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A noção de mente, desde os povos

ágrafos aos gregos (Páginas 1 a 4)

O mental
O mental define-se pelo sentimento de existir como sujeito num mundo de
objetos em relação aos quais eu me perspetivo como agente ou paciente. Existem
duas fontes que nos permitem classificar o mental são eles a experiência de mim e a
inferência que fazemos da conduta dos outros.

A experiência de mim baseia-se no facto de eu ter consciência que sou eu quem ajo,
sou autora das minhas ações, sou o centro absoluto do mundo e do meu sentir.
Independentemente do nosso estado mental num dado momento continuamos a ser
uma entidade mental. Sendo a mente representada pelo sujeito, e o estado normal
deste ser representar um objeto e estar consciente de alguma coisa, a abstração da
mente só ocorre em níveis de pensamento muito abstrato, como por exemplo o
pensamento dos filósofos.

A inferência que fazemos da conduta dos outros está presente quando: um objeto se
move de maneira que nos parece intencional, logo inferimos que tem mente, no
entanto, este movimento tem de ser interiormente causado, porque se o movimento
for espontâneo e cego não lhe será atribuída uma mente ou então será uma mente
cega e sem objetivo. Para identificarmos a mente temos que nos colocar no lugar do
outro. Ou então, compreendermos uma reação emocional, mesmo que está nunca
tenha sido sentida por nós.

O mental é predominantemente sentido em mim (de maneira independente


do corpo pois conseguimos imaginar-nos no corpo de outra pessoa) e detetado a partir
do comportamento nos outros.

Não nos incomoda pensar que depois da morte a nossa alma continua a existir
(espíritos), pelo contrário incomoda mais o facto de pensarmos que deixamos de
existir por completo, mas mesmo assim, existindo apenas como alma a nossa agência
seria limitada pois não víamos, não poderíamos agir, nem sentiríamos nada daquilo
que nos afeta normalmente. Assim, aquilo que considerámos mente, é aquilo que é
subjetivo e acompanha o nosso corpo: mente ≠ corpo. Esta mente é invisível, no
entanto é concreta: não temos nenhuma imagem da nossa mente, mas temos
consciência da sua existência. Precisamente por causa desta particularidade (ser
invisível), é difícil a sua descrição e decomposição para posterior análise. Assim, o
mundo da mente é o mundo do vago e dificilmente analisável.

Mente primitiva
A mente primitiva é a definição de mente do senso comum.

Algumas culturas não têm nenhuma palavra para mente, no entanto, todas
têm alguma para “alma”. Os etnólogos concluíram que alma em todas as culturas se
refere á inteligência ou vontade. No entanto, existem almas que são responsáveis
pela a animação do corpo e outras são mais independentes (xamãs, a alma sai do
corpo para salvar almas perdidas de doentes no inferno), são mais agentes e
conscientes e são as que se pensa sobreviverem á morte do corpo. Assim podemos
concluir que o conceito primitivo de mente é a nossa experiência de viver (agir e
sentir). Estas almas independentes podem sair do corpo, um espírito pode tomar
conta de um corpo e animá-lo fazendo com que a alma desse corpo seja afastada ou
anulada. Assim: mente ≠ matéria não animada e o mental anima o corpo.

Quando as pessoas se deparam com um fenómeno procuram uma explicação


para o mesmo que é fácil de compreender em termos de agência: identifica-se um
efeito, infere-se uma intenção para esse mesmo efeito e em consequência, postula-se
o agente dessa intenção e desse efeito. Como este fenómeno ocorre mesmo que não
haja um testemunho do corpo do agente será provavelmente um espírito que se pode
instalar em qualquer corpo que queira.

