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AROMATERAPIA

CHRISTINE WILDWOOD

AROMATERAPIA

EDITORIALEsTAmPA

1994
íNDICE

AGRADECIMENTOS 
................................................................... 11

INTRODUÇÃO 
............................................................................ 13

1. QUE É A AROMATERAPIA? 
...................................................  17

Os óleos essenciais 
................................................................... 19 Como são 
obtidos 
.................................................................... 20 Acerca 
dos óleos de origem natural 
.........................................   22 Como adquirir óleos essenciais 
................................................  23 Uma palavra sobre os óleos 
extraídos de madeiras                             .................    24 As 
propriedades dos óleos essenciais 
.......................................   24 * aromaterapia na prática 
.......................................................   27 * natural e o 
sintético 
.............................................................  27

2. HISTóRIA RESUMIDA DA AROMATERAPIA 
.......................   31

Os pioneiros do século XX 
.......................................................   38

3. EM QUE PODE A AROMATERAPIA SER­NOS úTIL? 
............    41

O tratamento aromaterápico profissional 
................................   42 Estudo de alguns casos concretos 
............................................  43

Sarna 
...............................................................................
.... 43 Pé­de­atleta 
.......................................................................... 44 
Tensão pré­menstrual 
............................................................  46 Desgostos 
............................................................................. 
48 Hiperactividade 
..................................................................... 50 SIDA 
...............................................................................
.... 54 E muito mais        ... 
.......................................................................   56
4. COMO ACTUA A AROMATERAPIA? 
............................. Absorção cutânea 
........................... .  ............................... Absorção pelos 
pulmões                    ............. ....................................
O sentido do olfacto e a mente 
....................................... Preferências olfactivas 
.................................  .................... Aromas e vibrações 
....... .................................................. A aura 
............. .. ................... .......................................... 
A empatia 
.......................................................................

5. FóRMULAS PARA USO TERAPÊUTICO E PARA

USO ESTÉTICO. 
.............................................................. Os principais 
óleos essenciais (Tabela 1)                           ......................... 
A escolha dos ó leos essenciais 
........................................ Cuidados a ter com os óleos essenciais 
........................... Sobre os óleos de base, ou veiculares 
............................. Como misturar os óleos para massagens 
............ . ........... Sobre as combinações de óleos essenciais 
....................... Efeitos dos óleos essenciais (Tabela 11) 
........................... Efeitos dos óleos essenciais (Tabela 111) 
.......................... As tabelas terapêuticas 
....................................................

Preparação de remédios de ervas 
.................................

Tabela terapêutica (Tabela IV) 
....................................... Tabela de cuidados cutâneos (Tabela V) 
........................ Preparados aromáticos 
....................................................

Oleo para massagem anticelulite 
.................................. Çontra os piolhos da cabeca 
........................................ qleo de pré­1avagem para cabelos secos 
ou estragados. Oleo contra a caspa 
..................................................... Tónicos capilares 
............................................................

Tónico anticaspa 
.......................................................... Tónico contra a 
queda do cabelo                     .................................. Tónicos 
para a pele 
........................................................

Base para tónico cutâneo 
............................................. Bochechos 
....................................................................... Máscaras 
faciais 
..............................................................

Para pele seca 
.............................................................

Para pele oleosa ou com ame 
......................................

Como preparar cremes e unguentos 
................................

Creme cutâneo de base                  ....................... 
......................... Unguento de base (pomada) 
..............  ..........................
guas de cheiro e perfumes 
..................................................... 100 Como preparar uma água 
de cheiro                     ...................................... 100 
Perfumes para a pele 
............................................................101 Três perfumes 
para uso terapêutico mas muito agradáveis                              ..... 
101 Como perfumar salas 
................................................. .............. 102

6. AS TÉCNICAS DA AROMATERAPIA 
..................................... 103

Cuidados a ter com a pele 
....................................................... 103 Escovamento da pele 
a seco                  .................................................... 104 
Como proceder 
........................................................................ 105
O rosto 
...............................................................................
..... 107

Esfolia,pão 
............................................................................. 
108 Tratamentos cutâneos ocasionais 
........................................... 109 A sauna facial 
...................................................................... 109 
Máscaras faciais 
................................................................... 110 Óleos 
faciais 
......................................................................... 111 
Massagem aromaterápica 
......................................................... 112

Onde não massajar 
............................................................... 113 Os efeitos 
da massagem 
........................................................ 114 Prepararão do 
cenário             .......................................................... 
116 A superfície a usar para a massagem 
....................................  116
O óleo de massagem 
............................................................. 117 Como aplicar a 
massagem                 .................................................... 
117 As costas 
.............................................................................. 
118
* rosto e a cabeca 
................................................................ 125
* rosto 
...............................................................................
.. 126
* pescofo 
............................................................................. 
133
* couro cabeludo 
.................................................................. 135 Uma 
técnica de alívio das dores 
.............................................. 136 A automassagem 
...................................................................... 137 
Aromaterapia e celulite 
............................................................ 138

O regime alimentar 
............................................................... 140 Escovamento 
da pele            ...................... 
....................................... 140 óleos essenciais 
.................................................................... 141 
Massagem para a drenagem linfática 
....................................  141 Automassagem contra a celulite 
............................................ 141 Outros usos dos óleos 
essenciais                  .............................................. 144

Banhos 
...............................................................................
.. 145 Banhos de mãos e de pés 
...................................................... 145 Inala,cões 
.............................................................................. 
146
4. COMO ACTUA A AROMATERAPIA? 
....................... . .... Absorção cutânea 
.......................................................... Absorção pelos 
pulmões                    ................................................
O sentido do olfacto e a mente 
...................................... Preferências olfactivas 
.................................................... Aromas e vibrações 
............. ............................................ A aura 
..................  ........................................................ 
.. A empatia 
.......................................................................

5. FóRMULAS PARA USO TERAPÊUTICO E PARA

USO ESTÉTICO 
............................................................... Os principais 
óleos essenciais (Tabela 1)                          ................. . ....... 
A escolha dos óleos essenciais 
........................................ Cuidados a ter com os óleos essenciais 
........................... Sobre os óleos de base, ou veiculares 
............................. Como misturar os óleos para massagens 
........................ Sobre as combinações de óleos essenciais 
....................... Efeitos dos óleos essenciais (Tabela 11) 
........................... Efeitos dos óleos essenciais (Tabela 111) 
.......................... As tabelas terapêuticas 
....................................................

Preparafão de remédios de ervas 
................................. Tabela terapêutica (Tabela IV) 
....................................... Tabela de cuidados cutâneos (Tabela V) 
........................ Preparados aromáticos 
....................................................

Oleo para massagem anticelulite 
.................................. Contra os piolhos da cabeca 
........................................ óleo de pré­1avagem para cabelos secos 
ou estragados. óleo contra a caspa 
..................................................... Tónicos capilares 
............................................................

Tónico anticaspa 
.......................................................... Tónico contra a 
queda do cabelo                      .................................. Tónicos 
para a pele 
........................................................

Base para tónico cutâneo 
............................................. Bochechos 
....................................................................... Máscaras 
faciais           ........... . 
..................................................

Para pele seca 
............................................................. Para pele oleosa 
ou com acne                    ...................................... Como 
preparar cremes e unguentos 
................................

Creme cutâneo de base 
................................................ Unguento de base (pomada) 
.......................... . . ............
Águas de cheiro e perfumes 
..................................................... 100 Como preparar uma água 
de cheiro                     ...................................... 100 
Perfumes para a pele 
............................................................ 101 Três perfumes 
para uso terapêutico mas muito agradáveis                              ..... 
101 Como perfumar salas 
............................................................... 102

6. AS TÉCNICAS DA AROMATERAPIA 
..................................... 103

Cuidados a ter com a pele 
....................................................... 103 Escovamento da pele 
a seco                  .................................................... 104 
Como proceder 
........................................................................ 105
O rosto 
...............................................................................
..... 107

Esfoliaf ão 
............................................................................. 
108 Tratamentos cutâneos ocasionais 
........................................... 109 A sauna facial 
...................................................................... 109 
Máscaras faciais 
................................................................... 110 óleos 
faciais 
......................................................................... 111 
Massagem aromaterápica 
......................................................... 112

Onde não massajar 
............................................................... 113 Os efeitos 
da massagem 
........................................................ 114 Preparafão do 
cenário             .......................................................... 
116 A superfície a usar para a massagem 
.................................... 116
O óleo de massagem 
............................................................. 117 Como aplicar a 
massagem                 .................................................... 
117 As costas 
.............................................................................. 
118
O rosto e a cabefa 
................................................................ 125
O rosto 
...............................................................................
.. 126
O pescopo 
............................................................................. 
133
O couro cabeludo 
.................................................................. 135 Uma 
técnica de alívio das dores 
.............................................. 136 A automassagem 
...................................................................... 137 
Aromaterapia e celulite 
............................................................ 138

O regime alimentar 
............................................................... 140 Escovamento 
da pele 
............................................................. 140 óleos 
essenciais 
.................................................................... 141 
Massagem para a drenagem linfática 
.................................... 141 Automassagem contra a celulite 
............................................ 141 Outros usos dos óleos 
essenciais                  .............................................. 144

Banhos 
...............................................................................
.. 145 Banhos de mãos e de pés 
...................................................... 145 Inalaf ões 
.............................................................................. 
146
Compressas 
.......................................................................... 146 
Aromatizapão de salas 
.......................................................... 147 Perfumes para a 
pele            ............................................................ 148

7. COMO SER UM TODO 
............................................................ 149

A mente 
...............................................................................
.... 150
O corpo 
...............................................................................
.... 152
O movimento 
........................................................................... 154 
A luz 
...............................................................................
......... 155
O ar livre 
...............................................................................
.. 156
O espírito 
...............................................................................
.. 157 Mente­corpo­espírito 
................................................................ 157 Para a 
integração 
..................................................................... 159

A respirafão da vida 
............................................................. 159 A respiracão 
completa             .......................................................... 
160 Voar 
...............................................................................
...... 161 Descontracfão profunda 
........................................................ 163 A regulação da 
aura, ou «protecção psíquica»                           ........................ 
165 Os remédios florais de Bach 
.................................................... 168 Sintonizar com a 
natureza                ....................................................... 
168 Primeiros passos na meditação 
................................................ 169
A pomba 
............................................................................... 
170 Em conclusão 
........................................................................... 171

TOXICIDADE DOS óLEOS ESSENCIAIS 
..................................... 173

Uma palavra sobre as alergias 
................................................. 174

GLOSSÁRIO 
...............................................................................
.. 175

OUTRAS LEITURAS 
.................................................................... 177

10
AGRADECIMENTOS

Estou muito reconhecida a várias pessoas pela forma tão expedita e tão generosa 
como responderam aos meus pedidos de esclarecimentos complementares sobre os 
óleos essenciais. Em primeiro lugar, a Nick Webley, da «Kittywake Oils» (amigo e 
associado), a Bernie Hephrun, da «Butterbur and Sage», e ao Dr. Steve Van 
Toller, da Universidade de Warwick.

Muito agradeço também a Robert Tisserand o ter­me autorizado a utilizar uma 
versão abreviada da história de John, extraída do International Journal of 
Aromatherapy, e a Ellen AsJes pela sua amável carta de apoio. Devo igualmente 
agradecer à minha família o auxílio doméstico que me prestou e graças ao qual 
arranjei tempo para escrever este livro. E agradeço também, por fim, a Karin 
Cutter e a John, portador do facho que alumia o futuro da aromaterapia 
holística.

11
INTRODUÇÃO

Se bem que a palavra «aromaterapia» seja moderna, as raizes desta magnífica 
terapêutica mergulham nas profundezas da antiguidade. Este livrinho vem tentar 
provar que os antigos princípios em que a aromaterapia se baseia não são, hoje 
em dia, menos válidos. Destina­se também a servir de guia a todas as pessoas que 
desejem usar plantas aromáticas quer para seu
prazer quer para melhorar a sua saúde e vitalidade e as daqueles a quem mais 
estimam.

A fim de retirar do capítulo sobre massagens o máximo proveito, o ideal será que 
o leitor tenha uma pessoa amiga ou conhecida com a qual possa permutar massagens 
aromaterápicas. No entanto, conforme veremos, as essências aromáticas podem ser 
utilizadas de muitos outros modos para criar uma
sensação de bem estar e para dar à vida uma nova componente estética.

Embora a arte da massagem aromaterápica não possa, com certeza, ser 
completamente descrita num livrinho tão resumido como este, a sequência básica 
de massagem delineada no capítulo
6 poderá dar ao leitor os fundamentos suficientes para que depois comece a criar 
intuitivamente o seu próprio estilo. Apresento, no fim, uma lista de livros 
sobre aromaterapia e outros assuntos com ela relacionados e cuja leitura 
recomendo.

Tal como todas as demais terapêuticas holísticas, a aromaterapia tem como 
objectivo reforçar as capacidades autocurativas
13
inatas do nosso organismo. Muito embora certas pessoas sejam de nascença mais 
saudáveis que outras, a maioria pode tornar­se mais saudável e pode prevenir o 
aparecimento de males graves como a diabetes e as doenças do coração. O segredo 
da boa saúde e da sensação de bem estar reside em compreender que não devemos 
tornar­nos vítimas irremediáveis da tensão nervosa nem da angústia ­ que tem a 
responsabilidade por grande parte dos nossos males. é bem claro que a nossa 
saúde depende, em grande medida, da qualidade dos alimentos que comemos, da 
água que bebemos e do ar que respiramos. Mas talvez seja mais importante ainda a 
necessidade de se dar alimento ao lado espiritual da pessoa, pois nós somos algo 
mais que um corpo dotado de cérebro. E dificil definir este aspecto espiritual, 
mas podemos considerá­lo intimamente ligado às relações que mantemos connosco 
próprios e com as outras pessoas e à noção que temos dos propósitos e dos 
sentidos da nossa vida ­ e também, como é evidente, à saúde do nosso planeta. O 
terapeuta holístico procura, portanto, dirigir­se em globo aos aspectos 
mutuamente relacionados da nossa existência, ou seja: ao conjunto constituído 
pelo corpo, pela mente e pelo espírito. Qualquer factor que atinja um desses 
aspectos ­ o corpo, a mente ou o espírito ­ atinge também o TODO.

Pode­se dizer que a minha atitude pessoal perante a arte da aromaterapia é 
holística/intuitiva. Não será este, talvez, o estilo de todos os 
aromaterapeutas; mas esta orientação é aquela que eu descobri que se adaptava ao 
meu temperamento. Na sua maioria, os aromaterapeutas intuitivos têm consciência 
desse tenuíssimo campo energético, ou aura, que rodeia e penetra o nosso corpo 
fisico. A aura, quando saudável, é como um filtro protector que só deixa que nos 
atinja aquilo que nos é benéfico. Mas esse campo energético pode ser 
enfraquecido pelas fadigas da vida e pode então deixar passar influxos 
desarmónicos que provocam doenças. É por este motivo que, no capítulo 7 (em que 
explico melhor a concepção holística), incluo algumas técnicas de cura 
espiritual que o leitor poderá aceitar ou desprezar conforme a sua perspectiva 
pessoal. O leitor de pés mais assentes na terra
14
encontrará também nestas páginas uma grande dose de senso comum.

IMPORTANTE. Os informes e sugestões contidos neste livro devem ser entendidos 
como simples orientação genérica. Se o
leitor estiver em tratamento, ou se tiver problemas de saúde a
longo prazo, aconselho­o vivamente a procurar o auxílio de um
terapeuta ou médico devidamente habilitado.

Christine Wildwood
3 de Novembro de 1990

15
1

QUE É A AROMATERAPIA?

A aromaterapia não é apenas uma nova terapêutica alternativa a juntar às outras. 
Ao contrário do que certas pessoas pretendem fazer crer, ela é, de facto, muito 
mais que um dispendioso tratamento de beleza: é na realidade uma arte, uma arte 
de cura estética que utiliza óleos essenciais extraídos de diversas partes de 
plantas e árvores aromáticas a fim de estimular a saúde do corpo e a serenidade 
do espírito.

A aromaterapia é a única arte curativa que se pode chamar criadora em sentido 
artístico, pois a perícia do aromaterapeuta reside, em grande parte, na 
habilidade com que cria maravilhosas fragrâncias combinando e misturando óleos 
vegetais com essências olorosas.

Contrariamente ao que se passa com terapêuticas de carácter mais clínico, como a 
homeopatia e a acupuntura, o potencial curativo da aromaterapia resulta da sua 
capacidade de estimular a descontracção e de, ao mesmo tempo, criar uma sensação 
de prazer ou de tranquilidade em quem a ela se submete. Na verdade, quanto mais 
maravilhosa for a sensação experimentada maior será o seu efeito curativo. 
Talvez seja por este motivo ­
mais que por qualquer outro ­ que a aromaterapia tem sido, por vezes, olhada 
com desprezo por alguns tradicionalistas empedernidos, em cujo entender só nos 
pode fazer bem aquilo que nos causa uma certa dose de desconforto!
17
Apesar do comentário de um médico ­ «não conheço nenhuma prova específica de a 
aromaterapia possuir qualquer verdadeiro valor clínico»’ ­, a aromaterapia pode 
de facto ser praticada no nível clínico, científico. O artigo do Dr. Kurt 
Sclinaubelt Ods for Viral Diseases   2, por exemplo, apresenta provas da 
existência de bases científicas para a aromaterapia clínica ­ já vai aumentando, 
na Alemanha, o uso dos óleos essenciais no tratamento de infecções por vírus, 
designadamente do óleo de melissa (erva cidreira) no caso dos resfriamentos. Mas
­ o que é ainda mais digno de nota ­ certos óleos essenciais, como os de 
Melaleuca, de alho e de tomilho, já ajudaram um
homem a vencer a SIDA! (v. cap. 3).

Antes de passar adiante, é importante notar desde já que seria demasiado 
ambicioso (e potencialmente arriscado) uma pessoa leiga ­ e mesmo um 
aromaterapeuta vulgar ­ tentar tratar doenças graves com óleos essenciais. Tal 
como é mais frequentemente praticada, a aromaterapia destina­se à prevenção das 
grandes doenças e ao tratamento sintomático das enfermidades de menor 
importância. O acento tónico é posto na massagem aromaterápica, uma das técnicas 
mais apuradas de que se dispõe para o alívio das depressivas consequências da 
fadiga fisica e nervosa. Sob os seus inúmeros disfarces, a fadiga é responsável 
pela esmagadora maioria das doenças de que sofremos neste mundo de velocidade, 
«alta tecnologia» e inquietude emocional.

Se bem que a massagem aromaterápíca seja o esteio principal desta arte, os óleos 
essenciais são utilizados de muitos outros modos, tanto para fins curativos como 
para fins estéticos ­ em banhos, em inalações de vapores e em perfumes para 
criar boa disposição, por exemplo. Mas, para poder dar uma resposta completa a 
quem pretenda saber o que é a aromaterapia, necessitamos de examinar mais de 
perto os tais admiráveis óleos aromáticos.

1 Coleman, Dr. V., A Guide to Alternative Medicine.
2 Schnaubelt, Dr. K, Ods for Viral Diseases («International Journal of 
Aromatherapy»).
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Os óleos essenciais

Os óleos essenciais ­ ou essências, como muitas vezes se lhes chama ­ são os 
elementos líquidos, odoríferos e voláteis (evaporam­se facilmente) que existem 
nas plantas aromáticas. Acumulam­se em células especializadas ou em órgãos 
específicos da planta: podemos encontrá­los nas pétalas (rosa), nas folhas 
(eucalipto), no tecido lenhoso (sândalo), no fruto (limão), nas
sementes (alcaravia), na raiz (sassafrás), no rizoma (gengibre), na resina 
(pinheiro), na goma (incenso) e, por vezes, em mais de uma parte da planta. O 
óleo essencial da alfazema, por exemplo, é retirado das flores e das folhas. A 
laranjeira tem um interesse muito especial, visto que nos fornece três essências 
diferentes ­­ cada uma delas com o seu aroma e as suas propriedades 
terapêuticas: o neroli (no botão da flor), o petit­grain (nas folhas) e a 
essência de laranja (na casca do fruto).

A planta produz os óleos essenciais para sobreviver: para agir no seu próprio 
processo de crescimento e reprodução, para atrair os insectos polinizantes, para 
repelir os predadores e para se defender das moléstias.

A qualidade de um óleo essencial depende de um certo número de factores que 
interagem uns com os outros: as condições do solo, o clima, a altitude e a época 
da colheita, que é de uma importância capital. A concentração de óleo essencial 
nos tecidos da planta é máxima durante a época quente do ano ­ e esta é, assim, 
a melhor ocasião para a colheita. O jasmim, cujo aroma se faz sentir durante a 
noite, deve ser colhido ao anoitecer. De uma maneira geral, a colheita das 
plantas produtoras de óleos essenciais deve realizar­se em poucos dias; se 
houver algum atraso, os
óleos essenciais perder­se­ão. E além disso, tal como acontece com os vinhos, a 
qualidade e o bouquet de um óleo essencial variam de um ano para o seguinte.

Quanto mais glândulas ou ductos de óleo houver na planta, mais barato será o 
óleo ­ e vice­versa. Por exemplo, 100 quilos de alfazema dão cerca de 3 litros 
de óleo essencial ­ ao passo que
100 quilos de pétalas de rosa dão apenas meio litro de óleo.
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Embora possam ser caros, os óleos essenciais são substâncias muitíssimo 
concentradas e, na prática, uma pequena quantidade dá para muito tempo.

Estas essências, se bem que tecnicamente sejam classificadas como óleos, são na 
realidade muito diferentes dos «óleos fixos» vulgares como o de milho ou o de 
girassol. Como são muito voláteis, não deixam nódoa permanente no papel de 
filtro e, ao contrário dos óleos gordos vegetais, têm a consistência da água ou 
do álcool e não são gordurosos. São solúveis no álcool, na cera (por exemplo, em 
cera derretida de abelha ou de jojoba) e
nos óleos vegetais e, como são parcialmente solúveis na água, podem ser 
utilizados no banho (seis gotas costumam bastar) sem deixar resíduos gordurosos.

Como são obtidos

Para muitas pessoas, estes conhecimentos serão de interesse passageiro. Mas, 
para quem se preocupa com o meio ambiente, a origem e o método de extracção de 
uma essência podem ser de importância vital. Estão infelizmente à venda no 
mercado da aromaterapia muitos óleos essenciais que não são tão puros ou tão 
naturais como em geral se julga. Uns contêm substâncias adulterantes para lhes 
realçar o aroma ou para o diluir de tal forma que se espalhe mais; outros podem 
conter resíduos de pesticidas ou vestígios de solventes químicos usados no 
processo de extracção. É possível obter óleos de qualidade própria para o uso 
aromaterápico; mas, antes de discutir este ponto, vejamos quais são os 
principais métodos de extracção actualmente praticados.

O método clássico é o da destilação directa ­ que é, por sua vez, uma versão 
aperfeiçoada do antíquíssimo método egípcio do pote de barro. O material colhido 
na planta é colocado no alambique em contacto directo com a água, esta é 
aquecida e o vapor arrasta consigo os óleos essenciais para o condensador, do 
qual passam ao separador. Um método muito mais eficiente, que
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evita que o destilado se queime, é o da destilação a vapor. Neste método, 
bastante semelhante ao primeiro, o material vegetal não fica em contacto com a 
água: só o vapor é que passa por ele.

Uma inovação mais recente é a destilação pelo vácuo: reduzindo a pressão no 
interior de um aparelho estanque, cria­se um vácuo tal que a destilação se 
realiza a uma temperatura muito inferior ­ conservando, assim, muito melhor as 
delicadas fragrâncias das flores.

O método menos complicado é o da expressão. O óleo essencial dos frutos citrinos 
está na casca, de modo que se recorre a uma simples espremedura para se lho 
extrair. Antigamente, as cascas dos frutos eram espremidas à mão; hoje em dia, 
são espremidas em máquinas centrífugas.

Um método praticamente obsoleto é o de enfleurage, no qual
se usa uma gordura animal (e, por vezes, o azeite) para absorver os óleos 
essenciais; estes são seguidamente separados por meio do álcool ­ o qual, ao 
contrário da gordura, os dissolve com facilidade. O álcool é depois evaporado 
deixando ficar a essência. Este método é utilizado para captar aromas de flores 
como o jasmim, a tuberosa e o neroli (flor de laranjeira), cujas delicadas 
fragrâncias se poderiam alterar com o intenso calor da destilação. O líquido 
resultante deste processo é conhecido pelo nome
de «extracto absoluto» e não de «óleo essencial». Infelizmente, o elevado custo 
deste método, que ocupa muita mão­de­obra e demora bastante tempo, tem levado ao 
amplo uso de solventes voláteis como o éter de petróleo, o hexano e o benzeno a 
fim de captar as essências de certas flores ­ embora o método de enfleurage dê 
melhor rendimento. Diga­se, a propósito, que é ainda possível obter extractos 
absolutos ­ por enfleurage ­ de tuberosa e de jasmim, produzidos por vários 
destiladores franceses. No entanto, o emprego de banha de porco no método de 
enfleurage poderá afastar o vegetariano ­ que ou se verá forçado a privar­se dos 
prazeres do jasmim e da tuberosa ou terá de procurar um fornecedor de extractos 
absolutos a óleo vegetal, muitíssimo mais raros.
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A extracção com solventes voláteis é muito empregada na
indústria de perfumaria, pois produz aromas soberbos, mais próximos dos que se 
evolam da planta viva. Mas as substâncias potencialmente cancerígenas, como o 
benzeno, deverão desempenhar algum papel na arte curativa da aromaterapia? Não 
será melhor recorrer a um produto ligeiramente menos requintado a fim de poupar 
o nosso planeta e a nossa saúde?

Completamente à parte destas preocupações com os vestígios de solventes, tão 
frequentes nos extractos absolutos, não podemos ignorar os efeitos ambientais 
das fugas de solventes para a atmosfera nem os dos vapores que os trabalhadores 
das destilarias estão sujeitos a respirar.

Um processo relativamente novo, mas actualmente muito caro, é o da extracção 
pelo dióxido de carbono, que apresenta um grande interesse para a aromaterapia 
pois não apresenta o risco de deixar resíduos no produto final. Mas ainda falta 
saber se este processo é inteiramente inofensivo para o ambiente.

Acerca dos óleos de origem natural

Até há muito pouco tempo, o comércio de óleos essenciais estava praticamente 
circunscrito às indústrias de perfumaria e aromatizantes alimentares ­ que 
utilizavam substâncias sintéticas ou idênticas às naturais sem grandes 
preocupações. Mas, com o despertar do interesse pela aromaterapia, que coincidiu 
com a emergência dos movimentos «verdes», criou­se uma forte procura de óleos 
essenciais puros, não adulterados ­ e, se possível, de origem inteiramente 
natural.

É realmente possível obter óleos de produção natural, ainda hoje vendidos por um 
punhado de fornecedores, mas esses óleos são bastante mais caros que os 
provenientes de plantas criadas com fertilizantes químicos e pulverizadas com 
pesticidas industriais. Além disso, o leque dos óleos essenciais naturais 
actualmente disponíveis está limitado, principalmente, a essências provenientes 
de plantas herbáceas como a alfazema, a camomi­
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la, o tomilho e a manjerona. Mas estão a operar­se modificações nesta situação: 
organizações como a EOTA («Essential Oil Trade Association», do Reino Unido) 
actuam no sentido de criar fontes fidedignas de abastecimento de óleos 
essenciais, puros e sem adulteração, para uso aromaterápico. Esses óleos deverão 
ser sujeitos a verificações de pureza por instituições como, no Reino Unido, a 
«Soil Association» e, noutras paragens, a IFOAM («International Federation of 
Organic Agricultural Movements»), que já existe na Europa e nos Estados Unidos. 
Espera­se que a
aromaterapia ganhe bastante com isso de duas maneiras: a pureza dos óleos poderá 
ser assegurada e haverá um maior leque de óleos de origem natural mais 
amplamente acessíveis.

Como adquirir óleos essenciais

É de importância decisiva que só sejam usados para efeitos terapêuticos óleos 
essenciais puros, não adulterados. A maioria dos aromaterapeutas obtem os óleos 
que utiliza encomendando­os pelo correio a certos conceituados fornecedores 
especializados no ramo e não em estabelecimentos de produtos de beleza e de 
perfumaria. As vantagens dos fornecedores por via postal em relação aos 
estabelecimentos retalhistas são várias: esses fornecedores apresentam um leque 
de essências mais amplo e praticam preços mais favoráveis em caso de encomendas 
mais volumosas. No entanto, o principiante poderá ter vantagem em comprar os 
óleos essenciais numa boa casa de produtos naturistas ou numa ervanária digna de 
confiança. Assim, poderá cheirá­los primeiro a fim de comprar apenas aqueles que 
mais lhe agradarem.

A armazenagem dos óleos é de grande importância (v. cap. 5). Os óleos essenciais 
devem ser fornecidos em frascos de vidro escuro bem rolhados e devem ser 
conservados ao abrigo da luz, do calor e da humidade. São de evitar os óleos 
vendidos em frascos com tampa conta­gotas de borracha. A minha experiência 
indica que certos óleos essenciais, em particular o de cedro, atacam a borracha 
transformando­a numa massa pegajo­
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sa. Apesar deste facto assustador, os óleos essenciais são inofensivos para a 
pele desde que usados correctamente conforme neste livro indico.

Uma palavra sobre os óleos extraídos de madeiras

A excitação provocada em todo o mundo pelas maravilhosas propriedades medicinais 
da essência de Melaleuca alternifolia (Tea­tree) levou o governo brasileiro a 
considerar muito a sério a hipótese de pôr em prática um programa de plantação 
em massa desta espécie, originária da Austrália, em vastas zonas de terras 
incultas que noutros tempos estiveram ocupadas por florestas tropicais.

Já quanto à produção da essência de pau­rosa (por vezes
designada por Bois de Rose) há motivos de preocupação. Presentemente, os 
principais fornecimentos provêm de árvores do Brasil. A essência é obtida por 
destilação do material lenhoso que sobra das serrações brasileiras (a maior 
parte das pranchas segue para os fabricantes de mobiliário dos Estados Unidos). 
É trágico que essas árvores estejam a ser abatidas em grande quantidade, pois 
este facto provoca uma rápida diminuição das florestas. Enquanto o governo 
brasileiro não der início a um programa de replantação desta espécie (e, 
realmente, de todas elas) eu, por minha parte, sinto­me obrigada a dispensar 
este óleo ­ incluindo os fornecimentos de outras regiões da América do Sul e 
também de África.

Mas nem tudo são notícias tristes a respeito das árvores: a
situação é muito melhor no tocante à essência de sândalo (oriunda de Karnataka, 
ex­Mysore). O governo indiano decretou que, por cada árvore abatida, sejam 
plantadas duas ­ e é isso que está de facto a acontecer.

As propriedades dos óleos essenciais

Todas as essências são anti­sépticas; e algumas delaspossuem também propriedades 
antivirais ou anti­inflamatórias. E convic­
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ção generalizada que as essências de alho e de Melaleuca são os óleos 
essenciais antivirais mais poderosos. Por motivos óbvios, a essência de alho não 
é correntemente utilizada em massagens aromaterápicas (embora já se tenha sabido 
de alguns casos!). Por outro lado, é tomada em cápsulas, como medicamento. Ao 
contrário dos anti­sépticos químicos, os óleos essenciais são inofensivos para 
os tecidos do nosso organismo mas atacam fortemente os germes nocivos. O Dr. 
Jean Valnet (um dos pioneiros franceses da aromaterapia) usou óleos essenciais 
para tratar os horríveis ferimentos dos militares da Segunda Guerra Mundial. As 
essências não só encobriram com os seus odores os pútridos cheiros das feridas 
gangrenadas como, retardando o
processo de putrefacção, as fizeram desaparecer. Estimulando e reforçando os 
processos próprios do organismo, os óleos essenciais favorecem a cura natural. 
As essências de camomila e de tomilho, por exemplo, possuem a propriedade de 
estimular a produção de glóbulos brancos do sangue, que são importantes meios da 
nossa luta contra a doença. A alfazema, especialmente, tem uma notável 
capacidade de estimular a regeneração das células da pele ­ uma maravilha na 
cura de queimaduras, escoriações, ferimentos, úlceras, etc.

Os óleos essenciais actuam também no sistema nervoso central: uns são calmantes 
(camomila, alfazema) e outros estimulantes (alecrim, manjerico). Alguns deles 
têm a propriedade de normalizar situações anómalas. O alho, por exemplo, pode 
fazer baixar uma pressão arterial alta e subir uma pressão arterial baixa. Do 
mesmo modo, as essências de bergamota e de gerânio podem ter efeitos sedativos 
ou estimulantes em conformidade com as necessidades da pessoa ­ fenómeno este 
totalmente ausente nas essências sintéticas, obtidas por via químico­industrial.

A química dos óleos essenciais é bastante complicada: podem ser constituídos por 
centenas de componentes ­ terpenos, álcoois e aldeídos diversos, ésteres e, sem 
dúvida, muitas outras substâncias que ainda se não pôde identificar. Isto 
explica por que é que um único óleo essencial pode ser útil numa tão ampla 
variedade
25
de situações. Como os óleos essenciais são produtos da natureza, e não do 
laboratório, os seus efeitos colaterais são virtualmente inexistentes.

Uma substância sintética é constituída por um único princípio activo, muito 
poderoso mas não equilibrado por outros. Tais produtos não possuem a acção 
sinérgica (isto é, harmoniosa) de um óleo essencial, de um remédio homeopático 
ou de um medicamento herbáceo. Por conseguinte, a sua acção é como aquela de que 
fala o provérbio: partir nozes com um malho de ferreiro. E é claro que 
semelhante brutalidade tem os seus inevitáveis efeitos secundários.

