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2.

Envelhecimento Humano
O processo do envelhecimento se inicia com o nascimento e se estende ao
longo da vida de todos os organismos, indistintamente. Por ser um fenômeno
constituído por múltiplas determinações, seu estudo adquire um elevado grau de
complexidade, sendo possível analisá-lo por diversos pontos de vista como o
biológico, histórico, psicossocial, cultural, econômico, cronológico, entre outros.

Esta etapa da vida é geralmente associada à emergência de eventos que


podem representar limitações, como a diminuição das propriedades
psicomotoras, afastamento e restrições de papéis sociais e outros (Costa &
Campos, 2009; Fonte, 2002; McAuley et al., 2000; Neri, 2009), correspondendo
à perda progressiva da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente,
podendo ocasionar maior vulnerabilidade e incidência de processos patológicos
(Papaléo-Netto & Ponte, 2002). Essas mudanças podem afetar os
relacionamentos sociais dos idosos, abalados por crises de identidade,
diminuição do poder aquisitivo e redução da qualidade de vida (Ramos, 2002).
Do ponto de vista biológico, lograr êxito na manutenção da existência até
a etapa final do desenvolvimento do organismo, representa um sucesso
adaptativo. Entretanto, quando se pensa o envelhecimento do ponto de vista
sociocultural, os sentidos e significados tornam-se mais complexos, variando em
diferentes épocas e civilizações.
Do ponto de vista social, a vivência da velhice pode sofrer influências do
meio histórico e cultural e incluem alterações nas relações pessoais em função
do afastamento de atividades produtivas e/ou o afastamento dos filhos
(Cachioni, 1998).
Do ponto de vista cognitivo, salientam-se alterações da memória, da
atenção, da orientação e da concentração (Butler, Forette, & Greengross, 2004;
Cachioni, 1998; Fabrigoule, 2002; Verghese et al., 2003; Ybarra et al., 2008).
No aspecto econômico sobrevém a aposentadoria que diminui, na maior
parte dos casos, sua contribuição produtiva para a sociedade, trazendo
repercussões de caráter psicossocial, dentre as quais se destacam os sentimentos
de invalidez, solidão e outros de caráter negativos em virtude da diminuição do
sentimento de produtividade (Costa & Campos, 2009; Neri, 2009; Tribess,
2006).
No aspecto funcional, a diminuição da independência conduz à
necessidade de auxílio de outras pessoas para a execução das atividades

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cotidianas (Gallagher & Truglio-Londrigan, 2004; Hendry & McVittie, 2004;
Volz, 2000).
No âmbito psicológico as modificações por sua vez, se traduzem na
dificuldade de adaptação às novas situações que surgem na vida diária,
dificuldades de planejar o futuro, desmotivação, alterações psíquicas,
hipocondria, psicossomatizações e outras (Neri, 2009).
No intuito de amenizar o impacto das modificações adquiridas com o
avanço da idade, a comunidade científica tem chamado a atenção para a
importância de pesquisas que valorizem o envelhecimento saudável, termo
utilizado pela literatura gerontológica para designar o envelhecer bem-sucedido,
no qual as limitações são mínimas ou enfrentadas de modo eficaz (Bowling et
al., 2003; Brasil – Ministério da saúde, 2007; Cachioni, 1998; Michael et al.,
2006; Rowe & Kahn, 1997; Smith & Baltes, 2006; Staudinger, Marsisker &
Baltes, 1995; Volz, 2000; WHO, 1998; 2005).
Envelhecer de modo saudável tem sido alvo de estudos e investimentos
por parte de diversos setores sociais. Um dos motivos mais mencionados é o
notável aumento da população de idosos, cada vez mais visível e que adquire
características nunca antes registradas na história humana, fenômeno que
influencia desde as relações entre as gerações até os novos estilos de consumo.
O aumento do número de pessoas nessa faixa tem sido associado à queda de
nascimentos que vem ocorrendo desde os anos 1960, com a descoberta dos
anticoncepcionais, somada à queda progressiva nas taxas de mortalidade, desde
o final dos anos 1940 e aos avanços da biotecnologia (Organização das Nações
Unidas [ONU], 2005; 2006).
Estima-se que em 2025 serão 1,2 bilhão de idosos, chegando a 2,4 bilhões
em 2050, tornando o envelhecimento mundial um desafio sócio-econômico para
todas as sociedades. Nessa perspectiva, em 4 décadas teremos a proporção de
uma pessoa com 60 anos ou mais para cada cinco pessoas em outras faixas
etárias para o mundo e de um para três nos países desenvolvidos (ONU, 2005;
WHO, 2004).
No Brasil espera-se que a vida média da população idosa alcance o
patamar de 81,3 anos em 2050, crescendo proporcionalmente quase oito vezes
mais que a jovem e quase duas vezes mais que a população geral, colocando o
país na 6ª posição entre os países com pessoas envelhecidas do mundo (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE], 2010).
Apesar do aumento da expectativa de vida e dos esforços científicos para
prolongar a vida, ainda há uma disparidade entre longevidade e qualidade de