Quando temos algo que antes pertencia a outra pessoa, dizemos que esse
objeto tem um significado sentimental, porque acreditamos que deixamos sempre
algo nosso nas coisas que possuímos, isto explica-se: fica sempre um resíduo de
identidade (marca psicológica), nas coias que possuímos. Com isto, na mente
primitiva existe a ideia de que se pode fazer magia com os restos ou pertences de
uma pessoa e esta relaciona-se com outra ideia também ela universal de que agindo
sobre a parte se tem efeito no todo. Trata-se da magia de contacto: um objeto tem
agência e ela passa por contacto, para outro objeto  Homeopatia.

A mente primitiva suporta outra crença: as posições dos astros influenciam o


nosso futuro. Na raiz deste pensamento está a ideia de que existem agentes, neste
caso os astros ou até mesmo as cartas, que influenciam o nosso futuro, estes agentes
são postulados pela mente primitiva, mas na verdade não existem.

Outro típico exemplo de mente primitiva é a parapsicologia: a ideia de


transmissão de pensamento e psicocinese. Tanto quanto sabemos isto não é real, mas
é o facto de estas crenças serem tão resistentes á razão e aos dados empíricos que são
interessantes e o espírito racional tem sido a maior dificuldade em convencer as
pessoas que se trata nada mais nada menos do que uma ilusão.

Então assim, os fenómenos base do mental são: a experiência de mim como


ser agente e consciente; a existência de mecanismos que me fazem atribuir estados
mentais a tudo aquilo que parece intrinsecamente causado ou com um objetivo; e a
noção de que, por contacto, um agente transmite a sua essência ás coisas. A
experiência de mim como agente é a mais fundamental Estes fenómenos definem o
mundo da alma e como esta e concebida como um espírito, sendo assim, o mundo
racional. Mundo este do qual o Ocidente se tenta afastar para explicar o homem e o
mundo, e todos os pensadores fazem o mesmo. Cada escola de pensamento tem
origem na noção espontânea de alma como agência, representação e intenção, quer
sentidas pelo sujeito quer inferidas nos outros.

Mente platónica e aristotélica (Páginas 7 a 14, 25)

Platão
Afirmou que a razão não é corporal. A alma estava dividida em três partes:
razão, apetites e vontades, a primeira tinha a função de controlar as outras duas.
Para este compreender a verdade baseou-se no sujeito, a verdade seriam as verdades
abstratas e os conceitos que conhecemos, os “universais” ou ideias puras. A aparência
engana e tudo parece subjetivo, no entanto, as ideias puras ocorrem apesar desta
confusão dos sentidos e assim elas não podem provir dos sentidos, a sua origem está
na própria alma, que é passiva e possui ideias inatas, sendo assim, a verdade é
intrínseca.

A alma como é imaterial e racional tem consciência das ideias puras e para
além de racional, é motivada por desejos de posse e materiais, sendo que numa alma
harmoniosa esses desejos dão lugar ao desejo de possuir ideias puras. Para
encontrarmos a verdade, a razão tem que tomar conta dos apetites e vontades.
Assim, o sujeito mental resume-se a um palco de luta entre a razão e a paixão e os
apetites corporais e, nesta luta, as ideias puras só se podem comtemplar através da
alma libertada pelo corpo (após a morte).

Quanto ao “eu”, para Platão, a alma não é una (devido aos conflitos interiores),
mas sim racional e imortal (mente ≠ corpo). A alma faz parte do “eu” e é lá que se
encontram as ideias puras (a verdade). Assim, os platónicos partem da consciência
da experiência mental: eu sei que sinto, que ajo, que recordo e por isso eu sou o centro
das representações (1ª pessoa - introspecionismo).

