Você está na página 1de 119
COMISSÃO ORGANIZADORA Presidente: Jaime Fernandes Filho - ABEXPO Coordenador Geral: Almir Mendes de Carvalho Neto
COMISSÃO ORGANIZADORA Presidente: Jaime Fernandes Filho - ABEXPO Coordenador Geral: Almir Mendes de Carvalho Neto

COMISSÃO ORGANIZADORA

Presidente: Jaime Fernandes Filho - ABEXPO Coordenador Geral: Almir Mendes de Carvalho Neto - ABEXPO

COMISSÃO CIENTÍFICA

Coordenador Científico: Prof. MSc. Guilherme Augusto Vieira – Curso de Agronegócios CAIRÙ – UNIME

MEMBROS

Prof. PhD Ronaldo Lopes Oliveira - Coordenador do Curso de Zootecnia - Universidade Federal da – UFBA Departamento de Produção Animal Prof. DSc. Danilo Gusmão de Quadros – Curso de Agronomia – UNEB –Barreiras Prof. DSc. Fabiano Ferreira da Silva – Curso de Zootecnia – UESB - Itapetinga Profa. DSc. Ana Karina Cavalcante – Curso de Medicina Veterinária – UNIME – Bahia Prof.MSc. Bruno Lopes Bastos – MV Autônomo – Bahia

Bahia

O 4º Congresso Internacional de Boi de Capim será realizado no Bahia Othon Palace Hotel,

O 4º Congresso Internacional de Boi de Capim será realizado no Bahia Othon Palace Hotel, no período de 03 a 05 de agosto de 2009, em Salvador-Bahia, e manterá a tradição de ser um dos maiores eventos relativo à cadeia produtiva da carne, e traz nesta edição como tema central “Oportunidade e Mercado”.

Espera-se nesta nova edição superar os números das edições anteriores e para isso será mon- tada uma grandiosa estrutura para receber um público de participantes e investidores de aproximadamente 500 pessoas, dentre eles personalidades de cunho nacional e internacional.

Estaremos lançando nesta edição novas atividades como: mini-cursos e submissão de trabal- hos técnicos e seleção de cases de sucesso.

Análise de desestruturaçao das fezes bovinas pelo besouro coprófago (Scarabaeidae) em Barreiras-Ba, na época chuvosa
Análise de desestruturaçao das fezes bovinas pelo besouro coprófago (Scarabaeidae) em Barreiras-Ba, na época chuvosa

Análise de desestruturaçao das fezes bovinas pelo besouro coprófago (Scarabaeidae) em Barreiras-Ba, na época chuvosa do ano

06

Análise microbiológica de leite informal comercializado em itapetinga, bahia

08

Aspectos comportamentais de novilhos nelore recebendo suplementação mineral ou protéica em pastejo na época seca

10

Aspectos metodológicos dos períodos discretos no comportamento ingestivo de novilhos a pasto

12

Avaliação da qualidade físico-química de leite produzido com ordenha manual com vacas mestiças

14

Avaliação do comportamento ingestivo de touros jovens e vacas com cria ao pé em pastejo

16

Avaliação físico-quimica de leite cru: período das águas x período da seca

18

Características físicas da carcaça de novilhos nelore suplementados com sal mineral ou proteinado em pastagem de brachiaria brizantha

20

Comportamento ingestivo de fêmeas aneloradas em diferentes estágios reprodutivos

22

Comportamento ingestivo de fêmeas aneloradas em meio e final de gestação em regime de pastejo

24

Comportamento ingestivo de novilhos e novilhas em pastejo contínuo de brachiaria decumbens

26

Comportamento ingestivo de novilhos e vacas sem bezerro ao pé em pastagens de “brachiaria decumbens”

28

Comportamento ingestivo de novilhos nelore recebendo suplementação mineral ou protéica em pastejo mineral ou protéica em pastejo

30

Comportamento ingestivo de vacas aneloradas em diferentes condições reprodutivas em pastagens

32

Comportamento ingestivo de vacas holandesas a pasto: metodologia

34

Comportamento ingestivo de vacas leiteiras zebuínas a pasto: metodologia

36

Consumo da forragem e suplemento de novilhos nelore recebendo suplementação mineral ou protéica em pastejo de brachiaria brizantha na época das aguas

38

Consumo da forragem e suplemento de novilhos nelore recebendo suplementação mineral ou protéica em pastejo de brachiaria brizantha na época seca do ano

40

Contagem bacteriana total de leite cru ordenhado manualmente no ano de 2008

42

Contagem de células somáticas de leite com ordenha manual

44

Contagem de células somáticas e contagem bacteriana total do leite cru tipo c da região de maiquinique,

46

Contagem de células somáticas em leite cru do tanque de resfriamento no ano de 2009

48

Conversão e eficiência alimentar de novilhos nelore recebendo suplementação mineral ou protéica em pastejo de brachiária brizantha na época das águas

50

Conversão e eficiência alimentar de novilhos nelore recebendo suplementação mineral ou protéica em pastejo de brachiária brizantha na época seca do ano

52

Densidade populacional de perfilhos da brachiaria decumbens, consorciada com arachis pintoi ou sobre adubação nitrogenada

54

Desempenho de novilhos nelore recebendo suplementação mineral ou protéica em pastejo de brachiaria brizantha na época das aguas

56

Desempenho de novilhos nelore recebendo suplementação mineral ou protéica em pastejo de brachiaria brizantha na época seca do ano

58

Digestibilidade aparente dos nutrientes em novilhos nelore recebendo suplementação mineral ou protéica em pastejo de brachiária brizantha na época das águas

60

Discretização de séries temporais no comportamento ingestivo de vacas holandesas utilizando somatrotopina bovina recobinante

62

Efeito da subsolagem associada a adubação na capacidade de suporte em pastagem degradada de brachiaria decumbens

64

Fontes de nitrogênio em suplementos protéicos para recria de novilhos em pastagem de capim-brachiaria

66

Índices reprodutivos em rebanhos leiteiros no município de maiquinique, bahia1

78

Influência dos estágios produtivos sobre o comportamento ingestivo de vacas aneloradas

70

Inseminação artificial em tempo fixo em vacas mestiças leiteiras (3/8 holandês x 5/8 gir)

72

Intervalo entre partos de bufálas leiteiras murrah x mediterrâneo

74

Levantamento da escarabeidofauna associados às fezes bovinas em pastagem artificial e vegetação nativa de cerrado na época chuvosa do ano

76

Levantamento de plantas nativas do cerrado com potencial forrageiro

78

Levantamento de plantas tóxicas em angical e riachão das neves - bahia

80

Metodologia dos aspectos do comportamento ingestivo de vacas leiteiras a pasto

82

Metodologia para o estudo do comportamento ingestivo de vacas leiteiras a pasto

85

Ordenha mecânica x ordenha manual: comparação entre os valores de contagem de células somáticas (ccs) e contagem bacteriana total (cbt)

87

Peso e rendimento de carcaça de novilhos nelore suplementados com sal mineral ou proteinado em pastagem de brachiaria brizantha

89

Presença ou ausência do bezerro sobre o comportamento ingestivo de fêmeas aneloradas em pastagens

91

Produção de matéria seca das cultivares de brachiaria em resposta a adubação fosfatada no estabelecimento

93

Produção de matéria seca de cultivares de brachiaria em resposta a adubação fosfatada no verão

95

Propriedades físico-química do leite de búfalas, criadas na região de maiquinique – bahia

97

Qualidade físico-química de leite cru ordenhado manualmente

99

Qualidade microbiológica de leite cru ordenhado manualmente e refrigerado

101

Qualidade microbiológica do leite de búfalas criadas na região de maiquinique – ba

103

Sazonalidade de partos em bufálas leiteiras murrah x mediterraneo criadas em sistemas extensivo no sul da bahia

105

Taxa de concepção de vacas mestiças leiteiras com estro sincronizado reutilizando implantes de norgestomet e inseminadas em hora marcada

107

Utilização da somatrotopina bovina recobinante em vacas holandesas: aspectos do comportamento ingestivo

109

Utilização da uréia protegida no suplemento sobre os períodos discretos no comportamento ingestivo de bovinos a pasto

111

Valor cultural de sementes comerciais de brachiaria spp. No comércio de barreiras – ba

113

Variação do lucro de novilhos nelore suplementados a pasto sobre diferentes valores de venda da arroba do boi gordo

115

Vigor de sementes de brachiaria brizantha cv. Marandu comercializadas em barreiras – ba

117

ANÁLISE DA DESESTRUTURAÇÃO DAS FEZES BOVINAS PELO BESOURO COPRÓFAGO (SCARABAEIDAE) EM BARREIRAS – BA, NA ÉPOCA CHUVOSA DO ANO

Marcela da Silva Dourado Castro 1 , Danilo Gusmão de Quadros 2 , Oziel Pinto Monção 1 , Jamara Marques Jácome 1 , Thaynara Ivanka 1

1 Estudante de graduação de Engenharia Agronômica da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) - Campus IX 2 Docente da UNEB – Campus IX. Professor da Universidade do Estado da Bahia – UNEB / Núcleo de Estudo e

Pesquisa em Produção Animal (NEPPA). BR 242, km 4, s/n. Lot. Flamengo. Barreiras – BA. 47800-000. E-mail:

uneb_neppa@yahoo.com.br

INTRODUÇÃO

Website: www.neppa.uneb.br

Ao removerem a massa fecal e incorporá-la ao solo, os besouros coprófagos alteram as propriedades físicas e químicas deste auxiliando ao melhor desenvolvimento de plantas. Esse comportamento quebra o ciclo reprodutivo das moscas e nematódeos que utilizam as massas fecais para alimentação e desenvolvimento de suas proles.

A utilização das fezes dos animais por seus parasitos, a exemplo da mosca–dos–

chifres, é um dos problemas que a pecuária enfrenta. A mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) alimenta-se do sangue dos bovinos, sugando-os 24 horas por dia, gerando um alto

estresse ao animal. A irritação causada pela picada das moscas compromete a alimentação e a digestão do animal parasitado, diminuindo a sua produtividade (leite/carne) (BIANCHIN & ALVES, 2002). Elas se reproduzem rapidamente, depositando seus ovos nas fezes frescas dos animais que serão usadas como berçário e fonte de alimentação. O uso de inseticidas para o controle da mosca está perdendo a eficácia, pois está selecionando indivíduos resistentes e eliminando os competidores e predadores naturais da H. irritans, fazendo com que aumente sua população resistente aos produtos químicos (BARROS,

2004).

O presente trabalho teve como objetivo analisar atividade do besouro coprófago no

enterrio das fezes bovinas através do grau de desestruturação/incorporação das fezes no solo e da idade das placas fecais em pastagem manejada sob lotação continua, no município de Barreiras – Bahia, na época chuvosa do ano.

METODOLOGIA

O experimento foi conduzido na zona rural da cidade de Barreiras (12° 09' 10" S e

44° 59' 24" O, 452 m de altitude), região do oeste baiano. Foram analisadas semanalmente, entre 08h e 09h, 100 placas fecais depositadas em pastagem de capim-estrela-africana. O trabalho foi conduzido no período de janeiro de 2009 a abril de 2009, totalizando 1200 placas fecais analisadas. As placais fecais foram classificadas quanto à idade (IPF01 – Idade de placa fecal 1- placa fecal recém excretada, sem crosta superficial; IPF02 – Idade de placa fecal 2 – placa

fecal com fina crosta superficial; IPF03 – Idade de placa fecal 3 – massa fecal com crosta significamente mais rígida; IPF04 – Idade de placa fecal 4 – placa fecal totalmente ressecada) e quanto ao grau de desestruturação/incorporação (GDI) (GDI Baixo – massa fecal com nenhuma e/ou baixa desestruturação/incorporação; GDI Médio – massa fecal com média desestruturação/incorporação; e GDI Alto - massa fecal muito ou totalmente desestruturada/incorporada) (FLECHTMANN, 1995a; FLECHTMANN, 1995b). Os dados foram tabulados no programa Excel ® (Windows) e analisados em relação à frequência de ocorrência e os percentuais relativos às classes das placas fecais.

RESULTADO E DISCUSSÃO Das 1200 placas fecais analisadas, observou-se que 474 (36%) placas se encontravam com IPF 04, 377 (29%) com idade IPF 03, 279 (21%) com IPF 02 e 170 (13%) com IPF 01. A idade da massa fecal é muito importante, haja vista que os adultos das moscas-dos-chifres ovopositam preferencialmente em massas recém-excretadas (FLECHTMANN et al., 1995 b).

6

Analisando o grau de desestruturação/incorporação das fezes 632 (49%) placas encontravam-se em GDI Baixo, 398 (31%) em GDI Médio e 270(21%) em GDI Alto. O baixo

grau de desestruturação das placas fecais demonstra que os nutrientes presentes nas fezes bovinas estão sendo perdidas no sistema solo-planta, indica também a baixa atuação dos besouros coprófagos que favorece a proliferação da mosca-dos-chifres e de endoparasitos, os quais podem provocar um desconforto no bem estar animal, reduzir o desempenho produtivo e aumentar os custos de produção.

A utilização de inseticidas do tipo “pour on” no gado, como prática sanitária, durante

o período de avaliação, provavelmente agiram como redutores populacionais dos besouros

coprófagos na pastagem.

A presença de placas fecais integrais na pastagem pode prejudicar a ingestão de

forragem pelo gado, consequentemente o ganho de peso diário, haja vista que o animal

rejeita a forragem até 1,5m de raio da placa fecal (MIRANDA, 1998).