Evidentemente, nem todas as substâncias existentes na natureza são benéficas. 
Pensemos apenas nas folhas do loureiro (das quais se pode extrair cianeto) e na 
dedaleira, que pode matar se não for administrada com as necessárias cautelas. 
E, contudo, nenhuma destas plantas ­ quando tomada em doses homeopáticas ­ 
apresenta o mínimo problema de toxicidade.

Facto interessante: o Dr. Jean Valnet e outros médicos da área da aromaterapia 
clínica descobriram que as misturas de certos óleos essenciais não só são mais 
poderosas que esses mesmos óleos tomados isoladamente como põem em acção um 
misterioso factor, a sinergia: o todo é maior que a soma das suas partes. Isto é 
especialmente notado no tocante à acção antibacteriana das essências. Por 
exemplo: uma mistura de óleos de cravo da índia, tomilho, alfazema e hortelã­
pimenta é de longe muito mais potente que aquilo que o químico poderia esperar 
(atendendo à acção conjugada dos respectivos constituintes químicos). E, 
curiosamente, tal como acontece com uma nota musical discordante, a mistura de 
mais de cinco essências tem um efeito contraproducente: a acção antibacteriana 
diminui.

A aromaterapia tem por objectivo, tal como outras terapêuticas naturistas, o 
reforço do nosso sistema imunitário. A medicina alopática (ortodoxa) provoca a 
diminuição das defesas orgânicas, pois suprime estados sem lhes eliminar as 
causas. Ao mesmo tempo, os produtos químicos originam efeitos colaterais e o 
nosso organismo terá de lidar depois não só com a
26
doença como também com eles. Isso dará possivelmente lugar a uma doença 
iatrogénica ­ isto é, provocada pelos remédios ­, problema que deve estar muito 
mais espalhado que o que em geral se pensa.

A nossa tendência é, porém, para uma posição equilibrada, aceitando a 
impossibilidade de se poder dispensar por completo o uso das substâncias 
sintéticas: tudo tem o seu lugar numa concepção holística das coisas. Se, por 
exemplo, uma pessoa estiver bastante mal por não reagir ao tratamento naturista 
ou se se encontrar em situação de vida ou de morte (acidentes de viação, 
deficiências funcionais orgânicas congénitas, etc.), a intervenção dos remédios 
químicos pode ser decisiva.

A aromaterapia na prática

O aspecto mais fascinante da aromaterapia é a influência dos aromas na mente e 
nas emoções ­ e nisso reside o misterioso poder desta arte. Na verdade, esta 
influência dos aromas na psiché humana já levou alguns aromaterapeutas a pôr em 
prática aquilo a que actualmente se dá o nome de «psico­aromaterapia», em que o 
uso dos óleos se destina unicamente a modificar a disposição das pessoas. Outros 
aromaterapeutas adoptam uma posição intuitiva preferindo não escolher os óleos 
mais adequados a cada pessoa e deixar que cada um opte por aqueles que as suas 
preferências olfactivas lhe indicam. O mais frequente é verificar­se depois que 
os óleos assim escolhidos se mostram os mais adequados à situação concreta do 
paciente; e, à medida que o seu estado fisico e emocional se vai modificando, 
assim também as suas preferências olfactivas se vão, por vezes, alterando.
O corpo e o espírito estão intimamente ligados: o que fere ou
favorece um, fere ou favorece também o outro.

O natural e o sintético

Se bem que os químicos tenham já tentado reproduzir em
laboratório os óleos essenciais, o resultado obtido nunca é o
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mesmo. Um produto químico sintético é, em teoria, idêntico àquele que se 
encontra na natureza; na prática, contudo, como todos os químicos sabem, é 
impossível produzir uma substância cem por cento pura. Qualquer produto obtido 
por via sintética traz consigo uma pequena percentagem de substâncias 
indesejáveis que se não encontram no óleo essencial da natureza. Além disso, 
faltam­lhe os enzimas vitais e, provavelmente, uma multidão de outras 
substâncias existentes nas plantas e ainda não descobertas. Acima de tudo, 
porém, o produto químico sintético carece da força vital da natureza. Nenhum 
composto sintético pode reproduzir as vibrações, o princípio estrutural da 
«matéria da vida».

Afastando­nos por momentos da aromaterapia, vejamos o caso da insulina, um 
excelente exemplo de como o natural ganha nitidamente ao sintético. Na ocasião 
em que escrevo, a insulina sintética ­ que, para o químico, é idêntica àquela 
que é segregada pelo pâncreas ­ não pode ser administrada aos diabéticos 
porque, pura e simplesmente, não actua; e, no entanto, a insulina do porco, 
injectada numa pessoa, actua!

­No mundo ocidental, o sistema educativo está centrado no sobredesenvolvimento 
da actividade do hemisfério cerebral esquerdo (lógica) em detrimento do 
hemisfério direito, mais místico. Isto significa que tendemos a descrer da 
intuição, da filosofia e dos conceitos abstractos (daquilo a que os Chineses 
chamam yin, ou princípio feminino) e a favorecer a tecnologia, a matemática e 
tudo quanto for mensurável (ou, como dizem os Chineses, o yang, ou princípio 
masculino). E o resultado é uma sociedade materialista que venera as mercadorias 
de consumo e em que os académicos mandam mais que os artistas e que os 
filósofos. A situação ideal seria um casamento destes dois princípios 
aparentemente opostos, no qual os praticantes alternativos e os praticantes 
ortodoxos reinassem lado a lado em boa harmonia. Assim como o dia não pode 
existir sem a noite nem o Sol sem a Lua, também a lógica fica desumanizada 
quando não é equilibrada pela intuição e pelo sentimento.
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A nossa intuição diz­nos que o uso de óleos sintéticos ­
mesmo que alguns deles contenham «princípios activos» derivados das plantas ­ é 
antitético em relação à filosofia da aromaterapia. Nas palavras do grande 
filósofo Rudolph Steiner (1861­
­ 1925), «a matéria é o mais espiritual do perfume da planta». E é este flozinho 
espiritual que percorre e une, num único nível, todas as filosofias de cura 
natural. Na acupuntura chama­se chi, na
medicina ayurvédica (indiana) chama­se prana e na psicoterapia reichiana tem o 
nome de orgone. Em muitas outras escolas de pensamento, chama­se simplesmente 
«energia» ou «espírito».

Ao materialista, toda esta conversa de «força vital», «espírito» e «energia» 
poderá parecer mistificatória, obscurantista, completamente desligada da 
realidade; mas a realidade é mais que tridimensional. Tal como uma fragrância 
inebriante, a realidade espiritual tem de ser experimentada para poder ser 
apreciada: é impossível traduzir isto em palavras. A realidade espiritual é um 
saber intuitivo e não um saber intelectual. Não pode ser medida com instrumentos 
científicos ­ e aqui a temos de deixar!

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2

HISTóRIA RESUMIDA DA AROMATERAPIA

As verdadeiras origens da aromaterapia evolaram­se nas brumas do tempo. Desde o 
dealbar da história humana que as pessoas se sentem fascinadas, intoxicadas ou 
mistificadas pelos poderes das plantas aromáticas. Embora a palavra 
«aromaterapia» tenha sido forjada na década de 1920 pelo químico francês Renê 
Gattefôssé , precisamos de apontar o nosso telescópio histórico para muito mais 
longe: para os princípios da humanidade.

Os nossos primeiros antepassados viveram num mundo carregado de perigos mas 
estavam muito mais avançados na arte da sobrevivência que aquilo que muitos de 
nós, neste mundo moderno, poderemos imaginar. Ao contrário da crença vulgar, não 
era por mero acaso ­ ou, em termos mais rudes, por uma espécie de «roleta russa» 
­ que os nossos antepassados distinguiam as plantas comestíveis e as plantas 
medicinais daquelas que são venenosas. É quase certo que possuíam capacidades 
sensoriais e intuitivas muitíssimo desenvolvidas que hoje só se encontram nas 
poucas tribos «primitivas» ainda existentes.

O leitor deve ter conhecimento, por exemplo, de certas histórias sobre caçadores 
índios norte­americanos capazes de seguir as suas presas ao longo de extensas 
pistas servindo­se apenas dos seus sentidos e, em especial, do olfacto ­ capazes 
mesmo de
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reconhecer o cheiro de outros seres humanos farejando o solo que eles pisaram. 
Do mesmo modo, os nossos antepassados devem ter identificado as plantas úteis 
servindo­se do olfacto, da vista e da intuição. Por outras palavras: por 
instinto.

E, para afastar de nós outro mito, digamos também que ainda não perdemos por 
completo essa capacidade animal de utilizar os
dados dos sentidos para sobreviver. A questão é simplesmente de condicionamentos 
e de adaptabilidade. Actualmente, já não é de uma importância vital para a 
existência o ter­se um sentido do olfacto supereficiente. Contudo, quando as 
circunstâncias a isso nos forçam, as coisas tomam um aspecto diferente. No seu 
livro Body Power, o Dr. Vernon Coleman menciona o caso de um preso norte­
americano que criou consideráveis aptidões de caçador. Era capaz de identificar 
os guardas da prisão pelo cheiro, pelo ritmo respiratório e pelos sons das suas 
articulações quando caminhavam. Podia mesmo adivinhar a presença de um maço de 
cigarros dentro de um bolso de casaco a vários metros de distância!

Tal como descobriram as plantas comestíveis e medicinais, os
nossos antepassados descobriram algo ainda mais interessante: certas plantas 
aromáticas, quando queimadas numa fogueira, provocavam alterações nos seus 
estados de consciência. Assim se descobriu que certos aromas faziam com que as 
pessoas se sentissem sonolentas e outros as faziam sentir­se despertas e
mesmo eufóricas. Os mais preciosos de todos eles originavam experiências 
místicas ou psíquicas. Eram extremamente apreciados e só eram queimados pelos 
sacerdotes e sacerdotisas durante a prática dos ritos mágicos ou da adoração dos 
deuses ou então com fins curativos. Como a religião e as actividades curativas 
estavam intimamente relacionadas, a defumação das pessoas doentes (destinada a 
exorcizar os espíritos malignos) foi uma das primeiras formas da medicina. O 
zimbro, por exemplo, era uma planta especial, relacionada com a purificação ­ em 
especial no solstício de Inverno, por ocasião da morte e renascimento simbólicos 
do Sol. Mesmo depois do desaparecimento dos sacerdotes druídicos, os povos 
ceitas continuaram a usar o zimbro em fumigações rituais a fim de afastar as 
doenças.
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Diga­se de passagem que a fumigação com substâncias aromáticas no intuito de 
evitar a propagação das doenç as infecciosas ainda hoje é usada em certas partes 
do mundo; e, até uma
data relativamente recente, os hospitais franceses queimavam nas
suas enfermarias zimbro, tomilho e alecrim como desinfectantes.

Noutro plano, o incenso, que é a substância mais frequentemente queimada nas 
igrejas, tem a propriedade de nos fazer respirar mais profundamente. Ora, a 
respiração profunda acalma a mente e descontrai o corpo, criando assim nos fiéis 
um estado que induz à oração e à meditação.

Os antigos Egípcios são geralmente considerados os verdadeiros fundadores da 
aromaterapia. As substâncias aromáticas eram
por eles usadas nas práticas de magia e de cura (que incluíam diversas formas de 
massagem), na preparação de cosméticos e no
embalsamamento. Na verdade, as múmias tão excelentemente conservadas de animais, 
de faraós e de rainhas que hoje se encontram expostas em muitos museus dão 
testemunho da habilidade dos antigos embalsamadores egípcios e das notáveis 
propriedades conservantes das essências vegetais.

Como apontamento de certo interesse, direi que encontrei uma vez um cientista 
forense que teve a sorte de estar presente numa experiência em que se 
desembrulhou uma múmia. Tanto ele como os seus colegas se admiraram com os 
aromas de cedro e mirra ainda perceptíveis, ao cabo de cerca de três mil anos, 
nas ligaduras mais profundas!

Os jardins botânicos do antigo Egipto eram dignos de ver­se.

Neles se reuniam muitas plantas raras e belas, oriundas de terras tão distantes 
como a índia e até a China. Essas plantas eram
transformadas em medicamentos, perfumes e unguentos pelos sacerdotes e 
sacerdotisas egípcios, que se tornaram tão famosos pelas suas aptidões que de 
todo o mundo antigo se deslocavam ao Egipto sábios e médicos para com eles 
aprender a medicina e os Mistérios.

Os arqueólogos crêem, na sua maioria, que os Egípcios não utilizavam os óleos 
essenciais em si (isto é, extraídos por destilação) mas sim que as plantas e as 
gomas davam origem a óleos e
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unguentos Por infusão. Ou seja: o material vegetal era colocado numa base de 
óleo ou gordura e deixado ao sol durante alguns dias. Passado esse tempo, a base 
ficava impregnada com o seu aroma.

No entanto, segundo o Dr. Jean Valnet, os Egípcios usavam uma forma primitiva de 
destilação a fim de extrair das plantas os óleos essenciais. Despejavam água por 
cima do material vegetal (normalmente, madeira de cedro), colocado no interior 
de grandes potes de barro, e em seguida tapavam a abertura dos potes com fibras 
de lã. Os potes eram aquecidos e os óleos essenciais, transportados pelo vapor, 
ficavam embebidos na lã , que depois era espremida para largar a essência. O 
óleo de cedro era altamente apreciado pela sua utilidade no embalsamamento, na 
medicina e na perfumaria. Era também o perfume mais caro e mais procurado em 
todo o mundo antigo.

A propósito: foram já encontrados potes como esses em Tepe Gawra, perto da 
antiga Nínive. Pensa­se que datam de há 5500 anos, e isso sugere que as 
realizações tecnológicas dos Mesopotâmios têm sido grosseiramente subavaliadas, 
já que a invenção da destilação tem sido atribuída aos Árabes do século XI.

Outro método egípcio de extracção dos óleos essenciais das flores era o da 
expressão. Um baixo relevo que hoje se encontra no Museu do Louvre, em Paris, 
representa mulheres que reúnem lírios num grande saco de pano e dois homens a 
segurar paus presos aos lados do saco. Esses paus seriam depois torcidos para 
apertar o saco a fim de, espremendo as pétalas, fazer com que o óleo essencial 
se libertasse delas.

Durante as festividades mais importantes eram queimadas nas praças das cidades 
pilhas de substâncias aromáticas como incenso, mirra, zimbro e cipreste a fim de 
purificar a atmosfera e de dar ao povo a oportunidade de apreciar o odor dos 
fumos aromatizados. Uma substância muito apreciada, queimada apenas nos templos 
e nas cerimónias do Estado, era o Kyphi: uma mistura de luxo, fortíssima, de uns 
dezasseis ingredientes entre os quais se contavam o açafrão, a cássia, o nardo 
indiano, o cinamorno e o zimbro. O molho de ramadas era atado e completado
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com mel e passas de uva. Dioscórides diz que era um perfume agradável aos 
deuses. O Kyphi era sempre queimado depois do sol­posto, pois possuía efeitos 
soporíficos e embriagantes.

Na China antiga, a medicina de ervas era utilizada em conjunção com a acupuntura 
e as massagens no tratamento de uma miríade de enfermidades. Mas os Chineses 
estavam também interessados na busca da imortalidade mediante a prática da 
alquimia.

Antes de dar início às suas experiências, o alquimista queimava incenso e 
banhava­se com perfumes especialmente preparados. Acreditava que os perfumes das 
plantas continham forças mágicas e espíritos vegetais que o auxiliariam a compor 
o elixir da vida.

As casas ricas da antiga China tinham uma sala especial para o nascimento das 
crianças, chamada quarto da artemísia, onde esta planta era queimada a fim de 
atrair espíritos concordes e criar um clima de tranquilidade à mãe e ao filho.

Uma das plantas mais apreciadas na antiga China era a mo­lu­hwa, uma espécie de 
jasmim: um só botão tem perfume bastante para aromatizar uma sala.

Os Gregos deviam grande parte da sua sabedoria médica e anatómica aos Egípcios. 
Tal como no Egipto, as substâncias aromáticas estavam na base de todo um modo de 
vida. Queimava­se incenso adocicado nos templos, nas praças das cidades e nas 
cerimónias oficiais. Muitas casas tinham um altar denominado thyterion, no qual 
se queimava incenso para apaziguar os deuses.

Parece que os Gregos não se satisfaziam perfumando apenas as vestes e o corpo: a 
comida e o vinho tinham também de ser perfumados. Os vinhos aromatizados com 
rosas, violetas e mesmo mirra eram tidos em tanto apreço como o néctar das 
celebrações religiosas. Mas havia ainda outro motivo para esses hábitos: 
acreditava­se que o perfume ­ em especial o da rosa ­
tinha o poder de cortar os efeitos inebriantes do álcool, de modo que se podia 
assim beber mais vinho! E sabe­se, na verdade, que o óleo de rosa tem um efeito 
benéfico específico sobre o fígado.
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Hipócrates enalteceu as virtudes de um banho aromático e de uma massagem com 
perfumes, ambos diários, para o prolongamento da vida. Na verdade, a massagem 
com óleos aromáticos era considerada de tal eficácia que Platão repreendeu (ao 
que se diz) Herodicus, um dos mestres de Hipócrates, por com ela prolongar a 
mísera existência dos idosos!

Os Romanos gastavam enormes quantias na compra de substâncias aromáticas e nos 
seus requintados balneários públicos ­
ideia que recolheram dos Egípcios. As famílias ricas passavam os dias no 
balneário a receber massagens com óleos aromáticos, ministradas por uns 
infelizes escravos eumicos cuja única função na vida consistia em amassar e 
zurzir o corpo dos seus senhores.

Os Árabes foram exploradores famosos. Viajavam por mar e
por terra a fim de em paragens distantes obter substâncias aromáticas e 
artefactos. Têm sido achadas moedas á rabes em regiões tão longínquas como a 
Rússia, a Alemanha e a Suécia. das viagens que faziam ao Extremo Oriente, 
trouxeram os Árabes muitos aromas fortes: sândalo, cássia, cânfora, noz moscada, 
mirra, cravinho... Estas substâncias eram por eles usadas tanto em perfumaria 
como em medicina.

Os médicos árabes punham em acção as poderosas propriedades germicidas dos óleos 
essenciais desinfectando os seus corpos e roupas com uma agradável mistura de 
sândalo, cânfora e água de rosas. Não só se protegiam das infecções como criavam 
uma figura bem cheirosa que desse ânimo aos doentes. Esta prática fora também 
preconizada, vários séculos antes, por Hipócrates, o «pai da medicina».

No século xi, o famoso médico, filósofo, matemático e astrónomo árabe Abu Ibn­
Sina (conhecido no Ocidente por Avicena) tinha já aperfeiçoado a arte da 
destilação para captar as essências voláteis das plantas. O seu método era tão 
avançado que, passados novecentos anos, o alambique moderno não apresenta 
grandes inovações em relação ao seu. Avicena usava também as massagens, a 
tracção (no caso de membros fracturados) e uma
dieta desintoxicante, só de frutos, como parte do seu regime curativo.
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No século xii, os perfumes da Arábia eram já famosos em toda a Europa. Os 
cavaleiros das cruzadas trouxeram consigo para a Europa não só os exóticos e 
caros perfumes arábicos como também a ciência da sua destilação.

Os herbários medievais contêm referências à água de alfazema e a muitas maneiras 
de usar os óleos essenciais, isto embora alguns moralistas e chefes religiosos 
tivessem tais práticas na conta de frivolidades e as considerassem, mesmo, 
imorais. Nos lares britânicos, as mulheres eram exímias na preparação de 
remédios herbáceos e bolas de cheiro para dar aroma aos linhos e manter 
afastadas as moscas e as traças. Em certas casas mais ricas havia mesmo 
alambiques para extracção das essências mais utilizadas na medicina e na 
confecção de perfumes. Refira­se de passagem um facto que está hoje bem 
documentado: os perfumistas, cujos corpos andavam, evidentemente, bem 
impregnados de líquidos aromáticos, mostravam­se frequentemente imunes à peste.

A conquista normanda da Grã­Bretanha trouxe consigo, entre muitas outras coisas, 
o hábito de espalhar no chão plantas aromáticas cujos odores se evolavam quando 
eram pisadas. As propriedades insecticidas e bactericidas dessas plantas 
ajudavam a afastar as doenças matando as bactérias arrastadas no ar e 
afugentando pulgas e piolhos. As pessoas não tomavam banho mas encharcavam o 
corpo e as roupas com perfumes e traziam consigo raminhos de ervas aromáticas 
(tussie mussies) para evitar doenças infecciosas e ocultar o fedor das ruas 
emporcalhadas.

No século xvii, o uso medicinal de ervas e óleos essenciais entrou numa fase de 
declínio por causa do favor concedido às primeiras substâncias fornecidas pela 
química, algumas das quais, e em particular o mercúrio, se mostraram depois 
horrívelmente perigosas. Barbara Griggs descreve no seu livro Green Pharmacy 
alguns dos horríveis efeitos colaterais do mercúrio administrado aos 
sifilíticos. Vendo as coisas em retrospectiva, morrer da doença poderia parecer 
muitíssimo preferível às agonias do envenenamento mercurial.
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No século xix, como hoje, os químicos quiseram joeirar as chamadas «impurezas» 
das plantas para isolar os seus «princípios activos». Mas essas «impurezas» 
fazem necessariamente parte do todo, pois actuam de harmonia com o princípio 
activo e evitam, assim, os efeitos colaterais.

Os pioneiros do século xx

O fundador da aromaterapia tal como hoje a conhecemos foi Renê Gattefôssé, 
químico francês que na década de 1920 trabalhava nos negócios de perfumaria de 
sua família. A princípio, limitou as suas pesquisas aos usos cosméticos dos 
óleos essenciais; mas depressa descobriu que muitos desses óleos possuíam também 
fortes propriedades anti­sépticas. Depois de uma violenta explosão no seu 
laboratório, Gattefossé ficou com graves queimaduras numa das mãos mas, tendo­a 
mergulhado num tanque de essência de alfazema, notou a rapidez com que a 
queimadura sarou. Não se notavam sinais de infecção e nem sequer uma cicatriz 
ficou a recordar o acidente.

Este facto levou Gattefôssé a investigar o uso dos óleos essenciais nos 
problemas de pele e a proceder a muitos estudos sobre as suas aplicações em 
medicina. Publicou em 1928 um livro intitulado Aromathérapie cunhando deste modo 
a palavra que desde então tem sido utilizada neste âmbito.

Como consequência do livro de Gattefôssé, gerou­se em França e em Itália um 
grande interesse pela aromaterapia. O Professor Paolo Rovesti, director do 
«Istituto dei Derivati Vegetali» de Milão, mostrou que cheirar os óleos de 
certas plantas pode dar alívio a estados de ansiedade e depressão. Utilizou para 
isso óleos produzidos a partir dos frutos criados na região milanesa ­ 
bergamota, laranja e limão. Molhava pedacinhos de algodão em rama nos óleos 
essenciais e passava­os sob os narizes dos pacientes. Isso ajudava, segundo 
dizia, a evocar e libertar recordações e emoções reprimidas que pudessem estar a 
exercer efeitos nocivos na saú de dessas pessoas.
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O maior contributo para que a classe médica se dispusesse a apreciar e aceitar o 
tratamento aromaterápico foi o do Dr. Jean Valnet, médico e antigo cirurgião 
militar francês. Valnet usou óleos essenciais para tratar ferimentos e 
queimaduras de soldados da Segunda Guerra Mundial. Mais tarde, descreveu no seu 
livro Aromathérapie a forma como tratara doentes psiquiátricos crónicos com 
óleos essenciais. Esses doentes apresentavam sintomas físicos atribuíveis aos 
efeitos colaterais dos remédios químicos que lhes eram dados contra depressões e 
alucinações. Depois de suprimido por fases o uso desses medicamentos, Valnet 
administrou­lhes óleos essenciais por via oral e os sintomas, quer físicos quer 
mentais, diminuíram de intensidade ­ em certos casos, poucos dias depois da 
supressão do anterior tratamento. A versão inglesa deste livro, The Practice of 
Aromatherapy, tornou­se uma obra clássica para os aromaterapeutas. Valnet é 
também presidente da «Société Française de Phytothérapie et d'Aromathérapie».

A bioquímica de origem austríaca Marguerite Maury poderia ser venerada como mãe 
da aromaterapia holística. Embora inspirada em Gattefôssé, não aceitava bem a 
ideia de administrar as essências por via oral e criou uma técnica especial de 
massagem para aplicação de óleos essenciais no rosto e ao longo da linha de 
centros nervosos da coluna vertebral do paciente. Introduziu também o conceito 
de prescrição individual, em que os óleos são escolhidos em função das 
necessidades pessoais de cada paciente. Os seus clientes (na sua maioria, 
mulheres saudáveis em busca de rejuvenescimento) revelaram melhorias 
espectaculares no estado da pele. Para seu espanto, mostravam também alguns 
efeitos colaterais: muitos deles sentiram alívio de dores reumáticas, passaram a 
dormir melhor e o seu estado psíquico geral melhorou bastante. Estes efeitos 
duravam semanas ­ ou, em certos casos, meses ­ depois de terminado o tratamento.

Marguerite Maury, que se dedicou inteiramente a este trabalho, recebeu dois 
prêmios internacionais (em 1962 e 1967) pelas suas investigações sobre os óleos 
essenciais e a cosmetologia.
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Daniè1e Ryman ­ ex­discípula de Marguerite Maury que durante mais de vinte anos 
deu continuidade ao seu trabalho ­ escreve no seu livro (The Secret of Life and 
Youth, na versão inglesa): «Marguen»te Maury tinha algumas das excentricidades 
dos gênios... era um verdadeiro furacão de energia e entusiasmo e trabalhou 
incessantemente até morrer, literalmente de excesso de trabalho, com um ataque 
cardíaco que lhe sobreveio na noite de
25 de Setembro de 1968.»

Marguerite Maury tinha 73 anos de idade quando faleceu. Seu marido e colega, o 
Dr. E.A. Maury, escreve: «Continua a mostrar o caminho aos que têm tido vontade 
de reconhecer o seu valor e durante muito tempo continuará a mostrá­lo aos que 
desejarem uma nova orientação para o seu bem estar moral e fisico.»

Robert Tisserand, aromaterapeuta clínico, autor de livros e investigador 
britânico, publicou um dos primeiros livros escritos em inglês sobre esta 
terapêutica até hoje tão mal conhecida (excepto em França). Na sua primeira 
obra, intitulada The Art of Aromatherapy, discute a história e as propriedades e 
aplicações terapêuticas de muitas essências. É justo dizer­se que este livro 
despertou em todo o mundo, talvez mais que qualquer outro, um enorme interesse 
pela arte curativa da aromaterapia.
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3

EM QUE PODE A AROMATERAPIA SER­NOS úTIL?

A aromaterapia pode fazer por nós muito ou muito pouco, conforme a medida do 
esforço que nos dispusermos a aplicar para salvaguarda da nossa saúde e aumento 
da nossa vitalidade. Por exemplo: estará o leitor preparado para deixar de fumar 
ou para reduzir a quantidade de cafeína, álcool, açúcar e comidas sem valor 
nutritivo que costuma consumir? Quantas vezes vai dar um passeio ao campo ou 
mesmo ao parque da sua cidade? Poderá reservar um bocadinho do seu dia, não mais 
de meia hora, para se descontrair ou para entrar em comunhão com a natureza?

A aromaterapia pode ajudar a tratar de inúmeros males; mas, para obter os 
melhores resultados, é preciso que ela faça parte de um regime holístico de 
saúde. Quero dizer com isto que devemos olhar para além dos sintomas e procurar 
ver as causas, devendo esforçar­nos por prevenir as doenças. É importante ter­se 
presente que a doença não cai do céu aos trambolhões ­ embora, por vezes, assim 
pareça. Há muitas causas possíveis para uma má saúde: é verdade que a 
hereditariedade desempenha em tudo isto
o seu papel (o que é muito injusto), mas a causa dos nossos males reside, 
sobretudo, no nosso estado mental, no nosso estilo de vida e nos nossos hábitos 
alimentares.
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A aromaterapia holística exige, tal como outras terapêuticas holísticas, uma 
grande dose de empenhamento pessoal por parte do paciente. Talvez não seja tão 
fácil como entregar o corpo ao médico e limitar­se a tomar os remédios que ele 
receita; e tão­pouco se pode esperar ficar curado da noite para o dia. Mas os 
resultados obtidos a longo prazo valem bem o esforço aplicado.

As sugestões de auto­ajuda delineadas neste livro serão úteis para reforçar o 
nível de energia do leitor e para lhe restabelecer uma sensação de harmonia na 
vida ­ por muito frenética que esta seja. Em todas as formas de terapêutica 
natural, que se orientam para a estimulação e não para a supressão das defesas 
naturais do organismo, o axioma fundamental é este: criando­se condições 
favoráveis no todo da pessoa ­ corpo, mente e espírito ­, o corpo curar­se­á a 
si próprio. Esta formulação é também conhecida pelo nome de «princípio 
holístico». Se este conceito for novo para o leitor, veja então o capítulo 7, no 
qual poderá encontrar muitas sugestões para criar harmonia em todos os níveis 
interiores do seu ser.

O tratamento aromaterápico profissional

Se o leitor decidir consultar um aromaterapeuta profissional, não espere que 
cada um deles lhe aplique exactamente o mesmo tratamento. Cada aromaterapeuta 
entende a arte à sua maneira. Grande parte das suas opções dependerá de onde 
recebeu formação e das suas habilitações noutros ramos terapêuticos e técnicos 
como a reflexologia (massagem nos pontos de pressão dos pés), os Toques de Saúde 
(ensaios musculares, uma técnica de diagnóstico), a ervanária médica, a cura 
espiritual e mesmo as ciências da nutrição.

Um bom aromaterapeuta, quer basicamente intuitivo (afim do curandeiro 
espiritual) quer clínico (partidário da administração oral de óleos essenciais) 
quer polivalente, segue sempre a via holística. Prepara um programa individual 
de cura adequado ao
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temperamento do paciente e às suas necessidades específicas. E o mais importante 
é a existência de empatia entre o paciente e o
aromaterapeuta. Porque, sem empatia, pouco se pode conseguir avançar no caminho 
da verdadeira cura (a cura de corpo, mente e espírito). Sobre a empatia, veja o 
final do capítulo 4.

Nos estudos de casos concretos que em seguida vou apresentar, poderá o leitor 
dar um relance à aromaterapia em acção em níveis diversos: o da atitude mais 
simples, como que sintomática (que uma vez por outra tem também um papel a 
desempenhar); o holístico­intuitivo (valioso para quem sofre de problemas 
relacionados com a fadiga e a tensão nervosa); e, por fim, o clínico­holístico ­ 
o máximo que se pode alcançar na cura holística.

Estudo de alguns casos concretos

Sarna

A sarna é uma doença de pele provocada pela infecção de um parasita, o «ácaro da 
sarna» (Sarcoptes scabei), que pode ser­nos
transmitido por animais do campo (em especial pelos ovinos).

Elizabeth: Elizabeth, uma mulher nova que vive com a irmã numa remota e 
primitiva casa de campo das montanhas galesas, veio ter comigo por causa de uma 
infecção de sarna. O ácaro tinha­se­lhe instalado na parte inferior das costas e 
no abdómen. Como se coçava furiosamente, tinha a pele muito inflamada e coberta 
de pequeninas bolhas cheias de líquido ­ provocadas pela actividade de 
perfuração do parasita.

Elizabeth vinha preparada para depositar confiança nos óleos essenciais e não se 
dispunha a recorrer a algum preparado mais forte que o médico lhe receitasse. Na 
verdade, ele já lhe tinha receitado um unguento que não dera resultado.

Comecei por aconselhá­la a tomar seis cápsulas de alho por dia durante todo o 
tratamento, que esperávamos não ser muito demorado. Apesar de todos os anúncios 
que dizem o contrário, o
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alho é sempre notado no hálito das pessoas ­ mesmo quando tomado em cápsulas. 
Como grande parte do odor sulfuroso do alho é eliminado também pela pele, pensei 
que ele poderia ser bom para expulsar os assaltantes! Além disso, os tratamentos 
ortodoxos da sarna utilizam unguentos preparados com base de enxofre. Em 
seguida, dei­lhe um Pouco de essência de alfazema para pôr no banho (ela tomava 
banho numa tina em frente do fogão da cozinha). Depois, compus um unguento de 
cera de abelha com essências de alfazema e de hortelã­pimenta e recomendei­lhe 
que o aplicasse muito generosamente duas ou três vezes por dia. O médico já a 
tinha aconselhado a ferver as roupas da cama e a não partilhar roupas com a irmã 
(a sarna é muito infecciosa).

Passada uma semana, Elizabeth comunicou­me, muito contente, que o prurido 
cessara. A inflamação abrandou pouco a pouco e, três semanas depois, a pele 
estava sã embora ainda muito escamosa. Dei­lhe um boião de creme feito em casa 
com óleo de amêndoas, manteiga de coco e água de rosas para lhe amaciar a pele.

Pé­de­atleta

O pé­de­atleta (Tinea pedis) é uma infecção por fungos que ataca a pele dos 
espaços interdigitais dos pés. É também capaz de surgir noutras partes do corpo 
sob a forma de inflamação pruriginosa. O excesso de transpiração causado pelo 
uso de calçado insuficientemente ventilado favorece esta infecção, que pode 
também ser contraída nos vestiários das piscinas e ginásios. Os casos mais 
graves, em que são também atacadas as unhas e outras zonas dos pés (são 
sintomáticas as fissuras nos calcanhares), são usualmente sinal de um mau estado 
geral de saúde e necessitam de tratamento holístico. Pode ser necessário adoptar 
um regime alimentar especial e tomar uma dose diária de complexo vitamínico B.
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Howard. Howard é um grande caminhante que gasta a maior parte do seu tempo livre 
a trepar encostas, a percorrer terrenos lodosos e a atravessar ribeiros. Anda 
habitualmente com os pés embrulhados em dois pares de grossas meias e enfiados 
numas pesadas sapatorras ­ isto mesmo em tempo quente! Não admira que transpire 
profusamente dos pés e seja atreito ao pé­de­atleta.