Aristóteles
Veio reinterpretar os conceitos platónicos. Os “universais” ou ideias puras
não existem nos homens, mas a mente tem capacidade inata para categorizar os
objetos que recebe através dos sentidos, o que é inato são as estruturas mentais
(mente passiva / ativa) que possuímos e que nos permitem chegar á verdade, o que
está então presente (inato) é a capacidade de aprender as ideias através dos
sentidos (acidentalmente) e de as formular. Assim, a mente não é uma cópia das
imagens mentais que recebe dos sentidos, porque têm que existir na mente, antes
de qualquer cópia, formas prévias que reconhecem o que os sentidos lhe fornecem, e
a mente é isso mesmo, um armazém de formas.
Aristóteles diferenciava forma e matéria, sendo que, a forma determina a
essência de algo e a matéria pode ser transformada numa outra forma. Com isto, a
alma é definida como a forma do corpo e seria assim responsável pelas funções que
o mesmo desempenha  Hilemorfismo (base do pensamento de Aristóteles). A
alma é tripartida: vegetativa, racional e percetiva. Para Aristóteles a alma não é
una e por isso as suas três partes são independentes, mas estão relacionadas.
Aristóteles divide então a mente em duas: a ativa (motor da mente e imortal) e
passiva (“espaço” onde as ideias se relacionam por influência do motor). Os
aristotélicos com a sua teoria tripartida da alma e das faculdades que atribui
funções á alma que fazem manter a vida e pensar, faz com que multipliquem os
conceitos fazendo deles aprioristas.
Crítica nominalista/conceptualista:
Ockham, Bacon e Hobbes (Páginas 29, 33, 43)

Ockham
Ockham, dúvida: será que as categorias existem ou Conceptualismo ≠ Nominalismo
são apenas um produto da nossa mente? Esta é a questão
dos universais de Ockham e para ele (conceptualista), os
Conceitos Os universais
conceitos (universais) eram apenas representações mentais
existem, mas não existem
que nos permitiriam pensar são, portanto, as coisas a que
não são na mente, são
damos nome. construídos construídos
pela mente e pela
Bacon por isso não linguagem.
Bacon, tal como Ockham valorizava a experiência, são um bom
guia para a
opôs-se a Aristóteles criando uma filosofia que se refere
verdade.
apenas ao mundo físico. As palavras são apenas meras
etiquetas das coisas que até então têm sido estudadas em
relação umas com as outras, sem perceber realmente as próprias coisas em si.

Hobbes
Hobbes, foi um nominalista e defendia que as classes do nosso pensamento
são apenas nomes convencionais que se aplicam ao real, diz que o facto de se poder
pensar que a mente pode ser independente do corpo não significa que o seja, é um
erro no uso de palavras e conceitos. Além de nominalista, foi empirista, mas não anti
inatista. Defendia que: o conhecimento mental vem dos sentidos (empirista), porém
é inatista quando constrói a teoria das paixões, diferente das outras. Enquanto
Descartes e Espinosa relatam emoções de um solitário Hobbes completa-a com a
observação do comportamento em sociedade. O resultado foi uma ênfase maior do
papel das emoções na relação social  Teoria das emoções. As emoções seriam
provenientes do movimento do corpo que geraria uma paixão, seguida de debilitação
(assegurada pela imaginação). A chave para compreender as paixões é, o conatus,
impulso primordial que desencadeia a ação e toda a vida humana ou animal. A
questão que se coloca a seguir é a da competição pela sobrevivência que acontece pelo
facto de todos os seres terem necessidades e características semelhantes, para
Hobbes, todo o ser procura poder, o que resulta numa guerra contínua, perigo
constante, desgraça e sofrimento. Além da vontade de poder, o Homem tem
capacidades racionais que o permitem pensar e compreender que pode ser bom
prescindir do seu poder entregando-o a alguém superior que os defende em conjunto
 Estado leviatã, este funcionaria ao transmitir o medo a quem tentasse expandir
demais o seu poder, garantiria a paz comum. Assim, Hobbes é importante graças ao
seu estudo introspetivo da mente e das tendências para a ação, motivação e emoção,
de acordo com ele, a riqueza e ambição são mal vistas porque todos as queremos de
forma egoísta (não querendo também para os outros).
Descartes, dualismo e antecessores
(Avicena, Agostinho, Gomez Pereira)
(Páginas 35 a 39, 18, 16 a 17 e 34)

