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Pedagogia histórico-crítica[1

]
Essa pedagogia é tributária da concepção dialética, especificamente na versão do
materialismo histórico, tendo fortes afinidades, no que ser refere às suas bases
psicológicas, com a psicologia histórico-cultural desenvolvida pela “Escola de Vigotski”.
A educação é entendida como o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada
indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo
conjunto dos homens. Em outros termos, isso significa que a educação é entendida
como mediação no seio da prática social global. A prática social se põe, portanto,
como o ponto de partida e o ponto de chegada da prática educativa. Daí decorre um
método pedagógico que parte da prática social onde professor e aluno se encontram
igualmente inseridos, ocupando, porém, posições distintas, condição para que travem
uma relação fecunda na compreensão e encaminhamento da solução dos problemas
postos pela prática social, cabendo aos momentos intermediários do método
identificar as questões suscitadas pela prática social (problematização), dispor os
instrumentos teóricos e práticos para a sua compreensão e solução (instrumentação)
e viabilizar sua incorporação como elementos integrantes da própria vida dos alunos
(catarse).
A Abordagem Histórico-Crítica na Formação Docente
Autor: Jónata Ferreira de Moura

RESUMO:
Este artigo trata da pedagogia Histórico-Crítica, constituída por Dermeval Saviani, como sendo uma
alternativa para superar as abordagens anteriores na formação docente. O trabalho parte de uma
investigação de revisão literária sobre a temática proposta, realiza uma pesquisa catalogada no enfoque
materialismo histórico e na abordagem qualitativa, buscando entender a concepção crítica da educação e
assim sua importância na formação pedagógica. Ele ainda tem a pretensão de fomentar o debate acerca da
formação docente sobre esse viés, com o intuito de alicerçar nosso discurso pedagógico, ideológico, político
e cultural.
INTRODUÇÃO
A educação, mais do que nunca, alcançou um grau de importância que outrora nunca pensávamos que
poderia alcançar. Sua sistematização contribui para o enriquecimento humano, para o desenvolvimento da
cultura, no discernimento entre o espaço e o tempo... Podemos, então, afirmar que a educação formal,
[...] contribui decisivamente para a formação cultural do indivíduo e da coletividade, compreendendo as
condições de transformação da população em povo, sendo este uma coletividade de cidadãos; todos seres
sociais em condições de se inserirem nas mais diversas formas de sociabilidade e nos mais diversos jogos de
forças sociais (IANNI, 2005, p. 32).
Desse modo a educação é uma categoria do trabalho não material e sua matéria prima é o saber que os
seres humanos produzem historicamente em sociedade (SAVIANI, 2008). Por isso ela é tão importante para
todos nós. Caso não haja ampla valorização e apreensão dos conhecimentos que durante o processo de
educação o ser humano produz, a comunidade reprimida, escravizada, posta à margem, intelectualmente,
jamais conseguirá conquistas de cunho socioeconômico e cultural.
Saviani (2007), que depois de muitos estudos sobre as teorias da educação, organiza-as em três grandes
teorias: as teorias não-críticas, as teorias crítico-reprodutivistas e a teoria crítica.
Para o estudioso, a composição das teorias não-críticas é feita pela pedagogia tradicional, a pedagogia da
escola nova e a pedagogia tecnicista; já as teorias crítico-reprodutivistas são a teoria do sistema de ensino

como violência simbólica, teoria da escola como aparelho ideológico de Estado e a teoria da escola dualista;
a última, a teoria crítica que está sendo aperfeiçoada, nos remete à mudança de paradigmas. Não é nosso
foco, neste trabalho, discorremos acerca das três concepções definidas pelo estudioso. Buscaremos, em
linhas gerais, expor e discutir a importância da teoria crítica, pois esta é defendida e comungada durante
todo este texto.
Em virtude do exposto, segundo a teoria crítica, não devemos encarar a educação como uma missão, tão
pouco como um dom e sim como um elemento construído historicamente pelos Homens e para os mesmos.
Pois a educação não é um poder ilusório, nem deve ser vista como uma impotência, mas deve ser concebida
como um poder real, mesmo que limitado. Para tanto, o próprio autor nos esclarece estas diferenças.
Uma teoria do tipo acima enunciada impõe-se a tarefa de superar tanto o poder ilusório (que caracteriza as
teorias não-críticas) como a impotência (decorrente das teorias crítico-reprodutivistas), colocando nas mãos
dos educadores uma arma de luta capaz de permitir-lhes o exercício de um poder real, ainda que limitado
(SAVIANI, 2007, p. 31).
Desse modo, a educação deve nos subsidiar para alcançarmos a autonomia, a independência. É através da
educação que conseguiremos a transformação social. Por isso partimos do pressuposto que uma teoria
crítica da educação poderá nos dar suporte teórico para progredirmos nos nossos estudos. E é por isso que
defenderemos nesse artigo esta concepção de educação.
1 A Pedagogia Histórico-Crítica: um novo paradigma em educação
Na pedagogia histórico-crítica (a teoria crítica da educação) a escola ganha grande destaque. Na verdade ela
recebe o dever de "propiciar a aquisição dos instrumentos que possibilitem o acesso ao saber elaborado
(ciência), bem como o próprio acesso aos rudimentos desse saber [...]" (SAVIANI, 2008, p. 15). Mas o que
vem ser esse saber elaborado? Como ele se manifesta? Este saber elaborado é o conhecimento construído
historicamente pelos homens e desse modo não se confunde com algo que a natureza nos proporciona. Ele
é o trabalho não-material. Ele é o clássico, ou seja, "[...] é aquilo que se firmou como fundamental, como
essencial [...]" (ibidem, p. 14).
Podemos corroborar que o clássico não está associado a "conteúdos", ou seja, não estamos caminhando nos
trilhos da pedagogia tradicional, pois este entendimento de tradicionalismo empregado nesta corrente
pedagógica não é o mesmo na pedagogia histórico-crítica, pois nesta abordagem temos o clássico como
sinônimo de tradicional. Pois se apropriando dos conhecimentos, dos clássicos, o dominado terá condições
de se libertar das amarras dominantes, caso contrário "[...] o dominado não se liberta se ele não vier a
dominar aquilo que os dominantes dominam. Então, dominar o que os dominantes dominam é condição de
libertação" (SAVIANI, 2007, p. 55).
Para a escola conseguir realizar esta transmissão-assimilação do saber sistematizado não basta sua
existência, pois se isto bastasse não necessitaríamos desse ambiente sistematizado do ensino, mas como
isso não é suficiente, a escola tem de possibilitar as condições para que haja a transmissão e a assimilação
dos conhecimentos construídos historicamente. Para tanto, Saviani (2008, p. 18) afirma que a instituição
escolar deverá "[...] dosá-lo e seqüenciá-lo de modo que a criança passe gradativamente do seu nãodomínio ao seu domínio". Desse modo, "[...] pela mediação da escola, acontece a passagem do saber
espontâneo ao saber sistematizado, da cultura popular à cultura erudita" (ibidem, p. 21). E assim, o
dominado saindo dessa condição social, passa a dominar aquilo que o dominante também domina.
Visualizamos o papel da escola na pedagogia histórico-crítica, contudo, não temos ainda o percurso histórico
que constitui essa linha pedagógica. Visando a superar esse hiato vamos, em poucas linhas, conhecer as
origens da Pedagogia Histórico-Crítica.

