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Déborah Salves

Podcast imediato
um estudo sobre a podosfera brasileira

Florianópolis
2009
Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo no Departamento
de Jornalismo do Centro de Comunicação e Expressão da
Universidade Federal de Santa Catarina.

Orientadora: Profª. Drª. Raquel Ritter Longhi


Resumo
Neste trabalho, relata-se a preparação, a estruturação e a execução do Pod-
cast Imediato, programa criado para o estudo da podosfera brasileira. A
partir de entrevistas com podcasters premiados pelo Prêmio Podcast 2008,
investiga-se o processo produtivo desta micromídia. A intenção foi levantar
pontos que, conectados, delineassem um panorama do podcast no Brasil, e a
partir dos quais se pudesse aprofundar o estudo. Observou-se que a lingua-
gem do novo meio ainda é experimental, assim como o formato dos progra-
mas, os modelos de negócios, dentre outros aspectos. Também se concluiu
que, no entendimento dos produtores entrevistados, a podosfera brasileira
vem se ampliando e amadurecendo, e deve apresentar crescimento quanti-
tativo e qualitativo nos próximos anos.
Palavras-chave: Podcast. Micromídia. Interatividade. Portabilidade. Jornalismo.

Abstract
This paper reports the steps of planning, structuring and execution of Pod-
cast Imediato, show created for the study of Brazilian podosphere. The in-
vestigation on the productive process of this micro-media is based upon in-
terviews with winners of Podcast Award 2008. The research aimed to reveal
aspects that put together could outline the state of podcast in Brazil, and
from which the study could go further. It was observed that the language of
the new medium is still experimental, as well as programs’ format, business
models, among other aspects. Also, it was concluded that the interviewed
producers understand Brazilian podosphere as a spreading community, in
numbers and maturity, and it will continue to grow, in quantity and quality,
over the next few years.
Key-words: Podcast. Micro-media. Intereactivity. Portability. Journalism.
SUMÁRIO
SUMÁRIO

Agradecimentos 9
Dedicatória 13
1 Introdução 15
1.1 A ideia 17
1.2 O que é podcast 18
1.3 Alguns meandros técnicos 20
2 Desenvolvimento 23
2.1 Referencial teórico 23
2.2 Podcast Imediato 26
2.2.2 Podcasts tutoriais 28
2.2.2 PodPesquisas e Prêmio Podcast 28
2.3 Projeto Editorial 29
2.4 Pré-roteiro 31
2.5 Podcast e processo produtivo do jornalismo 33
2.6 Fontes, entrevistados e pré-apuração 36
2.7 Podcasts de... 39
3 Dificuldades, superações e aprendizados 41
3.1 Aprendizados 44
3.2 Filipe Speck e Nanni Rios 48
4 Conclusões 51
4.1 Partindo do zero 52
4.2 Formato do programa 53
4.3 Crossover e Twitter 56
4.4 (Outras) redes sociais, divulgação e site 59
4.5 Periodicidade, publicidade e perspectivas 60
4.6 É isso aí, a gente se vê na semana que vem 63
5 Bibliografia comentada 65
Bibliografia completa 69
Anexos 77
I. Estatísticas de acesso de cada episódio 77
II. Estatística comparada dos três episódios mais 82
baixados
Agradecimentos

Agradeço aos professores que me orientaram nas fase de


projeto e execução deste Trabalho de Conclusão de Curso. Ao
professor Eduardo Meditsch por despertar meu interesse pelo
rádio e sugerir o tema da portabilidade, que posteriormente
foi focado no podcast. À professora Raquel Ritter Longhi por
assumir a orientação e aceitar o desafio de entender melhor a
podosfera brasileira.

Agradeço aos podcasters que aceitaram participar do progra-


ma, disponibilizando-se a gravar em horários inimagináveis
e oferecendo simpatia, paciência e didatismo. Aos produtores
que não participaram dos episódios mas apoiaram o projeto. E
aos ouvintes, por prestigiarem o trabalho, ajudando a construir
um programa melhor e ampliando a experiência desde TCC.

Agradeço especialmente a Eduardo Sales e Diego Moreau,


dois professores e podcasters que estavam sempre online e dis-
postos a tirar dúvidas, debater conceitos, ou simplesmente avi-
sar que tinham baixado ou ouvido o programa.

Agradeço aos colegas do curso de Jornalismo da UFSC, por


fazerem a minha experiência na universidade memorável.
Um muito obrigada especial àqueles que trabalharam comigo
no Unaberta e na Rádio Ponto UFSC, nas coberturas de vesti-
bular e de greve de ônibus; e aos que trabalharam comigo no
Centro de Artes da UDESC.
Agradeço aos colegas de profissão, com quem aprendi a maior
parte de tudo o que sei sobre jornalismo e comunicação hoje.
Gisiela Klein, Fabiana de Liz e Natália Viana, minhas primeiras
editoras. Célia Penteado, simplesmente a melhor chefe e a me-
lhor professora que tive desde que escolhi seguir esta carreira,
pessoa e profissional que admiro e em quem me espelho.

Agradeço aos amigos do fundo do peito, aqueles que chega-


ram há 9 anos ou há 19 meses, mas que vieram para ficar. Aos
que me atenderam no meio da noite, riram e choraram comi-
go, me elogiaram e me xingaram, chegaram em casa comigo ao
nascer do sol. A esses, que estiveram do meu lado, um muito
obrigada do tamanho do nosso amor.

Agradeço aos colegas de curso, de profissão e amigos do


fundo do peito Filipe Speck e Nanni Rios, pelo apoio, pela
dedicação e pela parceria, em especial nesta etapa. A partici-
pação dis dius tornou esta experiência mais rica, prazerosa,
memorável e frutífera.

Agradeço, por fim, àqueles sem os quais absolutamente


nada disso teria sido possível, que estiveram comigo em ab-
solutamente todos os momentos, que sempre me apoiaram e
sempre me fizeram ver a força que existia dentro de mim. O
mais importante e o incomensurável obrigada aos meus pais,
por serem as melhores pessoas do mundo, meus eternos he-
róis, minhas estrelas-guia, meus exemplos de amor, respeito,
compreensão e persistência.
Aos meus pais,
por tudo, sempre
e infinitamente.
1 Introdução

O Trabalho de Conclusão de Curso aqui relatado trata sobre


podcasts brasileiros. Há duas abordagens: de um lado, a investi-
gação sobre como vêm sendo produzidos os programas no país;
de outro, a experimentação com a mídia, a partir dos conceitos
estudados e constatados na pesquisa. O tema podcast surgiu a
partir do interesse de pesquisar a portabilidade do rádio, mas
distanciou-se desta mídia na primeira etapa da revisão biblio-
gráfica, em que se constatou que podcast não é rádio. Conside-
rando as potencialidades da micromídia1, seu nascimento re-
cente e sua utilização crescente, e somando-se isso a total falta
de experiência com o produto, optou-se por realizar o TCC nas
duas frentes, pesquisa e prática.

Objetivou-se levantar o cenário atual da podosfera brasilei-


ra - a explicação de certos termos segue no próximo item -,
traçando o contorno da produção do país. O início da utili-
zação do podcast no Brasil, pioneiros da mídia, crescimento
e desenvolvimento foram investigados, buscando conhecer o
entorno da condição atual. Para entender as características do
podcast brasileiro nos dias de hoje, escolheu-se entrevistar um
grupo de referência na comunidade. Do universo de mais de

1
Primo (2005:3) usa o conceito de Thornton de micromídia, a saber, “um con-
junto de meios de baixa circulação e que visam pequenos públicos, que vão
desde impressos rudimentares até ferramentas digitais”. O autor brasileiro
faz uma ressalva ao sistema produtivo da micromídia, destacando que o pod-
cast pode ser explorado também como mídia de nicho por empresas de comu-
nicação estruturadas.

15
oito mil programas listados no PodcastOne - maior diretório
do país -, selecionou-se como critério a presença no pódio do
Prêmio Podcast 2008. Assim, os entrevistados eram os produ-
tores premiados ou pelo juri popular, ou pelo juri técnico do
concurso, entendendo-se que tais podcasters teriam seu traba-
lho avalizado pelos ouvintes brasileiros. A partir de indaga-
ções jornalísticas, e mantendo sempre em mente o potencial
informativo da micromídia aqui tratada, buscou-se entender
quais os aspectos comuns à maioria dos programas, de modo
que se pudesse sugerir um ponto de partida a quem inicia a
atividade na podosfera, também tentando sistematizar os da-
dos visando o ensino em cursos de Comunicação Social e a
produção por empresas jornalísticas.

O segundo objetivo deste TCC era a experimentação prática.


Durante a graduação em Jornalismo na UFSC, o podcast foi
apenas apresentado, e sem muitos detalhes, tanto em aulas de
radiojornalismo quando de jornalismo online, até o início da
preparação do projeto deste Trabalho.2 Embora não existam pa-
râmetros estabelecidos, como no caso do rádio e do impresso,
por exemplo, a experimentação com o podcast é prática válida
e construtiva, além de tornar palpável a teoria que se investiga,
e aumentar o conhecimento sobre a mídia, ampliando o reper-
tório para a investigação.

O ciclo foi estruturado, assim, desta forma: pesquisa de


literatura específica da área, embasando a investigação junto
aos produtores, que se ampliava à medida que a produção
do TCC continuava, com o objetivo - terceiro - de tornar-se
referência bibliográfica.

2
Após a elaboração deste relatório, foi apurado que no semestre de 2009.1 o
podcast foi tema da disciplina optativa Jornalismo Dinâmico, ministrada à
época pelo professor Fábio Mayer, que em conjunto com a professora Giovana
Rutkoski, da área de Radiojornalismo. Os docentes não somente abordaram
o conceito de podcast em sala, como produziram episódios com os alunos -
material disponível em www.radio.ufsc.br

16
Nesta breve introdução encontram-se os elementos chave
que serão tratados adiante. Os termos que aqui não estão de-
vidamente explicados, a seguir o serão. Finalmente, daqui em
diante passa-se a relatar a experiência em primeira pessoa.

1.1 A ideia

A ideia deste TCC surgiu em agosto de 2004, durante a pri-


meira fase do curso de Jornalismo da UFSC, e a partir do meu
interesse pelo rádio. Na disciplina Redação para Rádio I, mi-
nistrada então pelo professor Eduardo Meditsch, comecei a
conhecer o meio, e o interesse que suas características des-
pertaram em mim só fez crescer desde então. Foquei minha
formação ao longo do curso nesta área, cursei cinco discipli-
nas optativas, participei de atividades de extensão, cobertu-
ras especiais, ações voluntárias, procurei aproveitar todas as
oportunidades de aprendizado que surgiam.

No início de 2009, quando começou a elaboração do projeto


para o TCC, manifestei ao professor Meditsch a vontade de
trabalhar com conceitos do radiojornalismo, porém forma-
tando o resultado dos estudos como programa, em vez de
como monografia. O tema que me sugeriu foi portabilida-
de, característica surgida da evolução tecnológica, e a par-
tir daí começamos revisão da literatura básica. Neste etapa,
em trabalhos como os de Kischinhevsky (2009) e Vaisbih
(2006), encontramos referências ao podcast, enquanto mídia
portátil e cujo potencial interativo chama a atenção. Decidi-
mos fechar aí o tema do TCC. A ideia, então, foi comparar
as características do rádio tradicional e do podcast. No en-
tanto, esbarramos na dificuldade de determinar as caracte-
rísticas da micromídia, surgida em 2004 e que, diferente do
rádio, (ainda) não tem conceitos estruturados para se con-
trastar com o da mídia de massa. Partimos, pois, para uma
investigação anterior: buscar identificar as características
do podcast brasileiro.

17
A pesquisa é relevante ao se considerar que 1) o podcast é
pouco explorado pela grande mídia nacional, em contraposi-
ção aos conglomerados internacionais - como BBC e NBC; 2) há
parca bibliografia sobre o tema, principalmente em português;
3) os autores que tratam do podcast destacam o potencial infor-
mativo que o produto tem, e informação é a matéria prima do
jornalismo; 4) a liberação do polo emissor3 observada no pod-
cast transforma-o em ferramenta no processo de democratiza-
ção da comunicação; 5) a portabilidade da micromídia insere-a
no contexto atual de desenvolvimento tecnológico, onde a por-
tabilidade está cada vez mais presente e dominante; 6) a rede
criada por produtores e consumidores de podcast amplia o es-
paço público de debate; dentre outros4.

1.2 O que é podcast

Podcast é uma mídia digital distribuída periodicamente na


rede através de RSS (Really Simple Syndication - divulgação
realmente simples, em tradução literal). Seria simples assim?
Na medida em que ampliamos a leitura acerca do produto,
diferentes definições surgem.

Em 140 caracteres, podcast é como se fosse um programa de


rádio, só que na internet. Nem se chega a 140 caracteres. Mas já
se pode observar dois questionamentos de teóricos e práticos do
assunto. Primeiro, a comparação com o rádio pressupõe que o
podcast seja um arquivo de áudio, quando na realidade podemos
encontrar também arquivos de vídeo (chamados de videocast,

3
Lemos (2005) resume a liberação do polo emissor, no caso do podcast, como
“ouvinte produtor”, em um contexto de modificações propulsionadas pela
tecnologia. “Chegamos aqui ao cerne de uma das leis da cibercultura: a lógica
da reconfiguração”, diz, e especificamente sobre a produção descentralizada
de conteúdo, acrescenta que “o suposto excesso de informação nada mais é do
que a emergência de diversas vozes, exprimindo-se sobre diversos assuntos, e
sob diversos formatos, distribuídos ao redor do mundo”.
4
Ver Bibliografia comentada para referências das justificativas apresentadas.

18
vidcast ou video podcast) ou mesmo de imagens (fotocast ou foto
podcast), texto, enfim, qualquer mídia digital. O segundo aspecto
de que discordam a maioria dos teóricos na comparação com o rá-
dio diz respeito às características de cada mídia: Medeiros (2007) e
Meneses (2008), dentre outros, afirmam que podcast não é rádio.

O termo podcast surgiu em fevereiro de 2004, em artigo do


jornal inglês The Guardian, embora o primeiro registro desta mí-
dia como se costuma entendê-la hoje date de outubro do mes-
mo ano. O então VJ da MTV Adam Curry criou uma forma de
difundir seus próprios sets de música, sem pressões de uma
emissora, e assim nasceu o podcast. Há duas versões sobre a
origem do nome: em uma delas, pod viria do tocador de áudio
da Apple, o iPod, mais popular aparelho do gênero à época;
na outra, pod seria a sigla de personal on demand, ou pessoal por
demanda. O sufixo cast vem de casting, transmissão. Ainda que
talvez a primeira hipótese esteja correta, não é necessário ter
um iPod para ouvir um podcast.

