Língua Portuguesa – Redação: Lista 1

O poema
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Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013

O poema
Leia os textos abaixo:
Se Essa Rua Fosse Minha
Cantigas Populares
Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver
Só pra ver meu bem passar
Nessa rua
Nessa rua tem um bosque
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Tu roubaste
Tu roubaste o meu também
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Foi porque
Só porque te quero bem

Se essa rua fosse minha
Se essa rua fosse minha,
não mandava ladrilhar.
não mandava botar pedras,
não deixava asfaltar.
Deixaria o chão de terra,
ou talvez plantasse grama.
Encheria as calçadas de flores,
um vasinho em cada poste.
Margarida, amor-perfeito,
azaleia, dália e rosa.
E na janela de cada casa um gerânio
ou, quem sabe, uma violeta.
Tudo isso eu faria,
se essa rua fosse minha.
Se essa rua fosse minha,
seria toda colorida.
Teria casa amarela,
casa vermelha,
lilás, azul e laranja.
Só não teria casa cinza,
porque cinza é a cor da sombra.
Mas teria casa verde,
porque o verde é a cor da esperança.
(...)
Eduardo Amos. Se essa rua fosse minha,
Editora Moderna.

1. Observe a forma do texto e responda oralmente:
a) As palavras ocupam todo o espaço da página ou apenas parte dela?
b) Há espaços em branco entre algumas linhas do texto?
c) Essa forma sugere que você vai ler uma carta ou um poema? Por quê?
O texto acima é um poema e possui algumas características próprias:



Poema: é um texto estruturado em versos.
Verso: é o nome que se dá a cada linha de um poema.
Estrofe: é um conjunto de versos separado por um espaço em branco.
Rima: é a coincidência de sons no final das palavras.
1

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2. Leia novamente os textos acima e responda:
a) Em que os dois textos são diferentes?
b) Com o que e para que a rua da poesia 2 seria ladrilhada?
c) Por que, em sua opinião, o poeta da poesia 2 não mandaria ladrilhar a sua rua?
d) Quais as vantagens e as desvantagens de se morar em uma rua asfaltada e em uma rua
sem asfalto?
e) Que sensação as flores nos postes e nas janelas produziriam na rua que o poeta mora?
f) E as casas coloridas, que efeito produziria?
g) Por que a rua do poeta não teria casa cinza? Por que ela teria casa verde?
h) Em sua opinião, a cor escolhida para uma casa determina sensações diferentes? Por
quê?
3. No seu caderno, desenhe a rua que o poeta imagina e depois escolha as palavras listadas
abaixo que você usaria para caracterizar a rua imaginada e descrita pelo poeta e copie-as.
simples – calma – sossegada – agitada – aconchegante – violenta – triste – alegre –
tranquila – elegante – poética – encantadora – fascinante – adorável – agradável
4. Escreva palavras que, no poema, pudessem rimar com:
- minha:
- flores:
- colorida:
- amarela:
Leia os textos abaixo:
A farmácia e a livraria
Pedro Bandeira.
Lá na rua em que eu pensava
tinha uma livraria
bem ao lado da farmácia.
Todo mundo ia à farmácia
comprar frascos de saúde.
E depois ia ao lado
pra comprar a liberdade.

A Caminhada
Sidónio Muralha
Nessa mata ninguém mata
a pata que vive ali,
com duas patas de pata,
pata acolá, pata aqui.
Pata que gosta de matas
visita as matas vizinhas,
com as suas duas patas
seguidas de dez patinhas.
E cada patinha tem,
como a pata lá da mata,
duas patinhas também
que são patinhas de pata.

