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HISTÓRIA DO

BRASIL
EXPANSÃO MARÍTIMA:

ANTECEDENTES: A retração do século XIV na Europa foi


decorrente do monopólio de especiarias e artigos de luxo pelos ita-
lianos e árabes, além do processo de superprodução e subconsu-
mo do mercado, esgotamento das jazidas de metais da Europa, a
Guerra dos 100 anos e das pestes do Oriente.
A saída para a crise surge com as grandes navegações, on-
de homens partem para grande aventura dos mares, carregando
um imaginário ainda medieval de lendas e monstros.
Os objetivos desta expansão desta expansão eram:
a) atingir o centro fornecedor de especiarias, acabando com o
antigo monopólio;
b) ampliar o mercado consumidor, sintonizando produção e
consumo;
c) conquistar novas jazidas minerais.

A PRECOCIDADE DOS PORTUGUESES NA EXPANSÃO:


Diversos fatores concorreram para que este pequeno país tomasse
a dianteira do processo expansionista, como a localização geográ-
fica favorável; a tradição pesqueira; o contato com os mouros que
traziam tecnologia náutica e divulgavam a filosofia grega Tc..., no
entanto, o principal motivo desta fase mercantilista lusitana se deve
a sua condição de primeiro Estado centralizado da modernidade.
O processo de centralização portuguesa está ligado as guer-
ras de conquista (ações militares dos cristãos influenciados pelas
cruzadas com objetivo de expulsar os muçulmanos da Península
Ibérica).
Os reinos católicos de Leão, Castela, Navarra e Aragão pedi-
ram auxílio aos Borgonhas franceses liderados por Raimundo e
Henrique que dominaram judeus e mouros da parte ocidental da
Península, e foram recompensados com o casamento com as filhas
do rei Afonso de Castela, além de terras.
Henrique casado com Teresa fundou o Condado Portucalen-
se, e seu filho Afonso Henrique estabeleceu a independência de
Portugal se tornando seu primeiro rei.
Dois séculos depois, um descendente remoto do primeiro rei,
D. Pedro I morre deixando dois filhos. Um legítimo D. Fernando e
um bastardo D. João (Filho da amante famosa dona Inês de Cas-
tro).
D. Fernando ao assumir, inicia uma política perigosa de a-
proximação com o reino de Castela, casando com uma nobre de
Castela, Dona Leonor Telles, e prometendo sua única filha, Beatriz,
em casamento ao rei de Castela.
Após a morte de D. Fernando, a burguesia assustada com a
possibilidade do casamento de Beatriz significar o retorno de ane-
xação de Portugal por Castela, acaba realizando a revolução de
1383-1385, onde na Guerra de Aljubarrota, destrona a rainha, colo-
cando no poder D. João I, mestre de Avis, primeiro rei absolutista
da modernidade.

CICLO ORIENTAL DE NAVEGAÇÃO - PORTUGAL: Este ci-


clo apresenta duas etapas distintas. A primeira com objetivo de de-
vassamento do litoral africano foi articulado pelo infante D. Henri-
que, fundador da Escola Náutica de Sagres. Nesta fase tivemos 4
reis (D. João I, D. Duarte, D. Pedro II, D. Afonso V). Acontece o
contorno do Cabo do Bojador por Gil Eanes (1433); a descoberta
das Ilhas Atlânticas; e a chegada em Guiné.
Com D. João II inicia a 2º fase de busca do caminho para à
Índia, e financiado pela burguesia, contrata Diogo Cão para desco-
brir o contorno da África, e apesar deste não conseguir, atinge o
Congo e Angola. Bartolomeu Dias consegue definitivamente o péri-
plo africano contornando o Cabo das Tormentas (Cabo da Boa Es-
perança - Atual Cidade do Cabo).
No governo de D. Manoel I, o venturoso, acontece a chegada
de Vasco da Gama em Calicute na Índia; o descobrimento do Brasil
por Pedro Alvares Cabral em 1500 e a chegada dos portugueses
no extremo oriente, apesar da aproximação do monarca português
com a burocracia aristocrática e a marginalização da burguesia.

CICLO OCIDENTAL DE NAVEGAÇÃO - ESPANHA: Se inicia


com a unificação da Espanha através da Guerra de Reconquista e
do casamento de Isabel de Castela com Fernando do reino de Ara-
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gão.
O genovês Cristóvão Colombo a serviço da Espanha partiu
com três caravelas: Santa Maria, Pinta e Niña, descobrindo à Amé-
rica em 1492, pensando tratar-se da Índia.
Hernán Cortez dominou os astecas liderados por Montezu-
ma, os Maias e outros grupos; e juntamente com Pizarro que derro-
tou os Incas, conquistaram as maiores jazidas do Novo mundo.
Outros movimentos importantes foram:
∗ Vicente Pinzón chega ao foz do Amazonas em 1498;
∗ Vasco Nuñes Balboa descobre a passagem do Panamá, li-
gando o Atlântico ao Pacífico;
∗ Fernão de Magalhães com auxílio de Sebastião El Cano
realiza a 1ª viagem de circunavegação.

TRATADOS DIPLOMÁTICOS NA EXPANSÃO: O primeiro


tratado foi o de Toledo que dividia a Terra de forma latitudinal. Em
seguida foi estabelecida a bula intercoetera (1493) estabelecendo
uma nova divisão desta vez de forma longitudinal, tendo como refe-
rência 100 léguas da Ilha de Cabo Verde. Esta bula foi substituída
pelo Tratado de Tordesilhas que mantinha a mesma estrutura da
divisão, mais ampliava o limite para 370 léguas da Ilha de Cabo
Verde.
No lado oriental foi estabelecida a capitulação de Saragoça
tendo como referência as Ilhas Moluscas.

INTENCIONALIDADE DA DESCOBERTA DO BRASIL: A


substituição da bula intercoetera pelo Tratado de Tordesilhas; a ne-
cessidade de ocidentalização para contornar o Cabo das Tormen-
tas; a demora entre o contorno do Cabo das tormentas e a chegada
na Índia; o estudo das correntes marítimas demonstrando que nes-
te mês da descoberta haveria uma repulsa e não atração das cara-
velas; chegada de Pinzón no Foz do Amazonas; descoberta da
América etc...

CONSEQÜÊNCIAS DA EXPANSÃO:
∗ Deslocamento do eixo econômico do mar Mediterrâneo pa-
ra o Oceano Atlântico e o Índico.
∗ Perda do poder econômico da Itália.
∗ Estabelecimento da acumulação primitiva do capital.

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∗ Formação do Sistema Colonial Tradicional com utilização
do trabalho compulsório africano.
∗ Processo de europeização e cristianização do mundo.
∗ Fortalecimento do Estado Moderno absolutista.

ECONOMIA COLONIAL:

O sistema colonial tradicional surge como conseqüência da


expansão marítima, inserido no mercantilismo, teoria econômica do
capitalismo comercial, com a finalidade de eliminar a concorrência
e obter vantagem no relacionamento com as zonas periféricas (co-
lônia e feitoria).
O funcionamento do sistema passa por três zonas distintas:
metrópole - centro administrativo; colônia - região destinada ao
processo produtivo e feitoria - região destinada a circulação de
mercadoria. Estas se relacionam através do comércio triangular.

UTILIZAÇÃO DO TRABALHO COMPULSÓRIO AFRICANO


NA AMÉRICA: O trabalho escravo negro surge como fator de acu-
mulação de capital da metrópole e descapitalização da zona perifé-
rica na medida que o tráfico de escravos efetuado pelos lusitanos
serve como uma lucrativa fonte de riqueza e retira o lucro acumula-
do da colônia, evitando com isso uma futura possibilidade de auto-
nomia financeira desta região.
A utilização da mão-de-obra autóctone (nativa) significaria a
obtenção de uma mão-de-obra barata para o colono, determinando
a acumulação perigosa na colônia aos interesses mercantilistas.
Outros fatores da preferência do trabalho escravo negro, são:
o pouco contigente populacional de Portugal para ser deslocado
para à América e a estrutura cultural indígena que definia a divisão
sexual do trabalho, determinado pelo trabalho produtivo feminino.

DIFERENÇA ENTRE COLÔNIA DE EXPLORAÇÃO E CO-


LÔNIA DE POVOAMENTO: A primeira colônia se encaixava perfei-
tamente no projeto mercantilista de acumulação de capital, pois lo-
calizada em áreas de interesse comercial, em virtude de apresentar
aspectos climáticos e pedológicos diferenciados, acaba destinada a
produção agrícola tropical de alta rentabilidade, ou preferencial-
mente na exploração de metais preciosos.
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Na colônia de povoamento as semelhança climáticas e pedo-
lógicas, traziam o desinteresse comercial, se tornando apenas local
destinado para refúgio de pessoas marginalizadas pelo sistema.
Esta colonização espontânea adicionada da presença moura
na Península Ibérica, além do livre arbítrio da religião católica, favo-
receram o processo da miscigenação na colônia de exploração.
Na colônia de povoamento a colonização obrigatória determi-
nou a formação familiar, adicionada por uma rígida moral puritana
(protestante), além de um preconceito direto contra pessoas não
brancas, decorrente da falta de convívio com outros povos na Eu-
ropa.

CARACTERÍSTICAS DA COLÔNIA DE EXPLORAÇÃO: Mão-


de-obra escrava; latifúndio, monocultura e sistema econômico ex-
trovertido.

CARACTERÍSTICAS DA COLÔNIA DE POVOAMENTO:


Mão-de-obra livre predominante (Presença de servo temporário -
indentured servant e escravos no sul dos EUA); minifúndio, policul-
tura e sistema econômico introvertido.

DIFERENÇA NO SENTIDO DA COLONIZAÇÃO ENTRE


AMÉRICA ESPANHOLA E PORTUGUESA: Na América Espanhola
a descoberta do ouro determinou um sentido interiorano de coloni-
zação, pois a lucratividade do negócio compensava o custo adver-
so da montagem e a dificuldade do escoamento da produção.
Na América Portuguesa o sentido litorâneo prevaleceu no
primeiro momento da colonização devido a não descoberta do ou-
ro, determinando o local de fácil escoamento da produção. O padre
Antonil dizia que os portugueses pareciam caranguejos arranhando
o litoral.

ADMINISTRAÇÃO COLONIAL:

PERÍODO PRÉ-COLONIAL (1500-1530): Os portugueses tra-


taram a nova terra descoberta com descaso em virtude principal-
mente de três motivos: Ausência de um mercado consumidor, em
virtude do estágio de subsistência dos autóctones; da não desco-
berta inicial do ouro e da maior lucratividade das especiarias da Ín-
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dia em relação ao pau-brasil.
O contato era esporádico e com finalidades bem definidas:
1501 - Expedição de reconhecimento chefiada por Gaspar Lemos,
e provavelmente contando com a participação de Américo Vespú-
cio; 1503 - Expedição de Exploração chefiada por Gonçalo Coelho:
1516 e 1526 - Expedições de defesa chefiada por Cristóvão Jac-
ques, contra as investidas francesas desde 1504 com a finalidade
de contrabando de pau-brasil, para atender o mercantilismo Colber-
tista de artigos de luxo.
Neste período o trabalho indígena era assalariado pois atra-
vés de escambo (troca natural), se pagava com bugigangas ou
quinquilharias (espelhos, panelas, pentes e artefatos em geral).

PERÍODO COLONIAL (1530-1822): D. João III, o coloniza-


dor, enviou uma expedição colonizadora liderada por Martim Afon-
so de Sousa com a finalidade de ocupar, reconhecer, explorar e de-
fender o litoral brasileiro.
São Vicente foi a primeira região escolhida para fundar a pri-
meira vila populacional e o primeiro engenho (Engenho do Gover-
nador, futuro São Jorge dos Erasmos).
A cana originária da Índia foi levada para as ilhas atlânticas
pelo infante D. Henrique, e no momento da chegada deste produto
ao Brasil, a burguesia lusitana já tinha sido superada pela aristo-
cracia burocrática do Estado, e sem mobilidade comercial, precisou
do auxílio da burguesia batava que passou a financiar, transportar
e distribuir o açúcar no mercado consumidor europeu, com desta-
que para Johann Van Henilts (João Vanite).

SISTEMA DE CAPITANIAS HEREDITÁRIAS: Este sistema


privatizante foi transportado das ilhas atlânticas para o Brasil, em
virtude da crise econômica lusitana gerada pela incompetência e
corrupção da máquina burocrática do Estado e da queda do preço
das especiarias, além da incerteza do retorno lucrativo do açúcar
no Brasil.
Este sistema surge inserido no contexto do capitalismo, pois
visa o processo lucrativo de enriquecimento da metrópole, onde 15
donatarias são distribuídas para 12 donatários, através de dois do-
cumentos jurídicos: Carta de doação e Foral.
A carta de doação são os direitos dos donatários, entre eles:
a transmissão hereditária; a doação de sesmarias (Latifúndios entre
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6 e 24 léguas com obrigação de produzir no máximo em cinco a-
nos, formados por 4 unidades: Casa-grande, senzala, engenho
(Real - movido à água ou trapiche-tração animal) e engenhoca
(Responsável pela produção de aguardente) e capela; A formação
de câmara municipal formada pelos “homens bons” etc.
O foral apresentava entre os deveres: o pagamento de 20%
da produção e a obrigatoriedade de respeitar as leis portuguesas
(Em vigor as ordenações Manuelinas).

O COTIDIANO DO AÇÚCAR: Apesar do açúcar ter iniciado


sua trajetória no sudeste, foi no Nordeste que atingiu seu Habitat
natural, em virtude da terra de massapê; do clima quente e úmido e
da maior proximidade com o mercado consumidor europeu.
As instalações encontradas nos engenhos, tinham funções
específicas no processo de transformação da cana em açúcar: Ca-
sa da moenda, onde a cana era amassada e extraía-se a garapa;
Casa das caldeiras, onde o caldo era apurado e purificado e casa
de purgar, onde o açúcar era branqueado, separando o açúcar
mascavado (malpurgado e escuro).
O Brasil apresentava uma particularidade no processo de a-
puração do açúcar, pois o senhor da lavoura vendia a produção em
tarefa para o senhor de engenho, estabelecendo uma diferenciação
de função que não existia em outra região.
Além do açúcar, temos a plantação de fumo no Recôncavo
baiano; a produção de subsistência e a pecuária, empurrada para o
interior, devido a ocupação litorânea da cana-de-açúcar. O gado
acompanhou o Rio São Francisco (Rio dos currais ou rio da Inte-
gração Nacional).

FIM DO SISTEMA DE CAPITANIAS HEREDITÁRIAS: Desde


a montagem deste sistema a coroa portuguesa preparava sua der-
rocada entendendo ser mais lucrativo a intervenção direta do Esta-
do Lusitano, e aguardava apenas a confirmação da compatibilidade
da terra com o produto.
A falta de cumprimento das obrigações da maioria dos dona-
tários serviu de justificativa para a ocupação direta da coroa.
Outros fatores da derrota desta montagem, foram: resistência
dos índios; falta de unidade entre as capitanias; distância do centro
produtor para o consumidor etc.
O fim do sistema de capitanias hereditárias não representou
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o fim das capitanias, estas foram absorvidas pela centralização do
Estado, com exceção das capitanias de São Vicente de Martim A-
fonso de Sousa e de Pernambuco de Duarte Coelho.

SISTEMA DE GOVERNO GERAL: Nova forma de ocupação


da colônia através da intervenção direta do Estado, representada
por um governador que age em nome do rei. Este acaba auxiliado
diretamente por três representantes: provedor-mor (finanças), ouvi-
dor-mor (justiça) e o capitão-mor (defesa).

1º GOVERNADOR GERAL - TOMÉ DE SOUSA: A primeira


providência administrativa foi criar Salvador, primeira cidade e sede
administrativa da colônia.
Junto com o governador chegam os primeiros jesuítas lidera-
dos por Manoel da Nóbrega, com a intenção de catequizar os ín-
dios, acabando com a resistência destes ao processo colonizador.
A cia. de Jesus foi fundada por Ignácio de Loyola, se tornan-
do o braço armado da contra-reforma católica que estabeleceu no
Concílio de Trento com a liderança do papa Paulo III, a confirma-
ção dos dogmas da igreja, o índex (relação de livros proibidos), a
ação do tribunal do Santo ofício e a expansão do catolicismo pelo
mundo.
No Brasil, o processo de aculturação e destruição do univer-
so indígena, aconteceu simultaneamente com a criação das redu-
ções ou missões, onde os autóctones eram preparados para o pro-
cesso produtivo. Esta nova condição tirava a condição de resistên-
cia dos índios, se tornando presas fáceis dos bandeirantes.
Chega o primeiro bispo D. Pero Fernandes Sardinha.
Este Governo durou de 1549 a 1553.

2º GOVERNADOR GERAL : DUARTE DA COSTA - Junto


com o novo governador chegam os novos jesuítas, com destaque
para José de Anchieta.
Em 1555 os Huguenotes (protestantes calvinistas) franceses
chegam no Rio de Janeiro liderados por Nicolas Durand Villegaig-
non em nome do almirante Coligny que tinha grande penetração no
governo de Henrique II, para formar na Baia de Guanabara, a colô-
nia da França Antártica.
Os franceses se unem aos tamoios através da confederação
dos tamoios.
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Este governo dura de 1553 a 1556.

3º GOVERNADOR GERAL - MEN DE SÁ: Irmão do escritor


Francisco de Sá de Miranda, chegou com a finalidade de combater
os franceses, onde estabeleceu uma aliança com os índios Temi-
minós, liderados pelo cacique Araribóia e trouxe o sobrinho Estácio
de Sá para comandar a marinha lusitana.
Os portugueses derrubam o forte Coligny, expulsando os
franceses da baia de Guanabara, e Estácio de Sá funda São Se-
bastião do Rio de Janeiro, ficando Niterói com os Temiminós.
Os tamoios se rendem no armistício de Iperoig.
Este governo durou de 1556 até 1572.

Em 1570 um novo governador foi designado, D. Luís Fernan-


des de Vasconcelos, mas acabou emboscado pelos franceses, e
acabou assassinado.
Em 1572 o rei D. Sebastião I divide o Brasil em duas partes.
Brasil do Norte, com capital em Salvador, com o governador D. Lu-
ís de Brito e o Brasil do Sul, com capital no Rio de Janeiro, com D.
Antônio Salema.

INVASÕES ESTRANGEIRAS:

FORMAÇÃO DA UNIÃO IBÉRICA (1580-1640): Com a morte


de D. Sebastião da dinastia de Avis, em Alcácer-Quibir no norte da
África, na luta contra os mouros, em 1578, acontece uma crise su-
cessória, em virtude da falta de descendentes desta dinastia. O
problema foi resolvido provisoriamente com a entrada do tio-avô, D.
Henrique, que iria a falecer dois anos depois.
Felipe da dinastia dos Habsburgos e rei da Espanha, era o
mais parente mais próximo de D. Sebastião I (ambos netos de Dom
Manoel I, o venturoso), conseguindo vencer Catarina de Orleans e
Bragança, passando a acumular o domínio das duas coroas.
Para assumir a coroa portuguesa, Felipe II foi obrigado a as-
sinar o Tratado de Tomar (Respeito a língua oficial portuguesa na
Metrópole e nas colônias lusitanas e não interferir economicamente
no comércio lusitano).
Carlos I da Espanha ou Carlos V do Sacro Império Romano
Germânico, pai de Felipe II, chegou ao poder do Império Católico,
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derrotando Francisco I, da França e Henrique VIII, da Inglaterra.
Representante maior da contra-reforma espanhola, tentou determi-
nar o controle político sobre os monarcas europeus que reagiram.
A Espanha entra em conflito com a França, e de forma surpreen-
dente acaba derrotada.
Felipe II estabelece o Tratado de Cateau-Cambrésis com
Henrique II da França.
Após a União Ibérica, Felipe II se torna extremamente pode-
roso, levando a Espanha ao seu apogeu e radicalizando a ação da
contra-reforma na Europa. Este Extremismo ocasionou o choque
da Espanha em três Frentes:
1- Contra a França governada por Henrique IV (ex-protestante
huguenote). Este episódio acabou gerando a guerra dos Trinta A-
nos, onde os Bourbons franceses derrotaram os Habsburgos espa-
nhóis, ocupando o Sacro Império Romano Germânico;
2- Contra a Inglaterra governada por Elisabeth I, resultando
na derrota da “Invencível armada” da Espanha, para os piratas in-
gleses liderados por Sir. Francis Drake;
3- Contra os países baixos, divididos em 17 reinos. O conde
de Alba implantou o Conselho Sangrento ligado ao Tribunal do
Santo Ofício na região, principalmente contra os Calvinistas da I-
greja Reformada, no entanto os sete reinos do Norte (eram 17 rei-
nos), liderados por Guilherme de Orange, se uniram na União de
Utrecht, resultando no aparecimento da Holanda, em 1581.

