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Escrivão + Inspetor

Redação

Profª Adriana Figueiredo


Redação

Professora Adriana Figueiredo

www.acasadoconcurseiro.com.br
Edital

REDAÇÃO

BANCA: Fundatec
CARGO: Escrivão e Inspetor

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Redação

REDAÇÃO E DISCURSIVA

DOS PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS DE REALIZAÇÃO DA PROVA DE REDAÇÃO

Primeira Parte: será destinada à verificação de conhecimentos da Língua Portuguesa, consti-


tuindo-se de 30 (trinta) questões objetivas e de uma Redação, com duração máxima de 4 (qua-
tro) horas, no mesmo turno (manhã). A Redação deverá ser redigida contendo, no mínimo, 35
(trinta e cinco) linhas e, no máximo, 50 (cinquenta) linhas, versando sobre tema proposto pela
Banca ElaboraWdora.

•• As Redações deverão ser feitas pelo próprio candidato, à mão, em letra legível, com caneta
esferográfica de material transparente, com tinta azul ou preta de ponta grossa, não sendo
permitida a interferência e/ou participação de outras pessoas, salvo em caso do candidato
inscrito na condição de candidato com deficiência ou que tenha solicitado atendimento
diferenciado para realização da prova, dentro do princípio da razoabilidade. Nesse caso, se
houver necessidade, o candidato será acompanhado por um fiscal da Fundatec.
•• Serão consideradas não escritas as provas ou trechos de provas que forem ilegíveis e in-
compreensíveis.
•• O candidato que redigir texto inferior ao número de linhas estipuladas terá sua nota de
Redação zerada.
•• Os textos além do número de linhas estipuladas serão desconsiderados.
•• As folhas de textos definitivos da Redação não poderão ser assinaladas, assinadas, rubricadas
e/ou conter qualquer palavra e/ou marca que a identifique em outro local que não seja em
seu canhoto, sob pena de ser anulada. Assim, a detecção de qualquer marca identificadora
no espaço destinado à transcrição dos textos definitivos acarretará nota zero na Prova.
•• As folhas de textos definitivos serão os únicos documentos válidos para a avaliação da Re-
dação. As folhas para rascunho no caderno de provas são de preenchimento facultativo e
não valerão para tal finalidade.
•• Não serão corrigidos textos a lápis.
•• As provas serão desidentificadas no ato de entrega da folha definitiva, sendo os canhotos
de identificação lacrados pelos dois últimos candidatos da sala de realização de prova.
•• A reidentificação das provas será pelo sistema eletrônico da Fundatec.

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TIPOS DE REDAÇÃO

(FUNDATEC – Prefeitura de Porto Alegre – Assistente Administrativo- 2016 )

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OS OITO PASSOS DO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE UMA REDAÇÃO

1. LER o tema da questão e ler os textos norteadores, sublinhando em cada um deles a ideia
central. Neste momento, relacione cada texto lido a uma palavra do tema.
2. Diante do tema, formule uma tese.
3. Diante da tese, gere ideias(tudo que você sabe em relação a cada assunto).
4. Das ideias geradas, selecione de duas a três, as outras ideias terão que se subordinar a elas.
5. Elabore um roteiro.
6. Redija um rascunho.
7. Leia duas vezes a redação.
8. Passe a limpo o seu rascunho.

Inicialmente, deparamo-nos com o TEMA sobre o qual repousa a discussão do texto. Caracte-
riza-se, portanto, por ser o assunto, o motivo da argumentação. Eis aí a diferença entre tema
e tese. A TESE caracteriza-se por ser a tomada de posição do autor em relação ao tema e apa-
rece, em um texto padrão, no 1º parágrafo. Será ela não só a ideia central do 1º parágrafo, ou
INTRODUÇÃO, mas do texto em sua totalidade, o qual terá como compromisso desenvolver
argumentos que a comprovem.
Nos parágrafos seguintes – que estruturarão o DESENVOLVIMENTO –, observa-se a presença
dos TÓPICOS FRASAIS, que são os argumentos centrais de cada parágrafo. Serão eles desenvol-
vidos das mais variadas formas: apresentação de relações de causa e efeito, utilização de exem-
plos, comparações, analogias, dados estatísticos, testemunhos de autoridade etc.
Por fim, o último parágrafo, ou CONCLUSÃO, surge no texto representando a retomada da tese.
É neste momento que, em geral, o autor externa suas opiniões, críticas, ou ainda sugestões so-
bre a discussão desenvolvida em sua dissertação, finalizando-se, assim, o ciclo textual.

