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~ ~ l' V\O / ECTOR

CIR FLAMARION S. CARDOSO

pEREZ BRIGNO LI

X

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A \ oY 1

América Latina

Sistemas agrários e história colonial Economias de exportação e desenvolvimento cap ita lista

-

~ l~ V flO\tq ,

'-----------------~

~

CAP IT ULO 2

o MUNDO COLONI AL (SE:CULOS XVI A XVIII)

i~,1

,

I

I .

I

r

I

A)

AS BASES DA ECONOMIA

COLONIAL

1

.

Problemas teóricos

o dilema que com freqüência apresenta-se ao pesquisador inte- ressado no estudo das sociedades surgi das na América Latina, em

funcª - o dª - ~ansão

fácil de entender . Por um lado, tais soc iedades só ad Q ~~ no

~ d . o - s 0 - sãQ - abo r . da d as como parte de um co nj un t o - m ais y asto, posto

i lue s urg em. corn o anexos complementares da economi í Le . l . l . IQpcia, e

sQl J a dependência de núcleos metropolitanos Q . ue - L p -reciso considerar

' par a compreender --- ª . J acionalidade da economia colonial . Por outro,

comerciaLuºlon!zªººtª-

mod~I"11-ª,é

~ p - resa

que possuem uma lógica que não se reduz à sU' 1 - Yiuíall . acãoJ:xt . erna

~ºm9 _ Sºm~!"fjR . !ltlâmi!:;9 e com as suas t:~~p'ectivas metrópoles polí- ticah desta forma , defini-Ias~QmQ _ ªne . xP ou parte integrante de um conjunto mais vasto é um momento central da análise, mas não o ,

bastante

de um

dilema porque é muito fácil cair na tentação de privilegiar em dema- sia qualquer dos níveis mencionados: se j a vendo o mundo da Amé- rica Latina e do Caribe na época colonial só ou essencialmen t e como projeção da expansão mercantil (alguns dirão "cap i tal i sta") da Eu- ropa; ou, pe l o contrário, i nter essando-se somente pelas e str u turas internas americanas, analisando ~a ssem considerar suficie n t e m e nte seus vínculos de tipo colon i al. De uma maneira geral, acred i tamos que predomina amplamen te a pr i meira t entação : o es t udo que, ao

i nsistir no ~~r~<? mais vasto d a economia ocidental, na acumulação

de s ccb rí r . suas especiíici d ades e seu funcionamen@Falamos

colonial fez aparecer soc i edades com es t rutu ras internas

E

necessário também

abordar as próprias estruturas internas, (

'>rr

( ,

\,

_Rr~y!a de ~ªp.H ª - is e J12s. ! ! ! : ?ter "setorial" do conjunto ameri c ano , deixa

muito _nl ! ) i Qml?rª º ~ ~ t! , !ºº .p.Iºfp-ººº- ºªL~!mtuns

internas.

. Neste sentido, depois do esquema simplista de A. Gunder

Frank ,

tem tido , nestes últimos anos, bastante influê n cia o livro de Immanuel

Wallerstein , l

Tempos Modernos. Segundo ~ . autor,

princípios do seguinte que se constituiu uma " economi a mundia l euro- géia " . Ele a define como algo nov~~ - ;~ ' -~i~~ - ~ - ~ s;~ i~l- d~s~~ - ~hec i do

até

ser mais amplo

várias em seu interior ) , e suas partes constitutivas

Wallerstein afirma que o mencionado sistema econ ô mico mundial

e o "sistema econômico

mundial " que propõe

para os

foi em fins do s é culo XV e

então na históri a . Trata-se

que qualquer

de um sistema " mundial "

unidade

pelo fato d e en g lob a v a

s

política , (de fato

" ec2!!Q! Djco " porque o que v incul aya

eram s obretudo

laços do

a

tipo econ ô mico .

i

:1

I

-

tipos particulares de produção.

E por

que

estes modos

con-

centravam-se em diferentes zonas da economia mundi a l -

es-

cravidão e " feudalismo "

na periferia , o tr a balho assala riado

e o

-

trabalho por conta própria no nú c leo, e como veremos, a par-

ceria n a semiperiferia ?

afetam em muito o sistema político (em particula r

aparelho de Estado ) e as possibilidades de engendrar uma

burguesia au t ônoma .

pre-

Porque os modo s de controle do trabalho

a força do

A economia mund i al esta va baseada

f !§ ' ª!D ~ ~! ~ na constatação

de que de f a to exist!~ªurês

de cOn ! rol~

_

zon~~ ~ _ -. 9 l.!ai s tip . ham difer!:ntes modos

balho,

gurar o tipo de fluxo de do sistema capitalista .

_º.º_Jrª::

C as o assim não fosse J. -!!ªº~ri ª - _

ªiq(L PºS~Íy~ L ~s~~: :

excedente que possibilitou o surgimento

estava baseado

I dominante

no modo

de produç ã o

capitalista,

e quiçá

único dentro

do sistema, posto

só puderam

de produção

(pr é -capit a listas )

que vê como

ao no v o marco,

o do capitalismo ;

ou , na

um com o s

etapa inicial , dos ' di v ersos capitalismos

europeus,

 

! i modos i função

de sua adaptação

que os demais sobre v iver em

cada

Wallerstein é c o nsciente de . que o feudalismo

medieval persiste

como forma de exploração em seu "núcleo"

pe r íodo que estuda: minimiza,

si

europeu ocidental

porém , sua in c idência (tratar-se-ia

no

do

s tema de exploração empregado principalmente

por pequenos senho-

seus próprios

circuitos

e zonas d e , influência.

O segredo

da s ol i d a -

riedade do sistema consistia no fenômeno do desenvolvimento

gual , inerente à própri a expansão c a pitalista :

tituiu-se uma divisão do trabalho em escala mundial , gerando diversa s

formas capitalistas d~rodução,

livre (de fato, só a do centro do sistema,

tal) , po rém todª~~om

grupo s dominantes tamb é m as c lasses

- , cuj as "motivações"

desta form a a ex i stênci a

sistem a e co nô mico mund ial : 2

de si- d i sto , con s -

no tra b a lho

O

c iden-

em v irtude

nem todas elas baseadas

situada na Europa

-

cl

asses dornjn a ntps

ou m a is exata m e nte,

acredita que do sist e m a

a nível local, po s to que W allerstein

de ve m surgir d a an á lise

da totalidade

eram i gualmente capitalistas. O autor justifica

de difer e nt e s relaç ões d e p r odu ç ão

d

e ntro d o

Por que diferentes modos de orga n ização

do trabalho

-

escravidão, "feudalismo " ,

cont a própria - simultaneamente dentro da economia mundial?

Po r qu e

trabalho assalariado,

trabalho por

melhor a

cad a modo de con t role

do trabalho a dapta -se

1 . Imm a nuel Walle rste in ,

Th e M o de rn W orld·S y s l em ,

Cap ita l i s t A gri -

cult u r e an d l h e Or igi n s of l h e E u ro p ea n W or ld - E co no m y ;n l h e S i x t e e n t b Cen -

tur y, Ac a d e m ic 197~ . )

Pres s, Nov a Yor k, 197 4 . (ex ist e t r a d . e s p . , Siglo X XI , Ma d r id ,

2

.

Op . cit., p . 87 .