CONCLUSÃO

A maioria das placas analisadas encontra-se ressecadas e com baixo grau de

desestruturação, podendo prejudicar a ingestão de forragem pelo gado e favorecer a proliferação de parasitos, em virtude da baixa atuação de besouros coprófagos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AIDAR, T; KOLLER W. W.; RODRIGUES, S. R. et al. Besouros coprófagos (Coleoptera:

Scarabaeidae) coletados em Aquidauana, MS, Brasil. An. Soc. Entolmol., v.29, n.4, p. 817- 820, 2000. BARROS A. T. A. Situação da resistência da Haematobia irritans no Brasil. CONGRESSO

Ouro

Preto:SBPV, 2004. (CD-ROM) BIANCHIN I.; ALVES R.G.O. Mosca-dos-chifres, Haematobia irritans: comportamento e danos em vacas e bezerros Nelore antes da desmama. Pesquisa Veterinária Brasileira, v.22, n.8, p.109-113, 2002. FLECHTMANN, C. A. H.; RODRIGUES, S. R.; COUTO, H. T. Z. Controle biológico da mosca-dos-chifres (Haematobia irritans irritans) em Selvíria, Mato Grosso do Sul - 2: ação de insetos fimícolas em massas fecais no campo. Revista Brasileira de Entomologia, v.39, n.2, p.237-247, 1995 a. FLECHTMANN, C. A. H.; RODRIGUES, S. R.; COUTO, H. T. Z. Controle biológico da mosca-dos-chifres (Haematobia irritans irritans) em Selvíria, Mato Grosso do Sul – 4:

BRASILEIRO DE PARASITOLOGIA VETERINARIA, 13, Ouro Preto. Anais

comparação entre métodos de coleta de besouros coprófagos (Scarabaeidae). Revista Brasileira de Entomologia, v.39, n.2, p.259-276, 1995 b. MIRANDA, C. H. B., Santos, J. C. C., BIANCHIN, I. Contribuição de Onthophagus gazella à

melhoria da fertilidade do solo pelo enterrio de massa fecal bovina fresca. 2. Estudo em campo. Revista Brasileira de Zootecnia, , v.27, n.8, p.681-685, 1998.

Marcela da Silva Dourado Castro, Tel (77) 8103-0500. E-mail:

7

ANÁLISE

ITAPETINGA, BAHIA.

MICROBIOLÓGICA

DE

LEITE

INFORMAL

COMERCIALIZADO

EM

Dayana R. de Souza* 1 , Sérgio A. de A. Fernandes 2 , Neomara B. de L. Santos 1 , Amanda dos S. Faleiro 1 , Thaiany T. Fonseca 1 .

1 Graduanda em Zootecnia e Bolsista de Iniciação Científica (FAPESB e Voluntária da UESB); 2 Professor Adjunto do Departamento de Tecnologia Rural e Animal- UESB;

Introdução

No Brasil, o leite é obtido sob condições higiênico-sanitárias deficientes, com elevados números de microrganismos, apresentando risco à saúde da população, principalmente quando consumido sem tratamento térmico. Os cuidados higiênicos para evitar a contaminação devem ser iniciados desde a ordenha e continuados até a obtenção do produto final. Diversos microrganismos patogênicos podem ser encontrados contaminando

o leite, dentre eles podem-se destacar Escherichia coli e L. monocytogenes (CATÃO E CEBALOS, 2001).

A Instrução Normativa nº 51 (IN 51), que regulamenta a produção, identidade, qualidade,

coleta e transporte dos leites A, B, C, pasteurizado e cru refrigerado, desde sua publicação

definiu novos parâmetros de qualidade microbiológica para o leite cru refrigerado (BRASIL, 2002). A avaliação da contaminação microbiológica de alimentos é um dos parâmetros importantes para determinar sua vida útil, e também para que os mesmos não ofereçam riscos à saúde dos consumidores. Assim, objetivou-se com o presente trabalho avaliar as características microbiológicas de leite informal comercializado em 3 pontos de venda em Itapetinga, Bahia.

Material e métodos

Os leites foram adquiridos nos meses de abril e maio de 2009, de vendedores ambulantes, nas ruas de 3 bairros distintos da cidade de Itapetinga, Bahia, identificados como amostras A, B e C. O leite foi coletado em 3 momentos, constituindo-se em 3 repetições. As amostras foram armazenadas em embalagens identificadas, devidamente higienizadas, e as amostras conduzidas sob refrigeração ao Laboratório de Microbiologia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), onde foram feitas as análises microbiológicas. As amostras foram submetidas à pesquisa de determinação do Número Mais Provável (NMP) de Coliformes a 35 °C e Coliformes a 45 °C, e contagem total de bactérias aeróbias mesófilas, segundo metodologia recomendada pelo Ministério da Agricultura (BRASIL, 2003).

Resultados e discussão

A Tabela apresenta os resultados médios obtidos para as análises microbiológicas das

amostras analisadas. Tabela 1- Resultados médios de Coliformes a 35 °C, Coliformes a 45 °C, e contagem total

de bactérias aeróbias mesófilas de amostras de leite informal comercializadas em Itapetinga, BA.

Contagens

Amostras

10 -1

10

-2

10

-3

Coliformes a

Coliformes a

UFC/mL

UFC/mL

UFC/mL

35ºC

45ºC

 

(NMP/mL)

(NMP/mL)

A

58,4 X10 1

12,3 x10 3

Ausente 20,6 x10 4 Incontável

240

240

B

Incontável

Incontável

240

240

C

Incontável

Incontável

240

240

8

A elevada presença de coliformes a 35 e a 45ºC evidenciada nas amostras estudadas indica as más condições de higiene dos produtos. A presença das bactérias do grupo dos coliformes, cujo habitat da maioria é o trato intestinal do ser humano e de outros animais homeotermos, indica contaminação de origem ambiental e fecal do produto. A enumeração de coliformes totais é utilizada para avaliar as condições higiênicas do produto, pois, quando em alto número, indica contaminação decorrente de falha durante o processamento, limpeza inadequada ou tratamento térmico insuficiente. Já a detecção de elevado número de bactérias do grupo dos coliformes fecais em alimentos é interpretada como indicativo da presença de patógenos intestinais, visto que a população deste grupo é constituída de alta proporção de Escherichia coli (CARVALHO et al., 2005). Cabe ressaltar que o tratamento térmico ineficiente do leite nas práticas domésticas pode não destruir a contaminação inicial existente. Os resultados encontrados para contagens de bactérias aeróbias mesófilas também foram elevadas, com exceção da amostra A. Esse resultado era previsível em função da falta de refrigeração do leite, ficando os valores encontrados para as amostras B e C acima do limite de tolerância estabelecido pela legislação, que é de 1x10 6 (BRASIL, 2002). Cabe ressaltar que as amostras estudadas não devem ser consumidas, uma vez que não sofreram nenhum tipo de fiscalização, agindo como risco potencial ao consumidor, devido à ocorrência de fraudes econômicas e ao elevado nível de contaminação.

Conclusões

Os resultados das análises microbiológicas realizadas indicaram que as amostras estudadas não atenderam aos padrões microbiológicos legais, oferecendo um grande risco à saúde dos consumidores, principalmente devido à presença de coliformes a 45°C.

Bibliografia

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução normativa nº 51, de

18 de setembro de 2002. Regulamento técnico de produção, identidade e qualidade do

leite tipo A, do leite tipo B, do leite tipo C, do leite pasteurizado e do leite cru refrigerado e o Regulamento técnico da coleta de leite cru refrigerado e seu transporte

a granel. Publicada no Diário Oficial da União de 20 de Setembro de 2002, seção 1, página

13.

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 22, de

14 de abril 04 de 2003. Métodos Analíticos Oficiais Físico-Químicos para Controle de

Leite e Produtos Lácteos. Brasília: Ministério da Agricultura, 2003.

CATAO, R. M. R.; CEBALLOS, B. S. O. Listeria spp., coliformes totais e fecais e e.coli no leite cru e pasteurizado de uma indústria de laticínios, no estado da Paraíba (Brasil). Ciência e Tecnologia de Alimentos, v.21, n.3, p. 281-287. 2001.

CARVALHO, A.C.F.B.; CORTEZ, A.L.L.; SALOTTI, B.M.; BÜRGER, K.P.; VIDAL-MARTINS, A.M.C. Presença de microrganismos mesófilos, psicrotróficos e coliformes em diferentes amostras de produtos avícolas. Arquivos do Instituto Biológico. São Paulo, v.72, n.3, p.303-307, jul./set., 2005.

Autor a ser contactado: Dayana Rodrigues de Souza Endereço: Rua Marechal Deodoro da Fonseca, n. 468. ITAPETINGA/BA. CEP-45700-000. Email:

dayrodriguessouza@hotmail.com Fone: (73) 997536

9

ASPECTOS COMPORTAMENTAIS DE NOVILHOS NELORE RECEBENDO SUPLEMENTAÇÃO MINERAL OU PROTÉICA EM PASTEJO NA ÉPOCA SECA 1

Daniel Lucas Santos Dias 2 , Danilo Ribeiro de Souza 3 , Marcelo Mota Pereira 2 , Vinícius Lopes da Silva 3 , Rita Kelly Couto Brandão 2

1 Parte da dissertação de mestrado do segundo autor, financiada pela CAPES. 2 Graduando em Zootecnia UESB 3 Mestrando em Zootecnia - UESB

Introdução Um dos objetivos básicos de todo sistema de produção de bovinos em pastagem é cobrir as necessidades nutricionais dos animais durante todo o ano, mantendo uma oferta permanente de alimento em quantidade e qualidade suficientes para obter ótima resposta produtiva por parte dos animais. Todavia, nas condições de pastagem, existem grandes variações na produção de matéria seca e na qualidade da pastagem, afetando negativamente a produtividade animal e promovendo alterações no comportamento animal (PARDO et al., 2003). Os resultados encontrados na literatura, referentes às alterações provocadas pela suplementação a pasto sobre o comportamento ingestivo dos ruminantes, ainda são controversos. Assim sendo, torna-se imprescindível à realização de pesquisas que

esclareça o efeito da suplementação sobre o comportamento dos animais em pastejo e seus possíveis reflexos sobre os atributos da pastagem e o desempenho animal (BRÂNCIO et al.,

2003).

O objetivo deste estudo foi avaliar os aspectos comportamentais de novilhos Nelore

em pastagem de Brachiaria brizantha submetidos à suplementação mineral e a

suplementação proteinada.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na Fazenda Boa Vista, no município de Macarani Ba,

entre os meses de agosto a outubro de 2006. Foram utilizados 18 animais da raça Nelore com 26 meses de idade e peso corporal médio de 373 kg, castrados. Os dois tratamentos foram constituídos de: T1-Suplementação mineral até a terminação e T2-Suplementação proteinada até a terminação, distribuídos em DIC com dois tratamentos e 9 repetições por tratamento. O suplemento foi fornecido duas vezes durante a semana, em cocho coberto. Todos os animais tiveram livre acesso ao cocho e a água. Foram utilizados quatro piquetes de Brachiaria brizanta cultivar Marandu com 6,5 hectares cada. Enquanto dois estavam ocupados os outros dois permaneciam vazios por 28 dias. A cada sete dias foi feito o rodízio dos animais para retirar os efeitos do piquete. Os aspectos comportamentais foram avaliados visualmente, com um observador em cada piquete e as observações foram feitas com a ajuda de binóculos. Para o registro do tempo gasto em cada uma das atividades descritas acima, os animais foram observados visualmente a cada 10 minutos, por dois períodos de 12 horas cada, das seis horas da manhã às 18 horas realizados no 25º e 26º dia do mês de outubro. As variáveis comportamentais estudadas foram: a média do número de mastigações merícicas por bolo ruminal (MBR), do tempo gasto para ruminação de cada bolo (TBR) e o número de bolos ruminados (NBR), no período diurno foram obtidos, registrando-se com cronômetros digitais, nove valores por animal, conforme metodologia descrita por Burger et al., (2000). O tempo de mastigação total (TMT) foi determinado pela soma entre o tempo de pastejo e o tempo de ruminação, que foram coletados durante as observações. As análises laboratoriais foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal do Departamento de Tecnologia Rural e Animal da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UESB. Utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado com dois tratamentos e nove repetições por tratamento. Para analise estatística dos dados utilizou-se o programa SAEG Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas Ribeiro Jr, (2001), bem

como os resultados foram interpretados estatisticamente por meio de análise de variância e teste F a 5% de probabilidade.

10

Resultados e Discussão Na tabela 1, estão apresentados os valores médios do tempo de mastigação total, quantidade de bolos ruminados, tempo gasto/bolo, número de mastigações/bolo ruminado em função da suplementação mineral e suplementação protéica para novilhos Nelore em pastejo. Para as variáveis TMT e TBR não houve significância entre os tratamentos (P> 0,05), uma vez que há um consumo de forragem e o suplemento caracteriza-se por ser de baixo consumo. Silva (2008) trabalhando com novilhos nelore recebendo suplementação no período seco (SM, 0,3, 0,6 e 0,9) encontrou 562, 429, 480 e 442 minutos para a TMT respectivamente e para TBR valores de 41, 38, 42 e 35 segundos. As quantidades de NBR foram de 135 e 176, respectivamente para suplementação mineral e suplementação protéica, diferindo estatisticamente (P<0,05). MBR foram de 47,8 e 43,55 respectivamente para suplementação mineral e suplementação protéica, diferindo estatisticamente (P<0,05), devido ao consumo de FDN.

Tabela 1 - Valores médios do tempo de mastigação total (TMT), quantidade de bolos ruminados (NBR), tempo gasto/bolo (TBR), número de mastigações/bolo ruminado (MBR) e seus respectivos coeficientes de variação.

 

Tratamentos

   

Suplementação

Suplementação

Atividade

mineral

protéica

CV (%)

P

TMT (min/12h)

567,77

578,33

8,71

NS

NBR /12h

135

176

28,04

0,00754

TBR (seg)

46,7

45,38

10,39

NS

MBR

47,8

43,55

11,48

0,02128

CV = coeficiente de variação; P = significância; NS = não significativo.

Conclusões A suplementação protéica de baixo consumo aumentou o numero de bolos ruminados e diminuiu o numero de mastigações por bolo ruminado.

Literatura citada Brâncio, P.A. et al. Avaliação de três cultivares de Panicum maximum Jacq. Sob pastejo:

Comportamento Ingestivo de Bovinos. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v.32, n.5,

p.1045-1053, 2003. Burger, P.J. et al. Comportamento ingestivo de bezerros holandeses alimentados com dietas contendo diferentes níveis de concentrado. Revista Brasileira de Zootecnia,v.29, n.1, p.236-242, 2000. Pardo, R.M.P., V. Fischer, M. Balbinotti, C.B. Moreno, E.X. Ferreira, R.I. Vinhas e P.L. Monks. 2003. Comportamento ingestivo diurno de novilhos em pastejo a níveis crescentes de suplementação energética. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia, 32: 1408-

1418.

