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SAú D EE .! " ID E B AT E

TITU L OS

E D I TA D O S

D E 200 6 A 2009

Saúde Todo Dia: Urna Construção CoI.titxz, R o gé r io C a r valho Sa nt os As Duas Faces da ivfontanha: Estudas sobre Medicina Cbinaa eAcupunturo, Mari1ene Cabra! do Nascimento P<rplexidode"" Univ=idade: Vtvinciosnos CurrosdeSaúde,Eym:ud Mo ur ii o Vasco nce los . L ia Ha ik a l F r o t a &Ed ua n loSi m o n Tratado de Saúde Colelroa, G as r ão W ag net d e Sousa C a m p os , Ma r ia C ec il i a de SOUza Minayo, Mar co Aker m a n , Mar cos OrumondJr . &Ya t a Ma r i a d e C a r v a lh o (o r gs .)

Entre Ar ü e Cimda: Fundammtos Hermméuticot d a Med í cína Homt O pát i ca, Paulo Rosenba u m

A Construçõo da Medicina Integrativa.· um D<Jafio para o Compo tÚJ Saúde, Nd50n Filice de Ba r ros

A Saúde e o Dilema da Intersetoriaíidade, Luiz Od o r i co Mo nr e ir o de A n d t ad e

Olh.res Soeioantropológicos Sobre os Adoerido, Crónícos, Ana Ma r ia

Na Boca do Rddio: o Radialista e as Pottticos Púhli,OJ, A n a L u is. Za n ib o n i G o m es

SUS: Pacto FeckratWo e Gestão Publica, vw. B a r b o sa do Na s cimento

Memórias de um M/dica Sanitarista 'lU< Virou Prof<!JJOrEnquanlo Eure oi a

Seüde da Família, Saüde da Criança: a Rapasta

O Projeto Terapiutico e a Mudan,a nos MadtJs ik Produzir Saüde, GuSta " " unes de Olivei r a .

AJ Dimensõa da Saüde: Inqutrilo Populadonat em Campinas, SP, Mari l isa B erti d e Auve d o B a rr o s, Ch e srer L uia Ga l v ã o

Ca ne s q u i (o r g . )

,Gast ã o \ N . gner de S o u s a C a t npos

de Sobral, A nam a ri a C a valcanr e S i lva

C é sa r , Luana Carandina & Mois é s G o l db au r n (o rgs.)

Avaliar para Compreender: Uma Experimcia na Gatão de Programa Social t o m fooens em Osasco, SF, juan Carlos Aneiros

F e rnandez , M a ri s a Campo s & Du lce Hele n a Ca z zuni ( o r gs .)

O Midico e Sua, Inl<ra(ões: Confiança e m Crise, L ilia Blima S c hra i ber Éli,a nas Pesquisas tm Ciéncías Humanas e Soeiaís na Saude,lara C o e l h o Ziro G ue rr ie r o , M a r ia Lui s a Sand ovsl S c hm id t &

Fa bi o Z i c k e r ( or g s . )

.

H ome o patia . Universidade e SUS: RD-istincias < Aproximaráes, Sandra Ab r ah ã o Ch a im Sal l es

Mflnual de Práticas de Alen(ão Bdsíca: Saúdt Ampliada e Compartilhada, G ast: io W . g n e r de S o u s a C a mpos &And s é Viniciu s Pir es C u errero (o r gs. ) Saüde Comunitária: Pensar e Fazer, C e za r Wagne r de Li ma G ó i s

Pesquisa A"aliali"a em Saúik

Mental: Daenbo Participatiw e Eftita, da Narr a t ío í dad e, R o sanas Onocko C a mpo s , Ju a rez

P er eira F urtad o , Edu a rdo P as s o s &Regin. Ben evi des

Saúde, Desenuotoimmto e Território, An. Lui z a d ' Ã v il. V i ana, Nel so n I ba ãe a & P a u l o E d ua r do M a ngeon Elias ( o r gs.) Edl/tafão e SOlílÚ, An. Luiza d'Ã v i l a Viana &C é li. Regina Pier a ntoni ( o r gs . ) Direito à Saúde: Discursos t Práticas na ConstrU(ão do SUS, S o l a nge L ' Abbare Infância e Saúde: Peripatiuas Históricas, A n dré Mo t a e L il ia Bli ma S c hr ai b e r (o r gs . ) Conexões: Saud, Coleti'IJ(Je Políticas ik Suijtti<Jidaik, S é rg i o R ese nd e C a rva lho, Sa br ina Fer i gar o, M a r ia E lisab e th B ar r os

( o r gs. )

Medicina < Sociedade, C e c í lia Donnangelo

Suj~itos, Saberes I! Estruturas: uma Introdução ao Enfoque Relaciona/ no Estudo da Saúde Co/etitla, Ed u a rdo L . M e n é ndes

Saúda Sociedade o MldicOt seu MercadtJik Trabalho, C e c i li a D o nn a n g el o &Lu iz

A Produção Subj</M

Per e ira

do Cuidado: Curtogmfou da Estrutigú, SQ/id<da FamUia, T u li o Bat ise a Fr a nc o , Cr is ti n a Set ent a A nd t a de

& Vitória So l a n g e C o eiho Ferr ei ra ( o rgs .)

MohiliZOfÕa Social <Alenfiio à Saúdt noSUS, C har l es O . T e ss er (org.)

Smid~e História, Lci z Antonio de Castro Sanr os &Lina

Violtincia ejuuauude, Marc i a F a rio W estp h a l & Cy n t h i a Bydl o w s ki

Faria

S~RIE

"L IN HA

D E

F R ENTE"

Cíéneias Sociais e Saúde no Brasü, Ana Maria C a n e s qui

A w 1; afM

Econômica e m Saúd~, Leila Sancho

Promoção da SuUd« Gestào Local, J ua n C a rl o s A ne i ros Fernan d e z & R os ilda Me n d es (o r gs .) Cimcias Sociais e Sa ú d e: Crônicas do Cortlmimento, Eve ra r do D ua rr e Nunes & Nelson Fili c e de Barros

D EM AIS

A

A C I - IA M - S E

S

O BR A S N O

DA C OLEÇAo

D O

LI VRO.

FINAL

·S AÜOE

EM DEBATE "

Saúde,

Desenvolvimento e Território

Maria Lau r a Si l vei r a

AO TERRITÓRIO USADO A PALAVRA:

PENSANDO PRINCiplOS DE SOLIDARIEDADE SOCIOESPACIAL

o qu e é o t erritório u sado ! u ma In tr odus:ão

T a l vez não s eja p os s í v e l propor u m conceito híbrido sem antes a b or-

a r o conceito puro que se pre t en de dialeticamente s u pe r a r . E ssa p a-

r ec e s er a pr ~missa q u quando e s c r e ve :

d

orie nt a

a ref i . ã o d e M ilt on

Santos (1994, p . 1 5)

V ivemos com u ma n oção d e ter rit ó r i o he rd a d a d a M o d er n i d a de

com pl eta e do s eu lega d o de concei t os p u ros, tantas vezes atravessan - do os séculos pr a ticamente intoca d os. ' É o uso do território , e não o

t erritório em si me s mo, que faz dele objeto da análise socia l. Trata - se

d e uma forma imp u ra, um hí b rid o , u ma noção q u e, p or isso mesmo ,

é

ca r ece d e constante revisão

se r nosso q u adro de vi d a. S e u e nt e nd imen t o é, pois , f und amenta l p a r a

a fas tar o ri sco de ali en ação, o ri s c o de perda do sentido d a exis t ê n cia individ u a l e co l e t iva, o ri sco d e r e nún c ia ao f uturo .

i n -

his t órica . O que ele tem d e p e r man ente

E qu ívo c o d a modern ida d e é a exp re ssão u t i l izada po ~ L atour (199 1 )

p a r a referir -se à p ersi s tência em t raba l ha r epistemolog i camen t e c o m co n -

ceitos pu ros, ho j e desp r ovidos de po t en c ia l exp l ica t ivo . P ara

to ur, 1 99 1 ) a i d eia de híbrido con temp o ran e id a d e .

o autor ( L a -

a jud a r -nos - ia a desanuvia r os p r oblemas da

a id e ia de territ ó rio n o seu

se n tido m a i s p u r o, i sto é , a ssi m il ad a a o Estado, t o mou- s e um a ca t ego ria t ão

Com a afi r ma ção

d a Geo g r a fia moderna,

bas ila r q u an t o longeva. No s eu sen t ido ma i s rest r ito, t e r ritório é um n om e

p olí t i c o pa r a a extensão de um p a í s. H á mais d e um s éculo , R atz el insistia

e m qu e ele r e sultava d a a pr o p r ia çã o de um a po r ç ão da s uperfí cie da Terra

po r um gr u po huma no .

do espaço vital .

dis c ut i ndo a o br a de R at z e l , a sseve r ava que

O ter ri t ó ri o , por t ant o , a dvinh a d a transfo r mação

J á V a l l aux ( 1910 , 1 9 1 4) ,

de f l uxos : É o d o m í nio

e mpresas ou qualq u e r outra g e om etr ia .

apen as à noção d e e s paç o e con ô mic o .

atore s e to d os os as pe cto s e, p o r i s s o , é sinônimo d e e spa ço b a n al (Sa n tos ,

da cont i g ui d a de

e não some nt e

a t o pologia das

Re fere-s e à existência tota l e não

O t e r r i tó r io usado envolve todos os

199

6), espaço de to d as as ex i s t ê n cias . A histó r ia prod u z-se

com t odas as

de

empr esas, t o d as as instit u ições, t odos os in d ivíd u os, in d e pe nden t emen t e

o

e sp a ç o não é apen as ex t e n são , n e m o d o mínio do E s tado, mas s o br e tudo

sua fo r ça dife r ente, a p esa r d e sua força des i g u al .