Saviani (2008) sugere o ano de 1979 como sendo o marco do surgimento da abordagem histórico-crítica. O
então professor e coordenador do curso de doutorado em educação da PUC-SP começou com seus estudantes a
discutir uma nova visão acerca da educação brasileira e esse olhar espalhou-se pelo país a fora tomando corpo
e transformando pensamentos. Um grande veículo de comunicação possibilitou maior veiculação das propostas
discutidas e publicadas pelo professor Saviani e seus colaboradores. A Revista da Associação Nacional de
Educação (ANDE) foi o espaço que o estudioso publicou suas primeiras missivas acerca da pedagogia históricocrítica.
A cada ano que Saviani vem reorganizando teoricamente seus escritos sobre a educação e novos estudos
acerca da temática abordada por ele vem sendo pesquisada e levada a cabo por muitos pesquisadores e
estudantes de mestrado e doutorado. Costa (2007) realiza uma avaliação histórica sobre a atuação de Saviani
na pós-graduação em Educação no Brasil, no recorte histórico de 1970 a 1996. Ela expõe no resumo de sua
obra que

] os conteúdos reúnem dimensões conceituais. por conseqüência.. O balanço crítico e os registros de atuação e produção de Dermeval Saviani comprovam sua inserção e engajamento. O primeiro passo dessa caminhada pedagógica . 03). Qual será a metodologia utilizada pelo docente para desenvolver suas atividades pedagógicas pautadas na Pedagogia Histórico-crítica? "O ponto de partida do novo método não será a escola. por isso . seu papel de intelectual sensível e produtivo. o entendimento sobre a educação escolar é compreendido como ela se manifesta no momento atual. p. a concepção pressuposta nessa visão da pedagogia histórico-crítica é o materialismo histórico [.] compreender a educação no seu desenvolvimento histórico-objetivo e. análises e reconstruções. 2007. Então o que vem a ser essa nova visão sobre educação? Em que base teórica o estudioso se firma? Saviani (2008. ou seja.. Isso se dar porque "[. 02). econômicas.. são alvos de críticas. Nesse sentido o educador assume outro papel. p. que são as ações didático-pedagógicas para a aprendizagem. educacionais que devem ser explicitadas e apreendidas no processo ensino-aprendizagem" (ibidem. incompletos e dotados de confrontos.]" (GASPARIN. seja a transformação da sociedade e não sua manutenção. O estudioso busca superar as teorias não-críticas e as crítico-reprodutivistas...] (ibidem. Para tal feito fazse necessário conhecer as aspirações que os educandos possuem acerca da temática a ser trabalhada.. a sua perpetuação [. Para essas concepções a educação é isolada dos fenômenos sociais e também dos fenômenos históricos.é o momento em que o educador apresenta aos educandos o tema a ser estudado. com atuação orgânica e emancipatória na educação brasileira recente [. 93). seu horizonte teórico esclarecido e problematizador. que é a expressão elaborada da nova forma de entender a prática social. Pois esses mesmos conteúdos são obras históricas de como os seres humanos governam sua vida nas relações sociais de trabalho em cada modo de produção. Nessa visão crítica de educação. realizando a mediação entre o aluno e o conhecimento que se desenvolveu socialmente" (ibidem. Para tanto. onde se explicita os principais problemas da prática social. 1996). científicas. a pós-graduação em educação.. estáticos. cujo compromisso. entretanto não perdemos nossa essência (FREIRE. estimulá-lo. é posto na condição de viabilizar essa apreensão por parte dos alunos. que tem a pedagogia histórico-crítica como alicerce didático-metodológico sobre a educação. sacudi-lo.. cada um dos cinco passos propostos pela Pedagogia Histórico-crítica e sistematizados por Gasparin. condições possíveis de serem percebidas através das lutas políticas que foram "travadas" durante sua trajetória pessoal. progredindo constrói a catarse. enquanto alguém que. depois realiza a problematização. ideológicas. original e presente na educação brasileira. contudo entendida como resultado de um grande processo de transformação histórica e social. pois os mesmos não estão engessados. sem nos estendermos.prática social inicial do conteúdo . há um constante aperfeiçoamento acerca de seus estudos. históricas. p. e por fim concretiza esse percurso na prática social final do conteúdo que é uma nova proposta de ação a partir do conteúdo aprendido. p. apreendeu as relações sociais de forma sintética.]"... sua produção teórico-crítica e a organização de sociedades e associações de ordenamento político resultam num cenário único revelador de um educador crítico. Deve-se construir uma relação entre os conceitos empíricos dos aprendizes com os conteúdos escolares. tampouco materialista.. ao contrário. políticas.A análise dessas articulações presentes na vida de Dermeval Saviani.] o professor. sensibilizá-lo acerca do objeto de conhecimento. Já a teoria crítica. Busca-se neste momento desafiar o educando. a universidade. pois "[. mesmo que precário. de certo modo. Portanto. Ou seja.] compreender a questão educacional com base no desenvolvimento histórico objetivo. pois ambas não possuem o entendimento histórico sobre a educação. toma como ponto de partida que os estudantes e o educador já possuem conhecimento. a possibilidade de se articular uma proposta pedagógica cujo ponto de referência.] (COSTA. Vejamos. 88) usa a expressão pedagogia histórico-crítica no empenho de "[... em seguida realiza a instrumentalização. porque somos seres inacabados. mas a realidade social mais ampla [. culturais.. ele se diferencia daquele profissional das outras duas teorias. p... nem a sala de aula. contudo sem conceituá-lo. busca [. p. 2007. acadêmica e profissional. 144). 2 Uma Didática para a Pedagogia Histórico-Crítica A teoria construída por Saviani parte da prática social inicial do conteúdo. xii).

