber porque é que algumas situações são consideradas problemas sociais e outras não, tentando
explicar o surgimento do próprio rótulo de problema social. Só através da problematização sociológica
será possível chegar a uma teoria social dos problemas sociais.

A condição objectiva do problema social é, portanto, posta de lado pela perspectiva constructivista
pois esta não é essencial para a existência de um problema social.
É a definição subjectiva do problema social que se revela essencial para a existência do mesmo e
como tal só esta deve ser investigada pelos sociólogos. (violência conjugal, trabalho infantil) situações
que só se converteram em problemas sociais quando se estabeleceu com sucesso um movimento de
reivindicação que definia estas situações como problemas e onde os mass media tiveram uma enorme
importância.
Um problema social só se constitui em razão de todo um processo de reivindicação e reacção social.
Importa identificar quem define uma dada situação, real ou virtual, como problema social; quais as
razões que apresenta, quem reage a esta pretensão e que tipo de dinâmica se estabelece entre as
duas partes.

Somente após o estudo empírico do processo de definição de cada problema social é que podem ser
elaboradas possíveis soluções para o mesmo. Ao contrário das correntes que abordámos
anteriormente, a perspectiva constructivista não apresenta soluções a priori para os problemas sociais.

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Ou estudamos a delinquência juvenil, investigando aspectos como as causas do comportamento


desviado pelos jovens, a evolução dos casos de delinquência, ou a sua distribuição pelos estratos sócio-
económicos, ou então estudamos o problema social da delinquência juvenil, ou seja, como é que a
sociedade veio a reconhecer este fenómeno como problema social, e neste caso não é essencial que se
saibam as causas do comportamento desviado em questão.

SÍNTESE
Sumário das sete perspectivas de abordagem dos problemas sociais.
Aspectos chave

Perspectiva Definição de Problema Social Elemento Central


Patologia Social Violação de expectativas morais Pessoas
Desorganização Social Falha no funcionamento das regras Regras sociais
sociais
Conflito de Valores Situação incompatível com os valores de Valores e Interesses
um grupo social
Comportamento Desviado Violação de expectativas normativas Papéis sociais
Labeling Resultado da reacção social a alegada Reacções sociais
violação de normas ou expectativas
Perspectiva Radical Resultado da exploração da classe Relações de classes sociais
trabalhadora
Constructivismo Social Processo pelo qual grupos sociais Processo de reivindicação
reivindicam que uma dada situação é um
problema social

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II. PERSPECTIVAS POLÍTICO-DOUTRINÁRIAS SOBRE OS


PROBLEMAS SOCIAIS
Os problemas sociais e a alteração do papel do Estado
O Estado Protector
Estado protector é o modelo, que segundo alguns autores, surgiu com a desagregação da sociedade do
Ocidente medieval que se encontrava no poder do soberano.
O poder não uma simples capacidade de obrigar, mas que traduz a resultante da tensão entre tal
capacidade e a vontade de obedecer., a centralização registada resultou de duas tendências

• Um processo de concentração da capacidade de obrigar por parte do poder político, de que


foram expressão entre outras, a criação dos exércitos nacionais e a concentração progressiva do
poder tributário;
• A emergência de um consenso crescente sobre a vontade de obedecer, do sector que mais tarde
se viria a chamar sociedade civil.

O modelo de Estado que daqui resultou, privilegiou os fins de segurança e de justiça em detrimento do
fim de bem estar social que, por regra, foi remetido para a sociedade civil, ainda que por vezes se
tenham observado incursões orientadoras dessa actividade por parte de acções das casas reais e
aristocracia. Um modelo de intervenção claramente assistencial como é o caso Das Misericórdias.
Estado Protector
Desagregação da sociedade feudal

Concentração da capacidade de obrigar pelo poder Maior consenso na vontade de obedecer por parte da
político sociedade civil

Estado Protector
Objectivos:
• Produzir segurança
• Reduzir a incerteza
Fins dominantes do Estado:
• Segurança
• Justiça
Características dominantes do aparelho de Estado:
• Pequeno dimensão
• Organização relativamente difusa
• Pilotagem centralizada
Para garantir a eficiência do Estado Protector, o príncipe recorreu a dois tipos de pessoas:
Políticos profissionais e semi-profissionais que pertenciam a grupo de clérigos, literatos humanístas,
nobreza cristã, gentries inglesa e os juristas.
Aos funcionários profissionais que pouco a pouco foram aumentando na Europa em função da
progressivamente maior complexidade dos problemas que ao Estado competia resolver. Administração
financeira, da técnica guerreira e da actividade jurídica com um profissionalismo especializado , que
deu origem ao predomínio do absolutismo do príncipe em que os funcionários profissionais
auxiliaram e foram indispensáveis para vencer o poder feudal.

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O Estado Providência
A revolução industrial e a emergência de problemas económicos e sociais resultaram em que o Estado
foi chamado a assumir funções de regulação e de orientação cada vez maiores tendo emergido a
consciência de que o Bem-Estar constituía um fim do Estado. As tendências foram para um papel cada
vez mais intervencionista da Administração Pública.
Estado Providência
Revolução Industrial

Problemas económicos Problemas sociais

Crescimento e radicalização das funções do Estado

Estado Providência
Objectivos:
• Produzir segurança
• Reduzir a incerteza
• Promover a regulação e a orientação sócio-económica
Fins dominantes do Estado:
• Segurança
• Justiça
• Bem estar
Características dominantes do aparelho de Estado:
• Dimensão progressivamente maior
• Organização progressivamente mais complexa
• Pilotagem progressivamente mais profissionalizada
As perspectivas liberais
A perspectiva liberal foi resultado de uma lenta sedimentação de natureza económica, doutrinária e
política que ocorreu na Europa a partir do século XV.

Génese
Com a expansão europeia e a consequente diversificação de mercados e acumulação de capitais, a
burguesia consolidou-se como classe social e intensificou-se com a Revolução Industrial emergindo
uma nova ordem económica internacional.
A ordem política foi alterada, apresentando traços com a centralização do Poder real e o consequente
enfraquecimento da velha aristocracia apoiada na ascensão da burguesia. Surgiram diversas doutrinas
económicas e sociais, como o mercantilismo, a fisiocracia e todo um corpo filosófico que procurou
limitar o despotismo do príncipe que criou condições para a revolução francesa.
Para os adeptos da perspectiva liberal, os problemas sociais e económicos resultam de uma acção
desastrada do Estado que, na mira de os resolver, intervém em demasia nos mecanismo de regulação
do mercado.
O liberalismo deve ser compreendido no seu sentido mais global (como uma) doutrina baseada na
denúncia de um papel demasiado activo do Estado e na valorização das virtudes reguladoras do
mercado.

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PSC_resumo

Génese Movimentos de Génese política


económica legitimação
doutrinária

Expansão Centralização do
(séculos XV e XVI)
(implica diversificação •Mercantilismo poder real
de mercados;
acumulação de capital)
•Fisiocracia

• Movimentos de
Industrialização reacção aos excessos Guerras religiosas
(séculos XVII)
do Príncipe que
culminam na
Revolução francesa
Nova ordem Consolidação da
económica nova ordem política
(consolidação da (o Estado-Nação ao serviço
burguesia) da economia subsidiada)

Liberalismo
As Teses
Defensores do liberalismo positivista clássico - Adam Smith, Jeremias Bentham, Burke, Humbold
Defensores do liberalismo utópico - Paine e Godwin
Defensores do neoliberalismo – Robert Nozick ou John Rawls.

Em todos este autores encontramos uma forte crítica à excessiva dimensão do Estado, variando, no
entanto, nos critérios definidores das suas funções e na definição do seu campo de actuação. É o caso
mais recente, da corrente neoliberal, que deve ser entendida como um crítica, da crítica à economia de
mercado.

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PSC_resumo

De acordo com a teoria das internalidades de Rosanvallon a acção do Estado tem efeitos imprevistos
(internalidades) que pervertem as intenções de justiça e de promoção do Bem-Estar das suas políticas.
Por exemplo o ciclo vicioso das despesas públicas
• O crescimento das necessidades dos cidadãos (económicas, sociais, de segurança, etc.) implica
uma pressão sobre o Estado no sentido de as colmatar (aumento da procura de Estado).
• O aumento da procura de Estado, obriga este a concentrar recursos e articulá-los para dar
resposta às necessidades (aumento da oferta de Estado).
• Para que a oferta de Estado cresça, este é obrigado a fazer mais despesas públicas.
• O aumento das despesas públicas determina um aumento dos impostos para lhes fazer face.
• O aumento da carga fiscal sobrecarrega os cidadãos o que, naturalmente, lhes aumenta as
necessidades e a procura de Estado, e assim sucessivamente.

No que respeita aos problemas sociais e económicos, o pensamento liberal tem evoluído, ainda que
partilhe de uma ideia comum: o mercado é melhor regulador que o Estado e, por consequência, os
problemas sócio-económicos devem ser atacados predominantemente pela sociedade civil.

A posição liberal face aos problemas sócio-económicos pode resumir-se em dois aspectos:
• A maior parte dos problemas sociais e económicos resultam de uma excessiva intervenção do
estado.
• A resolução dos problemas sociais e económicos deveria ser deixada aos mecanismos (naturais)
de auto-regulação do mercado.

As limitações
Os críticos à perspectiva liberal apontam-lhes as seguintes limitações:
• Os limites da acção do Estado são em regra insuficientemente operacionalizados
• Os efeitos imprevistos do funcionamento do mercado que condicionam fortemente a emergência
e o agravamento dos problemas sócio-económicos não são convenientemente equacionados.

Suzanne de Brunhoff faz referência à contradição entre a apregoada liberalização de pessoas, bens,
serviços e capitais – tese central da corrente liberal – e a realidade observada no terreno muitas vezes
proteccionistas. Segundo esta autora o cenário de guerra económica implica, por parte dos decisores
políticos, uma atitude de nacionalismo económico. As funções do económicas e sociais do Estado
procuram atingir dois objectivos:

• Reforçar a frente de combate económica, apostando em políticas de obtenção de encomendas


no estrangeiro e em estratégias de financiamento e de proteccionismo dos sectores sociais mais
fortes, como os segmentos que apostam no desenvolvimento tecnológico e nas exportações;
• Ajudar a tratar dos feridos da guerra económica (pobres e novos pobres, jovens, mulheres,
idosos, imigrantes e desempregados de regiões industriais sinistradas).

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As perspectivas marxistas (1813-1883)

Génese
O pensamento marxista enquadra-se historicamente na Europa do século XIX, revolução industrial.
A sua teoria deve ser entendida como uma teoria em permanente evolução, por vezes contraditória.
Escreveu o Manifesto com Engels.

Os seus comentadores apontam três tipos de correntes que lhe serviram de referência: a filosofia alemã
(Hegel e Feurbach) o socialismo francês (Proudhon e Saint Simon) e a economia política inglesa
(Ricardo e Adam Smith).

As teses

O pensamento de Marx relativamente ao papel do Estado não é idêntico ao longo da sua obra:

• Desde uma posição idealista defendida na Gazeta Renana, em 1843, em que descrevia a
possibilidade da existência de uma associação de homens verdadeiramente livre num estado
idealizado, concebido, com base no modelo hegeliano, como uma incarnação da razão.

• Passando pela afirmação de que o Estado era uma expressão da alienação humana semelhante à
religião, ao direito e à moralidade, um biombo que esconde as verdadeiras lutas inter-classes,
assumindo-se como instrumento da classe dominante (ideologia alemã) uma mera comissão de
gestão dos assuntos da burguesia (Manifesto).

• Até à afirmação de que poderia desempenhar, apesar de todas as críticas, algum papel positivo
em favor das classes oprimidas (A guerra civil em França), ou mesmo que poderia ser, quando
em situação de ditadura do proletariado, instrumento de mudança para a sociedade comunista.
(Crítica do Programa de Gotha).

Apesar da aparente ambivalência, parece ser constante o reconhecimento do importante papel que
cabe ao Estado como instrumento da classe dominante (burguesia ou proletariado) nas funções de
regulação e orientação da sociedade global.

Na perspectiva marxista os problemas económicos e sociais são resultantes da situação de exploração


de uma classe em benefício de outro, de uma permanente luta de classes, poderemos entender as duas
estratégias defendidas por esta corrente, consoante detenha ou não o controle do Estado:

• Quando o Estado não é controlado pela classe trabalhadora


Às organizações desta classe cabe fazer pressão, para que o poder político lhe faça concessões,
no sentido de prevenir e atenuar os problemas sociais; assim deve ter atenção a conquista do
poder pela classe trabalhadora.

• Quando o Estado é controlado pela classe trabalhadora,


deve centralizar a definição de rumos e a articulação de meios para fazer face aos problemas
sociais e económicos; neste sentido, deve-lhe competir um papel dominante no planeamento e
organização da economia e da protecção social.

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As limitações
Críticas à perspectiva marxista

• Do ponto de vista doutrinário, ao privilegiar a luta de classes como instrumento de intervenção,


o marxismo provocou danos elevados na coesão social, lançando as classes sociais umas contra
as outras, gastando consideráveis energias sociais necessárias ao crescimento económico e ao
desenvolvimento social, em nome da igualdade e em detrimento da liberdade.

• Do ponto de vista político, as que o acusam de falta de eficácia e de eficiência uma vez que, nos
países em que foram aplicadas as concepções marxistas os resultados obtidos foram muito
inferiores aos previstos (ineficácia), e os avanços conseguidos foram-no frequentemente a custos
económicos e sociais muito elevados (ineficiência), uma vez que exigiram uma máquina estatal
excessivamente pesada.

As perspectivas conciliatória
Se nos reportarmos a três valores centrais de Revolução Francesa, a Liberdade, a Igualdade e a
Fraternidade, os dois primeiros são de cariz liberal (liberdade) e marxista (igualdade) em detrimento
do terceiro. O elemento Fraternidade foi remetido para a sociedade civil, pois não é politicamente tão
relevante como o da Liberdade e Igualdade.

Procurando conciliar as doutrinas liberal e marxista, emergiu uma terceira tendência no século XIX
que veio dar origem ao que se convencionou chamar Estado-Providência.

Os fundamentos
Os fundamentos da intervenção do Estado relativamente aos problemas sociais e económicos podem
encontrar-se na constatação de efeitos imprevistos (positivos ou negativos) do funcionamento do
mercado a que Pigou chamou externalidades e que servia para legitimar a itnervenção do Estado no
próprio interior da lógica liberal, criando paradoxalmente uma fonte inesgotável de motivos de
extensão do estado-regulador..

Os pilares do Estado Intervencionista


A expressão Estado-Providência surge na França. Procurava fazer referência a um modelo de Estado
intervencionista, que na Alemanha da década de 1880 era eplidado de Estado Social e no Reuno Unido
nos anos 40 do século XX de Estado de Bem-Estar. Este modelo de Estado integrou três tipos de
contribuições principais:
1. O primeiro pilar: o seguro obrigatório de Bismark
Bismark (1879/1880) em resposta à pressão conjugada, do movimento trabalhista alemão
devida à situação de alto risco em que se encontravam os trabalhadores da indústria e da acção
de grupos de académicos e políticos que se juntaram, para denunciar os malefícios das opções
liberais e para defender uma intervenção do Estado no combate aos problemas sociais.
A resposta política foi um conjunto de leis que procuraram melhorar a protecção social dos
trabalhadores através de mecanismos de seguro obrigatório, numa altura em que os sistemas de
protecção eram meramente mutualistas. As leis estruturantes de tal sistema foram as seguintes:
• Lei da responsabilidade limitada dos industriais em caso de acidentes de trabalho (1871).
• Lei do seguro obrigatório (1881)
• Leis do seguro-doença, dos acidentes de trabalho e do seguro velhice-invalidez que aplicaram
a lei de 1881 a essas três áreas de risco social.

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2. O segundo pilar: a teoria intervencionista de Keynes


Economista John Maynard Keynes – este autor mostrou a forma como o capitalismo de mercado
podia ser estabilizado através da gestão da procura e da adopção de um sistema de economia
mista.

Os princípios defendidos por este autor, aplicados para combater a crise de 1929 pelo presidente
Roosevelt na política do New Deal, basearam-se numa vigorosa intervenção estatal através de
investimentos públicos que criaram muitos empregos. Aumentaram o poder de compra
provocando um acréscimo na procura, , revitalizou a economia e consequentemente reduziu os
problemas sociais e económicos.

3. O terceiro pilar: o relatório Beveridge

No Reino Unido o intervencionismo estatal pode-se situar no reinado de Isabel I, século XVI,
com a Lei dos pobres, obrigava as paróquias a dar trabalho como medida de protecção.

