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RESUMO DE CIDANIA SOCIOLOGIA História da Cidadania

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Published by: Lucyana Rosa on Apr 12, 2012
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História da Cidadania

Afinal, o que é ser cidadão? Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: é, em resumo, ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranqüila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais, fruto de um longo processo histórico que levou a sociedade ocidental a conquistar parte desses direitos. Cidadania não é uma definição estanque, mas um conceito histórico, o que significa que seu sentido varia no tempo e no espaço. É muito diferente ser cidadão na Alemanha, nos Estados Unidos ou no Brasil (para não falar dos países em que a palavra é tabu), não apenas pelas regras que definem quem é ou não titular da cidadania (por direito territorial ou de sangue), mas também pelos direitos e deveres distintos que caracterizam o cidadão em cada um dos Estados-nacionais contemporâneos. Mesmo dentro de cada Estado-nacional o conceito e a prática da cidadania vêm se alterando ao longo dos últimos duzentos ou trezentos anos. Isso ocorre tanto em relação a uma abertura maior ou menor do estatuto de cidadão para sua população (por exemplo, pela maior ou menor incorporação dos imigrantes à cidadania), ao grau de participação política de diferentes grupos (o voto da mulher, do analfabeto), quanto aos direitos sociais, à proteção social oferecida pelos Estados aos que dela necessitam. A aceleração do tempo histórico nos últimos séculos e a conseqüente rapidez das mudanças faz com que aquilo que num momento podia ser considerado subversão perigosa da ordem, no seguinte seja algo corriqueiro, “natural” (de fato, não é nada natural, é perfeitamente social). Não há democracia ocidental em que a mulher não tenha, hoje, direito ao voto, mas isso já foi considerado absurdo, até muito pouco tempo atrás, mesmo em países tão desenvolvidos da Europa como a Suíça. Esse mesmo direito ao voto já esteve vinculado à propriedade de bens, à titularidade de cargos ou funções, ao fato de se pertencer ou não a determinada etnia etc. Ainda há países em que os candidatos a presidente devem pertencer a determinada religião (Carlos Menem se converteu ao catolicismo para poder governar a Argentina), outros em que nem filho de imigrante tem direito a voto e por aí afora. A idéia de que o poder público deve garantir um mínimo de renda a todos os cidadãos e o acesso a bens coletivos como saúde, educação e previdência deixa ainda muita gente arrepiada, pois se confunde facilmente o simples assistencialismo com dever do Estado. Não se pode, portanto, imaginar uma seqüência única, determinista e necessária para a evolução da cidadania em todos os países (a grande nação alemã não instituiu o trabalho escravo, a partir de segregação racial do Estado, em pleno século XX, na Europa?). Isso não nos permite, contudo, dizer que inexiste um processo de evolução que marcha da ausência de direitos para sua ampliação, ao longo da história. A cidadania instaura-se a partir dos processos de lutas que culminaram na Declaração dos Direitos Humanos, dos Estados Unidos da América do Norte, e na Revolução Francesa. Esses dois eventos romperam o princípio de legitimidade que vigia até então, baseado nos deveres dos súditos, e passaram a estruturá-lo a partir dos

