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CARREIRAS JURÍDICAS - INTENSIVO I

Disciplina: Direito Processual Civil


Professor: Fredie Didier
Aula: 03
28/01/2013

Princípios - continuação

I. ANOTAÇÕES DE AULA

Aula 03 –. Princípio da eficiência – continuação

1. Exemplos:
1.1 Pela doutrina existe a possibilidade de um juiz adotar práticas de gestão do processo como o
calendário processual, definindo as datas dos atos a serem praticados de uma única vez. Gerando
uma economia de dinheiro.
1.2 Escolha dos meios executivos, o juiz em que escolhe um meio mais eficiente um meio para
atingir o resultado de maneira menos onerosa.
1.3 Possibilidade de o juiz determinar uma espécie de conexão probatória.

2.0 Princípios implícitos que decorre do devido processo legal.


2.1 Princípio da efetividade não tem previsão expressa na Constituição, um processo para ser devido
tem que ser efetivo. O processo efetivo é aquele que consegue realizar o direito material afirmado.
O processo pode ser efetivo sem ter sido eficiente. Um processo jamais será eficiente sem ser
efetivo.
Esse princípio gera um direito fundamental a efetividade para ser utilizado pelos credores (
exequente).
A jurisprudência tem admitido a penhor de parte do salário do executado.

3.0 Princípio da Boa fé


É um princípio implícito em nível constitucional, porque em nível legal ele é explícito art 14 inciso II
do CPC. O STF tem decisão reconhecendo que o princípio da boa fé é um princípio que decorre do
devido processo legal.
Diferença entre boa fé subjetiva e boa fé objetiva:
A boa fé subjetiva é um fato da vida é a crença na licitude do seu comportamento, isso é um fato da
vida, esse fato da vida ele é levado muitas vezes em consideração pelo legislador muito comum no
âmbito da tutela da posse.
Já a boa fé objetiva é uma norma que impõe que as pessoas se comportem de acordo com um
padrão de conduta ético leal. O que importa é se o comportamento esta ou não de acordo com a
norma. É aqui em que reside o princípio da boa fé.
Princípio da boa fé passou a existir no âmbito privado, passou a ter uma expansão no século XX
atingindo todos os ramos do direito inclusive o direito público.

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Também no âmbito do processo os sujeitos têm que se comportar num padrão ético. Contudo o juiz
também não fica fora da obediência a esse principio.
Nos últimos 100 anos a doutrina e a jurisprudência passaram a identificar os casos típicos de
comportamento contrário a boa fé.

Concretizações do princípio da boa fé no processo


Proibição do abuso do direito processual é proibição do exercício disfuncional de um direito é
essa atitude é considerada ilicitude. Ex: O Exequente pode executar o executado de duas
maneiras uma violenta e outra mais leve, se ele escolher a mais violenta ele estará abusando
do seu direito.
Proibição do “ venire contra factum propium” .
O venire contra factum proprium encontra respaldo nas situações em que uma pessoa, por um
certo período de tempo, comporta-se de determinada maneira, gerando expectativas em outra
de que seu comportamento permanecerá inalterado.
Ex: Desistência do processo o juiz homologa e a parte recorre
Ex: Sai a decisão do processo a parte aceita a decisão e cumpre espontaneamente e depois
recorre.
O princípio da boa fé torna ilícitas condutas de má fé se a parte demonstra que um
determinado sujeito estava agindo de má fé esse comportamento é ilícito.
O princípio da boa fé produz os deveres de cooperação processual.

3.0 Princípio da adequação


O processo para ser devido precisa ser adequado
Critérios de adequação do processo
Critério objetivo: O processo tem que ser adequado ao direito material afirmado.
Critério subjetivo do processo o processo tem que ser adequado aos sujeitos que vão
participar dele.
Critério telelógico adequação do processo aos seus fins.
O processo tem que se adequado aos três critérios.
Tradicionalmente o princípio da adequação era dirigido ao legislador, ele deveria estruturar
adequadamente o processo, sucede que atualmente a doutrina já fala em uma adequação
jurisdicional do processo, o juiz teria o dever de adequar o processo às peculiaridades do caso
concreto. O juiz pode fazer um ajuste processual tendo em vista as peculiaridades do caso, surgindo
o dever de adequação jurisdicional do processo.
Ex: prazo de 15 dias para fazer a defesa só que em determinados casos concretos o autor tenha
juntado muitos documentos não seria razoável o mesmo prazo de 15 dias para esse caso concreto
ativando o princípio da adequação jurisdicional do processo.
Princípio da elasticidade do procedimento adaptabilidade ou flexibilidade do procedimento tudo isso
é a adequação do processo pelo juiz é a possibilidade do juiz adequar ao processo de acordo com as
peculiaridades do caso.

4.0 Princípio da proteção da confiança aplicado ao processo


É um corolário do princípio da segurança jurídica ele impõe que se proteja a confiança que alguém
depositou em um ato do poder público, esse princípio na tem texto expresso na Constituição.
O princípio da segurança se extrai do princípio constitucional do estado de direito.
Quatro pressupostos para a tutela da confiança
Base da confiança que é o ato normativo. Lei/ ato administrativo
A confiança na base
Investimento na confiança
Um outro ato do poder público que frustra a confiança
Esses quatro pressupostos hoje é a base para que se entenda por exemplo que os tribunais tem o
dever de uniformizar a sua jurisprudência.
Com base no princípio da confiança os tribunais pode na decisão de quebrar confiança os tribunais
podem criar um período de transição para poder proteger a todos.
Em suma: O princípio da proteção da confiança se relaciona muito com os atos do poder público.