Texto comentado
QUALIDADE DE VIDA
Estudo de uma tipologia textual – Educação/UFRJ
É de conhecimento geral que a qualidade de vida nas regiões rurais é, em alguns aspectos,
superior à da zona urbana (1), porque no campo inexiste a agitação das grandes metrópoles (2),
há maiores possibilidades de se obterem alimentos adequados (3) e, além do mais, as pessoas
dispõem de maior tempo para estabelecer relações humanas mais profundas e duradouras (4).
Ninguém desconhece que o ritmo de trabalho de uma metrópole é intenso ( 5)
O espírito de concorrência, a busca de se obter uma melhor qualificação profissional, enfim,
a conquista de novos espaços lança o ambiente urbano em meio a um turbilhão de constantes
solicitações. Esse ritmo excessivamente intenso torna a vida bastante agitada, ao contrário do
que se poderia dizer sobre os moradores da zona rural.

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Por outro lado, nas áreas campestres há maior qualidade de alimentos saudáveis (6). Em
contrapartida, o homem da cidade costuma receber gêneros alimentícios colhidos antes do
tempo de maturação, para garantir maior durabilidade durante o período de transporte e co-
mercialização.
Ainda convém lembrar a maneira como as pessoas se relacionam nas zonas rurais (7). Ela
difere da convivência habitual estabelecida pelos habitantes metropolitanos. Os moradores das
grandes cidades, pelos fatos já expostos, de pouco tempo dispõem para alimentar relações hu-
manas mais profundas.
Por isso tudo, entendemos que a zona rural proporciona a seus habitantes maiores possibi-
lidades de viver com tranquilidade (8). Só nos resta esperar que as dificuldades que afligem os
habitantes metropolitanos não venham a se agravar com o passar do tempo (9).

COMO INTRODUZIR UM TEXTO


Todo texto é composto por uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. A in-
trodução, primeiro segmento do texto, possui extremo valor, pois representa um compromisso
assumido pelo autor com todo o desenvolvimento. Por dar todo o encaminhamento do que vai
ser dito, uma boa dica é apenas prepará-la após a elaboração do roteiro que direcionará o de-
senvolvimento.
Assim, escrever a introdução antes de se ter certeza do que vai ser abordado no desenvolvi-
mento é um risco que deve ser evitado, pois há o perigo de se propor uma abordagem diferen-
te do tema e desenvolver os argumentos por outro caminho.

ALGUNS TIPOS DE INTRODUÇÃO DO TEXTO DISSERTATIVO

1. Introdução Tese e Tópicos Frasais

É a introdução mais comumente vista. Aqui, inicia-se com a declaração inicial a respeito do
tema – a tese – , apresentando-se os tópicos frasais.

•• Apresentação da tese
•• Explicitação dos tópicos frasais

Exemplos:

“Sabe-se que a qualidade de vida nas regiões rurais é, em alguns aspectos, superior à da
zona urbana. Esse fato ocorre porque no campo inexiste a agitação das grandes metrópoles,
há maiores possibilidades de se obterem alimentos adequados e as pessoas dispõem de maior
tempo para estabelecer relações humanas mais profundas e duradouras.”
“Muito se tem discutido sobre os fatores que induzem os jovens a consumirem drogas. Em
busca de auto-afirmação, fuga da realidade ou devido à falta de uma atuação familiar firme, a
juventude está consumindo entorpecentes abusivamente.”

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2. Introdução com Afirmação de Cunho Geral ou Definição

Nesse caso, escolhe-se uma palavra-chave do tema e formula-se um período com a definição
dessa palavra ou com uma generalização a respeito dela.

