Regiane Dias Bertolini

Metodologia e
Prática do Ensino de
Ciências Sociais

Revisada por Edmilson Nazareno Brito (setembro/2012)

APRESENTAÇÃO
É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Metodologia e Prática
do Ensino de Ciências Sociais, parte integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo que a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apresentação do conteúdo básico da disciplina.
A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidisciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.
Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br,
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bem como acesso a redes de informação e documentação.
Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suplemento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO..................................................................................................................................................... 5
1 HISTÓRICO DO ENSINO DE CIÊNCIAS SOCIAIS..................................................................... 7
1.1 O Ensino da História.........................................................................................................................................................8
1.2 Ensino da Geografia...................................................................................................................................................... 11
1.3 Resumo do Capítulo...................................................................................................................................................... 14
1.4 Atividades Propostas.................................................................................................................................................... 14

2 PARA QUE ENSINAR/APRENDER CIÊNCIAS SOCIAIS?....................................................15
2.1 Resumo do Capítulo...................................................................................................................................................... 17
2.2 Atividades Propostas.................................................................................................................................................... 17

3 O QUE ENSINAR EM HISTÓRIA........................................................................................................19
3.1 O Ensino do Tempo........................................................................................................................................................ 21
3.2 Contexto Étnico-Racial................................................................................................................................................. 23
3.3 Resumo do Capítulo...................................................................................................................................................... 26
3.4 Atividades Propostas.................................................................................................................................................... 26

4 O QUE ENSINAR EM GEOGRAFIA..................................................................................................27
4.1 Resumo do Capítulo...................................................................................................................................................... 29
4.2 Atividades Propostas.................................................................................................................................................... 30

5 COMO ENSINAR? ESCOLHAS METODOLÓGICAS...............................................................31
5.1 Atividades com o Tempo............................................................................................................................................. 33
5.2 Estudos do Meio............................................................................................................................................................. 33
5.3 Análise de Material Didático...................................................................................................................................... 35
5.4 Resumo do Capítulo...................................................................................................................................................... 36
5.5 Atividades Propostas.................................................................................................................................................... 37

6 ORGANIZAÇÃO DE ENSINO...............................................................................................................39
6.1 Resumo do Capítulo...................................................................................................................................................... 40
6.2 Atividades Propostas.................................................................................................................................................... 40

7 PROCESSOS DE AVALIAÇÃO.............................................................................................................41
7.1 Resumo do Capítulo...................................................................................................................................................... 42
7.2 Atividades Propostas.................................................................................................................................................... 42

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS.....................................................................................................................43
RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS...........................................45
REFERÊNCIAS...................................................................................................................................................49

INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), iniciamos mais uma disciplina de Metodologia e Prática de Ensino. Dessa vez, trataremos mais especificamente do ensino das Ciências Sociais, com ênfase nas disciplinas História e Geografia. Fico contente que possamos mais uma vez estar juntos nessa tarefa tão importante de formação.
Entendem-se as Ciências Humanas como o conjunto de disciplinas que têm o ser humano como
objeto de estudo, o homem como principal objeto científico, ideia surgida por volta no século XIX, pois,
anteriormente, tudo que se referia ao humano era estudado pela Filosofia. A partir daí, apareceram, então, as disciplinas conhecidas como humanas, que têm como foco estudar seu objeto empregando conceitos, métodos e técnicas propostas pelas Ciências Naturais. Estas, por terem surgido no período em que
prevalecia a concepção empirista e determinista da ciência, também procuraram tratar o objeto humano
usando os mesmos modelos experimentais de estilo empirista; buscavam leis causais, necessárias e universais para os fenômenos humanos, logo, seus resultados tornavam-se contestáveis e pouco científicos.
Pretendemos, neste módulo, por meio do desenvolvimento da disciplina Metodologia e Prática
do Ensino de Ciências Sociais, discutir as ciências humanas na perspectiva do ensino da História e da
Geografia, resgatando um breve histórico sobre elas no país ou, mesmo, as formas de organizar tais
conhecimentos, abordando-os interdisciplinarmente, percebendo que os conteúdos trazem questões
próprias das vivências humanas e suas interações com a natureza, oportunizando aos envolvidos condições para indagações, elaborações e compreensão dos diferentes elementos do mundo, presentes no
cotidiano, relacionados à diversidade de procedências culturais, lugares e épocas.
A visão integradora das ações humanas e da natureza propõe eixos de estudo que podem organizar o trabalho pedagógico, respeitando as especificidades de cada área de conhecimento e, dessa forma,
articulando os conteúdos, considerando o cotidiano, o tempo e o espaço, o contexto social e a cultura,
visando a relacionar a realidade e os principais conhecimentos dos distintos campos do saber ao mundo
contemporâneo, partindo das vivências dos alunos e relacionando à sua formação cultural, social e científica. Com isso, favorece a “leitura do mundo” por meio da percepção e da análise das próprias condições
de vida e das famílias às quais pertencem, historicamente, seus bens materiais e culturais.
Será um prazer acompanhá-lo(la) ao longo desse trajeto.

Regiane Dias Bertolini

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livretes em que textos científicos e filosóficos na Antiguidade clássica eram raspados das páginas e substituídos por orações e rituais litúrgicos. das decisões e das lutas. as ciências humanas não se reduzem a elas. ƒƒ as Ciências Humanas como instrumento de compreensão de organização social. tudo aquilo que a nós mesmos projetamos como seres humanos. Unisa | Educação a Distância | www. neste capítulo. escrever ou copiar novos textos. tornando ameaçador esse saber. Economia e outras. Eram os chamados palimpsestos. da realidade dos educandos. por intermédio dos mitos. as disciplinas das ciências humanas são inseridas na educação através das disciplinas História e Geografia. O acesso da população ao conhecimento produzido por essas ciências vem sendo negligenciado por razões sociais e históricas. sobre elas. Sendo assim. Tradicionalmente. além disso. Durante muitos anos. das escolhas. veremos um pouco sobre o histórico do ensino de Ciências Sociais no Brasil. já que propicia aos alunos a inquietação e a curiosidade. Sociologia.1 HISTÓRICO DO ENSINO DE CIÊNCIAS SOCIAIS A realidade humana é. ƒƒ a interdisciplinaridade das “Áreas de Estudos” como fator favorável ao trabalho integrado. Multimídia Filme: O nome da rosa Durante a Idade Média. consequentemente. ou seja.unisa. caracterizado por um processo contínuo de “ação-reação-transformação”. Embora essas duas ciências tenham grande importância na formação do educando. tendo por objetivo a integração espaço-temporal do educando.br 7 . tudo aquilo em que ainda não nos tornamos. Os conhecimentos científicos são desmistificadores pela própria natureza e modo de produção. mas também de outras ciências. Política. Schmidt Caro(a) aluno(a). utilizando os conceitos da História e da Geografia como base. como Antropologia. uma das práticas mais comuns nas bibliotecas dos mosteiros era apagar obras antigas escritas em pergaminhos e. de acordo com sua atuação social em consonância ao momento histórico por eles vivido. são destacados três aspectos importantes: ƒƒ as Ciências Humanas como instrumento necessário para a compreensão da História e. a área de estudos denominada “Estudos Sociais” foi considerada disciplina. A. conduzindo-os ao ato da indagação.

A partir da constituição do Estado brasileiro. e considerava-se que aprender História reduzia-se em saber repetir as lições recebidas. Mas. feita apenas para a Unisa | Educação a Distância | www. aluno(a). foram desenvolvidos programas para as escolas elementares. no qual se manteve a História Sagrada. os princípios de moral cristã e de doutrina da religião católica. de tal forma que a história culminava com os “grandes eventos” da “Independência” e da “Constituição do Estado Nacional”.br . perceba que a evolução dessa disciplina está ligada ao desenvolvimento político brasileiro.1 O Ensino da História Neste capítulo. Por volta de 1870.unisa. A ordem dos acontecimentos era articulada pela sucessão de reis e pelas lutas contra os invasores estrangeiros. A História do Brasil foi introduzida no ensino secundário depois de 1855 e. responsáveis pela condução do Brasil ao destino de ser uma “grande nação”. A constituição da História como disciplina escolar autônoma ocorreu apenas 8 em 1837. foram feitas novas reformulações dos currículos das escolas primárias. a escola era elitista. veremos um pouco sobre o ensino da disciplina História no Brasil. os programas curriculares das escolas elementares foram sendo ampliados. Caro(a) aluno(a). as salas de aula eram palcos de uma prática bastante simplificada. a História Sagrada também aparecia como matéria constitutiva do programa das escolas elementares. a transformação do regime político do Império para a República e a retomada dos debates sobre o ensino laico. Desse modo. logo após. preferindo. a gramática da língua nacional. de 1827 – primeira lei sobre a instrução nacional do Império do Brasil – estabelecia que os professores ensinariam a ler. as quatro operações de aritmética [. a fim de eliminar a História Sagrada. proporcionadas à compreensão dos meninos.Regiane Dias Bertolini 1.. com a incorporação das disciplinas Ciências Físicas e História Natural. na maioria das vezes. enquanto a sagrada se utilizava do conhecimento histórico. História do Brasil e História Regional. A História aparecia como disciplina optativa do currículo nos programas das escolas elementares. a História tem sido um conteúdo constante do currículo da escola elementar. a adoção dos preceitos metodológicos das chamadas “lições de coisas” e a inclusão de tópicos sobre História e Geografia Universal.].. Atenção A escola elementar (as primeiras do Brasil) destinava-se a fornecer conhecimentos políticos rudimentares e uma formação moral cristã à população. mais extenso. Os métodos de ensino então aplicados nas aulas de História eram baseados na memorização e na repetição oral dos textos escritos. dentro do programa oficial. a Constituição do Império e História do Brasil. ao lado da História Nacional. em um instrumento de aprender a moral cristã. É importante que você. Os planos de estudos das escolas elementares das províncias que as criaram. Em geral. a história civil o utilizava para pretextos cívicos. como conteúdo integrante de educação moral e religiosa. visando a criar um programa de História Profana. A História a ser ensinada compreendia História Civil articulada à História Sagrada. apostólica romana. como o da catequese. no período Imperial do Brasil. para o ensino da leitura. Tal fato traduzia a atmosfera das discussões sobre o fim da escravidão. O Decreto das Escolas de Primeiras Letras. instituíam “noções de geografia e de história. principalmente a nacional” como disciplinas “permitidas” pelas autoridades e consideradas facultativas ao ensino elementar. priorizando a História Universal no currículo. a escrever. No final dessa década. ensinar História era transmitir os pontos estabelecidos nos livros. isto é.

sendo o Brasil e a América apêndices da civilização ocidental. sob a égide de um nacionalismo patriótico. A escola elementar seria o agente da eliminação do analfabetismo. acentuou-se o fortalecimento do poder central do Estado e do controle sobre o ensino. Nas primeiras décadas do século XX. a partir dessa tríade. índios e negros. com feitos gloriosos de célebres personagens históricos nas lutas pela defesa do território e da unidade nacional. outros apontavam a necessidade da busca do conhecimento da identidade nacional e suas especificidades culturais em Unisa | Educação a Distância | www. demarcando o ritmo do cotidiano escolar. Ao mesmo tempo. no Brasil. cuja missão na escola elementar seria modelar um novo tipo de trabalhador: o cidadão patriótico.br 9 . Nessa perspectiva. refletia-se na educação a influência das propostas do movimento escolanovista. Nos anos imediatos ao pós-guerra. Mesmo assim. a Comuna de Paris e a Abolição. com a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública e a Reforma Francisco Campos. seus conteúdos deveriam enfatizar as tradições de um passado homogêneo. substituindo o governo imperial de Dom Pedro II.unisa. a implantação da República. A partir de 1930. eventos comemorativos. Curiosidade A Proclamação da República. compondo conjuntos harmônicos de convivência dentro de uma sociedade multirracial e sem conflitos. as propostas que apontavam a educação como forma de realizar a transformação do país ganharam força. que propunha a introdução dos chamados Estudos Sociais no currículo escolar. O ensino de História era idêntico em todo o país. A História. formando. O regime republicano. passou a ocupar no currículo um duplo papel: o civilizatório e o patriótico. o tripé da nacionalidade. cada qual colaborando com seu trabalho para a grandeza e riqueza do país. da ausência de preconceitos raciais e étnicos. nas escolas. repensou-se sobre a inclusão do povo brasileiro na História. Enquanto alguns identificavam as razões do atraso econômico do país no predomínio de uma população mestiça. nos quais a História identificava os principais momentos das lutas sociais. como a Revolução Francesa. como as escolas anarquistas. ao mesmo tempo em que efetuaria a moralização do povo e a assimilação dos imigrantes estrangeiros no interior de uma ideologia nacionalista e elitista. com a abolição da escravatura. Durante esse período. merecendo cuidados especiais. logo reprimidas pelo governo republicano. desenvolvendo. então. Com o processo de industrialização e urbanização. tanto na organização curricular quanto na produção dos materiais didáticos. Nos programas e livros didáticos. o período constituiu-se num momento de fortalecimento do debate acerca dos problemas educacionais e surgiram propostas alternativas ao modelo oficial de ensino. mas pouco fizeram para alterar a situação da escola pública. celebrações de culto aos símbolos da pátria. a História passou a ser considerada pela política internacional uma disciplina significativa na formação de uma cidadania para a paz. que deveriam envolver o conjunto da escola. os governos republicanos realizaram sucessivas reformas. pouco foi feito para que a população em geral tivesse uma educação. que apontava a cada segmento o seu lugar no contexto social. inspirado na pedagogia norte-americana. por mestiços. A moral religiosa foi substituída pelo civismo. a busca da racionalização das relações de trabalho e o processo migratório.Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais parcela mais rica da população. especialmente para o ensino elementar. em substituição à História e Geografia. no entanto. A História da Civilização substituiu a História Universal e a História Pátria era entendida como o alicerce da “pedagogia do cidadão”. dando ênfase ao estudo de História Geral. com currículo e métodos próprios de ensino. ao lado da Geografia e da Língua Pátria. a História ensinada incorporou a tese da democracia racial. o povo brasileiro era formado por brancos descendentes de portugueses. e. aconteceu em 15 de novembro de 1989. buscava inserir a nação num espírito cívico. práticas e rituais como festas e desfiles cívicos. No final do século XIX.