 

a

d i feren c i ação dos c o nteúd os que o de f inem o u, em outras p a lav r as, o valor

O

ter r i t ór i o

usado n ão é u m a coisa i ner t e o u um palco onde a vi d a s e

d

o con junt o f í s ic o m a i s o val o r do s hom e n s. A n oção de dife r encia çã o ,

d

á . Ao con t rá r io,

é um quad r o d e vi d a, h í brido de m a teria l idade

e de v i d a

portant o , d e s pon t ar ia terr itó ri o.

co m o um e l em e n t o

c e ntral par a di s cutir espa ço e

M a i s ta r de, G o t tma nn

( 19 7 5 ) pr o p õe e nt e nd e r o t e rr i t ó rio co m o um a

po r ç ão do esp a ço geográf i co o u como u m a ex ten são espacia l d e u m a ju-

r is diç ão de g o ve r n o. Aos con t eúdos n at ur ais do esp aço ac r es c e n tava m-se o s

co nt eúdos po l í ti cos q u e no s dav a m o t e rr itó ri o ,

l í t ico. T odavi a , c ont i nu av a o aut o r ( G o t t m ann , 1975 ) t a l dimen sã o po l í tica

n ã o é um d a d o e státi c o , ma s u m a const r ução hi stó r i c a . E s s a e r a t a mb é m a

p r eocu p ação de I s nard ( 1 982, p . 2 5 ) q u a nd o e scr evia: " n ão h á so cieda d e

sem u m espaço que

con tinu i d a d e territó ri o".

um ve rd a deir o cor po p o -

lh e s eja pró p r i o , no q u a l as ge r açõe s s e sucedem n um a

entre u m p ovo e se u

t a l q u e s e r ea l i za uma iden t if i cação

Dir - se - ia

qu e a ex i st ê nc i a de um p aís s u põe um te r r i tó r io e um E sta -

aõ e, em d eco r rência, a id e i a d e soberan i a, mes m o

n aç ão se m t e r ri tório e s em E s t a d o . N ess e caso, a ter ri toriali d a d e n ã o f a l t ar á

qu a nd o pos sa e x i s t i r u ma

pois o se n ti m e nt o

de p e rtencer

a o q u e nos pe r te n c e ,

e m bora p erma ne ça

s o cial. Sinônimo de espaço geog r áf i co, pode s e r definido como um conjun-

to indissociável, s olidário e co n t r aditório , de si s tem a s de o bj etos e sistem as

d e ações (Santos , 1996). É o t erri t ório p r opri a men t e dito mais as s u ce s siva s

~ b ras humanas e o s próprios homens ho j e . É o territó rio feit o e o

se fa z endo, com técnica s , norma s e aç õe s. C o mo co n c eito puro , o território

é constituído

constitu í do de " objetos e a çõe s, sinônimo de es p aço h u man o, espaço hab i -

tado " (Santo s , 1994, P: 16) .

e contradit ó ri o d os

sistem as d e en g e n h a ria, dos mo v iment os da p op u laç ão, d as di nâ m i ca s a g rí -

colas , i n dustri ais

ten são d a cidada nia re ve l am o uso d o territó rio . C a d a períod o s e d e fin e por essa s up e rp osiç ã o de div isõ e s territo riai s d o tr a b a lho que rev el am a fo rm a

como o t e rritó rio é u sado .

dev e levar em

conta a inte rd epend ê n cia

qu e

e de se r v i ç os , do a r ca b ouç o n o rma t i vo e d o a l ca nce e e x-

te r ritório

u sa d o é

de formas m as , como c o n ce i to h í brid o , o territóri o

A cada m o mento hist ó rico , o conjunto s olid á ri o

Po r iss o, a d e fini ç ão d e qu a lquer pe d aço d o t e rrit ó r io

e a insepar a b il id a d e

e n t r e a mat e ri a lid a d e ,

a

pena s como reiv i ndi caç ão,

semp re e s t a r á prese nt e n a i de i a d e n aç ão . É a

i

n c l ui a n atu reza , e o s eu us o , que in c lui a ação hu mana, i sto é , o tr a b a lho e

p

r e o cupação co m o d es tino e com a constr u çã o

s o do t erri t ório e, por co n seg uint e , a res p ect i v a

dos l uga r es q u e p er p assa o

a

p o l í t ica . É pr eciso exa min a r p a r a l e l a m e nt e

os f i xos , o que é im ó v e l , e os

u

n oção . N ão h á como e x pli-

fluxo s , o que se m o ve . Ne ss e quad r o a vid a da n açã o se de sen vol v e . É n o

car o t e rri t ório

s em se u u s o, não h á co m o ex plic a r o territ ó rio u sado sem

t erritó rio

que a s v e lhas t éc ni ca s p e rman ec em

e a s nov as se ' i n s er e m p a r a

p r o j e t o . É isso que faz d o t e rrit ó ri o u ma ca t ego ri a ce n t r a l p a r a a fo rmu la- ção de uma t eor i a so c i a l .

E

ntr etan t o,

o t er r i t ó r io u sado i n c l u i t o dos os a t o r es e n ão a p enas o

E sta d o, c o m o n a acepção h e rd a d a da mod e rn i d a de . Abr ig a t od os os a t ores

e n ão a p e n as os q ue t ê m m o bilid a d e, com o na m a i s pur a n oção d e e s p aço

128 I M a r ia L atira S ilv e ira

re a rra nj a r o tra b a lho. N e l e as d e c is õe s p o l í tica s s e ges t a m e n e l e s e r e b a t e m , dando v alor es dife r e ntes à s form as do t r a b a lho e aos lu ga r e s . Em o utra s p a l a vr a s, o t e rritório us a do a briga as a çõe s p assa d as , já cri s-

taliza d a s n o s objetos e norma s , e a s a ç õe s pre s entes, as que s e rea l i za m

diante dos no sso s o lho s . No primeiro caso, o s lugares sã o vi s to s c o mo coi sas ,

Ao t e rr i t ó rio u s ado a pal av ra: solid a ri e dad e so ci o es pa c iall 129

mas a combi n ação

meir as trazem vida co nfere um s entido a o que pree x iste . Tal encontro

modifica a ação

ser e ntend ida s e m o out r o. As bases materi a i s e i rn ate r iais h i sto r icame n te es t a b e 1ec i d as sã o apenas condições ; n o e nt a nt o , s u a a tu alidade, ist o é, s u a

s ign if i c aç ão real , a dvém d as açõ e s r e a liza d as so br e e l as. A ta l compl exo c on -

e ntre ações presente s e a ções pass ad as, às qu a is as pri-

e o o bjet o sobre o qual se exerce e, por isso , uma não pode

junto po demos denominar território vivo, o território vivendo.

D esse modo , qu a nd o a n a li s amos técnicas, norm as e a ç õ e s e stamos fa -

zendo u m es f or ç o pa r a e nt ender a constitui çã o d o territ ór i o , s eus u so s, i sto

é , como, onde, p o r gu em , por qu ê, par a qu ê o territ ó ri o é usa d o (Santo s &

Si l vei r a, 2(0 1 ). S ão a s m odern as

do e s t a do de S ã o

Paulo, mas ta mbé m o s rio s nave gá ve is da Am a z ô ni a : a a zri c ultu ra mode rn a

os

edi f ícios inte l i ge n tes da m e tr ó p o l e pau li s t a mas t a mb ém a p r ecá r ia r ede d e esgoto de su a peri fer ia ; os p e dá g ios m as t a mbém os h o r á r ios de c ircula ção dos ônib u s ur ba nos; as açõ e s d as g r a ndes empres as e d os sindicatos . É u ma d ia l é ti c a entr e os homen s no territór i o; é o t e rritório no pro- cesso de ser u sado. Trat a r -se -ia de u ma o bra de perm a n e nte reconstr u çã o do territó r i o j á ut iliza d o p e l as g er açõ e s p rec edente s, p o r me i o d as di ve r sas in s tânci a s da p r o d ução, isto é, d e siste m as d e o bjet os e n o rmas pr e se nt i f ica - dos pel a s de sig uai s ações con t emporân e as.

e

documentos no di z e r do s hi s tor i adores. É desse modo qu e o t e rritório u s a - do é uma n orma, pois é um pr i n cíp i o o u um mold e pa r a a açã o present e, a qual, dot a d a d e poder d esig u a l p ara t r an sfo rmar o q u e e x iste o u par a co n-

cretar o pos síve l, exe r c ita n o vo s u sos, is to é, c ri a m a i s ob j e t os e n o rmas . Poderíamos di z e r com G i ddens ( 1 984 , 1 98 7) qu e o exe r c íc i o da aç ão e n -

cont r a r egras - dadas p o r e l e mento s

cação -, m as t am bé m r e curso s - d e a ut o rid a d e e de alo cação . É um pr o-

cesso solid á r i o e con tr a d i t ó rio

normativas que n os vê m d e te mpos preté rit os e d e p assa do s re c entes e, d e

outro, possibi l idad es

ceit os pu ros porque, de um momento histórico a outro, a lgumas ex istências

p e rm a n ecem, o u t r as m u dam pa r ci a l men t e, ou t ras desap a r ecem. Carreg a n-

e s t r a d a s de r oda g em

,

o

no Centro - Oe s te

e a agricultur a d e s ub s i s tênci a

n o s ert ã o n o rdestin o ;

A hist ór i a n os ve m co m o form a e c omo norm a, como monument os

norm a tivos e por c ódigo s de sig n i fi-

t éc n icas e

en t re, de um l a d o, ex i stê nc ias

d o noss o pe ríod o . Nã o é um du a li s m o, n ão sã o co n-

I 3 O I Mar i a Laura S i l veira

do se l eti va men te o passa d o naq u ilo que permanece, o presen t e é , na rea li - dade, movido p e lo futu r o. É a intencion a lidade que completa es s a media - ção entre o presente e o futu ro. T a l i ntencio n a lidade é, de algum modo,

u ma antecipação do f u tu r o que nasce de s igu a l . Um processo permanente ,

i

vi d a socia l . A cada período, po d emos recon h ecer um a t otali dade: o ter r itó-

rio usado, s inôni mo de espaço ba n al, manifesta ç ã o ma is conc r eta da nação .

n i n ter rupto

e confli t ante de p r odu çã o de c o n f i g ur a ç õ es

terri t o r ia i s

e de

C om o os o bjet os e as normas nos vê m d o passa d o, a uto r iz a r -nas-iam

a utilizar u m p a rtic í pio: territór i o usado. A s a ções p r ese ntific a rn ess e s obje-

tos e nor m as, p reen c hendo-os de no v o s co nteúd os o u cr i a ndo novas e x is-

t ências . É a í que o g erúndio é d e r i g or : território s endo usa do. Nes s e s iste-

ma de a ç ões o futur o s e instala e o t e rrit ó ri o to r na- s e , a in da ma is, u m híbrido .

