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Servidores públicos.

Expressão confundida com agentes públicos, pois na verdade agentes públicos seria o gênero
de pessoas físicas que trabalham na Administração Pública, enquanto servidor público seria
a espécie estatutária, concursados.
Antigamente servidores públicos eram chamados de funcionários públicos, quando anterior
à CF/88.

Agentes públicos.
Toda pessoa física ligada ou não por vínculo institucional à Administração Pública, entes
políticos ou qualquer pessoa jurídica de direito público que executam funções públicas,
prestam serviços públicos em nome da Administração Pública ou que estão sob
responsabilidade desta, exercem feixes de competências dos órgãos públicos, “múnus
público”, previsto em lei.
Servidor significa que a pessoa física serve ao Estado, como servidores públicos.
Ligados ou não, por exemplo, art. 327 CP, definindo serem funcionários públicos.
Teoria da imputação: é aplicada ao agente público, esta explica a relação entre o agente
público e os órgãos aos qual pertença.

Classificação.

Agentes políticos.
São aqueles que exercem funções previstas já na CF/88, em regra, administrativas, judiciais
ou quase judiciais, possuem estatuto de elevada gerência e ampla autonomia, sobre tudo para
as atividades fins, assemelhando-se a autonomia dos magistrados para decidir um processo.
Em regra, não são responsabilizados pelos seus erros no exercício das funções, salvo se de
má-fé ou grosseiros. Realizam decisões de elevada discricionariedade com certa carga
política. A maioria possui garantias especiais para o exercício do cargo ou função (ou mista).
Ocupam cargos nos órgãos independentes autônomos e superiores.
Exemplo: chefe do Executivo, secretários, ministros, chefe dos demais poderes,
parlamentares, magistrados, membros do MP, Defensoria Pública, Procuradores,
delegado de polícia, oficiais militares, AGU (há divergências).
Agente público é gênero, agente político é espécie.
Requisitos para ser agente político:
.deve estar previsto na CF/88, se não estiver não é agente político;
.ele decide com “autonomia de atuação”? Se a resposta for “não”, se não tem plena
autonomia, não pode ser considerado agente político.
.decisões devem possuir certa carga política, pode resolver, falar em nome do órgão
possui status de gerência (carreiras de gerência no órgão), por exemplo, magistrados (ele
manda, decide, tem, autonomia).
.alguns possuem garantias especiais, por exemplo, magistrado possui
inamovibilidade, vitaliciedade e irredutibilidade de subsídios. Agora, os secretários já não
possuem vitaliciedade, pois quando o governador quiser o dispensar, pode.
.possuem autonomia e agem com independência.

Temporários.
São aqueles que ocupam (exercem) funções na Administração Pública em razão da
necessidade transitória em face do cargo ou função estar vago, vinculando-se à
Administração a caráter precário (temporário). Em regra, e o ideal seria a contratação por
prazo determinado (06 meses a 02 anos, cabendo, por vezes, renovação por 01 vez) pelo
regime celetista – CLT, mas com norma de direito público determinando-lhe a aplicação,
regime único que coaduna (combina) com a contratação por tempo certo. Não obstante
alguns entes federados tenham espécies de estatutos disciplinando a contratação temporária
de forma muito semelhante aos estatutários concursados estáveis.
Exemplo: em São Paulo temos a Lei 500/74.
É uma forma de preencher a vaga até posterior realização de concurso público.

Agentes em colaboração.
São aqueles que colaboram com o Poder Público ainda que sem remuneração e
transitoriamente.
.por vontade: são os que colaboram espontaneamente, por exemplo, que prende em
flagrante delito, nos termos dos arts. 301 e 302 CPP. Quando diz que “qualquer do povo
poderá”, nesse momento o particular é agente em colaboração com a Administração Pública.
.por compulsão: são os requisitados, por exemplo, jurados, mesários em eleição, a
requisição não pode ser recusada. Maria Sylvia Zanella de Pietro denomina estes de agentes
honoríficos.
.em concordância ou agentes delegados: aqueles que concordam em prestar serviços
públicos por delegação, por exemplo, cartório policial (extrajudicial), cartório de registro
civil, notas e documentos, de imóveis, etc.