A respeito desses textos, responda oralmente: qual dos dois permite uma leitura mais
marcada? O que possibilita isso?
5. Agora, identifique, com lápis colorido, as palavras que rimam entre si.
6. Leia os versos abaixo:
“Nessa mata ninguém mata”
“com duas patas de pata”
As palavras repetidas em cada verso possuem o mesmo significado?
2

(2x) O Pato pateta Pintou o caneco Surrou a galinha Bateu no marreco Pulou do poleiro No pé do cavalo Levou um coice Criou um galo. Que efeito essa rima imprime na primeira estrofe? Marque. com lápis de cor.. Comeu um pedaço De genipapo Ficou engasgado Com dor no papo Caiu no poço Quebrou a tigela Tantas fez o moço Que foi prá panela. Veja o exemplo abaixo: A Faca Era uma faca Sempre amolada Cortava tudo Ficava nada 3 . pata acolá Lá vem o Pato Para ver o que é que há. Cuidado com as rimas.... pata aqui”..(2x) O Pato pateta Pintou o caneco Surrou a galinha Bateu no marreco Pulou do poleiro No pé do cavalo Levou um coice Criou um galo.. 8. Faça uma versão da música acima trocando o objeto casa por outro de sua escolha.. pata acolá Lá vem o Pato Para ver o que é que há.. Leia o texto abaixo: O Pato Vinicius de Moraes Qüén! Qüen! Qüén! Qüen! Qüén! Qüen! Qüén! Qüen! Qüén! Qüen! Qüén! Qüen! Qüén! Qüen! Qüén! Qüen! Lá vem o Pato Pata aqui. Leia o texto abaixo: A Casa Vinicius de Moraes Era uma casa muito engraçada Não tinha teto.. Será que o ritmo do poema tem algo a ver com o pato e com o seu fim? 10. não tinha nada Ninguém podia entrar nela.. Qual a relação do título do poema com o verso “pata acolá. Comeu um pedaço De genipapo Ficou engasgado Com dor no papo Caiu no poço Quebrou a tigela Tantas fez o moço Que foi prá panela. Qual o comportamento do pato? Quais as consequências? 9. Destaque as rimas da primeira estrofe.... Quá! Quá! Quá! Quá Quá! Quá! Quá! Quá! Quá Quá! Quá! Quá! Quá! Quá Quá! Lá vem o Pato Pata aqui. Caiu no poço Quebrou a tigela Tantas fez o moço Que foi prá panela. as demais rimas do poema. não Porque na casa não tinha chão Ninguém podia dormir na rede Porque na casa não tinha parede Ninguém podia fazer pipi Porque penico não tinha ali Mas era feita com muito esmero Na rua dos bobos.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 3 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 7. número zero 12..

Pois você parece uma serraria! Venham ver como dão mel As abelhas do céu Venham ver como dão mel As abelhas do céu 13. Identifique expressões e jogo de palavras que contribuam para a construção dos sentidos do poema... por que Eu. e você? Você é o inseto Mais indiscreto Da Criação Tocando fino Seu violino Na escuridão. 15. Venham ver como dão mel As abelhas do céu Venham ver como dão mel As abelhas do céu Tudo de mau Você reúne Mosquito pau Que morde e zune. A abelha-rainha Está sempre cansada Engorda a pancinha E não faz mais nada Num zune-que-zune Lá vão pro jardim Brincar com a cravina Valsar com o jasmim Da rosa pro cravo Do cravo pra rosa Da rosa pro favo E de volta pra rosa Você gostaria De passar o dia Numa serraria Gostaria? Por que.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 4 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Leia os textos abaixo: As Abelhas Vinicius de Moraes A abelha-mestra E as abelhinhas Estão todas prontinhas Para ir para a festa Num zune-que-zune Lá vão pro jardim Brincar com a cravina Valsar com o jasmim Da rosa pro cravo Do cravo pra rosa Da rosa pro favo E de volta pra rosa O mosquito Vinicius de Moraes O mundo é tão esquisito: Tem mosquito. 14. 4 . Relacione o ritmo imposto pelas rimas aos sentidos do poema. Explique – com trechos do poema – os efeitos gerados pelas rimas. mosquito.