Descartes
Descartes propôs-se a construir um edifício de conhecimento totalmente
diferente, baseado apenas na evidência da verdade, vai pôr tudo em dúvida incluindo
os sentidos. Surge assim o cogito que se resume na ideia de que sei que existo porque
me sinto, penso, tenho consciência de mim. A partir do Cogito, Descartes ruma ao
encontro da “verdade indubitável”, que estaria na base de todo o edifício do saber.
Para tal passa por todo um processo de raciocínio desde a prova das ideias inatas
(ideias claras e distintas que precisam do meio para se desenvolverem) até á
afirmação de Deus perfeito e infinito. Para Descartes a mente não seria somente
consciência de si, mas seria consciência das ideias, estas poderiam surgir de várias
fontes e permitir-nos-iam pensar no mundo. A questão do eu: O Eu seria toda a
atividade psicológica consciente. É aqui que surge o dualismo cartesiano em que eu
(alma) existe mesmo sem o corpo e este (mortal) nada pensa é apenas matéria, assim
Descartes admite duas realidades: Res cogitans (alma, mente) e Res extensa (coisa
externa: corpo, matéria), diz que as duas estabelecem uma relação entre si, mas não
sabe explicar como. Afirma ainda a mente como 2 modos principais: o intelecto puro
(independente do corpo, que pensa nas ideias inatas) e a imaginação e sentidos (que
dependem da ligação corpo e mente, são as imagens mentais).

Avicena
Avicena, foi muito influenciado por Aristóteles, mas diferem de forma
significativa. Avicena no exemplo do homem vazio, conclui que a alma é imortal e
independente do corpo. Defende ainda a existência de faculdades superiores na nossa
alma, 7: Senso comum, Retenção, Composição de imagens, Imaginação criativa,
Estimação, Memória e Evocação. A alma era também tripartida em: Sensitiva,
Vegetativa e Racional.

Santo Agostinho
Santo Agostinho era um cético, dizia que não se podia ver a mente da mesma
maneira que não vemos os nossos olhos, isto é, não podíamos ser sujeito e objeto ao
mesmo tempo, assim, não conseguíamos conhecer a nossa mente por observação.
Segundo Agostinho, existem em nós duas realidades em conflito: a razão e o desejo.
Para ele, os sentidos são a forma como a alma se apropria do corpo: não é o mundo
que nos chega pelos sentidos é a mente que procura o mundo através deles. Crê numa
mente una ou consciente, o eu é sempre o mesmo e os diferentes estados mentais é
que entram em conflito, fazendo o mesmo reagir de formas diferentes a um estímulo.

Gomez Pereira
Gomez Pereira, segundo ele, conhece-se quando se dá conta de uma
experiência mental. Ou seja, se eu vir uma árvore e afirmar “vejo uma árvore” estarei
a conhecer; se vir uma árvore e me limitar a reagir-lhe (por exemplo, procurar nela
uma sombra, como os animais fazem sem nada verbalizar) estarei apenas a
responder-lhe com aquilo que agora se chama um programa inato. Pereira afirma
que a conduta animal é determinada por «simpatias e antipatias», significando o
termo «simpatia» uma coisa semelhante à atração que o íman exerce no ferro. Os
animais teriam ainda a possibilidade de ser adestrados (a atual “aprendizagem”)
mas, não tendo consciência (diríamos agora “metaconsciência” ou “aperceção”) do que
lhes chega aos sentidos não teriam alma racional. E, como Descartes viria a dizer
mais tarde, não sentiriam. Esta segunda afirmação, estranha para as sensibilidades
modernas, assenta na ideia de que apenas se sente aquilo que se tem consciência de
sentir, isto é, apenas se sente aquilo que se aperceciona. As ideias principais de
Descartes e Gomez Pereira, são semelhantes: a alma/consciência una, racional,
separada do corpo e imortal; e o corpo material que responde mecanicamente ao
ambiente; e as duas afirmações, quase iguais (“sei, logo existo” e “penso, logo existo”).
Independentemente de ter havido influência direta ou não, a conclusão de ambos os
autores era inevitável a partir do momento em que se recusa a psicologia das
faculdades, os universais e se duvida de todo o conhecimento que não seja
experiencial. Ou seja, dadas as ideias dominantes no final do Renascimento, a
conclusão óbvia era a de Pereira e Descartes. Pereira chegou á conclusão mais cedo,
mas não foi claro quanto ás suas ideias, Descartes foi claro e ainda hoje influencia o
pensamento filosófico.