Quando Howard me mostrou os pés pela primeira vez, trazia­os num estado 
lastimoso. Além de fendas dolorosas em praticamente todos os intervalos dos 
dedos e de espessas calosidades, tinha os calcanhares cobertos de bolhas 
(acabara de chegar de uma caminhada especialmente dura). Howard experimentara já 
todos os remédios anunciados para os pés e verificara que todos eles eram 
ineficazes: a infecção voltava sempre, como que a vingar­se, poucos dias depois 
de ele deixar de aplicar o unguento ou os pós.

A minha primeira recomendação foi que apanhasse sol e ar fresco nos pés e 
mantivesse uma higiene escrupulosa, conservando sempre os pés o mais secos 
possível. Howard compreendeu a importância de não andar descalço em locais como 
piscinas ou tapetes de casas alheias e decidiu, assim, caminhar descalço na 
relva ou na praia para expor os pés aos elementos.

Dei­lhe essência de alfazema para que a aplicasse três vezes ao dia, sem 
diluição (uma ou duas gotas), nas fendas dos dedos. Para sua grande surpresa, o 
óleo não ardia. O óleo de alfazema tem em comum com muitos outros óleos 
essenciais a particularidade de agir com suavidade nos locais dolorosos, 
esfolados ou infectados da pele. Dias depois, Howard tinha a pele curada. Passou 
a lavar cuidadosamente as meias em água muito quente com sabão (não pode lavá­
las em água a escaldar porque prefere meias de lã, embora o algodão fosse 
melhor) e a arejar bem o calçado. Como medida preventiva, passou também a por 
nas pontas das meias uma ou duas gotas de essência de alfazema.

Um ano depois disto, no Verão de 1990, que foi invulgarmente quente, Howard teve 
uma leve recaída, mas a alfazema curou­lha em um ou dois dias. O único efeito 
secundário de que me falou foi o facto de ter o calçado mais bem cheiroso que se 
pode imaginar!
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Tensão pré­menstrual

Esta situação deve chamar­se mais propriamente «Síndroma Pré­Menstrual» (SPM), 
visto que a tensão é apenas uma das diversas perturbações emocionais e fisicas 
que as mulheres sentem alguns dias (ou duas semanas) antes do aparecimento da 
menstruação. Antes de apresentar o caso de Anna, vou expor as minhas ideias 
acerca do SPM.

Os antropólogos têm comentado um facto conhecido: as mulheres das comunidades 
primitivas só raramente têm problemas com a menstruação. Não porque reajam de 
uma forma mais positiva à menstruação e à sua vida sexual (como certos 
psicólogos adiantaram já) mas provavelmente, acho eu, porque no caso delas a 
menstruação é um acontecimento mais raro. Nos seus anos de fertilidade, ou estão 
grávidas ou a amamentar filhos. A amamentação pode retardar por três anos o 
reaparecimento da menstruação. Será que um certo grau de SPM (não falo de 
tendências suicidas ou assassinas) é a resposta perfeitamente lógica de um 
sistema reprodutor saudável à situação nada natural de não estar grávida? Não 
estou, evidentemente, a dizer que as mulheres devam reduzir­se às funções 
biológicas (longe de mim tal ideia) mas sim que o SPM não é bem o estado 
patológico que alguns especialistas de saúde parecem querer sugerir.

É indubitável que o SPM é exacerbado pela fadiga e pelos maus regimes 
alimentares (e é por isso que em grande parte pode ser remediado), mas a causa 
principal está na retenção de líquidos ­ provocada pelas modificações químicas 
naturais do organismo da mulher.

Anna: Anna telefonou­me um dia, de manhã cedo, num estado de grande desespero, 
pedindo­me encarecidamente que fosse vê­la nesse mesmo dia. Apareci­lhe algumas 
horas depois e, nessa altura, já ela estava um pouco mais calma; mas ainda ia 
fumando cigarros atrás de cigarros.

Anna tinha nessa época 38 anos e vivia sozinha com uma filha de onze anos. 
Aguentava­se mais ou menos no seu emprego de
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jornalista num jornal regional mas era­lhe cada vez mais dificil trabalhar com 
um mínimo de qualidade nos períodos em que padecia do SPM, que por vezes a 
debilitava muito. Os sintomas de que Anna se queixava variavam de mês para mês, 
mais ou menos graves em conformidade com as circunstâncias de momento da sua 
vida.

Naquela ocasião, Anna queixava­se de ansiedade, insônias, manchas na pele, 
inchaço (tinha uma barriga enorme) e um forte desejo de doces ­ principalmente 
de chocolates. Estivemos sentadas a conversar durante perto de uma hora e ela 
contou­me, lavada em lágrimas, que o amante, um rapaz de 23 anos, a trocara por 
uma rapariga de 18. Dessa vez, tinha um bom motivo para estar deprimida.

Do leque de possibilidades que lhe apresentei, Anna escolheu essências de ylang­
flang (a sua essência favorita), bergamota e gerânio. Embora o ylang­ylang seja 
geralmente considerado em aromaterapia um óleo afrodisíaco, pouco recomendável 
para aquelas circunstâncias, Anna não se mostrava interessada por outras 
essências. Desagradava­lhe muito especialmente a manjerona, usada para situações 
de amargura e tida por anti­afrodisíaca. Mas eu deixo sempre que as pessoas se 
guiem, nestes assuntos, pelo seu instinto. De resto, o gerânio era uma boa 
escolha, dadas as suas propriedades diuréticas, e a bergamota igualmente, pelo 
seu aroma estimulante e indutor de alegria. Ambas estas essências se misturam 
bem com o ylang­ylang e têm um efeito equilibrador do sistema nervoso central.

O tratamento foi constituído por uma massagem geral, prestando especial atenção 
às costas (as zonas que ladeiam a coluna vertebral são a porta de entrada para 
todo o sistema nervoso da pessoa). E procurei também equilibrar as energias 
interiores da aura (v. cap. 4).

No fim do tratamento, Anna estava quase a dormir e eu deixei­a só para que 
gozasse tranquilamente a paz reencontrada. Telefonou­me depois a dizer que se 
sentia muito mais leve, como se lhe tivessem tirado um peso de cima dos ombros.
47
Durante cerca de um ano a partir de então, Anna submeteu­se a uma massagem 
aromaterápica sempre que sentiu necessidade: uma ou duas vezes por mês. 
Trabalhámos juntas no melhoramento do seu regime alimentar. Sempre que se 
lembrava, pedia­me também um suplemento de óleo de enotera especialmente 
composto para o SPM. Ganhara o hábito de tomar cinco ou seis púcaros de café por 
dia (grande brutalidade para o sistema nervoso). Acabou por ser capaz de pôr o 
café de lado alguns dias antes do período, mas continuou a beber uma ou duas 
chicaras pequenas durante o resto do tempo. Quanto ao tabaco, procurámos uma 
solução de compromisso. Ela sentia que não era capaz de dispensá­lo por 
completo, mas estabilizou o consumo em três ou quatro cigarritos por dia em vez 
de dez ou quinze.

Anna usa no banho óleos essenciais ­ quer para cuidar da pele e para se perfumar 
quer para ganhar ânimo. Tem uma verdadeira paixão pela mistura de ylang­ylang 
com patchulli.

Embora ainda tenha ligeiros inchaços e se sinta um pouco chorosa antes do 
período, os seus níveis de energia geral são agora muito melhores. Dorme muito 
melhor e consegue pensar mais facilmente.

Há vários meses atrás, Anna mudou­se com a filha para o sueste de Inglaterra. Da 
última vez que me deu notícias, estava a preparar­se para casar com o seu novo 
companheiro e sócio, com quem abriu um pequeno café onde vendem também alimentos 
naturais!

Desgostos

O caso que apresento a seguir é invulgar, pois Charlotte (este nome não é o 
verdadeiro) não me havia revelado o autêntico motivo da sua tão grande 
necessidade de aromaterapia. Pelo contrário: foi por via intuitiva que descobri 
grande parte da verdade ­ que mais tarde vim a confirmar, por um puro acaso, 
graças a uma amiga de Charlotte.
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Este caso serve também para exemplificar a muito real necessidade daquilo a que 
nos círculos de curadores naturistas se dá o nome de «protecção psíquica». Os 
sentimentos desconfortáveis que nós absorvemos das pessoas que procuram a nossa 
ajuda (e nisto se inclui o simples facto de ouvir com simpatia o que vêm dizer­
nos) podem perdurar em nós durante horas e até dias, a menos que saibamos 
dissipá­los. Isso pode ser conseguido por meio de técnicas como a «regulação da 
aura» e a «sintonização com a natureza» ou, pura e simplesmente, tomando um 
banho de chuveiro e uma dose do Remédio de Socorro do Dr. Bach (v. cap. 7).

Charlotte: Charlotte é uma mulher de boa saúde, com pouco mais de quarenta anos, 
que encara a aromaterapia como um mero tratamento de beleza de luxo. Inscreveu­
se para o «serviço», como disse ­ uma massagem ao rosto e a todo o corpo pois 
precisava de «regalar­se» um pouco.

Isto é tudo quanto contarei acerca de Charlotte, a fim de proteger­lhe o 
anonimato. Bastará dizer que resolvi brincar com a ideia dela sobre a 
aromaterapia ­ uma pura e simples maneira de uma pessoa se descontrair. Bem, na 
realidade não é preciso estar­se doente para gozar os bons efeitos da massagem 
aromaterápica.

A primeira impressão que Charlotte me causou foi a de ser uma pessoa simpática, 
mas também senti que a fachada era pura representação e que por detrás dela se 
ocultava uma personalidade muito fechada consigo pró pria. Escolheu para a 
massagem uma combinação de incenso, rosa e cedro e começou a descontrair­se logo 
de imediato. A atmosfera da sala era realçada com
uma música de flautas muito suave, e essa música, conjugada com
os aromas dos óleos, começou também a criar em mim (quanto a
Charlotte, não estou segura!) um estado meditativo. Embora eu não tencionasse 
trabalhar­lhe a aura, as minhas mãos começaram a percorrer o campo de energia 
que lhe rodeava o corpo. Quando me aproximei do « centro do coração», senti um 
peso no peito. Charlotte tossiu e eu senti que estava a retrair­se, a recusar 
libertar uma dor qualquer que lhe pesava fortemente no coração.
49
No final do tratamento, Charlotte não dava sinais de angústia. Na realidade, 
disse mesmo que se sentia maravilhosamente e inscreveu­se para nova massagem na 
semana seguinte.

Não consegui dormir nessa noite e, na outra, o meu sono foi invadido por uma 
série de sonhos perturbantes. Eu tinha cometido a loucura de não aplicar nenhuma 
das técnicas de protecção psíquica que no curso de estudos esotéricos, como 
aprendiza de curadora, me haviam ensinado. Estava convencida de que a massagem 
fora apenas superficial.

Enfim, para encurtar razões, ao longo de várias outras sessões de aromaterapia 
com Charlotte fui sentindo algo que acabei por identificar com o desgosto. 
Claro, porém, que depois daquele primeiro choque tinha já tomado precauções para 
afastar de mim com a maior facilidade quaisquer reminiscências de mal estar.

Charlotte continuou a submeter­se aos tratamentos de aromaterapia durante vários 
meses (uma vez de três em três ou de quatro em quatro semanas). Usava óleos 
essenciais no banho e para perfumar a casa. As essências que escolhia eram 
quase todas de madeiras ou resinas ­ sândalo, cedro, incenso e mirra ­, 
alegradas com rosa ou ylang­ylang e, de vez em quando, com salva mansa.

Depois do quarto ou quinto mês de tratamentos, comecei a
sentir que a dor ia diminuindo; mas nem uma única vez ela entrou em 
confidências. Foi também mais ou menos por essa altura que encontrei numa festa 
uma amiga de Charlotte que comentou o facto de ela andar agora muito melhor 
«apesar das circunstâncias...».

E acrescentou: «Evidentemente que ela vai ter de carregar com a tragédia do 
suicídio da filha durante o resto da vida.»

Hiperactividade

Uma criança caprichosa, sempre pronta para as suas travessuras e correrias, não 
é necessariamente uma criança hiperactiva.
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A verdadeira criança hiperactiva dorme muito pouco (talvez mesmo só quatro ou 
cinco horas por noite), mostra um grau de atenção muito mais restrito que o das 
demais crianças e comporta­se de uma maneira que é mais caótica que 
simplesmente enérgica. Os seus professores e os seus pais ficam, evidentemente, 
muito aflitos.

Muitas dessas crianças são medicadas com produtos químicos a fim de se lhes 
poder domar os ímpetos. É, em muitos casos, uma opção excessivamente rude porque 
se pode reduzir a hiperactividade por meios mais seguros e, em minha opinião, 
mais humanos.

O primeiro passo a dar consiste em modificar o regime alimentar da criança. Um 
dos pioneiros neste campo foi o Dr. Ben Feingold, que nos anos 60 chefiava o 
Departamento de Doenças Alérgicas do «Kaiser­Permanent Medical Center» de San 
Francisco, na Califórnia. O Dr. Feingold descobriu que as crianças hiperactivas 
melhoravam sensivelmente quando passavam a um
regime alimentar em que fossem completamente postos de lado todos os alimentos 
que contivessem aditivos aromatizantes ou
corantes artificiais. Observou­se que as crianças hiperactivas (como também 
certos adultos) apresentavam problemas de comportamento simultâneos com as 
alergias cutâneas.

O estudo do caso de Owen, que a seguir apresento, pode ser
exemplificativo de um êxito apenas parcial. Como frequentemente acontece na 
medicina holística, só muito poucas pessoas se
encontram preparadas para respeitar de uma forma duradoura a necessária 
disciplina alimentar. Este facto deve­se, em grande parte, às pressões sociais. 
É extremamente dificil conseguir que uma criança se abstenha de absorver 
alimentos inúteis quando as
demais crianças do seu meio comem tudo e mais alguma coisa sem que nada pareça 
fazer­lhes mal. A tensão nervosa causada pelo sentimento de se ser um «proscrito 
da sociedade» pode anular algumas das vantagens de um regime alimentar 
totalmente puro, baseado apenas em alimentos naturais; e assim, como no caso dos 
pais de Owen, é por vezes necessário adoptar uma
solução de compromisso.
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Owen: Quando conheci Owen, ele tinha sete anos de idade e
era um rapaz­furacão que punha a casa em alvoroço e berrava como um possesso. 
Muitas crianças dessa idade são também turbulentas, mas Owen era um pequeno 
desordeiro. Seus pais, Bronwen e David, estavam desesperados. Haviam recebido 
mais uma carta da escola a fazer­lhes queixa da falta de atenção de Owen nas 
aulas e da violência que ele exercia sobre as outras crianças.

Embora inteligente (por vezes, causava a admiração dos professores), Owen era 
considerado uma «criança problemática», necessitada de cuidados especiais. Tinha 
o sono muito leve (acordava ao mínimo ruído) e nunca dormia mais de seis horas 
(nas noites menos más). Ora, a maior parte das crianças de sete anos dorme cerca 
de dez horas a fio.

Bronwen contou­me que o filho fora uma criança dificil logo a partir do 
nascimento: passava os dias e as noites a chorar e exigia atenções permanentes. 
Escusado será dizer que Bronwen e David estavam extenuados. Na realidade, eu 
soube do caso de Owen porque tratava a «fadiga» dos pais. Se bem que as 
massagens aromaterápicas lhes estivessem a abafar parte da tensão, tornou­se­nos 
evidente a todos que Owen necessitava também de tratamento.

Combinámos que eu iria conhecer o pequeno no seu próprio meio doméstico para bem 
avaliar o seu comportamento. Owen mostrou grande empenho em mostrar­me o seu 
novo jogo de carros de corrida eléctricos e levou­me ao seu quarto pela mão. O 
cenário fez­me vacilar: em todas as paredes se viam gritantes formas geométricas 
vermelhas, amarelas e verdes. Era, obviamente, um péssimo conjunto de cores para 
o quarto de cama de uma criança hiperactiva! Não tive coragem para falar nisto 
aos pais de Owen ­ foi uma falha da minha parte.

O regime alimentar de Owen era uma coisa assustadora. Embora capaz de comer 
saladas, frutos frescos e pão integral (coisa que nem sempre acontece no caso 
das crianças hiperactivas), davam­lhe liberdade para encher­se de doces e barras 
de chocolate que regava com bebidas de cola, laranjadas e chá.
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Bronwen tinha mesmo descoberto que o filho ficava «numa fúria» sempre que comia 
uma lata de certa sopa fabricada com glutamato de sódio ou uns filetes de peixe 
corados com tartrazina (agente corante que actualmente está a ser posto de 
lado).

Dei aos pais de Owen o endereço do «Hiperactive Children's Support Group» 
(HACSG) e recomendei­lhes que escrevessem para lá a pedir o folheto sobre 
regimes alimentares (baseado na dieta de Feingold).

Preparei um óleo de massagem com alfazema e salva mansa e pedi a Owen que me 
dissesse se gostava do cheiro. O pequeno respondeu imediatamente que sim. Nós 
não estávamos certos de Owen ser capaz de se deixar estar deitado durante o 
tempo suficiente para eu lhe massajar as costas; mas ele causou a nossa
admiração aguentando cerca de dez minutos. Na realidade, depois de esbracejar e 
soltar risadinhas durante os primeiros momentos, começou a dar mostras de 
agrado. Ele sabia que os pais andavam a receber massagens aromaterápicas e creio 
que o facto de também as receber lhe dava a sensação de ser uma pessoa crescida 
e importante.

Bronwen contou­me, no dia seguinte, que Owen dormira profundamente durante perto 
de seis horas e que pela primeira vez na vida não acordara diversas vezes para 
ir à casa de banho.

Owen recebeu massagens aromaterápicas semanais durante uns três meses. À noite, 
tomava também um banho com alfazema, salva mansa ou camomila ­ e, por vezes, uma 
mistura destas três essências. Recomendei­lhe os Remédios Florais de Bach 
(remédios «vibratórios» completamente inócuos) a fim de ajudá­lo a transformar o 
seu comportamento, frequentemente iracundo e violento, numa actividade enérgica 
mas de sinal positivo.

Os pais tentaram, meio desanimados, pôr em prática o regime alimentar do HACSG 
e, tal como esta associação recomendava, fizeram­lhe aplicações cutâneas de óleo 
de enotera.

O certo é que as massagens e a técnica de equilíbrio de energias (da aura) 
operaram maravilhas ­ o pequeno passou a dormir muito melhor. Mas o efeito 
durava apenas uns dois dias de cada vez, pois o regime alimentar de Owen 
continuava a
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conter muito açúcar refinado e muitos aditivos químicos. Ensinei Bronwen e David 
a praticar a sequência de movimentos da massagem das costas a fim de que a 
pudessem utilizar como forma de «primeiros socorros». O ritual do banho 
aromatizado e da massagem passou a ser praticado todas as noites antes de Owen 
se deitar.

Na realidade, o comportamento de Owen melhorou o bastante para que na escola se 
desse por isso. Eu, porém, não fiquei inteiramente feliz com esta nova situação 
porque a aromaterapia estava a ser utilizada como mero paliativo. Assim, sugeri 
a Bronwen e David que recorressem à homeopatia pois pensava que esta iria 
atingir um nível mais profundo. O homeopata aceitou com muito gosto a 
continuação dos banhos e massagens aromaterápicos mas não deu igual importância 
ao regime alimentar de Owen ­ há homeopatas que não concordam com a reforma 
dietética.

Claro que esta solução agradou tanto a Owen como a seus pais. Só o tempo poderá 
dizer­nos se o tratamento homeopático foi bem sucedido.

SIDA

Karin Cutter é uma médica naturopata que exerce a sua
profissão na Nova Gales do Sul, na Austrália. Estou­lhe muito grata por ter­me 
deixado utilizar este notável caso de John4. Eis um trecho da sua carta:

«John sempre fez tudo quanto pôde para tentar convencer
outros doentes como ele de que talvez as terapêuticas alternativas lhes possam 
dar alívio mas, infelizmente, poucos se mostram interessados ou se dispõem a 
respeitar a disciplina alimentar durante algum tempo. Nem John nem eu vemos 
qualquer incon­

4 A história de John é um resumo do relato que foi publicado no «International 
Journal of Aromatherapy».
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veniente em que sejafeito uso da sua história, especialmente se a sua divulgação 
for benéfica para outras pessoas.»

John: John teve de abandonar em 1985 a sua carreira de engenheiro consultor por 
estar gravemente doente. Foi transferido para um hospital de Sidney e aí lhe 
disseram que tinha SIDA. Os médicos davam­lhe dois anos de vida.

John, porém, não estava disposto a morrer. Descobriu um terapeuta holístico que 
lhe ensinou algumas coisas sobre reforma dietética, meditação e visualização. 
Apesar do cepticismo dos especialistas do hospital, John começou a dar sinais de 
melhoria. O seu nível de energia subiu e as tumefacções que apresentava no 
pescoço e nas virilhas, do tamanho de uma noz, começaram a diminuir. Em Dezembro 
de 1985, todavia, John teve uma recaída e criou uma alergia ao poderoso 
antibiótico de amplo espectro que haviam estado a ministrar­lhe contra a 
bronquite que o atacara. Perdeu muito peso e começaram a espalhar­se­lhe por 
toda a pele as lesões purpúreas escuras características da SIDA. Passava também 
por fases de depressão e
confusão mental. Os médicos eram de parecer que não tinha hipóteses de salvação.

Embora mal podendo aguentar­se de pé, John aventurou­se a uma última e 
desesperada tentativa de sobrevivência e entrou em contacto com a clínica 
naturopática onde Karin Cutter trabalhava (o seu primeiro naturopata tinha­se 
mudado para Melbourne). John foi o primeiro doente de SIDA a ser tratado por 
essa clínica.

O tratamento centrou­se na estimulação do sistema imunitário de John ­ que 
estava a ser flagelado por diversos fungos e
parasitas intestinais ­, começando­se por um regime alimentar sem fermentos nem 
açúcar e um tratamento aromaterápico baseado nos óleos de alho, Melaleuca e 
tomilho. Na prática, o óleo de Melaleuca, de múltiplas aplicações, mostrou ser o 
elemento mais útil, tendo sido empregado de diversos modos ­
banhos, inalações de vapor e supositórios. Quando o uso externo da Melaleuca 
deixou de dar resultado (ao cabo de muitos
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meses), o óleo passou a ser administrado por via oral ­ provocando a eliminação 
de mais toxinas.

A recuperação de John foi objecto das atenções dos meios de comunicação 
australianos. Já passaram cinco anos sobre a data da sua sentença oficial de 
morte, mas continua vivo e de boa saúde e dedica grande parte do seu tempo a dar 
estímulo e coragem a outros padecentes de SIDA que lutam pela sobrevivência.

Importante: Karin Cutter deseja salientar que quem sofrer de SIDA ou de 
qualquer outra doença grave não deve meter­se em
aventuras por sua conta e risco mas sim procurar a orientação de um clínico, 
holístico ou ortodoxo, devidamente habilitado e autorizado. Sem uma verdadeira 
compreensão da natureza profunda da doença, as consequências podem ser 
devastadoras.

E muito mais...

Os seis casos concretos que apresento neste livro são os que o espaço disponível 
permitiu. Poderíamos escrever livros inteiros sobre os homens, mulheres e 
crianças (e animais, também ... ) que de um modo ou de outro foram já auxiliados 
pelos óleos essenciais.

Os aromaterapeutas clínicos estão a empregar cada vez mais os óleos essenciais 
no tratamento de doenças graves. Por exemplo: Ellen Asjes, da Holanda, é uma 
conceituada fisioterapeuta e
hielpraktiker (o mesmo que, nos Estados Unidos, um médico naturopata) que já 
tratou com êxito o seu próprio marido, Ray Smith, de um cancro do figado. Foi 
importante o papel dos óleos essenciais na recuperação. E tratou também um homem 
a quem fora diagnosticada a presença de anticorpos da SIDA (prova de HIV 
positiva). Depois de um tratamento que incluía óleos essenciais, as análises da 
urina e do sangue revelaram a ausência do HIV.
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A aromaterapia intuitiva é objecto da irrisão dos clínicos ortodoxos (e até de 
alguns aromaterapeutas de mentalidade científica), mas tem também um lugar no 
esquema holístico das coisas. O aconselhamento, parte importante da aromaterapia 
intuitiva, e a massagem curativa podem ser muito úteis para liquidar à nascença 
um processo mórbido incipiente. Cada vez mais se concorda (mesmo nos meios da 
medicina ortodoxa) em que o sentimento de infelicidade e a fadiga geral são 
factores que contribuem para a instalação das doenças crónicas.
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4

COMO ACTUA A AROMATERAPIA?

Em termos simplistas, a aromaterapia actua pela influência que exerce, ao mesmo 
tempo, em dois níveis: o fisico e o emocional. Podíamos ainda mencionar outro 
nível, o espiritual. Se bem que possamos perceber estes níveis em separado, eles 
estão, de facto, interligados e não nos é lícito separar partes que constituem 
um todo.

Embora os efeitos das essências naturais na mente e no corpo possam ser 
verificados pela ciência, a dimensão espiritual é, evidentemente, mais inefável, 
tão etérea como a fragrância de uma bela flor. Seja como for, procurarei expor 
esse aspecto espiritual em termos que me são próprios. Exploremos primeiro, 
porém, as vias ­ mais tangíveis ­ que o óleo essencial pode percorrer na sua 
travessia pelo corpo e pela mente de uma pessoa.

Absorção cutânea

Muitas pessoas pensam que a pele é uma cobertura impermeável cuja única função 
consiste em manter o sangue e os vários órgãos no interior do corpo e a água 
fora. Dizer­lhes que a pele pode absorver os óleos essenciais, permitindo que se 
infiltrem nos
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finos capilares sanguíneos (sob a superficie da pele) e que daí passem para a 
circulação geral do sangue, leva­nos a correr o risco de enfrentar uma certa 
dose de cepticismo ou até de ridículo.

É verdade que nem a água nem as substâncias aquosas podem ser absorvidas pela 
pele e entrar por essa via na circulação ­
embora as camadas externas fiquem sempre com um pouco de humidade. Nota­se este 
facto depois de uma demorada permanência no banho: as polpas dos dedos ganham um 
aspecto enrugado. Mas Renê Gattefossé ­ o pai da aromaterapia ­
deixou estabelecido, e fora de dúvida, que a pele pode absorver substâncias 
oleosas desde que estas tenham uma estrutura molecular suficientemente fina.

Facto interessante: para eliminar os inimigos, a antiga magia negra usava 
unguentos venenosos impregnados de extractos de cicuta, beladona e outras 
plantas mortíferas. Até princípios do século xx, a sífilis era tratada com 
fricções de mercúrio. Era muito dificil avaliar a quantidade absorvida: por 
isso, podia ser que se curasse a doença mas os efeitos colaterais eram, por 
vezes, horrorosos. A administração de medicamentos por inunção (isto é, através 
da pele) foi recentemente melhorada em termos de segurança graças à introdução 
das doses reguladas. Por exemplo: os estrogénios e os trinitratos são 
actualmente administrados em pensos aplicados na pele.

Pensa­se que, na absorção cutânea, os óleos essenciais, cujas moléculas 
aromáticas são pequenas, passam para os folículos capilares, nos quais existe um 
líquido sebáceo, oleoso, que tem com eles certas afinidades. Daí, os óleos 
difundem­se na circulação sanguínea ou passam à linfa e ao líquido intersticial 
(o líquido que rodeia todas as células do nosso corpo) e desse modo chegam a 
todas as partes do organismo.

Se a pele for saudável, bastam poucos minutos para que as moléculas do óleo 
essencial sejam absorvidas; mas é preciso mais tempo se a pele estiver 
congestionada ou se houver muita gordura subcutânea. No entanto, a pele não pode 
absorver o óleo essencial se estiver transpirada ­ por exemplo, depois de um
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banho de sauna. Serão necessárias várias horas para que se possa proceder à 
aplicação. Mas uma sauna facial de alguns minutos é excelente, pois aquece a 
pele o bastante para facilitar a absorção. As pessoas cuja pele está 
congestionada ganham, muitas vezes, em tomar banhos aromáticos (desde que não 
sejam excessivamente quentes) e massagens gerais, visto que a pele da região 
abdominal, do interior das coxas e da parte superior dos braços é muito macia e 
capaz, portanto, de maior grau de absorção.

Uma vez na corrente sanguínea, as moléculas aromáticas actuam no nosso corpo do 
mesmo modo que os medicamentos herbáceos. Algumas delas, por exemplo, mostram 
afinidade com os rins (o zimbro, o cipreste); outras são capazes de exercer 
influência no sistema hormonal via córtex supra­renal (o gerânio, o manjeríco) 
ou, conforme disse no capítulo 1, poderão ter um efeito «normalizador» tanto na 
mente como no corpo (a bergamota, o gerânío).

Embora os óleos essenciais sejam, por vezes, administrados por via oral 
(especialmente o alho), o seu efeito pode ser muito melhor por aplicação 
cutânea. É o que se vê muito bem no caso do óleo de enotera, que, se bem que 
não seja um óleo essencial, parece actuar melhor no uso externo para o 
tratamento da híperactividade infantil. A administração por via oral nem sempre 
é bem sucedida porque, nestas crianças, a absorção intestinal está, por vezes, 
debilitada. Recorde­se, de passagem, que no final da Segunda Guerra Mundial se 
utilizou a aplicação percutânea de vitaminas no tratamento de ex­prisioneiros 
que se encontravam demasiado mal para poder tomá­las por via oral.

Absorção pelos pulmões

Quando inaladas, as moléculas aromáticas dos óleos essenciais entram nos pulmões 
e aí se infiltram nos finíssimos capilares que envolvem as vesículas pulmonares, 
passando assim para os vasos sanguíneos, que os conduzem a todos os tecidos do 
organismo onde depois exercem os seus efeitos terapêuticos.
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Os efeitos nocivos de certos cheiros ­ como, por exemplo, os dos detritos 
tóxicos das modernas instalações industriais ­ e os resultados da inalação de 
cocaína ou de determinados solventes químicos constituem prova bastante de que 
os odores, benéficos ou não, entram de facto no nosso corpo sob forma gasosa e 
provocam alterações nas nossas condições de saúde física e mental.

O sentido do olfacto e a mente

O processo pelo qual nós nos apercebemos dos cheiros é complicado e não está 
ainda totalmente explicado. A teoria geralmente aceite até hoje é a seguinte: as 
substâncias odoríferas
­ entre as quais se contam os óleos essenciais ­ libertam moléculas que são 
detectadas pelas células olfactivas da parte superior das fossas nasais. Essas 
células são neurónios sensoriais especializados que se encontram imbricados numa 
membrana mucosa estando, cada um deles, directamente ligado ao cérebro por uma 
única fibra nervosa longa. Cada um desses corpos celulares se estende em forma 
de bastonete até à superficie da membrana mucosa, terminando num pincel de 
cílios extremamente sensíveis. As moléculas aromáticas têm de estar dissolvidas 
no muco para que possam ser detectadas. A reacção químico­fisiológica das 
terminações nervosas a essas moléculas é então conduzida pelas fibras nervosas, 
sob forma de impulsos electroquímicos, para a zona olfactiva do cérebro. Como os 
órgãos sensoriais (os cílios) estão em contacto directo com o cérebro, o sentido 
do olfacto tem um efeito muito forte e imediato.

Isto é assim porque a zona do cérebro relacionada com o olfacto está intimamente 
ligada à zona límbica, relacionada com as nossas mais subtis reacções 
emocionais, mnésicas, sexuais e intuitivas. A zona olfactiva do cérebro está 
também ligada ao hipotálamo, estrutura encefálica muito importante que regula 
todo o sistema hormonal por intermédio da sua influência sobre a glândula 
«mestra»: a pituitária.
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Podemos concluir de tudo isto que qualquer processo capaz de enviar directamente 
impulsos ao cérebro pode ser utilizado para influenciar o corpo e as emoções. 
Por exemplo: o aroma dos alimentos aquecidos, especialmente se condimentados com 
ervas aromáticas ou especiarias, estimula o apetite por provocar a salivação e a 
secreção dos sucos gástricos.

Tal como a música, os aromas podem fazer­nos recordar coisas. Há pessoas a quem 
basta o cheiro de um átrio de hospital para que se sintam transportadas ao 
passado e recordem antigas situações traumáticas em ambiente hospitalar, 
experimentadas talvez na infância. Essas pessoas poderão, em semelhantes 
circunstâncias, sentir tremores ou mesmo náuseas. Outros aromas podem evocar, 
talvez, as agradáveis recordações de um primeiro amor ou de uma visita a uma 
querida avó que cheirava sempre a água de alfazema. É interessante observar que 
os cientistas dizem actualmente que as recordações olfactivas diferem das outras 
5 apenas em grau e não em qualidade .

Os que criticam a aromaterapia têm observado que o sentido do olfacto se esgota 
rapidamente ­ logo que as células sensoriais do nariz ficam saturadas e deixam 
de detectar os aromas ­ e que, portanto, os efeitos da aromaterapía são de curta 
duração. Mas, como Marguerite Maury e outras eminentes figuras da área da 
aromaterapia descobriram, os efeitos emocionais (bem como os efeitos fisicos) 
podem perdurar bastante mais, quer o aroma seja perceptível quer não.

Para os leitores que prefiram provas científicas dos efeitos que as essências 
exercem na nossa mente, recordo em seguida algumas experiências efectuadas nos 
últimos dez anos por John Steele, investigador norte­americano, e Maxwell Cade, 
biofisico britânico. Os voluntários que se submeteram a essas experiencias foram 
ligados a um aparelho electroencefalográfico, chamado «espelho da mente», que 
regista as ondas eléctricas do cérebro.

5Dodd, G., e Van Toller, S., Perfwnery.