Em plena segunda guerra mundial o relatório Beveridge lançam-se as bases recentes dos
sistemas de segurança social de acordo com quatro princípios:
• O princípio da universalidade (de população-alvo) segundo o qual a protecção social seria
devida a toda a população, qualquer que fosse a sua situação face ao emprego ou ao
rendimento.
• O princípio da unicidade (de inputs do sistema), pelo qual uma única quotização cobriria
todos os riscos de privação de rendimentos.
• O princípio da uniformidade (de outputs do sistema), que preconizava a uniformidade das
prestaões, independentemente do rendimento dos beneficiários.
• O princípio da centralização (organizacional), que obrigava à criação de um sistema único
de protecção social (saúde e segurança social) para todo o país.

O relatório Beveridge constituiu um avanço pois contemplara as mulheres domésticas, crianças e


outros inactivos relativamente às medidas de Bismarck.

A situação actual

Após a segunda guerra mundial, o modelo intervencionista (baseado no modelo Beverage) foi aplicado
nos países mais industrializados auxiliado pela conjuntura propícia à conjugação de reconstrução e de
expansão económica.

Os ingredientes deste modelo de Estado intervencionista foram três:


1. O pleno emprego como obejctivo estratégico
2. Sistema de serviços universais ou quase universais para satisfação das necessidades básicas
3. Manter um nível nacional mínimo de condições de vida

Com as duas crises do petróleo na década de 70 a situação económica mundial alterou-se iniciando-se
um período de recessão que teve dois efeitos conjugados:
1. Por um lado, aumento a procura de Estado, devido ao crescimento do desemprego provocado
pela recessão;
2. Por outro lado, a diminuição das contribuições para o sistema de segurança social, em função da
crise e do envelhecimento demográfico dos países industrializados, condicionou a redução da
oferta de Estado, para fazer face às necessidades.
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Esta situação fez perder a confiança no modelo Estado-providência tendo sido estabelecidas políticas
neoconservadores por Ronal Regan e Margaret Tatcher. No modelo neoconservador, sendo que
grande parte dos problemas sociais decorrentes passava pela redução da oferta do Estado,
operacionalizada numa política de privatizações, tanto da economia como dos serviços sociais.

O excessivo custo social das medidas implementadas, e a sua ineficácia conduziram a que os sociais-
democratas adaptassem o modelo de Estado Providência aos novos desafios, pelo que surgiram novas
proposta políticas.

Em Portugal

A perspectiva intervencionista na evolução constitucional


Evolução doutrinária quanto ao entendimento das funções económicas e sociais do Estado.
Constituição Características
Constituição de 1822 • Pretende criar instituições liberais e democráticas.
• Não passou de um projecto pois o seu suporte social era débil
(burguesia mercantil), os inimigos, muitos e, a secessão do
Brasil, uma questão urgente, que remeteu a organização das
FESE para segundo plano
Carta Constitucional de 1826 • Sendo conservadora mantém as FESE numa perspectiva
liberal
Constituição de 1838 • Mantém a concepção de uma monarquia liberal assente na
aliança do Rei com a burguesia (Jorge Miranda)
Constituição de 1911 • Não altera a perspectiva liberal das funções do Estado,
condimentando-as de laicismo, anti-clericalismo e
municipalismo.
• Dá grande realce à política de Educação.
Constituição de 1933 • Corporativsta, apresenta uma cariz muito mais
intervencionista, pretendendo ser a pedra de toque em que as
FESE são sensivelmente maiores e mais complexas.
• Explicita princípios de protecção à família, incumbências
económicas do Estado, organização de interesses sociais, da
empresa e do direito do trabalho
Constituição de 1976 • É influenciada pelas doutrinas marxistas e do Estado-
Providência.
• Consolida medidas socializantes das FESE
• Identifica três sectores de propriedade (público, cooperativo e
privado)
• Consagra direitos liberdades e garantias democráticos
• Explicita princípios de protecção aos cidadãos e aos
trabalhadores em particular, em diversos domínios das FESE:
Educação, Saúde, Segurança Social, Habitação, Trabalho, etc.

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• As constituições do período monárquico foram marcadas por concepções liberais, os problemas


económicos e sociais não era um dever do Estado.
• A constituição republicana de 1911, mantém a tradição liberal no entanto, o laicismo e o anti-
clericalismo dominante fez com que a educação fosse um dever do Estado.
• A constituição de 1933 é intervencionista num quadro corporativista. Política de protecção à
família e de conciliação dos interesses laborais. Incentivado o papel da Igreja Católica na
política nacional. O modelo de intervenção social preconizado foi marcado pela visão de
Bismarck, separando claramente os subsistemas de previdência (de seguro obrigatório) e de
assistência (em que ao Estado competia uma função supletiva em relação à intervenção da
sociedade civil).
• A constituição de 1976 foi intervencionista, mas influenciada pela perspectiva marxista quanto
ao controlo da economia, social e política. O modelo beveridgeano foi consagrado através da
criação de um sistema de segurança social, serviço nacional de saúde, sistema educativo, e ainda
em cooperação com a sociedade civil e foi perdendo o cunho marxista, nas sucessivas revisões
constitucionais, aproximando-se de outros países da Europa ocidental

A perspectiva intervencionista na evolução do planeamento

A função planeamento está presente em todos os sistemas políticos contemporâneos, expressando um


quadro normativo que pretende traduzir o querer comum dos respectivos povos. Assim, pela análise
dos sucessivos planos, é possível inferir as representações dos decisores políticos sobre o modo como
concebem as funções económicas e sociais do Estado e, em particular, o seu papel relativamente à
resolução de problemas sociais e económicos.

Em Portugal, o primeiro planeamento foi em 1935 tendo como base a Lei de 1914 que ficou conhecida
por Lei da Reconstituição Económica e que serviu de base para os planos seguintes.

Primeiro Plano de Fomento (1953-58) intervencionismo económico destinados ao Ultramar


correspondendo a 2% do PNB.
Segundo Plano de Fomento (1959-64) conceito de pólos de desenvolvimento, regiões onde se iriam
concentrar recursos para promover a modernização do país. (Criação do Banco de Fomento Nacional)
Plano Intercalar (1965-67) calcular se o acréscimo de despesas com a defesa obrigaria a recorrer a
empréstimos externos. Observa-se uma preocupação de natureza social, desequilíbrios regionais.
Terceiro Plano de Fomento (1968-73) medidas de Planeamento Regional.
Quarto Plano de Fomento (1973-79) suspenso pela revolução de 1974.
Plano Económico Social (1975) – não entrou em vigor devido aos acontecimentos de 11 de Março.
Constituição de 1976 – perspectiva marxista valorizou o Pano como instrumento básico para construir
a sociedade socialista.

De referir que as preocupações de intervencionismo económico foram anteriores às sociais.

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III. GRANDES PROBLEMAS AMBIENTAIS


Gestão da Água
A água é um bem essencial. Cobre dois terços da superfície terrestre, mas é escasso devido à desigual
distribuição geográfica e relativa escassez de água doce 3% do total necessária ao consumo do homem.
Uma grande parte está solidificada nos calotes polares, nos glaciares, no sub-solo. Só 0,03% está
facilmente acessível ao consumo humano. Os resíduos resultantes das diferentes actividades do
homem, ou seja, os efluentes de origem antropogénica, são descarregados nos diferentes maios
receptores, em especial no meio aquático. O impacte da descarga destes efluentes são diversos de
acordo com a morfologia, hidrodinamismo, o grau de contaminação e poluição, o nível de eutrofização
(nutrientes com fostatos e nitratos que em exagero desenvolvem fitoplâncton) e a existência de
captação de água a jusante do ponto de descarga.

Diferenças entre Conceito de contaminação e Conceito de poluição:


Contaminação – presença de concentrações elevadas de uma dada substância no ambiente, que se
situam acima dos níveis de fundo. Originados por causas naturais (erupções vulcânicas)
Poluição – é de introdução antropogénica directa ou indirecta de substâncias ou energia que
prejudicam os organismos vivos. Descargas residuais que podem ser físicos (sólidos suspensos),
químicos (metais pesados) biológicos (microorganismos patogénicos).

Disponibilidade de água

Na Europa o consumo irá manter-se mas prevê-se um aumento nos outros países nomeadamente
devido ao aumento do desenvolvimento económico e crescimento da população (Àfrica, América
Latina, China Sul e Sudoeste da Ásia). O aumento do consumo da água de 1990 para 2050 é
projectado por um factor de 2,12 relativamente ao uso doméstico e 2,37 para uso industrial, 1,06 para
uso agrícola. Estes valores resultam da combinação do aumento da pressão demográfica.
A quantidade de água disponível tem tendência a aumentar de 6 a 12% devido ao aumento de
temperatura terrestre que ocasiona a fusão da água nas calotes polares. No entanto, existem problemas
graves de escassez nalguma zonas que podem ter implicações no bem estar populacional.
A disponibilidade de água poderá ainda ocasionar conflitos entre países cujos cursos de água
atravessam diferentes fronteiras mas uma política de regulamentação legal poderá colmatar com uma
análise por bacia hidrográfica bem administrada. (Portugal/Espanha)
A pressão que homem exerce pode conduzir à redução da quantidade que pode ser afectada pela sobre-
exploração de aquíferos/e ou o desvio de cursos de água originando a diminuição do seu caudal. Uma
das soluções passa pela dessalinização e pela reutilização da água.

Qualidade da água
Põe-se em causa a qualidade quando ocorrem fenómenos de eutrofização (enriquece com nutriente
mas tem falta de oxigénio) ou seja descargas pontuais ou difusas de elevadas concentrações de
contaminantes e quando ocorre intrusão salina. Na Europa a implementação de normas
regulamentadoras nos sistemas de tratamento de águas residuais reduziram substancialmente as
descargas de nutrientes e matéria orgânica. É previsível que a quantidade de esgotos contaminados
aumente e que as práticas de agricultura intensiva continuem com a consequente utilização excessiva
de fertilizantes, originando a eutrofização das zonas costeiras e contaminação de aquíferos. Os
aquíferos podem ser igualmente contaminados por intrusão salina devido à exploração de águas
subterrâneas ao longo da costa devido a exploração industrial, áreas urbanas e turismo.

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Efeito de estufa e alterações climáticas

O balanço térmico ideal para a manutenção da vida na Terra é proporcionado principalmente pela
presença de vapor de água e dióxido de carbono (CO2) existente na atmosfera. Estes gases absorvem a
radiação solar infravermelha, emitida pela superfícies terrestre impedindo assim que a radiação seja
perdida para o espaço. Este fenómeno natural denomina-se efeito de estufa uma vez que permite
aquecer a superfície terrestre e promove a subida da temperatura da troposfera com consequente
aumento da evaporação e precipitação.
A libertação de CO2 resultante da conversão dos combustíveis fósseis tem sido responsável pela
amplificação do fenómeno, em conjunto com outros gases como o metano (utilização de fertilizantes) ,
os óxidos de azoto, Cloro-Fluor Carbonetos e ozono troposférico. Outras actividade humanas como a
agricultura, a desflorestação, processos industriais e a deposição de resíduos em aterros sanitários
também contribuem para o efeito de estufa.

Alterações climáticas
Não existe ainda uma certeza na relação causa-efeito entre o aumento da temperatura e emissão de
alguns gases que contribuem para o efeito de estufa. Dado que é previsível o crescimento económico
estima-se o aumento das concentrações médias globais dos três gases que mais contribuem para o
efeito de estufa se alterem.

Protocolo de Quioto
O encontro mundial onde pela primeira vez se regulamentaram as emissões de gases com efeito de
estufa foi a III Conferência das Partes da Convenção 1997. Onde vários países assinaram um protocolo
no sentido da redução global de 5,2% em relação aos níveis de 1990. Permitiu ainda a implementação
de mecanismos de mercado denominados mecanismo de Quioto, ou seja o comércio de emissões entre
países industrializados e cooperação para o desenvolvimento para implementação de mecanismo de
tecnologias limpas.

O encontro em Buenos Aires 1998


Plano de acção para 2000 dos quais se destacam (EEA, 1999)
• Os mecanismos de financiamento para apoiar os países em desenvolvimento relativamente aos
efeitos adversos das alterações climáticas, nomeadamente através de medidas de adaptação;
• O desenvolvimento e transferência de tecnologias para os países em desenvolvimento;
• As actividades implementadas conjuntamente;
• O programa de trabalhos dos Mecanismos de Quioto, com prioridade no desenvolvimento de
mecanismos de tecnologias limpas;

Formas para modificar a utilização de combustíveis fósseis e que se baseiam em três metodologias:
• Substituição por um combustível fóssil com maior capacidade de retenção de calor e com baixos
teores de carbono e enxofre, reduzindo assim as emissões de gases que contribuem para o efeito
de estufa e para a acidificação (chuva ácida)
• Utilização de energias alternativas (eólica, solar, geotérmica);
• Melhorias na eficiência/conservação de energia, levando a reduções significativas no
combustível gasto.

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Rarefacção da Camada de Ozono


O zono é um gás cuja molécula contém 3 átomos de oxigénio, formada por acção da luz a partir do
oxigénio molecular (O2). As maiores concentrações são na estratosfera formando o que se designa de
camada de ozono, e que funciona como filtro às radiações solares ultra-violeta prejudiciais à fauna,
flora e saúde. A acção antropogénica tem destruído a molécula do ozona originando o composto que
lhe deu origem, oxigénio molecular. O buraco de ozono é o nome que se dá à rarefacção da camada de
ozono observada na Antárctida através do satélite Nimbux 7.

O protocolo de Montreal (1988)


Objectivo alcançar uma redução de 50% na utilização de CFCs (queima de combustíveis fosseis) até
1999. Halons até 1994, tetracloreto de carbono e o metil-clorofórmio até 1996.

Biodiversidade
A tendência para a diversificação, é uma propriedade inerente à progressão ecológica e à evolução
biológica em geral. A destruição massiva de espécies ao longo de milhões de anos foram resultado de
fenómenos naturais. No entanto, hoje o ritmo de desaparecimento de espécies é assustador e cuja
responsabilidade se atribui ao homem. O suo do fogo, da agricultura, da industria aliado aos incêndios
e chuvas ácidas conduziu ao desaparecimento de muitas espécies florestais.Assim, cada alteração num
ecossistema pode ter repercussões mais ou menos directas sobre os vários ecossistemas com os quais
se relaciona.

Diminuição da biodiversidade
Para além da destruição de habitats, a introdução de espécies exóticas vegetal ou animal podem procar
desequilíbrio, a contaminação e a exploração excessiva de recursos podem conduzir ao
desaparecimento de espécies. A contaminação mais frequente é a de origem quimícia. A colheita
excessiva de plantas endémicas (farmacêuticas ou culinárias), recolha de corais, pesca de arrasto etc.
que muitas vezes fazem parte da economia dos países.
Para lutar contra esta situação, foi assinado em Washington (1973) o Convénio Internacional de
Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestre 8CITES) que incita a cada um dos 23 países a criar
legislação que proteja os seus recursos selvagens.

Biodiversidade aplicada
A diversidade genética dos seres vivos, deve ser guardada, constituindo-se bancos de genes para
utilização futura. A biotecnologia e a engenharia genética podem contribuir para a criação de novos
organismos transgénicos para aumentar a eficiência de medicamentos naturais e descobrir novas
substâncias terapêuticas, modos de controlo biológico de pragas agrícolas e inventar novos produtos de
interesse industrial.

Protecção da biodiversidade
Conferência do Rio em 1992, resolução com o Acordo Internacional sobre a Biodiversidade em que os
países envolvidos se comprometeram-se a realizar um inventário sobre as espécies existentes nos seus
territórios, os países mais pobres têm direito a benefícios económicos pela transacção dos seus
recursos biológicos com terceiros, no entanto os países compradores, com poder económico, são os
que têm em regra geral grandes empresas multinacionais farmacêuticas , químicas ou agro-alimentares,
preferem tirar partido de um recurso de outrem do que pagar direitos sobre eles. Neste caso, há que
actuar, sendo obrigação da sociedade civil ou das ONGs fazer valer os direitos e proteger este
património genético.

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Desertificação e desflorestação

Ainda hoje se verifica em muitos países do hemisfério Sul, onde a necessidade de encontrar meios de
sobrevivência leva as populações que lutam contra a fome à destruição maciça de árvores e países que
pactuam com esta destruição em busca de madeiras exóticas. Segundo a FAO (Food and Agriculture
Organization) das Nações Unidas na década de 80 foram destruídas 155 milhões de hectares de
floresta tropical o que é preocupante.

