Você está na página 1de 36

Livro Eletrônico

Aula 00 (PDF)

Política Internacional p/ CACD (Primeira e Terceira Fases) Professor: Filipe Martins

05890219588 - Paulo Victor

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

A┌ノ; DWマラミゲデヴ;デキ┗; SW PラノケデキI; IミデWヴミ;Iキラミ;ノ

Ol·, pessoal! Meu nome È Filipe Martins e esta È a nossa primeira aula de PolÌtica Internacional. Sou

professor de PolÌtica Internacional no novo curso preparatÛrio para o CACD, o Concurso de Admiss„o

‡ Carreira Diplom·tica. Esperamos levar os alunos deste curso ‡ aprovaÁ„o tanto na primeira quanto

na terceira fase.

POLÕTICA INTERNACIONAL NO CACD

PRIMEIRA FASE TESTE DE PR…-SELE« O (TPS), PROVA OBJETIVA COM 12 QUEST’ES

TERCEIRA FASE DUAS QUEST’ES DISSERTATIVAS

A primeira fase È o TPS que n„o tem mais esse nome oficialmente, mas continua com essa forma.

S„o 12 questıes objetivas com assertivas que dever„o ser julgadas verdadeiras ou falsas, no modelo

do Cespe, em que uma quest„o errada anula uma certa. A matÈria de PolÌtica Internacional È muito

importante e tem um peso muito grande nessa fase, pois s„o 12 questıes. Na terceira fase, ela divide

o espaÁo com Geografia, mas continua sendo muito central, pois È a espinha dorsal desse concurso.

TambÈm h· v·rios outros assuntos com a mesma relev‚ncia, e todos se interconectando e

dialogando entre si, tendo sempre a PolÌtica Internacional como eixo. A segunda fase È a prova de

PortuguÍs, que tem um foco maior na linguagem em si, mas os temas de PolÌtica Internacional

costumam aparecer com uma certa frequÍncia.

Conte˙do program·tico

MÛdulo 01: Teoria das RelaÁıes Internacionais

Aula 00 Vis„o Geral da Prova e do Curso. RelaÁıes Internacionais: conceitos b·sicos,

atores, processos, instituiÁıes e principais paradigmas teÛricos.

Aula 01 Principais marcos e debates teÛricos.

MÛdulo 02: PolÌtica Externa Brasileira

Aula 02 A polÌtica externa brasileira: princÌpios e diretrizes da polÌtica externa

brasileira; domÌnio e fundamentaÁ„o teÛrica para questıes discursivas.

Aula 03 A evoluÁ„o desde 1945, principais vertentes e linhas de aÁ„o. PolÌtica Externa

Brasileira: 19461985 (Parte 1); domÌnio e fundamentaÁ„o teÛrica para questıes

discursivas.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

1 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Aula 04 A evoluÁ„o desde 1945, principais vertentes e linhas de aÁ„o. PolÌtica Externa

Brasileira: 19461985 (Parte 2); domÌnio e fundamentaÁ„o teÛrica para questıes

discursivas.

Aula 05 A evoluÁ„o desde 1945, principais vertentes e linhas de aÁ„o. PolÌtica Externa

Brasileira: 19852016 (Parte 1); domÌnio e fundamentaÁ„o teÛrica para questıes

discursivas.

Aula 06 A evoluÁ„o desde 1945, principais vertentes e linhas de aÁ„o. PolÌtica Externa

Brasileira: 19852016 (Parte 2); domÌnio e fundamentaÁ„o teÛrica para questıes

discursivas.

MÛdulo 03: RelaÁıes Bilaterais do Brasil

Aula 07 O Brasil e a AmÈrica do Sul

IntegraÁ„o na AmÈrica do Sul;

O MERCOSUL: origens do processo de integraÁ„o no Cone Sul;

Objetivos, caracterÌsticas e est·gio atual de integraÁ„o;

Iniciativa de IntegraÁ„o da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA);

A Uni„o Sul-Americana de NaÁıes: objetivos e estrutura;

O Conselho de Defesa da AmÈrica do Sul; outras iniciativas.

Aula 08 A polÌtica externa argentina: a Argentina e o Brasil.

Aula 09 A polÌtica externa norte-americana e relaÁıes com o Brasil.

Aula 10 RelaÁıes do Brasil com os demais paÌses do hemisfÈrio e relaÁıes do Brasil

com a Europa:

A Uni„o Europeia e o Brasil;

PolÌtica externa alem„ e relaÁıes com o Brasil;

PolÌtica externa francesa e relaÁıes com o Brasil;

PolÌtica externa inglesa e relaÁıes com o Brasil.

Aula 11 RelaÁıes do Brasil com a £frica.

Aula 12 RelaÁıes do Brasil com os BRICs e com a £sia.

Aula 13 RelaÁıes do Brasil com o Oriente MÈdio: a quest„o palestina; Israel; Iraque;

Ir„; SÌria.

Aula 14 RelaÁıes do Brasil com Portugal e a Comunidade dos PaÌses de LÌngua

Portuguesa.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

2 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

MÛdulo 04: Temas e Agendas das RelaÁıes Internacionais do Brasil

Aula 15 Sistema ONU Origens e Carta da ONU.

Aula 16 Sistema ONU EvoluÁ„o e Reforma.

Aula 17 Sistema ONU O Brasil e as NaÁıes Unidas.

Aula 18 Temas e Agendas das RelaÁıes Internacionais do Brasil: diretrizes

tradicionais e novos temas.

Aula 19 O multilateralismo de dimens„o universal: a ONU; as ConferÍncias

Internacionais; os Ûrg„os multilaterais. O Brasil e o sistema interamericano.

Aula 20 Desenvolvimento sustent·vel; pobreza e aÁıes de combate ‡ fome.

Aula 21 Meio ambiente e direitos humanos.

Aula 22 Sistema Multilateral de ComÈrcio; Mecanismos Inter-Regionais; comÈrcio

internacional e OrganizaÁ„o Mundial do ComÈrcio (OMC); sistema financeiro

internacional.

Aula 23 SeguranÁa internacional; desarmamento e n„o proliferaÁ„o; terrorismo;

narcotr·fico; a dimens„o da seguranÁa na polÌtica exterior do Brasil.

Aula 24 O Brasil e a CooperaÁ„o Sul-Sul. O Brasil e as coalizıes internacionais: o G-

20, o IBAS e os BRICs. O Brasil e a formaÁ„o dos blocos econÙmicos.

Aula 25 Novos temas.

MÛdulo 05: Revis„o

Aula 26 Aula ao vivo com revis„o final.

Primeiramente, temos que entender exatamente o que significa polÌtica internacional para o CACD,

porque esse È um tema muito amplo, que pode ter diversos significados. Para efeitos do CACD, existe

uma abordagem diferente da que estamos acostumados. Aqui, polÌtica internacional n„o È sinÙnimo

de relaÁıes internacionais, nem de grandes movimentaÁıes e interaÁıes entre os Estados.

O curso È dividido em quatro grandes ·reas:

Teorias das RelaÁıes Internacionais estudaremos v·rios corpos teÛricos, v·rias tradiÁıes;

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

3 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

PolÌtica Externa Brasileira sob uma perspectiva analÌtica e teÛrica, identificaremos as

principais diretrizes e os grandes temas que, ao longo da histÛria e principalmente apÛs a

Segunda Guerra Mundial, animaram a polÌtica externa brasileira;

RelaÁıes bilaterais do Brasil e IntegraÁ„o Regional veremos n„o apenas os parceiros mais

tradicionais, como Estados Unidos e Argentina, ou os grandes parceiros comerciais, como a

China e os demais paÌses dos BRICs, mas todos os paÌses com que o Brasil tem um

relacionamento significativo;

Temas e agendas internacionais abordaremos as questıes de atualidades e as questıes que

historicamente tÍm definido as pautas e as agendas do Itamaraty.

A Aula 00 È mais focada nos conceitos b·sicos e nas principais teorias, e veremos quais destas tÍm

sido cobradas no concurso teoria realista, teoria liberal, e seus derivados, e a teoria construtivista ,

assim como a teoria da chamada escola inglesa. AlÈm dessas, vamos estudar outras escolas que tÍm

caÌdo na prova em anos recentes. Na ˙ltima prova, por exemplo, foi cobrada a escola de Copenhague,

que È uma escola desconhecida principalmente para quem n„o È da ·rea de RelaÁıes Internacionais.

TambÈm j· houve uma quest„o sobre o Realismo PerifÈrico, de Carlos EscudÈ, que tradicionalmente

n„o tem caÌdo, por ser uma teoria quase circunscrita apenas ‡ Argentina. PorÈm, pelos seus

pressupostos, ela est· alinhada com a diretriz que o novo chanceler e o novo governo tÍm dado para

a polÌtica externa brasileira. Na Aula 01, veremos os principais marcos e debates teÛricos,

basicamente a evoluÁ„o de cada teoria onde surgiu, por que surgiu.

No mÛdulo de PolÌtica Externa Brasileira (MÛdulo 02), a Aula 02 tem uma abordagem teÛrica, em que

veremos os princÌpios e as diretrizes da polÌtica externa brasileira, o que vai nos ajudar a ter todo o

domÌnio e a fundamentaÁ„o teÛrica, tanto para as questıes objetivas quanto para as questıes

discursivas.

Nas aulas 03 e 04, veremos a evoluÁ„o, desde 1945, da ordem que emerge apÛs a Guerra Fria, apÛs

o colapso do sistema bipolar. Veremos as principais vertentes, as linhas de aÁ„o, e como cada

governo delimitou suas polÌticas externas. NÛs vamos ver que existem certos temas recorrentes. Esse

conhecimento histÛrico È sempre importante tambÈm para vocÍ fundamentar as questıes

discursivas.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

4 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Na Aula 05 e na Aula 06, veremos, de 1985 aos dias de hoje, quais foram os temas mais recentes,

desde a democratizaÁ„o, a Nova Rep˙blica, os governos mais recentes, chegando atÈ o governo

Temer.

J· nas relaÁıes bilaterais do Brasil (MÛdulo 03), a Aula 07 ser· apenas sobre as relaÁıes do Brasil com

todos os parceiros da AmÈrica do Sul. Veremos os debates de integraÁ„o na AmÈrica do Sul, o

MERCOSUL, que È muito importante para o Brasil, e o Cone Sul, de modo geral, alÈm de outros itens.

Na Aula 08, daremos enfoque ‡s relaÁıes entre Argentina e Brasil: porque a Argentina È um parceiro

importante, tanto em relaÁ„o ‡s tensıes regionais, ‡s disputas regionais, quanto em relaÁ„o ‡

cooperaÁ„o, ‡ colaboraÁ„o entre os dois atores. Para isso, temos que conhecer as diretrizes da

polÌtica externa brasileira e um pouco, tambÈm, a Teoria do Realismo PerifÈrico, que foi a teoria que

determinou mais ou menos as diretrizes do governo Menem.