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Foram estudados deste modo os efeitos exercidos na mente dos pacientes pela 
inalação de vários óleos essenciais que lhes eram dados a cheirar por meio de 
pedacinhos de algodão em rama impregnados deles. As essências que já eram 
conhecidas como estimulantes da clareza de ideias (alecrim, manjerico, hortelã­
pimenta) produziam mais ondas P, indicativo de um
estado de alerta da mente. Alguns dos antidepressivos florais, como a rosa e o 
neroli, produziam mais ondas o@, 13 e 8, indicativo de acalmia da «chilreada» 
interior e de passagem da mente a um
estado próximo da meditação.

Na Universidade de Warwick (Inglaterra), os Drs. Steve Van Toller e George Dodd 
têm vindo a realizar nos últimos anos um intenso trabalho de investigação acerca 
das relações existentes entre o olfacto e as emoções. Se bem que tenham 
trabalhado mais com perfumes sintéticos e outras substâncias odoríferas 
diferentes dos óleos essenciais, os resultados a que têm chegado são muito 
interessantes do ponto de vista aromaterapêutico. Conseguiram provar, por 
exemplo, sem possibilidades de dúvida, que os aromas têm uma profunda influência 
tanto no corpo como na mente das pessoas. Os aromaterapeutas ficaram a dispor de 
provas científicas de peso com que possam responder aos cépticos empedernidos 
que se divertem metendo a ridículo a «fantasiosa» prática da aromaterapia.

De entre as muitas experiências realizadas na Universidade de Warwick, há uma 
que é especialmente digna de nota: descobriu­se que a pele tem a capacidade de 
reagir aos cheiros, mesmo àqueles que nós não conseguimos detectar pelo olfacto. 
Uma das substâncias utilizadas foi a feromona sexual excretada na urina do 
porco. Facto surpreendente, muitas pessoas apresentam uma
anosmia específica para esta feromona (isto é, não lhe captam o
cheiro) embora o seu olfacto seja, em tudo o mais, completamente normal.

Os voluntários foram ligados a um aparelho electroencefalográfico capaz de 
registar não só as ondas cerebrais como também as reacções cutâneas. O aparelho 
acusou nítidas reacções da pele à feromona, mesmo nos indivíduos que diziam não 
sentir o seu
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cheiro. Os que o sentiam, ou gostavam muito dele ou o detestavam.

Descobriu­se igualmente em Warwick que, quando não gostamos de um cheiro, somos 
capazes de «trancar» o seu efeito no sistema nervoso central. Isto vem dar apoio 
à teoria de se dever deixar que as pessoas usem os óleos essenciais de que mais 
gostam ­ especialmente no caso dos problemas de fadiga e
tensão geral.

A experiência da feromona do porco trouxe­me à ideia os
efeitos da essência de sândalo: há pessoas que apresentam anosmia para este 
aroma, mas a maioria sente­o e reconhece­lhe uma extrema tenacidade. Há quem o 
ache repugnante e lhe encontre uma tonalidade «suada», mas outras pessoas acham­
no muito agradável e atribuem­lhe fortes efeitos afrodisíacos. Além disso, tal 
como na experiência com a feromona, são de ambos os sexos as pessoas que reagem 
favoravelmente ao sedutor aroma do sândalo ou que, pelo contrário, o repelem com 
asco. Este óleo de sândalo deve ter algo de hermafrodita!

Outro complicado fenômeno psicossomático é o da auto­sugestão. Há uns anos, 
quando estava ainda no princípio dos meus estudos de aromaterapia, descobri o 
cativante aroma do sândalo. Já depois de ter posto o frasquinho no seu lugar, 
mas ainda extasiada com os suaves e adocicados tons da essência (isto para o meu 
nariz, pelo menos), decidi aspirar nova pitada para me convencer de que não 
estava sonhando. Ah, sim, era divino! Mas quando lhe pus a rolha reparei no 
rótulo, que dizia «Gerânio». Tinha­me enganado no frasco. Qualquer pessoa que 
esteja familiarizada com o aroma claro, nitidamente distinto, do gerânio poderá 
compreender que é preciso ser­se totalmente anosmático para o confundir com as 
tonalidades suaves e profundas do sândalo. Escusado é dizer que, uma vez 
consciente do engano, senti que o encanto se desfizera: o aroma penetrante do 
gerânio era já nítido e inconfundível. Ora, que faria um aparelho de 
electroencefalografia em tais circunstâncias? Diga­se de passagem que nunca mais 
consegui repetir semelhante magia.
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Preferências olfactivas

Tal como os animais, as pessoas também segregam substâncias chamadas feromonas, 
que são responsáveis pelo seu odor corporal. Não há duas pessoas que tenham o 
mesmo cheiro, se bem que em cada «raça» haja semelhanças. Este facto pode, em 
parte, ser consequência do tipo de alimentos ingeridos. Por exemplo: as pessoas 
que apreciam comida temperada com especiarías gostam também de essências fortes 
e penetrantes como o patchulli e o gengibre. Os grandes consumidores de 
lacticínios preferem essências florais, mais leves.

As preferências olfactivas são também fortemente influenciadas pelo odor 
corporal. As emoções, as doenças, a pílula anticoncepcional (bem como outros 
remédios químicos) e as modificações hormonais da puberdade, da gravidez e da 
menopausa provocam alterações no odor corporal e nas preferências olfactívas. 
Isto explica que um mesmo perfume tenha cheiro diferente de pessoa para pessoa e 
que uma pessoa deixe de apreciar uns óleos essenciais e passe a gostar de outros 
que anteriormente detestava. À medida que vamos envelhecendo, o nosso corpo 
segrega feromonas diferentes e, por conseguinte, o perfume que preferíamos 
quando jovens pode parecer­nos totalmente odioso na idade madura.

Ainda no tocante ao odor corporal: no século xvii, a valeriana era um perfume 
muito em voga e, no entanto, os narizes modernos acham­na fedorenta. Decerto se 
harmonizava muito bem com as secreções (ou excreções) dos corpos, raramente 
lavados, das pessoas daquela época.

O condicionamento olfactivo (a «moda») pode igualmente desempenhar o seu papel 
no campo das preferências aromáticas. E é uma pena, porque este gênero de 
«lavagem ao cérebro» impede a expressão da personalidade de cada um e, ao mesmo 
tempo, estorva os benéficos efeitos psicossomáticos dos óleos essenciais (já 
que, como anteriormente disse, nós podemos «trancar» esses efeitos). É verdade 
que os óleos essenciais não têm o mesmo cheiro que as fórmulas sintéticas do 
comércio; mas,
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uma vez acostumada aos odores da natureza e iniciada nos mistérios curativos dos 
óleos essenciais, uma pessoa nunca mais se deixará iludir com os falsos encantos 
do mais recente «Henry», não ganhará o vício de algum «Veneno» nem sequer será 
tentada por qualquer «Noite no Paraíso»!

O axioma da aromaterapêutica é este: guiemo­nos sempre pelas nossas preferências 
aromáticas. É o instinto que nos conduz a preferir a essência que melhor se 
coaduna com as nossas necessidades fisicas e emocionais do momento.

Aromas e vibrações

O ouvido humano é surdo para as altas frequências, como
todos os cientistas sabem, mas nem por isso elas têm menos
realidade nem nós deixamos de receber os seus efeitos. Do mesmo modo, nós 
podemos reagir a aromas muitíssimo diluídos mesmo quando não damos por eles 
(conclusões de outras experiências efectuadas na Universidade de Warwick). É 
este princípio que serve de fundamento aos remédios homeopáticos e aos remédios 
florais de Bach. Só a vibração, o modelo energético, da substância medicinal 
original está presente no comprimido de lactose (homeopatia) ou no líquido 
(Flores de Bach). No entanto, se tivermos optado pelo remédio adequado 
(normalmente, a escolha é feita por um terapeuta habilitado e sensível), o 
efeito curativo será notável ­ e eu posso testemunhá­lo. Nesse nível, estamos já 
a lidar com vibrações, com a energia... chamem­lhe o
que quiserem. Quando tomamos um medicamento homeopático ou um remédio floral de 
Bach, e até mesmo quando aspiramos o aroma de uma linda flor, desencadeia­se em 
determinado nível (o da aura, que adiante explico) um efeito curativo que desse 
nível se infiltra «para o interior», por assim dizer, e penetra no nosso corpo 
físico. Os remédios materiais, como as ervas e os compostos químicos, caminham 
para «fora» do nível físico e só depois é que exercem o seu efeito na aura.
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Isto é uma simplificação excessiva, pois na verdade não há nenhuma verdadeira 
separação de corpo, mente e espírito. Poderíamos dizer que os percebemos em 
separado porque vibram com frequências diferentes. Toda a matéria e toda a 
energia são manifestações de uma mesma coisa. Será, talvez, mais fácil 
compreender esta ideia se considerarmos que a matéria (do cristal ao ser humano) 
se compõe de átomos e de partículas subatómicas. Neste nível, portanto, segundo 
a fisica, a matéria é vibração. A palavra «vibração» é geralmente considerada 
como outro nome da energia. A vida é, essencialmente, energia ­ e assim voltamos 
à ideia de que o TUDO é uno.

Que lugar têm neste quadro os óleos essenciais? É possível considerar que eles 
constituem a ponte que realiza uma ligação quase tangível entre dois mundos: o 
do espírito e o da matéria. Nos óleos essenciais nós temos não só a substância 
material do óleo, com as suas propriedades terapêuticas, como ainda o aroma 
etéreo ­ que, segundo os curadores psíquicos, exerce influência tanto nas nossas 
emoções como no aspecto espiritual da nossa existência. Poderá uma fragrância 
vibrar à mesma frequência que o espírito? Se assim for, isso explicará a 
capacidade que os óleos essenciais têm de influenciar directamente o nosso 
espírito. Há uma lei da fisica que diz que os iguais se
atraem mutuamente ­ um princípio conhecido também na ciência com o nome de 
ressonância.

A aura

A aura é a força vital irradiante que rodeia todas as substâncias vivas e, por 
assim dizer, «não vivas» da Terra, como a água e as rochas. Antes de avançar 
neste ponto, diga­se que a noção de unidade de todas as coisas, vivas ou não 
vivas, é bem recebida num ramo relativamente novo da ciência, a física quântica. 
O Dr. Fritjof Capra explica em profundidade este conceito no seu livro "O Tao da 
Física" e chega à conclusão de que o misticismo oriental
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quadra muito bem com as recentes modalidades da física subatómica.

A palavra aura vem do grego e significa brisa, pois se diz que está 
continuamente em movimento. Os psíquicos dizem que é uma emanação como o arco­
íris, que irradia do nosso corpo e o envolve numa camada de forma 
aproximadamente ovóide com meio metro ou mais de espessura. Bruxuleia e muda de 
cor consoante os nossos pensamentos, as nossas emoções e o nosso
estado físico. Uma aura com cores pastosas denota emoções de sinal negativo ou 
uma saúde precária; as cores claras são, em geral, sinal positivo. Alguns 
curadores (especialmente acupunctores) são até capazes de perceber o cheiro da 
aura ­ que é uma coisa muito diferente do odor corporal.

Embora os psíquicos definam a aura de modos diferentes (consoante os respectivos 
níveis de percepção psíquica), todos concordam em que a aura se compõe de pelo 
menos três níveis, ou camadas. Esses níveis vibram com frequências diferentes. O 
corpo físico, a matéria, vibra com a mais baixa de todas essas frequências; o 
corpo subtil, como a electricidade, vibra muito mais rapidamente e, por este 
motivo, nós não costumamos dar pela sua existência. A primeira parte do corpo 
subtil, ou aura, chama­se corpo etérico, ou vital, e emana até cerca de dois 
centímetros e meio fora do corpo fisico; o corpo astral estende­se até 30 
centímetros ou mais em redor do corpo; e o corpo mental, ou espiritual, que pode 
expandir­se e contrair­se, estende­se por vezes a alguns metros ­ quando estamos 
rejubilantes ou
apaixonados, por exemplo.

A função do corpo etérico consiste em receber e transmitir a energia ou força 
vital (prana) do ar que respiramos. Essa parte do nosso corpo subtil pode ser 
fotografada mediante uma técnica de altas voltagens chamada fotografia kirliana. 
Os dados assim captados revelam uma espécie de luminescência com fluxos de 
energia a emanar das pontas dos dedos das mãos e dos pés das pessoas. Para os 
que têm uma vista bem treinada na sua observação, essas imagens são um reflexo 
do estado emocional e físico da pessoa e podem ser utilizadas como meios de 
diagnóstico.
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O corpo astral, conhecido também pelo nome de corpo emocional, reflecte a maior 
parte das cores da aura. Os psíquicos vêem melhor, em muitos casos, a aura das 
mulheres que a dos homens ­ provavelmente porque as mulheres mostram maior 
tendência para exprimir as suas emoções que os homens.

O corpo mental, ou espiritual, retém em si todo o potencial de futuro 
desenvolvimento da pessoa. É, no entanto, importante que se compreenda que todos 
os quatro corpos (incluindo o corpo físico) se interpenetram mutuamente e que 
tudo aquilo que exerce influência num deles a exerce também nos demais.

Muitos leitores preferirão pôr estas noções completamente de lado; outros 
poderão ter vistas mais largas. Aos primeiros, sugiro que leiam The Raiúment of 
Light, de David Tansley; aos outros, que façam a seguinte experiência.

Ver a aura exige uma certa dose de preparação esotérica (a menos que a pessoa 
seja naturalmente sensível), mas a maioria das pessoas é capaz de senti­la em 
maior ou menor grau.

Arranje o leitor um parceiro disposto a participar na experiência e sentem­se 
ambos de frente um para o outro. Ambos deverão estender os braços em frente com 
a palma da mão direita virada para baixo e a da mão esquerda para cima. 
Mantendo­as nessa posição, ponham­nas em contacto físico como se vê na fig.
1. Fechem os olhos, descontraiam­se e tomem consciência das mãos do parceiro, 
sintam o calor que emana do seu corpo. Logo que se sentirem prontos, ambos 
deverão erguer a mão direita sobre a mão esquerda do parceiro, virada para cima, 
mas conservando­a solta e descontraída e não retesada, senão perderão a
sensibilidade. Deixando­se estar nessa posição durante uns minutos, poderão 
começar a sentir uma ou mais de diversas coisas: talvez uma ligeira brisa, um 
latejar, calor (especialmente nas palmas das mãos), electricidade estática ou 
até uma pressão magnética. Procurem então ver até que distância são capazes de 
afastar as mãos um do outro sem deixar de ter essa sensação. Mexam as mãos para 
trás e para diante, ou em círculos (como se estivessem a polir uma mesa), mas 
conservando­as
70
sempre soltas e descontraídas. Poderão sentir uma estranha sensação de atracção 
ou fricção.

Para romper o contacto, voltem a colocar as mãos em contacto, separem­nas em 
movimento tangencial e dêem­lhes um bom abanão a fim de largar algum latejar (ou 
mesmo alguma tensão) que hajam permutado.

O objectivo deste exercício é demonstrar que a energia irradia do corpo e que há 
no corpo humano mais alguma coisa que vísceras, sangue e ossos. As nossas mãos 
são sempre mais receptivas à aura de outra pessoa se tivermos acabado de dar­lhe 
uma massagem. Ao mesmo tempo, essa pessoa estará também mais receptiva à s 
energias que de nós emanam. Isto conduz­nos ao último aspecto, talvez o mais 
importante, da cura: a empatia entre o curador e o paciente.

A empatia

Quando se está a receber tratamento aromaterápico profissional ­ especialmente 
na forma de massagens ­, é importante, para que o tratamento dê resultado, que 
se esteja à vontade com o
aromaterapeuta. O mesmo se pode dizer acerca da massagem aromaterápica intuitiva 
dada por uma pessoa amiga. Se executada com sensibilidade e não de uma forma 
seca e mecânica, a massagem aromaterápica é uma poderosa modalidade de cura 
manual. Claro está que também é importante que o aromaterapeuta esteja à vontade 
com o paciente a fim de facilitar alguma troca de energias.

Embora os óleos essenciais possam ser de utilidade para a
melhoria da pele e das emoções ­ por exemplo ­ sem o auxílio do terapeuta, no 
caso de problemas emocionais ou físicos profundos a verdadeira cura só poderá 
dar­se com a cura manual. Mas, como já vimos no capítulo 3, a aromaterapia 
clínica (sem massagens) pode operar maravilhas se for aplicada de um modo 
holistico e não sintomático.
71
Fig, 1 ­ Detecção da energia da aura.

72
Enfim, o aromaterapeuta não pode ficar com os louros todos do seu êxito: o 
curador é um mero catalisador em todo o processo. Ninguém pode ser curado se num 
certo nível (um nível que, por vezes, é inconsciente) não quiser sê­lo ou se não 
for capaz de confiar, se não se libertar de receios que possam constituir um 
obstáculo ao fluir das energias curativas. Todos os terapeutas/curadores, 
ortodoxos ou não, encontraram já pelo menos uma pessoa que não consegue melhorar 
embora eles façam tudo «bem».

No entanto, em muitos casos, o conjunto formado pelo corpo, a mente e o espírito 
cura­se a si próprio desde que tenha oportunidade para isso. Criando­se 
condições favoráveis em todos os níveis, a cura surgirá com muita naturalidade.
73
5

FóRMULAS PARA USO TERAPÊUTICO
E PARA USO ESTÉTICO

Preparar óleos para massagens, cremes olorosos e perfumes de efeito benéfico 
para o espírito é uma verdadeira alquimia: a modesta cozinha de quem a isso se 
dedique nunca mais será a mesma!

Os grandes fornecedores de óleos essenciais têm nos seus
armazéns espantosas colecções de essências. A maior parte desses óleos tem 
aplicação na massagem aromaterápica, mas há alguns que, infelizmente, não servem 
para tal efeito (v. pp. 173­174).

Os óleos essenciais nem sempre são de preço acessível, especialmente o de rosas 
e o neroli, mas, como são muito concentrados, na prática um bocadinho dura muito 
tempo. O aroma concentrado de uma essência pura, quando aspirado directamente do 
frasco, pode ser estonteante (é o caso, especialmente, do ylang­flang); mas, uma 
vez diluída a essência, o seu aroma
aproxima­se muito mais do odor característico da planta ­
embora nunca lhe seja idêntico, pois o processo de destilação tende sempre a 
alterá­lo um pouco.

Os óleos essenciais que em seguida enumero são os que eu uso na minha prática. 
Incluo na lista alguns informes sobre o método de extracção habitual de cada um 
desses óleos e algumas sugestões que poderão ser úteis ao leitor que venha a 
preparar misturas de essências para uso terapêutico ou estético. Preferi não
75
insistir nas substâncias aromáticas chamadas extractos absolutos e resinóides 
porque são normalmente obtidas por meio de solventes nocivos ao ambiente como o 
benzeno, por exemplo.

As essências assinaladas com um asterisco são aquelas que utilizo mais 
frequentemente. Se, para começar, o leitor não tiver possibilidades de adquirir 
senão uma, recomendo­lhe que escolha uma essência de planta herbácea como a 
alfazema ou o alecrim (de preferência, naturais). Estas duas essências são muito 
versáteis, têm uma miríade de propriedades terapêuticas.

OS PRINCIPAIS óLEOS ESSENCIAIS (Tabela 1) 
*/* (para arranjar a tabela)
óleo essencial          Método de extracção      Combina bem com

Agulhas de pinheiro. *Alecrim (Francês, natural).

*Alfazema (brava, francesa, natural).

*Bergamota.

*Camomila (Romana).

*Cedro (Virgínia).

*Cipreste.

Coentro.

Eucalipto.

Funcho.

Destilação de agulhas e pinhas Cedro, alecrim, patchulli. Destilação de 
sumidades          óleos de plantas floridas e folhas. 
herbáceas,cedro,incenso.

Destilação a vapor de toda a planta.

Expressão do óleo da casca

do fruto (cidra bergamota).

Destilação a vapor das flores.
Destilação da madeira.

Destilação de folhas e pinhas.

A maior parte das essências ­ em especial camomila, funcho, ylang­ylang, zimbro 
e manjerona.

A maior parte das essências
­ em especial alfazema, camomila, zimbro, incenso e ylang­ylang. Bergamota, 
rosa, alfazema, limão, patchulli, neroli, petit­grain e tageto.

Cipreste, zimbro, neroli, petit­grain.

Zimbro, bergamota, sândalo, agulhas de pinheiro, salva
Destilação do fruto (sementes).  óleos de citrinos, neroli,

cipreste, gengibre. Destilação a vapor das folhas.   Limão, alfazema, pinho,

cipreste. Destilação do fruto (sementes).  Limão, alfazema, gerânio,

sândalo.

76
óleo essencial

Método de extracfão

Combina bem com

Gengibre.

Destilação a vapor das raizes.

óleos de citrinos, coentro, patchulli.

*Gerânio (Egípcio).

Destilação de toda a planta.

A maior parte das essências
­ em especial citrinos, neroli, zimbro, petit­grain e alfazema.

Hortelã­pimenta.

Destilação a vapor de sumidades floridas e folhas.

Alfazema, alecrim.

*Incenso.

Destilação das «lágrimas» (exsudados endurecidos da árvore).

Alfazema, mirra, neroli, rosa, sândalo, citrinos.

Laranja.

Expressão do óleo da casca

do fruto.

Incenso, coentro, gengibre.

Limão.

Expressão do óleo da casca
do fruto.

Incenso, bergamota, camomila, ylang­ylang, petitgrain, neroli, gengibre.

Melaleuca alternifolia (Tea­tree).

Destilação das folhas.

Limão, alfazema, pinho.

Manjerico.

Destilação a vapor das sumidades floridas.

Bergamota, coentro, gerânio, petit­grain.
Manjerona.

Destilação a vapor das sumidades floridas.

Alfazema, bergamota, alecrim.

Mirra.

Destilação dos exsudados endurecidos do arbusto.

Incenso, sândalo, cedro, patchulli, coentro, gengibre.

Neroli.

Destilação a vapor ou pelo vácuo da flor de laranjeira.

óleos de citrinos, camomila, pau­rosa, alfazema, incenso, sândalo, cedro, rosa.

*Patchulli.

Petit­grain.

Rosa Otto (Búlgara).

Salva mansa (Francesa, natural).

Destilação a vapor das folhas secas.
Destilação de folhas de laranjeira.

Destilação a vapor ou pelo vácuo das pétalas das rosas.

Destilação a vapor de toda a planta

Bergamota, gerânio, alfazema, mirra, neroli, agulhas de pinheiro, rosa, 
gengibre.

Alternativa económica do neroli quando se procura um aroma semelhante.

Muitas essências ­ em especial sândalo, incenso, patchulli, salva mansa.

Cipreste, petit­grain, zimbro, óleos de citrinos, neroli.

77
óleo essencial

Método de extracfão

Combina bem com

*Sândalo (Kamakata).

Tageto.

* Ylang­ylang.

*Zimbro (Francês, natural).

Destilação a vapor do cerne (sem casca).

Destilação a vapor das flores.

Destilação das flores.

Destilação a vapor das bagas.

A maior parte das essências
­ em especial rosa, neroli, ylang­ylang.

Petit­grain, salva mansa, camomila, óleos de citrinos.

A maior parte das essências
­ em especial patchulli, sândalo, bergamota, limão. óleos de citrinos, alfazema, 
cipreste, alecrim, gerânio.

A escolha dos óleos essenciais

Os métodos básicos do uso de óleos essenciais nos cuidados da pele e da saúde 
são expostos no capítulo 6. Antes, porém, de se

escolher um óleo essencial para uso terapêutico ou estético, é importante 
prestar atenção às seguintes directrizes:

1. Se o leitor pretender uma essência (ou uma mistura de essências) para tratar 
de algum problema de saúde ou para cuidar da pele, consulte neste mesmo capítulo 
a tabela terapêutica ou a tabela de cuidados cutâneos.
2. Se procurar uma essência para tratar de um estado emocional, é importante que 
se deixe guiar pelas suas preferências olfactivas. Embora seja voz corrente que 
determinadas essências são «estimulantes», «sedativas» ou «antidepressivas», as 
coisas nem sempre são assim tão simples. A nossa mente é muito mais forte que o 
aroma de um óleo essencial. Se uma pessoa não gostar de um certo aroma, ele pode 
ter as propriedades «benéficas» que se quiser mas não provocará a reacção 
desejada! A preferência olfactiva tem menor importância no tratamento 
sintomático de problemas fisicos de base como o pé­de­atleta ou as entorses (se 
bem que certos aromaterapeutas não sejam desta opinião).

3. O MAIS IMPORTANTE DE TUDO: quer pretenda um óleo essencial para tratar um 
problema de saúde quer o deseje apenas
78
para seu prazer pessoal, certifique­se primeiro de que ele é inofensivo: por 
exemplo, uma grávida deve evitar o manjerico e a mirra (v. p. 173).

Cuidados a ter com os óleos essenciais

Os óleos essenciais evaporam­se com facilidade e deterioram­se quando expostos à 
luz, a temperaturas extremas e ao oxigénio do ar. Compre apenas essências 
fornecidas em frascos de vidro escuro e bem rolhados.

Em teoria, a maioria dos óleos essenciais (com excepção dos de laranja, limão, 
toronja e lima) conserva­se bem durante vários anos. O patchulli é um caso 
invulgar, pois melhora com a idade: um óleo de vinte anos, bem maduro, é muito 
mais suave e tem um aroma excelente. Mas quanto mais vezes uma pessoa abrir um 
frasco de óleo essencial maior será a probabilidade de ele se
oxidar e, portanto, da diminuição das suas propriedades terapêuticas. Se um óleo 
for bem conservado ­ em lugar frio e escuro, de preferência num frigorífico ­, 
durará pelo menos um ano
(entre duas colheitas) sem que surja qualquer problema.

Porém, uma vez a essência diluída num óleo vegetal, ela só se conserva durante 
dois meses, ou talvez três se ao óleo vegetal de base se juntar 5% de óleo de 
germe de trigo. O óleo de germe de trigo tem propriedades anti­oxidantes (visto 
que é elevado o seu teor de vitamina E) e ajuda a tratar as rugas e o 
envelhecimento da pele. Em vez do óleo de germe de trigo, pode­se também juntar 
ao óleo de base o conteúdo de duas cápsulas de vitamina E. Finalmente, deve­se 
verificar se o óleo essencial rotulado a «l00%» o é de facto e não foi diluído 
em óleo de amêndoas doces (que é o que muitas vezes acontece com óleos muito 
caros, como o de rosas ou o neroli).

Sobre os óleos de base, ou veiculares

Os óleos essenciais destinados à massagem aromaterápica necessitam de ser 
diluídos num óleo­base natural, como por
79
exemplo o óleo de amêndoa doce, de grainha de uva, de caroço de pêssego ou de 
alperce ­ de preferência extraído a frio. Os óleos extraídos a frio têm uma 
considerável proporção de nutrientes solúveis em substâncias gordas (vitaminas 
A, D e E), que são facilmente absorvidos pela pele e depois utilizadas pelo 
organismo. Os óleos minerais devem ser evitados, pois não só não possuem as 
propriedades biológicas dos óleos vegetais como podem, mesmo, subtrair ao 
organismo os seus nutrientes solúveis em gorduras.

Embora os aromaterapeutas mostrem tendência para preferir óleos­base inodoros, 
como os que acima mencionei, não há motivo nenhum para que se não utilize um 
óleo dotado de aroma natural próprio ­ por exemplo, o óleo de coco, que é 
extremamente agradável com a essência de rosas ou com o ylang­ylang. O boião de 
ó leo de coco tem, contudo, de ser aquecido em banho­maria antes de se lhe 
juntar a essência porque o óleo de coco é sólido à temperatura ambiente (apesar 
de fundir quando em contacto com a pele). A essência de limão ou de bergamota 
liga muito bem com o óleo de sésamo e a alfazema e o alecrim, sós ou combinados, 
ficam bem com o azeite.

Como misturar os óleos para massagens

A quantidade de óleo vegetal necessária para uma única massagem pode ser medida 
com uma colherzinha de plástico de 5 ml para uso médico (que se vende nas 
farmácias). Na sua falta, pode­se usar uma vulgar colher de chá, que em geral 
leva um pouco menos que os 5 ml. Os óleos essenciais precisam de ser diluídos à 
razão de 0,5 a 3 %, conforme a pele do paciente, a concentração inicial do óleo 
e as finalidades da massagem. As concentrações menores (de 0,5 a 2%) são usadas 
para aplicações faciais, para crianças e para pessoas de pele muito sensível. 
Neste último caso, será melhor começar por uma concentração de 0,5% e só depois 
aumentá­la para 1% se não tiver havido irritação e, por fim, para 2% se assim se 
desejar. Mas há alguns
80
óleos essenciais que são muito fortes e que nunca devem ser usados por ninguém a 
mais de 1 ou 1,5% (v. p. 174).

óleos para o rosto: Para obter uma concentração de 0,5%, junta­se uma gota de 
óleo essencial por cada duas colherzinhas de 5 ml de óleo­base. Para obter uma 
concentração de 1 ou 2%, junta­se uma ou duas gotas de óleo essencial a cada 
colherzinha de óleo­base.

óleos para o corpo: Para obter uma concentração de 2 ou 3 %, junta­se duas ou 
três gotas de óleo essencial a cada colherzinha de óleo­base.

Para preparar maiores quantidades de óleo para o rosto ou para massagem geral, 
enche­se de óleo­base um boião de 50 ml e junta­se­lhe depois a quantidade 
adequada de óleo essencial. Para
50 ml a 0,5%, junta­se 10 gotas de óleo essencial; para 50 ml a
2%, junta­se 20 gotas; para 50 ml a 3%, junta­se 30 gotas.

Note­se que há nas farmácias e drogarias frascos de vidro escuro de tamanhos 
diversos. Também se pode usar um frasco recuperado de outros usos desde que 
tenha tampa de roscar. A capacidade do frasco em mililitros costuma vir gravada 
no fundo do frasco.

Sobre as combinações de óleos essenciais

Não há regras rígidas para as combinações de essências ­ pelo menos no que diz 
respeito à aromaterapia, pois os perfumistas poderão não estar de acordo. É tudo 
uma questão de gosto e, o que mais importa, de como uma pessoa se sente com os 
vários aromas. Que lhe faz lembrar este cheiro? Sente com ele alguma coisa que 
deseje sentir mais vezes?

Claro que não há motivo nenhum para que se não use apenas um óleo essencial de 
aroma especialmente sugestivo (rosa, sândalo e ylang­ylang são muito apreciados 
sem mais misturas). Mas os aromaterapeutas sempre acharam que as essencias 
actuam
81
melhor quando combinadas entre si. É interessante observar que esta reacção 
intuitiva já teve confirmação científica (v. cap. 1).

Um perfume «bem. equílibrado» compõe­se, em termos muito simples, de notas 
agudas, notas médias e notas graves ­ tal e qual como a música. As notas agudas 
são as mais voláteis, não duram muito (o coentro ou os óleos de cítrinos). As 
notas médias duram um pouco mais (a rosa, o neroli) e as notas graves têm uma 
profunda influência na mistura. São muito persistentes e, ao mesmo tempo, 
«fixam» as outras essências. Ou seja: retardam a evaporação das notas agudas e 
médias, melhorando, portanto, a «capacidade de permanência» do perfume. O óleo 
de sândalo é considerado por muitos perfumistas um excelente fixador, pois o seu 
aroma dá um fundo que harmoniza muito bem uma ampla variedade de misturas.

Quem quiser pode, contudo, pôr inteiramente de lado toda esta teoria das notas 
aromáticas ­ há muitos aromaterapeutas que lhe não dão importância nenhuma. 
Embora ela ajude a preparar perfumes magníficos, qualquer pessoa que tenha um 
mínimo de sentido estético poderá compor misturas muito agradáveis logo que 
adquira a autoconfiança suficiente para se aventurar. Quem sentir perplexidade 
em relação a este aspecto deve lembrar­se de que, em geral, as «famílias» de 
essências dão misturas bastante boas: a família das essências de plantas 
herbáceas (manjerico, salva mansa, alfazema, manjerona, alecrim), a família das 
essências de citrinos (bergamota, limão, laranja), a família das essências de 
flores (rosa, ylang­ylang, camomila, tageto), etc. Outras misturas compatíveis 
são: especiarias com cítrinos (coentro e gengibre com bergamota) ou madeiras com 
madeiras (sândalo com cipreste). As madeiras ligam muito bem com as resinas: a 
mistura de incenso e cedro é clássica. Bom, mas por que não ser mais aventureiro 
experimentando combinações de essências totalmente diferentes? Por exemplo: 
incenso com rosa ou com alfazema, neroli com salva mansa, sândalo com ylang­
ylang e limão... Note­se que é preciso cuidado ao empregar essencias muito 
penetrantes como o ylang­ylang, o tageto e, especialmente, o gengibre, pois 
facilmente ocultam o aroma das demais.
82
Antes de iniciar a composição de um perfume segundo as
regras indicadas mais adiante, deve­se recorrer a uma experiencia muito fácil e, 
certamente, a mais económica de todas: deitar umas gotinhas das essências num 
palito revestido de algodão em
rama humedecido. Se o aroma não agradar, gastou­se apenas um mínimo de óleo 
essencial. Assim, por exemplo, pode­se experimentar duas gotas de bergamota, uma 
gota de alfazema e uma
gota de sândalo. Se o aroma agradar, pode­se então preparar uma mistura de 10 
gotas de bergamota, cinco de alfazema e cinco de sândalo.

Ao misturar vários óleos essenciais, estamos não só a melhorar o aroma de cada 
uma das essências como ­ e isto é de grande interesse ­ podemos regular e afinar 
o efeito psicossomático da mistura. Quem estiver, por exemplo, deprimido e 
letárgico poderá apreciar o aroma suave e repousante do sândalo. Mas um aroma 
mais estimulante, mais vivo, poderá ser­lhe ainda mais benéfico. Esse aroma pode 
ser composto misturando com o
sândalo um pouco de funcho, de gerânio ou de agulha de pinheiro ­ conforme as 
preferências olfactivas (v. tabela adiante).

