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CURSO ON-LINE – ADM PÚBLICA EM EXERCÍCIOS – AFRFB E AFT PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS

Aula Extra

Olá, Pessoal! Foi publicado o

edital

para

o

concurso

do

ISS-SP

e

o

conteúdo de

Administração Pública é quase o mesmo do edital de AFRFB/AFT. Foram apenas acrescentados dois itens: 9. Convergências e diferenças entre a gestão pública e a gestão privada. 12. Comunicação na gestão pública e gestão de redes organizacionais. A banca será a FCC. Por isso estou acrescentando esta aula extra, no formato de curso teórico, pois aqueles que fizeram meus cursos de AFRFB/AFT não viram esses itens.

Boa aula!

Sumário

  • 1 GESTÃO PÚBLICA X GESTÃO PRIVADA

2

  • 1.1 CONCEITOS BÁSICOS

2

  • 1.2 PROCESSO ORGANIZACIONAL

4

  • 1.3 PÚBLICO X PRIVADO

14

  • 1.4 PARADIGMA DO CLIENTE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

20

  • 1.5 PRINCÍPIOS

ADMINISTRATIVOS

23

  • 2 COMUNICAÇÃO NA GESTÃO PÚBLICA

31

  • 2.1 COMUNICAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES

35

  • 3 GESTÃO DE REDES ORGANIZACIONAIS

39

  • 3.1 ORGANIZAÇÕES EM REDE

41

  • 3.2 REDES DE POLÍTICAS PÚBLICAS

44

  • 4 QUESTÕES COMENTADAS

47

  • 4.1 GESTÃO PÚBLICA X GESTÃO PRIVADA

47

  • 4.2 COMUNICAÇÃO NA GESTÃO PÚBLICA

55

  • 4.3 GESTÃO DE REDES ORGANIZACIONAIS

64

  • 4.4 LISTA DAS QUESTÕES

70

  • 4.5 GABARITO

80

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1 Gestão Pública X Gestão Privada

Quando falamos das semelhanças e diferenças entre a gestão pública e a gestão privada, podemos citar inúmeras características que aproximam ou distanciam estes dois tipos de gestão. As questões, então, abordam uma gama enorme de aspectos. Vamos começar com os conceitos básicos.

  • 1.1 CONCEITOS BÁSICOS

Vamos ver algumas definições de Administração.

Richard Daft: O alcance das metas organizacionais de maneira eficaz e eficiente por meio de planejamento, organização, liderança e controle dos recursos organizacionais.

Antonio Maximiano: É o processo de tomar decisões sobre objetivos e utilização de recursos. O processo administrativo abrange cinco tipos principais de decisões, também chamadas de processos ou funções:

planejamento, organização, liderança, execução e controle.

Chiavenato: Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar objetivos. A tarefa básica da Administração é a de fazer as coisas por meio de pessoas de maneira eficiente e eficaz.

James Stoner: A Administração é o processo de planejar, organizar, liderar e controlar os esforços realizados pelos membros da organização e o uso de todos os outros recursos organizacionais para alcançar os objetivos estabelecidos.

Podemos notar algumas coisas em comum nessas definições. Elas mencionam recursos e objetivos, os processos organizacionais, pessoas e eficiência e eficácia. Podemos representá-los assim:

Objetivos
Objetivos
Recursos Decisões Pessoas Planejamento Informação e conhecimento Organização Dinheiro Direção Instalações Controle
Recursos
Decisões
Pessoas
Planejamento
Informação e conhecimento
Organização
Dinheiro
Direção
Instalações
Controle

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a)

Organização

O

conceito

de

organização:

administração

está

diretamente

relacionado

Amitai

Etzioni:

específicos.

Unidades

socialmente

construídas

para

com

o

de

atingir

fins

Richard Daft: Organização é uma entidade social dirigida a metas e deliberadamente estruturada. Entidade social significa ser composta de duas ou mais pessoas. Dirigida a metas significa ser feita para alcançar algum resultado, como obter lucro, ganhar aumento de salário para seus membros, satisfazer as necessidades espirituais ou proporcionar satisfação social. Deliberadamente estruturada significa que as tarefas são divididas e a responsabilidade pelo seu desempenho é atribuída aos membros da organização.

Stephen Robbins: A organização é uma unidade social, coordenada conscientemente, composta de uma ou mais pessoas e que funciona numa base relativamente contínua para atingir objetivos”.

Antonio Maximiano: Uma organização é um sistema de recursos que procura realizar algum tipo de objetivo (ou conjunto de objetivos).

Chester Barnard: A existência de uma organização formal se dá quando (1) há pessoas aptas a se comunicarem entre si; (2) que estão desejando contribuir com sua ação e, (3) para a realização de um propósito comum.

Podemos perceber que todas essas definições dizem praticamente a mesma coisa. Temos alguns elementos essenciais nelas: relação social e objetivos. É uma relação social porque é preciso mais de uma pessoa, é preciso algum tipo de interação. E nessa relação, é preciso que existam objetivos comuns, as pessoas se unem para alcançar alguma meta compartilhada.

Alguns autores vão além desses dois elementos essenciais e agregam outras questões ao conceito, como Daft, que fala em “deliberadamente estruturada”. Maximiano afirma que, “além de objetivos e recursos, as organizações têm dois outros componentes importantes: processos de transformação e divisão do trabalho”.

Objetivos são os resultados que a organização espera alcançar.

 

Recursos

são

pessoas,

instalações

físicas,

computadores,

capital,

máquinas, enfim, aquilo

objetivos.

de

que a organização dispõe para alcançar os

Processos de transformação são sequências de ações ou eventos que levam a um determinado fim, resultado ou objetivo. Em uma organização, temos processos de trabalho, que são “conjuntos de atividades inter-

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relacionadas que transformam insumos (entradas) em produtos (saídas)”, temos processos de produção, processos de gestão de pessoas (tais como seleção e recrutamento, desenvolvimento, remunerações e recompensas) e por aí vai.

A divisão do trabalho se relaciona com a ideia de especialização. Para que uma organização de grande porte alcance seus objetivos, é necessário que sejam realizadas centenas de atividades diferentes, e uma das maneiras de racionalizar esta realização é por meio da especialização. Diferentes pessoas, áreas ou grupos da organização irão realizar diferentes tipos de tarefas.

  • 1.2 PROCESSO ORGANIZACIONAL

Henry Fayol foi um dos primeiros autores a elencar as funções administrativas:

Planejamento: tentativa de se avaliar o futuro por meio de um plano e fazer provisões para realizar este plano;

Organização: mobilização dos recursos humanos e materiais para transformar o plano em ação;

Comando: estabelecimento de orientações para os empregados e obtenção das coisas feitas;

Coordenação: obtenção da unificação e harmonia de todas as atividades e esforços;

Controle: verificação de que as coisas aconteçam em conformidade com as regras estabelecidas e expressas pelo comando.

Luther

Gullik,

um

dos

seguidores

de

Fayol,

ampliou

os

elementos

da

administração e criou o POSDCORB, que é formado pelas palavras:

Planning – planejamento;

Organizing – organização;

Staffing – assessoria;

Directing – direção;

Coordinating – coordenação;

Reporting – informação;

Budgeting – orçamento.

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Maximiano segue Fayol e também cita essas cinco funções, só altera comando para liderança e coordenação por execução. Chiavenatto fala em quatro funções: planejamento, organização, direção e controle.

1.2.a.1 Planejamento

Segundo Maximiano, “o processo de planejamento é a ferramenta para administrar as relações com o futuro. As decisões que procuram, de alguma forma, influenciar o futuro, ou que serão colocadas em prática no futuro, são decisões de planejamento”.

Segundo o

princípio

da

precedência

do

planejamento,

esta

função

administrativa vem antes das

outras. Na realidade,

é

difícil

separar e

sequenciar as funções administrativas, mas pode-se considerar que, de maneira geral, o planejamento aparece na ponta do processo. Como

consequência, ele assume uma situação de maior importância no processo

administrativo.

Sem

o

planejamento não

base

para

a

organização e

controle. O planejamento é o alicerce sobre o qual operam as demais funções

administrativas.

Existem três tipos de planejamento: Estratégico, Tático e Operacional. A diferença entre eles se refere ao nível hierárquico em que são elaborados, a abrangência em relação às unidades e o período para o qual se referem, como está resumido na tabela a seguir:

 

Estratégico

Tático

Operacional

Prazo

Longo

Médio

Curto

Amplitude

Toda a organização

Determinado Setor

Determinada Atividade

Nível Hierárquico

Alta Cúpula

 

Operacional

Gerências Setoriais Intermediários

Riscos Maiores Menores
Riscos
Maiores
Menores

Aqui podemos identificar algumas das características que diferenciam o planejamento estratégico do tático e do operacional:

É responsabilidade da cúpula da organização;

Envolve a organização como um todo;

Planejamento de longo prazo.

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Já o Planejamento Tático será uma setorização do planejamento estratégico. Se este envolvia a organização como um todo, aquele vai fazer um planejamento para um setor da organização. Ele trabalha com decomposições dos objetivos, estratégias e políticas estabelecidos no planejamento estratégico.

Ele é desenvolvido em níveis organizacionais intermediários, como as gerências de recursos humanos, de marketing, financeira, etc., tendo como principal função a utilização eficiente dos recursos disponíveis para a consecução de objetivos previamente fixados.

O planejamento tático tipicamente tem um horizonte de tempo mais curto do que o planejamento estratégico. Segundo Chiavenatto, “os planos táticos referem-se a cada departamento ou unidade da organização e seu foco é no médio prazo, isto é, no exercício anual”.

O Planejamento Operacional é o desdobramento do planejamento tático. Pode ser considerado como a formalização, principalmente através de documentos escritos, das metodologias de desenvolvimento e implantação estabelecidos. É neste nível que são estabelecidos os objetivos e estratégias operacionais, que definem as ações específicas que permitem realizar os objetivos dos níveis anteriores.

São planos desenvolvidos nos níveis mais baixos da organização para especificar as etapas de ação para realização das metas operacionais e para sustentar os planos táticos. O planejamento operacional é a ferramenta do gerente de departamento para as operações diárias e semanais. Seu horizonte de tempo é o curto prazo.

1.2.a.2 Organização

A segunda função administrativa elencada por Fayol é Organização. Segundo

Maximiano: “organizar

é

o

processo de dispor

de qualquer conjunto de

recursos em uma estrutura que facilite a realização dos

planos”.

É

praticamente a mesma definição de Daft: “disposição de recursos

organizacionais para alcançar as metas estratégicas.

A organização está relacionada ao desenho da estrutura organizacional. A disposição dos recursos é refletida na divisão de mão-de-obra da organização em departamentos específicos e empregos, linhas formais de autoridade e mecanismos para coordenar as tarefas organizacionais diversas.

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1.2.a.3 Direção

Vimos que Fayol falava em comando, enquanto Maximiano usou liderança. Portanto, os diversos autores dão nomes diferentes, mas que na realidade é a mesma coisa.

Chiavenatto conceitua direção como “a função administrativa que se refere ao relacionamento interpessoal do administrador com seus subordinados. Para que o planejamento e organização possam ser eficazes, eles precisam ser complementados pela orientação e apoio às pessoas, através de uma adequada comunicação, liderança e motivação”.

Para McGregor, “toda decisão administrativa tem consequências sobre o comportamento dos indivíduos. A administração bem-sucedida depende – não só, mas bastante – da capacidade para predizer e controlar o comportamento humano”. O autor diferenciou dois estilos extremos de direção: a Teoria X e a Teoria Y.

A Teoria X é uma teoria tradicional, mecanicista e pragmática, segundo a qual:

O ser humano médio tem um desgaste inerente pelo trabalho e o evitará, se possível;

Por causa da característica humana de desgosto pelo trabalho,

a

maioria

das

pessoas precisa ser coagida, controlada, dirigida ou

ameaçada com punição para que se esforcem

para

o

alcance dos

objetivos organizacionais;

 

O

ser

humano

médio

prefere

ser

controlado,

deseja

evitar a

responsabilidade, tem relativamente pouca ambição e quer, acima de

tudo, segurança.

McGregor propôs

a

Teoria

Y

como uma

nova

visão mais

realista

dos

trabalhadores para direcionar o pensamento administrativo. Segundo esta

teoria:

O desgaste de esforço físico e mental é tão natural quanto brinca ou descansar. O desgosto pelo trabalho não é uma coisa inerente do ser humano médio;

O controle externo e a ameaça de punição não são os únicos meios de realizar os esforços para atingir os objetivos organizacionais. Uma pessoa exercerá autodireção e autocontrole a serviço dos objetivos com os quais ela está comprometida;

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O ser humano médio aprende, sob condições adequadas, não apenas a aceitar, mas a buscar responsabilidade;

A capacidade de exercitar um grau relativamente alto de imaginação,

engenhosidade e criatividade na solução

de

problemas

organizacionais é largamente, não estreitamente, distribuída na

população;

Sob condições da vida industrial moderna, as potencialidades intelectuais do ser humano médio são apenas parcialmente usadas.

Com base nestas suposições, são defendidas medidas como: descentralização e delegação, diminuindo o controle excessivo e transferindo responsabilidades; ampliação do cargo e maior significação do trabalho, encorajando a inovação e a aceitação de responsabilidades; participação e administração consultiva, permitindo maior participação nas decisões; auto-avaliação de desempenho, em que os funcionários estabelecem seus “alvos” e “objetivos” e controlam seu desempenho.

A liderança é definida como a “habilidade de influenciar pessoas no sentido da realização das metas organizacionais”.

1.2.a.4 Comunicação

Um professor em Harvard uma vez pediu à classe que, por meio de desenhos, definisse comunicação. A maioria dos alunos desenhou um gerente falando ou escrevendo. Alguns colocaram balões de fala perto de seus personagens; outros mostraram páginas voando de uma impressora a laser. “Não”, disse o professor, “nenhum de vocês conseguiu captar a essência da comunicação”. Ele continuou a explicar que comunicação significa “compartilhar” – não “falar” ou “escrever”.