Ribeiro Jr., J.I. Análises Estatísticas no SAEG (Sistema de análises estatísticas). Viçosa,

MG: UFV, 2001. 301 p. Silva, R. R. Terminação de novilhos Nelore suplementados em pastagens: comportamento, desempenho, características da carcaça e da carne e a economicidade do sistema. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Maringá. Programa de Pós-graduação em Zootecnia, 2008. 139 f.

Autor a ser contactado: Danilo Ribeiro de Souza End.: Avenida Cinqüentenário, 452, Centro, Itapetinga-BA. CEP-45700-000. e-mail:

danilozootec@hotmail.com

11

ASPECTOS METODOLÓGICOS DOS PERÍODOS DISCRETOS NO COMPORTAMENTO INGESTIVO DE NOVILHOS A PASTO

George Abreu Filho 1* , Hermógenes Almeida de Santana Júnior 1 , Elisangela Oliveira Cardoso 1 , Gonçalo Mesquita Silva 1 , Robério Rodrigues Silva 2

1 Graduando em Zootecnia/UESB. 2 Professor Titular DEBI/UESB.

Palavras-chaves: bovino, etologia, metodologia

Introdução

No estudo do comportamento ingestivo, um dos componentes mais importantes

é a escolha do intervalo de tempo entre as observações, uma vez que a observação

contínua dos animais é um processo que despende muita mão-de-obra, tornando-se impraticável quando se deseja observar um número elevado de animais. Alguns estudos recentes mostram algumas tendências novas, como a possibilidade de observar animais pelo modelo Scan Sampling a até trinta minutos de intervalos (Silva et al., 2005). Objetivou-se identificar os intervalos de tempo mais adequados para estudo dos períodos discretos do comportamento ingestivo de novilhos Nelore a pasto, quando comparados com a escala de 10 minutos de intervalo entre observações.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na fazenda Boa Vista, Maiquinique, Bahia. Foram

utilizados 30 animais da raça Nelore, castrados, com média de 22 meses de idade e peso corporal médio de 325 kg. O experimento teve duração de 84 dias, de agosto à novembro de 2008. Os animais foram mantidos em sistema de produção a pasto, em pastejo continuo de Brachiaria brizantha cv Marandú.

Os animais foram aleatoriamente alocados em cada um dos tratamentos abaixo: T1- Baixo NNP = Animais recebendo suplemento com baixo Nitrogênio Não- Protéico – 1% uréia; T2- URC = Animais recebendo suplemento com 6,5% de Uréia Convencional; T3- URP= Animais recebendo suplemento com 5,7 % de Uréia Protegida e 1,1% de Uréia Convencional.

A avaliação do comportamento animal foi realizada, visualmente, no 42º dia de

experimentação. As variáveis comportamentais estudadas foram: pastejo, ruminação,

ócio e comendo no cocho (COCHO). As atividades comportamentais foram consideradas mutuamente excludentes, conforme definição de Pardo et al. (2003). Cada animal foi observado em três escalas diferentes: 10, 20 e 30 minutos de intervalo, por um período de 24 horas, a fim de identificar o tempo destinado às

atividades em cada uma das escalas (Silva et al., 2005). Após a obtenção dos resultados das diversas variáveis testadas, todas foram comparadas com a escala de 10 minutos de intervalo.

A discretização das séries temporais foi feita diretamente nas planilhas de

coleta de dados, com a contagem dos períodos discretos de pastejo, ruminação, ócio

e cocho. Foi utilizado o delineamento experimental em unidades de medidas repetidas, em arranjo fatorial três por três (três fontes de NNP e três escalas de intervalo). Para análise dos dados coletados no experimento, foi utilizado o Sistema de Análises

Estatísticas e Genéticas – SAEG, e os resultados foram interpretados estatisticamente por meio de análise de variância e Tukey a nível de 0,05 de probabilidade.

Resultados e Discussão

ruminação (NPR) e permanência no cocho (NPC) e dos tempos por período de pastejo (TPP), ócio (TPO), ruminação (TPR) e permanência no cocho (TPC), com três intervalos de observação, em novilhos Nelore suplementados a pasto.

ITEM

INTERVALO DE OBSERVAÇÃO 1

CV

2

10

20

30

(%)

NPP

7,2 A

6,2 B

4,8 C

20,1

NPO

13,7 A

10,1 B

7,4 C

15,5

NPR

10,6 A

7,9 B

6,5 C

15,6

NPC

1,8 A

1,4 B

1,5 AB

41,7

TPP (mim)

81,6 B

94,4 B

129,5 A

21,4

TPO (mim)

32,8 C

46,1 B

57,9 A

28,4

TPR (mim)

36,5 B

51,1 A

60,1 A

32,6

TPC (mim)

35,0

35,2

37

23,9

Médias seguidas pela mesma letra, na linha, não diferem entre si estatisticamente pelo teste Tukey a nível de 0,05 de probabilidade.

1 Intervalo de tempo em minutos. 2 Coeficiente de variação.

Os valores de NPP, NPO, NPR, TPO e TPR apresentaram diferença estatística entre os intervalos de 20 e 30, quando comparados com o de 10 minutos. No NPC, o intervalo de observação de 10 minutos apresentou semelhança estatística com o de 30 minutos, diferindo do intervalo de 20 minutos. Já os valores de TPP apresentaram valores estatisticamente iguais entre os intervalos de observação de 10 e 20 minutos, no entanto diferiu do intervalo de 30 minutos de observação. No entanto, Silva et al. (2008) afirmou que qualquer intervalo entre cinco e 30 entre observações seria conveniente para o estudo dessas variáveis. Os resultados, semelhantes estatisticamente, do tempo por período de pastejo (TPP) nos intervalos de observações de 10 e 20 minutos, afirma que se o único objetivo do estudo for à coleta do TPP, poderá ser realizado em intervalos de até 20 minutos, com boa confiabilidade. Para TPC não houve diferença estatística entre os intervalos de observação estudados.

Conclusão

Para o estudo dos períodos discretos de novilhos a pasto, não deve ser feito observações com intervalos maiores que 10 minutos.

Bibliografia

PARDO, R.M.P.; FISCHER, V.; BALBINOTTI, M. et al. Comportamento ingestivo diurno de novilhos em pastejo a níveis crescentes de suplementação energética. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia, v.32, n.6, p.1408-1418, 2003. SILVA, R.R.; CARVALHO, G.G.P.; Magalhães, A.F. et al Comportamento ingestivo de novilhas mestiças de holandês em pastejo. Archivos de Zootecnia, v.54, p.63-74,

2005.

SILVA, R.R. PRADO, I.N. CARVALHO, G.G.P. Efeito da utilização de três intervalos de observações sobre a precisão dos resultados obtidos no estudo do comportamento ingestivo de vacas leiteiras em pastejo. Ciência Animal Brasileira, v. 9, n. 2, p. 319-

326. 2008.

*Autor: George Abreu Filho (77) 8125 – 6530 E-mail: georgeabreu16@hotmail.com

13

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE FÍSICO-QUÍMICA DE LEITE PRODUZIDO COM ORDENHA MANUAL COM VACAS MESTIÇAS

Rita Kelly Couto Brandão 1 , Marcelo Mota Pereira 1 , Antonio Jorge Del Rei 2 , Danilo Ribeiro de Souza 3 , Robério Rodrigues da Silva 2

1 Graduando em Zootecnia - UESB 2 Professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UESB 3 Zootecnista, mestrando em Produção Animal - UESB

INTRODUÇÃO

Pela grande quantidade de nutrientes, o leite é considerado um alimento de grande importância para a raça humana, sendo dessa forma, consumido e comercializado por grande parte da população, principalmente crianças e idosos (GARRIDO et al., 2001). A Instrução Normativa nº 51 (IN 51), define o leite cru refrigerado, como produto oriundo da ordenha completa, ininterrupta, em condições de higiene, de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas, refrigerado e mantido nas temperaturas máxima de conservação: 7ºC na propriedade rural/tanque comunitário e 10ºC no estabelecimento processador, transportado em carro tanque isotérmico da propriedade rural para um Posto de Refrigeração de leite ou estabelecimento industrial adequado, para ser processado (BRASIL, 2002). O presente estudo objetivou avaliar se a qualidade do leite cru resfriado produzido na fazenda Cabana da Ponte Agropecuária Ltda. no Sul da Bahia, está dentro dos padrões

estabelecidos pela Instrução Normativa 51 para os parâmetros de gordura, proteína, lactose

e extrato seco desengordurado, obtido em ordenha manual com vacas mestiças nos meses de janeiro a abril de 2009.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizadas vacas mestiças holandesas x zebu com variados graus de sangue e diferentes estágios de lactação, alojadas no curral da sede de cima, onde as mesmas eram ordenhadas manualmente com bezerro ao pé, e passavam pelo processo de higienização dos tetos com solução de iodo e secagem com papel toalha. O rebanho analisado pertence

a fazenda Cabana da Ponte Agropecuária Ltda., situada no município de Itororó, sul da

Bahia. As amostras de leite foram coletadas mensalmente, diretamente do tanque de expansão, e acondicionadas em frascos com conservante bronopol, sendo remetidas no mesmo dia para o Laboratório de Fisiologia da Lactação, da Clínica do Leite, ESALQ/USP, e

encaminhadas para determinação dos teores de extrato seco desengordurado, gordura e proteína por citometria de fluxo, utilizando-se equipamento Somacount 300®, da Bentley Instruments, Incorporation.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na tabela 1 são observados os resultados obtidos após as analises físico-químicas do leite nos tanque de resfriamento da propriedade Cabana da Ponte, no ano 2009.

Tabela 1. Resultados observados nas analises físico-químicas.

2009

jan

fev

mar

abr

média

Gordura

3,55

3,54

2,69

3,42

3,30

Proteína

3,54

3,25

2,72

3,35

3,22

Lactose

4,34

3,97

3,3

4,07

3,92

SNG

8,86

8,2

6,97

8,34

8,09

14

A proteína e a gordura são fundamentais para as características nutricionais da secreção e, além disso, constituem um determinante crítico nas políticas de pagamento do produto (IBARRA, 2004). Os valores médios observados no período de janeiro a abril de 2009 foram de 3,30% para gordura, 3,22 % para proteína, 3,92 % para lactose e 8,09 % para sólidos não gordurosos. Neto et al., (2008) avaliando a Composição Química e Contagem de Células Somáticas do leite de tanques no estado de Pernambuco, relatou resultados para gordura de 3,54 %, proteína de 3,12 % , extrato seco desengordurado de 8,39 % e lactose de 4,39%, Rangel (2008) avaliando dietas à base de cana-de-açúcar, observou teores de gordura de 3,55 % e lactose de 4,18 %, valores estes superiores aos encontrados por este autor. O leite produzido nesta propriedade está acima dos padrões mínimos exigidos pela Instrução Normativa 51, que reza os padrões mínimos para gordura, proteína e sólidos não gordurosos de 3%, 2,9 % e 8,4 g/100 g, respectivamente. Isso evidencia que o manejo nutricional adotado nesta propriedade está suprindo as necessidades do rebanho.

CONCLUSÃO

leite

propriedade está de acordo com as exigências da instrução normativa 51.

As

analises

do

leite

apresentadas

demonstram

que

o

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

produzido

nesta

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução normativa nº 51, de 18 de setembro de 2002. Regulamento técnico de produção, identidade e qualidade do leite tipo A, do leite tipo B, do leite tipo C, do leite pasteurizado e do leite cru refrigerado e o Regulamento técnico da coleta de leite cru refrigerado e seu transporte a granel. Publicada no Diário Oficial da União de 20 de Setembro de 2002, seção 1, página

13.

GARRIDO, N. S. et al., Avaliação da qualidade físico-química e microbiológica do leite pasteurizado proveniente de mini e micro-usinas de beneficiamento da região de Ribeirão Preto/SP. Rev. Inst. Adolfo Lutz, 60(2):141-146, 2001.

IBARRA, A. Sistema de pagamento do leite por qualidade. Visão global. In: DÜRR, J. W.; CARVALHO, M.; SANTOS, M.V. (Ed.). O compromisso com a qualidade do leite no Brasil. Passo Fundo, RS: UPF, 2004.

NETO, A. C. R; Severino Benone Paes Barbosa, B. P. B; Humberto Monardes, M; et al., COMPOSIÇÃO QUÍMICA E CONTAGEM DE CÉLULAS SOMÁTICAS DE LEITE DE TANQUES NO ESTADO DE PERNAMBUCO, Anais do III CONGRESSO BRASILEIRO DE QUALIDADE DO LEITE, setembro de 2008, Recife Pernanbuco.

RANGEL, A. H. N., Campos, J. M. S., Filho, S. C.V. et al. Composição do Leite de Vacas Alimentadas com Cana-de-açúcar Suplementadas à Base de Farelo de Soja ou Diferentes Níveis de Uréia, Anais do III CONGRESSO BRASILEIRO DE QUALIDADE DO LEITE, Recife Pernambuco, setembro de 2008.

Autor a ser contactado: Marcelo Mota Pereira Email motinha03@bol.com.br Endereço Rua Itambé, nº 438, bairro camacã Itapetinga Bahia CEP 45700-000

15

AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO INGESTIVO DE TOUROS JOVENS E VACAS COM CRIA AO PÉ EM PASTEJO

Márcio Rafael Alves Bispo dos Santos¹, Jusaline Fernandes Vieira 1, 2 , Luis Henrique Almeida de Matos 1 , Maurício Passos Garcia 3 , Larissa Pires Barbosa 4

1 Aluno de Graduação do curso de Zootecnia da UFRB
2

Aluna Assistida pelo Programa de Permanência/ PROPAAE/UFRB.

3 Aluno de Graduação do curso de Medicina Veterinária da UFRB 4 Professor Adjunto I da UFRB

Palavras Chave: alimentação, ócio, ruminantes.

Introdução A etologia estuda o comportamento e manifestações vitais dos animais em seu ambiente de criação ou em ambientes modificados pelo homem. Esse conhecimento é essencial para a obtenção de condições ótimas de criação e alimentação (MARQUES et al., 2005). Desta forma, o estudo do comportamento ingestivo dos ruminantes é de relevância para o fornecimento de dados que podem contribuir significativamente para melhores índices de produtividade e proporcionar aos animais um manejo nutricional adequado, bem como, o consumo de alimentos (SILVA et al., 2007). Objetivou-se com este trabalho avaliar o comportamento ingestivo de novilhos e vacas com cria ao pé em pastejo.