INVASÃO HOLANDESA NO BRASIL: Felipe II revoltado com


a independência da Holanda, expulsa os batavos da região. Estes
participavam do projeto açucareiro do Brasil desde a montagem da
colonização, através do financiamento, refinação, transporte e dis-
tribuição.
A primeira reação dos holandeses foi através do ato de pira-
taria saqueando o Rio de Janeiro através da Cia. das Índias Orien-
tais, visando a ocupação do comércio de especiarias com a Índia.
Deste momento, um grupo de holandeses (Bôeres), criaram uma
colônia na África do Sul.
Mais tarde, criaram a Cia. das Índias Ocidentais com a finali-
dade de ocupação da produção açucareira no Brasil.
Os holandeses liderados por Willekens, Heyn e Dorth, esco-
lheram a capitania da Bahia (Local da sede administrativa - Salva-
dor - e da 2º maior produção da colônia), derrotando o governador
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Diogo Mendonça Furtado.
O governo holandês na Bahia, com Dorth, durou apenas 1
ano (1624-1625), pois a resistência do interior, liderada por D. Mar-
cos Teixeira e a esquadra espanhola liderada por D. Fradique de
Toledo, acabou expulsando os holandeses da Bahia.

A INVASÃO HOLANDESA EM PERNAMBUCO: Cerca de


7.000 homens invadiram Pernambuco (principal capitania produtora
de açúcar e com menor proteção militar), derrotando o efetivo mili-
tar da região governada por Mathias de Albuquerque que segue pa-
ra o interior, usando a “Tática da Terra Devastada” ou “Arrasada”
(colocavam veneno nas águas, queimavam as produções e fugiam
para o interior), onde funda o “Arraial de Bom Jesus” (Centro irradi-
ador da ação de guerrilha durante cinco anos consecutivos prati-
camente esmorecendo o efetivo holandês prestes ao abandono da
região).
Este panorama se reverte com a prisão de Domingos Fer-
nandes Calabar, onde este acaba informando a localidade do arrai-
al, permitindo o domínio efetivo da região - “Traição de Calabar”.

ADMINISTRAÇÃO NASSOVIANA (1637-1644): Maurício de


Nassau Siegen foi indicado pela WIC como representante holandês
no Brasil.
Político hábil e grande diplomata, Maurício de Nassau inicia
uma política de boa vizinhança , anistiando as dívidas brasileiras
contraídas com Portugal, estipulando 18% de juros e reativando
engenhos desativados.
A nível político-administrativo, dominou praticamente todo o
nordeste (com exceção da Bahia), dando o nome de Nova Holan-
da; criou o Conselho dos Escabinos (espécie de Câmara Munici-
pal), liderados por um esculteto.
A nível religioso determinou a liberdade de culto.
A nível econômico, ocupou com a WIC as feitorias africanas,
interrompendo o tráfico de escravos para a parte brasileira domina-
da pela Espanha. Os espanhóis foram obrigados a articularem a
escravidão indígena. Estes eram emboscados nas reduções (Lo-
cais de índios guaranis aculturados pelos Jesuítas), pela ação dos
bandeirantes.
A nível cultural, trouxe o primeiro observatório astronômico,
primeiro jardim botânico e Zoológico, primeira biblioteca; obras de
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embelezamento de Recife, fundação da cidade de Maurícia etc...

INSURREIÇÃO PERNAMBUCANA (1644-1654): O atraso no


pagamento das dívidas brasileiras contraídas com a Holanda, esta-
va causando prejuízo para a WIC, irritados com a benevolência de
Nassau e com o desperdício de recursos em obras na colônia para
a autopromoção do governador.
Acuado pela WIC acaba renunciando, sendo substituído por
3 representantes, iniciando uma política de exploração direta da
Nova Holanda.
A revolta contra a mudança de posicionamento da WIC acon-
tece primeiro no Maranhão, mas acaba se fortalecendo em Per-
nambuco, com a liderança de André Vidal de Negreiros, João Fer-
nandes Vieira, o índio Felipe Camarão (Poti) e o negro Henrique
Dias.
A trégua de dez anos realizada por Portugal com a Inglaterra,
França e Holanda no processo de restabelecimento de sua auto-
nomia, determinou a luta política dos nordestinos contra os holan-
deses, principalmente nas guerras dos Guararapes.
A situação veio a se modificar para os brasileiros quando em
1651 o lorde protetor Oliver Cromwell estabeleceu o ato de nave-
gação (tratado internacional que determinava a primazia comercial
marítima da Inglaterra ou das metrópoles em relação ao comércio
com as suas respectivas colônias). Os holandeses prejudicados
pela medida, foram obrigados a abrirem duas frentes de batalhas
com os brasileiros e com os ingleses, sendo derrotados em ambas.

CONSEQÜÊNCIAS DA EXPULSÃO DOS HOLANDESES:


1- Os holandeses levaram a técnica do açúcar para as Anti-
lhas, local mais próximo do mercado consumidor, gerando a queda
gradativa do açúcar brasileiro;
2- Formação do sentimento nativista no Brasil, em virtude da
ausência de auxílio inicial português, na luta contra os holandeses.

A INVASÃO FRANCESA NO BRASIL: Motivados pela União


Ibérica, os franceses inimigos da Espanha, resolveram fundar uma
2º colônia francesa no Brasil - a colônia da França Equinocial.
Liderados por Daniel de La Touche entraram em contato com
náufragos franceses da região.
Ao estabelecerem a colônia, fundaram São Luís como capi-
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tal. Esta colônia teve curta duração, onde acabam expulsos pelas
tropas lideradas por Jerônimo de Albuquerque.
Na época da mineração, os franceses, através do ato de pira-
taria, saqueiam o RJ (1710).

A INVASÃO INGLESA NO BRASIL: Exclusivamente através


do ato de pirataria com destaque para o saque de Santos por Ca-
vendish e de Recife por Lancarster.

RESTAURAÇÃO PORTUGUESA: A partir de 1640, Portugal


com auxílio da Inglaterra, França e Holanda, recupera sua autono-
mia, colocando D. João IV, o recolonizador da dinastia dos Orleans
e Bragança no poder.
D. João IV ao assumir a coroa portuguesa, encontra um im-
pério colonial destruído, onde apesar da decadência do açúcar, o
Brasil é a única região com capacidade de retorno lucrativo.
Inicia neste momento um recrudescimento do “pacto colonial”
através principalmente da criação do Conselho Ultramarino (Órgão
interventor direto da metrópole sobre a colônia).
O conselho Ultramarino era composto por um presidente, um
secretário, um magistrado auxiliado pelos juízes-de-fora e uma le-
gião de funcionários, com a finalidade de intervir em todos os seto-
res no Brasil.
O Conselho Ultramarino era auxiliado por duas Cias. mono-
polizadoras: Cia Geral do Comércio do Brasil (1647) e Cia. do Es-
tado do Maranhão.

CRISE DO SISTEMA COLONIAL:

REVOLTA NATIVISTA: Movimento de reação dos brasileiros


contra a exploração desenfreada dos portugueses após a Restau-
ração Portuguesa.
A revolta nativista era contra o recrudescimento do “pacto co-
lonial”, no entanto, não desejava ainda a independência, e sim o
abrandamento da exploração. Este movimento apresenta os aspec-
tos econômicos e sociais, mas não apresentam os aspectos políti-
cos e ideológicos, não apresentando nenhuma política de substitui-
ção ao modelo mercantilista de vínculo direto de dominação da co-
lônia pela metrópole.
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A primeira revolta nativista foi a aclamação de Amador Bueno
(1641), onde os paulistas provavelmente incentivados pelos espa-
nhóis que residiam nesta região passaram a hostilizar o rei portu-
guês, tentando aclamar o maior latifundiário paulista como rei, ape-
sar da recusa deste. Neste episódio acontece a “botada de padres
para fora”, primeiro confronto dos jesuítas com os brasileiros.
Outras revoltas menores foram: a luta no Rio de Janeiro con-
tra o governador corrupto Salvador Correia de Sá e Benevides e a
revolta do Nosso Pai em Pernambuco que prenunciava o confronto
de brasileiros contra portugueses na Guerra dos Mascates.

• REVOLTA DOS BECKMANS (MA / 1683 - 1684): No perío-


do de dominação espanhola, Felipe II criou após a expulsão dos
franceses da França Equinocial, dois Estados: Maranhão e Brasil.
Depois da ocupação dos holandeses na região, os portugue-
ses voltaram a ocupar a região, reiniciando a retomada dos meca-
nismos de dominação colonial, determinando a velha participação
ideológica de formação da mentalidade escravista africana, comba-
tendo a utilização do índio na produção, com destaque para o pa-
dre Antônio Vieira.
A revolta dos maranhenses contra os jesuítas se inicia pren-
dendo ou expulsando os religiosos da região, respondido pela me-
trópole primeiro com D. João IV e mais tarde por D. Pedro II (Re-
gente que substituiu D. Afonso VI, acusado de louco), mudando a
capital do Estado do Maranhão de São Luís para Belém.
O agravamento do problema surge com a criação da Cia. Ge-
ral do Maranhão criada em 1682 para combater o contrabando
(fonte alternativa de renda da colônia) e pela incompetência ou
descaso desta Cia em substituir a ausência de escravidão indígena
proibida.
Este movimento foi liderado por Manoel Beckman (Bequi-
mão) e seu irmão Thomás, filhos de português com Alemã, que
conseguiram destituir o capitão-mor Baltazar Fernandes, assumin-
do o governo.
Apesar de propor um governo mais democrático com a parti-
cipação do povo, clero e nobreza, não tinham plataforma de gover-
no independente, e manda Thomás Beckman para negociar com
Portugal, onde acaba preso, enquanto, Portugal atende reivindica-
ção da aristocracia brasileira, levando estes a abandonarem Be-
quimão, além de uma ação militar comandada por Gomes Freire
13
contra os revoltosos.
Bequimão escondido, foi traído pelo filho adotivo Lázaro de
Melo, e depois de capturado foi enforcado.

• GUERRA DOS MASCATES (PE / 1710 - 1711) - A aristo-


cracia rural decadente de Olinda passa a se endividar progressi-
vamente com os comerciantes portugueses de Recife tratados pe-
jorativamente de Mascates.
Apesar da hipoteca de seus bens na contração da dívida com
os comerciantes portugueses, a elite rural de Olinda tinha o contro-
le político da comarca de Recife.
Com a elevação de Recife de comarca para vila, representa-
da simbolicamente pela construção de um pelourinho, os olinden-
ses preocupados com a perda de seus bens, invadem Recife com a
liderança de Bernardo Vieira de Melo, destruindo o pelourinho e
ocupando politicamente a região.
Este domínio termina quando Recife recebe o apoio de Por-
tugal, expulsando os olindenses. Em represália, Recife é elevado
de vila para cidade, se tornando a capital de Pernambuco, apesar
do comprometimento do governador de passar metade do ano em
Olinda e da determinação da anistia para as dívidas dos devedores
olindenses.

A ERA DA MINERAÇÃO: O início da atividade das bandeiras


aconteceu com o apresamento de índios nas reduções ou Missões,
em substituição momentânea ao trabalho escravo negro, em virtu-
de da interdição do tráfico de escravos pelos holandeses.
Com a expulsão dos holandeses, acontece a rearticulação do
trabalho escravo negro, as bandeiras passam para a condição de
Sertanismo de Contrato com a finalidade de combater a fuga dos
escravos, inclusive destruindo os quilombos (unidades de represen-
tação da África livre).
Os quilombos que utilizavam da mão-de-obra livre, minifún-
dio, policultura e sistema econômico introvertido, negociavam suas
produções com os brancos pobres da periferia.
O maior quilombo conhecido foi o de Palmares, localizado na
Serra da Barriga (divisa de Alagoas e Pernambuco) liderado inici-
almente por Ganga Zumba e mais tarde por Zumbi. Depois de mui-
ta resistência, acabaram derrotados pelas tropas de Domingos
Jorge Velho.
14
A nova atividade das bandeiras passa a ser voltada para a
descoberta do ouro e de outros metais e pedras preciosas. Desta
fase de destaca Fernão Dias Paes Leme, onde apesar de não ter
descoberto as famosas esmeraldas, acabou abrindo o caminho das
Gerais para as novas bandeiras.
Provavelmente em 1693, acontece a primeira descoberta de
ouro, através de Antônio Rodrigues Arzão, na atual região de Saba-
rá. Em seguida chegam novos paulistas, com destaque para Borba
Gato e Antônio Bueno da Silva (Anhanguera).
O rei de Portugal D. João V não respeitando o pedido dos
paulistas, anunciou a descoberta, gerando uma verdadeira corrida
do ouro, com a chegada de forasteiros portugueses e nordestinos.

• GUERRA DOS EMBOABAS (MG / 1708 - 1709): Conflito


entre os paulistas pioneiros da exploração da região das Gerais,
liderados por Manoel Borba Gato e os forasteiros liderados por Ma-
noel Nunes Viana.
A situação dos paulistas acabou se agravando quando 300
paulistas foram emboscados e mortos pelo capitão Bento do Ama-
ral no episódio conhecido como “Capão da Traição”.
Os paulistas derrotados se deslocaram ainda mais para o in-
terior, ultrapassando o tratado de Tordesilhas. Paschoal Moreira
Cabral descobriu o ouro em Mato Grosso e Anhanguera em Goiás.

ADMINISTRAÇÃO AURÍFERA: A cada descoberta de ouro e


outros metais preciosos notificados, a metrópole cercava as regiões
de um controle técnico - administrativo organizado pela intendência
das minas.
Nas regiões auríferas o guarda - mor (funcionário da inten-
dência), realizavam as distribuições das datas (terras destinadas as
explorações), da seguinte forma: as primeiras datas ficavam com
os descobridores das jazidas; as segundas datas ficavam para a
coroa portuguesa (Real Fazenda), que acabavam leiloando suas
terras; as terceiras de acordo com o porte da empresa; e as demais
através de sorteio.
Existiam duas formas de garimpagem: a lavra - grande em-
preitada montada do início da descoberta das jazidas, apesar de
também utilizar técnicas rudimentares, apresentavam maior possi-
bilidade de exploração; a faiscação ou faisqueira - representava o
garimpo individual, realizado em áreas esgotadas, ou não demar-
15
cadas pela intendência.
O Brasil foi o primeiro grande produtor de diamante moderno
do mundo, na região do Tijuco, atual Diamantina.
As áreas secundárias da mineração eram as seguintes: Sul
de minas - responsável pelo abastecimento agrícola; RS e MT - cri-
ação de mulas para o transporte do ouro; RJ - sede administrativa
e escoamento para o exterior.

IMPOSTOS MINERADORES: O primeiro imposto cobrado na


região foi o quinto (20% do ouro descoberto), inicialmente em maté-
ria bruta (Em pó ou cascalho), e mais tarde em barras de ouro fun-
didas nas casas de fundição, para evitar o contrabando do ouro.
Contra a cobrança do quinto e da criação da casa de fundi-
ção surge o último grande movimento nativista - a revolta de Vila
Rica, liderada por Felipe dos Santos, este acabou enforcado, es-
quartejado e execrado a exposição pública, por ordem do conde de
Assumar em 1720.
O novo imposto da década de 30 foi a capitação (cobrança
de 17 g de ouro por escravo acima de 14 anos).
Nas décadas de 40 e 50 (auge da mineração), surge a Finta
(cobrança de 100 arrobas de ouro por ano - cerca de 1500 Kg).
No período da decadência da mineração, Marquês de Pom-
bal cria a derrama (mesma quantidade exigida pela finta, com o a-
gravante da obrigatoriedade da adição de bens pessoais para
completar 100 arrobas).

CONSEQÜÊNCIAS DA MINERAÇÃO:
∗ Alargamento do território nacional c/ o avanço das bandei-
ras além do tratado de Tordesilhas;
∗ Deslocamento do eixo econômico do Nordeste para o cen-
tro - sul, inclusive com a mudança da capital de Salvador para o
Rio de Janeiro;
∗ Crescimento demográfico: 1600 - 100.000 hab.; 1700 -
300.000 hab.; 1800 - 3.300.000 hab.
∗ Maior urbanização do Brasil, acarretando numa menor con-
centração de renda, em virtude do desenvolvimento do setor terciá-
rio (prestação de serviços).
∗ Maior possibilidade de alforria para os negros, através da
prática da faiscação ou da ação das irmandades.
∗ Aparecimento de uma estética cultural identificada com os
16
movimentos da modernidade burguesa da época, representada pe-
lo arcadismo de nossos inconfidentes; ou mesmo no barroco na
música de Lobo de Mesquita e nas escultoras do mestre Valentim e
de Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho).

• REVOLTAS EMANCIPACIONISTAS: A burguesia inicial-


mente articulou o retorno das monarquias absolutistas, em virtude
da necessidade de um Estado forte para retirar o domínio mental,
político e econômico da igreja católica, inimiga dos interesses bur-
gueses, bem como garantir o lucro da burguesia mercantil atrelada
ao Mercantilismo que defendia a presença do Estado forte nas
competições comerciais.
A burguesia industrial que substituiu a mercantil iniciou um
projeto ideológico questionador do absolutismo, baseado em pen-
sadores deístas da revolução científica do século XVII: Issac New-
ton, Francis Bacon e René Descartes entre outros.
John Locke, pai da filosofia iluminista, participou da revolução
Gloriosa (Responsável pelo fim do absolutismo na Inglaterra), criou
o Bill of Right (declaração de direitos) e o “Primeiro e o segundo
tratado civil” questionando a intervenção do Estado na manifesta-
ção da vontade humana, determinando que todo soberano que não
respeitasse a liberdade e a propriedade, segundo ele direitos natu-
rais, deveria ser destituído.
Na França, a política iluminista ou filosofia ilustrada atinge o
seu apogeu com a elaboração das principais idéias políticas e que
foram determinantes na projeção dos movimentos revolucionários
questionadores do absolutismo conhecidas como revoluções Atlân-
ticas ou burguesas. Principais expoentes: Montesquieu, Voltaire,
Rousseau, Diderot, D’Alambert etc...
Na economia surgem duas escolas burguesas defensoras do
naturalismo. A francesa conhecida como fisiocracia que defende o
agrarismo e tem como principais defensores Quesnay, Gournay e
Turgot defendendo uma economia livre, traduzido na seguinte fra-
se: “’ “Laissez-faire, Laissez-passer le monde va de lui meme” (Dei-
xe fazer, deixe passar o mundo caminha por si mesmo).
A inglesa conhecida como liberal que surge com a obra “A ri-
queza das nações” no século XVIII defendendo o trabalho auxiliado
pelo capital como fonte de riqueza. Principais seguidores da escola
liberal ou neoclássica: Stuart Mill, Thomas Malthus e Ricardo.