ritmo. Não conhece nem mi nem fá Mas inclina o corpo para cá e para lá Não conhece nem lá nem si. Leia em voz alta a estrofe a seguir. Esta menina tão pequenina quer ser bailarina. 5. roda. mas fecha os olhos e sorri. com sentido diferente daquele que lhes é comum. principalmente. a) Retire do poema um verso em que há repetição de uma palavra. que lhe é dado pela alternância de sílabas átonas (fracas) e tónicas (fortes). isto é. Esse poema caracteriza-se por apresentar uma forte sonoridade. pronunciando de modo mais forte as sílabas destacadas: Não conhece nem mi nem fá Mas inclina o corpo para cá e para lá O que você percebeu quanto à sonoridade ao ler a estrofe? 6. No poema. construída por meio de repetições. Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu. explorando a sonoridade. expressões e frases tomadas em sentido figurado. b) Retire do poema. Um conjunto de versos se chama estrofe. Não conhece nem dó nem ré mas sabe ficar na ponta do pé. certamente a canta num determinado ritmo musical. Uma linha em branco separa uma estrofe da outra. ritmo e rima. Mas depois esquece todas as danças. Quantas estrofes de dois versos têm esse poema? Quantas estrofes de três versos? E de cinco versos? 3. Cecília Meireles 1. com os bracinhos no ar e não fica tonta nem sai do lugar. rimas. Poema é um texto feito em versos. Roda. Quantos versos têm o poema “A bailarina”? 2. uma menina que roda com os bracinhos no ar constitui uma imagem. e também quer dormir como as outras crianças. Verso é cada linha do poema. dois versos em que há repetição da estrutura para construir essa sonoridade. o poeta brincou com as palavras. Retire do poema as palavras cuja rima seja alcançada através de vogais. Quando você canta uma melodia. Um poema também tem ritmo. E também com imagens: palavras. com sonoridade. das vogais com a finalidade de imitar o balanço da dança. No poema “A bailarina”. roda. Identifique outras imagens no poema. 4. 5 . por exemplo. Poema é um gênero textual que se constrói com ideias e sentimentos.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 5 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Revisando Leia este poema: A bailarina Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.

à audição. podemos ter palavras e expressões associadas aos sentidos: à visão. ao olfato. ao paladar ou ao tato. Que palavras do poema “A bailarina” se associam à audição? 6 . Em um poema.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 6 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 7.

Ainda é quando a vontade está no meio do caminho. Veja algumas delas: Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer. Se quiser. 2001. se explora recursos sonoros como ritmo e rima. Avalie o seu poema Observe se o poema está organizado em versos e estrofes. seguindo as orientações do boxe abaixo. a escritora Adriana Falcão criou uma personagem que gosta de inventar uma explicação poética para cada coisa. que você vê de sua janela. mas sempre com ritmo. 1999. Para isso siga as instruções abaixo: a) escreva em versos. 7 . rimados ou não. Fale de outras coisas. São Paulo: Ática. 1Dezenove poemas desengonçados. Atividade 2 A seguir você vai ler o início de um poema de Ricardo de Azevedo1.) Faça o mesmo. (São Paulo: Moderna. se necessário. vejo a vida e vejo a luz. No início de alguns versos. Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer “eu deixo” é pouco. mas acha que devia querer outra coisa. agrupe os versos em estrofes. repita a palavra vejo. se está adequada aos leitores e ao gênero textual. Explique poeticamente o que é: medo menino talvez vergonha recreio televisão alegria Faça no formato de um único poema. Pela janela Lá do alto da janela. Irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio do seu peito. 29. dispense-a. b) faça um rascunho primeiro e só passe seu texto a limpo depois de realizar uma revisão cuidadosa. P. Complete-o. Refaça o texto.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 7 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Atividade escrita Atividade 1 No livro Mania de explicação. Vejo Atividade 3 Escreva um poema cujo tema seja alguma coisa que lhe dê inspiração. Beijo é um carimbo que serve para mostrar que a gente gosta daquilo. reais ou imaginárias. no de outros.