Então. podemos.] é o fio condutor de todo o processo de ensino-aprendizagem [. evidenciando que qualquer assunto a ser desenvolvido em sala de aula já está presente na prática social. como parte constitutiva dela (GASPARIN. ele serve para responder às necessidades humanas. É o momento em que se inicia o trabalho com o conteúdo sistematizado". p. 1989.32). dado ao professor. p. É agora que se inicia o trabalho com o conteúdo sistematizado. 100 apud GASPARIN. Em razão disso.] não pode ser apenas uma estratégia pela qual um conjunto de conteúdos preelaborados.] pano de fundo sobre o qual e em função do qual se trabalha um conteúdo [. Ela é o "[. isto é. Contudo temos que ter em mente que a problematização [. do fazer pelo fazer. 1993.. assim os estudantes não devem aprender apenas aquilo que aspiram. entretanto devem tomar posse do que é socialmente imprescindível para os cidadãos de hoje. do deixar que os acontecimentos ocorram pela livre expressão dos sujeitos aprendentes.. p. Ela se manifesta constantemente. "sincrese") [VASCONCELOS.. a partir dos modos de produção social. É um momento de conscientização do que ocorre na sociedade em relação àquele tópico a ser trabalhado. entre o fazer cotidiano e a cultura elaborada. a qual "[. 38). Haveria então um enlaçamento artificial entre os conteúdos necessários em uma determinada cultura e aqueles pontos que a prática social de um determinado grupo considera relevantes (WACHOWICZ.. Lembrando que não devemos nos fixar somente nos interesses imediatos dos educandos para não cairmos no campo da superficialidade. por isso deve haver uma seleção criteriosa acerca desses conteúdos que irão servir para mostrar a realidade. e quem vai ajudar nesta empreitada são os conteúdos preestabelecidos pelo currículo escolar e escolhidos pelo docente como necessários a .]" (ibidem. temos a problematização como passo seguinte. 2007. 49). podemos afirmar que A Prática Social Inicial é sempre uma contextualização do conteúdo. o educador que possui uma visão clara e sintética da realidade busca entender e posicionar a visão sincrética que os educandos possuem acerca da temática para assim alavancar o percurso trilhado no entendimento que compreende o conhecimento como uma produção humana. pois não se finda à medida que os demais passos da aprendizagem vão ocorrendo. um levantamento das relações do conhecimento dos alunos sobre o tema de estudo. 35) afirmar que "a problematização é um elemento-chave na transição entre a prática e a teoria. 24).. Então os principais problemas lançados pela prática social devem servir como trilho para amenizar os problemas existente no meio em que se está inserido. pois ele é entendido como uma construção histórica. Assim.. Temos que ir além dos desejos dos estudantes e por isso... p. 2007.. passaria por um processo de seleção em função das questões relevantes para a prática social.. 17]. Desse modo. realizar este primeiro passo é ter em mente que os conteúdos são produzidos e organizados pelos Homens e expressos nas instituições sociais. com base nos estudos de Gasparin (2007. A mobilização é o momento de solicitar a visão/ concepção que os alunos têm a respeito do objeto (senso comum. não natural. p. 48 apud GASPARIN.]" (ibidem. p. Seguindo o caminho das pedras.Conhecer a realidade dos educandos implica em fazer um mapeamento. Esses conteúdos irão responder às dificuldades postas pela prática social. 2007. p.

de suas concepções caóticas pra entrar no plano científico. 2007).] instrumentos teóricos e práticos necessários ao equacionamento dos problemas detectados na prática social [. já que é aí que se realiza pela mediação da análise levada a cabo no processo de ensino. mais consistente e melhor estruturado... . 133). a passagem da síncrese à síntese.. Na prática é o resumo que o estudante faz do conteúdo aprendido. para assim. 71) a instrumentalização é o momento em que os estudantes se apropriam dos [.serem dominados.] Trata-se da apropriação pelas camadas populares das ferramentas culturais necessárias à luta social que travam diuturnamente para se libertar das condições de exploração em que vivem. por muitos. possuindo um valor econômico próprio e desse modo vem sendo colocado em determinação direta das condições de funcionamento do mercado capitalista: algo intolerável (SAVIANI. realizarmos a elaboração teórica da nova síntese e a expressão prática dela. é sua manifestação acerca do novo conceito alcançado. p. 2007).] trata-se da efetiva incorporação dos instrumentos culturais. O quarto passo é o trecho do percurso em que o educando sinaliza o quanto incorporou dos conteúdos trabalhados.. Porque as dúvidas.]". o professor e o conteúdo (GASPARIN. p.. Saviani (2007.. É constantemente um triângulo equilátero. 72) explica dizendo que cartase é O momento da expressão elaborada da nova forma de entendimento da prática social a que se ascendeu [. O professor assume seu real papel de mediador ajudando seus estudantes a construírem sua representação mental do objeto do conhecimento. Valendo-nos da afirmação de Saviani podemos dizer que o estudante sai do senso comum. p.] os conteúdos tornam-se verdadeiramente significativos porque passam a fazer parte integrante e consciente do sistema científico.] Daí porque o momento catártico pode ser considerado o ponto culminante do processo educativo. Tendo em vista os dizeres de Saviani (2007. transformados agora em elementos ativos de transformação social [. "[. Na atualidade esta máxima do "método" torna-se ímpar.. manifestase nos alunos a capacidade de expressarem uma compreensão da prática em termos tão elaborados quanto era possível ao professor. cultural e social de conhecimentos [. qual seu novo grau de aprendizagem. ou os conhecimentos discutidos em uma unidade do programa da disciplina trabalhada que resolverão as questões postas pela prática social (SAVIANI. Na instrumentalização os estudantes e o objeto da sua aprendizagem são postos frente a frente através da mediação do educador. Segundo Gasparin (2007. 2005). a ser concebida como um bem de produção... as inquietações. pois a educação passou. Ele passa a entender a realidade com base em um olhar holístico... Esta relação se torna o ápice deste procedimento de ensino. em conseqüência.. os confrontos são pertinentes ao desenvolvimento do conhecimento e assim da sociedade por inteiro. Chegamos agora ao ponto onde os confrontos são essenciais no processo de ensino-aprendizagem. visto que nos remete a uma relação triádica marcada pelas deliberações sociais e singulares que caracterizam os sujeitos aprendentes.