Na Aula 09, a mesma atenÁ„o especial vai ser dada ‡ polÌtica externa norte-americana, pois os

Estados Unidos s„o a grande potÍncia internacional, que vÍm se destacando j· desde o pÛs-Segunda

Guerra Mundial. Temos que entender a polÌtica externa norte-americana, as principais diretrizes;

qual foi, historicamente, o relacionamento do Brasil com os Estados Unidos, e qual È a posiÁ„o do

Brasil em relaÁ„o aos Estados Unidos atualmente. Novos debates devem refletir de alguma forma no

conte˙do da prova, como as polÌticas migratÛrias que est„o sendo adotadas por Donald Trump.

Na Aula 10, temos as relaÁıes do Brasil com os demais paÌses do hemisfÈrio ocidental e com a Europa.

Veremos a relaÁ„o do Brasil com a Uni„o Europeia, e um acordo comercial que est· sendo negociado

entre o MERCOSUL e a Uni„o Europeia. Outro tema prov·vel de cair na prova È sobre o ministro JosÈ

Serra, na ·rea comercial. Na Uni„o Europeia veremos as relaÁıes com cada paÌs e tambÈm como os

temas atuais como o Brexit, as eleiÁıes na Alemanha e na FranÁa e o referendo italiano v„o

impactar essas relaÁıes. AlÈm disso, estudaremos a polÌtica externa alem„, como ela tem sido

conduzida, e as relaÁıes da Alemanha com o Brasil. A Alemanha È um importante parceiro polÌtico,

econÙmico e comercial do Brasil desde as duas guerras mundiais. TambÈm veremos a polÌtica externa

francesa e, por fim, a polÌtica externa inglesa.

Na Aula 11, veremos as relaÁıes do Brasil com a £frica, que nos ˙ltimos anos recebeu uma grande

atenÁ„o, devido ‡ diretriz que era adotada pelo MinistÈrio das RelaÁıes Exteriores de priorizar as

relaÁıes sulsul e tambÈm um certo trabalho que vinha sendo feito pelo MinistÈrio no continente

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

5 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

africano, uma sÈrie de parcerias, inclusive do Instituto Rio Branco, da FUNAG, na formaÁ„o de

diplomatas africanos. AlÈm disso, a £frica tem tradicionalmente vÌnculos histÛricos e culturais com o

Brasil e nunca vai sair do foco.

Nas relaÁıes do Brasil com os BRICs (Aula 12), a R˙ssia volta ‡ cena com a emergÍncia de Trump nos

Estados Unidos. R˙ssia, Õndia e China s„o paÌses importantÌssimos. NÛs veremos qual a import‚ncia

dos BRICs e de que modo o Brasil tem se posicionado nos ˙ltimos anos em relaÁ„o ao bloco. TambÈm

veremos a £sia de modo geral, sobretudo os paÌses do Leste Asi·tico, mas tambÈm o Sul Asi·tico,

enfim, os grandes parceiros comerciais e polÌticos do Brasil de um lado a China, que est· nos dois

grupos, e do outro lado alguns dos Tigres Asi·ticos.

Na Aula 13, veremos as relaÁıes do Brasil com o Oriente MÈdio, sempre um tema complexo e difÌcil,

sobre o qual existem muitas discussıes e sempre ocorrem novos fatos. Veremos a polÍmica que

existe entre Palestina e Israel, a posiÁ„o do Brasil e dos principais atores internacionais em relaÁ„o a

isso. Esse tema est· em voga desde 2011 com a Primavera £rabe, com a guerra civil que tem ocorrido,

com o conflito entre as forÁas rebeldes e Assad. Sobre o Ir„, veremos o acordo nuclear que foi feito

durante a gest„o do governo Obama, nos Estados Unidos, junto com outras potÍncias ocidentais, e

que agora talvez seja revertido.

Na Aula 14, temos as relaÁıes do Brasil com Portugal, e voltaremos ‡s nossas raÌzes lusas para

entender de que modo Brasil e Portugal se relacionam no cen·rio de hoje e vÍm se relacionando

desde 1945 e tambÈm com a comunidade dos paÌses de lÌngua portuguesa, que È um bloco baseado

mais no idioma, mas que tem tentado se articular.

O MÛdulo 04 È sobre temas e agendas das relaÁıes internacionais. O Sistema ONU vai receber muita

atenÁ„o, uma vez que o Brasil tem tendÍncia a usar o Sistema ONU como principal meio para realizar

sua polÌtica externa, pois ele valoriza o multilateralismo. Veremos, na Aula 15, as origens da ONU,

quais foram os acontecimentos que suscitaram sua criaÁ„o, como apÛs a Segunda Guerra Mundial e

as preocupaÁıes com a devastaÁ„o causada n„o sÛ no continente europeu, mas em outros do globo

terrestre.

Na Aula 16, veremos a evoluÁ„o e a reforma da ONU. A ONU que surgiu no pÛs-Segunda Guerra

Mundial È muito diferente da ONU que existe hoje. Houve uma mudanÁa n„o sÛ dos temas, das

agendas e dos propÛsitos, mas tambÈm dos atores. Vamos analisar, em um contexto de mudanÁa no

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

6 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Sistema Internacional, de que modo os principais paÌses emergentes, dentre os quais o Brasil, a China

e alguns paÌses que ganham forÁa novamente, como o Jap„o e a R˙ssia, que È um dos grandes lÌderes

e tem um assento no Conselho de SeguranÁa, tÍm algumas crÌticas ao Sistema ONU. Vamos tentar

entender quais s„o as discussıes, as propostas de reforma e como o Brasil se relaciona com isso, j·

que ele tem uma pauta reformista bastante abrangente tambÈm.

Na Aula 17, vamos focar nas relaÁıes histÛricas do Brasil com as NaÁıes Unidas. Veremos toda a

estrutura do Sistema, com uma Ínfase especial em trÍs Ûrg„os: Conselho de Direitos Humanos,

Conselho de SeguranÁa e Assembleia Geral. Nesta, dizem que o Brasil abre, todo ano, discursos como

prÍmio de consolaÁ„o por n„o ter um assento no Conselho de SeguranÁa.

Na Aula 18, veremos quais s„o os temas e as agendas que o Brasil tem priorizado nas suas relaÁıes

internacionais, o que ele tem buscado defender no ‚mbito da ONU e no ‚mbito de outras

organizaÁıes internacionais.

Na Aula 19, veremos o multilateralismo, que È uma das diretrizes do Brasil, e todas as conferÍncias

internacionais, os Ûrg„os multilaterais, e entender o sistema interamericano. Vamos entender o

papel do MERCOSUL e de uma sÈrie de organizaÁıes e movimentos de tentativas de integraÁ„o

regional, seus avanÁos e propostas.

Na Aula 20, j· temos uma ideia de quais s„o algumas das agendas da polÌtica externa brasileira.

Temos o desenvolvimento sustent·vel, a pobreza, as aÁıes de combate ‡ fome, temas que tÍm

pautado a estratÈgia diplom·tica brasileira.

A Aula 21 È especÌfica sobre direitos humanos e meio ambiente, que tambÈm s„o temas

importantÌssimos dentro dessa agenda do Brasil e que vÍm recebendo cada vez mais relev‚ncia,

tanto para a polÌtica externa brasileira quanto para o Sistema Internacional como um todo. Veremos

uma sÈrie de debates que s„o suscitados pelas questıes humanit·rias, sobre tudo que est· sendo

envolvido pelas mudanÁas que est„o ocorrendo no globo. H· o questionamento, por exemplo, do

consenso polÌtico atual sobre as questıes clim·ticas, sobre o meio ambiente, sobre o aquecimento

global. Enfim, questıes que devem estar muito em voga, como as mudanÁas em relaÁ„o ‡s questıes

energÈticas nos Estados Unidos, e que v„o afetar evidentemente os outros atores, porque isso gera

vantagens econÙmicas e comerciais para os Estados Unidos. Os outros atores devem reagir a isso,

cortando, talvez, essas regulaÁıes ou ent„o, se adotarem uma posiÁ„o mais ideolÛgica, tentando

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

7 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

reafirmar a import‚ncia desses sistemas, deixando de lado um pouco seus prÛprios interesses

comerciais e econÙmicos.

Na Aula 22, estudaremos o Sistema Multilateral de ComÈrcio, organizaÁıes como a OMC. Vamos

entender os mecanismos inter-regionais, o papel do MERCOSUL no ‚mbito comercial, o comÈrcio

internacional como um todo. Veremos o sistema financeiro internacional, Bretton Woods e uma sÈrie

de outros temas importantes para que vocÍ entenda e tenha uma vis„o geral da Ordem

Internacional, da arena onde o Brasil e os demais Estados atuam em suas relaÁıes internacionais.

Na Aula 23, veremos questıes de seguranÁa internacional, um tema muito importante, porque nos

˙ltimos dois anos, um dos professores que elaborou as questıes da prova È especialista em

SeguranÁa Internacional, o professor Antonio Jorge. AlÈm disso, uma das pautas da polÌtica externa

brasileira È o desarmamento e n„o proliferaÁ„o. O terrorismo È outro tema que est· sempre em

voga, pelo menos desde 2001, e continua recebendo atenÁ„o. No caso do Brasil e da AmÈrica Latina,

temos tambÈm o narcotr·fico, que È outro tema de bastante relev‚ncia. Recentemente houve a

negociaÁ„o entre o governo colombiano e as FARC, o plebiscito que foi realizado l· e toda a polÍmica

em torno disso, o que pode de algum modo afetar a decis„o dos elaboradores das questıes. TambÈm

temos que entender qual È a dimens„o da seguranÁa em geral e da seguranÁa internacional como

um todo na polÌtica externa brasileira, qual posiÁ„o o Brasil tem adotado historicamente, quais s„o

as diretrizes e os princÌpios que costumam estar presentes na polÌtica externa brasileira.

Na Aula 24, veremos o tema de CooperaÁ„o Sul-Sul, as coalizıes internacionais, o G-20, o IBAS, os

BRICs e tambÈm a postura do Brasil em relaÁ„o ‡ formaÁ„o de blocos econÙmicos. O chanceler JosÈ

Serra tem comentado em seus discursos, por exemplo, sobre a Parceria TranspacÌfico (TPP), que

agora È tema de debate novamente com a saÌda dos Estados Unidos. Existem tambÈm outros mega-

acordos desse tipo que podem influenciar de algum modo as negociaÁıes que est„o sendo feitas

entre Uni„o Europeia e MERCOSUL, por exemplo o acordo entre os Estados Unidos e a Europa, sobre

o qual Trump ainda n„o se manifestou.