até agora. exatamente por que se lhe nega a cidadania plena cuja conquista. um movimento lento. Contudo. este livro quer participar da discussão sobre políticas públicas e privadas que podem afetar cada um de nós. Ser cidadão é ter consciência de que é sujeito de direitos. mas perceptível. crianças. controle de ruídos. Não é por acaso que os textos dão conta de um processo. como proibição de venda de bebidas alcoólicas a partir de certo horário. Marshall. em que o acesso aos bens e serviços é restrito. funcionamento de escolas como centros comunitários no final de semana. é evidente. através daqueles que sempre lutam por mais direitos. opções de lazer em bairros da periferia. Quem quer que escrevesse sobre o assunto recorria ao sociólogo inglês T. à propriedade. à liberdade. políticos e sociais não dar conta sozinha da realidade. mas aos poucos fomos percebendo que era um fenômeno mundial. direitos civis. Afinal. não linear. mas que não tinha a pretensão de ser uma história da cidadania. de opressão e de injustiças contra uma maioria desassistida e que não se consegue fazer ouvir. melhores garantias individuais e coletivas. não será obstada. estímulo às manifestações culturais das diferentes comunidades. etárias. Mas este é um dos . A história da cidadania confunde-se em muito com a história das lutas pelos direitos humanos. autor de um texto básico. simplesmente. com menos diferenças sociais. sexuais. enfim. razão pela qual há cerca de dois anos começamos a organizar uma obra consistente sobre a história da cidadania. políticos e sociais. cidadania é a expressão concreta do exercício da democracia. seja do próprio Estado ou de outras instituições ou pessoas que não desistem de privilégios. e muitas outras. estimular a produção de textos cuidadosamente pesquisados. igualitária.direitos do cidadão. Desse momento em diante todos os tipos de luta foram travados para que se ampliasse o conceito e a prática de cidadania e o mundo ocidental o estendesse para mulheres. minorias nacionais. achamos importante mostrar que a sociedade moderna adquiriu um grau de complexidade muito grande a ponto de a divisão clássica dos direitos do cidadão em individuais. que parte da inexistência total de direitos para a existência de direitos cada vez mais amplos. Queríamos isto sim. De resto. à igualdade. na qualidade de cidadãos engajados. um grande livro sobre a história da cidadania. mas que se propusessem a dialogar com o presente. Apesar da importância do tema e do significado da discussão sobre a cidadania não tínhamos. na sua acepção mais ampla. muito menos do passado para justificar eventuais concepções pré-determinadas sobre o mundo atual. seria utópico. Inicialmente pensamos que a carência bibliográfica era apenas um problema brasileiro. Não havia. e não se conformam frente às dominações arrogantes. se têm a ver com a riqueza do país e a própria divisões de riquezas dependem também da luta e das reivindicações. Sonhar com cidadania plena em uma sociedade pobre. Direitos à vida. Nossa proposta foi a de organizar um livro de história social. ainda que tardia. ao alcance até de pequenas prefeituras. H. Sem que isso implique abrir mão de uma sociedade mais justa. a vida pode ser melhorada com medidas muito simples e baratas. A cidadania esteve e está em permanente construção. Ao clarificar essas questões. é um referencial de conquista da humanidade. étnicas. um livro importante sobre o tema. da ação concreta dos indivíduos. maior liberdade. Nesse sentido pode-se afirmar que. no sentido de não fazer um estudo do passado pelo passado. os avanços da cidadania.

segregados nos guetos da perseguição social”.lados da moeda. o bem comum. O cidadão tem de ser cônscio das suas responsabilidades enquanto parte integrante de um grande e complexo organismo que é a coletividade. coletivo: a justiça em seu sentido mais amplo. “ Cidadão é o usuário de bens e serviços do desenvolvimento. para cujo bom funcionamento todos têm de dar sua parcela de contribuição. vítimas da pior das discriminações: a miséria”. ou seja. ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social. “Recuperará como cidadãos milhões de brasileiros. INTERCULTURALIDADE Textos e outros materiais . Somente assim se chega ao objetivo final. “Isso hoje não acontece com milhões de brasileiros. Cidadania pressupõe também deveres. a nação. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões. “A cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo”. o Estado.

definido normalmente em oposição a alguém ou alguma coisa. É neste contexto que se justifica a generalização da educação intercultural. um processo obviamente irreversível. Um olhar sobre as diferentes culturas e sociedades ao longo dos séculos mostra como a abertura e a permeabilidade são condições indispensáveis à evolução. que aceita as diversas influencias e se alicerça nas semelhanças. portanto. é a consciência dessa multiculturalidade que é nova. as trocas comerciais e a coexistência de pessoas de diferentes origens num mesmo espaço geográfico foi uma constante ao longo dos séculos. nas vontades conjugadas de construir uma sociedade mais justa e no sentido de pertença comum à humanidade. uma realidade. Uma sociedade em que a identidade pessoal e social não passa pela lealdade cega a um grupo de pertença. mas a escala e o ritmo da mobilidade aumentaram exponencialmente. em vez de transformar a multiculturalidade em problema. Não é a multiculturalidade das sociedades que se constitui como novo factor. nas diferenças. que sempre esteve presente no desenvolvimento das sociedades. viver num cruzamento de culturas em transformação mútua. Ou seja. reconhecer a sua enorme vantagem. numa sociedade de direitos reais e efectivos – desde os direitos cívicos e políticos aos direitos económicos.melhor compreensão das culturas nas sociedades modernas .EDUCAÇÃO INTERCULTURAL (Fonte: ACIDI) A questão da diversidade cultural passou. O que a consciência intercultural dos dias de hoje nos pode trazer é a capacidade de aprender com os erros do passado e. definida do seguinte modo por Fernand Oullet (1991): O conceito de educação intercultural designa toda a formação sistemática que visa desenvolver. a ser uma temática omnipresente. mas sim por um processo de construção permanente. transformar uma sociedade multicultural numa sociedade intercultural: em vez de um somatório ou justaposição de culturas que se confrontam ou se “toleram” num mesmo espaço. sociais e culturais. A sociedade multicultural é. quer nos grupos maioritários. Todos habitamos um espaço comum. quer nos minoritários: . tal como a biodiversidade é indispensável à continuação da vida. em pouca mais de uma década. onde ninguém tem mais direitos por ter chegado “antes”. de que dependemos.

