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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBCO

CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIÊNCIAS


DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA
LABORATÓRIO DE ENGENHARIA QUÍMICA 2

BOMBAS E VENTURI
1. INTRODUÇÃO
Bomba centrífugas são largamente utilizadas em industrias. Elas transformam
energia elétrica em energia mecânica para rotor da bomba , que é transferida o
líquido, com o fim de transporte ao longo de dutos.
Essas bombas podem ser caracterizadas por curvas que levam em conta, por
exemplo, a carga e potência na medida que são registradas vazões diferentes.
Através desse estudo, é possível avaliar a adequação de uma bomba a determinado
projeto. Além disso, caso seja requerido, é possível estudar a possibilidade do uso
de mais de uma bomba, seja em série ou em paralelo. A primeira configuração
promoverá uma carga maior; já a segunda, uma vazão maior, comparada a uma
bomba individual somente.
O fluido utilizado foi a água, e a equação de Bernoulli (Equação 1) abaixo foi
necessária para o cálculo e desenvolvimento dos gráficos das curvas características
de cada bomba.

[1]

Onde:
pi = pressão, em Pa
ρ = massa específica do fluido, kg/m³
Vi = velocidade do fluido, em m/s
g = gravidade, 9,81 m/s²
zi = altura, em metros
A vazão em um tubo de venturi se relaciona com a queda de pressão através
da seguinte equação:
𝑄 = 𝑘√∆𝑃 [2]
Sendo assim, realizando uma regressão linear onde a vazão é x e a raiz da
queda de pressão é y com os dados coletados no experimento, é possível
determinar k.

2 OBJETIVOS
2.1 Geral: Estudar os diferentes tipos de associação de bombas e seus
requisitos e aplicações, bem como obter as curvas características para bombas
usadas individualmente, em série e em paralelo.
2.2 Específicos:
a) Obter a curva característica para uma bomba centrífuga individual, variando-se a
rotação do rotor, que causará mudanças na vazão, registrando-se, assim, as
pressões manométricas e vacuométricas.
b) Obter a curva característica para uma bomba centrífuga individual, variando-se a
abertura da linha de recalque, que causará mudanças na vazão, registrando-se,
assim, as pressões manométricas e vacuométricas.
c) Obter curvas características para um sistema de bombas centrífugas em série e
em paralelo, variando-se a rotação do rotor, que causará mudanças na vazão,
registrando-se, assim, as pressões manométricas e vacuométricas.
d) Construir curvas características das bombas em série e em paralelo através dos
dados experimentais das configurações individuais.
e) Comparar as curvas características para cada situação utilizada nesse
experimento.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

3.1 Procedimento experimental


Parte 1:
1. Preparar a bancada para a operação da bomba 2 operando individualmente.
2. Variar a rotação da bomba pelo potenciômetro para porcentagens pré-
definidas.
3. Anotar as leituras do manovacuômetro, manômetro e da vazão nos devidos
instrumentos da bomba 2.
Parte 2:
1. Preparar a bancada para a operação da bomba 2 operando individualmente.
2. Para a válvula de recalque da bomba, estabelecer diferentes regulagens (de
100 a 20% de abertura), com uma mesma rotação escolhida.
3. Anotar as leituras do manovacuômetro, manômetro e da vazão nos devidos
instrumentos da bomba 2.

Preparar a bancada para a operação das bombas 1 e 2 operando em série.


1. Variar o estrangulamento da vávula para os valores pré-determinados
2. Anotar as leituras do manovacuômetro da bomba 1, manômetro e da vazão
nos devidos instrumentos da bomba 2.
Parte 3:
1. Preparar a bancada para a operação das bombas 1 e 2 operando em
paralelo.
2. Para a válvula de recalque das duas bombas, estabelecer a regulagens de
25, 50, 75 e 100% aberta. Para a bomba 2, 100% aberta.
3. Anotar as leituras do manovacuômetro, manômetro e da vazão nos devidos
instrumentos das bombas 1 e 2.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Obtenção das curvas características
Variando-se a frequência de rotação das bombas foi possível varia-se
leituras as pressões na sucção e no recalque, bem como a vazão de água.
Baseando-se, então, nesses dados, foi construído o gráfico presente na Figuras 2 e
3. Observa-se que quanto maior a vazão de água, maior será a carga obtida e
quanto maior a rotação da bomba, maior a vazão.