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vida. Doenças crônicos-degenerativas e suas seqüelas, hospitalização,
dependência para realizar as atividades na vida diária, pobreza, sintomas
depressivos e isolamento social, diminuem a qualidade de vida do idoso
(Chaimowicz & Greco, 1999; 2004; Fonte, 2002; Glass, Leon, Bassuk, &
Berkman, 2006; Green, Capitman, & Leutz, 2002; Mason et al., 2009;
Rosenbaum, 2006). Nesse sentido, um número crescente de estudos têm sido
realizados nos mais diversos campos do conhecimento para que seja possível
apreender os mais variados aspectos que envolvem o envelhecimento e, dessa
forma, poder oferecer subsídios técnicos, teóricos e práticos para o
enfrentamento desse fenômeno na sua integralidade.
Ainda que o indivíduo de idade avançada não configure nenhuma
novidade no cenário da existência humana, o mesmo não se aplica ao estudo do
envelhecimento humano enquanto objeto científico, considerado uma prática
relativamente nova.

2.1. Definição de idoso


A literatura possibilita a constatação de existência de diferentes formas de
concepção do envelhecimento em diferentes culturas e épocas históricas. As
peculiaridades da época atual permitiram a emergência de um movimento de
valorização da parcela economicamente ativa da população idosa que
impulsiona setores como o de turismo e serviços para a terceira idade (Barros &
Castro, 2002). É com propriedade que Secco (1999), Leme (2007) e Barros e
Castro (2002) nos alertam que não houve um período histórico em que a velhice
tenha sido “naturalmente” respeitada e valorizada. O prestígio do velho,
historicamente esteve relacionado não à sua condição na escala do
desenvolvimento, mas ao lugar de poder que ocupa na hierarquia social.
Nesse ponto, convém tratar dos critérios que incluem um indivíduo na
fase da velhice. Para alguns autores, a velhice se inicia aos 60 anos, para outros,
ela começa com a aposentadoria, contudo, diversos gerontologistas afirmam que
não existe um marco etário definido, pois cada indivíduo envelhece de modo
diferente e está inserido em contextos socioculturais distintos. Outros critérios
também podem ser utilizados para se avaliar o momento que a velhice se inicia
tais como o nível de preservação das capacidades físicas e mentais, de
autonomia, entre outros. Deste modo, pessoas com setenta, sessenta, ou até
mesmo com quarenta anos, podem ser consideradas idosas, dependendo da

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realidade histórica, geográfica e sociocultural a qual o indivíduo está submetido
(Botelho, Coelho, & Siqueira, 2002).
A maioria dos estudos com idosos utiliza o referencial cronológico
tomando por base o critério da Organização das Nações Unidas que estipula ter
alcançado a idade de sessenta anos em diante (ONU, 2006). Esse referencial
também é utilizado pela Política Nacional do Idoso (PNI – Lei 8.842, de 04 de
janeiro de 1994), endossada pelo Estatuto do Idoso (Lei 10.741 de 1º de outubro
de 2003), que considera idosas todas as pessoas maiores de 60 anos.
Para muitos pesquisadores, embora o critério de idade cronológica seja
impreciso, é uma forma prática para delimitar a população de um estudo para
finalidades epidemiológicas, propósitos administrativos e legais, planejamento
de ações e pesquisas (Fernandes, Santos, Henriques, & Santos, 2002).
O prolongamento da vida humana, apesar de constituir uma vitória
coletiva para nossa própria espécie, traz consigo alguns desafios sociopolíticos
que conduzem a medidas e propostas nem sempre satisfatórias para a categoria
dos idosos. Segundo Debert (2011), essa condição pode representar um risco
futuro para a reprodução da vida social como atualmente está estruturada. As
projeções de custos com a previdência social, cobertura médica e assistencial do
idoso são tratadas do ponto de vista socioeconômico como um problema
nacional e indicam a inviabilidade do sistema, que em futuro próximo não
poderá atender as necessidades dos usuários.
Uma rápida reflexão permite perceber que se as situações de desemprego
e subemprego continuarem a atingir as populações mais jovens, os custos
destinados à assistência aos mais velhos, principalmente os que estão nas fases
mais avançadas, não serão suficientes para atender a demanda.
Veras (1994) salienta que outro aspecto pertinente a essa discussão é a
alteração nos padrões de moléstias que passaram da prevalência de doenças de
intervenção primária como as infecto-contagiosas para quadros patológicos mais
complexos de intervenção mais dispendiosa (pessoal especializado, equipe
multidisciplinar, equipamentos e exames complementares de alto custo), como
doenças crônico-degenerativas e distúrbios mentais, patologias cardiovasculares,
câncer e estresse.
Pesquisas têm indicado que o estabelecimento de políticas públicas mais
eficazes são fundamentais para que o envelhecimento da população não se
constitua um problema insolúvel. Debert (2004) aponta quatro eixos de análise
que quando combinados, indicam uma síntese possível da situação do idoso
brasileiro.