64

-

r

re

! :! c a Esp a nh ~ - ª p -ontª- a L S l :.guintes

ao feudalismo medieval :

i ament e

s rurais ).

uanto ao "fe d

' smo"

E u r o p -a Oriental

istentes

e da Amé-

em rela ão ago a p rima - mundial

de

di í e c e n ça a . ,

1 J os senhores

n ã o

.a - u . m~- ec - º l lomia

roduzem

capitalist a .é3 tais senhores n ! o originam

da .i autc rí dade . ceatr al . c . como ., n

p . ar,a - a - e c Qno . m . ia - l Q ca - l , m - a · s - pa . r

.

seu poder da debilidade

mas sim na força

Idade Média,

 

t

a l a utoridade central (pelo menos a Que exerce s obre - os - t r ab a lhado- ,

r

es

rurais). Por conseguinte, recusa chamar " f eudalismo"

a tais rel a -

ç

õ e s d e p r oduçãomodernas ,

preferindo cunhar a expres s ão: "trabalho

for ça do em culti v os comerciais "

dos trabalhadores,

ser v o medie v al , os escravos

d

qu e agora era mundial . Diferente

classes dominantes aplicavam os lucros: agora nota-se uma tendência

( coerc e d cash-crop labor). A nível

em que , ao contrário

do

deviam

a diferença consistiria

e "servos" dos tempos modernos

do excedente,

e stin a r

n ã o um a parte , mas a maioria

a um mercado .

em que as

também

era a mane i r a

à rei versão e à maximização

d a de pode servir como marco de definição das relações de produção:"

dos ganhos.

Seja como for, só a totali-

A quest ã o

é que as "relações

de produção "

que definem

um sis t em a s ã o ' a s " r e l a ções

de produ çã o"

do sis t ema inteiro,

e

3

.

O p . cit., p . 127 .

65

nesta época o sistema é a economia mundial europ é ia. O traba- lho livre é sem dúvida um traço que serv e para definir o capita - lismo, porém não o trabalho livre na t otalidade das empresa s

produti v as.

Y~ªºª . p- - ªr a tarefas especial i zadas nos paíse s in~~gr a ntes do núcleo

do sistema, ~!lquanto que o trabalho forçado é u t ili iado

tas menou .~pe c ializada s

. resultante é a essência do capitalismo , Quando o trabalho fo r

livre em todas a s p a rtes , teremos o socialismo. 2

O trabalho

livre é a forma de contr o le

nas áreas periféricas .

do trabalho

e @ ~ ÚÚ ~~

A combinação

As conseqüência s

metodológicas

de um esquema

deste tipo são

claras,

e o autor a s e x põ e em sua s con c lusões

( pp. 347-3 5 7 ).

 

U m

sistema social caracteriz a -se

pelo

fato

de que a din â mic a

d e

seu

.

desenvolvimento

des quecostumeiramente

(tribos, nações-estados,

é basiç a mente interna .

Desta forma , muitas entida-

como sistemas

sociai s

são apresentadas

etc. )

Sif'6' o s ã o: os únicos sisteI!! ªL ~Çl~ !ªi ~ _

por um lado ; e

! ~ ~is j 1 ! o as comunidade s

\2Q L . 9 _ t!lIQJ~~!em a s _ 1 ! )1 , !!1 - º!ª -

balho . em2eujºt~ . r!or e por cont e r mú l tiplas culturas.

aut ô nomas

d e subsistê ncia,

!~! : !~ . , ! q~ ~ p~l(\_ divis ã ~ do tra -

Que se pode dizer a respeito do esquema e x plicativo

ilJ

!e_PQcjemQ§

v

de Wallers- á rio s de seus_

tein ? Em primeiro lugar , qu e estamcs. r ía . acc t da . ccm

aspectos: de fato, exiAtiu ª!gQ

l!1ico europeu ",

Ocidental ; é certo que tal sistema tenº liLa_ Jºm i ll'-S !U d . ~~ç~nt~m ~ nt e .

" mundial " ; e _§~m dQ Y iQª - Sonsti~!!i!!-ªlgp serp - --p-recedentes n a hist ó r i a

d

chamªL ~' ~ige . ITI!U~~ºr.!º:_

na Europa

ou cujo centro dinâmico encontrava-se

até então .

a humanidade

Onde ini c iamos a afastar-nos de :mU1P-jni~ - º ., CI}~~.!~~!~j~(\Ç~9

de tal sistem a econQ ! !1ico como cavitalist a. e do capltal í smo

c

oma;

uiodo.de.nradncâo.dominame, - se n ã o único - desde fins do s éc ulo

XV e princípios do seguinte

lismo principalment e a pa r tir das moti v ações do s em~ á riQ lLLdo

Wªl!ers.tein abQrdª . - º --Q!! ~ chama capitg-

. mercado,

não d a esfer a d a mQ9.!!. çªQ. Quanto

a esta úl t ima ,

suas af ir-

mações s ã o demasiado esquemáticas , estáticas e às v ezes histo r icamente falsas. Caso entendemos o capitalismo como um modo de produção

no sentido exato da palavra , ou seja, CO!!!Q_l!1!1ª . ªniç!llªç~º _hi~!Qdç_ - ª . - ~~~~~_entreº~ª_de!erminado n í vel e form! } de or g anização da s

l<?rças produtivas, e as relações de produção correspondentes,

n ã o é

possível pretender , por exemplo, que na Europa Ocidental predomi-

nassem !elªçQ§ -- º!LP . Iºçlllç ~ º J !pjcamente

n~u ~ Ç.!!!º _xy . Um a coisa é a abolição da s e rvidão iuríd i ' c ~: - o üú ~

capitalistas tão cedo como

66

7f f

muito diferente o fato indubitável de que os camponeses dependentes,

sujeitos a prestações

diversas aos proprietários

eminentes

do solo,

tenham permanecido como elemento

dominante

das relações

de pro-

dução no oeste d a Europa durante

vários s éc ulos depois

da Idade

Média . O que temos, é um processo

hist ó rico de longa duração ,

que

não antes do s é culo XVIII

desembocou

no modo de produção

capi-

talista totalmente desenvolvido

e apto para

tornar-se

dominante .

Se

,

{

durante os Tempo s Moderno s o que vemos é somente a gestação e o

progressivo desenvolvimento denomjna l tão " capita l ista "

constituído e dominado pelo capital mercantil?

do capitalismo ,

atribuída

que sentido

pode ter a

ao incipiente mercado IllundjªL

Por outro lado , nos parece

falsa a crença

de que as transf~-

rência s do " excedente " (termo empregado com pouca precisão por

dife-

WalIerstein,

rente de mais-valia) qL~E!Üp~!l!~!i~

que em outros

textos o confunde

.

com o conceito

2-I!~o

_9.~~!!f~r.!Lp . ~.r!!

, !~ ! !!!~~ _ ~19!? 2.J~!2! Eentr~1 no advento do capitalismo .

O processo

de acumulação originária ( ou primi t i v a , ou prévia ) de capital não foi

algo ligado §Q ou principalmente ao comércio com as áreas coloniais

e dependentes, ao tráfico de escravos, etc. Seu s momentos decisivos

se deram no próprio núcleo de Wallerstein,

isto é , na Europa

O c iden-

tal

. Isto não quer

dizer que neguemos

a importância

da expansão

e

acumulação

coloniais,

que por

certo estiveram

muito vinculadas

 

às

transformações

como Mar x e Maurice Dobb , consideramos

internas na Europa. Trata-se simplesmente

essen c ial le v ar

de que,

a sério a

diferença entre as duas via s de desenvolvimento

do capitalismo

-

aquela

em que um setor da classe mercantil

se apodera

da produção;

 

e aquel a em que um setor dos próprios

produtores

acumula

capital e

começa a organizar a produção

em bases capitalistas

-,

sendo a se-

gund a " o c a minho realmen t e revolucion á rio " ,

enquanto

s e opô s ao " v erdadeiro

regime capitalista"

que a outra com seu

e desapareceu

'

desenvolvimento."

Finalmente,

não ficam muito

claros no texto de Wallerstein

os

mecanismo s concretos através dos quais 9 si~tema econ ô mico . mundial

determina . em seu interior as

modalidades de exploração do trabalho

pãs ~n-éf-en~esáreas · · (nÓéleo ; "s ' êffii " períié ' dã-'epêriferia)

.

 

O que m a is

nos preocupa, porém , são as conseqüências

que de

su

a an á li s e r et ira

o a utor a nível metodológico.

Afirmar que os únicos

4 . M aur i ce Dobb , Esludios sobre eI desarroIlo deI capitalismo,

trad.

de

Luis E tcheve rr y, S i glo XXI Argentina Editores, Bu e nos Air es, 1971, pp . 150·156 e e m gera l o s ca ps , II a V.