Agentes governamentais.
São os empregados públicos, isto é, são os celetistas que exercem emprego público na
Administração Indireta, nas empresas públicas, sociedades de economia mista e por vezes
nas fundações privadas mantidas pelo Poder Público. Ingressam por concurso público, mas
não gozam de estabilidade, tendo os mesmos direitos dos trabalhadores da iniciativa privada,
mas há entendimento de que embora possa ser demitida a qualquer momento, esta deve ser
motivada, por exemplo, empregados do Banco do Brasil, Correios, etc.

Servidores públicos.
Antiga expressão de funcionário público, em sentido estrito, são os que titularizam
efetivamente, ou seja, com a possibilidade de permanência, em cargo público, para exercer
determinadas funções. Ingressam por concurso público e após três anos, se aprovados em
estágio probatório, adquirem a estabilidade, isto é, direito a permanência no cargo (embora
o STJ em decisão isolada, entende que estágio probatório é uma coisa que poderia ser
cumprido em dois anos se a lei assim dispuser servindo apenas para aferir aptidão,
assiduidade, idoneidade, desempenho, etc., enquanto a estabilidade seria apenas o direito a
permanência após três anos de exercício, valendo essas regras para a esfera civil).
Exemplos:
_estatutários: aqueles que devem observar critérios para investidura no cargo, prestar
concurso público, mínimo de escolaridade, direitos, deveres, proibições, transgressões,
sanções administrativas (pena), podem sofrer processo administrativo disciplinar, devem
seguir o regime jurídico, a jornada de trabalho e suas atribuições, todas previstas em lei
própria, específica daquela categoria, chamado de estatuto ou lei orgânica.
_celetistas: há entendimentos de que com a EC 19/98 que alterou o caput do art. 39, hoje
restabelecida a primitiva redação por força de medida cautelar em “ADIN”, de 1998 a 2007
poderiam titularizar cargos públicos na Administração Direta e Indireta, também celetistas,
desde que, a legislação previsse, mas com direitos semelhantes ao dos estatutários. Antes de
1998 e pós 2007 vigora a locução “regime jurídico único dos servidores” que não precisa ser
somente um, cada ente federado pode ter vários, mas deve ser único dentro da mesma
categoria de agentes e também estatutário.
_militares (federal, estadual e distrital): seguem a mesma linha dos estatutários civis, mas com
regime jurídico próprio, estatutos próprios, direitos e deveres específicos.
Fundamento jurídico dos servidores públicos: art. 37 a 42 CF/88.

Acumulação de cargos, empregos ou funções.


_tirante: tirando os casos de acumulação de magistrados e promotor com o magistério, desde
que compatíveis os horários, podem acumular. A CF/88 ainda contempla aos servidores
civis:
.dois cargos de professor, por exemplo, servidor dá aula no ensino público de
geografia e presta concurso para dar aula de história;
.dois cargos de profissionais da saúde, por exemplo, dois cargos públicos de médico,
enfermeiro, etc.
.um cargo técnico-científico com um de professor: em se tratando de cargo técnico-
científico considera-se aquele que exige nível superior para ingresso.
Além disso, prefeito pode “licenciar-se” do cargo que titulariza (ocupa) e optar pelo maior
salário; e no caso de vereador se compatível com o horário e função pode “acumular” o
cargo com a vereança.
Observação: juiz e promotor podem acumular cargos com o magistério, para dar aulas nas
redes de ensino estadual e municipal, desde que, prestem concurso e peçam acumulação de
cargo. Em se tratando de dar aulas na rede privada, não é necessários acumular cargos, pois
é livre.

Definições de cargo, emprego e função.