ou seja. Do que falam os poemas? Arrisque uma interpretação do sentido figurado. No último poema. 2. Paráfrase Na paráfrase. em situações particulares de uso.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 8 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Algumas formalidades – sentido literal X sentido figurado Leia os poemas abaixo: 1) você está tão longe que às vezes penso que nem existo nem fale em amor que amor é isto 2) amarga mágoa o pobre pranto tem por que cargas d’água chove tanto e você não vem? 3) coisas do vento a rede balança sem ninguém dentro 1. como se estivessem fora de contexto. O que fala cada um dos poemas? Faça uma “paráfrase” de cada poema. das entrelinhas de cada poema. no seu sentido usual. O primeiro poema fala do sentimento de vazio provocado pela ausência da pessoa amada. e que amar é sentir-se deixar de existir diante da ausência do outro. A palavra tem valor conotativo quando seu significado é ampliado ou alterado no contexto em que é empregada. 8 . No poema dois. sugerindo ideias que vão além de seu sentido mais usual. explicite seu conteúdo no nível mais literal possível (saiba mais no Box abaixo). realizando uma analogia entre o choro e a chuva. o Eu lírico constata o vazio diante da ausência de um ser que preenchia uma rede com seu corpo e agora não a preenche mais. o Eu lírico também reclama a ausência do ser amado. Sentido figurado é o significado que palavras ou expressões adquirem. o leitor deve se ater ao que as palavras significam literalmente.

com. Mais poemas de Paulo Leminsk você está tão longe que às vezes penso que nem existo o bicho alfabeto tem vinte e três patas ou quase nem fale em amor que amor é isto por onde ele passa nascem palavras e frases com frases se fazem asas palavras o vento leve o bicho alfabeto passa fica o que não se escreve http://revistaescola.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 9 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Refletindo:  Os três poemas falam da mesma coisa?  Os três poemas falam do mesmo jeito?  No que os poemas são diferentes? De fato. os três poemas de Paulo Leminski se aproximam tematicamente na medida em que tratam de ausência e saudade. figura a ausência por meio da imagem de uma rede vazia. O ser amado vai para longe e ele sente como se não existisse e. é importante observar que são muito diferentes no que se refere à sua forma: para falar do mesmo “assunto”. afirma que isso é que é o amor. O segundo poema figura o mesmo tipo de saudade fazendo uma analogia entre o pranto e a chuva. muito por meio da rima. percebemos a analogia entre pranto e chuva. Vejamos: O primeiro poema figura a saudade do ser amado usando uma rima bastante significativa: existo e isto.br/lingua-portuguesa/pratica-pedagogica/literatura-escola-6o-ano-poemas-paulo-leminski-553855. Quando o Eu-lírico pergunta “porque cargas d’água chove tanto e você não vem” e a palavra “vem” rima com a amarga mágoa que o pobre pranto “tem”.abril. O que o Eu-lírico reclama é a ausência do ser amado mesmo diante de seu intenso sofrimento (traduzido em pranto. figurado em chuva). cada um usa uma imagem e cada um faz um jogo diferente com as palavras. O último poema. No entanto. rimando vento e dentro.shtml 9 .