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1. A ameaça imediata de uma explosão demográfica e o crescente gasto
público para atender as necessidades dos idosos.
2. Características do sistema econômico vigente em nosso país que
desfavorece os mais velhos e aqueles que não estão inseridos no contexto da
produção.
3. A tendência da cultura brasileira a valorizar o que é novo e belo,
desvalorizando o velho e o relegando ao isolamento.
4. O declínio da família extensa no Brasil, principalmente nos espaços
urbanos que, combinado à incapacidade estatal de solucionar os problemas
básicos para melhorar as condições de vida da população em geral, torna o
grupo etário dos idosos, bastante vulnerável.
Segundo Debert (2011), as soluções apontadas pelos experts em
contabilidade pública não vão além da sugestão de que quatro tipos de medidas
devem ser tomadas simultaneamente para garantir a viabilidade do sistema:
diminuição dos gastos públicos, aumento dos impostos, diminuição dos
vencimentos dos aposentados e aumento da idade da aposentadoria. Estas
medidas pesam diretamente sobre o indivíduo, incitando-os de uma forma
indireta a recorrer a mecanismos privados de assistência ao idoso. A autora
supracitada chama esse movimento de processos de reprivatização, que
transformam a velhice em responsabilidade individual, minimizando
paulatinamente os encargos do Estado nos cuidados assistenciais com a velhice.

2.2. Conceitos atribuídos à velhice


Termos, conceitos e definições a respeito do que é ser velho têm sido
utilizados em épocas e segmentos sociais com propósitos diversificados.
Atualmente há um leque conceitual para a velhice que é utilizado conforme o
enfoque atribuído ao envelhecimento, que pode destacar aspectos
comportamentais, biológicos, sociológicos, antropológicos, econômicos, entre
outros. Da mesma forma, a palavra envelhecimento é usada no Brasil de maneira
inespecífica e geralmente está associada a outros termos como estado normal do
ciclo de vida, senescência, envelhecimento primário, envelhecimento normal
etc., possuindo assim, um caráter polissêmico a ser adotado conforme o contexto
onde se insere o discurso. Velho, idoso, terceira idade, melhor idade, adulto
maduro não designam apenas nomes diferentes para um mesmo sentido. As
diferentes nomenclaturas trazem em si implicações políticas culturais e sociais
(Botelho et al., 2002; Debert, 2011; Peixoto, 2007; Silva, 2008).

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A partir dessa perspectiva, é possível compreender que o uso de termos
específicos presentes nos discursos produzidos por diferentes agentes (como
políticos, imprensa, serviços de saúde etc.), podem gerar consequências para a
produção do modo de vida dos idosos. A esse respeito, Bourdieu (2004), ressalta
que as formas de nominação ou o ato de nomear sujeitos como pertencentes a
uma categoria qualquer, se estabelecem em uma dinâmica conflitante de
disputas de “divisão” do mundo social.
Deste modo, os termos utilizados para denominar as pessoas envelhecidas,
fazem mais do que descrever a condição dos corpos, remetem à produção de
práticas e discursos em relação aos velhos em um processo dinâmico, cria
sujeitos e enunciados coletivos que permitem discriminar e agrupar sujeitos
como velhos ou não, definindo seus estatutos corporais. Tratam-se de práticas
discursivas que se constroem por meio de instituições, técnicas pedagógicas e
esquemas de comportamento que determinam objetos, ajustam conceitos e se
reproduzem nas relações e instituições sociais (Debert, 2004).

2.2.1. De velho, a idoso


Com o passar do tempo, certos termos tornam-se inapropriados para
representar uma pessoa envelhecida, passando por modificações e produzindo a
criação de formas de classificação que se adéqüem às novas formas de
percepção e conduta para com elas. Pode-se notar essa prática no ato da
substituição do vocábulo “velho” em documentos oficiais, que estava fortemente
associado aos sinais de decadência física e incapacidade produtiva, pelo “idoso”,
considerado menos estereotipado e mias respeitoso. A partir de então, os
“problemas dos velhos” passaram a ser vistos como as “necessidades dos
idosos” (Peixoto, 2007).
Hoje, há a predominância da preferência para usar a expressão “idoso” ou
“terceira idade” em vez de “velho”, para evitar ofender ou melindrar as pessoas
nessa condição. A “melhor idade” também é um termo frequentemente
encontrado, em uso nos clubes ou programas que reúnem pessoas com idades a
partir de 60 anos (Botelho et al., 2002). Por outro lado, Freire (2000) afirma que
a substituição dos termos velho ou velhice por melhor idade já indica uma
atitude preconceituosa, caso contrário, essa mudança de palavras seria
desnecessária.
A literatura comenta o pavor que algumas pessoas têm de ser chamadas de
‘velho’ ou ‘velha’, e por esse motivo, preferem palavras consideradas menos