através da compreensão dos mecanismos psico-sociais e dos factores sócio-politicos capazes de produzir racismo . educação intercultural articula-se necessariamente com educação para cidadania e pode também definir-se como obedecendo cumulativamente a cinco princípios: .respeito pela vida no planeta Uma sociedade que impede que os seus membros – crianças e adultos – possam desenvolver ao máximo as suas capacidades em virtude do seu meio ou cultura de origem. criadora de identidades e de sentido de pertença comum à humanidade. INTERCULTURALIDADE A educação multi-intercultural é uma necessidade e uma exigência da sociedade actual. pois está fixada no passado e esquece-se do futuro.abertura à diversidade cultural . Ainda segundo Fernand Ouellet (2002).participação critica na vida e deliberação democrática .maior capacidade de participar na interacção social.maior capacidade de comunicar entre pessoas de culturas diferentes .atitudes mais adaptadas ao contexto da diversidade cultural.coesão social . nem a locais em que a heterogeneidade cultural parece mais aparente. abandonar o ego/etnocentrismo e adoptar um novo paradigma – “o outro como ponto de partida” (Perotti. Uma concepção de educação intercultural que não se aplica apenas ao contexto de educação formal. de aliar a dimensão do “conhecimento” à dimensão relacional.igualdade de oportunidades e equidade .. ou que lhes nega plenos direitos de cidadania em razão do seu local de nascimento. na família. numa forma de agir com informação que implica transformação. capacidade de olhar para a si próprio e aos outros de múltiplos pontos de vista. 1997). Na escola. não é uma sociedade viável. no trabalho. no desporto. em qualquer território. pessoal e social. É sinónimo de “descentramento” do eu. educação intercultural implica questionar e aprofundar o conhecimento. .

marginalização. cega pela cultura do consumismo e individualismo. em boa medida. sofre das maleitas da homogeneização. espalhando o medo. já lá vão 50 anos. racismo. a propósito dos modelos de educação multi-intercultural. somos. O mundo em que vivemos é cada vez mais complexo e multicultural. Não obstante. A globalização económica. hoje. E ao sacralizar o consumo. pensamos nos contributos de John Dewey.. É imperioso repensar o papel da Sociedade. o terror e o ódio. etc. As sociedades estão. quebram-se os vínculos de cidadania e solidariedade. é importante reconhecer que há maior sensibilidade para a integração estrutural dos diferentes grupos minoritários (étnicos. amiúde. trespassado por desigualdades e exclusões dos mais variados tipos. confrontadas com novos desafios e problemas provocados.Educação multi-intercultural. Mas também sabemos que na sociedade não há uma preocupação efectiva com os problemas dos mais desfavorecidos e dos novos pobres e excluídos. culturais. mas que. por aquilo que se designa por globalização. para os direitos humanos e igualdade de oportunidades. confrontados com estereótipos e preconceitos. social e político mais complexo. como em tudo. Porém.. de educação anti-racista e anti-xenófoba. a dignidade humana e as culturas contra-hegemónicas. Acelerador das migrações humanas. migrantes.) na escola. há que lutar com valentia cívica e vigilância crítica pelas convicções em que acreditamos: promover os direitos humanos e democratizar as sociedades para além do Estado-Nação. Falamos da educação para os valores. . do Estado e das instituições educativas e a acção dos educadores e dos professores neste contexto económico.É evidente e demasiado óbvio que o tema da Interculturalidade/Educação continua actual. para a cidadania. a globalização acentua a necessidade de se aprofundar a reflexão sócioantropológica em torno das questões étnicas e culturais. em que os grupos minoritários reclamam o direito à diferença. . ao mesmo tempo. Um mundo em que as migrações são um fenómeno global. numa perspectiva transnacional. Frequentemente. nomeadamente as que se relacionam com a identidade e a diversidade. xenofobia nos mais variados espaços sociais. no nosso dia-a-dia.. tem dificuldade em respeitar a natureza. para a paz. para a tolerância e convivência. em relação à educação. Perante este cenário. com manifestações de intolerância.