O vínculo estabelecido entre o servidor e a Administração pode decorrer de um cargo,
emprego ou função pública.
_cargo: é o lugar ocupado na Administração Pública com denominação própria, atribuições
específicas e responsabilidades criadas por lei. É o menor centro de competência. De acordo
com o art. 3º da Lei 8112/90, cargo público é o conjunto de atribuições e responsabilidades
previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor. Acessíveis a
todos os brasileiros, os cargos são criados por lei e se constitui na mais simples unidade de
competência. A natureza jurídica entre os titulares de cargos e o Estado é estatutária,
institucional.
_emprego público: a natureza jurídica entre os ocupantes de emprego e o Estado é
contratual, basicamente regida pela CLT, respeitada as disposições constitucionais que
introduzem particularidades no regime trabalhista aplicável aos empregados do Estado.
_função: conjunto de atribuições e tarefas a ser desempenhada dentro ou fora do cargo.
Existem cargos públicos sem função? Não, porém o contrário existe. Na verdade, este seria
um conceito residual: não é cargo, não é emprego, então é função.
_provimento: é o ato de designar alguém para titularizar cargo público. A doutrina se refere
a provimento originário e provimento derivado:
.originário: aquele logo após o concurso, seleção ou indicação;
.derivado: aquele que decorre de promoção dentro da carreira (é igual ao conjunto de
cargos de mesma natureza).
O Brasil adotou a promoção horizontal, ou seja, não sai da carreira, ele não sobre, somente
se locomove para os lados. Ao contrário de Estados Unidos, Europa em que há a promoção
vertical, o servidor sobe.
_vacância: cargo, emprego ou função previsto em lei que está vago, deve ser aberto concurso
e titularizar esses cargos, empregos ou funções vagos. Ocorrem em razão de falecimento,
promoção, aposentadoria, etc.
Ingresso do servidor público.
Por concurso público de provas (classificação apenas pela nota dos exames) ou provas e
títulos (além das notas do exame, classificação final levará em conta pontuação obtida por
títulos, definidos em lei ou no edital, por exemplo, tempo de serviço, cursos, pós-graduação,
etc.).

Leis sobre os agentes públicos e regimes jurídicos.


_iniciativa reservada ao chefe do executivo (art. 61, § 1º, “c” CF/88) e (art. 24 CE), chamada
de cláusula de plenário.
_regime jurídico dos servidores: Celso de Mello “corresponde ao conjunto de normas que
disciplinam os diversos aspectos das relações estatutárias (lei orgânica com estabilidade) ou
contratuais (celetistas – CLT) mantidas pelo Estado (União, Estados-Membros, DF,
Município) com seus agentes.
Observação: se não iniciar no Poder Executivo é passível de nulidade formal, ou seja, o
procedimento adotado não é o correto. Quando material a matéria afronta a CF/88, sendo
considerado vício material.
_estatutários: são regidos por lei orgânica, não celebram contratos, ou seja, a Administração
impõe ao servidor suas regras. A Administração não negocia com o servidor, mas impõe as
regras.
_contratuais: são regidos por CLT (celetistas), que neste caso podem propor regras, normas,
acordos, etc.
Em regra, as carreiras típicas são estatutárias, por conta da permanência no cargo, gera
estabilidade, exceção os aprovados em concurso na vigência de 1998 a 2007 por conta da EC
19/98, que permitiu que a Administração contratasse por regime celetista.

Movimentação na Administração Pública.


_reintegração: é à volta ao cargo por decisão administrativa ou judicial, quando foi demitido.
É a forma de provimento derivado prevista na CF/88 art. 41, § 2º. A reintegração ocorre
quando o servidor estável ilegalmente demitido volta a titularizar cargo público. Este servidor
irregularmente demitido será ressarcido de todas as vantagens a que teria feito jus durante o
período de seu afastamento ilegal, inclusive às promoções por antiguidade que teria obtido
neste tempo. Caso seu cargo tenha sido extinto, o servidor ficará em disponibilidade até seu
adequado aproveitamento. No caso de estar se tratando de demissão ilegal de servidor não
estável, este também retorna ao serviço público, mas o retorno não poderá ser chamado de
reintegração.
Atenção:
Quando absolvido no processo penal a sentença penal deve alegar inexistência dos
fatos ou negativa de autoria, o servidor deve ser reintegrado no ato, é chamada de
reintegração obrigatória.
Se for por insuficiência de provas, o servidor não é reintegrado, desde que, consiga
comprovar que no processo administrativo não houve contraditório, pois o processo
está com vícios, aí será absolvido por insuficiência de provas.
Atenção.
Se a lei não distingue não pode o intérprete fazer distinção.
Exemplo: art. 37, I CF/88: acessos aos natos ou naturalizados. Se a lei não distingue
não importa ser nato ou naturalizado. Exceções: art. 12, § 3º, incisos I a VII CF/88.
Art. 37, X: servidor recebe “vencimentos” que engloba salário base + gratificações
em parcela única.
Art. XI: fixa o teto dos vencimentos em 90,25% dos Ministros do STF. Sendo que,
passando no mês do fixado, ocorre o fator de redução, corta-se e o excesso retorna
ao ente federado.
Diferenças entre demitido e exonerado.
.demitido: cometeram ilícitos ou crime;
.exonerado: pede para sair da Administração Pública, exceção: quando em
estágio probatório não demonstrando aptidão, poderá ser exonerado.