pois a perna é estúpida e Teresa tem cara de perna. b) Quais são as três impressões do Eu-lírico sobre Teresa? Na paráfrase. Na última estrofe. Note que primeiro ele olha para as pernas – o que pode sugerir que ela seja mais alta que ele – e depois para o rosto. as palavras são empregadas no sentido figurado com mais opacidade. achoua estúpida. num segundo momento. o Eu-lírico conta que. Bandeira. aquele que só existe em situações não usuais. o leitor deve ater-se ao que as palavras significam literalmente. em que é descrita a versão cristã para a criação do Universo. 2. se apaixona cegamente. temos que ler nas entrelinhas. A escolha da palavra “cara” sugere também um Eu-lírico de pensamento infantil. ele rejeita a sua aparência física. por fim. O poema figura uma aproximação amorosa entre o Eu-lírico e Teresa.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 10 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Algumas formalidades – paráfrase e paródia Leia o poema de Manuel Bandeira transcrito abaixo: Teresa A primeira vez que vi Teresa Achei que ela tinha pernas estúpidas Achei também que a cara parecia uma perna Quando vi Teresa de novo Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo (Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse) Da terceira vez não vi mais nada Os céus se misturaram com a terra E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas. Quando interpretamos um poema. Num primeiro momento. 10 . buscamos seu sentido figurado. explicite seu conteúdo no nível mais literal possível. Na segunda estrofe. como se estivessem fora de contexto. no seu sentido usual. se interessa pelo seu olhar. Belo Belo e outros poemas. Para isso. Manuel. percebemos uma mudança de olhar do Eu-lírico sobre Teresa: ele atenta para o olhar da moça – não para os olhos ou para a “cara” – e reflete sobre sua maturidade. A metáfora utilizada por Bandeira exige reconhecimento da intertextualidade com o texto bíblico do Gênesis. José Olympio 1. ou seja. quando viu Teresa pela primeira vez. Na primeira estrofe. Do que fala o poema? Arrisque uma interpretação do sentido figurado. a) O que fala o poema? Faça uma “paráfrase” (leia o boxe abaixo). das entrelinhas de Teresa.

. seja utilizando a ironia ou o deboche. Ela geralmente é parecida com a obra de origem. os versos que remetem à explicação cristã para a criação do Universo. ou “o amor é cego”. Busquem. da recriação de uma obra já existente e.... invertendo a ordenação divina em desordem passional.. 4. No verso “Na terceira vez não vi mais nada”. E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra Preenchiam de amor o azul dos céus. E ela. a fim de dar sentido aos fenômenos que nos cercam. o poema dialoga com uma metáfora da fala cotidiana – estar cego de paixão.. possuindo uma crítica.... entreabriu-se um reposteiro. gozos do Empíreo.. corando.. e aproveitando o sucesso da obra original para passar um pouco de alegria.....Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 11 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 3. descansa!. Como as plantas que arrasta a correnteza.Mas um dia volvi aos lares meus. séculos de delírio. Era eu. Paródia A paródia é uma imitação de uma composição literária (também existem paródias de filmes e músicas). 5. Os dois últimos versos confirmam a paixão na medida em que parodiam o texto bíblico.. Ela em soluços murmurou-me: “adeus!” Uma noite... E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!” E ela arquejando murmurou-me: “adeus!” Castro Aves 11 . no poema.. o homem produzia explicações mitológicas. surpresa! Foi a última vez que eu vi Teresa!. Quando voltei.. Antes disso. Partindo eu disse – “Voltarei!. Ela me olhou branca.. Seu objetivo é adaptar a obra original a um novo contexto... damos o nome de mito.... A essas explicações. com a finalidade de desconstruir ou reconstruir um texto. e quase sempre tem sentidos diferentes. A vez primeira que eu fitei Teresa. o encontro do céu e da terra sugere o enlace erótico de forma sublimada. em geral. Prazeres divinais.” E amamos juntos. Na literatura a paródia é um processo de intertextualização. A paródia surge a partir de uma nova interpretação. .. consagrada. Era a pálida Teresa! “Adeus” lhe disse conservando-a presa. “Adeus” eu disse-lhe a tremer coa fala. O que muda do fragmento bíblico para os versos de Bandeira? Podemos deduzir que o Eu-lírico se apaixona por Teresa na terceira estrofe.. A paródia pode ter intertextualidade.. passando diferentes versões para um lado mais despojado.. era o palácio em festa!. E depois na sala Ela. de Castro Alves: O adeus de Tereza Passaram tempos...... Entrei!.. 6.. Mais ainda. no século XIX. murmurou-me: “adeus”. Vocês conhecem explicações não científicas para o surgimento do Universo? Redija um parágrafo descrevendo esse conhecimento. A valsa nos levou nos giros seus. E da alcova saiu um cavaleiro Inda beijando uma mulher sem véus... Leia atentamente o poema O adeus de Teresa. A explicação científica para a origem do Universo só se tornou hegemônica na Europa.. chorando mais que uma criança.