responsabilidade. Esta refundação de uma nova ordem mundial. transformadora/emancipadora e não adaptadora. todos eles interdependentes e a necessitarem de políticas que os legitimem. Somos forçados a reavaliar as antigas concepções das sociedades . Qualquer sociedade de hoje tem como característica o aumento crescente da multiculturalidade e da diversidade cultural e este facto torna o reconhecimento e o respeito pelos direitos das minorias como aspectos cada vez mais importantes. solidariedade. É que sem educação não há cidadão e a cidadania global não se constrói discriminando os grupos sociais subalternizados. social e educativa. exige novas perspectivas críticas em educação que nos ajudem a encontrar respostas a questões como as que enunciamos: como encontrar um passado para o futuro. liberdade. Citamos de memória: A educação como uma tarefa da sociedade e a sociedade como uma tarefa da educação. processos e discursos que nos impedem de aprender a viver juntos? Este inventário de questões não é exaustivo. segurança. igualdade. habitação. equidade. violando os direitos políticos e civis. criando e reconstruindo tempos e espaços existenciais para unir e não dividir? Como lutar contra as desigualdades sócio-económicas e as exclusões sócio-culturais. EDUCAÇÃO INTERCULTURAL (Fonte: FAROL – Manual de Educação para os Direitos Humanos com Jovens) Há uma ligação natural entre a educação para a cidadania global e a educação intercultural. ambientais. sociedades e grupos sociais. Urge (re)inventar uma nova realidade política. económicos e sociais. justiça. económica. Alguém tem que fazer esta ponte. Uma viagem em direcção ao outro que só acontece quando aprendermos a gostar de nós e a superar as barreiras entre o "nós" e o "outro". mostrando que outro mundo é possível? Como encontrar coerências de sentido que conciliem a identidade com a diversidade. Este imperativo de ligar a educação à sociedade é fundamental.Democrática. mas serve de pedra de toque para orientar a construção da cidadania intercultural que vimos defendendo: um processo partilhado que exige paz. que contempla a maneira como interagimos com outras culturas. promovendo a educação para a cidadania e a cultura solidária? Como desocultar factos.

Mesmo em regiões que não conhecem grandes vagas de imigração. Os conflitos na Irlanda do Norte. a injustiça. A educação contra o racismo tenta lutar contra comportamentos. e o impacto que isso pode ter nos jovens – especialmente naqueles que estão associados a certas minorias – pois não só lhes dá uma má experiência educativa como também lhes diminui as hipóteses na sua vida futura. os estereótipos e os preconceitos . na antiga Jugoslávia e em certas regiões do Cáucaso são uma triste ilustração dos problemas que podem surgir da incapacidade de respeitar e viver com outras culturas. A educação intercultural é também uma forma eficaz de abordar o fenómeno moderno do racismo.ajudar os jovens a conquistar a capacidade de reconhecerem a desigualdade. o racismo. e consciencializar para os efeitos prejudiciais do racismo numa sociedade moderna. . Educação contra o racismo A educação contra o racismo tem como pilar a asserção de que vivemos numa sociedade multicultural. individuais e institucionais. A aprendizagem intercultural prossegue os objectivos e os princípios da educação intercultural de diferentes formas. democrática. tornou essas noções ultrapassadas. O seu objectivo consiste em ajudar na criação de uma sociedade multirracial e interdependente onde todos os direitos dos cidadãos sejam respeitados e protegidos. linguagem e praticas racistas.dar-lhes o conhecimento e as capacidades necessários que os ajudem a desafiar e a tentar mudar todos estes problemas sempre que com eles se deparem. onde todos os cidadãos tem direito à igualdade e à justiça. Este conceito de aprendizagem está normalmente ligado a um cenário de educação não-formal e é particularmente relevante no trabalho com a juventude. associado a uma maior interdependência económica e social entre diferentes regiões do mundo. da discriminação racial e da intolerância. Objectivos da Educação Intercultural: . No entanto reconhece a existência do racismo e das atitudes racistas em toda a sociedade moderna.nacionais como entidades culturalmente homogéneas: o processo de integração europeia. os conflitos existentes estão frequentemente ligados à falta de compreensão entre diferentes povos ou modos de vida coexistentes numa sociedade.

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