67

sistemas sociais reais são aqueles que contêm

cial da dinâmica

de análise legí-

Mo-

demos),

tomada de posição

ensaísmo globalizante não baseado em investigações de primeira mão,

no

o essen- poderia entender-se

em seu interior

de seu desenvolvimento,

sentido de que o único objeto de estudo ou universo

timo estaria constituído,

pelo "sistema

na época de que se trata

(os Tempos

econômico mundial europeu" .

servir

Semelhante

de álibi

ao

pode com muita facilidade

já que, de fato, quisas tomando

da economia ocidental

mente dados de segunda

elementos parciais

da totalidade

sistema é uma "estruturas de estruturas":

é quase impossível

levar a cabo este tipo de pes-

tão vastas como o conjunto

como objeto totalidades

(o livro de Wallerstein utiliza fundamental-

mão

).

Alguns sistemas se compõem de

cujo estudo deixa de ter sentido se os separamos

um

na qual se inserem. A coisa, porém, muda quando

neste caso é perfeitamente

válido

dição

expressa Pierre Vilar, a " história

e possível abordar a análise das estruturas

parciais, com a con-

de não perder de vista as determinações globais. ~ Como o

total " não consiste na tarefa impos- ,

-sível de "dizer

tudo

sobre tudo", mas "somente

em dizer aquilo de '

~o

depende

e aquilo que depende ' do todo",6 coisa perfeita -

mente factível

defesa

inclusive em um trabalho

ou da história

da síntese histórica

parcial e monográfico.

A

total é algo leg í timo. "

A

via que conduz

a isto , porém,

não deve anular ,

mas consolida r

os

estudos históricos fechada ou exagerada

especializados:

a

luta

contra

a especialização

não se deve travar de tal maneira

que se ponha

5. Naturalmente , Wa\1erstein não est á sozinho. Pontos de vista análogos

encontram-se em Pablo González Casanova , "EI desarrollo dei capitalismo en los países coloniales y dependi entes", in Pablo González Casanova, Sociología

de Ia explotacián ,

Chiaramonte , " EI problema dei t i po hist ó rrcc

puestos", in Modos de producci á n en América

xico , Segunda "L Un modelo

de sus su-

latina , Historia y Sociedad , Mé-

Sigla XXI Editores , México, 1969, pp . 251-291; José Carlos

de socieaad :

critic a

de 1975) , pp. 107 - 125 ; Angel Palerm,

época , n o " 5 (primavera

marxista para Ia formación socio - económica colonial?", Tercer

Simposio de historia

económica de América latina, MéXICO, setembro

de 19/4

(comunicação mimeografada).

Ensayo de

diálogo con Althusser",

piladores) , Perspect i vas de Ia historiograita contempor â nea , Secretaría de Edu- cacíón Pública (Sep . /Setentas) , México, 1976, p _ 157.

in C " F. S_ ~ar-

Pérez Brignoli (com-

6. Pierre Vilar , " Historia

marxista, historia en construcción .

in Ciro F, S . Cardoso e Héctor

7. Cf . Georges Duby , "La historia social como síntesis",

em perigo as vantagens

que,

sár i o definir suas correlações

que o historiador da América Latina tenha que escrever pessoalmente '

obtidas graças à especialização . "

O fato de seja neces -

ao estudar a história interna das regiões coloniais,

com a economia

mundial, não significa

a

história econômica

total

(e ainda bem,

que seria uma tarefa

interminável .

dados e análises pertinentes , ramos de pesquisa.

significa

):

apenas que elaborados por especialistas em outros

deve utilizar

criticamente

Muito semelhante ao esquema de Wallerstein,

ainda que se haja

desenvolvido independentemente,

é a concepção

de Fernando

Navais

sistema colonial "

(séculos

XVI-XVIII),9

Vamos

acerca do "antigo resumi-Ia brevemente,

posto

que não

carece

de interesse

e se liga

diretamente ao nosso tema.

" '*" " '? " "

O autor define o "antigo sistema colonial"

como o sistema colo-

nial do mercantilismo,

colônias

tiria em Q!QP!~iar _~ _ ill!}!!mizªção ºª _ ~!~ª_ , E~~~ª~i~~etropoli~pa através das atividades coloniais; em outras palavras, em ser um instru- mento a serviço da acumulação primitiva de capitais . O mecanismo que possibilitava que tal função fosse cumprida era o do exclusivo ou monop61io comercial, gerador de sobre-Iucros_ A burguesia comer-

cial metropolitana mias . coloniais

- devido ao fato de que o seu monopólio

possíve l as mercadorias

comprar

limites estariam dados, no primeiro

se inter -

que, no segundo caso, os preços pagos pela pro-

baixar a ponto de impedir o próprio pro-

o conjunto

das relações

entre metrópoles

e

na época do " capitalismo comerc!ªl".

Sua finalidade c.Qn~i~

podia apropriar-se

do sobre - produto

das econo-

simples anexos complementares

permitia

européias na América,

mais baixos possíveis

caso,

' da Europa

- o mais caro

vender

e em contrapartida,

colonial .

Os

aos preços

a produção

pelo fato de que, acima

de certo nível de preços,

romperia; enquanto

o consumo de produtos europeus

Para que o sistema pudesse

do trabalho deveriam

ren_qa nas mãos

dução colonial não poderiam cesso produtivo nas col ô nias .

as f~rmas de exploração

mitis~~_ - ª -

funcionar,

ser de tal tipo que per -

da classe

dominante

coºce~!raÇ . ~~. J!~

8

_ Witold Kula, Problemas

y métodos de Ia hlstoria econômica,

trad . de

Melitón Bustamante, ' Edi ci ones Península , Barcelona, 1973 , pp. 79-80; também

Maurice Bouvier-Ajam, Essai d e m é tnoaologie 1970, cap o II r.

iustorique, Le Pavillon, Paris,

doso e H,

Pérez Brignoli (compiladores) ,

op. cit., pp, 91-102; Pierre

Vlla_~,

9_ Fernando

Novais, Estrutura e Dinâmica

do Antigo Sistema Colonial

"Problémes

théoriques

de l'histoire

économique",

in [acques

Berque

et alli,

(Séculos XVI-XVIII),

Editora Brasiliense (Caderno

Cebrap, n." 17), São Paulo ,

Auiourd ' hui

l'histoire,

Editions

Sociales, Paris, 1974, p . 122_

 

1977

l .

65

AQ

colonÍlll :~nda quando a maior parte do exced ~

a metrópole, a parte restante se concentrava, garantindo assim a continuidade cio processo produtivo , e da importação de artigos euro- peus. Portanto, a adequação das economias coloniais a seu centro dinâmico, em última instância - o caQitalis~ó mercantil europ~t ; '

traºsferia .p - ª @ .

-, impunha formas qe trabalho não-livres. A grande contradição nas economias coloniais consistia em que surgiram como setores produ-

tivos altamente especializados, inseridos no processo de ampliação da economia mercantil, vinculadas às grandes rotas do comércio mun- dial; internamente, porém , as próprias maneiras de produzir impostas pela lógica do sistema determinavam um mercado muito reduzido. As áreas coloniais estavam à mercê de impulsos provenientes do centro econôI!Üco dominante, e não podiam auto - estimular-se. Ao fünciõiiàr plenamente, o sistema colonial mercantllista ia c r lã"ndõ - ; - "porsua pró-

pria dinâmica, as condições de sua crise e de su~~~ . ~~ão:

na era do "capitalismo comercial" , tornar-se-ia um anacronismo a ser

superado sob o capitalismo industrial, Novamente as estruturas latino-americanas aparecem reduzidas a

meras conseqüências ou projeções de um P[ºç~~~Q cuja . JógiQLP.IQ . -

funcional

' funda lhes é exterior.