Richard Daft define comunicação como:

Processo pelo qual as informações são transmitidas ou entendidas por duas ou mais pessoas, geralmente com a intenção de motivar ou influenciar o comportamento.

O CESPE já apresentou a seguinte definição:

“O processo de comunicação é a base do atendimento. A comunicação pode ser definida como o processo de passar informação e compreensão de uma pessoa para outra. Toda comunicação envolve pelo menos duas pessoas: a que envia e a que recebe. Para que haja comunicação utiliza-se um processo que contém no mínimo quatro elementos:

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emissor ou fonte de comunicação – pessoa que elabora a mensagem, tendo como objetivo atingir o receptor; mensagem – o que se quer transmitir; canal – meio utilizado para transmitir a mensagem; receptor ou destino da mensagem – pessoa para quem é enviada a mensagem”.

No entanto, estes quatro componentes não são os únicos no processo de comunicação. O processo de Comunicação ocorre quando o emissor (ou codificador) emite uma mensagem (ou sinal) ao receptor (ou decodificador), através de um canal (ou meio). O receptor interpretará a mensagem que pode ter chegado até ele com algum tipo de barreira (ruído, bloqueio, filtragem) e, a partir daí, dará o feedback ou resposta, completando o processo de comunicação.

1.2.a.5 Controle e Avaliação

O controle está ligado à realização dos objetivos. Para alcançá-los, é preciso dispor de informações sobre os próprios objetivos e sobre as atividades que procuram realizá-lo. Controlar é um processo de tomar decisões que tem por finalidade manter um sistema na direção de um objetivo. Para Chiavenatto “representa o acompanhamento, a monitoração e a avaliação do desempenho organizacional para verificar se tudo está acontecendo de acordo com o planejado”. Podemos resumir como “Monitorar as atividades e corrigir os desvios”.

Para Richard Daft, controle é “a função administrativa que envolve monitorar as atividades dos funcionários, mantendo a organização no trilho, em direção Às suas metas, e fazer as correções necessárias”. Ainda segundo o autor:

Controle organizacional é o processo sistemático pelo qual os gerentes regulam as atividades organizacionais para torná-las consistentes com as expectativas estabelecidas nos planos, metas e padrões de desempenho.

Maximiano define controle como:

Um processo de tomar decisões que tem por finalidade manter um sistema na direção de um objetivo, com base em informações contínuas sobre as atividades do próprio sistema e sobre o objetivo. O objetivo torna-se o critério ou padrão de avaliação do desempenho do sistema, ou seja, o objetivo torna-se o padrão de controle.

Assim, o processo de controle informa:

Quais os objetivos devem ser atingidos;

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O desempenho da organização em comparação com os objetivos;

O que deve ser feito para assegurar a realização dos objetivos.

Djalma de Oliveira afirma que “controlar é comparar o resultado das ações com padrões previamente estabelecidos, com a finalidade de corrigi-las se necessário”. A comparação é um termo muito importante dentro do conceito de controle. É preciso que haja um padrão a ser seguido para que possa haver controle.

  • b) Eficiência, Eficácia e Efetividade

Para Maximiano:

Eficácia é a palavra usada para indicar que a organização realiza seus objetivos. Quanto mais alto o grau de realização dos objetivos, mais a organização é eficaz.

Eficiência é a palavra usada para indicar que a organização utiliza produtivamente, ou de maneira econômica, seus recursos. Isso significa uma menor quantidade de recursos para produzir mais

A eficácia sempre está associada com o alcance de metas, com o alcance de objetivos. Para Richard Daft:

A eficácia organizacional é o grau no qual a administração alcança uma meta declarada. Isso significa que a organização tem sucesso em alcançar o que ela tenta fazer. Eficácia organizacional significa proporcionar um produto que os clientes valorizem.

Eficiência organizacional se refere à quantidade de recursos usados para alcançar a meta organizacional. Pode ser calculada como a quantia de recursos usados para produzir um produto ou serviço.

Essas foram definições mais usadas no setor privado. Vamos ver agora sua aplicação na gestão pública. Segundo o Ministério do Planejamento:

Eficiência: uso otimizado, com economia e qualidade, dos bens e recursos empregados na implementação das ações.

Eficácia: capacidade de alcance das metas previstas;

Efetividade: correspondência entre os resultados da implantação de um programa e o alcance dos seus objetivos, tendo como referência os impactos na sociedade;

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Assim, podemos dizer que a EFICIÊNCIA é a racionalização no uso dos insumos. A eficiência é alcançada quando os insumos são manipulados de forma adequada para atingir os produtos.

A EFICÁCIA consiste no grau de alcance das METAS programadas em um determinado período de tempo, independentemente dos custos implicados. Quanto mais alto o grau de realização dos objetivos e metas, mais a organização é eficaz.

A EFETIVIDADE observa se houve algum IMPACTO resultante da ação governamental. Não basta chegar ao produto, alcançando as metas, é preciso que ele produza alguma alteração na sociedade.

Podemos observar melhor estas dimensões no quadro abaixo:

Efeetiiviidaddee EEffiicciiêênncciiaa OBJETIVO INSUMO AÇÃO PRODUTO RESULTADO EEconomici idade EEffici ácciia
Efeetiiviidaddee
EEffiicciiêênncciiaa
OBJETIVO
INSUMO
AÇÃO
PRODUTO
RESULTADO
EEconomici idade
EEffici ácciia

Além desses três

conceitos, outro que também é importante é o de

economicidade, que está relacionada com os custos dos insumos. Quando avaliamos o desempenho em termos de economicidade, queremos saber o preço dos insumos usados na produção. A economicidade é a minimização dos custos dos recursos utilizados na consecução de uma atividade, sem comprometimento dos padrões de qualidade. Refere-se à capacidade de uma instituição gerir adequadamente os recursos financeiros colocados à sua disposição.

No entanto, em vários momentos vemos a economicidade dentro da eficiência. Nos concursos, quando eles falam em custos estão se referindo à eficiência. Esta envolveria otimizar a produção quanto reduzir o custo dos insumos.

Assim, a eficiência observa a relação entre PRODUTOS (bens e serviços) gerados por uma atividade e os CUSTOS dos insumos empregados, em um determinado período de tempo. Uma organização é eficiente quando utiliza seus recursos da forma mais produtiva e econômica possível, também conhecida como forma racional de utilização.

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A eficiência é definida como a relação entre os produtos (bens e serviços) gerados por uma atividade e os custos dos insumos empregados para produzi- los em um determinado período de tempo, mantidos os padrões de qualidade. Essa dimensão refere-se ao esforço do processo de transformação de insumos em produtos. Pode ser examinada sob duas perspectivas: minimização do custo total ou dos meios necessários para obter a mesma quantidade e qualidade de produto; ou otimização da combinação de insumos para maximizar o produto quando o gasto total está previamente fixado. Nesse caso, a análise do tempo necessário para execução das tarefas é uma variável a ser considerada . A eficiência pode ser medida calculando-se e comparando- se o custo unitário da produção de um bem ou serviço. Portanto, podemos considerar que o conceito de eficiência está relacionado ao de economicidade.

A eficácia é definida como o grau de alcance das metas programadas (de bens e serviços) em um determinado período de tempo, independentemente dos custos implicados. O conceito de eficácia diz respeito à capacidade da gestão de cumprir objetivos imediatos traduzidos em metas de produção ou de atendimento, ou seja, a capacidade de prover bens ou serviços de acordo com o estabelecido no planejamento das ações.

É importante observar que a análise de eficácia deve considerar os critérios adotados para fixação da meta a ser alcançada. Uma meta subestimada pode levar a conclusões equivocadas a respeito da eficácia do programa ou da atividade sob exame. Além disso, fatores externos como restrições orçamentárias podem comprometer o alcance das metas planejadas e devem ser levados em conta durante a análise da eficácia.

A efetividade diz respeito ao alcance dos resultados pretendidos, a médio e longo prazo. Refere-se à relação entre os resultados de uma intervenção ou programa, em termos de efeitos sobre a população-alvo (impactos observados), e os objetivos pretendidos (impactos esperados), traduzidos pelos objetivos finalísticos da intervenção. Trata-se de verificar a ocorrência de mudanças na população-alvo que se poderia razoavelmente atribuir às ações do programa avaliado.

Portanto, ao examinar a efetividade de uma intervenção governamental, pretende-se ir além do cumprimento de objetivos imediatos ou específicos, em geral consubstanciados em metas de produção ou de atendimento (exame da eficácia da gestão). Trata-se de verificar se os resultados observados foram realmente causados pelas ações desenvolvidas e não por outros fatores. A avaliação da efetividade pressupõe que bens e/ou serviços foram ofertados de acordo com o previsto. O exame da efetividade ou avaliação de impacto requer

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tratamento metodológico específico que busca estabelecer a relação de causalidade entre as variáveis do programa e os efeitos observados, comparando-os com uma estimativa do que aconteceria caso o programa não existisse

Vamos analisar um exemplo. Num programa do governo de distribuição de óculos para crianças do ensino fundamental, o objetivo é melhorar a educação, já que as crianças estarão enxergando melhor e poderão se concentrar mais. Entende-se que os pais não apresentam condições financeiras de levar a criança a um oftalmologista e de comprar os óculos, por isso seria importante que o Estado desempenhasse esse papel.

A economicidade significa que os óculos foram comprados a um preço baixo. A eficiência refere-se ao governo entregar um número maior de óculos com os mesmos recursos, o mesmo número de pessoas, de carros, etc.

A eficácia corresponde ao alcance de metas. Assim, se o objetivo era entregar 20.000 óculos e foi entregue um número maior, o programa é eficaz. Por fim, a efetividade se refere ao resultado da ação governamental na sociedade. No exemplo, corresponde a melhora no índice de educação.

Alguns autores conceituam efetividade como a soma da eficiência e da eficácia ao longo do tempo. Não concordo com esta visão, mas é importante conhecermos, pois a ESAF já deu ele como certo.

Vamos ver mais alguns conceitos, agora da Maria das Graças Rua:

Eficácia: significa realizar aquilo que foi pretendido. Suponha-se, por exemplo, que uma ação de governo é uma campanha de vacinação para 50000 crianças. A eficácia será dada pelo numero de crianças vacinadas. As perguntas, então, são: os insumos foram disponibilizados? Estiveram disponíveis a tempo? Foram suficientes para gerar os outputs pretendidos?

Eficiência: significa realizar aquilo que foi pretendido, de acordo com a estratégia selecionada, com os custos estabelecidos ou menos. A eficiência é um critério que remete à racionalidade dos processos, não se refere somente aos resultados, mas às relações entre meios e fins. As perguntas são: Os insumos foram totalmente utilizados para os fins pretendidos? Houve insumos não utilizados? Algum dos insumos foi usado de maneira que não contribuiu para os resultados? A escala de utilização dos recursos foi apropriada, excessiva ou insuficiente? Houve atrasos?Erros?Haveria algum método de obter o mesmo resultado com custo e prazo menor? Houve perdas, desperdícios? Houve atrasos na

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disponibilização dos insumos? Houve inadequação de quantidade ou qualidade dos insumos? Houve erros de operação dos processos ou de gestão dos recursos e atividades?

Efetividade:

significa

que

o

que

foi

realizado produziu os efeitos

pretendidos. A efetividade é o grande critério de sucesso de um programa ou projeto. Refere-se aos efeitos, que são resultados diretos da ação realizada. É muito importante lembrar que é possível ter eficácia sem ter efetividade. Exemplo; é possível ter todas as 50000 crianças vacinadas e ainda assim ter muitos casos da doença devido à baixa qualidade das vacinas ou devido à sua aplicação numa ocasião em que uma epidemia já estivesse em andamento.

  • 1.3 PÚBLICO X PRIVADO

A comparação entre a gestão pública e a privada não é algo recente. Frank J. Goodnow, ainda em 1893, afirmou que “ao realizar seu negócio, o objeto do governo não costuma ser a obtenção do ganho, mas a promoção do bem-estar da comunidade. Essa é a grande distinção entre o negócio público e o privado”. Realmente, é a maior diferença entre os dois tipos de gestão: a privada busca o lucro; a pública, o interesse público. Podemos resumir da seguinte forma:

Enquanto as empresas se motivam pelo lucro, a gestão pública tem como motivação a consecução do interesse público.

Os

principais

argumentos

de

que

a

gestão

pública

difere

de

maneira

fundamental da privada em todos os aspectos relevantes são:

O interesse público difere do privado;

As autoridades públicas, por exercerem o poder soberano do Estado, devem necessariamente atender aos valores democráticos em detrimento dos interesses de qualquer grupo ou material em particular;

A Constituição exige o tratamento igualitário das pessoas e descarta o tipo de seletividade que é essencial para sustentar a lucratividade.

Todavia, alguns autores entendem que a enumeração de tais diferenças é enganosa porque oculta importantes semelhanças. Como o desenvolvimento da Administração Gerencial, houve uma aproximação grande entre a gestão

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pública e a gestão privada, pois as técnicas desta começaram a ser usadas naquela.

O mundo entrou num grave período de recessão na década de 1970 devido às duas crises do petróleo, que fizeram com que os juros dos financiamentos externos subissem para a estratosfera. Ficou muito difícil para os países conseguirem recursos, resultando numa grave crise fiscal.

Os governos tinham que produzir uma série de serviços e bens exigidos pela sociedade, mas não possuíam recursos suficientes. Eles precisavam, então, de eficiência, o que estava longe de ser proporcionado pelo modelo burocrático, que era rígido, lento, caro e não dava atenção às necessidades da população.