Depois de criar o arquivo, Curry percebeu que não bastava


apenas produzir o conteúdo, era necessário distribui-lo, e a for-
ma encontrada pelo estadunidense foi o RSS, mecanismo que
à época já era utilizado pela grande mídia para informar sobre
novas notícias. O RSS feed (alimentador RSS), é um arquivo em
linguagem XML no qual estão informações sobre determinada
página na internet, ou, no caso do podcast, sobre determinado
programa. Quando inserido (assinado) em um agregador, pro-
grama que lê arquivos de feed, o RSS funciona como recolhedor
de informações: no caso de sites de notícias, por exemplo, busca
as atualizações do conteúdo escolhido e as mostra para o usuá-
rio, que pode visualizar o material sem precisar visitar a página
para checar se há novidades. No caso do podcast, o feed informa
ao software se há ou não novos episódios5, e em caso positivo

5
Episódio é o nome comumente usado para se referir a um arquivo específico
do conjunto do programa. A periodicidade do podcast, então, corresponde à
frequência de publicação dos episódios.

19
o agregador faz o download automaticamente. Uma vez no
disco rígido de seu computador, o ouvinte - como vamos con-
vencionar chamá-lo, doravante, por se tratar este TCC de um
programa em áudio - pode reproduzi-lo localmente ou trans-
feri-lo a um tocador portátil de MP3 e escutá-lo onde e quando
lhe aprouver. Além disso, pode-se parar e recomeçar, avançar e
retroceder no programa, uma vez que se dispõe de sua integra-
lidade - ao contrário da rádio, cuja emissão e recepção acontece
simultaneamente (PRIMO, 2005).

O arquivo de áudio na rede pode estar em servidor próprio do


produtor, em site de armazenamento online, em site específico
para hospedagem de podcasts, dentre outros. Para que se assine
o feed, basta apenas saber o endereço do mesmo (por exemplo,
feedburner.com/podcastimediato ou podcastimediato.com.br/
feed.xml). Para facilitar a busca por programas foram criados
os diretórios, páginas que listam e categorizam podcasts, con-
gregando nomes, descrições, imagens, endereços de RSS, den-
tre outras informações, e permitindo a pesquisa por tema, país
de origem, palavras-chave, etc, a depender do diretório. Para
descobrir um podcast, também se pode utilizar um mecanismo
de busca – como o Google –, uma vez que, de modo geral, os
programas possuem um site próprio, um blog, ou um perfil no
site em que hospedam os arquivos para download. Esta interfa-
ce de contato com o público fora do arquivo de áudio, além de
ampliar a interatividade com a equipe de produtores e entre os
ouvintes através das janelas de comentários, também desobriga
os podcasts de ter um endereço de feed para ser assinado, já que
existem outras formas de ouvir o programa (ib. idem).

1.3 Alguns meandros técnicos

Observa-se aí uma das adaptações que a micromídia sofreu:


inicialmente, o que diferenciava o podcast de um arquivo de
áudio qualquer disponível na rede era a possibilidade de ser
assinado em um agregador. No entanto, como atualmente é

20
possível tocar o episódio sem necessariamente baixá-lo, o feed
não é mais necessário (embora alguns teóricos e podcasters con-
siderem-no a principal característica da mídia podcast, e por-
tanto essencial). Em um meio termo entre ter apenas um feed e
ter servidor próprio, nasceram os sites de hospedagem - como
Mevio, PodOmatic e PodcastOne, por exemplo - que além de
funcionarem como diretórios, disponibilizam hotsite ou perfil
em que o usuário dispõe do player.

Outra evolução do podcast diz respeito ao formato. Adam


Curry era video-jockey, mas criou programa em áudio, e por isso
este é o formato comumente associado ao podcast. Mas ainda
que fôssemos considerar a micromídia como exclusivamente
áudio, é também limitador nos referirmos a ela como arquivo de
MP3. Primeiro, obviamente, porque existem outros formatos.
Mas dentre estes interessa destacar o AAC (Advanced Audio Co-
ding, codificação de áudio avançada, em tradução literal), tam-
bém conhecido como enhanced audio (áudio melhorado). Além
de terem qualidade superior ao MP3 a uma mesma bit rate (ou
seja, com o mesmo tamanho em bites), estes arquivos de som
comportam divisão em capítulos e inclusão de diferentes ima-
gens (artworks) - possibilitando, assim, os fotocasts, por exem-
plo, que apresentam uma sequência de ilustrações acerca do
tema tratado. Vale ressaltar, também, a existência de formatos
que dispõem de outras facilidades - por exemplo, o WAV, mais
pesado porém com maior qualidade, ou o ZIP, que embora não
seja o formato final do programa, é a extensão do arquivo dispo-
nibilizado para download. Por último, note-se que mesmo falan-
do de “arquivos MP3” pode existir diferença entre eles - tanto
que, para atender a ouvintes com diferentes larguras de banda,
é comum disponibilizar arquivos em lo-fi, com qualidade de
som um pouco menor, porém mais leves (e rápidos) para baixar.

Outros aspectos se mostrarão divergentes ou multifacetados


no tocante aos podcasts, e aparecerão em outros momentos
do presente relatório. O que foi exposto aqui serve, neste mo-
mento, para ilustrar a dificuldade de definição do podcast e de

21
detalhamento de características específicas que possam ser
comparadas às do rádio - meio que, apesar de seu incompleto
século de vida, já tem parâmetros estabelecidos.

Em rápida revisão dos termos e conceitos aqui apresentados,


nota-se que o podcast insere-se mais propriamente no estudo
das mídias digitais do que na esfera do rádio. Por isso, após a
elaboração do projeto sob tutoria do professor Eduardo Medits-
ch, decidimos transferir a orientação para a professora Raquel
Ritter Longhi, que acompanhou a execução do trabalho.

22
2 Desenvolvimento

O trabalho nas duas frentes citadas na introdução deste re-


latório - teoria e prática - foi desenvolvido paralelamente. A
revisão bibliográfica ateve-se primeiramente à literatura espe-
cífica da área - primeiro semestre de 2009 - e, num segundo
momento, aos áudios de podcasts disponíveis na rede. A es-
cuta permitiu observar empírica e panoramicamente algumas
características comuns aos programas, aspectos estes usados
na estruturação do Podcast Imediato e na elaboração da pauta
das entrevistas. Os aspectos pontuais, ou necessariamente não
uniformes, criaram repertório para questionamentos e para
solução de problemas surgidos na etapa prática do trabalho.
Ainda antes de iniciar as gravações, o contato com podcas-
ters teve papel relevante na execução do programa, tanto no
sentido do aprendizado compartilhado, quanto no lado social,
de inclusão na podosfera e entendimento dos aspectos fora
da técnica que constroem esta comunidade. Finalmente, foi
essencial a participação do jornalista Filipe Speck no progra-
ma, desde a revisão bibliográfica, passando pela elaboração
do projeto editorial e participação nas gravações, até o apoio
emocional durante o processo.

2.1 Referencial teórico

Na revisão da literatura, alguns conceitos formaram o reper-


tório teórico que embasa as escolhas deste TCC. Primeiramente,
Medeiros (2007) e Meneses (2008) expuseram os motivos pelos
quais podcast não é considerado rádio. Em sua tese, o autor

23
português apresenta definição do que é rádio, e salienta que a
ausência de algum dos aspectos já desqualifica o podcast en-
quanto transmissão radiofônica:

“conteúdo sonoro [palavra e/ou música] pre-


determinado por ‘gatekeeper’... para ser ouvido
[através de difusão hertziana, terrestre ou outra,
como o cabo, o satélite ou mesmo a internet] por
muitos... ao mesmo tempo em que é transmitido [a
transmissão é sincrónica, linear ou directa] e passi-
vamente [esse fluxo não é manipulável]...
[Transmissão sonora] Quando passa a ser as-
sincrónico, o seu conteúdo é manipulável e
perde-se uma das características essenciais”
(MENESES, 2008:135)

Vaisbih (2006) aponta mudanças de demanda do público,


que influenciam na produção do conteúdo. A internet permite
o aumento da quantidade de - e do acesso a - informação, o
que gera mais concorrência. Para atingir o público, neste con-
texto, o podcast deveria aprofundar o conteúdo, ou apresentar
viés analítico e/ou opinativo. Rodero Antón (2002) acrescenta a
isso o cuidado e a aprimoração na edição, que passam a fazer
parte das exigências da audiência a partir do momento em que
a transmissão deixa de ser ao vivo, sendo, portanto, passível
de lapidação. Em consonância, Cebrián Herreros (2003) ressal-
ta que os profissionais da Comunicação precisam também se
adaptar, descobrir novas abordagens para ter o diferencial com-
petitivo. Segundo o autor, o fim da linearidade no consumo da
informação é o principal fator de reconfiguração da área.

Kischinhevsky (2009) também menciona a não-linearidade,


proporcionada pelo avanço tecnológico, e influenciada pela po-
pularização dos tocadores de áudio e de outros dispositivos por-
táteis - e mesmo da internet. Também ressalta a demanda cres-
cente por possibilidades de participação e interatividade. Faus
Belau (2001) observa uma falta de vontade dos grandes grupos

24
de comunicação de se adaptarem, e comenta que de fato a mídia
massiva não vem refletindo as tendências surgidas após a inter-
net. Mais que isso, o autor acredita que as mudanças são irrever-
síveis e afetam a estrutura tradicional das empresas, apontando
como única saída a incorporação das novas formas de produção.

Nesse sentido, Lemos (2005) contribui com a ideia da liberação


do polo emissor, a voz dada a qualquer internauta conectado à
rede, a informação saída direta da fonte, sem necessidade de pas-
sar pelo crivo e pela ressignificação de um meio massivo. Primo
(2005) acrescenta o conceito de micromídia, em oposição a mídia
de massa (broadcast) e mídia de nicho (narrowcast), enquanto Spe-
ck (2009) traz a questão das redes sociais e da interatividade na
rede ao restante do escopo teórico aqui sumarizado.

Em bom português, entendemos que podcast, apesar de usar


o suporte áudio6, difere-se da rádio por uma série de aspectos.
Destaca-se, dentre eles, o fato de que no rádio emissão e re-
cepção são atos simultâneos, enquanto no podcast o produto é
entregue completo ao ouvinte, o que possibilita maior controle
sobre a forma de consumo. Tal controle é um dos fatores que faz
com que o público tenha cada vez mais demandas. A facilidade
de produção do podcast permite que pessoas fora das grandes
corporações de mídia massiva tornem-se produtoras de con-
teúdo, aumentando a concorrência e colaborando, mais uma
vez, ao aprofundamento das exigências dos ouvintes. Na dis-
puta pela atenção da audiência, a grande mídia perde por focar
em uma pessoa-padrão, enquanto o podcast pode especificar
muito o seu público-alvo, além de ter liberdade editorial para
atender às demandas apresentadas. Por último, a interação en-
tre podcasters e ouvintes, e entre os indivíduos que compõem a
audiência, quebram a hierarquia vertical de emissor/receptor,
horizontalizando as relações e permitindo a criação de redes.

6
Embora, como já mencionamos, não necessariamente em áudio, sendo esta
abordagem apenas restrita ao formato que aqui estudamos e usamos.

25
2.2 Podcast Imediato

A partir dos preceitos teóricos adotados, estruturamos a etapa


prática do TCC: a produção do Podcast Imediato. O programa
foi concebido para ser, ao mesmo tempo, a pesquisa e a exter-
nação dos resultados obtidos nela. Experimentação processual.
Entendemos que o podcast não nasceu na academia, e o en-
tendimento que esta obtiver a respeito dele deve ser retornado
aos que dele se beneficiam, produtores e/ou consumidores. O
conhecimento do processo Imediato foi construído a partir da
podosfera brasileira, com dados dela e para ela.

O nome Imediato foi escolhido por representar conceitos re-


ferentes ao jornalismo - principalmente factualidade - e se re-
lacionar às características do podcast, enquanto mídia que se
desenvolve no presente, e que apesar de ser entregue como
pacote fechado, está à disposição no momento desejado de
cada ouvinte. Menos relevante, porém não menos interessan-
te, a palavra pode ser partida, em inglês, como I-media-to,
abordagem que traria os conceitos da micromídia (I, eu), do
jornalismo e da informação (media, mídia) e da orientação da
programação (to, para) para o ouvinte, e não para o lucro. A
sugestão foi de Filipe Speck.

Para a elaboração do projeto editorial, levamos em conta 1) as


características observadas nos diversos programas escutados;
2) as dicas e “lições” de podcasts que ensinam a produzir pod-
casts; 3) os dados apurados pelas PodPesquisa 2008 e 2009; e 4)
o ranking do Prêmio Podcast 20087.

Buscando termos como “podcast”, “podcast about podcas-


ting”, “podcasting lessons” e afins, encontramos no Google
uma série de programas, cuja sessão de links nos levou a ou-

7
O Prêmio Podcast 2009 estava com inscrições abertas, ou seja, ainda não es-
tava concluído, por isso não foi usado como referência.

26
tras tantas produções e assim fomos construindo as referên-
cias iniciais. É interessante observar que na busca por podcasts
brasileiros, chegou-se a uma lista frequente de indicados, mui-
tos dos quais constavam também no pódio do Prêmio Podcast
2008 (PP08). As observações usaram a rádio como parâmetro:
elementos comuns e divergentes. Assim, notamos como era a
abertura dos programas; as trilhas sonoras; presença, forma
de uso ou ausência de música de fundo; tom e estilo de locu-
ção; número de participantes; uso, ou não, de efeitos sonoros;
presença de entrevistas e/ou sonoras; tipo e licença de música
executada; dentre outros. Também nos detivemos em questões
bem pontuais, como por exemplo a referência ao convidado:
na rádio, costuma-se usar expressões como “para você que li-
gou o rádio agora, estamos conversando com Déborah Salves,
do Podcast Imediato”, para situar o ouvinte que sintonizou a
estação após a apresentação do entrevistado; tal movimento é
desnecessário no podcast.

Ressaltamos que o rádio é usado como metáfora, enquan-


to objeto conhecido - e estudado, já que o podcast nunca
entrou em sala. Mas a associação serve, também, de anti-
referência, à medida que observamos elementos novos,
analisamo-los e construímos novas referências a partir de-
les. Bom exemplo disso são os links nos posts: o som não
permite que se faça hiperlinks, mas estes são deslocados,
então, para o site/post ou ID3tag8 do programa, de modo
que o ouvinte possa consultar depois a fonte da informação
dada. No rádio, à exceção do programas/comentários que
têm sessão na página da emissora, a referência é feita no
ar, mas o ouvinte não pode voltar para ouvi-la novamente,
posteriormente ou vagarosamente, etc.