Espinosa, monismo, ética (Páginas 39 a 41)

É racionalista como Descartes, no entanto existem diferenças entre eles.


Descartes era dualista, Espinosa é monista, defende uma realidade una que seria
Deus, ou seja, Mente = Matéria = Deus = Natureza. Para Espinosa corpo e mente são
apenas duas formas de compreender o mundo: 3ª e na 1ª pessoa. Para si, o
pensamento = realidade e para compreender Deus temos de adotar três géneros de
pensamento: Empírico (saber fazer), Conhecimento Racional (leis que reagem ás
coisas – o porquê) e o Pensamento intuitivo (verdades inatas, lógicas, só têm uma
solução).

A teoria das paixões diz que a motivação básica de todos os seres é


aumentarem a sua essência, nós vivemos num ambiente que possui condições que
propiciam este aumento de poder e outras que o contrariam, assim, existem 2 paixões
fundamentais: Alegria (positiva, ambiente que dá poder) e Tristeza (negativa,
ambiente que mo tira). Refere ainda que para aumentar o nosso poder queremos
impor aos outros o que pensamos (nós, os aliados – eles, os inimigos). O Homem é,
então, dominado por estas paixões sem ter noção disso, não sendo livre porque não
conhece as verdadeiras razões para o seu comportamento (as paixões fazem, assim,
parte do primeiro modo de pensamento). Para ser livre o Homem teria de se guiar
pelo terceiro modo de pensamento e perceber o porquê do que faz, no entanto, isso ia
fazer com que se tornasse calculista e egoísta na busca pelo poder.
Empirismo, de Gassendi a Hume e
aos Mill, e relação com o
elementarismo
Gassendi
Gassendi tratou de uma infinidade de assuntos, entre eles: a polémica
contra a metafísica escolástica e contra a nova filosofia cartesiana, o esboço de uma
teoria da razão empírica, a construção de uma filosofia atomista, baseada nas leis
do movimento, a sugestão de uma ética baseada na inclinação natural do prazer.
Atacou sobretudo a teoria das ideias inatas e esforçou-se por demonstrar que todas
as ideias vêm dos sentidos.

Grande parte da sua obra primeira obra foi dedicada a combater


o dogmatismo dos que pretendiam possuir o conhecimento definitivo das essências
eternas da realidade. Defendeu, em contrapartida, a atitude empírica. A
experiência seria o único método adequado de conhecimento. O filósofo encontrou
no epicurismo uma lógica e uma teoria do conhecimento capazes de substituir a
lógica e psicologia aristotélicas e de estabelecer uma relação positiva entre
a mente e as coisas. É através desse encontro de Gassendi com o epicurismo que se
define o seu empirismo. A ciência deveria deixar de julgar-se "necessária" para se
restringir ao verossímil, ao provável, deveria renunciar à contemplação das
essências eternas para voltar-se para a realidade dos fenómenos. A filosofia
autêntica, para Gassendi, era o conhecimento hipotético e experimental, pela sua
natureza relativa, histórica e progressiva. Os princípios metafísicos não são
importantes para a ciência física. O mundo metafísico, contudo, não é negado pelo
filósofo - este separa-se apenas do mundo físico.