Quem se interessa pela história da Ibero

-Améri-

ca, pela evolução de suas sociedades, porém, não pode ficar satisfeito com uma passagem como a que se segue;"

A escravidão foi o regime de trabalho p r eponderante na colo- nização do Novo Mundo ; o tráfico de africanos , que a alimen- tou , um dos setores mais rentáveis do comércio colonial . Se à escrav i dão africana acrescermos as várias formas de trabalho compulsório, servil e serni-servil - encomienda, mita , "inden-

ture", etc . -,

no conjunto do mundo colonial, ao trabalho livre. A coloniza- ção do Antigo Regime foi, pois, o universo paradisíaco do tra- balho não-livre , eldorado enriquecedor da Europa.

resulta que era estreitíssima a faixa que restava,

Deixemos de lado a inexatidão histórica de considerar a escra- vidão com "o regime de trabalho prepondemn!~ . mLçº!9J!!Za!( ' ª~Q ~ Novo Mundo" , e concentremo-nos em algo que nos parece muito mais essencial . Se hoje em dia o México e o Brasil , por exemplo, apresentam estruturas internas tão diferentes entre si, isto tem muito

10. Op. cit., pp. 27-28.

70

a ver com as modalidades divergentes da exploração do trabalho que

estes países conheceram na época colonial . Generalizações tão vagas , tendentes, pelo contrário, a assimilar a escravidão, a mira , a encomien-

da , etc . a um mesmo esquema, resultam não só inúteis, mas nocivas , se nenhum esforço é feito para esclarecer a importância das diferenças existentes entre as estruturas e processos internos das diversas regiões da América, cuja dinâmica, ainda que dependente em última instân- cia de impulsos metropolitanos, em nenhum caso se reduz a tais im- pulsos. Há que se levar em consideração muito seriamente o estudo das c~tradições, potencialidades e limitações internas presentes nas

~m!!~~!,~~ _ ,=012!! . !ais,sem~ual

nef!~! : ! . !!!uom2reef!~ão adequada da

-1!istória lati!1o-americana é possível .:. Além disto, como já ocorria no caso de Wallerstein, não somente exagera-se muito o peso da acumulação colonial na história do capi- talismo (Navais, na página 12 de seu trabalho, chama o sistema colo- nial mercantilista "a principal alavanca na gestação do capitalismo moderno " e considera que a exploração colonial foi "elemento deci-

sivo na criação dos pré-requisitos do capitalismo industrial") , à ma-

ne i ra de Eric Williams.P como também a história não aparece no

texto de Novais como um processo "histórico-natural" . Temos a im- pressão desagradável de nos haver com uma enteléquia, um elemento

supra - histórico que organiza , determina e decide . Em outras palavras,

o esquema ' do "antigo sistema colonial" lembra fortemente um enfo-

que teleológico ou finalista.P Ora, Q sentido da história não é mais que uma reconstrução a posteriori; em nenhum caso se trata de um princípio modelador a prior; dos processos e, portanto, explicativo dos mesmos. Dizer que o sentido do sistema colonial mercantilista

fo i preparar o advento do capitalismo industrial moderno não explica

a racionalidade que aquele sistema apresentava para os homens que

foram seus contemporâneos. Caso quisermos ver isto claramente, será necessário, além do conjunto e das inter-relações , estuda r em si rnes- mas as estruturas internas da Europa e da América.

Mencionemos ainda a inconsistência que encontramos no fato de um texto que, segundo parece, tem a intenção de localizar-se no

1~.

Eric, Williams , Cap~talism and Slavery ,

Chapel Hill, 1944 (trad . esp . :

de Williams in the I n

Ed . S18 . lo VC:lOte , Buen~s Aires) ; para a crítica das concepções

a respeito , vide Fran ç ois Crouzet (organizador), dustrial Revolution , Me t huen, Londres, 1972,

Capital Formation

12.

Isto já foi apontado

por Iacob Gorender,

O Escravismo Colonial

Editora

Atica, São Paulo,

1978 , pp . 121

122

e 507-508.

'

,.

' - -- - ~ ---------------------------------- - - ----- -- - -

.-

interior da teoria marxista ,

em tal teoria -

baseando-se

deira direta, neste ponto ,

nism o ."

utilizar uma noção sem estatuto possível

comercial" , ou "mercantil "

-, francesa, her- e do weberia -

a de " capitalismo

a respeito

nas idéias da escola histórica

Alemã

da Escola Histórica

2 . Expansão comercial e tipo de colonização

A colonização

da América

foi sem dúvida,

em últi ma

análise ,

urna conseqüência

da . ~ ~ pª!!~ão comercial e marítima européia ,

um

aspecto do grande processo de constituição

Tal colonização

E

sos tipos (de comerciantes,

posição, nob~es co~ al~os post_os burocráticos)

de um mercado mundial.

e conquista

d~er -

não

de riqueza

e os processos de descobrimento

. 0d~~!ll ocorrer sem a asso~@~9 entre intIT~privados

aventureiros

em busca

\r;"

e de i\

'

\

(as ' monarquias nacionars, a - cUJO aparelho com freqüência aSSOCIava . : \ '

cr i~ . t~re~ses pú~licos

se a Igreja) . Tal vinculação

tinha diversas razões: a necessidade

de

j

. mobilizar recursos vultosos para financiar longínquas expedições

de

'

conquista, e posteriormente

a necessidade

de deíen-

,

descobrimento ou der as colônias;

os grandes riscos que

implicavam as aventuras deste

tipo ; a inexistência ,

capazes de concentrar os i mensos recursos mencionados e enfrentar os

riscos; a manutenção pela força do sistema de monopólios sem o qual

no prin c ípio ,

de formas de empresas mercantis

não podia funcionar

a atividade mercantil

de então. Surgidas

neste

contexto ,

as relações entre metrópole

e colônia foram regidas

pelo

sistema de " exc l usivo" ou " pacto colonial" , através do qual cada

metrópole reservava-se

est as últimas tinham por sua vez garantido

e o apoio naval da potência colonizadora . Por outro lado , as estru -

às

da metrópole, Na prática , o rigor do monopólio foi compensado ou

e pela

pressão dos interesses radicados na colônia contra alguns de seus

aspectos . A colonização - O

ção de sistemas produtivos destinados a abastecer o mercado europeu

o monopólio

do comé rcio

de suas colônias ;

o mercado metropolitano

turas econômicas coloniais orientavam-s e de f orma complementar

atenuado por um importante

'

ent

comércio ilícito, pela pirataria

- e essencialmente

ara . a constitui-

-- --

13 . A respeito v ide princip a lment e

Horacio Ciafa r d i ni , " Capit a l , comercio

y c a pit a l is mo :

pro du c c i ó n e n Amé ri ca latin a, C uad e rnos d e po s a do y present e, n ," 40 , Siglo

d e

a prop ó s i t o

d e i Jl a m a do ' capit a lismo

co mercial ' " , in Modo s

XX

I E d i tor es ,

Méxi co ,

1977 5 , p p. 1 t 1-13 4 .

72

com

- eta l s precioso

e ,

rodutos

tro ~ ls

( artigos alimentícios

de

l !!xo L mate lj - ªs _ -primas r C fi ã r í Í m-se

diversos núcleos exportadores

L e

ao seu redor ª - r t iê ' ularam-se

em seguida outras zonas pr õ uuva s , ~ - ,

~ secundárias ou marginais -e-

- De uma maneira extremamente

, _

simplificada,

estes seriam

os

traço s mais visíveis do sistema colonial rnercantilista . vs A interpreta-

simples exposição ser a da natureza

da economia dos Tempos Modernos . Quanto a este ponto , apoiamos as afirmações de Pierre Vilar: 1 5

ção qu e se proporcione de tal sistema, além de sua

descritiva , dependerá

em essência do que se acredita

Não se deve empregar sem precaução a palavra "burguesia"

)

. ~

e deve evitar-se

da sociedade moder n a na qual a produção maciça de merca d o ;

rias repo u sa na explora cão do trabalho assalariado

prietário pelos proprietários

Enfim , embora seja certo que não se deva exagerar o caráter

" fechado " , "natural", qual o intercâmbio

muito tarde ainda, nos séculos XVI I e XVIII ,

pr o veniente

mesma, com um mínimo de intercâmbios e pagamentos em moeda. A comercialização do produto agrícola sempre foi muito ~

si

o termo "capita l ismo"

dos meios

da economia

feudal

nunca foi "nulo " ),

enquanto

não se tratar

dO não - pro-

(

)

(na

de p r oduCão .

em suas origens

não é menos

exato que

a sociedade rural

medida

sobre

do feudalismo

viveu em grande

parcial . Ora. no capi t alismo avançado, tudo é mercadoria .

sentido. como falar de "capitalismo "

em relacão ao século XVII I

no séc u lo X V , ou ainda

francês ?