•• Apresentação de definição/afirmação de cunho geral


•• Apresentação da tese

Exemplo: Menor: um ser que é, de alguma forma, inferior, aquele que não atingiu a maio-
ridade. O uso da palavra “menor” para se referir às crianças no Brasil já demonstra como são
tratadas: em segundo plano.

3. Introdução com Raciocínio Concessivo

Nesse caso, inicia-se a introdução com uma afirmação de cunho geral e, a seguir, apresenta-se a
tese, que será uma oposição à primeira afirmação.
•• Apresentação de definição/afirmação de cunho geral
•• Apresentação da tese, por oposição.

Exemplo: Embora o Brasil tenha evoluído muito em educação, ainda há muito que ser feito.

O parágrafo argumentativo
Segundo Othon M. Garcia, “o parágrafo é uma unidade de composição constituída por um ou
mais de um período, em que se desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se
agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrente
dela”.

O tópico frasal
Inicialmente, vale lembrar que tópico frasal é a ideia ou argumento central do parágrafo, apre-
sentada de forma genérica. É a ideia-chave, a síntese do pensamento, a essência do parágrafo.
Tudo que se afirma no parágrafo girará, portanto, em torno da fundamentação do tópico frasal.
No texto padrão, o tópico frasal inicia o parágrafo e na sequência vem a sua fundamentação.
Esse é o método dedutivo de raciocínio, em que o autor parte da generalização para o seu deta-
lhamento (GERAL → ESPECÍFICO).
Ex.: Conclui-se, sem esforço e sem exagero, que, no Brasil, registram-se duas grandes falhas:

a) há um excesso na importação de produtos culturais;


b) falta discernimento na escolha, havendo uma preferência, da parte dos empresários e, em
consequência, da parte do consumidor – na TV, nos livros, na música – por coisas de nível
inferior, pelo lixo cultural da época.

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A estruturação do parágrafo argumentativo
De modo geral, o parágrafo de dissertação deve ser uma unidade completa de informação, sen-
do, portanto, constituído de:
1. uma ideia-núcleo (ou tópico frasal) – em geral apresentada no início do parágrafo;
2. desenvolvimento dessa ideia, que é então devidamente especificada, fundamentada, justi-
ficada logo a seguir;

EXEMPLOS COMENTADOS

No início deste período, o homem inventou a escrita, graças à qual os conhecimentos vence-
ram o tempo e o espaço. Venceram o tempo, pois, as experiências acumuladas puderam, sob
a forma escrita, ser transmitidas com precisão às gerações seguintes. Venceram o espaço, pois
os conhecimentos passaram a ser transportados de um lugar para o outro em papiros, papéis e
demais materiais desenvolvidos para a fixação da escrita. Com o registro e com a circulação da
informação, o homem se beneficiou de um crescente repertório de experiências, as quais lhe
permitiram inventar mais, e mais facilmente.
Algumas pessoas refugiam-se nas drogas na tentativa de esquecer seus problemas. Em função
disso, acabam tornando-se dependentes dos psicotrópicos dos quais se utilizam e, na maioria
das vezes, transformam-se em pessoas inúteis para si mesmas e para a comunidade.
Há muitos tipos de líder, e gosto de destacar três. A primeira categoria é dos líderes que mar-
cam diferença por serem grande estrategistas, objetivos e com visão de futuro. O legado deles
é o método. O segundo tipo tem forte poder intelectual, mergulha com intensidade nas ques-
tões teóricas, disseca e diagnostica problemas como ninguém. São líderes que deixam ideias
originais, com marca própria. E um terceiro tipo chamo de líderes inspiradores. Eles enten-
dem as demandas do povo, suas paixões, conseguem entender emocionalmente as pessoas. Os
maiores líderes da história têm força porque reúnem método, intelecto e habilidade de tocar
nos sentimentos de seus liderados.

Como expandir o parágrafo


Desenvolver o parágrafo significa expandir sua ideia-núcleo, de modo a torná-lo claro e bem
fundamentado. Tal fundamentação pode ocorrer por diversos critérios, lembrando que, em um
único parágrafo, o autor pode utilizar mais de um artifício na busca da maneira mais convincen-
te de se expressar.