sugerindo possibilidades de rever. no ensino fundamental. o país. As transformações da clientela escolar. mesclados por temas de Geografia centrados nos círculos concêntricos. retornou por volta de 1982. a história do mundo não deveria ser ensinada na escola primária.692/71. Saiba mais Podemos definir a Ditadura Militar como o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil. No plano da educação elementar. café e industrialização. 10 A organização das propostas curriculares de Estudos Sociais em círculos concêntricos tinha como pressuposto que os estudos sobre a sociedade deveriam estar vinculados aos estágios de desenvolvimento psicológico do aluno. como meio de assegurar condições de igualdade na integração da sociedade brasileira à civilização ocidental. A temática econômica ganhou espaço na disciplina. sensibilizados por questões ligadas à história social. do campo para as cidades e entre os Estados. por ser considerada distante e abstrata. cultural e do cotidiano. Assim. No processo de democratização dos anos 1980. o ensino de História também se voltou para o espaço americano. Os historiadores voltaram-se para a abordagem de novas problemáticas e temáticas de estudo. A denominação da disciplina Estudos Sociais. o estado. indo sucessivamente ao mais distante – o município. composta de vários grupos sociais que viviam um intenso processo de migração. supressão de direitos constitucionais. esvaziando e diluindo os conteúdos de História e Geografia. Ao final da década de 1970. sob inspiração do nacional-desenvolvimentismo e da presença americana na vida econômica brasileira. os conhecimentos escolares passaram a ser questionados e redefinidos por reformas curriculares. censura. As propostas curriculares passaram a ser influenciadas pelo debate entre as diversas tendências historiográficas. Ao longo das décadas de 1950 e 1960. durante o governo militar. A História era entendida a partir da sucessão linear dos centros econômicos hegemônicos da cana-de-açúcar. ao mesmo tempo em que se assistia a uma expansão dos cursos de pós-graduação em História. a noção de tempo histórico. iniciaram-se as discussões sobre o retorno da História e da Geografia ao currículo escolar a partir das séries iniciais de escolarização. devendo. marcando a penetração da visão norte-americana nos currículos brasileiros. que perdia o caráter do projeto nacionalista cívico e moralizante. partir do concreto ao abstrato. o aluno deveria dominar. com o estudo dos ciclos econômicos. ocorreu a partir da Lei nº 5. em fundamentos dos estudos históricos. reforçando os diálogos entre pesquisadores e docentes. Os conteúdos ordenados hierarquicamente deveriam respeitar a faixa etária do aluno.br . a tendência era substituir História e Geografia por Estudos Sociais. perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar. o Unisa | Educação a Distância | www. por exemplo. Essa época vai de 1964 a 1985. Para compreender a História. Os Estudos Sociais constituíram-se. o mundo. durante o governo militar. iniciava-se o estudo do mais próximo – a comunidade ou o bairro –. em etapas sucessivas. caracterizada por um período de lutas pela especificidade da História e pelo avanço dos Estudos Sociais no currículo escolar.Regiane Dias Bertolini relação aos outros países. pois. com presença significativa de professores de primeiro e segundo graus. cuja produção foi absorvida parcialmente pela expansão editorial na área do ensino de História e da historiografia. com acentuado processo de diferenciação econômica e social. em substituição à História e Geografia. mineração.unisa. ao lado da Educação Moral e Cívica. por isso. identificam-se dois momentos significativos nesse processo: o primeiro ocorreu no contexto da democratização do país com o fim da ditadura Vargas e o segundo. Nesse contexto. Essa visão da disciplina gerou os chamados prerrequisitos de aprendizagem. o que. configurando-se a necessidade da aquisição de noções e de conceitos relacionados às Ciências Humanas. em princípio. de fato. Essa proposta renovava o enfoque da disciplina. Caracterizou-se pela falta de democracia. forçavam mudanças no espaço escolar.

que era marcada pela explicação objetiva e quantitativa da realidade que fundamentava a escola francesa de então. pois tinha como meta abordar as relações do homem com a natureza de forma objetiva. 1. envolvendo a reflexão sobre a atuação do indivíduo em suas relações pessoais com o grupo de convívio. de Boris Fausto (http://www. considera-se o ensino de História.394/96 –.com/ watch?v=Gqn5QRKYK-4). não politizada. neste capítulo. excludentes e violentas. à medida que se conhece outras formas de viver. veremos um pouco do desenvolvimento da disciplina Geografia no Brasil. de caráter científico. Multimídia Assista ao filme Regime militar – a história do Brasil. Para a sociedade brasileira atual. mais recentemente. mas articulada à história da população brasileira.Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais formalismo da abordagem histórica tradicional.639/03 inaugura a possibilidade de desconstrução de um modelo educacional da história. gênero e sexualidade.2 Ensino da Geografia Caro(a) aluno(a). podendo desarticular as formas tradicionais de relações sociais e culturais. Foi essa escola que imprimiu ao pensamento geográfico o mito da ciência asséptica. com forte influência da escola francesa de Vidal de La Blache. suas afetividades e sua participação no coletivo. envolvendo as relações e o compromisso com o conhecimento histórico. com o argumento da neutralidade do discurso científico. uma vez que se vive um extenso processo migratório.unisa. a partir da década de 1940. desestruturando relações historicamente estabelecidas e desagregando valores cujo alcance ainda não se pode avaliar. implica o respeito à diversidade cultural presente nas salas de aula e no cotidiano. através dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). É importante salientar que. a fim de contemplar discussões temáticas mais complexas. Unisa | Educação a Distância | www. fundada no passado comum do seu grupo de convívio. ancorada em práticas eurocêntricas. Dentro dessa perspectiva. Essa aplicação interfere e depende do papel da escola. assim como na disciplina História. a Lei nº 10. Surgem.youtube. pois sinaliza para uma instituição democrática e transformadora. buscando a formulação de leis gerais de interpretação. a perda da identidade tem apresentado situações alarmantes. as diferentes histórias vividas pelas diversas culturas. quando. nasceram com a fundação da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo e do Departamento de Geografia. no Brasil. pois o conhecimento do outro possibilita aumentar o conhecimento de si mesmo. a partir dessa dimensão. Introduziu-se a chamada História Crítica.br 11 . 1997). a exemplo de identidade racial. a disciplina Geografia passou a ser ensinada por professores licenciados. o ensino de História tende a desempenhar um papel mais relevante na formação da cidadania. Boa leitura! As primeiras tendências da Geografia. a questão da identidade tem se tornado um tema de dimensões abrangentes. tempos e espaços diferentes (BRASIL. possibilitando a análise das manipulações dos meios de comunicação de massa e da sociedade de consumo. portanto. Nesse processo migratório. pretendendo desenvolver com os alunos atitudes intelectuais de desmistificação das ideologias. Na proposta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) – Lei nº 9. tratar a identidade racial. desafios para o trabalho histórico que visa à constituição de uma identidade social do estudante.

Era baseada.unisa. Essa nova perspectiva considerava que não bastava explicar o mundo. Num processo quase militante de importantes geógrafos brasileiros. Os procedimentos didáticos adotados promoviam principalmente a descrição e a memorização dos elementos que compõem as paisagens. Pretendia-se ensinar uma Geografia neutra. de forma significativa. considerado o fundador da geografia francesa moderna e da corrente francesa de geografia humana.br . social. Era preciso realizar estudos voltados para a análise das relações mundiais. no qual a descrição e a memorização são pilares para o ensino da geografia. As transformações teóricas e metodológicas dessa Geografia tiveram grande influência na produção científica das últimas décadas. na análise da produção do espaço geográfico. Você pode perceber que. sob influência das teorias marxistas. de forma dissociada do espaço vivido pela sociedade e das relações contraditórias de produção e organização do espaço. o meio técnico e científico passou a exercer forte influência nas pesquisas realizadas no campo da Geografia. Assim. esperar que os alunos estabelecessem relações. surgiu uma tendência crítica à Geografia Tradicional. Junto a Engels. sem. geógrafo francês nascido em Pézenas. difundiu-se a Geografia Marxista. analogias ou generalizações. essa Geografia traduziu-se pelo estudo descritivo das paisagens naturais e humanizadas. Os geógrafos procuraram estudar a sociedade por meio das relações de trabalho e da apropriação humana da natureza para produzir e distribuir os bens necessários às condições materiais que a garantem. o primeiro esboço da teoria revolucionária que. análises essas também de ordem econômica. estudar a relação homem-natureza sem priorizar as relações sociais. Hérault. o Manifesto do Partido Comunista. a Geografia ganhou conteúdos políticos que eram significativos na formação do cidadão. Apesar de valorizar o papel do homem como sujeito histórico. anos mais tarde. em 1848. política e ideológica. de Ernest Lavisse. Curiosidade Teórico do socialismo. para explicá- 12 -la. cujo centro de preocupações passou a ser as relações entre a sociedade. autor de um Atlas générale. do primeiro volume da Histoire de France (1903). Os métodos e as teorias da Geografia Tradicional tornaram-se insuficientes para apreender essa complexidade e. Por outro lado. Em 1867. publicou. No ensino. pois a nova legislação poderia transformar a Geografia e a História em disciplinas inexpressivas no interior do currículo e fragmentar ainda mais os respectivos conhe- Unisa | Educação a Distância | www. mas sempre demonstrou mais interesse pela história e pela filosofia. o ensino de Geografia é influenciado por esse pensamento tradicional. Nos anos 1970. principalmente. propunha-se. do póstumo Tableau de géographie humaine (1921). A partir dos anos 1960. Nesse trabalho. publicou a sua mais famosa obra: O capital. Criticava-se a Geografia Tradicional. o trabalho e a natureza na produção do espaço geográfico. Essa tendência da Geografia e as correntes que dela se desdobraram foram chamadas Geografia Tradicional. além de criador do Possibilismo Geográfico. Karl Marx (18181883) estudou direito nas universidades de Bonn e Berlim. do Estado e das classes sociais dominantes. em estudos empíricos e articulada de forma fragmentada e com forte viés naturalizante. até hoje. propondo-se uma Geografia das lutas sociais. a escola pública de 1º e 2º graus enfrentava problemas.Regiane Dias Bertolini Curiosidade Paul Vidal de La Blache (1845-1918). contudo. Também considerado o expoente máximo da geografia francesa. Marx e Engels apresentaram os fundamentos de um movimento de luta contra o capitalismo e defenderam a construção de uma sociedade sem classe e sem Estado. seria denominada marxista. era preciso transformá-lo.

mas a partir da realidade concreta de sua vida. (OLIVEIRA. por negar ao homem a possibilidade de um conhecimento que passasse pela subjetividade do imaginário. Nessa perspectiva. mas também conhecer e saber utilizar uma forma singular de pensar sobre a realidade: o conhecimento geográfico. Para o ensino. propondo os conhecimentos essenciais sobre os vários campos da geografia física e humana e dos relacionamentos entre o homem e o meio. as Ciências Políticas. O planejamento das atividades curriculares da área de Estudos Sociais estava baseado no modelo: área-núcleo. não se limitando à descrição da realidade concreta ou romper com o idealismo teórico. a busca de explicações mais plurais. 19-20). Enfatizou-se a discussão sobre a metodologia de ensino. estabeleciam-se as programações das demais disciplinas. a Sociologia. conceitos e procedimentos básicos com os quais esse campo do conhecimento opera e constitui suas teorias e explicações. É. a Biologia. os PCNs (BRASIL. possibilitando que nela interfiram de maneira mais consciente e propositiva. p. foi realizado o 1º “Encontro Nacional de Geografia”. o que se almejava era um novo projeto do trabalho pedagógico em resposta à inadequação das metodologias tradicionais. por tachar de idealismo alienante qualquer explicação subjetiva e afetiva da relação da sociedade com a natureza. Uma das características fundamentais da produção acadêmica da Geografia dessa última década é justamente a definição de abordagens que considerem as dimensões subjetivas e. na qual […] o professor deverá romper com o positivismo clássico. o marxismo ortodoxo. portanto. território e paisagem. Nas décadas de 1980 e 1990. porém. pela lei. foram traçados os objetivos da área de Estudos Sociais. em Brasília. Dentro dessa perspectiva. Essas dimensões são socialmente elaboradas – fruto das experiências individuais marcadas pela cultura na qual se encontram inseridas – e resultam em diferentes percepções do espaço geográfico e sua construção. O método dialético é inquietante e agitador. quando o ginásio de quatro anos e o grupo escolar de mais quatro anos passaram a ser acoplados. 1987. essa perspectiva trouxe uma nova forma de se interpretar as categorias de esUnisa | Educação a Distância | www.Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais cimentos. os “Estudos Sociais” para substituir a Geografia e a História. pondo em cheque como será esta realidade no futuro e refletindo sobre qual será o futuro que queremos? Através desse método não se transmite o conceito ao aluno. essencialmente. a partir de então. A partir dele. uma importante produção sobre a geografia no ensino foi colocada à disposição dos professores e dos formadores de professores do país e a década de 1980 destacou-se pela produção de livros didáticos de melhor qualidade. paço geográfico. em uma escola de 1º grau de 8 anos. aos quais historicamente pertencem. entre outros. como a Antropologia. o conceito vai sendo construído. que promovam a interseção da Geografia com outros campos do saber. singulares que os homens em sociedade estabelecem com a natureza. Tanto a Geografia Tradicional quanto a Geografia Marxista ortodoxa negligenciaram a relação do homem e da sociedade com a natureza em sua dimensão sensível de percepção do mundo: o cientificismo positivista da Geografia Tradicional. é preciso que eles adquiram conhecimentos e dominem categorias. houve a chamada “democratização do ensino”. inspirada em modelos americanos. uma série de propostas curriculares. Após vários estudos e avaliações conjuntas. poderão não apenas compreender as relações socioculturais e o funcionamento da natureza. 1997) abordam o ensino de Geografia de forma a poder levar os alunos a compreender de forma mais ampla a realidade. por exemplo. nessa época. Desse modo. como o desenvolvimento à capacidade de compreensão da realidade social e histórica.br 13 . Nas escolas. círculos concêntricos e estudo da comunidade. estruturando. Para tanto.unisa. e influenciou. assim.