Ou como melhor explica Gasparin (2007. agora modificada pela aprendizagem.] (DUARTE. temos que A Prática Social Final é a confirmação de que aquilo que o educando somente conseguia realizar com a ajuda dos outros agora o consegue sozinho. pois a educação é um direito de todos. retornando à Prática Social Inicial. É em razão disso que esta fase viabiliza aos aprendentes agir de forma autônoma e criativa. CONCLUSÃO Compreendendo que a formação docente deve perpassar desde os fundamentos teóricos até os fundamentos metodológicos. não apenas em relação ao fenômeno. na zona de desenvolvimento próximo [. p. 98). É. 148). em razão disso. aprendeu. e por isso sabe e aplica. nos comprometermos com a transformação da sociedade e não na sua perpetuação. Através deste prisma. de suprimidos à servidão. 2004). temos a prática social final que é o mesmo nível de desenvolvimento real denominado por Vygotsky. 2007. p. suas intenções. Por isso que Cabe ao ensino escolar. Como já mencionado. Para tanto. REFERÊNCIAS . a importante tarefa de transmitir à criança os conteúdos historicamente produzidos e socialmente necessários. da nova atitude. da nova visão do conteúdo no cotidiano. portanto. Buscando realizar operações mentais e/ou materiais com suas próprias "pernas". É a proposta de ação que. os estudantes elaboram colocando em pauta seu compromisso com a prática social. do concreto. e ainda as ideologias que o mundo oficial persiste em inculcar na formação de nossos educadores. o momento da ação consciente. que os dominados podem sair desta condição de domados. progredindo do nível de desenvolvimento potencial para o nível de desenvolvimento real. em parceria com o educador. os fundamentos filosóficos da pedagogia instituída por Saviani faz-se como elemento de luta e de solo firme para nossa caminhada. mas à essência do real. Precisamos. precisamos atentar para os desafios que nossa sociedade lança a todos. selecionando o que desses conteúdos encontra-se.Por último. é a concordata com a melhora de seu desempenho depois de ter adquirido determinado conhecimento. É a expressão mais forte de que de fato se apropriou do conteúdo.. na perspectiva da transformação social. Visto que. a cada momento do processo pedagógico. neste momento constatamos que o estudante já consegue realizar suas atividades sem ajuda da pessoa mais experiente. partir dos pressupostos da pedagogia histórico-crítica é uma alternativa que pode nos libertar das amarras do mundo oficial e endossar o clamor pela resistência que o mundo real tanto precisa para combater as fragilidades da formação docente e eliminar a reprodução da sociedade.. finalmente. ainda que trabalhando em grupo. A prática social final é a manifestação da nova atitude dos educandos. como nos alerta Saviani (2008). é através da apropriação dos conhecimentos que os dominantes apreendem. ao mesmo tempo. pontos essenciais defendidos por Vygotsky nos seus estudos sobre a aquisição da aprendizagem pelo ser humano. Contudo esta máxima vem sendo suprimida com a prática de realizar uma educação pobre para os pobres e uma educação rica pra os ricos (DEMO. É o novo uso social dos conteúdos científicos aprendidos na escola (ibidem. p. Ou seja. Então. Encarando o trabalho pedagógico como essência da realidade do educador e o saber como meio de produção que disponibilizará forças para a mudança social que tanto almejamos. É a manifestação da nova postura prática. 149) A Prática Social Final é a nova maneira de compreender a realidade e de posicionar-se nela. compreender a educação no seu desenvolvimento histórico-objetivo.

Educação escolar. Dissertação (Mestrado em Educação) ? Universidade Estadual de Campinas.unicamp. In: LOMBARDI. João Luiz. _____________. Capitalismo. SAVIANI. uma nova atitude do professor e dos alunos em relação ao conteúdo e à sociedade: o conhecimento escolar passa a ser teórico-prático. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 3 ed. GASPARIN.1)Introdução. teoria do cotidiano e a escola de vigotski. José Luís (org. 4 ed.p. O cidadão do mundo. Dermeval. -Campinas.br/document/?code=vtls000412688>. trabalho e educação. 4 ed. SÍNTESE DAS PRINCIPAIS IDEIAS CONTIDAS NA OBRA DE JOÃO LUIZ GASPARIN UMA DIDÁTICA PARA A PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA 5. Campinas: Autores Associados. São Paulo: Paz e Terra. In: LOMBARDI. Reimpr. 2004. Dermeval. 2007. Porto Alegre: Mediação. 2005. 2005. SP: Autores Associados. 2007. FREIRE. Escola e democracia: teorias da educação. curvatura da vara. 39 ed.2011. Disponível em: < http://libdigi. 2007. de 2008. SAVIANI. 1. DUARTE. José Claudinei. Dermeval. Acessado em 20 de dez. Capitalismo. HISTEDER. Pedagogia da autonomia: saberes necessário à prática educativa. 2011. José Luís (org. Uma Avaliação Histórico-Crítica da Trajetória Institucional e Política do Educador Dermeval Saviani na Pós-Graduação em Educação no Brasil (1970-1996): a busca coerente da articulação teoria e prática. HISTEDER. Campinas: Autores Associados. SANFELICE. SAVIANI. onze teses sobre a educação política. Pedro. 10 ed. Campinas: Autores Associados. trabalho e educação. Uma didática para a pedagogia histórico-crítica. 2007. do mundo do trabalho e da educação.” . A FINALIDADE SOCIAL DOS CONTEÚDOS ESCOLARES “Nessa perspectiva. SANFELICE. Esse procedimento. o novo indicador da aprendizagem escolar consistirá na democratização do domínio teórico do conteúdo e no seu uso pelo aluno.). ED. DEMO. 1996. Octavio. Transformações do capitalismo. Newton. Os avanços científico-tecnológicos que facilitam a aquisição de conhecimentos e informações fora da escola levantam questões como: o que hoje a escola faz e para quê? Ela responde às necessidades sociais da atualidade?” (GASPARIN.REV. IANNI.COSTA. em função das necessidades sociais a que deve responder. 2008. FICHAMENTO QUESTIONAMENTO SOBRE AS RAZÕES SOCIAIS DA ESCOLA “Há muito tempo a importância do professor no processo ensino aprendizagem é questionada. Paulo. 3 ed. José Claudinei. _____________. Ser professor é cuidar que o aluno aprenda. Campinas: Autores Associados. Valdirene Pereira. 99 f.). Campinas: Autores Associados. Campinas. Implica que seja apropriado teoricamente como um elemento fundamental na compreensão e na transformação da sociedade. Campinas: Autores Associados.