Estabelecimento de comparação (paralelo e contraste)


É o estabelecimento de um contraste (que enfoca as diferenças) ou um paralelo (que destaca as
semelhanças) entre ideias, seres, fatos etc.

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Ex.: Mas os saberes científicos têm uma característica inescapável: os enunciados que produ-
zem são necessariamente provisórios, estão sempre sujeitos à superação e à renovação (tópico
frasal). Outros exercícios do espírito humano, como a cogitação filosófica, a inspiração poética
ou a exaltação mística poderão talvez aspirar a pronunciar verdades últimas; as ciências só po-
dem pretender formular verdades transitórias, sempre inacabadas.

Apresentação de causas e/ou consequências


Aqui, ou o tópico frasal é a causa e seu desenvolvimento expõe suas consequências, ou será ele
a consequência e o restante do parágrafo desenvolverá suas causas.
Ex.: A educação é uma função tão natural e universal da comunidade humana que, pela pró-
pria evidência, (tópico frasal) leva muito tempo a atingir a plena consciência daqueles que a
recebem e praticam, sendo, por isso, relativamente tardio o seu primeiro vestígio na tradição
literária (consequências).

Apresentação de explicação ou esclarecimento


Neste caso, elucida-se o tópico frasal, quando este apresenta certa obscuridade, uma necessi-
dade de maior clareza.
Ex.: As discussões sobre a liberdade assentam necessariamente e em princípio na negação de
suas próprias bases possibilitadoras (tópico frasal). Quero dizer que o único pressuposto histó-
rico viável para que se possa instaurar a inteireza do entendimento da questão está na ausência
de liberdade.

Utilização de exemplos
Os exemplos caracterizam-se como uma maneira bem elucidativa de concretizar o que há de
abstrato no tópico frasal. Seguindo esse critério, o parágrafo se desenvolve por meio da ilustra-
ção da ideia-núcleo, constituindo-se em uma das formas mais simples de se demonstrar aquilo
que se afirma.
Ex.: Dependendo das circunstâncias, as espécies invasoras podem ser meras “imigrantes”
inofensivas ou invasoras altamente nocivas (tópico frasal). Dentro do sistema produtivo, por
exemplo, o búfalo e o pinus são apenas espécies exóticas. Quando escapam para a natureza,
entretanto, muitas vezes tornam-se organismos nocivos aos ecossistemas “naturais”.

Divisão ou explanação das ideias em cadeia


Nesse tipo de fundamentação de tópico frasal, o autor divide sua ideia inicialmente apresenta-
da em duas ou mais partes, e, na sequência, as explana, cada uma a seu momento. Essa expla-
nação em cadeia pode durar o parágrafo inteiro ou pode avançar ao longo do texto, dependen-
do da dimensão da discussão.

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Ex.: As cidades em processo rápido de crescimento no Brasil indicam pelo menos três modali-
dades de crescimento dos organismos urbanos (tópico frasal): um crescimento horizontal por
partilha de espaços de antigas chácaras ou glebas congeladas para especulação, de dinâmi-
ca similar a uma mancha de óleo em expansão; um crescimento vertical, à custa de edifícios
de muitos andares, aproveitando as facilidades aparentes dos espaços centrais e subcentrais
das cidades de porte médio, acumulando funções residenciais em uma área de permanência
duvidosa para tais funções; e, por fim, mecanismo de maior gravidade, a partilha de glebas
situadas em posições descontínuas, a quilômetros de distância da área central, inicialmente
semi-isoladas no meio de sítios e fazendas, os quais, por sua vez, são espaços potenciais para
loteamentos ulteriores e instalações de unidades industriais, com eliminação quase total das
funções agrárias que responderam pelo crescimento e a riqueza iniciais da própria cidade.