Floresta e protecção ambiental


Na América Central e do Sul, Indonésia e Ásia encontram-se florestas luxuriantes que são os pulmões
do planeta pois absorvem muita quantidade de CO2 contribuindo assim para atenuar a importância das
emissões deste gás e equilibrar os teores existentes na atmosfera. A falta de protecção por uma camada
de folhagem e exposição aos raios solares, o solo sofre a erosão e sob influência dos factores
climáticos lentamente transforma-se em deserto. A este processo regressivo em que os ecossistemas
tendem para situação de deserto dá-se o nome de desertificação.

Floresta e biodiversidade
Madagascar é um caso emblemático, onde a desflroestação tem assumido proporções devastadoras.
Nesta ilha do Pacífico a imensa riqueza biológica estava outrora protegida por uma floresta tropical, a
colonização francesa até à independência foi desastrosa. Hoje os solos encontram-se esgotados e
deixados à mercê de agentes climáticos e existe um deserto. A autoregulação do planeta proposto nos
anos 70, por Lovelock na Teoria Gaia, até há pouco tempo, as actividades humanas eram assimiladas
pela bioesfera no entanto hoje já não se consegue fazer frente ao CO2 existente na atomosfera,
notando-se o seu aquecimento global.

Medidas futuras
Os impactes antropogénicos sobre a floresta são demasiado alarmantes para não se tome qualquer
atitude. Muitas das soluções que se propõem são político-económicas, mas o problema tem
importância social e ética. Propor que os países do Norte, que têm climas temperados e solos de
melhor qualidade, produzam bens para vender aos países do Sul, a preços baixos, é uma hipótese que
não é fácil de aceitar por uns nem por outros.

Resíduos
O aumento de resíduos nos últimos 50 anos tomou proporções alarmantes obrigando os indivíduos e os
governos a uma mudança de atitude para além de uma maior responsabilização na sua eliminação e
valorização.
Na Conferência do Rio, 1992, os países desenvolvidos afirmaram ter intenção de reduzir a sua
produção de resíduos assim como o consumo de produtos com componentes tóxicos. Apostando na
redução, reutilização e reciclagem e verificou-se uma maior preocupação em legislar quanto à
qualidade como quantidade.

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RSU Resíduos Sólidos Urbanos


Os indicadores financeiros de que dispomos para avaliar o crescimento económico de uma sociedade é
o rendimento disponível das famílias. Assim quanto maior é o rendimento per capita mais se
considera o desenvolvimento de uma determinada sociedade. Aliado ao poder de compra há sempre
um crescimento de consumo e que é uma característica das sociedades modernas. Em aditamento o
marketing publicitário leva as famílias a adquirem produtos que não consomem e que deitam fora com
facilidade e que faz que haja um crescimento dos resíduos urbanos. Em Portugal 231/kg ano em 1991 a
mais baixa capitação de RSU da União Europeia. Nessa altura a eliminação de resíduos e tratamento
era em Portugal a mais baixa da Europa sendo a os resíduos depositados em lixeiras preferencialmente
à compostagem (produto final para aproveitamento agrícola), incineração ou à deposição em aterro
sanitário (deposição para degradação natural e lenta por via biológica até à mineralização).
Presentemente verifica-se uma maior preocupação em erradicar as lixeiras procedendo de forma tão
controlada quanto possível ao tratamento dos resíduos urbanos. As autarquias procedem à recolha
selectiva, no sentido de valorizar os resíduos através dos eco-pontos que posteriormente são tratados
em indústrias de reprocessamente dos materiais aí depositados.

Resíduos Industriais
Distinguem-se dos domésticos pela maior variação na sua composição e pelas quantidades produzidas.
Variação no seu carácter tóxico dependendo do ramo da indústria e existem alguns que são
classificados de perigosos com características de perigosidade para a saúde e/ou ambiente.
Verifica-se em Portugal uma distribuição heterogénea por distrito sendo a maior incidência no distrito
de Setúbal devido à elevada concentração de indústrias químicas e à presença de centrais térmicas,
seguido de Aveiro com as indústrias químicas e pasta de papel e Castelo Branco com indústrias
extractivas. O mais alarmante é o facto dos resíduos serem eliminados por descarga no solo e no
subsolo registando-se uma pequena percentagem de tratamento por incineração. As indústrias são
responsáveis pela produção de resíduos perigosos e emissão de produtos tóxicos ocasionando
contaminações de lençóis freáticos, águas superficiais, atmosfera e cadeiras tróficas, emissão de gases
tóxicos ou pela deposição no solo e no subsolo conducentes à destruição de muitos ecossistemas.
Ao longo de anos, a eliminação de resíduos perigosos industriais transformou-se numa actividade
altamente técnica, controlada pelos poderes públicos. O tratamento é feito por dois tipos físico-
químicos e incineração. O primeiro é utilizado no tratamento de resíduos constituídos por metais
pesados e ácidos e o segundo destina-se a matérias orgânicas não biodegradáveis, sendo nas
incineradoras ser possível recuperar energia da combustão para produção de electricidade, mas a
emissão de dióxinas para a atmosfera leva as populações a contestarem a instalação de incineradoras
nos seus perímetros urbanos.

Apesar da valorização dos resíduos conduzir a um menor consumo de matérias primas virgens, os
custos de valorização tornam por vezes os produtos obtidos mais caros que as matérias primas
provenientes da extracção.

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PSC_resumo

Instrumentos de Política de Ambiente

Em 1984 foi constituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a Comissão Mundial para o
Ambiente e o Desenvolvimento (CMAD), como um órgão independente e integrado por 21 países.
Esta Comissão foi criada com o objectivo de:
• Reexaminar os problemas vitais do ambiente e do desenvolvimento, e formular propostas de
acção inovadoras, concretas e realistas para tentar remediá-los.
• Reforçar a cooperação internacional nos domínios do ambiente e do desenvolvimento, bem como
estudar e propor novas formas de cooperação, que possam surgir a partir dos padrões existentes e
influenciar as políticas e os acontecimentos no sentido da mudança necessário;
• Aumentar o nível de compreensão e de compromisso dos cidadãos, organizações voluntárias,
empresas, instituições e governos;

A CMAD publicou um relatório em 1987, denominado O Nosso Futuro Comum e também conhecido
como relatório Bruntland, que introduziu o conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja satisfazer
as necessidades das gerações actuais, sem comprometer as gerações futuras envolvendo a itnegração
das políticas sócio-económicas e ambientais.
O desafio consiste em atribuir aos Organismos da Administração Central, Sectorial e Local a
responsabilidade pelos efeitos das suas decisões, na qualidade do ambiente humano.
Na Conferência das Nações Unidas de 1992 conhecida por Eco’92 teve como objectivos pré-definidos
a elaboração de Documentos como a Carta da Terra (princípios de respeito pela Terra), as Convenções
sobre Alterações Climáticas, Biodiversidade e Florestas. Das três convenções apenas a do Clima e da
Biodiversidade foram concretizadas. Na Conferência do Rio de Janeiro surgiu um documento
denominado Agenda 21 com o objecto de preparar para os desafios do século XXI, e que levou à
criação em 1993 da Comissão de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (CDS).
Em 1997 teve lugar a Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGASS)
denominada Cimeira Rio +5 que deveria ser entendida como factor decisivo para a efectiva
implementação da Agenda 21, enquanto Plano Global de Acção para o desenvolvimento sustentável do
Planeta., concluiu-se que os EUA e Alemanha não tinham vontade política para incrementar medidas
de combate à população e por falta de recursos financeiros, o Programa de Cooperação Ambiental das
Nações Unidas ficou praticamente parado.

Estratégias para a implementação da Agenda 21

De uma maneira geral a integração de políticas ambientais com as económicas e as sociais é


fundamental para a implementação da Agenda 21. Assim é necessário modificar as acções do homem
que passam pelo seguinte:
• Alterar os sistemas intensivos de produção de alimentos para sistemas sustentáveis, que reduzam
a degradação do solo e que preservem os recursos naturais (como água, e a biodiversidade),
garantindo assim o seu uso pelas gerações futuras.
• Promover uma gestão integrada da água que balance os consumos da sociedade humana com os
dos ecossistemas e que salvaguarde o abastecimento de água a longo prazo através, i.e., da
minimização do gasto de recursos fósseis de águas subterrâneas e utilizando a água de uma
forma mais eficiente.
• Aumentar a eficiência na conversão, utilização e produção de energia assim como na transição
da utilização de combustíveis fósseis para energias alternativas.

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PSC_resumo

• Reduzir a utilização intensiva de materiais na produção e consumo, i.e., evitar o esgotamento dos
recursos mantendo o consumo abaixo dos níveis que requerem substituição a longo prazo, no
caso dos recursos não renováveis ou dentro da capacidade de regeneração, no caso dos recursos
renováveis. Estas medidas incluem a redução da produção de resíduos e de emissões de
poluentes, que podem ser efectuadas através da modificação de tecnologias, incentivo à
reciclagem ou substituição de produtos ou processos por outros menos poluentes.

Principais instrumentos de política ambiental para se efectuar a transição ambiental que integre o
ambiente e os processos de decisão económica.

Avaliação de Impacte Ambiental (AIA) – Procedimento administrativo que garante que, antes da
autorização de um projecto, os seus potenciais impactes significativos sobre o ambiente sejam
satisfatoriamente avaliados e tidos em consideração.

Avaliação Ambiental Estratégica – Procedimento que visa a aplicação da Avaliação de Impacte


Ambiental a politicas, planos e programas. Colmatar lacunas dos AIA evitando que as medidas de
protecção ambiental sejam sugeridas já numa fase tardia de planeamento.

Legislação Ambiental – Regulamentar e proteger por lei o ambiente. A eficiência depende da


implementação e fiscalização.

Gestão Ambiental e Auditorias Ambientais . Avaliação da qualidade ambiental de uma empresa em


todos os níveis da sua actividade, consumo de matérias primas, energéticos, produção de resíduos e
emissão de efluentes, ambiente de trabalho. As Normas Internacionais ISSO 14000. O regulamento
europeu é o EMAS

Análise do Ciclo de Vida de Produtos (ACV) – técnica de avaliação dos impactes ambientais
associados a um produto ou serviço (desde a extracção de matérias primas ou transformação de
recursos naturais, até à deposição final do produto).

Rótulos Ecológicos – rótulos ecológicos a equipamentos que são submetidos a um licenciamento


perante a análise do ciclo de vida do produto.
Acordos voluntários – acordos com os governos de cada país no sentido de motivar o tecido industrial
a considerar critérios de natureza ambiental nos seus processos produtivos.

Tecnologias limpas – processo de implementação de tecnologias menos poluidoras nas industrias.


Subsídios – apoios para ajudar a incrementar àqueles que beneficiam as condições ambientais.
Taxas Ambientais – Processo que consiste na incorporação dos custos da poluição e outros custos
ambientais nos preços. Princípio do Poluidor Pagador. Existem três tipos de taxas: taxa por serviço
prestado, taxas de incentivo (redução nos impostos), taxas fiscais ambientais (geram receitas).

Comércio ambiental e implementação conjunta – Fixação total de uma quantidade de poluição


permitida sendo permitido o comércio de emissões entre diferentes países desde que o balanço total
seja mantido.

Saliente-se que a globalização do mercado económico coloca em particular um sério desafio ao


desenvolvimento sustentável, dado que privilegia as desigualdades nos níveis de desenvolvimento e a
falta de estruturas efectivas para a governação internacional.

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IV. PROBLEMAS DEMOGRÁFICOS

Evolução da população mundial


O primeiro bilião da população humana foi atingido em 1801.. Irá atingir o pico em 1986 para depois
iniciar uma queda.

Evolução da população mundial


Até ao século XVIII, o crescimentos da população foi lento, ainda que a taxa da natalidade fosse alta a
taxa da mortalidade era também muito alta (derivado à falta de higiene, contracção de doenças).

De 1750 a 1950 – a melhoria das condições sanitárias, os progressos da medicina, a higiene


contribuíram para a baixa da taxa da mortalidade e o aumento da esperança média de vida,
consequentemente o aumento populacional incidiu sobretudo na Europa e América do Norte.

1950 até 1999 – nos países menos desenvolvidos verificou-se uma acentuada melhoria das condições
de vida, cuidados médicos e água potável permitindo um decréscimo de mortalidade e uma elevada
taxa da natalidade.

1999 – foi o ano dos seis biliões com um quantitativo de uma população muito jovem.

De 1999 até 2050 – continuar-se-á a verificar um crescimento da população mundial de acordo com as
projecções da Divisão de População do Departamento de Assuntos Económicos e sociais das Nações
Unidas.

Causas principais do crescimento demográfico


1. Estatuto e papel da Mulher centrados na maternidade - A progenitura é considerada como o
meio de se alcançar muitos objectivos da vida quotidiana.
2. Valor da Criança - As crianças sãos vistas como garante do futuro dos mais velhos, devido à
inexistência de segurança social.
3. Mortalidade infantil elevada – o número de crianças que conseguem sobreviver é reduzido, o
que origina a necessidade de famílias numerosas.
4. Baixo nível educacional da mulher – tende a reduzir a idade média do primeiro casamento.
5. Planeamento familiar reduzido e baixo uso de contraceptivos

Consequências principais do acelerado crescimento demográfico

Consequências sócio-económicas
• Maior pressão demográfica
• Maior urbanização
• Aumento do desemprego e subemprego
• Maior número de pobres;
• Fome e Subnutrição
• Maiores tensões sociais
• Recurso à emigração

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Consequências políticas
• Mudança na composição do eleitorado
• Surgimento de novas ideologias e de novos partidos
• Instabilidade política
• Corrupção
• Tendência para a formação de governos autocráticos;
• Intervenção das forças militares e de segurança, na governação

Consequências ambientais
• Escassez de água potável ou útil em determinadas regiões (provoca desertificação e salinação das
terras
• Redução das florestas
• Decréscimo da terra de cultivo per capita
• Aquecimento gradual da atmosfera
• Mudanças climáticas mundiais em grande escala (subida do nível do mar, aumento de
pluviosidade)

Que medidas tomar


• Acelerar o desenvolvimento social e económico
• Aumentar o controlo das mulheres e dos homens sobre a sua vida, nomeadamente sobre a sua
vida reprodutiva e permitir que gozem os seus direitos humanos fundamentais.

Envelhecimento demográfico ou populacional


Assiste-se hoje nas sociedades mais desenvolvidas o fenómeno do envelhecimento demográfico ou
seja aumento da percentagem relativa de indivíduos com 65 e mais anos de idade no conjunto da
população total, que começou a acentuar-se na segunda metade do século XX. Os reflexos nos
sistemas sociais e de segurança social dos países mais ricos do planeta tem justificado que o
envelhecimento mereça hoje mais atenção até do que a explosão demográfica nos países em vias de
desenvolvimento.

Evolução da população por grupos etários nas grandes Regiões

Mundo
A proporção dos jovens desde a década de 50 que baixou de 34% para 30% enquanto a população com
mais de 60 anos aumento de 8% para 10%.

Regiões mais desenvolvidas


Em 2050 a população com mais de 60 anos representará 33%, mais do dobro, da proporção de jovens
com menos de 15 anos.

Regiões menos desenvolvidas


Processo de envelhecimento da população tem sido mais lento. Em 2050 irá assistir-se a um aumento
significativo quase o triplo da população com 60 e mais anos que atingirá 21% enquanto que os jovens
com menos de 15 anos baixarão para 20%.

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Evolução do número de indivíduos com 65 e mais anos no total da população mundial.


Existe uma tendência para o envelhecimento da população no Mundo.

Causas do envelhecimento demográfico

Razões principais:
1. Envelhecimento natural do topo resultante do acréscimo da percentagem da população idosa,
em consequência de tendências demográficas endógenas normais. O acréscimo do número de
indivíduos com 65 e mais anos resulta, da baixa da taxa de mortalidade e da mortalidade
infantil com consequente aumento da esperança média de vida, resultado do avanço da medicina
e de melhores condições de vida.

2. Envelhecimento artificial do topo, que acrescenta à primeira, a concentração de idosos em


regiões particularmente atraentes, devido, entre outras causas, às boas condições climáticas e
existência de serviços especializados. A presença e intensidade destes e outros factores
exógenos às normas tendências demográficas, tem por paradigma o caso da Florida que, por isso
mesmo, tem constituído um verdadeiro laboratório de pesquisa, com antevisão do que virá a ser a
curto prazo a estrutura das idades da população dos E.U.A. e as de outros países desenvolvidos,
ou ainda devido ás migrações, quer internas quer internacionais, dado serem os jovens que maior
tendência têm para migrar.

3. Envelhecimento natural na base, resultante da quebra da natalidade característica de


sociedades urbanas e industriais, com a consequente redução progressiva da camada mais jovem,
no total da população. A baixa da taxa da natalidade resultou de múltiplos factores, como o
avanço da medicina, melhores condições de vida, baixa da mortalidade infantil, maiores
habilitações literárias da mulher, maior participação da mulher na vida activa, ao aumento da
idade média à data do primeiro casamento e uso de métodos de contracepção.