Material e Métodos O Experimento foi realizado no Setor de Bovinocultura de Corte da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em Cruz das Almas/BA, em Junho de 2009. Foram utilizados 16 animais anelorados devidamente identificados e separados em dois grupos (G1) – composto por oito novilhos e (G2) - composto por oito vacas com cria ao pé. Os animais foram mantidos em um único piquete de Brachiaria decumbens de 3,5 ha, com disponibilidade de forragem de 2.600kg/ha e aproximadamente 35% de matéria seca (MS). As observações foram feitas durante um período de 48horas. Para facilitar as observações, cada 24 horas foram divididas em quatro períodos: PERI 06:10 às 12:00 h; PERII 12:10 às 18:00h; PERIII 18:10 às 00:00h; PERIV 00:10 às 6:00h. Cada animal foi observado em intervalos de dez minutos. A coleta de dados foi realizada por quatro observadores, se revezavam a cada 3 horas. Para observação noturna dos animais foram utilizadas lanternas, para não impedir o comportamento natural dos animais. Foram observadas as atividades de alimentação (ALIM), ruminação (RUM) e ócio (OCI), a percentagem de tempo que o animal permaneceu ruminando deitado (PRUD), em ócio deitado (POCD), a freqüência de alimentação (FAL), ruminação (FRU) e ócio (FOC). Os dados foram submetidos a analise de variância e as médias comparadas pelo teste de F e Tukey, ao nível de 5% de significância, utilizando-se o SAEG (2007).

Resultados e Discussão De acordo com os dados da Tabela 1 não houve diferença significativa (P>0,05) entre os tratamentos na ALIM, o que justifica a variação na FAL, uma vez que quanto maior a FAL menor o tempo despendido na ALIM. Houve diferença significativa na RUM entre os tratamentos (P<0,05), sendo que os novilhos apresentaram um tempo maior de ruminação do que as vacas com cria ao pé. Conforme Van Soest (1994), o tempo de ruminação é influenciado pela natureza da dieta e parece ser proporcional ao teor de parede celular dos volumosos ou da dieta. A FOC foi maior na para os garrotes do que para as vacas com cria ao pé (P<0,05)

Tabela 1. Tempo de alimentação (ALIM), ruminação (RUM) e ócio (OCI), percentagem do tempo ruminando deitado (PRUD), percentagem do tempo em ócio deitado (POCD), freqüência de alimentação (FAL), ruminação (FRU) e ócio (FOC) de (G1) novilhos e (G2) vacas com crias ao pé em pastagem de Brachiaria decumbens.

16

Tratamento

ALIM

RUM

PRUD

OCI

POCD

FAL

FRU

FOC

G1

1200,00

1073,75

a

19,56

606,25

51,95

31,54

a

30,50

38,09

a

G2

1283,63

1001,82

b

40,28

594,54

37,91

24,87

b

33,27

31,75

b

*C.V. (%)

8,49

6,96

17,93

12,50

9,38

13,14

Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem entre si (P<0,05) pelo teste de Tukey. *C.V. = coeficiente de variação.

A Tabela 2 mostra que ALIM foi maior durante o dia (PERI e PERII) em relação ao período da noite (PERIII e PERIV) (P<0,05), isto está em consonância ao citado por Van Soest (1994), que afirma que os animais em pastejo, apresentam duas grandes refeições: uma no início da manhã (entre 05:00 as 09:00 h) e outra à tarde (entre 17:00 as 22:00 h).

Tabela 2. Tempo de alimentação (ALI), ruminação (RUM) e ócio (OCI), percentagem do tempo ruminando deitado (PRUD), percentagem do tempo em ócio deitado (POC), freqüência de alimentação (FAL), ruminação (FRU) e ócio (FOC) de novilhos e vacas com crias ao pé pastagens de Brachiaria decumbens.

Parâmetro

ALIM

RUMI

PRUM

OCIO

POCI

FALI

FRUM

FOCI

PER I

373,75

b

110,00

b

47,76

a

236,25 a

94,37

ab

8,75

a

5,50

b

12,25 a

PERII

538,75

a

136,25

b

63,83

a

45,00 b

55,20

bc

7,00

a

5,25

b

4,25

b

PERIII

250,00

c

385,62

a

62,05

a

103,12

b

43,76 c

7,93

a

10,06 a

7,00

b

PERIV

65,00 d

401,25a

31,71

a

253,75

a

122,47 a

2,00

a

9,37 a

10,37 a

*C.V. (%)

18,45

19,23

47,08

34,81

58,55

22,22

20,73

29,18

Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem entre si (P<0,05) pelo teste de Tukey. *C.V. = coeficiente de variação.

No que se refere à ruminação, esta ocorreu por mais tempo no PERIV, possivelmente isso está associado ao início da ruminação ocorrer aproximadamente duas horas após uma grande refeição (MARQUES et al., 2008) e também por este período apresentar temperaturas mais amenas em comparação com as diurnas. O tempo de ócio foi maior no PERIV, sendo este resultado semelhante ao descrito por Pedreira et al. (2009), analisando vacas leiteiras prenhes e vazias em pastagens de Brachiaria decumbens. Houve diferença entre as freqüências de alimentação, ruminação e ócio em função dos períodos do dia (P<0,05). A freqüência de alimentação foi maior no PERI e PERII. Por outro lado, as freqüências de ruminação e ócio foram maiores no período da noite e da manhã, respectivamente, acompanhando as informações relacionadas aos tempos destas atividades.

Conclusões Os animais apresentaram comportamento ingestivo semelhante, apesar da diferença de idade das categorias avaliadas.

Bibliografia

AURELIO, N. D.; QUADROS, F. L. F.; MAIXNER, A. R.; ROSSI, G. E.; DANIEL, E.; ROMAN, J. Comportamento ingestivo de vacas holandesas em lactação em pastagens de capim elefante anão (Pennisetum purpureum cv. Mott) e Tifton 85 (Cynodon dactylon x C.nlemfuensis) na região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Ciência Rural, Santa Maria, v.37, n.2, p.470-475, mar-abr, 2007. MARQUES, J.A.; et al. Comportamento de Touros Jovens em Confinamento Alojados isoladamente ou em Grupo. Archivos Latinoamericanos de Producción Animal. Venezuela, v. 13, n. 3, p. 97-102, 2005. MARQUES, J.A.; PINTO, A. P.; ABRAHÃO, J. J. S.; NASCIMENTO, W. G.; Intervalo de tempo entre observações para avaliação do comportamento ingestivo de tourinhos em confinamento. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 29, n. 4, p. 93-98, out./dez. 2008. SAEG: Sistema para Análises Estatísticas, Versão 9.1: Fundação Arthur Bernardes-UFV, Viçosa, 2007. Silva, R. R.; Prado, I. N.; Carvalho, G. G. P.; Oliveira, A. P.; Almeida, V. V. S.; Souza, D. R.; Santana Junior, H. A.; Silva, F. F. Efeito da presença do bezerro sobre o comportamento ingestivo de vacas leiteiras em pastejo de Brachiaria decumbens, Rev. Bras. Saúde Prod. Na., v.8, n.1, p. 48-55, 2007. VAN SOEST, P.J. Nutritional ecology of the ruminant. 2 ed. New York: Cornnell University Press, 1994.

Autor para correspondência: Márcio Rafael Alves Bispo dos Santos. Endereço: Rua Hermiro Costa e Silva, nº. 07/ Cruz das Almas/Ba, CEP-44380-130, E-mail: rafaelzootec@yahoo.com.br.

17

AVALIAÇÃO FÍSICO-QUIMICA DE LEITE CRU: PERÍODO DAS ÁGUAS X PERÍODO DA SECA

Julio Jaat Dias Lacerda 1 , Marcelo Mota Pereira 1 , Perecles Brito Batista 2 , Daniel Lucas Santos Dias 1 , Aracele Prates de Oliveira 2

1 Graduando em Zootecnia

2 Zootecnista, mestrando em Produção Animal

Introdução

O sistema agro-industrial do leite, devido a sua enorme importância social, é um dos

mais importantes do país. A atividade é praticada em todo o território nacional em mais de um milhão de propriedades rurais e, somente na produção primária, gera acima de três milhões de empregos e agrega mais de seis bilhões ao valor da produção agropecuária nacional (VILELA et al., 2002).

O Brasil pode se tornar um dos principais exportadores de produtos lácteos do mundo,

para tal é necessário que tenhamos volume de produção e qualidade. Neste sentido, diversas pesquisas têm sido desenvolvidas com o objetivo de verificar possíveis causas de variação na produção e qualidade do leite, pois a qualidade deve estar em toda a cadeia produtiva, com destaque especial para a produção primária. Objetivou-se com este estudo comparar as percentagens de gordura e proteína do

leite obtido na época da seca e época das águas, no período de julho de 2008 a fevereiro de

2009.

Material e Métodos

Este trabalho foi realizado no período de julho de 2008 a fevereiro de 2009, onde se considerou o período de 01 de junho a 30 de outubro como período das secas com precipitação de 67 mm em todo o período e de 01 de novembro de 2008 a 28 de fevereiro de 2009 como períodos das águas com precipitação total de 487 mm, no curral da sede do confinamento na Fazenda Cabana da Ponte Agropecuária Ltda., município de Itororó, utilizando vacas mestiças holandesas x zebu com variados graus de sangue, em estagio de lactação acima de 10 dias. Os animais foram manejados em pastagem de capim Braquiaria decumbens com cerca elétrica e sal mineral a vontade. Foram coleta 04 amostras mensais do tanque de resfriamento e estocagem, seguindo os padrões recomendados pelo Laboratório de Fisiologia da Lactação, da Clínica do Leite, ESALQ/USP, e encaminhadas sob refrigeração no mesmo dia, com conservante bronopol para determinação dos teores de gordura e proteína por citometria de fluxo, por intermédio do equipamento Somacount 300®, da Bentley Instruments, Incorporation. Para analise estatística dos dados utilizou-se o programa SAEG Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas (RIBEIRO JR, 2001), bem como os resultados foi interpretado estatisticamente por meio de análise de variância e teste F a 5% de probabilidade.

Resultados e Discussão

O conhecimento da composição do leite é essencial para a determinação de sua

qualidade, pois define diversas propriedades organolépticas e industriais. Os parâmetros de

qualidade são cada vez mais utilizados para detecção de falhas nas práticas de manejo, servindo como referência na valorização da matéria-prima (DÜRR, 2004). Na tabela 1 são observadas as médias dos resultados obtidos após as analises físico- químicas do leite do curral da sede de cima da propriedade Cabana da Ponte.

18

Tabela 01 Médias das percentagens de gordura e proteína no período das secas e águas do ano do no período de julho de 2008 a fevereiro de 2009.

Período das

Período da

 

seca

águas

CV (%)

P

Gordura (%)

3,71

3,07

20.362

0,03322

Proteína (%)

3,04

3,25

3.796

0,00036

CV

= coeficiente de variação; P = significância.

 

Verificou-se que a gordura diferenciou estatisticamente apresentando valores médio

de

3,71 % , valores inferiores aos observados por Benedetti et al., (2008), avaliando o

consumo e a produção de leite de vacas mestiças encontrou resultados na analise físico-

químico para gordura de 4,18%. A proteína apresentou diferença estatística apresentando valores de 3,25% na época das águas, valores estes maiores que os observados por Lacerda et al. (2008), determinando a qualidade físico-química do leite 20 propriedades produtoras de leite, localizadas Estado do Maranhão, com ordenha manual e mecânica, durante o período de verão e inverno, encontrou resultados de 3,23 % para proteína. Tanto os teores de gordura quanto de proteína diferiram estatisticamente, evidenciando que ocorreu uma diferença nos teores devido a época do ano, sendo que a alimentação tem grande influencia nesse processo.

Conclusão

A gordura e a proteína diferiram estatisticamente, demonstrando que ocorreu diferença entre os teores de gordura no período das águas e da seca, sendo que na época das secas tende a aumentar o teor de gordura e proteína do leite.

Bibliografia

BENEDETTI, E; Rodríguez, N. R. Campos, W E. et. al., CONSUMO DE ALIMENTOS E PRODUÇÃO DE LEITE DE VACAS MESTIÇAS MANTIDAS EM DIFERENTES PASTAGENS TROPICAIS Ciência Animal Brasileira, v. 9, n. 3, p. 578-589, jul./set. 2008. DÜRR, J.W. Programa nacional de melhoria da qualidade do leite: uma oportunidade única. In: DÜRR, J.W.; CARVALHO, M.P.; SANTOS, M.V. (Eds.) O compromisso com a qualidade do leite no Brasil. Passo Fundo: Editora Universidade de Passo Fundo, 2004.

p.38-55.

LACERDA, L. M., Mota, R. M., Sena, M. J. et al., AVALIAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DO LEITE CRU DE PROPRIEDADES LEITEIRAS DE MIRANDA DO NORTE, ITAPECURÚ-MIRIM E SANTA RITA MA, Anais do III CONGRESSO BRASILEIRO DE QUALIDADE DO LEITE, setembro de 2008, Recife Pernanbuco. VILELA, D.; LEITE, J. L. B.; RESENDE, J. C. Políticas para o leite no Brasil: passado presente e futuro. In: Santos, G. T.; Jobim, C. C.; Damasceno, J. C. Sul-Leite Simpósio sobre Sustentabilidade da Pecuária Leiteira na Região Sul do Brasil, 2002, Maringá. Anais Maringá: UEM/CCA/DZO-NUPEL, 2002. RIBEIRO JR., J.I. Análises Estatísticas no SAEG (Sistema de análises estatísticas). Viçosa,: UFV, 2001. 301 p.

Autor a ser contactado: Marcelo Mota Pereira Email motinha03@bol.com.br Endereço Rua Itambé, nº 438, bairro camacã Itapetinga Bahia CEP 45700-000

19

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS DA CARCAÇA DE NOVILHOS NELORE SUPLEMENTADOS COM SAL MINERAL OU PROTEINADO EM PASTAGEM DE BRACHIARIA BRIZANTHA 1

Danilo Ribeiro de Souza 2 , Fabiano Ferreira da Silva 3 , Jair de Araújo Marques 4 , Gleidson Giordano Pinto de Carvalho 5 , Aracele Prates Oliveira 6

1 Parte da dissertação do primeiro autor

2 Mestrando em Zootecnia pela UESB. Bolsista CAPES. AGIPec-Consultoria Agropecuária; 3 Professor do Curso de Zootecnia da UESB; 4 Professor do Curso de Zootecnia da UFRB; 5 Professor do Curso de Zootecnia da UFBA; 6 Mestranda em Zootecnia pela UESB.

