“A criança já não é compreendida como incompleta ou com falta de… é entendida como um ser inteligente, quer dizer

, como um ser capaz de construir significados sobre o mundo a partir das suas próprias experiências (…). As crianças vivem e aprendem inseridas numa determinada cultura (…) devem ser equipadas para viver nessa cultura”

Teresa Vasconcelos, 2009

• A brincadeira é uma espécie de linguagem universal, essencial ao desenvolvimento e ao equilíbrio da criança. • Ao brincar, ela tem a possibilidade de ir percebendo o funcionamento das coisas que a rodeiam e assim ir entrando no mundo dos adultos e perceber as regras que o regem.

Primeiro, a criança brinca com o seu próprio corpo, observa as mãos, leva tudo à boca... depois descobre os objetos e as suas potencialidades. Segura-os na mão, leva-os à boca, agita-os, atira-os ao chão... daqui à combinação dos objetos num jogo relacional e de "faz de conta" é um instante. Brinquedos e objetos passam a ser o que a criança quiser, porque o jogo simbólico lhe permite experimentar tudo aquilo que na vida real ainda lhe está vedado.

• Pois é aí que começa o seu processo de socialização fora do ambiente familiar e que constrói as primeiras relações com o seu grupo de pares. • Estas relações são fundamentais para um desenvolvimento saudável: permitem que as regras sociais sejam adquiridas através da brincadeira, de uma forma lúdica, em interação com os outros. • É através dos jogos com os amigos que a criança vai aprendendo a ganhar e perder, o certo e errado, compreendendo e aceitando o ponto de vista dos outros, a importância de partilhar e brinquedos, experiências e atenções.

BRINCAR / JOGAR “EM COMPANHIA” permite à criança: • • • • • Divertir-se Experimentar coisas novas Aprender a partilhar Descobrir interesses Desenvolver a curiosidade e a vontade de aprender

Ainda favorece : • • • • • O desempenho de papéis O contacto com a Natureza O brincar ao faz-de-conta A manipulação de materiais A resolução de problemas

• Observando e brincando com as crianças na sala de atividades do jardim de infância ou no exterior, o educador vai-se apercebendo do significado que o mundo tem para elas, da forma como o encaram e como constroem conhecimento.

• Isso permite-lhe participar nessa construção, ampliando as oportunidades de aprendizagem e consolidando a relação com a criança.

Visa criar condições para a criança não só se preparar para a entrada na escolaridade obrigatória, mas e principalmente, para aprender ao longo da vida: • Promovendo o seu desenvolvimento pessoal e social; • Fomentando a sua inserção em grupos sociais diversos, no respeito pela pluralidade de culturas; • Contribuindo para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso na aprendizagem; • Estimulando o seu desenvolvimento global, no respeito pelas caraterísticas individuais; • Desenvolvendo a expressão e a comunicação através de linguagens múltiplas; • Fazendo a despistagem de inadaptações, deficiências e precocidades, promovendo orientação e encaminhamento adequados.

Área de Formação Pessoal e Social • Tomar consciência de si e do outro e de si no meio dos outros • Aprender a lidar com as emoções de forma positiva • Consolidar a autoestima, a autonomia e a independência pessoal • Desenvolver o sentido da responsabilidade e de cidadania

APRENDER A SER “EU” NO MEIO DE OUTROS: • Criar laços afetivos com pares e adultos • Saber ouvir e dialogar • Cumprir regras • Ser autónomo e responsável • Ter iniciativa

É APRENDER A SER “EU” COM OS OUTROS: • Respeitar os outros • Esperar a sua vez • Adquirir bons hábitos • Respeitar as diferenças • Participar/colaborar em grupo

“Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: - Olha! E ao falar, aponta. A criança olha na direção apontada e vê o que nunca viu. O seu mundo se expande, fica mais rica interiormente. E, ficando mais rica interiormente, pode sentir mais alegria e dar mais alegria, que é a razão pela qual vivemos.” Rubem Alves

Área de Conhecimento do mundo: Conhecimento científico e social • Descobrir a ciência escondida em tudo o que nos rodeia • Envolver-se no mundo social, com seus usos, costumes e tradições