Consequências do envelhecimento populacional ou demográfico

Consequências económicas
O aumento de populações envelhecidas traz consequências a nível económico, político, social e
também a nível individual, quer físico, psíquico e psicossocial.
A nível económico, o aumento da população idosa acarreta maiores custos com a segurança social
(pensões e reformas) com a saúde (hospitais e medicamentos) com a criação de infra-estruturas (lares,
centros de dia). Todos estes encargos financeiros para com o Estado serão suportados por uma
população activa, cada vez mais reduzida, o que implicará uma diminuição na qualidade de vida.

Consequências políticas
Os idosos terão maior poder eleitoral podendo alterar indirectamente o funcionamento da sociedade e
da economia.
Uma sociedade com menor percentagem de população activa, poderá apresentar certas características:
• Inflação baixa (os eleitores idosos não querem ver as suas poupanças diminuídas pela inflação)
• Taxa de desemprego baixa (devido á queda na proporção de pessoas no activo
• Criminalidade baixa (os mais velhos não têm tendência a tolerar o crime)
• Baixa tolerância da desordem e do comportamento anti-social
• Maior aceitação da autoridade no controlo deste tipo de comportamento.

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Consequências individuais do envelhecimento


Quer a nível físico quer a nível individual e social os mais idosos têm maior tendência para se sentirem
mais isolados e excluídos da sociedade.
Consequências físicas
• Com a idade o organismo fica mais debilitado.

Consequências económicas e sociais


• A entrada para a reforma ou dependência de pensões ou subsídios estatais significa para a
maioria da população idosa uma redução dos seus rendimentos.

Existe por parte dos mais jovens a criação de estereótipos contra os mais idosos, considerando-os
política e economicamente mais conservadores, mais intolerantes e socialmente inúteis e fisicamente
incapazes.

Tendências do envelhecimento populacional


• A maioria da população com 60 ou mais viverá em países mais desenvolvidos.
• Feminização da população envelhecida.
• Aumento do número de pessoas com 80, 90 e 100 anos.
• Redução do número de activos por cada idoso.

• Possíveis estratégias de intervenção


• Fomentar a natalidade com recurso a políticas natalistas
• Aumentar a idade da reforma
• Redefinir o papel e imagem do idoso
• Educar para a vida na terceira idade
• Criar medidas para apoio de idosos na vida activa;
• Promover acções de formação para os idosos;
• Reintegrar os idosos na vida activa;
• Fomentar a participação de idosos em regime de cooperação com países em desenvolvimento.

Migrações
Classificação das migrações
• Internas
• Internacionais

Migrações internas
São os movimentos definitivos (exôdo rural) ou sazonais (i.e. vindimas) das populações dentro de um
país, território ou área restrita.

Causas das migrações internas


Ordem económica – de natureza laboral
Ordem não económica – ecológica (escassez de água, infertilidade das terras) e sociais (conflitos,
inexistência de infra-estruturas, escolas etc.)

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Consequências das migrações internas


A crescente urbanização que trará sérios e vários níveis de problemas:
1. Ao nível demográfico – desertificação do interior e zonas rurais e aumento da densidade
populacional nas áreas urbanas
2. Ao nível familiar – abandono de mulheres, crianças e idosos
3. Ao nível social – desemprego ou subemprego, baixos salários, bairros precários, tensões sociais
e pressão sobre os sistemas de prestação de serviços.

Migrações Internacionais
São movimentos populacionais que ocorrem entre países.
Emigrante é o indivíduo que sai do seu país para ir trabalhar noutro, chegado ao destino chama-se
imigrante.

Migrações internacionais. Alguns factores


• Natureza das motivações, que podem ser políticas (guerras, revoluções perseguições étnicas ou
religiosas) e migrações económicas (desemprego, salários baixos, más condições de vida)
• Distância percorrida, poderá ser transoceânica ou de curtas distâncias.
• Duração de permanência – poderá ser definitiva ou temporária (migrações sazonais, anuais ou
plurianuais – contratos por temporada.
• As qualificações dos migrantes facilitarão as sua entrada e integração sócio-profissional nos
países de destino.
• Proximidade cultural entre os migrantes e a população anfitriã (língua, etnia, cultura).

Causas das migrações internacionais


Ordem económica – natureza laboral (desemprego,)
Ordem não económica – políticas (guerra), demográficas, sociais (falta de infra-estruturas),
religiosas/culturais, familiar, pessoal (gosto de viver no estrangeiro)

Consequências das Migrações internacionais


Ordem económico: excesso de oferta e aumento da população menos qualificada.
Ordem demográfica: rejuvenescimento das suas populações
Ordem socio-política – surgimento de sentimentos de xenofobia

Consequências para os países de origem


Ordem económica – contribuição financeira dos seus emigrantes
Ordem demográfica – envelhecimento das suas populações
Ordem social – abandono de mulheres e crianças, contacto com outras culturas e tradições que poderão
levar à extinção de determinadas práticas tradicionais ou adopção de práticas novas.

Tendências das migrações internacionais para os próximos 20 anos

Globalização das Migrações – tendência para que um maior número de países seja afectado ao mesmo
tempo por movimentos migratórios (possível implementação de medidas restritivas)
Crescimento das Migrações – tendência para que o volume dos movimentos migratórios se torne cada
vez maior.

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Indiferenciação das Migrações – Inicialmente eram só de um tipo trabalhadores sou refugiados. Hoje,
assise-se a movimentos de vários tipos que se tornam um obstáculo à tomada de medidas restritivas,
por envolverem critérios diferentes.
Feminização das Migrações – hoje assistem-se a movimentos de migração feminina, por exemplo as
mulheres turcas precedem os maridos na emigração para a Alemanha.

Processo migratório internacional: o modelo das 4 fases


Etapa temporária, prolongamento da estada, reagrupamento familiar, fixação permanente.

Políticas demográficas ou políticas da população


Entende-se por políticas demográficas, o conjunto de medidas tomadas pelas entidades
governamentais, que de forma directa ou indirecta, visam alterar a evolução da população. Estas
alterações do movimento da população podem ser feitas com base nas áreas do processo populacional,
ou seja:
• Área da natalidade (é nesta área onde as políticas têm mais incidido e onde os governos mais
intervêm).
• Área da mortalidade – políticas de melhores condições de vida, água potável, saneamento básico.
• Área das migrações – variam com as características demográficas dos países em função do seu
grau de desenvolvimento.

Políticas demográficas ou da população na área da natalidade


As políticas na área da natalidade têm como principal objectivo alterar o volume dos nascimentos, para
o aumentar, manter ou baixar:
• Políticas natalistas – aumento da taxa da natalidade (benefícios fiscais, infra-estruturas sociais,
apoio à maternidade, proibição do aborto, área laboral – horários especiais, propaganda
anticoncepcional i.e. França)
• Políticas anti-natalistas ou neomalthusianas – diminuição da taxa da natalidade (i.e. china limitou
a idade dos casamentos uma política de filho único)
• Políticas de neutralidade – cujos resultados variarão de acordo com as circunstâncias de cada
país. Caso do Canada e Austrália, aumento da população activa e rejuvenescimento demográfico
com as políticas de emigração.

Políticas que podem influenciar as migrações


• Factores profissionais – limitar ou facilitar a entrada de mão de obra qualificada.
• Factores sanitários – recusando indivíduos pelo seu cadastro criminal, controlos sanitários
impedindo a entrada de indivíduos portadores ou potenciais portadores de determinadas doenças.
• Factores étnicos e raciais – adoptando medidas a beneficiar determinadas etnias em detrimento
de outras.

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Conferências mundiais sobre a população

Foram organizadas pela Organização das Nações Unidas até hoje três conferências mundiais sobre a
população:
1. Conferência Mundial de Bucareste (1974)
2. Conferência Internacional do México sobre a População (1984)
3. Conferência Internacional do Cairo sobre a População e Desenvolvimento (1994)

As três partem da premissa de que o crescimento da população é um potencial obstáculo ao


desenvolvimento económico e que o bem estar das populações passa por uma estratégia de limitação
do crescimento populacional. A prioridade em consenso foi a redução da moralidade, ainda que o seu
decréscimo provoque uma maior pressão demográfica. A conferência do Cairo introduziu a
importância social atribuída às mulheres e aos direitos da saúde reprodutiva. A promoção da
participação dos homens como parceiros capazes de dar apoio.

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V. GLOBALIZAÇÃO ECONÓMICA
Principais conceitos usados na análise dos determinantes da globalização, moldura básica necessária
para a compreensão das relações entre globalização, desnacionalização e vulnerabilidade externa. O
argumento central é que o processo de globalização económica provoca relações mais complexas e
profundas de interdependência entre economias nacionais e, no caso de alguns países (Brasil, - e
toda a América Latina) essas relações levam à consolidação ou ao agravamento de uma situação de
vulnerabilidade externa. A entrada desqualificada de abertura a capital estrangeiro provoca uma
desnacionalização agravando a vulnerabilidade externa da economia. A entrada de empresas de capital
estrangeiro (ECE), transnacionais, por virem acompanhadas de extraordinárias fontes internas de poder
e principalmente de fontes externas de poder.

IED - O Investimento Externo Directo refere-se a todo o fluxo de capital estrangeiro destinado a uma
empresa (residente) sobre a qual o estrangeiro (não-residente) exerce controlo sobre a tomada de
decisão.

ECE – Empresas de Capital Estrangeiro – empresa matriz (não residente), da filial ou subsidiária
(residente) no país. É uma empresa internacional, multinacional, transnacional.

Da internacionalização á globalização
A globalização pode ser definida como a interacção de três processos distintos que têm ocorrido ao
longo dos últimos vinte anos e afectam as dimensões financeira, produtiva, comercial e tecnológica
das relações económicas internacionais.

1. A expansão extraordinária dos fluxos internacionais de bens, serviços e capitais;


• Refere-se à expansão extraordinária dos fluxos internacionais de bens, serviços e capitais.
Nos fluxos de capitais, os dados mostram que os empréstimos internacionais mais o
investimento de acções em bolsa aumentaram 400 biliões em 1987 para 1,6 triliões de
dólares em 1996. Os fluxos de capitais em todos os mercados compõem o sistema
financeiro internacional (títulos, acções, empréstimos, financiamentos, moedas e
derivados).
• Globalização na esfera produtiva – refere-se sempre que um país que tem acesso a bens e
serviços com origem noutros países, que ocorre por meio do comércio internacional,
investimento externo directo e relações contratuais. Em termos de inserção produtiva dos
países no sistema económico internacional, os mecanismos relevantes são o investimento
externo directo e as relações contratuais. As exportações e as importações são formas de
inserção comercial no sistema económico mundial.
• Investimento externo directo significa que um agente económico estrangeiro actua na
economia nacional por meio de subsidiárias ou filiais, enquanto as relações contratuais
permitem que agentes económicos nacionais produzam bens ou serviços que têm origem
no resto do mundo. Os contratos de transferência de know-how, marcas, patentes,
franquias, parcerias e alianças estratégicas são os exemplos mais comuns.

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2. A concorrência desenfreada nos mercados internacionais;


• Ou seja o acirramento/agitação da concorrência internacional. A competitividade
internacional na agenda da política económica dos países sugere que há uma rivalidade
cada vez maior no sistema económico mundial. Manifesta-se numa maior disputa por
transacções financeiras internacionais envolvendo um maior numero de bancos e
instituições financeiras não bancárias. O maior banco de investimentos dos EUA é o
Merrill Lynch que ocupou o primeiro lugar na emissão internacional de títulos.
• Os investimentos em Bolsa com bases geográficas, são efectuados por investidores que
podem actuar por meio de instituições financeiras internacionais, ou, então, directamente
nos mercados nos quais têm interesse. Estes centros de investimento, mercados
emergentes, situam-se em Singapura e Hong Kong, S. Paulo e Cidade do México e
Varsóvia e Budapeste na Europa.

3. A maior integração entre os sistemas económicos nacionais ou seja crescente integração dos
sistemas económicos nacionais.
• Este processo manifesta-se quando no caso da globalização financeira, uma proporção
crescente de activos financeiros emitidos por residentes está nas mãos de não-residentes e
vice-versa. Ou seja o indicador é o diferencial entre as taxas de crescimento das
transacções financeiras internacionais e nacionais.
• Participação de títulos estrangeiros na carteira dos fundos de pensões norte-americanas.

Durante o final do século XIX o contramovimento proteccionista atingiu as transacções internacionais


das mercadorias estratégicas, durante este período do nacionalismo liberal transformava-se um
liberalismo nacional, com os seus mercados apoiando-se no proteccionismo e no imperialismo na área
externa e no conservadorismo monopolista na área interna.

A especificidade da globalização económica no final do século XX consistiu na simultaneidade dos


processos de crescimento extraordinário dos fluxos internacionais, acirramento da concorrência no
sistema internacional e integração crescente entre os sistemas económicos nacionais.
Contudo, esse processo ocorre sem o contramovimento proteccionista, intervencionista e regulador,
que marcou, por exemplo, o final do século XIX. Essa especificidade é particularmente importante e
merece um nome específico globalização.

Determinantes da globalização
Os determinantes da globalização podem ser agrupados em três conjuntos de factores:

1. Tecnológicos
• Desenvolvimentos tecnológicos associados à revolução informática e das
telecomunicações. Redução dos custos operacionais e dos custos de transacção numa
escala global.

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2. Institucionais
• Envolve factores de ordem política e institucional vinculados à ascensão das ideias liberais
na década de 80, Tatcher e Reagan. O resultado dessa ascensão foi uma onda de
desregulamentação do sistema económico à escala global., no entanto na década de 70 a
pressão para uma maior liberdade forçou a ruptura do sistema de Bretton Woods que foi
acompanhada da instabilidade de taxas de juros e câmbios. Assim, a liberdade de escolha,
diante de opções políticas e ideológicas mais liberalizantes, parece ter desempenhado um
papel coadjuvante no processo de liberalização, tendo em vista a força avassaladora e a
gravidade da realidade económica, bem como a própria fragilidade e a incapacidade das
elites nacionais de definirem projectos alternativos de ajuste e desenvolvimento.
• Ao longo dos anos 80, os fundos mútuos, as companhias de seguros e os fundos de pensões
dos países desenvolvidos defrontaram-se com a instabilidade das taxas de juros e das taxas
de câmbios o resultado foi uma mudança de orientação na estratégia de diversificação dos
seus recursos, no sentido de uma maior dispersão geográfica.

3. Sistémicos
• Os factores são de ordem sistémica e estrutural. O ponto central reside em ver a
globalização económica como parte integrante de um movimento de acumulação à escala
global caracterizado pelas dificuldades de expansão da esfera produtiva das economias
capitalistas sólidas/maduras. A questão central refere-se ao menor potencial de crescimento
dos mercados domésticos dos países desenvolvidos, ricos em capital, isto é, trata-se do
problema clássico de realização do capital. Como resultado, há um deslocamento de
recursos da esfera produtiva para a esfera financeira e, portanto, um efeito de expansão dos
mercados de capitais domésticos e internacional.

As economias capitalistas desenvolvidas defrontavam-se com quatro respostas básicas para sair da
crise de acumulação

1. Saída keynesiana
. Com políticas fiscais expansionistas e défices públicos. A expansão dos investimentos públicos é
uma das principais formas de realizar essa saída da crise. Entretanto, essa saída tem retornos
decrescentes na medida em que os défices públicos recorrentes provocam o crescimento da
dívida pública interna e acabam mais tarde por gerar políticas monetárias restritivas.

2. Saída schumpeteriana
. De indução do processo de destruição criadora, por meio do qual se promove uma nova onda de
inovações tecnológicas e organizacionais capaz de aumentar os gastos (consumo e investimento).
No entanto, do ponto de vista da procura interna pode ocorrer que esse processo provoque mais
destruição do que criação ou seja as inovações tecnológica e organizacionais podem poupar a
mão-de-obra e acaba por reduzir a massa de salários na economia. Assim temos o conhecido
mecanismo do acelerador por meio do qual o maior crescimento da procura provoca aumento
dos investimentos..

3. Distribuição do produto e riqueza


. Ainda que essa resposta seja muito mais efectiva em economias atrasadas, com populações
pobres e enormes desigualdades, ela pode ter algum impacto nas economias desenvolvidas. O
problema central é de natureza política.

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PSC_resumo

. Mercado externo

. Tentam transformar as exportações na locomotiva da economia nacional. Nesse sentido as


economias avançadas devem alcançar uma trajectória de crescente competitividade
internacional, as restrições pelo lado da procura externa são também cada vez maiores,
considerando o lento crescimento da economia mundial, as suas flutuações cíclicas e as ondas de
proteccionismo.