Carga x Vazão
4,5

3,5
CARGA (M)

2,5

1,5
4,50 5,00 5,50 6,00 6,50 7,00 7,50
VAZÃO (M³/H)

Figura 1. Curva experimental – Curva Carga x Vazão para bomba individual, alterando-se a
rotação da bomba.

Vazão x Rotação
2200

2000
ROTAÇÃO (RPM)

1800

1600

1400

1200

1000
4,00 4,50 5,00 5,50 6,00 6,50 7,00 7,50
VAZÃO (M³/H)

Figura 1. Curva experimental - Curva Vazão x Rotação para bomba individual.


Os dados foram colhidos de forma análoga com frequência de 50% da
máxima, com o fim de se obter a curva característica que será usada para o cálculo
e gráfico de bombas em série e em paralelo. Tem-se, nas Figuras 4 e 5, os
resultados. Os dados experimentais detalhados estão no Apêndice B.
Carga x Vazão (Bombas em
Série)
Carga x Vazão (Bombas em Série Vazão x Carga (Bomba Individual)

10

8
CARGA (M)

0
0,00 1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00
VAZÃO (M³/H)

Figura 2. Curva para bombas em série calculada através da curva experimental da bomba
individual.

Carga x Vazão (Bombas em


Paralelo)
Carga x Vazão (Bombas em Paralelo) Carga x Vazão (Bomba Individual)

4
CARGA (M)

0
-2 0 2 4 6 8 10 12
VAZÃO (M³/H)

Figura 3. Curva para bombas em paralelo calculada através da curva experimental da bomba
individual.

Os gráficos das Figuras 4 e 5 permitem determinar as curvas características


das bombas em série e em paralelo sem se realizar o experimento com duas
bombas acionadas simultaneamente. Na Figura 4, as cargas são somadas,
mantidas as vazões. Já na curva da Figura 5, somaram-se as vazões, mantidas as
cargas.
4.2 Curvas características para as configurações em série e em paralelo.
Usaram-se duas bombas em série e em paralelo com estrangulamentos de 25
a 100%, registrando-se as pressões de recalque e de sucção definidas e as vazões
médias. Também foram realizadas as medidas para as potências de 50% e 35% das
bombas em paralelo. As Figuras 6 e 9 mostram as variações da vazão em relação
aos estrangulamentos e as perdas de carga relativas ao a cada vazão usada na
configuração em série.

Vazão x estrangulamento
7

5
ROTAÇÃO (RPM)

0
4,5 24,5 44,5 64,5 84,5 104,5 124,5
VAZÃO (%)

Figura 4. Curva experimental para a configuração de 2 bombas em série (Vazão x


etrangulamento da vávula) com 1665 rpm.

Vazão x estrangulamento
12

10

8
VAZÃO (RPM)

0
4,5 24,5 44,5 64,5 84,5 104,5
ESTRANGULAMENTO (%)

Figura 7. Curva experimental para a configuração de 2 bombas em paralelo (Vazão x


etrangulamento da vávula) com 1665 rpm.
Vazão x estrangulamento
9
8
7
6
VAZÃO (RPM)

5
4
3
2
1
0
4,5 24,5 44,5 64,5 84,5 104,5
ESTRANGULAMENTO (%)

Figura 8. Curva experimental para a configuração de 2 bombas em paralelo (Vazão x


etrangulamento da vávula) com 1165,5 rpm.

Vazão x Carga
10,5
9,5
8,5
7,5
CARGA (M)

6,5
5,5
4,5
3,5
2,5
1,5
1,00 2,00 3,00 4,00 5,00 6,00 7,00
VAZÃO (M³/H)

Figura 9. Curva experimental para a configuração de 2 bombas em série (Carga x Vazão)


com 1665 rpm.