Essa insatisfação da sociedade irá levar ao poder governos conservadores como o de Ronald Reagan, nos EUA, e de Margareth Thatcher, na Inglaterra, no início dos anos 1980, que irão adotar reformas segundo os princípios do Neoliberalismo.

Para dar uma resposta à sociedade, que exigia serviços públicos de qualidade, passaram a ser adotadas técnicas da gestão privada. Os conceitos de eficiência, eficácia e efetividade passaram a fazer parte do vocabulário de todo administrador público.

Muitas questões cobram este aspecto da aplicação das técnicas de gestão privada no setor público. Na esmagadora maioria das vezes, elas são sim aplicáveis – é óbvio que devem haver algumas adaptações. Assim, pode-se aplicar no setor pública a reengenharia, a qualidade total, a gestão por competências, o planejamento estratégico, os investimentos sob uma perspectiva de custo-benefício, o benchmarking, a análise SWOT, entre outras.

Entre as teorias que buscaram estudar as mudanças da administração pública com a crise fiscal está a do Empreendedorismo Governamental, de David Osborne e Ted Gaebler. Eles buscaram analisar as diversas iniciativas de administrações públicas dos EUA, principalmente municipais, que demonstram que o Estado poderia eliminar a burocracia, superando a crise que se instalara em todo o mundo.

Uma coisa importante em relação ao conceito de governo empreendedor é não confundir com governo empresário. O verdadeiro significado da palavra empreendedor é bem mais amplo. Segundo os autores, ela foi usada inicialmente por volta do ano 1800, para se referir àquele que “movimenta recursos econômicos de um setor de menor produtividade para um outro de

maior produtividade e melhor rendimento”.

Em

outras

palavras,

o

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empreendedor emprega recursos de novas formas, para maximizar a produtividade e a eficiência.

Esta definição se aplica igualmente ao setor privado, ao setor público e ao setor voluntário. Superintendentes e diretores escolares dinâmicos usam recursos de novas formas para maximizar a produtividade e a eficiência das escolas. Os gerentes de aeroportos inventivos fazem o mesmo. Quando queremos identificar instituições do setor público que sejam empreendedoras, olhamos para as que usam constantemente seus recursos de novos modos, para aumentar sua eficiência e sua efetividade.

A

partir

desta

noção

de

que

empreendedor

não

é

a mesma

coisa que

empresário, os autores defendem que não se pode “governar como quem administra uma empresa”. Segundo os autores:

Assim, quando os autores defendem um governo empreendedor, não estão dizendo que o Estado deve ser administrado como uma empresa. Eles afirmam que:

O governo é uma instituição fundamentalmente diferente da empresa. Os empresários são movidos pela busca do lucro; as autoridades governamentais se orientam pelo desejo de serem reeleitas. As empresas recebem dos clientes a maior parte dos seus recursos; os governos são custeados pelos contribuintes. As empresas normalmente trabalham em regime de competição; os governos usam habitualmente o sistema do monopólio.

Aqui já podemos enumerar algumas diferenças entre a gestão pública e

a

gestão privada. diretrizes.

A

primeira delas é

a motivação daqueles que

definem as

A motivação das autoridades públicas é a reeleição, dos empresários é o lucro.

Podemos ver que eles reformularam um pouco a principal diferença entre a gestão pública e a privada. Aqui, o governo não busca o interesse público, mas sim a reeleição.

Isto

faz

com

que

os

“investimentos” da gestão pública sigam uma lógica

diferente da gestão privada, inclusive no que se refere ao risco. Outra diferença entre a gestão pública e a privada citada pelos autores é que:

As empresas recebem seus recursos dos clientes, enquanto o governo recebe por meio de impostos.

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Assim, enquanto nas empresas os clientes têm a possibilidade de se retirarem no momento que quiserem, os contribuintes continuam pagando impostos mesmo que insatisfeitos. Vimos que os governos são pouco orientados pelos seus “clientes”, enquanto as empresas focam suas energias em tentar satisfazê-los. A Gestão da Qualidade Total, que ganhou muita força na gestão privada na segunda metade do Século passado, tem como uma das suas maiores inovações a mudança no conceito de qualidade, que deixou de ser a conformidade com o projeto, o produto sem defeitos, para ser considerada como aquilo que o cliente enxerga no produto, se ele fica satisfeito ou não. Assim, um produto sem defeitos não significa que será um produto de qualidade.

A razão pela qual os órgãos públicos não são orientados pelos “clientes” está justamente no fato de não receberem seus recursos diretamente dos clientes, mas sim do Executivo e do Legislativo. A consequência é que os gestores públicos se preocupam em agradar mais a estes entes do que aos seus verdadeiros clientes, a população. Soma-se a isso o fato de não haver alternativas a que a sociedade possa recorrer quando estiver insatisfeita com determinado serviço. Se alguém não gostar do serviço do DETRAN, não há nenhum outro órgão ou empresa que emite carteiras de motoristas. Esta é outra diferença colocada pelos autores:

As empresas normalmente trabalham em regime de competição; os governos usam habitualmente o sistema do monopólio.

O Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado também traça algumas diferenças entre a administração gerencial e a administração de empresas:

A administração pública gerencial inspira-se na administração de empresas, mas não pode ser confundida com esta última. Enquanto a receita das empresas depende dos pagamentos que os clientes fazem livremente na compra de seus produtos e serviços, a receita do Estado deriva de impostos, ou seja, de contribuições obrigatórias, sem contrapartida direta. Enquanto o mercado controla a administração das empresas, a sociedade - por meio de políticos eleitos - controla a administração pública. Enquanto a administração de empresas está voltada para o lucro privado, para a maximização dos interesses dos acionistas, esperando-se que, através do mercado, o interesse coletivo seja atendido, a administração pública gerencial está explícita e diretamente voltada para o interesse público.

A primeira diferença a que o PDRAE se refere é a mesma que vimos acima: as empresas recebem seus recursos dos clientes e os governos dos impostos. A

terceira

diferença também

foi

vista,

que

é

o

fato

de

a

motivação das

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empresas ser o lucro e da administração pública o interesse público. Há uma diferença que não foi falada antes:

O controle das empresas é feito pelo mercado; o da administração pública é feito pela sociedade mediante políticos eleitos;

Podemos dizer até que o controle da administração pública não passa necessariamente pelos políticos. O controle social é uma das bandeiras da administração gerencial. Atualmente existem diversos instrumentos que permitem que a sociedade realize o controle social da administração pública, como os conselhos gestores, as ações judiciais como a ação popular e o mandado de segurança coletivo, as ouvidorias, etc.

Esta necessidade de controle implica em outra diferença, que é o rigor com que se devem tratar questões como a transparência na administração pública. A administração privada, fora as sociedades anônimas e outros tipos de sociedades que devem obedecer a regras de governança corporativa, não precisar motivar nem divulgar que medidas adota para atingir seus objetivos. Os princípios constitucionais da administração pública, assim como outros princípios administrativos, são bastante cobrados quando falamos em diferenças entre a gestão pública e a gestão privada, já que eles determinam limites para a atuação dos gestores públicos. Veremos alguns destes princípios mais a frente.

O Programa Qualidade e Participação na Administração Pública, lançado também no Governo FHC, trazia algumas diferenças entre a gestão pública e a privada no que se refere à qualidade. Segundo o Programa:

O esforço de implantar a qualidade no campo da Administração Pública apresenta algumas especificidades decorrentes da natureza da atividade pública, ausentes no setor privado, que desaconselha a mera reprodução, para o setor público, das diretrizes e ações adotadas na absorção da metodologia no setor privado. As principais diferenças são:

as finalidades principais das atividades de caráter privado são o lucro e a sobrevivência em um ambiente de alta competitividade, enquanto os objetivos da atividade pública são imbuídas do ideal democrático de prestar serviços à sociedade, em prol do bem-estar comum;

a preocupação em satisfazer o cliente no setor privado é baseada no interesse, enquanto no setor público essa preocupação tem que ser alicerçada no dever;

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o

cliente

atendido,

no

setor

privado,

remunera

diretamente

a

organização, pagando pelo serviço recebido ou pelo produto adquirido;

no setor público, o cliente

atendido, paga indiretamente, pela via do

imposto, sem qualquer simetria entre a quantidade e a qualidade do

serviço recebido e o valor do tributo que recolhe.

 

as políticas voltadas para a Qualidade no setor privado referem-se a metas de competitividade no sentido da obtenção, manutenção e expansão de mercado; enquanto no setor público, a meta é a busca da excelência no atendimento a todos os cidadãos, ao menor custo possível;

as diferentes contingências a que estão submetidos os dois setores, como, por exemplo, limites de autonomia estabelecidos pela legislação e o perfil da clientela.

O atual programa de qualidade do governo brasileiro, o Gespública, afirma que:

O Modelo de Excelência em Gestão Pública foi concebido a partir da premissa de que a administração pública tem que ser excelente sem deixar de considerar as particularidades inerentes à sua natureza pública.

Depois ele enumera as diferenças entre a gestão pública e a privada:

Enquanto as organizações do mercado são conduzidas pela autonomia da vontade privada, as organizações públicas são regidas pela supremacia do interesse público e pela obrigação da continuidade da prestação do serviço público.

O controle social é requisito essencial para a administração pública contemporânea em regimes democráticos, o que implica em garantia de transparência de suas ações e atos e na institucionalização de canais de participação social, enquanto as organizações privadas estão fortemente orientadas para a preservação e proteção dos interesses corporativos (dirigentes e acionistas).

A administração pública não pode fazer acepção de pessoas, deve tratar a todos igualmente e com qualidade. O tratamento diferenciado

restringe-se

apenas

aos casos

previstos

em

lei.

Por

outro

lado,

as

organizações

privadas

utilizam

estratégias

de

segmentação de

“mercado”,

estabelecendo

diferenciais

de

tratamento

para

clientes

preferenciais.

As organizações privadas buscam o lucro financeiro e formas de garantir a sustentabilidade do negócio. A administração pública busca gerar valor para a sociedade e formas de garantir o desenvolvimento sustentável,

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sem

perder

de

vista

a

obrigação

de

utilizar os

recursos de

forma

eficiente.

 

A atividade pública é financiada com recursos públicos, oriundos de contribuições compulsórias de cidadãos e empresas, os quais devem ser direcionados para a prestação de serviços públicos e a produção do bem comum. A atividade privada é financiada com recursos de particulares que têm legítimos interesses capitalistas.

A

administração pública tem como destinatários de suas ações

os

cidadãos, sujeitos de direitos, e a sociedade, demandante da produção do bem comum e do desenvolvimento sustentável. A iniciativa privada

tem como destinatários de suas ações os “clientes” atuais e potenciais.

os

O conceito de partes interessadas no âmbito da administração pública é ampliado em relação ao utilizado pela iniciativa privada, pois as decisões públicas devem considerar não apenas os interesses dos grupos mais diretamente afetados, mas, também, o valor final agregado para a sociedade.

A administração pública tem o poder de regular e gerar obrigações e deveres para a sociedade, assim, as suas decisões e ações normalmente geram efeitos em larga escala para a sociedade e em áreas sensíveis. O Estado é a única organização que, de forma legítima, detém este poder de constituir unilateralmente obrigações em relação a terceiros.

A administração pública só pode fazer o que a lei permite, enquanto a iniciativa privada pode fazer tudo que não estiver proibido por lei. A legalidade fixa os parâmetros de controle da administração e do administrador, para evitar desviosde conduta.

Podemos ver nesta última diferença o princípio da legalidade. Ele é muito importante na distinção entre a gestão pública e a privada, o veremos daqui a pouco, junto com outros princípios administrativos.

  • 1.4 PARADIGMA DO CLIENTE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Outra distinção muito importante entre a gestão pública e a privada se refere à diferença entre os bens públicos e os bens privados.

O

bem público

se

caracteriza pelo

princípio da não-exclusão, o que

significa que o consumo de uma pessoa não exclui o consumo de outra. Os

bens privados são exclusivos: quando uma pessoa compra um carro, as outras

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não poderão usar esse mesmo veículo. Já nos bens públicos, se uma pessoa usa a segurança pública, as outras também usam.

No caso dos bens privados, somente aqueles que contribuem para sua aquisição podem desfrutá-lo; com os bens públicos, mesmo aqueles que não contribuíram vão poder utilizá-lo. Quem não paga impostos, vai ter proteção policial, limpeza nas ruas e iluminação pública do mesmo jeito.

Assim, como a pessoa vai ser beneficiada mesmo sem contribuir, surge a figura do free rider (carona). Quando alguém conta com a possibilidade de beneficiar-se da ação coletiva dos demais sem sofrer os custos da participação, tem um grande incentivo para se comportar isoladamente. Pode-se dizer, portanto, que o problema da ação coletiva aparece quando o interesse privado sobrepõe-se à obtenção do bem público.

Essa diferenciação é importante quando nos referimos ao chamado “paradigma do cliente na gestão pública”. Outra mudança importante do final do século passado, que veio com a administração gerencial, foi o fato de a administração pública passar a ver as pessoas como clientes dos serviços públicos que desejam qualidade, dentro do chamado consumerism.

A administração pública voltada para o cidadão-usuário tem origem ainda nos anos 80. Em 1987, a OCDE publicou um documento intitulado “Administration as Service, the Public as Client”, que traz alguns princípios gerais dessa nova administração. Segundo esse documento, os clientes devem saber como a administração funciona, o que a constrange, como é controlada e quem são os responsáveis. Além disso, a administração deve possibilitar a participação dos clientes, satisfazer suas necessidades e ser, ao máximo, acessível ao público.

A administração burocrática era auto-referida, ou seja, não olhava para fora da organização para saber qual eram as reais necessidades das pessoas. Havia a desconfiança tanto em relação aos servidores quanto em relação àqueles que lhe traziam demandas. A administração gerencial tenta mudar esta perspectiva, incorporando a visão do cliente à noção de qualidade no serviço público.