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ofensivas. Assim, a razão da existência de uma variedade de termos diferenciais
reside na forte associação entre o último estágio do ciclo com a doença, o
isolamento, a dependência e a morte. O preconceito é reforçado pelo fato dessa
concepção não se limitar aos indivíduos idosos, sendo reproduzido também
entre “leigos”, pesquisadores, profissionais e outros especialistas que tratam do
assunto (Freire, 2000).
Encontram-se ainda outras metáforas para se referir ao envelhecimento
como amadurecer e maturidade com o significado de sucessão de mudanças
orgânicas e obtenção de papéis sociais. Há ainda, aqueles que na atualidade
defendem a utilização de expressão “quarta idade”, para se referir a pessoas a
partir de 75 anos, na tentativa de criar uma nova distinção em relação à chamada
terceira idade, com o intuito de ajustar esquemas classificatórios a circunstâncias
culturais, psicológicas e ideológicas das sociedades ocidentais (Debert, 2011).

2.2.2 Terceira idade


De todos os conceitos para designar a pessoa idosa, nenhum é atualmente
mais proeminente do que o de “terceira idade”. Refere-se, em geral, àqueles
idosos que ainda não atingiram a velhice mais “avançada”, estão na faixa dos 55
aos 70 anos, e inclui, fundamentalmente, indivíduos que ainda têm boa saúde e
tempo livre para o lazer e para novas experiências. A nova denominação foi
decisiva para a criação e difusão de uma nova e positiva imagem da velhice.
A cultura da saúde apoiada por desenvolvimentos tecnológicos na
medicina preventiva e curativa, hábitos de vida mais saudáveis, mecanismos de
assistência do estado de bem-estar e modificação no processo de produção,
criaram as condições de surgimento e expansão de uma terceira idade que tem
boa saúde e está incluída em diversas esferas da vida social, o que provocou
verdadeira revolução nas relações de gênero, arranjos e responsabilidades
familiares (Lemos, Palhares, Pinheiro, & Landenberger, 2013).
Seu surgimento enquanto categoria é considerado pela literatura
especializada uma das maiores transformações ocorridas na história da velhice.
Engendrado entre os anos 1960 e 1970, esse termo promoveu uma atenuação da
conotação negativa ligada à velhice por se subentender que quem está na terceira
idade ainda não é velho, evitando ou adiando a entrada na fase da velhice
propriamente dita (Freire, 2000).
Vincula-se a essa denominação, uma mudança de significados e valores
anteriormente atribuídos à velhice; o que era antes visto como decadência física,

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invalidez, passividade, momento de descanso e quietude no qual predominava a
solidão e o isolamento sócio-afetivo, passa a significar momento de lazer, de
realização pessoal, retomada de sonhos da juventude, criação de hábitos
saudáveis, dedicação a hobbies, desenvolvimento de habilidades e de laços
afetivos e sociais alternativos à família (Silva, 2008). A velhice passa a ser
celebrada como um momento para o aproveitamento do tempo livre, para o
cultivo do bem-estar, do lazer e outras atividades, sem as obrigações da vida
profissional e familiar, por isso a expressão “melhor idade”.
A invenção da terceira idade aponta para uma experiência inusitada de
envelhecimento, na qual o prolongamento da vida nas sociedades
contemporâneas permite aos mais velhos a oportunidade de dispor de saúde,
independência financeira e outros meios apropriados para tornar mais reais as
expectativas de realização e satisfação pessoal (Peixoto, 2007). Além disso, a
garantia de um rendimento mensal por meio da aposentadoria resultou em uma
valorização dessas pessoas ao adquirirem um estatuto socialmente reconhecido
(Debert, 2011).
Nesse cenário emerge um conjunto de práticas, instituições e agentes
encarregados de definir e atender as necessidades dos mais velhos, criando um
mercado de consumo específico, uma nova linguagem, empenhada em alocar o
tempo dos aposentados para usufruir dos bens produzidos pela sociedade.
Surgiram operadores de serviços com o objetivo de arregimentar clientela,
oferecendo vantagens financeiras, serviços diferenciados, clubes da terceira
idade, férias programadas, alojamentos especiais, atividades de lazer e grupos de
convivência (Debert, 2004, 2011).
Segundo Silva (2008), para que houvesse consonância entre as demandas
crescentes e as ofertas dos serviços especializados, o conhecimento de
especialistas de ciências humanas foi utilizado para identificar e descrever com
mais precisão as condições de vida e os desejos desses sujeitos. As necessidades
psicológicas e culturais foram as que mais se destacaram, influenciando na
criação das universidades e dos espaços de convivência específicos para a
terceira idade. Tais especialistas contribuíram para a consolidação de um estilo
de vida diferenciado, baseado em um repertório de condutas e em uma
linguagem própria que contribuíram, para formação da nova identidade etária.
Assim foi criado um “novo velho”, um velho que procura manter-se afastado da
imagem pejorativa socialmente atribuída à velhice, por meio da prática de
atividades físicas e mentais, as quais irão supostamente lhe garantir a