A Aula 25 È um pouco aberta, nela nÛs vamos ver todos os temas da atualidade, temas que est„o

emergindo e est„o no centro do debate. TambÈm vamos ver alguns temas com grande probabilidade

de cair na prova, olhando para o histÛrico da prova, porque ela È bem est·vel, h· temas que sempre

caem. No ano passado, por exemplo, uma das questıes dissertativas era sobre as relaÁıes sino-

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

8 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

japonesas, ou seja, as relaÁıes do Jap„o com a China, e muita gente foi pega de surpresa porque

estava com aquela ideia fixa dos temas tradicionais e n„o estava olhando para o que estava

acontecendo no mundo. Essa quest„o me pareceu bastante Ûbvia devido a todos os conflitos que

est„o ocorrendo em torno do mar do Sul da China, a reaÁ„o do Jap„o, que È um forte aliado do Brasil

e de alguns outros paÌses que querem reformar o Conselho de SeguranÁa. A China j· tem um assento

no Conselho de SeguranÁa e tem o poder de vetar os novos membros e vetar, inclusive, a reforma do

Conselho de SeguranÁa e n„o seria interessante para a China, por exemplo, permitir que o Jap„o

consiga que essa reforma seja realizada e garanta um assento.

Por fim, no MÛdulo 05, na Aula 26, nÛs teremos uma aula de revis„o, mais prÛxima da prova para

que vocÍs possam ter o conte˙do fresco na cabeÁa.

Agora entrando propriamente no conte˙do, temos algumas fontes que s„o importantes e ser„o

utilizadas com frequÍncia.

PolÌtica Internacional Fontes Oficiais

Documentos do MRE: material disponÌvel no site oficial do Itamaraty, como discursos, notas

‡ imprensa, declaraÁıes conjuntas e demais comunicados. … a vis„o do Itamaraty sobre os

grandes temas; por exemplo, notas sobre a construÁ„o do muro na fronteira entre os Estados

Unidos e o MÈxico, que mostra, de forma clara, a vis„o do Brasil em relaÁ„o ‡quilo;

declaraÁıes conjuntas, que s„o feitas normalmente apÛs reuniıes entre o Brasil e algum

parceiro bilateral.

Acordos internacionais: principais acordos, tratados, convenÁıes e resoluÁıes da ONU (com

Ínfase na Assembleia Geral, no Conselho de Direitos Humanos e no Conselho de SeguranÁa).

Redes sociais do MRE: temas que est„o recebendo maior atenÁ„o pelo MinistÈrio atualmente.

Mesmo que vocÍ n„o concorde com o MinistÈrio das RelaÁıes Exteriores, È importante compreender

o posicionamento e a vis„o do Brasil em relaÁ„o a todos os temas atuais. TambÈm È necess·rio ter

familiaridade com a letra da lei, dos principais acordos internacionais, por exemplo, os tratados, as

convenÁıes, as resoluÁıes e a carta da ONU.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

9 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

PolÌtica Internacional Fontes JornalÌsticas

Internacional:

Stratfor È um site mais de an·lise, tem conte˙do pago e gratuito.

Foreign Affairs È um periÛdico do Council on Foreign Relations, um dos grandes think

tanks de RelaÁıes Internacionais, um dos grandes atores internos que determinam a

polÌtica externa n„o sÛ dos Estados Unidos como de outros paÌses. Esse periÛdico n„o

tem dado uma atenÁ„o t„o grande para a polÌtica externa brasileira, mas tem um

grande papel influenciando o pensamento dos nossos diplomatas. J· houve debates

sobre o Brasil, sobre os BRICs e sobre outros temas concernentes ‡ nossa polÌtica

externa. Presidentes brasileiros j· publicaram artigos nessa revista, como o J‚nio

Quadros, que apresentou as diretrizes da sua polÌtica externa.

Foreign Policy tem um car·ter acadÍmico e analÌtico, de tentar influenciar os rumos

das relaÁıes internacionais e da polÌtica externa de v·rios paÌses.

Spectator diverge um pouco da vis„o dos outros veÌculos.

etc.

Nacional:

Senso Incomum site com viÈs mais conservador, destoando do restante da mÌdia,

apresenta opiniıes contrastantes com o MinistÈrio das RelaÁıes Exteriores.

Xadrez Verbal È um podcast que tem uma linha diferente do Senso Incomum, mas

tambÈm È uma boa fonte de informaÁ„o. Tem convidados da ·rea de RelaÁıes

Internacionais que explicam conceitos em uma linguagem que o p˙blico leigo possa

compreender.

Oliver Stuenkel e Matias Spektor dois articulistas da nova geraÁ„o de estudiosos das

RelaÁıes Internacionais no Brasil que tÍm presenÁa na mÌdia.

Embaixador Rubens Barbosa tem uma vis„o prÛxima do atual governo e do atual

chanceler. Publica artigos bastante detalhados e densos, que d„o uma noÁ„o e, talvez,

as justificativas, diretrizes e opiniıes da posiÁ„o e das polÌticas adotadas pelo novo

governo. Vale a pena acompanhar suas colunas no Estado de S. Paulo.

AtenÁ„o: tomar muito cuidado com fontes jornalÌsticas, pois mesmo os grandes veÌculos s„o

formados por ideologias que n„o s„o necessariamente as do governo.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

10 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

PolÌtica Internacional Fontes AcadÍmicas

Bibliografia b·sica do curso:

Nogueira, Jo„o Pontes & Messari, Nizar. Teoria das RelaÁıes Internacionais

Correntes e Debates. Rio de Janeiro, Elsevier, 2005 È o livro que eu prefiro e parece

que a banca tambÈm prefere para fazer as questıes sobre Teoria das RelaÁıes

Internacionais.

Burchill et al. Theories of International Relations. London, Palgrave, 2005 È o meu

livro preferido de Teoria das RelaÁıes Internacionais pela riqueza da abordagem e

pelo nÌvel de detalhe.

Cervo, Amado & Bueno, Clodoaldo. HistÛria da PolÌtica Exterior do Brasil. BrasÌlia,

Editora UnB, 2002 È um livro essencial sobre polÌtica externa que tem influenciado

==bf80b==

historicamente o Itamaraty e o Instituto Rio Branco.

Weiss, Thomas et al. The United Nations and Changing World Politics. Third Edition,

Westview Press, 2001 È um livro central que apresenta de forma muito detalhada

todo o Sistema ONU, a evoluÁ„o, os debates que tÍm sido feitos e a busca de uma

reforma dentro dessa organizaÁ„o internacional que È a principal e a mais importante.

Herz, MÙnica & Hoffmann, Andrea. OrganizaÁıes Internacionais, HistÛria e Pr·ticas.

Rio de Janeiro, Elsevier, 2004 È tambÈm um livro interessante porque complementa

o livro do Thomas Weiss. Tem uma abordagem um pouco mais abrangente, n„o se

limita ‡ ONU, fala sobre outras organizaÁıes internacionais e tem algumas questıes

teÛricas sobre o papel dessas organizaÁıes nas RelaÁıes Internacionais e tambÈm

uma vis„o sobre o posicionamento do Brasil em relaÁ„o a isso.

Seitenfus, Ricardo. Manual das OrganizaÁıes Internacionais. Porto Alegre, Livraria do

Advogado Ed., 2005.

Bibliografia especÌfica de cada aula.

PeriÛdicos que costumam influenciar o MRE:

RBPI Revista Brasileira de PolÌtica Internacional.

PolÌtica Externa.

Foreign Affairs.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

11 de 34

• Think Tanks: PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe

Think Tanks:

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

CFR Council on Foreign Relations.

IBRI publica a Revista Brasileira de PolÌtica Internacional.

CEBRI.

NUPRI.

Banca de PolÌtica Internacional do CACD

Professores respons·veis pela prova de PI em 2016:

Embaixador TarcÌsio Costa

Atual diretor do Departamento de AmÈrica do Sul Setentrional e Ocidental;

Professor de Pensamento Diplom·tico Brasileiro no IRBr;

Mestre e PhD em Teoria PolÌtica (Cambridge).

Professor Antonio Jorge

Especialidade: SeguranÁa Internacional, Defesa Nacional e PolÌtica Externa dos

Estados Unidos;

Livro: RelaÁıes Internacionais: Teorias e Agendas;

Foi diretor do Instituto Pandi· CalÛgeras e tem uma aproximaÁ„o com os temas de

defesa na Unasul.

Teoria das RelaÁıes Internacionais

DefiniÁ„o

さAゲ デWラrias das RelaÁıes Internacionais tÍm a finalidade de formular mÈtodos e

conceitos que permitam compreender a natureza e o funcionamento do Sistema

Internacional, bem como explicar os fenÙmenos mais importantes que moldam a

polÌtica mundial.ざ ふMWゲゲ;ヴキ W Nラェueira)

De modo bastante abrangente, relaÁıes internacionais s„o todas as relaÁıes entre os atores

internacionais e para entender o conceito de atores internacionais, precisamos justamente das

teorias. Existe uma divergÍncia entre as tradiÁıes teÛricas sobre o que È um ator e sobre o que n„o

È um ator, ent„o existem diferentes Ínfases e diferentes abordagens.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

12 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Na definiÁ„o de Teoria das RelaÁıes Internacionais, temos mÈtodos e conceitos. O primeiro se refere

‡ ideia de saber a metodologia correta, ou seja, a abordagem correta para estudar o objeto. … uma

quest„o de epistemologia, de filosofia da ciÍncia e um debate atÈ metateÛrico. Por sua vez, os

conceitos se referem aos principais conceitos de cada teoria. Por exemplo, o que È um ator; o que

constitui e caracteriza o Sistema Internacional; como se d„o as relaÁıes internacionais; qual È a lÛgica

por tr·s dessas relaÁıes; e as aÁıes e escolhas de cada um dos atores, com Ínfase tanto em Estados

quanto em organizaÁıes internacionais e outros atores, dependendo da teoria.

A definiÁ„o do Messari e do Nogueira, que s„o os autores do primeiro livro da recomendaÁ„o da

bibliografia b·sica, È bem resumida, mas È uma definiÁ„o que d· uma noÁ„o do que nÛs vamos

encontrar nessa quest„o teÛrica das RelaÁıes Internacionais.

Principais Conceitos

Sistema Internacional È um conceito-chave sobre o qual h· um consenso de que ele È an·rquico.

