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1.

INTRODUÇÃO
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é definida como a presença de
microorganismo patogênico detectado na urina, na uretra, na bexiga, no rim ou na
próstata (Martins et al, 2009). É uma das infecções bacterianas mais frequentes em seres
humanos, sendo a segunda infecção que mais acomete a população em geral,
predominando no sexo feminino. A maior susceptibilidade de ITU à mulher se deve à
uretra mais curta e a maior proximidade do ânus com o vestíbulo vaginal e uretra. No
homem, o maior comprimento uretral, maior fluxo urinário e o fator antibacteriano
prostático são protetores (Heilberg e Schor, 2003). Na população pediátrica devido ao
refluxo vesico-ureteral uni ou bilateral, predomina a forma complicada da doença – a
pielonefrite, com recorrência na maioria dos casos e com maior prevalência no sexo
masculino (LOPES e TAVARES, 2004).
Antes da era antibiótica, a ITU era uma importante causa de morbidade e
mortalidade. Escritos de Hipócrates sobre a doença que aparentemente era cistite aguda,
demonstra que a duração da doença podia ser de um ano antes de evoluir para resolução
ou piora com consequente comprometimento renal (BRAUNWALD, KASPER e
LONGO, 2013).
A ITU pode ser sintomática ou assintomática. O termo ITU envolve uma
diversidade de entidades clínicas que incluem bacteriúria assintomática, cistite,
prostatite e pielonefrite. A distinção entre elas é importante, pois implica na tomada de
decisão por parte do médico (Martins et al, 2009).
Geralmente são ocasionadas por bactérias gram-negativas oriundas da flora
intestinal sendo que a patogenicidade é altamente dependente da virulência do patógeno
e a defesa do hospedeiro. Além disso, condições predispontes do hospedeiro como
gênero, sexo, gravidez, entre outras que podem levar a uma maior susceptibilidade a
contrair a doença (Martins et al, 2009).
O quadro clínico é bastante variável, caracterizando-se principalmente por
disúria, polaciúria, urgência miccional, dor em região suprapúbica e hematúria, podendo
estar relacionado com manifestações sistêmicas como febre, náuseas e vômitos
principalmente nas formas complicadas (Martins et al, 2009).

atividade sexual. KASPER e LONGO. bexiga neurogênica e refluxo vesico-utereral que predispõe o hospedeiro a desenvolver a doença. devido ao maior número de malformações congênitas. para identificação de anormalidades predisponentes. Desta forma. 2. cateterismo vesical. sendo a segunda infecção que mais acomete a população em geral. As ITU são mais prevalentes em crianças de até 6 anos de idade. obstrução do trato urinário. Em crianças. é realizado com antimicrobianos e suporte clínico ao paciente (BRAUNWALD. Os exames de imagem são indicados em casos de suspeita ou diagnóstico de ITU complicada ou recorrente. este trabalho objetiva apresentar uma compreensão das diferentes formas de apresentação das ITU e fatores a elas associados. ITU é mais freqüente no sexo masculino até o primeiro ano de vida.. o seu diagnóstico e tratamento. Proteus sp. confirmando a presença de bactérias e leucócitos. CONCLUSÃO Assim. O diagnóstico é feito com base nos sinais e nos sintomas clínicos do paciente e na análise da amostra de urina com presença de leucocitúria significativa e bactérias. Podem ser divididas infecções do trato urinário baixo (cistites. com predomínio no sexo feminino. A Escherichia coli é o agente patogênico mais comum das infecções agudas em pacientes sem cateteres e sem alterações urológicas. uretrites e prostatites) e infecções do trato urinário alto (pielonefrites e abscessos perinefréticos). Outros agentes gram-negativos Klebsiella sp.O diagnóstico é feito com base nos sinais e nos sintomas clínicos apresentados pelo paciente e na análise da amostra de urina. O tratamento. são responsáveis por uma proporção pequena de infecções não complicadas. mulheres jovens com vida sexual ativa e idosos. gravidez. em geral. entende-se que a ITU é uma das infecções bacterianas mais frequentes em seres humanos. As ITU podem ainda ser divididas em relação à presença ou não de cateter e também podem ser sintomáticas ou assintomáticas. . Existe condições como gênero.. 2013). e Enterobacter sp.

49(1): 109-16. LOPES. SP: Manole. Vol III.ed. Rev Assoc Med Bras 2003. 3. BRAUNWALD. TAVARES. como sulfametoxazol-trimetoprim (SMZ-TMP). W.Para o tratamento empírico de cistites não complicadas em mulheres. 1ª ed. 18. I. F. Infecções do Trato Urinário: Diagnóstico. ou quando apresentarem sinais de sepse grave.Associação Médica Brasileira. Projeto Diretrizes . H. Baruerí. A compreensão das diferentes formas de apresentação das ITU e fatores a elas associados é essencial para o seu diagnóstico e tratamento. Pacientes com pielonefrite aguda não complicada devem ser internados para início de terapia parenteral quando incapacitados de ingerir líquidos e medicações ou apresentarem episódios freqüentes de vômitos. H. Abordagem diagnóstica e terapêutica na Infecção do Trato Urinário – ITU.A. Mc Graw Hill.. HEILBERG. LONGO. 2004. et al. P. 2009.. como norfloxacino ou sulfonamidas. REFERÊNCIAS MARTINS M. além da adoção de medidas para a prevenção de recorrências. . 2013. quando houver dúvidas quanto ao diagnóstico ou adesão ao tratamento. KASPER. Harrison Medicina Interna: volumes II. exceto em condições específicas como gestantes. J... Bacteriúria assintomática normalmente é uma condição benigna que não requer o uso de antimicrobianos nem rastreamento periódicos. N. Clínica Médica. SCHOR. recomenda-se o uso de esquemas antimicrobianos com fluoroquinolonas. V.