Observa-se que curvas se comportaram como esperado, havendo uma


crescente vazão à medida que se reduz o estrangulamento, e uma crescente carga
a medida que a vazão aumenta.
Comparando-se as curvas paras as bombas individuais e em série, observa-se
apenas um leve aumento da vazão para cada rotação considerada quando estava
sendo usado bombas em série.
Analizaram-se então as perdas de carga das bombas em paralelo com
diferentes estrangulamentos e duas diferentes frequências de rotação.

Vazão x Carga
6

4
Carga (m)

0
1,50 3,50 5,50 7,50 9,50 11,50 13,50
Vazão (m³/h)

Figura 10. Curva experimental Carga x Vazão para a o sistema em paralelo com 1665
rpm.

Vazão x Carga
601,5

501,5

401,5
Carga (m)

301,5

201,5

101,5

1,5
4,00 5,00 6,00 7,00 8,00 9,00
Vazão (m³/h)

Figura 11. Curva experimental Carga x Vazão para a o sistema em paralelo com 1165,5
rpm.
Observou-se um comportamento não esperado, pois em um dos casos, a
perda de carga aumentou, conforme o aumento de vazão, como se esperava, mas
em outro, a perda de carga diminuiu a medida que a vazão aumentava.
Isso provavelmente ocorreu porque a rotações menores, a perda de carga devido ao
estrangulamento passa a ser mais sensível que a perda de carga devido ao atrito e
mudanças bruscas de direção.
3.3 Tubo de Venturi

A vazão em um tubo de venture se relaciona com a queda de pressão através da


seguinte equação:
𝑄 = 𝑘√∆𝑃
Sendo assim, realizando uma regressão linear onde a vazão é x e a raiz da queda de
pressão é y com os dados coletados no experimento, é possível determinar k. A Figura 1
mostra os dados experimentais e a curva de regressão.
7,00

6,00

5,00 y = 8.3711x - 0.7543


Vazão (m3/h)

4,00

3,00

2,00

1,00

0,00
0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9
Raiz quadrada da queda de pressão (bar1/2)

Figura 1. Relação entre queda de pressão e vazão.


A equação linear então fica,
𝑄 = 8.3711√∆𝑃 − 0,7543
Logo, através da queda de pressão fica fácil determinar os valores de vazão. O valor
de k encontrado foi de 8,3711.
1.1. Estudo da regressão linear
Para avaliar a confiança do modelo desenvolvido pela regressão linear foi feito um
teste F. Os parâmetros calculados estão resumidos na Tabela 1.
Tabela 1. Parâmetros calculados para o test F.
Grau de Soma dos Média
F
liberdade quadrados quadrática
Regressão 1 14.1830 14.1830 7611
Erro 6 0.0112 0.0019 **
Total 7 14.1941 14.1848 **

Adicionalmente, é possível determinar visualmente se a regressão é linear através da


comparação dos erros entre valor medido e calculado pelo modelo e as medições. Para tanto, a
Figura 2 que representa graficamente esta relação.
0,06

0,04

0,02

0,00
Erro

1 2 3 4 5 6 7
-0,02

-0,04

-0,06

-0,08
Vazão (m3/h)

Figura 2. Relação entre erro e vazão.


Como esperado, o erro associado apresenta comportamento aleatório e por isto, o
modelo linear é satisfatório.

5 CONCLUSÃO
Observou-se que a medida que se aumenta a vazão, tem-se maior perda de
carga, por outro lado. Da mesma forma, a medida que se aumenta o
estrangulamento, se tem maior perda de carga, e esse efeito se torna mais com
evidente para baixas vazões, tornando a perda de carga menor a medida que se
aumenta a vazão, para vazões muito baixas.
6 REFERÊNCIAS
FOGLER, H. S. – Elementos de Engenharia das Reações Químicas – Rio de
Janeiro, 1999.
FOUST, A. S. et al. – Princípios das Operações Unitárias – Rio de Janeiro, 1982.
FOX, R. W. Introdução à Mecânica dos Fluidos. Rio de Janeiro: LTC, 2001.