Assim como as empresas dão prioridade às necessidades de seus clientes, a administração pública também deve atender às necessidades dos cidadãos. Ela deve prestar serviços públicos de qualidade, da mesma forma que as empresas. As limitações impostas ao setor público não justificam a falta de qualidade.

Na fase mais recente, o entendimento de que o usuário do serviço deve ser visto como cliente-consumidor perdeu força, principalmente porque a idéia de

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consumidor poderia levar a um atendimento melhor para alguns e pior para outros, num universo em que todos têm os mesmos direitos. É possível perceber isso quando levamos em consideração que clientes melhores organizados e estruturados teriam mais poder para pleitear mais ou melhores serviços, culminando em prejuízo para os menos estruturados.

A crítica mais geral é direcionada ao conceito de consumidor de serviços públicos. Em primeiro lugar, com relação à diferença que existe entre o consumidor de bens no mercado e o “consumidor” dos serviços públicos. É mais complexa a relação do prestador de serviço público com a sociedade, já que ela não obedece ao puro modelo de decisão de compra vigente no mercado. Aliás, há determinados serviços públicos cujo caráter é compulsório, isto é, não existe a possibilidade de escolha, como provam a utilização em determinados momentos dos hospitais e dos serviços policiais.

Por isso, nesta abordagem é preferível o uso do conceito de cidadão, que ao invés de buscar a sua satisfação, estaria voltado para a consecução do bem- comum. Além disso, deve-se buscar a equidade, ou seja, o tratamento igual aos iguais e o tratamento desigual aos desiguais. Assim, as pessoas não devem ser vistas apenas como clientes, em que aqueles que possuem mais recursos recebem mais. Deve-se privilegiar justamente aqueles que mais precisam, dando tratamento diferenciado.

É por isso que defende-se que o Estado Mínimo não é viável, pois, apesar do mercado ter suas vantagens em termos de eficiência, não olha para a equidade. Segundo Humberto Falcão Martins e Caio Marini, é preciso que haja um equilíbrio entre Estado, mercado e terceiro setor. Para os autores:

O Estado promove equidade, mas é menos eficiente. Enfraquecê-lo em detrimento das demais esferas pode levar à baixa capacidade de governo, fortalecê-lo pode levar ao estatismo dirigista e formas autoritárias perversas.

O mercado é virtuoso em eficiência, mas insensível em equidade. enfraquecê-lo em detrimento das demais esferas pode levar à ineficiência e perda de competitividade, fortalecê-lo pode levar a formas perversas de “mercado livre”, concentração e “capitalismo selvagem”.

O terceiro setor é virtuoso porque é o domínio do valor, da causa, provendo meio de expressão de iniciativas comunitárias e cidadãs essenciais à afirmação da identidade cívica, mas sua natureza não é a regra de direito. Fortalecê-lo em detrimento das demais esferas pode gerar formas anômicas de atuação paroquial ou formas perversas de comunitarismo excessivo, enfraquecê-lo pode levar a negligência de comunidades e identidades.

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Além da equidade, outro princípio importante na Administração Pública é o da Accountability. Não há tradução do termo para o português. Alguns autores afirmam que isto se deve a pouca qualidade de nossa democracia em comparação com as anglo-saxãs. Alguns traduzem o termo como responsabilização, outros como dever de prestar contas, mas nenhum destes termos consegue abarcar todos os sentidos presentes na accountability. Ela abrange pelo menos três aspectos:

O agente público administra bens pertencentes a terceiros, por isso te a obrigação de prestar contas desta administração.

O segundo aspecto é a responsabilização. O agente deve responder pelos seus atos, tanto em termos de legalidade quanto de resultados. A administração gerencial mudou o foco do controle a priori sobre os processos para ser a posteriori de resultados, por isso o administrador público responde não só em termos de legalidade, mas também em termos de eficiência, eficácia e efetividade.

A responsividade refere-se à sensibilidade do agente em à vontade do principal. Assim, na administração pública, as decisões do governo devem ter como finalidade sempre o interesse público, seguindo o princípio da impessoalidade.

  • 1.5 PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS

Veremos agora alguns dos princípios que têm importância neste tema das convergências e diferenças entre a gestão pública e a gestão privada.

  • a) Princípio da Legalidade

Segundo o princípio da legalidade, a Administração só pode fazer o que a lei permite. Este conceito diverge da aplicação do princípio da legalidade na relação entre particulares (princípio da autonomia das vontades), que podem fazer tudo aquilo que a lei não proíbe, segundo o inciso II do art. 5º da CF:

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

Aqui temos uma das diferenças mais importantes da gestão pública para a gestão privada. Segundo Hely Lopes Meirelles:

A

eficácia

de

toda

atividade

administrativa

está

condicionada

ao

atendimento da lei. Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei

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não proíbe, na Administração Pública autoriza.

é

permitido fazer o que

a

lei

Assim, para os administrados, o princípio da legalidade possui uma conotação negativa, já que os particulares são autorizados desempenhar todos os comportamentos para os quais não exista expressa proibição em lei. No caso da Administração Pública, o princípio tem uma conotação positiva, pois a ausência de norma proibitiva não é suficiente para que determinados comportamentos possam ser exercidos, é preciso que haja uma lei que a autorize a agir (nas competências discricionárias) ou que determine que o faça (nas competências vinculadas).

Toda ação administrativa apresenta-se como exercício de um poder atribuído previamente pela lei e por ela é construído e delimitado. O que legitima a ação administrativa é retirar seu fundamento de uma lei anterior. O pessoal do Direito gosta muito dos termos em latim. Michel Stassinopoulos afirma que:

A lei não é apenas o limite do ato administrativo, mas a sua condição e a sua base. Em um Estado de Direito, a Administração não se encontra

apenas impossibilitada de agir contra legem ou obrigada a agir sempre secundum legem.

praeter legem, mas

é

O que ele quis dizer é que não basta que a atividade administrativa não seja contra a lei (contra legem) ou além da lei (praeter legem), é preciso que ela seja segundo a lei (secundum legem).

Vimos acima que pode haver competências discricionárias. É praticamente impossível que a lei atinja todos os vários aspectos de uma atividade administrativa. Quando ela faz isso, dizemos que o poder da Administração é vinculado, porque a lei não deixa opções. A lei estabelece que, diante de determinados requisitos, a Administração deve agir de tal ou qual forma. Nos casos em que a lei não atinge todos os aspectos da atuação administrativa, quando ela deixa certa margem de liberdade de decisão para autoridade no caso concreto, dizemos que o poder da Administração é discricionário. Diante de uma situação, a Administração poderá optar por uma dentre várias soluções possíveis, todas válidas perante o direito.

José dos Santos Carvalho Filho, o poder discricionário como

A prerrogativa concedida aos agentes administrativos de eleger, entre várias condutas possíveis, a que traduz maior conveniência e oportunidade para o interesse público.

Quando falamos em conveniência e oportunidade, estamos nos referindo onde que é possível a discricionariedade. A discricionariedade pode ainda residir no conteúdo do ato. Um primeiro aspecto ao qual concerne a discricionariedade é

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o momento da prática do ato. Se a lei nada estabelece, a Administração escolhe o momento que lhe pareça mais adequado para atingir a consecução de determinado fim. Aqui temos a oportunidade.

A discricionariedade ainda pode dizer respeito a uma escolha entre o agir e o não agir. Quando há um ilícito administrativo, a Administração atua de forma vinculada, é obrigada a agir, a apurar o ilícito. No entanto, depois de realizada a licitação, a Administração pode ou não celebrar o contrato, ou revogar a licitação, segundo razões de interesse público devidamente demonstradas. Aqui temos a discricionariedade sob a forma da conveniência.

Com relação ao conteúdo, ou objeto, o ato será vinculado quando a lei estabelecer apenas um objeto possível para atingir determinado fim. Por exemplo, quando a lei prevê uma única penalidade possível para punir uma infração. Será discricionário quando houver vários objetos possíveis. É o que ocorre quando a lei diz que, para uma determinada infração, a Administração pode punir com as penas de suspensão ou multa.

Nos casos de discricionariedade, o Judiciário não pode atuar sobre o mérito, ou seja, sobre o tripé visto acima: conveniência, oportunidade e conteúdo. No entanto, o Judiciário poderá fazer o controle da discricionariedade, é aqui que entram os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade.

O princípio da razoabilidade aplica-se na aferição da legitimidade de atos discricionários, em especial daqueles que estabelecem limitações ou condicionamentos ao exercício de direitos ou atividades individuais, impõem obrigações ou aplicam sanções. Ele acabou dividido em três subprincípios: a adequação, a necessidade e a proporcionalidade em sentido estrito.

A adequação traduz uma exigência de compatibilidade entre o fim pretendido pela norma e os meios por ela enunciados para sua consecução. A necessidade diz respeito ao fato de a medida restritiva de direitos ser indispensável à preservação do próprio direito por ela restringido ou a outro em igual ou superior patamar de importância, isto é, o ato que restringe direito só deve ser edita se for indispensável. Por último, o subprincípio da proporcionalidade em sentido estrito diz respeito à valoração entre o direito que está sendo protegido em comparação com o que está sendo restringido. O juízo de proporcionalidade permite um equilíbrio entre o fim almejado e o meio empregado, ou seja, o resultado obtido com a intervenção na esfera de direitos do particular deve ser proporcional à carga coativa da mesma.

Vamos ver um exemplo. Para acabar com os congestionamentos em uma via, a prefeitura decide alargá-la. Mas, para isso, terá que utilizar parte dos terrenos que estão ao longo da via, desapropriando-os. O ato será adequado

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se está medida for realmente a melhor solução para o trânsito, se ela realmente vai reduzir os congestionamentos. Talvez a solução fosse retirar os semáforos. O ato é necessário se há realmente congestionamentos e isso prejudica a qualidade de vida da população. Por fim, será proporcional se a parcela dos terrenos não exceder ao necessário. Assim, se uma desapropriação de um metro é suficiente, será desproporcional uma desapropriação de três metros.

  • b) Princípio da Supremacia do Interesse Público sobre o Privado

Este

é

outro

princípio

importante

na distinção

entre

a gestão pública

e

a

privada. É um princípio implícito, que não é objeto de qualquer norma expressa de caráter geral (ele atualmente é citado no art. 2º da Lei 9.784/99, aplicável na esfera federal). A própria razão de existir da Administração é a busca dos interesses públicos, e para cumprir a contento sua missão é necessário assegurar que esses interesses, porque pertinentes a toda a coletividade, prevaleçam sobre os interesses privados de seus membros. É o princípio que distingue o Direito Administrativo dos demais ramos, no disciplinamento das relações jurídicas.

É justamente essa a essência do princípio: a Administração atua voltada aos interesses da coletividade, aos interesses mais básicos e relevantes do corpo social. Logo, deve gozar de superioridade perante os administrados, como medida indispensável para assegurar a prevalência desses interesses, os interesses públicos, sobre os interesses privados dos membros da coletividade. Tais considerações fazem com que nossa doutrina amplamente majoritária este princípio como o princípio fundamental do regime jurídico-administrativo.

Este princípio serve de fundamento para todas as prerrogativas administrativas, os poderes conferidos por lei à Administração que lhe asseguram uma posição de superioridade perante o administrado, quando e enquanto age na busca do interesse público. Entre as principais prerrogativas administrativas, podemos citar:

Os

atributos dos atos administrativos, a exemplo

da presunção

de

legitimidade e veracidade, da auto-executoriedade e da imperatividade;

As cláusulas exorbitantes dos contratos administrativos, a exemplo dos poderes de alteração unilateral do contrato e de rescisão unilateral do contrato;

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As diversas formas de intervenção do Estado na propriedade privada, dentre as quais podemos citar a desapropriação, a servidão administrativa, o tombamento, a requisição administrativa, a ocupação temporária e as limitações administrativas.

  • c) Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público

Para Celso Antonio Bandeira de Mello, este é um dos dois princípios basilares do Direito Administrativo, juntamente com a Supremacia do Interesse Público. Enquanto este princípio está ligado às prerrogativas da Administração que fazem com que ela seja preponderante numa relação com os administrados, o princípio da indisponibilidade do interesse público está ligado às sujeições da Administração. É mais um princípio implícito.

A Administração tem o dever de defender o interesse público. Não é uma faculdade sua escolher se irá praticar um ato ou não que tenha como objetivo a satisfação do interesse público. O que nós denominamos como poderes da Administração (hierárquico, de polícia, etc.) são na realidade poderes-deveres. Sempre que a finalidade, o interesse público previsto em lei o requerer, são eles de utilização obrigatória para o agente.

Esta é a aplicação mais importante do princípio da indisponibilidade do interesse público: sempre que a ordem jurídica confere a um agente público um poder, o faz tendo em vista dada finalidade; presente esta, tal poder é de exercício obrigatório para o agente. As questões, além de poder-dever, chamam isto de caráter instrumental dos poderes administrativos e aspecto dúplice dos poderes administrativos.

A segunda aplicação deste princípio é a indisponibilidade dos bens públicos. Qualquer aplicação dos recursos financeiros, qualquer utilização dos bens públicos, deve-se voltar para o interesse previsto em lei. Destinação contrária à lei, desvirtuada de qualquer interesse legítimo, caracteriza ato ilícito.

O princípio é a justificativa para todas as sujeições administrativas, as limitações e restrições impostas por lei à Administração com o intuito de evitar que ela atue de forma lesiva aos interesses públicos ou de modo ofensivo aos direitos fundamentais dos administrados. Sempre que estivermos perante uma regra imposta à Administração e que limita seu comportamento, comparativamente ao dos particulares, estaremos perante uma sujeição administrativa, a qual tem seu fundamento o princípio da indisponibilidade do interesse público. Exemplos de sujeições é a necessidade de concurso público para contratação de pessoal, as licitações, entre outros.