COMO CONCLUIR UM TEXTO

Obedecendo à sequência do nosso texto, observaremos ao final do nosso curso como deve
ser feita a conclusão. Embora muitos a considerem um simples fechamento da redação, a
conclusão constitui-se, muitas vezes, em sua parte mais importante. Os dados utilizados, as
ideias e os argumentos convergem para este ponto em que a discussão ou exposição se fecha.
No entanto, ainda que um dos fundamentos para um bom texto é que ele seja cíclico – deva
retomar ao final a tese – sua ideia inicial –, um texto bem concluído é aquele que evita repetir
literalmente os argumentos já utilizados. Também o uso de fórmulas feitas – expressões
tais quais “portanto, como já vimos antes...”, ou “concluindo...” – empobrecem demais uma
redação. A função de fechamento inerente à conclusão deve ficar evidente não nas palavras,
mas na clareza e força dos argumentos que arrematam a discussão do autor.
A conclusão deve, portanto, retomar a tese apresentada na introdução, dando encerramento ao
ciclo textual. Faz-se ainda conveniente que, além da retomada da tese, sua conclusão apresente
ideias que enriqueçam a redação, fazendo com que o texto seja também progressivo. Lembre-
se: este é o momento que o autor tem para opinar, dar um tom mais pessoal ao que se discute.

A seguir algumas dicas que podem ser úteis na elaboração da conclusão de uma redação:

•• Reserve dois períodos para a sua conclusão: um para a retomada da tese, outro para acrés-
cimo.
•• No acréscimo, procure apresentar soluções específicas ao tema sobre o qual se discorreu
ou simplesmente expor consequências, implicações do tema discutido.

Na transição do desenvolvimento do texto para a conclusão, pode-se optar uso de expressões


que indiquem esse fechamento, tais como: dessa forma, com isso, como consequência, por
esses motivos, por tudo isso. Além desses conectores, o uso de palavras de referência que reto-
mem as ideias anteriormente apresentadas pode ser conveniente. Dentre elas, podemos citar
o uso de sinônimos das palavras-chave do texto, ou até mesmo palavras do mesmo campo se-
mântico, pronomes demonstrativos etc.
Quanto ao número de linhas, a conclusão tem, em média, o tamanho da introdução.

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Uma conclusão longa demais aponta para possíveis erros, dentre os quais:
•• O desenvolvimento não foi suficientemente explorado e invadiu a conclusão.
•• O autor simplesmente está “enrolando”. Utiliza-se de frases vazias, perfeitamente dispen-
sáveis.

Seja qual for a técnica escolhida para sua conclusão, lembre-se de que será ela o trecho da
redação mais lembrado pelo leitor, simplesmente por ser aquele que se coloca ao final da
discussão
Por todos esses aspectos, o reconhecimento da igualdade entre homens e mulheres capacita-
-as para atuar de forma proativa em favor da sociedade. Sendo assim, melhor ainda seria que
o governo promovesse incentivos fiscais às empresas para contratação de mão de obra femini-
na, a fim de proporcionar um acelerado desenvolvimento social.

(FUNDATEC – Prefeitura de Porto Alegre – Assistente Administrativo- 2016)

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(FUNDATEC – CREF – 2ª Região – Assistente Administrativo – 2012 )

Tema: A relação mente-corpo na atualidade

Texto 1 – Interação Mente-Corpo.

 A teoria da Interação Mente-Corpo de Descartes precisou passar pela pesquisa sobre o pon-
to exato em que ocorre essa interação, antes de ser completada. Para ele, a mente era uma
unidade e, por isso, deveria interagir com o corpo em um único ponto. Sua pesquisa o levou a
acreditar que esse ponto era o cérebro, pois percebeu que as sensações viajavam até ele, onde
surgiam os movimentos.
 Estava claro para ele que o cérebro era o ponto central das funções da mente e a única es-
trutura cerebral unitária seria o corpo pineal (glândula localizada atrás da terceira cavidade do
cérebro) ou conarium. Descartes considerou esse ponto como o centro da interação mente-
-corpo. Ele utilizou os conceitos do mecanicismo para descrever a interação mente-corpo. Pro-
pôs que o movimento do espírito animal (como era denominada a essência da vida, a alma)
nos tubos nervosos provoca uma impressão no conarium e daí a mente produz a sensação. Em
outras palavras, a quantidade de movimentos físicos produz uma quantidade mental ou sensa-
ções. O contrário também ocorre: a mente cria uma impressão no conarium e essa impressão
provoca o fluxo do espírito animal até os músculos, resultando no movimento corporal.
(Fonte: Geraldo Magela – http://www.infoescola.com/psicologia/descartes)

Texto 2 – Você é um corpo ou você tem um corpo?