Globallzação e uso do t e rri tó rio

C ada m om e n to da . stória po d e s e vi s t o, ent ã o, c o m o um p a l i rnp ses -

to des ses c ont e údo s : técnicas, norm as e ações . A cada p e ríodo c orresponde

uma ba s e materia l e uma forma d a vi da so c i a l. Dir- s e-ia

autoriz a m uma form a de trab a lh a r e de reparti r o tr a balho, ao p as so que a

p o l ítica p otencia liza o u pr esc r e ve e s s as a ut or i zações t é cnicas. A r edi s tribu i -

ção d o pr o c esso s ocia l n ã o é , po rtanto,

que as téc n icas

a l h eia às fo rm as herd a d as .

S ão os

u s o s do ter rit ó rio .

Essa din â mica é mar c ada h o j e p e l a ace l e r ação , q u e p o de se r vi s t a c om o

virtu a lidade da técnic a

Com m ais r a pidez os objet os são s ub s titu íd os r eco mpondo su as r e l aç õe s

s i s t ê m icas , enquanto ~ no r mas s ão dec l ar a das o b sole t a s e s ub s tituíd as p o r

nov os pr in c ípio s do / fazer. I s so rec ria o q u a d ro onde as ações se d ese n vo l- vem, a l ca nç a ndo t a mb é m s eu s i s t em i s m o. A ca d a rea rranjo de s s es co n te ú - do s sist ê rnicos uma nova v e lo c id a de é p ossíve l e, m or m e nte, mud a a hier a r -

qu i a do s l ugares e a capacidade de ag ir do s at o r es .

e, ao me s mo

temp o , c omo m a ndamento ' d a políticª, - " - .

O s s i s temas t é cnico s c o nt e mpor â n eos po ss i bi litam a instant a ne i dade

da informação e d o dinhe i ro no s dif e ren tes lugar es d o pl a neta . T a l in s t a n-

t aneid a de é um a m a nife s t ação de que a s v a ri áveis ce nt r a is da gl o b a lizaç ã o

são, ao mes mo tempo, determ i n a ntes e d o minante s, pois comandam o mo-

vimento da hist ór i a e i n vadem a v i d a socia l . Tecnociê n cia,

informação e

Ao t e rr i tório usa do a p a la v ra : s ol i dari e dade so c io e spa c ial I 13 1

finança s ão os motore s da di v i são terr i t o ri a l d o t r a b a lho h eg emô nica , r osto mais concre t o d a g l o ba l i z ação. Tud o iss o s i gnific a que , pela primeira v e z na his t ó r ia, a u n iv ersa lidade

se e r npir ici za , i sto é, p as s a m os da i d eia de un iversa li dad e à sua re a lização histórica ( S a nto s , 1984 ; 1996 ). Hoje não ap enas a n a tu r ez a é un i ver sa l , mas a soci e d a de nas s uas manifestações t éc n i c a s, i n f ormacionais e finan c ei-

emp í ri ca , pr o dut o e pr o du tora do tem p o e m p írico

ras . É a un iv e r salid a de

( S antos, 1996 ) , q ue sig ni fica a inte r d ep endênc i a dos eventos em es cala mun-

tênc i:r de uma entidade dita u nivers a l , o d i s cur s o do mer ca do g lob a l oc u lta os i nteresses de um p u nhad o d e fi rm a s , cu j a p reocup a ç ão ma io r é a u me nt a r

a mais-v a lia e produz i r conv icçã o n a s ocied a d e . Cabe a qu i d e s taca r o pa p e l

das grandes

duzir conce n trado e excludente ou , em out r as palavras, a c r i aç ão d e um modus f aciendi que nos convence d a n a t u ralid a de ou in ex orabilid a d e d os mecanismos em voga ( Silveir a, 2006b ) . A a dap t a ção a o merca d o g l o b a l, à competiti vi dade e à m o d e rn ização e x ige o b ed i ência a um conj u nto de me -

empresas d a in f orma ç ão e a legit i mação de um mod o de p r o -

d

ia l . E m out ro s t er mos, a vi d a to r na-se ent r e l açada graças à sis t ema t icidade

didas q u e a cabam por a s s u mi r a co n dução ge r a l d a pol í tic a e c onômi c a e

p

la n e t á r ia da técni ca, da i n fo r maçã o e da f i nança, definin d o assim o acon -

so

cial. Vi s tas como soluçõe s " t é cn icas" são, n a ve rdade, re gra s e pr escripções

t e c e r so l i d á r io ou a r e a li z a ção

c o mpuls ó ri a de t a r efas comu n s mes mo qu e o

qu e lev a m a abdicar da f o rm u l ação d e u ma ve rd a deira p o lítica nacion a l,

pr o jet o não s e ja c om u m ( S an t os, 1996 ) . Não pod e m o s d u vi d ar da pl e na inserção

univers a lidade e mpí r ica e no acontecer s olidário, mesmo que t enha sido

produzida , reservando à nação um p apel c la-

ramen t e su b a l ter no . Por essa razã o , cer t as r egiões do território n ac ion al pas- sam a se r m a is ut il i zad a s do qu e outr as e, desse mo d o, ca d a u ma d e l as aco l he d esigu alme nt e as modernizações e seus atores d inâmicos, cris t ali- zan d o u sos an t i g os e aguardando n ovas racio n alidades.

Hoje, as política s sociais de Estado parecem esvaziadas pelos novos

t antas vezes can hestramente

do território brasi leiro na

mate r iais e i materiais que, a cada dia, são def in i d os pe l as grandes O u s o d o t e r ritório to rn a-se ainda mais sele t i v o e, d e s s e modo,

a cab a pun i ndo as c a m a d as m ais p o br es, i s ol a d as e d is t an t e s dos ce ntros

pr od ut ivos . Ag r avam -se d iferenças e dispa r idades,

novos d i namismos e a outras formas de comando e dominação .

conte ú dos em pr esas.

devidas, em p a r te, aos

as últimas déc a das, o peso ideológico do mercado ex t erno na vida p olí t ica naciona l tem orientado e legitimado a transfe r ência de di nheiro

p ú bli co e social p a r a a cons tr ução d e sist emas de e ngen har ia , p a r a a pr o du ção

m od e rna e para a or gan i zação d o c om é r cio ex t erior. D ess e m o do , o t e rritório p assa a ser reg ulado p e l o mercado qu e é, na verdade, uma regulação a d v i nda da microecono m ia d as g r andes emp r esas. É isso que per m ite en t reve r u m

mapa com r egiõ es do m a nd ar, regiões d o

Ami úde, c u lti vo u - s e essa c o n f u são entre a l ógica do c h a m a d o m e r - c a do glob a l e lógic a ind i v i du a l d as em p resas g l o b ais . D a nd o ênfase à ex i s-

e regiões des p rezadas

tant o eco nô m i ca qu a nt o soc i al f und a d a

m or te d a p ol í tica (Santos, 200 0 ; Sapir, 2002).

C ada emp resa assume u m a lógica inter n acio n a l e, mesmo que seu

b erço seja n acional, as t egras d a competit ivida d e refere m - se mais ao pr o du-

to glo b a l do que à din âmica do l u ga r . Nã o escapa a e ss e conj u nto d e normas

a nov a l óg ica locacion a l da s em pre sas no t e r r it ó r io n acio n a l que, de um

o t erri t ó r io u sa d o . D aí a ideia de

n

l ad o, va lori z a l oc aliza ç õ e s p r ontas c om todas as condi ç ões req u e r i d as e, de

exig e a a d a p tação dos lugares pa r a ~ue a ope r ação empres a rial seja

rentável .

o utro,

P o r tan to, as novas hierarquias no território de p en d em da capac i dade

d as r egiões par a sati sfaze r os r eclamos co r porativos . Entre t anto, a insaciab i -

lid a de d o c ap i t a l de s man c h a p er m ane nt e m ente t a i s hierarquia s e o b riga os

a t o r es regionais a n ov os inves t imen t os ma t e r ia i s e nor m ativos . As áreas glo-

b alizadas t a n to são ag r ícolas co m o i nd u str i ~ s e d e se rv iços e caracterizam-

moder n a e mão de o b ra q u alific a da e,

p o r tanto, pela sua i n s e rção numa cade i a pr odutiva glo b al, pelas relações

di s t a nt es e f requentemen te es tr a n gei r as que cr i a m e tamb é m p e l a sua l ógi -

c a extr ave rtid a. Como e ssas d ema nd as sã o e rr á tic as e a ce l e r à d as, o te r ri t ó rio

r eve l a uma d i n â m ica imp revisíve l e ali e nada, u ma ve z q u e não prec i sa t e r

cor r es pond ên c ia com os in t e r ess e s d a s o cie d a de l o c a l o u nacio n al . De mo do g era l, o t e r ritór i o n acio n al en ca r na uma o r ganização a p ta a serv i r as g r a ndes empres as h e ge mônic as e, co m o co r o l á r i o , v ê e nfr aq u ece r a solidariedade orgânica , se ndo s ua m a nife s taç ão m a is vi síve l a h o stilid a de

se pela existê n cia de i n fraestrut u ra

das parcelas mod e rn a s à s a tividades meno s lucrativ as. Interdepe nd ê n c ia en t re

ações e atore s qu e e m a na da sua exist ê nci a n o l u g ar , a s o lidariedade o r gâni-

ca opõe-se à s oli d ar iedade organiz a cion a l . Nesta a in t erdependê n cia é

p r oduto de nor mas p resididas por intere sses a lhei o s e mutáveis em função

do merca do, qu e rev e lam a produ çã o d e uma ra ci o n a lid a de moderna e li-

mit a d a ( S a n t o s , 1 9 9 6).