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manutenção de suas capacidades funcionais e, em última análise, de uma
pretensa juventude (Barros & Castro, 2002).
No entanto, é preciso considerar que a construção desse novo segmento
social não se deu única e exclusivamente pela ação político-econômica. Silva
(2008) esclarece que essa nova representação não teria se difundido como
identidade etária se não encontrasse correspondência nos anseios e nas
demandas que surgiam no cotidiano dos sujeitos.
Para evitar a associação da terceira idade ao estado de decadência
funcional, foi criada a denominação “quarta idade”, que incluiria aqueles que se
encontram na “velhice mais avançada”, após os 75 anos. Segundo Amado
(2008) essa proposição encontra fundamento na iniciativa de Neugarten ao criar
a oposição entre idosos jovens (young old) que estão entre 65 a 75 anos, e idosos
velhos (old old) com idade acima de 75 anos.
Smith e Baltes (2006) apontam cinco aspectos críticos para este momento
da vida: perdas consideráveis de potencial cognitivo e capacidade para aprender;
aumento da síndrome de estresse crônico; prevalência da demência (50% nas
pessoas com 90 anos); elevados níveis de fragilidade, disfuncionalidade e
multimorbidade.
A quarta-idade é um território que, tendo em conta os conhecimentos
existentes sobre a história humana, poucas vezes foi ocupado, e nunca por tantas
pessoas. Muitas questões éticas se levantam, sobre até que ponto será sensato
estender a vida, desconsiderando-se a perda de dignidade e autonomia (Amado,
2008).
Smith e Baltes (2006) afirmam que apesar de não existir um limite
definido para a quarta idade, uma definição conceitual seria importante pelo fato
do recente aumento de pessoas vivendo nessa condição. Deste modo, apontam
duas possíveis formas para se indicar a passagem para a quarta idade. A primeira
é baseada na população: quando 50% dos membros da mesma geração já não se
encontram mais entre os vivos. Com este critério, a transição nos países
desenvolvidos ocorre a partir dos 75 anos. Outra forma de processar essa
distinção, bem menos específica, é por meio de critérios individuais, estimando-
se a duração máxima do ciclo de vida de um indivíduo, desconsiderando-se
cálculos populacionais. Excetuando-se as doenças que limitam a progressão da
vida, atualmente considera-se que o ciclo de vida pode ter uma variação máxima
de 80 a 120 anos, o que permite uma variabilidade maior na transição da terceira
para a quarta idade (Smith & Baltes, 2006).

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Constata-se que a utilização de termos que classificam as pessoas
envelhecidas atende a diferentes interesses e pontos de vista acerca do que deve
ser a velhice e como ela deve ser administrada na dimensão individual e social.
Apesar da evolução terminológica, percebe-se que a tentativa de eliminar a
segregação ainda não foi completamente extirpada da representação social
pejorativa. A necessidade da criação de uma categoria distintiva, que separa a
terceira da quarta idade (young old / old old), divide os velhos em idosos ativos,
saudáveis, produtivos, autônomos, engajados; dos idosos decadentes,
improdutivos, doentes e dependentes. Divide em última instância entre aqueles
que devem aproveitar a vida e aqueles que se preparam para despedirem-se da
vida.

2.3 As Teorias do Envelhecimento Humano


Atualmente várias teorias são propostas para explicar a origem do
fenômeno do envelhecimento, cada qual com um conjunto de conceitos, fatos e
indicadores. Esta variedade de teorias provém dos vários pontos de controvérsia
que surgem no momento de estabelecer os fatores envolvidas no processo do
envelhecimento, bem como, do próprio entendimento desse fenômeno
complexo, uma vez que muitas teorias formuladas apóiam-se somente numa
alteração biológica isolada, sem considerar a noção de complexidade e
integridade, condições que caracterizam o envelhecimento (CUNHA; JECKEL-
NETO, 2002).
A Teoria Genética defende a ideia de que o envelhecimento é resultado de
alterações bioquímicas programadas pelo próprio genoma, o qual poderia
regular a expectativa de vida por meio de diferentes genes, dessa forma, cada ser
vivo apresentaria uma duração de vida estipulada pelo seu padrão genético, algo
que tenta ser comprovado pela realização de várias pesquisas acerca da
longevidade, somadas às constatações na prática clínica dos envelhecimentos
precoces (progeria infantil ou síndrome de Hutchinson-Gilford e progeria do
adulto ou síndrome de Werner) doenças que estariam relacionados à deficiências
de enzimas controlados por genes autossômicos recessivos (BORGONOVI;
PAPALÉO NETTO, 1996; TORRES, 2002).
Outro mecanismo genético considerado seria o encurtamento do telômero,
estrutura localizada no final dos cromossomos de células eucarióticas, como
fator determinante no desencadeamento do envelhecimento, uma vez que é