o ensino da História valorizava o patriotismo e o espírito cívico? 14 Unisa | Educação a Distância | www. Podemos ver que o ensino de História foi se modificando influenciado pelos momentos políticos em que a sociedade brasileira vivia. Hoje. um pouco do desenvolvimento do ensino da Geografia no Brasil. nos primeiros anos da Proclamação da República.Regiane Dias Bertolini Multimídia Leia a introdução dos Parâmetros Curriculares de Geografia no site do Ministério da Educação (MEC) (http:// portal. Vimos. O ensino de Geografia. Qual a diferença entre a História Sagrada e a História Profana? 3. estudamos um pouco da história do ensino da disciplina História no Brasil.4 Atividades Propostas 1. às escolas republicanas. Você deve ter percebido que a geografia tradicional imprimiu ao pensamento geográfico o mito da ciência asséptica.3 Resumo do Capítulo Neste capítulo. Por que o ensino das Ciências Sociais foi muitas vezes negligenciado pelos governos? 2.mec. às reformas da educação e à promulgação de três LDBs. estudava a sociedade por meio das relações de trabalho e da apropriação humana da natureza para produzir e distribuir os bens necessários às condições materiais que a garantem.br/seb/arquivos/pdf/ geografia. não politizada. Passamos das primeiras escolas imperiais. atualmente.br . a fim de que o aluno possa compreender as relações socioculturais e o funcionamento da natureza.gov. preocupa-se em levar os alunos a compreender de forma mais ampla a realidade e utiliza-se de conhecimentos que ajudem o domínio de categorias. 1. Por que. conceitos e procedimentos básicos de geografia. Já a Geografia Marxista era contrária à tradicional e via a geografia como um meio para a transformação social. contribuindo para a construção de uma sociedade democrática e respeitando a diversidade cultural presente nas salas de aula e no cotidiano. ainda.pdf ). 1. o ensino da História pretende desempenhar um papel mais relevante na formação da cidadania.unisa.

além de exercício de direitos e deveres políticos. integrados aos conhecimentos das ciências naturais. adotando. Atenção Justifica-se o ensino de História para a compreensão da cidadania como participação social e política. Considerando a História e a Geografia no currículo do Ensino Fundamental. utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas. cooperação e repúdio às injustiças. de aproximações sucessivas.2 PARA QUE ENSINAR/APRENDER CIÊNCIAS SOCIAIS? A cidade é o único lugar em que se pode contemplar o mundo com a esperança de produzir um futuro. responsável e construtiva nas diferentes situações sociais. Falando especificamente do ensino da disciplina História. Percebem-se as características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais. A intenção é que o trabalho ocorra de forma integrada. ou seja. pretende-se garantir ao aluno a oportunidade de se apropriar do conhecimento de si mesmo e do grupo social em que está inserido.unisa. através Saiba mais A OIT foi criada pelo Tratado de Versalhes O eixo de trabalho denominado Natureza e Sociedade reúne temas pertinentes ao mundo social e natural. através dos conhecimentos históricos/ geográficos. entender por que é tão importante o ensino da Geografia e da História na escola. Milton Santos Vamos. o respeito ao outro e exigindo para si o mesmo respeito. bem como o chamado eixo Natureza e Sociedade. além de atitudes de solidariedade. agora.br 15 . abordagens e enfoques advindos dos diferentes campos das Ciências Humanas e Naturais. ao longo dos anos de estudo. ao mesmo tempo em que são respeitadas as especialidades das fontes. bem como se posicionando de maneira crítica. como ícones das Ciências Sociais. no dia a dia. tanto na Educação Infantil quanto na Educação de Jovens e Adultos. compreendendo que a ação humana não deve ser separada de seu contexto social ou natural e que a cultura entendida como atribuição de valores às coisas que nos cercam somente pode ser interpretada pelos códigos dos grupos que a produzem. civis e sociais. articulando-o de acordo com seus objetivos e na sua relação com o saber histórico. Pretendemos que você entenda que os conceitos que estruturam essas disciplinas são fundamentais para a formação de uma cidadania plena e consciente no aluno. materiais e culturais como meios para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e Unisa | Educação a Distância | www. considera-se que o saber histórico escolar reelabora o conhecimento produzido no campo das pesquisas dos historiadores e especialistas do campo das Ciências Humanas.

procurando entender que ambas – sociedade e natureza – constituem a base material ou física sobre a qual o espaço geográfico é construído. O conceito de natureza deve ser compreendido tanto como o de primeira natureza – os elementos biofísicos de uma paisagem – quanto o de segunda natureza – a natureza transformada pelo trabalho humano. A territorialidade e a temporalidade dos fenômenos estudados devem ser abordadas de forma mais aprofundada. dessa forma. de modo que os alunos possam construir compreensões novas e mais complexas a seu respeito. então. e posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais. mas também culturais. de classe social. o estudo da paisagem local não deve se restringir à mera constatação e descrição dos fenômenos que a constituem. no lugar no qual se encontram inseridos. afetivamente ligado. podendo-se conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro. de modo cada vez 16 mais abrangente. O ensino de Geografia deve intensificar ainda mais a compreensão. na qual se pensa sobre o ambiente não somente em seus aspectos naturais.Regiane Dias Bertolini o sentimento de pertinência ao país. constantemente em transformação. a capacidade de análise crítica. comparando-as. utilizando para isso o pensamento lógico. precisa reconhecer-se e sentir-se membro participante. responsável e comprometido historicamente. questionar a realidade. desde as primeiras etapas da escolaridade. compreendendo a relação sociedade-natureza. eles desenvolvam a capacidade de identificar e refletir sobre diferentes aspectos da realidade. este objetiva concluir que a cidadania é também o sentimento de pertencer a uma realidade na qual a relação entre a sociedade e a natureza forma um todo integrado. o espaço vivido pelos alunos deve ser o objeto de estudo ao longo dos anos: o espaço vivido pode não ser o real imediato. pois os alunos já podem construir compreensões e explicações mais complexas sobre as relações que existem entre aquilo que acontece no dia a dia. de crenças. o estudo da sociedade e da natureza deve ser realizado de forma conjunta. selecionando procedimentos e verificando sua adequação. compreendendo-as. e o que acontece em outros lugares do mundo. políticas e ambientais relevantes na atualidade. Considerando o ensino de Geografia. de sexo. O ensino visa a favorecer também a compreensão de que ele próprio é parte integrante do ambiente e também agente ativo e passivo das transformações das paisagens terrestres. O aluno faz parte desse todo integrado e. portanto. a intuição.br . também. situando-as em diferentes escalas espaciais e temporais. bem como das noções de especialidade e territorialidade intrínsecas a esse processo.unisa. por parte dos alunos. a aprendizagem no campo da Geografia busca orientar o trabalho pedagógico para que o aluno adquira consciência espacial e capacidade de desenvolver raciocínios espaciais. Podendo-se. formulando problemas e tratando de resolvê-los. É importante. A Unisa | Educação a Distância | www. buscando as relações entre a sociedade e a natureza que aí se encontram. econômicas. Por fim. A paisagem local. por exemplo – podem ser abordados a fim de promover um estudo mais amplo de questões sociais. A compreensão de como a realidade local relaciona-se com o contexto global é um trabalho que deve ser desenvolvido durante toda a escolaridade. de etnia ou outras características individuais e sociais. Espera-se que. O próprio processo de globalização pelo qual o mundo de hoje passa demanda uma compreensão maior das relações de interdependência que existem entre os lugares. dos processos envolvidos na construção do espaço geográfico. sobre os quais são capazes de pensar. conferindo-lhes significados. contribuindo para a formação de uma consciência conservacionista e ambiental. Além disso. principalmente. pois são muitos e variados os lugares com os quais os alunos têm contato e. econômicos e políticos. buscar práticas pedagógicas que permitam apresentar os diferentes aspectos de um mesmo fenômeno em diferentes momentos da escolaridade. Para tanto. bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações. a criatividade. Os problemas socioambientais e econômicos – como a degradação dos ecossistemas e o crescimento das disparidades na distribuição da riqueza entre países e grupos sociais.

O que pretende o chamado ensino do eixo Natureza e Sociedade? Unisa | Educação a Distância | www.com/watch?v=lgmTfPzLl4E). Multimídia Assista ao vídeo A história das coisas. os vínculos espaciais. Aponte duas razões de se ensinar história na escola? 2. que mostra as íntimas relações entre a sociedade e a natureza (http://www. Também chamamos a atenção para o ensino do eixo natureza e sociedade.br 17 .Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais compreensão de diferentes territorialidades. vimos a importância do ensino das disciplinas História e Geografia para o desenvolvimento da identidade dos alunos e o entendimento da formação do povo brasileiro.2 Atividades Propostas 1. a abordagem interdisciplinar das disciplinas história. pois é impossível dissociar o homem do seu meio natural. geografia e ciências naturais se torna necessária. a construção de sua cidadania.1 Resumo do Capítulo Neste capítulo. a mobilidade social. assim. a produção da paisagem. para que o aluno possa ter uma visão global e não fragmentada da realidade. a formação de grupos sociais e sua interação com processos da natureza são articulados a uma base conceitual da Geografia que dá sustentação para a interpretação do mundo vivido. 2. propiciando. youtube. 2. da Educação Infantil e da Educação de Jovens e Adultos.unisa. Nas séries iniciais do ensino fundamental.

cada uma delas rica em elementos simbólicos. de caráter material ou mental. de sujeito histórico e de tempo histórico.639. daremos algumas dicas e proporemos algumas leituras que podem auxiliar você a responder a essas perguntas. instituiu a obrigatoriedade do ensino da História da África e dos africanos no currículo escolar do ensino fundamental e médio. Essa decisão resgata historicamente a contribuição dos negros na construção e formação da sociedade brasileira. como também sobre a história das nações africanas. que destaquem mudanças ou permanências ocorridas na vida coletiva. de janeiro de 2003. às festas cívicas e às ações de heróis nacionais. em produtos artesanais. Podem ser eventos que pertencem ao passado mais próximo ou distante. O mesmo pode ser dito sobre o conhecimento de outras culturas e tantas outras etnias. lutar contras discriminações e dar às crianças de famílias afrodescendentes muitos motivos para se orgulhar de sua origem. artísticos e técnicos. tenham acesso às informações fundamentais para a construção de conhecimentos sobre a história da cultura humana: a vida cotidiana dos homens em sociedade. nosso cotidiano e em outros contextos poderão servir para combater preconceitos. É importante que as crianças. Um exemplo disso é a cultura africana trazida para o Brasil pelos escravos e outros migrantes. jornais e revistas. formas de desenho. aprender sobre esses aspectos e observar suas manifestações em Curiosidade A Lei nº 10. vídeo etc. podem aprender que. dependendo das escolhas didáticas. Aprendendo que há múltiplas culturas feitas pelos homens. Com certeza. como no caso dos estudos da Idade Média. se busca não só conhecer mais sobre as manifestações dessa cultura em seus múltiplos e diversos aspectos. durante os anos que passam nos espaços de educação.br 19 . ritos religiosos. relatos de testemunhas. Assim. como em ciências naturais. Uma boa forma de ajudar os alunos a aprender sobre a história dos homens pode ser pesquisar modos de viver de personagens de um tempo passado. Assim. técnicas de produção. as formas como os homens vêm se organizando em espaços políticos e econômicos para viver e como os homens vêm contando sua história. Hoje. atos de governantes. do Egito ou dos índios no período colonial brasileiro. de outra civilização.3 O QUE ENSINAR EM HISTÓRIA Agora. de modo amplo. fontes de diferentes tipos: livros. O ensino de História compreende. fatos esses apresentados de modo isolado do contexto histórico em que viveram os personagens e dos movimentos de que participaram. obras de literatura. podem constituir fatos históricos as ações realizadas pelos homens e pelas coletividades e que envolvem diferentes níveis da vida em sociedade: criações artísticas. os fatos históricos podem ser entendidos como aqueles relacionados aos eventos políticos. a delimitação de três conceitos fundamentais: o de fato histórico. cinema. comportamentos de crianças Unisa | Educação a Distância | www. por exemplo. utilizando. ou podem ser entendidos como ações humanas significativas. televisão.unisa. muitos povos foram dominados por outros e suas culturas foram praticamente destruídas ou desvalorizadas. na história. escolhidas para análises de determinados momentos históricos. você deve estar se perguntando: por onde eu começo? O que ensinar em história? Calma! Neste capítulo.