em que ele sai do registro cotidiano da linguagem e se torna mais parecido com o de Castro Alves? Por quê? 12 . o Eu-lírico termina unido à sua amada. no poema de Bandeira. Ocorre o mesmo no de Castro Alves? e) Há algum momento. O poema de Bandeira pode ser lido como uma paródia do de Castro Alves? b) O que da estrutura do poema O adeus de Teresa se mantém em Teresa? c) Em qual dos dois poemas a linguagem se aproxima mais da fala cotidiana? Por quê? d) No poema de Manuel Bandeira.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 12 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Agora responda: a) O poema de Castro Alves foi escrito aproximadamente um século antes do de Manuel Bandeira.

frango por cima batata palha Chan champingon Esse prato todo mundo já conhece Ao invés do strogonof eu vou fritar os croquete Champignon chan chan Comida dos astros Faroeste Caboclo (Paródia) Faroeste Caboclo Não tinha medo o tal João de Santo Cristo Era o que todos diziam quando ele se perdeu Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu Quando criança só pensava em ser bandido Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu Era o terror da sertania onde morava E na escola até o professor com ele aprendeu Lá tinha queijo pão. xibom.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 13 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Alguns exemplos de paródias Bom xibom. feijão e ovo frito Era o que todos comiam no almoço e no jantar De vez em quando fazia uma lentilha Fritava a polenta de fubá Frango assava com batata e ervilha De sobremesa gelatina Purê de abóbora com salada russa To esperando acabar de assar Suflê Comida dos artistas Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar Sentia mesmo que era mesmo diferente Sentia que aquilo ali não era o seu lugar (…) Legião Urbana 13 . bombom Analisando essa cadeia hereditária Quero me livrar dessa situação precária Onde o rico fica cada vez mais rico E o pobre cada vez mais pobre E o motivo todo mundo já conhece É que o de cima sobe e o de baixo desce As meninas Champignon. chan champignon Vou colocar numa forma refratária Creme de leite.

Ou será para te gozar? Sente o cheirinho de tudo. Tem um cheirinho de murta. O sol no coração. Chega de aluguel. Da minha cabeça. cê veja. É um nariz diferente. cerveja. E é suave como a pelúcia. só dá mais tristeza. Tem a ponta bem fina. É segunda-feira. De manso sobre uma praia. cê veja. Cerveja. Leandro e Leonardo Cê veja. É tanta conta irmão.com/ 14 . Surgindo de madrugada. Que às vezes costuma brilhar. Meu nome já está sujo. será que cresce ainda? Maria Eunice Barbosa Retirado do site: http://parodiadoaluno. Mesmo a grande distância. cê veja. traga mais cerveja. cerveja. É coisa por demais linda. Lembra um pedaço de ilha. Parece um mar que marulha. Sinal de que esteve nervoso. A situação tá feia. Abro a geladeira. Devo o aluguel. Tem qualquer coisa que afaga. Tem o palor que irradia. Maria Lúcia… Vinícius de Moraes Teu nariz. Tô de saco cheio. dia de canseira. tô pra lá do meio.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 14 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Teu nariz Teu Nome Teu nome.wikispaces. É segunda-feira. Há quem diga atraente. E põe na minha mesa. Venceu a prestação. Parece o de um juiz. Cê veja: a minha situação! Chalimar Rocco Chalimar Rocco Retirado do site: http://parodiadoaluno. Hoje é sexta-feira. É acorde que nunca finda. quando está meio torto. Cê veja. A estrela quando desmaia. Não sei se para te agradar. Em meio a uma boa jogada. Teu nome. pegue uma cerveja. Chego em minha casa. Maria Lúcia. E um belo nome de amada. É um grande nariz. Boto sobre a mesa. Só quero te ver logo mais.wikispaces. E esse nariz Zé Luís. Tem alguma coisa engraçada. cerveja. chega de patrão. Hoje é sexta-feira. Vou até a gaveta.com/ Cerveja. Porém. Como uma lua macia. Pra tanta solidão:Cerveja. Em torno dos 20 ou 30. Zé Luís. O coração no céu. É um doce nome de filha. Já faz um tempão. chega de canseira. Brilhando à flor de uma vaga. Nada de tristeza. Pego as minhas contas.