8
ID3tag é um arquivo incluído em outro arquivo - mais comumente, de áudio
-, contendo informações a respeito do hospedeiro. No caso de um áudio em
MP3, a ID3tag pode trazer dados como nome do artista ou do podcast, do
álbum ou da temporada, da faixa ou do episódio, dos autores, comentários -
onde estariam, então, os links - e até a imagem de capa (artwork).

27
2.2.1 Podcasts tutoriais

Foram consultados três programas em estilo tutorial sobre


como fazer um podcast:

1) Podcasting For Dummies, distribuído gratuitamente


porém produzido como material de apoio aos livros Podcas-
ting for Dummies e Expert Podcasting Practice for Dummies, de
Evo Terra e Tee Morris;

2) School of Podcasting, também gratuito, embora integre o


portal homônimo, onde se pode comprar aulas de podcast. O
professor-apresentador é David Jackson, que colaborou tam-
bém via Gtalk na fase de estruturação do projeto editorial;

3) Metacast, programa brasileiro produzido por Eduardo Sa-


les, do Papo de Gordo, e Pablo de Assis, do NerdExpress. Apre-
senta conceitos, experiências e soluções, além de ter episódios
dedicados exclusivamente às dúvidas dos ouvintes e indicar
outros podcasts de referência. Foi o principal guia na fase de
elaboração do Podcast Imediato - e Dudu Sales foi quase consul-
tor durante a execução do trabalho, comentando erros e acertos
que observava nos episódios, dando sugestões, tirando dúvidas
e até debatendo conceitos da podosfera.

2.2.2 PodPesquisas e Prêmio Podcast

As PodPesquisas de 2008 e 2009 também foram referência na


elaboração do projeto editorial. A opinião dos ouvintes sobre há-
bitos de consumo de podcast e opiniões sobre formas ideais de
produção e distribuição foram fatores considerados. Dentre os
aspectos mais relevantes estão a indicação do tempo ideal - que,
em 2009, ficou entre 30 minutos e uma hora e meia, duração as-
sociada ao tempo de deslocamento (entre casa e trabalho, por
exemplo). A indicação de que a frequência de publicação deseja-
da é semanal fez com que o Podcast Imediato adotasse tal perio-

28
dicidade. A atenção dispensada ao podcast, com mais de 80% dos
entrevistados deste ano atestando alto grau ou atenção dividida
com atividades que não necessitam concentração também pesa-
ram na estruturação. As questões que identificaram os temas mais
ouvidos e os considerados mais números na podosfera serviu de
base na escolha das categorias abordadas pelo Podcast Imediato.

Para esta escolha também utilizamos os temas premiados no


PP08, já que o regulamento do concurso estipulava, à época da
inscrição, que aqueles assuntos com poucos inscritos seriam des-
feitos, e os podcasts a eles associados, redistribuídos. O Prêmio
também foi utilizado, como explicamos na Introdução deste
relatório, na seleção das fontes entrevistadas, como parâmetro
dos podcasts mais bem aceitos pela podosfera brasileira.

2.3 Projeto editorial

O Podcast Imediato, de caráter essencialmente experimental,


foi concebido a partir destas observações iniciais, e com a pre-
missa de adaptar-se ao contexto que fôssemos percebendo. É
importante relembrar, antes de detalhar a estruturação do pro-
grama, que a formação recebida durante a graduação na UFSC
em nenhum momento tratou da mídia podcast. Portanto, a ela-
boração deste trabalho partiu do zero: partiu justamente desta
observação - empírica e despojada de preciosismos acadêmicos
- dos programas disponíveis na rede. Cabe, ainda, ressaltar que
os conhecimentos gerais adquiridos durantes as aulas serviram
de parâmetros para a experimentação realizada. Mais que isso,
os preceitos jornalísticos incorporados durante a graduação fo-
ram a linha-guia de todo o processo.

O projeto editorial do Podcast Imediato estabeleceu, assim:

1) Abertura: trilha sonora composta por música específica -


Red Hot Boogie, de Mofessor, disponível para download no site
Podsafe Audio e de livre utilização - com locução do nome do

29
programa. A locução começa com “Alô, alô, ouvintes, está no ar
o episódio número tal do Podcast Imediato”, seguida da intro-
dução do(s) locutor(es) e do tema da semana. Segue-se a isso o
anúncio dos entrevistados da vez.

2) Sessão de emails: roda entre a apresentação e a entrevista,


com vinheta apenas na abertura e sem diferenciação na música
de fundo. São lidos emails enviados ao programa ou aos apre-
sentadores, comentários deixados no site do Imediato e, even-
tualmente, tweets e observações feitas em conversas instantâne-
as de texto com os locutores.

3) Entrevista: o entrevistado é introduzido pelo nome,


podcast que produz e colocação no Prêmio Podcast 2008. A
apresentação, no entanto, é o próprio podcaster quem faz,
de modo que fique a seu critério selecionar as informações
sobre si e seu programa que julgar relevantes. A conversa é
pré-pautada, mas tem a liberdade de desviar-se, se os assun-
tos diversos abordados revelarem aspectos da produção do
podcast, ou contexto que nela influencie. Os programas fo-
ram divididos por categoria - tecnologia, música, religião, etc
- e o número de entrevistados pode variou de acordo com a
disponibilidade destes.

4) Encerramento: a trilha sonora de abertura marca também o


encerramento do programa, indo ao fundo enquanto são dadas
as formas de contato com a equipe e incentiva-se o ouvinte a
participar, opinar, sugerir e contribuir com o programa. Tam-
bém é anunciado o tema do episódio seguinte, para que o de-
bate possa ser construído anteriormente e com a participação
da audiência - em vez de limitá-la a comentar o assunto, depois
que o programa vai ao ar.

Como canais de divulgação e contato com os ouvintes, foram


criados o site e a conta no Twitter. Com identidade visual rela-
cionada, as páginas informavam sobre novos episódios e avan-
ços na produção do TCC, além de ampliar o debate sobre os

30
temas de cada episódio e o discutir aspectos conceituais sobre o
podcast enquanto micromídia.

2.4 Pré-roteiro

Na estruturação do projeto editorial, detalhamos também o


pré-roteiro do programa. O material funcionou como pauta, já
que continha os motes da investigação. As perguntas, elaboradas
de modo a interessarem podcasters, ouvintes em geral e profis-
sionais da comunicação, foram construídas a partir de conceitos
jornalísticos e/ou buscando investigar os aspectos que seriam
relevantes na criação de um programa jornalístico deste gêne-
ro. Além de identificar as características comuns e divergentes
entre podcasts de diferentes categorias, o questionário também
buscou criar um banco de dados de problemas vivenciados e
soluções encontradas pelos entrevistados, de modo a não ape-
nas compartilhar a experiência, mas também sugerir soluções e
apontar deficiências. Ainda, algumas perguntas relacionavam
a produção do podcast com outros elementos da cibercultura,
como redes sociais e interações presenciais, além da critica e das
perspectivas de cada podcaster para a podosfera brasileira.

Por um lado, a pauta era única: o pré-roteiro construído bus-


cava avaliar os mesmos aspectos junto a diferentes produtores,
de modo que se pudesse observar as congruências e divergên-
cias entre as diversas categorias do podcast, e as características
comuns a todos - ou à maioria - dos programas. No entanto, na
pauta, também, permitiu-se adaptações, de modo que a prepa-
ração para cada entrevista levantou aspectos que pareciam es-
pecífico dos programas sobre o assunto da semana - como, por
exemplo, o podcaster enquanto torcedor em um programa de
esportes. Apesar das “divagações” fora do roteiro, as questões
seguiam a mesma trilha, de investigação de aspectos predeter-
minados da produção de podcasts. É juntamente na delimitação
destes aspectos e na elaboração das perguntas para pesquisa
deles, que se aplicou o conhecimento jornalístico.

31
Foi elaborado o seguinte pré-roteiro:

1) Qual é o seu podcast e como ele é? (apresentação)

2) Como surgiu a ideia de fazer podcast? Por que escolheu


esse tema? Qual era o objetivo?

3) Quem participa? Como se encontraram? (são todos da mes-


ma cidade? gravam pessoalmente ou por Skype?9 quais outros
softwares usam?)

4) Desde quando o programa começou, o que deu certo?

5) E o que tentaram e não deu certo? Como é feito agora? (di-


ficuldades e superações)

6) Qual a diferença entre o conteúdo do seu podcast sobre o


tema e o que a grande mídia divulga sobre o mesmo assunto?

7) Qual a diferença entre o conteúdo de podcasts indepen-


dentes e o conteúdo de podcasts produzidos pela grande mídia
acerca do mesmo assunto?

8) Como divulgam o podcast?

9) Como é a receptividade do público? Atingiram as pessoas


que esperavam atingir? O público tem crescido ou diversificado
desde o inicio da produção? Como é o feedback?

10) Participam de redes sociais? Quais? Por quê? Qual a im-


portância delas?

11) Têm interações na vida real? entre os membros da equipe,


com o publico, com outros podcasters...

9
Marca registrada. Produto desenvolvido por Skype Tecnologies S.A.

32
12) Como veem o cenário do podcast brasileiro?

13) O que o Prêmio Podcast 2008 representou?

14) Opinião sobre a PodPesquisa: divulgou? participou?

15) Desde quando ouve podcasts? quantos ouve?

16) Indicação de dois podcasts: um da mesma categoria e ou-


tro de qualquer categoria

17) Muita gente critica o podcast, por exemplo, pelo fato de


não ser (necessariamente) feito por comunicadores. Como você
recebe essas críticas?

2.5 Podcast e processo produtivo do jornalismo

Dentre os diversos aspectos que envolvem a produção de


um podcast, desde idealização até publicação e divulgação,
escolhemos os que pareciam ser coincidentes aos do proces-
so produtivo do jornalismo. Assim, investigamos as caracte-
rísticas necessárias de se conhecer para a elaboração de um
podcast jornalístico.

Inicialmente, o usuário precisa criar o podcast, definindo


tema, forma de tratamento do mesmo, duração, formato, den-
tre outros. Estes fatores dependerão do objetivo do podcas-
ter com seu programa. Traçando o paralelo com o jornalismo,
pode-se entender que nele as definições seriam sobre a área
geográfica de alcance da publicação, a classe social do público
alvo, as editorias do produto, etc - ou seja, o projeto editorial.
De posse deste contorno, passa-se ao preenchimento dos espa-
ços definidos, tarefa que pode ser executada por um ou mais
profissionais/podcasters, em prazo determinado, seguindo
rotina convencionada. No podcast, as diferenças na produção
começam na divisão de tarefas, horizontalizada, uma vez que

33
- de modo geral - a equipe não é composta de profissionais
específicos de nenhuma área. Também a pressão do deadline e
da rotina operam de forma diferenciada.

As entrevistas realizadas ao longo do trabalho, e publicadas


nos episódios do Imediato, buscavam na experiência dos pod-
casters, e em suas considerações, os traços que delineariam o
cenário da podosfera brasileira. No desenho, encontramos ris-
cos trêmulos e fora de lugar, que com paciência e prática são
realinhados para compor a imagem desejada. As dificuldades
e os erros, as tentativas frustradas e bem sucedidas de supe-
rar os obstáculos, como outros detalhes da história, servem de
exemplo do que deve ser evitado e o que pode ser reproduzido.
Ressaltamos: a criatividade e a originalidade continuam sendo
diferencias para qualquer produto - jornalístico ou não -, não
sugerimos aqui a cópia de modelos, mas a observação dos con-
textos que embasam escolhas, de modo a fazer outras próprias
e adaptáveis/adaptadas. Os meandros deste desenvolvimento,
questionados espontaneamente de acordo com a pré-apuração
sobre cada tema e com o desenrolar da conversa no momento
da entrevista, deixam em relevo as especificidades e os traços
comuns entre os podcasts de diferentes categorias.

Há outro aspecto relevante sobre o podcast, no que diz res-


peito ao seu contexto: produto da cibercultura, a micromídia
estudada se cruza com outras produtos hipermídia, como as
redes sociais e os blogs, por exemplo. Mais que isso, o podcast
incorpora essas tecnologias e as re-significa. Por isso, atentamos
muito a estas relações: as corporações de mídia de massa ainda
engatinham na utilização das tecnologias disseminadas entre
o público da internet, e no Brasil parecem sempre um passo
atrás, aderindo apenas ao que se já se provou popular. Assim,
entendemos que os podcasters, integrantes dessa massa de inter-
nautas já acostumada às mudanças de paisagem, tenham muito
a ensinar aos grandes conglomerados, especificamente no que
diz respeito ao podcast. Mais que isso, sendo o podcast também

34
parte das evoluções facilitadas pela rede, ele se desenvolve com
ela, se reinventa a partir dela, abre espaço à criatividade e à ati-
vidade das “pessoas comuns”, de modo que qualquer podcas-
ter tenha muito a agregar - dando ou recebendo - no tocante a
essas inter-relações.

Destacamos aqui o interesse pelo ponto de vista dos produto-


res sobre a cobertura dos produtos massivos acerca dos temas
trabalhados por eles em seus podcasts. O que diferencia um do
outro? No princípio da internet, os textos das mídias impressas
eram transpostos para a rede, até que percebeu a diferença de
linguagem, público, utilização, etc do novo suporte. Da mesma
forma, o podcast também tem especificidades que atraem o pú-
blico, e é interessante conhecer estar particularidades na hora
de lançar um novo programa no ar. Além disso, notamos que a
podosfera, enquanto rede social, é um ambiente altamente cola-
borativo, embora muitas vezes também altamente seccionado,
e levar em conta as opiniões dos podcasters já atuantes é impor-
tante para estabelecer com eles uma boa relação - tanto no caso
de interesses unilaterais, quanto quando o objetivo é de fato a
troca mútua.

Cabe explicarmos, ainda, por que questionamos os entrevis-


tados sobre o que pensavam acerca da PodPesquisa e do Prê-
mio Podcast. O motivo principal desta pergunta está na (auto)
avaliação dos parâmetros adotados pelo Imediato para come-
çar a entender a podosfera, antes de estar de fato dentro dela.
Embora, por exemplo, a PodPesquisa 2009 tenha apresentado
crescimento de aproximadamente 570% em relação ao censo do
ano anterior - saltando de 436 para 2.487 participantes -, talvez
a amostragem não fosse considerada numerosa o bastante, ou
talvez as perguntas não refletissem as reais preocupações dos
produtores de conteúdo da podosfera, ou ainda, quem sabe, as
expectativas tivessem sido superadas, talvez o resultado tivesse
alterado a forma de produção, e assim por diante. Além disso,
conhecer a opinião sobre as ações já realizadas para investigar

35
o podcast também serve de referência para pesquisas futuras
- como a descrita neste relatório -, por mais que os interesses
sejam distintos.