Bom, se você pensa que tem um corpo, então acredita que o mesmo é uma espécie de caixa que
serve para “guardar” o pensamento (a mente), como se a mente e o corpo fossem duas coisas
diferentes. Por outro lado, se você pensa que é um corpo, então sabe que nossos pensamentos
são criação do próprio corpo, pois é ele quem, por meio do cérebro e do sistema nervoso,
permite a realização desta importante atividade corporal, que é o ato de pensar.
(Fonte: www.nepecc.faefi.ufu.br/PDF/3312_nosso_corpo.pdf – fragmento)

Texto 3
Como estudante, pesquisador e profissional da área de Educação Física, torna-se relevante para
mim não só refletir sobre essas relações históricas do fenômeno “Corpo”, mas também pensar
na relevância dessas relações para a área da saúde, em especial, para a Educação Física. Isso
significa pensar numa Educação Física que supere a racionalidade que separa o ser humano em
corpo e mente, em motor e cognitivo, pois “a totalidade da existência humana não pode ser
descrita nem pela dicotomia entre corpo e espírito, nem pela separação entre ser humano e
mundo” (TREBELS, 2003, p. 259).
Fonte: Cae Rogrigues, http://www.efdeportes.com/efd126/reflexoes-sobre-o-corpo-e-a-educacao-fisica.htm – fragmento)

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Instrução:
 Considerando as reflexões apresentadas na coletânea acima, solicitamos sua reflexão acerca
da importância de desenvolvermos tanto do corpo quanto da mente para nos constituirmos
como seres “inteiros”. Para tanto, ao elaborar seu texto, atente para os seguintes questiona-
mentos: Na sociedade atual, como desenvolver corpo e mente de maneira integrada? Que con-
sequências se originam do fato de relegarmos um desses aspectos? Ao falarmos de integração
corpo-mente, que papéis exercem as forças sociais sobre essa dualidade?
 Lembre-se de que seu texto deve ter caráter dissertativo, em que serão avaliados: compre-
ensão da proposta escolhida e adequação ao tema; clareza e criatividade no desenvolvimento
de suas ideias; domínio das estratégias de coerência e coesão; consistência de argumentos que
sustentam o posicionamento assumido; atendimento às características do modelo textual soli-
citado; domínio da modalidade escrita.

(FUNDATEC – CRQ – 5ª Região – Auxiliar Administrativo – 2017)

Tema – Será que o computador vai aposentar o lápis e o papel?


Texto 1 – Mundo que vai, mundo que volta

 A máquina de escrever já foi um golpe na letra de mão. A rigor, a prensa de Gutenberg, mui-
to antes, já fora um golpe. Mas nenhum deles acertou em cheio. O computador sim, com seu
avanço totalizante sobre a vida. A morte do cursivo pode resultar no fenômeno, inédito na his-
tória, de uma criança de hoje não conseguir ler o que o pai escreveu na escola, ou numa cana,
ou num diário. Aqueles traços redondos como argolas, inclinados para a direita como matagal
ao vento, engatados uns aos outros como vagões de trem, que diabos seriam? O cursivo difere
bastante da letra de fôrma. O filho achará que o pai escrevia em árabe.
 A ilegibilidade de um texto em letra de mão não é ocorrência nova na história. Documen-
tos do século XVI só os paleógrafos são capazes de decifrar. Mas sempre se passou um tempo
considerável, até que uma maneira de escrever caducasse aos olhos dos vindouros. O que se
desenha de inédito no horizonte é o fenômeno se dar no espaço de apenas uma geração. Os
avanços tecnológicos têm ocorrido velozmente, mas corte tão nítido e abrupto, a erguer-se
como muro generacional intransponível, ainda estava por vir. É um mundo que vai embora.
(Roberto Pompeu de Toledo, Revista Veja, 27-7-2011 – fragmento)

Texto 2 – Escrever à mão.