Anarquia aqui n„o significa caos ou desordem, mas apenas que n„o existe uma autoridade acima dos

Estados. Entretanto, existem diversas tentativas de criar uma ordem internacional para restringir as

aÁıes dos Estados, como alguns teÛricos que falam sobre a criaÁ„o de um governo mundial, ou sobre

mecanismos de governanÁa global para restringir tanto quanto possÌvel o que eles consideram um

elemento de conflito entre os atores internacionais, principalmente os Estados nacionais.

O fato È que anarquia È o estado de natureza do Sistema Internacional, de uma forma an·loga ‡

situaÁ„o descrita por Thomas Hobbes o estado de natureza, que È o estado anterior ao contrato

social e ‡ emergÍncia do Estado. … caracterizado por um estado de guerra de todos contra todos, em

ケ┌W さラ エラマWマ Y ラ ノラHラ Sラ エラマWマざ W W┝キゲデW ┌マ ;マHキWミデW SW SWゲIラミaキ;ミN;が ラミSW デラSラゲ Wゲデ?ラ

tentando sobreviver e, ao mesmo tempo, aumentar o seu poder e os seus ganhos. Isso gera um

conflito, que leva ‡ tendÍncia de conflito generalizado.

Cada teoria enxerga isso de modo diferente. No caso do Construtivismo, h· uma abordagem

interessante, que fala de culturas do conceito an·rquico, ent„o tem essa cultura hobbesiana, que È

a principal e est· mais relacionada com o Realismo. A estrutura e cultura kantiana, ou talvez antes

lockiana, est· mais prÛxima ao Liberalismo e tem uma vis„o diferente da do Locke de que h· de fato

uma concorrÍncia e competiÁ„o mais diferente do estado de natureza do Hobbes. H· uma

concorrÍncia similar ‡quela que ocorre no mercado, ent„o acontecem disputas que n„o

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

13 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

necessariamente levar„o sempre ao conflito. Este pode ser mitigado, a cooperaÁ„o È uma saÌda que

sempre ser· favor·vel, benÈfica e preferÌvel. Existe tambÈm o conceito kantiano, que È o conceito

da cooperaÁ„o e da ideia de ordem. No livro do Kant A Paz PerpÈtua, h· a ideia de que È possÌvel

criar uma ordem e uma sociedade internacional que seja regrada e tenha atÈ o car·ter de um

governo, ent„o que possa ordenar o sistema an·rquico.

Outra caracterÌstica bastante interessante que distingue as abordagens teÛricas È que o sistema

an·rquico, no caso do Realismo, È inerente ao sistema, È inevit·vel e inescap·vel. N„o h· meios de

impor uma ordem definida, porque os Estados s„o soberanos e, por definiÁ„o, pela busca pela

sobrevivÍncia, n„o pode haver nenhum tipo de autoridade acima deles. Os Estados sÛ v„o, mesmo

com os organismos internacionais, observar as regras quando elas est„o de acordo com os interesses

nacionais e quando eles est„o de acordo com a busca pelo poder e pela sobrevivÍncia.

Ent„o, para o Realismo, a anarquia È inerente e inevit·vel; para o Liberalismo, a anarquia tambÈm È

algo quase inevit·vel, mas tambÈm tem a ideia de que se pode mitig·-la por meio da cooperaÁ„o e

por meio do fomento de certas ideias e valores. Temos, por exemplo, a import‚ncia da democracia

e do comÈrcio, j· que os liberais costumam subscrever as teorias de que paÌses que comercializam

uns com os outros ou que possuem regimes democr·ticos n„o entram em conflito uns com os outros.

Eles dizem que duas democracias n„o entram em conflito e tendem a defender que n„o se encontram

exemplos histÛricos nem atuais de conflitos entre dois Estados que s„o governados por regimes

democr·ticos. E tambÈm que o comÈrcio entre dois paÌses dificulta e provavelmente atÈ acaba com

as chances de que ocorra um conflito, ent„o essa È uma abordagem diferente da abordagem realista.

Por fim o Construtivismo, que tem uma an·lise bastante interessante do conceito de anarquia, pois

se baseia nas teorias como a de Piaget e de Wittgenstein, que tem tanto uma base sociolÛgica quanto

uma base linguÌstica, de que os conceitos e os objetos das ciÍncias, sobretudo das CiÍncias Sociais,

n„o podem ser naturalizados porque eles s„o construÌdos socialmente, numa interaÁ„o entre os

atores e inclusive com os conceitos que s„o elaborados. A teoria tem um papel importante, porque

ela prÛpria acaba influenciando a realidade e delimitando o modo como esta È enxergada e, de algum

modo, como È construÌda.

Portanto, para eles, o conceito de anarquia no Sistema Internacional È um sistema construÌdo, para

usar a palavra do Alexander Wendt, que È o principal teÛrico dessa escola. A anarquia È aquilo que

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

14 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

os Estados fazem dela, È fruto da interaÁ„o entre os Estados, de escolha entre os Estados, de

ideologias etc. O Sistema Internacional È a arena onde ocorrem as interaÁıes, as relaÁıes

internacionais. Os Estados nacionais s„o atores que tÍm um certo destaque, mas algumas teorias j·

incluem tambÈm como atores internacionais organizaÁıes internacionais, ONGs, organizaÁıes

criminais, empresas, organizaÁıes terroristas, igrejas, instituiÁıes religiosas.

Dentro do Sistema Internacional, dependendo da teoria, nÛs veremos que existem diferentes visıes

e abordagens tambÈm dos elementos constitutivos do Sistema Internacional, ou seja, das forÁas que

existem que impactam a aÁ„o dos Estados. Existe a ideia de forÁas profundas, que nÛs n„o veremos

muito em detalhe, mas para dar uma ideia, por exemplo, s„o os fatores demogr·ficos, geogr·ficos e

econÙmicos que fazem parte desse Sistema Internacional e que afetam tanto as relaÁıes bilaterais

quanto as relaÁıes multilaterais.

Soberania Estatal È um conceito mais conhecido, eu imagino que vocÍ tenha uma noÁ„o pelo menos

vaga do que seja. Aqui n„o nos interessa tanto o conceito jurÌdico de soberania estatal, embora ele

seja utilizado e seja cada vez mais parte dessas teorias, mas vamos ver que tambÈm existe uma

pequena divergÍncia. Alguns adotam a definiÁ„o puramente jurÌdica, ou seja, È preciso cumprir todos

aqueles critÈrios da definiÁ„o jurÌdica de soberania estatal, e outros adotam uma definiÁ„o mais

polÌtica, ou seja, tentar distinguir entre uma soberania de j˙ri, no caso por direito, e uma soberania

de fato.

Ent„o, uma das noÁıes de soberania È a dos realistas, que falam de Estados que, embora n„o sejam

reconhecidos por outros Estados como um Estado soberano, mas que possuem um controle de fato

sobre um determinado territÛrio e n„o h· nenhuma disputa desse status de dominador sobre aquele

territÛrio. Outro conceito, mais prÛprio das RelaÁıes Internacionais e da CiÍncia PolÌtica, È o de que

soberania È o uso legÌtimo da forÁa, mas de forma centrada na m„o de uma autoridade ou de uma

unidade, ou seja, daquilo que chamamos Estado. No caso do Brasil, por exemplo, o uso legÌtimo da

forÁa sÛ pode ser utilizado pelo Estado brasileiro, que È soberano. Temos, por exemplo, a forÁa de

polÌcia, as ForÁas Armadas, enfim, uma sÈrie de elementos que ajudam a reforÁar o controle do nosso

territÛrio e que permitem que o Estado tenha o monopÛlio do uso legÌtimo da forÁa.

O fato de os Estados serem soberanos sempre aparece nas teorias, seja para dizer, como no caso do

Realismo e do Liberalismo, que eles s„o os principais atores ou que possuem determinadas

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

15 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

caracterÌsticas. No caso do Realismo, por exemplo, os Estados s„o como se fossem bolas de bilhar,

s„o unidades fechadas, pouco importa o que est· se passando na polÌtica interna, porque quando o

Estado vai para a aÁ„o externa (internacional), aquilo pouco influencia. No Liberalismo, existe uma

vis„o diferente, de que a polÌtica interna, inclusive o elemento democr·tico, pode influenciar a forma

como a polÌtica externa È feita, ent„o o conceito de soberania È importante. Voltaremos a esses

conceitos com mais profundidade depois, conforme formos vendo cada teoria e cada tradiÁ„o

teÛrica.

Atores internacionais, como eu j· falei, s„o os agentes, as unidades, os sujeitos que possuem

capacidade de aÁ„o. Mas atenÁ„o com a palavra sujeitos, pois ela pode ser um conceito do Direito

Internacional P˙blico ou um conceito polÌtico. Aqui interessa saber quem tem capacidade de agir no

‚mbito internacional, quem pode influenciar e se relacionar com outros entes.

Quando vocÍ olha, por exemplo, o nome da disciplina, Teoria das RelaÁıes Internacionais,

internacionais aponta para as relaÁıes entre naÁıes, mas hoje existem escolas que desafiam essa

noÁ„o de que essas relaÁıes ocorrem apenas entre naÁıes. Alguns indivÌduos tambÈm influenciam

as relaÁıes internacionais, como, por exemplo, George Soros, ou grupos de bilion·rios, fundaÁıes

internacionais financiadas por bilion·rios, ou mesmo organismos internacionais, instituiÁıes como a

Igreja CatÛlica, que tÍm a capacidade de influenciar e que n„o podem ser corretamente definidos

como um Estado.

Os nÌveis de an·lise s„o diferentes abordagens usadas para compreender um determinado assunto

dependendo do momento e do objeto. Temos a an·lise global, em que interessa analisar todo o

Sistema Internacional, sua estrutura, as forÁas e os elementos que influenciam a polÌtica externa dos

paÌses e a interaÁ„o entre esses Estados no ‚mbito das relaÁıes internacionais. Para compreender,

por exemplo, o comportamento de um determinado Estado, vocÍ adota um nÌvel estatal; para

compreender relaÁıes bilaterais de uma determinada regi„o, vocÍ adota o regional.

DiferenÁa entre Sistema Internacional e Ordem Internacional

… comum confundir Sistema Internacional com Ordem Internacional. Sistema Internacional È

conceito polÌtico, que n„o leva tanto em consideraÁ„o o fator jurÌdico. Ordem Internacional È

conceito jurÌdico.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

16 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

O Sistema Internacional tem uma lÛgica do poder, ent„o sempre leva em conta as relaÁıes de poder,

as disputas pelo poder, a cooperaÁ„o, enfim, aquilo que ocorre no ‚mbito da disputa pelo poder, na

cooperaÁ„o entre os atores, mas sempre tendo em vista elementos factuais e n„o elementos

normativos, que È o que aparece com mais Ínfase na Ordem Internacional.