Palavras – chave: pasto, acabamento, carcaça

Introdução No Brasil o sistema de terminação de bovinos feito em pastagem, e a utilização de animais de origem zebuína permitem a produção de animais com menor percentagem de gordura corporal. Contudo é necessária a obtenção de carcaças com espessura de gordura de 3-5 mm, que permita uma proteção no resfriamento garantindo qualidade para o consumidor. A área de olho de lombo (AOL) tem sido relacionada à musculosidade e como indicador de rendimento dos cortes de alto valor comercial, e tem correlação positiva com a porção comestível da carcaça (Luchiari Filho, 2000). Objetivou-se estudar o efeito da suplementação protéica sobre as características físicas da carcaça em novilhos Nelore, terminados em pastagem.

Materiais e Métodos

O experimento foi conduzido na Fazenda Boa Vista, município de Macarani, Bahia, no

período de 26 de Agosto de 2006 a 24 de Fevereiro de 2007. Foram utilizados 18 novilhos da raça Nelore com 26 meses de idade e peso vivo médio de 371,5 kg distribuídos em dois tratamentos: T1 - suplementação mineral e T2 – suplementação protéica de baixo consumo até a terminação. Foram utilizados quatro piquetes de Brachiária brizantha com 6,5 hectares, dois deles estavam sendo pastejados e dois

vazios. A cada sete dias foi realizado o rodízio dos animais nos piquetes pastejados e

a cada 28 dias os animais passavam para os outros dois.Todos os animais tinham

livre acesso à sombra, água e mistura mineral ou proteinado de baixo consumo. Os animais foram pesados no início e fim do período experimental após jejum total de 12

horas. Foi considerado como ponto de abate o momento em que os animais atingiram

o peso médio de 480 kg. A escolha deste peso foi feita em função do peso adulto da

raça utilizada no experimento. Os animais foram abatidos no frigorífico BERTIN. Foi mensurado o peso da carcaça fria (PCF), conformação da carcaça (CONF), comprimento de carcaça (CC), comprimento de perna (CP), espessura de coxão (EC), espessura de gordura de cobertura (EGC), cor (COR), textura (TEX), marmoreio (MAR) e área de olho de lombo (AOL). Utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado com dois tratamentos e nove repetições por tratamento. As variáveis estudadas foram avaliadas por meio de análise de variância, pelo Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas - SAEG (UFV, 2001) e utilizou-se o teste F em nível de 5% de significância.

Resultados e Discussão Não foram verificadas diferenças (P>0,05) entre os animais submetidos aos diferentes suplementos, quanto aos valores de CC, EC, CONF, CP, EGC, COR, TEXT e AOL. Restle e Vaz (1999) verificaram que, em animais mestiços Nelore e Hereford, a espessura de coxão diminuiu com o aumento da participação do sangue Nelore no

20

cruzamento. Os valores atribuídos para cor tiveram como média 3,55 pontos, indicando que a carne produzida por estes animais apresentou um aspecto considerado atraente ao consumidor. A textura da carne do músculo Longissimus dorsi teve como média 3,66 pontos. De modo geral, animais jovens apresentam textura mais fina que animais de idade mais avançada, o que, nesse caso, está associado à maciez da carne. Houve diferença (P<0,05) para MAR dos dois grupos em estudo. Dentro da classificação de MULLER (1980), a conformação para ambos os tratamentos é considerada boa mais, o marmoreio recebeu classificação distintos sendo os animais do T1 leve e média e os do T2 como traço mais. A EGC está dentro das exigências de 3-5 mm exigido pelos frigoríficos. A AOL foi superior à 66,56 cm 2 encontrado por SILVA (2008).

Tabela 1 – Peso da carcaça fria (PCF), conformação da carcaça (CONF), comprimento de carcaça (CC), comprimento de perna (CP), espessura de coxão (EC), espessura de gordura de cobertura (EGC), cor (COR), textura (TEX), marmoreio (MAR) e área de olho de lombo (AOL), em função da suplementação dos tratamentos sal mineral ou proteinado com seus respectivos coeficientes de variação e probabilidade (P).

Item

Sal Mineral

Proteinado

CV

P

PCF (Kg)

255,68a

252,22a

6,53

ns

CONF

12,11a

12,77a

8,62

0,20633

CC, cm

132,14a

130,88a

2,95

ns

CP, cm

80,85a

79,61a

2,99

0,28725

EC, cm

26,83a

26,77a

4,66

ns

EGC, mm

4,05a

3,22a

29,77

0,1225

COR

3,55a

3,55a

14,82

ns

TEXT

3,66a

3,66a

13,36

ns

MAR

4,66a

3,00b

35,72

0,02006

AOL, cm2

67,42a

70,55a

8,06

0,24982

Médias seguidas de letras minúsculas diferentes na mesma linha diferem pelo teste F (P<0,05)

Conclusões

A suplementação com proteinado de baixo consumo durante toda a fase de terminação influenciou a característica de marmoreio de animais machos Nelore castrados, abatidos com 32 meses de idade.

Referências Bibliográficas LUCHIARI FILHO, A. Pecuária da carne bovina. 1ª ed. São Paulo, 2000. 134p MULLER, L. Normas para avaliação de carcaça e concurso de carcaças de novilhos. 1.ed. Santa Maria: UFSM. 1980. 31p. RESTLE, J.; VAZ, F.N. Confinamento de bovinos definidos e cruzados. In: LOBATO, J.F.P. et al. (Eds). Produção de bovinos de corte. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999.

p.141-168.

RIBEIRO JR., J.I. Análises Estatísticas no SAEG (Sistema de análises estatísticas). Viçosa, MG: UFV, 2001. 301 p. SILVA, R. R. Terminação de novilhos Nelore suplementados em pastagens:

comportamento, desempenho, características da carcaça e da carne e a economicidade do sistema. Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Maringá. Programa de Pós-graduação em Zootecnia, 2008. 139 f.

Autor a ser contactado: Danilo Ribeiro de Souza End.: Avenida Cinqüentenário, 452, Centro, Itapetinga-BA. CEP-45700-000. e-mail:

danilozootec@hotmail.com

21

COMPORTAMENTO INGESTIVO DE FÊMEAS ANELORADAS EM DIFERENTES ESTÁGIOS REPRODUTIVOS

Jusaline Fernandes Vieira 1, 2 , Ana Lúcia Almeida Santana 1, 2 , Marcela Souza Brito¹, Lourival Alves Caxias Neto 1, 2 , Jair de Araújo Marques³

¹Graduandos em Zootecnia Pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Cruz das Almas- BA ²Alunos assistidos pelo Programa de Permanência/PROPAAE/UFRB ³Prof. Adjunto I do Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas/UFRB, Cruz das Almas- BA

Palavras-Chave: consumo, ócio, produção.

Introdução

O comportamento ingestivo dos animais consiste em avaliar a quantidade e o valor

nutritivo da dieta, através da eficiência do animal, bem como estabelecer a relação entre o comportamento e o consumo voluntário, para obtenção de dados visando uma melhora no

desempenho zootécnico (Albright, 1993).

O hábito alimentar ou comportamento ingestivo dos ruminantes é diretamente

influenciado por fatores diversos, tais como, temperatura, manejo alimentar, instalações,

sistema de produção, época do ano, entre outros.

O sistema de produção extensiva é o mais utilizado no Brasil, já que o país

apresenta grandes áreas de pastagens. Uma das finalidades da produção em pastagens é suprir as necessidades nutricionais dos animais, através da manutenção de uma oferta de forragem constante, em termos de quantidade e qualidade, que devem ser suficientes para

obter desempenho satisfatório dos animais (Marques et al., 2005). Entretanto, nas condições de pastagem tropical, existem grandes variações na produção de matéria seca da forragem e na qualidade da pastagem, afetando negativamente o consumo e consequentemente a produção animal (Pardo et al., 2003). O objetivo do presente trabalho foi avaliar o comportamento ingestivo de fêmeas aneloradas em diferentes estágios reprodutivos.

Matérias e Métodos

O referido trabalho foi realizado no setor de Bovinocultura de Corte, no Centro de

Ciências, Agrárias, Ambientais e Biológicas da UFRB/Cruz das Almas/BA. Foram utilizadas 16 fêmeas aneloradas em diferentes estágios reprodutivos (oito

novilhas e oito vacas com bezerro ao pé), criadas em sistema extensivo, distribuídas em piquetes de Brachiaria decumbens, com fornecimento de água e forragem ad libitun.

O experimento foi desenvolvido em dois dias consecutivos, em Junho de 2009. O dia

foi dividido em quatro períodos para observações, sendo, PERI: das 06:10 as 12:00 h;

PERII: das 12:10 as 18:00 h; PERIII: das 18:10 as 00:00 h; PERIV: das 00:10 as 06:00 h. Os animais dos dois tratamentos foram submetidos à observação visual do comportamento ingestivo por avaliadores previamente treinados, ocorrendo um revezamento das duplas a cada três horas. Os animais foram observados concomitantemente em intervalos de 10 em 10 minutos, a fim de identificar o tempo despendido às atividades de alimentação, ruminação e ócio sendo as duas últimas atividades observadas com os animais tanto em pé quanto deitados. A coleta de dados foi efetuada com o uso de planilha apropriada contendo a identificação de cada animal. No período noturno, foram utilizadas lanternas, para melhor visualização dos tratamentos sem interferir no comportamento dos mesmos.

As médias obtidas foram testadas pelo teste de F, para os tratamentos e de Tukey

para os períodos, ao nível de 5% de significância utilizando-se o SAEG (2007).

Resultados e discussão Na Tabela 01, observa-se os resultados obtidos nas avaliações dos tratamentos novilha x vaca com bezerro ao pé.

22

Tabela 1. Tempo de alimentação (ALI), ruminação (RUM) e ócio (OCI), percentagem do tempo ruminando deitada (PRU), percentagem do tempo em ócio deitado (POC), freqüência de alimentação (FAL), ruminação (FRU) e ócio (FOC) de novilhas e vacas anelorados em pastagem de Brachiaria decumbens.

Tratamento

ALI

RUM

PRU

OCI

POC

FAL

FRU

FOC

Novilha Vaca com Bezerro

1225,00

1012,50

26,24

642,50

44,00

27,75

b

29,87

b

34,50

b

1246,25

1007,50

38,78

626,25

37,67

31,25

a

33,87

a

39,75

a

C.V. (%)

8,31

6,92

18,41

10,83

9,40

12,20

Médias seguidas de letras diferentes na coluna, diferem entre si (P<0,05) pelo teste de Tukey. *C.V.= coeficiente de variação

Em se tratando das variáveis: alimentação, ruminação e ócio, não houve diferença estatística ao nível de 5%, os resultados encontrados foram semelhantes entre os

tratamentos. No entanto, observou-se variação significativa nas freqüências de alimentação, ruminação e ócio, ou seja, a freqüência das varáveis não acompanhou o mesmo comportamento dos tempos totais despendidos.

As freqüências foram superiores para as vacas com bezerro ao pé, possivelmente

isso tenha ocorrido, em função da presença dos bezerros que interferiam nas atividades para amamentação. A Tabela 2 apresenta os resultados das atividades em função dos períodos, onde as atividades foram afetadas pelos períodos. A atividade de alimentação apresentou variação

significativa em todos os períodos.

Tabela 2. Tempo de alimentação (ALI), ruminação (RUM) e ócio (OCI), percentagem do tempo ruminando deitada (PRU), percentagem do tempo em ócio deitado (POC), freqüência de alimentação (FAL), ruminação (FRU) e ócio (FOC) de novilhas e vacas anelorados em função dos períodos.

Tratamento

ALI

RUM

PRU

OCI

POC

FAL

FRU

FOC

PER I

371,25

b

105,00

b

45,79

243,75 a

93,80

9,62

a

5,50

b

13,37 a

PER II

528,75

a

131,25

b

61,75

60,00 c

61,87

7,75

ab

5,75

ab

5,12

c

PER III

233,75

c

456,87

a

84,87

134,37

b

47,00

6,62

b

10,75 a

8,37

b

PER IV

67,50 d

435,00

a

66,30

217,50

a

92,50

2,62

c

9,25 a

10,00 b

C.V. (%)

13,65

26,91

0,45

24,17

23,30

26,97

Médias seguidas de letras diferentes na coluna, diferem entre si (P<0,05) pelo teste de Tukey. *C.V. = coeficiente de variação

Observou-se que os períodos diurnos apresentaram maior tempo de alimentação, sendo que o PERII foi superior. Já as atividades de ruminação e ócio ocorreram em maior intensidade no PERIII e PERIV, períodos noturnos. Segundo Ortêncio Filho (2001), os animais utilizam mais o tempo durante o dia para alimentação, deixando a atividade de ruminação e ócio para o período noturno.

O tempo

Conclusão

total gasto para as atividades não

foi influenciado em

função dos

tratamentos, porém, interferiu nas freqüências destas atividades.

Os períodos influenciaram diretamente no comportamento ingestivo dos animais.

Referencias Bibliográficas

Carvalho, G. G. P.; Pires, A. J. V.; Silva, R. R.; Carvalho, B. M. A.; Silva, H. G. O.; Carvalho, L. M. Aspectos metodológicos do comportamento ingestivo de ovinos alimentados com capim-elefante amonizado e subprodutos agroindustriais, R. Bras. Zootec. v.36, n.4, p.1105-1112, 2007. Marques, J. A.; Maggioni, D.; Abrahao, J. J. S.; Guilherme, E.; Bezerra, G. Arruda.; Lugao, B. S. M. Comportamento de touros jovens em confinamento alojados isoladamente ou em grupo, Arch, Latinoam, Prod, Anim., Venezuela, Vol. 13, 2005. Marques, J. A.; Ito, R. H.; Zawadzki, F.; Maggioni, D.; Bezerra, G. A.; Pedroso, P. H. B. ; Prado, I. N. Comportamento ingestivo de tourinhos confinados com ou sem acesso á sombra, Campo Dig., Campo Mourão, v.2, n.1, p.43-49, jan/jun. 2007. Silva, R.; Silva, F.; Prado, I.; Carvalho, G.; Franco, I.; Mendes, F.; Cardoso, C.; Pinheiro, A.; Souza, D. Metodologia para o estudo do comportamento de bezerros confinados na fase de pós-aleitamento, Arch, Latinoam, Prod, Anim, Vol. 14, 2006.