Outro exemplo: uma pessoa que se queixe desse tipo de depressão que provoca 
ansiedade, insônias e cansaço muscular (actualmente tão vulgar) necessitará de 
alguma coisa que lhe faça descontrair os músculos (v. tabela terapêutica) e que 
seja sedativa e antidepressiva ­ ou seja, uma mistura de camomila e alfazema. 
Para avivar esta mistura ou para lhe dar uma nota de interesse pode­se­lhe 
juntar um leve toque de ylang­ylang, de tageto, de bergamota ou talvez de 
incenso. Na realidade, as possibilidades são inúmeras: há sempre uma mistura 
capaz de adaptar­se à configuração psicossomática, sempre em mutação.

A tabela que apresento a seguir classifica os óleos essenciais enumerados no 
princípio deste capítulo segundo as suas «notas» aromáticas. Inclui também 
menção à influência geralmente reconhecida de cada óleo no conjunto mente­corpo 
(a influência psicossomática). Mas é preciso manter uma atitude muito aberta em 
relação a tudo isto, pois as pessoas reagem de modos diferentes às diversas 
essências.
83
EFEITOS DOS óLEOS ESSENCIAIS (Tabela II)
*/* (arranjar a tabela)
Convenções: A = nota aguda ; M = nota média ; G = nota grave

Descontracção

Equílíbrio (estimula ou descontrai, conforme necessário)

Estímulo

Camomila: M

Bergamota: A

Agulha de pinheiro : M

Cedro: G

Gerânio: M

Alecrim: M

Cipreste: A

Coentro: A

Manjerona: M

Incenso: G

Eucalipto: A

Mirra: M

Funcho: M

Neroli: M

Gengibre: M

Patchulli: G

Hortelã­pimenta: A
Rosa Otto: M

Limão: A

Salva mansa: M

Manjerico: A

Sândalo: G

Melaleuca: A

Tageto: M

Ylang­ylang: M

Zimbro: M

EFEITOS DOS óLEOS ESSENCIAIS (Tabela III)

Convenções: A = nota aguda ; M = nota média ; G = nota grave

Antidepressivo

Afrodisíaco

Anafrodisíaco (para desligar mesmo

Alfazema: M

Coentro: A

Manjerona: M

Bergamota: A
Deve­se ter sempre presente que o excesso de qualquer essência pode ser bastante 
estimulante ou, no extremo oposto, entorpecente e que, portanto, os óleos devem 
ser sempre usados nas concentrações correctas (v. atrás).

As tabelas terapêuticas

O leitor encontrará nas páginas que seguem indicações terapêuticas sobre os 
tratamentos e os óleos a usar nos mais variados incómodos. Encontrará depois uma 
tabela de cuidados cutâneos com indicação de remédios para os problemas de pele. 
Embora possa ser útil em muitas situações, a aromaterapia funciona muito melhor 
no contexto de um regime de tratamento holístico. Quero com isto dizer que 
precisamos de olhar às causas dos problemas e não apenas para os seus sintomas, 
que por vezes são indicativos de problemas de saúde mais fundos e mais graves 
(v. cap. 7). Mas a aromaterapia destina­se, acima de tudo, à prevenção das 
doenças.

Outras formas de terapêutica suave, como o yoga e a medicina herbácea, têm sido 
também aconselhadas (quando adequadas), e
qualquer delas se pode combinar com a aromaterapia, A homeopatia é uma excepção: 
só se recomenda como terapêutica alternativa se o tratamento com óleos 
essenciais e remédios vegetais for apenas parcialmente satisfatório. Muitos 
homeopatas acham que a maior parte dos óleos essenciais actua em sentido 
contrário aos efeitos curativos dos remédios homeopáticos ­ mas isto ainda é, 
todavia, tema para muita discussão. Marguerite Maury, pioneira da aromaterapia 
holística, e o seu marido, o Dr. E.A. Maury, combinavam frequentemente ambas as 
terapêuticas com muito bom resultado .

Em vez de recomendar a ingestão de essências para tratar certos problemas de 
saúde (conforme fazem alguns aromatera­

6 Maury, M., The Secret of Life and Youth.

85
peutas), eu tenho recomendado chás de ervas sempre que apropriados. As pessoas 
leigas nestes assuntos ganham muito mais evitando as doses orais de óleos 
essenciais (a menos que sob a orientação de um aromaterapeuta ou ervanário 
devidamente habilitado), pois estes são demasiado fortes.

PreparaÇão de remédios de ervas

Infusões (chás): deitar 15 g de ervas secas numa vasilha de porcelana ou de 
pyrex aquecida. Lançar sobre as ervas 600 ml de água a ferver e deixar a 
demolhar durante 10 a 15 minutos. Quando as ervas são frescas, é necessário, em 
geral, usar uma porção três vezes maior. As sementes, como as do funcho, devem 
ser moídas antes de se fazer a infusão para que os óleos essenciais saiam bem 
das células.

Doses: para situações de carácter geral, tomar um copo dos de vinho cheio de chá 
três vezes ao dia (de quatro em quatro horas).

Decoccões: é o método utilizado com materiais rijos e lenhosos como raizes, 
rizomas ou cascas. Deitar 15 g de material vegetal seco ou 45 g de material 
fresco, partido em pequenos pedaços, numa panela de esmalte ou outra vasilha 
capaz de apanhar calor. Nunca se deve usar uma vasilha de alumínio, pois este 
metal, em contacto com a água, pode dar origem à formação de substâncias tóxicas 
que, reagindo com os alcalóides das plantas e com as vitaminas nelas contidas, 
lhes destroem as propriedades terapêuticas. Lançar sobre o material vegetal 300 
ml de água, colocar a tampa e deixar ferver suavemente durante 10 a 15 minutos.

Doses: as mesmas que no caso das infusões. Embora estas tabelas não sejam, de 
modo nenhum, exaustivas (os óleos essenciais podem ser úteis em muitíssimas 
outras situações), o seu conteúdo serve de exemplo e de guia para quem desejar 
tratar em casa uma grande variedade de incómodos correntes.
86
*/* (arranjar as tabelas)

87
88
90
91
TABELA DE CUIDADOS CUTÂNEOS (Tabela V)
*/* (arranjr a tabela)
Pele seca

Pele oleosalacne

Pele envelhecida

Alfazema Camomila Neroli Rosa Sândalo

Alecrim Alfazema Cipreste Gerânio Incenso Limão Melaleuca Zimbro

Incenso Mirra Neroli Rosa Sândalo

Veias salientes

Pele mista

Pele normal

Camomila

Alfazema

Alfazema

Cipreste Limão

Camomila Gerânio

Camomila Gerânio

Rosa

Rosa

Incenso

Neroli

Rosa

Pele entumecida (carregada de água)
Pele sensível

Pele desidratada (especialmente depois de bronzeada)

Alfazema Cipreste Gerânio Limão Zimbro

Experimentar concentrações a 2% de Alfazema                             Camomila 
Camomila                             Gerânio Rosa 
Rosa v. também «alergias», na p. 174.

93
Preparados aromáticos

As receitas que seguem são uma selecção das minhas composições aromáticas; mas 
os leitores inventarão, sem dúvida, muitas mais!

óleo para massagem anticelulite

50 ml de óleo de grainha de uva (ou outro óleo vegetal), 10 gotas de zimbro, 10 
gotas de alfazema e 5 a 10 gotas de limão.

Método: Passar por um funil o óleo de grainha de uva para o interior de um 
frasco de vidro escuro, juntar os óleos essenciais e agitar bem. Este óleo é 
também muito bom para músculos e articulações doridos.

Contra os piolhos da cabeça

75 ml de óleo vegetal, 25 gotas de Melaleuca ou de eucalipto,
25 gotas de alfazema e 25 gotas de alecrim. Misturar como indicado na receita 
anterior.

Como usar: Aplicar no cabelo molhado (para que depois não seja dificil retirar o 
óleo) massajando bem o couro cabeludo para chegar às raizes dos cabelos. Prestar 
uma atenção especial à parte de trás das orelhas e à nuca, que é onde os piolhos 
fazem criação. Deixar actuar durante uma hora e lavar depois abundantemente. 
Retirar as lêndeas com um pente fino. Repetir o tratamento a intervalos de três 
dias.

Óleo de pré­lavagem para cabelos secos ou estragados

Misturar 50 ml de azeite, 10 gotas de sândalo, 10 gotas de alfazema e 5 gotas de 
gerânio pelo processo anteriormente descrito.
94
Como usar: aplicar ao cabelo húmido; deixar actuar durante
15 a 30 minutos e lavar depois abundantemente. Usar semanalmente como tratamento 
reparador.

óleo contra a caspa

Misturar 50 ml de azeite, 10 gotas de alecrim, 10 gotas de alfazema e 5 gotas de 
Melaleuca ou zimbro pelo processo anteriormente descrito.

Como usar: Aplicar ao cabelo húmido; massajar bem, para que penetre no couro 
cabeludo, e deixar actuar durante 15 a 30 minutos. Lavar abundantemente. Usar 
semanalmente. Para cabelos oleosos, usar de preferência um tónico capilar contra 
a caspa (v. adiante).

Tónicos capilares

Estes tónicos são usados em massagens ao couro cabeludo várias vezes por semana. 
Não é necessário humedecer previamente o cabelo. Quando usados de uma forma 
regular, são muito eficazes para manter o cabelo e o couro cabeludo em boas 
condições. Todas estas receitas incluem vinagre de sidra a fim de restabelecer o 
equilíbrio ácido/alcalino do couro cabeludo. Os tónicos capilares têm de ser bem 
agitados antes do seu uso para que as essências ­ só parcialmente solúveis na 
água ­ se dispersem bem.

Tónico anticaspa

Misturar 300 ml de água destilada, água de flor de laranjeira ou água de rosas ­ 
ou então meio por meio de água destilada e de tintura de hamamélida ­, 3 
colheres (das de chá) de vinagre de
95
sidra, 6 gotas de alfazema, 6 gotas de alecrim e 3 gotas de zimbro ou de 
Melaleuca.

Método: Passar por um funil a água destilada e o vinagre de sidra para um frasco 
de vidro escuro e juntar depois as essências agitando bem.

Tónico contra a queda do cabelo

Este tónico poderá não curar a calvície; mas, se for usado regularmente conforme 
as instruções que dou no capítulo 6 para massagens ao couro cabeludo, poderá 
travá­la de um modo sensível. São precisos 300 ml de água de rosas, 3 colheres 
(das de chá) de vinagre de sidra, 7 gotas de alecrim e 5 gotas de sândalo. 
Misturar como na receita anterior.

Tónicos para a pele

Tal como os tónicos capilares, também estes devem ser bem agitados antes do uso 
a fim de dispersar bem os ó leos essenciais.

Base para tónico cutâneo

Veículo: 300 ml de água de rosas, água de flor de laranjeira ou água destilada. 
Para peles muito oleosas ou com acne, pode­se usar uma base mais adstringente ­ 
por exemplo, hamamélida, que pode ser mitigada misturando­a a meio por meio com 
água destilada ou água de flor de laranjeira ou de rosas. Juntar ao veículo 
utilizado 2 colheres (das de chá) de vinagre de sidra e 2 gotas do óleo 
essencial mais adequado ao tipo de pele (v. Tabela de cuidados cutâneos). Usar 
como indicado na respectiva secção do capítulo 6.
96
Bochechos

Eis uma fórmula curativa e anti­séptica para fortalecer as gengivas e que também 
ajuda a tratar aftas e a evitar a gengivite: 30 ml de tintura de mirra (vende­se 
nas ervanárias), 10 gotas de hortelã­pimenta ou funcho e 15 gotas de Melaleuca.

Como usar: 6 a 8 gotas numa chávena (das de chá) de água morna, duas ou três 
vezes ao dia.

Máscaras faciais

Todas as peles (exceptuando apenas as que são hipersensíveis) beneficiam com a 
aplicação de iogurte natural, gordo, mesmo sem adição de óleos essenciais (v. 
capítulo 6). A receita que aqui apresento limpa, aclara e fortalece a pele e é 
adequada a peles «normais», mistas ou envelhecidas.

Ingredientes: 3 colheres (das de chá) de iogurte natural, gordo,
1 colher (também das de chá) de azeite, óleo de amêndoas doces ou óleo de avelã 
(obtidos a frio) e 1 gota de ó leo essencial adequado ao tipo de pele (v. Tabela 
de cuidados cutâneos). Para ligar, meia a uma colher (das de chá) de farinha de 
aveia da mais fina.

Método: Misturar o óleo essencial com o óleo de base e juntar depois os outros 
ingredientes mexendo bem para formar uma
pasta homogénea.

Como usar: Aplicar no rosto e no pescoço uma fina camada desta pasta e deixá­la 
actuar durante 10 a 15 minutos. Lavar depois com água fria.

Para pele seca

Ingredientes: Um quarto de abacate maduro, meia colher (das de chá) de óleo de 
abacate ou de germe de trigo, 1 gota de camomila ou rosa e mais ou menos meia 
colher (das de chá) de farinha de aveia da mais fina.
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Método: Misturar o óleo essencial com o óleo de base. Esmagar o quarto de 
abacate para formar pasta e juntar­lhe os óleos. Juntar a farinha de aveia para 
ligar.

Como usar: Como indicado na receita anterior, mas lavando com água tépida.

Para pele oleosa ou com ame

Ingredientes: 1 colher (das de chá) de iogurte natural, 1 colher (das de chá) de 
levedura de cerveja em pó, meia de água quente (ou mais, se necessário), meia de 
óleo de amêndoas doces (obtido a frio) e 1 gota de alfazema, zimbro ou limão.

Método: Misturar o óleo essencial no óleo de amêndoas doces e juntar os outros 
ingredientes mexendo bem para formar uma
pasta homogénea.

Como usar: De preferência, depois do banho ou da sauna facial (uma pele 
congestionada não absorve substâncias com facilidade a não ser que esteja quente 
e húmida). Aplicar no rosto e no pescoço, deixar actuar durante 10 a 15 minutos 
e lavar com água fria.

Como preparar cremes e unguentos

Os cremes de fabrico caseiro são mais fortes e mais espessos que as 
superligeiras e «espumosas» criações industriais vendidas no comércio; mas são 
extremamente eficazes e muito económicos. A receita que a seguir apresento dá um 
creme bastante suave que endurecerá um pouco se for colocado no frigorífico 
(para impedir a formação de bolores) mas que nunca funde em contacto com a pele. 
Uma pequena quantidade dá para muito tempo. Este creme deve ser usado para as 
mãos e para o rosto a fim de secar um pouco mais uma pele oleosa.

Pode­se experimentar incluir outros óleos vegetais nesta mistura (por exemplo, 
óleo de avelã ou de caroço de alperce) desde
98
que se completem os 120 ral. Uma pequena porção de óleo de germe de trigo (20 
ml) aumenta a duração do preparado e reforça­lhe as propriedades curativas. 
Todos os cremes e unguentos feitos em casa duram vários meses desde que sejam 
conservados em local frio e escuro. A cera de abelha amarela (usada quer na 
receita do creme quer na do unguento) é melhor que a branca. Pode ser obtida nas 
casas de produtos vegetais.

Creme cutâneo de base

15 g de cera de abelha (amarela)
120 ml de óleo de amêndoas doces
30 ml de água destilada, água de flor de laranjeira ou água de rosas
4 a 6 gotas de óleo essencial (v. Tabela de cuidados cutâneos)

1. Derreter a cera com o óleo em banho­maria.
2. Ir entretanto aquecendo a água destilada em vasilha à parte, também em banho­
maria, até a mão suportar a temperatura.
3. Começar ajuntar a água à mistura da cera com o óleo, gota a gota, mexendo com 
uma varinha mágica ou utensílio semelhante à velocidade mínima.
4. Depois de ter misturado cerca de duas colheradas de água na base cera­óleo, 
retirar esta do calor e continuar a juntar água aos poucos até tê­la misturado 
toda.
5. Quando a mistura der sinais de começar a endurecer, misturar os óleos 
essenciais mexendo bem.
6. Repartir a mistura por pequenos boiões de vidro esterilizado e tapá­los o 
mais hermeticamente possível.

Unguento de base (pomada)

15 g de cera de abelha (amarela)
60 ml de óleo de amêndoas doces
10 a 15 gotas de óleo essencial (v. Tabela terapêutica).
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Aquecer a cera com o óleo de base em banho­maria como na receita anterior. Mexer 
bem, tirar do calor e, assim que esfriar, misturar­lhe os óleos essenciais. 
Vazar para um boião de vidro esterilizado e tapar hermeticamente.

Importante: Para problemas de pele mais sérios, como por exemplo o pé­de­atleta, 
a sarna ou a tinha, será preciso duplicar a quantidade de óleos essenciais ou 
aplicar directamente na região atacada óleo de alfazema ou de Melaleuca puro.

Águas de cheiro e perfumes

Neste aspecto, pode­se entrar em loucuras e criar misturas exóticas, repousantes 
ou simplesmente bem cheirosas conforme a disposição de momento.

As águas de cheiro podem ser usadas do mesmo modo que as
preparações vendidas no comércio ­ em borrifos no corpo depois do banho. Os 
perfumes naturais têm de ser diluídos num óleo vegetal suave ­ de soja, de trigo 
ou de grainha de uva ­ ou em cera de jojoba. Esta última é melhor, se bem que 
mais cara, pois não rança como os óleos vegetais. Os perfumes e águas de cheiro 
do comércio são diluídos em álcool etílico, que (pelo menos na
Grã­Bretanha) não pode ser comprado sem se ter licença de perfumista.

Como preparar uma água de cheiro

Juntar até 100 gotas de óleo essencial a 100 ml de água de flor de laranjeira, 
água de rosas ou água destilada. Agitar sempre bem antes de usar. Eis algumas 
das minhas fórmulas (para sugerir ideias ao leitor):

Mandalay (um aroma de tipo oriental, muito estimulante e
sedutor): Juntar à base de água de flores ou destilada 16 gotas de ylang­ylang, 
40 gotas de bergamota, 30 gotas de patchulli e 10
gotas de coentro ou de gengibre.
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Moments (um aroma de flores e madeiras suavemente sensual): Juntar à base 
líquida 55 gotas de sândalo, 15 gotas de cedro, 25 gotas de rosa, 4 gotas de 
tageto e 15 gotas de ylang­ylang.

Perfumes para a pele

Usar até 25 gotas de óleo essencial numa base de 10 ml de cera de jojoba ou de 
óleo vegetal.

Mock Jasmine (uma imitação que se assemelha bastante ao dispendioso extracto 
absoluto de jasmim): 15 gotas de patchulli e
6 gotas de ylang­ylang.

Pharaoh (bastante pesado e sedativo): 10 gotas de incenso, 4 gotas de mirra, 6 
gotas de cedro e 5 gotas de rosa.

Cottage garden: 10 gotas de alfazema, 6 gotas de rosa, 4 gotas de salva mansa e 
1 ou 2 gotas de tageto.

Três perfumes para uso terapêutico mas muito agradáveis

1. Para quem estiver tenso, com ideias tristes a interromper­lhe constantemente 
o sono: 10 gotas de bergamota, 5 gotas de salva mansa e 3 gotas de ylang­ylang. 
Devo dizer que costumo juntar 3 gotas de cedro para aligeirar um pouco o 
resultado.

2. Para quem necessitar de conforto e estímulo: 10 gotas de sândalo, 6 gotas de 
bergamota e 4 gotas de neroli.

3. Para quem se sentir «com os pés mal assentes no chão», especialmente depois 
de uma constipação, quando a cabeça está como que vazia e distante : 15 gotas de 
patchulli e 5 gotas de gengibre. Para aclarar o aroma, prefiro juntar a esta 
mistura umas 5 gotas de bergamota ou de limão.
101
Como perfumar salas

Eis aqui as sugestões fundamentais para a aromatização de salas e quartos 
segundo o que digo no final do capítulo seguinte. Qualquer dos perfumes 
anteriormente mencionados pode ser também utilizado para exercer uma subtil 
influência nos ocupantes de uma sala ou quarto. Eis, porém, mais algumas ideias: 
a fim de alegrar uma reunião de Inverno, pode­se experimentar uma
mistura de casca de canela, cravinho e laranja. A alfazema, a salva mansa e a 
camomila facilitam um sono repousante. Para a
meditação, para o yoga ou para uma discussão filosófica, pode­se usar uma 
mistura de incenso, mirra e cedro. Uma reunião de crianças correrá bem num fundo 
de bergamota, laranja ou limão e um toque de gerânio.

Por fim: se estiver para vender a sua casa mas não conseguir encontrar quem lha 
compre, talvez a solução esteja na aromaterapia. Quando um novo possível 
comprador vier ver a casa, trate de fazer com que a cozinha tenha um suave aroma 
de baunilha (da espécie usada em doçaria). Ponha umas gotas de essência de 
baunilha natural numa panela de água dentro do forno brandamente aquecido. Não 
há nada mais sedutor que a baunilha ­ que à maior parte das pessoas faz lembrar 
confortáveis sensações de bolos caseiros, calor familiar e segurança. Verá que 
vende a casa em pouco tempo!
102
6

AS TÉCNICAS DA AROMATERAPIA

Os óleos essenciais podem ser usados de muitos modos para melhorar a saúde e a 
vitalidade. Podem ser usados nos cuidados da pele, em massagens aromaterápicas, 
no banho, em inalações para tratar constipações e gripes, em perfumes capazes de 
influenciar a nossa disposição e em várias outras maneiras de melhorar a vida de 
todos os dias. Comecemos pelos cuidados da pele.

Cuidados a ter com a pele

Tratar da pele exige uma acção mais profunda que a dos vulgares «cuidados de 
beleza», superficiais e limitados ao rosto. E não estamos perante um assunto 
exclusivamente de mulheres, como tantas pessoas pretendem. Na verdade, uma pele 
saudável é o reflexo de uma boa saúde geral: a pele é um barómetro muito 
sensível da harmonia ­ e, também, da desarmonia ­ emocional e física da pessoa. 
Assim, não haverá tratamento externo, por intenso que seja e por muito bons que 
sejam os óleos vegetais nele utilizados, que dê grande resultado se o regime 
alimentar, o estilo de vida e as emoções do paciente não estiverem devidamente 
equilibrados. Se o tratamento da pele for efectuado nesta
103
perspectiva (v. capítulo 7), os óleos darão muito melhor resultado e não agirão 
apenas como paliativo!

Quem, porém, se queixar de eczema, de psoríase ou de acne, por exemplo, terá de 
procurar aconselhar­se com um especialista (aromaterapeuta, herborista ou 
nutricionista) que lhe estabeleça um programa de cura mais personalizado. Nós 
somos todos diferentes e aquilo que dá resultado com uma pessoa pode não ser tão 
eficaz com outra.

Em termos muito simples, a pele é muito mais que uma mera cobertura superficial 
do nosso corpo: ela é, na verdade, um
organismo que vive e respira por si. Tem uma função dupla ­
proteger o resto do corpo de infecções e sujidades e eliminar as toxinas. De 
facto, a pele é o maior órgão eliminatório do nosso corpo (pesa cerca de três 
quilos) e trabalha duramente. Num corpo saudável, o crescimento e a reprodução 
das células da pele prosseguem incessantemente.

A pele é influenciada por muitos factores, entre os quais se contam os factores 
genéticos, a idade, o ambiente e os cuidados que lhe são prestados ­ ou a falta 
deles. Mesmo no feliz mas raro caso das pessoas cuja pele não apresenta 
problemas, o uso dos óleos essenciais, de acordo com as técnicas que neste 
capítulo vou delinear, não só ajuda a conservá­la flexível durante mais tempo 
como contribui para a melhoria do estado geral.

Escovamento da pele a seco

São verdadeiramente supreendentes os benéficos efeitos desta técnica europeia de 
cura natural. Não só melhora o estado geral da pele, retirando a camada 
superficial de células mortas, como estimula a circulação linfá tica e a 
eliminação de um terço dos resíduos do funcionamento dos diversos sistemas 
orgânicos. Segundo os princípios da cura natural, essas toxinas podem provocar 
doenças se se não impedir a sua acumulação no organismo. Certas situações, como 
a artrite, a celulite, a hipertensão e até os estados depressivos, têm sido 
relacionados com a má drenagem linfática.
104
O sistema linfático tem a seu cargo as nossas defesas imunitárias (a produção de 
anticorpos contra as infecções) e a eliminação de resíduos tóxicos pela pele, 
pelos pulmões, pelos rins e
pelo cólon. Ao contrário do sistema sanguíneo, no qual o sangue circula pelo 
efeito de bomba do coração, a linfa move­se no nosso organismo por efeito da 
actividade física normal de contracção e descontracção dos músculos. Para quem 
levar uma vida sedentária (e, em especial, para quem tem de viver numa cadeira 
de rodas) ou for já idoso ­ ou simplesmente preguiçoso! ­, o escovamento da pele 
é uma bênção. Não pode substituir totalmente o exercício físico mas, em termos 
de estímulo para o
organismo, é equivalente a uma boa massagem ou a trinta minutos de corrida 
pedestre!

Na aromaterapia, o uso mais vulgar do escovamento da pele é o combate à 
celulite; e, combinado com as massagens de drenagem linfática, os óleos 
essenciais e um regime alimentar desintoxicante, é de grande eficácia (v. 
adiante, neste mesmo capítulo). Além disso, como muitos outros terapeutas 
naturistas já verificaram, pode ser usado para melhorar o estado geral. Os 
herboristas britânicos Kitty Campion e JilI Davies, bem como Leslie Kenton, 
escritor e perito de saúde norte­americano, vêm há anos elogiando as virtudes do 
escovamento da pele.

Como proceder

É preciso ter uma escova de pêlos vegetais, especialmente concebida para este 
efeito (as escovas de nylon ou de pêlo animal são demasiado macias ou demasiado 
rijas), com um cabo comprido, desmontável, que permita chegar a todo o dorso. Há 
escovas destas em muitas casas de artigos de saúde e em certas farmácias. A 
escova deve ser conservada sempre seca, mas tem de ser lavada de quinze em 
quinze dias com água tépida e sabão. O corpo precisa de ser escovado uma vez ao 
dia durante uns minutos (antes do banho matinal) e duas vezes ao dia no caso de 
se ter celulite. É boa ideia suspender o escovamento durante
105
Fig­ 2 ­ escovamento da pele a seco (evitar a face, os mamilos e os órgãos

106
uma semana de mês a mês, porque, como muitas outras técnicas de desintoxicação 
natural, o escovamento da pele tem maior eficácia quando o organismo se lhe não 
acostuma por completo.

A técnica do escovamento resume­se, no essencial, a executar amplos movimentos 
de varrimento de cada uma das partes do corpo (Fig. 2) evitando a face, 
demasiado sensível para um
tratamento deste gênero. Há que ter cuidado, pois um escovamento excessivamente 
vigoroso ­ especialmente no caso de uma pessoa pouco experiente nesta técnica ­ 
pode provocar esfoladelas. Começa­se pelos pés (incluindo as solas), passa­se 
depois às pernas (pela frente e por trás), às nádegas e ao dorso. Ou seja: o 
movimento geral é na direcção do coração e procura conduzir as toxinas para o 
cólon. Em seguida procede­se ao escovamento das mãos, dos braços (pela frente e 
por trás) e dos ombros, desce­se para o peito (evitando os mamilos) e passa­se 
depois para a nuca
e para a parte superior das costas e, finalmente, para o abdómen (evitando os 
órgãos genitais) com movimentos circulares no sentido da rotação dos ponteiros 
do relógio a fim de acompanhar a forma do cólon.

O escovamento da pele não precisa de durar mais de cinco minutos ­ pode ser 
feito enquanto a banheira enche. Depois do banho ­ de imersão ou de chuveiro ­, 
aplica­se o óleo de massagem aromaterápica a fim de dar alimento à pele ou, se 
for esse o caso, um óleo anticelulite.

Importante: O escovamento da pele é inócuo em todas as pessoas, excepto naquelas 
que sofram de males de pele como o eczema e a psoríase ou cuja pele esteja 
infectada ou ferida.
O escovamento pode ser efectuado nos pontos em que a pele estiver sã, mas devem 
ser evitadas as zonas varicosas.

O rosto

Lave o rosto duas vezes ao dia com um sabão suave, de pH equilibrado, que ajuda 
a manter a acidez do manto cutâneo. Este
107
manto é uma mistura de sebo (substância oleosa) e de líquidos que serve de 
barreira à microflora bacteriana (a defesa do organismo contra as infecções). O 
seu pH é de 5,5 ­ e isto significa uma ligeira acidez. Os sabões e outros 
preparados vulgares são alcalinos e fazem com que a pele de certas pessoas se 
torne seca e escamosa.

Depois de lavar, e especialmente no caso de pele oleosa, aplica­se um 
adstringente suave como, por exemplo, a água de rosas (ou um dos tónicos 
cutâneos que mencionei no capítulo 5). Para os homens de pele sensí vel, a água 
de rosas é também uma boa loção para depois de barbear. Os tónicos cutâneos 
refrescam a pele e ajudam a remover os resíduos de sabão e de outros produtos.

Com a pele ainda húmida, aplica­se um humedecedor preparado com cera de abelhas 
e óleos vegetais (v. capítulo 5) ou um bom produto comercial equivalente. No 
entanto, são de evitar os
produtos de beleza que contenham humedecedores como glicerina, glicol, 
pirrolidona sódica, propileno ou ácido carboxílico. Se bem que provoquem uma 
sensação agradável e pareçam bons para a pele, pois atraem a humidade 
atmosférica, o facto é que atraem também a humidade das camadas externas da 
pele. Esta humidade pode, assim, evaporar­se mais facilmente deixando a pele 
retesada e pergaminhada. Estes humedecedores podem provocar a «viciação» da 
pele, que passa a reclamar doses periódicas a fim de restabelecer a sensação de 
conforto. Como a maioria dos produtos comerciais é feita com essas substâncias, 
pelo menos metade da população feminina da sociedade ocidental (e também alguns 
dos seus homens mais evoluídos) é constituída por «viciadas» em humedecedores!

Esfoliação

A esfoliação contribui para melhorar a textura da pele, especialmente nas 
pessoas de mais de trinta anos. Remove as células cutâneas mortas da superficie 
da pele, que obturam os poros
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provocando pigmentação e dando à pele um aspecto baço. As peles jovens expulsam 
as células mortas sem grande custo; mas, à medida que a pessoa vai envelhecendo, 
os processos de reprodução celular da pele vão perdendo velocidade. As células 
novas formam­se mais lentamente e as células mortas, empurradas para a 
superfície, vão­se acumulando e formando manchas.

Como proceder à esfoliação: Humedece­se uma mão­cheia de farinha de aveia 
medianamente moída (em caso de pele seca, é melhor a farinha de trigo) que 
depois se esfrega suavemente na pele de todo o rosto e do pescoço. Deve dar­se 
uma atenção especial à zona que rodeia as narinas. Lava­se, por fim, com água 
morna ou mesmo fria. Os homens de cara rapada não têm de preocupar­se com esta 
operação, pois o barbear dá o mesmo resultado.

Tratamentos cutâneos ocasionais

As máscaras faciais e as saunas faciais são boas para a pele de quem vive numa 
cidade ou para aquelas ocasiõ es em que se sente a necessidade de «espevitar» a 
pele ou de combater um acesso de borbulhas. As erupçõ es de pele são muito 
vulgares na maior parte das pessoas deprimidas e nas mulheres em fase pré­
menstrual.

A sauna facial

A sauna facial é um tratamento de limpeza profunda, bom para todos os tipos de 
pele mas em especial para as peles manchadas e congestionadas. No entanto, a 
sauna deve ser evitada por completo pelas pessoas cujas veias mostrem tendência 
para aparecer à flor da pele. O intenso calor a que a pele é exposta faz dilatar 
os vasos sanguíneos subcutâneos e agrava o problema.
109
Também deve evitar a sauna quem sofrer de asma: o calor concentrado pode 
provocar um acesso.

Numa tigela grande com meio litro de água a ferver deita­se uma ou duas gotas de 
uma essência adequada ao tipo de pele a tratar (v. cap. 5). Coloca­se a cabeça, 
inteiramente coberta com uma toalha, por cima da tigela fumegante de modo a 
formar com a toalha uma espécie de «tenda» que retenha o vapor. Fica­se assim 
durante uns cinco minutos, não mais, e termina­se o tratamento chapinhando água 
fria no rosto para remover os resíduos acumulados à superficie da pele. Este 
tratamento pode ser seguido da aplicação de uma máscara facial. Não sendo esse o 
caso, espera­se meia hora, para que a pele retome o seu estado de equilíbrio 
normal, e aplica­se o humedecedor do costume. Uma palavra acerca das saunas 
faciais: certos estudos de origem norte­americana sobre a saúde da pele 
indicaram que o uso excessivo de tratamentos com vapor (mais de duas vezes por 
semana durante muitos meses) pode provocar «acne selvagem» ­ uma situação 
mórbida causada pelo excesso de humidade na pele. Mas, se usada judiciosamente 
(aí uma vez por semana), a sauna facial só pode ser benéfica para a pele, que 
começará a mostrar­se (e a sentir­se) revitalizada e fresca.

Máscaras faciais

Pode­se aplicar no rosto e no pescoço, uma vez por semana, uma máscara facial ­ 
depois da limpeza habitual ou, melhor ainda, depois de um banho aromático ou de 
uma sauna facial, quando a pele está ainda húmida e quente e, portanto, 
extremamente receptiva ao que quer que se lhe aplique.