.com. (…) Titãs 15 .Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 15 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Comida Comida Bebida é água! Comida é pasto! Você tem sede de que? Você tem fome de que?.. balé A gente não quer só comida A gente quer a vida Como a vida quer. diversão e arte A gente não quer só “continha”. A gente não quer só comida A gente quer bebida Diversão.. necessidade.. A gente quer conhecer nosso chão A gente não quer só história. A gente quer conhecer a vida como a vida é Leitura é água Escrita é pasto Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? Bebida é água! Comida é pasto! Você tem sede de que? Você tem fome de que?..blogspot. A gente não quer só “ditado” A gente quer criação. A gente não quer só ler.. Escola é água Viver é pasto Desejo.html Bebida é água! Comida é pasto! Você tem sede de que? Você tem fome de que?.. vontade Necessidade... A gente não quer Só dinheiro A gente quer dinheiro E felicidade A gente não quer Só dinheiro A gente quer inteiro E não pela metade...br/2008/05/pardia-damsica-comida-tits. Leitura é água Escrita é pasto Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? A gente não quer só comida A gente quer comida Diversão e arte A gente não quer só comida A gente quer saída Para qualquer parte. A gente quer amar e quer viver o amor A gente não quer só responder A gente quer entender para aliviar a dor A gente não quer só ouvir A gente quer ouvir e refletir A gente não quer só o que temos A gente quer inteiro e não pela metade A gente não quer só comer A gente quer comer E quer fazer amor A gente não quer só comer A gente quer prazer Prá aliviar a dor.. A gente quer solução para qualquer parte A gente não quer só geografia... desejo Postado por C.e Julião Nogueira Retirado do site: http://jnevolucao.

d) ( ) do Cristo Redentor. Sérgio. os poetas e os passarinhos choram inconsoláveis. A forma de colocar as palavras no papel lembra a imagem a) ( ) de uma cruz. do dedo anular direito. b) ( ) Um poema. 3. b) ( ) de uma gota de orvalho. Que texto é esse? a) ( ) Uma notícia. Porto Alegre: Sobre o poema “Urgente!”. do Cristo Redentor. divididos em duas estrofes. d) ( ) possui três estrofes de seis versos. Tigres no quintal. O poema lido: a) ( ) não possui versos nem estrofes. d) ( ) Uma reportagem. 16 . c) ( ) Um anúncio. responda: 1.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 16 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Poema – o gênero em foco Leia os poemas abaixo: URGENTE! A PRIMAVERA ENDOIDECEU Uma gota de orvalho caiu hoje. 2. c) ( ) é formado por vinte e três versos. b) ( ) apresenta uma estrofe de vinte e três versos. c) ( ) de passarinhos. no Rio de Janeiro Seus restos não foram encontrados A Polícia não acredita em acidente Suspeito: o vento Os meteorologistas. Testemunha presenciou a queda: “Horrível! Ela se evaporou na metade do caminho!” CAPARELLI. às 8h.