Aind a que i ncom p l et a mente o u i n sari sfato ri a me nte , os prin c í pios de

s olid a riedade o rg â n i c a h av iam s ido f ort a l ec id ~s pe l o Es tad o, o que a cabav a

por lim ita r a s p o s sibil id a d e s po l ítica s da s g rand es e mpres as , cuja s técni cas

tampou c o e r a m p l an e t á r ias . De a lgum mo d o, no . p e r í od o qu e antecedeu a

glo b a li z a ção , a in stân cia e c onõ mi ca e a in s tânc i a t é rrir or i a l coin c id i am. Ter-

r i t ó r i o na c i onal e me rcado não e r am inelu t a v elmen t e dese n c a ix a d os e, p o r

isso, o pode r p úblico podia ex er c er um a ce rt a l ide r a n ça n os processo s eco-

nômi cos s em s er, com o h o je , a pena s coa dju v ant e . No s d ia s a tuais, por exem-

plo, n o mom e n t o e m qu e um a fe rr ov i a d e p assage ir os é tr a n s formada em

g r a n d e e mpr esa, v e mo s no lugar a

uma linh a de c arga s a o se rvi ç o d e um a

ero s ã o de um e l em e n t o qu e d a va forç a ao c otid iano re gi o n a l e, a o mesmo

tempo, maior in serçã o n o mercado mundi a l. O cres ciment o e a modern i za-

ção vinc u l a d os a u m p o der c orporat ivo fazem com q ue o s objeto s e os nexo s

que form am as r e g iõ es d e i xe m d e ser i nt e rd e p en d en t e s un s c o m o s outro s

e, d esse m o d o , rompe - se a s o lidaried a d e or gâ n ica e ins tal a - se

d a d e orga ni zac i o na l . E m o utr as pa l a vr as, u m princí p io de orga ni za ç ã o ex -

t e rn o e c i e n t í f i co pas sa a r eg ular

a f o r ma d e t r ab a l ha r , as esca la s d e p r od u ção, a v e lo c i d a de d e

de man d as e as pr io rid a d e s . O prin cí p io d e organização i n te r na, c ria d o r d e

i nt erde p e nd ênc i as

n a d os aos ne x os d o m un do . H á u m a inten s a produção de d eso rd e m .

um a s o l id a r i e -

a pr od u ção e circu l açã o , is t o é, os obj eto s,

circ u l açã o , a s

co nt íg u a s, é estil haça d o e os nexos no l u gar são s ub o rd i-

Ass i m , du as ta refas to r n am-se c onco m it a ntes e nec essá r ias e não se

r ea liza m s em a p ere mpt ó r ia p a rticipa ção d o d in he i r o p ú bli c o. D e um lad o,

é preci so constru i r e manter a n ov a or dem co rp o r a tiv a a p a rtir d e um terri-

tório bem - eq u ipa do e fluido . De ou t ro l a do , é m i s t e r control a r a de so rdem

social nas c i da da f a lta de respost as às d ema nda s b ásic as. Quem n ã o partici-

pa de ss a r a c ional i d a de corpo ra tiva

está i g u a lmente subo r dinado a essas l ó-

g i ca s p e la força e p e l a capilarida d e d a i nform a ç ã o e do di n heiro. Arnba s a s

I J4 I M a r ia Laura S i l ve ira

t arefas supõe m uma drenagem de r ecu r sos s oci a is, qu e dei x am de sus t enta r

s olid a r ied a d e s o r g â n icas para p e r faze r solidarie d a des org a n izacion a is .

H av e r i a, as sim , uma u ti li zação p r ivilegiada do s b e ns públ icos e uma

utilização hierá r q u ica do s b e n s privad o s . É dessa f or ma qu e maio r es luc r os

são o bt i d os po r alg u ns agente s , ainda que t r aba lh e m s o b re o s mesmos bens

e

embora seja m n o m i n a lmente

pú b licos. Para a eq uaç ã o in t e r na da firma é

m

a is rentáve l , a pa r tir d as vi rt ualidades d a téc n ica co nt em por ânea, dividir

as e t apas da s u a p ro du ção e a b raçar as diferen t es reg i õ e s d o país. Todav i a , a

i

n tel igência do capit al precisa un i ficar as etapas t e cen d o ver d ade i r os c í rcu-

l

os de coope r ação que cingem o território. Entretanto, a ca d a dia vemo s que

boa parcela da cooper a ção não é um c u s t o oper a cional das empre sa s m as d a

sociedade, ora p e la via dos inve s time ntos do Tesouro, ora p e la via d a s P a r ce -

que a ss egur a m as in f raestrutu r as de que pr ecisa m as

grandes corporacões e o~ g~o s

Q uan d o um bem essencial à VId a e pro uzido ou dist r i bu í d o

de monopólio

n h eir o apropriado pode ser con s iderado s oci a l .

rias Pú b lico-Privadas

~tu ro s p ~la expl~ r aç . ão

~o u s os ~oci a~s . l

em s itua ç ao \

ou o l igopólio territo r i a l , a soc iedade t o r na - se cativa e o di- \

Desse modo, as maiores empresas pa ss am a desem p enhar um p a p e l

c e ntra l n a pr o dução

p a rt e e ju í zes em co n f l i t os d e

i n tere ss e c o m empr e s a s m e no s p o d e r osas, co n so lid a ndo essa s situ açõ e s d e

oligo pól i o .

n o r mado e

ção ou d a o mis são

e funcioname nto d o t er r i t ó r i o e, por meioda col a bor a -

do E s t a d o, to r na m- se

P a r a t a n to, o c om p o rta m e nt o

da s f i rmas é internamente

e xternam e n te norma t i vo, o qu e r e du z sensivel mente o g rau de i m p r evisib i -

lid a d e n o se i o d e s e us sis t emas d e açõ e s. E m c o nt r a partid a ,

torn a i r npr evis í vel tant o no s eu f un c ion ame n to c omo na sua evolu çã o, p o i s

ad o t a a s o s c ilaç õe s , e x ig ên c i a s e c a p ric ho s d e u m merc a do mundi a l iza d o . A

e s t a bilid a d e das corp o r açõ e s , g r aç a s à r e a li zaçã o

ried a de or ga nizacion a l, redund a n a i n s t a b i lid a de do terr i t ó ;io n ac i o n a l em

virtude d a ruptura d a solid a r ied a d e or gânica .

é a n ação q u e se

d os p r inc í pio s de so li da -

V a le a pena refor ç ar que n ã o

é o mer c ad o como uma total i d a d e quem

ditamin a o de s tino d a Nação, m as um redu z ido número de grande s e mpre-

sas. Cada firma encarna difere n temente o prin c ípio único da com p etit i v i -

d a d e e , p or i s so, os re s pectivos s i stemas de ob j etos e ações n ão s ã o idên t icos

Ao t e rr i tó r io usa do a palav ra : s o lid arie d a d e so c io espa c ial I I J 5

apesar do s eu fort e ar de f am í li a. Cad a um a tem próp r io esc opo, s u a p ró p ria

t e mpora l id ad e , su a s met a s e s pec íf i c a s e mo t ivaçõ e s p r ópr ias, tan tas ve ze s ap r ese n t a d as c o m o n ece ssid a de s reg io n a is . A b usca f u nda men tal é a m ais -

v alia , q u e de v e se m pre cres c er e , pa r a t a nto , é mis ter e li m i n ar vi s c o sid ade s

cole t i v a s d os

be n s e se rvi ç o s mai s b á s icos.

que p oss am c ri a r a tr ito s, i n cluíd a s a p r odu ção e d is t ri bu ição

A so fi s tic açã o co ntemp o r â n e a d os i n s t r umen t os fi n anceir os e s ua ca -

p i larid a de no territ ó r i o re ve l a m u m ret r a t o e x tr e m ame nt e comp l e xo . A v e n d a

e m f u n d os d e

pe n são ( C h e snais , 20 05 ), os comp l e x os me c an i s m os de i n ves t i m ento e pou -

pança ofe r ec id os pelos b anco s, e ntr e out r os e l ement os , produzem co n co- mitantemente um a p u lve r iza ção d a p ropri e d a d e e um di s tanc iame nt o do

comando que é a l tamente conc e ntr a do , c o m o re s pecti v o desc o nh e ciment o

d a s dec i sões pela so cie d ade n a ci ona l . A m aior i n s t a bilidade

i nterna c i on a l e o enorme volum e d e r ecursos d as empres a s e banc os g l ob a i s

de a ç õe s d e g r a nd es f i rma s, a p ar t ic ip a ção d os tr a b a lh a dor e s

d a ec o no m ia

urna demanda c i entificamente produzid a pel a sofistica ç ão dos produtos, pela p ropa ga nd a e pelo créd i to, a s s im c o mo p e la ausênci a do E s t a do. A preo c up a ção em i nstituci ona li za r al g uns p r incípio s de so lid a ried a de orgâ -

nica é, qu a ndo ex iste , s ubord i nada.

merca do p a r a u ns e uma " p obr e za e s trutural e g l o baliz a da " p ara a m a ior ia

( S an to s, 2000 , p p . 72-3 ). Os princípi os o rganiza cion a i s , nov o s c ont e údos d o ter r it ó r io br asi l ei - ro, são e x trem amente s e letivo s. Tomam da rede urbana h er dad a a pena s o

que interessa e s ão , a o mesmo t e mpo , motores

um

Cr ia d a a e s c a ssez , de s en vo l v e-se

da produ ção de uma no va

rede urb a n a. Por es sa r az ão , n as r egiõ es mai s di nâ micas , a um e nt a o núm e r o

e o t ama nh o d as cidade s média s , n as q ua i s s e ve ri fi c a m aio r r end a rel a t iva e,

c on seque n temen t e, i mp ortantes n ív ei s de co n s u mo . S ão pontos p r ivi l egia- do s para o exer c íci o do acontecer comple m entar no te rr i tório na c ion a l, i s to

é, d e nov a s r e l aç ões e n t r e ci d a d e e ca m po o r ienta d a s por uma pr odução e

cir cu l ação mo d e r nas . O a co nt ecer com pl ementar assoc i a-se ao acontecer

c

onduzem a um proces s o de f u s ões e aqu i si çõe s q u e, ent r e outra s c oi s a s,

h

om ólo g o, que é a b as e d a c on str u ção de á r e a s a grí c ol as o u in du s tr ia i s mo -

pe

r mite m diminuir

os riscos (Gonç a lves,

20 0 3 , p. 32) . A fin a nç a pair a

d

e rn iza d as , cu j o s uporte t écnico reside n essas ci dad es m é d ias . N as en o rm e s

s obre o territ ório e o ins tru mental i za .

id e ntid a de e intenci o n a lidade do s a t o re s h ege m ô n ico s .