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Uma quarta interpretação

do

princípio

é

o

impedimento imposto à

Administração de transferir aos particulares os direitos relacionados aos

interesses públicos que a lei lhe encarregou de defender (Bandeira de Mello

inclusive

trata

a

matéria

como

um

princípio

à

parte,

o

princípio

da

inalienabilidade dos direitos concernentes a interesses públicos).

 

d)

Princípio da Eficiência

 

O princípio da eficiência não

estava

na redação

original

do

art.

37,

ele

foi

incluído pela Emenda Constitucional 19/98. Hely Lopes Meireles fala na

eficiência como um dos deveres da Administração Pública, definindo-o como:

O que se impõe a todo agente público de realizar suas atribuições com presteza, perfeição e rendimento funcional. É o mais moderno princípio da função administrativa, que já não se contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros.

O princípio da eficiência pode ser considerado em dois sentidos diversos: pode ser considerado em relação ao modo de atuação do agente público, do qual se espera o melhor desempenho possível de suas atribuições, para lograr os melhores resultados; e em relação ao modo de organizar, estruturar e disciplinar a Administração Pública, também com o mesmo objetivo de alcançar os melhores resultados na prestação do serviço público.

No primeiro sentido, o princípio impõe aos agentes públicos uma atuação célere e tecnicamente adequada, sempre objetivando um melhor desempenho das suas atribuições. As principais aplicações do princípio são: a avaliação especial de desempenho do servidor ocupante de cargo efetivo, requisito para a aquisição da estabilidade; a avaliação periódica de desempenho, nova hipótese de perda do cargo para o servidor estável; e o concurso público, procedimento de adoção obrigatória para o preenchimento de cargos efetivos e empregos públicos.

Ainda num terceiro possível sentido, o princípio da eficiência consagra o princípio da economicidade, impondo à Administração uma atuação sob uma adequada relação custo/benefício, visando sempre à obtenção de um máximo de benefícios com um mínimo de despesas. Com o menor gasto possível os melhores resultados possíveis, tanto em termos quantitativos como qualitativos.

Vamos ver uma questão do CESPE.

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1. (CESPE/AGU/2004) A transparência e a desburocratização são, entre outras, obrigações do Estado decorrentes do princípio da eficiência.

Esta questão foi dada como CERTE. Neste concurso o CESPE fez algo que deveria fazer em todos os demais: explicou não só porque alterou ou anulou questões, mas também porque manteve o gabarito de algumas que foram alvo de recursos. A justificativa para a manutenção deste gabarito foi:

As características

citadas na

assertiva

são

do

princípio

da eficiência,

apontadas por Alexandre de Moraes, Direito Constitucional, 15.ed. São Paulo: Atlas, 2004, pp. 321-322. O fato de a transparência ser também característica do princípio da publicidade não invalida a veracidade da assertiva, como também a existência de outras características do princípio da eficiência não a invalida, uma vez que esta traz a expressão “entre outras”.

Segundo Alexandre de Moraes, o princípio da eficiência

é aquele que impõe à Administração Pública direta e indireta e a seus agentes a persecução do bem comum, por meio do exercício de suas competências de forma imparcial, neutra, transparente, participativa, eficaz, sem burocracia e sempre em busca da qualidade, primando pela adoção dos critérios legais e morais necessários para a melhor utilização possível dos recursos públicos, de maneira a evitar-se desperdícios e garantir-se uma maior rentabilidade social.

Portanto, devemos entender que a transparência é decorrência também do princípio da eficiência. Isso deveria ser estendido então a tudo que o Alexandre de Moraes falou em relação ao princípio da eficiência: imparcial, neutra, participativa, eficaz, sem burocracia e sempre em busca da qualidade. Mas nem sempre é assim. Vejamos a próxima questão:

2. (CESPE/MPE-AM/2007)

Fere

o

princípio

da

eficiência a

atitude praticada pelo prefeito de uma cidade do interior que, com o objetivo de valorizar sua propriedade, abre processo de licitação para asfaltar a estrada que liga a cidade à sua

fazenda.

Esta questão foi dada como ERRADA. Contudo, se formos seguir a lógica do Alexandre de Moraes, esta atitude seria sim contrária ao princípio da eficiência, já que não é imparcial.

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Para Paulo Modesto:

Eficiência, para

fins

jurídicos,

não

é

apenas

o

razoável

ou

correto

aproveitamento dos recursos e meios disponíveis em função dos fins prezados. A eficiência, para os administradores, é um simples problema de otimização de meios; para o jurista, diz respeito tanto à otimização dos meios quanto à qualidade do agir final.

Outro ponto importante é que o princípio da eficiência não pode sobrepor-se aos demais, especialmente ao da legalidade, sob pena de sérios riscos à segurança jurídica e ao próprio Estado de Direito. Dessa forma, não se pode identificar a eficiência como algo fora da legalidade, mas sim como uma nova versão, que enfatiza o elemento discricionário, conferindo ao administrador a utilização de critérios subjetivos de apreciação baseados em conveniência e oportunidade. Modesto acredita que o princípio da eficiência pode ser percebido como componente da própria legalidade, percebida sob ângulo material e não formal.

Além do princípio da eficiência no art. 37, temos também a economicidade, no art. 70, que trata do controle externo:

Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.

Enquanto a eficiência olha para a relação custo e produto, a economicidade vê só o custo. Segundo Lei Orgânica do TCU (Lei 8.142/1990):

Art. 58. O Tribunal poderá aplicar multa de Cr$ 42.000.000,00 (quarenta e dois milhões de cruzeiros), ou valor equivalente em outra moeda que venha a ser adotada como moeda nacional, aos responsáveis por:

III - ato de gestão ilegítimo ou antieconômico de que resulte injustificado dano ao Erário;

Muitas questões tentam dizer que o gestor público, devido Às imposições legais, não precisa ter eficiência e economicidade. Ele não só pode perseguir tais princípios, como é uma obrigação.

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2 Comunicação na Gestão Pública

Um professor em Harvard uma vez pediu à classe que, por meio de desenhos, definisse comunicação. A maioria dos alunos desenhou um gerente falando ou escrevendo. Alguns colocaram balões de fala perto de seus personagens; outros mostraram páginas voando de uma impressora a laser. “Não”, disse o professor, “nenhum de vocês conseguiu captar a essência da comunicação”. Ele continuou a explicar que comunicação significa “compartilhar” – não “falar” ou “escrever”.

Richard Daft define comunicação como:

Processo pelo qual as informações são transmitidas ou entendidas por duas ou mais pessoas, geralmente com a intenção de motivar ou influenciar o comportamento.

No concurso da Paraná Previdência, de 2002, O CESPE disse:

“O processo de comunicação é a base do atendimento. A comunicação pode ser definida como o processo de passar informação e compreensão de uma pessoa para outra. Toda comunicação envolve pelo menos duas pessoas: a que envia e a que recebe. Para que haja comunicação utiliza-se um processo que contém no mínimo quatro elementos:

emissor ou fonte de comunicação – pessoa que elabora a mensagem, tendo como objetivo atingir o receptor; mensagem – o que se quer transmitir; canal – meio utilizado para transmitir a mensagem;

receptor ou destino da mensagem – pessoa para quem é enviada a mensagem”.

No entanto, estes quatro componentes não são os únicos no processo de comunicação. O processo de Comunicação ocorre quando o emissor (ou codificador) emite uma mensagem (ou sinal) ao receptor (ou decodificador), através de um canal (ou meio). O receptor interpretará a mensagem que pode ter chegado até ele com algum tipo de barreira (ruído, bloqueio, filtragem) e, a partir daí, dará o feedback ou resposta, completando o processo de comunicação. Podemos observar estes elementos na figura abaixo.

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FONTE Mensage m a ser Codificação da
FONTE
Mensage
m a ser
Codificação
da
RECEPTOR Canal Mensage Mensagem m decodificad
RECEPTOR
Canal
Mensage
Mensagem
m
decodificad
Ruído Feedback
Ruído
Feedback
  • a) Código: é o conjunto de sinais e regras que permite transformar o pensamento em informação que possa ser entendida, na sua globalidade, pelo receptor. O emissor utiliza o código para construir a sua mensagem -operação de codificação - (é capaz de construir mensagens com significado e que sejam entendidas pelo receptor), enquanto que o receptor utiliza esse mesmo código para compreender a mensagem – o receptor decodifica a mensagem (é capaz de interpretar a mensagem, compreendê-la, dar-lhe um significado).

  • b) Contexto: é o conjunto de variáveis que rodeiam e influenciam a situação de comunicação.

  • c) Ruído: Inclui tudo aquilo que perturba ou distorce o processo de comunicação. Os ruídos que adulteram a comunicação podem surgir em qualquer altura do processo e se tornam barreiras para uma comunicação eficaz. Em comunicação, um ruído é tanto um barulho (fisicamente perceptível), como uma ideia ou sentimento que esteja perturbando a eficácia do processo comunicacional. Exemplos de possíveis fontes de ruído incluem problemas de percepção, excesso de informações, dificuldades semânticas ou diferenças culturais. Quanto mais ruído, menos informações podem ser transmitidas.

  • d) A redundância é um recurso que pode ser usado para anular ruídos. Redundância é todo o elemento da mensagem que não traz nenhuma informação nova. É um recurso utilizado para chamar à atenção e eliminar possíveis ruídos. Nesse sentido, devem-se repetir frases e informações julgadas essenciais à compreensão do receptor.

CUR RSO ON-L LINE – A ADM PÚB LICA EM

M EXERCÍ ÍCIOS – A AFRFB E E AFT

PRO OFESSOR R: RAFAE EL ENCIN NAS

  • e) En tropia eq uivale à desordem

m. Quand o há mui ta inform

mação e o receptor r

tem m um gr rau de i nterpreta ação mui to alto,

podendo

distorce er o real

sen ntido do q que receb be, dizem mos que a entropia é alta.

 
  • f) ou

Fee edback:

info rmação

de

retor rno:

feed dback

é

traduzid do como o

re troalimen ntação. É

o que pe ermite afe erir a efic cácia da c comunica ação e de e

qu e forma

a mens sagem es stá cheg ando ao

interloc utor. Se rve para a

cor rrigir def iciências ou equív vocos e re eforçar a

comuni cação. Fa avorece a

sin ntonia. O feedback k é a men nsagem que q é env viada ao e emissor e e que lhe e

tra ansmite

como as

suas com

municaçõ ões e atit tudes for ram perc cebidas e e

sen ntidas pe elo recep ptor. A

eficácia e d o feedba ack é tan nto maio r quanto o

ma aior for a confianç a existen nte entre os interv

enientes. .

Sem fee edback, a

com

municaçã ão é unila teral, com

m o feedb back, é bi lateral.

  • g) Ca nal: é o

transpor rtador da

informaç ção, pode e ser um

m relatório o formal, ,

um m telefone e, uma co onversa.

Quanto m

maior a quantidad

q

de de info ormações s

qu e podem ser trans smitidas durante

d

um

u

evento o de com municação , maior é é

a r riqueza do o canal. A A hierarqu uia da riq queza do canal é m mostrada na figura a

ab aixo:

C n sa s el fon ne r r t Cartas
C n sa s
el fon ne
r r
t
Cartas

A capaci dade do canal de informaç ção é infl uenciada

por três caracter ísticas: a

habilidad de de lida ar com dicas d mú ltiplas, a

habilida de de fa cilitar o

feedback k

rápido e e bilatera al e a h habilidade e de esta abelecer

um foco o pessoa l para a

comunica ação. A

discussão o face a

face fac cilita a a assimilaçã o de dic cas mais s

amplas e e profund das e o en ntendime nto emoc cional das s situaçõe es. A míd ia escrita

impessoa al, inclu uindo pa anfletos,

boletins s e rela atórios c computad dorizados s

padroniz zados, são o os mais s baixos na riquez za. Esses s canais n não estão o focados s

em um

único rec ceptor, u sam dica as limitad das de inf formação o e não permitem p

feedback k.

Prof. Rafa ael Encinas s

www.po ntodosco

oncursos.

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33 3

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A escolha de um canal depende de a mensagem ser rotineira ou não-rotineira.

As mensagens rotineiras costumam ser diretas e apresentar um mínimo de

ambiguidade. As não-rotineiras tendem a ser mais complicadas e podem levar

a um erro de entendimento. Os executivos podem comunicar mensagens

rotineiras eficientemente através de canais fracos em riqueza. Entretanto, a

comunicação de mensagens não rotineiras só será eficaz através de canais

ricos.

Barreiras a uma comunicação eficaz

Algumas coisas podem prejudicar o processo de comunicação, como o ruído

que vimos acima. São as barreiras a uma comunicação eficaz. Algumas dessas

barreiras são: divergências de valores e crenças, desinteresse, palavras

ambíguas, indisponibilidade física, como o cansaço, utilização de linguagem

que o outro não entende. Stephen Robbins enumera as seguintes barreiras

para uma comunicação eficaz:

Filtragem: A manipulação da informação pelo emissor para que ela seja

percebida de maneira mais favorável pelo receptor é a filtragem. Quando um

funcionário diz ao chefe exatamente o que ele quer ouvir, temos um caso de

filtragem. O mesmo também ocorre nos outros fluxos de comunicação. Quanto

maior o número de níveis organizacionais, mais oportunidades para a

ocorrência da filtragem.

Percepção Seletiva: ocorre quando o receptor vê e escuta seletivamente, com

base em suas próprias necessidades, motivações, experiências, histórico e

outras características pessoais. Os receptores também projetam seus

interesses e suas expectativas quando decodificam as mensagens. O

entrevistador que acredita que as mulheres sempre colocam a família antes do

trabalho, ao selecionar novos funcionários, verá essa tendência em todas as

candidatas, quer elas pensem dessa forma ou não.