Finalmente, pedimos aos entrevistados que indicassem ou-


tros programas. Considerando a quantidade de podcasters com
quem conversaríamos ao longo da pesquisa, cerca de no máxi-
mo 30 pessoas -, entendemos que o estudo tinha caráter amos-
tral, e que agregar outras referências seria válido. Escolhemos
conversar com os produtores que a podosfera já teria atestado
como bem sucedidos (concedendo-lhes prêmio), assumindo
que a opinião destes podcasters era, também, gabaritada para
indicar podcasts interessantes. As indicações servem, portanto,
aos ouvintes, que podem conhecer outros programas “bons”,
aos podcasters iniciantes, que ampliam suas referências, e de
forma retro-alimentada a esta mesma pesquisa, que amplia o
escopo de referências para as entrevistas subsequentes.

2.6 Fontes, entrevistados e pré-apuração

Descrevemos, anteriormente, quais aspectos e dados foram


usados para definir o projeto editorial do Podcast Imediato,
estruturado, então, como programa de entrevistas. Definimos
que os entrevistados seriam os produtores que chegaram ao pó-
dio do Prêmio Podcast 2008. Mas isso não os tornava a única
fonte de informação da entrevista. De acordo com o estudado
ao longo da graduação em Jornalismo, é necessário coletar da-
dos, repertório para desviar a entrevista de seu foco inicial caso
oportuno, aprofundar um aspecto quando necessário, identifi-
car os tópicos menos e mais relevantes para a seleção do que
será posteriormente publicado.

Para garantir tempo hábil de preparação das entrevistas, de-


finimos os temas abordados e a ordem dos programas. Esco-
lhemos: tecnologia, entretenimento, esportes, negócios, música,
religião, cinema e notícias. Tecnologia por ser o terceiro conte-

36
údo mais escutado (51,03%) e mais proeminente na podosfera
(85,45%), segundo dados da PodPesquisa 2009, além de ter re-
lação direta com o contexto em que nasceu o podcast. Entre-
tenimento por considerarmos a categoria bastante abrangente
- cinema e música poderiam ser aí incluídos, por exemplo - e
pelo entendimento dos que desconhecem a mídia de que qual-
quer programa teria esse fim, já que não é desenvolvido por
profissionais da comunicação. Esportes, como religião, são te-
mas que naturalmente seccionam o público, embora tenhamos
percebido que os ouvintes de podcast são naturalmente direcio-
nados a nichos (mesmo pela especificidade que a micromídia
permite). Música e cinema vêm sofrendo mudanças, no cenário
econômico, com o advento da internet e a possibilidade de com-
partilhamento de arquivos, que inclui pirataria e venda online;
também, do ponto de vista da cultura, são manifestações que
influenciam e são influenciadas fortemente por outras formas
de artes da, na e para a rede. A categoria de negócios, nona mais
escutada (14,23%) e considerada pouco explorada na podosfera
(81,44%), foi selecionada pela sua relação com a economia e, do
ponto de vista da utilização do podcast pelos meios de massa,
por representar a possibilidade de gerar capital com o produto.
Os programas de notícias entraram na lista, além do interesse
jornalístico óbvio, por contrapôr o argumento frequente de que
podcasts de notícia não funcionam por serem datados, e que o
tema seria então inapropriado, uma vez que os episódios ficam
disponíveis na rede para serem escutados muito tempo depois
de sua publicação.

Somando-se aos fatores explicados acima, identificamos nos


temas escolhidos assuntos frequentemente divididos em edito-
rias nos produtos jornalísticos tradicionais: cultura, informáti-
ca, esportes, economia. A ordenação dos assuntos se deu, prin-
cipalmente, de forma a alternar estes “cadernos” percebidos,
e também alternar os programas que lidavam com hardnews e
com fait divers.

37
Com o cronograma em mãos, houve tempo para pré-apuração
das entrevistas. O processo começava com a revisão dos ficha-
mentos da literatura específica, consultada no início de 2009.
Procedíamos, também, à consulta aos principais diretórios de
podcast - já citados -, em busca de dados sobre quantos progra-
mas da categoria em questão existiam e, eventualmente, quais
as subcategorias apresentadas. Nos diretórios, e nas listas de
indicados dos sites dos entrevistados, encontrávamos outros
programas sobre o tema, consultados para observar aspectos
e tentar identificar, bem empírica e superficialmente, possíveis
tendências da categoria, ou possíveis inovações passíveis de in-
vestigação.

Vale lembrar, mais uma vez, que a pesquisa desenvolvida ti-


nha caráter amostral, uma vez que a gama de possibilidades
abertas e exploradas - e por explorar - do podcast enquanto mí-
dia e enquanto linguagem não caberiam em nenhum trabalho
acadêmico único; ainda assim, buscamos levantar pontos que
possam ser futuramente estudados, ainda que cada um isolada-
mente em diferentes investigações.

Além da bibliografia e de programas “aleatórios” incluídos


na categoria de cada programa, procedemos à escuta dos pro-
gramas participantes na data. Além dos dois episódios mais
recentes, ouvíamos também os dois primeiros, em busca da
evolução e de possíveis mudanças na estrutura - a experiência
leva a adaptações, e não percamos de vista que o Imediato tam-
bém é um podcast, enquanto “estrutura” passível de alterações
e incorporações de boas ideias. Olhando os arquivos, também
verificávamos, no caso de programas com site/blog, como era
a publicação dos episódios, que descrições eram (se eram) da-
das, tipo de linguagem, interações com ouvintes, dentre outros.
Também buscando entender melhor a abordagem do programa,
acompanhávamos os twitters dos entrevistados e, quando exis-
tiam, dos programas. Nesta parte, como detalharemos adiante,
obtivemos muitas informações sobre o contexto de produção, a

38
tendência de linguagem e de temas, o grau e o tipo de interati-
vidade com ouvintes e outros membros da podosfera, o tipo de
divulgação, a influência da atividade profissional, etc.

Por último, consultávamos veículos de comunicação de mas-


sa e o que publicavam sobre o tema da entrevista, procurando
observar diferenças e semelhanças de abordagem, linguagem,
seleção de assuntos, frequência, dentre outros. Também obser-
vávamos eventuais novidades sobre a questão, sempre com
vistas a direcionar o pré-roteiro para as especificidades dos
programas em pauta, de modo a identificar mais e melhor os
aspectos investigados.

Cabe destacar que as entrevistas, ou trechos delas, muitas ve-


zes se desviaram do programado no pré-roteiro ou com a pré-
apuração.

2.7 Podcasts de...

Titulamos cada episódio do podcast com o tema abordado,


seguindo o padrão “Podcasts de [nome da categoria]”. Acredi-
tamos que desta forma esclarecemos, de imediato, o assunto da
semana, e reforçamos que o programa não era sobre o tema da
categoria, e sim sobre a produção de podcasts sobre o tema da ca-
tegoria. Ainda assim, na conversa sobre programas de religião,
achamos pertinente explicitar este aspecto, colocando na locu-
ção e no post do episódio a observação de que o assunto não era
religião e sim podcasts de religião.

Sabíamos, de antemão, quem seriam os entrevistados. Nos si-


tes - ou, às vezes, ouvindo os programas -, conseguíamos os con-
tatos da equipe. Em alguns momentos, tivemos o email do pod-
cast, em outros, do portal em que estava hospedado; em alguns
casos, usamos os formulários de contato das páginas; por vezes,
tínhamos o(s) endereço(s) eletrônico(s) do(s) produtor(es), mas
em alguns casos foi preciso tuitar para ele(s) ou para o progra-

39
ma para fazer o convite à entrevista.

Os emails, para não serem confundidos com spam, foram en-


viados do endereço pessoal, em vez de pela conta podcastime-
diato@gmail.com. O texto tinha um padrão, adaptado a cada
entrevistado, ou grupo de entrevistados. Experimentamos es-
crever separadamente para cada programa, e conjuntamente
aos três ou quatro convidados da semana. Na mensagem, iden-
tificávamos o objetivo do Podcast Imediato, sua ligação com o
Trabalho de Conclusão de Curso e a faculdade a que este último
estava vinculado, e a data prevista para a publicação do pro-
grama já editado, bem como os horários de indisponibilidade
de nossa equipe para gravação10. Quando a primeira resposta
com possibilidade de agenda de um convidado chegava, repas-
sávamos a informação para os demais convidados, já buscando
um momento comum ao maior número possível de podcas-
ters. No entanto, destacávamos que a impossibilidade de fazer
a gravação no mesmo momento não inviabilizava a realização
da entrevista, que poderia ser montada com a(s) outra(s), ou
tocada separadamente. Marcados data(s) e o horário(s), enviá-
vamos email confirmando e repassávamos os nome de usuário
no Skype - dos dois apresentadores e do Podcast Imediato.

10
No primeiro contato, tentou-se marcar as conversas para horários em que
ambos os apresentadores pudessem estar presentes. No entando, devido às
agendas de cada e também dos entrevistados, algumas isso não foi possível.

40
3. Dificuldades, superações e aprendizados

Até o momento da execução do primeiro podcast, os aspectos


técnicos da atividade haviam sido razoavelmente deixados de
lado, uma vez que, genericamente falando, “edição de áudio”
é sempre edição de áudio, independente de ser rádio, podcast
ou outra mídia. Durante a graduação, nas disciplinas relaciona-
das ao radiojornalismo, a edição de áudio era prática frequen-
te e dominada. Portanto, a atenção do trabalho até esse ponto
voltou-se inteiramente para outros aspectos - embora não te-
nhamos desprezado as dicas do Metacast ou do Podcasting For
Dummies sobre o assunto.

Mas foi justamente na parte técnica que encontramos barreiras.


Muitas facilmente resolvidas, como realizar conversa com mais de
um interlocutor no Skype. Para as gravações, decidimos utilizar
o programa Tapur, disponível nas versões inglês e japonês, que
grava até 60 minutos de conversa e tem licença livre. O software
tem opção de gravar áudio de entrada e saída, só entrada, ou só
saída. Optamos por gravar, no computador host (que convida as
pessoas à conversa), a entrada e a saída, e no computador ba-
ckup, apenas a entrada, de modo que possíveis problemas na fala
dos apresentadores não prejudicasse as respostas dos entrevista-
dos, afinal os locutores poderiam regravar seu áudio, enquanto
os convidados não poderiam repetir suas posições - ao menos,
não da forma espontânea como o fizeram da primeira vez.

Para equalização do áudio usamos o Audacity, programa de


edição também gratuito e indicado pela maioria dos podcasters
para tal finalidade. Com o arquivo balanceado, passávamos à

41
edição em outro programa - que preferimos não revelar por se
tratar de cópia pirata. Cabe destacar, aqui, que além de ser ilegal
fazer uso de cópia não registrada de um programa com direitos
de propriedade, pode-se considerar ideologicamente incoeren-
te fazê-lo para a edição de um podcast, mídia que, como vere-
mos nas conclusões deste relatório, carrega em si um conceito
implícito de anarquia e libertação das grandes corporações. No
entanto, foi no programa em questão que aprendemos a editar
durante o curso de Jornalismo da UFSC, e não havia tempo há-
bil para reaprendermos todos os recursos de que necessitáva-
mos em um novo programa - no caso, o Audacity.

De fato, até o quarto episódio, não conseguimos separar no


Audacity as duas faixas do áudio stereo gravado no Tapur.
Além de atrasar a edição - o mesmo arquivo era editado uma
vez para as perguntas e outra para as respostas, separadamen-
te -, isso prejudicava a qualidade do áudio, uma vez que não
tínhamos como remover os ruídos em nossa faixa, para deixar
a do entrevistado mais clara. Quem ajudou a resolver essa ques-
tão foi Marco Amaral, do QGNet Podcast, ao ensinar como des-
vincular as duas faixas. A partir daí, pudemos “limpar” as falas
dos convidados, e editar os dois áudios distintamente.

Outra dificuldade, anterior, que prejudicou muito a qualidade


da edição nos primeiros programas, foi a gravação em si. Ou me-
lhor, a não gravação. O Tapur mostrava o marcador de tempo
avançando junto com o a entrevista, mas no momento em que
desligávamos com o entrevistado, o áudio sumia. Na primeira
vez em que isso aconteceu, durante a conversa para o episódio
sobre podcasts de entretenimento, tivemos a sorte de ter o ba-
ckup do mesmo Marco Amaral que nos ajudou mais tarde. Foi
ele quem se ofereceu para gravar outra cópia da conversa, por
garantia, e que nos enviou o áudio para podermos colocar o pro-
grama no ar. A partir desta experiência, passamos a pedir, sem-
pre que possível, que o entrevistado também mantivesse cópia
do arquivo. Em duas outras ocasiões foi esta terceira cópia que

42
usamos na edição do programa, porque as nossas duas estavam
com problemas ou simplesmente não estavam gravadas.

Em um meio de caminho entre gravação e edição, ficamos


desconfortáveis em relação à abertura e ao encerramento do
programa, que nos primeiros episódios eram gravados apenas
na hora da edição, em vez de na hora da entrevista. A princípio,
acabamos deixando apenas uma voz para a abertura, mas no-
tamos que ficava pouco dinâmico. Passamos então a gravar as
vozes dos dois locutores, mas no momento da edição, quando
às vezes já havia passado algum tempo da entrevista, e o tex-
to soava ligeiramente desconexo da conversa que o seguia. Do
quarto episódio em diante passamos a gravar a abertura logo
após a entrevista, de modo que ainda conseguíamos imprimir
continuidade entre o que falávamos no início do programa e o
áudio que entrava na sequência.

Sobre a fala dos locutores, precisamos adaptar a forma de gra-


vação. No episódio de estreia, o texto foi feito de improviso,
e a locução ficou muito rápida. No programa seguinte, a con-
selho da professora Raquel Longhi, experimentamos escrever
o roteiro, como é comum em programas de rádio gravados. O
resultado apresentou melhora expressiva, porém mais no que
diz respeito à coerência - e coesão - das ideias que em relação
à velocidade da fala em si. Também notamos certa rapidez na
perguntas e comentários feitos durante as entrevistas, e procu-
ramos controlar o fato, apesar de esta parte do programa não
ser roteirizada. Tivemos melhoras, mas ainda haveria um cami-
nho a percorrer, nesse sentido.