P e rd e-s e o c o nhecim e nt o

so b re a

C on c omit a nt e m e nt e

à n ov a o r de m e co m o s eu necess ár i o co rolã r io, o

e x t ensões met r opolit a n as , a p e n as alg u ns p e d aços aco lhem o acon tec e r hi e-

r á r quico, como no caso d as t arefas de concepç ã o

ciênc i a, à i nf o rma ção e à f i n a n ç a , respons á veis p e lo s aconteceres homól o go s

e gestão lig a das à tec n o-

 

po

der públ i c o contrib ui ativ a m e nt e p a r a a impl e rnent a ç ã o no t e rritó rio d os

ri ncí pi os f in a n c e i r os. As s im , n ovos n exo s são criado s, privile gi a n d o s e m-

e

complemen t ares das á r e a s modernas do te r ritó r io .

p

Estab e lec e m-se no t e rritório n ac iona l verdadei r as hier ar qu i as funcio -

p

re a ins er çã o do te r itório

e lucro é o d i n heir o em est ad o pu ro ( S a n tos , 2000) . Cr ia -se, en tão , um a

n ac io na l n o c h a m a d o me rc a do g lob a l, c u ja fo n te

na

i s e esta t í s tic a s, causas e con s eq uê ncias das sí s t oles e diásto l es das f i nan-

d

ças , d a i nform açã o, d a tecnoci ê nci a. A di s pe r s ão do sistema t é cnico permite

n

o v a ec o n omi a

p o líti ca, na qu a l t u d o dev e ser o r ga ni za do em f un çã o de s se

p

roduzir em área s a t é ago r a p erif é r icas, a s q u a i s necessi t am cre s cen t e s quan-

l uc r o a s e r s emp r e m ais co n centrado:

uma d a d a c ont a bilid a de g l o bal, a r e novaç ão re c nol ó gica d e ve se r ince s s a nt e , o m e rc a do a c o n q u is t a r é o e x terno enqu an t o s ub-rept i ciamente i n t e rn a cio -

ã o h á c o mo a p o i a r ou compen sar a s e c o no-

mi as re g ionai s qu e n ão se a d a pt am à co m petitiv id ade

n a l i za - s e o m e rca do i nterno.

os nexos i n te r nos d ev e m re s pon d er a

em mar c h a; não há

co mo de s t i nar dinh ei r o a o bjet os e or ga n i z açõ e s qu e n ão ofere çam t a x a s de

retorno t ã o a l t a s qu an to o mercado fin a nc e ir o internacion a l . A prio rida d e é produ z i r e fazer c i r c u lar os pr oduto s e serv i ço s ma i s rent á veis, mesm o q u a n do

se tr a te d e e du cação , saúde ou b ens c ul t ur ais, p a r a os q uais sempr e hav er á

I 36 I Maria La u r a S il v e i ra

tias de infor m ação e d i nh eir o. As s im,

é p oca desenvolve- s e um a c ontecer com pl eme n t a r e h omólogo , com o pre-

domínio das t é cnicas e d a s norma s , tão modern a s q u anto alheias . No e n -

tanto esse império

r e a liza u m acontecer h ierár q uico , c o m o predomínio d a política das emp r e- sas que d ec idem a i ntensidade e o a lcance d a s va r i á veis determi n antes .

u m acir r amento da v ertica l ização .

so b a f orça da s v ariáveis cen tr ai s da

se exer c e a pa r tir de p o nto s muito s el e t ivos, o nde se

É

N a s m esmas metró p oles os nexo s i ns t i tu c i o n aliza d os da s o lidar ie d a d e

or gâ nica t a mb ém são er o d i do s , a b a nd o n a ndo e n o r mes par ce l as d a popul aç ã o

A o ter r itór i o u s a d o a pala v ra: so l i dari e dade socioe s pacial I I 37

à sua sort e. A no v a r e de urban a r eve l a, d ess e modo , áreas lumino sa s e á r eas

opac a s . As

qua n to as s egun das s ã o as que r esu l ta m d e um a c ombinação explosiv a : s eu s

nexos org â nicos d e ixa r a m de con t a r c om o a p o io

n ão sã o esc olhid as pe l os n e x os o r g a nizacio n a i s.

não faça m p a r te da nov í s sima di v is ã o t e r rit o r i a l d o t r a b a lh o f alt a r á, a m i ú d e,

Às pesso as e a o s lug a r es q ue

que

prime i ras s ão o l ó cu s d os eve nt os próprios da nov a o r dem, en-

do Estado , a o pa ss o

a r ea li zação d e c erto s co nsu mos cole t ivo s. Estamos r e feri n d o - n os tanto a

densas po r ç õ es d a perifer ia pa u li s t a n a e de o utras g r a ndes me tróp o les b r asi-

l e ir as com o a pe qu en a s a glomer aç ões do sert ã o no r dest ino o u da A m azôn ia.

Em deco rr ê nc ia , h á um a ac um u l a çã ? de even t os po rt a d o r e s da d iv i são

d o trab a lho hegemô n ic a em certo s pont?s e á r eas e um a b an d ono de exten -

a pop u la çã o à f a l t a de a cess o aos servi ç os e ssen -

ci a is à v ida. É a produ ç ão de u ma e n o rme dívida soci a l ( S antos , 2000) . N ão

s u r preende entã o o au m en t o d a p o br e z a , . d a doença, d a v i olência e das m i -

g r a ções. N es t e ú lt im o c a so,

sas parc e l a s , con de nando

a s pessoas abandonam seu s l u ga r es em bu sca ,

não apena s d e tr abalh o, ma s t a mb é m d a possi b ilidade de co n s umir ben s

materia i s e imate r i . ais, como ed u caç ã o, saúde, i n formação e c u ltur a . Qp an -

do c h egam à s cid a des nem sem p re encoht r am emp r ego, ne m sempre t ê m

acess o a o s b e ns e s erviços a gora mer c anti l i z a dos (Ol i vei r a, 2002, p. 12 9) e,

p

o r veze s , se d e fron t a m c om fr on t e ir as d e ntr o d a pr ó pria

na ção . É o c a so de

div

e rs a s prefe i tur as

d e c idad es m é di as qu e , temer osas

de uma esc a l a d o

d e p e s s oa s so b pr e texto d e

que o s s i s t e m a s de

p a r a aten d er os recém- c heg a d os.

pe ri fe rias m et r o p o l it an a s , nas q u ais a p rec a r ie d ad e d a habita çã o , a f a lta d e

s a n ea mento b á sico e de s ervi ços de s aúde con den a a populaç ã o

ac ontecer que lhes

escapa, i m pe d e m a en tr a da

ensino e saúde e mes mo o e mpr ego s erão in s uficientes

M a s é t a mbém

a si t u ação d e enorme s

a p é s s imos

n í veis de v i d a . D i ve r s o s padrõe s d e distrib u iç ã o de doenças e mort e s de s en -

volvem- s e nes s as á r eas opacas, a lert a Lui sa Iãiguez Rojas (2006, p. 236 ) . A

moder n izaç ã o seletiva e ace lerada do territ ó rio, co m a decor r e n te desvalori-

zação de outras parce l as abandon a das à sua s orte, au t o r iz a r -nos- i a a pens a r

q ue h o j e a po br e z a , a doença e a v i o l ê n c i a são manifestaçõ e s d a e r n p iriciza-

çã o d a ve l oci d a de.

o t erri t ór io ac ab a p o r fo r -

ne c er um retr a to co mpl exo e c o n tra dit ório.

Ad vin do de u m pe r ío d o de n eo li be r a l is m o,

N o qu e el e t e m d e m o d e rn o

I a 8 I M aria L aura S iiueira

exerc e ' um a inér cia e co nvida a ref o r ça r a s red es , os p o nt os lu mi n os o s, as

geome t ria~ cuja i ntegr ação não é na c i onal m as pl a net á ri a . O t er ri tór i o n a cio -

nal é us a do pa r a a br i gar a l g umas p a rc e las da d i v isã o territo r i a l do tr a b a lho

hegemô nica sem, por i sso, complet a r os c i r c u i to s es p a c iai s d e p ro d ução . N o

que ele tem d e o p a co p o de ajudar a de s cobr i r a in ef ic ác i a soc i a l d e certos

par â m etros erigi d os c o m o a b s oluto s. É o cas o dos in d ica d o r es r nac r oeco n õ -

rn i c os au t onomiza d os , pois estes p odem m elhorar s em que ce r t os lu g ares

do t erritório conheçam t ais ben esses. Se a popu l ação de u m a pequen a cida -

de nasc i d a ao s er v iço de uma g r a n de co r po r aç ã o não encontr a as re s p o sta s

às suas deman d as de s aúde, se desloca e u tiliz a os h os pitais d e um a ci d a de

c

ont í gu a, t a nt as vezes pertencente

a outra u nid a d e da Feder ação. D aí a

p

reocup ação

d e R aul Borges Guim a rães

(2006 , pp . 2 5 6- 7 ) ao p ro p o r a

m ultiplicidade de escalas em que a vid a se de s envolve como m o do de arti -

c ul ar o s c irc uito s de reprodução

se r viços de sa úde . Q y tÍ1d o os co n s u mos

um a c ompany-toum, qu ando a v i da soc i a l e p olí t ica nã o encon tr a respos t a s

ne sse ponto l uminoso e deve r eco r rer a o ut ros l u gares , cria-s e uma dem a n-

d a m as tamb é m uma ofe r ta, cuja a n á l ise pod e a po nt a r ca m inho s p a r a O

so c iai s devem ser feitos fora de

das doen ç as e o s ci r c u i t os de produ ção d os

f uturo. N ã o é t a lvez um in d ic a do r m a croeconômico e s i m um movimento

m ig r a t ório, um a defasagem e n tr e forma s pol í ti c o-adminis t ra t ivas e u s o d os

serviç os de s aúde, uma deman d a i nsatisfeita e in s o l váve l, u ma técnica n ão

moderna, uma produçã o margina l no l u g ar que podem revelar o u so d o

ter r itó rio e , a s s i m, a s v e rd a deir as ne cessid a d es d e um a nação .

é da a lçada d o princípio o r g ani zac i o n a l a bu sca d o q ue v á ri os

N ão

autore s d e n om i na r a m ju s tiç a esp ac i a l. A gl o b a l iz a çã o, t a l como a co lhid a

hoj e n a m a i o r p a rte do s países pe r iférico s , signif ic ou um aumento d as po -

lari zaçõ e s soc i o es p ac iai s . Seu corolário é a esc as sez de r ecurso s , de b e n s e

serv i ç os univer sais no re s to do t er ri tór i o e, por i ss o, um desigual ex er c ício

d a democracia, l evando à sua fragilidade como condição

so cieda d e. El i za Al m eida (2 00 5) ex pl ica co m o a di a l é t ica entre a centr a l i -

z ação d os se r viços p ar t icu lar es d e saú d e e a des c ent r a l iza ç ã o incomp l e t a

do s serviços p úb l i c os c r ia es c ass e z a b sol u ta na s á r eas ra r efei t as e escassez

r e l a tiv a n as á r eas den s a s do territóri o, pr e n hes co m o e s t ão d e a l véo l os d o

mer c ado.

de v i d a d e uma

Ao t e rrit ór io u sa d o a p a l av r a : so l ida r i edade so c ioespacia 1 1 I] 9

No m o mento em q u e as demandas sociais deixa m de coin cidi r com o

novo mapa de investi m entos privados e público s, nos defrontamos com a substituição da organicidade pela org a nizaç ão na política da Na ç ão . Ret ira-

s e o embrion á r i o

festa ção mais a c a b a d a é a e s c ass ez de e s col a s e e s t a belecimentos de saúde e

a abund â nc ia e a ubiquidade d a s inst i tuiç õ e s e in s trumen t os finan c eiros .