~~r Noutras palavras,

o

,

':, § Modernos

acreditamos

que a econom i a

dos Temp o s

(da metade do século XV até a

segunda metade d o século

'': ,~i~XVIII) é fundamentalmente pré-capitalista, o que se aplica à Europa ,

e ao incipiente mercado mundial .

, \\

< ,

ao ~ ndo

colonial a ela submetido,

\}J

14.

Cf . Frédéric

Mauro , La expanston

europea 1600- 1870, Labor . Barce-

l o n a , 1968; Pierr e Deyon , Los origines de Ia Europa moderna: el Mercanti-

lismo , Península , Bar ce lona,

Epoca colonial ,

1970 ; Richard Konetzke , Am é rica

Universal

S i glo XXI ,

la t ina l l , La

197 2 2 ; Cés-

v o l . 22 da Histori a

Madrid ,

Charles Gibson , E s pan a en A m é ric a, Grijalbo , Barc e lon a , 1 976 ; Guillermo

pedes , América l a tin a colo n i a l hasta 1650, Sep ' /Setentas ,

México, 1976 .

. les Parain et alii, Sur l e f é odalism e,

15

Pierr e Vil a r , " L a tran si tion

du f é odalisme au capitalisme " ,

in Char -

Editions

So c i a les, Paris,

1971 , pp, 36 - 37 .

 

77.,

o .

~

o capit~lismo , como modo de p rodução, está sendo então g~r~do, -

- antes

que neguemos a importância primordial

o que nega-

bios , do processo mercantil, na formação do capitalismo:

porém não se in~tªlªr~ . p!enamente

da revolução industrial.

e menos ainda será dominante

Isto ' não ' quer - dizer, em absoluto,

da extensão dos intercâm-

mos é qualque r

espécie de "capitalismo

' comercial" .

O capital

mer-

cantil havia j á

existido em outras épocas da história. Sua eficáci a

na

dissolução do estado de coisas pré-capitalista

durante os Tempos Modernos foi o resultado de que atuava então em

um ambiente muito diferente ao do antigo Império Romano

Idade Média , devido a transformações

rando na esfera da produção.

caRitais de fato não se limita à exploração

formas; seus aspectos decisivos de expropriação e proletarização

em um ambiente

se

na Europa Ocidental

ou ao da

profundas que estavam se ope-

prévia

de .

O processo de acumulação

colonial em todas as suas

histórico global ao qual por

Aão na prÓpria Europ-ª,

certonão é

indiferente à presença dos impérios ultramarinos .

A supe-

ração histórica

da fase

de acumulação

prévia de capitais

foi, justa-

mente, o surgimento

Chegamos

do capitalismo

como modo de produção:

ro

aqui

ao aspecto

dialético do fenômerio :

a

ªcumulação

primitiva

de capital engendra

sua ' própria destrui-

çã~: Em

uma primeira

fase, a alta dos preços,

a expansão

dos

dos príncipes estimulam os usu-

rários e os

segundo os pa í ses,

culati v os tendem a igualar-se

É pre-

- tivamente à margem da sociedade feudal - i nvadam o corpo

rela-

capital acumulado busque outro meio de reproduzir-se.

ciso que os detentores

as taxas média s de juros e dos ganhos espe-

impostos reais, os empréstimos

espectadroes ; porém, finalmente , em graus diversos

e a baixar . É preciso então que o

de dinheiro

que permaneceram

social inte i ro e que assumam o con t role da

produção.

Caso seja esta a maneira

de ver a economia dos tempos moder-

nos, é evidente que, em nossa op i nião ,

época do mercantilismo somente poderia engendrar sociedades colo- niais pr é -capitalistas. Estas sociedades porém não eram todas do mes-

a colonização da América

na

16. Op. cit. , p. 44 .

74

, _ : _ ------------

~,

/~;

mo tipo. Segundo os critérios

escolhidos para a sua classificação,

po-

,

'

;

dem ser construídas

diversas tipologias. Mericionamos

as mais usuais.

 

.

----- 7 - 1 <? Segundo as potências colonizadoras. -

Far-se-á então a di :

1 ferença entre os impérios coloniais de Portugal, França, Espanha,

In-

glaterra e Holanda na América. Trata-se de um critério frágil . B

correto que certas diferenças importantes entre distintas áreas coloniais

resultavam dos níveis heterogêneos da evolução econômico-social

potências metropolitanas,17

tar e naval . Caso porém tomarmos o Brasil acucareiro

(colônia portu-

das

como de seu maior ou menor poder mili-

guesa)

e as Antilhas

francesas . e ing~~

produtoras

de açúcar,

te-

remos colônias escravistas essencialmente que colonizadas por três países diferentes.

similares

entre si, ainda

;to ~

~ -J I

~

i1 €l

c

~

-- ? - 29 Segundo o grau de vinculaç ã o ao mercado mundial. -

Vi-

que produzem me-

tais preciosos e produtos tropicais para _vendê-los à Europa, zonas

(a área

mos que as distinções entre núcleos exportadores

_ subsidiárias

voltadas

para o mercado

local ou intercolonial

de pecuária no Brasil, complemento da zona açucareira; a produção

chilena de trigo, vendida

zonas relativamente marginais (corno a Amazônia,

têm certa importância.

para

o Peru; as fazendas

mexicanas,

etc.) ,

Costa Rica, etc.),

Em muitos casos, porém, de fato estas funções

produtivas

diferenciadas

superpõem-se

no espaço,

e de qualquer

ma-

neira U1!l-ª

!!P'º~g!ª - .~ª!~~º~~x.p.!içªtiva

não pode _ JiºI11~n!!U?ªseª! , =-

se na esferLQa cir9!ill~ªº , ,2~'1LfQnsiderar social .

a P'!od! : !ç~o e a estrutura

~ 39 Segundo os tipos de produção. -

Estes dependem em medi-

da considerável

dos dados geográficos e dos recursos

naturais,

variá-

veis de uma zona para outra na América. Teríamos -

cada caso só o setor produtivo

-

tomando em

mi-

colônias de

neração

(México,

Peru e Alto

mais importante Peru, a região

aurííera do Brasil

no

século XVIII , etc.) , colônias exportadoras

de produtos tropicais

(o

Brasil agrícola,

o México tropical,

a Guatemala,

as Antilhas

e as

Guianas, etc.), colônias produtoras

de alimentos

para

os próprios

mercados da América (Chile, Nova Inglaterra,

a zona pecuária

do

Nordeste

ou do Sul do Brasil,

etc.). Com este critério

já podemos

17.

Cf . Ciro F. S. Cardoso ,

"Propriété

de Ia terre

et techniques

de pro-

duction

dans les colonies esclavagistes

de l'Arnérique

et des Caraibes

au

XVIlle. siêcle", in Cahlers des Amériques Ia/ines (serie "Sciences de l'Homrne", n." 13 - 14) , Paris, 1976, pp. 129-151 .

r -

I

construir um quadro mais interessante,

ção têm grande jnfluência etc.

dado que os tipos de produ-

a organização

social,

sobre as técnicas.