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responsável pela proteção dos cromossomos e replicação do DNA cromossomal
(TORRES, 2002).
Segundo Cunha e Jeckel-Neto (2002), o encurtamento dos telômeros
também traria como conseqüência perdas de informações genéticas e
instabilidades genômicas no decorrer da vida. Contudo, a avaliação
experimental desta teoria é lenta pelo fato da existência de grande número de
variáveis e à limitação dos métodos experimentais.
O sistema imune é constituído por dois mecanismos: o celular,
representado pelos Linfócitos T (cé- lulas timo dependentes), responsáveis pela
manutenção da estabilidade homeostática e vigilância imunológica do indivíduo;
e o humoral representado pelas imunoglobulinas originárias dos Linfócitos B, e
que permanecem aderidos à sua membrana (BORGONOVI; PAPALÉO
NETTO, 1996).
A função imunológica decai com o avanço dos anos, motivo pelo qual a
hipótese básica da teoria imunológica seja a de que a redução da eficácia do
sistema imune, mantido pela interação entre linfócitos e macrófagos no
organismo, ao longo dos anos tornaria as pessoas mais susceptíveis contra as
agressões, provocando assim, o envelhecimento. Tal teoria postula que a
diminuição da resposta imune estaria relacionada ao envelhecimento do timo,
órgão central no desenvolvimento e diferenciação de Linfócitos T (CUNHA;
JECKEL-NETO, 2002).
Um conhecimento mais abrangente acerca dos Linfócitos T auxiliaria na
compreensão do envelhecimento, além da necessidade de haver mais pesquisas
para a confirmação dessa teoria, uma vez que as alterações imunitárias podem
ser consequências e não causas do envelhecimento (BORGONOVI; PAPALÉO
NETTO, 1996).
Segundo a Teoria do Acúmulo de Danos ou também denominada Erro
Catástrofe, a principal causa do envelhecimento seria o acúmulo de moléculas
defeituosas provenientes de falhas no reparo e na síntese de moléculas
intracelulares com o avanço da idade, o que repercutiria na perda progressiva da
função do organismo. As falhas de reparo e síntese seriam oriundas de erros na
transcrição do RNA e sua tradução em proteínas, gerando uma elevação na
concentração de proteínas modificadas e não funcionais (TORRES, 2002).
Segundo Orgel (1963 apud BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996), o
motivo pelo quais essas proteínas inativas surgem é devido a erros na síntese
enzimática principalmente de polimerases, responsáveis pela síntese de RNA a
partir da transcrição do DNA. Dessa forma, a transcrição de uma enzima

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modificada pode ocasionar elevação de uma ou mais bases púricas ou
pirimídicas do código genético, provocando a formação de seqüências errôneas
de aminoácidos, que por sua vez leva a síntese de proteínas não funcionais.
Os erros sendo acumulativos e transmissíveis atingiriam uma elevada
ocorrência, provocando o efeito chamado de erro catástrofe, onde a célula
sofreria uma ineficiência letal, ocasionando sua morte e por conseqüência, a
redução da capacidade funcional, fato que caracterizaria o envelhecimento
(CUNHA; JECKEL-NETO, 2002).
Evidências em pesquisas contradizem a Teoria do Erro Catástrofe quanto
a transcrição e tradução, pois nestes estudos esse dois processos relacionados à
síntese de proteínas se mantiveram estáveis com o aumento da idade, além disso,
outras pesquisas revelaram que a seqüência de aminoácidos de inúmeras
proteínas importantes ao organismo mantiveram-se constantes ao longo dos anos
(BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996), portanto, até hoje não há
evidências suficientemente concretas que sustentem esta hipótese.
A Teoria das Mutações pressupõe que as sucessivas alterações que
ocorrem nas células somáticas (46 cromossomos), ao transcorrer dos anos,
produziriam células mutantes incapazes de cumprir suas funções biológicas, o
que provocaria um declínio progressivo dos órgãos e tecidos, com instalação do
envelhecimento (CUNHA; JECKEL-NETO, 2002).
As mutações podem ter origem das transformações do mecanismo de
reparo da molécula de DNA, sendo possível que sejam repassadas para as
células filhas (BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996). Segundo Schimke e
colaboradores (1986 apud BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996), as
mutações são ocasionadas pela existência de inú- meras áreas de replicação do
DNA no cromossomo, o que desencadeia um número alto de replicação de
determinados segmentos do DNA e por conseqüência inúmeros rearranjos e
mutações. Esse acúmulo de células heterogêneas durante os anos seria a
explicação de doenças de fundo clonal como câncer e arteriosclerose.
Várias informações acerca das mutações cromossômicas em células
somáticas relacionadas à idade estão sendo difundidas, principalmente como
respostas à radiação ou mutagênicos, porém analisando o envelhecimento como
um processo uniforme, existem poucas pesquisas para a fundamentação dessa
teoria (CUNHA; JECKEL-NETO, 2002).
A Teoria do Uso e Desgaste baseia-se na idéia de que o envelhecimento
seja o resultado do acúmulo de agressões ambientais do dia-a-dia, as quais
ocasionariam a diminuição da capacidade do organismo em recuperar-se