O processo de globalização dos últimos anos tem servido para interromper e, eventualmente, reverter a
tendência da queda das taxas dos lucros nas economias capitalistas desenvolvidas entre o início dos
anos 70 e 80 ou seja, o processo de globalização por meio da abertura e exploração dos mercados
externos – tem permitido uma recuperação das taxas de lucro.

Na realidade, a saída preferencial usada pelas economias capitalistas desenvolvidas desde o início dos
anos 80 tem sido aquela que procura maior acesso aos mercados internacionais de bens, serviços e
capitais. Essa estratégia surge como reacção à insuficiência de procura interna nos países capitalistas
desenvolvidos, sendo activamente promovida por governos e empresas transnacionais. Portanto, a
insuficiência da procura colectiva nos países desenvolvidos constitui-se no mais importante e
determinante fenómeno da globalização económica deste final de século.

Capital estrangeiro e poder


O conhecimento sistemático das fontes ou dos elementos da base de poder de empresas de capital
estrangeiro (ECE) é fundamental não somente para uma melhor compreensão da distribuição dos
benefícios entre as ECE e os países, mas também em ajudar a entender a razão porque as ECE são
capazes de ter determinados efeitos sobre as economias nacionais.

Há três diferentes formas de exercício de poder nas ECE: coacção, autoridade e influência

1. Coacção existe quando o consentimento é baseado na privação física, ou a ameaça de privação


física;
2. Autoridade refere-se a consentimento legitimado;
3. Influência é um termo residual, referindo-se a um consentimento não-legitimado e não coercivo.

O papel das ECE como um agente de mobilização de viés, isto é, não se deixa de lado os efeitos das
ECE sobre a tomada de não-decisão. A não-decisão é uma decisão que resulta na supressão ou
impedimento de um desafio latente ou manifesto para os valores ou interesses do tomador de decisões.
A tomada de não-decisão pela ECE parece ser significativo quando se considera a capacidade dessas
empresas de influenciar ou moldar percepções e preferências por meio dos tipos de bens e serviços
fornecidos, assim como pelo uso dos meios de comunicação de massa.

As fontes ou elementos da base de poder de ECE são divididas em dois tipos: externas e internas

1. As fontes externas são derivadas de elementos fora do controlo dos países receptores do IED
(investimento externo directo), de modo que o governo tem pouca, se alguma probabilidade de
mudar esses elementos. Assim, estes podem ser vistos como parâmetros na análise do papel
político das ECE.

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2. As fontes internas de poder pode, até certo ponto e sob certas circunstâncias, ser colocadas sob o
controlo dos governos dos países receptores e, consequentemente, vistas como variáveis a serem
usadas para reduzir o poder das ECE.

É difícil definir um elemento da base de poder das ECE como externo ou interno. Além disso esses
elementos nem sempre são independentes uns dos outros, já que a própria existência de um elemento
externo pode criar condições para o aparecimento de um elemento interno.

No que se refere às fontes internas de poder das ECE pode-se mencionar:


• A estrutura do mercado interno
• Controlo de associações patronais
• Liderança de mercado
• Acesso aos decisores governamentais
• Efeito fiscal
• Padrões de associação com grupos industriais e financeiros locais
• Interligação de administrações/direcções
• Conexões políticas locais
• Padrão ideológico hegemónico
• Influência do nacionalismo
• Conjuntura política
• Disponibilidade de formas alternativas de internacionalização da produção
• Importância estratégica dos bens e serviços produzidos
• Potencialidade do mercado interno
• Controlo e uso dos meios de comunicação
• Controlo e uso dos meios de comunicação
• Níveis de alfabetização/educação/formação profissional do país receptor
• Atitudes culturais
• Coerência da política governamental
• Natureza das políticas públicas (comercial, cambial, financeira)
• Institucionalidade (aparelho repressivo/coercivo do Estado)
• Grau de desnacionalização, e vulnerabilidade externa do país

Uma parte substantiva das fontes internas mencionadas também se aplica ao caso das empresas
privadas nacionais, particularmente aos grandes grupos económicos nacionais.
Quanto mais importantes forem os recursos da propriedade das ECE, maior tende a ser a sua
capacidade de usar diferentes métodos para controlar mercados, criar poder económico e,
consequentemente, poder político.

A especificidade das ECE está de facto nas fontes externas de poder e que são as seguintes:
1. Capacidade de mobilização de recursos à escala global
• As ECE deslocam recursos de uma subsidiária para outra, de um país para outro. Podem
realizar uma política de dumping em qualquer mercado específico por um longo período
usando os recursos obtidos noutros mercados e países. Controlam mercados, geram poder
económico e poder político.

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2. Grau de integração do sistema matriz-filiais
• É uma maior flexibilidade no uso dos mecanismos dos preços de transferência, realizando
a sua própria vontade apesar da resistência do país receptor. Operam em mercados de
concorrência monopolista, onde as políticas de controlo de preços de transferência têm
uma baixa eficácia.

3. Assimetria da informação
• Possuem informações sobre a situação e perspectivas a respeito de produtos e mercados
que não estão disponíveis.

4. Estrutura do mercado à escala global


• Tendem a aumentar o poder de comercialização menos claro das ECE. A rivalidade entre
os competidores afecta a conduta das ECE que entram como conluios no mercado
internacional.

5. Interdependência à escala global


• A natureza da concorrência oligopolista ou monopolista pode rstringir a rivalidade por
meio da moderação ou cooperação.

6. Concentração segundo a origem


• Deve-se esperar maior probabilidade de acordos formais ou informais quando há um grau
mais elevado de concentração do país de origem das ECE. Semelhantes heranças
socioculturais de executivos tendem a aproximá-los, aumentando a probabilidade de
acordos e de acção comum., Câmaras de Comércio como espaço de discussão e instrumento
de pressão, mostra a importância da origem comum do capital estrangeiro.

7. Importância relativa do país receptor


• O poder das ECE num determinado país está inversamente relacionado com a importância
relativa do país receptor no cenário internacional. As ECE correm mais riscos quando estão
dispersas entre vários países do que quando se concentram em poucos.

8. Dinâmica da inovação tecnológica


• As ECE caracterizam-se por um dinamismo tecnológico, pois maior tende a ser o poder de
intervenção económica.

9. Concentração do desenvolvimento tecnológico


• A intervenção dos proprietários de tecnologia é uma fonte de pressão, pois pode levar a
uma maior vunerabilidade externa dos países.

10. Política externa do governo do país de origem


• As ECE tentam a influenciar a política externa dos seus países para obter vantagens nos
países receptores e que podem variar da protecção diplomática às operações militares.

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11. Marco jurídico e institucional no sistema internacional


• As ECE podem apelar de forma directa ou indirecta para elementos externos de natureza
institucional podendo ampliar o seu poder. Este elementos referem-se a princípios, normas,
procedimentos que se encontram nos acordos internacionais. É razão porque desde 1995 há
uma forte resistência à criação do Acordo Multilateral de Investimentos (AMI) no âmbito
da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). O objectivo
central do AMI é definir um conjunto de direitos para as ECE e, por outro lado, restringir o
grau de manobra de governos na direcção da regulamentação dessas empresas.

Os consumidores e a globalização
Num tempo em que as campanhas eleitorais se mudam dos comícios para a televisão, das polémicas
doutrinárias para o confronto de imagens e da persuasão ideológica para as pesquisas de marketing,
embora ainda nos interpelem como cidadãos é mais fácil e coerente sentirmo-nos convocados como
consumidores.

Do Nacional ao global

Vamo-nos afastando da época em que as identidades se definiam por essências a-históricas:


actualmente configuram-se no consumo, dependem daquilo que se possui, ou daquilo que se pode
chegar a possuir. Nos séculos XIX e XX as culturas nacionais pareciam sistemas razoáveis para
preservar, dentro da homogeneidade industrial, certas diferenças e certo enraizamento territorial, que
mais ou menos coincidiam com os espaços de produção e circulação dos bens., o valor simbólico de
consumir “nosso” era sustentado por uma nacionalidade económica, a procura de marcas estrangeiras
era um recurso de prestígio. No entanto hoje, os objectos perdem a relação de fidelidade com os
territórios de origem. A cultura é um processo de montagem multinacional, uma articulação flexível de
partes, uma colagem de traços que qualquer cidadão de qualquer país, religião e ideologia pode ler e
utilizar.
O que diferencia a internacionalização da globalização é que no tempo de internacionalização das
culturas nacionais era possível não se estar satisfeito com o que se possuía e ir procurá-lo noutro lugar.
A internacionalização foi uma abertura das fronteiras geográficas de cada sociedade para incorporar
bens materiais e simbólicos das outras. A globalização supõe uma interacção funcional de actividades
económicas e culturais dispersas, bens e serviços gerados por um sistema com muitos centros, no qual
é mais importante a velocidade com que se percorres o mundo do que as posições geográficas a partir
das quais se está agir.

As manifestações culturais foram submetidas aos valores que dinamizam o mercado e a moda: o
consumo incessantemente renovado, a surpresa e o divertimento. As decisões políticas e económicas
são tomadas em função das seduções imediatistas do consumo, o livre comércio sem memória dos seus
erros, a importação desenfreada dos últimos modelos que nos faz cair, uma e outra vez, como se cada
uma fosse a primeira, nesse consumismo.

A maneira neoliberal de fazer a globalização consiste em reduzir empregos para reduzir custos,
competindo entre empresas transnacionais, cuja direcção tem origem a partir de um ponto
desconhecido, de modo que os interesses sindicais e nacionais quase não podem ser exercidos. A
consequência é que mais de 40% da população das sociedades em vias de desenvolvimento se encontra
privada de trabalho estável e de condições mínimas de segurança.

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A cidadania numa época de consumo

• Primeiro, existem muitas dúvidas fundamentadas que o global se apresente como substituto do
local.
• Segundo, os últimos acontecimentos mundiais, nomeadamente a reunião do OMC, fragilizou
completamente a ideia que o modo neoliberal de nos globalizarmos seja o único possível.

O crescimento vertiginoso das tecnologias audiovisuais de comunicação provocaram a mudança do


desenvolvimento do público e o exercício da cidadania. Desiludido com as burocracias estatais,
partidárias e sindicais, o público recorre à rádio e à televisão para conseguir o que as instituições
públicas não proporcionam: serviços, justiça, reparações ou simples atenção. A aparição destes meios
põe em evidência uma reestruturação geral das articulações entre o público e o privado que pode ser
percebida também no reordenamento da vida urbana, no declínio das nações como entidades que
comportam o social e na reorganização das funções dos actores políticos tradicionais.

O novo cenário sociocultural perante a Globalização


As mudanças podem ser sintetizadas em cinco processos:
1. Um redimensionamento das instituições e dos circuitos de exercício do público: perda de peso
dos órgãos locais e nacionais em benefício dos conglomerados empresariais de alcance
transnacional;

2. Reformulção dos padrões de ordenamento e convivência urbanos: do bairro aos condomínios,


das interacções próximas à disseminação policêntrica da mancha urbana, sobretudo nas grandes
cidades, onde as actividades básicas têm lugar, frequentemente, longe do lugar de residência e
onde o tempo empregue para se deslocar por lugares desconhecidos da cidade reduz o tempo
disponível para habitar a própria;

3. A reelaboração do próprio e do nosso, devido ao predomínio dos bens e mensagens provenientes


de uma economia e uma cultura globalizadas sobre aqueles gerados na cidade e na nação a que
se pertence.

4. A consequente redifinição do lugar de pertença e identidade, organizado cada vez menos por
lealdades locais ou nacionais e mais pela participação em comunidades transnacionais ou
desterritorializadas de consumidores.

5. A passagem do cidadão como representante de uma opinião pública ao cidadão interessado em


desfrutar de uma certa qualidade de vida.

O que é novidade na segunda metade do século XX é que estas modalidades audiovisuais e massivas
de organização da cultura foram subordinadas a critérios empresariais de lucro, assim como a um
ordenamento global que desterritorializa os seus conteúdos e as suas formas de consumo. Esta
reestruturação das práticas económcias e culturais leva a uma concentração hermética das decisões nas
elites tecnológico-económicas e gera um novo regime de exclusão das maiorias incorporadas como
clientes. As sociedades reorganizam-se para nos fazerem consumidores do século XXI. O direito de
ser cidadão de decidir como são produzidos, distribuídos e utilizados esses bens, restringe-se
novamente às elites. O público é o marco mediático graças ao qual o dispositivo institucional e
tecnológico próprio das sociedades pós-industriais é capaz de apresentar a um público os múltiplos
aspectos da vida social.

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VI. SAÚDE, DOENÇA E SOCIEDADE


Apesar de ser difícil formular a definição de saúde, foi incluída na definição clássica formulada pela
Organização Mundial de Saúde, segundo a qual a saúde é o bem estar físico, psíquico e social do
indivíduo.

A partir do século XVII, numa perspectiva funcionalista, o modelo de saúde acentua o aspecto curativo
das ciências da saúde, partindo da ideia que o equilíbrio no indivíduo saudável se pode romper quando
adoece, havendo então que reparar a avaria, papel que confiado aos profissionais de saúde,
nomeadamente médicos e enfermeiros, cujo número passou a ser um indicador de qualidade de
cuidados de saúde.

Segundo o modelo preventivo, prevenção da doença, o importante é evitar que indivíduo adoeça. Aqui
desempenham um papel importante o uso das vacinas, consumo de citrinos para prevenir o escorbuto e
deixar de fumar na prevenção do cancro do pulmão.

Nas últimas décadas do século XX acentuou-se o uso da expressão promoção de saúde, que traduz um
modelo mais alargado de saúde e que abrange atitudes, comportamentos e estilos de vida que traduzem
o bem estar físico, psíquico e social do indivíduo.

Nos programas de promoção de saúde destaca-se a necessidade de considerar a população como um


todo. Os indicadores de saúde mais utilizados têm sido o número de médico e enfermeiros por
100.000 habitantes, a taxa de mortalidade geral, a taxa de mortalidade infantil e a esperança de vida.

Os indicadores mostram que o nível de saúde é maior nos países industrializados do que nos países em
vias de desenvolvimento. Uma das tendências que se tem verificado em todos os países é a da
crescente procura de serviços e cuidados de saúde o que faz com que os recursos, mesmo quando
crescem, pareçam sempre insuficientes.

Assimetrias no campo da saúde

Países desenvolvidos e países menos desenvolvidos

É nos países menos desenvolvidos que se encontra uma maior percentagem de pessoas atingidas por
doenças infecciosas sendo a SAI a pior.
A nível geral as principais causas de morte são as doenças cardiovasculares, infecciosas, cancro,
acidentes, respiratórias e do tubo digestivo.

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Sexo e classe social

Saúde e doença não se encontram uniformemente distribuídas na sociedade.

Por exemplo a esperança de vida das mulheres em maior do que a dos homens, que têm sido apontadas
causas genéticas, no entanto controversas, mas que tudo indica que a relação tem a ver com o
comportamento da mulher e do homem.
É de notar que existe também um incidência maior nas classes mais baixas causada por um menor
conhecimento de como utilizar os serviços de saúde e como se proteger das doenças mais comuns. O
Inquérito Nacional de Saúde em Portugal mostra que é a classe social com as habilitações literárias
mais baixas. Assim, existe uma relação significativa entre a pobreza e o menor nível de saúde.

O problema da SIDA

SIDA – Síndroma da Imunodeficiência Humana, é uma doença infecciosa causada por um retrovírus o
qual infecta os linfócitos T4, justamente as células que têm por missão conduzir a defesa do organismo
contra as infecções.

Para além do problema da SIDA como doença infecciosa, esta doença tem desencadeado em todo o
mundo reacções de carácter emocional, levando a fenómenos de exclusão social dos indivíduos
infectados, uma verdadeira epidemia social como tem sido designada.

As perturbações mentais

Segundo Gulbinat o aumento de pessoas com perturbações mentais, neurológica ou de problemas


psicossociais está ligado ao aumento da esperança de vida, crescente número de indivíduos que
atingirá a idade onde o risco é maior

Em Portugal a política no campo da saúde mental está definida na Lei nº36/98 de 24 de Julho, a qual
estabelece que A protecção da saúde mental efectiva-se através de medidas que contribuam para
assegurar ou restabelecer o equilíbrio psíquico dos indivíduos, para favorecer o desenvolvimento das
capacidade envolvidas na construção da personalidade e para promover a sua integração crítica no
meio social em que vive.