No Sistema Internacional, temos o conceito de balanÁa de poder, por exemplo, que È um dos

conceitos mais centrais e mais antigos das RelaÁıes Internacionais. E tambÈm o sistema multipolar,

bipolar e unipolar, enfim, uma variedade de arranjos que fazem parte dessa ideia de balanÁa de

poder, que È calcular e equalizar as forÁas que est„o em jogo.

Temos os atores internacionais, que, como vimos, s„o diferentes de sujeitos internacionais, s„o

atores polÌticos que tÍm capacidade de agÍncia e que podem agir na disputa pelo poder. O sujeito

de Direito Internacional aqui na verdade aparece mais como sujeito que pode adquirir tanto

obrigaÁıes quanto direitos no ‚mbito de Direito Internacional P˙blico, ent„o mais prÛximo ao

conceito tradicional de sujeito do Direito, mas com foco no ‚mbito internacional.

Os atores, ent„o, s„o aqueles que podem agir na disputa de poder e importa muito pouco o elemento

normativo e jurÌdico. As suas obrigaÁıes e os seus deveres importam muito mais, aquilo que È feito

efetivamente nas disputas geopolÌticas e pelo poder. Por exemplo, a ideia de que a guerra, n„o sÛ a

guerra justa, que aparece principalmente dentro dessa ideia de Ordem Internacional, mas a guerra

como um todo È um recurso v·lido para os atores, porque em ˙ltima inst‚ncia eles s„o orientados

pela lÛgica da sobrevivÍncia, da ampliaÁ„o do seu poder. Ent„o aqui interessa muito mais essa ideia

polÌtica do jogo de poder do que a ideia de deveres e obrigaÁıes que temos quando falamos em

sujeitos do Direito Internacional.

TambÈm a lÛgica legal e normativa da Ordem Internacional ajuda a compreender muito bem como

uma coisa se relaciona com a outra, porque o Sistema Internacional È onde est· se desenrolando a

realidade das relaÁıes internacionais, È onde se tem os principais movimentos, as principais relaÁıes

e acontecimentos livres de elementos normativos. N„o se leva tanto em consideraÁ„o fatores de

como essas relaÁıes devem ocorrer, mas simplesmente como elas ocorrem de fato.

Nessa lÛgica jurÌdica e normativa, temos um pouco a ideia de como essas relaÁıes devem se dar, a

ideia de tentar colocar normas para restringir as possibilidades de aÁ„o dos Estados que est„o

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

17 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

interagindo. De um lado, temos a realidade do que est· ocorrendo, e do outro lado, temos o Direito

tentando lanÁar elementos normativos de como essa realidade deveria ocorrer.

… nesse ‚mbito mais normativo que temos a emergÍncia de organizaÁıes internacionais, como a

ONU, os regimes internacionais que v„o pautar uma sÈrie de assuntos, os organismos internacionais

e

o prÛprio Direito Internacional, enfim, todos esses elementos normativos que v„o tentar restringir

e

normalizar.

H· uma polÍmica que eu pretendo discutir mais tarde, que È a ideia de que muitas pessoas partem

do pressuposto de que ter essa normatividade e organizaÁ„o do Sistema Internacional È algo

necessariamente bom. Mas uma coisa que fica sempre fora desse debate È quem organiza, como

organiza, de onde est„o vindo as principais diretrizes, e aÌ entra talvez um debate, que È a ideia do

globalismo.

O

globalismo È uma tendÍncia e um desejo de fortalecer t„o intensamente os regimes internacionais

e

as organizaÁıes internacionais que se tem o que È chamado de governanÁa global. E dentro dessa

ideia de governanÁa global, existe quase um governo mundial delimitando como os atores

internacionais, no caso principalmente os Estados, podem e devem agir.

No Sistema Internacional, temos o conceito de polaridade que est· ligado ‡ balanÁa de poder ,

em que temos unipolaridade, bipolaridade e multipolaridade. Unipolaridade È ter um grande poder

hegemÙnico dominando todos os demais, quase como um impÈrio. Um grande exemplo disso È o

ImpÈrio Romano, e em alguns casos h· quem cite o ImpÈrio Brit‚nico, mas existe uma divergÍncia

em torno disso.

Bipolaridade, cujo exemplo cl·ssico È a Guerra Fria, entre Uni„o SoviÈtica e Estados Unidos,

basicamente È como a balanÁa de poder est· sendo equilibrada por essas duas forÁas. Depois

veremos essas questıes com mais detalhe tambÈm, sobre como a balanÁa bipolar leva a um

equilÌbrio ou n„o. Alguns teÛricos dizem que esse equilÌbrio È o melhor possÌvel porque evita

conflitos, vai acontecer no m·ximo uma guerra fria, mas n„o guerras quentes de fato, que possam

levar ‡ destruiÁ„o total, ou uma guerra pelo menos generalizada do tipo que ocorreu na Primeira e

na Segunda Guerra Mundial.

Multipolaridade, cujo exemplo cl·ssico È o prÈ-Primeira Guerra Mundial e tambÈm o perÌodo entre

a Primeira e a Segunda Guerra, È a ideia de v·rias potÍncias, v·rias forÁas mais ou menos equalizadas

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

18 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

em termos de poder, sem nenhum Estado com excedente de poder muito grande, que se sobressaia

aos demais. Ent„o existe uma tendÍncia ao conflito, como ocorreu na Primeira e na Segunda Guerra

Mundial, que È o que alguns teÛricos defendem.

Ent„o, para fazer a distinÁ„o quando estamos falando de Sistema Internacional e quando estamos

falando de polÌtica, usamos a express„o unipolar, bipolar, multipolar, e seus derivados. Temos o

conceito de uni e multipolar tambÈm, que È a ideia de que, por exemplo, embora os Estados Unidos

sejam insuper·veis no ‚mbito militar e comercial, j· aparecem atores que v„o fazendo frente. Ent„o

h· uma multipolaridade no ‚mbito internacional e uma unipolaridade no ‚mbito militar, ou o

contr·rio, uma unipolaridade no ‚mbito econÙmico e uma multipolaridade no ‚mbito militar. Por

b

hora o que vocÍ precisa saber È sÛ que isso est· ligado ‡ ideia de polÌtica e n„o de direitos.

Na Ordem Internacional, h· a ideia de lateralidade, que tambÈm segue os mesmos prefixos,

unilateralidade, bilateralidade e plurilateralidade, que tem a ver com, digamos assim, os meios em

que as regras e normas s„o estabelecidas.

Existe o costume, por exemplo, dos Estados, que pode ser definido tanto de modo unilateral, porque

a tradiÁ„o de um Estado pode ter sido aceita de forma t·cita, por outra. Pode-se ter a bilateralidade,

que seriam os acordos bilaterais, acordos de comÈrcio, acordos militares, de cooperaÁ„o militar e de

cooperaÁ„o energÈtica, e uma sÈrie de outras coisas. E a ideia de plurilateralidade, em que se tem as

inst‚ncias plurilaterais, envolvendo v·rios Estados, v·rios sujeitos do Direito Internacional P˙blico,

v·rios sujeitos da Ordem Internacional.

H· casos em que a maioria dos sujeitos ou todos os sujeitos reconhecidos por essa Ordem

Internacional est„o envolvidos, como È o caso do sistema ONU; ou casos em que um grupo grande

de sujeitos est„o envolvidos, que È a ideia do pluri.

Sistema Internacional

Conceito polÌtico

LÛgica do poder

Atores internacionais

Polaridade (Uni/Bi/Multi)

Ordem Internacional

Conceito jurÌdico

LÛgica legal-normativa

Sujeitos do Direito Internacional

Lateralidade (Uni/Bi/Pluri)

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

19 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Vamos agora prestar atenÁ„o mais especificamente nas Teorias das RelaÁıes Internacionais. Vamos

comeÁar por alguns dos principais elementos das Teorias das RelaÁıes Internacionais. A primeira

caracterÌstica que chama a atenÁ„o È a diversidade de abordagens. Como vimos anteriormente, n„o

h· uma ˙nica escola, uma ˙nica tradiÁ„o teÛrica. Existem v·rias tradiÁıes, v·rias escolas. Vamos ver

alguns elementos que podem ajudar a distingui-las.

Variedade de abordagens teÛricas

Existem teorias explanatÛrias e teorias constitutivas. Como vocÍ se lembra, nÛs falamos sobre o

Construtivismo. Ele parte do pressuposto de que as teorias influenciam tambÈm a realidade, ou seja,

as teorias influenciariam o objeto estudado.

f

Essa divis„o (explanatÛrias e constitutivas) nos ajuda a lanÁar luz sobre essa ideia, porque fica mais

f·cil perceber o contraste em relaÁ„o a teorias como Realismo e Liberalismo, que s„o teorias

explanatÛrias, ou seja, tÍm por finalidade compreender a natureza das relaÁıes internacionais de

modo objetivo. A ideia n„o È, portanto, serem teorias com elementos normativos, embora, de acordo

com a minha vis„o e de v·rios crÌticos, o Liberalismo n„o se enquadre bem nessa categorizaÁ„o. Essa

È a classificaÁ„o tradicional, porque ele tem o elemento positivista das ciÍncias: a ideia, derivada das

CiÍncias Exatas, de que È possÌvel compreender a natureza, nesse caso, a natureza das RelaÁıes

Internacionais. A ideia È a de que È possÌvel identificar processos constantes, que se repetem, e, a

partir disso, realizar previsıes, antecipar movimentos e acontecimentos. Ent„o, tanto o Realismo

quanto o Liberalismo se enquadram na categoria das teorias explanatÛrias.

O foco, por enquanto, È apenas nestas trÍs teorias: Realismo, Liberalismo e Construtivismo, que se

enquadra na categoria das teorias constitutivas.

Teorias buscam explicar as leis da polÌtica internacional, os padrıes recorrentes na interaÁ„o entre as naÁıes e no comportamento dos Estados (Waltz);

Teorias buscam explicar e prever o comportamento dos atores internacionais (Hollis e Smith, 1990);

Teorias s„o tradiÁıes de pensamento sobre as relaÁıes entre Estados, com Ínfase na disputa pelo poder, a natureza do Sistema Internacional e a possibilidade da organizaÁ„o mundial (Wight, 1991);

TWラヴキ;ゲ ゲ?ラ ┌デキノキ┣;S;ゲ ヮ;ヴ; キミaラヴマ;ヴ W WゲIノ;ヴWIWヴ IラミIWキデラゲ Iラマラ ラ S; さH;ノ;ミN; SW ヮラSWヴざ (Butterfield e Wight, 1966);

Teorias criticam as formas de dominaÁ„o e as perspectivas socialmente construÌdas que s„o utilizadas como ferramenta de domÌnio (Teoria CrÌtica).