17
INCONFIDÊNCIA MINEIRA (1789): Primeiro movimento e-
mancipacionista do Brasil, foi influenciado pela filosofia iluminista e
pela independência dos EUA.
Este movimento elitista apareceu inicialmente para lutar con-
tra a cobrança da derrama trazida por Visconde de Barbacena, mas
acabou amadurecendo e defendendo a implantação de uma repú-
blica separatista e federalista.
Os líderes do movimento foram: José Álvares Maciel (princi-
pal teórico), José Joaquim Maia (Contato de Thomás Jefferson),
Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), Ten.-Cel. Freire de An-
drade, os Padres Rolim e Toledo etc.
- Traidores: Joaquim Silvério dos Reis, Correia Pamplona e
Brito Malheiros.
Movimento desorganizado não atingiu a luta armada ficando
na fase conspiratória, no entanto, antes de pensar a forma de atin-
gir o poder, apresentava diversas metas: construção da capital em
São João del Rei; Formação da faculdade de Ouro Preto; estímulo
ao crescimento populacional; confecção da bandeira com os dize-
res de Virgílio: “Libertas Quae Sera Tamen” etc.
Com exceção de Tiradentes, os demais eram contrários a li-
bertação dos escravos.
Presos em 1789, foram julgados em 1792, registrado no auto
da devassa de Minas Gerais. Cláudio Manoel da Costa morre na
prisão. Diversos inconfidentes foram condenados a penalidade da
pena de morte, no entanto, Dona Maria I substitui as penalidades
para a degradação na África, e somente Tiradentes foi condenado
a forca, esquartejamento e execração pública - punição exemplar.

INCONFIDÊNCIA BAIANA OU CONJURAÇÃO DOS ALFAI-


ATES (1799): Movimento emancipacionista influenciado pela filoso-
fia iluminista e principalmente pela 2º fase da revolução francesa
com a finalidade de implantar uma república separatista e federati-
va.
O mais importante dos movimentos coloniais chegou a de-
fender a abolição da escravidão, onde participaram através da luta
armada.
A liderança deste movimento era mista, apresentando ele-
mentos elitistas de intelectuais como: Cipriano Barata, Hermógenes
Pantoja , Moniz Bandeira e da loja maçônica “Cavaleiros da Luz” e
lideranças populares como os alfaiates João de Deus e Manoel
18
Faustino e dos soldados Lucas Dantas e Luís das Virgens.
Com a derrota da conjuração dos Alfaiates, apenas os líderes
populares foram condenados à morte.

REVOLTA DA SOCIEDADE LITERÁRIA DO RJ (1794): Mo-


vimento elitista e sem muita expressão liderada por Silva Alvaren-
ga. Foram facilmente derrotados.

CONSPIRAÇÃO DE SUAÇUNA (PE - 1801): Movimento sur-


gido na fazenda de mesmo nome e apesar da pouca expressivida-
de, lançou o surgimento de uma ova loja maçônica fundada pelo
padre Arruda Câmara, com grande participação no movimento pos-
terior, a Revolução Pernambucana de 1817 - “Os areópagos de I-
també”.

REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817 - Retomada pos-


teriormente.

MARQUÊS DE POMBAL E O RENASCIMENTO AGRÍCOLA:


Sebastião José de Carvalho e Mello, Marquês de Pombal e Conde
de Olivas assumiu o posto de primeiro ministro de D. José I onde
governou de 1750 a 1777. Período de grandes transformações vi-
sando a independência econômica de Portugal da Inglaterra.
Pombal era um déspota esclarecido (absolutistas influencia-
dos parcialmente pelas idéias burguesas, principalmente as de Vol-
taire). Formava com o ministro Aranda da Espanha, Catarina da
Rússia e Frederico da Prússia, os grandes expoentes desta corren-
te.
Pombal reativou o renascimento agrícola, através dos seguin-
tes produtos demandados internacionalmente: Algodão (Ma e Pa),
procurando atender a grande industria têxtil. Disputava mercado
com os EUA e Índia. Os picos deste produto aconteceram nas
guerras de independência dos EUA e da Guerra de Secessão; Ca-
na-de-açúcar, onde o Brasil aproveita da luta de independência das
Antilhas ( Haiti, primeiro país negro independente) para recuperar a
condição de 3º maior produtor (PE, PB, RJ e SP), apesar do declí-
nio de rentabilidade do produto no mercado; cacau (AM e BA); fu-
mo (BA), arroz (RJ); índigo (Cabo Frio - RJ). Houve um pequeno
incentivo dos roçados.

19
OUTRAS REALIZAÇÕES DE POMBAL:
∗ Criação da Derrama.
∗ Transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro.
∗ Substituição das capitanias pelas províncias.
∗ Extinção do Estado do Maranhão anexado ao Estado do
Brasil.
∗ Criação de duas Cias. monopolizadoras: Cia. do Grão-Pará
e Maranhão e Cia. de Pernambuco.
∗ Expulsão dos jesuítas do Brasil e de Portugal.
∗ Criação do diretório do índio. etc.

• TRATADOS FRONTEIRIÇOS ENTRE AMÉRICA ESPA-


NHOLA
E AMÉRICA PORTUGUESA:

TRATADO DE UTRECHT (1715): O português Manoel Lobo


ocupou a colônia do Sacramento (Atual Uruguai) em 1680, fazendo
o jogo da Inglaterra que tinha interesses na região do Prata, e a
Espanha aumentava sua aproximação com a França, pois o conde
D’Anjou, futuro rei da Espanha, era neto de Luís XIV, rei da França.
A Inglaterra aceitou a posse de D’Anjou como rei, desde que
renunciasse a sucessão Francesa (Guerra de sucessão espanho-
la).
No referente ao litígio (conflito) fronteiriço, obrigou a Espanha
a reconhecer a posse portuguesa sobre a colônia de Sacramento.

TRATADO DE MADRI (1750): A partir deste tratado houve


um reconhecimento internacional das terras conquistadas por por-
tugueses e brasileiros além do tratado de Tordesilhas, graças a te-
oria do Utis Possidetis (Uso e Posse), defendido pelo diplomata A-
lexandre de Gusmão.
Na questão do sul do Brasil, acontece a troca de colônias:
Sacramento passa para Espanha em troca dos Sete Povos das
Missões que fica com Portugal.

TRATADO DE EL PARDO (1761): Os jesuítas contrários ao


deslocamento dos índios para as margens ocidentais do rio Uru-
guai, iniciam a Guerra Guaranítica, onde apesar do conflito san-
20
grento, conseguem impedir momentaneamente a troca das duas
colônias.

TRATADO DE SANTO ILDEFONSO (1777): As 2 colônias


passam para o domínio espanhol.

TRATADO DE BADAJOS (1801): Confirmação da troca efe-


tuada pelo tratado de Madri.

ESTADO PORTUGUÊS:

ANTECEDENTES: A Inglaterra que mantinha o monopólio de


praticamente todo o mercado consumidor internacional acabou
ameaçada pela revolução francesa que derrubou o absolutismo, e
principalmente com a consolidação desta revolução burguesa com
a entrada de Napoleão Bonaparte, controlando os conflitos internos
e externos, e apreciando o código Civil Napoleônico (1804), base
de funcionamento administrativo da França.
Em seguida, Napoleão inicia sua trajetória imperialista, en-
trando em disputa do Mercado com a Inglaterra.
Na batalha Marítima de Trafalgar, a Inglaterra liderada pelo
almirante Nelson, derrota os franceses auxiliado pelos espanhóis.
Napoleão muda de tática, estabelecendo a guerra terrestre
de Austerlitz, derrotando os inimigos e aliados momentâneos da In-
glaterra (Áustria, Rússia e Prússia), iniciando sua grande estratégia
militar - o Bloqueio Continental (ocupação das fronteiras continen-
tais européias, isolando as Ilhas britânicas).
O norte fechou com Napoleão com auxílio da burguesia con-
tinental, com exceção da Rússia obrigado a assinar o Tratado de
Fontanebleau (a Espanha cede a passagem para a invasão france-
sa em Portugal e esta região acaba dividida em 3 partes: uma para
Napoleão e as outras duas entre Carlos IV e o ministro Godoy.
A demora da resposta espanhola acarretou na invasão fran-
cesa derrubando Carlos IV e colocando o irmão José Bonaparte,
além do avanço das tropas lideradas por Junot em direção a Portu-
gal, quando a fuga apressada da família real para o Brasil, aconse-
lhado pelo lord Strangford, embaixador inglês em Portugal.

A VINDA DA FAMÍLIA REAL E AS PRIMEIRAS MEDIDAS:


21
Antes mesmo da chegada ao Rio de Janeiro, o infante D. João cria
duas medidas de caráter emergencial: - abertura dos portos às na-
ções amigas e o alvará para liberdade industrial.
A abertura dos portos acabou com o “pacto colonial” pois os
produtos brasileiros não podiam continuar seu processo de escoa-
mento para Portugal invadida pelos franceses, e pela necessidade
do Brasil importar produtos de outros países. Secundariamente o
liberal Visconde de Cairu influenciou a montagem de tal medida.
Esta medida significou na prática a independência do Brasil.
O alvará para liberdade industrial, foi a tentativa portuguesa
de amenizar a dependência econômica da Inglaterra. Não deu cer-
to devido a concorrência com os produtos ingleses, e por causa da
ausência de mercado consumidor.

• OS TRATADOS DE 1810: O lorde Strangford representan-


do a Inglaterra obrigou o conde Linhares a assinar 3 tratados: “Co-
mércio e Navegação”; “Aliança e Amizade”; “Paquete” (destinado
ao processo de postagem entre os países amigos).

TRATADO DE COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO:


- Tarifas alfandegárias ou aduaneiras - Inglaterra (15%); Por-
tugal (16%); Outros países (24%).
- Direito de extraterritorialidade.
- Franquia do porto de Santa Catarina.
- Direito de culto ao anglicanismo etc.

TRATADO DA ALIANÇA E AMIZADE:


- Diminuição do tráfico de escravos.
- Fim da Santa Inquisição, etc.

A DERROTA DE NAPOLEÃO E A ELEVAÇÃO DO BRASIL A


CONDIÇÃO DE REINO UNIDO (1815): Napoleão perde a credibili-
dade do continente europeu, principalmente por dois motivos: a in-
capacidade produtiva da França em substituir os produtos proibidos
da Inglaterra e o autoritarismo e intervencionismo francês.
A Rússia aproveita dessa situação para romper o Bloqueio
Continental. A reação de Napoleão é imediata, iniciando uma gran-
de invasão sobre a Rússia.
O czar Alexandre I preparou a tática da terra devastada ou
arrasada para as tropas de Napoleão, gerando um verdadeiro mas-
22
sacre, principalmente pelo agravante do frio (General inverno).
O que sobrou do exército de Napoleão acabou derrotado pe-
las tropas conservadoras e absolutistas na batalha de Leipzig, onde
Napoleão foi preso na Ilha de Elba, entrando Luís XVIII no seu lu-
gar.
Napoleão foge, reassume o comando do exército, iniciando a
Guerra dos cem dias, onde acabou derrotado na Batalha de Water-
loo, e confinado na ilha de Santa Helena.
As forças absolutistas reunidas no Congresso de Viena foram
aconselhadas por Talleyrand, ministro de Luiz XVIII a convencerem
D. João VI e a família real a permanecerem no Brasil, elevando es-
ta região a condição de Reino Unido a Portugal e Algarves, dando
respaldo internacional e impedindo o domínio total do liberalismo
inglês.

• OUTRAS REALIZAÇÕES DE D. JOÃO VI:


- Criação dos primeiros jornais: “A Gazeta do Rio de Janeiro”
e “A Idade do Ouro do Brasil” (BA) - imprensas régias - O jornal de
oposição era feito na Inglaterra “O Correio Brasiliense” de José Hi-
pólito José da Costa.
- Criação da primeira academia militar e o primeiro Banco do
Brasil.
- Fundação das primeiras faculdades do Brasil: Medicina (BA)
e Direito (RJ).
- Fundação da biblioteca e do teatro municipal; da escola de
belas artes e do Horto florestal (Atual Jardim Botânico).
- Acordo cultural Brasil - França, com destaque para Debret e
Taunay.
- A nível externo, ocupou Caiena (Atual Guiana Francesa) e
Província da Cisplatina (Atual Uruguai), etc.

MOVIMENTOS DE INDEPENDÊNCIA:

ANTECEDENTES: A permanência da família real no brasil


trouxe dois problemas sérios para Portugal:
1- A inversão brasileira, ou seja, o centro de decisões do sis-
tema passava a ser o Brasil;

2- O marechal inglês Beresford que liderou a expulsão dos


23
franceses de Portugal, ocupa praticamente este vazio político.
A burguesia lusitana influenciada pela Revolução Liberal da
Espanha, realizada pela junta governativa, aproveita a ausência de
Beresford para substituir o absolutismo pela monarquia constitucio-
nal, na Revolução Liberal do Porto de 1820, exigindo o retorno de
D. João VI.
A Revolução Liberal do Porto foi liderada por Manuel Fernan-
des Tomás inspirada pela Revolução Francesa, e a associação que
liderava o movimento era chamado de Sinédrio.
A monarquia pressionada pela elite brasileira e portuguesa,
retorna para Portugal em 1821, deixando o filho mais velho, D. Pe-
dro com o propósito de antecipar aos projetos violentos de inde-
pendência e a tentativa recolonizadora da burguesia lusitana.

REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817: Último movi-


mento separatista antes da independência, influenciado pela filoso-
fia iluminista e pelo código civil Napoleônico, formaram um governo
provisório composta dos seguintes províncias: Pe, Pb, Rn, Ce e Al.
Principais líderes: Domingos José Martins (contato do revolu-
cionário Miranda), padre João Ribeiro (Discípulo do padre Arruda
Câmara fundador da loja maçônica “Areópagos de Itambé), padre
Miguelinho, Antônio Carlos de Andrada, Frei Caneca e outros.
Os revolucionários tomaram o poder, implantando um gover-
no provisório e republicano (7 de março de 1817) derrotando o go-
vernador Caetano Montenegro.
Foi criado um conselho de Estado, constituído pela elite inte-
lectual; confeccionada uma bandeira separatista; o ideal liberal
substituiu o absolutista, instalada na Lei Orgânica, criada por Frei
Caneca ou Antônio Carlos de Andrada (liberdade de consciência e
imprensa - tolerância religiosa - elaboração de uma constituição -
estrangeiros que aderissem a revolução seriam considerados patri-
otas - abolição dos tributos sobre gêneros de primeira necessidade
etc.); o tratamento pessoal tradicional seria substituído pelo de pa-
triota e vós como na revolução francesa.
A contra-revolução foi liderada pelo governador da Bahia D.
Marcos de Noronha e Brito, conde dos Arcos, responsável pela re-
pressão por mar e terra, além de tropas lideradas pelo coronel Luís
do Rego Barreto - futuro governador de Pernambuco, recuperando
o controle da região em 19 de maio de 1817.
As punições foram rigorosas: Domingos José Martins, padre
24
Miguelinho e José Luís de Mendonça foram fuzilados em Salvador,
outros foram condenados à morte nos de mais províncias revolu-
cionárias.

REPERCUSSÕES DA REVOLUÇÃO LIBERAL NO BRASIL


E AS TENDÊNCIAS DOS PARTIDOS NO BRASIL COLONIAL: Os
liberais brasileiros desconhecendo a tendência recolonizadora da
corte liberal de Lisboa, passaram inicialmente a Revolução portu-
guesa, com gritos de “viva a revolução” e “abaixo o absolutismo”.
Cipriano Barata aclamava a revolução no seu jornal “A sentinela”.
Os deputados brasileiros eleitos para a corte de Portugal,
como Antônio Carlos de Andrada, padre Feijó, Cipriano Barata en-
tre outros, ficaram decepcionados pela fria recepção dos liberais
portugueses.
O partido português formado basicamente por comerciantes
portugueses eram favoráveis a recolonização do Brasil, seguida do
retorno do absolutismo.
O partido radical formado pelos profissionais liberais das zo-
nas urbanas e pela elite agrária fora do eixo Rio, São Paulo e Mi-
nas, eram favoráveis a imediata independência do Brasil, seguida
da implantação da república.
O partido brasileiro formado basicamente pela elite rural do
eixo Rio, São Paulo e Minas, favoráveis inicialmente a manutenção
do reino unido seguido de monarquia constitucional, mais tarde de-
vido a tendência recolonizadora das cortes portuguesas, passam a
defender a independência do Brasil, seguida de monarquia consti-
tucional.
MOVIMENTOS DA INDEPENDÊNCIA: A principal articulação
ficou com a maçonaria; a divulgação ficou a cargo da imprensa,
com destaque para o jornal “O revérbero constitucional” do liberal
radical Gonçalves Ledo e a participação do próprio príncipe-
regente. Esta combinação serviu aos interesses da classe domi-
nante rural de garantir a velha ordem de funcionamento escravista,
latifundiária e monocultura, impedindo a fragmentação do território
brasileiro.
Os principais movimentos foram:
- 9 de janeiro de 1822 - Dia do fico.
- Maio de 1822 - cumpra-se.
- Junho de 1822 - D. Pedro recebe o título de defensor perpé-
tuo do Brasil pela Maçonaria.
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- Agosto de 1822 - Início da convocação do anteprojeto cons-
titucional.
- 7 Setembro de 1822 - Independência do Brasil.

PRIMEIRO REINADO:

ANTECEDENTES: Apesar da nossa independência ter sido


praticamente pacífica (comparando com o processo da América
Espanhola), a consolidação dela exigiu sacrifício pois houve a re-
sistência portuguesa em algumas províncias brasileiras: Ba, Pa,
Ma, Pi, e Cisplatina.
Na Bahia o governador Madeira de Melo perseguia os parti-
dários da independência, inclusive a madre superiora Joana Angé-
lica que foi assassinada quando o governador invadiu o convento
que dava abrigo aos seus oposicionistas.
D. Pedro I pede auxílio aos mercenários no combate aos por-
tugueses, com destaque para os ingleses Cockrane e Greenfell, o
norte-americano Taylor e o francês Labatut.
Outro destaque na luta contra os portugueses foi Maria Quité-
ria que participou do exército disfarçado de homem.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL DA NOSSA INDE-


PENDÊNCIA:
EUA = devido a doutrina Monroe: “América para os america-
nos”.
Portugal = Pagamento de £ 2.000.000 - início da dívida ex-
terna.
Inglaterra = Prorrogação por 15 anos dos tratados de 1810.

A CONSTITUIÇÃO DA MANDIOCA: José Bonifácio, patriarca


da independência, teve bastante prestígio no primeiro momento do
reinado, acumulando as pastas do reino e das relações exteriores,
onde canalizou o poder para si, com auxílio da imperatriz Leopoldi-
na, e arranjou bastante inimigos como Chalaça que conspirava com
o amante de D. Pedro, a marquesa de Santos, acaba derrubando o
ministro e seu irmão Martim Francisco da pasta da Fazenda. En-
quanto esteve no poder, Bonifácio fez uma política contraditória
apoiando a abolição e criticando a democracia.
A elite rural liderada por Antônio Carlos Andrada iniciou o es-
26
tabelecimento de uma constituição liberal e xenófoba (Aversão ao
estrangeiro), baseado no voto censitário medido na plantação de
Mandioca, visando afastar da política os portugueses que viviam do
comércio.
No ato da promulgação da carta, D. Pedro I auxiliado pelo
exército fecha o congresso, mantendo os parlamentares presos -
Noite da agonia.