Por causa da edição, processo que demorou entre 12 e 18 ho-


ras, alguns programas gravados na véspera do lançamento aca-
baram saindo atrasados. Buscamos resolver isso convidando os
entrevistados com mais antecedência, mas nem sempre a agen-
da deles permitia que a gravação fosse feita antes de sexta ou
sábado, para publicação do programa no domingo.

43
Gravar e editar o áudio não foi o único problema técnico que
enfrentamos. Dominar as tecnologias que fazem parte do pod-
cast foi uma dificuldade superada aos poucos, primeiro apren-
dendo a utilizar o iTunes para alterar as informações da ID3tag;
depois o Mevio, para disponibilizar os arquivos na rede e criar
o link para o feed; o feed em si; o player no final do post. Estas,
dentre outras ferramentas, foram sendo conhecidas ao longo
do processo, e entendidas, muitas vezes, com a ajuda de outros
podcasters, fossem entrevistados ou não.

Cabe destacar que, da mesma forma que o Imediato era uma


maneira de externar e experimentar o conhecimento adquirido
durante a pesquisa, achamos válido comentar as dificuldades e
superações no blog, dividindo o aprendizado com os ouvintes.
Assim, criamos um tópico “Dê sua opinião”, no post de apoio do
programa, em que brevemente comentávamos o que tinha dado
certo e o que tinha dado errado na semana de gravação do episó-
dio em questão. Também fizemos alguns posts informando sobre
superações, como o de quando criamos o feed e quando cadastra-
mos o programa em um diretório. Também avisamos sobre a mu-
dança da data de lançamento dos episódio, de sexta-feira, ideia
inicial, para domingo, devido ao tempo disponível para edição.

3.1 Aprendizados

Talvez fosse possível dividir os aprendizados do TCC aqui re-


latado em dois grupos: aprendizado de jornalismo tradicional, e
aprendizado de novas mídias. Isso porque um dos pontos mais
interessantes sobre o trabalho foi a oportunidade de usar os
conhecimentos adquiridos enquanto conhecimento, passível de
adaptar-se a novas circunstâncias, ampliar-se e reconfigurar-se;
e não apenas como conjunto de fórmulas ultrapassadas, especí-
ficas e pouco interativas para exercer determinada atividade.

Antes de mais nada, o Podcast Imediato foi uma desconstru-


ção de hábitos, ideias e formatos. Desconstrução do que pare-

44
cia ser a única forma de fazer jornalismo, desconstrução do que
parecia ser a interatividade no jornalismo, desconstrução até do
conceito de jornalismo.

Na Wikipédia, o verbete Jornalismo é definido como “a ati-


vidade profissional que consiste em lidar com notícias, dados
factuais e divulgação de informações. Também define-se o
Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar
informações sobre eventos atuais. Jornalismo é uma atividade
de Comunicação.”11 Aí percebe-se a primeira desconstrução e o
primeiro aprendizado deste TCC: a comunicação não é privi-
légio exclusivo dos profissionais da mídia, e não pressupõe os
conhecimentos destes para ser bem feita e ética.

Disso, partimos para a o processo produtivo. Note-se que não


desconsideramos, aqui, a formação recebida. Ela foi útil e, de
fato, basilar na execução desde Trabalho. Mas se mostrou um
instrumento a mais para ao exercício profissional, uma facili-
dade na hora de lidar com determinadas situações. Assim, por
exemplo, a pré-apuração foi um processo com o qual não tive-
mos problemas, pois faz parte da rotina profissional que apren-
demos e que vivemos há pelo menos cinco anos. A preparação
da pauta também não apresentou grandes dificuldades, uma
vez que sabíamos de antemão quais aspectos gostaríamos de
abordar. Mas mesmo nestas duas etapas que citamos existem
diferenças entre o que aprendemos dentro na universidade, vol-
tados para o mercado de mídia massiva, e a prática realizada.

Podemos começar falando sobre as fontes de informação, que


não estavam, majoritariamente, nas páginas do jornais, nem es-
tavam nos últimos acontecimentos divulgados pela grande mí-
dia. Na pré-apuração, nossa principal fonte de consulta foram
outros podcasts, foram episódios - antigos e que nada têm de

Disponível online em http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornalismo Acesso em


11

22/11/2009.

45
factual - dos programas em pauta. O formato da informação,
em decorrência disso, também foi diferente, uma vez que esta-
mos habituados a encontrar dados em veículos de mídia escrita,
ou no máximo televisa, mas raramente em áudio - talvez por-
que a rádio é o principal meio que utiliza este suporte, e ela não
costuma guardar arquivos, ou não de forma consultável.

O contato com as fontes representou, também, uma descons-


trução, pois ao contrário do formalismo tradicional das mídias de
massa, no podcast a proximidade é o que marca as relações, tanto
com os ouvintes como com os convidados. Além dos emails, que
permitiam explicações em linguagem mais coloquial, a presença
do Twitter se fez relevante e extremamente útil, como mencio-
naremos mais adiante. Vale comentar, ainda, que a proximidade
com a fonte vai além de simplesmente usar o pronome de trata-
mento “você”, já que a pré-apuração - ou, no caso do mero ou-
vinte, a escuta regular - mostra um pouco sobre a personalidade
dos podcasters, deixa ver aspectos de suas vidas pessoais e pro-
fissionais. Juntando-se a isso o humor presente na maioria dos
programas, a proximidade - sem que represente intimidade ou
invasão - permite brincadeiras, referências externas ao assunto
em pauta, desvios e voltas, dentre outros.

Ainda no que diz respeito às relações interpessoais, a intera-


ção com os ouvintes representou grande crescimento. Primeiro,
porque durante a graduação não nos ensinam como lidar com
o público, como trabalhar com o material oferecido ou avaliar
o feedback - talvez por se considerar que isso não se aprende em
sala de aula. Na prática, tivemos a oportunidade de conviver um
pouco com essas questões, email de sugestão de pauta, eventu-
almente um elogio, etc. Mas jamais de uma forma tão “massiva”
como durante a execução deste TCC. Até mesmo a questão de dar
atenção aos retornos do público. Com o Imediato, pelo menos três
vezes por dia tínhamos a preocupação de visitar a área de comen-
tários do site para ver se havia mensagens para serem liberadas.
Procurávamos dar voz a todas as pessoas que entravam contato,

46
mesmo as que faziam comentários em nossos twitters pessoais
ou em janelas de bate-papo instantâneo. Tomamos o cuidado de
responder todos os emails recebidos, agradecendo os elogios, ex-
plicando os problemas, e elucidando eventuais dúvidas. Também
observamos alguns comentários para identificar tendências de
interesse que pudessem ampliar a pré-pauta, ou mesmo diver-
sificar a conversa em relação a pontos específicos identificados.

Sobre o público, notamos que no podcast ele parece ter um


papel diferente. É como se cada ouvinte pudesse ser isolado
e percebido como um, diferente da grande mídia em que a
audiência é uma massa amorfa. No rádio, como na televisão,
no impresso, o trabalho é feito independente do público alvo,
pressupondo que existe uma audiência receptora. Já no podcast
é preciso conquistar os ouvintes, e a partir daí, dos comentá-
rios, das estatísticas de acesso e download, é necessário ver
esse público, tanto para que haja estímulo na continuação do
trabalho, quanto para balizar a qualidade deste. Finalmente, a
intervenção do ouvinte ajuda a desenvolver um produto que
realmente atinja seu objetivo, repassando as informações mais
relevantes ao público a que se destinam, e gerando a partir
disso uma reação, seja de que tipo for. O processo comunicati-
vo se desenrola de forma mais natural, eficiente e democrática
do que no jornalismo tradicional.

Não podíamos deixar de mencionar a questão da ética profis-


sional. Uma das principais questões levantadas sobre o podcast
é a possível falta de ética advinda da falta de conhecimento do
código da profissão, e também da falta de regulamentação do
produto, passível de ser desenvolvido por qualquer pessoa com
um microfone e uma conexão à internet. De fato, a ética jornalís-
tica parece ser uma das bandeiras dos defensores da obrigato-
riedade do diploma em Jornalismo. No entanto, aprendemos ao
longo deste TCC que a ética profissional do jornalista em muito
se aproxima à ética das outras profissões, uma vez que os entre-
vistados - fossem eles analista de sistemas, dentista, farmacêuti-

47
ca, publicitário ou engenheiro, dentre outros - manifestavam as
mesmas posições em relação a questões éticas que se esperaria
de um profissional da comunicação social.

Mais que isso, embora a afirmação a seguir seja uma opinião,


nota-se uma preocupação maior com a qualidade do conteúdo apre-
sentado, da veracidade e, acima de tudo, da transparência. Carac-
terística atribuída por alguns convidados à liberdade editorial do
podcast, a sinceridade parece ser, justamente, o que confere credi-
bilidade a este produto. Uma exemplo desta observação na prática
são os episódios #03 e #08, em que entrevistas feitas em momentos
separados foram mixadas de forma cruzada, dando a impressão
de terem sido feitas no mesmo instante. No jornalismo tradicional,
a união das sonoras desta forma seria considerada antiética, por
deformar as condições originais de captação do áudio. No entan-
to, resolvemos o problema explicando, na abertura do programa,
que as conversas não haviam sido simultâneas, mas montadas para
que houvesse coerência entre os assuntos. Dessa forma, o ouvinte
não se sente lesado, e o conteúdo continua sendo passado adiante.

3.2 Filipe Speck e Nanni Rios

No processo de elaboração do projeto e de estruturação e exe-


cução deste TCC duas pessoas tiveram participação essencial:
os jornalistas Nanni Rios e Filipe Speck.

Nanni Rios construiu o site do Podcast Imediato, ofereceu


seu servidor para hospedá-lo, cuidou de sua atualização, re-
solveu os problemas surgidos com o provedor. Foi ela quem
levantou a questão da licença Creative Commons12 do site e

12
Segundo a Wikipédia, “Creative Commons (tradução literal:criação comum tam-
bém conhecido pela sigla CC) pode denominar tanto um conjunto de licenças pa-
dronizadas para gestão aberta, livre e compartilhada de conteúdos e informação
(copyleft), quanto a homônima organização sem fins lucrativos norte-americana que
os redigiu e mantém a atualização e discussão a respeito delas.” Disponível onli-
ne em http://pt.wikipedia.org/wiki/Creative_commons Acesso em 22/11/2009.

48
preparou o material para padronizar a identidade visual na
página e no Twitter, além de ajudar a checar o site para libe-
ração de comentários. Também colaborou com referências bi-
bliográficas e ofereceu outros pontos de vista para pensarmos
algumas questões sobre o programa.

Filipe Speck foi ainda mais presente durante o processo.


No primeiro semestre de 2009, enquanto realizava o seu TCC
- uma das referências do presente trabalho -, dividiu ideias,
sugeriu bibliografias, questionou posições teóricas. Algumas
questões aqui levantadas, como o podcast enquanto rede so-
cial, e a opinião dos entrevistados sobre as críticas ao pod-
cast, foram ideias dele. Sua experiência com pesquisa balan-
ceou o foco na prática, enquanto o projeto era desenvolvido,
e durante a execução do trabalho deixou sempre à vista os
conceitos e questionamentos.

Na estruturação do Podcast Imediato, além de sugerir o nome,


Filipe Speck ajudou a pensar a organização - uma categoria por
episódio - e o formato do programa. Neste ponto, quando o vo-
lume de informações abria tantas possibilidades que ficava di-
fícil estruturá-las de forma coerente, a visão de fora, de alguém
que não está soterrado no tema e consegue ainda distinguir as
linhas guia do assunto, foi crucial para identificar os principais
pontos deste projeto e conectá-los.

Como co-apresentador, Filipe Speck contribuiu para o


dinamismo do programa, e ajudou a imprimir o ritmo do
podcast. Além de aprender junto e discutir avanços, falhas e
possibilidades de cada episódio, esteve à disposição nos ho-
rários e dias mais esdrúxulos para alguém que já terminou a
graduação. Durante as entrevistas, desempenhou papel es-
sencial, fazendo perguntas bem sacadas e que ampliavam o
alcance da conversa. O background de sua formação trouxe
outra luz para o programa, que em muitos casos talvez tives-
se ficado preso ao pré-roteiro.

49
Além do jornalista Speck, o amigo Filipe se fez muito presen-
te, contribuindo, em última instância, com apoio emocional. A
amiga Nanni também foi essencial nesta parte.

O Podcast Imediato existiria sem os dois? Com certeza. Mas


com certeza seria completamente diferente do que é. E, particu-
larmente, estou muito satisfeita com o que o programa é, com o
retorno e o reconhecimento que tivemos, com o trabalho desen-
volvido e tudo o que aprendemos. E com a perspectiva de tudo
que ainda vamos aprender.

50
4 Conclusões

Primo (2005:6) destaca que o podcast, assim como o blog,


preenche uma parcela da expectativa de democratização da
comunicação que se tem da rede. De fato, a possibilidade de
dar vez e voz a membros da sociedade e temas que não cos-
tumam figurar nas produções da mídia tradicional foi um
dos atrativos do podcast na escolha do assunto deste TCC. A
interatividade entre ouvinte e podcaster, e entre os ouvintes,
proporciona também a inclusão da audiência tradicionalmen-
te alijada do processo de construção das mídias que consome.
Além disso, a portabilidade do podcast demonstrou seu po-
tencial como nova mídia, em um fim de década marcado pelos
avanços tecnológicos dos equipamentos sem fio - tocadores de
arquivos digitais, celulares, PDAs. Ainda, a forte relação com
redes sociais, e a percepção da podosfera enquanto, ela mes-
ma, uma rede social, foram fatores que colocaram o podcast
como tema vasto para investigação acadêmica. Finalmente, o
potencial informativo da micromídia completou o interesse na
exploração jornalística do tema.

Ao longo dos oito meses decorridos desde a revisão bi-


bliográfica, uma série de perguntas surgiu. A maioria, no
entanto, não teve respostas fechadas ou coincidentes. Ainda
assim, da leitura, observação, entrevista e prática, pudemos
levantar uma série de aspectos sobre a podosfera brasileira
e o processo produtivo do podcast no país. O que citaremos
a seguir deve ser entendido como um conjunto de dados de
caráter amostral, que não fecha a discussão aqui. São apenas

51
a ponta do iceberg, e merecem estudo quantitativo e apro-
fundado. Nosso objetivo era traçar o contorno da podosfera
brasileira a partir destes pontos. Preencher a imagem que
delineamos é um passo seguinte.

As conclusões apresentadas neste trabalho não aparecem em


números ou porcentagens, justamente pelo fato de termos con-
versado com apenas 17 podcasters, representantes de 14 pro-
gramas diferentes. Ressaltamos que as entrevistas foram um
debate, onde o “sim” vinha seguido do “mas”, o “não” acom-
panhava uma ponderação e o “depende” abria a discussão.