 Não é nenhuma novidade que estamos nos desacostumando a escrever à mão. Quando
ainda o fazemos? Ao assinar um documento, ao deixar um bilhete na porta da geladeira,
ao organizar a lista de compras para o supermercado. É por isso que o Estado americano de
Indiana já estuda a possibilidade de retirar do currículo escolar o ensino da letra cursiva, já que
os teclados serão uma extensão de nossos dedos.
 Acompanhei a discussão desse assunto na rádio CBN, num programa em que a filósofa e
escritora Viviane Mosé contrapôs-se ao jornalista Artur Xexéo. Viviane não acredita que esse
projeto vá pegar e pensa que a vida ficaria menos poética e menos livre sem o uso da mão
como ferramenta para se comunicar.

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 Já Xexéo não tem dúvida de que esse é um caminho sem volta: assim como não há mais ra-
zão para aprendermos a revelar uma foto – prática que constava do currículo de todas as facul-
dades de comunicação – não haverá razão também para que se aprenda a letra cursiva.
 Impossível não lembrar dos nossos primeiros cadernos da escola, da magia de aprender a
unir uma letra na outra e de assinar pela primeira vez o próprio nome. A assinatura da gente faz
parte da nossa identidade.
 Lindo, mas está na hora de acordar: em breve as assinaturas serão todas digitalizadas e nin-
guém mais usará cadernos, e sim tablets. Canetas, lápis, apontadores, cadernetinhas, irá tudo
para o museu, e dê-se por feliz se o livro impresso também não for.
 Sei que é bobagem tentar parar o tempo: recusar-se a aceitar os avanços da tecnologia é
uma forma de lutar contra a ideia da morte. O problema é que nem tudo considero um avanço:
viver sem poesia é evoluir?
(Martha Medeiros, Jornal Zero Hora, 17-7-2011 – fragmentos)

Instrução:
Elabore um texto dissertativo que atenda às seguintes questões: Está a escrita fadada ao esque-
cimento? Será que o computador vai aposentar o lápis e papel? Justifique seu ponto de vista
de forma consistente, procurando estabelecer relações com os avanços tecnológicos. Lembre-
-se de que sua dissertação deverá apresentar ideias organizadas, de acordo com a norma culta
da língua escrita, fundamentada em argumentos consistentes, podendo, inclusive, valer-se de
pequenas narrações ou descrições. Procure, portanto, ser original, evitando cópia dos textos de
apoio que constituem essa prova.

Vinte mandamentos para uma redação nota dez

1. Só utilize título se houver determinação da banca. Nem todas as bancas organizadoras de


concursos pedem título. Caso seja exigido, o título deverá ser uma frase nominal – sem ver-
bo. Também não deve vir seguido de ponto.
2. Respeite o número mínimo, bem como o máximo de linhas estipulado pela banca. Em uma
redação de vinte a trinta linhas, o ideal é que se redija acima de 25 linhas, sem ultrapassar
a marca de trinta linhas. Toda linha escrita a mais, será desprezada.
3. Comece a redigir a partir da 1ª linha que a banca disponibiliza em sua folha de redação.
Quando a banca solicita título, ela já disponibiliza ao aluno um espaço para que se coloque
o título. O aluno deverá começar a sua redação logo na linha seguinte. Também não pule
linha de um parágrafo a outro.
4. Uma redação de vinte a trinta a trinta linhas deve conter, no mínimo, quatro parágrafos e,
no máximo, cinco. Um parágrafo para introdução, de dois a três parágrafos de desenvolvi-
mento, e um para a conclusão.
5. Um modelo de introdução padrão é aquele que apresenta a tese e os tópicos frasais que
serão desenvolvidos no texto. Uma sugestão para o seu 1º parágrafo, portanto, seria a de
se reservar um período para a tese e outro para a apresentação dos argumentos do desen-
volvimento.