sentem e pensam os educandos em seu dia a dia.2)Introdução.Introdução. a compreensão da essência dos conteúdos a serem estudados. isso faz compreender que. tanto em seus componentes objetivos quanto subjetivos. PENSAMENTO DIALÉTICO A prática social considerada na perspectiva do pensamento dialético é muito mais ampla do que a prática social de um conteúdo específico. (GASPARIN. com a totalidade da prática social e histórica.6).(GASPARIN. também. por isso é substancialmente diversa da aprendizagem espontânea. Ora. desvelando os elementos essenciais da prática imediata do conteúdo e situando-o no contexto da totalidade social. pois se refere a uma totalidade que abarca o modo como homens se . 2011.p. o mesmo se dá com fatos. 2011. uma expressão da prática social geral. Esse é o caminho pelo o qual os educandos passam do conhecimento empírico ao conhecimento teórico-científicos.6).6)Introdução.p. A PRÁTICA SOCIAL DA EDUCAÇÃO A proposta pedagógica. 2011. da qual o grupo faz parte.2011. portanto. mas não significa que a aprendizagem escolar seja uma continuação direta da linha de desenvolvimento pré-escolar da criança. A aprendizagem escolar trabalha com a aquisição das bases do conhecimento científico. ações e situações específicas da realidade imediata dos alunos na educação escolar” (GASPARIN. A TEORIZAÇÃO SOBRE A PRÁTICA SOCIAL “A prática da qual se está falando não se reduz somente ao que fazem.2011. através do processo de abstração.” (GASPARIN.p. Ela sempre é. deriva dessa teoria dialética do conhecimento tem como primeiro passo ver a prática social dos sujeitos da educação.p. O EDUCADOR DEVE POSSIBILITAR AO EDUCADOR DEVE POSSIBILITAR AO EDUCANDO A ESSÊNCIA DOS CONTEÚDOS “O processo pedagógico deve possibilitar aos educandos.16).p. a fim de que sejam estabelecidas as ligações internas específicas desses conteúdos com realidade global. (GASPARIN. PARTE I PRÁTICA SOCIAL NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO DO EDUCANDO A APRENDIZAGEM ESCOLAR Esse saber anterior é o ponto de partida. se a totalidade social é histórica e contraditória.

busca verificar que domínio já possuem os educandos sobre o conteúdo.p. . A IMPORTÂNCIA DOS CONTEÚDOS PARA A VIVÊNCIA DO ALUNO “Por isso. busca verificar que domínio já possuem e que fazem dele na prática social cotidiana. as vivências. o conteúdo a ser trabalhado. (GASPARIN. expresso nas instituições sociais do trabalho.p. 2011. da família. sua formulação orienta todo o processo de trabalho docente-discente nas cinco fases da pedagogia histórico-crítica.p.24) PARTE II PROBLEMATIZAÇÃO PROBLEMAS DA PRÁTICA SOCIAL A CONTRIBUIÇÃO DOS ALUNOS NO ESTUDO “Em uma primeira constatação da realidade empírica. dos meios de comunicação social. ocasião em que são expressas as concepções. dos partidos políticos etc. OS PROCEDIMENTOS QUE O PROFESSOR PODERIA UTILIZAR PARA TRABALHAR COM A PRÁTICA SOCIAL “O professor anuncia.” (GASPARIN. Desta maneira.organizam para produzir suas vidas. 2011. 2011. as percepções. dos sindicatos. as formas próximas e remotas de existência do conteúdo em questão. a aprendizagem do conteúdo e sua aplicação social devem estar em consonância com os objetivos.p. então. 2011.20). da escola. É a manifestação do estado de desenvolvimento dos educandos.28).” (GASPARIN. Dialoga com educandos sobre o conteúdo. os conceitos. o aluno traz a sua contribuição para o estudo” (GASPARIN.19). da igreja.

o professor poderia propor uma discussão em que se evidenciassem aspectos contraditório/controvertidos (.” (GASPARIN.” TRANSFORMAR OS CONTEÚDOS EM QUESTÕES PROBLEMATIZADORAS “Este processo de explorar as diversas faces do conteúdo é uma maneira prática de transformá-lo em questões problematizadoras. para os desafios que são colocados pela realidade. Segundo Vasconcellos(1993. isto é. (GASPARIN.33) IDENTIFICAR OS PRINCIPAIS PROBLEMAS SOCIAIS “Com base nos dados apontados pelos alunos e nos desafios surgidos na prática social inicial.p. 2011.43) QUESTIONAMENTO DA PRÁTICA SOCIAL E DO CONTEÚDO “Para a realização desse passo sobre o conteúdo água.)”. que Consist num reflexão cooperativa. no sentido de que o educando.CONTEÚDO SISTEMATIZADO “A problematizarão é um elemento-chave na transição entre a prática e a teoria.2011. “na origem do conhecimento está colocado um problema(oriundo de uma necessidade). despertado e ter apresentado algumas hipóteses de encaminhamento (. 201. em questões dinâmicas.70)..p. (GASPARIN. com objetivo de começar a entender melhor o conteúdo que será estudado. Não consiste mais em estudar apenas para reproduzir algo... provocado. É o momento em que o educando.47) . que orientarão as fases posteriores do método. ainda que teóricas. após ter sido desafiado.” (GASPARIN.)”. desafiadoras. mas. muda completamente o processo de construção do conhecimento. em encaminhar soluções.42) TRANSFORMAR CONTEÚDO FORMAL EM QUESTÕES DINÃMICAS “É fundamental explicitar para os educandos que a tarefa de transformar o conteúdo formal.p. entre o fazer cotidiano e a cultura elaborada. 2011.p. sim. através de sua ação.p.” (GASPARIN. 2011.p. o professor encaminha uma discussão. estático. este momento é ainda preparatório.44) A PROBLEMATIZAÇÃO COMO FIO CONDUTOR DA APRENDIZAGEM “A problematização é o fio condutor de todo o processo de ensino aprendizagem. busque o conhecimento.. Todavia.