20 no podem desenvolver noções de diferença e de semelhança. a duração de uma guerra. de meses e séculos). vamos fazer um pequeno resumo. repercutindo uma compreensão dos acontecimentos como pontuais. fato histórico e tempo histórico são conceitos que se repetem no ensino dessa disciplina. os fatos históricos (datas o eventos acontecidos) e o tempo histórico (como era o momento dos acontecimentos). que são aqueles que perduram por mais tempo. É a duração de um Atenção Antes de continuarmos. Nesse momento.Regiane Dias Bertolini ou mulheres. envelhecimento) e do tempo psicológico interno dos indivíduos (ideia de sucessão. Os diferentes conceitos de fato histórico. O tempo histórico pode ser dimensionado diferentemente. a permanência de um regime político. é bom pensar sobre os sujeitos históricos (aqueles que fizeram a ação). pois são considerados estruturantes. O tempo do acontecimento breve é aquele que representa a duração de um fato de dimensão breve. seja qual for o assunto a ser discutido. e há acontecimentos estruturais. pela intuição. O tempo pode ser apreendido a partir de vivências pessoais. como no caso do tempo biológico (crescimento. Tanto professor quanto aluAtenção Olá. sendo líderes de lutas para transformações (ou permanências) mais amplas ou de situações mais cotidianas. em que pouco se percebe a dimensão das ações coletivas. no tempo e no espaço. que são aqueles de tempo curto. de continuidade e de permanência. por sua vez. é preciso distinguir que existem acontecimentos breves. outros são conjunturais. podem ser identificados três tempos: o tempo do acontecimento breve. A História pode ser estudada. podemos continuar. Os ritmos da duração possibilitam identificar a velocidade com que as mudanças ocorrem. Os sujeitos históricos podem ser entendidos. A transposição dos métodos de pesquisa da História para o ensino de História propicia situações pedagógicas privilegiadas para o desenvolvimento de capacidades intelectuais autônomas do estudante na leitura de obras humanas. independências políticas de povos. de mudança) ou como no caso do tempo cronológico e astronômico (sucessão de dias e noites. Assim. a independência política de um país. sendo eles indivíduos. aluno(a). No ensino de história. o início ou o fim de uma guerra. Agora sim. como os agentes de ação social. correspondendo a um momento preciso. O tempo da conjuntura é aquele que se prolonga e pode ser apreendido durante uma vida.unisa. que se tornam significativos para estudos históricos escolhidos com fins didáticos.br . como. que são os que se prolongam por várias gerações até que sejam modificados. Unisa | Educação a Distância | www. considerado em toda a sua complexidade. os efeitos de uma epidemia ou a validade de uma lei. Pode ser um nascimento. do presente e do passado. grupos ou classes sociais. sujeito histórico e tempo histórico refletem distintas concepções de História e de como ela é estruturada e constituída. O conceito de tempo histórico pode estar limitado ao estudo do tempo cronológico (calendários e datas). pois as mudanças que ocorrem na sua extensão são quase imperceptíveis nas vivências contemporâneas das pessoas. para a constituição de sua identidade social. por exemplo. das lutas por mudanças ou do poder exercido por grupos sociais em favor das permanências nos costumes ou nas divisões do trabalho. a exposição de uma coleção artística. O tempo da estrutura é aquele que parece imutável. de ações isoladas e de vontades individuais de poderosos. até aqui vimos que sujeito histórico. o período de uma crise econômica. a assinatura de um acordo. o desenrolar de um movimento cultural. uma greve. marcado por uma data. o da conjuntura e o da estrutura. a fundação de uma cidade. assim. como sendo dependente do destino de poucos homens.

Conforme sugerem os PCNs (BRASIL. então. por exemplo. Para os estudiosos que se dedicam a entendê-lo. são construções que podem variar de uma cultura para outra. não deve existir uma preocupação especial do professor em ensinar. Utilizam-se. é importante que as crianças conheçam o calendário utilizado por sua cultura. que todas concordem. No estudo da História. mas trabalhar atividades didáticas que envolvam essas diferentes perspectivas de tempo. As datações utilizadas pela cultura ocidental cristã (o calendário gregoriano) são apenas uma possibilidade de referência para a localização dos acontecimentos em relação uns aos outros. são irreversíveis no tempo. podemos discriminar outros aspectos importantes e próprios da área em questão escolhendo temas de estudos a serem trabalhados. ao longo de uma variedade de estudos e acesso a conhecimentos pelos alunos durante sua escolaridade. As diversas concepções de tempo são produtos culturais que só são compreendidos. Assim. Da mesma forma. Unisa | Educação a Distância | www. de hábitos religiosos e de mentalidades que perduram. econômicos e políticos vigentes. mudanças e permanências nos hábitos e costumes de sociedades estudadas.pdf ). mês e ano). em todas as suas complexidades. nos quais os conceitos a seguir estarão inseridos. 1997). Multimídia Leia a introdução dos Parâmetros Curriculares de História no site do MEC (http://portal. que o homem chegou à Lua no ano de 1969. existe uma série de abrangências que são consideradas. O Tempo Cronológico No estudo da História. como as de que os acontecimentos são diferentes entre si.gov. Dependendo do ponto de vista de quem o concebe. por meio de calendários. uma conceituação ou outra. relacionar um acontecimento com outros acontecimentos de tempos distintos. calendários para possibilitar que diferentes pessoas possam compartilhar de uma mesma referência de localização dos acontecimentos no tempo. que mantêm relações com os padrões culturais.1 O Ensino do Tempo O tempo é um dos conceitos mais complexos de entendimento. para que possam compartilhar as mesmas referências que localizam os acontecimentos no presente. considera-se que o que existiu teve um lugar e um momento.Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais regime de trabalho. identificar os ritmos de ordenação temporal das atividades das pessoas e dos grupos. é preciso considerar que as ideias a ele associadas.br 21 . Nesse sentido. no passado e no futuro. por receberem datações (dia. relacionadas às possibilidades de contornos que ele assume.mec. 3. então. tratando-o como um elemento que possibilita organizar os acontecimentos históricos no presente e no passado: estudar medições de tempo e calendários de diferentes culturas. formalmente. a partir de predominâncias de ritmos de tempo. que as marcações e ordenações do tempo.br/seb/ arquivos/pdf/historia. tanto no campo da realidade natural e física quanto nas criações culturais humanas.unisa. ou seja. como a escravidão. permitindo que se diga a ordem em que aconteceram. é preciso considerar. o uso de moedas nos sistemas de trocas ou as convivências sociais em organizações como as cidades. distinguir periodicidades. o tempo pode abarcar concepções múltiplas. sociais.

do ponto de vista de suas durações. é encontrado também em outras atividades sociais.unisa. diferentes dimensões de tempo. São essas mudanças que orientam a criação de periodizações. também. Ritmos de Tempo É outro fator a ser contemplado na dimensão do tempo. a dimensão do tempo como duração. no seu trabalho. e pode-se trabalhar esse mesmo acontecimento em relação à sua inserção em uma estrutura histórica maior. quando foi interrompido. nos estudos realizados. mas deve existir a intencionalidade didática de escolher temas de estudos que abarquem acontecimentos que possam ser dimensionados em diferentes durações. as ações individuais e sociais. pensarem. é possível criar situações pedagógicas que permitam revelar as dimensões históricas dos acontecimentos passados e presentes. por exemplo. também. De um modo geral. ou seja. as conceituações de tempo histórico. quando as mudanças foram ocorrendo aos poucos ou. que distinguem os períodos Colonial. Saiba mais Permanência e mudanças. que predomina como ritmo de organização da vida coletiva. que podem ser explicados em seus limites restritos na sua relação com alguns outros acontecimentos próximos de seu tempo. como o de curta. que começam e terminam com mudanças nesse modo de viver. por exemplo. Unisa | Educação a Distância | www. a partir da identificação de mudanças e de permanências no modo de vida das sociedades. das rotinas escolares. trabalharem e se organizarem politicamente. o ritmo de vida que orienta suas atividades está mais relacionado aos ciclos naturais. pela marcação mecânica das horas de um relógio. o ritmo de tempo é orientado. Pode-se escolher trabalhar. O estudo dos acontecimentos. as clássicas divisões da História do Brasil. auxilia a identificar a continuidade ou a descontinuidade da vida coletiva. Na produção de uma fábrica. um “tempo de natureza”. No caso. Imperial e República. pode-se dividir o tempo histórico em períodos que englobem um modo particular e específico de os homens viverem. Nesse caso. permite valorizar. é possível falar que os camponeses vivenciam. por exemplo. também. como. tendo-se como referência. A divisão da História em períodos. Não deve existir a preocupação em ensinar formalmente aos alunos os ritmos de tempo que predominam em uma ou em outra sociedade histórica. Não deve existir a preocupação em ensinar. com acontecimentos singulares. em que os operários ganham pelas horas de trabalho. procurando distinguir a sua relação com inúmeros outros acontecimentos de muitos outros tempos. cotidianamente. ainda. pode-se compreender e tentar explicar quando e como um modelo de viver e de pensar sofreu grandes transformações. como é o caso.br . principalmente. com base nas mudanças e nas permanências. formalmente. mas em estabelecer comparações. quando permaneceu por longos períodos sem qualquer mudança. que dependem da época do ano para plantar e colher. o tipo de regime político vigente em diferentes épocas. Nesse sentido. por outro lado. ordenando e sequenciando. expondo suas complexidades e sua presença emaranhada na realidade e na História. Esse ritmo de tempo. sobre a predominância de um ou outro ritmo nas atividades das pessoas e dos grupos sociais. dependendo das referências de estudo sobre uma dada sociedade. em história. que pode ser chamado “tempo da fábrica”. média ou longa duração. extrapolando o tempo 22 presente e revelando aspectos sociais e econômicos que perduram por décadas ou por séculos. são termos utilizados para definir períodos em que a estrutura da sociedade permanece inalterada (permanência) e períodos de transformações (mudanças). das rotinas de trabalho dos camponeses. por exemplo.Regiane Dias Bertolini O Tempo da Duração Considera-se.

de acordo com os climas. “instituiu a discriminação racial como prática de crime inafiançável e imprescritível. na perspectiva de quem se encontra na Terra – o Sol e a Lua –. o art.2 Contexto Étnico-Racial1 A diretriz pedagógica do contexto étnico-racial consiste em permitir que as diversas culturas que formam o homem sejam o eixo central do processo educacional. 27. 3. levantando questões para que os profissionais da Baseado em http://www. como meio ambiente. em seu art.br/reunioes/29ra/trabalhos/trabalho/GT21-2372--Int.” (BRASIL. A Constituição Federal de 1988.org. 1988). de forma não excludente. A LDB (Lei nº 9. para determinar as unidades de tempo: dia. nos termos da lei” (BRASIL. alguns conteúdos colocando em pauta as discussões das questões relativas à diversidade cultural e à pluralidade étnica. deu origem ao conceito de ano.Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais Curiosidade Todos os calendários se baseiam nos movimentos aparentes dos dois astros mais brilhantes da abóbada celeste. considerando os homens livres e iguais. mês e ano. O dia. Distrito Federal e municípios. que variavam de duas a seis. Unisa | Educação a Distância | www. torna-se essencial na ação educativa o reconhecimento das diferenças. sexualidade e pluralidade cultural.anped. A observação da periodicidade das fases lunares gerou a ideia de mês e a repetição alternada das estações. 1 No que se refere especificamente à Educação. da Constituição Federal atual destaca que os conteúdos curriculares da Educação Básica devem observar “a difusão de valores fundamentais no interesse social. pois o perceber e revelar a própria cultura se faz pelo ato de conhecer e compreender o mundo e sobre o mundo.394/96). 1988). As indicações expressas nos PCNs para se trabalhar nas escolas trazem à tona o debate sobre temas que afligem a sociedade atual. aliadas à exclusão social.unisa. sujeito à pena de reclusão. em colaboração com estados.br 23 . uma vez que o homem se faz pela afirmação de sua cultura. aos direitos e deveres dos cidadãos de respeito ao bem comum e a ordem democrática. estabelece. Dessa forma. estabelecido em função das necessidades da agricultura. práticas pedagógicas discriminatórias. 5º. é o elemento mais antigo e fundamental do calendário.pdf. inciso I. impedem muitos brasileiros de viver plenamente sua cidadania. cuja noção nasceu do contraste entre a luz solar e a escuridão da noite. que pretende gerir o modelo educacional brasileiro.