_recondução: quando um servidor por alguma razão foi para outro cargo, mas não poderia
estar ocupando, assim é reconduzido ao seu cargo anterior. É o retorno para o cargo de
origem, decorre dos estatutários pela estabilidade. É o retorno do servidor estável ao cargo
que dantes titularizava, quer por ter sido inabilitado no estágio probatório ou por ter sido
desalojado pela reintegração daquele cuja vaga ocupou.

_reversão: retorno para o cargo em razão da revogação da aposentadoria. Previsto no art. 25


da Lei 8112/90, é o ato de designação para que o aposentado volte a titularizar cargo público,
podendo ser de ofício ou a pedido.
_readaptação: é a designação para outras funções equivalentes, mas compatíveis com as
limitações de saúde. É o ato de designação para que o servidor, estável ou não, possa
titularizar cargo mais compatível com a limitação física ou mental que lhe sobrevier. O cargo
provido por readaptação deverá ter atribuições afins às do anterior, devendo ser respeitada a
habilitação exigida, o nível de escolaridade e a equivalência de vencimentos.

_disponibilidade: direito a aguardar um re-enquadramento em novo cargo, caso o de origem


seja extinto, com vencimentos proporcionais.

_desincompatibilização: remanejamento quando a incompatibilidade para o exercício de


cargos não acumuláveis.

_aproveitamento: é o re-enquadramento do agente público em outro cargo, após o de origem


ser extinto e permanecido em disponibilidade. É o preenchimento de cargo por servidor
estável que fora posto em disponibilidade devido à extinção do cargo que ocupava ou
declaração de sua desnecessidade.

_vacância: é o cargo que se torna vago, pode ser por exoneração, quando se dá a pedido ou
de ofício no estágio probatório por insuficiência ou inaptidão, demissão (punitiva por
processo administrativo ou decisão judicial), invalidez, idade, tempo ou contribuição
(cassação da aposentadoria e disponibilidade) quando comprovado que ainda na ativa
ensejou a demissão, demitido, retiram-se os proventos.
Observação:
A desinvestidura, conhecida como vacância, é o desligamento do agente público
correspondente à sua destituição do cargo, emprego ou função. As hipóteses são:
.falecimento;
.aposentadoria;
.perda do cargo, emprego ou função; desligamento em virtude de sentença judicial
em ação penal ou civil de improbidade administrativa;
.dispensa: desligamento daquele admitido pelo regime da CLT, sem que haja justa
causa;
.demissão: desligamento por justa causa, quando há infração disciplinar. Depende de
processo administrativo em que se assegure a ampla defesa, seja para servidores estáveis, seja
para servidores em estágio probatório;
.exoneração: desligamento a pedido ou de ofício, sempre com caráter punitivo.

Aposentadoria.
A regra geral é 10 anos no serviço e de 05 anos no cargo.
Com 60 anos de idade e 35 anos de contribuição, se homem.
Com 55 anos de idade e 30 anos de contribuição, se mulher.
Proporcionais ao tempo de contribuição:
.65 anos de idade para homem
.60 anos de idade para mulher.

Aposentadoria compulsória.
É de ofício, adquirem-se quando atinge a idade de 70 anos, (observação: ‘PEC da muleta’
alterou para 75 anos idade mínima para aposentadoria compulsória).