5.0 Preclusão

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5.1 Conceito é a perda de um poder jurídico processual, existe precluso para o juiz e para as partes
5.2 Fundamento da preclusão é um técnica processual que se fundamente basicamente em três
princípio, princípio da segurança jurídica o princípio da boa fé processual e o princípio da duração
razoável do processo.

5.2 Espécie de precluso


a) Temporal - perde-se o poder em razão do não exercício dele no prazo fixado.
b) Lógica _ é a perda do direito de praticar determinado ato em razão da prática anterior de um ato
com ele incompatível
Em suma : A preclusão lógica também se aplica ao juiz.
c) Consumativa – perde-se o poder processual em razão do exercício desse poder
Em suma: A preclusão é decorrência de fatos lícitos.

2. JURISPRUDÊNCIA CORRELATA

2.1 AgRg no REsp 1099550 / SP

DIREITO CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. LOCAÇÃO. AÇÃO DE
DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO CUMULADA COM COBRANÇA DE ALUGUERES E ENCARGOS.
EXECUÇÃO. DECISÃO QUE FIXA OS HONORÁRIOS PERICIAIS COMPLEMENTARES E DETERMINA QUE A
AUTORA-EXEQUENTE OS DEPOSITE. JUSTIÇA GRATUITA. DECLARAÇÃO DE
POBREZA. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM QUE PODE SER AFASTADA EM VIRTUDE DE ATO PRATICADO PELO
PRÓPRIO BENEFICIÁRIO QUE DEMONSTRE SUA DESNECESSIDADE. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DO NON
VENIRE CONTRA FACTUM PROPIUM. PRECEDENTE DO STJ. AGRAVO IMPROVIDO.
1. A declaração de pobreza não goza de presunção absoluta, sendo apenas juris tantum. Precedente da
Corte Especial.
2. Tendo a agravante, ao pagar os honorários periciais provisórios, claramente demonstrado sua
capacidade financeira de arcar com tais despesas, não pode ela, em momento posterior, simplesmente
alegar o contrário, uma vez que "Não se admite, no direito processual
brasileiro, o venire contra factum proprium" (RMS 29.356/RJ, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira
Turma, DJe 13/10/09).
3. Os princípios da segurança jurídica e da boa-fé objetiva, bem como a vedação ao comportamento
contraditório (venire contra factum proprium), impedem que a parte, após praticar ato em determinado
sentido, venha a adotar comportamento posterior e contraditório.

3. SIMULADOS

3.1. (Juiz Estadual 2012 – MT) No que se refere aos princípios que regem o processo civil e aos
relativos à jurisdição civil, assinale a opção correta.
a) O princípio da publicidade não impede que existam processos em segredo de justiça, no interesse das
próprias partes. Esse sigilo é restrito a estranhos, enquanto não prejudicar o interesse público à
informação, assim, por autorização do juiz, os atos processuais podem ser investigados e conhecidos por
outros, além das partes e seus advogados.
b) Pelo princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional, nenhum juiz será afastado de suas funções
sem que lhe sejam garantidos, em processo adequado, os direitos inerentes ao contraditório e à ampla
defesa.
c) Pelo princípio do contraditório, o autor pode deduzir a ação em juízo, alegar e provar os fatos
constitutivos de seu direito, e ao réu é assegurado o direito de contestar todos os fatos alegados pelo
autor, como também o de fazer a prova contrária, salvo em caso de revelia.
d) Por representar garantia constitucional que visa à proteção do interesse público representado pelo
patrimônio das pessoas de direito público, o duplo grau de jurisdição é exigido em todo e qualquer
processo em que tais pessoas sejam partes ou intervenientes.
e) É vedado às pessoas maiores e capazes, mesmo no caso de direito patrimonial disponível, entregar a
responsabilidade de solucionar eventual conflito de interesses a pessoa não integrante da

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estrutura do Poder Judiciário, bem como solucionar a lide por outros caminhos que não a prestação
jurisdicional.

3.2. (Juiz Estadual 2010 _MG) A propósito da Jurisdição, considere as seguintes proposições:

I - enquanto manifestação da soberania do Estado, a jurisdição não é passível de delegação a terceiros,


sendo exercida exclusivamente por magistrados investidos em conformidade com as regras da
Constituição Federal;
II - por força do princípio da aderência, a jurisdição está limitada ao espaço geográfico sobre o qual se
projeta a soberania do Estado;
III - a idéia matriz do princípio do juiz natural legitima a instituição de juízos e tribunais especiais,
destinados à solução de conflitos prévios e determinados, gravados de especial interesse social;
IV - embora não se instaure de ofício a jurisdição, os órgãos jurisdicionais do Estado devem oferecer
respostas a todos os conflitos que lhes sejam submetidos, ainda que omissa ou obscura a legislação em
vigor.
De acordo com as assertivas acima, pode-se afirmar que:
a) o item I é certo e o item II é errado
b) o item II é certo e o item III é errado
c) o item III é certo e o item IV é errado;
d) o item IV é certo e o item I é errado
e) não respondida.

3.3. (Juiz Estadual 2012- MT) Assinale a opção falsa.


a) Não constitui ofensa ao princípio do contraditório a concessão de liminar sem a ouvida da parte
contrária.
b) Há contraditório pleno no processo de execução
c) Não infringe o princípio do contraditório a proibição de a parte se manifestar nos autos nos casos de
prática de atos processuais protelatórios
d) Não significa desrespeito ao princípio constitucional do direito de ação a convenção de arbitragem
e) Não significa limitação ao direito de ação a exigência de pressupostos processuais e condições da ação

GABARITO
3.1. A
3.2. B
3.3. B

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