1997).mec. que altera a LDB “para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura afro-brasileira”. independentemente de seu grupo social. em relação aqueles que historicamente foram alvos de injustiças. como pode ser observado pelo fragmento a seguir: A aplicação e o aperfeiçoamento da legislação são decisivos. de todas as origens étnico-raciais. livre e fraterna. Torna-se. mas os conteúdos da área de história privilegiam os aspectos ligados à imagem da África e de outras etnias que compõem a formação do povo brasileiro. voltada para o aprimoramento e a consolidação de liberdades e direitos fundamentais da pessoa humana. novos vínculos. que se manifestam no cotidiano. o processo há de tratar do campo social.unisa. Para enfrentar esses desafios. valorizando a importância do compromisso político-pedagógico do planejamento educacional/escolar nesse sentido. A publicação da Lei nº 10. voltados para a formação de novos comportamentos. em grande parte. entre outras coisas. Multimídia Leia as Orientações e ações para a educação das relações étnico-raciais (http:// portal. que não contempla. são apresentadas formas de propor novas metodologias para o ensino de estudos étnicos.br . Os direitos culturais e a criminalização da discriminação atendem aspectos referentes à proteção de pessoas e grupos pertencentes às minorias étnicas e culturais. assim como o são o reconhecimento e a valorização da história. de como alterar a forma de trabalhar o modelo monocultural de ensino e de como elaborar e propor procedimentos de ensino-aprendizagem. a escola deve contribuir para que princípios constitucionais de igualdade sejam viabilizados.pdf ). ações de oportunidades de sucesso escolar para todos os alunos. mediante ações em que a escola trabalhe com questões da diversidade cultural.Regiane Dias Bertolini educação possam se subsidiar e lidar com menos preconceito sobre esses assuntos. porém insuficientes. Todo educador tem o desafio de lidar com questões como a diversidade cultural em sala de aula.br/dmdocuments/orientacoes_etnicoraciais. Sendo assim. valorizando a importância da diversidade étnica e cultural na configuração dos modos de viver de cada um e de todos. a cultura e as experiências da maioria da clientela das escolas.gov. imprescindível trabalhar a formação docente na perspectiva do exercício da cidadania. há a necessidade de adotar medidas que possibilitem o desenvolvimento do senso crítico do educador e a reelaboração do seu saber eurocêntrico. sem dúvida. por meio do trabalho com conteúdos que oportunizem aos alunos atuar em uma sociedade multicultural. político e de gênero. de 9 de janeiro de 2003. étnico-racial. religioso. propondo uma postura laica das escolas referente ao estabelecimento pleno de uma educação democrática. Entende-se que essa temática pode e deve ser trabalhada no contexto de todas as disciplinas. o currículo é um texto racial (SILVA. pois todas as crianças brasilei- 24 ras. cultura e identidade dos descendentes de africanos e outras etnias. desempenho escolar e diversidade cultural.639. viabiliza a implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-raciais e para o ensino de História e cultura afro-brasileira e africana e traz em seus apontamentos referências de que as condições materiais das escolas e de formação de professores são indispensáveis para uma educação de qualidade.pdf ). têm direito ao conhecimento da beleza. Para contribuir nesse processo de superação da discriminação e de construção de uma sociedade justa. No que se refere ao campo curricular acerca da imagem do negro.cuments/orientacoes_etnicoraciais. indicando a necessidade de se conhecer e considerar a cultura dos diversos grupos étnicos. assim. Os negros foram transformados em mercadorias e bens. pois. Unisa | Educação a Distância | www. então. 2001). para todos. reformulando os currículos e os ambientes escolares e articulando cultura e identidade. a história. criando. (BRASIL. De acordo com essas diretrizes. esta sempre foi moldada pela instituição do escravismo no Brasil e pelo colonialismo português. riqueza e dignidade das culturas.

do coletivo. repararmos uma lacuna na história do Brasil e na história da educação brasileira. os conteúdos são considerados realmente significativos quando relacionados ao contexto sociocultural dos alunos. assim. já que as experiências cotidianas não são atos isolados em áreas afins. A educação brasileira. retrata como era a vida no Quilombo de Palmares numa época cercada de dificuldades devido ao enfrentamento da opressão portuguesa. Filmado em 1984. O patrimônio africano e afro-brasileiro ou afrodescendente precisa sair da subalternidade. pode considerar os valores afro-brasileiros uma forte influência para a construção de uma escola dialógica.unisa. natureza. a horizontalização de saberes. identidade do aluno. A luta dos quilombos era pela dignidade da liberdade e igualdade contra o sistema europeu que impunha a escravidão para milhares de africanos sequestrados para trabalharem nas plantações de cana-de-açúcar. da solidariedade e da ética. para a construção de sujeitos reflexivos e críticos. o conhecimento de todas as manifestações e representações culturais que compõem a cultura brasileira e não permitindo que cada sujeito se reconheça enquanto produtor de sua própria história e cultura. assim. possibilitando aos educandos o conhecimento e a utilização de todas as formas da linguagem e permitindo. Assim. para. cultura e conhecimento. indiscutivelmente. Multimídia Assista ao filme Zumbi dos Palmares. potencializadora da vida. propiciando o domínio do conhecimento sistematizado. O trabalho pautado nas pedagogias de matriz africana apresenta grande possibilidade de trabalho dos conteúdos e saberes alicerçados nesse patrimônio da humanidade. para que possamos integrar um único corpo.br 25 . a educação para essa modalidade de ensino deve se comprometer com o resgate da Dessa forma. Unisa | Educação a Distância | www.Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais Considerando professores e alunos produtores de cultura. ensinar e aprender os conteúdos escolares devem estar conjugados ao aprender a pensar e a utilizar novas ferramentas como possibilidade do aprender a ser. por meio de pedagogias de matriz africana. mas são ações integradas e sempre articuladas.

Pretende-se.Regiane Dias Bertolini 3. de janeiro de 2003? 26 Unisa | Educação a Distância | www. O tempo cronológico pode ser medido de várias formas. que o estudo relacione o presente ao passado.4 Atividades Propostas 1. podemos exemplificar pensando no período de permanência do Império no Brasil. atualmente não se utiliza o estudo linear da história. Faça um pequeno resumo de sujeito histórico.3 Resumo do Capítulo Nesta parte. hoje. No ensino de história.unisa. já o tempo de duração mede a permanência ou mudança que ocorre na história dos povos. Como alterar o ensino monocultural nas Escolas? 4. pois depende do referencial cultural. O que diz a Lei nº 10. iniciar o estudo do mais antigo para o mais recente.br . Qual a diferença entre tempo cronológico e tempo de duração? 3.639. 3. estudamos a questão do tempo e vimos que sua contagem pode ser feita de acordo com a necessidade e assunto em estudo. isto é. 2. por isso depende da soma de diversos fatores para determinar sua duração. fato histórico e tempo histórico.

Além disso. nem sempre harmônica. O As experiências do cotidiano podem oferecer território. apesar de uma convivência comum. da diversidade de tendências. reciprocamente. é importante explorar.4 O QUE ENSINAR EM GEOGRAFIA terrestre. definindo e redefinindo aquilo formulado nos estudos biológicos do final do sécu. Portanto. por vezes. É reconhecer que. Atenção O conhecimento geográfico tem características e importância sociais. é o trabalho social que qualifica o espaço. ligada à formação econômica e social de uma dos elementos físicos e biológicos que se aí encon. Nesse sentido.que poderia ser chamado uma identidade naciolo XVIII. Esperamos que você possa identificar quais os conceitos estruturantes dessa disciplina. múltiplas identidades coexistem e.cionados à organização da sociedade e suas interateúdos fundamentais da Geografia. Foi por meio dos estudos comportamentais que Augusto Comte incorporou o conceito de território aos estudos geográficos. A divisão da Geografia em campos de conhecimento da sociedade e da natureza tem propiciado um aprofundamento temático de seus objetos de estudo. as categorias conceituais de conceito político que serve como ponto de partida tempo e espaço. Território não é apenas a configuração política de um Estado-Nação. bem como as de relações sociais para explicar muitos fenômenos geográficos relade trabalho e cultura. se influenciam O conceito de território foi.pertinência ao território nacional envolve a comto. Depois de vermos o que podemos ensinar em história. de uma espécie. representa aos alunos a oportunidade de identificar diferentes uma parcela do espaço identificada pela posse e aspectos das relações sociais que se estabelecem. para animais e plantas. mas sim o espaço construído pela formação social. vamos agora fazer o mesmo com a geografia. dominada por uma comunidade ou por um Estao que lhes propicia condições de construir a visão do. é necessário que os alunos compreendam que os limites territoriais são variáveis e dependem do fenômeno geográfico considerado. além do estudo ção. compreender o que é território implica também compreender a complexidade da convivência em um mesmo espaço.nação. ele é a área da vida nal. originalmente. território.br 27 . como categoria fundamental para as explicações geográficas. de espaço geográfico. onde ela desempenha todas as No caso específico do Brasil. Para estudar essa categoria. pois a Geografia estuda as relações entre o processo histórico que regula a formação das sociedades humanas e o funcionamento da natureza. as quais abrangem os con. tais como: as ções com as paisagens. o território é o preensão da diversidade de culturas que aqui condomínio que eles têm sobre porções da superfície Unisa | Educação a Distância | www. por meio da leitura do espaço geográfico e da paisagem. Na geopolítica. ou área controlada por um Estado Nacional: é um de modo integrado. o sentimento de suas funções vitais ao longo do seu desenvolvimen. sistemas de pensamento e tradições de diferentes povos e etnias. o território é o espaço nacional da realidade. ideias. Nesse sentido.unisa. Nessa definição inicial. importante quando se estuda a sua conceitualizaaté mesmo. lugar. crenças. para as sociedades humanas. paisagem e. O território é uma categoria categorias de nação. gerando o território. tram.

O lugar é onde estão as referências pessoais portanto. A categoria território possui uma relação bastante estreita com a de paisagem. e o registro das tensões. O conceito de espaço geográfico é historicamente produzido pelo homem enquanto organiza econômica e socialmente sua sociedade. permaneceu ou foi transformado. tão explorada pela mídia. Pela imagem. as percepções. uma combinação de espaços geográficos. espaço geográfico deva ser o objeto central de esA análise da paisagem deve focar as dinâ. A categoria paisagem. assim como a forma que os fenômenos que constituem as paisagens se relacionam com a vida que as anima. atualmente. entre os processos sociais e os físicos e biológicos. assim.br . Nessa perspectiva. buscam o reconhecimento que se espera que eles desenvolvam. distinto daquele utilizado pelo senso comum ou por outros campos do conhecimento. dade. situado para além e através da perspectiva econômica e política. as vivências e vê a rua. deve considerar o espaço topológico – o espaço vivido e o percebido – e o espaço produzido economicamente algumas das noções de espaço entre as tantas que povoam o discurso da Geografia. é uma instituição. tendo em vista suas característidessas dinâmicas requer movimentos constantes cas cognitivas e afetivas. dela fazem parte seu relevo. É algo criado pelos homens. tem um caráter específico para a Geografia. de existir e de perceber os diferentes espaços geográficos. da paisagem uma soma de tempos desiguais. É definida como uma unidade visível. paço geográfico. daquilo que lhes é próprio. A preocupação básica é abranger os modos de produzir. território e lugar demicas de suas transformações e não a descrição e vem também ser abordadas na educação infantil e o estudo de um mundo estático. paisagem. o conjunto de construções humanas. isto é. mais do nunca. Nesse contexto. estado ou país. ao momento da es. que imprime seus valores no processo de construção de seu espaço. a janela de onde se do espaço geográfico.unisa. A categoria paisagem. inseridos em contextos particulares ou gerais. elementos importantes na constituição e o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e constituir a paisagem e o esdo saber geográfico. Pertencer a um território e à sua paisagem significa fazer deles o seu lugar de vida e estabelecer uma identidade com eles. Pode até mesmo ser considerada o conjunto de paisagens contido pelos limites políticos e administrativos de uma cidade. caracterizada por fatores de ordem social. um homem social e cultural.tudo. a orientação dos rios e córregos da região. está relacionada à categoria lugar. porém. a categoria lugar traduz os espaços com os quais as pessoas têm vínculos mais afetivos e subjetivos que racionais e objetivos: uma praça As representações de imagens do mundo e onde se brinca desde menino. é preciso observar. sobre os quais se implantaram suas vias expressas. rias da Geografia mais adequadas para os alunos em relação à sua faixa etária. A percepção espacial de cada indivíduo ou sociedade é também marcada por laços afetivos e referências socioculturais. A paisagem é o velho no novo e o novo no velho! Quando se fala da paisagem de uma cidade. os elementos do passado e do presente que nela convivem e podem ser compreendidos mediante a análise do processo de produção/organização do espaço. contendo espaços e tempos distintos: o passado e o presente. a distribuição da população que nela vive. É importante considerar quais são as categoAlém disso. Embora o de suas especificidades. isto é. estão associados à colaridade em que se encontram e às capacidades força da imagem.território e lugar. sucessos e fracassos da história dos indivíduos e grupos que nela se encontram. as categorias paisagem. o alto de uma colina de onde se avista a cia memória dos indivíduos e dos grupos sociais são. espaço geográfico. o estudo de uma totalidade. numa determinada paisagem. Para tanto. buscar explicações para aquilo que. da paisagem como síntese de múltiplos espaços e tempos. É nela que estão expressas as marcas da história de uma sociedade. 28 Unisa | Educação a Distância | www. a mídia traz à tona valores a serem incorAssim. fazendo. A compreensão nos ciclos iniciais. que possui uma identidade visual. a historicidade enfoca o homem como sujeito construtor do espaço geográfico. assim. cultural e natural.Regiane Dias Bertolini vivem e.