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totalmente. Onde, os ferimentos, infecções, inflamações e outras formas de
agressões sejam eles, ferimentos ou patógenos, se somariam ao longo dos anos
no indivíduo e dessa forma, as lesões ocasionadas provocariam alterações nas
células, tecidos e órgãos desencadeando o envelhecimento (CUNHA; JECKEL-
NETO, 2002).
Atualmente essa teoria encontra-se desacreditada, apesar de defender
danos que são dependentes do tempo e podem aumentar a possibilidade de
morte do indivíduo, sem, no entanto, atuarem como causadores do processo do
envelhecimento. Além do que, pode-se considerar a Teoria do Uso e Desgaste
não como uma teoria, mas um aspecto relevante para auxiliar outras teorias no
que diz respeito ao desgaste de um órgão ou área do organismo relacionando-o
com a idade, sem se transformar em um fato causal do envelhecimento
(CUNHA; JECKEL-NETO, 2002).
A Teoria dos RLs foi introduzida pela primeira vez em 1956 pelo médico
norte-americano Denham Harman e adquirindo somente a partir da década de
80, maior importância no meio científico quando inúmeros trabalhos foram
desenvolvidos em relação aos RLs e suas conseqüências ao organismo. Esta
teoria propunha que o envelhecimento normal seria resultado de danos
intracelulares aleatórios provocados pelos RLs, moléculas instáveis e reativas,
que atacariam as diferentes biomoléculas do organismo em busca de estabilidade
(OLSZEWER, 1994; TORRES, 2002).
Esta teoria vem recebendo uma atenção especial de diversos estudiosos e
pesquisadores do assunto, em virtude de seus efeitos sobre o metabolismo
explicarem os processos de envelhecimento, assim como as doenças
relacionadas (LANE, 2003).
Os RLs são espécies químicas que podem ser átomos, moléculas ou
fragmentos de moléculas (OLIVEIRA, 2002). São espécies químicas contendo
um ou mais elétrons não pareados no orbital externo da camada de valência (a
última camada de elétrons) sendo mais reativos que as espécies com elétrons
pareados. Devido a sua alta reatividade os RLs, buscam, rapidamente, extrair um
elétron de qualquer partícula, molécula ou átomo em sua vizinhança, a fim de
recuperar a pariedade, e em decorrência, a estabilidade (ABDALLA; LIMA,
2001; DUARTE, 2003; LEITE; OLIVEIRA, 2002; SARNI, 2003).
Os RLs podem ser eletricamente neutros, terem carga positiva ou negativa
(LEITE; SARNI, 2003). Essas espécies químicas incluem as espécies reativas do
oxigênio (EROS ) e as espécies reativas de nitrogênio (ERNS ). As EROS são
representadas por todos os radicais do oxigênio, como o ânion radical

13
superóxido (O2 . ), radical hidroxila (HO. ), radical alquila (L. ), alcoxila (LO.) e
peroxila (LOO. ). Enquanto que as ERNS são representadas pelo peroxinitrito
(ONOO), o óxido nítrico (.NO) e o radical dióxido de nitrogênio (.NO2 ). No
entanto, o ânion peroxinitrito (ONOO), o ácido hipocloroso (HClO), o peróxido
de hidrogênio (H2O2 ), o oxigênio singlet (1O2 ) e o ozônio (O3 ) não são RLs
mas podem provocar reações radicalares no organismo, fato que os levam a
serem considerados como espécies reativas (ABDALLA; LIMA, 2001).
A formação de RLs pode ocorrer tanto no citoplasma, nas mitocôndrias
como na membrana celular (MOREIRA; SHAMI, 2004), e em diferentes
situações metabólicas, como por exemplo, na cadeia transportadora de elétrons,
na peroxidação lipídica, nos processos NADPH – oxidase dos fagócitos e
xantina desidrogenase/oxidase da isquemia / reperfusão (TORRES, 2002;
OLIVEIRA, 1999), como também, na via das Reações de Fenton e Haber-Weiss
(FERREIRA; MATSUBARA, 1997). Em contrapartida, as fontes exógenas de
RLs são representadas pelas radiações gama e ultravioleta, os medicamentos, as
bebidas alcoólicas, a dieta, o cigarro e os poluentes ambientais (BUCHLI, 2002;
MOREIRA; SHAMI, 2004).
Os RLs são oriundos em grande parte da respiração celular, que ocorre no
interior da mitocôndria na presença de oxigênio, o qual sofre um desvio em seu
metabolismo normal, recebendo um elétron extra o que lhe confere atividade e
capacidade para induzir a formação dos demais RLs, demonstrando que a
mitocôndria seria o principal constituinte do organismo responsável pelo
envelhecimento (ALI; ASHOK, 1999; BALU et al., 2003; BENETT Jr.;
CASSARINO, 1999).
Paralelamente o organismo desenvolveu mecanismos de proteção
antioxidante que são formados por um sistema endógeno enzimático e um
sistema exógeno não enzimático. Ambos os sistemas são os responsáveis pela
manutenção do equilíbrio entre a produção e neutralização dos RLs, contudo,
quando esse equilíbrio é alterado, tem-se uma situação metabólica denominada
estresse oxidativo (MATTAR, 2000; OLSZEWER, 1994).
Com o estresse oxidativo, a elevada produção dos RLs e sua grande
capacidade reativa ocasionariam não somente reações com os componentes
nucleares e citoplasmáticos das células (principalmente DNA e RNA) com
diminuição de suas funções, como também, reações com proteínas, lipídios,
enzimas, colágenos e hormônios induzindo modificações orgânicas que
justificariam o envelhecimento (BORGONOVI; PAPALÉO NETTO, 1996).
Portanto, o envelhecimento seria um fenômeno secundário ao estresse oxidativo,