Autor para correspondência: Jusaline Fernandes Vieira / cel: 75 81652295/ 71 81108265 Endereço: Residência Universitária Trio Elétrico/UFRB, n, 05/ Cruz das Almas/Ba, CEP-44380-130, E-mail:

jusalinefernandes@yahoo.com.br

23

COMPORTAMENTO INGESTIVO DE FÊMEAS ANELORADAS EM MEIO E FINAL DE GESTAÇÃO EM REGIME DE PASTEJO

Lenon Machado dos Santos 1 , Iuran Nunes Dias 1 , Carina Anunciação dos Santos Dias 1 , Soraya Maria Palma Luz Jaeger 2 , Jair de Araújo Marques 2 .

¹Graduandos em Zootecnia Pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Cruz das Almas- BA. ²Prof. Adjunto do Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas/UFRB, Cruz das Almas - BA.

Palavras–chave: Bovinos; Comportamento ingestivo; Manejo.

Introdução

O estudo do comportamento animal é cada vez mais proeminente, visto que permite um intenso conhecimento do animal, que servem de base na recomendação de técnicas de manejo adequado e coerente, sem interferir no seu comportamento natural. Segundo Marques et al. (2005), Os ruminantes, de um modo geral, respondem de forma diferente às diferentes dietas ou alimentos. Assim, o conhecimento de alimentação e nutrição destes, bem como, o conhecimento de seu comportamento ingestivo é fundamental para o sucesso da criação. O presente trabalho foi proposto com o objetivo de avaliar o comportamento ingestivo de fêmeas aneloradas no meio e final de gestação, manejadas em pastagem de Brachiaria decumbens.

Material e Métodos

O trabalho foi desenvolvido no setor de bovinos de corte na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), no município de Cruz das Almas/BA/BR. Foram utilizadas dez fêmeas aneloradas do rebanho da UFRB com idade entre cinco a oito anos, em diferentes condições reprodutivas. Os animais foram divididos em dois tratamentos, com cinco repetições cada, sendo o Tratamento I composto por fêmeas em meio de gestação (MGE) e o II por fêmeas em final de gestação (FGE). Os animais pastaram em uma área de 3,5 ha de Brachiaria decumbens, com disponibilidade de forragem de 2.700 Kg/ ha. O teor de matéria seca foi de 32% e a relação de folha:colmo foi de 37:63, com base na matéria seca. O experimento teve duração de 48:00 h consecutivas e as avaliações foram distribuídas em dois períodos: diurno e noturno. Os dados eram anotados em intervalos de 15 minutos. As observações foram realizadas por seis avaliadores treinados, revezando as duplas a cada três horas. Nos períodos noturnos as observações foram feitas com o auxílio de lanternas para melhor identificação dos animais e minimizar as possíveis alterações no comportamento normal dos mesmos. Os parâmetros avaliados foram os tempos gasto com alimentação, ruminação e ócio. Os dados foram analisados por análise de variância e as médias comparadas pelo teste de F para tratamentos e de Tukey para os períodos, ao nível de 5% de significância pelo SAEG (2001).

Resultados e Discussão

De acordo com os dados contidos na Tabela 1, não houve diferença significativa (P<0,05) entre os tratamentos para as variáveis estudadas.

Tabela1. Tempo de alimentação (ALI), de ruminação (RUM) e ócio (OCI), percentagem do tempo em ruminação deitado (RUD), de ócio deitado (OCD) e freqüência de alimentação (FAL), ruminação (FRU) e ócio (FOC) de fêmeas bovinas em diferentes estágios reprodutivos:

Parâmetro

ALI

RUM

RUD

OCI

OCD

FAL

FRU

FOC

MGE

762,00

a

379,50

a

75,91

a

298,50

a

71,49

a

11,30 a

10,70

a

10,60 a

FGE

751,50

a

385,50

a

59,05

a

303,00

a

82,29

a

9,90 b

10,30

a

9,80 a

*C.V.

7,71

12,95

21,56

14,92

16,53

22,40

Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem entre si (P<0,05) pelo teste de Tukey, *C.V.= coeficiente de variação

24

Entretanto, o tempo de alimentação foi bastante elevado, ou seja, mais de 50% do tempo despendido nas atividades de alimentação, ruminação e ócio. Isso, pode ser explicado pela qualidade da forragem, relação folha:colmo, pois o período de avaliação corresponde a época seca do ano na região. Estes resultados concordam com Zanine et al. (2005) que afirmam que o tempo de alimentação aumenta com a diminuição da relação folha:colmo. No que se refere ao número de refeições, freqüência de ruminação e de ócio não houve diferença significativa. Embora se esperasse que os animais do tratamento FGE apresentassem um maior número de refeições em função da qualidade de alimento e pela ocupação de espaço pelo consepto em nível de abdômen.

Tabela 2. Tempo despendido com alimentação (ALI), ruminação (RUM) e ócio (OCI), percentagem de tempo ruminando deitado (RUD) e em ócio deitado (OCD) e freqüência de alimentação (FAL), ruminação (FRU), e ócio (FOC) nos diferentes períodos NOTURNO (18h15min às 6h00min) e DIURNO (6h15min às 18h00min).

PERÍODO

ALI

RUM

RUD

OCI

OCD

FAL

FRU

FOC

DIURNO

519,00 a

97,00 b

122,22

a

103,50 b

84,27 b

5,50

a

3,45 b

4,45 b

NOTURNO

237,750 b

285,00 a

135,65

a

197,25 a

147,12 a

5,10

a

7,05 a

5,75 a

*C.V.

11,01

18,39

26,80

23,86

23,51

28,57

Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem entre si (P<0,05) pelo teste de tukey. *C.V. coeficiente de variação

De acordo com a Tabela 2, o tempo de alimentação no período NOTURNO foi inferior ao período DIURNO, isto é confirmado por Van Soest (1994) que relata que animais em pastagens apresentam hábitos alimentares diurnos. Por outro lado, a ruminação e o ócio foram maiores à noite. As freqüências de ruminação e ócio foram maiores no período NOTURNO. Estas maiores freqüências das atividades no período noturno se devem, possivelmente, a necessidade dos animais ficarem atentos, uma vez que são animais considerados caça na cadeia alimentar.

Conclusão

As condições reprodutivas das fêmeas não influenciaram nas suas atividades de ingestão. A luminosidade influenciou significativamente o tempo e a freqüência das atividades avaliadas.

Referências Bibliográficas

Marques, de A. J. et al., Comportamento de touros jovens em confinamento alojados isoladamente ou em grupo. Arch. Latinoam. Prod. Anim. 2005. Vol.13 (3): 97-102

SANTOS, E.M. et al., Comportamento de pastejo de bezerros em pastos de Brachiaria brizantha e Brachiaria decumbens no estado de Goiás. In: XXXXII REUNIÃO ANUAL DA

Goiânia, GO, 2005. CDROM

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA. SAEG: Sistema de análises estatísticas e genéticas: manual do usuário. Versão 7.1. Viçosa: Ed. da UFV, 2001. VAN SOEST, P. J. Nutritional ecology of the ruminant. 2. ed. New York: Cornnell University Press, 1994. ZANINE, A. M. et al., Comportamento ingestivo de bezerros em pastos de Brachiaria brizantha e Brachiaria decumbens. Revista Ciência Rural, Santa Maria, RS, 2005.

Universidade Federal de Viçosa. SAEG: sistema de análises estatísticas e genética: manual do usuário. Versão 9.1. Viçosa: Ed. da UFV, 2001.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. Anais

COMPORTAMENTO INGESTIVO DE NOVILHOS E NOVILHAS EM PASTEJO CONTÍNUO DE Brachiaria decumbens

Ana Lúcia Almeida Santana 1 ; Marcio Rafael Alves Bispo dos Santos 1 ; Marcela Souza Brito 1 ; Tiago Oliveira Brandão 2 ; Larissa Pires Barbosa 3

1 Graduandos em Zootecnia 2 Graduando em Medicina Veterinária 3 Professor Adjunto da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Palavras-chave: alimentação; ócio; ruminação.

Introdução

O hábito alimentar dos ruminantes é caracterizado por uma seqüência de atividades frequentemente desenvolvidas, classificadas como ingestão, ruminação e ócio. Segundo Paranhos da Costa et al. (2002), o estudo do comportamento animal é relevante para racionalizar a exploração zootécnica, empregar técnicas de manejo, instalações e alimentação, estimular a pesquisa e oferecer soluções para problemas relacionados à redução do consumo em épocas críticas, proporcionando aos animais um manejo nutricional adequado, maximizando assim a produção desejada. De acordo com Pires et al. (2000), o estudo do comportamento ingestivo dos ruminantes na região Nordeste é incipiente, apesar da sua importância, principalmente no que diz respeito às práticas de manejo alimentar condizentes com as condições climáticas. O sistema de produção extensivo é bastante utilizado na criação de bovinos no Brasil, com características complexas, diferentes fatores e interações, que, por sua vez, afetam negativamente o comportamento ingestivo dos animais e, por consequência, reduz os índices zootécnicos produtivo e reprodutivo da propriedade. Objetivou-se comparar o comportamento ingestivo de novilhos e novilhas anelorados em pastejo.

Material e Métodos

O experimento foi realizado no Setor de Bovinocultura da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em Cruz das Almas/Ba, em junho de 2009. Dezesseis animais foram distribuídos em dois grupos (G), sendo: G1 – composto por 8 novilhos e G2 – composto por 8 novilhas. Durante todo o período experimental os animais tiveram acesso a uma área de 3,5ha em pastagem de Brachiaria decumbens, com disponibilidade de forragem de 2.600kg/ha e aproximadamente 35% de matéria seca (MS) e acesso a água a vontade. Os tratamentos (Novilhos x Novilhas) foram submetidos à observação visual para coleta de dados por um período de 48 horas. Para as observações noturnas foi necessário o uso de luz artificial por meio do uso de lanternas. As 48 horas foram divididas em quatro períodos de observação (PERI = 06:10-12:00h; PERII =12:10-18:00h; PERIII = 18:10-00:00h e PERIV = 00:10-06:00h), utilizando-se uma frequência de 10 minutos entre as observações. Observou-se os tempos, em minutos, de alimentação (ALI), ruminação (RUM) e ócio (OCI), bem como a percentagem de tempo que o animal permaneceu ruminando deitado (PRUD), em ócio deitado (POCD), a frequência de alimentação (FAL), frequência de ruminação (FRU) e frequência de ócio (FOC), sendo a frequência determinada como o número de intervalos de ingestão, ruminação e ócio. Para a análise dos dados utilizou-se análise de variância e as médias testadas pelo teste de F e pelo teste de Tukey, ao nível de 5% de significância. Utilizou-se o Programa Estatístico SAEG (2007).

Resultados e Discussão

26

Nos tempos totais despendidos para as atividades de alimentação, ruminação e ócio, não ocorreram diferença significativa (P>0,05) entre os tratamentos (Tabela 1), os resultados encontrados são semelhantes a resultados descritos por Novais et al. (2009), analisando vacas aneloradas em mesma condição de pastejo.

Tabela 1. Comportamento ingestivo de novilhos e novilhas em pastagem de Brachiaria decumbens

Grupo

ALI

RUM

PRUD

OCI

POCD

FAL

FRU

FOC

Novilho

1200,00

1073,75

19,56

606,25

51,95

24,87

b

30,50

31,75

Novilha

1225,00

1012,50

26,24

642,50

44,01

27,75

a

29,87

34,50

C.V.(%)

4,47

6,82

12,54

8,15

9,81

10,31

Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem entre si (P<0,05) pelo teste de Tukey. C.V. = coeficiente de variação.

Os tratamentos diferiram (P<0,05) apenas na frequência alimentar, onde as novilhas apresentaram freqüência superior aos novilhos. O que não aconteceu com as freqüências de ruminação e ócio. No início da manhã (PERI) e no final da tarde (PERII) o tempo despendido pelos animais para alimentação foi maior, havendo uma drástica redução desses parâmetros no PERIV, e por consequência, maiores picos de ócio (Tabela 2). De acordo com Marques (2000), o ócio corresponde a toda atividade, desde que não estejam ingerindo alimento, água ou ruminando. Ocorreram nos períodos noturnos o maior tempo e freqüência de ruminação (PERIII e PERIV). Estes resultados podem ser atribuídos ao maior tempo de ingestão durante o dia. Dados parecidos foram descritos por Vieira (2007), avaliando o comportamento ingestivo de novilhas em pastagem de Brachiaria brizantha no extremo sul da Bahia. As freqüências de ruminação e ócio acompanharam os tempos das mesmas atividades (Tabela 2).

Tabela 2. Comportamento ingestivo em diferentes períodos do dia de novilhos e novilhas em pastejo

Período

ALI

RUM

PRUD

OCI

POCD

FAL

FRU

FOC

PER I

186,25

b

53,75

c

23,39

120,00 a

47,04

4,59

a

2,75

b

6,40

a

PER II

266.87

a

66,87

c

31,39

26,25

c

29,27

3,68

b

2,75

b

2,34

c

PER III

120,00

c

191,87

b

39,67

48,12

b

19,37

3,71

b

4,93

a

2,71

c

PER IV

33,12 d

209,06

a

24,50

117,81 a

53,74

1,15

c

4,65a

5,09

b

C.V.(%)

12,00

18,59

47,43

29,38

52,13

21,63

20,47

22,92

Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem entre si (P<0,05) pelo teste de Tukey. C.V. = coeficiente de variação.

Conclusões

Dos parâmetros avaliados, houve diferença entre os sexos apenas na freqüência de alimentação. Os períodos do dia influenciam diretamente nas atividades de alimentação, ruminação e ócio, podendo ser maior o tempo despendido para alimentação nos períodos mais frescos.

Referências Bibliográficas

PARANHOS DA COSTA, M.J.R.; CHIQUITELLI NETO, M.; COSTA E SILVA, E.V.; ROSA, M.S. Contribuição dos estudos de comportamento de bovinos para implementação de programas de qualidade de carne. Anais de Etologia, 20: 2002.

MARQUES, J.A. O Stress e a Nutrição de Bovinos. Maringá: Imprensa universitária, 2000, 42p.