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

20 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Uマ; ヮWヴェ┌ミデ; ケ┌W Iラゲデ┌マ; ゲ┌ヴェキヴ Wマ ヴWノ;N?ラ ; WゲIラノ;ゲ W デヴ;SキNロWゲ デWルヴキI;ゲ Yぎ さA ケ┌;ノ デヴ;SキN?ラ デWルヴキI;

ラ MキミキゲデYヴキラ S;ゲ RWノ;NロWゲ E┝デWヴキラヴWゲ ゲ┌HゲIヴW┗Wいざ O MキミキゲデYヴキラ S;ゲ RWノ;NロWゲ E┝デWヴキラヴWゲ Y ノキHWヴ;ノい É

construtivista?

Se vocÍ ainda n„o sabe, vai aprender que o MinistÈrio das RelaÁıes Exteriores n„o subscreve de

modo integral a nenhuma dessas teorias. Ele È orientado por conceitos de diversas tradiÁıes teÛricas.

No que as teorias divergem?

Objeto de estudo;

Questıes Èticas;

Atores dominantes;

RelaÁıes dominantes;

Epistemologia.

8

Objeto de estudo

Por incrÌvel que pareÁa, n„o h· um consenso sobre qual È o objeto de estudo das teorias das RelaÁıes

Internacionais. Algumas teorias tentam delimitar o espaÁo das relaÁıes internacionais apenas nas

relaÁıes de guerra e paz, nos conflitos, na disputa de poder como um todo. Outras teorias delimitam

o espaÁo das relaÁıes internacionais quase exclusivamente aos atores estatais, ignorando atores que

outras teorias afirmam serem relevantes.

Questıes Èticas

Qual È o papel da moral e Ètica no ‚mbito das RelaÁıes Internacionais? Novamente, h· grande

divergÍncia entre as teorias em relaÁ„o a essa quest„o.

O Realismo, por exemplo, afirma que a polÌtica e a polÌtica internacional seguem uma lÛgica e uma

moral prÛprias. De acordo com essa vis„o, n„o È possÌvel julgar um Estado da mesma forma que se

julgaria um indivÌduo. A arena internacional segue uma moral diferente, a lÛgica do poder.

O Realismo remete ‡s ideias de Maquiavel, que, como sabemos, n„o deixa de ter uma abordagem

Ètica, uma ideia de como as coisas devem ser. A filosofia de Maquiavel n„o traz exatamente uma

neutralidade moral, mas, sim, uma preferÍncia por certos mÈtodos utilitaristas com a finalidade de

maximizar os ganhos.

O Liberalismo traz alguns valores para as relaÁıes internacionais. Os valores democr·ticos s„o muito

importantes.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

21 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

O Construtivismo acredita que os valores s„o conceitos socialmente construÌdos que influenciam o

sistema das relaÁıes internacionais. As questıes Èticas, portanto, s„o centrais para o Construtivismo

e praticamente irrelevantes para o Realismo.

Atores dominantes

A teoria Realista d· Ínfase quase exclusiva ao papel dos Estados nacionais. O Liberalismo inclui outros

atores, como organizaÁıes internacionais. Algumas pessoas incluem tambÈm indivÌduos, instituiÁıes

religiosas.

H·, portanto, grande variaÁ„o entre as teorias em relaÁ„o aos principais atores relevantes para elas.

0

RelaÁıes dominantes

Para o Realismo, as relaÁıes dominantes s„o as relaÁıes de poder. Basicamente se d· no ‚mbito

militar, os chamados recursos duros. A ideia central do Realismo È do jogo de soma zero na disputa

por recursos escassos.

O Liberalismo lida muito mais com a ideia de cooperaÁ„o entre os Estados. Para o Construtivismo, as

relaÁıes dominantes s„o determinadas pela interaÁ„o entre os prÛprios agentes. Nada no

Construtivismo ser· perpÈtuo, inerente e perene, tudo ser· construÌdo a partir dos contatos e das

relaÁıes entre os prÛprios atores e suas caracterÌsticas.

Epistemologia

Como dissemos, as teorias se dividem em dois eixos principais. Existem as teorias explanatÛrias e as

constitutivas. Estas tÍm car·ter mais normativo, e aquelas tÍm car·ter explicativo.

Realismo

Antecedentes: TucÌdides (balanÁa de poder), Maquiavel (moral prÛpria), Hobbes (anarquia),

tragÈdia grega (ambiÁ„o, medo, h˙bris)

TradiÁ„o mais influente das RelaÁıes Internacionais

Conceitos centrais:

Estados soberanos s„o os atores essenciais;

Busca permanente por sobrevivÍncia, poder e hegemonia;

Moral, valores e ideologia s„o irrelevantes;

Jogo de soma zero;

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

22 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

DistinÁ„o entre polÌtica interna e externa;

Dilema de seguranÁa.

Estamos usando a express„o Realismo, que È um termo correto e pode inclusive ser usado na hora

da prova, mas TradiÁ„o Realista È mais rico porque expressa a ideia de que È formado por diferentes

vertentes.

Os antecedentes dessa tradiÁ„o datam do historiador grego da Guerra do Peloponeso (TucÌdides).

Nesse livro de TucÌdides, surge a ideia de BalanÁa do Poder, que È basicamente a forma como o poder

se equilibra no Sistema Internacional dentro de uma determinada regi„o ou, mais amplamente, no

Sistema Internacional de modo geral, como um sistema global.

b

Outro antecedente do Realismo È Maquiavel, que contribuiu com a ideia de que existe uma moral

prÛpria, uma lÛgica prÛpria da polÌtica internacional. Outro nome que pode entrar aqui È o de Weber,

que vocÍ provavelmente conhece das aulas de Sociologia. Ele traz a ideia da distinÁ„o entre uma

Ètica de princÌpios ou seja, uma Ètica moralista que tem como base princÌpios fixos, gerais e

abstratos e uma Ètica de responsabilidade e de consequÍncias. Ou seja, o guia n„o s„o os princÌpios

que podem levar a um certo idealismo, mas um c·lculo estratÈgico feito momento a momento,

situaÁ„o a situaÁ„o. Essa È uma ideia do Realismo, que os Estados n„o devem se guiar sempre pelo

ideal da paz, pelo ideal do comÈrcio internacional, pelo ideal da democracia. Uma das grandes crÌticas

da Escola Realista ‡ Escola Liberal (chamada de Escola Idealista pelos Realistas) È a tendÍncia da

Escola Liberal de idealizar a paz.

Esses debates comeÁam a surgir de forma mais acentuada durante o perÌodo entre guerras. ApÛs a

Primeira Guerra Mundial e o comeÁo da Segunda Guerra Mundial, a crÌtica È justamente essa. A ideia

de que a Alemanha pÙde se tornar um poder expansionista foi justamente o ideal de polÌticos como

o primeiro ministro brit‚nico Chamberlain, que tinha um ideal de paz absoluto e abstrato que n„o o

ヮWヴマキデキ; ;IWキデ;ヴ ; キSWキ; SW ケ┌W SW┗Wヴキ; Wミデヴ;ヴ Wマ Iラミaノキデラが さIラヴデ;ヴ ラ マ;ノ ヮWノ; ヴ;キ┣ざく O ゲ┌IWゲゲラヴ SW

Chamberlain foi Winston Churchil, que pode ser considerado um realista. Churchil, um conservador,

fez uma alianÁa com Stalin, um extremista totalit·rio. Ambos tinham uma vis„o realista das relaÁıes

internacionais, n„o uma vis„o baseada em princÌpios morais. Eles entenderam que a forma de parar

um poder expansionista e assegurar sua sobrevivÍncia era justamente adotando medidas que, talvez

no ‚mbito da moral privada, pudessem ser condenadas, como a guerra, o conflito.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

23 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Outro pensador com influÍncia no pensamento realista È Hobbes, com o conceito de anarquia, que

defende que essa È a principal caracterÌstica do Sistema Internacional. Essa situaÁ„o · an·loga ‡quela

situaÁ„o que Hobbes chama de estado de natureza, ou seja, uma situaÁ„o em que n„o h· um poder

que se sobressai aos demais. No ‚mbito interno, existe governo, um Estado que pode mediar as

relaÁıes e os conflitos, tanto na esfera judicial quanto por vias armadas, j· que o Estado tem o

monopÛlio do uso legÌtimo da forÁa. O Sistema Internacional n„o dispıe de um governo mundial. O

Sistema Internacional seria an·logo a uma sociedade hipotÈtica anterior ao surgimento do Estado,

em que todos os atores est„o preocupados em garantir sua seguranÁa e desconfiam uns dos outros.

Outro antecedente È a TragÈdia Grega, que traz as ideias de ambiÁ„o, medo, h˙bris, que È a busca

desenfreada pelo poder e leva a um grande desastre, um grande conflito para o herÛi ou o

personagem principal da tragÈdia. Isso tudo demonstra por que a vis„o central do Realismo Cl·ssico

È pessimista: a ideia de que as relaÁıes internacionais tÍm como norma a guerra e o conflito, que

seriam inevit·veis. A ‚nsia pela honra e pela glÛria e a ambiÁ„o acabam levando ao h˙bris.

Os principais pressupostos do Realismo s„o a anarquia internacional, Sistema Internacional

conflitivo, Centralidade do Estado, SobrevivÍncia, Jogo de Poder, desconfianÁa e autoajuda (a ideia

de que n„o se pode confiar sua seguranÁa a outro Estado), cooperaÁ„o (dentro da lÛgica de poder

algo pontual e n„o permanente, de acordo com os interesses).

Fique atento, pois j· caÌram questıes que afirmam que o Realismo exclui a ideia de cooperaÁ„o, o

que È falso. O Realismo permite a ideia de cooperaÁ„o, desde que seja algo alinhado aos interesses

dos atores, nada permanente.

Principais variaÁıes do Realismo

Realismo Cl·ssico:

Carr;

Morgenthau;

Base histÛrica e filosÛfica;

AntropomorfizaÁ„o.

Realismo CientÌfico:

MatematizaÁ„o;

Metodologia das CiÍncias Exatas.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

24 de 34

• Neorrealismo/Realismo Estrutural: ➢ Waltz; ➢ Mearsheimer. PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡

Neorrealismo/Realismo Estrutural:

Waltz;

Mearsheimer.

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Realismo Cl·ssico: um nome importante para essa vertente do Realismo È Carr, que faz uma reflex„o

sobre o que levou ‡ Primeira Guerra Mundial. Ele faz uma crÌtica ao idealismo, afirmando que o

Realismo seria mais seguro, pois gera menos conflitos desnecess·rios em raz„o do equilÌbrio de

poder.