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VII. A EDUCAÇÃO COMO PROBLEMA SOCIAL


Nos primeiros anos do século XX; Durkheim definia educação como uma:
• Acção exercida pelas gerações adultas sobre as que ainda se não encontram amadurecidas para a
vida social. Ela tem por objectivo suscitar e desenvolver na criança um certo número de
condições físicas, intelectuais e morais que dela reclamam, seja a sociedade política, no seu
conjunto, seja o meio especial a que ela se destina particularmente.

O fundador da primeira cátedra de Educação e Sociologia da Sorbonne referia a ideia de que a


educação se traduzia num processo unilinear de preparação das novas gerações, pelas mais antigas,
para o exercício de papéis sociais.

Esta convergência de opiniões existia porque até há bem poucos anos, quando se discutia sobre
educação quase todos os interlocutores se referiam ao que hoje se chama formação inicial. Estava-se
numa época em que o ciclo de vida do conhecimento, isto é, o tempo que mediava entre o momento da
sua criação e o da sua morte, era longo, podendo mesmo exceder o ciclo de vida humano. Assim,
considerava-se que os conhecimentos acumulados na primeira parte da vida de um indivíduo
constituíam património cognitivo suficiente para o desempenho dos vários papéis que ele iria ter ao
longo da sua vida.

A complexificação do conceito de educação

Hoje, o Futuro entra cada vez mais depressa no Presente e que segundo Margaret Mead nos confere o
estatuto de migrantes do Tempo levando outros autores a considerar estarmos a entrar numa espécie de
Idade do Ferro Planetária.

Resultante da força conjugada do aumento da esperança média de vida das populações e da redução
drástica do ciclo de vida do Conhecimento, a formação inicial perdeu peso relativo, circunscrevendo-
se à aprendizagem básica de conhecimentos, técnicas e atitudes, susceptíveis de virem alicerçar a
aprendizagem ao longo do resto do ciclo de vida. Em contrapartida regista-se o alargamento da
formação contínua. Assim, a educação no mundo contemporâneo assume-se como um processo que
acompanha o ciclo de vida humano.

Existem duas vertentes principais do processo educativo:


1. A educação formal
• É educação que abrange a chamada formação contínua e de formação contínua superior,
esta última em contexto académico (pós-graduação) ou mais direccionada para a
investigação e desenvolvimento de unidades produtivas (formação avançada).

2. A educação não formal


• Existe uma consciência de que a educação institucionalizada, educação formal, não cobre
todas as necessidades educativas assim as necessidades educativas, não formais, foram
agrupadas em dois conjuntos:
1. Uma educação que permita às gerações vivas, não só adaptarem-se à mudança
acelerada da sociedade contemporânea, mas também aprenderem a geri-la em seu
proveito. Educação ambiental, consumidor, media, saúde etc.
2. Educação cívica e comunitária, que apela ao exercício da cidadania e do foro privado
como educação para a democracia e para a solidariedade, educação familiar e educação
intercultural.

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O processo de complexificação do conceito de educação que se acabou de esboçar resulta de três


macrotendências da sociedade contemporânea:
1. Tendências para a aceleração da mudança
2. Tendências para assimetrias sociais
3. Tendências para alteração dos sistemas de poder

Efeitos da mudança na educação

Numa sociedade de informação, o sistema educativo encontra-se sob o fogo cruzado de variados
críticos.
Os diversos sinais traduzem esse desajustamento:
• No relatório da Comissão Nacional (EUA) para a Qualidade do Ensino (1983),
significativamente intitulado Uma Nação em Risco, refere-se que a presente geração de finalistas
do liceu é a primeira na história da América a concluir o curso com menos conhecimentos do que
os seus pais;
• Em consequência do desajustamento do sistema educativo à mudança, no princípio dos anos
oitenta os analfabetos funcionais nos EUA variava entre 18 e 64 milhões. Não sabem ler e
escrever suficientemente.
• As taxas de absentismo e de abandono no ensino secundário aumentaram dramaticamente.
• Para agudizar a crise, à invasão dos postos de trabalho pelos computadores, obrigando os
titulares a uma familiarização mínima com estas ferramentas da sociedade da informação, o
sistema educativo não conseguiu responder ao mesmo ritmo, correndo-se sérios riscos de estar a
criar uma geração de analfabetos informáticos.

A UNICEF no relatório anual de 1999 refere que 1000 milhões de pessoas vão entrar no século XXI
sem os conhecimentos necessários para ler um livro ou assinar o nome.

Podemos tipificar essas novas necessidades educativas em dois grupos que mutuamente se interligam:
necessidades relacionadas com a adaptação ao processo de mudança e necessidades ligadas à gestão
dos conteúdos dessa mudança (2ª característica do mundo contemporâneo).

1. Aprender adaptar-se à mudança

O adulto, o jovem e a criança têm necessidade de aprender estratégias adaptativas face ao choque
cultural provocado pelo acelerado ritmo de mudança.
A compressão do Tempo, acelerando o metabolismo social torna imperiosa a aprendizagem da
adaptação aos novos ritmos de vida através da racionalização de processos de decisão cada vez
mais rápidos. Isto implica aprender a dominar o medo ao desconhecido e a assumir o estatuto
de imigrante no tempo interiorizando que o novo, o diverso e o transitório não são maus em si,
assim é importante aprender:
• Adaptar-se a novos instrumentos e a novos processos de trabalho para que deles possa
extrair um desempenho qualificado.
• A ser um consumidor crítico e não um mero objecto das estratégias de venda do sistema
massificador da sociedade de consumo;
• A adaptar-se rapidamente a novos lugares e ambientes sabendo deles tirar partido. Terá,
por exemplo, de aprender técnicas de reconhecimento, de observação e de integração a
novos ambientes.

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PSC_resumo

Assim é cada vez mais imperativo que se ganhem novas competências comunicacionais de modo
a poder com maior rapidez e melhor qualidade estabelecer relações sociais aos níveis
interpessoal, grupal organizacional e institucional.

Quanto á relação com o saber o cidadão contemporâneo necessita de ter consciência que há
necessidade de reaprender pois o saber é degradável e a ignorância uma constante. O fenómeno
da planetarização, torna urgente o investimento na aprendizagem sobre a unidade e sobre a
diversidade da espécie humana, combatendo toda a espécie de etnocentrismos.

2. Aprender a gerir a mudança

Há necessidades educativas às gerações contemporâneas, no sentido de aprenderem a gerir os


conteúdos da mudança como protagonistas activas da sua história e não como meros objectos da
colisão civilizacional em curso. Assim em necessário aprender:
• Tirar partido dos recursos e sistemas energéticos
• Utilizar as novas tecnologias como instrumentos e não como fins em si, contrapondo à
dominante cultura do individualismo uma cultura da solidariedade;
• Produzir, distribuir e consumir bens e serviços, à escala mundial, tendo em vista a melhoria
da qualidade de vida;
• Lidar com a diversidade de modelos de organização social
• Orientar e controlar a sua vida de forma autónoma;
• Utilizar de maneira ética e crítica os media
• Aprender novas formas de se relacionar com o tempo e com as culturas vigentes em
presença

Margaret Mead (1969) chama a atenção para que em virtude da mudança singular a que a sociedade
contemporânea está sujeita, o processo de socialização integrar três diferentes sentidos, por vezes
conflituais e que nos remete para o alargamento das necessidades educativas a todas as gerações tem
vindo a criar uma sobrecarga de exigências aos sistemas educativos contemporâneos:
1. Uma socialização de tipo tradicional, das gerações mais velhas com as mais novas;
2. Uma socialização semelhante à que os grupos migrantes sofrem.
3. Uma socialização de sentido inverso, das gerações mais novas para as mais velhas;

A educação e as assimetrias sociais (segunda característica do mundo contemporâneo)

O agravamento das desigualdades da qualidade de vida das populações, emerge um conjunto de


necessidades educativas e de formação para toda a população que poderíamos englobar na expressão
educação para o desenvolvimento e para a solidariedade.
A necessidade de educar as gerações contemporâneas para o Desenvolvimento, ou seja
• Tirar partido, de forma sustentada, do meio ambiente dos recursos que dispõe;
• Evitar mortes desnecessárias e prolongar a vida com qualidade;
• Pôr a render as potencialidades humanas de produção, distribuição e consumo de bens escassos
no quadro de uma efectiva cidadania económica;
• Necessidade de educar para a solidariedade que aqui mais do que um dever moral um imperativa
de sobrevivência da humanidade.

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A própria questão ambiental, muitas vezes posta de forma meramente tecnocrática, pode e deve ser
posta em termos de solidariedade inter-geracional, uma vez que as acções das gerações actuais irão
condicionar fortemente a qualidade de vida das gerações futuras.

A educação e alteração dos sistemas de Poder (terceira característica do mundo contemporâneo)

Alteração dos sistemas de poder deve-se principalmente a duas características:


1. O avanço das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs) e o desenvolvimento da
sociedade de informação fizeram com que a principal fonte de poder deixasse de ser a riqueza e
passasse a ser o conhecimento.
2. Como expressão política do duplo processo de planetarização e de localização registado na
segunda metade do século XX, observou-se um aumento dos protagonistas políticos e uma
diversificação das suas relações, de acordo com uma tendência para complexidade crescente.

Estas alterações em termos mundiais são as três macrotendências políticas:


1. A participação crescente dos cidadãos,
2. O fim do socialismo de economia centralizada
3. A privatização do Estado-providência

Assim, as novas formas de regulação e de orientação da sociedade exigem novas aprendizagens por
parte dos cidadãos;
• Aprender a planear, a definir rumos, adoptando a atitude prospectiva: olhando o presente a partir
de um futuro desejável.
• Aprender a decidir sozinho e em grupo para o que precisa de ganhar competências no domínio
da identificação de problemas.
• Aprender a ser autónomo, sem se insularizar no individualismo;
• Aprender democracia, quer como meta a alcançar quer como método a desenvolver no dia-a-dia.

Três níveis de análise

A questão da educação em qualquer sociedade, configura-se como um problema social complexo, com
efeitos imediatos na sua coesão interna e na sua locomoção em direcção a objectivos globais como o
Desenvolvimento e Democracia.

A variável estratégica, conferida à educação, na sociedade contemporânea foi a escolha de dois


indicadores de educação entre os quatro seleccionado para integrarem o índice de desenvolvimento
humano do Plano da Nações Unidas para o Desenvolvimento.

A análise pode ser efectuada de acordo com três conjuntos:


1. Numa perspectiva macro-sociológica, a questão da educação deve ser concebida como um
problema económico e político.
2. Numa óptica meso-sociológica é indispensável é indispensável entendê-la como um problema
organizacional, uma vez que a organização dos recursos tem efeitos imediatos na eficácia e na
eficiência do processo educativo.
3. Numa aproximação micro-sociológica interessa equacioná-la como um problema psico-social,
dado o processo educativo resultar fundamentalmente de relações inter-pessoais, estabelecidas
entre os diversos protagonistas envolvidos no processo.

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A educação como problema económico e político

A perspectiva do ensino como indústria – Khôi Lê Thành


Estamos habituados a tratar a educação como um direito do homem, origem do seu desenvolvimento
moral e intelectual, instrumento de elevação social e condição para a democracia política. Mas os
progressos das ciências e das técnicas, as exigências do crescimento e da pesquisa impõem também
que se peça à educação uma produtividade máxima que corresponda às necessidades da nossa época.

Nesta perspectiva o ensino constitui também:


A maior indústria da nossa época, tanto pelos recursos humanos e financeiros que absorve
desempenhando nos diversos cargos, administrativos, científicos e técnicos, um papel motor no
desenvolvimento das sociedades actuais.

Edgar Faure – Aprender a Ser 1977 afirmava:


A educação tornou-se desde o fim da 2ª Guerra Mundial o maior ramo de actividade do mundo, em
termos globais. Em termos orçamentais vem em segundo lugar seguido às despesas militares.

A análise incide nos factores de produção e produtos:

Os factores de produção são:


1. os recursos humanos entre os quais se encontram os aprendentes (alunos e fomandos),
• aumentaram nos ultimos anos devido à crescente consciência da importância que tem a
melhoria do nível de educação.
• Aumento da população infantil e juvenil.
• Aumento das necessidades de formação contínua da população adulta.
2. os ensinantes (professores e formadores),
3. os recursos materiais englobam as verbas, instalações, equipamentos e materiais de ensino
4. os recursos ambientais que integram as infraestruturas de comunicações e telecomunicação, o
ambiente social, económico e político.

Os sistemas educativos têm-se confrontado com um duplo problema político: os recursos são escassos
e frequentemente são desviados para fins militares. Os recursos encontram-se igualmente
assimetricamente distribuidos em detrimento dos países mais pobres conforme revelado pelo Indíce do
Desenvolvimento Humano (IDH).
Os ensinantes perderam o monopólio que detinham na distribuição do saber em detrimento de outros
agentes (rádio, cinema, televisão, etc.), por exemplo sistemas audio-visual e informático.

Os produtos:
Qualidade das qualificações produzidas pelo sistema e no número de pessoas qualificadas nos vários
níveis de ensino.
Em termos mundiais, existe um baixo número de anos de estudos na população adulta para a
necessidade da sua formação complementar de forma a fazer face às novas exigências profissionais.

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A educação como problema organizacional

A eficácia no processo educativo


• Tem a ver com a convergência entre objectivos (resultados) previstos e alcançados;
A eficiência no processo educativo
• Relaciona os objectivos alcançados com os recursos afectados para os atingir.

Muitas vezes a ineficiência compromete a sustentatiblidade da eficácia.

Encarando a escola como organização, para que se assuma como um instrumento de solução dos
problemas de educação e não um obstáculo adicional, há diversos aspectos que devem ser bem
geridos. Os que exigem uma relação com o ambiente externo e os que têm a ver com a dinâmica
interna da escola.

Gestão da dinâmica externa

A organização da escola deve ser posta ao serviço de um projecto educativo comum procurando assim
coordenar diversas áreas-chaves:
1. Circuitos de decisão devem ser bem definidos e garantir a participação de quem deve tomar
parte no processo.
2. Estrutura formal – os diversos orgãos da escola devem exercer o papel atribuído pelo sistema
normativo vigente num quadro de cooperação institucional evitando situações de competição e
conflito.
3. Estrutura informal – A gestão da escola deve estar atenta à estrutura informal, particularmente
aos grupos de pares e aos líderes informais, procurando tirar partido do seu potencial em favor
do projecto educativo.
4. Rede comunicacional – deve funcionar adequadamente quer na vertical como na horizontal.
5. Cultura é o conjunto de assunções básicas (valores, padrões de actuação). Os orgãos gestores da
organização da escola devem ajudar a sedimentar uma cultura orientada para os grandes
objectivos educativos.

A educação como problema psicossocial

Procedendo a uma terceira aproximação, de natureza micro-sociológica, podemos equacionar a


educação como um problema psico-social, dado o processo educativo ocorrer sobretudo numa moldura
de relações interperssoais.
Em qualquer acto educativo formal estão presentes três subsistemas que o condicionam:
1. Um sistema aprendente
2. Um sistema ensinante
3. Um sistema de comunicação educacional.

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Condicionadores do aprendente
Os factores que condicionam o desempenho do aprendente podem agrupar-se em dois conjuntos: os
factores exógenos e os factores endógenos:
1. Factores exógenos
• o meio social donde provém o aluno, e o sistema de recursos que ele dispõe, fora do meio
familiar, para poder gerir o seu processo de aprendizagem.
• Entre as variáveis decorrentes do meio social podem referir-se como de grande relevância
a situação sócio-económica da família, o seu grau de instrução, a língua materna e a etnia.
• O sistema de recursos do meio (a existência ou ausência de locais de estudo, bibliotecas,
cantinas,) pode compensar ou agravar as dificuldades do meio familia.

2. Factores endógenos
• são aqueles em que o aprendente encontra em si para gerir com êxito o processo de
aprendizagem, como a sua ambição pessoal, a capacidade de se auto-motivar, etc.

Condicionadores do ensinante
Os factores que condicionam o desempenho do ensinante podem agrupar-se em duas variáveis: as
exógenas e as endógenas:
1. Variáveis exógenas
• A coerência curricular, os recursos disponíveis na escola e na comunidade envolvente.
2. Variáveis endógenas
• A competência científica e pedagógica adquirida através da formação inicial e contínua, e a
inteligência emocional.

Condicionadores da comunicação educacional

Para haver sucesso é necessário que o sistema de comunicação educacional seja adequado assim é
necessário:
• Materiais educativos de qualidade em suporte escrito, audio-visual e informático.
• Espaços específicos como laboratórios, bibliotecas, ginásios, espaços polivalentes.
• Estratégias activas para melhorar a comunicação educacional, programas de educação
intercultural, meios para fazer face aos alunos com necessidades educativas especiais, etc.