NOVAIS, D.L.; DIAS, C.A.S.; LIMA, A.V.; SANTOS, L.M.; JAEGER, S.M.P.L.; BARBOSA, L.P. Comportamento ingestivo de

vacas aneloradas em diferentes condições reprodutivas em pastagens de Brachiaria decumbens. In: ZOOTEC, 19, 2009,

Águas de Lindóia. Anais

PIRES, M.F.A.; TEODORO, R.L.; CAMPOS, A.T. Efeito do estresse térmico sobre a produção de bovinos. In: CONGRESSO

NORDESTINO DE PRODUÇÃO DE RUMINANTES E NÃO RUMINANTES, 2, 2000, Teresina. Anais Brasileira de Produção Animal, 2000. p.87-105.

Autor a ser contactado: Ana Lúcia Almeida Santana

Endereço: Residência Universitária Trio Elétrico, n. 10/ Cruz das Almas/Ba. CEP-44380-130.

Teresina: Sociedade

Águas de Lindóia: Congresso de Brasileiro de Zootecnia, 2009. v.1. p.1-5.

e-mail: ninhaemarc@hotmail.com

Cel.: (75) 9958 8935

27

COMPORTAMENTO INGESTIVO DE NOVILHOS NELORE RECEBENDO SUPLEMENTAÇÃO MINERAL OU PROTÉICA EM PASTEJO

Daniel Lucas Santos Dias 1 , Danilo Ribeiro de Souza 2 , Marcelo Mota Pereira 1 , Jaqueline Firmino de Sá 3 , Lívia Santos Costa 2

1 Graduando em Zootectina UES 2 Mestrando em Zootecnia UESB 3 Doutoranda em Zootecnia-UESB

Introdução

O estudo do comportamento ingestivo dos ruminantes pode nortear a adequação de

práticas de manejo que venham a aumentar a produtividade e garantir o melhor estado sanitário e longevidade aos animais Fischer et al., (2002). Alternativas vêm sendo utilizadas para minimizar as variações na produção de matéria seca e na qualidade da pastagem, principalmente nas épocas em que a produção de forragem é mais afetada, nas estações de outono e inverno, onde a suplementação pode permitir maiores ganhos de peso por animal e por área (ROCHA, 1999). O objetivo deste estudo foi avaliar os períodos discretos de novilhos Nelore em pastagem de Brachiaria brizantha submetidos a suplementação mineral e a suplementação proteinada.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na fazenda Boa Vista, no município de Macarani Ba,

entre os meses de agosto a outubro de 2006. Foram utilizados 18 animais da raça Nelore com 26 meses de idade e peso corporal médio de 373 kg, castrados. Os dois tratamentos foram constituídos de: T1-Suplementação mineral até a terminação e T2-Suplementação proteinada até a terminação, distribuídos em DIC com dois tratamentos e 9 repetições por tratamento. O suplemento foi fornecido duas vezes durante a semana, em cocho coberto. Todos os animais tiveram livre acesso à sombra, água e suplemento mineral ou suplemento proteinado. Foram utilizados quatro piquetes de Brachiaria brizanta cultivar Marandu com 6,5 hectares cada. Enquanto dois estavam ocupados os outros dois permaneciam vazios por 28 dias. Os aspectos comportamentais foram avaliados visualmente, as observações foram feitas com a ajuda de binóculos. Para o registro do tempo gasto em cada uma das atividades descritas acima, os animais foram observados visualmente a cada 10 minutos, por dois períodos de 12 horas cada, das seis horas da manhã às 18 horas realizados no 25º e 26º dia do mês de outubro. As variáveis comportamentais estudadas foram: o número diurno de períodos de pastejo (NPP), ruminação (NPR), ócio (NPO) e comendo no cocho (NPC), juntamente com o tempo de duração (minutos) dos períodos de pastejo (TPP), ruminação (TPR), ócio (TPO) e comendo no cocho (TPC), com seus respectivos coeficientes de variação. A discretização das séries temporais foi realizada diretamente nas planilhas de coleta de dados, com a contagem dos períodos discretos de pastejo, ruminação, ócio e cocho, conforme descrito por (SILVA et al., 2006b). Utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado com dois tratamentos e 9 repetições por tratamento. Para analise estatística dos dados utilizou-se o programa SAEG Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas Ribeiro Jr, (2001), bem como os resultados foram interpretados estatisticamente por meio de análise de variância e

teste F a 5% de probabilidade.

28

Verificou-se que o número diurno de períodos de pastejo, ruminação, comendo no cocho, juntamente com o tempo de duração (minutos) dos períodos de ruminação e comendo no cocho dos novilhos diferiram estatisticamente, apresentando valores médios de 7,83 e 6,55; 5,72 e 3,83; 0,50 e 1; 34,40 e 74,08; 8,88 e 16,11 respectivamente para suplementação mineral e suplementação protéica. Não houve efeito de tratamento (P<0,05) para o número diurno de período em ócio, tempo de duração dos períodos médios de pastejo e ócio.

Tabela 1 Valores médios do número diurno de períodos de pastejo (NPP), ruminação (NPR), ócio (NPO) e comendo no cocho (NPC), juntamente com o tempo de duração (minutos) dos períodos de pastejo (TPP), ruminação (TPR), ócio (TPO) e comendo no cocho (TPC), com seus respectivos coeficientes de variação.

 

Tratamentos

   

Suplementação

Suplementação

Item

mineral

protéica

CV (%)

P

NPP

7,83

6,55

16,33

0,00252

NPR

5,72

3,83

22,73

0,00001

NPO

8,11

8,27

18,41

NS

NPC

0,50

1

48,50

0,00023

TPP

44,75

46,97

20,70

NS

TPR

34,40

74,08

37,72

0,00001

TPO

19,25

18,59

47,34

NS

TPC

8,88

16,11

61,44

0,00794

CV = coeficiente de variação; P = significância; NS = não significativo.

Conclusões O uso da suplementação protéica na época seca influenciou no número diurno de períodos de pastejo, ruminação, juntamente com o tempo de duração (minutos) dos períodos de ruminação e a permanência dos animais no cocho.

Literatura citada Fischer, V. et al. Padrões da distribuição nictemeral do comportamento ingestivo de vacas leiteiras, ao inicio e ao final da lactação, alimentadas com dieta à base de silagem de milho. Revista Brasileira de Zootecnia, v.31, n.5, p.2129-2138, 2002.

Rocha, M.G. Suplementação a campo de bovinos de corte. In: LOBATO, J.F.P. (Ed.). Produção de bovinos de corte. Porto Alegre: PUCRS, 1999. p.77-96.

Silva, R.R. et al. Comportamento ingestivo de bovinos. Aspectos metodológicos. Archivos de Zootecnia, v.55, n.211, p.293-296, 2006b.

Ribeiro Jr., J.I. Análises Estatísticas no SAEG (Sitema de análises estatísticas). Viçosa, MG: UFV, 2001. 301 p.

Autor a ser contactado: Danilo Ribeiro de Souza End.: Avenida Cinqüentenário, 452, Centro, Itapetinga-BA. CEP-45700-000. e-mail:

danilozootec@hotmail.com

29

COMPORTAMENTO INGESTIVO DE NOVILHOS NELORE RECEBENDO SUPLEMENTAÇÃO MINERAL OU PROTÉICA EM PASTEJO

Daniel Lucas Santos Dias 1 , Danilo Ribeiro de Souza 2 , Marcelo Mota Pereira 1 , Jaqueline Firmino de Sá 3 , Lívia Santos Costa 2

1 Graduando em Zootectina UES 2 Mestrando em Zootecnia UESB 3 Doutoranda em Zootecnia-UESB

Introdução

O estudo do comportamento ingestivo dos ruminantes pode nortear a adequação de

práticas de manejo que venham a aumentar a produtividade e garantir o melhor estado

sanitário e longevidade aos animais Fischer et al., (2002). Alternativas vêm sendo utilizadas para minimizar as variações na produção de matéria seca e na qualidade da pastagem, principalmente nas épocas em que a produção de forragem é mais afetada, nas estações de outono e inverno, onde a suplementação pode permitir maiores ganhos de peso por animal e por área (ROCHA, 1999).

O objetivo deste estudo foi avaliar os períodos discretos de novilhos Nelore em

pastagem de Brachiaria brizantha submetidos a suplementação mineral e a suplementação

proteinada.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido na fazenda Boa Vista, no município de Macarani Ba,

entre os meses de agosto a outubro de 2006. Foram utilizados 18 animais da raça Nelore com 26 meses de idade e peso corporal médio de 373 kg, castrados. Os dois tratamentos foram constituídos de: T1-Suplementação mineral até a terminação e T2-Suplementação proteinada até a terminação, distribuídos em DIC com dois tratamentos e 9 repetições por tratamento. O suplemento foi fornecido duas vezes durante a semana, em cocho coberto. Todos os animais tiveram livre acesso à sombra, água e suplemento mineral ou suplemento proteinado. Foram utilizados quatro piquetes de Brachiaria brizanta cultivar Marandu com 6,5 hectares cada. Enquanto dois estavam ocupados os outros dois permaneciam vazios por 28 dias. Os aspectos comportamentais foram avaliados visualmente, as observações foram feitas com a ajuda de binóculos. Para o registro do tempo gasto em cada uma das atividades descritas acima, os animais foram observados visualmente a cada 10 minutos, por dois períodos de 12 horas cada, das seis horas da manhã às 18 horas realizados no 25º e 26º dia do mês de outubro. As variáveis comportamentais estudadas foram: o número diurno de períodos de pastejo (NPP), ruminação (NPR), ócio (NPO) e comendo no cocho (NPC), juntamente com o tempo de duração (minutos) dos períodos de pastejo (TPP), ruminação (TPR), ócio (TPO) e comendo no cocho (TPC), com seus respectivos coeficientes de variação. A discretização das séries temporais foi realizada diretamente nas planilhas de coleta de dados, com a contagem dos períodos discretos de pastejo, ruminação, ócio e cocho, conforme descrito por (SILVA et al., 2006b). Utilizou-se o delineamento experimental inteiramente casualizado com dois tratamentos e 9 repetições por tratamento. Para analise estatística dos dados utilizou-se o programa SAEG Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas Ribeiro Jr, (2001), bem como os resultados foram interpretados estatisticamente por meio de análise de variância e teste F a 5% de probabilidade.

Resultados e Discussão Na tabela 1, estão apresentados os valores médios do número diurno de períodos de pastejo, ruminação, ócio e comendo no cocho, juntamente com o tempo de duração (minutos) dos períodos de pastejo, ruminação, ócio e comendo no cocho em função da suplementação mineral e suplementação protéica para novilhos Nelore em pastejo.

30

Verificou-se que o número diurno de períodos de pastejo, ruminação, comendo no cocho, juntamente com o tempo de duração (minutos) dos períodos de ruminação e comendo no cocho dos novilhos diferiram estatisticamente, apresentando valores médios de 7,83 e 6,55; 5,72 e 3,83; 0,50 e 1; 34,40 e 74,08; 8,88 e 16,11 respectivamente para suplementação mineral e suplementação protéica. Não houve efeito de tratamento (P<0,05) para o número diurno de período em ócio, tempo de duração dos períodos médios de pastejo e ócio.

Tabela 1 Valores médios do número diurno de períodos de pastejo (NPP), ruminação (NPR), ócio (NPO) e comendo no cocho (NPC), juntamente com o tempo de duração (minutos) dos períodos de pastejo (TPP), ruminação (TPR), ócio (TPO) e comendo no cocho (TPC), com seus respectivos coeficientes de variação.

 

Tratamentos

   

Suplementação

Suplementação

Item

mineral

protéica

CV (%)

P

NPP

7,83

6,55

16,33

0,00252

NPR

5,72

3,83

22,73

0,00001

NPO

8,11

8,27

18,41

NS

NPC

0,50

1

48,50

0,00023

TPP

44,75

46,97

20,70

NS

TPR

34,40

74,08

37,72

0,00001

TPO

19,25

18,59

47,34

NS

TPC

8,88

16,11

61,44

0,00794

CV = coeficiente de variação; P = significância; NS = não significativo.

Conclusões O uso da suplementação protéica na época seca influenciou no número diurno de períodos de pastejo, ruminação, juntamente com o tempo de duração (minutos) dos períodos de ruminação e a permanência dos animais no cocho.

Literatura citada Fischer, V. et al. Padrões da distribuição nictemeral do comportamento ingestivo de vacas leiteiras, ao inicio e ao final da lactação, alimentadas com dieta à base de silagem de milho. Revista Brasileira de Zootecnia, v.31, n.5, p.2129-2138, 2002.

Rocha, M.G. Suplementação a campo de bovinos de corte. In: LOBATO, J.F.P. (Ed.). Produção de bovinos de corte. Porto Alegre: PUCRS, 1999. p.77-96.

Silva, R.R. et al. Comportamento ingestivo de bovinos. Aspectos metodológicos. Archivos de Zootecnia, v.55, n.211, p.293-296, 2006b.

Ribeiro Jr., J.I. Análises Estatísticas no SAEG (Sitema de análises estatísticas). Viçosa, MG: UFV, 2001. 301 p.

Autor a ser contactado: Danilo Ribeiro de Souza End.: Avenida Cinqüentenário, 452, Centro, Itapetinga-BA. CEP-45700-000. e-mail:

danilozootec@hotmail.com

31

Comportamento ingestivo de vacas aneloradas em diferentes condições reprodutivas em pastagens

Daiane Lago Novais 1 , Carina Anunciação dos Santos Dias 1 , Aldenize das Virgens Lima 1 , Soraya Maria Palma Luz Jaeger², Jair de Araújo Marques²

1 Graduandos em Zootecnia da UFRB/CCAAB, Cruz das Almas - BA. 2 Prof. Adjunto do Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas/UFRB, Cruz das Almas – BA.

Palavras-Chave: alimentação, comportamento, observação

Introdução

O estudo do comportamento animal tem grande importância no emprego de técnicas

de manejo, uso de instalações, bem como na alimentação dos animais e desta forma

contribui substancialmente para racionalizar a exploração zootécnica. O manejo nutricional, responsável por cerca de 70% dos custos de produção, depende de vários fatores, dentre os quais o conhecimento do comportamento ingestivo, fundamental para a adequação das dietas (Marques et al., 2008). Por sua vez, a eficiência econômica da produção de bovinos em pastagens requer conhecimento de todo processo produtivo, gestão profissional do negócio, adubação e manejo de pastagens, bem como, a preocupação com o conforto, bem estar e comportamento dos animais em pastejo (Marques et al., 2006).