que a paisagem é um pedaço do espaço. tais como: o declínio dos Estados-Nações. a desterritorialidade e outros temas que recuperam a importância do saber geográfico. analisamos os conceitos estruturantes da geografia: o espaço geográfico. as novas políticas econômicas. em meio ao processo de globalização e massificação. identificada como a ciência que busca decodificar as imagens presentes no cotidiano. contendo espaços e tempos distintos: o passado e o presente. a Geografia contribui para que se compreenda como se estabelecem as relações locais com as universais. por meio da paisagem. Nessa abrangência. sobrepondo as percepções e interpretações subjetivas e/ou singulares por outras padronizadas e pretensamente universais. cultural e natural. lugar.1 Resumo do Capítulo Neste capítulo. do geógrafo Milton Santos.br 29 . para serem entendidas. paisagem e território. Atenção A Geografia estaria. a formação de blocos comerciais. Várias podem ser as definições dessas categorias da geografia. No mundo atual. então. de reproduzir o cotidiano por meio da imagem massificante repetida pelo bombardeamento publicitário. como o contexto 4. necessitam de um conhecimento geográfico bem estruturado. que possui uma identidade visual. Multimídia Leia o capítulo de introdução do livro Por uma outra globalização. Podemos falar que o espaço geográfico é aquele que a humanidade modificou em sua história. as contradições em que se vive. o mundo convive com novos conflitos e tensões. o meio técnico-científico informacional adquiriu um papel fundamental e. e que o lugar é o espaço com o qual as pessoas têm vínculos mais afetivos e subjetivos que racionais e objetivos. caracterizada por fatores de ordem social. Unisa | Educação a Distância | www. impressas e expressas nas paisagens e em suas representações. que a paisagem é o velho no novo e o novo no velho. toma para si a tarefa de impor e inculcar um modelo de mundo. Há uma multiplicidade de questões que. confundindo no imaginário aquela que é real e a que se deseja como ideal.Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais porados e posturas a serem adotadas. até onde podemos ver. mais próximo contém e está contido em um contexto mais amplo e quais as possibilidades e implicações que essas dimensões possuem. definida como uma unidade visível. numa reflexão direta e imediata sobre o espaço geográfico e o lugar.unisa. que o território é o espaço ocupado por uma comunidade ou por uma nação. sendo identificado como espaço de posse de um determinado povo. Retrata.

Como podemos definir o conceito geográfico de território? 2. características presentes nas crianças.br . podem contribuir para o seu desenvolvimento social? 4. Como os espaços escolares de convivência social podem colaborar para que a criança construa a sua identidade? 5.2 Atividades Propostas 1.Regiane Dias Bertolini 4. Quais aspectos são importantes no conceito geográfico de lugar? 3. Relembre: algumas dessas atividades já foram trabalhadas com você no seu tempo de aluno(a)? 30 Unisa | Educação a Distância | www. Como a curiosidade e a observação.unisa.

Nesse contexto. A curiosidade e a observação são características presentes nas crianças desde a mais tenra idade. A partir de sua interação com objetos. Da mesma forma. mais elas poderão pensar e elaborar ideias sobre eles. Dessa forma. quando ele é confrontado com explicações historicamente elaboradas sobre uma enorme quantidade de fenômenos naturais e uma variedade igualmente grande de fatos sociais. as crianças manipulam objetos e experimentam ações na busca de explicações de seu funcionamento. ou de outras crianças. o professor deixa de e relacionar diferentes aspectos da natureza e da ser um informante dos conhecimentos científicos.br 31 . sobre fatos. elabora noções em que se misturam à fantasia algumas tentativas de formulação lógica. Depois de falarmos tanto sobre o que ensinar em Geografia e História. correspondências. Se tais ambientes propiciam o contato da criança com diferentes fatos e a desafiam a pensar sobre o que ela observa. as plantas. apreendidas em sua interação cotidiana com diferentes parceiros. a tecnologia. é muito importante que o professor escute o que elas perguntam e conversam e proOs espaços de convivência social nos quais cure entender os significados que elas constroem. de modo geral.5 COMO ENSINAR? ESCOLHAS METODOLÓGICAS Caro(a) aluno(a). Através delas e dos questionamentos que fazem aos adultos próximos.unisa. vão construindo observações e teorias que. pretendemos dar algumas dicas para a sua sala de aula. implicações etc. Para conhecer e poder ajudar as crianças nessa construção. na interação com as situações e com parceiros experientes que as façam refletir. Nesse sentido. No intuito de apreender o contexto em que estão inseridas. Quanto mais oportunidades as crianças tiverem para falar e ouvir opiniões de adultos. buscam entender o “como” e o porquê das coisas e dos fenômenos da natureza e da sociedade em que vivem. neste capítulo. eles influenciam a apropriação que ela faz de saberes e representações do mundo que a cerca. o comportamento humano e outros aspectos da cultura. por mais elementares que sejam. as escolas. as crianças vão ressignificando suas hipóteses e se apropriando do conhecimento científico. e passa a ser um investigador do que informações veiculadas através dos meios de co. A maneira como o aluno explica os elementos de seu mundo demonstra a variedade e riqueza de inquietações e interpretações que ele produz. as crianças buscam entender e compreender o mundo que as cerca. tanto o físico quanto o social. na medida em que interpreta suas hiUnisa | Educação a Distância | www. vamos agora pensar como podemos realizar esse ensino. que situações didáticas podem ser interessantes aos nossos alunos. Dessa forma. um transmissor de conteúdos para que as crianças mediada pelo convívio com outras pessoas. por aprendam. Vivendo em um meio repleto de produtos da ciência e da tecnologia. envolvendo relações. supõem muito mais que um simples registro perceptivo. se forem criadas condições para tal. cultura. esse aluno se relaciona com adultos e com outras as relações que estabelecem e as comparações crianças criam oportunidades para ele construir que fazem. fenômenos e situações sociais observados. as crianças buscam estabelecer a relação do que já conhecem com os fragmentos de conhecimento que ainda não possuem.pensam elas. são importantes ambientes em que as crianças podem elaborar ideias acerca do mundo. transformando em conhecimento suas curiosidades sobre os animais. municação e por imagens que capta visualmente.

Os procedimentos de pesquisa devem ser ensinados pelo professor à medida que favoreçam a ampliação do conhecimento e das capacidades dos alunos: troca de informações. criar explicações hipotéticas. os saberes que os alunos já servar regularidades e discrepâncias. É ele.fontes de informação diferentes para que sejam -se com outras opiniões. essas informações. percepção de contradições. Como a meta do trabalho pedagógico é o aprofundamento de um pensar crítico. cartográficos e pictóricos.tização e socialização dos conteúdos aprendidos. estudados em sala de aula. assim como a forma de sistemao aluno possa. Criar espaços em que as crianças possam falar. lar alguns instrumentos do processo de produção pois são partes das situações de aprendizagem dode conhecimentos. construção de relações. construir ou completar modelos e es. tratando o mundo na sua complexidade. registrar e armazenar etc. aos poucos. socialização de ideias. promovendo visitas e encontrar argumentos para defender as próprias pesquisas em locais ricos em informações.unisa. situar-se em relação a novas informações. propõe-se vaprofessor.Regiane Dias Bertolini Como mediador de cultura em situações de aprendizagem. a função do professor é trazer para as crianças informações que as alimentem na construção de conhecimento. torna-se importante para o professor ajudar as crianças a lidar com a heterogeneidade de explicações que constroem e com a divergência de suas opiniões. avaliando escolher critérios de classificação. como. situação que se articula com todo trabalho ocorrendo em relação ao domínio da linguagem verbal e escrita.lorizar. considera seus argumentos e analisa suas experiências em relação aos contextos culturais. tais como: póteses. integrar diferentes informações. domínios linguísticos. descrever fe.senhos ou modelagens e armazenar o material cotar essas hipóteses. e sintam interesse e paixão por essas atividades. aplicar novos conhecimentos a situações ou Pode-se propor que os estudos realizados a problemas novos etc. tes.br . tomar decisões. fazer previsões. murais. requisito fundamental para a construção e ampliação de saberes novos e dos já estabelecidos. podendo organizar um mostruário ou através da leitura de imagens e com a ajuda do coletivo ou individual. com a ajuda do professor. Nas dinâmicas das atividades. bem como selecionar materiais de ber escrever sozinho. identificando quais poderiam justificar. Nesse contexto. emitir opiniões e confrontar.pondo novos questionamentos. buscar informações adicionais lhido. com suas próprias capacidades de conhecer. se materializem em produtos culturais. atitudes de confrontação. o professor assume o papel de mediador das relações das crianças com os conhecimentos socialmente elaborados acerca da natureza e da sociedade. mapas etc. criando momennômenos naturais. ob. autônomo. por exemplo. orais. quando ainda não sou. inicialmente. iconográficos. proe leituras. os alunos aprenderão como proceder de modo autônomo no futuro. exposições. descrever. para que desfrutem e se surpreendam com as descobertas que fazem. também. manipu. assim.investigações. maquetes.possuem sobre o tema abordado. realiza o recorte temático e estabelece os objetivos específicos do trabalho que irá desenvolver com elas. Unisa | Educação a Distância | www. informando sobre quemas explicativos utilizando desenhos ou tendo dados desconhecidos e organizando pesquisas e o professor como escriba. Participando e opinando. narrar e explicar torna-se. tais como: construir problemas cumentar o trabalho de exploração através de dede investigação. escritos. teatros. quem realiza a escolha de fontes de informação e as formas de registro As instituições devem ser espaços nos quais a serem utilizadas. construir relações entre fatos. embora não necessariamente igual ao pensar de outras pessoas. ideias. fenômenos enriquecer seus repertórios e suas reflexões. tos de trocas de informações e opiniões. conforme ele define o conteúdo. quadros cronológicos. 32 livros. divulgar conhecimentos. criar situações experimentais. mas também solidário. tipos diferentes de solo através da pesquisa em outras fontes bibliográficas e folhas secas. autonomia de decisão.

dias de descanso.br/seb/ arquivos/pdf/volume2. relógios de água (clepsidra). como o cristão. para o professor e para os seus alunos. Aproveite. o asteca. Essas situações são geralmente lúdicas e representam oportunidades especiais para todos se colocarem diante de situações didáticas diferen- Unisa | Educação a Distância | www. festas.Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais Multimídia Consulte os Referenciais curriculares de educação infantil (http://portal. o egípcio. No trabalho com os alunos. ƒƒ confecção de relógios de Sol. pode-se trabalhar uma série de atividades envolvendo calendários: ƒƒ criação de rotinas diárias e semanais de atividades. acontecimentos do passado e do presente que estão estudando.1 Atividades com o Tempo Caro(a) aluno(a). como dia e noite.2 Estudos do Meio É gratificante e significativo. conhecer cidades históricas etc. mudanças na temperatura.mec. nos ventos. no que se refere aos domínios em relação ao conhecimento cultural e social das medições de tempo. deve ser trabalhado em diversas ocasiões com os alunos e de maneira diversificada. ampulhetas. estabelecendo periodicidades de um mês para o outro ou de ano para o outro.pdf ). 5. da posição do Sol no céu. ƒƒ observação. na vegetação. ƒƒ comparação entre os diferentes calendários e sua utilização para localização e comparação de acontecimentos no tempo. registro com os alunos do dia da semana e do mês. visitar um fábrica. que possibilitem às crianças se organizar de modo autônomo em relação aos acontecimentos e estudos de cada dia e da semana. ƒƒ nas rotinas diárias.unisa. trabalhos que envolvam saídas da sala de aula ou mesmo da escola: visitar uma exposição em um museu. 5. do mês e do ano.gov. fazer uma pesquisa no bairro.br 33 . feriados. organizando-as em quadros de horário ou agendas. A seguir. registro e levantamento de hipóteses sobre as repetições dos fenômenos naturais. para o seu entendimento. dos aniversários. daremos algumas dicas de como isso pode ser feito. o tempo é um conceito que. mudanças das fases da Lua. ƒƒ criação de calendários sustentados nessas mudanças observadas em relação aos elementos naturais. ƒƒ conhecimento do funcionamento e das histórias que envolvem os calendários utilizados por alguns povos.