Dia n t e desse retra to n ão pod e remos d iz er , como Rosan vallon ( 1995) quando

resume os elemento s d o E s t a d o pr e vidênc ia , que a s ociedade foi libe r ada d a nece ss id a de e o indivíduo f o i pr o t eg ido do s ri s c os da exi s tên c ia.

Estado d o bem - e s tar e entr a o m ercado puro, cuja man i-

P en s an do p r lncip los de solidar i edade

s o cl oesp aci al

Considerado no seu movimento, o território usado permite u ma v isão

u nificada dos diversos p r oblemas sociais, eco n ômi c os e p olíticos. É nos l u-

política é vist a como um conjunto de equ aç ões econômicas. Freq u ente -

mente ambas as visões , juntas, acabam por perfazer um território reticu l ar, onde o poder público oferece, a p a r tir do s entes federativos, as garantias

qu e a eq uaçã o d a firma prec isa, como n a c r iaç ão de mun icí pios estudada

por C a tai a ( 2003 ).

D es t a rte , ve mo s d u as t o t al id a de s a b st r atas , o território e a pol í t i c a,

qu e pr e t e nd em s ub s t i tu i r a verd a d ei r a t o t a lid a de c oncreta: o território us a d o

e se nd o u s a d o de f orma diversa n os lu g ar es. D aí talvez o fracasso de certa s

polít icas d e d esc entr a l i zaç ão qu e tratam s itu ações c oncretas e div e r s as c om o

s e fossem abstratas e h omogêneas o u , ai nd a, d as polític as i s ol a d as qu e bu s-

cando solucio n ar p r o b lemas u rgentes, amiúde aca b am po r r e f o r ç a r o pr oble- ma sistêrnico. D iscutindo as fragilidades das políticas se t o r iais d e saúde na

Amazônia, Viana e outros autores (2007, p . 1 29) sublin h a m t a n to os pa-

d rões organizacionais e de f i nanciamento com p r edomí n i o d e es tr a t ég i a s

gares e na conve r gência de todas as instâncias da vida soc i a l q u e a h istó r ia se

h

omogêneas para o territ ~ rio nacional, como a p r o p os i ção

de r e c or t es r egio-

d

ese n volve. Po r t al r a z ão, o lu ga r r evela sua i nse r ção a t iva o u p assi v a n o

n

a is cujo fun d amento

é ap e nas a di sp onibilidade

de se r v i ç o s de s aúd e .

modelo g l o b a lit á r io, nas l um i nosi d a d es o u o p a cid a d es do t e rritó rio nacio -

A a n á lise supõe o en t e n d i men t o d e como as c o isas

e as ações s e re p a r - (

n

al. C o m o n os e n si n a M ilt on S antos ( 1 9 9 9}, a li a p r o dut ivi d a d e

e a c om -

t

em e se re l acionam,

evit ando a esco lh a prévia o u a nt ec i pa d a d e sol u ções,

p

e t i t ivida d e d as emp r esas deixam de ser def i nidas per se, i s t o é, ape n as p e l a

sejam científicas, sejam políticas. O esforço da análise n ão p o d e ser neg li -

estrutu r a interna de cada corpo r ação e passam a ser at rib uto do l u ga r . N as

pa lavras do autor ( San t os, 1999): "é como se o chão, p o r meio das t éc n icas

e das decisões po l íticas que incorpora, constituíss e um ve r dadeiro d e pósito

de fluxos de m ai s-valia, transferindo valor às f i rmas nele se d iadas".

Toda v ia o a t ual exe r c ício da po l ítica p a r ece t r a n si t a r

u m ca m i nh o

gen c iado. Mas, porque sabemos que o que existe sem p re é un itário , isto é,

a reali dade é u nitá r ia, a v isão de conjunto deve preceder e acompanhar

exer c ício da análise e da po l ítica.

o

J

\

A escolha de cate gorias pertinentes ao período, ao mesmo t em p o ana -

líticas e sintéticas, não é um prob l ema menor, poi s s u a fa lt a nos fa z esco rr e-

p

ren h e de obstácu los.

D e um l ado, a força d as gran de s empresas e d os

gar, mais u ma vez, em fo r mas vazias . L imites e fro nt e ir as c a r e cem da fo r ça

d

e m a i s a t o r es f i nance ir os no u so d o t e rrit ó r io é inco men s ur áve l . S e u r es ul-

exp l icat iv a pr ó pria d as f ormas- c on t e úd o , ate n tas

a r ea lç a r o que ex i s te e o

ta d o é u m e sp aço exclud e n te que , p or i sso, se t orna reve l a d o r d as co ntra d i-

ções, mos t ra nd o

que buscam o s d i scut i r nas p á ginas a n teriores.

u ma ve r dadeira p r ivatização do te rrit ó r io

n acio n a l . É o

D e ou tro la d o , o p re d om í nio d a s formas vazias o u p ur as, d os cá l c ul os

a b st r atos e d os r u m o s au t o rr eferencia d os i m p õem - se

como i n s trumento e

que não ex i s t e em cada lugar, se u f un cio n a m e nt o e s ua s r ea is nec e ssid ad e s.

R e d uz i r uma r egiã o ao s e us sta t us p olí t ico-ad m i n is tr ativ o.j se rn c onsiderar

que o sis t emismo d os o bj e t os e ações ul tr a p assa se u s limit e s e, par a l e lamen-

t e, q u e os atores t êm f~ r ça de s i gual, pod e to rn a r i nef icaz um a p o líti c a pú-

J2lica . 1 ) su

p e rp os i çã o d e cá l c ulos eco n o m é tr icos e _d e di v i s~~ políti - ;:õ = ã d m i : : -

l

ing u age m da po lít ic a . A mera abstração d e índi ces ec on ô m icos, c uja e l a bo-

n

istrativas p ode n eg ligenc iar a s r ela ç õ e s pr e d atórias d e extr a ção de mais - v a lia,

r

ação é id eo ló g ic a , n ã o r e v e l a

o r eal fun c ion a m en t o

do p a í s. O t er ritório é

p

a r a lela s à p ro dução de dívida s so ciais. Priv i leg i a r as abstraçõe s macroeco -

vis to apen a s como form a , i s t o é , como s u a divi s ão polí t ico - a dmini s trativa;

140 I Mana Laur a Silveira

a

nômica s , a lheias às feições dos l u g ares e qu e só podem ser administr ad as

---------- -- -----

---------------------

A o t e r r i tóri o u s ado a palavr a : sol i da riedade socioespacial s 141

pe lo g ov e rn o centra l, p o is são feitas à m e d i d a de um a i n terlocu ç ão c om os

o r ga ni s m os finan cei r os i nternacionais ( S a n tos, 1999), pode a c e lerar a des-

t r uição d a sol i dariedad e o rgânica. É o exemplo do PIB, do défici t pú b lico ,

d a bal a nça de pag am e n t o s , da i n flaç ã o, dos investimentos estrangeir os di r e-

t os e de t antos outr o s i n dicad or es que fo r necem uma v isão ún i ca e homo - gênea d o t e rr itóri o n acion a l. T r a t a-se, c e r t amen t e , de uma dist o r ção. O mo - vime n to desigual e co mbina d o dos l uga r es r ec l am a u ma visão u n itá ria m as

n ão homogê n e a d o s div ersos p ro b lemas n ac i o n ais e reg i onais .

é u s a d o p o r todos o s atore s ap e sar de s u a forç a

Como o t er ri t ó rio desigu a l e c omo n en hum

polí ti c a o u à c u ltur a, n ão seria

ideia d e territ ó ri o for mal o u de territ ó rio usado a pen a s p o r a l gun s. A n ão

aut o n o mi a do tec i d o de o bj e to s e açõ e s n os lu ga r es preen c he

híbrido a ca t ego r i a pu ra de territ ó ri o. Debr u ç a ndo- s e so br e os m o d os de con s truir um Es t ado p rev id ê n c ia a tiv o diante do s fr a cass o s d o que e le c h a- ma Estado prev id ên c i a pa s sivo, R osanva U o n ( 1 995) prevê o enriqu ec imen - to d a noção de dir eit o s oc i a l a partir do dire i to à inserç ã o, a pontando , par a tanto, a nece ss id ade de i n corporar a especificid a de d a s s itua ç ões. Acr es cen - tamo s q ue t a l espec i fi c id a de pode ser m a is c l a r a m e nte d esv e l a da a p a rtir d a su a rea liza ç ã o h ist ó r ic a : o território u s ad o .

o

bjeto ou a çã o pe r tence a pen a s à economi a o u à

politicamente eficaz t r a b a lhar com um a

d e co nteú d o

A vid a co ncr et a do s l ug a re s , e m suas op o rtun i dades técnicas e p o l í ti-

cas para o u t r o gê n e ro d e traba l ho que n ã o obr iga tori a mente o g lob a l, pode-

de pol í ti c a s , meno s c o n s agrada s a sa tisfaze r as

dem a ndas de pr o d uti vi d a d e espaci a l, fl u idez e c ompetitividad e da s g ran- des emp r esas. P art ir d a dinâmica d o lug a r , que é in c ompletam e nte g lobal i-

zada, e n ã o da l ó g ic a do produto, qu e é compl e t a mente glob a l izada , pode - ria c o n trib u i r p a r a a desco berta do qu e é e s casso no lu g ar com o , por exemplo , a pr o du çã o e di s trib u i ç ã o de bens un i vers a is , a qu e les capazes de eliminar o

dim i n u ir o han d i c a p

meno s como depó s ito de mais-valia p a ra as co rpo rações e m a i s como um elo de po l í t icas soci o espaci a lmente i nte g rada s de educa ç ão, saúde, cultu r a,

informação. A contab ilid a de

co n s idera, a p en a s a pro du ção para o me r cado e x t e rn o co m o gera d o r a d e riqu eza. E pr e ci so ref or çar o pap e l do co n s u mo inter n o com b ase e m um a

r ia se r a lvo d a f or m u lação

entre ato r es soci a is. O lu ga r poderia s e r ente nd i do

nac i on a l e r egion a l , tal como ho j e é realiz a da,

142 I Ma r ia Laura Siiueira

pr o du ção t amb ém i nterna . Se o t er ritó ri o demon s tra atualmente s ua produ-

tiv i d a de p ar a produto s glo b a i s, sua fo r te o r ga niz aç ão autoriza também um a

a lta co n cen tração d e riq u e za. Um t e rrit ó r io ca p a z de abrigar diferente s f or -

m

a s de p r o du zir e con s u m i r aju d a r i a a des env o lv e r um mercado s oci a lmen -

te

necessá rio ( R ibei r o, 2 0 04) e, por consegui nte , m a i s distributi vo .