4.1 Partindo do zero

Todos os entrevistados afirmaram ter tido a ideia de fazer


podcast após ouvir um programa que consideraram interessan-
te. Entre os que mal conheciam as possibilidades da mídia, os
que passaram a apreciar após um certo tempo, os que foram ou-
vintes muito antes de serem locutores, a vontade de falar sobre
tema que gostavam e/ou que entendiam, e o descompromisso
com retorno financeiro ou fama foram os primeiros fatores a
emergir. A necessidade de comunicar, através de processo di-
vertido para ambas as partes, foi a força motriz do primeiro
passo destes podcasters.

O caráter experimental da mídia é a segunda característica


que surge, já que todos comentaram sobre as diferenças entre
o primeiro programa - se em fins de 2004 ou meio de 2008 - e
os episódios atuais. A experiência, destacam, faz toda a dife-
rença, aprende-se a editar, cria-se repertório de possibilidades.
Mas o formato do podcast é maleável, permite inclusão e ex-
clusão de quadros, permite edições especiais que em nada se
parecem com os programas habituais. Os convidados usaram,
mais de uma vez, frases como “vamos ver como fica”, ou “va-
mos ver no que vai dar”, quando descrevendo a sensação de
fazer o primeiro programa.

52
Apesar de despretensão inicial, os podcasters tinham objeti-
vos, ainda que talvez não muito claros. Entre se divertir ou di-
vertir o outro, ampliar o debate, aumentar a circulação de deter-
minado tipo de informações, experimentar a produção de algo
que é bom consumir, as intenções variavam. A função do pod-
cast não é fixa, nem é exclusiva, não precisa ser necessariamente
informativa, nem humorística, e nada impede que seja as duas,
transmitindo conhecimento de forma divertida. O importante,
destacam, é criar a identidade do programa.

4.2 Formato do programa

No episódio especial #1, Eddie Silva, uma dos pioneiros no


podcast brasileiro, comenta que se pode dividir a história da po-
dosfera verde-amarela em dois momentos: pré e pós-Nerdcast.

Nerdcast é o podcast produzido por Alexandre Ottoni e Dei-


ve Pazos, como parte do conteúdo do Jovem Nerd - vencedor
do prêmio VMB 2009 da MTV como Melhor Blog do ano. Não
houve um único entrevistado que não mencionasse o programa
durante a entrevista, como inspiração, como modelo, como anti-
modelo para se fazer diferente, como sucesso empresarial, en-
fim. Independente de concordar ou não com a opinião de Eddie
Silva, os convidados mencionam que o Nerdcast é o principal
exemplo utilizado pelos iniciantes, que reproduzem o estilo do
programa e, muitas vezes, identificam o podcast de Ottoni e
Pazos como modelo único do produto, depreciando podcasts
diferentes ou apenas inibindo a própria criatividade para variar
o exemplo. Apesar do papel que desempenha na podosfera, no
entanto, o Nerdcast não representa um formato fechado a ser
aplicado por todos os produtores, alertam.

Vejamos algumas possibilidades.

Alguns programas iniciam com trilha de abertura, nome do


podcast e depois apresentação dos locutores; outros têm ape-

53
nas trilha e apresentação; alguns não têm trilha, iniciando di-
retamente com a introdução dos participantes; dentre outras
formas. Apesar de não haver padrão, percebemos que existe
uma abertura, enquanto momento em que se identifica que está
começando o episódio.

Na trilha sonora também notamos diferenças. Alguns pro-


gramas preferem só colocar músicas quando não há locução;
outros, marcam a passagem de blocos, apenas; a maioria, no
entanto, parece manter a música no fundo da voz dos apresen-
tadores. Percebemos - e utilizamos no Imediato - a utilização
da trilha como vírgula sonora, ou seja, subindo-lhe o volume e
usando-a como marcação para a troca de assunto. Embora al-
guns podcasters manifestem que este recurso deve ser usado
para identificar grandes trocas de assunto, no Imediato utiliza-
mos para marcar os diferentes sub-tópicos de que tratávamos.

Cabe destacar que muitos programas usam as músicas dis-


poníveis gratuitamente em sites como o Podsafe Audio, mas é
comum também a utilização de trilha com direito autoral. No
entanto, à parte os entrevistados que confirmaram filiação à
ABPod - a ao convênio desta com ECAD, para que podcasters
possam usar essas canções -, não há como saber se os progra-
mas utilizam esses áudios pagando (ou não) direitos autorais.
A questão, aliás, é controversa, uma vez que muitos produto-
res consideram, apesar do valor diferenciado acordado pelo
ECAD com a ABPod, que a regra não se aplica a podcasts. Não
entraremos neste mérito.

Chama a atenção também o uso de vinhetas no podcasts, mar-


cando às vezes o início dos blocos, às vezes também o seu final.
Os efeitos de distorção de áudio como eco, a slow motion são
recorrentes. Sobre efeitos, é válido notar que muitos programas
usam estes recursos sonoros para marcar momentos específicos,
como piadas sem graça, comentários que um mesmo integran-
te da equipe costuma repetir, ou até referências a determinado

54
assunto - como a “voz” de Darth Vader quando se fala de Star
Wars, por exemplo. Em determinados casos, são reproduzidos
trechos (sonoros) de filmes ou outros materiais em áudio.

Percebemos, na grande maioria dos podcasts, uma sessão


para leitura de comentários e emails, em alguns casos mais cur-
ta e em outros mais longa. Alguns podcasters fazem brincadeiras
com as mensagens recebidas. Notamos também, ainda no tocan-
te à interatividade, que é comum passar os contatos do progra-
ma no início da transmissão, às vezes repetindo o endereço do
site ou do email mais de uma vez. A tática de pedir comentários
também é muito utilizada, e muitas vezes são sugeridos assun-
tos, como “se você também tem uma história sobre isso, conte
pra gente” ou “você concorda ou discorda? mande sua opinião”.

A locução variou muito em termos de estilo, (in)formalidade,


tom e duração. Alguns programas são essencialmente falados,
enquanto outros - principalmente os de música - alternam entre
apresentador e trilha, e em alguns casos quase não há voz. Dife-
rente do que ocorre no rádio, o tema do podcast não determina o
estilo da locução, e assim encontramos programas sobre notícias
e saúde, por exemplo, cheios de risadas, enquanto temos pro-
duções de música com fala mais sóbria e monotônica. De modo
geral, os apresentadores são espontâneos, não leem roteiros, e
usam linguagem coloquial, embora cuidando com a gramática.
Destaca-se, sobre o vocabulário, o uso permitido de gírias e, mui-
tas vezes, de termos chulos. No caso destes últimos, é variada a
opção por censurar ou não tais palavras. Também achamos in-
teressante a mistura de sotaques, muito comum uma vez que a
maior parte dos podcasts com mais de um membro na equipe é
gravada via Skype. Esta técnica permite que pessoas de cidades,
estados e até países diferentes possam criar um programa juntos.

Na questão da equipe, notamos também grande variedade


na podosfera brasileira. Entre apresentadores solitários, aque-
les que são os anfitriões de convidados diferentes, as duplas,

55
os trios, e até mesmo os grupos com mais de cinco integrantes
compõem uma comunidade diversificada e sem padrões. Sobre
o assunto, os podcasters comentam que quanto mais pessoas,
mais difícil é cruzar os horários para a gravação, e que por isso
é preciso escolher parceiros com agendas aproximadas. Tam-
bém destacam, por outro lado, que a multiplicidade de vozes
dá mais dinamismo ao programa. Interessante notar, ainda, do
ponto de vista humano, que apesar das facilidades do Skype, os
podcasters que gravam juntos acabam se encontrando pessoal-
mente em algum(ns) momento(s).

4.3 Crossover e Twitter

Embora alguns entrevistados tenham mencionado a fal-


ta de união da podosfera, e mesmo considerando que estas
pessoas estão há mais tempo na comunidade, tivemos uma
impressão diferente. É fato, sim, que existem grupos dentro
desta “sociedade do podcast”, mas também experienciamos
muito colaboracionismo e muita solidariedade. Talvez a falta
de união a que se referem alguns convidados seja no senti-
do de juntar forças em prol de um objetivo comum, embora
também tenha sido mencionado que os membros deste gran-
de grupo brasileiro têm interesses bastante diferentes. De
qualquer modo, nosso contato com os podcasters foi sempre
muito bom, produtores prestativos, respostas rápidas, dispo-
nibilidade para participar do programa - mesmo os que não
participaram foram gentis.

O Twitter, no contexto de nossa interação com outros pod-


casters, teve papel indispensável. Primeiro, porque facilitou
encontrar podcasters, tanto entrevistados como outros, e ou-
vintes. Pudemos observar como é a interação entre estas pes-
soas, e entre grupos mais próximos dentro da comunidade. A
rede social baseada em 140 caracteres serviu, nesse sentido,
para evidenciar um outro ajuntamento social, uma tribo for-
mada a partir da “identificação entre os indivíduos” (SPECK,

56
2009). A observação do comportamento social de produtores
e audiência contextualiza o processo de desenvolvimento do
podcast. Também delineia as relações estabelecidas no grupo,
as tendências de comportamento e permite antever o que es-
perar dos membros, coletivamente falando.

Do ponto de vista individual, a observação desta comunida-


de no Twitter permitiu a observação de aspectos que puderam,
mais tarde, ser investigados nas entrevistas. Exemplo disso é o
crossover, nome dado à participação de um podcaster no pro-
grama de outro colega. Além de ampliar a divulgação de am-
bos, com o cruzamento de públicos - interessados em ouvir seus
apresentadores, independente do feed em que estejam -, o cros-
sover aproxima os participantes, permite a troca de experiên-
cias e viabiliza momentos de intercâmbio social, independe dos
“compromissos” com o podcast.

Na rede de seguidos e seguidores, atentamos, como já men-


cionado, aos principais assuntos comentados, com quem, em
que circunstâncias. Observamos que a maioria dos entrevista-
dos tem o podcast muito presente em sua vida - pelo menos,
no Twitter -, e se preocupa em dividir com os outros mem-
bros da tribo o que está ouvindo. Nesse sentido do compar-
tilhamento, também observamos uma gama de assuntos que
parecem exclusividade dos tuiteiros, temas que, às veze, são
mencionados nos programas mas não são contextualizados:
assuntos internos, que quem não acompanha a comunidade
não entende completamente.

Voltando-nos aos aspectos práticos em que o Twitter foi rele-


vante para este TCC, já citamos a questão do contato e do re-
lacionamento com outros podcasters. Detalhando este ponto,
cabe observarmos que “contato” aqui não diz respeito apenas
à relação com um indivíduo em si, mas engloba a facilitação
junto a outros produtores. Como exemplo podemos citar emails
e sites obtidos através de “terceiros”, quando pedimos a uma

57
pessoa mais próxima a informação sobre uma mais distante.
Ainda, a velocidade de interação nesta rede foi, de modo geral,
maior do que a acontecida via email.

A característica viral do Twitter, no quesito divulgação, tam-


bém teve forte influência na realização do Imediato. Em um
primeiro momento, dando a conhecer o programa que lançá-
vamos, pois ao criar a conta passamos a seguir uma série de
produtores, que nos seguiram de volta e eventualmente escuta-
ram o podcast, mandando opiniões e sugestões. Depois, o per-
fil serviu como banco de novos episódios e novos programas,
links recebidos de quem acompanhamos, complementando as
referências já mencionadas para ampliar o debate durante as
entrevistas.

A divulgação dos episódios novos do Imediato via Twitter


aumentou o número de ouvintes rapidamente, mais rápido do
que seria o normal antes da utilização desta rede, de acordo
com relatos de podcasters mais antigos. O número de retwe-
ets e menções que tivemos foi variado, mas observamos que
os podcasts mais baixados - na entrega deste relatório, ainda
não temos as estatísticas do especial #2 - são os que foram mais
retuitados, com 14, 7 e 7 menções cada, desconsiderando os RTs
de @deborahsalves. Para se ter ideia do potencial de um tweet:
logo que encerramos a gravação do episódio #06, com a equipe
do Podcast Irmãos.com, tuitamos comentando que a conversa
estava interessante; @irmao_com retuitou a mensagem, por vol-
ta de meio-dia; às 21h, cada episódio do Imediato havia tido em
média mais 20 downloads.

Por último, o Twitter se apresenta como mais um canal de inte-


ração com os ouvintes, uma forma ágil de contato e que permite
não somente conversar com a equipe como também compartilhar
com os seguidores a opinião a respeito do programa. Curioso no-
tar, ainda, que algumas das pessoas que tuitaram para o @pod-
castimediato acabaram, depois, enviando emails para a equipe.

58
4.4 (Outras) redes sociais, divulgação e site

O Twitter, como dissemos, é uma poderosa ferramenta para a


divulgação do podcast, tanto de um programa específico, epi-
sódios novos, eventos relacionados à podosfera, crossovers, etc.
Mas não é a única a contribuir nesta tarefa. Embora os entrevis-
tados concordem que a difusão sofreu certa reconfiguração após
a popularização das mensagens em até 140 caracteres, também
destacam o papel das outras redes sociais - nesse sentido, e na
questão da interatividade.

Orkut e Facebook, por exemplo, trabalham com agrupa-


mentos em comunidades, divididas por categoria e que con-
gregam pessoas com interesses comuns. Estes espaços virtu-
ais são muito úteis à divulgação, pois atingem um público
específico. A criação de comunidades para os podcasts tam-
bém é uma forma de manter os interessados bem informa-
dos, às vezes curiosos - através de teasers13 - e, mais uma vez,
abrir um canal de comunicação entre os ouvintes, e destes
com os produtores.

Também unindo os pontos divulgação e rede social temos os


portais de hospedagem. A maioria oferece, além do espaço para
armazenagem dos arquivos, um perfil onde o podcaster pode
inserir imagem, descrição do podcast, descrição de cada episó-
dio, links externos, dentre outros. Em geral, também existe a ja-
nela de comentários e a opção de enviar email para o produtor,
abrindo, novamente, o espaço interativo.

13
Segundo Wikipédia, “O teaser (em inglês “aquele que provoca” (pro-
vocante), do verbo tease, “provocar”) é uma técnica usada em marketing
para chamar a atenção para uma campanha publicitária, aumentan-
do o interesse de um determinado público alvo a respeito de sua men-
sagem, por intermédio do uso de informação enigmáticas no início da
campanha. A palavra é um dos muitos anglicismos cotidianamente usa-
dos no mundo empresarial dos países lusófonos.” Disponível online
em http://pt.wikipedia.org/wiki/Teaser Acesso em 22/11/2009.