A CARTA OUTORGADA DE 1824 (PRIMEIRA CONSTITUI-


ÇÃO DO BRASIL): Esta carta foi inspirada na constituição absolu-
tista da França apesar de conter medidas liberais como liberdade
de imprensa e direito de propriedade privada para atrair a elite ru-
ral.
Esta constituição era unitária e centralizada, consagrava a
transmissão vitalícia e hereditária do poder ao filho primogênito.
No caso de morte, doença incurável e renuncia do monarca
no período de menoridade do futuro rei (Abaixo de 18 anos), a
constituição prevê a formação de uma regência trina formada por
pessoas de confiança da família real.
Inspirado nas doutrinas de Benjamin Constant, a carta de
1824 consagrava a formação do 4º poder - o moderador - e diferen-
te da teoria que previam poder neutro e conciliador, passa a ser um
instrumento de intervenção e opressão.
Outra grande medida foi a criação do regime de padroado,
onde o poder leigo do imperador indica e submete o poder religio-
so, e estes últimos passam a ser funcionários públicos responsá-
veis pela mentalidade do império e etc...

CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR (PE - 1824): Movimento


com antecedente na Revolução pernambucana de 1817.
Com o retorno da família real para Portugal (1821), os liberais
recuperam o poder em mãos dos matutos, e apoiam o projeto de
formação de uma constituição liberal.
Com o impedimento da Constituição da Mandioca, os liberais
republicanos liderados por Paes de Andrade passaram a atacar a
carta outorgada de 1824 e D. Pedro I reage impondo um presidente
da província do grupo dos matutos, Pais Barreto.
O movimento revolucionário atinge novamente as cinco pro-
víncias: Pe, Pb, Rn, Ce.
Os grandes líderes do movimento foram: Cipriano Barata
27
(Homem de todas as revoluções), dono do jornal “A Sentinela da
Liberdade da Guarita de Pernambuco”, e mesmo preso um ano an-
tes do movimento, deixou suas idéias em funcionamento; e o frei
carmelita Joaquim do Amor Divino Caneca, ou frei Caneca, princi-
pal líder intelectual do movimento, também apresentava preocupa-
ções com as classes menos favorecidas, defendendo suas idéias
no jornal “Tífis Pernambucano”. Foi condenado a morte.
A ação violenta dos mercenários liderados pelo Lorde Coc-
krane, trouxe o processo de afastamento gradativo da elite e das
massas populares.

PROCESSO DE ABDICAÇÃO DE D. PEDRO I: Autoritário e


incompetente, D. Pedro fez um péssimo governo agravado pela
ausência de um produto forte no mercado e pelo desemprego.
A nível internacional foi derrotado na questão sucessória de
D. João VI, onde planejava casar a filha de 7 anos, Dona Maria da
Glória, com o irmão D. Miguel que recusa e prepara um golpe de
Estado.
Outra derrota acontece com a independência das províncias
da Cisplatina em 1828, com a formação do Uruguai.
A oposição passava a criticar D. Pedro I através da imprensa,
com destaque para os jornais “A Aurora Fluminense” de Evaristo da
Veiga e “O Observador Constitucional” de Líbero Badaró.
O jornalista Líbero Badaró foi assassinado numa emboscada
e D. Pedro acusado de mandante do crime, gerando um conflito en-
tre situação e oposição num reduto de comerciantes portugueses,
onde estes passavam a atirar garrafas vazias nos brasileiros - Noite
das Garrafadas.
Sem apoio do povo, da elite e do exército, D. Pedro I tenta a
última cartada criando o Ministério de brasileiros, no entanto, diante
da insubmissão destes, acaba demitindo-os e restruturando o Mi-
nistério dos marqueses.
Para agravar a situação de D. Pedro I, o liberalismo econô-
mico recupera seu prestígio internacional, derrubando Carlos X, rei
da França, em 1830.
D. Pedro I renuncia em 7 de abril de 1831. Segundo o liberal
mineiro Theóphilo Otoni, aconteceu a verdadeira Journée de Dupes
( Jornada dos tolos ou dos logrados), pois o partido radical que
mais lutou para derrubar D. Pedro não ficou com nenhuma parcela
do poder.
28
PERÍODO REGENCIAL:

ANTECEDENTES: Esta forma de governo pela elite rural es-


tava dentro da Constituição apesar da lei prever pessoas de confi-
ança da família real.
A elite rural chega pela 1ª vez ao poder efetivo no Brasil, rea-
lizando a experiência que no futuro originará a implantação da Re-
pública.
Tivemos no Brasil 4 regências: Regência Trina Provisória,
Regência Trina Permanente, Regência Una de Padre Feijó e Re-
gência Una de Araújo Lima.
Nas regências os partidos mudaram de nomes: Partido por-
tuguês passa para Restaurador ou Caramuru, organizados na soci-
edade militar, defendendo a volta de D. Pedro I. Era liderado por
José Bonifácio.
O partido radical passa para Exaltado, Jurujuba ou Farroupi-
lha, organizado na Sociedade Federativa, defendendo o Estado fe-
derativo e descentralizado. Era liderado por Borges da Fonseca.
O Partido Brasileiro passa para Moderado ou Chimango, or-
ganizados na Sociedade de Defesa da Liberdade e da Indepen-
dência, defendendo a formação futura de uma monarquia consti-
tucional. Era liderado por Padre Feijó, Bernardo Pereira de Vas-
concelos e Evaristo Veiga.

REGÊNCIA TRINA PROVISÓRIA: Durou 3 meses e foi cria-


da em caráter emergencial devido o recesso do congresso com a
finalidade de estabelecer medidas urgentes como: anistia aos pre-
sos e exilados políticos do Primeiro Reinado e a readmissão do Mi-
nistério de brasileiros depostos por D. Pedro I.
Esta regência era formada por Francisco de Lima e Silva, se-
nador Nicolau Campos Vergueiro e José Joaquim Carneiro de
Campos (Marquês de Caravelas).

REGÊNCIA TRINA PERMANENTE (1831-1835): Formada


por Francisco de Lima e Silva, José da Costa Carvalho (Marquês
de Monte Alegre) e Bráulio Muniz, onde a principal figura do gover-
no era o Ministro da Justiça, o padre Diogo Antônio Feijó.
A primeira grande medida desta regência foi a criação da
29
Guarda Nacional em 1831, com a finalidade de combater as rebeli-
ões regenciais e servir de sustentação armada da nova elite rural.
Em 1832 acontece a consolidação do código do processo
criminal iniciado em 1830, separando a idéia de crime de pecado.
O corpo criminoso passa a ser combatido por mecanismos
científicos controlados pela burguesia rural, baseado na lógica ma-
terial, e não na interferência divina.
A justiça escapa do poder do Tribunal do Santo Ofício e da
ação da Santa Inquisição, o corpo criminoso passa a tutela da polí-
tica e a mente insana para o controle psiquiátrico.
Este código também descentraliza o poder, passando o po-
der judiciário local para o juiz de paz eleito pela comunidade, no en-
tanto, acaba institucionalizando a prática do coronelismo (latifundiá-
rio que compra a patente de coronel na guarda nacional), respon-
sável pela manipulação local em favor do seu candidato para chefe
judiciário de sua região.

CONFLITO ENTRE FEIJÓ E BONIFÁCIO: O padre Feijó de-


pois de alterar as leis ordinárias (elaboradas pelo poder judiciário),
passa a planejar o estabelecimento de uma nova constituição a-
daptada aos valores liberais e promulgada pelo legislativo.
Feijó prepara a elaboração de uma constituição promulgada,
recebendo apoio da Câmara dos Deputados, formada na sua maio-
ria por elementos do Partido Moderado, no entanto, não recebeu a
adesão do Senado, nas mãos do Partido Restaurador.
Feijó tenta através de um golpe de Estado elaborar a consti-
tuição apenas com a Câmara de Deputados, além de tomar , de
Bonifácio, a tutela de D. Pedro II.
José Bonifácio reage e, utilizando de seu poder pessoal, con-
segue parcela do Partido Moderado liberado por Bernardo Pereira
Vasconcelos a não aceitar o plano golpista de Feijó. Isolado, o Mi-
nistro da Justiça acaba renunciando.
Bonifácio não chega a comemorar, pois perde a tutela de D.
Pedro II para o Marquês de Itanhaém e recebe a notícia da morte
de D. Pedro I.

ATO ADICIONAL DE 1834: Primeira revisão da Constituição


de 1824, elaborada pelas 3 facções, determinando o seguinte: - O
Rio de Janeiro se torna um município neutro; - Os conselhos pro-
vinciais são substituídos pelas Assembléias Legislativas; - Fim do
30
Conselho de Estado; - As Regências Trinas passam para Regên-
cias Unas.
O Partido Restaurador recebe, em troca de votação, a conti-
nuação da vitaliciedade do Senado, e o Partido Exaltado, a criação
do Estado Federativo.

REGÊNCIA UNA DE PADRE FEIJÓ (1835-1837): De tendên-


cia progressista (favorável ao ato adicional de 1834), Feijó vence
com uma margem apertada de votos de seu oponente Holanda Ca-
valcanti, no entanto, sua facção perde o legislativo para os regres-
sistas.
Os regressistas passaram a boicotar Feijó e, mesmo este
chamando as rebeliões regenciais de “Vulcão da Anarquia”, os re-
gressistas o acusavam de incompetente e conivente com estes
movimentos.
Feijó que representou o avanço liberal, fica sem apoio e aca-
ba renunciando.

REGÊNCIA UNA DE ARAÚJO LIMA (1837-1838 E 1838-


1840): De tendência regressista, terminou o mandato de Feijó, i-
naugurando o Regresso Conservador.
Araújo assume o 2º mandato vencendo Holanda Cavalcanti e
consolidando a união do Poder Executivo com o Legislativo, onde
confiante cria o “Ministério das Capacidades”, prometendo acabar
com as rebeliões regenciais. O fracasso parcial motivou o golpe da
maioridade que acelerou o retorno da monarquia centralizadora pa-
ra garantir a paz social e a integridade territorial necessária ao de-
senvolvimento do café.

AS REBELIÕES REGENCIAIS:

• CABANAGEM (PA / 1833 - 1836): Único movimento no


Brasil onde o povo tomou o poder.
Este movimento tem antecedentes no primeiro reinado, onde
os cabanos lutaram com os mercenários liderados por Greenfell pa-
ra expulsar os portugueses que se recusavam a aceitar a indepen-
dência, mas foram massacrados pelos mesmos mercenários quan-
do passaram a exigir melhores condições de vida.
Dois líderes sobreviventes do massacre do 1º Reinado: Cô-
nego Batista de Campos e o estancieiro Clemente Malcher, reorga-
31
nizaram o movimento contra a intervenção centralizada da regência
na região.
Os cabanos acabaram matando o presidente provincial inter-
ventor Lobo e Souza, colocando Clemente Malcher. Este último,
preocupado com a radicalização do movimento, pede proteção dos
regentes, e também acaba assassinado.
Francisco Vinagre, líder dos revoltosos assume o governo,
mas também fica preocupado com os caminhos violentos do movi-
mento, e mesmo com oposição do irmão Antônio Vinagre, trai o
movimento por duas vezes. Foi justiçado.
O mesmo acontece com Angelim e Lavouro. Cansados de
traição, acabaram desanimando e permitindo a recuperação do re-
gentes.

• FARROUPILHA (RS / 1835 - 1838): As causas desse mo-


vimento podem ser encontradas no descaso histórico do governo
federal na região, só lembrando dos gaúchos para guerras fronteiri-
ças e cobrança de impostos; além das condições Sui Generis da
região de produtora de gado, de onde retira a carne, couro, sebo e
graxa para abastecimento do mercado interno, onde o governo fe-
deral, procurando diminuir o preço do produto, passa a importar os
mesmos produtos dos países platinos que, liberados do problema
da escravidão, conseguiam um preço menor de mercado.
Bento Gonçalves liderando os estancieiros e com ajuda do
povo, estabelecem uma República Separatista Rio-Grandense ou
do Piratini.
Os mercenários liderados por Greenfell e contratados pelos
regentes, vencem os farrapos e Bento Gonçalves é mandado para
a Bahia, mas acaba solto pelo movimento local da Sabinada.
De volta ao RS, Bento Gonçalves se une aos líderes Davi
Canabarro e Giudeppe Garibaldi, estes últimos fundam em Santa
Catarina a República Catarinense ou Juliana.
Movimento organizado e ideologicamente definido, entra no
2º Reinado e acaba sendo derrotado por Duque de Caxias.

• SABINADA (BA / 1837 - 1838): Movimento elitista liderado


por Francisco Sabino, com o objetivo de criar uma república sepa-
ratista baiana até a maioridade de D. Pedro II.
A falta do povo (elemento quantitativo) foi responsável pela
derrota rápida do movimento.
32
• BALAIADA (MA / 1838 - 1841): Movimento iniciado com a
disputa de duas tendências elitistas: Bem-te-vis (Liberais) e Caba-
nos (Conservadores), perdendo a direção para o povo liderado por
Francisco dos Anjos (fazedor de balaios), vaqueiro Raimundo Go-
mes e escravo Cosme.
Apesar de desorganizado e sem objetivos claros, adentraram
no 2º Reinado, onde derrotados por Luís Alves de Lima e Silva na
cidade de Caxias (MA), motivo da adoção do seu título - Duque de
Caxias.

• REVOLTA DE MALÊS (BA / 1835): Movimento de escravos


islamizados, exigindo o fim da escravidão e a liberdade de cultos.

POLÍTICA INTERNA DO 2º REINADO:

ANTECEDENTES: A elite rural aprovou o golpe da maiorida-


de efetuado pelos progressistas que fundaram o partido liberal, in-
terrompendo a regência em poder dos progressistas que fundaram
o partido conservador, com a finalidade de acabar com as rebeliões
regenciais, garantindo a paz social e evitar a fragmentação do terri-
tório, necessário ao processo de expansão do café.
D. Pedro II cria a lei interpretativa de 1840, cancelando as
medidas liberais do ato adicional de 1834.
O partido liberal para garantir a maioria do legislativo passa a
utilizar de expedientes ilícitos como violência física, fraude e cor-
rupção eleitoral, onde a combinação desses elementos ficou co-
nhecida como “eleições do cacete”.

REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1842; PARLAMENTO ÁS A-


VESSAS E O GABINETE DE CONCILIAÇÃO: D. Pedro II procu-
rando limitar o poder do partido liberal, acaba substituindo-o pelo
conservador.
Os liberais descontentes com a perda do poder passam a
acusar D. Pedro II de autoritário e centralizador e iniciam um movi-
mento liderado por Theóphilo Otoni em MG e padre Feijó e Tobias
Aguiar em SP foram derrotados por Caxias.
O imperador brasileiro procurando ganhar a simpatia dos dois
partidos, cria o modelo parlamentarista (1847) que no entanto fun-
33
cionava de forma diferenciada do modelo britânico, onde no último
o chefe do governo (1º ministro) era indicado pelo parlamento, não
havendo subordinação deste ao chefe de Estado (rei ou presiden-
te).
No Brasil, D. Pedro II (chefe de Estado) indicava o Presidente
do Conselho do Gabinete (chefe do governo), e este último mesmo
com a prerrogativa da escolha do ministério, estava subordinado ao
primeiro.
De 1853 com o gabinete conservador de Honório Hermeto
Carneiro Leão ate 1867 com o gabinete liberal de Zacharias , os
dois partidos se alternaram no poder sem nenhuma divergência.
A divergência somente aparece quando os elementos do par-
tido liberal influenciados pelo abolicionismo da guerra de secessão,
passam defender o fim da escravidão, enquanto os conservadores
continuam a defender à manutenção.

REVOLUÇÃO PRAIEIRA (1848 - PE): Este movimento foi in-


fluenciado pela Primavera dos Povos e pelo socialismo utópico, se
tornando o primeiro movimento socialista do Brasil.
As origens desse movimento se encontram nas revoluções li-
berais de 1830, principalmente na França, onde a burguesia auxili-
ada pelo povo derrubam o conde D’ Artois (Carlos X), acabando
com absolutismo implantando uma monarquia constitucional com
Luís Felipe, o rei burguês, e pondo fim a dinastia dos Bourbons.
A burguesia no poder passa a marginalizar o povo, e dois
partidos propõem ações diferenciadas: partido do movimento lide-
rado por Lafayette favorável à política de concessão e o partido da
reação liderado por Guizot (favorável às prerrogativas do rei) e Thi-
ers (contrários às prerrogativas), defendendo a repressão pura e
simples.
Em 1848 o povo se levanta contra a opressão e a fome gera-
da pela grande seca de 1846 na Europa “a primavera dos povos”
que na França derrubou a monarquia e implantou a república.
Este movimento começou em 1842 na sede do jornal “O diá-
rio novo” localizado na rua da praia com a finalidade de acabar com
o monopólio do comércio pernambucano controlado pelos portu-
gueses (xenofobia).
Em 1844 o movimento gera o partido da praia que surpreen-
dentemente vence as eleições em todos os níveis, inclusive o pre-
sidente da província (Governador) Chichorro da Gama.
34
No poder, os praieiros passam a agredir os portugueses atra-
vés de violência física e da tentativa de elaboração de uma lei que
expulsasse todos os portugueses solteiros de Pernambuco.
D. Pedro II preocupado com o radicalismo dos praieiros, indi-
ca Araújo Lima para presidente do Conselho do Gabinete que pas-
sa a atuar através das tropas de Caxias com rigor na região.
Os praieiros não se intimidaram e radicalizados ainda mais,
passam a defender o socialismo, inclusive através da luta armada
organizada por Pedro Ivo.
O líder teórico e mas moderado era Borges da Fonseca que
deixou o seu “Manifesto ao mundo”, com dez artigos reivindicató-
rios, sendo nove de cunho liberal, como: fim do monopólio portu-
guês; fim do poder moderador; igualdade e autonomia dos três po-
deres; liberdade de imprensa e de pensamento etc. e o artigo de
cunho socialista, defendendo a garantia do trabalho.
Último grande movimento de oposição do 2º reinado, foi der-
rotado por Caxias.

POLÍTICA EXTERNA DO 2º REINADO:

ANTECEDENTES: D. Pedro II inicia uma política de autono-


mia econômica em relação à Inglaterra, não Prorrogando mais os
tratados de 1810, acabando com os privilégios da Inglaterra e pro-
tegendo a produção nacional através da tarifa Alves Branco.
A Inglaterra resolve reagir prejudicando a estrutura produtiva
escravista estabelecendo através da lei Bill Aberdeen (1844), a pro-
ibição do tráfico internacional de escravos.
Depois da prática do contrabando, o Brasil acabou sucum-
bindo a pressão internacional, assinando em 1850 a lei Eusébio de
Queirós, proibindo o tráfico de escravos para o Brasil.

QUESTÃO CHRISTIE: Dois acontecimentos banais transfor-


mados em conflito diplomáticos pelo encrenqueiro embaixador da
Inglaterra no Brasil, Willian Christie.
No primeiro caso, o navio “Príncipe de Gales” (Prince of Wal-
les) naufraga no RS e a carga supostamente desaparece.
Christie exige o pagamento de & 3.200 e a chefia da investi-
gação da Inglaterra. No 2º caso três oficiais da marinha britânica
35
completamente embriagados causam desordens nas ruas do RJ, e
acabam presos.
Willian Christie exige desculpas formais de D. Pedro II e a
demissão do comandante que deu voz de prisão aos oficiais. D.
Pedro II recusa, e Christie manda aprender os navios brasileiros
ancorados no porto do RJ.
Leopoldo I, rei da Bélgica, servindo como mediador do confli-
to, acaba dando vitória ao Brasil, exigindo desculpas da Inglaterra.
Diante da recusa, o Brasil rompe relações diplomáticas (1863-
1865).

