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O POVO AINU

O povo Ainu (palavra que quer dizer humano) é indígena e uma minoria
étnica. Este povo pode ser encontrado em Hokkaido a segunda maior ilha do
arquipélago do Japão. Esta ilha era conhecida como Ainu Moshir, e foi formalmente
incluída pelo Japão em 1868.
Não há a certeza de quantos Ainus há hoje em dia, mas calcula-se sejam mais
de 150.000. Esta quantidade não é bem conhecida já que houve mistura com outros
povos (miscigenação) e também porque muitos Ainus escondem a sua origem
devido a questões racistas.
Era um povo inicialmente recoletor, pescavam salmão, caçavam ursos, e
juntavam madeiras e bagas. Há cerca de 18.000 anos, no período Glacial, ainda
Hokkaido estava ligado à Ásia por terra, os Ainu foram à procura de alimentos e
ficaram a viver nesta ilha.
Consideravam as coisas vivas ou objetos inanimados, como facas de caça, como
um Deus, o Kamuy, disfarçado espírito visitante do mundo terreno. Para que o seu
Deus voltasse ao mundo espiritual, o
povo Ainu realizava rituais, com
doações de alimento e oração. Na
sua cerimónia principal venerava o
urso, de onde vinham os alimentos,
as pele, os ossos e as ferramentas.
Os homens tinham barbas e
bigodes. E tanto os homens como as
mulheres tinham o cabelo pela altura Homem e Mulheres Ainu

dos ombros.
As meninas tatuavam a boca e os lábios por volta dos 10-12 anos. Quando
as tatuagens eram concluídas, por volta dos 14-15 anos de idade, eram consideradas
como mulheres e preparavam-se para o casamento. Uma das inúmeras tradições que
foram proibidas.
Entre os séculos XIV e XVII, controlavam as
vias marítimas, como pescadores e como
comerciantes, e serviram como importantes
intermediários entre os mercados do Japão, Coreia,
Rússia, China, Manchúria, e Holanda.
Em 1868 começou uma agitação política no
Japão trouxe a Restauração Meiji. Este novo governo
incentivou os cidadãos japoneses a ir para Hokkaido,
para explorar os seus recursos naturais.
O governo Meiji e os imigrantes japoneses
Homem Ainu em 1880 perceberam que a vida tradicional do povo Ainu era
uma dificuldade para o progresso, e foram criadas políticas
para civilizar o povo Ainu. Durante a colonização, o povo Ainu foi proibido de
caçar ursos e veados ou pescar salmão, que era o seu principal alimento, e até há
bem pouco tempo, precisavam de uma licença especial para o fazer. Foram também
obrigados a fugir para outros locais da ilha, porque começaram a utilizá-los como mão-
de-obra para construções. Por estes motivos, durante esta época houve muitos mortos.
Em 1899, a ilha já tinha sido colonizada e o povo Ainu já tinha perdido as suas
terras, os seus recursos naturais, o seu dialeto e os seus direitos.
Muitos descendentes até há bem pouco tempo escondiam a sua origem devido
a questões raciais, e muitas vezes os pais e os avós mantiveram a sua ascendência Ainu
secreta, dos filhos tentando proteger desta forma as crianças de eventuais problemas
sociais e de não se conseguirem integrar-se totalmente na sociedade Japonesa.
Mesmo com estas pressões, a cultura Ainu sobreviveu, e em 1997 houve
uma mudança de legislação, e foi criada a primeira lei japonesa a apoiar a cultura e a
língua Ainu. Várias diligências estão a ser
promovidas para fazer renascer a língua Ainu
e para preservar e manter a sua cultura.
Aulas de língua Ainu são realizadas em várias
partes de Hokkaido. Mas mesmo com esta
nova lei a discriminação contra o povo Ainu
continua nos dias de hoje, e tornou-se num
problema social do Japão, com a
Festival Ainu
discriminação contra este povo. Mas mesmo
assim cada vez mais jovens, perdem o medo da discriminação e afirmam com orgulho,
perante a sociedade japonesa, a sua ancestralidade e são eles os novos embaixadores
deste povo que quase foi eliminado da Terra.
É realizado anualmente um festival que ocorre Hokkaido, onde se reúnem os
descendentes do povo Ainu, ensinando a manter as suas raízes e tradições. Neste
festival a gastronomia é baseada em pratos típicos de salmão como o Ishikari-nabe
e o Ruibe. Tocam também músicas tradicionais, que podem ser divididas em dois grupos,
as épicas e as quotidianas, cantadas de forma improvisada e acompanhadas
por o tonkori e o mukkuri.
Ainda hoje em dia o povo Ainu
respeita as coisas úteis e aproveitáveis
para eles, ora e realiza cerimónias para o
seu Deus. Os mais novos estão
totalmente integrados, mas por outro
lado os mais idosos sobrevivem em
condições de pobreza e praticamente
no esquecimento, apesar de viver
Ishikari-nabe
numa das maiores potências Tonkori
económicas mundiais.

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