50). explicitamente. que enfatiza a importância da interação dos indivíduos entre si.p.52). mas. não se está referindo aos processos tradicionais.p. todo o processo ensino-aprendizagem é encaminhado para. incorporam ou. 2011. O EDUCANDO APROPRIA-SE DO OBJETO DO CONHECIMENTO “Isso quer dizer que a aprendizagem somente é significativa a partir do momento em que os educandos introjetam. O ALUNO COMO OBJETO SISTEMATIZADO DO CONHECIMENTO “A partir das questões levantadas na prática Social e sistematizadas na problematização.” (GASPARIN. a verdadeira aprendizagem é intrapessoal.INSTRUMENTALIZAÇÃO AÇÕES DIDÁTICO-PEDAGÓGICAS PARA A APRENDIZAGEM O CONCEITO DE INSTRUMENTALIZAÇÃO “A instrumentalização é o caminho pelo qual o conteúdo sistematizado é posto à disposição dos alunos para que o assimilem e o recriem e.”(GASPARIN. realizando ao mesmo tempo a continuidade e a ruptura entre o conhecimento cotidiano e o científico.p. apropriam-se do objeto do conhecimento em suas múltiplas determinações e relações.51). escolanovistas ou tecnicistas de ensino.50) O AUTOR ENFATIZA A IMPORTÂNCIA DO SABER . e da relação destes com o todo social no processo de aquisição dos conhecimentos escolares. em outras palavras. O AUTOR ENFATIZA A IMPORTÃNCIA DO SABER “Assim. transformem-no em instrumento de construção pessoal e profissional.2011. a uma nova forma de apropriação do saber.p. quando se fala em transmissão e em assimilação de conhecimentos.2011.49) A VERDADEIRA APRENDIZAGEM É INTRAPESSOAL ‘Todavia. enquanto sujeitos sociais. confrontar os sujeitos da aprendizagem os alunos com o objeto sistematizado do conhecimento conteúdo. ao incorporá-lo.2011. ”(GASPARIN.p.2011. resulta de uma interação. isto é. recriando-o “seu”. Trata-se da Teoria Histórico-Cultural.”(GASPARIN. pois depende da ação do sujeito sobre o objeto e deste sobre o sujeito. sim.”(GASPARIN. ainda que o processo da aprendizagem seja interpessoal.

a abstração. ao executarem inicialmente a mesma ação do professor. generalizar etc.58) O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM “Assim. o processo de formação de conceitos ou significado das palavras não é espontâneo.2011.2011.p. Torna-se evidente que a apreensão e a assimilação de processos psíquico interno e envolve a compreensão da nova palavra. Todavia.55) A SUBJETIVIDADE E A OBJETIVIDADE DO CONTEÚDO “O conjunto de ações é sempre perpassado pela contradição cognoscitiva entre a subjetividade dos alunos e a objetividade do conteúdo a ser aprendido. comparar.2011. (GASPARIN.“Assim. é de vital importância conhecer o processo mental de construção desses conceitos. transformando-os também em científicos. os processos de assimilação da língua materna e da língua . O conjunto entre o conhecimento cotidiano trazido pelos alunos e o conteúdo científico apresentado pelo professor implica que o educando negue o primeiro pela incorporação do segundo.52) A IMPORTÃNCIA DO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO “Considerando que a instrumentalização é a fase na qual os conceitos científicos se estruturam. a fim de que os alunos. constituindo uma nova síntese mais elaborada”. através das operações mentais de analisar. escolanovistas ou tecnicistas de ensino. quando se fala em transmissão e em assimilação de conhecimentos.”(GASPARIN. apropriem-se dos conceitos científicos e neles incorporem os anteriores. a imitação e suas consequências pedagógicas. uma criança não pode aprender na escola um idioma estrangeiro da mesma forma como aprende a língua materna em casa.p.”(GASPARIN.. sim.”(GASPARIN.2011.p. na aquisição da língua estrangeira.. isto é. 2011.p.”(GASPARIN. mas. explicar.p. seu uso e assimilação real. não são os mesmos. Os processos e as leis de aprendizagem da língua pátria não se repetem.52) TEORIA HISTÓRICO-CULTURAL “A formação dos conceitos científicos na criança: as diferentes dimensões dos conceitos cotidianos e científicos.55). a comparação e a diferenciação.p. As condições internas e externas de assimilação dos dois idiomas são muito diferentes. O CONTEÚDO CIENTÍFICO COM O COTIDIANO “A tarefa docente consiste em trabalhar o conteúdo científico e contratá-lo com o cotidiano. a uma nova forma de apropriação do saber. a construção dos conceitos científicos e o sistema dos conceitos científicos.56) O PROCESSO DE FORMAÇÃO DE CONCEITOS “Nesse sentido.2011.” (GASPARIN. mas exige o desenvolvimento de uma série de funções superiores como a atenção voluntária.a memória lógica. não se está referindo aos processos tradicionais.

2011. (.78). O AUTOR COMPARA CÓPIA COMO UMA REPETIÇÃO “A imitação.57). entretanto. na autonomia. a criança aprende algo que está longe de seus olhos. apoia-se nos conceitos vividos e cotidianos da criança.” (GASPARIN. muito além de sua experiência atual e imediata. no processo de aprendizagem escolar e desenvolvimento. A assimilação dos conceitos científicos. A IMITAÇÃO É UM SIMPLES MECANISMO DE CÓPIA AUTOMÁTICA “Enfatiza a dependência que o processo ensino-aprendizagem tem como relação à imitação quando se trata do papel da educação no desenvolvimento da criança”. 2011.”(GASPARIN. em essência. o centro da retórica de Vigotski é persuadir os educadores “de que o papel daqueles que atuam com atividades educacionais nas escolas é criar ambientes que melhor utilizem os mecanismos de imitação.p..61). e não há.”(GASPARIN. A APRENDIZAGEM ESCOLAR “No processo de ensino escolar.2011. mas todos destacam sua importância.estrangeira têm muitos pontos em comum. na criatividade.69).2011.p. p. . o conceito em questão.p.” (GASPARIN. uma vez que hoje tudo parece indicar que a ênfase deva estar na iniciativa pessoal.” (GASPÁRIN. Mesmo porque.p.78) A ESCOLA DEVE PROPICIAR NOVAS EXPERIÊNCIAS PARA AS CRIANÇAS “Por isso é esperado das escolas que propiciem às crianças experiências que ainda não tenham vivido possibilitando que seu desenvolvimento proceda dessas experiências sociais pensadas. distinguindo o desenvolvimento como maturação e como aprendizagem” (GASPARIN. 2011..p. de tal maneira que. constituem uma classe única de processos de desenvolvimento da linguagem. dentro do sistema de generalização em que se inclui. A APRENDIZAGEM E O AMADURECIMENTO “Quando declara que o desenvolvimento tem sempre um caráter duplo.72).62) O CONCEITO DE GENERALIZAÇÃOO “generalização significa a formação de um conceito superior.) Segundo Vasconcellos e Valsiner (1995. apresenta-se como um tema contraditório. evidentemente. 2011. como um caso particular. unaminidade entre eles quanto ao sentido dado ao termo.p. na divergência.