Hume
Deu primazia á sensação, para explicar os problemas da filosofia da mente
seria suficiente a utilização do método da observação, da descrição da experiência
mental. Tentou diretamente observar o processo de conhecimento como ele ocorre
 Geografia Mental ou Anatomia da Mente. Hume parte da posição de que temos
acesso ás perceções do mundo exterior e reflexões do mundo interior, “temos uma
perceção ao ver uma coisa e uma reflexão ao recordá-lo”. Teríamos dois tipos de
perceções: as ideias (registo da impressão e registo em ideias simples que
combinadas formam ideias complexas) e as impressões (perceção exata, nítida e
intensa). As ideias eram guardadas mediante a intensidade da impressão, na
memória (sempre viva, cópia das impressões) ou na imaginação (atenuada, menos
realista, impressões distorcidas).

Para ele o mundo mental é mais do que um conjunto de imagens mentais, na


mente existem maneiras de relacionar essas imagens, mediante 7 condições entre
as quais: a semelhança, a contiguidade (associadas) e a causa-efeito. Estas três
regras de associação eram a chave para a compreensão do funcionamento mental.
Hume analisa a questão do “eu” e diz que a noção de identidade é ilusão, o
“eu” seria apenas uma consequência da associação de vários estados mentais que
afirmamos serem pensados, mesmo sendo por vezes contraditórios.

Teoria das emoções  Prazer e dor, a sua noção podia ser direta (sentida por
mim) e indireta (sentido por empatia). Todas as paixões têm uma causa (impressão
ou ideia) contudo em Hume existe o “eu” sujeito e o objeto (causador e sofredor,
respetivamente). No caso do orgulho sou o sujeito e objeto, no caso do amor, o objeto
é o outro.

Hume não exclui o inatismo, as sensações dão conhecimento, não dão a


razão.

Stuart Mill (???)

Kant, e a ideia de a priori (Páginas 52 a 56)

Reação a Hume, porque não concorda com a sua ideia. O conhecimento vem
dos sentidos, mas e antes de chegar a eles? Estes processos anteriores ao
conhecimento e eram os a priori e são inatos, determinavam a sensibilidade e razão
e seriam a condição para qualquer conhecimento. Quer a razão, quer a sensibilidade
têm regras a priori que não são apenas a associação, são algo para compreender a
origem dessa física da mente que estuda os processos mentais. Para isto, Kant vai
estudar se existem a priori sintéticos. Kant quer saber se a razão cria conhecimento
ou se o conhecimento vem só da experiência, ou seja, distinguir sintético (o que gera
novo conhecimento) e analítico (o que não gera conhecimento). Se o segundo caso se
confirmar, o metafisico deixa de fazer sentido, pois se o conhecimento deriva da
experiência para que serve a metafisica que estuda para além do físico? Assim, Kant
procurou provas de geração de conhecimento na razão, independentemente dos
sentidos: no caso de aparte ser inferior ao todo, isto não gera conhecimento, logo, é
um juízo a priori analítico, no entanto, no caso de a=b e b=c, logo a=c se verificar
sempre mesmo não estudando todos os números gera conhecimento sem
experimentação, juízo a priori sintético. Esta conclusão demonstra apenas a
necessidade de compreender em que é que a mente influencia a apreensão da
realidade exterior e segundo Kant interpretamos a nossa experiência com base nos
a priori dos sentidos e do entendimento e nenhuma atividade humana escapa a isso.

O eu transcendental e o eu empírico, a principal diferença é que o eu empírico


são conteúdos da minha mente, os meus pensamentos, sentimentos ou perceção e o
eu transcendental são as condições necessárias para haver unidade de consciência,
único sujeito de experiência.

Como pode, então, o mundo ser conhecido? Kant responde com o método
transcendental, não descreve a mente , procura encontrar, por raciocínio funcional,
que operações da mente são necessárias para haver conhecimento (psicologia
cognitiva).
Cientismo e significado
(Páginas 33 e 67)

Wundt e a reacção Gestalt (Páginas 68 a 74)