Educação para a Saúde • Metendo as mãos na massa, adquirir/consolidar hábitos de vida saudável

Educação Ambiental • Cultivar, proteger o ambiente natural, pôr em prática a política dos 3 RRR’s

“É através dos olhos que as crianças contactam com a beleza e o fascínio do mundo. Os olhos têm que ser educados, para que a nossa alegria aumente. Para as crianças, tudo é espantoso: Um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo… O voo dos pássaros, os saltos dos gafanhotos… Um papagaio no céu, um pião na terra… Coisas que os eruditos não veem.” Rubem Alves

Área de Expressão e Comunicação: A Expressão Motora • Movimentar-se, desenvolvendo as habilidades motoras de base*.

*HMB: Estabilização: equilíbrio (estático e dinâmico) Locomoção: rastejar, andar, correr, saltar, saltitar, galopar Manipulação: lançar, apanhar, chutar

A Expressão Dramática • Desinibir-se, expressar as suas emoções, representar papéis

A Expressão Plástica • Representar-se a si própria e ao mundo, contactar com a Arte, criar livremente, usando diversas técnicas

A Expressão Musical • Escutar, cantar, dançar, tocar e criar

Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) • Usar a tecnologia para pesquisar, divertir, comunicar, criar e interagir

http://blogue-folio.blogspot.pt/

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedde d&v=3DP6LWRAanc

Linguagem oral • Desenvolver a oralidade • Incentivar a comunicação

Abordagem à Literacia • Na magia das histórias partilhadas, criar o gosto pelos livros e pela leitura

Abordagem à escrita • Interessar-se pelo código escrito, compreender a sua função.

Muito mais que o A, B, C… Promover na criança o desejo de ler e escrever é tão importante quanto ajudá-la a desenvolver as competências que são efetivamente necessárias à aprendizagem da leitura e da escrita. Os anos pré-escolares são como um trampolim para aprender a ler e a ler para aprender…

Matemática • Encontrar a matemática nas coisas do dia a dia.

“As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada veem. O ato de ver não é coisa natural, precisa de ser aprendido.”

Rubem Alves

PALAVRAS

A articulação pedagógica

• Entre pré-escolar – primeiro ciclo devem ser criadas condições para uma articulação efetiva, que passará pelo conhecimento das suas especificidades e pela identificação de princípios comuns.
• No entanto, “não se pretende que a educação pré-escolar se organize em função de uma preparação para a escolaridade obrigatória, mas que se perspetive no sentido da educação ao longo da vida, devendo, contudo, a criança ter condições para abordar com sucesso a etapa seguinte” (Despacho n.º 5220/97, n.º2) • “Em terrenos de fronteira, os profissionais (…) trabalham para co configurar objetivos de bem-estar e desenvolvimento infantil, qualidade de vida (…) tomando a criança como um projeto” (Daniels, Zabalza, cit. por Vasconcelos, 2009).

Com todos os parceiros educativos, com destaque para os pais / EE: • A lei quadro da educação pré-escolar considera-a “a primeira etapa da educação básica no processo de educação ao longo da vida, sendo complementar da ação educativa da família, com a qual deve estabelecer estreita cooperação, favorecendo a formação e o desenvolvimento equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser autónomo, livre e solidário‘”(Art.º 2.º). • Pais e educadores têm, pois, um objetivo comum na educação da criança, o seu sucesso educativo e o seu bom desenvolvimento e esta situação justifica, por si só, uma educação partilhada por escola e família, devendo estas estabelecer uma verdadeira colaboração.

“Pensamos a Infância não como uma idade, mas como um olhar, uma maneira de ver as coisas, de pensar o mundo. A Infância é surpreender-se com os pirilampos, com o botão que abre. A Infância é pentear cometas, mimar microssegundos, amestrar preguiças. É Infância irritar-se com as coisas. Mudar frequentemente de sítio, inventar ideias. Não nos interessam as respostas, as certezas imutáveis. Estamos fascinados pelas interrogações. Caminhadores de perguntas.”

Catalano, citado por Vasconcelos, 2009

Obrigada pela vossa atenção !

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