Sobrecarga de Informação: ocorre quando temos que processar uma

quantidade de informação que excede nossa capacidade. Atualmente, as

demandas para atender e-mails, telefones, faxes, reuniões e leituras

profissionais aumentam o potencial da sobrecarga de informações. Quando as

pessoas têm mais informações do que conseguem processar, a tendência é

que elas selecionem, ignorem ou esqueçam informações. O resultado é a perda

de informações e comunicação menos eficaz.

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Defensividade: quando os indivíduos se sentem ameaçados, tendem a reagir

de tal forma, que dificulta o entendimento. Um exemplo é comunicação de

uma avaliação de desempenho.

Medo de Comunicação: ocorre quando as pessoas não conseguem se

comunicar de forma correta porque são tímidas, têm ansiedade. Isso pode

ocorrer tanto em apresentações para grandes grupos quanto nas conversas

com colegas de trabalho. Consequentemente, estas pessoas preferirão lançar

mão de faxes ou memorandos para transmitir suas mensagens quando um

simples telefonema seria muito mais rápido e adequado.

Emoção: A maneira como o receptor se sente no momento em que recebe a

mensagem vai influenciar sua maneira de interpretá-la. O mesmo ocorre com o

emissor, pois não é só o conteúdo da informação que influencia a interpretação

pelo receptor. Outras coisas também podem ter influência, como o gestual, as

expressões faciais, o tom de voz, coisas que são alteradas pela emoção.

Linguagem: Jargão é o modo de falar específico de um grupo, geralmente

ligado à profissão. Existe, por exemplo, o jargão dos médicos, o jargão dos

especialistas em informática, etc. Quando tanto o emissor quanto o receptor

entendem o jargão, a comunicação torna-se mais eficaz, já que ela pode ser

concisa e ágil. No entanto, se o receptor não esta familiarizado com os termos,

o jargão pode se tornar uma barreira à comunicação eficaz.

  • 2.1 COMUNICAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES

Vamos estudar agora como se dá a comunicação dentro das organizações,

olhando para a organização como um todo.

  • a) Direção da Comunicação

A maioria dos autores coloca que a comunicação nas organizações pode fluir

em dois sentidos: vertical e horizontal. O vertical ocorre entre níveis

hierárquicos diferentes, seguindo a cadeia de comando, do funcionário para o

chefe ou do chefe para o funcionário. Já o horizontal se dá entre membros de

um mesmo grupo ou de grupos do mesmo nível.

Atualmente, a tendência é que as organizações eliminem às barreiras à

comunicação, permitindo que todos se comuniquem entre si. Por isso alguns

autores estão acrescentando o sentido diagonal, ou transversal, quando a

comunicação ocorre entre unidades e níveis diferentes.

Podemos então resumir nos seguintes fluxos:

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  • a. Horizontal: realizado entre unidades organizacionais diferentes, mas do mesmo nível hierárquico.

  • b. Vertical: realizado entre níveis diferentes, más de mesma área de atuação.

  • c. Diagonal ou transversal: realizado entre unidades organizacionais e níveis diferentes;

Contudo, a questão não estará errada se

falar

que a comunicação nas

organizações se dá em três fluxos: ascendente, descendente e horizontal.

Esses são os canais formais de comunicação dentro da organização. Veremos

mais a frente que toda organização possui uma comunicação formal e outra

informal.

As comunicações ascendentes, para cima e para baixo, são as formas

primárias de comunicação usadas nas empresas mais tradicionais,

verticalmente organizadas. Contudo, o novo local de trabalho enfatiza a

comunicação horizontal, com as pessoas constantemente trocando informações

entre os departamentos e níveis.

A comunicação descendente flui dos níveis mais altos para os mais baixos. Ela

é usada pelos executivos e líderes para atribuir tarefas, fornecer instruções de

trabalho, informar aos subordinados sobre políticas e procedimentos,

identificar problemas que necessitam de atenção e fornecer feedback sobre

desempenho.

A comunicação ascendente é a que se dirige aos escalões mais altos do grupo

ou da organização. Ela é utilizada para fornecer feedback aos executivos,

informá-los sobre os progressos em relação às metas e relatar os problemas

que estão ocorrendo. A comunicação ascendente mantém os dirigentes

informados sobre como os funcionários se sentem em relação ao seu trabalho,

seus colegas e à organização em geral. Os executivos também contam com

este tipo de comunicação para obter ideias sobre como as coisas podem ser

melhoradas.

Stephen Robbins coloca que a comunicação horizontal, ou lateral, se dá entre

os membros de um mesmo grupo ou de grupos do mesmo nível, entre

executivos do mesmo nível ou entre quaisquer pessoas que estão em um nível

horizontal equivalente dentro da organização. Já Richard Daft inclui na

comunicação horizontal a diagonal, em que a comunicação não é

necessariamente entre unidades de mesmo nível.

A comunicação horizontal tem a vantagem de ganhar tempo e facilitar a

coordenação. Em alguns casos, essas relações horizontais são estabelecidas

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formalmente, mas, com frequência, elas são criadas informalmente para

provocar um curto-circuito na hierarquia vertical e agilizar a ação. Assim, a

comunicação horizontal pode ser, do ponto de vista dos dirigentes da empresa,

uma coisa boa ou ruim.

  • b) Comunicação Formal X Informal

Qualquer organização possui dois tipos de comunicação, a formal e a informal,

ambas ocorrem de maneiras diferentes.

A comunicação formal segue uma hierarquia dentro da empresa, respeitando

sua administração, valores e objetivos. O importante na comunicação formal é

o cuidado e a preocupação com os interlocutores na transmissão dos dados ou

das informações em questão para que se obtenha o sucesso no processo

desejado.

Já a comunicação informal não possui regra alguma, passando até mesmo por

cima dos níveis da autoridade. É por meio desta comunicação que o

funcionário transmite sua satisfação ou insatisfação em relação à instituição.

Um dos tipos de comunicação informal mais conhecido é o famoso “boato”, a

rádio corredor.

Embora

seja informal,

isso não

significa que não seja importante

para

a

organização. Ela não é controlada pela direção da empresa, mas é tida pela

maioria

dos

funcionários

como

mais

confiável

e

fidedigna

do

que

os

comunicados formais. Além disso, os dirigentes, apesar de não controlá-la,

podem utilizá-la a seu favor. Eles devem saber trabalhá-la para atingir seus

objetivos.

As redes formais na organização podem ser muito complexas. Elas podem

incluir, por exemplo, centenas de pessoas e dezenas de níveis hierárquicos.

Para simplificar, podemos condensar estas redes em pequenos grupos, em

alguns tipos comuns. Podemos dividir esses tipos em dois grupos: redes

centralizadas e descentralizadas. Nas primeiras, os membros da equipe

precisam se comunicar por meio de um indivíduo para resolver os problemas

ou tomar decisões. Já nas últimas, os indivíduos conseguem se comunicar

livremente com os outros membros da equipe. Eles processam as informações

igualmente entre si, até que todos concordem com uma decisão.

A rede em roda, depende do líder para agir como conduto central de toda a

comunicação do grupo. O líder centraliza as comunicações. Na rede em Y a

comunicação faz-se nos dois sentidos aos diversos níveis da hierarquia. Já na

rede em cadeia segue rigidamente a cadeia formal de comando, cada indivíduo

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comunica apenas com o que o antecede e o precede. Na comunicação em

círculo, o último indivíduo comunica com o primeiro.

Por fim, a rede de todos os canais permite que todos os membros do grupo se

comuniquem ativamente uns com os outros. É encontrada geralmente em

equipes autogerenciadas, nas quais todos os membros do grupo têm liberdade

para contribuir e ninguém assume o papel de líder.

Vamos ver figuras que descrevem estes tipos de rede.

Em Y
Em Y
Em Y
Em Y
Em Y
 

Cadeia

 

Roda

Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Círculo Todos os Canais

Círculo

Todos os Canais

   
 
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais
Em Y Cadeia Roda Círculo Todos os Canais

Nas redes Y e Roda, um dos participantes fica na posição central. Todas as

informações passam por ele e, por isso, chamamos de redes centralizadoras.

Alguns colocam a rede em cadeia como de centralização moderada, outros

como descentralizada, junto com a rede em círculo e a em todos os canais. As

redes em Cadeia e Círculo são descentralizadas, mas se os membros não

tiverem contato uns com os outros, pode haver isolamentos. No caso da rede

Círculo, se houver divisórias e cada elemento estiver na sua sala, sem

frequência na comunicação, não se torna a rede ideal.

As redes de comunicação centralizadas alcançam soluções mais rápidas para

os problemas simples. Os membros podem simplesmente passar informações

relevantes a uma pessoa central para uma decisão. As comunicações

descentralizadas são mais lentas para os problemas simples porque as

informações são passadas entre os indivíduos até que alguém finalmente junte

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as peças e resolva o problema. No entanto, para os problemas mais

complexos, as redes de comunicação descentralizadas são mais eficazes. Pelo

fato de as informações necessárias não estarem restritas a uma pessoa, o

grupamento de informações, por meio de comunicações mais espalhadas,

permite mais discussões para a solução.

A implicação para as organizações é a seguinte: em um ambiente global

altamente competitivo, as organizações usam as equipes para lidar com os

problemas complexos. Quando as atividades em equipe são complexas e

difíceis, todos os membros devem compartilhar as informações em uma

estrutura descentralizada que resolva os problemas. As equipes precisam de

um fluxo livre de comunicação em todas as direções.

Já os boatos caracterizam uma rede de comunicação informal. As pessoas

usam os boatos para preencher os espaços em branco e esclarecer decisões

administrativas. Segundo Robbins, a “rede de rumores” tem três

características: não é controlada pela direção da empresa, é tida pela maioria

dos funcionários como mais confiável e fidedigna do que os comunicados

formais vindos da cúpula da organização e são largamente utilizadas para

servir aos interesses pessoais dos que a integram. Contudo, estima-se que de

70 a 80% das informações na rede de boatos são exatas.

3 Gestão de Redes Organizacionais

As organizações estão

se

estruturando

de

uma

forma

inovadora,

as

organizações em rede. Esta é uma tendência não só nas empresas, mas na

sociedade como um todo. Manuel Castells escreveu uma Trilogia em que o

primeiro dos três livros é intitulado: “Sociedade em Rede - A Era da

informação: Economia, sociedade e cultura”. O autor descreve a sociedade

contemporânea como uma sociedade globalizada, centrada no uso e aplicação

de informação e conhecimento, cuja base material está sendo alterada

aceleradamente por uma revolução tecnológica concentrada na tecnologia da

informação e em meio a profundas mudanças nas relações sociais, nos

sistemas políticos e nos sistemas de valores.

Castells define rede como “um conjunto de nós interconectados”:

Redes são estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada,

integrando novos nós desde que consigam comunicar-se dentro da rede, ou

seja, desde que compartilhem os mesmos códigos de comunicação (por

exemplo, valores ou objetivos de desempenho). Uma estrutura social com

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base em redes é um sistema aberto altamente dinâmico suscetível de

inovação sem ameaças ao seu equilíbrio

As redes também são chamadas de estruturas reticulares ou policêntricas.

Reticulado se refere a qualquer coisa que tenha o formato de rede. Policêntrica

porque

a

rede

não

possui

um

centro

único, não há uma hierarquia

estabelecida.

 

Na citação de Castells acima, já podemos notar um ponto de interseção entre

os dois itens colocados conjuntamente pelo edital: “comunicação na gestão

pública e gestão de redes organizacionais”. Assim temos que entender como se

dá a relação dessas duas coisas.

Vamos dar uma olhada em uma questão do CESPE:

3. (CESPE/MCT/2004) Uma das características da gestão de

redes é a padronização das formas de relacionamento entre as

partes, de modo que possa haver um grau mínimo de

homogeneização de conhecimentos.

Vimos que Castells defende que os membros da rede devem compartilhar os

mesmos códigos de comunicação. A necessidade de compartilhar é a base da

formação das redes, tanto na natureza quanto na sociedade. Para Viviane

Amaral,

Trabalhar em rede traz grandes desafios pessoais e profissionais, pois a

evolução no domínio das técnicas de comunicação, o uso habilidoso e

criativo das ferramentas tecnológicas, a revolução cultural, a internalização

dos fundamentos não podem ser processos apenas individuais, têm que ser

coletivos.

No entanto, cada ator possui uma linguagem própria, modelos mentais, visões

de mundo, interesses e outras características particulares que dificultam a

comunicação e a compreensão mútua entre eles. Então, para que esses atores

possam se comunicar e trabalhar juntos, são necessárias muitas traduções,

que são difíceis e trabalhosas. Segundo Eni Aparecida:

É necessário um processo de homogeneização (coordenação e alinhamento)

da linguagem dos participantes da rede para que as traduções se tornem

mais fáceis e imediatas, facilitando a comunicação e o trabalho conjunto

No

entanto,

esta

padronização

não

está

relacionamento. Segundo a autora:

presente

nas

formas

de

De modo geral, a formação de redes, em seus diversos níveis e aplicações,

tem sido considerada, tanto na prática quanto na teoria, um mecanismo de

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flexibilização das relações entre as pessoas, capaz de potencializar o

compartilhamento de informação entre organizações e indivíduos e de

contribuir para a geração de conhecimento e inovação tecnológica

Assim, as redes têm como principal característica justamente a flexibilidade, a

não padronização das formas de relacionamento. Não deve haver uma pessoa

determinando como os demais devem se relacionar. Vimos acima as diferentes

redes de comunicação, e que a rede de todos os canais, que não cria barreiras

a comunicação, é a mais eficaz na solução de problemas complexos.

Além disso, o objetivo não é obter um grau mínimo de homogeneização do

conhecimento. Uma das vantagens das

redes é justamente

o

fato delas

permitirem que se reúna uma grande diversidade de conhecimentos

especializados em um espaço

soluções inovadoras.

dinâmico,

frutífero

para

o

surgimento de

Aqui estudaremos dois tipos de redes. Primeiro a formação de redes nas

empresas, nas organizações. As organizações estão se estruturando em forma

de rede tanto internamente quanto externamente. Veremos esses dois

aspectos. Depois, veremos a formação de redes de políticas públicas, ou seja,

a atuação do Estado em conjunto com outros atores da sociedade na

consecução de um objetivo da sociedade.