Realismo CientÌfico: matematizaÁ„o (metodologia das CiÍncias Exatas).

Neorrealismo/Realismo Estrutural: ideias de sobrevivÍncia, poder etc., lÛgica do realismo defensivo.

Liberalismo

Antecedentes

Rousseau: traz a ideia do bom selvagem, faz reflexıes sobre a natureza humana que impactam o

liberalismo do mesmo modo que ocorreu com o realismo, que se baseava, como o Realismo Cl·ssico,

na ideia de natureza humana do Hobbes. Temos tambÈm a ideia de Rousseau de que o homem seria

essencialmente bom e seria corrompido por elementos externos. Esses elementos n„o

necessariamente seriam a propriedade privada.

Kant: ideia da paz perpÈtua. Seria possÌvel construir uma comunidade internacional que

compartilhasse valores, regras e atÈ mesmo normas jurÌdicas.

Adam Smith: ideia contratualista, que seria a ideia de que os direitos s„o derivados de um contrato

hipotÈtico entre os indivÌduos de um determinado territÛrio e o Estado, para que os seus direitos ‡

vida e ‡ propriedade privada sejam respeitados.

Groutius: introduziu a ideia do direito internacional p˙blico, que tambÈm tem um papel importante

dentro do liberalismo.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

25 de 34

Conceitos c entrais PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe

Conceitos centrais

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

ValorizaÁ„o de outros atores (organizaÁıes internacionais, empresas, ONGs etc.)

H· uma sÈrie de debates que v„o definir que atores s„o esses, mas esses n„o se limitam ao estado,

embora reconheÁam que o estado È o ator mais importante, eles introduzem e aumentam

gradativamente a import‚ncia que È dada a esses atores n„o estatais.

InterdependÍncia complexa entre atores e agendas

Essa È uma ideia central do Liberalismo, pois, ao contr·rio do Realismo, em que h· um jogo de soma

zero e disputa pelos recursos, no Liberalismo existe a ideia da interdependÍncia completa, que seria

basicamente a ideia de que os Estados dependem profundamente uns dos outros. Assim sendo,

existiria uma dependÍncia e uma interdependÍncia entre os atores e entre as agendas, ou seja, os

temas e os interesses desses atores dentro desses sistemas, como questıes clim·ticas, crimes

transnacionais, tr·fico de drogas, resultaria em uma interdependÍncia que faz com que os Estados

tenham que levar em consideraÁ„o os interesses de outros Estados, sendo eles aliados apenas

possuam interesses em comum em termos de problemas transnacionais ou transfronteiriÁos.

Busca dos ganhos compartilhados

Se contrapıem ao jogo de soma zero do Realismo, pois, para o Liberalismo, seria possÌvel por meio

da cooperaÁ„o maximizar os ganhos de ambas as partes. Desse modo, poderia entrar a ideia de que

uma parte pode ganhar mais e outra pode ganhar menos, porÈm as duas necessariamente estariam

ganhando, pois n„o ganhariam nada se n„o cooperassem.

CooperaÁ„o internacional n„o sÛ È possÌvel como necess·ria

Essa ideia seria possÌvel e necess·ria para a maximizaÁ„o dos interesses e dos ganhos n„o sÛ

individuais, mas tambÈm dos ganhos compartilhados. … uma lÛgica similar ‡ ideia do livre comÈrcio

tanto domÈstico quanto internacional haveria uma divis„o internacional do trabalho e cooperaÁ„o,

organizadas ou n„o. Sendo assim, as partes envolvidas ganhariam mais do que se n„o estivessem

envolvidas em nenhum tipo de cooperaÁ„o e estivessem apenas agindo de acordo com os seus

prÛprios recursos e de acordo com o seu prÛprio tempo (que seria o principal recurso quando se fala

de economia). Essa ideia de cooperaÁ„o internacional È central para o Liberalismo, pois a cooperaÁ„o

ofereceria os melhores meios de sobrevivÍncia n„o apenas para os estados, mas tambÈm para os

indivÌduos.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

26 de 34

• Hard Power vs. Soft Power PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata

Hard Power vs. Soft Power

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

O Hard Power seria basicamente os poderes militar e econÙmico. PoderÌamos chamar de poder duro

ou poder tangÌvel, seria aquilo que se pode quantificar. O Hard Power estaria mais ligado ao Realismo.

O Soft Power (poder brando) È menos tangÌvel: a capacidade de influenciar a cultura de outros

Estados, influenciar tanto o Sistema Internacional quanto outros atores por via da cultura e de outros

elementos intangÌveis, ou seja, seria a capacidade de influenciar o Sistema Internacional. O Soft

Power est· mais ligado ao Liberalismo.

PolÌtica interna afeta polÌtica externa

Seria o contr·rio do que se viu no Realismo, pois, na perspectiva do Liberalismo, a polÌtica interna

afeta a polÌtica externa, ou seja, se existe um regime democr·tico, a polÌtica externa ser· diferente

do que seria se tivÈssemos um regime ditatorial. As movimentaÁıes que ocorrem na polÌtica

domÈstica interessam ‡ polÌtica externa, que È afetada por uma sÈrie de vari·veis internas, como a

popularidade do governante, mÌdia interna etc.

Guerra justa/IntervenÁıes Humanit·rias/R2P

Ao contr·rio do que se possa pensar, o Liberalismo n„o rejeita uma possÌvel guerra. A ideia do

conflito apenas È colocada em uma moldura moral. Uma guerra sÛ È justific·vel se for considerada

justa. Isso significa basicamente uma guerra realizada por autodefesa, intervenÁ„o humanit·ria e R2P

(responsabilidade para proteger).

Principais Pressupostos

Livre ComÈrcio

Para o Liberalismo, o livre comÈrcio È essencial, pois ele leva ‡ paz e ‡ democracia. Para o Liberalismo,

duas democracias ou paÌses com interdependÍncia comercial n„o entram em conflito.

Democracia

InstituiÁıes

As instituiÁıes dentro do Liberalismo seriam o grande vetor das relaÁıes internacionais, pois seriam

elas que organizam e possibilitam que os Estados busquem os seus ganhos sem necessariamente

entrar em conflitos; s„o elas que viabilizam a cooperaÁ„o, di·logo, negociaÁ„o e as mediaÁıes dos

conflitos.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

27 de 34

• Foco no indivÌduo PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof.

Foco no indivÌduo

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

… a ideia de que o Estado È necess·rio, mas seria um perigo para os indivÌduos. Ent„o quando essas

duas inst‚ncias se chocam deve-se proteger os indivÌduos, pois os indivÌduos s„o mais importantes

que o Estado de acordo com a teoria liberal.

Fundamento: direito ‡ vida (autopropriedade) e propriedade privada

Toda a lÛgica do Liberalismo È derivada da ideia de autopropriedade, ou seja, o direito que vocÍ tem

sobre o seu prÛprio corpo, sobre a prÛpria vida e o direito ‡ propriedade privada, que deve ser

garantido e jamais violado pelo Estado.

CrenÁa na raz„o

Ao contr·rio do Realismo Cl·ssico, que tem uma ideia pessimista de que as relaÁıes e interaÁıes

costumam gerar conflitos, h· crenÁa que a raz„o pode evitar esses conflitos, podendo sanar

definitivamente conflitos polÌticos.

O Estado È necess·rio, mas um perigo para os indivÌduos.

Neoliberalismo Institucional

IntensificaÁ„o da interdependÍncia

TerÌamos nesse contexto a globalizaÁ„o, que serve como contrato. Com isso temos a intensificaÁ„o

da interdependÍncia.

Regimes e organizaÁıes internacionais se tornam proeminentes na administraÁ„o de

conflitos e interesses

Os regimes s„o basicamente qualquer instituiÁ„o internacional; qualquer regra internacional que

delimite as normas que regem determinado tema. Por exemplo, um regime monet·rio. Isso entra

como fator que vai acrescentar mais elementos normativos ‡s relaÁıes internacionais.

CondiÁıes para a cooperaÁ„o;

TransparÍncia;

Custo de transaÁ„o;

ComunicaÁ„o;

Foco no indivÌduo.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

28 de 34

• Interesse nacional (n„o unit·rio) PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD)

Interesse nacional (n„o unit·rio)

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Ideia de que o interesse nacional È definido por meio de um debate, que pode ocorrer no parlamento,

mÌdia e internet por meio da opini„o p˙blica. N„o È unit·rio e nem h· um consenso, ao contr·rio do

Realismo, que traz a ideia de que h· um consenso e que o Estado Nacional È homogÍneo quando

atua externamente.

Anarquia pode ser superada

Ao contr·rio do Realismo, n„o se acredita que anarquia seja inerente ao Sistema Internacional, nem

que seja inevit·vel. Ela poderia ser superada justamente por meio dos regimes e organizaÁıes

internacionais que produzem governanÁa global, ou seja, vocÍ cria uma moldura, com regras,

regimes e organizaÁıes que mais ou menos v„o delimitar a forma e as possibilidades de aÁ„o dos

Estados, ou seja, a anarquia pode ser superada. N„o se acredita que ela j· foi superada.

Teorias relacionadas

Funcionalismo (Mitrany) e neofuncionalismo (Haas): tendÍncia ‡ integraÁ„o regional

(UE) e ‡ cooperaÁ„o internacional (ONU) via processo de spill-ラ┗Wヴ ふさSWヴヴ;マ;マWミデラざぶ

entre setores

… basicamente a ideia de que os problemas transcendem as fronteiras e est„o espalhados em toda

uma regi„o, ou seja, h· problemas de tr·fico internacional de drogas, clim·ticos e de seguranÁa que

abrangem n„o sÛ um ˙nico Estado, mas tambÈm um conjunto de Estados regionais e ao mesmo

tempo o Sistema Internacional. Isso, de acordo com o funcionalismo e o neofuncionalismo, cria uma

tendÍncia ‡ integraÁ„o regional e ‡ cooperaÁ„o internacional, principalmente no ‚mbito do sistema

ONU.

Teoria da Paz Democr·tica (question·vel); democracias n„o lutam entre si

Essa ideia È question·vel, j· que h· exemplos que mostram que talvez tenham ocorrido conflitos

entre democracias.

Principais nomes: Joseph Nye, Robert Keohane e Ernst Haas.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

29 de 34

Antecedentes • Piaget; Searle; Wittgenstein. Conceitos c entrais PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡

Antecedentes

Piaget; Searle; Wittgenstein.

Conceitos centrais

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Construtivismo

RelaÁıes entre atores internacionais s„o intersubjetivas (permanentemente construÌdas)

No Construtivismo n„o existe nada que n„o possa ser alterado nas relaÁıes internacionais e,

portanto, essas relaÁıes internacionais s„o construÌdas permanentemente nas interaÁıes entre os

agentes ou entre os atores internacionais.