~ ~

49 Segundo a questão da mão - de-obra e do caráter da coloni -

zação. -

Na época pré-colombiana,

podemos distinguir uma.zana

nuclear

de povoamento

indígena (compreendendo

as áreas

meso-

americana

e andina),

a única que continha grandes concentrações

demográficas

e um nível

agrícola

relativamente

desenvolvido;

e o

resto do cotinente, o qual, ainda que muito heterogeneamente,

apre-

sentava

um povoamento

menos denso de agricultores primitivos,

ca-

çadores

e coletores,

Na zona nuclear; a conquista

significou uma re-

gistribuição dos fatores produtivos fundamentais

e a colonização baseou-se na exploração das comunidades indígenas, parcialmente privadas de suas terras e obrigadas a trabalhos força-

negra

não ' estivesse ausente de todo; as sociedades resultantes foram sobretu-

do euro-indigenas (México, Peru, Guatemala, etc.). No resto do con-

dos através de procedimentos

(terra e trabalho),

diversos; ainda que a escravidão

tinente, podemos distinguir duas alternativas

principais:

1) onde as

condições naturais permitiam o desenvolvimento de culturas tropicais

de exportação,

após o confisco dos . grupos indígenas,

que foram ex-

3. A circulação na economia colonial

De uma maneira

geral,

os processos

produtivos

da América Lati-

na e do Caribe na época colonial

que o seu correspondente processo de circulação. Recentemente,

cello Carmagnani

colonial; trata-se de um esforço importante, que sintetizaremos

guir,19 e no qual se nota a influência de Witold Kula.s"

têm sido muito

melhor

estudados

Mar-

no mundo

a se-

tentou formalizar

os fluxos mercantis

Segundo Carmagnani,

a circulação

forma de dois fluxos complementares:

assume,

em uma colônia,

o durodutos

de exportação

a

da unidade produtiva

para o porto,

e o de mercadorias

importadas

do

porto para a unidade

de produção .

A classe mercantil

da colô-

.

Jliã . -

que com freqüência utiliza suas atividades para possibilitar

o .

seu acesso à classe proprietária, verdadeiro grupo dominante colonial

-

à escassez de moeda e ao fato de que o processo

gundo um ciclo longo (ano agrícola),

bens imp o rtados se faz sentir com regularidade

mercantil realiza-se em dois momentos

européias impor-

merciantes antecipam aos produtores mercadorias

atua como intermediária

entre a produção

e o consumo , produtivo

Devido se dá se-

de

o circuito os co -

enquanto que a necessidade

no tempo,

diferentes no tempo:

tadas, as quais serão pagas com mercadorias

para a exportação.

Ain-

pulsos, escravizados e dizimados,

a importação

maciça de escravos

da que todo o ciclo entre comerciantes

e produtores

da colônia possa

africanos levou à constituição de sociedades principalmente

euro - afri-

completar-se

sem a intervenção

do dinheiro

metálico

(a fórmula

canas (Brasil, Antilhas, Guianas, partes da América Espanhola conti-

desta circulação

porém o dinheiro assume aqui a forma de crédito,

é: mercadoria-dinheiro-mercadoria,

ou M-D - M;

de

nental); 2) onde as condições naturais eram próximas às das zonas

de antecipação

temperadas

dígenas constituíram-se

gração européia mais ou menos importante

culo XIX,

euro-americanas

logia nos servirá de base para a exposição

cas fundamentais

talmente as anteriormente

termediários (Colômbia, Venezuela, etc.) e casos especiais, por exem-

plo as zonas de trânsito

a partir de uma imi-

e o confisco dos grupos in-

da Europa,

após a conquista

colônias de povoamento

da época colonial),

Rica,

(às vezes já em pleno sé-

e surgiram sociedades

fora portanto

(Costa

a zona dos pampas,

Esta tipo- econômi- de vista to-

É certo que admite casos in-

etc.).

das estruturas

neste capítulo,

ainda que sem perder

mencionadas.

como o Panamá.t"

18.

Para uma explicação

mais detalhada,

cf . C. F . S. Cardoso

e Héctor

Pérez Brigoni, Los métodos

de Ia historia, Crítica, Barcelona,

1977 2 , capo V.

76

I ·

!

mercadorias

sobre mercadorias

futuras),

o autor

assinala

que não

se trata de uma troca, mas de uma verdadeira

circulação

de merca-

dorias,

forma implica uma interdepend ê ncia

ciante , criando uma cadeia de intercâmbios

feita segundo uma forma mercantil

de tipo secundário.

Tal

entre o produtor

e o comer-

que une um produtor

específico a um comerciante

igualmente específico;

não há

um mer-

cado anônimo, mas compulsório;

regulado

não

pela

oferta

e pela

demanda, mas somente pela demanda exterior cujo representante

ou

19. Marcello Carmagnani, Fornlación y crlsis de un sistema feudal. Amé-

rica latina del sigla XVI

Editores, México, 1976, pp. 32 - 44.

a nuestros

días, trad. de Félix Blanco, Siglo XXI

20. Witold Kula, Théorie économique du svsteme féodal, Paris-Haia, Mou-

Em

ton, 1970 (tradução do polonês;

Carmagnani percebe-se também a influência da antropologia econômica.

existe também

uma tradução

espanhola) .

77

agente na colônia

é o comerciante.

O movimento mercantil

entre

a

América Latina e o mundo

já se dá segundo a forma

mercantil

de

tipo primário (cuja fórmula é D-M - D : dinheiro-mercadoria-dinhei-

ternos .

da produção

E: hora de

e n a

penetrarmos, nas páginas seguintes , nas estruturas fisionomia própria das sociedades coloniais.

(capi-

taes dos ?arcos, agentes) trocam mercadorias européias (tecidos, ferro e outros implernentos, artigos alimentícios de luxo, etc.), anteriormen-

te compradas

r~). Os representantes

no porto

da classe mercantil

européia

com dinheiro

na Europa , por mercadorias

coloniais

(açúcar ,

prata , cacau , etc.), que transformar-se-ão

em dinheiro

n a

Europa . Como os comerciantes

europeus que se dedicam

ao comér-

cio ultramarino

têm que manter

boa parte de seu capital

imobiliza-

B)

SENHORES E INDIOS: MINAS E FAZENDAS AMERICA ESPA NHOLA

NA

Em meados do século XVI -

entre 1540 e 1570 -,

a coloniza-

do na forma de mercadorias uma tax a de lucro comercial

comércio na Europa .

lonial, torna-se possível,

merca~orias

um baixo custo em moeda (j á que são produzidas com mão-de-obra

escrava ou servil , e mediante

dos gratuitamente

durante

longos meses, devem

obter

ç

ã o espanhola adqu i r i u car a cterísticas

plenamente

definidas ; muitos

mais elevada que os que se dedicam

o lucro da classe mercantil

porque

ao

destes traços estavam ainda presentes no século XVIII.

Os tempos de

co-

explor a ção

e conquista

cediam a vez ao assentamento

efetivo. Este,

as

derivado em grande parte da experiência

da reconquista

ibérica , ba-

.1

I

o

continente conquistado,

administrati v o

proporcionavam a maior riqueza. Nos trinta anos assinalados conso-

lida-se a organização

Nova Espanha (1535) e do Peru (1551); o sistema de frotas , que

da

seou-se na fundação

de uma rede de cid a des

e que constituía

estendida

por todo

a espinha as ativid a des

dorsal do sistema econômica s que

e militar , canalizando

política e estatal, através dos vice-reinados

dominar á

as Leis Novas põem fim, em 1542, à

obra aborígine , dando lugar à encomienda de tributos e ao reparti-

miento de índios. Por fim são descobertas

de

minas de prata

o comércio

colonial

até o s é culo XVIII ,

surge em 1543 ;

exploração irrestrita d a mão-de-

as grandes

(1546), que inauguram,

jun to

Potosi

( 1545) e de Zacatecas

I com a introdução
! sitada prosperidade
! vorada do XVII.

d a técnica da amálgama

com o mercúrio,

a inu-

da mineração, que coroar á

o século XVI e a al-

O mundo colonial hispano-americano

não assistirá

a outra mu-

Isto, e também

na explicação de Carmagnani,

coloniais têm um alto valor em horas de trabalho ,

a. exploração

na maioria

dos casos),

porém

de recursos naturais obti- inferior ao das mercado-

rias européias: Quanto ao financiamento

do processo

produtivo ,

os

donos das unidades

de produção

utilizam seus bens imóveis

valo-

rizados pelo trabalho

servil para obter da Igreja ou dos comercian-

tes empréstimos sob hipoteca.