  • 3.1 ORGANIZAÇÕES EM REDE

A empresa hierarquizada e integrada verticalmente que, por vários anos,

caracterizou o modo de produção e gestão fordista está se mostrando cada vez

menos adequada no ambiente contemporâneo de negócios. Novas formas

organizacionais estão proliferando em várias indústrias e a rede é a

característica principal delas. Marco principal da nova era de informação, as

redes organizacionais baseiam-se em parceria e colaboração, e demandam

uma drástica mudança no comportamento gerencial.

O ambiente de negócios está mudando continuamente, e a incerteza e

turbulência o caracterizam cada vez mais. A empresa hierárquica integrada

verticalmente que caracterizou por vários anos o modo de produção e gestão

fordista, mostrou-se ineficiente frente às drásticas mudanças econômicas,

tecnológicas e institucionais. A extrema rigidez que a caracteriza, não é uma

característica adequada em condições de incerteza e altas variações.

Na

opinião

de

vários

autores,

as

redes organizacionais nascem como

consequência da coexistência de vários fatores. Em primeiro lugar, elas

nascem como resposta às drásticas mudanças ambientais que fazem crescer a

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necessidade de interdependência. A organização em larga escala integrada

verticalmente ou a empresa pequena isolada não conseguem a sobreviver

nesse ambiente altamente mutável e a rede apresenta-se como alternativa

viável. E, por fim, as características da tarefa que desempenha uma

organização também influenciam na ocorrência desse fenômeno. Em condições

de demanda de muitos recursos especializados, necessidade de processamento

de informação, estreito contato com os clientes e prevalência de trocas

baseadas em customização, a rede prolifera.

As empresas buscam uma maior capacidade de adaptação às mudanças, seja

através de redes estabelecidas com outras organizações, seja através de uma

maior flexibilidade interna.

As novas tecnologias de informação, apesar de não serem a causa dessas

mudanças, oferecem a infra-estrutura necessária para a emergência das redes

organizacionais. Elas fazem possível a integração das empresas ao longo da

rede.

Vejamos

agora

as redes que ocorrem internamente e externamente

às

organizações.

 
  • a) Intraorganizacionais X Interorganizacionais

As redes intraorganizacionais ocorrem dentro das organizações. A fim de

assimilar os benefícios da flexibilidade da rede, a própria empresa teve que se

converter em uma rede e dinamizar cada elemento de sua estrutura interna. A

principal mudança pode ser definida como a passagem da burocracia vertical à

empresa horizontal.

Os

primeiros

autores

que

alertaram

para esse

novo tipo

de

estrutura

organizacional foram Burns & Stalker. Eles apresentaram duas formas

extremas de organização e concluíram que o sistema mecanicista era o mais

apropriado para o ambiente estável, enquanto o orgânico mais indicado para

ambientes turbulentos.

Enquanto na burocracia é estabelecido um conjunto fixo de relações para

processar todos os problemas, são criados departamentos para desempenhar

determinadas atividades, a organização-rede molda a si mesma segundo a

ocorrência de cada problema específico. Não podemos mais falar em um tipo

de departamentalização específica, já que os funcionários são alocados em

diversos trabalhos diferentes, em equipes diferentes.

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A característica principal dessa organização é o seu grau de integração. Em um

tipo ideal de organização-rede, todos os membros são integrados. Grupos ou

categorias formais, alocação geográfica ou foco nos mercados específicos, não

são barreiras significativas para a interação. Relações interpessoais de todos os

tipos – comunicação formal, conselhos, socialização etc. – são estabelecidas

facilmente entre e dentro grupos ou categorias formais. Essas organizações

são mais adaptáveis aos ambientes complexos, variáveis e turbulentos, onde

se demanda flexibilidade.

A emergência de redes organizacionais é fortemente relacionada com esse

conceito de flexibilidade, geralmente utilizado para se referir a um conjunto de

capacidades e atribuições.

Já as redes interorganizacionais ocorrem na cooperação entre organizações

diferentes. Os termos “organização rede”, “formas rede de organização”, “rede

inter-empresas”, “redes organizacionais”, “especialização flexível” ou “quase-

empresas” têm sido frequentemente utilizados para se referir à coordenação

que se estabelece entre as empresas. Utiliza-se o conceito de “governança

rede”, que tem a ver com um conjunto selecionado, persistente e estruturado

de empresas autônomas (ou agências sem fins lucrativos) engajadas em criar

produtos ou serviços baseados em contratos implícitos e sem fim estabelecido,

para se adaptar às contingências ambientais, coordenar e proteger trocas.

Diante da necessidade de adaptação a esse ambiente de acirrada competição,

organizações em todo o mundo têm recorrido a estratégias colaborativas como

forma de adquirirem competências que ainda não possuem. A necessidade de

reunir recursos tem forçado as organizações a formar alianças cooperativas.

Isso implica mudanças na estratégia das organizações, que podem assumir

uma variedade de formas, entre elas a atuação em redes, que tem sido uma

efetiva resposta estratégica às pressões ambientais.

Castells traz como exemplos dessas novas formas interorganizacionais no

campo internacional: o modelo de redes multidirecionais aplicado por

pequenas e médias empresas; o modelo de produção baseado na franquia e

subcontratação sob a cobertura de uma grande companhia; as alianças

estratégicas das grandes empresas, que diferentemente das formas

tradicionais de cartéis, atendem a mercados, produtos, processos e tempos

específicos, baseados em acordos etc. Todos esses exemplos tendem a

demonstrar que no ambiente atual, nenhuma empresa, seja ela pequena, ou

grande, não é independente e auto-suficiente. A maior mudança no

comportamento organizacional nos últimos anos é o reconhecimento dessa

interdependência e as redes nascem como resposta a esta orientação.

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As redes de organizações consistem em um tipo de agrupamento cujo objetivo

principal é fortalecer as atividades de cada um de seus participantes. Atuando

em redes, as organizações podem complementar-se umas às outras. Segundo

João Luiz Passador, na formação das redes organizacionais, podemos

identificar três variáveis determinantes:

Diferenciação: quando a organização está em rede, pode prover seus

benefícios inovadores a todos os seus participantes. O mesmo não ocorre

em uma organização isolada, dado que a diferenciação pode gerar

elevação em seus custos;

Interdependência: traduz um mecanismo que prediz a formação de redes

e por isso mesmo sugere uma cultura de unidade organizacional

(cooperação, coordenação);

Flexibilidade: entendida aqui tanto no aspecto inovador e produtivo como

no próprio aspecto organizacional, é uma das mais fortes características

das redes.

Para Mandell no modelo de gestão estratégica “intra-organizacional” o controle

é baseado na autoridade legítima que parte da hierarquia. Com relação à

estrutura de poder, as estratégias dependem da habilidade da administração

do topo traçar as decisões, delegar e controlar o processo de implementação.

Além disso, as ações do administrador estão delimitadas a um contexto

organizacional específico. Diferentemente, na rede “interorganizacional” o

controle não é uma relação preponderante. Ainda que seus membros

representem os diferentes níveis de governo, não implica que haja um

relacionamento hierárquico entre eles e cada nível atua como unidade semi-

autônoma. Por isso que as redes interorganizacionais são estruturas não

hierárquicas.

  • 3.2 REDES DE POLÍTICAS PÚBLICAS

As redes também são muito importantes para as políticas públicas. A recente

formação de estruturas policêntricas advém de um contexto de ruptura com a

concepção tradicional do Estado, como núcleo praticamente exclusivo de

representação, planejamento e condução da ação pública.

Sem dúvida, a possibilidade de estabelecimento de redes de gestão está

condicionada pelo desenvolvimento tecnológico das comunicações, permitindo

interações virtuais em tempo real.

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Todos estes fatores têm confluído para gerar a proliferação de redes gestoras

de políticas públicas, especialmente no campo das políticas sociais, no qual

incidem fortemente. Neste sentido, as redes têm sido vistas como a solução

adequada para administrar políticas e projetos onde os recursos são escassos,

os problemas são complexos, existem múltiplos atores envolvidos, interagem

agentes públicos e privados, centrais e locais, há uma crescente demanda por

benefícios e por participação cidadã.

No entanto, a gestão de redes, está longe de ser algo simples, o que tem

implicado, muitas vezes, no fracasso de programas e projetos sociais, apesar

das boas intenções dos atores envolvidos. Esse caráter transnacional, ao passo

que favorece o encontro, também desvela antagonismos. O contexto

econômico em que se inserem as sociedades policêntricas é caracterizado pela

complexidade e incerteza nas relações sociais, que manifesta, de um lado, a

aproximação, a integração e o diálogo, e de outro, o individualismo, a

competição e a intolerância.

A

criação

e

manutenção

da

estrutura

de

redes

impõem

desafios

administrativos fundamentais, vinculados aos processos de negociação e

geração de consensos, estabelecimento de regras de atuação, distribuição de

recursos e interação, construção de mecanismos e processos coletivos de

decisão, estabelecimento de prioridades e acompanhamento. Em outras

palavras, os processos de decisão, planejamento e avaliação ganham novos

contornos e requerem outra abordagem, quando se trata de estruturas

gerenciais policêntricas.

Nesse aspecto, a formação das estruturas policêntricas, que configuram uma

nova esfera pública plural, advém tanto de um deslocamento desde o nível

central de governo para o local quanto da esfera do estado para a sociedade.

Processos como a descentralização e o adensamento da sociedade civil

convergem para formas inovadoras de gestão compartida das políticas

públicas.

A proliferação de redes de políticas nos leva a refletir sobre suas

características, fortalezas e debilidades, assim como sobre os problemas

específicos envolvidos na sua gestão. As principais características das redes de

políticas são a horizontalidade e a interdependência entre os múltiplos nódulos

ou participantes, o que as distingue de outros formatos de gestão de políticas,

como a contratação e as parcerias.

Sônia Maria Fleury Teixeira aponta as seguintes características vantajosas das

redes de políticas:

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Características vantajosas das redes de políticas públicas

 

Dada a pluralidade de atores envolvidos nas redes é possível a maior

mobilização de recursos e garante-se a diversidade de opiniões sobre o

problema;

Devido à capilaridade apresentada pelas redes, a definição de prioridades é

feita de forma mais democrática, envolvendo organizações de pequeno porte

e mais próximas dos da origem dos problemas;

Por envolver, conjuntamente, governo e organizações não-governamentais,

pode-se criar uma presença pública sem criar uma estrutura burocrática;

Devido à flexibilidade inerente à dinâmica das redes elas seriam mais aptas a

desenvolver uma gestão adaptativa que está conectada a uma realidade

social volátil, tendo que articular as ações de planejamento, execução,

retroalimentação e redesenho, adotando o monitoramento como instrumento

de gestão, e não de controle.

Por serem estruturas horizontalizadas em que os participantes preservam sua

autonomia, os objetivos e estratégias estabelecidos pela rede são fruto dos

consensos obtidos através de processos de negociação entre seus

participantes, o que geraria maior compromisso e responsabilidade destes com

as metas compartilhadas e maior sustentabilidade.

No entanto, algumas das características das redes são também apontadas

como limitadoras de sua eficácia ou gerando problemas e dificuldades para sua

gestão, tais como:

Características vantajosas das redes de políticas públicas

 

As redes de políticas apresentariam novos desafios para garantir a rendição de

contas (accountability) em relação ao uso dos recursos públicos, pelo fato de

envolverem numerosos participantes governamentais e privados;

O processo de geração de consensos e negociação pode ser demasiadamente

lento criando dificuldades para enfrentar questões que requerem uma ação

imediata;

As metas compartilhadas não garantem a eficácia no cumprimento dos

objetivos já que as responsabilidades são muito diluídas;

A dinâmica flexível pode terminar afastando os participantes dos objetivos

iniciais ou comprometer a ação da rede pela deserção de alguns atores em

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momentos cruciais;

Os critérios para participação na rede não são explícitos e universais e podem

provocar marginalização de grupos, instituições, pessoas e mesmo regiões,

podendo deixar a política apenas nas mãos de uma elite;

As dificuldades de controle e coordenação das interdependências tende a gerar

problemas gestão das redes.

4 Questões Comentadas

  • 4.1 GESTÃO PÚBLICA X GESTÃO PRIVADA

  • 1. (CONSULPLAN/VÁRIOS) Analise as afirmativas

I. Uma diferença entre a Administração Pública e a Privada é que enquanto

na área privada pode-se fazer tudo que a lei não proíbe, na pública permite-

se realizar somente aquilo que a lei determina.

II. O tipo de organização também influencia o trabalho de um administrador.

Existem algumas diferenças entre o trabalho desempenhado por um gestor

público e o de um administrador de uma empresa privada com fins

lucrativos.

III. Os administradores de empresas têm como principal indicador da

competitividade e desempenho da organização a maximização dos lucros, ao

passo que as organizações públicas e não lucrativas respondem a objetivos

mais difíceis de medir, como universalização, equidade e justiça.

Estão corretas apenas as afirmativas:

  • A) I, II e III.

  • B) I e II.

  • C) I e III.

  • D) II e III.

  • E) II.

A primeira afirmação é certa. É o princípio da legalidade.

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A segunda afirmação é certa. O trabalho do administrador é diferente em

organizações públicas e privadas, principalmente em função dos princípios

administrativos a quem se submete na administração pública.

A terceira afirmação é certa. Nas empresas privadas, o objetivo principal é a

maximização do lucro, enquanto nos órgãos públicos é o interesse público.

Gabarito: A.

2. (FCC/TRT-4ª/2011) Com relação às convergências entre a gestão

pública e a gestão privada, considere as afirmativas abaixo.