tornarem-se.p.82) TODA APRENDIZAGEM É BOA “Assim. . ou seja. num segundo momento. (GASPARIN. 2011. Por isso não se pode imitar tudo. pois cada criança possui um limite próprio de imitação distinto das demais. mediadores fundamentais entre a aprendizagem escolar e o desenvolvimento intelectual do aluno. através da imitação. pelo ensinamento recebido. Chega a um certo ponto. mas somente aquilo que se encontra dentro da zona de desenvolvimento da própria idade mental.p. ainda está em colaboração com ele.p.” (GASPARIN. para. CADA CRIANÇA POSSUI O SEU PRÓPRIO LIMITE DE IMITAÇÃO “Assim.86).”(GASPARIN.79). assim. o ensino e a educação escolar produzem desenvolvimento.83). os signos verbais se encontram primeiro no interpessoal.” (GASPARIN.80) ZONA DE DESENVOLVIMENTO IMEDIATO DA CRIANÇA “Por isso as possibilidades de ensino são determinadas pela zona de desenvolvimento imediato de cada criança”. (GASPARIN. Isso significa que não é necessário que o desenvolvimento tenha preparado por completo os fundamentos sobre os quais a aprendizagem se deve erigir. O PROFESSOR COMO MEDIADOR “Em outras palavras.p. O professor e o ensino são.84).p.2011. 2011. instrumentos cognitivos intrapessoais. próprios do indivíduo. mesmo imitando. toda a aprendizagem é boa à medida que supera o desenvolvimento imediato encerra-se com a obtenção de um novo nível de desenvolvimento atual: o aluno mostra que se superou.p. professor. 2011. ainda está em colaboração com ele. A AÇÃO DO PROFESSOR NA OPERAÇÃO MENTAL DO ALUNO “Mesmo quando a criança completa a frase sem a presença ou ajuda direta do professor.dentro dessa perspectiva. pelo ensinamento recebido. ela não resolve todas as tarefas.(GASPARIN. no meio social do educando. pela imitação do modelo que aprendeu.2011.2011.

o que auxilia na seleção dos procedimentos para desenvolver os conceitos científicos que são objetos específicos da escola.2011. Por sua vez.2011. Por isso é possível afirmar que o processo da aprendizagem da língua materna vai de baixo para cima. já que criou estruturas necessárias para que surjam as propriedades elementares e inferiores dos conceitos”.p. por meio da criação de formações estruturais indispensáveis para alcançar as propriedades superiores do conceito (tais como a consciência e a utilização deliberada)”. permitindo estabelecer hipoteticamente as curvas do desenvolvimento dos conceitos espontâneos e científicos. Conforme Fontana. por outro.p.94) A CRIANÇA MUDA TEM DIFICULDADE DE ASSIMILAR UM CONCEITO MAIS AMPLO DAS PALAVRAS .87). (GASPARIN.p. Enquanto a aprendizagem da língua materna é não intencional e não consciente. com bastante precisão.92).93) A LÍNGUA MATERNA “Esse fato pode ser comprovado na aprendizagem da língua materna e de uma língua estrangeira por uma criança :seguem caminhos opostos. 2011. 2011. prepara o caminho descendente para o conceito científico.p. em seu movimento descendente. O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DOS CONCEITOS COTIDIANOS “O processo de construção dos conceitos cotidianos dá-se de forma inversa: do empírico movem-se para as propriedades superiores dos conceitos. (GASPARIN.” (GASPARIN.”(GASPARIN. abre caminho para ascensão dos conceitos cotidianos. ao passo que a língua estrangeira segue de cima para baixo. da intencionalidade e da consciência. o conceito científico.p.” Se por um lado.(GASPARIN. em seu movimento ascendente. isto é. a aprendizagem de um idioma estrangeiro parte do extremo oposto.A CORRELAÇÃO ENTRE OS CONCEITOS CIENTÍFICOS E COTIDIANOS “Isso possibilita definir. O DESENVOLVIEMNTO DOS CONCEITOS NA CRIANÇA “Existem dois aspectos a considerar. o ponto central do desenvolvimento das duas ordens de conceitos. é a diferença de elaboração mental entre ambos que possibilita o desenvolvimento dos conceitos na criança”. 2011. o caráter consciente e a voluntariedade”. ou seja. a coincidência de conteúdo possibilita a comunicação adulto/criança.90) O CONCEITO CIENTÍFICO DEVE ATINGIR CERTO NÍVEL DE SEU DESENVOLVIMENTO “O conceito cotidiano.

98) O ESTUDO DAS RELAÇÕES GENÉTICAS E PSICOLÓGICAS “O aparecimento do primeiro conceito superior generalizado.(GASPARIN. 2011.p. 2011.101) O ALUNO CONSTRÓI PARA SI O CONHECIMENTO “Nessa interação.p.p. ao passar de uma fase para outra. um conceito mais amplo. o . realiza-se um salto e uma repentina reorganização da relação entre conceito e objeto. Trata-se de uma lei geral que possibilita o estudo das relações genéticas e psicológicas entre o geral e o particular nos conceitos da criança. chegou à conclusão que a questão central que determina integralmente a diferença entre a natureza psíquica de uns e de outros é a ausência ou existência de um sistema. estante. constrói para si o conhecimento. mesa.p. efetivamente.“Vigotski dá o seguinte exemplo: uma criança muda assimila com facilidade o significado de uma série de palavras como: cadeira.p. sofá. psicológica de uma operação externa. o sistema de relações de generalidade reestrutura-se lentamente.”(GASPARIN. escrivaninha.99) MOVIMENTO INTERFÁSICO E INTRAFÁSICO “Nas passagens dentro de uma mesma fase de generalização. apropria-se e. através do uso de signos. (GASPARIN. e a natureza específica de cada um.103) O PROCESSO DE INTERNALIZAÇÃO “Este processo consiste na reconstrução interna. estabelecendo uma série de microrrelações entre diversas partes do conteúdo e de macrorrelações do conteúdo com o contexto social. (GASPARIN. o aluno.p.2011.” (GASPARIN. mais genérico em relação às palavras aprendidas. necessárias para a realização do processo de aprendizagem”.(GASPARIN.100) A EXISTÊNCIA DE UM SISTEMA “Vigotski. social. mas.2011. subjetiva. (GASPARIN. 2011.100) O PROCESSO DE GENERALIZAÇÃO “a criança não necessita reestruturar separadamente todos os conceitos anteriores”. é sinal tão importante de progresso no desenvolvimento do aspecto semântico da linguagem infantil quanto o surgimento da primeira palavra com sentido.103) O PROFESSOR COMO MEDIADOR “Na sala de aula a ação do professor tem como objetivo criar as condições para atividade de análise e das demais operações mentais do aluno. Nesta ação. consciente. por meio da palavra que designa coisas do mundo real. que é evidentemente.2011. por sua ação e pela mediação do professor. Há sempre uma generalização das generalizações anteriores. 2011. ao procurar elucidar a distinção entre os conceitos cotidianos e científicos.p. que engloba uma série de conceitos formados anteriormente. como mobília. ou seja. mas é incapaz de assimilar uma sexta palavra mobília ou móveis.