A QUESTÃO DO PRATA: José Artigas tenta fazer a inde-


pendência da colônia do Sacramento com ajuda da Argentina, no
entanto, D. João VI influenciado pela mulher Carlota Joaquina irmã
do rei da Espanha deposto por Napoleão acaba anexando esta re-
gião ao Brasil, com o nome de província da Cisplatina.
Em 1828, Frutuoso Rivera e Juan Lavallejja lideram o pro-
cesso de independência do Uruguai.
Rivera se torna o primeiro presidente do Uruguai e funda o
partido colorado (ligado aos comerciantes de Montevidéu) , e Laval-
lejja passa para o oposição, fundando o partido Blanco (Ligado a
elite rural do interior).
No final do mandato de Rivera vence Manoel Oribe do partido
Blanco, se aproximando da Argentina, onde o presidente portenho
e unitarista, Juan Manoel Rosas, tinha o desejo de recuperar o vi-
ce-reino do Prata, formado pela Argentina, Uruguai e Paraguai.
Rivera foge de Oribe, e no Brasil recebe apoio de Bento
Gonçalves (líder da farroupilha). Os brasileiros sitiam Montevidéu,
derrubando Oribe e recolocando Rivera.
Rosas parte em defesa de Oribe, mas acaba surpreendido
por um movimento federalista comandado pelo general Urquiza que
toma o poder, restabelecendo a paz com o Brasil.
O 4º presidente Blanco Atanásio Aguirre reinicia o enfrenta-
mento com o Brasil, apoiado no Paraguai, governado por Solano
Lopes.

A GUERRA DO PARAGUAI (1864-1870): A independência


do Paraguai foi estabelecida em 1811 com a liderança de José Ro-
driguez Francia que permaneceu no poder até 1840.
Na década de 30, Francia estabeleceu a reforma agrária para
36
acabar com o entreguismo dos criollos (filhos de espanhóis nasci-
dos na América) que por deterem o controle das terras, aprovavam
o projeto de Rosas de formação pelo vice-reino do Prata, para es-
coamento de sua produção pela Argentina e pelo Uruguai.
Antônio Carlos Lopes substituto de Francia, estabeleceu
uma reforma na educação que praticamente erradicou o analfabe-
tismo no Paraguai.
Solano Lopes, filho de Antônio Carlos Lopes, assumiu um
Paraguai favorável, pretendo formar o Gran-Paraguai, dominando o
Mato Grosso e conseguindo a saída para o mar através do RS.
Solano Lopes estimula Aguirre a provocar uma invasão uru-
guaia em terras fronteiriças brasileiras.
O Brasil sabendo da intenção do Paraguai, tenta a saída di-
plomática da missão Saraiva, no entanto, com a recusa da parte de
Aguirre, o exército liderado por Mena Barreto e a marinha liderada
pelo almirante Tamandaré cercam Montevidéu, derrubando Aguirre
e colocam provisoriamente o senador Villalba, que passa o poder
para o colorado Venâncio Flores.
Solano Lopes declara guerra ao Brasil ocupando o Mato
Grosso e seqüestrando o navio “Marquês de Olinda”, além de pas-
sar por terras da Argentina para ocupar o Rio Grande do Sul.
A Argentina, o Brasil e o Uruguai formam a tríplice aliança,
armada e financiada pelo imperialismo britânico.
Na batalha naval do Riachuelo, a marinha brasileira (liderada
pelo almirante Barroso) esmaga a marinha paraguaia.
A Tríplice Aliança liderada por Bartolomeu Mitre, presidente
da Argentina, invade o Paraguai, derrubando a fortaleza de Humai-
tá.
Em seguida acontece a batalha do Tuiti (a maior batalha da
América do Sul).
Bartolomeu Mitre se desentende com Venâncio Flores e o
Brasil fica sozinho na guerra, liderado por Caxias que já substituía
o general Osório.
Caxias liderou as “dezembradas”: Lomas Valentinas, Itororó,
Avaré, Angostura etc.
Ao perceber o genocídio masculino paraguaio, Caxias pre-
tende acabar com a guerra, mas acabou afastado e substituído pe-
lo conde D’Eu, que só terminou a guerra na morte de Solano Lo-
pes, na batalha de Cerro Corá.

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CONSEQÜÊNCIAS DA GUERRA PARA O PARAGUAI:
- Genocídio masculino;
- Indenização de guerra ao Brasil até o governo Vargas;
- Destruição da economia;
- Perda de território etc.

CONSEQÜÊNCIAS DA GUERRA PARA O BRASIL:


- Fortalecimento do exército;
- Questionamento da monarquia e da escravidão;
- Retorno à dependência econômica com relação à Inglaterra,
etc...

TRANSFORMAÇÕES DO SÉC. XIX (Econômicas e Sociais):

ANTECEDENTES: O café originário da Abissínia (Etiópia)


chega ao Brasil no final do século XVIII, trazido por Francisco de
melo Palheta para a região do Grão-Pará, estendendo-se inicial-
mente para o nordeste no período da produção de subsistência.
O café encontrou seu primeiro ambiente favorável no Rio de
Janeiro partindo da floresta da Tijuca por dois caminhos: litorâneo
(Santa Cruz, Angra dos Reis, Parati e o litoral paulista) e interiorano
(partindo da baixada fluminense em direção ao vale do Paraíba -
Vassouras, Valença, Barra Mansa, Resende e o interior Paulista).
O café se adaptou melhor no Vale do Paraíba devido ao cli-
ma de altitude e a proteção da Serra do Mar e da Mantiqueira, pro-
tegendo nas suas encostas o café da ação eólica.
De duas a três décadas esta região se tornou a mais rica do
Brasil. “O Brasil é o vale”, no entanto, se formou naquela região
uma estrutura produtiva arcaica baseada nos mecanismos do perí-
odo colonial onde o latifundiário local, conhecido como “Barão do
café” continuava a utilizar a mão-de-obra escrava; técnicas rudi-
mentares de plantio e falta de investimento do capital, gastando o
lucro obtido com a venda, com a manutenção de status; além do
transporte rudimentar no lombo de burros e carros de boi.
Estes motivos citados mais a ausência de terra roxa e de
planície, para expansão do café, bem como as erosões provocadas
pela chuva e desmatamento, foram responsáveis pela crise grada-
tiva do café na região do vale.

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O CAFÉ NO OESTE PAULISTA: Inicia em Campinas (Velho
oeste paulista) e se estende para Ribeirão Preto (Novo oeste pau-
lista).
O café se adaptou nesta região devido a presença de terra
roxa e de vasta planície, além da formação de uma nova mentali-
dade empresarial.
A primeira experiência com o trabalho livre imigrante no Bra-
sil (não confundir com os imigrantes colonizadores que recebiam
minifúndios para ocupá-los), aconteceu na fazenda Ibicaba, em Li-
meira, de propriedade do senador Nicolau Campos Vergueiro, atra-
vés do sistema de parceria de meiação (com a contratação da A-
lemanha e Suíça), que praticamente eram conduzidos para a servi-
dão, até o pagamento da passagem, reajustada em 6% ao ano e
ao reclamarem da situação, acabavam sendo tratados como escra-
vos.
Este sistema de parceria foi substituído pelo trabalho assala-
riado, atraindo italianos, espanhóis, portugueses, japoneses, turcos
etc.
D. Pedro II cria a Lei da Terra (1850), determinando que a
partir desta data toda propriedade somente poderia ser adquirida
pela compra e registro do imóvel, com a finalidade clara de impedir
o acesso do trabalhador livre ao domínio da terra.
A tecnologia chega ao campo com o trem substituindo o lom-
bo de burro e o carro de boi. Ex.: São Paulo Railway (Santos-
Jundiaí), Ituano, Mogiano etc.

A ERA MAUÁ: Primeira grande tentativa industrial do Brasil


beneficiada pela sobra de capital gerada pela venda do café e pela
proibição da compra de escravos; influenciada pela 2º revolução
industrial que atingiu Bélgica, França, Alemanha, Itália, Rússia.
EUA (Guerra de Secessão) e Japão (era meiji).
O principal investidor do Brasil foi Irineu Evangelista de Sou-
sa (Barão e visconde de Mauá) que deixou entre outras realiza-
ções: a primeira estrada-de-ferro ligando o centro do Rio à serra de
Petrópolis (1º locomotiva brasileira); luz à gás; estaleiro Mauá, em
Niterói; banco Mauá e o 2º banco do Brasil; transporte fluvial na
Amazônia e Mato Grosso; cabo telegráfico submarino ligando o
Brasil a Europa; em conjunto com o capital norte-americano, cria o
primeiro transporte coletivo eficiente, o bonde puxado à cavalos
etc.
39
Outra grande realização foi a construção da primeira rodovia
moderna ( União indústria e comércio), ligando Juiz de Fora até Pe-
trópolis (realização de Mariano Procópio).
A era Mauá não deu certo economicamente devido a concor-
rência de produtos ingleses e da ausência de mercados internos,
mas acabou trazendo a modernidade que não foi acompanhada pe-
la monarquia.

QUEDA DO IMPÉRIO:

ANTECEDENTES: A modernização trazida pela Era Mauá e


pela nova mentalidade empresarial do Oeste Paulista acabou dei-
xando a monarquia ultrapassada e sem sintonia com o novo mo-
mento histórico permitindo que a idéia da república se tornasse fa-
vorável à nova mentalidade material.

OUTROS FATORES RESPONSÁVEIS PELA QUEDA DA


MONARQUIA:
QUESTÃO SOCIAL OU ABOLICIONISTA: Inicia em 1850
com a Lei Eusébio de Queirós, no entanto, somente na década de
60, aparecem os primeiros abolicionistas do partido liberal, influen-
ciados pela guerra de Secessão.
D. Pedro II passa a governar somente com os conservado-
res, e estes criam leis protelatórias para adiar o fim da escravidão.
Em 187l aparece a lei Visconde do Rio Branco ou do Ventre
Livre, determinando que toda criança nascida após essa data seria
considerada livre.
Surgem as sociedades abolicionistas se dividindo entre os
que defendem ações diretas como os Caifazes que estimulam a re-
volta dos negros ou participam de planos de fuga dos escravos; e
aqueles que preferem mudanças institucionais ou seja, dentro da
lei, com destaque para Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, André
Rebouças, Rui Barbosa, Castro Alves etc.
Em 1885 surge a lei Saraiva-Cotegipe ou do sexagenário
determinando que todas pessoas acima de 60 anos + 5 de indeni-
zação seriam consideradas livres.
Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assina a lei Áurea
no gabinete conservador de João Alfredo.
Os republicanos de 13 de maio ou de última hora são os ex-
40
monarquistas escravocratas que revoltados com a perda dos es-
cravos sem indenização passam para o lado da república.

QUESTÃO MILITAR: Esta questão está diretamente ligada a


vitória dos militares brasileiros na Guerra do Paraguai, onde estes
saíram com a idéia de Salvadores da Pátria e campeões da morali-
dade, passando a entrar em choque com a máquina administrativa
corrupta da monarquia, representada pelos casacas ( políticos do
império).
O general Sena Madureira acusou os casacas de desviarem
verbas do Montepio militar, além de receber um jangadeiro aboli-
cionista do Ceará, Francisco Nascimento, “o dragão dos mares”.
O Ten. Cel. Cunha Matos acusou os casacas de desviarem
verbas do fardamento militar no Piauí.
Os militares passaram a ser influenciados pelo positivismo
de Augusto Comte, filosofia do capitalismo concorrencial e mono-
polista da 2º revolução industrial, baseado no lema: “Ordem e pro-
gresso”, que teve no Ten. Cel. Benjamin Constant seu principal re-
presentante militar no Brasil.
Augusto Comte pretendia estabelecer a religião da humani-
dade (ateísta) e acreditava que a humanidade passa por 3 está-
gios: estado teológico; estado metafisíco e estado positivo.

QUESTÃO RELIGIOSA: Esta questão está relacionada com


a luta de unificação da Itália e da Alemanha.
Em 1848, o rei Carlos Alberto do reino de Piemonte-
Sardenha apoiou o projeto de Mazzini e Garibaldi de unificação da
Itália derrotada pelos austríacos que substituiram o rei pelo seu fi-
lho Victor Emanuel II.
Na França, a “Primavera dos povos” derrubava a monarquia
do rei burguês Luís Felipe, implantando a 2º república francesa a-
través de uma coligação formada pelo liberal Lamartini (presiden-
te), pelo conservador Ledru-Rolim, o operário Albert e o socialista
Louis Blanc.
A esquerda foi gradativamente afastada do poder e Luís Na-
poleão, sobrinho de Napoleão Bonaparte, chegava ao poder, e
mais tarde através de um golpe restabeleceu o 2º império, assu-
mindo o título de Napoleão III.
Napoleão III apoiou inicialmente a luta de unificação da Ale-
manha e da Itália em 1870.
41
Oto Von Bismark, chanceler de ferro, ministro do Kaiser Gui-
lherme, unificou a Alemanha do Norte na guerra dos Ducados con-
tra a Dinamarca e Áustria.
Neste mesmo período o rei Victor Emanuel II apoia a ação da
maçonaria carbonária com a liderança ao norte do conde Cavour e
ao sul de Garibaldi.
Napoleão III para apoiar a luta de unificação temendo que a
Alemanha unificada disputasse a rica região de Alsácia-Lorena, e
pressionado pelos católicos franceses, parte em auxílio do papa
Pio IX.
A Alemanha aproveita para derrotar os franceses na Batalha
de Sedan e anunciar no palácio de Versalhes a ocupação de Alsá-
cia-Lorena (Tratado de Frankfurt) e a formação do 2º Reich.
A maçonaria italiana aproveita para tomar as terras da igreja -
Questão romana.
O papa Pio IX anuncia a bula Syllabus expulsando todos ma-
çons da igreja católica. No Brasil, 2 bispos: D. Vital Farias de Oli-
veira (Olinda) e D. Antônio Macedo da Costa (Belém), acatam a bu-
la, contra a determinação de D. Pedro II, e são condenados à pri-
são - 1ª grande separação da igreja do Estado.

REPÚBLICA VELHA - Fase das Oligarquias :

1- PRUDENTE DE MORAES (1894-1898): Primeiro presiden-


te civil, era natural de Itu - São Paulo, além de ser o primeiro eleito
pelo voto direto.
Assumiu o governo em época de crise financeira e política,
tendo que combater os “jacobinistas” (militares radicais que não
aceitavam a perda de poder para os civis), onde o próprio presiden-
te acabou sofrendo um atentado que acabou vitimando o marechal
Bittencourt.
Governo de transição teve de enfrentar no seu governo a
guerra de Canudos deflagrada por fanáticos religiosos e injustiça-
dos do sistema liderados por Antônio Vicente Mendes Maciel, co-
nhecido como beato Antônio Conselheiro que ocupa um latifúndio
improdutivo, fundando a cidade de Belo Monte e o arraial de canu-
dos.
As principais características do movimento eram: Milenaris-
mo, Sebastianismo e Messianismo.
42
Canudos era uma comunidade auto-suficiente e anti-
republicana (devido a separação da igreja do Estado) organizada
administrativamente, onde João Abade cuidava da segurança, An-
tônio Beatinho das atividades religiosas e assim por diante.
Os latifundiários tentaram vencer Canudos e foram derrota-
dos, passando a pedir auxílio do exército, derrotados em três tenta-
tivas, acabaram preparando uma quarta invasão que exterminou
com a comunidade.
Os principais livros sobre o movimento foram: “Os Sertões”
de Euclides da Cunha e “A guerra do fim do mundo” de Mário Var-
gas Llosa.
No governo de Prudente de Moraes, o barão do Rio Branco
defendeu a questão de Palmas determinando a vitória sobre a regi-
ão fronteiriça com a Argentina, com o arbitramento do presidente
dos EUA Grover Cleveland.

2- CAMPOS SALES (1898-1902): Paulista de Campinas, res-


ponsável pela consolidação da república das oligarquias baseada
na ação política administrativa das oligarquias estaduais. As princi-
pais características desta república são: Política do café-com-leite
(Alternância no poder entre são Paulo e Minas Gerais, principais
centros eleitorais e financeiros); política dos governadores ( Os
presidentes das províncias dirigem o voto do eleitorado do seu es-
tado para o candidato oficial da política do café-com-leite, em troca
da autonomia do seu estado - Troca de favores); Política dos coro-
néis (Mesma política dos governadores, reduzidas para determina-
das regiões controladas por um grande latifundiário local. conheci-
da como voto de cabresto, curral eleitoral, voto de bico de pena);
Comissão de verificação (A legitimidade da eleição era dada pelo
legislativo comprometido com a política do café-com-leite).
No seu governo acontece a política do saneamento financeiro
efetuada pelo ministro da fazenda Joaquim Murtinho que inicia uma
política deflacionista reduzindo drasticamente as despesas do go-
verno e redução de salários (arrocho salarial). Em troca acontece o
reconhecimento internacional inclusive com o estabelecimento do
1º Funding Loan (Empréstimo de 10 milhões de libras e da morató-
ria por treze anos). No final do seu governo as finanças estavam
saneadas, mas o povo e a classe média estavam mais pobres.
Foi ainda neste governo que o barão do Rio Branco conse-
guiu na questão do Amapá, determinar a anexação deste território
43
para o Brasil em litígio com a França.

3-RODRIGUES ALVES (1902-1906): Paulista de Guaratin-


guetá que estabeleceu uma política de modernização conhecido
como quadriênio progressista utilizando dos recursos positivos dei-
xados pelo governo anterior e pelo aumento da exportação do café
e da borracha.
Iniciou uma campanha do saneamento no Rio de Janeiro
com duas frentes de ações: O bota-abaixo liderado pelo prefeito
Pereira Passos, derrubando cortiços, biroscas e quiosques, e colo-
cando obras arquitetônicas inspiradas na França, além do estabe-
lecimento da luz elétrica gerada pela cia. canadense Light and Po-
wer.
A outra frente foi o combate as epidemias através da campa-
nha de vacinação efetuada pelo médico sanitarista Osvaldo Cruz. A
oposição mobilizou o povo descontente com o arrocho salarial e o
deslocamento para as regiões periféricas, dizendo que a vacina ao
invés de combater doenças, traziam novas, gerando a “Revolta da
Vacina” que destruiu bondes e depredou prédios.
Novamente o barão do Rio Branco iniciou negociação com a
Bolívia para a compra do Acre através do Tratado de Petrópolis,
pagando 2 milhões de libras esterlinas e a construção da estrada
de ferro Madeira-Mamoré que deveria escoar a produção da Bolí-
via.
No final do governo foi obrigado a assinar o “Convênio de
Taubaté” Determinando a compra e o armazenamento do exceden-
te do café para beneficiar os grandes proprietários de café de SP,
RJ e MG.

4- AFONSO PENA (1906-1909): Primeiro mineiro a assumir a


presidência, depois de uma aliança com o Rio Grande do Sul para
evitar a entrada de um novo paulista. Apesar de muito idoso gover-
nou com jovens o que valeu ao seu ministério o apelido de “Jardim
de Infância”.
Aproveitando a expansão da borracha efetivou uma política
de integração da Amazônia colocando cabos telegráficos na região
liderados pelo Marechal Rondon.
Criou a caixa de conversão trocando moedas estrangeiras
por bilhetes conversíveis.
Durante o seu mandato Rui Barbosa representou o Brasil na
44
Conferência de Haia, onde recebeu o título de “Águia de Haia”. A-
contece também o marco da aviação com o 14 Bis de Santos Du-
mont.
Morre antes de completar o mandato.