As máscaras faciais destinam­se a equilibrar as secreções cutâneas, a estimular 
a circulação e a humedecer e enrijecer a pele. Uma das substâncias mais 
benéficas usadas na máscara facial é o iogurte (natural e, se possível, gordo); 
o iogurte é sempre benéfico, a não ser que se seja alérgico aos produtos 
lácteos. O iogurte fresco, sem aditivos, é bom para todos os
110
tipos de pele e, em especial, para as peles muito secas ou muito oleosas. O 
ácido láctico do iogurte (produzido pela fermentação) é semelhante ao do manto 
ácido da pele e parece exercer uma acção equilibradora na secreção dos fluidos 
cutâneos.

É precisa cerca de uma colher (das de chá) de iogurte, que se aplica ao rosto e 
ao pescoço e se deixa actuar durante dez a
quinze minutos. Lava­se depois o rosto e o pescoço com água morna ou mesmo fria 
e nota­se imediatamente a diferença (v. também as receitas no capítulo 
anterior).

óleos faciais

A maneira mais eficaz de usar os óleos essenciais para cuidar da pele tem em 
França o nome de «cura». As essências são usadas como tratamento periódico: ou 
uma vez por semana, continuadamente, ou diariamente durante duas semanas fazendo 
um intervalo de três a quatro semanas antes de repetir o
esquema. Isso impede que a pele se acostume às essências e deixe de reagir­lhes 
positivamente. Não há, certamente, quem não tenha já notado este fenômeno com o 
champô: usando sempre o mesmo durante muito tempo, os resultados obtidos ao 
princípio começam a diniinuir.

Voltando aos óleos para uso facial: já apresentei no capítulo 5 uma tabela de 
cuidados cutâneos e instruções de preparação dos óleos. Mas atenção: não se deve 
exceder a diluição recomendada, de 0,5 a 1% (pelo menos de princípio), pois uma 
concentração excessiva (especialmente de um óleo forte, como o de camomila ou o 
de gerânio) poderá irritar a pele da face, mais sensível (v. também as últimas 
páginas, sobre alergias). Os óleos para o
corpo podem, em geral, ser usados em concentrações maiores, de cerca de 3%.

Há quatro modos de aplicação dos óleos para tratamento da pele:

1. Aplicar uma fina camada de óleo imediatamente a seguir ao
banho de imersão ou de chuveiro, quando a pele está ainda
húmida e quente. Não limpar o excesso enquanto não tiverem passado vinte minutos 
­ que é de quanto os óleos podem necessitar para penetrar na pele.

2. Aplicar o óleo meia hora depois da máscara. Depois deste tratamento, a pele 
precisa de restabelecer o seu equilíbrio normal e só então pode absorver mais 
eficazmente os óleos essenciais.

3. Idem, no caso da sauna facial.
4. Aplicar pouco tempo antes de sair para um passeio ao ar livre (de preferência 
num parque ou numa região do campo, pouco poluída). A combinação do oxigénio 
com os óleos essenciais é um excelente rejuvenescedor da pele.

Quem preferir o regime da aplicação única semanal deve aplicar os óleos, se 
possível, três vezes ao dia. Na outra modalidade, basta uma vez ao dia.

Em vez de usar um óleo para o rosto, pode haver quem opte por «preparar» com o 
óleo adequado ao seu tipo de pele um creme ou loção sem perfume (de preferência 
um produto de tipo «natural»). Misturar, mexendo bem, duas ou três gotas de óleo 
essencial a cada 50 gramas de creme ou uma a duas gotas a cada 25 ml de loção ­ 
agitando bem.

Pela minha experiência pessoal, as essências usadas no banho e a massagem geral 
são boas para o rosto quer lhe sejam aplicadas directamente quer não. Isto 
porque chegam à corrente sanguínea por via pulmonar e cutânea e actuam assim em 
todo o sistema, exercendo uma influência global no organismo. Uma pele muito 
congestionada não pode absorver os óleos essenciais de uma maneira eficaz; mas 
estes, usados no banho e na massagem geral, são absorvidos com muito maior 
facilidade pela pele do abdómen, do interior das coxas e da parte superior dos 
braços, que é mais fina.

Massagem aromaterápica

Uma boa massagem aromaterápica ­ ninguém o pode negar ­
é uma experiência verdadeiramente divina; e dar a massagem
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pode também ser agradável. Claro que uma pessoa pode aplicar os óleos à sua 
própria pele para beneficiar do seu efeito, mas o modo mais agradável e, 
decerto, o mais repousante consiste em receber a massagem dada por outra pessoa 
­ de preferência por um aromaterapeuta devidamente habilitado, embora uma pessoa 
amiga que tenha «boas mãos» seja igualmente muito útil.

Vou em seguida apresentar, nas suas linhas gerais, alguns dos movimentos básicos 
da massagem; mas eles são apenas um guia para que o leitor possa começar a criar 
intuitivamente o seu próprio estilo. Não é fácil aprender a dar massagens por 
meio de um livro (mesmo que seja por um livro muito mais minucioso que este). Se 
o leitor deseja levar estes assuntos a sério, certamente acabará por sentir 
necessidade de inscrever­se num curso de fim de semana ou mesmo num curso mais 
desenvolvido. Dito isto, muitas pessoas são excelentes aromaterapeutas 
intuitivos cujo «toque» especial nenhuma preparação formal poderá aperfeiçoar.

Um bom motivo para estudar massagem aromaterápica numa
escola especializada é o seguinte: nesse gênero de escolas as
pessoas aprendem, além de anatomia e fisiologia, técnicas para aliviar dores, 
para cuidar de ferimentos e contusões e para descobrir por que motivo aparecem 
dores em determinada zona do corpo de uma pessoa ­ e, o que ainda é mais 
importante que isso, para saber quando é que tais zonas devem ser deixadas em 
paz.

Onde não massajar

A massagem está contra­indicada nas seguintes situações: febre, inflamação (da 
pele ou de articulações), borbulhagens ou
erupções da pele, inchaços, contusões de vários tipos, entorses ou
rasgamentos de músculos ou ligamentos, fracturas ósseas, queimaduras e varizes ­ 
em resumo, se a massagem causar dores nalgum ponto do corpo do paciente, deve­se 
desistir do movimento em curso e passar a outra zona. Crê­se, de um modo geral,
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que as pessoas que têm cancros não devem receber massagens porque estas provocam 
a passagem de células cancerosas do seu foco inicial para o sistema linfático e, 
portanto, a sua transmissão ao resto do organismo. De acordo com investigações 
recentes, porém, parece que as coisas se não passam assim. Vários hospitais 
britânicos estão actualmente a usar massagens aromaterápicas aplicadas muito 
ligeiramente a fim de levantar o â nimo dos doentes cancerosos.

Os efeitos da massagem

A partir do momento em que pomos as nossas mãos em contacto com o corpo de outra 
pessoa, começamos a tratar­lhe simultaneamente o corpo e o espírito. Os nervos 
despertam imediatamente e enviam mensagens ao cérebro ­ que em seguida emite 
instruções de «reacção» a todo o corpo.

No nível fisico, a massagem ajuda a eliminar resíduos tóxicos (que são 
frequentemente causa de moinhas e dores musculares) por meio da estimulação da 
circulação sanguínea e da drenagem linfática. O oxigénio é fornecido em maior 
quantidade às zonas doridas e remove delas os resíduos tóxicos estagnados, como 
os ácidos láctico e carbóníco, que se formam nas fibras musculares.

Como o corpo e a mente estão interligados, os efeitos emocionais de uma massagem 
aromaterápica hábil mas sensível podem ser profundos. Pode, por vezes, criar­se 
um estado semelhante àquele por que passam os meditantes.

Assim que a arte da massagem se tiver tornado uma segunda natureza, poder­se­á 
começar a descobrir «obstruções de energia», que usualmente se manifestam como 
zonas frias do corpo ­ por exemplo, nos quadris ou no abdómen. Essas zonas frias 
são, muitas vezes, sede de emoções profundas. Logo que os músculos tensos 
começam a descontrair­se, as emoções ocultas são, em
muitos casos, libertadas. Certas pessoas não conseguem conter as lágrimas; 
outras sentem­se maravilhosamente descontraídas e
calmas depois da massagem. Há ainda quem sinta uma sensação
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de leveza, como se tivesse bebido uns copos; e há também quem caia num sono 
profundo!

Reacções deste gênero ­ mesmo a das lágrimas ­ são positivas e, a longo prazo, 
benéficas para a saúde. É um facto já bem documentado que o cancro, por exemplo, 
aparece mais nas pessoas predispostas à depressão e a disfarçar as suas emoções 
para agradar aos outros.

Nada de realmente benéfico poderá, contudo, ser obtido se não houver empatia 
entre quem dá a massagem e quem a recebe. Quem dá a massagem precisa de ganhar 
a capacidade de afinar­se, por assim dizer, pelas necessidades de quem a recebe 
deixando que as suas mãos cheguem de uma maneira intuitiva aos locais delicados 
do seu corpo para lhe aliviar e afugentar a dor. Embora isto seja, em grande 
parte, um dom inato e especialmente desenvolvido em certas pessoas, todos nós 
podemos desenvolver a nossa sensibilidade global (coisa que só servirá para 
melhorar as aptidões de massagem) por meios como a meditação, a descontracção 
profunda e a harmonização com a natureza (v. cap. 7).

Quem recebe a massagem precisa de aprender a aceitá­la de bom grado, como um 
bem, isto é: confiando em quem lha dá e «abrindo­se» à nova experiência por que 
passa. Mas isso só se consegue se não se estiver a tagarelar e mexer­se 
constantemente. Em vez disso, deve­se fechar os olhos, respirar fundo diversas 
vezes e por fim expirar profundamente e entregar­se descontraidamente a essa 
nova experiência. Deve­se concentrar a atenção nos toques recebidos e procurar 
apreciar a sensação que eles causam deixando que o corpo «pese» e amoleça. 
Nunca se
deve, por exemplo, erguer a cabeça para tentar dar uma ajuda; quando a cabeça 
tiver de ser virada para o lado a fim de aplicar a massagem ao pescoço, lá está 
quem o faça da maneira mais adequada. Claro que há uma ou duas excepções à regra 
de não falar nem se mexer: se, por exemplo, algum movimento da massagem provocar 
uma dor ou se se sentir frio ou qualquer outra forma de desconforto. E, quando 
se está deitado de bruços, deve­se virar a cabeça de um lado para o outro quando 
se sentir o pescoço demasiado rígido.
115
Preparação do cenário

Um cenário calmo e confortável reforça de um modo favorável as sensações da 
massagem aromaterápica. Sempre que possível, deve­se trabalhar à luz do dia ou 
de uma lâmpada de luz suave. Uma iluminação de cima, demasiado dura, serve 
apenas para fazer lembrar salas de operações e consultórios de dentistas! A 
massagem aromaterápica é uma arte curativa delicada e não um trabalho frio e 
insensível.

A sala deve estar bem aquecida e livre de correntes de ar. Os músculos, quando 
frios, contraem­se e provocam a secreção de adrenalina ­ que é exactamente 
aquilo que principalmente se pretende fazer abrandar.

Se se achar necessário fazer ouvir música, o som deve ser mantido em volume 
muito baixo ­ os sentidos de quem recebe a massagem vão estar especialmente 
aguçados ­ e convirá não sair do âmbito da música do estilo «Nova, Era», que foi 
composta para a meditação e para a descontracção profunda. Sugestão final: 
talvez ache bom pôr na sala uma jarra com flores frescas; é algo que melhora 
muitíssimo a atmosfera.

A superfície a usar para a massagem

A superficie mais confortável para a aplicação da massagem aromaterápica é um 
sofá fabricado propositadamente para massagens. Mas pode ser preciso trabalhar 
no chão. O que nunca se deve fazer é dar massagens numa cama. Não só é preciso 
inclinar­se demasiado (esforçando muitíssimo as costas) como o colchão absorverá 
toda a pressão necessária ao tratamento do corpo do paciente. Um saco de dormir, 
uma peça de espuma de borracha, uma pilha de cobertores espessos, um tapete 
macio ou
uma manta acolchoada servem bastante bem de suporte ao corpo do paciente. Devem 
ser cobertos com um lençol ou uma grande toalha de banho, Outro lençol ou toalha 
será útil para tapar as
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partes do corpo em que se não vai trabalhar e evitar assim que o paciente sinta 
frio. Quando a massagem é aplicada com o paciente deitado no chão,  deve­se 
ajoelhar a seu lado (de preferência em cima de um tapete grosso, para não magoar 
os joelhos). Nunca se deve tentar aplicar a massagem a um paciente deitado no 
chão conservando­se de pé ou dobrando­se pela cintura: isso seria ainda pior 
para as costas que trabalhar numa cama.

O óleo de massagem

Ao escolher um óleo de massagem, pode­se, querendo, tentar ir ao encontro das 
necessidades do paciente mediante a consulta das tabelas terapêuticas e de 
outros elementos que forneci no capítulo 5. Talvez o paciente necessite de um 
óleo como o de alecrim, por exemplo, para descontrair uns músculos muito tensos; 
ou talvez necessite de um óleo repousante, como o ylang­ylang. Mas também se 
pode ter uma inclinação mais forte para a aromaterapia intuitiva, em que o 
paciente tem a oportunidade de escolher um óleo ou mistura de ó leos segundo as 
suas preferências. Recordemos que as pessoas são, muitas vezes, naturalmente 
levadas a escolher o óleo essencial de que realmente na altura precisam. De 
qualquer modo, quanto mais o aroma agradar ao paciente mais provável será que 
ele se descontraia bem e adira por completo à experiência da massagem 
aromaterápica ­ e é nesta habilidade de deixar correr as coisas que reside a 
chave da arte da verdadeira cura.

Como aplicar a massagem

É impossível descrever neste livrinho toda a técnica da massagem geral. Irei, 
assim, concentrar a atenção nas zonas do corpo mais importantes para a 
aromaterapia: as costas, a cabeça, o rosto e o pescoço. E tratarei também de 
mostrar resumidamente
117
uma forma simples de massagem destinada a contribuir para a eliiiiinação da 
celulite.

As costas

As costas podem ser consideradas a porta de entrada para toda a pessoa ­ corpo, 
mente e espírito. Os principais nervos do corpo humano são ramificações que saem 
de ambos os lados da coluna vertebral para todos os orgãos internos. Fazendo 
diminuir a tensão dos músculos das costas reduz­se também o nível de fadiga do 
corpo e da mente, o que contribui para melhorar o
estado geral de saúde e para criar uma sensação de bem estar.

Faz­se deitar o paciente de bruços, com a cabeça virada para um dos lados e os 
braços descontraídos ao longo do corpo ou dobrados para cima com as mãos no 
nível dos ombros. Certas pessoas sentem­se melhor com uma toalha enrolada ou uma 
almofada debaixo do peito ou dos tornozelos. Ajoelhe ao lado do paciente (ou, no 
caso de usar um sofá de massagem, coloque­se de pé igualmente a seu lado). Antes 
de olear as mãos, ponha­lhe com suavidade uma das mãos no alto da cabeça e a 
outra no fundo da espinha. Deixe­as estar assim durante cerca de um minuto e 
passe depois para os pés. Segure cada pé com uma das mãos, comfirmeza (há quem 
tenha cócegas nos pés!) e com as
palmas em contacto com as solas. Chama­se a isto entrar em contacto. Dá muita 
confiança ao paciente e, ao mesmo tempo, permite­lhe acostumar­se ao toque 
pessoal de quem lhe dá a massagem e tem um efeito calmante.

1. Deite um pouco de óleo num pires (não o ponha no corpo do paciente, pois isso 
provocar­lhe­ia uma sensação demasiado rude), unte as mãos e esfregue­as uma na 
outra a fim de aquecer o óleo. Coloque as mãos no fundo das costas do paciente, 
de ambos os lados da coluna vertebral, com os dedos descontraídos e virados na 
direcção da cabeça. Nunca se deve aplicar nenhuma
118
pressão na coluna vertebral propriamente dita; mas os fortes músculos que a 
ladeiam suportam pressões firmes. Faça agora deslizar ambas as mãos ao longo das 
costas do paciente, deslocando­se de maneira a alcançar o pescoço, abra­as com 
firmeza por sobre os ombros e faça­as deslizar novamente para baixo. Ao chegar à 
cintura, puxe­a com delicadeza para cima e regresse com um movimento suave ao 
ponto de partida (v. Fig. 3).

É importante usar as mãos por inteiro: deixe­as amoldar­se aos contornos do 
corpo do paciente como se estivesse a fazer uma escultura de barro. Repita 
várias vezes estes movimentos firmes e longos até que todo o dorso esteja bem 
untado mas não demasiado escorregadio. Verificará que bastam duas a quatro 
colheres (das de chá) de óleo para umas costas normais. Uma pessoa de pele muito 
seca necessitará, talvez, de um pouco mais.

Fig. 3 ­ Longos movimentos suaves

119
2. Passe agora as mãos para um dos flancos do corpo do paciente e, começando 
pelas ancas (ou pelas nádegas), inicie a amassadura. Usando alternadamente uma e 
outra mão, apanhe as carnes com toda a palma e os dedos da mão, puxe­as como se 
fosse separá­las dos ossos e aperte­as como se estivesse a amassar farinha. 
Mantenha a mão toda em contacto com o corpo do paciente. Trabalhe o flanco em 
movimento ascendente até chegar à parte superior do braço e ao ombro. Ao chegar 
a uma zona de dimensões mais reduzidas (por exemplo, em redor da omoplata), 
passe a executar os movimentos apenas com o polegar e os dois dedos do meio ­ 
mas sem beliscar. Passe para o outro lado do corpo do paciente e repita todos 
estes movimentos (v. Fig. 4).

Fig. 4 ­ Amassadura

120
3. Começando pelo fundo da espinha, faça de ambos os lados dela uns pequenos 
movimentos circulares com os polegares sobre os músculos que a ladeiam subindo 
gradualmente até ao pescoço. Continue com esses movimentos dos polegares em toda 
a zona superior das costas. Não exerça pressão na espinha nem nas omoplatas. 
Trabalhe os músculos que se encontram logo acima das omoplatas e os que as 
separam da espinha (v. Fig. 5).

4. Voltando aos movimentos longos com que começou (ponto
1), repita­os três vezes de cada lado.

5. O movimento seguinte chama­se puxar e é efectuado ao longo dos flancos. 
Coloque­se a um dos lados do paciente e, com os dedos virados a apontar para 
baixo, puxe suavemente as carnes com cada uma das mãos, alternadamente, de baixo 
para cima. Comece pela anca e suba lentamente até à axila, descendo

Fig. 5 ­ Movimentos circulares dos polegares

121
Fig. 6 ­ Puxar

Fig. 7 ­ Movimentos circulares com as mãos sobrepostas

122
depois até ao ponto de partida. Repita estes movimentos no outro flanco (v. Fig. 
6).

6. Aplique uma boa pressão no fundo das costas do paciente com as eminências 
tenares de ambas as mãos. Ponha uma mão por cima da outra e, usando a mão toda, 
trabalhe em círculos desde o fundo da espinha até às ancas. Depois, com os 
polegares, trabalhe intuitivamente qualquer ponto rígido que aí encontre (v. 
Fig. 7).

7. Repita os movimentos longos do ponto 1 (duas ou três vezes de cada lado).

8. Amasse agora suavemente os ombros do paciente.
9. Dê à sua mão a forma de um pé de ave, com os dedos separados. Poise apenas as 
pontas dos dedos na omoplata e faça com que a pele da omoplata se mova em 
círculos. Descreva vários círculos para a direita e depois outros tantos para a 
esquerda. Repita estes movimentos na outra omoplata (v. Fig. 8).

10. Coloque as mãos no meio das costas do paciente, uma ao lado da outra, 
atravessadas sobre a coluna vertebral. Afaste uma delas suavemente na direcção 
do ombro esquerdo e a outra, ao mesmo tempo, na da anca direita como se 
pretendesse esticar as costas do paciente. Repita o movimento para o outro ombro 
e a outra anca. (v. Fig. 9).

11. Coloque agora ambos os antebraços atravessados sobre as
costas do paciente e faça­os deslizar lentamente, mas com firmeza, um para o 
alto das costas e o outro para o alto das nádegas; exerça bastante pressão (v. 
Fig. 10).

12. Termine a massagem tal como começou: colocando uma das mãos no alto da 
cabeça do paciente e a outra no fundo das suas costas e, em seguida, nos pés. 
Assim que julgar adequado, retire as mãos e cubra o paciente com uma toalha. 
Deixe­o repousar um pouco para que «volte a si» no ritmo que lhe for próprio.

Disto se compõe a sequência básica de movimentos; mas
acrescente aquilo que entender necessário. Trabalhe com o corpo todo e não 
apenas com as mãos e os braços. Ao executar a
amassadura, vá­se movendo suavemente de um para outro lado
123
Fig. 8 ­ Fazer rodar a pele da, omoplata

Fig. 9 ­ Esticar as costas (1)

124
Fig. 10 ­ Esticar as costas (2)

acompanhando as mãos. Execute sempre todos os movimentos com lentidão e fluindo 
com suavidade. Deixe que venha ao de cima o seu ritmo natural. A sensibilidade 
no início é muitíssimo superior a uma complicada combinação de movimentos 
executados de um modo mecânico e impessoal. O mais importante de tudo é criar um 
estilo único, pessoal.

O rosto e a cabeça

Eis uma parte do corpo que frequentemente fica esquecida na
terapêutica da massagem curativa; no entanto, uma boa massagem ao rosto e ao 
couro cabeludo pode ser uma das mais
125
estimulantes experiências de sempre. Uma forte dor de cabeça pode ser liquidada 
com segurança em poucos minutos sem necessidade de aspirinas ou de outros 
remédios, como o paracetamol, nem dos seus efeitos colaterais. Os produtos 
químicos nada fazem para eliminar as causas da dor de cabeça ­ que, as mais das 
vezes, é proveniente da tensão muscular e nervosa, sensações que a massagem 
aromaterápica reduz e afasta de um modo suave.

A sequência de movimentos que apresento em seguida, se for executada com 
sensibilidade, não só aliviará a tensão como será muito eficaz para estimular a 
clareza de ideias. Havendo tensão no pescoço e na coluna vertebral ­ em especial 
no ponto em que ela se liga ao cérebro, na base do crânio ­, a corrente 
sanguínea fica dificultada; e uma boa afluência de sangue à cabeça é de 
importância decisiva para o funcionamento do cérebro.

Componha um óleo facial adequado ao tipo de pele do paciente, levando em linha 
de conta as suas preferências olfactivas. A pele deve estar limpa e sem 
pinturas. Deite duas colheres (das de chá) num pires: só uma pele extremamente 
seca necessitará de mais. Peça ao paciente que tire os óculos, se os usar, e 
também os brincos, o colar e qualquer outro adereço que possa impedir a 
massagem.

O paciente deve estar deitado de costas com uma almofada ou
uma toalha enrolada debaixo dosjoelhos a fim de evitar esforços na região 
lombar. Os ombros devem estar libertos de qualquer peça de vestuário. Cubra o 
paciente com uma toalha espessa para evitar que sinta frio. Se estiver a 
trabalhar no chão, sente­se de pernas cruzadas, se possível, ou ajoelhe num 
tapete espesso. É importante que se sinta confortável; de outro modo, o paciente 
aperceber­se­á da sua tensão.

O rosto

1. Antes de olear as mãos, coloque­as aos lados da cabeça do paciente. As 
eminências tenares deverão cobrir a testa e os dedos,
126
estendidos para baixo, apoiar­se­ão nos lados da cabeça. Mantenha as mãos nesta 
posição durante uns momentos (v. Fig. 11).

2. Desloque as mãos para a testa do paciente e pressione suavemente, com elas 
sobrepostas, percorrendo o couro cabeludo até atingir o alto da cabeça. Repita 
este movimento várias vezes.

3. Retire as mãos com suavidade e mergulhe as pontas dos dedos no óleo. 
Esfregue­o nas mãos. Basta uma pequena porção de óleo para a massagem facial; o 
óleo em excesso poderá entrar nos olhos do paciente.

4. Faça deslizar suavemente as mãos pelo rosto do paciente, começando pelo 
queixo, descrevendo círculos em redor dos olhos e na testa. Isto é apenas para 
untar o rosto do paciente antes de dar início à massagem (v. Fig. 12).

5. Unte as mãos de novo, desta vez mais generosamente, e
faça­as deslizar sobre os ombros do paciente até à nuca. Ao passar pela 
garganta, exerça apenas uma pressão muito suave.

Os seus movimentos devem ser sempre lentos e fluentes, sem brusquidão nem 
vacilações. Use uma pressão muito leve ou
simplesmente mediana, a fim de não arrastar a pele, e tenha cuidados muito 
especiais com a zona dos olhos.

6. Coloque as polpas dos polegares no meio da testa, entre as sobrancelhas do 
paciente. Separe os polegares num movimento deslizante e, ao chegar às têmporas, 
termine o movimento com uma pequena rotação antes de atingir a raiz dos cabelos, 
onde os polegares deverão perder o contacto com a pele do paciente (v. Fig. 13).

7. Regresse à posição inicial, mas agora um pouco mais acima. Repita o ponto 6 e 
continue assim, numa faixa de cada vez, até atingir a raiz dos cabelos no alto 
da testa (v. Fig. 13).

8. Coloque os polegares no meio da testa do paciente, entre as
sobrancelhas (no «terceiro olho»), e faça­os deslizar sobre as
arcadas supraciliares, desta vez com um pouco mais de firmeza, até perder o 
contacto. Repita uma ou duas vezes.

9. Volte à posição do «terceiro olho» e faça agora mais força
com os polegares (se for muita, o paciente dirá), mantendo­os
127
Fig. 11 ­ Posição a tomar para a massagem ao rosto, ao pescoço e ao couro 
cabeludo

Fig. 12 ­ Como untar o rosto e o pescoço

128
assim durante cerca de três segundos. Levante os polegares e
coloque­os um pouco mais para fora, sobre as arcadas supraciliares, repetindo a 
pressão. Repita estes movimentos espaçados até alcançar os cantos exteriores dos 
olhos (v. Fig. 13).

10. Coloque o dedo indicador nas arestas ósseas das órbitas, por baixo dos olhos 
do paciente, e repita os movimentos de pressão ­ desta vez mais levemente ­ até 
chegar aos cantos dos olhos. Estes movimentos são muito bons para quem sofrer de 
catarro ou de sinusite.

Cuidado: Se os seios nasais estiverem inchados e doridos, não exerça pressão 
nenhuma!

Fig. 13 ­ Massagem da testa. Pontos de pressão em redor dos olhos

129
11. Dê agora ao paciente um «banho de escuridão» durante uns instantes. Coloque­
lhe as mãos ao de leve sobre os olhos, de modo a criar a escuridão com, as 
eminências tenares, com os
dedos a envolver as têmporas. Deixe­se estar assim durante, pelo menos, dez 
segundos (v. Fig. 14).

12. Faça deslizar as mãos para os lados da cabeça do paciente e aplique uma 
ligeira pressão às têmporas durante cerca de dez segundos.

13. Aplique a massagem a todo o rosto, com suavidade, em movimentos ascendentes 
como os do ponto 4.

14. Coloque as polpas dos polegares nos cantos internos dos olhos do paciente, 
logo abaixo das órbitas. Execute movimentos de alisamento, para fora e para 
cima, na direcção das têmporas. Faça movimentos circulares nas têmporas, como 
indiquei no ponto 6. Repita um pouco mais abaixo, percorrendo uma faixa de cada 
vez, até chegar à extremidade do osso malar. Repita este movimento até um pouco 
abaixo do osso, pressionando levemente para cima (v. Fig. 15).

15. Coloque um indicador de cada lado do nariz, perto dos olhos, e pressione 
ambos os lados com pequenos movimentos circulares até atingir o nível da 
comissura dos lábios (v. Fig. 15).

16. Usando alternadamente cada um dos polegares, dê pequenos toques na cana do 
nariz de cima a baixo. Com a palma da mão, pressione a ponta do nariz com um 
movimento de rotação.

17. Pressione as faces, de ambos os lados das narinas, usando os dedos médios em 
pequenos movimentos circulares que deverão chegar à região do lábio superior por 
baixo do nariz (v. Fig.
15).

18. Coloque os polegares no queixo do paciente e mova­os lentamente e com 
firmeza ao longo da mandíbula, desde o meio do queixo até junto da orelha. 
Repita estes movimentos um
pouco mais dentro, uma ou duas vezes, até passar perto do bordo inferior do osso 
malar (v. Fig. 16).

19. Volte ao queixo e descreva pequenos círculos com os polegares partindo do 
meio do queixo e percorrendo a mandíbula até alcançar a orelha (v. Fig. 16).
130
Fig. 14 ­ Banho de escuridão

Fig. 15 ­ Pressões a executar nas faces e no nariz
Fig. 16 ­ Pressões a executar no queixo e na mandíbula

Fig. 17 ­ Pressões a executar nas orelhas

132
20. Pressione atrás das orelhas do paciente com pequenos movimentos circulares. 
Em seguida dê ligeiros apertões nas orelhas, começando por cima e terminando nos 
lóbulos. Repita uma ou duas vezes e termine puxando levemente o lóbulo para 
baixo duas ou três vezes. Depois, com as pontas dos indicadores, descreva as 
espirais interiores das orelhas (v. Fig. 17).

21. Repita o «banho de escuridão» do ponto 11.

O pescoço

1. Vire agora, com suavidade, a cabeça do paciente para o
lado esquerdo. Coloque a mão esquerda na sua testa ou, se preferir, sob a nuca ­ 
a fim de amparar­lhe a cabeça com ela.

Ponha a mão direita no ombro direito do paciente e faça­a deslizar com firmeza 
pelo pescoço acima. Ao tocar a base do occipital, envolva­a num movimento de 
rotação geral da mão, com todos os dedos em contacto suave, para desfazer alguma 
possível tensão muscular. Repita isto diversas vezes (v. Fig. 18).

2. Continuando a usar todos os dedos, aplique o mesmo movimento envolvente a 
todo o lado direito do pescoço do paciente, subindo da base do pescoço para a 
região posterior à orelha.

Fig. 18 ­ Movimentos longitudinais e envolventes a executar no pescoço

133
3. Repita estes movimentos, com suavidade, duas ou três vezes.

4. Vire suavemente a cabeça do paciente para o outro lado e repita agora deste 
lado os movimentos anteriormente descritos.

5. Ponha a cabeça do paciente a direito, sempre com suavidade, de modo a deixá­
lo novamente na posição inicial. Coloque as mãos na parte superior do peito, 
logo abaixo das clavículas, com as pontas dos dedos viradas para dentro e os 
dedos médios a tocar­se. Afaste as mãos uma da outra num movimento de 
deslizamento para cima na direcção da nuca. Faça isto de modo a que as suas mãos 
terminem formando uma concha em que fique apoiada a cabeça do paciente (v. Fig. 
19).

Fig. 19 ­ Movimentos para extensão do pescoço

134
6. Sem interromper o movimento iniciado no ponto anterior, erga agora a cabeça 
do paciente alguns centímetros acima do plano­base e puxe­a bem para si, 
deixando que os seus dedos deslizem ligeiramente desde a base do pescoço até 
perto do alto da nuca. Estes movimentos devem ser executados sem interrupção, 
terminando pelo regresso da cabeça do paciente ao contacto com o plano­base. 
Repita duas ou três vezes (v. Fig. 19).

O couro cabeludo

Não aplique óleo ao couro cabeludo do paciente a não ser que ele seja 
completamente calvo.

1. Levante a cabeça do paciente e vire­a para o lado esquerdo (v. Fig. 20). 
Aplique­lhe uma boa pressão com as pontas dos

Fig. 20 ­ Massagem do couro cabeludo

135
dedos, agarrando bem a pele para mobilizar o couro cabeludo sobre os ossos do 
crânio. Não se limite a enfiar­lhe os dedos por entre os cabelos, tente 
«agarrar­lhe» o couro cabeludo. Realize estes movimentos em todo o lado esquerdo 
da cabeça do paciente e em seguida vire­lha para o outro lado e repita a 
sequência. Ao terminar, coloque­lhe a cabeça a direito, na posição inicial.

2. Passe os dedos várias vezes por entre os cabelos do paciente, de modo a 
«escovar­lhe» toda a cabeça com as pontas dos dedos.

3. Conclua toda esta sequência de rosto, pescoço e cabeça colocando as mãos como 
no início (v. Fig. 11). Deixe­as estar assim durante uns momentos e retire­as, 
por fim, suavemente, para terminar a massagem.

Uma técnica de alívio das dores

Se depois da massagem o paciente ainda se queixar de dores nos músculos e nas 
articulações, experimente uma técnica que poderá aliviar­lhas de um modo 
surpreendente e que terá também muito bom efeito no plano das emoções. Passe­lhe 
delicadamente um «espanador» pelas zonas doridas, isto é: afague­lhas muito ao 
de leve, de cima para baixo, por diversas vezes, com as pontas dos dedos bem 
abertos e as mãos bem descontraídas. Em seguida, realize os mesmos movimentos em 
todo o corpo do paciente, também de cima para baixo. Ao chegar às pontas dos 
dedos dos pés, volte à cabeça e repita umas doze vezes com movimentos ritmados e 
ligados. Por fim, levante as mãos alguns centímetros acima do corpo do paciente 
e execute os mesmos movimentos no ar. Estará assim a trabalhar no «corpo 
etérico» do paciente. A sequência deve concluir­se com o que se chama «segurar»: 
segure­lhe os pés durante uns 30 segundos e depois os joelhos, as mãos e, 
finalmente, a cabeça e o abdómen ­ ponha­lhe a mão esquerda na testa e a 
direita, ao de leve, no ventre. Isto fará com que o paciente «volte à terra» e 
recupere o contacto com o corpo fisico. Se quiser e lhe parecer adequado, poderá 
usar esta técnica no princípio e no fim de todas as massagens.
136
Mas se quiser trabalhar sempre nesse nível «subtil», poderá ser­lhe útil 
aprender uma ou duas técnicas de « protecção psíquica» (v. capítulo 7). É 
espantosamente fácil ficar­se contagiado pela tensão física e pelas emoçõ es 
negativas do paciente quando se tem um mínimo de sensibilidade. Necessitará, 
portanto, de aprender a desembaraçar­se rapidamente de quaisquer sensações 
desagradáveis que possa captar; de outro modo, as suas energias esgotar­se­ão.