104) A TEORIA E A PRÁTICA “Para estabelecer a ponte entre teoria e prática..p. a escola deve tornar-se um centro de experiência permanente para que o aluno identifique as relações existentes entre os conteúdos do ensino e as situações da aprendizagem com os muitos contextos da vida social e pessoal. (GASPARIN. caminhando com os alunos. os alunos podem e devem apropriar-se dos conceitos científicos sem o auxílio do professor”.] é definir a relação e estabelecer a ligação entre os conceitos científicos e os cotidianos”. 2011. teleconferência etc.2011.115) O PAPEL DO PROFESSOR COMO MEDIADOR “[. computador.120) CATARSE EXPRESSÃO ELABORADA DA NOVA FORMA DE ENTENDER A PRÁTICA SOCIAL O CONCEITO DE CATARSE .108) O PROFESSOR COMO UNIFICADOR DO TRABALHO PEDAGÓGICO “A partir desse contato.2011. CD-ROM.(GASPARIN.p. 2011. juntando o aprendido sistematicamente escolar na instituição com o observado de maneira espontânea no cotidiano. (GASPARIN.2011... correio eletrônico.p.. o professor.p. conduz o processo em direção aos conceitos científicos no momento em que os educandos.p.] informática. (GASPARIN. internet. garantem seu crescimento intelectual e seu desenvolvimento. (GASPARIN.116) O PROFESSOR DEVE POSSIBILITAR A AUTONOMIA DE APRENDIZAGEM “No transcorrer de sua vida.p. com o auxílio do professor como mediador social. apropriam-se dos conceitos científicos. ferramentas para educação a distância como: chats ou bate-papo.”(GASPARIN.2011.p. listas de discussão. o que é comum para todo grupo. (GASPARIN.118) AÇÕES DOCENTES E DISCENTES “Este passo consiste na especificação dos procedimentos que serão usados para o estudo dos diversos tópicos do conteúdo. hipermídia.106) AS NOVAS TÉCNICAS DE MEDIAÇÕES DA APRENDIZAEGEM “[. multimídia.2011. através da aprendizagem.educando reconstrói para si..

p. É o momento em que indica quanto incorporou dos conteúdos trabalhados. que é o momento em que ele estrutura.124) O CONHECIMENTO COMO TRANSFORMAÇÃO SOCIAL “Não é neutro.2011. de um sincretismo inicial sobre a realidade social do conteúdo trabalhado..“[. nem natural. É um produto da ação humana.126). conclui agora com a síntese.”(GASPARIN. 2011. qual seu novo nível de aprendizagem. em nova forma.” (GASPARIN.p. mas constituiu para si uma nova visão da realidade.125). O CONCEITO DE UMA NOVA SÍNTESE TEÓRICA “A síntese é a sistematização do conhecimento adquirido. O NÍVEL DE APRENDIZAGEM “O educando mostra que. a conclusão a que o aluno chegou.(GASPARIN.. e atende a interesses de classes ou de grupos sociais determinados.”(GASPARIN.126).2011.2011. seu pensamento sobre as questões que conduziram seu processo de aprendizagem.” (GASPARIN.p.130) .p.p. 2011. A POSIÇÃO SO ALUNO EM RELAÇÃO AO DOMÍNIO DO CONTEÚDO “O educando demonstra o quanto se aproximou do equacionamento ou da solução dos problemas teóricosociais que orientaram o processo ensino-aprendizagem.]é a verdadeira apropriação do saber por parte dos alunos” Isso significa que o estudante não apenas aprendeu de cor a lição.

como plantar uma árvore. ainda que em pequena escala.”(GASPARIN.se o educando não for desafiado a pôr em prática.141).No entanto.. atuar intelectualmente.144). “não é outra coisa senão aquele pedagogia empenhada decididamente em colocar a educação a serviço da referida transformação das relações de produção”.”(GASPARIN.2011.2011.” (GASPARIN.2011.os conhecimentos adquiridos ou construídos na escola. Aqui. O CONHECIMENTO RETIDO “Entende-se que não são ações individuais que transformarão a escola e as estruturas sociais. possibilitar ao educando as condições para que a compreensão teórica se traduza em atos.. porém.p. o que se pretende é que assuma uma nova postura prática ante a realidade que acaba de conhecer. Procura também prever como será seu desempenho depois de ter adquirido determinado conhecimento. fechar uma torneira.2011. uma vez que a prática transformadora é a melhor evidência da compreensão da teoria. assistir a um filme etc.p. portanto.PRÁTICA SOCIAL FINAL DO CONTEÚDO NOVA PROPOSTA DE AÇÃO APARTIR DO CONTEÚDO APRENDIDO A EDUCAÇÃO COMO SUJEITA DA PRÁTICA “Não basta.”(GASPARIN. possibilitando ao aluno a compreensão teórica e concreta da realidade.142). Essa pedagogia.144) PROPOSTA DE AÇÃO “Este plano procura prever o que cada aluno (ou grupo de alunos) fará na vida prática. (GASPARIN.”(GASPARIN.p. INTENÇÃO DO ALUNO “Na Catarse o educando chegou a uma atitude teórico-mental diferente da que havia apresentado no inicio do processo de estudo. no seu cotidiano dentro e fora da escola.todo o trabalho despendido para usar esse método de ensino-aprendizagem se assemelhar aos tradicionais.] “é transformar as relações de produção que impedem a construção de uma sociedade igualitária”.p.140) O CONCEITO DE PRÁTICA SOCIAL FINAL “[.numa determinada direção política.p.140) PRÁTICA SOCIAL FINAL “Desenvolver ações reais e efetivas não significa somente realizar atividades que envolvam um fazer predominantemente material. 2011.aos escolanovistas e tecnicistas:não irá além da sala de aula. .2011.p. É mister.