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Disciplina – Psicologia Jurídica – 1º Semestre-2012 Prof. Dra. SOLANGE APARECIDA SERRANO

ADOLESCENTE EM CONFLITO COM A LEI

A construção do fenômeno “menoridade”: trabalhador precoce, o evadido da escola, a prostituição infanto-juvenil, a mendicância, “o menino de rua”, o institucionalizado, o que comete atos infracionais

O adolescente é perigoso ou está em perigo?

Representações sociais sobre o adolescente com prática de ato infracional

Sob a ótica do delito

Omite o delito e não implica o menino

O que é Adolescência?

Como ela se caracteriza?

O que podemos pensar sobre um adolescente que comete um ato infracional?

• Adolescência: uma construção social

• A adolescência enquanto um período de desenvolvimento, com características próprias é uma construção social. Enquanto construção social a adolescência deve ser vista como uma materialidade histórica.

• Ela seria um tempo de suspensão, como um limite entre a chegada à maturação dos corpos e a autorização de realizar alguns valores. Na nossa sociedade o que é crucial para ser aceito pelo grupo seria: ser desejável e invejável. Ou seja, para o adolescente chegar à felicidade deve se aprender dois campos: as relações amorosas/ sexuais e o poder no campo produtivo, financeiro e social. Essas seriam as qualidades subjetivas a serem alcançadas. (CALLIGARIS, 2000).

• Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA :

Art.103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal.

• -Quem é? Do ponto de vista legal: maior de 12 anos e menor de 18, que comete uma contravenção penal

• -Quem é? Do ponto de vista psicológico: aquele que vive em perigo, como agente e vítima

A análise do discurso desses meninos indica algumas características:

Rua: espaço de vida e formação de identidade;

Relação com a lei e transgressão;

Matar ou morrer se intercambiam com igual valor;

A relação com o fazer é ditada pelo impulso

-Como vive? Em processo de exclusão social

Disciplina – Psicologia Jurídica – 1º Semestre-2012 Prof. Dra. SOLANGE APARECIDA SERRANO

• A sobrevivência do grupo familiar é difícil;

• Normalmente pai ausente (ou presente, mas violento);

• Mãe fora de casa para sustento dos filhos;

• Cças ingressam prematuramente no trabalho;

• Evasão escolar;

• Cças maiores cuidam das menores;

• A falta do mínimo necessário e as tensões manifestam-se em condutas violentas

• Álcool e drogas surgem como aliviadores das tensões;

• Alta idealização da mãe;

• Agrupamentos familiares diversos;

• A rua: passa a ser o seu “lugar”, oferece atrativos e não tem limites

Porque infraciona?

• Grupo mais vulnerável e exposto às práticas de violência e coerção social ;

• A vivência desse menino o leva a um processo de adultização precoce, assumindo papéis sociais de adultos (prover renda);

• O delito os torna “bandidos” e lhes tira a característica fundamental de ser cça ou adolescente

• Importância de se olhar o adolescente como um conjunto de características, como tendo uma história e não como um conjunto de ausências

• O grande desafio da prática junto a eles é a possibilidade de resgatar sua infância e juventude.

A trajetória do adolescente
A trajetória do adolescente
Adolescente Abordagem policial
Adolescente
Abordagem policial
Ministério Público
Ministério Público

Remissão

Representação

Juiz
Juiz

Medida sócio-educativa

Disciplina – Psicologia Jurídica – 1º Semestre-2012 Prof. Dra. SOLANGE APARECIDA SERRANO

As medidas sócio-educativas

Advertência;

Obrigação de reparar o dano;

Prestação de serviços à comunidade;

Liberdade Assistida;

Inserção em regime de semi-liberdade;

Internação

Advertência:

Art. 115. A advertência consistirá em admoestação verbal, que será reduzida a termo e assinada.

O ECA comentado diz que: “o ‘ato de advertir’, contém um componente sancionatório. Ainda quando externada informalmente, toda advertência representa, em última instância, um ato de autoridade”.

Obrigação de reparar o dano:

Art. 116. Em se tratando de ato infracional com reflexos pratimoniais, a autoridade poderá determinar; se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima.

Um exemplo seria quando um adolescente picha o muro de algum patrimônio público como escolas, igrejas, hospitais, etc, ele pode ter que doar as tintas e também pintar os muros.

Prestação de serviços à comunidade

Art. 117. A prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período não excedente há seis meses, junto a entidades assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas comunitários ou governamentais.

Liberdade Assistida:

Durante esse período o adolescente será assistido por uma equipe capacitada que pode ser composta por psicólogo, assistente social, ou pedagogo que irão observar a freqüência desse adolescente na escola, encaminhá-lo para curso, orientar a família, etc. Art. 118. A liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a medida

mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente.

Semi-Liberdade:

artigo 120: “O regime de semiliberdade pode ser determinado desde o início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitando a realização de atividades externas, independente de autorização judicial”.

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Internação:

Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.

Como se lida com o tempo de vida do adolescente nas Instituições?

O voltar à rua

A FEBEM Fundação Casa

A atuação do Profissional junto aos adolescentes

Contato com o adolescente e sua família;

Auxílio na indicação da medida sócio-educativa

Momento privilegiado

As pontuações nesse contato: atuações favorecedoras;

Prevenção

Abordagem com o adolescente

Questões da sua estruturação psíquica;

Relacionamento familiar;

Escolaridade

Trabalho;

Quanto ao delito: tipo, frequência, uso de violência, tóxicos; motivação, atitude posterior;

Projetos de vida

O Profissional precisa empreender uma intervenção mais ampla, caminhar para um encontro mais verdadeiro, com compromisso ético, de modo a facilitar o crescimento pessoal e social daquele jovem

O papel do profissional: ser um facilitador para que o adolescente construa projetos de vida de ruptura com a prática do ato infracional

Falta de políticas públicas

O que é o Sinase?

Sinase é o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo . O Sinase complementa o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e determina diretrizes claras e específicas para a execução das medidas socioeducativas, evitando interpretações equivocadas de artigos do Estatuto.

• O Sistema valoriza as medidas em meio aberto, como a Prestação de Serviços à Comunidade (PSC) e a Liberdade Assistida (LA). As medidas privativas de liberdade (semiliberdade, internação provisória e internação) devem ser usadas em caráter de brevidade e excepcionalidade www.promenino.org.br (texto do SINASE e MSE)