Jac~b Gor~nder, 2 1

por su a vez, insiste no fato de que " o regi-

me de circulação mercantil

único. que convinha ,

aos sistemas de produção pré-capitalistas

pit~1 ~ercantil pré-capitalista da Europa" . A Coroa (monopólios

reais, Impostos ), os comerciantes

das c?lônias disputavam constantemente entr e si a participação mais

vantajosa poss í vel na renda gerada pela produção

baseado

no preço de monopólio

era o

do ponto de vista estrutural" ,

ao mesmo tempo

e "ao ca-

latino-americanos

e os proprietários

das plantations

colonial.

*

'"

tação semelhante

senão na segunda metade do século XVIII,

no mar-

o

co das reformas bourb ô nicas . A reorganização

administrativa

em to-

dos os níveis (novos vice-reinados ,

sistemas de intendências,

etc . ) ;

No in í cio

desta seção abordamos

a natureza problemática

da

economia colonia l , exploramos

bates teóricos associados

c~culação

çao mercantJhstas,

diferentes

tipologias,

e os vivos de-

definimos a

e a organiza-

in-

a estes temas. Logo a seguir

e~~nômica no sistema colonial, o monopólio

e o caráter

peculiar

dos fluxos de intercâmbio

" livre comércio " dentro dos c â nones mercantilistas

lio de Cádiz e do sistem a: de frotas) ;

nômica

ção); e um profundo reordenamento

relevantes de uma nova política imperial, implantada

(f i m do monopó-

eco-

uma intensa diversificação

(pecuária

e cul t uras

de exportação,

reativação da minera-

os aspectos mais demasiado tar-

fiscal; foram

21. J. Gorende r ,

78

 

de tanto para perdurar

quanto

para

deter uma

erosão

j á secular

op . c i t., pp. 489.53 7 .

do poder espanhol.

i

,

 

,

,

79

--.--_--.------.---.----.r- _ - ------------ --"ff'

se-

br e ba s e s dura d ouras

inevita v elment e ind e pendê n ci a .

A imensid ã o do s território s colonizados , a diversidade de am- bientes f í s i cos e humanos, o n í ve l tecnológico dos europeus, entr e

qu e

mui t os ou t ros fatores, de t ermin a ram

estiveram plenament e

da M eso -A m é ric a

res e os conf i ns do imp é rio e xi sti u um a v aria da gama de assent a -

mentos , nos quais o funcionamento do re g ime colonial af a stou - s e do

padr ã o ge r a L A v ariedad e de estruturas socia is, a maioria da s qu a i s

não est á ainda hoj e be m esclarecid a pela inves tigaç ã o hist ó rica ,

c o n s - Hi s - e x i stiu e s -

à

As transformações

de mea dos

do

século

XVI assentam

um vasto imp é rio c olonia l , As do s éc ulo XV III,

cons t ituem

mais que tud o um prelúd i o

frust radas ,

estruturas sócio-econômicas

de f inida s nas zonas densamente povo a d as

andin o s .

Entre estas áreas nu cle a -

e do s planaltos

titu i um tra ç o

d e gr a nde

importâ nc ia

no co n junto

d a A m é ric a

pânica . Deve assinala r -se um reg i me t ão clar a mente

cravist a no litora l do Brasi l ou . no Caribe

que nem seque r nas zonas nucleare s

def i nido

como o fo i o d a plantation

dos séculos XV II e XV III.

Não é necess á rio

insist ir nas implic a çõe s

teóricas desta situação.

O

debat e

aberto

sobr e o caráte r

destas estruturas

coloniais parece

e s-

ta r muito dist a nt e a i nd a d e apro x ima r -se de alg uma solu ç ão . "

1 .

Os sistemas de trabalho »

A s Leis Novas d e 154 2 e a s disposições rela tiv a s ao .I.t:.[UlrJimien-

ia. ( 1 5 48)

del i n eara m

um s is tem a

de e x plo raç ã o

d a m ã o-d e -ob ra

c

22.

a po l l I .

.

23

C L C ir o F . S. C a r d o so

Cf . Iu an

e H éc tor

Pérez Brignoli, Los métodos

,

lndian Labor in Mainland Colonial

e [ud i t h V iIl a marín ,

Spanish America, L a ti n A m e r i c an

S t u di es Prog r am ,

Uni ve rsit y o f D e la ~ a ~e,

1975

; M arvi n

Ha rr i s , R aza y tr a b a i o en América, trad . d e M. G er be r ,

Edicio-

ne

d

trad , d e [ u li et a C a mpo s, Sigla X XI, Méxic o, 1967 ; Lesley B y r d Simp s on ,

s Sigl a V eint e , e caso : Cha r Ie s

Bue n os Aire s,

Gibson ,

19 7 3 , pp

7

- 74 . Exi . st~ m imp _ o r t a n t e s e st udo s

10s aztecas baio el domll1lO espano I ( 1 51 9 -1 8 10 ),

V

" . Pen í nsul a,

Los

Bar -

conquistadores y el inâio americano, t ra d . de E . Rodr í gu e z

cel o n a 1 970 ' E duardo Ar e iJ a Fa ria s, EI régimen de Ia encomlenda en Vene-

S á nchez P e ru ano s ,

Alborno z

Lim a, 197 8; Jo h n ' H . Ro we , " Th e

i n Hi s pan ic A m e ri can

zuela ' U n iv~ r si d ad

lndio s

Ce n t ral

d e V en e zu e l a,

C arac a s ,

1966 2 ; Ni col á s d e Es t ud i o s

v tributos en el Alto P e r ú, Instituto

Historical Review,

Inc a Und er Sp a n i sh Colon i al Inst i tut i ~n s: ' ,

va I . 3 7 , 1 95 7 , pp.

15 5 -1 99; Si lV I O

Z ava l a , F u e n t es para

C. E ., Méx i c o ,

de Chile central, Editori al U ni ve rs i tari a ,

co m end er o s y estancieros, Ed it or i al Un iver s it ar i a, S an t ia g o, 1970.

Ia his t or ia dei trabaio, en Nueva_ Espana

(15 ? ,5 - 1 8 ~ 5 i , ~;

InqUIlInos

En-

193 9 - 19 4 6 , 8 vol s . ; M ario Gongor a,

S

a nti ago,

Orrgen de los

1960 ; do m e smo a ut or,

80

indí g en a qu e implicav a em um compromisso

entr e

o s interesses

d

a C oro a, d a I g rej a e dos conquis t adores .

A primeira c o nseguiu

ga-

r

a nti r

par a

si r~1 . as

fiscais dUm Q . Q! "!ª rr c ia (a o transforma r

a

encQmii:.~~a de ser v iços em encomienda de tributes ) ,

e , a . trav é s

do

ç , ontr ol e d a m ã o-de-obra

ind íg en a, impediu

a f ormaç ã o

de um a pod e -

ros a aristocra c i a

n a América . Os colonizadores

se b e m não conse-

gui ram c onser v ar

a tot a lidade

dos pr iv il é gios da s turbulentas

f ase s

inicia i s d a conquista,

puderam dispo r de vultosas r i quezas.

A Igre-

j

a, c om o s í ndio s congregado s

em aldeia s

e reduçõe s;

pôd e

leva r a

cabo

a miss ã o e vangeli z adora

e tamb é m

goz a r d e importantes

for -

t una s ter r enas.

N o conjunto ,

o s i stema

d e exploraç ã o

d a m ã o-de-

obr a er a, compar a do

muito mai s rent á vel

e com

menos

riscos

a curto

com a escravid ã o , e lon go prazo s .