dependendo da expressão que coincide com a última pétala. como uma fotografia. b) ( ) Denunciar a incapacidade dos policiais diante de um crime. Os poemas acima foram feitos para serem lidos apenas? 9. Isso quer dizer que o poeta pode organizar seus versos de um modo incomum. b) ( ) O vento. Pela forma que o poeta escolheu para expressar suas ideias. ele finge. d) ( ) Desenhar um ponto turístico do Rio de Janeiro. nesse texto. além de fazer uso de recursos sonoros. a) Que relação há entre a palavra primavera do título e o formato do poema? b) O miolo da flor é formado por uma onomatopeia. em seguida. como nesses poemas que você acabou de ver e ler. é possível afirmar que. movimento. eles procuram transmitir. forma.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 17 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 4. o que aconteceu. 5. com a rima e com o ritmo. ao final. ao final. onde aconteceu. b) ( ) um turista. Muitos poemas não se destinam apenas a serem lidos. d) ( ) um jornalista. d) ( ) Não há sequência de ideias no texto. Sobre os dois poemas acima. depois. Assinale a sequência de ideias apresentada na primeira estrofe do texto. c) ( ) uma testemunha. além de emoções e sentimentos. um cartaz. c) ( ) Informar ao leitor um fato de utilidade pública. Qual a intenção do autor ao criar esse texto? a) ( ) Mexer com os sentimentos do leitor. a) ( ) Primeiro. ele diz por que aconteceu. como os visuais e os gráficos. um repórter. com as palavras e seus significados. representando de forma poética e visual um fato que jamais seria matéria de uma notícia. 7. ao final. Quem é o suspeito de ter provocado a queda da gota de orvalho? a) ( ) O Cristo Redentor. impressões relacionadas a cor. mas também a serem vistos. o formato de alguma coisa ou explorem as letras e o significado das palavras. c) ( ) Primeiro. ele diz quando aconteceu. d) ( ) Os pichadores. depois. simula. por exemplo. faz uso também de recursos visuais. o poema também faz uso de outros recursos. dispondo-os de maneira que mostrem. Os apaixonados costumam despetalar uma flor recitando essas expressões. O poema “A primavera endoideceu”. o autor diz o que aconteceu. Trabalhando com as letras. o autor diz quando aconteceu. 6. Os poemas que fazem uso desses recursos são chamados de poemas concretos. responda: 8. ele diz onde aconteceu. há alguma relação entre essas expressões nas pétalas e o eu lírico do poema? Além de trabalhar com a sonoridade. por que aconteceu. b) ( ) Primeiro. o autor diz o que aconteceu. o enamorado julga-se correspondido ou não. etc. ser: a) ( ) um policial. um desenho. em seguida. Na sua opinião. c) ( ) Os poetas. 17 . depois. quando aconteceu. onde aconteceu. por que aconteceu. em seguida. Que som zum zum reproduz? c) As expressões malmequer e bem-me-quer formam as pétalas da flor.

http://culturabrasileiranoppe.pbworks.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 18 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Agora é a sua vez! Atividade 1 Veja os poemas concretos abaixo: Augusto de Campos.co m/w/page/9772637/Poesia%20concreta http://chacara. A sua tarefa será criar uma poesia concreta que represente situações por meio da exploração de recursos visuais e gráficos. 1962.wordpress. Na caixa de texto abaixo temos algumas situações sugeridas: 18 .com/category/poesia/ Os poemas acima são chamados de poemas concretos.

a fila da cantina. o recreio da escola.Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 19 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013      uma viagem em família em que haja adultos e crianças. Atividade 2 Veja outros exemplos de poesia concreta: 19 . um beija-flor se alimentando no ar. um caminho impedido por algum motivo. uma fila de cinema ou fila de terminal de ônibus.

Língua Portuguesa – Redação: Lista 1 O poema Página 20 de 20 Colégio Integral – série 7º ano – 1º bimestre – 2013 Com base nos poemas lidos. sobreviver. empregue letras de tamanhos e formatos variados. Atividade 3 Crie um poema concreto a partir destes temas:        a vida o espelho o palhaço o arco-íris a fraternidade os pássaros o futebol 20 . ou com outras de sua preferência. números. troque sílabas de lugar. montagens e desmontagens capazes de gerar significados: nascimento. aprovação. crie com as palavras a seguir. símbolos. sinais de pontuação. desarmado Se quiser. pinte com lápis ou canetinhas coloridas. introduza novas letras. primavera. início.

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