fotos aéreas. para compreender de modo mais crítico O estudo do meio não se relaciona à sima sua própria época e o espaço em seu entorno e.na sociedade de hoje ou como são organizados os rio que considere uma metodologia específica de espaços urbanos ou rurais. seleção de informações.terpretações. o olhar indagador sobre o mundo do qual requerem tratamentos muito próximos ao que se fazem parte. suscitadores de lembranças e problemáticas. Os relatórios Em um estudo do meio. o professor não pode pretação. o tes. levango do processo. 34 Unisa | Educação a Distância | www. a diversidade de ambientes. pede uma carmentos. é uma ativiA Geografia. entrabalho.br .professores. que se podem verificar in loco na paisagem humana ou geográfica. o processo de trabalho e as produções dos estudantes. encontrada situação escolar. como forma de expressar suas indiretamente com a produção de novos conheci.gens.Regiane Dias Bertolini estudo do meio se torna uma paisagem histórica. levantados e os conhecimentos já orgaComo em outras atividades significativas que nizados por outros pesquisadores. gravuras e vídeos tamestabelecer de comum no diferente. organização de dados e deixar de escrever suas reflexões sobre os procediconclusões. intersão desenvolvidas na escola. construir o currículo ao lonquer atividades anteriores à visita.possibilita aos estudantes adquirirem. um cenário composto por fragmentos. nas viagens ou mesmo nos estudos da modernos atores da História. poder alcançar a vida sala de aula ou à simples constatação de e transportar o conhecimento adquirido para fora conhecimentos já elaborados. que mente. que sensibiliza Tanto nas visitas quanto nos passeios. Envolos quais defronta na realidade. ples obtenção de informações fora da através do ensino de História. habitações. comparações entre os dados conhecimento historicamente constituído. por sua vez. enciclopédias ou ções para problemas de diferentes naturezas com jornais. observações em campo. Esta envolve o contato direto com fontes tão. filmes. Nesse caso. progressivatextos cotidianos da vida social ou natural. estilos de arte ou as formas de organização de Atenção trabalho. Ao contrário. o presente e o passado. um recurso pedagógico privilegiado. Nesse sentido. é necessá. partindo de vivências do grupo tamento de questões a serem investiga(professor e alunos). recursos didáticos como fotos cogeneralizações. o estudo do meio é. trabalha com imadade didática que permite que os alunos estabele. os alunos deparam com faça da localização e da espacialização uma refeo todo cultural. hipóteses e conceitos.unisa. aprofundando propostas educaciocos em forma de enunciados ou já classificados a nais e consolidando práticas bem-sucedidas. a diversidade e as Portanto. já que de informação documental. ve uma metodologia de pesquisa e de A utilização de outras metodologias de ensiorganização de novos saberes. sem deixar de considerar o da. relacionadas informações e. a parte e rência da leitura das paisagens e seus movimentos. construindo propostas e soludos em livros didáticos. que reno significa. que envolvam trabalhos especiais de acesso a outros tipos de informações e outros tratamentos metodológicos de pesquisa. que realidade. nas os estudantes sobre a participação dos antigos e excursões. o estudante não sobre as saídas podem ser socializados com outros depara com a composição dos conteúdos históri. enfim. envolvendo pesquisas com documentos tografia conceitual. partir de conceituações. É fundamental para o estudante que está começando a ler o mundo humano conhecer denomina pesquisa científica. mentos pedagógicos escolhidos. modos de vida. apoiada numa fusão de múllocalizados em contextos vivos e dinâmicos da tiplos tempos e numa linguagem específica. as contradições e o que se pode muns. também. encontradas em con. recorre a diferentes linguagens na busca de çam relações ativas e interpretativas. Podendo analisar as relações entre os homens da escola. quando o professor quer caracterizar essas atividades como estudos do meio. acrescentando-lhes organização do espaço interno da sala de aula ou vivências e concretudes para a sua imaginação. o todo. o particular e o geral.

como também para desenvolver capacidades relativas à representação do espaço. cabe ao professor selecionar tuguesa. por exemplo) às mais específicas (como delimitar áreas de plantio. enciclopédias e meios de comunicação de massa) como construções que contemplam escolhas feitas por seus autores (influenciados em parte pelas ideias de sua época): seleção de fatos históricos. que mostra fotos de satélites e mapas interessantes.. destaque feito a determinados sujeitos. Assim. ensinando aos alunos que as imagens são produtos do trabalho humano. Também é uma forma de atender a diversas necessidades. histórico.3 Análise de Material Didático Didaticamente. Curiosidade Na internet. tem cada vez mais reafirmado sua importância. há vários sites em que os mapas são utilizados. É preciso que o professor analise as imagens na sua totalidade. Os questionamentos sobre as obras disparam.algumas produções. e tome esses dados como referência na leitura de informações mais particularizadas. entre outras coisas. dissertativo. Vale a pena consultar. A cartografia é um conhecimento que vem se desenvolvendo desde a Pré-História até os dias de hoje. diferenciam como forma ou conteúdo (constroem o discernimento de construção de argumentos e argumentos de modo diferente e defendem ideias Unisa | Educação a Distância | www. os modelos textuais usualmente privilegiados auxiliam os alunos no que se refere à leitura de textos de conteúdo histórico ou geográfico. os mapas.unisa. procure contextualizá-las em seu processo de produção: por quem foram feitas. expressar conhecimentos. compreender zonas de influência do clima). O estudo da linguagem cartográfica. Há um software livre chamado Google Earth. é possível sintetizar informações. com que finalidade etc. cujas intencionalidades podem ser encontradas de forma explícita ou implícita. quando. entender o trajeto dos mananciais. é importante que os alunos aprendam a identificar as obras de conteúdo histórico (textos feitos por especialistas.br 35 . desde o início da escolaridade. mas que se descritivo). livros didáticos. Por intermédio dessa linguagem.e propor pesquisas. estudar situações. necessariamente. de materiais complementares que auxiliem a identificação de contextos e o discernimento dos pontos de vista dos autores. sempre envolvendo a ideia da produção do espaço. como recursos didáticos. Contribui não apenas para que os alunos venham a compreender e utilizar uma ferramenta básica da Geografia. tanto para ler mapas quanto para representar o espaço geográfico. das mais cotidianas (chegar a um lugar que não se conhece. espera-se que a escola crie oportunidades para que os alunos construam conhecimentos sobre essa linguagem nos dois sentidos: como pessoas que representam e codificam o espaço e como leitor das informações expressas por ela. por sua vez.Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais bém podem ser utilizados como fontes de informação e de leitura do espaço e da paisagem. requer partir da ideia de que a linguagem cartográfica é um sistema de símbolos que envolve proporcionalidade. ferentes à mesma temática estudada. organização temporal das análises e das relações entre acontecimentos. sua organização e distribuição. além de promover questionamentos coletivos e individuais sobre as obras Os trabalhos desenvolvidos com Língua Por. principalmente os que privilegiam os di. por parte do professor. uso de signos ordenados e técnicas de projeção. a identificação de contextos de autores. 5. localizáveis no tempo e no espaço. Assim. referentes estilos de textos (narrativo. trabalhos de pesquisa pelos alunos e a seleção. A construção dos conhecimentos necessários.

Outro item a ser analisado diz respeito aos conteúdos. que se distinguem por enfocarem abordagens diferenciadas.br .Regiane Dias Bertolini opostas). cultural). é importante também verificar de que forma as sequências de atividades estão propostas para cada um dos conteúdos.gov. através do site http://www. se necessário. mas é importante determinar as diferenças para poder preencher as supostas carências. vimos como o ambiente escolar é importante para a construção da identidade e autonomia do aluno. 2 36 Classificação segundo Coll e Teberosky (2000). Multimídia Conheça o Programa Nacional do Livro Didático. que fazem recorte de tempos diversos (numa dimensão de curta. mediante comparação e confrontação com outras obras. procedimentais e atitudinais2 antes estabelecidos. econômica. Unisa | Educação a Distância | www. Por último. podem-se elencar alguns itens que contribuam para 5. como também promover momentos em que seus alunos possam lê-la mais criticamente. que dão destaque para diferentes sujeitos históricos (para indivíduos ou para determinados grupos sociais). entenda a sua individualidade e a dos outros e perceba as relações sociais que se estabelecem entre eles e com os adultos. As disciplinas das Ciências Humanas como geografia e história são importantes para que a criança construa seus modos de convivência com os outros. sua seleção ou elaboração. devendo possibilitar. Por exemplo. a adaptação. observar os objetivos educacionais propostos. até que ponto coincidem com os do professor ou da escola? Dificilmente contemplará na íntegra. Atenção Podem ser criadas situações em que os alunos aprendam a questionar e a dialogar com os textos: em que contexto foi produzido? Quais os fatos e os sujeitos que foram privilegiados? Existiria a possibilidade de privilegiar outros sujeitos e outros fatos? Como o tempo está organizado? Quais os argumentos defendidos pelo autor? Como está organizado o seu ponto de vista? Existem outras pessoas que defendem as mesmas ideias? Como pensam outras pessoas? Como se pode pensar de modo diferente do autor? Qual é a opinião pessoal sobre o que o autor defende? Nesse sentido.fnde. eliminação ou elaboração de outros materiais complementares.br Para a análise de um material didático.4 Resumo do Capítulo Neste capítulo. É preciso comprovar se existe correspondência entre objetivos e conteúdos. o importante é saber utilizá-lo de forma intencional e de acordo com o que se quer ensinar/aprender.unisa. que contam sua história a partir da seleção de fatos diferentes (de dimensão política. cabe ao professor ensinar como questionar uma obra. entende-se que um único material não garante a totalidade da abordagem de ensino que se pretende. verificando se cumprem os requisitos de aprendizagem que queremos alcançar em relação aos conteúdos conceituais. Dessa forma. média ou longa duração). deve-se estabelecer qual grau de adaptação ao contexto pode-se permitir.

além de desenvolver habilidades importantes para os alunos. portanto cabe ao professor realizar a adaptação do material à sua rotina e diversificar suas fontes. Percebemos que essa atividade não se resume apenas à saída da sala de aula.Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais A instituição tem papel importante. ela é uma das situações de aprendizagem que deve ser bem trabalhada.unisa. Vimos ainda a importância do estudo do meio para nossos alunos. Que perguntas o professor pode fazer para que os alunos aprendam a questionar e a dialogar com um texto? Unisa | Educação a Distância | www. para que os alunos possam estabelecer relações temporais e espaciais necessárias para a construção de novos conhecimentos. a cartografia pode auxiliar muito a saída a campo. Neste capítulo. não só criando espaços de convivência entre a comunidade escolar. o professor deve observar se está de acordo com os objetivos propostos e o conteúdo. Que aspectos devem ser observados pelo professor na escolha do material didático? 2. Associada ao estudo do meio. é necessário saber que um único material não poderá contemplar todas as necessidades do ensino e da aprendizagem. se as sequências de atividades são adequadas aos alunos e se cumprem os requisitos de aprendizagens que se quer alcançar. para que desfrutem e se surpreendam com as descobertas que fazem.5 Atividades Propostas 1. O professor assume papel mediador importante para as crianças em relação aos conhecimentos socialmente elaborados acerca da natureza e da sociedade.br 37 . Por último. Nessa escolha. como também subsidiando o professor em seu trabalho. vimos também que a escolha do material didático é importante para o processo de ensino. o professor deve estar atento ao potencial que determinado material didático pode ter que favoreça seu trabalho e a aprendizagem dos alunos. 5. portanto.

artística). cooperação e repúdio a preconceitos e discriminações.6 ORGANIZAÇÃO DE ENSINO As sequências didáticas. o presente e o passado. os bens materiais e culturais presentes em seu cotidiano. escrita. do natural e social) e da ação em contexto. ƒƒ que possam ter relevância científica e social. sendo necessário estabelecer critérios para a seleção dos temas a serem trabalhados. como integridade. que proponham um desafio alcançável. bem como possibilitar abordagens interdisciplinares. corporal. o desenvolvimento e os interesses dos alunos em suas respectivas faixas etárias.br 39 .unisa. suas condições de vida e das famílias às quais pertencem historicamente. e que promovam a apropriação de conteúdos conceituais. Multimídia Leia o capítulo 3 do livro Práticas educativas: como ensinar. social e científico-cultural e salientando relações múltiplas entre o individual e o social. da compreensão de conceitos. para que possam adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender (ZABALA. ƒƒ que possibilitem aprendizagens em diferentes domínios: da linguagem e comunicação (verbal. gráfica.3 os conteúdos e as expectativas de aprendizagem buscam respeitar. de Antoni Zabala. 3 Unisa | Educação a Distância | www. no sentido de inclusão das crianças na sua diversidade e no mundo atual. e que promovam atitude favorável. o cotidiano e os contextos mais amplos. favorecendo sua “leitura do mundo”: a cidade e o ambiente em que vivem. em extensão e profundidade. em que se inserem o próximo e o distante. fenômenos e processos (acerca do mun- Conjunto de atividades que garantam levantamento de conhecimentos prévios e desenvolvimento de conteúdos significativos e funcionais adequados ao desenvolvimento dos alunos. responsabilidade. provocando um conflito cognitivo. procedimentais e atitudinais. considerando as dimensões de abrangência doméstica. que integrem os principais conceitos de cada disciplina e: ƒƒ que possam ser de interesse dos alunos e acessíveis à sua compreensão (faixa etária e domínios cognitivos). estimulante. respeito. 1998). além de desenvolverem valores humanos para a vida em sociedade.