Anarquia È socialmente construÌda

… construÌda pela interaÁ„o dos atores, È algo que sÛ existe porque os atores querem que exista.

Segundo Wendt, a anarquia È aquilo que os Estados querem que ela seja. N„o haveria nada na

natureza que diga que as coisas tenham que ser necessariamente assim. A anarquia poderia ser

superada e evitada. Os construtivistas acreditam inclusive que ela deve ser evitada adotando outras

perspectivas.

Anarquia (diversas culturas): hobbesiana, lockiana e kantiana

Hobbesiana: segue a lÛgica de anarquia de todos contra todos.

Lockiana: tem a ideia de uma disputa concorrencial, dentro uma ideia que seria saud·vel para o

mercado.

Kantiana: ideia da paz perpÈtua.

Ideologia, identidade, normas s„o centrais para compreender o comportamento dos atores

O Realismo ignora essa dimens„o, j· no construtivismo È central.

Corrente sociolÛgica

Alexander Wendt

Anarquia socialmente construÌda

Corrente linguÌstica

An·lise do discurso;

Nicholas Onuf.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

30 de 34

Principais P remissas • O mundo È socialmente construÌdo Filosofia, ciÍncias sociais e pedagogia. PolÌtica

Principais Premissas

O mundo È socialmente construÌdo

Filosofia, ciÍncias sociais e pedagogia.

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Agentes e estrutura s„o igualmente relevantes

Debate neo-neo: os neorrealistas falam que a estrutura È mais importante; e os neoliberais, que se

adequam a isso, mas d„o uma import‚ncia aos regimes internacionais para as instituiÁıes e

organizaÁıes internacionais.

Ideias e valores se interpıem entre o sujeito e o objeto

O mundo material È fruto das ideias e dos valores dos agentes

A ideia de que a moral, os valores e as ideologias importam. J· que o mundo concreto È determinado

por esses valores, n„o podemos ignor·-los. Ao contr·rio do Realismo, vai haver uma grande diferenÁa

se o governo for de esquerda ou de direita, porque isso acabaria afetando o modo como as relaÁıes

s„o feitas. Quest„o 1
s„o feitas.
Quest„o 1

An·lise de questıes

A respeito da teoria realista da an·lise das relaÁıes internacionais, julgue (C ou E) os itens a seguir.

1. O paradigma realista de an·lise das relaÁıes internacionais enfatiza as relaÁıes de poder

entre comunidades polÌticas organizadas. De acordo com essa vis„o, prevalecem nessas

interaÁıes as relaÁıes de forÁa e desconfianÁa, o que acaba conduzindo ao chamado dilema

de seguranÁa.

O que importa, nessa quest„o, È a teoria Realista, ent„o n„o importam as consideraÁıes da

teoria Liberal, ou da teoria Construtivista. O que importa È a vis„o, o paradigma realista, ou

seja, dentro do paradigma realista, a gente pode localizar alguns elementos que enfatizam as

relaÁıes de poder entre comunidades polÌticas organizadas que seriam os Estados.

R: Correta

2. A referida teoria baseia-se, em grande medida, no princÌpio da antropomorfizar„o dos

Estados nacionais, no sentido de que estes podem ser caracterizados como entidades

possuidoras de atributos psicolÛgicos humanos, tais como honra, decepÁ„o e desejo de

glÛria e poder.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

31 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Aケ┌キ ラ デWヴマラ さ;ミデヴラヮラマラヴaキ┣;ヴ?ラざ ェWヴ; ┌マ IWヴデラ ヮヴラHノema, pois seria mais caracterÌstico do

realismo cl·ssico. Entretanto, a gente viu que antropomorfizar„o È um elemento da tradiÁ„o

Realista, mesmo que tenha sido expurgado na teoria neorrealista.

R: Correta

3. O Neorrealismo diferencia-se do Realismo Estrutural na medida em que, enquanto o

primeiro acredita que a balanÁa de poder deve levar em conta a capacidade de poder

isolado dos Estados, o segundo afirma que È a distribuiÁ„o de poder do Sistema

Internacional que deve ser levada em conta no c·lculo estratÈgico.

Neorrealismo e Realismo Estrutural s„o termos equivalentes, ent„o n„o tem como eles se

diferenciarem um do outro, alÈm disso, nenhuma das correntes do realismo vai ser levada

em conta, apenas a capacidade de poder isolado dos Estados.

R: Falsa

4. Os realistas, de forma geral, acreditam que diferentes regimes polÌticos tÍm padrıes

diferentes da atuaÁ„o no Sistema Internacional.

Para o Realismo, n„o h· diferenÁa de ideologia na polÌtica interna. Sendo assim, os diferentes

regimes polÌticos n„o resultam em padrıes diferentes de atuaÁ„o no Sistema Internacional.

R: Falsa Quest„o 2
R: Falsa
Quest„o 2

Acerca das perspectivas liberais nos estudos teÛricos de relaÁıes internacionais, julgue (C ou E) os

itens subsequentes.

1. Para alguns autores liberais de inspiraÁ„o Kantiana, o regime polÌtico dos Estados relaciona-

se diretamente com a estabilidade (ou com a instabilidade) do Sistema Internacional.

Teoria da paz democr·tica, ou seja, aqui quando se fala de estabilidade ou instabilidade, est·-

se referindo ‡ propens„o a conflitos e perturbaÁıes no Sistema Internacional. … a ideia de que

duas democracias n„o entram em conflito, ent„o temos a ideia de que o regime polÌtico se

relaciona sim indiretamente com a estabilidade ou com a instabilidade do Sistema

Internacional.

R: Correta

2. De John Locke e Montesquieu dos Federalistas Americanos a Bentham e Mill, o pensamento

liberal ressalta a import‚ncia da lei e da legitimidade que permitem ‡s sociedades humanas

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

32 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

realizar seus potenciais. Embora compartilhem com o Realismo o princÌpio da anarquia e

mesmo a desconfianÁa sobre o car·ter da natureza humana, o caminho liberal substitui o

conflito pela cooperaÁ„o e redireciona o conte˙do do poder para o lucro e benefÌcios.

Os neoliberais tentam usar uma lÛgica racional de busca de maximizaÁ„o de ganhos a ideia

de que a cooperaÁ„o seria mais interessante, seria um meio que levaria a mais ganhos e

ganhos m˙tuos e compartilhados.

R: Correta

3. O funcionalismo, que tem em David Miltrany um de seus principais expoentes, representa

uma tentativa liberal de fundamentar seus modelos em um mÈtodo baseado na observaÁ„o

cientÌfica da realidade, utilizando como ponto de partida a experiÍncia da integraÁ„o

europeia no pÛs II Guerra.

Nesse caso, eles usam como justificativa a existÍncia de problemas transfronteiriÁos e

transnacionais, de problemas compartilhados como um dado da realidade, ou seja, o mÈtodo

baseado na observaÁ„o cientÌfica da realidade que eles usam para justificar as experiÍncias

da integraÁ„o regional. Ent„o o que eles usam como ponto de partida s„o as experiÍncias de

integraÁ„o europeia, mas a cooperaÁ„o multilateral tambÈm seria outro fator.

R: Correta

4. Para os autores liberais, a ordem internacional n„o deriva dos estados, mas das instituiÁıes.

Para os liberais, os Estados ainda s„o o principal ator, ainda que se dÍ uma Ínfase maior a

outros atores e que as instituiÁıes s„o derivadas dos Estados, que È o contr·rio do que diz a

quest„o.

R: Falsa

Quest„o 3

Julgue (C ou E) os itens a seguir de acordo com a perspectiva construÌda no estado das relaÁıes

internacionais.

1. De acordo com a perspectiva construtivista, a anarquia internacional È resultado da

percepÁ„o deficiente que os atores tÍm do Sistema Internacional, de forma que a

construÁ„o intersubjetiva das identidades È capaz de fazer com que o Sistema Internacional

funcione em bases cooperativas.

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

33 de 34

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins に Aula

PolÌtica Internacional Concurso de Admiss„o ‡ Carreira de Diplomata (CACD) Prof. Filipe Martins Aula 00

Aqui temos a ideia de que a anarquia internacional seria resultado de uma percepÁ„o

deficiente, ent„o devemos lembrar de uma caracterÌstica muito importante do

Construtivismo, de que n„o h· elementos permanentes e perenes. Uma percepÁ„o deficiente

seria algo definitivo e n„o necessariamente a vis„o que os atores tÍm do Sistema

Internacional È deficiente, ela È simplesmente socialmente construÌda e reflete uma

determinada configuraÁ„o e interaÁ„o entre os atores.

R: Errada

2. Os construtivistas acreditam que as teorias das relaÁıes internacionais devem afasta-se do

estadocentrismo, pois È a estrutura internacional, formada intersubjetivamente e em

constante transformaÁ„o, que limita as aÁıes dos atores. Por essa raz„o, pode-se afirmar

que h· uma antecedÍncia ontolÛgica da estrutura sobre o agente.

Eles equalizam a import‚ncia da estrutura e dos agentes, mas n„o afirmam nenhum tipo de

antecedÍncia ontolÛgica, seja da estrutura sobre o agente, seja do agente sobre a estrutura.

R: Errada

3. Alguns autores, como Karin Fierke, procuram afirmar o construtivismo como uma

abordagem que se adapta ‡s necessidades da pesquisa empÌrica, pois partem da premissa

de que, como o mundo È cambi·vel, o estudo das interaÁıes que modificam È capaz de

conduzir a aportes teÛricos, mas sem deixar de lado a postura crÌtica.

Podemos ver, por exemplo, a ideia de que a abordagem se adapta, ou seja, n„o tem aquele

car·ter permanente que o Construtivismo n„o tem, ent„o ele se adapta, entre outras coisas,

‡s necessidades da pesquisa empÌrica, pois, para o Construtivismo, o mundo È cambi·vel e

socialmente construÌdo pelas interaÁıes. As relaÁıes internacionais n„o seriam permanentes,

elas podem mudar, e por isso poderiam incluir um elemento crÌtico.

R: Correta

4. Alguns teÛricos construtivistas atribuem import‚ncia central ‡ linguagem como

fundamento de an·lise da polÌtica internacional.

Devemos lembrar, nesse caso, das vertentes linguÌstica e sociolÛgica. Evidentemente alguns

teÛricos da vertente linguÌstica atribuem import‚ncia central ‡ linguagem, usando, inclusive,

a an·lise do discurso como elemento que seria um fator preponderante na ·rea de polÌticas

internacionais.

R: Correta

Prof. Filipe Martins

www.estrategiaconcursos.com.br

05890219588 - Paulo Victor

34 de 34