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PSC_resumo

Algumas Políticas Relevantes

São estratégias educativas

Escala Macro – os sistemas educativos devem procurar responder à sobrecarga da procura com uma
política que privilegie a qualificação e a diversificação da oferta e cujas medidas de estratégia mais
importantes são: (maior procura educativa oferta educativa insuficiente)
 Política de coerência curricular – parece que o sistema educativo se deverá orientar para as seis
necessidades educativas básicas: a adaptação e gestão da mudança, o desenvolvimento, a
solidariedade, a autonomia e a democracia.
 Controlo sistemático da ajuda internacional destinada ao desenvolvimento das populações para
que não seja desviada para fins militares.
 Relativamente aos aprendentes todo o processo educativo deve visar a sua autonomização
progressiva (ensino à distância).
 Uso de recursos exteriores ao sistema educativo tradicional, através de parcerias com os agentes
da comunidade envolvente.

Escala Meso – a uma escala organizacional, as políticas educativas têm vindo a direccionar-se em três
diferentes sentidos: (problemas de eficácia e de eficiência)
 Na clarificação dos papéis e das regras de comunicação entre a escola e os organismos de tutela.
 No estabelecimento de parcerias entre a organização escola e a comunidade envolvente, a fim de
procurar potenciar os recursos mútuos para o desenvolvimento de projectos educativos.
 Na qualificação da gestão interna da escola, registando-se uma consciência crescente de que o
desempenho da função de gestão exige competências específicas.

Escala Micro – é uma escala psicossocial, têm vindo a defender-se a implementação de uma gama
muito diversificada de políticas de intervenção: (tem como factores condicionantes do aprende (classe
social, instrução, língua etnia e da comunicação materiais espaços estratégias)
 Relativamente aos aprendentes, têm vindo a multiplicar-se programas compensatórios, que
procuram criar uma situação de discriminação positiva relativamente aos diversos tipos de
handicaps (sócio-económicos, étnicos, linguísticos, relativos a deficientes, etc.)
 No que respeita aos ensinantes, a formação contínua tem vindo a assumir-se como um direito e
um dever, constituindo uma valorização na carreira docente.
 Os principais protagonistas do processo educativo têm vindo a ser dotados de empowerment para
vencer as dificuldades quotidianas do processo complexo que é ensinar e aprender em
circunstâncias por vezes muito difíceis.

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Síntese

• A sociedade contemporânea confronta-se com novas necessidades educativas decorrentes de três


processos à escala planetária, que mutuamente se influenciam:
1. A aceleração da mudança
2. A planetarização dos problemas sociais
3. A alteração dos sistemas de poder
• A aceleração da mudança fez emergir dois tipos de necessidades educativas, que reclamam
políticas de adaptação ao choque cultural provocado pela mudança e de condução do processo de
mudança, através da gestão dos seus conteúdos;
• A planetarização dos problemas sociais determinou novas necessidades que apelam para duas
estratégias educativas: educação para o desenvolvimento e educação para a solidariedade;
• A alteração dos sistemas de poder, por seu turno, chama a atenção para a necessidade de duas
outras estratégias educativas: educação para a autonomia e educação para a democracia;
• As novas necessidades educativas, afectam toda a população no seu conjunto, e não só os seus
segmentos infantil e juvenil. A generalização dos públicos-alvo, a universalização das
necessidades de formação inicial e o alargamento das necessidades de formação contínua,
implicaram um aumento de pressão sobre os sistemas educativos tradicionais;
• Os sistemas educativos convencionais, estão longe de conseguir garantir respostas, quantitativa e
qualitativamente adequadas, sendo indispensável introduzir reformas conducentes a criar uma
oferta correspondente à sobrecarga de exigências do lado da procura;
• Tal oferta, deverá obedecer a um perfil de diversidade, quer quanto às agências de educação,
empenhando as organizações públicas (administrações centrais, regionais e locais) e não
governamentais (ONGs), quer quanto às formas de resposta, diversificando as estratégias de
ensino e formação.

Neste contexto, a educação assume-se como um problema social complexo, que deve ser observado a
várias escalas de análise, cada uma das quais exige medidas de intervenção adequadas.

53
PSC_resumo

VIII. PROBLEMAS DE ORIGEM IDEOLÓGICA


Os fenómenos do racismo e do sexismo têm como denominador comum uma visão essencialista dos
seres humanos, que alimenta um projecto de sociedade onde o tratamento desigual entre as pessoas é
justificado pelas diferenças de características físicas. É pela via da exclusão que se assiste
constantemente ao desrespeito dos Direitos Humanos, embora o mundo tenha assumido o
compromisso de instituir a sua universalidade.

Racismo
O conceito de racismo é uma construção recente. Foi com o impulso da ciência nos séculos XVIII e
IXX que se iniciou a discussão política em torno da raça devido ao desenvolvimento de várias teorias
de raça. As teorias da raça dividiam a espécie humana em categorias biológicas distintas e atribuíam a
cada uma delas uma posição específica numa hierarquia de capacidades culturais e de estádios de
civilização. Raças superiores e raças inferiores e a legitimação da supremacia das primeiras face a
estas designa-se por racialismo. A noção de raça servia também para racializar populações que
atravessavam um processo de construção de Estados Nacionais foi assim que nasceu o projecto
ideológico de construção de uma nação alemã, unificada pela pertença ancestral a uma raça ariana,
sustentado pela classificação convergente de raça e nação, justificando assim a exclusão da raça judia.

O determinismo biológico

A Europa do século XIX assistia ao estabelecer de laços estreitos entre a ciência e as doutrinas
teóricas, estas alicerçadas nas interpretações que as ciências avançavam sobre a Humanidade. O
pensamento social era, então dominado pelo determinismo biológico, em que se destacavam três
teorias fundamentais para a legitimação científica do racismo:

1. A obra de Gobineau, “Essai sur l’inégalité des races humainres” (1852) que alertava para a
degenerescência das “raças” como resultado da mistura entre si;

2. O darwinismo social, de Spencer (1862) teoria que vai aplicar às sociedades humanas a tese
selectiva que Darwin avançou quanto aos organismo vivos, defendendo a rejeição dos elementos
mais fracos e menos adaptados da sociedade em prol da sobrevivência e evolução desta;

3. O eugenismo, de Francis Galton (1883), teoria que defendia a melhoria da espécie humana
através de um processo de selecção semelhante àquele que se utilizava no reino animal –
selecção dos progenitores para assegurar uma melhor descendência – e que se propunha
identificar os genes “bons” e os genes “maus” afirmando que para acabar com a criminalidade e
outros vícios bastava eliminar os genes por eles responsáveis.

A evolução do racismo no século XX


A passagem para o século XX é feita com a herança do determinismo biológico. Mas é nos finais da
década de 20 que nasce o conceito de racismo, definido como uma ideologia que defende a
superioridade de determinadas raças e legitima a sua supremacia em relação às raças identificadas
como inferiores. A construção sociológica deste conceito tem a sua origem na oposição que cientistas
sociais Europeus e Norte-Americanos faziam ao impulso do nacionalismo e da ideologia nacional-
socialista na Alemanha. As primeiras críticas incidiram sobre o racismo enquanto ideologia, mas não
rejeitavam o princípio da divisão das populações em raças.

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PSC_resumo

Foi com o horror nazi que a ideologia que legitimava a desigualdade entre os grupos ganhasse nova
importância após 1945. É só a partir da década de 60 que o conceito raça vai desaparecendo na Europa
e nos EUA. Ou seja a demonstração científica de que o conceito de raça é uma construção social sem
fundamentação biológica. Ao nível político, o conceito de raça tornou-se inaceitável para justificar a
supremacia de um povo face a outros.

A emergência do novo racismo

A classificação das populações em raças foi substituída pela definição de grupos étnicos ou culturais,
substituindo-se a ênfase na raça pela ênfase na cultura e económico (o imigrante), ou seja o novo
racismo construído por oposição ao velho racismo biológico.

O racismo institucional

Defendido pelo movimento Black Power nos EUA, anos 60, assenta no pressuposto de que a sociedade
está estruturada de maneira a manter a exclusão de um grupo específico e a evitar a sua progressão na
sociedade. Políticas que tendiam à marginalização dos negros pois estão inscritas no normal
funcionamento das instituições e não têm necessidade de serem legitimadas por uma ideologia.
A adesão ao Acto Único Europeu, em 1993, foi interpretada por várias organizações anti-racistas
europeias como um exemplo de racismo institucional, pois um efeito directo da livre circulação entre
as fronteiras da União Europeia para os seus nacionais era a exclusão do direito a essa liberdade para
os não-nacionais e a instituição de uma estrutura discriminatória no normal funcionamento daqueles
países.

As facetas da desigualdade e da diferença


O racismo encerra em si três componentes, para ser racismo tem que incorporar as três componentes
pois se só incorporar i.e. discriminação não é uma expressão de racismo
1. A naturalização de um grupo, que consiste na identificação desse grupo com base em
características físicas naturais;
2. A percepção do outro como ameaça;
3. O apelo a medidas de protecção, discriminação ou segregação.

O racismo combina dois princípios de exclusão


1. Desigualdade – até ao século XX as explicações eram científicas, biológicas.
2. Diferença – hoje ocupa o lugar central no discurso de exclusão, por exemplo as culturas ou a
incompatibilidade de modos de vida.

Taguieff defende que as duas dimensões, desigualdade e diferença, estão separadas resultando em dois
tipos de racismo: a desigualdade está relacionada com a naturalização do outro (sobretudo o outro
enquanto colonizado ou sujeito à dominação por parte de outrem) e com a sua inferiorização; a
diferença está ligada à ideia de preservação da especificidade de cada cultura.

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PSC_resumo

Wieviorka define o racismo pela complementaridade entre as duas dimensões, afirmando que se o
tema da desigualdade está fortemente ligado à dominação colonial, o racismo só existe se a
consciência da inferioridade dos povos colonizados por acompanhada pelo medo de invasão ou de
perda da identidade do colonizador. Por outro lado, a percepção da diferença cultural só produz
racismo se a cultura ou culturas minoritárias forem entendidas como ameaçadoras pela cultura
dominante.
Para que o racismo se manifeste é necessário que haja o sentimento de que o superior está ameaçado
pelo inferior, a qualidade pela quantidade, a riqueza pela pobreza, numa associação da diferença e da
inferioridade.

O racismo como uma doença da Modernidade

O esbater das diferenças pelo contacto entre culturas, ao invés de reforçar uma consciência universal e
tender à globalização cultural, reforça o receio da perda das especificidades e faz nascer o racismo ou
outras manifestações de rejeição e discriminação dos outros, razão porque Todorov define o racismo
como uma doenças de passagem para a Modernidade. Assim faz nascer o ressurgimento de valores
holistas sob novas formas (pós renascimento) – nacionalismo, racismo, totalitarismo. O novo racismo
surge na 2ª metade do século XX numa relação de causa-efeito entre a pertença a grupos culturais
minoritários e um estatuto socioeconómico desfavorecido que frequentemente empurra imigrantes para
a exclusão social e económica e cujo projecto ideológico universalista falha pois não consegue igualar
as relações sociais e o funcionamento da sociedade.

Apareceram novos partido de extrema direita, i.e. o Front National em França, os skin-heads etc. O
próprio direito à diferença é absorvido pela ideologia racista contemporânea como forma de justificar a
incompatibilidade das culturas minoritárias com a cultura dominante, facto que colocaria em risco a
homogeneidade cultural da nação (ideia que alicerçou os nacionalismo emergentes nos finais do século
XIX). Nos dias de hoje o racismo manifesta-se de uma forma pluralista , biológico, cultural,
económico, político ao contrário da unidade ideológica a que assistimos nos séculos anteriores.

Xenofobia e fundamentalismos

O conceito xenofobia tem um leque muito mais abrangente de diferenciações atendendo que diz
respeito a um leque mais abrangente de diferenciações traduzindo toda a rejeição de outrem, significa
medo do estrangeiro. È a conugação de duas caracteristicas – rejeição daquele que identificamos como
diferente e medo face a ele – que fazem associar frequentemente o fenómeno da xenofobia à questão
dos fundamentalismos.

O fundamentalismo reporta-se à crença e à defesa de um conjunto de princípios religiosos (ou


fundamentos), que são entendidos como verdades fundamentais. Nas interpretações fundamentalistas,
defende-se que esses princípios religiosos deverão alicerçar a organização social de toda uma
sociedade. Enquanto que o modernismo teológico propõe a interpretação dos livros sagrados das três
grandes religiões monoteístas – Cristianismo, Judaísmo e Islamismo – o fundamentalismo avança uma
interpretação estrita desses mesmos textos. Assim os fundamentalismos emergentes nas últimas
décadas do século XX são um símbolo ímpar dos paradoxos da Modernidade, onde as sociedades
evoluem no sentido da abertura e da expansão de fronteiras, não só físicas como mentais, e
simultaneamente, desenham novas restrições e limites a essas mesmas fronteiras.

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PSC_resumo

A origem dos fundamentalismos modernos

A emergência dos fundamentalismos modernos remonta aos anos 70 do século XX através do


desenvolvimento de movimentos religiosos, tanto no Cristianismo como no Judaísmo e no Islamismo
com a reinterpretação de textos sagrados com o objectivo de mudar a ordem social existente.

A origem está no objectivo de mudar a ordem social, moral e cultural da sociedade após a época
gloriosa dos anos 30 e o fim da 2ª guerra mundial tinham dado lugar a crescentes desigualdades
sociais. A nova ordem económica influenciou as formas de interacção social e os valores traduzindo-se
no enfraquecimento das solidariedades, no aumento da competição entre os grupos e no reforço de
valores individualistas por oposição ao colectivo. Assim a religioso tornou-se num refúgio para que as
pessoas se sentissem protegidas e à construção de novos projectos para a sociedade marcados pelo
retorno ao religioso dando origem aos movimentos fundamentalistas nas três religiões monoteístas.
No entanto no mundo islâmico existe uma mais forte base social de apoio ao fundamentalismo
religioso. A Europa Ocidental vê nos finais do século XX no fundamentalismo islâmico a grande
ameaça do futuro, sendo este o motor para sentimentos xenófobos contra as comunidades imigrantes
muçulmanas instaladas na Europa. Muitas vezes o reforço no fundamentalismo islâmico é uma reacção
a essas manifestações de rejeição., por exemplo em França a pertença de jovens aos princípios
religiosos é uma forma de proporcionar segurança e bem-estar.

A interligação entre xenofobia, fundamentalismos e nacionalismos

A xenofobia e o fundamentalismo têm porém uma estreita ligação com o nacionalismo uma vez que a
identificação a uma nação integra uma quota parte de exclusão senófoba, muitas vezes a identificação
nacionalista levada ao extremo pode resultar em manifestações de fundamentalismo onde o motor
político se confunde com o religioso, assim no século XX as manifestações xenofobas e
fundamentalistas podem ser uma reacção colectiva de medo face ao futuro provocada pelo
enfraquecimento do poder dos Estados nacionais a favor de formas de organização política e
económica supra-nacionais e pleas fronteiras impostas durante a 2ª guerra mundial.

A interligação entre xenofobia fundamentalismos e conflitos étnicos.

O enfraquecimento de poder dos Estados e a sua incapacidade em assegurar segurança e bem-estar


para todos os grupos é uma condição directa para a emergência de conflitos de cariz étnico.
A nova ordem mundial com a queda do muro de Berlim veio fragmentar as políticas muitos Estados
multiétnicos da Europa de Leste pois os grupos étnicos passaram a contabilizar os seus recursos não
em termos nacionais mas em termos de grupos étnicos, surge assim a reivindicação do direito a uma
identidade étnica especifica com o desejo de autonomia. I.e. Jogosláiva (Eslocénios e Croatas) e no
Burundi e no Rwanda entre Tutsis e Hutus tiveram por base um conflito económico provocado pela
escassez de recursos, que foi absorvido pela questão da etnicidade.

Sexismo
O sexismo define-se por preconceitos, estereótipos e discriminações baseadas no sexo da pessoa.
Relacionam-se papéis ou funções sociais identificados como específicos de homens e mulheres. Os
homens não choram é uma expressão que ilustra a mentalidade sexista ao negar aos homens
exprimirem emoções. A análise de desigualdade e da discriminação das mulheres face aos homens gira
em torno de três grandes temas: a natureza, a família e o trabalho.

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PSC_resumo

A questão da natureza feminina

As diferenças físicas e de personalidade distinguem e opõem a feminilidade da masculanidade, estando


associados à primeira a emotividade, a intuição e a submissão e à segunda a racionalidade, a lógica e a
dominação, ou seja determinismo biológico, a medicina remeteu a mulher devido ao útero para o
mundo da natureza e o ciclo menstrual concedia à mulher uma certa irracionalidade daí a oposição ao
mundo da lógica e da racionalidade masculina.