To d avia , qua nd o o d i r eito à p r evidência soc ial tr a nsforma -s e em u ma

espécie d e seguro merc a n til o u i nves t ime n to

di vid u ação está pos t o, p o i s os nexos d o co l e t ivo des ap a r e cem e uma m assa

d e d inheiro s ocial po d e ser desvia d a rapidamen t e ,

i n ves t imentos imobiliá r ios ou fin a nceiros em a l g un s pont os d o ter ritó ri o.

ca p i t a li s ta, o pr o c esso de i n -

s ob a mpa ro da le i, p a r a

O

rearranjo d e recursos públicos e particul a res d es t ina d os

à ed u cação e

sa

úde r ev e l am d in â micas tão co ntr a dit ó ri as e mercantis qu anto às d a pre -

v

i dênc ia.

O

invest imen to des se dinh e iro socia l e m g r a ndes obje t os funcionais a

ag e n t es po d ero os , com c ert as obr as

r n en t a liz ar o território, to rn ando-o

punh a do de a t ore s . A ca d a moder n i z ação, um novo con jun to de a t o r es

e i nf r a estrutu r a, a c a ba p o r instru -

a pto para o exerc í cio de u m peq u eno

e de

lu

ga re s é d ec l a rado n ão moderno e, de s se modo, o va lo r do seu traba l ho

di

m i nu i e a po br eza es trutural s e con so lida . Por esse caminho,

o dinheiro é

reti r a do de e l e m en t o s estrutur a dor es d a co nt i guidad e, da t éc nic a m e n os

moderna, da in terdependência entr e g e raçõ e s, das org a niza çõ e s menos m o -

d ernas, e nfim da so lid a rieda de orgâ n ica , p ar a co nduz i -lo a e lement o s q ue

de sestruturam a or dem local e nacion a l e fo r t a lecem uma nova ordem soci a l

c uj a ba s e m a t e rial l he é adequ a da . A cont a b i l i dade

n a cional torna- s e t am -

m in s tru ment a liz ada e pa ss a a c o nsid e r a r como despe s as a s nece ss ida d e s

s icas, c riando entraves ao con s umo coletivo . Em out r os termos, se houver uma c erta demanda so l váv e l para servi-

ç os educacionais, de saúde ou previdên c i a , o

pod e r público ajudará à produção e ren o v a ç ã o dessa demanda , esvaziando

mercado pode inst a lar - se e o

qu

a nto for necessá r io a condiçã o de univer sa lidade da d is tr ib u ição. D o pacto

de

civiliz a ç ã o f u ndado na previd ê nci a s oci a l, que p ermi t i u u ma espécie de

compatibilid ade, mesmo q u e i ncomp l etamente rea l izada e incomp l e t a m e nt e

di fun d i d a , entr e o modo de p rodução e uma ce rt a ju s tiç a soci a l , p assa m os a

u ma s o cie d a d e d e r i sco , qu e não p ode se r t o l er ante c o m o s m a i s fr acos.

Ao território usado a pala v ra: sol id ari e d a de socioespa c ial I 1 43

Ca l cul a dos os r i scos h o je com t é cnicas pr i morosas, é possível p rodu z ir

discursos in d ividu ai s , reforçan d o a ideia de q u e é mais im p o r tante o indív i -

T a l i mperativo ter r ito r i a l pe r mi t e pensar q u e há um a re l ação b iu n í -

v oc a entre ' s aú d e e ter ritóri o,

ent r e educaç ã o e te r ritório,

ent r e cult u ra e

duo e sua realização pes s oal do q u e a s ociedade, incapaz de fornec e r as

t

erri t ó rio.

A l ém de consti t u írem be ns sem o s qua i s a s ociedade vai à deriva

condiçõe s de tal real i zação . Nada m a is lon g e da ideia d e m utu a lização . Um

(

L i lle & Vers c h ave, 2003) , ed u c a ção e s a ú de s ão atividades econô mi cas e

g

r ande conteúdo de p r opagan d a bu s ca produ z i r o c onvencimento de que a

s

oc iais de peso e , por isso , cent r a is para entende r os objetos e ações que

responsab i lidade individu a l é o ú n ic o va lor que interessa pois permite , ao

cons tituem o t erritó r io . Não é e x cessivo le m b r ar que o consumo desse s

mesmo tempo , cu i dar d o futur o de f o rm a responsáve l e a cumu l ar dinheir o

no pr es ente . O c usto de tama nh a di s t o r çã o é o ab a ndono d a qu e les c uja

d e m a nd a nã o é s olv áv e l erp n e nhum m o m e nt o

do territ ó r i o. Num período domin a do p e l a inform a ç ão , o ún i co r isco q u e

merec e s er e n fr e ntado

que se t o rna u m l eitmot iu da

t rato s e se gur os e , de o utr o , o m e rc a d o l óg i c o

p o l í tica públi ca . O s ne xos ind íg e na s da vi d a co let iva serão s ub s t i tu í d os p e-

l o s ne xo s a li e ní ge n as do ind iv idu a li smo

ti d o s po lítico s , unani me nt e p reoc up a d os co m o c r esci mento ( H a milto n ,

2 006 ) , aca b a m p or a c e itar a l ei d a o f e rt a e da pr oc ura a p l i ca d a à v ida social

co mo um t o d o, aí i n c lu í d os os ser v iços u n iv er sai s , o fer e c e nd o q ua nd o pos-

da

vida e em nenh u m l u g a r

é, d e um l a d o, o indi v idu a l e para i sso c ria m-s e con -

me r ca ntil . De m o do g er a l , o s p a r -

-sível so lu ç õ es p on tu a i s e assis t e nci a l istas a q u em fi ca r f ora d o jog o do m er-

ca d o. A t o pol ogia é mais for t e qu e o espaço b a n a l.

Daí a i deia de qu e as gran d es em pr esas i n st a l a m um a o rdem p a r a si e

um a d eso r d e m p ara t o do o res t o d a soci e dad e ( S a nt o s, 2000 ) . O es p aço

ban a l acu mul a á r eas o p aca s e r egre s sões sob a p r om e ssa d e que o esp aç o de

red es p e rmi ti r á o c res cim e n to e, d esse m o d o, diminuir á a p o br ez a

d ese n vo l v iment o. E sse é um p rin cí p io d e o r ga n ização , u m princ íp io n or-

e o s ub-

ma tivo q u e se i nfu nd e so bre as h eranças mat eri a i s e n o rr na ti vas a d v in da s d o

passado p ara p rodu zir açõ es dita s eficaze s .

A i n g o ve rn ab i l id a d e d a n a ç ão ad v é m t a n to d a o rd e m co rp o rati va qu an-

t o d e s sa e scassez es trutur al

re s ult a d o da " F ederaç ão g l o b a li za d a " pa r a utili zar a s p a l avra s d e Milton

Santo s (2000) .

de

b ens e ser viços un iv er sai s nos l u gar es . É o

Acreditamo s q u e haj a u m im p e r a t i vo t e rrit o r i al n a produç ã o de edu-

c a ç ã o, sa úde, cul t u r a . E ss a id e ia n ão pare c e s ufi c i e ntem e n t e

f o rmulação de p o lítica s , t a l vez p orqu e o p l a nejam e nt o e s tej a hoje imbuíd o

de urn a raz ã o s etori a l e, p o r c o nseg u in te , i n strum e nt a l.

u

t ili za d a na

I 44 I Mar i a La ura S i l veira

b e n s d e in t eress e c omum,

crescentemente produti v o , a pe sa r do d i scurso dominante. A produção de

e d ucação, sa úde , c ultur a e s ua s atividade s l i gad a s de se mpenh a m um p a pe l

na ge r ação de riquez a loca l. A consideração de ss e fato permitiria acre s ce n tar ,

ao a rgumento cív ico, um a rgum en to econ ô mico . A outr a face da med a l h a

nos m o stra que o terr i t ó rio,

estrutu r a d a popul a çã o , d o e mpr e go, da ren da, d as in f rae s truturas, d a a g ri -

c

saúde . A urb a n i za çã o

rec e ntement e , d as cid ades m é d ias, a o cupa ção a gríc o l a e industri a l d e á r eas

a t é agora p e rif é rica s , são a l g u mas d as c a ract e r ís ti c as que ex igem d os sis te-

m a s c o m o ed uc a ç ã o

d e n s i f i cação. E sses fe n ô m en o s são, no per ío ~ o a tu al e morme n te num p aís

c o m o o Br asil , o r igin a d os

Estado e merc a do.

d e

dire itos " n a turai s ", d everiam se r reco nhe c id os com o um direito legítimo ,

aber t o a t o d os , d e di s t r i b ui ção un ive r sa l. Q ua ndo a o f e rta públ i ca nã o ch ega

a to d as as pesso as e a t odos os l ugar e s t e nd e a ins t a l a r -se e a cr es c e r a o f e rt a

merc a ntil , en ca rnand o u ma respos t a s egme n tad a e p arc i a l a ess e s r e c l a mo s.