A automassagem

O ideal é poder receber uma massagem aromaterápica profissional uma vez por mês 
­ ou ter uma pessoa amiga que se disponha a intercambiar massagens consigo. Na 
realidade, poucas pessoas têm essa possibilidade. Mas é possível tirar bastante 
proveito da automassagem com óleos essenciais ­ se bem que deste modo se perca a 
oportunidade de alcançar uma profunda descontracção.

O melhor é usar os óleos a seguir a um banho quente, de imersão ou de chuveiro, 
visto que eles penetram muito melhor numa pele ligeiramente aquecida e húmida. 
Os movimentos devem ser sempre executados na direcção do coração a fim de 
estimular um bom fluxo sanguíneo ­ e, portanto, de substâncias nutrientes ­ para 
a parte do corpo a tratar. Pressione a pele, com as mãos sobrepostas, em 
movimentos ascendentes. Comece com pressões muito ligeiras e aumente­as 
gradualmente. Logo que tiver conseguido uma melhoria da circulação, poderá 
começar a amassar as zonas carnudas do corpo ­ coxas e barrigas das pernas. Ao 
chegar ao abdómen, execute movimentos circulares suaves na direcção da rotação 
dos ponteiros do relógio a fim de auxiliar os movimentos peristálticos (as ondas 
de contracções musculares que fazem movimentar a massa de alimentos ao longo do 
aparelho digestivo). Isso ajuda a evitar a prisão de ventre. Conclua a massagem 
do mesmo modo por que começou: exercendo pressões com as mãos sobrepostas.
137
A automassagem com óleos essenciais, combinada com o
escovamento da pele (que já descrevi no princípio deste capítulo) e com os 
banhos aromatizados, contribuirá para aumentar os
seus níveis energéticos e para lhe induzir uma sensação de bem estar ­ pouco 
difere de uma massagem aromaterápica profissional!

Aromaterapia e celulite

Não se admire por ver tanto espaço dedicado neste capítulo à celulite. Decerto 
desejará saber se ela poderá alguma vez ser vencida com óleos essenciais e 
massagens enérgicas. Infelizmente, como muitas mulheres já verificaram, as 
coisas não são assim tão simples. Só por si, os óleos essenciais, as 
dispendiosas «curas» patenteadas, os cremes contra a celulite e as massagens 
enérgicas não chegam para afugentar a celulite, especialmente aquela que já há 
muitos anos se instalou nas ancas e nas coxas. Como é normal no tratamento 
holístico ­ o tratamento de toda a pessoa ­, temos de enfrentar o problema, 
primeiramente, pelo interior e é desse modo que começamos a tratar das suas 
causas. Vejamos, pois, em primeiro lugar: que vem a ser a celulite? Quais são as 
suas causas? Poderemos a seguir procurar o remédio.

A fazer fé nas instituições médicas britânicas e norte­americanas, a celulite 
não existe; «celulite» é, muito simplesmente, um
nome de fantasia que os Franceses arranjaram para a gordura. Mas os médicos 
franceses levam muito a sério o problema da celulite. Para eles, como para todas 
as mulheres que dela se queixam, a celulite é uma realidade.

A celulite é um problema tipicamente feminino, no qual certas hormonas, os 
estrogénios, desempenham um importante papel. Caracteriza­se pela formação de 
grumos e bossas, de aspecto pouco agradável, nas coxas, nas nádegas, nas ancas e 
na parte superior dos braços. Quando uma dessas zonas é beliscada, a pele, em 
vez de retomar elasticamente a forma anterior, forma pregas e rugas. As regiões 
do corpo atingidas têm um aspecto
138
parecido com o da casca de laranja e são frias ao tacto. Tudo isso porque os 
tecidos subjacentes, ao contrário da gordura normal, estão saturados de água e 
de resíduos estagnados.

A celulite é sempre mais acentuada nas mulheres que levam uma vida pouco 
saudável, isto é: que fumam, fazem pouco exercício e sobrecarregam o aparelho 
digestivo com alimentos artificiais e quantidades excessivas de chá e café. A 
pílula anti­concepcional é outro factor que contribui para a celulite. Em 
consequência de todas estas agressões, o sistema linfático deixa de poder 
desempenhar eficazmente as suas funções de condução dos resíduos orgânicos para 
os orgãos que devem eliminá­los ­ a pele, os pulmões, os rins e o cólon. Uma 
parte dos resíduos fica por eliminar e é então que entram em cena os estrogénios 
­ os quais, a fim de proteger os orgãos vitais dos resíduos que circulam no 
sangue, os desviam para zonas do corpo onde não possam causar grande dano a uma 
eventual gravidez. Se alguma das minhas leitoras tiver dúvidas, considere que os 
homens também sofrem destas sobrecargas de resíduos ­ mas, em vez de ter 
celulite, ficam com as artérias forradas de resíduos e contraem doenças 
cardíacas. As mulheres, ao que parece, estão protegidas pela sua constituição 
biológica; mas isso é só até à menopausa, pois nessa ocasião começam a ser 
também vulneráveis à s doenças cardíacas por não haver já no seu organismo 
estrogénios que as protejam.

Poderá ser realista adiantar que se deve sempre contar com
uma certa proporção de celulite nas mulheres; mas os casos graves têm de ser 
encarados com seriedade. Na verdade, os médicos franceses afirmam que a 
celulite, quando não é tratada (e já há quarenta anos que eles tratam mulheres 
com celulite), pode ser origem de doenças muito graves, como por exemplo a 
artrite.

O programa anticelulite (tal como é preconizado por muitos aromaterapeutas e 
outros especialistas de cura natural) compõe­se de quatro elementos principais: 
o regime alimentar, o escovamento da pele, os óleos essenciais e a massagem de 
drenagem linfática. Vamos examinar cada um de per si.
139
O regime alimentar

Infelizmente, não há neste livro espaço suficiente para entrar em pormenores a 
respeito do regime alimentar. Mas, se a leitora não tem possibilidades de 
procurar ajuda de um profissional, leia um dos seguintes livros, ambos muito 
bons, que lhe dirão tudo quanto necessita de saber acerca das curas alimentares: 
Biogenic Diet, de Leslie Kenton, e The Wright Diet, de Celia Wright.

Muito em resumo, o regime alimentar aconselhado consiste num «jejum» inicial de 
um ou dois dias só a fruta seguido de duas semanas a frutos e vegetais frescos, 
nozes, sementes, água mineral, sumos e chás de ervas. Passa­se em seguida para 
um regime integral com poucos ou nenhuns lacticínios e apenas uma chávena de 
café ou duas de chá por dia. Lamento que seja muito duro (pelo menos ao 
princípio), mas todas as dietas o são; e garanto que dá resultado! A propósito: 
as leitoras gostarão, certamente, de saber que (segundo a nutricionista 
britânica Celia Wright) se pode e deve comer à farta uma vez por semana. Comam 
nesse dia tudo quanto lhes apeteça ­ tudo, sim: chocolates, cremes, bebidas 
gasosas, café... Isso funciona como uma surpresa para o fígado ­ uma surpresa 
que o põe em actividade, pois quando a pessoa segue uma boa dieta o trabalho do 
figado é muito pouco.

Escovamento da pele

Execute o escovamento conforme as instruções que dei no início deste capítulo.

Importante: A melhor hora para os tratamentos anticelulite é logo de manhã (a 
primeira coisa a fazer ao levantar) ou então, se mais convier, imediatamente 
antes da refeição da noite. Se forem feitos imediatamente antes de ir para a 
cama, poderá sentir­se alguma dificuldade em adormecer. A combinação de 
escovamento da pele, banho e massagem é muito estimulante.
140
óleos essenciais

Os óleos a utilizar no tratamento da celulite são os óleos desintoxicantes 
(zimbro, limão) ou os estimulantes da circulação (cipreste, alecrim). Devem ser 
usados puros no banho (v. adiante, banhos) e diluídos em óleo vegetal para a 
massagem (v. receita no capítulo 5). Dentro do banho, deve­se amassar e bater as 
zonas atacadas pela celulite.

Importante: É conveniente não usar sempre a mesma essência ao longo de todo o 
tratamento. Tal como acontece com o escovamento, o corpo pode deixar de reagir 
ao mesmo óleo se este for usado para além de duas ou três semanas consecutivas.

Programa­exemplo: Zimbro nas Ia, 24 e 34 semanas, repouso na 4a semana, limão 
nas 5L, 64 e 7,3 semanas, repouso na 8a semana, zimbro nas 911, 10,3 e 1111 
semanas, etc.

Massagem para a drenagem linfática

Não cabe no âmbito deste livro a descrição da autêntica massagem de drenagem 
linfática tal como a praticam os profissionais. Mas quem pratica o escovamento 
da pele (que, no fim de contas, desempenha as mesmas funções) tirará grande 
proveito da seguinte sequência de automassagem, muito simples e na qual 
encontramos um importante aliado no combate à celulite.

Automassagem contra a celulite

Esta massagem deve ser efectuada depois do escovamento da pele e do banho 
aromático. Ao contrário da técnica suave que anteriormente descrevi, a massagem 
contra a celulite tem de ser vigorosa, a fim de estimular a drenagem dos 
resíduos tóxicos para fora dos tecidos. Basta um bocadinho de óleo anticelulite,
141
cerca de uma colher (das de chá) para cada perna. Se a pele for excessivamente 
oleada, ficará demasiado escorregadia e não permitirá a necessária fricção.

1. Começa­se pelo tornozelo, com ambas as mãos, subindo até ao joelho e à coxa 
(pela frente e por trás) e dando palmadinhas a
princípio ligeiras mas gradualmente mais fortes e mais bruscas até se acabar por 
actuar muito vigorosamente (v. Fig. 21).

Pode­se, querendo, aplicar óleo nas nádegas; mas a massagem pode ser de dificil 
aplicação nessa zona. Isso não é grave, pois o
trabalho efectuado nas pernas e nas coxas, estimulando a drenagem linfática 
geral, ajuda a eliminar a celulite das regiões adjacentes.

Fig. 21 ­ Automassagem contra a celulite. Palmadas.

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2. Depois de assim ter estimulado suficientemente a circulação, pode­se passar à 
fase seguinte, a amassadura. É preciso actuar como se se estivesse a amassar 
pão. Apanha­se um bocado de pele e aperta­se com tanta força quanta se puder 
suportar ­ mas não tanta que venha a produzir nódoas negras. Enquanto se vai 
prosseguindo na amassadura, faz­se uso das polpas dos polegares para carregar 
com força na coxa e na anca, descrevendo pequenos círculos em toda a zona (v. 
Fig. 22).

3. Em seguida, pratica­se o enrolamento. Pega­se nuns dois a três centímetros de 
pele da coxa e tenta­se fazer com ela um rolo entre o polegar e os outros dedos 
(v. Fig. 23). Esta técnica contribui para abrir as bolsas de celulite e fazer 
passar as toxinas para a circulação geral.

4. Termina­se a sessão com nova fase de palmadas como no ponto 1.

Fíg. 22 ­ Automassagem contra a celulite. Amassadura.

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Fig. 23 ­ Automassagem contra a celulite. Enrolamento.

Ao cabo de quatro ou cinco meses de tratamento anticelulite, os resultados serão 
espectaculares. Nessa altura, o escovamento poderá ser diminuido para duas ou 
três sessões por semana e a massagem para uma ou duas. Deve­se continuar a usar 
os óleos essenciais no banho sem deixar de alterná­los como anteriormente ficou 
explicado. Mas quem pretender eliminar a celulite de uma vez para sempre terá de 
adoptar como novo modo de vida um regime alimentar saudável!

Outros usos dos óleos essenciais

Continuemos agora com mais algumas maneiras de usar os óleos essenciais para 
cuidar da saúde e para gozo pessoal. Con­
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vem recordar as tabelas terapêuticas e as indicações para combinação de óleos 
que forneci no capítulo 5.

Banhos

As essências podem ser misturadas no banho quer por puro prazer quer para 
facilitar um sono repousante, tratar males de pele, aliviar dores musculares e 
outras ou simplesmente para ganhar ânimo. Podem ser usadas isoladamente ou 
misturadas em combinações diversas.

Depois de encher a banheira de água, borrifa­se esta com 5 a
10 gotas de óleo essencial puro e agita­se bem a fim de dispersar o
óleo. Se os óleos fossem adicionados à água enquanto a banheira enchesse, grande 
parte dos vapores aromáticos perder­se­ia na
atmosfera. Quem tiver pele seca, poderá optar por misturar as
essências num pouco de óleo vegetal de base; mas a banheira terá depois de ser 
limpa da gordura! Para obter um preparado mais solúvel, deve­se misturar a 
quantidade habitual de óleo numa colher (das de sopa) de sabão líquido não 
perfumado.

Banhos de mãos e de pés

Estes banhos podem ser usados para prevenir resfriamentos, para combater dores 
reumáticas ou artríticas, para evitar o
excesso de transpiração ou para tratar o pé­de­atleta e outras doenças de pele 
que atacam os pés e as mãos, como as dermatites
e os eczemas.

Borrifa­se com 5 a 6 gotas de óleo essencial (diluído ou não em óleo vegetal, 
conforme se desejar) a água quente (a uma
temperatura que as mãos ou os pés suportem) contida numa bacia e mergulha­se 
nela os pés ou as mãos durante cerca de
10 minutos. Os pés ou as mãos são depois muito bem secos e massajados com um 
pouco de óleo vegetal (ou creme) a que se juntou algumas gotas do mesmo óleo 
essencial.

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Inalações

As inalações são usadas para tratar resfriamentos, sinusite e tosses e também 
como tratamento do rosto. o método mais simples consiste em borrifar um lenço 
com 5 ou 6 gotas de óleo essencial e inalar os vapores que dele se evolam. Pode­
se também borrifar umas gotas de óleo essencial na almofada da cama a fim de 
aliviar a congestão nasal e ter um sono tranquilo.

Quem sofrer de asma deve abster­se de inalafões de vapor, visto que o vapor 
concentrado pode provocar um acesso. Mas as inalações podem ser usadas para 
combater outros problemas respiratórios, como aqueles que atrás mencionei.

Deita­se cerca de meio litro de água quase a ferver numa bacia e junta­se­lhe 
duas a quatro gotas de óleo essencial. A quantidade depende da essência: a 
hortelã­pimenta, por exemplo, é muito forte, ao passo que o sâ ndalo é muito 
suave. Inala­se os vapores durante uns cinco minutos, nunca mais de dez. A fim 
de «prender» os vapores aromáticos, forma­se uma tenda estendendo uma toalha 
sobre a cabeça e a bacia.

Compressas

Uma compressa é um excelente meio de tratar dores musculares, entorses e 
contusões e contribui também para aliviar dores nos orgãos internos. As 
compressas podem ser usadas quentes ou frias ­ consoante o problema a tratar.

Para males recentes, como entorses, esfoladelas, inchaços, inflamações e dores 
de cabeça, são recomendadas as compressas frias. As compressas quentes estão 
indicadas para as seguintes situações: contusões ou entorses antigas, dores 
musculares, dores de dentes, cãibra menstrual, cistite, escaldões, abcessos, 
etc.

Para preparar uma compressa quente, borrifa­se cerca de meio litro de água tão 
quente quanto se possa suportar com
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umas seis gotas de óleo essencial. Coloca­se um toalhete ou uma peça de linho ou 
de outro tecido macio na superficie da água. Espreme­se o excesso de líquido e 
põe­se o tecido em cima da zona a tratar. Este tecido é depois coberto com um 
pedaço de adesivo e, se necessário, com uma ligadura ­ por exemplo, num 
tornozelo ou num joelho. A compressa deve ser deixada no sítio até chegar à 
temperatura do corpo; se necessário, será substituída por outra.

Para as compressas frias, o método é exactamente o mesmo,
mas com água muito fria. Deixa­se ficar no sítio até atingir a
temperatura do corpo e é substituída por outra se necessário.

Aromatização de salas

A melhor maneira de perfumar uma sala ou um quarto é usar um queimador de óleos 
essenciais especialmente concebido para o efeito. Há queimadores desses à venda 
nos estabelecimentos de óleos essenciais. Mas um pedaço de algodão em rama 
húmido ou um lenço em que se deite uma ou duas gotas de óleo essencial, posto em 
cima de um radiador de calor, pode também dar muito bons resultados. Um método 
alternativo consiste em pôr uma ou
duas gotas de óleo essencial numa lâmpada eléctrica: o óleo evapora­se 
lentamente com o calor da lâmpada. É claro que o
óleo deve ser posto na lâmpadafria, antes de ser acesa.

Também se pode espalhar umas tantas gotas de óleo essencial em toda a casa por 
meio de um atomizador ou de um simples pulverizador para plantas. Junta­se cinco 
gotas de óleo essencial a 145 ml de água e agita­se bem antes de usar. Mas o 
efeito, comparado com o dos outros métodos, é de curta duração.

Os óleos essenciais podem ser espalhados no quarto de uma
pessoa doente a fim de evitar o alastrar de infecções epidémicas. As essências 
mais poderosas contra as bactérias transportadas pelo ar são as de pinheiro, de 
tomilho, de hortelã­pimenta, de alfazema, de limão, de alecrim, de cravo da 
índia, de canela, de eucalipto e de Melaleuca. Os óleos de eucalipto e de 
Melaleuca
147
têm fama de possuir propriedades antivirais e servem também para a fumigação do 
quarto de uma pessoa atacada pela gripe.

Perfumes para a pele

Os óleos essenciais podem ser usados, sós ou misturados com outras essências, 
para compor perfumes deliciosos. Podem ser usados para puro prazer pessoal ou 
para dar apoio ao potencial curativo de outros tratamentos aromaterápicos (são 
especialmente úteis no caso dos problemas causados pela tensão nervosa e pela 
fadiga). No caso mais corrente ­ ansiedade ou depressão ­, são de efeito seguro 
para levantar o ânimo. Mas, quando a ansiedade e a depressão se tornaram já um 
modo de vida, o melhor será procurar auxílio junto de um aromaterapeuta 
profissional ou de outro terapeuta holístico.
148
7

COMO SER UM TODO

As sábias palavras de Platão ecoam pelos séculos fora:

«Não se deve tentar a cura da parte sem o tratamento do todo; e também se não 
deve tentar de nenhum modo curar o corpo sem a alma. Por isso, para que a cabeça 
e o corpo estejam bem, terás de começar por curar a mente: é essa a primeira 
coisa. Pois é este o erro dos nossos dias no tratamento do corpo humano: os 
médicos separam a alma do corpo.»

Platão, Crónicas

Embora Platão tenha escrito estas palavras há mais de dois mil anos, nós, neste 
moderno mundo ocidental, estamos apenas começando a entrar em ressonância com a 
sua toada de verdade. Os nossos olhos estiveram fechados durante muitos séculos; 
os sábios e médicos do Oriente, porém, nunca perderam de vista a realidade do 
TODO. A nossa recente compreensão dessa realidade levou­nos a cunhar a palavra 
holística para com ela resumir o conceito.

Esta palavra, holística, vem da raiz grega que significa «o todo». Na cura 
holística, toda a pessoa ­ mente, corpo e espírito
­ é levada em linha de conta. O mais importante princípio subjacente a todas as 
escolas de cura natural, entre as quais se conta a aromaterapia, diz­nos que o 
corpo se cura a si próprio
149
desde que para isso se lhe dê oportunidade. Consegue­se isso por meio de uma 
alimentação inteligente, de exercícios adequados, de ar livre, sol e, acima de 
tudo, pela procura de vias que conduzam à satisfação íntima. O corpo, a mente e 
o espírito estão interligados e tudo quanto tocar num destes aspectos tocará 
também na totalidade.

Tentarei neste capítulo analisar em separado as partes que compõem o todo para 
em seguida explorar algumas das vias pelas quais nos é possível alcançar a 
harmonia da mente, do corpo e do espírito.

A mente

Até nos círculos de pensamento mais ortodoxos está de novo a ganhar crédito a 
ideia de que os nossos estados de espírito e a nossa personalidade têm 
influência na nossa saude fisica. Assim, por exemplo, existe uma ­ por assim 
dizer ­ «personalidade do cancro»: pessoas que dão mais que aquilo que recebem, 
que tendem a ocultar as suas emoções e a reprimir os seus desejos a fim de 
agradar aos outros. Por sua vez, a «personalidade da enxaqueca» é governada pelo 
sentimento de culpa: pessoas que amam a perfeição, que são ambiciosas, muito 
trabalhadoras e extremamente asseadas e arrumadas. A «personalidade do eczema» é 
hipersensível e, tal como a personalidade do cancro, tende a reprimir as suas 
emoções. A «personalidade do ataque cardíaco», por seu lado, é agressiva, 
impaciente, competitiva e ambiciosa.

O grande psicólogo Carl Jung escreveu acerca do «simbolismo da doença», dizendo 
que aforma que uma doença assume pode ser um reflexo do estado mental. E cita o 
exemplo de uns enjoos sem causa visível em que, inconscientemente, o doente 
declara «esta situação provoca­me náuseas» e outro, de umas inexplicáveis dores 
nas pernas, em que o doente diz «não aguento mais».

Num sentido mais amplo, necessitamos de considerar os efeitos de problemas 
mundiais como a degradação do ambiente pela poluição da atmosfera, dos solos e 
das águas e pela rápida
150
diminuição das florestas tropicais, as guerras, as fomes, a ameaça nuclear... 
Tudo isso pode ser origem de grandes perturbações emocionais em muita gente.

As pressões a que se pode estar sujeito por se ser pobre, inválido ou negro, por 
se estar desempregado, por tantas outras coisas, podem causar sentimentos de 
frustração, raivas, ódios e depressão. E sentimentos destes conduzem 
inevitavelmente à doença fisica.

Praticamente todos nós podemos lembrar­nos de uma época da nossa vida em que 
tenhamos estado sob uma forte tensão emocional e, em consequência dela, tenhamos 
ficado doentes. Talvez tenha sido um simples resfriamento, talvez tenha sido 
algo de mais grave... Em ocasiões dessas, muitas pessoas são também vítimas mais 
fáceis de acidentes diversos.

Antes de avançar, precisamos de definir aquilo a que chamamos «tensão». A 
maioria das pessoas pensa que a tensão é constituída pelas pressões externas, 
pelos problemas que as afligem ­ problemas como a falta de tempo, os ruídos, as 
desavenças conjugais, as excessivas exigências a que hoje em dia os outros nos 
submetem, etc. Na realidade, a tensão é a nossa reacção pessoal a essas coisas 
(ou pessoas) exteriores a
nós. Há, por exemplo, pessoas que não conseguem dormir por causa do ruído do 
trânsito nocturno; outras mal dão por ele e até lhe chamam um «sinal de vida» 
(já ouvi isto por mais de uma vez!). Ao passo que uma pessoa é capaz de ter um 
colapso nervoso por causa de uma dificuldade de dinheiro ou de um divórcio, 
outra pessoa pode reagir a isso de um modo muito diferente. Talvez se entristeça 
ou se preocupe durante um primeiro tempo, mas depois tenta melhorar a situação ­ 
começando por aceitá­la e acabando por ver nela um desafio para mudar e para 
começar de novo.

Uma certa dose de tensão pode ter o seu aspecto positivo ­
por nos dar energias para fazer aquilo que pretendemos ­ e só passa a ser um 
problema quando se transforma em angústia, ou seja: quando começamos a mostrar 
sintomas de estar a caminho da doença.
151
Inversamente, o nosso estado físico pode exercer influência na nossa disposição, 
no nosso comportamento e, em casos extremos, no nosso equilíbrio mental. Certas 
formas de esquizofrenia, por exemplo, podem ser despoletadas por alergias 
alimentares ao glúten, à cafeína, ao álcool, aos aditivos químicos... E isto 
conduz­nos agora ao patamar seguinte da cura integral: o regime alimentar.

O corpo

«Que o alimento seja a tua medicina e a medicina o teu alimento.»

Hipócrates

A alimentação é um assunto emocional: há tanta discussão sobre o que é um 
«regime ideal»... A carne será boa para nós? Deveremos ser vegetarianos parciais 
ou mesmo totais? Ou não será o princípio macrobiótico o ideal? A minha resposta 
a tais interrogações é esta: não existe um regime alimentar ideal, adaptado a 
toda a gente. Nós somos todos diferentes uns dos outros e
temos necessidades diferentes. Pense­se o que se pensar acerca do regime 
alimentar, a única «regra» bem definida é, em minha opinião, a seguinte: a nossa 
alimentação deve ser isenta, na medida do possível, de aditivos nocivos e dos 
resíduos tóxicos dos modernos processos agrícolas e pecuários ­ coisa nada fácil 
de conseguir nos tempos que correm.

Será relativamente fácil comprar farinha de cereais cultivados por métodos 
naturais; mas já os frutos e outros vegetais cultivados naturalmente, sem 
utilização de produtos químicos sintéticos, são uma autêntica raridade a menos 
que os criemos nós próprios. E, mesmo quando os há, são caros: tão caros que 
muitas pessoas lhes não podem chegar. O melhor que de momento se pode fazer ­ 
enquanto não sai à rua a «revolução orgânica» ­ é comer alimentos que estejam 
tão pró ximos quanto
152
possível do seu estado natural, que não venham metidos em latas nem em pacotes.

Não está no âmbito deste livro entrar em pormenores sobre a reforma alimentar; 
mas os pontos que em seguida vou alinhar são o esboço de um regime de 
alimentação integral semelhante ao que os nutricionistas esclarecidos 
recomendam. Não leva em linha de conta as alergias a certos alimentos ­ há 
pessoas que são alérgicas ao trigo, por exemplo ­ nem considera o caso de se 
pretender evitar por completo os alimentos de origem animal (o vegetarianismo 
total) ou o caso, como o meu, de apenas não querer comer carne nem peixe (o 
vegetarianismo parcial). Serve, todavia, de guia muito útil e capaz de adaptar­
se a cada caso individual. Convirá que se procure modificar o regime de uma 
forma gradual, ao longo de um período de seis meses. As mudanças drásticas, da 
noite para o dia, só servem para provocar perturbações do aparelho digestivo. E 
recordo, a quem desejar entrar em maiores minúcias, os dois excelentes livros 
sobre cura alimentar que já recomendei no capítulo anterior ao falar da 
celulite.

1. Compre só alimentos criados por métodos naturais, se
possível; mas não entre em pânico se o não conseguir (seria mais uma causa de 
tensão nervosa).

2. Coma mais pão integral e outros alimentos com bastantes fibras vegetais ­ 
feijão seco, lentilhas, nozes, aveia, arroz não branqueado e outros cereais 
integrais.

3. Coma muitos frutos e vegetais frescos ­ de preferência com a pele, bem 
lavados e esfregados ­ quer crus, em saladas, quer levemente cozidos.

4. Corte com todas as gorduras, especialmente as de origem animal ­ toucinho, 
sebo, natas e queijos gordos. Use em pequenas quantidades os óleos vegetais 
produzidos a frio ­ azeite virgem, óleo de sésamo e óleo de girassol.

5. Adoce moderadamente a sua comida com mel ou então, mais à larga, com frutos 
secos: tâmaras, figos, sultanas ou passas de uva.
153
6. Corte no sal e sirva­se mais de ervas para condimentar os alimentos.

7. Compre apenas, se possível, ovos caseiros.
8. Não coma carnes vermelhas mais de uma vez por semana (se comer). Em vez 
disso, coma mais peixe ­ especialmente peixe que tenha óleo, como a cavala.

9. Beba menos leite. Experimente beber leite meio­gordo, ou
mesmo magro, ou substitua o leite de vaca por leite de soja.

10. Evite na medida do possível os alimentos industriais enlatados ou 
empacotados ­ em especial os que contenham aditivos químicos. Só uma vez por 
outra podem ser comidos, não servem para base de um bom regime alimentar.

11. Beba bastante água (engarrafada ou filtrada), chás de ervas, sumos de frutos 
diluídos e apenas uma ou duas chávenas de chá vulgar ou de café ao dia ­ se não 
for capaz de acabar de vez com eles.

12. Coma devagar, em ambientes de agradável convívio e, sobretudo, aprecie 
aquilo que come.

O MOVIMENTO

O corpo humano é feito para se mexer. As máquinas, com o
uso, avariam­se; mas o nosso corpo fortalece­se, ganha flexibilidade e envelhece 
mais lentamente quando nós damos trabalho frequente a cada músculo e a cada 
articulação.

Quando a vida era mais simples, todos os dias as pessoas caminhavam, nadavam, 
faziam esforços e subiam encostas. Não se «exercitavam» de propósito nem 
precisavam de mais exercícios para manter o corpo em boa forma.

No que diz respeito à tensão nervosa, o exercício regularmente praticado 
estimula a circulação e esta, por sua vez, faz aumentar a taxa de oxigénio no 
sangue e activa o sistema hormonal (as glândulas endócrinas). Tudo isso tem um 
efeito nitidamente positivo no estado de espírito da pessoa. Quem quer que tenha 
feito há pouco tempo uma ou outra forma de exercício dirá que
154
ele lhe favoreceu um aumento de energia e de concentração mental, um sono mais 
profundo e uma sensação de bem estar.

Uma movimentação natural, que seja mais uma forma de prazer que uma obrigação, 
será imensamente superior a quaisquer exercícios de interior ­ por exemplo, com 
pesos, ou tão penosos que deixem uma pessoa toda dorida dos pés à cabeça. A 
corrida não é uma forma de exercício tão boa como parece (especialmente em 
pavimentos urbanos), pois as muitas pancadas
com os pés no chão acabam por provocar um grande esforço na região lombar e 
podem ser muito prejudiciais para os joelhos. Por que não ir nadar, dançar, 
andar pelo campo, remarem botes ou canoas ou praticar montanhismo ­ qualquer 
coisa que seja do seu agrado desde que use o corpo de uma forma eficaz?

Se já tem demasiada idade ou alguma dificuldade fisica, ou se
está tão doente que não pode fazer exercício, não desespere: as
massagens aromaterápicas regulares e/ou o escovamento da pele (v. capítulo 6) 
ser­lhe­ão também muito benéficos em praticamente igual medida.

A luz

A luz natural é um nutriente tão importante como os alimentos e a água. É 
absorvida pelo nosso corpo e por ele utilizada numa ampla gama de processos 
metabólicos. A luz exerce influência no nosso organismo de duas maneiras: 
directamente (o bronzeamento da pele e a formação de vitamina D a partir do 
ergosterol) e indirectamente (por intermédio dos foto­receptores que temos nos 
olhos). Os foto­receptores fazem parte de uma
rede nervosa que vai directamente ao cérebro. O tipo e a qualidade da luz podem 
interferir no equilíbrio hormonal e em toda a química do organismo, exercendo 
influência nos nossos níveis de energia e na nossa disposição geral. Os mais 
vulgares problemas relacionados com a privação de luz (sentidos por quem 
trabalha em interiores) são a letargia, as dores de cabeça, a irritabilidade,
155
a falta de concentração e um estado de espírito sazonal chamado «depressão de 
lnverno».

Dizem os yogis que os raios de sol matinais vêm carregados de prana (força 
vital) e são os mais benéficos para a saúde. Seja como for, os raios de luz do 
sol de antes do meio­dia, bem como os de depois das quatro da tarde, de maior 
comprimento de onda, são os que menos queimam. Assim, se o leitor gostar de 
banhos de sol, considere que o melhor para a sua pele será tomá­los logo de 
manhã ou então ao fim da tarde. Mas lembre­se de que um pouco da poderosa 
energia do sol faz bem ­ mas muita pode provocar um envelhecimento prematuro ou 
até o cancro da pele.

O ar livre

O ar é para nós de tão grande importância que, sem ele, apenas conseguimos 
viver durante poucos minutos. Todos nós sabemos que o oxigénio é essencial para 
os pulmões e para todo o organismo; mas poucas pessoas se lembram de que também 
a pele necessita, para o seu normal funcionamento, do estímulo do ar. Por este 
motivo se lhe tem chamado «terceiro pulmão». Os leitores devem recordar­se da 
terrível história daquele rapazinho que pintaram dos pés à cabeça com uma tinta 
metálica para figurar num cortejo carnavalesco e que, por esse facto, morreu 
asfixiado.

A maioria das pessoas cobre hoje em dia o corpo com várias camadas de fibras 
sintéticas que impedem a circulação do ar e prejudicam o metabolismo natural da 
pele. O ideal seria que a nossa roupa fosse feita de algodão e de outras fibras 
naturais como o linho e a lã, que permitem a livre circulação do ar e deixam 
que o suor se evapore.

As pessoas (e em especial as que vivem nas grandes cidades) deviam deslocar­se 
até à beira­mar, sempre que possível, para respirar o revigorante ar marítimo, 
carregado de iões negativos que geram uma sensação de bem estar. Mas o ar puro e 
fresco das
156
regiões montanhosas é provavelmente o mais benéfico de todos. Quem viver longe 
do mar e dos montes não deve subestimar o valor do parque da sua terra: dê todos 
os dias um passeio no parque e inspire profundamente, pois esses preciosos 
momentos passados num ambiente perfumado com os odores da relva, das árvores e 
das flores são excelentes para restituir a harmonia a um espírito pressionado 
por questões urgentes e a um sistema nervoso sobreexcitado.

O espírito

Uma das formas de definir o aspecto espiritual da personalidade consiste em 
dizer que ele é a nossa razão de existir. Se não tivermos uma razão de existir, 
entraremos em depressão e em apatia: a vida parecer­nos­á sem interesse e sem 
sentido. Mesmo que não sigamos conscientemente uma via espiritual em termos de 
fé religiosa, temos sempre, de um ou de outro modo, maneira de compreender uma 
razão para a nossa existência. Essa razão de existir pode ser encontrada, por 
exemplo, na criação artística ou, muito mais simplesmente, no amor à natureza ­ 
ou ainda, de uma forma talvez mais activa, trabalhando por uma causa 
humanitária.