Regiane Dias Bertolini 6. Que aspectos devem ser levados em conta na elaboração de sequências didáticas? 40 Unisa | Educação a Distância | www. pode rever o seu pensamento.unisa.1 Resumo do Capítulo Neste capítulo. Nas sequências didáticas.br . Para tanto. o aluno é estimulado a dizer o que pensa e a confrontar o conhecimento científico. vimos o quanto o uso de atividades como sequências didáticas podem auxiliar o trabalho do professor e a aprendizagem dos alunos. são estruturadas de forma que o aluno seja desafiado a pensar e construa um conhecimento que seja funcional e significativo.2 Atividades Propostas 1. 6. O que são sequências didáticas? 2. dessa forma.

obras e aconteciAcompanhando globalmente o processo de mentos de outros tempos na dinâmica ensino-aprendizagem. ora em relação ƒƒ reconhecer a presença de alguns elea um determinado aluno. Para isso. os dos posteriores. ora em relação a todo grupo/classe. adequando o processo tando a sua realidade numa dimensão de ensino aos alunos que apresentam dificuldades. interesses. na família. Nele. reconhece diversidades e ção? E a finalidade? Conhecer melhor o aluno: suas aproximações de modo de vida. Assim. o sentido da avaliapo presente. a avaliação deve ser planejada relativamente aos conhecimentos que serão contextualizados e utilizados em estuNa perspectiva da avaliação formativa. Caro(a) aluno(a). que denominamos somativa. de crenças e de relações sociais. tais como: cognitivos. Esperamos que você possa entender a diferença entre uma avaliação formativa e aquela avaliação mais tradicional. projeo que está sendo aprendido. então. outros sujeitos e outros contextos. de diferentes sujeitos. encadeando a pode-se avaliar se. o aluno situa-se no temzagem. que pertencem der. se relacionarmos as suas conquistas numa perspectiva de continuidade de seus estudos. falaremos desse momento tão importante no processo de ensino e aprendizagem.br 41 . suas técnicas de trabalho. A isso podeeconômicas e culturais. pertencentes às ríamos chamar avaliação inicial. a partir dos estudos avaliação no mesmo processo de ensino-aprendidesenvolvidos. liação. os alunos podem dominar alguns conteúdos e procedimentos.7 PROCESSOS DE AVALIAÇÃO Depois de terem vivenciado inúmeras situações de aprendizagem. por exemplo. dade e em uma comunidade). Esse enfoque tem um princípio fundamental: ao seu próprio tempo e ao seu espaço: deve-se avaliar o que se ensina. é necessário estabelecer processos de aprendizagem em seus aspectos alguns critérios. histórica e identificando a participação tendo em vista os objetivos propostos. seu estilo de aprendizagem. se faz uma análise e liar as conquistas do aluno no reconhereflexão sobre o sucesso alcançado em função dos cimento de que sua realidade estabelece objetivos previstos.unisa. de forma que os tempos. ao término de uma determida vida atual: esse critério pretende avanada unidade. Unisa | Educação a Distância | www. localidades de seu próprio tempo e locaO professor vai recolhendo informações. chegamos ao último capítulo desta apostila. de lizadas no espaço mais próximo com que forma contínua e com diversos procedimentos meconvive (na escola. Qual deve ser. que envolvem outros modos de alunos também façam parte do processo de avavida. de culcompetências. na coletivitodológicos. e julgando o grau de aprendizagem. como forma de constatar mentos do passado no presente. afetivos e relacionais fundamentam-se em aprendizagens significativas e funcionais que ƒƒ reconhecer algumas semelhanças e difese aplicam em diversos contextos e se atualizam o renças no modo de viver dos indivíduos quanto for preciso para que se continue a aprene dos grupos sociais. podendo revê-los de acordo laços de identidade histórica com outros com os resultados apresentados. seus turas.

br . símbolos. ferenças e semelhanças existentes entre diferentes paisagens. função de representar o espaço e suas características e delimitar as relações de vizinhança. avalia-se se o aluno é capaz de distinguir. procure os melhores caminhos para o sucesso da aprendizagem do aluno. Cite duas habilidades que o aluno deve aprender no estudo das Ciências Sociais? 42 Unisa | Educação a Distância | www. relações de direção e orientação. percebendo nela elementos que expressam a multiplicidade de tempos e espaços que a compõem.Regiane Dias Bertolini ƒƒ reconhecer algumas manifestações da relação entre sociedade e natureza presentes na sua vida cotidiana e na paisagem local: com este critério. como cor. e se é capaz também de comparar algumas di- Multimídia Leia Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens entre duas lógicas.1 Resumo do Capítulo Neste capítulo. 7. interpretar e representar o espaço por meio de mapas simples: assim. Ela permite que a ação de avaliar seja processual.2 Atividades Propostas 1. reconhecer algumas semelhanças e diferenças no modo de viver dos indivíduos e dos grupos sociais. O que permite a avaliação formativa para o professor? 2. de Philippe Perrenoud. é avaliado se o aluno sabe utilizar elementos da linguagem cartográfica como um sistema de representação que possui convenções e funções específicas. avalia-se o quanto o aluno se apropriou da ideia de interdependência entre a sociedade e a natureza e se reconhece aspectos dessa relação na paisagem local e no lugar em que se encontra inserido. estudamos a avaliação formativa. em seu contexto mais imediato. por exemplo. ƒƒ reconhecer e localizar as características da paisagem local e compará-las com as de outras paisagens: com este critério. dessa forma. o que permite que o professor possa replanejar o seu fazer constantemente e. que proporciona o conhecimento melhor do aluno e é baseada na aquisição de conteúdos significativos e funcionais.unisa. 7. que pertencem ao seu próprio tempo e ao seu espaço. ƒƒ ler. como. elencamos algumas habilidades que desejamos que o ensino de Ciências Sociais possa desenvolver nos alunos. Ao final do capítulo. aconteça em todos os momentos. por meio da observação e da descrição. alguns aspectos naturais e culturais da paisagem. isto é. Também se deve avaliar se conhece alguns processos de transformação da natureza.

das garantias de conceber nossas experiências por etapas e ciclos definidos. na qual vivemos o constante avanço científico-tecnológico. tão subjetivas. pois. ainda. podemos pensar nas possibilidades de literais mergulhos na “Máquina do Tempo” da internet.unisa. No contexto da atualidade. Parece imprescindível. onde se propõe chegar a uma visão complexa da vida e do conhecimento. entendendo a educação como um processo de interação entre pessoas. Esperamos ter contribuído para o avanço de tais reflexões por meio dos estudos da presente disciplina. Para isso. na discussão da chamada Sociedade da Informação. ligadas ao tempo foram fortemente abordadas em nossos trabalhos.8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Já que as questões. Unisa | Educação a Distância | www. a partir de contextos a serem estudados nas disciplinas História e Geografia. por meio do desenvolvimento dos conteúdos próprios das áreas das ciências humanas. não é preciso saber tudo. na perspectiva da construção de uma sociedade em que caibam todos. principalmente se for considerado sujeito do processo de ensino-aprendizagem. Também esperamos ter colaborado com o seu crescimento e lembramos que mais informações a respeito do assunto você poderá ter lendo as obras indicadas e as citadas nas referências. principalmente no que diz respeito à educação para o “pensar”.br 43 . Como estabelecer em nossas maneiras de ver e sentir o mundo a continuidade da vida e os processos ininterruptos de aprendizagem? Convém a cada um de nós considerar a oportunidade e o compromisso de ensinar/aprender o melhor e da melhor forma. que o aluno é capaz de reconhecer-se como cidadão. mas é preferível aprender o tempo todo e com todos. é tempo de pensar nos desafios propostos para o ensino de Ciências Sociais: temas amplos e de suma importância para o processo de formação do ser humano. Até a próxima. por meio da abordagem metodológica. É onde a experiência dinâmica do movimento está posta. que tome forma primeiramente em nosso imaginário o fato de prepararmo-nos para começar a pensar tudo em termos dinâmicos e evolutivos ou precisaremos. É. pois.

A história sagrada era a história Cristã. A República necessitava que o passado imperial fosse substituído.RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS Capítulo 1 1. principalmente. sendo eles indivíduos. 2. sem. analogias ou generalizações. a Geografia ganhou conteúdos políticos. O tempo pode ser apreendido a partir de vivências pessoais. Os fatos históricos podem ser entendidos como aqueles relacionados aos eventos políticos. já que propicia aos alunos a inquietação e a curiosidade. civis e sociais. que valorizava os acontecimentos e fatos religiosos. Por isso. grupos ou classes sociais. A compreensão da cidadania como participação social e política. pela intuição. 2.br 45 . Capítulo 2 1. líderes de lutas para transformações (ou permanências) mais amplas ou de situações mais cotidianas. Os sujeitos históricos podem ser entendidos como os agentes de ação social. atitude considerada indesejada por muitos. queria que uma nação rompesse os laços de país dependente de Portugal. 5. considerado em toda a sua complexidade. esperar que os alunos estabelecessem relações. pois parte da premissa que o homem faz parte da natureza. conduzindo-os ao ato da indagação.unisa. Capítulo 3 1. que são significativos na formação do cidadão. Assim. fatos esses apresentados de modo isolado do contexto histórico em que viveram os personagens e dos movimentos de que participaram. era preciso transformá-lo. cooperação e repúdio às injustiças. 4. às festas cívicas e às ações de heróis nacionais. Não dissociar o estudo da sociedade e da natureza. a descrição e a memorização dos elementos que compõem as paisagens. a história profana era aquela que dizia respeito aos acontecimentos da humanidade. Pretendia-se ensinar uma Geografia neutra. envelhecimento) e do Unisa | Educação a Distância | www. As práticas mais comuns adotadas eram. valorizava atitudes que consideravam o cidadão brasileiro e a pátria que se emancipava. Porque os conhecimentos científicos são desmistificadores pela própria natureza e modo de produção. 3. tornando ameaçador esse saber. O tempo histórico pode estar limitado ao estudo do tempo cronológico (calendários e datas) ou pode ser dimensionado diferentemente. do mundo dos homens. como no caso do tempo biológico (crescimento. assim como exercício de direitos e deveres políticos. Que não bastava explicar o mundo. contudo. Desenvolver atitudes de solidariedade.

Em que contexto foi produzido? Quais os fatos e os sujeitos que foram privilegiados? Existiria a possibilidade de privilegiar outros sujeitos e outros fatos? Como o tempo está organizado? Quais os argumentos defendidos pelo autor? Como está organizado o seu ponto de vista? Existem outras pessoas que defendem as mesmas ideias? Como pensam outras pessoas? Como se pode pensar de modo diferente do autor? Qual é a opinião pessoal sobre o que o autor defende? 46 Unisa | Educação a Distância | www. Capítulo 4 1. 4. o território é o espaço nacional ou área controlada por um Estado Nacional. as crianças buscam entender e compreender o mundo que as cerca. o conhecimento de todas as manifestações e representações culturais que compõem a cultura brasileira e não permitindo que cada sujeito se reconheça enquanto produtor de sua própria história e cultura. 3. O “como” e o porquê das coisas e dos fenômenos da natureza e da sociedade em que vivem. ao tempo de permanências ou mudanças que ocorrem na sociedade. meses. instituiu a obrigatoriedade do ensino da História da África e dos africanos no currículo escolar do ensino fundamental e médio. O território. 4.639. O tempo cronológico corresponde ao tempo medido pelos calendários e o tempo de duração. para a construção de sujeitos reflexivos e críticos. tanto o físico quanto o social. Observar os objetivos educacionais propostos pelo livro e até que ponto coincidem com os do professor ou da escola. o que permite que possam ir construindo a sua autoimagem. representa uma parcela do espaço identificada pela posse e dominada por uma comunidade ou por um Estado. ideias e objetos e relacionar-se entre si e com os adultos. possibilitando aos educandos o conhecimento e a utilização de todas as formas da linguagem. A Lei nº 10.unisa. a horizontalização de saberes. 2. Através delas e dos questionamentos que fazem aos adultos próximos. Essa decisão resgata historicamente a contribuição dos negros na construção e formação da sociedade brasileira. Capítulo 5 1. dia). É preciso comprovar se existe correspondência entre objetivos e conteúdos e é importante também verificar de que forma as sequências de atividades estão propostas para cada um dos conteúdos. permitindo. 5. 2.br . assim. Resposta pessoal. de mudança) ou como no caso do tempo cronológico e astronômico (ano. Na geopolítica.Regiane Dias Bertolini tempo psicológico interno dos indivíduos (ideia de sucessão. para as sociedades humanas. O lugar traduz os espaços com os quais as pessoas têm vínculos mais afetivos e subjetivos que racionais e objetivos: uma praça onde se brinca desde menino. 3. Com o resgate da identidade do aluno. A instituição pode criar espaços nos quais as crianças possam compartilhar diálogos. 2. de janeiro de 2003.

Capítulo 7 1. provocando um conflito cognitivo. e que promovam atitude favorável. obras e acontecimentos de outros tempos na dinâmica da vida atual. Ler. São conhecimentos que o aluno pode utilizar na realidade em que vive ou em outras situações. para que possam adquirir habilidades relacionadas com o aprender a aprender. 2. Reconhecer a presença de alguns elementos do passado no presente. que proponham um desafio alcançável.br 47 . adequados ao desenvolvimento dos alunos.Metodologia e Prática do Ensino de Ciências Sociais Capítulo 6 1. Conjunto de atividades que garantam levantamento de conhecimentos prévios e desenvolvimento de conteúdos significativos e funcionais. Unisa | Educação a Distância | www. estimulante. Conhecer melhor o aluno. 2. projetando a sua realidade numa dimensão histórica e identificando a participação de diferentes sujeitos. interpretar e representar o espaço por meio de mapas simples. reavaliar seu planejamento. saber o que está sendo aprendido.unisa.

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