I. Deve-se gerir um órgão público como quem administra uma empresa, isto

é, buscando compatibilizar custos e resultados, atuar com os olhos no

cliente-consumidor e tomar decisões rápidas para aproveitar oportunidades

de mercado.

 

II.

A

gestão pública funciona

exclusivamente

sob

a

forma do modelo

burocrático, o que a impede de focar necessidades especiais dos cidadãos.

III.

Os

órgãos

públicos

existem

servir

para

a

todos

igualmente,

independentemente da capacidade de pagar pelo serviço prestado, o que

pode dificultar alcançar a agilidade e a eficiência das empresas privadas.

IV. Os órgãos públicos devem operar sem levar em conta princípios típicos

da gestão privada, como a economicidade e a eficiência.

V. Os servidores públicos estão submetidos a normas jurídicas e a condições

de trabalho que impedem sua responsabilização diante das possíveis falhas

no atendimento aos cidadãos.

Estão corretas SOMENTE

a) I, II, III e IV.

  • b) II, III e V.

  • c) I e III.

  • d) III e IV.

  • e) I, III e V.

A primeira afirmação foi dada como certa, mas ela é equivocada. Vimos que,

para Osborne e Gaebler, “não se pode governar como quem administra uma

empresa”. Realmente, não se deve gerir um órgão público como se administra

uma empresa, são realidades distintas, como tipos de abordagens diferentes.

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O que podemos entender desse posicionamento da banca é que o órgão

público deve ser gerido como se administra uma empresa no que se refere aos

aspectos listados na afirmação: compatibilização de custos e resultados; olhos

no cliente-consumidor; e decisões rápidas. Realmente, nestes aspectos, o

administrador público deve agir como o privado, apesar de também haver

ressalvas quanto à noção de cliente-consumidor.

A segunda afirmação é errada. Não é exclusivamente pelo modelo burocrático

e não só pode como deve focar as necessidades dos cidadãos. A gestão pública

evoluiu por meio de três modelos básicos: patrimonialismo, burocracia e

administração gerencial, prevalecente atualmente.

A terceira afirmação é certa, mas também tem um equívoco. Realmente,

existe o princípio da igualdade, segundo o qual as pessoas devem ser tratadas

como iguais, mas ele vai além, defendendo o tratamento desigual das pessoas

em condições desiguais. Assim, em muitos casos, aqueles que têm menos

condições de pagar por um serviço é que tem prioridade na administração

pública. É o princípio da equidade. Por exemplo, o programa Leite Fome Zero

entrega um litro de leite para cada criança na família que tenha renda até

certo valor.

A quarta afirmação é errada, a administração deve levar em conta sim os

princípios da eficiência, eficácia e efetividade.

A quinta afirmação é errada, é possível a responsabilização, isto está muito

claro, por exemplo, no Código de Ética do Servidor Público Federal.

Gabarito: C.

  • 3. (FCC/TRT-24ª/2011) Considere:

I. Na gestão pública só é lícito fazer o que a lei autoriza.

II. Tanto na gestão pública como na gestão privada, só é lícito fazer o que a

lei autoriza.

III. Na gestão privada, as fronteiras demográficas são bem definidas.

Considerando as convergências e diferenças entre a gestão pública e

privada, está correto o que consta APENAS em

  • a) I.

  • b) II.

  • c) III.

  • d) II e III.

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e)

I e II.

A

afirmação I

é

certa, segundo o princípio da legalidade o administrador

público só pode fazer o que a lei permite, enquanto o gestor privado pode

fazer tudo que a lei não proíba, por isso a afirmação II é errada.

 

A

afirmação

III

é

errada

porque

as

empresas

podem

atuar tanto

nacionalmente como no exterior, a globalização eliminou quase todas as

fronteiras. Já o setor público que é mais limitado.

 

Gabarito: A.

 
 

4. (FCC/TRT-22ª/2010) Considerando-se os modelos de gestão na

Administração Pública e na Administração Privada é correto afirmar:

 

a)

Na Administração Pública, ao contrário da Administração Privada, há

autonomia decisória e baixos impactos de ingerências políticas no processo

de gestão.

 

b)

Na Administração

Pública

um

bom

ou mau funcionamento

não tem

impacto político maior que na Administração Privada.

 

c)

Enquanto que a Administração

Pública

é orientada

para

o

lucro,

a

Administração Privada é orientada para o bem-estar social e serviços ao

cidadão.

 

d)

Na Administração Privada há autonomia decisória, enquanto que no

aspecto

organizacional

a

Administração

Pública

é

afetada

por forças

externas.

 

e)

A rentabilidade é vital para a Administração Pública, enquanto para a

Administração Privada a rentabilidade dos produtos e serviços não é vital

para o seu crescimento.

 

A letra “A” é errada. Existe certo grau de autonomia decisória também na

administração pública, mas ela é muito mais limitada que na administração

privada. Como vimos no princípio da legalidade, o administrador privado pode

fazer tudo que a lei não proíbe, enquanto o administrador público só pode

fazer o que a lei permite. Além disso, a ingerência política ocorre no setor

público.

A letra “B” é errada. O impacto político ocorre na administração pública. As

duas têm algum tipo de impacto com o mau funcionamento, mas quando nos

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referimos à “política”, estamos nos referindo ao Estado. O termo é conceituado

por alguns como o estudo ao estudo das atividades que se referem de alguma

forma às coisas do Estado.

A letra “C” é errada, ela inverteu. Essa não podia errar de jeito nenhum.

A letra “D” é certa. Na realidade, ela fala de coisas que se aplicam as duas.

Também existe autonomia decisória na administração pública, mas parece que

o entendimento da FCC é de que existe só na administração privada. E as duas

são impactadas por forças externas, nenhuma organização, seja pública ou

privada, esta imune às influências do ambiente em que atua. Segundo a Teoria

dos Sistemas, as organizações são sistemas abertos, que estão em constante

troca com o ambiente externo.

A letra “E” é errada, ela inverteu.

Gabarito: D.

  • 5. (FCC/TCE-RO/2010) A principal diferença entre a gestão privada e a

gestão pública é que a segunda

  • a) é

obrigada a atender

a todos, independentemente

da

capacidade

financeira dos cidadãos e de suas demandas idiossincráticas.

  • b) encontra-se limitada por regras legais e princípios morais, enquanto a

primeira se orienta apenas pelo objetivo do lucro.

  • c) funciona exclusivamente sob a forma do modelo burocrático, o que a

impede de atender às necessidades individuais dos cidadãos.

  • d) funciona sempre em condições de monopólio natural, o que

a torna

insensível a questionamentos de ordem ética.

  • e) pode operar sem levar em conta princípios típicos da gestão privada,

como a economicidade e a eficiência.

A letra “A” é certa, apesar de que podemos fazer novamente a ressalva de que

determinados serviços são somente para quem tem renda menor, a

administração pública não é obrigada a atender a todos. Além disso, alguns

serviços têm taxas caras, como a emissão de passaportes, que podem excluir

algumas pessoas.

A letra “B” é errada, as empresas privadas também possuem limitações legais

e morais, também existem códigos de ética.

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A

letra

“C”

é

errada,

vimos que existem

outros modelos,

como

o

patrimonialismo e o gerencialismo. Ela não só pode como deve atender às

necessidades dos cidadãos.

A letra “D” é errada, pode haver competição dentro do setor público ou com o

setor privado, apesar de na maioria das vezes ser monopólio. Além disso, isso

não justifica a insensibilidade quanto à questionamentos de ordem ética.

A letra “E” é errada, é uma obrigação do gestor público considerar a eficiência

e a economicidade, que são inclusive princípios previstos na Constituição

Federal de 1988.

Gabarito: A.

6.

(FCC/PGE-RJ/2009)

O

novo

paradigma

gerencial

adotado pela

Administração Pública enfatiza o lugar central do cidadão como cliente dos

serviços públicos. Em relação à diferença entre o cliente-cidadão e o

consumidor de serviços privados é correto afirmar que

  • a) o

cliente-cidadão

consome

serviços

contrato formal com os órgãos públicos.

públicos

apenas

mediante

um

  • b) os dois são equivalentes, pois ambos consomem serviços mediante o

pagamento de taxas.

  • c) o cliente

assume a

condição de cidadão quando utiliza

serviços

exclusivamente fornecidos pela Administração Pública.

  • d) o consumidor de serviços privados pode reclamar da qualidade do

atendimento nos órgãos autorizados, enquanto o cidadão só pode agir por

meio do voto.

  • e) o cliente-cidadão consome serviços públicos na condição de portador de

direitos e deveres, por meio dos quais pode avaliar e até mesmo elaborar

políticas públicas.

A

letra

“A”

é errada,

não

é necessário contrato

para que

as pessoas

se

beneficiem dos serviços públicos. Ninguém assina um contrato para

que

recolham seu lixo.

A letra “B” é errada. O cliente das empresas privadas paga pelo que consome,

numa relação direta. Os serviços públicos normalmente são financiados por

tributos, de forma indireta. Assim, as pessoas não contribuem na mesma

medida do que consumiram.

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A letra “C” é errada, pois os serviços públicos podem ser prestados por

terceiros, por descentralização pela administração pública, como nos casos de

concessões e permissões de serviços públicos.

A

letra

“D”

é

errada, pois o cidadão também

pode reclamar dos

serviços

públicos, as ouvidorias são cada vez mais comuns no setor público.

A letra “E” é certa. O cliente dos serviços públicos é um cidadão com direitos e

deve ser permitida sua participação na formulação das políticas públicas,

como, por exemplo, através dos conselhos gestores.

Gabarito: E.

  • 7. (FCC/Prefeitura de São Paulo/2007) O paradigma do cliente impacta de

forma diferenciada as organizações do setor público e as do setor privado,

em decorrência de uma série de condicionamentos e particularidades das

respectivas gestões. No setor público,

  • a) o paradigma do cliente não pode ser incorporado, pois as organizações

públicas não estão orientadas para o mercado e não necessitam, assim,

satisfazer a clientela destinatária dos serviços que prestam.

  • b) o administrador público não pode aderir plenamente à defesa dos direitos

do consumidor, sob pena de perder o controle de seus planos orçamentários

e distanciar-se das diretrizes governamentais mais amplas, às quais está

subordinado.

  • c) o paradigma do cliente acaba por ser negado em função do caráter de

universalidade da atuação do Estado, que deve fornecer serviços de igual

qualidade para todos os cidadãos, independentemente de suas necessidades

e opiniões individuais.

  • d) a perspectiva do cliente tem impacto reduzido, dada a impossibilidade

legal e política de se promover alterações na qualidade dos serviços

prestados pelo Estado, na medida em que seu foco deve ser a ampliação dos

cidadãos alcançados.

  • e) o

dever

de

atender

está

cerceado

pela

presença de interesses

burocráticos ou corporativos e contrapõe-se à limitação dos recursos

públicos, o que acaba por determinar a oferta de serviços que nem sempre

satisfazem a massa de clientes atendida.

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A

letra

“A”

é

errada porque

o

paradigma do cliente pode

e

está

sendo

incorporado no setor público, que tem o dever de satisfazer as necessidades de

sua clientela.

 

A letra “B” é errada, se é um direito do consumidor, então é um dever do

administrador público. Existe sim a cláusula da reserva do financeiramente

possível, segundo a qual o orçamento é um limitador do atendimento das

demandas da sociedade. Ela não significa uma autorização constitucional para

o Estado deixar de cumprir suas obrigações sob alegações genéricas que não

existem recursos públicos suficientes. Neste sentido, o STF tem reafirmado em

seus julgados que o caráter programático das normas sociais não autoriza o

Poder Público utilizar a reserva do possível de forma irresponsável, para se

esquivar da realização de seus deveres constitucionais.

Segundo Celso de Mello, só é legítimo ao Estado invocar referida cláusula nas

situações em que possa ser objetivamente demonstrada: a) a inexistência de

disponibilidade financeira para efetivar prestações positivas e b) a falta

razoabilidade na pretensão deduzida.

Desnecessário acentuar-se, considerado o encargo governamental de tornar

efetiva a aplicação dos direitos econômicos, sociais e culturais, que os

elementos componentes do mencionado binômio (razoabilidade da

pretensão + disponibilidade financeira do Estado) devem configurar-se de

modo afirmativo e em situação de cumulativa ocorrência, pois, ausente

qualquer desses elementos, descaracterizar-se-á a possibilidade estatal de

realização prática de tais direitos.

A letra “C” é errada, o paradigma do cliente não é negado, é sim aplicado. Só

fico em dúvida se a FCC consideraria o restante também como errado, em

virtude do princípio da equidade, pois essa alternativa da terceira afirmação da

questão 01.

A letra “D” é errada, a qualidade dos serviços é também uma obrigação do

Estado, não só a amplitude do atendimento.

A letra “E” é certa. Aqui temos um ponto importante que é a distinção entre

teoria e prática. Na teoria, a administração pública deve agir de forma

impessoal, buscando o interesse público e atendendo às necessidades de sua

clientela. Na prática, há interesses dos administradores

públicos que

interferem a implementação das políticas. A alternativa aponta o que ocorre na

prática.

Gabarito: E.

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  • 4.2 COMUNICAÇÃO NA GESTÃO PÚBLICA

  • 8. (ESAF/ATRFB/2010) Sobre o tema ‘comunicação organizacional’, é

correto afirmar que:

  • a) tanto o emissor quanto o receptor são fontes de comunicação.

  • b) redigir com clareza é condição suficiente para que a comunicação seja

bem-sucedida.

  • c) quando operada em fluxo descendente, a comunicação é considerada

formal.

  • d) a comunicação informal deve ser evitada e desprezada.

  • e) o uso do melhor canal disponível elimina a ocorrência de ruídos.

A letra “A” foi dada como certa. Não concordo muito, pois quando pensamos

na comunicação como um processo, estamos tentando colocar no papel, de