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Universidade de Franca - UNIFRAN

Portfólio - Noções de Sociologia e Antropologia Aplicada à Administração


CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS – 4º SEMESTRE
Abertura de Mercados com a China – desvendando os valores sócio-
culturais e antropológicos com o outro lado do mundo.

Plínio Alexandre dos Santos Caetano*, Ulisses Toshiro Sugaharai

Universidade de Franca - UNIFRAN

*plinio_alexandre@aluno.unifran.br

Resumo

A China tem se destacado pelo grande crescimento econômico nos


últimos anos, no entanto, a abertura de mercados e relações comerciais com
o país carece da compreensão de seus valores históricos e culturais
imensamente ricos.

Assim, para os países que tomarem por referencia estas informações


e, aplicá-las em seus produtos diferenciando-os para ingressar no mercado
chinês, haverão bons resultados.

Palavras Chave: China, cultura chinesa, valores culturais do oriente,


comércio com a China.

1. Introdução

A China é considerada o berço de uma das civilizações mais antigas e


complexas do mundo, sendo que detém uma história de mais do que 5.000 anos. Sua
grande e vasta região geográfica contempla diversos hábitos, costumes e tradições,
caracterizadas por diferentes povoados, províncias e cidades.

SOUSA aponta, por exemplo, que, a China passou por diversas


transformações de âmbito sociopolítico-econômico e cultural e que, transformaram-na
no que conhecemos hoje. Tanto que, suas crenças, filosofia, escrita e organização
política são divergentes do oriente.

Se considerarmos a combinação destes mais diversos fatores culturais,


associados ao governo chinês e às heranças do comunismo, entenderemos que estes
em muito contribuíram para seu destaque nos últimos anos do século XX como uma
grande potência comercial asiática e, ainda, para o grande processo de crescimento
interno da economia que o país tem sofrido.
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Feitas tais considerações, a maior economia mundial do século XXI, vem
sendo considerada um grande atrativo aos empresários, políticos e intelectuais do
mundo todo, os quais tentam compreender e mesmo fazer parte deste crescimento
acelerado.

Justificando assim, o presente trabalho que tem o intuito de fazer uma leitura
da China sob os nuances culturais chineses.

2. A China e sua bagagem cultural

Com uma escrita baseada em desenhos (ideogramas) que representam


idéias, objetivos e sentimentos do povo chinês, a China tem como dialeto mais falado
o mandarim. Entretanto, existem vários outros tais como o wu, cantonês, dialetos min,
jin, xiang, kejia, gan dentre outros tantos.

Já com relação à religião, também existe grande diversidade, sendo que se


destacam o Confucionismo e Taoísmo, entendidas também como filosofia de vida e, o
Budismo, o Islamismo e o Cristianismo.

Quanto aos hábitos alimentares, os chineses lançam mão a uma infinidade de


temperos, ingredientes e molhos, tal qual o shoyu, bastante conhecido no Brasil.
Empregam em diversos pratos e sob as mais diversas maneiras de preparo arroz,
peixe, carnes vermelhas, broto de bambu e legumes. O rolinho de primavera, por
exemplo, uma espécie de biscoito, fino e crocante, é um dos alimentos chineses mais
conhecidos no ocidente.

A culinária chinesa tem ainda uma série de pratos entendidos como exóticos
para os ocidentais: carne de cachorro, carne de cobra, escorpião, besouros, cavalo-
marinho e outros mais.

No que tange à arte do país, é bastante comum encontrarmos vasos em


cerâmica pintados de forma artesanal, que resgatam as belezas naturais do pais e,
ainda, aspectos mitológicos.

A música é marcada pela utilização de instrumentos diversos, dentre os quais


se destacam a flauta doce, instrumentos de corda, gongos, tímpanos e pratos.

E, por fim, vale ressaltar que, os chineses contribuíram e muito para o


desenvolvimento mundial, com uma infinidade de invenções, dentre as quais podemos
lembrar: o papel, a pólvora, o leme de navegação, o estribo, a bússola e etc.

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3. Os valores do Oriente

Conforme cita RENAND, os chineses pautam suas mais diversas relações e,


ainda podemos citar até mesmo as relações comerciais, na confiança entre as partes.
Sem contar que, tem maior predisposição para a discussão dos assuntos que
surgirem, diferentemente do que o autor aponta como a postura ocidental, que não
valorizam tais aspectos.

Ainda tomando por referência RENAND, podem-se resgatar os estudos


cross-cultural de HOFSTEDE conforme os princípios de Confúcio em um modelo
tetradimensional no qual se configuram para as relações chinesas:

i. o individualismo e coletivismo, a importância do indivíduo versus o grupo;

ii. medo da incerteza, receio perante o desconhecido, desejo de reduzir a


ambigüidade;

iii. distância do poder, distância entre os grupos sociais, como superior e


subordinados;

iv. a masculinidade e feminilidade atrelados ao estereótipo masculino de


poder, conquista, sucesso, versus feminino representado pelo carinho e consenso.