Mente­corpo­espírito

Uma pessoa que esteja passando por dificuldades em alguma das áreas fundamentais 
da vida que adiante enumero tem grande probabilidade de não se sentir 
completamente bem de saúde. Todos esses aspectos estão interligados e esta 
enumeração não reflecte, portanto, nenhuma ordem de importância relativa ­ a 
lista, de resto, não é de modo nenhum exaustiva.

1. Comer e beber: subalimentação, sobrealimentação, regime alimentar defeituoso 
por motivos diversos ­ capricho, ignorância, pobreza...
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2. Respirar: ar poluído, más posições do corpo, tabaco...
3. Eliminação dos resíduos orgânicos: problemas que podem manifestar­se sob a 
forma de prisão de ventre, de retenção de urinas, de congestão da pele, de 
catarros...

4. Higiene pessoal.
5. Aspectos ecológicos e políticos: frustração, raiva, desespero...
6. Mobilidade: problemas sentidos por pessoas idosas ou inválidas.

7. Regulação da temperatura do corpo: problemas dos idosos e das crianças muito 
pequenas.

8. Comunicação: problemas sentidos por pessoas diminuídas, que sintam falta de 
confiança em si próprias ou que tenham dificuldades na fala.

9. Trabalho: desemprego, excesso de trabalho, trabalho muito penoso, trabalho 
enfadonho...

10. Relacionamento: no casal, na família, na roda de amigos, no emprego, 
solidão...

11. Sexualidade: problemas de aceitação dos homossexuais, problemas psicológicos 
resultantes de incesto ou de violação...

12. Dinheiro: pobreza, dívidas, avidez...
13. Sentimentos de desigualdade: ser mulher, ser negro, ser divorciado, ser mãe 
ou pai sozinho, insatisfação com o seu aspecto pessoal, deficiências fisicas ou 
mentais...

14. Divertimentos: falta de gosto pelas diversões e prazeres da vida.

15. Liberdade individual: estar preso, viver sob um regime opressor...

16. Criatividade/espiritualidade: não encontrar vias para a expressão artística, 
para as crenças religiosas, para os ideais humanitários...

17. Estar divorciado da natureza: incapacidade ou falta de desejo de 
ver/tocar/cheirar/experimentar os elementos, as flores e as árvores ou de 
caminhar na terra, nas pedras, na relva, na areia...

18. Dormir: sono entrecortado, insônia, necessidade de dormir mais de 10 horas 
todas as noites, problemas relacionados com o trabalho por turnos...
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19. Ambiente: não apenas a poluição mas a repulsa pelo ambiente caseiro, 
profissional, etc.

20. Morte: medo de morrer, incapacidade de enfrentar a ideia da morte, de ficar 
sem alguém chegado...

Para a íntegração

Os seguintes exercícios, simultaneamente para a mente e para o corpo, facilitam 
o contacto da pessoa com as suas forças interiores. Criando um espaço de paz na 
vida, a pessoa liberta uma fonte de autocura, uma energia que lhe permite passar 
a dominar muito melhor a sua existência. Começa a reagir de um modo menos 
autodestrutivo às pressões externas, a ser mais forte e mais rica de recursos 
perante as adversidades. Nunca se deve subestimar o poder da unidade mente­
corpo, que tanto pode entravar como libertar o aspecto espiritual da 
personalidade. A situação de prisão ou liberdade do espírito depende de muitas 
coisas, mas especialmente da maneira como se respira e se pensa. Nós não 
poderemos modificar a situação exterior, mas podemos sempre modificar a nossa 
atitude perante ela ­ e nisso reside toda a diferença.

A respiração da vida

Contenha a respiração por momentos. Deixe depois que o fluxo de ar entre e saia 
livremente dos seus pulmões e interrogue­se: «Que é a vida?» Será um sopro?

O ar que respiramos é compartilhado por tudo quanto neste planeta vive. 
Respirando conscientemente, isto é, ganhando consciência da respiração à medida 
que ela vai fazendo fluir o ar para dentro e para fora dos nossos pulmões, 
começamos a reconhecer o próprio ritmo da vida: o ir e vir das marés, o crescer 
e o minguar da Lua... A nossa semelhança com as árvores (a que tantas vezes se 
chama «pulmões do planeta») começa a ser para
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nós um facto evidente. Até a forma de uma árvore ­ com tantos ramos, grandes e 
pequenos ­ faz lembrar a estrutura geral dos nossos pulmões.

A respiração é a única função do nosso corpo que pode ser
submetida à nossa vontade ­ que pode ser voluntária ou involuntária ­ e, por 
isso, pode servir de ponte entre o consciente e o inconsciente. Por outras 
palavras: podemos modificar os nossos níveis de energia e a nossa disposição 
exercendo a nossa vontade no modo como respiramos.

Muitas pessoas respiram apenas ao de leve: usam apenas a
parte superior dos pulmões, e isso significa que os resíduos tóxicos não são 
completamente expelidos. Em consequência disso, o sangue fica privado de grande 
parte do oxigénio de que necessita para alimentar os tecidos do organismo e a 
pessoa acaba por sentir­se sem forças e sem nitidez de ideias. Ao mesmo tempo, a 
falta de oxigénio prejudica também a assimilação dos elementos nutrientes dos 
alimentos.

A respiração completa

A «respiração completa» do yoga é uma das mais fáceis maneiras de se começar a 
aprender a usar os pulmões com eficácia e tem grande utilidade para quem sofra 
de males respiratórios como a asma, a bronquite, etc. Além disso, quem aprende a 
respirar completamente começa também a fortalecer a sua aura (v. adiante) ­ ou o 
seu sistema imunitário, se preferir um entendimento mais material das coisas. O 
exercício de «respiração completa» (bem como aquele que se lhe segue) deve ser 
executado ao ar livre, se possível, e pelo menos três vezes por semana. Não 
sendo possível executá­lo ao ar livre, o lugar mais adequado é um quarto ou 
sala bem arejada. A experiência pode ser melhorada (e fará com que a respiração 
seja ainda mais profunda) se se vaporizar nessa sala alguma das seguintes 
essências: mirra, incenso, agulha de pinheiro, cedro, zimbro ou cipreste. Note­
se que são todas elas extraídas de árvores! Pode­se usar
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um queimador de óleos essenciais especialmente concebido para este efeito ou 
recorrer a algum dos outros meios que mencionei no capítulo 6.

1. Deite­se no chão, sobre uma manta, ou numa cama rija, e
estenda os braços ao lado do corpo, afastados dele alguns centímetros e com as 
palmas das mãos viradas para baixo.

2. Feche os olhos e comece a inalar o ar, pelo nariz, muito lentamente. Expanda 
ligeiramente o abdómen e faça entrar o ar na caixa torácica. À medida que as 
costelas se expandem para aumentar o volume dos pulmões, o seu abdómen recolher­
se­á automaticamente. Suspenda a respiração por uns segundos.

3. Comece agora a expelir o ar lentamente, pelo nariz, num fluxo contínuo, até 
que o seu abdómen fique completamente encolhido e a caixa torácica descontraída. 
Suspenda a respiração por momentos antes de repetir estes movimentos duas ou 
três vezes.

4. Respire agora lentamente, como no ponto 1, mas erguendo aos poucos os braços 
para trás da cabeça durante a inalação até tocar com as costas das mãos no chão.

5. Suspenda a respiração durante uns dez segundos, esticando­se bem.

6. Expire lentamente e mova os braços, ao mesmo tempo, até voltar à posição 
inicial. Repita estes movimentos duas ou três vezes (v. Fig. 24).

Voar

Se quiser experimentar uma divertida sensação de voar, imagine que está subindo 
por entre nuvens enquanto estende os braços para a frente e para trás em 
movimento ritmado. Se for correctamente executado (v. Fig. 25), em sincronismo 
com os movimentos respiratórios, este exercício poderá soltar­lhe umas costas e 
uns ombros demasiado rígidos e, ao mesmo tempo,
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Fig. 24 ­ A «respiração completa». Respire fundo sem esforço (pontos 1­3). 
Inspire e erga os braços sobre a cabeça. Volte a trazer os braços ao lado do 
corpo ao expirar (pontos 4­6).

dar­lhe­á estímulo para que respire de uma forma mais completa.

1. Coloque­se de pé, com os pés afastados e os braços estendidos para os lados. 
Feche os olhos, inale o ar e incline o corpo para trás tanto quanto puder (sem 
sentir desconforto) estendendo, ao mesmo tempo, os braços para trás das costas. 
Suspenda a respiração e mantenha­se assim durante cinco segundos.

2. Exale o ar dobrando­se para a frente e para baixo com os braços estendidos 
para cima e para trás mas conservando o pescoço descontraído. Mantenha a posição 
durante cinco segundos, inale o ar e incline­se novamente para trás. Repita 
estes movimentos três vezes aumentando as extensões para trás e para diante à 
medida que vai aquecendo e tem, por isso, maior flexibilidade.

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Fig. 25 ­ Voar    Fase 1
Descontracção profunda
Fase 2

A descontracção e a meditação, praticadas de uma forma regular, devem fazer 
parte da nossa vida ­ e muito especialmente se vivermos longe da natureza, num 
torvelinho de constante actividade e sempre a fazer esforços para não 
ultrapassar prazos.

Antes de entrar nos exercícios de meditação e visualização que adiante vou 
apresentar, é importante que se aprenda a arte da descontracção, que muito 
contribui para melhorar a capacidade de concentração, de meditação e de 
visualização ­ importante meio complementar da autocura e da aplicação de 
massagens curativas.

Existem numerosas técnicas de descontracção, ensinadas pelos peritos do 
tratamento da fadiga e da tensão nervosa. A técnica que vou descrever 
resumidamente é conhecida pelo nome de descontracção muscular progressiva e é 
uma das mais fáceis de dominar. A ideia fundamental é ter consciência dos dois 
extre­
163
mos ­ a tensão e a distensão ­, visto que, até se fazer conscientemente qualquer 
coisa, não se tem uma consciência completa dela. Ter consciêncía é a chave da 
descontracção. A acção de executar a sequencia tensão­extensão­distensão é 
causa, além disso, de uma grande satisfação em quem a pratica.

Vá para um quarto ou sala sossegada, bem arejada, com boa vista, se possível, e 
onde ninguém possa causar­lhe incómodo durante, pelo menos, um quarto de hora. 
As suas roupas devem ser soltas e confortáveis. Descalce os sapatos. A fim de 
melhorar a atmosfera, vaporize o seu óleo essencial favorito (ou uma
mistura deles). Se vive numa zona ruidosa, talvez seja bom pôr a tocar uma 
música muito suave.

1. Estenda­se no chão ou numa cama rija, apoiando­se em almofadas se assim 
desejar ­ uma sob a cabeça e outra sob os joelhos, para amparar os quadris.

2. Feche os olhos, inspire fundo uma ou duas vezes e expulse o
ar dos pulmões num suspiro profundo.

3. Tome agora consciência dos seus pés, Inale o ar e estique­os, curvando os 
dedos para baixo e flectindo­os depois na direcção do corpo. Mantenha esta 
tensão enquanto conta lentamente até cinco e depois descontraia os pés e deixe­
se amolecer por completo enquanto expira num suspiro profundo.

4. Inspire de novo, pensando agora nas pernas, que irá contraindo enquanto conta 
lentamente até cinco. Depois, enquanto expira com um suspiro de alívio, desfaça 
toda a tensão.

5. Passe para os joelhos, depois para as coxas, para as nádegas, para o abdómen, 
para o peito, para os ombros, para as mãos, para os braços, para o pescoço, para 
a cabeça e para o rosto. Contraia cada uma dessas partes do corpo e descontraia­
a depois com uma maravilhosa sensação de liberdade.

6. Respire fundo três vezes, inspirando todo o ar que puder
mas sem esforço. Retenha o ar nos pulmões por instantes e expire lentamente.

7. Tome agora consciência de todo o corpo procurando qualquer zona que ainda 
sinta tensa e repetindo a tensão e
164
distensão dos respectivos músculos até sentir uma profunda descontracção e uma 
grande paz.

8. Assim que achar oportuno (depois de, pelo menos, cinco minutos de 
imobilidade com respiração normal), espreguice­se bem da cabeça até aos dedos 
dos pés e levante­se muito devagar.

importante: O exercício de descontracção dá o máximo de beneficio se for 
praticado uma ou duas vezes por dia com o estômago vazio ou, pelo menos, uma 
hora depois da refeição.

Assim que se tiver habituado à ideia da descontracção consciente (como neste 
exercício), poderá passar à fase em que a resposta de descontracção é activada 
por um simples sinal silencioso. Quando se sentir em tensão, gaste uns instantes 
para libertá­la e verá a diferença. Se estiver em sua casa, no emprego, no 
comboio ou no autocarro, bastar­lhe­á contrair os músculos das pernas e dos 
braços e descontraí­los em seguida dizendo de si para consigo «já me 
descontraí». Faça isto quando, por exemplo, estiver à espera de ser recebido 
para uma entrevista ou quando tiver de enfrentar uma situação difícil no 
trabalho ou na sua vida particular. Fazendo diminuir a sua tensão, ajudará os 
outros a descontrair­se também: a tensão e a distensão são contagiosas.

A regulação da aura, ou «protecção psíquica»

Antes de iniciar qualquer forma de desenvolvimento mental/ /espiritual 
(incluindo a meditação), é essencial que se compreenda bem a função da aura (v. 
capítulo 4) e que se seja capaz de dominá­la e reforçá­la. Eis uma excelente 
disciplina: uma aura forte protege­nos de «influências» de todos os tipos ­ dos 
germes nocivos à fadiga geral.

Uma aura saudável é como um filtro que deixa passar apenas aquilo que é 
benéfico: é isso que ela deve fazer numa pessoa equilibrada. No entanto, neste 
mundo de tanta tensão e de tanto esforço em que vivemos a nossa aura pode perder 
vigor e deixar
165
que passem as influências desarmónicas. Assim surgem as tensões fisicas e 
mentais que podem depois redundar em doenças.

Para compreender como se pode comandar a aura, é preciso compreender primeiro 
que ela é, em grande parte, uma emanação do pensamento e que, como tal, pode ser 
facilmente dominada por ele. Feche os olhos e imagine que está no centro de uma 
esfera de luz branca que ocupa também o espaço do seu corpo. Sinta que essa 
esfera de luz lhe dá protecção (como se fosse a gema dentro do ovo) e que a 
energia que existe em seu redor está intacta, especialmente sobre a sua cabeça. 
Há pessoas que gostam mais de imaginar uma luz azul, ou dourada; outras não 
pensam em cor nenhuma e apenas se sentem no centro de uma esfera.

Com a prática, esta visualização (ou percepção) do seu espaço aural passará a 
ser, para si, um processo automá tico que poderá realizar­se a todo o tempo, 
sempre que dele sinta necessidade ­ quando, por exemplo, estiver perto de uma 
pessoa constipada ou com gripe, quando sentir uma espécie qualquer de receio, 
quando as outras pessoas se entregarem em demasia a emoções negativas, quando 
se encontrar num ambiente muito ruidoso. Será a sua primeira ocupação ao 
levantar e a última antes de dormir e ser­lhe­á igualmente indispensável depois 
da meditação ou depois de aplicar uma massagem aromaterápica intuitiva.

Embora seja, evidentemente, necessário mostrar­se compreensivo perante as 
necessidades alheias ­ mesmo que isso signifique compartilhar um pouco das suas 
dores na ocasião ­, não é bom deixar que essa negatividade perdure (recordemos o 
que se passou comigo no caso de Charlotte, que relatei no capítulo 3). Se nos 
agarrarmos demasiado aos sofrimentos dos que nos estão próximos, poderemos não 
ter depois as forças necessárias para lhes prestar auxílio e libertá­los do que 
os aflige. A capacidade de empatia, de estabelecer uma ligação entre a nossa 
força interior e a força interior de cada um dos outros, é uma componente 
indispensável da actividade de quem administra massagens aromaterápicas ou mesmo 
de quem simplesmente oferece o ombro a alguém que nele precisa de chorar. O 
sentimento de empatia está
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intimamente ligado aos nossos sentimentos intuitivos mais elevados ­ ao passo 
que a simpatia traz na sua esteira a nossa própria incomodidade.

Além de pensar na aura, há uma outra forma de autoprotecção muito boa para quem 
aplica massagens aromaterápicas, pois não entrava a sensibilidade, que tanta 
importância tem no processo: é ser mais um canal que umafonte de energias 
curativas. Ao dar início à massagem, feche os olhos e visualize (ou sinta) uma 
fonte de energia que se encontra sobre a sua cabeça: uma bola de luz branca, 
talvez o Sol. Inspire o ar e imagine­se a sorver energia dessa fonte de luz ­ 
uma energia que penetra em si pelo alto da cabeça e que, ao expirar, lhe sai 
pelas mãos e pelos pés. Veja­se como um cálice aberto, como um canal de energias 
cósmicas; assim reduzirá o risco de esgotar­se por ter gasto as suas próprias 
reservas de energia.

O poder do pensamento é tudo. Na realidade, quem for capaz de fazer isto com 
êxito e souber criar empatía com o paciente conseguirá que a experiência seja 
enriquecedora para ambos.

Ao concluir a massagem, «ligue­se à terra» novamente, isto ésinta bem os pés em 
contacto com o solo (se estiver descalço, melhor ainda). Se for preciso, dê umas 
patadas no chão. É vulgar sentir­se a cabeça um pouco leve ou distante depois de 
se aplicar a massagem intuitiva se se não tiver o cuidado de voltar à terra 
firme. E, uma vez em contacto com a terra, feche­se na segurança da sua aura.

O ideal seria que o paciente pudesse também «fechar­se», pensando na sua própria 
aura. Como isso é raro, transmita­lhe um «pensamento de fecho», mas antes de 
«ligar à terra» e de fechar­se a si próprio. Imagine, simplesmente, que a pessoa 
está já encerrada em segurança no seu próprio espaço espiritual.

Pode­se também usar a água como elemento protector. Depois de aplicar a 
massagem, ponha as mãos debaixo de uma torneira de água fria. Se ainda assim 
sentir alguma forma de cansaço, de falta de energia (apesar de todas as 
anteriores visualizações), tome, se possível, um banho de chuveiro ou um banho 
de imersão com essência de zimbro. Também pode esfregar uma
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gota de zimbro nos antebraços e no plexo solar. Muitos aromaterapeutas 
intuitivos atribuem ao zimbro uma certa capacidade de «limpeza» ­ quer no plano 
fisico quer no plano psíquico.

Os remédios florais de Bach

Os remédios florais de Bach são preparados com flores silvestres não venenosas ­ 
são de acção benigna, não provocam habituação e podem ser tomados por pessoas de 
todas as idades. Além de ajudar­nos a transformar emoções negativas como a ira, 
o medo e o ódio em sentimentos de optimismo e de alegria, podem também ser 
usados para protecção psíquica ­ e, por vezes, com resultados imediatos. Neste 
aspecto, é indispensável o «remédio de socorro» ­ composto com cinco flores 
diferentes.

Este sistema de cura foi descoberto por Edward Bach, clínico geral, 
bacteriologista e homeopata já falecido que trabalhou em
Londres durante vinte anos e que abandonou em 1930 essas actividades para 
dedicar as suas energias ao mundo vegetal, capaz de restituir vitalidade aos 
doentes e angustiados.

O Dr. Bach mostrava uma grande sensibilidade. Bastava­lhe estender a mão sobre 
uma planta em flor para sentir em si próprio as suas propriedades curativas. 
Assim, descobriu 38 flores capazes de cobrir toda a gama de estados de espírito 
negativos.

O método mais vulgar de tomar os remédios de Bach consiste em deitar umas gotas 
de remédio num copo de á gua mineral e bebê­la depois aos poucos, a intervalos 
regulares. Os remédios florais de Bach podem ser adquiridos em muitas casas de 
alimentos naturais.

Sintonizar com a natureza

A natureza é a mais poderosa fonte de cura para o todo mente­corpo­espírito. Um 
passeio de uma hora no campo é o
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bastante para fazer desaparecer quaisquer sentimentos desconfortáveis que 
tenhamos absorvido dos outros. Muitas pessoas dão­se bem contemplando em 
silêncio o movimento das águas e os seus ruídos. Feche os olhos e escute a 
música das águas: um ribeiro, uma cascata, as ondas do mar... Se vive longe de 
tudo isso, pode servir­lhe igualmente uma fonte ornamental num
parque ou jardim. Ou então sente­se por momentos com as costas apoiadas no 
tronco de uma árvore (de preferência um carvalho), respire bem fundo e deixe­se 
afundar, por assim dizer, nas energias da árvore. Nunca subestime a simplicidade 
desta atitude. Muitas pessoas, e especialmente as que vivem nas
grandes cidades, estão hoje em dia isoladas das correntes naturais da Terra. 
Quando nos divorciamos do potencial criador da Terra viva, ficamos, sem o saber, 
terrivelmente desequilibrados.

Primeiros passos na meditação

O tipo de meditação que aqui esboçarei é conhecido pelo nome de «meditação 
reflexiva». Muitos especialistas desta área
­ incluindo os da «Pegasus Foundation» (os meus mestres), com base em Malvern, 
acham que esta forma activa de meditação é a
que melhor se adapta à mente ocidental. Muitas das atitudes orientais a este 
respeito são passivas, visto que têm por finalidade esvaziar a mente ou ajudar­
nos a alcançar um estádio em que passamos a ser simples observadores dos nossos 
pensamentos, como se eles estivessem separados de nós. Por seu lado, a meditação 
reflexiva implica pensar num assunto, tema, ideia ou palavra bem definida. E 
essa, de facto, a mais simples forma de meditação: aquela que mais convém ao 
principiante. Idealmente, a meditação deve ser praticada durante 15 a 20 minutos 
por dia, preferentemente logo ao princípio da manhã. Mas mesmo duas ou três 
sessões por semana podem chegar para reduzir a sobrecarga nervosa, melhorar a 
concentração e estimular a capacidade criadora e a inspiração.
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A pomba

1. Sente­se confortavelmente num quarto sossegado ou, se preferir, num jardim. 
Se tiver o hábito de cruzar as pernas, pode fazê­lo; se não, sirva­se de uma 
cadeira de costas direitas e mantenha os pés bem assentes no chão e as mãos 
descontraidamente poisadas no colo.

2. Feche os olhos. Esvazie os pulmões e respire fundo pelo nariz. Não faça 
força, limite­se a ter consciência do fluir da respiração.

3. Concentre a atenção nos pés: descontraia­os, pense que eles estão a 
descontrair­se, Em seguida, faça o mesmo em relação a todas as demais partes do 
corpo, uma de cada vez ­ as pernas, os joelhos, as coxas, as ancas, o abdómen, o 
peito, as mãos, os braços, os ombros, o pescoço, o rosto, os olhos, a testa e 
até a língua e o couro cabeludo.

4. Imagine­se no centro de uma esfera de luz: a sua aura.
5. Ponha agora o seu pensamento numa bela pomba branca. Pense que a ave é do 
elemento «ar», tem a possibilidade de voar para onde a si lhe é impossível 
chegar.

6. Ouça o arrulhar da pomba e o bater das suas asas. Estenda a mão para tocar 
nas sedosas e rijas penas do seu dorso, na fina penugem do seu peito. A presença 
desta ave não lhe faz sentir a sua beleza?

7. Procure unificar­se com a pomba... tente ser a pomba. Abra as asas e levante 
voo, suba acima do seu sítio, sinta a alegria de mover­se nos ares... as asas da 
ave simbolizam a capacidade de o espírito se elevar acima do que é mundano. 
Desça, suba, deslize no céu azul e deixe­se depois transportar pelas correntes 
do ar. Experimente a paz, a liberdade do voo...

8. Quando se sentir capaz, desça para a Terra, poise nas verdejantes margens de 
um ribeiro e beba da água cristalina que vai correndo.

9. Chegou o momento em que deve sacudir de si a gentil forma da pomba. Separe 
dela a sua consciência... veja como ela vai novamente a subir... sozinha. Está 
de novo na sua própria pele.
170
10. Tome de novo consciência do seu corpo. Imagine­se colocado numa linha recta 
que vai do alto da cabeça até aos pés. Sinta­se encerrado em segurança na sua 
esfera de luz.

11. Abra os olhos. Sacuda as pernas e os braços, bata com os pés no chão (a fim 
de voltar à terra firme) e espreguice­se bem. Sentir­se­á calmo e em paz com o 
mundo.

Talvez lhe agrade meditar sobre algum dos seguintes assuntos: um leão, o arco­
íris, o Sol, a Lua, a Terra, uma árvore, um peixe, uma flor (à sua escolha). 
Siga o mesmo esquema que sugeri para o caso da pomba. Execute os exercícios de 
respiração e de consciência e descontracção do corpo (pontos 1 a 4) e concentre 
depois a sua atenção no assunto escolhido. Em primeiro lugar, a consideração 
intelectual: veja o assunto com clareza de espírito. Note as diferenças entre si 
e o assunto. Em seguida, a consideração emocional: escute o arrulhar da pomba, 
por exemplo, ou sinta o perfume da rosa, ou mergulhe no calor do Sol. Por fim, a 
consideração espiritual: realiza­se nesta fase a sua identificação com o assunto 
escolhido. Já não pensa nele porque agora é ele. A concluir, a separação e a 
descontracção: sacuda de si a forma do assunto. Veja­o novamente como separado 
de si e volte depois a consciência para o seu corpo (pontos 9 a 11).

Em conclusão

Seria irrealista dizer que um bom regime alimentar naturista, a
meditação diária e a massagem aromaterápica constituem uma
resposta completa para os problemas da vida e que poderíamos, com isso, 
encapsular­nos numa espécie de etérea bruma de tons rosados para o resto dos 
nossos dias! A aromaterapia, e tudo o mais, não podem resolver problemas 
causados por deformidades congénitas como as válvulas cardíacas defeituosas, as 
perturbações funcionais hepáticas ou renais ou o atraso mental ­ como tão­pouco 
podem evitar um facto real: certas pessoas nascem
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mais saudáveis que outras. Aquilo que esses recursos podem fazer é melhorar ­a 
qualidade de vida auxiliando­nos a transformar as sobrecargas em desafios 
positivos e evitando desse modo a instalação da apatia ou da depressão. Assim, 
tornar­nos­emos capazes de afastar de nós os males de menor importância e, 
possivelmente, de evitar que apareçam doenças crónicas como as enfermidades 
cardíacas, a hipertensão arterial, a diabetes e as muitas outras doenças da 
civilização.

Num sentido mais amplo, as pessoas que mostram uma atitude calma, positiva e 
compassiva perante a vida estão muito mais bem preparadas para resolver os 
inúmeros problemas ecológicos, sociais e políticos que afligem o mundo moderno.

Que a arte da aromaterapia prospere, floresça e restaure a nossa fé no poder 
curativo das plantas aromáticas ­ esse dom que nos deu Gaia, a deusa da Terra 
viva.
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TOXICIDADE DOS óLEOS ESSENCIAIS

Os óleos essenciais são inócuos e extremamente benéficos quando correctamente 
utilizados, conforme explico neste livro. Mas podem tornar­se tóxicos se, por 
exemplo, forem tomados por via oral em quantidades significativas. Se bem que 
alguns livros mais antigos recomendem a utilização de óleos essenciais por via 
oral, a maioria dos aromaterapeutas da actualidade não aconselha essa modalidade 
de tratamento. Só se deve tomar óleos essenciais por via oral sob a orientação 
de um médico herborista ou de um aromaterapeuta clínico.

Há uma ou duas essências que nunca devem ser usadas na terapia. Por exemplo: o 
sassafrás (se for possível encontrá­lo), que pode provocar o cancro. Antes de 
usar um óleo essencial, deve consultar­se a lista que segue.

A evitar pelo leigo: poejo, tuia, salva (a salva brava, a não confundir com a 
salva mansa, totalmente inócua), gaultéria (ou pirola), tomilho.

A não aplicar na pele (estes óleos são apenas bons para perfumar salas): casca 
de canela, folhas de caneleira, cravo da India.

A não usar antes do banho de sol (estes óleos, em especial o de bergamota, podem 
provocar pigmentação temporária): bergamota, limão, laranja, tangerina, toronja, 
lima e verbena.

A não usar durante a gravidez: manjerico, mirra, tomilho, manjerona.
173
Uma palavra sobre as alergias

Pode­se ser alérgico a quase tudo ­ até ao óleo de amêndoa doce, que tão 
inofensivo parece. Algumas pessoas são sensíveis aos óleos de hortelã­pimenta, 
de manjerico, de bergamota, de ylang­flang, de grama­de­cheiro, de verbena ou de 
gengibre quando em concentrações superiores a 1,5 a 2% e mais especialmente 
quando aplicados à sensível pele do rosto.

Se o leitor for, infelizmente, uma das raras pessoas que se
mostram alérgicas a todas as essências, terá de tentar outros tipos de 
tratamento ­ os chás de ervas ou a homeopatia, por exemplo.
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GLOSSÁRIO

Eis um guia que explica alguns termos especializados que o leitor poderá 
encontrar na literatura sobre aromaterapia ou nas listas dos fornecedores de 
óleos essenciais:

Absoluto: óleo extraído do material vegetal ­ usualmente, de flores ­
por meio de solventes como o benzeno, o hexano e o éter de petróleo.

Aromark Grade Oil: óleo de pureza verificada e autenticada pela «Essential Oil 
Trade Association» (EOTA). É um óleo essencial puro, obtido de uma espécie 
botânica de nome bem definido e de uma determinada região, usualmente produzido 
a partir de plantas cultivadas sem utilização de fertilizantes químicos nem 
pulverização de substâncias venenosas. O rótulo deve indicar estas 
características.

Bergamota F.C.F.: Bergamota sem bergapteno. O bergapteno pode provocar 
modificações de pigmentação da pele quando esta é exposta à luz do sol.

Composto perfumadolóleo perfumadolpot pourri revíver oil: São produtos 
sintéticos.
175
o

óleo aromático: Se bem que tenha usado esta expressão ao descrever a natureza 
dos óleos essenciais, recomendo muito cuidado com os frascos assim rotulados: o 
seu conteúdo pode ser sintético, pode ser uma mistura de óleos essenciais com 
óleos veiculares ou pode, ainda, ter sido obtido por infusão (v. adiante).

Óleo de base/óleo veicular: Um óleo vegetal (de soja, de milho ou de semente de 
girassol) em que os óleos essenciais são diluídos para a massagem.

óleo de infusão: É usualmente um óleo de ervas (por exemplo, de consolda, de 
milfurada ou de malmequer). O material vegetal é mergulhado num óleo fixo e 
aquecido até que as substâncias aromáticas se dissolvam nele. Este é depois 
coado e utilizado nas massagens.

Óleo essencial/essêncialóleo etérico/óleo volátil: É a componente odorífera e 
volátil (evapora­se em contacto com o ar) de uma planta aromática, normalmente 
recolhida por destilação.

óleo fixo: Um óleo vegetal vulgar, como o de soja ou de milho, que se
não evapora em contacto com o ar.

Perfume: É normalmente uma mistura de substâncias sintéticas; mas pode conter 
uma pequena percentagem de óleo essencial. Se vier rotulado como «perfume 
natural» deverá ser constituído por óleo essencial a 100% diluído em álcool 
etílico, num óleo veicular ou numa cera (por exemplo, de jojoba).

Resinóide: Extraído de gomas ou resinas por solventes, do mesmo modo que os 
extractos absolutos.

Rosa Otto: Obtido por destilação. Outros óleos de rosa, como o
extracto absoluto de rosa Maroc, são extraídos com solventes.

Ylang­ylang extra: Esta expressão refere­se à qualidade do óleo. Também há os 
ylang­ylang 1,2,3 e o cananga, mas o extra é o melhor (tem um aroma superior). 
Por ordem decrescente de qualidade, temos os óleos 1, 2,
3 e cananga. O ylang­ylang extra é obtido da primeira fracção da destilação; 
esta continua depois para obtençã o dos outros tipos.
176
OUTRAS LEITURAS

Bek, L. e Pullar, P., The Seven LeveIs of Healing, ed. Rider, 1986. 

Capra, F., The Tao of Physics, ed. Flamingo, 1985. [Ed. port., O Tao da
Física, Presença, 1989.1 

Chancellor, P.M., Handbook of the Bach Flower Remedies, ed. CM. Daniel, 1971. 
Coleman, Dr. V., Body Power, ed. Thames and Hudson, 1983. 

Coleman, Dr. V., A Guide to Alternative Medicine, ed. Corgi, 1988. 

Davis, P., Aromatherapy, an A­Z, ed. CM. Daniel, 1989. 

Dodd, G. e Van Toller, S., Perfumery, ed. Chaprnan and Hall, 1988. 
Downing, G., The Massage Book, ed. Penguin Books, 1972. 

Griggs, B., Green Pharmacy, ed. JilI Norman and Hobhouse, 1982. 

Hodgkinson, L., How to Banish Cellulite Forever, ed. Grafton, 1989. 

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Tisserand, R., The Art of Aromatherapy, ed. CM. Daniel, 1983. 

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Wright, C., The Wright Diet, ed. Piatkus, 1986.
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VOLUMES PUBLICADOS

1 ­ A CURA PELA COR / Ted Andrews

2 ­ ACUPUNCTURA 1 Peter Mole

3 ­ MANUAL COMPLETO DE MEDICINA NATURAL 1 Marcia Starck

4 ­ IRIDOLOGIA 1 James e Sheelagin Colton

5 ­ HOMEOPATIA / Anne Clover

6 ­ REFLEXOLOGIA 1 Inge Dougans e Suzanne Ellis

7 ­ O DIAGNóSTICO PELA RADIESTESIA 1 Arthur Bailey

8 ­ AROMATERAPIA 1 Christine Wildwood

A publicar:

9 ­ A CURA ESPIRITUAL 1 Jack Angelo