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6. Nos parágrafos de desenvolvimento, procure apresentar inicialmente o tópico frasal. Em um


outro período, sua fundamentação. De dois a três períodos para cada parágrafo é o ideal.
7. Ainda nos parágrafos de desenvolvimento, lembre-se de que cada parágrafo deverá conter
um argumento. Apresente tal argumento logo no início do parágrafo. A seguir, desenvolva-
-o, por meio de exemplos, apresentação de causas ou consequências. Outra forma simples
e segura de se desenvolver um argumento é a apresentação de testemunho de autoridade:
as palavras de um outro autor com conhecimento sobre o assunto.
8. O último parágrafo do texto é chamado de conclusão. Deve representar a retomada da tese
(ideia central apresentada na introdução), seguida de sugestões sobre o problema discuti-
do no texto.
9. Quanto à letra, atente aos pingos dos is, à diferenciação entre maiúsculas e minúsculas, bem
como aos erros ortográficos em geral. Muitas bancas têm exigido do candidato a utilização de
letra cursiva. Portanto, comece a investir, desde já, nos tradicionais cadernos de caligrafia.
10. Muitas vezes, as bancas apresentam textos – chamados de norteadores – que antecedem
a apresentação do tema. Eles servirão para que você extraia dali a ideia central que será
discutida em seu texto. São verdadeiras fontes de inspiração. Entretanto, evite a utilização
de palavras retiradas desses textos de apoio. Faça sua redação como se ela estivesse desco-
nectada de tais textos vinculados à prova. O leitor se aterá apenas ao que você escreveu.
11. Não se esqueça da objetividade: o enfoque do assunto deve ser direto, sem rodeios. Não
use expressões introdutórias meramente formais, ou simplesmente chavões sem utilidade
prática. O uso de expressões ou conectores muito rebuscados, muitas vezes, desagrada aos
examinadores. As bancas dão preferência a uma linguagem simples e objetiva.
12. Busque a clareza. Priorize a ordem direta na construção dos seus períodos (sujeito... verbo...
complementos). Lembre-se de que seu texto deve permitir a compreensão imediata da men-
sagem transmitida. Da mesma forma, valorize a concisão. Use apenas as palavras que interes-
sam ao entendimento da mensagem, eliminando aquelas que sejam dispensáveis.
13. Evite um tom excessivamente particular ou pessoal ao seu texto. Utilize a 3ª pessoa do dis-
curso. Apenas a conclusão pode apresentar um caráter mais pessoal, momento em que o
aluno poderá usar a 1ª pessoa do plural.
14. Fuja de parágrafos pautados em períodos longos. Lembre-se de que eles tornam o seu tex-
to cansativo.
15. Exemplo deve concretizar argumento central – tópico frasal –, portanto ambos devem ficar
em um único parágrafo. Exemplo não enseja mudança de parágrafo. Caso opte por desen-
volver o seu argumento por meio de exemplos, comece pela apresentação do argumento,
para, só depois, introduzir seus exemplos.
16. Jamais pergunte em seu texto, afirme. Fazer indagações, que nem sempre são devidamen-
te respondidas ao longo do texto, pode deixar seu leitor confuso.
17. Evite “tom de palestrante” em sua redação, do tipo: “Essas foram causas importantes que
pretendia discutir no texto” ou “O texto a seguir...”. Jamais fale sobre sua redação, referin-
do-se ao que você desenvolveu ou apresentará ao longo do texto.

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18. Fuja de um tom excessivamente coloquial; sua redação deve ser construída baseada no
registro culto da língua. Jamais utilize gírias em sua redação. E, se errar, não utilize a expres-
são “digo”, “isto é”, “ou melhor”: é preferível rasurar sutilmente o que deve ser retificado
no texto e escrever ao lado a forma correta. As bancas organizadoras dos concursos costu-
mam proibir a utilização de corretivos.
19. Redigir um rascunho não é obrigatório, mas é uma estratégia segura para uma redação
nota dez. Procure treinar bastante e, assim, diminuir seu tempo de produção textual. As
etapas de produção de uma redação são: roteiro → rascunho → texto final.
20. Ao término de sua redação, leia ao menos duas vezes o seu texto – a primeira para verificar
se sua estruturação foi respeitada (aspectos estruturais) e a outra leitura para se certificar
de que não houve falhas quanto à gramática. Ter conteúdo é importante, mas o que vai ga-
rantir a qualidade de sua redação é a organização, clareza e objetividade.

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