14
em que ocorrem reações de oxidação lipídica, protéica e reações com o DNA o
que provocaria modificações dos tecidos e código genético, e por conseqüência
ocasionariam as deficiências fisiológicas características do avançar da idade e
provenientes desses danos intracelulares provocados pelos RLs (ALMADA
FILHO, 2002; FERREIRA; MATSUBARA, 1997). Segundo Cunha e Jeckel-
Neto (2002), os danos estariam relacionados ao tipo de radical presente, sua taxa
de produção, a integridade estrutural das células e aos diferentes sistemas
antioxidantes do organismo.
Segundo Capote et al. (2000), várias pesquisas científicas evidenciam que
as EROs geradas na mitocôndria podem produzir danos em sua membrana
interna, nos constituintes de sua cadeia respiratória, além de afetar o DNA
mitocondrial. Portanto, os danos cumulativos do oxigênio sobre a mitocôndria
(lesões no DNA mitocondrial e declínio nas atividades dos transportadores de
elétrons), seriam os responsáveis pela diminuição no desempenho fisiológico
das células e pelo envelhecimento, hipótese sustentada pela Teoria dos RLs
(CUNHA; JECKEL-NETO, 2002). Segundo Almada Filho (2002), diversos
estudos documentaram a presença do estresse oxidativo sistêmico no
envelhecimento e em doenças relacionadas.
Diversos procedimentos experimentais foram e estão sendo realizados
com o intuito de comprovar a relação real dos RLs com o envelhecimento, mas
o que se constata é um grande número de contradições acerca dos resultados das
pesquisas, o que evidencia a necessidade de maiores estudos sobre os danos
moleculares ocasionados pelos RLs no organismo e o modo como estes,
contribuem para o processo do envelhecimento (ALI; ASHOK, 1999).
Portanto, o envelhecimento do organismo é um processo complexo, onde
os danos provocados pelos RLs são possivelmente expressivos, mas, contudo,
não sejam os únicos mecanismos envolvidos no declínio fisiológico. Uma
conclusão absoluta a cerca do tema torna-se difícil, uma vez que essas espécies
reativas apresentam meia-vida extremamente curta, dificultando sua mensuração
in vivo, além disso, apesar dos RLs poderem deixar resquícios de sua atividade e
produtos de seu metabolismo não necessariamente comprova que estes sejam os
fatores causais do envelhecimento. A dificuldade se encontra em estabelecer se
os RLs são a causa do envelhecimento ou simplesmente ocorrem durante o
processo de envelhecimento. Apesar disso, a tarefa de desvendar tais
questionamentos é importante, pois conhecendo as causas do envelhecimento e
sua base molecular permitirá desenvolver meios efetivos para reduzir as perdas

15
orgânicas associadas ao envelhecimento e a muitas doenças associadas
(OLSZWER, 1994; WICKENS, 2001).

Considerações Finais
O envelhecimento é um fenômeno complexo que envolve inúmeros
fatores, o que conseqüentemente, provoca a elaboração de várias hipóteses e
teorias voltadas para explicar esse processo. Pela variedade de teorias fica
evidente a falta de um consenso sobre os conceitos básicos que poderiam
explicar o fenômeno biológico do envelhecimento, apesar de ser um processo
palpável e visível.
Dentre as várias teorias do envelhecimento, nos últimas décadas, tem-se
dado maior atenção à Teoria dos RLs, isto é, sobre a atuação destas espécies
reativas e seus efeitos nocivos no organismo, enfocando principalmente a ação
destes, no envelhecimento. De acordo com esta teoria, o comprometimento
fisiológico desencadeado com o passar dos anos, seria em sua grande maioria
oriundos da ação dos RLs sobre os constituintes orgânicos, em detrimento a uma
menor atividade do sistema antioxidante.
Tendo como base esses argumentos, pode-se considerar a Teoria dos RLs,
viável e plausível, uma vez que, estudos comprovam a existência real dessas
espécies no organismo e a sua atuação.
Possivelmente a ação dos RLs, apesar de apresentar efeitos marcantes
sobre o organismo, explique parte do fenômeno biológico do envelhecimento,
somando-se às outras teorias, para que juntas, possam formar uma teoria
fundamental que esclareça, defina e interprete todas as modificações que
ocorrem ao longo da vida e que repercutem no envelhecimento. Para isso, ainda
será necessário uma série de pesquisas, para que se obtenha um amplo
esclarecimento sobre esse processo instigante, chamado envelhecimento.

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