5- NILO PEÇANHA (1909-1910): Apesar do pouco tempo de


mandato, o positivista carioca estabeleceu a criação do SPI (Servi-
ço de Proteção ao Índio), onde o primeiro presidente foi o Marechal
Cândido Rondon, mais tarde substituído na ditadura militar pelo
FUNAI (Fundação Nacional do Índio), além de criar a primeira es-
cola técnica do Brasil.
No seu governo acontece a primeira disputa efetiva eleitoral
para a presidência entre: Marechal Hermes da Fonseca com a “po-
lítica de salvação nacional” apoiado pelo RJ, RS e MG, contra Rui
Barbosa “campanha civilista” apoiado por SP e BA. acabando com
a vitória de Hermes da Fonseca.

6- MARECHAL HERMES DA FONSECA (1910-1914): Este


gaúcho, sobrinho do marechal Deodoro da Fonseca, foi o primeiro
a colocar a faixa presidencial.
No início do seu governo foi obrigado a enfrentar a REVOLTA
DA CHIBATA, movimento que estourou na marinha contra os maus
tratos, apresentando como causa imediata a condenação de um
marinheiro Marcelino Rodrigues a receber chibatadas, onde lidera-
dos pelo cabo negro João Cândido, “o almirante negro”, os mari-
nheiros ocuparam os dois principais navios “São Paulo” e “Minas”
depois de matarem os almirantes, e apontaram as armas para o
Rio de Janeiro, exigindo o fim dos maus tratos.
Deodoro negociou com os revoltosos prometendo anistia, no
entanto, puniu severamente os revoltosos, apesar que depois da-
quele episódio, nunca mais houve maus tratos na marinha.
Neste governo o verdadeiro articulador foi o senador gaúcho
Pinheiro Machado que pretendo se tornar o próximo presidente,
criou o partido republicano conservador com a intenção de substitu-
ir a velha oligarquia do café-com-leite por uma mais obediente e
voltada para seus interesses, entrando em choque com velhos lati-
fundiários como padre Cícero, Floro Bartolomeu etc...
No final do seu governo eclode a 1º Guerra Mundial, além da
política de enfrentamento aos revoltosos de contestado.

45
7- VENCESLAU BRÁS (1914-1918): Este mineiro governou
durante o período da primeira guerra mundial, sendo obrigado pe-
las condições históricas a criar uma política industrial de substitui-
ção aos produtos importados ingleses ausentes devido ao proble-
ma do conflito internacional; além de favorecer a entrada de produ-
tos norte-americanos em substituição aos ingleses.
No seu governo acontece dois assassinatos de pessoas im-
portantes: 1º do empresário Delmiro Gouveia, fabricante de linhas e
concorrente das linhas “correntes”, provavelmente com ordens da
mesma; 2º do senador gaúcho Pinheiro machado, provavelmente a
mando da velha oligarquia do café-com-leite.
Neste governo tem fim a questão de contestado, iniciada no
fim do século passado quando um grupo de imigrantes ocupa ter-
ras na região fronteiriça de Santa Catarina com o Paraná, e aca-
bam liderados por um fanático o monge João Maria. Depois da
morte deste surge outro monge se dizendo irmão do primeiro, o
monge José Maria que dá continuidade as condições milenaristas,
messiânicas e sebastianistas deste movimento. No governo anteri-
or do Marechal Hermes da Fonseca fora autorizado a construção
da estrada-de-ferro inglesa Brasil Railway, com resistência dos re-
voltosos, e com a morte do monge José Maria, uma virgem encar-
nando o religioso continua o movimento.
Venceslau autoriza o massacre através da ação militar lide-
rada pelo general de Setembrino de Carvalho e através da utiliza-
ção de bombas aéreas.
Na cidade eclode a grande greve de 1917, reivindicando me-
lhor salário, redução da jornada para 8 horas, proibição do trabalho
para menores de 14 anos, proibição do trabalho noturno para mu-
lheres e menores de 18 anos, paz mundial etc.
A causa imediata da greve foi o assassinato do sapateiro a-
narquista, Antônio José Martinez.
O movimento sindical era liderado por 3 correntes ideológi-
cas: Os anarco-sindicalistas que acreditavam na luta econômica
travada através do processo das greves, como forma de amadure-
cimento espontâneo da ação revolucionária. Eram discípulos do
francês George Sorel. Esta filosofia foi trazida por italianos e espa-
nhóis. A organização era efetuada pela COB (Confederação Operá-
ria Brasileira). Eram contrários a qualquer tipo de organização auto-
ritária e direcionadora do movimento, preferindo a auto-organização
dos trabalhadores; Os socialistas provenientes do partido socialista
46
brasileiro, fundado em 1902, apostavam na educação operária,
como fator de organização revolucionária; Os reformistas pretendi-
am melhorar as condições da classe trabalhadora dentro do próprio
sistema através de reformas, sendo contrários ao processo revolu-
cionário, chegaram ao poder juntos com Getúlio Vargas.
Com a criação da OIT (Organização Internacional do Traba-
lho) acenando com mudanças trabalhistas para evitar a aproxima-
ção destes ao socialismo, os anarquistas contrários ao Estado en-
traram num dilema de apoiar ou não as reformas propostas, e aca-
baram superados pelos comunistas, surgidos com a criação do
Partido Comunista em Niterói (1922).

8-RODRIGUES ALVES (Não assumiu): Eleito não tomou


posse, pois morreu vitimado de gripe espanhola. Seu vice - Delfim
Moreira - assumi até novas eleições.

DELFIM MOREIRA (1918-1919): Não podia terminar todo o


9-
mandato, mas ficou o tempo necessário para mandar uma comis-
são chefiada por Epitácio Pessoa para o tratado de Versalhes.

10- EPITÁCIO PESSOA (1919-1922): Paraibano, estabeleceu


pela primeira e última vez na história, a ocupação das pastas milita-
res, por civis: Guerra - o historiador Pandiá Calógeras; Marinha - o
médico Raul Soares.
Institucionalizou a indústria da seca, favorecendo a impuni-
dade dos grandes latifundiários que desviavam dinheiro empresta-
dos pelo governo federal, alegando o problema da seca.
O candidato Arthur Bernardes estava sendo preparado para o
poder, mas a oposição formada pela burguesia industrial e pelos
militares lançaram a candidatura de Nilo Peçanha. Apesar do pri-
meiro ter sido vitorioso, aconteceu o episódio das cartas falsas atri-
buídas a Arthur agredindo verbalmente os militares, e apesar do
desmentido, muitos não acreditaram nas provas apresentadas.
Em fevereiro de 1922 acontece a Semana da Arte Moderna,
com uma inovação estética e de costumes, preocupados em en-
tender as condições de vida do povo brasileiro, e inserido no con-
texto do antagonismo definido entre ideologias de direita e esquer-
da, não cabendo espaço para as democracias liberais. O ponto de
partida para divulgação do movimento começou com a polêmica
travada dos modernistas em defesa da pintora Anita Malfatti contra
47
Monteiro Lobato que atacou a estética da pintora com um texto no
jornal “O Estado de São Paulo”: “Paranóia ou mistificação”.
No dia 5 de julho de 1922 acontece o primeiro movimento te-
nentista: A revolta dos 18 do forte de Copacabana. Onde 18 tenen-
tistas radicais saíram de armas em punho contra o governo, sendo
massacrados, com apenas dois sobreviventes: Eduardo Gomes e
Siqueira Campos.

11- ARTHUR BERNARDES (1922-1926): Mineiro de Viçosa,


governou através de Estado de Sítio.
No seu governo aconteceu uma oposição armada no Rio
Grande do Sul ao quinto mandato de Borges da Fonseca liderado
por Assis Brasil, onde o governo federal acabou intervindo estabe-
lecendo o Acordo de Pedras Altas, determinando que o governador
eleito assumia, mas não podia concorrer para um novo mandato.
Em 5 de julho de 1924 aconteceu o segundo movimento te-
nentista, desta vez em São Paulo, liderado pelo General Isidoro Di-
as Lopes, Miguel Costa (Chefe da força pública) e os irmãos Távo-
ra (Joaquim e Juarez). Este movimento conseguiu tomar o palácio
de Campos Elíseos, e o governador Caetano de Campos pediu au-
xílio as tropas legalistas do Rio de Janeiro.
Em desvantagem os tenentistas fugiram para o interior de
São Paulo, onde se encontraram com outra tropa tenentista vinda
do Rio Grande do Sul Liderada por Luís Carlos Prestes, formando a
Coluna Prestes / Miguel Costa que praticamente atravessou 24 mil
km de Brasil com a tática de movimento.
Os tenentistas formavam um movimento elitista e reformista,
e as suas reivindicações principais eram: Moralização política e
administrativa da máquina do Estado; substituição do voto aberto
pelo secreto; centralização do Estado etc...
Os tenentistas não reciclavam seus quadros nas batalhas, e
desgastados foram obrigados a se refugiarem na Bolívia.

12- WASHINGTON LUÍS (1926-1930): “Paulista de Macaé”,


acabou com o Estado de Sítio, Mas efetuou outras medidas arbitrá-
rias, não permitindo a anistia dos Tenentistas na Bolívia, além de
criar a lei celerada, proibindo a livre manifestação dos sindicatos,
bem como jogou o partido comunista na ilegalidade, e este foi obri-
gado atuar através do BOC ( Bloco Operário Camponês).
Ficou conhecido por duas frases: “governar é construir estra-
48
das” e “A questão social é um caso de polícia”.
No final do seu governo deveria indicar o mineiro Antônio
Carlos Andradas para presidência, mas acabou indicando o paulis-
ta Júlio Prestes devido a necessidade de proteção do café devido a
queda da Bolsa de Nova York em 1929 - “Quinta-feira negra” ou a
grande depressão - acontecido durante o governo do presidente
Hoover, que utilizando a justificativa liberal de não intervenção do
Estado na economia, permitiu que o processo de produção e sub-
consumo chegasse a níveis insuportáveis. O problema foi resolvido
por Franklin Delano Roosevelt através da política de New Deal
(Novo acordo), baseado na economia de Keynes de desinflação e
intervenção estatal.
Os mineiros revoltados com a traição dos paulistas, se uni-
ram com o Rio Grande do Sul e Paraíba formando a Aliança Libe-
ral, lançando o gaúcho Getúlio Vargas para presidente e João Pes-
soa para vice.
A máquina corrupta da política do café-com-leite deu vitória
para Júlio Prestes, porém, a ala jovem da Aliança liberal formada
por Flores da Cunha, Oswaldo Aranha e Lindolfo Collor, não aceita-
ram o resultado e procuraram auxílio dos tenentistas exilados na
Bolívia. Luís Carlos Prestes se recusou, pois depois de ler Marx e
Engels, livros emprestados por Astrojildo Pereira, um dos fundado-
res do comunismo em 1922, em Niterói, adotou a tese revolucioná-
ria de defesa da luta de classes e do fim da propriedade privada.
Juarez Távora assumiu o projeto tenentista.
O assassinato passional de João Pessoa transformado num
caso político, radicalizou ainda mais o processo, e quando parecia
inevitável o choque, as tropas legalistas surpreendentemente de-
ram o golpe formando a Junta Pacificadora com os Generais Mena
Barreto, Tasso Fragoso e o almirante Isaías Noronha.
Getúlio Vargas teve de estruturar uma campanha da legali-
dade com auxílio dos tenentistas, da burguesia industrial e do povo,
alegando ter sido o candidato derrotado pela fraude, e portanto, o
legítimo presidente. sem apoio os militares passaram o poder, inici-
ando a Era Getulista.

ERA VARGAS:

1- Fim da estrutura republicana de 1889, através da moderni-


49
zação da máquina do Estado, determinando o fim do monopólio do
café, apresentando diversificação produtiva, inclusive com favore-
cimento para o setor industrial.
a) Centralização progressiva do Estado tanto nas decisões
econômicas quanto nas políticas. Mais inovador na forma que no
conteúdo.
b) Ao assumir em 1930, Vargas prepara a trajetória de ocupa-
ção da máquina administrativa do poder que determinará a sua
permanência no poder por 15 anos, divididos da seguinte maneira:
Governo provisório (1930-1934), Governo Constitucional (1934-
1937), Estado Novo (1937-1945).
c) No governo provisório criou a lei orgânica dissolvendo o
Congresso Nacional; criou o cargo de interventor substituindo os
governadores eleitos na República Velha por homens de sua confi-
ança, onde o principal interventor do início do governo foi Juarez
Távora, “O rei do norte”; Criou a lei de sindicalização atrelando os
sindicatos ao Estado, através da criação do Ministério do Trabalho,
onde o primeiro ministro foi Lindolfo Collor. Aparecia ainda a figura
do Pelego, sindicalista que ao invés de defender os trabalhadores,
fazia o jogo dos patrões; A lei dos dois terços ou de nacionalização
do trabalho, determinando esta quantidade de trabalhadores brasi-
leiros nas fábricas; implantação das leis trabalhistas, mais tarde
consolidadas pela constituição de 1934: 8 horas de trabalho, férias
remuneradas de 15 dias, descanso semanal remunerado, carteira
de trabalho, anteprojeto do salário mínimo que só foi regulamenta-
do no Estado novo.
d) Neste período irrompeu a Revolução Constitucionalista de
1932, onde os paulistas descontentes com a perda do poder, re-
clamam do interventor pernambucano João Alberto e reclamam por
uma nova constituição. Vargas coloca o interventor paulista Pedro
de Toledo mas os paulistas não ficam satisfeitos.
Oswaldo Aranha faz uma visita a legião 3 de outubro dos te-
nentistas em São Paulo e a população inicia uma manifestação
contra o representante de Vargas e os tenentistas atiram na popu-
lação, matando quatro rapazes: Martins, Miragaia, Dráusio e Ca-
margo (MMDC), sigla do movimento radical liderado por Bertoldo
Klinger, General Isidoro Dias Lopes e Euclides Figueiredo. Os re-
voltosos são derrotados pelas tropas legalistas do General Góes
Monteiro.
e) Apesar da política de valorização do café, comprando e
50
queimando o excedente da produção, Vargas estimulou a produção
do café no Paraná.

2- No governo constitucional foi determinada a promulgação


da nova constituição baseada na república de Weimar, elaborada
por João Mangabeira, Góes Monteiro e Oswaldo Aranha, e o líder
do congresso foi Antônio Carlos Andradas.
a) Esta constituição continuava com os 4 anos de mandato,
no entanto, sem direito à reeleição imediata e desaparecia a figura
do vice-presidente.
b) Misto de centralismo e liberalismo determinava o voto se-
creto, voto universal misto desde que alfabetizados, ensino primário
obrigatório e gratuito, medidas nacionalistas e estatizantes, divisão
dos três poderes com executivo fortalecido etc..
c) A novidade da constituição era o deputado classista eleito
nos sindicatos, além dos normais e a separação do solo do subso-
lo.
d) Acontece o confronto dos extremos, com a criação da Ação
Integralista Brasileira (AIB) de tendência fascista liderada por Plínio
Salgado com a defesa da “Pátria, Deus e família” que agiam em
grupos paramilitares “Os camisas verdes”.
Em 1934 surge a Aliança Nacional Libertadora (ANL), como
uma frente de esquerda antifascista, com a liderança de Luís Car-
los Prestes.
e) Preocupado com o crescimento da ANL, Filinto Müller, che-
fe da polícia de Vargas, manda fechar o prédio da entidade, e a es-
querda acaba radicalizando, optando pelo método insurrecional li-
derado pelo PCB, eclodindo nos quartéis de Natal, Olinda, Recife, e
Urca (RJ). Conhecido como Intentona Comunista foi rapidamente
derrotada pela liderança de Dutra e Eduardo Gomes.
f) Três candidatos disputavam as eleições de 1938: Armando
Sales de Oliveira (Liberal do Partido Democrata Paulista e fundador
da USP, no mandato de governador), José Américo de Almeida
(Suposto candidato de Vargas e autor do livro “A Bagaceira”), e
Plínio Salgado.
Vargas interrompe o processo eleitoral utilizando como pre-
texto o Plano Cohen, afirmando a nova tentativa de implantação do
comunismo prevista numa carta que circulava nos jornais, na ver-
dade escrita pelo tenente integralista Olímpio Mourão Filho. Com
apoio do congresso na figura de Negrão de Lima e dos militares re-
51
presentados por Dutra, Getúlio Vargas implantava seu período dita-
torial conhecido como Estado Novo.

3- A constituição do Estado Novo foi baseada na Polaca


(Constituição Fascista da Polônia) e a Carta del Lavoro (Constitui-
ção Fascista da Itália), e foi elaborada por Francisco de Campos,
ex-ministro da educação e saúde do governo provisório, conhecido
como “Chico Ciência”.
a) Esta constituição outorgada de 1937 determinava o aumen-
to do mandato para 6 anos, além de fechar o congresso e os parti-
dos políticos, bem como instituir a pena de morte.
b) A constituição do Estado Novo estava assentada principal-
mente no Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão
de divulgação, censura, propaganda e repressão, apoiado na im-
prensa escrita e radiofônica e no Departamento de Administração
do Serviço Público (DASP), com a finalidade de recrutar através de
concurso público os funcionários responsáveis pelo funcionamento
da máquina.
c) Foi estabelecido ainda o salário mínimo, a conversão da
moeda de Real para Cruzeiro, bem como a implantação do salário
família.
d) Entre as medidas nacionalizantes criou o CNP (Conselho
Nacional do Petróleo) e O CNC (Conselho Nacional do Café) etc..
e) Teve de combater a intentona integralista estabelecida por
Plínio Salgado, depois do fechamento do partido integralista, em
1938.
f) Na 2º guerra manteve no início uma política dúbia, chegan-
do no primeiro momento a defender o Eixo, para depois da derrota
dos alemães em Stalingrado, se definir mais pelos aliados. Neste
jogo duplo chegou a receber a promessa de empréstimo da empre-
sa alemã Krupp, para mais tarde receber empréstimo do Exxibank
dos EUA, onde aplicou o capital na fundação da CSN em Volta Re-
donda e da Cia. do Vale do Rio Doce.
g) Estratégico como fornecedor de matéria prima e abastece-
dor dos navios e aviões direcionados para o Canal do Panamá, o
Brasil entrou na guerra ao lado dos aliados, devido: Pressão norte-
americana; suposto afundamento de navios brasileiros por subma-
rinos alemães; pressão da sociedade brasileira através do Manifes-
to dos Mineiros cujo principal signatário foi Magalhães Pinto e do
Manifesto da OAB; Os acontecimentos que mostravam as derrotas
52
do eixo na guerra.
h) O Brasil participou da guerra através da FEB e da FAB com
a liderança de Mascarenhas de Moraes, participando vitoriosamen-
te nas batalhas como Monte Castelo e Montese.
i) A vitória dos aliados sobre o eixo, fizeram Vargas optar pe-
lo caminho democrático e populista, restruturando o pluripartidaris-
mo, inclusive criando dois partidos nacionalistas: O PTB que não
lançou candidato para fazer a campanha do Queremismo (continu-
ação de Vargas) e o PSD lançando o General Eurico Gaspar Dutra;
o principal partido de oposição era a UDN ligada ao capital norte-
americano lançando Eduardo Gomes; O PCB lançou Yedo Fiúza
pois apoiava o Queremismo e elegeu uma grande bancada no le-
gislativo, inclusive o senador Luís Carlos Prestes e o PRP (Partido
de Representação Popular ou Progressista) lançando Plínio Salga-
do.
Os militares não permitiram o Queremismo, derrubando Ge-
túlio da presidência e colocando José Linhares (Chefe do Supremo
Tribunal) Que garantiu as eleições que deram vitória ao general
Dutra, graças ao apoio de Vargas.