E, ainda nas palavras de RENAND, HOFSTEDE acrescentaria à estas


sustentações de valores orientais chineses o Dinamismo confucionista, que pressupõe
que a maioria das culturas asiáticas consideram uma perspectiva de longo prazo para
planear e tomar decisões.

Desta forma, os valores chineses estão atrelados à necessidade de uma certa


harmonia e pautados em acordos gerais de extrema confiança entre as partes.

4. Relações Comerciais com a China

A fim de estabelecer o perfil das relações comerciais chinesas, SHENG


aponta de encontro à idéias de RENAND que se faz necessário o fortalecimento da
confiança, o xinyon, entre as relações também chamadas de guanxi.

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No entanto, este guanxi não é um tipo qualquer de relacionamento entre as
pessoas, para os chineses ele é de extrema confiança e pauta-se na confiança
pessoal e funciona mediante um processo de troca de favores por certo período de
tempo. E, como todos os chineses configuram-se no processo dual de devedor e
provedor, existe certo equilíbrio entre estas situações.

Uma vez que exista desconfiança ou ausência de xinyon no processo, isso


causará enfraquecimento do ciclo e assimetria de informação entre as partes.

A fim de evitar que tal processo se concretize, as relações se firmam na


crença de ajudar e receber a gratidão pela ajuda e, ainda, no direcionamento de certos
tributos conhecidos e favoráveis pelas partes envolvidas.

Deste modo, será alcançado o guanxi com os seguintes fatores sob controle:
alavancagem, reputação, controle e por fim as mais diversas formas possíveis de
negociação.

DE AQUINO, por exemplo, aponta que tal modelo caminhou durante todo o
período caracterizado como uma marcha para a maturidade – no qual a sociedade
oriental aplicou eficazmente tosos os recursos da tecnologia moderna e o grosso de
seus recursos – e, manteve os mesmos traços básicos.

Como BOMENY cita felizmente em sua obra:

“Cultura não é uma ‘coisa’, mas uma dimensão: não é um


objeto a ser estudado como variável dependente, mas algo integrante
e próprio de toda e qualquer relação social”

Desta forma, podemos compreender que os valores orientais devem ser não
somente resgatados, mas, valorizados a fim de que o ocidente possa abrir caminhos
comerciais com os chineses.

5. Conclusão

Conforme foi apresentado neste texto, a cultura chinesa influencia os mais


diversos assuntos de relações sociais e, como não poderia deixar de ser, até mesmo
as relações comerciais ou guanxi, tendo por base a confiança.

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No entanto, com a marcha para a maturidade, a China deixou de lado sua
visão um tanto quanto machista e, foi permitindo também às mulheres participarem da
economia e do fortalecimento nacional.

Assim, pode-se compreender que, valorizando os aspectos antropológicos,


sociais e culturais do país, a abertura para a participação do momento de
efervescência política no mesmo será bem mais facilitada e menos dolorosa de
constituição.

6. Referenciais Teóricos

BOMENY, Helena. Sociologia e Cultura: ultrapassando desconfianças. Disponível em:


<http://cpdoc.fgv.br/producao_intelectual/arq/1713.pdf> Acesso 03 jun. 2010.

CULTURA CHINESA – Arte, Religião, Pintura, Idiomas, Religião, Invenções e Música.


Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/paises/china/cultura_chinesa.htm>
Acesso 04 jun. 2010.

DE AQUINO, Leonardo Cembranelli. China: Políticas de Comércio Internacional e


Desenvolvimento Econômico. Disponível em:
<http://www.caei.com.ar/es/programas/asia/05.pdf> Acesso: 03 jun. 2010.

KUGELMEIER, Werner K. P. China – “Negócio da China ou China do Negócio?”.


Disponível em: <http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/china-negocio-
da-china-ou-china-do-negocio/38468/> Acesso 03 jun. 2010.

RENAND, Franck. Cultura Gerencial Chinesa versus Cultura Ocidental. Disponível em:
< http://www.cad.cse.ufsc.br/revista/17/06.pdf> Acesso 03 jun. 2010.

RHÜCKER, Thais. SIMAS, Vinicius. Entrevista – Diálogos para respeito das


diferenças. Revista Filosofia. Disponível em: <
http://www.revistafilosofia.com.br/ESFI/Edicoes/43/artigo162140-4.asp> Acesso 03
jun. 2010.

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SHENG, Hsia Hua. Modelos de financiamento baseados em relações pessoais:
experiência de empreendedores chineses no Brasil. Rev. Adm. Contemp. Vol. 12 no.
3. Curitiba – PR. July/Sept. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?
pid=S1415-65552008000300007&script=sci_arttext> Acesso 03 jun. 2010.

SOUSA, Rainer. A redescoberta da China. Disponível em:


<http://www.brasilescola.com/china/a-redescoberta-china.htm> Acesso 03 jun. 2010.

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Professor da Disciplina de Noções de Sociologia e Antropologia Aplicada à Administração pela
Universidade de Franca (UNIFRAN).