A Família como fonte de desigualdades

A revolução industrial veio a criar postos de trabalho femininos retirando a exclusividade da mulher ao
espaço do lar questão da compatibilidade ou incompatibilidade da feminilidade com o trabalho
assalariado. A mulher do século XX tornou-se num problema devido às incompatibilidades
lar/trabalho, maternidade/salário, feminilidade/produtividade. O salário da mulher é visto como um
complemento do orçamento familiar por isso as funções que lhe são destinadas são vistas como
compatíveis com a sua natureza feminina., daí resultando o exercício de funções que podemos designar
por maternidade social (profissões de educadora, enfermeiras). A visão capitalista é essencialmente
baseada nas diferenças biológicas entre os sexos para justificar as diferenças de tratamento entre
homens e mulheres, justificando assim a diferença no valor de remuneração.

O novo rosto das desigualdades no século XX

O século XX herda os pressupostos da Economia Política do século anterior e, apesar de se assistir à


entrada maciça das mulheres no mundo da educação e do trabalho, as desiguldades entre sexos
persistem. O pós-guerra exigiu o retorno das mulheres ao lar.

Dois exemplos de sistemas político-ideológicos sexistas

1. A política natalista do regime fascista italiano comandado por Mussolini. A defesa da raça e a
mulher deveria procriar e educar os filhos da pátria contribuindo assim para a aplicação do
programa político.
2. A política sexual nacional-socialista da Alemanha de Hitler. A pureza da raça e a esterilização de
pessoas consideradas não válidas evitando a degeneração da raça germânica e a proibição de
casamentos com Judeus, Ciganos e outras pessoas de qualidade hereditária inferior.

Os efeitos da democratização

Acesso das mulheres à educação e a consequente democratização das relações sociais. No entanto,
muitas vezes a igualização é aparente pois o próprio sistema socioeconómico ao mesmo tempo que
democratiza acentua as desigualdades.
O trabalho a tempo parcial na Escandinávia.
O trabalho domiciliário.
O trabalho a prazo e o trabalho temporário
A expansão do sector terciário confinou as mulheres a esse sector.

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PSC_resumo

A presença dos filhos tem um efeito positivo para a promoção profissional do homem, sucedendo um
efeito inverso na mulher.
O sexismo contemporâneo, à semelhança do novo racismo, revela-se com um rosto multifacetado onde
os argumentos naturalistas e culturalistas se interpenetram para justificar a manutenção de uma ordem
social alicerçada no poder masculino – ao nível económico, científico, político, jurídico.

As análises feministas e o conceito de género

Enquanto o conceito de sexo analisa ilustra as diferenças físicas entre homens e mulheres, o conceito
de género analisa as razões históricas, culturais, económicas e sociais que num determinado momento
e num determinado espaço moldam as relações entre as pessoas, destacando o carácter relacional e
assimétrico entre os dois sexos.

Atentados aos Direitos Humanos

A Declaração Universal dos Direitos Humanos assinada a 10 de Dezembro de 1948 simboliza a


vontade dos Estados com assento nas Nações Unidas de introduzirem um novo quadro legal que
regulasse as relações internacionais. Uma nova ordem mundial assente no repúdio da violência dos
conflitos entre os povos e na defesa de uma diplomacia internacional que assegurasse a manutenção da
paz, a declaração realça a unidade da espécie humana, embora e apesar da sua diversidade cultural,
proclamando a universalidade dos direitos.

A ONU e a nova ordem mundial

A Declaração Universal surge com um primeiro passo da Organização das Nações Unidas constituída
em Maio de 1945, o artigo 55º da Carta da ONU proclamava que a ONU deveria promover o respeito
dos direitos humanos e liberdades fundamentais sem distinção de raça, sexo língua ou religião.
• A nova ordem mundial assentava na realização dos seguintes objectivos
• A manutenção da paz internacional.
• O desenvolvimento de relações amigáveis entre as nações.
• A realização de cooperação internacional na solução de problemas internacionais de carácter
social, económico, cultural, humanitário

A evolução dos Direitos Humanos


A Declaração Universal remonta aos séculos XVII e XVIII.
A Declaração de Independência dos Unidos da América (1776) e a Declaração dos Direitos do Homem
e do Cidadão (1789) saída da Revolução Francesa marcam a primeira geração dos Direitos Humanos
caracterizada pela fase da proclamação jurídica, dignidade dos cidadãos.
A segunda geração nasce em meados do século XIX constituindo a fase da socialização caracterizada
pelo reconhecimento de que as liberdades não estavam garantidas e corresponde à visão marxista e é
parte integrante das Constituições dos Estados socialistas no século XX.

A terceira geração a Declaração Universal de 1948 que corresponde à internacionalização, que vê


nascer os direitos de solidariedade após a emergência de novos Estados que tinham alcançado a sua
independência.

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O desrespeito pelos Direitos Humanos

O texto da Declaração no artigo 28 refere que os Estados subscritores deverão assegurar o


cumprimento e o reconhecimento efectivo desses direitos mediante medidas progressivas, nacionais e
internacionais. Assim o não desenvolvimento destas medidas conduz à violação do que está
consagrado na Declaração i.e. a incapacidade dos Estados subscritores de assegurarem o cumprimento
dos princípios que aprovaram. A persistência e a extensão da pobreza devido a guerras ou devido ao
subdesenvolvimento. O desrespeito pelos povos autóctones i.e. índios nos EUA que vivem como
reféns nas suas reservas. A situação de crise da ONU é um dos sinais visíveis da crise da ordem
internacional.

A tendência actual para o reforço dos Direitos Humanos

Existe uma tendência para a celebração de acordos regionais por exemplo no Conselho Europeu a
Convenção europeia para a salvaguarda dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, a Carta
social Europeia e a Convenção para a prevenção da tortura.

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Síntese
Desde o século XVIII, que inaugurou o primado da razão, que o pensamento científico-social tem
influenciado fortemente a doutrina política. É, precisamente, a aplicação das teorias ou opiniões,
sejam elas do foro científico ou público, à vida política que as transforma em ideologias.

Vimos como o racismo se tornou uma ideologia legitimada pelas teses científicas dos teóricos da raça
do século XIX, na mesma medida em que o sexismo se enraizou nas teses essencialistas que
diferenciam os sexos e os aprisionam em atributos imutáveis relativos a uma natureza masculina e a
uma natureza feminina. Por outro lado, se a xenofobia, ao contrário do racismo, não constitui uma
ideologia, também ela é justificada mediante a defesa de um ideal de nações culturalmente
homogéneas, onde a diferença é diluída (quando não esmagada) tendo em vista a construção da
identidade nacional. Vimos como os fundamentalismos religiosos se alimentam das reacções
xenófobas de medo do estranho e se confundem com nacionalismos, onde a questão da etnicidade é
manipulada para mascarar projectos de sociedade discriminatórios.

A diferença e a desigualdade que separam os seres humanos nas sociedades contemporâneas é o


resultado do projecto inacabado da Modernidade, que falhou na concretização do ideal de Liberdade,
Igualdade, Fraternidade. O grande dilema com que o mundo contemporâneo se defronta é o da ciência
não ter sabido resolver todos os problemas da Humanidade e, paradoxalmente, ter contribuído para
gerar novos problemas Um exemplo incontestável é a concorrência do Holocausto, efeito de um
projecto político-ideológico legitimado por explicações científicas que recorreram ao eugenismo e
determinismo biológico do século XIX, colocando a ciência como alicerce da ideologia e prática
discriminatória.

Devido precisamente aos horrores do nazismo e para evitar a eclosão de conflitos de tão grande
barbaridade no futuro, desenvolvem-se, a partir de meados do século XX, os esforços da diplomacia
internacional no sentido de assegurar um standard mínimo de direitos, à luz da trilogia herdada da
Revolução Francesa. Tendo em mente este objectivo, os temas do racismo, xenofobia,
fundamentalismos e sexismo vão confluir na elaboração da Declaração Universal dos Direitos
Humanos.

O constante não cumprimento dos Direitos Humanos em muitos países subscritores da Declaração
Universal constitui um reflexo das relações contraditórias da Modernidade, que balança entre
particularismos e universalismo, que atravessam a história dos povos e que nem o progresso científico
nem a evolução do pensamento político souberam, ainda, ultrapassar.

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XI. O SUICÍDIO – UM PROBLEMA SOCIAL CONTEMPORÂNEO


Generalidades

O suicídio ou a tentativa de suicídio constituem sempre actos de solidão, angústia, chamada de atenção
radicando no desconforto da vida quotidiana e/ou traços depressivos. O meio cultural e as relações
sociais marcam a forma como o Homem exprime um impulso íntimo.

A posição da sociedade face ao suicídio tem sofrido alterações consoante as épocas em análise. À
neutralidade da Roma Clássica seguiu-se a rejeição com Santo Agostinho a partir do século IV.

O Concílio de Arles em 452 proclamou o suicídio um crime. O Concílio de Praga determinaria sanções
penais. O Santo Sacrifício da missa e o Cântico dos Salmos não acompanhariam o seu corpo na
descida ao túmulo. Na Idade Média foi acentuado o carácter de pecado.
Jean-Jacques Rousseau (século XVIII) modifica a análise do discurso relativo ao suicídio ao
considerar que sendo o Homem naturalmente bom é a sociedade que é responsável pela sua maldade e
crimes. David Hume escreve um ensaio sobre o suicídio.
Com a Revolução Francesa é suprimido dos crimes legais. Em 1823 é legalizado o enterro dos que se
suicidavam com uma cerimónia religiosa.
Emile Durkheim foi o primeiro sociólogo que sistematizou a problemática do suicídio Obra suicide.
Freud e Menninger (obra Man against himself) lançaram as bases psicanalíticas.

O suicídio em Durkheim
Explica o fenómeno com uma perspectiva sociológica demonstrando que o suicídio ofende a
consciência moral e considerando-o um fenómeno de patologia social. Durkheim define-o como toda
a morte que resulta mediata ou imediatamente de um acto positivo ou negativo, realizado pela própria
vítima.

Os católicos suicidam-se menos que os protestantes.


Os dois factores que explicam o suicídio segundo Darkheim são extra-sociais e sociais.
1. Estados psicóticos identificando quatro tipos de suicídios vesânicos. Maníaco, melancólico,
obsessivo, impulsivo ou automático. A neurastenia predispõe ao suicídio.
2. Efeitos de raça e hereditariedade
3. Factores cósmicos: clima e temperatura.
4. Imitação por contágio.

O fenómeno pode ser social quando não se prendem com os factores de constituição organicopsíquica
dos indivíduos nem o meio físico.

Egoísta motivado pelo excessivo isolamento do indivíduo face à sociedade, à família e à religião.
Altruísta: quando a existência do indivíduo vale pouca coisa face à colectividade.

Anómico – ocorre por ocasião das grandes transformações sociais e em que há dificuldade de
integração.

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PSC_resumo

Causas do suicídio e dados estatísticos

Os pacientes deprimidos têm uma parcela maior.


Alcoolismo, toxicomania, desistência de viver, e Existem os para-suicídios como por exemplo a
velocidade excessiva em viação pois a intenção da morte não é aqui assumida de forma consciente.

O suicídio em Portugal

O Prof. Fragoso Mendes diz que o suicídio se manifesta principalmente nos estados de depressão e de
ansiedade e se deve muitas vezes à solidão e isolamento sóciopsicológico. Problemas sociais e
pessoais.
Para Daniel Sampaio o acto é sempre de desistência.
No nosso país os suicídios correspondem a factores históricos: início da II Grande Guerra, período de
crise económica (1984). O homem comete suicídio três vezes mais frequentemente que a mulher.

Em síntese

A problemática do suicídio tem acompanhado a humanidade ao longo dos tempos desconhecendo-se


qualquer sociedade ou micro-cultura em que o fenómeno não tenha ocorrido.

As explicações encontradas são várias e complexas e a abordagem sociológica foi efectuada pela
primeira vez em 1897 por durkheim.
As taxas de suicídio são particularmente importantes na velhice e na adolescência e são muito
variáveis de país para país. No contexto europeu a Hungria apresenta a taxa de suicídio mais elevada e
a Grécia a mais baixa. Em Portugal, o fenómeno é preocupante no Alentejo e no Algarve.

63
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X. O ALCOOLISMO E AS USAS IMPLICAÇÕES SOCIAIS


A utilização das bebidas alcoólicas remonta ao período paleolítico e que no período neolítico já se
fabricava cerveja.
A destilação do vinho e maior alcoolização das bebidas generalizou-se na Europa a partir do século XI,
sendo visto como vício (a embriaguez) e só na segunda metade do século XIX é que passa a ser
entendido como doença.

O alcoolismo crónico, é uma doença e um problema social. assim devido às suas repercussões no
tecido social conduziram a uma abordagem do problema em termos científicos devendo-se a Thomas
Sutton a primeira descrição do Delirium Tremens que é um estado de hiperactividade confusa e
desorganizada, que se segue normalmente a um excessivo abuso de bebidas alcoólicas.
No Século XIX vamos encontrar alcoólicos internados nos hospitais psiquiátricos que consideravam o
abuso do álcool uma causa da doença mental. o alcoolismo pode constituir um risco de suicídio pelo
que o internamento em instituições psiquiátricas é justificável e necessário.
Para a ºM.S. os alcoólicos são bebedores excessivos cuja dependência é tal que apresentam
perturbações mentais e com perturbações orgânicas e psíquicas, familiar, profissional e social e com
implicações económicas, legais e morais.

Para Fouquet o alcoólico é todo aquele que perdeu a liberdade de se abster do álcool e por conseguinte
não exerce controlo no seu consumo. Para Jellinek o alcoolismo é todo o uso de bebidas alcoólicas
susceptíveis de causar prejuízo no indivíduo, na sociedade ou em ambos.

Jellinek foi o criador da formula que assenta nas mortes conhecidas por cirrose alcoólica.
A = PD – 100
K

A = número total de alcoólicos


O = percentagem de mores por cirrose hepática atribuíveis nessa população ao alcoolismo
D = número total de óbitos declarados nesse ano por cirrose hepática
K = 0,694 – constante (% de mortes dividas a cirrose hepática, resultado da verificação de centenas de
milhar de autópsias).

A dependência do álcool pressupõe um primeiro contacto inicial entre o tóxico (o álcool da bebida
alcoólica) e o organismo vulnerável. O álcool etílico é o agente da doença, mas os factores são
individuais e do meio que condicionam o consumo excessivo, favorecendo a acção patogénica do
factor tóxico.

As causas são económicas e sócio culturais e a natureza do país viti-vinícola, preceitos religiosos,
hábitos, mitos, razões individuais de ordem fisiológica e psicológica e razões externas decorrentes de
exigências profissionais.

As consequências prendem-se com factores e índole social e económica associadas ao meio familiar,
suicídio, criminalidade, absentismo acidentes de viação e acidentes domésticos.

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O Consumo do álcool na Comunidade Europeia

A O.M.S. recomendava a redução do consumo de álcool de 25% para o ano 2000. Uma nova
consciencialização dos perigos do álcool tende a considerá-lo como uma droga dura. Como um
inimigo da saúde pública.

A problemática do alcoolismo em Portugal

Em Portugal o consumo do vinho está associado a preconceitos – como o vinho aquece, dá força e em
certas regiões serve como pagamento complementar da jorna e é utilizado como alimentação pobre –
as sopas de cavalo cansado – justifica que sejamos um dos maiores consumidores europeus de álcool
per capita. O âmbito do consumo de álcool alargou-se combinado às bebidas destiladas e à cerveja.

De acordo com o World Drink Tendes (1998) Portugal é indicado como o primeiro consumidor de
álcool com 11,3 per capita.
Verificando-se presentemente um aumento crescente por parte de jovens e mulheres.
O fígado não metaboliza o etanol antes dos 18 anos pelo que consumo de bebidas nos adolescentes é
desaconselhável.

Alcocops (misturas de álcool com aromas naturais), shots.


O enquadramento do fenómeno terá de articular as motivações do consumo do álcool e a
inserção/participação dos jovens na sociedade com estratégias de promoção educacional e campanhas
de informação sobre os malefícios do abuso do álcool. A implicação das famílias e da escola são
também de grande importância.
O aumento dos problemas ligados ao álcool e o acentuado consumo global e entre os grupos etários
mais jovens levou à constituição em 1999 de uma comissão interministerial. A finalidade desta
comissão foi a de analisar e integrar os múltiplos aspectos associados à luta contra o alcoolismo num
plano de acção que reforce e aprofunde a implementação de uma estratégia para a saúde.

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XI A REGULAÇÃO SOCIAL DO COMPORTAMENTO SEXUAL

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