59
Por último, como mencionamos no item 1.2 deste relatório,
temos os sites dos programas. Sejam blogs em servidores gra-
tuitos, como Wordpress ou Blogspot, ou endereços próprios, as
páginas possibilitam, além da comunicação entre os envolvi-
dos no processo, uma nova forma de apresentar e consumir o
produto. Pode-se inserir uma ou mais imagens, disponibilizar
links, descrever o episódio sem limitações de espaço, oferecer
versões do áudio em diferentes formatos e tamanhos, apresen-
tar outras páginas como “contato” ou “quem somos”, disponi-
bilizar barra de links, nuvem de tags, mecanismo de pesquisa
interno, dentre outras ferramentas. Também, nos sites pode-se
apresentar conteúdo distinto do ou complementar ao podcast,
criando o hábito do usuário de visitar a página, ou mesmo no
caso de recebimento por feed, mantendo-se fora da zona de es-
quecimento do público. O suporte texto - e também há a pos-
sibilidade de postar vídeos, próprios ou de canais como o You-
Tube - apresenta-se de forma complementar ao podcast, mesmo
quando o programa em áudio é um dos atrativos da página. En-
tendemos este “complementar” enquanto ferramentas fora do
arquivo distribuído, oportunizando possibilidades que o som,
invisível e imaterial, não pode ofertar.

4.5 Periodicidade, publicidade e perspectivas

Por definição, o podcast é um aquivo digital distribuído perio-


dicamente. No entanto, muitas vezes os programas não saem na
periodicidade prometida, ou muitas vezes sequer prometem pe-
riodicidade. No caso de nossos entrevistados, todos têm frequ-
ência pré-estabelecida, e embora nem todos consigam mantê-la,
destacam sua importância para o podcast. Dois fatores são associa-
dos a isso: a credibilidade do programa e o retorno gerado por ele.

Em relação à credibilidade, os podcasters ressaltam o vínculo


criado entre ouvinte e produtor, onde o primeiro cria o hábito
de ter, no dia determinado, o conteúdo que deseja. Mesmo des-
tacando que quem assina o feed não “perderá tempo” indo à

60
pagina e percebendo que não houve, ainda, a atualização, os en-
trevistados entendem que existe a expectativa de receber o pro-
duto. A atenção à periodicidade confere credibilidade à medida
que demonstra seriedade e, na palavra de alguns convidados,
respeito com a audiência.

Por outro lado, o maior problema levantado em relação à ma-


nutenção da frequência é o trabalho que se tem comparado ao
retorno recebido. E o retorno, aqui, refere-se menos ao feedback do
público e mais à compensação para o podcaster. A participação
dos ouvintes é importante e estimulante, apontam, mas muitas
vezes não é suficiente para compensar as horas dedicadas a gra-
vação e edição. “É um tempo em que você não está com seus
amigos ou sua família”, disseram alguns entrevistados. A maio-
ria ressalta que não faz o podcast esperando retorno financeiro,
e que ao contrário muitas vezes o programa representa um gas-
to, com hospedagem, equipamento, softwares, etc. No entanto, a
monetização do programa é tida como um fator que estimula a
produção e permite que mais tempo seja dedicado a ela.

A questão da publicidade na micromídia é um ponto um tan-


to controverso entre os entrevistados. Diretamente, nenhum se
manifestou contra a presença de propagandas, ainda que alguns
tenham feito a ressalva de que a divulgação de outros produ-
tos precisa ser claramente identificada como paga, sob pena
de comprometer a credibilidade do podcaster. Porém, alguns
mostraram-se desconfortáveis em relação à possível restrição
editorial que a publicidade poderia acarretar, como ocorre com
a mídia de massa, que sobrevive de patrocínio e muitas vezes se
vê respondendo a interesses comerciais antes de corresponder
às expectativas editoriais do produto.

Sobre o tema, a maioria dos entrevistados concorda que há


muito a ser feito, e que no Brasil os profissionais do marke-
ting ainda não têm segurança para apostar nesta mídia. Os
motivos levantados são a falta de número exatos, o desconhe-
cimento do produto, e a dúvida quanto ao retorno do inves-

61
timento. A propaganda na internet, avaliam, vem sendo ba-
seada na quantidade de cliques que o anúncio recebe, mas no
podcast, enquanto áudio, não há onde colocar links - além do
que, muitos ouvintes assinam o feed em vez de visitar a pá-
gina. Pensando no anuncio em áudio, o problema é que não
se pode acompanhar a quantidade de ouvintes do programa.
Primeiro, porque os arquivos continuam disponíveis na rede
e novas pessoas podem ouvir programas gravados há muito
tempo, e em fazê-lo escutar propagandas que há muito foram
pagas. Tem-se, nesse sentido, as estatísticas sobre a quantida-
de de downloads, número que talvez pudesse servir de parâ-
metro. Mas, para os produtores com quem conversamos, esses
dados não refletem o potencial real da mídia, uma vez que o
ouvinte pode, por exemplo, ter problemas com o download e
precisar reiniciá-lo, contando assim como dois acessos quando
na realidade apenas um episódio completo foi baixado. Além
disso, com o arquivo em seu disco rígido, o ouvinte pode re-
distribuir o podcast, seja emprestando seus fones de ouvido a
alguém, ouvindo em caixas de som com um grupo de pessoas
ou repassando por email, dentre outras formas citadas.

O desconhecimento sobre a mídia podcast - o que é, qual o


público, que hábitos de consumo tem - aumenta o receio dos
publicitários e clientes em investir em podcast. Os produtores
avaliam que a especificidade dos assuntos tratados nos progra-
mas cria uma audiência bastante específica, o que, em teoria,
aumenta as chances de atingir o público desejado, em compa-
ração a investimentos feitos na mídia de massa, cujo público é
maior porém mais eclético e disperso. É neste ponto, da infor-
mação de nicho, que alguns entrevistados apostam suas fichas
para o futuro financeiramente rentável do podcast.

À parte a questão da monetização, os convidados percebem o


futuro do podcast com esperança. Atentam para a quantidade
crescente de produtores e ouvintes, destacam que a podosfera
ainda não atingiu seu nível de saturação e que produtos quali-

62
ficados vêm surgindo, além de observar o amadurecimento dos
programas brasileiros. A maioria também chama a atenção para
a diversificação dos temas, ao mesmo tempo em que nota uma
série de programas que acabam. Em algumas avaliação, o cha-
mado podfade (declínio do podcast, em livre tradução) é fruto da
falta de retorno; em outras, a isso se soma a falta de compromis-
so que alguns novos produtores têm; indicam, ainda, o fim de
programas que copiam modelos sem se preocupar em imprimir
marca própria, e desistem quando não têm o mesmo sucesso
que suas inspirações.

Apesar dos aspectos desfavoráveis sobre o atual cenário da


podosfera, a maioria dos podcasters acredita no crescimento e
no amadurecimento do cenário brasileiro. Como principais mo-
tivos para as boas perspectivas estão o potencial do podcast de
dar voz a pessoas e assuntos ignorados pela mídia, as possibi-
lidades de interação da micromídia, a facilidade de consumir o
produto da forma e no momento que for melhor para o cliente,
e a linguagem distinta da da grande mídia, além de experimen-
tal e divertida, sem deixar de ser séria.

4.6 É isso aí, a gente se vê na semana que vem

Com esta frase acabavam os episódios do Podcast Imediato.


E assim acabou, também, o episódio especial #2, encerrando a
série de dez programas que compõe o Trabalho de Conclusão
de Curso aqui relatado. A experiência de produção em áudio
neste formato foi tão interessante e construtiva que decidimos
continuar, abrindo a discussão da comunicação na web 2.0 para
outras questões. Ampliar o debate, trocar ideias, criar uma co-
munidade de pessoas interessadas no assunto e continuar o
aprendizado são os objetivos que mantemos a partir de agora.

Nestas últimas linhas, voltando à primeira pessoa do singu-


lar, gostaria de reiterar os agradecimentos a todos que de algu-
ma forma se envolveram na elaboração e execução deste TCC.

63
A construção coletiva do conhecimento tornou o projeto mais
que uma forma de aprender, transformou-o em pesquisa in-
terativa, tomou rumos inesperados e apresentou um mundo
absolutamente diferente para o (meu) jornalismo. Entender o
jornalismo como forma de comunicação mais ampla que a com-
preendida durante a graduação foi, com certeza, o maior cresci-
mento proporcionado por este TCC.

Estou certa de que mesmo se minhas próximas atividades


profissionais forem em veículos de mídia tradicionais, minha
nova visão sobre interatividade, comprometimento, formalida-
de, diversão e ética dará sempre um viés de novas mídias para
meu trabalho. O retorno recebido de ouvintes, podcasters, ami-
gos e profissionais do jornalismo me deixou satisfeita com os
resultados da pesquisa e da prática.

Espero que o Podcast Imediato, bem como este relatório - lon-


go e detalhado - possam ser úteis a outros pesquisadores, ou-
tros produtores, outros profissionais e outros ouvintes.

64
5 Bibliografia comentada

CEBRIÁN HERREROS, Mariano. La radio em internet. 2003.


O autor analisa o atual formato da rádio, seus elementos e tipo
de programação, e indica as adaptações que o meio precisa para
continuar sendo relevante e influente no contexto atual. Afirma
que a reconfiguração na comunicação com a internet vai além
de uma questão meramente técnica, e precisa ser entendida
como mudança na linguagem e na estrutura da transmissão de
informações via rede. Aborda a produção de conteúdo por usu-
ários não-comunicadores mas especializados em outras áreas
de conhecimento, e aponta a necessidade dos profissionai da
área de entender e se adaptarem ao novo contexto.

CRISELL, Andrew. Understanding Radio. London: Routledge, 1996.


Carcterização da rádio enquanto meio - incluindo outros usos
que não apenas o jornalístico. Abordagem da história da rádio
na Inglaterra, panorama que ajuda na compreensão do desen-
volvimento do veículo em outros países também. Indicado para
entender o formato, o conteúdo e o processo de produção liga-
do à rádio, de forma genérica e basilar.

FAUS BELAU, Ángel. Reinventar la Radio. IN Chasqui - Revista


Latinoamericana de Comunicación, n. 74, 2001.
Relaciona os avanços tecnológicos às novas configurações da
transmissão de informação na rede, e ressalta a necessidade de

65
pensar as novas mídias como novas linguagens, sem querem
impingir àquelas os modelos tradicionais de outros suportes.

HERRERA DAMAS, Susana. Internet y las nuevas formas de


participación de los oyentes en los programas de radio.
IN Comunicação e Sociedade, vol. 9-10, 2006.
Resume algumas características da interatividade na rede, e as
relaciona com o rádio. Considera, também, as novas demandas
da audiência com o surgimento e difusão da internet.

HERSCHMANN, Micael; KISCHINHEVSKY, Marcelo. A “geração podcasting”


e os novos usos do rádio na sociedade do espetáculo e do entretenimento.
IN Revista FAMECOS, n. 37. Porto Alegre: 2008.
Contextualiza o podcast, enquanto exemplo de mídia portátil, na
sociedade do espetáculo, e pondera a relevância efetiva do produ-
to na democratização da informação. No contraste com a mídia de
passa, considera alcance, liberdade editorial e vanguardismo.

KISCHINHEVSKY, Marcelo. Cultura da portabilidade - Novos usos do rádio e


sociabilidades em mídia sonora. IN Observatorio (OBS*) Journal, n. 8. 2009.
Trabalha a questão da sociabilidade na rádio e no podcast, ana-
lisando principalmente a interação entre os consumidores, e
entre esses e os produtores. Também analisa os novos hábitos
de consumo de informação, a partir da noção de portabilidade
facilitada pela evolução tecnológica, e acompanha brevemente
o histórico de transformação até o estado atual.

LAGE, Nilson. A reportagem: teoria e técnica de entrevista e pesquisa


jornalística. Rio de Janeiro: Record, 2006.
_______. Ideologia e técnica da notícia. Florianópolis: Insular, EdUFSC, 2001.
Conceitos básicos sobre jornalismo, aconselháveis a qualquer
trabalho acadêmico na área de Comunicação.

66
LEMOS, André. Podcast. Emissão sonora, futuro do rádio e
cibercultura. IN 404nOtF0und. vol. 1, n. 46, 2005. Salvador: Facom/
UFBA.
Apresenta a noção de liberação do polo emissor e como o con-
ceito se aplica ao podcast. Analisa as mudanças nos atores da
comunicação, e como a internet propicia ou influencia esses
movimentos. Também comenta sobre o modelo do rádio en-
quanto metáfora para o podcast, e afirma que as mídias não são
excludentes, mas complementares.

MEDEIROS, Macello. Transmissão Sonora Digital: Um Estudo de


Caso dos Modelos Radiofônicos e Não Radiofônicos na Comunicação
Contemporânea. Salvador: Programa de Pós-Graduação em
Comunicação e Culturas Contemporâneas, 2007. [Dissertação de
mestrado]
Identifica características da transmissão sonora digital na internet
ou facilitada por ela, e compara mídias como web rádios, rádios
online, rádio digitais, podcasts, dentre outros, a partir dos critérios,
definindo o que é e o que não é feito a partir de um modelo ra-
diofônico. Conclui que o podcast não pode ser considerado uma
forma de rádio, e classifica as transmissões em três categorias.
São elas: modelo “Metáfora”, feito à espelho da programação do
rádio, “Editado da Grade”, quando o produto foi veiculado em
uma rádio e é posteriormente editado e disponibilizado para do-
wnload; e “Registro”, com liberdade de formato e conteúdo e que
não busca asilo nas formas consagradas pelo rádio tradicional.

MENESES, João Paulo. O Consumo activo de novos utilizadores na


internet: ameaças e oportunidades para a rádio musical (digitalizada).
Pontevedra: Programa de Doctorado “Comunicación”/Facultad de
Ciencias Sociales y de la Comunicación, 2008. [Tese de doutorado]
Apresenta as características do rádio, e percebe que o podcast
não contém todas elas, por isso não pode ser considerado rádio.
Traça a história do podcast, relaciona teorias como a de McLuhan

67
(“Xerox makes everybody a publisher”) e de Brecht (comunica-
ção em duas vias, em que todos possam receber e enviar), e co-
menta as novas demandas da audiência. Também analisa as mu-
danças no cenário de consumo de informação e música a partir
da popularização dos tocadores portáteis de áudio, a relação do
mais jovens com a internet e a proliferação de fontes de informa-
ção. Evidencia o caráter dialógico das novas relações na internet
e aponta a necessidade de adaptação por parte do profissionais
da Comunicação. Encerra constatando a necessidade de re-con-
ceitualização do podcast e do rádio diante dos contextos atuais.