Não e x i g i a desembolsos

de

c

a pital

inicia l pa r a a aquisiç ão

de . esc r a v o s,

a pr e ocupa ç ão

com

os

custo s de subsist ê nci a

dos indígenas

foi m í nim a ,

e , mesmo

sob

os

e itos d a catástrof e

ef

demo g ráfica , o si s t e m a s e reproduz i a .

S e u s e gr e -

do residiu

em al g o que não conhecemos

bem:

o funcionamento

d a s

comunidades i nd íg ena s. O reord~m l li H :IlJQ

Q~

E !~~~< ! ~~o século X V I

lhes outorgou terras , dotou-as de uma organização urb a na e admi -

nistrat iv a

bj!!QL!mL~Qécie e moeda ( que a Coro a cedeu , em part e, ao s anti-

ões r o tativas de trabalho. Estas últi-

gos encomenderos) e presta!t

calcada nos hábitos e costumes espanhóis, exigiu-lhe s

tu-

mas const it u í am o r e par t imient o+ destinado

ção urban a e à la v r a da s terras e minas , remunerados ao menos

n a le i, ain d a qu e a t a xas

a carretou , muitas vezes , transferên c ias maciças d e populações sider áv e i s dist â ncias .

mai s ba ix a s que o s a l á rio li v re. O s i s t em a

a trab a lhos

de cons t ru-

a c on-

As mUar destinadas

às minas de prat a

de Potosi e de me r cúrio

de Huanca v elica ,

plo s de func i onamen t o do sistema d e re partimi e nt o a um a escal a in i -

gualada em outras regiões da Am é r i ca H i spânic a, e com um a duração

qu

XVI a mita de Potos i e x igi a anualment e

n a

m

d os de 16 p r o ví ncias circunvizinhas .

estabelecidas

nos anos 1570 , constituem

quase que in t egralme nte .

dois e x em -

e cobre

o per í odo

colonial

No século

oriun-

13 . 500 trab a lhadores

A de Huanca v elica

Com

exigiu ,

es ma

é poc a,

at é 6 2 0 í nd i os mitayos.

o de c 1ínio dos

rendi -

2 4. Chamado

nas, atquiier

ta mb é m coateauil no M é x ico ,

n a Gu a tem a l a,

u r b a nos e concertaie

mita na Bolívi a e no Pe r u, n a Co l ômbi a mita s e foss e n a s

n os ag r íco l as , c f . Vill a rn a -

minga no E qu a dor , mandam ien t o

mi

rín, op. ci t . , p . 1 7; H arr i s ,

n os t r a b a lh os

op. cír., p . 3 7.

O i

mentos nas minas ,

diminuiu ;

cia

Em men o r da s as regiões

e a queda

d a população,

o número

de mitayos

mas a odiada

mita de Potosi persistiu

de repartimento

até a indepen d ê n -

funcio nou

em to-

. 25

e scala, o sistema

da América

H i spânica

q u e contavam com pop u l a ções

indígenas sedentárias,

mais ou meno s densa s ,

uma vez passados

os

estrago s d a conquista.

O quadro

4 fornece

uma rápida

i déia, para

este e outros

sistemas

de trabalho,

das á reas geográficas,

o setor de

at

a roda-mes-

tra na exploraç ã o d a mão-de - obr a

a decadência

priedade

~o pesso& que datava dos primórdio s da colonização . Referimo -

i vidade

e o período cronológico

em que predominaram .

importâ ncia

O repartimient o

foi , ao menos entre 1550 e 1650,

ind í gena.

e a crescent e

A queda d a popu l ação ,

d a grande

pro -

da se r vi -

d a s minas

rura l a briram caminho

a U11 ) sistema mai s próximo

~~

, , ,

,

., .

· ·,

,

,

,

·

,

,

,

, , ,

, .

I

1

nos ao y anacona j e

peru a no ,

e ao s gaiianes , nabo r ios

e labor io s,

do

t.Lltlltll til

México

e · da Meso-América .

Neste caso, q . Jmlio

e sua família

dei-

xavam em form a permanente sua comunidad~~ra

da; conhecem - se

s ituáÇÕe-; · na s quais - -;7e~da

viver na fazen- das terras determi~ã-

v

se no Peru desde o século X VI , porém

tância

um mecanismo que se transferir á

por ant o nomási a

a t ambém

a dos índ i os q u e nel a habitavam.

O sistema d esenvolveu-

imp o r -

no México adquiriu

só no século X VIlI . 2 6

Com o tempo,

a sujeição por dívidas,

constituiu o víncul o

de terras e seus peões

ao século XI X ,

entr e o grand e proprietário

(sistema de peonagem) .

.•.

o

o

o:t

-

:

: I

O

 

O trabalho

livre existiu em todas as regioes e durante

todo o pe-

r

í odo colonial ;

p o rém ,

em que

pese

os esforç o s

legais da C o roa

para estendê-Ia ,

espanhóis

em múltiplas

quanto

nunca excedeu um caráter excep c ional.

e índi o s

trabalharam

Um

dos

c ontrastes

é encontrado

Mestiços,

e . cri ollos pobres

atividades.

c o m o assalariad o s mais extra o rdinário s

ao compararmos

aos sistema s

de trabalho

o

25.

Cf . Iohn

Lync h , Administraci6n

colonial

espaiiola 1782-1810, trad.

de G . Tjarks ,

. xico, in Problemas

Eudeba,

Buenos Aire s, 1 9 67 2 , pp . 165 - 189 .

d e los grandes d e México,

26

Françoi s

Chevalier , L a [ o rmaci á n

agrícolas y industriaies

en Mé-

vol, 8 , n ," 1 , México,

latifundios

1956

M. E . Hope

mento

; W oo drow

Boran , El siglo d e Ia depresi á n

Sep/Set e nta s ,

M é x i co , ano s;

no s último s

de Porte r,

foi muito

di s cutida

en Nueva

Espana,

trad .

de

1975 . A que s tão

d o endivida -

a maior i a

dos auto r es

tend e

n

a atua l idade

a min i miz ar a im p o r tânci a

e con ô mica da s dívidas e enfatizam

b

e m m a i s a humilhação

soei a! qu e ela s imp l i ca vam .

82

o .;< o '", ~ ., o o:t ., 7 ü ] : ~.~ .,
o
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.

Area

Região

Colômbia

Planalto oriental

Planalto

Equador

 

Costa

Planalto

Peru-Bolívia

 

Costa

Central

Chile

 

Norte

Area

Região

Argentina

Norte e Centro Rio da Prata

Paraguai

Paraguaí

Referências:

E: encomienda S: escravidão indígena " EA: escravidão africana R: repartimiento

P: peonagem ou yanaconaie

F:

trabalho livre

Advertência: O quadro

é uma versão ampliada

Setor

de

Séculos

Atividade

 

XVI

xvu

XVI"

 

E

Agricultura

 

R

Mineração

(Tolima)

 

R

Mineração (Popayán)

 

EA

Urbano

 

R

Agricultura

 

E

 

R

P

Mineração

 

R

Têxtil

R

Agricultura

 

SA

Agricultura

 

E

 

p

Mineração

 

R

Têxtil

R

Agricultura

 

EA

Agricultura

 

E

.•.

 

S

P

Mineração

 

E

F-

Setor

de

Séculos

Atividade

 

XVI

XVII

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Agricultura

 

Artesanato

 

E

R----

?

Pecuária

 

P----

?

 

------------

F ---

 

EA

Agricultura

 

E---

_

urbano

e modificada

do

que aparece

em Iuan

e Iudith

Villamarín,

lndian La-

bor

, Op . cit., p. 2. As linhas pontilhadas

a se a evolução

em favor de um rápido panorama

indicam modificações no sistema de trabalho,

os sinais de interrogação,

incerteza

imperfeito, e sacrifica

foi a que se indica . Deve notar-se que um quadro

geral.

como este é necessariamente

a exatidão

quanto

.•.

'"