Regime de previdência.
O regime de previdência do servidor é de caráter contributivo e solidário, mediante
contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas,
observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial.

Vinculação institucional.
Temporário celetista, estáveis celetistas (estatutários e celetistas); estáveis ADCT art. 19;
mandado eletivo, livre nomeação, vitalícios.

Perda da vinculação.
_exoneração: desligamento a pedido ou de ofício, sempre com caráter punitivo.
_demissão: desligamento por justa causa, quando há infração disciplinar. Depende de
processo administrativo em que se assegure a ampla defesa, seja para servidores estáveis, seja
para servidores em estágio probatório;
_dispensa: desligamento daquele admitido pelo regime da CLT, sem que haja justa causa;

Serviços Públicos.
São regidos por princípios, a saber:
_mutabilidade: significa que o regime jurídico pode ser mudado a qualquer tempo, ou seja,
quando há mudança do regime jurídico;
_continuidade dos serviços públicos: o serviço público não pode parar devendo ser
realizados plantões em finais de semana, feriados, emendas, férias, entre outros. Quanto ao
direito de greve, será utilizada na omissão do Congresso Nacional a lei que disciplina o setor
privado.
Requisitos para o exercício do serviço público que decorrem do princípio da continuidade:
_regularidade: o serviço público deve ser prestado sempre com a mesma eficiência.
_continuidade ou permanência: os serviços públicos, sendo indispensáveis, devem ser
contínuos, não podendo ser interrompidos.
_segurança: a prestação de serviços públicos não pode colocar em risco os destinatários.
_eficiência: o serviço público deve ser prestado de forma satisfatória, quantitativa e
qualitativamente.
_atualidade: devem sempre estar atualizados. Compreende a necessidade da busca da
modernidade das técnicas, do equipamento e das instalações e a sua conservação, bem como
a melhoria e expansão do serviço.
_generalidade: atender a todos sem distinção. Os serviços públicos devem ser prestados a
todos. O prestador dos serviços deve garantir atendimento abrangente ao mercado, sem
exclusão das populações de baixa renda e das que habitam em zonas de reduzida densidade
populacional, nestas incluídas as áreas em zona rural;
_cortesia: deve ser cortês e com urbanidade. Os usuários devem ser tratados com urbanidade,
respeito, educação e atenção.
_modicidade: de graça ou o mais barato possível. As tarifas devem ter preços módicos, ou
seja, razoáveis e acessíveis.

Definição de serviços públicos.


É um subitem da atividade administrativa, sendo um feixe maior exercido pelos seus entes,
diretos ou indiretos.
“Toda atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade fruível preponderantemente
pelos administrados, prestado pela Administração ou por quem faça às vezes sob o regime
jurídico de direito público instituído em favor de interesses definidos como próprios pelo
ordenamento jurídico. São prestados por órgãos da Administração Direta e, sobretudo pelas
Autarquias, Fundações, Sociedade de Economia Mista e particular.
Observação: “em regra, os bens da Administração são impenhoráveis quando prestando
serviços tipicamente públicos em virtude do princípio da continuidade do serviço público”.
Dica: para solução de conflitos, deve se verificar se o serviço é público, verificar as leis que
disciplinam aquela matéria.

Tipos de serviços públicos.

Próprios.
São prestados de forma concentrada, ou direta pela Administração Pública ao cidadão, sendo
direito do cidadão (uti universi) remunerado por tributos, atingem número indeterminado de
pessoas. Quando são prestados pelos órgãos da Administração Direta, não são remunerados
por tarifa, por exemplo, saúde (hospital público), educação (escola pública), defesa nacional
(polícia), etc.
São prestados para a coletividade, remunerados por tributos (impostos).
São serviços intimamente relacionados com as atribuições do Poder Público, essenciais, cuja
delegação não é possível, por exemplo, segurança pública.