POPULISMO (1946-1954):

1- O fenômeno do populismo não foi exclusivo do Brasil, mas


latino-americano, no período do pós-guerra, tomando emprestado
do movimento revolucionário russo do séc. XIX, conhecido como
Narodniki.
a) O estado populista caracteriza-se pela manutenção do Es-
tado mediador, com uma base social urbana de apoio, bem como a
execução de uma política industrializante. O estado populista inter-
vêm nos sindicatos, retirando sua autonomia.
b) O populismo representa a política de deslocamento do se-
tor agrário para o urbano, através do desenvolvimento industrial
impulsionado pela revolução de 1930.
c) Do ponto de vista da camada dominante dirigente, o popu-
lismo é, a forma assumida pelo Estado para conta dos anseios po-
pulares e, simultaneamente, elaborar mecanismos de seu controle.
d) Na América Latina se destacaram como principais populis-
tas: Getúlio Vargas, Juan Perón (Argentina) e Lázaro Cárdenas
(México).
53
e)Vargas tentou o golpe do Queremismo (continuação no go-
verno), onde elegeu como chefe da polícia seu irmão Benjamin
Vargas, além de criar a lei anti-truste e lei anti-imperialista, chama-
da de Lei Malaia, mas acabou destituído pelos militares, e acabou
se elegendo senador.

2- EURICO GASPAR DUTRA (1946-1951): José Linhares


(Presidente interino do Brasil e do Supremo Tribunal Federal), or-
ganizou as eleições que transmitiu o cargo para o candidato vitorio-
so.
a) Durante seu governo foi estabelecida a 5º constituição do
Brasil e a 4º da república, promulgada em 1946, reduziu o mandato
do presidente para 5 anos, e determinou a votação em separado do
presidente e do vice.
Outra medidas estabelecidas pela constituição garantiam a
manutenção do federalismo e do presidencialismo e das prerrogati-
vas liberais, além de estabelecer a CPI (Comissão Parlamentar de
Inquérito) adotada do modelo norte-americano.
b) No plano internacional Dutra fugindo do programa naciona-
lista do seu partido, iniciou uma política de aproximação com os
EUA, adotando a doutrina Truman, e se definindo na Guerra fria
pela perseguição aos setores da esquerda, levando o Partido Co-
munista `a clandestinidade, além da cassação dos parlamentares
eleitos por este partido. A abertura econômica ao capital estrangei-
ro determinou empréstimos norte-americanos, responsáveis pelo
projeto SALTE ( Saúde, Alimentação, Transporte e Energia), além
da pavimentação Rio - São Paulo.
c) A criação da ESG (Escola Superior de Guerra), passa a
preparar as camadas militares de acordo com o modelo norte-
americano.

3- GETÚLIO VARGAS (1951-1954): Venceu Cristiano Macha-


do (PSD), Eduardo Gomes (UDN), João Mangabeira (PSB), sendo
eleito pela primeira vez pelo pleito popular.
a) Vargas inicia uma política econômica nacionalista, prejudi-
cando os interesses imperialistas dos EUA, estabelecendo o plano
Lafer (Programa de investimentos em setores da indústria de base,
transporte e serviços públicos supervisionado pelo Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico - BNDE - elaborado por Horácio
Lafer; Proposta de criação da Eletrobrás; Inauguração da Hidrelé-
54
trica de São Francisco; criação da Capes (Campanha Nacional de
aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior); Criação do Minis-
tério da Saúde; Criação do IBC (Instituto Brasileiro do Café) e a da
Petrobrás; lei sobre lucros Extraordinários, para combater a remes-
sa excessiva de lucros para o exterior etc...
b) Vargas levou seu afilhado político João Goulart (Jango) pa-
ra ministro do trabalho, onde foi estabelecido o aumento de 100%
para os trabalhadores, desagradando grande parcela da classe
dominante, e de setores de militares ligados a ESG e a política de
aproximação com os EUA que lançaram “O manifesto dos Coro-
néis”, cujo principal signatário foi Golbery do Couto e Silva. Vargas
acabou demitindo Jango, mais manteve o aumento de 100%.
c) A imprensa de direita e favorável à aproximação com os
EUA, “O Globo”, “O Estado de São Paulo”, e principalmente “A tri-
buna da Imprensa” de Carlos Lacerda lançaram campanha difama-
tória contra Getúlio.
d) O atentado da Rua Toneleros, em Copacabana, contra o
jornalista Carlos Lacerda, vitimando mortalmente o major Rubens
Vaz e ferindo o principal alvo, desencadeou uma campanha contra
Vargas, apesar do principal suspeito ser o braço direito do presi-
dente, Gregório Fortunato.
e) Vargas acusando a conspiração dos EUA com setores da
classe dominante, acabou escrevendo uma carta testamento e se
suicidando, ato que colocou Vargas como herói dos interesses na-
cionais, iniciando uma campanha que retardou por dez anos o gol-
pe de afastamento dos populistas, além da comoção social que i-
dentificou os inimigos de Vargas como agentes do imperialismo.
f) Com o suicídio de Vargas assume o vice Café Filho que
assustado com a movimentação social e com a organização dos
golpistas, apoia a lei 113 da SUMOC (Superintendência da Moeda
e do Crédito), liberando as importações pelas empresas estrangei-
ras, concede facilidades de crédito e remessa de lucros, criado por
Eugênio Gudin. Neste governo também acontece as eleições para
presidente com a vitória de Juscelino Kubitschek através da coliga-
ção PSD/PTB, sobre Juarez Távora da UDN. Alegando problemas
de coração, o vice renuncia, assumindo Carlos Luz, presidente da
câmara, favorável ao golpe, tentou impedir a entrada do presidente
eleito, mas foi destituído pelas tropas nacionalistas lideradas pelo
Marechal Henrique Lott. Assume o presidente da câmara Nereu
Ramos que transmite o cargo para Juscelino.
55
4- JUSCELINO KUBITSCHEK (1956-1961): A aeronáutica
tenta dois atentados: Jacareaganga e Alagarça, acreditando que o
presidente fosse fazer uma política semelhante a de Vargas, no en-
tanto, Juscelino pretendia estabelecer o PLANO DE METAS, ou se-
ja, desenvolver o Brasil cinqüenta anos em cinco de governo.
a) O Plano de Metas pretendia atingir principalmente: Energia,
Transporte, Alimentação, Indústria de base e Educação. Para forta-
lecer a base industrial e superar o atraso estrutural do país foram
criados o GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística), Ge-
con (Grupo Executivo da Construção Naval), Geimape (Grupo Exe-
cutivo da Indústria de Máquinas Pesadas), ISEB (Instituto Superior
de Estudos Brasileiros), SUDENE (Superintendência do Desenvol-
vimento do Nordeste) com objetivo de diminuir as disparidades re-
gionais, no entanto, projeto fracassado, pois o crescimento indus-
trial se acentuou com a concentração no centro-sul.
b) A nível internacional criou a OPA (Organização Pan-
americana), redefinindo as relações da América Latina com os EU-
A. Juscelino procurou transformar a solidariedade Pan-americana
numa aliança entre os países, visando a superação do subdesen-
volvimento.
c) Uma das 31 metas de JK era a construção de Brasília, efe-
tuada pelos candangos, com o projeto do arquiteto Oscar Niemeyer
e do urbanista Lúcio Costa.
d) No final do seu governo as grandes multinacionais estavam
implantadas no Brasil, apesar dos EUA se recusar a continuar em-
prestando mais financiamento, levando ao rompimento do Brasil
com FMI, deixando uma grande dívida externa para época, além de
um grande processo inflacionário.
e) Politicamente fez um governo democrático apesar de man-
ter o PCB na ilegalidade, e culturalmente incentivou as manifesta-
ções artísticas e científicas, dando origem a Bossa Nova (Presiden-
te Bossa Nova), com Tom Jobim e João Gilberto; O Cinema Novo
iniciado com Nelson Pereira dos Santos no “Rio 40 graus”, além de
Glauber Rocha “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, Ruy Guerra “Os
Fuzis” e outros; “Atlântida e Vera Cruz” eram duas cias. produtoras
e distribuidoras; O teatro de ARENA e o TBC (Teatro Brasileiro de
Comédias) formavam as duas grandes cias. teatrais, além do sur-
gimento do CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE com manifes-
tações engajadas.
56
5- JÂNIO DA SILVA QUADROS (31/01/1961 - 25/08/1961):
Primeiro candidato da UDN eleito presidente da república, através
de uma política populista de aproximação da massa, derrotou Lott
do PSD/PTB e Ademar de Barros do PSP.
a) Jânio apesar de ser de um partido que defendia aberta-
mente à aproximação com os EUA, fez uma política externa inde-
pendente, apesar de moderada e temperada com negociações com
o FMI e com o governo norte-americano, acabou provocando des-
confiança entre os elementos do seu próprio partido.
b) Sua política de independência com os EUA, estabeleceu o
reatamento com a URSS e com Cuba, chegando a condecorar Che
Guevara, apesar de ser anticomunista convicto. Além de limitar re-
messas de lucro para o exterior.
c) Apesar de sua excentricidade , Jânio era um político con-
servador, procurando controlar os sindicatos e reprimindo protestos
camponeses, inclusive da liga camponesa formada por Francisco
Julião, no Nordeste.
d) Jânio ficou conhecido pelo estabelecimento de um conjunto
de medidas no mínimo exóticas, como: fim dos biquínis nas praias;
fim do maiô cavado da Miss Brasil; Fim da rinha de galos; Fim do
lança perfume; Lei seca após às 20:00 horas; Corridas de cavalos
nos dias de semana; reprimenda nos funcionários com bilhetinhos
etc...
e) Jânio renuncia no momento em que o vice Jango (Chapa
Jan-Jan - dobradinha com candidatos de dois partidos diferentes)
estava na China Socialista em missão diplomática, alegando as
“forças ocultas”, provavelmente para que o povo, o seu partido e os
militares preocupados com a entrada de Jango, acabasse recolo-
cando no governo com plenos poderes, mas acabou isolado.

6- JOÃO GOULART (1961-1964): Os militares liderados pelo


general Odílio Denys (Ministro da Guerra), Brigadeiro Moss (Minis-
tro da Aeronáutica), Almirante Silvio Heck (Ministro da Marinha) e
aliados dos EUA (Formados pela ESG), não queriam deixar Jango
assumir o poder, estabelecendo diversas manifestações pela cons-
titucionalidade, através da UNE (União Nacional dos Estudantes) e
da CGT (Central Geral dos Trabalhadores), bem como pela ação
no Rio Grande do Sul do governador Leonel Brizola, cunhado do
presidente, que contava com apoio do exército gaúcho, e concla-
57
mou os populares a pegarem em armas.
a) O impasse foi solucionado provisoriamente com o entendi-
mento mantido por Plínio Salgado e Tancredo Neves, convencendo
os militares a aceitarem o retorno de Jango, com o estabelecimento
do parlamentarismo, que limitaria o poder do presidente, onde a
chefia de governo ficou a cargo sucessivamente de três primeiros
ministros: Tancredo Neves, Brochado da Rocha e Hermes Lima,
não dando certo este modelo, foi estabelecido um plebiscito que a-
través da votação do não a continuidade do parlamentarismo, foi
restabelecido.
b) Com os poderes restabelecidos, João Goulart, iniciou o
plano trienal ou plano de reformas de base, a ser submetido pelo
congresso, constando no seguinte: reforma agrária (Democratiza-
ção do acesso à terra); Tributária (Menor desigualdade na divisão
social dos encargos fiscais); Administrativa (Desburocratização dos
serviços públicos e combate ao empreguismo); urbana (Combate à
pobreza nas cidades, especialmente em relação à moradia); bancá-
ria (Acesso mais amplo ao crédito para todos os produtores, espe-
cialmente os pequenos); educacional ( valorização do ensino publi-
co em todos níveis). Divulgava também o Estatuto do trabalhador
rural, estendo ao campo os principais direitos do trabalhador urba-
no, e estimulando a política externa independente, endurecendo o
jogo com os EUA, sustentando a nacionalização de empresas nor-
te-americanas. E na área de educação iniciava a execução do Pla-
no Nacional de Educação, voltado para alfabetização popular.
Criou o décimo terceiro salário, além de outras medidas soci-
ais.
c) Jango buscou apoio na articulação da Frente de mobiliza-
ção popular. constituída pelos partidos PTB/PCB, pela CGT e pela
UNE que levava a idéia do CPC ao apogeu, no entanto, boa parte
do movimento popular passa agir de forma independente através
de uma radicalização política-ideológica, com uma sucessão de
greves no país e na atuação revolucionária das ligas camponesas.
d) A reação conservadora se fazia presente, acusando o go-
verno de ter perdido o controle da situação e de ter estimulado a
subversão comunista. Surgem as instituições de direita procurando
desestabilizar João Goulart, como: IPES (Instituto de Pesquisa dos
Estudos Sociais), IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática),
CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia) que passam a
contar com apoio da embaixada norte-americana e da CIA (Central
58
de Inteligência Americana), e o auge desta movimentação acontece
com a realização da Grande marcha da família com Deus pela li-
berdade, reunindo em São Paulo 500.000 pessoas contra Goulart.
e) João Goulart reage com o Comício da Central do Brasil on-
de diante de 100.000 pessoas, o presidente defendeu abertamente
a reforma agrária, e mais tarde, apoiou a manifestação dos mari-
nheiros e fuzileiros navais contra a hierarquização excessiva da
marinha, bem como a manifestação dos sargentos do exército, por
melhores condições de vida, mesmo contra a ordem dos superio-
res. João Goulart fez o último discurso na sede da Automóvel Club,
e no dia 31 de março de 1964, o general Olímpio Mourão Filho,
comandante da 4º região militar em Juiz de Fora convocou o exér-
cito mineiro se dirigindo em direção ao Rio de Janeiro, com apoio
de três governadores: Carlos Lacerda (RJ), Magalhães Pinto (MG)
e Ademar de Barros (SP). Goulart rumou em 1º de abril para Brasí-
lia e seguiu a noite para o Rio Grande do Sul, onde recusando a
idéia de resistência proposta por Brizola, acabou renunciando, e
partindo para Uruguai.
f) Ranieri Mazzili, Presidente da câmara, que tinha assumido
interinamente na renúncia de Jânio, voltava a assumir, passando o
poder para os militares.
g) Os militares nacionalistas foram cassados como o Mare-
chal Lott e o brigadeiro Aragão.

DITADURA MILITAR (1964-1985):

1- CASTELO BRANCO (1964-1967): A vitória dos militares


consagrou a política de alinhamento direto com os EUA, através do
Plano Decenal onde os norte-americanos recebiam direito de ex-
ploração das riquezas brasileiras, em troca de ajuda financeira que
determinasse o desenvolvimento rápido do Brasil.
a) Representante da linha moderada, também conhecida co-
mo Sorbonne, estabeleceu sua política econômica conhecida como
PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo), elaborada pelos
liberais Roberto Campos e Octávio Gouveia Bulhões baseada na
deflação estabelecida para eliminar a inflação pelo arrocho salarial,
mudando a moeda de Cruzeiro para Cruzeiro Novo; combate ao
déficit público através de uma reforma fiscal (elevação geral dos
impostos); estímulo às exportações e redução das importações a-
59
través de uma forte desvalorização cambial; retomada do cresci-
mento econômico, ao nível de 6% ao ano, com a economia estabi-
lizada e aberta aos investimentos externos; empréstimos são rene-
gociados com o FMI; a lei de remessa de lucros foi reformulada;
criação do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), com
a finalidade de acabar com a lei de estabilidade, criando uma pou-
pança para o caso de desemprego e aposentadoria do empregado,
onde os recursos gerados pela movimentação deste fundo seria a-
plicado na construção de casas populares através do BNH (Banco
Nacional de Desenvolvimento); Unificação do sistema de previdên-
cia com a criação do INPS (Instituto Nacional da Previdência Soci-
al), acabando com a previdência por ramos profissionais; lei de
greve (Proibição de manifestações grevistas); Criação do Conselho
Monetário Nacional (CMN), como suprema autoridade monetária
que estabeleceria as linhas da política monetária a ser executada
pelo Banco Central também criado em 1964 e das ORTNS (Obri-
gações Reajustáveis do Tesouro Nacional), para financiar os défi-
cits do Tesouro Nacional e regular a oferta de dinheiro, onde para
atrair os investidores criou-se a correção monetária etc. Inicia o que
os sociólogos chamam de modelo econômico da “industrialização
excludente”, pois marginalizou a quase totalidade dos brasileiros
dos benefícios do desenvolvimento.
b) Politicamente se inicia os atos institucionais transferindo o
poder político para os militares, apesar de alguns civis como Ulis-
ses Guimarães e Amaral Peixoto (PSD) e Pedro Aleixo, Bilac Pinto
(UDN), tentarem transferir para o Congresso a direção do processo
político.
Pelo Ato Institucional n.º 1 (A I 1) ficava estabelecida a elei-
ção indireta do presidente militar; Pessoas consideradas inimigas
do governo acabavam cassadas, incluindo três ex-presidentes:
Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart. O governador
de Pernambuco Miguel Arraes, e o ex-governador do Rio Grande
do Sul Leonel Brizola entre outros, bem como organizações de es-
querda como o CGT (Central Geral dos Trabalhadores), as Ligas
Camponesas, a UNE (União Nacional dos Estudantes), esta espe-
cificamente pela lei Suplicy inserida no contexto do acordo MEC-
USAID estabelecido com os EUA com a finalidade de eliminar to-
das as instituições estudantis e privatizar o ensino superior. Outros
absurdos como a “emenda das inelegibilidades” afastando das dis-
putas eleitorais as pessoas visadas pelos militares e o julgamento
60
de civis por “crimes políticos” pelo Tribunal militar, onde o ministro
da justiça Milton Campos resolveu exonerar-se, pois não compac-
tuava com tais medidas.
O ato institucional n.º 2 (27 de outubro de 1965 - A I 2), dis-
solveu os partidos políticos existentes e estabeleceu a eleição indi-
reta para presidente da república, onde criou dois partidos políticos:
Arena (Aliança Renovadora Nacional) e o MDB (Movimento Demo-
crático Brasileiro) de oposição consentida. Neste momento Carlos
Lacerda, Magalhães Pinto e Ademar de Barros romperam com os
militares.
O Ato Institucional n.º 3 (A I 3) determinava o fim das elei-
ções diretas para governadores e prefeitos, em virtude da vitória da
oposição no RJ com Negrão de Lima e em Minas Gerais com Israel
Pinheiro.
c) O presidente morre em um desastre de avião.