E s sa é a l ógi c a do merca d o, i s t o é, a l o j ar -se n as re g i ões onde a deman da j á

exis t e ou t em alt a s p e r spec tivas d e d ese nv o l ver - se . T oda via , a dem a nd a q u e

interessa é uma d e m an d a s o lváv e l . D a í que ce rt os lu gar es ;' cam a d as sociai s

sejam a p riori de s inte re s santes, a m e no s qu e a s olv ê nc ia s eja as segurad a p e l a

vida do c r é d i to em sua s d i versa s fo rm as . De sse modo, des p ontam fr a gm e n -

t

corrê ncia , c urtos - circuitos no e x ercício da c i d a dania. Segundo qu a n t id a d es

no q u a l

e qu a l idade s da ofert a , desenha -s e um mapa bem diferenciado ,

da educa çã o e d a

e , m a i s

e

mesmo qua n do rea l izado na esfera púb l ic a , é

p e l os se us c o nt e údo s

c omo a d i strib u i çã o

u ltu ra, d a i ndú s tri a

e d os se ryi ços influ i na pr o du ç ão

d

terr i t ó r io , o c r esci m e nt o

d as m e trópoles

e saú d e urna ex pan são

e, a o m e smo

tempo, um a

po r u ma re l ação d ia l é tica e contradit ó ri a e ntr e

O s b e n s e s erviços que s ã o d o inter esse c omum, r epre s ent a ti vos

aç õ es soc i oe s paciai s

com r e laç ão a os ben s de i ntere ss e c o mum e, e m de -

A o t e r rit ório u s ad o a p a l av ra : solida rie dad e so cioe spa cia ll 145

q u a nt o m a i s f orte é o m ercado dess es be ns f u n d a m e n t a is à v i d a m a is ten-

de m a coinci d i r s u as conc e n tr açõe s co m as á re as l uminosas d o territ ó r i o . O

p r oc e s s o c u m ul a t ivo to r n a - se expo n en c i a l co mo r esu lt a d o n ã o d e pro c es sos

na turais

c o mo a d i st r i b ui ção de r e curso s . N ão i g n o r a m os a co r re s po n dê n cia nece s sá -

r i a e n t r e h ier a rqu ias urb ana s e h i e r a r q ui as d e in s t i tu ições

ed uc a c ion a i s ou

de s a úd e, mas isso de veria ser a tr ib u ição do E st a d o e n ão das empr esas, p a r a

e v i tar e xcessiv a s dis t o r ç õ es

de u ma c idad ani a fo rt e e p lena não poder á to l e r a r qu e a of erta de educ a ç ão,

d e s aúde e d e out r os b e n se serviços de in t eresse co m u m seja f e i t a em v á r ios

nív eis, s e g un d o a cap aci da d e econô m ica dos ato r e s . Não é pos sível co nc or -

d a r c o m u m a disc r i m in ç ão ab i n itio , s eja e l a socioec o nô m ica ou t er r ito r i a l .

com o o di s curs o te nt a fa z e r a c r edit a r, mas de de cis õe s po l íti cas ,

no acesso. Uma n a ção pr eoc up a d a c om o exe r c íci o

P a ra ta nto , s erá nec e ssá r io n ã o ma i s restringi r- se a n ú m eros a b s t ra t os

e h o m ogê ne os e es t u dar a s d i nâmicas regio n a i s que não se exp l ica m fo r a do

terri t ó ri o n a c io n a l: o c r e sc imento ve g etativ o d a popu l ação, os f lu xos de p es-

s o as na bu sca de e mprego, saúde , e du c aç ã o , informação e cul tura,

d ade da p op u la ção que pode p roduz i r e c onsumi r num da do

p on t o do

territ ó ri o, m esm o que a l i n ã o c o nte com o s instrumento s ou a p ro p a ganda

. m ais mo dern os, as dem a ndas ed u ca ci o nais e de saúde d as mas sas imóveis, a

a imobili -

nece s sida d e de ga rantir um me r cado c ont íg u o e s u f i c ient e para não curvar-

-

se i n ex or a velme n te

ao fin a nciam e nt o intern a ci o na l que arro j a os m ais fracos

à

v e l o c i d a d e d e u m a tax a d e juros que o pr ó pr io p a ís não co manda . É preciso ,

o

utr os s im , e n f rentar o s p a rado x o s da c ontemporaneid a de como o aumen t o

e

xpon e nci a l do c o nsumo merc a ntil e o cr escimento ince ss ante d a pobreza

estrutura l. Q u e os po b res consu mam o b je t o s d o a tual si s tema técnico n ão

satisfeito suas dem a nd as de bens e se r viços d e

i ntere ss e

s igni f ica qu e e l e s te n ham

c o mum como ed u c aç ão, s aúde e previdência (Silveira, 20 0 6a; 20 07 ) .

S e a m a nipul a ção br u ta l a que se r ef e r i a Lukács, retomada p o r Âg n es

H eller (1996) , s i gnifica a neg a ção d a nece s s id a de e d a esc as sez , é prec i so

hoje f i c a rmos muito a t e n tos ao qne esse s p ensadores denomin a r a m m a n i -

p ula ção r efina da , a qu al reco n hecendo a s ne c essi d ades e a escassez , ofe r ece

i ns t itui ç ões para p ro j e t os j á ex i s te ntes e unive r sais . Es ta voz d e a lerta p a rec e

ga nh a r at u a l i d a d e e m t em p os d e tercei r o set o r, enxugamento

respon s a bilid a d e soc i a l e m presa ri a l e out r os sist e m a s d e ações.

do E s t a d o ,

146 I Ma r í a L aura S i l veira

o imp er a t ivo terri r o r i a l do qu a l f a l á v a mos s e c on so l i d a . Se a e du cação

e a s aúde ~ã o geo grafi camente co nd icio n a d as , as caracte r ístic a s do território

se re f let em n o modo c o m o a e duc açã o e a s a úde sã o produ z id as. A pro d u ção

d ife ren ciada e s elet iva de s ses be n s vin cul a - s e

uso d o t e rritór io . Qu e o mer cado é s e l e t ivo n ã o é nov id ade , m as a se l etividade

d o po d e r pú bl ico é u m d ado rela t i v a mente no vo , indi can d o n ovos " p ac t os

à f o r m a como part i ci p a m d o

ter rito r i a is" fu nc i o n a i s (S a n t o s , 198 7 ) . É p r ecis o s u p erar o handic a p d a h era n -

ça soc i oe spacia l , do t e rri tóri o usa d o d e fo r ma ex c lu d e n te, p a r a as segur a r o

aces so a os b e n s de i n t e r es s e co mum à t o t al i d a d e d a po pu lação . Se o ter r i t ó rio

t a l como foi u sa d o impõe ce rto s c on s t r a ngimentos à polític a a tu a l , t a mb é m

ab riga o portun id ade s pa r a a re a li zação d as p ossibilid ade s hi s tór i ca s c omo

a s pr opo r ciona d as

busc a d e solu çõ e s f i nanceir as e de d ir ei t o fo r m a l para a mplia r um s i s t e m a

qu e foi c r iad o p a ra m a nt er fo rt e s limites . Q u i ç á o c a m i nh o

sistemas so c io e s p aciai s j a essê nci a seja o c r e s cimento

d a re al u n i v e r s alid a de. M i lto n Santo s (2 000 ) propõe con s t r ui r um a "Fed e ra-

ção l ugariz ad a ", qu e s e oponh a à " Federaç ã o g l o b a l i z a d a" e , par a i ss o, hav e ria

d e r econ hec e r á r eas de iden t id a de, legitima das p e l as próp r ia s co ndi ç õe s de

existê n cia . Trata r-se-ia d e u m a regionaliza ç ã o d o c o t i d ia n o , f und a m e nto

perman e nt e , a bu sc a

p e la t é c nica contemporâne a . Talv e z o ca minh o n ão se j a a

se ja p e n sa r

d

a emergê ncia d e um quarto nív e l po l ítico-terr i tor i a l,

p ara q u e o s l ugare s j á

n

ão sejam u m dep ósito de m a i s -valia, um mero r e cu r so para um punh a do

d

e a t ores, m as u m a c a sa c o l etiva, um v e rd ade i ro a bri go para todo s o s hom e ns,

emp re sa s e i nstituiç õ es. É a v i d a que, diante da de sco bert a d essa d eso r d e m ,

é chamada a p rod u zir um s e nt i do p a r a o lu gar . Em fac e d a a d e r ê nci a a o

d

isc u r s o ú n ico por pa rte

de bo a p a rc e l a d a polític a p úblic a,

d as e mp r e sas e

d

a r n í d ia e d as r es p e c tivas

for m as de a l i e n aç ã o, é pre c i so e n c o nt r a r um s ent i do

p

a ra o cotidian o , p a r a o a c on t e cer n o lu ga r . Qu a is as norma s pragmáticas

g

l obais que o s homen s ju nt o s num lu gar pode m d e so be dec er e o qu e i s so

significa? É pr e c iso que todo s cumpram a s regra s de com p et i tivid a de

pr o dut iv idade di t a d as p e l o s que c o ma nd am as v a ri á v e i s det e r m i nan t es ( t ec-

n ociencia , i nf ormação , fin a nça)? Quais as n or m as n a scidas na co n t i guidade?

C omo

f u t u r o ?

s en t id o m a is ampl o : escassez d o co m a n d o d o no ss o t r a b a lh o, d as p r ome ssa s

e

se dá o tra b a l h o e a v i d a no lu ga r ? C o m o é pen sa d o n o lu ga r o p a í s e o

Q ua nd o o m u n d o é v isto a p ar tir d o l u gar v i ve-se a escassez n o seu

Ao ter r i t ór i o usado a pa l a v ra : s ol ida r iedade s o ci o es p a c i al I 147

da glo b alização,

no período téc n ico- c ie n tilico - in f ormacional,

dê n cia dos eventos .

I s to s up õ e fo rmu l ar

medidas c o mpen s at ó ri as

mas o fu t uro som e nt e p o der á ser en f rent a do co m um proj e t o nacion a l.

solidá r io, o co t id i a n o

do c onsumo .

É o rei n o do acontecer

que

se re a l iz a na i n te rd e pe n-

as ide ia s e suas et a pas . No i nício , as

fa ltar par a ultrap a ssar

o hand i c a p ,

n

ão p oder ã o

Con s trui r um Estad o qu e

~

que P o s s a fo r tale c er

fol c l o ri z a d a s

n

l en t a, an cora da n a sol id a r ie d a de

soc i a l e so c i a liz an t e.

esquecer

possa aglut i na r

sem m a tar a liberd a de ,

de um s ent i do

que possa

i da r d ;ci dadania,

coop e r a n do

n a p rodu ç ã o

l oca l e nacional ,

ou

as s o lid a ri e d a d es

s em impor so lu ç ões domesticad a s

tr a nsformado r ,

ser á um a d as e tap as

de um pr o jet o

poi s um a

mas co m v i d a m a i s

ação de cid a dã os

n ão vir á com m a i s ve l oci d a de

o

r gâ n ic a

É p r eci s o c o ns tr ui r

é fluide z,

que p er mit a

um a pla nifica ção

n un ca

um se nt ido ,

qu e nã o p od erá

o B r a s il no lu gar, o B r a s il e o s s e us lug a res,

a Naçã o B ras il ei r a .

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