O estudo do comportamento ingestivo dos ruminantes, pode nortear a adequação de

práticas de manejo que venham a aumentar a produtividade e garantir o melhor estado sanitário e longevidade aos animais. Os padrões de comportamento constituem-se em um dos meios mais efetivos pelos quais os animais respondem aos diversos fatores ambientais. Estes padrões podem indicar

métodos potenciais de incremento da produtividade animal através da utilização de diferentes tipos de manejos (Carvalho et al., 2007). Objetivou-se com este trabalho avaliar o comportamento ingestivo de vacas vazias e no final da gestação em pastagens Brachiaria decumbens.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Setor de Bovinocultura, no Centro de Ciências

Agrárias, Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Cruz das Almas/BA/BR, em março de 2009. Foram utilizadas 10 vacas aneloradas, com idade entre cinco e oito anos, em diferentes condições reprodutivas, (vacas vazias - VAZ e vacas no final da gestação - FGE),

criadas em regime extensivo. Foi observado o comportamento ingestivo de VAZ e FGE a cada 15 minutos, por seis avaliadores treinados que se revezavam a cada três horas, em dois turnos (DIURNO = 06h15min-18h00min; NOTURNO =18h15min- 06h00min).

Foram observados: os tempos, em minutos, de alimentação (ALI), ruminação (RUM) e ócio (OCI), bem como a percentagem de tempo que os animais permaneceram ruminando deitados (RUD), em ócio deitados (OCD), a freqüência de alimentação (FAL), a freqüência de ruminação (FRU) e a freqüência de ócio (FOC), sendo as freqüências determinadas como o número de intervalos de ingestão, ruminação e ócio.

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado com dois tratamentos e

cinco repetições e as médias obtidas foram testadas pelo teste de F, para os tratamentos e de Tukey para os períodos, ao nível de 5% de significância utilizando-se o SAEG (2001).

Resultados e Discussão

A Tabela

1

experimentais.

apresenta

os

resultados

do

32

comportamento

ingestivo

dos

animais

Os valores referentes ao tempo gasto com a alimentação, ruminação e ócio não diferiram com a condição reprodutiva. As freqüências de alimentação (FAL) foram superiores para as vacas VAZ em relação às FGE, esta diferença foi o contrário do que se esperava, pois vacas FGE apresentam compressão do rúmen, proporcionando maior necessidade de refeições durante o dia.

Tabela 1. Tempo de alimentação (ALI), ruminação (RUM) e ócio (OCI), percentagem do tempo ruminando deitada (RUD), percentagem do tempo em ócio deitado (OCD), freqüência de alimentação (FAL), ruminação (FRU) e ócio (FOC) de vacas aneloradas em final de gestação (FGE) e vazias (VAZ) em pastagem de Brachiaria decumbens

PARÂMETRO

ALI

RUM

RUD

OCI

OCD

FAL

FRU

FOC

VAZ

742,50

369,00

120,20

328,50

167,35

11,90a

11,40

12,30ª

FGE

751,50

385,50

229,74

303,00

158,17

9,90b

10,30

9,80b

C.V.

6,51

16,88

20,78

18,58

14,81

21,51

Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem entre si (P<0,05) pelo teste de Tukey. *C.V. = coeficiente de variação.

A Tabela 2 apresenta os resultados de comportamento ingestivo nos períodos diurnos

e noturnos.

Tabela 2. Tempo de alimentação (ALI), ruminação (RUM) e ócio (OCI), percentagem do tempo ruminando deitada (RUD), percentagem do tempo em ócio deitado (OCD), freqüência de alimentação (FAL), ruminação (FRU) e ócio (FOC) de vacas aneloradas em final de gestação (FGE) e vazias (VAZ) em pastagem de Brachiária decumbens em função dos períodos do dia (DIURNO = 06h15min-18h00min h; NOTURNO =18h15min- 06h00min h;)

PERÍODO

ALI

RUM

RUD

OCI

OCD

FAL

FRU

FOC

DIURNO

508,50a

102,00b

84,86 b

109,50b

65,43 b

5,75

3,85 b

5,05

NOTURNO

243,16b

271,58 a

118,21 a

205,26 a

129,77 a

5,26

6,95 a

5,95

C.V.

10.977

25.025

48.392

29.388

57.473

25.205

25.940

28.407

Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem entre si (P<0,05) pelo teste de Tukey. *C.V. = coeficiente de variação.

O tempo de alimentação foi maior no período (DIURNO), independente da categoria

animal. Isso está de acordo com a literatura, pois Van Soest (1994) cita que animais em pastejo realizam duas grandes refeições, uma no começo da manhã e outra no final da

tarde, estando de acordo com a tabela apresentada acima (Tabela 2). Os animais tiveram um tempo maior de ruminação e ócio durante o período (NOTURNO). Isso pode ser atribuído ao maior tempo de ingestão durante o dia, e como as atividades são mutuamente excludentes, sobrou à noite para a atividade de ruminação.

Conclusões

A condição reprodutiva apresentada não influenciou o comportamento ingestivo das

vacas. Os períodos do dia influenciaram as atividades de alimentação, ruminação e ócio, como também, a freqüência de ruminação.

Bibliografia

CARVALHO, G.G.P. et al. Aspectos metodológicos do comportamento ingestivo de cabras lactantes alimentadas com farelo de cacau e torta de dendê. Revista Brasileira de Zootecnia, v.36, n.1, p.103-110, 2007. MARQUES, J.A. et al. Comportamento de bovinos mestiços em confinamento com e sem acesso a sombra durante o período de verão. Campo digital, Campo Mourão, V. 1, p.54-59, jul/dez.2006. MARQUES, J.A. et al. Intervalo de tempo entre observações para avaliação do comportamento ingestivo de tourinhos em confinamento. Semina: Ciências Agrárias, Londrina, v. 29, n. 4, p. 93-98, out./dez. 2008. UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA. SAEG: Sistema de análises estatísticas e genética: manual do usuário. Versão 9.1. Viçosa: Ed. da UFV, 2001. VAN SOEST, P. J. Nutritional ecology of the ruminant. 2. ed. New York: Cornnell University Press, 1994.

Autor para correspondência: Daiane Lago Novais/ Cel: 75-81278680 Endereço: Rua Minas Gerais/ Sapeaçu-BA, CEP: 44530-000, e-mail:day-zootecnia@hotmail.com

33

COMPORTAMENTO INGESTIVO DE VACAS HOLANDESAS A PASTO: METODOLOGIA

Aracele Prates de Oliveira 2 , Marcelo Mota Pereira 1 , Hermógenes Almeida de Santana Júnior 1 , Perecles Brito Batista 2 , Daniel Lucas Santos Dias 1

1 Graduando em Zootecnia UESB 2 Zootecnista, mestre em Produção Animal

Introdução Nos ruminantes, o controle da ingestão do alimento é peculiar, podendo ser caracterizado pela distribuição desuniforme de uma sucessão de períodos definidos e discretos de atividades, comumente classificadas como ingestão, ruminação e descanso ou ócio. O entendimento do comportamento ingestivo em bovinos se faz necessário para obtenção de informações que permitam proporcionar estratégias no manejo nutricional dos animais.

O estudo do comportamento ingestivo dos nutrientes tem sido usado com os objetivos

de estudar os efeitos do arraçoamento ou quantidade e qualidade nutritiva de forragens sobre o comportamento ingestivo: e verificar o uso potencial do conhecimento a respeito do comportamento ingestivo para melhorar o desempenho animal. Objetivou-se identificar os intervalos de tempo mais adequados para estudo do comportamento ingestivo diurno de vacas Holandesas a pasto quando comparados com a escala de 10 minutos de intervalo entre observações.

Material e métodos

O experimento foi desenvolvido na Fazenda Cabana da Ponte Agropecuária LTDA., no

período de 06 de outubro de 2007 a 04 de novembro de 2007, sendo 18 dias de adaptação. Foram utilizados 21 vacas, com grau de sangue 5/8 Holandês X 3/8 Zebu, em terço médio de lactação, com média de produção de 15 quilos de leite, distribuídos Inteiramente ao Acaso (DIC), em três tratamentos (nível de suplementação) e sete repetições: Baixo = nível de suplementação de 2,3 % de peso corpóreo; Médio = nível de suplementação de 2,65 % do peso corpóreo e Alta = nível de suplementação de 3,0 % peso corpóreo. TABELA 1 Proporção dos ingredientes utilizados na suplementação com base na matéria seca.

INGREDIENTES

NÍVEL DE SUPLEMENTAÇÃO

(kilogramas)

BAIXO

MÉDIO

ALTO

Cana-de-açúcar 1 Milho moído Farelo de soja Caroço de algodão Sal mineral Cloreto de Sódio

7,11

7,11

7,11

0,87

2,12

3,20

1,72

2,28

2,72

1,56

1,55

1,72

0,19

0,24

0,24

0,02

0,03

0,03

Consumo 2

11,47

13,33

15,02

1 Cana-de-açúcar, adicionado de uréia, sulfato de amônia e cal hidratada, sendo utilizado na proporção 9:1:9 2 Consumo de matéria seca proveniente da suplementação

As variáveis comportamentais estudadas foram: alimentação, ruminação e ócio. As atividades comportamentais foram consideradas mutuamente excludentes, conforme definição de Pardo et al., (2003). Cada animal foi observado em três escalas diferentes: 10, 20 e 30 minutos de intervalo, a fim de identificar o tempo destinado às atividades em cada uma das escalas. Após a obtenção dos resultados das diversas variáveis testadas, todas foram comparadas com a escala de 10 minutos de intervalo. Foi utilizado o delineamento experimental em unidades de medidas repetidas, em arranjo fatorial três por três (três níveis de suplementação e três escalas de intervalo). Para

34

análise dos dados coletados no experimento, foi utilizado o Sistema de Análises Estatísticas e Genéticas SAEG, e os resultados foram interpretados estatisticamente por meio de análise de variância e Tukey a nível 0,05 de probabilidade.

Resultados e Discussão TABELA 2 - Valores dos tempos de alimentação, ruminação e ócio com três intervalos de observação, com seus respectivos coeficientes de variação (CV, %), em vacas Holandesas a pasto.

INTERVALO DE OBSERVAÇÃO 1

ITEM (mim)

10

20

30

CV

ALIMENTAÇÃO

206

221

216

23,3

RUMINAÇÃO

110

113

119

28,7

ÓCIO

171

179

172

20,7

1 Intervalo de tempo em minutos. Para todas as variáveis estudadas, não foram verificadas diferenças estatísticas entre os intervalos de observações 10, 20 e 30 minutos, respectivamente. Esses resultados demonstram que para a coleta de dados dessas variáveis é possível aumentar o intervalo de observação, sem interferir na precisão dos dados. Esses valores assemelham com os dados verificados por Silva et al., (2006) e Silva et al., (2008), onde constataram que qualquer intervalo entre cinco e 30 entre observações seria eficiente para este tipo de estudo. Os resultados, semelhantes estatisticamente, do tempo de alimentação nos diferentes intervalos de observações, afirma que se o único objetivo do estudo for à coleta do tempo total de alimentação que é muito relacionada com as respostas animal como consumo, desempenho, eficiências e conversões alimentares, poderão ser realizados em intervalos de 10 a 30 minutos, com boa confiabilidade. No estudo do comportamento ingestivo, o maior custo para realização do mesmo, é a quantidade de mão-de-obra necessária para observação de um número necessário de animais. Sendo assim, tais resultados são de grande valia para a viabilização de estudos relacionados ao comportamento animal, pois, possibilitando a utilização de um maior número de animais, o que permite uma maior acurácia dos resultados, com um menor número de observadores, o que facilita a condução desse estudo. Mais estudos devem ser realizados com outras raças, sexo e categoria para uma afirmação de que essa metodologia é eficiente em qualquer situação de estudos do comportamento ingestivo de bovinos em pastejo. Conclusões Para estudos do comportamento ingestivo de novilhos a pasto, as observações podem ser realizados em até 30 minutos de intervalo.

Bibliografia PARDO, R.M.P.; Fischer, V.; Balbinotti, M.; et al., Comportamento ingestivo diurno de novilhos em pastejo a níveis crescentes de suplementação energética. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia, v.32, n.6, p.1408-1418, 2003. SILVA, R.R. SILVA, F.F. PRADO, I.N. et al., Metodologia para o estudo do comportamento de bovinos. IN: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 43, João

Pessoa, 2006. Anais

SILVA, R.R. PRADO, I.N. CARVALHO, G.G.P. et al., Efeito da utilização de três intervalos de observações sobre a precisão dos resultados obtidos no estudo do comportamento ingestivo de vacas leiteiras em pastejo. Ciência Animal Brasileira, v. 9, n. 2, p. 319-326. 2008.

João Pessoa PB: SBZ, 2006. (CD-ROM).

Autor a ser contactado: Marcelo Mota Pereira Email motinha03@bol.com.br Endereço Rua Itambé, nº 438, bairro camacã Itapetinga Bahia CEP 45700-000

35

COMPORTAMENTO INGESTIVO DE VACAS LEITEIRAS ZEBUÍNAS A PASTO:

METODOLOGIA

Aracele Prates de Oliveira 1 ,Marcelo Mota Pereira 2 , Hermógenes Almeida de Santana Júnior 2 , Perecles Brito Batista 1 , Danilo Ribeiro de Souza 1

1 Zootecnista, mestrando em Produção Animal - UESB 2 Graduando em Zootecnia UESB

Introdução

O estudo do comportamento ingestivo dos nutrientes tem sido usado com os objetivos

de estudar os efeitos do arraçoamento ou quantidade e qualidade nutritiva de forragens sobre o

comportamento ingestivo. As principais variáveis comportamentais estudadas em vacas leiteiras têm sido aquelas relacionadas às atividades de alimentação, ruminação e ócio. Objetivou-se identificar os intervalos de tempo mais adequados para estudo do comportamento ingestivo diurno de vacas leiteiras zebuínas a pasto quando comparados com a escala de 10 minutos de intervalo entre observações.

Material e métodos

O experimento foi desenvolvido na Fazenda Cabana da Ponte Agropecuária ltda., em