2- COSTA E SILVA (1967-1969): Presidente da chamada “li-


nha dura” recrudesceu ainda mais as ações repressivas do Estado,
tendo de enfrentar diversos movimentos populares de insatisfação
civil.
a) Carlos Lacerda se torna opositor ferrenho do sistema, es-
tabelecendo a “Frente ampla” e unindo-se inclusive com ex-
inimigos como Juscelino, Jânio e Jango pela redemocratização do
país e insuflados pelo discurso de Lacerda os estudantes saíram as
ruas protestando contra a ditadura, e no confronto com a polícia
acontece a primeira vítima fatal, o estudante secundarista ainda
menor de idade, Edson Luís, em frente ao Calabouço (Restaurante
que atendia os estudantes pobres). A oposição prepara a célebre
passeata dos Cem Mil, no entanto, a invasão as faculdades pela
polícia continua, inclusive com a prisão de diversos estudantes que
estabeleciam um congresso em Ibiúna (São Paulo). A agitação so-
cial levou a “linha dura” ao desespero inclusive com a tentativa do
brigadeiro Paulo Burnier através do ato de terrorismo explodir um
aqueduto para ocupar os comunistas (Caso Parasar), onde a recu-
sa do capitão Sérgio Macaco, valeu a sua dispensa da aeronáutica.
Surgem também grupos paramilitares como CCC (Comando de
Caça aos Comunistas), além da Operação Bandeirantes de repres-
são da polícia (OBAN).
b) Os militares utilizaram o “Caso Márcio” onde o deputado
Márcio Moreira Alves discursando no congresso, conclamou a po-
61
pulação a não participar do desfile militar de 7 de setembro, e o mi-
nistro conservador Gama e Silva exigiu a demissão do parlamentar,
diante da recusa do congresso, estabelecerem o A I 5 (Ato institu-
cional n.º 5) que entregou o país as forças mais retrógradas, violen-
tas e obscurantistas de nossa história, cassando deputados como
Mário Covas e Rubens Paiva, este desaparecido, além de cassar
diversos professores, cientistas e artistas como Chico Buarque de
Holanda, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Geraldo Vandré entre ou-
tros.
O A I 5 (12 de dezembro de 1968) foi estabelecido após ao
estabelecimento no ano anterior da 6º constituição do Brasil e 5º da
república que concedeu poderes excepcionais ao presidente e foi
promulgada com um congresso coagido pelos militares, evidenci-
ando o enfraquecimento do federalismo e a centralização política
administrativa. Nesta carta se incluía também a Lei de Imprensa
(Onde os meios de comunicação estavam sujeitos a processo com
julgamento na justiça militar sobre qualquer notícia considerada pe-
los golpistas como atentado à subversão da ordem). Criação da
FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e da Embratel.
c) A oposição perde a esperança no retorno da normalidade e
parte para ação de guerrilha urbana como: ALN (Aliança Libertado-
ra Nacional) liderada por Carlos Mariguella que foi assassinado;
MR8; VPR; Colina; JEC (Juventude Estudantil Católica), JOC (Ju-
ventude Operária Católica) e JUC (Juventude Universitária Católi-
ca). Estas últimas ligadas à igreja católica que optaram pela ação
armada; e a guerrilha rural com o Var-Palmares liderada pelo ex-
capitão do exército Carlos Lamarca atuando no Vale da Ribeira e o
PC do B atuando na região do Araguaia. A maioria atuando neste
Governo e de Médici. As ações de guerrilha chegaram inclusive a
prática de seqüestro do embaixador Charles Elbrick (EUA) pela
ALN trocado por guerrilheiros presos, seguidos de outros embaixa-
dores, além de assaltos a bancos para financiar o movimento.
d) Surge em a Lei de Segurança Nacional em 1969 (Esta lei
foi utilizada pela primeira vez por Getúlio Vargas em 1935 na Inten-
tona Comunista e mais tarde foi inserida na Doutrina de Segurança
Nacional da Guerra fria de Truman) auxiliada pelo SNI (Serviço Na-
cional de Informação). Além da lei 477 proibindo estudantes, fun-
cionários escolares e professores de participarem de ação política.
e) O plano econômico deste governo foi o PED (Programa Es-
tratégico de Desenvolvimento) que ampliava o plano anterior com
62
financiamento do BNDE, diversificando seus programas de financi-
amento e agilizando o Fundo Nacional de Máquinas e equipamen-
tos (FENAME).
f) Apesar da lei de greve acontecia a última greve antes dos
dez anos de recesso do movimento operário intimidado pela re-
pressão: A greve dos metalúrgicos de Osasco liderada por José I-
brahim.
g) Costa e Silva morre de trombose cerebral e o A I 16 proíbe
o vice civil Pedro Aleixo de assumir, estabelecendo uma junta mili-
tar formada por Augusto Rademaker (Marinha), Lira Tavares (Exér-
cito) e Márcio de Sousa Melo (Aeronáutica).

3- EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI (1969-1974): A junta passa


o poder para o novo presidente através da Emenda Constitucional
de 1969 atingindo o auge da repressão no Brasil, com a violência
das salas de torturas (Ler livro escrito pela igreja católica com a co-
ordenação de D. Paulo Evaristo Arns “Brasil nunca Mais”). Fazer
oposição neste governo era um risco de vida.
a) Foi estabelecido a censura prévia com o congresso vendi-
do confirmando o decreto-lei 1077, censurando revistas, livros, jor-
nais e filmes.
b) Surge o DOI-CODI (Departamento de Operação e Defesa -
Centro de Operação e Defesa Interna) substituindo a OBAN.
c) Delfim Neto desenvolve o “Milagre econômico” que durou
de 1968 a 1974 que transformava o Brasil no 8º PIB (Produto inter-
no Bruto) do mundo, que tanto orgulhava a classe média e foi muito
explorado pela campanha ufanista , utilizando Slogans como:
“Brasil ame-o ou deixe-o” (Tirado da frase inglesa “Love me or Lea-
ve me” ou através de canções patrióticas de exaltação país, favo-
recidas por diversas vitórias brasileiras no esporte, como o tri-
campeonato de futebol, a vitória de Emersom na Fórmula 1, vitória
de Eder Jofre no Boxe, Mequinho grande mestre do Xadrez etc...
Esta política econômica foi dirigida para beneficiar uma mino-
ria, onde os impostos recaíram sobre a pequena e média empresa
e os assalariados, e as multinacionais ocupavam praticamente to-
dos os setores de atividades financeiras e produtivas, ocupando
espaço da burguesia nacional e no ano de 1970, somente uma pe-
quena parcela de favorecidos puderam participar da onda consu-
mista, denominada por Fernando Henrique Cardoso de “industriali-
zação excludente”. Delfin Neto dizia que era preciso primeiro cres-
63
cer o bolo para depois dividi-lo. O milagre econômico assentou-se
em duas bases: de um lado, o endividamento externo para obten-
ção de tecnologia estrangeira; de outro, a concentração da renda
para criar um mercado consumidor daqueles produtos. A manipula-
ção de dados permitia criar uma falsa idéia de que a economia não
apresentava nenhum problema. Eram três suportes básicos para o
plano: Empresa estatal, empresa nacional e o capital estrangeiro.
d) Médici lança o I PIN (Programa de Integração Nacional) e o
I PND (Programa Nacional de Desenvolvimento), voltando a tenção
para grandes projetos como a construção da Transamazônica e da
Ponte Rio-Niterói, programa nuclear (Angra I), ampliação do parque
hidrelétrico etc.. - este projeto era conhecido como: “Brasil, grande
potência”. “Ninguém mais segura este país”.
e) No final do seu governo a crise fica evidente principalmente
depois do aumento do petróleo pela OPEP em 1973.

4- ERNESTO GEISEL (1974-1979): Venceu no congresso U-


lisses Guimarães, retomando o grupo de moderados ou Sorbonne,
estabelecendo o processo de abertura lenta e gradual.
a) Estabeleceu um plano de reformas com apoio de parcela
da Arena que pretendia a volta da democracia, apesar das dificul-
dades impostas pelos elementos da “linha dura”, como o caso do
assassinato do jornalista Vladimir Herzog e do operário Manuel Fiel
Filho (1975) nas dependências militares de São Paulo, onde o pre-
sidente afastou o General Ednardo de Melo D’ávila e mais tarde o
ministro da guerra Silvio Frota por ter denunciado a presença de
comunistas no governo.
b) Surge a lei Falcão (1976) limitando o uso de rádio e televi-
são pela oposição, estabelecendo apenas a leituras de currículos
do candidato. O “pacote de abril” fecha o congresso para impor re-
formas entre elas o estabelecimento de um terço do senado indica-
do pelos militares (Senador biônico); novas cassações parlamenta-
res, como o deputado carioca Lisâneas Maciel e limites de deputa-
dos, acabando com a representatividade e favorecendo estados
menores, principalmente no Nordeste e no Norte, onde a Arena ti-
nha chances de vitória.
Contra estas arbitrariedades surgem novas denúncias princi-
palmente da OAB através do seu presidente Raimundo Faoro. In-
vasão da polícia militar comandada por Erasmo Dias de forma vio-
lenta, contra o congresso da UNE na PUC/SP.
64
c) Acaba revogado O AI 5; é promulgada nova Lei de Segu-
rança Nacional; é revogado o banimento de presos políticos brasi-
leiros; suspensa a censura prévia aos comerciais de rádio e TV.
d) Ressurge o movimento grevista com os metalúrgicos do
ABCD liderados por Luís Inácio “Lula” da Silva, movimento este
que dará origem ao primeiro partido surgido das massas populares,
o PT (Partido dos Trabalhadores) aglutinando trabalhadores e inte-
lectuais. O presidente proíbe greve em setores “estratégicos para a
segurança Nacional” (Bancos, transportes, comunicação, energia
elétrica, produção e outros). Em 1978 nova vitória do MDB, mos-
trando que a ditadura estava desgastada.
e) A nível econômico lança o II PND e o II PIN, organizando o
acordo nuclear Brasil-Alemanha para a fundação de Angra II e An-
gra III. Diminuição de contato cos os EUA, principalmente depois
que Jimmy Carter exige o fim das ditaduras.
A crise econômica se acentuava não somente pelo aumento
do petróleo, onde foi criado o programa do Pró-álcool, agravada pe-
la dependência externa e o endividamento, bem como pelo maior
incentivo a especulação do que a produção. Esta ciranda financeira
levou o Banco Central a emitir letras do Tesouro Nacional (LTN),
lançadas no mercado aberto (Open Market) para evitar o risco do
processo inflacionário com a emissão desenfreada de cruzeiros pa-
ra suprir o déficit, mas acabou aumentando a especulação, onde
ricos ganhavam rios de dinheiro da noite para o dia.
f) O chefe do SNI João Batista Figueiredo foi indicado por
Geisel ao congresso, mesmo com a teimosia de Magalhães Pinto
em ser presidente e tentar se aproximar da oposição, o MDB esco-
lheu o general Euler Bentes, no entanto, este não motivou a cam-
panha oposicionista. O brigadeiro Hugo de Abreu (líder do combate
aos guerrilheiros do Araguaia) não satisfeito com a indicação de Fi-
gueiredo, denunciou a manobra de Golbery do Couto e Silva “Emi-
nência parda” do governo, além de acusá-lo juntamente com o as-
sessor do presidente Heitor de Aquino de corrupção e favorecimen-
to ilícito para as multinacionais, nunca comprovado.

5- JOÃO BAPTISTA FIGUEIREDO (1979-1985): Começa sem


os atos institucionais e com a solene promessa de fazer deste país
uma democracia.
a) Intervenção do governo nos sindicatos do ABC paulista; a-
provação da lei da anistia; a polícia mata em Santos o operário pi-
65
queteiro Santo Dias da Silva; reforma acabando com o bipartida-
rismo, pretendendo dividir a oposição, e restabelecendo o pluripar-
tidarismo, surgindo: PDS (ex-Arena), PMDB (Ex-MDB - Ulisses
Guimarães), PTB (Ivete Vargas - presidente), PDT (Brizola - presi-
dente), PT (Lula - Presidente), mais tarde PP (Tancredo Neves).
Estes fatos aconteceram em 1979.
b) Prisão de líderes sindicais no ABCD paulista; atentados à
bomba na câmara Municipal mutilando um funcionário e na OAB
matando uma funcionária, além de grupos paramilitares da TFP,
falange patriótica e falange pátria-amada ameaçando de incendiar
as bancas de jornais que vendessem jornais de esquerda. No dia
da visita do papa ao Brasil o jurista Dalmo de Abreu Dallari (oposi-
tor do regime foi seqüestrado e agredido), a fim de impedir seu dis-
curso ao papa; restabelecida as eleições diretas para governador e
para o senado. Fatos de 1980.
c) Atentado frustrado ao Riocentro (Centro de convenções
onde eram realizados o showmício de 1º de maio), provocando a
morte do sargento que transportava a bomba e o ferimento do capi-
tão que dirigia o veículo de chapa fria, apesar das investigações o-
ficiais apontaram a inocência dos militares envolvidos. Golbery se
afasta com à fraude do ministério da casa civil, onde foi substituído
por Leitão de Abreu ; prisão e expulsão de dois padres franceses
envolvidos com a pastoral da terra, acusados de insuflar os possei-
ros do Araguaia. Estes acontecimentos são de 1981.
d) Presas em São Paulo pessoas acusadas de participar do
congresso do Partido Comunista Brasileiro; aprovado o voto vincu-
lado por decurso de prazo e a proibição de coligações partidárias.
Estes fatos acontecem em 1982.
e) Primeiras greves de funcionários públicos federais, segui-
dos dos petroleiros; Lançada no final do ano a campanha pelas e-
leições diretas conhecidas como Diretas-Já, endossando a Emenda
Dante de Oliveira, que pretendia restabelecer as eleições diretas
para presidente da república. Fatos de 1983.
f) A emenda Dante de Oliveira é rejeitada (25 de abril), pois o
PDS se articulou liderado pelo seu presidente José Sarney. O
PMDB passa então a articular a campanha de Tancredo Neves que
tinha dissolvido o PP (Partido Popular) para presidente por vias in-
diretas que eles condenavam. Paulo Maluf organizou sua vitória
dentro do PDS, mesmo contra a vontade de Figueiredo que era fa-
vorável ao ministro Mário Andreaza, Sarney e outros situacionistas
66
mudam para oposição atraídos pela vice-presidência dada para
Sarney. Fatos de 1984.
g) Em 15 de janeiro, Tancredo Neves vence as eleições no
congresso, mas não chega a ser empossado, pois sofre segundo
informações oficiais de diverticulite aguda, agravada por infecção
hospitalar, e morre, sendo substituído pelo vice José Sarney.
h) Economicamente foi criada o III PND e o III PIN e o ministro
Mário Henrique Simonses foi substituído por Delfim Neto que volta-
va ao poder, liderando o desastre econômico.

NOVA REPÚBLICA (1985 - ?):

1- TANCREDO NEVES (não assume).

2- JOSÉ SARNEY (1985-1990): Assume procurando tomar as


primeiras medidas destinadas a substituir o regime militar por uma
nova ordem legal, conhecida como “remoção do entulho autoritá-
rio”, ou seja , eliminar leis e decretos arbitrários, com as seguintes
medidas tomadas pela comissão: restabelecimento das diretas pa-
ra a presidência e para as prefeituras consideradas áreas de segu-
rança nacional; ampliação do direito de voto para os analfabetos;
legalização dos partidos políticos na clandestinidade e liberdade
plena de criação para novos partidos; extinção do princípio de fide-
lidade partidária, podendo os parlamentares votarem contra seus
partidos, sem perderem o mandato; reabilitação das diretorias sin-
dicais cassadas pelo regime militar.
a) Os planos econômicos do governo Sarney, foram: Cruzado
(1986), efetivados por Dilson Funaro (Ministro da Fazenda) e João
Sayad (Ministro do Planejamento) - congelamento de preços e sa-
lários; mudança da moeda para cruzado; extinção da correção mo-
netária; criação do gatilho salarial e do seguro desemprego; a nível
internacional decretou a moratória; medidas de austeridade fiscal e
monetária com a preocupação de elevar a renda do assalariado
(Programa Heterodoxo). Não deu certo devido ao aparecimento do
ágio (cobrança de propina acima do preço da tabela, devido ao de-
saparecimento dos produtos da prateleira orquestrada pelos propri-
etários ávidos de aumento dos preços das mercadorias), além do
caráter eleitoreiro do plano, que esperou passar as eleições que
deram maioria para o PMDB, para acabar com o congelamento;
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Bresser (1987) - menos heterodoxo, voltado mais para combate
das contas públicas; Novo congelamento de preços e salários; fim
do gatilho. também insatisfatório; Verão (1989) - mudança do cru-
zado para o cruzado novo; extinção da OTN (Obrigação do Tesou-
ro Nacional) como instrumento de correção monetária; privatização
de empresas e demissões de funcionários. forte recessão e a infla-
ção passando do 50% em dezembro.
b) Estabelecimento da nova constituição: 5 de outubro de
1988 (A mais progressista da história), apesar de negociar cinco
anos para o presidente em troca da concessão de canais rádios e
televisões e da recusa da reforma agrária , graças à ação da UDR
(União Democrática Rural). Esta constituição garantiu os direitos
fundamentais de cidadania, além de conquistas trabalhistas e soci-
ais importantes, como a punição da discriminação racial, ou com o
estabelecimento de um terço de férias, ou o aumento no prazo da
licença maternidade e paternidade etc..
c) No campo cultural criou a lei Sarney controlada pelo minis-
tro da educação Celso furtado, favorecendo com verbas, as ativi-
dades culturais e científicas.
d) Em 1989 acontecem as novas eleições com a disputa de
diversos candidatos polarizando a disputa, que resultou na passa-
gem para o segundo turno de Collor e Lula, com a vitória do primei-
ro, que utilizou aspectos da vida pessoal do oponente como a filha
de Lula com Míriam Cordeiro.

3- FERNANDO COLLOR DE MELLO (1990-1992): Foi eleito


devido a propaganda feita pela mídia , principalmente pela Rede
Globo e devido a sua campanha de “Caçador de Marajás”, além do
apoio dos grandes empresários e banqueiros.
a) A nível econômico estabeleceu através de sua ministra Zé-
lia Cardoso de Mello um plano de confisco temporário de grande
parte do dinheiro depositado e outras aplicações financeiras; volta
do cruzeiro como moeda nacional; congelamento de preços e salá-
rios; redução da intervenção do Estado; facilitação das importa-
ções; eliminação de reservas de mercado (Na informática e na in-
dústria automobilística, por exemplo). Resultados medíocres neste
início de política neo-liberal; Collor II recebido com descrédito não
domando “dragão inflacionário”.
b) A nível cultural parou de apoiar qualquer manifestação cul-
tural, como cinema e Teatro.
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c) As suspeitas sobre seu governo aumentaram quando seu
irmão Pedro Collor realiza um monte de denúncias contra o presi-
dente confirmadas pelo motorista Eriberto, onde foi acionada a CPI
(Comissão Parlamentar de Inquérito) estabelecendo diversas inves-
tigações que o aproximavam dos atos ilícitos de Paulo César Farias
(PC) que comandava um esquema de corrupção, inclusive de sua
mulher Roseane Collor . O Fora Collor mobilizou a população, in-
clusive com “Os caras-pintadas”. Apesar da impunidade criminal.
Collor sofreu o processo do impeachment (Impedimento), mas aca-
bou renunciando antes.
d) Morre o senhor diretas, Ulisses Guimarães que comandou
a constituição de 1988.

4- ITAMAR FRANCO (1992-1994): Outro vice chega ao poder


sucessivamente, e através do plano Real administrado pelo minis-
tro da fazenda, Fernando Henrique, visando eliminar a inflação e
estabilizar a economia, onde foi iniciado o programa de ação ime-
diata com a implantação da URV (Unidade Real de Valor), funcio-
nando como uma espécie de moeda (1º de Março de 1994) e no
dia 1º de julho de 1994 foi introduzida a nova moeda, o Real. Utili-
zando do plano, Fernando Henrique acabou vencendo no primeiro
turno ao segundo colocado Lula e outros candidatos.

5- FERNANDO HENRIQUE (1995- ?): Mudando o perfil de


esquerda com participação decisiva contra a exclusão dos menos
favorecidos, passa a se aproximar com a política norte-americana
da Convenção de Washington, continuando o neo-liberalismo de
Collor, defendendo a deflação, a privatização, o programa de con-
trole de qualidade total (CQT ou TQC), a política de paridade da
moeda nacional com o dólar etc..

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