PARADA, Marcelo. Rádio: 24 horas de jornalismo. São Paulo: Editora


Panda, 2000.
Características básicas do rádio. Linguagem simples e didática.
Fornece elementos de comparação das transmissões com outras
formas de difusão de conteúdo sonoro.

PRIMO, A. F. T. Para além da emissão sonora: as interações no


podcasting. Intexto. Porto Alegre, n. 13, 2005.
Aplica conceitos da rede no entendimento do podcast enquanto
mídia produzida por usuários e com linguagem própria, que se
difere do rádio, dentre outros motivos, por seu alto grau de inte-
ratividade. Posiciona o podcast enquanto micromídia, conceito de
Thornton (1996) que opõe o tipo de difusão característico das mí-
dias de massa, broadcasting, com produção horizontalizada e o nar-
rowcasting, das mídias de nicho, cuja estrutura se assemelha à dos
grandes meios, embora seu público-alvo seja menos abrangente.

RODERO ANTÓN, Emma. La radio en Internet. Cuarto Congreso de


Periodismo Digital, 2002.
Identifica na não linearidade e nos elementos atemporais fato-
res que alteram a configuração da transmissão de informação
na rede. Indica a necessidade de entender as novas mídias, não

68
apenas batizando-as com nome diferente, mas pesquisando suas
especificidades de linguagem. Acredita que, atualmente, a única
barreira comunicacional é a língua, já que as fonteiras especais
são anuladas na rede mundial. Conclui que a disponibilidade
crescente de conteúdo variado, ao aumentar a concorrência, for-
ça os produtores de conteúdo a apresentar material interativo,
com aprofundamento no conteúdo e cuidado na edição.

VAISBIH, Renato. Ganhos e perdas de uma renovada linguagem


radiofônica jornalística, via podcast. IN Cenários da Comunicação, v. 5.
São Paulo: 2006.
Aborda brevemente o rádio, suas características e possibilida-
des que tem graças à portabilidade que apresenta. Atravessa a
evolução tecnológica do transistor aos tocadores portáteis de
MP3 e, mais recentemente, os celulares e PDAs, para inserir
o podcast num contexto de comunicação móvel e horizontal.
Conclui que o diferencial da micromídia estaria no viés ana-
lítico e/ou opinativo que tem a possibilidade de ter, diferente
das mídias de massa.

Bibliografia completa

ALMEIDA, Rodrigo. A hora e a vez do rádio digital. 2007.


Disponível online em: http://www.itatiaia.com.br/valedoaco/
novidades_novidade.php?nk=427. Acesso em 22/11/2009.
ASSIS, Pablo de; LUIZ, Lucio. O crescimento do podcast:
origem e desenvolvimento de uma mídia da cibercultura. São
Paulo: III Simpósio Nacional ABCiber, 2009. Disponível online
em: http://www.lucioluiz.com.br/downloads/abciber2009_
ocrescimentodopodcast.pdf Acesso em 22/11/2009.
CEBRIÁN HERREROS, Mariano. La radio em internet. 2003.
CHANTLER, Paul; HARRIS, Sim. Radiojornalismo. São Paulo:
Summus, 1998.

69
CRISELL, Andrew. Understanding Radio. London: Routledge, 1996.
CUNHA, Mágda. O tempo do radiojornalismo: a reflexão em
um contexto digital. IN Estudos em Jornalismo e Mídia, n. 1, vol. 1.
Florianópolis: Editora Insular, 2004.
DEL BIANCO, Nélia R. A presença do radiojornalismo na
Internet - Um estudo de caso sobre os sites da Jovem Pan e
da Bandeirantes. IN Estudos em Jornalismo e Mídia, n. 1, vol. 1.
Florianópolis: Editora Insular, 2004.
FAUS BELAU, Ángel. Reinventar la Radio. IN Chasqui - Revista
Latinoamericana de Comunicación, n. 74, 2001. Disponível online
em: http://www.comunica.org/chasqui/faus74.htm. Acesso
em 22/11/2009.
FREE, David Alan. New Radio - a turn-on for young adults and
a turn-off for AM and FM. Disponível em http://list.msu.
edu/cgi-bin/wa?A2=ind0602b&L=aejmc&P=1475 Acesso em
22/11/2009.
HERRERA DAMAS, Susana. Internet y las nuevas formas de
participación de los oyentes en los programas de radio. IN
Comunicação e Sociedade, vol. 9-10, 2006. Disponível em http://
revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/cs_um/article/
view/4750/4464 Acesso em 22/11/2009.
HERSCHMANN, Micael; KISCHINHEVSKY, Marcelo. A
“geração podcasting” e os novos usos do rádio na sociedade
do espetáculo e do entretenimento. IN Revista FAMECOS, n. 37.
Porto Alegre: 2008. Disponível em http://revistaseletronicas.
pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/
viewFile/4806/3610 Acesso em 22/11/2009.
KISCHINHEVSKY, Marcelo. Cultura da portabilidade - Novos
usos do rádio e sociabilidades em mídia sonora. IN Observatorio
(OBS*) Journal, n. 8. 2009. Disponível em http://www.obs.
obercom.pt/index.php/obs/article/view/271/241 Acesso em
22/11/2009.

70
LAGE, Nilson. A reportagem: teoria e técnica de entrevista e
pesquisa jornalística. Rio de Janeiro: Record, 2006.
_______. Ideologia e técnica da notícia. Florianópolis: Insular,
EdUFSC, 2001.
LEMOS, André. Podcast. Emissão sonora, futuro do rádio e
cibercultura. IN 404nOtF0und, vol. 1, n. 46. Salvador: Facom/UFBA,
2005. Disponível em http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/
404nOtF0und/404_46.htm Acesso em 22/11/2009.
MEDEIROS, Macello. Podcasting: Produção Descentralizada de
Conteúdo Sonoro. Rio de Janeiro: Intercom, 2005. Disponível em
http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2005/resumos/
R2021-1.pdf Acesso em 22/11/2009.
_______. Podcasting: Um Antípoda Radiofônico. Brasília:
Intecom, 2006. Disponível em http://intercom.org.br/papers/
nacionais/2006/resumos/R0776-1.pdf Acesso em 22/11/2009.
_______. Transmissão sonora digital: modelos radiofônicos e não
radiofônicos na comunicação contemporânea. Santos: Intercom,
2007. Disponível em http://www.intercom.org.br/papers/
nacionais/2007/resumos/R0773-1.pdf Acesso em 22/11/2009.
_______. Transmissão sonora digital: Um Estudo de Caso dos
Modelos Radiofônicos e Não Radiofônicos na Comunicação
Contemporânea. Salvador: Programa de Pós-Graduação em
Comunicação e Culturas Contemporâneas, 2007. [Dissertação
de mestrado]
MEDITSCH, Eduardo. O Rádio na era da informação - teoria e técnica
do novo radiojornalismo. Florianópolis: Insular, EdUFSC, 2001.
_______. O ensino do radiojornalismo em tempos de internet. Campo
Grande: Intercom, 2001b. Disponível em http://www.intercom.
org.br/papers/nacionais/2001/papers/NP6MEDITSCH.pdf
Acesso em 22/11/2009.
_______ (org.). Teorias do rádio. Florianópolis: Insular, 2005.

71
MENESES, João Paulo. O Consumo activo de novos
utilizadores na internet: ameaças e oportunidades para a rádio
musical (digitalizada). Pontevedra: Programa de Doctorado
“Comunicación”/Facultad de Ciencias Sociales y de la
Comunicación, 2008. [Tese de doutorado]
MOREIRA, Sonia Virgínia. Rádio em transição: tecnologias e leis
nos Estados Unidos e no Brasil. Rio de Janeiro: Mil Palavras, 2002.
PARADA, Marcelo. Rádio: 24 horas de jornalismo. São Paulo:
Editora Panda, 2000.
RODERO ANTÓN, Emma. La radio en Internet. Cuarto Congreso
de Periodismo Digital, 2002. Disponível em http://cuarto.
congresoperiodismo.com/comunicaciones/rodero_comunica.doc
Acesso em 22/11/2009.
SANTAELLA, Lucia. Linguagens líquidas na era da mobilidade.
São Paulo: Paulus, 2007.
SPECK, Filipe. O que você está fazendo? Um estudo da socialidade
no Twitter. Florianópolis: Curso de Jornalismo da Universidade
Federal de Santa Catarina, 2009. [Monografia de graduação]
Disponível em http://www.scribd.com/doc/16759652/O-
QUE-VOCE-ESTA-FAZENDO-Um-estudo-da-socialidade-no-
Twitter Acesso em 22/11/2009.
The Podcast Consumer Revealed. The Arbitron e Edison Internet
and Multimedia Study, Edison Media Research. Disponível em:
http://www.edisonresearch.com/home/archives/2008/04/
the_podcast_con_1.php Acesso em 28/07/2009
VAISBIH, Renato. Ganhos e perdas de uma renovada linguagem
radiofônica jornalística, via podcast. IN Cenários da Comunicação,
vol. 5. São Paulo: 2006.
Entrevistas

AMARAL, Marcos. Entrevista concedida a Déborah Salves.


Novembro de 2009. Entrevista.

72
ASSIS, Pablo de. Entrevista concedida a Déborah Salves e Filipe
Speck. Novembro de 2009. Entrevista.
CASTRO, Fernando. Entrevista concedida a Déborah Salves e
Filipe Speck. Novembro de 2009. Entrevista.
DEGASPARI, Adriana. Entrevista concedida a Déborah Salves.
Novembro de 2009. Entrevista.
DEGASPARI, Paulo. Entrevista concedida a Déborah Salves.
Novembro de 2009. Entrevista.
FRANZIN, Bárbara. Entrevista concedida a Déborah Salves e
Filipe Speck. Outubro de 2009. Entrevista.
KUNZE, Beatriz. Entrevista concedida a Déborah Salves.
Outubro de 2009. Entrevista.
LAURO, Marcos. Entrevista concedida a Déborah Salves e Filipe
Speck. Novembro de 2009. Entrevista.
LEITE, Guilherme. Entrevista concedida a Déborah Salves.
Novembro de 2009. Entrevista.
LIMA, Marco Aurélio. Entrevista concedida a Déborah Salves e
Filipe Speck. Outubro de 2009. Entrevista.
LUZ, Tiago. Entrevista concedida a Déborah Salves e Filipe
Speck. Outubro de 2009. Entrevista.
MAIA, Roberto. Entrevista concedida a Déborah Salves e Filipe
Speck. Novembro de 2009. Entrevista.
MOREIRA, Eduardo. Entrevista concedida a Déborah Salves e
Filipe Speck. Novembro de 2009. Entrevista.
RODRIGUES, Leandro. Entrevista concedida a Déborah Salves
e Filipe Speck. Outubro de 2009. Entrevista.
SALES, Eduardo. Entrevista concedida a Déborah Salves e
Filipe Speck. Novembro de 2009. Entrevista.
SANTOS, Waldir Leonel dos. Entrevista concedida a Déborah
Salves e Filipe Speck. Outubro de 2009. Entrevista.

73
SILVA, Eddie. Entrevista concedida a Déborah Salves. Novembro
de 2009. Entrevista.
SENA, Alexandre. Entrevista concedida a Déborah Salves.
Novembro de 2009. Entrevista.

Podcasts entrevistados

Alexandre Sena - http://alexandresena.jor.br/podcasts/


Eddie Silva News Talk Show - http://eddiesilva.com/?cat=4
Feedback News - http://www.feedbacknews.com.br/tag/podcast/
Café com Velocidade - http://www.velocidade.org/
Gui Leite - http://www.guileite.com/category/podcast/
Irmaos.com - http://www.irmaos.com/
Metacast - http://metacast.info/
Momento Maia - http://maiapodcast.podomatic.com/
Outra Versão - http://outraversao.podomatic.com/
Podsemfio - http://www.garotasemfio.com.br/blog
Portal da Luta Livre - http://www.portaldalutalivre.com/
QGNet - http://www.qgnet.com.br/
SearchCast - http://www.searchcast.com.br/
Urbanação - http://www.urbanacao.com.br/

Outros podcasts sugeridos

ADD - http://www.maestrobilly.com/podcast/
Código Livre - http://codigolivre.net/category/podcast/
Depois das 11 - http://www.depoisdas11.com/blog/

74
Digital Minds - http://www.digitalminds.com.br/podcast
DotCast - http://www.dotgospel.com/dotcast/
Escriba Café - http://www.escribacafe.com/
Fala Freela - http://falafreela.com.br/
Impressões Digitais - http://impressoes.vocepod.com/
Lente Aberta Fotocast - http://lenteaberta.wordpress.com/
Monacast - http://monalisadepijamas.virgula.uol.com.br/
NerdCast - http://jovemnerd.ig.com.br/categoria/nerdcast/
NerdExpress - http://universonerd.com.br/nerdexpress/
Papo de Gordo - http://www.papodegordo.com.br/
Papo de Pregrão - http://www.wintrade.com.br/Site/Analise/
Podcast/default.aspx
PirataCast - http://www.baupirata.com/
Podcasting for Dumies Podcast [em inglês] - http://etips.
dummies.com/rss/podcastingfd.xml
RapaduraCast - http://www.cinemacomrapadura.com.br/
rapaduracast/
School of Podcasting [em inglês] - http://schoolofpodcasting.
com/
Spin-Off - http://feedbacknews.com.br/spinoff/
TragetHD - http://targethd.net/category/podcast/

75
Anexos

I. Estatísticas de acesso de cada episódio

Estatísticas fornecidas pelo site Mevio.com – onde hospe-


damos os episódios do Podcast Imediato. Apresentamos os
dados a cada 5 dias, ou a cada 3 para episódios recentes. A
atualização das medições após a publicação dos episódios
demorava cerca de 48 horas, por isso não apresentamos as
informações sobre o episódio #08 e o especial #2.

Episódio #01 – Podcasts de Tecnologia

77
Episódio #02 – Podcasts de Entretenimento

Episódio #03 – Podcasts de Esportes

78
Episódio #04 – Podcasts de Negócios

Episódio #05 – Podcasts de Música

79
Episódio #06 – Podcasts de Religião

Especial #1 – Dinossauros da Podosfera

80
Episódio #07 – Podcasts de Música

Especial #2 - De professor pra aluno

81
II. Estatística comparada dos três episódios mais baixados

Em 96kbps – alta qualidade

Em 48kbps – baixa qualidade (lo-fi)

82
Podcast Imediato
www.podcastimediato.com.br
podcastimediato@gmail.com
@podcastimediato

Déborah Salves
salves.deborah@gmail.com
@deborasalves

Filipe Speck
filipespeck@gmail.com
@filipespeck

Nanni Rios
nannirios@gmail.com
@nannirios