Impróprios.
São serviços privados, comuns, porém prestado pela Administração de forma descentralizada
por preço público ou taxa (uti singuli). Quando de forma descentralizada são remuneradas
diretamente ao ente federado (Administração Indireta, considerados tributos parafiscais ou
diretamente aos concessionários e permissionários), por exemplo, telefonia, transporte
coletivo.
Observação.
Descentralização ocorre por outorga ou delegação.
_outorga: decorre de lei a transferência da prestação do serviço público;
_delegação: o particular presto em nome da Administração.
Observação.
_preço público: é chamado de tarifa, aparece na descentralização, quando particular presta
serviços públicos em nome da Administração;
_preço semi-privado: deixa o mercado financeiro se regular.
A taxa aparece na Administração Direta e Indireta, quando em exercício do Poder de Polícia,
pois é modalidade de tributo.
Poder de Polícia: art. 145 CF/88.
Espécies de serviços impróprios prestados por particular.
_autorização: há quem entende não ser serviço público, mas de fato o é, pois invade campo
de interesse da Administração como transporte, sendo por ela fiscalizada. Exemplo: o serviço
de táxi é considerado uma autorização da Administração Pública ao particular. A autorização,
ato administrativo precário e discricionário, apresenta um maior interesse para o particular
que as demais modalidades de delegação de serviços públicos, existindo o controle da
Administração Pública em face do interesse coletivo de determinadas atividades. A
autorização é formalizada por decreto ou portaria. Não há necessidade de licitação para
delegação através da autorização, podendo esta ser remunerada por meio de tarifa. Exemplo:
taxista, despachantes, vigias particulares, porte de arma, etc.
_concessões: Lei 8987/95 sempre precedida de licitação na modalidade concorrência,
mediante contrato formal, firmado apenas por Pessoa Jurídica, por exemplo, os serviços
prestados em rodovias pelas empresas concessionárias. Segundo o disposto no art. 2º, II da
Lei 8987/95 é um serviço público realizado por meio de um contrato em que há a
transferência da prestação de serviço público, feita pela União, Estados, DF e Municípios, a
pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para o seu desempenho,
por sua conta e risco e por prazo determinado. A remuneração será feita através de tarifa,
subsídio e outros, por exemplo, publicidade em ônibus com anúncio. Deve ser fixado prazo
na lei, admitindo-se a prorrogação desde que haja previsão.
_permissões: em regra, mediante licitação por concorrência, sem contrato, mas com termo
de adesão, firmado com pessoas físicas ou jurídicas, por exemplo, serviços de telefonia. Diz
a Lei 8987/95, em seu art. 2º, IV, que permissão de serviço público é “a delegação, a título
precário, mediante licitação da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à
pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e
risco”. Doutrina majoritária vem aceitando a permissão de prestação de serviço público
como contrato de adesão. A permissão pode ser gratuita ou onerosa, exigindo, no segundo
caso, a remuneração através de tarifa.

Serviços privados vedados.


Serviços previstos no art. 173 CF/88, de natureza econômica ou com fins lucrativos,
prestados pela Administração excepcionalmente através de suas pessoas de direito privado
(Empresa Pública e Sociedade de Economia Mista). Desde que, haja relevante interesse
público, ou seja, em prol da segurança nacional, ou em razão de ausência de prestador
privado.
Caio Tácito apresenta as seguintes classificações:
_serviços administrativos: Administração presta para manter sua própria estrutura, por
exemplo, por meio de secretária;
-serviço de empresa: de natureza econômica e lucrativa prestada por particular (uti singuli);
_serviços sociais: Administração presta de forma difusa à coletividade (uti universi).

Rescisão por ato unilateral do poder concedente.


Encampação.
É o encerramento da concessão por ato do poder concedente, por motivo de conveniência
e oportunidade administrativa, sem que o concessionário tenha dado causa ao ato extintivo.
É o interesse público superveniente tornando mais conveniente a prestação do serviço de
forma direta. Depende de lei específica que autorize como forma de proteção ao
concessionário e também enseja grandes custos. É necessária prévia indenização que
compense o investimento ainda não amortizado e os lucros cessantes pela extinção
prematura do contrato de concessão, já que não há culpa do concessionário. Os bens
revertem ao poder concedente.
Caducidade.
É o encerramento da concessão antes do prazo, por inadimplência parcial ou total do
concessionário. Depende de prévio processo administrativo.